Você está na página 1de 26

Aula Português

01 1A

Variedades linguísticas (I)


“Que importa que uns falem mole descansado
Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e os paroaras escancarem as vogais
Que tem si o quinhentos réis meridional
Vira tostões do Rio pro norte?
Juntos formamos este assombro de misérias e grandezas,
Brasil, nome de vegetal...”
(Mário de Andrade, “Noturno de Belo Horizonte”)
DKO Estúdio. 2015. Digital.

1
O que são variedades linguísticas?
Mesmo intuitivamente, todos sabemos que uma Grosso não fala como um executivo em plena Avenida
língua, como a língua portuguesa, não é falada ou Paulista, em São Paulo. O falar arrastado de um baiano
realizada por escrito do mesmo modo por todos os e a velocidade de um “manezinho da ilha” não faz com
falantes em todo e qualquer lugar ou circunstância. que haja duas línguas portuguesas distintas. É uma
Ao contrário, a língua varia conforme varie seu modo mesma língua vivendo variedades linguísticas diferen-
de realização: falada ou escrita, conforme o lugar tes. Por vezes, dentro de um mesmo estado podem-se
onde o usuário da língua nasceu ou reside, conforme experimentar variedades diferentes.
ele utilize o português culto ou popular, conforme a Muito importante é o conceito das variedades
época em que ele vive ou em conformidade com a sociais: linguagem culta e linguagem popular. A
idade que tem ou, ainda, conforme use uma modali- norma culta é a linguagem utilizada pelas pessoas
dade formal ou informal da língua. A descrição de um escolarizadas, é transmitida pela tradição escolar. A
idioma não pode desconsiderar esse tipo de fenôme- língua popular é a realizada em regra pelas pessoas
no e deve, portanto, englobar a noção de variedades não escolarizadas ou com nível muito baixo de esco-
linguísticas. larização. A língua em sua modalidade culta acaba
Basicamente, uma língua sofre variações de acordo recebendo um cunho de valor bastante grande e,
com cinco eixos. em seu nome, cometem-se inúmeros preconceitos
Uma variação inicial diz respeito às modalidades linguísticos. É injusto dizer que erra o menino que
escrita e falada. Normalmente, parece pedante falar joga bola em um terreno alagado vizinho às palafitas
como se escreve e infantil escrever como se fala. em que vive na grande Salvador e diz: “Os menino joga
Ninguém fala como escreve e ninguém escreve como bola.”. A comunicação se efetivou da forma que foi pos-
fala. Se o falante usa a língua oral como se escreve, soa sível efetivar-se considerando origem, escolarização e
pedante, exibido, distante da realidade. Se o usuário situação do falante. Dar mais essa carga pejorativa a
da língua escreve como se fala, vai parecer infantil e esse habitante de um Brasil profundo parece acima de
com certeza não será bem visto ou bem avaliado em tudo preconceito. A língua, quando se leva em con-
diversas situações da vida. sideração a variedade popular, acaba constituindo-se
Em segundo lugar, existem as variedades regionais. uma forma de exclusão. A todos deve ser dada a
Isso define, por exemplo, a ocorrência de sotaques e oportunidade de conhecer o português culto e formal,
de expressões ou de construções típicas de determi- mas nem por isso deve ser negada a possibilidade de
nadas regiões. No caso da língua portuguesa, a língua realização da língua de maneira informal ou popular.
realizada no Brasil, em Portugal ou em outros países O grande segredo da boa realização de uma língua é a
lusófonos, ainda que seja uma mesma e única língua, adequação da língua à experiência vivida pelo falante.
apresenta diferenças pertinentes, por exemplo, a vo- Há também a variedade de época. A língua,
cabulário e estruturas gramaticais. Isso não quer dizer fenômeno dinâmico e vibrante, muda conforme o
que sejam línguas distintas, apenas realizam-se às ve- momento histórico em que ela se realiza. Ler hoje
zes com variações linguísticas regionais. Normalmen- um Camões não é muito fácil para a maioria dos fa-
te, a língua escrita e formal do Brasil aproxima-se do lantes do português. A língua de Camões é a língua
português de Portugal e essa valorização faz com que portuguesa, mas numa variedade que a distancia do
esta seja considerada melhor que a linguagem infor- português contemporâneo. As gírias, por outro lado,
mal, oral, coloquial brasileira. Como escreveu Manuel são um demonstrativo dessa dinamicidade da língua.
Bandeira: “enquanto nós (os professores, os letrados, Ou mais, pode-se notar que todo um vocabulário
os bem-escolarizados), o que fazemos é macaquear a relativo, por exemplo, à tecnologia de informação
sintaxe lusíada”. Por outro lado, não é necessário cru- está presente hoje no léxico de muitas línguas, o que
zar o Atlântico para perceber variedades linguísticas obviamente não acontecia trinta anos atrás. Como se
regionais: o Brasil, com suas proporções continentais, sabe, a língua sofre transformações com o tempo. As
apresenta variedades linguísticas regionais dentro do pessoas, inclusive, falam de modo diferente de acordo
seu próprio território. Um gaúcho não fala como um com sua idade. Para falar com o avô o adolescente não
paraense, assim como um cearense não fala como um usa a mesma variedade de língua que utiliza ao falar
paulista, assim como um habitante do sertão do Mato com seus amigos.

2 Extensivo Terceirão
Aula 01

Finalmente, há o eixo de variação de estilo, que culto e formal e, no aconchego de seu lar, usar o por-
define o modo formal ou informal de falar ou de tuguês culto e informal ao falar com seu filho criança.
escrever. Um mesmo falante, usando a mesma varie- É uma mesma língua culta, com modalidades de estilo
dade culta, pode realizar a língua de maneira formal diferentes.
ou informal. Um mesmo falante pode, por exemplo, Esquematicamente, tem-se portanto:
usar a modalidade informal ao falar e a modalidade
formal ao escrever. Se se diz com naturalidade que
Variedades linguísticas
“Ela é linda que nem uma estrela.”, por outro lado o
mesmo usuário pode querer escrever que “Ela é linda 1. Modalidade escrita e modalidade falada
como uma estrela.”. São variedades de estilo de uma 2. Variedades regionais
mesma língua. Deve haver um cuidado especial em 3. Variedades sociais (norma culta e norma popular)
não confundir os conceitos de culto e popular com os 4. Variedades de época
conceitos de formal e informal. Um mesmo usuário da 5. Variedades de estilo (formal e informal)
língua pode, em seu trabalho, escrever em português

Testes
e) A citação das palavras de Renato Pacca não serve de
Assimilação argumento para a tese defendida pelo autor do texto.
01.01. (PUCPR) – Leia o texto a seguir, depois analise as 01.02. (VUNESP – SP) – Leia a charge.
alternativas e assinale a que for VERDADEIRA.

Leis em português (Eduardo Szklarz)


Se você já tentou interpretar uma lei ou decisão
judicial, sabe que a tarefa pode ser complicada
como ler em grego. Com a desvantagem de o
Google não traduzir o juridiquês, “idioma” criado
por políticos e profissionais do direito, com pita-
das de português, termos técnicos e expressões
O efeito de humor da charge advém, dentre outros fatores,
em latim. “Alguns usam essa linguagem empolada
do uso de uma variedade linguística que se manifesta na
para ter status, outros como instrumento de po-
a) sintaxe dos períodos subordinados.
der. Na sua vaidade, afastam a Justiça da socieda-
de”, diz o advogado Renato Pacca, do blog Tradu- b) seleção de termos parônimos.
zindo o Juridiquês. “Assim como bons médicos c) fonética e na morfologia dos vocábulos.
explicam o tratamento com palavras simples, um d) ambiguidade dos verbos.
juiz deveria explicar sentenças de modo acessível. e) contradição entre a imagem e a fala.
Sem precisar de tradução.”. 01.03. (UNIFESP) – Leia a charge.

a) De acordo com o texto, leis e decisões judiciais deveriam


ser escritas em uma linguagem acessível à sociedade.
b) O autor do texto, apesar de defender o juridiquês, observa
a importância de redação acessível aos leigos nas leis e
sentenças judiciais.
c) No texto está implícito que a dificuldade de os cidadãos
brasileiros compreenderem documentos da área jurídica
se deve ao seu despreparo em relação à competência
leitora.
d) De acordo com o texto, os juristas precisam fazer uso de
linguagem empolada sob pena de perderem credibilida-
de perante a sociedade.

Português 1A 3
No contexto apresentado, o personagem expressa-se in- 01.05. (FUVEST – SP) – Você pode dar um rolê de bike, la-
formalmente. pidar o estilo a bordo de um skate, curtir o sol tropical, levar
Se sua frase fosse proferida em norma-padrão da língua, sua gata para surfar.
assumiria a seguinte redação: Considerando-se a variedade linguística que se pretendeu
a) Fazemos o seguinte: a gente ressuscita o Bin Laden e lhe reproduzir nesta frase, é correto afirmar que a expressão
matamos de novo. proveniente de variedade diversa é
b) A gente faz o seguinte: ressuscita o Bin Laden e lhe mata a) “dar um rolê de bike”.
de novo. b) “lapidar o estilo”.
c) Nós faremos o seguinte: ressuscitamos o Bin Laden e c) “a bordo de um skate”.
matamos ele de novo. d) “curtir o sol tropical”.
d) Façamos o seguinte: a gente ressuscitamos o Bin Laden e) “levar sua gata para surfar”.
e matamos de novo.
e) Façamos o seguinte: nós ressuscitamos o Bin Laden e o 01.06. O trecho a seguir é parte de entrevista concedida
matamos de novo. pelo linguista paranaense e ex-reitor da UFPR, Carlos Alberto
Faraco:
Leia o trecho a seguir e responda à questão 01.04. Pergunta: O senhor acha que existe o falar “certo” e
o falar “errado”?
– Sou playboy! – dizia Pardalzinho a todos que co- Faraco: Há milhares de falares, e a classificação “cer-
mentavam sua nova indumentária. Tatuou no braço to” e “errado” é reducionista, mas o falante não é
um enorme dragão soltando labaredas amarelas e reducionista. A prática linguística do falante é orga-
vermelhas pelo focinho, o cabelo ligeiramente cres- nizada em termos de uma busca constante de ade-
po foi encaracolado por Mosca. Sentia-se agora defi- quação. O falante transita entre um leque imenso de
nitivamente rico, pois se vestia como eles. O cocota opções linguísticas e entre polos de formalidade e
pediu a Mosca que comprasse uma bicicleta Caloi informalidade. E isso é que é o legal da linguagem.
Somos todos multilíngues e querem que sejamos
10 para que pudesse ir à praia todas as manhãs. Rico
unilíngues.
também anda de bicicleta. Iria frequentar a praia do
Entrevista à revista Folha do Curso, do Curso Positivo.
Pepino assim que aprendesse o palavrado deles. Na Edição extraordinária, maio de 1998.
moral, na moral, na vida tudo é uma questão de lin-
guagem. Alguns bandidos tentaram fazer chacota Carlos Alberto Faraco demonstra ter, sobre normas linguís-
do seu novo visual. O traficante meteu a mão no ticas, uma visão:
revólver dizendo que não tinha cara de palhaço. Até a) inflexível, pois não aceita nenhuma norma a não ser a da
mesmo Miúdo prendeu o riso quando o viu dentro estrita correção gramatical.
daquela roupa de garotão da Zona Sul. b) internacionalista, pois defende que todos nos tornemos
(LINS, P. Cidade de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 261.) poliglotas, quer dizer, falantes de línguas estrangeiras.
c) nacionalista, pois condena a presença de estrangeirismos
01.04. (UEL – PR) – A partir da leitura desse trecho, considere na língua portuguesa.
as afirmativas a seguir. d) tolerante, pois entende que os falantes naturalmente
I. Pardalzinho, apesar de ter dinheiro e roupas de ricos e mudam sua maneira de falar de acordo com o contexto.
sentir-se como rico, ainda precisava adequar sua lingua- e) autoritária, pois defende que a classificação “certo” e
gem ao padrão desejado. “errado” prevaleça sobre a anarquia representada pela
II. Roupas, dinheiro, tatuagem e cabelo encaracolado eram existência de milhares de falares reducionistas.
suficientes para Pardalzinho sentir-se incluído no “mundo
dos ricos”. Aperfeiçoamento
III. Pardalzinho sentia-se como palhaço, mas não admitia
que rissem dele. (PUCPR) – O texto a seguir servirá de base para as questões
IV. Pardalzinho tatuou o dragão soltando labaredas amare- 01.07 e 01.08.
las e vermelhas pelo focinho e encaracolou os cabelos
porque achou que, assim, ficaria parecido com os ricos. O Estado deve reger a língua?
Assinale a alternativa correta. Controlar a língua e a literatura é tentação au-
a) Somente as afirmativas I e II são corretas. toritária de inquietante frequência no Brasil.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. A mais recente demonstração desse impulso
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. teve fim em abril, quando o projeto de lei que
baniria de escolas estaduais mineiras os livros
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
escritos fora da norma gramatical hegemônica,
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. ou com conteúdo imoral, acabou engavetado,

