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Lista de abreviatura

ART. -Artigo
CRM- Constituição da República de Moçambique
VOL- volume
DL- decreto-lei
ED- edição
CCOM- Código comercial
PÁG- pagina
OB. CIT- obra citada
CC- Código Civil

ÍNDICE

I
1
Lista de abreviatura.....................................................................................................................I

Introdução...................................................................................................................................1

CAPÍTULO I: CONTEXTUALIZAÇÃO..................................................................................2

1.1 Noção e caracterização.................................................................................................2

2 CAPITULO II: CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES POR QUOTAS.........................4

2.1 Contrato de sociedade..................................................................................................4

2.1.1 Partes do contrato de sociedade............................................................................4

2.2 A participação do menor de idade como sócio............................................................5

2.3 Sociedades por quota entre cônjuges...........................................................................6

2.3.1 Responsabilidade por dívidas resultantes da participação dos cônjuges em


sociedades comerciais.........................................................................................................7

2.4 A forma e o registo.......................................................................................................8

2.5 Personalidade jurídica..................................................................................................9

2.6 O registo.......................................................................................................................9

2.7 O conteúdo...................................................................................................................9

2.7.1 Tipo de sociedade...............................................................................................10

2.7.2 A firma da sociedade art.18⁰..............................................................................10

2.7.3 Objecto social – art.98⁰......................................................................................10

2.7.4 Sede social -art.94⁰.............................................................................................11

2.7.5 Duração...............................................................................................................11

2.7.6 Capital Social......................................................................................................11

2.8 Estatuto das sociedades por quotas............................................................................11

2.9 Sociedades unipessoal por quota................................................................................11

3 CAPITULO III: QUALIDADE DOS SÓCIOS: ENTRADA E DISSOLUÇÃO.............12

3.1 A Qualidade Dos Sócios E O Sócio Remisso............................................................12

3.2 Realização, Libertação, transmissão e amortização da quota....................................14


3.2.1 Realização...........................................................................................................14

3.2.2 Libertação da quota.............................................................................................16

3.2.3 Amortização........................................................................................................17

3.3 Lucro..........................................................................................................................18

3.4 Prestação acessoria.....................................................................................................19

3.5 Exclusão dos sócios....................................................................................................19

Conclusão..............................................................................................................................21

Referência bibliograficas..........................................................................................................23
Introdução
O presente trabalho insere-se na temática de constituição de sociedade por quota, pois a
sociedades por quota é uma pessoa colectiva, constituída por duas ou mais pessoas, que têm a
denominação de sócios, assim, estes tipos de sociedade têm carácter próprio por ter
responsabilidade limitada.
O trabalho em foque, divide-se em três capítulos, no qual o primeiro capítulo abordamos
em torno da contextualização, assim, neste capítulo descrevemos o modo pelo qual as
sociedades por quota tiveram origem, e o enquadramento legal das sociedades por quota, pois,
o principal motivo de surgimento é pelo facto de esta surgir como forma de suprir as lacunas
existentes nas sociedades em comandita e nas sociedades anónimas.
O segundo capítulo é referente a constituição das sociedades por quota, assim, é neste
capitulo que fazemos menção dos sujeitos intervenientes nas sociedades por quota, e de modo
especial fazemos menção da participação do menor e dos cônjuges nas sociedades por quota,
bem como abordamos a questão relacionada ao contrato de sociedade, deste modo
demonstraremos afincadamente o percurso e tramites que a lei impõe para que seja feito um
contrato de sociedade por quota.
O terceiro capítulo do trabalho é referente a qualidade dos sócios: a entrada dos sócios e a
dissolução, neste capítulo fazemos menção das condições para que alguém se torne sócio,
deste modo, demonstramos quais são as formas de transmissão das quotas e as condições
necessárias para que se perca a qualidade de sócio.
O trabalho em análise tem como objectivo geral, compreender o modo pelo qual se
efectua a constituição das sociedades por quota; e como objectivos específicos os seguintes:
 Conhecer o regime jurídico das sociedades por quota no ordenamento jurídico
moçambicano;
 Saber quais são os sujeitos ou intervenientes das sociedades por quota;
 Estar a par das formas de como celebrar os contractos das sociedades por quota e, os
seus respectivos requisitos;
 Demonstrar a qualidade dos sócios nas sociedades por quota;
Para a realização do nosso trabalho, cingimo-nos no uso do método qualitativo, e uso
de pesquisa bibliográfica e documental, pelo facto de recorrermos a manuais diversos, e
documentos que demonstram o modo de constituição das sociedades por quota. O trabalho eta
estruturado em: capa, contracapa, lista de abreviatura, introdução, desenvolvimento,
conclusão e a respectiva referência bibliografia.
1
CAPÍTULO I: CONTEXTUALIZAÇÃO: GRACINDA
Dispondo-se a suprir as deficiências e incompatibilidades das sociedades anónimas e
em comandita, a sociedade por quotas de responsabilidade limitada desenvolveu-se como uma
forma de preencher a lacuna no que se refere a uma disciplina jurídica, que funcionasse como
uma concreta possibilidade de limitação da responsabilidade.1
O código comercial de 1888, de veiga Beirão, não dispunha na sua versão inicial das
sociedades por quotas, ela aparece na nossa ordem jurídica pela primeira vez através da lei
das sociedades por quota de 11 de Abril de 1901. Este tipo societário surge como intermédio
das sociedades em nome colectivo e das sociedades anónimas, por reunir características destas
duas formas societárias. Por isso a doutrina discute a sua natureza, uns a favor da sua
classificação em sociedades de pessoas e outros na sua classificada como sociedade de
capitais. E há ainda a posição discriminatória, que procura a conformação com a história,
desta posição resultaria que algumas sociedades por quota são de pessoas e outras de capitais.
Não se concorda com esta posição, pois a distinção de pessoas e capitais é mero critério
distintivo. O essencial é a compreensão do seu regime como uma mistura de características de
dois extremos, com vista a dar maior flexibilidade e vantagens ao tipo societário.2

