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José Fernando Tavares

Além do Indesign
produção de eBook
no formato ePub

Nota: esta apostila está continuamente em evolução e pedimos desculpas


pelas falhas que porventura forem encontradas. Preciso da sua ajuda para
melhorá-la portanto sinta-se a vontade para sinalizar erros ou pontos não
claros ao endereço fernando@simplissimo.com.br
Introdução

Criar um guia de produção para os livros digitais é uma tarefa árdua devido ao
fato que a produção em escala comercial deste produto é algo de muito recente.
Mas mesmo com pouco tempo de experiência podemos já traçar algumas linhas que
nos ajudem a criar um bom conteúdo.

Esta apostila quer ser mais prática do que teórica, ainda que alguns elementos
básicos sejam necessários para entender o funcionamento do formato ePub.

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Panorâmica sobre o livro digital

O livro é uma tecnologia


A evolução do livro é uma história de evoluções tecnológicas. Desde o
surgimento da escrita a evolução do suporte usado para o trasporte das informações
sempre cresceu, melhorou e se desenvolveu, seguindo o fluxo da história e do
avanço tecnológico.

Nesta ótica podemos constatar que nada no livro impresso é natural. Ele é na
realidade um objeto tecnológico. Exceto o concebimento da ideia, o resto está
permeado de tecnologia, deste o papel e a caneta usadas para escrever as primeiras
ideias do autor até o momento da impressão e da entrega do objeto livro.

É importante distinguirmos a ideia de livro como objeto, da ideia de livro como


conteúdo. A relação livro = objeto cresceu e se solidificou no nosso modo de
conceber durante séculos chegando o objeto físico a influenciar até mesmo o nosso
modo de escrever e de expressar o pensamento.

Hierarquia e linearidade
O livro reforçou em nós a capacidade de estruturar de forma hierárquica e linear
o nosso pensamento, fazendo com que isto se tornasse um modelo inevitável para a
organização e a comunicação das ideias.

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Criamos uma hierarquia no livro, ordenando e organizando os conceitos de
maneira gradual e ligados de modo coerente um com os outros em uma linha de
pensamento que respeite as passagens lógicas. Temos assim um pensamento que
segue o principio de causa efeito, o de não contradição, a hierarquia e a ordem
lógica.

Um exemplo deste sistema de ordenar o conteúdo é o sumário presente em boa


parte dos livros. Pelo sumário conseguimos entender a estrutura do livro e isto
facilita a compreensão linear do pensamento ali expresso.

Podemos notar porém que o nosso pensamento não se manifesta de modo


natural através deste tipo de estrutura. O pensamento segue muito mais de perto a
ideia de hiperlink, ou seja conexões entre uma ideia e outra não necessariamente
ligadas entre elas por uma sequencia lógica ou linear.

A associação de ideias é uma forma de pensamento mais natural respeito a


aquela racional - linear. Os nossos links mentais podem gerar associações originais
dando assim forma ao processo criativo.

Pensar o conteúdo para o digital


A maioria dos problemas ligados à passagem dos livros para o formato digital
está ligada à uma mentalidade mais do que a problemas reais e tecnológicos.
Insistimos quase sempre em manter o mesmo visual, as mesmas funcionalidades
presentes nos livros impressos e obter assim uma “fotocópia” do livro impresso em
versão digital.

Esta técnica pode ter as suas vantagens sobretudo na fidelização do público com
pouca familiaridade no uso da tecnologia. Poder encontrar o livro com numeração

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de página e rodapé facilita a aceitação da nova tenologia. É por isso que usamos
muito o skeumorfismo, na tentativa de deixar as interfaces digitais mais amigáveis
ou familiares.

Porém este modo de pensar, se levado ao extremo pode causar muita frustração e
renunciando ao uso de funcionalidades avançadas disponíveis hoje nos livros
digitais. É preciso portanto repensar a publicação de um livro usando e desfrutando
as funcionalidades que a nova plataforma, o novo suporte, pode oferecer.

Esta é uma fase de conversão do material impresso para o digital e temos que
iniciar a pensar na fase da produção para o digital, ou seja, devemos iniciar a pensar
o livro em digital desfrutando as sua funcionalidades próprias e pensando estas
desde o concebimento da ideia inicial.

Design e usabilidade do livro digital


Dentro da prospectiva de planejamento do ebook deve estar presente a ideia de
que o livro será apresentado em um novo tipo de suporte com características novas
respeito ao livro impresso e portanto é fundamental que seja pensado ou repensado
em vista deste novo suporte.

É importante nesta perspectiva conhecer o que é possível fazer tecnicamente


com um ebook e depois selecionar as funcionalidades que possam ser uteis. Esta
projetação torna-se fundamental nos livros infantis, mas também nos livros de texto
ou de ficção pois permite a criação de um produto bom e de fácil execução.

Entre as características de um livro no formato ePub a que mais se destaca é a


capacidade de uso de hiperlinks. Um livro em ePub deve conter links pois esta
característica facilita a leitura além de representar uma vantagem consistente

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respeito ao livro impresso. Também o sumário assume uma nova função pois é
através deste que o leitor consegue ter uma noção do tamanho do livro e do seu
progresso na leitura. Um bom sumário pode facilitar muito a leitura e pode conter
mais informações daquelas comumente colocadas no livro impresso.

O sumário interno, ou seja o sumário que esta dentro do fluxo do texto, também
pode ser um bom recurso para melhorar a navegação pelo conteúdo sobretudo em
livros onde os argumentos possuem uma subdivisão minuciosa.

As notas de rodapé devem serem linkadas. A posição das notas é uma escolha do
editor uma vez que depois de conectadas elas serão facilmente acessíveis não
importando onde estejam.

Outro fator de usabilidade e design é o uso de cores no ePub. Por causa da ideia
que um livro deva ser igual à sua versão impressa muitos editores deixam de
desfrutar esta característica. O fato de um livro ser impresso em preto e branco é
uma limitação do formato impresso e serve para reduzir custos. Na produção de um
ePub não existem custos adicionais quando acrescentamos cores e portanto é
possível projetar um ebook com cores e imagens coloridas mesmo que a relativa
versão impressa seja apenas em preto e branco.

Formatos para o livro digital

Existem muitos tipos de arquivo para o livro digital cada um com sua
características próprias. Isto aumenta as dificuldades que temos em distinguir o
formato que mais se adapta ao nosso conteúdo. Mesmo com a crescente
popularização do livro eletrônico, algumas pessoas ainda confundem ebook com

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dispositivos leitores – na realidade ebook readers ou eReaders.

Quais são os tipos de arquivos mais importantes? Os formatos de ebooks mais


relevantes são: ePub, PDF, mobi, APP

Por que somente estes quatro? Por que são os formatos com maior
disponibilidade nas principais livrarias e lojas virtuais, o que significa que são os
formatos-alvo utilizados tanto por editoras quanto por autores independentes,
nacionais ou internacionais, para publicar seus livros. Assim, muitos tipos
alternativos, a princípio, não têm um futuro muito promissor ou muita relevância
para quem trabalha na área editorial. Com exceção de usos muito específicos,
ninguém quer perder tempo aprendendo a criar publicações em um formato que
quase ninguém lê (ou lerá), mas para o leitor, o usuário final, os melhores formatos
são aqueles que seu dispositivo pode ler.

Ainda assim, é importante lembrar que esse é um mercado em expansão e, em


muitos aspectos, indefinido. Há uma série de tipos de ebook promissores, ainda que
proprietários e restritos a determinados nichos (dois exemplos são os livros
didáticos da Inkling) e o livros “híbridos” da Blio. Talvez algum deles também
venha a se torna importante em algum momento.

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O formato ePub

Conceitos básicos e funcionamento

O formato ePub vem impondo-se como formato padrão para os livros digitais,
sobretudo por ser “fluido” permitindo a adaptação do conteúdo para diferentes
tamanhos e formas de telas dos vários aparelhos. Nesse sentido, ele difere do PDF
que é bastante estático, uma vez que representa fielmente a estrutura original da
página. O ePub é o complemento ideal para o PDF.

O ePub é um arquivo zip compactado (com extensão .epub), que por sua vez,
contém alguns arquivos e diretórios, cada um com uma função específica. Cada
elemento do arquivo ePub é criado com base em certas normas internacionais
estabelecidas pelo IDPF (International Digital Publishing Forum).

Quem administra: o IDPF


Este formato foi publicado em 2007 pelo International Digital Publishing
Forum (IDPF). O IDPF (http://www.idpf.org) é uma associação que reúne os
principais operadores no setor da editoria digital e empresas relacionadas a este
mercado. Entre os membros estão grande empresas (Apple, Google, Sony, IBM,
Agfa), editores (Santillana, O'Reilly, McGraw-Hill, HarperCollins,), associação de

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editores (Canadense, America e Italiana), livrarias (Barnes&Nobles, Simon &
Schuster) e fornecedores de serviços (Integra, Aptara, Kobo, Simplíssimo Livros).
Uma lista completa é possível obter aqui: http://idpf.org/membership/members

O Objetivo do consórcio é promover e desenvolver o setor da editoria digital


apoiando e incentivando a adoção de formatos padrões reconhecidos por todos.

O formato ePub é portanto o resultado produzido em comum acordo entre os


membros do IDPF em 2007, mas tem suas raízes já em 1999 quando o Open
ebook Forum, que depois deu origem ao IDPF lançou uma especificação para livros
digitais chamada de OEB (Open ebook Publication Structure), que foi o embrião de
uma das especificações que compõem o ePub (a OPS).

A palavra ePub é a composição de Eletronic Publication. A idéia de usar o


“eletronic” foi uma escolha ponderada, pois visava apresentar o ePub como um
formato padrão para outros modelos de publicações além dos livros.

Uma especificação é um documento que lista e descreve as linhas guias para o


uso correto e a aplicação de uma tecnologia.

É um formato aberto. Não é propriedade de uma única entidade e, portanto, não


é necessário pagar royalties a ninguém pelo seu uso.

É um formato acessível. Uma vez produzido, o editor pode acessar facilmente o


seu conteúdo para fazer correções, ou para transformar em outros formatos
existentes ou que serão ainda inventados.

É um formato baseado em padrões já estabelecidos e conhecidos, como XHTML,


CSS, Dublin Core e outros. Nesse sentido, não é necessário procurar ou criar novas
habilidades para trabalhar em ePub, são suficientes os profissionais ligados ao

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mundo do web design e isto permite uma aprendizagem fácil e rápida não sendo
necessária nenhuma especialização em particular.

Um arquivo ePub não é somente um conjunto de arquivos XHTML e CSS e


arquivos de imagens, ele possui alguns arquivos especiais que permitem o seu
correto funcionamento bem como funcionalidades mais avançadas. O padrão ePub
é definido por três documentos ou especificações:

Open Publication Structure (OPS) que descreve a formatação dos conteúdos. É


a sintaxe do ePub.

Open Packaging Format (OPF) que descreve a estrutura do arquivo ePub.

Open Container Format (OCF) que descreve o modo como os arquivos são
compactados no formato zip.

As especificações
Para entender melhor o funcionamento de um ePub e como as três
especificações indicadas acima trabalham juntas vamos imaginar a criação de um
ePub a partir do zero.

a) Em primeiro lugar vamos precisar criar os "documentos com o conteúdo".


Estes devem ser documentos formatados em XHTML linkados a um CSS que irá
controlar o visual do nosso documento seguindo algumas normas estabelecidas
(Open Publication Structure).

No arquivo XHTML colocamos o texto, incluímos links a imagens e outros


elementos multimídia. Para quem trabalha com a web esta fase é muito simples,
pois se trata de criar uma pagina web. Para facilitar podemos criar vários

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documentos XHTML colocando cada capitulo do nosso livro em um documento
separado. Este processo permite um controle maior do conteúdo e facilita a vida dos
aparelhos com pouca memoria, como um smartphone por exemplo. Se seu livro
contém 100 capítulos o aparelho vai precisar abrir somente um de cada vez
consumindo assim pouca memória.

Além de imagens no formato JPG podemos colocar imagens no formato PNG,


GIF ou até mesmo imagens vetoriais usando o SVG.

b) Uma vez que criamos o conteúdo do nosso ePub podemos criar o package
document, ou o "documento de pacote", um arquivo especial que contém a descrição
de todos os elementos presentes no meu livro, os metadados e a ordem em que tudo
isso será apresentado. Os softwares de leitura precisam deste documento para poder
listar e encontrar os arquivos que citamos ou estão linkados nos nossos documentos
de conteúdo. Este documento é descrito em detalhes na especificação Open
Packaging Format.

O documento em questão chama-se content.opf e contém uma primeira parte


com todas as informações relativas ao nosso livro, como título, autor, criador, ano,
formato, os assim chamados metadados.

Neste documento teremos uma segunda parte chamada manifest onde vamos
fazer a declaração de cada elemento que esteja presente no ePub. Vamos declarar o
nome, o caminho e o tipo de documento.

Uma parte importante deste arquivo irá definir em qual ordem o nosso conteúdo
será lido, o spine, que como o nome pode sugerir é um pouco a espinha dorsal do
nosso arquivo. Além de definimos a sequência em que cada arquivo irá aparecer
podemos indicar se algum capítulo permanecerá escondido ou não.

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Um outro documento separado vai nos servir para definir o sumário do nosso
livro. A nossa Table Of Contents será feita em um documento chamado toc.ncx e que
foi também declarado lá no manifest no arquivo content.opf Neste documento vamos
criar uma estrutura de navegação, o nosso sumário externo. Indicamos o nome que
aparecerá no sumário e o documento ao qual este nome irá levar. Por exemplo,
podemos criar uma entrada para a capa que irá levar o leitor para o arquivo
capa.XHTML que a sua vez irá mostrar a imagem capa.jpg presente em uma pasta
chamada imagens. Lembrando que todos estes arquivos, toc.ncx, capa.XHTML,
capa.jpg estão devidamente listados lá no manifest.

c) Para finalizar temos que compactar estes arquivos em um único arquivo com
extensão.epub. Não se trata de simplesmente zipar tudo com um simples programa
de zip. Seguindo as instruções presentes no Open Container Format temos que
criar um arquivo especial chamado mimetype que indique ao software leitor que
aquele arquivo é um ePub. Um arquivo chamado container.XML em uma pasta
chamada META-INF irá indicar ao software leitor onde o arquivo content.opf está.
Nesta pasta podem estar presentes também outros arquivos que passam
informações importantes para o software leitor, como por exemplo, as informações
sobre a criptação do conteúdo (DRM).

Obviamente esta é uma descrição muito simplificada e muitas outras


informações técnicas foram omitidas, todas estas informações estão declaradas nos
três documentos que compõem as especificações do ePub.

Linguagens usadas
Já vimos em parte o funcionamento do XHTML e como este interage com o CSS.
Estas duas linguagens são partes fundamentais do ePub e são as principais

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linguagens a serem aprendidas quando queremos codificar o nosso conteúdo no
formato ePub.

O XHTML usado no ePub 2.1 é o XHTML 1.1 e a versão CSS suportada é a CSS 2.1.

Além destas duas linguagens estão presentes no ePub partes de XML sobretudo
na descrição da estrutura (o content.opf ) e no sistema de navegação (o toc.ncx).

As especificações para o arquivo de navegação com extensão.ncx foram


desenvolvidas para o Digital Talking Book (DTB) mantido pelo consórcio Daisy.

Os metadados seguem as especificações estabelecidas pelo Dublin Core


Metadata Initiative (DCMI) - http://dublincore.org, uma organização aberta e
sem fins lucrativos que apoia as iniciativas de design de metadados.

Software para a leitura


Não é difícil entender o funcionamento de um leitor de ePub. Bastaria ler ao
contrário o processo de criação que listamos acima. Ou seja, o software de leitura irá
ler o documento mimetype, depois passará ao documento container.XML que indicará
a ele onde encontrar o content.opf. Dentro deste estarão as informações de
metadados, os nomes de arquivos presentes no epub, e a ordem em que estes
documento devem ser apresentados. Então o software irá abrir cada documento
XHTML com o CSS correspectivo e irá apresentar o conteúdo do livro. Parece
simples, mas depois na realidade a coisa é mais complexa!

Tipologia
Na prática podemos reconhecer dois tipos de leitores de ePub. Aqueles criados
especialmente para ser um leitor de ePub e aquele que desfruta um engine de um

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browser navegador. De fato os dois principais motores de rendering para os
softwares que lêem o ePub são:

• Adobe Reader Mobile SDK

• Webkit

O Adobe SDK como o nome diz é um software produzido pela Adobe e está
por trás de vários outros softwares que visualizam o ePub. O grande sucesso do
Adobe Reader Mobile é o fato de que é o único sistema que permite a leitura do
Adobe DRM. Se o editor fizer a escolha de aplicar um sistema de proteção da
Adobe necessariamente o consumidor do livro deverá ler o ePub em um leitor com
o motor de rendering Adobe.

O outro motor conhecido é o webkit um motor de browser open source que está
por trás do Safari e do Chrome. A grande vantagem dos leitores webkit com relação
aos softwares baseados na Adobe é que eles suportam todas as declarações de CSS e
também as que ainda não foram implementadas totalmente no ePub como o
HTML5 e o CSS3.

Estes dois motores de rendering fazem a apresentação do conteúdo CSS e


XHTML de maneira levemente diferente, sendo que algumas coisas podem
funcionar em um sistema, mas não no outro. Como exemplo disto podemos indicar
as declarações de versal. A linguagem CSS suporta o uso do versal para as fontes e
possui uma declaração específica para isto: font-variation: small-caps; esta declaração
funciona bem em softwares baseados no webkit, mas não funciona em softwares
baseados no sistema Adobe.

Conhecer as características destes dois motores de rendering irá permitir a quem

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produz encontrar soluções alternativas podendo desfrutar ora as características de
um ora as do outro seguindo o principio do progressive enhancement.

Uma breve lista de softwares que usam o sistema Adobe:

• Adobe Digital Edition (PC/Mac)


• Nook Reader (PC/Mac)
• The Copia (PC/Mac)
• Bluefire Reader/Cultura Reader (iPad)
• Saraiva Reader (PC, iPad, Android)
• Aldiko (Android)
A maioria absoluta dos leitores com tecnologia eInk (série Sony, Bookeen, iRiver,
Alpha Positivo, Nook, etc...). Uma lista completa é possível encontrar neste site da
Adobe.

