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Catalogação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da

Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina.

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)

0345 A geolinguística no Brasil : caminhos percorridos, horizontes


alcançados / Vanderci de Andrade Aguilera, Vaiter Pereira
Romano (organizadores). - Londrina: Eduel, 2016.
426p.: il.

Vários autores.
Inclui prefácio em francês.
Inclui bibliografia.
ISBN 978-85-7216-863-2

1. Língua portuguesa - Dialetos - Brasil. 2. Geografia


linguística. I. Aguilera, Vanderci de Andrade. lI. Romano, Vaiter
Pereira. IIl. Título.

CDU 806.90(81 )-087.9

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2016
AS MIGRAÇÕES E OS CONTATOS LINGUÍSTICOS NA
GEOGRAFIA LINGUÍSTICA DO SUL DO BRASIL
BACIA DO PRATA

Cléo Vilson Altenhofen


(Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
HaraldThun
(Universidade de Kiel, Alemanha)

o presente artigo ocupa-se do tratamento das migrações e dos contatos


linguísticos na Geolinguística, tomando por base resultados e avanços observados em
pesquisas realizadas no Sul do Brasil e área da Bacia do Prata e que abarcam os seguintes
atlas linguísticos de que os autores participam:
(a) Atlas Linguístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS)
(ALTENHOFEN; KLASSMANN, 2011a; 2011b);
(b) Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata:
Hunsrückisch (ALMA-H, em andamento);
(c) Atlas Lingüístico Diatópico y Diastrático deI Uruguay (ADDU-Norte)
(THUN, 2000);
(d) Atlas Lingüístico Guaraní-Románico (ALGR) (THUN et al., 2003, 2009a).
ALMA-H, ADDU e ALGR formam a chamada "trilogia rio-platense", de Harald
Thun. Cada um desses atlas ocupa-se com um tipo específico de contato linguístico,
respectivamente: contato entre uma língua minoritária de imigração alemã (hunsriqueano)
e línguas oficiais românicas (português e espanhol) (ALMA-H), contato entre duas línguas
oficiais europeias (português e espanhol) (ADDU-Norte) e contato entre uma língua
minoritária autóctone (guarani) e línguas oficiais românicas (espanhol e, em parte, também
português) (ALGR). Todos os três atlas linguísticos seguem o modelo da Dialetologia
Pluridimensional e Relacional (THUN, 1998). O ALERS é o único desses atlas que segue
uma orientação monodimensional, embora, na seleção dos pontos, também contraste a
dimensão dialingual, na medida em que distingue o português falado pela população rural
menos escolarizada de localidades monolíngues e bilíngues, com presença, sobretudo,
de falantes de alemão, italiano e polonês, onde se configura um "português de contato"
(ALTENHOFEN,2008).
As mudanças observadas na configuração social e geográfica não apenas da área
de concentração desses atlas linguísticos, no continente americano, mas também de forma
genérica em outros contextos (cf. PONSO, 2014, exemplo contexto africano), nos levam a

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assumir as seguintes constatações como premissas para uma pesquisa dialetológica que dê maioria das vezes, falantes piurivarietais e até mesmo plurilíngues que apresentam em seu
repertório linguístico competências em mais de uma variedade ou língua que se alternam
conta dos novos desafios impostos por essas mudanças:
I) Nos dias atuais, não é mais o falante estável, topostático, portanto fixo à e se interinfluenciam no uso concreto. Nesse sentido, ao restringir a pesquisa apenas ao

localidade (onde nasce, vive e morre), que representa o grupo mais comum, e sim o falante vernáculo, deixa-se de fora uma parte significativa do contínuo linguístico que não pode

móvel, topodinâmico, que, por razões diversas, migra ou muda de lugar na sua vida. Essa ser ignorada, uma vez que também participa das competências do falante (THUN, 2005).

constatação foi fundamental na seleção de informantes sedentários e móveis, no ADDU: 5) Do mesmo modo, a Dialetologia não está mais restrita ao dialeto-base, ou
ao nível mais "popular", desviante da norma, e sim inclui a variação da norma standard
Cuando empezamos con Ia selección de nuestros primeros informantes, buscamos, como entre suas tarefas de descrição". Ou seja, as tarefas da Dialetologia voltam-se para todo
10 habíamos aprendido, representantes de esa especie sedentana. No los encontram~s
o contínuo variacional, standard e substandard, e não apenas para dialetos básicos ou
en número suficiente. [...] Colocamos a los relativamente móviles en nuestra categona
topostática e inventé para los muy móviles el térmi,no de 'topodinámicos'. [...] EI variedades populares, como observa Lameli (2005, p. 495).
parámetro diatópico se dividió en topostático y topodinámico I (THUN, 1996b, p. 211).
In den 'vergangenen Jahren ist in der internationalen Linguistik eine Verlagerung des
F orschungsinteresses dahingehend feszustellen, dass es nicht mehr nur die (basis)
Portanto, uma Dialetologia Moderna que não queira fechar os olhos a essa nova
dialektalen Varietãten sind, die aIs Gegenstand einer allgemeinen Areallinguistik
constelação social tem de incluir, em sua descrição, essa oposição entre o comportamento anzusehen sind, vielrnehr ist es der variierende Sprachgebrauch im gesamten Bereich
linguístico de um falante (+/- fixo/topostático), supostamente mais conservador, e de outro der Standard-Dialekt-Achse, der verstãrkt in den Fokus wissenschaftlicher Arbeiten
gerückt ist. Konsequenterweise richtet sich das sprachwissenschaftliche Interesse
(+/_ móvel/topodinâmico), supostamente mais inovador ou sujeito a mudanças linguísticas.
sowohl auf die linguistische Struktur aIs auch auf die extralinguistischen Dependenzen
2)Ao lado da mobilidade espacial, favorecida pelamelhoria das vias de comunicação standardsprachlicher und substandardsprachlicher Varietãteri' (LAMELI, 2005, p. 945).
e dos meios de transporte, a mobilidade social sofreu um incremento substancial na nova
conjuntura, o que se deve, em parte, à ampliação do acesso à educação e às inovações 6) Do mesmo modo, cabe incluir, no escopo de tarefas da Dialetologia Moderna, a
tecnológicas e, ainda, aos capitais culturais, que antes permaneciam restritos a determinada descrição de variedades minoritárias, como o faz o ALMA-H em relação ao hunsriqueano,
classe social. e o ALGR, com relação ao guarani. Essas constelações de contatos linguísticos têm muito a
3) Uma vez que se registra um aumento da mobilidade nesses diferentes níveis dizer sobre a dinâmica da variação e mudança linguística no espaço pluridimensional dessas
(espacial e social), é de esperar que dificilmente uma língua ou variedade ocorra isenta de sociedades. Isso implica defender que atlas linguísticos - ou macroanálises sociolinguísticas
algum tipo de contato linguístico. Ou seja, o estado normal de uma língua ou variedade é de áreas menores (cf FIGUElREDO, 2014; HORST, 2014; SOUZA, 2015) - não servem
estar em contato com outras línguas ou variedades. O isolamento absoluto configura antes a apenas aos propósitos de "línguas nacionais", mas, sim, que a cartografia, de modo geral,

