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CROÃO DA -A.33E CE-VR-EJNJ-Sl- LIBERTADOBA.


• •*.¦*»•« .!•..

« Ama a teu próximo como a ti mesmo. »

Jesus.

Nti) tc.tf/assiLnai/es, vende-se avulso: o publico coaren.se seja generoso em protegel-o.

FORTALEZA, 15 UE JANEIRO DE 1881 NUM. 2

perspectiva de sua naturesa, que ha de conter era


LIBERTADOR. seu seio o elemento servil, elemento de vergonha,
que o desconceitua na _______ jiajmações-ciA^iisa-das-?
é
üh ! não; é tempo que desappareça do meio de
I*ublicaç»o qainzenal9 este jornal nós esta infâmia que retarda o nosso progresso e
¦destinado ã propaganda e interesses nos distancia do lugar que compete-nos no congresso
abolicionistas. Or«âo da sociedade-
das nações.
CJEAUE-^E LIBiEttTAD01tA9elle ac- Em quanto a liberdade não congraçar-nos no
eeita qualquer publicação concebida mesmo amplexo, como irmãos que somos perante
nos termos do seu programem*. Deus e a humanidade, perante a civilisação e o pro-
gresso,seremos um povo sem autonomia, sem consci-
encia do nosso valor, por quanto amesquinha a nos-
Todas as publicações são dirigida* a sa grandeza,* as instituições liberaes que nos go-
-directoria ila wociedade. vernam, o desequelibrio de acção, o poderio do forte
contra o fraco, do senhor contra o escravo, cuja per-
manencia criminosa, a despeito dos brados de indig-
SUMMARIO:—Abaixo a escravidão.—A onda caminha
—Conseqüências da emancipação.—A jorna- nação da imprensa livre, atira ainda á face da na-
da promissora.—Gazetilha—Pax vobis !— ção a repitição de scenas de horrores, praticadas
«Gazeta do Norte».—«Cearense».—«Diáriode a sangue frio e em pleno século! XIX.
Noticias».—O mesmo jornal.—«Constituição».! Uli ! não; a escravidão não tem mais rasão de
—Fundo de emancipação.—Seccos e molha-
ser ; desapp a recicla de todas as nações que com gran-
dos.—O bispo e o escravo.—Si todos os ba-
rões fizessem assim.—Sarabatana aos dor- des sacriticios lavaram-na de seu solo, desappare-
mentes.-—Idalia França.—E' com vosco, po- cera tambem do Brazil, que deve orgulhar-se de não
vo !—Nas ventas.—O que ficou !—Expedien- ceder-lhes o passo na expansão dos sentimentos
TE—Relatório da inauguração da Sociedade nerosos. ge-
Cearense Libertadora pela Perseverança e
Porvir.—Folhetim—A sorte dos Negreiros. Só assim teremos fé. no futuro que se lhe des-
—Litteratura—Nova poesia de Antônio Be- enrola deslumbrante, na attitude soberana, que deve
zerra de Menezes.—Pacotilha negreira.— assumir como nação culta e que dam-lhe direito as
Pagina do povo—O homen-onça sobre a forças vitaes de
campa de Pedro Lopes.—Novidade.—Bene- que dispõe.
ficio.—Annuncio. Estlà mais que provado que só o. trabalho livre
è que ennobreee, e não aquelle que augmenta a for-
tuna publica, amontoada á custa das lagrimas e do
sangue dos desgraçados. .
Se uma parte do império só sabe elevar-se au-
, i,, H i ii. 11 i
xiliada pelo braço do escravo, que lhe proporciona
in i - - ¦ — - __^_—_________________________________— ii . . ¦¦_,.__—, ¦—

Fortaleza, 15 de Janeiro de 1881. as commodidades da riqueza, além da uberdade do


solo, da regularidade das estações, da doçura do
A/baixo a escravidão. clima, que tudo lhe é favorável, nós os desampara-
dos da fortuna, que luctamqs comas calamidades in-
Concidadãos ! herentes a posição geographica de nosso torrão, para
quem a vida é difficil e exige constante trabalho ;
Em meio das grandes idéias que nobilitam o nós os bedúinos do deserto, acostumados a arrancar
solo o sustento quotidiano com muito suor da
nosso século, uma grande vergonha faz ainda corar do
a nossa querida pátria. fronte, devemos orgulhar-nos de termos sido os pri-
E' a vergonha da escravidão ! meiros que enunciamos o trabalho livre e que pri-
E ser o Brazil, este paiz immenso,como immenso meiros extinguíramos o elemento servil, que tanto
'•-»*

destoado nosso adianta^--x


è seu território, livre, como livres sam suas matas Concidadãos! emp
seculares, cujas frondes topetam ás nuvens, altivo, regeneração
como altivas sam as catadupas que soerguem as unidos n'umos esforços
águas de seus rios-oceanos, rico, como rica é a ve- e só pensa
de seu solo, raagestoso, como magestosa é a escravidão !
getação
LIBERTADOR

