Você está na página 1de 59

Biologia

10ºano

Bruna Teixeira
A Biosfera

O conceito de biodiversidade estende-se não apenas à diversidade de seres vivos, mas,


igualmente, à variedade genética no seio das espécies, à diversidade de comunidades
instaladas nos diferentes ecossistemas bem como à riqueza de relações ecológicas
estabelecidas entre os indivíduos.

Organização biológica

Sistema de
Átomo Organismo
órgãos

Molécula Órgão Espécie

Macromolécula Tecido População

Organito Célula Comunidade Ecossistema

Indivíduos de espécies diferentes que habitam uma mesma área e estabelecem relações
entre si formam uma comunidade biótica.

O conjunto da comunidade, do ambiente e as relações que se estabelecem entre si,


formam um ecossistema. Num ecossistema, existem componentes bióticos (seres vivos) e
componentes abióticos (fatores ambientais).

Bruna Teixeira
Dinâmica dos ecossistemas

Cadeias alimentares – os seres


vivos de um ecossistema estabelecem
relações tróficas (alimentares), que
envolvem transferências de matéria e
energia. As cadeias alimentares
interrelacionam-se, originando as teias
alimentares/redes tróficas.

o Produtores – seres vivos que


transformam a matéria inorgânica em matéria orgânica à custa de uma fonte externa.
São autotróficos, ou seja, produzem o seu próprio alimento.
o Consumidores – são seres que se alimentam de matéria orgânica já sintetizada direta ou
indiretamente pelos produtores. São heterotróficos.
o Decompositores – são seres que decompõem: cadáveres e excrementos. Transformam
a matéria orgânica morta em matéria mineral.

Conservação dos ecossistemas

Conservação – a preservação dos ecossistemas depende:


o da manutenção da fertilidade dos solos e da prevenção da sua erosão;
o da desintoxicação e reciclagem de produtos residuais;
o da regulação do ciclo da água e da composição da atmosfera;
o da biodiversidade, da qual o Homem depende para obter alimentos e medicamentos.

Degradação – devido à ação do Homem assiste-se, atualmente, a um elevado ritmo de


destruição e extinção de espécies:
o a sobre-exploração de recursos;
o a introdução de predadores ou de doenças;
o a poluição
o a destruição de habitats.

Bruna Teixeira
A célula
Teoria celular

o A célula é a unidade básica de estrutura e função de todos os seres vivos;


o Todas as células provêm de outras células;
o A célula é a unidade de reprodução, de desenvolvimento e de hereditariedade.

Unidade estrutural e funcional

As células podem surgir na Natureza de forma isolada – seres unicelulares – ou


associadas entre si – seres multicelulares/pluricelulares.

o Células procarióticas – são as células mais simples.


▪ O seu material genético não se encontra
delimitado por um invólucro nuclear;
▪ Não possuem organelos membranares no
citoplasma;
▪ Estas células são próprias das bactérias e
cianobactérias.

o Células eucarióticas – apesentam uma estrutura mais complexa.


▪ Possuem um núcleo organizado e individualizado (contendo material genético) e
delimitado pela membrana nuclear.
Estrutura celular Células animal Célula vegetal
Parede celular

Cloroplastos

Membrana

Citoplasma

Núcleo

Centríolos

Bruna Teixeira
Vacúolo
central

Lisossoma
Complexo
s
De Golgi

Ribossomas

Vacúolo Parede celular


Célula eucariótica animal e vegetal

Componentes celulares

Bruna Teixeira
Clorofila - pigmento verde

Constituintes básicos

Compostos orgânicos – as células são constituídas por moléculas orgânicas de grandes


dimensões e com variadas funções – as macromoléculas.

Compostos inorgânicos – a água e os sais minerais (cálcio, ferro, magnésio, potássio, …)


também são imprescindíveis na constituição química e funcionamento das estruturas vivas.

Macromoléculas:
o Prótidos
o Glícidos
o Lípidos (hidratos de carbono)
o Ácidos nucleicos

Bruna Teixeira
As macromoléculas correspondem a
polímeros, cadeias formadas por unidades
estruturais mais simples, os monómeros.

Quando dois monómeros se ligam é


libertada uma molécula de água e ocorre uma
reação de condensação; quando a ligação entre
dois monómeros é rompida, uma molécula de
água é gasta e ocorre uma reação de hidrólise.

Prótidos

Monómeros:
o Aminoácidos
▪ (Péptidos)
▪ (Proteínas)

Os prótidos são compostos orgânicos quaternários, constituídos por C, H, O e N.

A unidade estrutural é o aminoácido que, ao estabelecer ligações peptídicas com outros


aminoácidos, pode formar oligopéptidos (entre 2 e 20 aminoácidos) e polipéptidos (mais de 20
aminoácidos).

As proteínas são macromoléculas constituídas por uma ou mais cadeias polipeptídicas,


com uma estrutura tridimensional definida.

Bruna Teixeira
Proteínas simples/haloproteínas – são formadas só por aminoácidos
Proteínas conjugadas/heteroproteínas – contêm uma porção não proteica chamada grupo
prostético.

Importância biológica das proteínas:


Funções Proteínas Localização

Função Enzimática Pepsina Suco gástrico


Função Estrutural Queratina Cabelo, unhas, garras
Função de Defesa Anticorpos Plasma, tecidos e secreções
Função de Transporte Hemoglobina Sangue
Função Reguladora Insulina Pâncreas
Função Contráctil Miosina Tecido muscular

Glícidos

Monómeros:
o Monossacarídeos/oses

Os glícidos são compostos ternários de C, O e H.

A unidade estrutural são os monossacarídeos/oses e são classificados quanto ao


número de átomos de carbono (trioses (3C), tetroses (4C), pentoses (5C), hexoses (6C), heptoses
(7C)…)
A ligação química que une os monossacarídeos denomina-se ligação glicosídica, e
podem formar oligossacarídeos (entre 2 e 20 oses) e polissacarídeos (mais de 20 oses).

Bruna Teixeira
Exemplos:
o Monossacarídeo – glicose, frutose (hexoses)
o Dissacarídeo – maltose, sacarose
▪ Maltose = glicose + glicose
▪ Sacarose = glicose + frutose
o Polissacarídeos – amilose
▪ Amilose = maltose + maltose + maltose + …

Algumas funções destes compostos são:


o Função energética – glicose
o Função estrutural – quitina, celulose (constituinte da parede celular dos animais)
o Função de reserva – amido nas plantas e glicogénio nos animais

Lípidos

Os lípidos são compostos ternários de C, H e O, mas podem integrar azoto, fósforo ou


outros elementos.

São insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos.

o Os ácidos gordos que possuem átomos de carbono ligados entre si por ligações duplas
ou triplas, dizem-se insaturados;
o Nos ácidos gordos saturados, todos os átomos de carbono estão ligados por ligações
simples.