1.1 Noção e caracterização

O seu capital esta dividido em quotas, e os sócios são solidariamente responsáveis por
todas as entradas convenientes no pacto social. De forma directa o sócio responde pela
realização integral da sua quota que subscreveu, mas de forma subsidiária responde da
integralização de todo o capital social na medida em que os demais sócios não o façam, nos
termos do no 1do artigo293o em conjugação com o no 1do artigo 283o do código comercial, os
sócios são solidariamente obrigados a pagar a parte da entrada que estiver em divida.3

Uma novidade consagrada pelo legislador, tem a ver com o disposto no artigo, 287 do
Ccom, nos termos deste artigo, pode-se admitir no contrato de sociedade que um ou alguns
sócios respondam perante os credores sócias solidária ou subsidiariamente para com a
sociedade ate certo montante. Esta responsabilidade é pessoal e subsiste enquanto o sócio
responsável pertencer a sociedade e não é transmissível mortis causa.
1
JUNIOR, Manuel Guilherme, manual de direito comercial moçambicano, Vol. I, Escolar editora, Maputo,
2013. Pág. 180.
2
Idem, Pág.181
3
O sócio que não realizou pontualmente a sua quota, é designado por sócio remisso, e deve ser interpelado pela
administração para realizar no Prazo de 30 dias e responde pelos juros, e demais prejuízos qu7e venham a causar
a sociedade pelo seu incumprimento.
2
Esta consagração aparece como excepção á regra neste tipo societário segundo o qual só
o património responde para com os credores pelas dívidas das sociedades. Nas sociedades por
quota, o capital é dividido em quotas e corresponde sempre ao somatório dos valores
nominais das quotas dos sócios, que não podem ser mais do que trinta. Não são admitidas
contribuições de indústria, isto é, não admite sócio de indústria. 4

O legislador através do DL no 2/2009 de 24 de Abril, retirou a exigência de capital


mínimo exigível para a sua constituição que era de vinte mil meticais. Teve-se por um lado, o
cuidado de garantir que sejam os próprios sócios a estabelecer o capital necessário e suficiente
para a prossecução do objecto social, terá de se tomar sempre em conta o objecto que se
pretende perseguir para a prossecução do capital social. Deste modo caberá a entidade
competente para o registo aferir a objectividade que estabelece entre o objecto e o capital
social proposto pelos sócios.5

Nos termos do artigo 32 do Ccom, refere que as sociedades por quota têm a designação
ou nas firmas de sociedade por quota devem conter o aditamento limitada ou abreviadamente
Lda. E nas sociedades unipessoais, conforme ilustra o artigo 33 do Ccom, as firmas devem
conter o aditamento sociedade unipessoal limitada, ou abreviadamente sociedade unipessoal
Lda. Uma sociedade por quota pode ser também unipessoal, quando é constituída com apenas
um sócio, detentor da totalidade do capital social.

A principal diferença de uma sociedade unipessoal por quota, e na sociedade por


quotas, reside precisamente no número de sócios, em termos práticos a sociedade unipessoal
por quotas reside num modelo de uma empresa individual, e as sociedades por quota residem
num modelo de uma empresa colectiva. 6

4
JUNIOR, Manuel Guilherme, manual de direito comercial moçambicano, Vol. I, Escolar editora, Maputo,
2013. Pág. 182
5
Idem. Pág. 182
6
COSTA, Nelson, finanças pessoais, disponível em: https://www.e-konomista.pt/sociedade-por-quotas/ : acesso
aos: 01-10-2019.
3
2 CAPITULO II: CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES POR QUOTAS
As sociedades comerciais quer por quotas ou qualquer outra, constituem-se através de
Contratos de Sociedade e os respectivos Estatutos.
2.1 Contrato de sociedade
Nos termos do art. 980° do CC, o contrato de sociedade é aquele que duas ou mais
pessoas se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício em comum de certa
actividade económica, que não seja de mera fruição, a fim de repartirem os lucros resultantes
dessa actividade.7
2.1.1 Partes do contrato de sociedade LAZIA
Partes são intervenientes directos, sujeitos activos da relação. É a pessoa física que por
si própria ou devidamente representada, vem ao processo, ao tribunal formulando a sua
pretensão ou contrariando a pretensão de outrem, na defesa dos seus direitos e interesses
protegidos pela lei.8
Assim, podem ser partes em contrato de sociedade por quotas todas as pessoas:
singulares ou colectivas. Dada sua responsabilidade limitada, desaparecem aqui as prevenções
relativas às sociedades em nome colectivo, que apresentam especificidades no tocante à
participação dos cônjuges (art.11⁰do Ccom), ou à aquisição de posições em sociedades de
responsabilidade ilimitada, a autorizar pelo contrato. A acessibilidade das sociedades por
quotas é uma vantagem.9
O Código comercial é claro, o seu art. 288, fixa um número máximo de trinta sócios.
Nenhum acto que tenha por efeito fazer com que uma sociedade por quotas tenha mais de
trinta sócios produz quaisquer efeitos em relação a sociedade enquanto não tiver sido
transformada, por deliberação dos sócios, em sociedade anónima. Se o facto determinante de
número de sócios passar o limite fixado for mortis causa, os sucessores poderão requerer ao
tribunal que fixe um prazo razoável, sob pena de dissolução, para ser deliberada a
transformação em sociedade anónima.10
Com base no n 1 do art. 91 do Ccom, o limite mínimo é de dois sócios, salvo quando a
lei exija número superior ou permita que a sociedade seja constituída por um só socio.

