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1 Coríntios 8-10

Posso ou não posso?

Como navegar as cousas “cinzas” da vida.

1.1 Introdução

1.1.1 Questões Literárias


Divisão—Novo assunto: Como sabemos que há uma divisão de assunto?
 o uso de “quanto ao”
 introduzido formalmente (v. 1-3, 4)
União—Assunto unido: Como sabemos que há somente um assunto principal
(unidade dos capítulos)?
 o próximo uso de “quanto ao/ com respeito/ etc” (grg. peri de) 12:1
 “comida” “sacrifício” “ídolos” são temas que se repetem até cap. 10.

1.1.2 Sequência de Assuntos


 Veja desenho no quadro branco. Parece não ser lógica linear mas em “arco”, em
que o autor abre vários parênteses nem tão diretamente relacionado ao assunto
principal. Isto não nega que há uma sequência lógica, mas simplesmente
reconhece que o autor usou uma sequência nem sempre esperado por nós.
 Como o caso em outras partes neste livro, o autor “amarra” os assuntos um com
o outro. Aqui continua abordar a liberdade cristã, mas segue outra faceta de
liberdade já levantada: no cap. 7 falou da liberdade dentre e fora do casamento;
mais recente, 7:39, a liberdade da viúva em se casar. Agora, na seção do cap. 8,
liberdade nos eventos sociais.
Sequência de Assuntos (com ênfase proposicional)
8:1-3 Introdução
8:4-12 tem conhecimento/ não tem conhecimento
8:13 Evitar escândalo (princípio)
9:1-27 O exêmplo de Paulo
9:1-14 Seus direitos. Princípio interno: a obrar sustenta o obreiro
9:15-18 Suas restrições
9:19-23 minimizar distrações; “salvar alguns” (princípio)
9:24-27 auto-domínio “para que... não venha...ser desqualificado”
10:1-13 Discurso sobre “desqualificado”. Princípio interno: “pensa estar em pé”;
“não vos sobreveio tentação...”
10:14 “Fugi da idolatria” (princípio)
10:14-22 comunhão com Cristo; com demônios
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10:23-24 liberdade/ lícitas mas convém/ edificam (princípio)
10:25-30 explicar c/ exemplo concreto. Princípio interno: 10:26 tudo pertence ao
Senhor; 10:30 dar graças
10:31-33 Princípio Geral: A Glória de Deus.
A glória de Deus
Evitar ofensa
Proveito espiritual: buscando o interesse dos outros; a salvação dos incrédulos
Exêmplo de Paulo...Cristo (11:1)

Sequência de Assuntos 2 (com ênfase literária)


O Assunto: Comida a ídolos (8:1-3)
“Sabemos” (8:4-6)
“Nem todos sabem (8:7-8)
 A Ordem: “Vede...liberdade...” (8:9-13)
O Princípio (8:13)
obs.: palavra chave: “liberdade” (cf. 9:12)
obs.: comp. “ofensa, tropeço” (cf. 10:32)
O Exêmplo de Paulo (9:1-10:13)
A Posição de Paulo (pelo menos ref. aos coríntios) (9:1-2) “eu”
O Direito de Paulo (9:3-14) “liberdade/ direito/ autoridade”
Prova natural (9:7)
Prova bíblica (9:8-12.a)
O Alvo/ Motivo/ Propósito de Paulo (9:12.b)
Evitar obstáculo ao evangelho de Cristo
apesar de seus direitos (ré-afirmado em 9:13-14)
palavra chave: “evangelho”
A Abnegação de Paulo (9:15-27): Fazer de tudo para alcançar/salvar
vs. 9:18 une os conceitos chaves: “usar/aproveitar; liberdade/autoridade;
evangelho”
Exemplo esportivo: fazer tudo para alcançar o prêmio (9:24-27)
Exemplo bíblico: desaprovados (10:1-22) “tipo/exemplo” 10:6,11
A Situação: “Todos... mas a maioria Deus não aprovou” (10:1-6)
Advertências Específicas (de causas para desaprovação) (10:7-13)
Aplicação Exata (10:14-22)
“Portanto... fugi da idolatria” (10:14) (PresImptv)
A Conclusão (10:23-11:1)
Direitos e Responsabilidades (10:23-24)
Exemplo (10:25-30)
Doutrina (10:31-11:1)
A glória de Deus (10:31)
Evitar Tropeço (10:32)
Exemplo Paulino (10:33-11:1)

