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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

AVM FACULDADE INTEGRADA

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A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS EDUCACIONAIS DA PESSOA PORTADORA DE


NECESSIDADES ADAPTATIVAS E EDUCACIONAIS DESDE A ANTIGUIDADE
ATÉ OS DIAS ATUAIS

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Por: Alexandra Geronimo Lopes de Souza

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Orientador

Professor: Vilson Sergio de Carvalho

Rio de Janeiro

2015
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

AVM FACULDADE INTEGRADA

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A TRAJETÓRIA DOS DIREITOS EDUCACIONAIS DA PESSOA PORTADORA DE


NECESSIDADES ADAPTATIVAS E EDUCACIONAIS DESDE A ANTIGUIDADE
ATÉ OS DIAS ATUAIS<>

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Apresentação de monografia à AVM


Faculdade Integrada como requisito
parcial para obtenção do grau de
especialista em Orientação Educacional e
Pedagógica.

Por: Alexandra Geronimo Lopes de


Souza.
AGRADECIMENTOS

À minha mãe por estar sempre ao meu


lado apoiando-me.
DEDICATÓRIA

Aos menos favorecidos de conhecimento


e àquelas que cuidam de seus filhos,
sozinhas, na solidão da ignorância do
saber.
Olhe o mundo com a coragem do cego,
entenda as palavras com a atenção do
surdo, fale com a mão e com os olhos,
como fazem os mudos!

Cazuza
RESUMO

O presente trabalho de pesquisa apresenta como tema central os direitos


educacionais garantidos por lei às pessoas portadoras de necessidades especiais.
Baseia-se no principal questionamento de por que os orientadores educacionais e
pedagógicos encontram tantas dificuldades para orientar professores, pais e alunos
portadores de necessidades especiais ao acesso a seus direitos. Apresenta como
objetivo principal pesquisar, interpretar, divulgar e fornecer informações sobre a
trajetória dos direitos educacionais para pessoas portadoras de necessidades
adaptativas e educacionais especiais desde a antiguidade até os dias atuais. O
trabalho será desenvolvido exclusivamente através de pesquisas bibliográficas, a
partir de materiais publicados em livros, artigos, dissertações, teses e meio
eletrônico, onde os autores exponham seus apontamentos sobre como se dava ou
como acontece à educação para a pessoa portadora de necessidades especiais ao
longo da história. Concluiu-se que apesar de várias leis que amparam e orientam as
pessoas com deficiência coexistirem com a LDB, compreender e saber realmente
quais são os seus direitos não é uma tarefa fácil em nosso país. Poderia se orientar
melhor os profissionais especialistas nesta área ou haver melhor divulgação de
cursos do governo federal neste sentido. Já existem vários estudos e orientações
para as pessoas com deficiências física, mental, auditiva ou visual, porém nota-se
ainda a escassez de estudos educacionais que possam amparar o profissional
quanto à deficiência mental.

Palavras-chaves: direitos, necessidades adaptativas educacionais.


IV. METODOLOGIA:

O trabalho será desenvolvido através de pesquisas bibliográficas, a partir


de materiais publicados em livros, artigos, dissertações teses e meio eletrônico,
onde os autores exponham seus apontamentos sobre como se dava ou como
acontece a educação para a pessoa portadoras de necessidades especiais ao longo
da história.

O trabalho está embasado teoricamente em alguns autores tais como:


SILVA, 1987; MANACORDA, 1997; RIZZINI, 2004; ROMANELLI, 1997; GÓES,
2007; e sites oficiais como o da Câmara Legislativa, Ministério da Educação e
Cultura, do Planalto do Governo e sites de conhecimentos jurídicos.
SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO

2 – Pessoas com deficiência no mundo

3 – Pessoas com deficiência no Brasil

3.1 – Fatos marcantes na Educação Especial: do Brasil Império até início do século
XXI

4 – A Educação Especial e a Legislação Brasileira a partir da Constituição Federal


de 1824

4.1 – Atos importantes para os portadores de deficiência no século XIX

5 – A Constituição Federal de 1988 e sua contribuição para a educação

6 – DISCUSSÃO

7 – CONCLUSÕES

8 – REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS E WEBGRAFIA

9 – APENDICES

9.1 – Documentos internacionais

9.2 – Links importantes


1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho será desenvolvido através de pesquisas


bibliográficas, a partir de materiais publicados em livros, artigos, dissertações, teses
e meio eletrônico, onde os autores exponham seus apontamentos sobre como se
dava ou como acontece a educação para a pessoa portadoras de necessidades
especiais ao longo da história.

O trabalho está embasado teoricamente em alguns autores tais como:


SILVA, 1987; MANACORDA, 1997; RIZZINI, 2004; ROMANELLI, 1997; GÓES,
2007; e sites oficiais como o da Câmara Legislativa, Ministério da Educação e
Cultura, do Planalto do Governo e sites de conhecimentos jurídicos.

A pesquisa apresenta como tema central os direitos educacionais


garantidos por lei às pessoas portadoras de necessidades especiais. Baseia-se no
principal questionamento de por que os profissionais da educação encontram tantas
dificuldades para orientar professores, pais e alunos portadores de necessidades
especiais ao acesso a seus direitos. Tem como objetivo principal pesquisar a
trajetória dos direitos educacionais para pessoas portadoras de necessidades
especiais desde a antiguidade até os dias atuais.

No primeiro e segundo capítulos podemos ver que na história do mundo e


também em nosso país, o portador de necessidades especiais sempre foi vítima de
segregação, pois a ênfase era na sua incapacidade física, e, em sua anormalidade

No terceiro e quinto capítulos pode-se perceber uma ênfase a fatos


importantes para a educação especial no Brasil, a saber, no ano de 1854, com o
Decreto Imperial nº 1.426 que criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos e o ano
de 1857 quando foi instalado o Instituto dos Surdos-Mudos, sob a direção de
Edouard Huet.

No quarto capítulo temos uma breve pesquisa sobre a educação especial


e como ela se desenvolvia a partir da constituição federal de 1824 até chegar a
Constituição atual, incluindo aqui a luta pela primeira legislação que embasasse
teoricamente os direitos educacionais.

A partir da nova Constituição, observa-se a preocupação em atribuir ao


Estado, à família e à sociedade, em conjunto, o dever de promover a educação em
todos os seus aspectos. Desta forma, entende-se, a importância de uma educação
que abarque não só o conhecimento técnico, mas que anteveja os desafios futuros
que um jovem adulto poderá enfrentar. A importância em se ter constituído esses
três agentes como os responsáveis pela promoção da educação está no fato de que
todos devem estar unidos para o cumprimento do papel que lhes foi outorgado, mas
que na ausência de um deles, o outro não permitirá que haja prejuízo ao educando.
Após o ano de 1988 várias leis e decretos também foram criadas em favor dos
portadores de deficiência:

A trajetória do indivíduo portador de necessidades especiais é marcada


por preconceitos e lutas em favor do direito à cidadania, de acordo com cada cultura
dentro das sociedades. Conhecer a história da educação especial não se presta
apenas a acumular conhecimentos, mas também para refletir e questionar, sobre a
atual realidade em que se encontram as pessoas portadoras de necessidades
adaptativas especiais. É com este espírito investigativo e o desejo de saber um
pouco mais sobre os direitos educacionais e outros, que esta pesquisa foi realizada.
Para poder proporcionar meios que sirvam de embasamento teórico na hora de
orientar pais, alunos e professores quanto aos direitos dos educandos portadores de
necessidades educativas especiais (PNEEs). Para poder demonstrar que não se
deve apenas ater-se a alguns documentos, mesmo que estes sejam também
importantes, mas pode-se constatar que almejando uma orientação mais sólida não
podemos ficar apenas com a LDB.
2.. PESSOAS COM DEFICIENCIA NO MUNDO

“Anomalias físicas ou mentais, deformações congênitas, amputações


traumáticas, doenças graves e de consequências incapacitantes, sejam elas de
natureza transitória ou permanente, são tão antigas quanto a própria humanidade”
(Silva, 1987, p. 21)

Ao longo da história da civilização, sempre existiram pessoas com algum


tipo de deficiência ou anomalia que a impossibilitava de fazer parte de um
determinado grupo. Não se tem relatos sobre este assunto nos primórdios da
civilização, porem, chega-se a um consenso comum que sobreviver aos intemperes
da natureza com alguma dificuldade física ou intelectual seria impossível. Todavia a
partir da aquisição da escrita têm-se registros de pessoas importantes com algum
tipo de deficiência ou até mesmo leis para se lidar com este fato. Durante a idade
antiga e medieval essas pessoas receberam basicamente dois tipos de tratamento
bem distintos: ou eram rejeitados e eliminados sem nenhum arrependimento, ou
seja, era feito conscientemente para o bem da população ou eram protegidos de
forma assistencialista.

A cultura egípcia desenvolveu-se e obteve um resultado de um processo


de adaptação ao meio, porque num ambiente marcado por fenômenos naturais um
tanto fortes, para os quais o homem praticamente não estava preparado, sendo a
força física um claro aliado contra as intempéries naturais, o Egito soube
transformar, com seu trabalho, dificuldades em soluções e o aproveitamento das
condições geográficas daquela região desértica nos revela isto.

De acordo com SANTIAGO, (2009, p. 117):

“ao mesmo tempo, as mesmas condições geográficas podem ter sido


responsáveis pela eliminação das pessoas com deficiência, pois as
constantes enchentes provocadas pelo Nilo exigiam atitudes que envolviam
rapidez e força para fugir da morte eminente. Certamente, a população que
se situava as suas margens necessitava agir rapidamente e àquelas vítimas
de alguma deficiência, especialmente de ordem física ou mental ficavam
impossibilitadas de tomas tais providencias”.
Toda a cultura construída pelos egípcios e seu relacionamento com as
pessoas com deficiência também pode ser compreendida a partir da religiosidade
manifesta por esta civilização.

“A crença egípcia que guiava todas as atividades da coletividade entendia


que a deficiência ocorria como sequela de castigos divinos. Dessa forma, a
pessoa deficiente era, em geral, vista como alguém marcado pelos deuses
por algo errado que tenham realizado em vidas anteriores. (...) a doença
seria causada por fatores naturais ou sobrenaturais; em geral pela
manifestação da vontade dos deuses.”. (SANTIAGO, 2009, p. 119).

De acordo com a citação, existia, portanto, duas certezas egípcias sobre a


pessoa com deficiência: primeiro, ela era um doente, e segundo um indivíduo
marcado pelos deuses por ter desobedecido as suas regras, seja no presente ou no
passado.

Segundo relatos históricos do antigo Egito a área de maior


desenvolvimento sobre doença/deficiência foi a oftalmologia, pois as doenças
oculares eram muito frequentes. O tracoma, doença conhecida nos dias atuais,
causada pela bactéria Chlamydia trachomatis já afligia o povo do Egito sendo
chamada de a cegueira do deserto. Pesquisadores acreditam que esta preocupação
egípcia se deve ao fato da grande incidência de casos na região, ao ponto daquele
ser considerado mais tarde por Hesíodo como o “país dos cegos”. Certamente, por
isso, a mais antiga menção de doença de olhos que a humanidade tem registro está
no ebers papyrus, um documento escrito por volta de 1553 – 1550 a.C. e descoberto
em 1872 na necrópole de Tebas. “O papiro trata de várias doenças dos olhos e
serviu de referencia para outros povos, sendo fonte de investigação até hoje”.
(SANTIAGO, 2009, p. 121)

De acordo com RICHARDSON, 2009:

Existem menções artísticas a outras doenças. No museu de arte de


Copenhague, na Dinamarca, há uma lápide da XIX dinastia, onde se vê um
guardião de templo deficiente. O artefato encontrado data de mais de 1.000
anos A.C. Ela retrata um homem conhecido como Roma, ocupante de um
cargo de grande responsabilidade em seus dias: porteiro de um dos templos
de um dos deuses egípcios, que apresenta uma deficiência física muito
evidente, certamente causada por poliomielite.
Especialistas revelam que os anões eram empregados em casas de altos
funcionários, situação que lhes permitia honrarias e funerais dignos. A múmia de
Talchos, da época Saíta (1.150 a 336 a.C.), em exposição no Museu do Cairo, traz
indicações de que era uma pessoa importante. Já um papiro contendo ensinamentos
morais no Antigo Egito, ressalta a necessidade de se respeitar as pessoas com
nanismo e com outras deficiências.

Segundo SANTIAGO, (2009, p. 122).