7
REPÚBLICA DE MOCAMBIQUE, decreto-lei no 47344 de 25 de Novembro de 1966, Código Civil,
(actualizado).
8
TIMBANE, Tomas, lições de processo civil, Escolar editora, Maputo, 2010, pág.287.
9
CORDEIRO, António Menezes, Manual de Direito das Sociedades II – das Sociedades em especial, 2a
Edição, Almedina, Coimbra, 2007, pág. 249.
10
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
4
Contam como um só sócio as pessoas singulares ou colectivas, cuja participação for adquirida
em regime de contitularidade11. A lei admite sociedade unipessoal por quotas.12
Segundo n 1 do art. 328 do Ccom, qualquer pessoa singular pode constituir uma
sociedade por quotas de cujo capital, que constitui uma única quota, seja inicialmente o único
titular, que se rege pelas disposições deste capítulo e, com as necessárias adaptações, pelas
disposições aplicáveis ás sociedades por quotas.13

Todavia, a sociedade unipessoal por quotas corresponde a um tipo específico ou


subtipo, com regras próprias, incluindo a firma onde figure, antes de “Limitada” ou “Lda.”, a
palavra unipessoal, art. 33⁰ Ccom. Resta concluir que, a menos que haja optado por uma
sociedade unipessoal, com firma e regras próprias, estatutos adoptados e regras específicas, a
sociedade por quotas deve constituir-se com pelo menos, dois sócios, e devera mantê-los.14

2.2 A participação do menor de idade como sócio


A sociedade por quotas admite a participação como sócio de menor de idade, ainda que
não emancipado ou não autorizado a exercer o comércio, nos termos do artigo 10 do Ccom,
por tanto, a sua participação esta condicionado a realização integral do capital social e a
limitação de não poder fazer parte dos órgãos de administração da sociedade.
Se atentarmos ao que dispõe os artigos 132o a 137o do cc, e ao que dispõe o artigo 10 o do
Ccom, conclui-se nas duas circunstâncias, quer na emancipação quer na autorização para o
exercício do comércio, o legislador estabelece como idade mínima dezoito anos o que não
estabelece no art. 285o do Ccom. Disto resulta que o legislador queria regular de modo
especial a participação do menor de dezoito anos na sociedade como sócio
independentemente das circunstâncias previstas quer no no1 do art. 10o do Ccom, como da
emancipação para efeitos de participação na sociedade.
Tradicionalmente sempre houve dificuldade em admitir a participação do menor porque
seria a sociedade um negócio de risco uma vez que em regra não se pode dispor dos bens do
menor o que implicaria a não disposição da sua participação na sociedade. 15

2.3 Sociedades por quota entre cônjuges


11
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
12
CORDEIRO, António Menezes, Manual de Direito das Sociedades II – das Sociedades em especial, 2a
Edição, Almedina, Coimbra, 2007, pág. 249
13
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
14
CORDEIRO, António Menezes. Ob. Cit.pág. 249
15
Idem. Pág. 249.
5
Qualquer dos cônjuges, independentemente da autorização do outro pode exercer a
actividade empresarial, nada obstara que eles constituam uma sociedade por quotas nos
termos do artigo 284o do Ccom.

Relativamente ao exercício singular do comércio a luz do art. 11° do Ccom, não se


colocam grandes dúvidas uma vez que a lei reserva o direito de o outro cônjuge poder opor-se
aos actos que julgar prejudiciais ao património do casal. De igual modo, pelas obrigações
mercantis que contrair o cônjuge separado legalmente de pessoas e bens, ou simplesmente de
bens, respondem todos os seus bens não dotais, podendo, para actos de comércio, empenhá-
los, vende-los, hipotecá-los e aliená-los de qualquer forma, sem autorização do outro cônjuge.
Durante muito tempo, defendeu-se a impossibilidade de constituição de uma sociedade entre
cônjuges. O CC, tinha na sua versão original de 1966, algo que se podia considerar poder
paternal associado à ideia de que o marido era chefe de família e a esposa devia submeter-se.
Assim, a criação de uma sociedade entre eles é guiada por princípios democráticos como a
votação em assembleia geral.16

Na nossa opinião, acertadamente o legislador não discriminou a natureza das


responsabilidades dos sócios na sociedade em função do estado civil dos mesmos 17. No
entanto, algumas questões podem-se levantar relativamente ao que dispõe o art. 284 o do
Ccom. Nos termos deste artigo, não importa o regime de bens do casamento.

Na verdade, os lucros provenientes do exercício da empresa comercial serão


quinhoados entre os sócios. No caso vertente, os sócios são os cônjuges casados em regime de
comunhão geral dos bens e como tal, o património comum é constituído por todos os bens
presentes e futuros que não sejam exceptuados por lei. Ora, uma vez existir bens que não
compõem o património comum quais sejam, o usufruto, o uso ou habitação, e demais direitos
estritamente pessoais, entre outros previstos no art. 152o da lei n°10/2004 de 25 de Agosto -
Lei da Família, o cônjuge detentor destes direitos poderá usa-los para comparticipar na
sociedade. Os frutos que derivam dos bens próprios, são comunicáveis, ou seja, os dividendos
que resultarem da participação do cônjuge sócio através de bens incomunicáveis na sociedade,
passam a ser bens comuns do casal atento ao que dispõe o n° 2 do art. 152o da lei da Família.18

16
JUNIOR, Manuel Guilherme, manual de direito comercial moçambicano, Vol. I, escolar editora, Maputo,
2013. Pág. 184.
17
Nos termos do artigo 35 da CRM, todos os cidadãos têm direito, sem discriminação da cor, raça e filiação
política.
18
JUNIOR, Manuel Guilherme. Ob. Cit. Pág. 185
6
Quanto à contitularidade ou não da quota e por isso inexistência do preenchimento do
elemento pessoal, relevante para a constituição de sociedade por quotas pluripessoal, importa
dizer que o casamento ainda que em regime de comunhão geral de bens não põe em causa a
natureza individual da personalidade. O único problema que a comparticipação dos cônjuges
coloca, é relativamente ao próprio património que no final de contas pertence a uma mesma
unidade “família”. Desse facto, entendemos que até traz maiores vantagens para terceiros e/ou
credores sociais que encontram na confiança presumida dos cônjuges uma garantia do fim
comum do exercício da empresa comercial.

Por fim, há sim o elemento pessoal preenchido e no caso em apreço, com dois sócios que
embora cônjuges, serão regidos pelo que é aplicável aos sócios de uma sociedade por quotas
em geral.19

2.3.1 Responsabilidade por dívidas resultantes da participação dos cônjuges em


sociedades comerciais ; MARCELA

Por um lado, há dívida que pode ocorrer do seu compromisso de participar em capital
para uma sociedade, por outro, as dívidas que os sócios são responsáveis nas sociedades de
responsabilidade limitada ou nas sociedades por quotas quando este assuma para além do
capital social, outras responsabilidades até certo montante nos termos do art. 287o do Ccom.

