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Direito Financeiro

O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários
e na jurisprudência dos Tribunais.

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Sumário
1. Receita pública (continuação) ................................................................................ 3
1.1 Renúncia de receita .......................................................................................... 3
2. Despesa pública ...................................................................................................... 5
2.1 Classificações .................................................................................................... 5
2.1.1 Subclassificação ........................................................................................... 6
2.2 Despesas de capital – espécies ......................................................................... 8
2.3 Questões ......................................................................................................... 11
2.4 Fases da despesa pública ................................................................................ 11
2.5 Restos a pagar ................................................................................................. 13
3. Precatórios ............................................................................................................ 14
3.1 Procedimento ................................................................................................. 15
3.2 Espécies ........................................................................................................... 17
3.3 Regime dos precatórios .................................................................................. 18
4. Considerações finais ............................................................................................. 21

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Estamos de volta com a nossa terceira aula de direito financeiro onde estávamos
analisando a receita pública.
1. Receita pública (continuação)
Vimos a responsabilidade na arrecadação de todos os tributos, que é penalizado
quanto a não observância da arrecadação dos impostos, a distinção, aquela pegadinha de
prova que vimos na aula passada e agora vamos continuar, dentro das receitas públicas,
analisando a renúncia de receita.
1.1 Renúncia de receita
O conceito legal de renúncia de receita se encontra no artigo 14 da LRF e é qualquer
benefício fiscal que gere tratamento diferenciado.
LRF, Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária
da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto
orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes,
atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes
condições: (Vide Medida Provisória nº 2.159, de 2001) (Vide Lei nº 10.276, de 2001)
I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de
receita da lei orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de
resultados fiscais previstas no anexo próprio da lei de diretrizes orçamentárias;
II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado
no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevação de alíquotas,
ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição.
§ 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido,
concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base
de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros
benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.
§ 2o Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata
o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em
vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso.
§ 3o O disposto neste artigo não se aplica:
I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153
da Constituição, na forma do seu § 1º;
II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos
de cobrança.

A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio presumido, concessão de ISENÇÃO


SEM CARÁTER NÃO GERAL, alteração de alíquota ou BC que implique redução discriminada
de tributos e outros benefícios que correspondam a TRATAMENTO DIFERENCIADO.
Assim, é sempre o tratamento diferenciado que caracteriza a renúncia fiscal, como,
por exemplo, os famosos créditos presumidos milionários que foram dados para a JBS.
E como o gestor pode fazer isso? Pode fazer para estimular o setor produtivo, mas isso
vai obedecer uma série de requisitos e restrições da LRF:
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• Estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva iniciar


sua vigência e nos 2 seguintes (3 anos);
• Atender ao disposto na LDO;
• Alternativamente: (i) comprovar que NÃO afetará metas fiscais OU (ii) medidas de
compensação por aumento de receita tributária no exercício que entrar + 2 anos
(3 anos)
Em primeiro lugar, para você fazer uma renúncia de receitas, precisa fazer uma
estimativa trienal. Então, o impacto orçamentário desse ano e dos seguintes, totalizando 3
anos, sobre os efeitos dessa renúncia no erário.
Além disso, essa renúncia fiscal tem que atender à LDO, não pode contrariar as metas
da LDO e outras normas previstas.
E, por último, essa renúncia fiscal, comprovadamente, ou não pode afetar as metas
fiscais porque já foram consideradas nessas metas, ou vai ter que ser compensada pelo
aumento de receita tributária em todos os exercícios.
Nesse caso que ela precisa ser compensada, ela só vai entrar em vigor depois de ser
compensada.
A ideia por trás disso é impedir a concessão irresponsável de benefícios fiscais de forma
discriminada, de forma individual. Então, o governo até pode fazer isso, mas fará se comprovar
um bom motivo para fazê-lo e, no âmbito da LRF, comprovar que essa renúncia não vai
prejudicar a execução orçamentária ou as estimativas, as metas da LDO e tudo mais.
Tendo que obedecer tudo isso, o gestor acaba fazendo uma gestão fiscal mais proba.
Veja que, historicamente, o gestor não costuma colocar lá na ponta do lápis o prejuízo ou
roubo que vai gerar um benefício fiscal, mas a LRF quer corrigir esse vício histórico e fazer o
gestor fazer as contas.
Essa é a ideia dos requisitos da renúncia de receita.
Contudo, essa renúncia de receita terá dois casos que não se aplica.
Não será aplicado esses requisitos quando a renúncia de receitas se der por meio de
alteração da alíquota de impostos extrafiscais. Impostos extrafiscais são aqueles impostos que
a função regulatória do tributo na sociedade, na economia, é mais importante do que a
arrecadação que ele traz.
Como impostos extrafiscais temos o Imposto de Importação, Imposta de Exportação,
IPI e o IOF. São todos titularizados pela União mais como uma forma de controlar, regular a
economia do que para ganhar dinheiro.
Outra exceção aos requisitos da renúncia de receita é o cancelamento de débito cujo
custo de cobrança exceda o seu valor. Se para cobrar uma multa de trânsito de 150 reais o
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Estado vai gastar 1500 é melhor nem cobrar pois essa cobrança atentaria contra o princípio
da economicidade dos orçamentos, pelo qual ele tem que fazer aquela relação entre custo e
benefício na valoração de suas condutas.
Nesse caso, ele vai poder cancelar sem cumprir aquele tanto de requisito que a lei
prevê.
Finalizamos o tema receita pública. Já vimos receita, já vimos orçamento, agora
veremos o terceiro tripé da grande mesa que é o direito financeiro. Lembre-se da primeira
aula, onde dissemos que o direito financeiro é uma mesa com 4 tripés: orçamento (que já
vimos), receita (já vimos), e agora veremos despesa. O outro tripé é o crédito público e a
fiscalização, que ficará no material complementar.
2. Despesa pública
Despesa pública é o dispêndio do público, é o dispêndio de recursos públicos que o
Estado se vale para alcançar a satisfação de necessidades públicas. Então, é um gasto de
recursos públicos de um modo geral.
Mais importante que o conceito, é a gente aprender as classificações da despesa
pública pois cai muito no concurso.
2.1 Classificações
A primeira delas é a classificação em despesas orçamentárias e despesas
extraorçamentárias.
A despesa orçamentária é aquela que consta no orçamento, está prevista no
orçamento e a extraorçamentária não está prevista no orçamento.
E o princípio da universalidade? Não foi dito na primeira aula que todas as receitas e
todas as despesas devem estar previstas na LOA? Sim, e de fato isso é verdade, mas, todas as
receitas e despesas em sentido estrito.
Há despesas que estão relacionadas com uma simples devolução de numerários que,
na verdade, nunca pertenceram ao Estado, não foram receitas definitivas. Lembra quando
falamos de receita em sentido amplo e receita em sentido restrito? Essa classificação é mais
ou menos simétrica porque a despesa extraorçamentária, como regra, é uma simples
devolução de um mero ingresso provisório, de uma mera receita em sentido amplo.
Então, lembrando do caso da caução, da garantia. Quando entra aqueles 300 mil reais
da garantia você lança essa entrada só que não joga o lançamento como uma receita
definitiva, é uma mera entrada. Na hora em que você devolve essa caução para o licitante,
para o contratado, você está realizando uma despesa extraorçamentária, que é uma despesa
que não está prevista no orçamento, ela não é feita com recursos orçamentários.

