Você está na página 1de 385

FÍSICA EQUÍMICA A

Carlos Portela
Fernanda Braguez
Margarida Ferreira
Rogério Nogueira

ATUAL ECOMPLETO
De acordo com
Aprendizagens Essenciais
Explicação de todos os conteúdos

1100 questões com resposta detalhada

Simulador de exames online

Teste diagnóstico
com feedback online imediato

LeYa EoucAçAo
-INDICE Física 10.º Ano
Domínio 1
Energia e sua conservação
Química 10.º Ano 1.1 Energia e movimentos 86
1.1.1 Sistema mecânico redutível
Domínio 1 a uma partícula. Energia e tipos
Elementos químicos e sua organização fundamentais de energia. Potência 86
Massa e tamanho dos átomos 6 1.1.2 Energia interna 91
1.1
1.1.3 Transferências de energia por ação de
1.1.1 Tamanho dos átomos 8
forças. Trabalho de uma força constante 91
1.1.2 Massa isotópica e massa atómica 1.1.4 Teorema da Energia Cinética 97
relativa média 11 1.1.5 Moviment o num p lano inclinado:
1.1.3 Quantidade de matéria e massa molar 12 variação da energia c inética
e distância percorrida {AL 1.1) 98
1.1.4 Volume e número de moléculas
1.1.6 Forças conservativas e não
de uma gota de água {AL 1.1) 14
conservativas 99
1.2 Energia dos eletrões nos átomos 16
1.1.7 Trabalho do peso e energia potencial
1.2.1 Espetros contínuos e descontínuos 16 gravítica 99
1.2.2 O modelo atómico de Bohr 19 1.1.8 Energia mecânica, forças conservativas
e conservação da energia mecânica 101
1.2.3 Transições eletrónicas 19
1.1.9 Forças não conservativas, variação da
1.2.4 Quantização da energia 20 energia mecânica, dissipação de energia
1.2.5 Espetro do átomo de hidrogénio 21 e rendimento 103
1.2.6 Energia de remoção eletrónica 24 1.1.10 Movimento vertical de queda e ressalto
de uma bola: transformações
1.2 .7 Modelo quântico do átomo 25
e transferências de energia {AL 1.2) 105
1.2 .8 Configuração eletrón ica de átomos 27 1.2 Energia e fenómenos elétricos 106
1.2.9 Teste de chama {AL 1.2) 29 1.2.1 Energia elétrica e correntes elétricas 106
1.3 Tabela Periódica 30 1.2 .2 Grandezas elétricas: diferença de potencial
elétrico e corrente elétrica. Corrente
1.3.1 Evolução histórica da
contínua e corrente alternada 107
Tabela Periódica 30
1.2.3 Grandeza elétrica: resistência elétrica
1.3.2 Estrutura da Tabela Periódica: de um condutor 109
grupos, períodos e blocos 30 1.2 .4 Energia transferida para um componente
1.3 .3 Elementos representativos de um circuito elétrico. Efeito Joule 110
e de transição 31 1.2.5 Balanço energético num circuito 112
1.3.4 Famílias de metais e não-metais 31 1.2.6 Características de uma pilha {AL 2.1) 113
1.2.7 Associações de componentes elétricos
1.3 .5 Propriedades periódicas dos elementos
em série e em paralelo 114
representativos 32
1.3 Energia, fenómenos térmicos e radiação 116
1.3 .6 Densidade relativa de metais {AL 1.3) 36 1.3 .1 Sistema termodinâmico. Temperatura
Questões propostas 38 e equil íbrio té rmico 116
1.3.2 Radiação e irradiância. Painéis fotovoltaicos 119
Domínio 2 1.3.3 Radiação e potência elétrica de um painel
Propriedades e transformações da matéria fotovoltaico {AL 3.1) 120
2.1 Ligação química 50 1.3.4 Condução térmica e convecção térmica.
2.1.1 Tipos de ligação química 51 Transferências de energia como calor
2.1.2 Ligação covalente 52 num coletor solar 122
2 .1.3 Ligações intermoleculares 59 1.3.5 A radiação solar e os coletores solares 122
2.2 Gases e dispersões 61 1.3.6 Primeira Lei da Termodinâmica:
2.2.1 Lei de Avogadro, volume molar transferências de energia e conservação
e massa volúmica 61 da energia 124
2.2.2 Composição quantitativa 1.3.7 Aquecimento e arrefecimento de sistemas:
de soluções 63 capacidade térmica mássica 125
2 .2 .3 Diluição de soluções aquosas 1.3.8 Capacidade térmica mássica {AL 3.2) 126
(AL 2.2 e AL 2.3) 65 1.3.9 Aquecimento e mudanças de estado:
2.3 Transformações químicas 67 variação das entalpias de fusão e de
2 .3 .1 Energia de ligação e reações vapoMzação 127
químicas 68 1.3.10 Balanço energético num sistema
2.3.2 Reações fotoquímicas na atmosfera 71 termodin âmico {AL 3.3) 128
2.3.3 Reação fotoquímica {AL 2.4) 75 1.3 .11 Segunda lei da termodinâmica: degradação
de energia e rendimento 128
Questões propostas 76
Questões propostas 130
Física 11.º Ano Química 11.º Ano
Domínio 1 Domínio 1
Mecânica Equilíbrio químico
1.1 Tempo, posição e velocidade 152 1.1 Aspetos quantitativos das reações químicas 240
1.1.1 Posição, deslocamento, distância 1.1.1 Reações químicas 240
percorrida e sentido do movimento 152 1.1.2 Reagent e limitante e em excesso 242
1.1.2 Velocidade 154 1.1.3 Rendim ento de uma reação química 244
1.1.3 Ve locidade em gráficos posição-tempo 1.1.4 «Química verde» 245
e gráficos velocidade-tempo, para 1.1.5 Sín tese do ácido acetilsalicílico (AL 1.1) 247
movimentos reti líneos 155 1.2 Equilíbrio químico e extensão das reações 249
1.2 Interações e seus efeitos 159 1.2.1 Rea ções incompletas e equilíbrio
1.2.1 As quatro interações fundamentais na químico 249
natureza 159 1.2 .2 Extensão das reações químicas 252
1.2 .2 Terceira Lei de Newton 160 1.2.3 Fatores que alteram o equilíbrio químico 256
1.2 .3 Lei da gravitação universal 161 1.2 .4 Efeito da concentração no equilíbrio
1.2.4 Efeito das forças sobre a velocidade: químico (AL 1.2) 260
a aceleração 163 Questões propostas 262
1.2.5 Segunda Lei de Newton 165
1.2 .6 Queda livre (AL 1.1) 167 Domínio 2
1.2.7 Primeira Lei de Newton 168 Reações em sistemas aquosos
1.3 Forças e movimentos 169 2.1 Re ações ácido-base 274
1.3.1 Movimentos uniformemente variados 169 2.1.1 Defi nição de ácido e de base 274
1.3.2 Forças nos movimentos retilíneo s 2.1.2 Acidez e basicidade das soluções 276
acelerado e uniforme (AL 1.2) 172 2.1.3 Autoionização da água 278
1.3 .3 Mov imento uniformement e retardado: 2.1.4 Ácidos e bases em solução aquosa 281
velocidade e d eslocamento (AL 1.3) 174 2 .1.5 Constantes d e acidez 283
1.3 .4 Queda na vertical com efeito 2.1.6 Força relativa de ácido s e bases 285
de resistência do ar aprec iável 176 2.1.7 Titulação ácido-base (AL 2.2) 288
1.3 .5 Movimento circular uniforme 178 2.1.8 Acidez e basicidade em soluções
Questões propostas 180 aquosas de sais 293
2.1.9 Aspetos amb ientais das reações
Domínio 2 ácido-base 295
Ondas e eletromagnetismo 2.2 Reações de oxidação-redução 297
2.2 .1 Caracterização das reações de oxidação-
2.1 Sinais e ondas 190
-redução 297
2.1.1 Sinais. Ondas: transversais e longitudinais,
2 .2.2 Força relativa dos oxidantes e redutores 301
mecânicas e eletromagnéticas 190
2 .2.3 Série eletroquímica (AL 2.3) 305
2.1.2 Periodicidade temporal e espacial de uma
2.3 Soluções e equilíbrio de solubilidade 306
onda. Ondas harmónicas e complexas 192
2 .3.1 Mineralização d as águas 306
2 .1.3 O so m como onda de pressão 196
2.3.2 Solubilidade de sais em água 307
2.1.4 Sons puros, intensidade e frequência; 2.3.3 Equilíbri o químico e solubilidade de sais 310
sons complexos. Espetro sonoro 197 2.3.4 Alteração da solubilidade dos sais 312
2.1.5 Microfone e altifalante 197 2.3.5 Temperatura e solubilidade de um
2.1.6 Características do som (AL 1.1) 198 soluto sólido em água (AL 2.4) 314
2 .1.7 Velocidade do som (AL 1.2) 201 2.3.6 Desmineralização de águas e processos de
2.2 Eletromagnetismo 203 precipitação 315
2.2.1 Campos magnéticos 203
Questões propostas 318
2.2.2 Campos elétricos 206
Prova-modelo 1 332
2.2 .3 Fluxo do campo magnético 208
Prova-modelo 2 338
2.2.4 Indução eletromagnética e Lei de
Prova-modelo 3 344
Faraday 210
Prova-modelo 4 350
2.2.5 Aplicações da Lei de Faraday 212
Soluções 356
2 .3 Ondas e letrom agnéticas 214
Anexos 383
2.3.1 Orige m e produção de ondas
eletromag néticas 214
2.3.2 Fenómenos ondulatórios
2.3.3 Reflexão de ondas
2.3.4 Refração de ondas
2.3.5 Reflexão total e fibras óticas
215
216
217
220
IAII auladigital
Aprender é incrível.
2.3.6 Ondas: absorção, reflexão, refração
e reflexão total (AL 3.1) 221 ✓ TESTE DIAGNÓSTICO
2.3.7 Difração de ondas 223
2.3.8 Comprimento de onda e difração ✓ SIMULADOR DE EXAMES
(AL 3.2) 224
✓ EXAMES E RESOLUÇÕES
2.3.9 Efeito Doppler e expansão
do Universo 225
Acesso em www. leyaeducacao.com
Questões propostas 228
Química
10.0 Ano

oornínio 1
Elementos C\uímicos e sua organização

oornínio 2
Propriedades e transtorrnações da matéria
QUÍMICA 10.0 Ano

Domínio 1
Elementos químicos e a sua organização
A Química estuda a matéria e as transformações que esta pode sofrer. A matéria é tudo o que
tem massa e ocupa espaço. A maior parte da matéria dos planetas é constituída por átomos.

1.1 Massa e tamanho dos átomos


A massa e o tamanho de um át omo não se obt êm pe-
sando-o numa balança ou medindo-o com uma rég ua.
Determinam-se por métodos indiretos.

Atualmente, a microscopia de alta resolução mostra,


de maneira muito clara, que a matéria é de facto com-
posta por átomos (Fig. 1.1).

Cada átomo (Fig. 1.2) é constituído por três tipos de


Fig. 1.1 Imagem de átomos de si lício, Si,
partículas: eletrões (com ca rga elétrica negativa), pro- obtida por microscópico de alta resolução.
(ampliação: 20 000 000)
tões (com ca rga elétrica positiva, simétrica à dos ele-
trões) e neutrões (sem carga elétrica). Os protões e os
neutrões ocupam a zona central do átomo - o núcleo
(muito pequeno em tamanho). Os eletrões movem-se
em torn o do núcleo, designando-se por nuvem ele- •- - Eletrão
Átomo
trónica a representação da região onde se movem. - - Nuvem eletrónica
Os eletrões quase não co ntribuem para a massa total
do átomo, pois têm massa muito menor do que a dos
protões ou a dos neutrões.
Núcleo
O átomo é eletrica ment e neutro, uma vez que o núme-
ro de protões é igual ao número de eletrões e a ca rga Fig. 1.2 A estrutura do átomo.
de um eletrão é simétrica da carga de um prot ão.

Os átomos dos diferentes elementos (já identificados 118) são ca racterizados por um número
atómico, Z , que é o número de protões existent es no núcleo, sendo responsáveis pela carga
elétrica nuclear.

Quando os átomos ganham ou perdem eletrões transformam-se em iões, pois adquirem ca r-


ga elétrica negativa ou positiva, respetivamente. Os protões e neutrões est ão fortemente li-
gados no núcleo atóm ico, pelo que nas reações químicas não podem ser perdidos ou ganhos
pelos átomos.

Iões positivos: têm menos eletrões do que protões.

protões: 13 protões: 13
3
Átomo de alumínio, A€, (Z = 13) { Ião alumínio, Af • {

eletrões: 13 eletrões: 10

6
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

Iões negativos: têm mais eletrões do que protões.

protões: 16 protões: 16
Átomo de enxofre, S, (Z = 16) { Ião su lfureto, s-2
{

eletrões: 16 eletrões: 18

Cada um dos elementos tem, em reg ra, vários isótopos - átomos do mesmo element o
que diferem no número de neutrões e, conseq uentemente, na massa. Chama-se número de
massa, A , ao número total de pa rtículas no núcleo atóm ico, que correponde à soma do núme-
ro de protões co m o número de neutrões.

Os átomos de um element o representam-se usando a seguinte notação sim bólica:

;X X - Sím bolo do elemento; A - Número de massa; Z - Número atómico

1. A tabela seg uinte contém informação relativa a várias espécies q uímicas designadas
por letras de A a G. As letras não representam símbolos de elementos químicos.

B
(a)

19
8

20
8

18
o
(e)
(b)

(d)
mi
e (e) (f) (g) (h) ~~c3+
D 8 8 (i) -2 (j)

E (k) (I) (m) (n) ': E

F 26 30 (o) o (p)

G (q) (r) (s) (t) ~~ G-

1.1 Indique a informação que deve substituir as letras de (a) a (t), de modo a completa r
a t abela.

1.2 Indique, justificando, as espécies quím icas que são isótopos do mesmo elemento.

1.3 Conclua , justifica ndo, quantos elementos químicos estão representados na tabela.

& 1.1 (a) 8; (e) 26; (i) 10; (m) 8; (q) 35;
(b) 1: A; (f) 30; (j) ': 0 2- ; (n) O; (r) 45;
(c) +1; (g) 23; (k) 8; (o) 26; (s) 36;
(d) ~: s +; (h) +3; (1) 10; (p) ~: F; (t) -1.

1.2 As espécies A, D e E são isótopos do elemento de número atómico 8 e as


espécies C e F são isótopos do elemento com número atómico 26.

1.3 Estão representados quatro elementos químicos diferentes, pois há quatro


valores diferentes de número atómico:

Z = 8 (A, D e E); Z = 19 (B); Z= 26 (C e F); Z= 35 (G).

7
QUÍMICA 10.0 Ano

1.1.1 Tamanho dos átomos


Ordem de grandeza e escalas de comprimento

Na natureza as estruturas t êm dimensões muito va riadas .


Notação científica
Assim , para as descrever podem ser usados números de
diferentes ordens de grandeza, muito pequenos ou muito coeficiente expoente
grandes. '-. JI'
6,02 X 1023
Ordem de grandeza: pode ser expressa pela potência de
base 10 mais próxima de um número escrito em notação
científica.
base
'
em que 1 :5 coeficiente < 10

Distância Terra-Sol 150 000 000 000 1,50 X 1011 1011

Raio da Terra 6 371 000 6,371 X 106 107

Diâmetro de uma célula 0 ,000 012 1,2 X 10 5 10-s

Raio de um átomo de carbono 0,000 000 000 070 7,O x 10·11 10-10

Altura de um ser humano 1,70 1,70 X 10º 10º

Como as ordens de grandeza das diferentes estruturas na natureza podem ser tão variadas,
usam-se frequentemente múltiplos e submúltiplos das unidades SI.

fixo

p ico p 10-12

nano n 10-9

.UI
o
1i
:s
E
micro

mili
µ

m
10-6

10-3
.0
::,
C/1 centi e 10-2

deci d 10-1

deca da 101

hecto h 102
UI
o quilo k 103
1i
E
, ::, mega M 106
:i:
giga G 109

t era T 1012

A escolha da esca la, em cada caso, está relacionada com a ordem de grandeza.

8
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua o rganização

M+i+ii·i·it¾Hli·I
2. As figuras representam várias estruturas e as respetivas dimensões.

1,40 Gm 170 cm 42 mm 100 µ,m


Sol ser humano bol a d e golfe fio de cabe lo

75 n m 1 nm 102 pm
víru s molécula de g licose átomo de hidrogénio

2.1 Indique as ordens de grandeza de cada uma das dimensões expressas em metros.

2.2 Exprima em nanómetros a dimen sã o do:


a) fio de cabelo; b) átomo de hidrogénio.

2.3 A s dimen sões do vírus e do áto mo de hidrog énio, quand o comparadas co m a di-
mensão da molécula de glicose, são , respetivamente,
(A) 100 v ezes maior e 100 vezes menor. (C) 75 vezes maior e 10 vezes menor.
(B) 75 vezes menor e 100 v ezes maior. (D) 100 vezes menor e 10 vezes maior.

a 2.1 Sol : 1,40 Gm = 1,40 x 109 m; ser humano: 170 cm = 1,70 x 10º m;
bola de golfe: 42 mm = 4 ,2 x 10- 2 m; fio de cabelo: 100 µm = 1,00 x 10-4 m;
vírus: 75 nm = 7,5 X 10-s m; molé cula de glicose: 1 nm = 1 X 10- 9 m;
átomo de hidrogénio: 102 pm = 10-10 m .

As ordens de grandeza são, respetivamente: 109 m; 10º m; 10- 2 m; 10- 4 m;


10- 7 m; 10- 9 m ; 10-10 m .

2.2 a) 100 µm = 100 x (10-6 m) = 100 x 103 x (10-9 m) = 1,00 x 105 nm


b) 102 pm = 102 x (10-12 m) = 102 x 10-3 x (10- 9 m) = 10-1 nm

d vírus 75 nm . _ , , .
2.3 (C). _d______ = - - - = 75 ⇒ a dtmensao do v ,rus e 75 v e zes maior
molécula de glicose 1 nm
do que a dimensão d a molé cula de glicose.

d átomo de hidrogé nio 0,100 nm 1 , ,


- - - - = 0 ,1 = - ⇒ a dime nsão do atomo de hidrogenio
d
molécula de g licose 1 nm 10
é 10 vezes menor do que a dimensão d a molé cula de glicose.

9
QUÍMICA 10.0 Ano

Dimensões à escala atómica

Em Química, a escala mais importante que permite


comparar distâncias e tamanhos é a escala atómica •····•························
e molecular (nanoescala). Se o micrómetro (10- m) é
6

a dimensão de uma célula viva , que se vê com um


microscópio ótico, o nanómetro (10-9 m) é a dimensão d:rii~~---------------------------
de uma molécula orgânica, como, por exemplo, a mo- Terra
lécula de glicose (C 6 H120 J
Fig. 1.3 U m nanóm et ro está para um
metro assi m como o d iâmet ro d e um a
Os átomos são de dimensão subnanométrica, enquan- bola de ténis está para o d iâmet ro da
to muitas moléculas, nomeadamente as proteínas, têm Terra.

dimensões superiores a um nanómetro.

Na Fig. 1.4 observa-se uma camada de grafeno, obtida


com um microscópio de efeito de túnel, onde está re-
presentado o valor da distância interatómica de dois
átomos de carbono, o que permite concluir que o diâ-
metro do átomo de carbono é 0,14 nm.

A nanotecnologia, a tecnologia à nanoescala, dedi-


ca-se à manipulação da matéria, numa escala atómica
e molecular, de modo a construir novas mol éculas e
novos materiais.

Lida, geralmente, com estruturas cujas dimensões va-


Fig. 1.4 Imagem à escala atómica:
riam desde aproximadamente 100 nm (dimensões dos os po ntos c in zentos desenhad os
transístores dos microprocessadores atuais ou de um repre senta m átomos de ca rbono numa
camad a de grafeno.
vírus) até 0,1 nm (dimensões atómicas).

l+Ml·i·ii+Hli·I
3. O pentacena, C 2 2 Hw é um hidrocarboneto de grande importância, pois pode ser
utilizado na produ ção de dispositivos eletrónicos.

A figura seguinte, publicada em 2009, mostra, em B, a primeira imagem de uma mo-


lécula individual, a molécula de pentacena, que foi obtida por microscopia de força
atómica (AFM). Pode observar-se a semelhança entre o modelo molecular para o
pentacena (A) e a imagem obtida por AFM.

Fo nte: IBM Research -


.._.._.__ _ _ _ _ _ _ _ _ _._7Hz
_ Zurich.

(um angstrõm: 1 A= 10-10 m)

Esta observação feita por cientistas do laboratório da IBM, em Zurique, representa


um marco nos campos da eletrónica molecular e da nanotecnologia.

10
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

3 .1 Uma das ca racterísticas da nanotecnologia é a manipulação


(A) da matéria à escala das células dos seres vivos.
(B) da matéria à escala atómica e molecular.
(C) de estruturas com dimensões da ordem de um micrómetro.
(D) de estruturas com dimensões da ordem da milésima parte de um milímetro.

3.2 Usando a escala fornecida em B, determine:


a) a ordem de grandeza do comprimento da molécula de pentaceno na unida-
de de base do SI;
b) o fator de ampliação da imagem.

tj 3.1 (B). Lida com estruturas de dimensões entre 100 nm (0,1 micrómetros) e 0,1 nm.
O tamanho das células é da ordem do micrómetro que é a milésima parte de
um milímetro.

3 .2 a) Com base na escala fornecida em B é possível estimar o comprimento apro-


ximado da molécula de pentaceno: 3 x 5 A= 15 A= 15 x 10-10 m =1,5 x 10-9 m.

O comprimento da molécula de pentaceno é da ordem de 10-9 m.

b) A escala mostra que 5 A na realidade corresponde a 1 cm na imagem, ou


seja, 1 cm na imagem equivale a 5 x 10-a cm na realidade, pelo que o fator
de ampliação é
1cm
- - - - = 2 X 107 = 20 000 000
5 x 10-a cm

Conclui-se, assim, que a imagem está ampliada 20 milhões de vezes.

1.1.2 Massa isotópico e massa atómica relativa média

A massa de um átomo depende do número de protões e de neutrões que o co nstituem.

A massa isotópica relativa indica quantas vezes a massa de um átomo, de um isótopo de um


elemento X, é superior à massa convencionada como padrão.

1
A massa-padrão que se utiliza é a massa correspondente a da massa do átomo de car-
12
bono-12.

A massa atómica relativa média, A,, de um elemento químico é calcu lada a partir das massas
isotópicas relativas e respetivas abundâncias dos seus isótopos naturais.

11
QUÍMICA 10.0 Ano

4 . O clo ro ocorre em amostras terrestres como uma mistura de dois isót opos, ~~e.e e ~~ce.
As massas atómicas desses isótopos, determinadas experimentalmente, e as respe-
tivas abundâncias relativas apresentam-se na tabela seguinte:

34,968 75,53

36,956 24,47

4 .1 Calcule a massa atómica relativa média do clo ro.

4.2 Exp lique a proximidade do va lor da massa atómica re lativa do cloro ao va lor da
massa isotópica do cloro-35.

& 4 .1 Converter as abundâncias em frações decimais:


75,53
75,53% - - - = 0,7553
100
24,47
24,47% - - - = 0 ,2447
100
Determinar a média tendo em conta a abundância de cada isótopo:

A, (Cf) = 34,968 X 0,7553 + 36,956 X 0,2447 = 35,454

4.2 A massa atómica relativa média do cloro é 35,454 e está mais próxima da
massa do isótopo mais abundante, o cloro-35, pois o seu valor resulta da
média ponderada das massas isotópicas, tendo maior contributo a massa do
isótopo mais abundante.

1.1.3 Quantidade de matéria e massa molar

A quantidade de matéria, n, é uma grandeza fís ica usada para re lacionar porções de substân-
cias, em termos macroscópicos, com as unidades estruturais (átomos, moléculas ou iões) do
domínio do submicroscópico. A unidade de quantidade de matéria no SI é a mole (símbolo mol).

No SI, 1 mol é a quantidade de matéria que contém 6,02 x 10 23 entidades (átomos, moléculas
ou outras partículas). Este número designa-se por número de Avogadro, em homenagem ao
cientista italiano Amedeo Avogad ro.

A constante de Avogadro, NA= 6 ,02 x 1023 moI-1, é o número de entidades por mole de uma
determinada subst ância (a unidade SI é mol-1). Entre o número de entidades, N , presentes numa
dada amostra e a quantidade de matéria, n, dessa amostra, pode estabelecer-se a seguinte
relação: N = n x NA, em que a constante de Avogadro, NA, é a consta nte de proporcionalidade.

12
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

A Fig. 1.5 apresenta amostras de substâncias cuja quantidade de matéria, presente em cada
uma, é uma mole de átomos.
1 mol de átomos de enxofre: 32, 1 g
1 mol de átomos 1 mol de átomos
de carbono: 12,0 g de ferro: 55,9 g

Fig. 1.5 Porções de substâncias com 1 mol de átomos de carbono, de


enxofre e de ferro.

Massa molar, M: massa por unidade de quantidade de matéria. Exprime-se geralmente em


grama por mole (símbolo g mol-1). A massa molar de uma substância, expressa em g mo1-1, é nu-
mericamente igual à massa atómica relativa média, A,, do elemento químico, ou à massa relativa
média da unidade estrutural dessa substância (átomo, molécula ou agregado de iões).

Entre a massa, m, de uma amostra de uma dada substância e a quantidade de matéria, n, dessa
amostra, pode estabelecer-se a seguinte relação: m =n x M.

5. O metano, CH 4 , é o principal constituinte do gás natural. Considere uma amostra de


0,378 mal de metano.

5.1 Calcule a massa da amostra.

5.2 Determine a quantidade de matéria de átomos de hidrogénio na amostra.


5.3 Quantos átomos de carbono existem na amostra?

~ 5 .1 A massa molar de CH 4 é M(CH 4 ) = (12,01 + 4 x 1,01) g mo1- 1 = 16,05 g mo1-1


(massa por cada mole).
A massa de 0,378 molde CH 4 é m = n x M = 0,378 mol x 16,05 g mo1-1 = 6 ,07 g.

5.2 Numa molécula de CH 4 existem 4 átomos de hidrogénio, H, o que se traduz


4mol H
na seguinte proporção: - - - -
1 mol CH 4
4mol H
n = 0,378 .!J)..Ol---€FÇ x - - - - =1,51 mol H
1 !JJ..Ol-a:t;
5.3 Pode utilizar-se a seguinte sequência de cálculos:
ncH 4 - NcH4 - Nc
N = n x NA= 0,378 mol x 6,02 x 10 23 mo1-1 = 2 ,28 x 1023 moléculas CH 4
1 átomo C
Nc = 2,28 x 1023 moléculas CH4 x , CH = 2,28 x 1023 átomos C
1 mo 1ecu 1a 4

13
QUÍMICA 10.0 Ano

6 . O luminol é um sólido cristalino amarelado muito utilizado em perícias criminais a fim


de identificar sa ngue no local do crime, pois reage co m a hemoglobina presente no
sangue e, ao fazê-lo, produz luz.
N
6 .1 O gráfico mostra a relação entre o número
de mol écu las, N, e a quantidade de matéria,
n, do luminol. Qual é o significado físico do
declive da reta? 2,11 X 1024 ••••••··

6 .2 A fórmul a molecu lar do luminol pode ser re-


presentada por C8 H7O 2 Nx. Determine o va lor
de x, considerando que a massa de 2 ,11 x 1024
3,5 n/ mol
moléculas é 620,13 g.

(j 6 .1 O declive da reta corresponde à constante de Avogadro. Entre o número de en-


tidades, N, presentes numa dada amostra e a quantidade de matéria, n, dessa
amostra, pode estabelecer-se a seguinte relação:

N = NA x n, em que a constante de Avogadro, NA, é a constante de proporcio-


nalidade.

6 .2 Cálculo da massa molar, M(C 8 H7 0 2 N), de acordo com os dados do gráfico:


N(C 8 Hp2 NJ = 2,11 x 1024 moléculas - n(C8 Hp2 NJ = 3,5 mol
m 620,13 g
m =n x M ⇒ M(C8 H7 O 2 Nx) =-n =- - - =17718
3,5 mol '
g mo1-1

Cálculo do valor de x:

M(C8 Hp2 N) =8 X 12,01 + 7 X 1,01 + 2 X 16,00 + 14,01 x =177,18 g mo1-1 ⇒ x =3

1.1.4 Volume e número de moléculas de uma gota de água (AL 1.1)

O número de moléculas numa gota de ág ua pode ser estimado se for medido o vo lume de uma
gota de água e também a sua massa. Para uma maior precisão, faz-se uma medição indireta a
partir do volume e da massa de muitas gotas.

l+i%i·i·l1+Hli·I
7. Para medir o volume e a ma ssa de uma gota de ág ua e determinar o número de mo-
léculas de água nela existentes, um grupo de alunos realizou uma atividade com a
seg uinte seq uência de procedimentos:

1. Encher uma bureta com água e acertar até ao nível do zero na escala.
li. Colocar um gobelé em cima da balança digital.
Ili. Tran sferir 100 gotas de ág ua da bureta para o gobelé.
IV. Registar o volu me das 100 gotas de ág ua e a massa respetiva.

14
DOMÍNIO 1 Elementos quím icos e a sua organização

7.1 A figura mostra parte da escala da bureta que foi utilizada, pelo grupo
de alunos, para medir o volume de água (100 gotas) vertido. Aten-
dendo à incerteza de leitura e ao número adequado de algarismos
significativos, o volume de 100 gotas de água é

(A) (5,6 ± 0,1) ml. (C) (6,3 ± 0,1) ml.


(8) (5,65 ± 0,05) ml. (D) (6,35 ± 0,05) ml.

7.2 A massa das 100 gotas de água medida pelos alunos foi 5,09 g.
a) Quanto s algarismos significativos apresenta o resultado da mediçã o?
b) Apresente o resultado da mediçã o com a respetiva incerteza de leitura.

7.3 Determine a massa e o volum e de uma gota de água. Apresente o resultado co m


o número adequado de algarismos significativos.

7.4 O número de moléculas de água (M(H 2 O) = 18,02 g mol-1) que existem numa gota
pode ser determin ado a partir da exp ressão
18,02 5,09
--X 6 02 X 10 23 --X 6 02 X 10 23
100 ' 18,02 '
(A) N= (C) N=
5,09 100

(8) N=
18,02
--X
5,09
6 02
'
100
X 1023
(D) N=
18,02
- - x 5,09
100
6,02 X 1023
mi
7.5 Indique as ordens de gran deza do número de moléculas de água de uma gota
e do volume dessa got a.

& 7.1 (8). O volume das gotas de água foi medido com uma bureta, um instrumento
analógico. Neste tipo de instrumentos, considera-se a incerteza de leitura igual
a metade do valor da menor divisão da escala. Neste caso, a menor divisão da
escala é 0,1 ml, pelo que a incerteza de leitura será metade, ou seja, 0,05 ml.
A figura mostra o nível mais baixo do menisco entre os valores 5,6 ml e 5,7 ml.

7.2 a) Três algarismos significativos.


b) (5,09 ± 0,01) g ou 5 ,09 g ± 0,01 g
A massa das gotas de água foi medida com uma balança digital.
Nos instrumentos digitais, considera-se a incerteza de leitura igual a uma
unidade do último dígito de leitura. A precisão da balança utilizada é 0,01 g,
pelo que a incerteza de leitura é 0,01 g.
_ 5,09 g _ _ • _ 5,65 ml
7.3 m1 gota - 100 - 5,09 x 10 2 g, v,gota - 100 5,65 x 10-2 ml

7.4 (C). O quociente 5 ,o9 g é a quantidade de matéria ( n = m ) nas


18,02 g mo1-1 M
100 gotas, que, multiplicada pela constante de Avogadro, dá o número de
moléculas de água em 100 gotas.

7.5 N.º de moléculas de uma gota de água: 1,70 x 1021 - ordem de grandeza 1021•
Volume de uma gota: 5,65 x 10-2 ml - ordem de grandeza 10-1 ml.

15
QUÍMICA 10.0 Ano

1.2 Energia dos eletrões nos átomos


Sabemos hoje que as propriedades dos átomos são determinadas pelas energias dos seus
eletrões. Um modo indireto de obter informação sobre a energia dos eletrões nos átomos é
através da interação da luz (radiação eletromagnética) com os átomos. Por outro lado, muito
do que se con hece sobre a própria luz resultou , também , da interação da luz com os átom os.

A espetroscopia diz respeito ao estudo da interação da radiação com a matéria, consideran-


do-se sobretudo os processos associados à absorção e à emissão de radiação. Na espe-
troscopia analisam-se os espetros, os quais consistem em representações de uma grandeza
relacionada com a absorção ou emissão de radiação em função da energia ou frequência (ou
comprimento de onda) dessa radiação.

1.2.1 Espetros contínuos e descontínuos


Luz, em sentido lato, não é só a luz visíve l (dete-
tada pelos nossos olhos). As rad ia ções gama (y), os
raios X, os raios ultravioleta, os infraverme lhos, as
micro-ondas, as ondas de rádio e televisão também
são luz.

As radiações (ou ondas) eletromagnéticas, expres-


são utilizada para designar os diferentes tipos de
luz, transportam energia ao propagar-se.

Newton, no século XVII, mostrou que a luz so lar (luz


branca) tem várias componentes de cores diferen-
tes (Fig. 1.6). Quando atravessa ce rtos meios tran s-
parentes (por exemplo, um prisma de v idro), a luz
branca decompõe-se numa sequência de radiações Fig. 1.6 Decomposição da luz solar através
com cores diferentes - as cores do arco-íris. de um prisma, obtida por New ton.

O conjunto formado pela sucessão contínua das vá -


rias radiações coloridas designa-se por espetro da
luz visível.

A luz também pode ser detetada em quantidades discretas (bem definidas), como partículas,
pelo que as radiações eletromagnéticas podem igualmente ser descritas como sendo forma-
das por fotões. Os fotões são os corpúscu los da luz: a cada fotão corresponde um mínimo
de energia, que é diferente consoante a frequência da radiação.

A energia de um fotão é diretamente proporcional à frequência da radiação correspondente.

Espetro eletromagnético

Definem-se sete regiões principais do espetro eletromagnético. Considerando a energia por


cada fotão, est as regiões podem ordenar-se por energia crescente de acordo com a seq uên-
cia crescente de frequência: ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho (IV), visível, ultravio-
leta (UV), radiação (raios) X e radiação gama (y) (Fig.1.7).

16
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

Na luz visível, a energia por fotão e a frequência da radiação aumentam de acordo com
a seguinte sequência: vermelho, cor de laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta (Fig. 1.7).

Radiofrequências

1Q-32 1Q-24
Micro-ondas


Infravermelho

10-22
(IV)

i l
2,5 X
Visível

1Q-19 5,2 X 1Q- 19


,
Ultravioleta (UV)

10-17
Raios X Radiação gama (-y)

1Q-15 10-10

Energia por fotão / J


Fig. 1.7 Espetro eletromagnético e energia da radiação.

M+i%i·i·it4Hli·I
8. As lâmpadas de vapor de sódio, usadas em iluminação pública, têm uma luz amarela
característica devido à presença do elemento sódio.

8 .1 A luz emitida por uma lâmpada de luz ultravioleta, comparada com a luz emitida
pela lâmpada de vapor de sódio, tem _ _ frequência e fotões de _ _ energia.
(A) maior ... menor. (B) menor ... menor. (C) maior ... maior. (D) menor ... maior.

8.2 Ordene as radiações seguintes por ordem crescente de frequência.


1. Luz amarela de uma lâmpada de vapor de sódio.
li. Radiação gama emitida por um núcleo radioativo.
Ili. Ondas de rádio emitidas pela antena de uma estação de rádio.
IV. Feixe de micro-ondas emitido pelo radar de controlo de tráfego aéreo de um
aeroporto.

& 8.1 (C). A energia dos fotões da luz ultravioleta é maior do que a dos fotões da
luz amarela. Quanto maior é a energia de um fotão, maior é a frequência da
radiação respetiva, pois a energia de cada fotão é diretamente proporcional
à frequência da radiação respetiva.

8.2 Representando f a frequência: 'iu < 'iv < 'i < 'ii·

Espetro de emissão: resulta da decomposição da luz


emitida por um corpo (por exemplo, corpos incandes-
centes).

Espetro de emissão contínuo: contém uma gama


ininterrupta de radiações ou cores, como sucede, por
exemplo, no espetro de emissão do filamento aque- ~ -ia-nt_e_ _ _ _ __
cido de uma lâmpada (Fig. 1.8 ). Para cada fonte lumi-
nosa, as diferentes cores são, em geral, emitidas com
intensidades diferentes.
Fig. 1.8 Espetro de emissão contínuo.

17
QUÍMICA 10.0 Ano

Espetros de emissão descontínuos: só contêm radiações de determinadas energias. São


constituídos por riscas distintas. Diferentes riscas são, em geral, emitidas com intensidades
diferentes.

Espetro de absorção: espetro obtido depois de a luz emitida por uma fonte atravessar uma
subst ância. Este espetro contém apenas as radiações da luz incidente que não foram absorv i-
das na substâ ncia. Corresponde à subtração de bandas ou riscas do espetro da luz incidente
na substância. No visível, o espetro de absorção de uma substância resulta da absorção
seletiva de radiações v isíve is pela substância: podem observar-se riscas negras num fundo
colorido.

ESPETROS

ESPETROS ESPETROS
DE EMISSÃO DE ABSORÇÃO

1 7
contínuos descontínuos descontínuos

exemplos de fontes exemplos de fontes 1


de emissão na região de emissão na região exemplo
do visível do visível

1
Espetro solar com as riscas
de Fraunhofer
(riscas de absorção)
Corpo Lâmpada de Lâmpadas Lâmpada
incandescente incandescência de vapor de sódio fluorescente
usadas em
iluminação pública

Espetro Espetro Espetro

-
1 l l

l+l%i·i·l1+Hli·I
9. A principal técnica uti lizada no estudo da composição dos corpos ce lestes é a es-
petroscopia . Parte da radiação emitida pelas estrelas é absorvida pelo gás q ue as
rodeia. Se esse gás não existisse, os espetros produzidos se riam semelhantes ao de
um sólido inca ndescente, desprezando a influência da atm osfera terrestre.
Con sidere os espetros seg uintes.

1. 2. III 3.

9 .1 Classifique, justificando, cada um dos espetros.

9 .2 Qual dos espetros da figu ra pode corresponder ao espetro de uma estrela na


região do v isível?

18
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

O 9.1 Espetro 1: de emissão, contínuo em toda a região do visível - regista toda a


gama de radiações emitidas, ou seja, não há interrupção na sequência das
várias radiações.
Espetro 2: de emissão, descontínuo (espetro de riscas) na região do visível -
só regista algumas radiações e é constituído por riscas (coloridas) distintas.
Cada risca corresponde a uma determinada energia, por fotão, da radiação
emitida.
Espetro 3: de absorção, no visível - resulta da absorção seletiva de radiações
visíveis e é constituído por riscas negras num fundo colorido.

9 .2 Espetro 3. Espetro obtido depois de parte da luz emitida pela estrela ser ab-
sorvida pelo gás que a rodeia.

1.2.2 O modelo atómico de Bohr

O estudo dos espetros descontínuos dos átomos co nduziu ao conhecimento das energias
dos eletrões nos átomos.

O hidrog é nio, o elemento químico mais simples e abundante no Universo, existente e m gran-
de quantidade nas estrelas, origina um espetro de riscas, bem definidas (Fig. 1.9 ).

1
Infravermelho visível Ultravioleta

Fig. 1.9 Espetro de emissão do átomo de hidrogén io


1
Este espetro foi interpretado pela primeira vez por Niels Bohr em 1913. No seu modelo, as
riscas do espetro do átomo de hidrogénio resultam das va riações de energia do eletrão no
átomo. Como as riscas são bem determinadas, aquelas variações de energia também o são,
e, em consequência , a energia do eletrão no átomo só pode ter ce rtos valores - a energia do
eletrão está quantizada.

1.2.3 Transições eletrónicas

O espetro de absorção resu lta da absorção de radiação pelo eletrão no átomo de hidrogénio:
o eletrão transita de um estado de menor energia para um de maior energia (excitação) por
absorção de um fotão. O espetro de emissão resulta do processo oposto (desexc itação) com
emissão de um fotão (Fig.1.10).

Radiaçã~ . • _
Eletrão
.; ·.

Excitação Desexcitação

Fig. 1.10 Excitação e desexcitação do átomo de hidrogénio.

19
QUÍMICA 10.0 Ano

O eletrão no átomo apenas pode apresentar certos va lores de energia que correspondem a
pat amares energéticos - níveis de energia, n. O estado de menor energia é o estado fun-
damental q ue, no átomo de hidrogénio, ocorre quando o eletrão ocupa o nível 1, n = 1. Os
estados de energia superior ao fu ndamental designa m-se estados excitados (para o eletrão
do át omo H, níveis 2, 3, ...).

Transição eletrónica é a mu dança de estado de energia do eletrão que, no modelo de Bo hr,


só se dá por absorção ou emissão de uma quantidade bem definida de energia igual ao
módulo da diferença entre as energias dos níveis entre os quais ocorre a transição. Quan-
do o eletrão tra nsita do níve l n = a para o nível n = b:
• se a < b, há absorção de radiação;
• se a > b, há emissão de radiação.

E fotão =l /1Eeletrão I em q ue /1E eletrão = Eb - E.

1.2.4 Quantização da energia

Uma das ideias funda mentais do modelo atómico de Bohr é a quantização da energia do ele-
trão no átomo , ou seja, o eletrão do átomo não pode existi r em qualquer estado de energia.
Só são permitidos alguns estados com valores de energia bem definidos.

Considera-se que um eletrão em repouso fora da ação do núcleo (n = 00 ) possui um va lor nulo
de energ ia (valor máximo); enquanto o eletrão se mantiver sob a ação do núcleo, os seus
possíveis valores de energ ia são negativos.

Quanto mais negativo for o valo r da energia, menor é a energia do eletrão , menor é o nível de
energia ocupado e menor é a distância do eletrão ao núcleo.

Um eletrão transita de um nível de energ ia para outro sem nunca ter va lores inte rmédios en-
tre esses dois níveis - níveis discretos ou descontínuos de energia.

A quantização de energia não se aplica só ao átomo de hidrogénio, verifica-se para todos


os átomos. Para cada átomo só são permitidos certos va lores de energia eletrónica e estes
diferem de elemento para elemento.

10. Um eletrão do át omo de hidrogénio num estado excitado


1
(n = 5) regressa ao estado fu ndamental por emissão de radiação.
l
O diagra ma de energias ind ica algumas possibilidades de tran-
sição do eletrão. 1

1
10.1 As tra nsições indicadas na figura:
a) correspondem a uma excitação ou desexcitação?
b) origina m um espetro at ómico de emissão ou de absor-
E, t,
ção?

10.2 A energia de um fotão envolvido na transição entre o nível 5 e o nível 2 é dada por:

20
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

10.3 Qual dos espetros seguintes poderá corresponder às transições eletrónicas


apresentadas?
(A) (C)
11 1 1 1 1 1 1 1
Frequência Frequência

(B)
li 111
(D)
11 1
Frequência Frequência

10.4 Exp lique porque é que a quantização da energia do eletrão no átomo permi-
tiu explicar os espetros atómicos de riscas, como o do átomo de hidrogénio.

& 10.1 a) Desexcitação. O eletrão transita de um estado de maior energia para es-
tados de menor energia (a energia do eletrão diminui).
b) Espetro de emissão. Numa transição de desexcitação o átomo perde
energia, emitindo um fotão.
10.2 (C). A opção B não pode ser considerada, pois conduz a um valor negativo
e a energia do fotão não pode ser negativa.
10.3 (B) . As três transições para o nível 1 envolveram maiores variações de ener-
gia do eletrão, pelo que as radiações emitidas são as de maior energia, logo
de maior frequência.
10.4 O facto de as riscas espetrais corresponderem a radiações de frequências
características e bem definidas mostram que o eletrão só pode sofrer varia-
ções de energia bem definidas, iguais ou simétricas às energias dos fotões
daquelas frequências. Assim, a energia do eletrão no átomo não pode ter
um valor arbitrário, assumindo apenas os valores compatíveis com aquelas
variações de energia. Diz-se, por isso, que a energia está quantizada.

1.2.5 Espetro do átomo de hidrogénio


O estudo do espetro de em issão do átomo de hidrogénio mos- Níveis de Energia
energia, n do eletrão / J
trou haver riscas que ocorrem na zona do visível, outras cujas o
frequências se situam na zona do ultravioleta e outras ainda 4 - - - - - + ~ - ~ - + - - - . - + - - - - - Ü, 14 X 10 - 18
Paschen (IV) _ x _
que se situam na zona do infravermelh o. 3 0 24 10 18
Balmer
(visível e UV)
Chama-se série espetral ao conjunto de riscas muito próximas 2 - - -~~~-+++--- - - - - -0,54 X 10 -rn
dentro de uma dada zona do espetro.

Lyman (UV)
Às vá rias séries de riscas resultantes de transições descenden-
tes associam-se os nomes de quem as estudou pela primeira Estado
fundamental 11
vez: Ly man (transições para n = 1, emissão de radiação UV), 2,18 X 10 - 18
Balmer (transições para n = 2, emissão de radiação na zona do Fig. 1.11 Níveis de energ ia e transições eletrónicas para
o átomo de hidrogénio.
visível e do ultravioleta próximo) e Paschen (trans ições para
n = 3, emissão de radiação infravermelha), entre outros, de
acordo com a Fig. 1.11 .

21
QUÍMICA 10.0 Ano

E / 1Q -19 J n
11. A figura ao lado mostra alg umas transições ele-
trónicas possíveis, do átomo de hidrogénio. o 00
-0,87 1
5
-1,36 4
11.1 Indique a transição eletrónica a que corres- - 2,42 1D 3
ponde a emissão de radiação de maior ener- e
- 5,45 ~
2
gia.

11.2 Após a transição B, quais os tipos de radia-


ções que podem se r emitidas pelo eletrão do
A B
átomo de hidrogé nio? E após a trans ição A? - 21,8

11.3 Considere um átomo de hi drogénio no estado fund amenta l, no qual incide um


fotão de energia 1,82 x 10-18 J. Conclua, justificando, se há transição do eletrão
para um estado excitado.

Q 11.1 (C). Tratando-se de uma emissão, apenas consideramos as transições ele-


trónicas para estados de menor energia. Entre as transições C e D, a C en-
volve uma maior variação de energia do eletrão (n = 4 - n = 2), pelo que a
radiação emitida é a de maior energia, uma vez que Efotãoemitido = 16.Eeletrã/

11.2 A transição B corresponde a absorção de energia pelo eletrão do átomo de


hidrogénio, ficando num estado excitado (n =3). O eletrão no nível n =3 pode
transitar diretamente de n = 3 - n = 1, emitindo radiação ultravioleta (por ser
uma transição para n =1), ou de n = 3 - n = 2, emitindo radiação visível (tran-
sição para n = 2) e de n = 2 - n = 1, emitindo radiação ultravioleta.
A transição A corresponde a absorção de energia pelo eletrão, ficando este
num estado excitado (n = 2). Após a absorção de energia, o eletrão vai tran-
sitar para o estado fundamental, emitindo radiação UV.

11.3 Efotão = 16.Eeletrà) = En - E 1 ⇒ En = E 1 + Efotão = -21,8 X 10-19 J + 1,82 X 10-18 J =


= -3,6 X 10-19 J
O valor obtido é negativo, mas não corresponde à energia de nenhum dos
estados excitados. Conclui-se, assim, que não existe transição, ou seja, o
eletrão não absorve o fotão, permanecendo no estado fundamental.

12. Um átomo de hi drogénio excitado emite energia, muitas vezes sob a forma de luz
visível, porque
(A) o eletrão foi ejetado do átomo.
(B) o eletrão transita para um nível de menor energia.
(C) a e nerg ia do e letrão no átomo está quantizada.
(O) o e letrão tran sita para um níve l de maior e nerg ia.

Q (B). O eletrão pode transitar entre estados estacionários absorvendo ou emitindo


energia. Quando o átomo absorve energia, o eletrão passa para um estado es-
tacionário de energia superior. Para haver emissão de energia, o eletrão tem de
transitar para um nível de energia inferior. As emissões de energia, sob a forma
de luz visível, ocorrem quando o eletrão do átomo de hidrogénio transita de ní-
veis superiores de energia (dos níveis 3, 4, 5, ou 6) para o nível n = 2.

22
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

Os e letrões dos átomos de cada e lemento químico têm um conjunto de valores de e nerg ia
q ue os caracteriza, pe lo que as transições eletrónicas que poderão ocorrer são diferentes de
elemento pa ra ele mento. Assim, as energias das radiações emitidas, o u absorvidas, são di-
ferentes de ele mento pa ra elemento, ou seja, são caracte rísticas de cada e leme nto q uímico.

Espetros de emissão de elementos quími-


cos: cada e le mento q uímico aprese nta u m
A hélio
espet ro de e missão de riscas ca racterístico,
d iferente do de qualq uer ou tro elemento
(Fig. 1.12 A e B).
8
néon 1
Se se compa rarem os espetros de em issão e
de absorção na região do visíve l de um dado
elemento químico (Fig. 1.12 B e e), verifica-se e
1 11 1 1
q ue as riscas coloridas do espet ro de emis-
Fig. 1.12 Espetro de emissão do hélio (A), espetro
são su rgem nas mesmas posições q ue as ris- de e missão do néon (B) e espet ro de absorção do
cas neg ras no espetro de abso rção. néon (C).

Os espetros de emissão e de absorção são característicos de cada elemento químico.


A pa rtir dos espetros de riscas de absorção é possíve l identificar os eleme ntos químicos que
fazem pa rte da constituição das d ife rentes estre las.

13. A f igura ao lado mostra o espetro da


luz so lar na região do v isível (A) e o
espet ro de absorção do h idrogénio
(B). As linhas D1 e D2 são orig inadas
pela p resença do elemento sódio na
Espetro de absorção de riscas do Sol (A) e espetro
atmosfera solar. de absorção do hidrogénio (B).

13.1 Q ue conclusão se pode retirar da comparação dos espetros A e B?

13.2 De entre os espetros de e missão


ao lado, designados po r X, Y e Z,
identifique o que corresponde ao
e leme nto sódio. 1 1 1 z

13.3 Conclua. justifica ndo, qual das duas riscas, D1 ou D2, do espet ro de emissão do
sód io apresenta maior energ ia por fotão.

~ 13.1 As linhas de absorção C, F, f eh do espetro da luz solar coincidem com as ris-


cas de absorção do espetro do hidrogénio, o que permite concluir que existe
hidrogénio na atmosfera do Sol.

13.2 É o espetro X, por ser o único que tem duas riscas próximas na zona amarela
do espetro na mesma posição que as riscas D1 e D2 do espetro solar.

13.3 Na radiação visível, a energia por fotão aumenta do vermelho para o vio-
leta, pois a frequência da radiação aumenta nesse sentido. As duas riscas
situam-se na zona do amarelo, no entanto, a risca D2 está mais próxima da
extremidade violeta do espetro e, por isso, tem maior energia por fotão.

23
QUÍMICA 10.0 Ano

1.2.6 Energia de remoção eletrónica


A energia dos eletrões nos átomos polieletrónicos (com 2 ou mais eletrões) inclui o efeito
das atrações entre os eletrões e o núcleo (cargas de sinais contrários) que diminui a energia
dos eletrões, e das repulsões entre os eletrões (cargas do mesmo sinal) que aumenta a sua
energia.

Espetroscopia fotoeletrónica: técnica utiliza-


da para determinar a energia de remoção de Fotão
eletrões dos át omos, e, a partir dela, a ener-
Placas carregadas
gia dos eletrões no átomo. Nesta técnica (Fig.

1.13), faz-se incidir nos átomos do elemento


+e------~
~
1
em estudo uma radiação com energia sufi- -~e-
ciente para remover qualquer um dos seus Amostra
gasosa
-..;;;;:;;_
eletrões, transformando-se assim os átomos / 2tetor
em iões. Para um átomo A, a remoção de um Fig. 1.13 Diagra ma d e e spetro scopia
fotoel etrónica.
dos seus eletrões é descrita por:

Em síntese:

• a energ ia de cada fotão incidente deve exceder a energia mínima necessária (energia
de remoção) para a remoção desse eletrão;

• se os eletrões tiverem energ ias diferentes, haverá tantos va lores de energia de remoção
quantos os estados de energia para os eletrões;

• os eletrões com maior energ ia de remoção são os que ocupam estados de menor ener-
gia (em média mais próximos do núcleo, logo, sujeitos a maior atra ção nuclear do que
os eletrões do último nível de energia - nível de valência).

Verifica-se que eletrões de átomos de elementos diferentes têm valores de energia diferen-
tes. Esses va lores de energia dos eletrões podem distribuir-se por níveis e subníveis.

Os resultados obtidos por espetroscopia fotoeletrónica são geralment e apresentados na for-


ma de um gráfico (espetros fotoeletrónicos, Fig. 1.14).

347 345 37 35 33 31 29 4 2 o
Energia de remoção / MJ mo1- 1
Fig. 1.14 Espetro fotoe létrónico do p otáss io.

Por análise da abcissa e da altura de cada pico nos espetros fotoeletrónicos, conseg ue-se
determinar as energias relativas dos subníveis eletrónicos ocupados e o nú mero re lativo de
eletrões em cada subnível, respetivamente.

24
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

14. Considere o espetro fotoeletrónico do potássio (Z = 19) apresentado na Fig. 1.14.

14.1 Indique o número de:


a) subníveis de energia pelos quais se distribuem os eletrões;
b) e letrões correspondente a cada um dos picos presentes no espetro.

14.2 Conc lu a.j ustifica ndo, qu al é o va lor de energia de remoção do eletrão de maior
e nerg ia de um átomo de potássio.

~ 14.1 a) De acordo com o espetro fotoeletrónico do potássio, existem seis valores


diferentes de energia de remoção (seis picos) para os 19 eletrões. A cada
um desses valores corresponde um subnível, ou seja, os eletrões do áto-
mo de potássio encontram-se distribuídos por seis subníveis de energia.
b) A altura de cada pico é proporcional ao número de eletrões em cada nível
ou subnível de energia. A altura relativa dos picos é 2: 2 : 6: 2: 6 : 1, corres-
pondendo esses números aos números de eletrões em cada um desses
subníveis (ao conjunto dos seis picos correspondem 19 eletrões).

14.2 Quanto menor for a energia de remoção maior é a energia do eletrão no


átomo, o que significa que o eletrão pertence a um nível de energia superior.

Para uma mole de eletrões, o valor é E,em = 0,42 MJ.


2 106
Para um eletrão E,em o,4 X J = 6,98 X 10- 19 J.
6,02 X 1023

1.2.7 Modelo quântico do átomo

A teoria que explica o comportamento dos átomos é a Mecânica Quântica. De acordo com a
Mecânica Quântica, não é possível associar uma trajetória aos eletrões, mas é possível definir
regiões , em redo r do núcleo, de maior e de menor proba bi lidade de encontrar o eletrão.

Designa-se por nuvem eletrónica uma representação da den-


sidade da distribuição dos eletrões à volta do núcleo atómico,
correspondendo as regiões mais densas a maior probabil idade
l
de aí encontrar eletrões {Fig . 1.1s).

Designa-se por orbital atómica a função matemática que des- Fig. 1.15 Representação da
probabilidade de encontrar
creve o modo como a probabilidade de encontrar cada eletrão
o e letrão numa d ada regiã o
va ria em redor do núcl eo (o termo orbital atómica t ambém pode em t orno do núcleo do
átomo de hidrogénio:
se r usado para desig nar a região, em redor do núcleo, onde o
1- nuvem eletrónica; li -
eletrão se pode encontrar). curva de probabi li dade.

Níveis e subníveis

Os espetros fotoeletrónicos dos átomos polieletrónicos são uma das evidências da existência
de subníveis de energia com va lores muito próximos. Estes dados permitem estabelecer uma
estrutura eletrónica por níve is e sub níveis de energia.

25
QUÍMICA 10.0 Ano

Os subníveis podem ser designados pelas letras s, p , de f. O subnível de menor energia de


um determinado nível de energia é os.

No caso de átomos polieletrónicos e para os três primeiros níveis:


• o primeiro nível de energia, n = 1, comporta no máximo 2 eletrões que apresentam a
maior energia de remoção (subnível 1s);
• o segundo nível de energia, n = 2, desdobra-se em dois subníveis que se designam por
2s e 2p. O primeiro comporta no máximo 2 eletrões e o segundo no máximo 6;
• o terceiro nível de energia, n = 3, desdobra-se em três subníveis que se designam por
3s, 3p e 3d. O primeiro comporta no máximo 2 eletrões, o segundo no máximo 6 e o
terceiro 10.

Orbitais

Cada orbital está associada a um valor de energia do eletrão. As orbitais dos subníveis s, p,
d, f, têm formas diferentes: as do subnível s apresentam simetria esférica, existindo uma por
cada nível de energia; as do subnível p, quando existe, são bilobulares (dois lóbulos simétri-
cos em relação ao núcleo atómico) e são sempre três por cada nível de energia. As orbitais do
subnível d, quando existe, são sempre cinco por cada nível de energia (Fig. 1.16).

Fig. 1.16 Representação das orbitais atómicas s, p e d.

Spin Resultado
da experiência

Os eletrões possuem, além de massa e carga ~ t


elétrica, propriedades magnéticas, ou seja, com-
portam-se como ímanes.

Se um feixe de átomos passar através de um


campo magnético não uniforme, verifica-se que Íman
o feixe se divide em dois (Fig. 1.17). Foi o resultado Feixe Campo magnético
de átomos não uniforme
destas experiências que permitiu associar aos
eletrões propriedades magnéticas. Designa-se \,
por spin a propriedade magnética intrínseca do t/ .j.

eletrão. Esta propriedade está quantizada uma / '


vez que permite apenas dois estados diferen- Fig. 1.17 Um feixe de átomos divide-se em dois por
tes: spin a e spin j3. ação de um campo magnético.

26
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

1.2.8 Configuração eletrónica de átomos


A configuração eletrónica de um átomo consiste na dis-
tribuição dos eletrões pelas diferentes orbitais atómicas.

Principio da Construção (ou de Aufbau)

A sequência pela qual as orbitais atómicas são preen-


chidas é dada pelo Princípio da Construção (ou Prin-
cípio de Aufbau, em alemão): para cada elemento quí-
mico, os eletrões distribuem-se pelas possíveis orbitais
por ordem crescente de energia (Fig.1.18).
Fig. 1.18 Ord em d e preenchimento das
Principio de Exclusão de Pauli orbitais.

Princípio de Exclusão de Pauli: cada orbital atómica com porta no máximo 2 eletrões, os
quais têm necessariamente estados de spin diferentes, spin a e spin ~ -
Da análise dos espetros fotoeletrónicos, como, por exemplo, do fósforo (Fig. 1.19) e do potássio
(Fig. 1.14), ve rifica-se que um dos subníveis (subníve l p ) compo rta mais de 2 eletrões, podendo
atin gir um máximo de 6 eletrões.
(J)
Q)
13,5
•e
Q)
ã5
Q)
u
o
> 1,06
~
~
18,7 1,95
e
Q)
208
E
·::J
z

1000 100 10 0,1


Energia de remoção / MJ moJ - 1
Fig. 1.19 Espetro fotoelétrónico do fósfo ro .

Atendendo ao Princípio da Exclusão de E 5p 5p 5p


5s 4d 4d 4d ~ 4d ~ 4d
Pauli e ao facto de os espetros fotoele-
4p 4p 4p -
trónicos mostrarem que o subnível p 4s 3d 3d 3d 3d 3d

comporta no máximo 6 eletrões, pode 3p 3p 3p


3s
associar-se a este subnível 3 orbitais de
igual energia. 2p 2p 2p
2s

A partir do níve l de energ ia, n = 3, dados


da espetroscopia fotoeletrónica mos-
1s
tram a existência de um terceiro subní-
Fig. 1.20 Ordem c rescente da energia d as orbitais em
ve l de energia, subnível d , que compo r- átomos po lieletrónicos.
ta no máximo 10 eletrões. Do mesmo
modo, podem associar-se a este subní-
ve l 5 orbitais de igual energia (Fig. 1.20).

O estado de menor energia de um átomo, ou molécula, designa-se por estado fundamental .


A configuração eletrónica do estado fundamental do átomo de potássio é:
19
K - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1
(os expoentes correspondem ao número de eletrões em cada subnível).

27
QUÍMICA 10.0 Ano

Existem outras formas de apresentar a estrutura ele-


trónica (configuração eletrónica) de um átomo. Exem- ~: ~ l~r 1~~
plo: átomo de boro, 5 B (Fig. 1.21).
~
Além dos princípios referidos, há um terceiro critério
para estabelecer configurações eletrónicas no estado
~
5
B: 152 252 2p1, ou [He] 252 2p1
fundamental: em orbitais com a mesma energia (orbitais
degeneradas), orbitais np ou nd, a distribuição eletróni- Fig. 1.21 Representação simbólica da
estrutura elet rón ica do átomo de boro, 5B.
ca deve ser feita de modo a maximizar o número de
eletrões desemparelhados.

O átomo de carbono apresenta dois eletrões no subnível 2p, sendo este constituído por três
orbitais com a mesma energia; neste caso, a configuração eletrónica do carbono deve aten-
der também à maximização do número de eletrões desemparelhados (Fig. 1.22).

Diagrama correto Diagrama errado

2p I i I i ~: ~ l_n--'----1----'------'~
~ ~
~ ~
Fig. 1.22 Diagrama de distribu ição eletrónica do carbono (Z = 6).

Assim , a configuração eletrónica do estado fundamental do átomo de ca rbono é:

6
e- 1s2 2s2 2pX1 2p1y 2pº.
Z

A informação a retirar desta configuração é que o carbono tem 4 eletrões de valência (eletrões
do último nível de energia) que se distribuem por 3 orbitais atómicas de valência (25, 2pxe 2p)-

1+1%1·1·11=+ili·I
15. Considere o átomo de fósforo (15 P} e as configurações eletrónicas seguintes:

(A) 152 25 2 2p6 352 3p 2X 3p1y 3pºZ (C) 152 252 2p 5 35 2 3p1X 3p1y 3p2Z
(8) 152 251 2p 6 35 3 3p1X 3py1 3p1Z (D) 15 2 25 2 2p6 35 2 3pX1 3p1y 3p1Z

Indique, justificando, quais as configurações que:


15.1 correspondem ao estado fundamental do fósforo;
15.2 correspondem a um estado excitado do fósforo;
15.3 são impossíveis.

& 15.1 (D). Segue o Princípio da Construção, não viola o Princípio da Exclusão de
Pauli e maximiza o número de eletrões desemparelhados (orbitais 3p).
15.2 (A) e (C). A configuração (A) não maximiza o número de eletrões desempa-
relhados. A configuração (C) não segue o Princípio da Construção.
15.3 (8). Viola o Princípio da Exclusão de Pauli. As orbitais do tipos comportam
no máximo 2 eletrões.

28
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

1.2.9 Teste de chama (AL 1.2)

O teste de chama permite reconhecer a presença de um


ou mais elementos químicos numa amostra (análi se ele-
mentar qualitativa), ao observar a cor da chama quando
nela se coloca a amostra (Fig. 1.23). A eficácia deste método
depende da natureza dos elementos prese ntes na amos-
Fig. 1.23 Testes de chama do lítio e do
tra e da tempe ratu ra da chama. sódio.

