Você está na página 1de 249

Cooperação Triangular para o Desenvolvimento

Agrário da Savana Tropical em Moçambique

PLANO DIRECTOR PARA O DESENVOLVIMENTO


AGRÁRIO DO CORREDOR DE NACALA

Versão Provisória

ANEXO

Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar


ÍNDICE

CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização ................................................................................................................... 1-1
1.2 Metodologia de Formulação do Plano Director .................................................................... 1-1

CAPÍTULO 2 AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO AGRÍCOLA EM MOÇAMBIQUE


2.1 Breve Olhar Sobre Moçambique ........................................................................................... 2-1
2.1.1 Condições Naturais .......................................................................................................... 2-1
2.1.2 Situação Socioeconómica ................................................................................................ 2-2
2.1.3 Características de Género e de Mão-de-obra Local........................................................ 2-4
2.2 Sector Agrário na Economia Nacional e Direcção do Desenvolvimento ............................ 2-10
2.2.1 Tendência da Produção Agrícola e sua Contribuição Socioeconómica ........................ 2-10
2.2.2 Segurança Alimentar ...................................................................................................... 2-13
2.2.3 PEDSA e Políticas Agrárias ........................................................................................... 2-16
2.2.4 Institutos e Organizações Relevantes da Agricultura .................................................... 2-19
2.3 Uso do Solo e Área Cultivada ............................................................................................. 2-23
2.4 Produção Agrícola ............................................................................................................... 2-23
2.4.1 Entidades Agrícolas ....................................................................................................... 2-23
2.4.2 Produção das Principais Culturas .................................................................................. 2-24
2.4.3 Pecuária ......................................................................................................................... 2-26
2.5 Serviços de Apoio aos Produtores ...................................................................................... 2-27
2.5.1 Pesquisa Agrícola .......................................................................................................... 2-27
2.5.2 Extensão Agrícola de Tecnologia ................................................................................... 2-27
2.5.3 Apoio à Organização de Produtores .............................................................................. 2-32
2.5.4 Empréstimos e Créditos Agrícola................................................................................... 2-34
2.6 Irrigação e Drenagem ......................................................................................................... 2-36
2.6.1 Recursos Hídricos e Gestão .......................................................................................... 2-36
2.6.2 Irrigação e Drenagem .................................................................................................... 2-38
2.6.3 Organização de Usuários de Água ................................................................................ 2-40
2.7 Distribuição de Produtos Agrícolas ..................................................................................... 2-41
2.7.1 Mercados dos Produtos Agrícolas ................................................................................. 2-41
2.7.2 Comércio Doméstico dos Produtos Agrícolas ............................................................... 2-41
2.7.3 Comércio Internacional de Produtos Agrícolas .............................................................. 2-42
2.7.4 Mecanismo de Preços de Produtos Agrícolas e Tendências Recentes ........................ 2-47
2.7.5 Agro-processamento de Grande Escala ........................................................................ 2-51
2.7.6 Agro-processamento de Pequena Escala ..................................................................... 2-53
2.7.7 Agro-indústria e Serviços ............................................................................................... 2-53
2.8 Investimentos no Desenvolvimento Agrário ........................................................................ 2-54
2.8.1 Políticas do Governo para a Promoção e Regulamentação dos Investimentos
Agrícolas ........................................................................................................................ 2-54
2.8.2 Investimentos Agrícolas ................................................................................................. 2-58
2.9 Sistema Legal e Registo de Terra ....................................................................................... 2-59
2.9.1 Sistema Legal e Regulatório .......................................................................................... 2-59
2.9.2 Sistema Legalde Terra ................................................................................................... 2-61
2.10 Considerações Ambientais e Sociais .................................................................................. 2-67
2.10.1 Quadro Geral Legal ....................................................................................................... 2-67
2.10.2 Avaliação de Impactos Ambientais ................................................................................ 2-70
2.10.3 Reassentamento Involuntário e Indemnização pela Perda de Bens ............................. 2-74
2.10.4 Regulamento de Supervisão, Penalizações e Sanções ................................................ 2-76
2.11 Doadores Estrangeiros para a Agricultura e Desenvolvimento Rural ................................ 2-77
2.11.1 Situação da Ajuda .......................................................................................................... 2-77
2.11.2 Tendência dos Doadores de Assistência ao Sector de Agricultura e Desenvolvimento
Rural .............................................................................................................................. 2-77

CAPÍTULO 3 CONDIÇÕES E QUESTÕES ACTUAIS DA AGRICULTURA NA ÁREA DE ESTUDO


3.1 Condições Naturais ............................................................................................................... 3-1
3.1.1 Área de Estudo ................................................................................................................ 3-1
3.1.2 Topografia ........................................................................................................................ 3-2
3.1.3 Clima ................................................................................................................................ 3-3
3.1.4 Recursos Hídricos ............................................................................................................ 3-7
3.1.5 Solos ................................................................................................................................ 3-9
3.1.6 Zoneamento Agro-ecológico .......................................................................................... 3-12
3.2 Condições Socioeconómicas .............................................................................................. 3-13
3.2.1 A Área de Estudo e População ...................................................................................... 3-13
3.2.2 Condições Sociais ......................................................................................................... 3-15
3.2.3 Sociedades Rurais ......................................................................................................... 3-22
3.3 Uso e Ocupação de Terra ................................................................................................... 3-31
3.3.1 Situação Actual do Uso da Terra.................................................................................... 3-31
3.3.2 Área Ocupada por Produtores Locais, Concessões e DUAT ........................................ 3-33
3.3.3 Condições Actuais das Comunidades em Relação ao Uso da Terra, Rios e Estradas . 3-34
3.3.4 Situação Actual de Florestas ......................................................................................... 3-37
3.3.5 Plano Distritaldeuso de Terra (PDUT)............................................................................ 3-40
3.4 Descrição das Tendências para o Desenvolvimento Provincial e Distrital ......................... 3-41
3.4.1 Estrutura Administrativa ................................................................................................. 3-41
3.4.2 Plano Estratégico para o Desenvolvimento das Províncias e dos Distritos .................. 3-45
3.5 Produção de Culturas e Pecuária ....................................................................................... 3-47
3.5.1 Produtorese sua Distribuição ......................................................................................... 3-47
3.5.2 Gestão de Estabelecimentos Agrícolas e Comercialização .......................................... 3-49
3.5.3 Tecnologia de Cultivos e Padrão de Cultura dos Pequenos Produtores ....................... 3-50
3.5.4 Produção Agrícola por Distritos ..................................................................................... 3-51
3.5.5 Segurança Alimentar ...................................................................................................... 3-55
3.5.6 Custos de Produção e Preços de Produtos Agrícolas ................................................... 3-56
3.5.7 Pecuária ......................................................................................................................... 3-57
3.5.8 Projecto de Ensaio para Reforma de Administração de Terra ....................................... 3-59
3.6 Infra-estruturas Agrícolas e Irrigação .................................................................................. 3-61
3.6.1 Condições Actuais e Problemas dos Sistemas de Irrigação ......................................... 3-61
3.6.2 Situação Actual e Questões de Irrigação Agrícola ......................................................... 3-64
3.6.3 Uso e Gestão dos Recursos Hídricos ............................................................................ 3-67
3.7 Sistema de Apoio Agrícola .................................................................................................. 3-68
3.7.1 Investigação Agrária ...................................................................................................... 3-68
3.7.2 Extensão Agrária ............................................................................................................ 3-70
3.7.3 Organização dos Produtores ......................................................................................... 3-75
3.7.4 Insumos Agrícolas .......................................................................................................... 3-77
3.7.5 Financiamento Agrícola ................................................................................................. 3-83
3.8 Cadeia de Valor e Comercialização .................................................................................... 3-88
3.8.1 Sistema de Logística Agrícola ........................................................................................ 3-88
3.8.2 Cadeia de Valor de Produtos Agrícolas ......................................................................... 3-91
3.8.3 Lucro dos Comerciantes Intermédios ............................................................................ 3-93
3.8.4 Processamento Agrícola ................................................................................................ 3-93
3.8.5 Exportação de Produtos Agrícolas Processados ........................................................... 3-98
3.9 Infra-estruturas Sociais ....................................................................................................... 3-98
3.9.1 Estradas ......................................................................................................................... 3-98
3.9.2 Outras infra-estruturas de Transportes .......................................................................... 3-99
3.9.3 Infra-estrutura de Logística Agrícola ............................................................................ 3-100
3.9.4 Instalações de Armazenamento................................................................................... 3-101
3.9.5 Informação sobre o Mercado ....................................................................................... 3-103
3.9.6 Instalações do Mercado Rural ..................................................................................... 3-103
3.10 Investimento Agrícola no Corredor de Nacala .................................................................. 3-104
3.10.1 Grandes Investimentos Agrícolas Existentes e Propostos .......................................... 3-104
3.10.2 Colaboração entre os Produtores Comerciais e os Pequenos Produtores ................. 3-106
3.11 Intervenções de Doadores no Desenvolvimento Agrícola e Rural ................................... 3-114
3.11.1 Instituições Internacionais ............................................................................................ 3-114
3.11.2 OSCs ............................................................................................................................ 3-115
3.12 Zoneamento Agrícola da Área de Estudo ......................................................................... 3-116
3.12.1 Zoneamento da Área de Estudo .................................................................................. 3-116
3.12.2 Factores-Chave para o Zoneamento Agrícola ............................................................. 3-117
3.12.3 Resultados do Mapeamento Agrícola .......................................................................... 3-126
3.12.4 Descrição do Potencial de Desenvolvimento Agrícola das zonas ............................... 3-127
3.12.5 Análise FOFA (Forças Oportunidades Fraquezas e Ameaças) de Cada Zona ........... 3-127
3.13 Considerações Ambientais e Sociais ................................................................................ 3-138
3.13.1 Conservação e Protecção Natural ............................................................................... 3-138
3.13.2 Questões Sociais ......................................................................................................... 3-142
3.13.3 Estudos de Casos no Sector Agrícola ......................................................................... 3-148
LISTA DE TABELAS E FIGURAS

LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1.1 Indicadores Sociais .................................................................................................. 2-2
Tabela 2.1.2 Resposabilidade de Tomada de Decisão em Agregados Familiares Chefiados
Homens. ................................................................................................................... 2-5
Tabela 2.1.3 Abordagem do Género no PEDSA .......................................................................... 2-7
Tabela 2.1.4 Desemprego, Desemprego Juvenil e Subemprego (2004/05) ................................ 2-9

Tabela 2.2.1 Caracterização das Actividades Agrícolas ............................................................. 2-10


Tabela 2.2.2 Suprimento de Alimentos (kcal/capita/dia) de Moçambique de 2008 a 2013 ........ 2-14
Tabela 2.2.3 Produção e Comércio dos Principais Cultivos de Alimentos (Média 2004 a 2013)2-15
Tabela 2.2.4 Resumo do PEDSA ................................................................................................ 2-17
Tabela 2.2.5 Atribuições do MASA ............................................................................................. 2-20
Tabela 2.2.6 Instituições Públicas no Auxílio do Desenvolvimento do Corredor de Nacala....... 2-22
Tabela 2.3.1 Uso do Solo (2005 a 2007) de Moçambique ......................................................... 2-23
Tabela 2.4.1 Critérios Classificação dos Produtores .................................................................. 2-23
Tabela 2.4.2 Número de Estabelecimentos Agrícolas e sua Área Cultivada em Moçambique .. 2-24
Tabela 2.4.3 Distribuição de Estabelecimentos Agrícolas (Pequenos & Médios) por Tamanho
da Propriedade ....................................................................................................... 2-24
Tabela 2.4.4 Produção de Culturas Alimentares Básicas em Moçambique (2009 a 2013)........ 2-25
Tabela 2.4.5 Produção de Cultivos de Rendimento em Moçambique (2009 a 2013) ................ 2-26
Tabela 2.4.6 Número de Gado em Moçambique (2009 a 2013) ................................................ 2-26
Tabela 2.4.7 Número de Gado por Províncias ............................................................................ 2-26
Tabela 2.5.1 Progresso alcançado pelo PRONEA (Extracto do Componente 1.1.) ................... 2-31
Tabela 2.5.2 Parte dos Estabelecimentos Agrícolas que tiveram Acesso ao Crédito (%) .......... 2-35
Tabela 2.5.3 Número de Estabelecimentos Agrícolas que Tiveram Acesso ao Crédito ............. 2-35
Tabela 2.6.1 Inventário de Áreas Irrigadas e Sua Utilização ...................................................... 2-40
Tabela 2.6.2 Percentagem de Famílias Utilizando Irrigação no Inquérito Agrícola .................... 2-40
Tabela 2.7.1 Principais Produtos Exportados ............................................................................. 2-43
Tabela 2.7.2 Principais Produtos Importados ............................................................................. 2-43
Tabela 2.7.3 Divisão dos Períodos ............................................................................................. 2-49
Tabela 2.7.4 Preços (em MT) por Províncias ............................................................................. 2-50
Tabela 2.7.5 Preços de Compra, Venda e Lucro Bruto dos Comerciantes ................................ 2-51
Tabela 2.8.1 Índice “Doing Business” 2015 de Moçambique e dos Países Vizinhos ................. 2-54
Tabela 2.8.2 Incentivos a Investimentos para o Sector Agrário .................................................. 2-55
Tabela 2.8.3 Sistema Nacional de Tributação ............................................................................ 2-55
Tabela 2.8.4 Autoridade com Poder de Decisão sobre os Investimentos .................................. 2-56
Tabela 2.8.5 Valor Total dos Investimentos em Moçambique (US$ 1.000) ................................ 2-58
Figura 2.8.2 Número de Projectos de Investimento Aprovados por Sector ............................... 2-58
Tabela 2.9.1 Marco Legal sobre Uso da Terra ............................................................................ 2-59
Tabela 2.9.2 Órgãos Responsáveis pela Emissão de DUAT...................................................... 2-62
Tabela 2.9.3 Taxas de Impostos básicos Relativos à Aquisição de DUAT ................................. 2-63
Tabela 2.9.4 Ajustamento de Taxas para Cálculo dos Impostos Reais para DUAT ................... 2-63
Tabela 2.10.1 QuadroLegal de Protecção Ambiental e Social ..................................................... 2-67
Tabela 2.10.2 Acordos Internacionais Ratificados por Moçambique ............................................ 2-68
Tabela 2.10.3 Classificação das Zonas de Protecção .................................................................. 2-69
Tabela 2.10.4 Caraterização de Zonas para Protecção Parcial ................................................... 2-70
Tabela 2.10.5 Categorias Ambientais ........................................................................................... 2-70
Tabela 2.10.6 Áreas Sensíveis para a Classificação na Categoria A ........................................... 2-72
Tabela 2.10.7 Critérios de Categorização de Projectos para AIA ................................................. 2-73
Tabela 2.10.8 Conteúdo dos Planos de Reassentamento Involuntário ........................................ 2-75

Tabela 3.1.1 Área e População das Três Províncias ................................................................... 3-1


Tabela 3.1.2 Precipitação Média Mensal nos Distritos Seleccionados (unidade: mm) ............... 3-4
Tabela 3.1.3 Características das Bacias Hidrográficas e Escoamento na Área de Estudo ........ 3-8
Tabela 3.1.4 Mapas de Solo de Moçambique ............................................................................. 3-9
Tabela 3.1.5 Erosão do Solo na Área de Estudo ....................................................................... 3-11
Tabela 3.1.6 Zoneamento Agro-ecológico na Área de Estudo .................................................. 3-12
Tabela 3.2.1 Área e População dos Distritos (2011) ................................................................. 3-13
Tabela 3.2.2 Proporção da População Empregada e Desempregada na Idade Active(2011) .. 3-14
Tabela 3.2.3 População Empregada por Actividade Económica (2011) .................................... 3-15
Tabela 3.2.4 Linhas de Pobreza para 2002/03 e 2008/09 (MT/dia) ........................................ 3-16
Tabela 3.2.5 Tendências da Incidência da Pobreza .................................................................. 3-17
Tabela 3.2.6 Número de Alunos na Área de Intervenção e Matrícula ..................................... 3-18
Tabela 3.2.7 Taxa de Matrícula na Ensino Primário e no Ensino Secundário (%) .................. 3-19
Tabela 3.2.8 Situação Actual da Educação ............................................................................... 3-19
Tabela 3.2.9 Tendência das Taxas de Analfabetismo nas Três Províncias(%) ......................... 3-20
Tabela 3.2.10 Indicadores Sociais na Área de Estudo (2008) ...................................................... 3-21
Tabela 3.2.11 Situação linguística nos Distritos ........................................................................... 3-22
Tabea 3.2.12 Distribuição da População por Religião na área na Área de Estudo(em 2007) .... 3-23
Tabela 3.2.13 Dimensão das Comunidades (Número de Agregados Familiares) ........................ 3-25
Tabela 3.2.14 Número de produtores que produzem as Principais Culturas ............................... 3-26
Tabela 3.2.15 Número de produtores que cultivam legumes e frutas nas comunidades
de Namitartar e Nadia, em Rapale ......................................................................... 3-26
Tabela 3.2.16 Proporção da Fonte Primária de Energia dos Agregados Familiares .................... 3-29
Tabela 3.2.17 População Abrangida pelo Abastecimento de Água .............................................. 3-30
Tabela 3.2.18 Electrificaçãodos Postos Administrativos na Área de Estudo .............................. 3-31
Tabela 3.3.1 Agrupamento da Classificação da Ocupação da Terra. ......................................... 3-32
Tabela 3.3.2 Uso do Solo na Área de Estudo (19 distritos) ........................................................ 3-32
Tabela 3.3.3 Área inactiva, Área de Concessão e DUAT (19 distritos da Área de Estudo) ....... 3-34
Tabela 3.3.4 Classificação dos Distritos por Ocupação de Terra em Volta dos Rios ................. 3-35
Tabela 3.3.5 Classificação dos Distritos por Ocupação de Terra em Volta das Comunidades .. 3-36
Tabela 3.3.6 Classificação dos Distritos em Relação as Comunidades Próximas
das Estradas .......................................................................................................... 3-36
Tabela 3.3.7 Classificação dos Distritos em Relação as Comunidades que se Localizam
Próximo de Rios ................................................................................................... 3-36
Tabela 3.3.8 Quadro Legal para a Protecção da Floresta .......................................................... 3-39
Tabela 3.3.9 Ponto de Situação em Relação aos PDUTs por Distrito ........................................ 3-40
Tabela 3.4.1 Divisão Administrativa da Área de Estudo ............................................................. 3-44
Tabela 3.5.1 Características dos Pequenos e Médios Produtores (2010) ................................. 3-48
Tabela 3.5.2 Características da Agricultura em Empresas no Corredor de Nacala em 2013 .... 3-49
Tabela 3.5.3 Área Plantada das Principais Culturas na Área de Estudo
(média: 2006/07- 2010/11) ..................................................................................... 3-52
Tabela 3.5.4 Área Cultivada com as Principais Culturas por Distrito (ha) .................................. 3-52
Tabela 3.5.5 Produção das Principais Culturas por Distrito (ton) ............................................... 3-53
Tabela 3.5.6 Produtividade das Principais Culturas por Distrito (ton/ha)
(Média: 2006/07-2010/11) ...................................................................................... 3-54
Tabela 3.5.7 Produção Anual de Alimentos per Capita .............................................................. 3-55
Tabela 3.5.8 Estimativa do Equilíbrio das Culturas na Área de Estudo em 2011 ...................... 3-55
Tabela 3.5.9 Estimativa de Custos de Produção das Principais Culturas .................................. 3-56
Tabela 3.5.10 Preços de Venda das Principais Culturas (Março-Julho, 2012)............................. 3-57
Tabela 3.5.11 Número de Gado Bovino na Área de Estudo por Distrito ...................................... 3-58
Tabela 3.5.12 Número de Cabeças de Gado Caprino, Ovino, Suíno e Aves na Área de
Estudo por Distrito .................................................................................................. 3-58
Tabela 3.5.13 Área AbrangidapeloProjecto do MCA .................................................................... 3-60
Tabela 3.6.1 Número, Área, Operação e Tamanho dos Sistemas de Irrigação
no Corredor Nacala ................................................................................................ 3-63
Tabela 3.6.2 Usuários de Grandes Sistemas de Irrigação na Área de Estudo .......................... 3-64
Tabela 3.6.3 Licenças Registadas/Concessão para Uso de Água na Área de Estudo .............. 3-68
Tabela 3.7.1 Unidades Experimentais do IIAM CZnd e CZnw ................................................... 3-69
Tabela 3.7.2 Culturas e Produtos Alimentares Básicos Estratégicas do IIAM CZnd e CZnw .... 3-69
Tabela 3.7.3 Número de Extensionistas na Área de Estudo por Distrito .................................... 3-71
Tabela 3.7.4 Organizações Abrangidas pela DPASA ................................................................. 3-77
Tabela 3.7.5 Estabelecimentos Agrícolas que usam Sementes Melhoradas de Milho(%)......... 3-77
Tabela 3.7.6 Produção de Sementes Certificadas em Moçambique .......................................... 3-77
Tabela 3.7.7 Estimativas das Vendas de Sementes Certificadas em Moçambique em 2011 .... 3-78
Tabela 3.7.8 Distribuição das Sementes do PAPA ..................................................................... 3-79
Tabela 3.7.9 Proporção de Estabelecimentos Agrícolas que Utilizam Fertilizantes (%) ............ 3-80
Tabela 3.7.10 Consumo Estimado de Fertilizantes Químicosem Moçambique ........................... 3-80
Tabela 3.7.11 Estrutura de Preço da Uréia em 2011 .................................................................... 3-80
Tabela 3.7.12 % de Estabelecimentos Agrícolas que Utilizam Pesticidas ................................... 3-82
Tabela 3.7.13 Uso de Pesticidas em Moçambique ....................................................................... 3-82
Tabela 3.7.14 Tractores Importados pelos Principais Distribuidores (2008-11) ........................... 3-83
Tabela 3.7.15 Tractores Distribuídos pelo Governo (2008-2010) ................................................. 3-83
Tabela 3.7.16 Instituições Financeiras na Área de Estudo em 2011 ............................................ 3-84
Tabela 3.7.17 Informação detalhada sobre oSistema Operacional do GAPI ............................... 3-84
Tabela 3.7.18 Informação Detalhada sobre o Sistema Operacional do Banco
Oportunidade de Moçambique ............................................................................... 3-85
Tabela 3.7.19 Sistema de Financiamento para Machambas e Agro-negócio
no Corredor de Nacala ........................................................................................... 3-87
Tabela 3.8.1 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Culturas
Alimentares Básicas ............................................................................................... 3-88
Tabela 3.8.2 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Feijões ........................ 3-89
Tabela 3.8.3 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Outras Culturas .......... 3-89
Tabela 3.8.4 Preço de Compra e Venda do Comerciante .......................................................... 3-93
Tabela 3.8.5 Indústria de Processamento Agrícola de Pequena e Média Escala
na Área de Estudo .................................................................................................. 3-94
Tabela 3.8.6 Área de Produção de Algodão por Concessão (ha) .............................................. 3-96
Tabela 3.8.7 Fábrica de Processamento de Castanha de Caju em Nampula em 2009 ............. 3-97
Tabela 3.9.1 Densidade da Rede de Estradas ........................................................................... 3-99
Tabela 3.9.2 Comparação do Custo de Transporte por Ferrovia, Rodovia e Navio ................. 3-100
Tabela 3.9.3 Armazéns e Taxa de Armazenamento ................................................................. 3-102
Tabela 3.10.1 Investimentos Agrícolas/agro-industriais no Corredor de Nacala (2008-2012) ... 3-104
Tabela 3.10.2 Investimentos na Agricultura/Agro-indústria no Corredor de Nacala
por Actividade (2008 - 2012) ................................................................................ 3-104
Tabela 3.10.3 Principais Grandes Investimentos Agrícolas no Corredor de Nacala .................. 3-105
Tabela 3.10.4 Resumo do Investimento de Agro-processamento na Província de Nampula
(2007 – 2011) ....................................................................................................... 3-106
Tabela 3.10.5 Informações do Projecto de ONG Local .............................................................. 3-112
Tabela 3.10.6 Informações sobre os Projectos Implementados pelo Governo .......................... 3-113
Tabela 3.11.1 Projectos do Sector Agrícola em Andamento sob implementação de Agências
Internacionais ....................................................................................................... 3-114
Tabela 3.11.2 Lista de ONGs no Sector Agrícola na Área de Estudo (2012) ............................. 3-116
Tabela 3.12.1 Dados Usados para Avaliar a Necessidade Urgente do Abandono Docultivo
Extensivo Predominante ...................................................................................... 3-117
Tabela 3.12.2 Necessidade Urgente do Abandono do Cultivo Extensivo Predominante ........... 3-118
Tabela 3.12.3 Análise da Necessidade Urgente do Abandono do Cultivo Extensivo
Predominante ..................................................................................................... 3-118
Tabela 3.12.4 Dados Usados para a Avaliação da Receptividade dos Produtores Locais
a Novas Tecnologias Agrícolas ............................................................................ 3-119
Tabela 3.12.5 Receptividade dos Produtores Locais a Novas Tecnologias Agrícolas ............... 3-119
Tabela 3.12.6 Grau de Receptividade dos Produtores Locais a Novas Tecnologias Agrárias ... 3-120
Tabela 3.12.7 Compatibilidade do Sistema Agrícola .................................................................. 3-121
Tabela 3.12.8 Categorização do Uso de Terra ........................................................................... 3-122
Tabela 3.12.9 Informações referentes à Avaliação da Vulnerabilidade Social e Ambiental ....... 3-123
Tabela 3.12.10 Vulnerabilidade Social e Ambiental ..................................................................... 3-123
Tabela 3.12.11 Vulnerabilidade Social ......................................................................................... 3-124
Tabela 3.12.12 Vulnerabilidade Ambiental ................................................................................... 3-124
Tabela 3.12.13 Compatibilidade do Sistema Agrícola ................................................................. 3-125
Tabela 3.12.14 Compatibilidade das Condições Agrícolas Locais em relação à Diversificação
Agrícola ................................................................................................................ 3-126
Tabela 3.12.15 Resultados do Zoneamento Agrícola ................................................................... 3-126
Tabela 3.12.16 Mapeamento do Potencial de Desenvolvimento Agrícola em todas Zonas......... 3-130
Tabela 3.12.17 Análise FOFA para a ZONA I (Monapo, Muecate e Mecubúri) ............................ 3-132
Tabela 3.12.18 Análise FOFA para Zona II (Meconta, Mogovolas, Nampula e Murrupula) ......... 3-133
Tabela 3.12.19 Análise FOFA para Zona III (Ribaué, Lalaua, Malema e Alto Molócuè) .............. 3-134
Tabela 3.12.20 Análise FOFA da Zona IV (Gurué excluindo o Posto Administrativo de Lioma) .. 3-135
Tabela 3.12.21 Análise FOFA para a Zona V (Posto Administrativo de Lioma em Gurué,
Cuamba, Mecanhelas, Mandimba e Nguama) .................................................... 3-136
Tabela 3.12.22 Análise FOFA para a Zona VI (Majune, Lichinga e Sanga) ................................. 3-137
Tabela 3.13.1 Áreas Protegidas Nacionalmente Designadas na Área de Intervenção
do Programa......................................................................................................... 3-139
Tabela 3.13.2 Espécies de Animais Protegidas e/ou Ameaçadas na Área de Estudo ............... 3-140
Tabela 3.13.3 Património Sujeito à Protecção ............................................................................ 3-143
Tabela 3.13.4 Delimitação de Áreas de Comunidades ao Nível Provincial em 2010 ................. 3-145
Tabela 3.13.5 Conflitos de terra no Corredor de Nacala, em Relação aos Projectos
de Investimento .................................................................................................... 3-146
Tabela 3.13.6 Esudos de Caso da AIA ....................................................................................... 3-148
Tabela 3.13.7 Prováveis Impactos Adversos e Medidas de Mitigação nos Estudos de Casos . 3-149

LISTADEFIGURAS

Figura 2.1.1 Distribuição das Classes de Solos em Moçambique ............................................... 2-1


Figura 2.1.2 Crescimento do PIB após 1995 ............................................................................... 2-2
Figura 2.1.3 Evulução da Contribuição no PIB por Subsector ..................................................... 2-3
Figura 2.2.2 Organograma do MASA ......................................................................................... 2-22
Figura 2.5.1 Papel dos extensionistas na Produção Agrária, Intensificação e Diversificação ... 2-29
Figura 2.7.1 Fluxo de Produção e Comercialização do Milho (esquerda) e dos Feijões
(direita) ................................................................................................................... 2-42
Figura 2.7.2 Importação e Exportação de Milho (quantidade e valor) ....................................... 2-44
Figura 2.7.3 Importação do Arroz Processado (quantidade e valor) .......................................... 2-44
Figura 2.7.4 Importação de Soja e do Óleo de Soja (quantidade e valor) ................................. 2-45
Figura 2.7.5 Importação de Trigo e de Farinha de Trigo (quantidade e valor) ........................... 2-45
Figura 2.7.6 Importação de Carne de Frango e de Torta de Soja (quantidade e valor) ............ 2-45
Figura 2.7.7 Importação e Exportação de Amendoim (quantidade e valor) ............................... 2-46
Figura 2.7.8 Exportação de Banana e Gergelim (quantidade e valor) ....................................... 2-47
Figura 2.7.9 Preços Médios das Culturas .................................................................................. 2-48
Figura 2.7.10 Distribuição de Série de Preços ............................................................................. 2-48
Figura 2.7.11 Distribuição dos Preços por Trimestre ................................................................... 2-49
Figura 2.7.12 Comparação dos Preços nas Províncias ............................................................... 2-50
Figura 2.7.13 Exportação de Algodão (esquerda) e de Semente de Algodão (direita)
(quantidade e valor) .......................................................................................... 2-51
Figura 2.7.14 Exportação de Castanha de Caju sem Casca (esquerda) e com Casca
(direita) (quantidade e valor) ................................................................................ 2-52
Figura 2.7.15 Exportação de Tabaco (quantidade e valor) ......................................................... 2-52
Figura 2.7.16 Exportação de Chá (quantidade e valor) .............................................................. 2-52
Figura 2.7.17 Importação e Exportação de Açúcar (quantidade e valor) ................................... 2-53
Figura 2.8.1 Fluxograma de Solicitação de Autorização para Investimento e Respectivas
Licenças necessárias ............................................................................................. 2-57
Figura 2.8.2 Número de Projectos de Investimento Aprovados por Sector ............................... 2-58
Figura 2.9.1 Fluxograma do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT) ....................... 2-66
Figura 2.10.1 Fluxograma do Processo da AIA ............................................................................ 2-71

Figura 3.1.1 Relevo do Corredor de Nacala ................................................................................. 3-2


Figura 3.1.2 Temperatura Média Anual ........................................................................................ 3-3
Figura 3.1.3 Precipitação Anual.................................................................................................... 3-4
Figura 3.1.4 Temperatura x Precipitação e BHC de Meconta ...................................................... 3-5
Figura 3.1.5 Temperatura x Precipitação e BHC de Nampula ..................................................... 3-5
Figura 3.1.6 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Cuamba ..................................................... 3-5
Figura 3.1.7 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Guruè ......................................................... 3-5
Figura 3.1.8 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Lichinga ...................................................... 3-6
Figura 3.1.9 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Diamantino/MT ........................................... 3-6
Figura 3.1.10 Sistema Fluvial ......................................................................................................... 3-7
Figura 3.1.11 Mapa Hidrogeológico.............................................................................................. 3-8
Figura 3.1.12 Solos na Área de Estudo ....................................................................................... 3-10
Figura 3.1.13 Adequabilidade dos Solos para a Prática da Agricultura na Área de Estudo ........ 3-11
Figura 3.1.14 Zoneamento Agroecológico na Área do Estudo .................................................... 3-12
Figure 3.2.1 Mapa Etnográfico Simplificado da área do estudo ................................................ 3-23
Figura 3.3.1 Classificação da Terra Agrícola .............................................................................. 3-32
Figura 3.3.2 Uso do Solo na Área de Estudo ............................................................................. 3-33
Figura 3.3.3 Distribuição da Área de Concessões e DUATs ...................................................... 3-34
Figura 3.3.4 Ocupação da Terra em Torno das Comunidades e Localização das
Comunidade em Relação a Distância dos Rios e Estradas .................................. 3-35
Figura 3.3.5 Localização Geográfica de Florestas, Comunidades e Rios Perenes ................... 3-38
Figura 3.3.6 Exemplos de PDUT ................................................................................................ 3-41
Figura 3.5.1 Parcelas de Terra Registadas por Município Maio–Junho em 2012 ..................... 3-61
Figura 3.7.1 Organizações do Governo Relacionas com Serviços de Extensão Agrária .......... 3-70
Figura 3.7.2 Produção e Distribuição de Sementes em Moçambique ....................................... 3-79
Figura 3.7.3 Processamento e Distribuição de Fertilizantes em Moçambique .......................... 3-81
Figura 3.7.4 Distribuição de Pesticidas em Moçambique .......................................................... 3-82
Figura 3.8.1 Produção e Movimentação .................................................................................... 3-90
Figura 3.8.2 Cadeia de Valordemilho em Grãoefarinha de Milhoem Nampula .......................... 3-91
Figura 3.8.3 Cadeia de Valor da Soja em Nampula ................................................................... 3-92
Figura 3.8.4 Cadeia de Valor de Feijão Nhemba em Nampula .................................................. 3-92
Figura 3.8.5 Cadeia de Valor de Amendoim em Nampula ......................................................... 3-92
Figura 3.8.6 Cadeia de Valor de Feijão manteiga em Nampula ................................................ 3-93
Figura 3.8.7 Produção de Pluma de Algodão por Província ...................................................... 3-98
Figura 3.10.1 Modelo de Agro-negócio com Pequenos Produtores: ......................................... 3-107
Figura 3.10.2 Modelo de Agro-negócio com Pequenos Produtores : Caso da empresa
de sementes (Campo de Produção Comercial) ................................................... 3-108
Figura 3.10.3 Modelo de Agro-negócio com Pequenos produtores ........................................... 3-110
Figura 3.10.4 Modelo de Agro-negócio com Pequenos Produtores ...........................................3-111
Figure 3.12.1 Sequência para o Zoneamento ............................................................................ 3-117
Figure 3.12.2 Análise da Compatibilidade das Condições Locais de Cultivo com
Diversificação Agrícola ......................................................................................... 3-120
Figura 3.12.3 Mapa de uso da Terra na Área de Intervenção .................................................... 3-122
Figura 3.12.4 Resultado do Zoneamento Agrícola ..................................................................... 3-127
Figura 3.13.1 Áreas Nacionalmente Designadas Protegidas, na Área de Intervenção
do Programa......................................................................................................... 3-139
Figura 3.13.2 Terra Ocupada por Portadores de DUAT ............................................................. 3-144
Figura 3.13.3 Terra Ocupada por Portadores de DUATe Produtores Locais ............................. 3-144
ABREVIATURAS

AAM Associação Algodão deMoçambique


ADB Banco Africano de Desenvolvimento
ADMARC Desenvolvimento Agrícola e Coeperação
AFR Agregado Familiar Rural
AIA Agro Indústrias Associadas Lda
AICD Diagnóstico de Infra-estrutura do País de Africa
SIDA Sindroma da Imunodeficiencia Adquirida
AIFM Avaliação Integrada das Florestas de Moçambique
AMPCM Associação Moçambicana para a Promoção de Cooperativas Modernas
ANE Administração Nacional de Estradas
ARA Administração Regional de Águas
ARA-CN Agência Regional de Gestão das Águas – Central Norte
ARA-N Agência Regional de Gestão das Águas – Norte
ARV Droga Anti-Reciclar
UA União Africana
BAGC Corredor do Desenvolvimento Agrícola da Beira
BCM Bilhões de Metros Cúbicos
BOM Banco Oportunidade de Moçambique, SA
CAADP Programa Abrangente de Desenvolvimento da Agricultura em África
CDN Corredor do Desenvolvimento do Norte
CASP Conferência Anual do Sector Privado
CENACARTA Centro Nacional de Cartografia e Teledetecção
CEPAGRI Centro de Promoção da Agricultura
CF Agricultura Empresarial
CFF Centro de Pesquisas de Frutas
CFS Comité para a Segurança Alimentar Mundial
CGER Comunidade para Gerencia de Extensão Agrícola
CIF Custo, Seguros e Cargas
CIMMYT Centro Internacional Melhoria de Milho e Trigo
CIP Centro International de Batata
CLUSA Liga das Cooperativa dos EUA
CNA Conselho Nacional da Água
CPI Centro de Promoção de Investimentos
CSO Organizões da Sociedade Civil
RSC Responsabilidade Social Coorporativa
CTA Confideração das Associações Económicas de Moçambique
CTV Centro Terra Viva
BHC Balanço Hídrico Climatológico
DANIDA Agência Dinamarquesa para o Desenvolvimento Internacional
DDA Direcção Distrital de Agricultura
DFID Departamento para o Desenvolvimento Internacional, Reino Unido
DGF Direcção-Geral de Segurança
DHAA Direito Humano à Alimentação Adequada
DNA Direcção Nacional das Águas
DNAF Direcção Nacional da Agricultura e Florestas
DNAPOT Direcção Nacional de Planeamento e Ordenamento Territorial
DNEA Direcção Nacional de Extensão Agrária
DINA Direcção Nacional de Agricultura
DNSA Direcção Nacional dos Serviços Agrícolas
DNTF Direcção Nacional de Terras e Florestas
DNV Direcção Nacional de Veterinária
DPA Direcção Provincial da Agricultura
DPASA Direcção Provincial da Agricultura e Segurança Alimentar
DPCA Direcção Provincial para Coordenação da Acção Ambiental
DPEC Direcção Provincial da Educação e Cultura
DPIC Direcção Provincial de Plano e Cooperação Internacional
DPTRAB Direcção Provincial do Trabalho
DUAT Directo de Uso e Aproveitamento da Terra
EDR Estratégia de Desenvolvimento Rural
EIA Avaliação do Impacto Ambiental
EMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EP Ensino Primário
EPDA Pré-viabilidade Ambiental e Relatório de Definição do Âmbito
ESAN A Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional
UE União Européia
FAO Organização para Agricultura e Alimentação
FAOSTAT Alimentação e Agricultura Organização Estatística
FB Agricultura Familiar
FDA Fundo de Desenvolvimento Agrícola
FDD Fundo de Desenvolvimento Distrital
FDHA Fundo de Desenvolvimento de Irrigação
FEWSNET Rede de sistema de aviso da fome
FF Agricultura Familiar
FID Fundo para o Desenvolvimento de Investimento
FIPAG Fundo de Invertimento e Património de Abastecimento de Água
FISP Programa de Subsídio de Investomento Agrícola
FOB FOB
FONPA Fórum Nacional dos Produtores de Algodão
FRELIMO Frente de Libertação de Moçambique
FUNAB Fundo do Ambiente
FUNDAG Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola
GAP Boas Práticas Agrícolas
GAPI Gabinete de Consultoria e Apoio à Pequena Indústria
GAZEDA Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado
GDP/PIB Produto Interno Bruto
GED Gabinete de Estudos e Desenvolvimento Estratégico
GIS/SIG Sistema de Informação Geográfica
OGM Organismos Geneticamente Modificados
PIB Produto Interno Bruto
PNB Produto Nacional Bruto
HCB/UHCB Usina Hidrelétrica de Cahora Bassa
HH Agregado Familiar
HICEP Empresa Pública de Irrigaçãode Chokwe
HIV Vírus da Imunodeficiência Humana
HRAF Direito Humano à Alimentação Adequada
IAM Instituto do Algodão de Moçambique
IAP Insumos Agricola e Pecuraia
IARCs Centros de Pesquisa Agrícola Internacional
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICM Instituto de Cereais de Moçambique
ICRISAT Instituto Internacional de Investigação de Colheitas para os Trópicos Semi-Áridos
TIC Tecnologias de Informação e Comunicação
IDA Associação Internacional de Desenvolvimento
IFAD Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola
IFDC Centro de Desenvolvimento Internacional de Fertilizantes
IFTRAB Inquérito Integrado à Força de Trabalho
IIAM Instituto de Investigação Agrária de Moçambique
IITA Instituto Internacional de Agricultura Tropical
IIT Organização Internacional do Trabalho
FMI Fundo Monetário Internacional
INCAJU Instituto de Fomento do Caju
INE Instituto Nacional de Estatística
INEEP Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional
INIA Instituto Nacional de Investigação Agrícola
INAM Instituto Nacional de Meteorologia
INIR Instituto Nacional de Irrigação
INS Instituto Nacional de Saúde
INSIDA Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informação sobre HIV/AIDS
IRN Notíciae Análise Humanitário
IRPC Imposto sobre Rendimento de Pessoas Colectivas
IRPS Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singualares
ISRIC Centro Internacional de Refeência e Informação sobre o Solo
iTC Iniciativa das Terras Comunitárias
UIT União Internacional das Telecomunicações
JICA Agência Japonesas de Cooperação Internacional
JIRCAS Centro Internacional do Japão para Ciências Agráricolas
SCUCT Sistema de Classificação do uso e Cobertura da Terra
LOLE Lei dos Órgãos Locais do Estado
MAE Ministério da Administração Estatal
MARD Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural
MASA Ministério de Agricultura e Segurança Alimentar
MCA Millennium Challenge Account
MCC Millenium Challenge Corporation
MCTESTP Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
MCTUR Ministério da Cultura e Turismo
MF Ministério das Finanças
MFI Instituição de Microfinanças
MICS Inquérito de Indicadores Múltiplos
MICOA Ministério para a Coordenação da Acção Ambiental
MINAG Ministério da Agricultura
MITADER Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural
MITRAB Ministério do Trabalho
MLTC Empresa de Folha de Tobacco de Moçambique
MOFJ Ministério das Finanças e da Justiça
MOPHRH Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos
MOT Ministério do Turismo
MPD Ministério da Planificação e Desenvolvimento
MT Meticais
DNAS Direcção Nacional de Acção Social
NEPAD Nova Parceria para o Desenvolvimento de África
ONG Organização Não Governamental
PNA Política Nacional de Águas
OECD Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
OIIL Orçamento de Investimento de Iniciativa Locais
O/M Operação e Manutenção
PAEI Política Agrária e sua Estratégia de Implementação
PAP Parceiro de Apoio Programático
PAPA Plano de Acção para a Produção de Alimentos
PARPA Programa de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta
PASAN Plano de Acção para a Segurança Alimentar e Nutricional
PDEA Plano Director de Extensão Agrária
PDUT Plano Distrital de Uso da Terra
PEDD Plano Estratégico de Desenvolvimento Distrital
PEDHAN Plano Estratégico de Desenvolvimento da Irrigação em Nampula
PEDP Plano Estratégico de Desenvolvimento Provincial
PEDSA Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector agrícola
PEDZ Plano Estratégico de Desenvolvimento da Zambézia
PEP Plano Estratégico Provincial
PES Plano Económico e Social
PESO Plano Económico Social Orçamento
PESOD Plano Económico Social e Orçamento Dsitrital
PIDE Polícia Internacional e de de Defesa do Estado l
IPAT Instituto Provincial de Agricultura Tropical
PHRD Fundo de Desenvolvimento de Política e Recursos Humano
PNISA Programa Nacional de Investimento do Sector agrícola
PPP Parcerias Público-Privadas
PROAGRI-Ⅱ Programa Nacional de Desenvolvimento Agrícola-Ⅱ
PROIRRI Projeto de Irrigação de Desenvolvimento Sustentável
PROMER Programa Nacional de Promoção do Mercado Rural
PRONAF Programe National de Fortalecimento da Agriculture Familiar
PRONEA Programa Nacional de Extensão Agrária
Programa de Cooperação Triangular para o Desenvolvimento Agrícola da SavanaTropical em
ProSAVANA
Moçambique
ProSAVANA-JAM Estudo Preparatório sobre o Programa de Cooperação Triangular para o Desenvolvimento
Agrícola da Savana Tropical Africano entre Japão, Brasil e Moçambique
ProSAVANA-PEM Projecto para o Estabelecimento de Modelos de Desenvolvimento ao nível da Comunidade,
com Melhoria dos Serviços Rurais de Extensão no Âmbito do Desenvolvimento do Corredor
de Nacala em Moçambique
ProSAVANA-PI Projecto para a Melhoria da Capacidade de Investigação e Transferência de Tecnologias para
o Desenvolvimento Agrícola no Corredor de Nacala em Moçambique
PSAA Pequeno Sistema de Abastecimento de Água
PQG Programa Quinquenal do Governo
R&D Pesquisa e desenvolvimento
RAP Plano de Ação de Reassentamento
RDUAT Actividade do Regulamento de DUAT
REDO Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação
SADC Comunidade para o Desenvolvimento Africano Austral
SDAE Serviços Distritais de Actividades Económicas
SDC Agência Suíça para Desenvolvimento e Cooperação
SDPI Serviço Distrital de Planeamento e Infra-estruturas
SEACAM Avaliação Ambiental Estratégica
SEMOC Empresa de Semente de Moçambique
RAS Relatório Ambiental Simplificado
SETSAN Secretariado Técnico para Segurança Alimentar e Nutricional
ZES Zona Económica Especial
SiBCS Sistema Brasileiro de Classificação de Solos
SIDA/ASDI Agência Sueca de Cooperação para Desenvolvimento Internacional
SIMA Sistema de Informação do Mercado Agrícola
SISNE Sistema Nacional de Extensão Agrícola
PMEs Pequenas e Médias Empresas
SMS Serviço de Mensagens de Testo
SOTER Base de Dados Digital do Solo e Terreno
SPER Serviços Provinciais de Extensão Rural
SPFFB Serviço Provincial de Floresta e Fauna Bravia
SPGC Serviço Provincial de Geografia e Cadastro de Registro
STABEX Programa de Zoneamento Agroclimático
FOFA Pontos Fortes, Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças
SUE Sistema Unificado de Extensão
AT Assisténcia Técnica
TAC Comissão de Avaliação Técnica
TIA Inquérito Agrícola
ToR Termos de referência
UCODIN Unidade de Coordenação do Desenvolvimento Integrado de Nampula
NU Nações Unidas
PDNU Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas
PANU Programa Ambiental das Nações Unidas
UNESCO Programa das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
UNFCC Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas
UNICEF Fundação das Nações Unidas para a Infância
USAID Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional
USEBA Unidade de Produção de Sementes Básicas
VAT IVA
WFP Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas
WRB Referência Mundial Base dos recursos do solo
AUA Associação de Usuários da Água
BM Banco Mundial
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO
1.1 Contextualização
As políticas estratégicas para o desenvolvimento do sector agrário em Moçambique baseiam-se nos
seguintes instrumentos (i) Agenda 2025, (ii) Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector
Agrário (PEDSA 2011-2020), (iii)Programa Quinquenal do Governo, (iv) Plano de Acção para a
Redução da Pobreza (PARPA II).

O Corredor de Nacala constitui um dos seis corredores identificados para a implementação do PEDSA
e para o desenvolvimento da região. Assim, foi estabelecido um Programa de Cooperação Triangular
para o Desenvolvimento Agrário, adaptado às características agrárias desta região. O Acordo
Triangular foi rubricado pelos representantes do Governo de Moçambique, Japão e Brasil, no dia 17
de Setembro de 2009.

1.2 Metodologia de Formulação do Plano Director


As actividades visando a formulação do Plano Director tiveram início em 2012 com formação de uma
equipa técnica que consistia em especialistas de várias áreas do Ministério da Agricultura e Segurança
Alimentar de Moçambique (MASA). Incluía, igualmente, Direcções Provinciais de Agricultura e
Segurança Alimentar (DPASAs) das províncias de Nampula, Niassa e Zambézia. Os Governos do
Japão e do Brasil providenciaram assistência técnica. Ademais, foi subcontratada uma empresa local
que realizou inquéritos a respeito das organizações de produtores e comércio agrário.

O estudo para a elaboração do Plano Director foi realizado usando várias abordagens tendo em conta
as condições, potencial agrário e constrangimentos existentes no Corredor de Nacala, da seguinte
forma:

- Revisão e análise dos relatórios, planos, regulamentos, documentos existentes e dados


primários, como dados estatísticos fornecidos pelo MASA, DPASAs, Serviços Distritais de
Actividades Económicas(SDAE) e outras organizações públicas e privadas.

- Entrevistas com instituições do Governo e do sector privado, comunidades locais,


Organizações não-Governamentais (ONGs), e outras Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

- Trabalho de Campo para compreender as condições prevalecentes, incluindo entrevista nos


SDAE, produtores individuais e empresas privadas.

- Inquérito à organizações de produtores para obter informação a respeito da sua estrutura


organizacional, funções e situação legal e financeira em 14 distritos1.

- Inquérito sobre comércio agrícola para recolher informação sobre a produção e consumo
agrícola, comercialização e percentagem de perdas da produção pelos pequenos produtores,
condições de comercialização na região, processamento e outras actividades afim.

1
A area de estudo em 2012 compreendia 14 distritos, actualmente compreende 19 distritos

1-1
Versão Provisória - ANEXO

- Análise de dados existentes no Sistema de Informação Geográfico (SIG) bem como outros
dados para melhor compreender a distribuição de recursos naturais e uso da terra, e avaliar o
potencial agrícola.

Com base nas actividades supracitadas, foram preparados dois capítulos relativos a situação actual de
Moçambique e da Zona do Corredor de Nacala, incluindo o presente anexo.

1-2
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

CAPÍTULO 2 AGRICULTURA E DESENVOLVIMENTO


AGRÍCOLA EM MOÇAMBIQUE
2.1 Breve Olhar Sobre Moçambique
2.1.1 Condições Naturais

Moçambique localiza-se na costa oriental do continente africano, entre os paralelos 10˚ 27’ e 26˚ 52’
de latitude Sul e entre os meridianos 30˚ 12’ e 40˚51 de longitude Leste. Faz fronteira com Tanzânia,
Zâmbia, Malawi, Zimbábue, Suazilândia e África do Sul. O país é constituído por 10 províncias e 128
distritos.

(1) Clima

Moçambique possui clima caracterizado por


duas estações principais, uma quente e
chuvosa que se verifica entre os meses de
Outubro e Abril, e outra fresca e seca entre
os meses de Maio e Setembro. As
temperaturas médias mais elevadas
verificam-se na região costeira e Norte do
país, chegando a ultrapassar 25.5°C anuais.
As regiões de maior altitude, tal como
Lichinga, ou regiões ao Sul do país
apresentam temperaturas médias inferiores,
cerca de 22ºC anuais. As elevadas
temperaturas associadas a ciclones tropicais
são comuns e muitas vezes causam
inundações, principalmente nos meses de
Janeiro e Fevereiro.

As maiores médias pluviométricas


registam-se no Norte do país, ultrapassando,
em algumas regiões, 1.300 mm/ano. Na
região Sul, os índices pluviométricos Figura 2.1.1 Distribuição das Classes de Solos em
tendem a reduzir. Moçambique
Fonte: A Equipe deEstudo2013
(2) Hidrografia

Maior parte dos rios de Moçambique correno sentido Oeste para Leste, em direcção ao Oceano
Índico. O regime dos rios de Moçambique classifica-se como efémero, com escoamentos elevados
durante a estação chuvosa, de Novembro a Março, e escoamentos reduzidos durante a estação seca, de

2-1
Versão Provisória - ANEXO

Abril a Outubro. As águas subterrâneas no país possuem potenciais de 17 a 32 bilhões de metros


cúbicos. No entanto, a predominância de rochas impermeáveis em 60% do país limita o
aproveitamento desse recurso. As águas subterrâneas são usadas principalmente para o abastecimento
doméstico, sobretudo nas zonas rurais.

(3) Solos

No país, encontram-se tanto solos pouco estruturados, como Cambissolos e Neossolos, quanto solos
mais antigos, como Latossolos. De acordo com Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SIBCS),
a classificação dos solos resultou em nove classes distintas (Figura 2.1.1).

Usou-se uma escala de 1:250.000 na província de Nampula e de 1:100.000 nas demais províncias,
conforme a disponibilidade.

2.1.2 Situação Socioeconómica

(1) População

O país registou um crescimento da população, de


Tabela 2.1.1 Indicadores Sociais
15,9 milhões em 1995 para 24,4 milhões em 2013
Taxa de alfabetização (%) 49.9
(média de crescimento anual de 2,4%). A Expectativa de vida ao nascer (anos) 53.1
participação da população rural reduziu de 74,8% Taxa de natalidade (em 1000) 40.5
Taxa de mortalidade (em 1000) 12.9
em 1995 para 68,6% em 2013, no entanto, o Taxa de mortalidade infantil (em 1000) 82.7
crescimento médio anual da população na zona rural Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE) Anuário
Estatístico2013
aumentou 1,9% no mesmo período, que era inferior
do que a propoção de crescimento anual da população urbana. A Tabela 2.1.1. mostra os principais
indicadores sociais.

25 500
PIB (bilhões de US$) e alteração anual (%)

(2) Produto Interno Bruto


PIB (bilhões de US$)
(PIB) 20 PIB annual % Alteração 400
PIB per capita (US$)

PIB per capita (US$)


15 300
Moçambique iniciou o processo de
democratização em 1995, na 10 200

sequência das primeiras eleições 5 100


presidenciais que tiveram lugar em
0 0
1994, finda a guerra civil. Desde
1995, a taxa de crescimento real do
Fonte: Base de Dados do Banco Mundial
Produto Interno Bruto (PIB) no país
Figura 2.1.2 Crescimento do PIB após 1995
continuou a registar um aumento a
uma taxa superior a 8% até meados dos anos 2005 e, durante os últimos nove anos (2006 a 2014),
ainda se manteve em alta de 6,3% por ano. O PIB per capita também cresceu de US$ 198 em 1996
para US$ 640 em 2014.

Face ao cenário de globalização económica, países altamente influentes estão a se fazer a República de
Moçambique, com o objectivo de explorar o seu enorme potencial para novos investimentos.

2-2
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Consequentemente, o país, que possui recursos naturais cruciais, está a testemunhar um um


desenvolvimento económico cada vez mais crescente e está a se tornar num centro de produção
mundial chave para alimentos e energia. Neste processo de transição, o papel da agricultura deve
igualmente ser enfatizado.

O sector agrário é o que mais contribui no PIB do país com mais de 30%, seguidor pelos sectores da
indústria, conforme ilustra a Figura 2.1.3.

40
Parcela do Sector no PIB (%)

35
30
25
20
15
10 Agricultura, valor agregado (% do PIB)
5 Fabricação,, valor agregado (% do PIB)
Indústria, valor agregado (% do PIB)
-

Figura 2.1.3 Evulução da Contribuição no PIB por Subsector

Segundo Bacha2, a agricultura desempenha basicamente cinco funções importantes no processo de


desenvolvimento económico, nomeadamente.

 Fornecer alimentos para toda a população;


 Fornecer capital para a expansão do sector não agrário;
 Fornecer mão-de-obra para o crescimento e para a diversificação de actividades na economia;
 Fornecer divisas para a aquisição de insumos e de bens de capitais necessários ao desenvolvimento de
actividades económicas;
 Criação de mercado de consumidores para os produtos do sector não agrário.

(3) Política de Desenvolvimento Socioeconómico do Governo

Depois de ter aceite o Ajuste Estrutural do FMI, verificou-se progressão no desenvolvimento


económico e social nacional, decorrente da economização do mercado. No entanto, 55% da população
encontra-se abaixo da linha da pobreza national (18.4MT/dia) em 20093 e o Rendimento Nacional
Bruto (RNB) per capita situa-se nos US$ 620 em 20144. O Governo de Moçambique definiu a
redução da pobreza como a principal prioridade e promoveu vários programas económicos e sociais,
dentre os quais o “Programa de Acção para a Redução da Pobreza (PARPA) 2011 a 2014” que visava
alcançar a “redução da pobreza e a melhoria da forças de trabalho através do desenvolvimento
económico integrado”, cuja meta é reduzir o índice de pobreza para 42% até 2014.

2
BACHA, C. J. C. Economia e Política Agrícola no Brasil. 2ª Edição. Editora Atlas, 2012.
3MPD, Poverty and Wellbeing in Mozambique: Third National Poverty Assessment, Oct. 2010
4World Bank, DATABANK

2-3
Versão Provisória - ANEXO

As políticas de desenvolvimento económico e social do Governo de Moçambique consubstancia-sena


Estratégia Nacional de Desenvolvimento (Plano Quinquenal do Governo), como a principal, e PARPA
e os planos sectoriais de desenvolvimento prosseguem sob aquele plano.

2.1.3 Características de Género e de Mão-de-obra Local

(1) Caracterização da Mão-de-Obra Local

De acordo com o relatório5, o país apresenta uma elevada taxa de crescimento populacional (2,8%), e
estima-se que cerca de 300.000 novos trabalhadores entram anualmente no mercado de emprego.
Igualmente, registam-se elevadas taxas de crescimento económico que, são impulsionadas, em grande
medida, por projectos de capital intensivo, especialmente na indústria extractiva. A taxa de
desemprego situa-se em torno de 27%. A economia formal é predominantemente urbana e representa
apenas 32% do emprego total. Devido a esta situação, muitos dos novos trabalhadores com poucas
perspectivas de emprego estável são forçados a trabalhos marginais, relegados à economia informal,
tanto nas zonas rurais como nas zonas áreas urbanas.

As estatísticas do Instituto Nacional de Emprego e Formação Vocacional (INEFP)6, relativas ao


desemprego registado em 2004, indicam os que procuram emprego apresentam as seguintes
características: baixo nível académico (90% nível de escolaridade abaixo da 9ª classe e apenas 1,3%
possuem o nível secundário); baixa qualificação profissional (62% não tem nenhuma qualificação) e
pouca ou nenhuma técnica ou experiência. Isto resulta em fraca empregabilidade.

Para aliviar a pobreza extrema, reduzir a vulnerabilidade social e mitigar o impacto adverso do clima
económico, deve-se gerar empregos em diferentes sectores, de acordo com a Estratégia de Emprego e
Formação Profissional em Moçambique7.

(2) Género e Condição Social da Mulher

Na esfera pública, Moçambique possui bom índice de inclusão da mulher em cargos operacionais e de
liderança, decorrente dos esforços visando a melhoria das condições da mulher no país, nos últimos
anos.

No entanto, características nas regiões que atravessaram um período de conflito armado, que conheceu
um cenário de uma guerra civil que decorreu deste 1976 até 1992, possuem características peculiares
com origens na diferenciação do tratamento recebido pelas mulheres.

Durante o período da guerra, as mulheres assumiram papel de chefe de família que não era
evidenciado nas situações precárias que viviam, tendo muitas delas, na ausência dos maridos,
emigrado em busca de melhores condições de vida para suas famílias. Devido a essa migração,
constituíram-se famílias chefiadas “de facto” por mulheres8.

5
AFRICAN ECONOMIC OUTLOOK. Moçambique 2012.
<http://www.africaneconomicoutlook.org/fileadmin/uploads/aeo/PDF/Mo%C3%A7ambique.pdf>
6
Instituto National deemprego e formação profissional
7
República de Moçambique. Conselho de Ministros. Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique 2006 – 2015.
Moçambique, 2006
8
CANDIDO, M.H.; LOPES, M.J.M.; Crédito pecuário a mulheres de Moçambique: dinâmicas sociais de gênero. REDES, S,Santa

2-4
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Segundo Cândido9, nas zonas rurais de Moçambique, a hierarquia social da mulher é definida pela
tradição e pela cultura, colocando-a em situação desfavorável. A participação da mulher em
actividades que outrora eram reservadas aos homens é um facto resultante de transformações ocorridas
na estrutura social moçambicana que contribuíram para a ocorrência da “abertura” democrática com
repercussões culturais e socioeconómicas.

Contudo, a esmagadora maioria de mulheres tanto na zona rural como na zona urbana consulta homem
(chefe de família) antes de tomar qualquer decisão sobre a educação, saúde alimentação, conforme
mostra a tabela 2.1.2.

Tabela 2.1.2 Resposabilidade de Tomada de Decisão em Agregados Familiares Chefiados


Homens.
Zonas Rurais Zonas Urbanas
Designação
Homem Mulher Ambos Homem Mulher Ambos
Educação 100% 0% 0% 89% 3% 9%
Saúde 96% 0% 4% 78% 10% 12%
Alimentação 64% 21% 15% 65% 19% 15%
Fonte: WB, Estude de caso de Moçambique: Equidade do Género, 2012

Essa abertura reflecte-se na Constituição de 1990, que respalda alguns direitos universais, tais como o
direito à dignidade humana, à liberdade de expressão, de ideias, de religião, de associação e também à
igualdade entre a mulher e o homem. O artigo 12 da Lei de Terras de 1997, que trata sobre a posse de
terras estabelece o uso e o aproveitamento da direito de terra por singulares e por comunidades,
segundo as normas e as práticas costumeiras que não contrariem a Constituição. Em Moçambique,
existem organizações e projectos que se dedicam a defesa dos direitos da mulher, que realizam
programas visando a melhorias das condições dasmulheres em termos de direitos de uso da terra.

(3) Reflexões sobre a Condição Actual da Mulher em Moçambique

Segundo Moura10, as mulheres encontram-se numa situação de desvantagem desde cedo. A taxa de
analfabetismo feminino é quase o dobro da taxa de analfabetismo masculino, a percentagem de
estudantes do sexo feminino reduz a medida que aumentam os anos de estudo. Outrossim, nas zonas
rurais, o problema éagravada. Ainda, segundo a autora11, o Questionário de Indicadores Básicos de
Bem-estar, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2001, aponta, como causas para
o abandono escolar da rapariga entre seis e dezassete anos, em primeiro lugar, a falta de filosofia no
ensino, em segundo lugar, os custos, em terceiro lugar, a distância do estabelecimento de ensino, e, por
último, a gravidez indesejada.

Actualmente, de acordo com a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),


Moçambique conseguiu elevar as taxas de inscrição no ensino primário através da introdução do

Cruz do Sul, v.15, n.3, p142-164, 2010,


9
CANDIDO, M.H.; LOPES, M.J.M.; Crédito pecuário a mulheres de Moçambique: dinâmicas sociais de gênero. REDES, S,Santa
Cruz do Sul, v.15, n.3, p142-164, 2010,
10
MOURA, T.; ROQUE,S.; ARAUJO, S.; RAFAEL, M.; SANTOS, R.; Invisibilidades da guerra e da paz: Violências contra as
mulheres na Guiné-Bissau, em Moçambique e em Angola. Revista Crítica de Ciências Sociais, pp. 95-122, 2009
11

2-5
Versão Provisória - ANEXO

ensino gratuito ou seja eliminação de taxas matrícula nas instituições do ensino primário, contribuindo
significativamente para o aumento no número de raparigas inscritas nessas instituições de ensino.

Outra questão com a qual a mulher se depara é a violência doméstica. Segundo Moura, a violência
constitui um componente estrutural das relações entre homens e mulheres em Moçambique e confere a
mulher uma posição de subordinação. A mulher acredita que o homem tem o direito perpetrara
agressão, tornando essa acção ainda mais recorrente.

(4) Questão do Género nos Planos e Projectos de Desenvolvimento Agrário

1) Estratégia do Género do MINAG (Setembro de 2005)

A estratégia consiste em uma explicação clara da necessidade de sensibilidade em relação ao género no


sector agrário bem assim uma análise da situação actual do género, elaborando em torno estratégia no
cômputo geral, objectivos, acções, mecanismos de implementação e recursos financeiros. As acções
estratégicas centram-seem 5 pilares nomeadamente: i) O acesso aos recursos e conservação do meio
ambiente, ii) Tecnologia, iii) Serviço de financiamento e mercado iv) Melhoria da organização, v)
Questões transversais: a) Vírus da Imunodeficiência Humana/Sindroma da Imunodeficiencia
Adquirida (HIV / SIDA) e outros, b) Questões de segurança alimentar e nutricional e c) Questões de
alfabetização e socioculturais.

2) Plano Nacional para o Avanço da Mulher (2007-2009, Dezembro de 2007)

O plano de acção é um documento resumido, composto por 5 páginas do boletim da República que
apresenta 7 áreas nomeadamente: i) Mulher, pobreza e desenvolvimento; ii) Educação e formação da
mulher e da criança; iii) Mulher, saúde e HIV/SIDA; iv) Direitos da Mulher e violência; v) Mulher no
poder, na Tomada de decisão e na comunicação social; vi) Mulher, meio ambiente e agricultura; e vii)
mecanismos institucionais para o avanço da mulher.

3) Programa Nacional de Extensão Agrária (PRONEA, 2007)

No capítulo 4 designadamente “Área de Intervenção e Grupo-alvo” faz-se uma descrição da “ Pobreza,


Género e Considerações sobre a situação do HIV/SIDA”, pesa embora faz-se uma retrospectiva em
relação a sensibilidade e sensibilização sobre o género na situação actual, as abordagens específicas
são apenas as seguintes:
 As diferenças do género devem ser profundamente percebidas em todos os distritos que
constituem a área de intervenção de modo que se possa contribuir para o impacto positivo do
género no Programa.
 As questões de sensibilidade do género começam na fase da planificação e não noutras fases.
 Pode-se melhorar a participação da mulher na planificação do programa através da selecção da
hora e locais adequados para as reuniões

4) Programa de Promoção de Mercados Rurais (PROMER, Setembro 2008)

Neste documento, nos subcapítulos “Grupo-Alvo” e “Abordagem” faz-se referência ao seguinte:

2-6
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

 Devido a sua posição de desvantagem socioeconómica, a mulher vai constituir um grupo


importante do grupo-alvo primário (os pequenos produtores de semi-subsistência e outros
pequenos produtores pobres)
 Foram incluídas medidas específicas visando o género.
 Entretanto, não se faz menção do rácio homem/mulher no seio dos beneficiários ou actividades
desenhadas especificamente para apoiar a mulher.

5) Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA, Maio de


2011)

A Missão do PEDSA é “Contribuir para a segurança alimentar e nutricional e a renda dos produtores
de forma competitiva garantindo a equidade social e do género”. No segundo capítulo, “Diagnóstico
do Sector Agrário” faz-se o resumo de problemas e da situação de pobreza da mulher, uma vez que o
género é referenciado como uma questão transversal. Todos os onze princípios são abordados a partir
deste, sendo que um dos princípios é “promover o papel da mulher nas actividades agrárias e
contribuir para o desenvolvimento integral e equitativo de toda sociedade rural”. Os pilares, objectivos
e tratamento da mulher e do género na estratégia são apresentados a seguir:

Tabela 2.1.3 Abordagem do Género no PEDSA


Pilar Metas Estratégia relativa a mulher e género
1. Melhoria da 1.1 Será adaptada tecnologia  Desenvolvimento de programas para
Produtividade melhorada pelos produtores apoiar a participação real da mulher,
, produção e visando a dupla produção juventude e produtores vivendo com
competitivida HIV/SIDA.
de na 1.2 Aumento da capacidade dos  Proporcionar educação continua
agricultura serviços de extensão de modo sobre tecnologias agrárias
a proporcionar tecnologia avançadas incluindo tópicos sobre
efectiva e práticas melhoradas equidade do género, HIV/SIDA e
para a produção agrária e nutrição.
para a melhoria da qualidade
da dieta
1.3 O sistema de investigação será  Fortalecer os mecanismos para a
melhorado para desenvolver, definição das prioridades de
adaptar e proporcionar investigação que sejam orientadas
práticas e tecnologia pela demanda e para o Mercado e
avançada sejam inovadoras, tomando em
consideração as necessidades dos
grupos específicos, tais como a
mulher.
1.7 Aumento da mecanização  Produzir e disseminar conhecimento
agrícola e uso de aumento da prático e teórico no seio dos
tecnologia eficaz produtores, em relação ao uso da
tecnologia adequada, incluindo
equipamento mecanizado e tracção
animal para o cultivo de
determinadas áreas, prestando
atenção especial às necessidades
da mulher bem como outros
produtores que vivem com o
HIV/SIDA e outras doenças crónicas.
2. Serviços e 2.1 Melhoria da infra-estrutura  Promover desenvolvimento de
(estradas, armazéns, emprego na zona rural através da

2-7
Versão Provisória - ANEXO

infra-estrutura mercados) implementação de projectos de


para melhorar infra-estrutura rural, focalizandoa
o acesso do participação equitativa da mulher
Mercado e bem assim do jovem.
quadro de 2.7 Políticas consistentes com os  Integrar questões do género nas
orientação objectivos do sector agrário políticas e programas ligadas á
conducente agricultura e segurança alimentar e
ao nutricional.
investimento 2.8 Fortalecimento do sistema de  Estabelecer um sistema de
agrário informação agrária informação agrária abrangente e
acessível, com base em estatísticas
e sistemas testadas e aprovadas
internacionalmente, com dados
desagregados por género, sempre
que adequado.
3. Utilização 3.2 Melhoria da habilidade de  Treinar membros eoutras partes
integral e formulação de políticas e interessadas da indústria naanálise
sustentável programas relacionados a e formulação de políticas e
da terra, terra, água, florestas e programas, incluindo as relações de
água, floresta mudanças climáticas género e meio ambiente
e recursos 3.3 Melhorar a administração da  Melhorar o acesso da mulher à terra,
faunísticos terra dedicando atenção especial às
necessidades e interesses de
agregados familiares chefiados por
mulheres.
3.7 Melhor a adaptabilidade aos  Desenvolver e implementar
efeitos das mudanças estratégias com vista a mitigar o
climática impacto das mudanças climáticas
sobre os recursos naturais,
segurança alimentar, dedicando
atenção especial aos papéis do
homem e da mulher.

6) Programa Nacional De Investimento do Sector agrícola(PNISA, Abril de 2013)

No capítulo 3, aborda-se a desigualdade do género e os maus costumes em relação a mulher apenas


como causas da malnutrição, no subcapítulo designado “Justificação do Plano de Investimento”.
Constituem as actividades específicas as seguintes: i) Consideração sobre a promoção da equidade do
género em diversas actividades de formação de produtores e técnicos; ii) Atenção especial a
participação equitativa do homem e da mulher na construção e reabilitação de estradas, iii) Apoio ao
acesso aos recursos naturais incluindo a terra para a mulher, e iv) promoção dos procedimentos
correctos de aleitamento materno.

(5) Juventude

O desemprego sobretudo da juventude constitui uma questão chave de desenvolvimento para


Moçambique, coma elevada taxa de crescimento populacional que o país vem registando bem assim o
rápido desenvolvimento económico, motivado por projectos de capital intensivo. No entanto, o
crescimento, o crescimento não está a gerar emprego, gerando o subemprego generalizado. A
economia formal é característica nas zonas urbanas e é responsável por 32% do emprego. Assim,
muitos que ingressam no mercado de emprego são forçados abraçar empregos marginais na economia
informal, no tanto nas zonas ruraisquanto nas zonas urbanas.

2-8
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.1.3 Desemprego, Desemprego Juvenil e Subemprego (2004/05)


12
Desemprego Juvenil
Desemprego Subemprego
15 -19 20-24
Total 19% 37% 27% 13%
Urbano 31% 57% 45% 10%
Rural 13% 26% 17% 14%
Masculino 15% 37% 23% 17%
Feminino 22% 37% 30% 8%
Fonte : INE, Inquérito Integrado à Força de Trabalho (IFTRAB 2004/05), 2006

Os dois sectores que tradicionalmente geram emprego de forma significativa para os jovens são
agricultura e Pequenas e Medias Empresas (PMEs). Infelizmente, apenas um número insignificante de
empresas agrárias tem acesso a serviços e mercados. No respeitante às PMEs, não obstante
representarem 43% do emprego e registarem um crescimento de 7%, ainda seenfrenta desafios que se
predem com a falta de acesso a capital, burocracia e um ambiente de negócios desfavorável13.

Ainda assim, a agricultura de pequena escala absorve maior mão-de-obra em Moçambique, com mais
de 80% de população economicamente activa no sector14. A crescente demanda por biocombustíveis e
fibras bem como fontes de alimentação está a expandir, o que poderá ajudar a acautelar sobremaneira
o problema do desemprego através da criação de trabalho sustentável e condições de vida de muitas
pessoas15. Para os jovens em particular, isso poderia abrir portas para o mercado de emprego, uma vez
que é necessária uma nova geração de produtores para criar uma economia agrária sustentável a longo
prazo.