Bruna Teixeira
O glicerol é um álcool que contém três grupos hidroxilo (HO), capazes de estabelecer
ligações covalentes com os átomos de carbono dos grupos carboxilo (COOH) dos ácidos gordos
– ligação éster.

1 ácido 1 Mono
gordo glicerol glicerí
deo

2 1 Diglice
ácidos glicerol rídeo
gordos

3 1 Triglic
ácidos glicero erídeo
gordos l

A estrutura dos fosfolípidos resulta da


ligação de uma molécula de glicerol com dois
ácidos gordos e com uma molécula de ácido
fosfórico.
São moléculas anfipáticas – possuem
uma parte hidrofílica e uma parte hidrofóbica.

Os triglicerídeos são um grupo de lípidos com


funções energéticas; os fosfolípidos, com função
estrutural, são os constituintes mais abundantes das
membranas celulares.

Bruna Teixeira
Ácidos nucleicos

Os ácidos nucleicos são polímeros de nucleótidos, as suas unidades estruturais.


Um nucleótido é composto por um grupo fosfato, uma pentose e uma base azotada.

DNA RNA

Açúcar
Pentose

Bases
azotadas

Forma

O DNA (ácido desoxirribonucleico) é uma macromolécula com estrutura em dupla


hélice; o RNA (ácido ribonucleico) apresenta geralmente uma cadeia simples.

A função dos ácidos nucleicos consiste no armazenamento e transferência da


informação genética e no controlo da atividade celular.

Bruna Teixeira
Obtenção de matéria pelos seres heterotróficos
Estrutura da membrana plasmática

A membrana celular assegura a integridade da célula e funciona como:


o Barreira de separação entre os meios intracelular e extracelular;
o Superfície de troca de substâncias, de energia e informação entre os meios referidos.

Glicocálix

O modelo de estrutura da membrana (proposto por Singer e Nicholson) é atualmente o mais


aceite. O modelo de mosaico fluido é unitário pois aplica-se a todas as membranas existentes
nas células. De acordo com ele, a membrana é constituída por:

o Bicamada fosfolipídica – as extremidades hidrofílicas das moléculas a formarem as


faces externas; as hidrofóbicas a ocuparem o interior;

o Proteínas – inseridas na dupla camada, proteínas intrínsecas/integradas (se


atravessarem a membrana de um lado ao outro designam-se proteínas
transmembranares) e proteínas extrínsecas/periféricas, situadas na superfície;

o Colesterol – tem um papel estabilizador da membrana, pois evita que os fosfolípidos


se agreguem, mantendo a sua fluidez;

o Glicocálix (constituído por glicoproteínas e glicolípidos) – desempenham um papel


importante no reconhecimento de certas substâncias pela célula.

Bruna Teixeira
Verifica-se que as moléculas fosfolipídicas têm grande mobilidade lateral (A), trocando
de posição com outras que se encontrem na mesma camada. Ocasionalmente, podem ocorrer
movimentos transversais (flip-flop) (B) de
fosfolípidos de uma camada para a outra.

Movimentos transmembranares

Transporte não mediado:


Não atuam proteínas
o Osmose
transportadoras
o Difusão simples

Osmose

O movimento de água através da membrana citoplasmática designa-se osmose.

Movimento de
Meio menos concentrado moléculas de água Meio mais concentrado
Meio hipotónico Meio hipertónico
Menor pressão osmótica Maior pressão osmótica

Quando os meios possuem igual


concentração – isotónicos –
estabelece-se uma situação de
equilíbrio, em que o fluxo de água que
entra nas células é igual ao fluxo de
saída.

Bruna Teixeira
A célula pode:
o Perder água, diminuindo assim o seu volume celular. Nessa situação, a célula diz-se
plasmolisada.
o Ganhar água, aumentando assim o seu volume celular e aumentando a pressão sobre
a membrana/parede celular (pressão de turgescência). A célula diz-se túrgida.

No caso das células animais, a turgescência pode conduzir à rutura da membrana


celular – lise celular. Isto não acontece as células vegetais pois possuem uma parede celular
rígida.

Este processo não gasta energia – transporte passivo.

Difusão simples

O movimento de outras substâncias (ex: CO2, ureia, etc.)


através da membrana celular designa-se difusão simples.
As moléculas deslocam-se do meio de maior concentração
para o meio de menor concentração – a favor do gradiente de
concentração.
A velocidade de movimentação de soluto é diretamente
proporcional à diferença entre os dois meios.

Neste processo não há gasto de energia – transporte passivo.

Transporte mediado:
Atuam permeases,
o Difusão facilitada proteínas específicas
o Transporte ativo da membrana

Bruna Teixeira
Difusão facilitada

A difusão facilitada deve-se à existência de permeases (proteínas transportadoras


específicas para cada tipo de substância) na membrana, que promovem a passagem de
moléculas.
Neste processo de movimentação de solutos (ex:
glicose, aminoácidos, algumas vitaminas, etc.), as moléculas
deslocam-se a favor do gradiente de concentração.

A velocidade de transporte da substância:


o Aumenta com a concentração de soluto;
o Mantém-se quando todos os locais de ligação
das permeases estão ocupados (saturação),
mesmo que a concentração aumente –
velocidade máxima.

Não há gasto de energia – transporte passivo.

Transporte ativo

O transporte ativo caracteriza-se por ser o


movimento de substâncias contra o gradiente de
concentração (deslocam-se do meio de menor
concentração para o meio com maior concentração).
Este processo é possível com a intervenção de
proteínas transportadoras – ATPases que, com gasto de
energia, transportam a substância para a região em que
está mais concentrado.

Bruna Teixeira
Bomba de Sódio-Potássio:
o A concentração do sódio é maior no meio extracelular, enquanto que a do potássio
é maior no meio intracelular.
o A manutenção dessas concentrações é realizada pelas ATPases que captam Na+ no
citoplasma e liberta-os para fora da célula.
o No meio extracelular, captam K+ e liberta-os para o meio interno.

A energia necessária para este processo é proveniente da hidrólise do ATP em ADP e Pi (fosfato).

Transporte de partículas – endocitose e exocitose

Endocitose:
o Fagocitose
o Pinocitose
o Endocitose mediada por recetor

Por vezes, as substâncias que a célula precisa no seu interior são demasiado grandes
para passarem através da membrana citoplasmática. O transporte deste tipo de material para o
interior da célula por invaginação da membrana celular chama-se endocitose.

Na fagocitose, a célula emite


prolongamentos citoplasmáticos, os
pseudópodes, que envolvem partículas de
grandes dimensões ou mesmo células inteiras,
acabando por formar uma vesícula
fagocítica/fagossomas que se destaca para o
interior da célula.

Bruna Teixeira
Na pinocitose, a membrana celular, por invaginação, engloba fluido extracelular
contendo ou não pequenas partículas. Esta invaginação evolui para a formação de pequenas
vesículas endocíticas.