exceção. configura antes de tudo um procedimento útil e utilizável para qualquer "manifestação da
4) O dialeto-base puro, original e isento de influências alóctones, outrora linguagem humana" vista em uma perspectiva macroanalítica.
associado a um falante topostático, muitas vezes isolado e distante dos centros urbanos, não
representa mais o alvo principal da Dialetologia. Em seu lugar, o mais comum é defrontar-se 7) Considerando que a urbanização, tal como as migrações e os contatos
com uma fala complexa e instável, internamente variável conforme a situação e a intenção 2 Um exemplo claro e concreto de projeto que se preocupa com a estrutura e dinâmica da variação do alemão como língua
regional falada do standard é o Projeto Regionalsprache.de (<hnp://www.regionalsprache.de/». desenvolvido pelo
comunicativa, que dificulta a identificação de tendências mais coletivas. Ou seja, ao se
Forschungszentrum Deutscher Sprachatlas (Centro de Pesquisas do Atlas Linguístico da Alemanha), da Universidade de
defrontar com falantes em movimento e em contato, o pesquisador tem, diante de si, na Marburg.
lNos últimos anos, constata-se na linguística internacional uma mudança do interesse de pesquisa, que não se concentra mais
I Quando iniciamos com a seleção de nossos primeiros informantes. buscamos, como havíamos apre~dido, repreS,ent~ntes dessa apenas nas variedades dialetais (ou basiletais) como objeto de estudo de uma geografia linguística geral. Mais do que isso, é o

espécie sedentária. Não os encontramos em número suficiente. [ ... ] lncleímos os informantes relatlva~en.te.mov~l~ ~m nossa uso variável da língua na totalidade do eixo standard-dialeto que cada vez mais vem se tomando O foco central dos trabalhos
categoria topostática, e inventei para os muito móveis o termo 'topodinâmicos'. [ ... ] O parâmetro diatópico dividiu-se em científicos. Como consequência tem-se que o interesse da linguística se volta tanto para as estruturas linguisticas como também
para os condicionamentos extralinguísticos que subjazem às variedades standard e substandard (Tradução nossa).
topostático e lopodinâmico (Tradução nossa).

A GEOLlNGuíSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS


A GEOLINGU1STICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 373
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Iinguísticos, avança de forma vertiginosa, também essas mudanças têm reclamado da (GUY, 2012) tentam, igualmente, combinar os planos geo- e sociolinguísticos, ora buscando
pesquisa dialeto lógica respostas mais contundentes, tanto empíricas como metodológicas, dialetologizar a Sociolinguística, ora socializar a Dialetologia (THUN, 1998, p. 703).
para incorporar ao espaço tradicional rural a variação em contextos urbanos e rurbanos O princípio da pluridimensionalidade, que fundamenta o modelo, engloba um
(BORTONI, 1989). conjunto de dimensões que, em nosso projeto atual do Atlas Linguístico-Contatual das
Como observam Radtke e Thun (l996a), para superar a crise da Dialetologia Minorias Alemãs na Bacia do Prata: Hunsrückisch (ALMA-H)6 pode ser resumido no
no século XX, foi preciso agregar novas categorias e parâmetros que dessem conta da quadro a seguir, em que cada dimensão pressupõe uma relação opositiva, na maioria dos
complexidade das novas estruturas sociais. Assim, ampliou-se o foco de análise da topostática casos binária, entre parâmetros definitórios, como geração dos velhos (GIl) e dos jovens
à topodinâmica da variação e mudança linguística (papel das migrações), do isolamento de (GI).
variedades e falantes à dimensão contatual, do dialeto/substandard à norma culta/standard,
de grupos monolíngues a comunidades e indivíduos plurilíngues, da variedade única e Quadro 1: Dimensões de análise consideradas pelo ALMA-H
Dimensão Parâmetro Critério
monolítica ao complexo variacional instável, do espaço rural ao urbano, da língua dominante
Diatópica Topostático (informantes em um domicilio fixo) 41 pontos de inquérito.
às línguas minoritárias. Pode-se dizer que as mudanças sociais ocorridas no contexto geral
Em grande parte, relação entre colônias velhas
da América Latina, sobretudo na segunda metade do século XX, praticamente forçaram Diatõpica-cinética
topodinâmico (mudança de domicilio -
(matriz de partida) e colônias novas (matriz de
mobilidade espacial)
chegada).
a Dialetologia e a Geolinguística na Região da Bacia do Prata a uma adequação de seus
Ca (com formação universitária parcial ou
procedimentos para dar conta das mudanças sociais observadas, em especial as migrações e Dinstrática
Ca ~ classe (socioculturalmente) alta completa).
Cb ~ classe (socioculturalmente) baixa Cb (até ensino médio + profissão que não exija o
os contatos linguísticos. uso da escrita).
O principal dessa renovação teórico-metodológica é fornecido pela Dialetologia Gil (geração velha) = acima de 55 anos
Diageracional
GI (geração jovem) ~ 18 a 36 anos
Pluridimensional e Relacional, explicitada resumidamente a seguir.
Ho - homens
Diassexual
Mu ~ mulheres
hrs ~ hunsriqueano (Hunsrückisch)
Escopo teórico: Dialetologia Pluridimensional e Contatual hdt ~ alemão-padrão (Hochdeutsch)
Essa dimensão é complementada com dados dos
Dialingual atlas linguísticos do português (ALERS e ALiB)
pt ~ português
para o português.
sp ~ espanhol
A perspectiva teórica da "Dialetologia Pluridimensional e Contatual", como a Resp - respostas ao questionário
chamaremos aqui (THUN, 1998, 2009b; RADTKE; THUN, 1996a), tem como tarefa básica Diafásica Leit ~ leitura Três estilos de uso da Iingua.
Tx ~ conversa livre (etnotextos)
combinar, no mesmo escopo de análise, "espacialidade" e "social idade" (cf. BELLMANN, Esta dimensão é estimulada pela técnica de
Lg ~ fala "objetiva"
Dia rreferencial entrevista em três tempos: perguntar (resposta
1996- Arealitât und SozialitCit), promovendo - pode-se metaforicamente dizer - um casamento MLg ~ fala metalinguistica
espontânea) - insistir - sugerir.
entre Sociolinguística e Dialetologia e contribuindo, desse modo, para uma "ciencia general Cat ~ católico Tipo de localidade conforme as confissões
Diarreligiosa
Lut = evangélico-Iuterano religiosas presentes
de Ia variación lingüística y de Ias relaciones entre variantes y variedades por un lado y
Coleta de dados em áudio e video (oral idade) e em
hablantes por el outro'" (THUN, 1998, p. 704). A proposta inicial lançada por G. Bellmann Escr = !íngua em meio escrito vs. meio escrito (p. ex. impressos, cartas de imigrantes,
Diarnésica
Fal ~ meio falado inscrições em estabelecimentos comerciais, placas.
pela primeira vez com a designação de Dialetologia Bidimensíonal (BELLMANN, 1986)5, topônimos e sepulturas)
é assim ampliada para uma Dialetologia Pluridimensional e Relacional, como a denomina Fonte: Elaboração dos autores.
Thun (1998). Designações como Geossociolinguistica (RAZKY, 2003a) ou Sociodialetologia