Por outro lado, quando as oportunidades de emprego são escassas nas zonas rurais, as gerações mais
jovens tendem a migrar para as zonas urbanas a procura de empregos.Consequentemente
formam-sefavelas em áreas urbanas, ampliando o fosso entre ricos e pobres e causando segurança a
declinar. Com isto em mente, é importante para incentivar indústrias de trabalho intensivo em áreas
rurais. O Governo de Moçambique coloca vários desafios às gerações mais jovens. Contudo, os
desafios colocados aos jovens nas zonas urbanas são diferentes dos desafios colocados aos jovens nas
zonas rurais. Em face desta situação, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique
(CTA) é de opinião que é necessário promover o empreendedorismo no seio dos jovens,
particularmente nas províncias.16 Em Outubro de 2013, o parlamento de aprovou uma nova política da
juventude, que prioriza a formação técnica e profissional, bem assim a promoção do emprego e do
empreendedorismo

(6) Trabalho Infantil

No país, Zambézia é a província que regista os mais elevados níveis de trabalho infantil do país, onde
25,5 % das crianças trabalham. As Províncias de Nampula e de Niassa registam 16.3% e 8.9%
respectivamente, sendo a maior parte residente nas zonas rurais. Segundo Relatório Sumário do Fundo

12
De acordo com a actual política da juventude (1996) do Governo, Entende-se por “jovens”, cidadãos com idades entre 15 a 35
anos
13
Moçambique – Perfil do Mercado de Trabalho 2014 Sindicato Dinamarquês, Conselho para Cooperação para o Desenvolvimento
14
FAO/ILO, 2012
15
ILO, 2013:79)
16
Promoção do Emprego Juvenile m Moçambique, Avaliação Conjunta Final, ILO, DEZ 2011

2-9
Versão Provisória - ANEXO

das Nações Unidas para a infância (UNICEF)17, de 2010, Moçambique apresenta uma média de
trabalho infantil de 22% das crianças entre 5 e 14 anos de idade.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, por meio do Inquérito de Indicadores Múltiplos, de 200818,
o tipo de trabalho mais frequente são os negócios familiares, que absorve 16%. Muitas famílias
moçambicanas afirmam que as crianças entram no mercado laboral como uma forma apoiar no
rendimento da família. Esse envolvimento no trabalho infantil é maior no grupo etário de 12-14 anos
(27%) e ligeiramente mais baixo na faixa de 5-11 anos (21%).

2.2 Sector Agrário na Economia Nacional e Direcção do


Desenvolvimento

2.2.1 Tendência da Produção Agrícola e sua Contribuição Socioeconómica

A agricultura é o maior sector económico de Moçambique contribuído em 29,4% no PIB em 2009


(INE). Entretanto em meados dos anos 2000, o sector representava aproximadamente um quarto do
PIB. Estima-se que o sector absorve aproximadamente 80% de toda a mão-de-obra.

PEDSAclassifica as actividades dos Agregados Familiares Rurais (AFRs) em seis tipos diferentes,
sendo que alguns aspectos são realçados em termos de sua produção, por características, conforme
apresentado na Tabela 2.2.1.

Tabela 2.2.1 Caracterização das Actividades Agrícolas

Actividade Localização Caracterização


A produção de milho e mandioca é dominante em todas
as regiões. No Norte, a mapira é cultivada por cerca de
Importante em todas as
metade dos AFRs; no Centro a batata-doce e o arroz
Culturas regiões, com algumas
(com maior concentração nas Províncias da Zambézia e
alimentares diferenças no tipo de
Sofala) são culturas muito praticadas; e, no Sul, o
cultura.
amendoim cumpre um grande papel na segurança
alimentar.
Culturas No Norte, predomina o cultivo do algodão e do
Concentrada no Centro e
orientadas ao gergelim e, no Centro, para além destas culturas,
no Norte do país.
mercado cultivam-se também o girassol e o tabaco.
A criação de galinhas é dominante em todo o país,
enquanto a criação de bovinos está concentrada no Sul
e no Centro. Cabo Delgado e Niassa possuem baixo
efectivo bovino, devido principalmente à elevada
Essencialmente praticada prevalência de Tsé-tsé e Tripanossomoses nessas duas
Criação de por agregados familiares Províncias. A criação de suínos está grandemente
animais de pequena e média afectada por surtos periódicos de peste suína africana.
dimensão. Pequenos ruminantes estão distribuídos por todas as
Províncias do país, mas têm especial expressão nos
AFRs das Províncias do Norte, devido à sua maior
resistência a Tsé-tsé e a Tripanossomoses.
As Províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula
17
UNICEF Moçambique, “Inquérito de base sobre a iniciativa catalítica e inquérito nos distritos amigos das crianças”, 2008.
Disponível em:<http://www.unicef.org/mozambique/pt/IHSS-CFD_baseline_survey_POR_070509.pdf>.
18
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA DE MOÇAMBIQUE (INE). Quadros do 3º Censo Geral da População e
Habitação, 2007. Disponível em: <http://196.22.54.18/home_page/censo07/>;

2-10
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Actividade Localização Caracterização


contribuem com cerca de 19% para o total nacional de
caprinos.
Além disso, nas áreas do norte (por exemplo, Cabo
Delgado e Nampula), onde a prevalência da mosca
tsé-tsé é menor, o gado bovino é promovido, portanto,
atracção animal não é usada.
O corte de capim e a apanha de folhas estão mais
A extracção de lenha e a
concentrados no Norte e no Centro, respectivamente.
produção de carvão são as
Na região Sul, destaca-se o corte de estacas pelos
Actividades principais actividades
AFRs, principalmente para a construção de habitação.
florestais florestais desenvolvidas
Outra actividade importante relacionada com a gestão
pelos AFRs nas três
florestal é a caça, mais concentrada nas regiões Centro
regiões do país.
e Norte do país.
O uso de meios de Maior concentração de infra-estruturas de irrigação nas
produção, como das Províncias de Gaza, Zambézia, Tete e Manica. Existe
infra-estruturas de rega, uma baixa proporção de AFRs que utilizam fertilizantes
Uso de
está concentrado no e pesticidas. Dados regionais e provinciais mostram que
insumos
Centro e no Sul, onde a o uso desses dois tipos de insumos está, sobretudo,
chuva é irregular e quase associado à produção de tabaco e algodão,
não existe no Norte. particularmente no Centro e no Norte.
A venda de produtos
agrários parece ser a fonte
mais importante para os
As actividades por conta própria, como as
AFRs no Centro e no
Fontes de microempresas, são fonte de rendimento para uma
Norte, enquanto o trabalho
rendimento proporção significativa dos AFRs em todas as regiões,
remunerado, as remessas
com realce para as zonas Centro e Sul.
e as pensões são
importantes fontes de
rendimento no Sul.
Fonte: REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Sector Agrário 2011-2020.
Moçambique, 2011. Disponível em http://fsg.afre.msu.edu/mozambique/caadp/CAADPCompactSignedVersion.pdf.
Adaptado pela Equipa de Estudo, 2013.

(1) Culturas Alimentares

O milho, bem como outras culturas, é produzido com base na utilização de enxadas de e agricultura de
sequeiro com mínimo uso de insumos agrícolas, o que limita a sua produtividade. De acordo com a
Organização de Agricultura e Alimentos das Nações Unidas (FAO), a área plantada foi de 1.700.000
ha e a produção foi de 1.631.000 toneladas, que resulta em uma produtividade média de 0.96 toneladas
por hectare para o país em 2013, um valor considerado baixo para esta cultura, comparado com 2.18
toneladas por hectare em Malawi e 2.01 toneladas por hectare em Tanzânia.

O mercado de exportação informal de cereais é muito grande em Moçambique, ainda que o país
apresente um défice crónico na alimentação. O governo tem buscado parcerias para projectos de
extensão que visam o aumento da produtividade agrícola do milho, mas ainda existem desafios devido
ao baixo uso de tecnologia de produção e processamento, bem assim falhas na comercialização.

A mandioca é uma cultura muito importante para o Norte de Moçambique e contribui para a segurança
alimentar em algumas regiões do Sul do país. Entretanto é afectada por doenças como a podridão
radicular, muito comum no Norte do país, razão pela qual é frequentemente associada com feijão e
outras culturas. A maior parte da mandioca cultivada serve para o consumo doméstico, devido à
escassez dos meios de comercialização e de processamento.

2-11
Versão Provisória - ANEXO

De acordo com dados do FAOSTAT, em 2011, 94% da produção destinou-se ao consumo humano e
4% à alimentação animal. Entre os alimentos básicos, a mandioca é a que fornece maior fonte de
calorias em Moçambique. No entanto, essa participação cai, à medida que aumenta a urbanização e
alteram-se as preferências do consumidor para alimentos preparados.

A rizicultura é mais desenvolvida no centro do país. Embora o país produza arroz, a produção não
responde a demanda cada vez crescente. Além disso, verificou-se uma redução na produção desde
princípios de 2000. Existem grandes oportunidades de investimento na cadeia de valor do arroz,
sobretudo no processamento, em parceria com pequenos produtores, governo, doadores e líderes
comunitários em quatro clusters identificados pela estratégia nacional de arroz.

Para impulsionar o investimento do sector privado no sector agrário em Moçambique19, o governo


apoia investindo na infra-estrutura, fornecendo financiamento para a irrigação, actualizando algumas
políticas e incentivando a pesquisa de sementes. Por outro lado, os doadores e os líderes comunitários
devem focar no treinamento de extensionistas, criando associações, financiando estudos e
aprimorando a capacidade de gestão.

Apesar de ser produzido em quantidades reduzidas em Moçambique, o trigo é um produto que exibe
um crescimento constante devido o aumento do consumo de pão e de outros produtos feitos a base de
farinha de trigo. A produção do país corresponde aproximadamente 5% de seu consumo, o que coloca
o país numa situação de bastante vulnerabilidade às variações externas de preços e a crises nos
mercados mundiais.

A mapira (sorgo) já foi uma cultura alimentar tradicionalmente importante, depois do milho e da
mandioca. Entretanto, o consumo per capita tem sido inferior comparado ao do trigo e do arroz nos
últimos anos. A produção tem sido quase igual à demanda doméstica total. Assim como o milho, o
consumo reduzido per capita contribui para estabilizar a quantidade total consumida, apesar do
aumento da população.

(2) Culturas de Rendimento

Devido à sua importância económica, algumas culturas cultivadas em Moçambique possuem


regulamentação específica o que permite a realização de actividades que estão alinhadas com
asactividades de desenvolvimento económico planificadas para país. A seguir descreve-se alguns
aspectos legislativos que regulam as actividades relacionadas com o cultivo do tabaco e do algodão,
por cada uma dessas culturas.

1) Tabaco

Para a exploração do tabaco, Moçambique possui o Regulamento sobre o Fomento, Produção e


Comercialização do Tabaco, fixado pelo Diploma Ministerial n.º 176/2001. De acordo com a
legislação, otabacosão folhas da planta da espécie “Nicotiana tabacum”, em qualquer uma das formas
aceites pela indústria, podendo-se distinguir o tabaco seco em estufa do tabaco seco ao ar livre.

19
REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE.Conselho de Ministros. “Estrategia de Desenvolvimento Rural (EDR)”. Maputo 2007.

2-12
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Para o cultivo do tabaco para fins comerciais, quer no mercado externo quer no mercado interno, e
para realizar a compra e a venda de manocas (conjunto de 20 a 25 folhas pertencentes à mesma
posição de planta e uniformes) ou de tabaco destripado (folha sem a nervura principal) deve-se obter a
licença junto a Direcção Provincial de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Província onde está
situada a área de cultivo.

Essa requisito nãoabarcaos agregados familiares que cultivam o tabaco para o consumo individual e
para os agricultores não autónomos, que são os que recebem apoio de uma determinada entidade para
o cultivo do tabaco sob contrato. Para esses tipos de exploração, o registo deverá ser efectuado pela
Direcção Distrital de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

O cumprimento dessas obrigações é fiscalizado pelos órgãos de inspecção e fiscalização do Ministério


da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que tem livre acesso aos estabelecimentos e/ou áreas de
fomento, produção, comercialização e industrialização do tabaco, devendo os agentes fornecer-lhes os
elementos necessários para o desempenho de suas funções.

2) Algodão

O Diploma Ministerial n.º 91/94 regula a cultura do algodão, dando ênfase a busca pela coordenação
das actividades relacionadas com o fomento, comercialização e fiscalização, bem como a criação de
instituições com certa operacionalidade e dinamismo, de modo que o país possa tirar o máximo
rendimento dessa cultura. De acordo com este Diploma Ministerial, os operadores económicos são
divididos em seis classes, nomeadamente: (i) Classe I - Sector Familiar; (ii) Classe II - Agricultores
não autónomos; (iii) Classe III - Agricultores autónomos; (iv) Classe IV - Concessionários; (v) Classe
V - Industriais; e (vi) Classe VI - Comerciantes de fibra. Para os operadores das classes III a VI, a
inscrição no Instituto do Algodão de Moçambique (IAM) é obrigatória e está sujeita a cobrança de
uma taxa que varia de 50.000,00 MT para a classe III a 6.000.000,00 MT para a classe VI.

Os concessionários (classe IV) possuem uma ou mais fábricas de descaroçamento e prensagem de


algodão e estão autorizados pelo estado a promover o fomento da cultura, apoiando e comprando a
produção de outros produtores. Os contratos com os comerciantes produtores sob contrato que se
beneficiem do seu apoio devem ser formalizados junto ao IAM. As novas concessões devem ser
autorizadas pelo Ministro da Agricultura, com parecer dos Governos Provinciais e do IAM.

Além desses, não se permite o cultivo no mesmo terreno durante mais de três anos sem pousio ou
rotação de culturas. A fibra de algodão produzida no país pode ser transaccionada apenas pelos
operadores inscritos nessa actividade no IAM. A fibra de algodão deve ser acompanhada de um
certificado de origem e de classificação, no caso de vendas no interior do país, e de certificado de
origem nacional, no caso das exportações.

2.2.2 Segurança Alimentar

(1) Visão Geral de Segurança Alimentar

As condições de segurança alimentar em Moçambique estão estáveis nos últimos anos, embora
algumas áreas sejam afectadas por períodos secos e enchentes localizadas. As famílias pobres e

2-13
Versão Provisória - ANEXO

urbanas, especialmente na região sul que é uma área que se depara constantemente com défice
alimentar, são vulneráveis. Entretanto, o défice tem sido suprido através de províncias que produzem
excedente nas regiões Centro e Norte do país, assim como por alimentos importados, bem como
através da ajuda internacional de alimentos.

A Tabela 2.2.2 mostra os dados (kcal/capita/dia) do suprimento alimentar levantados pela FAO para o
país de 2008 a 2013. Esses dados mostram que o suprimento alimentar, mesmo que em nível mínimo,
tem sido estável e mostrou uma tendência positiva nos últimos anos. O Secretariado Técnico de
Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) declarou, em Agosto de 2009, que a situação da
segurança alimentar em Moçambique mostrou sinais de melhoria, e isto foi evidenciado pela redução
do número de pessoas passando fome. De acordo com o Coordenador Nacional do SETSAN, esta
tendência deveu-se aos investimentos do governo na agricultura, particularmente na produção de
alimentos.

Tabela 2.2.2 Suprimento de Alimentos (kcal/capita/dia) de Moçambique de 2008 a 2013

Produto Alimentar 2008 2009 2010 2011 2012 2013


Milho e derivados 435 428 480 467 440 438
Mandioca e derivados 584 614 621 632 673 675
Arroz (equivalente 199 207 212 208 211 231
processado)
Trigo e produtos derivados 155 150 141 140 135 111
Sorgo e produtos derivados 78 81 84 82 81 79
Milhetos e produtos 11 12 12 12 12 12
derivados
Legumes e outros Produtos 84 84 56 70 84 81
Amendoim (Descascado) 11 10 18 8 12 11
Batata-doce 94 91 91 83 85 82
Óleo vegetal 191 181 187 203 211 211
Legumes 10 11 12 12 13 12
Frutas –Excluindo o Vinho 28 30 32 31 37 34
Carne 66 57 57 61 65 67
Mariscos 10 12 13 15 15 14
Outros 208 197 226 235 224 225
Total 2164 2165 2242 2259 2298 2283
Fonte: FAO FAOSTAT

A tabela acima também mostra que as pessoas ainda têm uma grande necessidade de consumo de
calorias, ao invés de considerar uma dieta balanceada. Anível nacional, estima-se que 34% da
população ainda esteja aenfrentarfome crónica (Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas:
WFP, 2010). Poderá levar algum tempo para a população de Moçambique começar uma real
diversificação no consumo de alimentos.

A Tabela 2.2.3 mostra a produção e comercialização das principais culturas alimentaresem


Moçambique. Mostra que Moçambique quase atingiu a auto-suficiência nas principais culturas
alimentares, com a excepção do trigo e arroz. O consumo doméstico destas culturas tem aumentado,
apesar da redução do consumo de culturas alimentares tradicionais, isto é, milho, mapira e mexoeira)
(ver Tabela 2.2.2). Considerando o potencial da produção crescente de alimentos do país, o

2-14
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

desenvolvimento do arroz pode ser um tema considerável a ser tratado para a melhoria da segurança
alimentar nacional.

Tabela 2.2.3 Produção e Comércio dos Principais Cultivos de Alimentos (Média 2004 a 2013)
(Unidade: (mil toneladas)
Produção Importação Exportação
Cultivo Alimentar (a)+(b)-(c)
(a) (b) (c)
Milho 1.489,1 120,6 11,9 1.597,8
Mandioca 7.054,4 0,0 0,0 7.054,4
Trigo 13,4 434,8 18,3 429,9
Arroz (equivalente processado) 108,8 398,5 0,0 507,3
Mapira 254,1 4,4 0,2 258,3
Fonte: FAOSTAT

Numa sessão do Conselho de Ministros de Junho de 2011, decidiu-se que o Instituto de Cereais de
Moçambique (ICM) deveria assumir o papel de “comprador de último recurso” de todos os grãos
produzidos em Moçambique, que não são comprados pelos comerciantes privados. Conforme previsto,
o ICM iniciou o seu trabalho a nível distrital.

(2) Planos de Segurança Alimentar Relacionados

A situação moçambicana actual é contrárias as convicções existentes que apontam a aceleração do


crescimento económico como o único caminho para a melhoria das condições de segurança alimentar.
Estudos apontam que, em Moçambique, o crescimento do PIBé constrangido em cerca de 2% a 3% ao
ano, dada a desnutrição da população20num quadro caracterizado por forte crescimento do PIB.
Portanto, a realização de mais acções constitui uma grande necessidade neste domínio.

Para a melhoria deste quadro, a principal ferramenta que rege a dinâmica governamental é a Estratégia
de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN II) e o Plano de Acção para Segurança Alimentar e
Nutricional (PASAN), produtos do SETSAN. Adicionalmente à sua antecessora (ESAN I), a ESAN II
inclui os princípios de Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA), previstos na Declaração
dos Direitos do Homem e no Pacto Internacional dos Direitos Económicos Sociais e Culturais.

Em sua estrutura, o DHAA define as seguintes dimensões21:


 Respeitar: O Estado não deve, por meio de leis, de políticas públicas ou de acções, bloquear
ou ferir a realização dos direitos humanos e, quando o fizer, deve criar mecanismos
de sua reparação.
 Proteger: O Estado deve garantir a prevenção contra acções de terceiros, que violem os
direitos humanos da população.
 Promover: O Estado deve envolver-se pró-activamente em actividades destinadas a fortalecer
o acesso das pessoas a recursos, meios e utilização, com vista à garantia dos seus
direitos humanos.
 Prover: O Estado deve garantir alimentação, moradia adequada, educação e saúde aos
indivíduos ou agregados familiares (AFs) que, em situação de emergência de
origem estrutural ou conjuntural, não conseguem satisfazer essas necessidades.

20
ACOSTA, A; Food and Agriculture Organization (FAO).“Food Security Policy, Insights from Mozambique”.Maputo, 2009
21
República de Moçambique. ESTRATÉGIA E PLANO DE ACÇÃO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL
2008-2015. Moçambique, 2007. Disponível em:<http://fsg.afre.msu.edu/mozambique/caadp/ESAN_II_e_PASAN_Portuges.pdf>

2-15
Versão Provisória - ANEXO

Além disso, o uso e a utilização dos alimentos são é avaliados a nível individual e familiar. A nível
individual, considera-se a absorção dos alimentos e a acção biológica no corpo. No familiar,
relacionam-se com o processo de transformação dos alimentos disponíveis numa dieta adequada..

Em nível comunitário, existem factores que afectam a utilização adequada dos alimentos, tais como
qualidade do meio ambiente, disponibilidade, custo e qualidade das fontes de água potável, serviços de
electricidade, saneamento e serviços de saúde.

Experiências anteriores no Brasil comprovaram o sucesso no fortalecimento de associações de


pequenos produtores, por meio de iniciativas como o Programa Mais Alimentos do PRONAF.
(Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

A segurança na produção de alimentos exige que os produtores familiares, conquanto se ocupem


também com culturas de rendimento para a melhoria no rendimento das famílias, sejam incentivados à
produção de culturas alimentares, dando importância à diversificação das culturas, visando à melhoria
na qualidade da dieta local (que assegure todos os nutrientes), prevista no pilar de produção e de
disponibilidade.

2.2.3 PEDSA e Políticas Agrárias

Pela importância do sector agrário na economia moçambicana, o governo desenvolveu a chamada


Estratégia da Revolução Verde e assinou diversos compromissos internacionais voltados para o
desenvolvimento desse sector. Com base nesses documentos, desenvolveu-se o PEDSA pelo
Ministério da Agricultura.

Esse quadro das políticas agrárias é complementado por outros documentos importantes,
nomeadamente: Política Agrária e Estratégia de Implementação (PAEI); Programa Quinquenal do
Governo 2010-2014 (PQG); Plano de Acção para Redução da Pobreza (PARP); Estratégia da
Revolução Verde; Plano de Acção para a Produção de Alimentos (PAPA); Estratégia de
Desenvolvimento Rural (EDR); Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional II (ESAN II).

(1) PEDSA

A Agenda 2025 para Moçambique reafirma a agricultura como um sector de sistemas integrados que
contribuem com efeitos multiplicadores para o crescimento económico. Inspirado nisso, o objectivo do
PEDSA é “contribuir para a segurança alimentar e nutricional e a renda dos produtores agrários de
maneira competitiva e sustentável garantindo a equidade social e de género”. A materialização deste
objectivo só é possível através dos seguintes pilares:
i. PRODUTIVIDADE AGRÁRIA – Aumento da produtividade, da produção e da
competitividade na agricultura, contribuindo para uma dieta adequada.
ii. ACESSO AO MERCADO – Serviços e infra-estruturas para maior acesso ao mercado e
quadro orientador conducente ao investimento agrário.
iii. RECURSOS NATURAIS – Uso sustentável e aproveitamento integral dos recursos terra, água,
florestas e fauna.
iv. INSTITUIÇÕES – Instituições agrárias fortes

2-16
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.2.4 Resumo do PEDSA


Um sector agrário, próspero, competitivo e sustentável, capaz de oferecer respostas aos
Visão
desafios da segurançaalimentar e nutricional e atingir mercados agrários a nível global
Contribuir para a segurança alimentar e nutricional e a renda dos produtores agrários de
Missão
forma competitiva garantindo a equidade social e de género
Pilar 1 Pilar 2 Pilar 3 Pilar 4
Aumento da produtividade, Serviços e infra-estruturas Uso sustentável e Instituições
produção e competitividade para maior acesso ao aproveitamento integral agrárias fortes
na agricultura contribuindo mercado e quadro dos recursos terra, água,
para uma dieta adequada orientador conducente ao florestas e fauna
investimento agrário
1.1 Adoptadas tecnologias 2.1 Melhor a infra-estrutura 3.1 Melhoradas as técnicas 4.1 Reforçadas as
melhoradas pelos rural (rede de estradas, e práticas de uso dos organizações
agricultores para o instalações de recursos naturais – terra, de agricultores
aumento da produtividade armazenamento, água, florestas e fauna
agrícola e da produção mercados)
animal
1.2 Aumentada a capacidade 2.2 Melhor a capacidade de 3.2 Melhor a capacidade de 4.2 Desenvolvido
dos serviços de extensão regulamentação e formulação de políticas e Capital humano
para disponibilizar com cumprimento dos programas relacionados
eficácia tecnologias e padrões e garantia de com a terra, água,
práticas avançadas e para qualidade dos produtos florestas e mudanças
desenhar programas agrícolas e animais climáticas
adequados para a
segurança alimentar
1.3 Reforçado o sistema de 2.3 Acrescentado valor aos 3.3 Melhorada a 4.3 Reforçada a
investigação para produtos agrícolas, administração e gestão coordenação
desenvolver ou adaptar e animais e florestais da terra das instituições
disponibilizar tecnologias e agrárias e de
práticas agrárias segurança
avançadas alimentar
1.4 Melhorada a disponibilidade 2.4 Melhorada gestão pós 3.4 Recursos florestais
e a gestão de água para a colheita e reserva usados de forma
produção agrária alimentar estratégica sustentável
1.5 Melhorada a fertilidade do 2.5 Melhor a capacidade dos 3.5 Aumentada a
solo actores ao longo de toda capacidade das
a cadeia de valor comunidades rurais para
(agricultores, prevenir e controlar as
processadores de queimadas florestais
produtos agrários,
comerciantes) para
participarem nos
mercados doméstico e
internacional
1.6 Melhorado o controle de 2.6 Reforçada a capacidade 3.6 Melhorada a capacidade
pragas e doenças das do sector privado para das comunidades rurais
culturas e dos animais de fornecer insumos e dos profissionais do
criação agrários (sementes, sector de fauna bravia
fertilizantes, para uma gestão
agro-químicos, drogas e sustentável destes
medicamentos para uso recursos e diminuição do
veterinário, instrumentos conflito homem fauna
e equipamento) bravia.
1.7 Aumentada a mecanização 2.7 Políticas consistentes 3.7 Melhorada a capacidade
agrária e o uso de com os objectivos do de resposta aos efeitos
tecnologias eficientes sector das mudanças
climáticas
1.8 Incentivada a participação 2.8 Reforçado o sistema de
dos empreendimentos de informação agrária
produção de culturas
orientadas ao mercado na
produção de alimentos
2.9 Reforçadas as políticas
de apoio aos mercados
de insumos
Fonte: PEDSA

2-17
Versão Provisória - ANEXO

Nesse sentido, o PEDSA será implementado com base em projectos e com orçamentos anuais de
acordo com a seguinte planificação:
a) Concentração de esforços em locais, a partir dos quais se desencadeiam os efeitos
multiplicativos em escala nacional;
b) Geração e transferência de tecnologias pela contribuição de cientistas para a investigação
agrária, de extensionistas para a transmissão dos conhecimentos e de gestores de recursos
naturais para garantia dos trâmites processuais legais.
c) Intervenção nas zonas de maior potencial agro-ecológico com infra-estruturas, equipamento,
base científica, serviços e mercados.
d) Expansão da agricultura de conservação como instrumento de economia da mão-de-obra,
recuperação de solos degradados e gestão da humidade, incluindo pacotes integrados para a
gestão da produção e para o controlo de pragas e de doenças.
e) Promoção do desenvolvimento de cadeias de valor para os produtos agrários com base em seis
Corredores:
i. Pemba-Lichinga, com suporte tecnológico a partir do Centro de Investigação Noroeste em
Lichinga e com concentração na batata, trigo, feijões, milho, soja, algodão, tabaco e frangos.
ii. Nacala, com suporte tecnológico a partir do Centro de Investigação Nordeste em Nampula e
com concentração na mandioca, milho, algodão, fruta, frangos e amendoim.
iii. Vale do Zambeze, com suporte tecnológico na unidade experimental de Ulóngue e com
concentração no arroz, milho, batata, bovinos, caprinos, algodão e frangos.
iv. Beira, com suporte tecnológico a partir do Centro de Investigação Centro em Sussundenga e
com concentração no milho, trigo, hortícolas, soja, arroz, bovinos e frangos.
v. Limpopo, com suporte tecnológico a partir do Centro de Investigação Sul no Chókué e com
concentração no arroz, hortícolas, bovinos e frangos;
vi. Maputo, com suporte tecnológico a partir da Unidade Experimental do Umbeluzi e com
concentração no arroz, hortícolas, frangos e bovinos.

Pretende-se com a estratégia, atingir o crescimento agrário, em média, pelo menos 7% por ano. As
fontes mediação do crescimento são a melhoria da produtividade (ton/ha), combinada com o aumento
da área cultivada, que prevê duplicar o rendimento das culturas prioritárias e aumento de 25% na área
plantada de culturas alimentares básicas até 2020, assegurando a sustentabilidade dos recursos
naturais.

Esse plano estratégico procura incentivar intervenções conjuntas dos sectores públicos e privados,
buscando melhorar a eficiência e reduzir custos ao longo das cadeias de valor, aumentando as margens
disponíveis. A metodologia de abordagem tem como base o conceito de Cadeia de Valor e “Clusters”,
além de aproveitamento de sinergias, conforme representa a Figura 2.2.1.

2-18
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Fonte: PEDSA
Figura 2.2.1 Cadeia de Valor e Clusters

De acordo com esse plano, o sector privado deve investir em cadeias de valor, de modo a capitalizar
investimentos públicos previstos. Por sua vez, o governo irá criar um ambiente favorável ao
desenvolvimento, pela provisão de bens públicos (estradas, energia, comunicação, entre outros.) e por
meio de políticas fiscais. Também as organizações da sociedade civil (OSCs) e as universidades
contribuirão pela organização dos produtores em associações/cooperativas e da sua formação. Por fim,
os parceiros de cooperação participarão na definição dos programas e no seu co-financiamento.

2.2.4 Institutos e Organizações Relevantes da Agricultura

(1) Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar

Entre as instituições ligadas às actividades agrícolas em Moçambique, o Ministério da Agricultura


(MINAG) centraliza e coordena acções a nível nacional, tendo a função de formular, planejar e
implementar suas políticas e estratégias para o desenvolvimento agrícola do país.

O MINAG foi reestruturado passando a se designar Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar


(MASA) em Janeiro de 2015, através do Decreto 1/2015 de 16 de Janeiro. O MASA é o órgão central
que orienta, organiza e assegura a implementação da legislação e das políticas no sector agrário,
pecuária, hidráulica agrícola, agroflorestamento e segurança alimentar. Constituem atribuições do
MASA as seguintes:
 Fomento da produção, agro-industrialização e competitividade dos produtos agrários;
 Promoção do desenvolvimento sustentável através da administração, maneio, protecção,
conservação e uso racional de recursos essenciais à agricultura e segurança alimentar;
 Promoção do uso e desenvolvimento sustentável dos recursos agro-florestais;
 Promoção da Investigação, extensão e assistência técnica agrária e de segurança alimentar;
 Promoção, monitoria e avaliação de programas, projectos e planos agrários e de segurança
alimentar;

2-19
Versão Provisória - ANEXO

 Licenciamento das actividades agrárias.

Para a materialização das suas atribuições o MASA se propõe levar a cabo as seguintes actividades:
Tabela 2.2.5 Atribuições do MASA
a. Na área da Agricultura:
 Propor a aprovação de legislação, politicas e estratégias de desenvolvimento agrícola.
 Implementar políticas, estratégias, planos, programas e projectos do sub-sector.
 Estabelecer normas para licenciamento, fiscalização e monitoria das actividades do sub-sector;
 Estabelecer normas para a implementação de projectos e programas de fomento das actividades
agrícolas;
 Garantir a defesa sanitária vegetal e controlo fitossanitário;
 Promover programas de investigação agrícola e disseminar os resultados;
 Promover e garantir a assistência técnica aos produtores através dos serviços de extensão agrária, para
o aumento da produção e produtividade;
 Promover e garantir a capacitação dos produtores.
 Promover a criação e desenvolvimento de infra-estruturas e serviços de apoio às actividades agrícolas;
 Produzir e sistematizar informação sobre a agricultura no país.
b. Na área da Pecuária:
 Propor a aprovação de legislação, politicas e estratégias de desenvolvimento pecuário.
 Implementar políticas, estratégias, planos, programas e projectos do sub-sector.
 Estabelecer normas para licenciamento, fiscalização e monitoria das actividades do sub-sector;
 Estabelecer normas para a implementação de projectos e programas de fomento das actividades
pecuárias;
 Garantir a defesa sanitária animal, incluindo animais aquáticos, controlo zoo-sanitário e saúde pública;
 Promover programas de investigação pecuária e veterinária, e disseminar os resultados;
 Promover e garantir a assistência técnica aos produtores através dos serviços de extensão agrária, para
o aumento da produção e produtividade;
 Promover e garantir a capacitação dos produtores.
 Promover a criação e desenvolvimento de infra-estruturas e serviços de apoio às actividades pecuárias;
 Produzir e sistematizar informação sobre a pecuária no país.
c. Na área da Hidráulica Agrícola:
 Propor a aprovação de legislação, politicas e estratégias de desenvolvimento hidro-agrícola;
 Definir, elaborar e promover programas e projectos para o desenvolvimento de infra-estruturas
hidro-agrícolas.
 Promover a gestão e o uso sustentável da água para o aumento da produção e da produtividade agrária;
 Elaborar e implementar normas e procedimentos sobre o acesso e uso sustentável de infra-estruturas
hidro-agrícolas.
d. Na área de Plantações Agro-florestais:
 Propor a aprovação de legislação, políticas e estratégias de promoção e desenvolvimento de plantações
agro-florestais;
 Implementar políticas, estratégias, planos, programas e projectos do sub-sector.
 Estabelecer normas para a implementação de projectos e programas de fomento de plantações
agro-florestais;
 Assegurar o desenvolvimento de plantações agro-florestais para fins de conservação, energéticos,
comerciais e industriais;
 Promover programas de investigação florestal e disseminar os resultados;
 Promover o processamento interno dos recursos provenientes das plantações agro-florestais.
e. Na área da Segurança Alimentar:
 Propor a aprovação de legislação, politicas e estratégias de segurança alimentar;
 Promover boas práticas de preparação e uso de alimentos para garantia da segurança alimentar e
nutricional;
 Produzir, sistematizar e divulgar informação sobre a segurança alimentar no país;
 Promover programas de educação pública e informação sobre acesso, conservação e processamento
de alimentos;
 Garantir a segurança alimentar através da educação nutricional das comunidades priorizando os
alimentos mais nutritivos;
 Assegurar a promoção e coordenação intersectorial na formulação, monitoria, avaliação e
implementação do quadro de políticas e estratégias para garantir a segurança alimentar e nutricional da
população.

2-20
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

MASA tem a seguinte estrutura:


 Inspecção da Agricultura e Segurança Alimentar;
 Direcção Nacional de Agricultura e Silvicultura (DINAS);
 Direcção Nacional de Veterinária (DNV);
 Direcção Nacional de Extensão Agrária (DNEA);
 Direcção de Planificação e Cooperação Internacional (DPCI);
 Direcção de Documentação e Informação Agrária (DDIA).
 Gabinete do Ministro;
 Gabinete Jurídico;
 Departamento de Administração e Finanças (DAF);
 Departamento de Recursos Humanos (DRH);
 Departamento de Comunicação e Imagem (DCI);
 Departamento de Aquisições (DAQ).

Nas actividades de pesquisa e desenvolvimento, o MASApossui três institutos subordinadas, a saber:


 Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM): a função do IIAM é gerar
conhecimento e soluções tecnológicas para o desenvolvimento sustentável do agro-negócio e a
segurança alimentar e nutricional.
 Instituto do Algodão de Moçambique(IAM): O instituto tem o objectivo de promover a
actividade relacionada com o algodão, e tem como funções supervisionar, orientar e regular a
produção, comercialização e exportação do produto, assim como cooperar com o IIAM na
pesquisa.
 Instituto de Fomento do Caju(INCAJU):Este instituto tem o objectivo de promover
programas para estimular o plantio, a produção e o processamento industrial do caju.O MASA
possui outra instituição subordinada, o Centro de Promoção da Agricultura (CEPAGRI), que
tem como objectivo atrair investimentos para a agricultura. O CEPAGRI tem conhecimento de
atracção e promoção de produtos agrícolas moçambicanos no mercado internacional. O
CEPAGRI actua de forma coordenada com o Centro de Promoção de Investimentos – CPI, que
é responsável por promover a atracção de investimentos directos nacionais e estrangeiros em
todos os ramos de actividades.
 Outras instituições estabelecidas como tal à luz da legislação aplicável.

São instituições tuteladas peloMASA:


 Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA);
 Instituto Nacional de Irrigação (INIR);
 Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETASAN);
 Outras instituições conforme definidas nos termos da legislação aplicável.

Nas províncias, a implementação de políticas estratégicas para o desenvolvimento agrícola é de


responsabilidade das respectivas Direcções Provinciais de Agricultura e Segurança Alimentar
(DPASAs), que coordenam as actividades dos SDAE a nível distrital.

2-21
Versão Provisória - ANEXO

Ministro

Vice-Ministro Gabinete do Ministro

Secretário Permanente
Permanente
Inspecção Departamento
Jurídico

DIDIN DINAV DNEA DPCI DDIA DAF DRH DCI DAQ


ASNA
Instituições Subordinadas
IIAM IAM INCAJU CEPAGRI

Instituições Tuteladas
FDA INIR SETSAN

Empresas Públicas
RBL HICEP

Figura 2.2.2 Organograma do MASA

(2) Outras Instituições relevantes

O desenvolvimento agrário no Corredor de Nacala constitui uma área-chave na estratégia de


desenvolvimento na região, considerada uma zona de desenvolvimento prioritária. Para facilitar esse
processo, além dos incentivos em isenções fiscais, o Governo de Moçambique oferece apoio
institucional, conforme descrito na Tabela 2.2.6 6.

Tabela 2.2.6 Instituições Públicas no Auxílio do Desenvolvimento do Corredor de Nacala


Organização Actividades e Responsabilidades
Ministério da Terra, Ambiente Responsável pela terra, ambiente e desenvolvimento rural.
e Desenvolvimento Rural Autorização de emissão de DUAT, da escala mais do que 101 a 1,000 ha de terra
(MITADER) foi transferida para o Ministério do MITADER apartir do MASA desde 2015. As
licenças ambientais de grande escala para intervenções agrícolas são emitidas
depois da aprovação do EIA pelo MITADER.
Fiscalizar e articular o desenvolvimento das actividades agrícolas, incluindo
Ministério da Indústria e do
armazenamento, comercialização e distribuição, em coordenação com o
Comércio (MIC)
Ministério da Agricultura.
Ministério das Obras
Responsável por várias direcções, entre elas: Habitação e Urbanismo, Economia,
Públicas, Habitação e
Água e Administração Nacional de Estradas, desempenhando papel importante
Recursos Hídricos
no desenvolvimento do sector agrário.
(MOPARH)
Ministério de Transportes e Responsável pelas infra-estruturas de transportes, incluindo marítimo, ferroviário
Comunicação e aeroportuário.
Promover e atrair investimentos directos estrangeiros e nacionais; fornecer apoio
Centro de Promoção do institucional para investidores na aprovação e na implementação de projectos de
Investim ento (CPI) investimento; fornecer informações e aprovar incentivos alfandegários para
investidores.
Coordenar e desenvolver actividades para promover iniciativas em investimentos
Gabinete das Zonas
nacionais e estrangeiros para as Zonas Económicas Especiais (ZEEs) e Zona
Económicas de
Franca Industrial; receber, averiguar eregistar as propostas de investimento a
Desenvolvimento Acelerado
serem implementadas para as ZEEs e as ZFIs; aprovar projectos de investimento
(GAZEDA)
e providenciar certificados e licenças de investimentos.
Fonte: Equipa de estudo

2-22
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2.3 Uso do Solo e Área Cultivada


Da área total de 79.9 milhões de hectares (FAOSTAT) Tabela 2.3.1 Uso do Solo (2005 a 2007) de
de Moçambique, a área agrícola é estimada em 15% Moçambique
Área Calculada*
da área total ou 12 milhões de haconforme mostra a Uso do solo (%)
(1000ha)
Tabela 2.3.1, enquanto que a área cultivada, de acordo Florestas 51 40.768
Outras coberturas
com o Censo Agrícola de 2009-2010, é estimada em 19 15.188
hortícolas
5,6 milhões de ha, como mostra a Tabela 2.3.1. Pastos 12 9.593
Terra agrícola 15 11.991
A Tabela 2.3.1 possivelmente considera a área de Outros 3 2.398
pousio como terra agrícola, visto que prevalecem Total 100 79.938
Fonte: Avaliação da Biodiversidade e das
práticas agrícolas extensivas e não intensivas Florestas Tropicais de Moçambique 118/119,
USAID, Setembro 2008
(queimadas com agricultura de pousio) na maior parte Nota: * Cálculo feito pela Equipe de Estudo com base
do país. Presume-se que uma parte substancial da na %
terra descrita na tabela pode ser solo abandonado para pousio após o cultivo.

2.4 Produção Agrícola


2.4.1 Entidades Agrícolas

A tabela 2.4.1 mostra a classificação dos produtores ou entidades agrícolas à luz do Censo Agrícola
2009-2010. Segundo este critério os produtores são classificados em função da magnitude da área
agrícola que cultivam e a quantidade de gado que possuem.

Tabela 2.4.1Critérios Classificação dos Produtores


Pequeno Preenche todos os seguintes critérios:
Produtor - área não irrigada: menos de 10 ha
- área irrigada-pomar-cultivos-floricultura: inferior a 5ha
- menos de 10 cabeças de gado, 50 cabras, carneiros ou porcos ou 2.000 aves
Produtor de Excede qualquer um dos critérios acima, porém enquadra-se nos seguintes:
Médio Porte - área não irrigada: menos de 50ha
- área irrigada-pomar-cultivos-floricultura: inferior a 10ha
- menos de 100 cabeças de gado, 100 cabras, carneiros ou porcos ou 10.000 aves
Grande Produtor Excede qualquer um dos critérios acima
Fonte: Censo Agrícola em 2009-2010, INE

De acordo com o Censo Agrícola realizado pelo INE, em 2009-2010, o número total de
estabelecimentos agrários (agricultura & pecuária) em Moçambique é de 3.827.797, enquanto a área
total cultivada é de apenas 5.633.850 ha. A tabela 2.4.2 mostra a actual área cultivada por produtores,
conforme descrito acima.Os estabelecimentos agrícolas são predominantemente de pequenos
produtores (96.36%)e sua área média cultivada é de 1,4 ha, Os produtores de médio porte cultivam
apenas 2.32% da sua terra.

2-23
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 2.4.2 Número de Estabelecimentos Agrícolas e sua Área Cultivada em Moçambique


Magnitude da entidade Pequeno Médio Grande Total
Estabelecimentos agrícolas 3.801.259 25.654 884 3.827.797
(%) 99,31% 0,67% 0,02% 100%
Área cultivada (ha) 5.428.571 130.651 74.628 5.633.850
(%) 96,36% 2,32% 1,32% 100%
Área média cultivada
1,43 5,09 84,42 1,47
(ha/estabelecimento)
Fonte: Censo Agrícola em 2009-2010, INE

Existe um número considerável de agregados familiares chefiados por mulheres no seio das famílias
produtoras que correspondem a 27,5% do total das famílias produtoras. As famílias chefiadas por
mulheres possuem propriedades relativamente menores comparadas às de agregados familiares
chefiados por homens, conforme mostra a Tabela 2.4.3.

Tabela 2.4.3 Distribuição de Estabelecimentos Agrícolas (Pequenos & Médios) por Tamanho da
Propriedade
Unid.: %
< 0,5ha 0,5 – < 1,0 - < 5,0 - < Mais que Não
1,0ha 5,0ha 10,0ha 10,0 ha especificado
Chefe mulher 14,59 30,75 51,95 2,28 0,03 0,40
(Parte Cumulativa) (14,59) (45,34) (97,29) (99,57) (99,60)
Chefe homem 8,77 21,49 62,67 6,65 0,17 0,24
(Parte Cumulativa) (8,77) (30,26) (92,93) (99,58) (99,75)
Total 10,37 24,03 59,73 5,45 0,14 0,28
Fonte: Censo Agrícola em 2009-2010, INE

2.4.2 Produção das Principais Culturas

As culturas produzidas na área de intervenção podem ser classificadas em alimentares (Tabela 2.4.4) e
culturas de rendimento (Tabela 2.4.5). Constituem culturas alimentares o milho, mandioca, mapira e
mexoeira. Estas culturas são geralmente praticadas por produtores de subsistência. As culturas de
rendimento abarcam o tabaco, algodão, arroz entre outras. O arroz, além de ser plantado por
agricultores individuais, é também cultivado em estabelecimentos de grande escala.

Além dos cereais e da mandioca, os feijões e o amendoim também constituem culturas importantes
para a subsistência dos produtores. Os feijões são geralmente cultivados em consorciarão com cereais
e com mandioca nos mesmos campos.

As províncias da região centro, ou seja, Zambézia, Tete, Manica e Sofala, e a província de Nampula,
na região norte, são provínciasquestão na linha de frente no que tange a produção das principais
culturas alimentares no país. Estas províncias apresentam igualmente maior densidade populacional do
país. A produção nas províncias da região sul é lenta devido à escassez de precipitação, o que faz com
que se caracterize por défice de alimentos.

2-24
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.4.4 Produção de Culturas Alimentares Básicas em Moçambique (2009 a 2013)


Culturas Item 2009 2010 2011 2012 2013
Milho Área Colhida (ha) 1.612.000* 1.738.042 1.812.717 1.572.009 1.700.000
Produção (t) 1.932.000* 2.089.890 2.178.842 1.177.390 1.631.000
Produtividade (t/ha) 1,20* 1,20 1,20 0,75 0,96
Mandioca Área Colhida (ha) 1.254.000 1.254.294 1.293.568 762.598 780.000
Produção (t) 5.670.000 9.738.066 10.093.619 10.051.364 10.000.000
Produtividade (t/ha) 4,52 7,76 7,80 13,18 12,82
Mapira (Sorgo) Área Colhida (ha) 617.000 638.165 639.000 620.000 625.000
Produção (t) 384.000 388.596 409.745 239.000 188.000
Produtividade (t/ha) 0,62 0,61 0,64 0,39 0,30
Arroz Área Colhida (ha) 182.000 226.593 238.778 378.675 300.000
Produção (t) 179.000 257.527 271.402 147.400 351.000
Produtividade (t/ha) 0,98 1,14 1,14 0,39 1,17
Mexoeira Área Colhida (ha) 109.000 108.980 113.642 100.000 100.000
Produção (t) 49.000 48.699 51.602 47.000 48.000
Produtividade (t/ha) 0,45 0,45 0,45 0,47 0,48
Feijões Área Colhida (ha) 300.000 315.000 337.876 320.000 340.000
Produção (t) 195.000 205.000 229.084 190.000 205.000
Produtividade (t/ha) 0,65 0,65 0,68 0,59 0,60
Amendoim com Área Colhida (ha) 357.000 365.865 288.000 389.266 298.000
casca Produção (t) 97.000 157.685 95.700 112.913 106.000
Produtividade (t/ha) 0,27 0,43 0,33 0,29 0,36
Batata-doce Área Colhida (ha) 86.300 130.000 119.000 120.000 122.000
Produção (t) 900.000 920.000 860.000 900.000 890.000
Produtividade (t/ha) 10,43 7,08 7,23 7,50 7,30
Batata Reno Área Colhida (ha) 10.000 12.300 13.100 14.200 14.000
Produção (t) 145.000 178.526 189.944 205.000 200.000
Produtividade (t/ha) 14,50 14,51 14,50 14,44 14,29
Hortícolas Área Colhida (ha) 42500 46.000 45.000 45.500 44.000
Produção (t) 185.000 195.000 200.000 210.000 200.000
Produtividade (t/ha) 4,35 4,24 4,44 4,62 4,55
Frutas Área Colhida (ha) 27.500 28.000 28.500 28.000 28.500
Produção (t) 130.000 132.000 133.000 128.500 129.000
Produtividade (t/ha) 4,73 4,71 4,67 4,59 4,53
Fonte: FAOSTAT(Out. 2015)
Nota: Os dados do milho de 2009 podem ser obtidos plataforma FAOSTAT 2013

A produção de hortícolas e de frutas ainda é limitada, comparada a dos cereais, mandioca e feijões,
muito embora tenha mostrado tendência positiva nos últimos anos. As hortícolas são normalmente
cultivadas por produtores com melhores condições, ou por grupos de produtores apoiados pelo
governo, em áreas onde há recursos hídricos para irrigação.

Em relação as culturas de rendimento, a maioria foi desenvolvida durante o período colonial, sendo
que o algodão, tabaco, castanhas de caju e açúcar ainda são produtos importantes de exportação em
Moçambique. O algodão e o tabaco são cultivados por produtores sob contrato

2-25
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 2.4.5 Produção de Cultivos de Rendimento em Moçambique (2009 a 2013)


Culturas Item 2009 2010 2011 2012 2013
Área Colhida (ha) NA NA NA NA NA
Algodão (Fibra) Produção (t) 62.000 19.000 36.000 60.000 55.000
Produtividade (t/ha) - - - - -
Área Colhida (ha) 38.000 38.481 42.702 45.917 48.000
Cana-de-açúcar Produção (t) 2.207.000 2.720.400 3.396.334 3.393.904 3.800.000
Produtividade (t/ha) 58,08 70,69 79,54 73,91 79,17
Área Colhida (ha) 181.526 185.000 185.000 185.000 183.000
Semente de
Produção (t) 57.000 60.000 60.000 62.000 60.000
Mamona
Produtividade (t/ha) 0,31 0,32 0,32 0,33 0,33
Área Colhida (ha) 79.793 82.966 83.826 84.000 83.000
Coco Produção (t) 270.000 277.941 266.029 277.000 260.000
Produtividade (t/ha) 3,38 3,35 3,17 3,21 3,13
Área Colhida (ha) 77.000 110.000 140.000 80.000 80.000
Castanha de
Produção (t) 64.000 96.558 112.796 64.731 65.000
Caju com Casca
Produtividade (t/ha) 0,83 0,88 0,81 0,81 0,81
Área Colhida (ha) 123.000 150.000 200.000 220.000 210.000
Semente de
Produção (t) 43.000 63.116 104.652 117.000 110.000
Gergelim
Produtividade (t/ha) 0,35 0,42 0,52 0,53 0,52
Área Colhida (ha) 60.000 62.000 66.000 54.000 57.000
Tabaco Produção (t) 63.000 66.983 70.000 54.450 56.000
Produtividade (t/ha) 1,05 1,08 1,06 1,01 0,98
Área Colhida (ha) 40.500 33.000 45.000 45.000 40.000
Semente de
Produção (t) 17.000 14.400 18.638 19.000 17.500
Girassol
Produtividade (t/ha) 0,42 0,44 0,41 0,42 0,44
Fonte: FAOSTAT

2.4.3 Pecuária

A Tabela 2.4.6 mostra a evolução da criação dos principais animais em Moçambique. Conforme
mostra a tabela o número do gado bovino, suíno e ovino é relativamente reduzido, considerando-se o
número total de produtores. O número de animais, com excepção do frango, reduziu após ter
conhecido o seu pico em 2008.Só frango apresenta um crescimento constante do número total.
Tabela 2.4.6 Número de Gado em Moçambique (2009 a 2013)
(unid: 1000cabeça, 2011)
Pecuária 2009 2010 2011 2012 2013
Gado 1.277,04 1.277,04 1.400,00 1.689,10 1.690,00
Porcos 1.340,71 1.340,71 1.500,00 1.688,13 1.800,00
Caprinos 3.907,48 3.907,48 4.000,00 4.333,78 4.350,00
Ovinos 220,39 220,39 220,00 247,37 250,00
Frangos 23.922,00 23.922,19 22.000,00 18.876,00 19.000,00
Fonte: FAOSTAT(Out. 2015)

Tabela 2.4.7 Número de Gado por Províncias


Região Norte Região Central Região Sul
Pecuária Elemento Total
C.
Niassa Nampula Zambézia Tete Manica Sofala Inhambane Gaza Maputo
Delgado

Número 2.544 4.482 87.024 37.546 394.731 263.289 63.677 181.034 381.102 117.596 1.533.025
Gado
(%) (0,17) (0,29) (5,68) (2,45) (25,75) (17,17) (4,15) (11,81) (24,86) (7,67) (100,00)
Número 199.691 232.983 552.931 308.258 813.332 681.649 618.528 381.776 372.134 148.097 4.309.381
Suínos
(%) (4,63) (5,41) (12,83) (7,15) (18,87) (15,82) (14,35) (8,86) (8,64) (3,44) (100,00)
Número 3.312 9.516 48.431 8.136 21.242 14.446 46.507 16.268 56.627 8.960 233.445
Caprinos
(%) (1,42) (4,08) (20,75) (3,49) (9,10) (6,19) (19,92) (6,97) (24,26) (3,84) (100,00)
Número 34.159 81.531 117.918 293.130 373.347 72.281 235.338 223.175 202.027 55.219 1.688.125
Ovinos
(%) (2,02) (4,83) (6,99) (17,36) (22,12) (4,28) (13,94) (13,22) (11,97) (3,27) (100,00)
Número 660.829 1.198.005 2.091.273 3.939.257 1.305.810 1.871.738 1.540.960 1.095.436 950.772 3.568.125 18.222.204
Frango
(%) (3,63) (6,57) (11,48) (21,62) (7,17) (10,27) (8,46) (6,01) (5,22) (19,58) (100,00)

Fonte: Inquérito Agrícola (TIA)2012, MASA

2-26
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2.5 Serviços de Apoio aos Produtores


2.5.1 Pesquisa Agrícola

IIAM é a principal instituição de pesquisa e desenvolvimento agrícola do país. Desde a assinatura do


acordo de paz em 1992, o governo moçambicano tem feito um esforço visando reviver a investigação
em cooperação com organizações externas, tais como Centros Internacionais de Investigação Agrária
(IARCS), Institutos Internacionais de Agricultura Tropical (IITA), Centro Internacional de Melhoria
de Milho e Trigo (CIMMYT), Instituto Internacional de Investigação de Culturas para Trócos
Semiáridos (ICRISAT), Centro Internacional da Batata (CIP), etc. Desde então, Moçambique registou
progressos significativos, principalmente na pesquisa adaptativa que aborda uma lacuna entre a melhor
prática a nível de pesquisa e prática actual a nível da exploração. No entanto, o sistema de
investigação e desenvolvimento (sistema R&D) apresentaos seguintes constrangimentos:

1) Falta de gestão de pessoal qualificado e científico


2) Recursos financeiros sazonalmente baixos e indisponíveis
3) Infra-estruturas de pesquisa deficiente
4) Fraca gestão de investigação
5) Planificação de investigação deficiente, incluindo a definição de prioridades e participação
das partes interessadas

O sistema de investigação e desenvolvimento é, igualmente, altamente dependente de financiamento


de doadores, que variam de ano para ano. O financiamento dos doadores foi responsável por cerca de
50 a75% do orçamento total do IIAM, em 2004 e 2008. O défice no orçamento, o desembolso tardio e
irregular de fundos afectaram negativamente o desempenho do IIAM.

2.5.2 Extensão Agrícola de Tecnologia

(1) Estrutura Geral

O SDAE é responsável pelo serviço de extensão agrícola após a descentralização da governação da


extensão através do PRONEA. Enquanto cada SDAE organiza o trabalho dos extensionistas sob a
supervisão de um Supervisor da Extensão, o Serviço Provincial de Extensão do DPASA e a Direcção
Nacional de Extensão Agrária (DNEA) do MASA orientam e supervisionam o SDAE a nível
provincial e nacional, respectivamente. Existem ainda quatro Comités de Gestão da Extensão Rural
(CGER) localizados em Gaza, Manica, Tete e Nampula, com objectivo de ligar a provisão dos serviços
de extensão às comunidades e promover actividades de desenvolvimento rural.

De acordo com o Relatório de Análise Intermediária do PRONEA de 2011, havia em 2010, 2.238
extensionistas, dos quais apenas 770 eram servidores do governo. Os demais 817 eram de ONGs e 651
provedores de serviços privados. Este número mostra que o serviço de extensão agrária no país
depende bastante do sector privado, incluindo as ONGs. De qualquer modo, o número total de
trabalhadores da extensão é muito reduzido para fornecer os serviços técnicos necessários para 3,8
milhões de estabelecimentos agrícolas no país.

2-27
Versão Provisória - ANEXO

O Plano Director de Extensão Agrária do MASA (PDEA, 2007 a 2016) descreve que há dois pilares
principais para a organização da extensão agrícola em Moçambique. Os pilares são o Sistema
Nacional de Extensão (SISNE), no qual diferentes provedores de serviços de extensão dos sectores
público e privado desempenham um papel, e o Sistema Unificado de Extensão (SUE), no qual todos
os serviços agrários operam através de um único funcionário de extensão que contrata produtores em
uma área particular de produção.

(2) O Plano Director de Extensão Agrária (2007-2016)

O Plano Director de Extensão Agrária (PDEA) é formulado combase num quadro lógico. A seguir
apresenta-se o resumo do PDEA22.
- Objectivo Geral:
Contribuir para a redução da pobreza absoluta, segurança alimentar e melhoria da qualidade
de vida da população rural.

- Objectivo do Programa:
Aumentar o rendimento e melhorar a segurança alimentar das famílias de produtores quer
dosexo masculino quer do sexo feminino, especialmente agregados familiares chefiadas por
mulheres e agregados familiares desfavorecidos, através de uma melhoria constante da
eficiência de produção.

- Objectivos Específicos:
i Melhorar a capacidade de implementação dos programas de extensão rural dentro de um
quadro de participativo e pluralístico
ii Aumentar a capacidade técnica e de gestão dos produtores no processo de planificação,
gestão e avaliação e na prestação de serviços;
iii Fornecer serviços de extensão a nível provincial e distrital visando a promoção da
produtividade agrícola e a utilização sustentável dos recursos.

Conforme se pode ver no objective do programa, os principais beneficiários-alvo do Plano Director


são pequenos produtores. Como os objectivos específicos sugerem, o plano director privilegia uma
abordagem participativa alinhada com o processo de descentralização, com base na análise das lições
aprendidas23 com as a partir das políticas anteriores e implementação de programas de extensão
agrícola. Os principais componentes do Plano Director são os seguintes24:
A. Desenvolvimento da oferta dos serviços extensão agrária:
A.1 Reorientação e apoio do sector público
A.2 Promoção e apoio e do sector privado/ONGs
B. O desenvolvimento da procura de serviços de extensão agrária:
B.1: Organização e capacitação dos produtores
B.2: Grupo, associação e desenvolvimento empresarial
C. A provisão de serviços de extensão agrária:
C.1: Provisão de serviços de extensão agrária ao nível provincial
C.2: Provisão de serviços de extensão agrária ao nível distrital
22
Source: MINAG(2007) The National Extension Master Plan (2007-2016), Page 54
23
It is worth to look at the analysis of the lessons learnt prior to the formulation of the master plan (Page 8 to17 of the
Master Plan), although this report does not get in details.
24
Source: MINAG (2007) The National Extension Master Plan (2007-2016), Page 19-20

2-28
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Algumas questões cruciais no Plano Director, por exemplo, a estrutura organizacional proposta e a
implementada aos níveis central, provincial e distrital para <A-: Reforma e Apoio do Sector Público>
e Papeis e Responsabilidades de cada organização, são tratados nas partes que seguem do presente
relatório. Alias, é por essa razão que esta parte do documento está virada para os objectivos do Plano
Director de Extensão Agrária em relação a segunda componente.

As principais questões temáticas no são as seguintes25:


1) Melhoria do sistema de sustento dos pequenos produtores
2) Abordagem de cadeia de Valores
3) Questõestransversais
i ) Mulher e género
ii) HIV/SIDA
iii) Gestão Sustentável dos recursos naturais

No Plano Director, os primeiros dois temas nomeadamente i) Melhoria do sistema de sustento dos
pequenos produtores ii) Abordagem de Cadeias de valores são analisados combase na documentação
fornecida pela Direcção deEconomia do Ministério da Agricultura e SegurançaAlimentar (MASA)26.
Na introdução do da primeira componente temática, o Plano Directorcinge-se na geração de
rendimento através do empoderamento dos produtores recorrendo a organização de produtores e
estabelecimento de redes que irão permitir a integração dos produtores no mercado. Espera-se a
intervenção de extensionistas na promoção deste sistema (a seta vermelha do DDA e DPA).

Financiador, FDA DNSA


eParceiro de
Desenvolvimento

DPA Contracto&
Monitoria
Selecção
-Viabilidade
-Eligibilidade
Mercado Fornecedore
DDA s/distribuido
res de
Demonstração de insumos
Interece(elaboração do Disseminação
plano com extensionista) do Programa Contracto/Pr
odução

Produtores

Fonte: MINAG (2007) Plano Director de Extensão Agrária (2007-2016), Página 26, citado pelo
MINAG (2006) PES27
Nota: Abreviatura do texto Original: DNSA- Direcção Nacional de Serviços Agrários; FDA –
Fundo para o Desenvolvimento Agrário; DPA- Direcção Provincial da Agricultura; DDA –
Direcção Distrital da Agricultura
Figura 2.5.1 Papel dos extensionistas na Produção Agrária, Intensificação e
Diversificação

25
Fonte: MINAG (2007) Plano Director de Extensão Agrária (2007-2016), Pagina 25 a 27
26
MINAG, 2006. Plano Economico e Social, PES/2007. Direccao de Economia, Ministerio da Agricultura,República de
Mocambique, Julho, 2006.
27
Ibid

2-29
Versão Provisória - ANEXO

(3) PRONEA (Programa Nacional de Extensão Agrária)

O PRONEA é um programa que operacionaliza o Plano Director de Extensão Agrária, que está
alinhado com o PEDSA (2011- 2020). Embora o PRONEA tenha sido originalmente planejado para os
anos 2008 a 2015, foi elaborado um novo plano de implementação de cinco anos (2012 a 2016) após a
revisão intermediária em 2011. O Relatório de Análise Intermediária confirmou que o projecto de
apoio PRONEA foca em pequenos produtores e emergentes para melhorar sua produtividade bem
assim o e acesso ao mercado.

Constituem objectivo e componentes do PRONEA os seguintes;


28
1) Objectivos do PRONEA

O objectivo geral do PRONEA é contribuir para a redução da pobreza absoluta e para a melhoria da
qualidade de vida dos homens e mulheres pobres, enquanto o PRONEA visa criar condições para
melhorar o rendimento e a segurança alimentar dos agregados familiares dos pequenos produtores,
especialmente agregados familiares chefiados por mulheres e as famílias desfavorecidas, através da
melhoria na eficiência da produção. Este objectivo será alcançado através: maior acesso a serviços de
apoio técnico eficazes centradas no distrito; grupos de produtores melhor organizados que influenciam
a prestação de serviços; e prestação de serviços de apoio em resposta a solicitações.

2) Componentes do PRONEA

O PRONEA abarca três componentes, sendo quecada um desses componentes contém


doissubcomponentes.

<Componente 1: Desenvolvimento do lado da Oferta dos serviços de extensão agrícola>

i) Reorientação e Apoio do Sector Público, contribuindo para a reformado sector público na


abordagem dos desafios, tais como mudança de paradigma para a extensão participativa,
desconcentração para o distrito e uso da abordagem da cadeia de valor, e no subcomponente;

ii) Promoção e Apoio ao Sector Privado/ONGs nas actividades de extensão, que se refere
principalmente ao fortalecimento dos provedores de serviços de extensão agrícola das ONGs e
do sector privado a nível distrital e provincial.

<Componente 2: Desenvolvimento do lado da Demanda dos serviços de extensão agrícola>

i) Organização e Empoderamento dos Produtores, contribuindo para o fortalecimento do papel


das organizações de produtores na planificação participativa distrital e na provisão de extensão
voltada para a demanda

ii) Desenvolvimento de Grupos, Associações e Empreendimentos, contribuindo para o


fortalecimento das organizações dos produtores em termos do desenvolvimento da cadeia de
valor e da prestação de serviços agrícolas

<Componente 3: Prestação de Serviços de Extensão Agrícola>

28
Source: IFAD (2011) Loan No. 690-MZ : PRONEA Mid-Term Review Aide-Mémoire, Page 2

2-30
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

i) Prestação de Serviços a nível Provincial, contribuindo para uma melhor prestação dos serviços
após a capacitação e fortalecimento do programa de prestação de serviços agrícolas

ii) Prestação de Serviços a nível Distrital/Local pelos provedores de serviço de extensão públicos
e privados

Conforme se pode notar acima, Os objectivos e os componentesdo PRONEA e estão alinhados com os
objectivos do Plano Director Extensão Agrária. Existem algumas diferenças do ponto de vista
institucional e de abordagem nas formas de intervenção do PRONEA.

Tabela 2.5.1 Progresso alcançado pelo PRONEA (Extracto do Componente 1.1.)


Actividades Planificadas Progresso / Realização
Aumento da capacidade no Distrito e na Província Províncias apoiadas na planificação das
actividades do PRONEA nos distritos-piloto
Iniciação e incorporação de pequenos agricultores Extensão passou de grupos T & V para
associações, e ao registo
Fonte: Avaliação Intercalar do PRONEA (2011) Sumário Executivo, Página8, <D. Componentes do PRONEA >
Nota: Sobre os componentes, apenas o número é apresentado na tabela. TA= Assistência Técnica

3) Avaliação Intercalar do PRONEA

Na Avaliação Intercalar do PRONEA de Setembro de 2011, (que inclui os oficiais da DNEA)


constatou-se o progresso da implementação do PRONEA não é dos melhores, conforme descrito e
analisado noRelatório de Revisão Intercalar. Existem vinte e cinco (25) itens a avaliar. Entretanto,
dentre eles, apenas um (o segundo na tabela supra) que pode ser avaliado como alcançado, enquanto
os outros são descritos de forma adversa (subdesempenho ou sem efeito directo ao programa). Há
claramente sete (7) itens assinalados como “sem acompanhamento ainda”. A equipa de avaliação
identifica os problemas causados a partir deste quadro da seguinte forma29.

i) Estrutura de contabilidade e gestão inadequada:


ii) Arranjos pouco claros entre as estruturas de coordenação do a nível do distrito, província e
central;
iii) Capacidade insuficiente para lidar com um programa complicado, e o sistema de planificação,
orçamento, monitoria e avaliação; e
iv) Sistema de desembolso financeiro inadequado, resultando em escassez de fundos a nível local.

Com base na análise feita pela missão, o PRONEA foi redireccionada da seguinte forma30. Os
componentes e subcomponentes que constituem a estrutura do PRONEA não mudam.

i) Situação: De Programa para Projecto


ii) Gestão Financeira: da Direcção de Administração e Finanças para o DNEA
iii) Vai ser implementado um Projecto de Apoio ao PRONEA pelo DNEA de 2011 a 2016.

 Nível provincial, DAPSA através Serviços Provinciais de Extensão Agrícola (SPER) são
responsáveis pela implementação do Projecto de Apoio ao PRONEA.
29
Avaliação Intercalar do PRONEA (2011) Sumário Executivo, Página vii, No. 8, <8. Principais causas de fraco desempenho>
30
Listed by the mission based on the interviews with IFAD, FAO, and DNEA, as well as the information in theMid-term Review
Report and Aide-Mémoire.

2-31
Versão Provisória - ANEXO

 O Chefe do SPER é o Coordenador do Projecto, sob a liderança do Director Provincial da


Agricultura.

O orçamento total para o novo plano quinquenal é de US$ 26,8 milhões financiados pelo Governo,
Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrário (IFAD) e União Europeia (UE).

(4) Produção e Comércio de Sementes

A produção, comércio e controlo de qualidade e certificação de sementes em Moçambique é regulada


pelo Diploma Ministerial nº 184/2001. O país definiu uma lista oficial de variedades desementes
cujacomercialização é permitida, e as entidades que pretendem produzir ou comercializar sementes
deverão registar-se junto da Direcção Nacional da Agricultura (DINA). Sementes de variedades que
fazem parte de listas oficiais de variedades de outros países podem obter produção certificada;
entretanto a comercialização dessas sementes em Moçambique é proibida.

A produção de sementes certificadas de milho, arroz, mapira, amendoim, girassol, feijão manteiga,
feijão nhemba, algodão, batata reno, trigo e mudas de cajueiro, bem como a produção de semente
melhorada das culturas de milho, arroz, mapira, trigo, amendoim, feijão manteiga, feijão nhemba e
girassol, obedece requisitos estabelecidos nos anexos do regulamento supracitado.

Por outro lado, a importação de sementes é regida pelo disposto no Regulamento de Importações de
Sementes aprovado pelo Diploma Ministerial nº 95/91, sendo que as entidades que pretendem
importar sementes devem inscrever-se no Ministério do Comércio como importadores de sementes.
Outrossim, a semente a ser importada deve obter a autorização prévia do Ministério da Agricultura e
não deve ser de variedade geneticamente modificada ou infestante. Deve igualmente cumprir com as
normas fitossanitárias de quarentena.

2.5.3 Apoio à Organização de Produtores

O movimento associativo em Moçambique teve início com o apoio da Lei das Associações (Lei
n.º8/91; Lei das Associações), que previa a livre associação e os fóruns de incorporação e registo de
diferentes formas de associação (associações filantrópicas que defendem interesses, sindicatos,
partidos políticos, ONGs, clubes desportivos, etc.) Dentro deste quadro jurídico para associativismo,
foi estabelecido um grande número de associações de agricultores tanto no centro como norte de
Moçambique, muitas vezes com apoio deONGs.

Mais tarde, a legislação foi melhorada com a aprovação do Decreto-Lei n.º. 2/2006, que simplifica e
descentraliza o processo de registo das associações agrícolas até nível distrital. Muitas associações
foram criadas com o apoio desta lei. A fim de incentivar mais organizações economicamente
orientadas, foi formulada a Lei Geral das Cooperativas Modernas (Lei n.º. 23/2009), com o apoio da
Sociedade Civil que enfatiza a organização de pessoas com a visão económica para ultrapassar
questões sociais em diferentes áreas, não apenas no sector agrícola mas também noutras áreas de
actividade (agricultura, crédito, saúde, consumo, construção, serviços, etc.).

2-32
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(1) Decreto-Lei 2/2006

As associações de produtores existentes incluem organizações registadas e organizações não


registadas. O Decreto-lei presidencial nº 2/2006 regula o funcionamento de organizações registadas.
As organizações registadas têm vantagens para angariar fundos. No entanto, o pedido de registo exige
vários documentos e formalidades burocráticas, o que constitui um grande obstáculo no registo para os
produtores. Consequentemente, muitas organizações de produtores não estão registadas.

Uma associação registada pode estabelecer uma união com outras associações registadas. Se a união
opera em mais de um distrito, o representante provincial é responsável pela respectiva supervisão. Se o
sindicato funciona em mais de uma província, o chefe do departamento relevante do MASAé
responsável pela supervisão. Depois do estabelecimento de uma união, as organizações-membro
podem modificar a sua Constituição.

Constituem as funções das Associações de Produtores as seguintes: i) actuar como um destinatário de


serviços de extensão agrícola (informações, tecnologia, equipamentos, etc.) do MASA e outros, ii)
reforçar a assistência mútua (desenvolvimento comunitário, educação, alfabetização, qualificação de
mulheres, etc.) na comunidade, iii) consolidar a colecta e envio para negociar colectivamente com
comerciantes e / ou intermediários, iv) aceder a recursos financeiros (microcrédito), e v) operar e
manter a propriedade comunal (instalações de irrigação, instalações de armazenagem, instalações de
processamento, tractores, etc.).

(2) Nova Lei de Cooperativas (Lei n.º. 23/2009)

A nova Lei do Cooperativismo (Lei n.º. 23/2009) foi aprovada em Setembro de 2009, e entrou em
vigor em Março de 2010. Uma série de diferentes organizações e projectos (incluindo a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), Liga das Cooperativa dos EUA (CLUSA), Agri FUTURO e outras)
estiveram envolvidas na elaboração da nova lei. A Associação Moçambicana de Promoção do
Cooperativismo Moderno (AMPCM) foi formalmente criada em Janeiro de 2010 para assumir um
papel de liderança na implementação da lei através da promoção e desenvolvimento de cooperativas
modernas em Moçambique como uma forma sustentável de geração de riqueza. A nova lei prevê um
quadro jurídico bem definido para a organização de cooperativas de produtores com um propósito
claramente definido. A comercialização de produtos pode actualmente ser o mais urgente, e pode
muito e bem ser alcançada pelos produtores através de criação de cooperativas que funcionam
razoavelmente bem. Ainda constituí um grande desafio em Moçambique tornar nova legislação
conhecida e disponível, e particularmente nos distritos e zonas rurais.

