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Nome: Karoline Sousa Moreira

O texto apresenta os argumentos de Clifford no texto ‘‘A Ética da Crença’’ sobre sua tese de
que é errado em todo lado, para qualquer pessoa, acreditar seja no que for com base em indícios
insuficientes.

O autor começa narrando uma história de um armador que preparava para enviar um
navio ao mar com emigrantes. Ele sabia que o navio tinha problemas de infraestrutura e por isso
não teria boas condições de navegar. Porém, ele tinha convicções profundas de que o navio não
iria afundar e se sentia mal ao pensar na possibilidade disso ocorrer. Ele resolveu seguir suas
convicções e optou por fazer a viagem. A conseqüência disso foi o naufragamento do navio.

Clifford fala que o armador não tinha o direito de ter a crença de que o barco não iria
afundar, pois essa crença não era devidamente justificada. Para dizer que o armador tem o direito
de acreditar que algo é verdadeiro, é necessário que ele tenha evidências que sustentam suas
crenças. Mesmo que elas fossem verdadeiras sem evidências, ele ainda não teria o direito de
acreditar nelas; o que importa é ter uma justificação adequada.

Foi levantado também que não se poderia condenar apenas ação do armador e
desconsiderar a crença indevida. Em casos onde se tem uma convicção profunda que algo é
verdadeiro, sua investigação tenderá a ser extremamente imparcial. Isso torna a ação
completamente interligada com a crença, não podendo assim condenar uma e ignorar a outra.

Clifford também fala que outra maneira das crenças infundadas influênciarem
negativamente é com elas afetando outras crenças futuras que poderão estar ligadas a elas. Não
existe crença fragmentária e isolada, todas as crenças estão indiretamente juntas.

Outro problema é como as crenças mal formadas de um indivíduo influenciam


negativamente outros indivíduos. Por exemplo, se uma pessoa acredita que leite batido com
manga faz mal e essa repassa para os seus semelhantes, estará fazendo com que a sociedade se
rodeie de crenças falsas que atrapalharão outras gerações até que surja alguém com o
conhecimento adequado e quebre com esse paradigma. Poderia também citar como exemplo real
um experimento científico realizado com macacos que funcionou da seguinte maneira: Se colocou
cinco macacos em uma jaula, cada vez que um macaco tentava subir a escada, os outros quatro
eram molhados e acabavam associando diretamente o ato de molhar com o subir nas escadas.
Passado o tempo, os cientistas foram trocando aos poucos os macacos da jaula e estes também
repetiam o comportamento do grupo. No final, mesmo os macacos novos nunca tendo sido
molhados, ainda sim não subiam na escada para pegar as bananas e batiam em quem tentava
subir. Paralelamente, a nossa sociedade forma crenças se apoiando fortemente naquilo que o
grupo a sua volta acredita. Toda vez em que uma pessoa forma uma crença infundada em algo,
estará correndo um grande risco de iniciar um novo ciclo de ataques sobre aqueles que sobem as
escadas para pegar as bananas, ou seja, dando voz a um paradigma mal formado.
As pessoas buscam formar crenças pelo prazer de se acreditar e não pelo fato de se
assegurar que a crença é realmente verdadeira ou não. Isso para Clifford é uma atitude cruel e
impensada, pois ao se fazer isso poderá estar destruindo toda a sociedade compartilhando idéias
que não correspondem com a realidade. Podemos ver isto quando um pastor pede dinheiro para a
igreja prometendo ao fiel que todos os seus problemas financeiros seriam sanados. Pensando que
esse fiel é alguém pobre e entrega tudo aquilo que tem com a esperança que realmente receberá
seu retorno por parte de Deus, este ficará totalmente prejudicado em vários níveis ao se deparar
que suas esperanças eram completamente infundadas. Por mais que acreditar nessa ilusão
pudesse ter feito psicologicamente bem a ele, os prejuízos que isso trouxe foram incontávelmente
piores do que qualquer benefício que esta crença poderia trazer.

Mais um problema social que o autor cita é o perigo de se tornar normal a credulidade
,isto é, formar crenças sem evidências suficientes. Quando as crenças são verdadeiras por vezes é
tentador pensar que não poderá surgir um mal a partir daí, porém já vimos que mesmo nesses
casos não se tem o direito de acreditar quando as crenças são verdadeiras por sorte. Mas, outro
problema que também surge é o fato de que pode se tornar costumeiro ter crenças infundadas, o
que aumentarão as chances das próximas crenças adquiridas serem falsas por também serem mal
formadas. Supondo que uma pessoa jogue pôquer apostando um alto valor financeiro tendo altas
convicções infundadas de que ela irá ganhar, o pior veneno que ela poderá receber é ganhar a
partida. Por mais que a sorte momentânea tivesse ao seu favor, as chances dela ter um alto
prejuízo se alimentando mais ainda de convicções erradas ficam eminentes. Com isso, mais cedo
ou mais tarde ela perderá e afundará nas consequências negativas que isso faltamente irá trazer.

São esses fatores que sustentam a tese do Clifford e confirmam a ideia de que seria errado
ter crenças sem evidencias suficientes para todas as ocasiões.

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