Em geral, qualquer dos cônjuges pode sem autorização do outro, fazer-se sócio de uma
sociedade comercial e por isso, realizar a sua entrada com bens de que possa dispor
livremente. A única questão é a de saber se, pelas obrigações assumidas, responde também o
outro cônjuge. Parece-nos que a ideia do proveito comum do casal propalada no âmbito do
direito da família terá seu lugar também aqui. É que, se a dívida foi contraída no interesse e
proveito comum do casal não parece razoável que tal não seja responsabilizado o outro
cônjuge pelo cumprimento. Ademais, a ideia de desconhecimento de terceiro do acto
praticado no âmbito do exercício da empresa e sobretudo quando no interesse comum do casal
surge a possibilidade de poder encontrar maior campo de protecção através da
responsabilização do outro cônjuge.20

Relativamente às dívidas resultantes da sua qualidade de sócio em sociedades de


responsabilidade ilimitada, há cautelas a tomar. O legislador não é claro sobre o regime e

19
Idem.Pág. 186
20
JUNIOR, Manuel Guilherme. Ob. Cit. Pág.187
7
muito menos sobre a comunicabilidade dessas dívidas. Na verdade, porque quem entra numa
sociedade de responsabilidade ilimitada muitas vezes perde o controlo da situação, a
responsabilização do outro cônjuge sem maior cautela, sujeitaria a este a um risco
imponderável. Contudo, parece que a solução anterior também se aplica neste caso com a
excepção de não proveito comum mais acentuada neste caso. No entanto, haverá igualmente
de se verificar para cada um dos actos em concreto o seu relevante proveito comum do casal.

2.4 A forma e o registo

As sociedades por quotas seguem o regime geral da redução a escrito com as


assinaturas dos subscritores reconhecidos presencialmente.21

O art. 90° do Ccom prevê que o contrato de sociedade é celebrado por documento
escrito assinado por todos os sócios, ou seus representantes legais com assinatura
notarialmente reconhecida por semelhança. O contrato de sociedade é celebrado por escritura
pública, no caso em que a realização do capital social seja feita em espécies por transferência
de bens imóveis para a titularidade da sociedade.22

A escritura pública é o nome atribuído às formalidades associadas à validade e


exequibilidade de determinada classe de actos ou contratos em Moçambique. A teoria por de
trás da lei baseasse no facto de que alguns actos ou contratos implicam determinadas
consequências e as pessoas precisam de ser alertadas para o significado dos seus actos. Por
está razão a lei insiste no cerimonial e na participação do Notário. Como a lei considera a
constituição de uma sociedade um acto que acarreta consequências, o mesmo só pode ser feito
por escritura pública – neste caso, uma escritura pública de constituição de sociedade.23

2.5 Personalidade jurídica

A personalidade jurídica é a susceptibilidade de ser titular de direitos e cumpridor


deveres. Assim, o n⁰1 do art.158 do CC prevê que as pessoas colectivas adquirem a
personalidade jurídica através do reconhecimento.

21
Idem, pág. 251
22
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
23
ACIS, O quadro legal sobre a constituição de sociedade comerciais em Moçambique, I edição, Fevereiro,
2005. Pág. 11.
8
O art.86 do Ccom, prevê que as associações comerciais adquirem a personalidade
jurídica a partir da data do respectivo acto constitutivo. 24As sociedades por quotas adquirem a
personalidade plena pelo registo.25

2.6 O registo
O objectivo teórico do registo comercial consiste na publicidade da capacidade legal
dos indivíduos e das sociedades de realizarem actos comerciais, como na publicidade de
certos factos legais relacionados com a vida comercial. O facto de uma pessoa jurídica existir
uma limitada é objecto de um registo comercial. Mas são também objecto de registo
comercial uma série de outros eventos importantes da vida de uma sociedade, tais como o
aumento de capital, a nomeação e a exoneração de cargos societários, a transmissão de quotas
e certas decisões judiciais relacionadas com a sociedade.26

Se a constituição é análoga ao nascimento, o registo comercial inicial é análogo ao


registo de um nascimento nas autoridades públicas.

2.7 O conteúdo; MUANADE

O conteúdo do contrato de sociedade quer por quotas ou outras, encontra-se previsto


no art.92 do Ccom27 que traz:
a) A identificação dos sócios e dos que em sua representação outorgam no acto;
b) O tipo de sociedade, art.82⁰;
c) A firma da sociedade, art.18⁰;
d) O objecto social, art.98⁰;
e) A sede social, art.94⁰;
f) A duração;
g) O capital da sociedade, com indicação do modo e do prazo da sua realização;
h) As participações do capital subscrito por cada um, a natureza da entrada de cada um,
bem como os pagamentos efectuados por cada parte;
i) A composição da administração e da fiscalização da sociedade, nos casos em que a
última deva existir;

24
ACIS, O quadro legal sobre a constituição de sociedade comerciais em Moçambique, I edição, Fevereiro,
2005. pág. 11.
25
CORDEIRO, António Menezes, Manual de Direito das Sociedades II – das Sociedades em especial, 2a
Edição, Almedina, Coimbra, 2007, pág. 251
26
ACIS. Ob.Cit. pág. 18
27
Idem
9
j) Consistindo a entrada total ou parcialmente em espécie, a descrição desses bens e a
indicação dos respectivos valores;
k) A data da celebração do contrato de sociedade.

