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Eletrifikas Engenharia – 2018 @ Todos os Direitos Reservados


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A mais de 18 anos atuando na área de Engenharia, Manutenção e

Instalações, a ELETRIFIKAS tem em seu portfólio de serviços um sólido

trabalho já desenvolvido. Possuímos um corpo técnico, formado por

engenheiros e técnicos que aliam: experiência e base bem estruturada à

juventude e tecnologia de ponta. Somos alicerçados pelo respeito e

transparência, o que resulta na plena satisfação dos clientes,

colaboradores e da sociedade. Nossas instalações dispõem de

laboratórios e equipamentos de alta tecnologia que, periodicamente, são

calibrados para conferir o grau máximo de confiabilidade aos resultados

dos trabalhos de engenharia de projetos, manutenção e instalações

prestados aos nossos clientes. Atuamos em todo território nacional,

fornecendo serviços de tecnologia com qualidade e alta confiabilidade.

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Termo de Responsabilidade
Todas as estratégias e informações que você vai ler neste e-book, e que
aprendi quando comecei a elaborar projetos elétricos, são fruto dos meus
estudos, pesquisas e experiências profissionais na área.
Embora eu tenha me esforçado ao máximo para garantir a precisa e a mais
alta qualidade dessas informações, de forma que todas as técnicas e
métodos aqui apresentados são altamente efetivos para qualquer pessoa
que esteja disposta a aprender e a colocar o esforço necessário para aplicá-
los conforme instruídos.
Estes métodos e informações são baseados na norma brasileira NBR
5419/2015. A utilização desse guia não exime o profissional da necessidade
de leitura e estudo da norma. Recomendo que a norma NBR 5419/2015 seja
lida antes de iniciar qualquer projeto de SPDA.
As informações aqui contidas servem de guia para a elaboração de projeto
de SPDA, além de orientar quanto aos equipamentos e instrumentos a
serem utilizados.

Atenção
Todos os nomes de marcas, produtos e serviços mencionados aqui são
propriedade de seus respectivos donos e são usados somente como
referência. Além disso, não existe a intenção de difamar, desrespeitar,
insultar, humilhar ou menosprezar você, leitor, ou qualquer outra pessoa,
cargo ou instituição. Caso você acredite que alguma parte deste guia seja,
de alguma forma, desrespeitosa ou indevida, e deva ser removida ou
alterada, você pode entrar em contato diretamente comigo através do e-
mail contato@eletrifikas.com.br.

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Sumário
Termo de Responsabilidade .......................................................................................... 3
Introdução .................................................................................................................... 6
Dados Importantes Sobre Raios no Brasil .................................................................. 7
Riscos Causados Pelas Descargas Atmosféricas.......................................................... 7
Risco Para Seres Vivos ............................................................................................... 8
Riscos Para Edificações e Equipamentos .................................................................... 9
Danos e Perdas Conforme Norma ABNT NBR 5419-1/2015 ....................................... 9
S1: Descargas Atmosféricas na Estrutura ............................................................. 10
S2: Descargas Atmosféricas Próximas a Estrutura ................................................ 10
S3: Descargas Atmosféricas Sobre as Linhas Elétricas e Tubulações Metálicas que
Entram na Estrutura ............................................................................................. 11
S4: Descargas Atmosféricas Próximas as Linhas elétricas e Tubulações Metálicas que
Entram na Estrutura ............................................................................................. 11
O que Define a Necessidade de Proteção Contra Descargas Atmosféricas? ............. 13
1. Legislação ..................................................................................................... 13
2. Normas Regulamentadoras ........................................................................... 13
3. Normas Técnicas ........................................................................................... 13
4. Contratos ...................................................................................................... 14
Análise de Risco e Classe de Proteção ...................................................................... 14
Densidade de Descargas Atmosféricas Por Região (Ng) ........................................ 15
Área de Exposição Equivalente Estrutura Isolada (AD) – Descargas Direta ........... 16
Área de Exposição Equivalente Estrutura Isolada (Ai) – Descargas Indiretas ......... 16
Estimativa do Risco de Dano ................................................................................ 16
Sistema Externo de Proteção Contra Descargas Atmosféricas ..................................... 17
Subsistema de Captação .......................................................................................... 17
Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Captação ................................ 18
Subsistema de Descida ............................................................................................ 21
Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Descida .................................. 22
Subsistema de Aterramento .................................................................................... 23
Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Aterramento .......................... 23
Sistema Interno de Proteção Contra Descargas Atmosféricas...................................... 24
Equipotencialização ................................................................................................. 25

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Proteção Equipotencial Adicional ......................................................................... 25
Métodos de Equalização ...................................................................................... 26
Manutenção, Inspeção e Documentação de um SPDA ................................................ 27
Critérios de Teste ................................................................................................. 27
Manutenção ........................................................................................................ 27
Documentação..................................................................................................... 28
Conclusão ................................................................................................................... 28

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Introdução
Os raios (descargas atmosféricas) são fenômenos da natureza totalmente imprevisíveis
e possuem vida curta. É impossível, até o momento, prever a intensidade de corrente,
tempo de duração e, até mesmo, os efeitos destruidores causados pela incidência de
raios sobre as edificações.
O raio pode ocorrer de uma nuvem para a outra ou entre uma nuvem e o chão. Os raios
geralmente ocorrem durante tempestades, onde são acompanhados de trovão.
Durante a ocorrência de um raio acontece a troca de cargas elétricas (elétrons ou íons
gasosos), ou seja, ocorre o fluxo de corrente elétrica.
Sabe-se que 90% de todas as descargas atmosféricas no mundo que ocorrem entre
nuvem e o solo é negativa, ou seja, o raio começa numa nuvem em uma área de carga
negativa e se dissipa para o terreno com carga positiva. Porém, a grande maioria das
descargas ocorrem dentro das nuvens ou de uma nuvem para a outra.
É possível observar no mapa abaixo a densidade global de descargas atmosféricas para
a terra (Ng) em raios por km² por ano (raio/km²/ano), medida pela NASA no período de
1998 a 2013.