16. Num espet áculo foram usados quatro foguetes de fogo de artifício colorido, conten-
do as seguintes substâncias adicionadas à pólvora:

• 1.º foguete: sal cujo elemento metálico pertence ao grupo dos metais alcalinoterrosos;
• 2.0 foguete: sal cujo elemento metálico é um metal de transição;
• 3. 0 foguete: NaC€;
• 4.º foguet e: sal cujo elemento metálico pertence ao 2.º período.

A tabela apresenta as cores da luz emiti-


Sal Cor
da por alguns sa is usados na indústria de
pirotecnia. Cloreto de bário Verde

Cloreto de cobre li Verde-azu lada


16.1 Com base na informação, indiqu e
a sequência de cores observadas Cloreto de lítio Vermelha
quando foram lançados os quatro
Cloreto de potássio Vio leta
foguetes.
16.2 Elabore um texto em que exp lique Cloreto de sódio A marela

os processos envolvidos nas cores


observadas no fogo de artifício.
16.3 Justifique quais são as partículas responsáveis pelas cores observadas.
16.4 Explique por que é que a luz emitida por diferentes iões tem cor diferente.

a 16.1 Verde, verde-azulada, amarela, vermelha. Substâncias adicionadas à pólvo-


ra dos foguetes: cloreto de bário (1.º foguete), cloreto de cobre li (2.º fogue-
te), cloreto de sódio (3.0 foguete) e cloreto de lítio (4.0 foguete).

16.2 As cores observadas no fogo de artifício resultam da emissão de radiações


visíveis. A energia libertada na combustão da pólvora produz a excitação
dos átomos. O excesso de energia adquirido pelos átomos vai ser libertado
na emissão de radiação na região do visível.

16.3 Como os sais usados nos foguetes só diferem no catião, as cores que se
observarão resultam da emissão de luz pelos átomos dos metais.

16.4 Cada átomo tem um conjunto de subníveis de energia característico. Em


consequência, a variação de energia do eletrão entre dois estados é diferen-
te em elementos diferentes. A cada uma dessas variações corresponde uma
radiação de determinada frequência, daí as cores diferentes.

29
QUÍMICA 10.0 Ano

1.3 Tabela Periódica


1.3.1 Evolução histórica da Tabela Periódica

No século XIX, ainda antes de se conhecer a existência dos eletrões e dos protões, os quími-
cos criaram a Tabela Periódica ordenando os elementos de acordo com as massas atómicas.
Newlands verificou que as propriedades dos elementos se repetiam de oito em oito: Lei das
Oitavas (1864).

Alguns anos mais tarde, Dmitri Mendeleev, em 1869, e Lothar Meyer, em 1870, apresentaram,
independentemente, uma tabela dos elementos baseada nas regularidades das proprieda-
des das substâncias respetivas, o que permitiu prever a existência de novos elementos. Em
1913, Henry Moseley demonstrou que a carga do núcleo de um átomo é característica do ele-
mento químico e pode exprimir-se por um número inteiro, o número atómico. Os elementos
passaram a ser ordenados segundo os números atómicos crescentes.

Atualmente, a Tabela Periódica é constituída por 118 elementos distribuídos em 7 linhas hori-
zontais (períodos) e 18 co lunas verticais (grupos).

1.3.2 Estrutura da Tabela Periódica: grupos, períodos e blocos

As configurações eletrónicas dos átomos dos elementos permitem explicar a repetição das
propriedades físicas e químicas das respetivas substâncias elementares.

Os elementos de um grupo apresentam propriedades semelhantes. Verifica-se que os áto-


mos dos elementos do mesmo grupo têm igual número de eletrões de valência (eletrões do
último nível de energia), distribuídos por orbitais do mesmo tipo. O número de eletrões de
valência coincide com o número do grupo, no caso dos elementos dos grupos 1 e 2; coincide
com o algarismo das unidades do número do grupo para os elementos dos grupos 13 (3 ele-
trões de va lência) a 18 (8 eletrões de valênc ia).

Atendendo ao tipo de orbitais dos eletrões de valência dos átomos dos elementos no esta-
do fundamental , estes podem ser agrupados em quatro blocos: o blocos (configuração de
valência nsx) engloba os elementos dos grupos 1 e 2 e o hélio; o bloco p (orbitais de va lên-
cia tipo p em preenchimento) engloba os elementos dos grupos 13 a 18 (exceto o hélio); o
bloco d (configuração de va lência ncf< (n + 1) sY) engloba os elementos dos grupos 3 a 12;
o bloco f (lantanoides e actinoides) com orbitais f parcialmente preenchidas {Fig. 1.24).

18
13 14 15 16 17 1s
2 2p
3 3 4 5 6 7 8 9 101112 3p
3d 4p
4d
5d ••••
••••
5p
6p
7 6d

4f
5f
7p

Fig. 1.24 Blocos s, p , de f na


Tabela Periódica.

Os elementos de um mesmo período n têm os eletrões dos átomos, no estado fundamental,


distribuídos pelo mesmo número, n, de níveis de energia.

30
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

1.3.3 Elementos representativos e de transição

Os el ementos dos grupos 1, 2 e 13 a 17 sã o de- 18


ík 13 14 15 16 171
sign ados representativos; os dos grupos 3 a 11 2
u, u,
3 o>
são elementos de transição (Fig. 1.2s). u, 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ~
4
5
- "'
o.:;
e -
a, e
E 8l
Zn Elementos e
u,
Cd representativos Q)
.o
o
Q) Q)
m a. rLa- Elementos de transição - u,
6
~ r-
Hg
- "'
(9
7 Ac Cn

Elementos de transição interna


1

Fig. 1.25 Tabela Perió dica: e lementos


representativos e de tra nsi ção.

1.3.4 Famílias de metais e não-metais

Os elementos podem dividir-se em metais e


■ ■
não-metais (Fig. 1.26). ■■ ■■■■■■
■■ ■■■■■■
■■■■■■■■■■■■■■■■■■
■■■■■■■■■■■■■
La
■■■■■■■■■■■■■
~ ■■■■■■■■■■■ ■
~ ■■■■■■■■■■■■

Metais ■■ Não-metais

Fig. 1.26 Tabela Periódica: metais e não-metais.

M+i+ii·l·it4Hli·I
17. Considere as configurações eletrónicas apresentadas na tabela (as letras X, Y, Z e W
não correspondem a símbolos químicos).

(A) O elemento Y é um metal de transição. Elemento Configuração eletrónica


(B) O elemento Z localiza-se no 3. 0 período
X 152 252 2p6 352 3p6 45 1
e é um não-metal.
y 152 25 2 2p6 35 2
(C) O elemento W é um gás nobre e locali-
za-se no 2.º períod o. z 152 252 2p 4
(D) Os elementos X e Y situam-se, respeti- w 152 252 2p 6
va mente, nos grupos 14 e 13 da Tabela
Periódica.

& (C). Y não é um elemento de transição porque não pertence ao bloco d da Tabela
Periódica, ou seja , não tem eletrões de valência distribuídos por orbitais d.
O elemento Z tem os eletrões distribuídos por dois níveis de energia, o que per-
mite localizá-lo no 2. 0 período; como tem 4 eletrões de valência distribuídos por
orbitais p , é um elemento do bloco p .
O elemento W localiza-se no grupo 18 (tem 8 eletrões de valência), o que permite
cl assificá-lo como um gás nobre. Localiza-se no 2.º período, uma vez que os ele-
trões estão distribuídos por dois níveis de energia.
O elemento X tem 1 eletrão de valência e o Y tem 2, o que permite localizá-los nos
grupos 1 e 2, respetivamente.

31
QUÍMICA 10.0 Ano

1.3.5 Propriedades periódicas dos elementos representativos

Não se deve confu ndir elemento com substância elementar. Por exemplo, ao elemento po-
tássio, K, corresponde a substância elementar potássio, que é um metal formado por muitos
átomos de potássio. Ao mesmo elemento também podem corresponder subst âncias elemen-
tares diferentes. Ao elemento oxigén io, O, por exemplo, correspondem várias substâncias
elementares, tais como o di-oxigénio, 0 2 , e o o zono, 0 3 . A mbas são gasosas à temperatura
ambiente e à pressão atmosférica normal.

Elem entos e substâncias elementares têm características diferentes. Ass im, fala-se de confi-
guração eletrónica, raio atómico e energia de ionização do elemento, mas não da substân-
cia elementar. Fala-se d o estado físico, ponto de fusão, ponto de ebulição e densidade da
substância elementar, mas não do elemento.

O raio atómico (u ma medida do ta manho dos átomos) e a energia de ionização são duas pro-
priedades fu ndamentais dos elementos, diretamente relacionadas com a estrutura eletrón ica
dos átomos . Estas propriedades variam de forma regular ao longo de grupos e períodos da
Tabela Periódica, pelo que se designam por propriedades periódicas.

Raio atómico

O tamanho dos átomos é determin ado pela nuvem eletrónica, sendo o raio at ómico uma me-
dida do tamanho dessa nuvem (Fig. 1.21).

Fig. 1.27 Raios atómicos do sódio e do cloro

De um modo geral, o raio atómico aumenta ao longo do grupo e d iminui ao longo do período
(Fig. 1.28).

2 13 14 15 16 17 18
H He
.j .j
37 31
Ne
Li B B _g) ~
152 112 85 77 75 73 72 71

Na Mg AC Si p s ~ A
186 160 143 118 110 103 100 98

K Ca Ga Ge As Se fü K~

227 197 135 122 120 119 114 112

ln Sn Sb Te Xe
248 215 167 140 140 142 133 131

TI Pb At Rn
265 222 170 146 150 168 (140) (141)

Fig. 1.28 Variação do raio ató mico na Tabela Periódica.

32
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

Num mesmo grupo (i gual config uração eletrónica de va lência), co m o aumento do número
atómico (Z), os eletrões de valência ficam, em média, mais afastados do núcleo, uma vez
que há preenchimento de mais níveis de energia.

Num mesmo período (eletrões distribuídos pelo mesmo número de níveis de energia), à medi-
da que o número atómico, Z , aumenta, ou sej a, à medida que a carga nuclear aumenta, os
eletrões vão ser mais atraídos pelo núcleo; como o número de eletrões de va lência aumenta,
a repulsão entre eles t ambém aument a. No entanto, o fator predominante é o da atração ao
núcleo (a umento da carga nuclear) e por conseguinte os eletrões fica m mais próximos do núcleo.

Energia de ionização

Energia de ionização, E;, re laciona-se com a energia mínima necessária para extrair um ele-
trão de um átomo no est ado fu ndamental, isolado e em f ase gasosa.
X (g) ~ x• (g) + e -
Verifica-se que, de um modo geral, a energia de ionização diminui ao longo do grupo e au-
menta ao longo do período {Fig. 1.29}.

Fig. 1.29 Variação da energia de ionização n a Tab ela Periódica.

Para os elementos do mesmo grupo, com o aumento do número atómico, Z , os eletrões deva-
lência vão ficando cada vez com maior energia, pois aumenta o número de níveis de energia
preenchidos, sendo necessária menos energia para os remover (Fig. 1.30}.

n ~ oo - - ~ - - -

E(n = 2) n=3
J =
---.e---- E,(n 3)

n =2 ----e.t'.----
Fig. 1.30 Num mesmo grupo, é necessária menos energia
para remover o eletrão mais exterior de n = 3 do q ue para
remover o eletrão mais exterior de n = 2.

Para os elementos do mesmo período, à medida que a carga nuclear aumenta, os eletrões
de valência vão sendo mais atraídos pelo núcleo, aument ando a energia necessária para os
remover.

33
QUÍMICA 10.0 Ano

18. O su lfato de alumínio, A-€2 (SO4 ) 3 , utilizado no t ratamento de águas e de efl uentes
industriais, é constituído por alumínio, A-€, enxofre, S, e oxigénio, O.
Tendo em consideração as configurações elet rónicas desses átomos no estado
fundamental, explique porq ue é que:

18.1 o átomo de alumínio apresenta menor energia de ionização do que o átomo de


enxofre;
18.2 o raio atómico do oxigé nio é menor do que o raio atómico do enxofre.

& 18.1 13Af - 1s2 2s2 2p6 3s2 3p1 ; 16S - 1s2 2s2 2p 6 3s 2 3p4 • Os eletrões mais ener-
géticos (eletrões de valência) dos átomos de alumínio e de enxofre, no estado
fundamental, encontram-se no mesmo nível de energia (n = 3). Sendo a carga
nuclear do átomo de alumínio (+13) inferior à do átomo de enxofre (+16), a força de
atração exercida pelo núcleo do átomo de alumínio sobre os eletrões de valência
respetivos é menor do que a força exercida pelo núcleo do átomo de enxofre
sobre os eletrões de valência respetivos. Assim, será necessário fornecer menos
energia para remover um dos eletrões de valência mais energéticos do átomo de
alumínio do que para remover um dos eletrões de valência mais energéticos do
átomo de enxofre.

18.2 8 0 -1s2 2s 2 2p4 ; 16S -1s 2 2s 2 2p6 3s2 3p4 • O oxigénio e o enxofre apresentam
o mesmo número de eletrões de valência (6). Os eletrões de valência do átomo
de oxigénio encontram-se no nível n = 2, enquanto os do átomo de enxofre se
encontram no nível n = 3 (mais níveis de energia preenchidos). Assim, os eletrões
de valência do átomo de oxigénio encontram-se, em média, mais próximos do
núcleo respetivo do que os do átomo de enxofre, pelo que o raio atómico do oxi-
génio é menor do que o raio atómico do enxofre.

Como se explica que os metais tenham tendência para formar iões positivos e os não-metais
iões negativos?

Os átomos ao reagirem têm tendência a adquirir a maior estabilidade possível, ou seja, a


adquirir uma configuração eletrónica semelhante à dos átomos dos gases nobres (níveis de
energia completamente preenchidos).

Os metais apresentam, em geral, baixas energias de ionização. Assim, tendem a perder ele-
trões, origi nando iões pos itivos. Os metais dos grupos 1 (metais alca linos) e 2 (metais alca li-
noterrosos) são os que têm as menores energias de ionização, pe lo que são muito reativos,
perdendo faci lmente eletrões e dando origem a iões positivos muito estáveis.

Os não-metais apresentam energias de ionização ma iores, sendo os elementos do grupo 18


(gases nobres) os que apresentam os valores ma is elevados. Os átomos destes elementos
(exceto os do grupo 18) têm tendência para captar eletrões, transformando-se em iões nega-
t ivos estáveis.

34
DOMÍNI01 Elementos químicos e a sua organização

Os átomos dos gases nobres são muito estáveis, ou seja, não formam facilmente iões nem
se ligam fa cilmente a outros átomos, pois têm os se us níveis eletrónicos t ota lmente preenchi-
dos. Assim , as respetivas substâncias elementares são t ambém muito estáveis, e monoatómi-
cas , pelo que também só muito dificilmente reagem com outras substâncias.

M·M¼l+l1+%!N
19. As figuras mostram a variação da energia de ionização (A) com o número atómico
e va riação do raio atómico (B) para os 20 primeiros elementos químicos da Tabela
Periódica.

A B
EJ eV
H He
25 .J ,J
37 31
20 Ne
Li B _§) 19 <.Q) f)
15 152 1 12 85 77 75 73 72 71

Na Mg At Si p s 0 A
rn6 160 143 118 110 103 100 98
5
K K Ca
o
5 15 20 z 227 197 Valores em picómetros (pm)

19.1 A partir da análise das informações fornecidas nas figuras A e B, comente a


segu inte afirmação: «Os metais alcalinos reage m violentamente com a água.»
19.2 Os átomos de cloro formam facilmente iões cloreto.
Conclua, justificando com base na posição do elemento cloro, ce, na Tabe la
Periódica, qual será a carga desses iões.

~ 19.1 O lítio, o sódio e o potássio são elementos do grupo 1, pertencendo à família


dos metais alcalinos. A sua grande reatividade deve-se ao facto de os seus
átomos terem uma baixa energia de ionização: perdem facilmente o seu úni-
co eletrão de valência, transformando-se em iões monopositivos.
Os elementos dos metais alcalinos são os que apresentam menor carga
nuclear e maior raio no respetivo período, assim, o seu eletrão de valência
encontra-se, em média, mais afastado do núcleo e, por isso, é menos atraído,
o que corrobora o facto de ser necessário menos energia para a sua remoção.

19.2 O cloro encontra-se no grupo 17 da Tabela Periódica, o que significa que


os átomos de cloro têm 7 eletrões de valência, apresentando uma grande
tendência para ganhar um eletrão, de modo a adquirirem a configuração
eletrónica do gás nobre mais próximo (Ar). Conclui-se, assim, que a carga
dos iões cloreto será -1.

35
QUÍMICA 10.0 Ano

1.3.6 Densidade relativa de metais (AL 1.3)

A massa volúmica (ou densidade), p , define-se como o quociente entre a massa, m, de uma
amostra da substância e o seu vo lume, V, sendo constante para cada substância, nas mesmas
m
condições de pressão e temperatu ra: p = v·
A densidade relativa, d, de uma substância, grandeza adimensional, é igual ao quociente entre
a sua massa volúmica , p, e a massa volúmica de outra substância, considerada como referência .
Para sólidos e líquidos, a substância de referência é a água, à temperatura de 4 ºC.

d = Psubstância
P referência

A 4 ºC, a massa volúmica da água é 1,000 g cm-3 , por isso, a densidade relativa de um sólido ou
líquido é numericamente igual à massa vo lúmica respetiva, expressa em g cm-3 .

A densidade relativa pode ser ca lculada pelo quociente entre a massa de um certo volume de
substância e a massa de igual volume de água, a 4 ºC:

msubstância
d= P substãncia = V m substância
págua a 4 ºC mágua a 4 º C m água a 4° C
V
A densidade relativa de materiais no estado sól ido pode determinar-se utilizando um picnóme-
tro de só lidos (Fig. 1.31).

mágua =m'- m"

m m"

Pesa-se o sólido. Pesa-se o picnómetro Pesa-se o picnómetro


cheio de água, até ao traço cheio de água, até ao traço
de referência, e o de referência, com o corpo
sólido ao lado. dentro do picnómetro.

Fig. 1.31 Determinação da densidade relativa de um sóli d o por picn om etria.

20. Numa aula de laboratório distribuíram-se aos alun os pequenos objetos metálicos.
Um grupo de alunos resolveu determinar a densidade relativa do material metálico
por picnometria. Os ensaios foram feitos à temperatura de 20 ºC. A tabela seguinte
apresenta os reg istos efetuados pelo gru po de alunos.
Despreze a var iação da densidade da água com a temperatura.

água ,lg
17,377 97,104 95,146

2 17,376 97,105 95,145

3 17,376 97,105 95,145

36
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

20.1 Calcule a densidade relativa do material.


20.2 Qual é o significado do valor obtido para a densidade rel ativa do metal?
20.3 Face aos resultados obtidos e tendo em conta os dado s da seguinte tabela de
densidades, será possível identifica r o material dos objetos?

A lumínio 2,70

Ferro 7,86

Latão 8,1 a 8,6

Cob re 8,9 2

20.4 Determine o erro percentual do resultado obtido para a densidade relativa


do metal e relacione-o co m a exatidão desse resultad o.

201 = m, + m2 + m 3 17,377 + 17,376 + 17,376


_ _ _ _3_ _ _ _ g = 17,376 g
• m sólido 3

97,104 + 97,105 + 97,104


m \pic.+água)+objetos = g = 97,104 g
3

95,146 + 95,145 + 95,145 = 95145


m ''(pic. +água+ objetos) 3 g ' g

máguacom o mesmo volume = m' - m" = (97,104 - 95,145) g = 1,959 g

Densidade relativa à temperatura da experiência (20 °C):

m sólido
17,376
d= ⇒ d= - - =8870
m agua
. 1,959 '

20.2 A densidade relativa do metal, a 20 ºC, é 8 ,870, o que significa que a sua
massa volúmica é 8,870 vezes maior do que a massa volúmica da água.

20.3 Comparando a densidade relativa medida com a dos objetos, por maior
proximidade, conclui-se que, provavelmente, o material constituinte dos ob-
jetos será o cobre.

_ erro (%) = valor experimental - valor de referência x =


20 4 100
valor de referência
8,870- 8,92
- - - - - X 100 = - 0 ,56%
8,92

37
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

Massa e tamanho dos átomos

1. Cada substância é constituída por unidades estruturais características que se repetem ao


longo de toda a sua extensão. As unidades estruturais de algumas substâncias são átomos .
Estes são formados por partículas ainda mais pequenas: protões, neutrões e eletrões.

Espécie química N.º de protões N.0 de neutrões N.0 de eletrões

w 17 18 17

X 12 14 10

y 17 20 18

Com base na informação fornecid a, pode concluir-se que

(A) X é um anião.
(8) o número de massa de X é 26.
(C) W e Y são átomos do mesmo elemento.
(D) Y é um catião.

2. Uma amostra de silício contém 2 ,5 x 1025 átomos. Destes, 2,3 x 1025 são do isótopo Si- 28,
1,2 X 1024 de Si-29 e 8 X 1023 de Si-30.

Qual dos valores seguintes poderá representar a massa atómica relativa média do silício?

(A) 28,1
(8) 29,0
(C) 29,5
(D) 30,1

3. O boro apresenta dois isótopos naturais, '~B e ~B. de massas isotópicas, respetivamente,
10,0129 e 11,0093. A abundância relativa do boro- 10 é 19,78%.

3.1 Calcule a massa atómica relativa média do boro.

3.2 A massa calculada não é a média aritmética das massas isotópicas porque
(A) há um erro experimental na determinação da massa atómica relativa média do boro.
(8) na Natu reza, o boro resulta da mistura de dois isótopos com abundâncias relativas
diferentes.
(C) no núcleo do átomo existem outras pa rtículas além dos neutrões e protões.
(D) a massa atómica relativa média indica o número de vezes que a massa de um átomo
é maior do que a massa-padrão.

4. A s massas isotópicas do lítio-6 e lítio-7 são, respetivamente, 6,0151 e 7,0160. A m assa ató-
mica relativa média do lítio é 6,941.

Qual dos valores seguintes poderá representar a abundância relativa do lítio-7?

(A) 70,2%
(8) 92,5%
(C) 7,5%
(D) 50%

38
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

5. O elemento gálio, Ga, tem dois isótopos naturais estáveis, o gálio-69 e o gálio-71, como
mostra o seu espetro de massa.

~ 68,925580
~ 60,11
o
i5.
•O
õ 70,924700
-~ 39,89
ro
õ
e
<(Ú
-o
e
~
.o
<(

67 68 69 70 71 72 73
Massa isotópica

5.1 Atendendo à abun dância nat ural de cada isótopo, numa amostra de 10 000 átomos de
gálio, quantos são de gálio-69?

5 .2 Dete rm ine a massa at ómica relativa média do gálio.


5.3 Preveja quantos átomos de gálio-71 é poss ível encontrar em 5,00 g de gálio.

6. Desde que, em 1959, Richard Feynman lançou as primeiras ideias de criação de objetos
e equipamentos minúsculos para executarem tarefas então impossíveis até que, em 1981,
Eric Drexler lançou o seu projeto de manipulação molecular falando pela primeira vez em
nanotecnologia, percorreu-se um longo caminho a um ritmo avassalador.

6 .1 Indique o significa do do termo nanotecnologia e em que consiste.

6 .2 Indique duas das áreas de aplicação da nanotecnologia.

7. A fim de compreender o mundo das nanotecnologias, precisamos ter uma ideia das unida-
des das dimensões envolvidas. Um milímetro é um milésimo de um metro e um micrómetro
é um milionésimo de um metro, mas todos estes ainda são enormes em comparação com
a escala nanométrica. Um nanómetro (nm) é um milésimo de um milionésimo de um me-
tro, e uma dezena de milionésimo da espessura de um cabelo humano.
Apresente a espessura de um cabelo humano em notação científica e na unidade SI de
base.

8. A figura representa um átomo de hélio do qual se destaca o seu núcleo.

8.1 Com recurso à escala que consta da f igura, indique


a ordem de grandeza do ra io do átomo de hélio na
unidade SI de base.

8.2 O diâmetro do núcleo é menor do que o diâmetro


do p róprio átomo cerca de

(A) 102 vezes.


(8) 104 vezes.
(C) 10 5 vezes.
(D) 106 vezes.

39
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

9. Com o desenvolvimento tecnológico,


criaram-se máquinas que permitiram
obter imagens reais de superfícies com
resolução atómica, como foi o caso do
microscópio eletrónico de varrimento
por tunel amento (STM , sigla em inglês
para scanning tunneling microscope).

A figura mostra o modelo da molécula


de hexabenzocoroneno (A) e a imagem
obtida por STM (8) (1 Â = 10- 10 m).

9.1 Com base na esca la da fi g ura, estime o diâmetro aproximado da molécula de hexabenzo-
coroneno na unidade de base do SI.

9.2 Determin e o fator de ampliação usado na imagem.

10. O TNT, trinitrotolueno, é um sólido cristalino amarelo altamente explosivo, utilizado


para fins militares ou para explora ção de jazidas minerais.
A fórmul a química do TNT é C7 H5 (N0 2 ) 3 •

10.1 A expressão que perm ite determinar o número de molécu las em 1,0 kg de TNT é

227,15 X 6,02 X 10 23 227,15 X 6,02 X 10 23


(A) N = (C) N =
1,0 X 10-3 1,0 X 10 3

1,0 X 6,02 X 10 23 1,0 X 6,02 X 10 23


(B) N = (D) N=
2 27,15 X 10- 3 227,15 X 10 3

10.2 Determine a massa de hidrogén io que existe em 3 ,6 x 10 24 moléculas de trin itrotolueno.

10.3 Dete rmin e a relação entre as massas de carbono e nitrogénio numa amost ra de TNT.

11. O pentóxido de vanádio, V 2 0 5 , é um composto usado como corante nas indústrias da ce-
râmica e do vidro, e apresenta propriedades catalíticas importantes em muitos processos
industriais.

11.1 Descreva a composição q ualitativa e quantitativa do pentóxido de vanádio.

11.2 A fração que corresponde ao contributo do oxigén io pa ra a massa de pentóxido de va-


nád io é aproximadamente

(A) 0,44. (C) 0,78.


(B) 0 ,71. (D) 0 ,40.

11.3 Determine a quantidade de va nád io que existe em 2,3 kg de V 2 0 5 .

12 . O ouro utilizado no fabrico de joias é, na verdade, uma liga. Determinou-se a composição


de uma pulseira e verificou-se que continha 19,700 g de ouro, 4,316 g de prata e 2 ,540 g
de cobre.
A proporção de átomos de cada elemento (Au : Ag : Cu) nessa liga é

(A) 1 : 4: 4.
(8) 5 : 1 : 1.
(C) 8: 2 : 1.
(D) 5 : 2 : 2.

40
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

13. Em 1989, o físico norte-americano Don ald Eigler e os seus colabora-


dores conseguiram desenhar o logótipo mais pequeno do mundo,
reunindo trinta e cinco átomos de xénon, Xe, depositados sobre uma
superfície de níquel, Ni. A altura da letra 1, formada por nove átomos de
xénon, é de 5 ,0 nm.
Carlos Fiolhais, Nanotecnologia: o futuro vem aí! (adaptad o)

13.1 Determine a ordem de grandeza do diâmetro do átomo de xénon na


unidade base do SI.

13.2 Supondo que o quocient e e ntre o número de átomos de níquel na superfície e o número
de át omos de xénon utili zados no logótipo é 6,8 x 10 5 , determin e a massa de níquel no
logótipo.

14. Já existe, graças à nanotecnologia, um vidro com fun ção de autolimpeza. Isso é possível
devido à existência de uma camada ultrafina de óxido de titânio, Ti0 2 , aplicada no lado
exterior do vidro.

Determine a espessura de uma camada ultrafina de Ti0 2 , de densidade 4,23 g cm-3 , unifor-
memente distribuído num vidro de 50 cm x 100 cm, contendo 6,02 x 10 20 átomos de titânio.

15. Um grupo de alunos transferiu de uma bureta um certo número de gotas de água para um
gobelé que se encontrava sobre uma balança digital. A massa de água registada foi 9,542 g.
A figura mostra a posição do nível de água na bureta usada antes e após a transferência
referida.

15.1 Ind ique a incert eza de leitura da bureta e da ba lança


usadas. 20 ml ~ 9

15.2 Determine o volume das gotas de água tra nsferidas -=-º : 10


com o número de algarismos significativos adeq uado.
~ l
:. 11
15.3 Determine o número de gotas transferidas, sabendo
:2
qu e cada gota conté m 1,45 x 1021 moléc ulas de água.
Ap resent e t odas as etapas de reso lução e o resultado
com três algarismo significativos.
i 12

15.4 Os alunos fi lma ram a experiência que realizaram. Du- início fi m


rante a revisão das imag ens, constataram que o núme-
ro de got as caído foi superior ao que tinham contado.
Explique, sem efetuar cálcu los, se est e erro afetou a
determ inação do volume de uma gota por excesso ou
po r defeito.

15.5 Um outro grupo de alunos, para o mesmo número de gotas, e usando a mesma buret a,
obteve a massa de 9,5 g numa balança digita l. Este valor perm ite concluir que este gru-
po de alunos usou uma ba lança ______ e o va lo r medido pode est ar compreen-
dido entre _ _ _ _ __

(A) mais precisa ... 9,4 g e 9,6 g.


(B) menos p recisa ... 9,4 g e 9,6 g.
(C) mais precisa ... 9,45 g e 9,55 g.
(D) menos precisa ... 9,45 g e 9,55 g.

41
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

Energia dos eletrões nos átomos

16. Os espetros podem ser de emissão ou de absorção, consoante resultem da luz emitida
por uma amostra ou obtidos depois de a luz emitida por uma fonte atravessar a amostra.
Considere os espetros seguintes:

(A)
1 li
(B)
---
111111 1

111111

16.1 Class ifique os espetros A e B.

16.2 O carbono e o tu ngsténio são alguns dos materiais usados no fil amento de lâm padas
inca ndescentes. Os espetros A e B poderão corresponder à radiação emitida por fil a-
ment os de lâmpadas incandescentes?

17. Luz não é só a luz visível. Os raios gama, os raios X , os raios ultravioleta, os infravermelhos,
as micro-ondas e as ondas de rádio também são luz. Os diferentes tipos de luz designam-se
por radiações eletromagnéticas.
li Ili IV

17.1 As radiações que est ão associadas às situações ilustra das nas figuras são
(A) 1: raios gama; li: infravermelhos; Ili: ondas de rádio; IV: micro -o ndas.
(B) 1: raios X; li: infrave rmel hos; Ili: visível; IV: micro-ondas.
(C) 1: raios X; li: u ltravioleta; Ili: v isível; IV: infravermel hos.
(D) 1: raios gama; li: ultravioleta;III: ondas de rád io; IV: infravermelhos.

17.2 Coloq ue as ra diações ilust radas nas figuras por ordem crescente de energia dos fotões
respetivos.

18. Em 1913, Niels Bohr apresentou um novo modelo para o átomo. Qual das seguintes afirma-
ções é uma das características do modelo de Bohr?

(A) O comportamento dos eletrões nos átomos é descrito po r orbitais.


(B) Os átomos de hidrogénio apenas emitem determi nadas radiações porque a energia do
eletrão no átomo só pode ter certos va lores .
(C) Os átomos são esferas maciças de carga pos itiva uniformemente distribuída, na qual se
encont ram dispersos os eletrões.
(D) A cada estado est acionário do eletrão no átomo está associa da a emissão de uma radia-
ção de determi nada freq uência.

42
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

19. O espetro de emissão do hidrogénio ató mico apresenta riscas de frequências bem definidas
que correspondem à emissão de quantidades discretas de energia. Explique como é que
este facto conduziu ao modelo atómico de Bohr.

20. Quando o átomo de hidrogénio absorve energia, E/ 10 -•• J n


o seu eletrão transita de um nível de menor ener-
gia para um nível de maior energia. O diagrama de
-2,42 .~
3

energia ao lado apresenta os três primeiros níveis


-5,45 2
de energia para o eletrão do átomo de hidrogénio. ••
Verifique, apresentando todos os cálculos necessá- B
rios, se as transições A e B poderão corresponder A
à absorção dos fotões f 1 e f2 , cujas energias são -21,8
1,60 x 10-19 J e 1,94 x 10-19 J , respetivamente.

21 . O espetro de emissão na região do visível do hi-


drogénio pode obter-se em laboratório, produzindo
uma descarga elétrica numa âmpola de hidrogénio,
E, = -1 ,36 x ,o-19 J
sendo a risca de menor energia de cor vermelha. E3 = -2.42 X 10- 19 J ~ - - - - - - - n- 3
O diagrama representa os níveis de energia para o
átomo de hidrogénio.
,,. ~~-m•.. 1 -,
21.1 O es petro de absorção do hidrogénio consiste 1

numa série de riscas negras num f undo colori-


do. Exp lique como se obtém a risca ne gra situa-
da na zona vermelha do espetro.

21.2 Calcule a e nergia do fotão emitido quando o


eletrão transita do segun do est ado excitado
E, = -2,18x 10- 18 J
para o estado fundam ental. - - - - - - - - n=l

22. Uma amostra de um sal desconhecido foi submetida ao aquecimento por uma chama para
se obter o seu espetro de emissão na região do visível.

22.1 Por comparação com os espetros de


absorção dos elementos lítio e cálcio, Lítio
conclua, j ust ificando, se algum destes
elem entos integra a constitu ição do Amostra
sal descon heci do.

Cálcio

22.2 Selecione a opção correta.

(A) A ene rgia fornec ida pela chama à amostra excita os átomos de modo que os seus
eletrões transitem de níveis de maior energia para níveis de menor energia.

(8) O sa l testado deverá te r uma cor az ulada, pois há um p redomínio de riscas azuis no
espetro d e emissão da amostra.

(C) A risca vermel ha do espetro de emissão resu lta de uma desexcitação dos eletrões
dos átomos da amostra de menor d iferença energética do que a associada à emis-
são das riscas azuis.

(D) Qua ndo os eletrões dos átomos da amostra regressam ao est ado fu ndamental,
ced em mais ene rgia do que a forn ecida pela c hama na excitação desses eletrões.

43
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

23. A figura representa as quatro riscas de menor energia do espetro de emissão do átomo de
hidrogénio na região do visível.
A B C D

1.1. 1 . .1 J 1

Frequência

23.1 Concl ua entre que níveis de energia ocorre a tra nsição eletrón ica responsável pela
risca des ignada por D.
A presente, num text o estruturado e com linguagem científica adeq uada , a fundamenta-
ção da concl usão solicitada.

23.2 Os espetros das estrelas, na região do visível , apresentam -se como uma faixa luminosa
contínua contendo riscas negras em todas as co res do arco-íris. Essas riscas revelam a
composição química das camadas superficiais das estrelas.
Ex plique como é possíve l concluir, a partir do espetro de uma estrela, se há hidrogénio
nas ca madas superficiais dessa estre la.

24. No teste de cham a realizam-se vários ensaios com diferentes sais. Na tabela que se segue
indicam-se as cores das chamas associadas a alguns sais.

Cloreto de sódio Cloret o de potássio Cloreto de cobre (li)

Corda chama Amarela Violeta Verde-azulada

Na queim a destes sais pode ser utilizado o equipamento esquem atizado na figura.

24.1 Indique o nome deste equipamento laboratorial.


24.2 Est e equipamento perm ite reg ular a entra da de ar no tubo
de comb ustão tornando a chama ma is o u menos energética.
Explique porque se t orna mais difícil identificar o potássio
com este test e do que o sódio ou o cobre, no caso de a cha-
ma ser pouco energética.

24.3 Indique uma limitação deste teste de chama.


24.4 No rótulo do frasco de cloret o de cobre (li) enco ntra-se o pictograma da
fi g ura. Indique o sign ificado deste pictograma e uma medida de seg uran-
ça a ter e m co nta na utilização deste sal.

25. A espetroscopia fotoeletrónica (PES) é uma das técnicas que permite determinar a energia
de remoção de eletrões dos átomos e, a partir delas, a energia dos eletrões no átomo.
A figura seguinte mostra o espetro fotoeletrónico simulado para um dado el emento quími-
co. O espetro contém informaçã o relativa a todos o s eletrões d e um átomo do elemento.

(/)
Q)
•e
Q)
ãi
Q)
D
~ A B e o E
~
~
zº · +-'l'--'l'-- - - - - - - - - - -"'+'------------'i.......,,.,<-
0,58 1,09 7,19
/
{

12, 1
!
15, 1
Energia de remoção / MJ moI- 1

44
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

25.1 Por quantos subníveis de energia se encontram distribuídos os eletrões nos átomos
desse elemento?

25.2 Os picos A , B e C correspondem, respetivamente, aos subníveis de energia

(A) 1s, 2s e 2p. (C) 3p, 3s e 2p.


(8) 2p, 3s e 3p. (D) 2p, 2s e 1s.

25.3 Indique o nome e o símbolo do elemento químico.

25.4 Conclua,justificando, sobre quantas orbitais são ocupadas pelos eletrões responsáveis
pelo pico C.

25.5 Os eletrões responsáveis pelo p ico E apresent am uma maior energia de remoção porque

(A) são os eletrões de valência.


(8) a sua energ ia é menor.
(C) a repu lsão eletrónica entre eles é maior.
(D) estão mais afast ados do núcleo.

26. Os espetros seguintes apresentam a energia necessária para remover um eletrão 1s de um


átomo de nitrogénio e de um átomo de oxigénio.

Nitrogénio (N) Oxigénio (O)

700 600 500 400 300 700 600 500 400 300
Energia de remoção / eV Energia de remoção / eV

26.1 Conclua, justificando, em qual dos element os, nitrogénio o u oxigénio, um eletrão 1s
tem maior energia.

26.2 A aná lise destes espetros do nitrogénio e do oxigénio permite conc luir que

(A) ambos os átomos têm o subnível 1s semipreenchido.


(8) no átomo de oxigénio existe menor repulsão eletrónica do que no de nitrogénio.
(C) át omos de e lement os d iferentes têm valores diferentes da energia dos e letrões.
(D) os eletrões podem distribuir-se por níveis e subníveis.

27. Cada um dos diagramas 1, li e Ili mostra uma distribuição de 3 eletrões em 3 orbitais 3p.

li Ili

i i i i! i ii i

Com base na informação dada, pode afirmar-se que a distribuição

(A) 1 não obedece à maximização do número de eletrões desemparelhados em orbitais


degeneradas.
(8) Ili não obedece ao Princípio de Exclusão de Pau li.

(C) li corresponde ao estado de menor energia.

(D) li é impossível, pois viola a maximização do número de eletrões desemparelhados em


orbitais degeneradas.

45
QUÍMICA 10.º Ano

Questões propostas

28. A fun ção que representa a distribuição no espaço de um eletrão no modelo quântico do
átomo designa-se por orbital.
(A) (8) (C)
28.1 Associe a cada uma das re-
z
presentações A, B e C às orbi-
tais s, p e d.

28.2 Indique o número de subní-


veis e de orbita is que existem
no nível de energia n = 3.

28.3 Os iões ma is estáveis de um elemento químico têm a configuração eletrónica [He] 2s2 2p6 .
É possível q ue o número atómico desse elemento seja _ _ _ _ _ e os seus iões mais
estáveis sejam _ _ _ __

(A) 9 ... monopositivos (C) 9 ... mononegativos


(8) 10 ... dipositivos (D) 10 ... dinegativos

Tabela Periódica
29. Observe a representação da Tabela Periódica e considere apenas o s elementos que nela
const am. Indique:

29.1 o número atómico do fósforo, P;


E]
H
- -
-
Li e O F Ne
- >-
29.2 o número de eletrões de valên- Mg p s ce Ar
cia do néon, Ne; K Zn Br
Ag 1
29.3 a configuração eletrónica do Ba Au
átomo d e enxofre, S, no esta-
do de menor energia;

29.4 o elemento do 3. período com


0
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

maior energia de ionização; --l 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

29.5 o elemento do grupo 2 com maior ra io atómico;


29.6 o elemento cuja confi guração eletrón ica, no estado fundamenta l, é 1s2 2s2 2p6 3s 2 3p6 4s1;
29.7 o halogéneo que formará o ião com maior raio iónico.

30. Relat iv am ente à disposição dos elementos químicos na Tabela Periódica, é incorreto afir-
mar que

(A) os elementos representativos têm eletrões de valência nos subníveis se p.


(8) todos os elementos de um grupo possuem a mesma configuração eletrón ica de valência.
(C) em condições normais, o árgon forma moléculas diatómicas.
(D) substâncias elementares constituídas por elementos do mesmo grupo apresentam pro-
priedades semelhantes.

31. Na tabela apresentam-se alg umas informações relativ as aos elementos químicos X, Y e Z
(as letras não correspondem a símbolos químico s).

31.1 O elemento X fH::%\d Informação

(A) pertence ao 4.º período da Tabela Periódica. X Número atómico 21


(8) tem como su bnível menos energético o 3d. y Localiza-se no 4.º período
(C) é um elemento representativo.
z Halogéneo do 2.0 período
(D) pertence ao grupo 13 da Tabela Periódica.

46
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

31.2 Pode conclu ir-se que os átomos do elemento Y, no est ado fu ndamental, apresentam
(A) 4 eletrões de valê ncia. (C) 4 subn íveis de e nergia ocupados.
(B) 4 eletrões no sub nível mais exte rno. (D) 4 níveis de energia ocupados.

31.3 O número atómico de Z é


(A) 9. (B) 17. (C) 12. (D) 10.

32. A figura apresenta o diagrama de energia das orbitais de valência dos átomos dos elemen-
tos X e Y no estado fundamental.

32.1 Conclua. j ustifica ndo, q ual dos eleme ntos, X ou Y, apresenta maior
l

Ilp l _l _!
v
energia de ionização.

32.2 A t ransformação cuja energia associada é a energia de ionização


de X é trad uzida po r
(A) X (s) - x• (g) + e- . (C) X (g) - x• (g) + e-. 1 Jl X

(B) X (g) + e- - x- (g). (D) X (s) + e - - x- (g).


32.3 O átomo Y
(A) é um não-metal.
(B) pertence ao bloco p da Tabela Periódica.
(C) apresenta o nível de va lência com plet amente p reenc hido.
(D) liga-se ao át omo X forma ndo o composto Y2 X.

33. Primo Levi, autor de uma autobiografia intitulada A Tabela Periódica, escreveu que o zinco
«(...) não estimula a nossa imaginação, é cinza e os seus sais não têm cor, não é tóxico e
não produz reações coloridas; em suma é um metal sem graça.»

33.1 Primo Levi refe ria-se ao elemento químico ou à substância elementa r?


33.2 A energ ia de ionização do zinco é 9 0 6,4 kJ mol-1. Determine, em joule, a ene rgia míni-
ma necessá ria para remover um e letrão de um át omo de zinco no estado fu ndamenta l,
isolado e em fase gasosa.

34. Os elementos do grupo 1 da Tabela Periódica são o s metais alcalinos.


34.1 O comportamento químico dos metais alca li-
nos é explicado, em parte, d evido à fraca atra-
ção do núcleo sobre o eletrão de valência. Na
figura representa-se a energia de ionização
em função do número at ómico. Qual das letras
correspo nde aos metais alca linos?

(A) W (B) X (C) y (D) Z


Número atómico

- ..
34.2 A tabela seguinte apresenta algum as p ropriedades do sódio e do potássio.

- Sódio

Potássio
Configuração
eletrónica

[Ne]3s1

[A r]4s 1
98

63
Massa volúmica /
g cm-a

0,97

0,86
180

220
Energia de ionização
/ kJ mor-1

495,7

418,6

Das propriedades apresentadas na tabela, indique as do elemento sód io e as da subs-


tância el ementar potássio.

34.3 Interprete a formação dos iões mais estáveis dos metais alcali nos.

47
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

35. Qual das representações seguintes traduz a variação do raio atómico em função do número
atómico?

(A) (C)
He
Ne

(B) (D)
F
K

Kr

36. O gráfico da figura ao lado mostra a varia- tE


ção da energia de ionização de alguns ele- --,
_::,:_
2000
mentos químicos, de A a H , em função do ----
o
>Cll 1600
número atómico. As letras não correspon- o-
Cll
dem aos símbolos químicos. ·eN
.Q 1200
QJ
36.1 Num átomo do elemento E, no esta- u
Cll
do fundamental , ex istem _ _ __ -~ 800
QJ
e
eletrõ es de valência distribuídos por w
400 A
_ _ _ _ _ orbitais.

(A) ci nco ... duas


o 2 4 6 8 10 12
(B) três ... quatro Número atómico

(C) ci nco ... quatro

(D) três ... d uas

36.2 Exp lique a ten dência do aumento da energia de ionização. Aprese nte, num texto es-
truturado e com linguagem cie ntífi ca adequada, a explicação sol icitada.

36.3 A equaçã o química que trad uz a ion ização de F é


(A) F (g) - F+(g) + e -
(B) F (g) + e- - F- (g)
(C) F2 (g) + 2 e- - 2 F- (g)

(D) F2 (g) - 2 F+(g) + 2 e-

48
DOMÍNIO 1 Elementos químicos e a sua organização

37. Para procederem à identificação da subst ância que constitui um fio metálico encontrado
no laboratório, um grupo de alunos recorreu à picnometria para determinar a densidade do
metal. A tabela apresenta os registos efetuados pelos alunos. Considere que a densidade
da água é 1,00 g /cm 3 e despreze a sua variação com a temperatura.

---
Ensaios
Descrição

Tempe ratu ra / ºC 21,0 21,0 21,0

Massa fio met álico, m / g 10,02 10,05 10 ,01

Massa do picn ómetro +água+ fio metálico no exterior, m' / g 66,07 65,80 66,01

Massa do picnómetro + água+ fio metálico no interior, m" / g 62,22 61,98 62 ,27

37.1 Ca lcule a densi dade do metal que co nstitui o fio metálico.


37.2 Dete rmine o erro percentual do resultado experimental. Considere 2,70 g cm-3 o valor
tabelado para a massa volúmica do material que constitui o fi o metálico.
37.3 Como classif ica q uanto à exatidão o res ultado obtido ex perimentalmente pelos alunos?
37.4 Indique dois erros experimentais q ue possam influenciar a exatidão do resultado.

38. Com o objetivo de determinar a densi-


dade relativa do chumbo, por picnome-
tria , dois grupos de alunos efetuaram o
procedimento esquematizado na figu-
ra. A densidade relativa do chumbo é
11,4, à temperatura de 16,0 ºC.
Os resultados das medições obtidos,
à temperatura de 16,0 ºC, por um dos
grupos de alunos, estão registados na Ili
t abela seguinte.

1- Massa de li - Massa do picnómetro Ili - Massa do conjunto (picnómetro com água


chumbo/ g com água/ g e chumbo colocado dentro do picnómetro) / g

15,84 56,29 70,79

38.1 Determ in e a densidade relativa do chumbo.


38.2 Indiq ue o significado físico do valor obtido para a densidade relativa do chumbo.
38.3 Outro grupo de al unos obteve o valor de 11,2 para a densidade re lativa do chumbo.
Determine o erro percentua l e avalie a exatidão do resultado experime ntal obtido.
38.4 Se a massa da amostra de chumbo foss e 7,92 g seria de esperar que o va lor obtido
pa ra a densi dade relativa fosse
(A) igual. (8) o dobro. (C) metade. (D) um quart o.
38.5 No caso de se fo rmarem bolhas d e ar no picnómetro após os alunos introdu zirem o
meta l, conc lua, j ustificando, se este erro afeta a determi nação da densidade re lativa do
meta l por excesso ou por defeit o.

49
QUÍMICA 10.0 Ano

Domínio 2
Propriedades e transformações da matéria
As propriedades das moléculas e dos materiais são determinadas pelo tipo de átomos, pela
energia das ligações e pela geometria das moléculas.

2.1 Ligação químico


Um sistema de dois ou mais átomos pode adquirir maior estabi-
lidade através da forma ção de ligações químicas. As interações
entre os átomos são de natureza elétrica, pois os eletrões e os
núcleos atómicos t êm ca rga elétrica.

Na Fig. 2.1 re presentam-se as interações que se estabelecem entre


Fig. 2 .1 Interações at rativas e
as partículas constituintes de dois átomos de hidrogénio. Estas repulsivas ent re as partículas
interações são: de dois átomos de hidrogénio.

• atrativas entre cargas de sinais contrários: núcleos e eletrões;


• repulsivas entre cargas do mesmo sinal: entre núcleos e entre eletrões.

A energia associada à interação entre os átomos va ria com a distância entre os núcleos. Com
a aproximação, o aumento das atrações fa z diminuir a energia e o aumento das repulsões
faz aumentar a energ ia. Quando essa energia atinge um valor mínimo, há uma distância
ca racterística, a distância de equilíbrio, para a q ual se estabelece uma ligação química. Nes-
ta situação, a energia de um conju nto de átomos ligados é menor do que a energia desses
átomos separados.

A Fig. 2.2 mostra o gráfi co da energia H- H H H


associada à interação entre os átomos
em fu nção da distância internuclea r du- Energia
ro= 74 pm
rante a formação da molécula de hid ro- o !+-- - , - - - - - -~ - - -- - -
Distância internuclear
génio. Verifica-se que:
Predominam ~ Predominam as atrações
• para grandes distâncias (átomos as repulsões
isolados), a int eração é nula, con- - 436 kJ/mol · ~ Energia de ligação = 436 kJ / mol
(menor energia potencial implica
siderando-se que a energia po- maior energia de ligação)
tencial do sist ema é nula;
Comprimento de ligação
(distância de equilíbrio)
• à medida que os átomos se apro-
Fig. 2 .2 Variação de energia potencia l de um sistema de dois
ximam, as interações entre eles átomos de hidrogénio em f unção da distância intern ucl ear.
passam a ser significativas, co m
predomínio das atrações, o que
se traduz na diminuição da ener-
gia potencial do sist ema;
• o mínimo de energia atingido (-436 kJ mo1- 1) corresponde à distância internuclear para
a qual há um equilíbrio entre as repulsões e as atrações. A molécula de hidrogénio
torna-se mais est ável e essa distância designa-se por comprimento de ligação (r0 = 74
pm). Considera-se, assim, que se estabeleceu uma ligação química entre os átomos;
• se a distância intern uclear continuar a diminuir (r < r0 ) as f orças repulsivas são predomi-
nantes, pelo que se verifica um aumento acentuado da energia potencial do sist ema e
co nsequente diminuição da estabilidade da molécula.

50
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

2.1.1 Tipos de ligação química


As ligações químicas resultam das interações entre dois ou mais átomos. Dependendo dos
átomos envolvidos na ligação, elas podem ser de três tipos: covalentes, iónicas e metálicas.
As ligações covalentes, iónicas e metálicas ca racterizam-se por uma partilha significativa
de eletrões entre os átomos.

Ligação covalente

Estas ligações ocorrem, geralmente, entre átomos de element os não-metálicos. Est e tipo de
ligação é caracterizado por uma partilha localizada de eletrões de valência entre dois áto-
mos e dá origem a substâncias cuj as unidades estruturais são moléculas (por exemplo, CO )
ou estrutu ras gigantes de átomos (por exemplo, o diamante).

Ligação iónica

Este tipo de ligação ocorre, em geral, entre átomos


de metais e não-metais. Na ligação iónica, a intera-
ção entre os átomos dá origem a transferência de
eletrões de um átomo (e lemento metálico) para outro
(elemento não-metálico), da qual resultam iões com ce-
cargas de sinal contrário. A ligação decorre da atra-
ção elétrica entre os iões positivos e negativos for-
mados. Os sais (por exemplo, NaCC) são compost os
iónicos, em que os iões positivos e negativos se orga- Fig. 2 .3 No cloreto de sód io, Nac e, os iões
(Na' e ce-) organizam-se numa re de iónica .
nizam em redes cristal inas (Fig. 2 .3).

A ligação iónica pode co nsiderar-se como um caso


extremo de partilha de eletrões que dá origem à ce-
dência, ou transferência, de eletrões entre átomos.

Ligação metálica
Eletrões de valência
Este tipo de ligação ocorre entre átomos de metais.
Os metais possuem eletrões de va lência pouco atraí-
dos ao núcleo (baixas energias de ionização), pelo que
facilmente se libertam da ação do seu átomo de ori-
gem, deslocando-se mais ou menos livremente entre
os cernes atómicos (núcleos e eletrões mais interio-
res), originando uma nuvem de ca rga elétrica negativa
que abrange toda a rede do cristal metálico (Fig. 2.4).
Na ligação metálica há uma partilha de eletrões de Cerne do átomo - catião
(núcleo e eletrões interiores)
va lência deslocalizados por todos os átomos.
Fig. 2 .4 Eletrões de valência deslocalizados
Sendo as ligações químicas de natureza essencial- numa ligação metálica.

mente elétrica, também podem ocorrer entre molé-


cu las viz inh as designando-se por ligações intermole-
culares. Nestas ligações não há partilha significativa
de eletrões e as moléculas envolvidas mantêm a sua
identidade.

51
QUÍMICA 10.0 Ano

1. Considere as subst âncias iodeto de potássio, KI , peróxido de hidrogénio, H2 0 2 , e


alumínio, A €.

1.1 Classifique a ligação que se estabelece entre:


a) o potássio, K, e o iodo, 1, no iodeto de potássio;
b) o oxigénio, O, e o hidrogénio, H, no peróxido de hidrogénio;
e) os átomos de alumín io.

1.2 Que semelhanças e diferenças se podem encontrar nas ligações entre os áto-
mos de oxigénio e hidrogénio no peróxido de hidrogénio, Hp 2 , e entre os áto-
mos de alumínio, no alumínio metálico?

t) 1.1 a) Ligação iónica. Este tipo de ligação ocorre, em geral, entre átomos de
metais e não-metais. O potássio (grupo 1) é um metal e o iodo (grupo 17) é
um não-metal.
b) Ligação covalente. Este tipo de ligação ocorre, geralmente, entre átomos
de elementos não-metálicos. O hidrogénio (grupo 1) é um não-metal e o
oxigénio (grupo 16) é um não-metal.
c) Ligação metálica. Este tipo de ligação ocorre entre átomos de metais.
O alumínio (grupo 13) é um metal.

1.2 Nos dois casos, há uma partilha significativa de eletrões entre os átomos
envolvidos nas ligações. No entanto, enquanto em H 2 0 2 a ligação entre os
átomos de O e de H se caracteriza por uma partilha localizada dos eletrões
de valência entre os dois átomos, no alumínio metálico a ligação resulta da
partilha dos eletrões de valência deslocalizados por todos os átomos, origi-
nando uma nuvem de carga elétrica negativa que abrange toda a rede do
cristal metálico.

2.1.2 Ligação covalente

Na ligação entre dois átomos numa molécula, cada um dos átomos experimenta alterações.
As pri ncipais alterações ocorrem com os eletrões de va lência, ao nível das suas energias e
das orbitais que descrevem o comportamento desses eletrões (orbitais moleculares).

Segundo o modelo de Lewis:


• os eletrões de valência têm um papel fundamental na li gação química;
• os eletrões são partilhados entre átomos, em moléculas, de modo que cada átomo en-
volvido na ligação adquira uma configuração eletrónica de gás nobre (cujos átomos são
particu larmente estáveis, especialmente He e Ne).

Estruturas de lewis
• O símbolo químico representa o cerne do átomo.
• Os pontos(·) e cruzes (x) à volta do símbolo químico representam eletrões de va lência.
• Um traço entre os símbolos representa um par de eletrões.

52
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

Ligação simples: partilha de 2 eletrões (um par, Fig. 2 .5 e Fig. 2.6).

•• •• •• • • p pares
H• + •H -----+ H: H ou H- H : F • + • F : -----+ : F: F : ou : F - F: não-
•• •• •• •• -ligantes
\__ par ligante. / '----. par ligante /

Fig. 2 .5 Li gações cova lentes simples nas moléculas de H 2 e Fi-


(\ ..
•o •
(\
•H-----> H -0-H
..
V .. V ••

Fig. 2.6 Ligações covalentes simples na molécu la de H 2 0.

Ligações covalentes múltiplas:

• Ligação dupla: partilha de 4 eletrões (dois pares, Fig. 2 .1 e Fig. 2 .8).

•(\, .o:----+
. .()0. .. .. . (\, . (\, • [\, [\, f\. •• ••
:o· '\) .. .. ..
:o - o:----+ o = o .. .. :o·
••
.e·
'\J •
.o:----+ :o
'\J ••
- e - ..o:----+ ..o = e = ..o
•• íj

Fig. 2.7 Ligação cova lente dupla na molécula de 0 2 • Fig. 2.8 Ligações covalentes duplas na molécula de C02 •

• Ligação tripla: partilha de 6 eletrões (três pares, Fig. 2.9).

•(\, . [\, .
'N -\j.~
J'i.N'
' N' v •N
·. •·• ----> ·. N' .J
'N - ~
. ~ . -= .
~ 'N N'

Fig. 2.9 Ligação covalente tripla na molécula de N 2 .

Nas moléculas representadas, excet o na molécula de H2 , podem sempre contar-se 8 eletrões


de va lência pertencentes a cada átomo, ou seja, quatro pares de eletrões. Diz-se que estas
moléculas obedecem à regra do octeto. Chamam-se eletrões ligantes aos eletrões que par-
tici pam efetivame nte na ligação, e não-ligantes aos que não contribuem para a ligação.

Energia de ligação e comprimento de ligação

A energia de ligação e o comprimento de ligação são dois parâmetros que permitem ca racte-
rizar a ligação covale nte. A molécula é mais estável do que os seus átomos separados, pelo
que a formação de uma ligação química envolve libertação de energia. A energia de ligação
é a energia média que é necessário fornecer à molécula para quebrar a ligação e separar
esses átomos. Relação entre energia de ligação e reatividade das moléculas H 2 , 0 2 e N2 :

Energia de ligação / kJ mot- 1

H-H

1
436

O=O 498

N =N 944

Quanto maior for a energia de ligação, mais energia se liberta quando a ligação se forma ,
pelo que a molécula é mais estável. A ligação é mais forte, pois será necessária mais energia
para a quebra r. Quanto mais estável é uma molécula, menos reativa ela é.

Em fun ção dos dados da t abela, a molécula N2 é a mais estável, o que j ustifica a pequena rea-
tividade da substância elementar nitrogénio em comparação com as substâncias element ares
oxigénio e hidrogénio.

53
QUÍMICA 10.0 Ano

O comprimento de ligação é a distância de equilíbrio entre os núcleos dos átomos ligados.


Para essa distância, há equilíbrio entre as fo rças de repulsão dos núcleos e as forças de atra-
ção dos eletrões sobre os núcleos.

Quando os átomos envo lv idos na ligação são dos mesmos elementos, o comprim ento da
ligação simples é maior do que o comp rimento da ligação dupla e este é maior do que o da
ligação tripla (por exemplo, a ligação C-N é mais comprida do que a ligação C=N e esta mais
comp rida do que a ligação C=N). Pa ra átomos dos mesmos elementos, a um maior compri-
mento de ligação corresponde uma menor energia de ligação.

2. Considere as mol éculas de nitrogé nio, N 2 , hidra zina , N 2 H 4 , e diazeno (di imida), N 2 H 2 :
2.1 Escreva as fórmulas de est rutura de Lewis para cada molécula.

2.2 Qual das moléc ulas possu i a ligação n itrogén io-nitrogén io mais curta?
2.3 Em qual das moléculas a ligação nitrogénio-nitrogé nio tem menor energia?

~ 2.1 1.º passo: escrever o esqueleto estrutural utilizando os símbolos químicos e


colocando perto uns dos outros os átomos que estão ligados (o hidrogénio
ocupa posições terminais).
N N HNNH H N N H
HH
2. 0 passo: determinar o número total de eletrões de valência para cada uma
das moléculas a partir das configurações eletrónicas dos átomos envolvidos
nas ligações.

7
N: 1s2 2s2 2pX1 2pY1 2p Z1 ⇒ 5 eletrões de valência (os do nível 2)

1
H: 1s1 ⇒ 1 eletrão de valência
2 x 5 = 10 eletrões de valência para distribuir em N2
(2 x 5) + (4 x 1) = 14 eletrões de valência para distribuir em N 2 H 4
(2 x 5) + (2 x 1) = 12 eletrões de valência para distribuir em N2 H 2

3.º passo: desenhar uma ligação covalente simples entre o átomo central e
cada um dos átomos à sua volta. Completar os octetos dos átomos ligados
ao átomo central - exceto para o átomo de hidrogénio, cuja camada de va-
lência fica completa com 2 eletrões. Os eletrões que não estiverem envolvi-
dos nas ligações devem ser representados como pares não-ligantes.
Se o átomo central tiver menos do que 8 eletrões, colocam-se ligações du-
plas ou triplas entre ele e os átomos vizinhos, utilizando os pares não-ligan-
tes destes, de modo a completar o octeto do átomo central.

H
1

H-N-N-H H-N = N-H


• • 1

54
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

~ 2 .2 N 2 • A molécula de nitrogénio apresenta a ligação mais forte (ligação tripla),


com seis eletrões partilhados, logo, a distância média entre os núcleos dos
átomos que estabelecem a ligação é a menor.
2 .3 N 2 H 4 • É a ligação que envolve menor número de eletrões partilhados (2) -
ligação simples. Sendo a mais fraca, é a que terá menor energia de ligação.

Geometria molecular

A geometria molecular é o arranjo tridimensional dos átomos numa molécula. A esse arranjo
espacial corresponde um estado de energia mínima para a molécula, portanto, estabilidade
máxima.

Pode-se prever a geometria de uma molécula a partir do con hecimento do número de ele-
trões de valência à volta do átomo central , na sua estrutura de Lewis, usando o modelo da
repulsão dos pares eletrónicos de valência.

Numa molécula poliatómica, em que há duas ou mais ligações entre o átomo central e os
átomos que o rodeiam, a repulsão entre os pares de eletrões ligantes, entre os ligantes e
os não-ligantes e entre os não-ligantes faz com que estes fiquem o mais afastados possível
uns dos outros. A geometria da molécula co rresponderá ao arranjo espacial em que aquelas
repulsões são mínimas.

Em geral, é maior a repulsão entre pares de eletrões não-ligantes do que entre um par não-
-ligante e um par ligante. Por sua vez, a repulsão entre um par não-l igante e um par ligante é
maior do que entre dois pares ligantes.

Geometria das moléculas CO2, CH 4, NH3 e H 2O

• •• •
A B e • D

~:_·/ .
~
·_ .. '-

Q= C=O

Fig. 2.10 Geo metrias: linear (A); tetraédrica (B); piramidal t rigonal (C); angular (D).

55
QUÍMICA 10.0 Ano

i+i%i·l·l1+Hli·I
3 . Preveja a geometria molecular de cada uma das moléculas seguintes, baseando-se
no modelo da repulsão dos pares eletrónicos de valência:

3.1 tetrafl uoreto de carbono, CF4 ; 3.2 dissulfureto de ca rbono, CS2 •

& 3 .1 Número de eletrões de valência: 4 + 4 x 7 = 32


(como o C é do grupo 14 da Tabela Periódica, :F:
tem 4 eletrões de valência; o F é do grupo 17, •• 1 ..

logo, tem 7 eletrões de valência). O átomo de : F- C - F:


•• 1 ••

carbono central tem 4 átomos ligados e não :F:


tem pares não-ligantes. Os quatro pares ele-
trónicos correspondentes às ligações C - F afastam-se o mais possível en-
tre si de modo a minimizar repulsões. A molécula apresenta geometria te-
traédrica.
3.2 Número de eletrões de valência: 4 + 2 x 6 = 16 (como o C é do grupo 14
da Tabela Periódica, tem 4 eletrões de valência; o S é do grupo 16, pelo
que tem 6 eletrões de valência). O átomo de carbono central está ligado a
dois átomos de enxofre e não tem pares não-ligantes. Os pares eletrónicos
correspondentes às ligações duplas afastam-se o mais possível de modo a
minimizar repulsões. A molécula~= e=~ apresenta geometria linear.