4 Extensivo Terceirão
Aula 01

01.09. (UFRJ) – O cartaz a seguir foi usado em uma campa-


após repercussão em redes sociais. Protocolado nha pública para doação de sangue.
na Assembleia Legislativa de Minas Gerais em
junho de 2011, pelo deputado Bruno Siqueira
(PMDB), o projeto 1.983 dizia:
“Fica proibida a adoção e distribuição, na rede
de ensino pública e privada do estado de Minas
Gerais, de qualquer livro didático, paradidático
ou literário com conteúdo contrário à norma
culta da língua portuguesa ou que viole de al-
guma forma o ensino correto da gramática. O
disposto no caput também se aplica quando o
conteúdo apresentar elevado teor sexual, com
descrições de atos obscenos, erotismo e refe-
rências a incestos ou apologias e incentivos di-
retos ou indiretos à prática de atos criminosos”.
Fonte: www.revistalingua.com.br.
Ano 7, n. 80, junho de 2012.

01.07. (PUCPR) – Selecione a alternativa que apresenta uma


interpretação ADEQUADA a partir da leitura do texto.
a) O autor do texto mostra-se favorável ao projeto de lei, pois
é dever de todos os cidadãos defender o uso da língua Glossário
portuguesa culta.
Rolezinho: diminutivo de rolê ou rolé; em linguagem informal,
b) Se aprovado, o projeto de lei estimularia a leitura de obras significa “pequeno passeio”. Recentemente, tem designado
literárias de grandes autores nacionais, como Guimarães encontros simultâneos de centenas de pessoas em locais como
Rosa, Clarice Lispector e Jorge Amado. praças, parques e shopping centers, organizados via internet.
c) Ao apresentar o projeto de lei, o deputado Siqueira de-
Anonymous riot: rebelião anônima.
monstrou desconhecer que o papel da escola é preparar
o aluno para o mundo real, apresentando a diversidade
linguística do país. Considerando como os sentidos são produzidos no cartaz e
d) A expressão “acabou engavetado”, na 2ª. frase do 1º. pará- o seu caráter persuasivo, pode-se afirmar que:
grafo, indica que o projeto foi protocolado e aprovado na a) As figuras humanas estilizadas, semelhantes umas às
primeira instância. outras, remetem ao grupo homogêneo das pessoas que
e) O projeto de lei do deputado Siqueira repercutiu positi- podem ajudar a ser ajudadas.
vamente nas redes sociais. b) A expressão “rolezinho” remete à meta de se reunir muitas
pessoas, em um só dia, para doar sangue.
01.08. (PUCPR) – SSelecione a alternativa que apresenta
ADEQUAÇÃO a partir da leitura e análise do texto. c) O termo “até” indica o limite mínimo de pessoas a serem
a) Os adjetivos “autoritária” e “ inquietante” demonstram beneficiadas a partir da ação de um indivíduo.
o agrado e a adesão do autor à ideia defendida no d) O destaque visual dado à expressão “ROLEZINHO NO
projeto de lei. HEMORIO” tem a função de enfatizar a participação indi-
b) Na 2.a frase do 1.o parágrafo, a expressão “ desse impulso” vidual na campanha.
refere-se ao dever do Estado de apresentar projetos
Textos para as questões 01.10 e 01.11.
de lei.
c) O 2.o parágrafo está entre aspas porque retrata a fala TEXTO 1:
do deputado Bruno Siqueira em entrevista coletiva à
imprensa. Meter a língua onde não é chamado
d) A expressão “norma gramatical hegemônica” refere-se Outro dia eu disse para as minhas filhas que
exclusivamente ao novo acordo ortográfico vigente o telefone estava escangalhado. Nada escangalha
no país. mais, no máximo não funciona. Me acharam,
e) Na oração “Fica proibida a adoção e distribuição de qual- sem usar tamanho e tão cansativo polissílabo,
quer livro didático, paradidático ou literário”, apesar de a um completo mocorongo. Como sempre, esta-
expressão verbal estar no singular, devemos interpretar vam certas. Eu tenho visto mulheres de botox,
homens que escondem a idade, tenho visto todas
que ambos os atos, o de adoção e o de distribuição,
as formas de burlar a passagem do tempo, mas o
ficam proibidos. que sai da boca tem data. Cuidado cinquentões

Português 1A 5
Texto para as questões 01.12,
com o ato de pedir um ferro de engomar, achar tudo chinfrim, recla- 01.13 e 01.14.
mar do galalau que senta na sua frente no cinema e a mania de dizer
que a fila do banco está morrinha. Esse papo, por mais que você curta
ECA completa 20 anos com
música techno e endívias, denuncia de que década você veio.
avanços para o bem-estar
Adaptado de: Joaquim Ferreira dos Santos.
Disponível em http://www.releituras.com/ifsantos_menu.asp. Acesso em: 23 jun 2012
social dos jovens
(...) Para os defensores do Esta-
TEXTO 2: tuto da Criança e do Adolescen-
te (ECA), que completa 20 anos
Rato de sebo nesta terça-feira (13), as críticas
em relação a uma suposta ine-
ficácia ou permissividade têm
origem no desconhecimento
e na deturpação da legislação,
que levam setores da sociedade
a exigir a aprovação de puni-
ções mais severas para adoles-
centes em conflitos com a lei,
como a redução da maioridade
01.10. (UEPG – PR) – O texto de Joaquim Ferreira dos Santos e a charge de penal. Os especialistas são unâ-
Custódio têm entre si um assunto comum. Quanto a isso, assinale o que for nimes em afirmar que o ECA
correto. trouxe importantes instrumen-
tos para garantia do bem-estar
01) “O real estado da língua é o das águas de um rio, que nunca param de correr
social dos jovens brasileiros.
e de se agitar, que sobem e descem conforme o regime de chuvas, sujeitas a
se precipitar por cachoeiras, a se estreitar entre as montanhas e a se alargar Os crimes cometidos por ado-
pelas planícies.” (BAGNO, 2007, p. 36). lescentes concorrem para au-
mentar o medo e a inseguran-
02) “Se a língua é falada por seres humanos que vivem em sociedades, se esses ça, gerando a sensação de que o
seres humanos e essas sociedades são sempre, em qualquer lugar e em ECA guarda algum tipo de rela-
qualquer época, heterogêneos, diversificados, instáveis, sujeitos a conflitos e ção com essa triste e cruel reali-
a transformações, o estranho, o paradoxal, o impensável seria justamente que dade. Só que, evidentemente, o
as línguas permanecessem estáveis e homogêneas.” (BAGNO, 2007, p. 37.) estatuto não é responsável pelas
04) “Somente uma língua idealizadamente descontextualizada é uniforme. E o que mazelas. Pelo contrário. É por
é uma língua descontextualizada? É a língua artificial, inventada; língua para meio dele que crianças e ado-
dar exemplos. É a língua das frases soltas. Língua que não tem como referência lescentes vêm sendo incluídos
uma situação, um sujeito, uma finalidade comunicativa. Parece uma coisa oca.” nos serviços de saúde, educa-
(ANTUNES, 2007, p. 105). ção, lazer e cultura”, afirmou o
08) “A língua contextualizada inclui pessoas, inclui sujeitos.” (ANTUNES, 2007, p. 106). promotor da Vara da Infância e
16) “Assim como certos grupos se caracterizam através de alguma marca (digamos, da Juventude de São Bernardo
do Campo, Jairo de Luca. (...)
por utilizarem certos trajes, por terem determinados hábitos, etc.), também
podem caracterizar-se por traços linguísticos.” (POSSENTI, 1996, p. 34). (Disponível em: http://www.abril.com.br/no-
ticias/brasil/eca-completa-20-anos-avancos-
-bem-estarsocial-jovens-578042.shtml. Acesso
01.11. (UEPG – PR) – Sobre o novo Acordo Ortográfico, assinale o que for em: 15 ago. 2010. Publicado em: 13 ago. 2010.)
correto.
01) No texto 1, a palavra “galalau”, em “reclamar do galalau que senta na sua frente 01.12. (FDSM – RS) – De acordo com
no cinema”, era acentuada antes do Novo Acordo Ortográfico. o texto, para aqueles que defendem a
02) No texto 2, o da charge, a palavra “sarau”, em “Ontem fui a um sarau supimpa”, validade do ECA a origem das críticas a
era acentuada antes do acordo que vigora atualmente. essa lei encontra-se, sobretudo:
04) Na charge, em “O véio tirou a maior onda”, a palavra véio (uma variante de a) na ignorância excessiva e na altera-
“velho”) não levaria acento na atual ortografia. ção contínua da legislação.
08) No texto de Joaquim Ferreira dos Santos, aparece uma palavra cujo sinal gráfico b) na falta de conhecimento e na alta
foi abolido no Novo Acordo, a não ser em palavras derivadas de nomes próprios permissividade da legislação.
estrangeiros. c) na falta de conhecimento e na alte-
16) A regra que norteava a acentuação de palavras, como “máximo”, “polissílabo”, ração limitada da legislação.
“música” e “década”, todas do primeiro texto, não sofreu alteração no Novo d) na ignorância exagerada e na inter-
Acordo Ortográfico. pretação equivocada da legislação.
e) na falta de conhecimento e na inter-
pretação equivocada da legislação.
6 Extensivo Terceirão
Aula 01

01.13. (FDSM – RS) – A partir da observação das estruturas b) o medo e a insegurança causados pelos crimes praticados
sintáticas e do vocabulário empregado no texto, verifica-se por crianças e adolescentes levam toda a sociedade a
que o nível de linguagem predominante é o: reclamar punições mais severas.
a) culto ou variante-padrão. c) o ECA permitiu a inclusão de crianças e adolescentes
b) familiar ou coloquial. em serviços de saúde, educação, lazer e cultura, o que
c) popular ou subpadrão. evidencia a importância dessa lei.
d) chulo ou vulgar. d) Nem todos os especialistas concordam que o ECA
e) técnico ou profissional. tenha trazido meios eficientes de se garantir o bem-
01.14. (FDSM – RS) – De acordo com o texto: -estar do menor.
a) os crimes praticados por adolescentes aumentaram nos e) a pouca eficácia do ECA se deve, principalmente, à
últimos anos com a aplicação do ECA, o que poderia ser presença de medidas punitivas muito brandas e per-
revertido com a redução da maioridade penal. missivas.