De acordo com observações via satélite, as descargas atmosféricas ocorrem com maior
frequência sobre o oceano e próximo à linha do equador.
No Brasil o ELAT (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do INPE (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais) disponibiliza na internet informações sobre a densidade de

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descargas atmosféricas para a terra (Ng) no território brasileiro, conforme publicado na
ABNT NBR 5419-2/2015.
Diferente do que ocorre no resto do mundo, pesquisas recentes verificaram
características particulares nos raios que “caem” em solo brasileiro.

Dados Importantes Sobre Raios no Brasil


Pesquisas recentes demostram que os raios no território brasileiro possuem
características, no mínimo, intrigantes.
Investigações do INPE apontam que 60% dos raios que atingem a Região Sudeste, em
alguns dias do verão, tem carga positiva. Sendo assim, as descargas atmosféricas de
carga positiva entre nuvem e solo, na Região Sudestes, fazem parte dos 10% das
descargas atmosféricas de carga positiva no mundo.
Os raios de carga positiva são, geralmente, mais destrutivos. Nos raios positivos a
corrente elétrica contínua, dura em média 200 milésimos de segundo, enquanto nos
negativos a corrente contínua dura, em geral, menos da metade. Outra diferença é que
o raio positivo carrega uma corrente contínua, em média, duas vezes maior que o raio
negativo.
Por essas características que os raios positivos são mais perigosos e destrutivos, sendo
capazes de iniciar um incêndio florestal, por exemplo.

Dados impressionantes sobre raios:

• 3.500.000.000 – Raios que caem anualmente no mundo;


• 100.000.000 - Raios que caem anualmente no Brasil;
• 7.500.000 - Raios que caem anualmente no estado de Minas Gerais;
• 2.000.000 - Raios que caem anualmente na Alemanha;
• 70% do total dos desligamentos da rede elétrica no estado de Minas Gerais são
causados por raios, segundo a CEMIG;
• Em 2015, segundo a Eletropaulo, 974 falhas ou interrupções na rede elétrica
foram causadas por raios;
• Mais de 100 brasileiros morrem por ano, vítimas de raios (positivo e negativo);
Em observação aos números acima, é possível entender a importância de um SPDA
projetado e implantado de forma correta e com observância as normas vigentes.

Riscos Causados Pelas Descargas


Atmosféricas

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Com o avanço da tecnologia e as comodidades que essa nos traz, ficamos cada dia mais
dependente de equipamentos elétricos e eletrônicos, tanto na vida pessoal quanto na
profissional.
Somos dependentes de serviços que funcionam 24 horas por dia e isso se tornou tão
comum que nem paramos para pensar como seria se alguns desses serviços, essenciais,
parassem de repente.
As redes de dados em empresas ou serviços de emergência, tais como hospitais e corpo
de bombeiros, são extremamente essenciais e não podem parar.
Redes de dados sensíveis, como por exemplo, em bancos ou editores de mídia, precisam
de rotas de transmissão confiáveis.
Não são apenas as descargas atmosféricas diretas que representam uma ameaça latente
para esses sistemas. Frequentemente, serviços eletrônicos são danificados por
sobretensões causadas por descargas atmosféricas remotas ou operações em sistemas
elétricos.
Durante as tempestades, altos volumes de energia são instantaneamente liberados.
Esse pico de tensão pode penetrar em um prédio, através de linhas condutoras, e causar
enormes danos.

Risco Para Seres Vivos


Quando um raio atinge prédios, árvores ou até mesmo o solo, a corrente do raio penetra
no solo e se propaga de forma radial, mais parecida com um “funil” gerando diferença
de potencial no solo, conhecida como tensão de passo. Quanto maior a distância do
ponto onde a corrente entra no solo, menor será o potencial elétrico no solo.
A diferença de potencial no solo produz uma tensão de passo que coloca pessoas e
animais em risco de choque.

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Em edifícios equipados com proteção contra descargas atmosféricas, a corrente
proveniente do raio provoca uma diferença de potencial entre o ponto de impacto e o
solo. É importante que todos os componentes metálicos do edifício estejam conectados
ao sistema de proteção para equipotencialização do potencial, e assim descarta o risco
de tensão de toque.
No solo, próximo ao prédio, as tensões de passo são um risco adicional. Outro risco
adicional é se uma pessoa tocar no sistema de proteção contra descarga atmosférica,
ela se coloca em risco de acidente devido à grande diferença de potencial, podendo
gerar um fluxo de corrente passando pela pessoa até o solo.

Riscos Para Edificações e Equipamentos


Edifícios e equipamentos estão em risco não apenas por causa de raios diretos, mas
também pelos surtos que podem ocorrer a até 2km de distância da edificação. Os surtos
possuem nível de tensão várias vezes acima da tensão admissível de uma rede de
energia, por exemplo.
Se a tensão de surto admissível de um sistema elétrico for excedida, isso causará mau
funcionamento ou até mesmo destruição permanente.
Surtos frequentes geram interferência e interrupções de linha. Nestes casos, as fontes
de interferência devem ser removidas ou filtros de linha adequados devem ser
instalados.
Sistemas adequados de proteção contra descargas atmosféricas e sobretensões são
necessários para proteger contra surtos de comutação ou relâmpagos em edifícios e
equipamentos.