2.7.1 Tipo de sociedade

Com base no art.82⁰ do Ccom, no caso em concreto estamos perante uma sociedade por
quotas.28

2.7.2 A firma da sociedade art.18⁰ :

Afirma dessa sociedade deve ser formulada, com ou sem sigla, pelo nome ou firma de
todos, algum ou alguns dos sócios, ou por uma denominação particular, ou pela reunião de
ambos esses elementos, mas em qualquer caso concluir apela palavra “limitada” ou pela
abreviatura “Lda.29

2.7.3 Objecto social – art.98⁰

Uma sociedade pode ser registada com um objectivo específico (por exemplo,
turismo) ou com uma variedade de objectivos possíveis. Recomendamos que, onde aplicável,
as sociedades sejam registadas com um amplo conjunto de objectivos. Isto permite a expansão
ou adaptação da sociedade no futuro, considerando que o pedido para qualquer tipo de licença
requer prova de que a sociedade tem capacidade legal para operar num sector específico.30

2.7.4 Sede social -art.94⁰

A sociedade é normalmente registada na cidade provincial onde se localizará a sua


sede. Na maioria dos casos localiza-se na capital provincial.31

2.7.5 Duração
Geralmente por um tempo indeterminado ou indefinitivo, mas é possível que uma
sociedade exista por período de tempo determinado.32

28
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
29
CORDEIRO, António Menezes, Manual de Direito das Sociedades II – das Sociedades em especial, 2a
Edição, Almedina, Coimbra, 2007, pág. 258
30
ACIS, O quadro legal sobre a constituição de sociedade comerciais em Moçambique, I edição, Fevereiro,
2005. pág. 12
31
ACIS, O quadro legal sobre a constituição de sociedade comerciais em Moçambique, I edição, Fevereiro,
2005. Pág. 11
32
Idem. Pág. 12.
10
2.7.6 Capital Social
Este constitui o valor indicado do património com que os sócios contribuíram para a
sociedade, e pode ser realizado em dinheiro, bens ou direitos.33
2.8 Estatuto das sociedades por quotas

A palavra estatuto diferencia-se de contrato social, pode referir-se a uma variedade de


normas jurídicas cuja característica comum é a de regular as relações de certas pessoas que
têm em comum pertencerem a um território ou sociedade. Normalmente, os estatutos são uma
forma de Direito privado.34

Estatuto é um conjunto de normas jurídicas, acordadas pelos sócios ou fundadores, que


regulamenta o funcionamento de uma pessoa jurídica, quer seja uma sociedade, uma
associação ou uma fundação. Em geral, é comum a todo órgão colegiado, incluindo entidades
sem personalidade jurídica. Aqui encontramos a organização da própria sociedade: o nome
dos sócios, o objectivo da sociedade, o capital, e tudo que diz respeita a própria sociedade.

2.9 Sociedades unipessoal por quota

A sociedade unipessoal por quota pode resultar da concentração na titularidade de um


único sócio das quotas de uma sociedade por quota.35Mas também qualquer pessoa singular
pode constituir uma sociedade por quota de cujo capital, que constitui uma única quota, seja
inicialmente o único titular, com base no no 1 do artigo 328 do Ccom.36

3 CAPITULO III: QUALIDADE DOS SÓCIOS: ENTRADA E DISSOLUÇÃO


3.1 A Qualidade Dos Sócios E O Sócio Remisso ; NELITO

O C.com não regula sob ponto de vista de caracterização quem é que pode ser sócio
excepto no que se refere a participação de menor de idade. Tal ausência de tratamento desta
questão é irrelevante ate porque não se justificaria neste lugar a discussão deste aspecto. Sabe-
se, desde logo, e aa luz do que consagra o CC, quem ao os sujeitos das relações jurídicas.37

33
Ibidem. Pág. 13
34
DICIONARIO,conceito de estatuto, in
https://www.google.com/amp/s/www.dicionarioinformal.com.br/estatuto/amp, acesso aos: 24-09-2019
35
ROCHA, José Carlos Gouveia, manual teórico e pratico de notariado, 4ª edição, Almedina editora, Coimbra.
Pág. 366
36
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial)
37
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 188
11
Podem ser sócios, todas as pessoas ou entidades com personalidade jurídica, isto é,
pessoas físicas ou singulares, pessoas colectivas como se depreende de várias disposições
dispersas no C.com salvo restrição especial da lei.38

O professor Oliveira Ascensão, citado por Guilherme Júnior, entende que uma vez que
a C.com não se interessou em compendiar as restrições gerais a capacidade de sócio, parece a
priori que qualquer pessoa funciona como sócio. Caberá porém, as leis que regulam pessoas
em especial determinar quais as restrições a essa participação como sócio em sociedades
comerciais.39

Independentemente de reunir os requisitos gerais e não estar impedido por lei especial,
a qualidade de sócios nasce com a subscrição e a realização de parte do capital social, neste
caso, a quota.40

Nos termos da al. a) do art. 107 do C.com todo o sócio é obrigado a entrar para a
sociedade com bens susceptíveis de penhora ou, tratando-se de sócio de indústria, com
qualquer tipo de serviço.41Para efeitos de sociedade de quotas que não admite sócio de
indústria, todo o sócio deve entrar com bens susceptíveis de penhora e se o sócio não realizar
pontualmente a sua quota dentro do prazo fixado, considera-se sócio remisso42 dando lugar a
responsabilidade dos demais sócios de realizar na proporção das suas participações a parte em
falta, e de forma solidária para com a sociedade.43

O legislador não estabelece, entretanto, se esse incumprimento deverá ser na totalidade


ou por parte do capital subscrito pelo sócio. Prevê apenas no n° 1 do artigo 293° do CCom
que se o sócio não realizar pontualmente a sua quota, no prazo fixado, a prestação a que este
está obrigado, os outros sócios só obrigados, proporcionalmente às suas quotas mas
solidariamente para com a sociedade, realizar a parte em mora.44

A questão do incumprimento total ou parcial, dependerá em grande medida na aferição


do momento em que se deve assumir a qualidade de sócio remisso. Naturalmente que, antes

38
Idem.pág. 188
39
Ibidem, Pág. 188
40
JÚNIOR, Manuel Guilherme. Ob. Cit. Pág. 188
41
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE: Código Comercial de Moçambique, Escolar Editora, Maputo, 2016.
42
Sócio remisso é aquele que não cumpre com a sua obrigação de contribuir para a formação do capital social,
podendo até ser excluido da sociedade.
43
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 189
44
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE: Código Comercial de Moçambique, Escolar Editora, Maputo, 2016.
12
do acto constitutivo não temos no sentido rigoroso, uma sociedade. Logo, não podemos ainda
falar de sócio remisso, isto por um lado. Por outro lado, a aquisição da qualidade sócio com
todos os direitos que dela resultam, depende da participação no capital social quer em bens
susceptíveis de penhora quer em indústria quando admitida.45