A endocitose mediada por recetor é um processo de endocitose em que


macromoléculas entram na célula, ligadas à membrana das vesículas de endocitose.

Na exocitose, a célula liberta para o


meio extracelular produtos resultantes da
digestão intracelular ou moléculas
sintetizadas no seu interior. Neste processo de
vesículas de secreção convergem para a
membrana, fundem-se com ela e libertam o
seu conteúdo no meio extracelular.

Bruna Teixeira
Digestão intracelular – importância do sistema endomembranar

A digestão intracelular ocorre no interior das células, através da ação de enzimas


contidas em vacúolos digestivos. As proteínas enzimáticas sintetizadas nos ribossomas (no
retículo endoplasmático) são transportadas até ao Complexo de Golgi de duas formas:
1. Deslocam-se através dos canais do retículo endoplasmático até ao
Complexo de Golgi;
2. São armazenadas em vesículas de transporte que se destacam do retículo
e que se fundem com o Complexo de Golgi.
No interior do Complexo de Golgi, as proteínas enzimáticas, tais como outras que aí são
processadas, sofrem maturação, o que as torna funcionais, acabando por ser transferidas para
os lisossomas (vesículas).

A digestão intracelular ocorre no interior de vacúolos digestivos, que resultam da fusão


dos lisossomas com vesículas endocíticas (processo de fagocitose) ou com vesículas originadas
no interior do citoplasma (autofagia). Por ação das enzimas digestivas, as moléculas complexas
existentes no interior dos vacúolos digestivos são desdobradas em moléculas mais simples. Os
resíduos resultantes da digestão são eliminados para o meio extracelular por exocitose.

Bruna Teixeira
Ingestão, digestão e absorção

o Ingestão – consiste na entrada dos alimentos para o organismo;


o Digestão – é o conjunto de processos que permite a transformação de moléculas complexas
dos alimentos em moléculas mais simples;
o Absorção – consiste na passagem dos nutrientes resultantes da digestão para o meio
interno.

A hidra e a planária possuem tubos digestivos incompletos,


isto é, com uma só abertura, designada cavidade gastrovascular.
Nestes casos, a digestão inicia-se na cavidade gastrovascular –
digestão extracelular – onde são lançadas enzimas que atuam
sobre os alimentos e os transformam em partículas simples.

As partículas parcialmente digeridas são depois fagocitadas


por células que continuam a digestão dentro dos vacúolos
digestivos – digestão intracelular.

A planária apresenta alguns mecanismos


adaptativos como a faringe que permite-lhe captar os
animais de que se alimenta e como a ramificação da
cavidade gastrovascular, que permite-lhe ter uma
distribuição eficaz dos nutrientes por todas as células.

A minhoca e o Homem possuem um tubo digestivo completo, isto é, com duas


aberturas – a boca, por onde entram os alimentos e o ânus que é por onde os resíduos
alimentares são eliminados.

Bruna Teixeira
Na minhoca, o alimento entra pela boca, passa pela faringe, pelo esófago e deste para
o papo, onde é acumulado e humidificado. De seguida, passa para a moela, onde é triturado
com a ajuda de grãos de areia. O alimento fracionado por digestão mecânica segue para o
intestino, onde:
o Sofre ação de enzimas que completam a digestão;
o Ocorre a absorção de substâncias mais simples.

No tubo digestivo do Homem, bem como em todos os vertebrados, cada uma das áreas
é especializada numa etapa particular do processo digestivo.
1. Na boca, o alimento é triturado por ação da mastigação e sofre a ação da enzima
amílase (hidrolisa os glícidos), formando o bolo alimentar.
2. No estômago, a ação conjunta do ácido clorídrico, das enzimas proteolíticas (enzimas
que degradam prótidos) e dos movimentos peristálticos origina o quimo.
3. No duodeno (intestino delgado), há produção do suco instestinal, que possui enzimas
digestivas, e em conjunto com a bílis (emulsionante para os lípidos) e o suco
pancreático, provenientes, respetivamente, do fígado e do pâncreas atuam sobre o
quimo transformando-o em quilo.
4. As células do epitélio intestinal possuem microvilosidades, que aumentam a
superfície de absorção. Por difusão ou transporte ativo, os diferentes nutrientes
atravessam as membranas das células da parede intestinal e dos capilares sanguíneos
ou linfáticos.
5. O material não absorvido passa para
o intestino grosso, onde ocorre
absorção de água antes da sua
eliminação pelo ânus.

Bruna Teixeira
Vantagens conferidas por um tubo digestivo completo:
o Os alimentos deslocam-se num único sentido, o que permite uma digestão e uma
absorção sequenciais ao longo do tubo, havendo por isso um aproveitamento muito
mais eficaz;
o A digestão pode ocorrer em vários órgãos, devido à ação de diferentes enzimas e a
diferente tratamento mecânico;
o A absorção é mais eficiente, pois prossegue ao longo do tubo;
o Os resíduos não digeridos acumulam-se durante algum tempo, sendo depois expulsos
através do ânus.

Obtenção de matéria pelos seres autotróficos


o Fotossíntese – necessita de fonte de energia luminosa e é realizada por seres
fotoautotróficos.
o Quimiossíntese – necessita de fonte de energia química e é realizada por seres
quimioautotróficos.

Fotossíntese
Oxidação – perda de e-
Luz Redução – ganho de e-
6CO2 + 12 H2O Glicose + 6O2 + 6H2O
Clorofila A

Para ocorrer
fotossíntese é preciso

É preciso 6 moléculas de dióxido de carbono para produzir uma de glicose.

As clorofilas (pigmentos fotossintéticos) possuem picos de absorção que se situam nas


zonas azul-violeta e vermelho-alaranjado do espetro de luz visível.

Os pigmentos fotossintéticos existem nos tilacóides.

Organizam-se em fotossistemas:
o Conjunto pigmentos antena
o Centro de reação

Bruna Teixeira
1ª fase – Fase Fotoquímica (diretamente dependente da luz)

A fase fotoquímica ocorre


ao nível da membrana dos
tilacóides

Oxidação da clorofila a

Energia
solar
Clorofila a Clorofila a excitada Há oxidação da clorofila a
Perder e-

Os eletrões vão para


uma cadeia
transportadora de e-

Fluxo de e- através da cadeia transportadora

Forma-se ATP
Fosforilação oxidativa/Fotofosforilação:
ADP + Pi → ATP

Energia

Bruna Teixeira
Oxidação da água/Dissolução/Fotólise

H2O → 2H+ + 2e- + ½ O2

Vão reduzir a clorofila


a dos fotossistemas
Repondo novamente os
eletrões perdidos na
oxidação da clorofila

A água é o dador primário de eletrões

NOTA: O oxigénio é um subproduto da fotossíntese, é libertado em consequência de uma


reação que tem de ocorrer para que ocorra a fotossíntese. O oxigénio libertado tem origem na
água.