As cooperativas são autónomas e independentes, baseadas na associação voluntária de seus membros,


e sob seu controlo democrático. De acordo com a legislação moçambicana, se as cooperativas estão
organizadas como cooperativas de vendas, há um grande espaço para associações de produtores
distintas que devem ter fins não lucrativos, e não estão em posição legal de assinar contratos
comerciais. Mas, diferentes tipos de organização de produtores podem operar nas mesmas localidades,
sem que isso seja visto como formas competitivas ou de exclusão de organização rural.

2-33
Versão Provisória - ANEXO

As cooperativas, diferentemente das associações, exigem autorização prévia do Governo para o seu
estabelecimento. Uma cooperativa de produtores (uma cooperativa de primeiro nível) deve ter no
mínimo cinco membros, embora não exista qualquer limite superior relacionado com a adesão.
Cooperativas de segundo nível são constituídas de cooperativas de primeiro nível como membros, e
elas devem ter no mínimo dois membros. O Artigo 82 da nova Lei das Cooperativas prevê a
transformação das associações de produtores existentes em cooperativas modernas se elas cumprirem
os requisitos estabelecidos previstos na lei.

2.5.4 Empréstimos e Créditos Agrícola

Nos últimos 10 anos, o volume de empréstimos para a agricultura triplicou, apesar do total de
empréstimos para a economia moçambicana crescer 9 vezes em termos de moeda local. O volume de
crédito para o sector agrário representou apenas 6,5% do volume total da economia nacional em 2010.
Os empréstimos para a produção agrária ainda se concentram nas culturas de rendimento
nomeadamente tabaco, açúcar, algodão, caju, copra e chá.

A maioria dos pequenos produtores que domina a economia rural de Moçambique está totalmente fora
do alcance de qualquer operador financeiro. Uma vez que não existe um sistema formal de
financiamento subsidiado para pequenos produtores, os bancos comerciais constituem o seu único
canal formal de financiamento. Embora o Banco Terra e ProCredit tenham criado um esquema de
micro empréstimo apropriado para pequenos produtores, o esquema não tem condições específicas
para empréstimos agrícolas.

Quase nenhum distritodispõe de instalações bancárias formais. Além disso, muitos agricultores têm
dificuldades de aceder aos empréstimos dos bancos comerciais devido à elevada taxa de juros,
normalmente superiores a 25%, bem assim dificuldades em relação a apresentação de garantias pelos
empréstimos. Sendo a terra propriedade do estado, a mesma não pode ser usada como garantia para os
bancos. O sector de microfinanças, complementando o sistema bancário comercial que se encontra em
condições precárias, é demasiado pequeno e tem orientação urbana. Existe um número limitado de
associações de produtores que têm experiência com ONGs para operar um microfinanciamento. Esta
situação faz com que se torne cada vez mais difícil respondera necessidade crescente dos produtores
pelos serviços financeiros.

A Tabela 2.5.2 mostra que apenas 2,3% dos estabelecimentos agrícolas tiveram acesso ao crédito a
nível nacional, e existe uma grande diferença entre os pequenos e médios produtores e os grandes
produtores em termos de acessibilidade ao crédito, excepto na província de Tete.

2-34
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.5.2 Parte dos Estabelecimentos Agrícolas que tiveram Acesso ao Crédito (%)
Província Pequeno Médio Grande Total
Niassa 0,7 11,1 - 0,7
Cabo Delgado 1,2 8,9 4,5 1,2
Nampula 1,2 6,3 11,4 1,2
Zambézia 0,4 8,1 13,0 0,4
Tete 13,9 9,9 15,6 13,8
Manica 0,6 6,3 20,0 0,7
Sofala 2,2 6,6 10,3 2,2
Inhambane 1,0 7,4 4,3 1,1
Gaza 2,4 5,3 20,7 2,4
Maputo 0,5 2,2 15,5 0,5
Maputo Cidade 0,9 3,0 24,1 0,9
Nacional 2,3 7,0 15,2 2,3
Fonte: Censo Agrícola2009-2010, INE

Os Indicadores de Agro-negócio em Moçambique (Banco Mundial, Abril 2012) mostram que a


maioria dos produtores que tiveram acesso ao crédito na província de Tete obtiveram-no a partir da
empresa da Empresa de Folha de Tobacco de Moçambique (MLTC). Conforme mostra a Tabela 2.5.3,
um número relativamente significativo de produtores teve acesso ao crédito disponibilizado por
fornecedores de insumos, talvez a MLTC, na província de Tete. Conforme pode se notar na Tabela, em
algumas províncias, o governo é a 2ª maior fonte de crédito após os fornecedores de insumos, e
enquanto noutras é a maior fonte de crédito.

Tabela 2.5.3 Número de Estabelecimentos Agrícolas que Tiveram Acesso ao Crédito


Bancos
Bancos Cooperati Forneced Grupo de
de Des. Parentes
Província Comer- vas de ores de Auto-ajud Gov. Outros Total
Agrícola & Amigos
ciais Crédito Insumos a
*
Niassa 262 80 14 822 0 46 414 0 1.638
Cabo Delgado 100 244 1.044 0 47 334 1.458 792 4.019
Nampula 752 93 1.163 80 392 3.201 2.508 1.617 9.806
Zambézia 458 131 155 912 349 138 885 487 3.515
Tete 377 10 3.963 32.600 321 206 648 13.679 51.804
Manica 501 340 0 554 3 0 435 0 1.833
Sofala 4 1 11 1.031 576 24 3.850 431 5.928
Inhambane 90 46 74 339 472 0 1.821 6 2.848
Gaza 326 554 785 71 566 520 1.885 588 5.295
Maputo 296 117 187 2 56 0 77 46 781
Maputo
Cidade 111 129 1 69 0 69 43 85 507
Nacional 3.277 1.745 7.397 36.480 2.782 4.538 14.024 17.731 87.974
Fonte: Censo Agrícola em 2009-2010, INE
Nota: *A definição deve ser esclarecida uma vez que não há bancos exclusivamente orientados para desenvolvimento
agrícola em Moçambique.

O Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD) constitui a fonte do crédito alocado aos produtores. O
FDD é um orçamento global de 7 milhões Meticais, alocado pelo Governo Central para cada distrito
para a implementação de projectos de desenvolvimento distrital, sujeitos à deliberação com a
comunidade e com os Conselhos Distritais. Embora inicialmente o FDD era destinado a projectos de
investimento público, como a construção de estradas e escolas, o Governo posteriormente reservou o

2-35
Versão Provisória - ANEXO

FDD para empréstimos para associações rurais, assim como para a produção de culturas visando a
melhoria da segurança alimentar.

2.6 Irrigação e Drenagem


2.6.1 Recursos Hídricos e Gestão

(1) Quadro Legal e Políticas

O uso e gestão dos recursos hídricos em Moçambique são regulados pela Lei das Águas de 1991; a
Política Nacional de Águas de 1995, revista em 2007; a Política de Tarifas de Água de 1998 e a
Estratégia Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de 2007.

1) Lei das Águas

A Lei das Águas, Lei n.º 16/91, considera a bacia hidrográfica como unidade básica para a gestão de
recursos hídricos e apresenta tanto a estrutura institucional quanto os princípios e politicas da gestão
de águas em Moçambique. Foi concebida com vista a criação de um sistema de gestão de águas
descentralizado e participativo. De acordo com essa lei, o uso da água pode ser classificado por
comum e privado. O uso comum é grátis e isento de licença e destina-seà satisfação das necessidades
de água ao nível doméstico, pessoal, inclusive para agricultura de pequena escala. Por outro lado, o
uso privado requer uma concessão ou por via da lei.

2) Política Nacional de Águas

A Política Nacional de Águas (PNA), aprovada pela Resolução n.º 7/95 e posteriormente revista pela
Resolução n.º 46/07, traz estratégias específicas de abastecimento de água para áreas urbanas,
periurbanas, rurais, saneamento e gestão integrada de recursos hídricos. Na mesma linha da Lei das
Águas, a PNA visa à descentralização da gestão de recursos hídricos a entidades autónomas, no nível
de bacias. Dessa forma, o Governo define prioridades e nível mínimo de prestação de serviços, regula
as actividades dos fornecedores de serviços, mas deixa de intervir directamente na implementação dos
serviços. A gestão integrada tem como objectivo maximizar os benefícios da comunidade,
considerando os impactos ambientais e a conservação dos recursos hídricos.

No que diz respeito à irrigação, a PNA visa ampliar a base de desenvolvimento económico, criar
riqueza e melhorar as condições de vida, com foco em:

a) Melhoria da segurança alimentar, aumento do rendimento familiar e criação de oportunidades


de emprego, através da expansão da área irrigada, principalmente através de pequenos sistemas
de irrigação;

b) Melhoraria da sustentabilidade e minimização dos impactos ambientais, através da eficiência


no uso da água nos perímetros irrigados e melhorando as capacidades dos utilizadores para
operar e gerir os sistemas de irrigação;

c) Produção agrícola para a exportação e para o desenvolvimento da agro-indústria nacional.

2-36
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3) Política de Tarifas de Água

A Política de Tarifas de Água, estabelecida pela Resolução n.º 60/98, tem como base o conceito de que
a água é um bem económicoe as tarifas devem reflectir a necessidade de se recuperarem os custos.
Possui uma tarifa para a água bruta; a água potável em zonas urbanas; a água potável em zonas rurais;
o saneamento convencional; o saneamento a baixo custo; e a água para irrigação. Em relação a água
para irrigação, as tarifas têm como base o volume, e as Administrações Regionais de Águas são as
responsáveis pela gestão operacional e pela cobrança das respectivas taxas.

Segundo a política em apreço, uma vez que a água é um bem social, as tarifas devem ser estabelecidas
de modo a garantir quetodas as camadas da sociedade tenham acesso aos serviços básicos de água e ao
saneamento. Desse modo, a Política de Tarifas de Água reitera a Lei das Águas, ao referir que a água
bruta de uso comum, utilizada para satisfazer necessidades domésticas, incluindo dessedentação de
gado e rega em pequena escala (sem uso de sifões ou meios mecanizados), será gratuita, enquanto a
água bruta, utilizada mediante licença e por concessão para geração de energia hidroeléctrica,
piscicultura, lazer, e rejeição de efluentes, será utilizada mediante uma cobrança.

4) Estratégia Nacional para a Gestão de Recursos Hídricos

Constitui o principal objectivo da Estratégia Nacional para a Gestão de Recursos Hídricos a


implementação efectiva da PNA. Propõe uma série de acções a serem incluídas nos planos de gestão
dos recursos hídricos, visando a alcançar as seguintes metas de desenvolvimento: 1) Avaliação dos
recursos hídricos; 2) Plano de monitoria dos recursos hídricos; 3) Gestão da demanda de água; 4)
Alocação da água; 5) Plano de gestão das bacias hidrográficas; 6) Estruturas hidráulicas; 7) Gestão
conjunta das águas de rios internacionais; 8) Gestão de riscos de inundação e seca; e 9) Consolidação
das Administrações Regionais de Águas.

(2) Quadro Institucional

A Direcção Nacional de Águas (DNA), no Ministério de Obras Públicas e Habitação(MOPHRH) é


responsável pela elaboração e implantação de políticas, planificação global e gestão dos recursos
hídricos do país bem como a prestação dos serviços de abastecimento de água e saneamento. Constitui
o seu objectivo assegurar a utilização adequada de recursos das águas superficiais e subterrâneas. O
Conselho Nacional das Águas (CNA) foi criado em 1991 como uma comissão consultiva do Conselho
de Ministros. O Conselho Nacional de Água (CNA) realiza coordenações entre as agências envolvidas
na gestão de recursos hídricos.

Na DNA, à luz da Lei das Águas, foram estabelecidas asARAs como as autoridades das bacias,
responsáveis pelo desenvolvimento e gestão de águas. Ao nível nacional, a gestão de águas está sob a
responsabilidade da Direcção Nacional de Águas e ao nível regional, existem cinco ARAs
responsáveis, ex. ARA Sul, Ara Centro, ARA Zambezi, ARA Centro-Norte(ARA-CN)e ARA-Norte
(ARA-N). As ARAs têm autonomia administrativa, organizacional e financeira, para recolha das
tarifas de água dos consumidores. Actualmente, a tarifa de água é cobrada somente para consumidores
de grande escala como a Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água(FIPAG),

2-37
Versão Provisória - ANEXO

mineradoras e outros usuários industriais, assim como grandes usuários de rega com mais de 500ha.
As principais responsabilidades das ARAs são:
a) Planificação e alocação dos recursos hídricos
b) Controlo do uso de águas, descarga dos tributários e outras actividades que afectam os recursos
hídricos.
c) Atribuição de licenças e concessão de uso de água e cobrança das tarifas de água
d) Planificação, construção e operação de infra-estrutura hídricas.
e) Autorização e aprovação de infra-estrutura hídricas
f) Prestação de serviço técnico para os sectores público e privado
g) Recolha e gestão de dados hidrológicos

Com relação às licenças para o uso de águas, existem dois tipos, i.e., Licença e Concessão. A Licença
é emitida basicamente para o curto prazo ou para uso limitado, com uma validade de 5 anos e não
pode ser estendida por mais de 10 anos, enquanto a Concessão não tem limite de validade. Para o uso
permanente, é necessário obter principalmente a concessão de uso de água. Além das licenças
mencionadas acima, em algumas províncias como Lichinga, também são concedidas licenças
provisórias para o uso da água, com renovação anual.

Com relação aos desenvolvimentos de irrigação e drenagem, os projectos de grande escala são
administrados pela DNA e a CNA, enquanto que os de pequena e média escala são administrados pelo
INIRdo MASA.

2.6.2 Irrigação e Drenagem

(1) Política e Estratégia Nacional de Irrigação

A Política Nacional de Irrigação e sua Estratégia de Implantação foram adoptadas em 2002, e


enfatizaram a importância estratégica da irrigação. A Estratégia Nacional de Irrigação foi revista em
2010. Os objectivos da estratégia são contribuir para i) o aumento da produção e produtividade
agrícola, ii) a geração de excedente de produtos agrícolas para a exportação, iii) aumento de
oportunidades de emprego nas zonas urbanas e periurbanas e iv) aumento da renda dos produtores,
através da utilização do potencial da agricultura de irrigação. Na Estratégia, se estabelecem três metas
periódicas, i.e., metas de curto prazo para 2012, metas de médio prazo para 2015 e metas de longo
prazo para 2020:

Metas de curto prazo (2012)


 Estabelecimento de uma instituição autónoma para coordenar as acções do sector irrigação.
 Formulação e aprovação do Programa Nacional de Irrigação e fortalecimento da mobilização
de capital de investimento

Metas de médio prazo (2015)


 Aumento na produtividade agrícola de culturas alimentares nas terras altas em pelo menos 3
vezes
 Aumento na proporção de uso de sistemas de irrigação dos actuais 60% para pelo menos 80%
 Desenvolvimento de uma base de dados de sistemas de irrigação

2-38
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Metas de longo prazo (2020)


 Expansão da área irrigada para culturas alimentares em pelo menos 50.000 ha, das quais, pelo
menos 20.000 ha serão desenvolvidos através de investimentos privados.
 Aumento da capacidade dos reservatórios em aproximadamente 30 mm3 através da reabilitação
e construção de barragens

O Programa Nacional de Irrigação se encontra actualmente em formulação.

(2) Situação Actual das Áreas Irrigadas

O país tem uma tradição de práticas de irrigação que datado período anterior à independência, quando
a área irrigada total chegava a 100.000 ha. Depois da independência em 1975, a área irrigada
aumentou, atingindo quase 120.000 ha no início dos anos 80. Posteriormente à independência, o
governo promoveu a exploração dos sistemas de irrigação existentes pelas empresas estatais. Porém,
estas empresas tornaram-se um símbolo de ineficiência e má administração levando à consequente
deterioração das infra-estruturas de irrigação. Actualmente, as áreas irrigadas estão ocupadas por
pequenos proprietários e empresas agrícolas. Em todo o país existem pequenos sistemas de irrigação,
que se encontram abandonados ou parcialmente utilizados. Grandes partes dos sistemas de irrigação
encontram-se em más ou péssimas condições e somente uma parte relativamente pequena dos sistemas
deirrigação está a ser utilizada. Na maior parte dos sistemas de irrigação são utilizadas águas
superficiais dos rios. As águas subterrâneas são utilizadas de maneira bastante limitada por pequenos
proprietários familiares.

De acordo com os resultados do inventario de infra-estrutura de irrigação efectuado pelo MINAG


durante o período 2001 a 2003 (ver Tabela 2.6.1), 118.120 ha estão equipados para irrigação, dos quais
40.063 ha são efectivamente utilizados, consistindo na sua maioria em grandes sistemas superiores a
500 ha. Depois do inventario, foram reabilitados ou construídos 13.356 ha de áreas de irrigação
durante o período de 2004 a 2009, de acordo com o Direcção Nacional dos Serviços Agrícolas
(DNSA)/MINAG. Mesmo considerando a expansão da área em operação desde 2004, cerca de 60.000
ha ainda se encontram inactivas.

No norte do país, existem poucos sistemas de irrigação de grande escala que se encontram
efectivamente em funcionamento. Somente pequenos e médios sistemas de irrigação (Classe Ae B)
respectivamente estão operacionais. No Sul e Centro do país, sistemas de grande escala (Classe C) são
responsáveis por aproximadamente 70 a 80 % da área equipada. Os sistemas da Classe A são operados
principalmente por produtores individuais ou organizados em uma associação. Os sistemas de Classe
B são geralmente utilizados para a exploração industrial, principalmente de cana-de-açúcar e arroz. Os
sistemas de Classe C já não são utilizados, uma vez que a maior parte dos projectos recentes está
voltada para a reabilitação e desenvolvimento dos sistemas de classes A e B.

De acordo com o Inquérito Agrícola de 2012 realizado pelo MINAG, em média 8% das famílias
produtoras utilizavam sistemas de irrigação a nível nacional. As províncias de Niassa, Cabo Delgado,
Nampula e Zambézia apresentam as taxas mais baixas entre 2 a 6%, enquanto as províncias de Tete,
Manica, Inhambane e Maputo apresentam taxas elevadas, aproximadamente de 20%.

2-39
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 2.6.1 Inventário de Áreas Irrigadas e Sua Utilização


Norte Centro Sul Total
Descrição (ha) (%) (ha) (%) (ha) (%) (ha) (%)
Áreas Equipadas para Rega:
Classe A (<50 ha) 592 17 1428 4 4369 6 6389 5
Classe B (50-500 ha) 1760 53 6653 17 11234 15 19647 17
Classe C (>500 ha) 1000 30 30949 79 60135 79 92084 78
Total 3352 100 39030 100 75738 100 118120 100
Área realmente regada
Classe A (<50 ha) 200 30 624 4 2452 11 3276 8
Classe B (50-500 ha) 461 70 1584 10 2635 11 4680 12
Classe C (>500 ha) 0 0 14049 86 18058 78 32107 80
Total 661 100 16257 100 23145 100 40063 100
Proporção de área equipada realmente regada
Classe A (<50 ha) 34 44 56 51
Classe B (50-500 ha) 26 24 23 24
Classe C (>500 ha) 0 45 30 35
Total 20 42 31 34
Tecnologia
Rega de superfície 656 99 4200 26 12000 52 16856 42
Rega por aspersão 0 0 11530 71 8330 36 19860 50
Rega por gotejamento 5 1 527 3 2815 12 3347 8
Total 661 100 16257 100 23145 100 40063 100
Principais culturas de rega
Cana-de-açúcar 0 0 13799 84.9 10059 43.4 23858 59.6
Horticultura 301 100 210 1.3 6500 28.1 7011 17.5
Arroz 0 0 480 3 3650 15.6 4130 10.3
Tabaco 0 0 445 2.7 0 0 445 1.1
Citrinos 0 0 370 2.3 0 0 370 0.9
Outras 0 0 953 5.9 3036 13.1 4249 10.6
Total 301 100 16257 100 23145 100 40063 100
Fonte: MINAG (Inventário de terras equipadas com rega, 2001 -2003)

Tabela 2.6.2 Percentagem de Famílias Utilizando Irrigação no Inquérito Agrícola


Província 2002 2003 2005 2006 2007 2008 2012
Niassa 8 6 2 6 5 9 5
CDelgado 4 1 2 2 2 2 3
Nampula 2 2 5 6 5 6 6
Zambézia 1 3 2 3 5 3 2
Tete 28 19 9 17 19 14 16
Manica 22 5 3 10 25 12 14
Sofala 6 5 4 4 9 11 7
Inhambane 30 10 14 21 19 24 19
Gaza 27 15 18 19 13 15 10
Maputo 25 19 26 22 23 19 24
Nacional 10 6 6 8 10 9 8
Fonte: MINAG, TIA2012

2.6.3 Organização de Usuários de Água

Em Moçambique, é possível observar que nos grandes sistemas de irrigação, as instalações principais
tais como o canal principal e as estruturas relacionadas são operadas e administradas pelos serviços
públicos e as instalações depois do canal secundário são operadas e administradas pela Associação de
Usuários de Água (AUAs), organizadas pelos usuários de irrigação. Como exemplo, no Sistema de
Irrigação de Chókwe, um dos mais importantes e grandes sistemas de Irrigação em Moçambique, as
instalações principais são geridas pela Hidráulica de Chókwè Empresa Pública: HICEP, responsável
pelo fornecimento e alocação de água no canal principal, cobrança e recolha de tarifas de água e a
operação e manutenção das infra-estruturas relacionadas. As AUAs organizadas por cada bloco de

2-40
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

irrigação são responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas de irrigação secundários e
terciários.

Em Moçambique, as AUAs são legisladas pela Lei de Associação (Decreto-Lei n.º2/2006) como uma
Organização de Produtores, visto que ainda não existe uma lei para associação de usuários de água.

No cômputo geral, as capacidades das AUA não são desenvolvidas devido à falta de experiência na
operação e manutenção das instalações assim como na gestão de águas, aliado a falta de fontes de
financiamento. Portanto, os sistemas de irrigação não são adequadamente administrados. O governo e
o MASA assim como os doadores vêm envidandoesforços de diversa índole afim de fortalecer a
funcionalidade das AUA.

Para pequenos sistemas de irrigação, os sistemas são operados e administrados pela Associação de
Produtores ou Grupo de Produtores, em alguns casos pela Comunidade, sem uma AUA que se
organiza especialmente para a operação e manutenção do sistema de irrigação. Em geral, a situação da
operação e manutenção das instalações por estes também são de padrão inferior. Para fazer face a esta
situação, a Estratégia Nacional de Irrigação enfatiza o apoio para a organização e fortalecimento das
associações de usuários de irrigação, pelos pilares de desenvolvimento de infra-estrutura,
administração e uso da irrigação.

2.7 Distribuição de Produtos Agrícolas


2.7.1 Mercados dos Produtos Agrícolas

O mercado de produtos agrícolas está dividido em local, regional e internacional. O mercado local
fornece produtos agrícolas da área de produção ao público e ao mercado temporário no distrito, em
outros distritos e na capital da província. O mercado regional fornece produtos de outras regiões e
distritos. O mercado internacional consiste na importação e exportação de produtos agrícolas e de
produtos processados. Considerando que a cobertura dos sistemas de irrigação em Moçambique é
limitada, a prática de cultivo de sequeiro é dominante no país, o que resulta na falta de alimentos
básicos na estação seca. Por outro lado, a região norte tem produção excedente de milho mesmo na
estação seca. Entretanto, o milho é importado todos os anos na região sul. Os altos custos de transporte
causados pelas condições precárias das estradas fazem com que produtos como o milho na região
norte enfrentem dificuldades para competir com produtos importados na região sul.
Consequentemente, o milho produzido na região norte é exportado para países vizinhos como o
Malawi e Zimbabwe. As culturas de alto valor, como feijões e amendoim da região norte, ainda têm
competitividade no mercado da região sul.

2.7.2 Comércio Doméstico dos Produtos Agrícolas

Conforme se fez referência acima, Moçambique é dividido em 3 regiões, norte, centro e sul. Além do
movimento entre distritos, verificam-se os seguintes movimentos típicos dos produtos agrícolas em
cada região:

2-41
Versão Provisória - ANEXO

 Na região norte, movimento para o mercado de Nampula, exportação e importação com o


Malawi em distritos adjacentes à fronteira na província do Niassa, movimento de produtos de
exportação para Nacala,
 Na região centro, movimento para o mercado de Maputo, movimento para o mercado de Beira,
exportação para o Zimbabwe através de Tete,
 Na região sul, movimento do sul e da África do Sul.

O fluxo de produtos agrícolas em Moçambique caracteriza-se por dois produtos típicos, milho e
feijões. A Figura 2.7.1 ilustra o movimento do milho em Moçambique. O milho produzido na região
norte é fornecido aos distritos da região e em regiões vizinhas principalmente para consumo, e para o
Malawi e para o Porto de Nacala para exportação. Um fenómeno similar ocorre na região centro, mas
eles fornecem milho apenas para Maputo.

Entretanto, em relação aos feijões,


uma quantidade reduzidafoi
exportada para os países vizinhos,
sendo que um grande volume foi
fornecido da região norte para as
regiões centro e sul, devido ao
alto valor dos feijões. Um
membro da associação de
transportes respondeu em nossa
entrevista que eles compram
feijões em Lichinga por 15 a
17MT/kg e podem vendê-los em
Maputo entre 45 a 50 MT/kg.

No caso do milho, a margem não


é tão grande como a dos feijões,
Fonte: USAID & Famine Early Warning Systems Network (FEWSNET), 2009
mas eles compram em Lichinga Figura 2.7.1 Fluxo de Produção e Comercialização do Milho
por 3MT/kg e vendem por (esquerda) e dos Feijões (direita)
10MT/kg em Maputo.

2.7.3 Comércio Internacional de Produtos Agrícolas

No que tange às exportações de produtos agro-pecuários, Moçambique possui, como principais


produtos, tabaco, açúcar bruto, hortaliças, semente de gergelim e algodão em pluma, conforme se pode
observar na Tabela 2.7.1. A análise de importância foi feita com base no valor total dos produtos.

2-42
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.7.1 Principais Produtos Exportados


Volume Valor Valor Unitário
Colocação Produto
(toneladas) (1000 $) ($/tn)
1 Tabaco não Manufacturado 41.017 161.019 3.926
2 Açúcar Bruto 236.202 107.306 454
3 Leguminosas 51.823 28.164 543
4 Semente de Gergelim 22.676 26.929 1.188
5 Algodão em Pluma 16.717 26.718 1.598
6 Farinha de Trigo 33.084 17.229 521
7 Castanha de Caju Descascada 3.706 17.079 4.608
8 Bananas 41.607 11.277 271
9 Melaço 77.880 8.013 103
10 Açúcar Refinado 11.114 6.798 612
11 Amendoim Descascado 8.746 4.985 570
12 Milho 16.132 4.697 291
13 Semente de Algodão 21.899 4.090 187
14 Óleo de Coco 3.016 3.760 1.247
15 Cigarros 538 3.348 6.223
16 Castanha de Caju com Casca 3.883 3.189 821
17 Amendoim com Casca 5.963 3.149 528
18 Chá 1.759 2.679 1.523
19 Ácidos Graxos 846 1.315 1.554
20 Bebidas 1.876 1.202 641
Fonte: FAOSTAT 2012,Adaptadopela equipa do estudo

No que se refere às importações, a Tabela 2.7.2 resume os principais produtos importados pela
República em 2010. Destacam-se arroz, trigo, óleo de palma, açúcar refinado e produtos oriundos da
pecuária. Verifica-se que o arroz, mesmo sendo produzido tanto por pequenos quanto por grandes
produtores, ainda é o principal produto importado. O açúcar bruto (segundo principal produto de
exportação) volta na forma de açúcar refinado (sendo o quarto maior produto de importação).

Tabela 2.7.2 Principais Produtos Importados


Volume Valor Valor Unitário
Colocação Produto
(toneladas) (1000 $) ($/tn)
1 Arroz 303.646 141.440 466
2 Trigo 551.379 136.508 248
3 Óleo de Palma 73.200 55.000 751
4 Açúcar Refinado 69.192 49.728 719
5 Alimentos Preparados 18.751 44.938 2.397
6 Óleo de Soja 30.049 27.441 913
7 Carne de Frango 9.748 22.752 2.334
8 Tabaco não Manufacturado 3.963 22.024 5.557
9 Cigarro 1.931 17.515 9.070
10 Milho 75.826 17.229 227
11 Farelo de Milho 23.597 14.418 611
12 Vinho 9.925 13.523 1.363
13 Torta da Soja 28.610 13.353 467
14 Produtos de Confeitaria 6.229 11.292 1.813
15 Alimentos para crianças 1.908 10.643 5.578
16 Malte 19.384 10.586 546
17 Chocolate 3.242 9.782 3.017
18 Margarina 4.878 8.818 1.808
19 Batata 21.717 8.743 403
20 Laranja 40.134 8.409 210
Fonte: FAOSTAT 2012, adaptado pela equipe do estudo

2-43
Versão Provisória - ANEXO

(1) Milho

Conforme mostra a Figura 2.7.2, a exportação de milho apresentou níveis variados de 15.000 a 30.000
t. A produção doméstica de milho em 2006 foi muito boa e parece ter havido um excedente de
aproximadamente 70.000 t de milho. Enquanto isso, a importação de milho apresenta uma tendência
de redução desde 2003. No geral, a quantidade importada tende a decrescer.

120,000 100,000 400,000 80,000


exportação de milho Importação de milho
100,000
80,000

valor (US$ 1000)


300,000 60,000

valor (US$ 1000)


quantidade (t.)

quantidade (t.)
80,000
60,000
60,000 200,000 40,000
40,000
40,000
100,000 20,000
20,000
20,000

0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 0 0 5,522 3,267 11,965 931 103,210 19,123 29,156 15,190 Quantitiy 125,000300,000373,312 205,612 56,374 179,000239,000 28,150 100,893 81,794
Value 0 0 862 324 2,113 1,130 88,640 5,094 5,117 3,254 Value 20,000 51,000 75,448 26,672 9,637 30,000 36,000 7,000 35,000 23,275

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.2 Importação e Exportação de Milho (quantidade e valor)

(2) Arroz

Os dados sugerem que o nível de importação de arroz (Figura 2.7.3) mostrou um aumento no volume e
no valor de 2001 a 2007, tendo então diminuído entre 2004 a 2005. Isto foi causado por um pico do
preço do arroz no mercado internacional em 2008 e pelo aumento da produção doméstica devido à
expansão da área de produção em 2008. Entretanto, aproximadamente 280 mil (US$ 140 milhões) de
arroz foram importados em 2009.

500,000 150,000
Iportação de arroz processado
400,000
valor (US$ 1000)

100,000
quantidade (t.)

300,000

200,000
50,000

100,000

0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 70,000 31,500 75,980 159,35 262,58 259,34 382,27 425,60 263,65 280,34
Value 21,200 9,500 13,619 30,244 49,396 67,500 96,300 127,50 100,00 136,74

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.3 Importação do Arroz Processado (quantidade e valor)

(3) Soja

Conforme ilustra a Figura 2.7.4, a quantidade importada de soja parece ter crescido no período
2000-2006, mas caiu em 2008. O quadro geral obtido a partir dos dados é que a importação de óleo de
soja aumentou de 2000 a 2009.

2-44
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

600 350 40,000 35,000


Importação de soja Importação de soja e de óleo de soja
500 300 30,000

valor (US$ 1000)


valor (US$ 1000)
30,000
250 25,000

quantidade (t.)
400
quantidade (t.)

200 20,000
300 20,000
150 15,000
200
100 10,000
10,000
100 50 5,000

0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 27 92 148 31 6 370 510 469 36 137 Quantitiy 7,300 13,300 13,000 8,695 24,265 23,000 30,200 19,945 35,700 35,700
Value 12 21 52 9 25 165 306 289 54 120 Value 3,200 4,100 4,100 5,297 14,805 13,000 13,800 15,334 29,000 29,000

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.4 Importação de Soja e de Óleo de Soja (quantidade e valor)

(4) Trigo
800,000 120,000
Moçambique é um grande importador de trigo Importação de trigo e de farinha de trigo
100,000

valor (US$ 1000)


600,000
especialmente para consumo urbano, e os dados

quantidade (t.)
80,000

parecem mostrar um aumento da quantidade no 400,000 60,000

período de 2000 a 2006, embora a quantidade 200,000


40,000

20,000
importada tenha caído em 2007 e 2008 devido ao
0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
alto preço no mercado internacional. Em 2009, a Quantitiy 230,008230,666245,483363,695503,185470,497614,372353,666243,958439,746
Value 23,300 20,400 34,978 60,682 91,396 65,970 92,364 94,420 88,770 109,589
redução do preço no mercado internacional ao nível
Fonte: FAOSTAT
de 2006 resultou em aumento da quantidade
importada (Ver Figure 2.7.5). Figura 2.7.5 Importação de Trigo e de
Farinha de Trigo (quantidade e valor)

(5) Frango

A Figura 2.7.6 mostra a importação de frango e de torta de soja, que é utilizada como material para
alimentação dos frangos. A importação de frango registou uma redução em 2006, tendo vindo a
registar uma subida novamente a partir de 2008 e alcançou aproximadamente 18.000 ton em 2009,
sendo o pico dos últimos anos. Conforme se fez referência anteriormente na secção da soja, a
produção doméstica de carne de frango tem mostrado uma tendência crescente desde 2006 e, desde
então, tem causado a redução da importação de carne frango e o aumento da importação de torta de
soja. A quantidade importada de torta de soja variou de 7.000 ton a 8.000 ton no período de 2006 a
2009. Entretanto a importação de frango voltou ao seu nível mais alto de 2005. Existe um forte
crescimento da demanda por carne de frango no mercado doméstico.
14,000 20,000 10,000 4,000
Importação de carne de frango Importação de torta de soja
12,000
8,000
Value (1000US$)

15,000 3,000
valor (US$ 1000)

10,000
quantidade (t.)

quantidade (t.)

8,000 6,000
10,000 2,000
6,000
4,000
4,000
5,000 1,000
2,000
2,000

0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 2,900 2,900 7,913 3,308 8,050 13,216 10,812 8,461 9,199 12,605 Quantitiy 600 4,200 3,245 1,184 696 853 6,582 7,965 7,600 7,200
Value 3,600 3,600 9,409 6,547 9,225 15,232 12,742 10,463 13,775 17,152 Value 70 1,100 833 392 185 376 1,670 2,659 2,600 3,491

Fonte: Fonte: FAOSTAT


Figura 2.7.6 Importação de Carne de Frango e de Torta de Soja (quantidade e valor)

A importação de torta de soja cresceu dramaticamente. A razão para este rápido crescimento da
importação da torta de soja é que o governo baniu, em 2006, a venda de carne de frango com mais de

2-45
Versão Provisória - ANEXO

80 dias depois do abate. Este regulamento estimulou a produção doméstica de carne de frango, que
não era competitiva em relação à carne de frango importada. A carne de frango doméstica, que tinha
apenas 10% de capacidade de produção, teve sua capacidade aumentada em 20% por ano nos últimos
5 anos, com a continuidade dos investimentos na produção de frango. O preço da soja no mercado
internacional também tem aumentado desde 2007. Consequentemente, a demanda por soja doméstica
está a se expandir rapidamente. Segundo os avicultores em, o preço da torta de soja importada é de
16,80 MT/kg e 18 MT/kg em Nampula e Zambézia respectivamente (de 12 a 13 MT/kg directo do
produtor).

(6) Amendoim

O amendoim apresenta uma forte elasticidade de preços conforme a demanda. NaFigura 2.7.7, os
dados mostram que a quantidade de amendoim importada decresce quando o preço aumenta e
vice-versa. Quando o preço no mercado internacional registou um agravamento em 2006, a quantidade
exportada continuou a crescer. Por outro lado, a quantidade importada foi mantida em um nível baixo.

12,000 4,000 6,000 2,500


Exportação de Amendoim con Casca Importação de AmendoimImport con Casca
3,500
10,000 5,000
2,000

valor (US$ 1000)


valor (US$ 1000)

3,000
quantidade (t.)
quantidade (t.)

8,000 4,000
2,500 1,500
6,000 2,000 3,000

1,500 1,000
4,000 2,000
1,000
500
2,000 1,000
500

0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 300 300 36 1,954 212 532 473 10,362 3,125 2,548 Quantitiy 240 2,900 5,624 816 1,889 5,296 910 841 918 811
Value 150 150 4 708 91 538 61 3,588 1,597 2,008 Value 169 1,050 1,345 540 823 1,942 888 815 943 859

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.7 Importação e Exportação de Amendoim (quantidade e valor)

(7) Banana

Conforme mostra aFigura 2.7.8, a exportação de banana começou em 2004 e continuou a crescer em
volume e valor. No corredor de Nacala, a Matanuska financiada pela África do Sul, em aliança com a
Chiquita Banana, financiada pelos EUA, exporta banana para o mercado europeu através do porto de
Nacala.

(8) Gergelim

Os dados para o gergelim (Figura 2.7.8) parecem mostrar um aumento global no volume e no valor de
exportação de aproximadamente 7,5 vezes o volume e 13,8 vezes o valor, crescendo de 5.300 ton com
aproximadamente US$ 3.300 em 2003 para aproximadamente 40.000 ton com aproximadamente
US$ 45.000 em 2009.

2-46
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

45,000 50,000
4,000 25,000
Exportação de gergelim 45,000
Exportação de banana 40,000
35,000 40,000
20,000

valor (US$ 1000)


valor (US$ 1000)
3,000

quantidade (t.)
35,000
30,000
30,000
15,000
quantidade (t.)

25,000
2,000 25,000
20,000
10,000 20,000
15,000
15,000
1,000 10,000
5,000 10,000
5,000 5,000

0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantity 0 0 0 0 338 537 1,429 2,884 3,371 2,920 Quantitiy 0 0 0 5,281 12,582 11,755 8,166 19,653 25,793 39,436
value 0 0 0 0 1,776 3,701 9,635 18,081 19,971 18,570 Value 0 0 0 3,268 9,005 8,303 5,788 15,793 38,233 45,151

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.8 Exportação de Banana(Esquerda)e Gergelim(Direita) (quantidade e valor)

(9) Feijões

Não há informação estatística sobre o comércio de feijões. Uma quantidade de US$ 6,5 milhões de
feijões foi exportada em 2009, mas não foram classificados os tipos de feijões exportados. Em
Nampula, a Export Marketing, uma empresa indiana de comércio de grãos, exportou 7.000 ton de
feijão holoco e 23.000 ton de feijão boer em 2011. Esta empresa faz a recolha directamente a partir
dos produtores através de colectores e exportaram para a Índia.

2.7.4 Mecanismo de Preços de Produtos Agrícolas e Tendências Recentes

(1) Preços de Produtos Agrícolas

Os dados de preços de produtos agrícolas foram obtidos consultando boletins chamados "hot-hot",
uma publicação semanal do sistema de informações de mercado agrícola (SIMA). Em relação a estes
dados, o Departamento de estatísticas do MASA tem a responsabilidade de recolher e divulgar dados
com maior confiabilidade e maior alcance da cobertura de áreas e produtos. O período de análise foi
de Junho de 2011 a Junho de 2013.

A selecção dos Distritos apresentados neste capítulo baseia-se na disponibilidade de dados. Abaixo
segue a lista dos produtos agrícolas e dos Distritos considerados na análise:

 Culturas: Grão de milho branco, farinha branca com farelo, arroz corrente, farinha de milho
branco sem farelo, feijão nhemba, feijão manteiga, amendoim pequeno, amendoim grande,
mandioca fresca e batata-doce.

 Distritos: Maputo, Boane, Xai-Xai, Chókwe, Inhambane, Maxixe, Massinga, Beira, Gorongosa,
Nhamatanda, Manica, Chimoio, Tete, Mutarrara, Angónia, Quelimane, Mocuba, Alto Molócuè,
Milange, Nampula, Pemba, Montepuez, Lichinga e Cuamba.

Posto isso, tomando como referência o ano de 2013, foram estabelecidos valores médios nacionais
para todos os produtos agrícolas descritos. Os valores encontram-se em Meticais por quilograma
(MT/kg), conforme demonstra a Figure 2.7.9 É possível observar produtos que se encontram no
mesmo patamar de preços, tais como:
1) Grão de milho branco, mandioca fresca e a batata doce (até 20 MT/Kg)
2) Farinha branca com farelo, arroz corrente, farinha de milho banco sem farelo e feijão nhemba
(de 20 a 40 MT/Kg)

2-47
Versão Provisória - ANEXO

3) Feijão Manteiga, Amendoim Pequeno e Amendoim Grande (acima de 40 MT/Kg).

Fonte: Equipa de estudo


Figura 2.7.9 Preços Médios das Culturas

A comparação de preços médios é um método interessante paraidentificardiferenças de valor dos


produtos, porém, não demonstra a distribuição dos valores encontrados na amostra. Dessa maneira, a
Figura 2.7.10 ilustra o resumo estatístico dos preços através dos gráficos de Tukey (também
denominados “boxplot”). Esse retorna a mediana (linha na caixa), os quartis superior e inferior (dados
pelas extremidades das caixas) e os valores máximos e mínimos.

Fonte: A equipa de estudo, 2013.


Figura 2.7.10 Distribuição de Série de Preços

Observa-se que o milho, o arroz, a farinha sem farelo, a mandioca fresca e a batata-doce apresentam
baixa variabilidade (amplitude) de preços. Logo, deduz-se que esses produtos possuem maior
estabilidade e equidade nos mercados regionais, justificado principalmente pelo facto de estes
produtos fazerem parte da base nutricional de Moçambique e são produzidos de forma generalizada ao
longo do país. Por outro lado, o amendoim (grande e pequeno), os feijões (nhemba e manteiga), e a

2-48
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

farinha com farelo demonstram mercados mais instáveis afectados directamente por variáveis como o
local de produção e dificuldade de acesso ao posso para a irrigação em épocas secas.

No intuito de identificar além da distribuição, o comportamento dos preços ao longo do tempo, foram
seleccionados dezasseis Distritos (Maputo, Chókwe, Massinga, Gorongosa, Nhamatanda, Manica,
Chimoio, Tete, Mutarrara, Angónia, Alto Molócuè, Nampula, Pemba, Montepuez, Lichinga e Cuamba)
e quatro culturas (grão de milho, feijão nhemba, feijão manteiga e arroz). Os dados foram divididos
em trimestres como demonstra a Tabela 2.7.3.

Tabela 2.7.3 Divisão dos Períodos


Trimestre I II III IV
Janeiro Abril Julho Outubro
Mês Fevereiro Maio Agosto Novembro
Março Junho Setembro Dezembro
Fonte: A Equipa de Estudo

Os preços apresentadosna Figura 2.7.11 foram calculados segundo o preço médio de 1kg das quatro
(4) culturas acima mencionadas. Os resultados obtidos na figura demonstram que os preços não são
afectados de forma significativa pela sazonalidade. Porém, nota-se que os preços tendem a subir no
primeiro trimestre (período antes da colheita) e tendem a cair no segundo e terceiro trimestre (período
de colheita e pós-colheita).

Fonte: A Equipe de Estudo

Figura 2.7.11 Distribuição dos Preços por Trimestre

Após verificar as características das culturas analisadas, procedeu-se a identificação das


especificidades regionais. Para tal, os Distritos foram agrupados pelas suas respectivas Províncias com
o objectivo de digitalizar preços médios de cada cultura. Entretanto, a Província de Nampula não
possui dados de farinha de milho branco sem farelo e amendoim. Os valores são ilustrados na Tabela
2.7.4.

2-49
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 2.7.4 Preços (em MT) por Províncias

Arroz Corrente
Grão de Milho

Milho Branco

Batata-doce
Sem Farelo
Farinha de

Amendoim

Amendoim

Mandioca
Manteiga

Pequeno
Nhemba

Grande
Branco

Fresca
Feijão

Feijão
Região

1 Cabo Delgado 9,97 25,96 31,05 25,69 43,29 41,67 43,87 14,09 17,41
2 Gaza 10,52 28,96 32,81 32,58 53,97 60,39 48,34 8,53 9,76
3 Inhambane 10,46 26,06 29,16 36,36 49,41 51,87 43,59 6,85 14,35
4 Manica 8,54 27,06 34,64 25,29 36,53 39,25 39,09 13,22 13,91
5 Maputo 14,39 27,13 27,12 26,82 49,22 56,04 49,64 10,59 13,63
6 Nampula 8,85 24,75 - 23,24 42,44 46,71 - 8,80 9,29
7 Niassa 7,16 36,96 39,91 40,69 48,19 65,04 58,21 13,17 18,47
8 Sofala 8,86 25,93 31,89 27,34 43,94 51,96 49,71 9,83 10,94
9 Tete 8,31 32,19 34,16 21,18 36,24 59,31 47,03 16,19 13,22
10 Zambézia 8,04 27,95 34,19 23,51 32,16 47,09 40,38 6,07 7,42
Fonte: MINAG, SIMA 2013, Adaptada pela Equipa de Estudo

Na análise de preços entre as províncias, foram excluídos os dois produtos que não possuem valores
(para a Província de Nampula). Em seguida, foi adoptada a metodologia similar à análise trimestral,
em que há uma cesta de produtos em que cada um possui 1 kg. A Figura 2.7.12 demonstra o
comparativo mencionado em que a linha representa a média geral de preços

Observa-se que os preços são mais elevados nas Províncias de Niassa, de Gaza, de Inhambane e de
Maputo. Por outro lado, os mesmos são mais baixos nas Províncias de Cabo Delgado, de Manica, de
Nampula, de Sofala e da Zambézia. Na média encontra-se a Província de Tete. Considerando o
“Corredor de Nacala” como a média entre Nampula, Niassa e Zambézia, entende-se que há uma
grande proximidade do mesmo com a média geral.

Fonte: Equipa de Estudo


Figura 2.7.12 Comparação dos Preços nas Províncias

(2) Mecanismo de Preços e Tendências Recentes

A comercialização do que é produzido (geralmente de alimentos de primeira necessidade) ocorre


quando há produção de excedente, sendo vulgarmente realizada por intermediários que compram dos
produtores nos estabelecimentos agrícolas e mercados locais para revender nas cidades próximas. A
margem de lucro desses intermediários é considerada alta. A Tabela 2.7.5 apresenta os valores de
compra e venda dos comerciantes intermediários e o lucro bruto a partir desses valores para algumas
culturas importantes.

2-50
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.7.5 Preços de Compra, Venda e Lucro Bruto dos Comerciantes


Preço de Compra Preço de venda Lucro Bruto
Produto
(MT / t) (MT / t) (MT / t)
Milho 3.572 5.104 1.351
Feijão Nhemba 6.429 7.452 1.024
Amendoim 21.567 26.867 5.300
Mandioca 2.391 3.382 991
Feijão comum 19.154 26.808 7.654
Batata-doce 2.500 3.000 500
Castanha de Caju 17.625 21.583 3.958
Soja 13.000 15.000 2.000
Gergelim 22.556 26.889 4.333
Tomate 8.750 13.000 4.250
Fonte: Adaptado pela Equipa de Estudo 2013.

2.7.5 Agro-processamento de Grande Escala


As indústrias de Agro-processamento de grande escala abaixo têm uma longa história. Os
investimentos em Agro-processamento são predominante e geograficamente localizados conforme se
mostra a seguir: (1) milho em Nampula, Maputo e Sofala, (2) algodão em Nampula, Zambézia e Cabo
Delgado, (3) caju em Nampula, Gaza, Inhambane, e (4) tabaco em Nampula, Tete, Manica, Cabo
Delgado, Gaza e Sofala, (5) chá em Zambézia, e (6) açúcar em Maputo e Sofala.

O milho é um dos alimentos básicos de Moçambique e existem grandes moageiras localizadas nas
capitais das províncias para fornecer farinha de milho para o mercado local. Os donos das moageiras
compram milho e vendem a farinha após seu processamento em embalagem.

(1) Algodão

Os dados da Figura 2.7.13 parecem mostrar um aumento global da exportação de algodão de 2000 a
2007, e uma redução a partir de 2008. A recessão global pode ter afectado o mercado internacional de
algodão. A quantidade e o valor caíram de 32.000 t com aproximadamente US$ 36,7 milhões em 2007,
como pico, para 20.000 t com US$ 25,1 milhões em 2009.

Moçambique também exporta sementes de algodão. A exportação de sementes de algodão caiu em


2008, do mesmo modo que a de algodão, porém o valor exportado aumentou e teve seu maior valor
em 2009.
35,000 40,000 35,000 5,000
Exportação de algodão Exportação de semente de algodão 4,500
30,000 35,000 30,000
4,000
valor (US$ 1000)

valor (US$ 1000)

30,000
25,000 25,000 3,500
quantidade (t.)

quantidade (t.)

25,000 3,000
20,000 20,000
20,000 2,500
15,000 15,000
15,000 2,000

10,000 10,000 1,500


10,000
1,000
5,000 5,000 5,000
500
0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 10,000 14,500 20,274 24,681 19,577 21,235 28,081 31,694 26,102 20,102 Quantitiy 2,800 1,983 6,447 8,809 8,390 10,202 13,856 29,177 19,916 19,059
Value 8,300 17,100 16,311 25,166 22,753 23,128 30,747 36,696 36,577 25,113 Value 350 705 529 731 937 1,150 1,620 3,777 4,216 4,300

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.13 Exportação de Algodão (esquerda) e de Semente de Algodão (direita) (quantidade
e valor)

2-51
Versão Provisória - ANEXO

(2) Castanha de caju

A Figura 2.7.14 mostra a exportação de castanha de caju sem e com casca. Desde 2003, a quantidade e
o valor da castanha de caju sem casca têm aumentado constantemente, atingindo cerca de 4.000 ton
com US$ 17,6 milhões. Por outro lado, a castanha de caju com casca teve um aumento de 2,5 vezes na
sua exportação, 10.000 ton em 2009, mas o valor foi aproximadamente metade do valor do caju sem
casca com US$ 9,3 milhões.

5,000 20,000 45,000 30,000


Exportação de castanha de caju sem casca Exportação de castanha de caju com casca
18,000 40,000
25,000
4,000 16,000 35,000

valor (US$ 1000)

valor (US$ 1000)


14,000
quantidade (t.)

30,000 20,000

quantidade (t.)
3,000 12,000
25,000
10,000 15,000
20,000
2,000 8,000
15,000 10,000
6,000
1,000 4,000 10,000
5,000
2,000 5,000
0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 4,700 4,700 631 221 500 921 2,196 3,167 3,346 3,935 Quantitiy 0 0 38,447 32,659 39,731 33,492 24,053 32,671 10,468 10,468
Value 15,000 15,000 1,179 671 1,974 3,916 8,713 12,081 14,365 17,613 Value 0 0 18,728 18,399 28,473 23,520 13,996 27,413 9,346 9,346

Fonte: FAOSTAT
Figura 2.7.14 Exportação de Castanha de Caju sem Casca (esquerda) e com Casca (direita)
(quantidade e valor)

A cultura de caju tem grande importância económica para Moçambique, possui legislação específica
(Lei nº 13/99), indicando a necessidade de uma política de fomento da produção do caju que privilegie
a sua industrialização. Com relação à exportação, o documento refere que apenas cidadãos
Moçambicanos ou empresas nacionais podem exportar castanha de caju crua.

(3) Tabaco
50,000 160,000
45,000 Exportação de Tabaco, não manufaturado
140,000
Conforme mostra a Figura 2.7.15, em 2006, a 40,000

valor (US$ 1000)


120,000
35,000
quantidade (t.)

exportação de tabaco passou para 34.000 ton, 30,000 100,000

25,000 80,000
três vezes em relação ao ano anterior. A 20,000 60,000
15,000
quantidade exportada mantém-se em mais de 10,000
40,000

5,000 20,000
30.000 ton, desde então. A quantidade e o valor 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009

exportado em 2009 foram 34.000 ton e Quantitiy


Value
0
0
0
0
8,268 11,363 11,637 11,637 34,175 44,452 30,847 33,897
21,755 31,936 32,022 32,022 89,702 139,955107,500123,648

US$ 123,6 milhões, respectivamente. Fonte: FAOSTAT


Figura 2.7.15 Exportação de Tabaco
(4) Chá (quantidade e valor)
3,000 3,000
Exportação de chá
Comforme a Figura 2.7.16 mostra, no período 2,500
valor (US$ 1000)
quantidade (t.)

2,000 2,000
de 2007 a 2009, a quantidade de chá exportada
1,500
foi relativamente alta e estável em comparação
1,000 1,000

com anos anteriores. A quantidade e o valor 500

exportado em 2009 foram 1.300 ton e US$ 2,0 0


2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
0

Quantitiy 132 950 2,424 937 586 317 505 1,518 1,174 1,332
milhões, respectivamente. Value 101 1,700 2,109 789 630 321 836 2,531 1,521 1,977

(5) Açúcar Fonte: FAOSTAT


Figura 2.7.16 Exportação de Chá (quantidade e
Os dados sugerem um aumento constante da valor)

2-52
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

exportação de melaço (açúcar bruto centrifugado) de 3.400 t em 2001 para 132.000 t em 2008. O valor
também aumentou de US$ 7,5 milhões para US$ 83,1 milhões, respectivamente. Por outro lado, a
importação de açúcar refinado registou uma redução para 51.000 t em 2009, um quarto da quantidade
em 2000 (Ver Figure 2.7.17).
140,000 90,000 250,000 90,000
Exportação de açúcar bruto centrifugado Importação deaçúcar refinado
80,000 80,000
120,000
70,000 200,000 70,000

valor (US$ 1000)


valor (US$ 1000)
100,000
60,000 60,000
quantidade (t.)

quantidade (t.)
150,000
80,000 50,000 50,000

60,000 40,000 40,000


100,000
30,000 30,000
40,000
20,000 50,000 20,000
20,000 10,000
10,000

0 0 0 0
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2,009
Quantitiy 68,600 14,766 14,000 24,997 43,402 78,151 80,645 106,448131,783101,771 Quantitiy 220,000170,500134,100 95,900 149,500 99,600 7,385 12,255 50,600 50,600
Value 24,900 7,500 7,000 11,167 18,152 29,494 36,596 57,719 82,826 53,146 Value 65,000 51,000 35,740 30,500 85,400 51,400 6,834 9,972 23,078 23,078

Fonte: FAOSTAT

Figura 2.7.16 Importação e Exportação de Açúcar (quantidade e valor)

2.7.6 Agro-processamento de Pequena Escala

O Agro-processamento de pequena escala, como as moageiras de arroz, milho e mandioca, é


dominante em todo o país. As moageiras estão localizadas no centro e ao redor dos distritos e cidades,
fornecendo serviços de moagem para os clientes. Na zona rural, os donos das moageiras não compram
os produtos para vender, mas sim fornecem serviços de moagem.

2.7.7 Agro-indústria e Serviços

O sector agro-industrial de Moçambique tem como base uma Política Agrária que busca, dentre outros
objectivos, incentivar o desenvolvimento de agro-indústrias no meio rural, bem como uma instituição
governamental para desenvolvir CEPAGRI, além de regulamentos específicos, para produção de
sementes, algodão e caju.

Com vista à recuperação da produção agrária e à promoção do aumento dos níveis de comercialização
de produtos, Moçambique instituiu a Política Agrária por meio da Resolução n.º 11/95. Entre as
estratégias de implementação dessa política, constam o uso sustentável dos recursos naturais; a
expansão da capacidade de produção e a melhoria da produtividade agrária; o desenvolvimento
institucional equilibrado; e o desenvolvimento dos recursos humanos. Entre as estratégias específicas
dessa politica, destacam-se instalação de agro-indústrias no meio rural, baseadas em matéria-prima
local; investigação e extensão agrária; estabelecimento de centros de apoio à produção; dinamização e
melhoramento de tecnologia; e incentivo à exportação

A extensão agrícola, que é uma das funções essenciais do MASA, é crucial para a prestação de outros
serviços agrários, especialmente anível distrital, bem como central e provincial. No âmbito da
promoção da agricultura no país, a principal instituição governamental responsável pelo
desenvolvimento do sector empresarial agrário é o CEPAGRI, que faz a interligação entre o MASAe o
sector produtivo empresarial. Compreende quatro delegações distribuídas nas Províncias de Gaza,
Manica, Zambézia e Nampula.

2-53
Versão Provisória - ANEXO

2.8 Investimentos no Desenvolvimento Agrário


2.8.1 Políticas do Governo para a Promoção e Regulamentação dos
Investimentos Agrícolas

(1) Condições Gerais do Ambiente de Investimentos de Moçambique

Na revisão e na comparação do ambiente geral de negócios, o Índice “Doing Business”desenvolvido


pelo BMfoi utilizado como ponto de referência, destacando a facilidade com a qual um empreendedor
é capaz de abrir e operar um negócio, cumprindo com os regulamentos relevantes do país.

A Tabela 2.8.1 a seguir apresenta a classificação relevante do índice “Doing Business” para
Moçambique e seus países vizinhos, sendo que Moçambique encontra-se no 139º lugar no ranking
global de 2012, abaixo do 132º lugar que ocupava em 2011. Entre as 7 nações vizinhas, Moçambique
está em 5º lugar, enquanto a África do Sul está em primeiro lugar, e no 2º lugar na África subsaariana,
seguido de Maurícias. Em termos de indicadores de “Starting Business”, Moçambique está no 70º
lugar no mundo, o que indica que os regulamentos de Moçambique para os investimentos, incluindo
procedimentos de licenciamento, são relativamente favoráveis aos investidores que desejam iniciar um
negócio. Além disso, Moçambique está em 18º lugar no ranking geral dos 46 países da África
subsaariana, o que indica que o Governo de Moçambique criou um ambiente regulatório favorável,
útil para a operação de negócios, em comparação com outros países da África subsaariana.

Tabela 2.8.1 Índice “Doing Business” 2015 de Moçambique e dos Países Vizinhos
Classificação Global
(de 189 países) Indicador Classificação Global
País
“Starting a Business” na África Subsaariana
2015 2011
África do Sul 43 36 61 2
Zâmbia 111 80 68 9
Tanzânia 131 125 124 13
Madagáscar 163 144 37 30
Moçambique 127 132 107 11
Malawi 164 141 157 31
Zimbábue 171 168 180 37
Fonte: Doing Business, 2015, BM

(2) Incentivos Aos Investimentos

O ambiente de investimentos em Moçambique é significativamente favorável ao sector agrário. Os


incentivos fiscais e não fiscais dados para projectos de investimentos internacionais e domésticos são
apresentados de maneira resumida na Tabela 2.8.2que se segue. Além disso, uma alíquota especial de
Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPC) foi oferecida exclusivamente para o sector agrário até 31
de Dezembro de 2015.

2-54
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.8.2 Incentivos a Investimentos para o Sector Agrário


Designação Incentivos Duração
Taxas alfandegárias e Imposto Isenção Primeiros 5 anos do
sobre Valor Adicionado (IVA)sobre projecto
a importação de equipamentos
IRPC para todo o sector agrícola Alíquota especial de 10% (alíquota normal: 32%) Até 31 de
Dezembro de 2015
IRPC para novos projectos de 80% de redução da alíquota acima (alíquota de Até 31 de
investimento IRPC aplicada de 2%) Dezembro de 2015
50% de redução (alíquota de IRPC aplicada será De 2016 a 2025
de 16%)
Custo do formação profissional Deduzido da renda tributável do IRPC Primeiros 5 anos do
para funcionários moçambicanos projecto
Custos da construção/ Deduzido da renda tributável do IRPC às taxas 5 exercícios fiscais
recuperação de infra-estrutura abaixo.
social (estradas, abastecimento 110% dos gastos em Maputo
de água, electricidade, etc.) 120% em outras províncias
Fonte: Códico de Benefícios Fiscais, Lei nº No. 4/2009 de 12 de Janeiro, Governo de Moçambique

(3) Sistema de Tributação

O sistema de tributação em Moçambique integra impostos nacionais e municipais. Os impostos do


sistema tributário nacional são classificados como impostos directos sobre o rendimento e riqueza, e
tributação indirecta sobre as despesas, conforme resumido na Tabela 2.8.3.

Tabela 2.8.3 Sistema Nacional de Tributação


Imposto Directo Detalhes Taxas Isenções /Deduções
- Tributável sobre as rendas obtidas, - Agricultura e aquicultura vai
durante o período de tributação de beneficiar-se de: redução da taxa de
IRPC 32%
contribuintes 80%até 31/12/2015;
-Redução de 50%2016-2025.
- Tributável no valor global anual de
O Imposto sobre a
renda, pago por pessoas singulares 10% -
Renda das Pessoas - Nenhum
residentes no território 32%
Singulares (IRPS)
moçambicano
- Tributável sobre a venda de bens e
- Isentos de algumas actividades
prestação de serviços no território
IVA 17% internaseactividades relacionadas com
nacional por um contribuinte, bem
a importação, exportação e transporte
como sobre a importação de bens
Impostos Especiais - Incidente sobre determinados bens,
5 - 75% - Nenhum
de Consumo produzidos ou importados.
- Incidente sobre o valor das - Zero Taxa de bens essenciais (bens de
mercadorias sujeitas a importação consumo e produtos de consumo
Imposto aduaneiro 0 - 20%
ou exportação através das básicos e de produtos farmacêuticos
fronteiras do território nacional em geral) e energia
- Incide sobre todos os combustíveis - Incentivos específicos paraa
Imposto sobre os produzidos ou importados em Varieda utilização do gasóleo destinado à
combustíveis Moçambique de agricultura mecanizada, de acordo
com o Decreto nº 56/2003.
Fonte: CPI"Guião do investidor económico - Moçambique e Aspectos Legais 2013"

(4) Procedimentos de Solicitação de Investimento

Com procedimentos de licenciamento simplificados, os Regulamentos da Lei de Investimentos


(Decreto no. 43/2009 de 21 de Agosto) estabelecemospormenores para a obtenção da autorização para
investimento directo estrangeiro e doméstico. O CPI desempenha um papel de liderança no processo
das propostas de investimento, coordenando as reuniões interinstitucionais com os ministérios e

2-55
Versão Provisória - ANEXO

órgãos relevantes para a autorização da proposta. A decisão sobre a aprovação de uma proposta de
investimento deve ser tomada pelas autoridades de acordo com o valor total do investimento,
conforme mostra a Tabela 2.8.4 a seguir. O investidor recebe uma notificação sobre o resultado final
da avaliação no prazo de 17 dias da aceitação oficial da proposta de investimento pelo CPI31.

Tabela 2.8.4 Autoridade com Poder de Decisão sobre os Investimentos


Decisão tomada por: Condições
 Governador da Província (na  O valor do investimento não é superior a 1.500.000.000 MT
qual o projecto de investimento (aprox. US$ 50 milhões).
proposto será realizado)
 Director Geral do CPI  O valor do investimento não é superior a 2.500.000.000 MT
(aprox. US$ 100 milhões).
 O Ministro da Planificação e  O valor do investimento não é superior a 13.500.000.000 MT
Desenvolvimento (aprox. US$ 500 milhões).
 O Conselho de Ministros  O valor do investimento é superior a 13.500.000.000 MT
(aprox. US$ 500 milhões).
 A área de terra necessária para o projecto é maior que 10.000
ha; ou
 A área de concessão para silvicultura é maior que 100.000 ha.
Fonte: Regulamentos da Lei de Investimentos, Decreto no. 43/2009 de 21 de Agosto

Os outros requisitos necessários para a começar um negócio são “DUAT (Direito de Uso da Terra)” e
“uma Licença Ambiental” com a aceitação de um relatório de avaliação ambiental. Os procedimentos
para solicitação destas licenças estão relacionados com os da proposta de investimento, como ilustrado
na Figura 2.8.1, cujos passos são: i) consulta preliminar com o governo local e realização de consultas
públicas oficiais; ii) apresentação de uma proposta de investimentos para o CPI com uma carta de
apoio emitida pelo governo local e com a minuta da reunião de consulta pública anexada; iii)
apresentação de uma solicitação de DUAT após a obtenção de uma autorização do CPI para o
investimento; e iv) a aceitação do relatório de avaliação ambiental e a emissão da licença ambiental
após a autorização do DUAT provisório.

31
No caso de uma decisão que cabe ao Conselho de Ministros, o prazo é de aproximadamente 45 dias.

2-56
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Cronograma Fluxograma de Solicitação de uma Autorização de Investimento e das Licenças Relacionadas

Consulta Preliminar com os Governos Locais e Consultas Públicas Oficiais


(Consulta Preliminar)
 Identificação da terra através dos órgãos provinciais/distritais. Visita de campo pelos funcionários do governo (SUDE/SPGC)
( Consultas Públicas para o DUAT de acordo com a Lei da Terra )
 Realização de reuniões de consulta pública (pelo menos 2 vezes) envolvendo representantes da comunidade, órgãos concernentes do governo e
investidores
 Troca da minuta da reunião entre as 3 partes, ao aceitar uma proposta de projeto, incluindo os detalhes da compensação

Carta de Confirmação do Governo Distrital/Provincial Minuta da Consulta Pública

1. Solicitação do Projeto

 Detalhes do projeto proposto


 Cópia do documento de identificação do investidor
 Certificado de registro da empresa
 Planta topográfica ou desenho da localização da área proposta

Apresentação ao CPI
Em 7 dias após o recebimento
da proposta 2. Coordenação Interinstitucional

 Inclui Ministérios e órgãos do governo relevantes

Sem resposta em 5 dias, a proposta


é considerada como tendo sido 3. Autorização da proposta
aprovada
 Uma ordem ministerial preliminar é emitida contendo os termos específicos da
autorização relacionada com o respectivo projeto
 Tais como: Nome do investidor, Objetivos do projeto, Localização, Número de
funcionários, Incentivos ao investimento.

Solicitação para uma Aprovação da Proposta de Investimento

4. Aprovação do Projeto de Investimento


A aprovação é dada em 3 dias  Governador da Província: Valor do investimento não superior a 1.500.000.000 MT
após o recebimento da (Aprox. US$ 50 Milhões)
proposta
(no prazo de 30 dias para  Diretor Geral do CPI: Valor do investimento não superior a 2.500.000.000 MT
aprovação pelo Conselho de (Aprox. US$ 100 Milhões)
Ministros)
 Ministro do Planejamento e Desenvolvimento: Valor do investimento não superior a
13.500.000.000 MT (Aprox. US$ 500 Milhões)
 Conselho de Ministros': 1) Valor do investimento superior a 13.500.000.000 MT, 2)
terras com mais de 10.000 ha, 3) área para concessão de silvicultura maior que
100.000 ha
Em 48 horas após decisão ser
tomada Notificação da Decisão para o proponente pela CPI
Minuta da Consulta Pública
Autorização do Investimento
Em 90 dias após aprovação do projeto, o investidor estrangeiro
deve registrar o Investimento Direto Estrangeiro no Banco de
Moçambique.
Apresentação da Solicitação do DUAT Solicitação do DUAT

Em 90 dias Após a Apresentação dos Documentos para Pré-


apresentação da avaliação do EIA
Em 120 dias Após o solicitação do DUAT
recebimento de uma notificação
oficial
Autorização Provisória do DUAT

DUAT

Aprovação do Relatório EIA e Emissão da


4. Implementação do Projeto
Licença Ambiental

Fonte: Equipe de Estudo

Figura 2.8.1 Fluxograma de Solicitação de Autorização para Investimento e Respectivas


Licenças necessárias

2-57
Versão Provisória - ANEXO

2.8.2 Investimentos Agrícolas

Conforme mostra a Tabela 2.8.5 a seguir, o valor total dos investimentos em Moçambique, nos últimos
5 anos, variou de US$ 1 bilhão a US$ 8 bilhões por ano devido à influência de grandes investimentos
no sector de energia/recursos em 2007 e 2010, e no sector agrícola em 2009.3233 Em termos de
investimentos no sector da agricultura/agro-indústria, o número de projectos de investimento
aumentou de 19 em 2007 para 46 em 2011, representando 27,6% do volume total de investimentos em
2011. Embora grandes projectos de silvicultura e de biocombustível tenham contribuído para o
aumento do volume de investimentos, é evidente que a agricultura é um importante sector económico
em Moçambique, representando de 20 a 30% do valor total dos investimentos nos últimos 5 anos,
excluindo os grandes projectos no sector de energia/recursos. A Figura 2.8.2 mostra as tendências no
número de projectos de investimento aprovados para cada sector nos últimos 5 anos.

Tabela 2.8.5 Valor Total dos Investimentos em Moçambique (US$ 1.000)


2007 2008 2009 2010 2011
Sectores
Valor % No. % Valor % No. % Valor % No. % Valor % No. % Valor % No. %
Agricultura/
581.111 7,2 19 9,8 484.688 44,9 33 16,9 4.915.607 85,5 33 13,2 388.104 12,6 37 15,8 787.336 27,6 46 17,6
Agro-Indústria
Aquacultura 13.236 0,2 4 2,1 745 0,1 4 2,1 30.294 0,5 3 1,2 6.264 0,2 3 1,3 8.194 0,3 5 1,9
Finanças/seguros 1.999 0,0 3 1,5 12.833 1,2 2 1,0 20.218 0,4 3 1,2 75.110 2,4 3 1,3 69.298 2,4 2 0,8
Construção 18.548 0,2 14 7,2 43.139 4,0 19 9,7 77.255 1,3 24 9,6 38.238 1,2 21 9,0 600.162 21,0 35 13,4
Indústria 402.361 5,0 66 34,0 215.932 20,0 57 29,2 191.631 3,3 60 24,0 169.202 5,5 76 32,5 370.728 13,0 72 27,6
Energia/
6.582.247 81,5 5 2,6 0,0 0,0 3.656 0,1 1 0,4 1.900.000 61,5 1 0,4 157.000 5,5 1 0,4
Recurso
Serviço 71.231 0,9 13 6,7 91.731 8,5 9 4,6 78.100 1,4 18 7,2 48.249 1,6 10 4,3 515.128 18,1 8 3,1
Transporte/
272.188 3,4 48 24,7 191.186 17,7 37 19,0 264.129 4,6 57 22,8 134.017 4,3 39 16,7 95.162 3,3 36 13,8
Comunicação
Turismo/Hotel 129.347 1,6 22 11,3 40.000 3,7 34 17,4 167.730 2,9 51 20,4 331.071 10,7 44 18,8 249.556 8,7 56 21,5
Total 8.072.268 194 1.080.254 195 5.748.620 250 3.090.255 234 2.852.564 261
Fonte: Dados Resumo de Investimentos do CPI

80
Agriculture/Agro-indústria
70
Aquicultura
60
Finanças/Seguro
50 Construção
40 Indústria
30 Energia/Recursos
20 Serviços

10 Transportet/Comunicação

0 Turismo/Hotel
2007 2008 2009 2010 2011

Fonte: Dados Resumo de Investimentos do CPI

Figura 2.8.2 Número de Projectos de Investimento Aprovados por Sector

32
33
Em 2009, foram aprovadas propostas de investimento para dois projectos grandes de plantação nas províncias da Zambezia e de
Nampula.

2-58
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2.9 Sistema Legal e Registo de Terra


2.9.1 Sistema Legal e Regulatório

Os temas que afectam o desenvolvimento agrário do país como Água, Energia Eléctrica, Floresta e
Fauna Bravia, Petróleo, Minas, Património Arqueológico, e Zonas Turísticas, são abordados através de
Leis específicas. Existem ainda outros instrumentos legais de implantação de acções necessárias para
o desenvolvimento que estabelecem estruturas e definições necessárias, como as atribuições e
competências do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, e estatuto orgânico dos governos
provinciais e distritais.

O quadro legal sobre o acesso e utilização da terra é a Lei n.º19/97 de Outubro de 1997, que faz
revisão da primeira Lei de Terras aprovada logo após a independência do país, a Lei n.º6/79 de 3 de
Julho, e tem como base a Política Nacional de Terras e a Política Agrária, ambas aprovadas em 1995.
A regulamentação da Lei de Terras n.º19/97 ocorreu em 1998 e vem sofrendo ajustes necessários,
sendo o último a ocorrer com o Diploma Ministerial nº 158/2011, de 15 de Junho, que trata das regras
para a consulta às comunidades locais no âmbito da titulação do direito de uso e aproveitamento da
Terra (DUAT). A tabela a seguir apresenta o quadro normativo que rege o uso da terra em
Moçambique.