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1.1.3 Questões Práticas
Proveito: Qual o valor destes capítulos para hoje?—nos princípios embutidos.
 O assunto é específico e contextualmente limitado, porém Paul apresenta
princípios gerais.
 Os capítulos 8-10 tratam de assuntos questionáveis, “cinzas”, da vida cristã.
No caso de Corinto, se centralizava em comidas. No princípio transcultural
as pergunta seria—“Até onde pode ir a liberdade cristã em respeito
comportamento não expressamente proibido nas Escrituras?” Como diz
MacArthur, “o problema não é que são questões insignificantes, mas que não
podemos falar tão autoritativamente acerca delas como podemos falar acerca
do roubo, calúnia, adultério, cobiça—cousas que a Escritura claramente
proibe” (MACARTHUR, 188).
Dois extremos (MACARTHUR, 188):
1. o Legalismo: todo comportamento pode ser legislado em preto e branco. O
legalista vive pelas regras e não pelo Espírito. Porém espiritualidade não se
resume em “faça” ou “não faças” mas em ser controlado pelo Espírito Santo.
“O legalismo abafa a liberdade, abafa a consciência, abafa a Palavra e abafa
o Espírito Santo” (MACARTHUR, 188).
2. a Licensiosidade: também afirma que tudo pode ser identificado em preto e
branco, porém considera a maior parte branca. Ela diz—“Tudo é aceito
contanto que não seja proibido na Escritura.” Licensa faz tudo que a
consciência não acusa (mesmo se ofender outro).
Aplicação:
Eis a importância de está arraigado nas Sagradas Letras vinculado a uma dependência
viva com o Espírito Santo.

1.1.4 Esboços
Esboço generalizado
1. O Assunto identificado e princípio estabelecido (cap. 8)
2. O Exêmplo de Paulo (cap. 9)
3. Advertência contra Desqualificação (10:1-22)
4. Edificação do irmão e Glorificação a Deus (10:23-11:1)

RYRIE (Bíblia Anotada)


I. A Questão (cap. 8)
II. O Exêmplo de Paulo (cap. 9)
III. As Exortações (cap. 10)
WIERSBE (85)
I. O Conhecimento deve estar equilibrado pelo amor (cap 8)
II. O Conhecimento deve estar equilibrado pela disciplina (cap. 9)
III. O Conhecimento deve estar equilibrado pela precaução (10:1-22)
IV. O Conhecimento deve estar equilibrado pela responsabilidade (10:23-33)
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MACARTHUR (188):
“Ao responder uma pergunta específica Paulo dá um princípio geral e universal que
pode ser aplicado em todo comportamento questionável” (188).
I. O princípio afirmado e explicado (cap. 8)
II. O princípio ilustrado (9:1-10:13)
III. O princípio aplicado (10:14-11:1)
 O princípio: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha de algum modo a
ser tropeço para os fracos” (8:9). MACARTHUR explica, “Antes de exercer nossa
liberdade cristão em área não proibida pelas Escrituras, devemos considerar como
afetará os outros, especialmente nossos irmãos crentes” (188).