Uma breve lista de softwares que usam o sistema webkit:

• iBooks (iPad, iPhone, iPod Touch)


• Ibis Reader (leitor online)
• EPUBReader (extensão para Firefox)
• Calibre
Algumas diferenças entre sistema Adobe e webkit.

Suporta Adobe DRM Não suporta Adobe DRM

Não suporta HTML5 Suporta HTML5

Suporta FLASH (solo no PC) Não suporta Flash

Não suporta Video e Áudio Suporta áudio e vídeo

Suporta fontes Suporta alguns tipos de fontes

Não suporta algumas declarações CSS Suporta todas as declarações de fontes

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Como produzir um ePub

Uma pergunta nasce a este ponto: como produzir um livro no formato ePub? E
sobretudo como incluir este processo dentro do processo de produção já
consolidado e usado para o livro impresso?

Produzir um livro no formato ePub não é muito diferente da produção de um


livro impresso. A primeira parte do processo é exatamente igual, ou seja, aquela
relativa ao processo de revisão e correção. Em uma editora que use um software de
produção como o Indesign o processo de produção pode ser o mesmo até o
momento do fechamento do arquivo para a gráfica quando então naquele momento
se inicia as atividades especificas para a criação do ePub.

O melhor método é aquele de já começar, desde o principio da idealização do


livro, a preparar um design próprio para o livro digital. Isto deixará o processo mais
simples e as escolhas a serem feitas para o formato digital serão acompanhadas e
feitas em conjunto com aquelas para a versão impressa. Isto diminui o atrito que
pode existir no momento da passagem de uma versão impressa para o digital.

Gostaria de salientar o uso da palavra produção e não conversão. A conversão


para o formato digital é um processo automático, onde simplesmente se faz uma
transposição do material presente no livro impresso para o formato ePub, usando
ferramentas automáticas de conversão, ou mesmo que se use ferramentas
profissionais os resultados são ainda muito dependentes do livro impresso.

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Todo o processo torna-se mais simples se o editor pensar primeiro o livro digital
e depois o livro impresso. Esta mudança no modo de conceber a obra irá permitir
um fluxo mais tranquilo e uma passagem menos traumática, pois em geral o digital
contém mais recursos do que a versão impressa.

Entre os possíveis métodos para a produção está o uso do Indesign como base
para a produção tanto do impresso quanto do digital. Neste caso o diagramador irá
trabalhar em uma versão do livro acrescentando elementos que irão facilitar a
passagem para o ePub e após o fechamento do arquivo para a gráfica, se iniciará o
processo final de preparação para a exportação. Depois da exportação, porém, é
necessária uma outra fase, o que chamo de pós-produção. Mas talvez seja mais
correto chamar de pós-exportação. O arquivo deverá ser aberto em softwares
específicos e o código deverá ser trabalhado manualmente. Enfim o livro será
testado nos diferentes aparelhos.

Para os editores que não usam o Indesign como ferramenta principal existe a
possibilidade de usar ferramentas como o LibreOffice combinada com uma macro
que permita uma exportação limpa do conteúdo para o formato ePub.

Uma terceira possibilidade é aquela de confiar o arquivo PDF produzido


(independentemente do software usado) a um fornecedor de serviços que cuidará
da passagem para o formato ePub.

Em todas as situações acima descritas se o editor tiver em mente qual será o


design final do livro digital todo o processo será simplificado e muito mais eficaz.

É fácil notar como não exista ainda um processo único e um método


consolidado para a produção profissional de um ePub. Existem várias alternativas
desde a criação totalmente manual do arquivo até a geração através softwares que

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transformem um arquivo XML. Este período de transição exige que várias soluções
sejam experimentadas e avaliadas seguindo as necessidades do editor.

O que é certo e comprovado é que quem irá produzir o ePub deve conhecer as
linguagens usadas nele. Deve possuir conhecimentos de código. Atualmente é
impossível produzir um bom arquivo ePub sem conhecer ao menos um pouco do
código pois as ferramentas automáticas não funcionam bem, e mesmo os editores
visuais usados para a web apresentam vários problemas graves pois não geram um
código limpo. Já vimos como esta parte, mesmo que escondida, é de vital
importância para o funcionamento correto do arquivo.

Neste fluxo de trabalho, portanto deverão ser acrescentadas algumas figuras


profissionais, como aquela que controla e corrige o código e uma pessoa que teste
este arquivo nos mais diferentes aparelhos e que conheça os problemas de
usabilidade dos mesmos. É importante possuir alguns destes aparelhos que
permitam o teste direto.

Note-se que os detalhes aos quais é necessário prestar atenção no processo de


produção do livro digital são mais numeroso do que os presentes no livros
impressos. É importante, portanto uma atenção ainda maior na produção.

Vamos apresentar dois métodos para produzir o arquivo, o primeiro utilizando o


Indesign e conhecendo melhor o que ele faz (e não faz) e o segundo apresentando
uma solução através do LibreOffice.

Usando o LibreOffice
Para gerar um arquivo ePub usando o LibreOffice podemos utilizar uma
extensão chamada write2epub.

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Esta extensão permite criar um arquivo ePub de modo eficiente e conveniente.
Ela aceita todos os arquivos suportados pelo LibreOffice sendo necessário apenas
que o arquivo tenha sido salvo pelo processador de textos. Você pode facilmente
acrescentar títulos, capítulos, notas de rodapé margens e citações usando os estilos e
os instrumentos de formatação do LibreOffice. A extensão exportará
automaticamente até mesmo os estilos de itálico e de negrito que foram aplicados
pelo writer.

Mais do que um simples conversor de formato ela é um instrumento que


permite acrescentar metadados importantes e uma imagem para a capa, exportando
um arquivo ePub com o código limpo e funcional.

O limite maior está no modo como a macro exporta as notas de rodapé, pois ela
divide cada nota em um arquivo diferente dificultando assim a finalização
profissional do arquivo.

Para textos simples é uma boa alternativa, pois é com certeza mais rápido do que
ter que diagramar um texto no Indesign para depois exportar.

Produção a partir de um PDF


Produzir um texto a partir de um PDF implica em prática ter que refazer a sua
formatação. Usando um bom editor de texto é possível deixar este processo mais
rápido exportando o texto a partir do PDF, bem como as imagens e recriando
manualmente a formatação do livro. Existem à venda vários softwares que
prometem uma conversão ideal do PDF para o ePub, mas nenhum deles realmente
cumpre o que promete.

O problema está no modo como o PDF foi produzido e no software usado para a

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produção. Muitas vezes o texto fica muito “quebrado”, ou seja, dividido em objetos
diferentes o que obriga um controle atento do texto para evitar erros de hifenização
ou até mesmo de “mistura” de partes de texto diferentes no livro.

Se o layout do livro é simples a tarefa será mais fácil, mas se o layout é complexo
somente a presença do operador humano vai permitir uma conversão aceitável.

Programas e utilitários
Há um grande número de programas para criação de ePub, capazes de gerar
resultados com os mais variados níveis de qualidade. Na lista, foram considerados
somente aqueles que lidam diretamente com o formato, mas qualquer programa que
exporte o conteúdo em HTML tem, a princípio, utilidade no workflow de produção.

Editores com geração automática de arquivos ePub


Indesign (CS3 e superior)

É o software mais conhecido atualmente em âmbito profissional. A versão


CS5.5 é mais indicada para a produção de ePub por apresentar funcionalidades
mais flexíveis e gerar um código melhor.

Libre Office + Writer2ePub (plugin)

Com esta opção é possível formatar diretamente livros do formato word para o
ePub. Pode ser usada para a edição do texto extraído do PDF.

Oxygen XML Editor

O Oxygen se apresenta como editor de XML e pode também ser usado na edição
e correção do ePub.

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Microsoft Word +Aspose.Words (plugin) , Scrivener, Atlantis Word Processor,
Pages, Infohesive

Os softwares acima são indicados para uma produção pessoal e não profissional
pois apresentam menos controle no momento de produzir o ePub.

Editores de ePub específicos


Sigil

O Sigil é um dos mais completos softwares para a edição do ePub. Na sua


última versão se tornou ainda mais profissional, com sistema de buscas GREP e
controle ortográfico do texto, além de recursos como geração automática dos
arquivos content.opf e toc.ncx.

eCub, Jutoh, Legend Maker, ePuper, Bookbin

Estes são softwares que na realidade servem para organizar o conteúdo do ePub.
Não oferecem vantagens significativa respeito ao Sigil, mas podem tornar-se
alternativas válidas no futuro.

Utilitários de compressão
EpubPack, ePubZip, EPUBscripts

Quem quer fazer a edição do ePub diretamente abrindo ele e usando um


software como o Dreamweaver irá precisar de um destes programas acima para
poder “fechar” o arquivo ePub corretamente. São boas ferramentas para quando é
necessário uma edição manual e direta do arquivo.

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Software para validação
FlightCrew

O FlightCrew é incorporado ao Sigil e ajuda na descoberta dos erros presentes


no ePub. Não é o software oficial de controle, mas é muito útil por apresentar uma
lista mais detalhada dos problemas e por indicar erros que o ePubCheck não
consegue sinalizar.

ePub Check

Este é o software oficial usado para o controle da qualidade de um ePub. O


arquivo deve superar o teste neste software para que possa depois ser aplicado o
DRM. O motivo disto é que o sistema da Adobe utiliza o ePubCheck para garantir
um minimo de qualidade nos arquivos.

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Usando o Indesign

O Indesign tornou-se praticamente o software de produção para livros mais


usado e mais completo. Consolidou-se na qualidade e na facilidade de uso para a
diagramação de livros impressos, de revistas e de qualquer tipo de produção gráfica.

O inicio do sucesso do Indesign deu-se com a chegada da versão CS2 quando foi
acrescentado ao software a possibilidade de inserir notas de rodapé automáticas, à
mesma maneira, ou quase, de como faziam editores de textos como o Word e
OpenOffice. Este recurso facilitou muito a edição de livros, sobretudo aqueles com
uma quantidade grande de notas de rodapé.

Já a partir da versão CS3 foi introduzido a funcionalidade de exportação para ao


formato ePub. Isto demonstrava a vontade da Adobe de incentivar o formato e de
caracterizar o Indesign como software de ponta para a produção de livros digitais.

A capacidade de exportação do Indesign CS3 para o formato ePub era bem


limitada, gerando um código bagunçado e com vários bugs e erros. Esta
funcionalidade foi melhorada no CS4 e nas duas versões seguintes, o CS5 e a CS
5.5. Esta última apresenta características mais profissionais para a geração do
arquivo ePub. Além de ter integrado a possibilidade de gerar revistas digitais no
formato “folio” com recursos multimídia para tablets.

No fronte dos livros digitais é possível notar a vontade de permitir que o

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software crie um ePub completamente definitivo e pronto para o uso. Infelizmente
isto ainda não é possível sendo necessária uma pós-produção do arquivo para
acrescentar funcionalidades que faltam no Indesign, bem como para permitir
recursos mais avançados com respeito às normas estabelecidas pelo IDPF,
permitindo assim que o ePub gerado funcione perfeitamente nos vários aparelhos.

É importante lembrar que o simples uso da função de exportação do Indesign


para o ePub não garante o bom funcionamento deste e muitas vezes nem mesmo os
resultados esperados.

Para que o arquivo ePub seja gerado de forma mais proveitosa é necessário que
sejam aplicadas algumas funcionalidades previstas pelo Indesign. Em outras palavras
o arquivo deve ser pensado e preparado para a geração do arquivo ePub.

Podemos sintetizar em três etapas a geração de um arquivo ePub usando o


Indesign: a) preparação do texto dentro do Indesign b) exportação usando o painel
de exportação do Indesign c) a pós-edição e a necessidade de “abrir” o arquivo e
melhorar ele com outros softwares.

A) Preparação do texto no Indesign


Antes de inciar o trabalho é importante conhecer bem a estrutura do nosso livro
e como ele é composto. Uma olhada no sumário vai nos permitir ter uma ideia de
como o livro é organizado, se possui partes, somente capítulos e se estes são
divididos ulteriormente. Além disto, é importante perguntar-se quais tipos de
imagens o livro possui, que tipo de tabelas, quantas e onde estão posicionadas.

Não estamos acostumados a pensar a “conversão” para o formato ePub como um


novo projeto, isto porém seria muito importante. Não é possível simplesmente

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realizar uma “fotocopia” da versão impressa.

O que não é exportado pelo Indesign


Antes de entendermos como o Indesign exporta o nosso conteúdo para o
formato ePub convém vermos brevemente o que o Indesign não consegue exportar:

1) Elementos das páginas mestras


Esta é uma característica escolhida pelos desenvolvedores do Indesign. Tudo o
que estiver posicionado nas páginas mestras não será exportado para o ePub. Esta
funcionalidade nos permite gerar um arquivo que funcione bem tanto para a versão
impressa quanto para a digital, pois todos os elementos que queremos que apareçam
na versão impressa, mas não na digital, vamos colocar nas páginas mestras.

As últimas versões do Indesign permitem uma administração avançada das


páginas mestras, de modo que possamos produzir páginas mestras baseadas em
outras paginas mestras e ter um controle total do layout do nosso livro. O bom uso e
as boas práticas com as páginas mestras vão permitir um fluxo de trabalho mais
linear.

2) Elementos vetoriais criados no Indesign


Nas últimas versões do software foram acrescentadas várias ferramentas que
permitem o desenho vetorial dentro do Indesign mesmo, sem o uso do Illustrator.
Estes desenhos internos serão ignorados no momento da exportação. Veremos mais
adiante como resolver este problema.

3) Numeração automática de páginas


Como vimos no capitulo anterior o ePub não possui “páginas” no sentido

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 25


tradicional do termo. Portanto a numeração das páginas presente no Indesign esteja
ela na página mestra ou na pagina principal será ignorada no momento da
exportação.

4) Margens
Pela mesma característica acima as margens que aplicarmos ao nosso texto serão
ignoradas. O Indesign CS 5.5 acrescentou uma ferramenta para no momento da
exportação gerar margens para o ePub. Esta função ainda é muito limitada e
veremos que será necessária uma intervenção manual no arquivo para colocarmos
margens bonitas.

5) Quebra de página
Por quebra de página entendo aqui a passagem de uma pagina para outra, tanto
seguindo o fluxo natural do texto (com os frames de textos encadeados) quanto com
o uso da quebra de página, ou quebra de frame. Até mesmo frames separados postos
em páginas diferentes aparecerão no ePub um “atrás do outro”. Vamos ver como
controlar este fluxo mais adiante.

O motivo deste fenômeno está no fato que o ePub possui um fluxo continuo de
texto, muito mais parecido com o fluxo de texto de um editor de texto (como o
Word) ou à uma página da web do que com o sistema usado na diagramação.

6) Estilização fora dos estilos


Para podermos manter a diagramação feita no nosso texto será necessário
utilizar de modo coerente e contínuo os estilos de parágrafo, de caractere e de
objetos presente no Indesign. Toda a formatação que for aplicada fora do uso dos
estilos (manualmente) será perdida no momento da exportação. Vamos entender

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 26


melhor isto quando falarmos dos estilos no Indesign.

7) Nested Styles e Greep Style


Nas últimas versões do Indesign (CS5 e CS5.5) existe a possibilidade de criar
uma formatação automática, de modo que o Indesign nos ajude no serviço de
formatação do texto. Infelizmente estas formatações serão perdidas no momento da
exportação.

8) Sumário gerado pelo TOC e presente no texto


A questão do sumário é um pouco complexa, mas vamos iniciar enfrentando-a
com a afirmação de que um sumário gerado automaticamente pelo Indesign e
presente no texto não será exportado.

Para facilitar a geração de sumários o Indesign tem uma excelente ferramenta


que nos permite gerá-los automaticamente e inseri-los no final ou no início do meu
livro. Se for bem feito podemos até mesmo modificar de lugar o conteúdo e o
sumário vai se atualizar automaticamente.

Porém este texto já presente no livro impresso será ignorado pelo Indesign no
momento da exportação.

Vamos ter que mesmo assim, na versão CS 5 gerar um sumário usando o painel
do TOC, mas a funcionalidade dele será aquela de criar um sumário “externo” para
o arquivo ePub.

9) Posição da images, olho e gráficos


Em geral quem fez a experiência de exportar um arquivo ePub sem ter
preparado-o vai ter notado como as imagens simplesmente mudam de lugar. Se não
as ancorarmos ao fluxo do texto não iremos conseguir mantê-las onde queremos. O

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 27


mesmo vale para gráfico e olhos que estão presentes no layout.

10) Tabelas
Um elemento complexo e difícil de trabalhar são as tabelas, e me refiro na versão
impressa. Infelizmente na versão CS 5 do Indesign a formatação que com tanto
sacrifício aplicamos nas nossas tabelas serão ignoradas. A estrutura da tabela será
exportada, mas fios, fundos e cores serão ignorados.

Na versão CS 5.5 este cenário melhorou, mas mesmo assim vai ser necessária
uma intervenção manual para melhorar o visual das tabelas.

Como as tabelas representam um elemento importante em muitos livros é


necessário dar uma atenção especial a elas. Infelizmente os softwares que lêem o
ePub não conseguem apresentar bem as tabelas, sobretudo se grandes. Para
resolver este problema às vezes se usa transformá-las em imagem. É importante
que seja dada atenção especial a estas imagens. Uma sugestão é também o uso
do formato SVG que sendo vetorial preserva a qualidade da escrita e dos
eventuais gráficos. Em todo caso quando possível é bom manter as tabelas como
texto no formato próprio para ela.

Objetivos
O nosso objetivo será utilizar um arquivo Indesign para os dois projetos, o
impresso e o digital. Vamos mantê-los juntos até o momento no qual enviaremos o
projeto para o impresso, e após ter feito isso vamos finalizar o arquivo fazendo as
mudanças necessárias para o formato digital.

