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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA      VARA

CÍVEL DA CIDADE
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“Rito Especial” – Força nova – CPC, art 558, caput
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[ Formula-se pedido de medida liminar]
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FAZENDA LADEIRA PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sociedade
empresária de direito privado, com sua sede na Rua X, nº. 0000, Zona Rural,
em Cidade (PP), inscrita no CNPJ (MF) sob o nº. 00.333.444/0001-55, com
endereço eletrônico fazenda@fazenda.com.br, comparece, com o devido
respeito a Vossa Excelência, intermediada por seu mandatário ao final firmado
-- instrumento procuratório acostado -- causídico inscrito na Ordem dos
Advogados do Brasil, Seção do Estado, sob o nº. 332211, com seu endereço
profissional consignado no timbre desta, motivo qual, em atendimento à diretriz
do art. 77, inc. V c/c art. 287, caput, um e outro do Novo CPC, indica-o para as
intimações necessárias, para, com fulcro no art. 560 e segs. c/c art. 558, do Novo
CPC e art. 1210 do Código Civil,  ajuizar a presente
AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE
C/C
“PLEITO COMINATÓRIO” E PEDIDO DE “MEDIDA
LIMINAR”
em desfavor de PEDRO DAS QUANTAS, solteiro, agricultor, residente e
domiciliado no Sítio Londrina, s/n- Zona Rural – Cidade (PP) – CEP nº. 22444-
555, inscrito no CPF (MF) sob o nº. 333.444.555-66, endereço eletrônico
desconhecido, em decorrência das justificativas de ordem fática e de direito
abaixo delineadas.

 
I – INTROITO
 
( a ) Quanto à audiência de conciliação (CPC/2015, art. 319, inc. VII)
 
A Autora não deseja a realização da audiência conciliatória (Novo CPC, art.
319, inc. VII). 
 
II – FATOS
 
A Autora é proprietária, e possuidora, do imóvel sito na Rua X, nº. 0000, Zona
Rural, em Cidade (PP). Esse é objeto da matrícula de registro imobiliário nº.
3344.
 
Referido bem fora adquirido em 1998. Na ocasião, pagou, em moeda corrente
nacional, a quantia de R$ 00.000,00 ( .x.x.x. ). É que se depreende da cópia da
escritura pública, bem assim da certidão de registro de imóvel. (docs. 01/02)
 
Em conta da aquisição, mantém-se na posse e na propriedade do bem.
Inclusive, realizando pagamentos dos encargos tributários pertinentes desse.
(docs. 03/09)
 
De mais a mais, com o fito de propositar maior segurança probatória, acosta-se
material fotográfico, no qual, tal-qualmente, demonstra-se que a Autora atua
com a atividade pecuária e de cultivo de caju. (docs. 10/17)
 
Noutro giro, no situado endereço funciona, há anos, uma fábrica de extração da
castanha de caju. (docs. 18/22)
 
Para além disso, urge asseverar que o Réu é confinante com a Autora desde
11/22/3333. Nessa data, passou a residir. Também iniciou com a criação de
cabras, para engorda e posterior venda.
 
Como prova disso, de logo inserem-se documentos que atestam a titularidade
do bem confinante. (doc. 23)
 
A outro turno, há alguns meses o Promovido insiste em adentrar no imóvel
pertencente à Autora. Leva sua criação de animais para engorda em uma
pastagem, nos fundos do imóvel dessa.
 
A corroborar esses argumentos, colacionam-se fotos, verificadas em várias
ocasiões. Ademais, junta-se ata notarial com depoimentos de pessoas que
atestam esses fatos, presenciados por Tabelião. (docs. 24/31)
 
Desse material, constata-se que a última invasão se deu em 55/44/3333.
 
Em conta disso, a Autora notificou o Ré a interromper a invasão de suas terras,
sob pena de sofrer ação judicial e pagar indenização pelos danos ocasionados.
(doc. 32)
 
Contudo, decorrido o prazo concedido, aquela quedou-se inerte, continuando,
injustamente, com a invasão do imóvel.
 