BAXTER (VI:96)
Fundação: O assunto geral é comida de certas carnes que eram duvidosas devido sua
associação com ídolos. Paulo responde de tal modo que evita comprometer o
evangelho nem escandalizar os outros. A resposta é mais extensa porque a questão
também abrange considerações sociais delicadas.
I. O princípio que rege a conduta (8: 9-13)
II. O exêmplo de Paulo (cap. 9)
III. A Admoestação bíblica (10:1-22)
IV. A Questão em si (10:22-11:1)

1.1.5 O Pano de Fundo


Veja Morris, 99
Conhecimento do contexto histórico ajuda muito a entender a resposta de Paulo.
Todos os comentaristas tentam explicar o pano de fundo, porém há muitas variações
dentro deste.
Corinto: sua religião pagã. De fato, havia muitas religiões, porém estas parecem
seguir “padoeiros” dentro de contexto politeista. Portanto, as práticas tinham
semelhanças gerais. Havia três destinos de partes dos sacrifícios:
1. queimada,
2. participada em ceia religiosa nos templos pagãos;
3. o que sobrava dos sacerdotes era vendida no mercado público (comp 10:25;
10:27-30). Logo, destinava-se as refeições, sendo assim consumida por
qualquer pessoa.
Social: muitas das programações sociais eram realizadas nas imediações dos templos
(comp. 8:10; 10:14-22). Lembra-se o vínculo social-profissional-religioso. Cada
profissão tinha seu padoeiro, cujas reuniões, eventos e lazer eram realizados na sede,
i.e. no templo. Como nos clubes da atualidade, acrescentando porém a faceta
litúrgica, estes funcionam de sede total da casa (o profissional e seus dependentes).

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1.2 A Problemática (cap. 8)

1.2.1 Esboço
Esboço 1
Introdução Geral (8:1-3)
As Considerações (8:4-12)
A Proposição (8:13)

Esboço 2
I. O Assunto (8:4-8)
A. Conhecimento (8:4.b-6) “sabemos...”
B. Deficiência (8:7-8) “não há conhecimento...”
II. A Advertência (8:9-13)
A. A Ordem (8:9)
B. A Ordem Justificada pela tentação (8:10) “porque... induzida”
(Você tenta o outro)
C. A Ordem Justificada pela destruição (8:11) “por causa... perece”
(Você derruba o outro)
D. A Implicação Pessoal (8:12) “e deste modo... pecais”
(Você está pecando contra Cristo)
III. A Resolução (8:13) “nunca (jamais)...”
obs. esta resolução é logicamente derivada (gramaticamente subordinado) aos
vss. anteriores.
A. A Orientação—“meu irmão” (outrem)
B. O Padrão—“se... serve de escândalo” (gramaticamente: uma condição)
C. A Extensão—“nunca mais comerei carne” (i.e. carne alguma, não somente
“carne de ídolos”)
D. O Propósito—“para que não venha a escandalizar” (gramaticamente: o
propósito da resolução—evitar escândalo)
 O Princípio: O amor ativo é visto pela prontidão a renegar o que é de direito
(cf. grg. 8:9 “liberdade”) para o bem do irmão. Liberdade auto-limitado pelo
amor.

1.2.2 Introdução (8:1-3)


Aqui Paulo introduz o assunto específico: lit. “comida de ídolos”.
nesses vss. ele toca em vários pontos que serão discutidos mais adiante: saber, amor,
edificação, amar a Deus.
Nota-se também “soberba” (v. 1). A soberba era uma das falhas fundamentais em
Corinto que se manifestava no partidarismo (4:6,18,19) e na tolerança e defesa do
pecado (5:2,6). Também era uma cancer que afetava os pormenores das questões

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sociais na igreja, aqui, lidando com áreas “cinzas” da vida cotidiana. Nesta mesma
linha nota-se que havia uma falha no amor dos irmãos.