Tabela 2.9.1 Marco Legal sobre Uso da Terra


Principais Instrumentos Legais Aprovados por
Lei da Terra Assembleia da
1. Lei n.º. 19/97 de 1 de Outubro (Lei de Terras) República /Presidência
da República.
Politicas sob a Lei de Terras
2. Resolução n.º 10/95, de 17 de Outubro (Aprova a Política Nacional de Terras).
3. Resolução n.º 11/95, de 31 de Outubro (Aprova a Política Agrária). Conselho de Ministros
4. Resolução n.º 4/2010, de 13 de Abril (Aprova o Plano Quinquenal do Governo para e– MINAG.
2010 – 2014).

Primeira Legislação sobre Terras Pós-independência Assembleia Popular e


5. Lei n.º. 6/79, de 3 de Julho (1a. Lei de Terras). Presidência da
6. Decreto n.º 16/87, de 15 de Julho (Regulamentação da 1ª. Lei de Terra). República.
Legislação Complementar
7. Decreto n.º 66/98, de 8 de Dezembro (Aprova o Regulamento da Lei de Terras).
8. Decreto n.º 1/2003, de 18 de Fevereiro (Altera os artigos 20º. e 30º. do
Regulamento da Lei de Terras).
9. Decreto n.º 60/2006, de 26 de Dezembro (Regulamenta o regime nas áreas de
Presidência da
cidades e vilas).
República e Conselho de
10. Decreto n.º 5/2007, de 16 de Outubro (Altera o artigo 35º. do Regulamento da Lei
Ministros.
de Terras).
11. Decreto n.º 43/2010, de 29 de Outubro (Altera o n.º 2 do artigo 27º. do
Regulamento da Lei de Terras).
12. Diploma Ministerial n.º 29 – A/2000, de 17 de Março (Anexo Técnico ao
Regulamento da Lei de Terras).
Órgãos Competentes
13. Decreto Presidencial n.º 24/2005, de 27 de Abril (Define as atribuições e
competências do Ministério da Agricultura).
14. Resolução n.º 17/2009, de 8 de Julho (Publica o Estatuto Orgânico do Ministério
Presidência da
da Agricultura).
República e Conselho de
15. Lei n.º. 2/97 de 18 de Fevereiro (Aprova o quadro jurídico para a implementação
Ministros.
das Autarquias Locais)
16. Lei n.º. 8/2003 de 19 de Maio (Estabelece os princípios e normas de organização
dos órgãos locais do Estado nos escalões de província, distrito, posto
administrativo e de localidade).

2-59
Versão Provisória - ANEXO

17. Decreto n.º 11/2005, de 10 de Junho (Aprova o regulamento da Lei dos Órgãos
Locais do Estado).
18. Decreto n.º 6/2006, de 12 de Abril (Aprova a Estrutura e o Estatuto Orgânico do
Governo Distrital).
Autoridades Comunitárias
19. Decreto n.º15/2000, de 20 de Junho (Aprova as formas de articulação dos órgãos
Conselho de Ministros e
locais do Estado com as autoridades comunitárias).
Ministério da
20. Diploma Ministerial n.º 107 – A/2000, de 25 de Agosto (Aprova o Regulamento do
Administração Estatal -
Decreto no. 15/2000).
(MAE)
21. Diploma Ministerial n.º 80/2004, de 14 de Maio (Aprova o Regulamento de
Articulação dos Órgãos da Autarquia Locais com as Autoridades Comunitárias).
Ordenamento do Território Conselho de Ministros,
22. Lei n.º. 19/2007 de 18 de Julho (Lei Orgânica do Território) Ministério para a
23. Decreto n.º 23/2008, de 1 de Julho (Aprova o Regulamento da Lei do Coordenação da Acção
Ordenamento do Território). Ambiental (MITADER)e
24. Diploma Ministerial n.º 181/2010, de 3 de Novembro (Aprova a Directiva sobre o Ministério das Finanças
Processo de Expropriação para efeitos de Ordenamento Territorial). e da Justiça(MOFJ).
Participação Pública
25. Decreto n.º 42/2010, de 22 de Outubro (Cria o Fórum Nacional de Terras).
26. Despacho conjunto dos Ministérios da Administração Estatal e do Plano e Conselho de Ministros,
Finanças, de 13 de Outubro (Aprova o Guião para a Participação e Consulta MASA, MAE e Ministério
Comunitária na Planificação Distrital). de Economia e Finanças
27. Diploma Ministerial n.º 158/2011, de 15 de Junho (Regras para a consulta as – MEF.
comunidades locais no âmbito da titulação do direito de uso e aproveitamento
da Terra).
Taxas
28. Diploma Ministerial n.º 76/99, de 16 de Junho (Referente às taxas).
29. Decreto no. 77/99, de 15 de Outubro (Referente às taxas). MASA e MEF
30. Diploma Ministerial n.º 144/2010, de 24 de Agosto (Actualiza o valor das taxas
aprovadas pelo Decreto no. 77/99, de 16 de Junho).
Comparticipação nas taxas florestais e faunísticas
31. Diploma Ministerial n.º 93/2005, de 4 de Maio (Aprova os mecanismos da
canalização e utilização dos vinte por cento das taxas florestais e faunísticas).
32. Diploma Ministerial n.º 66/2010, de 31 de Março (Cria os mecanismos da MASA, Ministério da
canalização e das receitas cobradas nos Parques e Reservas Nacionais do Cultra e Turismo
Sector de Turismo). (MCTUR), MOFJ
33. Diploma Ministerial n.º 63/2003, de 18 de Junho (Referente às receitas nas áreas
sob a alçada do Programa Tchuma Tchato, incluindo a percentagem a serem
destinadas às comunidades locais).
Investimentos
34. Lei n.º. 3/93, de 24 de Julho (Lei de Investimentos).
35. Decreto n.º 14/93 de 21 de Julho (Aprova o Regulamento da Lei dos
Assembleia da
Investimentos)
República, Presidência
36. Decreto n.º 43/2009 de 21 de Agosto (Aprova o ajuste do Regulamento da Lei dos
da República e Conselho
Investimentos)
de Ministros.
37. Resolução n.º 70/2008, de 30 de Dezembro (Define critérios adicionais
orientadores do processo de avaliação de investimentos cuja implementação
requer grandes extensões de terras).
Turismo Assembleia da
38. Lei n.º. 4/2004, de 17 de Junho (Lei do Turismo). República, Presidência
39. Decreto n.º 88/2009, de 31 de Dezembro (Aprova o Regulamento da Ecoturismo). da República e Conselho
de Ministros.
Zonas de Protecção
40. Lei n.º. 16/91, de 3 de Agosto (Lei das Aguas).
41. Lei n.º. 21/97, de 1 de Outubro (Lei da Energia Eléctrica).
42. Lei n.º. 10/99, de 7 de Julho (Lei de Floresta e Fauna Bravia). Assembleia da
43. Lei n.º. 3/2001, de 21 de Fevereiro (Lei dos Petróleos). República, Presidência
44. Lei n.º. 14/2002, de 26 de Julho (Lei das Minas). da República e Conselho
45. Decreto n.º 27/94, de 20 de Julho (Aprova o Regulamento de Protecção do de Ministros.
Património Arqueológico).
46. Decreto n.º 77/2009, de 15 de Dezembro (Aprova o Regulamento das Zonas de
Interesse Turístico).
Fonte: Colectânea de Legislação sobre a Terra - 4ª. Edição --2011 – Carlos Manuel Serra Centro de Formação Jurídica e
Judiciária – Ministério da Justiça

2-60
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2.9.2 Sistema Legalde Terra

(1) Sistema de Terra

A Lei de Terras (Lei n º19/97) estabelece os termos em que a criação, exercício, modificação,
transmissão e extinção do uso e aproveitamento da terra actua. Esta lei estabelece como princípio geral,
que a terra é propriedade do Estado, e que não pode ser vendida ou de outra forma alienada,
hipotecada ou penhorada.

A Lei de Terras também dita a necessidade de Cadastramento Nacional de Terra, que consiste em
dados necessários para: i) conhecer o estatuto jurídico e económico da terra, ii) conhecer o tipo de
ocupação, uso e benefício, bem como a avaliação da fertilidade do solo, áreas florestais, água, fauna e
reservas florestais, áreas de exploração de mineração e áreas de turismo, iii) organizar de forma
eficiente a utilização da terra, protecção e conservação, e iv) determinar as áreas apropriadas para a
produção especializada.

A lei define “zona de protecção total” e “zona de protecção parcial”, como uma parte do domínio
público. As zonas de protecção total são destinadas para a conservação da natureza e preservação, bem
como áreas seguras para a segurança do Estado e de defesa. Por outro lado, as zonas de protecção
parcial abrangem áreas específicas, como o leito das águas interiores, o mar territorial e a zona
económica exclusiva e de outras áreas listadas na Lei de Terras. Nenhum direito de uso e
aproveitamento da terra pode ser adquirido nestas zonas de protecção total e parcial, mas podem ser
emitidas licenças especiais para actividades específicas de acordo com a Lei ou Regulamento (Decreto
n º 66/98).

ODUAT pode ser adquirido por indivíduos nacionais, sendo pessoas físicas, jurídicas ou comunidades
locais, e por estrangeiros, desde que pessoas físicas que residam há, pelo menos, cinco anos em
Moçambique e pessoas jurídicas que estejam constituídas ou registadas no país.

Constituição, alteração, transferência encerramento de um DUAT está sujeita a registo. No entanto, a


falta de registo não prejudica os direitos de uso e aproveitamento da terra adquirido através da
ocupação por indivíduos e comunidades locais de acordo com as normas e práticas costumeiras que
não contrariem a Constituição, ou a ocupação por pessoas singulares nacionais que, de boa-fé, vem
utilizando a terra pelo menos há dez anos.

Para fins da actividade económica, o DUAT está sujeito a um prazo máximo de 50 anos e é renovável
por igual período, mediante requerimento, no fim do período. Embora os direitos de uso da terra não
se igualam ao de uma propriedade privada, a possibilidade de renovação por longo prazo de uso e
aproveitamento de terra (até 100 anos) garante maior segurança para o investimento privado. Por outro
lado, o limite do tempo não é aplicável pelosdireitos adquiridos pelas comunidades locais através de
ocupação, os direitos destinados a fins residenciais pessoais ou direitos de terra para pessoas
singulares nacionais que pretendam utilizar a terra para uso familiar.

O Regulamento de Terras, Decreto 66/98, comporta informaçãominuciosa sobre os procedimentos


administrativos que abarcam temas como: Aquisição do DUAT por entidades nacionais que ocupam a

2-61
Versão Provisória - ANEXO

terra por boa-fé; comunidades locais, co-certificação, direitos e deveres dos titulares de DUATs;
prazos (o pedido de renovação de DUAT por mais 50 anos deve ser feito 12 meses antes do fim do
período de vigência previsto no DUAT), evidências do uso de terra, projecto/plano de implementação;
demarcação, monitoria, impostos, e isenção temporária de impostos.

O DUAT será revogado quando: 1) o titular do DUAT não cumprir o plano de exploração ou projecto
de investimento, sem razões justificáveis dentro dos limites estabelecidos na aprovação do pedido, 2)
circunstâncias ditam a revogação por razões de interesse público, precedida por pagamento de
indemnização e/ou compensação, 3) o prazo de renovação expira, e 4) pela renúncia do titular do
DUAT. Após o término do DUAT, os bens não-reelegíveisereverterão a favor do Estado.

A obtenção de DUAT não dispensa a necessidade de licenças e outras autorizações. Após apresentação
de um pedido, uma autorização provisória é emitida com uma validade máxima de cinco anos para as
pessoas nacionais e dois anos para pessoas estrangeiras.

A Lei de Terras, seus respectivos regulamentos e emendas tem como objectivo garantir os direitos de
uso da terra pelo povo moçambicano bem assim promover o investimento doméstico e estrangeiro.
Estas medidas priorizam o cidadão moçambicano, através do reconhecimento do direito costumeiro e
práticas das comunidades locais, promovendo o envolvimento das comunidades no processo de
obtenção do DUAT, e estabelece intercâmbio entre as entidades legais do estado e autoridades
comunitárias.

(2) Sistema de Registo

A Direcção Nacional de Geografia e Cadastro foi criadaà luz da Lei de Terras para organizar e
entender o uso da terra. Trata-se de um sistema único sob a responsabilidade da Direcção Nacional de
Terras e Florestas (DNTF). A DNTF reúne informações e permite que as autoridades governamentais:
i) conhecer a situação económica e legal da terra; tipos de ocupação e uso; fertilidade do solo; áreas
florestais; reservas de água, flora e fauna; ii) organizar o uso da terra, protecção e conservação; iii)
indicar as regiões adequadas para produções especializadas e iv) emitir DUATs.

Os Serviços Provinciais de Geografia e Cadastro (SPGC) são encarregados de procedimentos para o


registo de DUAT entre pedidos pelos titulares potenciais. A autorização para a emissão de DUAT para
áreas que não são cobertas por planos de urbanização vária em função do tamanho de propriedades, de
acordo com a Tabela 2.9.2.

Tabela 2.9.2 Órgãos Responsáveis pela Emissão de DUAT

Dimensão da Propriedade Órgão responsável


Até 1.000 ha Governadores Provinciais
Entre 1.000 e 10.000 ha Ministro da Agricultura
Acima de 10.000 ha Conselho de Ministros
Fonte: Lei de terra 19/97.

2-62
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Os custos associados ao pedido de DUAT são regulados pelo governo. A Tabela 2.9.3 apresenta os
valores específicos cobrados no processo de aquisição de DUAT, bem assim os valores anuais a serem
pagos, com base nos objectivos de uso da terra.

Tabela 2.9.3 Taxas de Impostos básicos Relativos à Aquisição de DUAT


Imposto para Emissão e manutenção de DUAT:
Autorização provisória (taxa de trâmite do processo) 1.500,00 MT
Autorização definitiva (taxa de trâmite do processo) 750,00 MT
Taxa Anual 75,00 MT/ha
Taxa Anual para Actividades Especificas:
Criação de gado bovino 5,00 MT/ha
Repovoamento de Fauna Bravia 5,00 MT/ha
Culturas permanentes 5,00 MT/ha
Agricultura 37,50 MT/ha
As taxas anuais para terras de até um hectare e usados para fins de turismo, casas
para férias e comércio, localizado na faixa de três quilómetros de terra adjacentes a 500,00 MT/ha
uma zona que pertence à costa marítima.
Fonte: República de Moçambique. Ministério da Agricultura e das Finanças. Diploma Ministerial nº 144/2010.
Adaptado pela equipa do estudo.

Os ajustamentos de taxas indicadas na Tabela 2.9.4 são mais aplicadas aos impostos básicos acima
para calcular os impostos reais a serem pagos.

Tabela 2.9.4 Ajustamento de Taxas para Cálculo dos Impostos Reais para DUAT
Tabela de Índices de ajustamento
Índice aplicável à taxa anual para pessoa singular nacional 0,8
Para terrenos confrontantes com as:
Zonas de protecção parcial 1,5
Zonas prioritárias de desenvolvimento 0,5
Restantes zonas 1
Dimensão:
Até 100 ha 1
De 101 a 1.000 ha 1,5
Superior a 1.000 ha 2
De acordo com a finalidade do uso:
Associações com fins de beneficência 0,5
Fonte: República de Moçambique. Ministério da Agricultura e das Finanças. Diploma Ministerial
nº 213/98. Adaptado pela equipe do estudo

Abaixo segue um exemplo de cálculo efectuado para determinar a taxa a ser paga anualmente por um
cidadão nacional que trabalha na área agrícola, numa área de 900 hectares de acordo com a explicação
do SPGC Nampula:

37.50 MT (agricultura) x 900ha (área) = 33,750 x 0.8 MT (índice aplicado para o cidadão
moçambicano) = 27,000MT

Para cidadãos estrangeiros:


37.50 MT (agricultura) x 900 ha (área) = 33,750 x 1.5 MT (índice aplicado para cidadão
estrangeiro) = 50,625 MT

Para além do referido acima, os direitos de uso da terra são gratuitos, quando destinados a, uso pelo
Estado e das suas instituições, uso pelas associações que são para o uso público reconhecidas pelo

2-63
Versão Provisória - ANEXO

Conselho de Ministros, o uso da família, pelas comunidades locais e indivíduos que pertencem as
mesmas associações, e uso pelas pequenas cooperativas e associações agrícolas e pecuárias nacionais.

Para a aquisição de um DUAT, é necessário o consenso da comunidade local. O Artigo 4ºda


Instrução15/2000defineos líderes tradicionais, secretários de aldeias e comunidades (secretários de
bairros ou aldeias), e outros líderes locais como "Autoridades Comunitárias", proporciona-lhes um
reconhecimento legal, e afirma a necessidade de envolvê-los nas interacções com o governo, tal como
presença nas cerimónias oficiais do governo e participação em actividades de colecta de impostos. Os
procedimentos para o envolvimento da comunidade na aquisição de DUAT estão indicados no
Diploma Ministerial 158/2011.

O longo processo de obtenção do DUAT e a impossibilidade de utilizar a terra como garantia para
créditos agrícolas são considerados os maiores constrangimentos ao aumento de investimentos no
sector.

(4) Autoridade Comunitária Local e o DUAT

O processo de obtenção do DUAT para a implementação de Plano de Exploração em determinada área


requer o consentimento da Autoridade Comunitária Local. Torna-se, assim, importante conhecer a
estrutura dessa instância, que possui uma organização hierárquica, estabelecida tradicionalmente.

O governo moçambicano, através doMAE, reconhece essa hierarquia através do Decreto nº. 15 de 20
de Junho de 2000, o qual foi regulamentado pelo Diploma Ministerial nº. 107-A/2000 em 25 de
Agosto e estabelece a forma de articulação entre os órgãos Legais do Estado e as Autoridades
Comunitárias, estipulando deveres e direitos de cada autoridade e definindo subsídios mensais para
cada líder, na figura do RÉGULO, Chefe Tradicional; Líder de 1º. Grau; Líder de 2º.Grau e Líder de
3º.Grau.

(5) O Investimento Privado e o DUAT

A Politica Nacional de Terras parte do princípio de que a terra é um dos mais importantes recursos
naturais que Moçambique dispõe, o Estado mantém a terra como sua propriedade e que há garantias de
acesso e uso da terra à população bem como aos investidores nacionais e estrangeiros.

O investimento privado é considerado pelo governo como propulsor de sua política de


desenvolvimento e crucial para mitigar a pobreza. E realização de investimentos nos sectores de
agricultura e de turismo depende do acesso a terra e requer a obtenção do DUAT.

Embora o DUAT, por definição, não represente um direito que se iguale ao conceito de propriedade
privada, seu conteúdo legal oferece segurança, sendo possível, por exemplo, a renovação da concessão
por um período total de até 100 anos, considerado suficiente para garantir um bom retorno de capital
investido.

(6) Processo de Obtenção do DUAT

O SPGC de cada Província concentra o trâmite processual de solicitação de DUAT - Direito de Uso e
Aproveitamento da Terra, prestando aos interessados, esclarecimentos relativos a:

2-64
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

a) legislação aplicável
b) documentos necessários à formação do processo
c) encargos do processo e taxas aplicáveis
d) exigências do processo relativas a esboço, mapas de localização e demarcação
e) benefícios, impedimentos ou restrições à pretensão dos interessados; e
f) formas de reclamação e recursos

2-65
Versão Provisória - ANEXO

Fluxo de Autorização do Direitos de Uso e Aproveitamento da Terra - DUAT


PRIMEIRA ETAPA DE CONSULTAS Primeira Reunião Pública - Verificar e informar sobre o projeto de exploração e interesse
PARA FORMAR O PROCESSO DE em obter o DUAT. São envolvidos na consulta as autoridades comunitárias (Régulo e
DUAT demais representantes) e representantes de órgãos do governo local (DDA e SEDAE);
Requerente do DUAT
verificar in loco a disponibilidade de área.

Comunicar ao Requerente sobre a existência da ocupaçã SIM


Terreno Ocupado ?
o (SPGC)

NÃO
Elaboração da Primeira Ata de consulta com a anuência
das Autoridades Comunitárias e do governo da
SIM Localidade.
A SPGC elabora um esboço de localização com coordenadas. •
Presença do Conselho Consultivo da Localidade e Técnico da
Existe Ocupação ? SPGC.
Existe a possibilidade de se SIM
• Presença das Autoridades do governo (DDA e SEDAE) ou
indenizar as benfeitorias dos
representante.
ocupantes, para seguir com a NÃO • No prazo de 30 dias da primeira consulta deve-se realizar a 2.a
segunda etapa da Consulta as Prosseguir para segunda etapa da Consulta as Consulta.
Comunidades Locais. Comunidades Locais. • As Comunidades que fazem limites com a área requerida
devem ser consultadas.

NÃO As Comunidades são


favoráveis?
Assinam a ATA: O Conselho Consultivo da Localidade; Um mí
Elaborar Projeto de Investimentos e aproveitamento da nimo de 9 representantes de cada comunidade local;
SIM - Comunidades vizinhas ou ocupantes limítrofes;
Área e solicitar aprovação na CPI.
• O Serviço Distrital de Actividade Econômica - SEDAE elabora a - Técnico(s) do SPGC;
Segunda Ata com as consultas. Assinam as Atas o Administrador - Administrador do Distrito ou seu representante (DDA).
Distrital, todos os presentes, as Autoridades do Local e o - O requerente ou representante do mesmo.
DDA e SEDAE emitem parecer informando que as
Conselho Consultivo da Localidade. - Autoridade DDA e SEDAE, Publicam o Edital das Consultas, e
comunidades são favoráveis, e que não houve manifesta
ção contrária. aguarda-se 30 dias por alguma manifestação contrária.
Encaminham-se Atas, Edital e Parecer ao Serviço
Provincial de Geografia e Cadastro – SPGC. Todos os Custos do Processo de Consulta são suportados
pelo Requerente, mediante orçamento preparado pelo
SPGC.
Declaração do SPGC após afixação do Edital - Preparar Documentação necessária (Constituição da Empresa
de que tudo correu satisfatoriamente. O em Moçambique), Entregar formulário e anexar documentação
Requerente deve apresentar documentação SPGC forma o processo de tramitação do DUAT, um té
para formar o processo do DUAT junto a SPGC e Assinar o
complementar. cnico elabora mapa com a delimitação da área e documento de solicitação. - Pagar as taxas de tramite
memorial descritivo. processual e dos serviços de delimitação da área.

O SPGC - parecer favorável a concessão do DUAT e a O SPGC recebe e confere todos os documentos, somente
Direção Provincial de Agricultura – DPA emite parecer e com a documentação completa é possível encaminhar Documentos - atas, mapa, projetos de uso e aproveitamento,
encaminha o processo a instancia superior (Governador, para o Governador, Ministro ou Conselho de Ministros documentos jurídicos do investidor ou da empresa, autorização
Ministro ou Conselho de Ministro). autorizar o DUAT. da CPI.

SEGUNDA ETAPA - Submissão do Pedido do DUAT com documentos completos Requerente solicita Licença Ambiental e se
SUBMISSÃO DO necessario elabora Estudo de Impacto Ambiental –
PROCESSO DE DUAT EIA.

Gabinete do Governador recebe o processo e solicita


Reunião conjunta, CPI, DPA e CEPAGRI para parecer técnico dos organismos envolvidos – CPI, DPA e
emitir parecer técnico sobre o CEPAGRI e encaminha para autorização. Prestar suporte técnico e esclarecimentos
Empreendimento. sobre o Projeto se necessário.

Se o DUAT solicitado for de área acima 10.000 ha. O


Governador emite despacho favorável à concessão e se for á
Se o DUAT solicitado for de área até 10.000 ha. O Governador Governador emite despacho e encaminha ao Ministro
rea até 1.000 ha. Retorna o processo à DPA e ao SPGC
emite despacho e encaminha ao Ministro da Agricultura. da Agricultura que emite parecer e encaminha ao
autorizando a emissão do DUAT provisório.
Conselho de Ministros.

Despacho Favorável destas Instâncias

Pagar as taxas e Registrar o DUAT provisório no Órgão


DNTF / SPGC da Província comunica o requerente da de Registro Predial.
aprovação do DUAT provisório.
Publicar o DUAT provisório no Boletim da Republica e
pagar a taxa.
SPGC indica técnico para realizar a demarcação Geo
referenciada (GPS) da área, elabora mapa e certifica a á
rea exata da parcela. Requerente tem 12 meses para Demarcar a Área e
suportar os custos.

TERCEIRA ETAPA - DUAT Processo técnico de demarcação da área aprovada. O Acompanhar o processo de demarcação. Caso a área
PROVÍSORIO PARA SPGC lança no Cadastro Provincial e informa o lanç levantada for menor, solicitar a remarcação ou recá
DEFINITIVO
amento ao Cadastro lculo. Cumprir o Plano de Exploração, o Projeto, dentro
do Prazo de 2 anos (para requerente estrangeiro) e 5 anos
O SPGC faz a vistoria do Plano de Exploração. Após 2 (requerente nacional). Pagar a taxa anual da concessão
Quando as Comunidades anos ou 5 anos. do DUAT.
intervem na ação.

Ação do Requerente. O SPGC elabora proposta de autorização do DUAT O Requerente cumpriu com o Plano de Exploração no
definitivo e encaminha: Ao Governador, Ao Ministro da prazo.
Os SPGC s - Agricultura – MINAG, ou Ao Conselho de Ministros.
Responsabilidades.
Pagar os custos e Publicar do Boletim da Republica o
Quando intervem outras entidades do Estado na a Com o despacho favorável, o SPGC comunica o deferimento. Averbamento e Registro no órgão
ção. Requerente. competente.
Ação - Despacho de Autoridades Superiores.

O SPGC emite Titulo de DUAT Definitivo com a concessão de 50 anos.

Figura 2.9.1 Fluxograma do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT)

2-66
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2.10 Considerações Ambientais e Sociais


2.10.1 Quadro Geral Legal

A protecção socioambiental em Moçambique é apoiada por um número significativo de leis e


regulamentos (ver Tabela 2.10.1) com base na Constituição da República.

Tabela 2.10.1 QuadroLegal de Protecção Ambiental e Social


Principais Instrumentos Legais Órgãos Responsáveis
(Apenas aqueles relacionados com a Agricultura/ Agro-indústria) (centrais/provinciais)
Meio ambiente em geral, Avaliação do Impacto Ambiental
Ministério da Terra, Meio
 Lei nº.27/90: Lei do Ambiente
Ambiente e
 Decreto nº.45/2004: Regulamento sobre o Processo de Avaliação do Impacto
Desenvolvimento Rural
Ambiental (mais, Diplomas Ministeriais nº.198/2005, 129/2006,130/2006, e
(MIADER)/Direcção
Despacho Ministerial de 5 de Março de 2008)
Provincial para
 Decreto nº.11/2006: Regulamento sobre a Inspecção Ambiental
Coordenação de Assuntos
 Decreto nº.25/2011: Regulamento sobre o Processo de Auditoria Ambiental
Ambientais (PPCA)
 Decreto nº.5/2012: Regulamento do Licenciamento Simplificado
Poluição, Lixo
 Decreto nº.18/2004: Regulamento sobre Padrões de Qualidade Ambiental e de
Emissão de Efluentes (mais, Decreto nº.67/2010) MITADER / DPCA;
 Decreto nº.6/2009: Regulamento sobre a Gestão de Pesticidas MASA /DPASA (para
 Decreto nº.11/2013: Regulamento sobre a Gestão de Fertilizantes pesticidas e fertilizantes)
 Decreto nº.83/2014: Regulamento sobre a Gestão de Resíduos Perigosos
 Decreto nº.94/2014: Regulamento sobre a Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos
Terra, Floresta e Fauna Bravia, Áreas Protegidas
 Lei nº.19/97: Lei de Terras
 Decreto nº.66/98: Regulamento da Lei de Terras (mais, Decretos nº.1/2003,
50/2007, 43/2010, Resolução nº.70/2008 e Diplomas Ministeriais nº.29-A/2000,
MASA/ DPASA; MCTUR
144/2010, 158/2011)
(Ministério da Cultura e
 Decreto nº.60/2006: Regulamento do Solo Urbano
Turismo,
 Decretonº.79/2009: Regulamento sobre Serviço Militar
para parques e reservas
 Lei nº.10/99: Lei de Florestas e Fauna Bravia
nacionais)
 Decreto nº.12/2002: Regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia (mais,
Decreto nº.11/2003, 30/2012 e Diplomas Ministeriais nº.55/2003, 93/2005,
66/2010, 204/2012, 293/2012, 47/2013)
 Lei nº.16/2014: Lei de Conservação
Aguar
 Lei nº.16/91: Lei de Águas
 Decreto nº.43/2007: Regulamento de Licenças e Concessões de Águas (mais,
MOPHRH / ARA (ao nível
Diploma Ministerial no. 7/2010)
regional)
 Decreto nº.47/2009: Regulamento de Pequenas Barragens
 Decreto nº 18/2012: Regulamento sobre Pesquisa e Exploração de Águas
Subterrâneas
Planta e Saúde Animal MCTESTP (Ministério da
 Decreto nº 25/2008: Regulamento sobre o Controlo de Espécies Exóticas Ciência e Tecnologia e
Invasoras Ensino Superior para
 Decreto nº 5/2009: Regulamento sobre Inspecção Fitossanitária e Quarentena OGMs);
Vegetal MITADER (Espécies
 Decreto nº. 26/2009: Regulamento de Sanidade Animal Exóticas Invasoras);
 Decreto nº.71/2014: Regulamento de Biossegurança Relativa à Gestão de MASA (quarentenavegetal
Organismos Geneticamente Modificados e sanidade animal)
Património Cultural
MCTUR/Direcção
 Lei nº.10/88: Lei de Protecção do Património Cultural Moçambicano
Provincial de Educação e
 Decreto nº.27/94: Regulamento de Protecção do Património Arqueológico
Cultura (DPEC)
 Lei nº.13/2009: Lei de Protecção do Património da Luta de Libertação Nacional

2-67
Versão Provisória - ANEXO

Principais Instrumentos Legais Órgãos Responsáveis


(Apenas aqueles relacionados com a Agricultura/ Agro-indústria) (centrais/provinciais)
 Decreto nº.72/2009: Regulamento da Lei de Protecção do Património da Luta de
Libertação Nacional
Ordenamento Territorial, Expropriação da Terra, Reassentamento
 Lei n.º.19/2007: Lei de Ordenamento do Território
 Decreto nº.23/2008: Regulamento da Lei de Ordenamento do Território (mais,
MITADER/ DPCA
Diploma Ministerial nº.181/2010)
 Decreto nº 31/2012: Regulamento sobre o Processo de Reassentamento
causado por Actividades Económicas
Segurança Social e do Trabalho
MITRAB (Ministério do
 Lei n.º. 4/2007: Lei da Segurança Social
Trabalho) / DPTRAB
 Lei n.º. 23/2007:Lei do Trabalho
(Direcção Provincial do
 Lei n.º. 5/205: Leis sobre a protecção das pessoas afectadas com HIV /AIDS
Trabalho)
 Lei n.º. 11/99: Lei de Arbitragem, Conciliação e Mediação
Fonte: Equipe de Estudo

Moçambique é também signatário dos seguintes acordos internacionais sobre o meio-ambiente natural:

Tabela 2.10.2 Acordos Internacionais Ratificados por Moçambique

Acordos internacionais Ratificação


União Africana(UA) - Convenção Africana sobre a Conservação da Natureza e dos Recursos
1981
Naturais
Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Silvestres ameaçadas de
1981
extinção
Convenção da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para
1982
a Protecção do Património Cultural e Natural do Mundo
Convenção das Nações Unidas(NU) sobre a Diversidade Biológica 1994
Quadro da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática 1994
Convenção de Basileia sobre o Controlo dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos
1996
e sua Eliminação
Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação nos países afectados por seca grave
1996
e/ou desertificação, particularmente na África
Protocolo de Cartagenade Biossegurança das Nações Unidas paraa Convenção sobre Diversidade
2001
Biológica
Comunidade do Desenvolvimento da África Austral (SADC) Protocolo relativo à Conservação da
2002
Fauna e Aplicação da Lei na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral
Convenção da UNESCO sobre Terras Húmidas de Importância Internacional, Especialmente as
2003
que servem como Habitat de Aves Aquáticas
Convenção de Estocolmo sobre Orgânicos e Poluentes Persistentes 2004
Convenção do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) sobre Espécies
2008
Selvagens Migratórias
ProtocolodaSADCsobre Actividades Florestais 2009
Emenda de Doha de 2012 ao Protocolo de Kyoto, Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as
2014
Mudanças Climáticas(UNFCC)
Fonte: Equipe de Estudo

(1) Política Nacional do Ambiente

Aprovada pela Resolução nº 5/95, a Política Nacional do Ambiente, base para o desenvolvimento
sustentável do país, visa à erradicação progressiva da pobreza, à melhoria da qualidade de vida e à
redução dos danos ao ambiente. Entende-se que, para a correcta gestão ambiental, é necessário o

2-68
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

envolvimento de todos os sectores da sociedade por meio da descentralização da gestão dos recursos
naturais. Ao considerar que os esforços de desenvolvimento nacional reduzem a pobreza, essa política
propõe a criação de condições para o aumento da produção, especialmente do sector familiar. Assim,
constituem estratégias dessa politica, a criação de incentivos para o aumento da produção agrícola,
bem como a criação de condições legais e a capacidade institucional para gestão comunitária e
descentralização dos recursos naturais.

(2) Lei do Ambiente

A Lei do Ambiente, nº 20/97, busca a definição das bases legais para utilização e para gestão correcta
do meio ambiente e seus componentes, com vista à materialização de um sistema de desenvolvimento
sustentável em Moçambique. Neste sentido, estabelece organizações de gestão ambiental e medidas
para minimização da poluição do meio ambiente, medidas especiais para protecção do meio ambiente,
bem como medidas de prevenção de danos ambientais, direitos e deveres dos cidadãos e também
define as responsabilidades, infracções e sanções. Além disso, é necessário que todas as actividades
públicas ou privadas, com potencial para interferir nos componentes ambientais, sejam precedidas por
uma Avaliação de Impacto Ambiental (AIA).

(3) Floresta e Fauna Bravia

No que concerne à protecção e conservação de florestas e fauna bravia, Moçambique possui tanto a
Lei de Floresta e Fauna Bravia (Lei n.º 10/99) como a Lei de Conservação (Lei n.º 16/2014), a qual,
dentre outras questões, regula as actividades em zonas de protecção.

Tabela 2.10.3 Classificação das Zonas de Protecção


Zonas de Áreas de Reserva natural integral (zona tampão)
protecção conservação total Parque nacional (zona tampão)
Monumento cultural e natural
Áreas de Reserva especial (zona tampão)
conservação de Área de protecção ambiental
uso sustentável Coutada oficial
Área de conservação comunitária
Santuário
Fazenda do bravio
Parque ecológico autárquico

As áreas de conservação total são destinadas à preservação dos ecossistemas e espécies sem
intervenções de extracção dos recursos. Por outro lado, as áreas de conservação de uso sustentável são
sujeitas a um maneio integrado com permissão de níveis de extracção dos recursos, respeitando limites
sustentáveis de acordo com os planos de maneio. As comunidades locais são isentas do pagamento de
taxas pela utilização dos recursos para consumo próprio nas suas respectivas áreas.

(4) Zonas de Protecção Parcial

De acordo com a Lei de Terras e seus Regulamentos, é proibida tanto nas "zonas de protecção total"
como nas "zonas de protecção parcial" a realização da maioria das actividades humanas, mas algumas
podem, excepcionalmente, ser aceitas se devidamente licenciadas pelas autoridades competentes. A

2-69
Versão Provisória - ANEXO

aquisição de DUAT (direito de uso e aproveitamento da terra) não é permitida nestas zonas. Zonas
para serviço militar também são estabelecidas em alguns lugares.

Tabela 2.10.4 Caraterização de Zonas para Protecção Parcial

 O leito das águas interiores, do mar territorial e da zona económica exclusiva;


 A plataforma continental;
 A faixa de terreno que orla as águas fluviais e lacustres navegáveis até 50 metros medidos
a partir da linha máxima de tais águas;
 A faixa de terreno até 100 metros confinante com as nascentes de água;
 A faixa da orla marítima e no contorno de ilhas, baías e estuários, medida da linha das
máximas preia-mares até 100 metros para o interior do território;
 A faixa de terreno no contorno de barragens e albufeiras até 250 metros;
 A faixa de 2 quilómetros ao longo da fronteira terrestre.
 Estradas secundárias e terciárias e a faixa de terreno de 15 metros confinante;
 Estradas primárias e a faixa de terreno de 30 metros confinante;
 Auto-estradas e estradas de quatro faixas e a faixa de terreno de 50 metros confinante;
 Instalações e condutores aéreos, superficiais, subterrâneos e submarinos de electricidade,
de telecomunicações, petróleo, gás e água, e a faixa de 50 metros confinante;
 Linhas férreas e respectivas estações e a faixa de terreno de 50 metros confinante;
 Aeroportos e aeródromos e a faixa de terreno de 100 metros confinante;
 Instalações militares e outras instalações de defesa e segurança do Estado e a faixa de
terreno de 100 metros confinante.
Fonte: A equipe de estudo

2.10.2 Avaliação de Impactos Ambientais

O instrumento jurídico que regula o processo de avaliação de impacto ambiental é o Decreto nº 45/04,
segundo o qual todas as actividades públicas e privadas que possam influenciar nos componentes
ambientais de forma directa ou indirecta são sujeitas à AIA. O processo de AIA, no entanto, difere
com relação à caracterização do programa proposto, categorizando-os de A até C (ver Tabela 2.10.5 e
Figura 2.10.1.)

Tabela 2.10.5 Categorias Ambientais


Categoria Impacto Requisito
Projectos que podem ter um impacto significativo sobre o meio Estudo de Impacto
A
ambiente. Ambiental completo
Projectos que não afectam significativamente as populações ou
áreas ambientalmente sensíveis, e os impactos negativos Relatório Ambiental
B
podem ser facilmente mitigados e alguns tendem a ser Simplificado
irreversíveis.
Projectos que são susceptíveis de ter um efeito insignificante, Nenhuma
C desprezível ou mínimo sobre o meio ambiente, nenhum dos (Declaração de
quais é provável que seja Irreversível. Isenção)
Fonte: Equipa de Estudo

2-70
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

EIA: Estudo de Impacto Ambiental


EAS: Estudo Ambiental Simplificado
EPDA: Estudo de Pré-Viabilidade Ambiental e Definição do Âmbito
CTA: Comissão Técnica de Avaliação
TdR: Termos de Referência
DPCA: Direcção Provincial para a Coordenação da Acção Ambiental
Fonte: Manual sobre a Legislação da Avaliação Ambiental na Região da SADC, Adaptado pela Equipa de Estudo

Figura 2.10.1 Fluxograma do Processo da AIA

A AIA pode resultar em atribuição da licença ambiental, ou sua rejeição parcial ou total. Um projecto
licenciado deve iniciar suas actividades no prazo de 2 anos, e a licença ambiental deve ser renovada a
cada 5 anos. Se for feita qualquer alteração significativa para as actividades do projecto, será
necessário um novo processo de AIA e de licenciamento ambiental.

2-71
Versão Provisória - ANEXO

Qualquer projecto proposto nas seguintes áreas encontra enquadramento na Categoria A. De princípio,
é desejável evitar a implementação de qualquer projecto dentro ou nas proximidades de parques
nacionais e áreas protegidas, excepto para os projectos cujo principal objectivo é contribuir para a
promoção da conservação.

Tabela 2.10.6 Áreas Sensíveis para a Classificação na Categoria A


Aspecto Directrizes da JICA Regulamento da AIA de Moçambique
Natural  Parques nacionais, áreas  Áreas e ecossistemas reconhecidos como
protegidas nacionalmente tendo estatuto especial sob legislação
designadas (áreas costeiras, nacional e internacional, tais como:
zonas húmidas, áreas de - Os recifes de coral;
minorias étnicas ou de povos - Os manguezais;
indígenas e do património - Florestas indígenas;
cultural, etc.designados - Pequenas ilhas;
pelos governos nacionais) - Zonas de erosão iminente incluindo dunas
 As florestas primárias ou costeiras;
florestas naturais em áreas - Zonas expostas à desertificação;
tropicais; - Zonas e áreas de conservação ou protecção;
 Habitats com importante - Pântanos;
valor ecológico; - Zonas contendo espécies ameaçadas de
 Habitats de espécies raras animais ou vegetação, habitats e
que necessitam de protecção ecossistemas;
sob legislação nacional, os - Zonas decenário único;
tratados internacionais, - Zonas de valor arqueológico, histórico e
etc.; cultural a serem preservados;
 Áreas em risco de - Áreas em torno de nascentes de
acumulação de sal em abastecimento de água e fontes;
grande escala ou erosão do
solo;
 Áreas com uma tendência
notável para a desertificação.
Social  As áreas com valor  Áreas povoadas que implicam a necessidade
arqueológico, histórico ou de reassentamento
cultural único;  Áreas densamente povoadas, onde a
 Áreas habitadas por minorias actividade envolve níveis inaceitáveis de
étnicas, povos indígenas, poluição ou outro tipo de distúrbio que afecta
povos nómadas ou com significativamente as comunidades
modos de vida tradicionais, e residentes;
outras áreas com valor social  Regiões sujeitas a altos níveis de
especial. desenvolvimento ou regiões onde há conflitos
na distribuição e uso dos recursos naturais;
 Áreas ao longo dos rios ou áreas utilizadas
pelas comunidades locais como fonte de
abastecimento de água doméstica;
 Zonas contendo recursos valiosos, tais como
recursos aquáticos, minerais, plantas
medicinais, etc.
Fonte: "Directrizes da JICA para Considerações Ambientais e Sociais (2010)" e "Decreto nº.45/2004: Regulamento sobre o
processo de avaliação de impacto ambiental",Adaptado pela Equipa de Estudo.

No sector agrícola e agro-indústria, são utilizados os seguintes critérios para categorizar os projectos.

2-72
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.10.7 Critérios de Categorização de Projectos para AIA

Categoria Actividade (Apenas aquelas relacionadas com a Agricultura/ Agro-indústria)


A  Actividades de parcelamento para agricultura de mais de 350ha com regadio e de
1.000ha sem regadio;
 Conversão de terra agrícola para fins comerciais, urbanísticos ou industriais;
 Conversão de áreas equivalente ou de mais de 100ha de terra agrícola sem
cultivo há mais de 5 anos para agricultura intensiva;
 Introdução de novas culturas e espécies exóticas;
 Sistemas de irrigação paraáreas com mais de 350ha;
 Actividades de aquacultura ou piscicultura marinha com mais de 100 ton de
produção por ano e área equivalente ou superior a 5ha;
 Criação intensiva de animais de mais de: 100.000aves,3.000 porcos e / ou100
porcos reprodutores, e, 500 bovinos e área individual ou cumulativa de menos de
2.000ha (4ha/animal);
 Pulverização aérea ou no terreno em áreas, individuais ou cumulativas, superiores
a 100ha;
 Fábrica de produção de ração com produção de 2.000t/mês;
 Produção de óleos e gorduras animais (produção igual ou superior a 75t/dia) e
hortícolas (produção igual ou superior a 300t/mês);
 Açucareira incluindo o cultivo da cana sacarina;
 Recuperação, parcelamento e exploração da cobertura vegetal nativa com
indivíduo ou área cumulativa superior a100 ha;
 Todas as actividades de desflorestação com mais de 50ha, reflorestação e
florestação de mais de 250ha;
 Exploração comercial de fauna e flora naturais;
 Actividades de loteamento industrial com mais de 15ha;
 Todas as estradas principais fora de zonas urbanas, construção de novas
estradas;
 Condutas de água de mais de 0,5m de diâmetro e com mais de 10km de
comprimento;
 Barragens e represas com albufeira de área inundável equivalente ou maior que
5ha;
 Exploração para, e uso de, recursos de água subterrânea incluindo a produção de
3
energia geotérmica que implicam a extracção de mais de 500 m /h ou 12.000
3
m /dia;
 Actividades relacionados com os pesticidas (fabricante de embalagens para fins
comerciais; Comércio earmazenagem; eliminação; embalagem);
 Produção ou processamento de fertilizantes.
B  Todas as actividades que não constam na Categoria A e na Categoria C.
C  Sistemas de irrigação com área individual ou cumulativa entre 50 e 100ha;
 Transformação ou remoção de vegetação indígenas em áreas entre 100 e 200ha
sem regadio;
 Exploração, e uso de, recursos de água subterrânea incluindo a produção de
3
energia geotérmica que implica a extracção de mais de 200 m /ano;
 Avicultura em pavilhão com capacidade entre1.000 e1.500aves;
 Indústria de conservação de frutos e hortícolas – produção igual ou superior a 300
t/dia;
 Fábrica de produção de ração com produção inferior a 1.000t/mês;
 Fábrica de processamento da castanha de caju.
Fonte: : “Decreto nº.45/2004: Regulamento sobre os Processos de Avaliação de Impacto Ambiental” e “Manual sobre a
Legislação da Avaliação Ambiental na Região da SADC”, Adaptado pela Equipa de Estudo.

Os projectos de categoria A necessitam de autorização do Ministério da Terra Meio Ambiente e


Desenvolvimento Rural (MITADER)a nível central, enquanto os projectos de categoria B são

2-73
Versão Provisória - ANEXO

autorizados pela Direcção Provincial de Coordenação da Acção Ambiental (DPCA) a nível provincial
para obter licença ambiental. Os Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estrutura (SDPI)
constituem os órgãos de nível distrital responsáveis pelos assuntos ambientais, mas seu papel ainda é
limitado. Os candidatos devem arcar com todos os custos do Estudo de Impacto Ambiental ou
Relatório Ambiental Simplificado e taxa de licenciamento. Para realizar estes estudos, os candidatos
devem contratar consultores profissionais cadastrados no MITADER. As “Directrizes Gerais para a
Elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (Diploma Ministerial n.º.129/2006) “ definem os
conteúdos mínimos, tais como: Resumo, Relatório Principal, Plano de Gestão Ambiental, Relatório da
Consulta Pública e Anexo. O período de AIA pode variar de acordo com diversos factores, e sabe-se
que é necessário, em alguns casos, mais de um ano.

A consulta pública é obrigatória para os projectos de Categoria A e opcional para os projectos de


Categoria B, contudo torna-se obrigatória quando o projecto implica reassentamento temporário ou
permanente, realocação de bens ou restrição no uso de recursos naturais. A consulta pública deve ser
realizada separadamente da "consulta comunitária" para aplicação de DUAT, mas ambas são
crucialmente importantes para salvaguardara sustentabilidade social e ambiental. As "directrizes gerais
para o processo de participação do público no processo de Avaliação de Impacto Ambiental (Diploma
Ministerial no.130/2006) " define os princípios e etapas, e oferece recomendações específicas para
realizar consultas responsáveis.

Quando o projecto exigir o uso ou desvio de uma quantidade considerável de água ou implicar
qualquer tipo de riscos ambientais tais como: poluição de água, erosão do solo, contaminação,
intoxicação, perturbação do ecossistema e introdução de espécies exóticas incluindo OGMs, todos
estes aspectos devem ser devidamente incorporados no ‘’Plano de Gestão Ambiental’’ que fazem parte
dos estudos de AIA.

Um sistema relativamente novo de “Licença Simplificada” aplicado às actividades económicas que


não é esperado a causar impactos negativos sobre o meio ambiente, a saúde pública e a segurança, tais
como: agricultura irrigada menos de 350hectares; agricultura de sequeiro menos de 1.000hectares, e a
criação de animais em pequena escala; etc. O Estudo de Impacto Ambiental e a inspecção prévia no
local serão isentos pela licença. As pessoas singulares ou colectivas em Moçambique, bem como as
pessoas singulares estrangeiras, são elegíveis a este sistema.

2.10.3 Reassentamento Involuntário e Indemnização pela Perda de Bens

Qualquer projecto que implica a necessidade de reassentamento involuntário (embora não haja
previsão sobre o número de pessoas afectadas) é classificado como Categoria A e exige um Estudo de
Impacto Ambiental completo para obter a licença ambiental. De acordo com o Decreto n.º.31/2012
(Regulamento sobre o Processo de Reassentamento causado por Actividades Económicas), a
elaboração de "Plano de Reassentamento" e "Plano de Acção e de Implementação do Projecto de
Reassentamento", que deve ser aprovado pelo Governo do Distrito, faz parte de todo processo da AIA.
A consulta pública é também um requisito, independente da “consulta comunitária”,para aplicação do
DUAT e da “consulta pública”para AIA, apoiado pela participação de representantes de pessoas
afectadas, a sociedade civil, líderes comunitários e do sector privado, entre outros.

2-74
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 2.10.8 Conteúdo dos Planos de Reassentamento Involuntário


Plano de  Avaliação dos perfis socioeconómicos das famílias afectadas (incluindo a
Reassentamento comunidade afectada e a comunidade de acolhimento)
 Avaliação e análise dos bens tangíveis e intangíveis
 Definição quantitativa/qualitativa do grau de influência
 Critérios de indemnização
 Soluções propostas economicamente viáveis e alternativas para
manterem ou melhorarem o actual padrão de vida das famílias afectadas
Plano de Acção e de  Matriz institucional
Implementação do  Cronograma
Projecto de  Orçamento
Reassentamento

O Governo do Distrito é responsável em garantir terras disponíveis para o reassentamento, incluindo


espaço para actividades de subsistência das pessoas reassentadas. Por outro lado, os candidatos dos
projectos são responsáveis pela implementação do Plano de Reassentamento e devem suportar todos
os custos, que incluem não só habitação e infra-estrutura, mas também de indemnização e quaisquer
outras despesas inerentes ao processo de reassentamento, como o custo de transporte dos bens das
pessoas reassentadas e os custos de assistência para o padrão de vida e os níveis de restauração de
renda. O projecto de reassentamento deve proporcionar habitação equipada, acesso a estradas, sistema
de abastecimento de água, sistema de esgoto, electrificação, posto de saúde, escola, creche, mercado,
lojas, posto policial e instalações para lazer, desporto, recreação, culto e de reunião. Áreas para
agricultura, pecuária e outras práticas também devem ser reservadas. Não há nenhuma previsão clara
sobre critérios, avaliação e modo de pagamento da indemnização para as pessoas reassentadas.

Perda de acesso ou perda de bens particulares, devido ao projecto podem incluir casa, loja, armazém,
fábrica, habitação, escritório, animais domésticos, culturas, árvores, cemitérios, e quaisquer outras
melhorias físicas feitas no solo, tais como sistema de irrigação sistema ou viveiro de peixes. Também é
possível que o projecto afecte infra-estruturas sociais públicas, como escola, creche, posto de saúde,
igreja, mesquita, ponte, estrada, rede de energia eléctrica, rede de abastecimento de água, cemitério
público, etc. No entanto, um regulamento holístico sobre a indemnização de perda de bens ainda não
está legalmente elaborado em Moçambique. O Diploma Ministerial n.º 181/2010 (Directrizes sobre
processo de desapropriação de Planeamento Territorial) apenas contempla a expropriação de terras ou
de bens imóveis por autoridades governamentais para os projectos de interesse público, a realização de
planeamento territorial e outros fins especiais, tais como emergência de desastres naturais ou defesa
nacional, portanto, não se aplicam aos projectos de actividade económica pelo sector privado. No
entanto, os candidatos dos projectos podem achar útil como uma referência para a concepção da
modalidade de indemnização.

Não existem disposição legal sobre a indemnização pela terra (terras agrícolas), uma vez que a terra
não pode ser vendida ou comprada e não tem valor de mercado em Moçambique. No caso de um
projecto implicar a ocupação de terra (mas não de reassentamento), os candidatos são solicitados a
criar o seu próprio esquema de indemnização adequado para as terras perdidas, com base na
negociação com as partes interessadas caso-a-caso, além do pagamento de outros bens, tais como
construções e culturas. As boas práticas Anteriores incluem "indemnização de terra-por-terra",

2-75
Versão Provisória - ANEXO

proporcionando terra e garantir o DUAT de igual tamanho, produtividade (fertilidade do solo e acesso
à irrigação) e acessibilidade na própria escolha do produtor afectado.

2.10.4 Regulamento de Supervisão, Penalizações e Sanções

A maioria das leis e regulamentos descritos neste capítulo incluem disposições sobre o mecanismo de
monitoria, supervisão, penalidade, medidas correctivas e sanções em caso de incumprimento. Em
casos extremos, até mesmo a revogação da licença ou autorização, bem como encerramento
compulsivo ou remoção da actividade do projecto, é possível. Quando os projectos são abrangidos
pela categoria A ou da categoria B, os candidatos têm o dever de realizar a AIA e enviar o “Plano de
Gestão Ambiental”, como um dos produtos do estudo. De acordo com este plano, o projecto deve
implementar as medidas de mitigação propostas, realizar monitoria ambiental por conta própria, e
apresentar os relatórios aoMITADERou DPCA regularmente. Em resposta, o MITADER ou DPCA
realiza ou a “inspecção ambiental” ou " auditoria ambiental " em vários meses ou em qualquer
momento em que considerar necessário, com base nos Decretos n.º 11/2006 (Regulamento sobre a
Inspecção Ambiental) e o Decreto n.º 25 / 2011 (Regulamento sobre o Processo de Auditoria
Ambiental).

A missão de fiscalização ambiental no local vai deixar, em sua primeira visita, recomendações de
medidas correctivas quando as irregularidades reveladas da gestão ambiental do projecto não forem
graves. A segunda visita é realizada dentro de um prazo determinado, e se se verificar que as
irregularidades prevalecem sem a devida correcção, tais casos serão sujeitos a multas e punições. Em
caso de violação grave, pode-se ordenar o encerramento obrigatório, remoção ou cancelamento do
projecto. Além disso, os custos de reparação dos danos ambientais, bem como a indemnização para as
pessoas afectadas devem ser suportados pelo projecto.

A auditoria ambiental pelo MITADER ou DPCA ("Auditoria ambiental pública") pode ser realizada
não só para projectos de categorias A e B, mas também qualquer projecto que se tornou operacional,
sem passar por uma AIA, quando forem identificados danos ao meio ambiente. As recomendações
dadas pela missão no local da auditoria ambiental devem ser cumpridas obrigatoriamente. Nesse caso,
o projecto deve preparar um plano de acção e apresentá-lo ao MITADER explicando o mecanismo,
recursos e tempo para responder às recomendações, no prazo de 30 dias depois de receber o relatório
de auditoria. O não cumprimento deste plano será sujeito a multas e punições. É permitida uma opção
para o projecto em realizar "auditoria ambiental privada" através da contratação de auditores
qualificados, pelo menos uma vez por ano, para assegurar a conformidade do projecto com o plano de
gestão ambiental e legislações pertinentes.

Quanto às receitas fiscais derivadas de impostos ou multas de diferentes licenças e sanções, a maior
parte é redistribuída para conta do Estado ou FUNAB (Fundo Ambiental). O Artigo 21 do
“Regulamento sobre a Inspecção Ambiental”, bem como o artigo 85 do “Regulamento da Lei do
Ordenamento Territorial”, diz que o ministro que superintende a Coordenação da Acção Ambiental vai
definir, por meio de uma ordem, o montante das receitas provenientes de imposto e multa a ser
alocada para FUNAB para o fortalecimento dos serviços de inspecção ambiental. Além disso, o artigo
28 do “Regulamento sobre o Processo de Reassentamento causado por actividades económicas” prevê

2-76
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

que FUNAB vai subsidiar os gastos do comité técnico de assistência e supervisão de reassentamento
até 20% de sua receita derivada da multa aplicada a casos de violação de reassentamento.

2.11 Doadores Estrangeiros para a Agricultura e Desenvolvimento


Rural
2.11.1 Situação da Ajuda

Moçambique é um dos países de maior destaque quanto à coordenação da ajuda na África subsaariana,
havendo um grande número de países e organizações doadoras a apoiar o orçamento geral.
Actualmente, 19 países e organizações (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Reino Unido, Itália, Finlândia,
França, Irlanda, Noruega, Holanda, Portugal, Suécia, Suíça, Canadá, Espanha, Áustria, BM, UE e
Banco Africano de Desenvolvimento) concederam um apoio ao Orçamento Geral do Estado, e são
chamados de Parceiros de Apoio Programático (PAPs) ou G19. Devido ao quadro de apoio orçamental
geral pelo G19/PAPs o quadro de acompanhamento e avaliação do PARPA torna-se o Documento de
Estratégia de Redução da Pobreza de Moçambique, o G19/PAPs tem uma grande influência na
determinação da política de desenvolvimento em Moçambique.

Por outro lado, os doadores que não deram um apoio orçamental, tais como Japão, Estados Unidos e
agências da ONU, que são colectivamente chamados de não PAPs. Diz-se que são limitados os canais
de perspectiva macro de os Não PAPs fazerem uma política de diálogo com o Governo de
Moçambique. O Japão participa como observador na reunião de doadores realizada regularmente e
uma reunião conjunta entre os doadores e o Governo de Moçambique (Avaliação de País Moçambique,
Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, 2009).

OBM anunciou, em Abril de 2012, a “Estratégia de Parceria de Moçambique 2012-2016”. Esta


estratégia pretende apoiar programas em $1,04 bilhões de dólares, visa inclusive o crescimento
económico extensivo. Na Reunião Anual de Balanço de 2011, o G19 classificou como “satisfatório”o
grau de implementação vis-à-vis os resultados do Governo de Moçambique, e assegurou que o apoio
orçamental para 2013 continuará a ser realizado. Por outro lado, o G19 procura envidar esforços de
forma que o Governo de Moçambique desencadeie acções visando a luta contra a corrupção, melhorar
a transparência da administração pública, incluindo a publicação de conteúdos, tais como contratos
entre empresas de mineração e o governo, e facilitar a implementação do plano estratégico do sector
da educação.

2.11.2 Tendência dos Doadores de Assistência ao Sector de Agricultura e


Desenvolvimento Rural

De acordo com o relatório preparado pelo Governo da Holanda, o Governo de Moçambique e os


parceiros concordam que é necessária uma mudança política importante para ampliar o crescimento e
permitir que segmentos maiores da população se beneficiem deste crescimento inclusivo. Em
particular, a produtividade agrícola de pequenos produtores está em um nível muito baixo. Há uma
necessidade urgente de estimular a produtividade agrícola e o desenvolvimento rural em geral; a

2-77
Versão Provisória - ANEXO

produção e produtividade agrícolas são grandes nós de estrangulamento ao desenvolvimento


económico do país. Pelo menos 70% das famílias moçambicanas vivem em zonas rurais, e a maioria
delas está envolvida na agricultura. Porém, os moçambicanos não cultivam o suficiente para se
alimentarem: se todos os alimentos produzidos anualmente fossem divididos igualmente entre todas as
famílias moçambicanas, não seria suficiente para proporcionar-lhes calorias suficientes.

Moçambique é altamente dependente de fluxos de ajuda. Em 2011, 44% do Orçamento do Estado veio
de fontes externas, e houve dezenas de programas sectoriais e de fundos comuns, bem como centenas
de projectos que foram implementados no país. No entanto, as receitas fiscais aumentaram
recentemente. Em 1996, as receitas fiscais representavam 9,9% do PIB, e em 2011, elas representavam
cerca de 16%. Gradualmente, Moçambique está se aproximando de outros países de baixa renda da
SADC, como o Malawi (18% do PIB) e Zâmbia (18% do PIB), e o governo ainda tem um enorme
potencial para melhorar a sua arrecadação de receitas, tanto em nível central quanto municipal (Plano
Multianual da Embaixada da Holanda Maputo-Moçambique 2012-2015, do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, 2011.).

EmMaio de 2012, na Cimeira do G8, realizada nos Estados Unidos em 2012, foi anunciada a “Nova
Aliança para a Segurança Alimentar e Nutricional”. Esta iniciativa tem como objectivo alcançar um
crescimento agrícola sustentável e inclusivo, em parceria com G8, com os países africanos e do sector
privado, através de melhorias na segurança alimentar e nutricional, e de libertar 50 milhões de pessoas
da pobreza nos próximos dez anos na África subsaariana. Foram celebrados acordos para um quadro
de cooperação e implementados em seis países pioneiros, incluindo Moçambique. A estratégia de
entrada para “Nova Aliança”é baseada na captura da Programa de Desenvolvimento Agrícola de
África (CAADP), a fim de conferir legitimidade à acção do G8. Em Moçambique, esta intervenção é
sustentada pelo argumento de que ele vai alinhar o apoio financeiro e técnico de estados membros do
G8 para a agricultura em Moçambique, com prioridades do plano de investimentos CAADP para o
país, conhecido como oPNISA. O Governo de Moçambique tem demonstrado um forte compromisso
com a melhoria da segurança alimentar e nutricional, concentrando-se nos principais corredores de
crescimento agrícola no país, incluindo o Corredor de Nacala com vantagem da infra-estrutura chaves
existente e potencial agrícola significativo. O Governo de Moçambique e os membros do G8
comprometem-se com a “Nova Aliança”e trabalhar em conjunto para gerar investimento privado no
desenvolvimento agrícola, em termos de inovação, alcançar resultados de segurança alimentar
sustentável, redução da pobreza e fim da fome. O Japão está na liderança conjunta com os EUA para
Moçambique.

2-78
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

CAPÍTULO 3 CONDIÇÕES E QUESTÕES ACTUAIS


DA AGRICULTURA NA ÁREA DE ESTUDO
3.1 Condições Naturais
3.1.1 Área de Estudo

O Corredor de Nacala parte do Porto de Nacala, no leste da província de Nampula na região norte de
Moçambique, estendendo-se até Blantyre no Malawi e na Zâmbia. Ao longo do corredor, estão
actualmente a ser construídas estradas e ferrovias.

O Corredor de Nacala, onde se encontra a Área de Estudo, localiza-se ao longo das províncias de
Nampula, Zambézia e Niassa. As províncias de Nampula e Niassa encontram-se na região norte e a
província da Zambézia encontra-se na região centro de Moçambique. A área e a população de cada
província são descritas na tabela a seguir:

Tabela 3.1.1 Área e População das Três Províncias


Província Nampula Zambézia Niassa Total
*1 2
Área (km ) 81.606 105.008 129.056 315.670
Toda População 2011 4,529,803 4,327,163 1,415,157 10,272,123
província Densidade Populacional
55.51 41.21 10.97 32.54
(hab./km )
2

*2 2
Área (km ) 47.288 12.027 47.687 107.002
População 2011 2.566.961 670.697 1.049.757 4.287.415
Área de Densidade Populacional
54,28 55,77 22,01 40,07
(hab./km )
2
Estudo
Parte da Área 57,9% 11,5% 37,0% 33,9%
Província População 56.7% 15.5% 74.2% 41.7%
1
Fonte: * Anuário Estatístico de 2010 (INE), *2CENACARTA, outros por Censo de 2007 (INE) sobre Populações
são a base de Projecção da População

A população da província de Nampula em 2011 era de aproximadamente 4,6 milhões de habitantes,


sendo uma das províncias mais populosas de Moçambique, juntamente com a província de Zambézia.
A população está concentrada nos municípios de Nampula e Nacala, que juntamente com 6 distritos
costeiros concentram mais que 40% da população total da província. A província da Zambézia tem
uma população de aproximadamente 4,4 milhões de habitantes, sendo a segunda maior província,
depois de Nampula. A população está concentrada no município de Quelimane e nos seus arredores.
Por outro lado, a província de Niassa tem uma população de 1,5 milhões de habitantes, sendo a
província menos populosa do país. A população está concentrada nos municípios de Lichinga e
Cuamba, totalizando aproximadamente 30% da população total da província. Foram seleccionados 19
distritos34 ao longo do “Corredor de Nacala”que irão constituir a área de estudo, nestas Províncias,
com uma área total de cerca de 107.000 km2, e cobre cerca de 13,4% de todo o território.

34
Currentllyoconstárea de estudo com20 distritospor causa dodistrito deLichingafoidividido emdois distritos

3-1
Versão Provisória - ANEXO

3.1.2 Topografia

A altitude da área de estudo varia de abaixo de 100m a acima de 2.400m acima do nível do mar. A
altitude aumenta em direcção a oeste, e uma zona montanhosa se estende para a região central
(Distritos de Muecate, Mecubúri, Nampula, Murrupula, Distritos de Ribáuè e Lalaua, bem como parte
dos Distritos de Alto Molócuè e Malema) com picos proeminentes como o Monte Mepalue (1.777m
anm). Existe um maciço de altas montanhas íngremes na região sul (Distritos de Alto Molócuè, Gurué
e Malema), sendo o Monte Namuli o ponto mais alto (2.419m anm35) da área de estudo. Na região
Centro-Oeste (Distrito de Cuamba, Mecanhelas, Mandimba, e Majune) a topografia consiste
maioritariamente em planície de inundação do Lago Amaramba (630m anm), Rio Lugenda. O Planalto
de Lichinga estende-se na região noroeste (distritos de Nguama, Lichinga Sanga) com altitudes
relativamente elevadas até o Monte Livigire (1.728m anm). A topografia cai para a costa do Lago
Niassa (470m anm). Na maior parte da área de estudo, a paisagem é caracterizada por numerosos
inselbergs. As bases geológicas da área de estudo consistem em rochas metamórficas, tais como
quartzitos, xistos e gnaisses, ocorrendo entre as mesmas as rochas vulcânicas, assim como as rochas
sedimentares. Quase todas as bacias hidrográficas da área de estudo desaguam em direcção ao Oceano
Índico, com algumas poucas excepções desaguando em direcção ao Lago Niassa.

Fonte: Equipa de Estudo

Figura 3.1.1 Relevo do Corredor de Nacala

35anm: Acima do nível do mar

3-2
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.1.3 Clima

(1) Temperatura e Precipitação

As temperaturas médias anuais na Área de Estudo variam entre 24 e 28ºC na zona oriental (costa),
representada por Monapo e de 22 a 24ºC na zona ocidental (interior), representada por Cuamba. Nas
zonas altas do Lichinga, a temperatura média anual está abaixo dos 22ºC. As temperaturas médias
máximas e mínimas oscilam entre os 32 a 33 ºC a mais de 20 ºC na zona oriental, e de 28 a 29 até 16
de 15ºC na zona ocidental. Lichinga tem um clima mais frio devido à altitude, registando temperaturas
máximas abaixo dos 27 ºC e mínimas abaixo dos 16 ºC.

Fonte: Equipa de Estudo


Figura 3.1.2 Temperatura Média Anual

A estação chuvosa verifica-se entre os meses de Novembro e Abril e a estação seca de Maio a Outubro.
De acordo com as isoietas de precipitação anual, que se mostra nas Figura 3.1.2 a precipitação média
anual oscila entre 1.000 a 1.200 mm na maior parte da Área de Estudo; algumas zonas apresentam
precipitações entre 800 a 1.000 mm nomeadamente em Monapo,parte de Malema e Cuamba, enquanto
as zonas com acima de 1.400 mm de precipitação se encontram em Gurué e Alto Molócuè. Algumas
zonas montanhosas em Gurué apresentam mais de 1.600 mm de precipitação anual.

A Tabela 3.1.2 mostra a precipitação média mensal nos distritos seleccionados. Apesar de apresentar
algumas diferenças, de Outubro a Abril a precipitação é responsável por mais de 94% do índice anual
e mais de 99% da precipitação ocorre até o mês de Junho.

3-3
Versão Provisória - ANEXO

Fonte: Equipa de Estudo


Figura 3.1.3 Precipitação Anual

Tabela 3.1.2 Precipitação Média Mensal nos Distritos Seleccionados (unidade: mm)
Estação Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Anual Ano/ Fonte
12,5 71,8 278,5 445,2 295,9 151,5 44,7 2,8 0,9 1,6 0,0 0,0 98/99-10/11
Malema 1,241
1% 6% 28% 62% 85% 96% 100% 100% 100% 100% 100% 100% DPA
16,2 29,3 318,4 362,1 208,7 179,6 79,2 33,2 27,2 4,5 7,0 2,4 98/99-10/11
Nampula 1,065
1% 4% 29% 57% 74% 88% 94% 97% 99% 99% 100% 100% DPA
10,1 49,6 128,5 230,5 193,5 145,2 62,7 4,0 14,6 4.9 1,5 1,0 98/99-10/11
Meconta 857
1% 7% 22% 49% 72% 90% 97% 97% 99% 100% 100% 100% DPA
21,6 88,5 232,5 353,3 220,6 123,3 49,9 6,8 0,5 4,2 3,6 4,7 96/97-06/07
Cuamba 1,087
2% 10% 31% 63% 83% 94% 98% 99% 99% 99% 100% 100% INM
26,9 78,9 280,8 334,7 255,5 208,0 53,3 12,6 1,9 0.8 1,6 1,0 00-10
Lichinga 1,256
2% 8% 31% 57% 78% 94% 99% 100% 100% 100% 100% 100% INM
Fonte: DAP Nampula, Instituto Nacional de Meteorologia (INM)

(2) Balanço Hídrico Climatológico

O Balanço Hídrico Climatológico (BHC) foi calculado para cinco pontos ao longo do Corredor de
Nacala, nomeadamente Meconta, Nampula, Guruè, Cuamba e Lichinga, com precipitações de 997 mm,
1.193 mm, 1.114 mm, 1.884 mm e 1.165 mm, respectivamente, considerando a Capacidade de Água
Disponível (CAD) como 100 mm, segundo dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia
(INM), conforme mostram nassas figuras abaixo. O cálculo do BHC é feito de acordo com a
metodologia estabelecida por Thornthwaite e Mather (1955), usando dados de Precipitação e de
Evapotranspiração para calcular a Evapotranspiração Real, Défice Hídrico e Excedente Hídrico.

3-4
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Meconta (14 59' S; 39 51' E; 269 m) mm Meconta (1999 - 2009) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INM (1999 - 2009) Pluviosidade Temperatura Fonte: INM Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.4 Temperatura x Precipitação e BHC de Meconta

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Meconta (14 59' S; 39 51' E; 269 m) mm Meconta (1999 - 2009) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INM (1999 - 2009) Pluviosidade Temperatura Fonte: INM Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.5 Temperatura x Precipitação e BHC de Nampula

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Cuamba (14 49' S; 36 32' E; 606 m) mm Cuamba (2000 - 2011) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INM (2000 - 2011) Pluviosidade Temperatura Fonte: INM Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.6 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Cuamba

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Guruè (15 30' S; 36 59' E; 734 m) mm Guruè (2000 - 2011) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INM (2000 - 2011) Pluviosidade Temperatura Fonte: INM Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.7 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Guruè

3-5
Versão Provisória - ANEXO

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Lichinga (13 18' S; 35 14' E; 1,365 m) mm Lichinga (2000 - 2011) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INM (2000 - 2011) Pluviosidade Temperatura Fonte: INM Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.8 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Lichinga

A seguir, apresenta-se, resumidamente os resultados da análise do Balanço Hídrico Climatológico


(BHC).

Com excepção de Gurué, que se caracteriza porseis meses de défice hídrico, os outros pontos tem sete
meses de insuficiência hídrica. O período com excedente de água no solo é de cinco meses, na maior
parte da Área do Estudo. Isso significa que existe disponibilidade de água no solo durante apenas
cinco meses para o cultivo de culturas. A disponibilidade de água no solo, por um período de 5 meses,
seria suficiente para a produção da maioria das culturas anuais. No entanto, os produtores precisam de
um certo período para a preparação da terra eorespectivo plantio, bem assim um período mínimo
necessário para o crescimento das culturas.

A existência de água por um longo período de tempo no solo contribui para um melhordesempenho
económico da gestão das culturas, especialmente através do uso eficaz demão-de-obra e/ou tractores e
outros insumos. Por outra, um período curto de disponibilidade de água impede o desempenho
económico dos produtores. Assim, pode-se considerar marginal o período de cinco meses..