Ex positis, outra alternativa não restou à Autora, senão buscar seus direitos por
meio desta ação de manutenção de posse. (Novo CPC, art. 17)
 
III – DO DIREITO
 
3.1. Quanto a competência
 
Prima facie, impende asseverar que a Autora promove a presente ação no foro
territorial competente, visto que o imóvel se situa na Rua X, nº. 000, neste
Município. (Novo CPC, art. 47)
 
3.2. Do rito processual
 
Esta ação é ajuizada em 11/22/3333. De outro bordo, a notificação do Réu,
para interromper a invasão do imóvel – portanto, a turbação – ocorrera em
22/33/1111. (doc. 32)
 
O procedimento, destarte, é especial. A ofensa ao direito da Autora ocorrera
em menos de ano e dia (posse nova).
 
A propósito, vejamos o seguinte julgado:
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. POSSE NOVA.
AÇÃO DE FORÇA NOVA. ESBULHO PRATICADO A MENOS DE ANO E
DIA. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DE LIMINAR REINTEGRANDO
A POSSE PARA O AUTOR. MANUTENÇÃO DA LIMINAR DEFERIDA NO
PRESENTE RECURSO.
1. Para fins de deferimento da liminar nas ações possessórias é necessário
que a parte autora comprove, cumulativamente, os requisitos previstos no art.
561 do Código de Processo Civil, e que a pretensão seja intentada dentro de
ano e dia da data do esbulho. 2. Recurso conhecido e improvido. (TJSE; AI
201600826670; Ac. 2952/2017; Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Alberto
Romeu Gouvei Aleite; Julg. 21/02/2017; DJSE 24/02/2017)
 
3.3. Preenchimento dos requisitos da petição inicial
 
3.3.1. Prova da posse –  CPC/2015, art. 561, inc. I
 
A Autora é proprietária e possuidora do imóvel. Como aludido alhures, o bem
fora adquirido em 1998. Na ocasião, pagou, em moeda corrente nacional, a
quantia de R$ 00.000,00 ( .x.x.x. ).
 
Desde então, mantém-se na posse do bem, pagando, até mesmo, os encargos
tributários pertinentes. (docs. 03/09)
 
O material fotográfico, acostado, também demonstra que a essa mantém
atividade pecuária e de cultivo de caju. (docs. 10/17)
 
Demonstra-se, mais, que no situado endereço funciona, há anos, uma fábrica
de extração da castanha de caju. (docs. 18/22)
 
Dessa sorte, não há dúvida seja aquela possuidora direta do imóvel turbado
 
3.3.2. Da turbação praticada pelo Réu – Novo CPC, art. 561, inc. II
 
É inarredável que o enredo representa nítido ato de turbação, não de esbulho.
 
Consoante melhor doutrina, na turbação, nada obstante o ato agressivo, o
possuidor conserva-se na posse do bem.
 
A corroborar o exposto acima, insta transcrever o entendimento do
renomado Humberto Theodoro Júnior, o qual preleciona, ad litteram:
 
A existência de três interditos distintos decorre da necessidade de adequar as
providências judiciais de tutela possessória às diferentes hipóteses de violação da
posse. Assim, a ação de manutenção de posse (que corresponde aos interdicta
retinendae possessionis do direito romano) destina-se a proteger o possuidor contra
atos de turbação de sua posse. Seu objetivo é fazer cessar o ato do turbador, que
molesta o exercício da posse, sem contudo eliminar a própria posse. (THEODORO
JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil [livro eletrônico]. 50ª Ed. Rio de
Janeiro: Forense, 2016, vol. II. Epub. ISBN 978-85-309-6138-1)
 
A propósito, reza a Legislação Substantiva Civil, verbo ad verbum:
 
CÓDIGO CIVIL
 
Art. 1210 – O possuidor tem o direito a ser mantido na posse em caso de
turbação, restituído no de esbulho e segurado de violência iminente, se tiver
justo receio de ser molestado.
 