Portanto, leva-nos a concluir que estamos por um lado na ficção do termo sócio antes
do acto constitutivo da sociedade o que leva a exigência de realizar da participação a que se
obrigou mas, também, ocorre que a realização pode ter sido em parte na medida em que se
admite o diferimento da prestação ate metade do valor nominal nos termos do art. 292 do
C.com, com as alterações introduzidas pelo DL n 2/2009 de 24 de Abril.46

Disto resulta que, quer na situação anterior ao do acto constitutivo por ficção da
qualidade de sócio ou em momento posterior ainda que na falta da totalidade ou de parte da
participação do sócio respectivamente, estamos perante o sócio omisso.47

Uma vez verificada a situação de mora no cumprimento da obrigação de participação,


a administração da sociedade deve interpelar o sócio em mora concedendo-lhe o prazo de
trinta dias para realizar a quota, no 2 do art. 293 do C.com.48

O legislador estabeleceu um prazo peremptório aplicável a todas as sociedades por


quotas independentemente do valor em mora. Para além do capital vencido, o sócio remisso
responde pelos juros moratórios e ainda pelos demais prejuízos que o seu incumprimento
causar a sociedade e aos demais sócios, no 3 do artigo 293 do C.com.49

Tal sucede para com os administradores prevaricadores, o sócio remisso terá pela sua
actuação a sua responsabilidade os danos que tiver causado a sociedade aos sócios. Ademais,
poderá ficar igualmente privado de exercer os direitos sociais correspondentes a sua quota
enquanto perdurar o incumprimento.

Tal limitação pode afectar por exemplo, o direito de quinhoar nos lucros. Da análise
do n 4 do artigo 293 do Ccom, resulta que tal privação destes direitos não se concretiza
automaticamente pelo incumprimento. A utilização pelo legislador do termo, conduz-nos aa

45
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 189
46
Idem, Pág. 190
47
Ibidem, Pág. 190
48
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE: Código Comercial de Moçambique, Escolar Editora, Maputo, 2016.
49
Idem.
13
situação em que, uma vez estarmos no âmbito da autonomia privada, querendo, os demais
sócios podem não priva-los desse direito.

Casos em que terão assumido a sua obrigação por entenderem útil à sua permanência
na sociedade. Nestas circunstâncias, após notificação do sócio remisso adquirem aqueles
sócios a parte do capital do sócio remisso sem direito de este último reaver as mesmas e serão
acrescidas as suas participações anteriores.50

Especial atenção deve ser dada no sentido de que esta situação não consubstancia a
transmissão da quota mas, apenas aquisição de parte da quota do sócio em mora para a
sociedade.51

3.2 Realização, Libertação, transmissão e amortização da quota

3.2.1 Realização SILVIA

Como já se disse antes, os sócios têm a obrigação de realizar o capital que


subscreveram dentro dos prazos estabelecidos no contrato de sociedade sob pena de incorrer
na qualidade de sócio remisso com as devidas consequências. E o tal capital subscrito pelo
sócio corresponderá sempre a uma quota quer no momento inicial, quer quando resulte de
aumento social. Neste último caso, esta será tida como uma nova quota (art. 290, n os 5 e 6). O
capital social que cada sócio subscreve na sociedade ou que fique a lhe oferecer em qualquer
aumento de capital só pode corresponder a uma nova quota.52

Quando a participação de capital seja realizada pela transferência para a sociedade de


um direito de crédito sobre terceiros e este não for pontualmente satisfeito pelo devedor, o
sócio deve realizar em dinheiro o crédito ou a parte não recebida pela sociedade no prazo de
oito dias após o vencimento.53

A realização do capital em espécie e uma vez que carece de avaliação para


determinação do valor da participação suscita muitas vezes disparidades para mais ou para
menos relativamente ao capital que o sócio subscreveu. O legislador, atento a esta situação,

50
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 191
51
Idem, Pág. 191
52
Ibidem. Pág. 191
53
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 191
14
estabeleceu no no 4 do art. 112, o dever de o sócio entrar com a diferença em dinheiro para a
integralização do capital subscrito.

Já não encontramos outra disposição igual para a situação em que a participação em


espécie se apresenta uma vez avaliada, superior ao valor subscrito. Por um lado, o legislador
prestou especial atenção a primeira situação uma vez que ela pode comprometer os objectivos
preconizados pela sociedade. Ainda, por outro lado, uma vez estarmos no âmbito da
autonomia da vontade, os sócios podem encontrar mecanismos internos da autonomia da
vontade, os sócios podem encontrar mecanismos internos de fazerface a segunda situação por
exemplo, acrescendo a quota do sócio em função da mais-valia da sua entrada em espécie
relativamente ao capital inicialmente subscrito.

De qualquer forma, haverá que tomar em consideração os mecanismos internos para


conformar a participação do sócio com o capital inicial subscrito. 54 Em regra, o capital social
deve ser realizado no momento da constituição da sociedade, isto é, da celebração do seu acto
constitutivo art. 116, no 1e quando seja em dinheiro, há-se consistir na entrega de uma quantia
em meticais pelo menos igual ao valor nominal da participação e quando em espécie, na
transferência para a sociedade de bens susceptíveis de penhora, de valor pelo menos, igual ao
valor nominal da participação (no 1 art. 112).

No entanto, a lei admite o diferimento ate metade do seu valor nominal, das quotas
que devem ser realizadas em dinheiro e não em espécie, mas o quantitativo global dos
pagamentos feitos por conta destas, juntamente com a soma dos valores nominais das quotas
correspondentes ás entradas em espécie, deve perfazer o capital acordado pelos sócios e
accionistas conforme dispõe o art. 292 do Ccom.55

3.2.2 Libertação da quota ;

A sociedade não pode amortizar as quotas que não estejam totalmente libertadas, isto
é, cujas entradas nas estejam totalmente pagas a não ser que o capital social seja
simultaneamente reduzido ao montante correspondente.