É importante olhar através do livro com o qual vamos trabalhar e tomar


conhecimento dele, como é composto, quais fontes são utilizadas, tamanho das
fontes, elementos caracterizantes, espaçamentos utilizados, as imagens etc.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 28


Mantendo a ordem no conteúdo

a) Usando o layout de página


A recomendação que costumamos fazer é aquela de manter todo o texto em um
único grande fluxo, encadeando os frames de texto de modo a formar um único
bloco. Esta é uma sugestão sensata e funciona muito bem nos livros de textos onde
as imagens são poucas.

Nem sempre, porém temos um fluxo inteiro de texto. O que fazer neste caso?
Como o Indesign exporta o nosso conteúdo? Porque às vezes acontece uma perda de
ordem do nosso conteúdo?

Para entender melhor temos que aprender como o Indesign efetua a conversão
para o ePub.

O conceito é simples: o Indesign faz uma leitura da página do livro e exporta os


elementos seguindo uma ordem pré estabelecida que vai de cima para baixo e da
esquerda para a direita. O software considera um elemento a partir do ângulo
esquerdo superior.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 29


Não importa a largura e o tamanho do box de texto, o que conta para o Indesign
é a posição a partir da esquerda.

No exemplo acima vemos como o box A será exportado em realidade depois do


box B porque o ângulo superior esquerdo do box B está mais à esquerda.

No exemplo a seguir temos um texto relativamente complexo. Um titulo e um


subtitulo postos em box separados e o texto principal dividido em duas colunas
conectadas entre elas. Além disto, temos uma imagem e uma legenda posta acima,
sempre em box separados e abaixo um número automático de página. Ao lado
esquerdo posto a 90 graus uma escrita.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 30


Fazendo uma simples exportação deste texto vamos obter um resultado
catastrófico:

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 31


Além da formatação totalmente perdida a ordem do texto foi alterada. Este fato
acontece por causa da disposição dos elementos na página do nosso arquivo. Para
modificá-los basta mudar a posição do ângulo superior esquerdo dos vários
elementos para deixar na ordem que o Indesign “entende”.

b) Usando a estrutura XML


A possibilidade de controlar a ordem do conteúdo pode ser feita também
usando um recurso mais avançado do Indesign que é a possibilidade usar as tags
XML para gerenciar a ordem de exportação.

c) Usando o painel Artigos (Articles Panel) – Indesign CS 5.5


O Indesign CS5.5 permite agrupar textos, gráficos e imagens como artigos o que
significa, basicamente, um monte de coisas que você quer que sejam apresentadas
juntas dentro do fluxo de leitura do ebook. Você estabelece o que é incluído em um

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 32


artigo e como isso é ordenado, arrastando objetos da página para o novo painel de
Artigos. De lá, você pode reorganizar sua ordem, adicionar novos itens ou excluir os
que você não deseja que estejam no formato ePub . Quando você for exportar o
documento para ePub, as novas opções de exportação lhe dão a possibilidade de
basear sua escolha na ordem de sua página de layout, estrutura de XML, ou a ordem
que você estabeleceu no painel de artigos. A opção de artigos é uma opção que
facilita a organização dos elementos exportados.

Quando começamos a arrastar um objeto a partir do seu layout para soltá-lo no


painel de artigos, o objeto realmente se move através de sua tela como se estivesse
mudando de dentro do layout. Uma vez que você o solta no painel de artigos, ele
volta para onde estava, mas é um pouco desconfortável assistir o layout ser
temporariamente interrompido. Para evitar o choque visual, selecione o objeto e o
adicione através do ícone “mais” na parte inferior do painel de artigos.

Fazendo novamente a exportação tanto usando o layout quanto o painel artigos


podemos ter um controle melhor do layout.

A escrita que estava na horizontal foi removida para a área de externa da página,
deste modo ela não será exportada. O formato ePub não suporta textos inclinados
e o Indesign exporta retirando a inclinação, portanto neste caso foi decidido deixar
o texto fora do arquivo ePub.

Objetos Ancorados
A maneira correta de integrar texto e imagens no ePub é utilizar o recurso de
objeto ancorado. Caso contrário, todas as imagens irão para fim do documento!

Para criar um objeto ancorado proceda desta forma: 1 – Selecione o frame da


imagem/objeto no layout do Indesign, com a ferramenta Selection; 2 – Aplique um

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 33


recortar Ctrl+ X / Cmd+X; 3 -Posicione o cursor de texto no local onde deseja
inserir a imagem/objeto; 4 – Finalize com um colar Ctrl+V / Cmd+V. Pronto! Sua
imagem está ancorada e fluirá junto com o texto, mantendo sua posição original não
importa o formato de tela do eReader.

No Indesign CS5.5 esta operação tornou-se bem mais simples. Agora é só


selecionar a imagem (ou box, ou agrupamento de elementos) e arrastar o
“quadradinho” no alto a direita até o ponto no texto onde você quer ancorar a
imagem.

A formatação do texto
Para muitos designers esta é a parte mais decepcionante, pois a tipografia e
formatação definida no Indesign pode ser drasticamente alterada, conforme o tipo
de eReader.

Algumas mudanças são comuns na maior parte dos aparelhos: alteração do tipo
e tamanho da fonte e do plano de fundo. Outras, menos comum, permitem alterar a
formatação, como tipos de alinhamento, entrelinha, espaço entre parágrafos e
endentações. Enfim, total controle nas mãos dos leitores.

Por causa disso, é altamente recomendado testar seus ePub em diferentes ebooks

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 34


(quando possível), para visualizar e corrigir qualquer conflito que possa existir.

Através dos estilos de Parágrafo e Caractere é possível manter “algum” controle


da formatação do texto – ao menos inicial.

Estilos de parágrafo e caractere


Para a exportação do ePub, obrigatoriamente, todo texto deve ser formatado
com o uso de estilos de parágrafo e/ou caractere, mesmo frases ou palavras com
formatação única em todo documento. Com base nos estilos o Indesign irá compor
os CSS – Cascading Styles Sheets, que determinam a formatação de texto nos
arquivos ePub.

Fontes
É possível embutir as fontes utilizadas no layout para os arquivos ePub e assim
visualizar em seus ebooks a tipografia que voce definiu para o trabalho. Contudo,
nem todos os eReaders suportam as fontes embutidas no ePub.

De qualquer forma, mesmo não reconhecendo as fontes embutidas, por exemplo


a fonte “Myriad Pro Bold” será trocada pela “Times Bold”, mantendo a formatação,
num eReader que utiliza a Times com fonte padrão.

Nota: Trabalhe preferencialmente com fontes Open Type (você identifica uma
fonte OpenType pelas extensões OTF e TTF em seu nome), fontes True Type nem
sempre são suportadas e jamais utilize fontes PostScript.

Adicionar Metadados
Metadados é parte fundamental da estrutura dos ebooks. Nele é possível inserir

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 35


informações sobre o autor; título; descrição; copyright e o mais importante: torna o
ebook pesquisável na web. O Indesign pode incluir metadados automaticamente
quando exporta para EPUB, basta que as informações sejam inseridas no menu File
> File Info. Veja que o diálogo do File Info possui várias seções, contudo apenas a
aba Description será inserida no ePub.

É através dos metadados que seu ebook será localizado na web. Esta informação
também é exibida na maioria dos eReaders.

Nota: Se você esta exportando um ebook pela paleta Book atente para marcar
como origem o arquivo que possui as informações de metadados (aquele que tem
um pequeno ícone do lado esquerdo da Paleta Book), caso contrário as informações
não serão inseridas no ePub.

Sumário e Indesign CS 5.5


Para gerar o sumario no ePub no Indesign devemos criar um sumario
automático:

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 36


Depois de ter aplicado de maneira consistente os estiles de paragrafos podemos
organizar o nosso conteúdo de maneira hierarquia. Esta passagem no Indesign CS5
é fundamental pois irá permitir a exportação de um código para o ePub organizado
de maneira correta usando os tags do XHTML.

Os paragrafos no primeiro nivel do sumario serão exportados com o tag h1 no


XHTML, os que colocarmos no segundo nivel serão exportados como h2 e assim por
diante. Este processo é automatico e depende apenas do modo como ordenamos os
paragrafos no TOC.

O Indesign CS 5.5 apresenta porém outra funcionalidade. O sumário perdeu a


funcionalidade de estruturador do código e agora para poder ter um paragrafo com
o tag h1 temos que definir manualmente no momento em que criamos o estile:

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 37


No painel de estilos de parágrafos você deve selecionar Export tagging (1) e
selecionar o tag ao qual você quer conectar o parágrafo (2). No painel(3) você pode
ver o que será exportado.

Este novo modo de organizar a hierarquia do XHTML diretamente no Indesign é


muito mais flexivel e permite gerar um ePub com qualidade alta. Necessita porem
um conhecimento ainda que basico do XHTML e do funcionamento do ePub.

Links
O Indesign oferece um painel especifico para os links que facilita muito o
controle e a criação deles. Podemos criar vário tipos de links que serão exportados
para o ePub: os links para páginas externas e para e-mail; links internos (o sumário
interno) e links para lugares específicos dentro do ePub. As notas de rodapé
também serão exportadas como links, mas não necessitam de nenhuma mudança no
Indesign, basta apenas usar as notas automáticas de rodapé.

Para criar um link a uma pagina web (ou vídeo, arquivo online, etc...) preciso
selecionar o texto que será transformado em link, abrir o painel de link clicando em
New Hyperlink e indicar na janela de link o endereço para o qual será conectado o
texto.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 38


Criar um link para e-mail é como criar um link, somente que em Link to: vamos
definir o link como e-mail. Podemos acrescentar também um assunto para o e-mail
que será enviado.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 39


Os sumário interno podemos gerar com uma interessante ferramenta do
Indesign, o cross-reference. Sempre no painel de links podemos clicar em Insert
Cross-Reference para ter acesso ao painel de controle do cross-reference. Não
precisamos ter digitado nada pois neste caso o Indesign ira buscar o texto presente
no estile de paragrafo que selecionarmos. Este sistema funciona se antes aplicamos
corretamente os estiles de parágrafos sobretudo nos titulos que serão usados para
criar o Sumário interno.

b) Exportando para o formato ePub


A configuração no painel do exportação para EPUB é bem simples, a parte
importante do trabalho esta na formatação e construção do arquivo propriamente
dito.

No Indesign CS5.5 acesse o menu File > Export e selecione a opção ePub
definindo também onde será salvo o arquivo. Será apresentada a caixa de dialogo
abaixo dividida em três seções: General, Images e Contents.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 40


General
Nas opções presentes é possível especificar o nome do editor e o ISBN do livro
no campo Unique Indentifier. Caso não seja especificado nada neste campo o
Indesign criará automaticamente um identificador único.

O Indesign CS 5.5 acrescentou a possibilidade de especificar uma capa.


Infelizmente este sistema não acrescenta a capa no inicio do ePub, mas apenas
indica para o iBooks, software da Apple, qual imagem é a capa. Após a exportação
do ePub ainda será necessário acrescentar uma capa no inicio do arquivo.

Outra opção é aquela que permite selecionar qual a ordem de exportação que
iremos seguir. Vimos acima como o Indesign exporta a ordem do conteúdo, e caso
vamos usar a opção do painel Article deveremos selecionar ela aqui.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 41


É possível também acrescentar margens para o ePub. Uma ótima opção, pena
que limitada pois apresenta apenas um valor que será usado nos quatro lados.

Existe também uma opção para os bullets, mas convém sempre deixar as
definições padrões, pois assim o Indesign irá exportar o bullets como listas na
linguagem XHTML.

As opções para imagens


Existe a possibilidade de manter a formatação que foram definidas dentro do
Indesign para as imagens. Deixando a opção Preserve Apperance from Layout o
Indesign irá manter todos os efeitos aplicados nas imagens, como cor de bordas,
transparência, sombra, etc... Deixando esta opção sem ser selecionada as imagens
irão ser exportadas na sua forma original.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 42


Para exportar as imagem você deve definir a resolução para elas. Um conselho
prático: nunca exporte com 300dpi pois não acrescenta qualidade à imagem
enquanto o iPad consegue visualizar 150dpi. Não existe uma regra sobre qual
resolução usar, mas em geral usaremos 96dpi que garante uma boa visualização e
pouco “peso” para a imagem.

Selecione a opção Relative to page, que irá fazer com que a imagem se adapte ao
tamanho da tela. Esta é uma função importante pois permitirá uma boa
visualização das imagens em telas de tamanho diferente.

Existe a possibilidade de definir se as imagens estarão centralizadas, alinhadas a


direita ou esquerda, e ao lado desta opção podemos definir quanto espaço deixar
antes ou depois das imagens.

Na parte relativa conversão das imagens podemos deixar que seja o Indesign a
definir como exportar as imagens ou então definirmos nós mesmos a qualidade das
imagens e as opções. As imagens podem ser exportadas no formato jpg, png e gif.
Elas serão sempre exportadas em modalidade RGB mesmo que o arquivo original
presente no Indesign seja em CMYK e em formato TIF ou PSD.

Conteúdo
Na parte relativa ao conteúdo existem várias opções importantes a serem
selecionadas. Deixaremos sempre a primeira opção em XHTML e selecionaremos o
sumário que geramos dentro do Indesign.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 43


Quando criamos um sumario automático no Indesign e salvamos ele, podemos
usá-lo como sumario externo do nosso ebook. Para fazer isto precisamos selecionar
a opção “Use Indesign TOC Style” e escolhermos o nome com o qual salvamos o
sumario no menu a tenda ao lado.

A segunda opção permite de “quebrar” o nosso arquivo em várias partes de modo


automático. Esta função é fundamental para que os capítulos do nosso eePub
iniciem sempre no topo da “página” do nosso leitor. Nesta opção podemos
selecionar o nome do estile de parágrafo que indica o inicio dos capítulos.

Duas opções não selecionaremos são aquelas de colocar as notas logo após o
paragrafo onde esta a nota e a outra a possibilidade de retirar a quebra de linha.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 44


Na parte relativa ao CSS é fundamental deixar a opção Include Style Definition
selecionada pois isto irá fazer com que o Indesign exporte os estiles de paragrafo e
caracteres como estiles CSS.

É melhor não utilizar a opção Preserve Local Overrides pois esta mantém as
mudanças no texto mesmo que não foram aplicados estilos de parágrafos. Isto pode
inicialmente parecer uma coisa boa, mas ao editar o arquivo perceberemos como o
texto fica muito cheio de elementos repetidos e inúteis, dificultando a edição do
ePub.

Enfim existe a possibilidade de exportar as fontes embutindo elas no ePub. Em


geral esta exportação causa um erro quando formos passar o nosso arquivo pelo
ePubcheck. Se recomenda acrescentar as fontes depois na edição do arquivo.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 45


Introdução geral ao XHTML e ao CSS

O texto digital: codificação e markup

O texto é um objeto complexo que contém informações estruturadas em vários


níveis, desde a sequência de caracteres que combinados entre eles compõem as
palavras até chegar às estruturas linguísticas que determinam a relação de
significado. Os computadores não são capazes de compreender diretamente estas
relações, pois conseguem compreender somente a sequência binária. Para fazer com
que o computador compreenda o significado do texto temos que codificar o texto.

A codificação pode ser a dois níveis: uma a nível zero, ou seja onde cada caractere
corresponde a um códice binário e uma codificação de alto nível. Para nós o que
interessa é a codificação de alto nível.

A representação do texto digital se baseia em determinadas linguagens de


codificação. Estas linguagens permitem também o controle da estrutura do texto.

Utilizar uma linguagem de codificação de alto nível significa antes de mais nada
identificar a estrutura do texto e como este é organizado. As linguagens que
permitem fazer esta estruturação do texto são chamadas de linguagens de marcação
(markup language).

O nome da linguagem nasce da “marcação” de manuscritos, das instruções de

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 46


revisão feitas pelos editores, escritas com caneta azul nos manuscritos dos autores.

Em geral uma linguagem de marcação descreve através de elementos pré-


definidos o nível estrutural, semântico ou de visualização de um texto.

Os elementos fundamentais de uma linguagem de marcação são:

• Um conjunto de marcadores, ou etiquetas (tags) que indicam os blocos


textuais aos quais serão atribuídos um significado.

• Uma gramática que regula o uso das tags

• Uma semântica que define a função da marcação

Esta marcação é colocada diretamente dentro do texto usando indicadores que a


diferenciem do resto do texto como por exemplo os sinais <> que indicam uma tag
(etiqueta).

A linguagem de marcação possui alguns aspectos que permitem medir a


utilidade dela nos mais diferentes usos que fazemos dela.

• Expressividade

• Portabilidade e reutilização

• Padronização e abertura

A expressividade é a característica que permite usar a linguagem em uma grande


variedade de gêneros de textos. Ela consiste também em representar o maior
numero possível de níveis estruturais

A portabilidade faz sim que o texto possa ser legível em qualquer plataforma, ou
seja o documento é independente de software e hardware.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 47


A reutilização é o fato de poder ter acesso ao documento mesmo tempos após a
criação do documento.

A padronização faz com que a linguagem seja usada universalmente, seja aberta
e de domínio publico,

Existem duas categoria de linguagens de marcação:

• Linguagens procedurais (ou específicas)

• Linguagens descritivas (ou genéricas ou analíticas).