“Há ainda a existência de uma determinação do faraó Amenemope (ao


redor do final do segundo milênio antes de Cristo) que diz: Não ironize o
cego, nem ria do anão, nem bloqueie o caminho do aleijado; não aborreça
um homem que ficou doente por causa de um Deus, nem faça escândalo
quando ele erra.”

Na Roma Antiga, tanto os nobres como os plebeus tinham permissão para


sacrificar os filhos que nasciam com algum tipo de deficiência, pois as crianças
deformadas não eram capazes de serem soldados romanos ou mesmo agricultores
e, portanto seria um risco a sociedade. Da mesma forma, acontecia em Esparta. É
valido ressaltar que esta situação estava pautada na lei das doze tábuas em Roma e
que este cenário jurídico espelhou-se em Esparta, cidade da Grécia.

Na Antiga Grécia, a cidade de Esparta, tinha como principal atividade o


militarismo, por isso as amputações das mãos, braços e pernas eram frequentes no
campo de batalha. Dessa forma, visualiza-se um grupo de pessoas que adquiriu
uma deficiência e permaneceu vivo. Por outro lado, o costume de lançar crianças
que nasciam com algum tipo de deficiência em um precipício era rotineiro. Esse
costume tornou-se amplamente conhecido no mundo devido aos estudiosos
interessados por este tema.

Nos anos de 400 a 300 a.C., surgem vários filósofos, que com suas
ideias, foram criando ou reforçando alguns estereótipos a respeito das deficiências.
Entre os filósofos da época pode-se citar Hipócrates que foi o pioneiro a interceder a
favor das causas físicas para as deficiências, repudiando, a ideia de que defeitos
físicos fossem castigos divinos porem não advogou a favor dos direitos das pessoas
atingidas por elas.
A cultura grega foi uma das que mais contribuiu para o panorama da
discriminação das pessoas com deficiência. De acordo com Blackburn (2006),
Platão, era um dos mais notáveis filósofos gregos, que idealizava uma sociedade
perfeita pregando a união dos melhores indivíduos, ou seja, os indivíduos
considerados perfeitos. Defendia ainda que as crianças que possuíssem alguma
enfermidade deveriam ser levadas a um lugar desconhecido e secreto e os corpos
que possuíssem alguma anormalidade não deveriam continuar com sofrimento,
sendo então, largados a própria sorte até o encontro com a morte.

De acordo com GUGEL: (2007, p. 63), no livro, A República, Livro IV, 460
a.C.:

“Pegarão então os filhos dos homens superiores, e levá-los-ão para o


aprisco, para junto de amas que moram à parte num bairro da cidade; os
dos homens inferiores, e qualquer dos outros que seja disforme, escondê-
los-ão num lugar interdito e oculto, como convém”.

Diferentemente da Grécia Antiga e do Egito, no que se narra a respeito


das pessoas com deficiência, não é fácil localizar referências precisas ao tema na
Roma Antiga, mas existem citações, textos jurídicos e mesmo obras de arte que se
referem a essa população. Do mesmo modo como ocorria em Esparta, o direito
Romano não reconhecia o vigor de bebês nascidos precocemente ou com
características “defeituosas”. Todavia, o costume não se voltava, necessariamente,
para a execução sumária da criança (embora isso também ocorresse). De acordo
com o poder paterno vigente entre as famílias nobres romanas, havia uma
alternativa para os pais: deixar as crianças nas margens dos rios ou locais sagrados,
onde eventualmente pudessem ser acolhidas por famílias da plebe (escravos ou
pessoas empobrecidas).

A utilização comercial de pessoas com deficiência para fins de


prostituição ou entretenimento das pessoas ricas manifesta-se, talvez pela primeira
vez, na Roma Antiga, mas tragicamente, esta prática repetiu-se várias vezes na
história, não só em Roma, como consta segundo Silva (1987, p. 130):

“cegos, surdos, deficientes mentais, deficientes físicos e outros tipos de


pessoas nascidos com má formação eram também, de quando em quando,
ligados a casas comerciais, tavernas e bordéis; bem como a atividades dos
circos romanos, para serviços simples e às vezes humilhantes”.
Em Roma houve dois momentos distintos. O primeiro refere-se ao período
que antecede o segundo século antes de Cristo. Até então o exército romano era
formado por pequenos agricultores, que iam à guerra para defenderem suas
propriedades e adquirir novas terras. Durante este período, o tratamento dado às
pessoas com deficiências era praticamente o mesmo que aquele dado na Grécia.

“A antiga lei das Doze Tábuas, do início da república até a metade do


século V a.C., permite entre outras coisas, que o pai mate os filhos anormais”
(Manacorda 1997, p.74).

No segundo momento a partir do século I d.C. o exército romano foi


profissionalizado, assim, os reis e os proprietários não necessitavam mais ir à
guerra. Passou-se então a existir certa tolerância com as pessoas que nasciam com
alguma deficiência. Entre os ricos e nobres alguns chegaram a serem imperadores,
tais como: Tiberius Claudius César Augustus Germanicus, conhecido como
Imperador Cláudio I; Servius Sulpicius Galba; Aulus Vitelius. Já entre os pobres, a
realidade era bem diferente, “existia em Roma um mercado especial para compra e
venda de homens sem pernas ou braços, de três olhos, gigantes, anões,
hermafroditas” (Durant in Silva, 1986, p. 130).

De acordo com GARCIA, 2011:

As incapacidades físicas, os sérios problemas mentais e as malformações


congênitas eram considerados, quase sempre, como sinais da ira divina,
taxados como “castigo de Deus”. A própria Igreja Católica adota
comportamentos discriminatórios e de perseguição, substituindo a caridade
pela rejeição àqueles que fugiam de um “padrão de normalidade”, seja pelo
aspecto físico ou por defenderem crenças alternativas, em particular no
período da Inquisição nos séculos XI e XII. Hanseníase, peste bubônica,
difteria e outros males, muitas vezes incapacitantes, disseminaram-se pela
Europa Medieval. Muitas pessoas que conseguiram sobreviver, mas com
sérias sequelas, passaram o resto dos seus dias em situações de extrema
privação e quase que na absoluta marginalidade.

O prestígio da igreja católica era tão forte nesta época que influenciaria
mais tarde, no ano de 1831 na escrita de um livro que viria a se tornar muito famoso
e nos traria a história do corcunda de Notre Dame, um homem coxo e deformado
que ao ser abandonado aos quatro anos de idade pelos pais na porta da igreja
devido à sua deformidade foi adotado por uma figura religiosa que o batizou
chamando-o Quasímodo dando a ele apenas a oportunidade de guardar os sinos da
catedral e que, com o passar dos anos, torna-se também surdo.

Entre os séculos XV e XVII, no mundo europeu cristão, ocorreu uma


paulatina e inquestionável mudança sócio-cultural, cujas marcas principais foram o
reconhecimento do valor humano, o avanço da ciência e a libertação quanto a
dogmas e crendices típicas da Idade Média. De certa forma, o homem deixou de ser
um escravo dos “poderes naturais” ou da ira divina.

Segundo Silva, (1987, p. 226), esse novo modo de pensar, revolucionário


sob muitos aspectos, “alteraria a vida do homem menos privilegiado também, ou
seja, a imensa legião de pobres, dos enfermos, enfim, dos marginalizados. E dentre
eles, sempre e sem sombra de dúvidas, os portadores de problemas físicos,
sensoriais ou mentais”.

É neste ponto da história que as pessoas com deficiência passam a ter


uma atenção própria, não sendo mais banidos à condição de pobres marginalizados.
Isso se efetivou através de vários exemplos práticos e concretos. No século XVI,
foram dados passos decisivos na melhoria do atendimento às pessoas portadoras
de deficiência auditiva que, até então, via de regra, eram consideradas como
“ineducáveis”, quando não possuídas por maus espíritos.

GUGEL (2007) relata que:

Gerolano Cardomo (1501 – 1576), médico e matemático inventou um código


para ensinar pessoas surdas a ler e escrever influenciando o monge
beneditino Pedro Ponce Leon (1520 – 1584) a desenvolver um método de
educação para pessoas com deficiência auditiva por meio de sinais. Esses
métodos contrariaram o pensamento da sociedade da época que não
acreditava que pessoas surdas pudessem ser educadas.

Abordando o século 19, é interessante registrar a forma como o assunto


das pessoas com deficiência era tratado nos Estados Unidos. Neste país, em 1811,
foram adotadas medidas para garantir moradia e alimentação a marinheiros ou
fuzileiros navais que viessem a contrair limitações físicas oriundas dos campos de
batalha. Assim, desde cedo, estabeleceu-se uma atenção específica para pessoas
com deficiência no país, em especial para os “veteranos” de guerras ou outros
conflitos militares. Depois da Guerra Civil norte-americana, foi construído, na
Filadélfia, em 1867, o Lar Nacional para Soldados Voluntários Deficientes, que
posteriormente teria outras unidades.

No período entre Guerras é particularidade comum nos países europeus o


desenvolvimento de programas, centros de treinamento e assistência para veteranos
de guerra. Na Inglaterra, por exemplo, já no século XX, foi criada a Comissão
Central da Grã-Bretanha para o Cuidado do Deficiente. Depois da II Guerra, esse
movimento se intensificou no auge das mudanças promovidas nas políticas públicas.
Dado o elevado contingente de amputados, cegos e outras deficiências físicas e
mentais, o tema ganha relevância política no interior dos países e também
internacionalmente, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). A
“epopeia” das pessoas com deficiência passaria a ser objeto do debate público e
ações políticas, assim como outras questões de relevância social, embora em ritmos
distintos de um país para o outro.

3. PESSOAS COM DEFICIENCIA NO BRASIL

Logo após a chegada efetiva dos portugueses ao Brasil observou-se que


os índios praticamente não apresentavam aleijões e quando deformações havia,
elas eram reconhecidamente de origem traumática. (Silva, 1987)

Atualmente no Brasil são realizadas algumas condutas tidas como


práticas ou costumes indígenas não muito diferentes do que vimos até agora no
relato da historia mundial.

A jornalista e documentarista Sandra Terena realizou durante três anos


uma pesquisa com aproximadamente doze tribos indígenas do Alto do Xingu e
Amazonas resultando no documentário Quebrando o Silencio onde o principal
objetivo é promover o debate sobre o tema entre os indígenas e não influenciar sua
cultura.

“Percebemos claramente que muitos são contra. Quando fui ao Xingu, no


Mato Grosso, os índios da tribo local falaram que o infanticídio diminuiu e que
consideram a prática bastante negativa para a própria cultura indígena. ‘A gente não
é bicho’, diziam”, conta a jornalista. (TADEU, 2012).

No Brasil Colônia, não existe o conceito sobre criança e muito menos


sobre a assistência a criança com deficiência. Não existia criança e sim tipos de
crianças, filho de família legítima e filho de legítimo matrimônio. (NOGUEIRA, 2008,
p. 9)

De acordo com o documento desenvolvido pelo Serviço Nacional de


Aprendizagem Comercial (SENAC, 2006, p. 6):

No Brasil colônia, a pessoa com deficiência era relegada à responsabilidade


exclusiva da família. Diante da total ausência de políticas públicas, o trato
desta questão ficava a mercê das crenças e possibilidades das famílias,
enfim, de suas condições sociais, econômicas, culturais e de seu
posicionamento religioso. De maneira geral, as crenças no sobrenatural e a
ignorância na relação à dimensão científica da questão determinavam, na
população, a prevalência de uma leitura carregada de mitos, preconceitos, e
fatalismos, no que se refere à deficiência em si e à pessoa com deficiência.
Essa leitura, por sua vez, fazia do trato da deficiência uma tarefa difícil,
dolorosa e frustrante.

Em 1741 é fundado o hospital dos Lázaros no Rio de Janeiro. Lá as


pessoas com hanseníase são isoladas em espaços de reclusão.

Em nossa história existem relatos de pessoas famosas e portadoras de


necessidades adaptativas especiais como descrito por FERREIRA, 2010:

Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, era filho de uma escrava com um


mestre-de-obras português. [...] Aos 40 anos desenvolve uma doença
degenerativa nas articulações. Aos poucos, perde os movimentos dos pés e
das mãos. Para poder esculpir e entalhar, um ajudante amarra a
ferramentas em seus punhos. Demonstra um esforço fora do comum para
continuar com sua arte, trabalhando na construção de igrejas e altares na
cidade de Minas Gerais.