8:1 Admissão ou Afirmação? Os comentaristas afirmam que aqui Paulo cita uma
afirmação de alguns em Corinto mas acrescenta que a solução não é tão fácilmente
resumida somente no “saber.” Tem que incluir amor. Nota a mudança surpreendente
em 3.b (comp. Sl 1:6). Mais importante do que conhecimento é ser conhecido por
Deus... que passa a indicar uma vida submissa e em amor da pessoa conhecida por
Deus.
8:1 “De imediato (8:1) ele mostra que é necessário distinguir entre “o saber” e “o
amar” a nortear a conduta” (BAXTER, VI:112-113)

1.2.3 As Considerações: Conhecimento e Amor (8:4-12)


Incluso nas áreas “cinzas” da atualidade, há quem incluam bebida alcoólica.
Porém crê-se que há equívoco. Esse texto é usado para justificar o crente tomar
bebida alcoólica (se dizem em eventos sociais contanto que não haja excesso).
Esse argumento funciona quando se trata de bebidas (e.g. chá, café, refrigerante,
etc.) que não alteram o comportamento (auto-domínio) da pessoa. No caso do
álcool, além de alterar a personalidade, adiciona o elemento fisicamente vicioso
não presente no mesmo nivel de cafeína, et al. Portanto, no caso de justificar o
álcool, há uma troca de categorias além do ensino abrangido pela comida a
ídolos, comida esta que não continha esse elemento ou aspecto vicioso.
O que se deve lembrar: o tomar ou o não tomar de bebidas em si não
recomendam a pessoa espiritualmente. O valor é ao tomar (ou não tomar) para a
glória de Deus (v. 8). Portanto parece equívoco tomar álcool “para a glória de
Deus.”
8:7-13 A importância de obedecer a consciência, mesmo na dispensação da Igreja e a
presença do Espírito Santo.
obs.: a consciência pode ser educada (ré-programada) porém não deve ser
cauterizada (comp 10:27).
8:9 “liberdade”— “liberdade de escolha, direito; capacidade, poder;
autoridade”
8:9 MACARTHUR (188) afirma que este é o princípio todo abrangente desses
capítulos.
O “forte” e o “fraco” neste texto não correspondem a maturidade espiritual; pelo
contrário se trata de atitude relativa (“consciência” individual) em uma determinada
questão. O forte é a pessoa que, por algum conhecimento adicional (v. 10.b.)
consegue praticar algo “cinza” sem ter sua consciência acusá-lo. Nota-se que ele
pode até fazê-lo sem amor, i.e. sem maturidade espiritual.
Nos vss. 10-13 o autor passa a ilustrar esse princípio de liberdade exercida em amor.
Nota-se a preocupação que o crente deve ter para com os outros.

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O princípio de liberdade restringida pelo amor é um conceito judeo-cristão. Não
somente aplica a cousas religiosas, ritos eclesiásticos e práticas pessoais, mas tem
sido aplicado a governo e política dando base concreta para um país livre. Nota-se
que na maioria da história e nas maiorias dos países, se predomina a lei do depravado:
o mais forte domina (“liberdade” a medida do poder relativo dentro da sociedade) que
deixa os demais em vários níveis de opressão. No país com influência judeo-cristã,
até o mais alto governante está sujeito aos direitos do mais humilde pobrezinho.
Aliás, até ao estrangeiro extendem-se direitos. Logo, se diz—“A minha liberdade
termina onde a dos outros começa.” Desta feita, o amor divino é o padrão reinante.
8:10 “induzido” cf. —“construir; restaurar; edificar, fortalecer” BAGD
sugere que o apóstolo ironiza a partido “forte” que acha que seu exêmplo beneficia o
“fraco.” Fortalecimento não vem por meio da cauterização do “nervos espirituais.”
Isso seria endurecimento.

1.2.4 A Conclusão: O Princípio (8:13)


8:13 “e por isso”—conjunção de derivação lógica, i.e. conclusão ou fechamento
lógico.
8:13 “carne” . Ocorre no N.T. somente aqui e em Rm 14:21. Até aqui a
discussão era acerca de “comida,” mas agora o autor se prontifica nunca jamais comer
da class interia da que é escandalosa, carne alguma.
8:13 BAXTER (tb. MACARTHUR) afirmam este ser o princípio básic. São cinco
vezes nestes 3 capítulos ele repete o princípio—consideração pelo fraco (8:9,13; 9:19-
23; 10:24; 10:29).

