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A Catolicidade da Igreja

Leitura Bíblica: 1Co 12.12,13

O Credo Apostólico nos apresenta os atributos da verdadeira Igreja


de Cristo: unidade, santidade e catolicidade. Recapitulando o que temos
visto há algumas semanas, quando falamos da unidade da Igreja, estamos
tratando do fato de ela ser uma só, unida sob o senhorio de Cristo, que é o
seu Cabeça; a santidade da Igreja é uma referência à sua consagração a
Deus, no sentido de ser a Igreja de Cristo responsável por uma tríplice
missão, a qual consiste em adorar a Deus, edificar seus membros e
evangelizar o mundo.

Nesta noite, vamos trabalhar a catolicidade da Igreja de Cristo. O


termo pode causar algum estranhamento quanto ao seu uso no meio
protestante, afinal, nosso contato com a palavra “católico” irá nos remeter
à uma organização religiosa: a Igreja Católica Apostólica Romana. No
entanto, o uso que o Credo faz da expressão não tem este sentido, mas a
conotação da universalidade da Igreja de Cristo.

Ao afirmar que a Igreja de Cristo é católica, portanto, a mensagem é


de que a Igreja tem uma mensagem para todas as idades, em todos os
tempos, em todos os lugares. A mensagem da Igreja não pode ser
personalizada conforme os seus tempos, ou conforme o seu público: a
Igreja de Cristo tem uma só mensagem, a proclamação do Evangelho, que
deve se fazer conhecida de todos os povos, em todos os tempos.
Os Pais da Igreja usaram a expressão “católico” para dizer que a Igreja
de Cristo é mais do que uma comunidade local, mas esta reunião de todos
os crentes em todos os tempos em todos os lugares.

A Confissão de Fé de Westminster afirma: “A Igreja católica ou


universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram,
dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob
Cristo, sua cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre
tudo em todas as coisas”.

I. UMA SÓ IGREJA
Para início de conversa, precisamos reforçar que há apenas uma única
Igreja de Cristo. Ainda que a gente considere os atributos da Igreja de
forma separada por fins didáticos, eles estão entrelaçados uns aos outros.
Todos os eleitos de Deus estão unidos a Cristo, e o Senhor não está
dividido. Com base nesta unidade, a Igreja de Cristo está unida ao seu
Senhor.
Quando um grupo ou denominação advoga para si a catolicidade, isto
é, afirma que somente neste grupo está a salvação, há um equívoco de
termos muito grave. Além de uma inconsistência linguística: por exemplo,
se a igreja é católica, ela não pode ser ao mesmo tempo romana.
A Igreja é Universal em sua comunhão, a chamada comunhão dos
santos, aqueles que foram santificados por Cristo e desfrutam de
comunhão também uns com os outros.
Mas a Igreja, como existe realmente na terra, foi considerada como a
comunidade dos santos. E não é somente a Igreja invisível que foi
entendida assim, mas a Igreja visível também. Estas não são duas Igrejas,
mas uma somente e, portanto, têm apenas uma única essência. Uma, bem
como a outra, é essencialmente a communio sanctorum, mas a Igreja invisível
é a Igreja como Deus a vê, uma Igreja que só contém crentes, ao passo que
a Igreja visível é a Igreja como o homem a vê, composta dos que professam
a Jesus Cristo, juntamente com seus filhos e, portanto, julgados como sendo
a comunidade dos santos.

II. A UNIVERSALIDADE DA GRAÇA


Uma só é a Igreja de Cristo entre as nações. Sob o Evangelho, a Igreja
de Cristo não está mais restrita a apenas uma nação, como foi com Israel.
Os indivíduos da Igreja (sejam gregos ou judeus, escravos ou livres) são
membros da igreja. O que acontece na Igreja de Cristo é o cumprimento de
todas as promessas pactuais, onde o Senhor afirmara que iria criar um
povo para Ele.
Um povo que, independentemente da origem, da cor da pele, da
orientação política, é feito povo de Deus pelo próprio Deus. É nestes termos
que as Escrituras tratam da relação entre os cristãos, que são irmãos.
Como a graça é universal, a mensagem da Igreja é universal. Cristo é
o caminho para que todos os homens possam reconciliar-se com Deus.
Assim, as igrejas locais também não devem ter um tipo de mensagem para
uma classe específica de pessoas. Não vemos este modelo de igreja em o
Novo Testamento.

III. UNIDADE ENTRE A IGREJA MILITANTE E A IGREJA


TRIUNFANTE
Em Teologia, costumamos chamar de Igreja Triunfante aquela que é
constituída pelos irmãos que já partiram desta vida, se encontrando na
presença do Senhor. Denominamos de Igreja Militante aquela que é
formada por todos aqueles que crêem em Cristo e, que continuam nesta
vida ativos contra o pecado, o mundo e Satanás.
Os heróis da fé que já partiram desta vida, são espectadores, enquanto
nós, que continuamos nesta peregrinação terrena, estamos vivendo numa
antítese ativa contra os valores e práticas deste mundo. “Para a Igreja que
agora vive e luta, tais testemunhas são herança preciosa e elemento de
ajuda e encorajamento”.161 (Vd. 2Tm 4.7-8; Fp 1.21-26; Hb 12.1-3; Hb 11.1-
40).
Há uma ligação entre nós e os nossos irmãos que já morreram. Todos
pertencemos à mesma Igreja, fomos alcançados pela mesma graça, tendo o
mesmo dom da fé. Desta forma, a Igreja é católica porque é composta por
todos aqueles que creram; os fiéis ao Senhor de todas as eras, quer já
tenham morrido, quer estejam entre nós, ainda vivos. Um dia, todos nós
nos encontraremos, nos constituindo no evidente testemunho da
catolicidade da Igreja de Cristo, que é o seu Corpo, o qual na era presente,
atinge o céu e a terra. Agora, então, como Igreja Militante, “....visto que
temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-
nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com
perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o
Autor e Consumador da fé, Jesus....” (Hb 12.1-2). Que Deus nos ajude!

APLICAÇÃO PRÁTICA
Pensemos na situação política e social do Brasil, na atualidade. Hoje,
o país está dividido, fraturado. Não se consegue ter cinco minutos de
conversa sobre política, pois agora estamos divididos, esquerda e direita,
socialistas e democratas, tensão de todos os lados, minorias sendo
favorecidas em detrimento da maioria. O que podemos oferecer a esta
nação? A catolicidade da igreja, a celebração do fato de que, em nome de
Deus, o Pai, o Filho e o Espírito, pessoas diametralmente diferentes se
reúnem no mesmo ambiente para celebrar e glorificar ao nome santo do
Deus Todo-Poderoso.
E o que é mais bonito: essas pessoas criam laços e relações afetivas de
amizade real. Nenhum partido político consegue fazer isso, nem decreto
estatal, nada consegue produzir isso, mas o Evangelho, na força do
Espírito, consegue. Pessoas que talvez nunca se olhassem no rosto, lá fora,
reunidos como igreja se tratam como irmãos e irmãs em Jesus Cristo.
Prontos a servir, a carregar os fardos uns dos outros – isso é cristianismo,
e prova a veracidade da nossa mensagem. O mundo não tem como
produzir isso.
Soli Deo Gloria!