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Colégio Farias Brito - Módulo de Recuperação de Gramática Textual - Dezembro de 2014

Professor elaborador: Aluízio Farias

Aspectos Teóricos

1. As funções morfossintáticas da partícula que

O termo “que” pode pertencer a categorias gramaticais diferentes e exercer funções sintáticas
diferentes.

Vejamos, separadamente, cada uma das funções do que:

a) pronome interrogativo: faz referência a pessoas (substantivo) ou a coisas (adjetivo).

Exemplos: O que ocorreu nesta sala? (substantivo)

Que tema você escolheu? (adjetivo – acompanha o substantivo)

b) pronome relativo: refere-se a um termo anterior.

Exemplo: As crianças que gostam de fabricar seu próprio brinquedo se mostram mais criativas
no futuro.

c) pronome adjetivo indefinido: tem sentido de “quanto”, “quantas”.

Exemplo: Que horas são agora?

d) conjunção coordenativa aditiva: liga orações e tem valor próximo da conjunção “e”.

Exemplo: Diz que diz, mas não faz nada!

e) conjunção coordenativa explicativa: valor próximo de “pois”.

Exemplo: Devemos nos amar, que o ódio consome e destrói a alma.

f) conjunção subordinativa integrante: introduz oração subordinada substantiva.

Exemplo: Ficou claro que você não vai mais discutir o mesmo assunto.

g) conjunção subordinativa causal: valor próximo de “porque”.

Exemplo: Corram, que o tornado está próximo da nossa cidade!

h) conjunção subordinativa temporal: valor próximo de “desde que”.

Exemplo: Cinco anos passaram que dali fomos embora.

i) conjunção subordinativa concessiva: valor próximo de “embora”, “ainda que


Exemplo: Que não gostem de nosso companheirismo, continuaremos unidos!

j) conjunção subordinativa consecutiva: exprime consequência.

Exemplo: Tanto pediu que foi atendido.

k) Substantivo: quando se refere à própria partícula “que”. Vem acentuado por ser
monossílabo tônico, acompanhado ou de artigo ou de palavra com valor de adjetivo.

Exemplo: Este livro tem um quê de instigação e mistério.

l) Interjeição: exprime surpresa, espanto e vem acentuado.

Exemplo: Quê! Você foi ao casamento?

m) partícula de realce: não prejudica a estrutura sintática se retirado.

Exemplo: Que vontade que tenho de conversar com você às vezes.

n) preposição: substitui a preposição “de” quando acompanhada dos verbos ter e haver.

Exemplo: Tenho que vestir algo apropriado.

Há que se perceber o equívoco.

2. As funções morfossintáticas da partícula se

a) substantivo: quando nos referimos ao próprio termo.

Exemplo: O se pode ser empregado de várias formas.

b) pronome apassivador: quando forma a voz passiva pronominal ou sintética oriundas de


frases com sujeito.

Exemplo: Formaram-se vários times. = Vários times foram formados.

c) índice de indeterminação do sujeito: não possui função sintática, acompanha verbos que
não admitem voz passiva.

Exemplo: Aspira-se uma vida melhor no futuro.

d) pronome pessoal reflexivo com função de objeto direto e indireto.

Exemplos: Ela machucou-se com o canivete do pai.

Ela se vangloria demais.


e) conjunção subordinativa condicional: exprime sentido de condição.

Exemplo: Se quiser ganhar melhor, trabalhe um pouco mais.

f) conjunção subordinada causal: tem sentido de “visto que”, “já que”.

Exemplo: Como você disse que eu iria, se sabia que não era verdade?

g) pronome recíproco: tem sentido da expressão “um ao outro”:

Exemplo: As meninas deram-se as mãos com muito carinho.

h) pronome de realce: acompanham verbos de movimento ou que exprimem ações do corpo


da própria pessoa. (ir-se, chegar-se, rir-se, sorrir-se, etc.)

Exemplos: Passaram-se poucos minutos da sua partida.