Lembrae-vos que ó ella uaia violação ás leis nhando em forças relativamente ao tempo em que
moraes 0 sociaes do mundo moderno, que para nós actuou a ca.u^ paralysaute, conseguem .sem gran-
converge neste momento suas vistas, confiado na de esforço chamar ás suas bandeiras tójnesrno os
generosidade nunca desmentida de vossos corações. seus adversários inais estrenuos e afinal entoar o
Nós queacceitamos sem repugnância todos quan- canto triúmphal. \ \
tos melhoramentos a civilisaçSq tem inventado, que Os factos sè h&o encarregado de demonstrar a
fomos os primeiros em admittir ao uso o systema verdade dessa asserção a respeito da questão pai pi-
métrico decimal, quando em outras partes derra- tante da escravidão no Brazil, chaga cancerosa que
mou-se sangue para obrigar a sua introducção, que infecciona o grande organismo^la nação, macula
que
sem o bafejo áo governo já estávamos affeitos a ou- fere de frente os brios de um püvo nobre o
vir o grito da locomotiva abrangendo nao poucos roso. gene*
\ 1 %
kilometros de terreno, quo nao nos deixamos vencer A propaganda caminha. 1
em dedicação e patriotismo, nüo seremos iridifferen- Muitos Saúlos, tocados de mágica in«spiração, fa-
tes ao maior feito deste século—-a extinção da escra- zem-.se os da remissão dos captivos.
vatura. pregoeiros
A velhice, voz do passado, o a mocidade que
Acostudi^^ nao asymbolisa o futuro, dão-se alegres as mãos na cru-
rnãcKmãde ganhar dinheiro pelo trabalho zada a civilisação applaude e tem as bênçãos de
forçado, mas como o irmão que ha de um dia com- Ueus.que
partilha comnosco a gloria das grandes conquistas No liorisonte da Pátria faz-se já sentir com ve-
pela liberdade, que deve trabalhar ao nosso lado pe- hemencia luz crepuscular, arauto de um dia radi-
lo engrandecimento e renome desta querida pátria, ante ; ao embate do
ó também possante ariete da opinião des-
que pátria sua, -morena -se aos-poueos- o 1 u g u b r e edi fie io em
que a
Acreditamos que nestes einco annos, quando escravidão se acastella, e
muito, a nobre e heróica provincia do Ceará, tão a abrir a vala já ouvem-se as enxadadas
profunda que tem de receber" essa
afamada na paz e principalmente na guerra, onde idéia—cadáver,
ficou gravado para .sempre o seu nome laureado, er- O Ceará, a pátria de Pedro Pereira, o deputado
guerá a fronte ufana de orgulho por não conter
mais em seu seio um só de.sses infelizes, que a bar- que primeiro pediu aos altos poderes do Estado a li-
bertação dos escravos, abraça de coração os aposto-
bariaea infâmia transviaram do destino que lhes los de uma causa
competia perante a humanidade. que nobilita, lavrando assim vivis-
simo contra essa usurpação de todos os dí-
Concidadãos ! appellamos para o vosso heroísmo reitos,protesto contra essa planta damninha que Pedro Vaz
e certos de que nos auxiliareis neste grande empe- nos legou.
nho, em que tereis a maior porção de gloria pela
dedicação a causa dos que soffrem, da qui vos en- St.
víamos as nossas saudações.
Honra a vós que, reconhecendo quanto odioso é
hoje o nome de escravo perante as instituições libe- Ooxiseqxxexipias da emanei- *
raes que gosamos, haveis de trabalhar pela reali- P&ção.
sação do nosso mais ardente anhelo que também ha
de ser o vosso—a emancipação de. todos os escravos I
da provincia.
Confiados na vossa constância que não descae São terríveis e desanimadoras as predicções dos
ante as difficuldades, e animados pelos re- defensores da escravidão no Brazil, sobre a sorte
grandes dev.erão ter os que
sultados que haveis de obter neste bom combate, nós emancipados e os estabelecimentos
vos recommendaremos ao respeito da agrícolas, que constituem a melhor fonte de riqueza
posteridade e
gravaremos os vossos nomes no sanetuario de nossos publica no Império. t
corações, como bemfeitores qtie sois da mais Esse mau agouro, porém, não passa de um arti-
infeliz da humanidade. parte ficio ou embuste sustentado para embair os incautos
Viva a liberdade ! e ignorantes, offerecendo-se-lhes uma.theoria mons-
Abaixo a escravidão ! truosamente absurda.
Sempre que «algum vergalhista trata de
os seus ominosos prognósticos, não faz maisjustificar do que
a
revelar perversidade de seu coração.
A. onda cáminHa Tendo em frente a voz poderosa da nação,
se levanta orgulhosa que
E' lei sem excepção que a sociedade se sente e altiva por sua própria digni-
inexorável em estigmatisar os grandes crimes, as dade, já não se agarram os amigos da escravidão a
instituições sinistras, e que do arsenal de armas direitos tolerados pela lei civil:
a cólera e o desp.reso lhe ministrão, sabe escolherque Comprehendem que o poder legislativo é a na-
a- ção, e que o .seu magnânimo chefe não
quellas que possão ferir mais funcio os transgres- deixará de
sores dos sãos dictames da consciência universal. propugnar pela causa da liberdade, que a maioria dos
E' lei sem excepção também nossos concidadãos briosamente defende, tomando
que as idéias pu- mais brilhante attitude na a
ras, as grandes aspirações, atiradas ás reflexões das questão que se agita
massas populares, vão Soccorrem-se pois á ridículos agouros, desde-
a
augmentando o circulo pouco pouco germinando e nhando que a emancipação ha de
de suas sympathias e que produzir a maior
quando mesmo algum óbice, embora poderoso, se prosperidade ao paiz em todos os sentidos.
colloque em seu caminhar i A escravidão, como sabem todos, foi introduzida
«si demorão-
se um pouco em sua marcha progressivo, desae a mais remota antigüidade entre os
de conquistas, ellas ga- syrios, Egípcios, Judeos, povos (As-
Gregos Romanos etc. etc)
LIBERTADOR