É o que provém da jurisprudência:
 
DIREITO CIVIL. COISAS. AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE.
PROCEDÊNCIA DO PEDIDO INICIAL. INCONFORMISMO DO RÉU.
1) INÉPCIA DA INICIAL. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO IMÓVEL.
AFASTAMENTO. INDIVIDUALIZAÇÃO ADEQUADA. 2) CERCEAMENTO
DE DEFESA. INACOLHIMENTO. PROVAS SUFICIENTES. 3) AUSÊNCIA DE
PROVA DA POSSE ANTERIOR E DA TURBAÇÃO. TESE REPELIDA.
PRESSUPOSTOS DEMONSTRADOS. SENTENÇA MANTIDA. 4) PLEITO DE
MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS FORMULADO EM CONTRARRAZÕES.
VIA INADEQUADA. PEDIDO NÃO CONHECIDO. RECURSO IMPROVIDO.
1. Considera-se cumprido o pressuposto relativo à individualização do bem
quando o imóvel litigioso estiver descrito de forma a permitir a execução da
medida protetiva requerida na ação possessória. 2. Não há nulidade por
cerceamento de defesa quando as provas acostadas são suficientes para o
julgamento da lide. 3. Individualizado o imóvel em litígio e demonstradas a
posse dos autores, a turbação praticada pelo réu e a permanência na posse,
embora turbada, procedente é a ação de manutenção de posse. 4. Não se
conhece de pleito de majoração de honorários formulado em contrarrazões,
porquanto inadequada a via eleita. (TJSC; AC 0008718-58.2011.8.24.0033;
Itajaí; Sexta Câmara de Direito Civil; Rel. Des. Antônio do Rêgo Monteiro
Rocha; DJSC 28/07/2017; Pag. 140)
 
DIREITO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM AÇÃO POSSESSÓRIA.
PRESENÇA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 561 DO CPC/15.
TURBAÇÃO CONFIGURADA. COMPROVAÇÃO. CONCESSÃO DE MEDIDA
LIMINAR DE MANUTENÇÃO DE POSSE. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO.
1. O cerne da controvérsia gravita em torno de existência de turbação
perpetrada por vizinhos da agravante, ora agravados, que adentram em seu
imóvel para estender roupas no local. 2. O artigo 561 do CPC/15 normatiza os
requisitos necessários ao deferimento da medida liminar de tutela da posse, a
saber: I - a sua posse; il - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; III - a
data da turbação ou do esbulho; IV - a continuação da posse, embora turbada,
na ação de manutenção; a perda da posse, na ação de reintegração. 4. Na
hipótese, restou configurada a turbação, mediante o cotejo de provas orais
produzidas nos autos originários. Constatou-se também a comprovação da
posse e de sua continuação pela proprietária do imóvel, ora agravante, bem
como verificou-se que a data da turbação ocorreu há menos de um ano e dia.
5. Assim, a liminar de manutenção da posse no imóvel é medida que se impõe,
por estarem presentes os requisitos autorizadores para tanto. 6. Recurso
conhecido e provido. (TJCE; AI 0623174-54.2017.8.06.0000; Terceira Câmara
de Direito Privado; Relª Desª Lira Ramos de Oliveira; DJCE 28/07/2017; Pág.
35) 
 