Redução do NADP+

Vêm da fotólise
da água

NADP+ + 2e- + 2H+ → NADPH + H+

Vêm da cadeia
transportadora

O NADP+ é o aceitador final de eletrões

Produtos finais da fase fotoquímica:


o ATP
o NADPH
o O2
o H+

Bruna Teixeira
2ª fase – Ciclo de Calvin (não depende diretamente da luz)

O Ciclo de Calvin ocorre ao


nível do estroma

Fixação do CO2

6 CO2 junta-se ao 6 RuDP e forma uma molécula instável (6C)

Desdobra-se em 2 moléculas,
formando 12 PGA (ácido
fosfoglicérico) (3C)

Produção de açúcares/compostos orgânicos

O PGA recebe energia resultante da desfosforilação do ATP e oxidação do NADPH

12 ATP → 12 ADP + P Vão novamente ser utilizados na 1ªfase


12 NADPH → 12 NADP+

Forma-se 12 PGAL (aldeído 2 PGAL


GLICOSE (6C)
fosfoglicérico) (3C)

Bruna Teixeira
Regeneração do RuDP

10 PGAL vão regenerar a molécula de RuDP com a desfosforilação do ATP

Para formar uma molécula de glicose são precisos:


6 RuDP + 6 CO2 + 18 ATP + 12 NADPH

Quimiossíntese

A quimiossíntese é um processo de síntese de compostos orgânicos que utiliza, tal


como a fotossíntese, o CO2 como fonte de carbono, mas, em vez da energia solar, usa a energia
proveniente da oxidação de substâncias minerais (ex.: o amoníaco, o enxofre, o ferro, etc.).

Tem duas fases:


o Fase das reações de oxidação-redução
o Ciclo do carbono/Ciclo de Calvin

1ª fase – Fase das reações de oxirredução

e- e H+ cedidos
em resultado
Captação dos Oxidação de
desta oxidação
compostos compostos Produção de ATP
percorrem numa
minerais minerais (ex: e NADPH
cadeira
reduzidos NH3 e H2S)
transportadora
de e-

2ª fase – Ciclo de Calvin

Esta fase corresponde à fase química da fotossíntese, ocorrendo também um ciclo


idêntico ao de Calvin, onde:
o Ocorre fixação do CO2, que é reduzido;
o Intervêm as moléculas de ATP e de NADPH produzidas na fase anterior;
o Ocorrendo a formação de substâncias orgânicas.

Bruna Teixeira
Transporte nas plantas

Translocação – As plantas vasculares (ex: fetos e as plantas com sementes) apresentam tecidos
especializados na condução de seivas.

Nas plantas vasculares existe um duplo sistema de condução de água e solutos que
utiliza tecidos especializados que se organizam em feixes condutores, que estão localizados em
todos os órgãos da planta e dele fazem parte o xilema e floema.

Na raiz:

No caule:

Na folha:

Bruna Teixeira
Xilema
O xilema está especializado no transporte de água e de sais minerais, obtidos no solo
pelo sistema radicular da planta, que constituem a seiva bruta.

Na maioria das plantas, este tecido é constituído por 4 tipos de células:


o Tracoides (células mortas)
o Elementos de vasos (células mortas)
o Fibras lenhosas (células mortas)
o Parênquima lenhoso (células vivas)

Os elementos condutores mais importantes são os elementos de vasos/vasos


xilémicos. Cada um deles é formado por uma série de células mortas colocadas topo a topo,
cujas paredes transversais desaparecem. As paredes laterais apresentam espessamento de uma
substância impermeável – lenhina.

Floema
O floema é responsável pelo transporte de soluções de substâncias orgânicas produzidas
nos órgãos fotossintéticos, que se dá o nome de seiva elaborada.

Formado por 4 tipos de células: Células de


companhia
o Células dos tubos crivosos
o Células de companhia
o Fibras
Placa
o Parênquima crivosa

Bruna Teixeira
No floema, os elementos condutores são os tubos crivosos, formados por células
crivosas. Estas são células vivas de paredes celulósicas (permeáveis), alongadas e colocadas topo
a topo, em que as paredes transversais, constituem as placas crivosas.

Absorção radicular

A eficiência da captação de água pela raiz é devida à existência de pelos radiculares


(extensões de células epidérmicas) que aumentam a área da raiz em contacto com o solo.

Dentro das células da raiz, o meio é hipertónico, por isso, a água tende a entrar por
osmose, até aos vasos xilémicos.
Os iões minerais que estão presentes na solução do solo em concentração elevada
entram nas células da raiz por difusão simples,
através das membranas das células.
A solução do solo é muito diluída e as
raízes podem acumular iões minerais em
concentrações superiores às do solo. Os
movimentos destes iões, contra o gradiente de
concentração, entram nas células por
transporte ativo.

Transporte no xilema

Hipótese da Pressão Radicular

A ascensão de água no xilema pode ser explicada pela existência de uma pressão
exercida no xilema ao nível da raiz – pressão radicular.

A entrada de sais nas células da raiz, por transporte ativo, conduz a um aumento da sua
concentração no meio intracelular. Este aumento provoca a entrada de água por osmose para
o interior da célula, gerando-se uma pressão que força a água a subir nos vasos xilémicos.

Bruna Teixeira
Os fenómenos de gutação e exsudação caulinar constituem evidências deste processo.

Hipótese da Tensão-Coesão-Adesão

o As células do mesófilo perdem água → défice de água na parte superior da planta → cria-
se uma pressão negativa – tensão. A concentração de soluto nestas células aumenta, logo
a pressão osmótica também aumenta.

o As células do mesófilo tornam-se hipertónicas em


relação ao xilema e passam moléculas de água para
essas células.

o As moléculas de água tendem a ligar-se por pontes


de hidrogénio, formando forças de coesão (entre as
moléculas de água) e adesão (entre a água e os
constituintes do xilema), formando uma coluna
contínua e aderindo às paredes dos vasos.

o O movimento de água no mesófilo faz mover a


coluna de água (corrente de transpiração). Quanto
mais rápida a transpiração, mais rápida a ascensão.

o A ascensão de água cria um défice de água no xilema


da raiz, fazendo com que o fluxo de água do exterior
para o interior aumente.

Bruna Teixeira
Transporte no floema

Hipótese do Fluxo de Massa

o A glicose produzida na fotossíntese é convertida em sacarose que, por sua vez, entra no
floema por transporte ativo.

o O aumento de concentração de sacarose no interior do floema faz aumentar a pressão


osmótica e gera um fluxo de água a partir dos tecidos envolventes, incluindo do xilema,
para os tubos crivosos.

o A acumulação de água no interior dos tubos aumenta a pressão de turgescência


obrigando a seiva elaborada a movimentar-se para zonas de baixa pressão.

o Nas regiões de consumo ou de reserva (como raízes, flores, frutos ou sementes) a


sacarose é retirada dos tubos crivosos, possivelmente por transporte ativo, o que
provoca a saída da água para os tecidos circundantes e faz baixar a pressão de
turgescência.