-l Ciência geral da variação lingüística e da relações entre variantes e variedades, por um lado. e falantes por outro (Tradução
Vale ressaltar que ambos os planos, da socialidade e da espacialidade, aos quais
nossa). se inclui ainda o plano da temporalidade (dimensão diacrônica, cf. THUN, 2009b), não se
; O MRhSA (lvlittelrheinischer Sprachatlas / Atlas Linguistico da Renânía Central, 1994-2002), de Bellmann, Herrgen e
Schmidt (cf BELLMANN, 1994), aparece, até onde sabemos, como primeiro atlas linguistico bidimensional publicado, na
medida em que levanta e cartografa duas séries de dados, de velhos e de jovens, e considera informantes fixos e corn migração f, Por ter surgido na sequência dos demais atlas, incorpora e aprimora as conquistas feitas pelos projetos anteriores. Por isso,

diária (pende/arbeiter, 'trabalhadores-pêndulo'). O ALMA-H é também o que considera o maior número de dimensões diferentes na análise.

A GEOLINGUÍSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLINGUÍSTICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 375
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excluem mutuamente, pela razão simples de que não existe espaço sem sociedade, como combina fatores sociais e geográficos, mas também dinâmica, em que, como podemos ler
também não existe sociedade sem espaço. O que deve ser ressaltado, portanto, é que o em Thun (2010a), não é mais suficiente fazer uma "fotografia da variação linguística",
termo Geolinguística implica tanto a noção de sociedade, quanto o termo Sociolinguística visto que deixamos de captar justamente sua dinamicidade e movimento no espaço. Para
pressupõe determinado recorte do espaço geográfico. Parece-nos, porém, que o termo isso, prescindimos adicionalmente do registro do movimento da língua, no tempo e no
Dialetologia se oferece como um termo mais conciliador do que SociolinguÍstica ou espaço, como em um "filme (ou uma sucessão de fotos [estágios])" que permite reproduzir
GeolinguisticC/[pluridimensional], no sentido geral de que busca descrever e compreender a esses movimentos temporais e espaciais da língua em uma trajetória de migração. Essa
variação linguística na sociedade com a observância do espaço geográfico sem primazia de trajetória, como em uma foto meteorológica de satélite, inclui ainda, em seu caminho e
um ou outro eixo, mas de forma equânime e integrada. percurso, contatos linguísticos entre variedades/variantes distintas. Desse movimento,
podem resultar novas configurações linguisticas, que incluem sobreposições de variantes,
A noção de "migração" amálgamas, substituições, mudanças etc. A Figura 1, na medida em que sobrepõe duas
cartas linguísticas (duas fotos cartográficas) do português e do hunsriqueano, deixa entrever,
A complexidade da noção de "migração" reside na quantidade de formas e nessa relação, um movimento da variante hrs. Funde (aI. Steinschleuder) que ocorre antes
funções que pode assumir, conforme o grupo "migrante" e o contexto sócio-histórico e de 1890, quando os falantes de hunsriqueano começam a deixar a área de ocorrência do pt.
geográfico em que ocorre. De modo geral, a migração ou movimento de um ponto a outro funda, no Nordeste do Rio Grande do Sul, para migrar rumo a áreas situadas na Região das
do espaço envolve os seguintes critérios de ordenamento. Missões, área de domínio da variante local do pt. bodoque.