OS SURTOS DE DESCARGAS ATMOSFÉRICAS PODEM ATINGIR 100


VEZES O VALOR DA TENSÃO NOMINAL E TRANSPORTAR UMA
GRANDE QUANTIDADE DE ENERGIA.

Danos e Perdas Conforme Norma ABNT NBR


5419-1/2015
Para fins de análise de risco, de acordo com a NBR 5419-1/2015, aos raios são atribuídas
uma das 4 possíveis fontes de danos (S1-S4). Um relâmpago pode levar a um dos 3
possíveis tipos de danos (D1-D3). O dano é então categorizado de acordo com 4 tipos
diferentes de perdas (L1-L4).

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S1: Descargas Atmosféricas na Estrutura
Se um raio atingir o sistema externo de proteção contra raios ou estruturas de teto
aterrado capazes de transportar corrente de raio (por exemplo, antenas de teto), a
energia do raio pode ser descarregada com segurança para o solo.
Mas um sistema de proteção contra descargas atmosféricas não é suficiente: devido à
sua impedância, todo o sistema de aterramento do prédio é elevado a um alto potencial.
Este aumento no potencial faz com que a corrente do raio se divida sobre o sistema de
aterramento do prédio e também sobre os sistemas de fornecimento de energia e cabos
de dados para os sistemas de aterramento adjacentes (edifício adjacente,
transformador de baixa tensão).
Uma descarga atmosférica direta representa um risco de perda de seres humanos,
serviços públicos (telefonia, corpo de bombeiros), patrimônios culturais (museus,
teatros) e bens econômicos (propriedade).

O sistema de proteção contra raios protege o edifício e as pessoas de impulsos diretos


de raios e risco de incêndio.

SE UM RAIO ATINGIR O SISTEMA EXTERNO DE PROTEÇÃO CONTRA RAIOS


OU ESTRUTURAS DE TELHADO ATERRADO CAPAZES DE TRANSPORTAR
CORRENTE, A ENERGIA DO RAIO PODE SER DESCARREGADA COM
SEGURANÇA PARA O POTENCIAL TERRA.

S2: Descargas Atmosféricas Próximas a Estrutura


As descargas atmosféricas próximas a estrutura criam campos magnéticos, que por sua
vez induzem picos de tensão nos sistemas de linha.

Acoplamentos indutivos ou galvânicos podem causar danos a uma distância de até 2 km


ao redor do ponto de impacto do raio.
Tensões de surto interferem ou destroem sistemas elétricos e eletrônicos.
Os dispositivos de proteção contra raios e sobretensões protegem contra arcos elétricos
(faíscas) e o risco de incêndio.

UM RELÂMPAGO CRIA CAMPOS MAGNÉTICOS ELEVADOS PRÓXIMO AO


LOCAL DE QUEDA DO RAIO, QUE POR SUA VEZ INDUZ PICOS DE ALTA
TENSÃO NOS SISTEMAS DE LINHA.

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S3: Descargas Atmosféricas Sobre as Linhas Elétricas e Tubulações
Metálicas que Entram na Estrutura
Um raio que cai direto em uma linha de energia de baixa tensão ou cabo de dados, pode
acoplar altas correntes parciais em um prédio adjacente.
Os equipamentos elétricos em edifícios no final da linha de baixa tensão estão em risco
particular de danos causados por surtos.
O grau de risco depende de como as linhas são colocadas. Distinções são feitas entre
fios expostos e subterrâneos, e de acordo com a maneira pela qual a blindagem está
conectada à ligação equipotencial.
Dispositivos adequados de proteção contra raios e sobretensões são usados para
compensar a energia do surto na entrada do edifício.

UM RAIO DIRETO EM UMA LINHA DE BAIXA TENSÃO OU CABO DE DADOS


PODE ACOPLAR PODEROSAS CORRENTES PARCIAIS DE RAIOS EM UM
EDIFÍCIO ADJACENTE.

S4: Descargas Atmosféricas Próximas as Linhas elétricas e


Tubulações Metálicas que Entram na Estrutura
A proximidade do raio provoca surtos de tensão em cabos de energia.
Os surtos de tensão podem causar a comutação indevida em equipamentos, gerando a
interrupção de energia elétrica, redes de dados ou telefonia.
Particularmente quando as plantas de produção, os sistemas de iluminação ou os
transformadores são desligados, os equipamentos elétricos localizados nas
proximidades podem ser danificados.

OS SURTOS DE COMUTAÇÃO E AS SOBRETENSÕES INDUZIDAS NAS


LINHAS SÃO RESPONSÁVEIS PELA MAIORIA DOS CASOS DE DANO.

Segue tabela de danos e perdas relevantes para uma estrutura para diferentes pontos
de impacto da descarga atmosférica, conforme NBR 5419/2015.

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Ponto de Fonte de Tipo de Tipo de
Impacto Dano Dano Perda

D1 L1, L4¹
Estrutura S1 D2 L1, L2, L3, L4
D3 L1², L2, L4

Nas Proximidades
S2 D3 L1², L2, L4
de uma estrutura

Linhas elétricas ou
tubulações D1 L1, L4¹
metálicas S3 D2 L1, L2, L3, L4
conectadas à D3 L1², L2, L4
estrutura

Proximidades de
uma linha elétrica
S4 D3 L1², L2, L4
ou tubulação
metálica

1 – Somente para propriedades onde pode haver perdas de animais.