Para os negros escravos, o ITS BRASIL (Instituto de Tecnologia Social do


Brasil) relata que:
Longe de ser um mal sobrenatural, a deficiência física ou sensorial nos
negros escravos decorreram inúmeras vezes, dos castigos físicos a que
eram submetidos. De início, a forma como se dava o tráfico negreiro, em
embarcações superlotadas e em condições desumanas, já representava um
meio de disseminação de doenças incapacitantes, que deixavam sequelas e
não raro provocavam a morte de um número considerável de escravos.

Muitas vezes eram vítimas de raquitismo, de beribéri, de escoburto, ou


seja, das síndromes mais sérias denotadoras de carências alimentares. (Silva, p
281)

Existem documentos de época que não deixam dúvidas quanto à


violência e brutalidade dos castigos físicos aplicados tanto nos engenhos de açúcar
como nas primeiras fazendas de café.

O rei D. João V, por exemplo, em alvará de 03 de março de 1741, define


expressamente a amputação de membros como castigo aos negros fugitivos que
fossem capturados.

INÁCIO e LUCA, 1993, p. 78 – 79 registram:

Eu, El-Rei [D.João V], faço saber aos que este alvará virem, que sendo-me
presentes os insultos que no Brasil cometem os escravos fugidos, a que
vulgarmente chamam de quilombolas, passando a fazer o excesso de se
ajuntarem em quilombos; e sendo preciso acudir com remédios que evitem
essa desordem: hei por bem que a todos os negros que forem achados em
quilombos, estando neles voluntariamente, se lhes ponha com fogo uma
marca em uma espádua com a letra “F”, que para este efeito haverá nas
câmaras; e se, quando for executar esta pena, for achado já com a mesma
marca, se lhe cortará uma orelha, tudo por simples mandado do juiz de fora,
ou ordinário da terra ou do ouvidor da comarca, sem processo algum e só
pela notoriedade do fato, logo que do quilombo for trazido, antes de entrar
para a cadeia.

Uma variedade de punições, do açoite à mutilação, era prevista em leis.


Talvez o número de escravos com deficiência só não tenha sido maior porque tal
condição representava prejuízo para o seu proprietário, que não podia mais contar
com aquela mão-de-obra.

De acordo com MOREIRA, 2013:

No Brasil, já no século XIX, o primeiro marco da educação especial ocorreu


no período imperial. Em 1854, Dom Pedro II, influenciado pelo ministro do
Império Couto Ferraz, admirado com o trabalho do jovem cego José Álvares
de Azevedo que educou com sucesso a filha do médico da família imperial,
Dr. Sigaud, criou o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. Em 1891 a escola
passou a se chamar Instituto Benjamin Constant - IBC.

Em 1857, D. Pedro II também criou o Instituto Imperial dos Surdos-Mudos. A


criação desta escola deve-se a Ernesto Hüet que veio da França para o
Brasil com os planos de fundar uma escola para surdos-mudos. Em 1957 a
escola passou a se chamar Instituto Nacional de Educação de Surdos –
INES. Ainda no período imperial, em 1874, iniciou-se o tratamento de
deficientes mentais no hospital psiquiátrico da Bahia (hoje hospital Juliano
Moreira).

Segundo Figueira, (2008, p. 63):

O general Duque de Caxias externou ao Governo Imperial suas


preocupações com os soldados que adquiriam deficiência. Foi então
inaugurado no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1868, o “Asilo dos
Inválidos da Pátria”, onde “seriam recolhidos e tratados os soldados na
velhice ou os mutilados de guerra, além de ministrar a educação aos órfãos
e filhos de militares”

De acordo com GARCIA e MAIA, 2014:

O avanço da medicina ao longo do século XX trouxe consigo uma maior


atenção em relação aos deficientes. A criação dos hospitais-escolas, como
o Hospital das Clínicas de São Paulo, na década de 1940, significou a
produção de novos estudos e pesquisas no campo da reabilitação. Nesse
contexto, havia uma clara associação entre a deficiência e a área médica,
que por vezes permanece até os dias atuais e traz dificuldades para o
entendimento moderno de que pessoas com deficiência não são doentes
e/ou incapazes.

O fato é que, ao longo de nossa trajetória histórica, assim como ocorreu


em outros países, a insuficiência física ou mental foi tratada em ambientes
hospitalares e assistenciais. Ao estudar o assunto, os médicos tornavam-se os
grandes conhecedores do assunto e passavam a influenciar, por exemplo, a questão
educacional das pessoas com deficiência, tendo atuação direta como diretores ou
mesmo professores das primeiras instituições brasileiras voltadas para a população
em questão.

O nível de desconhecimento sobre as deficiências continuou alto na


primeira metade do século XX, o que se percebe pelo número abundante de
pessoas com deficiência mental tratada como doentes mentais. A falta de recursos
para o diagnóstico mais preciso resultou numa história de vida trágica para milhares
de pessoas nesta condição, internadas em instituições e completamente afastadas
do convívio social. Antes da existência das instituições especializadas, as pessoas
com deficiência viviam restritas exclusivamente aos limites de suas casas.

O Imperial Instituto dos Meninos Cegos criado em 1854 sinaliza o


momento a partir do qual a questão da deficiência deixou de ser responsabilidade
apenas da família, e passou a ser visto como um problema social.

Até 1950, segundo dados oficiais, havia 40 estabelecimentos de


educação especial somente para deficientes intelectuais (14 para outras
deficiências, principalmente a surdez e a cegueira).

Na década de 40, cunhou-se a expressão “crianças excepcionais”, cujo


significado se referia a “aquelas que se desviavam acentuadamente para cima ou
para baixo da norma do seu grupo em relação a uma ou várias características
mentais, físicas ou sociais” (FIGUEIRA, 2008, p. 94).

O senso comum indicava que estas crianças não poderiam estar nas
escolas regulares, do que decorre a criação de entidades até hoje conhecidas, como
a Sociedade Pestallozzi de São Paulo (1952) e a Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais – APAE do Rio de Janeiro (1954). Essas entidades, até hoje
influentes, passaram a pressionar o poder público para que este incluísse na
legislação e na dotação de recursos a chamada “educação especial”, o que ocorre,
pela primeira vez, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei 4.024,
de 20 de dezembro de 1961.

Com o passar do tempo felizmente, percebeu-se que, assim como


acontecia em outros lugares fora do Brasil, as pessoas com deficiência poderiam
estar nos ambientes escolares e de trabalho comuns a toda população,
frequentando lugares públicos como o comércio, bares, restaurantes, cinemas, pois,
não precisariam estar sempre restritas ao espaço familiar ou das instituições
individualizadas. Este novo olhar está refletido na ampliação de leis e decretos sobre
os mais variados temas a partir, da década de 80.

Sassaki, (2003, p. 1236) afirma que:


A denominação utilizada para se referir às pessoas com alguma limitação
física, mental ou sensorial assume várias formas ao longo dos anos.
Utilizavam-se expressões como "inválidos", "incapazes", "excepcionais" e
"pessoas deficientes", até que a Constituição de 1988, por influência do
Movimento Internacional de Pessoas com Deficiência, incorporou a
expressão "pessoa portadora de deficiência", que se aplica na legislação
ordinária. Adota-se, hoje, também, a expressão "pessoas com necessidades
especiais" ou "pessoa especial". Todas elas demonstram uma
transformação de tratamento que vai da invalidez e incapacidade à tentativa
de nominar a característica peculiar da pessoa, sem estigmatizá-la. A
expressão "pessoa com necessidades especiais" é um gênero que contém
as pessoas com deficiência, mas também acolhe os idosos, as gestantes,
enfim, qualquer situação que implique tratamento diferenciado. Igualmente
se abandona a expressão "pessoa portadora de deficiência" com uma
concordância em nível internacional, visto que as deficiências não se
portam, estão com a pessoa ou na pessoa, o que tem sido motivo para que
se use, mais recentemente, conforme se fez ao longo de todo este texto, a
forma "pessoa com deficiência".

3.1 - FATOS MARCANTES NA EDUCAÇÃO ESPECIAL: DO BRASIL IMPÉRIO


ATÉ O INICIO DO SÉCULO XXI.

De acordo com ARANHA, 2005 houve vários fatos importantes para a


educação especial no Brasil, a saber:

1835_•_O Deputado Cornélio Ferreira apresenta à Assembleia Projeto de


Lei objetivando a criação do cargo de Professor de Primeiras Letras para o
ensino de cegos e surdos-mudos.

1854_•_Decreto Imperial nº 1.426 criou o Imperial Instituto dos Meninos


Cegos.

1855_•_Chega ao Brasil Edouard Huet, professor surdo francês que viria a


dirigir o primeiro Instituto Brasileiro para atendimento a surdos-mudos.

1857_•_Instalado o Instituto dos Surdos-Mudos, sob a direção de Edouard


Huet.

1869_•_Benjamin Constant assume a direção do Imperial Instituto dos


Meninos Cegos, no Rio de Janeiro em 24/01/1891 que, através do Decreto
nº 1.320, receberia o seu nome.
1900_•_O Dr. Carlos Eiras apresenta, no IV Congresso de Medicina e
Cirurgia, no Rio de Janeiro, sua monografia sobre doentes mentais intitulada
“Educação e Tratamento Médico-Pedagógico dos Idiotas”.

1910_•_Três cegos, após cursarem o Inst. Benjamin Constant, conseguem


ingressar na Faculdade de Direito de São Paulo.

1913_•_No Hospício D. Pedro II, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro,


começa o funcionamento intensivo do Pavilhão Bourneville, com
atendimento a menores anormais.

1913_•_Aparece o livro do Professor Clementino Qualio, da Escola Normal


de São Paulo, intitulado “A educação da infância anormal da inteligência”.

1915_•_Inaugurada em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a sede do Instituto


Nacional de Surdos.

1926_•_Inaugurado, em Belo Horizonte, o Instituto São Rafael para Cegos.

1927_•_Surge, em Canoas, RS, a primeira instituição brasileira dedicada


aos excepcionais, com o nome de Pestalozzi.

1929_•_No Rio de Janeiro, a Reforma do Ensino Primário, Profissional e


Normal inclui em seu Regulamento disposições sobre a seleção de alunos
brilhantes.

1930_•_No Nordeste, o Dr. Ulisses Pernambucano desenvolve trabalho


pioneiro em favor dos excepcionais, unindo Psiquiatria, Psicologia e
Pedagogia.

1931_•_Criado, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o Pavilhão


Fernandinho Simonsens com uma classe especial para alfabetização e
ensino primário de crianças internadas por longos períodos naquele
hospital.

1932_•_Fundada por Helena Antipoff a Sociedade Pestalozzi de Minas


Gerais.

1933_•_A Comissão do Ensino Secundário do Conselho Nacional de


Educação através do Parecer n° 291, permite o ingresso de aluno cego em
escola do sistema regular de ensino, na cidade de Curitiba.

1935_•_Criado, graças à iniciativa de Helena Antipoff, o Instituto Pestalozzi


na cidade de Belo Horizonte.

1940_•_Instalada em Ibirité, nos arredores de Belo Horizonte, a Granja-


Escola da Fazenda Rosário pertencente à Sociedade Pestalozzi de Minas
Gerais.

1942_•_Inaugurado o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil, em Engenho de


Dentro, no Rio de janeiro.

1942_•_Edição em Braille pelo Instituto Benjamim Constant da primeira


Revista Brasileira para Cegos.

1943_•_Inaugurados vários Institutos para cegos no Brasil: em São Paulo,


na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Ceará.

1943_•_A Comissão de Legislação do Conselho Nacional de Educação,


através do Parecer n°144, autoriza a inscrição de aluno cego na Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras.
1943_•_O Decreto n° 14.165 dá ao Inst. Benjamim Constant competência
para ministrar os ensinos primário e secundário.36

1945_•_Por iniciativa de Helena Antipoff, é fundada, no Rio de Janeiro, a


Sociedade Pestalozzi do Brasil.

1945_•_Helena Antipoff realiza, na Sociedade Pestalozzi, no Rio de Janeiro,


experiências com alunos superdotados.

1946_•_Criada a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, com a finalidade


de divulgar o livro em Braille.

1949_•_Portaria Ministerial n° 504 garante a distribuição gratuita dos livros


em Braille para todo o Brasil.

1950_•_Começa o ensino integrado no Brasil, com alunos que concluíram o


curso Ginasial no Instituto Benjamim Constant. Em São Paulo, no Instituto
Caetano de Campos, criada, a título experimental, a primeira classe Braille
com alunos em regime escolar comum.