Bruna Teixeira
Transporte nos animais
Sistemas de transporte

Em todos os animais as células são rodeadas por um fluido intersticial, com o qual
estabelecem trocas de materiais (nutrientes e oxigénio; dióxido de carbono e produtos de
metabolismo).

A hidra e a planária são exemplos de animais


simples, aquáticos, que não possuem um sistema de
transporte especializado.
Qualquer uma das suas células está próxima do
meio externo ou da cavidade gastrovascular e as trocas
efetuam-se por difusão simples.

Nos animais mais evoluídos, em que estas substâncias necessitam de percorrer grandes
distâncias, tem de intervir um sistema circulatório que compreende sempre:
o Fluido circulante (ex: sangue);
o Órgão propulsor (ex: coração);
o Sistema de vasos por onde o fluido circula.

Tipos de sistemas circulatórios

Sistema circulatório aberto

o O líquido circulante é a hemolinfa.


o A hemolinfa abandona os vasos, ocupando as lacunas
(hemocélio).
o As células contactam diretamente com a hemolinfa.
o A hemolinfa circula lentamente.

Os seres que apresentam este tipo de sistema de transporte normalmente


apresentam movimentos lentos e baixa taxa metabólica.

Bruna Teixeira
Insetos:

Possuem um coração tubular e em posição dorsal.


1. O coração contrai (os ostíolos fecham) e bombeia a
hemolinfa para as artérias, que a lançam para o
hemocélio;
2. No hemocélio, a hemolinfa entra em contacto com as
células, fornecendo-lhes nutrientes e recebendo os
produtos de excreção;
3. Após a irrigação dos tecidos, a hemolinfa entra novamente no coração tubular,
através dos ostíolos;
4. A entrada da hemolinfa no coração faz-se por forças de sucção geradas quando
o coração relaxa (os ostíolos abrem).

Apesar dos insetos terem um sistema de transporte aberto, são muito ativos, o que
requer uma elevada taxa metabólica.

Então, nestes animais, os gases respiratórios (oxigénio e dióxido de


carbono) não são transportados pela hemolinfa, mas sim pelo
sistema respiratório, que os conduz diretamente aos tecidos
(difusão direta), assegurando, assim, que se realize uma eficiente
troca gasosa, responsável pelas altas taxas metabólicas.

Em crustáceos, aracnídeos e moluscos, os gases respiratórios são transportados pela hemolinfa –


TAXA METABÓLICA BAIXA
Em insetos, a hemolinfa não transporta gases respiratórios – TAXA METABÓLICA ELEVADA

Bruna Teixeira
Sistema circulatório fechado

o Ocorre em animais mais complexos e com elevado


metabolismo.
o Líquido circulante – sangue que nunca abandona os vasos
sanguíneos. Artéria

o O sangue bombeado pela contração do coração (sístole), é


distribuído por todo o corpo.
Veia
o Os capilares irrigam as células.
o Ocorrem trocas gasosas – hematose – entre o sangue e a
linfa intersticial.
o O sangue fornece o oxigénio e nutrientes às células e Capilares

recebe os produtos resultantes do seu metabolismo.

Sistema circulatório fechado


Fluido circulante circula sempre no interior
dos vasos

Circulação simples Circulação dupla


Sangue efetua 1 só trajeto; Sangue efetua 2 trajetos:
Passa uma só vez no circulação pulmonar e
coração sistémica

Incompleta
Coração com 3
cavidades

Completa
Coração com 4
cavidades

Bruna Teixeira
Circulação Simples:

Apenas existe um circuito em que o sangue venoso passa uma


vez no coração, segue para as brânquias e, posteriormente, para o
resto do corpo.

OCORRE NOS PEIXES

o O coração possui 2 cavidades, uma aurícula e um ventrículo. Capilares

o As veias transportam o sangue venoso (rico em CO2) para o


coração, que o bombeia para o cone arterial.
o Nas brânquias ocorrem as trocas gasosas, com libertação de
CO2 e captação de O2 da água – passando o sangue venoso a
arterial.
Capilares
o O sangue arterial é distribuído a todo o organismo, pela artéria
aorta que se ramifica numa rede de capilares, embora com
pressão reduzida – BAIXA TAXA METABÓLICA.
o O sangue, agora venoso, regressa ao coração pelas veias.

Circulação dupla

O sangue, ao sair do coração, percorre dois trajetos diferentes:

Circulação sistémica Circulação pulmonar

Assegura a distribuição de O sangue passa pelos


nutrientes e de oxigénio a pulmões, onde se dá a
todas as células do corpo e hematose pulmonar, o
recebe os produtos de oxigénio passa para o sangue
excreção e o dióxido de carbono passa
para os pulmões

O sangue passa de O sangue passa de


arterial a venoso venoso a arterial

Bruna Teixeira
Incompleta:

OCORRE NOS ANFÍBIOS E REPTÉIS

Ocorre mistura parcial de sangue arterial com venoso, o que afeta a concentração de
oxigénio no sangue arterial.

o O coração possui duas aurículas e um


ventrículo.
o O sangue venoso vindo dos tecidos corporais
entra na aurícula direita, passa pelo ventrículo, onde
é bombeado para os pulmões, para ser oxigenado.
o O sangue arterial regressa ao coração, à
aurícula esquerda, passa para o ventrículo e é
bombeado para todo o corpo.

NOTA: As duas aurículas não contraem ao mesmo tempo e, consequentemente, o ventrículo


bombeia os dois tipos de sangue separadamente, havendo apenas uma mistura parcial de
sangue.

Os répteis possuem um ventrículo parcialmente divido em


duas cavidades e, por isso, a possibilidade de mistura de sangue
arterial com venoso é menor que nos anfíbios

Bruna Teixeira
Completa:

OCORRE NAS AVES E MAMÍFEROS

• Coração com duas aurículas e dois ventrículos.


• Os ventrículos são totalmente separados por um septo musculoso.
• Apresenta um sistema especializado de vasos sanguíneos (veias, artérias e capilares)
que permitem a distribuição do sangue por todo o corpo.
• Nas cavidades da direita circula sangue venoso, nas da esquerda sangue arterial.

o O sangue venoso entra na aurícula direita pelas veias


cavas.
o Dá-se a sístole auricular e o sangue passa para os
ventrículos.
o Ocorre a sístole ventricular e o sangue sai pelas artérias
(aorta e pulmonar).
o A artéria pulmonar leva o sangue aos pulmões e ao nível
dos capilares pulmonares ocorre a hematose pulmonar.
o O sangue arterial é conduzido pelas veias pulmonares,
para a aurícula esquerda.
o A artéria aorta leva o sangue arterial para as diferentes
partes do corpo.
o Dá-se a troca de O2 pelo CO2 (hematose celular) e o sangue
regressa ao coração pelas veia cava superior e inferior entrando na aurícula direita.