Polaridade das moléculas e polaridade das ligações

A densidade de carga elét rica negativa, associada à nuvem eletrónica, pode ser rep resentada
por co res: a densidade aumenta do violeta para o vermelho.

li
As ligações entre átomos do mesmo elemento são,
em geral, apoiares, pois os eletrões envolvidos
na ligação são igualmente partilhados por ambos
os núcleos, e, conseq uentemente, a distribuição
de carga elétrica entre os átomos é simétrica
{Fig. 2.11 - 1). As ligações entre átomos de elemen-
tos diferent es são, em geral, polares, pois a partilha
..
H - F:

dos eletrões envolv idos na ligação pelos dois Fig. 2.11 1: distribuição simétrica de ca rga em F 2 •
li: distribuição assimétrica de carga em HF.
núcleos é desigual, e, conseq uentemente, a distri-
buição de carga elétrica entre os átomos é assi-
métrica {Fig. 2 .11 - 11).

Nas moléculas d iatómicas, a polaridade depende da polaridade da ligação. Assim, se a liga-


ção for apoiar {Fig. 2 .11 - 1), a molécula é apoiar; se a ligação é polar {Fig. 2.11 -11), a molécula é
polar. Nas moléculas poliatómicas, a polaridade depende não só da polaridade das li gações,
mas também da geometria molecular.

A polaridade de moléculas com um único átomo cent ral pode prever-se a partir da análise da
distribuição de carga elétrica em torno do átomo central. Assim, uma molécula poliatómica
formada por ligações polares será:

56
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

• polar se a d istribuição de ca rga em torno do átomo central for assimétrica, por exemplo,
H2 0 e NH 3 (Fig. 2 .12);

• apoiar se a d istribuição de carga em torno do átomo central for simétrica, po r exemplo,


co 2
e CH4 (Fig. 2 .12).

Fig. 2 .12 Distribuição de carga em H 2 O e NH 3, moléculas polares, e em CO2 e CH 4 , moléculas apoiares.

1+1%1·1·it4Hffi+M
4. Conclua, co m base nas estrut uras de Lewis e na geometria molecular, sobre a po lari-
dade das moléculas SiCt'4 (tet racloret o de silício) e PCt'3 (tricloret o de fósforo).

Q O tetracloreto de silício apresenta uma estrutura de Lewis


semelhante à do metano, pois o silício é do mesmo grupo do :ce:
..
carbono (4 eletrões de valência) e os átomos de cloro (gru- 1

po 17), tal como os átomos de hidrogénio, partilham apenas :ce- Si - ce:


1 eletrão de valência. Assim, existem na molécula de SiCt'4 1

quatro ligações covalentes simples, pelo que a repulsão


:ce:
mínima entre os quatro pares de eletrões pressupõe uma
geometria tetraédrica. Conclui-se que apesar de as ligações Si-Ct' serem polares,
a molécula é apoiar, pois a geometria da molécula conduz a uma distribuição simé-
trica de carga em torno do átomo central.

O tricloreto de fósforo apresenta uma estrutura de Lewis se-


melhante à do amoníaco, NH3 , pois o fósforo é do mesmo gru- :ce-
• •
P - ce:
1 ••
po do nitrogénio (5 eletrões de valência). Assim, na molécula
de PCt'3 , o átomo central, P, tem três ligações covalentes sim-
ples e um par não-ligante, pelo que a repulsão mínima entre
:ce• ...
os quatro pares de eletrões pressupõe uma geometria piramidal trigonal. Conclui-se
que a molécula é polar, pois as ligações P-Ct' são polares e a geometria da molécula
conduz a uma distribuição assimétrica de carga em torno do átomo central.

Estrutura de moléculas orgânicas e biológicas

Os compostos orgânicos formam um grupo enorme de substâncias, entre os qua is a maioria


contém carbono e podem considerar-se como derivados dos hidrocarbonetos (compostos
de carbono e hidrogénio).

Os hidrocarbonetos podem ser classificados quanto ao tipo de ligações C-C:

• saturados: designam -se po r alcanos (todas as ligações ent re os átomos de ca rbono são
simples);
designam-se por alcenos se há uma o u ma is ligações duplas entre os
• insaturados: átomos de carbo no;
{
designam-se po r alcinos se há uma ou mais ligações trip las ent re os
átomos de ca rbo no.

57
QUÍMICA 10.0 Ano

5 . O etano, C2 H6 , o eteno, C 2 H 4 , e o
etino, C2 H2 , são três hidrocarbone-
tos constituídos por dois átomos
de ca rbono, diferindo no tipo de
ligação C-C. A figura apresenta
I"º·'pm
modelos moleculares e os compri-
mentos da ligação C-C em cada
um dos referidos compostos.

5.1 Expl ique, com base na informação apresentada, a relação dos diferentes compri-
mentos da ligação entre os átomos de carbono nos três hidrocarbonetos.

5 .2 Justifique uma ordenação dos três compostos por ordem cre scente de energia
da ligação entre os átomos de carbono.

~ 5.1 Na molécula de etano existe um par de eletrões ligantes entre os átomos


de carbono, na molécula de eteno existem dois pares de eletrões ligantes
e na molécula de etino existem três pares de eletrões ligantes. Por isso, na
molécula de etino as forças atrativas são mais intensas, aproximando mais
os núcleos dos átomos ligados, do que na molécula de eteno, e, por sua
vez, nesta são mais intensas do que na molécula de etano. Assim, a ligação
C-C na molécula de etino tem um comprimento menor (120,3 pm) do que na
de eteno (133,9 pm), e, por sua vez, nesta tem um comprimento menor do
que na de etano (153,5 pm).
5.2 À medida que o número de pares de eletrões ligantes aumenta a ligação fica
mais forte, pelo que a energia de ligação aumenta.
Assim, E(C-C) no etano < E(C=C) no eteno < E(C= C) no etino .

Grupo funcional: grupo de átomos presentes na molécula, ligados de forma específica, que
conferem propriedades químicas características aos compostos respetivos e que indentificam
o composto orgânico.

Álcoois -OH Grupo hidroxilo (l igado a um átomo de carbono)

A ldeídos Grupo formi lo ou grupo ca rboni lo terminal

Cetonas "'/ C=O Grupo carbonilo (no meio da cadeia ca rb onada)

Ácidos ca rboxíl icos Grupo carboxilo

Aminas Grupo ami no (de rivado do amoníaco, NH)

58
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

6. A tetraciclina é um antibiótico usado no trata-


mento de um amplo espetro de bactérias cuja
fórmula de estrutura se representa ao lado.

6.1 Identifique os grupos funcionais assinalados


na molécula de tetraciclina.

6.2 A tetraciclina, quanto ao tipo de ligações, é


um composto saturado ou insaturado?

~ 6.1 1- grupo característico das cetonas (grupo carbonilo); li - grupo característi-


co das aminas; Ili - grupo característico dos álcoois (grupo hidroxilo).
6.2 Composto insaturado, pois existem ligações duplas entre átomos de carbono.

2.1.3 Ligações intermoleculares


As ligações intermoleculares são de natureza elétrica e explicam a coesão entre as unidades
estruturais em diversos materiais. A intensidade destas interações determina algumas pro-
priedades físicas das substâncias, tais como o estado físico, os pontos de fusão e de ebulição,
influenciando outras como a densidade.

Ligações de hidrogénio
As ligações de hidrogénio são as mais int ensas das interações in-
termoleculares, mas menos intensas do que uma ligaçã o cova len-
te ou iónica. Estas ligações ocorrem quando um átomo de hidro-
génio ligado cova lentemente a um átomo de uma mol écula, de um
elemento com grande tendência para atrair eletrões (F, O ou N), é
atraído por um par de eletrões não-ligantes no átomo de F, O ou N Fig. 2 .13 Ligações de hidrogén io entre
de outra molécula. As ligações de hidrogénio representam-se por moléculas de água.

linhas a tracejado (Fig. 2.13).

Forças de van der Waals


• Forças de dispersão de London
Estas forças ocorrem entre moléculas apoiares. Numa molé- Moléculas Dipolos
apoiares instantâneos
cu la apoiar, a nuvem eletrónica é simétrica, mas num deter-
Fig. 2.14 Forças de dispersão de London (dipolo
minado instante a nuvem eletrónica pode sofrer distorção, instantâneo-di polo induzido).
resultando numa distribuição assimétrica de carga. Esta as-
simetria de carga instantânea (dipolo instantâneo) induz as-
simetria de carga (dipolo induzido) nas moléculas vizinhas,
originando uma força elétrica atrativa entre elas (Fig. 2 .14).

• Ligações entre moléculas polares


Este tipo de ligação intermolecular deve-se à distribuição as-
simétrica de ca rga (dipolo permanente) nas moléculas pola-
res, originando forças elétricas atrativas entre elas (Fig. 2.1s). Fig. 2 .15 Ligações entre moléculas de HCC.

59
QUÍMICA 10.0 Ano

• Ligações entre moléculas polares e apoiares


A presença de moléculas polares pode distorcer a distribuição de carga elétrica noutras
moléculas viz inhas, mesmo nas que são apoiares, induzindo uma distribuição assimétri-
ca de carga nas moléculas apoiares. Resultam, assim, forças atrativas entre as moléculas
polares e as moléculas com polaridade induzida.

Estes três tipos de interações designam-se por forças de van der Waals. Considerando mo-
léculas de tamanhos semelhantes, as ligações entre moléculas polares são as mais intensas
e as de London são as mais fracas. As forças de London estão sempre presentes, mesmo no
caso das moléculas polares, coexistindo com as outras forças de van der Waals.

i+i+ii·l·IHHll·I
7. Tensioativos são substâncias cujas
10
moléculas são constituídas por uma
,. - - - - - - - - - - - - - I
,: J CH
parte apoiar (hidrofóbica) e uma parte 1~ / 2

polar (hidrofílica). Devido à sua estru- , ___ --- -- -- - -- , , OHO~


tura , apresentam afinidade por óleos
(mistura de hidrocarbonetos) e por
água, podendo ser utilizados na pre- o
paração de emulsões, como uma mis- HOH 2C ~
tura de água e óleo, não permitindo a HO
CHpH
sua separação em camadas.
HO
A figura apresenta a fórmula de estru-
tura de um tensioativo produzido a partir do ácido esteárico, C17 H35COOH, e da saca-

7.1 ldentifique,justificando, a parte da molécula que tem afinidade pelo óleo e a que
tem afinidade pela água.

7.2 Que tipo de ligações intermoleculares predominam na interação entre as molé-


culas do tensioativo e as moléculas:
a) do ó leo? b) de água?

~ 7.1 O óleo é uma mistura de hidrocarbonetos, logo apoiar. Assim, estabelece, pre-
ferencialmente, interações intermoleculares com a parte apoiar da molécula
(a longa cadeia carbonada), assinalada a laranja. Por sua vez, a água, polar,
estabelece interações intermoleculares com a parte polar da molécula, assi-
nalada a verde.

7.2 a) Entre a parte apoiar das moléculas do tensioativo e as moléculas de óleo


(apoiares) as interações que se estabelecem são do tipo dipolo instantâ-
neo-dipolo induzido, ou seja, forças de dispersão de London.
b) Entre a parte polar das moléculas do tensioativo e as moléculas de água
(polares) as interações predominantes são as ligações de hidrogénio, pois
quer nas moléculas de água quer nas do tensioativo há átomos de hidro-
génio ligados covalentemente a átomos de oxigénio (elemento com grande
tendência para atrair eletrões).

60
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

8 . A figu ra mostra as fórmulas de


estrutura das moléculas de aceto- H H H
1 1 1
na, CH 3 COCH 3 , e de propan-1-ol , H-C-C-C
CH 3 CH 2 CH 2 OH, cujos pontos de 1 1 l '--O-H
ebulição são 56 ºC e 97 ºC, respe-
H H H
Acetona Propan-1-ol
tivamente.
Exp lique, num texto estruturado e com linguagem científica adequada, o facto de o
ponto de ebulição da acetona ser inferior ao do propan-1-ol.

f') As moléculas da acetona são polares, pelo que as ligações intermoleculares pre-
dominantes são ligações de van der Waals do tipo dipolo-dipolo. As moléculas
do propan-1-ol também são polares, mas, devido à presença de um átomo de hi-
drogénio ligado a um átomo de oxigénio, estabelecem-se ligações de hidrogénio.
Estas ligações são mais intensas do que as dipolo-dipolo, o que justifica o ponto
de ebulição mais elevado do propan-1-ol.

2.2 Gases e dispersões


2.2.1 Lei de Avogadro, volume molar e massa volúmico

De um modo geral, os gases caracterizam-se por preencherem o vo lume e tomarem a forma


do recipiente onde estão contidos. Nos gases, as interações entre as partículas que os cons-
tituem são fracas, o que se traduz num menor grau de agregação dessas partículas. Conse-
quentemente, os gases têm densidades muito mais baixas do que os líquidos e os sólidos.

No estudo do comportamento dos gases,


além da quantidade de matéria é necessá-
rio considerar ainda a pressão, o volume e a
temperatura. '
Lei de Avogadro: volumes iguais de gases
(ideais), nas mesmas cond ições de pressão 1 1
e temperatura, t êm o mesmo número de mo- He NH3 02
léculas (Fig. 2 .16). A maioria dos gases com-
porta-se como ideal a pressões não muito Fig. 2.16 Balões de H e, NH3 e 0 2 com iguais volumes,
nas mesmas co ndições de pressão e temperatura,
elevadas e a temperaturas não muito baixas. co ntê m o mesmo número de moléculas.

Nas mesmas cond ições de pressão e tempe- A

li ~
ratura , o vo lume ocupado por um gás (ideal)
é diretamente proporcional à sua quantida-
de de matéria (Fig. 2.11).
n
V V8 V p e T constantes
-n =constante {::> - n = nA - _A_
8 Fig. 2.17 Lei de Avogadro.

61
QUÍMICA 10.0 Ano

Volume molar, Vm(volume por unidade de q uantidade de matéria): Vm = nV


(unidade SI: m 3 mol-1).
O vo lum e molar de um gás depende das condições de p ressão e temperatura.

A pressões não muito elevadas e a tempe raturas não muito baixas, o volume molar é (pratica-
mente) o mesmo para qual quer gás nas mesmas condições de pressão e temperatura.

Há sempre o mesmo número de moléculas numa mole de qualquer gás: 6 ,02 x 1023 moléculas.

Em condições PTN (pressão e temperatura normais, 1 atm e O ºC, respetivame nte), 1 mol de
qualquer gás ocupa o volu me de 22,4 dm 3 (Vm = 22,4 dm 3 mol-1) .

Massa volúmica de um gás: pode ser determinada a partir do quociente ent re a massa molar
e o vol um e molar.

9. Considere três recipi e ntes (X, Y e Z) de igual volu me,


nas mesmas co ndições de pressão e temperatura.
O recipiente X conté m nitrogé nio puro, N 2 , o recipien-
GJ
te Y contém uma mistura de nitrogénio e vapor de
água, H 2 O, na propo rção de 1 : 1 e o recipie nte Z contém uma mistura de nitrogénio
(em maior q uantidade) e cloro, Cf 2 . Admita q ue, naq uelas condições de pressão e
temperatura, a Lei de Avogadro é válida.
A relação entre as massas dos gases contidos naqueles recipientes é

(A) mx > mv > m2 . (C) m2 > mv > mx.


(B) m2 > mx > mv. (D) mv > mx > m2 .

& (B). Segundo a Lei de Avogadro, volumes iguais de quaisquer gases contêm o
mesmo número de moléculas, quando medidos nas mesmas condições de pres-
são e temperatura. Assim, os três recipientes apresentam o mesmo número de
moléculas. No recipiente X há apenas moléculas de N2 , de massa molar 28,02 g
mo1-1• No recipiente Y, metade das moléculas são de N 2 e a outra metade são de
vapor de água, de massa molar 18,02 g mo1-1. Assim, mx > my. No recipiente Z, além
de moléculas de N2 existem moléculas de Cf 2 , de massa molar 70,90 g mol- 1•
Assim, m2 > mx.

Composição da troposfera terrestre

A troposfe ra terrestre é a ca mada da at mosfera mais próxima da superfície te rrestre. Os com-


ponentes maioritários são o nitrogénio, N 2 (78% em vol ume), e o oxigénio, 0 2 (21% em volu-
me). O árgon, Ar, e o dióxido de carbono, CO 2 , conju ntamente com o vapo r de água, H 2 O, que
existe em quantidades variáve is, são compone ntes minoritários. Existem outros componentes
em percentagens tão pequenas que são cons iderados compone ntes vestigiais (Fig. 2.1s).

62
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

Néon
Hélio
Metano
■ Nitrogénio (78,08%) Crípton
Oxigénio (20,95%) Hidrogénio
Árgon (0,93%) Óxido de diazoto
Dióxido de carbono (0,037%) Monóxido de carbono
Outros - - - - - - - - - - - - - < Xénon
Amoníaco
Monóxido de nitrogénio
Dióxido de nitrogénio

Fig. 2 .18 Composição média do ar da troposfera (sem considerar o vapor de água), em vo lume.

As percentagens dos co mponentes vestigiais na t roposfera t êm sofrido alterações significati-


vas devido a emissões para a at mosfera resulta ntes de fenómenos naturais (vu lcões, incên-
dios florestais, et c.) e de atividades antropogénicas (indústria, transpo rtes, et c.).

Se as substâncias emitidas ca usa rem prejuízos à qualidade de v ida dos seres v ivos, desig-
nam-se poluentes. São poluentes at mosféricos os seg uintes: óxidos de carbono (CO, CO),
óxidos de nitrogén io (NO, N0 2 e N2 0), óxidos de enxofre (S0 2 e SO), compostos orgânicos
vo láteis (metano, CFC, derivados do benzeno, etc.) e matéria pa rticulada (fumos, poei ras,
aerossóis, etc.).

2.2.2 Composição quantitativa de soluções


Uma so lução é uma mistura homogénea de duas ou mais subst âncias. A co mposição de uma
solução pode ser encarada do ponto de vista qualitativo (qua is são as substâ ncias que a
const ituem?) ou quantitativo (quais são as quant idades de cada substância que constituem a
solução?). Há diversas fo rmas de expressar a composição quant itativa de soluções:

Unidades
Definição Expressão matemática
Mais comuns
Quantidade de matéria
n soluto mol dm- 3
Concentração de soluto por unidade de e= - - - mol m- 3
Vsolução mol L-1
volume de solução

Concentração Massa de soluto por unidade = m so1uto g dm- 3


em kg m-3
em massa de volume de solução v solução
g L-1

Percentagem Massa de soluto por m Exprime-se em % (m/m)


%(mi m ) = ~ x 100
em massa massa de solução (x 100) m solução (adimensional)

Percentagem Vo lume de soluto por %(V/V) = v solu1o X 100 Exprime-se em % (VI I/)
em volume volume de solução (x 100) Vsolução (adimensional)

Quociente entre a quant idade


de matéria de um componente nA Não tem unidades
Fração molar X = --
(A) e a quantidade de matéria A n total (adimensional)
tot al da solução

ppm = msoluto X 106


Massa (ou vo lume) de soluto
Partes por m sotução Exprime-se em ppm
por massa (ou volume) de
milhão (adimensional)
solução (x 10 6 ) ppm = v solu1o X 106
V V
solução

63
QUÍMICA 10.0 Ano

10. Os veículos automóveis são responsáveis pela libertação de monóxido de carbono,


CO, para a atmosfera. Considere uma cidade, em que o CO no ar atinge 0,0085%
em volume. Admita que durante uma in spiração, uma pessoa inala, em média, 300
cm 3 de ar e que o ritmo respiratório normal é cerca de 20 in spirações por minuto.
Determine, por hora e por habitante dessa cidade:
10.1 o vo lume de ar inalado;
10.2 a massa de CO inalada (Pco = 1,15 g/dm 3);
10.3 a quantidade matéria de CO inalada.

~
~ 10.1 Vmalado = 20 x 300 cm =6000 cm •'
3 3

vinalado/hora = 60 X 6000 cm 3 = 360 000 cm 3 = 360 dm3


V V 0,0085 x 360 dm3
10.2 %(V/ V) = v:: X 100 ⇒ 0,0085 = 360 ~m3 X 100 <=} V
00 = 100

= 3,06 x 10-2 dm 3

m m
Pco = v co ⇒ 1,15 g/dm3= 3 06 X 10-2 dm3<=>
co •
<=> mco = 1,15 g/dm3 X 3,06 X 10-2 dm 3 = 3,5 X 10-2 g

10.3 M (CO) = (12,01 + 16,00) g moI-1 = 28,01 g moI-1;


m3,5 X 10-2 g
n = M = 28,01 g moI-1 = 1,2 x 10-3 mol

11. Um dos componentes vestigiais da atmosfera é o dióxido de nitrogé nio, NO 2 • A Or-


ganização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu como teor máximo recomendado
para o NO 2 o valor de 0,154 ppm em massa, para uma exposição diária de uma hora.
M (NO) = 46,01 g moI-1
Determine para o va lo r recomendado a correspondente:
11.1 percentagem em massa;
11.2 co ncentração, considerando a massa vo lúmica do ar 1,27 x 10-3 g cm- 3 ;
11.3 percentagem em volume, em cond ições PTN.

Q 11.1 0,154 ppm de NO 2 ⇒ 106 g de ar contêm 0,154 g de NO2


mNO 0,154 mNO 0,154
- -2 = - - - · o/c (m/m) =- -2 x 102 = - - x 102 = 1 54 x 10-so/c
m., 106 ' º m., 106 ' º
11.2 Cálculo da quantidade de NO2 :
_ mN02 _ 0,154 9 _ X _
3
n No - M - _, - 3,347 10 mol
2 No2 46 01
, g mo 1
Cálculo do volume de ar que contém a quantidade de NO2 determinada:
m 106 g
Pa, = v:: ⇒ V ., , x _ cm_3 7,874 x 108 cm 3= 7,874 x 10 5 dm 3
1 27 10 39
3,347 x 10-3 mol
7 874 x 10s dm3 = 4,25 x 10-9 mol dm-3
'

64
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

~ 11.3 v., = 7,874 x 10 5


dm 3 (volume correspondente a 106 g)
Cálculo do volume correspondente à quantidade de 3,347 x 10- 3 mol de NO 2
(existente em 106 g de ar):
VN02 =n X vm = 3,347 X 10-3 mol X 22,4 dm 3 moI-1 = 7,497 X 10-2 dm 3
7 497 x 10-2 dm 3
%(V/V)= ;,874 x 10s dm3 x 100 = 9,52 x 10-ª% (NO2).

2.2.3 Diluição de soluções aquosas


Soluções a partir de solutos sólidos (AL 2.2)

As soluções mais comuns são as aquosas, em que a água é o solvente.

12. Um grupo de alunos pretende preparar 50,0 ml de uma solução aquosa de perman-
ganato de potássio, KMnO 4 (M = 158,04 g mol-1), de concentração 0,0750 mal dm-3 .
Ao lado apresenta-se o permanganato de potássio e a balança utiliza- ----~
da para a medição da massa respetiva.

12.1 No rótulo do frasco de permanganato de potássio constam os


pictogramas de perigo seguintes:

Com base na informação fornecida , identifique:


a) três advertências de perigo;
b) em relação ao primeiro pictograma, uma medida de proteção adequada.

12.2 Calcule a massa de permanganato de potássio necessária para preparar a solução.


12.3 A balança utilizada na medição da massa do permanganato de potássio é
_____ e a incerteza de leitura é _ _ _ _ __

(A) analógica ... 0,001 g. (C) digital ... 0,001 g.


(B) ana lógica ... 0,005 g. (D) digital ... 0,005 g.

12.4 Descreva o procedimento experimental que deveria ser segu ido na prepara-
ção da solução de permanganato de potássio, referindo, sequencialmente,
três etapas principais envolvidas no procedimento, após a pesagem do so luto.

12.5 Outro grupo de alunos, ao finalizar a atividade, acertou o menisco pelo traço
de referência, retirando o excesso de solução com um conta-g otas. Conclua,
justificando, sobre o rigor da concentração da solu çã o preparada pelos alunos
e qual a atitude a tomar numa situação como esta.

65
QUÍMICA 10.0 Ano

1+1%i·l·ii4Hll·I
Q 12.1 a) Provoca queimaduras na pele e lesões oculares graves. Muito tóxico para
os organismos aquáticos com efeitos duradouros. Pode agravar incêndios:
comburente.
b) Usar luvas de proteção.

12• 2 n KMn0 4 = e x V= O' 0750 mol dm- 3 x 50 ' O x 10- 3 dm 3 = 3 ' 750 x 10- 3 mol
m = n x M = 3 750 x 10- 3 mol x 158 04 g moI-1 = O 593 g
KMn04 ' ' '

12.3 (C). Digital e a incerteza de leitura é 0 ,001 g.

12.4 Dissolver todo o KMnO4 com uma parte do solvente (água destilada), agitan-
do a solução com uma vareta de vidro. Transferir a solução para um balão
volumétrico de 50,0 ml com o auxílio de um funil. Adicionar água destilada
com um esguicho até ao traço de referência do balão volumétrico.

12.5 A concentração da solução preparada é inferior ao valor pretendido, pois ao


retirar solução com o conta-gotas perde-se soluto. A atitude a tomar numa
situação destas é preparar uma nova solução, a partir do soluto sólido.

Diluição de soluções (AL 2.3)

As soluções são muitas vezes preparadas por diluição de soluções mais concentradas. Uma
solução diluída pode ser preparada medindo um pequeno vo lume da solução concentrada e
adicionando solvente.

O fator de diluição, f , traduz a razão entre a concentração da solução inicial e a concentração


da solu ção obtida por diluição: f= C soluçãoinicial .
C solução diluída

Numa diluição, a quantidade de soluto mantém-se constante (n soluçãoinicial = n soluçãodiluíd), a dimi-


nuição da concentração é devida ao aumento de volume da solução, o que permite determi-
nar o volume a medir da solução inicial. Como e =.!!...., conclui-se que:
V
n sotução inicial
Vsolução inicial _ Vsolução diluída
f=-----
n solução diluída v solução inicial

V solução diluída

l+i%1·i·il+Hll·I
13. O mesmo grupo de alunos que realizou a AL 2.2 preparou ainda, com rigor, a partir
da solução de permanganato de potássio (0,0750 mal dm- 3) inicialmente prepara-
da, 50,0 ml de uma solução de KMnO4 de concentração 0,0150 mal dm-3 .

13.1 Determine o volume da sol ução mais concentrada necessário para preparar o
volum e referido de solução diluída de permanganato de potássio.

13.2 O grupo de alunos dispunha de duas pipetas com igual capacidad e, sendo que
uma era vo lum étrica (± 0,02 ml) e a outra era graduada (± 0,05 ml).
Qual das pipetas permite a medição mais rigorosa do volume da solução mais
concentrada?

66
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

13.3 Descreva o procedimento experimental que deveria ser seguido na prepara-


ção da solução diluída de permanganato de potássio, referindo, sequencial-
mente, as três principais etapas envolvidas nesse procedimento.

~ 13.1 Determinação da quantidade de KMnO4 necessária à preparação da solução:

n KMn04 = c x V= O' 0150 mol dm-3 x 50' O x 10-3 dm 3 = 7' 500 x 10-4 mol
Determinação do volume da solução inicial (mais concentrada):
nKMn04 7,500 x 10-4 mol
esolução inicial = V ⇒ O 0750 mol dm-3 = ⇒
solução inicial ' V sotução in icial

⇒ v ,oluçãoinicial = 0,0100 dm3 = 10,0 cm3

ou e . .. 0,0750 mol dm- 3


Determinação do fator de diluição: f= solução,nic,al = - - - - - - - = 5
c ,olução diluída 0,0150 mol dm-3

Determinação do volume da solução inicial (mais concentrada):


50,0 cm 3
f= V so 1uçaod1u1da
- ·1 • = 5 ⇒ V - -- - = 10,0 cm3
V solução inicial
5
solução in icial

13.2 A pipeta volumétrica , pois permite uma mediação mais rigorosa.


13.3 Medir 10 ml da solução inicial (mais concentrada) de KMnO4 com uma pipe-
ta volumétrica . Transferir o volume de solução medido para um balão volu-
métrico de 50,0 ml. Adicionar água destilada até ao traço de referência do
balão volumétrico, perfazendo o volume de 50,0 ml.

2.3 Transformações químicas


As reações químicas ocorrem com alterações na estrutura eletrónica dos átomos: os núcleos
permanecem inalterados, portanto, os elementos químicos são sempre os mesmos. Umas
substâncias transformam-se noutras, ocorrendo apenas um rearranjo dos átomos. Sempre
que uma reação ocorra em recipiente fechado, o número de átomos de cada elemento quí-
mico e, consequentemente, a massa total permanece constante - Lei da Conservação da
Massa (ou Lei de Lavois ier, Fig. 2 .19).

Reagentes Produtos da reação

CH 4 (g) + 2 0 2(g) ---> C02 (g) + 2 H20 (g)

H .. ..·o·
.. ..
1
H- C - H +

H
1
O= O

..
O= O
- ..
O= C = O .. +
H/ "-. H

H/
..
·o·
"-. H

Fig. 2 .19 Re ação de combu stão do metano. Há conservação do número total de átomos de cad a elemento químico.

67
QUÍMICA 10.0 Ano

2.3.1 Energia de ligação e reações químicas


Todas as reações químicas envolvem , simultaneament e, a rutura e fo rmação de li gações quí-
micas. Há rutura de ligações nos reagentes e formação de novas ligações nos produtos, o
que se traduz em variações de energia nas reações químicas.

Processos endoenergéticos e exoenergéticos

A rutura de uma ligação é um processo que envo lve absorção de energia - processo en-
doenergético. Quando se forma uma nova ligação, há libertação de energia - processo
exoenergético.

Num sistema isolado, a energia interna permanece constante porque não há t rocas de ener-
gia nem de matéria com a vizinhança. Num sistema fechado, a energia interna diminui se o
sistema ceder energia à viz inhança e aumenta se o sistema receber energia da vizin hança.

Reação exotérmica - quando ocorre com libertação de energia por calor (a pressão e tem-
peratura constantes). Se a reação ocorresse em sistema isolado, a temperatura do sistema
aumentava , sinal de que a energia ci nética interna do sistema aumentava; como a energia in-
terna de um sistema isolado é constante, conclui-se que a energia potencial interna (e nergia
associada às lig ações entre os átomos) diminui.

Reação endotérmica - quando ocorre com absorção de energia por calor (a pressão e tem-
peratura constantes). Se a reação ocorresse em sistema isolado, a temperatura do sistema
diminuía, sinal de que a energia cinética interna do sistema diminuía; como a energia interna
de um sistema isolado é constant e, conclu i-se que a energia potencial interna (energia asso-
ciada às ligações entre os átomos) aument a.

A energia da reação resulta do balanço energético entre a energia envolvida na rutura e na


formação de ligações químicas. Um va lor aproximado da energia de reação pode ser ca lcula-
do a partir das energias de ligação.

A formação de amoníaco é um processo exot érm ico, pois a energ ia libertada na formação das
ligações no amoníaco é superior à energia necessária para romper as li gações das moléculas
de nitrogénio e hidrogénio (Fig. 2 .20).

N N
H H H H H H
Energia

Quebra de ligações -~ · 1 F~r~ a;ã~ ~e-lig~ç~es..


Absorção de energia Libertação de energia

IN - NI . H-:c H " -:c HH -:cH l J ·······----

E,eação= - 92 kJ mol·1

··•• - •············ · · · ····T

Fig. 2 .20 A for mação do amoníaco é um processo exotérmico.

68
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

i+i%1·i·lt4H@+M
14. O diagrama seguinte representa o balanço energético na rutura/formação de liga-
ções numa dada reação química.

4 1
1
1
*1
1
1
1
1
1
1
..,
1
1

1
1 Produtos
1
1
1

:r
Reagentes

14.1 A reação é endotérmica ou exotérmica? Justifique.

14.2 Se a reação ocorrer em sistema isolado, a temperatura ______ e a ener-


gia interna _ _ _ _ __

(A) aument a ... ma ntém-se (C) diminui ... mantém-se


(B) diminui ... aumenta (D) aumenta ... aumenta

14.3 A energia envolvida na formação de ligações nos produtos é _ _ _ _ __


do que a energia que seria _______ na quebra de ligações nos rea-
gentes.

(A) maior ... absorvida (C) maior ... libertada


(B) menor ... libertada (D) menor ... absorvida

~ 14.1 Como a energia potencial dos produtos é maior do que a energia potencial
dos reagentes, se a reação ocorrer a temperatura constante, o sistema terá
que absorver energia por calor da vizinhança para que ocorra aquele aumen-
to de energia potencial. A reação é endotérmica.
14.2 (C). A energia interna de um sistema isolado mantém-se constante. Como a
energia potencial dos produtos é maior do que a dos reagentes, há aumento
da energia potencial interna. Logo, para que a energia interna se mantenha
constante, a energia cinética interna tem de diminuir, logo, a temperatura do
sistema diminui.

14.3 (D).

Variação de entalpia

A variação de entalpia padrão, /iH º, de uma reação corresponde à energia transferida, por
calor, para ou do exterior, quando a reação é rea lizada a pressão constante (10 5 Pa) e a tem-
perat ura constant e (25 ºC).

69
QUÍMICA 10.0 Ano

Numa reação exotérmica , o sistema cede energia, por calor, à vizinhança, por isso 6.H < O
(energia potencial associada às ligações entre os átomos diminui) (Fig. 2 .21).

Numa reação endotérmica , o sistema absorve energia, por calor, da vizinhança, por isso 6.H > O
(a energia potencial associada às ligações entre os átomos aumenta) (Fig. 2 .22).

<1l
ê>
Q)
Reagentes e Produtos
w
por exemplo, ... . · 7energia libertada por exemplo,
N, + 3 H, para o exterior CO + 3 H,

ó.H negativo (ó.H < O)


energia recebida
do exterior
Reagentes
l Produtos
· ···· · ·· · - -
por exemplo,
ó.H positivo (ó.H > O)
por exemplo,
2 NH3 CH4 + H,0
Progresso da reação Progresso da reação
Reagentes -----> Produtos Reagentes _____. Produtos

Fig. 2 .21 Variação de entalpia para uma reação Fig. 2.22 Va riação de entalpia para uma reação
exotérmica. endotérmica .

l+i%i·i·l1+Hli·I
15. Frequentemente, o principal objetivo de muitas reações químicas não é obter um
ou mais produtos de reação, mas sim aproveitar a energia posta em jogo nessas
reações.

15.1 Rela cione a va ri ação de entalpia padrão de uma reação com as transferências
de energia entre o sistema e a vizinhança.

15.2 A variação de entalpia de uma rea ção, em determinadas condições de pres-


são e de temperatura, depende do modo co mo o sistema reacional evolui?
Justifique.

15.3 Durante uma reação realizada a pressão constante, o sistema reacional re-
cebeu energia por calor da viz inh ança. A variação de entalpia do sistema é
positiva ou negativa? Como se classifica a reação?

Q 15.1 A variação de entalpia padrão, 6.H°, de uma reação é dada pela energia
transferida, por calor, entre o sistema e a vizinhança, a pressão constante
e a temperatura constante: se a energia absorvida por calor for Q, então
6.H° = Q; se a energia cedida por calor for O, então 6.H° = -O, a 25 ºC.
15.2 Não. A entalpia é uma propriedade do sistema reacional, pelo que a varia-
ção de entalpia só depende do estado inicial e final do sistema e não do
modo como este evolui.
15.3 Como o sistema recebeu calor, a reação é endotérmica. O calor transferido
a pressão constante corresponde à variação de entalpia, logo, 6.H > O (calor
absorvido).

70
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

16. Uma medida da est abilidade de uma molécu la Energia / kJ mo1-1


Ligação
é a sua energia de ligação, que se pode de-
945
fi nir como energia transferida, por calor, para
quebrar as ligações de 1 mol de moléc ulas no H-H 436

estado gasoso. N-H 390

Com base nos valores das energias de ligação da tabela, ca lcule a variação de en-
t alpia, t:.H , da reação de síntese do amoníaco e co mpare o resu ltado com o valo r
experimental (- 93 kJ/mol), a 25 ºC.

H-H
N= N + H-H - H-N-H H-N-H
1 1
H-H H H
Com base na equação química constrói-se a tabela seguinte:

N.º de ligações Variação de


a quebrar energia/ kJ
N=N 945 94 5
H-H 3 436 3 X 436 = 1308

(N H) N-H 6 390 6 X 390 = 2340

Energia total necessária para quebrar as ligações nos reagentes:


I:Eligação (reagentes) = (945 + 1308) kJ = 2253 kJ
Energia total libertada na formação de ligações nos produtos:
I:Eligação (produtos) = 2340 kJ
Balanço energético:
liH = I:E11gaçao
. • (reagentes) - I:E11gaçao
. _ (produtos) = 2253 kJ - 2340 kJ = - 87 kJ

Este valor difere do valor experimental, é uma estimativa (valor aproximado).

2.3.2 Reações fotoquímicas na atmosfera


Oxigénio
(libertado para a
As reações químicas desencadeadas pela ação da lu z
atmosfera)
(radiaçã o eletromagnética) designam-se por reações foto-
Energia
químicas. (luz solar)
Este tipo de transfo rmações químicas está presente em
vários fenómenos do dia a dia, como, por exemplo, nas
reações que t êm lugar na fotossíntese, um processo com-
Dióxido de carbono
plexo realizado pelos seres vivos com clorofila que utili zam (absorvida do~
a luz solar para a conversão do dióxido de carbono, C0 2 ,
em glicose, C 6 H 120 6 , e oxigénio, 0 2 (Fig. 2 .23). Globalmente
pode traduzir-se por:
6 co 2
(g) + 6 H 2 0 (-€) - C 6 H 120 6 (aq) + 6 0 2 (g)
Fig. 2.23 Esqu ema d e fotossíntese.

71
QUÍMICA 10.0 Ano

Fotodissociação e fotoionização

A fotodissociação é um tipo de transformação em que existe quebra de ligações nas molécu-


las por absorção de luz. A rutura da ligação dá-se de modo que cada um dos fragmentos que
se separa retém parte dos eletrões da ligação, obtendo-se duas espécies neutras.

A-B ~ A + B 11H > O


Exemplos de processos de fotodissociação na atmosfera terrestre:

• 0 2 (g) - O (g) + O (g) 11H = 498 kJ mo1-1


• 0 3 (g) - 0 2 (g) + O (g) 11H = 373 kJ mol-1
• N2 (g) - N (g) + N (g) 11H = 945 kJ mo1- 1

Com base nos valores das energias de dissociação pode concluir-se que a molécula de ni-
trogénio, N2 , é a mais estável (lig ação mais forte), pois apresenta maior energia de ligação.
Pode ainda concluir-se que a ligação entre os átomos de oxigénio é mais forte na molécula
de oxigénio, 0 2 , do que na molécula de ozono, 0 3 , pelo que a molécula de oxigénio é ma is
estável do que a de ozono.
A fotoionização consiste na ion ização de át omos ou moléculas por ação da luz.

11H > O
Alguns dos processos de fotoionização ocorrem nas ca madas mais exteriores da atmosfera
(termosfera e mesosfera). As radiações solares que atingem essas camadas têm energia su-
fic iente para provocar a ionização das espécies aí existentes. Este processo envolve maior
energia do que a fotodissociação.
• 0 2 (g) - o; (g) + e- 11H = 1205 kJ mo1-1
• N2 (g) - N; (g) + e- 11H = 1495 kJ mo1-1

Radicais livres e estabilidade das espécies químicas

Radicais (radicais livres) são entidades (átomos, moléculas ou iões) em que os spins dos ele-
trões não estão t odos compensados, ou seja, cujas orbitais possuem eletrões desemparelhados.
Representam-se pelo símbo lo da espécie química segu ida de • e são, em geral, muito reativos.
Qualquer entidade com um número ímpar de eletrões é um radica l, uma vez que t em, neces-
sa riamente, pelo menos, um eletrão desemparelhado.

17. A estratosfera, camada da atmosfera terrestre localizada entre os 15 km e 50 km


de altitude, serve de filtro às radiações de energia, por fotão, compreendida entre
6,6 X 10-19 j e 9,9 X 10- 19 J.
Os gases predominantes da atmosfera t errestre são o nitrogénio, N2 (g), e oxigénio,
0 2 (g), cujas energias de dissociação são 945 kJ mo1-1 e 498 kJ mo1-1, respetivamente.

17.1 Mostre, com base nos valores apresentados, que na estratosfera apenas ocor-
rerá dissociação de uma das referid as mol éculas.
17.2 Escreva a equação química que traduz a dissociação que ocorre na estratosfera.
17.3 A dissociação do nitrogénio ocorrerá a uma altitude inferior, igua l ou superior à
da estratosfera? Justifique.

72
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

945 1000 J
~
X
17.1 A energia de dissociação de uma molécula de nitrogénio é ,x =
6 02 1023
, , , 498 X 1000 J
= 1,57 x 10-18 J e a de uma molecula de oxigenio e , x = 8,27 x 10- 19 J.
6 02 1023
Para ocorrer dissociação das moléculas presentes na estratosfera, as suas
energias de dissociação terão de estar compreendidas entre 6 ,6 x 10-19 J
e 9,9 x 10-19 J, o que apenas se verifica para a molécula de oxigénio.

17.2 02 (g) ~ o (g) + o (g)


17.3 Com base nos valores das energias de dissociação, pode concluir-se que a
molécula de nitrogénio requer maior energia para quebrar a ligação N-N.
Assim, a dissociação da molécula de nitrogénio deverá ocorrer na camada
mais exterior da atmosfera (termosfera), pois a essa camada (maior altitude)
chegam radiações mais energéticas do que as que chegam à estratosfera.

Ozono estratosférico

O ozono existe na troposfera e na estratosfera (Fig. 2.24). E


~
.....
Q)

Todavia, a maior parte do ozono encontra-se e forma -se na estra- "C


~
.:: Estratosfera
tosfera, com maiores concentrações entre 20 km e 30 km de alti- ~
tude (de 1 a 10 ppm), constitu indo o que se convencionou chamar 50
,,_a,da de o~
de «camada de ozono». e,'<>''' º"o
~{oposferq
O ozono, na estratosfera, forma-se rapidamente como resulta- 15
Terra
do da dissociação do oxigénio molecular, por ação de rad iação
ultravioleta, UV, em dois átomos de oxigénio (rad icais), os quais
Fig. 2 .24 Localização da
reagem de imediato com outras moléculas de oxigén io, originan-
camada de ozono.
do ozono (Fig. 2.2s).

Formação do ozono:

0 2
uv-c o·+ o· (absorção de energia necessária à quebra das
ligações oxigénio-oxigénio)
o· + 0 2
- 03 (libertação de energia)

Decomposição do ozono:
As moléculas de 0 3 , por sua vez, também podem absorver radia-
Fig. 2.25 Formação do ozono ção UV:
estratosférico.
03~ o· + 0 2

Existem outras formas de decomposição do ozono, como por exemplo:


0 3 + o· - 02+0 2

73
QUÍMICA 10.0 Ano

A concentração de ozono na estratosfera mantém-se


praticamente constante, pois é continuamente formado
e destruído à mesma taxa em que é formado - estado
estacionário.

O ozono estratosférico desempenha um papel primor-


_J UV-A dial para a existência de vida na Terra, pois serve de fil-
Tr0 ,, tro à radiação solar ultravioleta, sobretudo UV-B e UV-C
1 º.s-~ ~
~ Estratosfera Mesosfera (Fig. 2 .26). O restante existe na troposfera, onde, pelo con-
Terra trário, os seus efeitos podem ser prejudiciais à vida.
Fig. 2.26 Os raios UV-C, os mais ener-
géticos, são absorvidos pelo 0 2 na me-
sosfera e na estratosfera; os raios UV-B
sã o quase totalmente absorvidos pelo
ozono estratosférico; os ra ios UV-A, me-
nos perigosos, atingem a troposfera.

18. As equações seguintes traduzem algumas reações fotoqu ím icas que ocorrem na
atmosfera terrestre:

18.1 Classifique cada uma das reações considerando o processo ocorrido em cada
situação.

18.2 A frequ ência das radiações UV au menta na sequência UV-A, UV-B e UV-C.
A ionização de N2 necessita de _____ energia do que a ionização de
0 2 , prevendo-se assim que para ionizar N2 deverá ser necessário radiação

(A) mais ... UV-A

(8) menos ... UV-A

(C) mais ... UV-C

(D) menos ... UV-C

Q 18.1 Reações de fotoionização:


1 e Ili - a energia da radiação solar absorvida foi suficiente para provocar a
remoção de eletrões, dando origem a iões.

Reação de fotodissociação:
li - a energia da radiação solar absorvida foi suficiente para provocar a que-
bra de ligações entre os átomos da molécula, dando origem à formação de
radicais livres.

18.2 (C). A ligação em N2 é mais forte do que a ligação em 0 2 , assim, prevê-se


que para ionizar N 2 seja necessário mais energia do que para ionizar 0 2 •
A uma maior energia corresponde uma maior frequência, portanto, deverá
ser necessário radiação UV-C.

74
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da m atéria

Designa-se por «buraco na camada de ozono» a diminuição significativa da concentração


do ozono na estratosfera, cuja origem foi atribuída ao uso dos clorofluorocarbonetos (CFC),
compostos de carbono, cloro e flúor.

Devido à sua inércia química, estes gases, após libertados na troposfera, duram o tempo sufi-
ciente para subirem até à estratosfera, onde ocorre a sua fotodissociação provocada pela ra-
diação UV - originando radicais livres. Por exemplo, para o CCf l dá-se a reação traduzida por:

Os átomos de cloro (um dos radicais livres formados) são extremamente reativos, reagindo
rapidamente com o ozono na estratosfera (Fig. 2.21).

CI ~
l
00 dõ /
l
CI O __, 00 CI

CD

Fig. 2.27 Esquema da dest ruição do o zono pelo c loro libertado pelos CFC.

No desenrolar desta ação eles de novo são gerados, podendo continuar a reagir com molé-
culas de ozono sucessivamente (reação em cadeia):

ce· + 0 ceo· + 0
3 - 2

ceo· + o· - ce· + 0 2

ce· + 0 3 - ...

Assim, um átomo de cloro pode destruir milhares de moléculas de ozono.

2.3.3 Reação fotoquímica (AL 2.4)

A luz pode desencadear reações químicas. Materiais fotossensíveis são materiais que na pre-
sença da luz sofrem transformações químicas.

O comportamento fotossensível do cloreto de prata, AgCf , já é conhecido desde há vários


séculos. O cloreto de prata é um sólido branco que, por ação da luz, se transforma em prata
sólida, modificando-se assim a cor inicial. A reação pode ser traduzida pela equação seguinte:

2 AgCf (s) ~ 2 Ag (s) + c e2 (g)

Se uma amostra de cloreto de prata for submetida a diferentes tipos de luz visível, verifica-se
que quanto mais energética for o tipo de radiação, mais intenso é o escurecimento.

No laboratório, o cloreto de prata pode ser obtido a partir da reação entre soluções aquosas de
nitrato de prata, AgN03 , e de cloreto de sódio, Nace, de acordo com a equação química seguinte:

AgN03 (aq) + NaCf (aq) - AgCf (s) + NaN0 3 (aq)

75
QUÍMICA 10.• Ano

Questões propostas

Ligação química

1. O gráfico mostra a varia ção da ener- EP/ H- H


gia potencial , EP, de dois átomos de kJ mo1·1
hidrogénio em fun ção da distância, r,
r = 45
entre os núcleos dos átomos.
o
1.1 Indique para a ligação H-H, na mo- r = 300 r l pm
lécula de hidrogénio: H H

a) a energia da ligação;
-436 ·
b) o com primento da ligação na r = 74
unida de SI de base, exp resso
em notação científica. H- H

1.2 Com base na aná lise do gráfico, pode afi rmar-se que

(A) a formação da ligação H-H co nfere ao sistema dos dois átomos menor estabilidade.
(B) na quebra de uma mole de ligações H-H liberta-se a ene rgia de 436 kJ.
(C) à med ida que a distância entre os átomos diminui, a energia pote ncial do sistema
diminui.
(D) para distâncias intern uclea res menores do que r 0 , a molécula de H 2 torn a-se menos
estável.

2. Considere quatro elementos químicos representados por X, Y, W e Z. Os elementos X e W


pertencem ao mesmo grupo da Tabela Periódica e X, Y e Z apresentam números atómicos
consecutivos , sendo o elemento Y um gás nobre.

Com base na informação fornecida pode afirmar-se que

(A) o composto formado por X e Z é molecular de fórm ula X2 Z.


(B) o compost o formado por X e Z é iónico d e fórmu la ZX 2 .
(C) os átomos dos elementos X e W estabelecem ligação por pa rtilha de 4 eletrões.
(D) os átomos do elemento Z partilham eletrões de valência deslocalizados com outros áto-
mos do mesmo elemento.

3. Um aluno, ao rever os seus apontamentos sobre estruturas de Lewis, verificou que repre-
sentara a molécula de acetaldeído, CH 3 CHO, pela fórmul a de Lewis seguinte.

H
..
:o:
1 1
H - C - C- H
li
H

3.1 Conclua, justificando, porque se trata de uma estrutu ra impossível , analisando a regra do
octeto.

3 .2 Escreva a fórmula de est rutura de Lewis para a molécula de aceta ldeído.

4 . Considere as molécul as representadas pelas fórmula s químicas seguintes:


PH3 , C0 2 , OF2 e CC€2 F2

4.1 Escreve a fórmu la de estrutura de Lewis d e cada molécula.

76
DOMÍNIO 2 Propriedades e transformações da matéria

4.2 Para cada molécula, indique:


a) o número de eletrões ligant es;
b) o número de eletrões não-ligantes;
e) a geometria molecular, baseando-se no modelo da repulsão dos pares eletró nicos de
valência.

5. O enxofre pertence ao mesmo grupo da Tabela Periódica que o oxigénio.


5.1 Escreva a fórmu la de estrutura de Lewis para a molécu la do su lfureto de hidrogénio, H 2 S.

5.2 Compare est a estrutu ra com a da molécula de água. A que conclusão chega?
5.3 O se lénio, Se, também pertence ao grupo do oxigénio e do enxofre. Que geometria prevê
para as moléculas de H 2 Se?

5.4 A energia média de ligação O-H na molécula de água é 463 kJ mo1-1, enqua nto a energia
média de ligação S-H na molécula de su lfureto de hidrogénio é 338 kJ mo1-1.

Qual das moléculas terá ma ior dificuldade em perder um ião hidrogénio, H+?

6. Os óxidos de nitrogénio ameaçam a camada de ozono que protege a Terra das radiações
UV mais energéticas.

Na molécula de NO a energia de ligação é 632 kJ mo1-1 e o comprimento de ligação é


115 pm. Por sua vez, a energia de ligação NO na molécula de NO 2 é 469 kJ mo1-1•

6.1 A ligação NO na molécula de NO, comparativamente à ligação NO em NO 2 , tem


_ _ _ _ _ _ eletrões partilhados e um comprimento de ligação _ _ _ __

(A) mais ... superior


(8) mais ... inferior
(C) menos ... inferior
(D) me nos ... superior

6 .2 Quando, a partir de uma mole de NO (g) e a pressão constante , se formam uma mole de
átomos de nitrogénio e uma mole de átomos de oxigén io, ambos no estado gasoso, é
_ _ _ _ _ _ , como calor, uma energia de _ _ _ _ _ kJ.

(A) absorvida ... 1264


(8) libertada ... 1264
(C) abso rvida ... 632
(D) libertada ... 632

7. Os mapas de potencial eletrostático da figura permitem visualizar a distribuição de carga


elétrica em torno dos átomos envolvidos na ligação para as moléculas de HC-€, HBr e HI.
Compare, com base na análise da figura, a polaridade das ligações H-C-€, H-Br e H-1.

H- ce H - Br H- 1

77
QUÍMICA 10.0 Ano

Questões propostas

8. A figura apresenta os mapas de potencial eletrostático para as moléculas de metano, CH 4 e


de clorometano, CH 3 Ct'.
Explique a diferença de polaridade nas moléculas de CH 4 e de CH 3 Ct', com base na geome-
tria das moléculas e no tipo de átomos envolvidos nas ligações.

9. Atualmente conhecem-se milhares de substâ ncias químicas contendo carbono. Algumas


encontram-se na Natureza e outras foram sintetizadas pelo ser humano.
Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações seguintes.

(A) As ligações múltiplas entre áto mos de carbono apresentam maio res com primentos de
ligação do que as si mples.
(B) O carbono combi na-se com element os do grupo 17, formando compost os com geometria
p iramidal t rigonal.
(C) Uma ligação tripla carbono-carbono tem maior ene rgia de ligação do que uma ligação
dupla carbono-ca rbono.
(D) Na molécu la de met ano, CH 4 , há pares de eletrões de va lênc ia não part ilhados.
(E) Uma ligação cova lente t ripla entre dois át omos de carbono envolve a pa rti lh a de 6 eletrões.
(F) A ge ometria da molécula d e sulfu reto de carbono, CS2 , é linear.

10. Os compostos orgânicos formam um grupo enorme de substâncias.

10.1 Co nsidere os segu intes compostos orgânicos:


(1) (li) (Ili)

CH 3 - C = CH 2
1
CH - CH 3
1
CH 3

Identifique o:
a) com post o de fórmula molecular C6 H12 ;
b) hidrocarboneto insaturado;
e) hidrocarboneto satu rado;
d) composto qu e cont ém o grupo carboxilo.

10.2 Consi dere os seguinte s compostos orgâ nicos:

1. C(CH) 4
li. C4H,o
Ili. CH2 CHC(CH 3}3
IV. CH)C H) 4 CH 3
Conclua, j ustificando, qual dos compostos é insatu rado.

78
DOMÍNIO 2 Propriedades e transform ações da matéria

11. A treonina é um dos principais constituintes das proteínas.


Os grupos funcionais assinalados na molécula de treonina são característicos das classes

(A) 1- álcoois; li - cetonas; Ili - aminas.


(B) 1- ácidos ca rboxílicos; li - aldeídos; Ili - cetonas.
(C) 1- aldeídos; li - ácidos ca rboxíl icos; Ili - cet onas.
(D) 1- álcoo is; li - ácidos carboxílicos; Ili - amin as.

12. Vários compostos orgânicos apresentam grupos funcio-


nais caraterísticos de diferentes classes de compostos.

Indique o nome dos grupos funcionais localizados nos carbonos 1, 3, 4 e 5.

13. A absorção das vitaminas depende da sua solubilidade.


A figura apresenta a fórmula de estrutura das vitaminas A e C.

OH

OH º~ º"
HO OH

Vitamina A Vitamina e

Alguns alimentos são enriquecidos pela adição de vitaminas.


Identifique, justificando, qual das vitaminas é a mais indicada para se adicionar a:

13.1 um sumo de fru ta;


13.2 uma manteiga.

14. Na figura, o s modelos moleculares I e li representam as estruturas do metilpropano,


CH 3 CH(CH 3) 2 , e do éter etilmetílico, CHpCH 2 CH 3 , cujos pontos de ebulição são - 12 ºC
e 10,8 ºC, respetivamente.

Metilpropano Éter etilmetílico

Justifique o facto de o éter etilmetílico apresentar maior ponto de ebuliçã o, num texto
estruturado e com linguagem científica adequada.

79
QUÍMICA 10.0 Ano

Questões propostas

Gases e dispersões

15. Considere quatro amostras de diferentes gases, cujos volumes, medidos nas condições
normais de pressão e temperatura , são indicados na tabela .

Amostra li Ili IV

Gás Hp NO

Volume/ml 100 100

15.1 O número t otal de át omos é igual nos recip ientes q ue contêm as amostras

(A) 1 e li. (B) li e Ili. (C) Ili e IV. (D) 1 e IV.

15.2 A densidade do vapor de água à temperatura de 100 ºC e à pressão de 1 atm é 0,590 g/dm3 .
O vol ume ocupado por 1,81 x 10 24 moléculas de H 2 0 co ntidas numa amostra pura de
vapor de ág ua, nas condições de pressão e de temperatura referidas, é

1 81 X 10 24 X 0 590 (C)
24
1,81 x 10 x 18,02 dm 3 .
(A) ' ' d 3
18,02 X 6,02 X 10 23 m , 0,590 X 6,0 2 X 1023

(B) 6,0 2 x 10 23 x 18,02 dm 3


23
(D) 6,02 x 10 x 0,590 dm 3 .
0,590 X 1,81 X 10 24 18,02 X 1,81 X 10 24

16. Num recipiente de 3,00 dm 3 encontram-se 2,00 g de hélio, He. Se transferirmos o gás para
um recipiente de 3,70 dm 3 , determine a massa de hélio que se deve adicionar ao recipiente
para que se mantenham as mesmas condições de pressão e temperatura.

17. Em 1811, Avogadro concluiu que volumes iguais de gases dife-


rentes, medidos nas mesmas condições de pressão e de tem-
4,14 0,20
peratura, contêm o mesmo número de partículas. Com base
neste resultado é possível determinar o volume molar, Vm, de 8,22 0,40
um gás, e também a sua densidade, em determinadas condi- 12,38 0,60
ções de pressão e temperatura .
16,56 0,80
17.1 Na t abel a regist ou-se o volum e, V, d e diferentes amostras
de nitrogénio, N2 e a respetiva quantidade de maté ria, n , nas
mesmas condições de p ressão e temperatura.
Determ ine o vol ume mo lar de N 2 a partir da equação da reta que melhor se aju sta a um
gráfi co adequado (utilize a calcu ladora gráfica).
Apresente todas as etapas d e resol ução.

17.2 Ca lcule a densidade de N2 nas condições de pressão e tem peratu ra co nsideradas.

18. Considere uma mistura de poluentes atmosféricos cuja composição é a seguinte: 40 mol
de moléculas de NO, 716,8 L de S02 e 280,0 g de CO.

Nas condi ções PTN , determine:

18.1 a relação ent re o número de mo léculas de cada um dos poluentes na mistura;

18.2 a densidade do dióxido de enxofre relativamente ao ar.


Dado: p0 , = 1,23 g dm-3 .

80
DOMÍNIO 2 Propriedades e transform ações da matéria

19. O fertilizante nitrogenado mais utilizado na agricultura é a ureia, (NH 2 ) 2 CO.


Considere 25,0 ml de uma solução aquosa A de ureia, 0 ,030 mol dm- 3, com densidade
1,05 g cm- 3 •

19.1 Ex prima em percentagem em massa a composição quantitativa da sol ução A.

19.2 A partir da sol ução A prepararam -se duas sol uções, 8 e C.


a) Verifique q ue para preparar a solução 8 , cujo vol ume final é 50,0 cm 3 , co m um fator
de diluição 5, é necessário medir 10,0 cm 3 da so lução A.
b) Calcule a co ncentração d e ureia na solução C, sabendo q ue e st a se obteve por ad i-
ção de 30,0 cm 3 de ág ua desionizada ao volu me q ue restou da solução A após a
p repa ração d a solução 8 .

20. O hipoclorito de sódio, NaC-€O, tem diversas aplicações, como o tratamento de efluentes
domésticos e industriais, de água de piscinas e de águ a destinada ao consumo humano.

A figura representa três recipientes que contêm soluções aquosas (A, 8 e C) de hipoclorito
de sódio.

- -
A B
1.0 L 500 ml e
0,10 250
0,050 cm'
mol dm-3
rnol dm"

20.1 Det erm ine a massa de hipoclorito de sódio necessá ria à preparação da sol ução 8 .

20.2 Calcu le a concentração da solução C, sa be ndo que por ad ição de ág ua deu origem à
solução A.

20.3 Ca lcule o vol ume de água qu e se deve adiciona r à solução 8 para q ue a sua concen-
tração passe a ser 5,0 x 10- 3 mo l L- 1.

Transformações químicas

21. Considere os diagram as de energia potencial referentes à reação de combustão parcial do


carbono (diagrama 1) e à combustão do N 2 0 (diagrama li).

1 li
+
~l
?
.e
2 e (s)

* 1
1
1
0 2 (g)
~
..,..
?.e
2 NO(g)
1
1
1
1
E3 1 E3 1
[d [d

}I "'
2CO(g)
X
<
Ol N,O (g)
"'
++ 0 2 (g)
/\

Conclua, justificando, se cada um dos processos é e ndotérmico ou exotérmico.

81
QUÍMICA 10.0 Ano

Questões propostas

22. O diagrama apresenta a variação de entalpia para


a reação de combustão completa do metano, CH4 • 1215
::::- CH4 + 2 0 2
965 o
22.1 A energ ia q ue seria necessária para quebrar -E,
as ligações dos reagentes é _ _ _ _ __ 6
-
co
à e nergia que seria libertada na formação das aia:.
ligações dos produtos, pelo q ue a reação é w e
75

(A) superior ... endotérmica Progresso da reação


(8) superior ... exotérmica
(C) inferior ... endoté rmica
(D) infe rio r ... exotérmica

22.2 Dete rmine va riação de ental pia da reação de combustão do metano.

22.3 Determ in e a massa de metano necessária para produzir a energia de 1,78 x 104 kJ.
Ap resente todas as etapas de resolução.

23. A rea ção do metano na presença do cloro origina clorometano e cloreto de hidrogénio e
pode ser traduzida pela equação termoqu ímica:

H3 CC-t' (g) + HC-t' (g) ; t:..H = -104 kJ

+ +

23.1 Sabe ndo que as energias das ligações C-H, Ct'- Ct' e C-Cf são, respetivament e,
41 3 kJ mo1-1, 242 kJ mo 1-1 e 328 kJ mo1-1, a energia da ligação na molécula de cloreto
de hid rogénio é dada por

(A) E(H-Ct') = (41 3 + 242 -1 04 - 328) kJ mo1-1.


(B) E(H-Cf ) = (4 x 413 + 242 -1 04 - 3 x 328) kJ mo1-1.
(C) E(H-Cf ) = (413 + 24 2 + 104 - 328) kJ mo1-1.
(D) E(H-Cf ) = [413 + 242 - (104 - 328)] kJ mo 1-1.

23.2 Prevej a, j ustifi ca ndo, o que aco nteceria à temperatura do sistema se a reação ocorres-
se num sistema isolado.

24. Considere a equação que traduz a reação de combustão do metano:

24.1 Ca lcule a variação de entalpia da reação de com-


bustão do metano.
1111 C-H
Energia de ligação /
kJ mo1- 1

414
C=O 799
24.2 Ind ique, justificando, se a reação é endotérm ica
ou exotérmica. O=O 498

24.3 Compare o valor obtido em 24.1 para a variação 0 -H 460


de e ntalpia da reação com o valor obtido experi-
me ntalmente: t:..H= - 802 kJ mo 1-1•

82
DOMÍNIO 2 Propriedades e transform ações da matéria

25. A constante formação e destruição do ozono na estratosfera é um processo natural. Este


equilíbrio foi alterado devido à emissão para a atmosfera de substâncias que reagem com
o ozono, aumentando o ritmo da sua decomposição.
O monóxido de nitrogénio (NO) é um dos poluentes atmosféricos que pode provocar a
decomposição do ozono, que se pode traduzir através das equações:

NO + 0 3 - N02 + 0 2

N0 2 + o· - NO + 0 2

25.1 Explique por que ra zão, em condições normais, a quantidade de o zono permanece
aproximadamente constante na est ratosfera.