1950_•_Criada, em São Paulo, a Associação de Assistência à Criança


Defeituosa (AACD), com classes para deficientes físicos.

1953_•_Portaria Ministerial nº 12 autorizou a matrícula de alunos cegos nos


estabelecimentos de ensino secundário reconhecidos ou equiparados pelo
Governo Federal. Autoriza, ainda, a interpretação da legislação de ensino,
pelo Conselho Nacional de Educação, para facultar o acesso de cegos nos
cursos universitários.

1953_•_Parecer n° 50 da Comissão de Legislação do Conselho Nacional de


Educação, dá parecer favorável ao ingresso de aluno cego no curso de
Geografia e História da Faculdade Fluminense de Filosofia.

1954_•_Fundada, no Rio de Janeiro, a primeira Associação de Pais e


Amigos dos Excepcionais (APAE).

1954_•_Fundada, no Rio de Janeiro, a Associação Brasileira Beneficente de


Reabilitação (ABBR).

1955_•_Lançada a recomendação n° 99, da Organização Internacional do


Trabalho (OIT), sobre programas de reabilitação profissional, obtenção e
retenção de empregos por deficientes.

1957_•_Criadas em São Paulo, por inspiração da AACD, classes especiais


para deficientes físicos, nos Grupos Escolares da rede escolar comum.

1957_•_Alunos cegos do Curso Primário são admitidos nas escolas


comuns.

1957_•_Lei 3.198 alterou a denominação do Instituto dos Surdos e Mudos


para Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

1957_•_Decreto nº 42.728 criou a Campanha para Educação do Surdo


Brasileiro (CESB).

1958_•_Portaria Ministerial nº 114 dá instruções para a organização e


execução do programa de ação da Campanha (CESB).

1958_•_Decreto 44.236 institui a Campanha Nacional de Educação e


Reabilitação de Deficientes da Visão.
1958_•_Portaria Ministerial nº 477 fixa instruções para a organização e
execução da Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de
Deficientes da Visão, campanha ligada diretamente à direção do Instituto
Benjamin Constant.

1958_•_Lei nº 5.029 cria o Instituto de Reabilitação, para funcionamento


junto à Cadeira de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo.

1960_•_Decreto nº 48.252 desvincula a Campanha Nacional de Educação e


Reabilitação dos Deficientes da Visão do Instituto Benjamin Constant,
passando a ser subordinada diretamente ao Gabinete do Ministro da
Educação e Cultura, com a denominação “Campanha Nacional de
Educação de Cegos” (CNEC).

1960_•_Decreto nº 48.961 cria a Campanha Nacional de Educação e


Reabilitação de Deficientes Mentais (CADEME).

1961_•_A Fundação para o Livro do Cego no Brasil cria o Centro de


Reabilitação de Cegos no Brasil.

1961_•_Lei 4.024 de Diretrizes e Bases para a Educação, em seu Título X,


enquadra a educação de excepcionais no sistema geral de educação,
visando à integração desses alunos na comunidade e prevê apoio financeiro
às entidades privadas dedicadas a essa especialidade.

1963_•_Criação da Federação Nacional das APAE’s.

1963_•_Decreto nº 53.264 dispõe sobre a reabilitação profissional na


Previdência Social (SUSERPES).

1964_•_Campanha Nacional de Educação de Cegos obtém do MEC a


destinação de fundos para sua ação, recursos que foram incluídos no Plano
Nacional de Educação.

1964_•_Portaria Ministerial nº 582 designa Grupo Executivo para reformular


as atividades do MEC no campo da Educação Especial. Conselheiros da
CADEME, integrantes desse Grupo, sugerem, sem êxito, a criação de uma
Secretaria de Educação Especial no MEC.

1967_•_Criada no Ministério da Educação e Cultura junto ao Conselho


Federal de Educação, comissão com a finalidade de estabelecer critérios
para identificação e atendimento aos superdotados.

1968_•_Criada a Associação Brasileira de Educadores de Deficientes


Visuais/ABEDEV.

1969_•_Parecer nº 252, do Conselho Federal de Educação, determina que


o Curso de Pedagogia deverá ter uma ou duas habilitações em Educação
Especial.

1969_•_Decreto nº 64.920 cria no MEC Grupo de Trabalho para estudar o


problema do excepcional em seus vários aspectos. Esse Grupo produziu e
encaminhou à Direção do MEC vários anteprojetos objetivando a criação de
órgão em âmbito nacional para cuidar do problema dos excepcionais.

1969_•_Emenda Constitucional nº 1 altera a Constituição do Brasil de 1967


que, em seu Art. 175, parágrafo 4º, passa a dispor sobre a educação de
excepcionais.
1969_•_Decreto Lei nº 1.044 dispõe sobre tratamento especial para alunos
de qualquer nível de ensino, portadores de afecções congênitas e/ou
adquiridas, infecções, traumatismos ou outras condições mórbidas
determinantes de distúrbios agudos ou agudizadores.

1970_•_Criada a Federação Nacional das Sociedades Pestalozzi.


1971_•_Ofício nº 93/71, do Secretário de Apoio do MEC ao Diretor do
Departamento de Educação Complementar recomenda a extinção das
Campanhas de Educação Especial e sugere o estabelecimento de um
programa integrado de assistência a todas as categorias de excepcionais.

1971_•_Portaria nº 86 cria o Grupo Tarefa Educação Especial no MEC, com


vistas a implantar uma sistemática de trabalho educacional dirigida aos
excepcionais, em todas as suas formas, em todo o território brasileiro.

1971_•_Portaria do Conselho Federal de Educação, cria Comissão Especial


para estudar o currículo mínimo para os cursos de formação de pessoal em
Educação Especial no nível universitário.

1971_•_Lei 5.692 de diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus,


prevê em seu artigo 9º tratamento especial para os excepcionais.

1972_•_Resolução nº 7/72 do Conselho Federal de Educação fixa os


conteúdos mínimos a serem observados na habilitação específica em
educação de deficientes da áudio comunicação, no Curso de Pedagogia.

1973_•_Criada em Belo Horizonte, junto à Fazenda Rosário, a Associação


Milton Campos para o Desenvolvimento e Assistência à Vocações de Bem-
Dotados (ADAV).

1973_•_Decreto nº 72.425 cria o Centro Nacional de Educação Especial


(CENESP).

1974_•_Inclusão do Projeto Prioritário nº 35, sobre Educação Especial no I


Plano Setorial de Educação e Cultura.

1974_•_Parecer nº 3.763 do Conselho Federal de Educação, dispõe sobre


tratamento especial para cegos no exame vestibular.

1975_•_Portaria nº 550/MEC aprova o Regimento Interno do CENESP,


como órgão central de direção superior, gozando de autonomia
administrativa e financeira.

1976_•_Resolução 31/123, através da Assembleia Geral das Nações


Unidas (ONU), proclama o ano de 1981 como o Ano Internacional das
Pessoas Deficientes.

1977_•_Portaria Interministerial nº 477 (MEC/MPAS) estabelece diretrizes


básicas para a ação integrada do MEC e do MPAS no campo do
atendimento a excepcionais, dispondo sobre atendimento integrado com
ações complementares de assistência médicopsicosocial e de educação
especial. Menciona o atendimento no sistema regular de ensino e em
instituições especializadas.

1978_•_Portaria Interministerial nº 186 (MEC/MPAS) regulamenta a Portaria


Ministerial nº 477, de 10/08/77 que define e delimita a clientela a ser
atendida pela Educação Especial, e dispõe sobre diagnóstico,
encaminhamento, supervisão e controle.

1978_•_Emenda Constitucional nº 12 assegura aos deficientes a melhoria


de sua condição social e econômica, inclusive com educação especial.
1979_•_Plano Nacional de Educação Especial (PLANESP) estabelece
diretrizes de ação para a Educação Especial.

1980_•_Decreto nº 84.819 cria no Brasil a Comissão Nacional do Ano


Internacional das Pessoas Deficientes (CNAIPD), com o objetivo de ação
compatibilizada da ONU, sintetizado no lema Igualdade e Participação
Plena.

1980_•_Discussão na Comissão Econômica para a América Latina


(CEPAL), no Chile, de um Plano de Ação a Longo Prazo, em favor dos
excepcionais.

1981_•_Resolução nº 2 do Conselho Federal de Educação, autoriza a


concessão de dilatação de prazo de conclusão de curso de graduação dos
alunos portadores de deficiências físicas, afecções congênitas ou
adquiridas.

1981_•_Instrução Normativa nº 123, do Departamento Administrativo do


Serviço Público (DASP) estabelece normas para adaptação e elaboração de
novos projetos de edificações, de modo a permitir o acesso de pessoas
portadoras de deficiência.

1981_•_Portaria nº 696 aprova o Regimento do CENESP como órgão


autônomo.

1985_•_Realizada, em Brasília, cerimônia para assinatura do Decreto que


institui o Comitê para o Aprimoramento da Educação Especial. Discursaram
o Presidente da República, o Ministro da Educação, a Diretora-Geral do
CENESP e representante dos pais dos deficientes. O Comitê sugeriu ao
Presidente da República a transformação do CENESP em Secretaria de
Educação Especial e a criação de um órgão de coordenação da política
voltado para pessoa portadora de deficiência.

1985_•_Decreto nº 91.827 institui o Comitê Nacional para traçar política de


ação conjunta, destinada a aprimorar a Educação Especial e a integrar, na
sociedade, as pessoas portadoras de deficiências, problemas de conduta e
superdotados.

1986_•_Lançamento do Plano Nacional de Ação Conjunta, elaborado pelo


Comitê Nacional instituído pelo Decreto nº 91.872, de 04/11/85.

1986_•_Portaria nº 69/MEC expede normas para a fixação de critérios


reguladores da prestação de apoio técnico e/ ou financeiro à Educação
Especial nos sistemas de ensino público e particular.

1986_•_Decreto nº 93.481 institui a Coordenadoria para a Integração da


Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), dispondo sobre a atuação da
Administração Federal, no que concerne às pessoas portadoras de
deficiência.

1986_•_Indicação nº 15/86/MEC propõe criação de uma Comissão


composta por membros do Conselho Federal de Educação e do CENESP
para incentivar ações de atendimento ao aluno superdotado.

1986_•_Portaria 88/86/MEC constitui a Comissão para elaboração de


subsídios que permitiam aos Conselhos Estaduais de Educação incentivar
ações de atendimento ao superdotado.

1987_•_Lançamento da Revista Integração com circulação em todo o


território nacional.
1988_•_Constituição Federal Brasileira garante a educação como direito de
todos, instituindo no Inciso III, do Art. 208, do Capítulo III que, o atendimento
educacional especializado aos portadores de deficiência deve ser,
preferencialmente, na rede regular de ensino.

1988_•_Criação da União Brasileira de Cegos.

1990_•_Extinta a Secretaria de Educação Especial. As atribuições relativas


à educação especial passam a ser da Secretaria Nacional de Educação
Básica/SENEB.

1990_•_Criada a estrutura da SENEB do Departamento de Educação


Supletiva e Especial/DESE, com competências específicas em relação à
Educação Especial.

1990_•_Incluída na estrutura da DESE a Coordenação de Educação


Especial.

1992_•_Recriada a Secretaria de Educação Especial na estruturado


Ministério da Educação.

1993_•_Decreto 914/89 Coordenadoria de Integração da Pessoa Portadora


de Deficiência, CORDE, estabelece direitos dos portadores de Deficiência
Visual.

1994_•_Lançamento da Política de Educação Especial/MEC.

1994_•_Portaria 1793/94 recomenda inclusão de conteúdos e disciplina de


Educação Especial nos cursos de formação de professores de nível
superior.

1995_•_Criação da Associação Brasileira de Síndrome de Down.

1995_•_Decreto nº 1.744/95 institui benefício de prestação continuada à


pessoa portadora de deficiência e ao idoso.

1995_•_Veiculação da Série sobre Educação Especial no programa Salto


para o Futuro, TVE.

1995_•_Reunião técnica com os países componentes do MERCOSUL e


OIT, visando incluir o tema “Educação Especial” na agenda do MERCOSUL
Educativo.

1996_•_Criação do Fórum Permanente dos IES sobre as questões relativas


às pessoas com necessidades especiais.

1996_•_Aviso Ministerial 277 do GM recomenda a criação de condições


próprias para possibilitar acesso e permanência dos alunos com
necessidades especiais nas Instituições de Ensino Superior.

1996_•_Criação do Programa de Distribuição de Materiais Didáticos para


Deficientes Visuais.

1996_•_Lançamento do Programa de Implantação de Apoio Pedagógico


para Deficientes Visuais/CAP.