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Mais importante que essa classificação, é a classificação da despesa em despesas


correntes e despesas de capital.
Novamente, essa classificação é simétrica com a classificação que você viu das receitas
entre receitas correntes e de capital. Só que nesse caso aqui, o legislador teve o cuidado de
definir uma e outra, especificou um pouco mais detalhado quais são as suas hipóteses e seus
exemplos.
As despesas correntes estão ligadas com a manutenção da máquina pública. Despesa
corrente é o que ela usa para manter a máquina pública funcionando – pagamento de
servidor, contratação de papel, etc.
Já despesas de capital são aquelas despesas que representam uma aquisição
patrimonial ou uma redução de dívida.
Veja, a despesa corrente efetivamente diminui o patrimônio líquido do ente, enquanto
a despesa de capital se dá meramente como uma permutação do patrimônio. É o mesmo
fenômeno que vimos em receita pública.
Uma despesa de capital, por exemplo, é a compra de um imóvel. Ele tinha 100 milhões
em caixa, transformou em um imóvel que vale 100 milhões → houve uma permutação dos
ativos e não houve uma redução efetiva do patrimônio líquido do ente.
Pense, são dois lados da mesma moeda: receita corrente e receita de capital X despesa
corrente e despesa de capital. Então, a mesma lógica se aplica aqui.
Aqui o legislador prevê várias subespécies e se pergunta muito nos concursos sobre
elas.
2.1.1 Subclassificação
As despesas correntes são subdivididas em despesas de custeio, que são aquelas que
mantêm os serviços já criados e as transferências correntes, que são dotações para despesas
as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços.
Despesa de custeio, o que é um serviço já criado? Imagina a Polícia Federal, o serviço
de segurança pública já criado e, para ele funcionar você tem que pagar os servidores, os
delegados, comprar munição, bens de consumo para permitir o funcionamento daquele
serviço. Você tem que contratar terceiros eventualmente, como por exemplo, para fazer uma
pequena reforma na fachada da delegacia.
Veja que nas despesas de custeio sempre há uma contraprestação direta, ou seja, é
quando você dá alguma coisa para receber outra. Então, você paga o delegado de polícia para
ele trabalhar, você paga o fornecedor de munição para você ter munição para colocar em suas
pistolas. Nas despesas de custeio sempre há contraprestação que é, nada mais, nada menos,
um sinalagma, que você conhece lá do direito civil.

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Lembre-se: Sinalagma é aquela bilateralidade própria dos contratos


contraprestacionais – você dá uma coisa e recebe outra.
Na transferência corrente não tem sinalagma, não tem essa contraprestação direta,
não tem troca-troca. Na transferência corrente o Estado vai dar algo e não vai esperar nada
em troca, por exemplo, pagamento de inativos, de aposentados. O Estado paga o inativo e,
em troca, nada. Ele paga os inativos e o aposentado pega os proventos dele e vai fazer o que
quiser, vai pescar, vai ver sessão da tarde, não dá nada em troca para o Estado.
Diferente do delegado – o delegado federal vai ganhar o salário dele somente se
estiver indo trabalhar, ou seja, despesa de custeio tem sinalagma e despesa corrente não tem
sinalagma, não tem troca-troca.
Vale a pena olharmos os exemplos que a lei traz de despesas de custeio e de despesas
de capital.
Despesas de custeio:
- pessoal civil (pagamento de delegado)
- pessoal militar
- material de consumo (balas do revolver)
- serviços de terceiros (reformar fachada)
- encargos diversos
Transferências correntes:
- subvenções sociais
- subvenções econômicas
- inativos e pensionistas
- salário família e abono família
- juros da dívida pública
- contribuições previdenciárias
Observe INATIVOS, que foi o exemplo que a gente deu.
Subvenções, veja que quando o Estado dá dinheiro para uma ONG alfabetizar crianças
carentes, o Estado não está ganhando uma contraprestação direta, o Estado fomenta a ONG
para ela prestar esse serviço de utilidade pública-educacional, mas, quem vai ganhar direto é
aquela criança carente. O Estado vai ganhar somente de forma indireta esse benefício da
educação.