25.2 Escreva a equação química que traduz a reação g lobal de decomposição do ozono
provocada pelo NO. Que função desempenha o NO neste processo?

26. Os eFe (clorofluorocarbonetos) são um grupo de compostos responsáveis, em grande


parte, pela destruição da camada de ozono. Para o eeC/ 2, esse processo é descrito pela
seguinte sequ ência de equações:

eeC2F2~ eeCF; + ec·


0 3 + ec· - 0 2 + eco·
eco·+ 0 3
- 2 0 2 + ec·

Sobre a destruição do ozono estratosférico é incorreto afirmar que:

(A) Os CFC são muito estáveis na troposfera; na estratosfera dissociam-se sob a ação da
radiação UV-C.

(B) Os radicais cloro contribuem para a diminuição da camada de ozono.

(C) O CCCl 2
aprese nta um maior poder destrutivo sobre a camada de ozo no do q ue o CCC3 F.

(D) No processo descrito duas moléculas de 0 3 convertem-se em três moléculas de 0 2 .

27. A formação do ozono na estratosfera pode ser ilustrada pelo esquema da figura seguinte.

Escreva as equações químicas das reações representadas.

83
FÍSICA 10.0 Ano

Domínio 1
Energia e sua conservação
A energia e a sua conservação são ideias centra is na in-
terpretação de f enómenos mecânicos, elétricos e térmicos. Fronteira~

A energia pode transferir-se entre sistemas. Define-se sis-


tema como a parte do universo que queremos estudar.
Essa parte é limitada pela fronteira , que separa o sist ema
da v izinhança. A vizinhança é o que fica fora do sistema,
Vizinhança
o
podendo interagir com ele {Fig. 1.1). Fig. 1.1 Sistema fís ico.

Os sist emas físicos podem se r {Fig. 1.2 ):

• abertos: trocam matéria e energia com a v izinhança;


• fechados: não trocam matéria com a vizinhança, em-
bora troquem energia;
• isolados: não trocam matéria nem energia com a vizi-
nhança.
(A) (8)

-
(C)

Como um sistema isolado não troca nem matéria nem ener-


gia com o exterior, nele a energia permanece const ante.

Fig. 1.2 Exemp los de um sistema


Lei de Conservação da Energia aberto (A), fechado (B) e isolado (C).
A energia de um sistema iso lado é constante.

A energia pode transferir-se entre sistemas físicos mas pode também sofrer tra nsform ações
num mesmo sist ema físico: a energia que se apresenta de uma forma converte-se noutra
forma de energia.

1.1 Energia e movimentos


1.1.1 Sistema mecânico redutível a uma partícula.
Energia e tipos fundamentais de energia. Potência
Todos os corpos têm uma propriedade intrínseca, a sua massa, que é expressa, no Sistema
Internacional, SI, na un idade quil ograma (símbolo kg). Se para o estudo do movimento do cor-
po não nos interessar a sua constituição ou forma, nem deformações ou rotações, podemos
representá-lo por um ponto. Este ponto é equiva lente a uma partícula com a massa do co rpo
e denomina-se centro de massa, CM {Fig. 1.3 ).

m = 10 kg
e~
m = 10 kg

Fig. 1.3 A bala de um canhão com movimento de


translação pode ser representada por um ponto,
o centro de massa (CM).

86
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

Exist em dois tipos fundamentais de energia, a energia cinética, Ec, associada ao movimento
de partículas, e a energia potencial , EP, associada à interação entre partículas.
A energia é uma grandeza escalar (fica comp let amente caracterizada por um número e por
uma unidade). A unidade SI de energia é o joule (símbolo J).

Energia cinética, E,

Um corpo em movimento tem uma energia associada ao seu movimento: energia cinética , Ec.
A energia cinética de translação aumenta com a massa do corpo, m, e com o quadrado da
sua velocidade, v2 • A expressão mat emática que traduz essa relação (as unidades SI são as
indicadas) é:

J
joule
/
1
E =-m v2
e 2

kg
quilograma
,~ m s- 1
metro por segundo

1. Um carro co m a massa de 800 kg viaja à velocidade de 75 km/h. Calcule a sua ener-


gia cinética na unidade coerente com as unidades de base do SI.

~ Para calcular a energia cinética na unidade SI é necessário converter a veloci-


dade para m/s.

V= 75 -
km
= 75
1000 m
X --- = 20 8 m S-1
Ili
h 3600 s '
1 1
E = - m v2 = - x 800 x 20 8 2 J = 17 x 105 J
e 2 2 ' '

2. Dois ca rros, um verde (B) e outro amarelo (A), B A


movem-se no mesmo sentido numa estrada.
O carro verde tem quatro vezes mais massa
do que o amarelo, mas move-se com metade
da velocidade do amarelo. A energia cinética
do carro

(A) verde é o dobro da energia cinética do amarelo.


(B) de maior velocidade é maior.
(C) verde é igual à do carro amarelo.
(D) amarelo é o dobro da energia cinética do carro verde.

(C). O quociente das


1
E 2x ma v/
energias cinéticas é: ~ = - - - - - ----=1
Ec (Al 1 2
2 X mA VA

87
FÍSICA 10.0 Ano

3. A energ ia cinética de um rapaz que corre a 18 km/ h é 750 J. Qual é a sua massa?

km 1000 m 1 1
v = 18 - = 18 x - - - = 5 O m s-1 • E = - m v2 ⇒ 750 = - m 5 0 2 <=>
h 3600 s ' ' e 2 2 '
750 X 2
<=> m = , kg = 60 kg
5 02

Energia potencial, EP

A ene rgia potencial resulta da interação de um corpo com outros corpos. Diz-se q ue a energia
potencial é uma energia armazenada, por não estar associada ao movimento mas poder provo-
car movimento, transformando-se em energia cin ética.

Existem diversos tipos de energ ia potencial,


consoante a natureza da interação entre os cor-
pos (elástica, elétrica, gravítica). Por exemplo:

• Energia potencial gravítica: resulta da


intera ção gravít ica entre um astro e um
corpo nas suas proximidades {Fig. 1.4 ).

Fig. 1.4 As forças entre massas originam energia


potencial gravítica.

A expressão que indica as grandezas de que depende a energia potencial gravítica do sis-
tema corpo + Terra à superfície da Terra é:

E =m g h
/ p/ ~~
J kg m s- 2 m
joule quilograma metro por metro
segundo quadrado

sendo ma massa do corpo, g o módulo da acele ração gravítica (à superfície da Terra g = 10 m s- 2)


eh a altura do corpo acima de um determinado nível de referência.

• Energia potencial elétrica: resulta da int eração ent re cargas elé-


tricas {Fig. 1.5).

Fig. 1.5 Forças entre os eletrões e os


núcleos e entre diferentes núcleos
origina m energia potencial elétrica.

• Energia potencial elástica: resu lta da interação elást ica, associada à deform ação dos
corpos (Fig. 1.6).

' J '\'''" '


11\111\1111111

Fig. 1.6 A energia potencia l armazenada na mola pode provocar movimento.

88
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

4. Numa competição olímpica, uma flecha de 50 g é disparada a 234 km/h.


Considere que toda a energia potencial elástica é convertida em energia
ci nética e despreze a massa da corda. Fundamente as suas respostas.

4.1 Qual era a energia potencia l elástica antes de a flecha ser disparada?

4.2 Se a flecha fosse dispa rada para cima, na vertical, a que altura che-
garia se toda a energia cinética fosse convertida em energia poten-
cial gravítica?

km 1000 m
Q 4.1 m = 50 g = 0,050 kg ; v = 234 h = 234 x = 65,0 m s- 1
3600 5
A energia cinética com que a flecha é disparada é:
1 1
Ec = m v2 = x 0,050 x 65,0 2 J = 106 J
2 2
Como a energia potencial elástica se converteu em energia cinética ,
a energia potencial elástica era EP = 1,1 x 102 J.

4.2 A energia potencial gravítica é Ep = m g h. Em resultado da conversão de


energia, o seu valor máximo é igual à energia cinética com que a flecha foi
disparada.
106 J
106 = 0,050 x 10 x h ~ h = x N = 2,1 x 10 2 m
0 050 10
'

5. Atirou-se uma pedra para cima, na vertical. Considerando o sistema constituído pela
Terra e pela pedra, classifique como verdadeira ou falsa cada uma das afirmações
Ili
seguintes. Fundamente as suas respostas.
(A) Só depois da pedra atingir a altura máxima é que o sistema fica com energia
poten cia l.
(B) Logo depois de sair da mão, o sistema adquire a energia potencial que faz
subi r a pedra.
(C) Quando a pedra está a subir, a energia cinética diminui e transforma-se em
energia potencial gravítica.
(D) Durante a sub ida da pedra, existe apenas energia potencial gravítica.
(E) Durante a descida da pedra, existe energia potencial gravítica e energia cinética.
(F) Durante a subida, a energia potencial gravítica diminui e transforma-se em
energia ci nética.

Q (A) Falsa . A energia potencial gravítica vai aumentando à medida que a altura da
pedra aumenta.
(B) Falsa. Na subida, a energia cinética vai diminuindo e a energia potencial vai
aumentando.
(C) Verdadeira.
(D) Falsa. Desde que a pedra tenha velocidade tem energia cinética.
(E) Verdadeira.
(F) Falsa. A energia cinética diminui, transformando-se em energia potencial gra-
vítica (que aumenta).

89
FÍSICA 10.0 Ano

6 . Uma bola, de massa 200 g, estava parada em - ................ · A ···· ~


cima de um apoio. O apoio foi retirado e a bola
ca iu, aumentando a sua velocidade à medida
que se ap roximava do solo. Considere o sistema h = 1,5 m

constituído pela bola e pela Terra e tome como


nível de referência o nível do solo. Fundamente B

as suas respostas.

6 .1 Qual foi a transformação de energia que ocorreu na queda?

6 .2 Calcule a energia potencial gravítica do sistema no nível A.


6 .3 Durante a queda, de A para B, 4% da energia inicial do sistema transfere-se para
a vizin hança. Determine o módulo da ve locidade da bola ao embater em B.

6.1 No nível A há energia potencial gravítica mas não há energia cinética, pois
inicialmente a bola estava parada. À medida que a bola vai caindo a sua ve-
locidade aumenta, pelo que adquire energia cinética e essa energia vai au-
mentando. Mas a energia potencial diminui, pois a altura em relação ao solo
vai diminuindo. Então, na queda há uma transformação de energia potencial
gravítica em energia cinética.

6.2 m = 200 g = 0,200 kg ; g = 10 m s- 2 ; h = 1, 5 m


EP = m g h = 0,200 x 10 x 1,5 J = 3,0 J
6.3 Se 4% da energia inicial da bola se transfere, a bola fica com 96% dessa ener-
gia.
96
96% = 100 = 0,96 ; Efinal = 0,96 X 3,0 J = 2,88 J.
A energia final é a energia cinética.

= 2 ' 88 <=> O'100 x v 2 = 2 '88 ⇒ v = ✓ 0,100


2 88
E
e
= _!_
2
m v2 •
'
_!_ x
2
O 200 x v2
'
• m s-1 =
= 5,4 m s-1

Potência, P

A potência é a grandeza físi ca que mede a rap idez com q ue a e nergia é transferida. A potência,
P, pode ca lcular-se pelo quociente entre a ene rgia transferida, E, e o intervalo de tempo que
levou a transferir, Lit.

J
E ~ ou le
W ---➔ P= -
watt M ~

s
segundo

1J
Um watt corresponde à transferência de um j oule por segundo: 1 W = ~ = 1 J s-1.

90
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

1.1.2 Energia interna


Um corpo parado, mesmo sem ter em conta a sua interação com outros, possui uma certa ener-
gia. Essa energia chama-se energia interna, U. A energia interna resulta das energias cinéticas
de todas as partículas, Ec (partículas), que constituem o corpo, e das energias associadas às
interações entre elas, EP (partíc ulas).

U = Ec (partículas)+ EP(partículas)

A temperatura é uma propriedade de um sistema que se mede com um termómetro. Está


relacionada com a energia interna. En ergia interna e temperatura não são idênticas: a energia
interna depende do número de partículas e a temperatura não. Se duas amostras da mesma
substância tiverem a mesma temperatura , tem mais energia interna a que tiver mais partículas.
Um sistema físico para o qual não são tidas em conta as variações de energia interna desig-
na-se por sistema mecânico.

i+i%i·l·it4H@+M
7. Colocaram-se termómetros em quatro recipientes com água , como ilustra a figura.
A B e D
35ºC 35ºC 60 ºC 1

Ili
Pode conclu ir-se que
(A) os sistemas A e e têm a mesm a energia interna.
(8) a energia interna do sistema B é igual à do D.
(C) a energia interna do sistema B é maior do que a do sistema C.
(D) o sist ema com ma ior energia interna é o D.

& (D) . Entre dois sistemas, constituídos pela mesma substância, com a mesma tem-
peratura, casos de A e C e de B e D, tem mais energia interna o que tiver maior
número de partículas (maior massa). Entre dois sistemas com o mesmo número
de partículas (mesma massa), casos de A e B ou C e D, o que tiver maior tempe-
ratura tem mais energia interna.
Não é possível, com a informação do enunciado, comparar as energias internas
de B e C: B tem maior temperatura, mas C tem maior massa.

1.1.3 Transferências de energia por ação de forças.


Trabalho de uma força constante
O trabalho é uma medida da energia transferida entre sistemas por ação de fo rças. Para que
exista trabalho, é necessário que uma força atue sobre um corpo e que, simultaneamente,
exista um deslocamento do ponto de aplicação da força. Mas não é suficiente , pois pode exis-
tir deslocamento do ponto de aplicação da força sem que exista trabalho realizado.

91
FÍSICA 10.0 Ano

A expressão que permite ca lcu lar o trabal ho, W, de uma força constante (Fig. 1.1) é:

W= F dcos 0

Fig. 1.7 Trabalho de um a força constant e.

sendo F e dos módulos da força e do deslocamento, respetivamente, e e o ângulo entre a


força e o deslocamento.

O traba lho é uma grandeza escalar, bastando para a sua ca racterização um número e uma
un idade. O trabalho positivo chama-se de trabalho potente e o trabalho negativo c hama-se
trabalho resistente.

A unidade SI de trabalho é o joule (J). Um j oule é o traba lho realizado por uma força constan-
te, de um newton, quando o deslocamento é de um metro, tendo a força e o deslocamento a
mesma direção e sentido (Fig. 1.8).

F F=1N F

d = 1m
:C·- • - ·· • · •• · • - -- - -- - -- - - - - -- - - - -- - - - ·- - - -- - - - ->:

Fig. 1.8 Unidade SI de trabalho.

A força F, representada a vermelho, que atua no ca ixote, é equivalente à soma de duas for-
ças, a azul co m a verde (Fig. 1.9 ). Estas duas forças são as componentes da força: a verde é a
componente da força paralela à direção do movimento; a azul é a component e da fo rça per-
pendicular ao desloca mento. O trabalho da força a azul é igua l ao produto da sua intensidade
pelo módulo do deslocamento e pelo cosseno de 90°. Como cos 90° = O, esta força real iza
um trabalho nulo. Ass im, só a força a verde é que irá realiza r trabalho. Esta componente da
força designa-se por componente eficaz da força, Fer

Fig. 1.9 Componente eficaz de uma força.

A compone nte escalar da fo rça eficaz na direção do movimento pode ser calculada pelo
produto da intensidade da força, F, pelo cosseno do ângulo entre a fo rça e o deslocamento,
F cos 0.

92
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

O t raba lho da força fé igual ao trabalho da compone nte eficaz dessa força.

Pode conc luir-se que quando a força for perpendicular ao deslocamento


(o âng ulo ent re a força e o desloca mento é de 9 0 º), o trabalho por ela realizado é nulo.

Quando várias forças at uam num sistema que possua apenas movimento de translação, o
trabal ho tot al, W101• 1, ou seja, a soma dos t raba lhos rea lizados por cada uma das forças é igual
ao t rabalho que se ria real izado pela resultante das forças, W f resultante (Fig. 1.10).

Fig. 1.10 Resulta nte de forças que atuam num sistema.

Soma dos traba lh os rea lizados por cada uma das forças= Traba lho da resultante das fo rças Ili
Exemplo de uma força constante: peso de um corpo

Uma bala nça indica-nos a massa de um corpo, que é uma ca-


racterística desse corpo, proporcional ao seu peso. Por isso, fre-
quentemente usa-se um dinamómetro, que mede a intensidade
de forças (Fig. 1.11). O peso de um corpo, P, pode calcular-se pe lo
produto da massa do corpo, m, pela aceleração gravítica, g. 1
6
p
Fig. 1.11 Pesar u m corpo.

Quando a massa é expressa em quilogramas, kg, e a aceleraçã o gravítica em metros por


segundo quadrado, m s- 2 , o peso é expresso em newtons, N. Por exemplo, como à superfície
da Terra g rerra = 10 m s- 2 , para um corpo com uma massa de 60 kg, a intensidade do seu peso
à superfície da Terra é:

P = 60 kg X 10 m s- 2 = 6,0 x 102 N.
O peso defi ne a vertica l e o se ntido descendente, pode ndo considerar-se igual à força graví-
tica que a Terra exerce sobre o corpo.

93
FÍSICA 10.0 Ano

8 . O ca ixote da figura, de massa 50 kg, é deslocado 6,0 m da pos ição (A) para a posi-
ção (B). As forças F e Fª têm intensidades iguais a 300 N e 50 N, respetiva mente.
B A

8 .1 Fa ça a legenda das forças representadas.

8 .2 Calcule o trabalho de cada força que atua no caixote naquele de slocamento.


8 .3 Identifique o t ra balho potente e o resistente.

8.4 Determine o trabalho que é realizado pela resultante das forças.

& - -
8.1 F : força gravítica (exercida pela Terra sobre o caixote); N: força normal (exer-
g -
cida pela superfície sobre o caixote); F: força de atrito (exercida pela superfí-
- a
cie sobre o caixote); F: força exercida pelo rapaz sobre o caixote.

8.2 O módulo do deslocamento d é de 6,0 m.


i) Trabalho da força gravítica (peso do corpo):
F = P = m g = 50 kg x 10 m s-2 = 5,0 x 102 N
9
O ângulo entre a força gravítica e o deslocamento é 90º.
w:F = F d cos 0 = 5 o X 102 X 6 o X cos 90° J = 5 o X 102 X 6
g g ' ' ' '
o oJ = o
X

ii) Trabalho da força normal:


O ângulo entre a força normal e o deslocamento é 90°.
WN = N d cos 0 = N x 6,0 x cos 90º J = N x 6,0 x O J = O

iii) Trabalho da força F:


O ângulo entre a força e o deslocamento é Oº.
WF = F d cos 0 = 300 N x 6,0 m x cos Oº= 300 x 6,0 x 1 J = 1,8 x 103 J

iv) Trabalho da força a F:


O ângulo entre a força e o deslocamento é 180º.
wF. = F. d cos 0 = 50 N x 6,0 m x cos 180° = 50 x 6,0 x (-1) J = -3,0 x 102J
8.3 A força f realiza trabalho potente e a força ~ realiza trabalho resistente.

8.4 A resultante das forças é a soma de todas as forças: f res = f g + N + f + f:a


Na direção vertical, perpendicular ao movimento, as forças anulam-se (a força
--- - - -----
normal anula o peso: F9 + N = O). Por isso, F,es = F 9 + N + F + Fª = F + Fª.
Na direção horizontal, a resultante das forças tem a direção e o sentido da
força F,pois esta é mais intensa do que a força de atrito~ , e tem módulo F,es
= (300 - 50) N = 250 N.
WF,•• = F,•• d cos Oº = 250 N x 6,0 m x 1 = 1,5 x 103 J
Este trabalho é igual ao trabalho total
wtotal = WFg + wN + wF + WFa = (O + o + 1,8 X 103 - 3,0 X 102 ) J = 1,5 X 103 J

94
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

O cosseno de um ângulo toma valores entre -1 e +1.

0 ° < 0< 90° 0= 90° 90° < 0 < 180° 0= 180°

Cosseno do
ângulo ( cos 0)
+1 positivo o negativo -1

Existindo força e também deslocamento, como será o trabalho se o ângulo entre a força e o
deslocamento va riar entre Oº e 180º?

Fig. 1.12 Força constante atuando em d ireções diferentes numa


partícula que se desloca horizontalmente para a d ireita.

Ângulo (0) 0= 0 ° 0 ° < 0 < 90° 0= 90° 90° < 0 < 180° 0= 180°
Direção
mesma mesma direção
e sentido de d ireção direção d ireção
força em relação
ao deslocamento
W, trabalho da
força constante
direção
e sentido

positivo
e máximo
oblíqua

positivo
perpendicular

nulo
oblíqua

negativo
e sentido
oposto

negativo
e máximo e m
Ili
módulo

Trabalhos positivos aumentam a energia do corpo, trabalhos negativos diminuem a energia do


corpo e traba lhos nulos não alteram a energia.

9. O ca ixote da figura, de massa 50 kg, é deslocado de 6,0 m da posição (A) para a


posição (8). Calcule o trabalho da força F que atua sobre ele no deslocamento entre
Ae 8 .
B A

& O ângulo entre a força e o deslocamento é 30º.


WF = F d cos 0 = 300 N x 6 ,0 m x cos 30° = 300 x 6,0 x 0,87 J = 1,6 x 103 J

95
FÍSICA 10.0 Ano

10. Um avião de brincar foi preso por um fio a um eixo fixo no


chão. Depois de ligado o seu motor elétrico, fica a des-
crever uma trajetória circular, tal como mostra a figu ra.
Sobre o traba lho real izado pela força que o fio exerce no
F
avião, pode afirma r-se que
(A) é tanto maior quanto maior for a velocidade com que
ele se move.
(B) aumenta se for aume ntado o comp rime nto do fio.
(C) é sem pre nulo, qualquer que seja a veloc idade.
(D) depende da força de atrito entre as rodas do avião e o chão.

ti (C). Como a força exercida pelo fio é sempre perpendicular à trajetória do avião,
o trabalho desta força é nulo qualquer que seja a situação do movimento.

11. Um helicóptero de combate a incêndios move-se a 25 m/s e des loca horizontal-


mente um balde com 3 mil litros de água. Nesta situação, o âng ulo entre a vertical
e a direção balde/ hel icópt e ro t em uma amplitude de 50º e o módulo da resu ltante
das forças exercidas pelos fios no balde é 4,7 x 10 4 N.

11.1 Num esquema, desenhe a força que o hel icóptero exerce


sobre o conjunto balde/água e tam bém a sua co mponen-
te eficaz. Determ ine a intens id ade da componente eficaz
50"
dessa força.

11.2 Qual é o trabalho realizado pela força exercida pelos fios d urante um quilómetro?

ti 11.1 Como o ângulo que a força faz com o deslocamento é


90° - 50° = 40°, a componente eficaz da força é
F.1 = F cos 40º = 4,7 X 104 X cos 40º N = 3,6 X 104 N.

11.2 WF = F.1d = 3,6 X 104 X 1000 J = 3,6 X 107 J.

12. Um carro, de massa 40 kg , desloca-se do


A
ponto A para o ponto B, ao longo do plano
inclinado da figura (AB = 3,0 m). Dete rm ine F
___º +-- - - - ~ - - - - = - B
o t raba lho da força gravítica (peso do cor-
po) nesse deslocamento.

O ângulo entre a força e o deslocamento é 80°,


pois a soma dos ângulos internos de um triângulo é
180º e o triângulo formado pelo deslocamento, pela
1 ü° : ~
força e pela base do plano é retângulo.

F = m g = 40 kg x 10 m s-2 = 400 N ·' d = 3 ' O m


g
WFg = Fg cos ed = 400 N X cos 80° X 3 ' o m = 21' X 102 J

96
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

13. Um ca rro desceu um plano inclinado, ficando 15 m abaixo do níve l inicial. O traba-
lho do peso do carro no deslocamento foi de 7,5 x 104 J. A massa do carro era de
(A) 7,5 X 103 kg. (8) 5,0 X 103 kg. (C) 7,5 X 10 2 kg. (D) 5,0 X 102 kg.

A
(D). WFg = Fg AB cos 0 = m g AB cos 0
h
Mas como cos 0 = = , temos
AB h
- h
WF9 =mg AB = =mgh
AB ?
9
W F = 7, 5 x 104 J ·, g = 10 m s-2 ·, h = 15 m
9
7,5 X 104
WF = m g h ⇒ 7,5 x 10 4 = m x 10 x 15 ⇒ m = - - - - kg = 5,0 x 10 2 kg
9
10 X 15

1.1.4 Teorema da Energia Cinética

Um corpo em movim e nto possui e nergia associad a a esse movimento - energia cinética. Se o
corpo estiver em repouso , portanto, com energia cinética nula, irá entrar em mov imento após
uma força atuar e realizar trabalho. A energia ci nética que o corpo adquire resulta do trabal ho
realizado pela força.

Se as variações de energia intern a forem desprezáveis, sempre que a energia cinética do cor-
po variar, a variação sofrida é igual ao traba lho realizado pela força. Se atuarem vá rias forças,
esta lei mantém-se vá lida. Esta igualdade é conhecida como Teorema da Energia Cinética,
Ili
ou Lei do Trabalho-Energia: a soma dos traba lhos realizados por todas as forças é igual à
variação da energia cinética do corpo.

1 1
LW = LlEe = Ee, final - Ee, .1mc1al
. . = -2 m v2final - 2 m v2inicial

Para um corpo apenas com movime nto de translação , a soma dos trabalhos realizados por
ca da força é igual ao trabal ho realizado pela res ultante das forças, WF,es Logo, WF,es = LlEc

14. Um automóvel, de massa 800 kg , atinge 100 km/ h, partindo do repouso, em 10,8 s.
Admita váli do o mod e lo da partícula materia l.

14.1 Determine a soma dos trabalhos das forças que atuam sobre o automóvel nos 10,8 s.

14.2 Calcule a potência média no arranque.

km 1000 m
(j 14.1 v = O· v1 = 100 -
' ' h
= 100 x - - - = 27 8 m s-1•
3600 s '

A energia cinética final é E = _!_ m v = 0,5 x 800 x 27,82 J = 3,09 x 105 J.


2
e 2
O trabalho realizado é LW = LlEc = (3,09 x 10 5 - O) J = 3,09 x 105 J.

W 3 09 X 105 j
14.2 p = - = ' = 2,86 X 104 W
M 10,8 s

97
FÍSICA 10.0 Ano

15. Ao aspirar o chão, um homem exerce uma força de


50 N sobre o aspirador. Essa força faz um ângu-
lo de 30º com a horizontal e a força de atrito é de
10 N. Sabe-se que a massa do aspirador é 5,0 kg e
que ele, estando parado, se deslocou na horizontal,
adquirindo uma velocidade de 2,0 m/s ao fim do
tempo em que atuaram as forças. Admita a validade
do modelo da partícula material para o aspirador.

15.1 Qual foi o trabalho realizado pelas forças que atuaram sobre o aspirador?

15.2 Quanto se deslocou o aspirador7

& 15.1 O trabalho total de todas as forças, W,, é igual à variação de energia cinética.

v. =o· v
1 ' f
= 2 ' o m s-1 ⇒ LW= !iE = (__!_
e 2
x s o x 2 0 2 - o) J =10 J
' '

15.2 O trabalho do peso e o da força normal são nulos, pois são duas forças per-
pendiculares ao deslocamento. A força de atrito faz um ângulo de 180° com
o deslocamento.
wp + WN + WFh + WFo =O+ O+ Fh x cos 30º x d - FC x d = (Fh x cos 30° - F) x d
é o trabalho total e igual à variação de energia cinética,
10 =(50 x cos 30° - 10) x d, vindo d =0,30 m =30 cm

1.1.5 Movimento num plano inclinado: variação da energia cinética


e distância percorrida (AL 1.1)

A energia cinética do centro de massa de um carrinho que desce uma rampa aumenta com a
distância percorrida, pois na descida a ve locidade va i aumentando e, consequentemente, a
energia cinética também aumenta. A distância percorrida pode medir-se diretamente com uma
fita métrica. Para medir a energia cin ética num dado ponto do plano inclinado, deve medir-se a
massa do carrinho e a sua velocidade no instante em que o ca rrinho passa nesse ponto.

Plano inclinado com


fita métrica incorporada

Cronómetro digital

Fig. 1.13 Montagem para determinar a energia


cinética no movim ento num plano inclinado.

98
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

Para medir experimentalmente a velocidade do ca rrinho quando passa num dado ponto, usa-se
uma célula fotoelétrica associada a um cronómetro digital. Se se colocar na parte superior do
ca rrinho uma tira opaca estreita, dividindo a sua largura pelo tempo de passagem dessa tira
em frent e à célula fotoelétrica, obter-se-á uma boa aproximação para o módulo da velocidade,
porque o intervalo de tempo medido va i ser pequeno.

Assim, mede-se a distância percorrida pelo carrinho at é um dado ponto e a energia cin ética do
carri nh o nesse ponto, repetindo o procedimento, pelo menos, para cinco pontos diferentes ao
longo do p lano inclinado. De segu ida, constrói-se um gráfico de pontos (diagrama de disper-
são) da variação da energia cinét ica, 11Ec, em fu nção da dist ância percorrida, d, sobre o plano.

Prevê-se que a energia cinética aumente proporcionalmente com a distânc ia percorrida, uma
11E
vez que Z:W = 11Ec ⇒ WF'res
. = 11Ee ⇒ Fres d cos Oº = 11Ee ⇒ _e=
d Fres = co nstant e (na descida are-
sultante das forças pode ser considerada constant e).

1.1.6 Forças conservativas e não conservativas

Força conservativa: o trabalho realizado por uma força conse rvativa entre quaisquer dois
pontos é sempre o mesmo, in dependentemente da t rajetória seg uida. Se a trajetória for fe-
chada, o trabalho realizado por uma força conservativa será nulo, pois as posições final e
inicial são as mesmas (o t raba lho é nulo, pois, por não depender da trajetória , tem de co incidir

Ili
com o traba lh o que seria realizado se o corpo se mantivesse em repouso na posição inicial).

Forças não conservativas: o trabalho realizado por uma força não conservat iva entre quais-
quer duas posições depende da trajetória seguida.

As forças de at rito e as forças de resistência do ar são forças não conservat ivas. Por exemplo,
se um corpo for atirado para cima (Fig. 1.14):

• no movimento ascendente, a força de resistência do ar será


contrá ria à subida e realizará um t rabalho negativo;
• depois de o corpo começar a cair, a força de resistência do ar
t erá o sentido ascendente, sendo ta mbém contrária ao movi-
mento, e realizará um traba lho negativo. : F.
Fig. 1.14 A força de resistência
Se o ponto final coi ncidir com o inicia l, a soma do trabalho da força do ar na subida e na descida
de resistência do ar na subida com o da descida nunca será nulo. é contrária ao movimento.

1.1.7 Trabalho do peso e energia potencial gravítica

A energia pot encial gravítica é a energia de interação entre um corpo e a Terra (ou outro ast ro)
e a força gravít ica (ou peso do corpo) traduz a interação entre o corpo e a Terra. A energia
pot encial gravítica está relacionada com o traba lho da força gravít ica.

O t raba lh o realizado pela força gravítica exercida pela Terra sobre um corpo, no desloca-
mento desse corpo ent re dois pontos A e B, não depende do camin ho segu ido entre esses
pontos: diz-se que o peso é uma força conservativa e o seu trabalho é simétrico da variação
de energia potencial gravítica.

W pesa = - 11EP
w peso = -(Ep, final - Ep. inicial) = -(m g h final - mg h iniciall

99
FÍSICA 10.0 Ano

O nível de referência para a medida das alturas, h, é arbitrário, podendo tomar-se o valor nulo
para a altura mais baixa. Desta forma estabelece-se também o valor nulo para a energia potencial.

Considere-se uma bo la em duas pos ições A e B (Fig. 1.1s). As energias potenciais em B e em A


serão f P 8 = m g h e f P A= O, pois considera-se, por simplicidade, hA= O e h 8 = h.

Por exemplo, se uma bola for atirada para cima, da posição A


(inicial) para a posição B (final), a energia pot encial aumenta,
f pA = m g h - O= m g h. O tra-
sendo a sua variação !::..fP = f P 8 -
"B Subida

balho realizado pelo peso é negativo na subida: Wpeso = - m g h .


Descida
Como será a situação correspondente à descida da bola?
Agora , a posição final é a mais baixa, A, e a pos ição inicial é a
Fig . 1.15 Subida e descida de
mais alta, B. A energia potencia l diminui, sendo a sua variação uma bola.
!::..EP= f pA- f P 8 = O - m g h = - m g h. O trabalho realizado pelo
peso é então positivo na descida: Wpeso = - !::..f P = m g h.

Entre as mesmas posições, w pesosublda = -Wpesodesclda "

No percurso em que um corpo sobe e desce para a mesma altura de partida, Wpeso = O.

16. Em t rês situações distintas um


helicóptero desloca um ca ixote
entre dois pontos A e 8. Sobre
o trabalho da força gravítica, nos
trajetos indicados na figura, é cor-
reto afirmar-se que

(A) é maior no trajeto 111, porque


o caixote é levado mais acima.
(B) é menor no trajeto 1, porque se
deixou descair o caixote e se aproveita a energia dessa descida.
(C) é menor no t rajet o 11, porque o caminho é o ma is curto.
(D) é igual para os três trajetos.

& (D). Embora o helicóptero possa necessitar de diferente quantidade de combus-


tível nos diferentes trajetos, o trabalho realizado pelo peso é o mesmo nos três. É
em todos simétrico da variação de energia potencial gravítica do sistema caixote +
+ Terra, de A para B.

17. Por vezes usa-se uma prancha como plano inclinado para elevar objetos pesados.
17.1 Mostre que o trabalho realizado pe lo peso do
corpo, no deslocamento entre dois pont os, é o
mesmo quer se desloque o corpo através da ram-
pa quer se desloque horizon talmente o corpo e
depois se proceda à sua elevação na vert ical.

100
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

17.2 Como qualquer que seja a trajetória o trabalho realizado pelo peso é sempre
o mesmo, qual é a va ntagem de colocar uma prancha como plano inclinado?

& 17.1 Considere-se o triângulo ABC, onde


AB representa a rampa , e as relações
trigonométricas:

AC h
cos 0 = --= = sin O'. = --=; 0 = 90° - O'.
AB AB

No trajeto 1, o corpo desloca-se na rampa de B para A :

• W = P AB cos (90º + a)= m g AB (-sina)= -m g AB h = -m g h ⇒


P AB
⇒ WP=-mgh
No trajeto 2, o corpo desloca-se horizontalmente e depois verticalmente:

• de B para C o deslocamento é perpendicular ao peso ⇒ WP = P BC cos 90° = O

• de C para A ⇒ WP = P CA cos 180º = -m g h


Trabalho do peso no percurso BCA: WP = O+ (-m g h) = -m g h

Verifica-se que o trabalho do peso no deslocamento de B para C e depois


para A é igual ao trabalho do peso no trajeto direto de B para A , dado o peso
ser uma força conservativa: o trabalho é independente do trajeto.

17.2 Se elevarmos o caixote diretamente de


C para A, temos de fazer uma força que
A
Ili
contrarie o peso do corpo e, que no mí- p
:
nimo, terá a mesma intensidade do peso.
a;
Se o caixote for elevado através da ram- e B
pa, a força que temos de fazer tem ape-
nas de contrariar a componente do peso na direção do deslocamento, P efica z'
a qual é menor do que o peso. Esta é a vantagem.

1.1.8 Energia mecânica, forças conservativas e conservação da energia


mecânica

À soma da energia potencial, EP, com a energia cinética, Ec, dá-se o nome de energia mecânica:

Em =Ep + Ee

A energia ci nética pode converter-se em energia potencial e vice-versa.

Quando num corpo apenas atuam forças conservativas (fc), o trabalho dessas forças é igual
ao simétrico da variação de energia potencial, W1c = -ó.EP, mas, atendendo ao Teorema da
Energ ia Cinética, este trabalho também é igual à variação de energia cinética, W1c = ó.Ec, en-
tão, verifica-se a igualdade ó.Ee =-ó.E p
ou ó.Ee + ó.Ep =O.

ó.(Ee + Ep ) =O ç::::} ó.Em =O ç:::} Em =constante

101
FÍSICA 10.0 Ano

Sempre que apenas existam forças conservativas (ou existindo forças não conservativas
realizando um trabalho nulo), a energia mecânica permanece constante no decurso do tem-
po, significando que a energia mecânica se conserva . A um certo aumento da energia ciné-
tica corresponde uma diminuição do mesmo valo r da energia potencial e vice-versa.

Entre quaisquer pontos A e B a ene rgia mecânica é constante, ou seja, conserva-se (Fig.1.16):

0
E ~

Fig. 1.16 No movimento de um


Epl_____, baloiço a energia potencial é
máxima para a altura máxima,
mas decresce quando a
t
velocidade aumenta.
Verifica-se que o aumento
da energia c inética é igual à
diminuição da energia potencial.

18. Um tijol o de massa m estava em repouso e foi deixado cair


de um ponto a uma altu ra h. Considerando desprezável
a resistência do ar e tomando como nível de referência o
níve l do solo, a energia potencial gravítica no ponto Q é
_ _ _ _ _ e a energia cinética é _ _ _ __
pfhr··
Q . . .•
-h
(A) I_ m g h ... I_ m g h (C) 2 m g h ... J_ m g h
3 3 3 3
(B) J_ m g h ... I_ m g h (O) J_ m g h .... J_ m g h
3 3 3 3

& (8). A energia cinética inicial é zero e a energia potencial é m g h. Portanto, a


energia mecânica inicial é Emp =O+ m g h = m g h. Desprezando força de resistên-
cia do ar, na queda do tijolo só se considera a força gravítica, que é conservativa;
a energia mecânica permanece constante.
A ; da altura inicial, ponto Q, EPa = ; m g h. Considerando a conservação da
energia mecânica: Em = Em <=> m g h = Ec + _!_ m g h <=> Ec = 3_ m g h
p a a 3 a 3

19. Num baloiço, uma rapariga de 60 kg eleva-


-se a uma altura máx ima de 1,5 m e m rela-
ção ao solo (posição A da figura). Conside-
re desprezáveis os atritos.

19.1 Calcule a energia potencial gravítica do


sistema rapariga+ Terra em A, to mando
como referência o nível do solo.

19.2 Determine o módulo da velocidade com que passa e m B, a 50 cm do chão.

102
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

& 19.1 EP= m g h = 60 x 10 x 1,5 J = 900 J

19.2 50 cm = 0,50 m

Na posição A, a velocidade anula-se porque o sentido do movimento se


inverte. Logo, também a energia cinética se anula: E cA= O.

m g h = _!__ m v 2 + m g h {:=} 60 x 10 x 1 5 = _!__ 60 v 2 + 60 x 10 x O 5 {:::}


A2 B B '2 B '

{:::} 900 = 30 V~ + 300

V2 =
900 - 300 ⇒ V = ✓-
900
-- -
300
- m s- 1 = 4,5 m s-1
B 30 B 30

1.1.9 Forças não conservativas, variação da energia mecânica,


dissipação de energia e rendimento

Qu ando para além das forças con servativas (fc) também são exercidas forças não co nserva-
tivas (fnc), temos:

Wfnc + Wfc = ó.Ee

Como Wfc =-ó.Ep ' então Wfnc - ó.Ep = ó.Ee ⇒ Wfnc =ó.Ep + ó.Ee ou Wfnc = ó.Em = Em (final) - Em
Ili
(inicial)

Sempre que existirem forças não conservativas, o seu trabalho é igual à variação de ener-
gia mecânica. As fo rças não conservativas podem aumentar ou diminuir a energia mecânica,
real izando um trabalho positivo ou negativo.

As forças não conservativas que realizam sempre trabalho negativo são chamadas forças
dissipativas. É o caso das forças de atrito entre superfícies em movimento.

Quando há atrito, à diminuição da energia mecânica do co rpo corresponde um aumento da


energia interna do co rpo e da sua vi zinh ança, o que se manifesta num aumento de t empera-
tura das superfícies em contacto, as quais deslizam uma sobre a outra. Assim, a energia do
conjunto corpo+ vizinhança co ntin ua a conserva r-se.

O rendiment o define-se por

E. .
= -u_t,_I
17 Etotal

sendo E101ª1 toda a energia mecânica inicial disponível e Eúrn a que é aproveitada para o movi-
mento no final de um ce rto processo (como há sempre alguma energia dissipada, seg ue-se
que 17 < 1; quanto maior for a energia dissipada, menor será o rendimento); é usualmente
expresso em perce ntagem. O ren dimento pode tam bém ser ca lculado em termos da energia
P.
transferi da por unidade de tempo, ou sej a, da potência, 17 = ~ .
total

103
FÍSICA 10.0 Ano

20. Inicia-se um movimento num escorrega a 2,5 m de


altura do solo e chega-se a uma zona plana a 0,5 m
do chão. No deslizamento de uma rapariga do topo
até à zona plana, verifica-se que, tomando como re-
ferência o nível do ponto B, 20% da energia inicial
se dissipa. A massa da rapariga é 45 kg.
Determine o va lor da ve locidade com que ela chega
à zona plana.

& A energia inicial disponível é a energia mecânica, que é igual à diferença de ener-
gia potencial gravítica entre o ponto A e o ponto B, porque a energia cinética
inicial é nula.

. . . = Ep + Ee = m g h + O = 45
Em (1ntc1al) x 10 x (2 ' 5 - O' 5) J = 9 ' O x 10 2 J
Se 20% da energia se dissipar, a energia útil será 80% da energia disponível.

E útil = 0,8 x 900 J = 720 J


A energia . , . fima 1e, 720 J, entao
. cmet1ca ~ v2 = 2 X720 ⇒ v8 = ✓ 1440 m s-1 = 5 ,7 m s-1
8
45 45

21. Um carrinho, largado no nível A, desce um plano com 20º de inclinação, encontran-
do depois um percurso plano e horizontal. No plano inclinado o atrito é desprezá-
vel, mas no percurso horizontal não o é.

1F)p
B e

21.1 Represente, num esquema, as forças que atuam sobre o carrinho a meio do
plano inclinado e na superfície horizontal.

21.2 Calcule o módulo da velocidade com que o carrinho chega à posição B.

21.3 Se a força de atrito tiver a intensidade de 36 N, qual será a distância mínima


a que deve estar o obstáculo, posição C, para o carrinho não embater nele?
Fundamente a sua resposta.

& 21.1

P.

104
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

& 21.2 Com os dados fornecidos, esta questão pode resolver-se por dois métodos.
1.º método: pela conservação da energia mecânica:

Ec; + E Pj = E"f + Eµ, ⇒


1
2 m V~ + m g hi =
2
1
m v: + m g h,

Como a velocidade inicial é nula e tomando o nível mais baixo como a origem
para a energia potencial, a expressão fica
1 1
m g h. = - m v2 ⇒ 4 x 10 x 1 8 = - x 4 x v2 ⇒ v 1 = 6,0 m/ s.
1 2 f ' 2 f

2.º método: pelo Teorema da Energia Cinética:

P AB cos 70º = m g AB h / AB = m g h = 4,0 x 10 x 1,8 J = 72 J

wtotal = wp + WN = (72 + O) J = 72 J (a força normal não realiza trabalho por

ser perpendicular ao deslocamento)

2 m v8
Wtotal = !:::..Ee = _!__ 2 m v A ⇒ 72 = O' 5
_!__ v2f ⇒ v f = 6 ' O m/ s.
2 - 2 x 4 x

21.3 O carrinho chega a B com uma energia mecânica de 72 J. No percurso de B


até parar, posição C, dissipa essa energia, devido ao trabalho da força de atrito.

wF. = - F. d
Wfnc = !:::..Em = Eme - Em <=> WFa = O - Em <=> - Fa d = -Em <=> d = Ems
F =
8 8 8
a
72 J

Ili
=--=20m
36 N '

1.1.10 Movimento vertical de queda e ressalto de uma bola: transformações


e transferências de energia (AL 1.2)

Quando uma bola é deixada cair na vertical, diminui a sua altura em relação ao solo e au-
menta a sua velocidade à medida que se aproxima dele. Assim , na descida vai diminuindo a
energia potencial gravítica do sistema bola + Terra e aum entando a energia cinética da bola.
Ao embater no so lo, a bola vai ressaltar, subin do na vertical até uma altura máxima. Nest e
movimento aumenta a energia potencial gravítica do sistema bola + Terra e diminui a energia
cinética da bola. Após ter alcançado a altura máxima, inverte o sentido do seu movimento e
reinicia a descida.

Na descida e na subida as forças dissipativas são desprezáveis. Assim, como durante a que-
da e a subida há conservação de energia mecânica, a energia potencial gravítica na altura
máxima é igual à energia cinética com que sa iu do solo, após uma dada colisão, e à energia
cinética com que irá chegar ao so lo, ant es da colisão seguinte.

Pode então ca lcula r-se a velocidade, v , com que chega ao solo após queda da altura h queda' ou
a altura máxima, h ,essa1to' após ini cia r a subida com a velocidade v.
v2
2 m v ⇒v
1
m g h queda= _!__ 2 2
= 2 g h queda ou -mv
2
2
=mgh ressalto ⇒ h
ressalto
=2-g-

Todavia, na colisão com a superfície há dissipação de energia, a qual é tanto maior quanto
menor for a elasticidade do par de materiais em colisão (bola - superfície de ressalto).

105
FÍSICA 10.0 Ano

Naturalmente, a altura máxima após cada ressalto vai sendo sucessivamente menor do que
a da anterior queda.

Fig. 1.17 Sensor de posição


Sensor de movimento que mede a alt ura de uma
hfcm
bola ao c hão ao longo
80 do tempo e respetivo
gráfico altura-tempo p ara o
movimento.
60

40

20

5 10 15 20 t/ s

A percentagem de diminuição de energia em cada colisão deve depender apenas da elasti-


cidade dos materiais em colisão, sendo então constante.

Elaborando-se o gráfico da altura de ressalto em função da altura de queda, h ,essano = f(hquectal'


pois estas alturas são diretamente proporcionais às energias após e antes de uma dada coli-
são, pode prever-se qual é a altura de ressalto para uma dada altura de queda.

h ressa lto = constante


hqueda

A constante obtida é igual ao declive da reta que melhor se ajusta aos dados e xperimentais
e obtém-se a partir da equação de regressão linear.

1.2 Energia e fenómenos elétricos


1.2.1 Energia elétrica e correntes elétricas

O transporte de e nergia elétrica está associado ao


deslocamento de cargas elétricas (Fig.1.1s).

Quando há um movimento orientado de cargas elé-


tricas, diz-se que existe uma corrente elétrica.
Há substâncias onde as cargas elétricas se movimen-
tam facilmente, as condutoras , e outras com um com-
portamento oposto, as isoladoras. No caso dos me-
tais, a corrente elétrica é o resultado do movimento
orientado de eletrões.

A carga elétrica (símbolo Q) exprime-se em cou lomb


(símbolo C), no SI. A carga elétrica é sempre um múl-
tiplo da carga do eletrão, pois esta é a carga mais Fig. 1.18 A s linhas de alta tensão permitem
pequena existente (é chamada carga elementar). o transporte da energ ia el étrica d e sde
as centrais elétricas até aos locais d e
A carga do eletrão é -1,6 x 10-19 e. dist ribuição.

106
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

1.2.2 Grandezas elétricas: diferença de potencial elétrico e corrente elétrica.


Corrente contínua e corrente alternada.

Nos metais, os eletrões de valência estão fracamente atraí-


dos pelos núcleos atómicos. Por isso, esses eletrões, também
designados por eletrões livres ou de condução, movem-se
facilmente entre os agregados dos núcleos e eletrões inte-
riores (iões da rede metálica), (Fig.1.19).

Para que exista um movimento ordenado dos eletrões de


cond ução, isto é, para que se origine uma corrente elétri-
ca, é necessário que sobre todos esses eletrões exista, num
Fig.1.19 Eletrões de condução num
determinado intervalo de tempo, uma força com o mesmo metal.
sentido. Um dispositivo que pode originar essa força elétrica
é um gerador de tensão elétrica, (Fig. 1.20 A).

Sob ação de uma força , os eletrões de condução na sua trajetória vão colid indo com os iões
da rede metálica. Apesar do movimento em ziguezague, os eletrões deslocam-se ao longo do
cond utor no mesmo sentido, (Fig. 1.20 B).
(8)

-F.
Fig. 1.20 Um gerador,
que origina forças
elétricas sobre os
eletrões de condução
criando uma corrente
elétrica, e o seu
Ili
símbolo esquemático.

Como os eletrões têm um deslocamento e há forças exercidas sobre eles, estas forças reali-
zam trabalho, ou seja, transferem energia, E, para os eletrões.

A energia, E, transferida por unidade de carga elétrica, Q , no deslocamento dessa carga entre
dois pontos, permite definir a diferença de potencial elétrico, U, entre esses pontos.

U = ~ (unidade SI volt, símbolo V)

É transferida a energia de um joule (1 J) no des-


locamento da carga de um cou lomb (1 C) quan-
do a diferença de potencial elétrico entre os
pontos do deslocamento é de um vo lt (1 V).

A diferença de potencial elétrico, ou tensão,


mede-se com um voltímetro, Fig. 1.21. Quando se
mede, ligam-se as pontas do voltímetro entre
dois pontos do circuito. Por exemplo, no caso do
gerador existem dois polos, o positivo e o nega-
tivo, e deve ligar-se a ponta preta do voltímetro ---(j)----
ao polo negativo e a vermelha ao positivo. Fig.1.21 Um voltímetro e o seu símbolo esquemáti co.

107
FÍSICA 10.0 Ano

Ao estabelecer-se uma diferença de potencial elétrico entre dois pontos, A e B, de um condu-


tor, surge uma corrente elétrica.

A corrente elétrica caracteriza-se também pela


Secção reta do condutor
rapidez com que a carga elétrica é transportada
através de uma secção de um circuito, Fig. 1.22. /
Se for O a carga elétrica que atravessa uma sec-
ção reta de um circuito durante um interva lo de
tempo M , a grandeza corrente elétrica, /, mé-
dia define-se por: Fig. 1.22 A comente elétrica será mais intensa se mais
eletrões atravessarem uma secção reta do condutor

I= it (unidade SI ampere, símbolo A )


por unidade de tempo.

Se uma carga de um coulomb (1 C) atravessar


uma secção reta de um circuito durante um se- 11111
gundo (1 s), a corrente elétrica é um ampere (1 A).
A corrente elétrica mede-se com um amperíme-
tro, Fig. 1.23. --0-
Se a diferença de potencial entre A e B tiver
sempre o mesmo sinal, as forças sobre os ele- Fig. 1.23 Um amperímetro e
o seu símbolo esquemát ico.
trões mantêm sempre o mesmo sentido. Então,
esta corrente elétrica tem um único sentido e é
designada por corrente contínua.

O sentido do movimento dos eletrões, do polo negativo para o polo positivo, designa-se por
sentido real e o sentido oposto, do polo positivo para o polo negativo, designa-se por sentido
convencional.

Se o sinal da diferença de potencial entre A e B mudar periodicamente, as forças também alter-


nam o seu sentido com a mesma periodicidade e o mesmo acontece com a corrente. É, assim,
originada uma corrente elétrica designada por corrente alternada.

As pilhas são geradores de corrente contínua e a rede de distribuição elétrica fornece uma
corrente alternada.

22. Num metal, os eletrões de condução


(A) só se movimentam se houver uma força que lhes forneça energia.
(8) como têm um movimento desordenado, originam uma corrente alternada.
(C) originam uma corrente elétrica se o seu movimento for ordenado.
(D) ficam sem energia ao colidirem com os iões da rede metálica.

~ (C). Os eletrões, em geral, têm movimentos desordenados e só originam uma


corrente elétrica se uma força os obrigar a moverem-se, em média, num sentido,
portanto, de modo ordenado.

108
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

23. Uma lâmpada de filamento funciona com 2,2 V e 0,25 A. Determine:

23.1 a carga elétrica que atravessa uma secção reta do filamento durante um minuto;

23.2 a energia transferida para a lâmpada durante um segundo.

& 23.1 o = , Llt = 0,25 A x Go s = 15 e


23.2 E= u o= 2,2 v x 15 e= 33 J

24. Uma carga O atravessa uma secção reta de um condutor A em 2 minutos e uma
carga 2 O atravessa a secção reta de um condutor Bem 3 minutos.
Qual é a relação entre as correntes elétricas, /A e /8 , nos condutores A e B, respe-
tivamente?
1 4 3
(B) /A =- /
3 B
(C) /A =-/
3 B (D) /A =- /
4 B

Q 1
& (D).
2 min 2 3
i = --- = -- = -
/8 20 2 4
3 min 3

1.2.3 Grandeza elétrica: resistência elétrica de um condutor


Ili
Quando as extremidades de vários condutores se encontram sob igual diferença de poten-
cial elétrico, produzir-se-ão, em geral, diferentes correntes elétricas. Este comportamento dos
condutores pode ser traduzido pela sua resistência elétrica, R, definida pelo quociente entre
a diferença de potencial elétrico, U , nos seus terminais e a corrente elétrica, /, que o atravessa:

R= ~ (unidade SI ohm, símbolo Q)

Se numa secção reta de um condutor a corrente elétrica for


de um ampere (1 A) , quando submetido a uma diferença de
potencial de um volt (1 V), a resistência elétrica é um ohm (1 Q).

Uma resistência elétrica pode medir-se usando um voltímetro


e um amperímetro, Fig.1.2s. Fig. 1.24 Símbo los de resistências:
co nstantes e vari áveis.

Fig. 1.25 Medição indireta


de uma resistência e
esq uema respetivo.

109
FÍSICA 10.0 Ano

25. Um elemento, p uramente resistivo, de um circuito é percorrido por uma corrente


de 200 mA quando a diferença de potencial nos seus extremos é 12 V. A resistên-
cia elétrica desse elemento é
(A) 0 ,060Q. (8) 17Q. (C) 60Q. (D) 0,017 Q.

1-'l U 12V
~ (C). R = - , = 0,200 A = G0 Q

26. O gráfico apresenta as cu rvas características de um led e de uma resistência de


um fio metálico.

26.1 Indique, justifica ndo, qual das duas cur- i 50

vas, X ou Y, co rresponde ao led. 40

26.2 Pode afirmar-se que 30


(A) a resistência do led diminui com o au-
20
mento da diferença de potencial.
10
(8) quando a diferença de potencial au -
menta, as resistências aumentam.
0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6
(C) a resistência do metal é 21 Q. UIV

(D) quando U = 1,2 V, o led apresenta menor resistência.

& 26.1 Y. A resistência elétrica do led depende da tensão aplicada.


u
26.2 (A). A resistência elétrica é R =
1 . A resistência de X, o fio metálico, é cons-
tante, uma vez que U e I são diretamente proporcionais. A resistência de Y,
o led, diminui consoante U aumenta, uma vez que / aumenta mais rapida-
mente do que U. Para U = 1,2 V o led apresenta maior resistência do que o
fio metálico, uma vez que a corrente elétrica que atravessa o led é menor.

1.2.4 Energia transferida para um componente de um circuito elétrico.


Efeito Joule
Um gerador fornece energia continuamente para as cargas elétricas de um circuito, mas, apesar
dessa tran sferência co ntínua de energia, essas cargas mantêm a sua velocidade (de arrastamento).
Nos metais, aquela ve locidade mantém-se porque há colisões dos eletrões de condução com os
iões da rede metálica, de que resulta transferência de energia para I
a rede metálica. Esta energ ia transferida au menta a agitação dos A
iões, o que provoca o aumento de temperatura. Este efeito desig-
na-se por efeito Joule: dissipação de energia num condutor.
A Fig. 1.26 represent a uma porção de circuito, com extremidades
A e B, e um gerador que estabelece uma diferença de pote ncial
elétrico, U, entre A e B. Sendo / a corrente elétrica, a energi a
I B
transferida para a carga, O, que atravessa uma secção reta desse
circuito, no tempo t:i.t, é E = U O. Como O = I M , obtém-se Fig. 1.26 Porção de circuito
E=UIM. percorrido por uma corrente elétrica.

110
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

A energia tran sferida por unidade de tempo é a potência elétrica, P:

P = :t ou usando grandezas elétricas P = UI (unidade SI watt, símbolo W)

Se nos terminais de um circuito houver uma diferença de potencial elétrico de um vo lt (1 V) quan-


do nele há corrente elétrica de um ampere (1 A), a potência fornecida é um watt (1 W). De igual
forma , se num seg undo for transferida a energia de um joule, a potência fornecida é um watt.
Diz-se que um recetor é puramente resistivo se a potência fornecida se manifestar exclusiva-
mente em aquecimento. Então, a potência é dissipada por efeito Joule. Como U = R /, obtém-se:

Energia dissipada na resistência R E = R /2M

Potência dissipada na resistência R P =R/2

Um circuito percorrido por uma corrente eleva a sua temperatura até que a energia transfe-
rida para o ambiente, por calor, iguale o valo r da energia elétrica transferida para esse circui-
to. Posteriormente, a temperatura mantém-se constante. Num
radiador elétrico, a temperatura do filamento eleva-se até que
a energia transferida para o ambiente por unidade de tempo
iguale a potência dissipada, R 12.
Um díodo emissor de luz, conhecido pela sigla led (light emitting
diode, Fig. 1.21), é um dispositivo que emite luz, de forma muito efi-

Ili
ciente, quando a corrente elétrica o percorre num dado sentido. Fig. 1.27 LED de diferentes cores.

27. Quando ligado à rede de energia elétrica, que dispo nibiliza 230 V, um aquecedor
elétrico fornece a potência de 600 W.

27.1 Determin e:
a) o va lor da corrente elétrica que atravessa a resist ência do aquecedor;
b) a resistência elétrica do aquecedor;
e) a energia, em joules e em quilowatt-hora, que é libertada em trinta minutos
de funcionamento.

27.2 O aquecedor tem um comutador que permite ligar apenas metade da resis-
t ência. Com metade da resistência ligada, a potência disponibilizada
(A) diminui para metade. (C) aumenta quatro vezes.
(B) mantém-se. (D) aumenta para o dobro.

1:). P 600 W U 230V


~ 27.1 a) / = U = V = 2,61 A b) R = - , = 2,61 A = 88 Q
230
30
e) E= P !it = 600 w x 30 x 60 s = 1 08 x 106 J· E= o 600 kW x - h = o 300 kW h
' ' ' 60 '

27.2 (D). Mantendo-se a tensão e diminuindo a resistência para metade, a cor-


rente elétrica aumenta para o dobro. R
Como a potência é calculada por P = R /2, conclui-se P' = 2
2 (2/) =
= 2R /2 ⇒ P' = 2P.

111
FÍSICA 10.0 Ano

28. Um co ndutor pura mente resistivo, A, é percorrido por uma corrente elétrica /.
Outro condutor t ambém puramente resistivo, B, co m metade da resistência, é per-
corrido por uma corrente 2/.
E
28.1 A relação entre as energias dissipadas, / , no mesmo intervalo de tempo, é
1 B
(A) 1. (B) 2 . (C)
2 . (D) 4.
u
28.2 A relação entre as diferenças de potencia l nos extremos das resistências, UA, é
1 B
(A) 1. (B) 2. (C)
2 . (D) 4.

~ 28.1 (C) . No mesmo tempo, a energia dissipada é diretamente proporcional à


R
potência dissipada: P8 = (2/) 2 = 2R /2 = 2PA
2
28.2 (A). Sendo a corrente o dobro e a resistência metade, as tensões são
iguais.

1.2.5 Balanço energético num circuito


I
Quando se liga um gerador a um recetor é originada
uma corrente elétrica e as cargas elétricas adquirem
energia no interior do gerador que será disponibilizada
ao circu larem. Nessa ci rculação, t ra nsferem energia no
recetor e no próprio gerador. De fact o, um gerador pos-
sui uma resistência intern a, r, e esta é a razão pela qual
Js
I
os geradores t ambém aquecem. Por consequência, Fig. 1.28 A energ ia de um gerador é
como apenas uma parte da energia do gerador é dis- utilizada num recetor e dissipada no
gerador.
ponibilizada para o recetor, esta designa-se por ener-
gia útil e a restante, porq ue a energia se conserva,
designa-se por energia dissipada no gerador, Fig. 1.2s.

Egerador = Eútil + Edissipada

De forma semelhante ao que se definiu como diferença de potencial elétrico, define-se uma
grandeza característica de um gerador, a força eletromotriz, e, como a energia disponibilizada
por um gerador, E9erador' por unidade de carga, O, que o atravessa.
E9
e= ~.tr (u nidade SI volt, símbolo V)
Um gerador tem uma força eletromotriz de um volt (1 V) se disponibiliza a energia de um j oule
(1 J) quando uma ca rga de um coulomb (1 C) o atravessa.

Egerad or = e O e como Q = I At, obtém-se:

Egerador = e I Lit
Um gerador de tensão é caracterizado pela força eletromotriz, e, e pela resistência interna, r.

112
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

Sintetizando na tabela:

Fornecida Dissipada Fornecida


pelo gerador no gerador ao recetor

Energia E gerador = 8 / f',.t Edissipada = r 12 f',.t

Potência Pgerador = s I p . . = r 12 p úm =UI


d1ss1pada

A conservação de energia permite escrever:

p gerador =p dissipada + p útil ou e I =r p + u I


ou ainda:

e=rl+U

Sendo a expressão anterior equivalente a:

U=e-rl

em que E e r são características do gerador e U e I são va riáveis.

1.2.6 Características de uma pilha (AL 2.1)

A diferença de potencial nos terminais do recetor é função da corrente, U = f(n . Medindo-se as


co rrentes e as correspondentes diferenças de potencial nos terminais do recetor, iguais às do
gerador, pode elaborar-se um gráfico que se chama curva característica de uma pilha, Fig. 1.29.

u
Ili
E

I
Fig. 1.29 Curva característica de uma pilha.

A curva ca racterística de uma pilha pode obter-se usando o ci rcuito esquematizado na Fig. 1.30.
R

Fig. 1.30 Esquema de ci rcuito para o btenção da curva característica de uma p ilha.

Quando se fecha o interruptor, pode va riar-se o va lor da resistência e obter-se conjuntos de


va lores da corrente e da diferença de potencial. A resistência interna do gerador determina-se
a partir do declive da reta do gráfico U = f(n, podendo também determinar-se nesse gráfico a
força eletromotriz pela ordenada na origem (U para /=O).

113
FÍSICA 10.0 Ano

29. A figura apresenta a curva característica de :". 6,0


:::,
um gerador de tensão. 5,0

4,0
29.1 Determine as características do gerador:
3,0
força eletromotriz e resistência interna.
2,0
29.2 Indique o que significa a força eletro- 1,0
motriz do gerador.
o 0,20 0,40 0,60 0,80
29.3 Conclua.justificando, qual deverá ser o // A

va lor aproximado da tensão nos terminais da resistência externa quando esta


for muito maior do que a resistência interna do gerador.

29.4 Calcule, para uma corrente de 0,40 A, a potência total posta em jogo no gera-
dor e a energia dissipada na resistência externa durante 5,0 min.