Nas áreas de produção de grãos no Cerrado Brasileiro, geralmente o período da disponibilidade de


água varia de seis a sete meses, havendo períodos mais longos em determinadas regiões. A figura que
segue mostra o BHC de Diamantino/MT, o centro de produção de soja no Cerrado Brasileito.

PLUVIOSIDADE E TEMPERATURA BALANÇO HÍDRICO CLIMATOLÓGICO


mm Diamantino/MT (14.40 S; 56.45 W; 286 m) mm Diamantino (1962 - 1990) CAD = 100 mm
C
400 30 300

200
300 26

100
200 22
0

100 18
-100

0 14 -200
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Fonte: INMET (1962 - 1990) Pluviosidade Temperatura Fonte: INMET Excedente Deficiência Retirada Reposição

Figura 3.1.9 Temperatura x Pluviosidade e BHC de Diamantino/MT

3-6
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.1.4 Recursos Hídricos


A área de intervenção está dividida em duas bacias hidrográficas principais, nomeadamente a bacia do
Rovuma e a bacia do Lúrio. Os distritos da que constituem a área de intervenção na província do
Niassa, com excepção de Cuamba, localizada na bacia do rio Rovuma, pertencem principalmente a
sub-bacia do alto Lugenda que é a sub-bacia mais acima na direcção sul da bacia Rovuma. Uma parte
limitada do distrito de Lichinga pertence ao Lucheringo e a sub-bacia do médio Lugenda. Os distritos
de Sanga e Majune pertencem à bacia do Lucheringo e a sub-bacia do médio Lugenda respectivamente.
Cuamba e os distritos de Nampula e Zambézia estão localizados nas principais bacias da jurisdição
ARA-CN – de sul a norte, Licungo, Melela, Molócuè, Ligonha, Meluli, Monapo, Mecubúri e Lúrio.
Todas as bacias principais e seus rios atravessam a Área de Estudo em maior ou menor extensão. Os
distritos da Área de Estudo encontram-se na parte alta de cada bacia hidrográfica, já que estes se
encontram no interior. A Tabela 3.1.3 mostra um resumo das características das bacias hidrográficas e
seu escoamento. Devido à limitações dos dados disponíveis, a informação de referência é antiga e não
estão considerados os efeitos dos projectos realizados recentemente nas bacias hidrográficas. É
necessário confirmar as modificações recentes nos escoamentos, especialmente no rio Monapo, cujos
recursos hídricos estão a desenvolver a um ritmo acelerado.

Fonte: Equipa de Estudo


Figura 3.1.10 Sistema Fluvial

3-7
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.1.3 Características das Bacias Hidrográficas e Escoamento na Área de Estudo

Precipitaçã Estação no ponto mais baixo


Área da Escoamento
o pluvial Área de
Bacia Bacia Escoamento Anual da Distritos Relacionados
na bacia Estação Captação
(km2) Anual (mm) Bacia (MCM)
(mm) (km2)
Licungo 22.531 1.400 E91 20.400 317 7.142 Gurué
Melela 8.287 1.330 E99 5.500 181 1.500
Molócuè 1.372 1.274 E192 1.200 192 263 Alto Molócuè
Ligonha 14.552 1.134 E132 5.410 257 3.740 Ribáuè
Mecubúri, Mogovolas,
Meluli 9.398 1.160 E127 5.200 256 2.406
Murrupula
Monapo, Muecate,
Monapo 7.734 1.095 E140 6.000 126 975
Mecubúri, Nampula,
Mecubúri 8.925 1.258 E122* 1.438 57 509 Muecate, Mecubúri
Mecubúri, Ribáuè, Lalaua,
Lurio 61.423 1.029 E128:* 56.200 142 8.722 Malema, Gurué, Cuamba,
Mecanhelas
Malema 1.000 - E142* 1.000 769 769 Malema
Ribáuè, Malema, Gurué,
Alto Lugenda 15.938 - E215 14.735 262 3.865 Cuamba, Mandimba,
N’Gauma, Lichinga,
Lugenda Do
25.952 - E202* 42.400 168 7.126 Majune
Centro
Lucheringo 11.184 - - - - - Lichinga, Sanga
Obs.: * As medições foram paralisadas anteriormente nos anos 1980 e ainda não foram retomadas.
Fonte: ARA-CN, ARA-N, Monografia do Relatório do Desenvolvimento da Bacia do Rio Rovuma e Estratégia Conjunta
Integral de Gestão de Recursos Hídricos

Em relação à situação das águas subterrâneas na área de intervenção, a informação disponível é


limitada no momento. De acordo com o mapa hidrogeológico de Moçambique (Figura 3.1.11), a Área
de Estudo tem um potencial de água subterrânea limitado com produtividade limitada ou falta de
aquíferos significativos.

Fonte: Equipa de Estudo


Figura 3.1.11 Mapa Hidrogeológico

3-8
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.1.5 Solos
Em Moçambique, estão disponíveis várias versões de mapa de solos, conforme ilustra a tabela 3.1.4.
Deve se notar que grandes áreas na região norte são apenas conhecidas anível exploratório ou por
interpretação de imagens de satélite, sem a respectiva verificação em campo. O IIAM e Projecto
para a Melhoria da Capacidade de Investigação e Transferência de Tecnologias para o
Desenvolvimento Agrícola no Corredor de Nacala em Moçambique (ProSAVANA-PI) estão fazer um
levantamento detalhado dos solos e o mapeamento da área de estudo.

Tabela 3.1.4 Mapas de Solo de Moçambique


Ano Elaborado por Descrição
1994 IIAM Mapas de solo cobrindo todo o país na escala 1:1.000.000 de acordo
(antigo INIA) com o sistema de classificação de solos da FAO/UNESCO; Disponível
para cada província.
2002 IIAM Uma nova norma internacional de sistema de classificação de solos
(antigo INIA) (WRB: base de referência mundial para recursos de solo) foi aplicada aos
mapas de solo de 1994.
2003 ISRIC / FAO / Base de dados digital de solos e topografia (SOTER) cobrindo 8 países
UNEP do sul da África que também mostram estimativas de parâmetros de solo:
No caso de Moçambique, escala 1:2.000.000 com base nos mapas de
solo acima.
2010 FUNDAG / Mapa de solos nacional na escala 1:250.000 de acordo com o sistema de
IIAM classificação de solos WRB, elaborado como parte do “Programa de
MicrozonamentoAgro climático (STABEX) ” com base no SOTER 2003.
2011 EMBRAPA O sistema de classificação de solos do Brasil foi aplicado a mapas
(no nacionais do solo de Moçambique de 1972, elaborados pelo INIA na
ProSAVANA) escala 1: 2.000.000.
Fonte: Equipe de Estudo

Comparando a escala, o sistema de classificação de solos usado e o ano de publicação dos mapas de
solo acima, é mais recomendável usar o mapa de solo de 2010 elaborado pelo FUNDAG / IIAM para
fins do presente estudo.

Conforme mostra a Figura 3.1.12, os principais tipos de solo na área de estudo correspondem
relativamente bem com o relevo. Os lixisols dominam da planície costeira plana e baixa da região leste,
estendendo-se pela zona montanhosa da região central, até parte da região Centro-Oeste. Os ferralsols
ocupam a maior parte do Planalto de Lichinga da região noroeste, e também podem ser vistos no
maciço de altas montanhas íngremes da região sul. Os solos arenosos estão distribuídos
principalmente na região sul e em parte da zona central da região leste. Os gleysols e solos fluviais
representam a vasta planície de inundação ao longo do Lago Amaramba na região Centro-Oeste. Os
acrisole ocorrem como manchas relativamente pequenas na área de estudo, excepto no Planalto de
Lichinga. Finalmente, os leptosols estão distribuídos localmente representando montanhas rochosas e
inselbergues.

3-9
Versão Provisória - ANEXO

Fonte: Equipa de Estudo (adaptado do “Programa de microzonamento agro climático, Fundação de Apoio à Pesquisa
Agrícola(FUNDAG)/IIAM 2010”)
Legenda Tipo de Características
Solo
Cinzento Lixisols Maior quantidade de argila no subsolo; Argilas de menor
claro actividade; Alta saturação de base.
Vermelho Ferralsols Profundamente envelhecido; Vermelho ou amarelo; Grande
quantidade de sesquióxido.
Laranja Arenosols Arenoso; Desenvolvimento pobre por envelhecimento in
situou em depósitos recentes.
Azul Gleysols Solos húmidos; Saturados com águas subterrâneas por
longos períodos a menos que sejam drenados.
Verde-claro Fluvisols Solos jovens desenvolvidos em depósitos aluviais.
Amarelo Acrisols Ácido; Maior conteúdo de argila no subsolo; Argilas de
Claro menor actividade; Baixa saturação de base.
Verde-escuro Leptosols Solos muito rasos sobre rocha; Extremamente cascalhoso
e/ou pedregoso.
Figura 3.1.12 Solos na Área de Estudo

Existe muito pouca informação disponível sobre a fertilidade do solo na área de estudo. O SOTER
2003 (base de dados digital do solo e da topografia) preparado pelo ISRIC/FAO/UNEP fornece uma
estimativa dos parâmetros de solo com base em modelo digital de elevação e interpolação entre apenas
127 perfis de solo para todo o país, enquanto os valores reais das propriedades físico-químicas obtidas
por análise ou medição são ainda demasiadamente insuficientes. OIIAM e ProSAVANA-PI estão
actualmente a fazer um levantamento detalhado do solo, mas os resultados ainda não foram publicados.
De acordo com dados provisórios fornecidos pela equipa do ProSAVANA-PI e pelo Centro
Internacional do Japão para Ciências Agráricolas (JIRCAS), os solos da área de estudo são quase
neutros ou apresentam uma quantidade reduzida de ácidos, excepto algumas amostras no Distrito de
Gurué, com pH inferior a 6, o que significa que não apresentam problemas graves de acidez. Não
foram igualmente relatados problemas de salinidade. O nível nutricional de Nitrogénio, Fósforo e
Potássio é relatado como sendo médio a deficiente, especialmente baixo para potássio. A textura é na
sua maioria arenosa, com alguns poucos solos argilosos. Não são apresentados outros problemas como
contaminação, solos alcalinos ou sódicos, falta de matéria orgânica ou existência de solo ácido

3-10
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

sulfatado, (no entanto, isto não garante que tais problemas não existam actualmente ou não ocorrerão
no futuro).

Em 2010, aFundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (FUNDAG)/IIAM produziu um mapa mostrando a


adaptabilidade dos solos para a prática da agricultura em escala nacional, como parte do “Programa de
MicrozonamentoAgro-climático (STABEX)”. Este processo envolveu a avaliação da fertilidade
natural, compactação pedregosidade e profundidade dos solos com base no SOTER 2003 e em
informações adicionais recentemente fornecidas pelo IIAM. Embora os detalhes da metodologia de
avaliação ainda não estejam totalmente claros, este mapa pode ser citado como um dos casos mais
razoáveis no momento. Conforme ilustra a Figura 3.1.13, os lixisols ganham boa avaliação como “alta
aptidão”; por outro lado, os arenosols, gleysols, fluvisols e leptosols são classificados como “baixa
aptidão”.Os ferralsols e acrisols são avaliados como “média aptidão”.

Os problemas de erosão do solo relatados em vários distritos da área de estudo são apresentados na
Tabela 3.1.5
Tabela 3.1.5 Erosão do Solo na Área de Estudo
Província Distrito Tipo e Causa da Erosão Medidas aplicadas localmente
Nampula Mogovolas Ravina (Chuva, Uso desordenado do Plantio de árvores para
solo, Actividades humanas) protecção (acácias) e
construção de barreiras.
Monapo Ravinir (Chuva, Uso desordenado do Construção de barreiras e
solo, Actividades humanas) plantio de vegetação (nacaraca).
Zambézia Alto Laminar, Ravina, Aluimento (remoção -
Molócuè da vegetação das encostas das
montanhas)
Gurué Ravina (Chuva, Remoção de -
arbustos)
Fonte: Adaptado do “Plano de Acção para Prevenção e Controlo da Erosão do Solo 2008-2018, MICOA 2007”

Legenda (Verde: Alto, Amarelo Claro: Médio, Vermelho: Baixo)


Fonte: Equipa de Estudoadaptado de “Programa de microzonamento agro-climático, FUNDAG/IIAM 2010”

Figura 3.1.13 Adequabilidade dos Solos para a Prática da Agricultura na Área de


Estudo

3-11
Versão Provisória - ANEXO

3.1.6 Zoneamento Agro-ecológico


A temperatura média anual na área de estudo
varia de 20ºC, na região do distrito de Lichinga,
a acima de 25ºC, na região do distrito de
Mogovolas, conforme ilustra a Figura 3.1.14. O
distrito de Gurué apresenta a temperatura mais
baixa, devido às grandes altitudes. A
precipitação anual é superior a 1.000 mm na
maior parte da zona, excepto no distrito de
Cuamba e uma parte do distrito de Malema.

A precipitação no distrito de Gurué é superior a


Fonte: IIAM, 1996
1.600 mm por ano.
Figura 3.1.14 Zoneamento Agroecológico
A Área de Estudo é abrangida por 3 zonas na Área do Estudo
agro-ecológicos, zona 7, 8 e 10, como ilustrama
Figura 3.1.14 e a Tabela 3.1.6. A zona leste da província de Nampula é abrangida pela zona 8, que é
caracterizada por temperaturas altas superiores a 25ºC e precipitação entre 800 e 1.200 mm por ano. A
zona central da província de Nampula, distrito de Alto Molócuè na província da Zambézia e a zona
sudeste da província do Niassa são abrangidas pela zona 7,que apresenta temperaturas entre 20 a 25ºC
e precipitação entre 800 e 1.000 mm. O distrito de Malema na província de Nampula, o distrito de
Gurué na província da Zambézia e o distrito de Lichinga na província do Niassa são abrangidos pela
zona 10, que apresenta muita precipitação, superior a 1.200 mm por ano.

Tabela 3.1.6 Zoneamento Agro-ecológico na Área de Estudo

Zona Descrição Província e Distritos


Esta área apresenta terra com altitudes entre 200 e 1.000 metros Província de Nampula: Monapo,
(sub-planáltica, planáltica baixa e médio-planáltica). Muecate, Meconta, Mogovolas,
A precipitação anual varia de 800 – 1.000 e a temperatura varia de Nampula, Murrupula, Ribáuè,
Zona 7 20 a 25ºC Malema
A textura dos solos varia de arenosos a argilosos, consistente com Zambézia: Alto Molócuè
a topografia. Niassa: Cuamba, Mandimba,
Nguama
O litoral costeiro de Zambézia, Nampula e Cabo Delgado Província de Nampula: Monapo,
consistem numa faixa de terra. Meconta, Mogovolas
A temperatura média durante a estação de crescimento é superior Zambézia: Alto Molócuè
Zona 8
a 25 °C. A precipitação anual varia de 800-1.200 mm e o índice de
evapotranspiração é de 1.400-1.600 mm.
Solos arenosos, com solos mais pesados nas áreas mais baixas.
Região com altitude elevada de Zambézia, Niassa, concretamente Nampula: Ribáuè, Malema
as regiões planálticas de Lichinga, alto Zambézia.
Zona 10 A precipitação anual é superior a 1.200 mm e a temperatura média Zambézia: Alto Molócuè, Gurué
durante o período é 15-22,5 °C.
Os solos são principalmente ferralsols. Niassa: Nguama, Lichinga
Fonte: Estratégia de Desenvolvimento Agrícola de Moçambique, BM, Fevereiro 2006, Organizado pela Equipa de Estudo

3-12
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.2 Condições Socioeconómicas


3.2.1 A Área de Estudo e População
(1) Área e População

O Corredor de Nacala penetra a Área de Estudo com extensão de mais de 600 km de leste a oeste de
Moçambique. A Área de Estudo é composta por19 distritos com área aproximadamente a 107 mil km2,
que se estendem numa extensão aproximadamente a 600 km de leste a oeste e com largura de 30 a 130
km de norte a sul.

Conforme demonstra a Tabela 3.2.1, a população total da Área de Estudo é de aproximadamente 4.29
milhões de habitantes em 2011, o distrito de Monapo na província de Nampula apresenta a maior
densidade populacional com 97,2 pessoas/km2. O distrito de Majune, Província de Niassa, apresenta a
menor densidade populacional com 3.0 pessoas/km2. A densidade populacional dos19 distritos que
constituem a Área de Estudo é de40.1 pessoas/km2,o que significa que a área apresenta uma densidade
populacional muito elevada comparada a média nacional de 29.2 pessoas/km2.

A média dos membros dos agregados familiares de cada distrito que compõe a Área de Estudo, é de
4,3 pessoas/agregado familiar, é também acima da média nacional. A cidade de Lichinga possui a
média mais elevada de membros de agregados familiares da área, sendo de 6,3 pessoas/agregado
familiar.
Tabela 3.2.1 Área e População dos Distritos (2011)
Densidade Número de Taxa de
População Número de
Área Populacion membros de homens/M
Distrito (hab., Agregados
(km²) 1 al agregado ulheres
2011) * 2 familiares
(hab./km ) familiar (2011)
Província de Nampula
Monapo 3.528 342.946 97,2 74.951 4,6 97%
Muecate 4.121 105.350 25,6 23.581 4,5 98%
Mecubúri 7.216 172.639 23,9 39.064 4,4 97%
Meconta 3.690 174.358 47,3 39.752 4,4 98%
Mogovolas 4.728 330.787 70,0 74.152 4,5 97%
Cidade de Nampula 331 553.703 1.672,8 101.484 5,5 103%
Rapale (Nampula) 3.675 243.908 66,4 53.659 4,5 98%
Murrupula 3.104 158.877 51,2 36.127 4,4 97%
Ribáuè 6.271 220.178 35,1 44.000 5,0 96%
Lalaua 4.548 81.685 18,0 18.049 4,5 98%
Malema 6.075 182.531 30,0 40.476 4,5 96%
Total 47.288 2.566.961 54,3 545.295 4,7 98%
Província da Zambézia
Alto Molócuè 6.363 319.867 50,3 62.902 5,1 97%
Gurué 5.664 350.830 61,9 69.060 5,1 95%
Total 12.027 670.697 55,8 131.962 5,1 99%
Província do Niassa
Cuamba 5.363 216.098 40,3 13.170 5,0 98%
Mecanhelas 5.029 206.417 41,0 36.408 5,7 94%
Mandimba 4.698 159.175 33,9 32.146 5,0 94%
Nguama 3.016 81.314 27,0 15.451 5,3 102%
Majune 11.341 34.287 3,0 6.835 4,9 95%
Cidade de Lichinga 257 177.886 692,2 43.290 6,3 97%
Chimbonila(Lichinga) 5.438 110.703 20,4 28.372 4,9 98%
Sanga 12.545 63.876 5,1 13.170 4,9 97%
Total 47.688 1.049.757 22,0 188.842 5,6 98%
Total Geral 107.002 4.287.415 40,1 866.099 5,0 97%
Fonte: Área;Centro Nacional de Cartografia e Teledetecção(CENACARTA), 1997: População; INE, 2007. *1 Estimada pela Equipa de
Estudo

3-13
Versão Provisória - ANEXO

Em relação à taxa de ambos os sexos, as cidades de Lichinga e Nampula apresentam valores altos de
1,02 e 1,03 homens contra uma mulher, conforme mostra a Tabela 3.2.1. Tratando-se de zonas urbanas
com densidade populacional elevada e muitas oportunidades de emprego, pode-se concluir que as
elevadas taxas que essas cidades apresentam representam o factor de migração laboral, formado
maioritariamente por homens vindos das zonas rurais onde as oportunidades sãos escassas.

Quanto à análise da pirâmide etária, todos os distritos apresentam características estruturais


semelhantes, sendo que pouco mais de metade da população tem idade superior a 15 anos e é
classificada como "população potencialmente activa" (definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE). O baixo nível de senilidade corresponde com os dados de esperança de vida no
país, sendo 47 anos para os homens e 51 anos para as mulheres, o que é inferior à média regional na
África Sub-Sahara (52 anos para os homens e 56 anos para os as mulheres). A média geral para os dois
sexos é de 49 anos, em Moçambique, 54 anos na África Sub-Sahara e de 68 anos no mundo36.

(2) População Economicamente Activa

Entre a população classificada como “população potencialmente activa” (com idade entre 15 e 65 anos
de idade) a população total empregue no Corredor de Nacala é de 1.104.942. A Tabela 3.2.2 apresenta
a informação da população empregada e a taxa de desemprego entre a população activa.

Tabela 3.2.2 Proporção da População Empregada e Desempregada na Idade


Active(2011)
Entre 15 a 65 anos
Distritos População na % do População População % do % do
idade activa total empregada emprego desemprego
Monapo 176.949 51,60 115.251 65,13 34,87
Muecate 53.434 50,72 39.090 57,75 26,84
Mecubúri*
Meconta 92.795 53,22 54.769 62,88 40,98
Mogovolas 180.077 54,44 102.230 63,79 43,23
Cidade de Nampula 314.637 56,82 115.405 73,16 63,32
Nampula (Rapale) 129.35 53,03 82.537 61,05 36,19
Murrupula 80.507 50,67 52.274 60,63 35,07
Ribáuè 107.594 48,87 68.636 61,05 36,21
Lalaua*
Malema 93.020 50,96 63.300 59,51 31,95
Alto Molócuè 155.354 48,57 99.996 60,84 35,63
Gurué 177.847 50,69 105.72 62,72 40,56
Cuamba 112.806 52,20 56.978 66,44 49,49
Mecanhelas*
Mandimba 82.371 51,75 50.524 61,98 38,66
N'Gauma 40.345 49,62 25.549 61,23 36,67
Majune*
Lichinga 94.329 53,03 37.237 71,70 60,52
Chimbonila (Lichinga) 54.825 49,52 35.446 60,73 35,35
Sanga*
Média do corredor 51,61 40,35
Fonte: Base de Dados Territoriais, INE. 2011, Adaptado pela Equipa de Estudo 2013.
Nota: * Dados não disponíveis.

A cidade de Nampula e Monapo apresentam o maior número de população empregada, enquanto


N'Gauma e Lichinga apresentam o menor número da população empregada. Em média, a taxa da

36
BM, Esperança de Vida na Nascência, 2011. Disponível em: <http://data.worldbank.org/indicator/SP.DYN.LE00.IN>

3-14
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

população desempregada é de 40,35% nos 19 distritos, onde a cidade de Nampula e Lichinga


apresentam as taxas mais elevadas de 63,63% e 60,52%, respectivamente. A Tabela 3.2.3 apresenta a
distribuição da população empregada na faixa etária potencialmente activa por actividade económica.

Tabela 3.2.3 População Empregada por Actividade Económica (2011)

Extracção de

Transporte e

administrativ
Comunicaçã
silvicultura e

Industria de

Construção

Comércio e
Agricultura,

Finanças

Serviços

Serviços
Energia
Fabrico

Outros
Pesca

Minas

Outro
Distrito Total

os
o
Monapo 115.251 101.535 178 3.851 54 946 301 5.600 843 1.755 188
Muecate 39.09 36.502 56 586 7 180 14 1.026 223 473 23
Mecubúri*
Meconta 54.769 45.269 76 1.922 33 689 255 4.584 547 1.274 120
Mogovolas 102.230 93.663 424 2.099 33 912 102 3.156 697 1.010 134
Cidade de Nampula 115.405 27.759 484 7.778 836 7.115 4.305 41.407 6.571 18.484 666
Nampula (Rapale) 82.537 74.264 186 1.579 30 601 80 4.490 485 714 108
Murrupula 52.274 47.415 295 830 6 399 41 2.096 532 595 65
Ribáuè 68.636 62.902 97 1.023 21 747 89 1.961 511 1.211 74
Lalaua*
Malema 63.300 57.373 108 1.007 12 783 113 2.391 512 883 118
Alto Molócuè 99.996 90.758 421 2.139 49 1.57 148 2.518 637 1.519 237
Gurué 105.720 93.411 107 3.618 76 1.249 267 3.923 963 1.901 205
Cuamba 56.978 44.628 364 1.417 67 1.330 287 5.529 830 1.962 564
Mecanhelas*
Mandimba 50.524 41.795 36 999 11 518 137 5.580 430 765 253
N'Gauma 25.549 23.130 11 285 2 128 13 1.447 134 255 144
Majune*
Lichinga 37.237 17.328 105 1.594 167 2.145 733 7.566 2.870 4.363 366
Chimbonila
35.446 32.589 28 514 4 213 30 1.545 147 255 121
(Lichinga)
Sanga*
Total 1.104.942 890.321 2.976 31.241 1.408 19.525 6.915 94.819 16.932 37.419 3.386
% da secção 100,00 80,58 0,27 2,83 0,13 1,77 0,63 8,58 1,53 3,39 0,31
Fonte: Base de Dados Territoriais, INE. 2011. Adaptado pela Equipa de Trabalho2012.
Nota: *Dados não disponíveis

Como se pode notar na tabela, os sectores da Agricultura, Florestas e Pescas ocupam 80,58% de toda a
oportunidade de emprego, o que mostra a importância e a dimensão do sector do ponto de vista do
emprego na área. O sector de Comércio e Finanças (8,58%) ocupa o segundo lugar após a Agricultura.
Segue-se Outros Serviços com 3,39%, o que indica o potencial a ser explorado pela abundante
mão-de-obra disponível relativa em todos os distritos.

3.2.2 Condições Sociais

(1) Pobreza

Os principais factores determinantes da pobreza em Moçambique prendem-se com questões


demográficas, educacionais e ocupacionais. De acordo com a Avaliação da Pobreza do Banco Mundial
de 2008, os agregados familiares mais pobres tendem ser mais numerosos, possuindo um número
elevado de filhos, com uma taxa de dependência elevada, têm uma proporção elevada de adultos
incapacitados, são predominantemente rurais, e possuem um grau de escolaridade baixo. Por outro

3-15
Versão Provisória - ANEXO

lado, os agregados familiares chefiados por mulheres tem uma representação muito alta nos quintis
inferiores. Existe uma forte correlação entre a educação e grau de consumo dos agregados familiares;
os agregados familiares cujos chefes trabalham no sector da agricultura enquadram-se nos mais
pobres.

O primeiro Documento de Estratégia de Redução da Pobreza The first Poverty Reduction Strategy
Paper (PRSP), Foi implementado o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA I,
2001-2005). Foi o primeiro plano a ser implementado pelo governo visando a erradicação da pobreza,
seguido do PARPA II (2006-2009). O PARPA II define a pobreza como “a impossibilidade devido à
incapacidade e/ou falta de oportunidade para os indivíduos, famílias e comunidades de terem acesso às
condições básicas de acordo com os padrões básicos da sociedade”. Neste sentido, o PARPA II define
metas não só para a redução da pobreza monetária, virada para o consumo, mas também metas para a
redução da pobreza não monetária, com foco na educação, saúde, nutrição e posse de propriedades.

O Governo adoptou a medida de pobreza baseada no consumo nacional oficial. A linha de base da
pobreza é estimada pelo custo das necessidades básicas (CNB). Esta abordagem consiste na soma 1)
dos custos de consumo alimentar para obtenção de alimentos que possam proporcionar 2.150 calorias
por pessoa, por dia, e 2) dos custos de consumo não alimentares tais como habitação, bens de consumo
duráveis, educação, serviços de saúde e água potável. A linha de pobreza, para 2002/03 e 2008/09, é
apresentada na Tabela 3.2.4.

Tabela 3.2.4 Linhas de Pobreza para 2002/03 e 2008/09 (MT/dia)


Quota de Rácio
Linha de Pobreza 2002/03 Linha de Pobreza 2008/09
Alimentos 2008/2002
Províncias
Alimento Não Aliment Não Aliment
Total Total Mar-02 Sep-08 Total
s alimentares os alimentares os
Niassa e Cabo Rural 5,4 1,7 7,1 12,5 3,4 15,9 76,5 78,5 2,30 2.25
Delgado Urbana 7,5 2,7 10,2 14,0 5,0 18,9 73,7 73,8 1,85 1.85
Rural 4,5 1,5 6,0 11,1 3,2 14,3 74,9 77,8 2,49 2.40
Nampula
Urbana 4,9 1,8 6,7 12,5 4,2 16,7 72,9 74,9 2,58 2.51
Sofala e Rural 4,2 1,3 5,5 11,4 3,0 14,4 75,9 79,1 2,73 2.62
Zambézia Urbana 6,6 2,2 8,8 13,7 5,4 19,1 75,1 71,8 2,08 2.17
Cidade de Maputo 12.2 7,3 19,5 20,9 12,3 33,1 62,6 63,0 1,71 1,70
Média
6.1 2,3 8,5 13,6 4,8 18,4 74,2 75,1 2,33 2,32
(população ponderada
Fonte: MPD, "Pobreza e Bem-estar em Moçambique: Terceira Avaliação Nacional", em Outubro de 2010, após MPD /
DNEAP de IOF08 e IAF02.

Com base na tabela acima, a linha de pobreza é baixa, a media nacional (2008/09) equivale a US$ 0.76
(o consumo de alimentos ocupa 75%) e é mais alta na cidade de Maputo com US$ 1.34,que se
aproxima ao padrão mundial de US$1.25.

A incidência da pobreza em Moçambique melhorou entre 1996 e 2003, tendo registado uma redução
na media nacional de 69,4% para 54,1%. Esta redução deveu-se ao crescimento generalizado,
impulsionado pelo sector privado e pela mão-de-obra intensiva. Por outro lado, o investimento
crescente nas infra-estruturas sociais e económicas alargou o acesso aos serviços públicos aos
moçambicanos que anteriormente não beneficiavam de serviços e, melhorando, deste modo, o seu
bem-estar.

3-16
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Entre 2003 e 2009, a média nacional de incidência da pobreza permaneceu estática. Entretanto, a
incidência da pobreza na província da Zambézia agravou, tendo aumentado de 44.6% em 2003 para
70.5% em 2009. Igualmente, a Província de Nampula registou um ligeiro agravamento, entretanto a
Província de Niassa registou uma melhora notável. De acordo com a Terceira Avaliação da Pobreza37,
esta estagnação ou aumento da incidência da pobreza deveu-se a vários factores nomadamente: i)
aumento relativamente alto da taxa do agravamento dos preços de alimentos, ii) mudanças nos preços
relativos domésticos dos produtos alimentares básicos iii) mudanças em quotas de alimentos, e iv)
mudanças no número de consumo de refeições por dia; e v) choque climático que teve impacto sobre a
colheita de 2008, na Zona Cento, incluindo a província da Zambézia. Por outro lado, o melhor
desempenho das províncias do Norte está relacionada a pelo menos dois factores principais a saber: i)
um desempenho agrícola relativamente melhor em 2008/09 na área e ii) maiores ganhos no acesso aos
serviços públicos e infra-estrutura.

Tabela 3.2.5 Tendências da Incidência da Pobreza


Índice de Pobreza (%) Diferença em termos de pobreza
Província
1996/97 1996/97 2002/03 1997-2003 2003-2009 1977-2009
Nampula 68,9 68,9 52,6 -16,3 +2,1 -14,2
Zambézia 68,1 68,1 44,6 -23,5 +25,9 +2,4
Niassa 70,6 70,6 52,1 -18,5 -20,2 -38,7
Média Nacional 69,4 69,4 54,1 -15,3 +0,6 -14,7

Fonte: PARPA 2011-2014, 2011.

O Plano de Acção de Redução da Pobreza (PARP) 2011-2014 é a estratégia a médio prazo do Governo
de Moçambique para a operacionalizar o Programa Quinquenal do Governo (2010-2014), centrado no
objectivo de combate a pobreza e promoção de uma cultura de trabalho, com vista a alcançar um
crescimento económico inclusivo e reduzir a pobreza e vulnerabilidade no país. O PARP 2011-2014 dá
continuidade ao PARPA II, cuja implementação cubriu um horizonte temporal de 2006-2009,
estendido até 2010, e teve como meta principal reduzir o índice de incidência da pobreza alimentar de
54.7% para 42% em 2014.

Para alcançar o objectivo do crescimento económico inclusivo para a redução da pobreza, o Governo
definiu os objectivos gerais, sobre os quais serão direccionados os esforços da acção governativa,
designadamente: (i) Aumento na Produção e Produtividade Agrária e Pesqueira, (ii) Promoção de
Emprego e (iii) Desenvolvimento Humano e Social, mantendo em comum os pilares sobre (iv) Boa
governação e (v) Macroeconomia e Gestão de Finanças Públicas38.

(2) Educação

A educação é um propulsor do desenvolvimento muito forte e constitui um dos instrumentos mais


fortes de redução da pobreza e melhoria da saúde, equidade do género, paz e estabilidade. A melhoria
do grau de educação dos produtores irá contribuir para que estes facilmente adoptem a tecnologia e
melhorem eficiência e eficácia acessória agrária prestada aos produtores. A melhoria constante das
actividades de extensão agrária não só fortalece a produtividade dos produtores como também

P
MPD, Pobreza e Bem-estar em Moçambique: Terceira Avaliação Nacional, Outubro. 2010
38
GOM/MPD, Plano de Acção para a Redução da Pobreza (PARP) 2011-2014, Maio 2011

3-17
Versão Provisória - ANEXO

promove a diversificação. A melhoria da produtividade rural e consequente melhoria da renda,


tornando a educação mais acessível.

Na área de estudo, a taxa de inscrição de estudante nas escolas primárias ultrapassa os 100% do
número de crianças que se esperava que se matriculassem nessa classe. Isto deve-se ao facto de muitas
crianças abanarem a escola devido a várias razões, e voltarem a se escrever novamente após a idade
oficial correspondente. Assim, a taxa de aprovação da 5ª e 7ª classes, isto é ensino primário do
primeiro e segundo graus respectivamente, é, em média,de 50 a 60% da população com idade
correspondente. Isso significa que apenas metade das crianças completa o ensino primário.

Tabela 3.2.6 Número de Alunos na ++Área de Intervenção e Matrícula


Taxa de Taxa de Taxa de
Homero de Percentage
Taxa de aprovaçõ aprovaçõ aprovaçõ
Distrito Alunos m de
admissão es na 1ª es na 5ª es na 7ª
(PEI-PEII) raparigas
classe classe classe
Monapo 56.195 44,4 278,1 277,8 63,0 60,0
Muecate 29.645 46,1 417,5 321,9 61,0 71,9
Mecuburi 48.125 46,1 423,9 303,0 63,1 60,1
Meconta 39.109 48,3 368,5 258,5 58,1 59,4
Mogovolas 51.808 49,9 272,7 249,0 52,2 50,0
Cidade de Nampula 124.382 51,7 286,0 345,9 11,7 71,6
Rapale 54.777 47,9 414,4 255,6 56,2 65,3
Murrupula 38.695 48,4 413,3 244,1 47,7 59,9
Ribaue 53.047 48,3 342,9 291,8 61,9 62,1
Lalaua 21.177 45,3 350,7 316,8 53,2 62,0
Malema 45.062 48,1 376,3 303,6 68,1 68,3
Alto Molocue 81.928 49,5 345,4 99,0 67,2 67,0
Gurue 103.142 48,6 477,5 85,9 63,2 69,5
Cuamba 60.133 47,9 442,1 76,8 47,6 45,9
Mecanhelas 52.190 49,1 497,4 84,6 76,3 72,4
Mandimba 31.242 45,8 441,3 77,8 27,3 51,0
N’Gauma 10.371 47,2 305,4 78,7 67,7 67,5
Majune 9.001 45,3 375,6 84,2 54,4 49,8
Cidade de Lichinga 37.849 49,9 238,3 84,8 69,0 65,5
Chimbonila 21.627 44,6 380,6 77,2 39,2 51,4
Sanga 12.432 47,2 329,8 77,5 49,9 51,0
Total / Média 981.937 48,3 370,4 190,2 55,1 61,0
Fonte : Dados estatísticos de cada distrito, Novembro de 2013, INE

Comparando as taxas de matrícula na educação primária em 2002 e 2008, verifica-se que registam-se
melhorias. Nas zonas rurais da região norte, onde a incidência da pobreza é alta, atingiu-se cerca de
70% deinscrições. Isto deve-se ao facto de a educação primária ser gratuita e constituir uma das
prioridades do Governo de Moçambique visando o desenvolvimento. Por outro lado, à semelhança da
qualidade da educação primária, a baixa taxa de matrícula no ensino secundário constitui um problema.
A taxa de matrícula no ensino secundário nas zonas rurais da região norte é muito baixa, sendo de
6,4%. Julga-se que a disparidade entre o ensino primário e o ensino secundário deve-se não só ao facto
de o primeiro ser gratuito enquanto o último não é gratuito, como também a existência de um número
reduzido de escolas secundárias, o que cria problemas de restrição no acesso.

3-18
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.2.7 Taxa de Matrícula na Ensino Primário e no Ensino Secundário (%)


Ano 2002/2003 2008/2009
Ensino Ensino Ensino Ensino
Área Primário Secundário Primário Secundário
Zonas Urbanas na Região Norte 63,9 12,5 73,7 33,3
Zonas Rurais na Região Norte 52,2 0,2 67,5 6,4
Média Nacional 66,8 8,2 76,5 22,0
Fonte: Compreendendo a Pobreza e o Bem-estar em Moçambique: Terceira Avaliação Nacional da Pobreza,
MPD, 2010.

Em relação às infra-estruturas de educação, como mostraa Tabela 3.2.8 a seguir, o número de


estudantes na Escola Primária (EP1, do 1º ao 5º ano) na Zambézia é o menor de todos. Isto significa
que Zambézia tem número suficiente de professores e escolas. Em relação à taxa de frequência, nas
escolas primárias (EP1) é de 100%, mas as escolas Primárias do Segundo Grau (EP2), do 6º e 7º ano,
apresentam uma taxa reduzida.

Tabela 3.2.8 Situação Actual da Educação


Números em 1 Escola Taxa de Atendimento
Professores Alunos Para EP1 Para EP2
Província 7,0 467 124% 54%
Nampula
Área de Estudo 8,4 503 144% 55%
Província 4,9 328 200% 51%
Niassa
Área de Estudo 7,0 477 171% 44%
Província 6,2 105 187% 61%
Zambézia
Área de Estudo 5,7 117 211% 77%
Média Nacional (2010) 6,3 420 130% -
Fonte: Direcção de Educação e Cultura nas 3 províncias

Nas zonas rurais, pode-se ver escolas primárias nas pequenas povoações. A maioria das escolas é feita
com telhado de palha e usam-se troncos como carteiras colocados sobre o chão de terra, isto é, não
pavimentado. Algumas escolas têm telhado de ferro galvanizado e paredes de blocos de cimento com
janelas de vidro. E a sistuação varia significativamente entre as regiões. Escolas primárias do primeiro
grau (1ª a 5ª Classe) foram criadas mesmo em pequenas povoações, mas as escolas primárias
completas (2º nível com 7 graus) foram criadas apenas nas povoações grandes. Além disso, existem
escolas secundárias apenas nas cidades, como os centros distritais. A educação primária é gratuita, mas
famílias que têm várias crianças em idade escolar têm muitos gastos com material escolar e transporte,
sendo isso um peso grande.

Do estudo de base realizado nas comunidades no distrito de Rapale na Província de Nampula,


constatou-se que dos 150 entrevistados, cerca da metade possuem apenas o nível primário. No
computo geral, é um desafio para os produtores que possuem um nível de escolaridade correspondente
ao ensino primário, nas comunidades remotas, organizar-se em associações, sobretudo lidar com a
contabilidade das mesmas.

A alfabetização é um dos factores indispensáveis para que um indivíduo se adapte facilmente a novas
realidades. A taxa de analfabetismo na área de estudo era muito alta em 1997, situando-se nos 70 a
85% na população com 15 anos de idade. Esta situação melhorou em 2007, tendo registado uma
redução na ordem de 50 a 60%. Contudo, estes números ainda são muito altos. Com a excepção das

3-19
Versão Provisória - ANEXO

cidades de Nampula e Lichinga, as taxas de analfabetismo nas mulheres são extremamente altas
comparadas a dos homens.

Tabela 3.2.9 Tendência das Taxas de Analfabetismo nas Três Províncias(%)


*1 *2
1997 2007
Distrito
Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres
Monapo 77.5 63.2 91.3 57.8 43.4 69.2
Muecate 79.8 67.5 93.5 55.5 39.9 65.6
Mecuburi 78.2 62.5 92.3 54.7 39.1 73.5
*3
Meconta N/A N/A N/A 50.0 49.8 75.6
Mogovolas 86.2 76.0 95.4 60.5 43.5 71.0
Cidade de Nampula 22.4 13.7 32.2
75.7 62.1 90.6
Rapale 52.4 38.9 65.4
Murrupula 82.2 69.4 93.8 58.1 44.7 70.6
Ribaue 70.6 53.1 86.8 47.2 32.5 61.1
Lalaua 78.5 65.0 90.7 57.4 36.1 63.0
Malema 66.4 48.9 82.6 47.0 32.5 60.5
Alto Molocue 64.1 46.3 79.0 42.5 27.5 55.5
Gurue 68.6 52.1 83.7 47.0 32.7 60.2
Cuamba 51.0 41.7 60.3 41.5 26.6 56.4
Mecanhelas 76.2 62.0 89.3 53.9 39.3 67.3
Mandimba 77.5 62.8 90.9 58.9 46.0 71.0
N’Gauma 85.1 73.7 94.9 65.4 53.0 76.2
Majune 78.6 60.9 93.3 59.4 42.7 74.1
Cidade de Lichinga 29.2 8.4 16.4
83.9 71.2 94.7
Chimbonila 71.1 59.0 81.4
Sanga 74.2 57.9 88.2 55.8 41.6 68.2
Average 70.6 56.6 83.7 55.0 40.2 66.2
*4
Min 51.0 41.7 60.3 41.5 26.6 55.5
Max 86.2 76.0 95.4 71.1 59.0 81.4
Nota: *1 Para 1997 considera-se indivíduos com idade superior a 5 anos
*2 : Para 2007 considera-se indivíduos com idade superior a 15 anos.
*3: Os dados não estão disponíveis na fonte da informação
*4:Os dados referentes ao ano de 2007 das cidades de Nampula e Lichinga não foram inclusos.
Fonte: Para os dados de 1997:Perfil do Distrito 2005, Ministério da Administração,
Para dados de 2007: "Estatísticas Distritais 2013”, DEMOVI, INE,

O desenvolvimento humano é um elemento indispensável para o desenvolvimento de uma região.


Contudo, o número de escolas não é suficiente. Ademais, assegurar a existência de um número
suficiente de professores nas zonas rurais constitui um grande desafio, pois as condições de vida são
árduas naqueles pontos do país. Indivíduos com um grau de escolaridade ideal para exercer a profissão
de docência esperam encontrar melhores condições de trabalho em relação as que caracterizam as
zonas rurais do país, situação que é agravada pelos salários limitados. Um professor está para 40
(quarenta) alunos no ensino primário, em todos os distritos. Este número é consideravelmente alto
considerando os padrões aceitáveis para ensino primário. A mesma situação se verifica no Ensino
Secundário Geral, mas neste caso verifica-se uma ligeira redução do número de alunos para um
professor nas zonas urbanas como Nampula, Murrupula, Mogovolas, e Lichinga. Deve-se assegurar a
existência do número desejado de professores nas zonas rurais afim de catapultar o desenvolvimento
humano, o que irá permitir o aumento do alfabetismo, consequente adaptação a tecnologia e eficiência
dos serviços de extensão rural.

3-20
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(3) Saúde

Nas zonas rurais, existem instalações sanitárias, como centros de saúde e postos de saúde. Entretanto,
o número de profissionais e de equipamentos são insuficientes. O acesso às unidades sanitárias
melhorou nos últimos anos. Nas zonas rurais da região norte, o acesso melhorou significativamente, de
31,5% em 2002 para 69,7% em 200839. As principais doenças são a malária, diarreia, disenteria, cólera
e doenças venéreas. Note-se que, em particular, a incidência da malária é elevada (na província de
Nampula; em 2011, houve 684 mil casos de malária, 154 mil casos de diarreia, 29 mil casos de
disenteria e 379 mil casos de cólera, Governo da Província de Nampula, 2012 / 7).

Em Moçambique, os custos relativos a saúde estão a cargo doTesouro Nacional eosserviçossão


gratuitos. Assim, as populações de baixa rendanão têm queser sobrecarregadas com despesas médicas.
Alémdataxa de diagnóstico, as despesas básicas decompra de medicamentostambémestão incluídas
nas despesas médicas suportadas pelo Tesouro Nacional. Além disso, os medicamentos anti-retrovirais
(ARV) são gratuitos para as pessoas com infecção pelo HIV.As despesas médicasdo Tesouro Nacional
são financiadas pelo apoio orçamental geraldos doadores.

Os outros indicadores sociais na Área de Estudo são os seguintes:

Tabela 3.2.10 Indicadores Sociais na Área de Estudo (2008)


Média
Província Nampula Zambézia Niassa
Nacional
Taxa de mortalidade de menores de 5 anos (média em 10
1) 140 205 123 138
anos antes do levantamento, por 1.000),
Percentagem por província da prevalência de desnutrição
2) 51 46 45 44
crónica em menores de cinco anos,
3)
Taxa de Acesso à Água Segura (%) 43 24 44 44
Fonte: 1) Levantamento de Agrupamentos de Indicadores Múltiplos, MICS, 2008. 2) Relatório sobre as Metas de
Desenvolvimento do Milénio, PNUD, 2010. 3) Levantamento de Agrupamentos de Indicadores Múltiplos,
UNICEF, 2008.

(4) HIV/SIDA

De acordo com o Inquérito Nacional de Prevalência, Riscos Comportamentais e Informações sobre


HIV e SIDA (INSIDA, 2009), a taxa de prevalência nacional foi de 11,5% em adultos entre 15-49
anos. A prevalência do HIV/SIDA é mais alta entre as mulheres (13,1%) do que nos homens (9,2%) e
varia consideravelmente entre as províncias, de 3,7% no Niassa contra 25,1% em Gaza. A estimativa
da prevalência do HIV/SIDA para adultos na região Sul é de 17,8% enquanto na região Centro é de
12,5%; na região Norte a taxa de prevalência é de 5,6%. Apesar de a região Norte de Moçambique
apresentar uma taxa relativamente baixa em relação às demais regiões do país, são necessárias acções
concretas para prevenir a propagação da doença e diminuir a transmissão vertical.

As respostas do Governo de Moçambique ao combate ao HIV/SIDA têm-se intensificado ao longo dos


anos através de investimentos directos do governo, mas também por meio do apoio de doadores e
agências de desenvolvimento. Entretanto, ainda é necessário que haja um esforço adicional para
complementar as acções do governo e promover o contínuo apoio às políticas e programas de combate

39
Agência Japonesas de Cooperação Internacional (JICA), Análise da Pobreza em Moçambique, 2011

3-21
Versão Provisória - ANEXO

à doença. É preciso, ainda, haver estreita cooperação intersectorial para o apoio aos programas de
saúde materno infantil, uma vez que a cobertura de serviços de atenção nesta área ainda é muito
precária, sendo que em nenhuma das províncias da área de estudo estão atendidas por profissionais de
atenção saúde materna e infantil de forma apropriada.

3.2.3 Sociedades Rurais


(1) Composição Étnica

O maior grupo tribal / étnico na região norte de Moçambique é o Makua-Lomwe e constitui


maismetade da população. Os outros grupos tribais / étnicos na região são o Makonde, que vive perto
da costa, e Yao (Ajawa) que vive nas proximidades do Lago Niassa, na província do Niassa40.

As línguas dominantes são Makua/Emakhuwa e Yao/Chiyao, ambas pertencentes as línguas Bantu.


Existem também outras ligas faladas localmente41como Lomwe, que é misturada com Makua, mas
apresenta variantes como a que pode ser encontrada em Zambézia, e Chichewa, que é uma língua
falada em Malawi e nas zonas circunvizinhas, como algumas partes da província de Tete em
Moçambique.

Maior parte da população residente nas zonas rurais não falam a lingual portuguesa e, como tal,
comunica-se nas suas línguas locais42.Apesar das línguas dos grupos étnicos Makua/Emakhuwa e
Yao/Chiyao serem dominantes, existem outras línguas Bantu na área de estudo.

Tabela 3.2.11 Situação linguística nos Distritos


Falantes do português Não falantes do Português Língua local
Distrito Dominan
Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres
te
Monapo 24.4 18.0 6.4 75.6 34.2 41.3 Makua
Muecate 21.8 16.6 5.2 17.4 8.8 8.6 Makua
Mecuburi 24.5 18.3 6.1 75.5 33.1 42.4 Makua
Meconta 33.0 ― ― 67.0 ― ― Makua
Mogovolas 14.3 11.0 3.2 85.7 39.5 46.2 Makua
Nampula 30.0 21.1 8.9 70.0 31.7 38.2 Makua
Murrupula 20.9 15.6 5.3 79.1 53.6 43.4 Makua
Ribaue 34.0 23.5 10.6 66.0 29.8 36.1 Makua
Lalaua 23.1 17.7 5.4 76.9 33.9 43.0 Makua
Malema 36.7 24.7 12.0 63.3 28.3 35.0 Makua
Alto Molocue 40.3 25.5 14.8 59.7 26.8 32.8 Lomwe
Gurue 35.1 23.0 12.0 64.9 30.0 34.9 Lomwe
Cuamba 43.8 29.1 14.7 56.2 26.0 30.2 Yao
Mecanhelas 22.1 15.2 6.9 77.9 36.2 41.6 Yao
Mandimba 24.4 17.1 7.3 75.6 34.1 41.5 Yao
N’Gauma 13.0 9.3 3.7 87.0 39.9 47.1 Yao
Majune 25.5 19.2 6.3 74.5 31.3 43.2 Cyao
Lichinga 17.8 13.4 4.4 82.2 36.0 46.2 Cyao
Sanga 27.5 18.6 8.8 72.5 32.0 40.5 Cyao
Fonte: Perfil do Distrito 2005, Ministério da Administração Estatal

40
http://www.everyculture.com/Ma-Ni/Mozambique.html
41
Culture Grams 2014, Republic of Mozambique, https://www2.viu.ca/homestay/host/CultureGrams/Mozambique.pdf
42
Culture Grams 2014, Republic of Mozambique, https://www2.viu.ca/homestay/host/CultureGrams/Mozambique.pdf

3-22
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Fonte: Sayaka Funada-Classen, 2012: A origem da Guerra em Moçambique

Figure 3.2.1 Mapa Etnográfico Simplificado da área do estudo

(2) Religião

Na região, verifica-se a presença de uma mistura de religiões. A religião islâmica é a mais praticada
com 80 a 95 % da população na parte norte da Província do Niassa, com excepção da cidade de
Lichinga, sendo a causa provável deste cenário a urbanização desta última.Por outro lado, o
cristianismo, principalmente a católica, é comum com cerca de 50% nas províncias de Nampula e
Zambézia e em Cumaba e Mecanhelas na província do Niassa. A crença animista ainda se faz sentir,
sendo praticada por muitas pessoas classificadas como “sem religião, outros e desconhecido” na
Tabela 3.2.1243.

Tabea 3.2.12 Distribuição da População por Religião na área na Área de Estudo(em 2007)
Zione / Sem Situação
Distrito Católica Anglicana Islâmica Evangélica Outros
Siao religião desconhecida
Monapo 47.4 0.7 24.4 3.3 6.5 15.4 2.0 0.6
Muecate 44.2 0.2 11.5 1.1 2.6 38.4 1.4 0.6
Mecuburi 41.7 1.2 21.3 1.7 8.8 20.8 3.9 0.7
Meconta 51.9 0.4 17.0 1.5 3.9 23.3 1.5 0.6
Mogovolas 45.8 0.2 26.8 2.4 3.8 19.8 0.7 0.5
Cidade deNampula 42.2 0.7 40.6 1.6 5.9 4.9 3.0 1.1
Distrito deNampula 49.5 0.6 28.7 1.2 6.7 9.6 3.3 0.5
Murrupula 25.7 1.8 35.7 1.5 4.1 28.2 2.6 0.5
Ribaue 33.6 0.4 4.2 4.0 15.8 36.0 5.4 0.5
Lalaua 67.5 0.2 10.5 6.0 3.5 10.0 1.5 0.7
Malema 46.3 1.0 9.6 3.4 15.6 18.1 5.5 0.7
Alto Molócue 54.8 0.2 0.6 1.6 10.4 13.4 17.8 1.2
Gurué 50.5 0.5 0.1 2.2 8.2 17.9 19.5 0.7
Cuamba 52.7 0.7 30.4 1.4 8.4 3.1 2.8 0.5
Mecanhelas 43.0 1.7 20.8 16.3 11.0 1.5 5.1 0.5
Mandimba 13.6 0.9 81.1 0.8 2.0 0.5 0.7 0.4
N’Gauma 2.8 0.2 95.8 0.2 0.2 0.3 0.1 0.4
Majune 11.0 0.2 87.9 0.1 0.2 0.1 0.1 0.4
Cidade deLichinga 23.6 7.7 62.9 0.8 2.9 0.2 1.4 0.5
Distrito deLichinga 3.2 1.0 94.6 0.1 0.3 0.3 0.0 0.4
Sanga 4.9 1.8 92.7 0.1 0.1 0.1 0.1 0.3
Sóciodemografia do Distrito, Julho de 2007 Fonte: Estatística Distrital Novembro, 2013, INE; Senso Populacional e
Indicadores de Agregados Familiares, 2007 Informação sociodegráfica do Distrito, julho de 2007

43
Culture Grams 2014, Republic of Mozambique, https://www2.viu.ca/homestay/host/CultureGrams/Mozambique.pdf

3-23
Versão Provisória - ANEXO

(3) Sociedade Matrilinear

No Corredor de Nacala, onde as tribos Makua e Ajawa são dominantes, prevalece o sistema de
descendência matrilinear e a alocação de recursos naturais é determinada pela descendência
matrilinear, onde a linhagem é rastreada através da linha feminina. Neste sistema, a sucessão e / ou
herança de propriedade familiar e legitimidade, por exemplo, são passados da mãe ou tios maternos
para a próxima geração. Após a sua morte, a propriedade de um homem é, portanto, herdada por seus
sobrinhos (filhos da irmã), em vez de seus próprios filhos. Além disso, muitos casamentos
matrilineares são também uxorilocal, o que significa que após o casamento, o marido muda-se para a
aldeia de sua esposa

É importante notar que sociedade matrilinear não se confunde com sociedadematriarca. Na sociedade
ou sistema matriarcoas decisões em família muitas vezes são da alçada do esposo de uma mulher e
seus irmãos, que desempenhao papel de guardião em sua vida. Estudos realizados em várias partes de
Moçambique e no vizinho Malawi mostram que, mesmo dentro do sistema matrilinear, a principal
unidade de produção é o lar conjugal. Embora o sistema de descendência matrilinear é predominante
na região norte, existem também comunidades patrilineares em algumas partes da província de Niassa,
isto porque durante os primeiros anos de independência, um número significativo de pessoas (maior
parte homens) provenientes do sistema patrilinear foram enviadas para Niassa em forma de brigadas
rurais para desenvolver a agricultura moderna na província. Um dos resultados é que se verifica uma
mistura decorrente de casamentos, o que origina uma mistura de normas culturais – algumas vezes
originado contradição - na negociação e tomada de decisões sobre direitos de terra e de herança no
nível da família. Este tipo de situação é bastante comum em partes de Moçambique, onde tem havido
níveis significativos de migração regional.

(4) Líderes Tradicionais

De acordo com a tradição, o Regulo é a pessoa que detém a liderança na maior unidade de território. A
autoridade é hereditária, sendo passada no seio da mesma família. Este estatutosó é herdado por um
membro do sexo masculino, na maioria dos casos, por um filho de suas irmãs (sobrinho). O líder
tradicional preservado a sua autoridade trabalhando como líder religioso, rituais tradicionais, e
arbitragem de questões da terra arbitragem em seu território. Os membros da comunidade fazem
consultas com o líder sobre várias questões que afectam suas vidas, incluindo terras, bem-estar e
harmonia na comunidade

O Regulo governa uma vasta área de sua jurisdição com ajuda de Cabos e Mwenes, como seus agentes.
Mwene, que significa "Senhor" ou "Rei" na língua local, originalmente se referia ao governante da
tribo, enquanto actualmente refere-se ao grau mais inferior de liderança. Tanto os Regulo quanto o
Cabo eram originalmente nomeados pela administração colonial Português como uma nova autoridade
a nível da aldeia. O Regulo tinha deveres enquanto nível mais baixo da administração colonial,
nomeadamente a cobrança de impostos e distribuição de terras agrícolas para as pessoas da
comunidade. Em alguns casos, o Mwene desempenhava cumulativamente a função de Regulo.
Historicamente, Cabo era uma posição mais recente do que Regulo, uma vez que o sistema de Cabo

3-24
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

foi introduzido para substituir o poder de Regulo. Essas três posições, ou seja, Regulo, Cabo e Mwene
foram misturados e incorporados no sistema social tradicional ao longo do tempo.

Após a independência, o governo no poder considerou que as autoridades tradicionais eram


antidemocráticas e injustas, e como tal deviam ser substituídos por um novo sistema. No entanto,
muitas pessoas nas zonas rurais continuam a respeitar as autoridades tradicionais, apesar de estarem a
perder influência sobre as comunidades em algumas zonas. Em 1995, os líderes tradicionais (Régulo,
Cabo e Mwene) pediram ao governo para restaurar a sua autoridade como líderes de sua comunidade
com todos os benefícios e direitos adquiridos durante o período colonial. Assim, a sua autoridade,
principalmente de Regulo, foi parcialmente restaurada, incluindo alocação de terras, a resolução de
disputas de terra e uso temporário da terra onde costumavam cultivar durante o período colonial.
Actualmente, os líderes tradicionais estão a ser reconhecidos como agentes que estabelecem a ponte
entre as pessoas da comunidade e governo.

(5) Comunidade Rural

Foram realizados Inquéritos comunitários em 2013 e 2014.44. Nestes inquéritos foram entrevistados82
produtores em quatro comunidades (Namitartar, Nacuia, Muwassiwa e Muassiquissa) em Rapale em
2013 e um total de 79 produtores em cinco comunidades-alvo, 14 na comunidade de Tuluco no distrito
de Mecuburi, 13 em Mucorro e 10 em Napai no distrito de Muecate e 17 em Lipuzia e 19 em Ngoma
no distrito Mamdimba, em 2014. Com base nos resultados, a tabela seguinte apresenta o panorama das
comunidades rurais na área de intervenção do projecto;

1) Características das comunidades

De acordo com o inquérito de 2013, o número de agregados familiares nas quarto comunidade varia de
968 a 3.120 conforme mostra a Tabela 3.2.13.
Tabela 3.2.13 Dimensão das Comunidades (Número de Agregados Familiares)

Nome da comunidade Namitartar Nacuia Muwassiwa Muassiquissa


Número de Agregados Familiares 1.180 1.845 3.120 968
Fonte: ProSAVANA-PEM

2) Características dos agregados familiares de Produtores nas Comunidades

O número médio de membros da família é de 6,3 pessoas por agregado familiar. O seu grupo étnico é
principalmente Makua nas 9 comunidades-alvo. Encontram se 9 Ajaus e 1 Lone nas duas comunidades
do distrito de Mandimba. 101 pessoas (65% dos entrevistados) nasceram na comunidade em que
vivem; isto significa que as restantes 60 pessoas (35%) mudaram-se para a comunidade vindo de
outras comunidades.

Em termos de ocupação, a maior parte dos entrevistados são principalmente agricultores com 1,5-3 ha
de terras de cultivo. Realizam a criação de animais de pequeno porte como galinhas e cabritos, mas

44
As baseline survey of Model 1 target communities for the Project for Establishment of Development Model at Communities’
Level with Improvement of Rural Extension Service under Nacala Corridor Agricultural Development in Mozambique
(ProSAVANA-PEM)

3-25
Versão Provisória - ANEXO

não se dedicam a criação de gado de grande porte. A taxa de alfabetização dos chefesdos agregados
familiaresé de 46%, sendo os seus níveis de educação correspondem ao ensino primário.

3) Produção Agrícola nas Quatro Comunidades em Rapale

Nas quatro comunidades em Rapale, seus principais produtos são mandioca, amendoim, milho, feijão
nhemba, arroz, feijão, sorgo e Gergelim. Gergelim e Sorgo são cultivados como culturas de
rendimento. Gergelim é produzido somente por produtoresdo sexo masculino. O sorgo é reconhecido
como um alimento básico e como cultura de rendimento comunidade Musasiwa.

Tabela 3.2.14 Número de produtores que produzem as Principais Culturas


(Unidade: Pessoas)
Namitartar Nacuia Muwassiwa Muassiquissa
Culturas Homen Mulher Homen Mulher Homen Mulher Homen Mulher
s es s es s es s es
Culturas Milho 14 10 4 5 8 5 3 -
Alimentares Mandioca 8 10 9 7 17 13 3 -
Amendoim 12 - 10 9 13 12 3 -
Arroz 8 2 6 7 4 5 - -
Feijão nhemba 6 8 6 8 - - - -
Sorgo - - - - 1 1 - -
Feijão - - - - 10 8 1
Culturas de Gergelim 5 - 1 - - - -
Rendimento Sorgo - 2 - 2 1 1 - -
Fonte: ProSAVANA-PEM

A Tabela 3.2.15 apresenta os legumes e frutas cultivadas em Namitartar e Nacuia. Os principais


legumes são tomate, pimenta, pepino, cenoura, cebola, repolho, beringela, alface, batata e couve.
Namitartar tem terras adequadas para o cultivo de hortícolas, por isso, vários entrevistados
(especialmente os homens) responderam que cultivam uma grande variedade de legumes em seus
campos de cultivo. Entretanto, em Nacuia, a terra é pouco adequada para o cultivo de legumes, por
essas razões, apenas metade dos entrevistados cultivam legumes.

Além disso, os vegetais são cultivados principalmente por produtores do sexo masculino. Apenas
algumas mulheres responderam que cultivam tomate, batata, cebola e couve. Manga, banana, limão,
laranja, caju, papaia e tangerina são as principais frutas nas comunidades alvo. Tanto homens quanto
mulheres produzem frutas.

Tabela 3.2.15 Número de produtores que cultivam legumes e frutas


nas comunidades de Namitartar e Nadia, em Rapale

(Unid: pessoas)
Namitatar Nacuia
Categorias Culturas
Homens Mulheres Homens Mulheres
Tomate 15 3 5 3
Pimenta 10 - 1 -
Pipino 5 - - -
Cenoura 2 - - -
Cebola 4 - 5 2
Legumes
Repolho 4 - 2 -
Beringela 1 - - -
Couve - 1 1 2
Alface - - 1 -
Batata - - - 3

3-26
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Manga 7 5 6 1
Banana 6 4 2 3
Limaão 3 2 2 1
Frutas Laranja 1 - 3 1
caju 3 5 2 2
Papaia - 1 - -
Tangerina 2 1 2 -
Fonte: ProSAVANA-PEM

4) Acesso ao Mercado e venda de produtos em Rapale,

De acordo com os resultados do inquérito, os produtores nas quatro comunidades em Rapale


obtêmrendimentos através da venda de produtos que produzem, incluindo legumes e frutas. Tanto os
homens quanto as mulheres participam da venda dos produtos, mas as mulheres passam o valor obtido
através desta actividade para os seus esposos, na qualidade de chefe do agregado familiar, de acordo
com as suas práticas habituais. Espera-se que o rendimento nas quatro comunidades deverá atingir
cerca de 4,000 a 5,500 MT por família por ano.

Os distritos de Namitatar, Manitartar e Muwassiwa estão localizados relativamente perto do mercado


central, na cidade Namplua, com uma distância média de 10 a 15 km. Portanto, os produtores destas
comunidades podemfacilmentese deslocar até esse mercado a pé ou de bicicleta algumas vezes por
semana. Além disso, os produtores de Namitartar e Muassiquissa podem vender seus produtos a um
preço mais elevado no mercado de Resta, localizado na intersecção entre as estradas principais.
Quando as mulheres deslocam-se aomercado, caminham até uma estrada principal onde pegam um
transporte semicolectivo (Shapa), pois não possuem meios de transporte pessoas como bicicletas ou
motorizadas.

Por outro lado, a comunidade Nacuia está localizada um pouco mais distante da cidade de Nampula
(cerca de 30 a 35 km do Mercado). Por conseguinte, os produtores de Nacuiavendem os seus produtos,
principalmente, na estrada ou num mercado local. A maioria dos produtores deste distrito também
vendeos produtos para o mercado central, de tal sorte que deslocam-se ao mercado uma vez por
semana. O principal meio de transporte é a bicicleta e o transporte semicolectivo.

A maioria dos entrevistados nas comunidades de Rapale apontou como desafios “a longa distância
para o mercado” e “o baixo preço dos produtos”. No caso dos produtores de Namitartar, a maioria dos
quais são homens e como tal dispõem de meios de transporte, refere que não está satisfeita com os
baixos preços de seus produtos, mas não menciona a distância. Estes apontam ainda como desafio a
escassez de destinos de vendas (ou compradores) de seus produtos. No entanto, para as mulheres o
desafio é a falta de vendedores no mercado local para seus produtos.

Nas outras comunidades nomeadamente, Tuluco, Mucorro, Napai, Lipuzia, e Ngoma, mais da metade
(59%) dos entrevistados deslocam-se para o mercado local (ao longo da estrada) e 23% dos
entrevistados para o mercado central em seu distrito a pé ou de bicicleta para a comercialização dos
seus produtos. Os restantes 18% dos entrevistados vendem os seus produtos para distribuidores
(intermediários privados).

3-27
Versão Provisória - ANEXO

5) Acesso e utilização de insumos agrícolas

Apenas 9% dos entrevistados usam insumos agrícolas comprados, principalmente sementes. Metades
dos entrevistados na comunidade de Namitartar, que estão mais próximos de Rapale, responderam que
compram sementes. Entretanto o número de produtores que utilizam os insumos agrícolas em outras
comunidades reduza medida que a distância entre a comunidade eo centro de Rapale aumenta. Eles
adquirem os insumos agrícolas em lojas na cidade de Nampula. No entanto, devido à longa distância
para as lojas e falta de transporte, a sua capacidade para adquirir os insumos é limitada. Os produtores
usam sementes que eles mesmo recolhem nos seus campos de produção ou recebem sementes de
outros produtores como forma de pagamento por trabalhos prestados em seus campos de produção.

No entanto, as suas técnicas de armazenamento para tais sementes recolhas dos seus campos de
produção as mais apropriadas, daí que são danificadas por pragas como gorgulhos, reduzindo assim as
suas taxas de germinação e originado rendimento são baixo.

6) Comunicação e Partilha de informação nas comunidades

Metade dos homens entrevistados troca e compartilha informações entre si, por outo lado a maioria
das mulheres não compartilha informações. Quando o SDAE realiza reuniões, apenas o líder da
comunidade e líderes de nível mais baixo da comunidade é que participam. Nas comunidades, são
realizadas reuniões comunitárias, mas a frequência e os conteúdos das mesmas são diferentes em cada
comunidade. Algumas comunidades organizam reuniões periódicas uma vez por mês, e outras uma
reunião em cada trêsou seis meses. Mas outras comunidades realizam muito poucas reuniões
aleatoriamente.

7) Partilha de papel entre homens e mulheres

De acordo com o resultado do inquérito sobre horários diários, os homens e as mulheres levantam-se
por volta das 3 a 4 de madrugada e iniciam as suas actividades agrícolas no campo de produção. As
mulheres interrompem o trabalho no campo e regressam a casa uma hora mais cedo do que os homens
para preparar o almoço. A maioria dos homens regressa a casa depois de concluir as suas actividades
agrícolas. Depois do almoço, a maioria dos homens usam o tempo para descansar, ouvindo orádio, ou
saem. Alguns dos homens retornam às actividades agrícolas ou realizam a produção carvão vegetal. As
mulheres dedicam-se a trabalhos domésticos, tais como limpeza da casa, lavar a roupa, buscar água,
ou cozinhar o jantar e, em simultâneo, tomam conta das crianças. As mulheres não têm tempo para
descansar. Na maior parte dos casos elas vão se deitar por volta das 20:00.

Em relação à divisão depapéis e partilha de actividades agrícolas, os homens fazem principalmente o


trabalho físico pesado e as mulheres são responsáveis por outros trabalhos incluindo os cuidados de
animais de pequeno porte. As actividades relacionadas com a comercialização e venda de produtos
estão sob alçada dos homens. As mulheres não podem aceder a quaisquer fundos, sem a permissão dos
homens.

3-28
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

8) Grupo de Mulheres

Em Namitartar existe um sistema de ajuda mútua tradicional dentro do grupo das mulheres. É
chamado de "Estiki" na língua Makua. Cerca de dez mulheres formam um grupo e os membros do
grupo contribuem 100 meticais por mês. Em seguida, um membro pode receber o dinheiro da
contribuição e usá-lo para suas necessidades. Não existem regras para a aplicação do dinheiro. Não e
trata de ajuda mútua para despesas inesperadas como custos associados a assistência médica.

(6) Residências

A maioria das famílias depequenos produtores nas zonas rurais vive em residências com cobertura de
palha e paredes exteriores de blocos de fabrico local, geralmente seco ao sol ou fabricado com lama.
Existem algumas casas com paredes externas de bambu trançado e feno, predominantemente com
chão de lama. Não há muita diferença no tamanho e qualidade das residências. Presume-se que o
padrão de vida seja similar entre as famílias. Observou-se que, mesmo nas zonas remotas, existe uma
instalação sanitária no fundo do quintal, fora da residência. Os agregados familiares são em média
constituídos de cinco ou seis membros.

(7) Materiais de Construção

Os materiais de construção de palhotas, a madeira necessária para a construção decabanas de trabalho,


cabanas agrícolas, assim como os materiais de construção de lojas simples estabelecidas ao longo das
estradas, são recolhidos nas machambas ou nas florestas próximas (floresta secundária/arbustos).A
relação dos habitantes locais com a floresta Miombo (floresta perene, seca, tropical, com folhas largas)
é tradicionalmente profunda, visto que a população retira a lenha que usa para confecção dos
alimentos, madeira para diversos fins nesta floresta. Realiza igualmente a caça nesta floresta. Em
particular, a floresta Miombo estende-se na parte oeste da Área de Estudo (parte oeste das províncias
de Nampula, da Zambézia e do Niassa).

(8) Fonte Primária de Energia Doméstica

A Tabela 3.2.16 mostra proporção da utilização das fontes de energia primária dos agregados
familiares nos distritos que compõem a área de estudo. Verifica-se que os distritos onde a lenha é a
fonte primária de energia são relativamente pouco desenvolvidos. Os distritos que têm uma elevada
dependência de lenha como fonte primária de energia são Lalaua, Mecubúri e Muecate, com 82.9%,
77.7% e 59.9%, respectivamente. Nos municípios de maior parte da população usa petróleo e seus
derivados (querosene, diesel e parafina) como principais fontes de energia. Outra grande fonte de
energia para as famílias nos distritos urbanos é a energia eléctrica (31,6% na cidade de Nampula e
24,2% em na cidade de Lichinga), o que mostra números mais elevados comparados com a zona
rural..