por diversos fundamentos; havendo porém daquelles Os Uncle Tom contam-se aos milhares na Re-
para nós a differença notável do que, então—a escra- publica ; o ninguém ousa mais por em duvida que se
vidfto antiga,—-achava sua escusa no direito do ven- possa educar o negro nos mais elevados priucipios de
cedorem guerras internacionaes, o em differentos sciencia o de moral christan.
omissões ou culpas ; mas entre nós proveio da fonte Quanto ao progresso material, referiremos aqui
a mais indigna e reprovada que é possivel, qual a o que consta do relatório official apresentado em 1879
violência feita a miseráveis Africanos para arran- sobre o trabalho nos Estados do Sul na União, o qual,
cal-os do seu paiz e reduzil-os a escravidão por lu- segundo o Novo Mundo de Novembro, menciona os
ero ou ganância,—facto tolerado, até certo tempo, seguintes algarismos:
pelas jiossas leis ; restando depois, por nosso direito Em 1873 a cultura do algodão oecupava
o nascimento como fonte da escravidão.q' felizmente 7,500,000 acres (um acre—8*0 braças quadradas)
foi debellado pela humanitária lei de 2# de Setembro de terra. Em 1878 oecupava 12,000,000 acres-
de 1871. Assim pois a cultura do algodão, em cinco annos,
Sendo assim tão antiga a escravidão, posto que estendeu-se por mais 4,500,000 acres de terra.
ultrajante das leis naturaes e divinas ; e não exis- Bem se vé que a agricultura nos Estados Uni-
tindo hoje escravos em parte alguma do universo se dos não ficou morta nem moribunda em conseqüência
não no Brazil, quiséramos que os vergalhistas nos da emancipação: e que, pelo contrario, gosa da
apontassem ao menos uma só nação que tenha deca- maior vitalidade.
hido, ou não haja prosperado pela abolição da escra- A industria pastoril tem feito também progressos
vatura em seu seio. notáveis : o acerescimo em gado vaceum e suino é
Reservar, pois, somente para o Brazil a deca- orçado em 3,000,000 de cabeças no periodo decorrido
dencia e miséria, como conseqüência da emancipa- de 1869 á 1878.
ção, é um absurdo ; é uma irrisão atirada ao bom O deputado Wittborne (diz ainda o Novo Mun-
senso. dó) orça era cerca de 200 mil contos de réisdo moeda
Dizem a respeito dos emancipados,que se entre- Brazileira,o valor dos produetos do trabalho dos Es-
são permutados por mercadorias e
garão á preguiça, á vadiação, á embriaguez, ao rou- tados do Sul, que
bo ; e que acabarão mendigando pelas portas. manufacturas dos Estados da Nova-lnglaterra, de
Semelhante agouro, poróm, não se ha de reali- New-York, New-Jersey e Pensylvania.
sar entre nós, porque também não se realisou em A renda bruta dos caminhos de ferro dos Esta-
42,927,594 dollars por anno, o
parte alguma do mundo em idênticas circumstan- dos do Sul orça por
cias. que demonstra, á toda a evidencia, que elles não es-
Para convencer esta predicçao dos vergalhistas tão despovoados.
não passar de uma perniciosa especulação,—mais Mas o relatório officiid dá algarismos demons-
conservarem o dominical * e satisfazerem trando positivamente que as principaes villas e cida-
para poder
ao habito hediondo de dar vergalhadas (ha senhores des do Sul estão augmentando de população.
que tem escravos, porque não podem passar sem Durante os tempos da escravidão eram rarissi-
0 uso diário desse bárbaro e sanguinário vicio) mas as fabricas no Sul.
do que por amor dos seus próprios interesses, basta- Ha uma repulsão providencial entre a industria
nos considerar nos eífeitos da emancipação dos escra- manufactureira e a escravidão : é possivel lavrar a
vos nos Estados Unidos, da qual, não obstante ter terra com escravos ; mas é impossível fabricar
sido effectuada de chófre, resultaram grandes benefi- usurpando o trabalho dos nossos semelhantes.
-cios para aqueile paiz. Disso resultou que depois da emancipação os
Ali, os antigos escravos tem feito extraórdina- Estados do Sul estão se tornando manufactureiros ;
rios progressos em sua educação moral, scientifica e cada dia erguem-se novas fabricas, e em . breve
industrial como se acha perfeitamente demonstrado acabará o perigo em que estava a Republica, tendo
-em alguns artigos sobre a epigraphe «Educação dos em confederação Estados exclusivamente agricolas e
libertos» publicados em o Novo Mundo de Junho e Estados somente manufactureiros.
Julho de 1879. A' vista desse exemplo magno'; em presença
'¦- II ¦ desta prova pratica, é inexplicável a tibiesa dos es-
da Europa não tadistas do Brazil (contiaua o Novo Mundo) em de-
Quando muitos philantropos po- cre tar a completa emancipação dos èscrãvõsT" v
dião acreditar na possibilidade de conseguir, que
em poucos annos a raça africana fizesse a evolução (Continua.)
da semirbarbaria da escravidãoj)ara o máximo esta-
do de civilisação, no goso de todos osüireitos de cida-
dão dê uma Republica perfeitamente democrática,
Temos que esse prodigio está realisado: ha negros Jornada proniissõi^a.
nas Universidades, nas Academias, nos Collegios e
nas Escholas ; ha negros médicos, advogados e em
todas as profissões; ha negros deputados e senadores; Já não é uma aspiração utópica, vaga,indefinida
dos escravos.
ha negros padres e em todos os ramos da religião a redempção universal
i De uma theoria abstracta platonicàmente invol-
christan. assim
Ha também vadios, bêbados e preguiçosos ; mas ta nas brumas e ficçõesjla palavra, temos por social;
isto não é uma conseqüência da emancipação, desde dizer a concretisação plástica de um phenomeno
ha em todas as classes da população universal. de ura produeto ethereo do subjectivismo paradoxal,
que de uma verdade po-
O archetypo apresentado por Harriet Beecher temos a affirmação cathegorica
Stowe, verifica-se na União em quatro milhões de sitiva.
emancipados : O grande intuito da coliectividade nacional jâ