Q 29.1 A resistência interna é igual ao simétrico do declive no gráfico


!1U (2,0 - 5,0) V
r =- ----s;, = - (0,
80
_ 0, 0) A = 5,0 Q; € = r I + U = 5,0 Q
2
x 0,80 A+ 2,0 V= 6,0 V

29.2 A força eletromotriz é a energia que o gerador fornece por unidade de car-
ga elétrica que o atravessa.
29.3 Se a resistência externa for muito maior do que a resistência interna do
gerador, a queda de tensão na resistência interna do gerador será muito
menor do que a tensão nos terminais da resistência externa. Assim, a ten-
são nos terminais da resistência externa será muito próxima da força eletro-
motriz do gerador.
29.4 P gerador = € f = 6,0 V X 0,40 A = 2,4 W; Eútil = LJ f M = 4,0 V X 0,40 A X 5,0 X 60 S =
2
= 4,8 X 10 j

1.2.7 Associações de componentes elétricos em série e em paralelo

Os componentes num circuito elétrico podem associar-se em série, em paralelo ou numa com-
binação dessas duas associações.

Numa associação em série há um u---+


3

único cam inho para os eletrões,


pelo que a corrente elétrica é igual I I
em todos os componentes e a di-
ferença de potencial nos terminais
da associação é igual à soma das
ré igual nas várias resistências.
diferenças de potencial em cada
um dos componentes, (Fig. 1.31). Fig. 1.31 Esque ma de asso ciação de resistências e m sé rie.

Se um dos component es de uma associação em séri e se danificar, não permitindo que nele
haja corrente elétrica, todos os componentes deixarão de funcionar.

Numa associação em paralelo, os terminais dos componentes são comuns. Por isso, a dife-
rença de potencial elétrico é a mesma para todos os componentes. A Fig. 1.32 mostra duas
resistências associadas em paralelo e os seus t erminais A e B comuns.

114
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

Os eletrões, ao chegarem a um terminal comum (um nó


do circuito), têm mais do que um caminho possível, se-
guindo alguns para um componente e outros para outro A - -~
(ramos do circuito). Como consequência, a soma das
correntes elétricas em cada ramo (para onde divergi- u
I I
ram os eletrões) é igual à corrente no ramo principal
(de onde divergiram ou para onde convergiram).

Se um dos componentes de uma associação em para-


U é igual nos terminais das resistências
lelo se danificar, não permitindo que nele haja corrente
Fig. 1.32 Esquema de associação de
elétrica, os outros componentes continuarão a funcionar. resistências em paralelo.

C·i1i4iH4it4+111·ti
30. Na porção do circuito esquematizado 2,0 n 1------1 3,o n
é aplicada uma diferença de potencial P Q
de 12,0 V entre os pontos PO.
7,00 ,___ ___, 3,o n
30.1 A corrente na resistência de 7 Q é
(A) 4,0 A. (B) 1,4 A. (C) 2,0 A. (D) 1,2 A.

30.2 A corrente no ramo principal é


(A) 3,6 A. (B) 15,0 A. (C) 2,4 A. (D) 10 ,0 A.

30.3 A t ensão elétrica nos term inais da resistência de 2 Q é


(A) 4,8 V. (B) 2,4 V. (C) 4,0 V. (D) 6 ,0 V. Ili
~ 30.1 (D). A tensão nos terminais da associação em série das resistências de 7 Q e de
12 V
3 Q é U7 + U3 = 7 Q / + 3 Q / = 12 V, ou seja, a corrente é / = - - = 1,2 A .
10Q
30.2 (A). A corrente no ramo principal é igual à soma das correntes em cada ramo:
12 V 12 V
/ = -- + - - = 36A.
5Q 10 Q '
30.3 (A). A tensão nos terminais da resistência de 2 Q é U = 2 Q x 2,4 A = 4,8 V.

31. A figura mostra o esquema de um 11


troço de um circuito com resistên- p R R
Q
cias iguais. 12
R R
Sendo /1, / , /
2 3
as correntes nos dife-
rentes ramos do circuito, qual das /3
R
seguintes relações se verifica?

(A) /2 > 1, > 13 (B) 1, > 12 > 13 (C) 12 > 1, e 12 < 13 (D) 1, = 12 > /3

~ (A). Verifica-se que /2 = 2/3 , porque /3 é uma parte de corrente de /2 que diverge
no nó com as duas resistências iguais em paralelo. A tensão, U, entre P e Q é a
mesma para os dois ramos:
. 4
U = 2 R 11 = R 12 + R /3 e conclui-se que /2 = /1•
3

115
FÍSICA 10.0 Ano

1.3 Energia, fenómenos térmicos e radiação


1.3.1 Sistema termodinâmico. Temperatura e equilíbrio térmico

Se no estudo de um sistema físico for necessário ter em conta a sua variação de energia in-
terna, ele deixa de ser tratado como um sistema mecânico e passa a ser estudado como um
sistema termodinâmico. Estes sistemas são o foco da termodinâmica, que estuda os fenóme-
nos térmicos, portanto, aqueles em que é necessário ter em conta a temperatura. Sabemos
que a temperatura de um sistema se relaciona com a agitação das partículas que o constituem:
quanto maior for essa agitação, maior será a temperatura {Fig. 1.33).

A B

40 ºC 20 ºC
Fig. 1.33 A temperatura do sistema será maior quando fo r maior a agitação das partícu las.

Um sistema termodinâmico é constituído por muitas partí-


culas, mas no seu estudo não se está interessado na des-
crição microscópica de cada uma dessas partículas, pois na
termodinâmica a descrição do estado de um sistema usa
variáveis macroscópicas tais como o volume, a pressão, a
temperatura , a energia interna e a quantidade de matéria.

Se a temperatura do corpo A for maior do que a tempera-


tura do corpo B, há uma transferência espontânea de ener-
gia de A para B. Chama-se calor à energia que é transferi-
da entre estes corpos. Quando a transferência de energia
termina , diz-se que A e B estão em equilíbrio térmico
{Fig. 1.34). É com base neste equilíbrio que se estabelecem
escalas de temperatura .

A temperatura (símbolo n é a propriedade física que se


Fig. 1.34 Transferê ncia de energia
por calor e equilíbrio térmico.
mede com um termómetro e indica se um sistema está
ou não em equilíbrio térmico com outros: dois corpos em
equilíbrio térmico entre si estão à mesma temperatura.

A unidade do Sistema Internacional da grandeza temperatura termodinâm ica é o kelvin (símbo-


lo K). Esta é usada sobretudo em ciência, mas no dia a dia usamos a escala Celsius. Em Celsius,
a te mperatura representa-se pelo símbolo t, o símbolo de grau Celsius é ºC. O limite para a
te mperatura mínima é O K (zero absoluto) que corresponde a -273,15 ºC .

Uma va riação de temperatura em kelvin {.!l T) é igual a uma va riação de tempe ratura e m graus
Celsius (M). Note-se que T ,é. t mas .!l T = M {Fig. 1.35).

116
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

100ºC
Ponto de ebulição da água
Escala Escala (à pressão de 1 atm)
Kelvin Celsius

373,15 K 100° e

100 100 graus


kelvin Celsius

273,15 K Oº C Oº C
Ponto de fusão do gelo
(à pressão de 1 atm)

Zero absoluto OK t -213,15• e


Fig. 1.35 Escala Kelvin e escala Celsius.

No sécu lo XVIII, os físicos já tinham reconhecido que ao colocarem em contacto dois corpos a
temperaturas diferentes, o de maior temperatura ced ia energia ao de menor temperatura. Mas
pensavam que uma substância, que designa-
ram de ca lórico, passava do corpo quente para
o corpo frio. Essa ideia foi posta em causa por
Benjamin Thompson. Quando trabalhava numa
fábrica de armas observou a perfuração de ca-
Ili
nos de canhões: devido à fricção, as peças fica-
vam tão quentes que era necessário arrefecê-las
com água fria (Fig. 1.36)! A partir desta e de outras
observações, Thompson concluiu que o calor
não podia ser uma substância, devendo antes
Fig. 1.36 A perfuração de peças metálicas o rigina
ser um processo de transferência de energia.
o seu aquecimento.

Em meados do sécu lo XIX, a ideia de Thompson v iria a ser confirmada com a famosa expe-
riência de Joule, que usou uma montagem como a que se reproduz na Fig.1.37.

No interior de um vaso calorimétrico (recipiente com paredes isola-


doras térmicas) com água, foram montadas umas pás que giravam
juntamente com um eixo. Nesse eixo estava ligado um fio do qual
se suspendia um corpo: quando o corpo caía o eixo rodava , as pás
giravam dentro da água, exercia m forças sobre esta e realizavam
trabalho. Essa transferência de energia por traba lho provocava um
aumento da temperatura da água. A experiência de Joule permitiu
estabelecer a equivalência entre calor e trabalho: para aquecer o
líquido podia-se usar calor ou traba lho. O trabalho e o calor são
processos que conduzem a um aumento da energia interna da
água, elevando a sua temperatura.

Fig. 1.37 Experiência de Jou le: quando o corpo


suspenso cai , a temperatura da água aumenta.

117
FÍSICA 10.0 Ano

As transferências de energia por ca lor podem ocorrer por processos físicos diferentes: condu-
ção térmica, convecção térmica e radiação (Fig. 1.38).

Condução térmica : Convecçã o t érmi ca: Radiação:


ocorre principalmente ocorre nos fluidos ocorre através da
nos sólidos. (líquidos e gases). propagação da luz.
Não necessit a de contacto
Necessitam de contacto entre os sistemas.
ent re os sist emas.

Fig. 1.38 Tran sferências de energia por ca lor.

32. Jou le repetiu inúmeras vezes a experiência da eq uiva lência entre traba lho e ca lor,
introd uzindo variantes no método. Numa «repetição» de uma dessas variantes, um
grupo de estudantes utilizou um fio com uma resistência elét rica de 70 Q num vaso
calorimétrico com 1,0 kg de água. A temperatura inicial da água era 17 ºC e, quando
se fez passar po r esse fi o uma corrente elétrica de 0,80 A, a temperatura da água
aument ou para 32 ºC ao fi m de 2 5 minutos.
1 kcal é a energia necessária para elevar de 1 ºC a temperatura de 1 kg de água.

32.1 A energia é transferida do fio para a água como ______ por um pro-
cesso de _ _ _ _ __
(A) trabalho ... condução (C) calor ... cond ução
(8) trabalho ... convecção (D) ca lor ... co nvecção

32.2 Mostre que na experiência descrita o equivalente ao valor de 1,0 cal é 4,5 J.
Comece por determinar a energ ia transfe rida pelo fio para a água.

t) 32.1 (C). O fio aquece por efeito Joule, ficando a uma temperatura superior à da
água que está em contacto com ele. Assim , ocorre transferência de energia
como calor do fio para a água , por condução.

32.2 A energia dissipada no fio, por efeito Joule, é E= R 12 M = 70 Q x (0,80 A)2 x


x (25 x 60 s) = 6,72 x 104 J. Admitindo que toda esta energia foi transferida
para 1,0 kg de água, conclui-se que, para o aumento de 15 ºC na sua tempe-
ratura, foi necessário absorver 6 ,72 x 104 J.

Segue-se que a um aumento de 1 ºC na temperatura dessa massa de água


corresponderia à absorção de uma energia de
672 x 104 J
' = 4,48 x 103 J, ou seja, 1 kcal = 4,48 x 103 J, portanto,
15
4 48 X 103 J
1,0 cal = ' = 4,5 J.
1000

118
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

1.3.2 Radiação e irradiância. Painéis fotovoltaicos


O Sol tra nsfere energia para o Espaço através da luz que
emite. A luz é radiação eletromagnética que se propaga
sob a forma de ondas.

A Terra , o Sol e todos os corpos, sem exceção, emitem ra-


diação eletromagnética. A origem desta radiação reside na
agitação té rmica das partículas carregadas eletricamente
que constituem os corpos. O tipo de radiação emitida de-
Fig. 1.39 Termografia de uma mão.
pende da temperatura do corpo. À temperatura ambiente,
todos os corpos emitem predominantemente radiação
infravermelha (Fig. 1.39).

Para além de e mitirem, os corpos também absorvem radiação. A radiação v isível é totalmente
absorvida pelas superfícies pretas. O balanço entre as energias absorvida e emitida determina
a evolução da energia interna de um sistema.

Se a radiação eletromagnética diverg ir de No mesmo tempo, AI


um ponto (Fig. 1.40), a sua energia espalha-se
por uma área cada vez maior. Neste caso,
a sua potência, P - energia por unidade de
tempo - também se espalha por uma área,
A, cada vez maior: quando nos afastamos da
fonte luminosa, a luz fica menos intensa.
Ili
A grandeza irradiância, E,, traduz a potê ncia,
P, da radiação por unidade de área, A (ener-
gia da radiação por unidade de área e por
Igual energia, E Diferente área iluminada, A
unidade de tempo) :

p E Fig. 1.40 Quando a mesma energia incide numa área


E= - ç::> E= - - maior, a irradiância é menor.
' A ' AM

(un idade SI: wa tt por metro q uad rado, W m-2 )

A irradiâ ncia solar média no topo da atmosfera é 1,36 x 10 2 W m- 2 (v alor designado por cons-
tante solar): significa que cada metro quadrado do topo da atmosfera recebe, e m média, a
energia de 1,36 x 102 J por segundo. Na superfície terrestre, a irradiância é menor, pois há
absorção de radiação pela atmosfera.

Os pain é is fotovoltaicos, constituídos por célula s foto-


vo ltaicas (Fig.1.41), tiram partido da radia ção solar para
produzir eletricidade. A incid ência de radiação numa
célula fotovoltaica origina uma diferença de potencial
elétrico nos seus terminais, cria ndo uma co rrente elé-
trica co ntínua num circ uito.

Fig. 1.41 Célula fotovo ltaica de silício.

119
FÍSICA 10.0 Ano

Os painéis devem estar colocados de modo a maximizar a irradiância solar incidente (no he-
misfério norte, orientados para Sul e com uma inclinação adequada à latitude do lugar). Veri-
fica-se que existe uma determinada diferença de potencial elétrico que maximiza a potência
elétrica fornecida por um painel fotovoltaico.

1.3.3 Radiação e potência elétrica de um painel fotovoltaico (AL 3.1)

Investiga-se a influência da irradiância e da diferença de potencial elétrico na eficiência e na


eficácia do aproveitamento de energia por um painel fotovoltaico efetuando uma montagem
em que uma lâmpada ilumina uma célula fotovoltaica ligada a uma resistência elétrica variável.

Para medir a potência elétrica, P, fornecida pelo painel à re- R


sistência elétrica variável, R (resistência de carga), mede-se a
diferença de potencial elétrico, U, nos terminais do painel e a
corrente elétrica,/, fornecida pelo painel com um voltímetro e
um amperímetro, respetivamente.
Pode variar-se a irradiância no painel variando a distância a
que a lâmpada se encontra do painel, mudando a orientação
do painel ou, ainda, usando filtros.
Fig. 1.42 Esquema d e montage m
O rendimento, T/ , de um painel, para uma dada irradiância, para inv e stigar quando é máximo
pode calcular-se pelo quociente entre a energia, E carga' ou a o re nd imento d e um pa inel
fotovoltaico.
potência, P carga' máxima disponibilizada à resistência de carga
e a energia, E radiação' ou potência, P ,adiação' da radiação incidente:

7J = E carga =; carga .
Era diação radiação

Nesta atividade não se mede a irradiância e apenas se pode avaliar as condições em que,
para uma dada irradiância, se tem o máximo de potência fornecida à resistência variável ou
verificar que ao diminuir-se a irradiância também diminui a potência fornecida pelo painel à
resistência. Assim , pode avaliar-se, para uma dada irradiância, as condições em que a potên-
cia fornecida pelo painel é máxima.

Para um painel fotovoltaico, e para uma dada irradiância, podem obter-se gráficos semelhan-
tes ao da Fig. 1.43 para a corrente, /, ou para a potência, P, fornecida pelo painel em função
da tensão, U, nos terminais da resistência. O gráfico P(U) permite determinar a tensão U máx
u
(ou a resistência Rmáx = máx ) que maximiza a potência elétrica fornecida pelo painel (não se
1max
determina o rendimento do painel, pois desconhece-se a potência da radiação nele incidente).

Tensão, U

Fig. 1.43 Curva /= fí,U) e P = fí,U) para um painel


fot ovoltaico.

120
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

33. O conjunto de painéis fotovoltaicos instalado numa exploração agrícola tem uma
área total de 350 m 2 e uma potência média de 2,0 kW. No local da exploração, a irra-
diância so lar média é 1600 kW h m-2 ano-1 e há, em média, 6,0 h de luz solar por dia.

33.1 Indique o significado físico do valo r da irradiância solar média neste local.
33.2 Apresente o valo r da irradiância solar média na unidade SI.
33.3 Qual é o rendimento médio do conjunto de painéis fotovoltaicos? Interprete o
val or encontrado.

~ 33.1 Uma irradiância solar de 1600 kW h m- 2 ano- 1 significa que a energia da


radiação solar que chega ao local considerado, por metro quadrado de su-
perfície e por ano, é, em média, 1600 kW h.
_ ___5_ ⇒ _ 1600 kW h <=> _ 1600 x 103 W x 1 h _ -2
33·2 E, - A ~t E, - 1 m 2 x 1 ano E, - 1 m 2 x 365,25 x 24 h - 182 •5 W m
33.3 A energia da radiação solar que incide nos painéis, num dia, é, em média:
E ,ad = E, A ~t ⇒ E,ad = 182,5 w m-2 X 350 m 2 X 6,0 h = 3,83 X 105 w h = 383 kW h.

A energia elétrica produzida pelos painéis ao fim de um dia é:


p ~f ⇒ E e/étrica = 2,0 kW X 24 h = 48,0 kW h.
E elét rica =

E ,. . 48,0 kW h
O rendimento dos painéis é n = eetnca ⇒ n = - - - - - = 013· portanto
. ' Erad1açao
. . .' 383 kW h ' '
13% da energia incidente no painel é convertida em energia elétrica.
'

Ili
34. Variou-se a resistência de um circuito ali- S 400
mentado por uma célula fotovoltaica sobre ~ 350 '
' • • -.- - • -.-
,. '
' • - , • ••, . '
• • r - - 'r • - -', • • -,·
' • • ,'- • • ,' • -

a qual incide luz solar. Com base em medi- -~ 300


1

: . :

~, ' ' : : : : :
' ' '

···:···;· ··:····:·· -~--:-···: ··:· ·:·. :··. :··-


'

·
'

--
• •

·
'

-
e
~ 250
o
.. ' ' - • ·,-
' • - ,' . - • ,' - • • r • - • r' • - ·,·
• • -,- - • ·,· - - ·,· ' • • ,' - - · ,' • • - •' •
ções efetuadas, representou-se num gráfico o_ 200
a potência elétrica fornecida em função da 150 ---~' ---!-· -··:·
' -·:···:
' · · -- ·; ·· -~' - · ··r --·:·· --~---~-
· · -
resistência que a célula alimentava. O rendi- 100 ···:···: , , ·;·· : -- [· ·:· ··;·· : .. j--
mento máximo desta célula é cerca de 10%. 50 ,
, +
• • • •
' '
"I" • • ·:· -
' •
., • • - ~- - • , - •

34.1 Qual é a resistência para a qual o ren-


o~~-~-~-~-~-~-
o 2 4 6 8 1012 14 16 18 20 22 24
Resistência / Q
dimento da célula é 10%?

34.2 Determine a potência da radiação da luz solar incidente na célu la quando o


seu rendimento é máximo.

34.3 Para a potência máxima, a célula fornece uma corrente elétrica de 0,21 A. Qual
deverá ser a tensão nos terminais da célula?

~ 34.1 O rendimento é máximo quando também é máxima a potência elétrica.


Do gráfico estima-se que o máximo de potência ocorra para R = 8,5 Q.

34.2 Quando o rendimento é máximo, P = 350 mW = 0 ,35 W:


n = p e/étrica ⇒ 010 = 0 ,35 W p 35 W
'I p ' p <=> radiação = ' •
radiação radiação

p e/étrica 0 ,35 W
34.3 p elétrica = LJ / <=> LJ = ⇒ LJ = 0,21 A = 1,7 V

121
FÍSICA 10.0 Ano

1.3.4 Condução térmica e convecção térmica.


Transferências de energia como calor num coletor solar

A condução térm ica e a convecção térmica são dois tipos de mecanismos de transferência de
energia como calor que só ocorrem através de um meio material.

A condução térmica ocorre predominantemente em sólidos,


resultado da transmissão das vibrações das partículas (áto-
mos, moléculas ou iões) que constit uem o corpo, sem que
haja movimentos do próprio meio material (as partículas agi-
tam-se em torno das suas posições médias de equ ilíbrio, mas
não se deslocam ao longo do material). Entre duas regiões,
o calor tra nsfere-se da reg ião a t emperatura maior para a que
está a temperatu ra menor (Fig. 1.44): as partíc ulas da região Fig. 1.44 A barra de cobre em U
mais quent e estão mais agitadas e essa agitação propaga-se transmite o ca lor por condução
da água quente para a água fria.
às partículas vizi nhas e destas às outras, ao longo do corpo;
o aumento da agitação corp uscular traduz-se em aumento
de temperatura da região que recebe essa energia.

A convecção térmica (Fig.1.45) ocorre unicamente em fluidos (gases ou


líquidos) e caracteriza-se pelo facto de a energia ser transferida pelo
movimento de partes do próprio fluido: as partes mais quentes, por
serem menos densas, sobem (corre nte ascendente) e as mais frias,
por serem mais densas, descem (corrente descendente). Est es movi-
Fig. 1.45 Convecção no
mentos sucessivos do flu ido designam-se por correntes de convecção. interio r de água aquecida.

M+i%1·1·14Hli·I
35. Descreva o modo como se processa o aquecimento da água numa panela com a
fonte de aqueciment o na sua base.

~ A fonte de aquecimento faz aumentar a temperatura da superfície exterior da


base da panela e o calor é transmitido por condução térmica à superfície interior
da base da panela. A água na parte inferior da panela adquire uma maior tem-
peratura devido ao contacto com a superfície interior da base da panela , ficando
menos densa. Por isso sobe e é substituída por água menos quente, que desce
por ser mais densa. Estes movimentos do fluido (correntes de convecção) impli-
cam trocas constantes de energia: a água mais quente (que sobe) vai arrefecendo
e a água menos quente (que desce) vai aquecendo.

1.3.5 A radiação solar e os coletores solares

Nos coletores solares, a radiação é aproveitada para aquecimento de um flu ido. Existem diver-
sos tipos de co letores solares, sendo o mais comum o coletor plano (Fig. 1.46).

Placa coletora
Tubo de aquecimento
Cobertura
transparente
!--- --"--c7''--- -L--Material Fig. 1.46 Componentes de um
isolante
Caixa _ _..,_ _ _ _ _ __
coletor solar plano.

122
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

O coletor plano tem três compone ntes principais:

• placa coletora (normalm e nte metálica e pintada de negro), que absorve a radiação e à
qual estão soldados tubos cond utores, que aquecem por condução, por o nde circula o
fluido que va i aquecendo, gerando-se neste corre ntes de convecção;

• cobertura transparente (de vid ro ou acrílico), q ue provoca efeito de estufa (é tran sparen-
te à radia ção visível mas opaca à radiação infravermelh a);

• caixa com isolamento térmico, para minimizar as transferências de e nergia por calor, dar
rigidez ao conjunto e proteger o sistema dos agentes atmosféricos.

M+i%/·i·lt+HMHM
36. Num coletor sola r, a radiação solar absorvida é determinante para a energia útil
obtida. Um modo de diminuir as perdas de energia por radiação consiste na utili-
zação de superfícies seletivas que absorvem muito no visível mas emitem pouco
no infravermel ho.

36.1 Por que motivo a utilização de uma superfície seletiva diminui as perdas de
energia por radiação?

36.2 Indique outro modo v ulgarmente utilizado nos coletores sola res de diminuir as
perdas de energia por radiação.

36.3 Considere a cobertura de vidro transparente de um coletor.


(A) Esta cobertura transmite a maior parte da radiação na reg ião do infrave r-
Ili
melho.
(B) Esta cobertura impede as perdas t é rmicas por convecção.
(C) Esta cobe rtura deve ser transparente ao infravermelho.
(D) O vidro deve ter um tratamento antirreflexo na parte interior.

& 36.1 A maior parte da radiação absorvida pelo coletor situa-se na região do visí-
vel, por isso pretende-se que a superfície seja boa absorsora nessa região
(uma elevada percentagem de radiação incidente deve ser absorvida). No
entanto, a maior parte da radiação emitida por essa superfície situa-se na
região do infravermelho e, como se procura minimizar as perdas de energia
do coletor, convém que a superfície seja má emissora no infravermelho.

36.2 A colocação de uma cobertura de vidro transparente à radiação visível, uma


vez que o vidro transmite mal na região do infravermelho. Assim, a radiação
infravermelha tende a ficar retida no interior do coletor, originando efeito
de estufa.

36.3 (8). A cobertura impede o deslocamento de ar do interior para o exterior do


coletor e vice-versa (correntes de convecção).
A cobertura deve ser transparente no visível, mas opaca no infravermelho.
A radiação infravermelha é refletida pelo vidro. O tratamento antirreflexo
serve para minimizar a reflexão da radiação incidente e, por isso, deve ser
colocado na superfície exterior da cobertura.

123
FÍSICA 10.0 Ano

1.3.6 Primeira Lei da Termodinâmica: transferências de energia


e conservação da energia

A energia interna é uma propriedade de um sistema. O calor e o trabalho, pelo contrário, não
são propriedades de um sistema, mas sim processos de transferir energia entre sistemas.

Energia interna Trabalho e calor

A Lei de Conservação da Energia pode ser traduzida, para um sistema termodinâmico, do se-
guinte modo: a energia interna, U, de um sistema isolado é constante no decurso do tempo
(a energia «não se cria nem se destrói»): a variação de energia interna é nula, tlU = O (sistema
isolado).

tlU = W + O (sistema não isolado)

A equação anterior exprime a Primeira Lei da Termodi-


nâmica e é equivalente à Le i de Conservação da Energia Sistema Exterior
para sistemas termodinâmicos: quando entra energia no
sistema, seja por trabalho, W, ou por calor, O, estes são po-
sitivos, pois contribuem para o aumento da energia interna
Fig. 1.47 A ene rg ia intern a de um
do sistema; quando sai energia do sistema pelos mesmos
sistema pode va riar pelos processos
processos, W e O são negativos, pois contribuem para a di- trabalho ou calor.
minuição da energia interna do sistema (Fig. 1.47).

Se for constante o vo lume de um sistema não há transferência de energia por trabalho


(W = O). Assim , se a temperatura do sistema aumentar, pode concluir-se que o sistema rece-
beu energia por calor (O> O) e se a sua temperatura diminuir cedeu energia por calor (O< O).
Quando há variação do volume de um sistema termodinâmico, há transferência de energia por
trabalho (existem forças aplicadas sobre o sistema durante um determinado deslocamento).

Se o volume do sistema diminuir (compressão), haverá trabalho realizado pela v izinhança so-
bre o sistema: W> O (se o sistema estiver iso lado termicamente, a sua energia interna aumenta).

Se o volume do sistema aumentar (descompressão), há trabalho realizado pelo sistema sobre


a v izinhança: W < O (se o sistema estiver isolado termicamente, a sua energia interna diminui).

Quando um corpo A, a uma temperatura TA, é


posto em contacto térmico com um corpo B, TB
(corpo frio)
a uma temperatura inferior T8 , esta ndo ambos
num recipiente isolador té rmico, o co rpo A vai TA> TB
O corpo A cede energia por calor (!lEA= -Q)
transferir energia por calor para o corpo B até
O corpo B recebe energia por calor (!lE8 = Q): !lE8 = - !lEA
se estabelecer o equi líbrio t érmico (Fig. 1.48). Se
Fig. 1.48 Transferência de energia por ca lo r.
não houve r trocas de energia com o exterior, a
energia cedida pelo corpo A, -ó.EA, será toda
transferida para o corpo B, ó.E8 :

124
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

37. Um gás está contido num cilindro com êmbolo móvel. O sistema está
isolado termica mente do exterior. O êmbolo desloca-se da posição
1 para a posição 2, sendo realizado sobre o sistema um trabalho de 1
500 J. Para esta transformação pode concluir-se que 2

(A) o gás arrefece e a sua energia interna diminui 500 J.


(B) o gás aquece e a sua energia interna aumenta 500 J.
(C) a energia interna do gás diminui 500 J, mas a sua temperatura não va ria.
(D) a energia interna do gás aumenta 500 J, mas a sua temperatura não va ria .

& (B). W = 500 J e Q = O, logo LlU = W + Q ⇒ LlU = 500 J + O = 500 J.

Como existe trabalho realizado sobre o sistema, a sua energia interna aumenta.
O aumento de energia interna do gás traduz-se num aumento da energia cinética
das moléculas que o constituem e, portanto, da sua temperatura.

38. É fornecida ao ar de um balão a energia por calor de 3,0 x 104 kcal e ao aumentar o
volume do balão ele realiza um trabalho de 71 MJ. Determine a va riação de energia
interna do ar, para este processo. Considere que 1 ca l é igual a 4,18 J .

& Q = 3,0 x 104 kcal = 3,0 x 107 cal = 3,0 x 107 x 4,18
W= -71 MJ = -71 X
6
10 J = -7,1 X
7
10 J
J = 1,25 x 108 J

(Como o trabalho é realizado pelo sistema sobre a vizinhança, tem sinal negativo.)
Ili
Variação de energia interna: LlU = W + Q ⇒ LlU = (-7,1 x 107 + 1,25 x 108 ) J = 5,4 x 107 J

1.3.7 Aquecimento e arrefecimento de sistemas: capacidade térmica mássico

A va riação de temperatura de um sistema de- ~ 4500 ·· ······ ·· ···· ··· ·· ··· ·•···· ··· ····· ····· ···· ·•········· ···
, 4000
pende da energia transferi da entre o sistema
~ 3500
e a vizinhança, da massa do sistema e do ma- :::: 3000
0 2500
terial que o constitui. 2000 ..
1500
A capacidade térmica mássica, e, de um ma- 1000
500
terial é igual à energia que é necessário trans- o +---'-'----e-
Água Álcool Cobre Ferro Alumínio
ferir, como ca lor, por unidade de massa e por líquida etílico
unidade de va riação de temperatura (Fig.1.49):
Fig. 1.49 Calor a t ransferir a 1 kg de dife rentes
e= _ E_ (unidade SI: J kg-1 K-1) su bstâncias para que a sua temperatura aumente 1 K.
mt:.T

Se o corpo receber energia , E > O, a sua temperatura aumentará, Ll T > O; se o corpo ceder ener-
gia, E < O, a sua temperatura diminuirá, Ll T < O.

Para duas substâncias com a mesma massa, a de maior capacidad e térmica mássica necessita
de receber mais energia para o mesmo aumento de temperatura: E= me Ll T (o mesmo se aplica
quando a substância cede energia , diminuindo a sua temperatura).

125
FÍSICA 10.0 Ano

1.3.8 Capacidade térmica mássico (AL 3.2)

Se for fornecida a energia E a um material, sem que este mude de fase, ele sofre um aumento
de temperatura 6. T; portanto, a variação de temperatura depende da energ ia recebida. Sej a
m a massa de um bloco do material e e a capacidade térmica mássica , a equação que rela-
ciona essas duas grandezas é

6. T = - 1_ E ou T = - 1- E- T0 .
me me
Usando para aqueciment o do mat erial uma resistência elétrica, pode medir-se a corrente
elétrica , /, que a atravessa e a tensão elétrica, U, nos seus terminais. A potência fornecida
ca lcu la-se pelo produto destas duas grandezas. Usando um cro nómetro mede-se o intervalo
de tempo M , e determina-se a energia, E, fornecida.

E =U I M

Colocando um t ermómetro num bloco do ma- r ~-----~--~--~--~


teria l, recolhe-se a temperatura e, admitindo
que toda a energ ia fornecida à resistência é
cedida ao bloco, pode elaborar-se um gráfi-
co da tem peratura, T, do bloco em função da
energia, E, recebida. O gráfico T(E) mostra os
resultados obtidos para dois materiais diferen-
tes com a mesma massa. E
Fig. 1.50 Gráf ico T(E) p ara d ois materi ais d iferentes
co m a mesma massa.

Da equação T = - 1- E - T0 conclui-se que os declives das retas de ajuste aos gráficos T(E) de-
me
1
pendem da massa dos blocos e da capacidade térmica mássica do material e são iguais a - - .
me
Assim, se os blocos tiverem a mesma massa, tem menor capacidade térm ica mássica aquele

que apresent ar um gráfico com maior declive.

M+i%i·i·ii4Hli·I
39. A uma amostra de 250 g de cobre, inicialmente a 15 ºC, foram fornec idas 1382
ca l de energia por calor e a sua temperatura subiu até 75 ºC. Depois de aque-
cida, a amostra de cobre fo i colocada num recipiente com 250 g de água a
18 ºC. Despreze a massa do recip iente e cons idere-o isolado termicamente.
Considere 1 ca l = 4,18 J.

39.1 Determine, expressa em unidades SI, a capacidade térmica mássica do cobre.


39.2 Qual é a te mperatura da mistu ra de cobre e água ao ser atingido o equilíbrio
térm ico?

39.3 Determine as va riações de temperatu ra da água e do cobre entre o instante em


que se introduz o cobre na água e o equilíbrio t érmico.

39.4 Expliq ue as diferen ças entre as va riações de temperatura da água e do cob re


determinadas.

126
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

& 39.1 Conversão para unidades SI: m = 250 g = 0,250 kg;


Q = 1382 cal = 1382 x 4,18 J = 5777 J
Variação de temperatura do cobre: M = t 1 - t; = (75 -15) ºC = 60 ºC = 60 K
E 5777 J
c = -- ⇒ c = - - - - - - - = 3 9 x 102 J kg- 1 K- 1
cobre m Li T cobre 0 ,250 kg X 60 K '
39.2 No equilíbrio térmico, a água e o cobre têm a mesma temperatura:
= r cobre = Tf
T água

Variações de temperatura: Llt,agua = t 1 -18; Lltcobre = t 1 - 75


A energia recebida por calor pela água, D.Eágua' é igual à energia cedida
por calor pelo cobre, -1::i.Ecobre:
!:lEa g ua =-1::i.Ecobre ⇒ m,
agua
ca_g ua /::i.T,agua =-mcobre cco bre !::i.Tcobre ⇒

⇒ 0 ,25 x 4 ,18 x 103 (tf - 18) = -0,25 x 385 x (tf - 75) ⇒ tf = 23 ºC

39.3 M agua
_ = 23 -18 = 5 ºC: a água aumentou a sua temperatura de 5 ºC.
!::i.tcobre = 23 - 75 = -52 ºC: o cobre diminuiu a sua temperatura de 52 ºC.

39.4 O calor recebido pela água é igual ao calor cedido pelo cobre, mas as varia-
ções de temperatura dependem ainda das capacidades térmicas mássicas
de cada um dos corpos (neste caso, a massa de água é igual à de cobre).
Uma capacidade térmica mássica elevada, como é o caso da água, cor-
responde a uma menor variação de temperatura para a mesma troca de
energia por calor (considerando massas iguais).

1.3.9 Aquecimento e mudanças de estado: variação das entalpias de fusão


Ili
e de vaporização

Numa mudança de estado físico (fusão ou va pori-


Variação de entalpia
za ção) de uma substância, a temperatura não va- mássica de fusão kJ kg-1
ria: a energ ia fornecida traduz-se na quebra das
Água 334
liga ções entre as partículas características da subs-
tância e não no aumento da agitação corpuscular. Etanol 101

Pro pano 80
A energia qu e é necessário fornecer, por calor, a Metano 59
pressão constante, por unidade de massa de subs-
tância , para que ocorra a sua fusão, ou a sua vapori-
zação, designa-se por variação de enta lpia mássica
de fu são , Llhrusão' ou variação de entalpia mássica de
vaporização, Lihva ponzaç
. ão , respetivamente (unidade SI:
J kg- 1) . Assim , para uma mudança de estado:

Llh
mudança de estado
=Emudançamde estado ⇒ E mudança d e estado
=m Llh m udança d e estado

em que Emudançade estado representa a energia forn ecida por calor, a pressão constante, p ara que
a massa de uma determinada substância mude do estado sólido para o líquido (fusão) ou do
estado líquido para o estado gasoso (va poriza ção),

127
FÍSICA 10.0 Ano

1.3.10 Balanço energético num sistema termodinâmico (AL 3.3)

Se dois corpos, A e B, a diferentes temperaturas entrarem em contacto, há uma transferênc ia


de energia entre eles. Se estiverem isolados, a energia que um cede é recebida pelo outro.
A va riação de energia interna do sistema dos dois corpos é nula:
D.U::: /1EA + D.fB::: o<==> D.fB::: -/1EA
Se um sistema de massa me capacidade térmica mássica e não mudar de fase, a sua va riação
de energia interna é 11E = m c 11 T.
Se o sistema também mudar de fase, a esta variação de energia adiciona-se a energia neces-
sária para que todo o sistema passe de um estado físico para o outro, E= m 11h, mantendo-se
a temperatura constante: 11E =me 11 T + m 11h.
Por exemplo, adicionando uma certa massa de gelo fundente (gelo a O ºC) a uma outra massa
de água, e admitindo que o sistema gelo+ água é isolado, uma vez conhecidas a temperatura
inicial da água, Ti água' e a temperatura final , Tr, após todo o gelo ter fundido, pode calcular-se
a va riação de entalpia mássica de fusão, 11h, da água pela seguinte relação:

-mágua cágua D.Tágua ::: m gelo cágua D.Táguadogelo + m gelo D.h <==>

<==> -mágua eágua (Tf - Ti água) ::: m gelo eágua Tf + m gelo D.h
A mesma relação pode ser utilizada para prever qual seria a temperatura final , Tfinai' conside-
rando o sistema gelo+ água isolado, se se conhecer a temperatura inicial da água, T1niciai água'
e a variação de entalpia mássica de fusão, 11h, da água.

40. Determine a energia que é necessário fornece r, por calor, a 2,5 kg de prata a 20 ºC
para a fundir completamente. Considere os seguintes dados relativos à prata:
e
prata
= 2 ' 3 x 102 J kg-1 ºC-1·' tfusão = 961 ºC e 11h fusão = 8 ' 8 x 104 J kg-1

~ Cálculo da energia, E1, para que a prata aumente a sua temperatura de 20 ºC para
961 ºC: E1 = m e M ⇒ E1 = 2,5 x 2,3 x 102 x (961 - 20) J = 5,41 x 105 J
Cálculo da energia, E2 , necessária para que a prata passe do estado sólido para o
líquido: E2 = m D.hfusão ⇒ E2 = 2,5 X 8,8 X 104 j = 2,20 X 10 5 j
Energia total necessária: E= E1 + E2 ⇒ E= (5,41 x 105 + 2,20 x 105 ) J = 7,6 x 10 5 J.

1.3.11 Segunda lei da termodinâmica: degradação de energia e rendimento

Considere dois corpos a temperaturas diferentes em contacto térmico: verifica-se que o mais
quente arrefece e o mais frio aquece, e não o contrário (Fig.1.s1). Esta mudança ocorre esponta-
neamente num determinado sentido e nunca em sentido oposto. Trata-se de uma transforma-
ção irreversível: não pode ocorrer em sentido oposto se não houver alteração da vizinhança.

Ta
-=""""==="--..l:{corpo mais frio)
Instante inicial (T. > T0 ) . Instante posterior: A arrefece e B aquece. Instante em que se atinge o equilíbrio térmico.

O sistema evolui no tempo num sentido bem determinado

Fig. 1.51 Tra nsformação irreversível: a energ ia, por calor, transfere-se do corpo q uente para o frio e não ao contrário.

128
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

A Segunda Lei da Termodinâmica traduz a inevitabilidade da degradaçã o de energia:

Num sistema isolado, a quantidade de energia útil nunca aumenta.

Numa máquina t érmica, como, por exemplo, as máquinas a vapor, uma determinada parte
da energia rece bida por calor é utilizada para a rea lização de trabalho (energia cedida às
diferentes peça s móveis do mecanismo da máquina). Mas, como existe sempre energia dissi-
pada, é impossível que num processo cíclico toda a energia fornecida ao sistema por calor
seja utilizada na realização de trabalho, pois existe sempre en ergia cedida ao ext erio r por
ca lor. Qualquer máquina t érmica tem rendimento inferior a 100%.

41. Numa central termoelétrica, utiliza-se a combust ão de um combustível fóss il p ara


aquecer água, de modo que se transfo rme em vapor. Este vapor de água é utiliza-
do para mover as pás giratórias de uma turbina ligada a um gerador.
Sendo E a energia transferida por calor para a água (E > O) como resu ltado da
combust ão e W o trabalho realizado pelo vapor de água sobre as pás giratórias da
turbina (W < O), class ifique, justifican do, como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma
das afirmações seguintes.

carvão
Ili
pulverizado

\
Ar l~1ttJ 1

L - .;:W .,.. ,. Torre de


refrigeração

Queimador Condensador

(A) De acordo com a Segun da Lei da Te rmodin âmica, E > - W.


(B) A energia elétrica produzida é igual à en ergia libertada por calor na combustão.
(C) No funcionamento de uma central termoelétrica, a energia disponível para a
realização de trabalho mantém-se const ante.
(D) A energia útil do sistema combustível e oxigénio é maior do que - W.

& (A) Verdadeira. A água não utiliza toda a energia recebida por calor para a reali-
zação de trabalho, pois existe sempre dissipação de energia para o ambiente
(energia cedida como calor).
(B) Falsa. Não existe nenhuma máquina térmica com rendimento igual a 100%.
(C) Falsa. Na central ocorre uma enorme diversidade de processos irreversíveis,
pelo que a energia útil (energia disponível para a realização de trabalho) di-
minui.
(D) Verdadeira. A energia degrada-se e, por isso, a quantidade de energia útil
disponibilizada na turbina é sempre menor do que a energia útil presente
inicialmente.

129
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

Energia e movimentos

1. Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações seguintes.

(A) A unidade SI de trabalho é o newton.


(B) O t rabalho realizado por uma força depende da amplitude do ângu lo definido entre o
deslocament o e a força e dos módulos destas grandezas.
(C) O trabalho realizado por uma força que faz um âng ulo de 90º com o deslocamento é nulo.
(D) No deslizamento de um corpo, o trabalho rea lizado pela força de atrito é sempre negativo.
(E) O trabalho rea lizado por uma força é uma grandeza vetorial.

2 . Uma força de intensidade constante atua sobre um corpo.


Tendo em conta as opções seguintes, preencha corretamente os espaços em branco.

(A) é positivo (C) é nulo (E) diminui


(B) é negativo (D) aumenta (F) mantém-se

2.1 Quando a força tem sentido contrário ao do deslocamento, o traba lho da força _ _ _ __

2 .2 Quando a intensidade da componente da força na direção e no sentido do deslocamento


diminui, a energia transferida por ação dessa força _ _ _ __

2.3 Quando o âng ulo de uma força resistente com o deslocamento diminui, a energia trans-
ferida por ação dessa força _ _ _ __

2.4 Quando uma força é perpendicular ao deslocamento, o trabalho da força _ _ _ __

3. Dois veículos movem-se como indica a figura.

2v V

m 2m

A relação entre as energias cinéticas do carrinho A , E, Al' e do carrinho B, E,isJ' é


1
1
(A) E ,(Ai= f c(B)' (C) f c(A) = 2 f c(B)'

(B) E c(A) = 2 E c(B)' (D) f c(A) = 4 f c(B)'

4 . Um carro de massa 1,50103 kg, rebocado por um pronto-socorro, move-se a 30 km/h e é


x
puxado por um cabo que faz 20º com a horizontal.

Num deslocamento de 100 m , num plano horizontal, a intensidade da força de tensão exer-
cida pelo cabo manteve-se 2,00 x 103 N.

4 .1 Represente as forças aplicadas no ca rro.

4 .2 Determine a intensidade da componente horizontal da força exercida pelo cabo.

130
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

4.3 Determ ine o trabal ho rea lizado pela força exerci da pe lo cabo durante aquele desloca-
mento.

4.4 Classifi que como verdadei ra (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações seguintes.
(A) O traba lh o da força de atrito é menor do que o da fo rça exercida pelo cabo.
(B) A energia cinética do carro é igual ao trabalho da força exercida pelo cabo.
(C) É nula a so ma dos trabal hos de toda s as forças sobre o carro.
(D) O trabalho da força de atrito é -1 ,9 x 10 5 J.
(E) Se o ângulo entre a força exercida pelo cabo e a horizontal diminuísse, esta força rea-
lizaria um trabalho menor.

5. No laboratório, um grupo de alunos largou um carrinho de uma posição de uma rampa e me-
diu a velocidade com que ele chegou a outra posi ção. Para isso, colocaram sobre o carrinho
um pino , de 9,40 mm de largura, e mediram o seu tempo de passagem com um cronómetro
digital ligado a uma fotocélula.

'%7,
5.1 Para uma certa distância perco rrida, os alunos med iram os tempos de interrupção do feixe
da fo tocél ula, em três ensaios realizados nas mesmas co nd ições, registados na tabela
seg uinte.
Ensaio ti ms
19,0

2 18,9

3 18,7

a) Apresente o va lor mais provável pa ra o tem po de interrupção da fotocél ula afetado da


incerteza relativa. Ap resente t odas as etapas de resolução.
b) Obten ha o resu ltado da me dição da velocid ade.

5.2 Os va lores obtidos para a d istância percorrida pelo carrin ho e para as energias ci néticas
correspond entes estão reg istados na t abela.

Distância percorrida / m EJJ


0,890 0,193

0,800 0,171

0,700 0,148

0,600 0 ,126

0,500 0,10 5

0,400 0,083

Elabore o gráfico da variação de energ ia ci nética em função da distância percorrida e, a


partir da ret a de regressão d e aj uste aos pont os, d etermine a inte nsidade da resultante
das forças a q ue o ca rrinho esteve suj eito.

131
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

5.3 Um outro grupo de alunos realizou a experiência com uma rampa mais inclinada.
Qual dos esboços de gráficos da energia cinética, Ec, do carrinho em fun ção da distância
pe rcorrida, d , pode representar os resu ltados da inclinação inicial (com pont os assinala-
dos) e da rampa mais inclinada?

(A) (B) (C) (D)

d d d d

5.4 Um outro grupo de alunos executou a experiê ncia colocando uma sobrecarga sobre o
carrinho.

Qual dos esboços de gráficos da energia cinética, Ec, do carrinho em função da distância
pe rcorrida, d, pode represent ar os resultados da massa inicial (com po ntos assina lados) e
com sobrecarga (sem pontos assina lados)?

(A) (B) (C) (D)

d d d d

6 . Um esquiador, inicialmente em repouso, desce a


encosta partindo de A, como se vê na figura.
A massa do esquiador e do equipamento é 70 kg.
Considere que na descida o atrito é desprezável,
que a inclinação se mantém constante e que o ní- 20 m
vel de referência para a energia potencial gravítica _2(! / B e
é o do ponto B.

6.1 Determine, para o ponto A, a energia potencial gravítica do sistema esquiador (com equi-
pamento) + Terra.

6.2 Ca lcu le a ve locidade com que o esqu iador chega ao ponto 8.

6.3 A partir do Teorema da Energia Cinética, prove que a relação entre a distância percorrida,
d , na encosta e o módulo da ve loci dade , v, é dada por: v2 = 20 sin 20° d

6.4 Ao chegar a 8, o esqu iador incli na os esquis, originando um atrito não desprezável.
Se chegar a C com uma ve locidade de 36 km/ h, depois de percorrer uma distância de
30 m, qual será a intensidade da força de atrito (considerando-a constante)?

7. Um automóvel com 850 kg de massa, inicialmente em repouso, é empurrado ao longo de um


plano horizontal numa dist ância de 20 m, com uma força com a mesma direção e sentido do
deslocamento e de intensidade 80 N. Considere o atrito desprezável.

7.1 Calc ule a energia cinética do automóvel após te r percorrido os 20 m.

7.2 Determine o módulo da velocidade que atingiu.


7.3 Mostre que se o automóvel fosse empurrado no dobro da distância, a energia cinética
adquirida seria também o dobro.

7.4 O módu lo da velocidade do automóvel aumenta quantas vezes quando a sua energia ciné-
tica duplica?

132
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

8. Ao bater o recorde do mundo de halterofilismo, em 2000, o atleta iraniano Hossein


Rezazadeh elevou, no arranque, desde o chão até à altura de 2 ,20 m, os halteres de 213 kg.
O tempo de elevação durou aproximadamente 1,3 s.

8.1 Qual foi o trabal ho rea lizado pela força exercida pelo atlet a na elevação dos halteres7
8 .2 Calcule a potência usa da naquela elevação.

9. Um elevador tem uma cabina de 450 kg e transporta duas pessoas, uma com 80 kg e outra
com 70 kg . O elevador começou a subir e parou 20 m mais acima, tendo-se verificado que
o rendimento na transferência de energia pelos cabos para o sistema cabina + pessoas foi
de 95%.

9.1 Determine o trabalho do peso do conjunto cabina + pessoas.

9.2 Quanto aumentou a energia do conj unto cabina+ pessoas?


9.3 Calcule a intensidade da força aplicada nos cabos, considerada constante, durante aquela
subida.

10. O António e o Manuel elevam, cada um,


uma mala com a mesma massa a uma ,,. ---··············~----
mesma altura h, com velocidade cons-
tante, como representado na figura.
Ambos gastam o mesmo tempo nessa
operação. Despreze os atritos e as mas-
sas das cordas.

10.1 Comente a afirmação: «O Manuel uti-


liza mais energia do que o António
para elevar a mala.»

10.2 Sendo PMe PAas potências e WM e WA os traba lhos reali zados pelo Manuel e pelo António,
respetivamente, ve rifica-se

(A) WM = WA e PM= PA.

(8) WM > WA e PM> PA.

(C) WM = WA e PM> PA.

(D) WM > WAePM=PA.

11. Um coqueiro tem 5,5 m de altura em relação ao chão. A cabeça de um macaco, sentado
debaixo do coqueiro, está a 0,50 m do solo. Um coco, de massa 250 g, desprende-se do
coqueiro e atinge a cabeça do macaco com uma energia cinética de 9,0 J.

11.1 Determine o trabal ho real izado durante a queda:


a) pelo peso do coco;
b) pela força de resistên cia do ar.

11.2 Qual foi a energia dissipada na queda7

11.3 Du rante a queda


(A) a variação de energia cinética e a variação de energia potencial gravítica são simétricas.
(8) o aumento de energia cinética é menor do que a diminuição de energia potencial.
(C) o traba lho da resultante das forças é negativo, uma vez que existe energia dissipada.
(D) a variação de energia mecânica do sistema coco+ Terra é nula.

133
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

12. Uma pessoa escorrega numa rampa de um parque


aquático. No ponto mais alto da rampa lança-se a
1,5 m s-1, saindo de uma altura de 4,0 m em relação à
base. Admita que 10% da energia mecânica, medida em 4,0 m
relação à base da rampa , foi dissipada no escorrega.

12.1 Qual é o módu lo da velocida de na base da ra mpa?

12.2 Ca lcule o mód ulo da velocidade com qu e chega à


ág ua da piscina, situada 2,0 m abaixo da base da
rampa, supo ndo que a resistência do ar é despre-
zável.

13. Um avião a jato com uma massa de 10,0 x 103 kg percorreu 1000 m numa pista retilínea até
conseguir descolar. Suponha que durante esse percurso a resultante das forças que estive-
ram aplicadas no avião teve intensidade 1,67 x 104 N e que o avião é redutível ao centro de
massa.

13.1 Ca lcule a soma dos tra balhos das forças que atua ram no avião.

13.2 Determine o módu lo da velocidade adq uirida pelo avião no momento da descolagem.

14. Um camião de brinquedo, de massa 1,4 kg, desce uma calha inclinada, tendo uma velocidade de
0,60 m s- 1 no ponto P, que está a uma altura de 1,5 m acima do nível QR. Quando o camião
alcança o ponto Q, tem uma velocidade de 3 ,0 m s-1.

14.1 Co ncl ua se de P para Q ho uve ou não conservação de energia mecâ nica.

14.2 Ca lcule o trabal ho realizado pela força de atrito no cam ião no movimento de P a O.

14.3 O ca mião vai parar e m S, que dista 126 cm de O. Determine a intensidade da fo rça de
atrito, considera da constante, que atuo u no ca mião no troço OS. A presente todas as
etapas da resol ução.

15. A sequência de figuras ao lado representa as


Ili
fases sucessivas de um salto com vara. Neste
salto, o centro de massa do atleta, que antes
do salto está aproximadamente a 90 cm do
solo, atinge a altura máxima de 4,90 m.
Consid ere que toda a energia cinética do sis-
tema atleta + vara é convertida em energia
li IV f;
1
potencial elástica da vara quando esta toca

J"
1

no chão e que a eficiência de conversão da


1-
energia potencial elástica da vara em energia
potencial gravítica é 80%.

15.1 Explicite as transformações de energia que ocorrem desde o instante imediatamente


antes de o atleta toca r com a va ra no chão até ao instante imediatamente antes de o
atleta ating ir o colchão no final do sa lto.

134
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

15.2 Os gráficos A, B, C e D representam os valores das energias cinética (E), potencial elás-
tica (EP) e potencial g ravítica (f P9 ).

A B e o

Estabeleça a correspondência entre as fases 1, li, Ili e IV do sa lto e os gráficos.

15.3 Esti me o módu lo da velocidade do atleta antes do salto, no instante imediatamente antes
de o atleta toca r com a va ra no chão. Considere desprezável a massa da vara.

16. Um ciclista consome parte das suas reservas energéticas para fazer um dado percurso. Seja
P a potência em esforço máximo que o seu corpo disponibiliza e 85 kg a soma da sua massa
com a da bicicleta.

16.1 Qual é a energia mínima que o seu organismo tem de fornecer pa ra o seu cent ro de
massa ser elevado 20 m acima da sua posição inicial?

16.2 Com velocidade constante, o ciclista demora 20 s a eleva r 20 m o níve l do se u centro


de massa. Determ ine a potência mínima do se u esforço.

16.3 Se fi zer em esforço máximo um percurso de 1000 m em trajeto pla no, ou os mesmos
1000 m numa su bida com um desnível de 20 m, em qual dos casos terá o ciclista de
despender mais ene rgia? J ustifique.

16.4 Se a potência em esforço máximo é a mesma nas duas corridas, como pode a e ne rgia
despendida va riar?

17. Um esquiador desliza numa montanha. A sua energia cinética em função do tempo, durante
uma parte do trajeto, está representada no gráfico seguinte. Despreze o atrito.

A velocidade é máxima em _______ e a altura é _ _ _ _ __

(A) O ... mínima em R (C) O ... máxima em R


(B) R ... máxima em O (O) R ... mínima em O

18. Um carro desportivo, com 1,10 x 103 kg de massa, tem um motor que desenvolve uma potência
de 3,5 x 105 W. No processo de transformação em energia cinética de translação, o rendimento
é de 30%.

18.1 Dete rmin e o trabalho út il quando no arranque até atin gir 100 km /h.

18.2 Calcule o te mpo que demora a at ingir 100 km/ h.

13 5
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

19. O Daniel e o seu irmão André estão parados num escorrega, nas posições mostradas na figura.
O Daniel tem o dobro da massa do André e a altura a que ele está, acima do solo, é metade
da altura a que está o irm ão.
Os dois começam a escorregar no mesmo instante. Despreze as forças de atrito.

André

~ Daniel

h
h
2
V

Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações seguintes.

(A) Os irmãos chegam ao fin al do escorrega com diferentes energias cinéticas.


(8) O trabalho da força g ravítica é igual nos dois casos.
(C) O trabalho das forças conservativas é nulo.
(D) O tra ba lho das forças não conservativas é simét rico da va riação de ene rgia potencia l.
(E) No fin al da descida o Daniel chega com velocidade menor.
(F) A variação de energia potencial é ig ual à va riação de ene rgia cinética.

20. Um carrinho , de massa m , é largado numa rampa, 34 cm acima do solo. Os gráficos mos-
tram como variaram as suas energias potencial gravítica e cinética ao longo da distância,
d , percorrida na rampa .

.' .''
- - - , - - - -,- - - - - - - ,- - - .,. - - - .
.. f/ J ---.----,-·-· · ··- .. ----.-
'
' . '
''
.' .'
'
''
'
'
- - - ....
'
'
'
'
'
'
' -.....
' - - -'-' - - - '' - - - ....
. .
• • • <• • • •

.
L
'
• • .,1 • • • +L
''
+ • + I + •

'
'
' ' ' ' '
'
'
2 ' O --·j----:----:---j----~
'
'
2 ,0 .. ;....,. ... :···j····,.-·:
: ' : :

1,0

50 100 d I cm 50 100 d I cm

20.1 Partindo da análise dos gráficos , conclua sobre o trabalho das forças não conservativas.
20.2 Comente a afirmação: «Neste movimento ho uve conse rvação d e energia.»
20.3 Determ ine a intensidade da result ante das forças de atrito, F. , considera ndo-a constant e.
20.4 Represente o ca rrin ho a meio da rampa e esquematize o diagrama de forças que sobre
ele atuam nesse instante.

20.5 Sendo 0 o ângulo entre a rampa e o so lo, a intensidad e da resultante das forças que
atua no carrinho é
(A) m g si n 0. (8) m g sin 0 - F•. (C) m g cos 0- F •. (D) m g - F. si n 0.

20.6 Qual é a massa do ca rrin ho?


20.7 Calcu le o módu lo da velocidade de chegada do carrinho ao solo.

21. Para investigar, com base em considerações energéticas, o movimento vertical de queda
e d e ressalto de uma bola, um grupo de alunos d eixou cair uma bola de basquetebol de
alturas diferentes. As alturas atingidas no primeiro ressalto foram medidas com uma fita
métrica, cuja menor divisão é um milímetro. Para cada altura de qued a repetiram três vezes
a medição da altura de ressalto.

136
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

Os dados recolhidos estão registados na tabela.


A resistência do ar é desprezável.

21.1 Qual é a incerteza de leitu ra associ ada à régua


util izada nesta experiê ncia?
- 1,500
0,887
0,877
0 ,884
- 0,883

21.2 Determi ne a incerteza relativa, expressa em per- 0,707


centagem , da altu ra de ressa lto correspo ndente
1,200 0,698 0,70 4
a uma altura de queda de 1,500 m.
0,706
21.3 Para uma altura de queda de 1,200 m, a altura d e
0,597
ressalt o está compreendida no interva lo
1,000 0,591 0,591
(A) [0,698; 0 ,70 7) m. (C) [0 ,698; 0,704) m.
0,584
(8) [0,704; 0,707) m. (D) (0 ,698; 0,710) m.
0,464
21.4 Apresente o gráfico de pontos da altu ra de res-
0,800 0,470 0,467
sa lto em f unção da alt ura d e queda e obtenha a
equação da reta que melhor se aj usta ao gráfi- 0,468
co da altura de ressa lto em função da altu ra de 0,344
que da. 0,600 0,351 0,3 50
21.5 Dois outros grupos tra balharam com bolas dife- 0,356
rentes. As eq uações das retas de ajuste aos grá- 0,295
f icos da altu ra de ressalt o em fu nção da altu ra de
0,500 0,290 0,293
queda foram Y = 0, 550X - 0 ,004 e Y = 0,461X -
0,294
- 0,0 2 8 para uma bola de voleibol e uma de té-
nis, respetiva mente.

Conclua, j ustif icando, para qual das d uas bolas, a de ténis ou a de voleibol, a percenta-
gem de energia d issipada é maior.

Energia e fenómenos elétricos

22. Uma secção de um condutor é atravessad a por uma carga elétrica de 1,8 C por cada se-
gundo que decorre. A grandeza física associada a esta descrição é

(A) o am pere. (8) o volt. (C) a tensão elétrica. (D) a corrente elétrica.

23. A diferença de potencial elétrico, ou tensão elétrica, entre dois pontos A e B de um circuito,
define-se como o trabalho realizado pelas forças elétricas
(A) sobre as cargas e létricas que atravessam uma secção transversal desse troço.
(8) sobre os eletrões que circulam entre A e B.
(C) por cada eletrão que circula entre A e B.
(D) sobre as ca rgas elétricas entre A e B, por uni dade de carga.

24. Uma corrente elétrica de 200 mA circul a num condutor.


24.1 Indique a carga elétrica que passou numa secção do cond utor dura nte meia-hora.
24.2 Ind ique quantos eletrõ es p assa ram nessa secção (e = 1,61 x 10- 19 C).

25. Num material condutor, uma secção transversal é atravessada por um carga elétrica de 6 C du-
rante 3 s e, simultaneamente e no mesmo intervalo de tempo, por outra carga elétrica de -6 C,
mas em sentido oposto. Conclua, justificando, qual é a corrente elétrica que um amperímetro
ligado a esse condutor deveria medir.

137
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

26. A figura mostra informação do carregador de um


computador. Ele transfere energia para a bateria do
Replacement AC Adapter
computador e transforma e retifica a corrente , ao Model: PA-16
estabelecer a conversão da tensão da rede elétrica , PIN: NX061
identificada como entrada (INPUT), para a tensão a INPUT: 100-240 V 1.2A
que funciona o computador a que fica ligado, a saí- 50/60 HZ
da (OUTPUT). OUTPUT: 19 V ... 3.16A

26.1 Indique o tipo de corrente elétrica que os comp utadores usam no seu f uncionamento.
26.2 A grandeza corrente elétrica num condutor defin e-se co mo
(A) o trabal ho rea lizado pelas forças elétricas sobre as ca rgas elétricas entre dois pon-
tos do con dutor.
(8) a ca rga elétrica que atravessa uma secção reta do condutor po r unidade de tempo.
(C) a ca rga elétrica que circula entre dois po ntos do condutor num intervalo de tempo.
(D) o movi me nto orientado das cargas elétricas no condut or.

26.3 Exist em diferenças entre a corrente e létrica q ue é disponibili zada pela rede elétrica e a
que usam os computadores. Distinga os dois tipos de corrente elétrica.

26.4 Na sua ca rga máxima, a bateria de um comp utador fica com a energia de 432 kJ . Es-
t ando o computador desligado e a bateria sem carga, calcule o tempo, em horas, que
o carregador demora a repor a ca rga máxima. A presente todas a etapas d e reso lução.

27. Um dispositivo que emite luz em resposta


/ / mA
a uma corrente elétrica é o led. O gráfico
mostra curvas características de leds ver-
30
, . . : : R ,. '.
.... , .... ·········· ·············•· ·••·······

melhos (VR) , amarelos (AM), verdes (VD),


······: -,-...---:
azuis (AZ) e brancos (8). 20 -- --· ..
,:
)~'

27.1 Q ual é o motivo principa l que tem con-


,.,/s. ....
,/ :
d uzido ao uso g enera lizado dos leds em 10 : ,,,,:,
iluminação?
: _::/.'.
(A) O led fornece uma maior iluminação o .j..,,<'.....a!li<C.._~ - + - -.-::'------'•'--+'-'-i--------i-----+-~c-+
para uma dada energia que recebe. 1,5 2,0 2,5 3,0 3 ,5 U I V

(8) Podem construir-se mais facil mente leds das ma is variadas cores.
(C) Podem co nstrui r-se leds muit o pequen os.
(O) O efeito Jou le não se aplica aos leds.