APELAÇÃO CÍVEL E RECURSO ADESIVO. AÇÕES DE MANUTENÇÃO DE
POSSE. SENTENÇA UNA. RECURSO ADESIVO. NULIDADE DO
JULGAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E
PUBLICAÇÃO DO DESPACHO QUE DETERMINOU O APENSAMENTO DAS
AÇÕES. NÃO CABIMENTO. COMANDO JUDICIAL DE MERO EXPEDIENTE
QUE APENAS REUNIU OS FEITOS PARA O JULGAMENTO EM
CONJUNTO, SEM O RECONHECIMENTO DE CONEXÃO. INEXISTÊNCIA
DE CUNHO DECISÓRIO. PROCURADOR OUTORGADO COM PODERES
PARA ATUAÇÃO E ASSISTÊNCIA EM AMBAS AS DEMANDAS. PLENA
CIÊNCIA DE TODOS OS ATOS PROCESSUAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE
CERCEAMENTO DE DEFESA. PRETENSÃO RECURSAL IMPROCEDENTE.
RECURSO DE APELAÇÃO. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE TURBAÇÃO
PERPETRADA PELOS REQUERIDOS, ÁREA DE DOMÍNIO E POSSE DOS
AUTORES, ORA APELANTES. DECISUM QUE RECONHECEU A PRÁTICA
TURBATÓRIA, DE FORMA PARCIAL, DE SOMENTE UM REQUERIDO.
PRETENSÃO DE REFORMA DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO
PROBATÓRIO EM FAVOR DA PRETENSÃO DOS APELANTES.
FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA PROFERIDA PELO JUÍZO SINGULAR
QUE OBSERVA O INSTITUTO POSSESSÓRIO. PROVA PERICIAL E
TESTEMUNHAL CONCLUSIVA QUANTO A INOCORRÊNCIA DE
QUALQUER ATO QUE CULMINOU NA INVASÃO NA ÁREA DOS
APELANTES ALÉM DAQUELE JÁ RECONHECIDO PELO MAGISTRADO
DE ORIGEM. ÔNUS DA PROVA DO AUTOR QUE NÃO FOI DEVIDAMENTE
OBSERVADO. ARTIGO 333, INCISO I, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
DE 1973, APLICÁVEL AO CASO. MINORAÇÃO DOS HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. QUANTIA COMPATÍVEL COM O
TRABALHO REALIZADO NA CAUSA (ARTIGO 20, §3º, A, B, C, DO MESMO
CODEX). SENTENÇA MANTIDA.
1. Não há falar em nulidade no feito quando a parte foi devidamente intimada
de todos os atos processuais, inclusive tendo participado da instrução
cerceamento de defesa a ausência de intimação a uma das partes de
despacho de mero expediente proferido ao longo da demanda. 2. Nos termos
do artigo 927 do Código de Processo Civil de 1973, aplicável à espécie, cabe
ao autor na demanda possessória demonstrar, (I) a sua posse; (II) a turbação
ou o esbulho praticado pelo réu; (III) a data da turbação ou do esbulho; (IV) a
continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da
posse, na ação de reintegração. Não tendo a parte autora se desincumbido do
seu ônus probatório quanto à alegada turbação e esbulho em extensão maior
daquela reconhecida pelo Juiz a quo, a sentença deve ser integralmente
mantida. 3. Fixados os honorários advocatícios em atenção aos critérios do
artigo 20, §3º, do Código de Processo Civil de 1973, em patamar que se
demonstra adequado e proporcional ao tempo e trabalho redução da verba
honorária. RECURSO ADESIVO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. RECURSO
DE APELAÇÃO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJPR; ApCiv 1363620-9;
Ponta Grossa; Décima Sétima Câmara Cível; Relª Desª Rosana Amara Girardi
Fachin; Julg. 07/02/2018; DJPR 27/03/2018; Pág. 205)    
 
AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE. TURBAÇÃO CARACTERIZADA.
PROVA QUE INDICA A PERTURBAÇÃO À POSSE DA AUTORA.
Sentença de procedência mantida. Honorários sucumbenciais majorados para
R$ 1.000,00, observada a gratuidade processual concedida à Ré (art. 85, § 11,
do CPC). Recurso não provido. (TJSP; APL 1025697-81.2015.8.26.0001; Ac.
11285326; São Paulo; Trigésima Sétima Câmara de Direito Privado; Rel. Des.
João Pazine Neto; Julg. 20/03/2018; DJESP 27/03/2018; Pág. 2715)  
 
3.3.3. Da data da turbação – CPC, art. 561, inc. III
 
Inafastável que o Réu fora notificado em 11/22/3333. Nessa, frisou-se a data
da última turbação, ou seja, em 55/33/1111. (doc. 32)
 
Outrossim, da ata notarial extraem-se a certeza dessas assertivas (Novo CPC,
art. 384).
 