Tabela 3.2.16 Proporção da Fonte Primária de Energia dos Agregados Familiares


Petróleo/
Painel
Distritos cts Electricidade Gás querosene Vela Bateria Lenha Outro
Solar/
/etc.
Monapo 2,4% 0,1% 0,1% 62,7% 0,5% 0,6% 33,4% 0,3%
Muecate 0,2% 0,1% 0,1% 38,0% 0,8% 0,1% 59,9% 0,8%

3-29
Versão Provisória - ANEXO

Petróleo/
Painel
Distritos cts Electricidade Gás querosene Vela Bateria Lenha Outro
Solar/
/etc.
Mecubúri 0,7% 0,2% 0,1% 19,6% 0,6% 0,1% 77,7% 1,1%
Meconta 4,5% 0,1% 0,1% 59,1% 1,2% 0,2% 34,5% 0,5%
Mogovolas 2,0% 0,1% 0,1% 66,2% 0,3% 0,7% 29,3% 1,2%
Cidade de Nampula 31,6% 0,3% 0,1% 63,4% 2,7% 0,1% 1,5% 0,3%
Rapale (Nampula) 0,6% 0,1% 0,2% 57,1% 0,5% 0,7% 40,6% 0,3%
Murrupula 0,2% 0,1% 0,1% 38,2% 0,8% 0,7% 58,9% 1,2%
Ribáuè 3,0% 0,1% 0,0% 35,8% 1,3% 0,5% 58,2% 1,2%
Lalaua 0,4% 0,5% 0,0% 14,5% 1,1% 0,1% 82,9% 0,3%
Malema 2,1% 0,2% 0,2% 43,9% 1,4% 0,3% 51,4% 0,5%
Alto Molócuè 5,4% 0,2% 0,3% 30,5% 4,6% 0,3% 56,8% 1,9%
Gurué 3,3% 0,1% 0,2% 25,9% 11,7% 0,2% 56,3% 2,3%
Cuamba 6,3% 0,1% 0,2% 37,2% 7,0% 0,1% 48,1% 1,1%
Mecanhelas 0,4% 0,2% 0,2% 49,6% 3,5% 0,1% 44,7% 1,3%
Mandimba 2,8% 0,1% 0,3% 48,1% 4,3% 0,1% 44,0% 0,3%
Nguama 0,4% 0,2% 0,0% 74,7% 3,1% 0,0% 21,0% 0,6%
Majune 0,4% 0,4% 0,0% 59,0% 4,8% 0,1% 34,5% 0,7%
Cidade de Lichinga 24,2% 0,3% 0,1% 57,0% 15,4% 0,1% 2,7% 0,2%
Chimbonila (Lichinga) 0,6% 0,1% 0,0% 79,9% 1,8% 0,1% 16,9% 0,5%
Sanga 1,3% 0,1% 0,0% 84,7% 1,1% 0,1% 12,2% 0,4%
Fonte: Estatísticas dos Distritos 2012, INE,adaptado pela Equipa de Estudo

(9) Abastecimento de Água

As redes de abastecimento de água urbanas estão desenvolvidas nas cidades de Nampula, Cuamba,
Lichinga e em Gurué. Apenas a cidade de Nampula dispõe de água tratada e, nas outras cidades,
aplica-se cloro na água, como forma de a tratar. Nas sedes distritais existem pequenos sistemas de
abastecimento de água chamados PSAA (Pequenos Sistemas de Abastecimento de Água).

A principal fonte de água na zona rural são os poços com bomba manual. A taxa média de
abastecimento de água da população na Área de Estudo é de 53,2%. Cuamba, Malema e Ribáuè têm
uma grande taxa de abastecimento devido ao rico potencial do lençol freático.

Tabela 3.2.17 População Abrangida pelo Abastecimento de Água


Taxa de cobertura
Distrito População em 2011 Número de poços
(%)
Monapo 285.816 247 40,4%
Mecuenta 105.350 104 40,8%
Meconta 129.895 178 52,3%
Mogovolas 242.768 175 36,1%
Nampula 243.908 135 23,4%
Murrupula 140.685 200 60,0%
Ribáuè 156.754 291 79,9%
Malema 126.408 236 96,7%
Subtotal/Média de Nampula 1.431.584 1.566 49,1%
Alto Molócuè 247.614 280 56,7%
Gurué 171.265 190 55,5%
Subtotal/Médiade Zambézia 418.879.0 470.0 56,1%
2) Mandinba 138.673 161 48,8%
3) N’Guama 81.314 99 45,4%
4) Lichinga 110.703 171 68,2%
Subtotal/Médiade Niassa 454.327 681 64,4%
Total Geral / Média 2.315.745 2.247 53,2%
Fonte: Direcção de Obras Públicas nas 3 províncias

3-30
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(10) Comunicação

A taxa de disseminação das linhas de telefone fixo é similar a da energia eléctrica.Todasede distrital
dispõede linha fixa, mas nenhum posto administrativo dispõe de linha fixa, excepto Nampula e seus
arredores. Por outro lado, a rede de telefonia móvelestá bem desenvolvida em Moçambique. Existem
actualmente três empresas de telefonia móvel. A Movitel, a última empresa a iniciar seus serviços em
2010, está a se expandir rapidamente na zona rural.

As taxas de acesso à informação em 2010 ultrapassavam 50% para a radio, 10% para a televisão e
2,8% para internet. Nas zonas rurais a taxa de expansão e penetração desses meios de comunicação é
baixa devido a atrasos na expansão rede eléctrica para essas zonas. Entretanto, a taxa de cobertura e
expansão das redes móveis era relativamente alta, situando-se nos 27%45. Desde essa altura, o uso do
telemóvel aumentou rapidamente, e recentemente em 2014, a taxa de utilização do telemóvel chegou a
69,7% de expansão.Entretanto a taxa de expansão do uso da internet permanecebaixa situando-se nos
5,9%,46.

(11) Fornecimento da Energia Eléctrica

A principal fonte da energia Tabela 3.2.18 Electrificaçãodos Postos Administrativos na


eléctrica nacional em Moçambique Área de Estudo
Descrição complementar
é a Hidroeléctrica de Cahora Bassa Nº de Sem
Província Conectados Energia
(doravante denominada HCB). P/A Geradores Energia
à rede Solar
Eléctrica
Todas as sedes distritais na Área de Nampula 34 25 1 4 3
Estudo estão ligadas à rede eléctrica Niassa 11 3 3 1 4
nacional, com excepção de Nguama Zambézia 5 3 2 0 0
Fonte: Entrevista de Estudo, levada a cabo pela Equipa de Estudo
na província do Niassa. O distrito
de Nguama tem um gerador, avariado desde 2010. Com relação à electrificação dos postos
administrativos na Área de Estudo, 70% deles na província de Nampula estão ligados à rede nacional.
Entretanto, nenhum Posto Administrativo, com excepção da sede distrital, está ligado à rede nacional
no Niassa. Embora a electricidade chegue aos distritos ou aos Postos Administrativos, sua área de
abrangência é limitada. Além disso, mesmo que a electricidade não chegue ao Posto Administrativo,
alguns centros de saúde e/ou escolas têm sistema individual de energia solar.

3.3 Uso e Ocupação de Terra


3.3.1 Situação Actual do Uso da Terra
O Sistema de Classificação da Ocupação Cobertura da Terra (LCCS) da FAO/UNEP define a
ocupação de terra como sendo as “características (bio)físicas que podem ser observadas na superfície
da Terra”(Di Gregorio e Jansen, 2000). Omapa de ocupação da terra fornecido pela "Avaliação
Integrada da Floresta de Moçambique" (AIFM) em 2006é formulado principalmente com base em

45
Meio Financeiramente Viável enos mercados Emergentes e em DesenvolvimentoAgência Sueca de Cooperação para o
desenvolvimento(SIDA), 2011
46
União Internacional das Telecomunicações( ITU) –Estatísticas da Tecnologia da Informação e Comunicação(IC)

3-31
Versão Provisória - ANEXO

imagens LANDSAT tiradas em 2004 para avaliar o potencial de terras agrícolas. A classificação de
ocupação da terra neste mapa segue a classificação do LCCS.

A classificação da ocupação da terra do mapa é descrita na tabela a seguir:

Tabela 3.3.1 Agrupamento da Classificação da Ocupação da Terra.


*1
Grupos Classificação da ocupação da terra no Mapa
Área cultivada Plantação de culturas arbóreas / Floresta, culturas arbustivas, as culturas
de campo.
Agricultura de subsistênciacomzona de floresta aberta a floresta fechada,
Zonas de floresta aberta com agricultura de subsistência.
Pastagem e arbustos Bosque cerrado, terras arbustivas, terras de pastagem
Floresta Floresta sempre verde, floresta decídua, Floresta Primária, Floresta de folha
caduca
Outros Áreas alagadas e aquáticas (áreas aquáticas ou regularmente inundadas
cultivadas, Mangal denso, florestas aquáticas ou regularmente inundadas,
arbustos aquáticos ou terrestres regularmente inundados, vegetação
herbácea aquática ou regularmente inundado)
Áreas construídas, áreas nuas, massas de água artificiais
Corpos de água naturais
*1: Interpretação de imagens de satélite do tipo de ocupação da terra nas províncias de Manica e Maputo em escala nominal
de 1:250.000 e a nível nacional na escala nominal de 1:1.000.000, Relatório Técnico, Fevereiro de 2006
Fonte: A Equipe de Estudo

A Figura 3.3.1 mostra a classificação da terra agrícola. Área cultivada neste relatório refere-se a área
preenchida por culturas, árvores e plantações arbustivas.

As terras agrícolas incluem área cultivada, pastagens e terras de Terra Agrícola


Pastos(incluindo mato e
pousio do sistema do cultivo extensivo predominante (queimada e arbustos)
agricultura de subsistência). O cultivo extensivo é um tipo de Terra Agrícola
agricultura comum na área de estudo no qual é difícil estimar o Agricultura de
valor efectivo da área. A área das extensas lavouras de cultivo e Área subsistência

árvores predominantes às vezes é difícil de distinguir. Preenchida Àrvores &


por culturas culturas
As Tabela 3.3.2 e a Figura 3.2.2 ilustram a situação do uso da terra arbustivas

na Área de Estudo e foi estimada usando o mapa de uso do solo da Figura 3.3.1 Classificação
AIFM na escala 1:1.000.000. da Terra Agrícola

Tabela 3.3.2 Uso do Solo na Área de Estudo (19 distritos)


Classificação do uso do solo Área (000ha) Parte (%)
1
Terra agrícola Área com cultivos* 3.745 35
*2
Pastagem 1.070 10
Terra agrícola total 4.815 45
Florestas 5.778 54
Outros 107 1
47
Área Total 10.700 100
*1 Área com cultivos: Esta classificação inclui área com culturas, área de cultivo de subsistência e área de
silvicultura no mapa de uso do solo do AIFM
*2Pastagem : Nomeadamente Bosque cerrado, terras arbustivas, terras de pastagem.
Fonte: Equipa de Estudo (Estimado com base no mapa de uso do solo na “Avaliação Integrada nas Florestas
de Moçambique”, MINAG, 2006)

47
A área total abrange os distritos de Monapo, Muecate, Meconta, Mogovolas, Cidade de Namupula, Nampula, Murrupula, Ribáuè,
Malema, Alto Molócue, Grue, Cuamba, Mandimba, Nguama, Cidade de Lichinga e Lichinga.

3-32
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Fonte: Mapa de uso do solo na escala 1:1.000.000 da Avaliação Integrada nas Florestas de Moçambique
Figura 3.3.2 Uso do Solo na Área de Estudo

3.3.2 Área Ocupada por Produtores Locais, Concessões e DUAT


A terra de pousio do cultivo extensivo predominante inclusive a área de agricultura de subsistência é
estimada em cerca de 3.743.000 ha. Presume-se que a terra em pousio seja duas ou três vezes mais do
que a área cultivada. De acordo com o mapa detalhado de ocupação e uso da terra elaborado pelo
consultor que está a implementar o Projectoda Componente da Terra financiado pelo Millennium
ChallengeAccount Moçambique, a terra agrícola, incluía a terra de pousio estima-se que seja cerca de
2,5 vezes da área cultivada. Por outro lado, na zona com elevada densidade populacional, como o
distrito de Monapo, os produtores não usam o cultivoextensivopredominantedevido ao espaço limitado.
A área do cultivoextensivopredominantepode variar em resposta à densidade populacional.
Áreas consideráveis são também ocupadas por zonas protegidas e áreas registadas (concessões e
DUATs). As zonas que compõem estas áreas na Área de Estudo (19 distritos) são ilustradas na Figura
3.3.3 e Tabela 3.3.3.

3-33
Versão Provisória - ANEXO

Figura 3.3.3 Distribuição da Área de Concessões e DUATs

Tabela 3.3.3 Área inactiva, Área de Concessão e DUAT (19 distritos da Área de Estudo)
(000 ha)
Área Concessão DUAT
Concessão DUAT DUAT *3
protegida e florestal e Desconhe Outros Total
*1 Mineira agrícola Comunitário *2
inactiva DUAT cido
2.728 424 911 201 245 291 87 4.887
Fonte: DNTF e três Províncias
*1: A Área protegida inclui parques nacionais, reserva florestal, caça, exploração selvagem. Área inactiva significa terra
inadequada para a agricultura, incluindo a área cuja inclinação do terreno é acima de 15% ea área que tem solo
impróprio para a agricultura
*2: DUAT Desconhecido significa o DUATque não estáregistadopara o uso da terra na base de dados provincial.
*3: Outros inclui Industrias, DUATs de residências e etc.

Ao requerer um DUAT, deve-se evitar a atribuição de DUATs para áreas tidas como áreas protegidas,
concessões mineiras/florestais e outras

3.3.3 Condições Actuais das Comunidades em Relação ao Uso da Terra, Rios e


Estradas
A Figura 3.3.4 mostra a ocupação da terra em volta das comunidades e a localização das comunidades
em relação à distância de rios e estradas, cujas situações por distritos são avaliadas nas seguintes
secções.

3-34
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Fonte: Equipa do Estudo (Os dados originais do mapa de ocupação da terra (1:1.000.000) doAIFM na DNTF, pontos da vila
de Iniciativa de Desenvolvimento Especial, cursos dos rios, e linha feira de CENACARTA, e estrada
daAdministração Nacional de Estradas(ANE))
Figura 3.3.4 Ocupação da Terra em Torno das Comunidades e Localização das Comunidade em
Relação a Distância dos Rios e Estradas

(1) Ocupação da Terra em Volta de Rios e Comunidades

A Tabela 3.3.4 mostra a classificação do distrito em relação a ocupação da terra em volta de rios.
Omapa de SIG a seguir mostra a situação do comprimento do rio pela classificação da ocupação da
terra de cada região. A ocupação da terra em torno do curso dos rios varia de florestas à terra cultivada
de acordo com o local de deslocamento de oeste para leste. A situação da área de floresta será
discutida com exactidão em (4) desta secção.

Tabela 3.3.4 Classificação dos Distritos por Ocupação de Terra em Volta dos Rios
Distritos Ocupação da terra em volta de rios perenes
Monapo A maioria das áreas das margens de cursos de rios perenes é
coberta por áreas cultivadas
Muecate, Mogovolas, Nampula, Alto Mais de 60% das áreas nas margens de cursos de rios perenes
Molócuè, Mecanhelas, Mandimba são áreas cultivadas
Mecubúri, Murrupula, Ribáuè, Lalaua, Quase a metade das áreas em volta de cursos de rios perenes
Malema, Gurué, Nguama são cobertos por áreas cultivadas
Meconta, Cuamba, Lichinga, Sanga Mais de 60% das áreas ao redor de rios perenes são cobertos por
florestas, terras grama, arbustos e matagais.
Majune A maioria das áreas em torno de rios perenes é coberta por
florestas
Fonte: Equipa de Estudo

A Tabela 3.3.5 mostra a classificação dos distritos por ocupação de terra em volta das comunidades. O
número de comunidades por ocupação de terra de cada distrito foi identificado a partir do mapa de
SIG. A ocupação de terra em volta das comunidades também varia de florestas para áreas de cultivo,

3-35
Versão Provisória - ANEXO

de acordo com a localização do movimento de oeste para leste. A Tabela 3.3.5 também mostra que
muitas comunidades estão localizadas nas zonasflorestais. Nessas áreas, as zonas florestais enfrentam
o perigo do desnatamento pelas actividades humanas.

Tabela 3.3.5 Classificação dos Distritos por Ocupação de Terra em Volta das Comunidades
Distritos Ocupação de terra em volta das comunidades
Monapo, Muecate, Mogovolas, Elevada concentração de áreas cultivadas e com residências (ou
Nampula, Ribáuè, Alto Molócuè, quase toda a área em torno das comunidades são cultivadas e
Cuamba, Mandimba, Monapo construções)
Mecubúri, Murrupula, Lalaua, Gurué, As comunidades estão a se expandir para zonas de floresta, terras
Mecanhelas, Lichinga, Sanga arbustivas, terras de pastagem
Meconta, Malema, Nguama, Majune Muitas comunidades estão localizadas nas áreas cultivadas e florestas
Fonte: Equipa de Estudo

(2) Localização das Comunidades em Relação à Distância de Estradas e Rios

A Tabela 3.3.6 mostra a classificação dos distritos em relação à percentagem de comunidades


localizadas perto de estradas. Esta classificação permite ter-se uma ideia na análise sobre a prioridade
de desenvolvimento de estradas rurais.

Tabela 3.3.6 Classificação dos Distritos em Relação as Comunidades Próximas das Estradas
Percentagem das
Distritos cts comunidades localizadas Principais obstáculos
perto das estradas *
Meconta, Cuamba, Lichinga, Sanga Alta
Mogovolas, Nampula, Murrupula, Ribáuè,
Lalaua, Malema, Alto Molócuè, Mandimba, Média
Nguama, Majune
Monapo, Muecate, Mecubúri, Gurué, Necessidade de
Mecanhelas Inferior a 50% construção de estradas
rurais
*: Dentro do 2 km a partir da estrada

A Tabela 3.3.7 mostra a classificação dos distritos em relação à percentagem de comunidades que se
localizam perto de rios. Malema, Cuamba e Lichinga têm muitas comunidades próximas aos rios.
Estes distritos têm potencial para o desenvolvimento da irrigação utilizando água do rio

Tabela 3.3.7 Classificação dos Distritos em Relação as Comunidades que se Localizam Próximo
de Rios
Percentagem das
Potencialidades e
Distritos comunidades localizadas
fraquezas
próximo de rios *
Potencial para o
Malema, Cuamba, Lichinga Alta desenvolvimento da
irrigação
Monapo, Muecate, Mecubúri, Mogovolas,
Nampula, Murrupura, Alto Molócuè, Gurué, Média
Mecanhelas, Mandimba
Meconta, Lalaua, Nguama, Majune, Sanga Inferir a 50%
*: Dentro de 2 km a partir dos rios

A classificação dos distritos em relação às comunidades próximas a estradas e rios é igualmente feita
no mapa SIG. Os distritos de Lichinga e Cuamba apresentam altas taxas de comunidades localizadas
perto de estradas e rios. Estes distritos têm alto potencial para a produção de hortaliças com água

3-36
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

proveniente de sistemas de irrigação. Por outro lado, Malema tem altas taxas de comunidades
próximas aos rios, mas longe de estradas. Neste distrito, é necessária a construção de estradas rurais.

3.3.4 Situação Actual de Florestas

(1) Distribuição Florestal

Verifica-se uma tendência geral de diminuição da cobertura florestal correspondente ao aumento da


densidade populacional. À luz da Figura 3.3.5, olhando para a Área de Estudo a partir de sua parte
ocidental em direcção a leste, algumas relações típicas entre localização geográfica de florestas, as
comunidades e os cursos dos rios são descritas da seguinte maneira:

 Nos distritos de Lichinga e N'Gauma, os rios perenes ainda são cercados por grandes florestais,
mas existe um número considerável de comunidades no interior ou à beira das florestas.

 Nos distritos de Cuamba e Gurué, as florestas em torno de rios perenes estão a reduzir
significativamente, sendo substituídas pelas terras de pousio ou por campos agrícolas.
Verifica-se uma tendência de localização de comunidades nos campos agrícolas, bem como no
interior das florestas.

 Nos distritos de Alto Molócuè Murrupula as florestas são mais fragmentadas devido ao cultivo
extensivo predominante ao longo dos rios perenes. As comunidades estão concentradas nas
zonas de agricultura, bem como em áreas arbustivas ou de pastagens.

 Nos distritos de Muecate e Monapo rios perenes correm principalmente através de campos
agrícolas e têm pouca interacção com a floresta. As comunidades estão igualmente
concentradas em campos agrícolas

A aparente invasão das florestas que ainda existem pelas comunidades, na parte ocidental e central da
área de estudo, bem como a fragmentação das florestasa montante das bacias de rios perenes na parte
central e leste da área de estudo, são factores particularmente preocupantes para o desenvolvimento
sustentável do Corredor de Nacala.

3-37
Versão Provisória - ANEXO

Fonte: A equipa do estudo (Mapa original de ocupação da terra do AIFM, rios de CENACARTA, a
localização das aldeias da Iniciativa de Desenvolvimento Espacial)
Figura 3.3.5 Localização Geográfica de Florestas, Comunidades e Rios Perenes

(2) Restrições na Transformação da Floresta em Terra Agrícola

É importante perceber que, em Moçambique, as florestas naturais são protegidas por diferentes
instrumentos jurídicos (Tabela 3.3.8), especialmente tendo em conta a dependência das comunidades
rurais dos recursos florestais, tais como lenha, carvão, madeira, fibras, plantas medicinais, carnes de
caça, mel, etc. para a sua subsistência. Segundo estimativas oficiais, 80% da energia consumida em
Moçambique é originada a partir da biomassa, como lenha ou carvão48,49 e quase 80% da população
rural depende de carne de caça e peixes das zonas interiores como principal fonte de proteína animal50.
As florestas são igualmente culturalmente importantes para as comunidades tradicionais como áreas
sagradas, local para a prática de ritual ou cemitérios.

48
O consumo anualper capitadelenha e carvão vegetalé estimado em695e1.360(madeira seca ao arkg/pessoa/ano)para os
residentes das zonas rurais (todas as pessoas) eresidentes das zonas urbanas(limitado ausuáriosde lenha), respectivamente.
(Componenteda Lenha dp AIFM energia, projecto de relatóriofinal,MASA2008)
49
Estratégia de Reflorestamento, MINAG, 2009
50
Alimentos e Estratégia e Plano de Acção para Segurança nutricional, SETSAN, 2007

3-38
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.3.8 Quadro Legal para a Protecção da Floresta


Instrumento Legal Disposições
Lei da Floresta e  Os recursos florestais e recursos faunísticos são propriedade do
Fauna Bravia Estado.
(Lei nº.10/99)  Os parques nacionais, reservas nacionais, zonas de tampão e zonas
de interesse histórico valor cultural estão protegidas. A maioria das
Regulamento da actividades humanas, bem como aquisição de DUAT é proibida ou
Floresta e Fauna estritamente restrita, excepto para os direitos de acesso das
Bravia comunidades tradicionais.
(Decreto nº.12/2002)  A exploração dos recursos florestais requer "licença simples" ou
"contrato de concessão florestal ', excepto para a exploração habitual
pelas comunidades para autoconsumo
 A derrubada de florestas requer nenhuma objecção dos titulares do
MICOA e DUAT, após a autorização pelos SPFFB, o desflorestamento
não pode ser impedida pelo MICOA ou DUAT
 A queimada da floresta é severamente punida, com excepção de
casos devidamente autorizados.
 A degradação florestal delibera da floresta deverá ser restituída pelo
infractor
Regulamentos  As seguintes actividades são classificadas na categoria A, que exige
processo de AIA um AIA completo para obtenção da licença ambiental:
(Decreto nº.45/2004) - Recuperação, parcelamento e exploração da cobertura vegetal nativa
numa área indivíduo ou cumulativa superior a 100 ha;
- Desflorestamento acima de 50ha.
Lei de Ordenamento  Plano Distrital do Uso da terra (PDUT) estabelece que devem ser
Territorial observadas não só a estrutura espacial, mas também as normas e
(Lei nº.19/2007) regras para a sua materialização. O PDUT pode ser alterado, revisto
ou suspenso se julgar necessário
Regulamento de  Os cidadãos devem respeitar o PDUT com responsabilidade
Ordenamento ambiental. Qualquer licença, trabalho ou uso da terra que não de
Territorial encontro com o PDUT é punido, e tais obras podem ser encerrados ou
(Decreto nº23/2008) demolidas.
 Desapropriação da terra para o interesse, necessidade ou utilidade
pública de acordo com PDUT pode ser justificada e acompanhada por
uma compensação adequada.
Ratificação do  Os estados-membros devem adoptar, reforçar e implementar as
Protocolo da SADC seguintes medidas:
sobre Actividades - Controlo das actividades humanas que podem ameaçar as florestas,
Florestais incluindo o uso não sustentável da terra ou recursos naturais;
(Resolução nº1/2009) - Implementação de estratégias de conservação da florestal.
Fonte: Equipa de Estudo

Apenas alguns distritos da área de intervenção do programa possuem Planos Distritais do Uso da Terra
(PDUTs) ratificados. No entanto, é importante realçar que todos os PDUTs ratificados propõem um
aumento da cobertura florestal, ou pelo menos a manutenção de áreas florestais actuais. O tempo de
validade legal dos PDUTs é de 10 anos.

Embora ainda não existam estratégias oficiais da conservação de florestas em Moçambique, a nível
nacional, provincial ou de bacias hidrográficas, a DNTF, está actualmente a realizar dois importantes
estudos: “Plano Nacional de Florestas" e "Estudo sobre a Transformação de Florestas Naturais em
Plantações”, os quais deverão ser publicados em breve. De acordo com algumas entrevistas realizadas
com funcionários da DNTF, a transformação de florestas naturais em terras agrícolas foi considerada
inviável, pois todas as florestas naturais devem ser protegidas para futuras concessões florestais ou
transformados em potenciais plantações de árvores.

3-39
Versão Provisória - ANEXO

Iniciativas recentes do Governo com vista a criação e restauração de floresta, como a Estratégia para
Reflorestamento (MINAG, 2009), Programa Florestal Comunitário (MICOA, a partir de 2010) e de
REDD: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (MINAG / MICOA, está a ser
elaborado um decreto especial desde Outubro de 2012) indicam apoio para a conservação da floresta e
restringem o desmatamento indiscriminado dando lugar ao uso da terra para outros fins.

Tomando em consideração todos os factos e argumentos descritos acima, as sugestões conclusivas do


Plano Director de Prosavana sobre das zonas de floresta são as seguintes:
 Deve-se evitar a destruição de florestas para fins de agricultura comercial em grande escala.
 Se for inevitável e devidamente justificável para o desenvolvimento da agricultura de pequena
e média escala, o desmatamento pode ser autorizado a nível mínimo, sendo que os impactos
negativos devem ser devidamente mitigados ou compensados

3.3.5 Plano Distritaldeuso de Terra (PDUT)


O PDUTestabelece a estrutura espacial do distrito bem como as normas e regras a serem observadas.
Os cidadãos moçambicanos, bem assim qualquer investidor, são obrigados a respeitar o PDUT com
responsabilidade ambiental. Qualquer licença, obras ou uso da terra que atenta sobre os preceitos do
PDUT serão punidos e sujeitos a multas, e essas obras podem ser compulsoriamente terminadas ou
removidas pela autoridade. Os PDUTs são válidos por 10 anos e podem ser alterados, revistos ou
suspensos quando tal se justificar.

Apenas 6 (seis) municípios na Área de Estudo possuem PUDT ratificado. Os outros distritos estão a
finalizar ou vão começar a sua elaboração. Ver a Tabela 3.3.9.

Tabela 3.3.9 Ponto de Situação em Relação aos PDUTs por Distrito


Província Distrito Ponto de situação do PDUT em Abril de 2013
Nampula Monapo Ratificado: Efectivo até 2022
Muecate Finalizado e submetido ao Distrito
Mecubúri Finalizado e submetido ao Distrito
Meconta Finalizado e submetido ao Distrito
Mogovolas Ratificado: Efectivo até 2021
Nampula (Rapale) Finalizado e submetido ao Distrito
Murrupula Ratificado: Efectivo até 2021
Ribáuè Finalizado e submetido ao Distrito
Lalaua Finalizado e submetido ao Distrito
Malema Finalizado e submetido ao Distrito
Zambézia Alto Molócuè Ratificado: Efectivo até 2020
Gurué Processo de início da elaboração a partir de 2013
Niassa Cuamba Ainda não iniciou
Mecanhelas Processo de início da elaboração a partir de2013
Mandimba Processo de elaboração a partir de 2013
Nguama Ainda não iniciou
Majune Ratificado: Efectivo até 2022
Lichinga (Chimbonila) Ainda no processo de Finalização
Sanga Ratificado: Efectivoaté2022

É importante realçar que todos os PUDTs propõem aumento da cobertura florestal, ou pelo menos a
manutenção de áreas das florestas existentes (Figura 3.3.6).

3-40
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Distrito de Murrupula Distrito de Monapo

Distrito de Alto Molócuè Distrito de Mogovolas


Fonte: Equipa de Estudo (cortesia do Direcção Nacional de Planeamento e Ordenamento Territorial (DNAPOT)-MICOA)
Figura 3.3.6 Exemplos de PDUT

3.4 Descrição das Tendências para o Desenvolvimento Provincial


e Distrital
O governo de Moçambique está a promover gradualmente a descentralização com a assistência de
doadores; a administração e a organização política ainda estão centralizadas. As políticas e os planos
de desenvolvimento são determinados pelo governo central. Um Governo centralizado apresenta
limitações no que tange a compreensão dos problemas de pobreza nas zonas rurais e a implementação
de medidas efectivas para colmatar os referidos problemas. Para a implementação de uma política
efectiva de desenvolvimento, é preciso acelerar ainda mais a descentralização.

3.4.1 Estrutura Administrativa

(1) Políticas de Descentralização

Moçambique está a promover a descentralização de forma gradual desde 2004, através de leis como as
seguintes:
- Lei nº 8 sobre os órgãos administrativos descentralizados do Estado a nível local de 19 de
Maio de 2003 (LOLE: Lei dos Órgãos Locais do Estado).
- A Constituição da República de Moçambique de 2004

3-41
Versão Provisória - ANEXO

- Decreto nº 11 que regula a Lei sobre descentralização dos Órgãos Administrativos do Estado, a
nível local, de 10 de Junho de 2005.
- Decreto nº 6 sobre a Estrutura Orgânica dos Governos Distritais de 12 de Abril de 2006; e
- Pacote Autárquico que consiste nas Leis nº. 2 sobre o Quadro Legal para os Municípios, de 18
de Fevereiro de 1997; Nº 11 sobre Finanças e bens dos Municípios, e Nº 8 sobre a Organização
e Funcionamento da Cidade de Maputo, datados de 31 de Maio de 1997.

LOLE (Lei n.º 8/2003;Lei dos Órgãos do Estado) Em matéria de desenvolvimento, a unidade
administrativa básica em Moçambique é representada pelo distrito e os seus planos de
desenvolvimento e orçamento devem estar alinhados aos planos nacionais de desenvolvimento e
orçamento. Os planos de desenvolvimento são preparados pelos governos distritais e os conselhos
municipais são responsáveis pela implementação e monitoria dos projectos, bem como a estruturação
de um sistema que permite a participação directa da população local.Com esta Lei e os Decretos
seguintes, os distritos se tornaram os centros de planificação e da implementação, embora a orientação
metodológica/técnica seja dada pelos respectivos ministérios através do governo provincial.

O PARPA II promove a descentralização concentrando-se no desenvolvimento baseado no distrito. Um


dos três pilares do PARPA II é o pilar da boa governação, que consiste na promoção de reformas do
sector público sobre a descentralização e desenvolvimento baseado no distrito. Os distritos são
unidades chaves uma vez que é no distrito que os planos distritais de desenvolvimento são formulados
e espera-se que se tornem os centros da planificação e implementação. As direcções provinciais dos
ministérios sectoriais fazem a gestão e controlo dos fundos alocados a partir dos ministérios centrais.

Como forma de materializar a descentralização, em 2006, o governo lançou um esquema que consiste
na atribuição de fundos de desenvolvimento discricionário anual (FDDs) ao distrito. Esse esquema
vulgarmente conhecido como “sete milhões”, visto que o financiamento concedido a cada distrito é de
cerca de 7 milhões de MT. O valor atribuído a título de empréstimo a indivíduos ou grupos com
projectos viáveis que irão criar empregos e impulsionar a produção de alimentos. Os mutuários devem
amortizar o empréstimo para que o FDD, pois este fundo é rotativo, devendo ser emprestando a novos
candidatos, sem a necessidadeaumentos constantes provenientesdo orçamento do Estado. Na prática,
porém, a maioria dos beneficiários deste financiamento em todo o país ainda tem dificuldades em
amortizar o valor do empréstimo. Entretanto, devido à insuficiência de capacidade administrativa nos
distritos, aliada àcom falta de recursos humanos, tecnologia e experiência, os distritos não cumpriram
seu papel conforme se esperavamo esperado.

(2) Organização Administrativa do Governo Local

Moçambique é composto por dez províncias e uma Cidade capital com estatuto de província. As
províncias são subdivididas em 128 distritos, e estes divididos em 405 Postos Administrativos. Os
postos administrativos são divididos em Localidades, o menor nível geográfico da administração
central do estado. Desde 1998, foram criados43 Municípios, 10 dos quais foram criados em Abril de
2008. Estes, encontram-se no mesmo nível administrativo que o distrito.

As províncias são governadas por um Governador, nomeado pelo governo central ou seja pelo
Presidente da República, ao invés de ser eleito pelos moradores da província. Os Directores

3-42
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Provinciais coordenam os orçamentos de cada sector dos órgãos do governo central; o governo
provincial tem orçamento e autoridade limitados. Isto ocorre de maneira similar nos níveis inferiores
de governo, como nos distritos.
Central
O Governo Central, na pessoa do Government President
Ministério da Administração
Estatalnomeiao Administrador do Distrito
Minister Minister Minister Minister Minister Minister
a quem cabe liderar os destinos do distrito.
O posto Administrativo é chefiado pelo Representing

chefe do posto administrativo e a Provincial


Government
localidade é igualmente chefiada pelo Governor

chefe da localidade. Os chefes dos postos


administrativos e das localidades são Director Director Director Director Director Director
designados pelo governador provincial e
Representing
nomeados pelo administrador,
District
respectivamente. Em Moçambique, a Government Administrator
localidade é o nível mais baixo da
representação do estado a nível rural.
Director Director Director Director
Na política de descentralização, os
departamentos sectoriais das províncias Administration Posts
estão sob a orientação do Governador na
política administrativa, mas estão Localities

tecnicamente sob a supervisão dos Villages


ministros sectoriais. No Governo Distrital,
não existe uma secção correspondente a Figura 3.4.1 Estrutura Administrativa do
Governo Local
cada departamento do sector nos Governos
provincial e central. No caso da agricultura, os Serviços Distritais das Actividades Económicas
(SDAE) é a entidade responsável no Governo Distrital, zelando por vários sectores (isto é, agricultura,
comércio indústria, pescas, meio ambiente e turismo). O nível central ainda exerce uma grande
influência sobre os governos distritais tal como sucede com o governo provincial.

Na época do regime colonial português, quando um povoado fosse urbanizado passava a se chamar
vila e cidade. Com o estabelecimento do sistema municipal em 1998, todas as cidades foram
transformadas em municípios, juntamente com 10 vilas, seguidas de mais 10 vilas em 2008. Além
disso, o sistema de administração municipal foi introduzido na governação local e os municípios
ganharam um poder e autonomia significativos.

(3) Divisão Administrativa da Área de Estudo

A Área de Estudo é composta por três províncias, que por sua vez são compostas por 19 distritos. As
divisões administrativas abaixo do distrito são descritas na Tabela 3.4.1.

3-43
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.4.1 Divisão Administrativa da Área de Estudo


Distrito *1 Postos Administrativos*2 * Nº de
(Nº de Postos Administrativos) (Nº de Localidades) comunidades
Província de Nampula
Itoculo(2), Monapo(2), Netia* Município de Monapo
1) Monapo (3) 205
(povoação) (1)
2) Muecate (3) Imala (1),Mucoluone (1), Muecate (2) 64
3) Mecubúri (4) Namina (2), Mecúbri-Sede(5), Muite(2), Milhana(2) 112
4) Meconta (4) 7 de Abril(1), Corrane(3), Meconta(1), Namialo(1) 112
5) Mogovolas (5) Calipo (1), Ilute(1), Muatua(1), Nametil(1), Nanhupo Rio (1) 190
6) Rapale (Nampula) (4) Anchilo(5), Mutivaze (1), Namaita (1), Rapale (3) 103
7) Murrupula (3) Chinga (1), Murrupula (3), Nehessine (1) 97
Chinga (1), Iapala (1), Ribáuè (2),* Município de Ribáuè
8) Ribáuè (3) 94
(povoação)
9) Lalaua (2) Lalaua(2), Meti(2) 47
10) Malema (3) Chihulo (1), Malema (4), Mutuali (2) 92
Província Total(34) (61) 1.116
Província da Zambézia
1) Alto Molócuè (2) Alto Molócuè (9), Nauela (2) 135
2) Gurué (2) Lioma (5), Mepuagiua (5), * Município de Gurué (cidade) 69
Província Total (4) (21) 204
Província do Niassa
1) Cuamba (2) Etarara (2), Lúrio (3) 100
2) Mechanhelas (2) Mecanhelas (3), Chiuta(2) 48
3) Mandinba (2) Mandimba (2), Mitande (1) 109
4) Nguama(2) Itepela(1), Massangulo(2) 71
5) Majune (3) Majune(1), Muaquia(1), Nairrubi(1) 38
6) Chimbonila (Lichinga) (3) Chimbonila(4), Lione(1), Meponda(1) 67
7) Sanga (4) Sanga(1), Sanga(1), Macalonge(1), Matchedje(1) 47
ProvínciaTotal(18) (29) 480
Total Geral das três Províncias
(111) 1.800
(56)
Fonte: *Local village point data with population by ANE, 2007

(4) Participação Comunitária e Líderes Tradicionais

Os chefes dos postos administrativos e das localidades são funcionários administrativos nomeados
pelo governo, e os membros dos Conselhos Consultivos estabelecidos em cada nível são eleitos pelo
povo. O conselho consultivo é composto por líderes comunitários, líderes religiosos, entre outros, e
realiza a consultas junto à população sobre projectos de desenvolvimento rural nomeadamente
construção de escolas, manutenção de poços, para atender às necessidades locais.

Ao nível das bases, os líderes comunitários desempenham um papel complementar do sistema de


administração oficial. Eles contribuem para manter as comunidades informadas sobre as directrizes
administrativas, e explicar sobre os programas e acções do Estado. Apesar de serem líderes
tradicionais principalmente hereditários e assumirem este papel de forma voluntária, o Governo
estabeleceu um sistema de compensação oficial por sua contribuição.

O Decreto n.º15/2000 legaliza o papel dos líderes e suas classes hierárquicas de 1 a 3 com base nas
suas atribuições. Este decreto estabelece igualmente que os líderes devem ser eleitos pelos membros
da comunidade, de acordo com critériospreviamente definidos. No entanto, na maioria das
comunidades, os líderes tradicionais não são eleitos. A remuneração mensal é de 400 MT para o
primeiro grau, 250 MT para o segundo grau e 150 MT para o terceiro grau (a partir de 2012).

3-44
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.4.2 Plano Estratégico para o Desenvolvimento das Províncias e dos Distritos

(1) Política de Desenvolvimento a Nível Provincial

O Plano Estratégico de Desenvolvimento Provincial (PEDP) é um plano de médio prazo, para um


período de 3 a 5 anos, e deve ser elaborado com base no conteúdo do Plano Quinquenal do Governo e
no PARPA. Este instrumento deve ser monitorado por um funcionário enviado pelo governo central
para ser, finalmente, aprovado pelo Ministério do Plano e Desenvolvimento (MPD). O PEDP é
considerado a base do Plano Estratégico de Desenvolvimento Distrital (PEDD). O plano financeiro é
designado como Plano Económico e Social Orçamento (PESO).

Os planos de desenvolvimento mais recentes das províncias foram concebidos com base nos seguintes
documentos: A estratégia de desenvolvimento do País (Agenda 2025, Plano de acção para redução da
pobreza: PARPA, Estratégias para a comercialização agrícola e o desenvolvimento rural, etc.), regional
(Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano: NEPAD, etc.) e a agenda global (Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio, etc.).

1) Plano de Desenvolvimento da Província de Nampula

Na província de Nampula, o PEP Nampula 2010-2020 foi elaborado em Outubro de 2009 pela
Unidade de Coordenação do Desenvolvimento Integrado de Nampula (UCODIN). Os pilares da
estratégia de desenvolvimento são apresentados a seguir, e basicamente são uma continuação do plano
estratégico anterior:
 Crescimento económico;
 Governação participativa;
 Infra-estruturas e promoção do meio ambiente; e
 Desenvolvimento do capital humano e social.

As 5 metas da estratégia para o crescimento económico são as seguintes:


1. Alcançar o desenvolvimento económico com base nos recursos locais;
2. Reformar a agricultura familiar, das escalas micro e pequena para empreendedores de média
escala;
3. Encorajar o sector empresarial a adoptar tecnologias que permitam a melhoria de sua
competitividade;
4. Criar um ambiente favorável à formação de parcerias entre o sector empresarial e familiar e
entre o sector público e o privado, para facilitar a rápida transição; e
5. Desenvolver acções que encorajemas universidades, instituições de pesquisa e centros de
profissionais para formar parcerias estratégicas com elementos inovadores que possam ser
absorvidos directa e rapidamente pelos sectores familiar e micro e pequenas empresas.

Neste plano, a meta de crescimento do PIB da província é 7,5% em 2010, 8,5% em 2015 e 8,3% em
2020.

3-45
Versão Provisória - ANEXO

2) Plano de Desenvolvimento da Província da Zambézia

Na província da Zambézia, o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Zambézia 2011-2020 (PEDZ),


para os 10 anos entre 2011 e 2020, foi concebido em Maio de 2011. Os quatro pilares de
desenvolvimento são:
 Desenvolvimento do capital humano e social;
 Crescimento e desenvolvimento económico;
 Boa governação, descentralização, anticorrupção e promoção da cultura da responsabilização;
e
 Questões transversais.
O pilar 2, crescimento e desenvolvimento económico, constitui a espinha dorsal dos objectivos do
plano que são:
 Promoção da produção e melhoria da produtividade do sector agrícola, com base nos pontos
focais estratégicos do desenvolvimento;
 Promoção do empreendedorismo local, atracção de investimentos e expansão do sistema
financeiro; e
 Melhoria da planificação e gestão das finanças públicas a nível provincial.
Este pilar incorpora as áreas de agricultura, pecuária, flora e fauna; indústria; pesca; recursos minerais;
comércio, turismo; transportes e comunicações; obras públicas; energia, emprego, trabalho, higiene e
segurança. O PEDZ estipula princípios orientadores para o desenvolvimento da província, com vista a
induzir o crescimento da produção anual em aproximadamente 7% por ano até 2020.

3) Plano de Desenvolvimento da Província do Niassa

Na província do Niassa, o PEP2017, para um período de 10 anos, isto é, entre 2008 e 2020, foi
concebido em Dezembro de 2007. No âmbito da concepção deste plano, o Gabinete de Estudos
Estratégicos e Desenvolvimento (GED) criado pelo governo de Niassa desempenhou um papel
preponderante. Este plano, em continuidade ao plano anterior, está virado para o “desenvolvimento
sustentável”, a aceleração e integração económica, o desenvolvimento social e cultural da província, a
redução da pobreza em 15% até 2017.

Para alcançar este objectivo, os três pilares do desenvolvimento são:


 Silvicultura Comercial (240,000 ha);
 Agricultura e Agro-processamento (particularmente perto da cidade de Lichinga); e
 Ecossistema a área de Reserva Natural do Niassa.

(2) Política de Desenvolvimento ao nível do Distrito

O PEDD é um plano de médio prazo, com duração de cinco anos. Este plano serve de guia e como
instrumento de gestão estratégica do distrito e é desenvolvido de forma conjunta e participativa, com o
envolvimento do governo distrital e a sociedade civil no distrito, alinhado com o Programa
Quinquenal do Governo, 2010-2014, e com oPEDP. Ademais, ébaseado nas leis e decretos actuais da
administração local (Decreto n.º15/2000: Estabelece as formas de articulação dos órgãos locais do
Estado com as autoridades comunitárias; Lei n.º8/2003: Lei dos Órgãos do Estado; Lei n.º11/2012:
Procede a revisão pontual da Lei n.º8/2003). E isto indica as principais orientações estratégicas que o

3-46
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

distrito deve seguir para alcançar o bem-estar económico e o desenvolvimento social de sua
população.

Actualmente, o PEDD III, como o terceiro período (o ano varia por distrito, por exemplo, 2009 a 2013,
2010 a 2014 ou 2010 a 2015), está a ser desenvolvido sob a orientação do governo da província, mas
são poucos os distritos que o concluíram. Portanto, o PEDD II, do segundo período, ainda está em
vigor. O PEDD II cobriu o período 2006 a 2010, mas, segundo o distrito, o período do plano varia
ligeiramente. Entretanto, os PEDDsão basicamente preparados de acordo com o Plano Estratégico de
Desenvolvimento Provincial e os conteúdos são similares, virados para a erradicação da pobreza e o
desenvolvimento económico. Plano Económico-social do Distrito (PES ou Plano Económico e Social
e Orçamento Distrital (PESOD), que é um plano de implementação anual, é preparado anualmente
com o PEDD que está em curso.

(3) Fundo Distrital de Desenvolvimento (FDD)

Em 2006, o governo lançou um sistema de alocação directa de um fundo de desenvolvimento


discricionário anual aos distritos, chamado de OIIL (Orçamento de Investimento na Iniciativa Local).
Este sistema é vulgarmente conhecido como “7 milhões” porque o montante do fundo disponibilizado
para cada distrito é de aproximadamente 7 milhões de meticais. Os projectos prioritários são
seleccionados em consulta com os Conselhos Consultivos Distritais formados pelos representantes
locais, incluindo os líderes tradicionais, líderes religiosos e funcionários públicos. Ofundo é usado
principalmente para agricultura e pequenas indústrias, com o objectivo de produzir alimentos e criar
empregos.Osdistritos estão a implementar diversos projectos tais como aquisição de tractores e
fornecimento a pequenos produtores.

Além disso, os governos distritais recebem 2 milhões MT por ano como Fundo de Investimento no
Desenvolvimento (FID), que visa investimentos em pequenas infra-estruturas, incluindo estradas
alimentadoras, manutenção de escolas, etc. A Direcção Provincial de Planoe Finanças, juntamente com
outras Direcções s Provinciais, orientae apoia o Governo Distrital no processo de planificação e
orçamentação. Entretanto, a capacidade administrativa dos Distritos ainda não está desenvolvida o
suficiente para desempenhar os papéis esperados, devido à limitação dos recursos humanos,
capacidade técnica e experiência.

3.5 Produção de Culturas e Pecuária


3.5.1 Produtorese sua Distribuição
De acordo com Censo Agro-pecuário 2010-11, a área média cultivada de culturas alimentares por
família em Moçambique é de 1,46 ha. A província do Niassa tem uma média ligeiramente superior de
2,01ha, enquanto Nampula com uma área de 1,30ha e Zambézia com 1,29ha, estão abaixo do nível
nacional. Na área de intervenção predominam pequenos produtores. No Niassa, 99,7% dos
estabelecimentos agrícolas são classificadas como de pequena escala, enquanto na Zambézia e
Nampula é de 99,9%, de acordo com o critério do INE.

3-47
Versão Provisória - ANEXO

No corredor de Nacala (apenas 19 distritos) existem 691.841 (2011) estabelecimentos agrícolas


classificados como pequenos e médios, conforme mostra a Tabela 3.5.1 abaixo.

Tabela 3.5.1 Características dos Pequenos e Médios Produtores (2010)


Nº de Média de Média da Área
População Total da Área
Distrito Agregados Membros do Cultivada
Rural Cultivada (ha)
Familiares Agregado Familiar (ha/hh)
Monapo 285.816 55.898 5,1 78.823 1,41
Muecate 105.350 20.529 5,1 18.067 0,88
Mecuburi 172.639 29.497 5,9 56.344 1,91
Meconta 129.895 33.968 3,8 44.502 1,31
Mogovolas 242.768 61.712 3,9 61.718 1,00
Nampula 243.908 73.914 3,3 51.744 0,70
Murrupula 140.685 30.582 4,6 23.550 0,77
Ribaue 156.754 36.028 4,4 52.966 1,47
Lalaua 81.685 15.744 5,2 28.342 1,80
Malema 126.408 33.587 3,8 70.203 2,09
A. Molocue 252.537 59.500 4,2 120.796 2,03
Gurue 177.296 58.000 3,1 73.667 1,27
Cuamba 123.638 42.079 2,9 64.387 1,53
Mecanhelas 199.884 40.147 5,0 50.188 1,25
Mandimba 138.673 30.165 4,6 42.838 1,42
N’Gauma 81.314 15.537 5,2 11.188 0,72
Majune 34.287 12.787 2,7 17.648 1,38
Lichinga 110.703 24.167 4,6 41.088 1,70
Sanga 59.711 18.000 3,3 17.642 0,98
Total 2.863.951 691.841 4,2 925.700 1,34
Fonte: Instituto Nacional de Saúde (INS) Estatísticas Distritais2012 (* 2011) baseado no censo agrário 2010/2011

Com base nos dados do INE, é possível concluir que os distritos que apresentam o maior número de
estabelecimentosagrícolaspequenos e médios são Mogovolas e Nampula, com 61.712 e 73.914
respectivamente. Se olharmos para a média em termos de magnitude desses produtores, podemos
concluir que o distrito de Nampula possui a menor área de machambas de pequena e média escala,
com 0,70 ha/produtor, seguido de N/Gauma com 0,72 ha/produtor, a média da área de estudo é de 1,34
ha/produtor. A tabela mostra que a zona que tem o menor número de produtores tende a ter a maior
média.

A Tabela 3.5.2 mostra os dados que descrevem o número de produtores em empresas e a área sob sua
gestão na área de estudo.

Apesar do número reduzido de empresas agráriasem toda a área de intervenção, existe uma empresa
agrícola (Matanuska, produtora de bananas) no distrito de Monapo que detém terras agrícolas, de
cerca de 8.498 ha ou 2,38% da área total do distrito. Em Gurué, já existem seis empresas agrícolas,
ocupando 5.529 ha ou 0,98% da área total do Distrito.

3-48
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.5.2 Características da Agricultura em Empresas no Corredor de Nacala em 2013


Número de Média da Área
Distritos Área de Cultivo (ha)
Empresas agrícolas (ha/machamba)
Monapo 1 8.498 8.498
Muecate 0 0 0
Mecubúre* 0 0 0
Meconta 1 3 3
Mogovolas 1 884 884
Nampula (Rapale) 2 24 12
Cidade de Nampula 5 6,960 1.392
Murrupula 2 62 31
Ribáuè 1 4 4
Lalaua* 0 0 0
Malema 0 0 0
Alto Molócuè 2 107 53,5
Gurué 6 5.529 921,5
Cuamba 0 0 0
Mecanhelas* 0 0 0
Mandimba 0 0 0
Nguama 0 0 0
Majune* 2 561 280,5
Cidade de Lichinga 1 15 15
Lichinga (Chimbonila) 1 150 150
Sanga* 0 0 0
Total 19 17.268 908,8
Fonte: Estatísticas dos Distritos 2012, INE, adaptado pela Equipa de Estudo 2013

3.5.2 Gestão de Estabelecimentos Agrícolas e Comercialização


(1) Gestão de Estabelecimentos Agrícolas

As actividades agrícolas, nesses estabelecimentos agrícolas classificados como de pequena e média


escala são, basicamente, realizadas com o uso do da mão-de-obra da família e, de quando em vez, com
ajuda de trabalhadores sazonais contratados no sistema designado "ganhos mútuos" em que o
pagamento é feito geralmente com base na área atribuída ao trabalhador. A maioria dos produtores
pratica a agricultura de subsistência, com produção de alimentos básicos, como mandioca, milho,
mapira, mexoeira, arroz e feijões (feijão manteiga, feijão nhemba, feijão holoco e feijão boer).

Uma parte dos produtores, principalmente aqueles que administram muitos hectares de terras agrícolas,
também pratica agricultura para fins comerciais, com o cultivo de culturas de rendimento como
algodão, tabaco, soja, gergelim e algumas hortícolas. O plantio de algodão e tabaco é realizado na
forma de agricultura sob contrato onde o comprador oferece aos produtores alguns insumos a um
determinado preço, tais como sementes, fertilizantes e pesticidas, como um incentivo para a produção.
No caso do algodão, as empresas geralmente fornecem insumos básicos, principalmente sementes e
pesticidas, aos produtores sob contratos onde o pagamento é feito após a colheita. As empresas
disponibilizam igualmente equipamentos para pulverização de pesticidas, a título de aluguer.

(2) Gestão de Terra dos Pequenos Produtores

Num inquérito aos agregados familiares realizado em 2012, foi possível obter informação sobre o
número de membros dos agregados familiares, culturas produzidas, calendário de cultivo,
instrumentos de cultivo, apoio dos extensionistas, sistema de cultivo, organização de produtores, etc.

3-49
Versão Provisória - ANEXO

De Acordo com inquérito, produtores comuns possuem 10 hectares de terra, dos quais cultivam apenas
46%. 61% do total de agregados familiares praticam a agricultura itinerante, na qual fazem a rotação
entre duas machambas. Eles usam o mesmo para a produção em 64% do seu campo de terra à direita.
Esses resumos de manejo da terra são mostrados no Apêndice 1 deste livro.

(3) Comercialização do Excedente

Os produtores geralmente determinam a produção de culturas de rendimento na condição de que um


comprador confiável para as culturas esteja disponível na área. Na verdade, a produção de culturas de
rendimento na Área deIntervenção está concentrada em vários distritos específicos onde empresas
comerciais ou industriais especializadas em tais culturas promovem a respectiva produção. No distrito
de Gurué, ONGs internacionais, como a CLUSA, trabalham para promover o cultivo de soja através
da distribuição de sementes aos produtores interessados, sem pagamento, no entanto, a CLUSA não se
envolve na comercialização de sua produção.

A escassez de oportunidades de geração de renda causa prevalência da pobreza na zona rural,


precisamente na área de intervenção. As fontes de rendimento disponíveis aos agricultores em geral
limitam-se a trabalhos como mão-de-obra agrícola, trabalhos em obras, e nas vendas de seus produtos,
de acordo com o com a pesquisa de campo. Muitos produtores, contudo, não são capazes de ter
excedente dos seus produtos, devido à escala limitada de sua produção. Menos de 10% dos
estabelecimentos agrícolas do país vendem seu excedente (PEDSA 2011-19, MASA).

A pesquisa de campo e outras fontes de informação confirmaram que as culturas comercializadas


pelos produtores são principalmente os seus produtos alimentares básicos. A percentagem das culturas
comercializadas para a produção é relativamente alta na área de estudo. De acordo com o
levantamento do inventário do comércio levado a cabo pela equipa do estudo, 66% da mandioca e
milho produzido na área de intervenção do programa destina-se a comercialização. Isto significa que
muitos produtores só vendem suas colheitas quando, por sorte, têm excedente ou de repente precisam
de dinheiro para situações inesperadas, (por exemplo: doenças, educação, etc.) A comercialização do
excedente de produção é feita geralmente através de intermediários, que compram directamente dos
produtores nos estabelecimentos agrícolas no mercado local para revender em cidades próximas.
Considera-se que a margem de lucro dos intermediários é relativamente alta. As seguintes culturas são
as principais culturas comercializadas declaradas pelos produtores entrevistados.

<Culturas comercializadas pelos produtores entrevistados>


Mandioca, Milho, Feijão, Amendoim, Mapira, Batata-doce, Batata Reno, Soja, Arroz com casca,
hortícolas (tomate, cebola, repolho, cenoura, alho, pimento verde, abóbora, couve, etc.), Gergelim,
Algodão, Tabaco, Castanha de caju, Banana

3.5.3 Tecnologia de Cultivos e Padrão de Cultura dos Pequenos Produtores


(1) Estudo da Produção Agrícola dos pequenos produtores na área de intervenção

No âmbito do ProSAVANA-PI foi realizado um inquérito sobre a economia dos agregados familiares
dos produtores, o que permitiu a descrição das características de produção agrícola dos pequenos

3-50
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

produtores no na zona do Corredor de Nacala. Os inquéritos foram realizados no intervalo de 2011 a


2013 nas diferentes áreas, conforme se descreve a seguir:

 Em 2011, na província de Nampula, foram entrevistados vinte agregados familiares de


produtores na vila de Muleheira, no distrito de Nampula eo mesmo número na vila de Jagaia
no distrito de Monapo.

 Na provincial de Niassa, foram entrevistados15 agregados familiares em Matama, e 7 f


agregados familiares em Lumbi no distrito de Chimbondiça em 2012.

 Na Província de Zambézia, foram entrevistados 20 agregados familiares de produtores em


Ruace Sede e 16 agregados familiares em Muhelo, no Distrito de Gurué. Oinquérito foi
realizado em relação aos resultados da campanhaagrícola 2011/2012. É importante realçar que
a produtividade desta campanha agrícola estive abaixo da média devido às condições de chuva
desfavoráveis.

Os resumos dos inquéritos são apresentados no Apêndice 2. Constitui o seu conteúdo o seguinte:

1) Propriedade de terra agrícola


2) Tipos de cultura e culturas para os agregados familiares
3) Ponto de situação em relação ao gado pertencente aos agregados familiares
4) Tipo de cultivo
5) Sistema de cultivo
6) Economia agrícola da consorciação com milho e feijão nhemba e mono cultivo de soja em
Gurue
7) Problemas associados ao cultivo
8) Hereditariedade de campos

3.5.4 Produção Agrícola por Distritos


A produção agrícola na área de intervenção varia de acordo com a localização. Tanto as culturas
alimentares como as culturas de rendimento são plantadas de acordo com condições climáticas
favoráveis. ATabela 3.5.3mostra a média de 5 anos (2006/07-10/11) de áreas plantadas com as
principais culturas na Área de Estudo, com base em dados estatísticos recolhidos das DPAs das
províncias de Nampula, Zambézia e Niassa. Os dados, no entanto, podem estar excessivamente
estimados, considerando os dados estatísticos oficiais provenientes de outras fontes, como o número
de agregados familiares que praticam a agricultura, a média da área plantada por família, etc.

3-51
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.5.3 Área Plantada das Principais Culturas


na Área de Estudo (média: 2006/07- 2010/11)
Culturas Área Plantada (ha)
Mandioca 389.515
Milho 329.947
Mapira/Mapira 141.894
Mexoeira 9.068
Arroz 32.272
Feijões 136.557
Amendoim 99.696
Girassol 5.610
Gergelim 24.059
Soja 2.650
Batata-doce 11.521
Batata Reno/Batata Inglesa 1.649
Produtos Hortícolas 6.050
Algodão 67.473
Tabaco/Fumo 8.244
Total 1.266.205
Fonte: DPAs das respectivas províncias

A Tabela 3.5.4 mostra a área plantada das principais culturas (média entre 07 de 2006 a 11 de 2010)
por distrito na área de estudo.

Tabela 3.5.4 Área Cultivada com as Principais Culturas por Distrito (ha)
CULTURAS Monapo Muecate Mecubúri Meconta Mogovo las Nampula Murru pula Ribáuè Lalaua Malema
Milho 15.573 6.237 13.218 13.090 9.951 12.047 7.539 16.692 12.502 19.173
Mandioca 47.360 24.646 28.701 30.709 44.033 37.785 28.820 29.098 16.420 24.666
Mapira 13.912 1.975 8.944 7.670 6.058 12.118 7.540 11.563 10.610 11.271
Meixoira 1.523 125 565 360 852 307 566 848 746 935
Arroz 2.344 1.239 1.742 2.473 4.291 3.280 4.786 805 1.364 840
Feijões 6.052 3.428 4.745 6.991 5.642 7.328 5.303 8.398 4.302 10.937
Amendoim 6.363 7.976 3.850 16.986 16.172 11.779 5.596 4.338 3.512 8.521
Girassol 504 0 185 656 471 0 421 844 0 854
Gergelim 5.520 813 1.930 7.021 1.320 1.060 1.256 963 2.778 984
Soja 0 0 0 0 0 0 185 625 0 605
Batata-doce 523 73 336 126 366 515 781 316 531 450
Batata reno 0 0 0 0 0 0 0 7 0 13
Hortícolas 98 14 26 298 34 310 332 271 23 285
Castanha
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
(casca)
Algodão 28.229 3.776 8.904 6.208 2.010 275 4 2.145 8.712 5.535
Tabaco 0 0 368 0 0 24 150 2.669 1.732 2.058
Alto Mecan
CULTURAS Guruè Cuamba Mandim ba Ngaúma Majune Lichinga Sanga Total
Molócuè helas
Milho 33.760 26.833 51.012 19.154 21.409 9.280 6.135 20.072 16.269 329.947
Mandioca 31.083 22.461 7.287 3.778 5.830 1.570 1.362 955 2.949 389.515
Mapira 8.683 6.893 18.477 9.895 3.299 645 1.753 0 589 141.894
Meixoira 0 600 57 549 778 203 54 NA 0 9.068
Arroz 1.215 620 2.447 2.228 1.364 614 409 0 211 32.272
Feijões 8.428 9.783 13.940 5.696 6.653 5.445 2.962 11.733 8.791 136.557
Amendoim 5.642 4.100 1.181 1.022 709 345 959 328 317 99.696
Girassol 1.675 0 0 NA 0 0 NA 0 NA 5.610
Gergelim 140 275 0 NA 0 0 NA 0 NA 24.059
Soja 210 1.025 0 NA 0 0 NA 0 NA 2.650
Batata doce 2.500 3.333 228 51 568 132 306 183 203 11.521
Batata reno 50 510 0 2 0 113 13 571 371 1.649
Hortícolas 540 920 108 65 2.083 177 82 114 271 6.050
Castanha
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
(casca)
Algodão 1.675 0 0 NA 0 0 NA 0 NA 67.473
Tabaco 723 520 0 NA 0 0 NA 0 NA 8.244
Fonte: DPAs das Respectivas Províncias, INCAJU Nampula

3-52
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Quanto à área plantada, a principal cultura na área de intervenção é a mandioca, totalizando 389.515
hectares nos 19 distritos. A mandioca, que é umdos principais produtos na dieta moçambicana, é
classificada como uma cultura de fácil cultivo uma vez que se desenvolve em condições de cultivo
precárias. Por conseguinte, esta cultura é facilmente adaptável às características de solo e climáticas de
Moçambique, com bom rendimento e alta concentração de carboidratos. Após a mandioca, segue o
milho, que ocupa o segundo lugar, com 329.947 hectares, e em terceiro lugar encontra-se a mapira
com 141.894 hectares. A área plantada de mandioca é maior do que a área de milho nos distritos da
província de Nampula, enquanto a situação é inversa nos distritos das províncias da Zambézia e
Niassa.

Dados os factores discutidos acima, incluindoo baixo nível de utilização de insumos e tecnologia, a
produtividade é geralmente baixa em Moçambique. A Tabela 3.5.5 mostra a produção das principais
culturas na área de estudo.

Tabela 3.5.5 Produção das Principais Culturas por Distrito (ton)


Mogovo Murru
CULTURAS Monapo Muecate Mecubúri Meconta Nampula Ribáuè Lalaua Malema
las pula
Milho 21.222 5.873 15.950 14.548 8.307 14.017 8.965 22.471 16.185 26.867
Mandioca 152.66 188.67 196.60 253.49 242.31 180.34 194.97 114.58
291.665 166.139
0 2 6 7 6 5 1 2
Mapira 12.254 2.134 8.378 5.928 5.151 10.745 6.916 12.492 10.142 12.144
Meixoira 1.538 122 549 340 781 319 546 931 704 977
Arroz 2.143 1.158 1.500 2.784 4.004 2.612 4.324 722 1.186 713
Feijões 4.522 1.850 2.991 4.946 3.319 4.021 2.878 5.665 2.730 6.574
Amendoim 4.570 5.407 2.657 12.774 12.400 6.442 4.200 3.130 2.203 6.913
Girassol 572 0 123 639 292 0 220 667 0 728
Gergelim 2.706 537 1.081 4.331 745 670 715 714 1.429 688
Soja 0 0 0 0 0 0 390 1.105 0 1.105
Batata-doce 1.233 178 955 322 929 1.108 2.093 829 1.306 1.199
Batata reno 0 0 0 0 0 0 0 150 0 150
Hortícolas 829 198 259 2.558 345 3.099 2.670 2.137 260 2.228
Castanha
2.691 1.191 238 2.003 8.963 4.841 1.317 0 7 0
(casca)
Algodão 15.623 1.838 5.385
3.583 1.153 211 0 1.234 4.538 2.346
Tabaco 0 0 242 0 0 12 75 1.642 931 1.226
Alto Mecan Mandim
CULTURAS Guruè Cuamba Ngaúma Majune Lichinga Sanga Total
Molócuè helas ba
Milho 50.825 39.583 61.629 23.397 33.107 15.000 10.057 43.976 24.645 456.624
Mandioca 163.743 86.000 36.970 21.820 42.795 11.519 8.875 11.700 19.235 2.384.108
Mapira 5.850 4.153 11.757 6.551 2.573 151 1.793 188 315 119.615
Meixoira 0 120 254 324 272 194 40 0 0 8.011
Arroz 873 782 9.048 4.380 2.841 1.459 572 10.452 516 52.070
Feijões 6.333 6.902 9.357 3.667 2.841 3.270 2.472 9.312 4.601 88.250
Amendoim 3.402 3.455 911 344 371 177 963 241 183 70.742
Girassol 208 0 0 NA 0 0 NA 0 NA 3.447
Gergelim 62 138 0 NA 0 0 NA 0 NA 13.815
Soja 300 513 0 NA 0 0 NA 0 NA 3.413
Batata doce 8.787 8.744 1.001 136 7.918 336 316 514 2.049 39.951
Batata reno 750 6.793 0 1 0 367 40 892 2.658 11.800
Hortícolas 6.197 6.980 538 369 15.795 338 214 1.115 4.028 50.157
Castanha NA NA NA NA NA NA NA NA NA 21.251
(casca)
Algodão 208 0 0 NA 0 0 NA 0 NA 36.119
Tabaco 580 423 0 NA 0 0 NA 0 NA 5.133
Fonte: DPAs das Respectivas Províncias, INCAJU Nampula

3-53
Versão Provisória - ANEXO

A cultura mais produzida na área de estudo é a mandioca, com uma produção total anual de 2.384.108.
Monapo se destaca como o distrito com maior produção de mandioca, com 291.665 ton/ano, seguido
de Mogovolas com 253.497 ton/ano. A segunda cultura mais produzida é o milho, com 456.624
ton/ano, e os distritos com maior produção são Cuamba, com 61.629 toneladas/ano e Alto Molócuè
com 50.825 ton/ano.

A Tabela 3.5.6 apresenta a produtividade das principais culturas por distrito

Tabela 3.5.6 Produtividade das Principais Culturas por Distrito (ton/ha)


(Média: 2006/07-2010/11)
Mogovo
CULTURAS Monapo Muecate Mecubúri Meconta Nampula Murru pula Ribáuè Lalaua Malema
las
Milho 1,36 0,94 1,21 1,11 0,83 1,16 1,19 1,35 1,29 1,40
Mandioca 6,16 6,19 6,57 6,40 5,76 6,41 6,26 6,70 6,98 6,74
Mapira 0,88 1,08 0,94 0,77 0,85 0,89 0,92 1,08 0,96 1,08
Meixoira 1,01 0,98 0,97 0,94 0,92 1,04 0,96 1,10 0,94 1,04
Arroz 0,91 0,93 0,86 1,13 0,93 0,80 0,90 0,90 0,87 0,85
Feijões 0,75 0,54 0,63 0,71 0,59 0,55 0,54 0,67 0,63 0,60
Amendoim 0,72 0,68 0,69 0,75 0,77 0,55 0,75 0,72 0,63 0,81
Girassol 1,13 0,00 0,66 0,97 0,62 0,00 0,52 0,79 0,00 0,85
Gergelim 0,49 0,66 0,56 0,62 0,56 0,63 0,57 0,74 0,51 0,70
Soja 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2,11 1,77 0,00 1,83
Batata-doce 2,36 2,45 2,84 2,56 2,54 2,15 2,68 2,63 2,46 2,67
Batata reno 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 21,43 0,00 11,54
Hortícolas 8,49 13,80 9,89 8,59 10,07 10,01 8,05 7,88 11,35 7,83
Castanha
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
(casca)
Algodão 0,55 0,49 0,60 0,58 0,57 0,77 0,00 0,58 0,52 0,42
Tabaco 0,00 0,00 0,66 0,00 0,00 0,53 0,50 0,62 0,54 0,60
Alto Mecan
CULTURAS Guruè Cuamba Mandim ba Ngaúma Majune Lichinga Sanga Total
Molócuè helas
Milho 1,51 1,48 1,21 1,22 1,55 1,62 1,64 2,19 1,51 1,38
Mandioca 5,27 3,83 5,07 5,78 7,34 7,34 6,51 12,25 6,52 6,12
Mapira 0,67 0,60 0,64 0,66 0,78 0,23 1,02 0,00 0,53 0,84
Meixoira 0,00 0,20 4,44 0,59 0,35 0,96 0,74 0,00 0,00 0,88
Arroz 0,72 1,26 3,70 1,97 2,08 2,38 1,40 NA 2,44 1,61
Feijões 0,75 0,71 0,67 0,64 0,43 0,60 0,83 0,79 0,52 0,65
Amendoim 0,60 0,84 0,77 0,34 0,52 0,51 1,00 0,73 0,58 0,71
Girassol 0,12 0,00 0,00 NA 0,00 0,00 NA 0,00 NA 0,61
Gergelim 0,44 0,50 0,00 NA 0,00 0,00 NA 0,00 NA 0,57
Soja 1,43 0,50 0,00 NA 0,00 0,00 NA 0,00 NA 1,29
Batata doce 3,51 2,62 4,39 2,70 13,94 2,54 1,03 2,80 10,07 3,47
Batata reno 15,00 13,33 0,00 0,40 0,00 3,24 3,17 1,56 7,16 7,15
Hortícolas 11,48 7,59 4,96 5,66 7,58 1,91 2,60 9,78 14,88 8,29
Castanha
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
(casca)
Algodão 0,12 0,00 0,00 NA 0,00 0,00 NA 0,00 NA 0,54
Tabaco 0.80 0.81 0.00 NA 0.00 0.00 NA 0.00 NA 0,62
Fonte: DPAs das Respectivas Províncias, INCAJU Nampula

As culturas que mostraram maior produtividade no Corredor de Nacala foram: hortícolas, com um
rendimento total de 8,29 ton/ha, seguidas de batata com 7,15 ton/ha e da mandioca, com 6,12 ton/ha. É
importante notar que as culturas mais cultivadas têm uma produtividade inferior. No caso do milho, a
produtividade brasileira é três vezes maior do que na área de estudo.

3-54
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

3.5.5 Segurança Alimentar


A Tabela 3.5.7 apresenta a produção anualper capita das principais culturas por distrito.

Tabela 3.5.7 Produção Anual de Alimentos per Capita


(unidade: kg/ano)
Distrito Milho Mandioca Mapira Arroz Feijão Amendoim
Monapo 61,9 850,5 35,7 6,2 13,2 13,3
Muecate 55,8 1.449,1 20,3 11,0 17,6 51,3
Mecubúri 92,4 1.092,9 48,5 8,7 17,3 15,4
Meconta 83,4 1.127,6 34,0 16,0 28,4 73,3
Mogovolas 25,1 766,3 15,6 12,1 10,0 37,5
Cidade Nampula 17,6 303,8 13,5 3,3 5,0 8,1
Murrupula 56,4 1.135,1 43,5 27,2 18,1 26,4
Ribáuè 102,1 885,5 56,7 3,3 25,7 14,2
Lalaua 198,1 1.402,7 124,2 14,5 33,4 27,0
Malema 147,2 910,2 66,5 3,9 36,0 37,9
Alto Molócuè 158,9 511,9 18,3 2,7 19,8 10,6
Gurué 112,8 245,1 11,8 2,2 19,7 9,8
Cuamba 285,2 171,1 54,4 41,9 43,3 4,2
Mecanhelas 113,3 105,7 31,7 21,2 17,8 1,7
Mandimba 208,0 268,9 16,2 17,8 17,8 2,3
Nguama 184,5 141,7 1,9 17,9 40,2 2,2
Majune 293,3 258,8 52,3 16,7 72,1 28,1
Cidade Lichinga/Distrito 152,4 40,5 0,7 36,2 32,3 0,8
Sanga 385,8 301,1 4,9 8,1 72,0 2,9
Área Total 106,5 556,1 27,9 12,1 20,6 16,5
Fonte INE e DPAs (Organizado pela equipa de estudo)

Enquanto a tabela mostra a capacidade de oferta de cada distrito, é necessário notar que a maior parte
dessa produção é comercializada, não só na área de estudo, como também noutras regiões do país. De
acordo com a estimativa da equipade estudo, com base nos dados relevantes nomeadamente consumo
per capita, necessidade de sementes, perdas pós-colheita, a população e produção na área de estudo, a
área tem um certo nível de excedente nas principais culturas alimentares a cada ano, excepto para
mapira, arroz e trigo (ver Tabela 3.5.8.)