2 – Somente para estruturas com risco de explosão, hospitais ou outras estruturas nas quais falhas em sistemas
internos colocam a vida humana diretamente em perigo.

Tipos de perdas resultantes dos tipos de danos e os riscos correspondentes estão


relacionados na tabela abaixo, conforme NBR 5419/2015.

D1: Dano aos seres vivos por


choque elétrico.

Risco R1 L1: Perda de vida humana D2: Dano físico.

D3: Falha¹ de sistemas internos.

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D2: Dano físico.

Risco R2 L2: Perda de serviço público


D3: Falha de sistemas internos.

L3: Perda de patrimônio


Risco R3 D2: Dano físico.
cultural

D1: Dano² aos seres vivos por


choque elétrico.

Risco R4 L4: Perda de valor econômico D2: Dano físico.

D3: Falha¹ de sistemas internos.


1 – Somente para hospitais ou outras estruturas nas quais falhas em sistemas internos colocam a vida humana
diretamente em perigo.

2 – Somente para propriedades onde pode haver perdas de animais.

O que Define a Necessidade de Proteção


Contra Descargas Atmosféricas?
A definição de necessidade de proteção contra descargas atmosféricas depende de 4
principais fatores.

1. Legislação
As tarefas mais importantes do sistema legal são proteger a vida humana e os bens
sociais básicos (patrimônios culturais, fornecimento de energia, etc.).
A proteção contra raios é exigida, por exemplo, pelo Corpo de Bombeiros de cada estado
para edificações e locais de reunião.

2. Normas Regulamentadoras
Sob especificações como as Normas Regulamentadoras do MTE (Ministério do Trabalho
e Emprego), todas as empresas são obrigadas a aderir a certos requisitos de segurança
e saúde ocupacional no local de trabalho.

3. Normas Técnicas
Normas técnicas apresentam métodos e soluções técnicas para garantir a aderência aos
padrões de segurança especificados na legislação. O padrão mais importante para
proteção contra raios é a ABNT NBR 5419/2015. A NBR 5419-2/2015 descreve uma

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análise de risco para determinar quais dispositivos de proteção contra surtos são
necessários.

4. Contratos
As companhias de seguros elaboram análise de risco e diretrizes com base em danos e
acidentes que foram observados no passado.
O valor da apólice de seguro é baseado nessas diretrizes e no potencial risco existente
em cada edificação, podendo seu custo variar conforme as medidas de proteção
adotadas.

O PROPRIETÁRIO OU OPERADOR DO SISTEMA ELÉTRICO É RESPONSÁVEL


PELA SEGURANÇA DE SUAS INSTALAÇÕES. É DO INTERESSE DELES
MANTER AS INSTALAÇÕES EM OPERAÇÃO, ENTÃO ELES DEVEM
VERIFICAR QUAL SERIA O CUSTO DO DANO, SEM A APLICAÇÃO DA
MEDIDAS DE PROTEÇÃO.

Análise de Risco e Classe de Proteção


O risco de queda de raios pode ser determinado realizando uma análise de risco de
acordo com a norma ABNT NBR 5419-2/2015. O risco local é determinado pela
multiplicação da frequência de raios com a probabilidade de dano e um fator para cobrir
a provável perda / extensão do dano.
A classe de proteção contra raios, para edificações, é determinada com base no risco de
raios e nos danos que podem ser esperados.
A eficiência em proteção contra raios classe I é a mais alta e chega a 98%, e na classe IV,
a mais baixa que chega a 80%.
O custo e o tempo envolvidos na elaboração de projeto e construção de um sistema de
proteção contra raios (por exemplo, ângulo de proteção necessário e espaçamentos de
malhas e para-raios) são mais críticos em sistemas de classe I do que em sistemas de
classe IV.
Quatro classes de SPDA são definidas como um conjunto de regras de construção,
baseadas nos correspondentes níveis de proteção. Cada conjunto inclui regras
dependentes do nível de proteção (por exemplo, raio da esfera rolante, largura da
malha, etc) e regras independentes do nível de proteção (por exemplo, seções
transversais de cabos, materiais, etc).

A tabela abaixo apresenta as quatro classes de SPDA (I a IV) definidas pela norma e que
correspondem aos níveis de proteção para descargas atmosféricas definidos na ABNT
NBR 5419-1:2015.

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Nível de Classe de Eficiência de Observações
Proteção SPDA Proteção
98% Maior necessidade de proteção, por
I I
exemplo, hospitais.
95% Necessidade substancial de proteção,
II II
por exemplo, áreas explosivas.
90% Necessidade limitada de proteção,
III III
por exemplo, edifícios residenciais.
IV IV 80% Menor necessidade de proteção.

Valores de Eficiência de Proteção diferentes daqueles fornecidos na tabela acima são


possíveis, se baseados em uma investigação detalhada considerando os requisitos de
dimensionamento e critérios de interceptação definidos na ABNT NBR 5419-1.

Densidade de Descargas Atmosféricas Por Região (Ng)


Um grande número de países mantém estatísticas sobre a frequência de queda de raios
naquele país.
Graças as pesquisas do INPE e seus sistemas de localização de raios, os dados específicos
do território brasileiro estão disponíveis para consulta por qualquer pessoa que se
interesse pelo assunto.

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Área de Exposição Equivalente Estrutura Isolada (AD) – Descargas
Direta

A análise de risco considera como áreas de risco da descarga atmosférica não apenas a
área real do edifício, mas também a área de exposição equivalente.
Raios diretos e próximos levam ao acoplamento de corrente elétrica em estruturas de
edifícios.
A área de interceptação equivalente é um círculo com um raio três vezes maior que a
altura do edifício, centralizado na base do edifício.
Os danos também podem ser causados por raios que atingem linhas de suprimento de
energia que chegam ao prédio ou raios próximos a essas linhas.