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Mas, veja bem, na subvenção ele dá o dinheiro para fomentar, mas não ganha algo em
troca. Diferente de você pagar alguém para consertar a sua fachada; diferente de você pagar
o delegado para ele trabalhar.
E os juros da dívida pública, não tem contraprestação? Você não paga os juros porque
você pegou empréstimo? Do ponto de vista fatual, do ponto de vista da realidade, sim. Mas,
juridicamente, não.
Lembre-se que o mútuo é um contrato de formação real, ou seja, é aquele que se
aperfeiçoa no momento em que você dá a res, no momento em que você dá a coisa. Assim, o
mútuo só se forma depois que você entrega o dinheiro.
Supondo que eu te empreste 5 mil reais e depois você vai me pagar esses 5 mil reais
com juros daqui a um ano. Se a gente conversou isso ou escreveu um contrato, o mútuo ainda
não existe, ele ainda não se aperfeiçoou. Ele só vai se aperfeiçoar quando eu transferir para
você ou trazer uma maleta com 5 mil reais e colocar na sua mão. A partir de então existe um
contrato de mútuo.
Contudo, o mútuo vai regular só as relações pós entrega do dinheiro. Então, na
verdade, o mútuo é um contrato unilateral, ele gera obrigação só para o mutuário, só para o
beneficiário do mútuo. Eu te entreguei os 5 mil e, como o contrato formou só depois que eu
te entreguei, só você tem a obrigação de pagar juros.
Assim, nesse aspecto jurídico, considerando a formação real do contrato, não há
sinalagma, não há troca-troca, você está me pagando juros e você vai me pagar o principal. Só
você está fazendo alguma coisa, não tem troca-troca.
Por isso, os juros da dívida pública estão nas transferências correntes.
2.2 Despesas de capital – espécies
O legislador prevê três espécies de despesa de capital: investimentos, inversões
financeiras e transferências de capital.
Nesse ponto o legislador definiu por exemplos, ele não falou exatamente o critério que
define, que diferencia a inversão do investimento.
Para as provas, a maioria dos candidatos prefere simplesmente tentar decorar as
hipóteses e funciona porque geralmente, ao menos em 1ª fase, o examinador vai querer
perguntar letra de lei. Mas, para nos garantirmos em 2ª fase ou uma questão mais elaborada,
investigaremos essa lógica por trás da classificação. Vejamos:
O investimento afeta a economia real. Ele acaba gerando um incremento no Produto
Interno Bruto do país. Isso porque o investimento, na ótica do legislador, exige a criação de
algo novo, ele desencadeia a produção de algo novo, ele cria algo novo.

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Basicamente, o investimento vai fazer uma compra ou vai adquirir algo que exige uma
produção de algo novo, um desencadeamento de um processo produtivo nos setores primário
ou secundário, na agricultura ou na indústria.
Já as inversões financeiras não vão afetar a economia real, não vão impactar no
produto interno bruto e estão relacionadas, via de regra, com a circulação de um bem já
existente sem afetar, então, sem exigir a produção de algo novo porque está só tratando de
um bem que já existe.
Imagina que você quer comprar um carro e resolve comprar uma BMW novinha no
pátio da concessionária. Na ótica do direito financeiro, comprar uma BMW novinha é um
investimento porque você está comprando um equipamento novo, um bem permanente novo
que exigiu a produção industrial daquele veículo. Quando você compra esse novo, a indústria
já vai lá produzir mais um para substituir aquela compra que você fez diretamente da
indústria, um bem novo.
E isso fomenta a economia real, aumenta o PIB porque exige uma implicação no
processo produtivo para criar algo novo.
Agora, supondo que você não compre a BMW e compre a brasília amarela de 1980 do
seu vizinho. Na ótica do direito financeiro, comprar uma brasília amarela, 1980, do seu vizinho
não é um investimento e sim uma inversão porque implica na circulação de um bem já
existente.
Você comprar essa brasília amarela não vai gerar, não vai implicar em um processo
produtivo novo, não vai fomentar a economia real porque a indústria não vai precisar criar
uma nova brasília porque você fez essa compra. É apenas a circulação de um bem que já existe,
um bem que já está lá no mercado e, por isso, não estimularia tanto a economia.
Se você observar os exemplos verá que essa lógica está bem implícita:
• Obra pública: obra pública é sempre algo novo, então você está criando um prédio
público novo, uma ponte, vai movimentar cimento para lá e para cá, a empreiteira,
vai fomentar a economia, vai exigir uma produção industrial.
• Equipamentos novos: a mesma coisa, o mesmo caso da BMW.
• Aumentar ou constituir uma empresa que não seja comercial ou financeira: isso
fomenta a economia real porque as empresas comerciais e financeiras, na ótica do
legislador, não impactariam muito na economia real porque elas estariam apenas
circulando bens já existentes e uma empresa que não for comercial ou financeira
será, fatalmente, industrial ou agrícola, setor primário e secundário, que exige, que
fomenta o PIB.
Já no ângulo das inversões:

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• Aquisição de bens ou imóveis em utilização: ou seja, o bem já existe, está só


circulando, igual a brasília de 1980.
• Ações de empresas: a ação já está lá, só mudou o acionista.
• Empresas que visam objetivos industriais ou financeiros: já explicamos acima a
lógica.
Por último, existem as transferências de capital, que é, basicamente, quando o ente
transfere dinheiro para custear inversões ou investimentos de outros entes ou, então,
amortiza o principal da dívida pública, isto é, porque na hora que ele amortiza o principal ele
perde caixa, mas ele perde também a dívida, ficando elas por elas. Essa despesa não altera o
patrimônio líquido, diferente dos juros que você está lá perdendo. Por isso que os juros é uma
transferência corrente e a amortização do principal é uma transferência de capital.
Exemplos em espécie da lei:
Investimentos (NOVA PRODUÇÃO):
• Obras públicas
• Serviços em programação especial
• Equipamentos e instalações
• Material permanente (+ de 2 anos)
• Empresas industriais ou agrícolas
Inversões Financeiras (APENAS CIRCULA):
• Aquisição de imóveis
• Empresas comerciais ou financeiras
• Aquisição de cotas/ações de empresa em funcionamento
• Constituição de fundos rotativos
• Concessão de empréstimos
• Diversas inversões financeiras
Veja como caiu em concurso esse critério:
(Procurador TCE/CE – FCC – 2015): “Nos termos da Lei nº 4.320/1964, as inversões
financeiras e os investimentos são despesas de capital que divergem, em síntese, porque
os investimentos geram serviços e, em consequência, podem aumentar o Produto Interno
Bruto – PIB, enquanto as inversões financeiras não geram serviços e, normalmente, não
incrementam o PIB”.
Correto. É a lógica que falamos de implicar ou não em desencadeamento do processo
industrial.

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2.3 Questões
TRF 4 – 2014: “Classificam-se como despesas de custeio as dotações para manutenção de
serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação
e adaptação de bens imóveis”.
Correto. Custeio mantém aquilo que já existe.

TRF 2 – 2013: “As despesas que caracterizam inversão financeira incluem a dotação para
aquisição de material permanente”.
Errado. Material permanente é um investimento porque, embora a lei não tenha dito
expressamente, pressupõe materiais novos, que desencadeiam um novo processo produtivo.
Até porque, se ela for adquirir bens já em utilização, aí sim será uma inversão financeira.

TRF 4 – 2014: “Incluem-se entre as inversões financeiras as dotações destinadas à


aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer
espécie, já constituídas, quando a operação não importar aumento do capital”.
Correto. Você comprar ação é uma inversão porque a ação já está lá, já existe, você
não está mudando a economia real.

2.4 Fases da despesa pública


As fases da despesa pública estão previstas do artigo 58 ao 64 da lei 4.320/64.
O que o gestor precisa para executar uma despesa? Em primeiro lugar, precisa de
autorização orçamentária. Não existe despesa legítima que não tenha sido autorizada na LOA
em consonância com o previsto na LDO e no PPA.
Tendo a previsão legal começa o processo interno de execução de despesa pública no
âmbito do Executivo e esse processo se dá em três passos: empenho, liquidação e pagamento.
O primeiro passo, o empenho, é o ato que cria a obrigação de pagamento para o ente
público. É o ato que reserva parcela do orçamento e afeta essa parcela ao pagamento dessa
despesa.
Por exemplo, o Município tem orçamento de 1 bilhão e quer construir 3 escolas – vai
gastar 50 milhões para isso. Dentro daquele 1 bilhão, quando ele faz o empenho, fala que vai
fazer as escolas, separa 50 milhões e deixa reservado para gastar na escola. Isso é o empenho,
que cria, em princípio, a obrigação de pagamento.
O empenho, essa separação do orçamento, pode ser feita de três formas: ordinária,
global ou por estimativa.

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O empenho ordinário, como o próprio nome diz, é aquele empenho comum, que serve
para a maioria das hipóteses. É, basicamente, você separar um montante do orçamento para
pagamento em parcela única, à vista.
O empenho global, contudo, é usado para você pagar de forma parcelada.
Supondo, vai construir aquelas três escolas. O empreiteiro vai receber em 10 vezes
conforme a execução de 10 etapas diferentes dentro daquela empreitada. Ele cumpre uma
etapa, ele recebe uma parcela – isso é o comum em obra pública. Nesse caso, o empenho será
feito de forma global – para pagamento de forma global.
Por último, o empenho pode ser feito por estimativa, que é o empenho usado em
hipóteses que não é possível precisar ou aferir a priori o valor a ser pago. Exemplo clássico
aqui é o pagamento de conta de luz. Você não sabe quanto vai pagar de conta de luz no fim
do mês, a administração também não sabe.
Como precisa ser autorizado antes, a administração não pode esperar incidir a despesa
para pagar, tem que se organizar, tem que planejar suas ações conforme o princípio da
programação. A administração vai fazer uma estimativa, uma média de gastos passados e
prever o gasto. Vai fazer um empenho por estimativa – pode ser que na hora dê valor maior
ou menor e aí ela vai ajustar com crédito suplementar ou com anulação parcial do empenho,
se exceder.
Assim, empenho é o ato que cria a obrigação do Estado, em princípio, reservando
parcela do orçamento e pode ser feito por essas três formas (ordinário, global ou por
estimativa).
O segundo passo é a liquidação, que é a verificação do direito adquirido do credor.
A administração vai analisar se o credor faz jus mesmo a receber aquele empenho,
aquela fração do orçamento que está separado.
Imagina esse exemplo da escola, vai construir três escolas. Se ele construir errado ou
não construir, muito embora já esteja empenhado, na hora da liquidação, na hora de verificar
se o contratado cumpriu o que prometeu, descobrimos que ele não fez direito ou está
incompleto, simplesmente, ele não vai receber o empenho.
Então, o empenho pode ser anulado na fase da liquidação. Se você verificar que ele
não cumpriu o devido, você pode emitir uma nota de anulação de empenho, que vai desafetar
aquela parcela do orçamento, aquela despesa, e vai voltar aquele recurso para o orçamento
em geral.
Por último, se você empenhar, liquidar e verificar que ele cumpriu certinho o
prometido, você pode pagar. Assim, o terceiro passo é o pagamento, ou seja, o despacho da