1996_•_Elaboração do Programa de Capacitação de Professores do Ensino


Regular para atuação com alunos com necessidades educacionais
especiais.
1997_•_Veiculação da Campanha de Sensibilização da Sociedade para a
Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais.

1997_•_Inclusão na TV Escola da Série Educação Especial. Implementação


de um Programa de Capacitação de Educadores com o material da
UNESCO – Necessidades Educacionais Especiais em Sala de Aula.

1997_•_Implantação da Tecnologia do DOS-VOX no Sistema Sintetizador


de Voz, para suporte na educação dos cegos.

1998_•_Realização do Congresso Internacional e III Ibero Americano sobre


Superdotação, em Brasília.

1998_•_Realização do III Congresso Ibero Americano de Educação


Especial, em Foz do Iguaçu.

1998_•_Elaboração do documento Adaptações Curriculares para Alunos


com Necessidades Educacionais Especiais no Âmbito dos Parâmetros
Curriculares Nacionais.

1999_•_Produção e lançamento do Programa de Capacitação, pela TVE


sobre Educação Especial.

1999_•_Criação da Comissão Brasileira de Braille, junto à SEESP.

2000_•_Lançamento da produção do Livro Didático em Braille.

2000_•_Realização do V Congresso Nacional de Arte-Educação na Escola


Para Todos.

2000_•_VI Festival Nacional de Artes sem Barreiras, em Brasília.

2001_•_Definição do Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos,


elaborado pelo Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial,
com representantes de Organizações de Surdos.

2001_•_Decreto nº 3.956 promulga a Convenção Interamericana para


eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas
portadoras de deficiência.

2001_•_Parecer CNE/CEB nº 17/2001 e Resolução CNE/CEB nº 02 de


11/09/2001, institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na
Educação Básica.

2002_•_Portaria 657/MEC institui a Comissão Brasileira de Estudo e


Pesquisa do Sorobã.

2002_•_Integração da Secretaria de Educação Especial (SEESP) à Rede


Nacional de Formadores, da Secretaria de Educação Fundamental (SEF).
4. A EDUCAÇÃO ESPECIAL E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA A PARTIR DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1824

A menção às primeiras escolas para a educação de meninos surgiram no


Brasil colônia com a participação ativa dos jesuítas para crianças de aldeias
indígenas e vilarejos, assim como afirma RIZZINI, 2004, p. 23:

“Os jesuítas constituíram os principais agentes educacionais até meados


do século XVIII...”

Ainda de acordo com RIZZINI, (2004, p. 24):

As primeiras instituições para educação de órfãos e órfãs datam do século


XVIII e foram instaladas em várias cidades brasileiras por religiosos (
irmandades, ordens e iniciativas pessoais de membros do clero). O regime
de funcionamento das instituições seguia o modelo do claustro e da vida
religiosa. As práticas religiosas e o restrito contato com o mundo exterior
eram características fundamentais dos colégios para meninos órfãos e dos
recolhimentos femininos, sendo que, no segundo caso, a clausura era
imposta com mais rigor. Após a proclamação da independência do Brasil de
Portugal, ocorrida no ano de 1822, o país, inicia sua trajetória rumo à
educação do povo.

De acordo com PLETSCH, 2010, p. 68:

A imensa maioria da população não tinha acesso à escolarização, apesar


de a constituição brasileira de 1824 haver estabelecido como compromisso
a gratuidade da instrução primária “a todos os cidadãos” e a criação de
escolas e universidades “onde serão ensinados os elementos das ciências e
das belas artes”. Artigo 179, incisos XXXII e XXXIII. No entanto, a lei não
era clara sobre “quem” deveria se responsabilizar pela educação primária,
bem como não delimitava prazos para o seu inicio. Sem contar que
“cidadãos”, naquela época, eram apenas os homens, excluindo as mulheres
e, evidentemente, os escravos.

Segundo MATTOS, (2000, p. 36):

Apenas em 1827 que seria lançada uma lei que trataria especificamente do
ensino – aliás, a única durante a monarquia. Ela previa a criação de escolas
de primeiras letras para meninos nas cidades e vilas do Império e de
meninas nas cidades mais populosas. Previa também as ações das
províncias na organização dessas escolas, “podendo extinguir as [escolas]
que existem em lugares pouco populosos e remover os Professores delas
para as que se criarem, onde mais aproveitem”, além da adoção do método
Lancaster de ensino, mais conhecido como de ensino mútuo. A lei definia
ainda como seria feita a admissão dos professores, que deveriam ser
brasileiros e maiores de 21 anos, além de possuírem boa conduta, sendo
julgados para admissão nas escolas. A eles caberia ensinar o aluno a ler e
escrever, bem como as operações matemáticas básicas, assim como a
gramática da língua portuguesa, princípios de moral cristã e, para o ensino
de História do Brasil, deveriam utilizar a constituição do Império.

Ainda de acordo com MATTOS, (1987, p. 267):

Os professores seriam, pela análise de Ilmar Mattos, o nexo entre a “boa


sociedade” imperial, simbolizando a civilização, e a autoridade local, o poder
da “casa”, do pai sobre seus filhos, representando num outro extremo a
“barbárie”, que através da escola seria “iluminada” e inserida no “mundo do
governo”. Logo, os professores agiriam como os dirigentes mais distantes
do governo e mais próximos da casa, devendo por isso mesmo ser
fiscalizados para cumprirem sua função de incluir tais meninos por meio de
uma ação disciplinadora na escola e, futuramente, no espaço da cidadania
do Império.

Para SOUZA, (2010):

Tais eram os primeiros passos para formação do aluno. Dos meninos, os


escravos e libertos estavam excluídos. E as meninas? A elas uma educação
doméstica bastaria. Aos filhos do povo “mais ou menos miúdo” destinavam-
se as escolas de primeiras letras, que reproduziam em seu nível mais
elementar ideias de nação para essa gente. Mas só iriam além, rumo à
cidadania, os filhos da “boa sociedade”, branca, com ares europeus e
“civilizada”, do Império. Pela instrução seriam reproduzidas as hierarquias
pré-existentes na sociedade.

O ensino escolar não era igual para todos os alunos: apenas alguns
teriam sua formação complementada visando tanto inculcar uma visão de mundo
mais próxima do cânon imperial quanto formar o futuro cidadão ativo do Império,
futuro membro do “mundo do governo”, futuro da nação. Uma grande posição
comercial era já grande coisa, mas para ser cidadão de fato uma formação
humanista era algo essencial. Esse tipo de formação era oferecida aos alunos do
ensino secundário, cujo acesso era limitado apenas aos filhos da “boa sociedade”
imperial, ou seja, filhos de grandes fazendeiros, de burocratas imperiais e, em
alguns casos, também de comerciantes de destaque e de profissionais liberais,
como advogados, médicos, engenheiros e professores. Esse era o perfil dos alunos
do Colégio Pedro II, por exemplo.
Segundo RIZZINI, 2004, p. 25:

“No reinado de D. Pedro II, após o ato adicional de 1834 ( Lei nº 16 de 12 de


agosto de 1834), o qual determinou que a instrução primária seria de
responsabilidades das províncias brasileiras, os governos partem para a
criação de escolas e institutos para instrução primária e profissional das
crianças e adolescentes das classes populares, os “filhos do povo”.

4.1. ATOS IMPORTANTES PARA OS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA NO


SÉCULO XIX

Criado em 1837 na data de aniversário do jovem Imperador que


emprestava seu nome ao mesmo, em 02 de dezembro, e com atividades inaugurais
em março de 1838, com a presença da Família Imperial e de boa parte da alta
burocracia e sociedade carioca, a instituição modelo para o ensino secundário no
país foi criada justamente visando garantir à monarquia o controle sobre o que seria
ensinado aos futuros cidadãos ativo do país. Como instrumento de ação do governo,
o Colégio Pedro II condicionava aos seus alunos uma memória específica,
selecionada pelo “mundo do governo”, membros da burocracia imperial
estabelecidos na Corte, num momento chave para consolidação do Estado e da
nação brasileiros: o final das Regências.

Portanto, o colégio se inseria na tentativa da monarquia em reassumir os


rumos da nação como um todo através desse importante instrumento que é o
ensino. Ensinar era também educar: aprender a moral, padrões de conduta, formas
de agir eram outras questões em destaque dos colégios do Império. Ao mesmo
tempo em que se garantia o controle sobre a formação intelectual de seus alunos, a
monarquia buscava garantir apoio à sua causa, controlando o que era lido, discutido,
quiçá até pensado.

Nas sociedades tradicionais, os leitores formados pela instituição devem


ser confrontados com aqueles que conquistaram a escrita com grande luta e cuja
competência, se não é certificada e controlada pelos letrados, corre sempre o risco
de produzir leituras fora das normas, improváveis ou rebeldes (CHARTIER, 2001,
pág. 21).

De acordo com GERREIRO, (2007):

"O Imperial Instituto dos Meninos Cegos" foi criado em 1854 pelo Imperador
D.Pedro II, com o objetivo de se dedicar ao ensino de crianças cegas
(meninos e meninas). Seu escopo de ensino ia desde o básico - ensinar a
ler, a escrever, matemática básica, ciências, etc. - até um ofício, com o qual
o jovem pudesse se desenvolver profissionalmente. Havia preocupação com
a cultura em geral, mas o foco era o de fornecer instrumentos ao aluno com
deficiência visual de modo que ele pudesse ganhar sua vida sozinho, sem
dependência.

MONARCHA, 2001, p. 200 cita JANNUZZI (1985) sobre o pioneirismo ao


atendimento à criança especial: “a primeira forma de atendimento institucionalizado
foi na Escola Residencial Instituto de Cegos em 1909 sob a administração da Santa
Casa de Misericórdia”.

O atual Instituto Nacional de Educação de Surdos foi criado em meados


do século XIX por ação do surdo francês E. Huet. Em junho de 1855, Huet expõe ao
Imperador D. Pedro II um documento cujo conteúdo revela a intenção de fundar uma
escola para surdos no Brasil. Neste documento também informa sobre o seu
conhecimento anterior como diretor de uma instituição para surdos na França: o
Instituto dos Surdos-Mudos de Bourges. O governo imperial ampara a iniciativa de
Huet e destaca o Marquês de Abrantes para acompanhar de perto o processo de
criação da primeira escola para surdos no Brasil. O novo estabelecimento começa a
funcionar em 1º de janeiro de 1856, mesma data em que foi publicada a proposta de
ensino apresentada por Huet. Essa sugestão continha as disciplinas de Língua
Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Escrituração Mercantil,
Linguagem Articulada, Doutrina Cristã e Leitura sobre os Lábios.

Em 1891 é promulgada a segunda Constituição da República dos Estados


Unidos do Brasil após votação por um congresso constituinte que com seus noventa
e um artigos, apresentam apenas, um parágrafo sobre educação:

Art.72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no


país a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança
individual e à propriedade, nos termos seguintes: (Redação dada pela
Emenda Constitucional de 03 de setembro de 1926).

§ 6º Será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos.


(Redação dada pela Emenda Constitucional de 03 de setembro de 1926).

De acordo com CARDOSO, (1999, pág. 76):

O advento dos governos republicanos, calcados na ideia de democracia,


trouxe consigo não só a concepção do Estado leigo e da liberdade de culto,
por meio da qual se retirou o poder político das religiões majoritárias, mas
também novas concepções de Educação [...]. No Brasil, o “Manifesto dos
Pioneiros” reafirma o princípio da escola leiga (1932) já registrado na
Constituição de 1891. Este manifesto foi liderado por Fernando Azevedo e
mais 26 educadores brasileiros e fundamentava-se no direito de educação
para todos.

Segundo MAGALDI E GONDRA, (2003, p. 132), Os signatários


afirmavam:

"Em nosso regime político, o Estado não poderá, decerto, impedir que,
graças à organização de escolas privadas de tipos diferentes, as classes
mais privilegiadas assegurem a seus filhos uma educação de classe
determinada; mas está no dever indeclinável de não admitir, dentro do
sistema escolar do Estado, quaisquer classes ou escolas, a que só tenha
acesso uma minoria, por um privilégio exclusivamente econômico. Afastada
a ideia de monopólio da educação pelo Estado, num país em que o Estado,
pela sua situação financeira, não está ainda em condições de assumir a sua
responsabilidade exclusiva, e em que, portanto, se torna necessário
estimular, sob sua vigilância, as instituições privadas idôneas, a escola
única se entenderá entre nós, não como uma conscrição precoce arrolando,
da escola infantil à universidade, todos os brasileiros e submetendo-os
durante o maior tempo possível a uma formação idêntica, para ramificações
posteriores em vista de destinos diversos, mas antes como a escola oficial,
única, em que todas as crianças, de 7 a 15 anos, todas ao menos que,
nessa idade, sejam confiadas pelos pais à escola pública, tenham uma
educação comum, igual para todos."