Tabela 3.5.8 Estimativa do Equilíbrio das Culturas na Área de Estudo em 2011


Cultura Equilíbrios (ton)
Milho 149.200
Mandioca 484.700
Mapira -3.400
Feijão 29.200
Amendoim 9.000
Arroz -170.100
Soja 8.500
Trigo -105.000
Hortaliças 2.200
Fonte: Equipa de Estudo

Historicamente, a produção de excedentes verifica-se frequentemente nas zonas Centro e Norte de


Moçambique, contrariamente a zona sul onde a produção de alimentos apresenta um défice. Assim, o
excedente dos distritos do norte é muitas vezes comercializado na zona sul do país ou em países
vizinhos.

3-55
Versão Provisória - ANEXO

3.5.6 Custos de Produção e Preços de Produtos Agrícolas

(1) Custos de Produção

O cálculo de custos reais de produção agrícola na Área de Estudo é relativamente simples, uma vez
que a maioria dos produtores injecta um capital reduzido nas actividades agrícolas, mesmo quando se
trata de prática da agricultura para fins comerciais. Os produtores dependem de trabalhos manuais, e
poucos usam insumos e mão-de-obra remunerada para o cultivo de suas culturas básicas. Considera-se
que os custos podem ser calculados com base no total dos dias de trabalho da mão-de-obra e salário
comum de trabalhador agrícola.

A Tabela 3.5.9 mostra os custos de produção das principais culturas na Área de Estudo, calculados de
acordo com a explicação acima apresentada. Os produtores na verdade não arcam totalmente com os
custos calculados em termos de dinheiro, uma vezque a maioria dos produtores depende muito da
mão-de-obra familiar para sua actividade agrária. O custo diário da mão-de-obra no cálculo,
MT40/homem/dia, foi determinado de acordo com informações recolhidas através de uma pesquisa de
campo realizada nos distritos visados. Foram usados valores pagos aos trabalhadores no sistema da
prática "benefício mútuos" (pagos com base em ha) para o cálculo, mesmo que este valor variasse de
acordo com os locais e tipos de trabalho. Apesar de se ter recolhido informações do valor de
mão-de-obra na base diária ou mensal, muitos dos entrevistados tinham a tendência de declarar o
montante com base no salário mínimo do governo, em vez do salário real. Assim, o total de
trabalhador/dias para cada cultura na tabela foi calculado com base em informações recolhidas a partir
da DPA da província de Nampula e TechnoServe.

Tabela 3.5.9 Estimativa de Custos de Produção das Principais Culturas


Culturas (unidade: homem/dia/ha)
Trabalhos Feijão
Milho Mandioca Mapira Arroz Amendoim Soja
Manteiga
1 Preparação da terra 15 15 15 25 25 15 15
2 Gestão da cultura 20 16 36 36 32 22 53
Colheita & Processamento
3 19 20 11 11 11 16 20
e Manuseio (P/H)
Total de homem/dia 54 51 62 72 58 53 88
Custos Totais (MT/ha) 2.160 2.040 2.480 2.880 2.720 2.120 3.520
Nota: MT40/homem/dia é a base de cálculo de custos.
Fonte (homem/dia/ha): DPA, Província de Nampula e TechnoServe (somente para soja)

(2) Preços doProduto Agrícola

O excedente de produção, principalmente dos produtos alimentares básicos, é geralmente


comercializado por intermediários que compram de produtores nos mercados locais, e posteriormente
revendem nas cidades próximas. A equipa de estudo realizou 3 tipos de pesquisas sobre o preço de
venda dos produtos das principais culturas na área de Estudo até Julho de 2012.

1) Pesquisa de Campo Agrícola (Mar-Abr, 2012)

2) Pesquisa de Inventário do Comércio (Abril-Maio, 2012)

3) Pesquisa de Mercado Agrícola de Nampula (Julho, 2012)

3-56
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

A Tabela 3.5.10 mostra um resultado integrado das pesquisas. Os preços de facto variaram de acordo
com os locais e as estações.

Tabela 3.5.10 Preços de Venda das Principais Culturas (Março-Julho, 2012)


Preço (MT/kg) Preço (MT/kg)
Nº Cultura Nº Cultura
Média Variação Média Variação
1 Milho (em grão) 4,2 3,0 - 5,0 14 Batata-doce 2,9 2,5 - 3,5
2 Mandioca (seca) 1,0 0,8–1,5 15 Batata Reno 4,8 4,5 - 6,0
3 Mapira (em grão) 4,9 4,0 - 6,5 16 Cebola 15 10,0 - 20,0
4 Mexoeira (em grão) 14,9 14,5 - 15,0 17 Tomate 7,1 5,0 - 7,5
5 Arroz (grão de arroz) 4,2 3,5 - 5,0 18 Repolho 8,8 8,0 - 10,0
6 Trigo - - 19 Gergelim 23,0 20,0 – 25,0
7 Amendoim (descascado) 21,5 17,5 – 25,0 20 Girassol 5,0 5,0
8 Amendoim (com casca) 4,1 3,5 – 4,9 21 Castanha de Caju 12,8 10,0 – 17,5
9 Feijão-manteiga 19,5 18,0 – 25,0 22 Banana 6,7 6,0 – 7,0
10 Feijão Nhemba 5,6 5,0 – 7,5 23 Cana-de-açúcar (planta) 1,5 1,5
11 Feijão Holoco 10,6 7,0 – 13,0 24 Algodão 15,0 15,0
12 Feijão Boer 12,8 10,0 – 18,0 25 Tabaco (alta qualidade) 60,0 60,0
13 Soja 12,1 10,0 – 15,0
Fonte: A equipa do estudo JICA

A margem de lucro dos intermediários é geralmente alta. A diversificação dos canais de


comercialização oferece uma boa oportunidade para os produtores aumentarem seu poder de
negociação e comercialização. Actualmente, muitos produtores têm um canal alternativo limitado para
a comercialização dos seus produtos. Portanto deve-se criar um mercado justo e competitivo, criando
assim espaço para a entrada de novos actores diversificados (por exemplo, associações/cooperativas
agrícolas, comerciantes privados, empresas de processamento, etc.)

3.5.7 Pecuária
A criação de animais na área de intervenção, bem como no resto das áreas do país, é caracterizada pela
predominância de criação extensiva com excepção da produção comercial de frangos de corte. A
indústria de frangos de corte introduziu um sistema de criação intensiva utilizando s insumos e
tecnologia avançada.

(1) Bovinos

Devido às condições agro-ecológicas desfavoráveis, mosca tsé-tsé e da peste suína africana, a criação
de animais de grande porte (por exemplo, bovinos e suínos) não é tradicionalmente praticada de forma
activa na região norte de Moçambique, com algumas excepções de alguns casos. A Tabela 3.5.11
apresenta dados dos distritos compilados pelo INE referentes ao número de cabeças de gado bovino e
o respectivo número de produtores. Apenas 5.960 produtores criam40.689cabeças de gado bovino na
área de estudo. Menos de 1% de produtores criam vacas na área (estimativa do número de famílias de
agricultores total da área é de cerca de 692 mil).

3-57
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.5.11 Número de Gado Bovino na Área de Estudo por Distrito


Número de Número de
Cabeças de gado por
Distrito Cabeças Machamba
machamba
de vaca s
Monapo 1.159 137 8,46
Muecate 377 73 5,16
Mecubúri 441 116 3,80
Meconta 700 134 5,22
Mogovolas 12.973 3.552 3,65
Nampula 5.620 234 24,02
Murrupula 1.771 480 3,69
Ribáuè 2.822 124 22,76
Lalaua 81 18 4,50
Malema 748 82 9,12
Alto Molócuè 680 96 7,08
Gurué 2.656 102 26,04
Cuamba 877 109 8,05
Mecanhelas 3.544 486 7,29
Mandimba 425 69 6,16
Nguama 3.132 24 130,5
Majune 33 10 3,30
Lichinga 229 53 4,32
Sanga 2.421 61 39,69
Total 40.689 5.960 6,83
Fonte: Equipa de estudo com base na página web do INE Projectohttp://196.22.54.18/home_page/

O distrito com maior criação do gado bovino é Mogovolas com 12.973 animais criados em 3.552
quintas. Por outro lado, Majune é o Distrito que menos cria, com apenas 33 animais em 10 quintas.

(2) Gado Caprino e Ovino

O gado caprino e ovino são os mais conhecidos e importantes para os produtores na área de estudo. A
Tabela 3.5.12 apresenta o número de animais por distrito. Existem 442.015 cabeças de gado caprino e
64.714 cabeças de gado ovino na Área de Estudo. O distrito com o maior número gado caprino e
ovino é, mais uma vez, Mogovolas.

Tabela 3.5.12 Número de Cabeças de Gado Caprino, Ovino, Suíno e Aves na Área de Estudo por
Distrito
Distritos Gado Caprino Gado Ovino Gado suíno Aves
Monapo 37.887 985 13.512 348.393
Muecate 22.244 572 10.824 116.073
Mecubúri 36.255 845 13.992 134.709
Meconta 27.943 1.714 7.090 124.207
Mogovolas 71.842 21.793 11.248 238.328
Nampula 66.628 9.860 17.269 370.765
Murrupula 33.596 9.143 9.488 116.259
Ribáuè 17.969 938 21.921 144.646
Lalaua 6.190 403 4.777 58.714
Malema 17.104 1.320 20.109 160.823
Alto Molócuè 18.724 3.264 36.129 252.711
Gurué 18.731 1.399 26.228 255.255
Cuamba 16.574 2.671 8.622 131.753
Mecanhelas 26.260 3.778 11.978 140.295
Mandimba 12.046 1.382 948 105.540
Nguama 13.503 1.569 324 44.452
Majune 1.230 142 105 24.368
Lichinga 15.231 2.934 1.812 76.487
Sanga 8.560 2.293 419 31.831
Total 442.015 64.714 216.795 2.875.609
Fonte: Equipa de Estudo com base na página web do INE; http://196.22.54.18/home_page/.

3-58
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Considera-sequeum número significativo de produtores beneficia-se da grande variedade de produtos


derivados do gado caprino nomeadamente carne, leite, couro e estrume. O gado caprino requerer
pouca manutenção e os animais são resistentes podendo se adaptar a condições extremas e têm enorme
capacidade de encontrar alimento num ambiente crítico. Contrariamente ao gado caprino, o número de
ovelhas é muito reduzido, uma vez que este animal precisa de cuidados mais aturados. À semelhança
do gado caprino, o gado ovino também fornece uma variedade de produtos, nomeadamente lã, leite,
carne e peles.

(3) Gado Suíno

Além do gado caprino e ovino, os produtores desenvolvem a criação do gado bovino e suíno conforme
ilustra a Tabela 3.5.12. Existem 216.795 cabeças de gado suíno na área de estudo. Alto Molócuè, com
36.129, constitui o distrito com o maior número de cabeças de gado suíno no território, seguido de
Gurué e Ribáuè com 26.228 e 21.921, respectivamente. A criação de porcosé uma actividade
desenvolvida por pequenos produtores, uma vez que a criação deste animal exige relativamente pouco
cuidado.

(4) Avicultura

A avicultura está se tornar cadavezmais comum no seio dos pequenos produtores na área de Estudo. A
Tabela 3.5.12 apresenta dados sobre o número de aves por distrito. O distrito com o maior número de
aves de capoeira é Monapo com 348.393 aves, seguido por Gurué com 255.255 e Alto Molócuè com
252.711.

Embora a avicultura na Área de Estudo seja principalmente praticada pelos pequenos produtores,
verifica-se a criação de frangos de corte através de um sistema intensivo realizado principalmente por
empresas do agro-negócio baseadas nas grandes cidades ou nos subúrbios. Existem duas (2) empresas
deste tipo na província de Nampula. Estas empresas praticam um sistema de produção vertical desde a
produção da ração, produção de pintos, criação de frangos de corte e abate até a comercialização dos
produtos. O aumento da procura por ração de frango, em paralelo com a procura de carne de frango
impulsiona a expansão do cultivo de culturas para rações, principalmente soja no leste da província de
Nampula e em Gurué na província da Zambézia. De acordo com informações de uma empresa avícola,
estima-se que a procura de mercado para carne de frango na Área de Estudo seja de 30 a 50 ton/mês e
mostra uma tendência muito positiva, e a produção local ainda é insuficiente para atender a essa
demanda. Assim, uma parte considerável do frango comercializado na Área de Estudo é importada.

3.5.8 Projecto de Ensaio para Reforma de Administração de Terra


Estudos recentes realizados por instituições de cooperação internacional apontam a necessidade de um
sistema comum de gestão da terra em Moçambique que pode efectivamente transmitir segurança da
posse da terra e melhorar o acesso à terra para a preparação de um ambiente favorável para o
desenvolvimento agrícola.

O Millennium Challenge Corporation (MCC), uma agência independente de ajuda externa do governo
americano, que actua em Moçambique através do Millennium Challenge Account –(MCA) está a fazer
um trabalho concentrado em relação ao Projecto de Posse de Terra. O projecto tem apoiado as

3-59
Versão Provisória - ANEXO

instituições moçambicanas de administração da terra, a fim de aumentar a segurança da posse da terra


e melhorar o acesso ao registo de DUAT. O apoio consiste nas seguintes três áreas de actividades:

 Actividade em locais específicos que visam facilitar o acesso à terra, em colaboração com as
pessoas da comunidade: (i) prestação de informações concretas sobre o direito à terra, (ii) a
resolução de conflitos de terra de forma mais previsível e mais célere, e (iii) Emissão de
títulos/registo do DUAT
 Advocacia de políticas contidas na revisão e Monitoria de Política da Terra, cooperando na
solução de problemas de implementação da lei existente e revisão regulamentar, visando o seu
aperfeiçoamento
 Formação sobre o sistema de administração de terras, para que as instituições visadas sejam
capazes de implementar políticas e prestar serviços de qualidade relacionados com a terra.

Relativamente às actividades do projecto em locais específicos (acções-piloto), o Governo de


Moçambique comprometeu-se a realizar o mapeamento e inventário para identificar a situação legal da
terra, incluindo o tipo de direitos sobre a terra e a terra em uso existente ou sob exploração. Em face
desse compromisso, O MCA Moçambique está a realizar as seguintes acções: (i) implementação do
exercício de mapeamento e inventariação, e como parte deste processo, uma abordagem piloto do
sector para o registo de direitos à terra em determinadas áreas, (ii) Disponibilização de financiamento
adicional para o actual programa de apoio à Iniciativa de Terras Comunitárias (iTC) para permitir a
sua operacionalização na Zambézia, Nampula e Niassa, e (iii) Disponibilização de ferramentas simples
para optimizar as informações sobre a terra no norte de Moçambique, como informações e orientações
sobre os requisitos legais para o procedimento de aquisição de títulos DUAT, negociação para
identificação de terras a serem exploradas e outros mecanismos. As áreas abrangidas por essas acções
são apresentadas na Tabela 3.5.13.

Tabela 3.5.13 Área AbrangidapeloProjecto do MCA

Província Distrito Município


Zambézia Morrumbala; Mocuba; Nicoadala Mocuba; Quelimane
Nampula Malema; Monapo; Moma Monapo; Nampula
Cabo Delgado Mocímboa da Praia; Mecúfi; Montepuez Mocímboa da Praia; Pemba
Niassa Majune; Lichinga; Lago Cuamba; Lichinga
Fonte : MCA Moçambique

As áreas foram identificadas partir de áreas economicamente dinâmicas em cada província, eo


projecto irá melhorar a acessibilidade da informação relativa a terra para diversos fins, incluindo o
registo de DUAT por indivíduos da comunidade, a planificação) e a gestão dos recursos naturais
(incluindo a terra, reduzindo o risco de conflitos de terra, e acesso mais rápido à terra para um projecto
de desenvolvimento (agrícola e não agrícola). Nota-se, através do projecto, que as pessoas da
comunidade estão satisfeitas com a melhoria da segurança do seu direito de posse da terra, e existem
várias comunidades a se envolverem em relações comerciais com investidores através de iniciativas
conjuntas ou aluguer de suas terras. O MCA Moçambique alcançou resultados importantes através da
realização de um programa sistemático e regularização em grande escala e titulação de terra (DUAT).

Actualmente, a actividade de Regularização de DUAT (RDUAT) figura comoa primeira distribuição


em massa de beneficiários com um total de 16.139 DUATs no primeiro trimestre (Fevereiro-Abril de

3-60
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

2012). Os resultados do período posterior, de Maio a Junho, continuou a aumentar e 34.559 parcelas
foram registadas durante o trimestre (ver Figura 3.5.1). Esta é a primeira vez que uma enorme
quantidade de terras ocupadas individualmente ou em conjunto é registadanum sistema formal em
Moçambique. A experiência dessa cooperação (MCA: Projecto de Posse de Terra) na infra-estrutura
implantada e capacitação fornecida pode fornecer um bom modelo para a obtenção de DUAT para
todas as pequenas e médias explorações agrícolas na área de estudo. A introdução de tecnologia
melhorada na agriculturaeo registo de DUAT seria um passo importante para promover a
transformação da agricultura extensiva para agricultura intensiva.

Figura 3.5.1 Parcelas de Terra Registadas por Município Maio–Junho em 2012

3.6 Infra-estruturas Agrícolas e Irrigação

3.6.1 Condições Actuais e Problemas dos Sistemas de Irrigação

(1) Inventário dos Sistemas de Irrigação

Os sistemas de irrigação já existiam em todas as partes do país, assim como na Área de Estudo, e
atingiram seu auge na década de 1980. Posteriormente, grande parte dos sistemas sofreu com a
deterioração pelo tempo e mau funcionamento devido à falta de manutenção adequada, durante e
depois do período da guerra civil. Consequentemente, as áreas efectivamente irrigadas foram
significantemente reduzidas. Oinventário nacional dos sistemas de irrigação existentes foi realizado
em 2001 pelo Fundo para o Desenvolvimento da Hidráulica Agrícola (FDHA), e as províncias da Área
de Estudo, Nampula, Zambézia e Niassa, também foram abrangidas neste levantamento. O inventário
éactualizadopelasDPAs com grande esforço, apesar de não ser com a frequência desejada, pela falta de
recursos financeiros. O inventário tampouco cobre todos os sistemas e muitos dos pequenos sistemas
que se encontram dispersos. Assim, é necessário ressaltar que o inventário não reflecte com exactidão
as áreas de agricultura de irrigação. Além do mais, a falta de precisão da informação do inventário,
assim como a falta de um inventário sobre dados de localização, não permitem a gestão adequada dos

3-61
Versão Provisória - ANEXO

sistemas de irrigação. Mas apesar destes problemas, o inventario ainda possui um valor considerável,
visto queé a única fonte de informação disponível sobreos sistemas de irrigação existentes.

(2) Situação Actual e Uso dos Sistemas de Irrigação Existentes

Tabela 3.6.1 mostra a área ocupada por sistemas de irrigação bem assim os sistemas em uso e a
respectiva distribuição51. De acordo com o inventário dos sistemas de irrigação que foi actualizado
pelas DPAs, a área que dispõem de sistemas de irrigação em Nampula é de 41,459 ha. Desta área
efectivamente em funcionamento está apenas 3.575 ha e é inferior a 10% da área que dispõe de
sistema de irrigação. Esta proporção é significantemente menor comparada ao total da província de
Zambézia, 26,7%. Esta diferença deve-se ao facto de os dados de Nampula incluírem alguns projectos
de grande escala para o cultivo de arroz na zona costeira de investidores privados, que ainda se
encontram numa etapa preliminar. Por outro lado, Niassa mostra uma taxa de uso na ordem de 81.3%.
Porém, a irrigação ainda não está desenvolvida no Niassa e a área equipada ainda é pequena.

Dentro da Área de Estudo, a área em uso é de3.100 ha, equivalente a43,4% da área equipada que é
de7.148 ha. A área de irrigação não utilizada actualmente, de aproximadamente4.000 ha, é considerada
uma área com potencial de recuperação para o cultivo irrigado, através da reabilitação das instalações
existentes. Na maioria dos sistemas, pequenos produtores familiares estão a cultivar dentro de áreas
beneficiadas com sistemas de irrigação, utilizando ou não estes sistemas.Com a reabilitação e
recuperação do funcionamento desses sistemas, espera-se introduzir novos usuários, pequenos e
médios, assim como expandir o uso da irrigação entre os actuais produtores, com o aumento da
capacidade de fornecimento de água para irrigação. Porém, devido a dispersão dos usuários, torna-se
difícil convidar usuários de irrigação de grande escala para a reabilitação dos sistemas de irrigação
existentes.

Os pequenos sistemas de irrigação inferiores a 50 ha de área equipada representam 55,6%, 59,5% e


90,6% para as províncias de Nampula, Zambézia e Niassa respectivamente, que é superior à média
nacional de 51%. Uma característica destas províncias é que a maioria dos sistemas é de pequena
escala e os sistemas de grande escala com mais de 500 ha são raros. Esta tendência é significativa nos
distritos da Área de Estudo, onde os sistemas com menos de 50 ha ocupam69,8% e conta com somente
um grande sistema de irrigação grande, com mais de 500 ha, no distrito de Monapo na província de
Nampula. Além do mais, dentro da Área de Estudo, sistemas de irrigação em uso menores que 10 ha
ocupam uma proporção bastante elevada, de86,1%. Isto mostra que dentro da Área de Estudo somente
se encontram disponíveis pequenos sistemas de irrigação.

51
A área ocupada por sistemas de irrigação significa a área onde sistemas de irrigação foram desemvolvidos uma vez,
indepenedentemente de estarem ou não actualmente em use,enquanto a área em uso mostra a área actualmente usada para a irrigação
até ao presente.

3-62
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.6.1 Número, Área, Operação e Tamanho dos Sistemas de Irrigação no Corredor Nacala
Número Área de Irrigação (ha) Área equipada (No.) Área em operação (No.)
Província de Em Área 50-500 >500 10-100 >100
<50 ha <10 ha
Sistemas operação equipada ha ha ha ha
*1
128 3.575 41.459 69 50 5 108 11 1
1. Nampula
8,6% 100% 55,6% 40,3% 4,0% 90,0% 9,2% 0,8%
Dentro da Área 71 2.370 5.968 42 26 1 65 2 1
de Estudo 39,7% 100% 60,9% 37,7% 1,4% 95,6% 2,9% 1,5%
74 3.427 12.850 44 27 3 44 23 7
2. Zambézia
26,7% 100% 59,5% 36,5% 4,1% 59,5% 31,1% 9,5%
Dentro da Área 20 226 456 15 5 0 13 7 0
de Estudo 49,5% 100% 75,0% 25,0% 0,0% 65,0% 35,0% 0,0%
64 634 780 29 3 0 25 6 1
3. Niassa
81,3% 100% 90,6% 9,4% 0,0% 78,1% 18,8% 3,1%
Dentro da Área 27 504 724 24 3 0 21 5 1
de Estudo 69,6% 100% 88,9% 11,1% 0,0% 77,8% 18,5% 3,7%
Área de Estudo 118 3.100 7.148 81 34 1 99 14 2
Total 43,4% 100% 69,8% 29,3% 0,9% 86,1% 12,2% 1,7%
Notas:*1: Inclui a Fazenda de Banana Matanuska de 1.300/2.000 ha na província de Nampula
*2: Dados de área não estão disponíveis para 3 sistemas na província de Nampula.
*3: O sistema de irrigação desenvolvido pela cooperativa agrícola em Majune não está incluso
Fonte: DPA Nampula, DPA Zambézia, DPA Niassa

(3) Desenvolvimento do Sistema de Irrigação

Dos 59 sistemas de irrigação que deviam ser construídos ou reabilitados na província de Nampula,
apenas 13 foram concluídos em 2012. Obras de construção ou reabilitação são realizadas com
orçamento do governo provincial, como parte do melhoramento da produtividade dentro do Plano de
Acção para a Produção Alimentar (PAPA). Alguns sistemas são implantados com o Fundo de
Desenvolvimento Distrital (FDD).Os projectos de irrigação executados por estas vias consistem na
construção ou reabilitação de açudes e canais, aquisição de bombas e outros equipamentos afins,
instalação de tanques plásticos ou de betão e atribuição de regadores.
No que tange aosprojectos implantados pelas DPAs, na sequência da solicitação dos produtores, todos
os custos de estudo/desenho até a construção, são cobertos com orçamento do governo, e os
produtores solicitantes fornecem mão-de-obra não remunerada durante a construção e devem
responsabilizar-se pela operação e manutenção apósa construção. No caso do FDD, os distritos
aprovam a solicitação dos produtores/associações e decidem sobre o projecto. O FDD é operado como
um fundo rotativo e os produtores/associações devem devolver o valor. Geralmente, o custo de cada
projecto de irrigação executado pelo FDD oscila entre MT 300.000 a 400.000.
Paralelamente ao apoio do governo para sistemas de irrigação, muitas ONGs e Fundos apoiam os
produtores na instalação de sistemas de irrigação como parte dos programas de desenvolvimento
agrícola ou rural.
A DPA de Nampula formulou um Plano Estratégico de Desenvolvimento da Irrigação em Nampula
(PEDHAN), que inclui um plano de desenvolvimento de 5 anos, apesar de ainda não ter sido aprovado
oficialmente. As províncias da Zambézia e Niassa ainda não formularam seus planos.

3-63
Versão Provisória - ANEXO

3.6.2 Situação Actual e Questões de Irrigação Agrícola

(1) Situação Geral

Dentro da Área de Estudo é possível identificar áreas cultivadas com recurso a grandes sistemas de
irrigação de empresas que produzem culturas de rendimento, entretanto em número reduzido. Grande
parte da irrigação é realizada em pequenas terras de cultivo através de pequenos sistemas de irrigação.
Os pequenos sistemas de irrigação usam água manualmente extraída dos rios ou lagoas ou extraída
através de bombas; algumas vezes são construídos pequenos açudes em pequenos riachos e córregos,
como também são escavados pequenos reservatórios na própria terra de cultivo. Depois do
desaparecimento das machambas estatais, as áreas de irrigação foram distribuídas para pequenos
produtores. Os pequenos sistemas de irrigação estãoa crescer nas áreas ao longo dos rios ou perto de
lagos e pântanos, onde predomina o cultivo de hortícolas com valor monetário que permitem a
irrigação manual com regadores ou pequenas bombas portáteis bemcomo grãos como o milho. Visto
que a maioria dos sistemas de irrigação dentro da área de intervençãosãopequenos e se encontram
dispersos, é difícil ter uma ideia clara da situação.

(2) Grandes Sistemas de Irrigação

Conforme foi mencionado anteriormente, as machambas com grandes sistemas de irrigação são muito
escassas naÁrea de Estudo, como se mostra na Tabela 3.6.2 Existe uma empresa agrícola com um
grande sistema de irrigação na província de Nampula e três na província de Niassa. Os grandes
sistemas de irrigaçãosãoadoptados por empresas que empregam tecnologia moderna e produzem
culturas de rendimento para a exportação. A Empresa Matanuska, localizada no distrito de Monapo,
província de Nampula, opera 1.300 ha de área irrigada, tendo como fonte de água o rio Monapo e seu
afluente, para a produção de banana para exportação. Esta empresa tem um plano para expandir a
irrigação para 3.000 ha num futuro próximo. A empresa usa o sistema de micro aspersão para irrigação.
A empresa Luambala Jatropha está localizada no Distrito de Majune na província do Niassa. Esta
empresa produz soja em 145 ha de área irrigada com um sistema de aspersão com pivô central, e
também produz mandioca em 200 ha. A Empresa Tenga no distrito de Majune opera terras irrigadas
para a produção de nozes da Macadâmia para exportação. O sistema de Irrigação de Matama que era
operado pela Fundação Malonda foi transferido para uma empresa privada e actualmente cultiva 100
ha de soja. Estas empresas foram estabelecidas com capital externo para a produção de materiais para
a exportação e não se observam grandes empresas privadas com capital moçambicano que utilizem
grandes sistemas de irrigação ou que adoptem tecnologia moderna de irrigação.

Tabela 3.6.2 Usuários de Grandes Sistemas de Irrigação na Área de Estudo


Usuário de Distrito/ Recursos Cultura Área irrigada/ Sistema de
Irrigação Província hídricos principal Total área (ha) Irrigação
Rio Monapo,
Monapo/ Bomba de micro
Matanuska Açude no rio Banana 1.300/ 3.000
Nampula aspersão
Mikate
Tenga Ltd. Majune/ Niassa Rio Lucheche Macadâmia Bomba
Bomba de micro
Luambala Jatrofa Majune/ Niassa Rio Luambala Soja 145/ 345 aspersão com
pivô central
Insumos Agrícola e
Lichinga・Niassa Rio Lucheringo Soja 100/ 300 Canal
Pecuária (IAP)
Fonte: Equipa do Estudo

3-64
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(3) Pequenos e Médios Sistemas de Irrigação

1) Gestão de Culturas e Machambas

Na área de intervenção, 29% são médios sistemas de irrigação e 70% são pequenos sistemas de
irrigação. Entretanto, 86% do sistema têm menos de 10 ha de área de irrigação em uso. Além do mais,
a maioria dos usuários são pequenos produtores cuja área de irrigação é inferior a 1 ha. Na província
de Nampula, a maioria dos usuários dos sistemas de irrigação cultiva hortícolas como cebola, tomate,
repolho, cenouras, espinafre, couve, alho, pimenta, etc., em parte das terras de cultivo, onde grande
parte do terreno é usado para culturas alimentares como mandioca e milho, e as culturas de rendimento
como o tabaco e algodão são cultivadas através da agricultura de subsistência. As hortícolas
produzidas são levadas aos mercados locais pelos produtores e alguns levam sua produção ao mercado
da cidade, em Nampula. De acordo com a maioria dos produtores que exploram pequenos sistemas de
irrigação, o transporte dos produtos é um dos desafios para a agricultura de irrigação.

Igualmente, pode-se observar que os produtores cultivam arroz durante a época das chuvas nas terras
baixas e pantanosas e cultivam hortícolas no mesmo terreno, logo após a colheita do arroz. Nessas
áreas, recorre-se a irrigação manual com regadores para hortícolas como uma alternativa
complementar. Este modelo de cultivo utiliza de maneira total a água do solo. A associação de culturas
e a agricultura de subsistência, dependentes da chuva para a sua irrigação, são comuns nas províncias
da Zambézia e Niassa. Dentro da Área de Estudo destas províncias, verifica-se igualmente irrigação
complementar para o milho e o feijão. Na província do Niassa, a irrigação complementar é aplicada
também para a batata.

2) Práticas e Gestão da Irrigação

Geralmente os produtores recolhem água dos rios e reservatórios em regadores manualmente ou


utilizando pequenas bombas portáteis. O sistema de canais por gravidade é utilizado somente onde se
encontra disponível; entretanto, este é limitado devido à inexistência ou abandono do sistema. Os
produtores usam água nos cultivos com irrigação por gravidade em sulcos, ou manualmente, com
irrigação em bacias. São muito poucos os produtores que possuem bomba própria e a maioria usa
regadores para transportar água e regar as culturas. Como grande parte do trabalho de irrigação
consiste no transporte manual de água, a procura de bombas portáteis é elevada no seio dos pequenos
produtores. Porém, o custo do combustível constitui um obstáculo para os usuários de bombas, uma
vez que não tem energia eléctrica nas zonas rurais. Nota-se que o trabalho manual pesado de regar as
hortícolas limita a área de irrigação de cada família produtora e dificulta a expansão das áreas
irrigadas.

Em relação à gestão das terras agrícolas em pequenas irrigações, pode-se observar três tipos modelos
de gestão:
 Desenvolvimento de cooperativas, uso, operação e manutenção (O&M) de instalações de
irrigação no seio dos agricultores e gestão de empresas agrícolas individuais.
 Colaboração nas práticas específicas de cultivo no seio dos agricultores e empresas agrícolas
individuais
 Cultivo cooperativo na área de irrigação

3-65
Versão Provisória - ANEXO

Observa-se a colaboração nas praticas agrícolas de irrigação e transplante de cultivos de hortícolas que
requer mão-de-obra concentrada. O cultivo cooperativo está limitado ao cultivo na área de irrigação de
cada produtor, cada produtor produz, de forma individual, culturas cuja irrigação é dependente da
chuva fora da área de irrigação - sequeiro. Os trabalhos cooperativos ou colaborativos são realizados
por grupos ou associações de produtores. O sistema de irrigação também é operado e mantido pelo
grupo ou associação de produtores que utiliza o sistema. Algumas vezes nota-se a participação da
comunidade no desenvolvimento e operação de pequenos sistemas de irrigação.

Em geral, não se cobra uma taxa pela utilização do sistema de irrigação aos usuários dos pequenos
sistemas, mas as associações cobram uma quota aos sócios. Para as actividades necessárias para a
operação e manutenção, os usuários participam com mão-de-obra, mas pagam pelo custo do
combustível quando utilizam as bombas. Quando surge a necessidade de capital para a reparação das
instalações ou dos equipamentos, os usuários fazem uma contribuição ad hoc, entretanto, muitas vezes
a contribuição não é suficiente devido à condição económica dos pequenos produtores. Isto limita os
trabalhos de manutenção pelo grupo ou associação e causa o mau funcionamento ou abandono dos
sistemas de irrigação.

3) Sistemas e Instalações de Irrigação

As fontes de água dos pequenos sistemas de irrigação são i) rios, onde a água é transportada através de
regadores manuais ou bombas portáteis, ii) pequenos açudes construídos em riachos e córregos, e iii)
reservatório escavado em uma parte das terras de cultivo. A área de irrigação desenvolvida nas antigas
machambas estatais foi dividida entre os pequenos produtores depois do declínio deste sistema.
Entretanto devido à falta de conhecimentos, experiência e fontes de financiamento dos pequenos
produtores, não se realiza manutenção devida destes sistemas de irrigação e os danos nos açudes e
canais causam o mau funcionamento e abandono dos sistemas.

Na maioria dos casos os pequenos açudes em riachos são geralmente construídos em betão, e os
reservatórios aproveitando os pântanos e riachos são construídos em barro. A água armazenada no
açude ou reservatório é conduzida aos canteiros através de canais de gravidade, manualmente ou com
bombas. Uma vez que a maioria dos pequenos sistemas tem uma capacidade limitada de
armazenamento de água, o período disponível para irrigação depende do caudal variável dos rios. Os
sistemas que dependem de fontes de água como rios com caudal variável na província de Nampula
constitui a maioria dos pequenos sistemas de irrigação, proporciona irrigação somente de 2 a 3 meses
após o inicio do período de seca, até Junho ou Julho. Mesmo nos rios que têm um caudal
relativamente elevado, o nível da água reduz-se significativamente em Outubro e Novembro, assim, os
produtores enfrentam dificuldades para conseguir água. Portanto, o cultivo com pequenos sistemas de
irrigação limita-se a produção de hortícolas, cujo período de cultivo é curto, ou complementa a
irrigação de pousio.

Em geral, a estrutura das infra-estruturas de pequenos sistemas irrigação é simples e, em muitos casos,
verifica-se que as fundações não foram devidamente feitas ou o corpo dos açudes não é estável. Na
província de Nampula, alguns açudes construídos pela DPASA/MASAestão avariados ou desabaram
devido ao vazamento de água. Pode-se considerar que existem problemas no levantamento e desenho

3-66
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

da estruturado açude e na fundação, assim como na qualidade da supervisão durante a fasede


construção.

3.6.3 Uso e Gestão dos Recursos Hídricos


52
(1) Licença de Águas e Cobrança de Tarifas de Água

A ARA é responsável pelo desenvolvimento e gestão dos recursos hídricos. Na área de intervenção, os
distritos da província de Niassa, com excepção de Cuamba, estão sob a jurisdição da ARA-N,
enquanto os outros distritos estão sob a jurisdição da ARA-CN. A ARA controla o uso dos recursos
hídricos como rios, lagos, pântanos e açudes, através do registo de utentes e a emissão de licenças de
águas. A ARA deve administrar suas actividades com autonomia financeira, através de cobranças de
tarifas de água aos usuários sob sua jurisdição. Actualmente, a tarifa de água é cobrada somente a
grandes consumidores como a FIPAG, autoridade de fornecimento de água para a cidade, usuários
industriais e usuários de irrigação com mais de 500 ha. Pequenos usuários de sistemas de irrigação ou
pequenos consumidores não são registados e não são sujeitos a cobrançaspelo uso de água.

(2) Licença de Águas na Área de Estudo

A Tabela 3.6.3 mostra um resumo das licenças de água emitidas até ao presente momento dentro da
área de intervenção. Na jurisdição da ARA-CN,foram concluídas e emitidas 6 licenças,
correspondentes a um total de 60,8 milhões de m3/ano. Três são para fornecimento público de água em
Nampula, Cuamba e Gurué; 1 licença para irrigação e 1 licença para uso florestal. A licença para
finsde irrigação ocupa 84,6% do volume total de água, cujo principal usuário é a Quinta de Banana
Matanuska, com 3.000 ha (Rio Monapo). Além desta, os usuários de água do sector florestal utilizam a
irrigação para as mudas de árvores no distrito do Gurué (Rio Licungo).O rio Monapo, incluindo a
barragem de Nampulacobremetade das licenças emitidas e o volume total de água representa 94,5% do
total das licenças. O rio é considerado um dos recursos hídricos mais desenvolvidos dentro da área de
intervenção.

Na jurisdição da ARA-N, estão concluídas e emitidas 7 licenças, para um volume total de 3,9 milhões
de m3/ano, das quais 1 é para o fornecimento público de água em Lichinga, 3 para irrigação (2 em
Majune e 1 no distrito de Lichinga) e 3 para propósitos florestais (2 em Lichinga e 1 no distrito de
Sanga). O volume de água usado para fins de irrigação ocupa 55.6% e para fins florestais ocupa20.7%.
As licenças para fins de irrigação foram emitidas para a Quinta Luamba Jatrofa que produz jatrofa e
soja no distrito de Majune, a Quinta Tenga que produz nozes da macadâmia no distrito de Majune, e a
Quinta Insumos Agrícola e Pecuária(IAP) que produz soja no distrito de Lichinga. As licenças estão
concentradas nos distritos de Lichinga e Majune o que mostra que os recursos hídricos nesses distritos
estão bastante desenvolvidos. Todas as licenças emitidas pela ARA-N na área de intervenção neste
momento são licenças provisórias que devem ser renovadas anualmente. Estas licenças se encontram
no período de transição, a espera da inspecção sobre o uso efectivo e deverão ser trocadas por licenças
regulares num futuro próximo.

52 Licença de água inclui Licença e Concessão, conforme descrito no ponto 2.5.1.

3-67
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.6.3 Licenças Registadas/Concessão para Uso de Água na Área de Estudo


a) Por propósito de uso b) Por bacia hidrográfica / Distrito
Número Volume de água Volume de água
Rio/
ARA Propósito de 3 ARA 3
(m /ano) (%) Distrito (m /ano) (%)
licenças
Fornecimento
Rio
público de 3 6.963.600 11,4% 57.500.000 94,5%
Monapo
água
Centro- Centro- Rio
Irrigação 1 51.500.000 84,6% 3.360.000 5,5%
Norte Norte Licungo
Rio
Florestal 1 2.400.000 3,9% 3.600 0,0%
Metucue
Total 5 60.863.600 100% Total 60.863.600 100%
Fornecimento
Distrito de
público de 1 924.840 23,7% 1.633.374 41,8%
Lichinga
água
Distrito de
Norte Irrigação 3 2.174.454 55,6% Norte 2.160.000 55,2%
Majune
Distrito de
Florestal 3 810.720 20,7% 116.640 3,0%
Sanga
Total 7 3.910.014 100% Total 3.910.014 100%
Fonte: ARA-N, ARA-CN, em 2012

(3) Usuários de Pequenos e Médios Sistemas de Irrigação na Gestão de Recursos


Hídricos

De acordo com o conceito da Lei de Águas, o uso comum, inclusive a agricultura de pequena escala
está isenta de cobranças e de licença. Ademais, somente grandes sistemas deirrigação com mais de 500
ha são considerados, actualmente, na gestão de recursos hídricos dentro do sistema de licenças de
águas. É necessário considerar os pequenos e médios usuários de sistemas de irrigação para implantar
uma gestão adequada e eficaz dos recursos hídricos. É necessário registar todos os usuários, mesmo
que estes não sejam cobrados, tomando-se em consideração a situação económica dos pequenos e
médios usuários de sistemas de irrigação, como também o facto de que a agricultura de irrigação ainda
se encontra num estágio inicial de desenvolvimento.

3.7 Sistema de Apoio Agrícola


3.7.1 Investigação Agrária

(1) CentrosZonais do IIAM

O IIAM tem 2 centros de zonais que abrangem a Área de Estudo (isto é, Centro Zonal Nordeste (IIAM
CZnd) em Nampula e Centro Zonal Noroeste (IIAM CZnw) em Lichinga). O IIAM CZnd abrange
todos os distritos da província de Nampula, excepto o distrito de Malema, enquanto o IIAM CZnw
abrange o distrito de Malema e todos os distritos das províncias da Zambézia e do Niassa. Ambos
centros têm unidades experimentais conforme se ilustra na Tabela 3.7.1.

3-68
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.7.1 Unidades Experimentais do IIAM CZnd e CZnw


Região
Centro de Área
Unidade Experimental Província / Distrito agro-ecol Notas
Pesquisa (ha)
ógicos
Estação agrícola de Nampula Nampula 330 R7
Centro de pesquisa e de Nampula/ Maconta 347 R7
multiplicação de sementes de
algodão de Namialo
Centro de pesquisa de Mapupulo C. Delgado/ 40 R7
Montepuez
IIAM Subestação agrícola de Nacaca C. Delgado/ Namuno 50 R7
a
CZnd* Subestação agrícola de Napaha C. Delgado/ Namuno 8.000 R7 Não
funciona
Subestação agrícola de Nametil Nampula/ Mogovolas 1.014 R8
Subestação agrícola de Ribáuè Nampula/ Ribáuè 2.572 R7
Subestação agrícola de Namapa Nampula /Namapa 1.000 R7
Subestação de pesquisa do Nampula/ Meconta 12.394 R7/R8
Laboratório regional veterinário Nampula - R7
Estação Agrícola de Lichinga Niassa/ Cidade de NA R10
Lichinga
IIAM
b Subestação agrícola de Zambézia/Gurué NA R10
CZnw*
Mutuquelese (Gurué)
Subestação agrícola de Mutuari Nampula/Malema 3.000 R7
Fonte:*a Plano Estratégico do Centro Zonal Nordeste para o período 2011-2015, 2011, IIAMCZnd
*b Estudo Preparatório para a Cooperação Triangular para o Desenvolvimento Agrícola da Savana Tropical em
Moçambique

(2) Estratégia de Investigação

O IIAM CZnd e o IIAM CZnw têm culturas estratégicas para suas actividades de P&D em 2011-15,
conforme mostra a Tabela 3.7.2.O IIAM CZnd definiu as culturas de grande influência e de média a
grande influência nas suas respectivas áreas.

Tabela 3.7.2 Culturas e Produtos Alimentares Básicos Estratégicas do IIAM CZnd e CZnw
Centro Culturas/produtos alimentares básicos Culturas/ produtos alimentares básicas
Zonal degrandeinfluência de média a grande influência
CZnd Mandioca, Milho, Feijões (Feijão nhemba, Mapira, Arroz Irrigado, Gergelim, Feijão
feijão holoco), Amendoim, Algodão, Boer, Ovos, Carne (gado, porcos,
Castanha de caju, Avicultura cordeiros), Madeira
CZnw Cereais (Milho e Mapira), Legumes, Mandioca, Batata-doce, Hortícolas, Amendoim,
Trigo, Gergelim, Batata, Soja, Tabaco, Algodão, Chá, Frango
Fonte: Plano Estratégico do Centro Zonal Nordeste para o período 2011-2015, 2011, IIAM CZnd

Os IIAM CZnd e CZnw definiram as metas estratégicas práticas com base nas seguintes 5 metas
estratégicas do IIAM, assim como suas culturas estratégicas.

1) Alta produtividade, produção estável, sustentabilidade básica das cadeias de oferta


2) Estabelecimento de cadeia de oferta de culturas de rendimento competitiva
3) Segurança alimentar, nutricional e saúde
4) Uso sustentável do ecossistema
5) Interacção e integração para sustentabilidade do IIAM

(3) Recursos Humanos

O IIAM CZnd tem 32 técnicos (PhD, Mestres e Licenciados) e 33 investigadoresagrícolas de


apoiotécnico, 22 técnicos de nível básico e 71 de nível elementar. O IIAM CZnw tem 12

3-69
Versão Provisória - ANEXO

investigadores(Mestres e Licenciados). Alguns especialistas desempenham um papel de liderança na


investigação nacional no campo dos grãos, legumes, raízes e tubérculos, castanha de caju, gergelim e
algodão, e em alguns temas multidisciplinares (solos, entomologia, fitopatologia e socioeconomia).
Embora existam poucos investigadores especializados em ambos os centros, nota-se uma concentração
destes na sede dos centros.

(4) Parceiros

Além dos parceiros de investigação agrária mencionados nasecção2.5.1, o IIAM lançou actividades
conjuntas de investigação com a Agência Japonesas de Cooperação Internacional (JICA) e a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária(EMBRAPA)através do Projecto para Melhoria da Pesquisa e da
Capacidade de Transferência de Tecnologia para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala,
Moçambique. Este projecto baseia-seno Programa de Cooperação Triangular para o Desenvolvimento
Agrário da Savana Tropical em Moçambique (ProSAVANA), e tem como objectivo desenvolver
tecnologias agrícolas adequadas na área do Corredor de Nacala e estimular a capacidade de pesquisa
dos IIAM CZnd e CZnw.

3.7.2 Extensão Agrária

(1) Situação Actual

Cabe à Direcção Nacional de Extensão


IIAM
Governo
Agrícola do MASAorganizar os Departamento de Agricultura (DAP)
Provincial
Serviço Provincial de Extensão
Escritório de
serviços de extensão através do SISNE. Tecnologia
Dentro do sistema, existe um Serviço
Planificação e Associação (Organização
Provincial de Extensão Agrícola que Monitoria Comunicações Treinamento de Produtores para a
Comercialização)
coordena as actividades de extensão
agrícola a nível da província. O
Governo Serviços de Actividades Económicas
número de técnicos de extensão Distrital Distritais (SDAE)

agrícola na área de estudo em 2010 era Supervisor


de Extensão
de 81 na Zambézia, 107 em Nampula e
rabalhador rabalhador rabalhador rabalhador Nota)
71 em Niassa dos 950 profissionais de de Extensão de Extensão de Extensão de Extensão Norma do
rabalhador rabalhador rabalhador rabalhador governosão 8
extensão agrícola registados no MASA. de Extensão de Extensão de Extensão de Extensão trabalhadores de

Em 2013/2014, o número aumentou


Fonte: Equipa de Estudo da JICA (Entrevista no DPA, Província de Nampula)
para 143, 183 e 121 para Zambézia,
Nampula e Niassa, respectivamente. Figura 3.7.1 Organizações do Governo Relacionas
com Serviços de Extensão Agrária
Os SDAEs são responsáveis pelo
serviço de extensão agrícola no campo, após a descentralização da extensão agrária. Antes de
2000/01, um Supervisor de Extensão que zelava pelas actividades dos extensionistas era alocado em
cada PostoAdministrativo, que, conforme se fez referência anteriormente, é a unidade administrativa
mais baixa depois do distrito. Um distrito consiste em vários Postos Administrativos. De acordo as
normas estabelecidas pelo governo, um Supervisor de Extensão ou em cada Postotem sob sua tutela 8
extensionistas.

3-70
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Após 2000/01, apenas um Supervisor de Extensão foi alocado a cada distrito (SDAE).
Simultaneamente, o númerode extensionistas em
Tabela 3.7.3 Número de Extensionistas na
cada distrito foi reduzido. Apenas 8 extensionistas Área de Estudo por Distrito
trabalham num distrito de acordo com a actual Número de
Província Distrito extensionistas na
norma do governo. O número real de área de estudo
extensionistas é, no entanto, abaixo da norma do Monapo 8
Muecate 7
governo, sendo de 5 a 6 extensionistas por Distrito Mecubúri 2
Meconta 5
em média. Consequentemente, o número total de Mogovolas 6
Nampula
extensionistas foi dramaticamente reduzido desde Nampula 8
Murripula 5
2000/01. Tabela 3.7.3 mostra o número de Ribáuè 5
extensionistas na área de estudo. Lalaua 2
Malema 5
Os extensionistas prestam apoio técnico Alto Molócuè 5
Zambézia
Gurué 6
principalmente para pequenos produtores na sua Cuamba 3
área de jurisdição. Os extensionistas devem Mecanihelas 3
Mandimba 4
oferecer um serviço técnico com forte vínculo com Nguama 2
Niassa
outras instituições, tais como instituições de Majine 4
Lichinga (Cidade 10
pesquisa, de serviços agrícolas e de & Distrito)
Sanga 8
comercialização, de acordo com o SUEdo Total 98
MASA.As actividades dos extensionistas abarcam Fonte: Entrevista com os respectivos SDAEs, Equipa de
Estudo
os seguintes serviços:

1) Fornecimento de apoio técnico a grupos de produtores;


2) Facilitação aos produtores de modo que organizem suas associações (2-3 associações)
3) Gestão de um campo de demonstração através de um produtor de contacto responsável
4) Gestão de um campo de demonstração (1 ha) sob supervisão do IIAM/IITA (PITA)

Além dos trabalhos regulares supracitados, os extensionistas trabalham para vários programas do
governo ou financiados por doadores para distribuição de insumos agrícolas aos produtores.

O serviço de extensão agrícola tem sido amplamente realizado pelo sector privado, nomeadamente
ONGs e provedores de serviço no país. O serviço de extensão tem historicamente sido realizado ou,
por outra, está associado a actividades comerciais específicas, tais como produção de algodão e tabaco.
Muitos produtores obtiveram informação e conhecimento técnico sobre o uso de fertilizantes químicos
e pesticidas através de sua experiênciaenquanto produtores sob contrato para a indústria do algodão ou
do tabaco.

Diante destas circunstâncias, o SUE procura parcerias funcionais entre os serviços de extensão
públicos e privados, incluindo o desenvolvimento de contrato público com provedores de serviço
não-governamentais. As seguintes ONGs e empresas de algodão são reconhecidas pela DPANampula
como provedores de serviço de extensão agrícola. ADPASANampula organiza um encontro anual de
coordenação com as principais ONGs.

3-71
Versão Provisória - ANEXO

1) ONGs:
Save the Children, CLUSA, Care/Proj Sementes, Adap/SF, Essor, OIKOS, Visão Mundial,
Actined, OLIPA Odes, Ophavela, Kulima, Africare

2) Empresas de algodão:
SANAM, OLAM, CANAM, SAM, PLEXUS

(2) Responsabilidades Conforme Desingnadas

As responsabilidades do SDAE e os seus respectivos extensionistas, conforme previstas no Plano


Director de Extensão Agrária, são as seguintes:

 O serviço distrital de extensão agrária: contribuir para o desenvolvimento da planificação


participativa, acompanhamento durante a execução, monitoria e avaliação.53

Conforme se pode notar acima, a expressão “planificaçãoparticipativa” sugere que as actividades dos
SDAEs devem ser tomadas emconsideração na coordenação com os diferentes sectores, não se
limitando apenas nos subsectores do agro-negócio, ou no sector público. Este princípio deverá se
reflectir nas responsabilidades dos supervisores.

Por outro lado, o Manual de Orientaçãode Extensão, que a DNEA atribui a todos os extensionistas a
nível distrital e provincial, explica as atribuições destes profissionais, a saber:

Conceitos básicos sobre extensão rural e suas funções54

 A extensão é um sistema de educação não formal através do qual os extensionistas


ensinam/educam e se inter-religam com os produtores com o objectivo de melhorara a
produtividade e produção agrária.

 A extensão é um processo contínuo de transferência de informação útil à população e ajudar


sucessivamente a mesma população a adquirir conhecimento, treinamentos e atitude necessária
para utilizar essa informação ou tecnologia.

A comparação entre esses dois papéis designados sugere que existe uma diferença nas actividades
visadas ou nos objectivos da organização, mesmo na fase de concepção. Antes de analisar ao detalhe a
razão desta,deve-se analisar as responsabilidades designadas

No Plano Director de Extensão Agrária, as responsabilidades do Supervisor não são similares as de um


extensionistas comum a saber:

Responsabilidades dos Supervisor (Plano Director)55

 Responsável por liderar, supervisionar, programar e implementar as actividades de extensão


agrárias para assegurar que os programas distritais de extensão logrem os objectivos e
impactos desejados.

53
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária (2007) Plano Director de Extensão Agrária 2007-2016, Page 35
54
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária (200 ?) Extensionists
55
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária(2007) Plano Director de Extensão Agrária2007-2016, Page 35

3-72
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

 Passar pelo menos 15 dias num mês no campo a realizar visitas e organizarsessões regulares de
treinamento e participar de encontros regulares a nível distrital e provincial.

 Contribuir para a coordenação, no sector agrário, de todas as actividades de extensão rural no


distrito.

 Responsável por organizar encontros do comité distrital de gestão da extensão agrária que
congrega representantes dos serviços agrários, ONGs, o Sector privado e produtores para
discutir problemas, prioridades e coordenar as actividades de apoio ao desenvolvimento
agrário no distrito.

As actividades do supervisor são abrangestes e, por conseguinte, requerem um grau elevado de gestão
e coordenação. Quer parecer que durante a concepção do Plano Director de Extensão Agrária em 2007,
não se dedicou atenção particular no Sector Agrário. Não se sabe se estas atribuições do Supervisor
são devidamente implementadas ou não ou se precisam ser analisadas ou ainda não se sabe se os
supervisores são dados assistência necessária ou não. Existe um outro aspecto que carece de atenção.
Várias fontes (por exemplo, os participantes do Seminário do SPER em Maputo, no dia 30 de Março
de 2012) apontam que os supervisores não são dados condições preferenciais, visto que esta categoria
não é considerada profissão, o que sugere que não há remuneração específica para os supervisores. Por
outro lado as atribuições dos extensionistas descritas no Plano Director são:

Responsabilidades dos extensionistas (Plano Director de Extensão Agrária)56

 Responsáveis pela implementação dos serviços de extensão agrária, organização de produtores


através da uma abordagem participativa e que empoderaos produtores.

Conforme se pode ver, as responsabilidades dos técnicos de extensão estão ligadas a prestação de
serviços para garantir o envolvimento da “organização” e da “abordagem participativa”. Pode-se
observar uma outradisparidade na explicação dada no manual do extensionistas:

Responsabilidades dos extensionistas (Manual dos extensionistas)57


1) A organização que promove mudanças
2) Necessidade dos clientes e retroalimentação (sic.)
3) E.O. (sic)
4) Fluxo de inovação para os clientes
5) Sistema Social (produtores)

A análise comparativa das primeiras duas discrições sugere que existe de alguma forma uma
disparidade. Sugere ainda que a definição das responsabilidades dos extensionistas no manual do
extensionistas não está alinhada com o Plano Director. Pode-se dizer que o Plano Director não respeita
o que as directrizes práticas e a promoção a nível do campo.

Esta disparidade parece insignificante quando se olha para as actividades no campo, conforme
resumidoabaixo.

56
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária (2007) Plano Director de Extensão Agrária 2007-2016, Page 35
57
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária(200?) Extensionistas

3-73
Versão Provisória - ANEXO

Formas de Intervenção dos extensionistas(extensionistas)58

Directrizes para o sucesso do trabalho de extensão: o que é que um extensionistas deve fazer?
1) Conhecer e dominar a sua profissão
2) Estudar as condições e práticas locais
3) Cumprir com os horários dos encontros (assiduidade)
4) Apresentar-se e explicar os objectivos da visita
5) Memorizar as faces e os nomes: tentar conhecer todos membros da comunidade
6) Cumprimentar a todos
7) Mostrar afecto e se interessar pelo bem-estar da comunidade
8) Identificar-se
9) Ser informal e delicado
10) Aprender a escutar (ser rápido para ouvir e lento a dar opinião)
11) Usar a língua local e linguagem simples
12) Começar com necessidades simples e comuns que podem ser facilmente resolvidas
13) Aceitar os seus erros, aceitara a sua ignorância.
14) Insistir que os líderes locais participem do processo
15) Usar os lideres locais e cooperar
16) Tentar fazer entender os benefícios da extensão a todos os grupos e indivíduos singulares.
17) Acomodar novas ideias e através destas actualizar o programa (diálogo)
18) Ter um sistema de valores muito forte
19) Manter um registo de todas visitas enquanto a memória estiver fresco.
20) Ser proactivo.

Conforme os número 10 e 17 sugerem, as orientações práticas do extensionistas confirm ama


necessidade de, de alguma forma, o que se chama de abordagem participativa.

(3) Nível académico do pessoal (Nível Provincial e distrital)

Segundo o chefe do Departamento de Apoio Técnico (Departamento de Apoio Técnico, doravante,


DAT), a DNEA tem apoiado os técnicos a nível distrital que manifestam interesse em progredir com
estudos para o nível universitário. Aqueles seguem agronomia ou qualquer área relacionada com o seu
trabalho profissional recebem bolsa de estudos, e, em seguida, quando terminam a formação, ou
mesmo antes de terminarem a formação são promovidos para o nível provincial. Os nomes indicados
pelo chefe da DAT como sendo as pessoas assistidas por este serviço incluem os técnicos a quem a
missão encontrou durante a pesquisa.

Não obstante se registar uma melhoria nestas províncias em termos de reforço da capacidade dos
técnicos provinciais, a proporção ainda éa metade da proporção de técnicos com o nível de
licenciatura da DNEA. Esta situação de baixo nível de escolaridade nas zonas rurais é sustentada
quando se olha para o sector da educação a nível distrital.

58ditto

3-74
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

O Plano Director de Extensão identifica o nível de educação necessário de funcionários de extensão a


nível distrital como segue.

Necessidade Educacional (Plano Director)59

 A nível do distrito o nível mínimo de educação exigido aos extensionistas é o nível médio, e
para os supervisoro bacharelato.

3.7.3 Organização dos Produtores

(1) Situação Actual

Para ganhar robustez financeira em relação aos factores climáticos, económicos e naturais
desfavoráveis, uma parte dos produtores em Moçambique está organizada em associações e federações
de produtores, o que igualmente lhes permite dar importância política às suas necessidadese
reivindicações contra o governo e a sociedade.

Existem vários tipos de organizações de produtores em Moçambique, a saber:

<Tipo I>: Organizações criadas para auxiliar na prestação de serviços ou a transferência de


tecnologia, com serviços para os pequenos produtores mediadas principalmente por uma
agência ou programa de fora da comunidade, (ou seja, “grupos de extensão” criados por
ONGs para fornecer tecnologia e formação agrícola)

<Tipo II>: Organizações para a produção de culturas agrícolas com contrato simples, que são
baseados inicialmente no capital de uma sociedade de investimento financeiro ou
comercial, com serviços para os pequenos produtores de alimentação conduzida
(facilitando a canalização de insumos e marketing).

<TipoIII>: Organizações para comercialização e desenvolvimento decorrentes dos investimentos


contínuos em capital humano e social, com serviços para os pequenos produtores
principalmente orientados pela procura.

Existem três modalidades de organizações de produtores. Enquanto o primeiro consiste numa única
associação, o segundo é um conjunto deassociações de dois ou mais produtores designado fórum
(Foro) (referido como União), e existe fórum rural (Foro rural) e fórum de distrito (Foro distrital).
ADPASA está engajado na promoção da transformação de associações de produtores para o fórum.
Existe a federação, que é uma combinação de vários fóruns a nível provincial, em algumas províncias
referido como uma união provincial.

O papel e objecto de cada organização são:

<Associação>

Associação é um grupo de pessoas que se reúnee tem um objectivo comum. Em Moçambique, a


legislação estabeleceque o número mínimo de pessoas para constituir uma associação é de 10. Seus
objectivos são os seguintes:

59
MINAG Direcção Nacional de Extensão Agrária (2007) Extension Master Plan 2007-2016, Pag.45, <7.5.2
Competências dos extensionistas>

3-75
Versão Provisória - ANEXO

 Defender os interesses dos membros (produtores);


 Ouvir os desejos e anseios dos moradores da área;
 Promover o desenvolvimento socioeconómico da região, propondo ideias de negócios ou
projectos alternativos;
 Vender as produções agrícolas e pecuárias na área;
 Fortalecer o espírito de solidariedade e ajuda mútua.

<Fórum>

Fóruméum grupo de associações jurídicas da mesma área geográfica que enfrentam restrições
semelhantes e que se reúnem para facilitar a resolução de problemas. União Regional: é equivalente ao
fórum. Este conceito é usado na província do Niassa. União Distrital é um grupo de fóruns baseadosno
mesmo distrito. Seus objectivos são os seguintes:
 Defender os interesses dos membros;
 Auxiliar os membros na elaboração de projectos para o desenvolvimento das associações;
 Encontrar mercados para ajudar na comercialização de produtos dos membros;
 Ajudar a resolver os problemas existentes dentro da associação;
 Sensibilizar e moralizar a associação de modo que ela não se dissolva.

<Federação>

Federação é um grupo de sindicatos distritais, que está aberto para o fórum e associação participar
directamente. Constituem os seus objectivos os seguintes:
 Mobilizar ajuda e organizar as cooperativas agrícolas e associações filiadas;
 Promover o desenvolvimento de actividades de cooperativas ou associações filiadas a elas;
 Prestar assistência técnica em máquinas e equipamentos agrícolas e de pecuária aos seus
membros;
 Fornecer mecanismos adequados para a comercialização da produção, com vista a obter um
lucro;
 Proporcionar facilidades juntas com créditos de bancos ou outras organizações;
 Promover programas, cursos de formação e caridades para membros das associações e
cooperativas afiliadas suas respectivas famílias para promover o espírito de solidariedade

As relações entre a Associação e o Fórum são as seguintes: 1) O fórum é a casa das associações; 2) O
fórum descreve as políticas e estratégias de implementação dentro de seus estados que são membros, e
3) As associações são responsáveis em relação ao fórum a que pertencem. Considera-se um fórum a
um conjunto de duas ou mais associação. Em média, devem ser 15 associações. A quota definida para
as associações por cada fórum geralmente seria entre 100,00 MT e 200,00 MT anualmente.

(2) Organizações de Produtores Abrangidas pela DPASA

O número de organizações de produtores que se beneficiam do apoio e assistência da DPASA através


de extensionistas do SDAE nos últimos anos é ilustrado na Tabela 3.7.4. Comparado com os
resultados do inventário, o número é consideravelmente reduzido.

3-76
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.7.4 Organizações Abrangidas pela DPASA

Província Distrito Número Província Distrito Número


1) Monapo 23 1) Alto Molócuè 51
Zambézia
2) Muecate 18 2) Gurué 23
3) Mecubúri 28 1) Cuamba 68
4) Meconta 29 2) Mechanhelas 63
5) Mogovolas 57 3) Mandinba 60
Nampula
6) Rapale (Nampula) 130 Niassa 4) Nguama 28
7) Murrupula 61 5) Majune 84
8) Ribáuè 54 6) Chimbonila (Lichinga) 60
9) Lalaua 6 7) Sanga 53
10) Malema 89 Total 985
Fonte: SPERs de três províncias (2013)

3.7.4 Insumos Agrícolas

(1) Sementes

Apenas alguns produtores utilizam sementes de


Tabela 3.7.5 Estabelecimentos Agrícolas
qualidade em Moçambique. A Tabela 3.7.5 mostra que que usam Sementes Melhoradas
9-10% dos estabelecimentos agrários utilizaram sementes de Milho(%)
melhoradas para milho, que é a cultura mais popular no Província 2007 2008 2012
Niassa 5 5 5
seio dos produtores em Moçambique, em 2007, 2008 e Cabo Delgado 7 4 7
2012. através de um estudo de campo em 2012, Nampula 6 4 4
confirmou-se que a maioria dos agricultores Zambézia 11 8 8
Tete 24 13 21
entrevistados usa suas próprias sementes ou Manica 20 29 11
trocam/compram com/dos vizinhos, excepto para as Sofala 8 14 11
hortícolas, algodão e tabaco. As sementes de algodão e Inhambane 5 3 4
Gaza 5 13 7
tabaco são fornecidas por uma empresaque pratica a Maputo 14 17 7
agricultura sob contrato para o fomento destas culturas, Nacional 10 10 9
juntamente com outros insumos necessários, por exemplo, Fonte: Censo Agrário2012, MINAG

fertilizantes e pesticidas.

As sementes básicas só são produzidas pela USEBA Tabela 3.7.6 Produção de Sementes
Certificadas em Moçambique
(Unidade de Produção de Sementes Básicas) do IIAM, Ano (unidade: ton)
Cultivo
embora a USEBA algumas vezes contrate a produção 2007/08 2008/09 2009/10
Milho 3.388,6 793,1 1.739,7
de sementes de um produtor de sementes privado. As
Arroz 1.070,2 3.379,4 4.143,0
sementes básicas são multiplicadas em sementes Mexoeira 479,6 100,4 36,0
certificadas por empresas de produção de sementes. Há Mapira 30,0 6,0 4,0
Trigo 150,0 - -
apenas 18 empresas produtoras de sementes, embora
Feijões 221,8 5,5 7,1
haja 35 empresas de sementes registadas segundo os Feijão Nhemba 458,6 520,9 60,9
“Indicadores Comerciais de Moçambique”, Banco Feijão Boer 2,0 - -
Soja 112,4 17,5 18,0
Mundial, Abril 2012. Elas produziram
Girassol 53,6 - -
aproximadamente 6.000 a 7.000 ton de sementes Amendoim 346,9 342,5 13,3
certificadas por ano no período 2007/08-09/10 Gergelim 34,5 191,4 -
Batata Reno 774,0 400,0 115,0
conforme mostra a Tabela 3.7.6.As sementes
Total 7.122,2 5.756,7 6.137,0
produzidas eram principalmente de cereais e de feijões. Fonte: Departamento de Sementes/DNSA, MINAG

3-77
Versão Provisória - ANEXO

Não há produção de sementes certificadas de hortícolas em Moçambique.

Já foi criado um quadro jurídico e legal para o controlo de qualidade e registo de sementes em
Moçambique. No entanto, a estrutura não está a funcionar direito ao nível do campo devido à falta de
fiscais de campo, laboratórios para teste de sementes, e etc.

Existem várias empresas pequenas de sementes que iniciaram seus negócios recentemente ao nível dos
distritos. Embora elas já se tenham registado no MASA através daDPASA, não há informação
disponível se estão incluídas nas 35 empresas mencionadas. A maioria delas obteve assistência
financeira de uma ONG ou de uma agência doadora. Elas enfrentam os seguintes problemas realização
das suas actividades.

1) Pesada intervenção governamental no negócio (SEMOC) e na distribuição de sementes


2) Falta de capital de giro (difícil acesso à empréstimo bancário)
3) Baixa qualidade das sementes básicas distribuídas pelo IIAM
4) Difícil acesso às indústrias de processamento de sementes

O programa do governo, através do Departamento de Sementes do MASA e das DPASAs, tem


promovido a produção de sementes por produtores individuais ou grupos de produtores em cooperação
com ONGs. Neste programa são produzidas sementes de milho, arroz, amendoim, gergelim e feijões.
Aproximadamente, 6.000 ton de sementes foram produzidas no período 06/2005-10/2009, de acordo
com o Departamento de sementes do MASA. Embora as sementes produzidas não sejam sementes
certificadas, elas são distribuídas aos agricultores locais através dos seus grupos e cooperativas,
comerciantes privados e mesmo através de programas de apoio do governo. Tabela 3.7.7 mostra que
aproximadamente 10.000 ton de sementes certificadas foram vendidas em 2011.

Atabela também mostra que apenas três empresas, SEMOC, MozFoods e PANNAR dominam o
mercado local de sementes. Elas são também importantes empresas plantadoras de sementes no país.

Tabela 3.7.7 Estimativas das Vendas de Sementes Certificadas em Moçambique em 2011


Empresa Tipo de Sementes Quantidade (ton)
1 SEMOC Milho (OPV). feijões. arroz. mapira. amendoim 5.000
2 MozFoods (MIA) Arroz. milho (OPV & Híbrido). trigo. feijões 2.050
3 PANNAR Milho (OPV & Híbrido). mapira. amendoim 1.500-2.000
4 Dengo Comercial Milho (OPV & Híbrido). beijões. mapira. etc. 555
5 Morais Comercial Milho (OPV & Híbrido). feijões. amendoim. hortaliças 270
6 IkURU Milho (OPV & Híbrido). soja. amendoim. feijões. gergelim 250
7 Lozane Farms Milho (OPV & Híbrido). beijões. mapira. soja 168
8 Outros Milho (OPV & Híbrido). feijões. hortaliças. gergelim. etc. 136,5-141,5
9.929.5 to
Total 10.434.5
Fonte: Estudo sobre Sementes do SDC (Corporação de Desenvolvimento Suíça), 2011

A diferença entre as sementes produzidas e a procura precisa ser colmatada atravésreimportações,


enquanto a PANNAR (Empresa de Sementes de Moçambique) exporta seus produtos para países
vizinhos isto é, 2.500-3.000 ton/ano. A quantidade de sementes importadas é desconhecida. Estima-se
que as sementes de milho, trigo, hortícolas e batata possam ser as principais importadas.

3-78
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

O governo foi a principal fonte de suprimento de sementes aos produtores através do PAPA, como
mostra Tabela 3.7.8. As sementes do PAPA foramadquiridasde empresas locais através de concursos
públicos, sendo os SDAEs responsáveis pela distribuição. As sementes do PAPA foram distribuídas
aos produtores por aproximadamente 50% dos Tabela 3.7.8 Distribuição das Sementes
do PAPA
custos reais. A SEMOC foi o maior fornecedor das
Ano
sementes do PAPA, uma vez que vende Cultivo Unidade
2008/09 2009/10
aproximadamente 90% de suas sementes para os Milho ton 1.679,0 2.127,0
Arroz ton 697,8 2.000,0
programas do MASA. A SEMOC é uma empresa do
Trigo ton 1.152,0 1.350,0
estado desdearetirada de um sócio-acionista, que Feijões ton - 107,0
detinha a maioria das acções. Soja ton 300,0 100,0
Girassol ton 75,0 -
O IFDC (Centro Internacional de Desenvolvimento Batata Reno ton 1.265,0 1.995,0
de Fertilizantes) também implementou um programa Hortaliças kg - 2.204,0
Total 5.168,8 7.681,2
de distribuição subsidiada de insumos em Fonte: Departamento de Sementes/DNSA, MASA
cooperação com a UE e a FAO em 10/2009 e
11/2010. Foram distribuídos insumos embalados (sementes e fertilizantes) para milho e arroz através
de um sistema de crédito nas províncias de Sofala, Zambézia, Manica, Nampula e Tete. A Figura 3.7.2
mostra o fluxo de distribuição de sementes para osprodutoresem Moçambique.