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autoridade competente determinando o pagamento. É o modo pelo qual a administração


entrega o recurso combinado.
Veja esse exemplo ilustrativo: imagina que o Município resolve comprar 100 ônibus
escolares novos, no valor de 30 milhões. Que tipo de despesa é essa? Comprar ônibus novos
é uma despesa de capital porque você está transformando dinheiro em patrimônio. E que
subespécie é essa? É uma despesa de capital subespécie de investimento porque você está
comprando ônibus novo, exigiu uma movimentação da economia para produzir aquele
ônibus, é um investimento, despesa de capital.
Vamos pensar, agora, nas três fases da despesa com base nesse exemplo. Em primeiro
lugar, o gestor vai empenhar, vai separar 30 milhões do orçamento e vai afetar o pagamento
desses ônibus, que serão entregues, vamos supor, em 60 dias.
Passam 60 dias, ele recebe os ônibus e analisa se os ônibus estão nas especificações
determinadas, se entregou no prazo, se o pneu está bom. Se estiver tudo ok ele vai dizer que
há direito adquirido – isso é a fase da liquidação da despesa, na qual se verifica o direito
adquirido do credor.
Verificado esse direito, a autoridade pode fazer a entrega dos recursos ao contratado,
que é o pagamento.
Essas são as fases da execução da despesa pública.
2.5 Restos a pagar
Restos a pagar são as despesas empenhadas, mas não pagas até o dia 31 de dezembro.
A ideia é o princípio da anualidade. O orçamento é anual. Pode ser que você tenha
previsto um monte de despesa para 2016, chegou 31 de dezembro e algumas você não
liquidou e nem pagou.
Essas despesas que você empenhou em 2016, mas não pagou, serão lançadas no
orçamento de 2017 sobre a rubrica “restos a pagar”. É uma forma de diálogo intertemporal
entre os orçamentos que se dá por meio dos restos a pagar.
Por isso, a lei define restos a pagar como as despesas empenhadas, mas não pagas até
o dia 31 de dezembro.
Esse resto a pagar pode ser de duas espécies, que serão melhor compreendidas
voltando a falar sobre as fases da despesa. Há o empenho, a liquidação e o pagamento. Todo
o resto a pagar é uma despesa empenhada, então, todo resto a pagar passou pela fase
“empenho”. Mas nenhum resto a pagar foi pago – se tivesse sido pago não seria resto a pagar.

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e na jurisprudência dos Tribunais.

Quanto a fase intermediária da liquidação a gente não sabe e, por isso, classificam-se
os restos a pagar em processados (aqueles que foram liquidados) e não processados (que são
aqueles que não foram liquidados).
Assim, duas espécies de restos a pagar: processados e não processados, conforme
tenha ocorrido liquidação ou não.
Encerramos, assim, as noções gerais da despesa pública e poderemos começar o tema
dos precatórios.
3. Precatórios
Você já ouviu antes e, possivelmente já viu isso em Constitucional ou Administrativo.
Mas, como o seu edital, na parte de direito financeiro, tem um ponto expresso falando de
precatório, falaremos aqui também, com um foco mais em direito financeiro.
Precatório é a forma privilegiada pelo qual as pessoas jurídicas de direito público
podem pagar os seus credores judicialmente. Na forma do artigo 100 da Constituição:
CF/Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital
e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem
cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida
a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais
abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de
2009). (Vide Emenda Constitucional nº 62, de 2009)
Para entendermos melhor o precatório, temos que comparar o jeito que você e eu
somos executados e o jeito que o Estado é executado. Se eu estou te devendo 3 mil reais e
não pago, você me executa, “me coloca no pau” e, no decorrer do processo, você vai provar
que eu estou te devendo e, no fim, essa execução vai cominar com uma determinação judicial
de penhora de meus bens. O juiz vai tirar meu patrimônio e entregar para você para satisfazer
o seu crédito. Em suma, vai poder pegar meus bens se eu não te pagar. Eu tenho que te pagar
por bem ou por mal.
Funciona assim com o Estado? Você já sabe que não. O Estado, em atenção ao princípio
da continuidade do serviço público, não pode ter seus bens penhorados, seus bens são
impenhoráveis. Então, já que você não pode penhorar o bem dele, você vai precisar de outro
jeito. Basicamente, se o Estado não te paga, você não vai poder chutar a porta do Estado do
Rio de Janeiro e penhorar uma viatura, por exemplo. Não pode. O bem dele é impenhorável.
Você pode entrar com uma ação judicial e ela vai cominar não na penhora, mas sim na
emissão de um precatório que é, nada mais, nada menos, uma decisão judicial que manda a
Fazenda incluir o valor que deve no próximo orçamento ou no orçamento subsequente.
E quem se vale, quem se beneficia dessa forma privilegiada de execução? As pessoas
jurídicas de direito público – a União, os Estados, Municípios, autarquias. Mas,