(a) Condição de migração (o estado migratório)


Em primeiro lugar, não podemos perder de vista que a própria condição de
migração confere a quem dela faz parte influências na fala que de outro modo não teria.
Daí a necessidade de se distinguir, como já se colocou, entre falantes 'topostáticos' e
'topodinâmicos', que possuem ou não essa condição (THUN, 1996). Enquanto os falantes
mais fixos possuem uma orientação mais centrípeta em determinado espaço, os falantes
móveis, por natureza, seguem uma orientação centrífuga, voltada para fora dos limites da
comunidade particular. Willems (1940) aplica esse ponto de vista a comunidades rurais
tradicionais de imigrantes alemães, no Sul do Brasil. Segundo ele, o horizonte do "colono
local" (como no caso do camponês europeu) era definido pelos limites de sua "colônia"
(comunidade local), na qual se via de tal modo enraizado que, ao sair de seus limites (por
exemplo, para trabalhar em outra localidade), sentia-se como um "peixe fora do aquário".
Esse comportamento centrípeto, que Willems associa à cultura camponesa europeia, ainda
não explica, contudo, por que esse mesmo "camponês" - nesse caso, designado como
colono, falante do hunsriqueano rio-grandense - será o grande protagonista de uma escalada
migratória que nem mesmo nós, quando começamos o ALMA-H, podíamos imaginar que
pudesse se difundir por uma área tão extensa, até atingir áreas da Amazônia e do Chaco
paraguaio e, inclusive, da Bolívia.
A condição de migração, ou melhor, a mobilidade espacial que caracteriza a área
em estudo coloca a necessidade de uma Dialetologia não apenas pluridimensional, que

A GEOLINGUÍSTICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS


A GEOLINGUÍSTICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 377
376
Figura 1: Sobreposição de cartas ("fotografias cartográficas") da variação lexical defitndal Figura 2: Variação I~xical áefunda/bodoque no português
bodoque no português
ATLAS LINGÜÍSTICO-ETNOGRÁFICO DA REGIÃO SUL DO BRASn. (ALERS)

QSL 514 303


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(Q.>eIle zum PIa.: o 100 200 300km


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.",. 19S9. KL R.) ••de•• Varielite.
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Fonte: Variação do hunsriqueano, mapa ponto-símbolo, de Altenhofen (1996, carta 73) sobre mapa de fundo, URUGUAI

de Bunse e Klassmann (1969). o

A carta 303 do ALERS (ALTENHOFEN; KLASSMANN, 2011 b) (Figura 2), que PR se RS Aeglao

cartografa as variantes do português para a designação de estilingue, amplia o campo de


o 100 200 300km
• bodoque I ( .) D funda ~ estilingue I ( ..) ~ serra O outros
visão das variantes para além dos limites do Rio Grande do SuL

Fonte: ALERS (ALTENHOFEN; KLASSMANN, 201lb, carta 303).

378 A GEOUNGuíSTICA NO BR~SIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOUNGuíSTICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 379
Nessa carta linguística, observamos que a área de ocorrência da variantefitnda se Figura 3: Difusão da,variantefil11de no hunsriqueano falado na rede de pontos depesquisa
estende do Nordeste do estado para uma área significativa do Leste catarinense. O domínio do ALMA-H
àefunda nesse território pode ser reflexo de migrações comerciais dos séculos XVIII e XIX,
centradas na pecuária e na figura do tropeiro. Enquanto isso, do outro lado, considerando !f+. Funda /Bodoque (alo Steínschleuder)
ALrlAtH

Clexll_234
que a Região das Missões no Rio Grande do Sul, do Oeste de Santa Catarina e do Sudoeste • Funde / Funda / Fundo
~ Fundevar.Bodock/Bidock
Funde varo Estilingue
do Paraná foi fortemente povoada por migrantes teuto- e ítalo-gaúchos oriundos da área () 8odock / 8idock
~ Bodock / 8idock varo Estilingue
do pt. funda, chama a atenção que a variante bodoque parece ser adotada também por O Honda / Hondito varo Fundita
I sem informante / ohne In!ormant
esses migrantes, demarcando inclusive sua área de expansão. Complementam o quadro da
variação diatópica as áreas de domínio das variantes setra e estilingue, respectivamente no
Sul e no Norte do Paraná, sendo esta última povoada por migrantes de outras regiões do
PARAGUAY
Brasil.
A comparação da distribuição de fim de, no hunsriqueano (Figura 1), com a
distribuição de bodoque, no português das áreas ocupadas pelos migrantes teuto-gaúchos
(Figura 2), mostra um comportamento linguístico divergente para ambas as línguas, isto é,
não há transferência do hrs. Funde (emprestado do português do Nordeste do RS) para a ARGENTINA

variedade do português das Missões e das demais áreas. Pelo contrário, funde configura-
se, na percepção dos falantes de hunsriqueano, como uma variante essencialmente alemã
(Wott uff Deitsch, 'a palavra em alemão'), em oposição às novas formas que irão surgir
OCEANO ATl.ÀNTtCQ

pelo caminho migratório, especialmente bodoque, associada como forma do português. Como
afirmam os informantes CbGII de AROl, "Bodoque is Bresilionisch. Castelhoonisch is
Honda. Funde is uff Deitsch'".
Essa identificação linguística, atestada por uma série de depoimentos que coletamos
nas entrevistas do ALMA-H, reflete o fluxo e refluxo da relexificação ou ressignificação da
língua na fala de migrantes. Distante do português da matriz de origem, a forma emprestada
já está tão integrada à língua que a acolhe, que, ao migrar para uma nova área, em que entra
em contato com uma nova variante do português, perde-se inclusive a memória de sua
••
origem linguística.
A carta seguinte (Figura 3), elaborada a partir da pergunta Clexll_234 do
ALMA-H, evidencia a variação lexical para a designação de estilingue no hunsriqueano.

.Q~CO .Q~CO .Q~CO .Q~CO


~GII CaGI CbGU CbGI

~~e cartogt.ifka: M. !Crus:I Cartografia: J. Habel

Fonte: Banco de dados do ALMA-H.