Aprofundamento
Instrução: As questões de número 01.15 a 01.18 dizem respeito ao texto publicitário reproduzido a seguir.
Imagem 1 Imagem 2 Imagem 3

© Zoetis Brasil/Revolution
01.15. Analise as afirmações que se fazem em seguida a c) surge de um processo de derivação, com a juntada do
respeito do texto, conjunto de três imagens acima. prefixo “des” à palavra “pulga”, aqui transformada em verbo
I. Dois dos personagens utilizados na matéria publici- com o auxílio da desinência “ar”, o que ainda assim não
tária manifestam estranhamento diante da palavra leva à compreensão, o que justifica o estranhamento de
“despulgar”. dois dos personagens.
II. O personagem da imagem 2, em linguagem jovem, d) é a soma do prefixo “des” à palavra “pulga”, transformada
marcada por estrangeirismo e gíria, demonstra perfeita em verbo por meio da desinência “ar”, e como o prefixo
compreensão da palavra que causou estranhamento a “des” designa afastamento, ação contrária, fica evidenciada
um dos personagens. sua clara significação ao leitor da publicidade.
III. O personagem da imagem 3, auxiliado pelo adereço ócu- e) revela a criação de um novo vocábulo desprovido de
los, que pretende passar um aspecto de intelectualidade, qualquer significação.
também parece compreender a palavra em questão.
01.17. Quanto à linguagem utilizada no texto, pode-se
Está(ão) correta(s): concluir que
a) todas as afirmações; a) contém estrangeirismo e gíria e, assim, inadequada a um
b) I e II, somente; texto publicitário.
c) I e III, somente; b) tem características de informalidade e, como tal, é incon-
d) II e III, somente; cebível num texto publicitário.
e) II, apenas. c) é informal, vulgar e popular e, dessa forma, inadmissível
num texto publicitário.
01.16. A palavra “despulgar”, usada na publicidade, d) é marcada pela informalidade e, assim, pretende atingir
a) constitui um neologismo cuja compreensão é impossí- um público maior, representado no texto por dois cães
vel, visto que consiste numa derivação da palavra “pulga”. que denotam juventude e um que pretende sugerir
b) nasce de um processo permitido pela língua portugue- maturidade e intelectualidade.
sa, mas utilizado, neste caso de forma a não possibilitar e) é popular e não atende aos padrões mínimos de forma-
compreensão. lidade exigidos por um texto publicitário.
Português 1A 7
01.18. Correlacione os textos da coluna 1 com as caracte- d) A redação coesa e coerente é aquela que tem maior grau
rísticas da coluna 2. de informalidade.
1. ( I ) imagem 1 e) Dado o seu caráter conservador, a redação empresarial
( II ) imagem 2 prioriza o conteúdo em detrimento de quem vai ler o texto.
( III ) imagem 3
01.20. O e-mail é um tipo de texto que surgiu com a internet.
2. ( ) dúvida Pelo texto, pode-se entender que
( ) linguagem claramente juvenil a) o advento da internet não modificou as necessidades
( ) reflexão
de comunicação nas empresas, mas tem exigido maior
( ) conclusão
atenção quanto à correção e ao nível de formalidade.
( ) desconhecimento
( ) pronúncia articulada para ser compreendida b) a necessidade de se comunicar no ambiente empresarial
fez nascer um novo gênero: o e-mail.
A adequada correlação é:
c) no ambiente empresarial o gênero e-mail deveria agilizar
a) II – II – III – I – I – III a comunicação, porém sua informalidade vem atrapa-
b) I – II – III – I – II – III lhando esse processo.
c) I – II – III – III – I – II
d) a produtividade de uma empresa está prejudicada
d) I – I – II – II – III – III pela crescente utilização de gêneros textuais do meio
e) I – I – III – III – II – II eletrônico.
Leia o texto a seguir e responda às questões de 01.19 e) a inovação tecnológica inibe a renovação de gêneros textuais,
a 01.22. particularmente no ambiente de trabalho.

Adapte-se ao nível de formalidade 01.21. Considere a frase: “Nesses casos, ele aproxima-se
da fala.”
Quando um e-mail é enviado em substituição a
um bilhete, a linguagem usada pode ter maior grau Nesta oração, a palavra sublinhada retoma:
de informalidade. Nesses casos, ele aproxima-se da a) bilhete.
fala, embora seja importante considerar que a men- b) memorando.
sagem será lida. Um dos problemas comunicacionais c) grau de informalidade.
advém de o redator escrever como se falasse despre-
d) redator.
ocupadamente, com frases mal organizadas e sem
clareza. Mesmo que o texto tenda à informalidade, e) e-mail.
devem-se evitar erros que comprometam a imagem
do redator e da instituição que ele representa. 01.22. Assinale a alternativa que reescreve corretamen-
te o período do texto: “Mesmo que o texto tenda à
Quando o meio eletrônico substitui memoran-
informalidade, devem-se evitar erros que compro-
do ou comunicado interno, a formalidade aumen-
ta, tendo em conta o conteúdo e o destinatário. Aí metam a imagem do redator e da instituição que
é preciso considerar as características da redação ele representa.”
empresarial, que se renovou nestes anos. Trope- a) A imagem do redator da instituição representada fica
ços são mais facilmente evitados quando se tem comprometida pelos erros a serem evitados, isso se o
o hábito de leitura de textos bem escritos. Como texto tende à informalidade.
redação empresarial demanda rapidez, convém b) Erros comprometedores da imagem do redator e da
redobrar a leitura não só de livros de sua área, instituição que o representa devem ser evitados, pois o
pois isso facilitará a redação coesa e coerente. texto tende à informalidade.
(NÓBREGA, M. H. da Revista Língua Portuguesa.
Segmento, ano III, n. 33. jul. 2008. p. 40-41.) c) Como o texto tende à representação da informalidade, os
erros não evitados pelo redator comprometem a imagem
01.19. De acordo com o texto, é correto afirmar. da instituição.
a) Nos dias atuais, a imagem de uma empresa é determinada d) A imagem do redator e a da instituição por ele represen-
pelo nível mais alto de formalidade de sua comunicação tada ficarão comprometidas se erros não forem evitados,
interna. ainda que o texto tenda à informalidade.
b) Marcas da oralidade em e-mails empresariais acarretam e) Para que o texto tenda à informalidade representada pela
erros gramaticais próprios dos bilhetes. instituição e por seu redator, erros devem ser evitados sem
c) Em determinadas situações, a correspondência por e-mail que haja comprometimento da sua imagem.
deve ser cuidada e correta.

8 Extensivo Terceirão
Aula 01

Discursivos
01.23. (FUVEST – SP) – Examine a tirinha.

a) De acordo com o contexto, o que explica o modo de falar das personagens representadas pelas duas traças?

b) Mantendo o contexto em que se dá o diálogo, reescreva as duas falas do primeiro quadrinho, empregando o português
usual e gramaticalmente correto.

01.24. (UNICAMP – SP) – Reproduzimos abaixo a chamada de capa e a notícia publicada em um jornal brasileiro que apre-
senta um estilo mais informal.

Governo quer fazer a galera pendurar a chuteira mais tarde


Duro de parar Como a vovozada vive até mais tarde, a intenção, agora, é criar regra para aumentar a idade
mínima exigida para a aposentadoria; objetivo é impedir que o INSS quebre de vez
Página 12

Descanso mais longe


O brasileiro tá vivendo cada vez mais – o que é bom. Só que quanto mais ele vive, mais a situação do INSS
se complica, e mais o governo trata de dificultar a aposentadoria do pessoal pelo teto (o valor integral que a
pessoa teria direito de receber quando pendura as chuteiras) – o que não é tão bom.
A última novidade que já tá em discussão lá em Brasília é botar pra funcionar a regra 85/95, que diz que
só se aposenta ganhando o teto quem somar 85 anos entre idade e tempo de contribuição (se for mulher) e
95 anos (se for homem).
Ou seja, uma mulher de 60 anos só levaria a grana toda se tivesse trampado registrada por 25 anos
(60+25=85) e um homem da mesma idade, se tivesse contribuído por 35 (60+35=95).
Quem quiser se aposentar antes, pode – só que vai receber menos do que teria direito com a conta fe-
chada.
(notícia JÁ, Campinas, 30/06/2012, p. 1 e 12)

Português 1A 9
a) Retire dos textos duas marcas que caracterizam a informalidade pretendida pela publicação, explicitando de que tipo elas
são (sintáticas, morfológicas, fonológicas ou lexicais, isto é, de vocabulário).

b) Pode-se afirmar que certas expressões empregadas no texto, como “tá” e “botar”, se diferenciam de outras, como “galera” e
“grana”, quanto ao modo como funcionam na sociedade brasileira. Explique que diferença é essa.