Linguagens procedurais
A linguagem procedural indica ao computado qual operação ele deve fazer para
apresentar um texto de determinada maneira, ou seja especifica a estrutura
tipográfica e a composição da página, os espaços, a entrelinha e as características das
fontes. O seu objetivo principal é a apresentação gráfica do texto. Não fornecem
indicações sobre o significado do texto (semântica). Entre estas estão o RTF e o
LaTeX

RTF é o acrônimo de Rich Text Format ou Formato Rico de Texto, é um formato


de arquivo de documento desenvolvido pela Microsoft desde 1987 para facilitar o
intercâmbio de documentos entre diversas plataformas

No RTF a marcação indica o tipo de formatação que será aplicado ao texto, o


alinhamento, a paginação, o tipo de caractere, etc. O texto assim marcado é
definido rico porque passa do estado de texto puro ao estado de texto enriquecido
com informações de formatação. Quase todos os processadores de texto conseguem
interpretar um texto em RTF.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 48


Um exemplo de código em RTF:

{\RTF1\ansi\ansicpg1252\deff0\deftab709{\fonttbl{\f0\froman\fp
rq2\fcharset0 Times New Roman;}}
{\*\generator Msftedit
5.41.21.2510;}\viewkind4\uc1\pard\nowidctlpar\qc\lang1046\ker
ning1\b\f0\fs24 Exemplo de texto em RTF\b0\par
\pard\nowidctlpar A marca\'e7\'e3o serve para definir como o
texto vai ser visualizado e n\'e3o diz nada a respeito do
significado do texto.\par
\pard\nowidctlpar\li709\i Esta \'e9 uma cita\'e7\'e3o. Mas o
RTF simplesmente assinala ela como texto om recuo e em
it\'e1lico e n\'e3o como cita\'e7\'e3o. \i0\par
}
Como o processador de texto visualiza:

O LaTeX é outra linguagem de marcação procedural usada sobretudo para textos


científicos ou de matemática. Possui uma enorme potencialidade, mas assim como o
RTF ela usa tags para definir a visualização do conteúdo. É uma linguagem muito
rica e complexa.

Um exemplo:
\documentclass[12pt,a4paper]{article}
\usepackage[brazil]{babel}
\usepackage[utf8]{inputenc}

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 49


\usepackage[T1]{fontenc}
\title{O Sistema \LaTeX}
\begin{document}
\maketitle
A ideia central do \LaTeX\ é distanciar o autor
o máximo possível da apresentação visual da informação.
Ao invés de trabalhar com ideias visuais, o usuário é
encorajado a trabalhar com conceitos mais lógicos --- e,
consequentemente, independente da apresentação --- como capítulos,
seções, ênfase e tabelas, sem contudo impedir o usuário da
liberdade de indicar, expressamente, declarações de formatação.
A versão mais recente é a \LaTeXe.
% Isto é um comentário que não será processado. Ele serve apenas
% para fazer anotações não incluídas no resultado final. Atenção
% ao símbolo do comentário: porcentagem (%).
A seguir, a fórmula das combinações como um exemplo simplório
da capacidade matemática do \LaTeX:
\begin{eqnarray}
C_k^n &=& \frac{n!}{k!(n-k)!}
\end{eqnarray}

\end{document}

Após compilar o conteúdo acima teremos este resultado:

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 50


Linguagens declarativas
Ao contrário das linguagens procedurais que colocam a atenção na visualização, as
linguagens procedurais se concentram no conteúdo e no significado semântico deste.

As tags não definem a apresentação do conteúdo, mas a sua estrutura. Por


exemplo a cada bloco de texto é aplicado uma tag que o define como título,
parágrafo, citação, nota, sem dar informações sobre o modo como estes blocos serão
apresentados.

Não preocupando-se com a visualização, as linguagens declarativas são


independentes dos dispositivos nos quais serão visualizados. Mesmo que bem
estruturados os documentos dependerão sempre em algum modo das características
dos aparelhos que visualizam o documento.

Em geral a visualização gráfica é confiada a uma folha de estile. Esta é conectada


ao documento e controla a visualização gráfica deste. Este recurso permite a
presença e o intercambio de folhas de estiles diferentes para o mesmo documento
permitindo assim criar uma visualização diferente do mesmo conteúdo para cada
tipo de aparelho/software que apresenta o texto.

Exemplo de texto em XHTML:


<body>
<h1>Exemplo de texto em XHTML</h1>
<p>A marcação serve para definir o significado do texto e não
como ele será visualizado.</p>
<blockquote>
<em>Esta é uma citação. O XHTML define ela como citação sem
especificar como será visualizada. A indicação de ênfase não
necessariamente indica um itálico.</em>
</blockquote>
</body>

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 51


Visualização do texto acima em um browser:

SGML
O SGML é na realidade uma metalinguagem, ou seja não fornece indicações
sobre as tags a serem utilizadas, mas sim uma serie de regras de sintaxe através das
quais é possível definir as normas a serem aplicadas na marcação de documentos
específicos.

É como uma gramática, uma linguagem para criar outras linguagens. Por
exemplo é o SGML que define o uso das <> para delimitar uma tag. A SGML é uma
norma ISO: "ISO 8879:1986 Information processing--Text and office systems--
Standard Generalized Markup Language (SGML)"

O HTML e o XML são derivados do SGML. Outra linguagem derivada é o


DocBook, linguagem específica para a formatação de livros.

XML
O XML ou (eXtendible Markup Language) é uma metalinguagem de marcação
derivada do SGML, e serve para criar em modo simples novas linguagens aptas a
funcionar na web. O eXtendible refere-se à possibilidade de criar novas tags.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 52


Para entendermos melhor a potencialidade do XML vamos partir deste exemplo:
<poesia>
<titulo>Poemas em quadras</titulo>
<quadra>
<verso>Eu tenho um colar de pérolas</verso>
<verso>Enfiado para te dar:</verso>
<verso>As pérolas são os meus beijos,</verso>
<verso>O fio é o meu pesar.</verso>
</quadra>

<quadra>
<verso>A Terra é sem vida, e nada</verso>
<verso>Vive mais que o coração...</verso>
<verso>E envolve-te a terra fria</verso>
<verso>E a minha saudade não!</verso>
</quadra>

<quadra>
<verso>Se ontem à tua porta</verso>
<verso>Mais triste o vento passou</verso>
<verso>Olha: levava um suspiro...</verso>
<verso>Bem sabes quem to mandou...</verso>
</quadra>

<autor>Fernando Pessoa</autor>
</poesia>
Como vimos na linguagem declarativa as etiquetas definem o significado do
texto não dando informações sobre a visualização. Elas servem para estruturar e
classificar o documento. Esta poesia foi definida usando uma tag <poesia> que
indica o inicio e o fim da poesia indicado pela mesma tag com uma barra invertida
</poesia>. Da mesma maneira foram definidas as outras partes da poesia, como o

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 53


titulo, a quadra e o verso. Note-se que algumas tags vão encaixados dentro de outras
formando assim uma estrutura.

Este modo de classificar o conteúdo permite a portabilidade e o intercâmbio do


documento entre várias plataformas; a reutilização deste documento, sendo possível
adicionar a ele uma visualização diferente; permite o armazenamento e a
consultação e a compreensão do texto à distancia de tempo; possui um baixo custo
de distribuição; é de fácil manutenção; garante longevidade e como já dito a
possibilidade de reconfiguração do visual.

Estas são as vantagens do XML, sem esquecer que é possível utilizá-lo também
com bancos de dados.

Na editoria moderna e na digital o XML está cada vez mais tornando-se uma
escolha necessária por permitir que o editor possua somente um texto de origem
que pode ser transformado e adaptado a diferentes plataformas. Até mesmo
instrumentos profissionais como o Indesign permitem a importação e exportação de
conteúdos em XML facilitando assim a passagem do texto ao formato impresso.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 54


Para quem trabalha com a editoração visual, a dificuldade maior está em dividir
o conteúdo da sua visualização. Com o tempo, porém, este método demonstra-se o
mais funcional e eficaz quando tratamos textos que serão disponibilizados em
diferentes plataformas.

Alguns padrões de XML para o ebook

XHTML
O XHTML é uma reformulação do HTML e combina a facilidade deste com as
potencialidades do XML. É uma linguagem amplamente usada na web e que foi
adotada pelo IDPF para o formato ePub.

Em relação ao XML, ele mantém a rigidez da linguagem porém facilitando


muito a aprendizagem por deixá-la bem mais simples. Para facilitar a compreensão
vamos repropor o texto anterior porém desta vez utilizando a linguagem XHTML.

<HTML>
<head>
<title>Poesia</title>
</head>
<body>
<h1>Poemas em quadras</h1>
<div class=”quadra”>
<p class=”verso”>Eu tenho um colar de pérolas</p>
<p class=”verso”>Enfiado para te dar:</p>
<p class=”verso”>As pérolas são os meus beijos,</p>
<p class=”verso”>O fio é o meu pesar.</p>
</div>

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 55


<div class=”quadra”>
<p class=”verso”>A Terra é sem vida, e nada</p>
<p class=”verso”>Vive mais que o coração...</p>
<p class=”verso”>E envolve-te a terra fria</p>
<p class=”verso”>E a minha saudade não!</p>
</div>

<div class=”quadra”>
<p class=”verso”>Se ontem à tua porta</p>
<p class=”verso”>Mais triste o vento passou</p>
<p class=”verso”>Olha: levava um suspiro...</p>
<p class=”verso”>Bem sabes quem to mandou...</p>
</div>

<p class=”autor”><em>Fernando Pessoa</em></p>


</body>
</HTML>
Notamos que, a linguagem continua a não dar informação sobre a visualização
do conteúdo, mas agora utiliza um sistema de tag mais padronizado e simplificado.
A tag h1 define na estrutura do texto o nível do título, indicando que aquela porção
de texto é um titulo e de primeiro nível, assim a tag h2 indica um titulo de segundo
nível. A tag p indica que aquela porção de texto é um parágrafo e a tag div cria um
bloco de elementos que pode conter parágrafos ou outros elementos div. Serve para
criar seções na estrutura do texto.

Podemos notar que as tags são acompanhados de alguns elementos a mais, as


assim chamadas classes. Este elemento serve para classificar melhor a tag indicando
o significado daquela porção de texto. Assim o paragrafo simples p possui uma
classe “autor” o que especifica a porção de texto delimitada como o autor da obra. O
mesmo vale para o div com classe “quadra” que delimita a quadra da poesia e o p
com classe “verso”. Nota-se que o p aplicado a verso e o p aplicado em autor são a

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 56


mesma tag mas com uma classe diferente.

Um bom texto XHTML tende a ser bem especifico e a respeitar a semântica das
partes do texto.

Por semântica do texto entendemos aqui o significado que o texto possui ao ser
classificado. Por exemplo o p classificado com a classe “autor” poderia ter sido
classificado como: <p class= “direita”>. Este tipo de classificação refere-se ao fato de
o texto estar alinhado à direita e não diz respeito ao significado deste texto. A
confusão pode ser gerada no momento em que o editor decidir que o nome do
autor passará a estar à esquerda. De consequência no texto terei uma classificação
chamada de “direita” mas a visualização do texto será a esquerda! Para um correto
funcionamento do XHTML é importante que as partes sejam classificadas pelo seu
significado e não pelo modo como será visualizado.

O HTML5 do qual falaremos mais adiante reforça muito este conceito chegando
a modificar o nome das tags para que elas sejam mais “semânticas” e representem
menos o significado visual. Como exemplo disto está na tag <b> que na linguagem
comum refere-se a bold, texto em negrito. No HTML5 e também no XHTML se
recomenda o uso de <strong> no lugar do <b>. Na prática a troca de nomes não
muda a visualização mas o termo strong é mais amplo e semanticamente mais
correto do que bold pois indica um texto “forte”, "importante", que visualmente
pode ser bold, mas pode também ser apresentado com outra cor, outro caractere ou
algo assim.

Sobre a importância da semântica vamos retornar em outros momentos neste


manual.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 57


Onix
O ONIX é um formato em XML para representar e comunicar informações de
produtos da indústria de livros, principalmente para os fabricantes de livros. Ele
oferece elementos para registrar uma ampla gama de informações promocionais e
de avaliação, bem como dados bibliográficos básicos e dados comerciais. ONIX for
serials é uma família de formatos XML desenvolvido pela EDItEUR e a NISO para
comunicar informações sobre periódicos e subscrições tendo como base muitos dos
elementos definidos no ONIX for books.

Math ML
O MathML ou Mathematical Markup Language é uma aplicação XML para
descrever fórmulas matemáticas que consegue descrever tanto a estrutura quanto o
conteúdo destas. O objetivo do MathML é permitir que fórmulas matemáticas
possam serem processadas e apresentadas na web assim como acontece com a
linguagem HTML.

O MathML possui mais ou menos 38 tags que descrevem as estruturas abstratas


enquanto outras 170 tags descrevem sem ambiguidades os significados e as partes
de uma expressão.

Ainda que o MathML seja uma linguagem legível diretamente, a maioria dos
autores usarão softwares visuais que exportam o conteúdo para o formato.

O maior problema para os ebooks são os softwares que fazem o rendering de


uma formula em MathML, infelizmente ainda muito limitados.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 58


SMIL
O SMIL ou Synchronized Multimedia Integration Language é uma linguagem
XML que permite a sincronização de um áudio com um texto. Deste modo é
possível gravar uma voz narrando um texto e visivamente acompanhar a leitura
indicada com mudanças de cor ou outro elemento visual no texto.

Este recurso presente no ePub3 irá permitir que a leitura de um livro seja
sincronizada com o texto, ideal em livros infantis ou para a aprendizagem de uma
nova língua.

DocBook
È uma linguagem XML criada originalmente para a escrita de documentos
técnicos da área de informática, mas pode ser usada para publicação de todo tipo de
documentação.

Como é uma linguagem semântica, DocBook permite separar a apresentação do


conteúdo, permitindo criar documentos numa forma neutra que captura a estrutura
lógica do conteúdo; esse conteúdo poderá ser publicado depois numa variedade de
outros formatos sem que seja necessário alterar o documento fonte.

O DocBook oferece uma vasto conjunto de marcadores de elementos semânticos


divididos em três categorias: estrutural, nível de bloco e em linha.

Os marcadores Estruturais definem as características gerais do documento: o


elemento book, por exemplo, especifica que seus elementos filhos representam
partes de um livro: o título, capítulos, glossário, apêndices e etc. Os marcadores
estruturais do DocBook incluem, entre outros:

set: uma coleção de um ou mais livros. Um set<> poderá conter outros sets.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 59


book: uma coleção de capítulos, artigos, e/ou partes, com conteúdos
opcionais: glossários, apêndices e outros.

part: uma coleção de um ou mais capítulos. Uma parte pode englobar outras
partes. Pode ter um texto introdutório especial.

article: uma coleção titulada e não numerada de elementos de nível de


bloco.

chapter: uma coleção titulada e numerada de elementos de nível de bloco.


DocBook não requer a numeração obrigatória dos capítulos.

appendix: o texto contido representa um adendo/apêndice.

dedication: o texto representa a dedicatória do documento.

Um exemplo:

<?XML version="1.0" encoding="UTF-8"?>


<book XML:id="simple_book" XMLns="http://docbook.org/ns/docbook" version="5.0">
<title>Um exemplo de livro</title>
<chapter XML:id="cap001">
<title>Capitulo 1</title>
<para>Este é o primeiro parágrafo do meu livro</para>
<para>E este é o segundo, digo, <emphasis>segundo</emphasis>,
parágrafo.</para>
</chapter>
<chapter XML:id="cap002">
<title>Capitulo 2</title>
<para>Este é o primeiro parágrafo do meu segundo capitulo</para></para>
</chapter>
</book>

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 60


CSS: como visualizar o XHTML
Antes de concluirmos esta parte é importante retornarmos ao XHTML e
respondermos a uma pergunta que ficou sem resposta: como visualizamos o
XHTML, ou seja como definir a visualização que terá o meu documento?

Já falamos sobre as folhas de estilos que são arquivos externos ao documento


com a marcação e que servem para definir como os vários tags serão visualizados no
software. Uma folha de estilo que está se tornando padrão na web e é utilizada no
formato ePub é o CSS.

A Cascading Style Sheets é uma linguagem de estilo utilizada para definir a


apresentação de documentos escritos em uma linguagem de marcação. Seu principal
benefício é o fato de providenciar a separação entre o formato e o conteúdo de um
documento.

Em vez de colocar a formatação dentro do documento, podemos criar um link


para outro arquivo que contém os estilos. A grande vantagem deste método é que
quando quisermos alterar a aparência do nosso texto é suficiente mudar a folha de
estile.

A linguagem CSS utilizada é o CSS 2.1, mas está em desenvolvimento o CSS 3


que permitirá um controle ainda maior do visual do nosso documento, incluindo
animações e efeitos visuais avançados (sombras, rotação de texto e movimento).

O CSS tem uma sintaxe simples e utiliza uma série de palavras em inglês para
especificar os nomes de diferentes estiles de propriedade de uma página.

Uma folha de estile consiste de uma lista de regras. Cada regra ou conjunto de
regras consiste em um ou mais seletores e um bloco de declaração. Um bloco de

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 61


declaração é composto por uma lista de declarações entre chaves. Cada declaração
em si possui uma propriedade, dois pontos (:), um valor, e então é finalizada com
um ponto e vírgula (;). Por exemplo:
color: red;
Os seletores são usados para declarar a quais elementos de marcação um estile se
aplica e correspondem a uma tag ou classe presente no documento XHTML.

Assim a expressão:
p {
color: red;
text-align: left;
}
faz uso de um seletor (p) que seleciona todos os parágrafos do texto XHTML e
aplica a eles um bloco de declaração (os elementos entre as chaves). Neste bloco
estão a propriedade color que modifica a cor do texto e o valor red que indica o
vermelho como cor. Além disto, separada pelo ponto e vírgula está também outra
propriedade o text-align que define o alinhamento do texto e o valor para ela é
declarado como left, ou seja o texto erá alinhado a esquerda.

Vamos, como exemplo, retomar nosso texto formatado em XHTML e aplicar um


CSS a ele.
<HTML>
<head>
<title>Poesia</title>
<link href="../Styles/design.CSS" rel="stylesheet"
type="text/CSS" />
</head>
<body>
<h1>Poemas em quadras</h1>

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 62


<div class=”quadra”>
<p class=”verso”>Eu tenho um colar de pérolas</p>
<p class=”verso”>Enfiado para te dar:</p>
<p class=”verso”>As pérolas são os meus beijos,</p>
<p class=”verso”>O fio é o meu pesar.</p>
</div>
</body>
</HTML>
Notamos agora uma tag dentro do head no inicio do nosso documento, a tag
<link>. É esta tag que define a ligação do nosso documento XHTML com o
documento da folha de estilo. Abaixo podemos visualizar um CSS simples para o
nosso texto.
h1 { font-family: sans-serif;
font-size: 1.3em;
text-align: center;
color: red;
}
div.quadra {
margin: 2em 0 0 2em;
}
p.verso {
font-family: serif;
font-size: 1em;
line-height: normal;
margin: 0;
}
p.autor {
font-family: sans-serif;
font-size: 0.8em;
font-style: italic;
text-align: right;
line-height: normal;
margin: 0;
}

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 63


Nota-se que os seletores usados são os mesmos presentes no texto marcado.
Assim p.autor seleciona uma tag p que possua uma classe clamada “autor”. Da
mesma forma o seletor div.quadra está selecionando o div que contém a classe
“quadra”. Já o seletor h1 seleciona todas as tags h1 independentemente da classe
utilizada.