Para ROMANELLI, (1997, p. 146):

“(...) o momento histórico pedia, pois, que a educação se convertesse, de


uma vez por todas, num direito, porque, na verdade, ela é um direito
biológico do ser humano e, como tal, deve concretizar-se e, para tanto, deve
estar acima de interesses de classes. Enfim, ela deve vincular-se
efetivamente ao meio social, saindo à escola de seu secular isolamento.”
A reinvindicação do manifesto foi atendida na Constituição de 1934 que
trazia registrada em seu conteúdo:

Artigo 149 - A educação é direito de todos e deve ser ministrada, pela


família e pelos Poderes Públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a
brasileiros e a estrangeiros domiciliados no País, de modo que possibilite
eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação, e desenvolva num
espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana. (BRASIL, 1934).

Todavia temos no artigo 150 alínea “e” o seguinte texto: “limitação da


matrícula à capacidade didática do estabelecimento e seleção por meio de provas
de inteligência e aproveitamento, ou por processos objetivos apropriados à
finalidade do curso”; onde de acordo com PERREIRA, 2003 poderia estar
“evidenciando um empecilho a mais ao acesso à escola pelas pessoas portadoras
de necessidades especiais antes mesmo de seu ingresso na escola”.

Esta posição foi reiterada pela constituição de 1937 nos seguintes artigos:

Art 129 - A infância e à juventude, a que faltarem os recursos necessários


à educação em instituições particulares, é dever da Nação, dos Estados e
dos Municípios assegurar, pela fundação de instituições públicas de ensino
em todos os seus graus, a possibilidade de receber uma educação
adequada às suas faculdades, aptidões e tendências vocacionais.

O ensino pré-vocacional profissional destinado às classes menos


favorecidas é em matéria de educação o primeiro dever de Estado. Cumpre-
lhe dar execução a esse dever, fundando institutos de ensino profissional e
subsidiando os de iniciativa dos Estados, dos Municípios e dos indivíduos
ou associações particulares e profissionais.

É dever das indústrias e dos sindicatos econômicos criar, na esfera da


sua especialidade, escolas de aprendizes, destinadas aos filhos de seus
operários ou de seus associados. A lei regulará o cumprimento desse dever
e os poderes que caberão ao Estado, sobre essas escolas, bem como os
auxílios, facilidades e subsídios a lhes serem concedidos pelo Poder
Público.

Art 130 - O ensino primário é obrigatório e gratuito. A gratuidade,


porém, não exclui o dever de solidariedade dos menos para com os mais
necessitados; assim, por ocasião da matrícula, será exigida aos que não
alegarem, ou notoriamente não puderem alegar escassez de recursos, uma
contribuição módica e mensal para a caixa escolar.

Segundo VIEIRA, (2007, pág. 298):


Na Constituição de 1937, “a liberdade de ensino ou, melhor dizendo, a livre
iniciativa é objeto do primeiro artigo dedicado à educação no texto de 1937,
que determina: "A arte, a ciência e o ensino são livres à iniciativa individual
e à de associações ou pessoas coletivas públicas e particulares" (art. 128).
O dever do Estado para com a educação é colocado em segundo plano,
sendo-lhe atribuída uma função compensatória na oferta escolar destinada
à "infância e à juventude, a que faltarem os recursos necessários à
educação em instituições particulares" (art. 129). Nesse contexto, o "ensino
pré-vocacional e profissional destinado às classes menos favorecidas" é
compreendido como "o primeiro dever do Estado" em matéria de educação
(art. 129).[...] Sendo o ensino vocacional e profissional a prioridade, é
flagrante a omissão com relação às demais modalidades de ensino. A
concepção da política educacional no Estado Novo estará inteiramente
orientada para o ensino profissional, para onde serão dirigidas as reformas
encaminhadas por Gustavo Capanema.

Em 1946, com o fim do Estado Novo, foi escrita uma nova Carta, a
Constituição de 1946, retomando as ideias sobre educação da Carta Magna de
1934. E o mais importante: avançando na questão da educação ao iniciar o
processo de discussão do que viria a ser a primeira Lei de Diretrizes e Bases da
Educação - LDB. SCUARCIALUPI, (2008)

De acordo com VIEIRA, (2007, pág. 300):

É a primeira vez que a expressão ensino oficial aparece em um texto legal.


O registro tem sentido, por colocar um elemento adicional de diferenciação
entre o ensino "ministrado pelos Poderes Públicos" e aquele "livre à
iniciativa particular". Há, ainda, outro aspecto a destacar com referência ao
termo ensino oficial. Parece colocar-se aqui a possibilidade do ensino oficial
não gratuito, pois a Constituição estabelece que a instrução subsequente à
primária somente seja gratuita para aqueles que "provarem falta ou
insuficiência de recursos.

A Constituição de 1946, que perdurou até 1964, apresentava o seguinte no que se


refere à Educação e Cultura:

“Art 166 - A educação é direito de todos e será dada no lar e na escola.


Deve inspirar-se nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana.”

Art 167 - O ensino dos diferentes ramos será ministrado pelos Poderes
Públicos e é livre à iniciativa particular, respeitadas as leis que o regulem.

Art 168 - A legislação do ensino adotará os seguintes princípios:


I - o ensino primário é obrigatório e só será dado na língua nacional;

II - o ensino primário oficial é gratuito para todos; o ensino oficial


ulterior ao primário sê-lo-á para quantos provarem falta ou insuficiência de
recursos;

III - as empresas industriais, comerciais e agrícolas, em que trabalhem


mais de cem pessoas, são obrigadas a manter ensino primário gratuito para
os seus servidores e os filhos destes;

IV - as empresas industrias e comerciais são obrigadas a ministrar, em


cooperação, aprendizagem aos seus trabalhadores menores, pela forma
que a lei estabelecer, respeitados os direitos dos professores;

No artigo 172 o texto relata: “Cada sistema de ensino terá


obrigatoriamente serviços de assistência educacional que assegurem aos alunos
necessitados condições de eficiência escolar”.

Pode-se atentar com olhar especial ainda para os artigos 31 inciso I: (...)
onde é vedado: criar distinções entre brasileiros ou preferências em favor de uns
contra outros Estados ou Municípios; e no artigo 141 §1º onde lê-se: Todos são
iguais perante a lei.

De acordo com KASSAR, (1999); MAZZOTTA, (2005) in PLETSCH,


(2010, p. 69):

Nesse período, com base nos preceitos do pensamento evolucionista


presente na ciência moderna em consonância com o discurso liberal, foram
criadas as primeiras classes especiais sob a supervisão da inspeção
sanitária para separar os “normais” dos “anormais”. Seu objetivo era
homogeneizar as classes, as quais seguiam uma concepção da “ortopedia
das escolas auxiliares europeias”, que tinham uma visão estritamente
organicista da deficiência.

GÓES, (2007, p. 50) afirma que:

A matrícula de crianças “anormais” no ensino regular não foi uma prática


comum; deu-se apenas em algumas escolas. A escassez de atendimento
ocorreu provavelmente pela ausência de uma política pública nacional para
a educação. Apenas a Constituição de 18 se setembro de 1946 (art. 5º)
conferiu à União competência para legislar sobre “diretrizes e bases” da
educação nacional, o que só ocorreu em 1961 com a aprovação da LDB.
A trajetória da Educação no país desde a Constituição de 1946 até sua
primeira LDB é marcada por muitas lutas e conflitos. Já que o artigo quinto da CF
conferia à União legislar sobre as diretrizes e bases, começaram-se os esforços para
se consolidar este direito.

De acordo com SANTOS, et al, (2006, pág., 139):

A Constituição de 1946 se inspirou nas doutrinas sociais do século XX. Com


a preocupação pela formulação de uma Lei que amparasse os vários
segmentos da Educação, o então Ministro da Educação Clemente Mariani
convocou uma comissão de educadores, que coube ao Professor Lourenço
Filho presidir. O objetivo foi o de montar um projeto de reforma geral da
educação nacional. Elaborado por três subcomissões, do Ensino Primário,
do Ensino Secundário e do Ensino Superior, o projeto foi apresentado à
Câmara Federal, em 1948, para apreciação e discussão.

A análise do texto apresentado à Câmara Federal que iria persistir de


1948 até 1961 abordava temas sobre centralização e descentralização da educação,
o ensino primário gratuito e obrigatório, gratuidade e escolas públicas em todos os
níveis de ensino, assim como a normatização e regulamentação desta
obrigatoriedade.

As discussões sobre centralização e descentralização foram suprimidos


por emendas e substitutivos. Uma em 1955 pelo Deputado Carlos Lacerda e outra
em 1957 pelo Ministro Clovis Salgado.

Em 1959 a Emenda Carlos Lacerda (seu terceiro substitutivo) prevalece


sobre o texto das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, alterando
substancialmente a pujança do projeto original.

Este mesmo ano foi marcado pelo manifesto “Mais uma vez convocados”
que “apresentava-se em uma linha de continuidade com relação ao texto de 1932,
uma vez que mantinha a defesa do ensino público e os princípios do ideário liberal.
Todavia encontrava-se num contexto histórico e economicamente diferente do de
1932, pois a economia apresentava-se mais diversificada porem o sistema
educacional encontrava-se abalado pelas discussões sobre a LDB no Congresso
Nacional.
É neste contexto histórico que cento e oitenta educadores lançam um
manifesto à nação, solicitando ao governo que o projeto da lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional fosse rejeitado, pois de acordo com a Emenda Carlos
Lacerda a educação privada prevaleceria sobre a pública.

A Universidade de Brasília em seu programa de Pós Graduação em


Linguística aplicada apresenta em seu site uma linha do tempo sobre a história do
ensino e em especial a LDB de 1961 que nos acrescenta:

Basicamente, dois grupos disputavam qual seria a filosofia que serviria


como base para a elaboração da LDB. De um lado estavam os estatistas,
ligados principalmente aos partidos de esquerda e do outro os liberalistas.
Partindo do princípio que o Estado precede o indivíduo na ordem de valores
e que a finalidade da educação é preparar o indivíduo para o bem da
sociedade, os estatistas defendiam que só o Estado deveria educar.
Escolas particulares podiam existir, mas tão somente como uma concessão
do poder público. O outro grupo, denominado de liberalistas, e ligado aos
partidos de centro e direita, sustentava que a pessoa possuía direitos
naturais e que não cabia ao Estado garanti-los ou negá-los, mas
simplesmente respeitá-los. A educação deveria ser um dever da família que
teria de escolher dentre uma variedade de opções de escolas particulares.
Ao Estado caberia a função de traçar as diretrizes do sistema educacional e
garantir às pessoas provenientes de famílias pobres o acesso às escolas
particulares por meio de bolsas. Na disputa que durou dezesseis anos, as
ideias dos liberalistas se impuseram sobre as dos estatistas, na maior parte
do texto aprovado pelo Congresso. Disponível em
<http://www.helb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=32:
ldb-de-1961&catid=1035:1961&Itemid=2> acessado em 25/11/2014.

Foram necessários 13 anos de debate (1948 a 1961) para a aprovação da


primeira Lei de Diretrizes e Bases, a lei nº 4024 que regulamentava as Diretrizes e
Bases da Educação Nacional. O presidente João Goulart ainda vetou 25 artigos que
posteriormente receberam aprovação pelo congresso. O ensino religioso facultativo
nas escolas públicas foi um dos pontos de maior disputa para a aprovação da lei. O
pano de fundo era a separação entre o Estado e a Igreja

Segundo ROMANELLI, 1990:

“A LDB foi a oportunidade perdida de se criar um sistema educacional que


pudesse inserir-se no sistema geral de produção do país em consonância
com os progressos sociais já alcançados, entretanto nossa herança cultural
e política impediu a organização de um sistema educacional, que era
necessário à nossa sociedade”.