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excepcionalmente, o STF reconhece que, além das pessoas jurídicas de direito público,
também vai ser valer dos precatórios as estatais prestadoras de serviço público típico de
Estado em regime não concorrencial.
Assim, os beneficiários são as pessoas jurídicas de direito público e, excepcionalmente,
algumas pessoas de direito privado. Quais pessoas? Aquela estatal, ou seja, empresa pública
ou sociedade de economia mista, que preste serviço público típico de Estado e em regime não
concorrencial, cujo aferimento de lucro tenha mais em perspectiva o Estado, a coletividade,
do que o interesse dos acionistas ou dos sócios.
Um exemplo clássico é os Correios. Correios é uma empresa pública, então, uma
pessoa jurídica de direito privado, mas, por eles terem o monopólio do serviço postal, isso é
serviço público essencial, de maneira não concorrencial, eles poderão se valer do regime de
precatórios para pagar seus credores.
3.1 Procedimento
Precatório começa quando você “bate na porta do Judiciário” e consegue o
reconhecimento por sentença judicial transitada em julgado que o Estado, pessoa jurídica de
direito público ou equiparada, te deve.
Diante disso, o juiz vai mandar um ofício requisitório para o Presidente do Tribunal de
Justiça ou do TRF. O Presidente vai analisar a higidez daquela condenação, ver se está tudo
certo e vai expedir um precatório, que é, basicamente, uma cartinha, uma decisão judicial em
forma de carta, determinando que o Estado pague.
E pague quando? Pague no próximo orçamento. Coloque uma dotação em favor de
mim, Judiciário, que eu vou pagar esse credor. O Judiciário recebe essa dotação e começa a
pagar os credores.
Depois disso, é o próprio Presidente do Tribunal que fará o pagamento. Não é o
Executivo como muitas pessoas pensam. Se o Presidente do Tribunal não fizer esse
pagamento ou não mandar o precatório que deve mandar, ele vai responder por crime de
responsabilidade.
Outro ponto interessante é no caso da Fazenda não incluir o valor. A Fazenda tinha que
incluir o valor, se ela não incluir, ou preterir a ordem de quem deveria ser beneficiado, ela
estará sujeita a sequestro de verbas públicas. É uma sanção muito grave, vai permitir a
penhora de verbas públicas, sequestro de rendas públicas na fonte para pagar esse credor que
foi desrespeitado.
Outro e talvez o último ponto que devemos ressaltar é a inclusão no orçamento.
Quando ele inclui o valor no orçamento? Segundo a Constituição, se o precatório chegar na
Fazenda até 1º de julho, ele vai pagar no orçamento seguinte. Assim, chegou até 1º de julho

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desse ano, 2017, ele vai pagar em 2018. Chegou depois de 1º de julho de 2017, vai pagar
somente em 2019.
E por que a data 1º de julho? Simplesmente é uma data que, aos olhos do constituinte,
pareceu razoável para que o Executivo pudesse se planejar para o pagamento dos precatórios.
Como vimos lá atrás, o orçamento tem prazo. Então, o orçamento tem que ser enviado
pelo Executivo ao Legislativo até, no máximo, 31 de agosto. Se você pudesse apresentar
precatório até o dia 30 de agosto para pagar o ano que vem, seria uma confusão porque ele
já programou tudo, fez toda a sua programação orçamentária conforme o princípio da
programação e dia 30 de agosto aparece um precatório de 600 milhões para pagar. Ele vai ter
que refazer tudo, vai ter que desistir da escola, desistir do hospital, fazer uma grande alteração
e vai ter somente um dia para fazer essa mudança. Não faria sentido.
Assim, o constituinte determinou que só até 1º de julho. Se chegar até 1º de julho,
mesmo sendo 600 milhões, a Fazenda tem tempo para manejar e apresentar proposta
orçamentária em termos que sejam razoáveis.
➢ Toda condenação judicial imposta à Fazenda é satisfeita por meio de
precatório?
Não. Primeiro lugar, precatório só paga débito relacionado à quantia certa. Uma
decisão que manda “Estado, pague 10 mil” ou “pague 1 milhão” é uma condenação por
quantia certa. Então, ela vai ser paga por meio do regime de precatórios.
Agora, obrigação de fazer e de dar não se submetem ao regime de precatórios. Na
obrigação de fazer, a Fazenda é executada igual a mim e a você. Judiciário manda e a Fazenda
tem que fazer, sob pena de multa, sob pena de coerção e até de responsabilidade do gestor.
Mesma coisa na obrigação de dar, que não deixa de ser uma obrigação de fazer.
Além dessa limitação do regime de precatório, que é só para pagar quantia certa, não
se aplica o regime de precatórios nos casos RPV – requisitórios de pequeno valor, que são
quantias mínimas, quantias pequenas, que o constituinte asseverou que devem ser pagas de
forma imediata.
Antes de analisarmos RPV, observa essa ementa de um julgado muito recente
considerando que o regime de precatórios não se aplica nem à execução provisória de
obrigação de fazer. Se aplica só à quantia certa o precatório. Até a obrigação de fazer
provisória, sem juízo definitivo, não vai se aplicar ao regime de precatórios. Decisão de 24 de
maio de 2017.
“Regime de precatórios não se aplica à execução provisória de obrigação de fazer contra
Fazenda Pública. Por unanimidade, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)
entendeu que na “obrigação de fazer”, prevista no Código de Processo Civil (CPC), é
possível a execução provisória contra a Fazenda Pública, não havendo incompatibilidade