A compreensão de um arquivo CSS é simples e sendo uma linguagem potente


possui vários recursos de formatação do texto que permitem um controle grande do
design deste. Aprender CSS é como aprender a diagramar usando um software
diferente. A dificuldade inicial como já falamos, é a passagem de um conceito visual
para um conceito abstrato baseado em linhas de texto. Existem, porém no mercado
vários softwares que ajudam a criar o CSS partindo de um conceito visual e que
podem facilitar a aprendizagem.

A visualização do nosso texto ficou assim:

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 64


Melhorando o arquivo

Pós-edição: melhorando o ePub


Uma vez que fizemos a exportação do nosso conteúdo será necessário abrir o
arquivo ePub e trabalhar no código, melhorando onde é necessário. Infelizmente o
Indesign não gera um código limpo e funcional e se queremos que o funcionamento
do nosso arquivo seja bom, precisamos dedicar um pouco de atenção ao que se
esconde por trás do que vemos, ao código em si mesmo.

Para fazermos esta operação podemos simplesmente abrir o arquivo com um


software descompactador de zip. Abrir um arquivo ePub é simples pois qualquer
software de compactação o faz. Compactar o arquivo depois das mudanças é uma
operação um pouco mais complexa.

Um editor de ePub
Para quem está iniciando recomenda-se o uso do Sigil, um editor open source e
gratuito para o formato ePub. Ele é projetado para editar de modo fácil os arquivos
ePub e para converter outros formatos. Ele também fornece recursos para usuários
avançados, como controle direto do XHTML, do CSS e edição de páginas XPGT.

Você pode usá-lo para adicionar os metadados suportados e também pode criar
o sumário além de ter a possibilidade de fazer a “quebra” dos capítulos de modo

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 65


fácil e intuitivo. Porém a vantagem principal do Sigil é a de dispor em um só
programa de vários instrumentos necessários para a criação de um bom ePub,
inclusive o Flighcrew, um programa que controla eventuais erros no arquivo.

O que melhorar no arquivo


Entre as operações a serem feitas no arquivo produzido pelo Indesign está a
limpeza do código. Mesmo sendo um aspecto que não aparece na visualização do
arquivo ePub é importante fazer esta limpeza para deixar o codigo mais claro. Caso
o livro seja longo a presença deste código pode aumentar a dimensão do arquivo
ePub.

O Indesign não exporta corretamente as margens para o ePub e portanto é bom


colocá-las manualmente. Mesmo a versão CS5.5 não faz uma exportação correta
pois coloca o valor das margens nos 4 lados do arquivo.

Nem sempre as divisões nos arquivos feitas pelo Indesign são corretas. Muitas
vezes é necessário fazer divisões nos capítulos ou nas partes manualmente. O Sigil
tem uma ferramenta que facilita muito esta missão.

Um dos defeitos da exportação do Indesign é o fato de exportar usando valores


fixos para as distâncias entre parágrafos ou títulos. Acontece seguidamente de ter
que modificar manualmente estes valores para que a visualização do arquivo seja
melhor.

Capitulares, versal e efeitos nos parágrafos devem ser feitos manualmente, pois o
Indesign não suporta este tipo de recursos. É bom também deixar para acrescentar
as fontes manualmente, pois a exportação que o Indesign faz encripta as fontes
causando um erro no arquivo.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 66


Se quisermos melhorar a visualização das imagens e criar um texto com efeito
"olho" precisamos mexer diretamente no código. Além disto, é bom modificar as
cores dos links que o Indesign exporta como azul padrão da web. Colocar uma cor
diferente nos links e retirar o sublinhado vai dar um ar mais elegante e bonito ao
livro.

O Indesign CS5.5 fez progressos com as tabelas, mas ainda assim é necessário
mexer no código para centralizá-las e dar um design mais elegante a elas.

Caso desejemos acrescentar imagens no formato vetor (SVG) teremos que fazer
isto pelo código, uma vez que o Indesign não nos permite a inserção destas imagens.

E enfim, acrescentar funcionalidades interativas ou até mesmo controlar melhor


o vídeo e o áudio presentes no arquivo acrescentando funcionalidades de fallback,
para que funcione sempre e em todos os aparelhos será possível somente com uma
edição manual do arquivo ePub.

Limpeza do código
Sujeiras do Indesign a serem eliminadas:

- eliminar em todas as partes do livro a presença de XML:lang="pt-br",


XML:lang="pt-BR", <span XML:lang="ar-SA">.

- eliminar os DIV gerados pelo Indesign e não necessários como aqueles


presentes em todos os arquivol XHTML: <div class="Basic-Text-Frame">, <div
class="story">

Lembrar de retirar também o tag de fechamento.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 67


Limpeza no CSS
Eliminar os DIVs inuteis:
div.generated-style {
}
div.generated-style-2 {
}

Divisão dos arquivos


Pode acontecer que mesmo tendo sido feita a divisão dos arquivos pelo Indesign
seja ainda necessário dividir o arquivo dentro do ePub. Esta tarefa pode ser
facilmente feita usando o Sigil que oferece no menu a opção de inserir um “Chapter
break” dividindo assim o arquivo e mantendo intacto os links.

Ajustes de distancia entre parágrafos


Se precisarmos ajustar as distâncias entre um paragrafo e outro sem retornar ao
Indesign, mas fazendo isto diretamente no codigo. Para alterar estes espaços temos
que abrir o arquivo template.CSS, buscar a classe relativa ao paragrafo e modificar os
valores de margin alterando assim as distancias. Os quatro valores se referem aos 4
lados, iniciando em ordem horaria do alto.
h1.titulo {
font-family: "Segan";
font-weight: normal;
font-style: normal;
font-size: 2em;
line-height: 1.20em;
text-decoration: none;
font-variant: normal;
text-indent: 0em;
text-align: justify;
color: #000000;

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 68


margin: 0em 0em 0.83em 0em;
}

Inserimento margens
Senão acrescentamos margens no painel de exportação do Indesign podemos
acrescentar elas manualmente. Para fazer isto usamos o @page colocando ele no
inicio do nosso arquivo CSS com os quatro valores para a margem.
@page {margin: 1em 2em 1em 2em; }

Não utilizar valores em % no @page, não funciona. Colocar valores em em ou


px.

Mudança nas cores das notas e links


Podemos facilmente modificar a cor dos links retirando também o sublinhado
presente de forma padrão. Para fazer isto basta criar uma nova regra no CSS:
a { color: #603913;
text-decotarion: none;}

Capa
Controlar o tamanho da imagem de modo que no ADE não fique espaços em
branco ao lado da imagem na miniatura do TOC. Utilizar um formato de 600x800
ou então 600x850, ou ao menos que seja proporcional a este formato. Deste modo a
capa funcionará bem em praticamente todos os aparelhos. O formato 600x850 tem
a vantagem de ficar melhor do iBooks da Apple.

Nome dos arquivos


Quando possível usar nomes de classes claros evitando algo como “corpo-do-

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 69


texto-sem-miolo”. NÃO deixar a opção “Preserve Local Overrrides” ativada quando
exportar do Indesign. Gera muitos estilos com nomes estranhos.

Sugestão para a folha de rosto


Se a folha de rosto deve permanecer exatamente igual ao original, usar uma
imagem SVG. Criar ela no Illustrator lembrando de: a) embutir a imagem bitmap
se presente (o logo por exemplo), b) criar o outlines dos textos.
Inserir a imagem SVG no XHTML usando o tag img.

Retirar espaços
Nunca utilizar espaços nos nomes de imagens, arquivos ou classes para evitar
este efeito: 1%20Caminhao%201200p_fmt.jpeg o que pode causar problemas em
alguns softwares leitores.

Declaração das fontes


No CSS, na declaração das fontes acrescentar sempre as aspas no nome da
família das fontes:
font-family: “Minion Pro”; e não font-family: Minion Pro;
Retirar a declaração de fontes que o Indesign faz em cada elemento e aplicar ela
somente no body.

Declaração do bold e do italico


Fazer uma declaração explicita para o bold e o italico para evitar problemas com
alguns leitores.:
i, em {font-style: italic;}
b, strong {font-weight: bold;}

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 70


Classes e herança no CSS
Critério geral: usar menos classes possíveis. Usar o critério da herança no CSS.

Por exemplo, ao elemento p foram dadas algumas características. Quando uma


classe é aplicada escreva no CSS somente as mudanças que aquela classe aporta. Isto
deixa o código mais limpo e mais fácil de encontrar eventuais erros.

Exemplo: O p contém estes elementos e a diferença dele com o p.p1as é


somente o alinhamento do texto:

p p.p1as

font-weight: normal; font-weight: normal;


font-style: normal; font-style: normal;
font-size: 0.92em; font-size: 0.92em;
line-height: 1.36em; line-height: 1.36em;
text-decoration: none; text-decoration: none;
font-variant: normal; font-variant: normal;
text-indent: 1.93em; text-indent: 1.93em;
text-align: left; text-align: right;
color: #000000; color: #000000;
margin: 0em; margin: 0em;

Portanto a classe na classe p1as vamos colocar somente este elemento:


p.p1as {text-align: right;}
As outras características de p.p1as já estão presentes na declaração do p.

Imagens que se adaptam


Acrescentar esta linha no CSS. Isto faz com que as imagens se adaptem ao
tamanho da tela.
img {max-width: 100%;}

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 71


Pensando o livro em ePub

Esta parte deseja ser bem prática com exemplos concretos nos diferentes
aparelhos e softwares de visualização. Serão aprofundados de maneira prática alguns
conceitos apresentados na parte anterior.

O que pode ser explorado na versão atual do ePub

Como já visto, o ePub nasce com a intenção de se tornar um padrão para a


produção de livros digitais e sobretudo para resolver o problema da compatibilidade
dos formatos, missão esta que ele infelizmente ainda está longe de realizar.

Criar um padrão permite aos editores gerarem um arquivo e este poder ser
visualizado e usado nos mais variados tipos de aparelhos. Infelizmente os diferentes
players requerem cada um o próprio padrão e o próprio modo de produzir conteúdo
digital.

O objetivo do ePub permanece e compatibilidade conseguindo ao menos em


parte este resultado.

A versão que conhecemos do ePub, aquela apresentada atá aqui é assim chamada
versão 2.1, ou seja, é a segunda revisão dos documentos de especificações.

Já falamos sobre as três especificações, e de como elas se integram. O que nos

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 72


interessa agora é mostrar na prática o que é possível fazer com um arquivo ePub.

O ePub é pobre de recursos?


Esta é uma frase que denota a contraposição do formato ePub com o mais
conhecido e usado PDF. Sendo um formato gráfico, o PDF pode reproduzir
perfeitamente o design de um livro impresso, aliás um dos seus usos mais frequentes
é próprio na impressão. O designer prepara o arquivo PDF e possui uma visualização
quase perfeita do que será o livro impresso. Digo quase, porque quem trabalha ou
trabalhou no setor de pré-impressão sabe que as coisas não são bem assim. Existem
elementos que são visualizados no PDF que nunca serão reproduzidos fielmente na
impressão offset, como cores e transparências.

O ePub não é um formato gráfico, mas sim textual, que desfruta das vantagens
do XHTML como a possibilidade de ter o texto maleável que se adapta ao tamanho
da tela onde é visualizado. O principio de funcionamento, portanto é outro.

Valorizar a semântica do texto não significa necessariamente perder em estética.


A própria web faz uso deste recurso há anos e temos muitos sites funcionais e
esteticamente bem feitos.

A acusação de que o ePub é um formato pobre é consequência do nosso modo


de ver e entender o livro ainda fixados no impresso, e tem pouco a ver com a falta
de recursos do formato.

Cabeçalho, numeração de páginas e rodapé


Uma das primeiras reclamações que é feita ao encontrar pela primeira vez um
arquivo ePub é o fato de estar faltando cabeçalho, rodapé ou numeração de páginas.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 73


Este fato é devido à característica do ePub de ser um formato com texto maleável,
que flui e se adapta ao tamanho da tela permitindo assim que um texto possa ser
bem legível em uma tela pequena ou em uma tela grande de computador. Com o
ePub não é preciso ficar fazendo zoom como acontece com o PDF e isto na prática
se traduz em conforto para a leitura. O lado negativo, se assim se pode dizer, é o
desaparecimento do conceito tradicional de página que é substituído por um mais
obscuro e às vezes de difícil compreensão pra quem está iniciando: parte ou
capítulo, ou ainda divisão de arquivos dentro do ePub.

De fato não existe uma página fixa, sendo este um conceito que é preciso
assimilar. Como consequência, o controle das viúvas e órfãs fica mais complexo e
complicado, pois na medida em que aumenta ou diminui o tamanho da tela ou do
caractere a disposição do texto é modificada. Mesmo assim um ePub bem feito e
tecnicamente correto tende a diminuir este prolema.

Outro problema maior relativo à ausência de página é a ausência da numeração


desta. Em livros científicos ou em livros onde a correspondência entre livro
impresso e livro digital devem ser mantidas este pode ser um problema não
indiferente.

Varias soluções estão sendo adotadas, e como sempre acontece que cada um quer
inventar a sua. Entre elas está a escolha do Adobe Digital Edition de criar um
número fixo para as paginas. Arbitrariamente ele gera um número de página a cada
1024 caracteres unicode. O número é fixo e assim mesmo trocando de aparelho ou
aumentando o tamanho da fonte o número permanece no mesmo ponto.

Ainda que representando uma possibilidade a ser respeitada o limite desta


escolha é o fato de ser muito ligada ao software e por conseqüência se abrirmos o

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 74


arquivo em outro aparelho este número não estará mais presente.

Outra solução, menos elegante, é acrescentar manualmente os números de


páginas no local correspondente ao livro impresso. Este recurso, além de ser
esteticamente questionável pode deixar a leitura desconfortável.

Ainda não existem soluções estabelecidas e nem padrão para isto. Para a maioria
dos livros a numeração das páginas não é essencial uma vez que o sumário está
linkado diretamente ao texto independentemente da página.

A propósito de link
A funcionalidade dos hiperlinks é uma das maiores evoluções permitidas pela
web. Este recurso influencia também o modo como lemos.

No ePub esta é uma funcionalidade a ser desfrutada ao máximo. Quando


falarmos da usabilidade iremos voltar a este tema.

Um link é um recurso não presente no livro impresso e deve, portanto ser


desfrutado de modo completo toda fez que for possível. Com um pouco de
projetação e de design é possível inserir e criar links que facilitem muito a
usabilidade do livro.

a) Link sumário
No inicio do livro podemos acrescentar um sumário conectado ao texto de modo
que o leitor possa clicar e ir diretamente à página desejada. É possível também
acrescentar um link no titulo do capítulo que permita a volta diretamente ao
sumário, facilitando assim a navegação pelo livro.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 75


b) Link externos
É um tipo de link fácil de criar (pelo Indesign) e um dos que rendem o ePub
mais rico de funcionalidades. Como primeiro ponto lembramos como é
fundamental que todos os sites citados no livro tenham um link ativo, de modo que
simplesmente clicando neles o leitor seja levado ao site indicado.

Este recurso pode ser usado também para links de endereços que levem
diretamente ao Google Maps, ou dar a possibilidade ao leitor de baixar um mapa ou
uma imagem de alta resolução caso aquela dentro do arquivo seja pequena. Pode ser
também usado para linkar vídeos presentes no YouTube ou enviar o leitor a uma
pagina da Wikipedia.

Nada impede também de utilizarmos para bibliografias patrocinadas, onde o


leitor será levado para uma determinada loja podendo assim efetuar imediatamente
a compra de um determinado livro.

Como solução a ser explorada está a possibilidade de acrescentar uma pagina


com as mídias sociais facilitando assim a interatividade com o leitor na web.

Note-se que este recurso de link externo faz com que o leitor deixe o livro e
passe a usar um navegador. Nem sempre isto é desejável e, portanto seria
interessante acrescentar alguma indicação no link, como cor ou um simbolo que
avise o leitor que ele esta para deixar o livro, indo para um ambiente externo.

No formato atual do ePub não é possível linkar um vídeo externo, ou qualquer


outro recurso, fazendo com que este seja reproduzido internamente no livro.
Necessariamente um link externo faz com que a pessoa saia do ambiente do
software leitor.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 76


E se o software ou o device não possui conexão à internet? Simplesmente não
acontecerá nada e o link poderá ainda assim ser copiado pelo leitor. Este modo de
uso do conteúdo já foi citado quando falamos sobre o progressive enhacement.

c) Link para email


Outro link externo possível permite o envio de um e-mail, sendo possível indicar
o endereço do destinatário, o objeto e até um exemplo de texto na mensagem. Este
recurso funciona se no device estiver configurado um leitor de e-mail predefinido.

d) Notas de rodapé
Em um ePub as notas de rodapé são na realidade links. Como vimos, com o
Indesign é muito simples criar estas notas enquanto o software faz para nós o
serviço pesado de gerar os links tanto de ida como de volta.

Já vimos à possibilidade de colocar as notas no final de cada capitulo ou no final


do livro.

Nos livros que possuem notas de autor distintas das notas de rodapé é bom
manter a distinção, que pode ser feita por numeração progressiva, por diferença de
cor ou por posicionamento, deixando as notas de rodapé no final do livro e os do
redator no final de cada capítulo.

e) Links internos
É possível desfrutar dos links para criarmos listas de imagens, enviando o leitor a
um local especifico do ePub. Este recurso é ideal na substituição das referencias
internas das páginas usadas no livro impresso, aumentando assim a usabilidade do
nosso ePub.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 77


Finalizo a parte relativa aos links lembrando que existe a possibilidade de mudar
cores e configurações gráficas dos links. Com a função hover podemos mudar o
aspecto do link quando o mouse está em cima dele. Lógicamente funcionará
somente em computadores, mas levando em consideração o princípio do progressive
enhancement pode ser um recurso válido.