-
-•¦«-•<
LIBERTADOR

nao pode ser illudido por sophismas nem paralogis- uma empreza tão van, como a dos astroiogos que
mos ; porque o trabalho hercúleo da geração mo- pretendião com palavras o oporaçtftís mysteriosas e-
derna é domar todas as hydras o clnmeras do* pensa- vocar suppostas potências invisíveis.
mento humano. A redempção dos escravos ha de operar-se fatal
A opinião, accentuadamente pronunciada, agita- e necessariamente ; e para ella hão de convergira*
se n'uma revelação opulenta de esplendores, aus- esforços do todos os que pensão e trabalhão pelo fim
cultando todos os corações ; o movimento, em toda a social, que é a reaiisação da liberdade humana.
sua magestade épica, em toda a aua elaboração po- Esmoreção muito embora os homens de pouca
tente, vai formando anova gênese, interrogando to- fé : a escravidão, repudiada por todos os princípios
dos os espíritos. da sciencia e dignidade humana, recua, batida para
Toda a vez que um paiz está abai ado pela acçao o domínio da historia, e em breve será olhada como
evolutiva de uma idéa, por uma força impulsiva e um mero phantasma do passado.
organisadora, é impossi vel deter a marcha triumphal
dos acontecimentos.
Quando o velho polythèismo já nao satisfazia as
necessidades moraes da epocha, dizem as lendas que vJt*«^í\»>otXif JL XJL-»«at3m>c^*
uma voz suou pelo mundo, bradando—cts Deicses
vão-se /—e diante da qual cahiram os ídolos.
Hoje sentimos uma grande voz, que atravessa Fax vobis !
o paiz em forma de corrente caudalosa, bradando— Romeiros da
os escravos vão-se !—e diante da qual a sinistra ins- noscom os nossos imprensa Cearense, encontramo-
tituição vai-se esboroando . aos poucos, como uma estimaveis collegas.
A saudação foi cordial e o cavaiheirismo não-
ruína-trevosa da Bastilha, somma de todas as infa- desmentiu
as tradicções gloriosas de seu passado.
mias, segundo a expressão incisiva de Wesley.
E'a voz inextiiiguivel da consciência humana. mo Pinhorou-nos a benevolência de nosso jornalís-
e registramos-lhe o nome em nosso álbum de
Ao antro negro das almas é preciso levar a Iam- lembranças,
augusta da verdade. no livro intimo de nossa vida .
pada O Cearense* a Gazeta do NoHe, o Diário de
Quer na mentalidade, quer na sentimentalidade Noticias e a
da nação produz-se uma agitação renovadora. Constituição recebam, pois, nossa ho-
Sejamos por tanto, ousados e resolutos em affir- menagem de gratidão.
mar os princípios de uma pura e radical democracia, Si porém no congresso social da imprensa, ha-
clamando sem cessar pelo resgate dos capíivos. vião outros Juctadores, nem elles se deram a conhe-
Diante do progresso,que é o dynamismo univer- cér, nem nósMlíõs sentimos a falta.
das sociedades constituídas, abatem-se todas as
muralhas dó immobilismo tradicional, que tem ge-
rado a raça dos novos Cains, immoladores de seus
« Gazeta do INox^te > ( n. 2)
irmãos nas aras do egoísmo,
C tda um de nós não vive para si. mesmo, mas
Com o titulo—Libertador—veio a luz nesta ca-
para todos, e não ha progresso isolado independente
do progresso geral. pitai mais um órgão de publicidade, da sociedade
A principal virtude, é o sacrifício. cearense libertadora.
Elle consiste em pensar, obrar, soffrer, si for Seu primeiro n.° de 1 de Janeiro sahio em 8 pa-
j^eciso, não por nós mesmos, mas pelos outros, para ginas, em papel de côr e nitidamente impresso.
o tmiirrpiiô-da^Uberdade, que é o bem, sobre a escra- Destina-se á sustentação do problema mais dif-
~vidão, ficil que preocupa actualmente o pensamento nacio-
que é o mal. 53^
O progresso, como a religrrõ^â-Jiumanídade, nal-—a extinção do elemento servil.
tem por scopo supremo a fraternidade dos Homens e Aspiração humanitária e digna de uma provin-
dos povos, commungando todos no mesmo agape os cia que iniciou o trabalho livre, o novo órgão é com-
mesmos direitos e os mesmos deveres. ^rimento necessário do movimento generoso em fa-
Inauguremos o apostoiado quotidiano e incessan- vor da extinção da escravidão, que se opera em todo
te da liberdade. paiz.
E' preciso-dizer e redizer a verdade aos nossos Precipitar a solução do problema é um gran-
dejteíitamem. já
seja. Sympãtlri^ 0 collega, so
temos palavras de animação
/ E eis aqui a verdade \ para dispensar-lhe, de-
Deve-se se abolir a escravidão ! sejando-lhe longos dias de vida.
Para chegarmos ao termo da jornada
promisso-
ra, sob os impulsos varonil da nova cruzada, cum-
pre despertar, todas as forças vivas da sociedade.
Nós. que representamos a opinião,
queremos a « Cearense»
(n. 2)
consagração politica e social dos princípios de liber-
dade, de justiça de solidariedade, que constituem a Libertador com este titulo veio á luz da
sciencia moderna. cidade no 1.° do corrente um novo publi-
E qual a instituição que não treme diante de sociedade « jornal, órgão da
tim sopro da opinião ? Geawnse Libertadora. »
Sua missão na imprensa é auxiliar o movimenta
Os que pretendem sustar o curso da onda, abolicionista que se levanta em todo o império
sobe, pela doutrina do terrorismo, abalancão-sequea lavor da em
extincção da escravatura do Brazil
LIBERTADOR

Saudámos cordialmente os íllustres collegas, li- Bahia 110.108 384:907$130


dadores da nova imprensa e fazemos votos pela prós- Minas Geraes 289.919 953:013$303
peridadu da interessante empresa que tomaram a si Goyaz 0.903 22:902$981
com esse deuôdo e civismo próprios da mocidade cea- Parahyba 25.590 84:191$398
rense. Ceará 25.773 84:740$70l
:~rVTHuA_^TiíTíi7^iS

t.

« Diário de INotieias » (n. 1) Seccos e molliados.


A generosa idéa da extincção da escravatura O Pedro II e a Gazeta do Norte desferiram
-caminha triumphante e circundada de adhesões. cano ros hymnos á lei de 2$ de Setembro !
Dando-lhe o desenvolvimento necessário os di- Batomo-lhes palmas e o nosso braoo tinha o
rectores da « Sociedade Cearense Libertadora » fun- cunho d'admiração pelo quo ó grande. 4
daram na imprensa da capital o seu jornal intitula- Depois
do Libertador, cujo primeiro numero pubJicou-so no* Extranha contradicção ! ,
dia 1.° do novo anno. As paginas nitentes do jornal estavam conspur-
O publico recebôu com enthusiasmo essa publi- cadas pelos annuncios negreiros .
cação, e nós saudamol-a com effusão de júbilo, re- A imprensa se tinha convertido em um armazém
conhecendo em sua redacção pennas que honram a de seccos e molhados.
imprensa e corações capazes de grandes commetti- Cobrimos o rosto, e enviamos o nosso cartão de
mentos. pêsames na paeotilha negreira que da Gazeta da
Tarde acoramodamos para as nossas columnas.
Q \*t\

O mesmo jornal ( n. 2) n
O Ibispo e o escravo.
O publico Cearense acolheu com o mais lison-
geiro enthusiasmo a publicação do Libertador. A acção passa-se na actualidade.
Sendo a sua l.a tiragem de 500 exemplares, íi- Em Cuyabá um escravo do Dr. Luiz Alves da
cou logo esgotada completamente, vendendo-se nas Silva tentou todos os recursos para casar-se, mas a
ruas desta capital quase todos os números do revo- vontade prepotente e tyranna de sen senhor nullifi-
lucionario. cava-lhe todas as tentativas.
Louco de amor e desesperado de soffrer, o escra-"
vo appella para o bispo da diocese, Monsegnor Car-
» los Luiz de.Amour.
« Constituição ( n. 2) Certo da justiça da causa, o prelado mediu o pe-
rigo, mas não trepidou e casou o escravo com a mu-
Novo campeão daimprensa Sahio noi. do cor- lher que elle amava.
rente á luz da publicidade^ nesta capital o Liberta- O tyranno do doutor damnou-se, e denunciou o
dor, órgão abolicionista. bispo ao supremo tribunal de justiça.
-Gomprimentamol-o cordialmente e desejamos-lhe O processo jà foi destribúido ao Sr. conselheiro
todas as prosperidades. Barbosa e acção-proseguejw foro.
~o
., Oh ! Caia sobre perverso a maldicçãjo^de todos
os escravos do mundo, para que elle reconheça que
Fundo de emancipação os proscriptos^ãoji^e