Área de Exposição Equivalente Estrutura Isolada (Ai) – Descargas


Indiretas
A área de intercepção equivalente para descargas elétricas indiretas é formada por um
círculo com um raio de 500 m ao redor da base do edifício e uma área que se estende a
2.000 m de cada lado da linha de suprimento de energia ou sinal.
Para a análise da área de exposição de estruturas complexas, a norma NBR 5419-2/2015
descreve em seu anexo A os métodos de determinação da Área de Exposição para a
análise do número anual de eventos perigosos.

Estimativa do Risco de Dano


O risco de dano é avaliado usando os dados de ameaça de descarga atmosférica e os
possíveis danos.

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Quanto maior o risco de um raio e o provável dano, mais eficaz deve ser o projeto do
sistema de proteção.

Ameaças de Descargas
Possíveis Danos
Atmosféricas
• Densidade de descargas • Lesão ou morte de pessoas;
atmosféricas para terra; • Falha inaceitável dos serviços;
• Área de exposição equivalete. • Perda de patrimônio cultural;
• Perda econômica.

Sistema Externo de Proteção Contra


Descargas Atmosféricas
O sistema externo de proteção contra descargas atmosféricas consiste em sistemas de
interceptação, para-raios e sistema de aterramento.
Com estes componentes é capaz de executar as funções requeridas, isto é, interceptar
descargas elétricas diretas, descarregar a corrente de raio na terra e distribuí-la no solo.

Subsistema de Captação
Sistemas compostos por terminais aéreos são a parte do sistema de proteção contra
descargas atmosféricas que protege a estrutura do prédio contra raios diretos.

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O subsistema de captação pode ser composto de qualquer combinação dos seguintes
componentes:

• Barras de interceptação (incluindo mastros independentes);


• Cabos tensionados;
• Condutores em malha;
• Elementos naturais (por exemplo, telhas metálicas).

Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Captação


Após uma avaliação da edificação, é selecionado um método ou uma combinação dos
seguintes métodos de dimensionamento:
• Método do ângulo de proteção;
• Método da esfera rolante;
• Método das malhas.

O MÉTODO DE ESFERA ROLANTE E DAS MALHAS SÃO ADEQUADOS EM


TODOS OS CASOS.

Método Esfera Rolante


A separação de carga provoca uma diferença potencial entre as nuvens e o solo,
produzindo um líder descendente com a cabeça de um líder descendente.
Líderes ascendentes são lançados em direção à cabeça do líder escalonado de vários
pontos, como árvores, casas e antenas.
No ponto em que a descarga de interceptação é primeiramente recebida pela ponta do
líder descendente, ocorre um curto.
Portanto, é necessário proteger todos os pontos na superfície de uma bola com o raio
da distância de impacto e com a ponta do líder escalonado como seu centro, contra um
raio direto.
Esta bola será referida aqui como a "esfera rolante". O raio da esfera rolante depende
da classe de proteção contra raios dos edifícios a serem protegidos.

Nível de Proteção Eficiência de Proteção


I 20m
II 30m
III 45m
IV 60m

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QUANDO SE PROJETA A ESFERA ROLANTE SOBRE UM EDIFÍCIO, EM
TODOS OS LUGARES ONDE A ESFERA FAZ CONTATO É UM POSSÍVEL
PONTO DE IMPACTO PARA O RAIO.

Método das Malhas


Para cada nível de proteção contra descargas atmosféricas, existe uma dimensão
adequada de malha.
Para exemplificar, vamos considerar que o edifício do desenho acima, possui a classe III
de proteção contra descargas atmosféricas. Uma malha de dimensões 15m x 15m não
deve, portanto, ser excedido.

Nível de Proteção Dimensão da malha


I 5m x 5m
II 10m x 10m
III 15m x 15m
IV 20m x 20m

O MÉTODO DAS MALHAS É USADO EXCLUSIVAMENTE COM BASE NA


CLASSE DE PROTEÇÃO CONTRA RAIOS.

Proteção Contra Impacto Lateral


A partir de 60m de altura, o risco de danos a fachada das edificações é alto e torna-se
necessário instalar um circuito em anel para proteger, edificações e pessoas, contra o
impacto lateral.

As regras para o posicionamento do subsistema de captação lateral nas partes superior


de uma estrutura devem atender pelo menos aos requisitos para o nível de proteção IV
com ênfase na localização dos elementos da captação em cantos, quinas, bordas e
saliências significativas.
Segurança nas Instalações
Elementos captores e condutores de descidas devem ser firmemente fixados de forma
que as forças eletrodinâmicas ou mecânicas acidentais (por exemplo, vibrações,
expansão térmica etc.) não causem afrouxamento ou quebra de condutores.

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Distância máxima
Condutores Posição
entre fixações
Horizontal 1,0m
Flexíveis
Vertical/Inclinado 1,5m
Horizontal 1,0m
Rígidos
Vertical/Inclinado 1,5m

Método do Ângulo de Proteção


O uso do método de ângulo de proteção só é aconselhável em edifícios simples ou
pequenos e em seções individuais de edifícios.
Este método deve, portanto, ser usado apenas quando o edifício já estiver protegido
com terminais aéreos cujas posições foram determinadas usando a esfera rolante ou o
método de malha.
O método do ângulo de proteção é bem adequado para determinar as posições dos
para-raios, fornecendo apenas proteção adicional para um pequeno número de partes
ou estruturas salientes.
Todas as estruturas do telhado devem ser protegidas com para-raios.