Cores
É engraçado como a maioria dos ePubs produzidos são ainda em preto e branco.
O fato de um livro ser em preto e branco está ligado aos custos altos e à baixa
viabilidade de imprimir um livro de bolso em cores. Deste modo o designer é
chamado a pensar o livro em preto e branco. Como no livro digital este limite não
existe mais os livros podem ser pensados em versão colorida. Logicamente isto
requer por parte dos editores e do designer um repensamento da identidade visual
do livro, fazendo com que este último torne-se um produto levemente diferente do
livro impresso, não mais feio, e sim mais bonito!

Vale a pena reforçar a ideia e incentivar a pensar o design do ePub desfrutando


os recursos que esta tecnologia pode oferecer.

Ainda sobre fontes


É possível manter as fontes embutidas no arquivo ePub? Sim, é possível, mas
nem sempre convém.

A questão das fontes está estreitamente ligada à questão do design. Em geral o


editor ou o designer quer manter a mesma aparência do livro impresso sem levar
em consideração as limitações de tipo técnico. Entre estas está o fato de que não
todas as fontes são pensadas para funcionar em uma tela, muitas vezes o hinting da

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 78


fonte não é adaptado a uma tela. Isto se traduz em fontes serrilhadas e que não
funcionam bem nos aparelhos além de deixarem a legibilidade do livro
comprometida.

O ideal seria o uso das fontes embutidas nos diferentes aparelhos. Assim como
na web o designer pode definir quais fontes ele quer que seja usada e por um
mecanismo chamado fallback o software leitor irá utilizar uma fonte alternativa
definida pelo designer.

Antes de usar as fontes é necessário notar algumas coisas técnicas.

a) Fontes PostScripts não funcionam no ePub

b) Utilizar fontes OTF ou se usadas as TTF testar nos diferentes aparelhos

c) Prever sempre uma opção fallback para as fontes caso elas não funcionem

d) Nunca usar opções de "encriptação" nas fontes, pois isto pode causar
problemas em diferentes aparelhos leitores.

e) Preferir fontes pensadas para a tela ao invés de simplesmente converter as


fontes presentes no livro impresso.

f ) Usar as fontes somente nos títulos, que dão uma identidade visual ao livro
deixando as fontes do texto por conta do software leitor ou da escolha do leitor.

g) Enfim analisar se o uso da fonte irá trazer uma real vantagem para a
experiência de leitura do livro ou se é somente a necessidade de reproduzir uma
versão impressa.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 79


Capitulares e versal
É comum nos livros publicados no Brasil a presença de capitulares e o uso do
versal. No ePub é possível usar ambas. No que diz respeito à capitular é bom não
confiar na exportação feita pelo Indesign, mas trabalhá-las diretamente no código.
Alguns exemplos mostram o que é possível fazer no ePub.

No que diz respeito ao versal o Indesign exporta esta característica, mas o leitor
da Adobe não a suporta. Além disto, o versal dependerá do tipo de fonte usada.

Muitos usam fazer o assim chamado falso versal, que consiste em escrever em
maiúsculo o texto e diminuir levemente o tamanho dele. Não aconselho esta opção.
O melhor é aplicar o versal usando os recursos do CSS. Antes ou depois a Adobe vai
atualizar o software dela e deixar possível a visualização do versal.

Outra solução é usar fontes em versal embutidas.

Efeitos gráficos nos títulos


É possível usar inúmeros efeitos gráficos nos títulos e nos textos usando apenas
o CSS e algumas imagens. Alguns exemplos nos dão uma pequena amostra de como
é possível criar um visual gráfico bonito e bem cuidado em um ePub.

No site ePub Zen Garden temos ainda outras demonstrações de layouts


diferentes.

Fundos
Na versão atual do ePub é possível usar sem problemas cores de fundo nos textos
e mesmo em uma seção inteira. É preciso leva, em consideração, porém, a
legibilidade do texto, sobretudo se usado em devices preto e branco,

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 80


Difícil é o uso de imagens como fundo, o CSS permite o uso de imagens, mas
não o redimensionamento destas. Assim pode acontecer que em uma tela grande a
imagem fique boa, mas em um smartphone o efeito desejado seja perdido. É preciso
usar esta funcionalidade com cautela.

Linhas e margens
Temos no ePub um controle completo das linhas e margens. Na versão mais
avançada é possível também colocar bordas arredondadas nos quadrados. Podemos
criar todo gênero de linhas que deixem o texto mais elegante, bonito e de fácil
leitura.

Olhos
Já vimos quando falamos do Indesign que é possível criar o efeito "olho" presente
em alguns livros. Este efeito se obtém com algumas funcionalidades do CSS. Porém
é bom limitar o uso porque tecnicamente ele pode ser colocado apenas no fim ou
no inicio de um parágrafo. Além disto em telas pequenas pode ficar um efeito
muito feio.

Imagens
Como já vimos, o ePub suporta imagens no formato JPG, PNG, GIF e imagens
vetoriais no formato SVG.

As imagens JPG devem ter uma resolução de 72, 92dpi ou no máximo 150dpi.
Não é necessária a mesma resolução usada para os livros impressos.

Um detalhe importante é o uso de imagens coloridas, pois não existindo


limitações quanto às cores é possível o uso das versões coloridas e até o uso de mais

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 81


imagens do que aquelas presentes na versão impressa.

Com as imagens PNG é possível criar efeitos de transparência e por


conseqüência trabalhar a imagem juntamente com um fundo colorido.

As imagens em GIF podem ser também animadas, porém este recurso irá
funcionar somente em aparelhos de leitura baseados no webkit.

Svg
SVG é a abreviação de Scalable Vector Graphics que pode ser traduzido como
Gráficos Vetoriais Escaláveis. Trata-se de uma linguagem XML para descrever de
forma vetorial desenhos e gráficos bidimensionais. Umas das principais
características dos gráficos vetoriais, é que não perdem qualidade ao serem
ampliados. A grande diferença entre o SVG e outros formatos vetoriais, é o fato de
ser um formato aberto, não sendo propriedade de nenhuma empresa.

Usar imagens em SVG é uma ótima alternativa para gráficos e imagens em


vetoriais ou que contenham texto internamente. A qualidade da imagem permanece
a mesma com o aumento ou a diminuição do tamanho da tela.

Tabelas
Sobre as tabelas já falamos várias vezes. O problema principal está nos softwares
leitores que não conseguem apresentá-las de forma correta. Na medida do possível é
bom deixar as tabelas no formato original usando as tags XHTML.

Caso isto não seja possível pode-se usar tabelas no formato imagem, desde que
se preste uma atenção especial ao fazer esta imagem. Para tabelas longas é
aconselhável criar um link que permita o download de uma versão em PDF ou o

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 82


acesso a uma versão online da mesma.

Vídeo e áudio
Uma das maiores atrações para quem quer publicar em digital é a possibilidade
de colocar vídeo no conteúdo. A versão atual do ePub não suporta a tag vídeo usado
no HTML5. Em geral é usada uma versão em flash que, porém tem o inconveniente
de funcionar somete no ADE na versão para PC.

Colocando um vídeo no ePub vamos obter um erro no ePubcheck. É possível


usar um recurso mais avançado chamado fallback e assim forçar o reconhecimento
pelo ePubcheck.

Estes problemas serão resolvidos no ePub3, quando o vídeo e o áudio entrarão


oficialmente no formato.

É bom lembrar que um vídeo deve ser pertinente ao conteúdo e deve servir
como enriquecimento deste e não somente como demonstração de capacidade
técnica.

Interatividade
É possível utilizar Javascript no ePub, mas vamos aprofundar isto quando
falarmos do pré-ePub3.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 83


Testando o ePub

Depois de ter preparado o nosso arquivo ebook e testado ele no ePubcheck é de


fundamental importância testar ele nos diferentes softwares e aparelhos leitores.

O primeiro teste necessário é no Adobe Digital Edition. De fato o sistema da a


Adobe é atualmente o mais utilizado no Brasil sobretudo por causa do DRM que
tenta proteger o conteúdo conta cópias indevidas. Ao aplicar o DRM
necessáriamente esta sendo limitada a leitura do ebook nos softwares que
interpretem este. Em geral são todos baseados no SDK da Adobe e portanto o que
será visualizado no Adobe Digital Edition será visualizado também nos outros
softwares.

O Adobe Digital Edition apresenta várias limitações como a impossibilidade de


visualizar vídeo ou interpretar javascript, além de alguns recursos simples do ePub,
como o versal, que são ignorados pelo software. Mesmo assim é de fundamental
importância que o ePub seja testado nele e que apresente um bom visual. É possível
aumentar e diminuir o tamanho da janela do software para testar a capacidade do
texto de fluir sem maiores problemas.

O Adobe suporta sem problemas as fontes e na nova versão a ser lançada ainda
em 2012 será presente a hifenização do texto. Na versão atual o texto não é
hifenizado.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 84


Ainda no PC podemos fazer testes no Saraiva Reader para windows e mac. Este
software apresenta a peculiaridade de usar o motor de rendering do Firefox e
portanto é provável que a visualização seja bem diferente da apresentada pelo
Adobe Digital Edition. Os recurso do Saraiva Reader para pc são mais sofisticados
do que os da Adobe, pois pode desfrutar as características do CSS3 e até mesmo
javascript. Infelizmente estes recursos funcionariam somente neste software e
somente na versão para PC.

Um vez superado o teste neste software podemos testar no iPad usando o


BlueFire e o Saraiva Reader. Ambos desfrutam da tecnologia Adobe e portanto a
visualização nos dois será muito semelhante. É sempre bom porém testar para
vermos como fica o texto em uma tela levemente menor do que a do computador e
desfrutando o layout vertical e horizontal.

Outro teste necessário devera ser feito em um tablet Android usando o Aldiko e
o Saraiva Reader. As diferenças respeito aos softwares no iPad deveria ser ligadas ao
Android, mais do que aos softwares em si mesmo enquanto ambos desfrutam a
tecnologia da Adobe. Um teste em um smartphone irá permitir um controle sobre o
tamanho das letras e como texto reage em uma tela pequena.

Não podemos deixar de testar também em um leitor dedicado de ebook como o


Alpha, o Nook ou o iRiver. Mesmo usando sempre a tecnologia Adobe este teste
vai nos permitir avaliar como as fotos ficam quando apresentadas em tons de cinza.

Muitos editores fazem um teste do ePub no iBook. É sempre bom fazer isto,
lembrando-se porém que o iBooks desfruta a tecnologia webkit e que portanto a
visualização de alguns elementos será bem diferente daquela apresentada nos
sistemas da Adobe.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 85


A quantidade de software e modelos de tablets que estão presente no mercado e
que estão surgindo é enorme e portanto um teste na maioria deles seria impossível.
É importante termos em mente as características e as diferenças entre softwares
baseados em sistema Adobe e softwares que desfrutam os recursos do webkit.
Fazendo o teste nestes dois sistemas teremos uma panorâmica geral ampla de como
o nosso arquivo irá reagir nos vários aparelhos.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 86


Controle final do arquivo

EpubCheck

O ePubcheck é um software usado para o controle do arquivo ePub. É de vital


importância que o ePub seja validado por este software, pois o sistema da Adobe
para aplicar o DRM só aceita arquivos que superaram o teste. É um modo de
manter um minimo de qualidade nos arquivo.

O controle que ele faz é, porém somente técnico e não todos os erros são
reconhecidos pelo sftware.

Para um uso pessoal é possível utilizar a versão online do software que está neste
endereço: http://threepress.org/document/epub-validate. Basta selecionar o arquivo
desejado e fazer o upload.

Para poder fazer esse teste o ePub deve ser livre de DRM, portanto você não
pode fazer o teste com arquivos comprados nas livrarias. Além disso, o ePub não
deve ter mais de 10Mb de tamanho.

Uma vez que o seu arquivo foi carregado, a página irá informar se existem erros
no arquivo ou não. Caso ele apresente erros, o programa indicará quais são estes
erros. Conseguir decifrar os erros é as vezes uma tarefa complicada, mas você pode
copiar as indicações e enviar para quem fez o seu arquivo ePub.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 87


Uso profissional
Aconselho fortemente o uso de uma versão offline do programa para o seu
computador. O programa oficial do epubchek pode ser baixado aqui. Tenho que
avisar, porém que pra usá-lo você precisa da linha de comando.

Pra facilitar esta tarefa existem programas que dão uma interface gráfica para ao
ePubcheck. Na realidade é só uma “casca” visual do epubcheck que é quem faz
realmente o trabalho, mas facilitam muito, pois apresentam um menu amigável que
deixa o processo mais simples para quem não está acostumado a linhas de código.
Indico aqui o ePubcheck GUI versão desenvolvida pela Simplíssimo Livros -
https://simplissimo.box.net/shared/2yqdbq2ajgxeop2ai4vr

Você pode selecionar o arquivo que vai ser checado, e depois do controle feito o
software apresenta a lista dos erros ou então a tão esperada frase: “No errors or
warnings detected”

É suficiente o ePubcheck?
O controle do ePubcheck é fundamental, mas não é suficiente. Existem erros que
o programa não acusa. Por exemplo, a questão da definição da língua do arquivo.
Internamente estava definido como “pt” (português), mas o correto é que seja
“pt_BR” (português do Brasil) e isso gerou problema em algumas lojas no momento
da venda. Este é um erro que o ePubcheck não pode reconhecer.

Outro erro comum, mas fácil de detectar, é quando as imagens do meu ePub não
aparecem no programa “Adobe Digital Editions”. Muitas vezes isso acontece
porque as imagens estão com uma definição de cor que não é indicada para a
visualização em tela (CMYK, que é própria para a impressão, ao invés de RGB).

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 88


Nesse caso é necessário abrir o arquivo e editar todas as imagens.

Ás vezes alguns links internos no ePub não funcionam. Se o link está errado do
ponto de vista técnico, o ePubcheck vai avisar, mas se ele está indicando um lugar
errado dentro do próprio ePub somente um controle manual dos links pode
detectar o problema. Falaremos mais sobre os links na parte dedicada ao critério de
usabilidade.

O fato de o ePub ter passado no teste não significa porém que ele tecnicamente
esteja impecável, mas garante um mínimo de qualidade para os nossos arquivos.

Erros comuns e como evitá-los


Procuro listar aqui alguns erros comuns indicados pelo ePubcheck:

ERROR: arquivo.epub: OPS/XHTML file OEBPS/O Imp?rio


ataca.XHTML is missing
Este erro parece estranho enquanto o arquivo em questão está presente no
arquivo e declarado no content.opf. O erro se dá ao fato de que é utilizado um
caractere acentuado no nome do arquivo interno. Nunca se deve utilizar um
caractere acentuado nos nomes dos arquivos internos de um ePub e nem nos nomes
de classe.

Outro erro presente na indicação acima é a presença de espaço entre uma


palavra e outra no nome do arquivo. Os nomes de arquivos não devem conter
espaços.
ERROR: arquivo.epub: could not parse
OEBPS/Text/014.XHTML: duplicate id: heading_id_2
Este erro é devido ao fato de ter sido copiado um titulo dentro do arquivo
014.XHTML, deixando o ID da tag h2 (ou h1) duplicado. O id nunca deve ser

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 89


duplicado em um mesmo arquivo pois é um indicador único que serve para o
sumário.
WARNING: arquivo.epub: item
(OEBPS/Fonts/ARIALBD.TTF) exists in the zip file, but is not
declared in the OPF file
Está indicando que a fonte não foi declarada no manifest do content.opf. Em
geral este erro acontece quando o arquivo é exportado pelo Indesign e a opção de
exportação de fontes embutidas é deixada selecionada.

FlightCrew

O FlightCrew é outro software de validação do epub. Ele vem embutido no Sigil


e pode ser uma ótima ajuda no controle da qualidade do arquivo.

Mesmo que o EpubCheck permaneça sendo o programa de validação oficial é útil


usar o FlightCrew pois ele consegue indicar erros que o EpubCheck não indica e
mesmo indicando os mesmo erros ele da uma descrição mais completa e mais clara,
facilitando assim a correção do erro.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 90


Critérios de avaliação de um ePub

Abaixo estão indicações que nascem da experiência e do contato direto com a


produção e com a formação dos profissionais que irão produzir livros digitais no
formato ePub.

Ler muitos ebooks no formato


Esta afirmação pode parecer banal, mas na realidade é importante, pois serve
para pegarmos familiaridade com este formato. É difícil avaliar a qualidade de um
produto se não conhecemos como este funciona, seus limites e funcionalidades. Já
temos bastante prática com os livros no formato PDF e não é difícil avaliar a
qualidade de um. No caso de um ePub, tratando-se de um formato relativamente
novo, não temos ainda esta prática. Então, leiam, baixem, comprem livros no
formato ePub!

Três critérios de avaliação


Divido a analise em três passos, ou três critérios, que irão facilitar a nossa
avaliação. Concentro a minha atenção nos livros digitais no formato ePub, mas os
critérios podem ser usados também para qualquer outro formato.

a) Critério técnico
Funciona bem em todos os aparelhos? Para quem está chegando agora ao mundo do

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 91


ePub este pode parecer o critério mais antipático, porém é o mais objetivo e um dos
mais importantes. O ePub possui algumas regras internas, que devem serem
respeitadas, caso contrário ele não funcionará corretamente nos vários aparelhos e
programas. Qualquer um pode fazer uma primeira avaliação usando um software
chamado “epubcheck”. Este software irá facilitar a nossa missão de avaliação.

b) Critério de usabilidade
É fácil de usar e consultar? A usabilidade é a facilidade com que as pessoas podem
acessar as informações presentes no livro digital. Gosto sempre de apresentar este
critério com um exemplo banal, mas esclarecedor: alguém já leu, comprou,
diagramou ou projetou um livro onde os números de páginas estivessem na parte
interna da página? Um número bonito, bem feito, daqueles que roubam horas e
horas para projetar? Em geral não fazemos isto porque não serve e não é útil. Um
número de página colocado na parte interna do livro não facilita a consulta do
conteúdo e é para isto que servem os números de páginas! O número está na direita,
no alto ou na parte baixa da página porque nestas posições é fácil consultar sem
sequer abrir o livro totalmente, deixando simples o uso. Este é um critério de
“usabilidade”.