1.3 O Exêmplo de Paulo (cap. 9)

1.3.1 Introdução
Este capítulo é integralmente ligado ao assunto principal, porém Paulo discorre
bastante além do assunto limitado (veja Morris, 105). Não é uma lacuna lógica nem
um desvio, quanto menos uma inserção (de outra carta ou autor). Sugere-se que seja
argumento em “arco”: nem tudo que ele diz é diretamente relacionado a comida a
ídolos, mas o discurso total apoia seu argumento. Nos pormenores, o autor aborda
outros assuntos e seus respectivos princípios importantes.

1.3.2 Esboço
Esboço 1
O Exêmplo de Paulo.
I. A Posição de Paulo—“sou eu...” (pelo menos quanto aos coríntios) (9:1-2)
II. Os Privilégios de Paulo—“direito” (9:3-12)
A. Prova Sindical (9:3-6)
B. Prova Natural (9:7)
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C. Prova Bíblica (9:8-10)
D. Dedução lógica (9:11-12.a)
III. O Propósito/ Alvo de Paulo (9:12.b-14)
A. Princípio geral: Evitar obstáculo ao evangelho de Cristo (9:13-14)
B. Princípio interno: direito de remuneração (9:14)
IV. A Abnegação de Paulo (9:15-10:22)
A. Exêmplo Esportivo: fazer tudo para alcançar o prêmio (9:24-27)
B. Exêmplo Bíblico: os desaprovados (10:1-6)
C. Advertência Específica (10:7-13)
V. A Ordem de Paulo (10:14-22)

BAXTER, VI:113
O exêmplo de Paulo ao se:
 renegar (9:1-18)
 esconder (9:19-23)
 disciplinar (9:24-27)
Todos estes eram para o bem dos outros (vs, 18,22,26)
Sujeição é realização. Baxter conclui—“Por meio de paradoxo maravilhoso esta
auto-sujeição e torna auto-realização. Ela purifica, simplifica, unifica, amplifica e
glorifica a vida. Ricamente comprova as palavras do Mestre—‘Quem salvar a vida a
perderá, e quem perder a vida por meu nome a achará’!” (BAXTER, VI:113)
GROMACKI
O Princípio Ilustrado.
A. Os Direitos que Paulo não usou (9:1-14)
1. Como apóstolo (9:1-6)
2. Como ser humano (9:7-10)
3. Como ministro (9:11-14)
B. Razão porque Paulo não usou Seus Direitos (9:15-18)
1. Seu motivo (9:15) (o que o movia)
2. Sua responsabilidade (9:16)
3. Sua recompensa (9:17-18)
C. Direitos que Paulo usou (9:19-27)
1. O Direito de servir (9:19-21)
2. O Direito de ser flexível (9:22-23)
3. O Direito de sobresair (9:24-27) (excelência)

1.3.3 Os direitos de Paulo (9:1-14)


Descreve como Paulo, sendo ministro, aliás apóstolo, tinha direitos de sustento (até
para ter uma esposa, se quiser) mas cedeu estes direitos para o bem do evangelho
(dentro do contexto maior, para maior “glória de Deus”).