Gabarito
01.01. a 01.23. a) As traças se utilizam de linguagem são relacionadas ao nível lexical (vo-
01.02. c formalíssima, de uma linguagem cabulário). Dentre elas poderiam ser
01.03. e empolada e algo pedante, por terem citadas palavras ou expressões como:
01.04. b lido a Bíblia, o que provocou que elas “galera”, “pendurar a chuteira”, “vovoza-
01.05. b falassem com a linguagem usada da”, “quebre”, “botar”, “grana”, “trampa-
01.06. d nessa obra. Na lógica da tirinha, como do”.
01.07. c elas se alimentam da Bíblia, apossam- Por outro lado, há marcas que são de
01.08. e -se da linguagem do livro e passam natureza fonológica, são variantes de
01.09. b a usar equivocadamente o estilo da pronúncia, aqui representadas por es-
01.10. 31 (01, 02, 04, 08, 16) obra máxima do cristianismo. Esse crito, como “pra” ou “tá”.
01.11. 28 (04, 08, 16) uso é marcado, entre outras caracte- Basta para responder bem à questão
01.12. e rísticas, pela segunda pessoa do plu- citar duas ocorrências e dizer se são
01.13. a ral: vós. marcas lexicais ou fonológicas.
01.14. c b) Reescritas em português usual e gra- b) No texto ocorrem marcas que di-
01.15. d maticalmente correto, as frases pode- zem respeito mais especificamente
01.16. d riam ser por exemplo: “Como foi o seu a determinado setor da sociedade.
01.17. d dia?”, “Como passou o dia?” e “Queria, Vocábulos como “galera” e “grana” são
01.18. c que tivesse sido melhor.”, “Queria que mais próprias de um segmento jovem
01.19. c fosse melhor do que foi.”, “Gostaria da população, enquanto “tá” e “botar”
01.20. a que tivesse sido melhor.”. são marcas de oralidade para todos os
01.21. e 01.24. a) A maioria das marcas que caracteri- segmentos da população, marcas de
01.22. d zam a informalidade da publicação informalidade para todos os falantes.

10 Extensivo Terceirão
Português
Aula 02 1A
Acentuação gráfica (I)

Padrões de tonicidade Exemplos:


f) artigos – o, a, os, as;
As palavras da língua portuguesa com mais de uma g) preposições – de, em, com, por;
sílaba possuem, na maioria dos casos, uma tônica, que
pode ser a última, a penúltima ou, mais raramente, a h) conjunções – ou, e, mas, que.
antepenúltima sílaba. Há, assim, três tipos de palavras Os pronomes em geral são tônicos, casos de eu,
quanto à tonicidade: nós, mim, si, quem. Há, contudo, a série de pronomes
1. Oxítonas – palavras em que a sílaba tônica é a últi- átonos: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. Também
ma, como tupi, crescer, Paraná, oração. o pronome relativo que é átono.
2. Paroxítonas – em que a tônica é a penúltima, como
filho, guerreiro, selva, descendo, morte.
3. Proparoxítonas – em que a tônica é a antepenúlti-
Por que acentuamos
ma, como sábado, Fátima, apático, capítulo. as palavras
Já os vocábulos de uma sílaba, chamados monossíla-
A existência de acentuação gráfica em português (e
bos, representam um caso à parte. Sua única sílaba pode
ser tônica ou átona. A distinção só é possível no fluxo outros idiomas, como espanhol e francês; mas não em
da fala. Monossílabos tônicos podem ser enfatizados, ao todos, haja vista o inglês) se explica tanto por caracte-
passo que a pronúncia dos átonos tende a minimizar-se, rísticas de nossa língua como por opção daqueles que
possibilitando inclusive transformações fonéticas. legislam sobre ela.
Compare as duas palavras do enunciado a seguir que Há em português uma série de vocábulos que se
se escrevem com as mesmas letras: diferenciam apenas pela posição da sílaba tônica, casos,
Por favor, dê à sra. Ângela o anel de brilhante que se por exemplo, dos pares secretária/secretaria, fábrica/
encontra no cofre. fabrica, saia/saía, doido/doído, e assim por diante. A
O primeiro dê pode ser acentuado, enfatizado no flu- inexistência de acentos gráficos poderia causar ambi-
xo da fala; mas o segundo de não tem essa possibilidade. guidades, que com eles se evitam.
O primeiro se mantém forçosamente com a pronúncia / Além disso, o sistema de acentos adotado para por-
dê/, com vogal e; mas o segundo é pronunciado mais tuguês visa a ensinar ao leitor a pronúncia adequada dos
frouxamente, quase sempre /di/, com vogal i, na maioria vocábulos, de modo que se saiba dizer mesmo aqueles
do território brasileiro. Por isso, o primeiro é um monos- cujo significado se desconhece. Talvez o leitor não saiba
sílabo tônico, e o segundo, um monossílabo átono. o que é um códice; nem assim terá qualquer problema
Em geral essa distinção pode ser feita com base na em ler o termo, pois a escrita do vocábulo já lhe registra
classe gramatical da palavra. a posição da sílaba tônica.
São tônicos os monossílabos que forem substan-
tivos, adjetivos, verbos, advérbios e numerais. Veja os
exemplos: Princípios da
a) substantivos – pá, pé, nó; acentuação gráfica
b) adjetivos – bom, mau;
Fundamentalmente o sistema de acentos da língua
c) verbos e formas verbais – ser, é, ir, vi, vim, há; portuguesa se guia por dois princípios, que podemos
d) advérbios – bem, mal, lá, sim, não; nomear como o da economia e o da diferenciação.
e) numerais – três. Pelo princípio da economia acentuam-se sempre os
São átonos os monossílabos que forem artigos, padrões mais raros, em detrimento dos mais frequentes,
preposições (com exceção de trás) e conjunções. o que leva a colocar menos acentos.

Português 1A 11
Dos três padrões básicos de tonicidade – palavras
oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas –, o mais raro é o
Proparoxítonas
das proparoxítonas. Daí que nossa regra primeira (e mais Como dissemos, por representarem o padrão mais
conhecida) seja a que mande acentuar todas as palavras raro de tonicidade, todas as palavras proparoxítonas
desse tipo. devem ser acentuadas:
Por outro lado, são extremamente comuns palavras
paroxítonas terminadas em vogal a, e, o. É assim o nome vítima médico catastrófico
de uma infinidade de objetos e seres: calça, camisa, olho, ridículo módulo hiperbólico
rosto, pente, leite, perna, mesa, ferro, macaco, elefante, rápido ânimo despótico
passarinho, rua, casa, dentre milhares de outros exemplos. lúgubre titânico fenômeno
Por essa razão, tal tipo de palavra não é acentuada.
Complementarmente, o princípio da diferenciação as-
segura que se saiba sempre a pronúncia de um vocábulo, Paroxítonas
quer pela presença quer pela ausência de acento gráfico. Raciocinando negativamente, pode-se dizer que não
Sabemos que códice é um termo proparoxítono se acentuam as paroxítonas terminadas pelas vogais a,
porque, como tal, vem acentuado. Mas também sabe- e, o e pela consoante nasal m. Como sabemos, são esses
mos, mesmo os que não o conhecemos, que o vocábulo os tipos de palavras mais comuns do português (as paro-
dossel é oxítono. Isso é certo mesmo que dossel não xítonas terminas em m são bastante comuns por forma-
tenha acento gráfico; ou melhor, isso é certo justamente rem a 3a. pessoa do plural da maioria dos verbos: cantam,
porque dossel não tem acento gráfico. Se a palavra fosse amavam, batiam, sorriram, quiserem, partissem…).
paroxítona, ela se escreveria dóssel, uma vez que, como Falando agora positivamente, acentuam-se as paroxí-
veremos, se acentuam as paroxítonas terminadas em l.
tonas com as seguintes terminações (relativamente raras):
A pronúncia de um vocábulo está, portanto, regis-
trada pela presença ou pela ausência do acento gráfico.
• R: revólver, caráter, cadáver, mártir.
Mudanças com o Novo •

N: hífen, pólen, próton, nêutron.
L: fácil, réptil, míssil, fóssil.
Acordo Ortográfico • X: tórax, látex.
• I ou IS: táxi, táxis, júri.
Como foi amplamente divulgado pela imprensa, os
países lusófonos (ou seja, os que têm o português como • US: ânus, bônus.
língua oficial), a partir de 2009, passaram a adotar o • UM ou UNS: fórum, álbuns.
chamado Acordo de Unificação Ortográfica dos Países • PS: bíceps, fórceps.
de Língua Portuguesa. Em todos eles, a medida alterou • Ã ou ÃS: ímã, órfãs.
uma parte das regras ortográficas. • DITONGO oral ou nasal, seguido ou não de S (ou seja,
No tocante à acentuação adotada no Brasil, o Acordo no singular ou no plural): órfão, órgão, série, colégio,
suprimiu alguns dos acentos que até então adotávamos. átrio, matéria, secretária, férias, vários, domínios.
A alteração afetou o trema (que não é mais adotado) e a
acentuação da vogal U quando tônica, bem como regras Como particularidade, registre-se que não se acen-
relativas aos hiatos, aos ditongos abertos e aos acentos tuam as paroxítonas terminadas em ENS, o que faz com
diferenciais. que certos termos se acentuem no singular mas não
Ao longo desta exposição, destacaremos as regras de no plural. Confira: hífen (singular), mas hifens (plural);
acentuação modificadas pelo Novo Acordo Ortográfico. pólen, mas polens.

Atenção
Mudou com o Acordo Antes do acordo (com acento) Atualmente (sem acento)
Com a adoção do Novo Acordo Vôo Voo
Ortográfico, deixaram de ser acentu- Enjôo Enjoo
adas as palavras terminadas em – OO.
Confira: Perdôo Perdoo

12 Extensivo Terceirão
Aula 02

Oxítonas Não se acentuam, portanto, oxítonas terminadas com


as vogais I(s) e U(s), de modo que, apesar de bastante
Acentuam-se as oxítonas com as seguintes terminações: frequentes, não é adequado escrever Pacaembú, Itú ou
Bariguí, para palavras que se devem grafar Pacaembu,
• A ou AS: Pará, Corumbá, amará, sofás, morrerás. Itu e Barigui.
• E ou ES: rapé, cafés, até, vocês. Ressalte-se também que as palavras terminadas
• O ou OS: avô, avó, cipó, gigolôs. em Z não estão contempladas pelas regras por serem
• EM ou ENS: também, parabéns. sempre oxítonas: capaz, algoz.

Acentuação de monossílabos
Como já comentamos, os monossílabos podem ser tônicos ou átonos.
Naturalmente, só os primeiros podem ser acentuados (pois não se acentua • A ou AS: pá, má, lá, trás.
uma sílaba átona). • E ou ES: fé, pés, vê, lês.
Recebem acento os monossílabos tônicos terminados em A, E e O, seguidos • O ou OS: ló, nós, vós, pôs.
ou não de S.
A regra é quase igual à das oxítonas; a diferença é que, no caso dos monossílabos, não se acentua pela terminação
EM e ENS. Por isso não tem acento o substantivo bem ou a forma verbal tens, por exemplo.
A dificuldade de aplicação dessa regra pode ser distinguir os monossílabos tônicos dos átonos. Como estudamos
anteriormente, a distinção pode ser feita com base na classe gramatical da palavra.
Por essa razão se acentua o adjetivo feminino plural más, e não se acentua a conjunção mas; a forma verbal é, mas
não a conjunção e.

