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Ivan Sergeiévitch Turguêniev (em russo: Иван Сергеевич Тургенев;

Oriol, 9 de novembro de 1818 — Bougival, 3 de setembro de 1883) foi um


romancista, poeta, escritor de contos e novelas, tradutor, dramaturgo e
divulgador da literatura russa no Ocidente.

Sua primeira grande publicação, uma coletânea de contos intitulada


Memórias de um caçador (1852), foi um marco do realismo russo, e seu
romance Pais e Filhos é considerado uma das obras mestras da ficção russa
do século XIX.[1]

Em 1827, a família mudou para Moscovo, onde o jovem Ivan estudou,


acabando por ingressar na Universidade de São Petersburgo, na época a
mais conceituada do império russo, no ano de 1834. Lá cursou filosofia e,
por altura da precoce obtenção do seu bacharelato, aos dezanove anos de
idade, publicou uma primeira colectânea de poemas.[1]

Partiu então para a Alemanha, com o intuito de prosseguir os seus estudos


na Universidade de Berlim, onde permaneceu até 1841, tendo debatido
sobretudo com as ideias de Hegel, professor e reitor daquela universidade.
Regressou depois à Rússia e, após ter obtido a licenciatura pela
Universidade de Moscovo, ocupou um cargo junto do Ministério da
Administração Interna.

Em 1843 publicou o primeiro livro digno de atenção por parte da crítica,


Parasha, e conheceu o grande amor da sua vida, uma cantora de ópera de
nacionalidade espanhola, casada, de nome Pauline Viardot.[1] O
relacionamento entre ambos prolongou-se até à velhice, com o
consentimento e a cumplicidade do marido da solista.

Após o aparecimento de obras como Razgovor (1843), Pomeshchik (1846)


e Dnevnik Lishnego Cheloveka (1850), Turguêniev estabeleceu
definitivamente a sua reputação como escritor em 1852, ao publicar
Zapiski Okhotnika (Memórias de um caçador)[1] Composta por vários
contos, a obra girava em torno de um jovem aristocrata que vai descobrindo
a verdade e a sabedoria na vida dos camponeses que trabalham na sua
propriedade. Conta-se que o livro contribuiu grandemente para que o Czar
Alexandre II da Rússia tomasse a decisão de libertar os servos por toda a
Rússia e que, antes dele, o próprio Turgenev o havia feito nos seus
domínios, desobrigando cerca de cinco mil servos.

Tornou-se o primeiro escritor russo a celebrizar-se na Europa Ocidental,


também graças ao aparecimento dos romances Rúdin (1856), Ninho de
nobres (1859) e Na véspera (1860), obras que reflectiam de sobremaneira o
seu amor por Pauline, muitas vezes idealizando o desejo de uma união mais
completa, outras repensando o limiar do triângulo amoroso.

A publicação de Ottsy i Deti (Pais e filhos), em 1862, romance que relatava


o conflito de um jovem estudante de Medicina, Evguêni Bazárov, que
recusa tanto o conservadorismo das gerações mais velhas, como o
radicalismo desenfreado da juventude. Turguêniev apodou o protagonista
de "nihilista", cunhando assim o termo.

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