Segundo Luís Brito Correia, citado por Guilherme Júnior, trata-se de uma regra de
conservação do capital, que visa proteger os credores sociais a semelhança das reservas legais

54
Idem. Pág. Pág. 192
55
Ibidem, Pág. 192
15
e da intangibilidade do capital social. A amortização de quotas não libertadas, sem redução do
capital, equivaleria ao perdão da obrigação de entrada dos sócios.56

Nos termos do n 3 do artigo 300, a sociedade não pode amortizar quotas que não
sejam integralmente libertadas, salvo no caso de redução do capital social. Contudo, a
amortização de quotas não liberadas com redução do capital é admitida, na medida em que,
para isso, têm de ser respeitados os requisitos legais estabelecidos para protecção dos
credores.57

Esta protecção dos credores leva a que o legislador proíba em geral aquisição de
quotas próprias não integralmente liberadas ou pagas excepto nos casos de amortização
previstas no no3 do art. 300 do Ccom.

No entanto, nos termos do n. 1 do art. 306 do Ccom, a sociedade pode, mediante


deliberação dos sócios, adquirir quotas próprias a titulo oneroso e, por mera deliberação da
administração, a titulo gratuito. Tal aquisição estava condicionada a sua realização integral
anterior a aquisição e não a redução da situação líquida por efeito da aquisição ao valor
inferior aa soma do capital social, da reserva legal e das reservas estatutárias obrigatórias.
Assim é, porque a aquisição por parte da sociedade de quotas próprias não integralmente
realizadas ou liberadas causarias a extinção por confusão nos termos do art. 868 do CC,
impossibilitando a sua realização integral do capital.58

A parte final do n.1 do artigo 306 estabelece a possibilidade de aquisição de quotas


próprias a título gratuito bastando a deliberação da administração.

Uma vez que tal aquisição não envolve qualquer diminuição do capital social, a sua
admissibilidade esta completa repleta de sentido e lógica. 59 Ao contrario do que ocorreria se o
legislador permitisse a amortização das quotas não liberadas sem a redução do capital que
equivaleria ao perdão da obrigação de entrada. A amortização da quota é tratada logo a
seguir.60

56
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 193
57
Idem, Pág. 193
58
Ibidem. Pág. 193
59
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013. Pág. 193
60
Idem, Pág. 193
16
3.2.3 Amortização

Sem prejuízo da disposição legal em contrário, a sociedade só pode amortizar uma


quota sem o consentimento do respectivo titular quando tenha ocorrido um facto que o
contrato social considere fundamento de amortização compulsiva. 61 Nos termos do artigo 300
do Ccom, só pode ter lugar nos casos de exclusão e exoneração dos sócios. A amortização da
quota tem por efeito a extinção da quota, sem prejuízo porem, dos direitos já adquiridos e das
obrigações já vencidas.62

3.2.3.1 Amortização da quota TELMA

Em geral, a amortização de participações é a extinção ou redução destas por um acto


da sociedade praticado em certas condições determinadas por lei ou pelo contrato de
sociedade, sem prejuízo dos direitos já adquiridos e das obrigações já vencidas. A
amortização da quota em particular só pode ter lugar nos casos de exclusão ou exoneração do
sócio, nos termos do n. 1 do art. 300 C.com.63

A deliberação de amortização da quota está condicionada a existência e manutenção


da situação líquida da sociedade não inferior ao capital social e a reserva legal. A amortização
ocorre sem a dissolução ou extinção da sociedade apenas o fim de certas relações societárias,
ou ate a restrição de direitos a elas inerentes, enquanto subsistem as demais relações e
direitos.64

Se a sociedade tiver direito de amortizar a quota, pode em vez disso, adquirí-la ou


fazer adquirir por sócio ou terceiro. Na primeira situação em que ele adquire a quota, ficam
suspensos todos os direitos e deveres inerentes a quota, enquanto ela permanecer na
titularidade da sociedade, n. 4 do art. 300 do C.com 65 passa a ser a própria sociedade a poder
exercer tais direitos e cumprir deveres contra si mesma.66

Já na segunda situação em que a quota a amortizar é adquirida por sócio (por via do
exercício ou não o direito de preferência), ou por terceiros tais direitos e deveres se
transmitem para estes na medida do valor da amortização do capital efectuado. A
61
ROCHA, José Carlos Gouveia, manual teórico e pratico de notariado, 4ª edição, Almedina editora, Coimbra.
Pág. 365
62
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código comercial).
63
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE: Código Comercial de Moçambique, Escolar Editora, Maputo, 2016.
64
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Ob. Cit., Pág. 195
65
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE: Código Comercial de Moçambique, Escolar Editora, Maputo, 2016.
66
Idem, Pág. 196
17
contrapartida da amortização é o pagamento ao sócio do valor da quota que resultar de
avaliação realizada por auditor de contas sem relação com a sociedade, n. 1 do art. 303 d0
C.com.67

Portanto, uma vez exonerado o sócio, ele terá o direito de receber a contrapartida
resultante da amortização da sua quota. Essa contrapartida é paga em três prestações iguais,
que se vencem, respectivamente, seis meses, um ano e dezoito meses após a fixação definitiva
da contrapartida, n.2 do art. 303 do C.com. 68 Nada obsta que tal contrapartida seja efectuada
no momento da fixação da mesma, contudo, a sua exigibilidade torna-se efectiva nos prazos
acimareferidos. Estes prazos têm em vista assegurar que a sociedade se organize para efeitos
de cumprimento das mesmas.69

3.3 Lucro

Salvo diferentes clausulas contratuais ou deliberação tomada por maioria de três quartos
dos votos correspondentes ao capital social em assembleia geral, para o efeito convocado, não
pode deixar de ser distribuído aos sócios metade do lucro do exercício, que nos termos da lei
seja distribuível. O crédito do socio, a sua parte dos lucros vence-se decorridos trinta dias
apos a data de deliberação de atribuição dos lucros.70Na repartição dos lucros deve se ter em
conta o art. 994°CC, pois nenhum socio deve ser excluído na repartição dos lucros.

3.4 Prestação acessoria

Quando o contrato de sociedade imponha um ou alguns dos sócios a obrigação de


efectuarem prestações para alem das entradas, há que e fixar os elementos essências desta
obrigação e fixar se as prestações devem ser onerosas ou gratuitas.71 A falta de cumprimento
das obrigações acessórias não afecta a situação do sócio como tal, salvo disposição em
contrário ( no 4 do artigo 310).