Testes
b) O polen e o nectar dos insetos.
Assimilação c) Ate o início da década passada, a plástica no Brasil era tida
como um item de consumo fútil, um capricho próprio
02.01. Acentue, se necessario, os vocábulos destacados
das dondocas.
nas frases a seguir. Veja, 17/01/01
a) Não posso atendê-lo no momento, mas minha secretaria, d) Nenhum outro negócio lida com tantos itens quanto
dona Vanessa, agendará uma reunião para a próxima semana. um supermercado.
b) O aluno Bruno de Alencar deve comparecer imediata- Veja, 07/03/01
mente à secretaria da escola. 02.03. (PUCCAMP – SP) – Assinale a alternativa de vocábulo
c) Luís, que agora retornava à casa paterna, dela partira corretamente acentuado:
aos vinte anos. a) hífen
d) Quando o sol raiar, Luís partira novamente. b) ítem
e) Acho inconcebível que alguns pais não amem os filhos. c) ítens
f ) E que o arroz não falte alem do tolerável. d) rítmo
José Saramago, Memorial do convento e) midia
g) O voo das aves sempre nos causa encantamento.
02.04. (UFES) – O acento gráfico de “três” justifica-se por
h) Hoje são muito mais raros os partos feitos com forceps.
ser o vocábulo:
i) Acho desagradável rever velhos albuns de familia. a) monossílabo átono terminado em ES;
02.02. Acentue, se necessário, os vocábulos destacados b) paroxítono terminado em ES;
a seguir. c) monossílabo tônico terminado em S;
a) São confusas as regras para o emprego dos hifens em d) oxítono terminado em S;
português. e) monossílabo tônico terminado em ES.

Português 1A 13
02.05. (MACK – SP) – Indique a única alternativa em que 02.10. (FGV – SP) – Assinale a alternativa em que a palavra
nenhuma palavra é acentuada graficamente. deveria ter recebido acento gráfico:
a) lapis, canoa, abacaxi, jovens; a) Paiçandu. b) Taxi.
b) ruim, sozinho, aquele, traiu; c) Gratuito. d) Rubrica.
c) saudade, onix, grau, orquidea; e) Entorno.
d) flores, açucar, album, virus;
02.11. (CESGRANRIO – RJ) – Indique o item no qual os
e) voo, legua, assim, tenis.
vocábulos obedecem à mesma regra de acentuação da
02.06. (FGV – SP) – Assinale a alternativa em que as pala- palavra NÓDOA.
vras sejam, respectivamente: oxítona, oxítona, paroxítona, a) ânsia, âmbar, imundície.
proparoxítona, proparoxítona e oxítona. b) míope, ímã, vírgula.
a) Papel, sagu, andrajo, xenófobo, redondo, saci. c) água, tênue, supérfluo.
b) Sabia, interessar, anjo, borrego, íntimo, saúde. d) ímpar, míngua, lânguida.
c) Canavial, superar, novel, cádmio, contíguo, interesseiro. e) viúvo, argênteo, sórdido.
d) Saci, sagu, indelevelmente, pródigo, bígamo, sinal.
02.12. Aponte a alternativa em que as palavras estão
e) Tiziu, anéis, móvel, esperançoso, código, colher.
acentuadas, respetivamente, pela mesma regra das palavras
décadas e prêmio.
Aperfeiçoamento a) dióxido – água
b) dióxido – países
02.07. (PUCCAMP – SP) – A frase em que nem todas as c) caráter – espúrio
palavras estão acentuadas corretamente é: d) combustível – água
a) A providência que foi tomada tem relação com o grupo
e) combustíveis – países
de que ele é partidário.
b) A saúde pública deve ser um dos assuntos centrais dessa 02.13. (FGV – SP) –
reunião.
c) Há muita polemica em relação a esse assunto por isso Ver é muito complicado. Isso é estranho por-
devemos ter cautela. que os olhos, de todos os órgão dos sentidos, são
d) Pouco tempo atrás todos diziam que eles estavam em os de mais fácil compreensão científica.
situação bastante confortável. A sua física é idêntica à física óptica de uma má-
quina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece
e) Há quem avalie que aquela foi a solução mais inócua de
refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão
todas as apresentadas. que não pertence à física. William Blake* sabia disso
e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma ár-
02.08. (ESPM – SP) – Assinale a opção em que ambas as
vore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria.
palavras (possíveis acentos omitidos) são oxítonas:
Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como
a) ibero, avaro Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifa-
b) ureter, cateter nia do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto
c) misantropo, interim da minha casa decretou a morte de um ipê que
d) recorde, rubrica florescia à frente de sua casa porque ele sujava o
chão, dava muito trabalho para a sua vassoura.
e) Nobel, filantropo
Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
02.09. (MACK – SP) – No começo do século XX, o escritor Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando
paranaense Emílio de Meneses era gênio das frases. Conta- me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma
-se que certa vez, no Rio de Janeiro, viajava num bonde em pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma
cujos bancos só cabiam quatro passageiros. O do escritor pedra. A pedra que ele viu virou poema.
já estava lotado, quando ele viu, tentando com dificuldade (Rubem Alves. A complicada arte de ver. Folha de S.Paulo, 26.10.2004)
* William Blake (1757-1827) foi poeta romântico, pintor e gravador inglês.
acomodar-se a seu lado, uma conhecida cantora lírica, gorda Autor dos livros de poemas Song of Innocence e Gates of Paradise.
como ele. Foi a deixa para mais um trocadilho: “ Ó, atriz atroz.
Atrás, há três!”
As palavras que são acentuadas graficamente pelas mesmas
São palavras acentuadas de acordo com a mesma regra: regras de fácil, científica e Moisés, respectivamente, são:
a) há e Benício. a) negócio, saída, já.
b) atrás e gênio. b) espírito, atribuída, herói.
c) só e Emílio. c) cárter, lógica, atrás.
d) século e lírica. d) incluíd
e) gênio e três. e) benefício, pôde, cafés.

14 Extensivo Terceirão
Aula 02

c) Inteligencia, proposito, tambem, viavel, rubrica.


Aprofundamento d) Apoio, ceus, pagina, fiel, hifen.
02.14. Estão acentuados pela mesma razão os vocábulos: e) Ideias, minimo, comicio, eletrica, itens.
a) “pássaros“ e “impossível” 02.19. (FAG – PR) – A questão tem como referência a charge
b) “você“ e “balé” abaixo:
c) “orgânica“ e “órgãos”
d) “saíram” e “última” Falo fluentemente inglês, espanhol,
francês, russo, italiano e alemão!
e) ”os lençóis“ e “avós “
E o português?
02.15. (UNIFESP) – Indique a alternativa em que todas as pa-
Aí varêia!!!
lavras são acentuadas graficamente, segundo a mesma regra.
a) estômago, colégio, fábrica, lâmpada, inflexível
b) Virgílio, fúria, carícias, matéria, colégio
c) trópicos, lábios, fúria, máquinas, elétricas
d) sério, cérebro, Virgílio, sábio, lógico
e) Ésquilo, carícia, Virgílio, átomos, êmbolo Disponivel em: http://blogeducacional.com.br/glaucegrar

02.16. (UNIP – SP) – Assinale a alternativa que apresenta Em relação à acentuação gráfica do vocábulo varêia, empre-
palavra acentuada de acordo com a mesma regra de há: gado com tal grafia de maneira intencional pelo autor da
a) tifoide; charge, para que não houvesse confusão em relação à sua
b) túmulo; pronúncia e significação, é correto afirmar que:
c) aí; a) está de acordo com as regras de acentuação gráfica da
d) mistério; Língua Portuguesa, pois se trata de uma oxítona com-
e) vê-lo. posta por ditongo aberto seguido de hiato, portanto
deve ser acentuada.
02.17. (UFSC) – Assinale a(s) roposição(ões) CORRETAS(S). b) não está de acordo com as regras de acentuação gráfica da
01) Os acentos gráficos em corrupião, lá e baldeação são Língua Portuguesa, pois o Acordo Ortográfico que está em
justificados pela mesma regra. vigor extinguiu o acento gráfico das oxítonas compostas
02) São classificadas como oxítonas: corrupião, poder e por ditongo aberto seguido de hiato.
conduzi-lo. c) não está de acordo com as regras de acentuação gráfica
04) As palavras beira, aérea e tédio possuem a mesma clas- da Lingua Portuguesa, pois se trata de uma paroxítona
sificação quanto à posição da sílaba tônica. composta por ditongo fechado seguido de hiato, à qual
08) Os acentos gráficos dos vocábulos você, protegê-los e não se deve acentuar.
contém seguem as regras de acentuação das oxítonas. d) está de acordo com as regras de acentuação gráfica da
12) Em idade, ainda e fluido temos três palavras com o Língua Portuguesa, pois se trata de uma palavra propa-
mesmo número de sílabas. roxítona e todas as palavras proparoxítonas devem ser
36) As palavras gratuito, debaixo e implicou são trissílabas. acentuadas.
e) não está de acordo com as regras de acentuação
02.18. Assinale a alternativa em que todas as palavras são gráfica da Língua Portuguesa, pois se trata de uma
acentuadas. palavra proparoxítona e de acordo com as regras de
a) Salario, urgencia, cinico, sabado, prejuizo. acentuação em vigor, as palavras proparoxítonas não
b) Impossivel, comercio, apos, gramatical, economia. são acentuadas.

Discursivos
O texto que segue serve de base à resolução das questões 02.20 e 02.21.

Uma história de mil anos


– Hu...hu...
É como nos invios da mata soluça a juriti.
Dois hus – um que sobe, outro que desce.

Português 1A 15
O destino do u!... Veludo verde-negro transmutado em som – voz das tristezas sombrias. Os aborígines,
maravilhosos denominadores das coisas, possuiam o senso impressionista da onomatopeia. Urutáu, urú,
urutú, inambú – que sons definirão melhor essas criaturinhas solitarias, amigas da penumbra e dos recessos?
A juriti, pombinha eternamente magoada, é toda us. Não canta, geme em u – geme um gemido aveluda-
do, lilás, sonorização dolente da saudade.
O caçador passarinheiro sabe como ela morre sem luta ao mínimo ferimento. Morre em u...
Já o sanhaço é todo as. Ferido, debate-se, desfere bicadas, pia lancinante.
A juriti apaga-se como chama de algodão. Fragil torrão de vida, extingue-se como se extingue a vida do
torrão de açucar ao simples contacto da agua. Um u que se funde.
In: LOBATO, Monteiro. Negrinha. 9.a ed. São Paulo: Brasiliense, 1959, p.135.

02.20. (VUNESP – SP) – No conto Uma História de Mil Anos, Monteiro Lobato interpreta os valores expressivos dos sons com
que representamos o canto dos pássaros, bem como de vocábulos onomatopaicos que a Língua Portuguesa herdou do tupi.
Com base neste comentário, responda:
a) Para exprimir relações entre som e sentido, os escritores muitas vezes se servem da sinestesia, ou seja, da mescla de dife-
rentes impressões sensoriais, como por exemplo no sintagma “ruído áspero e frio”, em que se misturam sensações auditivas
(“ruído”) e tácteis (“áspero e frio”). Localize, no quinto parágrafo do conto, um sintagma em que ocorre procedimento
semelhante e identifique as impressões sensoriais evocadas.

b) Monteiro Lobato não concordava com as regras de acentuação do Sistema Ortográfico vigente, instituído em 1943, e não
as empregava em seus textos. As diversas edições de suas obras têm mantido a acentuação original do escritor. Após reler
o texto apresentado, localize duas palavras cuja acentuação não esteja de acordo com a ortografia oficial e mencione as
regras a que deveriam obedecer.