7 Bodoque é em português; em castelhano é honda. Funde é que é em alemão (Tradução nossa).

380 A GEOLINGUÍSTlCA NO BRA~IL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLINGUÍSTICA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 381
A partir da carta linguística Clexll_234, do ALMA-H, observam-se as seguintes no lado hispanófono, onde-se registra um avanço significativo da variante
tendências: do sp. honda. No ponto PYO1, honda já substituiu bem cedo a variante
(i) Nas colônias velhas (área em destaque na parte inferior do mapa), que, a dos hunsriqueanos rio-grandenses que, por volta de 1900, migraram do
partir de 1824, receberam imigrantes diretamente da Alemanha, ocorre Vale do Taquari (região de RS09, RSlO e RSll) para Hohenau. Em PY04
a integração das duas variantes do português, respectivamente funda (nas (Moseldorf), os mais jovens (CbGI) parecem já não ter mais clareza sobre a
localidades mais a leste, pontos RSOI a RS11) e bodoque (nas localidades forma do hrs. Funde, que identificam como fundo, acrescentando que uma
mais a oeste, pontos RS 12 a RS 16). Isso denota que o contato linguístico se outra palavra seriafimdita. Essa mesma instabilidade da forma se registra em
deu, primeiro, essencialmente pela oralidade e, segundo, com a variedade RS20 (CaGII) e RS22 (CaGI), na classe mais escolarizada;
do português efetivamente falada no entorno. O mesmo vale para os pontos (v) Por fim, na dimensão diageracional, como reforça o próprio gráfico, parece
situados na área do hunsriqueano leste-catarinense (SCOI e SC02), onde, haver uma consciência maior da diversidade de variantes. Isso pode ser
como vimos na carta 303 do ALERS (Figura 2), o português registra o uso visto, no mapa, pela grande incidência de coocorrência de funde com outras
da mesma variante funda; variantes, bodocklbidock, estilingue e honda/hondita (símbolo <I), na fala
(ii) Ao migrar para as colônias novas, a partir dos anos 1890, a variantefimde, do dos grupos tanto CaGII quanto CbGII.
hunsriqueano rio-grandense, continua mantendo grande vitalidade, apesar de Os exemplos apresentados evidenciam a relevância das migrações e dos contatos
mergulhar na área de domínio do pt. bodoque. Sua ocorrência é registrada linguísticos na descrição da variação e mudança de uma língua. Eles mostram como a
até as áreas de migração mais distantes, como Mato Grosso (MTOl e MT02) sobreposição de fotografias linguísticas, assim como a "sobreposição" de dimensões de
e Paraguai (PY02, PY03 e PY04); análise (princípio da pluridimensionalidade), visibilizam a dinamicidade dessas relações
(iii) O contato linguístico dos falantes defimde e bodocklbidock com as variantes no espaço.
presentes no português das novas áreas de migração, bodoque e estilingue,
ou no espanhol de Misiones (Argentina) e do Paraguai, honda, mostra b) Espaço da migração (ou espaço migratório)
comportamentos díspares. Na dimensão diatópica, observamos uma clara Um segundo aspecto que requer atenção no estudo de migrações linguísticas diz
separação de pontos de domínio defimde, como RS18 e RS21/RS22, ou respeito à definição do espaço migratório envolvido. As seguintes distinções podem ser
ainda em estágios migratórios posteriores, no Oeste de Santa Catarina (SC05 úteis e necessárias no trabalho dialetológico:
e SC06) e Sudoeste do Paraná (PR02 e PR03), e de domínio de bodock (ou 1°) Centro vs. periferia ou área lateral (posição central ou marginal): o caráter
bidock), como RS19 e RS23. De um lado, isso pode sinalizar a origem dos conservador da fala em áreas laterais é confirmado, por exemplo, em relação
falantes da área defimda ou de bodoque nas colônias velhas. Mas, também, ao português uruguaio, que preserva marcas consideradas mais arcaicas ou
poderia ser já uma influência do português (lusitanização), no caso dos obsoletas (por exemplo, a manutenção de/li final em relação à sua vocalização).
pontos de ocorrência maior de bodocklbidock; É o que apontam os resultados do ADDU-Norte (cf. THUN, 2010b, p. 709).
(iv) Essa influência toma-se mais provável nos pontos em que, na dimensão Também são notórias as chances de manutenção de línguas minoritárias em
diageracional, observa-se uma mudança em progresso, como o próprio pontos mais periféricos, interioranos ou rurais (por exemplo, a manutenção de
ponto RS 19 mostra. Essa tendência de relexificação de fim de para bodock marcas vestfalianas em uma localidade mais lateral (cf. HORST, 2014);
é evidenciada, de modo geral, pelo gráfico, que aponta um leve avanço 2°) Rural vs. rurbano vs. urbano: o grau de urbanização é, sem dúvida, um
das ocorrências de bodocklbidock no hunsriqueano dos mais jovens, tanto deterrninante de maior ou menor fluxo migratório e, consequentemente,
CaGI quanto CbGI. Isso pode também ser acompanhado nos resultados de de maior ou menor diversidade e potencial para contatos linguísticos. Essa
cada ponto no mapa. O processo de relexificação dá-se do mesmo modo relação, no entanto, não é categórica, isto é, depende de outras variáveis,