27.2 Indiq ue o led que te m uma maior resistênc ia para uma co rrente d e 20 mA.
27.3 Para que o led não se queim e, normalmente a corrente
não deve ultrapassar os 2 0 mA e, para isso, utiliza-se uma
resistência limitadora da corrente.
O esquema do circuito da fig ura mostra um led b ranco,
uma pilha de 9 V e uma resistência que limita a corrente a
20 mA. Ca lcule o valor da resist ência. R
Apresente todas as etapas de resolução.

28. Dois aquecedores, X e Y, de potências 1,0 kW e 2,0 kW, respetivamente, são ligados num
apartamento. A diferença de potencial elétrico nas instalações domésticas é 230 V.

138
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

28.1 Indique o significado físico de uma diferença de potencial elétrico de 230 V.

28.2 A corrente elétrica que atravessa o aquecedor X, em ampere, é


1,0 1,0 X 103 230 230
(A) - · 9 (C) - · (D) - -
230 ( ) 230 1,0 1,0 X 103

28.3 Determine a energia consumida, em kW h, pelos dois aquecedores se estiverem ambos


ligados durante 2 horas e 40 minutos.

28.4 A resistência do aquecedor Y é _ _ _ _ _ da resistência do aquecedor X.


(A) metade. (8) o dobro. (C) um quarto. (D) o quádruplo.

28.5 Conclua, justificando, como variaria a potência dissipada nos aquecedores se fossem
levados pa ra os Estados Unidos da América , onde a tensão elétrica da rede doméstica
é de 120 V. Considere, por simplicidade, que as resistências elétricas dos aquecedores
se mantêm constantes.

29. A um aluno é dado um circuito e um voltímetro. Um diagrama esquemático do circuito é


mostrado na figura.
Com o interruptor fechado, o aluno regista as
1,0 kQ
observações seguintes:
- leituras nos amperímetros: A , - 2,73 mA;
A 2 - 1,64 mA;
- leituras no voltímetro: entre X e Y - 6,00 V ; y
entre Z e H - 3,27 V.

29.1 O al uno liga o vo ltímetro ao circuito entre


dois pontos. Uma ligação que produza
uma leitura de 2,73 V deve ser feita entre G
os pontos
(A) X e H. (8) W e E. (C) F e G. (D) Y e Z.

29.2 A corrente elétrica no ponto F é


(A) 1,09 mA. (8) 1,64 mA. (C) 2,73 mA. (D) 4,37 mA.

29.3 Ordene por ordem decrescente as potências dissipadas por efeito Joule em cada uma
das resistências.
Apresente todos os cá lcu los efetuados.

30. Um aluno pretende construir um aquecedor usando um enrolamento de fio. Experimenta


e verifica que não proporciona o aquecimento suficiente. Conclua, justificando, se, para o
conseguir, ligado à mesma tensão, deverá aumentar ou diminuir a resistência do fio usado.

31. No esquema apresenta-se uma fonte de alimen-


tação, ligada a um condutor puramente resistivo.
10,0Q
31.1 A corrente através da resistência de 10,0 Q é
(A) 0 ,27 A. (C) 0,34 A.
(8) 0,30 A. (D) 2 ,3 A.

31.2 A tensão nos extremos da resistência de 10,0 Q é


(A) 3,0 V. (8) 0,33 V. (C) 0,30 V. (D) 2,7 V.

139
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

32. Três condutores filiformes puramente resistivos, A , B e / / mA


C, são ligados a um gerador. O seu comportamento, a
temperatura constante, é descrito no gráfico ao lado.
400
32.1 Fu ndamente a afirmação seguinte: «Os co nd utores
A , B e C têm resistênc ia constante.»
200 e
32.2 Liga-se o condutor C a um gera dor idea l cuja força
eletromotri z é 10 V.
Dete rmin e a energia fornecida pe lo gerador ao f im
de 15 mi nutos. 10 20 U IV

33. No circuito esquematizado ao lado, há três


resistências iguais, de valor R, e um gerador.
O interruptor, Y, está aberto.

33.1 Se o gerador for ideal, quan do se fecha R


o interruptor a tensão registada no voltí-
metro V 1 _ _ _ _ e a reg istada em V 2 R R
y

(A) diminui .... dimi nui


(C) mantém-se .... aumenta
(8) diminui .... aumenta
(O) mant ém-se .... diminui

33.2 Se a resistência interna do gerador não for desprezável, q uando se fecha o interrupt or
a tensão registada no voltímetro V 1 _ _ _ _ e a registada e m V 2 _ _ __

(A) diminui .... diminui (C) dimin ui .... au menta


(8) mantém-se .... aument a (O) manté-se .... dimin ui

34. O circuito esquematizado ao lado representa uma


bateria, com uma força eletromotriz de 24 V e resis-
t ência interna, r, e mais alguns componentes, sendo
a resistência X desconhecida .

34.1 Exp lique o sign ificado de fo rça eletromotriz da


~___.._____. ~----------
24 V, r

bateria de 24 V.
L y A
34.2 Quando o inte rruptor, Y, está abert o, o am pe- X
rímetro regist a 1,5 A e a potência dissipada na
lâmpada de filamento incandescente, L, é 18 W.
Determine a res istência:
~---1 s,on
a) da lâmpada;
b) interna da bateria.

34.3 Quando o interrupt or, Y, está fechado, o amperímetro re gista 2,0 A. Ad mita qu e a resis-
tência da lâmpada se mantém constante. Determ ine:
a) a te nsão registada no voltímetro.
b) a resist ênc ia X.
e) a energia transferida para a lâmpada em 2 min.

140
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

35. O gráfico seguinte representa a curva teórica U(/) quando u I v


um dado recetor é ligado a um gerador. 12,0

35.1 Pode concl uir-se q ue o 8,0


(A) gera dor te m 4,0 Q de resistência interna.
(B) recet or tem uma resistência consta nte de 4,0 Q .
(C) recet or tem uma resistência constante de 0,25 Q.
(D) gerador tem 2,0 Q de resistência interna. o 2,0
li A
35.2 Verifica-se que a pot ência máxima que um gera dor pode fornecer a um circuito ocorre
quando a resistência do circu ito for igual à resistência interna do gerado r.
A potência máxima que o gerador po de fornecer é
(A) 18 W. (B) 32 W. (C) 16 W. (D) 24 W.

36. O circuito esquematizado ao lado representa uma .------1f·······I t-----,

bateria, de força eletromotriz E com uma resistên-


i-------1 V 2 i-------1
cia interna não desprezável, e resistências externas
de valor igual.
A relação que se verifica é A R

v+v +V
(A) t: = 1 2 3
.
R
(B) v1= v2e v1< V 3
.

(C) v2= v1+ v3. R


(D) E= V2 .

37. Um grupo de alunos montou um circuito com o objetivo de es-


tudar as características de uma pilha através do traçado da su a
curva característica U = f(/). Usaram a pilha, uma resistência va-
riável, um voltímetro e um amperímetro. Os dados foram regis-
tados na tabel a.
14,5
18,9
21 ,3
- 8,69
8,64
8,61

37.1 Q ual das montagens seg uintes pe rmite estudar as caracte- 27,5 8,54

rísticas da pilha? 34,3 8,46


58,4 8,19

141
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

37.2 Usando os valores obtidos, elabore o gráfico U(n e encontre a reta de ajuste.
Apresente, na sua folha de respostas, um esboço de gráfico, a equação da reta de ajuste
e, a partir dela, refira quais são a força eletromotriz da pilha e a sua resistênc ia interna.

37.3 Indique como se pode medir diretamente a força eletromotriz de uma pilha.

Energia, fenómenos térmicos e radiação

38. As figuras seguintes apresentam a mesma situação: uma com radiação visível e outra com
radiação infravermelha.

38.1 Explique o facto de a mão do homem ser visível na figura da direita, mas invisível na da
esquerda.

38.2 Na figu ra da esquerda , o saco é preto porque _ _ _ _ _ _ toda a radiação


_ _ _ _ _ _ que nele incide.
(A) absorve ... visível (C) emite ... v isível
(B) absorve ... infravermelha (D) emite ... infravermelha

38.3 Na figura da direita, o homem apa rece com os ócu los escuros porque as lentes
_ _ _ _ _ _ muito pouca radiação _ _ _ _ __
(A) absorvem ... visível (C) emitem ... visível
(B) absorvem ... infravermelha (D) emitem ... infravermelha.

39. Três corpos de massa igual, um de madeira (M), um de porcelana (P) e outro de alumínio
(A), são colocados num forno mantido a temperatura constante.

39.1 Após se ter atingido o equilíbrio térmico, a relação entre as temperaturas da madeira
(TM), da porcelana (TP) e do alumínio (TA) será
(A) TM= Tp = TA. (C) TM< Tp< TA.

39.2 Após se ter atingido o equilíbrio térmico, os três corpos


(A) apresentam energias internas diferentes.
(B) apresentam quantidades de calor diferentes.
(C) deixam de emitir radiação.
(D) deixam de absorver radiação.

40. No século XVIII, os físicos já tinham reconhecido que, ao colocarem em contacto dois cor-
pos a temperaturas diferentes, o de maior temperatura cedia energia ao de menor tempe-
ratura. Mas pensavam que, nesse processo, uma substância, invisível e sem peso, passava
do corpo quente para o corpo frio (teoria do calórico).

40.1 Descreva as experiências de Thompso n e de Joule, identificando o seu contributo para


o reconhecimento de que o calor é energia.

142
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

40.2 Cons ide re uma experiência semel hante à de Joule que possa rea lizar com o seguinte
material: tubo de cart ão ci líndrico de 1,0 m de com primento, fechado numa extremidade
e com uma t am pa na outra, esferas de ch umbo, termó metro e ba lança.

a) Descreva a expe riê ncia que realizaria te ndo po r obj etivo o estabe lecime nto da rela-
ção entre calor e trabalho, explic ita ndo as medições qu e deveriam ser realiz adas.

b) Exp lique os fund amentos teó ricos do mét odo uti liza do nesta experiência.

e) Para poder calcular, com base nesta experiência, o valor de uma ca loria em joules, é
necessário con hecer para além da variação de te mperatura das esferas de chumbo,
um dado sobre o chumbo. Conclua que d ado sobre o chum bo seria necessá rio.
Ap resente, num texto estruturado e com linguagem cient ífica adeq uada, a conclusão
sol icitada.

41. Montou-se um circuito com um painel fotovoltaico, um amperímetro e uma resistência va-
riável à qual se associa um voltímetro. Iluminou-se o painel com uma lâmpada fi xa a uma
certa distância e com incidência perpendicular. Variou-se a resistência e , com base nas
medidas do amperímetro e do voltímetro, elaborou-se o gráfico da potência fornecida à
resistência em função da diferença de potencial elétrico fornecida pelo painel que se re-
produz na figura seguinte.

Célula fotovoltaica

s 20 .,.-----.,.-----.,-....--.,.------.,.------.,.------.,.--------,-----,
~ 18 ·····•
Q 16
14
12
rrrr · ,· · ·,· -- ·· ·· ··r··r··,·-!··

....•..,.. ..,. .... .

10 ..~ ..:.. ~.. l.. .. L.~ ..~ ..L -- ~- ..........,..... .


. '
8 ..:. ..:.. .:.. ;.... :
6

o
o 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 UIV

41.1 Sel ecio ne o esquema do ci rcuit o construído.

(A) (C)
,-------1 A t-----,

(B) (D)
,-------1 A t-----, ,-------1 V >----.

143
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

41.2 Apresente a leitura que teria sido realizada no am perímetro para uma diferença de po-
tencial elétrico de 0,68 V.

41.3 Para q ue valores de diferença de potencia l elétrico o pai ne l fornece a potê ncia de 10 mW?
41.4 Determine a resistência elétrica na situação em qu e o rendiment o do painel é máximo.

42. Pretende-se dimensionar um painel fotovoltaico para alimentar um sistema elétrico cuja
potência é 500 W e que funciona, em média, 4,0 horas por dia. No local da instalação, a
irradiância, considerando apenas as horas de sol, tem um valor médio de 320 W m- 2 e há,
em média, 8 ,0 horas de sol por dia.
42.1 Indique o sign ificado físico do valor médio da irradiância solar no local da in stalação
fot ovo ltaica.
42.2 Qua l é o va lor médio da irradiância solar neste local em kW h m- 2 ano- 1?

42.3 A energia da radiação solar que incide, por unidade de t empo, num a determinada área
do pa in el não de pende
(A) da inclinação do painel relativamente à incidência da luz solar.
(B) do ti po de células fotovoltaicas utilizadas no painel.
(C) da hora do d ia.
(D) das con dições metereo lógicas.

42.4 Dete rmine o valor mínimo que a área do pa inel deverá ter, adm itindo que o seu rendi-
mento é, em média, 12%.

43. Nas regiões perto de grandes massas de águ a, mares ou lagos, ocorrem deslocações de
ar, tal como se mostra nas figuras . Estes movimentos contribuem para a moderação da
temperatura nessas regiões. As temperaturas do ar junto à água durante o dia e durante a
noite são muito próximas.

A B

TA ~'
~ -< - - - - - - - • - - • - .. -
~

Brisa marítima e brisa terrestre.

144
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

43.1 Descreva o meca nismo de transferência de energia ilustra do na fig ura.


43.2 Explique por q ue motivo a circulação de ar durante a noite é feita e m sentido oposto ao
da circulação diurna.

43.3 Esta beleça a correspondência entre as temperaturas indicadas na fi gura e os va lores


segu intes: 15 ºC, 18 ºC, 19 ºC e 23 ºC.

44. Se colocarmos um pouco de álcool sobre a pele temos uma sensação de frio, porque o
álcool
(A) encontra-se a uma temperatu ra inferior à da pele.
(8) fornece ene rgia, como ca lor, à pele.
(C) abso rve energia, como calor, da pele.
(D) encontra-se a uma tem peratura superior à da pele.

45. Sobre um recipiente contendo uma amostra de 150 g de hélio,


munido de um pistão móvel, exerce-se uma força que comprime
o gás, realizando sobre o sistema um trabalho de 36 kJ. A tem-
peratura aumenta 27,6 ºC e, como o recipiente não está isolado
termicamente, liberta 14 kJ por calor. Con sidere desprezável a
massa do recipiente.

45.1 Determi ne a va riação de energia interna da amostra de hélio no processo descrito.


45.2 Exp lique o significado de se desprezar a massa do recipie nte.
45.3 Se o volume do recipiente fosse constante, o trabalho realizado sobre a amostra de
hélio seria nulo. Para que ocorresse a mesma variação de temperatura, te ria sido neces-
sá rio que a amostra de hélio _ _ _ _ _ de ene rgia por calor.
(A) cedesse 50 kJ
(8) cedesse 22 kJ
(C) absorvesse 50 kJ
(D) abso rvesse 22 kJ

45.4 Qual d everia ter si do a variação d e temperatura da amostra de hélio se o reci piente
co ntivesse 100 g de hélio, ma ntendo-se const antes o traba lh o real izado e o calor?

46. Um sistema gasoso é aquecido da temperatura T; até à temperatura T1 mediante dois pro-
cessos diferentes: no primeiro, o trabalho realizado é nulo, absorvendo 420 J de energia
por calor; no segundo, há trocas de energia por trabalho, absorvendo 500 J de energia
por calor.
Pode con cluir-se que, no primeiro processo, a temperatura do sistema _ _ _ _ _ e que,
no segundo processo, a variação de energia interna do sistema é do que
soo J .
(A) aument a ... maior
(8) aumenta ... menor
(C) diminui ... maior
(D) diminui ... menor

145
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

47. Num coletor solar aproveita-se a radiação solar para o aquecimento de água. A figura é um
esquema dos principais componentes de um tipo de coletor solar:

• uma caixa fechada, contendo canos de cobre na forma de serpentina;


• uma placa pintada de preto fosco;
• uma tampa de vidro transparente.

Placa coletara
Tubo de aquecimento
Cobertura
transparente
r--~---,,~---i.--Material
isolante
Caixa _ _...,_ _ _ _ _ ___,,

Para uma irradiância solar de 8,0 W dm- 2 e uma área de absorção de energia igual a 10 m2 ,
verificou-se que 50 kg de água aqueceram de 25 ºC para 80 ºC numa hora.

47.1 Expli qu e porque é que a placa é pintada de preto.

47.2 Qual é a fu nção da tampa de vid ro tra nspare nte7

47.3 Calcule a energia que é absorvida, por hora, pela ág ua.


47.4 Determine o rendimento d este coletor nas condições d escritas.

48. Uma pessoa em repouso cede energia para o ambiente a uma taxa aproximada de 180 W.
Suponha que seis pessoas fi cam presas num elevador durante cinco minutos.
Dados: e., = 1,0 X 103 J kg- 1 0 c-1 e P., = 1,2 g dm- 3 •

48.1 Qua l é a energia total libertada pelas pessoas nesse intervalo de tempo7
48.2 Se toda essa energia fosse absorvida pelos 6,0 m3 de ar contidos no e levador, q ual
seria o aumento de temperatura do ar? Desp re ze a energ ia emitida pelo ar naqueles
cin co mi nutos.

49. A mesma energia é fornecida, por calor, a dois corpos M e N, sendo a massa de Mo triplo da
massa de N. Como resultado, esses corpos apresentam a mesma variação de temperatura.
Qual é a relação entre as capacidades térmicas mássicas, cM e cN, das substâncias que os
constituem?

50. Um bloco de alumínio X recebeu uma energia E por calor e a sua temperatura aumentou de
30 ºC para 150 ºC.

50.1 Se ao bloco de alumínio X tivesse sido fornecida uma energia 2E, q ual seria a sua va-
riação d e temperatura?
(A) 60 ºC (8) 240 °C (C) 270 ºC (D) 300 ºC

50.2 Considere um b loco de alumínio Y com o triplo da massa do bloco X.


Pa ra que o bloco Y sofra a mesma variação de temperatu ra que o bloco X , é necessário
qu e receba uma energ ia igual a
E
(A) E. (8) 3E. (C) - - (D) 9 E.
3

146
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

-
51. Um objeto metálico, de 95 g de massa, foi colocado num Capacidade térmica
recipiente com água em ebulição, à pressão normal, o mássica / J kg-1 0 c-1
tempo necessário para ficar em equilíbrio térmico com
A lumínio 9,0 X 10 2
a água. De seguida foi transferido para outro recipiente,
com 200 g de água a 10 ºC. A temperatura final do objeto Cobre 3,9 X 10 2

e da água foi 18 ºC. Sabe-se que o objeto é constituído Ferro 4,5 X 10 2


por um dos metais da tabela à direita.
Chumbo 1,3 X 102
51.1 Identifique o metal que constitui o objeto.
51.2 Determine o erro percentua l da medida da capacidade térmica mássica do metal.

51.3 Indiq ue um motivo que possa ter contribuído para esse erro.

52. A figura mostra um tanque cilíndrico de água cuja área da base é A = 4,0 m2
4,0 m 2 , havendo uma camada de gelo de espessura L na superfície da Ar
água. O ar em contacto com o gelo está a uma temperatura r., = -15 ºC,
enquanto a temperatura da água em contacto com o gelo é Tágua = 0,0 ºC.
Gelo
A variação de entalpia mássica de fusão da água é 3,34 x 105 J kg- 1 e a
densidade do gelo é 0,90 g cm-3 • Agua

52.1 Pode concluir-se que


(A) o calor é transferido do ar para a água.
(8) a temperatu ra da ág ua líquida em contact o com o gelo ma ntém-se constante.
(C) todo o gelo se encontra à mesma temperatura.
(D) a energia interna do sist ema gelo + água aumenta.

52.2 Para aumentar a espessura de 10 cm para 11 cm de gelo, é transferida para o ar, em


média, uma energia de 1,0 x 103 J s- 1. Quanto tempo demora o processo em que a es-
pessura do gelo aumenta de 10 cm pa ra 11 cm?

53. Aqueceu-se uma amostra de 800 g de água num recipiente com uma resistência elétrica ,
no fundo, de potência 400 W. A água encontrava-se inicialmente a 18,2 ºC e após 14 minu-
tos e 50 segundos atinge a temperatura de 100 ºC, entrando em ebulição.
A capacidade térmica mássica da água líquida é 4 ,18 x 103 J kg-1 0 c-1 e a sua variação de
entalpia mássica de vaporização é 2,26 x 106 J kg-1•

53.1 Qual é o mecanismo de transferência de energia por ca lor que se p rete nde aproveita r
colocando a resistência de aquecime nto no fundo do rec ipiente?

53.2 Determine o rendiment o do processo de aquecimento.


53.3 A energia que a amostra de água , a 100 ºC, tem que absorver para ser totalme nte va-
porizada é
6
2,26 X 10 )
(A) (2,26 x 106 x 0,800 x 100) J.
(C) ( 0,800 X 100 J.

(8) (2,26 X 106 X 0,800) J. 2,26 X 10 6 )


(D) ( 0,800 J.

53.4 Pretende-se dimensionar um painel fotovoltaico para alimentar apenas a resistência


elétrica de 400 W, que funciona, em média, 5,0 h por dia. No local da instalação, a irra-
diância, considerando apenas as horas de sol, tem um va lor médio de 320 W m-2 e há,
em média, 8,0 h de sol por dia.
Determine a área que o pa inel deve ter, admitindo q ue o seu rendimento é 12%.

147
FÍSICA 10.0 Ano

Questões propostas

54. Numa central termoelétrica, a combustão do carvão é utilizada para aquecer a água, que
se transforma em vapor. A alta pressão do vapor de água é utilizada para mover as pás
giratórias de uma turbina.
Considere que o calor produzido na combustão do carvão durante uma hora é Q , o traba-
lho realizado pelas forças exercidas na turbina é W e a energia elétrica produzida é E.
Para a situação descrita, qual é a expressã o verdadeira?
(A) Q = W= E (8) Q > W> E (C) Q = W > E (D) Q < W < E

55. Um bloco de 2,0 kg de gelo a -20 ºC foi Água em diferentes Capacidade térmica
aquecido até se transformar completamente estados mássica / J kg-1 0 c-1
em vapor de água a 120 ºC. Todas as trans-
Gelo 2 ,0 5 X 10 3
formações ocorreram a pressão constante.
Água líquida 4,18 X 103
Considere que a variação de entalpia m ássi-
ca de fusão da água é 3 ,34 x 105 J kg- 1 e a de Vapor de água 2,08 X 10 3
vaporização é 2,26 x 106 J kg- 1•

55.1 Relacione a energia absorvida pe lo sistema na fusão com a e nergia de vapori zação.
55.2 Qua l é o estado físico da ág ua em q ue para a mesma energia fornecida, como calor,
a va riação de tem perat ura é maior?

55.3 Qual dos gráfi cos seguinte s re p resenta corret ame nte a variação de te mpe ratu ra do
sistema com a e nergia forneci da?

(A) (C)
TlºC 120 - - - -.- - - - --' - - - . - - - --' - - - -- - - -- - - - - -' - - - --' - - . --' - - . TlºC 120 - - - ··-- - - --' --- -. - - ---' - - - --' - - - -' -- - - -' - - ---' -- - ---- -
100
'
' ' 1 '
'
'
100 ----:---
'
' ' ' ' ' ' . '
--:- ---f -- --:-----:--- -i- ---;;r.....;......;-
'

' ' . ' ' ' ' ' ' ' '
80 ----:-- --~ ---:-- --~----:----~- ---~----~---~-- --: 80 --- -:----~-- -- : ---- ~----:-- --~ ---
60
' ' ' . ' ' '
: ·· ... . :····; · · · :···;···· :····~··· ~··· ·: 60 ' '
. ' ' ' ' ' . ' '
1 ' ' ' '
- • • · ,• • • • -,•• - - • • • ••,- • • • •,• • • • .., • • - e• • • •.-• - • --,••••'

40 ' '
'

. ' ' .' .'' '' ...


' i ' • ' ' '
. • • • • • 1 • • • • •• • • • •• • • • • .J • ••• L • • • • •• • • • •• • • • • :
'
'
40 ·· · ·:····
' '' '
'
'
'
'
' .' '' ''
õ-- ·· ; ····:· · · ··:· ·· ·, · ·· ,• ·· ·:·-· · ·:· ··· !
'
- - - - - -... - . -... -- - .
' ' ' ' ' '
20 ~

.' .
'
'
'
'
'
20 ' ' ' ' ' '

01r-......-.....;.-...--~--+-.;.....--+'---ii·
- 20 ··········· ····· .... , ... :............ L.E:
(8) (O)
Tl º C 120
100
- - - ··• - - -
' . .
--. - - - .' - - --' - - - --·' - - - --- - - -- - - --. - - - --
. .'
-- -
'
Tl º C 120 -- •··· -- - --- -----
.
' '
-..-···1-··-.-----,-
---' - - ---- - - -- - ---- ---- -- - -- -- .
' '' ' .'
- '
··,· 1
•• • 1' - - '
-.- ' • '
100 - -,----
'
+ '
' '

'
' '
-, .,
80 ----;----~----~----~----: -- ~----~----~---~----: 80 ----:----~----!----~----:- -~----~----.----~----!
'
60 .. : ··~···: ·:"·
' ' ' ..
-~·· .. :·· ~-·· '.····:
'
60
+ • ' '

··:····~· · :·· .. :· .: ··:····: · ·:·"· ~· ·:


'

. . ' ' . ' ' ' . . ' ' ' . ' '
. .
40 --· -:- ----:- --· ! - .. -:- - - -:- · - -~ - · - · ~ · · --:- - · · -:- · · ·;
' ' . ' . 40 ····:····ô····;····;· •· ····:····;·· · ·:·····:····;
+ ' • ' ' ' ' • 1 '

20 ····:·········:····: ··:····:····:····:···~· ··:' 20 ····:·' -;••··:···


. . :·· ~····:····:····:····~····:
o ' ' ' . .
'
- 20 ... :.... ; ... : .... ( ....:.... : .... :...~ ... ;.. (
' ' '
- 20
o----·--..·-;-•..-;·- -----·-·
' ' ' . ' '

56. O gráfico seguinte representa a variação de temperatura de duas amostras, Me N, de igual


massa mas de materiais diferentes, em fun ção da energia fornecida .

Energia
Qua l dos materia is, d a a most ra M ou d a N, tem m aior cap acidade térmica m ássica?
Justifique.

148
DOMÍNIO 1 Energia e sua conservação

57. Um grupo de alunos realizou uma experiência adicionando 30,0 g de gelo em pequenos
pedaços, à temperatura de 0,0 ºC, a 260,0 g de água líquida, a 20,0 ºC. Verificaram que
a água líquida, resultante da mistura, atingiu o equilíbrio térmico quando a temperatura
estabilizou a 11,0 ºC. Com base nos resultados obtidos experimentalmente, os alunos esta-
beleceram o balanço energético do sistema.

57.1 Enquanto os pequenos pedaços de gelo se f undem, a sua energia interna _ _ _ _ e


a sua temperatura _ _ __
(A) mantém-se ... mantém-se
(8) aumenta ... aumenta
(C) mantém-se .... aument a
(D) aume nta ... mantém-se

57.2 Indique em que lei se baseia o estabelecimento do balanço energético do sistema.


57.3 Determine o va lor experimental da entalpia mássica de fusão, /:ihrusão' da água, obtido
pelos al unos.

57.4 Para a água , encontraram numa tabela: /:ihrusão = 3,34 x 105 J kg-1.
Comparando este valor com o que foi obtido pelos alunos, conc luíram que o sistema
água+ gelo não era isolado. Conclua.j ustificando, em que sentido terá ocorrido a trans-
ferência de e nergia do sistema água+ gelo com o exterior.
Apresente todas as etapas de resolução.

58. Considere a amostra de um líquido de massa 0,34 kg e à temperatura de 27 ºC, e uma


outra amostra do mesmo líquido, de massa 0 ,20 kg e à temperatura de 5 ºC. Admita que
estas amostras foram misturadas num recipiente termicamente isolado e que a transferên-
cia de energia entre a mistura e o recipiente foi desprezável.
Determine a temperatura à qual a mistura atingiu o equilíbrio térmico.

59. No interior de um bloco de alumínio, de massa 1,100 kg , um grupo de alunos colocou uma
resistência elétrica que ligou a um circuito. Um amperímetro indicou 2,6 A na resistência e
um voltímetro indicou 7,5 V nos seus terminais. Usando um cronómetro e um termómetro
obtiveram os valores indicados na tabel a para a temperatura do bloco de alumínio em seis
instantes diferentes. Admita que toda a energia fornecida contribuiu para o aumento de
temperatura do cilindro de alumínio.

Míi◄IBI
O 18,7

60 19,8
120 21,1
180 22,3

240 23,4
300 24,5

Determine a capacidade térmica mássica do alumínio a partir de um gráfico adequado.


Apresente o esboço do gráfico e a reta de regressão encontrada.

149
Física
11.ºAno
FÍSICA 11.0 Ano

Domínio 1
Mecânica
30
1.1 Tempo, posição e velocidade z
P(x, y, z)
1.1.1 Posição, deslocamento, distância percorrida •
e sentido do movimento o y

X
Movimentos retilíneos e gráficos posição-tempo
20
Para estudar o movimento pode usar-se coordenadas
cartesianas. Estas coordenadas resultam de um refe-
rencial com três eixos orientados, com uma origem co-
mum (O) e perpendiculares entre si. Neste referencial ,
a localização de um ponto, ou a sua posição, é dada
pelas coordenadas cartesianas x, y e z (Fig.1.1). Se uma
l: _~
o
10
partícula (ou o centro de massa de um corpo) se des-
locar num plano, é suficiente o uso de dois eixos (duas P(x) X

coordenadas); se apenas se deslocar em linha reta, o


um eixo é suficiente para a loca lizar (uma coordenada). Fig. 1.1 Sistema cartesiano a três
dimensões, a duas dimensões e
Uma partícula está em movimento quando, em rela- a uma dimensão

ção a um referencial , a sua posição varia no tempo.

Trajetórias Características

A linha que une os sucessivos pontos ocupados pela


Curvilínea
partícula é uma linha curva.

A linha que une os sucessivos pontos ocupados pela


Retilínea
partícu la é uma linha reta.

Trajetória de uma partícula é a lin ha que une os su-


cessivos pontos por onde ela passou.

Deslocamento, sentido do movimento e distância percorrida


A grandeza que indica a variação de posição chama-
-se deslocamento. Independentemente da trajetória,
o deslocamento é um vetor com origem na posição
inicial e extremidade na posição final , simbolizado por
l'-,.r (Fig. 1.2).

Num movimento retilíneo, para um eixo coincidente x, X

com a trajetória, chama-se componente escalar do


deslocamento, segundo o referencial Ox, à diferença
entre as coordenadas da posição final e da posição x, X

inicial (Fig. 1.3): âx = x 1 - x;


Fig. 1.2 Deslocamento.

152
DOMÍNIO 1 Mecânica

o x, ------+ x2

Fig. 1.3 Deslocamento e componente escalar do deslocamento num movimento retilíneo.

O sinal desta diferença é o do sentido do movimento.

Sentido do movimento

>O positivo do referencial

<O negativo do referencial

A distância percorrida sobre a trajetória ou espaço percorrido, simbolizado pela letras, é o


comprimento do percurso efetuado.
Num movi mento curvilíneo, o espaço percorrido é sempre maior do que o deslocamento.
Num movi mento retilíneo:
• se não ocorrer inve rsão no sentido do movimento, o espaço percorrido é igual ao módu-
lo do deslocamento: s =IMI =lx1
- x;I;
• se ocorrer inversão no sentido do movimento, o espaço percorrido é igual à soma dos
módulos dos deslocamentos em cada um dos sentidos.

1. Colocou-se um carro de brinquedo em xl cm


movimento e elaborou-se o gráfico des- 40
se movimento.

Ili
o t--'----<~--+~~ ~ - - + - -,H-~ - + - ~ - - - >
1.1 Indique qual é o tipo de trajetória. 2,0 : 4 ,o : 12_,o :
···•···:· ..:··t·: .···:··:·.. : tis
1.2 Em que instante o carro passa pela
-40

:
- ·:· - - . - . ~ - - -:- . - ~ .. -:- -
' ' ' • '
'

:
+
'
••
. ~. . ~ .. ·:· - . ~
' ••
,_ ~ • • '. .. • ' - - .. • ~ • • • _,_ • • J - • '• • - . . . . . ~

origem das posições?

1.3 Calcule a componente escalar, segundo o referencial Ox, do deslocamento nos


intervalos seguintes: [O, 1] s; (3, 6] s e (8, 11] s.

1.4 Qual é o sentido do movimento para os intervalos de tempo anteriores?

1.5 Comente a frase: «Entre 2 se 4 s, o deslocamento foi nulo mas existiu movimento.»

1.6 Determine a componente escalar, segundo o referencial Ox, do deslocamento


entre O se 12 s e calcule a distância percorrida.

& 1.1 A trajetória foi retilínea (foi necessária apenas uma coordenada de posição).
1.2 No instante 6,0 s.
1.3 [O, 1] s ➔ M = x 1 - x0 = (20 - 20) cm = O cm;
[3, 6] s ➔ M = x 6 - x 3 = (O - 60) cm = -60 cm;
[8, 11] s ➔ M = x 11 - X8 = [40 - (-40)] cm= 80 cm.

1.4 [O, 1] s ➔ M = O cm • o carro esteve parado;


[3, 6] s ➔ M = -60 cm .. sentido negativo do referencial;
[8, 11] s ➔ M = 80 cm .. sentido positivo do referencial.

153
FÍSICA 11.0 Ano

& 1.5 O deslocamento entre 2 s e 4 s é nulo, & = x 4 - x = (40 - 40) cm = O cm,


2
mas o carro moveu-se, afastando-se da posição onde estava e depois apro-
ximando-se de novo, após uma inversão no sentido do movimento. O des-
locamento é nulo porque a posição final coincide com a posição inicial.

1.6 [O, 12] s ➔ & = x - x = (40 - 20) cm = 20 cm.


12 0
Do gráfico verifica-se que de 1 s a 3 s, a posição (x) vai tomando valores maiores,
o que significa que o carro se move no sentido positivo. Como de 3 s a 8 s, os
valores da posição diminuem, neste intervalo de tempo o carro move-se no
sentido negativo. De 8 s a 11 s, os valores das posições aumentam, então o
carro move-se no sentido positivo. Entre O s e 1 s, e também entre 11 s e 13 s,
o carro esteve parado. O espaço percorrido foi s = lx3 - x,I + lx8 - X 3 1+ lx,1 - X8 1 =
(160 - 201 + 1-40 - 601 + 140 - (-40)1) cm = 220 cm

2. Todas as manhãs um estudante anda 10 km de bicicleta, de sua casa para a escola.


Depois das aulas volta para casa usando o mesmo percurso. Na sua viagem diária,
o módulo do deslocamento do estudante é ______ e a distância percorrida
é _ _ _ _ __

(A) O km ... O km (B) O km ... 10 km (C) 20 km ... 20 km (O) O km ... 20 km

& (O) Como as posições final e inicial coincidem, o deslocamento é nulo. No en-
tanto, foram percorridos 10 km num sentido e 10 km no outro, o que dá um
espaço percorrido de 20 km.

1.1.2 Velocidade

A velocidade (ou velocidade inst antânea) é uma gran- V


deza vetorial que informa sobre a rapidez com que um
corpo muda de posição, tem a direção da tangente à
trajetória em cada ponto e tem sempre o sentido do mo-
Fig. 1.4 A velocidade é ta ngente à
vimento (Fig. 1.4). trajetória e te m o sentido do movimento.

A velocidade só será constante se a direção e o módulo não va riarem e o sentido permanecer


invariável. A veloc idade va ria se mu da r a direção ou o módulo. Se os sentidos de duas ve lo-
cid ades forem opostos, elas serão diferentes.

Na Fig. 1.4 as velocidades in dicadas para o avião são todas diferentes, embora em alguns
casos o velocímetro possa indicar o mesmo va lor - o que significa que têm o mesmo módulo.

A velocidade média, vm , é uma grandeza vetori al com a direção e o


sentido do deslocamento dada pelo quociente entre o deslocamento
e o interva lo de tempo em que ocorreu esse deslocamento (Fig. 1.5 ):

vm
= t'!,.f (traduz o modo como o deslocamento varia por unidade de tempo).
M
No caso de um movimento retilíneo, a componente escalar da veloci-
dade média, v , é dada pela expressão: v = ó.X
m m ó.t Fig. 1.5 Velocidade
média e deslocamento.

154
DOMÍNIO 1 Mecânica

3. Considere o gráfico da figura referente ao movi- xl m


4 ...... ,..... . ···• .... ,.
mento de um corpo.
3 ·······,······ ....•... . ..
3 .1 Qual é a relação entre as componentes es-
B
calares da velocidade média do corpo nos
diferentes intervalos?

(A) VA > VB = vc > VD (C) VA = vc > VB > VD


(B) VA > vc > VB > VD (D) VB < vc < VA < VD o 2 3 4 5 tis

3.2 O corpo move-se mais rapidamente no intervalo ______, percorrendo no


total uma distância de _ _ _ __

(A) [O, 1] s ... 6 m (B) [O, 1] s ... 3 m (C) [3, 5] s ... 6 m (D) [3, 5] s ... 3 m

1,). _ (2 - O) m _ _1_ _ (3 - 2) m _ _1_ _ (2 - 2) m _ _1_


~ 3.1 (B). vA- ( _ O) s - 2 m s , vc - ( _ ) s -1 m s , v8 - ( _ 1) s - O m s ,
1 3 2 2
_ (O - 3) m _ _1
V0 - ( _ )S - -1,5 m S .
5 3
3.2 (A). O movimento é tanto mais rápido quanto maior for o módulo da veloci-
dade média. O corpo desloca-se 3 m no sentido positivo (de x = O a x = 3 m)
e 3 m no sentido negativo (de x = 3 m a x = O m): percorre 6 m (o seu deslo-
camento é nulo, pois regressa à posição inicial).

1.1.3 Velocidade em gráficos posição-tempo e gráficos velocidade-tempo,


para movimentos retilíneos
Num gráfico posição-tempo, pode-se con hecer a posiçã o em cada instante e det erminar a com-
ponente escalar da velocidade média e a velocidade.
11x
Ili
Sendo vm = Af a componente escalar da velocidade x
média, podemos ca lculá-la se conhecermos as posições xs
e os instantes respetivos.
Tomemos, no gráfico da Fig. 1.6 , três posições, xA, X8 e
Xc
x0 e os instantes correspondentes. Para os interva-
los de tempo [tA, t0 ] e [t8, tc], a componente escalar da
X -X
velocidade média será, respetivamente: vm = ts _ t A
Fig. 1.6 Determinação gráfica d a
X - X B A
declive da reta (I); vm = t--f declive da reta (li).
C - B
co mponente escalar da velocida de média.

A componente escalar da velocidade média é igual ao declive da reta que passa pelos
pontos (t, x) nos instantes considerados.

Se os interva los de tempo diminuírem até próximo de zero, a reta cujo declive dá a componen-
te escalar da velocidade média passará por um ponto no gráfico e por outro imediatamente a
seg uir. No limite, quando o interva lo de tempo tende para zero, esta reta é tangente ao gráfico.

O declive da reta tangente ao gráfico x(t) dá a componente escalar da velocidade num instante.

155
FÍSICA 11.0 Ano

O gráfico A da Fig. 1.1 mostra o processo de determi-


nação das componentes escalares da velocidade; o B
A
mostra o correspondente gráfico velocidade-tempo.

A componente escalar da velocidade é positiva até t1


porque os declives das tangentes são positivos, mo-
vendo-se por isso o corpo no sentido positivo. Em t1
e t3 , os declives das retas tangentes ao gráfico x(t)
são nulos, anulando-se a velocidade nesses instan-
tes. De t1 a t3 , a componente escalar da velocidade é B
negativa, movendo-se o corpo no sentido negativo;
o seu módulo aumenta e depois diminui. Entre t 3 e
t4 , a componente escalar da velocidade é positiva,
aumentando e diminuindo de seguida, movendo-se
sempre no sentido positivo. A partir de t 4 , a velocida- Fig. 1.7 Construção do gráfico da componente
escalar da velocidade.
de é nula, ou seja, o corpo está parado.

A partir do gráfico velocidade-tempo determina-se o sentido em que se dá o movimento,


o deslocamento e a distância percorrida. Se a componente escalar da velocidade for positiva,
o movimento dá-se no sentido positivo, mas, se for negativa, dá-se no sentido negativo.

Num gráfico v(t), a componente escalar do deslocamento é dada pela área entre a linha do
gráfico v(t) e o eixo dos tempos.

No gráfico da Fig.1.8 o deslocamento no sentido posi-


··---:--- ---:- ----·:···· ·;--- --·:
tivo corresponde à área com cor laranja, e no sentido . .
negativo à área com cor azul. As suas componentes
escalares são, respetivamente:
-4
4 X 1
~
1
=(2 x - -
2
+4 x 1) m =8 m e ~ 2
=-8 m Fig. 1.8 Gráfico da componente escalar
da velocidade e do deslocamento.

4. Um carro efetua uma manobra numa trajetória retilínea coincidente com um referen-
cial Ox. Na figura registaram-se algumas posições da situação e o gráfico mostra como
variou a posição em função do tempo.

F E o A C B

- 60 - 50 - 40 - 30 - 20 - 10 o 10 20 30 40 50 60 x l m

4.1 Calcule a componente escalar da velocida-


~ 60 ...
:s·
de média entre as posições A e F. )(

40
4.2 Pode afirmar-se que o carro 20
(A) se deslocou 30 m no sentido positivo. o >----1-:0 - -2-0_ ...,.__ _4_0 _ _5_
·0-t-/➔
s

(B) a partir da posição D moveu-se no senti- - 20


do negativo. --40 ...•....
. F
(C) percorreu, no total, uma distância de --60 ...., ....•..•... ......•.......•.

50 m no sentido negativo.
(D) percorreu 120 m entre A e F.

156
DOMÍNIO 1 Mecânica

4.3 A componente escalar da velocidade do carro foi


(A) nula na posição D. (C) 0,5 m/s entre as posições A e C.
(8) nula na posição B. (O) 4 m/s entre os 25 se os 35 s.

4.1 Usando v = xF - xA = (-
50 - 3 0) m = -1 6 m s-1.
m tF - tA (50 - O) S '

4 .2 (O). No sentido positivo, o carro moveu-se da posição A para B, deslocan-


do-se 20 m. A partir da posição B, o carro moveu-se no sentido negativo
percorrendo 100 m. No total o carro percorreu 120 m.

4.3 (8). A componente escalar da velocidade, ou seja , a tangente ao gráfico tem


declive nulo no ponto B, variável entre A e B e -4 m/s entre os 25 se os 35 s.

5. A posição de um ca rrinho que se desloca ao longo de uma trajetória retilín ea é dada


pela expressão x = - 3t2 + 20 t-10 (SI) no interva lo [O, 5] s. Utilize a calculadora gráfica.

5.1 Represente o gráfico da posição, x, do carrinho em função do tempo, t, no intervalo


[O, 5] s.

5.2 Em que in stante e em que posição ocorreu a inversão no sentido do movi mento?
5.3 Construa uma tabela dos va lores da velocidade a interva los de um segu nd o.
5.4 Com base nos dados obtidos, elabore o gráfico da velocidade em função do tempo.

Q 5.1

Com Texas T/-83 ou T/-84.

Escrever ,Y1 EI -3x~+20x-10


Com Casio FX-9850 ou FX-9860
Ili
No (MENU ] escolher (GRAPH )e pressionar
Usar a tecla [5':=] para escrever a função. (EXE) para escrever a fu nção; pressionar
novamente.

Y1 e X na calculadora representam , respetivamente, x (posição) e t (tempo) da expressão


do enunciado. Para elaborar o gráfico notar que t (X na máquina) varia de O a 5 s, a que
correspondem o x (Y na máquina) de -10 m e 15 m. Pode escol her-se a escala com os
seguintes limites: Xm in = O; Xmax = 5; Ymin = -15; Yma x = 25.

Pressio nar suce ssivament e as t eclas


Usar a tecla [WINDOW) ou, em alternati-
( SHIFT ) e F3 - V - Window - ou, em alter-
va, depois de escolher os limites para X,
nativa, depois de escolher os lim ites para
pode usar-se a tecla ZOOM e pressionar
X, usar a tecla F2 - Zoom - e pressionar
O - Zoom Fit ; usar a tecla GRAPH .
F5 - AUTO; usar a tecla F6 - DRAW.

Obtém-se o gráfico 1.
Deve colocar-se x nas ordenadas e t nas abcissas.

Gráfico 1

157
FÍSICA 11.0 Ano

a 5.2 Existe inversão num máximo ou mínimo relativo da função x(t). O máximo
pode ser determinado do seguinte modo:

Usando sucessivamente (E) e [ CALC F4 ), Pressionar sucessivamente as teclas


escolhendo depois a opção 4 (máximo) ( SHIFT), FS - G-Solv e F2 - MAX.
e definindo os limites esquerdo e direito
....._____
de forma que o máximo esteja contido
entre eles.
A máquina dá os valores de X = 3,33 ➔ dY ✓ dx= o Mtn:
H=3. 3333i3 I 82 V:23. 33333333
t = 3,33 s e Y = 23,3 ➔ x = 23,3 m.
Coordenadas do máximo: ecrã da Casio.

5 .3 Determinar a tangente num ponto qualquer do gráfico:

Pressionar sucessivamente~,(DRAW C], Pressionar sucessivamente as teclas


a opção 5 (tangente), o valor de x e (ENTER]. ( SHIFT), F4 - Sketch e F2 - Tang - o
valor de x e ( EXE] duas vezes .

....._____

Gráfico 2 Gráfico 2
v:Bt•ii!
H=2 V=II

Para o instante 2 s, por exemplo, obtém-se o gráfico 2. O declive da tangente


é 8 m/ s (y = 8x + 2). Assim, calculando os declives da tangente em cada instan-
te, pode construir-se a tabela de velocidade em função do tempo.

V/ m s-1 20 14 8 2 -4 -10

tis o 2 3 4 5

5.4 O gráfico da velocidade em função do tempo é o gráfico 3. ~


Na resolução no papel deve colocar-se v / m s-1 nas coor-
denadas e t / s nas abcissas.
Gráfico 3

6 . O gráfico representa a componente escalar, 1,,


E 8
segundo um referencial Ox, da velocidade,
----
::,
v, de uma locomotiva, em fun ção do tempo, 4 -·--•---------- ---- ----,-- ------- --------·
1

'
o
'
o

..'
O

..
1

'

t. Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) o


2
cada uma das afirmações seguintes. -4
(A) A locomotiva desloca-se no sentido nega-
tivo do referencial entre 3 se 5 s.
(8) A locomotiva desloca-se 8 m no sentido negativo do referencial.
(C) Em t = 3 s, 6 se 7 s há inversão do sentido do movimento.
(D) A locomotiva esteve parada durante os primeiros 3 s.
(E) No intervalo [5,0; 6,0] s a locomotiva move-se cada vez mais devagar.
(F) No instante em que inverte o sentido do movimento, a componente esca lar da
posição da locomotiva é 40 m.
(G) A componente escalar da velocidade média nos primeiros 5 s é 6,4 m/ s.

158
DOMÍNIO 1 Mecânica

a 6 . Verdadeiras: (8) e (G).


(8) - Entre 5 s e 8 s, a componente escalar, segundo Ox, do deslocamento é
1
!).x = 2 x (-4 ) m s- x 1 5 + (-4) m s- 1 x 1 s = -8 m.
2
2
(G) - Nos primeiros 5 s, a componente escalar, segundo Ox, do deslocamento é
8 m s-1 x 2 s 32 m
~x1 = 2 + 8 m s-1 X 3 s = 32 m , logo, vm = 5s = 6,4 m s-1•
Falsas: (A), (C), (D), (E) e (F).
(A) - A locomotiva desloca-se no sentido negativo do referencial entre 5 s e 8 s
(v < O).

(C) - Há inversão no sentido do movimento em t = 5 s (instante em que v muda


de sinal).
(D) - Durante os primeiros 3 s andou 24 m.
(E) - Entre 5 s e 6 s o módulo da velocidade aumenta, ou seja , a locomotiva
move-se cada vez mais depressa.
(F) - Inverte o sentido do movimento em t = 5 s e após ter percorrido 32 m
(desconhece-se a componente escalar da posição por ser desconhecida a po-
sição inicial).

1.2 Interações e seus efeitos


1.2.1 As quatro interações fundamentais na natureza
As forças são uma manifestação das interações entre corpos.

Todas as forças da Natureza podem ser agrupadas em quatro forças fundamentais que
atuam e ntre partículas a uma certa distância umas das outras:
Ili
• gravítica: força que os corpos com massa exercem uns sobre os outros; como é muito fraca,
é necessário ter pelo menos uma massa muito grande, como a de um planeta, para que se
possa detetar o seu efeito;
• eletromagnética: a força e létri ca, que as cargas e létricas exe rcem umas sobre as outras, e
a magnética, que as correntes e létr icas ou ímanes exercem uns sobre os outros;
• nuclear forte: responsável pela estabil idade nuclear, ou seja, a fo rça que une protões e
neutrões no interior do núcleo;
• nuclear fraca: responsável pela transformação de certos núcleos em que um neutrão se
transforma num protão, ou v ice-versa.

Destas forças, a gravít ica e a elétrica anu lam-se para uma distância infinita. Mas as forças
nuclear forte e fraca só se fazem sentir para distâncias inferiores ao tamanho do núcleo da
maioria dos átomos: diz-se que o seu a lcance é muito curto. Para partícu las fundamentais
pode associar-se uma intensidade re lativa às forças de interação ent re elas.

As forças designam-se por forças de contacto quando a ordem de grandeza das dimensões
dos co rpos que interagem é muito maior do que a ordem de grandeza das distâncias entre as
partículas responsáveis por essa interação.

159
FÍSICA 11.0 Ano

Gravítica Eletromagnética
h@iiil&N Nuclear fraca

Atração e repulsão
Atração entre Estabilida de
entre cargas Decaimento beta
massas nuclear
elétricas

:f
u antineutrino

~
Terra \
V neutrão n p protão
Lua
) e eletrão

Intensidade 10-40 10-2 10-s


relativa

Alcance Infinito Infinito 10-1s m 10-1G m

i+i%1·i·IH1-ili·I
7. Todas as forças têm origem em quatro interações fundamentais.
7.1 Sobre as forças fundamentais pode afirmar-se que
(A) a menos intensa é a força nuclear fraca.
(B) as nucleares são de curto alcance.
(C) a nuclear forte é responsável pela interação entre os núcleos dos átomos na
molécula de hidrogénio, H2 .
(D) a força gravitacional não existe quando saímos da Terra para o espaço.

7.2 Quais são as interações fundamentais relevantes nas situações seguintes?


1- Interaçã o entre o núcleo de um átomo e os eletrões que o rodeiam.
li - Interação entre dois protões de um núcleo de um átomo de hélio-4.
Ili - Interação entre os dedos e um teclado.

~ 7.1 (8). A força fundamental com menor intensidade relativa é a gravítica e as


de menor alcance, apenas da ordem dos núcleos atómicos, são as nucleares.
A gravitacional, tal como a eletromagnética, tem um alcance infinito.
7.2 1 - Interação eletromagnética. li - Interações nuclear forte e eletromagnética.
Ili - Interação eletromagnética.

1.2.2 Terceira Lei de Newton

Quando um jogador dá um pontapé numa bola, a


bota exerce uma força na bola (a ção) mas a bola
também exerce uma força na bota (reação). Este
par de forças, par ação-reação, traduz a interação
entre dois corpos, a bota e a bola (Fig. 1.9 ).

Fig. 1.9 Interação bola-bota.

160
DOMÍNIO 1 Mecânica

A Terceira Lei de Newton, ou Lei da Ação-Reação, traduz a relação entre a ação e a reação:

Sempre que um co rpo A exerce uma força sobre um copo B, F AJB' est e também exerce
uma força sobre o corpo A de igual mód~lo e dir_;ção, F atA, mas de sentido oposto, ou
seja, F atA = - F AJa·

Quando um corpo cai para a Terra, esta exerce uma força sobre o
corpo, para baixo, mas o corpo também atrai a Terra, puxando-a
para cima (Fig. 1.10). Como as forças produzem efeito nos corpos ~
CM
em que atuam e as forças de um par ação-reação atuam sobre
corpos diferentes, o seu efeito sobre cada um dos corpos não
é nulo. Terra
Fig. 1.10 Interação Terra-corpo.

1+1%1·i·it4Hffi+M
8. Uma maçã está pousada sobre uma mesa.
8.1 Trace o diagrama de forças que atuam sobre a maçã, fazendo a legenda.

8.2 Represente e caracterize o par de cada uma das forças que atuam sobre a maçã.

& 8.1
N = força normal;
P = peso da maçã.

8 .2 A força normal N é a força que a mesa exerce sobre a maçã; o seu par é a
força N' = -N que a maçã exerce sobre a mesa, de direção vertical, sentido
para baixo e intensidade igual à da força normal.
O peso P é a força gravítica que a Terra
exerce sobre a maçã e o seu par é a força
P' = -P que a maçã exerce sobre a Ter-
ra, de direção vertical, sentido para cima
fJ
Ili
e intensidade igual à do peso.

1.2.3 Lei da gravitação universal

Tod os os corpos no Universo, por terem massa, exer- M m


f F'
cem forças de atração gravítica uns sobre os outros. Um • o-------> +----- .
corpo de massa M atrai um corpo de massa m com uma
força F e, por sua vez, o corpo de massa m também r
atrai o corpo de massa M com uma força P. Estas duas
forças formam um par ação-reação: P = -P (Flg. 1.11). Fig. 1.11 Atração un iversal.

A Lei da Gravitação Universal, formulada por Newton, diz que a força de atração gravítica
atua segundo a linha que une os ce ntros dos dois corpos, considerados pontuais, é direta-
mente proporcional às suas massas, M e m, e inversamente proporcional ao quadrado da
distância, r, entre os seus centros. A expressão matemática que traduz a sua intensidade é:

F = G Mm, em que G = 6,67 x 10-11 N m 2 kg-2 é a constante de gravitação universal.


r2

161
FÍSICA 11.0 Ano

Os corpos caem em direção ao centro do planeta (Fig. 1.12) em que


se encontram devido a esta força gravítica. Por exemplo, na Terra
o peso de um co rpo de massa m a uma altitude h é a força gravíti-
ca que o planeta Terra , de massa mT e raio RT, exerce nesse corpo
que se encontra a uma distância r = RT + h do centro da Terra:

Fig. 1.12 O peso


é a força gravítica
exercida pelo p laneta.

9. Newton percebeu que se lançasse, de um ponto muito alto,


balas de canhão com velocidades cada vez maiores, a partir
de um certo va lor de velocidade, a bala entraria em órbita da
Terra , desprezando a resistência do ar.
: ,. ·~
A.
B
E

. ..
Esta experiência imaginada permitiu a Newton concluir que e
(A) a força que faz cair uma bala de canhão tem a mesma na- D
tureza da força que mantém a Lua em órbita.
(B) é possível coloca r satélites em órbita da Terra.
(C) quanto maior for a velocidade da bala, menor será a força gravítica.
(D) para velocidades muito elevadas, a força de atração gravítica anula-se.

Q (A). Newton concluiu que a força que mantém a Lua em órbita tem a mesma
natureza que a força que faz os objetos cair. As diferentes trajetórias resultam
de diferentes velocidades. Mas em todas as trajetórias a Terra exerce uma força
gravítica sobre a bala que depende da distância entre o centro da Terra e a bala,
assim como das suas massas.

10. O raio da órbita da Lua em redor da Terra é igual a 60 raios da Terra , enquanto o
da Estação Espacial Internacional (EEI) é de 1,05 raios da Terra. A intensidade da
força exercida pela Terra sobre a Lua é de 2,0 x 10 20 N, enquanto a exercida sobre
6
a EEI é de 3,7 x 10 N.

10.1 Quantas vezes aumentaria a força exercida pela Terra sobre a Lua se a sua
trajetória fosse igual à da Estação Espacial Internacional?

10.2 Relacione as massas da Lua e da EEI.

10.3 Porque é que a força gravítica exercida pela Terra na Lua é muito maior do
que a exercida pela Terra na EEI?

Q 10.1 Pretende comparar-se a intensidade da força F' que a Terra exerceria sobre a
Lua se esta tivesse uma órbita de raio r' = 1,05 Rr com a intensidade da força
F que a Terra realmente exerce na Lua, cuja órbita tem de raio r = 60 Rr:

F' A força sobre a Lua


F aumentaria 3300 vezes.

162
DOMÍNIO 1 Mecânica

10.2 A p artir d a relação entre as forças exercidas na Lua e na EEI, e conhecendo


os raios das órbitas, é possível relacionar as suas massas:
Mr mL
FTIL G (60 RT)2 ~ 2 ,0 X102º m
L
x 1,052
~ _
m
L = 18 X 10 17
G M r mEE1
3 ,7 X 106 m EEI X 602 mEEI '

(1 ,05 RT)2

10.3 Embora a EEI esteja 57 vezes mais próxima do centro da Terra do que a Lua,
a massa da Lua é cerca de 1017 vezes maior do que a d a EEI.

1.2.4 Efeito das forças sobre a velocidade: a aceleração


Sempre que sobre um corpo atu ar uma ou mais forças não contrabala nçadas por outras, a
sua veloc idade, v,é alterada. A velocidade pode va riar em módulo e em direção.
A soma das forças que atuam sobre um corpo designa-se resultante das forças ou força
resultante. Se o corpo estiver em repouso, a força resulta nte co loca -o em movimento.

Se a resultante das forças tiver a direção da velocidade, só va ria o módulo da velocidade, o


que significa que o movimento é retilíneo. O módulo da velocidade aumenta se a resu lta nte das
forças tiver o mesmo sentido da ve locidade (movimento acelerado) - Flg. 1.13 - e diminui quando
a resultante das forças t em sentido oposto à ve locidade (movimento retardado) - Flg.1.1 4.

- V,
--->

t,
Fig. 1.13 M oviment o acele rad o .
->
V,

t,
V,
<-

t,
Fig. 1.14 Movimento retardad o .
<--
V,

t,
f
Ili
Os movimentos em que o módulo da ve locidade va ria dizem-se variados. Se o mó-
dulo da ve locidade for co nstante, o movimento diz-se uniforme. -
Se a resultante das forças não tiver a direção da velocidade, o movimento é curvilí-
neo. Neste caso, pode decompor-se a resultante das forças em duas direções
a com ponente perpendicular à velocidade (componente normal) faz variar a direção
da velocidade e a com ponente paralela à ve locidade (componente tangencial) fa z
(F1g. 1.1s):
I 0
-
F
F

"""""
-.

Fig. 1.15 Co mpo nent es da


fo rça.
varia r o módulo da velocidade. Quando a força é perpendicu lar à ve locidade a dire-
ção do movimento varia, mas o módu lo da velocidade permanece consta nte.

A aceleração média t raduz a va riação da ve locidade por unidade de tempo


para um certo intervalo de tempo (unidade SI: m s- 2) :

dº - Ó.V
ace 1eraçao me 1a = am= M
N ,

163
FÍSICA 11.0 Ano

A aceleração média é uma grandeza vetoria l co m a mesma


direção e sentido da va riação de velocidade tlv (Flg. 1.16).
Nos movimentos retilíneos, a aceleração tem sempre a
direção do movimento (a aceleração e a velocidade são
para lelas). Por isso utiliza-se a componente escalar na dire-
élv Fig. 1.16 A celeração média
ção do movimento: am= M . e vari ação de v elocidade.

Esta com ponente é positiva ou negativa consoante a acelação média apontar no sentido con-
vencionado como positivo ou negativo, respetiva mente (Flg. 1.11).

A B
~ A\Í=v;-v; v; ~
Av=v;-v, v;
-----+
➔ +- -----+

ã ã

X X

Fig. 1.17 Movim entos co m ac elera ção positiva (A) e negativa (B).

Nos movimentos curvilíneos, a aceleração tem sempre direção diferente da velocidade,


apontando para dentro da concavidade da trajetória.

Para se determinar como está a varia r a ve locidade num de-


terminado inst ante, defi ne-se a grandeza aceleração como a
taxa de variação temporal da velocidade.

No movimento retilín eo, a component e escalar da aceleração


nu m det erminado instante pode ser calcu lada a partir do de-
Fig. 1.18 Determinação gráfica da
clive da tangente ao gráfico velocidade-tempo no instante aceleração.
pret endido (F1g. 1.1s).

11. O grá fico velocidade-tempo abaixo diz respeito ao movimento de um automóvel


num traj eto retilíneo, em relação a um referencia l Ox.

11.1 O automóvel
(A) nos primeiros 5 s des- 1,,
loca-se no sentido ne- E
:,.
30 - - - • • • • • · r • • • • • • • • · r · • • • • - • • • r - · • • • • · •••1• · • • • • • • • • •· · • • • • • • • • •

'
---- 25
' ' '
gativo com movimento ···• •··r··•·•·•••,-
' .'
···• . . . ,.. . . . . . . . . ,• . . . . . .

''
· ·•• · · ·
''
... .

20
retardado. 15
10
(8) t em movimento acele- 5
rado entre 5 s e 10 s. o
-5 ----- 20- ------ 25------- 30 t Is
(C) esteve parado entre os - 10
- 15
10 se os 15 s.
(D) invert e o sentido do movimento no instante 15 s.

11.2 A componente escalar, segundo Ox, da aceleração


(A) aos 5 s muda de sinal. (C} diminui nos últimos 10 s do movimento.
(8) entre 15 se 20 sé co nstante. (D) é - 3,0 m s-2 para os primeiros 10 s.

164
DOMÍNIO 1 Mecânica

& 11.1 (8). O automóvel desloca-se no sentido positivo quando a componente esca-
lar da velocidade é positiva (entre O s e 5 s e 17 s a 30 s). Quando o módulo
da velocidade diminui (O s a 5 s e 15 s a 17 s) o movimento é retardado e é
acelerado quando aumenta (5 s a 10 s e 17 s a 30 s) sendo uniforme quando
é constante (10 s a 15 s). O sentido do movimento é invertido quando há mu-
dança do sinal da componente escalar da velocidade (nos instantes 5 se 17 s).

11.2 (8). A componente escalar da aceleração é igual ao declive da tangente ao


gráfico v(t) para cada instante. É constante para os intervalos Os a 5 s (-4 m s-2 ),
5 s a 10 s (-2 m s-2 ) e 15 s a 20 s (3 m s-2 ), sendo negativa entre Os e 10 s. Como
no intervalo de 20 s a 30 s a tangente ao gráfico tem um declive que aumen-
ta , também aumenta a componente escalar da aceleração.

1.2.5 Segunda Lei de Newton

A resultante das forças que atuam num corpo, FR, tem sempre a mesma direção e sentido
da aceleração, ã, do seu centro de massa, sendo diretamente proporcional à aceleração.
Est e é o enunciado da Segunda Le i de Newton, o u Lei Fu ndament al da Din âmica, que se
pode exprimir pela seg uinte relação:

F=m
R
ã

em que a const ante de proporc ional idade, m, é uma m,


p ropriedade de cada corpo, designada por massa
inerciai.
Quanto ma ior for a massa do objeto, menor se rá a
acele ração adqu irida pa ra uma determinada força
resultante, ou seja, maio r será a sua inércia (tendên-
cia para manter a mesma velocidade) - Fig. 1.19. m2 > m , ⇒ iã2I < lã,I
Ili
Fig. 1.19 Dois corpos com massas diferentes
sujeitos à mesma fo rça resultante.

Para caracterizar o movimento de um corpo é necessário conhecer a resultante das forças


e as cond ições iniciais do movimento (posição e velocidades iniciais). No quadro seguinte,
mostra-se como a direção re lativa da força res ultante e da velocidade determina algumas das
características do movimento.