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com a Constituição Federal. (...) “não há razão para que a obrigação de fazer tenha seu
efeito financeiro postergado em função do trânsito em julgado, sob pena de hipertrofiar
uma regra constitucional de índole excepcionalíssima”. (STF, RE 573872, julgado em
24.05.2017).
Além desse caso, não se aplica o precatório no caso do RPV. O RPV é um valor pequeno,
é uma condenação de valor pequeno, pelo qual o constituinte, no artigo 100, §3º da
Constituição dispensa expressamente a observância do precatório.:
CF, Art. 100 § 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de
precatórios não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em leis como de
pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de sentença judicial
transitada em julgado. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
E o que é pequeno valor? Conforme §4º, pequeno valor vai depender do tamanho do
seu cacife. Pequeno valor, para a União, não é igual ao pequeno valor de Itatiaia, de
Pindamonhangaba porque eles têm poderio econômico diferente. Então, pequeno valor para
a União é maior, já para um Município pequeno deve ser menor.
De todo modo, o constituinte previu um limite. Justamente pela disparidade entre os
entes, o constituinte previu que cada ente vai regular, vai dizer o que é pequeno valor para
ele:
CF, Art. 100 § 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias,
valores distintos às entidades de direito público, segundo as diferentes capacidades
econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do maior benefício do regime geral de
previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
O pequeno valor poderá ser fixado por lei própria, desde que o mínimo seja igual ao
maior benefício do regime geral de previdência social, o RGPS, que hoje está em torno de 5
mil reais. Assim, o menor pequeno valor será 5 mil no Município pequeno.
Porém, enquanto as pessoas não editam essa lei, está vigendo uma regra do ADCT que
prevê que, para a União, pequeno valor é 60 salários mínimos, para os Estados, 40 salários
mínimos e, para os Municípios, 30 salários mínimos.
Se alguém quiser trocar esse valor é só editar uma lei, desde que não fique menor do
que o maior benefício da previdência.
3.2 Espécies
Os precatórios podem ser de três espécies: comuns, alimentar e alimentar especial.
Precatórios comuns são aqueles precatórios ordinários, precatórios em geral, aqueles
que advém de tributos, desapropriação, indenização em geral.
Há também os precatórios chamados alimentares, que são aqueles que recaem sobre
verbas alimentares: salários, aposentadorias, benefícios previdenciários, honorários
advocatícios (conforme a súmula vinculante 47), etc.

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E, ainda, uma terceira categoria, que é o alimentar especial, que é um crédito alimentar
titularizado por quem tem uma maior vulnerabilidade, isto é, por quem tem doença grave, ou
é idoso, ou é deficiente. Esse alimentar especial só vai valer até o limite de 3 vezes o RPV, o
requisitório de pequeno valor que a gente acabou de analisar.
A diferença entre eles é a celeridade, a fila que eles são pagos. O precatório comum
vai seguir a fila comum, já o alimentar vai ter uma fila especial, um pouco mais rápida. A fila
do alimentar especial é uma fila especialíssima, muito mais rápida – igual no banco, que tem
a fila para idosos ou preferências legais.
Essa é a diferença, são três filas diferentes para receber o precatório, que a gente sabe,
infelizmente, que aqui no Brasil demora muito para receber.
3.3 Regime dos precatórios
Vamos analisar, rapidamente, o regime dos precatórios à luz das diversas decisões do
STF sobre o tema.
Regime de precatório é algo muito judicializado esses tempos.
Houve uma Emenda (62/09) que reestruturou o regime de precatórios:
• Regime de parcelamento em até 15 anos ou conforme % da RCL
• Correção dos precatórios pela poupança
• Possibilidade de compensação direta da administração quando credor do
precatório dever para o erário
• Leilões (recebe aquele que der o maior desconto) e acordos diretos
• Fila alimentar especial para doentes graves e idosos com mais de 60 anos na
expedição do precatório
• Sequestro rendas públicas quando o ente devedor deixar de pagar o precatório
Contudo, todas essas inovações, além de outras, foram questionadas no STF no âmbito
de ADIs 4425 e 4357. Depois de muito debate, o STF começou a declarar inconstitucional
diversas inovações dessa Emenda, que veremos agora.
Segundo o STF, o regime de parcelamento em até 15 anos é inconstitucional porque
viola coisa julgada e o acesso eficaz ao poder Judiciário. Ora, você litigou anos para ganhar
uma decisão e, agora, ao invés de receber no orçamento seguinte vai demorar 15 anos? Para
o STF isso viola até mesmo a separação dos Poderes.
Novamente, o STF entendeu que é inconstitucional a correção dos precatórios pela
poupança porque ela não vai refletir o efetivo poder de compra da moeda ao longo do tempo.
A poupança reajusta menos que a inflação. Essa é a ideia do erro da atualização monetária
prevista na lei. Isso viola a coisa julgada porque, se mandou pagar X, é X que você vai pagar e,

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se precisar corrigir, que corrija por IPCA ou por outros critérios que realmente reflitam a
inflação.
A Emenda previu também a possibilidade de compensação direta da administração
quando o credor do precatório for devedor do erário. Basicamente, isso se dá quando você,
que tem direito ao precatório, também deve para a administração. Você deve 100 mil reais
de ICMS, mas tem um precatório de 200 mil a receber. Por essa Emenda 62 o Estado poderia
compensar esses valores: “eu te devo 200, você me deve 100, então, vou te pagar 100”. Ele
compensaria unilateralmente, sem a sua anuência. Segundo o STF, viola o contraditório, viola
o direito à participação do particular na definição do que ele tem que pagar ou não. Por isso,
também foi julgado inconstitucional.
A quarta inovação foi os leilões, pelo qual recebe mais rápido quem está disposto a dar
mais desconto. Quase uma “feira de precatórios”, quem quer menos consegue vender mais
rápido. O STF também considerou inconstitucional, alegando que fere coisa julgada porque o
credor faz jus a 1 milhão e você não vai pagar 600 mil se beneficiando da própria torpeza
porque você demora a vida inteira para pagar. Contudo, o STF permitiu a realização de acordos
diretos (diferente do leilão).
Fora isso, criou-se uma fila alimentar especial para doentes graves, que é o precatório
alimentar especial e idosos com mais de 60 anos na data de expedição do precatório. Diante
disso, STF se manifestou pela parcial inconstitucionalidade no que diz respeito à exigência de
60 anos na data de expedição, declarando inconstitucional de forma que, qualquer um com
mais de 60 anos tem direito a receber o precatório nessa fila especial.
Por último, a Emenda 62 criou a possibilidade de sequestrar renda pública quando o
ente não pagar o precatório. Essa foi a grande novidade da emenda e o STF se manifestou com
a concordância.
Essa análise jurídica do STF, entre alguns juristas, foi muito elogiada, mas, os
economistas criticaram muito porque a conta não fecha. No momento em que você acaba
com o regime de parcelamento que permitia o pagamento em até 15 anos e, ainda, se não
pagar, vai sequestrar renda pública, isso é o caos porque, do dia para noite, aquilo que você
ia pagar em 15 anos você vai pagar no orçamento seguinte ou vai penhorar todas as rendas
públicas, não vai sobrar dinheiro para pagar aposentado, servidor, não vai sobrar dinheiro
para nada, saúde, educação.
O STF, à luz disso, resolveu ponderar e admitir que talvez tenha exagerado. Nesses
casos, o STF modula os efeitos das decisões polêmicas. Continua achando que é
inconstitucional, mas é inconstitucional daqui para frente.
No meio do debate foi levantado que nem a modulação seria suficiente, de modo que
teria que modular do futuro para frente. Assim, o STF, em 2015, decidiu que o regime especial