Quanto à data, para efeito do termo inicial da turbação, sob a égide das lições
de Carlos Roberto Gonçalves, vê-se que:
 
Quando reiterados os atos de turbação, sem que exista nexo de causalidade entre eles,
a cada um pode corresponder uma ação, fluindo o prazo de ano e dia da data em que
se verifica o respectivo ato. Examine-se exemplo ministrado por VICENTE RAÓ, citado
por WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO: ‘Um vizinho penetra na minha fazenda
uma, duas, cinco vezes, a fim de extrair lenha. Cada um desses atos, isoladamente,
ofende minha posse e contra cada um deles posso pedir manutenção. Suposto que
decorrido haja o prazo de ano e dia a conta do primeiro ato turbativo, nem por isso
perderei o direito de recorrer ao interdito, para me opor às turbações subsequentes,
verificadas dentro do prazo legal. (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil
Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2006, vol. 5, p. 136)
 
3.3.4. Da continuação da posse – CPC/2015, art. 561, inc. IV
 
De todo o relato fático e, mais, da prova documental, carreada nesta peça
vestibular, indicam que a parte Autora ainda detém a posse do imóvel. Desse
modo, em que pese as diversas invasões, esse prossegue na fruição do bem.
 
3.4. Do pleito de medida liminar (CPC/2015, art. 562, caput)
 
Seguramente a Autora faz jus à medida liminar de manutenção de
posse, inaudita altera pars. (CPC/2015, art. 562, caput c/c art. 563)
 
Esta peça inaugural se encontra devidamente instruída, com robusta prova
documental, material esse que atendem aos pressupostos delimitados no art.
561, e seus incisos, do Estatuto de Ritos.
 
De bom alvitre revelar, por mero desvelo, que, na espécie, não há que se falar,
como pressuposto, do periculum in mora.
 
Cediço que a hipótese não reclama pleito com dimensão acautelatória. Ao
contrário disso, limita-se ao trato concernente a direito objetivo material.
 
Não seria despiciendo, a título ilustrativo, lembrar o magistério de Guilherme
Marinoni, Sérgio Arenhart e Daniel Mitidiero, os quais revelam, ipsis litteris:
 
2. Tutela antecipada na Ação de Reintegração de Posse  fundada no art. 552, CPC.
Na ação de reintegração de posse, proposta dentro de ano e dia do esbulho, a tutela
antecipatória pode ser concedida independentemente da afirmação de perigo (art. 562,
CPC). Para a concessão da antecipação da tutela no procedimento especial basta a
presença dos requisitos do art. 561, CPC, sendo dispensável a demonstração do
perigo. (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel.
Novo código de processo civil [livro eletrônico]. – São Paulo: RT, 2015.
Epub.  ISBN 978-85-203-6024-8)
(sublinhas nossas)
 
Nesse diapasão, provadas a turbação e sua data (força nova), há de
ser concedida a medida liminar, independentemente da oitiva preliminar da parte
promovida. Por isso, descabe fundamentar-se, à luz dessas contundentes
provas, em ato discricionário quanto à concessão desta medida judicial.
 