02.21. (VUNESP – SP) – A palavra “germens”, paroxítona terminada em “-ens”, é grafada corretamente sem nenhum acento
gráfico.Tomando por base esta informação,
a) explique a razão pela qual se escreve no plural “germens” sem acento gráfico, enquanto a forma do singular “gérmen”
recebe tal acento.

16 Extensivo Terceirão
Aula 02

b) apresente outro vocábulo de seu conhecimento em que se observa essa mesma diferença de acentuação gráfica entre
a forma do singular e a forma do plural.

Gabarito
02.01. a) secretária, 02.09. d “água”, bem como a paroxítona ter-
d) partirá, 02.10. b minada em “L”, “frágil”, e a paroxítona
f ) além, 02.11. c terminada em “R”, “açúcar”. O autor
h) fórceps, 02.12. a tampouco acentua a palavra “possuí-
i) álbuns, família. 02.13. c am“, que deve ser acentuada por con-
02.02. a) As paroxítonas terminadas em “ens” 02.14. b ter “í” tônico, segunda vogal do hiato,
não são acentuadas. 02.15. b sozinho na sílaba. Ao aluno caberia
b) As palavras “pólen” e “néctar” devem 02.16. e mostrar apenas duas palavras.
ser acentuadas pela regra das paro- 02.17. 46 (02, 04, 08, 32) 02.21. a) Segundo a ortografia vigente, de-
xítonas (respectivamente terminadas 02.18. a vem ser acentuados os paroxítonos
em “n” e “r”). 02.19. c terminados em “N”, mas não devem
c) A palavra “item”, paroxítona termina- 02.20. a) No quinto parágrafo do texto há a ser acentuados os paroxítonos ter-
da em “em”, não recebe acento gráfi- expressão “geme um gemido avelu- minados em “ENS”. Na ortografia do
co. dado, lilás, sonorização dolente da português uma regra de acentua-
d) De igual modo, “itens”, paroxítona saudade.” que é uma forma de sines- ção é complementar a outra. Assim,
terminada em “ens”, não deve ser tesia, pois remete a mais de um sen- acentuam-se as oxítonas terminadas
acentuada. Não confundir com as tido: “gemido” diz respeito a audição, em “ÉNS”, como “reféns” ou “arma-
oxítonas terminadas em “ém” ou “éns”. “aveludado” a tato, “lilás” a visão e “so- zéns”. Não se acentuam, contudo,
02.03. a norização dolente” de novo a audição. as paroxítonas terminadas em “ENS”,
02.04. e b) Monteiro Lobato não acentua, por como “hifens” ou “semens”.
02.05. b exemplo, a palavra “aborígines” e “mí- b) Exemplos para possíveis respostas:
02.06. d nimo”, que devem ser acentuadas por “abdômen” e “abdomens”, “hífen” e
02.07. c serem proparoxítonas. Não acentua “hifens”, “hímen” e “himens”, “pólen” e
02.08. b as paroxítonas terminadas em diton- “polens”.
gos, tais como “solitárias”, “ínvios” e

Português 1A 17
Português
Aula 03 1A
Acentuação gráfica (II)

Acentuação de hiatos
O hiato é o encontro de duas vogais; como cada vogal 1. as vogais I e U são as segundas vogais do hiato;
é o centro de uma sílaba, o hiato envolve duas sílabas:
2. estão sozinhas na sílaba ou seguidas de S;
3. formam hiato com a vogal anterior;
PO – E – TA
CA – IR – MOS 4. não vêm antes de NH, nem depois de ditongo;
5. não há duplicação de ii .
Certos pares de palavras se escrevem com a mesma Observem que se acentuam oxítonas terminadas em
sequência de letras, mas se leem diferentemente: I ou U, não porque sejam oxítonas, mas por contraírem
hiato nas condições acima. Por isso recebem acentos
CAIA e CAÍA termos como Jaú, Jundiaí, Anhangabaú, caí, aí, daí e baú.
PAIS e PAÍS

Para evitar ambiguidade nesses casos, acentua-se o Atenção


hiato (como já se terá depreendido dos exemplos).
Mudou com o Acordo
A regra do hiato aplica-se apenas às vogais tônicas I e
U, sozinhas na sílaba ou seguidas da letra S. Antes do Novo Acordo, essa regra não contem-
As palavras poeta, Saara e mioma, por exemplo, não plava a exceção relativa a vogais tônicas I e U após
se enquadram na regra, pois sua vogal tônica é respecti- ditongo. Confira:
vamente E, A e O.
Antes do acordo Atualmente
As palavras juiz, cairmos, Caim, Raul e azul também (com acento) (sem acento)
não se encaixam, pois nelas as vogais I e U aparecem
acompanhadas das letras Z, R, M, L (e a regra só permite Feiúra Feiura
a letra S).
Baiúca Baiuca
Acentuam-se por essa regra termos como raízes,
juíza, caía, saía, viúva, saúva, saúde, amiúde e baú, em Boiúno Boiuno
que as vogais tônicas I e U formam hiato com a vogal
anterior e estão sozinhas na sílaba.
Também recebem acento vocábulos como caíste,
saístes, faísca, país e balaústre, em que as vogais tônicas
I e U estão seguidas de S em sua sílaba.
Ditongos abertos
Acentuam-se os ditongos abertos ÉU, ÉI e ÓI, segui-
A regra do hiato traz duas exceções. dos ou não de S, quando eles figurarem em vocábulos
Não se acentuam as palavras em que as vogais tôni- oxítonos ou monossílabos. Exemplo: chapéu, réus, réis,
cas I e U estiverem seguidas de NH − como em rainha, tonéis, corrói, heróis.
tainha e moinho − ou antecedidas de ditongo – como É relativamente comum que o termo acentuado
em feiura e baiuca. seja um plural (como anzóis, anéis, bacharéis e faróis)
Por fim, não se acentuam aquelas em que a vogal i que advém de um singular não acentuado (caso de
vem duplicada, como em xiita. anzol, anel, bacharel e farol ).
Em resumo, a regra do hiato se aplica conforme as Palavras como ateu, camafeu, foi ou pois não rece-
seguintes condições: bem acento porque nelas o ditongo é fechado.

18 Extensivo Terceirão
Aula 03

A forma “convidá-la-ia” decorre de “convidaria” + “a”.


Atenção Também nesse caso os elementos devem ser consi-
derados um a um. O elemento “convidá” é acentuado
Mudou com o Acordo por ser uma oxítona em A; “la” é um monossílabo átono,
por isso não acentuado; “ia” é paroxítona terminada em
Antes do Novo Acordo, essa regra abrangia
A, sem acento, portanto.
também vocábulos paroxítonos, que agora não são
mais acentuados. Confira: Podem ocorrer, na primeira pessoa do plural,
formas verbais com dois acentos:
Antes do acordo Atualmente (5) Se Vossa Senhoria nos consentisse, convidá-la-
(com acento) (sem acento) -íamos para um passeio pelo bosque.
Idéia Ideia
Assembléia Assembleia Verbos ter, vir e derivados
Onomatopéia Onomatopeia Os verbos ter e vir apresentam, no presente do
Heróico Heroico indicativo, as formas de 3a. pessoa, singular e plural,
fonologicamente iguais. Na escrita, essa identidade po-
Jibóia Jiboia
deria levar a ambiguidades. Para diferenciar, acentua-se
Paranóia Paranoia a forma do plural.
(7) A minha sopa não tem osso nem tem sal.
Noel Rosa, O orvalho vem caindo

Formas verbais com hífen (8) Conheço indivíduos preguiçosos que têm faro…
Graciliano Ramos, São Bernardo
O hífen, por função primordial, indica autonomia de
pronúncia entre os elementos que formam a palavra. As- (9) Diz-se que uma desgraça nunca vem só, e costu-
sim escrevemos pré-história, com dois elementos sepa- ma ser verdade…
rados por hífen, porque cada um deles tem sua própria José Saramago, Memorial do convento
sílaba tônica, ambas, aliás, acentuadas graficamente.
As formas verbais que apresentam pronome (10) Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito
colocado após o verbo (ênclise) ou “no meio” do verbo numerosas.
Graciliano Ramos, São Bernardo
(“mesóclise”) podem, por isso, ser acentuadas:
Repare que as formas no singular, tem e vem, não
(1) Você deveria ajudá-lo na escola.
estão acentuadas. São monossílabos terminados em
(2) Os doces já estão prontos. Posso distribuí-los? EM; a regra diz que só se acentuam os monossílabos
Mas nem sempre isso ocorre: terminados em A(S), E(S) ou O(S). Mas o plural, têm e
(3) Decidi contar-lhe toda a verdade. vêm, recebe o acento circunflexo, que o diferencia do
(4) O bolo está pronto. Posso reparti-lo? singular.
Para saber se há ou não acento, você deve “isolar” as Nos verbos derivados, ambas as formas são acentu-
palavras separadas pelo hífen. Essas palavras têm pro- adas. O singular recebe acento agudo, e o plural, acento
núncia autônoma e são (ou não) acentuadas conforme circunflexo.
as regras normais. (11) O Brasil detém apenas uma pequena parcela do
Por exemplo: “ajudá-lo” se escreve “ajudá” + “los”. A comércio internacional.
forma “ajudá” é acentuada por ser uma oxítona termina- (12) Essas comparações contêm uma injustiça, pois
da em A. A forma “los” não recebe acento por ser um
houve uma crise na Ásia, e a economia brasileira
monossílabo átono.
sofre involuntariamente seus efeitos.
Em “distribuí-los”, a forma “distribuí” recebe acento Celso Pinto, Folha de S. Paulo, 28/12/97
pela regra do hiato. Mas em “reparti-lo”, a forma “reparti”
não apresenta hiato; como se trata de oxítona terminada (13) O risco do negócio advém das incertezas da Nova
em “i”, não há acento gráfico. Economia.
O mesmo procedimento ocorre nas mesóclises, hoje (14) As frutas consumidas em São Paulo provêm de
bastante raras. regiões próximas à cidade.
(5) Se Vossa Senhoria me consentisse, convidá-la-ia Os plurais contêm e provêm recebem acento circun-
para um passeio pelo bosque. flexo para diferenciá-los do singular correspondente.