Para LIRA (2009):


As décadas de 60 e 70 foram caracterizadas por um incremento da
produtividade do trabalho, que era acompanhada por queda no padrão de
vida e das condições de trabalho ou insegurança ante a ameaça de
desemprego. A demanda por novos docentes serviu de justificativa para a
precarização de sua formação com a proliferação dos cursos de formação
de professores no segundo grau, tornado obrigatoriamente
“profissionalizante” mediante a instauração da lei nº 5.692/71, e as
licenciaturas curtas incentivadas na Reforma Universitária. A tradição do
ensino fundamental, como repassador de conteúdos estabelecidos nas
distantes instâncias produtoras do saber oficial, foi reforçada.

Final da década de oitenta, mais exatamente o ano era o de 1988. Ainda


sentido a presença do assombroso período militar, ainda não exorcizado, os
brasileiros passam a acostumar-se sob a égide da Constituição da Republica
Federativa do Brasil, proclamada na Câmara dos Deputados, em Brasília pelo
Presidente da Assembleia Nacional Constituinte o Deputado Ulisses Guimarães, em
5 de outubro de 1988.

Para entender o contexto desse tema, faz-se necessário, recordar um


pouco da história política contemporânea de nosso País, segundo SOUZA (2009):

O Brasil vivia desde 1964 sob o regime de ditadura militar, e após 1967 o
Brasil foi assolado por atos institucionais que diminuam as liberdades
individuais e as garantias fundamentais em nome da segurança nacional.

Afastada à oposição, do Congresso Nacional e sobre pressão militar foi


elaborada uma carta constitucional que legalizou a ditadura no período de
(1964 – 1985).

Dante de Oliveira, eleito deputado federal em 1982 pelo PMDB, apresenta


o projeto de emenda constitucional que estabelecia eleições diretas. No dia
2 de março de 1983 finalmente apresentaram a Proposta de Emenda
Constitucional n° 5.

Em 25 de abril de 1984, sob grande expectativa dos brasileiros, a emenda


das eleições diretas foi votada. Devido a uma manobra de políticos contra a
redemocratização do país, não compareceram 112 deputados ao plenário
da Câmara dos Deputados no dia da votação. A emenda foi rejeitada por
não alcançar o número mínimo de votos para a sua aprovação.

A mobilização popular, no entanto, força uma transição para a democracia,


Tancredo Neves é eleito presidente da República pelo Colégio Eleitoral, em
15 de janeiro de 1985. Tancredo adoece, não chega a tomar posse e morre
em 21 de abril. Seu vice, José Sarney assume a Presidência.

A última eleição indireta marca o fim do regime militar, mas a transição para
a democracia só se completa em 1988, no governo de José Sarney, com a
promulgação da nova Constituição brasileira.
5. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A
EDUCAÇÃO

Antecedendo o ano de 1988 existiam duas maneiras de se entender a


deficiência: uma estava ligada ao modelo médico e a outra ao modelo social. O
modelo médico considerava a deficiência como um problema do individuo e este
deveria se empenhar para reverter sua situação perante a sociedade. Já o modelo
social, surgiu na década de 1960 a partir de um movimento inglês intitulado de
Social Disability Movement em que levavam em conta as diferenças existentes no
seio da sociedade e acreditava que a deficiência era um produto da limitação do
próprio meio onde as pessoas conviviam.

A partir da nova Constituição, observa-se a preocupação em atribuir ao


Estado, à família e à sociedade, em conjunto, o dever de promover a educação em
todos os seus aspectos. Desta forma, entende-se, a importância de uma educação
que abarque não só o conhecimento técnico, mas que anteveja os desafios futuros
que um jovem adulto poderá enfrentar. A importância em se ter constituído esses
três agentes como os responsáveis pela promoção da educação está no fato de que
todos devem estar unidos para o cumprimento do papel que lhes foi outorgado, mas
que na ausência de um deles, o outro não permitirá que haja prejuízo ao educando.
Seguindo esta linha de pensamento, SEGALLA in LIMA & LIMA, 2012, afirma:

“Entende-se que o direito fundamental à educação deve ser visto como o


“direito dos direitos”, pois é através dele que temos condição de entender os outros
direitos e lutar por sua efetivação”.

No seu art. 208, inciso III, a Constituição da Republica Federativa do


Brasil de 1988 estabelece que: “O dever do Estado com a educação será efetivado
mediante a garantia de: atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. (BRASIL, 1988).
De acordo com este texto da Constituição observa-se que a função
daquelas instituições que exerciam o papel da escola, com a Constituição de 1988,
mudou e passou a ser oferecido como um complemento. Anteriormente, devido à
total ignorância acerca deste assunto, as crianças que apresentavam algum tipo de
deficiência eram separadas e tinham um plano de estudo diferenciado. Hoje, de
acordo com o artigo citado anteriormente, a educação deverá ser ofertada na
mesma escola dos ditos “normais”, ou seja, todos conviverão e receberão a mesma
educação, observando-se a capacidade de cada um.

Baseando-se no artigo supracitado LIMA & LIMA relatam:

“Para tratar a deficiência com naturalidade é preciso que desde a mais tenra
idade crianças diferentes estejam juntas, num ambiente acolhedor. A
infância é curiosa, é a época de descobrir o mundo desconhecido. Se os
pequenos perceberem desde cedo que nesse espaço cabem pessoas
diferentes, fica muito mais fácil a convivência com qualquer tipo de situação
na fase adulta, quando já estamos moldados e o mundo (aparentemente) já
está descoberto.”

De Acordo com PEREIRA, 2003, PÁG.7:

A década de 1990 foi marcada pela acentuada preocupação, em nível


mundial, ao direito à cidadania das pessoas portadoras de necessidades
especiais. Foram realizadas inúmeras convenções, resultando em
declarações como tentativa de assegurar o direito à cidadania das pessoas
portadoras de necessidades especiais. O Brasil foi levado a se posicionar
frente a essas pressões internacionais, sendo signatário de muitas dessas
declarações. Não significando que as recomendações internacionais
estivessem sendo efetivamente realizadas.

A filosofia da inclusão propõe uma educação de qualidade e igualitária a


todos, aceitando as diferenças individuais como atributo e não como obstáculo e
valorizando a diversidade para o enriquecimento das pessoas tendo isso declarado
em documentos chave como a Declaração de Salamanca, Carta para o Terceiro
Milênio, Convenção de Guatemala, Declaração das Pessoas Deficientes, Declaração
Internacional de Montreal sobre Inclusão, sendo decretos internacionais que
garantem a acessibilidade das pessoas com deficiência. No Brasil Leis como:
Constituição Federal de 1988, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional,
LDBN – Educação Especial, Estatuto da Criança e do Adolescente, Programa de
Complementação aos Atendimentos Educacionais Especializados às Pessoas
Portadoras de Deficiência, Plano Educacional de Educação - Educação Especial e
decretos como: Decreto nº2. 208/97 – Regulamenta Lei 9.394 que estabelece as
diretrizes e bases da educação nacional; Decreto nº3. 298/99 – Regulamenta a Lei
nº. 7.853/89; Decreto nº914/93 – Política Nacional para a Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência oferecem hoje uma oportunidade a mais para portadores
de deficiência.

A partir de nossa última Carta Magna têm-se algumas mudanças


significativas para as pessoas portadoras de deficiência tais como:

O salário mínimo para deficientes que não era ofertado para quem não
contribuía com a Previdência. Se uma pessoa se tornasse deficiente física ou
mental, a lei 6.179, de 1974, que criou a pensão mensal vitalícia lhe assegurava
meio salário mínimo. Para se habilitar, era preciso ter sido filiado à Previdência
Social por pelo menos um ano ou exercido atividade remunerada abrangida pela
Previdência. O inválido também precisava provar que não tinha mais condições de
exercer uma atividade remunerada, não era sustentado por ninguém nem mantinha
outros meios para garantir sua sobrevivência.

A Constituição de 1988 criou o Benefício da Prestação Continuada (BPC)


para deficientes físicos e mentais carentes. Pela primeira vez, era concedido um
salário mínimo para pessoas que nunca haviam contribuído com a Previdência. Para
se habilitar, é preciso ser incapacitado para o trabalho remunerado e ter renda
familiar per capital inferior a um salário mínimo.

As vagas para portadores de deficiência para o trabalho não havia


regulamentação até a Constituição de 1988 e após sua promulgação o Artigo 37º
estabeleceu a reserva de cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras
de deficiência. Os critérios foram definidos posteriormente.
Após o ano de 1988 algumas leis e decretos também foram criadas em
favor dos portadores de deficiência:

LEI Nº 7.853, DE 24 DE Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua


OUTUBRO DE 1989. integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da
Pessoa Portadora de Deficiência - Corde institui a tutela jurisdicional de
interesses coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do
Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.
LEI Nº 8.069, DE 13 DE Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras
JULHO DE 1990. providências.
LEI Nº 8.160, DE 8 DE Dispõe sobre a caracterização de símbolo que permita a identificação de
JANEIRO DE 1991 pessoas portadoras de deficiência auditiva.
LEI Nº 8.213, DE 24 DE Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras
JULHO DE 1991 providências.
LEI Nº 8.687, DE 20 DE Retira da incidência do Imposto de Renda benefícios percebidos por
JULHO DE 1993. deficientes mentais.
LEI Nº 8.742, DE 7 DE Dispõe sobre a organização da Assistência Social e dá outras
DEZEMBRO DE 1993. providências.
LEI Nº 8.686, DE 20 DE Dispõe sobre o reajustamento da pensão especial aos deficientes físicos
JULHO DE 1993 portadores da Síndrome de Talidomida, instituída pela Lei nº 7.070, de 20
de dezembro de 1982.
LEI Nº 8.899, DE 29 DE Concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema de
JUNHO DE 1994. transporte coletivo interestadual.

LEI Nº 8.989, DE 24 DE Dispõe sobre a Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI,
FEVEREIRO DE 1995. na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de
passageiros, bem como por pessoas portadoras de deficiência física, e dá
outras providências. (Redação dada pela Lei nº 10.754, de 31.10.2003).
LEI Nº 9.394, DE 20 DE Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
DEZEMBRO DE 1996.
LEI Nº 9.455, DE 07 DE Define os crimes de tortura e dá outras providências.
ABRIL DE 1997.
LEI Nº 9.602, DE 21 DE Dispõe sobre legislação de trânsito e dá outras providências.
JANEIRO DE 1998.
LEI Nº 9.777, DE 29 DE Altera os artigos. 132, 203 e 207 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
DEZEMBRO DE 1998. dezembro de 1940 - Código Penal.
DECRETO Nº 3.298, Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a
DE 20 DE DEZEMBRO Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência,
DE 1999. consolida as normas de proteção, e dá outras providências.
LEI No 10.098, DE 19 Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da
DE DEZEMBRO DE acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade
2000 reduzida, e dá outras providências.
LEI No 10.216, DE 06 Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
DE ABRIL DE 2001. transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.
LEI Nº 10.182 DE 12 Restaura a vigência da Lei n o 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que
DE FEVEREIRO DE dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
2001. na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de
passageiros e ao uso de portadores de deficiência física, reduz o imposto
de importação para os produtos que especifica, e dá outras providências.
Alterada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 .
LEI Nº 10.436, DE 24 Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras
DE ABRIL DE 2002. providências.
LEI No 10.845, DE 05 Institui o Programa de Complementação ao Atendimento Educacional
DE MARÇO DE 2004. Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras
providências.
DECRETO Nº 5.296 DE Regulamenta as Leis nos 10.048, de 08 de novembro de 2000, que dá
02 DE DEZEMBRO DE prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de
2004 dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para
a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou
com mobilidade reduzida, e dá outras providências.
LEI No 11.096, DE 13 Institui o Programa Universidade para Todos - PROUNI regula a atuação
DE JANEIRO DE 2005. de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior; altera
a Lei no 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências.
LEI Nº 11.126, DE 27 Dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e
DE JUNHO DE 2005. permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.
LEI Nº 11.133, DE 14 Institui o Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
DE JULHO DE 2005.
DECRETO Nº 5.626, Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a
DE 22 DE DEZEMBRO Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de
DE 2005. dezembro de 2000.
DECRETO Nº 6.214, Regulamenta o benefício de prestação continuada da assistência social
DE 26 DE SETEMBRO devido à pessoa com deficiência e ao idoso de que trata a Lei no 8.742,
DE 2007. de 7 de dezembro de 1993, e a Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003,
acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999,
e dá outras providências.
LEI Nº 11.788, DE 25 Dispõe sobre o estágio de estudantes; altera a redação do art. 428 da
DE SETEMBRO DE Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no
2008. 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de
1996; revoga as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de
23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20
de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.164-41, de
24 de agosto de 2001; e dá outras providências.
LEI Nº 12.008, DE 29 Altera os artigos. 1.211-A, 1.211-B e 1.211-C da Lei no 5.869, de 11 de
DE JULHO DE 2009. janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, e acrescenta o art. 69-A à Lei
no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo
no âmbito da administração pública federal, a fim de estender a prioridade
na tramitação de procedimentos judiciais e administrativos às pessoas
que especifica.
RESOLUÇÃO Nº4, DE Instituiu Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional
02 DE OUTUBRO DE Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial.
2009.
DECRETO Nº 7.612, Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Plano
DE 17 DE NOVEMBRO Viver sem Limite.
DE 2011.
LEI Nº 12.764, DE 27 Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com
DE DEZEMBRO DE Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112,
2012. de 11 de dezembro de 1990.
LEI Nº 12.796, DE 04 Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
DE ABRIL DE 2013. diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação
dos profissionais da educação e dar outras providências.
LEI COMPLEMENTAR Regulamenta o § 1o do art. 201 da Constituição Federal, no tocante à
Nº 142, DE 08 DE aposentadoria da pessoa com deficiência segurada do Regime Geral de
MAIO DE 2013 Previdência Social - RGPS.
DECRETO Nº 8.145, Altera o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo
DE 03 DE DEZEMBRO Decreto no 3.048, de 06 de maio de 1999, para dispor sobre a
DE 2013. aposentadoria por tempo de contribuição e por idade da pessoa com
deficiência.
6. DISCUSSÃO