E nos ebooks? Bem… se é importante que o design dos livros impressos seja
projetado para facilitar a consulta, nos livros digitais a usabilidade torna-se fator
fundamental para definir a qualidade do mesmo!

Neste critério entram o funcionamento do sumário, interno e externo, das notas


de rodapé, dos índices remissivos, o tamanho e os tipos de fontes (enquanto
influenciam a facilidade da leitura), e outros detalhes.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 92


c) Critério estético
Ficou bonito o meu ePub? Este critério talvez seja o mais simples de compreender,
mas é na realidade o mais difícil de avaliar objetivamente, pois afinal, “gosto é
gosto”. Creio, porém que em alguns pontos não é difícil encontrar um consenso,
basta ler alguns livros no formato ePub que encontramos no mercado para se ter
uma ideia do que é feio e do que é bonito.

É importante aprofundarmos estes pontos para não cometermos o erro


superficial de considerar defeito do formato o que na realidade é somente falta de
atenção na produção do livro eletrônico.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 93


EPUB 3 – Algumas características

O que é o ePub3

Depois de muitos meses de trabalho o IDPF terminou de preparar as


especificações do ePub3. Trata-se de uma revisão das especificações anteriores,
sobretudo em vista de conteúdo multimídia. O ePub3 acrescenta elementos novos
como a possibilidade de inserir facilmente vídeo e áudio e de acrescentar alguns
elementos interativos. Isto graças à adoção do HTML5 como base para o conteúdo.
Além disto, a adoção de elementos do CSS3 permite um design mais elaborado, até
mesmo animações feitas diretamente com CSS.

Além disto, e ePub 3 procura integrar de forma mais completa elementos já


presentes e utilizáveis no ePub, como o SVG, o Math ML e recursos de
sincronização de áudio e com a leitura do texto.

Estas especificações já estão aprovadas e disponíveis no site do IDPF, mas o


grande problema é a ausência de um verdadeiro leitor de ePub3. Até o presente
momento nenhuma software house disponibilizou estes recursos. É uma questão de
tempo, pois com a chegada de mais tablets no mercado com recursos avançados
aumentam o espaço e a necessidade de um conteúdo que desfrute estas
funcionalidade.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 94


As especificações do ePub3
Internamente, o ePub mudou quase por completo, em especial sua estrutura e
organização dos arquivos. A lista de tecnologias que envolve o ePub cresceu, e
agora inclui, entre outras: XHTML5, SVG, CSS3, WOFF e Javascript. Uma boa
definição para o ePub3 seria o de container que transforma estas tecnologias em
uma nova experiência de leitura. As especificações intimidam pelo tamanho e
quantidade de hyperlinks e referências. Segue aqui um resumo sobre as novas
especificações do ePub:

ePub Publications 3.0


Arquivo XML utilizado no pacote de informações sobre o ePub: metadata (titulo,
autor, idioma), listas dos elementos contidos no ePub, ordem de leitura, entre
outros. Trata-se do antigo Content.opf com novas opções.

ePub Content Documents 3.0


Esta especificação substitui a antiga Open Publication Structure 2.0.1 na tarefa
de descrever o perfil das principais tecnologias contidas no ePub – XHTML5, SVG
1.1 e CSS 3 – e utilizadas para formatar e estruturar o conteúdo. Nesta revisão, a
navegação pela tag NAV, foi incluída no Content Documents em substituição ao
NCX da antiga OPF – Open Publication Format. Contudo, o ePub3 continua a
oferecer pleno suporte ao NCX, assegurando a navegação de ebooks em dispositivos
compatíveis apenas com ePub2.

ePub Media Overlays 3.0


Este é o “irmão” mais novo das especificações do formato ePub. Sua sintaxe é

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 95


baseada na especificação SMIL – Synchronized Multimedia Integration Language,
e através de suas tags é possível associar texto e áudio na sequência de leitura.

ePub Open Container Format (OCF) 3.0


E por fim, o Open Container Format é responsável pelo empacotamento de
todos as arquivos acima mencionados em um grande ZIP, chamado ePub. Essa
especificação não sofreu significativas mudanças.

Características práticas do ePub3

HTML5
Para esclarecer, HTML5 é a linguagem base do ePub 3 (com alguns pequenos
ajustes para permitir a paginação e outros comportamentos de leitura). Uma vez
que o conteúdo do ePub 3 é escrito em HTML5, ele irá desfrutar de todas as
características implementadas do HTML5.

Os sistemas de leituras do ePub 3 devem ser capazes de processar arquivos


XHTML escritos em HTML5. Isso não significa que os navegadores web serão capaz
de exibir arquivos ePub, a menos que sejam capazes de processar as informações de
navegação adicionais contidas no arquivo ePub. Já existem alguns sistemas de
leitura que são implementados dentro de um ambiente de navegador (como o
complemento para Firefox ePubReader).

CSS
A nova base para as folhas de estilo é o CSS2.1 com alguns complementos do
CSS3 inclusos. Isto fornece um layout muito mais completo, incluindo visualização

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 96


em múltiplas colunas, melhor suporte a fonte e impressão direcionada, para citar
alguns. Não é necessário que os sistemas de leitura suportem o CSS, mas quase
todos eles fazem isso. Uma das principais causas de frustração é a diferença de
suporte ao CSS entre os sistemas de leitura.

No ambiente atual do ePub, muitos sistemas de leitura não permitem que as


folhas de estilo dentro de um arquivo ePub substituam as configurações padrão do
sistema. O ePub 3 não faz nada para aliviar esta situação e, de fato, podem até
piorar um pouco devido aos recursos adicionais que serão possíveis com ele.
Sistemas de leitura também têm a capacidade de implementar suas próprias
extensões de CSS, que são ignoradas por outros sistemas de leitura.

Áudio
O áudio pode ser inserido em arquivos do ebook usando a tag <audio> do
HTML5. Isso é o que a Apple, Barnes & Noble e Amazon têm utilizado para inserir
áudio nos enhanced ebooks (ebooks melhorados, com algum "extra"). Agora, é
simplesmente parte das especificações do ePub 3. Não é necessário que os sistemas
de leitura suportem áudio, embora quase todos eles façam isso. Se um sistema de
leitura suporta áudio, ele deve oferecer suporte a MP3. Além disso, o suporte aos
formatos MP4 e AAC (explicado mais adiante) é opcional.

Vídeo
O vídeo pode ser inserido em arquivos de ebook usando a tag <video> do
HTML5. Novamente, isso é o que já vem ocorrendo. E, novamente, não é necessário
que os sistemas de leitura suportem vídeo. Na verdade, a maioria dos dispositivos de
e-Ink não são capazes de mostrar o vídeo de forma satisfatória.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 97


Um dos principais pontos de discordância com as especificações do ePub 3 é que
não existe um formato especificado que deva ser suportado. Se um sistema de
leitura suporta vídeo, a especificação recomenda o apoio de pelo menos um ou
ambos os H.264 (também conhecidos como MPEG-4 AVC) ou os formatos de
compressão de vídeo VP8, mas isso também não é obrigatório. Infelizmente, a
especificação também não diz se algum formato não é permitido. Essencialmente,
não há nada que impeça um desenvolvedor de sistemas de leituras de implementar
algum outro formato de vídeo (como o Flash). O que acontecerá ainda veremos,
mas há uma abertura disponível.

Nesse meio tempo, os editores precisarão preparar vídeos em ambos os formatos


para apoiar a mais vasta gama de sistemas de leitura. Como já foi discutido no
passado, isso poderia levar a grandes arquivos de ePub 3, ou diferentes versões que
serão direcionadas a sistemas de leitura específicos (um para o iPad, um para
webkit, etc.).

Sobreposições de mídia
A funcionalidade da sobreposição foi adicionada à especificação para permitir
que o texto e mídia possam ser apresentados de forma combinada. Por exemplo,
realçar o texto enquanto ele é lido em voz alta pelo computador, ou como parte de
uma trilha sonora. Para empregar essas sobreposições, será necessário criar arquivos
especiais Synchronized Multimedia Integration Language (SMIL).

Sistemas de leitura não são obrigados a fornecer essa funcionalidade, mas se


fizerem isso, devem permitir que os leitores ignorem ou pulem essas sobreposições.
Sobreposições também podem ser usadas para disponibilizar a função text-to-speech,
que lê o texto em voz alta A especificação do ePub 3 menciona a Especificação

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 98


Lexicon de Pronúncia (PLS) e o Speech Synthesis Markup Language (SSML)
para dar suporte na geração de voz sintética, mas não requer que os sistemas de
leitura usem essa informação.

SVG
Os arquivos Scalable Vector Graphic (SVG) já são permitidos dentro de arquivos
ePub há algum tempo. No entanto, seu uso era limitado, em grande parte devido à
falta de suporte pelo sistema de leitura. O ePub 3 agora obriga que os sistemas de
leitura sejam capazes de processar o SVG dentro do ebook, inclusive permitindo
que os usuários selecionem texto e pesquisa dentro do conteúdo desse formato. A
única parte do SVG que não é permitida é a capacidade de animação.

MathML
O MathML é parte do HTML5 e, portanto, é parte do ePub 3. Os sistemas de
leitura devem ser capazes de processar a forma de apresentação do MathML, mas
também podem suportar a forma de conteúdo do MathML. Não vamos entrar em
muitos detalhes aqui. Mas as editoras que lidam com conteúdo matemático e
científico podem estar interessadas, uma vez que essas mudanças irão permitir que
fórmulas possam ser incluídas como parte da marcação XHTML em vez de serem
inseridas como imagens. Isso significa que o conteúdo será redimensionável, entre
outras coisas. Ainda é recomendado que as imagens das fórmulas sejam incluídas
como fallbacks.

Recursos externos
Os recursos externos são “pedaços de conteúdo” não necessariamente aceitos pela

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 99


especificação do ePub. Por exemplo, PDFs podem ser considerados recursos
estrangeiros. Podem existir casos onde arquivos PDF são incorporados em arquivos
ePub. Quando isso é feito, pelo menos um fallback (talvez um equivalente de texto
simples) deve ser incluído para permitir que sistemas de leitura que não suportam
esse recurso possam funcionar normalmente.

Scripts
Scripts e interatividade são outros dos recursos mais esperados do ePub 3. Mais
uma vez o ePub 3 recebe esta funcionalidade através do HTML5. Geralmente isso
significa JavaScript, mas esta não é a única opção. Enquanto os scripts podem
deixar tênues a linha entre ebooks e aplicativos, deve ser notado que os sistemas de
leitura não precisam suportar esse recurso. Além disso, sistemas de leitura têm a
capacidade de colocar limitações adicionais sobre os recursos fornecidos para scripts
por uma variedade de razões, incluindo segurança e capacidade de processamento.
Dito isto, os editores devem já pensar em maneiras possíveis para que o conteúdo
possa ser mais interativo e começar a planear a criação dessas melhorias. Como
sempre, eles também devem se certificar de que a experiência de leitura não será
afetada se um leitor decidir desligar os scrips, ou se um sistema de leitura não tiver
suporte a eles.

Links
O ePub3 criou uma especificação Canonical Fragment Identifier (EPUBCFI)
para criar e acessar vários locais dentro do conteúdo. Isto permite um refinado
acesso ao conteúdo, mesmo ao nível de uma palavra ou frase. O uso desta
especificação poderia permitir aos índices o link para uma exata palavra dentro do

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 100


conteúdo. É também a base da especificação de uma futura interligação entre
documentos.

Acessibilidade
Na verdade, o ePub 2.0.1 consiste em dois esquemas — ePub e DTBook. O
DTBook tinha a intenção de fornecer conteúdo aos sistemas de apoio para pessoas
com deficiência visual através de leitores de Braille e outras tecnologias. Por causa
das características de acessibilidade já inclusas no HTML5, foi decidido que o
DTBook seria descontinuado e suas funcionalidade poderiam ser inseridas no ePub.
Então, tecnicamente, os arquivos ePub 3 são acessíveis a partir "do design".

Os editores devem fazer tudo dentro da razão para garantir que todos os itens
dentro de seu conteúdo são acessíveis. Isto inclui as descrições de todas as imagens e
textos alternativos para o MathML e scripts.

Prospectivas práticas para o editor


A chegada do ePub3 trás consigo nosas prospectivas para a editoria digital e
também novos desafios. A evolução do formato ePub como vimos, permitirá a
presença de elementos multimídia que desfrutem a capacidade dos aparelhos
leitores mais modernos já presentes no mercado ou que em breve chegarão, mas
aumenta a necessidade de pensar o conteúdo para uma nova plataforma com o
acréscimo de elementos bem diferentes e mais complexos do que o simples texto,
requerendo assim a figura de novos profissionais.

A grande vantagem é a facilidade técnica de acrescentar recursos como áudio e


vídeo que o HTML5 oferecer, por outro lado será necessário preparar e editar este
material audiovisual de modo coerente com o resto do texto. Este será o desafio

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 101


maior para os editores, conseguir produzir ou escolher qual material é mais adapto a
um determinado conteúdo. Isto aumenta ainda mais a importância do editor pois
perante a facilitação que o formato oferece em acrescentar elementos interativos
será necessário uma capacidade maior de discernimento profissional para a criação
de um produto de alta qualidade onde a interatividade não seja mero enfeite mas
traga algo de novo ao conteúdo.

Sem dúvidas para o setor do livro infantil o ePub3 oferece a possibilidade de


aumentar a produção de livros interativos ou animados sem os custos que a
produção de um aplicativo contém. O fato do ePub3 poder funcionar em várias
plataformas permanece a grande vantagem do formato respeito a outras soluções
não multiplataforma.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 102


O PDF para livros digitais

História e conceitos básicos

O PDF é um formato muito conhecido e usado no mundo da editoria. É um


formato filho da impressão enquanto nasce com o objetivo de facilitar o
intercambio de documentos que devem serem impressos, dai o seu formato fixo e
que reproduz quase perfeitamente a página impressa.

Em 1990 o formato postscript da Adobe se consolida como formato padrão para


a impressão. Usado ainda hoje nos mais modernos sistemas tipográficos sempre foi
considerado difícil de manipular por caracterizar-se como uma linguagem de
programação.

Com a intenção de facilitar o processo de intercambio de documentos, Jonh


Warnoch, cofundador da Adobe cria uma nova tecnologia mais simples de ser
usada. No inicio era apenas um projeto interno com o objetivo de propor um
formato de arquivo que pudesse ser lido em qualquer computador com qualquer
sistema operativo.

Em 1992 a Adobe lança o PDF 1.0 em ocasião da Comdex vencendo o premio


de “best of Comdex”. Nesta primeira versão o suporte para as cores era apenas para
RGB impedindo assim o uso nos sistemas de impressão. Além disto o valor cobrado

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 103


pelo Adobe Distiler e pelo Adobe Reader era muito alto dificultando a
popularização do formato.

Já em 1994 o formato passa a suportar elementos multimídia e links a arquivos


externos além de melhor suporte para as cores. Todos os documentos da própria
Adobe eram disponibilizados no novo formato e as ferramentas profissionais de
produção como o FrameMaker 5 e o PageMaker 6 passam a suportar o PDF. Ainda
no mesmo ano o Adobe Reader passa a ser disponibilizado gratuitamente. Com o
advento da web a Adobe cria em 1995 um plugin para o Netscape aumentando a
popularidade do formato.

Mas é em 1996 com a chegada do PDF 3.0 que o setor da pré-impressão inicia
a adotar o PDF, pois este traz novas funcionalidades como suporte a cores CYMK e
sobreimpressão. Alguns dos principais instrumentos de pré impressão iniciam a
adotá-lo, como Agfa, PitStop, Harlerquin RIP.

Com a necessidade de garantir um padrão mais elevado no setor da pré-


impressão, em 1998 um consórcio de companhias do setor criam o padrão PDF/X-
1 que teve como objetivo garantir mais respeito de algumas normas necessárias para
a impressão, como por exemplo a presença de fontes embutidas e de imagens em
alta resolução. A partir desta data e com a publicação do padrão PDF por parte da
ANSI (American National Standard Institute) em 1999, o formato passa a
melhorar e crescer no âmbito da pré-impressão. Surge o Adobe Acrobat 4 e o PDF
1.3, bem como outros derivados. Em 2005 a ISO publica o PDF/A com o objetivo
de servir como padrão para armazenamento de informações e a conservação por
longos períodos.

Com a difusão dos livros digitais o PDF se apresentou como primeira opção

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 104


para os editores, sobretudo pela facilidade com a qual pode ser gerado e pelo fato de
manter o layout do livro intacto. De fato para alguns gêneros de livros este formato
é ainda o mais indicado por manter o projeto do impresso e por disponibilizar
elementos multimídias.

As vantagens deste formato é sobretudo o fato de manter a mesma formatação


do livro impresso sobretudo pensando em conteúdo com alto teor gráfico, como
livros educacionais ou infantis. É um padrão aberto, com inúmeras ferramentas para
produzi-lo.

De fato as vantagens do PDF são também seus limites. Pelo fato de gerar uma
página com medidas fixas pode ser uma ótima alternativa para dispositivos com tela
maior (computadores, tablets) mas torna-se de difícil leitura em dispositivos com
tela menor (eReaders, smatphones) pois obriga o leitor a fazer continuamente
“zoom” para facilitar a leitura, uma vez que não existe a possibilidade de aumentar o
tamanho da fonte.

O Indesign oferece um ótimo suporte ao PDF. Seguirá abaixo algumas


indicações técnicas de como gerar um bom PDF para eBook.

Softwares para a leitura

O principal software usado para a leitura de um PDF é obviamente o Adobe


Acrobat Reader presente em quase todos os computadores nos vários sistemas

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 105


operativos. Nos tablets em geral os softwares que leem ePub conseguem ler também
o PDF como o Saraiva Reader, o BlueFire, o Aldiko para Android.