Português 1A 19
Já as formas detém e advém são acentuadas, mesmo
no singular, porque não são vocábulos monossílabos, Atenção
mas oxítonos. E a regra para acentuar oxítonas não é a
mesma que acentua monossílabos. Enquanto estes são Mudou com o Acordo
acentuados quando terminam apenas em A(S), E(S) ou
Veja os principais acentos diferenciais que dei-
O(S), acentuam-se as oxítonas terminadas não só em
xaram de vigorar com o Novo Acordo Ortográfico:
A(S), E(S) ou O(S), mas também em EM e ENS.
Antes do acordo Atualmente
(com acento) (sem acento)
Pára (verbo) ≠ para
Atenção (preposição)
Para

Mudou com o Acordo Pêlo (substantivo) ≠ pelo


Pelo
(prep. por + artigo o)
Com o Novo Acordo Ortográfico, deixaram de
ser acentuadas as formas verbais terminadas com Pólo (substantivo) ≠ polo
Polo
(preposição antiga)
a sequência – EEM. Esse princípio afetava formas
flexionadas dos verbos crer, dar, ler, ver e seus Pêra (substantivo) ≠ pera
Pera
derivados. Confira: (preposição antiga)

Antes do acordo Atualmente O Acordo de Unificação Ortográfica eliminou


(com acento) (sem acento)
o trema, marca que assinalava a pronúncia
Vêem Veem átona da vogal U em palavras como sequestro e
Crêem Creem tranquilo. Igualmente, deixaram de vigorar alguns
acentos relativamente raros, que registravam a
Dêem Deem
pronúncia tônica da vogal U em formas de verbos
Lêem Leem como apaziguar. Confira:
Revêem Reveem Antes do acordo Atualmente
Descrêem Descreem (com trema (sem trema
ou acento) ou acento)
Tranqüilo Tranquilo
Seqüestro Sequestro
Acentos diferenciais Agüentar Aguentar
Tradicionalmente vigorava para a língua portuguesa Pingüim Pinguim
um acento que distinguia palavras que se diferenciam
pelo timbre, aberto ou fechado, das vogais tônicas Argúe Argue
representadas por E ou O. Apazigúe Apazigue
Por exemplo, o substantivo almoço se escrevia
“almôço” para diferenciar da forma verbal almoço (com
/ó/). O mesmo para o pronome ele, escrito “êle” para
Folhapress/Jean Galvão

diferenciar do nome da letra ele.


Esse acento foi abolido em 1971, preservando-se
apenas, como exceção, a diferença entre o passado e o
presente do verbo poder:
(21) Ontem ele pôde vencer o jogo. (com acento para
indicar o passado)
(22) Hoje ele certamente pode novamente. (sem
acento, no presente)
Outros diferenciais que persistiam foram suprimidos
pelo Acordo de Unificação Ortográfica vigente a partir
de 2009. Permanece, como exceção, o acento na forma
infinitiva pôr, em contraste com a preposição por : Folha de S. Paulo, 03/01/09, p. A2.
Em geral supressor de acentos, o Novo Acordo ` O Novo Acordo Ortográfico foi amplamente notificado
adicionou um diferencial, optativo, para distinguir os pela mídia e se prestou, inclusive, a textos de humor,
como o da charge acima.
substantivos fôrma e forma.
20 Extensivo Terceirão
Aula 03

Testes
03.05. (UEL – PR) – Sobre cada uma das marcações feitas
Assimilação no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. A palavra “idéia ”perderá o acento, visto que haverá
03.01. (UECE) – Devem ser acentuados todos os vocá-
alteração no timbre dessa palavra cujo ditongo aberto
bulos de:
passará a ser fechado.
a) bau, rainha, restituiste;
b) construimos, distraido, substituia; II. Em “tranqüilo”, a eliminação do trema implicará alteração
c) faisca, gaucho, viuvez; na pronúncia, aproximando-a da palavra “aquilo”.
d) saisse, saiu, uisque; III. “Pára” perderá o acento que o diferencia de “para,” o que
e) tainha, faisca, sairmos. exigirá do leitor a observação do contexto para a correta
distinção desses vocábulos.
03.02. (UFRJ) – Assinale o item em que há dois vocábulos IV. Quanto a “auto-suficiente”, o acréscimo do “s” visa manter
acentuados inadequadamente. a pronúncia original de “suficiente” quando este se juntar
a) fôste – íris; b) estrêla – lânguido; ao prefixo “auto” sem a presença do hífen.
c) íris – lânguido; d) fôste – estrêla; Assinale a alternativa correta.
e) hifens – mágoa. a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
03.03. Assinale a alternativa em que ocorre erro na acen- b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
tuação gráfica da forma verbal acompanhada de pronome. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
a) ferí-la-íamos; b) cantá-la-íeis; d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
c) compô-la; d) vendê-la; e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
e) retribuí-la.
03.06. (UEL – PR) – Levando-se em conta que o texto é
Leia o texto a seguir e responda às três próximas questões dirigido a um potencial comprador do dicionário anunciado,
assinale a alternativa correta quanto à sua construção.
I. O anúncio, ao dirigir-se ao leitor, reforça a finalidade
persuasiva própria do gênero anúncio publicitário.
II. A segunda frase pressupõe desconhecimento, por parte
do leitor, do conteúdo das mudanças referidas na per-
gunta lançada anteriormente.
III. O uso do modo imperativo, comum em anúncios publi-
citários, está contrariando a norma-padrão do Português,
por misturar pessoas verbais.
IV. Os adjetivos presentes no anúncio publicitário conferem
ao texto maior cientificidade.
NOVA Escola, São Paulo: Abril. ago. 2008. 4.a capa Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
03.04. (UEL – PR) – O texto faz parte da propaganda de um b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
dicionário de língua portuguesa. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
Sobre as marcas de correção presentes no texto, assinale a
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
alternativa correta.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
a) Trata-se de retificações, no plano semântico, das palavras
do léxico brasileiro.
b) Referem-se às alterações ortográficas a serem feitas na Aperfeiçoamento
língua portuguesa.
c) São correções necessárias para a modificação da pronún- 03.07. (FGV – SP) – Observe a ocorrência da mesóclise nos
cia dessas palavras. seguintes exemplos:
d) São parte das mudanças sintáticas que deverão ocorrer – veremos + o = vê-lo-emos;
em breve no Português. – faríamos + os = fá-los-íamos;
e) Configuram sugestões de correção para que o texto se
torne mais coeso. – veríamos + a = vê-la-íamos.

Português 1A 21
Assinale abaixo a alternativa em que c) Aqueles que tem acesso a uma boa escola e escrevem regularmente não tem
a mesóclise ocorre de acordo com a problemas (graves, pelo menos) de grafia.
norma culta. d) Aqueles que têm acesso a uma boa escola e escrevem regularmente não têm
a) Fa-los-ei. problemas (graves, pelo menos) de grafia.
b) Entende-los-ás. e) Aqueles que têm acesso a uma boa escola e escrevam regularmente não tem
c) Partí-las-ás. problema (grave, pelo menos) de grafia.
d) Integrá-las-eis.
03.12. (FAG – PR) – Identifique a frase em que há erro de acentuação:
e) Intui-las-emos. a) Um pensamento que nos ilumine a existência, eis o melhor presente que os
03.08. (MACK – SP) – céus nos podem dar.
b) O acaso é, talvez, o pseudônimo que Deus usa, quando não quer assinar suas obras.
I. Pacaembú – dinamarquêsa – juiz
– mêses c) A pessoa que não lê, mal fala, mal ouve, mal vê.
II. pudico – ítem – moinho – vêz d) No esquema cósmico tudo têm um propósito a preencher.
III. Anhangabaú – táxi – mês – estáveis e) Sê humilde, se queres adquirir a sabedoria: sê mais humilde ainda, quando a
tiveres adquirido.
Quando à acentuação, assinale:
a) se apenas III está correta. 03.13. (INSPER – PR) –
b) se apenas I está correta.
c) se todas estão corretas.
d) se apenas II está correta.
e) se todas estão incorretas.

03.09. (FEI – SP) – Assinalar a alter-


nativa em que todos os hiatos não
precisam ser acentuados:
a) balaústre – saúde – viúvo – baú.
b) juízes – jesuítas – ateísmo – taínha. Levando em conta as informações do primeiro quadrinho, identifique a alternativa
c) paúl – atraír – raínha – raíz – juíz. que apresenta a palavra que também sofreu alterações na acentuação gráfica
d) baía – contribuír – saída – juízo. devido à regra mencionada.
e) faísca – baínha – caída – ataúde. a) plateia b) heroico c) gratuito d) baiuca e) caiu
03.10. (FGV – SP) – Os dois hiatos das
formas verbais devem ser acentuados Aprofundamento
apenas na alternativa:
a) refluir, intuindo. O texto a seguir é referência para as questões de números 03.14 e 03.15.
b) construindo, destruido.
c) caida, saiste. Sustentabilidade na moda, todo dia
d) instruido, intuir. 1 Quem quer ser sustentável pode pensar em novas formas de
e) refluira, destruindo. 2 agir sempre. Dá para ir muito além do que está se tornando tri-
3 vial para muita gente, como separar o lixo orgânico do reciclável,
03.11. (UP – PR) – “Quem tem acesso 4 usar transporte público ao _______ do carro, fechar a torneira
a uma boa escola e escreve regular- 5 enquanto escova os dentes ou toma banho...
mente não tem problemas (graves,
pelo menos) de grafia. ”Se nessa frase 6 Isso é básico! E basta ficar atento ao seu ____ para identificar
o pronome “quem “ for substituído 7 boas oportunidades para mudar hábitos. Foi o que fez a america-
por “aqueles que”, serão necessários 8 na Marisa Lynch quando pensou no projeto New Dress Day. Ela
outros ajustes, que estão indicados na 9 colocou, literalmente, a sustentabilidade na moda e na sua rotina.
alternativa: 10 _______ beira dos 30 anos, quando foi demitida do emprego que
a) Aqueles que tem acesso a uma boa 11 detestava e ainda sem saber o que fazer, Marisa assistiu ao Ju-
escola e escrevem regularmente 12 lie & Julia, estrelado por Meryl Streep. Inspirada na personagem
não tenham problemas (graves, 13 Julie – que buscava inspiração no livro de receita de Julia para
14 aprender a cozinhar –, resolveu criar um blog com duração de um
pelo menos) de grafia.
15 ano, impondo-se um desafio: passar 365 dias longe das lojas de
b) Aqueles que têm acesso a uma 16 roupas, criando um vestido por dia com itens comprados por um
boa escola e escreve regularmente 17 dólar em brechós e vendas de garagem.
não têm problemas (graves, pelo
menos) de grafia.
22 Extensivo Terceirão
Aula 03

As questões 03.16 a 03.18 estão relacionadas ao texto abaixo.