Foi-se o tempo em que não preocupávamos com nossos filhos.

3. As funções morfossintáticas da partícula como

Algumas vezes o uso da palavra COMO pode confundir, devido às diversas funções sintáticas


e semânticas que ela pode assumir. Vejamos aqui algumas delas:

a) Verbo COMER, conjugado na 1ª pessoa

Exemplo: Eu como  frutas e verduras  todos os dias.

b) Advérbio Interrogativo de Modo: Nesse caso, aparecerá sempre em início de frases


interrogativas diretas, e irá se referir ao modo do verbo.

Exemplo: Como chegaremos cedo à escola?

c) Advérbio Exclamativo de Intensidade: servirá para intensificar a ação verbal.

Exemplo: Como todos aqui são estudiosos!

d) Preposição: a preposição COMO tem o significado de: na qualidade de, com caráter de, na


posição de.

Exemplo: Como professor de português, eu tenho o dever de ajudá-los..

e) Palavra explicativa: quando está introduzindo uma explicação ou exemplificação e tem o


sentido de: a saber, assim como, isto é.

Exemplo: Algumas pessoas tem dons muito especiais, como o médico, a enfermeira, o


bombeiro, etc.
f) Palavra de realce: quando é utilizado para realçar algum termo da frase, é opcional e pode
ser retirado sem prejudicar a estrutura sintática.

Exemplo: Sentiu como se uma pessoa estivesse seguindo seus passos.

 g)    Conjunção Subordinativa: serve para introduzir as Orações Subordinadas, e assume


alguns significados diferentes, dependendo da oração da qual faz parte:

I. Adverbial temporal: pode ser substituída por quando ou logo que.

Exemplo: O artista, como ouviu aplausos, entrou em cena rapidamente.

II. Adverbial Causal: assume a mesma função do por que.

Exemplo: Como foi visto entrando na loja, o ladrão desistiu do roubo.

III. Adverbial Comparativa: é a função mais recorrente.

Exemplo: Ela era branca como o pai, mas os cabelos eram negros como os da mãe.

IV. Adverbial Conformativa: tem valor de conforme.

Exemplo: Como sairemos tarde, chegaremos atrasados.

V. Substantiva Integrante: assume o valor de uma Conjunção Integrante.

Exemplo: Veja como eles são estudiosos.

h)   Conjunção Coordenativa: serve para introduzir as Orações Coordenadas, e assume o


valor de uma conjunção aditiva:

Exemplo: Tanto a filha como o pai são torcedores do mesmo time.

Exercícios de Classe

1. “Nos perigos grandes, o temor é maior muitas vezes que o perigo”. A palavra destacada é:

a) conjunção subordinativa consecutiva

b) pronome interrogativo

c) pronome relativo

d) conjunção subordinativa comparativa  

e) conjunção subordinativa causal.


2. Analise atentamente os fragmentos a seguir, apontando a função morfológica a que
pertence o elemento linguístico evidenciado: 

a) “Vem caindo devagar

Tão devagar vem caindo

Que dá tempo um passarinho...”

____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

b) “Bebi o café que eu mesmo preparei”... e... “pensando na vida e nas mulheres que amei”.     

____________________________________________________________________________
________________________________________________________________________ 

c) “Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças”.

____________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

3. Bem desventurado seria ele, se tivesse de ganhar o pão com o que aprendera na academia.

a) pronome pessoal oblíquo

b) conjunção condicional

c) pronome relativo

d) objeto direto

e) objeto indireto

4.   Esposamos a ideia de que os sofrimentos atuais possuem uma significação que transcende
a crise civilizacional.

Com relação à frase transcrita, analise as afirmativas a seguir:

I. O primeiro que  é uma conjunção integrante e serve para articular um complemento oracional


ao substantivo abstrato ideia.

II. O segundo que  é um pronome interrogativo cujo uso se justifica em razão da seguinte


pergunta: que significação transcende a crise civilizacional?