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 8


9:1 Paulo tinha liberdade e, ainda mais, autoridade para pedir sustento. Além disso,
tinha “produtividade” para exigir sustento, porém cedeu para “não criar qualquer
obstáculo ao evangelho de Cristo”
note a completa “orientação outrem” de Paulo. Preocupado com:
1. outras pessoas. obs. bem-educação provém de uma preocupação para
com os outros
2. Cristo. É mais que simplesmente expandir um sistema (evangelização a
outra religião). É enaltecer uma Pessoa, Cristo.
9:1 apóstolo de fato e de fruto
9:5 Os outros apóstolos eram casados, os irmãos de Jesus e Pedro (Cefas)
especificados. Também parece que eles não tinham emprego fora do ministério.
obs. às vezes é tido como moda ser “fazedor de tendas” que, certamente, tem
mais respeito e peso curricular do que “evangelista” ou “missionário” ou, em
nosso tempo, até “pastor.”
Nota-se que Paulo deixou de trabalhar fora i.e. se entregou totalmente ao
ministério quando possivel (Atos 18:5). “Fazer tendas” não é errado, mas
quando possível, o ministério anda bem mais quando se pode dedicar
completamente. (ilustr.: edificar uma casa nos horários vagos).
9:6 “Barnabé”—cronologicamente após Atos 15:39 que leva a entender que a
divergências ministeriais não devem abafar respeito pessoal.
Os direitos de Paulo:
 comprovado pelo mundo natural (9:7)
 comprovado pelas Escrituras (9:9-10)
9:12.b Após explanar seus direitos, o apóstolo contraste seu comportamento como
exêmplo. Logo mais declara o princípio. Ele limitava seus direitos com um
propósito (“para não...” 9:12.d)
9:13 Seus direitos ilustrados.
Resumo:
 O Assunto Geral: comida a ídolos (caps. 8-10)
 O Princípio geral partindo do exêmplo pessoal—“Suportamos tudo, para não
criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo” (9:12.b)
 O Assunto Interno: os direitos de sustento do ministro
 O Princípio Interno: O “evangelista vive do evangelho” (9:14)

1.3.4 As Auto-Restrições de Paulo (9:15-27)


Por que Paulo se privou? Os propósitos da auto-abnegação de Paulo:
 evitar obstáculos ao evangelho (v. 12.b)
 salvação “do maior número possivel (v. 19)
 eliminar hábitos extraculturais “a fim de, por todos os modos, salvar alguns”
(v. 22)
 evitar “desqualificação” (v. 27) como a maioria (10:1-5)
 aumentar o galardão (9:18)
TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 9
  Portanto, parece ser o alvo maior: a glória de Deus pela promoção do
evangelho.

9:17 lado positivo, lado negativo. De qualquer forma cumpre o cargo.

9:19-23 “fiz-me tudo para com todos (para)... salvar alguns” Paulo aqui fala do seu
esforços abnegadoros para evitar impecílios ao evangelho. Estes vss. são usados,
porém fora do contexto, para justificar e adotar todo tipo de prática abominável
introduzido na igreja—pragmatismo. Na atualidade o assunto polêmico é música
mundana. Geralmente o argumento segue—“Música é moralmente neutra. Portanto,
adotamos certo estilo de música para atrair o incrédulo aos nossos cultos ou para que
ele sinta mais a vontade em nosso meio. Ao atraí-lo, podemos então inserir ‘trailers’
evangelísticos até que alcancemos o propósito, sua conversão” Deixando de lado a
primeira suposição errada (i.e. que música é veículo moralmente neutro), demostra-se
ainda uma compreensão errada do Texto em pauta.
O apostólo mostra como ele procurava eliminar aspectos que sejam ofensivos,
não acrescentar aspectos atrativos (i.e. trazendo o nível de ofensa o mais próximo
a zero possivel; não ir além e acrescentar negativos; diminuir barreiras, não
adotar isca;
O texto no contexto fala da flexibilidade nos hábitos pessoais para evitar ofensa
ao público alvo. É uma estratégia defensiva, não ofensiva. Paulo não justifica
acrescentar práticas para atrair ao evangelho. Pelo contrário, exorta eliminar
cousas permissíveis (liberdade auto-restringida) por diminuir interferência
comunicativa.