Nesse sentido:
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE MANUTENÇÃO DE POSSE.
PRESENÇA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES PARA A CONCESSÃO DA
MEDIDA LIMINAR. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA.
1- Cediço que agravo de instrumento é um recurso por meio do qual se aprecia
o acerto ou desacerto da decisão agravada, sendo vedado analisar matéria que
não tenha sido apreciada pelo julgador singular, sob pena de supressão de
instância. 2- Presentes os requisitos autorizadores para a concessão da liminar
de manutenção de posse, de acordo com o artigo 927 do CPC/73, deve ser
mantida a decisão agravada. 3- Deixando o agravante de apresentar
argumentos e provas suficientes de sua alegação, a medida que se impõe é o
desprovimento do agravo de instrumento. AGRAVO DE INSTRUMENTO
CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJGO; AI 0245630-16.2016.8.09.0000;
Trindade; Sexta Câmara Cível; Rel. Des. Marcus da Costa Ferreira; DJGO
07/03/2017; Pág. 61)
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. POSSE. BENS IMÓVEIS. AÇÃO DE
MANUTENÇÃO DE POSSE. DEFERIMENTO DA TUTELA.
PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DOS ARTS. 300 E 561, AMBOS DO
CPC/15. DECISÃO MODIFICADA.
O deferimento de medida liminar de natureza possessória, no contexto do
procedimento especial previsto nos artigos 554 e seguintes do CPC/15, passa
pela comprovação dos requisitos do artigo 561 do mesmo diploma processual,
o que ocorreu no caso concreto. Havendo a discussão da posse por parte do
agravado em ação de reintegração de posse ajuizada contra a pessoa que
vendeu a posse há mais de 2 anos ao autor/agravante, cabe a manutenção da
posse em favor do recorrente. Deram provimento agravo de instrumento.
Unânime (TJRS; AI 0259612-79.2017.8.21.7000; Porto Alegre; Décima Sétima
Câmara Cível; Rel. Des. Giovanni Conti; Julg. 14/12/2017; DJERS 29/01/2018)  
 
 
Destarte, pede-se o deferimento de medida liminar de manutenção de posse, sem
a oitiva prévia da parte contrária, a ser cumprida por dois oficiais de justiça,
facultando-lhes a utilização de força policial e ordem de arrombamento.
 
Subsidiariamente (CPC/2015, art. 326), caso assim não entenda Vossa
Excelência, o que se diz apenas por argumentar, de já a Autora destaca o rol
de testemunhas, para eventual hipótese de audiência prévia de justificação
(CPC/2015, art. 562, segunda parte):
 
1) Fulano das Quantas, casado, corretor de imóveis, residente e domiciliado na
Rua Xista, nº. 4455, em Cidade (PP);
 
2) Beltrano das Quantas, casado, corretor de imóveis, residente e domiciliado
na Rua Xista, nº. 4455, em Cidade (PP).
 
Requer-se, ainda no importe de pleito supletivo, a citação do Réu para
comparecer à audiência de justificação (CPC/2015, art. 562, segunda parte), bem
assim a intimação das testemunhas, para essa finalidade processual.
 
3.5. Pedido cominatório de multa (CPC/2015, art. 555, parágrafo único, inc.
I)
 
Com a finalidade de se evitar novas turbações do Réu, pede-se a imposição de
pena cominatória de R$ 1.000,00 (mil reais), por cada nova turbação
constatada.
 
IV – DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS 
POSTO ISSO,
 
sobremaneira porquanto a petição inicial se encontra instruída, a Autora solicita
que Vossa Excelência se digne de tomar as seguintes providências:
 
a) após cumprida a medida liminar, instar a citação da Ré para, no prazo de cinco
dias, querendo, contestar a ação (Novo CPC, art. 564);
 
b) pede, mais, sejam julgados procedentes os pedidos, confirmando-se, por
definitivo, a medida liminar, antes conferida, manutenindo aquela na posse;
 
c) condená-la, além disso, a não promover novas turbações, sob pena de
pagamento de multa, por cada uma delas, no importe de R$ 1.000,00 (mil reais);
 
d) outrossim, condená-la ao pagamento de honorários advocatícios, custas
processuais, aqueles arbitrados no percentual de 20% sobre o valor da causa
(CPC/2015, art. 85, § 2º).
 
Por fim, entende a Autora que o resultado da demanda prescinde de produção
de provas, máxime em conta do contundente acervo probatório, de pronto
carreado com a inaugural.
 
Todavia, ressalva-se, caso esse não seja o entendimento de Vossa Excelência,
o protesto a se provar o alegado por todos os meios de provas em direitos
admitidos, sobretudo com a oitiva das testemunhas ora arroladas, perícia,
depoimento pessoal do Promovido, sob pena, nesse ponto, de confissão.
 
Concede-se à causa o valor de R$ 00.000,00 ( .x.x.x. ), correspondente ao
valor do imóvel em questão (CPC, art. 292, inc. III).
 
Respeitosamente, pede deferimento.
 
Cidade, 00 de março de 2018

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