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24/08/2019 Bullying, assédio moral e mobbing: você sabe diferenciá-los? - Jus.com.

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Bullying, assédio moral e mobbing


Bullying, assédio moral e mobbing

Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri

Publicado em 12/2018. Elaborado em 11/2018.

As condutas de bullying, assédio moral e mobbing ora se


assemelham, ora se diferenciam. Reflita sobre os pontos mais
relevantes de cada um deles e aja diferente.

Para que um (ou mais indivíduos) tenha pleno desenvolvimento de suas


habilidades, faz-se necessário o emprego de normas e valores coerentes à
sociedade em que estão inseridos, quer no ambiente de trabalho ou no âmbito
escolar.

Nesse contexto, é indispensável que esses espaços estejam preparados para a


garantia de um ambiente socialmente saudável, proporcionando condições
favoráveis a trabalhadores e alunos, para que possam desenvolver com êxito, suas
habilidades e aptidões e, ao mesmo tempo, expressar seus interesses, de maneira
ativa, pacífica e produtiva, nos diversos aspectos da vida social.

Porém, nesses ambientes, existem situações contrárias às normas e valores


coerentes à sociedade, expressas de maneiras sutis e com características próprias,
por tratar-se de fenômenos sociais, como por exemplo, o Assédio Moral e o
Mobbing entre indivíduos no ambiente de trabalho e o Bullying, no ambiente
estudantil/acadêmico.

Tais fenômenos demonstram-se como tipos de violência, pois trata-se de


comportamentos ligados às agressividades física, verbal e psicológica, de um ou
mais indivíduos contra vítimas desprotegidas, causando esgotamento, dor,
angústia e insegurança, decorrentes dessas experiências negativas.

Esses fenômenos têm sido pesquisados nas últimas décadas e quando não causam
sequelas físicas, esses comportamentos provocam consequências psicológicas ou
emocionais graves nas vitimas, pois as atitudes agressivas não têm um motivo
justo, e são adotadas por um ou mais indivíduos contra outro(s).

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Acredita-se que isso vem ao encontro do que Freud descreve, onde coloca que,
muitas vezes, os comportamentos violentos dos indivíduos refletem uma proteção
deles mesmos. “Realmente, parece necessário que destruamos alguma outra coisa
ou pessoa, a fim de não nos destruirmos a nós mesmos, a fim de nos protegermos
contra a impulsão de autodestruição.” (FREUD, 1933)

Presente no ambiente profissional, o Assédio Moral ocorre tanto na iniciativa


privada, quanto nas instituições públicas, caracterizando-se por ações ligadas à
degradação das relações de trabalho e à exclusão social. Tais práticas são
evidenciadas nas relações hierárquicas, em que predominam condutas negativas e
antiéticas, por longos períodos, promovidas por um, ou mais chefes, contra um, ou
mais subordinados, entre colegas, ou ainda, subordinado (s) contra chefe (s).

Para Heinz Leymann, pioneiro nas pesquisas a respeito do fenômeno, o Assédio


Moral é visivelmente maléfico, pois

“em uma psicologia do terror, ou, simplesmente, psicoterror, manifestado


no ambiente de trabalho por uma comunicação hostil e sem ética
direcionada a um indivíduo ou mais. A vítima, como forma de defesa,
reprime-se, desenvolvendo um perfil que somente facilita ao agressor a
prática de outras formas de assédio moral. A alta frequência e a longa
duração das condutas hostis acabam resultando em considerável
sofrimento mental, psicossomático e social aos trabalhadores que são
vítimas do assédio moral.” (LEYMANN)

Desta forma, o Assédio Moral traz consequências negativas para a vítima,


afetando-a psicologicamente, mentalmente ou, ainda, na área física ou moral,
comprometendo sua capacidade laboral, pois a afasta do contexto social, onde a
vítima é obrigada a deixar, involuntariamente, o seu ambiente de trabalho, a fim
de livrar-se dos episódios onde, constantemente, é hostilizada, ridicularizada e
desacreditada sem qualquer motivo pré-determinado.