Se a estrutura do telhado tiver uma continuação condutiva no edifício (por exemplo,


com um tubo de aço inoxidável com uma conexão ao sistema de ventilação ou ar
condicionado), então o para-raios deve ser instalado a uma distância de segurança do
objeto a ser protegido.
Essa distância, evita com segurança o arco da corrente de raio e a criação perigosa de
faíscas.

O USO DO MÉTODO DE ÂNGULO DE PROTEÇÃO SÓ É ACONSELHÁVEL EM


EDIFÍCIOS SIMPLES OU PEQUENOS E ESTRUTURAS SALIENTES NA
EDIFICAÇÃO.

O ângulo de proteção (α) dos para-raios varia de acordo com a classe de proteção contra
descargas atmosféricas.
Você pode encontrar o ângulo de proteção (α), na tabela abaixo, para os para-raios mais
comuns de até 2m de comprimento.

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Ângulo de proteção de
Nível de Proteção
para-raios até 2m de altura
I 70⁰
II 72⁰
III 76⁰
IV 79⁰

A estrutura a ser protegida (por exemplo, parte ou dispositivo saliente na edificação)


deve ser equipada com um ou vários para-raios de tal forma que a estrutura se encaixe
totalmente sob uma bainha de cone formada pelas pontas das hastes de interceptação
e cujo ângulo superior é especificado na “Figura 1 – Ângulo de proteção correspondente
à classe de SPDA”, conforme norma NBR 5419-3/2015.
As áreas limitadas pelo plano horizontal (superfície do telhado) e as áreas delimitadas
pela bainha do cone podem ser consideradas áreas protegidas.

O Uso de Componentes Naturais


Se houver elementos condutores no telhado, pode fazer sentido usá-los como sistema
natural de captação.
Componentes naturais feitos de materiais condutores, os quais devem permanecer
dentro ou na estrutura definitivamente e não podem ser modificados, por exemplo,
armaduras de aço interconectadas estruturando o concreto armado, vigamentos
metálicos da estrutura etc., podem ser utilizados como componente natural do SPDA,
desde que cumpram os requisitos específicos da norma NBR 5419/2015.

Outros componentes metálicos que não forem definitivos à estrutura devem ficar
dentro do volume de proteção ou incorporados complementarmente ao SPDA.

Subsistema de Descida
Condutores de descida são parte do sistema externo de proteção contra descargas
atmosféricas projetado para direcionar a corrente do raio do subsistema de captação
para o subsistema de aterramento.
A fim de reduzir a probabilidade de danos causados pela corrente de raio que flui através
do sistema de proteção contra descargas atmosféricas, os condutores de descida devem
ser fixados de tal forma que, entre o ponto de impacto e a terra:
• Possua diversos caminhos paralelos para a corrente elétrica;
• O caminho até a terra seja o mais curto possível;
• Haja equipotencialização entre as partes condutoras da estrutura do edifício.
O subsistema de descida direciona a corrente do raio do subsistema de captação para o
subsistema de aterramento.

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É preciso ter cuidado para garantir que os caminhos sejam curtos e instalados sem
curvas.

Distância máxima entre


Nível de Proteção
condutores de descida
I 10m
II 10m
III 15m
IV 20m

É aceitável que o espaçamento dos condutores de descida tenha no máximo 20% além
dos valores acima.

UM CONDUTOR DE DESCIDA DEVE SER INSTALADO,


PREFERENCIALMENTE, EM CADA CANTO SALIENTE DA ESTRUTURA, ALÉM
DOS DEMAIS CONDUTORES IMPOSTOS PELA DISTÂNCIA DE SEGURANÇA
CALCULADA.

Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Descida


Considerações especiais devem ser feitas para a instalação dos condutores de descida
para garantir o perfeito funcionamento e segurança do subsistema de descida, são elas:
• Condutores de descida devem ser instalados em linha reta e vertical,
constituindo o caminho mais curto e direto para terra;
• Os condutores de descida não devem ser instalados em calhas ou tubulações de
águas pluviais;
• Os condutores devem ser instalados de forma a garantir a distância de
segurança entre condutores e quaisquer portas e janelas;
• Obrigatório a instalação de conexão de ensaio entre cabos de descida e
eletrodos de aterramento.

O Uso de Componentes Naturais


As seguintes estruturas podem ser consideradas como componentes naturais de
condução de corrente elétrica para o subsistema de descida:
• Estruturas metálicas que tenham a sua continuidade elétrica garantida;
• Armaduras das estruturas de concreto armado eletricamente contínuas;
• Vigamento de aço interconectado da estrutura;
• Elementos da fachada, perfis e subconstruções metálicas das fachadas.

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ONDE ELEMENTOS NATURAIS (POR EXEMPLO, CONCRETO ARMADO OU
SUPORTES DE AÇO) SÃO USADOS, NÃO É POSSÍVEL DESCONECTAR O
SUBSISTEMA DE DESCIDA DO SUBSISTEMA DE ATERRAMENTO, SENDO
ASSIM, OS PONTOS DE MEDIÇÃO PODEM SER OMITIDOS.