F R
=Õ ⇒ ã=ô uniforme vé co nst ante
Movimento
retilíneo: • â e v t êm o mesmo sentido;
a direção
da velocidade
FR * ô<=> â * ô aev
variado
acelerado
• a e v têm o mesmo sinal;

é constante. FRe v paralelos paralelos • â e v t êm sentidos opostos.


retardado
• a e v têm sinais contrário s;
•â e v são perpendiculares.
Movimento
curvilíneo: FR *õ<=> ã *õ aev
uniforme
• F Re v são perpendiculares.
nunca são
• ângulo e ntre â e v menor que 90°.
a direção
da velocidade
v
FRe nu nca
paralelos
acelerado
variado
são para lelos.
varia. retardado • ângulo entre â e v maior que 90°.

165
FÍSICA 11.0 Ano

Nos movimentos retilíneos em que a força resultante é constante, a acelera ção também
o é. Isto significa que a variação de velocidade é diretamente proporcional ao interval o de
tempo . A taxa de varia çã o tempora l da velocidade é constante e os movimentos dizem-se
uniformemente variados (acelerados ou retardados).

12. Um estudante faz uma experiência utilizando um dinamómetro, um acelerómetro e


dois blocos, P e O, de massas 500 g e 1000 g, respetivamente. Coloca os b locos
no mesmo plano horizontal e procede de modo a exercer horizontalmente a mes-
ma força, de intensidade 5,0 N, nos dois blocos de materiais diferentes. Verif ica
que as acelerações de P ed e O são 6 ,0 m s- 2 e 1,0 m s-2 , respetivamente.

12.1 Partindo dos diagramas de forças, expl ique por que mot ivo o bloco Q não tem
metade da acelera ção do bloco P, visto ter o dobro da massa.

12.2 Relac ione as intensidades das forças resu ltantes que atuam nos blocos P e O.

12.3 Caracterize a força de atrito que atua sob re o bloco P.

12.4 Escolha o gráfico que representa corretamente a re lação entre as intensida-


des das força s re su ltantes e das acelerações para os blocos P (l inha azul) e
Q (linha verde).

(A) (8) (C) (D)


z ···:···:·· :· ·:···:· ·:···· z .... ·:···:· ·:···:·· :···: z ... ···:·· ·:···:· ··:···:···:
. ' ' ' ' . . i:t: -- -~-- ~- -.; .. ;. - ; ·- _; ---;
ê;: -~··········
.. ·••-•····:
' t ' ' ' ' c2 :::::t~::::::t:::::-·;::::
--
.' 1 •••
' '
• •
'
~. • . ~. _ . 1 . • . l • .
' ' '
. _ . 1. • )
. . . . - . ' ---:' - . - ;' - . . ' --:' - . - :'
~

-- ¼···;
· -- ---,···r···,
' ' ' . · ' ·•··,'
· ;··
-- - -- -;'
. --- ---·---·-
' ' . --•---·
' '
'. ' •--
' '' '' .'
-- ' 1 ' '
---
'
'
- --- ---·- . ' .
············•
' '
a / ms 2 a / ms 2 a / ms 2 a / ms

O 12.1 Para a mesma força resultante, a


y•
aceleração é inversamente propor-
cional à massa. No entanto, a força l • X

de 5,0 N exercida pelo estudante


não corresponde à força resultan-
te: nos blocos também atuam for-
ças de atrito, que afetam o módulo
da força resultante.
FRp mp ap 0,500 kg x 6,0 m s-2 , •
12.2 -F =--= k _ = 3 (a força resultante em P e tripla da de Q)
Ra ma ao 1,000 g x 1,0 m s 2

12.3 A força de atrito atua na direção horizontal, que é também a direção da ace-
leração:

A força de atrito tem intensidade 2,0 N, direção horizontal e sentido oposto


ao do movimento do bloco.

12.4 (A). A resultante das forças é diretamente proporcional à aceleração, portan-


to o gráfico é o de uma reta que passa na origem. O declive do gráfico F(a) é a
massa do corpo, logo, o gráfico correspondente ao corpo Q deve apresentar
maior declive.

166
DOMÍNIO 1 Mecânica

1.2.6 Queda livre (AL 1.1)

Nesta atividade determina-se a aceleração no movimento de


um corpo em queda livre, ou seja, desprezando a resistência
do ar. Usando corpos de massas diferentes verifica-se, ainda,
se a aceleração de queda depende da massa dos corpos.

A aceleração de queda livre, ã, admitindo que é constante,


calcula-se usando o conceito de aceleração média, âm.

a=a ó.V
= - = - 2_ _1
V - V
m M t2 - t,

Com um cronómetro digital e duas fotocélulas alinhadas ve r-


ticalmente podem medir-se os intervalos de tempo M, e M 2 ,
de passagem de um corpo de espessura d por essas células
e o intervalo de tempo, M 3 , que o corpo demora a percorrer a Cronómetro
distância entre as duas fotocélulas. digital

Fig. 1.20 Queda livre.


Ao lado, apresenta-se o gráfico do módulo da velocidade em
função do tempo de queda. As velocidades médias,vm, e vm2 ,
V
d d
respetivamente iguais a Af e M ' correspondem às velocida- Vm2 ------ -
, 2
v2 ----------
6.t, M2 ~ ~ ,
des para os instantes t, +
2 e t2 +
2 , e sao tao mais proxi-
mas das velocidades v, e v2 quanto menores forem os interva-

los de tempo.

Ili
Fig. 1.21 Gráfico v(t) de queda livre.

13. Um grupo de alunos largou uma esfera, com o


diâmetro de 1,20 cm e uma massa de 7,06 g,
acima de duas fotocélulas alinhadas vertical-
IMw 5,79 4,42 66,48
mente. Na tabela estão registados os interva- 5,88 4,46 66,36
los de tempo, M, e M 2 , de interrupção das fo-
5,81 4,44 66,29
tocélulas pelo diâmetro da esfera e o intervalo
de tempo, M 3 , que ela demorou a percorrer a distância entre as duas fotocélulas.
13.1 Apresente , na unidade SI de base, o valor mais provável da medição dos in-
tervalos de tempo de passagem da esfera pelas fotocélulas e do intervalo de
tempo que demorou entre as duas fotocélu las.
13.2 Determine o módulo da aceleração de queda da esfera.
13.3 Calcule o erro percentual associado à medição da aceleração, comentando a
exatidão do resultado obtido. Considere a ace leração gravítica 9,80 m s-2 •
13.4 Um outro grupo de al unos, usa ndo uma esfera de raio 3,00 cm e massa 110,05 g,
obteve 9,41 m s-2 para o módu lo da aceleração gravítica. Conclua, justificando,
se a aceleração gravítica depende ou não da massa das esferas, partindo dos
resultados obtidos pelos dois grupos.

167
FÍSICA 11.0 Ano

~ 13.1 Os valores mais prováveis para os intervalos de tempo são:


- (5,79 + 5,88 + 5,81) 3s
!::i.t1 = - - - - 3 - - - =583ms=583x10-
, '

& = (4 .42 + 4 ,46 + 4 .44 ) = 4 44 ms = 4 44 x 10- 3 s


2 3 ' '
66 8 66 36 66 29
!::i.t = ( ,4 + • + • ) = 66 38 ms = 66 38 x 10-3 s
3 3 , '

d 1 20 x 10-2 m d 1 20 x 10-2 m
13.2 v1 = M = ~ 83 x 10-3 s = 2 059 m s-1; v2 = M = ~ 44 x 10-3 s = 2,703 m s-1;
1 2 '

_ _ b.v _ v2 - v1 _ (2,703 - 2,059) m s-1 _ _


2
a - am - M - & - 66 38 X 10-3 s - 9,70 m s
3 3 '

, 9,70 - 9,80 ,
13•3 O erro percentual e , x 100% = -1,02%. Este e um erro significa-
9 80
tivamente baixo o que traduz uma boa exatidão no resultado obtido.

13.4 Os valores obtidos pelos dois grupos de alunos, 9,70 m s- 2 e 9,41 m s- 2 , respe-
tivamente para as massas de 7,06 g e 110,05 g, são muito próximos. A diferen-
ça entre esses valores está dentro do erro do método experimental. Assim,
tendo por base os resultados, a aceleração gravítica não depende da massa.

1.2.7 Primeira Lei de Newton

Galileu (156 4-164 2) imaginou uma situação idea l em q ue um corpo deslizava n uma supe rfíc ie
horizo ntal sem atrito. Se ndo a fo rça resultante n ula, o movimento não pode ria ser ne m acele-
rado ne m reta rdado e a velocidade do co rpo d everia ser consta nte em módulo (movimento
u niforme) e em direção (moviment o retilíneo). Surge assim a Lei da Inércia:

Se a resultante das forças que atuam sobre um corpo for nula, a sua velocidade perma-
necerá constante.

FR = Õ ~ v= const ante (Fig.1.22).


Superfície horizontal sem atrito: F,, = Õ

Movimento ___L_. ___L_.


acelerado ~---,
1 1
~
1
-- -. 1

Movimento retilíneo e uniforme


Fig. 1.22 Num plano horizontal sem atrito, o movimento é retil íneo e un iforme.

Ao longo do tempo

Repouso: v= Ô
1 Vé co nst ante ~ v(t) = v i = õ - Repouso
Movimento: V.1 7'- Õ vé constante em módu lo e direção - Movimento retilíneo uniforme

168
DOMÍNIO 1 Mecânica

14. Um avião move-se co m veloc idade co nstante. Atuam sobre o avião quatro forças:
o seu peso, P, a força de sustentação, S, a resistência do ar, R, e a força de propul-
são, T, de acordo com a figura. Nesta situação ve rifica-se:
(C) T+ R=õ (D) p+ R=õ

fj (C). Se a velocidade é constante, a resultante das forças é nula.


Por isso, verifica-se que: Fx= f + R= Õ e FRy =S + P=Õ

1.3 Forças e movimentos


1.3.1 Movimentos uniformemente variados
m

-
m
..p
p
Desprezando a resistência do ar, um corpo deixa do ca ir ou lança-
do ve rtica lmente, à superfície da Terra, fica sujeito apenas à força
gravítica exercida pela Terra: diz-se que está em queda livre. O cor-
-
p
p
--=-- •p

-
po designa-se por grave e a aceleração adquirida designa-se por m

aceleração gravítica , g. Na ausência de resistência do ar, todos p

os corpos largados da mesma altura chegam ao mesmo t empo ao


Fig. 1.23 A aceleração
solo, apresentando portanto a mesma aceleração. Conclui-se que a gravítica não depende da
aceleração gravítica não depende da massa do grave {Fig. 1.23). massa.

Para um corpo qualquer à superfície da Terra, a aceleração gravítica pode calcu lar-se a parti r
da Lei da Gravitação Universa l e da Segunda Lei de Newton:

5 97 X 10-24
Ili
Substituindo os va lores de G, m e R , obtém-se: g = 6,67 x 10- 11 x ' m s- 2 = 9,8 m s-2 •
T T (6 ,37 X 10 6 )2

Um grave tem aceleração constante: o movimento vertical de um grave é uniformemente


variado (retardado na subida e acelerado na descida). Para estudar o movimento retilíneo f az-
-se co incidir um eixo co m a direção do movimento, co nvencionando uma origem e um sentido
positivo. Os sinais atribuídos à velocidade e à aceleração dependem de estas apontarem no
sentido positivo ou negativo do eixo escolhido.
No movimento retilíneo uniformemente variado , a co mponente escalar da ve locidade, v, va-
ria linea rmente com o tempo, a posição, x, v aria no decurso do tem po e pode relaciona r-se a
co mponente escalar da velocidade do corpo, v, com o seu deslocament o, l:ix. Nas equações,
x 0 ,v0 e a são as co mponentes escalares no eixo escolhido da posição inicial, velocidade ini-
cia l e aceleração, respetivamente.

Leida Leida Lei das Velocidade


aceleração velocidade posições e deslocamento

Movimento retilíneo 1
a(t) = constante v(t) = v 0 + a t x(t) = x o + v o t + - at2 v 2 = v~+ 2 a l:ix
uniformemente variado 2

Para um grave, convencionando como positivo o sentido ascendente, considerar a= -g.

169
FÍSICA 11.0 Ano

15. Em 1971, o astronauta Davi d Scott, coma ndante da mis-


são Apollo 15, deixou cair um martelo e uma pena na Lua,
tendo verificado que atingiram o solo ao mesmo tempo.
A análise do vídeo desta experiência permitiu marcar na
figura as distâncias com interva los de 0 ,36 s. Utilize o eixo
indicado na figura.

15.1 Expl ique porque é que o martelo e a pena chegam ao mesmo tempo ao solo.

15.2 Com base nos dados, determine o va lor mais provável da aceleração gravíti-
ca na Lua.
15.3 Determine a velocidade do martelo após ter percorrido 50 cm, com base nas
equações x(t) e v(t) .

15.4 Considere que o astronauta atirava o martelo para cima, verticalmente, com
uma velocidade de 6 ,0 m/s, a partir de uma posição a 1,0 m de altura.
a) Qual seria a altura máxima atin gida?
b) Quanto tempo demoraria a chegar ao solo7

& 15.1 Na Lua não existe atmosfera, por isso, sobre ambos os corpos atua apenas a
força gravítica. Ora, a aceleração gravítica não depende da massa dos corpos.

15.2 O movimento do martelo tem aceleração constante, cuja componente es-


calar é a = -gL, com as seguintes condições iniciais: x 0 = 1,0 m e v0 = O m s-1
(o martelo foi largado) e equação do movimento:

X () V t + -1 at2
t =X 0+0 2
ç::} X = 1 + o - -21 g t2

O gráfico da componente escalar da posição, x , do marte-


lo em função do quadrado dos tempos, t 2 , traduz uma de-
pendência linear. A equação da reta de ajuste ao gráfico
L
ç::} X = 1 - -21 g t2
L
--0 ,00
0,36
0 ,72
1,00
0 ,89
0,54
de dispersão x(t2) é x = -0,859 t 2 + 1,00. 1,08 0 ,00
Comparando a equação da reta com a expressão
x =1 - g t 2 conclui-se que - _!_ g =-O 859 m s-2 logo g = 2 x O 859 m s~2 =
_!_
2
L 2 L ' ' 'L '
= 1,72 m s-2 •

15.3 A aceleração do martelo é -1,72 m s- 2 e, após ter percorrido 50 cm, a sua


posição é x = 1,00 - 0,50 = 0 ,50 m.

x(t) =Xº + Vi + _!_ at


2
j 0 ,50 = 1,00 + o - _!_ X 1,72 t2

j
X
2 ç:::> 2 ç:::>

v(t) = Vº + at v = O - 1,72 x t

ç:::>

l t=
V/1
m s = O'762 s
v = -1,72 x 0,762 m s-1 = -1,3 m s-1

Após ter percorrido 50 cm , tem uma velocidade de módulo 1,3 m s-1, direção
vertical e sentido para baixo.

170
DOMÍNIO 1 Mecânica

~ 15.4 a) As condições iniciais do movimento são x 0 = 1,0 m e v0 = 6 ,0 m s-1. Para de-


terminar a altura máxima, é necessário determinar o tempo necessário para
que a velocidade se anule:
6,0
v(t) = v + at ⇒ O = 6 O - 1 72t ç:::} t = - - s = 3 49 s
o ' ' 1,72 '
Basta agora calcular a posição ao fim deste tempo:
x(t) = X + V t + _!_ at2 ⇒ X = 1o+ 6 oX 3 49 - _!_ X 1 72 X 3 492 ç:::} X = 11 m
o o 2 ' ' ' 2 ' '
b) Pretende-se determinar o tempo necessário para que atinja a posição x(t) = O:
1 1
x(t) = x + v 0 t + - at2 ⇒ O = 1 O + 6 0t - - x 1 72 t 2 ç:::} t = 7 1 s ou t = - ~ -
º 2 ' ' 2 ' ' ~
No contexto do problema só se consideram instantes após o inicial (t;::: O),
por isso demora 7,1 s a atingir o solo.

16. Um corpo Q , de 200 g de massa, foi deixado ca ir


Q
de uma altura h acima do solo e, simu ltaneamen-
te, um corpo R, de 100 g de massa, foi atirado, da h
yt

mesma altura, verticalmente para cima a 4,0 m/s. •


X

O gráfico apresenta a componente escalar, segun-


do Oy, da velocidade do corpo Q em função do
-d) 4
tempo até atingir o solo. Despreze a resistência
~ Ük-- ....-- ....-- t--,
do ar. ~~ 4

16.1 Selecione a opção correta. -8


- 12
(A) Os dois corpos ficam sujeitos à mesma -1 6
força gravítica.

Ili
(B) O corpo Q atinge o solo antes por ser mais pesado.
(C) Os corpos R e Q atingem o solo com a mesma veloc idade.
(D) Os dois corpos apresentam a mesma aceleração.

16.2 Com base na informação do gráfico vl) para o corpo Q , calcu le a altura h.

16.3 Indique qual dos seguintes gráficos pode representar:


a) a posição do corpo Q em função do tempo?

(A) (B) (C) (D)


-...
E ::
::::,..,~· ······;--····-·,-·· . . -----
--•- .
' .
..
'
~ . - . ''
'
.
'
' . .
' . ..
'

'

,.---+--->,-- 4 ' ' ----4 Us


tis: ' .. u,
b) a componente escalar da velocidade do corpo R em função do tempo?

(A) (B) (C) (D)


1,, 1,, 1,,
~ >--"..-..- - - - ~t /,.....
s: ~ .....__- - - - - -ti- , E
-...
tI s ~ f----'--"".,_.;...-...;.._-
t /_,
s.
O> O> O>
O>

171
FÍSICA 11.0 Ano

& 16.1 (D). Na ausência da resistência do ar todos os corpos apresentam, no mesmo


local, a mesma aceleração. Os corpos R e Q ficam sujeitos a forças gravíticas
diferentes, porque estas são forças diretamente proporcionais às suas mas-
sas. As velocidades dos corpos R e Q são diferentes quando eles chegam ao
solo, porque o corpo Q é largado da altura h , e o corpo R tem velocidade nula
mais acima, logo, na queda a partir desse ponto acelera para baixo durante
mais tempo.
16.2 O corpo Q atinge o solo passados 1,2 s de ter sido lançado: y(1,2 s) = O m.
Utilizando a expressão de y(t), obtém-se:
1 1
y(t) = y 0 - g t 2 ⇒ O= h - x 10 x 1,2 2 ~ h = 7,2 m.
2 2
16.3 a) (A). O movimento é uniformemente acelerado, por isso, a componente
vertical da posição, y(t), deve ser uma parábola. O corpo move-se no sentido
negativo do eixo dos yy.
b) (A). O movimento é uniformemente variado, por isso, a velocidade varia
linearmente com o tempo. No instante inicial, a componente escalar da ve-
locidade é positiva, já que a velocidade aponta para cima.

1.3.2 Forças nos movimentos retilíneos acelerado e uniforme (AL 1.2)

Fig. 1.24 Movimentos acelerado e uniforme.

Nesta atividade um carrinho estará ligado por um fio, que passa na gola de uma roldana, a um
corpo suspenso que irá cair na vertical após o carrinho ter sido largado. O corpo suspe nso
irá ficar imobilizado no chão antes de o carrinho ter efetuado todo o seu movimento no plano
horizontal.

Enquanto o corpo suspenso ca i na vertical , o fio estará sob tensão e, na dire ção horizontal,
desprezando as forças de atrito, a resultante das forças que atuam sob re o ca rrinho é a
ten são, f, que é constante (o peso e a força normal an ulam-se, pois são perpendiculares
ao deslocamento). Portanto , até o corpo suspenso tocar no chão o carrinho te rá aceleração
constante. Depois, com o corpo que esteve suspenso já imobilizado no chão, a tensão sobre
o fio será nula. O carrinho, que vinha em movimento, deverá manter a velocidade (movimento
retilíneo uniforme), porque na horizontal não haverá forças (na verti ca l a resultante das forças
mantém-se nula).

172
DOMÍNIO 1 Mecânica

17. Um grupo de alunos colocou um carrinho, de massa 548,06 g, num plano horizontal
e ligou-o por um fio, que passou por uma roldana, a um corpo suspenso. Após lar-
garem o carrinho este moveu-se, embatendo o corpo suspenso no chão antes de
o carrinho terminar o seu movimento. Um sensor de movimento permitiu recolher
o gráfico velocidade-tempo, do mov imento do carrin ho, que a seguir se apresenta.

vim s-1
1,8
1,6 ••
1,4
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4 •
0,2 ••
0,0 • ••
0,00 0,50 1,00 1,50
tis

17.1 Em que instante terá o corpo suspenso embatido no chão?


17.2 Conclua, com base no gráfico, sobre o tipo de movimentos do carrinho no inter-
valo de tempo de recolha de dados.

17.3 Represente, em esquemas separados, as forças que atuaram no carrinho nos


movimentos identificados.

17.4 Os alunos concluíram que os atritos eram desprezáveis. Explique por que terão
assim conc luído, referindo a Lei em que se basearam.

17.5 Determine a intensidade da resultante das forças que atuaram sobre o carrinho
no instante 0,75 s. Apresente todas as etapas de resolução.

17.6 No instante 0,75 s, o módulo da aceleração do corpo suspenso era


Ili
(A) 10 m s-2 . (B) O m s-2 . (C) 1,3 m s- 2 • (D) 2,2 m s-2 •

~ 17.1 1,00 s (instante em que se altera a tendência na variação da velocidade).

17.2 Até ao instante 0,25 s a velocidade do carrinho é aproximadamente nula. Ele


estará parado (pequenas variações de velocidade registadas resultarão de
incertezas de medida ou de pequenas vibrações).
Entre os instantes 0 ,25 s e 0,30 s até ao instante 1,00 s a velocidade do
carrinho aumenta uniformemente com o tempo. Pois é possível traçar uma
linha reta, sobrepondo-a sobre os pontos que se encontram nesse intervalo
de tempo. Significa que, neste intervalo de tempo, a aceleração é constante:
movimento uniformemente acelerado.
Depois do instante 1,00 s, até 1,50 s, o módulo da velocidade mantém-se apro-
ximadamente constante: movimento uniforme.

17.3 Entre 0,25 s e 1,0 s: Até ao instante 0,30 s e entre 1,00 s e 1,50 s:

ív

,;;

173
FÍSICA 11.0 Ano

& 17.4 Depois de o corpo suspenso ter embatido no chão, o carrinho apresentou
velocidade constante: o módulo da velocidade é constante e como o carri-
nho se move em linha reta, a direção da velocidade, tangente à trajetória,
também é constante. Tal só é possível se a resultante das forças for nula,
como diz a Primeira Lei de Newton (ou Lei da Inércia).

17.5 Entre 0,30 s e 1,00 s, a aceleração é constante. Tomando, por exemplo, os


instantes 1,00 s e 0,35 s determina-se o módulo da aceleração:
_ _ !:w _ v - v _ (1,60 - 0,15) m s-1 _ _
a - a - - -2- -1 - - - - - - - - - 2 2 ms 2
m M t2 - t1 (1 ,00 - 0,35) s '

A intensidade da resultante das forças é F =ma= 0,54806 kg x 2,2 m s-2 = 1,2 N.

17.6 (D). Enquanto ligados, a aceleração do corpo suspenso e do carrinho têm


igual módulo.

1.3.3 Movimento uniformemente retardado: velocidade e deslocamento (AL 1.3)

Nesta atividade estuda-se o movimento retardado, com aceleração constante, de um bloco num
plano horizontal, após ter descido uma rampa.

Regista-se o tempo de passagem de uma


tira opaca, numa fotocélula, numa posição
em que o bloco se encontra já no plano
horizontal, e mede-se a distância percor-
rida, & , entre essa posição e a de para-
gem do bloco (distância de travagem).
Repete-se o procedimento, largando o
bloco de diferentes marcas da rampa, de
modo a obter-se diferentes distâncias de
travagem.
Fig. 1.25 Movime ntos ret ardado.

A velocidade, v, ca lcula-se a partir do quociente da largura, d, da tira de ca rtão opaca pelo


va lor mais provável do intervalo de tempo da sua passagem pela fotocélula (admite-se que
v é próximo da ve locidade média num pequeno intervalo de tempo). Na direção horizontal
apenas atuam as forças de atrito (o peso e a força normal são vertica is), logo a resultante das
forças que atuam sobre o bloco coi ncide com a resultante das forças de atrito que se consi-
dera constante.

Das equações deste movimento uniformemente retardado, em que a veloc idade se anula de-
pois do bloco ter percorrido a distância & após ter a velocidade v

vt-..!. at
l & = 2

2 obtém-se 2 a&= v2 em que a é o módulo da aceleração.


0 = V - at

Portanto, o gráfico da distância de travagem, & , em função do quadrado da velocidade inicial,


v2 , no plano horizontal, traduz uma dependência linear.

174
DOMÍNIO 1 Mecânica

18. Um bloco, de massa 108,4 g, com um


pino acoplado, foi abandonado de di-
ferentes posições numa rampa, desli- 28,04 0,071 0,321 0,103

zando num plano horizontal até parar. 18,15 0 ,158 0,496 0 ,246

Mediu-se o tempo de passagem, /it, do 14,73 0,255 0,611 0,373

pino numa fotocélula, numa posição 13,51 0 ,284 0,667 0,444


em que o bloco se encontrava já no 10,51 0,494 0,857 0 ,735
plano horizontal, e a distância percor-
rida , tJ,x, entre essa posição e a de paragem do bloco. Para cada posição de largada
na rampa repetiu-se três vezes a medição do tempo de passagem e da distância de
travagem. Os valores obtidos estão registados na tabela (v é o módulo da velocidade
do bloco ao passar pela fotocélula).

Considere que, no plano horizontal, a resultante das forças de atrito que atuaram
sobre o bloco é constante.

18.1 Para uma das posições de largada do bloco, obteve-se para os tempos de pas-
sagem 10,79 ms, 10,35 ms e 10,39 ms e para as distâncias de travagem 0,470 m,
0,508 m e 0,503 m. Conclua, justificando, qual das medições, a do tempo de
passagem ou a da distância de travagem, foi a mais precisa.

18.2 Qual era a largura do pino acoplado ao bloco?

18.3 Determine, a partir da reta de ajuste a um gráfico adequado, a intensidade da


resultante das forças de atrito que atuaram sobre o bloco no plano horizontal.
Apresente todas as etapas de resolução.

18.4 Num ensaio li a distância de travagem do bloco, na mesma superfície horizon-


tal, foi quatro vezes maior do que num ensaio 1.
Comparando os dois ensaios, pode concluir-se que no ensaio li a velocidade
com que o bloco passou pela fotocélula foi _ _ _ _ _ vezes maior e a ace-
leração no plano horizontal foi _____
Ili
(A) dezasseis ... a mesma (C) duas ... a mesma
(8) dezasseis ... quatro vezes menor (D) duas ... quatro vezes menor

Q 18.1 Para o tempo de passagem, a incerteza absoluta é 0,28 ms (10,79 ms é a


medida mais afastada do valor mais provável 10,51 ms) a que corresponde
0,28 ms ,
um desvio percentual de , ms x 100% = 2,7%. Para a distancia de trava-
10 51
gem, a incerteza absoluta é 0,024 m (0,470 m é a medida mais afastada do
valor mais provável 0,494 m) a que corresponde um desvio percentual de
0,024 m x 10001 = 4 8º1
0,494 m /O ' lo.

Conclui-se que a medida mais precisa é a do tempo de passagem, pois é


aquela a que corresponde uma menor incerteza relativa.
18.2 O pino acoplado ao bloco tinha uma largura de 9,00 mm. O módulo da veloci-
dade, v, é o quociente da largura do pino, d, pelo valor mais provável do
tempo de passagem, M, logo, d = vM
(por exemplo, d = 0,321 m s-1 x 28,04 x 10-3 s = 9,00 x 10-3 m).

175
FÍSICA 11.0 Ano

18.3 A equação da reta de ajuste ao gráfico de dispersão de !:!,,x em função de v2


é !:!,,x = 0,6701 v2 - 0 ,0024.
Comparando a equação da reta com a expressão !:!,,x = : v2 segue-se que
2
1 1
a - o,6701 s2 m- 1 (dec1·1ve da reta), portanto, a - x 0, m_ o,7462 m s-2.
2 2 6701 52 1
A intensidade da resultante das forças de atrito é:
FR= ma= 0,1084 kg x 0,7462 m s-2 = 8,09 x 10-2 N.
18.4 (C). A distância de travagem é diretamente proporcional ao quadrado da ve-
locidade inicial, portanto, a velocidade inicial varia proporcionalmente com
a raiz quadrada da distância de travagem: como a distância aumenta 4 ve-
zes, a velocidade aumenta V4 vezes. Como, no plano horizontal, a resultante
das forças que atuam sobre o bloco coincide com a resultante das forças de
atrito, considerada constante, a aceleração é, também, constante.

1.3.4 Queda na vertical com efeito de resistência do ar apreciável

Existem muit as situações em que a resistência do ar não pode ser desprezada. A força de re-
sist ência do ar, i(, depende das d imensões, forma e o rientação do corpo, da natureza da sua
superfície e da sua velocidade em re lação ao ar. Aplica ndo a Segunda Lei de Newton, pode
escrever-se:
--+ - - - -+
F R =ma~ P +Rar =ma

Como a resist ência do ar aumenta com a velocidade, conclu i-se que sempre que a velocidade
va riar (â * Ô) a aceleração também varia, po rtanto, o movimento é variado não uniformemente.
Tome-se como exemp lo a queda de um paraq uedista (Fig. 1.26).

A Podem considerar-se duas partes no seu movi-


mento:
1
• antes de abrir o paraquedas: ao iniciar a q ue -

B I 1 .ª velocidade terminal
da, a sua veloc idade vai aumentando, po is ini-
cialmente JP J> J
de v ); como
ii., J (FR t em o mesmo sentido
a velocidade aumenta,
J .i?J também aumenta, até que a partir de um
certo momento irá equil ibrar o peso (P + R.,= Ô).
A partir desse instante, o paraquedista deixa
de ace le rar (â = Ô): diz-se que atingiu uma ve-
e locidade term inal e o seu movimento é retilí-
neo e uniforme;

D
2." velocidade terminal Fig. 1.26 As várias etapas no movimento de um paraquedista.

176
DOMÍNIO 1 Mecânica

• depois de abrir o paraquedas: ao abrir o paraquedas Iit I aumenta consideravelmente,


tornando-se maior do que o peso e, por isso, a sua velocidade va i diminuindo (FRtem senti-
do oposto a v); como a velocidade diminui, I R.,l também diminui, até que a partir de um
certo momento irá reequilibrar o peso (P + Rar = Ô); a partir desse instante, o paraquedista
deixa de travar (a= Ô): diz-se que atingiu outra veloc idade terminal , sendo o seu movimento
novamente retilíneo e uniforme. No movimento retilíneo e uniforme verificam-se as segu in-
tes relações:
a(t) = O , v(t) = v0 = constante e x(t) = x 0 + Vi.

19. Considere um referencial Oy vertical de sentido


positivo de cima para baixo. O gráfico represen-
ta a componente escalar, segundo Oy, da veloc i-
dade de um paraquedista em função do tempo.
A massa do sistema paraquedas + paraquedista
é 90 kg .

19.1 Estabeleça a correspondência entre os ins-


tantes indicados no gráfico e a resultante
das forças que atuam sobre o paraquedista,
identificadas com as letras A, B, C e D.

19.2 No intervalo de tempo [t,, t2 ],


(A) a aceleração é constante. (C) a aceleração diminui.
(8) a força resultante é constante. (D) a força resultante aumenta.

19.3 No intervalo de tempo [t4 , t5] , a intensidade da resistência do ar que atua sobre o
paraquedista é dada pela expressão Rar = 25 v2 (SI), em que v é o módulo da velo-
Ili
cidade do paraquedista. Calcule o módulo da velocidade média do paraquedista
neste interva lo.

& 19.1 t, - C; t 2 - B; t3 - D; t4 - A; t5 - A.
De t, a t 2 a velocidade aumenta e, portanto, também aumenta a resistência
do ar. Em consequência, a força resultante diminui, mas aponta no sentido
do movimento, já que o movimento é acelerado. Em t 3 , o paraquedista di-
minui a sua velocidade, logo, a força resultante aponta no sentido oposto
ao movimento. De t4 a t5 , a velocidade é constante e, por isso, a força resul-
tante é nula.
19.2 (C). A aceleração corresponde ao declive da tangente ao gráfico v(t) que
diminui no intervalo [t,, t 2] . Como a aceleração não é constante, o movimento
é acelerado não uniformemente.
19.3 No intervalo [t4 , t 5], o movimento é retilíneo e uniforme, portanto, a resultan-
te das forças é nula:
- +R
P - =O - <=> m g - 25 v2 = O ⇒ v = ~- g = ~Ox1Q m s-1 = 6 O m s-1
ar 25 25 '

177
FÍSICA 11.0 Ano

1.3.5 Movimento circular uniforme

A única força que atua sobre um sat élite em órbita da Terra a


é a força gravítica. Algu ns sat élites descrevem uma órbita ã fg
Fg
circu lar em torno da Terra. Neste caso , a força resu lta nte é
perpendicula r à velocidade e aponta pa ra o centro (força
centrípeta). A aceleração tem sempre a mesma direção e
fg
sentido da força resultante e, por isso, é também centrípe-
ã
~ ã
ta (Fig. 1.21). A força modifica continuamente a direção da
velocidade, mas o seu módulo permanece const ante. A
velocidade é va riável, porque varia em direção, mas t em
Fig. 1.27 Movimento ci rcular u niforme
módulo const an te. O movimento é circular e uniforme. de u m sat élite.

O movimento ci rcular uniforme é um movimento pe riódico, repetindo-se em cada nova vo lta


que o corpo descreve. O tempo de uma volta completa é o período, T, e o número de voltas
1
descritas por unidade de t empo é a frequência , f. A frequência é o inverso do período: f= T
(unidade SI: hertz, Hz).

O módulo da velocidade angular, w, é a amplitude do ângulo descrito


por unidade de tempo (Fig.1.28). A amplitude do ângulo /18 é expres-
sa no SI em rad ianos, logo, a unidade SI da veloc idade angular é o
radiano por segundo.

No movimento circ ular uniforme, a ve locidade angular é const ante, Fig. 1_28 Âng ulo descrito
verificando-se que num período T o corpo dá uma volta, ou seja, no interva lo M = t0 - tA.

!18= 21T:
110 21T
W = w média = !1t ⇒ W =f (unidade SI: rad s- 1)

O corpo, ao descrever uma circunferência de ra io r, percorre uma distância igual ao perímetro,


21r r, em cada período, T. Logo, o módulo da velocidade é dado por:
21r r
v = -- ⇒ v = wr
T
2 2
O módulo da aceleração centrípeta é dado pela seguinte relação: a = v = (w r) = w2 r .
e r r

Módulo da Módulo da Módulo da Módulo da


velocidade angular velocidade aceleração força resultante

21T
Movimento 1 w=-=2 1r f v= wr
circular f= - T
T
uniforme
Constante Vari áveis mas constantes em módul o

Para um satélite de massa m em órbita circu lar de ra io r em torno da


Terra (massa da Terra = mT), a força exercida sobre o sat élit e é a força -. ('ltitude
gravítica (Fig.1.29), por isso, aplica-se a seguinte relação:
~-Raio
m1 m m1 ~ ~ da Terra
F = ma <=> G - - = ma <=> g = G - = ae = r
9 e R2 e R 2

O raio r da órbita será r = RT + h , em que RT é o raio da Terra e h é a


Fig. 1.29 Satélite em
altitude a que se encontra o sat élite. órbita.

178
DOMÍNIO 1 Mecânica

A relação anterior mostra que a aceleração e a velocidade do satélite não dependem da


massa do satélite.

r e ~

Como G m2r = a = w2 r, obtém-se w = G mr . Esta expressão mostra que a velocidade

angular do satélite depende do raio da órbita, logo, o mesmo acontece com o período.

Como a Terra tem um período de rotação de 24 h, se um satélite tiver um período de rotaçã o


de 24 h regressará à mesma posição em relação a um ponto da Terra ao fim desse tempo. Um
satélite com estas características chama-se geossíncrono.

Se o plano da órbita do satélite for o plano equatorial e a órbita for circular chama-se satélite
geoestacionário, uma vez que permanecerá imóvel em relação a um ponto da Terra.

20. Uma antena na Terra pode apontar numa direçã o fi xa e bem determinada para comu-
nicar com um satélite geostacionário. O satélite deve orbitar a uma altitude de cerca de
3,58 x 104 km no plano do equador terrestre.
Dados: m T (massa da Terra)= 5,97 x 1024 kg ; RT (raio da Terra)= 6,37 x 106 m.
20.1 Justifique o primeiro parágrafo do enunciado.
20.2 Calcule o módulo da velocidade angular do satélite.
20.3 Qual é o módulo da velocidade do satélite?
20.4 Mostre que, para a altitude indicada, o satélite é geoestacionário.
20.5 A acelera ção de um satélite geostacionário
(A) dep ende da massa do satélite. (C) depende da massa da Terra.
(B) é constante no decurso do tempo. (D) é perpendicular à força gravítica.

~ 20.1 Como o período de um satélite geostacionário é igual ao da Terra e este roda


no mesmo sentido da rotação da Terra e num plano equatorial, a sua posição
Ili
em relação a um ponto fixo na superfície da Terra é sempre a mesma.
27T 27T
20.2 T = 24 h ⇒ w = - T = - - - - - - rad s-1 = 7,27 x 10-s rad s-1
24 X 60 X 60
20.3 r = RT + h = (6,37 x 10 6 + 3,58 x 10 7) m = 4,22 x 107 m
v = w r = 7,27 x 10-s x 4,22 x 107 m s- 1 = 3,07 x 103 m s- 1 = 3,07 km s- 1

mrm
20.4 G - - =ma QG -mr =w2rqGm = (- - r 3 q 21r )
2

r2 e r2 T T

✓ 4 7T 2 ,3 4 7T 2 X (4,22 X 107 ) 3
q T= G mT = 6 ,67 x 10-11 x 5,97 x 1024 s = 8,52 x 104 s = 24 h

20.5 (C). A aceleração de um satélite geoestacionário depende do período de ro-


tação da Terra e do raio da órbita, que depende da massa da Terra. Se a Terra
tivesse outra massa, a altitude do satélite geoestacionário seria d iferente.
No entanto, não depende da massa do próprio satélite, pois todos os corpos
no mesmo local apresentam a mesma aceleração gravítica. Esta aceleração
é centrípeta, portanto, perpendicular à velocidade. Por isso, a sua direção
varia constantemente consoante o satélite descreve a sua órbita .

179
FÍSICA 11.0 Ano

Questões propostas

Tempo, posição e velocidade

1. O gráfico posição-tempo traduz o movimento de um atleta durante um intervalo de 14 s,


numa porção retilínea de uma pista , em relação a um referencial unidimensional Ox.

E 16
'- : : :
" 12 : : : . ----------------
..
.......... ,......... ,..... .
.-·--·-·'•··••--••··
. .
. --'
...................... ........ -.... --- ..' . . .. .'
4 ---- '
'
' .
'
'
. '
'
'

..
.. ....... .. . . . ... -~------ ~- ... .
' . ' '
------·------ · '··•····\-----•·'••--- -

1.1 Indique um intervalo de tempo em q ue o atleta:


a) está em repouso;
b} se move no sentido positivo do referencial Ox com veloc idade const ante;
e) se move no se ntido negativo do referencial Ox com velocidade variável;
d) percorre uma distância maior do que o módulo do deslocamento.

1.2 Estabeleça as correspondências entre os interva- Coluna 1 Coluna li


los de tempo (co luna 1) e a componente escalar,
1. de Os a 3 s X. Om
segundo Ox, do deslocamento (coluna li).
2. de Os a 14 s Y. 18 m

3. de 5 s a 10 s Z. -14 m
4. de 8 s a 12 s W. 6m

1.3 Estabeleça as correspondências entre os instan- Coluna 1 Coluna li


tes (coluna 1) e a componente escalar, segundo
1. 3,5 s X. - 8 m/ s
Ox, da veloc idade (coluna li).
2. 6,0 s Y. O m/s

3. 7,5 s Z. 4 m/s
4. 13,0 s W. 6 m/s

1.4 O atleta
(A) nos primeiros 3 s move-se com velocidade constante.
(8) de 3 s a 8 s, apresenta componente escalar, segundo Ox, do deslocamento igual a 16 m.
(C) no in stante 11,5 s inverte o sentido do seu movimento.
(D) passa três vezes pela posição x = 5 m.

2 . O gráfico x(t) da figura descreve os movimentos de dois comboios


X
A e B em linhas parale las.
Os comboios
(A) em t, têm a mesma velocidade.
(B) têm a mesma ve locidade num instante antes de t,.
t,
(C) nunca têm a mesma veloc idade.
(D) até t, percorreram a mesma distância.

180
DOMÍNIO 1 Mecânica

3. O gráfico seguinte representa a componente escalar, em relação a um referencial Ox, da


posição, x, de um carrinho em função do tempo, t, num certo intervalo de tempo.

Qual dos seguintes gráficos velocidade-tempo, vp), pode corresponder ao movimento do


carrinho naquele intervalo de tempo?

(A) (C)

(8) (D)

Interações e seus efeitos

4. O Daniel brinca com um carrinho, que percorre uma pista composta por dois troços re-
tilíneos, P e R, e dois troços em forma de semicírculos, Q e S, como representado
na figura. O carrinho passa pelos troços P e Q mantendo o módulo da sua velocidade.
Em seguida, passa pelos troços R e S aumentando o módulo da sua velocidade.
A resultante das forças sobre o carrinho no troço Q _____ e no troço P _ _ _ __

(A) não é nula ... é nula p


III---+
(8) é nula ... é nula
(C) não é nula ... não é nula s Q

(D) é nula ... não é nula

5. Duas esferas com o mesmo volume, uma de madeira e a outra de chumbo, são deixadas
cair, simultaneamente, da mesma altura h e alcançam o solo ao mesmo tempo. Isto acontece
porque
(A) as duas esferas têm a mesma energia cinética quando alcançam o solo.
(8) a aceleração das esferas não depende da massa das esferas.
(C) à altura h, a energia potencial gravítica das duas esferas é igual.
(D) a força de resistência do ar não depende da massa das e sferas.

181
FÍSICA 11.0 Ano

Questões propostas

6. Dois corpos X e Y de massas mx e my, respetivamente, cujos centros estão situados a uma
distância d , exercem um sobre o outro uma força de atração gravítica de intensidade F.

6.1 A dist ância entre estes dois corpos para que a inte nsidade da força gravítica entre eles
passe a ser igual a 2F é
d d
(A) [2. (8) ~ - (C) /2 d (8) 2 2 d

6.2 Qual dos gráf icos pode tradu zi r a intensidade da força de atração g ravítica, F 9 , entre os
dois corpos em f unção da massa do corpo X, mx, sendo a massa de Y e a distância entre
os ce ntros dos dois co rpos constante?
(A} (8) (C) (D)

6.3 Co nsidere a situação em que mv = 3mx.


Conclua sobre a relação entre a força gravítica que Y exerce sobre X e a força gravítica
que X exerce sobre Y.

7. Um carrinho telecomandado, de massa 200 g, move-se numa pista retilínea, coincidente com
um referencial unidimensional, Ox. Admita que o carrinho pode ser representado pelo seu
centro de massa (modelo da partícula material) e que no instante t = O se encontra na origem
do referencial. Representa-se a seguir o gráfico da componente escalar da velocidade, vx,
desse carrinho, segundo o referencial Ox considerado, em função do tempo, t.

v,f m s-1
14,0
12,0
10,Q -, ............ ,.. .,., ., ....,... ,.... ,.
8,0
6,0
4,0
2,0
º·º t4"~hT"':::"="7"'"~~ h t c t"7i
-2,0 + .. ,...,....,....,.;,,,u.,... ,....... ,,.u.,u•., ... ,... ,. ..,,
-4,o _J· .. , ...,... ,....,.,., .. ,,.. ,,... ,... ,. :·:·•,, ...,..., ..."'
-6,0

7.1 Em que interva lo de t em po o ca rrin ho se moveu no se ntido positivo do eixo Ox?


7.2 No instante _ _ a componente escalar da aceleração do carrin ho no eixo Ox foi _ _.
2 2 2 2
(A) 4,0 s ... 2,0 m ç (8) 10,0 s ... -2,5 m ç (C) 13,0 s ... O m ç (D) 18,0 s ... - 2,0 m ç

7.3 Determine a intensidade da resultante das forças aplicadas sobre o carrinho no instante 13,0 s.
Apresente todas a etapas de resol ução.

7.4 No instante 8,0 s o carrinho ti nha percorrido 68,7 m. Dete rmine a coord enada de posição, x,
do carrinho, no instante 13,0 s.
Apresente todas a etapas d e resol ução.

182
DOMÍNIO 1 Mecânica

8. Num laboratório, determinou-se ex perimentalmente o módulo da aceleração gravítica com


a montagem esquematizada na figura seguinte.

>- ~

s
7
ll
·1... Iª /

;·\

Nos vários ensaios realizados, abandonou-se uma esfera, com o diâmetro de 1,20 cm , sem-
pre da mesma posição inicial, a uma certa distância acima da célula fotoelétrica A.
Fixando a distância entre as duas células fotoelétricas, mediram-se o tempo, t3 , da diferen-
ça entre a média dos instantes de interrupção e de reposição do feixe de luz nas células
fotoel étricas B e A e os tempos t 1 e t 2 que a esfera demorou a passar em fre nte das células
A e B, respetivamente. Admita que a esfera caiu em queda livre.

8.1 Na tabela apresenta-se o registo dos tempos obtidos para t1. t, I ms


No conj unto de e nsaios, rea lizados nas mesmas condições,
5,79
qual é o resultado da medição de t, 7
(A) (5,83 ± 0,01) ms 5,88

(8) (5,83 ± 0,05) ms 5,81

(C) (5,81 ± 0,07) ms


(D) (5,81 ± 0,02) ms

8.2 Dividindo o diâmetro da esfera pelo interva lo de tempo que e la demora a interromper o
feixe de luz, determin a-se o módulo da velocidade média da esfera no intervalo de tempo
de interrupção do feixe de luz.
a) Justifiq ue o motivo pelo qual o valor da ve locidade média que se determina é igual ao
valor da velocidade no instante igual à média entre os instantes de interrupção e de
reposição do feixe de luz na cél ula fotoelétrica.

b) O cálc ulo da velocidade média pressupõe que a esfera interrompe o feixe de luz pelo
seu diâmetro. No ent anto, um erro experimental frequen te pode decorre r de a esfera
interromper, de facto, o feixe luminoso por uma dimensão inferior ao seu diâmetro.
Quando este e rro ocorre em B, o módulo da velocida de calc ulado em B é _ _ ao
verdadeiro, o que determi na um erro por _ _ no valor experimental do módulo da
aceleração gravítica (considerando que a velocidade em A é ap roximadamente nula).
(A) superior ... excesso
(8) superior ... defeito
(C) inferior ... excesso
(D) inferior ... defeito

8.3 Reg istaram-se para os tempos t2 e t3 respet ivamente 4,44 ms e 66,37 ms.
Considere 9,8 m s- 2 o valor de referência para o módulo da aceleraçã o gravítica .
Determ ine o valor experimental do módulo da aceleração gravítica e o erro pe rcentua l.
Aprese nte todas a etapas de resolução.

183
FÍSICA 11.0 Ano

Questões propostas

Forças e movimentos

9. A figura representa as sucessivas posições de uma bola que rola numa superfície horizontal
da direita para a esquerda, acabando por parar 4 ,0 s depois do início do seu movimento.
Trata-se de uma representação estroboscópica em que o intervalo de tempo entre posições
sucessivas é de 0,4 s.

~ ~
-7 o 5 xlm

9.1 A pa rtícula passa na origem do refe rencial no instante


(A) t = 3,29 s. (B) t = 2,00 s. (C) t = 0,94 s. (D) t = 0,0 0 s.

9.2 Determine a componente escala r, segu ndo Ox, da velocidade média da bola no intervalo
de 0,0 s a 4,0 s.

9.3 A lei do movimento da bola no intervalo de tem po de 0,0 s a 4,0 s, expressa nas unidad es
SI de base, é
(A) x(t) = - 3 t + 5 . (B) x(t) = 3t - 5 . (C) x(t) = 0,75t2 - 6t + 5. (D) x(t) = - 0,7t2 + 6t + 5.

9.4 Qual das opções pode representar a velocidade da bo la naquelas posições?

(A)

-7

e J
@
~
o
e.,
o
v
5

s,
xl m

., ~
(B) e e
-7 o 5 xl m
(C) Q ) fU @ ~J )1
-7 o' 5 xl m
(D) ft t )
@ ~) ) J vi ) )
-7 o 5 xl m

10. Uma bola de ténis, de 57 g, foi atirada verticalmente para cima, de um ponto a y
1,0 m de altura , em relação ao solo, com velocidade 110 • Atingiu uma altura máxima
de 4,2 m. Considere o referencial Oy com origem na posição inicial d a bola, repre-
sentado na figura e despreze a resistência do ar.

10.1 Caracte rize a resultante das forças que atuam sobre a bola ao atingir a altura
máxima.

10.2 Determ in e o módulo da velocidade de lançamento:


a) recorre ndo exclusiva ment e às eq uações que traduzem o movi mento, y(t) e v(t);
b) com base em considerações energéticas.

10.3 Quanto t empo de mora a bola a chegar ao solo?

10.4 O gráfico veloc id ade-tempo à direita descreve a dependência v


da componente escala r, segundo Oy, da ve locidade da bola
com o tem po. A área so mbreada a azul nesse gráfi co é igual a
(A) 1,0 m. (B) 3,2 m. (C) 4,2 m. (D) 7,4 m.

10.5 O que é que se pode conc luir sob re o movimento da bola?


(A) A variação da velocida de da bola é d iret amente proporcional ao intervalo de t empo
considerado.
(B) Quando a bola voltar a passar pela origem do referencial, fá-lo-á com a mesma velocidade.
(C) A força gravítica que atua sobre a bola faz alterar o módu lo e a direção da velocidade.
(D) Quan do a bola atinge a altura máxima, a sua aceleração anula-se.

184
DOMÍNIO 1 Mecânica

10.6 Seja m a massa da bola, mr a massa da Terra, RT o raio da Terra e G a co nstante de g ra-
v itação universal. O módulo da aceleração da bola é
Gm Gm Gmr m G
(A) - -r. (8) - -. (C) R2 . (D) - .
R2 R2 R2
T T T T

10.7 Qual dos seguintes gráficos posição-tempo descreve co rretamente o moviment o da bola
desde o inst ante inicial até atingir o solo?

(A) (B) (C) (D)

)
t t'

11. Fez-se uma experiência em que se deixou cair uma bola de basquetebol, com uma mas-
sa de 620 g, de 0 ,78 m acima do solo. A bola ressaltou sucessivamente no solo. Com um
sensor e uma máquina de calcular gráfica obteve-se o gráfico da componente escalar da
velocidade, segundo Oy, em funçã o do tempo. Aos pontos A e B correspondem os valores
indicados na tabela.

"L, 4,0
E 3,0
';: 2,0
1,0
o.o ~
_ 1,0
- 2,0
- 3,0
...
B...

- ~-+-- ~~ ~ --1--~ -~ ----


J,5 tis
tIs
vI m s- 1
--
0 ,34

-3,40
0,47

2,82

- 4,0

11.1 Explique a que posições do movimento da bola correspondem os pontos indicados no


gráfico.

11.2 Um al uno se lecionou apenas a região do gráfico entre o instante inicial e o instante
tA = 0,34 s. Utilizando uma reg ressão linear para o conjunto de dados selecionados,
obteve na máquina de calcu lar a equa ção y = -9,9x.
a) Indique quais as grandezas físicas correspondentes às variáveis x e y.
b) Expl iq ue o sign ificado físico do número - 9,9 que surge nesta eq uação.
e) Obte nh a a equa ção das posi ções , y(t) , da bola para os primei ros 0,34 s, considerando
a origem do referenc ial no solo.

11.3 Caracterize a resu ltante das forças que, em média, atu ou na bola no intervalo de tempo
de 0,34 s a 0,47 s.

11.4 Dos três diagramas de forças indicados, selecione o que descreve, corretamente, as for-
ças que, em média, atuam na bo la durante o contacto com o solo.

,
N li Ili

p p p

11.5 Determ ine a energia dissipada na primeira colisão com o so lo.

185
FÍSICA 11.0 Ano

Questões propostas

12. Um carrinho move-se segundo uma trajetória retilínea sobre um plano inclinado, como se apre-
senta na figura.

Considere que o carrinho pode ser representado pelo seu centro de massa (modelo da
partícula material). Admita que a componente escalar da posiçã o, x, do carrinho em relação
ao referencial unidimensional Ox indicado, varia com o tempo, t, de acordo com a e quação
expressa nas unidades de base do SI: x = 2,4 - 2,0t + 0,60t2 •

12.1 A que distância da o rigem do referencial Ox considera do se encont ra o carri nho, no


instante t = 0,0 s?

12.2 A componente esca lar, seg undo o referencial Ox considerado, da ve locidade, vx, expres-
sa e m m s-1, do carrinho varia com o tempo, t, expresso em s, de aco rdo com a equação
(A) vx = - 2 ,0 + 1,2t
(B) vx = 0,4 + 1,2t
(C) vx = - 2,0 + 0,60t
(O) vx = 0,4 + 0 ,60t

12.3 Em qual dos esquemas segu intes se encontram corretamente represe ntadas, no instan-
te t = 0,0 s, a velocidade, v,
e a aceleração, a~ do carrinho?

(A) (B) (C) (O)

12.4 Em qual dos esquemas segu intes está representado um d iagra ma das forças q ue atuam
no ca rrinho?

(A) (B) (C) (O)

12.5 Determine a distânc ia percorrida pelo carrinho no intervalo de tem po [0 ,0 ; 4,0] s, ut ilizan-
do as potencialidades gráficas da calcu ladora.

Apresente na sua resposta:


• um esboço do gráfico da componente e scalar da pos ição, x , do carrinho em função do
tempo, t, desde o instante t = 0,0 s até, pelo me nos, ao instante t = 4,0 s;
• os va lo res de x necessários ao cálcu lo daquela distância;
• o valor da distância pe rcorrida pela bola no intervalo de te mpo considerado.

186
DOMÍNIO 1 Mecânica

13. Um automóvel, de massa 900 kg, desloca-se a 72 km/ h quando o condutor vê uma senhora
a atravessar uma passadeira para peões. Quando o condutor inicia a travagem , a passadei-
ra encontra-se a 25 m de distância. A força de atrito que atua sobre o automóvel durante a
travagem é constante e igual a 75% do seu peso. Considere que o movimento do automó-
vel se dá no sentido positivo do eixo Ox .

13.1 Qual das opções pode rep resentar, em relação ao eixo Ox, as co mponentes escalares
da acele ração e da veloc idade em fu nção do tempo d urant e a travagem?

'~ f ' i----(B


_ )_ _ --+

V V

13.2 Determine a compon ente escalar da aceleração, e m relação ao eixo Ox.

13.3 Verifique se o automóvel atrope la a se nhora.

14. Na figura está representada uma calha que termina num troço horizontal. A superfície do
troço horizontal está revestida por um material rugoso.

1
B e

Um paralelepípedo de massa 300 g foi abandonado na posição A, percorrendo 40 cm até


8 , imobilizando-se na posição C, que dista 60 cm da posição 8, no troço horizontal da ca-
lha. Entre as posições A e 8 a dissipação de energia mecânica foi desprezável. Con sidere
que o paralelepípedo pode ser representado pelo seu centro de massa (modelo da partí-
cula material). Admita que no troço 8C a aceleração se mantém constante.

14.1 O bloco chega a B com velocidade de módu lo


(A) 4,0 m s- 1. (B) 3,5 m s-1. (C) 1,8 m s- 1. (D) 2,0 m s- 1.

14.2 Determine a intensi dade da resultante das forças aplica das sobre o para lelepípedo
no troço horizontal. Use as equações do movimento e apresente t odas as etapas de
reso lução.

14.3 Considere v o módulo da veloci dade do b loco em B.


Se sobre o bloco fosse colocada uma massa de 300 g, pode prever-se que
(A) o mód ulo da velocida de em B seri a 2 v.
V
(B) o mód ulo da velocidade em B seria {2 .

(C) a res ultante das forças no troço AB aumentaria para o dobro.


(D) a resul tante das forças no tro ço AB diminuiria pa ra met ade.

187
FÍSICA 11.0 Ano

Questões propostas

15. Considere o movimento de um paraquedista de massa m. Antes de abrir o paraquedas, o


paraquedista acelera até atingir uma velocidade terminal v1; depois, ao abrir o paraquedas,
trava bruscamente, atingindo uma velocidade terminal v2 • Considere um referencial Oy de
sentido positivo de baixo para cima.

15.1 Qual dos seguintes g ráficos descreve, em relação a Oy, a co mponente escalar da resul-
tante das forças que atua sob re o paraq uedista em função do tem po?

(A) (8) (C) (D)


F F F F

15.2 A ntes de abrir o pa raquedas,


(A) a força resultante vai aumentando. (C) a veloc idade aumenta sempre.
(8) a força de resistência do ar anula-se. (D) a aceleração anula -se.

15.3 Após abrir o paraquedas,


(A) a força de resistência do ar é sempre maior do q ue o peso.
(8) a força resultante é semp re maior do qu e o peso.
(C) o módulo da ace leração atinge um va lor máximo.
(D) o módulo da ve locidade atinge um valor máximo.

15.4 Qual dos segu intes gráficos descreve co rret amente a altura do paraquedista em função
do tempo após este ter ati ngido a seg unda velocidade terminal?

y y y (C) y (D)

15.5 Qua ndo a acele ração do paraquedista é -4g, sen do g a aceleração gravítica, podemos
concluir que a intensidade da resistência do ar é
(A) m g. (8) 4 m g. (C) 5 m g. (D) 3 m g.

16. A Lua move-se em redor da Terra numa órbita elíptica, com um período de 27 dias e 8 ho-
ras. No entanto, a excentricidade da órbita da Lua é pequena e, por aproximação, conside-
re para as questões seguintes que a Lua descreve uma órbita circular, de raio 3 ,84 x 108 m .

16.1 O módulo da velocidade angular do movim ento da Lua em redor da Terra é


21T
(A) - - - - - - rad h- 1 (C) 2,r x (27 x 24 + 8 x 60) rad h- 1
27 X 24 + 8 X 60
2,r
(8) - - - -- rad h- 1 (D) 2,r x (27 x 24 + 8) rad h- 1
27 X 24 + 8

16.2 A Lua está em queda livre tal como uma bola que se largue à superfíci e da Terra, com
resistê ncia do ar desprezável. Como a bola se encontra mais próximo do centro da Ter-
ra do que a Lua, a aceleração da bo la, de módulo 9,8 m s-2 , é muito maior do q ue a da
Lua. Mostre que o produto da aceleração gravítica pelo quadrado da dist ância ao cent ro
da Terra é o mesmo pa ra a Lua e para uma bola à superfíc ie da Terra. Co nsidere o raio
da Terra 6,37 x 10 6 m.

188
DOMÍNIO 1 Mecânica

17. Wernher von Braun escreveu, em 1952, que em dez ou quinze anos a NASA poderia colo-
car uma estação espacial a orbitar o planeta Terra, a 1730 km de altitude. Sugeriu que essa
esta ção espacial deveria completar uma rotação completa em 12 s. O raio médio da Terra
é 6370 km.

17.1 Para um satélite numa ó rbita circ ular


(A) a ve loci dade e a aceleração têm a mesma direção e o mesmo sentido.
(8) a velocidade e a aceleração têm a me sma direção e sentidos opostos.
(C) a força q ue a Terra exerce sobre ele é pa ralela à sua velocidade.
(D) a força que a Terra exerce sobre ele é perpendic ular à sua velocida de.

17.2 Qua l é o módulo da aceleração gravítica, na unidade SI, à altitude sugerida por von
Brau n para a colocação da estação espacial? A presente o resultado com dois algaris-
mos significativos.

17.3 von Braun sugeriu a rotação da estação espacial para criar na periferia interior da sua sec-
ção circular uma aceleração de módulo igual à ace leração gravítica na superfície da Terra.
Consi derando ape nas aquele movimento de rotação, qual deveria ser o raio da estação
para alca nça r aquele obj etivo?
47r2
(8 ) 12; X 10 m. 4 7f2 X 10 12 2
(A) 12 2 x 10 m. (C) - - - m . (D) 4-rr2 x 10 m.
7r2 12 2

18. Na figura ao lado representam-se dois satélites da Terra,


SA e S8 , com órbitas circulares, no plano do equador em posi-
ções sucessivas de hora a hora.
Dados: G = 6 ,67 x 10-11 N m 2 kg-2 (constante de gravitação
universal); mr = 5,97 x 10 24 kg (massa da Terra).

18.1 A força exercida no satélite SA q uando este se encontra na


pos ição 8, pode ser representada por

(C)

8~

18.2 Explique o significado da seguinte afirmação: «Ambos os satélites estão em queda liv re.»

18.3 Selecione a opção co rreta.


(A) A aceleração do satélite SA é ig ual à aceleração gravítica à superfície da Terra.
(8) A aceleração do satélite SA é menor do que o do satélite S8 .
(C) A fo rça que a Terra exerce sobre os satél ites faz variar o módulo das suas velocida-
des.
(O) A velocidad e do satélite S8 não é constante.

18.4 A re lação entre a frequência dos movimentos dos dois satélites é


1
(A) fA= fB (8) fA = 2 fB (C) fA = 2 fB (O) fA = 4 fB

18.5 Identifi qu e, j ustificando, qual é o satélite geoestacionário.


r
18.6 Determine a razão - 8 entre os raios das ó rbitas dos satélites S8 e SA, respetivamente.
(A

18.7 Calcule o módulo da acel eração do satélite geoest acioná rio.

189
FÍSICA 11.0 Ano

Domínio 2
Ondas e eletromagnetismo
2.1 Sinais e ondas
2.1.1 Sinais. Ondas: transversais e longitudinais,
mecânicas e eletromagnéticas

Um sinal é uma perturbação, ou seja, uma alteração de uma propriedade física. Um sinal
mecânico é a alteração de uma propriedade física de um meio material (posição, densidade,
pressão, etc.), enquanto um sinal eletromagnético corresponde a propriedades (campos elé-
trico e magnético) não associadas necessariamente a um meio material.

A comunicação supõe que o sinal se propaga entre a fonte, ou emissor, que o produz, e o
recetor, que o recebe. Quando o sinal chega a um determinado ponto do espaço, já antes
perturbou outros pontos e irá ainda perturbar mais pontos. A esta propagação do sinal cha-
mamos onda. As ondas mecânicas (som, ondas sísmicas, tsunami, ondas numa corda, ondas
numa mola) necessitam de um meio material para se propagarem, enquanto as ondas eletro-
magnéticas não precisam de um meio material, propagam-se mesmo no vaz io.

Quando se origina uma osc il ação brusca na ex-

__,/\""_______
1/\_ _ _ _ __
tremidade de uma corda esticada, gera-se um
sinal de curta duração (pulso) que se propaga
_
____ _____
ao longo da corda (Fig. 2 .1). Com a propagação
da perturbação (onda) há transferência de ener-
gia entre diferentes pontos do meio, sem que
haja transporte de matéria. Se o sinal for de lon-
ga duração, é gerada uma sequência de pulsos
______ ___ (\""
/\""
Fig. 2.1 Propagação de um si nal de curta duração
(Figs. 2.2 e 2.3). numa corda.