Hádassa Dolores Bonilha Ferreira conceitua assédio moral como sendo,

“o processo de exposição repetitiva e prolongada do trabalhador a


condições humilhantes e degradantes e a um tratamento hostil no
ambiente de trabalho, debilitando sua saúde física e mental. Trata-se de
uma guerra de nervos, a qual conduz a vítima ao chamado “assassinato
psíquico”.” (FERREIRA, 2010, p. 42)

Em relação ao Assédio Moral, as atitudes impostas por este fenômeno são


constrangedoras e humilhantes, como intimidações por meio de palavras, gritos e
gestos, insinuações e ofensas, oferecendo riscos à saúde do trabalhador,
sobretudo, no que se refere ao manter-se empregado, após situações marcadas por
longos períodos de dor e angústia, como por exemplo, a violência moral contra a
mulher que retorna da licença maternidade, ou de mesma forma, quando um
funcionário retorna de licença médica, por ter ficado doente/acidentado e, ao

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retornar, encontra outra pessoa na sua função, sendo direcionado a exercer sua
função, em outro setor da empresa, incompatível à atividade anterior ou, ainda,
por conta de sua orientação sexual, religiosa, etnia ou classe social.

Semelhante ao Assédio Moral, porém presente no âmbito escolar e, com


características peculiares, o Bullying não é apenas assédio moral, como a
difamação e a exclusão, mas é igualmente físico quando, por exemplo, uma criança
precisa dar a outra, diariamente, certa quantia para não ser agredida, e devendo
tanto, para não ser humilhada perante a família, recorre então a pequenos furtos,
dentro e fora da escola, para o pagamento desse tipo de “pedágio”.

A literatura define o Bullying como fenômeno enquanto certas ações ocorridas em


conjunto e/ou isoladas e, em língua portuguesa[1], para expressar as idéias de
intimidação repetida, humilhação, agressão, ofensa, gozação, emprego de
apelidos, assédio, perseguição, ignoração, isolamento, exclusão, discriminação,
sofrimento, aterrorização, amedrontamento, tirania, dominação, empurrão,
violência física, quebra e roubo de pertences daqueles que são vítimas de Bullying.
(BARBIERI, 2016; BARBIERI, 2013; OLIVEIRA, 2007)

O Bullying entre adultos, no ambiente de trabalho, é chamado de Mobbing, termo


sugerido por Heinz Lorenz, ao definir o comportamento de certos animais que, ao
circundar outros membros do grupo, o fazia de forma ameaçadora, provocando a
fuga destes por medo de um ataque.

Tanto o Assédio Moral, quanto o Bullying e o Mobbing são tipos de violência,


expressas de maneiras distintas, em ambientes também distintos, porém,
assemelham-se em malefícios contra vítimas vulneráveis, incapazes de defesa e,
para cada um destes fenômenos, no Brasil, há lei específica que qualifica,
quantifica e criminaliza os fenômenos.

Ora, se por um lado, o Assédio Moral é ligado à cultura organizacional e à


hierarquia, por outro, tanto o Bullying quanto o Mobbing são confundidos com
brincadeiras, onde a hierarquia não existe de fato, porém o agressor promove
certa liderança negativa perante aos que assistem os rituais de intimidação, por
medo ou por conivência.

Tem-se, por certo, que o espaço ideal para as vítimas é aquele que proporciona a
elas, a princípio, um ambiente que as proteja de humilhações e intimidações e
posteriormente, estimule a capacidade de defesa frente ao fenômeno Bullying;
Ademais, no que diz respeito aos agressores/intimidadores e aos espectadores de
suas ações, a Escola deve oferecer meios de conscientização sobre o respeito e as
regras de conduta frente ao coletivo, neutralizando possíveis ações transgressivas
e, ao mesmo tempo, cumprindo o que está previsto na Lei 13.185 - Programa de
Combate à Violência Sistemática, em todo o território nacional.

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Por fim, a sociedade brasileira, em se tratando de Assédio Moral, Bullying e


Mobbing, demonstra, como senso comum, noções superficialmente admitidas
sobre os fenômenos, com tamanha incapacidade de reflexão, quanto aos seus
significados, suas consequências negativas, as atitudes covardes dos opressores, o
silêncio dos oprimidos, a conivência dos espectadores, e, sobretudo, o que é
previsto na legislação vigente.