Maior disponibilidade de oxigénio (ausência de mistura de sangue venoso com arterial) e


maior eficácia na distribuição (maior pressão e velocidade), vão permitir maior
disponibilidade energética.

A maior eficácia energética permite que uma parte da energia possa ser utilizada na
manutenção da temperatura corporal. Assim, aves e mamíferos são animais homeotérmicos.

Bruna Teixeira
Circulação – Homem

Constituição do coração

O músculo cardíaco, o miocárdio,


efetua uma sequência de
movimentos de:
o Contração – sístole
o Relaxamento - diástole

Miocárdio

Ciclo cardíaco

Bruna Teixeira
Vasos sanguíneos

O sangue bombeado pela contração do coração, é distribuído por todo o corpo por um
sistema de vaso.

Existem 3 tipos de vasos, que são diferentes, tanto do ponto de vista morfológico, como
fisiológico:

o Artéria
▪ As artérias levam o sangue do coração a todo o corpo.
▪ As suas paredes são muito espessas e com elevada
elasticidade para suportar a pressão sanguínea.

o Veia
▪ As veias levam o sangue ao coração vindo do corpo.
▪ As suas paredes são mais finas que as das artérias.
▪ Apresentam menor elasticidade que as artérias
porque transportam sangue com baixa pressão.
▪ Possuem válvulas, que impedem o recuo do sangue.

o Capilar
▪ Os capilares levam sangue aos tecidos,
fornecendo oxigénio e nutrientes às células.
▪ São muito permeáveis à água e solutos.
▪ Ligam as artérias às veias.
▪ Nos capilares, o sangue flui lentamente, o
que favorece o intercâmbio de substâncias.

Bruna Teixeira
À medida que o sangue se afasta do coração:
o A velocidade do sangue diminui, apresentando um valor mínimo nos capilares, o que
permite uma maior eficiência no intercâmbio de matérias entre o sangue e o fluido
intersticial.
o Ao atingir as veias a velocidade do sangue volta a aumentar.
o A pressão sanguínea diminui, apresentando uma grande redução nas vénulas.

COMO É QUE O SANGUE VOLTA AO CORAÇÃO?

Apesar da baixa pressão verificada nas veias, vários


mecanismos permitem que o sangue regresse ao coração:
o As veias estão rodeadas por músculos
esqueléticos;
o A existência de válvulas venosas impede o
retrocesso do sangue.

Bruna Teixeira
Fluidos circulantes

Sangue

Elementos
Plasma
figurados

Transporte dos elementos Hemácias/Eritrócito


do sangue, nutrientes, CO2, Leucócitos/Glóbulos Plaquetas
s/Glóbulos
produtos de excreção, brancos
vermelhos
hormonas e anticorpos

Transporte de Defesa do Coagulação do


O2 organismo sangue

Linfa

Além do sistema circulatório sanguíneo existe um outro sistema de vasos denominado


sistema linfático, responsável pelo transporte da linfa.

Plasma
Linfa
Leucócitos

1% do plasma e alguns leucócitos atravessam a parede dos


capilares (devido à pressão do sangue ser maior do que a
pressão osmótica, o que leva ao direcionamento do fluxo de
água para fora do capilar), ocupando os espaços entre as
células. Formam, assim, a linfa intersticial.

Fornece os nutrientes e O2 às células e recebe os


produtos resultantes do metabolismo celular

À medida que a quantidade de linfa intersticial aumenta, vai sendo recolhida por
capilares linfáticos, passando a designar-se linfa circulante.

Bruna Teixeira
Sistema cardiovascular e circulação linfática

o Os capilares linfáticos reúnem-se formando veias linfáticas.


o As veias linfáticas também possuem válvulas para permitir a subida dos fluidos.
o A linfa circulante é lançada na corrente sanguínea.

O sistema linfático e o sistema cardiovascular funcionam de forma coordenada para


manter o equilíbrio do organismo humano

Contribuem para a manutenção da homeostasia

Bruna Teixeira
Obtenção de energia

A matéria (ex: lípidos, oxigénio, glicose,


aminoácidos…) que chega às células permite a
ocorrência de numerosas reações químicas,
acompanhadas por transferências de energia.

Todas as reações celulares = METABOLISMO


CELULAR

Anabolismo
= formação de Implica a
moléculas/ Hidrólise de ATP
Reação
síntese de Consome energia (formação de
endoenergética
matéria orgânica ADP + Pi)
•ex: fotossíntese

Para ser
Catabolismo utilizada
= degradação Liberta energia Reação
Formação de ATP
dos compostos (forma de calor) exoenergética
orgânicos

Bruna Teixeira
Catabolismo
seres autotróficos e
seres
heterotróficos

sem oxigénio com oxigénio

Anaerobiose Aerobiose
(ex: leveduras e (Respiração celular ->
bactérias) ex: animais)

Fermentação Fermentação Respiração


lática alcoólica aeróbia

Fermentação:
o Oxidação incompleta da glicose
o Produtos finais: Etanol + CO2 ou
Lactato
o Energia produzida: 2 ATP

Respiração aeróbia:
o Oxidação completa da glicose
o Produtos finais: H2O e CO2
o Energia produzida: 36-38 ATP

Bruna Teixeira
Fermentação

A fermentação ocorre no
citoplasma das células

1ª etapa – Glicólise

A glicose é uma molécula estável, pelo que as reações da sua degradação não se
desencadeiam de forma espontânea. Para que as reações se iniciem, é necessário que haja um
«consumo» de energia da molécula de ATP, deixando a molécula instável.

Fase de ativação

Fase de rendimento

1. A molécula de glicose (6C) é desdobrada em 2 moléculas de ácido pirúvico (3C).


2. Ocorre reações de oxidação-redução. A glicose vai sendo oxidada e ficam reduzidas
2 moléculas de NADH. → vão ser utilizadas na redução do piruvato
3. As moléculas libertam energia (reação exoenergética), ocorrendo assim a síntese de
4 moléculas de ATP (reação endoenergética).

O rendimento energético da glicólise é de 2 ATP, visto que no início do processo são


utilizadas 2 moléculas de ATP para a ativação da glicose.

Bruna Teixeira
2ª etapa – Redução do piruvato

Em anaerobiose, a redução do piruvato faz-se pela ação do NADH, formado durante a


glicólise, e pode conduzir à formação de diferentes produtos.

Fermentação alcoólica

o Na fermentação alcoólica, o ácido pirúvico é descarboxilado (remoção do CO2) origina


um composto que é reduzido pelo NADH formando-se o etanol (4C) (álcool etílico).

Utilizado na produção de vinho, cerveja e fabrico de pão.

