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POLÍTICA, MEMÓRIA E JUVENTUDE

G T – 0 2 : C O M P O RTA M E N TO P O L Í T I C O
INTRODUÇÃO

Em linhas gerais, este trabalho tem como tema principal, dentro de uma perspectiva
antropológica, a relação dos jovens de Porecatu (local onde se realiza este
projeto) com a política, assim como a memória dos senhores aposentados que se
reúnem diariamente na praça central para discutir política.
JUSTIFICATIVA

A relevância de um estudo de antropologia política, em geral, vai muito além do


universo acadêmico, pois somente por meio deste é que conseguimos compreender
símbolos políticos que muitas vezes passam despercebidos por pessoas que vivem
neste meio (como políticos, intelectuais), mas que podem ser determinantes na
formação de uma cultura política de um grupo ou indivíduo.
Portanto, é de suma importância em um estudo político e cultural de caráter (a priori)
não institucional que se tente dar sentido às palavras, sentimentos, ações e ideias
que para muitos seriam irrelevantes. Assim sendo, neste trabalho em específico,
esses símbolos a serem estudados são referentes aos jovens e aos aposentados de
Porecatu, de modo a tentar definir um paralelo entre ambos os setores e descobrir
o que mudou em relação aos costumes, ideologias, ações e sentimentos em relação
à política ao passar dos anos, bem como relacionar os fatores políticos externos
com essas mudanças. No entanto, antes de tudo é preciso descobrir o que a palavra
política significa tanto para um, quanto para outro.
PROBLEMA

O que é política para o jovem e o aposentado de Porecatu e, a partir disso, como


estes setores se sentem, se identificam e se relacionam com a política?
HIPÓTESE

Partindo de observações já realizadas em campo, é possível definir algumas


hipóteses para guiar este projeto, tais como serão descritas aqui.
Aparentemente a política aparenta ser um tema bastante disseminado na cidade
de Porecatu. No entanto, após a realização de algumas entrevistas, alguns espaços
específicos foram aparecendo, como o Bar do Garrido e a Praça Central. O
primeiro ambiente localiza-se em uma esquina que fica entre a Prefeitura e a
praça, de modo que este se torna, ao anoitecer, um ponto de encontro das pessoas
da cidade e, majoritariamente, da juventude. Como a sua localização é de fácil
acesso para os membros da prefeitura, é no bar que as notícias da Prefeitura
chegam primeiro e começam a ser discutidas. Parece-me que quem dá a linha do
debate, no entanto, não são os jovens, mas sim os parlamentares e funcionários
mais velhos do bar, que incentivam os jovens a debaterem assuntos políticos de
forma “amigável”, tendendo não a problematizar, mas sim a achar soluções para
problemas que já estão aparentes.
Em contrapartida, do lado oposto do Bar do Garrido, encontram-se diariamente alguns
senhores aposentados (ex-funcionários da Usina) com o objetivo de conversar durante
as tardes enquanto suas mulheres fazem tarefas domésticas. O assunto mais discutido
por eles também é a política, mas não do mesmo jeito dos primeiros. Os aposentados
frequentadores da praça se ocupam em discutir política de modo mais “opositor”,
fazendo críticas fundamentadas em números e dados e revelando terem um forte
posicionamento e engajamento político. Orgulham-se ao contar um episódio em que
fazem um vereador sair correndo (literalmente) da praça. Apesar das divergências até
aqui notadas, um ponto em comum é a forma como tratam de política, que é a forma
tradicional institucional e partidária que habita o senso comum brasileiro.
Deste modo, uma hipótese a ser levantada no primeiro momento é que enquanto para
os jovens a política é assunto de “mesa de bar” e só vale a pena uma movimentação
mais a fundo quando é incentivada por alguém com mais experiência no assunto, para
os aposentados é um tema de bastante importância, pois se reúnem cotidianamente
com o objetivo de debater e levantar dados para fazer críticas com propriedade na fala.
OBJETIVOS

Objetivo geral:
Identificar o que é política para os jovens e os aposentados que frequentam as
proximidades da Praça Central de Porecatu e a partir disso fazer um
comparativo das duas concepções.
Objetivos específicos:
Investigar sobre o que os jovens que frequentam o Bar do Garrido falam quando
discutem sobre política, observar qual é o sentimento geral quando este é o tema
da conversa e como reagem e se posicionam em relação ao que entendem por
política.
Do mesmo modo identificar os fatores acima citados entre os aposentados que se
reúnem na praça diariamente para discutir política, para então traçar um
comparativo entre as duas percepções.
CAMINHO TEÓRICO

O caminho teórico a ser seguido neste projeto será uma adaptação do que foi
proposto por Almond e Verba quando usaram pela primeira vez o termo Cultura
Política (1963), relembrado recentemente por Karina Kuschnir e Leandro Piquet
Carneiro.
Para Almond e Verba, o objeto pode ser estudado a partir de duas dimensões. A
primeira diz respeito aos tipos de orientação com relação aos objetos políticos,
são elas: orientações cognitivas ( conhecimentos e crenças relativas à política),
orientações afetivas (sentimentos dos indivíduos com relação à política) e
orientações avaliativas ( julgamentos e opiniões).
A segunda dimensão tem relação com o tipo de objeto político ao qual se destinam
essas orientações acima e, entre os tipos que os autores classificam, o que mais
convém utilizar neste projeto é “trabalhar a percepção do sujeito como ator
político”.
METODOLOGIA

Nesta pesquisa serão utilizados como método: entrevistas, conversas informais,


questionários semiabertos e, posteriormente, a realização de grupos de debate
para aprofundar a discussão em grupo e observar se o comportamento,
linguagem, atitude e posição dos entrevistados mudam nestes espaços.
BIBLIOGRAFIA

GOLDMAN, Marcio. Os tambores dos mortos e os tambores dos vivos. Etnografia,


antropologia e política em Ilhéus, Bahia.
KUSCHNIR, Karina. Antropologia e Política. Revista Brasileira de Ciências Sociais
– Vol. 22, N.º 64.
KUSCHNIR, Karina; CARNEIRO, Leandro Piquet. As Dimensões Subjetivas da
política: Cultura Política e Antropologia da Política.