Incapacidade de reflexão, pois está claro que esses fenômenos têm reflexos na vida
do indivíduo, ocasionando violência contra a dignidade, interferindo na vida das
suas vítimas, causando danos psíquicos, morais, mentais, físicos e emocionais,
impossibilitando-as do pleno desenvolvimento de suas habilidades, quer na
escola, quer no ambiente de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMAZARRAY, M. R., Violência Psicológica e Assédio Moral no Trabalho


Enquanto Expressões de Estratégias de Gestão, 2010.

Assédio moral e sexual no trabalho – Brasília : MTE, ASCOM, 2009.

BARBIERI, J. M. O. Desvendando e Prevenindo Bullying: a aplicabilidade


da Lei 13.185, Araraquara: Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri, 2016.

BARBIERI, J. M. O. Bullying: conhecimento é a melhor forma de


prevenir, Araraquara: Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri, 2016.

BARBIERI, J. M. O. Bullying: conhecimento é a melhor forma de


prevenir, Araraquara: Suprema, 2013.

BARRETO, M. Uma Jornada de Humilhações, 2000. Disponível em:


www.assediomoral.org.br>

CHAPPEL, D.; DI-MARTINO, V. Violence at work. Jonhannesburg, 2000.


Disponível em:
http://www.ilo.org/public/english/protection/safework/violence/violwk/violwk.htm

GUEDES, M. N. Mobbing - Violência psicológica no trabalho, 2003.

FREUD, S. Por qué la guerra? - Carta de Freud a Einstein 1933: 132. Buenos
Aires, 1993

LEYMANN, H., The Mobbing Encyclopedia. Disponível


em <www.leymann.se/English/frame.html>.

OLIVEIRA, J. M. Indícios de casos de Bullying no Ensino Médio de


Araraquara –SP. Araraquara,
2007. http://www.uniara.com.br/ageuniara/7281/bullying-pesquisadora-de-
araraquara-fala-sobre-o-fenomeno-e-sua-prevencao/ Acessado em 14.03.2016

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http://www.uniara.com.br/ageuniara/7210/camara-dos-deputados-aprova-
projeto-de-lei-contra-o-bullying/ Acessado em 14.03.2016

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/jornal-da-
eptv/videos/t/edicoes/v/professora-fala-sobre-lei-que-incentiva-escolas-a-
assumir-deveres-contra-o-bullying/4598627/ Acessado em 14.03.2016

http://www.araraquara.com/noticias/policia/policia_internaNOT.aspx?
idnoticia=1086245 Acessado em 14.03.2016

http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/bullying-brasil-
cria-lei-para-lidar-com-a-violencia-na-escola.htm Acessado em 14.03.2016

http://www.jornaloimparcial.com.br/v2/?tpconteudo=artigo&id=8499&idc=3
Acessado em 14.03.2016

http://jornaloimparcial.com.br/v2/index.php?
menu=&tpconteudo=artigo&id=4739&idc =1 Acessado em 14.03.2016

NOTA

[1] Em língua portuguesa, não existe ainda uma palavra, como na inglesa, que
expresse o conjunto de ações que dá significado ao Bullying.

Autor
Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri

Profª Ms. Juliana Munaretti de Oliveira Barbieri, com


Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente
(2007), Licenciatura Plena em Geografia (1998), aluna do Curso de Direito
(2017), é professora efetiva no Governo do Estado de São Paulo e no Ceeteps
- Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Ministra palestras e
oferece treinamento sobre os temas: Bullying e Mobbing, pois é de sua
autoria a primeira Dissertação de Mestrado publicada, no Brasil, sobre o
tema, intitulada por Indícios de casos de Bullying no Ensino Médio de
Araraquara-SP. Autora do Projeto Desvendando e Prevenindo Bullying,
aplicado em Instituições de Ensino Públicas e Privadas, desde 2005. Por fim,
atua de forma independente como editora, autora e co-autora de livros,
artigos e textos que abordam os temas: Bullying, Mobbing, Violência
Sistemática, Assédio Moral e o que é previsto na legislação vigente, no Brasil.

Site(s):

www.facebook.com/bullyingjulianabarbieri

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Informações sobre o texto


Como citar este texto (NBR 6023:2018 ABNT)

BARBIERI, Juliana Munaretti de Oliveira. Bullying, assédio moral e mobbing.


Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 24, n. 5688, 27 jan.
2019. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/70734. Acesso em: 24 ago. 2019.

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