Em geral a leitura do PDF é considerada mais fácil respeito ao ePub, mas isto é
devido somente ao fato do formato ser mais conhecido. Quase todas as pessoas
possuem o Acrobat Reader instalado nos seus computadores e poucas o Adobe
Digital Edition ou outro leitor de ePub.

No computador e em tablets o conforto da leitura é bom porque a tela é maior e


permite a visualização do PDF inteiro. Em leitores menores como eReaders ou
Smartphone este conforto pode ser comprometido devido à quantidade de zoom
que a pessoa que esta lendo deve fazer para poder visualizar bem o conteúdo.

Produção

No que diz respeito à produção existem inúmeros softwares que exportam para o
formato PDF. Um dos melhores é o Indesign por permitir um controle maior das
características internas do PDF como resolução de imagens, exportação de links e
bookmarks. Mas é possível exportar um PDF a partir do Word/OpenOffice,
QuarkXpress e outros softwares de diagramação. A qualidade do PDF exportado
vai depender das características do softwares que o gerou. Este fenômeno é possível
comprovar quando precisamos recuperar o texto de um PDF passando ele
novamente ao Word. Se o arquivo foi gerado com o Indesign o texto será exportado
de maneira mais completa e sem muitas quebras de parágrafos enquanto se
exportado com outros softwares apresentará muitas quebras de parágrafos.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 106


PDF interativo
No PDF interativo é possível acrescentar várias funções mais avançadas como
botões que permitem um controle da visualização, galeria de fotos ou áudio e vídeo.
O limite deste formato é que o software que consegue ler estas informações é
apenas o Acrobat Reader o que limita o uso pelo fato que softwares que suportam o
DRM da Adobe não conseguem interpretar o que foi exportado pelo Indesign.

PDF/A e PDF/X
O PDF/A é uma definição ISO 19005-1:2005 de 2005 e foi criado como perfil
para a arquivação de documentos. É baseado no PDF 1.4 sendo um subconjunto do
PDF mesmo, do qual foi retirado funções que não serviam para o armazenamento
dos dados a longo término. O objetivo desta normativa é permitir que mesmo daqui
a vários anos os arquivos possam serem lidos e interpretados sem o perigo de perca
do conteúdo por falta de aparelhos que interpretem o formato.

Já o PDF/X é uma definição que visa criar um padrão para a impressão. Possui
características específicas para os sistemas de RIP e de pré-impressão como bom
suporte à cores (Pantone e CMYK), fontes postscript, sobreimpressão e melhor
administração de efeitos gerados pelos novos softwares de editoração eletrônica.

No caso dos eBooks vamos usar a definição do PDF/X por apresentar mais
recursos.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 107


Linhas guias e boas práticas para o PDF

Formato da página
Para que o eBook neste formato funcione da melhor maneira possível é
recomendado gerar um PDF no formato A5 (15x21cm) ou no máximo 17x24cm.
O clássico A4 apesar de ficar bem no iPad pode ser de mais difícil leitura em
computador ou dispositivos menores. O formato A5 (15x21) é uma boa alternativa
pois possui boa visualização nos tablets de vários tamanhos além de ficar bom nos
leitores eReader que possuem a visualização de 600x800.

Numeração de página
Recomendo colocar a numeração no centro da página, evitando assim o uso de
alinhamento a direita e a esquerda tipico da versão impressa. O PDF poderá ser
visualizado como duas páginas, uma ao lado da outra, ou como uma página única e
a presença da numeração no centro deixará a visualização mais agradável
transmitindo ao leitor a sensação de que o livro foi pensado neste formato e não é
simplesmente uma “sobra” de impressão.

O mesmo podemos afirmar das margens. Não é necessário deixar as margens


com valores diferentes para as páginas da esquerda ou da direita. Deixando as
margens com os mesmos valores o eBook terá uma aparência melhor quando
visualizado em tablets ou eReader.

Metadados
Também no PDF é importante acrescentar os metadados. Esta operação pode

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 108


ser feita já no Indesign de modo que as informações sejam válidas tanto para o
PDF quanto para o ePub.

No Indesign, indo ao menu File → File info... temos acesso a um painel que
nos permite acrescentar várias informações úteis que serão exportadas junto com o
documento tanto no formato PDF quanto no ePub:

Além das informações acrescentadas no Indesign é possível editar os metadados


usando o Adobe Acrobat Professional. Ao selecionar o menu File → Properties
teremos um painel com várias abas e várias opções. Na primeira aba Description
podemos acrescentar os metadados e selecionando Additional metadata teremos a
possibilidade de acrescentar ainda mais informações sobre o nosso documento.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 109


Sumário
Já vimos o quanto é importante para o ePub um bom sumário que facilite a
consulta do texto mas também dê indicações do tamanho da obra que estamos
lendo. No caso do PDF esta segunda função é executada pela numeração de página
que sendo fixa reflete os mesmos conceitos do livro impresso.

Mesmo assim o sumário facilita muito a navegabilidade no nosso arquivo e pode


ser facilmente gerado já a partir do Indesign no mesmo processo de criação do
sumário para o ePub.

No painel do TOC temos uma interessante opção que nos permite gerar o
sumário para o PDF. No momento de criar e gerar o TOC para o ePub podemos
selecionar a opção Create PDF Bookmarks que automaticamente criará uma série
de bookmarks no PDF exportado e que poderá ser usado como sumário “externo”
no Acrobat Reader.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 110


No momento de realizar a exportação do PDF é importante selecionar duas
opções que permitirão a exportação dos bookmarks. A primeira opção está no
painel Gerenal em Include: Bookmarks e a outra está logo abaixo Hyperlinks. Esta
segunda opção serve em específico para os links, mas caso eu tenha criado um
sumário interno terei a possibilidade de exportar ele funcionando.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 111


Links
No PDF é possível criar e gerar links internos e externos. Ou seja assim como
no ePub podemos ter um link que leva o leitor a uma página web, a um vídeo o a
um documento externo, ou então a uma outra posição dentro do próprio PDF,
como por exemplo no caso do sumário “interno”.

É importante usar este recurso pois deixará o PDF com recursos típicos de um
eBook criando um valor agregado ao produto.

Imagens
No que diz respeito às imagens é importante diminuir a resolução delas pada

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 112


não deixar o arquivo muito “pesado” . Se usamos o Indesign este processo pode ser
feito de modo automático no momento da exportação para PDF diminuindo a
resolução das imagens. É possível criar um perfil específico para o eBook de modo
que as informações permaneçam disponíveis sempre que formos fazer uma
exportação para o formato PDF.

No painel de exportação selecionamos a aba Compression e redefinimos os


valores para as imagens coloridas (1), para aquelas em tom de cinza (2) e para a
imagens monocromáticas (3). O valor da resolução vai depender da quantidade de
imagens que temos no livro, mas podemos definir entre 72 e 150 dpi.

Caso o arquivo PDF tenha sido produzido com outros softwares é possível
diminuir o tamanho das imagens usando o Adobe Acrobat Professional. Com o
PDF aberto podemos selecionar a opção File → Save As... → Reduced Size PDF.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 113


Com isto teremos um arquivo com uma dimensão bem inferior àquela usada para a
impressão e mais apta a se tornar um bom eBook.

Algumas dicas
No momento em que formos exportar para o PDF a partir do Indesign é bom
definir algumas informações no painel de exportação e criar um perfil de modo a
deixar pré-definido as opções de exportações.

Além das dica dadas para as imagens é importante deixar selecionadas as opções
no painel General, de Embed page thumbnails e de Optimize for Fast Web View.
Além disto é possível clicar na opção Create Tagged PDF que em alguns leitores
de PDF permite que o conteúdo se adapte em parte ao tamanho da tela.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 114


Lembre-se também de não selecionar a opção Spreads”e deixar selecionada a
opção de exportar todas as páginas.

Na aba Marks and Bleeds lembre-se de deixar todas as opções não selecionadas
pois não queremos que no nosso PDF apareçam as marcas de corte típicas do PDF
que serve para a impressão.

Outro detalhe importante é a configuração das cores. Na aba Output vamos


selecionar a opção Convert to destination e logo abaixo Adobe RGB ou Apple
RGB. Esta opção fará com que todas as imagens e cores sejam convertidas para
RGB permitindo assim uma melhor visualização nas telas dos aparelhos.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 115


Depois de ter configurado esta opções é possível criar um Preset (um perfil) que
salvará as opções que selecionamos.

Quando formos exportar outro eBook será fácil selecionar o perfil salvo com
todas as opções já configuradas.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 116


José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 117
Conclusão

Como falamos no incio deste trabalho este novo processo de criação de


conteúdo digital usando o formato ePub esta ainda em fase de definição. Podemos
notar na prática como não existe um fluxo de trabalho ainda bem definido e
estabelecido de forma padrão. Cada editor pode segundo os casos que se
apresentam criar e definir o próprio workflow de trabalho.

A dificuldade maior atualmente esta na falta de aparelhos e softwares que


suportem os recursos mais avançados já propostos pelo ePub3, esta lacuna, espero
que seja eliminada o mais rápido possível. Neste meio tempo o editor deve tomar
conhecimento dos recursos que já são possíveis utilizar e iniciar a produção dos
livros no formato ePub. O fato de não ter um sistema totalmente definido pode ser
visto como uma oportunidade, pois estamos vivendo um momento onde nós
mesmo estamos definindo os padrões baseando-nos nas experiências que vamos
fazendo.

Como todo processo novo ele prevê experimentos, falhas e sucessos, mas com
alguns elementos em comum podemos inventar e criar um próprio workflow
funcional e produtivo que nos permita desfrutar ao máximo o que já é feito dentro
da editora.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 118


Mini Glossário

Adobe Digital Editions (ADE) - Aplicativo gratuito para PC e Mac (além de


vir embarcado dentro de alguns eReaders) no qual você pode ler e gerenciar livros
digitais nos formatos ePub e PDF, com ou sem proteção Adobe DRM.

Adobe DRM - Proteção contra cópias para conteúdo digital, em especial os


ebooks. É o sistema mais adotado para arquivos PDF e ePub, usado por empresas
como Barnes & Noble, Kobo, Sony, Cultura, Saraiva, entre outras.

Aldiko - Aplicativo com versões gratuitas e pagas para leitura de livros no


sistema operacional Android. Lê arquivos ePub, PDF, entre outros.

Amazon - Empresa norte-americana que lidera o mercado de venda de ebooks e


eReaders nos Estados Unidos. É conhecida como loja de venda de diversos objetos,
como livros impressos, eletrônicos e brinquedos.

Android - Sistema operacional especial para dispositivos móveis, desenvolvido


pela Google. Além de ser utilizado em muitos modelos de smartphones, também
está presente em tablets como Motorola Xoom, Positivo Ypy e as novas Kindle Fire,
Nook Color e Kobo Vox.

Apple - Empresa fundada por Steve Jobs que atuava na produção dos
computadores pessoais. Com o passar do tempo ficou conhecida por lançamentos
que mudaram o mundo, como o smartphone iPhone e a tablet iPad.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 119


Arquivo sem proteção - ebook sem qualquer proteção, como o DRM. Esse tipo
de arquivo pode ser lido em qualquer plataforma que aceita o ePub.

Auto-publicação (self-publishing) - Ato de publicação de um livro pelo próprio


autor. Essa forma de publicação se tornou extremamente popular com a chegada
dos ebooks e das mídias sociais.

AZW - Formato de livros digitais criado e adotado pela Amazon em sua


plataforma Kindle. É similar ao MOBI, mas possui proteção contra cópia.

BlueFire Reader - Leitor de livros digitais gratuito para a tablet iPad.

Calibre - Aplicativo gratuito para gerenciar bibliotecas digitais. É também


conhecido pela conversão de arquivos de MOBI para ePub e vice-versa.

DAISY - É um formato de ebook baseado em XML para pessoas com


deficiências visuais. Ele pode ser ouvido em um leitor de livros digitais DAISY que
converte texto em fala. Para mais informações, consulte o Consórcio DAISY.

DRM (Digital Rights Management) - Sistema criado para proteger arquivos de


ebook da sua distribuição ilegal, bem como empréstimo de obras e cópia não-
autorizada. Você não pode ler um livro em AZW onde se lê um ePub, ou um ePub
da Apple, por exemplo, porque cada um deles possui um DRM diferente.

ebook - Também conhecido como e-book, livro digital ou livro eletrônico. ebook
(e-book, ebook) electronic book; a book-length publication in digital form. It is a
digital file, which may consist not only of text and pictures, but also video and
audio elements. Still confused by many users with ereader

eInk (e-ink, eInk) - Tinta eletroforética. Tipo especial de ePaper, fabricado pela
empresa E-Ink Corporation.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 120


Enhanced ebook - Livro digital com adicionais além do texto e de imagens,
como áudio e vídeo, entre outros. Permite que o leitor interaja com o conteúdo.

eReader (e-reader, eReader) - Leitor eletrônico, aparelho especialmente projetado


para a leitura de ebooks, normalmente composto por uma tela de ePaper.

ePaper (e-paper, ePaper) - Papel eletrônico, um tipo de tela projetada para imitar
o visual e a sensação de leitura do livro em papel. Telas de ePaper não são
retroiluminadas como as de LCD, e por isso precisam de luz externa para serem
visualizadas.

Epub - É o padrão aberto do IDPF para conteúdo fluído.

O ePub (abreviação de Eletronic Publication – Publicação Eletrônica) é um


formato de arquivo digital padrão específico para ebooks. Livre e aberto, foi criado
pelo International Digital Publishing Forum (IDPF), um consórcio formado por
várias empresas como Sony e Adobe. Os arquivos desse formato possuem a
extensão .epub. É projetado para conteúdo fluído, o que significa que a tela de texto
pode ser otimizada de acordo com o dispositivo usado para leitura. O padrão é
destinado a funcionar como um único formato oficial para distribuição e venda de
livros digitais.

É suportado por um número crescente de dispositivos e leitores, entre eles o


aplicativo gratuito Adobe Digital Editions, e nos eReaders Barnes & Noble Nook,
Sony Reader, iriver cover story e Positivo Alfa. É um formato rico baseado em
XHTML e CSS, permitindo uma série de diagramações e personalizações. Se adapta
às telas, podendo inclusive aumentar e trocar as fontes. A padronização dos ebooks
facilita na hora de organizar sua coleção com tags e outras informações, é mais
compacto que os formatos tradicionais e principalmente por ser multi-plataforma,

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 121


você pode compartilhar com outras pessoas, independente do dispositivo da outra
pessoa.

ePub fixed layout - É um arquivo ePub especial adotado pela Apple. Permite
maior controle na formatação do livro, porém só pode ser lidos por dispositivos
móveis da Apple.

ibooks - Aplicativo gratuito para iPad, iPhone e iPod Touch para ler e comprar
livros pela iBookstore

iBookstore - Loja de livros digitais mantida pela Apple.

IOS - Sistema operacional presente em dispositivos móveis vendidos pela


Apple.

iPad - A tablet da Apple, é a mais famosa do mundo.

Kindle - Plataforma de livros digitais da Amazon, que inclui uma linha de


eReaders, uma tablet e também aplicativos para diferentes sistemas operacionais.

Kobo - Empresa canadense que possui uma loja virtual de ebooks, além de
dispositivos de leitura como eReaders e uma tablet, junto com aplicativos para
diferentes sistemas operacionais.

MOBI - arquivos .mobi são suportados pelo Kindle, da Amazon, pelo


Mobipocket Reader, e uma série de outros dispositivos. É um tipo de arquivo ideal
para textos corridos, romances e ficções. Permite pouca personalização, e por isso é
mais pobre que o ePub. O formato AZW, da Amazon, é uma versão do MOBI com
DRM, a proteção anti-pirataria.

Nuvem - Tecnologia que permite armazenar arquivos do usuário em um

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 122


servidor de um provedor. Permite acessar um arquivo de qualquer aparelho, em
qualquer lugar do mundo com acesso à rede.

PDF - Os arquivos Portable Document Format (.PDF) são o padrão da indústria


para troca de documentos. Uma grande variedade de plataformas e dispositivos
oferecem software de leitura de PDF. Com suas fontes incorporadas, rico e
cuidadoso layout, imagens de alta resolução e até opções de interatividade os PDFs
são ideais para livros de imagens, viagens e outros. Seu problema reside no fato de
não poder ter suas fontes aumentadas e o layout reajustado à tela.

Tablet - Aparelho móvel multipropósito com tela LCD colorida, operado por
tela de toque.

Tela de toque (touchscreen) - Tipo de tela eletrônica que permite operar um


dispositivo através do toque na tela com os dedos.

Text-to-speech (TTS) - Tecnologia que converte o texto escrito em fala,


utilizando um sintetizador de voz.

Tinta eletrônica - Ver ePaper.

José Fernando Tavares - Workshop de produção de eBooks no formato ePub - 123


Breve Bibliografia

Guglielmo Cavallo - Roger Chartier, Storia della lettura, 2009, LaTerza


Chartier R., Lettori e Lettura nell´era della testualità elettronica.
http://www.wikielettroart.net/wordpress/?p=29
Chartier R., Aventura do livro – Do leitor ao Navegador, Coleção Prisma, UNESP,
1998
Indesign CS5 to EPUB, Kindle, and iPad – www.lynda.com;
Castro E., EPUB Straight to the Point, 2011
Pang N., ePub Publishing Guide, 2011
Deuchler R., How to Create an ebook with Adobe Indesign CS5, 2011
Brivio F. – Trezzi G., ePub, Apogeo 2011
Secchi, L., Editoria Digitale, Apogeo 2010
Kung S, Don´t make me think, second edition 2006
Lewis J. R., CSS avançado, Novatec 2010
Benz, B. – Duran J. R., XML programming bible, 2003
Vários, HTML, XHTML, and CSS Bible, 2004
Shea D. - Holzschlag M. E., The Zen of CSS Design: Visual Enlightenment for
Web
W3C Schools, cursos de HTML, HTML5, CSS, CSS3, XML, XLS-FO
(www.w3schools.com)

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Linda.com, cursos suplementares de HTML5/XHTML, CSS/CSS3, Indesign
CS5/CS5.5, Javascript e XML, www.linda.com
Matt Garrish, What is an ePub3?, O´Reilly, 2011

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