O erro destes contemporâneos inclue:


 Esquece o padrão final: a glória de Deus independentemente do crescimento
numérico da congregação local (geralmente essas práticas são movidos e
centralizados em homens que, no palco, fingem ser piedosos).
 Supõe que o evangelho pode ser feito palpável ou atrativo ao incrédulo
(comp. 1 Cor 1:18-2:5).
 Ignora o conceito de santidade, doutrina esta sofrida pela carência do
conhecimento do A.T. (esp. Levítico. cf. 11:44ss; 18:1-3)
(sou devedor ao esclarecimento de John MAKUJINA, Measuring the Music,
Willow Street, PA, EUA: Old Paths Publications, 2002, pág 22ss)
Em resumo, o contexto de 1 Cor. 9 ressalta as auto-restrições / renúncias de Paulo,
não os esforços/ práticas que adotou para ganhar almas. Suas estratégicas são
conhecidas em outros contextos, esp. Atos. Nestes, não se vê Paulo se meter em
festas idólatras para evangelizar os pagãos, nem importar práticas greco-romanas
(costumes; “cultura neutra”) à liturgia cristã. Pelo contrário, esta tem elo forte com a
sinagoga (culto judaico).

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 10


9:23 PRIOR (Stott, ed.) foge um tanto quando sugere que o crente deve “encarnar a
cultura” conceito este necessitando definição. Em aspecto limitado é correto, pois ele
demostra no tempo e espaço o caráter divino. Por outro lado, entre muitos grupos
este conceito é levado além dos limites bíblicos. O conceito se deriva de um contexto
missiológico e uma filosofia/ orientação/ atitude inclinado ao mundo. Se trata de uma
distinção fundamental entre o “evangélico” e o “fundamentalista”, ambos tendo a
mesma doutrina. Um suspeito o mundo ao passo que o outro suspira o mundo (veja
as definições técnicas, e.g. ELWELL, Enciclopédia Histórico-Teológica).
Em um extremo há o ascetismo, heremitas e outros que se desligam da vida
no mundo. Em alguns casos extremos, houve missionários que não se
preocupavam nem aprender a língua, vida e costumes do povo receptor. Isso
claramente é errado e provém de outras doutrinas desequilibradas mais do que se
deve a uma falha “incarnadora”.
À partir daí, há quem afirme (“evangélicalismo”) que o crente deve se
introzar o máximo com o mundo a fim de criar elos de evangelismo—“ser luz
nas trevas.” Isso contém aspecto correto mas na aplicação se justificam muitas
práticas mundanas (e.g. presença/ participação em eventos mundanos, até mesmo
com bebida alcoólica; blocos ou shows “evangélicos”; etc.). Além disso,
criticam certos costumes “antequados,” posições “tradicionais,” ou práticas
“importadas” que, na mente deles, violam a cultura trazendo mundanças
desnessárias no cotidiano dos convertidos.
Por outro lado o fundamentalista não cede certas práticas nem compromete
certos princípios para se introzar “melhor” a fim de converter pessoas. Ele
reconhece certas cousas obvias que têm que serem adaptados mas também não
tem receio efetuar uma mudança na cultura mesmo que seja estas alterem os
fundamentos culturais.
O crente deve viver como bom cidadão em qualquer contexto que se
encontre, porém ele não precisa, nem deve, “se tornar peixe para ganhar o peixe.”
Por outro lado, não se pode exigir que o “peixe” deixe de ser “peixe” antes de
nascer de novo. Portanto, a conversão deve levar a pessoa a ser nova criatura em
Cristo sem se ausentar do mundo (1 Cor. 5:9-10). Porém na atualidade o crente é
tentado bem mais a se conformar ao mundo do que se desligar exageradamente
da cultura (comp. conceito de “santidade”).
Elaboração do esforço feito para atingir o alvo e evitar desqualificação 9:24-27
9:25 “coroa” (veja figura, bibleplaces.com)