Fermentação lática

o Na fermentação lática, o ácido pirúvico é reduzido pelo NADH formando-se o ácido


lático (6C).

Utilizado nos produtos lácteos e no fabrico de iogurte e queijo.

Bruna Teixeira
Nas células musculares humanas, durante um exercício físico intenso, pode realizar-se
fermentação lática, além da respiração aeróbia. A fermentação permite a obtenção de um
suplemento de energia. A acumulação de ácido lático nos tecidos musculares provoca dores.

Respiração Aeróbia

A respiração aeróbia ocorre:


Glicólise → citoplasma
Formação do acetil-CoA → mitocôndria
Ciclo de Krebs → matriz da mitocôndria
Cadeia respiratória → cristais mitocondriais

1ª etapa – Glicólise

Produtos finais:
o 2 moléculas de ácido pirúvico
o 2 moléculas de ATP
o 2 moléculas de NADH

2ª etapa – Formação de Acetil-CoA

Cada uma das 2 moléculas de ácido pirúvico (na presença de oxigénio), entra na
mitocôndria, onde é descarboxilado e oxidado, reduzindo o NAD+ em NADH e formando o
acetil-CoA (2C).

Produtos finais:
o 2 moléculas de acetil-CoA (2C)
o 2 moléculas de NADH

Bruna Teixeira
3ª etapa – Ciclo de Krebs / Ciclo do ácido cítrico

Por cada molécula de glicose degradada formam-se 2 acetil-CoA e por isso ocorrem 2
ciclos de Krebs.
o O grupo acetil (2C) combina-se com o ácido oxaloacético (4C) e forma-se o ácido
cítrico (6C).

Num ciclo de Krebs formam-se:


o 3 moléculas de NADH (reduzidas)
o 1 molécula de FADH2 (reduzida)
o 1 molécula de ATP
o 2 moléculas de CO2 (descarboxilação)

4ª etapa – Fosforilação oxidativa / Cadeia respiratória

As moléculas de NADH e de FADH2 (formadas nas etapas anteriores) sofrem oxidação,


cedendo os eletrões a uma cadeia de transportadores, proteínas existentes nas cristas
mitocondriais. A energia dos eletrões diminui ao longo da cadeia, liberta-se gradualmente e é
utilizada para a síntese de ATP.

O fluxo de eletrões está acoplado a um transporte de iões H+. Gera-se um gradiente de


concentração de H+ que liberta energia e permite a fosforilação do ADP em ATP.

Bruna Teixeira
O oxigénio é o último aceitador de eletrões, reage com os iões H+, formando moléculas
de água.

Cada molécula dá origem a:


NADH → 3 ATPs
FADH2 → 2 ATPs

O balanço energético total é de 38 ATP


o Glicólise → 8 ATP ATPs na cadeia respiratória:
o Formação acetil → 6 ATP 6 + 6 + (18 + 4) = 34

o Ciclo de Krebs → 24 ATP

Por vezes o balanço energético pode ser de 36 ATPs, pois o NADH que foi
formado na glicólise (fora da mitocôndria) pode transformar-se em FADH2

Bruna Teixeira
Trocas gasosas em seres multicelulares
Trocas gasosas nas plantas

Nas plantas, as trocas gasosas estão basicamente associadas a três processos:


o Transpiração – perda de vapor de água
o Respiração – entrada de O2 e saída de CO2
o Fotossíntese – entrada de CO2 e saída de O2

As plantas apresentam na epiderme das folhas estruturas com orifícios de abertura


controlada, os estomas.

É através dos estomas que se efetuam as trocas gasosas entre a folha e o meio exterior.

As paredes das células-guarda que contactam com o ostíolo são mais espessas que as
que contactam com as células da epiderme, que são mais elásticas. Esta característica permite
abrir ou fechar os estomas de acordo com o grau de turgescência das células-guarda.

Quando a célula está túrgida, devido ao aumento do


volume, a água exerce pressão de turgescência sobre a
parede celular. A zona delgada da parede das células-
guarda distende-se e este movimento provoca a abertura
do estoma.

Bruna Teixeira
Quando as células-guarda perdem água, o estoma
recupera a sua forma original e o ostíolo fecha.

Trocas gasosas nos animais

As trocas gasosas permitem:


o Obtenção de oxigénio para realizar a respiração celular.
o Eliminação do dióxido de carbono, resultante da respiração celular.

Nos seres mais simples e de pequenas dimensões os gases respiratórios difundem-se


diretamente para todas as células (não possuindo sistema respiratório).

Nos seres mais complexos existe um conjunto de estruturas que constituem o sistema
respiratório, do qual fazem parte superfícies especializadas nas trocas gasosas entre o meio
externo e o meio interno → superfícies respiratórias.

Bruna Teixeira
Difusão direta – as trocas gasosas ocorrem diretamente entre as células e o meio
exterior, sem intervenção de um fluido transportador.

Difusão indireta – um fluido circulante transporta os gases respiratórios entre as células


e o meio exterior. O intercâmbio de gases entre a superfície respiratória e o fluido circulante
denomina-se hematose.

Características das superfícies respiratórias:


o Espessura reduzida, apenas uma camada de células
o Grande área de contacto com a fonte de oxigénio
o Humidade permanente, pois os gases apenas atravessam as membranas
respiratórias dissolvidas em água
o Ventilação intensa de modo a que haja constante renovação do oxigénio
o Muito vascularizadas para facilitar as trocas gasosas → apenas na difusão direta

Taxa de Quantidade de
Taxa Produção de
respiração O2 disponível
metabólica ATP
aeróbia das células

Bruna Teixeira
Difusão direta
Superfície corporal:

o As trocas gasosas de O2 e CO2 fazem-se por difusão direta entre o meio e as células
através da superfície do corpo.
o Animais com corpo constituído por um reduzido número de camadas de células.
o Sem sistema circulatório e sem sistema respiratório.

Superfície traqueal:

INSETOS

o Os insetos e outros artrópodes terrestres possuem um sistema respiratório


constituído por traqueias – são invaginações da superfície do corpo que permitem
manter a humidade necessária à difusão dos gases.

Traqueia

Traquíola Espiráculo
Metabolismo elevado
o líquido circulatório –
hemolinfa – não transporta
gases respiratórios

1. O ar entra nas traqueias através dos espiráculos, percorre as traquíolas e entra


em contacto com as células.
2. As trocas gasosas ocorrem diretamente entre o epitélio das traquíolas e as
células, não havendo intervenção de um fluido circulante – difusão direta.

Bruna Teixeira
Difusão indireta

Nos animais com sistema respiratório associado ao sistema de transporte sanguíneo,


a transferência de oxigénio do meio exterior para as células engloba, na maioria dos casos, os
seguintes passos:
o Movimentos respiratórios (ventilação) que asseguram
um contínuo fornecimento de ar ou água à superfície
respiratória;
o Difusão de O2 e de CO2 através do epitélio respiratório;
o Transporte dos gases pelo fluido circulatório;
o Difusão de O2 e de CO2 através da parede dos capilares
para as células.