382 A GEOLINGUÍSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLINGUÍSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 383
como o grau de alteridade, "distinção do outro", ou de "autoafirmação diante encontrado em nossas pesquisas são situações bem diversas e complexas,
do outro". Compare-se, por exemplo, na rede de pontos de Souza (2015), às quais cabe chamar a atenção: i) os membros dessas comunidades não
o comportamento da comunidade afrodescendente de Porto Alegre (ponto vivem sempre isolados e, sim, mostram uma tendência forte a migrações
metropolitano) ou de São Roque/Arroio do Meio (ponto de área de imigração ao menos diárias (pense-se, por exemplo, em populações indígenas fora da
alemã) em relação a comunidades rurais, como Maçambique/Canguçu área indígena demarcada); ii) muitas vezes, essas comunidades minoritárias
e Palrnas/Bagé, no Rio Grande do Sul. Não é categórico, nesse caso, que se conectam com outras comunidades congêneres, como em um arquipélago
o português das comunidades rurais registre maior número de marcas de (cf. STEFFEN; ALTENHOFEN, 2014), seja por laços de parentesco, origem
africanidade. Os dados de Souza mostraram resultados contraditórios, em que e casamento, seja por relações sociais diversas, por exemplo, comerciais
atuam outros fatores, como os movimentos negros; ou religiosas (cf. hunsriqueanos em comunidades menonitas no Chaco
3°) Proximidade vs. distância de via de comunicação: como observamos em paraguaio); iii) essas comunidades não são apenas rurais e, sim, englobam
Figueiredo (2014) e Horst (2014), a proximidade ou distância de uma via espaços urbanos e até virtuais, razão por que iv) nem sempre é possível
de comunicação é mais uma variante da oposição centro-periferia. Segue, definir claramente seu território, mas muito mais uma rede de comunicação
portanto, as mesmas tendências. No caso das migrações no Norte do Mato comum, sobretudo em arealidades urbanas, onde quase não sobram mais
Grosso, o papel da Rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163) não pode ser espaços que não sejam compartilhados com outros (cf. hunsriqueanos nos
ignorado. Basta comparar o desenvolvimento de localidades como Sinop e pontos RS19 e MT02, do ALMA-H). Em suma, quem espera encontrar
Sorriso (fundadas nos anos 70, ao longo da Rodovia) em comparação com apenas o tipo tradicional de comunidade de fala territorialmente demarcável
Porto dos Gaúchos, ponto pioneiro criado já na metade dos anos 50, porém e distinta de seu entorno tem de alargar seu ponto de vista para outras formas
bem à margem do fluxo migratório observado ao longo da BR-163. Enquanto de articulação de comunidades de fala minoritárias. Essa situação sugere a
aquelas se expandiram econômica e demograficamente, acolhendo cada vez pertinência de realizar entrevistas também fora do ponto de pesquisa, a fim
mais migrantes, Porto dos Gaúchos permaneceu com uma situação mais ou de comparar, na dimensão dialingual, a fala da comunidade pesquisada com a
menos estável; de seu entomo, como o faz o ADDU, incluindo entrevistas em dois pontos no
4°) Fronteira vs. interior: como mostram resultados do ADDU-Norte (cf. carta Brasil e na Argentina, portanto fora das fronteiras do Uruguai;
da presença do afro-lusismo caçula, em THUN, 201Oa, p. 514), quanto mais 6°) Por fim, é preciso distinguir, no território ou comunidade de fala estudado,
próximo da fronteira e, consequentemente, do contato com o português, tanto microterritorialidades (por exemplo, igreja, escola, família, trabalho, bairro e
maior a probabilidade de incorporação, especialmente pelos falantes jovens picada (localidade periférica», onde se mantêm ou perdem formas linguísticas
com baixa escolaridade (CbGI), de inovações do português brasileiro (rio- minoritárias e onde se observa uma incidência maior ou menor de marcas
grandense) no português uruguaio; visuais da língua (language landscape ou paisagem linguística).
5°) Área contínua vs. descontínua: a delimitação étnica e social de territórios,
fisicamente demarcáveis, tem, especialmente no Brasil, um leque de formas Teríamos uma série de exemplos para elucidar estes pontos, mas o escopo deste
distintas que vão desde comunidades quilombolas, áreas indígenas, até artigo obriga-nos a limitar a análise e destacar que esses fatores têm de ser considerados
às comunidades imigrantes, historicamente identificadas pelo conceito não apenas na análise e interpretação dos dados, como também devem orientar a seleção
de colônia, ou região colonial, ou seja, a área em que foram assentadas as das localidades, no sentido de considerar uma tipologia de pontos de pesquisa que abarque
famílias de imigrantes no séc. XIX. Esse tipo de arealidade, no entanto, não as relações migratórias na configuração do objeto de estudo.
pode ser reduzido à noção de uma "ilha linguística" claramente delimitável
e identificável com uma língua ou variedade específica. O que temos

384 A GEOLlNGUÍSTfCA NO BRA;'lIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLlNGUÍSTfCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 385
c) Direcionalidade e percurso da migração (o caminho migratório) Figura 4: Caminho migratório de 18 informantes da pesquisa de Barros (2014)
Todo fluxo migratório pressupõe um percurso e uma direção. Para poder
identificar, se se registra no ponto de chegada, no lugar onde se realiza a pesquisa, uma
manutenção ou mudança na língua ou no comportamento linguistico" do grupo migrante
em relação ao ponto de partida, é imprescindível buscar dados de comparação com a matriz
de origem, de onde provêm os falantes. Antes disso, porém, é fundamental o controle das
seguintes perguntas centrais, aplicadas ao início das coletas de dados para o ALMA-H:
1) Como você chama a língua que fala? (autodenominação e identificação do
objeto de estudo)
2) De onde vem a sua família e a da maioria dos moradores da localidade?
(ascendência topodinârnica)
3) Quando vieram? (temporalidade da migração)
4) Você nasceu na localidade? (descendência [topostática])
No ADDU, a relação topodinâmica entre um ponto de partida e de chegada foi
explorada de forma explícita e sistemática, entrevistando montevideanos em Rivera, na
fronteira com o Brasil, e riverenses em Montevidéu (cf. THUN, 1998). No ALMA-H,
por outro lado, tivemos que reconstruir o caminho migratório dos informantes em cada
localidade, efetuando sistematicamente as perguntas 1 a 4 mencionadas. A relevância
dessas perguntas de controle pode ser exemplificada pelo mapa a seguir (Figura 4), que
reconstrói os fluxos migratórios dos falantes de hunsriqueano entre Sul e Norte, no ponto
MTOl (Porto dos Gaúchos), do ALMA-H. Figueiredo (2014) toma o mesmo cuidado em
relação ao português falado por teuto-gaúchos e ítalo-gaúchos, nos pontos MTOl e MT02
(Sinop), aos quais acrescenta ainda o ponto MT03 (Sorriso).

Fonte: Barros (2014).

A determinação do caminho migratório, no entanto, não se reduz a uma relação


simples entre um ponto topostático de partida e outro ponto, igualmente topostático, de
chegada. Essa pode ser uma situação possível de migração ocorrida com grande parte
dos emigrantes da Europa para as chamadas colônias velhas do Rio Grande do Sul (cf.
PINHEIRO, 2014, em relação à antiga Região de Colonização Italiana do Nordeste do
8 Entram, aqui, também atitudes dos falantes em relação à sua variedade de origem e às variedades em contato no novo meio,
considerando valorações de prestígio e estigrnatização ou práticas culturais do grupo, por exemplo na culinária, no tipo de Rio Grande do Sul- RCI). Contudo, a situação normal, observada na área do Brasil e da
música ou de vcstimenta.
Bacia do Prata, é de uma migração "com escalas", isto é, com transmigrações, como se