III. As duas ocorrências de que promovem a estruturação do período composto, já que


introduzem a oração subordinada substantiva e a subordinada adjetiva, respectivamente.

Assinale:
A) se somente a afirmativa I estiver correta.

B) se somente a afirmativa II estiver correta.

C) se somente a afirmativa III estiver correta.

D) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Texto para questões 5 e 6

VISTA CANSADA

Acho (a) que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta (b)
como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro
escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de
despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira (c) que o Hemingway tenha
acabado (d) como acabou.

(e) Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é
só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não
vendo. Experimente ver pela primeira vez o (f) que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas
não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da
nossa rotina é (g) como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que
é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um
profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava
sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado
ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.

(h) Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia.
Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar
estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência.
O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas,
bichos. E vemos? Não, não vemos.

Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o
espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há
pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas.
Nossos olhos (i) se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que (j) se instala no coração o
monstro da indiferença.
RESENDE, Otto Lara. Disponível em: http://www.releituras.com/olresende_vista.asp Acesso em: 21 dez. 2010.
(Adaptado)

“...que olhava cada coisa à sua volta...”

“...que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório.”

5. Quanto às classes de palavras, os elementos destacados nas passagens acima são,


respectivamente:

A) conjunção e pronome relativo

B) pronome indefinido e conjunção

C) pronome relativo e advérbio

D) preposição e conjunção

E) partícula de realce e preposição

6. Indique a função morfossintática das palavras destacadas no texto:

a) _______________________________________

b) _______________________________________

c) _______________________________________

d) _______________________________________

e) _______________________________________

f) _______________________________________

g) _______________________________________

h) _______________________________________

i) _______________________________________

j) _______________________________________

7. Analise o código em referência, atribuindo-o corretamente, tendo em vista as orações


propostas:

A – Conjunção subordinativa integrante


B – Conjunção subordinativa condicional

C – Partícula apassivadora

D – Pronome reflexivo

E – Partícula integrante do verbo

( ) A maioria dos alunos se queixaram do professor.

( ) Irei à festa, se você resolver acompanhar-me.

( ) Jamais soube se isto era mesmo verdade.

( ) Alugam-se apartamentos para temporada.

( ) Ela se atrapalhou durante a explicação.

8. Qual é a função do SE em “Não sei se ela vem”?

a) conjunção subordinativa condicional.

b) conjunção subordinativa integrante.

c) partícula expletiva (de realce).

d) pronome pessoal.

e) conjunção subordinativa concessiva.

9. “Se dependesse de mim, haveria até mesmo descontos para a compra de livros e banda
larga de internet”. A palavra destacada exprime a circunstância de:

a) Explicação

b) Concessão

c) Oposição

d) Condição

e) Reflexivo
10. No período “Avistou o pai, que caminhava para a lavoura”, a palavra “que” classifica-se
morfologicamente como:

a) conjunção subordinativa integrante.

b) conjunção subordinativa final.

c) pronome relativo.

d) partícula expletiva.

e) conjunção subordinativa causal.

11. Indique o valor morfológico do «que» nas orações abaixo:

a) Ele decidiu não se sabe bem o quê. ____________________________________

b) Que pretende ele com essas palavras? ________________________________

c) Ele confundiu o meu quê com um gê.__________________________________

d) Que horrendo acidente vimos!_______________________________________

e) Eu que trabalho, ele que colhe os frutos._______________________________

f) Que morenas bonitas! _____________________________________________

g) Veio tão rápido, que nos surpreendeu. _________________________________

h) O relógio que está na sala é antigo. ___________________________________

i) Quê!? Ele não te recebeu!? _________________________________________

j) Pode entrar, que a casa é sua. _____________________________________

k) Afinal, que decisão tomastes? _____________________________________

l) O certo é que a melhor equipe vencerá. _____________________________

12. Indique a função sintática do «que», de acordo com o seguinte código:

a) sujeito; b) objeto direto: c) objeto indireto; d) predicativo; e) complemento nominal.

a) ( ) O fins a que visa o ensino é o progresso do homem.


b) ( ) O artilheiro que o julgaram ser não se revelou na nossa equipe.

c) ( ) À janela, que dava para o mar, assomavam todos.

d) ( ) A prova de que tenho mais receio é a de Matemática.

e) ( ) Os exames que terá pela frente não o assustam.