Hematose cutânea:

ANELÍDEOS

A hematose cutânea na minhoca é favorecida pelo facto do animal:


o Possuir numerosas glândulas produtores de muco que permitem manter a pele
húmida, tornando possível a difusão de gases respiratórias;
o Ser muito vascularizada, permitindo a difusão de gases respiratórios, que são
transportados de ou para todas as regiões de corpo.

Bruna Teixeira
Hematose branquial:

PEIXES

Em cada filamento branquial existe um vaso


aferente e um eferente. Entre estes dois vasos,
ao nível das lamelas, existe uma rede de
capilares, onde ocorrem as trocas gasosas. Arco branquial

Vaso aferente

Vaso eferente

Nos peixes ósseos, as brânquias situadas na cavidade opercular, são banhadas por um fluxo
contínuo de água que entre pela boca e sai pela fenda opercular – este fluxo permite uma
eficaz ventilação.

Abertura da
boca e fecho do
opérculo

Água entra e
A abertura do passa para a
opérculo leva à câmara branquial
saída da água onde estão as
rica em CO2 brânquias e a boca
fecha

Hematose branquial
(o O2 passa para o
sangue que irriga as
brânquias e o CO2
passa do sangue para
a água)

Bruna Teixeira
A hematose branquial nos peixes dá-se pelo mecanismo de contracorrente → Observa-
se a circulação contrária entre o sangue e a água

Nas trocas em contracorrente, a água está sempre mais saturada de O2 do que o sangue.
Assim, existe sempre um gradiente de O2 ao longo de toda a superfície respiratória – devido a
esta diferença de pressão, o O2 passa por difusão da água para o sangue.

À medida que o sangue fica com uma percentagem maior de O2, entra também em contacto
com água com mais O2 dissolvido.

Este mecanismo permite aumentar a eficácia das trocas gasosas e permite que o sangue atinja
um ponto de saturação em O2 dissolvido elevado.
Se o mecanismo não fosse em contracorrente ia haver difusão do O2 para o sangue enquanto houvesse uma
diferença de pressão, mas como a difusão é um transporte passivo ia haver uma altura que as concentrações iam
igualar e deixaria de haver trocas gasosas.

Nas brânquias o sangue torna-se arterial e segue para o resto do corpo a baixa
velocidade e pressão, não passando pelo coração → animais com circulação simples

Havendo uma reposição de O2 nas células lenta a


taxa de respiração aeróbia também é mais lenta,
havendo menor produção de ATP e por isso estes
animais apresentam uma baixa taxa metabólica

Bruna Teixeira
Hematose pulmonar:

Os pulmões:
o Assemelham-se a sacos de ar com superfícies internas muito vascularizadas, que
surgiram por invaginações da parede do corpo.
o São altamente compartimentados, o que aumenta a área de superfície de trocas gasosas.

O tamanho e a complexidade dos pulmões estão


relacionados com a taxa metabólica dos animais e,
consequentemente, com a quantidade de oxigénio
necessária nas células.

ANFÍBIOS

Larvas – Hematose branquial Adultos – Hematose pulmonar e cutânea

Pulmões
saculiforme

o Nos anfíbios a hematose cutânea constitui um suplemento à hematose pulmonar,


pelo facto do pulmão ser simples, com uma pequena área de superfície de trocas
gasosas.
o Os anfíbios podem realizar a hematose cutânea por terem a pele «nua» e húmida.

Bruna Teixeira
RÉPTEIS
Traqueia

o Os pulmões dos répteis apresentam um grau de complexidade


superior ao dos anfíbios. Brônquios
o Os pulmões encontram-se divididos em pequenos sacos
alveolares que aumentam a área superficial para trocas
gasosas.
o Existe um sistema de ventilação associado à variação do
volume da caixa torácica.
Pulmões
parenquimatosos

AVES

As aves são animais com elevada taxa


metabólica, pelo que necessitam de uma boa
oxigenação nos tecidos para se realizar uma
respiração aeróbia com grande produção de ATP.

Apresentam um sistema
respiratório altamente eficaz

porque a ventilação e a troca de gases são separadas:


As trocas gasosas são nos pulmões;
A ventilação é realizada pelos sacos aéreos.

Para que o ar percorra todo o sistema respiratório, têm que ocorrer 2 ciclos ventilatórios:

1ª inspiração: o ar 1ª expiração: o ar
atravessa os Parabrônquios passa dos sacos aéreos
brônquios até aos posteriores para os
sacos aéreos pulmões
posteriores (Parabrônquios), onde
ocorre a hematose

2ª inspiração: o ar 2ª expiração: o ar é
dos pulmões passa expelido dos sacos
para os sacos anteriores em
anteriores e novo ar direção à traqueia
entra para os sacos para o exterior
posteriores

Bruna Teixeira
Vantagens dos sacos aéreos:
o Permite o fluxo gasoso de forma contínua e num só sentido através dos pulmões;
o Diminuição da densidade das aves → devido aos ossos pneumáticos;
o Dissipação do calor;
o Reserva de ar.

MAMÍFEROS (HOMEM)

No caso dos mamíferos, a superfície


respiratória é o pulmão e este é constituído
por milhões de alvéolos pulmonares, onde
se dá as trocas gasosas ao nível dos
capilares.

O mecanismo que permite a renovação de ar nos pulmões é a ventilação pulmonar:

os músculos
intercostais
a pressão dentro da
contraem, o
Inspiração esterno projeta-se
caixa torácica O ar entra
diminui
e o diafragma
desce

os músculos
intercostais a pressão dentro da
Expiração relaxam, o esterno caixa torácica O ar sai
baixa e o diafragma aumenta
sobe

Bruna Teixeira
O sentido da difusão de gases respiratórios, nos alvéolos e nas células, depende das
diferenças de pressão parcial de cada um dos gases ao nível dessas superfícies e das células.

Hematose pulmonar
o Nos alvéolos pulmonares a pressão parcial de O2
é maior do que no sangue dos capilares que os
irrigam e, por isso, o O2 difunde-se dos alvéolos
para o interior desses vasos.
o Nos alvéolos pulmonares a pressão parcial de CO2
é menor do que no sangue dos capilares, então o
CO2 difunde-se do interior desses vasos para os
alvéolos.

Hematose celular o Como resultado da respiração aeróbia,


a pressão parcial de O2 é menor nas células
que no sangue que a elas chega, pelo que,
o O2 difunde-se dos capilares para as
células.
o Como resultado da produção de CO2 na
respiração aeróbia, a pressão parcial deste
gás é maior nas células do que no sangue dos capilares, havendo assim, uma difusão
do CO2 das células para os capilares.

Bruna Teixeira