Subsistema de Aterramento
Conforme norma técnica, sob o ponto de vista da proteção, é essencial a existência de
uma única infraestrutura de aterramento para atender a todos os propósitos, ou seja, a
malha de aterramento deve ser comum e atender a proteção contra descargas
atmosféricas, sistemas de energia elétrica e sinal (telecomunicações, TV a cabo, dados
etc).
As funções de um subsistema de aterramento são:
• Dissipar a corrente elétrica na terra;
• Prover a equipotencialização entre os condutores;
• Controlar o potencial perto de elementos condutores na estrutura do edifício.
Consequências de um sistema de aterramento mal instalado:
• Sobretensões perigosas na ligação equipotencial;
• Diferença de potencial no sistema de aterramento;
• Destruição da fundação através de área de dissipação insuficiente para a
corrente elétrica;
• Destruição da fundação através de conexões malfeitas (sem conexão terminal);
• Desacoplamento elétrico de altas quantidades de energia elétrica.

Métodos de Dimensionamento do Subsistema de Aterramento


A NBR 5419/2015 exige uma ligação equipotencial de proteção contínua contra
descargas atmosféricas.
Isso significa que os sistemas de aterramento individuais devem ser conectados entre si
para criar um sistema de aterramento global.

Para subsistemas de aterramento, na impossibilidade do aproveitamento das


armaduras das fundações, o arranjo a ser utilizado consiste em condutor em anel,
externo à estrutura a ser protegida, em contato com o solo por pelo menos 80 % do seu
comprimento total, ou elemento condutor interligando as armaduras descontínuas da
fundação (sapatas).

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A CONTINUIDADE ELÉTRICA DO ANEL DEVE SER GARANTIDA AO LONGO
DE TODO O SEU COMPRIMENTO.

Eletrodos de Aterramento
O eletrodo de aterramento em anel deve ser enterrado na profundidade de no mínimo
0,5 m e ficar posicionado à distância aproximada de 1 m ao redor das paredes externas.
Eletrodos de aterramento devem ser instalados de tal maneira a permitir sua inspeção
durante a construção.
As armaduras de aço interconectadas nas fundações de concreto, ou outras estruturas
metálicas subterrâneas disponíveis, podem ser utilizadas como eletrodos de
aterramento, desde que sua continuidade elétrica seja garantida.

SEMPRE QUE NECESSÁRIO, CONDUTORES ADICIONAIS DEVEM SER


INSTALADOS AO ELETRODO DE ATERRAMENTO EM ANEL, PARA GARANTIR
A SEGURANÇA NA DISSIPAÇÃO DA CORRENTE ELÉTRICA.

Sistema Interno de Proteção Contra


Descargas Atmosféricas
Nossa dependência de equipamentos elétricos e eletrônicos continua aumentando,
tanto em nossas vidas profissionais quanto privadas.

Redes de dados em empresas ou instalações de emergência, como hospitais e corpo de


bombeiros, são linhas de vida para uma troca de informações essencial em tempo real.

Bases de dados sensíveis, por ex. em bancos ou editores de mídia, precisam de caminhos
de transmissão confiáveis.

Não são apenas as descargas atmosféricas que representam uma ameaça latente para
esses sistemas.
Durante tempestades, altos volumes de energia são instantaneamente liberados. Esses
picos de tensão podem penetrar em um prédio através de todos os tipos de conexões
condutoras e causar danos enormes.

Estatísticas atuais e estimativas de companhias de seguros mostram: Níveis de danos


causados por surtos há muito tempo atingiram níveis drásticos devido à crescente
dependência de dispositivos eletrônicos.

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Não surpreende, portanto, que as seguradoras imobiliárias estejam verificando cada vez
mais reclamações e estipulando o uso de dispositivos para proteção contra surtos.

DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO CONTRA SURTOS REDUZEM O TEMPO DE


INATIVIDADE EM SISTEMAS ELETRÔNICOS.

O SPDA interno tem como objetivo evitar a ocorrência de centelhamentos perigosos


dentro da edificação a ser protegida devido à corrente da descarga atmosférica que flui
pelo SPDA externo ou em outras partes condutivas da estrutura.

Equipotencialização
O uso correto dos sistemas de ligação equipotencial evita tensões de toque perigosas
entre os componentes do sistema.
Todas as partes condutoras externas encaminhadas para o edifício devem ser
conectadas umas com as outras para evitar diferenças no potencial.
Isso é possível através da conexão de todas as partes condutoras externas ao
barramento de aterramento principal (BEP):
• Eletrodos de aterramento de fundação;
• Aterramento de proteção contra descargas atmosféricas;
• Condutor para ligação equipotencial de proteção;
• Condutores de proteção dentro do sistema elétrico;
• Tubulações metálicas de água, gás e aquecimento;
• Aterramento de antena;
• Partes de metal do edifício, dutos de ar condicionado, trilhos de guia de
elevação, etc.;
• Blindagem metálica de cabos.

Proteção Equipotencial Adicional


Dispositivos de proteção contra surtos são utilizados para criar um sistema de ligação
equipotencial adicional para todas as linhas de suprimento do sistema de baixa tensão
e tecnologia da informação.
Para instalações sob condições ambientais especiais, por exemplo, áreas
potencialmente explosivas, ou onde se aplicam requisitos normativos explícitos, deve
ser implementada ligação equipotencial de proteção adicional.
Os corpos de todos os equipamentos fixos (não portáteis) na vizinhança imediata do
local de instalação que podem ser tocados ao mesmo tempo devem ser conectados a
todas as partes condutivas externas que possam ser tocadas ao mesmo tempo.