A quantia de 4.500:000$000 do fundo de eman-


cipação foi assim distribuída pelas diversas provin- Si todos <>s Tbarõés íizessem
cias, proporcionalmente ao numero de escravos de assim.
cada nma :
Corte. 43.409 142:782$638 « Diz a Gazeta da Tarde da Bahia que o Barão
Rio de Janeiro íi 289.239 951:376$620 déMeecjana natural do Ceará tem, em poucos an-
Pernambuco 91.992 302:583$808 nos, concedido liberdade a mais de cincoenta es-
Maranhão 63,164 207:761$584 cravos.' ; • ,
Amazonas 974 3:203$720 Tão humanitário cidadão retira-se brevemente
Pará 30.623 100:726$410 para Europa, onde vae residir. »
Rio Grande do Sul 75.937 249:774$052 i.
Sergipe 20.381 86:773$452
Santa Catharlna 12.829 42:197$665
Rio Grande do Norte 10.128 33:819$970 Saratoatana aos dormentes.
Pianhv 21.216 66:784$530
Espirito Santo 21.216 69:784$530 Do fundo de emancipação destribuio o Governo
Alagoas 30.397 99:983$042 â provincia do Ceará a quantia de oitenta e quatro
Paraná 10.088 33:181$857 contos de réis para a libertação de escravos.
Matto Grosso 7.051 23:192$434 Mas até hoje nem um só foi libertado por esta
S. Paulo 108.950 555;717$175 verba !

i -. -j4 '. _.___,_...


h-
\ /

6 LIBERTADOR
O serviço da classificação, começado em Agosto Sem outras oxpressOes que signifiquem a-
do anno passado,ainda não teve a solução final. nossa admiração á jovem rival de Carlos Gomes—
E esta morosidade, sinão sonnolencia, já mere- apon'amos-lhes o horisonte da pátria ondo em breve
ceu sincero reparo da parte do Exm. Sr. Conselheiro veremos rutilar seu nomo na
constellação dos pre-
presidente da provincia. . destinados da gloria.
Em 11 de Dezembro de 1880 em officio ao ins- A' si e aos seus felizes paes—-os nossos sinceros
pector da thesouraria de fazen Ia S. Exc. notava : de estima e cordiaes parabéns.
« Que continuando a impossibilidade de fazer- protestos
se a distribuição, por municípios, do fundo de eman-
cipação, e assim prejudicados em sua liberdade a-
quelles á quem deve aproveitar semelhante distri- E' com vosco, povo !
buição, e não sendo justo que pela omissão e desidia
do alguns agentes fiscaes permaneça sem execução Nas idéas d'actualidade e sob ogenerosoimpulsa
serviço de tanta importância, contra expressa dispo- do movimento abolicionista, vai o Sr. Rodrigues-
sição da lei e formai recommendação do governo im- Sampaio levar á scena no S. Luiz a Mãe dos
convém escra-
perial, que S. S., dado o caso de não poder vos.
supprir a falta por quaesquer dados existentes nessa Assistimos ao ensaio geral deste mage.*toso dra-
thesouraria, assigne praso breve e improrogavel ao ma, e não podemos eximir-nos ao dever de
inspector cTalfandega o aos collectores do Assaré, para elle a attenção especial de todos os chamar
Limoeiro, Morada Nova, Pedra Brauca, Quixadá, S. da Cearense Libertadora* 300 socios
Benedicto, Trahiry e Varzea-Alegre, para que re- Somos membros desta grande sociedade, e filhos
raèttão a relação da respectiva matricula, sob as pe- do povo, e portanto devemos comparecerão
nas do art. 36 do regulamento annexo ao de- onde se debate uma causa scenario
que é nossa.
creto n.° 4,835 do 1.° de Dezembro de 1872. » Enchente ao S. Luiz !
Entretanto ainda nada se fez ! Protecção á Mãe dos escravos.
Forçoso se torna tanger a sarabatana até Impulso ao movimento abolicionista !
acordem os empregados, quiçá escravagistas, á cujo que
X Qualquer que seja a forma, sob a qual se mani-
cargo se acha esse serviço na Thesouraria de Fazen- íeste, acompanhemol-o !
da do Ceará.

Idalia França. INas ventas.



V

A insigne pianista brazileira, tão ruidosa e Os tanganhSes procurem outro meio


jus- de vida
tamente applaudida pelo illustrado publico Mara-
humaAnàtroep^oadante ""^ fl Venda de ca™
nhense, acaba de exibir-se entre applausos
phreneti-
cos no seu Io concerto effectuado no salão nobre do até z^10'qUÔ d6ÍXaVa semilhante ne8°cio, baixa
Palacete da Assemblé-a Provincial com reale luzido
concurso. « A assembléa provincial do Rio de
Janeiro de-
Cercada já dè affeições entro a nossa familia a cretou o imposto de 1:500$000 pela averbaçãoI Wk
destincta pianista, terá de certo, real aproveitamen- escravo '. • Ora comprado na Provincia. »
to no pouco tempo que nos concede demorar-se entre o imposto de um conto e
tira todo o lucro que podia deixar quinhentos mil róis
nós. o negocio
Desde que se estabelecem os sagrados vinculos da na
amisade e reconhecem-se os laços fraternos ; estão mudem gglf ®|5 SÍl Íll*
solvidas todas as -dificuldades naturaes ás empresas Promovam a libertação de escravos
dessa ordem. r que a lei e a sociedade favorecem amplamente pelos meios
Não é um estranho que quer é uma pa- abençoado,O lucro adquerido assim, alem do
ganhar, honroso
tricia, uraa nossa filha que nos pede um contingente nunca deixará prejuiso. uo,iros° e-e
limitado para conseguir o aperfeiçoamento da arte '¦
vqiie o gemo feliz lhe imprimiu na fronte mimosa T

n um beijo do sol tropical. N


Ella merece já e bemumthrono no tamborete *¦"¦¦¦

Oqueíicou.
do piano.
Aquelles dedos que volitão rápidos como as
-loscohbns, no eburno teclado, merecem azas Foi numerosa, e náo houve espaço
bem os comportar a lista que podeso-o
beijos reverentes (1'aquelles têm a dita de vel-os dos artigos para o' presel^tT
que
doidos bncando entre as espiraes divinas *\> V»

de uma
phantasia cprao a do Guaranv ou como o Elizir de de Ficáo pois aguardando a sua hora de publicida-
amor !... utJ
Generosa como as almas A Revista dos Tlieatros
grandes, *nde se em-
„«o «,*«* uiapiiaiias na caridade o O Bazar Expositor
1»^Vcv gênio, Idalia
rança, chegando, por uraa feliz coincidência, Conseqüências da emancipação
nos na epocha mais ardente e evolutiva da liberdade' entro íl Benemerencia
quiz associar-se à grando empresa da sociedade Commissões Libertadoras
«Cearense L.bertadora» offerendo-lhe um Maranguape.
beneficio
que deverá ter lugar brevemente. & & & & & & & & &
LIBERTADOR