386 A GEOLINGUÍSTICA NO BRA~IL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLlNGUÍSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 387
pode observar na Figura 4. Um exemplo conhecido que ilustra esse comportamento é o Figura 5: Áreas ling.uísticas do português apontadas pelos dados do ALERS
do chamado "gaúcho cansado", expressão corrente no Norte do Mato Grosso, usada para ATLAS LINGÜÍSTICO-ETNOGRÁFICO DA REGIÃO SUL DO BRASIL (ALERS)
designar o migrante originário do Rio Grande do Sul, ou pertencente ao grupo regional
"gaúcho", que ao final, "[velho e] cansado [de migrar]", finca definitivamente lugar na
ÁREAS LINGüíSTICAS 07
DO PORTUGUIls
APONTADAS PELO ALERS
região onde se encontra. (revisão 2007)
SÃo PAULO
As transmigrações observadas na rede de pontos do ALMA-H têm nos causado f7771 Área de transição
rLLA (Leque Casarinense.
dificuldades de identificação dos grupos migrantes/regionais no estudo dos contatos postulado por Koch 2000)

variedade paranaense
intervarietais. O conceito de "gaúcho", por exemplo, não necessariamente significa que esse
variedade gaúcha
migrante
geográfica
tem procedência
(por exemplo,
geográfica
Norte do Paraná
do Rio Grande do Sul, como também a procedência
ou só Paraná) não significa que essa é sua
-
subârees. envolvendo:

I -Zona lateral da
fronteira sul-riograndense
procedência linguística original (o Norte do Paraná já constitui uma escala transmigratória 2 - Zona lateral
açoriano-catarlnense
das variedades paulista ou nortista, assim como o Sudoeste do Paraná, da variedade rio- 3 - Zona lateral do Paranã do sul
4 -Zona lateral
grandense). É preciso, nesse sentido, delimitar mais claramente o "caminho ou trajetória do Paranã do norte
(Feixe Paranaense; na
interpretação de Koch 2000)
linguística da migração" e o que o caracteriza, do que simplesmente indicar um limite 5 - Áreas bilíngües de contato do
português com línguas de
Imigração {v. símbolos)
político.
O mapeamento das áreas Iinguísticas no português do Sul do Brasil (Figura 5), a

partir de variáveis do ALERS, tem-nos orientado nesse controle dos contatos intervarietais e • ••
das (trans)migrações. Os atlas linguísticos, ou estudos macroanalíticos de modo geral, das áreas
ARGENTINA

• •
de partida, até onde estejam disponíveis, constituem uma fonte de pesquisa imprescindível
••

para a pesquisa da variação linguísticá em processos migratórios. • •••
Há, no entanto, outros fatores a considerar na relação entre os pontos/áreas do
• •
caminho migratório, além da direcionalidade do fluxo migratório observado:
SEGUNDA LlNGUA
1°) Vinculação com a matriz de origem (do alemão Heimat 'terra natal! DOS INFORMANTES
(Subárea 5)
querência'): além de fornecer informações sobre a trajetória migratória, os
dados sobre a vinculação
clareza o grau de resistência
com a matriz de origem permitem
e de identidade do grupo-alvo
avaliar com mais
da pesquisa frente


italiano

alemão

URUGUAI Â polonês
às influências do novo meio. O pesquisador precisa, por isso, ficar atento a
Li ucraniano
práticas sociais que vão além do uso da língua, como, no caso dos migrantes
() espanhol
gaúchos, tomar chimarrão, escrever correspondência aos parentes, visitar-se língua indígena
X
mutuamente (qual frequência?), participar de Centro de Tradições Gaúchas 100 200 300km monolíngile
em português
(CTG) ou até continuar torcendo para os times de futebol da matriz de origem
(Grêmio ou Internacional). Podemos dizer que, apesar do movimento dos
Fonte: ALTENHOFEN (2008).
pés, o coração e a memória ainda permanecem muito apegados à origem. O
caso mais extremo dessa vinculação com a origem constitui o que chamamos
de retromigrantes (alemão Riickwandereri, aqueles que fazem o caminho
inverso de retomo à matriz de origem, isto é, quando o conseguem.