13. Numere a segunda coluna de acordo com a classificação da palavra “se”.

I. Partícula apassivadora

II. Símbolo de indeterminação do sujeito

III. Conjunção subordinativa integrante

IV. Conjunção subordinativa condicional

V. Pronome oblíquo reflexivo

VI. Partícula integrante do verbo

VII. Partícula expletiva ou de realce

a.( )Não me disseram se ela fará a conferência.

b.( )Se puderes, vem ver-me.

c.( )O rapaz feriu-se.

d.( )Fala-se muito nesse assunto.

e.( )Nunca se queixou da injustiça que lhe fizeram.

f.( )Percebe-se que tudo está terminado.

g.( )João e Maria abraçaram-se.

h.( )Ela se atribui méritos que não possui.

i.( )Aqui não se necessita de conselhos.

j.( ).Neste clube, não se aceitam mais sócios

14. Faça a correlação, de acordo com as seguintes opções:

a) Objeto direto; b) Objeto indireto; c) Pronome apassivador;


d) Índice de indeterminação do sujeito; e) Partícula expletiva ou de realce.

1. ( ) Aqui se vive tranquilo. 4. ( ) Ergueu-se acima da multidão.

2. ( ) Passaram-se vários anos. 5. ( ) Pedro enxugou-se com muita pressa.’

3. ( ) As dívidas iam se acumulando. 6. ( ) Ela atribui-se uma culpa que não tem.

15. Indique o período em que o «se» funciona como sujeito:

a) Lutou-se bravamente b) Agitam-se as ondas do mar.

c) A moça sentiu-se desfalecer lentamente.

d) Sabe-se que hoje não mais choverá.

e) Esses homens se odeiam.

16. Na oração: «Tem-se a vaga impressão de que eles não receberam o recado, o «se» exerce
a função de:

a) partícula apassivadora e «impressão» é sujeito.

b) é índice de indeterminação do sujeito.

c) é expletivo e «impressão» é objeto direto de espontaneidade.

d) objeto direto reflexivo.

e) partícula idiomática.

17. Mas se tu queres / Melhor morada, /Vem, minha amada, / Que eu te darei.

O termo destacado em «que eu te darei» é:

a) conjunção explicativa.

b) conjunção conclusiva.

c) pronome relativo.

d) conjunção final.

e) conjunção integrante.
18. “Minha   querida Mariana:

           Só hoje consegui autorização da tua Madre Superiora para te escrever, às


escondidas de teus pais e meu marido, que  embora não te conheça a ti não pode de ti
ouvir, sem raiva, certamente pela amizade  que sabe eu te dedicar e isso o enfurece (...)“.
(Trecho de Novas Cartas Portuguesas)

Observando-se a natureza morfológica e a função sintática dos termos em destaque correto


afirmar que são, respectivamente:

a) conjunção integrante e sujeito; pronome relativo e objeto direto.

b) pronome relativo e sujeito; pronome relativo e objeto direto.

c) conjunção integrante e objeto direto; conjunção integrante e sujeito.

d) pronome relativo e sujeito, pronome relativo e sujeito.

19. Algumas vezes o emprego do “se” causa ambiguidade. Explique os sentidos possíveis
para as frases abaixo:

a) Feriram-se os soldados daquele batalhão.

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b) Transportou-se o poeta para uma remota tarde de dezembro.

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c) Convidaram-se os amigos para aquele encontro memorável.

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20. Indique as funções morfológicas da palavra como nas sentenças abaixo:

a) Como vai você? Eu preciso saber da sua vida.

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b) Como foi dito antes, não haverá aula.

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c) Eu, como filho mais velho, devo agir com mais responsabilidade.

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