EXPEDIENTE O Sr. Pedro Hippolito Girard cidadão francea


offereceu o produeto da venda de uma noite no seu
kiosquü-botiquiin do passeio publico, admittindo a
Holatorio escoina do dia no mez de Janeiro próximo e promo-
vendo uma festa de accordo entre si e a directoria
da « Libertadora, »
Da inauguração da Sociedade Cearense Liberta- Ü distiucto veneravel da Loja Maçonica « Fra-
dora pela Perseverança e Porvir. ternidade Cearense » offereceu a quantia de 50$000
mil reis produsidos pelo tronco beneficente d'aquclla
(Conclusão.) loja em beneficio da sociedade « Cearense Libertado-
Senhores Directores. ra. »
O illustre Sr. César de la Camp digno Cônsul
surgio na tribuna o sympati- d'Allemanha offereceu a quantia 20$000 mil reis
Por entre palmas a Uisposição da sociedade « Libertadora »
como representante do « Gabinete que punha
co Dr. G. Studart em beneficio da liberdade dos escravos.
Cearense de Leitura. »
Estava çoncluida a sessão, quando o nosso Presi-
De estylo dourado de todas essas tilagranas poe- dente tomando a palavra apresentou á illustre as-
ticas de qne o illustrado e jovem meUicosabe revis-
litterarias, devia, como o foi, sembléa os nomes que escolhera a sociedade « Perse-
tir as suas producções verança e Porvir » formar a directoria provi-
.o seu discurso, ser uma prece, uma supplica ao co- soria da sociedade «para Cearense Libertadora ; » sen-
ração sensivel da mulher.
escolha d'esse ob- do ;
O illustre orador primou pela Presidente, o cidadão João Cordeiro, Vice-presi-
comp meio ligitimo de realisar um for-
jecto amado «.-. » . -_. ... _.:_, -'4
dente o cidadão José Correia do Amaral, 1.° secre- m

midavel contingente á crusada abolicionista. tario Dr. Frederico A. Borges, 2.° secretario cidadão
De forma sublimes surgião da sua prosa brilhan- Antônio Beserra de Menezes,advogados—Dr. Manoel
te notas dulcissimas e que entremeiadas de uma mi-
em analogia com o A. da S. T. Portugal, e capitão Justino Fran-
mosa carta de C. Alves perfeita
merecidas enthusi- cisco Xavier, thesoureiro capitão João Chrisostimo
seu discurso, fel'o colher palmas, da Silva Jatahy, procuradores cidadãos José Caeta-
asticos bravos. . no da Costa, João Carlos da Silva Jatahy, João Bap-
Como representante da distineta sociedade « Oa-
•valheiros do Praser » surgio na tribuna o nosso lau- tista Perdigão de Oliveira e Eugênio Marcai.
Antônio Beserra de Menezes, 2.° secre- Applaudida a escolha pela assemblea, tomou
reado poeta a palavra o Sr. J. J. T. Marrocos, que significando a
tario da sociedade « Cearense Libertadora, » que na
de seus versos tropicaes arrebatou n'um sua adhesão á escolha feita e que era ella muito bem
eloqüência tanto mais eraro Presidente o Illm.
lampejo de enthusiasmo o auditório, colhendo mais inspirada quando
de fazem ao seu Sr. João Cordeiro extremado democrata e que mais
uma vez grinaldas palmas que ju*
de uma vez tem mostrado a sua adhesão á soberania
talento. . e seu pensamento pela causa da liber-
Succedeo-lhe o Sr. Domingos Rodrigues da Silva do povo
como representante da illustre sociedade « Fra- dade.
que em de- Todos os discursos eram terminados no meio de
ternidade e Trabalho » leu um discurso que
va a adhesão da sua associação á « Liberta- applausos geraes unidos as harmonias das bandas
monstra militares da policia e do 15 batalhão que tocavam:
dora » e, em phrase concisa e simples, mas ripa de
demonstrou a necessidade da emancipa- no sallão próximo.
Ma patriotismo « Perseveran- Encerrada a sessão as 3 horas da tarde, come-
iíSÍ-Sí
ção, e concluindo saudou a sociedade
•ça e Porvir » pelo seu bello pensamento, retirando- çou a inscripção de sócios que elevou-se ao numero
de 227, não se elevando a mais, porque a#sessão du-
se coberto de applausos. horas e já se tinhão retirado muitas peS"
Estava terminado o numero de oradores inscrip- rou 3
tos quando o iilustrissimo Sr. Tenente Felippe de soas.
A?A**i7.

m
¦ Corre-nos o grato dever de pedir-vos um voto de
Araújo Sampaio, pedio a palavra como Presidente
aos» distinetos cidadãos João Lopes
da sociedade « Artística Beneficente Conservadora » agradecimento
BB
H
secretario d'Assemblea Pro-
_e seu verbo eloqüente que lhe ditava o enthusiasmo Ferreira Filho, digno satisfação nos cedeu os
resumio a sua adhesão a sociedade « Cearense Liber- vincial .que* com grande
iftlp!
§'-• d'assembléa Provincial para a
R tadora » dando carta de liberdade a sua escrava Jo- sallões do palacête aos 111.°8 Srs. Tenentes-coro-
¦ anna de 25 annos de idade, que, sabe lêr e escrever; sessão, e outro tantodo batalhão 15.° e do corpo de
sendo lida a carta pelo nosso confriade Sr. Luiz Xa- neis commandantes de bom grado as bandas de
vier da Silva Castro, que em seguida leu a carta-de policia ; concedendo-nosbrilhantismo deram ao ac-
liberdade da escrava Philomena de 28 annos com 3 musica qne tanto
filhos ingênuos, libertada pelos membros da « Perse- to...
verança e Porvir. Em toda a sessão reinou muita ordem e nom
não fosse para applau-
Com verdadeiro phrenezi e tocante enthusiasmo uma vós se ergueu que
a assemblea fez-se uma verdadeira, explosão de pai- dir.
mas e bravos e mil applausos. Assim ficou inaugurada a grande empresa abo-
O illustre Dr. Picanço offereceu em adhesão a licionista, de que patrioticamente aceitastes a direc-
causa da emancipação o produeto do beneficio da re- cão provisória e que na minha opinião devereis ser
cita da oppereta, « Maria Aiigôt na Munguba » do os effectivos e esforçados directores até encaminhara
da realisação do
que é author, e lhe foi offerecido pelo empresarie no verdadeiro e luminoso caminho
do Theatro S. José, cujo produeto deverá ser appli- seu sublime áesideratum. Possaes colher
cado a libertação de um escravo. as coroas que merecem os dedicados cidadãos
¦.r?»-WPiMWiS*B4 1»«*W-*^-—'^^M^pWWH— «Ti:n>»iarMi»jLiii^..iiai*i>Mw.M!OTW