De acordo com resultados obtidos através da pesquisa bibliográfica pode-


se interpretar de forma triste que toda pessoa deficiente desde o mais remoto tempo
em que a humanidade passou a fazer seus registros esteve sempre à margem de
sua sociedade. Fica difícil entender com os olhos e de acordo com os
conhecimentos que temos hoje, como as pessoas abandonavam seus filhos a
própria sorte. Todavia, se adentrarmos no contexto daquele tempo qual ser humano
com alguma deficiência física poderia sobreviver em condições de vida tão
subumanas se comparadas as de hoje? Eram trabalhos braçais que exigiam tanto
do físico quanto do mental do ser humano. Existem exemplos fatídicos em que as
grandes civilizações, conhecidas como berço da humanidade, foram as que
iniciaram este tipo de exclusão, tanto acreditando que a deficiência era um castigo
divino ou ainda tendo total liberdade e amparados por lei de excluir seus filhos por
definitivo desta vida ou ainda vendendo-os para casas de prostituição ou ainda para
entretenimento de pessoas ricas de sua época.

Esta leitura de realidade perdurou por toda a Idade Antiga e Média vindo
a apresentar uma pequena, mas, significativa mudança a partir do século XVI
quando se tem relatos da iniciativa na educação de surdos e pessoas cegas na
Europa. Já nos estudos bibliográficos em relação ao Novo Mundo, mais
precisamente da América do Norte, verificou-se uma preocupação com os inválidos
da guerra civil norte-americana, século XIX, ocorrida no ano de 1861. Pode-se
atestar aqui que a preocupação maior era com os mutilados e cegos desta guerra
não tendo relatos de outros tipos de atendimentos em estabelecimentos oficiais
americanos.

Esses fatos evidenciam um pouco da história no trato com seus


deficientes fora do Brasil já que este conta com escassos registros em seu pouco
mais de meio século de história. Biografia esta nem tão bonita ou chamativa por ter
heróis, pelo contrário, em tão pouco tempo de existência nosso país conta com
relatos de muitas tragédias não por seu povo original, os índios, que ao se
enfrentarem acabavam adquirindo marcas de guerras, mas era uma cultura própria
não incutida por brancos que ao chegarem nestas terras puderam verificar esta
verdade. Estes por sua vez, introduzidos de forma indesejada nesta terra de pele
vermelha, trouxeram consigo a ganancia de possuir aquilo que eles achavam que
podiam ter e para isto começaram seu massacre com os índios e adquirindo negros
escravos através do tráfico. Os negros retirados de sua pátria eram trazidos para
além-mar através de navios que não lhe ofereciam condições digna de higiene ou
ainda compaixão alguma vindo muitas das vezes a morrer com síndromes
carênciais, consequência de uma má alimentação, e seus corpos, provavelmente,
jogados ao mar, sem destino e sem sepultura. E aqueles que conseguissem chegar
aqui com vida tornavam-se escravos de alguém nunca visto antes e tentando lutar
por sua liberdade tornavam-se objetos marcados com as siglas de seus donos ou
ainda mutilados ou cegos para mostrar aos outros o poderio de um senhor
simplesmente humano. Ainda na história de nossas deficiências encontramos o
fantasma da lepra que assolava a todos, pobres e ricos, aos que eram submetidos e
se exilarem de suas famílias. Aos pobres provavelmente tornar-se-iam mendigos
largados a sua própria sorte para não contaminar o restante da família e aos ricos
estes talvez, pudessem ficar isolados, contudo com algumas regalias que seu poder
aquisitivo os proporcionasse.

Em meio a este mar de tragédias emergem alguns pontos de luz em


nossa história, como a criação de instituições para Meninos Cegos e também para
Surdos-Mudos no século XIX e em meados do século XX a Sociedade Pestalozzi e a
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais mais conhecida como APAE,
apontando o que poderia ser o início da construção de uma nova página na história
dos deficientes em nosso país. Mas antes realmente de escrever uma nova página
na história dos deficientes é necessário nos atermos ainda ao século XIX visto que
muitos relatos bibliográficos remetem apenas as experiências educacionais dos
cegos e surdos-mudos. Todavia, àqueles que lhe faltava o juízo no sentido literal da
palavra, restava tão somente os asilos e manicômios. E isto para aqueles que
pertenciam à família que possuía posses, porque aos pobres, continuavam
trancafiados em seus quartos, sempre dentro de casa. Foram tratados como loucos,
bruxos, demônios, seres encantados. Toda espécie de crendice popular ou
encunhada pela igreja lhes era incutida. Não raro na história haverem as inquisições
e tantas pessoas mortas vítimas da falta de conhecimento ou de amor ao próximo.

A história parece tomar um rumo diferente após a construção de hospitais


psiquiátricos pelo país, todavia ainda temos doentes e deficientes mentais juntos, e
mais uma vez, quem pode pagar mais tem melhores tratamentos mesmo dentro de
uma instituição de saúde.

Partindo do universo médico, porque estes estando mais perto deste tipo
de clientela e estudando-os mais profundamente temos sempre profissionais desta
área dirigindo instituições com características educacionais, passou-se a analisar as
Constituições Federais ao longo do período histórico descrito (1824 – 1988) e pode-
se perceber que nem sempre o interesse pela educação esteve tão explicita ou
organizada como em nossa última Carta Magna.

As Constituições de 1824 e 1891, falavam de educação, como ela poderia


ser e da criação de escolas, porem não deixava claro se todos poderiam estudar
nelas. É nesse enredo que surge o movimento da Escola Nova reivindicando o
direito de educação para todos, sendo-o consolidado no século XX, na CF de 1934,
onde se tem garantido na lei o direito à educação estendida a todos podendo ser
oferecida tanto pela família como pelos poderes públicos. Entende-se aqui, família
como aquela que novamente pudesse pagar por este benefício, e pelo fato de a
sociedade da época ainda encontrar-se fechada para os direitos femininos, estas,
deveriam ser educadas no lar e para o lar. Todavia a própria lei impõe limites no que
diz respeito à condição para matrícula, pois esta era feita por meio de provas e
apenas os inteligentes estariam aptos para os estudos ficando de fora obviamente
todos aqueles que não são inteligentes. É neste ponto que a exclusão encontra-se
nitidamente registrada nas páginas de nossa história.

A Constituição subsequente, 1937, não traz tantas modificações, mas,


seu artigo 129 deixa claro que para aqueles que não puderem pagar uma educação
em instituição particular, o Estado deve suprir esta carência. Ou seja, vemos aqui um
divisor de águas na educação. De um lado os ricos com uma educação privilegiada
e do outro os pobres com o que sobrou para eles.
Na Constituição Federal de 1946, temos o que se pode considerar um
salto para o futuro, pois é a primeira até agora a falar de princípios para educação e
a conferir competência à União para redigir uma lei em que estivessem descritas as
orientações para as diretrizes e bases da educação do país. Ou seja, esta
Constituição permitiu que a educação tivesse uma legislação própria.

O fato de se ter nas mãos uma legislação que amparava legalmente a


educação a possuir por escrito seus direitos e deveres, essa conquista não foi fácil
de ser realizada. Perdurou por treze anos em meio a lutas de classes e partidos no
congresso. Todavia após muitas discussões o texto da primeira lei que traria as
Diretrizes e Bases da Educação de nosso país estava pronto e num contexto
conflituoso não poderíamos esperar muito que a educação para os deficientes fosse
comtemplada logo em primeira linha. Apresentava apenas dois artigos, no primeiro
talvez, ainda se expressa o desejo de uma sociedade mais acolhedora no que
descreve a educação com o fim de integra-los à comunidade. Mas no restante da lei
nada mais era escrito ou apresentava orientações para como alcançar esta
finalidade. A segunda LDB foi mais singela ainda com esta clientela tão carente de
orientação. Em seu único artigo que menciona a educação para alunos
excepcionais, nos diz apenas que os que apresentam deficiência física ou mental ou
os superdotados merecem tratamento especial. Somente após quinze anos de muita
reflexão e de alguns movimentos populares e que nossa história começa a mudar.

No ano de 1988 é promulgada a nova Constituição da Republica


Federativa do Brasil e com ela um capítulo inteiro dedicado à educação
proporcionando meios para se realizar uma nova reforma na lei de Diretrizes e
Bases da educação brasileira. Com esta, existe um capítulo inteiro dedicado à
Educação Especial.

Todavia compreende-se após as leituras bibliográficas para a pesquisa


deste tema que apenas as LDBs existentes até o momento não deram conta da
clientela tão carente de informações sobre o tema. A LDB é classificada como a
única lei que o profissional escolar precise conhecer ou na pior das hipóteses é
realmente a única que ele conhece. Ao longo da pesquisa pode-se perceber ainda
que existe uma gama de conhecimentos disponíveis em órgãos oficiais da educação
nacional que podem ser úteis aos profissionais no exercício de sua profissão dentro
do ambiente escolar. Percebe-se ainda que nossa tão querida LDB necessite de
aperfeiçoamentos talvez agora no que diz respeito à formação do docente como
realmente especialista na área de Educação Especial, pois dizer que a criança
especial será atendida dentro da escola regular não significa dizer que ela terá seus
direitos educacionais garantidos. É preciso que as leis existentes no país estejam
disponíveis ao alcance dos profissionais desta área educacional.
7.CONCLUSÕES:

Apesar de várias leis que amparam e orientam as pessoas com


deficiência coexistirem com a LDB, compreender e saber realmente quais são os
seus direitos não é uma tarefa fácil em nosso país.

Poderia se orientar melhor os profissionais especialistas nesta área ou


haver melhor divulgação de cursos do governo federal neste sentido.

Já existem vários estudos e orientações para as pessoas com deficiências


física, mental, auditiva ou visual, porém nota-se ainda a escassez de estudos
educacionais que possam amparar o profissional quanto à deficiência mental.
8. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS E WEBGRAFIA

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9.1. DOCUMENTOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS DAS PESSOAS


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2007.

DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE AGOSTO DE 2009.

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• Carta para o Terceiro Milênio.

Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/carta_milenio.pdf> acessado em
12/01/2015.

• Declaração de Salamanca.

Dispõe sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades


Educativas Especiais.

Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf> acessado em
12/01/2015.

• Conferência Internacional para o Trabalho.


Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/confer_trab.pdf> acessado em
12/01/2015.

• Convenção de Guatemala.

Disponível em
<http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12716&Ite
mid=863> acessado em 12/01/2015.

• Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes.

Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec_def.pdf>
acessado em 12/01/2015.

• Declaração Internacional de Montreal sobre Inclusão

Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec_inclu.pdf>
acessado em 12/01/2015.

9.2. LINKS IMPORTANTES

http://portal.inep.gov.br/web/educacenso/educacao-especial

http://www.ibc.gov.br/?itemid=82

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12716&Item
id=863

http://www2.camara.leg.br/responsabilidade-social/acessibilidade/legislacao-
pdf/legislacao-brasileira-sobre-pessoas-portadoras-de-deficiencia

http://www.bengalalegal.com/100livros#p6 ( este site traz uma reunião de livros de


vários gêneros literários mas de alguma forma ligada a deficiência).

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