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de parcelamento em 15 anos ou vinculante à receita corrente líquida, seria modulado por 5


anos, ou seja, ele vai valer até 2020. Só depois de 2020 é que não vale mais essa regra
inconstitucional. É a modulação prospectiva, que tem efeitos para o futuro a declaração de
inconstitucionalidade.
Decidiu-se ainda, essa mesma modulação prospectiva, aos acordos diretos por mais 5
anos. Já os outros, o reajuste do precatório pela poupança, a compensação direta, foram
julgados inconstitucionais modulados ex nunc, daqui para frente. Assim, até 25/03 você pode
reajustar precatório pela poupança e pode compensar.
Conseguimos ver, assim, todas as linhas gerais do regime de precatórios.
Depois dessa modulação, o Congresso pretendendo garantir, assegurar, que o STF não
mudaria de opinião, editou uma outra Emenda Constitucional, a nº 94, de 2016, que trouxe:
• “Novo” parcelamento até 2020, justamente nos mesmos termos da modulação de
efeitos. Mas se o STF já tinha modulado efeito para ficar até 2020, por que a
Emenda? Porque, em tese, havia o risco de o STF mudar de opinião e resolver
desmodular. De todo modo, garantiu-se o parcelamento até 2020 editando a EC
dando os critérios pelo qual ele vai funcionar.
Essa EC 94 trouxe diversas outras inovações:
• Compensação se tornou opção de credor. Então, isso sana, em tese, a ofensa ao
contraditório porque o credor só compensa se ele quiser.
• Possibilidade de acordos diretos para deságio – também na esteira da modulação
do STF até 2020.
• Majoração do rol de beneficiários da “superpreferência” para pagamento de
precatório – isto é, do crédito alimentar especial. Lembra que na EC 62 era só o
idoso na data da expedição e doente grave. Agora, depois da declaração de
inconstitucionalidade, era qualquer idoso e o doente grave. A EC adicionou, ainda,
o deficiente físico.
Até aqui, a EC está, basicamente, seguindo a modulação de efeitos. Tudo o que ela
criou de novo foi incluir os deficientes nesse rol de “superpreferência”.
A parte mais nova e mais polêmica da Emenda 94 foi aqui:
• Pagamento de precatórios com depósitos judiciais
• Pagamento de precatórios com empréstimos “sem limites”
• Pagamento diferido de “grandes precatórios”
Não teremos tempo de explicar isso a contento, mas, superficialmente, a Emenda
prevê que os depósitos judiciais, isto é, aqueles valores que estão parados no Judiciário na

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conta de depósitos judiciais, poderão ser usados para pagar precatórios. É como se fosse um
empréstimo que o governo está pegando à força do depósito judicial para pagar o que deve.
Na verdade, se você for analisar de forma técnica e rigorosa, é quase uma legalização
de uma pedalada fiscal.
Os empréstimos sem limite é a possibilidade de o ente público pegar empréstimo sem
observar os requisitos da RLF, que é também outro ponto muito polêmico.
4. Considerações finais
Encerraremos a aula falando do que a gente viu e do que a gente não viu no nosso
curso Reta Final para Delegado Federal.
Conseguimos percorrer quase todo edital. Vimos:
1. Finanças públicas na Constituição Federal de 1988. (LEIA A CONSTITUIÇÃO –
ARTIGOS 163 A 169)
1.1 Orçamento: conceito e espécies, natureza jurídica, princípios orçamentários;
1.2 Normas gerais de direito financeiro; (Lei 4.320 e LRF) – vimos, mas não vimos
inteiro, motivo pelo qual você vai ter que ler também essas leis.
1.3 Fiscalização e controle interno e externo dos orçamentos;
2. Despesa pública.
2.1 Conceito e classificação; disciplina constitucional dos precatórios.
2.2 Receita pública.
2.2.1 Conceito, ingressos e receitas
2.2.2 Classificação: receitas originárias e derivadas
Faltou o ponto 3: Dívida ativa da União de natureza tributária e não tributária; crédito
público; dívida pública.
Já esgotamos o tempo da aula e não poderemos falar sobre isso, mas, não deixaremos
você na mão! Foi preparado um resumo, um material complementar sobre esses temas que
não vimos. Um material complementar que discorre sobre crédito público, dívida pública,
dívida ativa e também sobre as despesas especiais da LRF.
Esse material complementar junto com as aulas te dá uma base muito boa de direito
financeiro, contudo, será imprescindível que você leia e releia várias vezes a Constituição
Federal (art. 163 ao 169 + artigo 100), a lei 4.320/64, a Lei Complementar 101/00 (LRF) e os
resumos das aulas.
Para concluir, faça questões de concursos passados. Se você fizer tudo isso, garantimos
que vai ter 85% de acerto, pelo menos, de direito financeiro e é isso que basta para você ser
aprovado.

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