8 LIBERTADOR

da santa causa da emancipação do paiz, e que nito Pelas contas do venda,esta viagem dera mais van-
longo esteja a aurora da liberdade em quo o sói da tagem que a primeira,
nossa terra vos banhe as frontes de luz, e das ben- O capitão tambem lucrara, porque tivera gorda
çãos da provincia que em prantos de gratidão vos gratificação.
beije os músculos exlbrçados com que quebrastes as Em poucos dias, dizia elle, a provincia de S.
algemas torpes do captiveiro do nossos ir- Paulo comprara-lhe todos os escravos por bom pre-
mãos. ço o fizera encommenda de maior remessa.
N'esse bello dia, que não vem longe, peço-vos A vista disto, atulhado o porão e convez de os-
que não esqueçaes o vosso humilde adepto e sincero cravos, largou do porto o «Feliz Empreza», bafejado
amigo. por propicio vento.
Antônio Martins. Em poucos momentos desappareccra no korison-
te. cf'y'::\
Pero Lopes neste^l^ScTquizver a filha~e~êx^~
jPOX^jê^DS^XjCWX, ultava de contentamento, em presença du excessivo
lucro que lhe dera o seu feliz negocio.
Originai do "Utatadm" Bem, muito bem ! e a minha tolinha me vem cá
fallar em repugnância.
Repugnância teria eu,si a visse casada com algum
A. sorte dos íaegreiros. desses pobretões que só faliam em emancipação e que
nada possuem além de alguns livros velhos, a evocar
(Continuação), sentimentos que não teem.
E' um negocio tão licito, como outro qualquer,
Hoje é muito difficil perder-se de um dia para E ficava bem tranquillo com a sua conciencia.
outro um capital de quasi mil contos, empregados Eugenia já não era mais a criança alegre da rua
em diversas empresas lucrativas. de Soares Moreno.
Si perde-se em uma,ganha-se em outra, e vai-se Pallida e triste, poucas vezes appareciá, e as*
sempre em regra de progressão. a conheciam, notavam grande differença
pessoas
Tudo isso é filho de tua imaginação exaltada. nas suas feições. que
Compadeces-te dos escravos, mas ignoras o que No dia do embarque dos escravos occultava-s#
ê o escravo. no fundo do seu quarto, e não havia força ou con-
Olha : oescravo é coisa e não pessoa, e até al- vicção
exhuberamente que a arrancasse d'alli.
guem já provou que elle não tem Causa principal de sua tristesa fora ter seu
alma. vendido para S. Pauio a escrava que a amamenta- pae
Desde o principio do mundo que existe a escra- ra, motivo deter respondido de modo altivo a
vatura, mantida pelas leis d'Assyria, da Pérsia, da sua pelo mãe mulher de gênio forte e que não sabia ser
índia, da Grécia e de Roma. contrariada. ¦
O vencido nos combates era um escravo muito •Que saudades, que ella tinha de sua pobre Lui-
peior, do que os nossos ; porque tinha conciencia de za! l
seus actos e os africanos nem ao menos sabem destin- Adoecera e por vezes o estado melindroso de su#
guir o bem do mal. saúde, causou sérios receios.
Apanhados nús no centro d'Africa, vivendo de Sempre triste nos delírios da febre não cessara
insectos e raízes, ignorantes dos gososda civilisação, de chamar
são até felizes no serviço de nossas lavouras e de va sempre banhada pelo nome de sua pobre Luisa e desperta-
nossas cosinhas. em lagrimas.
Pero Lopes
Não te incommodescomas lagrimas desses ani- achava motivo condoía-se do seu estado, mas não
mães bipedes e lembra-te que os crocodillos tambem mento. para justificar tão grande soffre—
choram. Tinha a alma de ferro.
—Mas é força confessar
que é repugnante este Nunca a lagrima, o soluço ou a exclamação
commercio de carne humana á luz da civilisação, e a dolorida levaram-no
Inglaterra prova-o de sobejo na guerra até commover-se.
to e continua a fazer aos navios negreiros. que tem fei- Era um ser moldado ão geito dos fazendeiros
—Qual ! a Inglaterra inventou esta historia, do sul.
Porém próximo estava o dia em
mas seu fim é outro. |desgosto veria que o primeiro
Engaiolou Napoleao em Santa Helena,e a titulo arrancar-lhe a primeira lagrima.
A enfermidade de Eugenia
de perseguições aos navios negreiros vai destruindo mente até progredia rápida-
o.poderio da.França sobre os mares. ; que em breve exhalou ella o ultimo sus-
calma e serena como a imagem da resignação'.
Esta é que é a historia, que não se importa ella piro, Pero
com negros. Lopes chorou muito, mas esqueceu-a logo.
Começavam a chegar as contrariedades
Eugenia não deu palavra, tanto a tinha contra- queki-
nado a contestação. felizmente vêem sempre acompanhadas de nm corte-
o de desgraças.
Pero Lopes ergueu-se, beijou a filha na fronte J Pouco depois chegava-lhe tambem a noticia do
rubra de pudor, e sahiram do escriptorio. suicídio do seu filho mais velho na
cidade de
tariz, depois de ter cornpromettido grande uma boa parte-
* * de sua fortuna com desperdício nos
Afiançado jogos e orgias
'empre-
Mezes depois ancorava no porto o «Feliz Empre- sa,:era-lhe por seu pae em mais de uma
preciso pagar as sommas afiançadas-!
Chorou Pero Lopes desta vez cora mais
éfiuitò e
immmmmmÊimmtmm um«nn. fWMrfT-iíi im T«itM<-rrr..»«««*^«»^^

.- 1

LIBERTADOR 0
H

alarido, mas do fundo d*a|ma bradava-lho uma voz, At mais brilhantes conquistas
que pranteava ello mais o projuiso do que a perda do São li 1 lias do vosso amor ;
lilho. Nao ha na vida impossivel
« • Qua com firmeza indisivel
*Não
í_ .
vença o vosso querer,
Os negócios da republica do Equador vieram Consiste, pois, vossa gloi ia
trazer ainda ao negociante de escravos novo golpe na Em no»s ganhar a victoria
•• .* • Nas lagrimas e no prazer.
sua fortuna.
Poro Lopes sentiu-se desanimar, o no seu deses-
pero chamava em auxilio todas as forças d'alma pa- Motivo é de esperanças *
ra reagir contra tantos contratempos.- A vossa presença aqui, »

Ficou pensativo, por ventura acabrunhado. Pois onde paira a virtude ¦ ' : ¦ '.'.fflC*:--