No caso das ondas numa corda , as partículas da corda oscilam perpendicularmente à d ireção
em que se dá a propagação, designando-se por ondas transversais (Figs. 2.2 e 2.4 da esquer-
da). Quando oscilamos a extrem idade de uma mola para a frent e e para trás, as partículas da
mola movem-se numa direção para lela à da propagação, designando-se, por isso, por ondas
longitudinais (Figs. 2.3 e 2.4 da direita). Neste caso, propaga-se na mola uma sucessão de
compressões e rarefações.

~ -~ •
~

- OOOQQ O IJD1lllll/J)_
,1 - 1
Fig. 2.2 Onda persistente t ransversal numa corda. Fig. 2 .3 Onda persistente longitudinal numa mola.

190
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

Onda transversal Onda longitudinal

direção do movimento direção do movimento


das partículas das partículas
~

direção da propagação
i i direção da propagação

compressão rarefação

Fig. 2.4 Ondas transversais e longitudina is numa mola.

Quando um sina l se propaga num meio elástico, demora um ce rto t empo ll.t para avançar uma
ce rta distância s (Fig. 2.5). Assim, o módulo da veloc idade de pro pagação é dado por:
s
v=-
M
Perfil da corda
A ve locidade de propagação de uma onda mecâ- no instante t,
nica depende das caract erísticas do meio em q ue
a propagação ocorre e do facto de ser tra nsversal
ou longitudinal. Por exemplo, para um pulso numa Fig. 2.5 Propagaçã
mola, a velocidade de propagação vai depender
da massa da mola por unidade de comprimento
e da tensão na mola, assim co mo do facto de se
trat ar de uma onda transversal ou longitudinal.

l+i%i·i·i:+H@+M
1. Na fig ura vê-se o perfil de uma co rda em dois ins-
ta ntes t1 e t2 , na qual se propaga um sinal da direi-
ta para a esquerda a 10 m/s. Pode concluir-se que
4,0 cm

Perfil da corda
no instante t,
Ili
(A) no instante t1, o ponto P move-se para a es-
querda.
(8) no instante t2 , o ponto P move-se para baixo.
Perfil da corda
(C) lt1 - t) = 2,5 ms no instante t2

(D) t1 > t2

(8). É uma onda transversal , logo, o ponto P move-se numa direção perpendicu-
lar à da propagação, ou seja, na vertical. No instante t1 o ponto P move-se para
cima (a crista da onda aproxima-se de P), enquanto no instante t2 o ponto P se
move para baixo (a crista da onda afasta-se de P). t 2 é posterior a t1 , pois a onda
propaga-se para a esquerda.

v = ~ ⇒ 10 = 0,0 0 <=> M
4
= 4 O x 10-3 s = 4 O ms
M M ' '

191
FÍSICA 11.0 Ano

2. Um sismograma é o reg isto dos movimentos da crusta terrestre. No quadro indicam-


-se os movimentos das pa rtíc ulas e as velocidades de propagação de diversos tipos
de ondas sísmicas.

p • 5 a 7 km /s na crust a terrestre
Paralelos à direção de propagação
• ;:: 8 km/s no núcleo e manto da Te rra
Horizont ais e vertica is,
• 3 a 4 km/s na crusta terrestre
s perpendicu lares à direção
• ;:: 4,5 km/s no manto da Terra
de propagação
Horizontais, perpendicu lares
L • 2 a 4,5 km/ s na crusta terrestre
à d ireção de propagação
Paralelos e perpendiculares
R • 2 a 4,5 km/ s na crusta terrestre
à direção de propagação

Classifique co mo verdade ira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações segu intes.

(A) As ondas P cons istem em compressões e rarefações.


(B) A velocidade de propagação das ondas L não depende das características dos
materiais da crusta terrest re.
(C) Num sismograma as ondas S são registadas antes das ondas P.
(O) As ondas R apresentam movimentos transversa is e longitud inais.
(E) As ondas sísm icas são eletromagnét icas.
(F) As ondas P não se propagam no vazio.
(G) As ondas S são transversais.

~ Verdadeiras: (A), (O), (F) e (G). Falsas: (B), (C) e (E).


As ondas sísmicas são ondas mecânicas, portanto, não se propagam no vazio.
As ondas P são longitudinais, as S e L são transversais. As ondas R apresentam
movimentos transversais e longitudinais. As ondas P têm maior velocidade de pro-
pagação do que as ondas Se, por isso, são detetadas primeiro.

2.1.2 Periodicidade temporal e espacial de uma onda.


Ondas harmónicas e complexas

Se a oscilação da extremidade da corda (fonte emissora) se repet ir a intervalos de t empo


constantes, a onda gerada é periódica , o que quer dizer que o movimento de cada partícula
se repete ao longo do t empo e o perfil espacial da onda inclui um pad rão que se repete a
distâncias regulares (Fig. 2.6 ).

1-À--\

f- A---1 --+

Fig. 2 .6 Periodicidade espacial: perfil de uma corda (num certo instante)


na qual se propaga uma onda periódica.

192
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

O comprimento de onda, À, é a dist ância mínima entre dois pontos com o mesmo afastamen-
to da posição de equilíbrio e o mesmo movimento de vibração, ou seja, a dist ância mín ima
entre dois pontos do espaço no mesmo estado de vibração.

A amplitude, A, é o va lor máximo da grande-


y
za física associada à onda em relação à situa-
ção de equilíbrio. Por exemplo, para uma onda
numa corda, a grandeza física associada à
onda é o afastamento das partículas da co rda
em relação à posição de equilíbr io.

O período, T, é o interva lo de tempo de uma


vibração ou ciclo e pode ser determinado num
Fig. 2.7 Periodic idade temporal: perturbação ao
gráfico em que se representa a variação da longo d o tempo (num certo ponto do espaço).
pert urbação, num det erm inado ponto, em fun-
ção do tempo {Fig. 2.7).
1
f= -
A frequência de uma onda, f, rep resent a o número de vibra- T
ções por unidade de tempo num det erminado ponto. [u nidade SI: s- 1 = Hz (hertz)]

O com primento de on da, À, é a dist ância a que se propaga


s À
a onda num período, T. Por isso, À e T estão relacionados v=- ⇒ v= - ç:=:, V=À f
M T
entre si através da ve locidade de propagação da onda, v:

O período e a frequência de uma onda só dependem do período de oscilação da fonte


emissora. O comprimento de onda e a amplitude dependem da fonte emissora e do meio
de propagação.

Em muitos casos, a velocidade de propagação


de uma onda, característica de cada meio, é
pratica mente independente da frequência de
E
Ili
oscilação. Nesses casos, o com pri mento de
onda é, no mesmo meio, inve rsament e propor-
cio nal à frequência.

Se a representação gráfica da onda for si nusoi-


dal diz-se que a onda é harmónica ou sinusoi-
dal {Fig. 2.8).
Fig. 2 .8 Rep resentação gráfica de um si nal harmónico.

A maior parte das ondas são complexas, cor-


respondendo a sin ais não harmónicos {Fig. 2.9),

complexos, mas que podem ser descritos por E


........ --- · · ··•• ··· ••·-,· ·· --,·---,·-- •-.- · •• ·,· ••·- , ···· · ·•---.
:,., ' '
uma sobreposição de sinais harmónicos.

A energia transport ada por uma onda depen-


de da energia da fonte emissora. Se a fonte
gerar um sinal harmónico, a energia do sinal
harmónico será tanto maior q uanto maior for
a amplitude e a frequência da fonte emissora. Fig. 2.9 Sinal não harm ónico mas periódico.

193
FÍSICA 11.0 Ano

Assim, a intensidade de uma onda (energia transferida por unidade de tempo e por unidade
de área perpendicular à direção de propagação) é função crescente da amplitude da fonte
emissora e da frequência.

3. Um menino ao balançar um barco produz ondas na superfície de um lago. O barco


oscila 16 vezes em 10 s e cada oscilação produz, num ponto P na proximidade do
barco, uma crista de onda 5 cm acima da superfície do lago. Uma determinada crista
de onda chega à margem do lago, a doze metros de distância, em 6,0 s.

3.1 Determine o comprimento de onda das ondas que se propagam na superfície do


lago.

3.2 Admitindo que a veloc idade de propagação não depende da frequência da onda,
se o menino balançar o barco com maior frequência, mas com a mesma amplitude
(A) a distância entre duas cristas consecutivas va i au mentar.
(B) o período de vib ra ção do movimento do ponto P aumenta.
(C) a intensidade da onda que atinge o ponto P aumenta.
(D) a altura da crista da onda que atinge o ponto P aumenta.

16 s
3.1 A frequência da onda é f= = 1,6 Hz e a velocidade de propagação é v = M =
10 5
12 m , v 2,0 m s-1
= - - = 2,0 m s-1• Conclui-se que o comprimento de onda e À= -f = =
6,0 s 1,6 s-1

= 1,25 m.

3.2 (C). A frequência , f, aumenta, logo, o período de oscilação, T, e o compri-


mento de onda, À, diminuem (T é inversamente proporcional a f; À é também
inversamente proporcional a f quando a velocidade de propagação é cons-
tante). A altura da crista corresponde à amplitude, que se mantém constante.
A intensidade aumenta porque a frequência do movimento aumentou.

4. A extremidade de uma corda muito comprida é posta a oscilar, harmónica e trans-


versalmente, no instante t = O s. A origem da corda tem um movimento de oscila-
ção com ampl itude constante. Na figura representa-se o perfil da corda no instante
t = 1,0 s (utilizaram-se escalas diferentes em cada um dos eixos).
E ,,__ _ _ _o_,8_ _ __

----
:,.,

xl m

4.1 O período da oscilação é


(A) 0,8 s (B) 0,4 s (C) 0,25 s (D) 1,0 s

4.2 Qual dos seguintes gráficos descreve corretamente a posição do ponto P no


intervalo de tempo de t = O s a t = 1,0 s?

194
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnet ismo

(A) (C)
E 0,06 E 0,06 · - - - ... , ..
-;:_o,04 -;:_ 0,04
0,02 0102 ···- ···- .. ....... .
0,00 - - - -.----+-,f-----f--++---#f-~.--+-1----1+ 0,00 - - - - -~ - - t -++--+---+--1+---t>
-0,02 -0,02
-0,04 -0,04 - - .. --- ... -- .. - . - - - - -

-0,06 .. --------------
' ' ' ··-· ' ......
' .. . .'
-0,06 . .....

(8) (D)
E 0,06 ~ .
E 0,06 . . . ...... ' . . . . ..' . . . .,. . . ... . . ... . . ....... - . . . . . . '
' .
.; .... ; .....;.... ., ....., .. .. .;..
-;:_ 0,04 -;:_ 0,04
.. ·'. . ..
0,02 0,02 -· .•.

0,00 - - - -+--+-'l-f-l-+--+----+,f--+-+--1+ 0,00 - - - - -~ - - t -+l--+---+~ +---1+


-0,02 ..
-·----·---- ..
.. ·····
-0,02
-0,04 -0,04
-0,06 .
' '
-0,06 ---•························ . '
··•····•··-
'
-

& 4.1 (C). O perfil da onda mostra que num segundo existiram 4 oscilações com-
15
pletas, logo, 4 períodos. Então, o período é = 0,25 s.
4
0,8m
4.2 (A). Do perfil da corda, o comprimento de onda é À = - - = 0,4 m, e a velocidade
2
~ , S 2 X 0,8 m
d e propagaçao e v = M = , 1
1,6 m s- (num segundo avançou 1,6 m).
10 5
Nos gráficos C e D, o período é cerca de 0,5 s, por isso, são incorretos.
No perfil espacial da onda no instante t = 1,0 s, a elongação do ponto P
é positiva, por isso, o gráfico B também é incorreto.

O ponto P começa a oscilar no sentido negativo passados M = ~ = o, 5 m 1


V 1,6 m S-
= 0,31 s do início da perturbação na extremidade da corda, o que está de acordo
com o gráfico A.

5. O gráfico representa o desloca mento, y , de


uma camada de ar, em relação à posição de
ylnm

10
Ili
equilíbrio, em função do tempo, t, numa região
onde se propaga uma onda sonora a 340 m s-1.

5.1 Qual é a frequência da onda sono ra que se -10


propaga naquela região?

5.2 A distância mínima entre duas camadas de ar no mesmo est ado de vi bração é
____ e o produto do comprimento de onda pela frequência é _ _ __
(A) 10 nm ... 340 m s·1 (C) 0,68 m ... 340 m s·1
(8) 10 nm ... 5,0 m Hz (D) 0,68 m ... 5,0 m Hz

& 5.1 Para o período de 2,0 x 10-3 s, a onda tem uma frequência f= ~ = 500 Hz.

5.2 (C). A distância entre duas camadas no mesmo estado de vibração é o com-

primento de onda À= ; = ~~~ m = 0,68 m (10 nm é a amplitude, ou seja,


o afastamento máximo de uma camada de ar relativamente à posição de
equilíbrio). O produto do comprimento de onda pela frequência é o módulo
da velocidade de propagação da onda, 340 m s·1•

195
FÍSICA 11.0 Ano

2.1.3 O som como onda de pressão


O som resulta da vibração de um co rpo. Essa vibra-
Velocidade
ção é sucessivamente comunicada às partícu las v izi- Material
de som/ m s-1
nhas, ou sej a, o som é uma onda mecânica que se Hélio (O ºC) 972
propaga em sólidos, líquidos e gases. A velocidade
Ar (O ºC) 331
de pro pagação do som depende do meio mat erial em
que oco rre a propagação e da respetiva temperatura. Ar (15 ºC) 340

Querosene (2 5 ºC) 1315


Quando se faz vibrar um diapasão, essa vibração é
comunicada ao ar circunda nte. A v ibração orig ina des- Água (25 ºC) 1498

locamentos do ar que provoca m variações de pres- Ch umbo (O ºC) 1230


são: compressões e descompressões. As dife rentes
Cobre (O ºC) 37 50
camadas de ar vibram na direção em que o som se
Velocidade da p ropagação do som
propaga, ou sej a, o som é uma onda longitudinal.
em diversos materiais.

O som propaga-se no ar através de ondas de pres-


são, pois consiste na propagação de sucessivas
comp ressões (C) e rarefações (R), como se vê na
Fig. 2.10. Assim, em cada ponto de um fluido em que
se propaga um som exist e uma vibração à qual se
podem associar pequenas va riações de densidade
ou de pressão.

A 1
li 1111'1111111111 1111111111111111 1111111

vibração das partículas direção da propagação l


l~ ll
~ 1
À 1111·11111 1111111111

e R e R e R e
À

Fig. 2.10 A - ca madas de ar na a usência de som; B - camadas de ar na presença de um som originado pela
v ibração de um diapasão (C = comp ressão e R = rarefação); C - gráfico da p ressão em função da posição.

Se a onda so nora fo r sinusoidal, a pressão num dado ponto do meio varia entre um va lor
máximo de pressão acima da pressão do meio em repouso (compressão máxima) e um va lor
mín imo abaixo dessa mesma pressão (rarefação máxima).

A amplitude de pressão é igual ao módulo da diferença entre o va lor máximo (ou mínimo) da
pressão e a pressão do meio em repouso.

A intensidade de um sinal sonoro expressa em termos da amplitude de pressão é indepen-


dente da frequência.

196
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

2.1.4 Sons puros, intensidade e frequência; sons Frequência alta - som agudo (alto)

complexos. Espetro sonoro


O som emitido por um diapasão é um som harmónico, v isto
que a vibração que o origina é um sinal harmónico. Este som
harmónico corresponde a uma única frequência e, por isso,
também se designa por som simples, ou puro.

Se a frequência de uma onda sonora for elevada, o som é Fig. 2.11 Sons harmónicos (agudo e g rave).

agudo, se for baixa, o som é grave (Fig. 2.11). Em acústica, a o


,ro
(f)
altura significa o mesmo que frequência: o som agudo cha- (f)
~
Q.
ma-se alto e o grave chama-se baixo. Os sons podem ainda .. ; . f\rr]p\\U()El Q[WlQ?.: ..

ser fortes ou fracos, consoante a sua intensidade {Fig. 2 .12). : ; somfo~e ,


A uma maior intensidade corresponde uma maior amplitude : Arnptitude p:equen

de pressão.

A maioria dos sons são complexos, pois os seus sinais não são
sinusoidais. Um som complexo é a soma ou sobreposição
de vários sons puros, ou seja, de vários harmónicos {Fig. 2.13). Fig. 2 .12 Sons da mesma frequênc ia com
O número de harmónicos e a sua proporção nos sons emi- diferentes intens idades.

tidos por instrumentos musicais ou pela voz humana é o que


permite distinguir o som de um violino do de um clarin ete ou
as vozes de diferentes pessoas. Esta característica do som
designa-se por timbre.

A = som fundamental ou 1.º harmónico


O ouvido humano tem uma sensibilidade limitada. A banda do
audível de um ouvido humano situa-se entre 20 Hz e 20 kHz
i~ ·
(espetro sonoro). Os sons de frequência inferior a 20 Hz desig-
nam-se por infrassons e os de frequência superior a 20 kHz
designam-se por ultrassons {Fig. 2.14). Estes últimos são utiliza-
dos na ecografia e no sonar. O ouvido só é sensível se a inten-
Ili
sidade do som for maior do que um determinado limiar.

or·.. . . . . ..
,cu
~ • •
C=3ºharmórnco
'
,. • •
'
J •
f - 3J
e:- .:. ~ -
• : •
....
• •

2.1.5 Microfone e altifalante ©


o. " -" " ,..;,. "" "' ,....,. o
.
)
~~~t
- - ,_ - - J - - ' - -

infrassons audível ultrassons . . ' . . ' . . .. .

Fig. 2 .13 Um som comp lexo é a soma de


vários harmónicos.

o 20 20000 f / Hz

Fig. 2.14 Espetro sonoro (conjunt o de frequências do som).

O dispositivo que transforma a energia do som em energia


elétrica chama -se microfone e converte sinais sonoros em
sinais elétricos com a mesma informação. Os sinais elétricos
originados a partir de um microfone podem ser convertidos
em sinais sonoros através de um altifalante {Fig. 2 .1s). O micro-
Fig. 2.15 Um altifa lante converte sinais
fone e o altifalante são complementares. e létricos em sinais sonoros.

197
FÍSICA 11.0 Ano

2.1.6 Características do som (AL 1.1)

Pretende-se investigar características como o período, a frequência , o comprimento de onda,


a intensidade e o timbre dos sons, a partir da observação de sinais elétricos resultantes da
conversão de sinais sonoros.
Num osciloscópio são analisados sinais elétricos pela visualização no ecrã de uma diferença
de potencial elétrico (tensão elétrica) em função do tempo. No eixo vertical do ecrã é medida
a diferença de potencial elétrico (tensão elétrica) e no eixo horizontal é medido o tempo.
A amplitude do sinal é o valor máximo da diferença de potencial elétrico, U max , que se lê na
escala vertical, quando se regula U = O para a ausência de sinal. Esta escala é variável e, usan-
do o comutador com a indicação VOLTS/DIV, pode regular-se a quantos volts corresponde
cada divisão. Cada uma dessas divisões está ainda subdivida em mais cinco divisões.
O período do sinal mede-se na escala horizontal, onde a cada divisão se faz corresponder um
intervalo de tempo que se regula no comutador com a indicação BASE DE TEMPO (ou TIME/DIV,
ou SEC/DIV). Cada uma dessas divisões está ainda subdivida em mais cinco divisões.
Um gerador de sinais é um aparelho que produz sinais elétricos com formas, amplitudes e
frequências variadas. Ligando um gerador de sinais a um osciloscópio podem medir-se perío-
dos, frequências e amplitudes. Ligando um altifalante (ou auscultador) à saída do gerador de
sinais pode ouvir-se os sons com as frequências selecionadas no gerador e detetar limiares
de audiçã o (Fig. 2.16). Ligando um microfone ao osciloscópio podem comparar-se sinais elé-
tricos resultantes da conversã o de sons de diferentes frequênci as, intensidades e timbres
(Fig. 2.11). Pode medir-se o comprimento de onda com um gerador de sinais, um altifalante, dois
microfones e um osciloscópio: alinhando dois microfones e, em seguida, afastando-se um
deles ao longo da régua , até que os sinais voltem a ficar sobrepostos, a distância percorrida
pelo microfone ao longo da régua é igual ao comprimento de onda da onda sonora (Fig. 2.1s).

J\I rn1,r

Fig. 2.16 Sinal sonoro com as m esmas Fig. 2.17 A o nda sonora p roduzid a pe la Fig. 2.18 Medição d ireta de
ca ract e rísti ca s d o sin al e létrico produ zid o. d iapasão é capt ada pelo microfone. um comprimento de onda.

6. Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações seguintes.
(A) Em geral, os homens produzem sons de menor altura do que as mulheres.
(B) Os sons simples distinguem-se uns dos outros por três características: intensi-
dade, altura e timbre.
(C) A energia transportada por uma onda sonora por unidade de tempo depende
da amplitude da onda.
(D) Quando se aumenta o volume num rádio, aumenta-se a altura do som que el e
produz.
(E) Em geral, o som propaga-se mais rapidamente nos líquidos do que nos gases.

198
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

(F) O que nos permite distinguir a mesma nota musical tocada em in strumentos
diferentes é a frequência.
(G) A propriedade que distingue um som forte de um som fraco é a intensidade da
onda sonora.
(H) Na propagação do som ocorre transporte de energia sem que haja movimento
da matéria.

& Verdadeiras: (A), (C), (E) e (G). Falsas: (8), (D), (F) e (H).
O timbre é uma característica que permite distinguir sons complexos. Aumentar o
volume num rádio corresponde a aumentar a intensidade do som. A intensidade
do som é proporcional à energia da onda sonora e, portanto, à sua amplitude de
pressão. O que permite diferenciar a mesma nota em instrumentos diferentes é
o timbre. Na propagação do som não há transporte de matéria, mas esta vibra e,
portanto, movimenta-se.

7. O sinal que se mostra na figura foi produzido num oscilos-


cópio, ao qual foi ligado um microfone quando se tocou o
dó central de um clarinete. A base de tempo do osciloscó-
pio estava regulada para 0,5 ms/div.
7.1 O som que gerou este sinal é simples ou complexo?
7.2 Calcule o comp rimento de onda do som fundamental,
considerando que o som se propaga a 340 m/s.

7.3 O som produzido pelo cla rinete foi detetado por dois observadores: um perto

Ili
do clarinete, numa zona mais fria, e outro mais afastado do clarinete, junto a um
aquecedor. Na proximidade de cada um dos observadores, qual das segu intes
características da onda sonora tem o mesmo valo r?
(A) Frequência (C) Comprimento de onda
(8) Intensidade (D) Velocidade de propagação

& 7.1 O som é complexo, visto não se tratar de uma vibração sinusoidal.
7.2 O período do som pode ser obtido a partir do número de divisões no eixo ho-
rizontal (eixo dos tempos) compreendidas entre os dois picos do sinal. Esse
1
número é 7 + 3 x
5 = 7,6 (repare-se que cada divisão está subdividida em 5
partes iguais).

T = 7,6 div x 0,5 ms/div = 3,8 ms = 3,8 x 10-3 s ⇒


⇒ À= v T = 340 m s-1 x 3,8 x 10-3 s = 1,3 m

7.3 (A). A frequência de vibração só depende da fonte emissora. O comprimen-


to de onda altera-se consoante a velocidade de propagação do som, que é
maior para o ar mais quente. A intensidade do som diminui consoante nos
afastamos da fonte.

199
FÍSICA 11.0 Ano

8. Na seg uinte figura representa-se, no ins- y/cm


tante t = O s, uma porção de uma corda, 3,0 P
muito comprida, cuja extremidade oscila
com movimento harmónico simples. xlm
O sinal produzido propaga-se ao longo -3,0
s
da corda, da esquerda para a direita, com
uma velocidade de módulo 4,0 m s- 1.

8.1 A frequência do movimento de P é ___ frequência do movimento de Q


e a am pl itude do movimento de P é ___ amp litude do movimento de O.
(A) maior do que a ... maio r do que a (C) maior do que a ... igual à
(8) igual à ... maior do que a (D) igual à ... igual à

8.2 No in sta nte t = O s, o ponto Q move-se no sentido ___ do eixo dos ___ .
(A) positivo ... xx (8) negativo ... xx (C) positivo ... yy (D) negativo ... yy

8.3 Qual das seguintes figuras pode represe ntar a mesma porção de corda pas-
sado um intervalo de tempo de um quarto de período após o instante t =Os?

(A) (C)
y y
R

X X

R
(8) (D)
y
s y p

X X

p s

8.4 Determine a frequ ê ncia de v ibração do ponto P.

~ 8.1 (D). A vibração transmite-se ao longo do meio, assim, a frequência é caracte-


rística da onda e não se altera. Na porção representada, a onda propaga-se
sem atenuação, ou seja, na região considerada não há alteração de amplitude.

8.2 (C). Todos os pontos da corda se movem na direção do eixo dos yy, perpen-
dicularmente à direção de propagação. Como, neste caso, a onda se propaga
da esquerda para a direita, todos os pontos vão executar, sucessivamente,
os movimentos dos pontos da corda que estão à sua esquerda, portanto, o
ponto Q irá subir (os valores de y dos pontos imediatamente à esquerda de
Q são maiores que o valor de y de Q no instante t = O s).

8.3 (A). Passado um quarto de período os pontos que tinham y = O estão na posi-
ção de afastamento máximo da posição de equilíbrio (y = ±A). Como o ponto R
irá subir (no instante t = O, os pontos à esquerda de R estão acima de R), pas-
sado um quarto de período estará na posição y = A , em que A é a amplitude.

200
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

8 .4 O perfil espacial da corda permite determinar o comprimento de onda:


3 1,4 m X 4
À+ À= 1,4 m ⇒ À= = 0,80 m. Todos os pontos da corda vibram
4 7
V 4 0 m s- 1
com a mesma frequência f= l
= ~.
80
m = 5,0 Hz.

2.1. 7 Velocidade do som (AL 1.2)

Para determinar a ve locidade de propagação de um sinal sonoro no ar, pode, por exemplo,
determinar-se o tempo que um sinal sonoro produzido junto a uma extremidade de uma man-
gueira demora a ser detetado na outra extremidade (Fig. 2.19).

Pode também utilizar-se um sinal produzido num gerador a propagar-se do altifalante até
ao microfone: a medi ção da va riação do intervalo de tempo de desfasamento entre o sinal
produzido pelo gerador e o detetado pelo microfone em função da distância percorrida pelo
microfone permite determinar a velocidade de propagação do som (Fig. 2.20).

~
====~ Altitalante
Régu,

Fig. 2.19 Um sina l sonoro produzido junto a uma


extremidade da mangueira é captado na outra
extremidade.
Fig. 2.20 Um sinal sonoro produzido num gerador
propaga-se do altifa lante até ao microfone.
Ili
9. Numa experiência, pa ra determinar a velocidade de propagação do som no ar, pro-
duziu-se um som de curta duração junto à extremidade aberta, A, de um tubo cilín-
drico, de comprimento 3,08 m, estando a outra extremidade fechada , F.

Na extremidade aberta do tubo colocou-se um microfone ligado a um computador


com software de edição de som. Após a produção do som, registou-se no ecrã o
sina l representado na figura seguinte, onde se assinalou a escala do eixo horizontal.

9.1 Explique por que razão ocorreu o registo de dois sinais e as menores amplitudes
no segu ndo sinal.

9.2 Determine o módulo da velocidad e de propagação do som no ar, nas condi-


ções em que decorreu a experiência.

201
FÍSICA 11.0 Ano

9.3 Numa outra experiência, obteve-se para o módulo da velocidade de propaga-


ção do som no ar 338 m s-1, a 25 ºC. O va lor de referência àquela temperatura
é 346 m s-1. Qual é o erro percentual (erro relativo, expresso em percentagem)
daquele va lor experimental?

& 9.1 Surgem dois sinais porque o sinal produzido junto à extremid ade A do tubo
é refletido na extremidade F, sendo captados pelo microfone em instantes
diferentes dado que o som demora um certo tempo a propagar-se de A até F
e, novamente, de F até A. O sinal refletido tem menor intensidade do que o
sinal original, o que implica menores amplitudes do sinal mais à direita, pois o
som propaga-se em todas as direções e o sinal refletido corresponde apenas
à reflexão do som que se propagou na direção do tubo. Além disso, parte do
som é absorvido na reflexão, assim como na propagação no interior do tubo.

9.2 A distância medida na imagem entre as origens dos dois sinais é 8,9 cm. Aos
1,0 cm correspondem 2,0 ms, portanto, o intervalo de tempo entre o sinal
20
• •
ongma 1 e o sina
• 1 re fl et1do
· e, ô.t = 8 ,9 cm x -•-ms- = 17,8 ms.
1,0 cm
2d 2 x 3 08 m
O módulo d a velocidade de propagação do som é v = -----.-t = '
il 17,8 X 10-3 5
= 3,5 X 10 m 5 - •
2 1

(338 -346) m s-1 •


9.3 Erro percentual = - - - - - - - x 100% = -2,3% (ou 2,3% por defeito).
346 m s-1

10. A figura representa , num dado instante, as va-


riações de pressão no ar, numa certa região,
associadas a um ensaio I em que um som puro
se propaga nessa região (as zona s mais escuras
correspondem a zonas de compressão do ar, e as zonas mais claras correspondem
a zonas de rarefação) e uma camada de ar, L, nessa região.

10.1 As camadas de ar movem-se numa direção ___ à direção de propagação,


uma vez que o som no ar é uma onda ___.
(A) perpendicular ... longitudinal (C) paralela ... longitudinal
(8) perpendicular ... transversal (D) paralela ... tra nsversal

10.2 Qual das opções pode representar, um período e meio depois, a mesma região
do espaço e a mesma camada de ar?

(A) (C)

(8) (D)

202
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

10.3 Num ensaio li propaga-se nessa reg ião um out ro som de igual f requência, mas
menos intenso.
Comparando os dois ensaios, pode conclu ir-se que a amplitude das variações
de p ressão é _ _ _ _ _ e a distância entre uma compressão e a rarefação
adjacente é _ _ _ __
(A) menor no ensaio li ... menor no ensaio li (C) a mesma ... menor no ensa io li
(8) menor no ensaio li ... a mesma (D) a mesma ... a mesma

& 10.1 (C). As ondas sonoras nos gases são longitudinais.

10.2 (A). Quando se considera um número inteiro qualquer de períodos, o sistema


volta a ficar no mesmo estado. Assim, apenas nos interessa determinar o que
sucede passado meio período: na posição de compressão máxima existirá
uma rarefação máxima. As camadas de ar apenas vibram, não existindo trans-
porte de matéria: a camada de ar L fica na mesma posição.

10.3 (8). Uma menor intensidade significa uma menor amplitude de pressão. Para
a mesma frequência, e para o mesmo meio, o comprimento de onda não se
altera, portanto, a distância entre uma compressão e a rarefação adjacente,
meio comprimento de onda, também não se altera.

2.2 Eletromagnetismo
2.2.1 Campos magnéticos

Campos magnéticos criados por ímanes

Um íma n em barra tem uma extremidade que atrai uma extrem idade de
Ili
s ..:3- - s ..:II
outro íman. Se um ou outro forem rodados 180°, deixa de existir atração
e passa a existir repul são (Fig. 2.21). Esta interação efetua-se à distância -IIIII s s ..:3-
e as extremidades dos íma nes chamam-se polos - polo norte (N) e polo - s ..:II IIIIIIII s -
sul (S). Os po los co m o mesmo nome repelem-se e os polos com nome Fig. 2.21 Interação entre ímanes.
diferente atraem-se.

Se um íman for div idido em partes, os po los não se sepa ram, resu ltando sim, dessa div i- s 111111m
são, novos ímanes mais pequenos (Fig. 2.22). O que caracteriza um íman é a existência nas ✓ l 'm
suas proxi midades de uma região onde se fazem sentir as propriedades magnéticas SN sm
que ele cria. Diz-se que nessa reg ião exist e um campo magnético. Fig. 2 .22 Os polos
de um íman não se
Para ca racterizar as propriedades magnéticas em cada ponto ut iliza-se a grandeza ve- separam.

torial ca mpo magnét ico (ou densidade de fl uxo magnético), representado por 8. A sua
unidade SI é o tesla (símbolo T).

Quando se deita limalha de ferro nas proximidades de um íma n, ela dispõe-se seg undo uma
certa geomet ria. A forma como a limalha se dispõe permite observar o espetro do campo
magnético. O campo também pode ser representado por linhas do campo magnético.

203
FÍSICA 11.0 Ano

Convenção para as linhas de campo magnético (Fig. 2.23):


• apresentam maior densidade (mais linhas no mesmo espaço) nas zonas onde o campo
é mais intenso;
• são tangentes, em cada ponto, ao vetor campo magnético, â, e têm o sentido deste;
• são sempre linhas fechadas e nunca se cruzam;
• na região externa do íman, começa m no polo norte e terminam no polo sul magnético.

\~/
/
~

s -
- '
(
/
/ la
1)))/ Iª
I
.i. .j. .i.

\ \\
' '-- -+ ....-

J~\
Fig. 2.23 Espetro magnético e linhas de campo magnético de um íman em barra.

Um campo magnético â tem , em geral, características diferentes de ponto para ponto, quer
seja na intensidade, na direção ou no sentido. No entanto, existem campos magnéticos que
são iguais em todos os pontos de uma dada região do espaço. Nesta situação tem-se um
campo uniforme e em toda essa região o campo tem a mesma intensidade, direção e senti-
do: as linhas de campo são segmentos de reta paralelos.

l+liil+iliHli·I
11. A figura mostra as linhas de um campo magnético de um íman em U.
Pode afirmar-se que
(A) o polo norte do íma n está na zona X.

~,---~___.
(B) o campo magnético em redor do íman é uni-
forme.
(C) as zonas X e Y do íman são polos do mesmo
nome.
(D) no zona li o campo é mais intenso do que na
zona Ili. ~ li

(j (D). Entre as armaduras do íman há uma zona onde as linhas de campo são
segmentos de reta paralelos: aí o campo é constante. As linhas de campo
saem do polo norte (Y) e fecham-se através do polo sul (X). Como na zona li
a densidade de linhas de campo é maior do que na zona Ili, então, na zona li o
campo é mais intenso.

204
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

12. Colocou-se uma agulha magnética numa zona onde há um campo magnético B ext uni-
forme. Após uns instantes, a agulha estabilizou numa dada posição. Qual dos esque-
mas representa correta mente as linhas do campo magnético existente nessa região?

(A) (8) (C) (D)

----~ -- -- '-==- -- -- -- --
s-
s
s
s 11⇒ :

'
Bex, âex, Bext Bex,

O (D). Quando um íman é colocado numa região onde existe um campo magnético,
ele vai procurar alinhar-se com o campo magnético externo. A agulha magnética
assume uma posição paralela ao campo magnético externo e as linhas desse
campo «entram» no polo sul da agulha.

Campos magnéticos criados por correntes elétricas

O dinamarquês Hans Oersted descobriu


que um íman é desviado se for co locado 1
próximo de uma corrente elétrica e parale-
lamente a esta (Fig. 2 .24). Fig. 2.24 Uma corrente elétrica provoca a rotação da
agulha magnética.

Concluiu-se que uma corrente elétrica também cria um campo magnético. Este campo
magnético aumenta com a cor rente elétrica, mas diminui com a dist ância a essa co rrente elé-
trica. A forma das linhas de campo magnético criado por uma corren te depende da geometria
da co rrente elétrica (Fig. 2.2s).
Ili
A B e

Fig. 2.25 Espetro magnético e linhas de campo magnético criados por uma corrente e létrica retilínea (A ), por uma
corrente elétrica circular (B) e por uma corrente elétrica que percorre várias espiras circulares paralelas (C).

205
FÍSICA 11.0 Ano

13. Uma bobina é percorrida por uma corrente elétri-


ca constante, que cria na sua vi zinhança um ca m-
S N
.....
po magnético. Na proximidade dos seus extremos
e no seu interior coloca ram-se pequenas agulhas
magnéticas, que se orientaram como se in dica na
figura ao lado. Na proximidade daquela bobina co locou-se depois, sucess ivame n-
te, uma outra bobina, percorrida pela mesma co rrente elétrica (situação 1), e um
íman (situação li).
li

s -

Pode concluir-se que existe


(A) repulsão em I e em li. (C) repulsão em I e atração em li.
(8) atração em I e em li. (D) atração em I e repulsão em li.

~ (8). As interações entre ímanes, entre correntes elétricas e ímanes ou entre cor-
rentes elétricas são equivalentes, pois todas resultam das interações entre campos
magnéticos.
As agulhas magnéticas mostram que na situação I o polo norte da bobina da es-
querda se encontra na proximidade do polo sul da bobina da direita: existe atração.
A mesma orientação dos polos se verifica na interação entre a bobina e o íman.

2.2.2 Campos elétricos


As ca rgas elétricas interagem à distância, repelindo-se, se tiverem a mesma natureza, ou
atraindo-se, se tiverem natureza diferente {Fig. 2.26). Estas interações podem ser compreendi-
das com o conce ito de campo elétrico. Cada carga elétrica cria à sua volta um campo elétrico,
ou seja, uma região onde existe uma propriedade que origina uma força sobre as cargas
elétricas aí colocadas {Fig. 2.26).

Cargas do mesmo sinal repelem-se Cargas de sinal oposto


atraem-se

F -F
<-

Fig. 2.26 Interação entre ca rgas elétricas.

A uma dada distância da carga elétrica, o campo elétrico será tanto mais intenso quanto maior
for a ca rga elétrica que o cria.

206
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnet ismo

O campo elétrico num ponto é uma grandeza vetorial e é simbolizado por E. A unidade SI é o
vo lt por met ro (V m-1).

1 .,
. í/
1

O campo elétrico criado por uma ca rga E


~ r
pontual é radial, diminuindo de inten -
sidade com a d istânc ia à ca rga que o
cria. Se a ca rga que o cria fo r negativa,
o campo aponta para a ca rga; se a ca rga
/
~/~:z
1
---<


o
T
....

for pos itiva, o ca mpo aponta no sentido


Fig. 2.27 Campos elét ricos criados por ca rg as pontuais
do afastamento da ca rga {Fig. 2.21). negat ivas e positivas.

O ca mpo elétrico num ponto manifesta-se através de uma ação sobre uma carga elétrica aí
colocada , o riginando-se uma força na direção do campo.

Carga elétrica colocada num campo elétrico Sentido da força sobre carga

Positiva (+) O mesmo do campo elétrico

Negativa (- ) Oposto ao do campo elét rico

Propriedades das linhas do campo elétrico:


• são ta ngentes em cada pont o ao vetor campo e o seu sentido é o do ca mpo;
• a sua distribuição espacial é ta l que a sua densidade é propo rcional ao módulo do campo
- onde elas se adensam, o campo é mais intenso;
• são lin has abertas, com origem nas cargas positivas; terminam nas cargas negativas e
nunca se cruza m.

14. Nas figuras estão representadas as linhas de cam po de duas distri buições de car-
gas elétricas, algumas posições e um vetor campo elétrico, Êr
Ili
li
+ + +

.,. y

P,•

Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afirmações segu intes.
(A) 1e li representam dois cam pos elét ricos uniformes.
(8) Os campos elétricos em P1 e em P2 são iguais.
(C) Os campos elét ricos em P3 e em P4 são iguais.
(O) O campo elétrico em P4 tem o mesmo módulo que o campo em P5 .
(E) Uma carga elétrica negativa colocada em repou so em P2 ap roxima-se da placa
positiva.
(F) Uma ca rga elétrica positiva colocada em P3 move-se segu ndo a linha de campo
que passa nesse ponto.

207
FÍSICA 11.0 Ano

f) Verdadeira: (B) e (E). Falsas: (A), (C), (D) e (F).


(A) - Apenas as linhas de campo de I são segmentos de reta paralelos.
(8) - Num campo uniforme, o campo é o mesmo em todos os pontos de uma
certa região do espaço.
(C) - Os campos em P3 e em P4 são diferentes, pois o campo é tangente à linha
de campo e nesses pontos as linhas têm diferentes direções.
(D) -As linhas de campo têm diferentes densidades em P4 e em P5 •
(E) - As cargas elétricas negativas são atraídas pela carga positiva.
(F) - A linha de campo elétrico tem a direção e sentido da força aplicada sobre
uma carga positiva, mas num movimento curvilíneo a trajetória não tem a
direção da força.

15. Selecione a opção em que se representa as linhas de campo elétrico de duas cargas
pontuais simétricas.

A B e D
.._., t )' '\ t
---: 1},-\, -~- ,..,~t"'- m~
,,.i '✓ +
l',l' +
""'tt; ,_.,,. i-1. ✓ .....,.\,~JJ,1 '\' f )'
-+- + ...... .
- .o "'' ! I ~o ~ -+-

-;,J[; r. --.....,.

)' 1 "-'' ✓! \(' +


+ ie;," ·v~\, l'tf l' /
'tI f\\ ✓/.J \\

f) (8). As linhas de campo têm origem na carga positiva e terminam na carga nega-
tiva . Estas linhas são contínuas e entre as duas cargas o campo aponta da carga
positiva para a negativa.

2.2.3 Fluxo do campo magnético

Um campo magnético va riável cria um campo elétrico. No estudo da re lação entre est es dois
campos, é útil o conceito de fluxo do campo magnético (Fig. 2.2s).

Considerando uma espira que delimita uma


superfície plana de área A, e um vetor uni-
tário n(vetor de módulo 1) perpendicu lar ao Espira de
plano da espira, o fluxo magnético, <I>, do área A e vetor
campo magnético uniforme através dessa unitário n
(perpendicular
área é uma grandeza esca lar dada por: ao plano da
espira), fazendo
um ângulo a
<I> = B A cosa com o campo
magnét ico.

sendo a o ângulo entre o vetor un itário n Fig. 2 .28 Fl uxo do ca mpo magnético.

perpendicular ao plano da espira de área A


e o campo magnético, B.

208
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

A unidade SI de fluxo de ca mpo magnético chama-se weber e tem o símbolo Wb:

1 Wb = 1 T m2 (tesla metro quadrado).

Se fore m co locadas N espiras num campo magnético uniforme, o fluxo que atravessa as su-
perfícies delimitadas pelas N espiras será a soma dos fl uxos magnéticos através de cada uma
(Fig. 2.29). Se tiverem igual área A e se forem dispostas paralelamente umas às outras, como
numa bobina, o fluxo será N vezes o fluxo numa só espira:

<t>bobina = N<l> espira = N B A COS O'

Fig. 2.28 Fluxo do campo magnético através de espiras.

l+iiii-i·it4Hli·I
16. Foram colocadas quatro espiras num campo magnético uniform e de módulo
5,0 x 10- 3 T. A espira menor, IV, tem uma área de 0,030 m2 . As espiras li e Ili t êm
igua l área. O fl uxo do campo magnético através da espira Ili é de 6,0 x 10- 4 Wb.

e __:?
6J a

16.1 Ca lcule o fluxo do campo magnético através da espira IV.

16.2 Determ ine a área da espira Ili.


Ili
16.3 Sendo o fl uxo do campo magnético através da espira li metade do da espira 111 ,
qua l é o ângulo entre a espira li e o cam po magnético?

16.4 A espira I tem o dobro da área da espira Ili. Significará isso que o fluxo do campo
magnético que a atravessa é o dobro do que se verifica para a espira Ili? Justifique.

& 16.1 <I> = B A cos a = B A cos Oº = B A = 5,0 x 10-3 T x 0 ,030 m2 = 1,5 x 10-4 Wb
cp 6,0 X 10-4
16.2 <I> = B A cos a = B A cos Oº = B A ⇒ A = = , x _ = m 2 = 0,12 m 2
8 5 0 10 3

16.3 <I> = T
<I> <I>
⇒ 7f
Ili
=
B A cos a
8
A cos Oº <=>
1 cos a
2 = - 1- ⇒ cos a = 0,5 logo, a= 60°

16.4 O fluxo do campo magnético depende da área da espira e do módulo do cam-


po magnético, mas também da orientação relativa entre o campo e a espira.
A normal ao plano da espira I faz 90º com o campo magnético, logo, como
cos 90º = O, o fluxo do campo magnético através da espira I é nulo. Através da
espira 111, o fluxo do campo magnético é máximo, porque cos 0° = 1.

209
FÍSICA 11.0 Ano

2.2.4 Indução eletromagnética e Lei de Faraday


Em 1831, o inglês Michael Faraday demonstrou experimentalmente que um fluxo magnético
variável pode criar uma corrente elétrica. Este fenómeno chama-se indução eletromagnética.
Se for colocado um íman junto de uma espira ligada a um amperímetro, este nada indica. Se o
íman se mover, aproximando-se ou afastando-se da espira, o amperímetro indica uma corren-
te elétrica (Fig. 2.30 A). O mesmo se verifica se o íman permanecer parado e se mover a espira,
aproximando-a ou afastando-a do íma n (Fig. 2.30 B).
A 8

.......-:: s s o
:::...--->
Fig. 2.30 Indução
J J
eletromagnética.

A corrente elétrica que é originada é a corrente elétrica induzida. Em A, o campo magnético


variável induz um campo elétrico na espira, o que provoca o movimento das cargas elétricas
devido às forças elétricas que sobre elas passam a atuar. Em B, o movimento da espira provoca
o movimento das cargas elétricas devido às forças magnéticas que sobre elas passam a atuar.

Para explicar a indução eletromagnética, Faraday enunciou a seguinte lei:

O módulo da fo rça eletromotriz indu zida, E; ou e;, num circu ito fec hado, é igual ao módulo
da variação do fluxo magnético que atravessa o circuito por unidade de tempo.

Esta lei pode ser representada matematicamente pela equação:

A força eletromotriz induzida, E;, é a tensão elétrica que surge num


circuito fechado e a sua unidade SI é o volt, símbolo V.

Então, só é criada uma força eletromotriz induzida se o fluxo do campo magnético através da
espira variar (Fig. 2.31). Como <P = B A cos a, existe variação de fluxo magnético se:
• varia r o campo magnético, em módulo ou em direção;
• varia ra área da espira sujeita ao campo magnético;
• mudar a orientação relativa entre o campo magnético e a espira (varia o cos a).

Fig. 2.31 Produção de corrente elétrica induzida. Mais linhas de campo a atravessar a espira representam
maior fluxo magnético.

A Lei de Faraday indica que a força eletromotriz induzida será tanto maior quanto mais rapi-
damente variar o fluxo do campo magnético.

210
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

17. Uma bobina de forma quadrada, com 10 cm


de lado e 50 espiras, é forçada a mover-se lv
com velocidade constante, perpendicular-
mente à direção de um campo magnético íL -L
-------+
uniforme. A região onde existe o campo
magnético tem uma altura L = 20 cm e o flu-
xo do campo magnético através da bobina
va riou de acordo com o gráfico apresentado.

17.1 Como se pode explicar a variação de


fluxo magnético registada no gráfico?
0,10 0,15 ti s'
17.2 Qual é o módulo do campo magnético?
17.3 Como varia o módulo da força eletromotriz induzida durante os 0 ,15 s?

& 17.1 O fluxo magnético através da bobina é <P = N B A cos a. Mas a área da bobina
sujeita ao campo magnético vai variar. Inicialmente a bobina está toda fora da
região onde existe o campo magnético, sendo aí o fluxo nulo; mas o fluxo vai
aumentar à medida que mais área da bobina ficar sujeita ao campo magnéti-
co. Como a bobina tem 10 cm de lado, haverá um intervalo de tempo em que
toda a área da bobina estará sujeita ao campo magnético uniforme. Neste in-
tervalo de tempo, o fluxo magnético é constante. Com a saída da bobina da re-
gião onde existe o campo magnético, o fluxo magnético diminui até se anular.

17.2 <P = N B A cos a. Pela geometria da situação, a = Oº e cos Oº = 1.


N = 50 espiras e a área de cada uma é A= 0 ,10 m x 0,10 m = 1,0 x 10-2 m 2 •

<P 0,10
O módulo do campo magnético é: B = NA = x , x _ T = 0,20 T
50 10 10 2

17.3 Só existe força eletromotriz induzida se variar o fluxo do campo magnético.

De O s a 0,05 s ⇒ ls.l = 1 ~<P 1 = 1 0, 0 - O I V= 2,0 V


' M
1
0 ,05
Ili
De005sa010s ⇒ ls.1=I~<PI=I0,1 0-0,1 0I V=OV
' ' ' M 0,10 - 0,05

De O 10 s a O15 s ⇒ ls.l = 1 ~<P 1 = 1º•15 º•1º


- 1 V= 2 O V
' ' ' M 0 ,15 - 0,10 '

A Lei de Faraday está na o rigem da produção de ener-


gia elétrica. Po r exemplo, um gerador de corrente alter-
nada pode ser co nstruído com uma espira no interior
de um campo magnético (Fig. 2 .32). A espira é colocada
em rotação e quanto maior for a veloc idade angular,
mais rapidamente variará o fluxo através da espira, ge-
rando uma maior força eletromotriz e disponibilizando
mais energia.
Fig. 2.32 Esquema de um a lternador.

211
FÍSICA 11.0 Ano

2.2.5 Aplicações da Lei de Faraday


A Lei de Faraday tem aplicações diversas, como micro-
fones de indução, nas placas de indução, ou em gera-
dores nas centrais elétricas, as quais têm duas partes
essenciais: as tu rbinas e o gerador (Fig. 2 .33).
As turbinas, ligadas ao gerador, provocam o movimento
necessário para haver indução eletromagnética. São for-
madas por pás (ou hélices ou lâminas) que rodam graças
à ação de um fluido (vapor de água ou água líquida).
O gerador é constituído por bobinas rodeadas de íma-
Fig. 2.33 Tu rbina e g e rador numa
nes (na rea lidade, eletroímanes) que criam um campo central hídrica.
magnético intenso. O movimento relativo entre os íma-
nes e as bobinas origina nestas um fluxo variável do E1

campo magnético, originando uma força eletromotriz


descrita por uma fu nção sinusoidal (Fig. 2.34).

A co rrente elétrica alternada utilizada no consumidor


final não tem as mesmas caract erísticas da produzida
nas centrais. O dispositivo que altera algumas das ca-
Fig. 2.34 Fo rça e letro motriz p roduzid a
racte rísticas da corrente alternada é o transformador.
por um gerad or d e corrente alte rnada .
Os transformadores (Fig. 2.35) são dispositivos capazes
de variar a tensão elétrica, aumentando-a ou diminuin- Primário Secundário
do-a. O seu fun cionamento baseia-se na indução ele-
tromagnética.
Ns
Um transformador é constituído por:
• núcleo: mat erial ferromag nético onde se enrolam
fios condutores (bobinas) e se produz um ca mpo;
Us
o núcleo intensifica o campo magnético;
• enrolamentos: fi os co ndutores isolados e enrola-
dos (bobinas) em torno do núcleo e que são per- Fig. 2.35 Transfo rmad o r de dois
co rridos por co rrente elétrica alternada. enro lam ent os.

Nos transformadores com dois enrolamentos, um é o primário e o outro o secundário.


Nestes transformadores, a bobina do primário é percorrida por corrente elétrica alternada
(corrente de entrada) que produz um campo magnético variável. O núcleo orienta o campo
magnético variável para o secundário, onde, então, devido à va riação do fluxo do ca mpo mag-
nético, é induzida uma corrente (corrente de saída).
A rela çã o entre a tensão no primário (tensão de entrada), UP, e a tensão no secundário (tensão
de saída), U5 , é dada pela expressão:
U N
_ P =_ P
Us Ns
em que NPé o número de espiras do primário e Ns é o número de espiras do secundário.
Quanto maior for o número de espiras da bobina, maior será a diferença de potencial elétrico
nos seus termina is.

212
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

Para diminuir as perdas de energia por efeito Joule no transporte da corrente elétrica das
centrais até aos locais de consumo, são usados transformadores que primeiro elevam a ten-
são elétrica e depois, perto dos locais de cons umo, por razões de segurança, outros transfor-
madores reduzem a tensão elétrica.

C+iMMii41-ili·ti
18. A figura representa esquematicamente o processo de produção, transporte e distri-
buição da energia elétrica desde a central até aos locais de consumo. As linhas de
transmissão, ou transporte, da energia elétrica são linhas de alta tensão e o consumo
faz-se em baixa tensão. Nas linhas de transporte da corrente elétrica parte da energia
é dissipada por efeito Joule.
Linhas de transmissão
Linhas de distribuição

,..,
,..
r

Turbina Transformador 1 Transformador 2


l:.lofm
18.1 Considerando que é necessá rio transmitir uma certa potência, conclua, justi-
ficando, sobre a influência do aumento da tensão sobre a potência dissipada
(efeito Joule) nas linhas utilizadas para o transporte de energia.
18.2 Indique o nome do fenómeno que está na base do funcionamento do gerador
e dos transformadores.
18.3 O transformador 1 tem maior número de espiras no ______ e o transfor-
mador 2 tem maior número de espiras no _ _ _ _ __
(A) primário ... secundário (C) primário ... primário
(B) secundário ... secundário (D) secundário ... primário

18.4 Num transformador, ao aplicar-se 230 V ao primário, com 500 espiras, obteve-
-se no secundário 150 V.
Ili
Determine o número de espiras do secundário. Admita que a tensão em cada
enrolamento é diretamente proporcional ao seu número de espiras.

& 18.1 A potência fornecida à linha é P1 = U /, assim, ao aumentar-se a diferença de


p
potencial elétrico (tensão), U, a corrente/= - 1- necessária para esse trans-
porte de energia diminui. U
A potência dissipada é dada por Pd = R/2, sendo R a resistência elétrica da
linha e Ia corrente elétrica que nela circula. Assim, como/ diminui, a potência
dissipada também diminui.

18.2 Indução eletromagnética.


18.3 (D). No transformador 1 ocorre elevação da tensão elétrica, para reduzir as
perdas por efeito Joule no transporte da corrente elétrica, logo, o número de
espiras no secundário deve ser maior do que no primário. No transformador
2 ocorre diminuição da tensão elétrica, passando-se de alta tensão para
média tensão, logo, o maior número de espiras é no primário.
U N 230 V 500
18.4 Up = NP ⇒ V = ~ ⇒ N. = 326
s s
150 s

213
FÍSICA 11.0 Ano

19. O microfone de indu ção funciona através do movimento re-


lativo entre uma bobina e um íman.
Observe o esquema: o íman está fixo e a bobina está ligada
a uma membrana que v ibra quando recebe um sinal sono ro.
Explique como se pode converter um sinal sono ro num sinal
elétrico, utilizando um microfone de indução.

O som cria uma vibração da membrana, que provoca um movimento relativo en-
tre a bobina do microfone e o íman que existe no seu interior.

Este movimento faz variar o fluxo magnético na espira, o que, de acordo com a Lei

de Faraday ( le,I = 1 ~ ; 1 ) , cria uma força eletromotriz induzida e correntes elétricas


com o mesmo padrão de variação do sinal sonoro que as originou.

2.3 Ondas eletromagnéticas


2.3.1 Origem e produção de ondas eletromagnéticas

A descoberta de Oersted, de que uma co rrente elétrica produz um campo magnético, e os


trabalhos de Faraday, de caracterização da in dução eletromagnética, abriram o ca minho ao
trabalho teórico de Maxwell, de unificação da ótica, da eletri cidade e do magnetismo.

Maxwell, em 1864, descreveu as bases de toda a X

teoria do eletromagnetismo e das ondas eletro- Direção da

magnéticas, demonstrando que se propagam à ~o


velocidade da luz e que essas ondas e a luz têm a
mesma natureza. y
As ondas eletromagnéticas, resultam da propagação z
de campos elétricos e magnéticos perpendicu lares
entre si e também perpendiculares à direção de pro-
pagação das ondas. São ondas transversais (Fig. 2.36). Fig. 2.36 Onda eletromagnética.

Foi Hertz, em 1888, quem primeiro produziu e dete-


tou ondas eletromagnéticas de grande comprimen- 2

• 1 - 1
to de onda (Fig. 2.37). 3

Hertz verifi cou que sempre que uma bobi na era per-
corrida por corrente elétrica, variável no t empo, se
produziam descargas elétricas entre esferas ligadas
a essa bobina. Verificou, também, que ocorriam ou-
Fig. 2.37 Experiência de H ertz.
tras descargas num anel metálico colocado a uma 1 - A bobina de indução produz alta voltagem.
certa distância das esferas e a elas não ligado, com- 2 - A descarga elétrica produz ondas
e letromagnéticas.
provando a teoria de Maxwell. Assim, Hertz descobriu 3 - As o ndas e letromagnét icas criam corrente
a forma de produzir artificia lmente ondas de rádio. e létrica num anel metá lico (ressoador).

214
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

A ve locidade das ondas eletromagnét icas, com uma frequência det erminada pela oscilação
de uma carga elétrica, depende do meio material onde estas se propagam.

Todavia, no va zio as ondas eletromagnét icas propagam-se todas à mesma velocidade


(e= 3 x 10ª m s-1) . A expressão

v = >,J

relaciona a velocidade de propagação, v, com a frequência, f, e com o comprimento de onda, À.

20. Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada uma das afi rmações seg uintes.
(A) Faraday comprovo u experimentalmente a teoria de Maxwell.
(8) Faraday, ao descobrir a indução eletromagnética, abriu camin ho não só para
a prod ução de energia elétrica mas também para a produção de ondas eletro-
magnét icas.
(C) Através do se u t rabalho teórico, Maxwell unificou conceptua lmente a eletrici-
dade e o magnet ismo.
(D) Heinrich Hertz estabeleceu a p rimeira com unicação por ondas eletromag néticas
a longa distância.
(E) Foi Maxwell quem comprovou que as ondas de rádio e a luz são ambas ondas
eletromag néticas.
(F) As ondas eletromagnéticas permitem com unicação a longas distâncias po rque
são ondas longitud inais.

~ Verdadeiras: (8) e (C). Falsas: (A), (D), (E) e (F).


Maxwell realizou o seu trabalho teórico depois das descobertas de Faraday e nelas
se baseou. Nesse trabalho indicava que a luz eram ondas eletromagnéticas.No
entanto, quem o comprovou experimentalmente foi Hertz.
Ili
Hertz estabeleceu a primeira comunicação através das ondas hertzianas, mas fê-lo
apenas a pequena distância.
As ondas eletromagnéticas são transversais, pois propagam-se perpendicularmente
aos campos magnéticos e elétricos.

2.3.2 Fenómenos ondulatórios


Qua ndo uma onda que se propaga num meio 1 encon-
Radiação [I]
t ra um outro meio, 2, pode ser refletida (é devolvida incidente Radiação
ao meio 1), transmitida (a onda passa a propagar-se refletida

no meio 2, que é, por isso, transparente a essa onda)


ou absorvida (a energia t ransportada pe la onda é ab-
sorvida pelo meio 2). Radiação
transmitida
A Lei de Conservação da Energia implica que a energia da
onda incidente, E;, é igual à soma das energias das ondas Fig. 2.38 A rad iaçã o incidente pode ser
refletida, absorvida ou transmitida.
refletida, E,, transmitida, E1, e absorvida, Eª: E;= E,+ E1 + E.

215
FÍSICA 11.0 Ano

A percent agem de cada fração da energ ia incidente depende da frequência da onda inciden-
te, da sua inclinação em re lação à supe rfície do material onde incide e do t ipo de mat eria l.
Po r exemplo, a fração da radiação solar incidente que é refletida pela Terra na atmosfera e na
superfície designa-se por albedo da Te rra. O albedo da Terra é ce rca de 30%, sendo os restan-
tes 70% da radiação solar absorvidos pela atmosfera (19%) e pela superfície do p laneta - terra
e mar - (51%). Contudo, o comportamento da atmosfera é diferente para d ifere ntes frequências.
A at mosfera terrestre absorve fu ndamentalmente a radiação y, a rad iaçã o X, alguns ultravio-
leta e alguma radiação infravermelha de maior energia, transmitindo nas regiões do visível e
das ondas de rádio, designadas, muito apropriadamente, por <~anelas atmosféricas».
O comportamento da at mosfera terrestre relativamente às radiações incidentes é de vital impor-
tância pa ra a existência de vida e as janelas atmosféricas permitem a comunicação com o Espaço.

2.3.3 Reflexão de ondas

Embora a luz seja uma onda, no âmbito da ótica geométrica e la é representada po r raios lu-
minosos. Um raio luminoso é uma linha reta com a direção e se ntido da propagação da luz.
Um feixe de luz é um conjunto de ra ios luminosos.
Q uando um feixe pa ralelo de luz incide num espelho (mat eria l muito polido), origina ra ios
refletidos para lelos. Esta reflexão especular, ou regular, é a q ue perm ite ver a imagem dos
objet os nos espe lhos (Fig. 2.39 da esq uerda).

Na reflexão difusa, ou difusão da luz, raios luminosos para lelos são refletidos e m direções
va riadas (Fig. 2.39 da direita). A reflexão permite-nos ver os objetos que nos rodeiam, apesar
de e les não emitirem luz visível.
Consoante o grau de pol imento das supe rfícies, a reflexão pode ser mais especu lar (ma ior po-
limento) o u mais difusa (menor po limento). As ondas mecânicas, como, po r exemplo, o som,
também podem sofrer reflexão especula r e difusa.

Raios
Raios refletidos Raios
Raios refletidos
incidentes incidentes

Reflexão especular perfeita Reflexão difusa ou difusão


numa superfície polida

Fig. 2.39 Reflexão especular e reflexão difusa.

Para cada um dos ra ios refletidos (Fig. 2.40) verificam-se as Le is da Reflexão:

1.ª Lei da Reflexão: o raio incidente (i), a normal à Raio


Normal, refletido
superfície de sepa ração no ponto de incidência (n) (n) ', (r)
e o ra io reflet ido (r), estão no mesmo plano;
2.ª Lei da Reflexão: a amplitude do âng ulo entre a
normal e o raio incident e (ângu lo de incidência a) é
igual à ampl itude do ângulo e ntre a normal e o raio
refletido (ângu lo de reflexão {3): a= {3.
Fig. 2.40 Reflexão de um raio luminoso.

216
DOMÍNIO 2 Ondas e eletromagnetismo

A reflexão de o ndas elet romag néticas é utilizada no radar (o ndas de rádio e micro-o ndas) e a
refl exão de o ndas sonoras (ultrassons) no sonar, ecografia, sensores de estacionamento, etc.
A frequência de uma onda só depende da fonte que o riginou a onda e não do meio o nde e la
se propaga. No entant o, a velocidade de propagação da o nda depende do meio.
Na reflexão, a velocidade de propagação da onda e o seu comprimento de onda não variam,
porque a onda é refletida pa ra o mesmo meio.
Contudo, devido à absorção de energia na superfície de reflexão, a onda refletida t e m, em
gera l, menor int e nsidade do que a incidente.

M+i%i·i·i4Hffi+M
21. Um espelho p lano, em posição inclinada, forma um
âng ulo de 60º co m o chão. Na fig ura está representa-
da uma pessoa a o lhar para um es pel ho e alg uns raios
refletidos no espel ho, que incidem nos seus o lhos.
21.1 O rdene os ra ios refletidos po r o rdem crescente
de âng ul o de reflexão.
21.2 Q ual é a amplitude do â ngulo de incidência do raio q ue dá origem ao raio
refletido 3?
21.3 O raio refletido que pe rmite que a pessoa vej a os se us sapatos é o ra io
(A) 1. (B) 2. (C) 3. (D) 4.

& 21.1 O ângulo de reflexã