3.5 Exclusão dos sócios72

67
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 196
68
Código Comercial de Moçambique, Ob. Cit.
69
Idem,
70
Ibidem.
71
ROCHA, José Carlos Gouveia, manual teórico e pratico de notariado, 4ª edição, Almedina editora, Coimbra.
Pág. 366
72
idem, Pág. 196
18
Na exclusão, o sócio, uma vez verificada uma causa prevista no contrato de sociedade
ou na lei, comunica por escrito a sociedade da sua intenção de amortizar a sua quota e sair da
sociedade.

Na exclusão, o sócio deixa de pertencer a sociedade a partir de uma decisão unilateral


da sociedade de acordo com os casos previstos no contrato de sociedade. Cessa a relação
jurídica entre o sócio e a sociedade, sobrevivendo esta. A exclusão do sócio pode consumar-se
mediante amortização da parte, ou de todas das suas quotas.

Pode haver exclusão de sócio sem extinção da participação por exemplo, mediante
aquisição da participação social pela própria sociedade por um sócio ou por terceiro, e pode
haver amortização sem exclusão do sócio, por exemplo, nos casos de amortização por acordo
ou até por iniciativa do sócio, bem como nos casos de amortização de apenas parte das quotas.
O fundamento da exclusão do sócio encontra-se na essência do próprio contrato que por força
dele justifica a prossecução do interesse comum. Se tal interesse deixa de ser possível por
causa de um dos sócios, lhes assistirá o direito disciplinar de excluí-lo.

É uma espécie de sanção tomada em virtude da violação dos deveres resultantes do


próprio contrato. A exclusão do sócio pode resultar das seguintes situações:73

a) Casos previstos na lei ou no contrato de sociedade;


b) Violação grave de obrigações resultantes da sua qualidade de sócio como por exemplo
a não realização da prestação a que se obrigou a título de entrada;
c) Não realização de prestações suplementares quando obrigatórias estabelecidas no
contrato de sociedade;
d) Concorrência e participações noutras sociedades (muito especialmente em sociedades
em nome colectivo);
e) Interdição, inabilitação, declaração de insolvência do sócio (nas sociedades em nome
colectivo);
f) Em geral, violação grave de obrigações sociais impostas por lei ou por contrato de
sociedade.74

73
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 196
74
JÚNIOR, Manuel Guilherme, Manual de Direito Comercial Moçambicano, Vol.I, Escolar Editora, Maputo,
2013, Pág. 196
19
Conclusão

Após o término do trabalho, chegamos as conclusões, que as sociedades por quota,


surgiu para colmatar as características existentes entre as sociedades em comandita e as
sociedades anónimas, pois a sociedade por quota se apresenta mais favorável, na medida em
que é admissível a participação do menor como sócio, mas o menor não poderá exercer o
cargo de administração da sociedade, também apresenta-se como sendo uma sociedade que
trás mais vantagens, pelo facto de os cônjuges poderem serem sócios constituindo uma
sociedade por quota, independentemente do regime em que estes adoptarem para seus
casamento, mas também um dos cônjuges pode constituir uma sociedade por quota sem
consentimento do outro, pois trata-se de sociedade por responsabilidade limitada onde em
casos de responsabilidade só responde o património social.

A sociedade por quotas é constituída como qualquer outra sociedade comercial uma
vez que exige a existência de um contrato de sociedades e o seu respectivo estatuto. O
contrato de sociedade deve ser realizado nos termos exigidos pela lei comercial e as partes do
contrato de sociedade são pessoa singulares ou colectivas que tenham por objecto o exercício
de uma actividade comercial possível, licita e determinada.

A sociedade por quotas é constituída por um mínimo de dois sócios, mas há casos que a
lei admite a sociedade por quota com um único sócio, trata-se aqui de sociedade unipessoal
por quotas.

A sociedade por quotas segue a forma escrita e há casos em que se exige a escritura
pública e estas adquirem a personalidade jurídica através do registo na conservatória das
entidades legais.

Quanto ao último capítulo do trabalho, o grupo ao longo do estudo tirou várias ilações e
chegou a algumas conclusões. Uma das conclusões mais importantes deste capítulo tem a ver
com a qualidade dos sócios, onde se pode constatar que para fazer parte de uma sociedade por
quotas, o sócio tem que necessariamente preencher alguns requisitos, dos quais o mais
importante é ter personalidade jurídica. Isto significa, por outras palavras que, quem pretenda
ser sócio de uma sociedade por quotas em primeiro lugar deverá preencher as condições do

20
artigo 66 do CC e não deverá, até o momento de entrada na sociedade ter perdido a mesma
nos termos do artigo 68 do CC.

Outra condição menos importante para que se seja sócio é que haja uma entrada por
parte do sócio para fazer parte da sociedade e que essa entrada seja susceptível de penhora.

Quanto a realização, libertação, transmissão e amortização da quota nas sociedades por


quotas o sócio não poderá fazer isso por si só, sendo este obrigado a entrar em consenso com
os outros sócios sempre que queira proceder de qualquer das formas acima mencionadas.

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Referência bibliograficas
Legislações
 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto no 1/2018 de 4 de Maio (código
comercial).
 REPÚBLICA DE MOCAMBIQUE, decreto-lei no 47344 de 25 de Novembro de 1966,
Código Civil, (actualizado).
Doutrina

 ACIS, o quadro legal sobre a constituição de sociedade comerciais em Moçambique,


I edição, Fevereiro, 2005.
 CORDEIRO, António Menezes, Manual de Direito das Sociedades II – das
Sociedades em especial, 2a Edição, Almedina, Coimbra, 2007;
 JUNIOR, Manuel Guilherme, manual de direito comercial moçambicano, Vol. I,
escolar editora, Maputo, 2013;
 ROCHA, José Carlos Gouveia, manual teórico e pratico de notariado, 4ª edição,
Almedina editora, Coimbra;
 TIMBANE, Tomas, lições de processo civil, Escolar editora, Maputo, 2010.

Internet

 COSTA, Nelson, finanças pessoais, disponível em: https://www.e-


konomista.pt/sociedade-por-quotas/ : acesso aos:01-10-2019;
 DICIONARIO, conceito de estatuto, in
https://www.google.com/amp/s/www.dicionarioinformal.com.br/estatuto/amp, acesso
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