388 A GEOLINGUÍSTlCA NO BR,!SIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLlNGUÍSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 389
2°) Áreas/colônias velhas (do alemão Mutterkolonie 'colônia-mãe') vs. áreas/ Finalmente, para fins de caracterização do tipo de processo migratório com o
colônias novas (do alemão Tochterkolonie 'colônia-filha'): já comentamos qual se está lidando, cabe considerar ainda mais três fatores determinantes que, por falta
este aspecto na análise da variação lexical para a designação de estllingue. de espaço e de tempo, temos que nos contentar em apenas mencionar a título de conclusão.
É preciso ressaltar, no entanto, que esses conceitos presumem uma expansão
mais ou menos planificada de um gmpo migratório de uma área a outra e d) Temporalidade da migração
que se mantém um vínculo identitário e histórico. No ALMA-H, são vários De modo geral, a temporalidade de uma migração está intrinsecamente ligada à
os relatos de descendentes de áreas novas que se referem às áreas de origem identificação de sua trajetória migratória, razão de a incluirmos diretamente nas perguntas
situada "unne in de Alt Kolonie", ou seja, - seguindo a perspectiva do mapa centrais que aplicamos ao início das coletas de dados para o ALMA-H (ver pergunta 3).
- "lá embaixo, na Colônia Velha, de origem". Ela atinge especialmente a dimensão diageracional, visto que a geração migrante, dos
3°) Mobilidade campo-cidade (êxodo rural) vs. movimento inverso de retomo ao mais velhos, NÃO é nascida no lugar" e que a geração jovem, apesar de ainda não se
campo/meio rural (êxodo urbano?): temos observado esses movimentos de distanciar completamente da sua origem migratória, já começa a criar uma identidade local
ida e vinda, entre o meio rural e o urbano, em pontos do ALMA-H próximos (enraizamento). Nas entrevistas com os hunsriqueanos brasiguaios, nos pontos do ALMA-H
a um grande centro urbano, como SCOI (São Pedro de Alcântara), situado a no Paraguai, pudemos constatar esse comportamento em mais de um depoimento. Ele se
cerca de 23 krn de Florianópolis. manifesta, por exemplo, quando migrantes posteriores, que chamamos de remigrantes (do
4°) Rotas migratórias e vias de comunicação (caminhos, ferrovias, estradas alemão Zuwanderer, cf. ALTENHOFEN, 2013, p. 31), são percebidos como "diferentes"
etc.): seu papel na configuração diatópica do português foi comprovado ou mesmo "estranhos".
em mais de uma carta linguística do ALERS (cf. ALTENHOFEN, 2008). Sem dúvida, i:fator "tempo transcorrido de uma migração" assim como também
Observou-se, com certa frequência, a projeção de variantes que seguem o o fator "ordem de chegada dos migrantes" levanta uma série de aspectos a considerar, entre
trajeto de caminhos migratórios mais antigos (como no exemplo da variável os quais cabe mencionar:
fundof', Isso coloca uma situação bastante curiosa, digna de reflexão, isto 1°) Migrações permanentes (emigração vs. imigração): as dificuldades de viagem,
é, o ALERS priorizou a descrição do português rural de falantes topostáticos no séc. XIX, tomavam a emigração uma decisão irrevogável, "para sempre?";
que, no entanto, reflete uma topodinâmica prévia que moldou coletivamente 2°) Ascendentes vs. migrantes vs. descendentes;
a variedade local. 3°) Migrações antigas vs. migrações recentes;
Para os fins da pesquisa dialetológica, é preciso incluir, ainda, a observância de 4°) Migrantes pioneiros vs. migrantes tardios ou remigrantes: vale destacar que
formas diárias de mobilidade no espaço, tais como linhas de ônibus (cf. BARROS, 2014, o migrante pioneiro, por chegar antes, apodera-se das áreas mais propícias
p. 99) ou, mais antigamente, de diligências. Em certo sentido, elas favorecem e, ao mesmo para seu desenvolvimento. Normalmente, os migrantes pioneiros ocupam a
tempo, condicionam o fluxo migratório, que tem de se adequar a uma rota pré-definida. No área central da nova localidade, como observamos no Norte do Mato Grosso,
passado, o papel do cavalo como facilitador da mobilidade no espaço, como o é o automóvel especialmente em Porto dos Gaúchos (v. BARROS, 2014, p. 97), ou as regiões
hoje, levou Willems (1944) a falar de um "complexo do cavalo" (horse complex), para os de vale, mais favoráveis à agricultura, como no caso dos imigrantes alemães
primeiros tempos da imigração alemã no Sul do Brasil. De uma situação adversa, à época (vindos a partir de 1824) em relação aos italianos (a partir de 1875)12;
da emigração na terra natal (do alemão Heimat) na Alemanha, o cavalo logo converteu-se
em símbolo de uma nova condição social e um meio para vencer as distâncias da nova 10 Vale lembrar que a Região Centro-Oeste do Brasil registra, segundo o IBGE (2000), os maiores índices de população não
natural na população total municipal (%) (cf ALTENHOFEN, 2014, p. 79).
Heimat. " O filme de Edgar Reitz (2014), Die andere Heimat ('O outro pago/terra natal'), ilustra bem esse quadro, em relação a
emigrantes do Hunsrück, Alemanha, para o Brasil.
"O ponto RS08 (Alto Feliz) do ALMA-H ilustra bem essa situação. Tendo imigrado posteriormente, os italianos tiveram que
9 Ver em Altenhofen (2008) uma lista de variáveis que apresentam essa configuração diatópica. ocupar uma área mais lateral que ainda estava disponível (Morro Gaúcho).

390 A GEOLINGUÍSTICA NO BRt\StL: CAMINHOS PERCORRWOS, HORIZONTES ALCANÇADOS A GEOLtNGUÍSTtCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS 391
5°) Migrações internas vs. migrações diárias: por exemplo, trabalhadores-pêndulo
(do alemão Pendelarbeiter) muito comuns na relação moderna entre campo e
cidade;
6°) Migrações sazonais: este tipo de migração foi bastante comum na Europa.
Ele explica a afirmação de Jaberg e Jud (1928, p. 189) de que, nas coletas
de dados para o Atlas da Itália e Sul da Suíça (AIS - Atlante Italo-Svizzero
/ Sprach- und Sach-Atlas Italiens und der Südschweizj, as mulheres foram
representantes mais confiáveis do dialeto local, visto viajarem pouco e sofrerem
menos influência externa;
7°) Migrações eventuais (vinculadas a eventos, como expedições vs. missões vs.
viagens vs. excursões vs. reuniões vs. eventos em geral).

Observação final

Haveria ainda outros fatores a observar no estudo de populações que possuem um


histórico de migração, e que dizem respeito às características do grupo migrante. Cabe, por
exemplo, destacar que as migrações que consideramos no estudo geolinguístico envolvem
de um lado grupos e mesmo ondas ou levas de migrantes. São, em suma, um fenômeno
coletivo. Além disso, esses grupos se caracterizam por uma heterogeneidade interna
! .
relativamente grande. Envolvem, portanto, migrações mistas, tanto em relação à origem
geográfica quanto no que se refere ao perfil sociocultural. Dificilmente, temos registro de
grupos migrantes homogêneos que partem da mesma comunidade para o mesmo destino.
O normal é que o próprio processo migratório instaure uma situação de contato linguístico
entre línguas, ou melhor, "complexos variacionais" em movimento.
As migrações e os contatos linguísticos caminham, assim, lado a lado, na
configuração das línguas como complexos variacionais em movimento e em mudança, no
tempo e no espaço. Uma vez entendendo sua dinâmica de funcionamento, munido, além
disso, do instrumental teórico adequado para seu estudo, cabe desenvolver as ferramentas
metodológicas para uma descrição precisa. Os procedimentos que identificamos a partir de
estudos macroanalíticos que se valem dos pressupostos da Geolinguística Pluridimensional
e Contatual, considerando a) a condição de migração (estado migratório), inerente
a línguas/complexos variacionais em contato e em movimento; b) as características do
espaço migratório; c) os fatores que determinam sua direcionalidade e percurso, ou
que moldam o caminho ou trajetória migratória; assim como também d) aspectos ligados à
temporalidade do fluxo migratório, representam um passo importante nesse sentido.

392 A GEOLlNGuíSTlCA NO BRASIL: CAMINHOS PERCORRIDOS, HORIZONTES ALCANÇADOS


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