18 Com a ajuda da máquina de costura herdada
19 da mãe, Marisa transformou peças antigas em 1 No século XV, viu-se a Europa invadida por
20 modelitos estilosos. A experiência foi tão boa 2 uma raça de homens que, vindos ninguém sabe
21 e recompensadora que ela resolveu continu- 3 de onde, se espalharam em bandos por todo
22 ar criando moda, só que sem o compromisso 4 o seu território. Gente inquieta e andarilha,
23 diário. Assim, o blog New Dress Day continua 5 deles afirmou Paul de Saint-Victor que era
24 sendo atualizado e inspirando outras mulheres. 6 mais fácil predizer o das nuvens
25 Quer saber de mais uma inspiração ligada 7 ou dos gafanhotos do que seguir as pegadas
26 à moda e muito sustentável que também está 8 da sua invasão. Uns risonhos despreocupados:
27 dando muito certo? O Bazar de Trocas da re- 9 passavam a vida esquecidos do passado e
28 vista Estilo, da Editora Abril. Trata-se de uma 10 descuidados do futuro. Cada novo dia era uma
29 comunidade criada pela revista no Facebook 11 nova aventura em busca do escasso alimento
30 que, em apenas três semanas, conquistou mais 12 para os manter naquela jornada. Trajo? No
31 de 21 mil fãs e tornou-se um dos maiores gru- 13 mais completo : sujos
32 pos dessa rede social no Brasil. 14 e puídos cobriam-lhe os corpos queimados do
15 sol. Nômades, aventureiros, despreocupados –
33 A iniciativa surgiu numa reunião de pauta 16 eram os boêmios.
34 entre jornalistas e produtoras da revista e teve,
35 como primeira fase, um encontro entre bloguei- 17 Assim nasceu a semântica da palavra
36 ras de moda _______. Em um simpático almo- 18 boêmio. O nome gentílico de Boêmia passou
37 ço, elas trocaram peças que não queriam mais 19 a aplicar-se ao indivíduo despreocupado, de
38 e também ótimas ideias a respeito do tema. Daí 20 existência irregular, relaxado no vestuário,
39 veio a comunidade virtual para incentivar as 21 vivendo ao deus-dará, à toa, na vagabundagem
40 leitoras da revista e amigas a evitar o desperdí- 22 alegre. Daí também o substantivo boêmia.
41 cio e aumentar a vida útil de suas peças. Na definição de Antenor Nascentes: vida
23 despreocupada e alegre, vadiação, estúrdia,
42 No bazar de Trocas, as participantes ofe- 24 vagabundagem. Aplicou-se depois o termo,
43 recem as peças que não querem mais. Tem de 25 especializadamente, à vida desordenada e
44 tudo: bolsas, cintos, lenços, bijuterias, calças, 26 sem preocupações de artistas e escritores mais
45 blusas, vestidos. Por lá “circula “gente que já 27 dados aos prazeres da noite que aos trabalhos
46 está bem acostumada com essa prática, e tam- 29
28 do dia. Eis um exemplo clássico do que se
47 bém quem é novata nessa negociação na qual 30 chama degenerescência semântica. De limpo
48 dinheiro não entra. E, pelo que deu para sentir gentílico – natural ou habitante da Boêmia
49 até agora, tem sido uma ótima oportunidade 32
31 – boêmio acabou carregado de todas essas
50 para boa parte das adeptas renovar o visual conotações desfavoráveis.
51 sem gastar e ainda conhecer novas amigas. 33 A respeito do substantivo boêmia, vale
52 E você? Também tem alguma ideia inova- 34 dizer que a forma de uso, ao menos no Brasil, é
53 dora (e sustentável) para colocar em prática? 35 boemia, acento tônico em – mi. E é natural que
Revista Superinteressante, abril de 2011.
36 assim seja, considerando-se que-ia é sufixo que
37 exprime condição, estado, ocupação. Conferir:
38 alegria, anarquia, barbaria, rebeldia, tropelia,
03.14. (USF – SP) – Selecione a opção que completa cor- 39 pirataria... Penso que sobretudo palavras como
retamente as lacunas das linhas 04, 06, 10 e 36 respectiva-
40 folia e orgia devem ter influído na fixação da
mente.
41 tonicidade de boemia. Notar também o par
a) invés dia a dia À superbadaladas
42 abstêmio/abstemia. Além do mais, a prosódia
b) invés dia-a-dia A super-badaladas
43 boêmia estava prejudicada na origem pelo
c) invéz dia a dia A superbadalada
44 nome próprio Boêmia: esses boêmios não são
d) invez dia-a-dia A super badaladas
45 os que vivem na Boêmia....
e) invez dia a dia À super-badalada
Adaptado de: LUFT, Celso Pedro. Boêmios, boêmia e boemia.
03.15. (USF – SP) – Ao perder o acento gráfico, algumas In: O romance das palavras. São Paulo: Ática, 1996. p. 30-31.
palavras podem se transformar em outras, já existentes na
Língua Portuguesa, por meio da mudança da sílaba tôni- 03.16. (UFRGS) – Assinale a alternativa que completa corre-
ca. Assinale a opção em que isso acontece com todas as tamente as lacunas das linhas 06 e 13, nesta ordem.
palavras. a) etinerário – desleicho – molambos
a) dá (I. 02) hábitos (I. 07) lá (I. 45)
b) itinerário – desleixo – mulambos
b) está (I. 02) daí (I. 38) básico (I. 06)
c) até (I. 49) máquina (I. 18) experiência (I. 20) c) itinerário – desleixo – molambos
d) dólar (I. 17) é (I. 47) orgânico (I. 03) d) itinerário – desleixo – mulambos
e) prática ( I. 46) público (I. 04) diário (I. 23) e) itinerário – desleicho – mulambos

Português 1A 23
03.17. (UFRGS) – Considere as seguintes afirmações.
I. O substantivo comum boêmio pode designar tanto um brasileiros pensam que é. Há pelo menos 70 anos os
indivíduo que pertence ao povo originário da Boêmia norte-americanos fazem e refazem essa historia de
gente humilde buscando e alcançando o sucesso.
quanto um indivíduo de vida alegre e despreocupada,
dado aos prazeres da noite. Entre nós isso é original sobretudo pela hi-
pocrisia implicada: sabemos muito bem que essa
II. O termo boêmio designava – por causa do modo de vida
fábula do direito do homem pobre de impor o
irregular, aventureiro e despreocupado – o povo que
seu valor é uma farsa. Falta-lhe o mínimo de con-
invadiu a Europa no século XV. dições materiais (e democráticas, falemos com
III. O substantivo que exprime a condição ou o estado cor- franqueza) para chegar a isso. Restam duas portas
respondente a boêmio, no Brasil, tem a forma boemia, estreitas: a música popular e o futebol.
razão por que é incorreto utilizarmos boêmia. Pode haver exceções aqui e ali, mas a história
Quais estão corretas, de acordo com o texto? de ascenção social aqui narrada existe basicamen-
a) Apenas I. b) Apenas II. te para comover a classe média que hoje vai ao
c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. cinema (e que, em geral, já teve suas chances).
e) I, II e III. Ok, os críticos de cinema são uns chatos,
estraga-prazeres etc. Mas há um mínimo a exi-
03.18. (UFRGS) – Considere os pares de palavras abaixo. gir na vida, que inclui, no caso, um pouco de
1. puídos (I. 14) e indivíduo (I. 19) verdade na relação entre a vida real, sua repre-
2. Boêmia (I. 18) e próprio (I. 44) sentação e suas decorrências.
3. deus-dará (I. 21) e Daí (I. 21)
03.19. Indique, entre as opções a seguir, aquela em que
Em quais pares as palavras respeitam a mesma regra de
a palavra não está seguida de seu adequado referente
acentuação ortográfica?
textual.
a) Apenas 1. b) Apenas 2.
a) “essa fábula“ – “essa história de gente humilde buscando
c) Apenas 3. d) Apenas 1 e 2. e alcançando o sucesso”.
e) Apenas 1 e 3. b) “seu” – “do homem pobre”.
Leia o texto a seguir, publicado pela Folha de S. Paulo c) lhe” – “homem pobre”.
em 22 de dezembro de 2006, na p. E-11, para resolver as d) “isso” – homem pobre impor o seu valor “.
questões de números 03.19 e 03.20. e) “que” do terceiro parágrafo – “exceções aqui e ali”.

Crítica 03.20. Dentre as alternativas a seguir, aponte aquela que


não traz palavras do texto acentuadas pela mesma razão
“Dois Filhos” traz história para classe média ver gramatical.
Inácio Araujo a) “é”- “nós”. b) “história “ – “fábula”.
Critico da FOLHA
c) ” fábula” –“mínimo”. d) “mínimo” – “música”.
“Dois filhos de Francisco” (Telecine Premium, e) ”críticos “ – “música”.
22h) não é nem de longe o grande filme que alguns

Discursivos
03.21. (FGV – SP) – Leia o texto abaixo, fragmento de um conto chamado “A nova Califórnia “, de Lima Barreto. Depois, res-
ponda à pergunta correspondente.

Ninguém sabia donde viera aquele homem. O agente do correio pudera apenas informar que acudia ao
nome de Raimundo Flamel (...........). Quase diariamente, o carteiro lá ia a um dos extremos da cidade, onde
morava o desconhecido, sopesando um maço alentado de cartas vindas do mundo inteiro, grossas revistas
em línguas arrevesadas, livros, pacotes...
Quando Fabrício, o pedreiro, voltou de um serviço em casa do novo habitante, todos na venda pergun-
taram-lhe que trabalho lhe tinha sido determinado.
– Vou fazer um forno, disse o preto, na sala de jantar.
Imaginem o espanto da pequena cidade de Tubiacanga, ao saber de tão extravagante construção: um
forno na sala de jantar! E, pelos dias seguintes, Fabrício pôde contar que vira balões de vidros, facas sem
corte, copos como os da farmácia – um rol de coisas esquisitas a se mostrarem pelas mesas e prateleiras como
utensílios de uma bateria de cozinha em que o próprio diabo cozinhasse.

24 Extensivo Terceirão
Aula 03

Explique por que a forma verbal pôde traz acento circunflexo.

03.22. Compare as duas frases a seguir:


1. Que força detém esses bárbaros?
2. Que força detêm esses bárbaros?
a) Qual a diferença formal entre as duas frases?

b) Como se classifica sintaticamente o termo “esses bárbaros” na primeira frase e na segunda?

c) Qual o significado do verbo deter nos dois enunciados?

Gabarito
03.01. b 03.14. a 03.22. a) A diferença formal está na acentua-
03.02. d 03.15. c ção das duas formas do verbo “deter”:
03.03. a 03.16. c “(Ele) detém”, na terceira pessoa do
03.04. b 03.17. a singular, com acento agudo, e “(Eles)
03.05. c 03.18. b detêm”, na terceira pessoa do plural,
03.06. d 03.19. e com acento circunflexo.
03.07. d 03.20. b b) Na primeira frase, o termo “esses bár-
03.08. a 03.21. Na construção “..., Fabrício pôde contar baros” se classifica como objeto direto
03.09. c que...”, a forma verbal é passada, a forma e na segunda frase como sujeito.
03.10. c “pôde” está no pretérito perfeito do indi- c) Na primeira frase “deter” significa “con-
03.11. d cativo. O acento ocorre para distinguir ter”, “impedir o avanço”: questiona-se
03.12. d a forma do pretérito perfeito da forma que força é capaz de deter o avanço
03.13. d presente do mesmo verbo “poder”, como desses bárbaros. Na segunda frase,
acontece em “Hoje ele pode contar...”. “deter” equivale a “possuir”: indaga-se
que força os bárbaros têm em seu po-
der, que força eles possuem.

Português 1A 25
Anotações

26 Extensivo Terceirão

Você também pode gostar