Soubera que um seu filho que andava para o , A liberdade sorri ;*


*".
centro da provincia com grandes sommas para a Ainda com sacrifícios
comprado escravos, tinha sido assassinado pelas tro- São grandes Os benefícios
pas de Tristão Gonçalves, e extraviado o dinheiro, Que expande a vossa missão, ,
no lo^ar Boqueirão, nas várzeas do Jaguaribe. Por isso é justo que agora
Vivia desesperado. Bradeis com nosco nesfhora
Por vezes a mulher o fôra encontrar no escrip- —Abaixo a escravidão!
torio com a cabeça pousada sobre aborda da mesa A.
BlZBBRA.
das transações e como que adormecido.
Despertava-o, eeile com ar espantado, deixava-
se levar documente. ¦*
°^TTÊRÂTURA PACOTILHA NEGREIRA
Ao «Pedro II» e a «Gazeta
da INorte».
A's senhoras cearense^na festa
do Bazar Libertador \

em a noite
de de 31 de dezembro
1880. Vae hoje o folhetim muitokmpeiro,
\ '.'-' "'¦¦
• i
Em metro correiííío.
Como aquelle flexivel marraelleiro^
Sois vóis que alegraes a vida Unctuoso e macio,
Cum riso de animação,
impulso às grandezas Que anda à fazer foscas e fosquitas
* Que daes Em costas sybaritas...
Nas festas do coração;
Archanjos da caridade 1 São os ventos contrários
Sempre o amor â liberdade A' santa, á immortal Democracia,;
Vos fôra extremo e condão.,
E pelo amor que ennobrece Que morre de cansaço...
Da terra a dor desparece c. Os grandes proprietários,
Senhores de cutello e de baraço,
Ao toque de vossa mão. Fazem sinistra orgia,
Dando vaias cruéis á Liberdade !
Sois vós os anjos mimosos
Que Deus na terra deixou, Imprensa assim
Qu'extinguem todos os males Só quer imperador co'escravaria :
Que o mal aos homens causou, Tem o monarcha idéas perigrinas?
O amor, a gloria, o sorriso E* emancipádor ?
Sem vós, mesmo o paraizo Boa noite, senhora Monarchia !
Tem o tédio da soidão, Carcará não quer mais imperador.
Sois vós, senhoras, o encanto,
Alma do estimulo, o fim santo Vem, Republica, vem gorro-vermelho !
De toda a nossa ambição. Mas vem consolidar a escravidão !'...
Nada desceptro... Rêlho,—
Onde surgis, a alegria E quanto a liberdade... Palavrão.
Da vida ao ermo lugar,
Ai Cessam queixumes (Tàfflictos, • •
Que lh'os buscaes mitigar ;
E em meio dos soffrimentos • 3
'..

Onde mais ui vam tor mentos


. . .

E' que vos mais destingueis,


Quem diz mulher, diz piedade
.-A Diz amor á liberdade ii
Qu'ao seio colhe o infeliz. ;
Abolição porque ? Idéias tolas
Desde o principio da terra Trazidas U da Europa!
ardor,
Que vos ergueis pelo
10 LIBERTADOR

O Brazil vae á garra sam a tropa . « Pela infeliz foi dito,


Ue moleques, mucamas e creoulas... « Que fôra .sou senhor que a castigara. .
Assim temos vivido muitos annos, « Procedeu-se ao corpo de delicto..
¦

^t_-í?

E o que será de nós sem africanos ?


JV
E fique em paz a,pátria e o fazendeiro,
Que seu orago é ;
Já não disso um Lycurgo brazileiro;
—0 Brazil'é o café?

Náo é um céo aberto


Vêr na fazenda tanta escravatura ?
E pretendeis, oh ! horda desalmada, Pátria minha infeliz, onde tal gente
Por o eito deserto Pretendo dominar !
Da gente que trabalha sem soldada, Isto faria rir, si, tristemente
Desde manhã até a noite escura ? Não fizesse chorar f...
ígnótus.
Não bulam c'a lavoura,
Que por um triz estoura
Com o invento medonho
Do ventre-livre a Lei ! PAGINA DO POVO
Sombra implacável, pavoroso .sonho,
¦•» i
Que nos pozá bradar—aqui cVelrei! O liomem-Onça, sobre a campa
*.,
dePeroLope«s.
Que philosophos estes! Que caturras !
Áiforriaes os neírros...muitobem : Misero anjo que cahiste imbelle,
- Porém as surras Olha-me ainda lá dos fundos orbes !...
Quem as ha de levar, senliores, quem ? ¦ Não vês
que a lagrima minha testa escala
Torva correndo nem sequer resvala
iu Entre os penedos de minlúilma escrava ?...
Sustentam ô captiveiro Oh nunca saibas...que pesadumbres d'alma;
Para lerem annuncios neste gosto, Na minha vida patológica ingrata
Que nos abatem ante o estrangeiro, .Cada momento que teu nome lembro
E fazem o rubôr chegar ao rosto : Abre no monte uma voraz cascata.
El Baila,

£¦{.1 *

BENEFICIO
« Fugio do Alagadiçq Fazemos flossa a seguinte noticia do Cearense
« O escravo José, n.°9:
« Fulo, de 40 annos, que quando anda « No dia 18 do corrente a Exm.a S,a D. Idalia
k Arrasta muito o pé França, eximia pianista Brazileira, dará ( segundo
«Do qual partio um osso.. consta) um concerto em beneficio da Sociedade Cea-
« Natural de Loanda ; rense Libertadora.
« Tem marcas de chicote, e no pescoço Applaudirido a generosidade deste acto, espera-
. <
raos que o publico cearense philantropico, como ê,
« Levou a gargalheira, teça mais uma grinalda aos louros que o enriobre-
<< Dá-se trinta mil róis e não mais cem. »
« Ao paysano ou soldado, Órgão da Sociedade Cearense Libertadora,
« Que levai-o a rua do Aquiraz, este jornal liga a mais- alta importância e conside-
« Numero 14, sobrado. » ração ao beneficio annunciado, e empenha-se pelo seu
esplendido resultado. ,.
A um annuncio assim, que tanto humilha
O caracter eo brio nacional,
¦•¦''' ANNUN'CIO "
'-i
:"?iv v ¦-¦; .-¦ v'. ,•
Serve.de complemento a gazetilha,
¦ Que extracto do Jornal.'
« Foi hontem ter como subdelegado Paga-se. muito bem a quem nos fornecer a lista
« A.mulatinha Ignez, completa de todos os negociantes de escravos, cor-
« Que diz escrava ser de um deputado ; rectore:? e mais tyrannòs.
« Tinha um olho vazado,
« Os dentes arrancados com torquez,
« Em uma chaga a cabeça e a cara ! Ceara'.—typ. brasileira—rua formosa n, 19.

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