Empresas Estrangeiras de Sementes


(Milho, Trigo, Batata, Hortícolas, etc.)
USEBA/ IIAM
(Sementes Básicas de
Cereais & Feijões)

Emp. Locais de Sementes SEMOC


 PANNAR
 MozFoods (MIA)
FAO, AGRA,
 Outras (pequenas) Rep. de VendasAssociação
(Organização dos agricultores
ONGs para comercialização)
etc. Grupos deAgricultores
Planejamento &Monitoria

Plantadores por

ONGs Programas Governo Distribuidores Locais/Lojas

Produtores em Geral

Figura 3.7.2 Produção e Distribuição de Sementes em Moçambique

3-79
Versão Provisória - ANEXO

(2) Fertilizantes

À semelhançadas sementes de qualidade, apenas um número limitado de produtoresutiliza fertilizantes


químicos em Moçambique, conforme Tabela 3.7.9 Proporção de Estabelecimentos
mostra a Tabela 3.7.9. Embora a Agrícolas que Utilizam Fertilizantes (%)
Province 2005 2006 2007 2008 2012
percentagem nas províncias de Niassa, Tete Niassa 18 15 7 10 9
e Maputo seja maior que em outras Cabo Delgado 0 5 1 3 0
Nampula 3 3 2 3 2
províncias, esta elevada percentagem Zambezia 0 2 1 0 0
representa uma área cultivada maior das Tete 17 18 21 15 10
Manica 2 1 1 5 2
culturas de tabaco, cana-de-açúcar e Sofala 1 2 1 1 2
hortícolas, onde os fertilizantes são Inhambane 1 2 4 2 4
Gaza 4 2 2 3 2
utilizados. Maputo 7 7 12 10 6
National 4 5 4 4 3
Estima-se que apenas aproximadamente Fonte: TIA 2012, MINAG

30-50 mil ton de fertilizantes químicos Tabela 3.7.10 Consumo Estimado de Fertilizantes
foram utilizados por ano no período Químicosem Moçambique
Cana de Outros
2006-2010, conforme mostra a Tabela Ano Tabaco
Açúcar cultivos
Total
3.7.10 estes foram principalmente aplicados 2006 13.000 10.000 5.500 28.500
2007 13.000 10.000 5.000 28.000
no tabaco e na cana-de-açúcar. Poucos
2008 15.000 12.000 5.000 32.000
fertilizantes foram utilizados no algodão, 2009 16.000 12.000 5.000 33.000
embora seja também uma cultura comercial 2010 31.400 15.000 5.000 51.400
Fonte: DNSA/MASA
importante no país. Os fertilizantes
populares no seio dos produtoresdo país são NPK (12-12-12 & 12-24-12), Ureia, DAP e CAN.

Várias fontes sugerem que a procura reduzida de fertilizantes pelos produtores deve-se ao acesso
limitado ao crédito para insumos e ao preço elevado dos fertilizantes em Moçambique. Não existe um
programa do governo para distribuir fertilizantes subsidiados, embora o governo forneça sementes e
maquinaria agrícola através do PAPA. Os fertilizantes subsidiados são distribuídos juntamente com
outros insumos por ONGs e por agências doadoras.

Contrariamente ao negócio de sementes, o negócio de fertilizantes em Moçambique é


exclusivamente operado pelo sector privado. Todos os fertilizantes utilizados no país são importados
de outros países. Apenas uma empresa de mistura de fertilizantes, a MFC (a Moçambique Fertilizer
Company), está em funcionamento em Chimoio. A MFC até mesmo exporta uma quantidade modesta
dos seus produtos para países vizinhos, principalmente o Malawi. A participação da MFC no mercado
deve ser de aproximadamente 50% em
Moçambique. A Agri-focus é o maior Tabela 3.7.11 Estrutura de Preço da Uréia em 2011
importador depois da MFC, existem Preço % no preço
Tipo de preços
também pequenos importadores de (US$/t) de varejo
FOB (na Arábia Saudita) 449,0 43,9
fertilizantes que lidam com outros insumos
CIF (em Beira) 623,8 61,0
agrícolas, assim como com outros bens. Ex-factory (em Chimoiyo) 720,0 70,4
Preço de entrega ao varejista 748,0 73,1
Os fertilizantes importados são distribuídos Preço de varejo 1.023,0 100,0
aproximadamente por 250 comerciantes de Fonte: Indicadores de Agronegócios de Moçambique, Banco
Mundial, Abril 2012

3-80
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

insumos agrícolas espalhados pelo país. Esse mostra que sua elevada margem de lucros resulta no alto
preço na venda a retalho dos fertilizantes em Moçambique.

De acordo com vários comerciantes de insumos agrícolas, as razões para a margem elevada de lucros
prendem-se com “pouca quantidademanuseadadevido à reduzida procura” e “custo financeiro elevado
para manter o estoque”.

A Figura 3.7.3 mostra o fluxo de distribuição de fertilizantes para os produtores em Moçambique. O


fluxo pode variar drasticamente daqui a alguns anos, uma vez que existem vários projectos para
construção de indústrias de fertilizantes em fase de planificação em Moçambique.
Países Exportadores
(China, África do Sul, etc.)Países Exportadores
(Principalmente, África do Sul)

Outros Agri-focusAgri- INCAJÚEmpresa de


Importadores Fertelizantes de
Peq. focus Moçambique (MFC)

Empresas Privadas
(Algodão, Tabaco, etc.)
Empresas Privadas Estatais
(Tabaco, Cana de Açúcar, etc.) Exportação
(Malawi)

Próprios Agricultores
&Plantadores p/
Contrato

Distribuidores

Locais/LojasDistribuidores
Agricultores em Geral
Produtores em Geral

Figura 3.7.3 Processamento e Distribuição de Fertilizantes em Moçambique

<Lição aprendida do Malawi>

Após vários programas de subsídios agrícolas, o governo do Malawi apresentou o novo Programa de
Subsídio de Insumos Agrícolas (FISP) em 2005 com o apoio financeiro dos governos sueco e irlandês.
O novo programa tinha como objectivo melhorar a segurança alimentar nacional e aumentar a
produtividade dos pequenos produtores após más colheitas decorrentes de vários anos de seca.

Durante a época agrícola 2010/2011, 1,6 milhões de produtores receberam apoio monetário para a
adquirirem fertilizantes e semente de milho subsidiado60. Este apoio foi canalizado oficialmente
através dos líderes locais. O método de distribuição deste apoio é determinado pela comunidade. Os
produtores apresentavam os cupões de apoio à Cooperação para o desenvolvimento Agrário e
Comercialização (ADMARC) para trocá-los por fertilizantes embalados conforme a sua escolha.
Eventualmente o governo reduziu os subsídios devido a fraca gestão e gestão indevida.
Consequentemente, o número de beneficiários também reduziuOs produtores que não podiam receber
os subsídios, não restava outra opção se não adquirir fertilizantes a partir de fornecedores privados.
Nos casos em que os produtores não tivessem dinheiro suficiente para adquiri fertilizantes e outros
60
Análise e Notícia Humanitária (IRIN), Malawi: Farm subsidy programme shrinks, Oct. 2011

3-81
Versão Provisória - ANEXO

insumos, verificavam a redução da produção agrícola e enfrentaram escassez de alimentos, por cinco
meses até a próxima colheita. Além disso, os produtores sofriam danos significativos nos seus campos
de produção, decorrentes do atraso de aquisição de fertilizantes e do sistema de entregadeficiente do
governo61.

(3) Agro-químicos (Pesticidas)

Àsemelhança das sementes e fertilizantes Tabela 3.7.12 % de Estabelecimentos Agrícolas


que Utilizam Pesticidas
químicos, muito poucos produtores utilizam
Província 2005 2006 2007 2008 2012
pesticidas(isto é, insecticidas, fungicidas e Niassa 7 11 3 8 7
herbicidas) em Moçambique, conforme mostra Cabo Delgado 11 17 10 11 23
a Tabela 3.7.12. Nampula 10 4 3 3 11
Zambézia 1 2 1 0 1
De acordo com o FAOSTAT, o uso anual de Tete 7 9 13 7 2
Manica 2 1 1 4 3
pesticidas foi aproximadamentea 900-1.000 ton
Sofala 8 9 6 0 5
no período 2006-2011, exceptonoano de 2007 Inhambane 1 1 1 2 5
(ver Tabela 3.7.12). Uma vez que não há Gaza 3 1 3 3 1
Maputo 6 7 8 7 5
produção de pesticidas no país, todos os
Nacional 5 5 5 4 6
pesticidas utilizados foram importados. A
Fonte: TIA 2012, MINAG
Agri-focus é o principal importador de Tabela 3.7.13 Uso de Pesticidas em Moçambique
pesticidas do país, embora esta empresa (unidade: ton)
também seja um importante importador de Ano Insecticidas Herbicidas Fungicidas Total
2006 439,24 378,15 74,13 891,52
fertilizantes
2007 172,34 320,37 54,6 547,31
Não há informações pormenorizadas 2008 437,12 391,17 60,22 888,51
2009 180,23 617,29 115,35 912,87
disponíveis sobre o uso de pesticidas. De
2010 398,46 648,42 139,88 1.186,76
acordo com a informação recolhida pela 2011 200,00 442,24 121,76 764,00
Equipa de Estudo, os pesticidas para uso Fonte: FAOSTAT(Dez. 2015)
agrícola são principalmente utilizados em Países Exportadores
(China, África do Sul, etc.) Países
culturas comerciais (algodão, tabaco, caju, etc.,
e nas hortícolas).
Agri-focus Outros
O INCAJÚ distribui gratuitamente pesticidas
como incentivo para os produtores decaju.
Entretanto, os produtores beneficiados pagam Empresas Privadas INCAJÚ Distribuidores
(Algodão, Tabaco,
pelos serviços de pulverização, de acordo com etc.)
Distribuição Livre
os produtores da província de Nampula.

O governo criou um regulamento para os Próprios Plantadores Agricultores em


Agricultores de Cajú Geral
pesticidas em Março de 2002.Este instrumento
regula o registo, embalagem e rotulagem dos Figura 3.7.4 Distribuição de Pesticidas em
pesticidas. Moçambique

A Figura 3.7.4 mostra o fluxo de distribuição de pesticidas para os agricultores em Moçambique.

61
Harashima Azusa, Fact of subsidy policy on chemical fertilizer in Malawi

3-82
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(4) Mecanização Agrícola

A informação sobre o número de tractores em uso em Moçambique varia de acordo com a fonte.
Enquanto o Censo Agrícola de 2009-2010 (INE) diz que existem 59.467 tractores, os dados da FAO
indicam que havia apenas 6.540 tractores em 2006.Considerando o número de tractores importados
que foi de 524 unidades por ano no período de 2008-10 segundo dados de clientes, e a vida económica
dos tractores (aproximadamente 10 anos), presume-se que os dados da FAO são mais confiáveis. De
qualquer modo, o número é muito pequeno para atender os 5.633.850 ha de área total cultivada no
país.

O serviço de aluguer de tractores não é bem desenvolvido em Moçambique. Alguns grandes


produtores fornecem serviços personalizados de preparo de terra após terem finalizado todos os
trabalhos de preparação de terra em seus próprios campos. Associações e cooperativas de produtores
também prestam serviço de aluguer de tractor. Estas associações obtiveram tractores através de
programas de apoio de agências doadoras ou do governo, incluindo o Fundo de Desenvolvimento
Distrital.

Os tractores são importados por indivíduos ou por empresas privadas que são os principais
representantes de vendas/comerciantes dos principais fabricantes internacionais de tractores (por
exemplo, John Deere, Massey Ferguson e New Holland).Considerando que a procura do sector
privado é ainda muito baixa e alguns importam seus próprios tractores, uma parte substancial dos
tractores importados pelos principais distribuidores no período 2008-11 foi para o sector público (ver
Tabela 3.7.13).

O governo desempenha um papel preponderante distribuição de tractores agrícolas, conforme mostra a


Tabela 3.7.14. Existem discrepâncias entre os números na Tabela 3.7.15, porque o governo não
adquiriu necessariamente os tractores apenas através dos principais comerciantes.

Tabela 3.7.14 Tractores Importados pelos Tabela 3.7.15 Tractores Distribuídos pelo
Principais Distribuidores (2008-11) Governo (2008-2010)
% distribuidora Ano Número Original/Programa
Ano Número
Privado Público 2008 50 FDA
2008 38 0 100 2009 50 PAPA
2009 77 26 74 2009/10 110 Commodity Aid
2010 284 21 79 2009/10 220 GPZ
2011 70 86 14 Total 430 -
Total 469 - - Fonte: Direcção Nacional de Acção Social
Fonte: Indicadores de agro-negócio de Moçambique, (NDSA)/MINAG
Banco Mundial, Abril 2012

3.7.5 Financiamento Agrícola


A maioria dos distritos localizados nas zonas rurais em Moçambique dispõe de infra-estruturas
bancárias formais. Na área de estudo os bancos estão igualmente concentrados nas zonas urbanas
conforme mostra a Tabela 3.7.16.

Os dois sistemas financeiros seguintes estão a trabalhar para apoiar os pequenos produtores e
operadores de agro-negócio incluindo organizações de produtores na área de intervenção

3-83
Versão Provisória - ANEXO

Tabela 3.7.16 Instituições Financeiras na Área de Estudo em 2011


Distrito Número de Distrito Número de
Bancos Bancos
Monapo 2 Alto Molócuè 2
Muecate 0 Gurué 0
Mecubúri - Cuamba 4
Meconta 2 Mecanhelas 0
Mogovolas 0 Mandimba 1
Nampula 19 N'Gauma 0
Murrupula 0 Majune 0
Ribáuè 0 Lichinga 5
Lalaua 0 Sanga 0
Malema 1 Total 36
Fonte: Estatísticas dos Distritos 2012, INE, adaptado pela equipa de Estudo 2013.

(1) Financiamento Agrícola para Operadores de Agro-negócio

Os bancos comerciais não têm condições específicas para empréstimos para agricultura/agro-negócio,
exceptoos mecanismos especiais aplicados através do programa de desenvolvimento 62 .Além dos
bancos comerciais, o Gabinete de Consultoria e Apoio à Pequena Indústria (GAPI63)também presta
serviços financeiros para empresas rurais de agro-negócio e para organizações de produtores, através
da provisão de empréstimos com taxas de juros um pouco inferiores que das outras instituições
financeiras, realizando formação para empreendedores na gestão do negócio e prestando serviços de
consultoria para planificação de negócios, através das agências localizadas em cada província64.O
GAPI também tem um plano para prestação de serviços financeiros nas zonas rurais, através do
estabelecimento de micro bancos. A Tabela 3.7.17 mostra as condições específicas para as operações
do GAPI.

Tabela 3.7.17 Informação detalhada sobre oSistema Operacional do GAPI

Itens Condições
Linha de crédito - US$ 10.000 a US$ 400.000 (para pequenas/médias empresas)
Taxa de juros - 6 a 8% mais baixa do que a dos bancos comerciais
- Uma taxa de juros específica é decidida com base na natureza do
negócio e na qualidade da garantia
Aprovação das - Montante do empréstimo é inferior a US$ 25.000: Pelo gerente da
solicitações de agência
empréstimo
- Montante do empréstimo é superior a US$ 25.000: pela sede do GAPI
ou pelo gerente regional
Taxa de inadimplência - Aproximadamente 20% a 25% (para empréstimos para
pequenas/médias empresas)
Proporções dos - 70% para pequenas/médias empresas; 30% para organizações de
empréstimos agricultores
Outros - GAPI não recebe depósitos, apenas fornece empréstimos
Fonte: Entrevista com o GAPI, Equipa de Estudo

62
Muitos programas financiados por doadores incluem acesso a financiamento para desenvolvimento da agricultura/agronegócio
usando diferentes ferramentas de financiamento, tais como linhas de crédito subsidiadas, fundos de garantia, fundos catalíticos e
apoio técnico.
63
O GAPI (Sociedade de Investimento) era originalmente uma instituição financeira do governo para apoio a pequenas indústrias,
mas depois se envolveu com uma empresa privada, embora o governo ainda possua 30%de sua propriedade.
64
No Corredor de Nacala, o GAPI tem agências em Nampula,Cuamba e Lichinga.

3-84
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(2) Financiamento Agrícola para Pequenos Produtores por Instituições de


Microcrédito

As instituições de microcrédito (IFMs) têm experiências limitadas no empréstimo agrícola, que


constituiuma pequena parte do portfólio das MFIs.65As condições para empréstimo agrícola para
pequenos produtores diferem das condições dos bancos comerciais, especialmente no tocante às
exigências da garantia. Uma vez que o valor do empréstimo é muito menor do que o valor dos bancos
comerciais, as IFMs exigem garantias adaptadas ao contexto rural, tais como bens domésticos,
poupanças, fiadores, grupos de solidariedade e animais. 66A taxa de juros dos empréstimos para
actividades agrícolas é normalmente inferior a das outras actividades, variando de 3% a 4% por mês,
enquanto a taxa normal varia de 4,5% a 6% por mês; uma taxa que a maioria dos pequenos produtores
apresenta dificuldades em aceitar por acreditarem ser muito alta para pagar com seus ganhos67.

Ao analisar exemplos individuais de financiamento agrícola por IFMs em Moçambique, a maioria


dessas instituições, como o Banco Procredit e Socremo, está virado para o comércio e serviços nas
zonas urbanas. O Banco Oportunidade de Moçambique (BOM, criado em 2005), entre quatro bancos
de microfinanças, é o único banco que, de forma proactiva, está engajado na concessão de crédito ao
sector agrícola. O valor do crédito no sector da agricultura representa menos de 10% do total de
empréstimos do banco. O BOM opera especialmente nas regiões centro e norte de Moçambique,
disponibilizando empréstimos a curto prazo para mais de 30.000 pequenos produtores. No Corredor de
Nacala, tem filiais em Nampula e Gurué. Em termos de mecanismo de financiamento agrícola, apenas
o BOM aplica um sistema de empréstimo em grupo, segundoo qual os candidatos são obrigados a
formar um grupo com mais de quatro membros. Tanto grupos formais quanto informais, tais como
associações e fóruns são qualificados para pedido de empréstimo. Embora o BOM tem enfrentado
dificuldades em gerar lucro, devido aos elevados custos operacionais, opera um negócio de mobilidade
bancária em distritos específicos nas províncias da Zambézia e Manica usando veículos especiais
equipados com estruturas necessárias para a provisão de serviços bancários. O BOM também ajuda a
facilitar acordos agrícolas com os pequenos produtores e agro-indústrias, fornecendo um empréstimo
para os produtores para a aquisição de insumos com base na garantia por parte do agro-negócio para a
aquisição de culturas, o que reduz o risco de preço e melhora a qualidade da produção. A Tabela 3.7.18
resume sistema operacional do BOM.
Tabela 3.7.18 Informação Detalhada sobre o Sistema Operacional do Banco
Oportunidade de Moçambique
Itens Condições
Taxa de Juro - 3 % por mês para empréstimo agrícola
Sistema de empréstimo - Empréstimo em grupo, envolvendo mais de 4 membros. Tanto grupos
de agricultores formais quanto informais podem solicitar o empréstimo.
Garantia - O requerente (grupo) deve deixar 15% do valor total de empréstimo
em depósito.
Proporções de empréstimos - 10% Para as actividades agrícolas, 90% para actividades comerciais
Escritórios - Província de Nampula: Nampula, Nacala, Província de Zambéziae:
Quelimane, Gurué, Mocuba
Fonte: Entrevista com o BOM, equipa de estudo

65
Trabalho Económico e Sectorial: Indicador de Agronegócio: Moçambique, Banco Mundial, 2012
66
Idem
67
Idem

3-85
Versão Provisória - ANEXO

Os esquemas de financiamentoparamachambas eagronegóciosapresentados na Tabela 3.7.19 foram


implementadosou planificadospara o desenvolvimento agrícolanoCorredor de Nacala, com a iniciativa
doGoverno de Moçambiquee/oudoadores.

3-86
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.7.19 Sistema de Financiamento para Machambas e Agro-negócio no Corredor de Nacala


Taxas de juros
Instituições
Nome Grupo Alvo Área Alvo Objectivos Valor total do fundo para os
Responsáveis
usuários finais
Sistemas de Empréstimos Existentes
FDD Pequenos e Médios Todo País Aumentar a produção de alimentos, a US$ 300,000 para cada 5% p.a. Governo
Produtores e outras renda dos produtores e criação de distrito anualmente Moçambicano
actividades económicas emprego
FDA/MASA Pequenos e Médios Todo País Aumentar a produção e produtividade 300 milhõesMTpor ano 10% p.a. FDA
Produtores e aumento da renda do sector
agrícola
Iniciativa do Fundo de Pequenos Corredor de Aumentar a produção agrícola através US$ 750.000 (para o 10% p.a. MASA and GAPI
Desenvolvimento produtores,agro-negócio e Nacala r da agricultura sob contrato primeiro ano de 2012/13),
associações no total
Esquemas de crédito em análise
Mais Alimentos em Pequenos produtores Países Aumentar a produção agrícola através US$ 98 milhões (Gana, NA MDA (Financiado
África Africanos de empréstimos aos Pequenos e Zimbabwe, Moçambique, pelo Governo
Identificados Médios Produtores Senegal e Quénia) Brasileiro)
AGRO-INVESTE Pequenas e Médias Todo País Aumentar a produção agrícola através 225 milhões MT(quatro 14% (ainda DANIDA(Agência
Empresas Agrícolas de empréstimos para micro e anos) por se decidir) Dinamarquesa
pequenos agro-negócio para o
Desenvolvimento
Internacional) /
GAPI
Sistemas de Empréstimos Correspondentes
subvenções
Projecto de Pólos de Médias e Grandes Empresas Vale do Investimentos específicos em bens e US$ 17 milhões (Fundo Empréstimo Banco Mundial
Desenvolvimento Agrícolas pequenos Zambezi e serviços públicos, tais como sistemas Catalítico que suporta
Integrado produtores Corredor de de fomento, casas de embalagem, ligações entre pequenas e
Nacala centros de classificação, grandes empresas e
processamento, armazéns, etc. pequenos produtores)
FINAGRO Pequenas e médias Vale do Aumentar a competitividade do sector 170 milhões MTno total, o Empréstimo USAID
empresas e associações que Zambezi e privado moçambicano nas cadeias de que requer um jogo mínimo
operam na agricultura, Corredor de valor nas culturas de rendimento de 30% do valor do
agro-processamento, Nacala (frutas, oleaginosas, leguminosas e subsídio do requerente
comercialização e Corredor da castanha de caju) e culturas
actividades de exportação Beira alimentares.
Fonte: Recolha e Análise de Dados de Crédito Agrícola para o Desenvolvimento Agrícola no Corredor de Nacala

3-87
Versão Provisória - ANEXO

3.8 Cadeia de Valor e Comercialização

3.8.1 Sistema de Logística Agrícola

(1) Produtos Agrícolas no Fluxo de Mercado


1) Culturas Alimentares Básicas

A Tabela 3.8.1 mostra o volume e percentagem de cada produto. Para os alimentos básicos como
mandioca e milho,os distritos com maior volume do total da produção, têm maiores volumes de
vendas. As perdas de mandioca são relativamente altas em Monapo, Cuamba e Mandimba,
correspondendo a 4,7%, 5,6% e 4,2%, respectivamente. As perdas de milho em Ribáuè e Malema são
muito altas, correspondendo a 12,8% e 10,6%, respectivamente. Em geral, 66% da mandioca e do
milho na Área de Estudo são vendidos, 30% são para autoconsumo, e as perdas representam 4%.

Tabela 3.8.1 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Culturas Alimentares


Básicas
Vendas Autoconsumo Perdas Total
Produtos Província Distrito
(tons) (%) (tons) (%) (tons) (%) (tons) (%)
Monapo 99 20,2% 367 75,1% 23 4,7% 489 100,0%
Muecate 1.007 47,3% 1.102 51,8% 18 0,8% 2.127 100,0%
Meconta 367 43,6% 450 53,5% 24 2,9% 841 100,0%
Mogovolas 339 41,6% 450 55,3% 25 3,1% 814 100,0%
Nampula
Nampula 785 45,7% 902 52,5% 30 1,7% 1.717 100,0%
Murrupula 300 30,9% 651 67,0% 20 2,1% 971 100,0%
Ribáuè 5.500 74,0% 1.800 24,2% 130 1,7% 7.430 100,0%
Mandioca
Malema 3.800 92,2% 200 4,9% 120 2,9% 4.120 100,0%
Cuamba 2.500 66,5% 1.050 27,9% 210 5,6% 3.760 100,0%
Mandimba 2.300 76,8% 570 19,0% 125 4,2% 2.995 100,0%
Niassa
Ngauma 1.220 63,8% 680 35,5% 13 0,7% 1.913 100,0%
Lichinga 1.560 67,0% 700 30,1% 67 2,9% 2.327 100,0%
Alto Molócuè 850 64,8% 450 34,3% 12 0,9% 1.312 100,0%
Zambézia
Gurué 880 78,4% 208 18,5% 34 3,0% 1.122 100,0%
Total 21.507 67,3% 9.580 30,0% 851 2,7% 31.938 100,0%
Monapo 300 52,2% 250 43,5% 25 4,3% 575 100,0%
Muecate 145 42,9% 178 52,7% 15 4,4% 338 100,0%
Meconta 89 31,9% 175 62,7% 15 5,4% 279 100,0%
Mogovolas 130 42,6% 150 49,2% 25 8,2% 305 100,0%
Nampula
Nampula 331 46,8% 343 48,5% 33 4,7% 707 100,0%
Murrupula 307 38,4% 477 59,7% 14,6 1,8% 798,6 100,0%
Ribáuè 1.460 58,0% 660 26,2% 312 12,4% 2.519 100,0%
Milho
Malema 2.400 63,6% 975 25,8% 400 10,6% 3.775 100,0%
Cuamba 1.600 66,1% 702 29,0% 120 5,0% 2.422 100,0%
Mandimba 2.000 72,1% 760 27,4% 13 0,5% 2.773 100,0%
Niassa
Ngauma 1.769 72,2% 560 22,9% 120 4,9% 2.449 100,0%
Lichinga 1.450 68,3% 550 25,9% 123 5,8% 2.123 100,0%
Alto Molócuè 1.560 76,3% 479 23,4% 6 0,3% 2.045 100,0%
Zambézia
Gurué 1.543 69,8% 655 29,6% 12 0,5% 2.210 100,0%
Total 15.084 64,7% 6.914 29,7% 1.233,6 5,3% 23.318,6 100,0%
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012

2) Feijão

Para o feijão (Tabela 3.8.2), um maior volume que o volume de alimentos básicos é vendido fora das
áreas de produção, por causa da forte competitividade de preços comparado aos alimentos básicos. A
percentagem de vendas de feijão nhemba, feijão holoco e manteiga representam 61,3%, 89,9% e
74,5%, respectivamente.

3-88
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Tabela 3.8.2 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Feijões


Vendas Autoconsumo Perdas Total
Produtos Província Distrito
(tons) (%) (tons) (%) (tons) (%) (tons) (%)
Ribáuè 994 57,0% 540 30,9% 211 12,1% 1.745 100,0%
Monapo 275 59,5% 175 37,9% 12 2,6% 462 100,0%
Muecate 275 52,2% 230 43,6% 22 4,2% 527 100,0%
Meconta 201 41,9% 254 52,9% 25 5,2% 480 100,0%
Nampula
Mogovolas 450 53,8% 375 44,8% 12 1,4% 837 100,0%
Nampula 585 51,4% 530 46,5% 24 2,1% 1.139 100,0%
Feijão
Murrupula 272 56,7% 200 41,7% 8 1,7% 480 100,0%
Nhemba
Malema 986 58,1% 433 25,5% 278 16,4% 1.697 100,0%
Cuamba 780 63,4% 440 35,8% 10 0,8% 1.230 100,0%
Niassa Mandimba 860 75,4% 220 19,3% 60 5,3% 1.140 100,0%
N’Gauma 660 74,3% 188 21,2% 40 4,5% 888 100,0%
Alto Molócuè 780 70,4% 320 28,9% 8 0,7% 1.108 100,0%
Zambézia
Gurué 1.232 65,4% 430 22,8% 223 11,8% 1.885 100,0%
Total 8.350 61,3% 4.335 31,8% 933 6,9% 13.618 100,0%
Nampula 15 85,7% 1 5,7% 1,5 8,6% 17,5 100,0%
Feijão Nampula
Malema 152 83,5% 20 11,0% 10 5,5% 182 100,0%
Holoco
Niassa Cuamba 230 95,0% 10 4,1% 2 0,8% 242 100,0%
Total 397 89,9% 31 7,0% 13,5 3,1% 441,5 100,0%
Nampula Malema 220 69,2% 89 28,0% 9 2,8% 318 100,0%
Ngauma 1.600 84,4% 280 14,8% 15 0,8% 1.895 100,0%
Feijão Niassa
Lichinga 654 56,2% 430 36,9% 80 6,9% 1.164 100,0%
Manteiga
Alto Molócuè 340 86,7% 37 9,4% 15 3,8% 392 100,0%
Zambézia
Gurué 470 74,5% 127 20,1% 34 5,4% 631 100,0%
Total 3.284 74,6% 963 21,9% 153 3,5% 4.400 100,0%
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012
3) Culturas de Rendimento
Para outras culturas mostradas na tabela abaixo, o autoconsumo de gergelim, castanha de caju e
amendoim representam 4,2%, 9,7% e 27,6%, respectivamente. A perda em gergelim é relativamente
alta correspondendo a 9,5%. Para a soja, não se verifica autoconsumo e a perda é bastante elevada,
correspondo a 15,0%.
Tabela 3.8.3 Estrutura dos Resultados de Produção de Produtores de Outras Culturas
Vendas Autoconsumo Perdas Total
Produtos Província Distrito
(tons) (%) (tons) (%) (tons) (%) (tons) (%)
Monapo 150 80,2% 2 1,1% 35 18,7% 187 100,0%
Muecate 45 64,3% 10 14,3% 15 21,4% 70 100,0%
Meconta 85 72,0% 18 15,3% 15 12,7% 118 100,0%
Mogovolas 85 69,1% 15 12,2% 23 18,7% 123 100,0%
Nampula
Nampula 50 76,3% 3 4,6% 12,5 19,1% 65,5 100,0%
Gergelim
Murrupula 45,5 81,3% 7 12,5% 3,5 6,3% 56 100,0%
Ribáuè 111 92,5% 1 0,8% 8 6,7% 120 100,0%
Malema 129 90,2% 3 2,1% 11 7,7% 143 100,0%
Niassa Cuamba 330 93,2% 9 2,5% 15 4,2% 354 100,0%
Zambézia Alto Molócuè 460 93,9% 5 1,0% 25 5,1% 490 100,0%
Total 1.490,5 86,3% 73 4,2% 163 9,4% 1.726,5 100,0%
Monapo 468 93,0% 17 3,4% 18 3,6% 503 100,0%
Muecate 200 87,0% 25 10,9% 5 2,2% 230 100,0%
Castanha
Nampula Nampula 550 82,7% 100 15,0% 15 2,3% 665 100,0%
de caju
Murrupula 630 91,1% 34,25 5,0% 13,7 2,0% 691,65 100,0%
Mogovolas 650 83,9% 100 12,9% 25 3,2% 775 100,0%
Total 2.498 87,2% 276,25 9,6% 76,7 2,7% 2.864,65 100,0%
Monapo 450 92,8% 11 2,3% 24 4,9% 485 100,0%
Muecate 375 75,5% 98 19,7% 24 4,8% 497 100,0%
Meconta 450 60,6% 275 37,0% 18 2,4% 743 100,0%
Amendoim Nampula
Mogovolas 750 71,8% 250 23,9% 45 4,3% 1045 100,0%
Nampula 235 43,4% 281 51,9% 25 4,6% 541 100,0%
Murrupula 442 69,7% 173 27,3% 19,5 3,1% 634,5 100,0%
Total 2.702 68,5% 1088 27,6% 155,5 3,9% 3.945,5 100,0%
Zambézia Alto Molócuè 30 90,9% 3 9,1% 33 100,0%
Ribáuè 130 59,9% 0 87 40,1% 217 100,0%
Nampula
Soja Malema 210 91,3% 0 20 8,7% 230 100,0%
Niassa Cuamba 120 93,8% 0 8 6,3% 128 100,0%
Zambézia Gurué 250 95,4% 0 12 4,6% 262 100,0%
Total 740 85,1% 0 0,0% 130 14,9% 870 100,0%
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012

3-89
Versão Provisória - ANEXO

(2) Fluxo de Mercado

A Figura 3.8.1 ilustra o movimento de produtos agrícolas excluindo culturas industriais na Área de
Intervenção. Os produtos agrícolas são muitotransaccionados dentro da Área de Estudo, e para fora da
área por pessoas que recolhem os produtos, bem como comerciantes de várias magnitudes,
processadores, retalhistas, e exportadores na cadeia de valor de cada produto.

A Área de Intervenção abrange três províncias (Nampula, Zambézia e Niassa). Na província de


Nampula, além dos fluxos entre os distritos próximos, o fluxo global do mercado vai principalmente
para a cidade de Nampula, e o fluxo de distritos adjacentes a Niassa e Zambézia, tais como Malema e
Ribáuè, também vai para os distritos nestas províncias. A maioria dos produtos é transportada por
camionetas e camiões.

Na província do Niassa, os fluxos de mercado vão para o Malawi através de Mandimba, para a
província de Nampula e Zambézia através de Cuamba e para a região centro e sul para as culturas de
alto valor. Visto que o comboio entre Cuamba e Lichinga funciona uma vez por mês, camiões e
camionetas são predominantes no transporte de produtos. Para o milho, na época da colheita, usa-se
um vagão ferroviário para o transporte de Cuamba a Nampula.

Na província de Zambézia, que se encontra na zona centro, o fluxo de mercado de Alto Molócuè e
Gurué vai para os distritos de Quelimane e outros na província, e para a região centro e sul através de
estrada Nacional N º 1.

Fonte: Pesquisa de Inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012


Figura 3.8.1 Produção e Movimentação

3-90
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

(3) Fluxo de Mercado de Culturas Industriais

As culturas industriais, tais como tabaco e algodão são produzidas em sistema de concessão com a
agricultura sob contrato. Assim, as fábricas de processamento das concessionárias, em geral, estão
localizadas na área de produção.

O tabaco processado primariamente em Cuamba e Malema é transportado para a fábrica de


processamento em Tete e exportado para o Malawi através de comerciantes. O algodão processado é
exportado principalmente para países asiáticos.

3.8.2 Cadeia de Valor de Produtos Agrícolas


Tentou-se fazer a análise da cadeia de valor dealgumas culturas. Visto que os dados e informações
obtidas dos informantes são limitados, algumas partes ainda não estão esclarecidas. Estas informações
foram recolhidasdurante os meses de Abril-Maio de 2012.

(1) Milho

A Figura 3.8.2 mostra um exemplo da cadeia de valor do milho produzido em Cuamba. O preço de
compra de um revendedor, em geral, varia de 3 a 3,5 MT/kg. A margem do revendedor é de0,5 MT/kg,
incluindo o custo de transporte até a cidade de Cuamba. Uma vez que o preço de compra para um
comerciante é agravadopara 4 MT/kg, alguns produtores, que têm método de transporte, preferem
vender directamente ao comerciante. O revendedor pesa e reembala o produto em sacos e, em seguida,
vende para um comerciante em Nampula ou um exportador em Nacala. Na época de colheita, o
revendedor em Cuamba usa a carruagem de comboio para o transporte até Nampula. O exportador
decide o preço de exportação em função do preço de mercado internacional. Em Nampula, o milho
recebido pelo comerciante é vendido a uma empresa de moagem de milho, que tem capacidade de
12.5 MT/kg
processamento de 50 a 90 Preço de
varejo da
toneladas/dia. A farinha de farinha

milho é classificada e
Depende do
4.9
embalada após a moagem; em preço do Mercado
Varejista Custo
internacional 8.6 MT/kg
Atacadista (Processamento/
seguida, vendida aos Moedor embalagem, Preço de
transporte, perdas) varejo de
consumidores através de Varejista
e margem grãos
Exportador 1.0
Atacadista
vendedores a grosso ou a Comerciantes (trader)
retalho. O preço de venda a 0.6 (Cost & margin)
1.8 (Margem) 0.2 (Perdas)
retalho em Abril de 2012 era
Produtor
0.4 (Outros custos)
12,5 MT/kg. O custo e a 3.5 (Selling price)
0.6(Transporte)
margem do processador, Coletor 0.5 (Margem)

vendedor a grosso e a retalho,


é de 4,9 MT/kg, mas o custo e Produtor
3.5 (Preço de Venda)
margem detalhados de cada
um não são esclarecidos neste
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio (2012), pela Equipa de estudo,
período de estudo. Figura 3.8.2 Cadeia de Valordemilho em Grãoefarinha de
Milhoem Nampula

3-91
Versão Provisória - ANEXO

(2) Soja

Em Moçambique, as pessoas não preparamenem


consomem a soja. Toda soja é consumida por criadores
de frango, processadores de óleo ou exportadores. Esses
consumidores finais compram soja directamente dos
produtores ou através de comerciantes. Uma vez que a
produção doméstica da soja não é suficiente para
atender à demanda local, pode se afirmar que o país
depende de soja importada. O Criador em Nampula
compra soja do produtor através de contrato agrícola. O
preço no estabelecimento do produtor chega a 15-16
MT/kg. O custo e a margem dos revendedores é 2 MT /
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, SIMA,
kg. Quando se verifica a subida dos preços no mercado Figura 3.8.3 Cadeia de Valor da Soja em
internacional, a demanda doméstica por soja torna-se Nampula

elevada. O preço no mercado interno, na verdade, tende a flutuar de acordo com o CIF preço
internacional (incluindo seguro e frete). Consequentemente, o produto interno é bastante consumido
no mercado interno.

(3) Feijão Nhemba 25.0 MT/kg

O feijão nhemba é produzido, tanto para Depende do


preço do Mercado
internacional Varejista
consumo doméstico quanto para exportação. O Atacadista 17.5 1.0
(custo&margem) Transporte
preço do produtor é de 6,5 MT/kg, mas o Exportador custo & margem

preço de venda a retalho é de cerca de 4 vezes Comerciante (trader) 19.2 MT/kg

esse valor. Uma vez que o feijão nhemba é 6.5 (Preço de venda)
Produtor
produzido na zona leste de Malema, não se
considera que o custo de transporte seja muito elevado. Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, SIMA,

O custo e a margem para o comerciante, vendedor a Figura 3.8.5 Cadeia de Valor de Feijão

retalho e a grosso em Nampula é bastante alta, Nhemba em Nampula

chegando a 17,5 MT/kg,masnão se sabe o custo e


42.1 MT/kg
margem detalhados de cada interveniente. Presume-se Depende do
preço do Mercado
que o preço de venda a retalho seja afectado pelo internacional
Varejista
Atacadista
15.2 Transporte
(custo&margem) custo & margem
preço de exportação ou pelo preço de mercado Exportador

internacional. Comerciante (trader) 5.3 21.6 MT/kg

(4) Amendoim
21.6 (Preço de
Produtor
O amendoim é uma das principais culturas venda)

alimentares e é igualmente um produto de exportação


na parte leste da Área de Estudo. O preço do produtor Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio,
é muito alto e chega a 21,6 MT/kg. O preço de venda SIMA,
Figura 3.8.4 Cadeia de Valor de Amendoim
a retalho é 42,1 MT/kg em Nampula. Os vendedores em Nampula

3-92
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

a grosso e a retalho, bem como os comerciantes em 45.0 MT/kg

Nampula ganham 15,2 MT/kg, incluindo o custo de Depende do


preço do Mercado
transacção. Considera-se, igualmente, que opreço de internacional Varejista
Atacadista
18.2
(custo&margem) Transporte cust
& margem
venda a retalhoé afectado pelo preço de exportação.
Exportador

Comerciante (trader) 7.6


(5) Feijão-manteiga 19.2 MT/kg

Feijão manteiga tem uma cadeia de valor semelhante à


Produtor 19.2 (Preço de
do amendoim. Mas em Nampula, o custo e a margem venda)

são maiores que do amendoim chegando a 18,2 MT/kg.


Esta cultura apresenta uma procura muito forte no Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio,
mercado em Maputo, bem como no mercado de SIMA,

exportação. Presume-se igualmente que os elevados Figura 3.8.6 Cadeia de Valor de Feijão
manteiga em Nampula
preços do mercado influenciam a venda a retalho em
Nampula.

3.8.3 Lucro dos Comerciantes Intermédios


O lucro bruto foi calculado a partir do preço de compra e venda do comerciante. Sendo assim, o preço
de compra é o preço do produtor e o preço de venda é o preço pelo qual o comerciante vende o
produto aos processadores ou distribuidores. Os produtos são organizados por ordem de rendimento
bruto do comerciante na Tabela 3.8.4. O feijão manteiga apresenta o maiorrendimento bruto para os
comerciantes seguido pelo amendoim e o gergelim. As hortícolas, tais como tomate e cebola, também
geram um bom rendimento. Conforme mencionado acima, o feijão e o amendoim são distribuídos às
províncias do centro edo sul, devido não só à elevada procura mas também os preços praticados no
mercado.
Tabela 3.8.4 Preço de Compra e Venda do Comerciante
Preço de Compra Preço de venda Lucro Bruto Lucro bruto Nºentrevistado
Produto
(MT/ ton) (MT / ton) (MT/ton) Relação (%) s
Feijão manteiga 19.154 26.808 7.654 28,55 13
Amendoim 21567 26.867 5.300 19,73 15
Gergelim 22.556 26.889 4.333 16,12 9
Tomate 8.750 13.000 4.250 32,69 2
Castanha de Caju 17.625 21.583 3.958 18,34 12
Feijão boer 16.167 19.333 3.167 16,38 3
Cebola 11.000 15.000 4.000 26,67 1
Soja 13.000 15.000 2.000 13,33 1
Feijão Mungo 8.750 10.125 1.375 13,58 4
Repolho 8.250 10.000 1.750 17,50 2
Pipoca 7.200 8.300 1.100 13,25 1
Batata 4.800 7.500 2.700 36,00 1
Feijão nhemba 6.429 7.452 1.024 13,74 21
Milho 3.752 5.104 1.351 26,48 22
Feijão nhemba 7.000 8.000 1.000 12,50 1
Mandioca (seca) 3.000 3.500 500 14,29 1
Mandioca 2.391 3.382 991 29,30 11
Batata-doce 2.500 3.000 500 16,67 1
Fonte: Levantamento do Inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012

3.8.4 Processamento Agrícola


A Área de Estudo é a área de maior produção agrícola do país. Nesta área existem cerca de 200
empresas de processamento que variam de empresas pequena a grandes, operando maioritariamente na

3-93
Versão Provisória - ANEXO

província de Nampula. Para o caso de moageiras demilho e mandioca, verifica-se a prevalência de


pequenas em médias fábricas de processamento. Enquanto para castanha de caju e algodão existem
empresas com grande capacidade de processamento.

(1) Processamento Agrícola de Pequena e Média Escala

A Tabela 3.8.5 apresenta pequenas e médias empresas de processamento na área de intervenção. Nas
capitais dos distritos e comunidades relativamente maiores, operam pequenasmoageiras com
capacidade de processamento inferior a uma tonelada. Nas zonas onde a rede de energia eléctrica não
está disponível, usa-se um gerador a diesel como fonte de energia. Nas pequenas fábricas, o milho e a
mandioca sãoprocessados e transformados em farinha para autoconsumo de produtores e venda a
retalho no mercado local. Na zona rural, onde não existem moageiras mecânicasde farinha, esta é
processada na forma tradicional com recurso pilão pelas mulheres. Na província de Nampula, existem
moageiras de arroz, que moem e embalam arroz importado, bem como o arrozprovenientede fora da
província.

Tabela 3.8.5 Indústria de Processamento Agrícola de Pequena e Média Escala na Área de


Estudo
Processado
Capacidade de Taxa de
Anualment Situação
Província Distrito Localidade Produto principal processamento Operação
e jurídica
(t/ano) (%)
(t)
Pecuária Milho, mandioca 800 450 56% Registado
Ribáuè
Ribáuè Sede Milho, mandioca 1.200 740 62% Registado
Mutuali Milho, mandioca 2.340 1.250 53% Registado
Malema Malema Sede Milho, mandioca 800 750 94% Registado
Malema Sede Milho, mandioca 800 800 100% Registado
Rovuma 1 Castanha de Caju 1.500 150 10% Registado
Nihessie Castanha de Caju 350 20 6% Registado
Murrupula
Murrupula
sede Milho, mandioca, mapira 3.590 350 10% Registado
Murrupula
Nampula
sede Milho, mandioca, feijão 3.500 300 9% Registado
Anchilo Milho, mandioca, feijão 750 480 64% Registado
Nampula Anchilo Milho, mandioca, feijão 3.500 600 17% Registado
Naphome Milho, mandioca, feijão 6.500 1.290 20% Registado
Km 20 Milho, mandioca, mapira 4.000 2.000 50% Não registado
Mogovolas Nametil sede Milho, mandioca, feijão 5.000 4.000 80% Não registado
Iulute Milho, mandioca, feijão 3.500 3.000 86% Não registado
Imala Milho, mandioca, mapira 4.500 1.500 33% Não registado
Muecate Muculuone Milho, mandioca, feijão 4.000 2.000 50% Não registado
Muecate sede Milho, mandioca, feijão 5.500 4.500 82% Não registado
Gurué-Sede Feijão Registado
Zambézia Gurué Gurué-Sede Milho, mandioca 3.600 2.500 69% Registado
Lioma Milho, mandioca 3.600 2.500 69% Registado
Cuamba Sede Milho, mandioca, mapira 6.000 4.500 75% Não registado
Cuamba Cuamba Sede Milho, mandioca, mapira 3.500 2.000 57% Não registado
Lurio Milho, mandioca, mapira 1.250 800 64% Não registado
Massangulo Milho 3.000 1.450 48% Não registado
Massangulo Milho, mandioca 2.700 900 33% Não registado
Ngauma Bairro de
Niassa
trabalh
adores Milho, mandioca 4.600 1.010 22% Não registado
Chiuaula Milho, mapira 7.900 5.200 66% Não registado
Chiuaula-cerâ
Lichinga
mica Milho, mandioca 4.500 2.300 51% Não registado
Sanjala Milho, mandioca, mapira 3.600 1.900 53% Não registado
Fonte: Levantamento do inventário do Comércio, Equipa de Estudo (2012)

3-94
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Em Mandimba, foram fornecidas pequenas moageiras de arroz a uma associação em 2004. As


instalações onde operavam estes equipamentos foram abandonadas, pelo que já não estão mais
operacionais. Constatou-se que o encerramento da moageira deveu-se ao facto de que a associação não
conseguia saldar as contas de energia eléctrica. Entretanto, julga-se que o real motivo que levou ao
enceramento das infra-estruturas prende-se com a falta de habilidade de gestão, operação e experiência
da associação na operação e manutenção do equipamento, gestão da compra e venda de materiais e
produtos, e gestão de custos e benefícios.

(2) Processamento Agrícola de Grande Escala

O tabaco, o algodão e a castanha de caju são processados principalmente para exportação. A farinha de
milho e da mandioca são fornecidas ao mercado interno na região norte. Na cidade de Nampula,
encontram-se moageiras com capacidade para 50-90 toneladas/dia.

O tabaco é produzido sob contrato. Na Área de Estudo, existem duas fábricas de processamento de
tabaco, nomeadamente a Sonil e MLTlocalizadas em Malema e Cuamba, respectivamente. A selecção
e embalagem constituem os principais processos na fábrica de tabaco.

(3) Processamento A algodão

Para o algodão, os processos principais na fábrica são selecção, descaroçamento e embalagem. A


maioria das fábricas de algodão está localizada na província de Nampula (Tabela 3.8.6). Onome de
Distrito seguido por (F) significa que existe uma fábrica de algodão localizada nesse distrito. Depois
do descaroçamento, o caroço de algodão é considerado como subproduto e é utilizado para a produção
de óleo de semente de algodão, e é também usada como semente de algodão para a estação seguinte. A
SANAM dispõe de uma fábrica de extracção de óleo de caroço de algodão em sua fábrica de algodão.
Existe uma outra empresa de extracção de óleo de caroço de algodão em Cuamba, a “Fábrica de Óleo
de Algodão de Cuamba”. Trata-se de um consórcio entre Moçambique-Malawi. Esta fábrica
localiza-se junto à fábrica de descaroçamento de algodão da SAM, que fornece o caroço de algodão. O
óleo de algodão desta fábrica é exportado para o Malawi para ser refinado e vendido. Por outro lado,
são produzidos farelos a base de sementes, como ração animal, que são exportados para a África do
Sul, Zâmbia, e Zimbabwe. O volume de operação desta fábrica é ainda muito baixo, inferior a 50%,
devido à falta de matéria-prima.

Em Moçambique, a produção de algodão é realizadaatravés de “sistema de concessões”. Neste sistema,


a empresa fornece insumos agrícolas e assistência técnica para todos osprodutores que produzem
algodão no seu território de concessão. O acordo entre as partes é que, enquanto a empresa fornecer
assistência aos produtores, aquela tem o direito exclusivo de adquirir todo o algodão produzido no
território68.

O preço mínimo de compra do algodão é determinado pelo Governo através de negociação com
representantes dos produtores e empresas de descaroçamento, todos os anos. Esta negociação é
organizada de tal sorte que seja um processo participativo, com o envolvimento das partes. Os

68
Subsector do Algodão de Moçambique (Discrição Geral e Perspectivas) 2011/12, MINAG, 2012

3-95
Versão Provisória - ANEXO

produtores têm como cordão umbilicalo Fórum Nacional de Agricultores de algodão-FONPA, por
outro lado as empresas de descaroçamento fazem parte da Associação Algodoeira de Moçambique -
AAM. O Governo, representado pelo MASA desempenha o papel de facilitador das negociações e
organiza o debate negocial. Deste debate resulta uma fórmulaque resulta de acordo mútuo. Aspartes
apresentam propostas de preços de acordo com o procedimento aprovado e determina-se o preço de
cada ano.
Tabela 3.8.6 Área de Produção de Algodão por Concessão (ha)
Empresa Área de
Província Distrito Produção
OLAM SANAM SAM PLEXUS NOVOS PALOPIQUE NOVA MOCOTEX SAN/JFS
(ha)
Monapo (F) 18.200 18.200
Muecate 9.100 9.100
Meconta (F) 1.100 2.500 3.600
Mogovolas (F) 2.500 2.500
Nampula Dist (F) 150 150
Murrupula 610 610
Nampula Ribáuè (F) 4.600 4.600
Malema (F) 11.925 11.925
Lalaua 18.500 18.500
Moma 4.570 4.570
Nacaroa 1.260 1.260
Mecubúri 10.000 10.000
Erati (F) 7.900 7.900
Alto Molócuè 500 500
Lugela 400 400
Zambézia Mocuba 1.700 550 2.250
Gile 1.000 1.000
Ile 300 300
Cuamba (F) 19.900 19.900
Mandinba 200 200
Maua 1.200 1.200
Marrupa 900 900
Metarica 3.800 3.800
Niassa
Mecanhelas 3.850 3.850
Mecula 20 20
Majune 80 80
Nipepe 2.800 2.800
Millange 40 40
Total 23.710 46.880 11.925 7.900 2.500 2.100 1.800 550 32.790 130.155
Note: (F) Fábrica
Fonte: Instituto do algodão (IAM), 2012

(4) Processamento da castanha de Caju

A província de Nampula é um dos principais produtores de castanha de caju em Moçambique. Muitas


fábricas de processamento de caju encontram-se localizadas nos distritos do leste da província,
conforme mostra na Tabela 3.8.7. O processamento de castanha de caju em Moçambique consiste
apenas no processamento primário, por vezes referido como “descasque” (assar, cortar, secar e
descascar); o comprador internacional é responsável pela segunda etapa do processamento (por
exemplo, torrefacção e adição de sabor e embalagem). Com base nas entrevistas com algumas das
empresas de processamento, quer nos parecer que o processamento de caju é uma actividade bastante
rentável (mas não demasiadamente rentável),com margens entre 15-20%69. O processamento de caju
exige muita mão-de-obra, e as fábricas contribuem para a criação de empregos em zonas vizinhas.

Os constrangimentos com que as empresas de processamento se deparamsão: 1) Exploração parcial


das instalações devido à falta de matéria-prima, 2) volume e qualidade insuficiente da matéria-prima
devido ao baixo nível de conscientização dos produtores, 3) Elevadoscustos de embalagem e material

69
Fonte: Avaliação financeira da cadeia de valor do sector de cajú em Nampula, GIZ, 2011

3-96
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

de embalagem importados, e4) infra-estruturas instáveis ou pouco desenvolvidas, nomeadamente


energia eléctrica, água e estradas.

Entretanto, a fim de alcançar a redução de custos e aumentar o poder de negociação, nove empresas de
processamento de caju criaram uma empresa privada, Agro Indústrias Associadas Lda. (A.I.A.), sob a
marca "Zambique" com um padrão de qualidade garantido. As suas principais actividades são:

 Apoio às importações de materiais de embalagem e empacotamento para operacionalização da


fábrica;
 Gerir as negociações de preços com os clientes;
 Preencher a documentação e lidar com a logística para a exportação da castanha processada;
 Remeter vendas, custos líquidos aos processadores membros;
 Promover e gerira marca Zambique™ (TechnoServe, 2009).

Tabela 3.8.7 Fábrica de Processamento de Castanha de Caju em Nampula em 2009


Capacidade de Quantidade Taxa de
Ano
Nome Localização processamento processada Operação
estabelecimento
(t/ano) (t/ano) (%)
Namige 2002 1.500 1.400 93%
Angoche 2004 3.500 3.000 86%
Miranda Industrial
Meconta 2004 n.s. 1.000 -
Napaco 2005 1.000 600 60%
Ilha Caju (GANI Ilha de
Comercial) Moçambique 2004 5.000 1.000 20%
Condor Caju Nametil 2005 *5.000 4.500 90%
Condor Nuts Anchilo 2008 7.000 2.500 36%
IPCCM Murrupula 2003 *1.000 *450 45%
Olam Monapo 2004 5.000 3.500 70%
Koroxo Chehure 2006 2.500 1.700 68%
Total 27.000 19.650 73%
* Estimativa
Fonte: Avaliação financeira da cadeia de valor do sector de caju em Nampula, GIZ, 2011

(5) Chá

Nos finais da década de 1970, Gurué, com 15 fábricas de produção de chá, produzia uma média de
19.000 ton / ano de folhas processadas, empregando cerca de 28 mil trabalhadores da cidade e distritos
vizinhos. Marcas como “Chá Moçambique”, “Chá Licungo” e “Chá Gurué” entre outras, ganharam o
reconhecimento internacional na Europa, Grã-Bretanha e mesmo na América e Canadá. Em 2012, a
produção de chá registou uma redução para cerca de 2.500 toneladas, apenas 13% da média antes da
independência, bem como a área de produção para apenas 5.700 ha70.Recentemente, Chazeiras de
Moçambique iniciou o processamento de produção e trouxe de volta o chá para o mercado.

A fim de revitalizar a produção do chá, aumentar a qualidade e o volume de processamento, torna-se


indispensávela substituição urgente das árvores deterioradas com outras variedades bem assim a
renovação de equipamentos de processamento. O programa de revitalização do chá é destacado como
um programa prioritário no Plano de Desenvolvimento da Província de Zambézia.

70
Plantações de Chá de Moçambique, https://transterramedia.com/collections/1174

3-97
Versão Provisória - ANEXO

3.8.5 Exportação de Produtos Agrícolas Processados

(1) Algodão

Em Moçambique, todo o algodão em pluma é exportado.


AFigura 3.8.7 mostra que a produção de algodão em
pluma em Nampula, Zambézia e Niassa em 2009 foi de
9.143 toneladas, 1.663 toneladas e 635 toneladas
respectivamente, e a produção total dessas três
províncias representa 56,9% da produção total do país.
Fonte: Instituto do Algodão de Moçambique (IAM)
(2) Castanha de Caju
Figura 3.8.7 Produção de Pluma de
O mercado da castanha de caju está registar um Algodão por Província

crescimento a nível internacional e ainda existeuma oportunidade para os produtores moçambicanos


abraçarem uma grande parcela do valor deste mercado, uma vez que Moçambique foi um dos maiores
produtores e exportadores de castanha de caju antes da independência. Cerca de 40% da produção
nacional ocorre apenas na província de Nampula. Na área de estudo cerca de 20.000 toneladas de
castanha de caju foi processada e maior parte deste produto foi exportado.

3.9 Infra-estruturas Sociais

3.9.1 Estradas
O sistema de estradas do Corredor de Nacala consiste principalmente nas Estradas Nacionais Nº. 1
(doravante denominada N1), N12, N13 e N14. A N1 parte de Maputo seguindo em direcção ao norte.
Passa por Quelimane na província da Zambézia, em Nampula na província de Nampula e atéPemba na
província de Cabo Delgado.

No Corredor de Nacala, a N12 parte do porto de Nacala a oeste e liga-se à N1 emNamialo. A N12
estende-se ainda mais em direcção a oeste para a Cidade de Nampula. Esta parte da Estrada N1 foi
reabilitada e transformada em uma estrada com duas faixas de rodagem, com 7m de largura. Ligada a
N12, a N13 parteda cidade de Nampula a Lichinga. Embora, a N13 é uma estrada de terra batida e a
secção entre Nampula e Cuamba está a ser reabilitada e transformada numa estrada pavimentada, com
duas faixas de rodagem até Fevereiro de 2015.

No norte do Corredor de Nacala, aN14 ligaLichinga e Pemba e será pavimentada até 2015. O distrito
de Gurué, na Zambézia, liga-seà N1 em Nampevo pela N103, que foi reabilitada e pavimentada.

A maior parte dasrestantes estradas na área de estudo, que ligam os centros distritais, postos
administrativos e localidades são estradas de terra batida. A ANE, Administração Nacional de Estradas,
faz a manutenção das principais estradas.

As estradas comunitárias e as estradas alimentadoras são categorizadas como estradas


não-classificadas, segundo a classificação nacional. O desenvolvimento das estradas não classificadas
é responsabilidade do governo distrital. Os recursos para tal são fornecidos pelo Fundo de Estradas e o
apoio técnico é dado pela ANE. O governo distrital faz o plano e implementa as obras. Entretanto, o

3-98
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

orçamento não é completamente utilizado devido ao pequeno número e capacitação do pessoal no


distrito, atraso na entrega dos recursos e atraso nas obras. O fundo é utilizado principalmente na
manutenção das estradas alimentadoras existentes.

A densidade da rede de estradasem Moçambique é de 37 km/1000 km2 (Estudo para o Diagnóstico da


Infra-estruturas dos Países Africanos (AICD) de 2011). Conforme mostra aTabela 3.9.1, a densidade
na província do Niassa é menor que nas outras duas províncias.

Tabela 3.9.1 Densidade da Rede de Estradas


Área Tipo de Categoria da Estrada Densidade(km
Província
(km2) Estrada Primária Secundária Terciária Vicinal N/C Total / 1000km2)
Nampula 81.606 Pavimentada 422,0 3,0 20,0 445,0
54,77
Terra 495,0 166,0 1.927,0 935,0 501,8 4,024.8
Niassa 129.061 Pavimentada 252,0 92,0 42,0 386,0
26,53
Terra 489,0 240,0 1.810,0 499,0 3,038,0
Zambézia 103.127 Pavimentada 692,0 26.0 718,0
43,59
Terra 288,5 645,2 1.552,4 737,0 554,4 3777,5
Fonte: ANE em Nampula, Quelimane e Lichinga
Nota: Os dados de estradas pavimentadas são de 2011, os outros dados são de 2010.

3.9.2 Outras infra-estruturas de Transportes

(1) Ferrovia Norte (Ferrovia de Nacala)

A Ferrovia de Nacala (Linha Férrea Norte) liga Nacala, Nampula, Cuamba e, por fim, a Ferrovia
África Central no Malawi emLagos. Em Cuamba, um ramal vai em direcção ao norte para Lichinga.
Um comboio de passageiros opera entre Nampula e Cuamba, todos os dias excepto segunda-feira, e
um comboio vai a Lichinga uma vez por mês. Não existe serviço regular de carga, embora o comboio
de carga entre o porto de Nacala e o Malawi seja dominante, realizando 75% da operação total da
ferrovia.

Em 2011, o número total de passageiros foi de aproximadamente 864.000 e a quantidade total de carga
transportada foi 241.000 t. O transporte de carga por via ferrea é realizado de forma irregular e com
base na disponibilidade de certa carga. O transporte ferroviário é pouco utilizado para o transporte de
produtos agrícolas no Corredor de Nacala. Apenas durante a época de colheita, o milho colectado em
Cuamba é transportado para Nampula e Nacala pelo comboio de carga.

(2) Porto de Nacala

O Porto de Nacala consiste num terminal de contentores (terminal sul), terminal de carga a granel
(terminal norte) e terminal de carga líquida. O terminal norte tem uma extensão de 631m e
profundidade de -7,5m a -10m (média de -9,7m),o comprimento do terminal sul é aproximadamente
372m e sua profundidade é de 14m.

Devido à profundidade natural, o Porto de Nacala permite a operação com embarcações grandes.
Devido à sua localização próxima à Ásia, verificou linhas regulares que operavam para a Índia e
Singapura em 2011, alcançando estes países em 12 e 13 dias, respectivamente.

3-99
Versão Provisória - ANEXO

O volume no Porto de Nacala em 2010 foi de aproximadamente 600.000 t de transporte a granel e


70.000 TEU de Contentores.

A Ferrovia de Nacala e o Porto de Nacala são operados pela empresa CDN (Corredor de
Desenvolvimento do Norte), desde 2005, através de uma Concessão.

(3) Aeroportos

Os principais aeroportos para transporte aéreo na área são o aeroporto de Nampula e o aeroporto de
Lichinga. Existe um aeroporto da força aérea em Nacala, mas está actualmente a ser reabilitado com o
apoio do Governo Brasileiro e será transformado num aeroporto comercial.

3.9.3 Infra-estrutura de Logística Agrícola

(1) Transporte Rodoviário

A maior parte dos produtos agrícolas é transportada por camiões de vários tamanhos. Usa-se omaior
camião para o transporte no último fluxo da cadeia de valor.

A estrada Nacional
Leste-Oeste No.12 (N12) & Tabela 3.9.2 Comparação do Custo de Transporte por
Ferrovia, Rodovia e Navio
N13 e uma parte da N1 vão de Rodovia (tons) Ferrovia (tons)
Navio
22 30 14 22
Nacala a Lichinga. A Estrada Maputo a:
Joanesburgo $625 $950 $393 $620
Nacional Norte-sul N1 de Harare $1.008 $1.344 $960 $1.686
Maputo passa por Alto Blantyre $1.260 $2.380 na na
Lusaka $1.064 $2.100 na na
Molócuè epela cidade de Lubumbashi $2.520 $2.940 na na
Dar es Salam na na $845
Nampula até Pemba, e a N103 Dubai $2.550
Guangzhou $2.550
de Mutuali está ligada à N1 Tilbury/NWC Ports $2.750
através deGuruéem direcção Pemba $7.000 na na $1.350
Nampula $5.600 na na
ao sul. Esta rede de estradas é Beira $1.800 na na $1.800
Kilema $3.000 na na
crucial para o transporte de Tete $3.500 na na
Nacala na na $2.500
produto agrícola no corredor Beira até:
de Nacala, mas a condição da Harare $1.200 $500 $1.000
Blantyre $1.700 na na
estrada N13 e N103 não é boa Lusaka $3.700 $1.033 $2.021
Nacala até:
o suficiente para um Lilongwe $896 $1.408
Blantyre $840
transporte eficaz. A estrada Lichinga até:
entre Nampula e Cuamba na Nampula $2.900-3.200
Beira $3.600
Estrada Nacional N13 e N103 Maputo $5.400-7.100
Fonte: Análise da Cadeia de Valor de Sectores Estratégicos em Moçambique, GDS,
entre Gurué e Namialo estão 2005. O custo a partir de Lichinga foi recolhido pela Equipa de Estudo da
actualmentea serem JICA, 2012

reabilitadas.

A Tabela 3.9.2 mostra a comparação do custo de transporte por via terrestre, férrea e marítima. Para o
transporte rodoviário, custa US$ 5.600 por um contentor de Nampula até Maputo, que é equivalente ao
transporte de Lichinga até Maputo.

3-100
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

De acordo com a associação de transporte em Lichinga, o custo de transporte por contentoréde


150.000MT a 200.000MT (US$ 5.357 - US$ 7.143) de Lichinga até Maputo, 100.000MT (US$ 3.571)
de Lichinga até Beira, e 80.000MT a 90.000MT (US$ 2.857 a US$ 3.214) de Lichinga até Nampula.
Lichinga importa bens de Maputo, e os camiões carregam produtos agrícolas em Lichinga no caminho
de volta para Maputo. Os feijões são a primeira escolha para Maputo, devido ao alto valor da revenda.

Da mesma forma, dadas as rotas de serviço irregulares e má qualidade de serviço de transporte,


transportar carga de Nacala a Maputo custa US$ 2.500, o que é quase três vezes o custo de transporte
de um contentor de Maputo a Dar-es-Salam, na Tanzânia (US$ 845), e aproximadamente o mesmo
custo que o transporte de um contentor de Dubai ou Guangzhou até Maputo.

A reabilitação da estrada pavimentada N13 que liga Nampula e Cuamba será concluída em Fevereiro
de 2015, e a N14 que liga Pemba e Lichinga será concluída em 2015. Espera-se reduzir o custo de
transporte através destes corredores. Também existem planos para reabilitar os troços
Cuamba-Mandimba e Mandimba-Lichinga, que ligam os corredores acima. Espera-se assim reduzir os
custos de transporte nesta área.

Com a reabilitação da ponte sobre o rio Zambezi, a ligação entre as regiões norte, centro e sul foi
melhorada. Entretanto, o custo de transporte entre o corredor norte-sul ainda permanece alto.

3.9.4 Instalações de Armazenamento


O sistema dearmazenamento tradicional de grãos, que é construído de bambu com telhado de palha, é
predominante ao nível do produtor. Os produtores fumigam os produtos armazenados com fumaça de
lenha. No entanto, a perda pós-colheita é ainda elevada neste tipo de armazenamento, pois não se
aplica nenhum tipo de insecticida.

O Instituto de Cereais de Moçambique (ICM) tem uma instalação pública de armazenamentocom


capacidade para 2.500 toneladas de produtos em Cuamba. Esta instalação é arrendada a uma empresa
privada, Export Marketing. Este tipo de instalação de armazenamento público foi colocado nas áreas
de produção, e utilizado para armazenar alimentos básicos, tais como o milho, mandioca, feijão pelo
ICM. Uma vez que o papel do ICM (compra e venda de alimentos básicos) foi reforçado, a maioria
das instalações de armazenamento do ICM está a ser arrendadaao sector privado. A instalação de
armazenamento na Área de Estudo tem fins múltiplos, e não é especializado para grãos ou outros
produtos. As instalações de armazenamento do ICM, bem assim as antigas instalações de
armazenamento na Área de Estudo, muitas vezes provocam a deterioração da qualidade dos produtos
devido a ataques de insectos e danos físicos causados aos produtos. Para o amendoim, a gestão
inadequadado armazenamento resulta também em perdas por aflatoxina.

O ICM agora tem um plano para instalação de um silo de grãos com capacidade para 5.000 ton,
equipado com unidades de limpeza e secagem na mesma propriedade em Cuamba até o fim deste ano.
Um programa semelhante a este está em curso em Iapala (Ribáuè), Nacala, Milange (Zambézia).

A Tabela 3.9.3 mostra o resultado da instalação de armazenamento numinventário levado a cabo pela
equipa de estudo da JICA. Estas instalações de armazenamento foram seleccionadas por amostragem e
não cobrem todas as instalações de armazenamento no corredor de Nacala. Estas são todas instalações

3-101
Versão Provisória - ANEXO

privadas, que são propriedade da associação de produtores, comerciantes e exportadores. A capacidade


da instalação varia de 10 toneladas a 3.000 toneladas, e armazéns de capacidade relativamente maior
estão localizados no ponto de reunião da rede de distribuição, tais como Nampula, Cuamba, Namialo,
Monapo, e de consumidores em grande escala. Estes depósitos são geralmente utilizados para
oarmazenamento de curto prazo com período máximo de armazenamento de uma semana. Os destinos
dos produtos armazenados neste tipo de instalações de armazenamento são os mercados de cidades e
capitais de distrito, e outros pontos de armazenamento maiores. A capacidade média destes depósitos é
de 374 toneladas, e o volume de negócios anual médio é de 462%. Assumindo-se um período de
armazenamento de uma semana, eles usam seu armazenamento por apenas 4,6 semanas em um ano.
Este nível de utilização das instalações é muito baixo. A escassez de instalações de armazenamento é
muitas vezes apontada como uma restrição ao desenvolvimento do sector, mas a capacidade de
armazenamento apropriada e a localização são mais importantes para a gestão mais eficiente
dearmazenamento. Isto também se reflecte no custo/taxa de armazenamento na cadeia de valor.

Tabela 3.9.3 Armazéns e Taxa de Armazenamento


Volume
Quantidade Destino das
Capacidade de Custo de
Província Distrito Produto manuseada mercadorias
(Tons) Negócios armazenagem
(Tons / ano) armazenadas
(%)
milho, castanha de caju 200 500 250,0 Local 300MT/ton/dia
Monapo milho, amendoim 100 80 80,0 Local 300MT/ton/dia
milho, feijão, gergelim 50 400 800,0 Nacala 300MT/ton/dia
amendoim, mandioca,
castanha de caju 300 500 166,7 150MT/ton/dia
Muecate amendoim, castanha,
mandioca, gergelim, feijão
nhemba 50 1,500 3000,0 150MT/ton/dia
milho, amendoim, gergelim,
Meconta castanha de caju 200 90 45,0 Namialo
milho, amendoim 1,500 800 53,3 Local
amendoim, feijão nhemba,
castanha de caju 60 500 833,3 Nampula
Mogovolas
amendoim, feijão nhemba, Nametil,
castanha de caju 45 175 388,9 Nampula 150MT/ton/dia
amendoim, feijão 30 75 250,0 Nampula 15MT/ton/dia
amendoim, castanha de
caju 80 230 287,5 Nampula 15MT/ton/dia
repolho, amendoim,
Nampula gergelim, feijão manteiga,
NAMPULA
mandioca 1,000 22,000 2200,0 Nampula 25,00MT/ton/dia
amendoim, castanha de
caju, feijão nhemba,
mandioca 50 300 600,0 Nampula 15MT/ton/dia
Nacala,
Nampula,
milho, amendoim, feijão Beira, Maxixe,
Murrupula
boer 80 400 500,0 Maputo 200MT/ton/dia
amendoim, feijão nhemba e
manteiga 100 160 160,0 Nampula 150MT/ton/dia
cebola, milho, feijão Nampula,
nhemba 700 400 57,1 Nacala Não estimado
Ribáuè milho, feijão nhemba 50 80 160,0 Nampula Não estimado
amendoim, milho, feijão
nhemba 100 150 150,0 Nampula Não estimado
milho, feijão, gergelim 500 1,500 300,0 Nampula 5000MT/mês
Nampula,
Malema milho, feijão nhemba 300 700 233,3 Nacala Não estimado
milho, cebola, feijão Nampula,
manteiga 700 900 128,6 Nacala Não estimado
Maputo,
Alto
ZAMBÉZIA Quelimane,
Molócuè
milho, feijão manteiga 100 130 130,0 Nampula

3-102
Plano Director para o Desenvolvimento Agrícola do Corredor de Nacala

Maputo,
Quelimane,
milho, feijão manteiga, soja 400 800 200,0 Nampula
Maputo,
Quelimane,
milho, feijão manteiga, Chimoio,
feijão nhemba 500 3,000 600,0 Nampula
milho, feijão boer, gergelim 3,000 2,800 93,3 Nampula Não estimado
milho, feijão nhemba,
gergelim 200 150 75,0 WFP Não estimado
Gurué
soja, milho 750 80 10,7 King Frango
Novos
soja, milho 250 300 120,0 Horizontes
Cuamba,
Gurué,
Nampula,
milho, feijões 100 400 400,0 Quelimane 2500MT/mês
Cuamba
Cuamba,
Gurué,
Nampula,
milho, feijões 50 250 500,0 Quelimane 1500MT/mês
pipoca, milho, feijão
manteiga 350 7,000 2000,0 Malawi 700
Mandimba
Milho 50 400 800,0 Local 40
NIASA
Arroz 200 900 450,0 Local 90
milho, feijão manteiga,
feijão nhemba, batata 20 60 300,0 6
Ngauma
milho, feijão manteiga,
feijão nhemba 10 52 520,0 Massangulo 2MT/saca
milho, feijão manteiga 1,500 6,000 400,0 Nampula 2MT/saca
milho, feijão manteiga 500 800 160,0 Local 2MT/saca
Nampula,
Lichinga
Beira,
Inhambane,
feijão manteiga, batata 20 30 150,0 Maputo 2MT/saca
Média 374 1437 461,9
Fonte: Pesquisa de inventário do Comércio, Equipa de Estudo, 2012

3.9.5 Informação sobre o Mercado


O SIMA, criado em 19