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Métodos de Equalização
Para evitar possíveis diferenças, os seguintes componentes do sistema devem ser
conectados, através da barra de aterramento principal (BEP), com cabos de
equipotencialização:
• Condutores eletricamente condutivos;
• Outros componentes condutivos;
• Condutores de proteção;
• Eletrodos de aterramento.
O barramento de aterramento principal deve estar localizado na área de conexão
principal ou próximo às conexões do edifício.
Em cada edifício, o cabo de aterramento e as seguintes partes condutoras devem ser
equipotencializadas através do barramento de aterramento principal:
• Tubos metálicos de sistemas de abastecimento
• Partes condutoras externas da estrutura do edifício
• sistemas centrais de aquecimento e ar condicionado
• condutores de proteção dentro do sistema elétrico
• Reforços de metal em estruturas de construção feitas de concreto armado
Os cabos de ligação de potencial de proteção devem atender aos requisitos da norma
ABNT 5419/2015.
Segue, dimensões mínimas dos condutores que interligam diferentes barramento de
equipotencialização (BEP) ou que ligam essas barras ao sistema de aterramento:

Nível de Área d Seção reta


Modo de Instalação Material
Proteção mm²
Cobre 16
Alumínio 25
Não enterrado
Aço galvanizado a
50
fogo
I a IV
Cobre 50
Alumínio Não aplicável
Enterrado
Aço galvanizado a
80
fogo

Segue, dimensões mínimas dos condutores que ligam as instalações metálicas internas
aos barramentos de equipotencialização:

Nível de Área d Seção reta


Material
Proteção mm²
Cobre 6
I a IV Alumínio 10
Aço galvanizado a fogo 16

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Ligação equipotencial de acordo com NBR 5419/2015
Os condutores de proteção devem ser protegidos de maneira adequada contra danos
mecânicos, destruição química ou eletroquímica, bem como contra forças
eletrodinâmicas e termodinâmicas.
Não é permitido a inserção de dispositivos de comutação no condutor de proteção,
somente conexões para fins de teste são permitidas.

Manutenção, Inspeção e
Documentação de um SPDA
Os sistemas de proteção contra descargas atmosféricas devem, mesmo após o teste de
aceitação, ser verificados em intervalos regulares para assegurar o funcionamento
correto, estabelecer quaisquer falhas e realizar quaisquer reparos necessários.
O teste envolve a verificação da documentação técnica, a inspeção e a medição do
sistema de proteção.
As atividades de teste e manutenção devem ser realizadas com base na norma e nos
princípios técnicos.
Os testes também incluem a verificação do sistema interno de proteção contra raios.
Isso inclui a verificação da ligação equipotencial da proteção contra descargas
atmosféricas e subsistemas de proteção.
Um relatório de teste ou registro de teste é usado para registrar o teste e a manutenção
de sistemas de proteção contra raios e deve ser atualizado ou recriado em cada teste /
serviço.

Critérios de Teste
• Verificar todos os registros e documentação, incluindo a conformidade com os
padrões.
• Verificação do estado geral dos sistemas de interceptação e para-raios e de
todos os componentes de conexão e resistências de volume.
• Verificar o sistema de aterramento e as resistências de aterramento, incluindo
transições e conexões.
• Verificar a proteção interna contra surtos.
• Estado geral de corrosão.
• Confiabilidade de fixação das linhas e seus componentes.
• Documentar todas as alterações na estrutura do edifício.

Manutenção
A regularidade das inspeções é condição fundamental para a confiabilidade de um SPDA.

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O responsável pela estrutura deve ser informado de todas as irregularidades observadas
por meio de relatório técnico emitido após cada inspeção periódica.
Cabe ao profissional emitente da documentação recomendar, baseado nos danos
encontrados, o prazo de manutenção no sistema, que pode variar desde “imediato”
a “item de manutenção preventiva”.

Documentação
A seguinte documentação técnica deve ser mantida no local, ou em poder dos
responsáveis pela manutenção do SPDA:

• Relatório de análise de risco, indicando a necessidade de SPDA e seu respectivo


nível de proteção;
• Desenhos em escala mostrando as dimensões, os materiais e as posições de
todos os componentes do SPDA externo e interno;
• Quando aplicável, os dados sobre a natureza e a resistividade do solo;
• Registro de ensaios realizados no eletrodo de aterramento e outras medidas
tomadas em relação a prevenção contra as tensões de toque e passo.

Conclusão
A atualização da norma NBR 5419 em 2015 foi um grande avanço no entendimento
sobre as características e efeitos dos raios no território brasileiro.
Esse fenômeno da natureza, ainda tem muito a ser estudado, mas as informações que
temos nos garante uma confiabilidade de proteção considerável, tendo em vista a
imprevisibilidade do fenômeno.
Com o avanço das pesquisas, acredito em breve surgir novas práticas que atendam às
necessidades, mais específicas, de proteção contra descargas atmosféricas no Brasil.
Espero que esse guia ajude a direcionar seus estudos e ampliar um pouco mais o
entendimento e principalmente a importância do SPDA em nossas vidas, como proteção
essencial e que não pode ser negligenciada.
Forte Abraço!

Igor Carvalho

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Tenho um Presente Especial Para Você!
Para agradecer a você que tem nos acompanhados e chegou até aqui,
demostrando compromisso com o conhecimento e o seu desenvolvimento
profissional, vou disponibilizar abaixo um link para download do nosso
Check-List para SPDA.
Esse é o mesmo Check-List utilizado por nós da Eletrifikas Engenharia para
a realização dos nossos trabalhos.
Além do Check-List, você poderá baixar também, um infográfico muito
legal, com os 5 principais passos para a adequação do SPDA nas indústrias.
Então, não perca tempo e baixe agora o seu presente.

Gostou do E-Book?
Entre em contato e nos diga o que você achou, ou
envie suas dúvidas.
Ficaremos Contente em Ajudar!

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