1.4 Exortações (cap. 10)

1.4.1 Esboço
GROMACKI
A Violação da Liberdade
I. Por Israel (10:1-15)
TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 11
A. A Posição de Todos (10:1-4)
B. A Punição de Muitos (10:5-6)
C. A Prática de Alguns (10:7-10)
1. Idolatria
2. Fornicação
3. Tentar o Senhor
4. Murmurar
D. O Propósito de História (10:11-15)
II. Por Comunhão com Demônios (10:16-22)
A. Comer implica comunhão (10:16-20.a)
B. Comunhão com ambos Deus e demônios é impossivel (10:20.b-22)
III. Pela Consciência (10:23-11:1)
A. O Princípio Repetido (10:23-24)
B. O Princípio Ilustrado (10:25-30)
C. O Princípio Ordenado (10:31-11:1)
1. Fazei tudo para glória de Deus (10:31)
2. Não seja tropeço (10:32-33)
3. Siga Paulo (11:1)

1.4.2 Advertência contra ser desqualificação (10:1-13)


Esboço
Este trecho continua elaborar “desqualificado” (9:27)
1. Exêmplo do A.T. (10:1-10)
2. Apresentar (10:11)
3. Deduzir (10:12)
4. Princípio Interno (10:13)

Estrutura
Nota-se as ênfases e estrutura do parágrafo.
10:1-5 a ênfase “todos, todos, todos, todos, todos... entretanto, Deus não se agradou
da maioria.”
obs. “todos” 5 vezes nos vs. 1-4 (veja grg. vs. 4 “e todos beberam”)
v. 5 contraste... “maioria”
O conceito do remanescente fiel aparece de Gên a Apoc. Tanto quanto a
proporção dos que são salvos quanto a proporção de fieis entre a “comunidade
religiosa” sempre foi uma minoria. Quando se trata de verdades Bíblicas e
comportamento sadio (contexto: carne de ídolos), o piedoso se acha quase
isolado (comp. Gên 6:5-13; 1 Rs 19:8/ Rom 11:4)

Cinco Imperativos
10:6-10 contém cinco imperativos derivados de exêmplos desqualificadores no A.T.
1. “Não cobicemos” (v. 6)
TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 12
 possivelmente sendo um motivo errado de comprar/comer carne de
ídolos.
 (obs. é possivel que este imperativos seja geral englobando todos os
subsequentes)
2. “Não vos façais... idólatras” (v. 7)
 esp. aplicável ao contexto de Corinto (repetido em 10:14 e elaborado
nos vss.15-22)
3. “Não pratiquemos imoralidade” (v. 8)
 obs. que o culto pagão promovia a imoralidade e Corinto abundava o
paganismo
4. “Não ponhamos o Senhor à prova” (v. 9).
 Participação nos eventos pagãos poderia desafiar a Deus (comp. 10:22).
5. “Nem murmureis” (v. 10)
 reação normal por aqueles que acham que perderam um direito
10:1 “batizados”—Morris foge um pouco, provavelmente devido não ter herança
batista.
 O Significado: imergir
Infelizmente os tradutores da Bíblia optaram por transliterar (“baptizo” 
batizar) ao invés de traduzi a palavra.
 O Simbolismo: identificar, associar... c/ uma pessoa, causa, ensino, etc.
 O Sentido: Como ato simbólico, os israelitas do êxodo foram identificados
com Moisés por meio da núvem e do mar.
 Aplicação Atual: Paulo conclue com uma aplicação contemporânea: “Todos
foram associados, mas nem todos foram aprovados. Cuida-te para que não
sejais do mesmo modo desqualificado.”

10:11 comp. 2 Tim 3:16-17


O Princípio
10:12 “pois” Princípio logicamente derivado dos vss. 1-11.
(comp. 8:1 “soberba”).
Princípio geral da vida cristã.

1.4.3 Advertência contra idolatria (10:14-22)


O crente devia cuidar que sua participação de eventos nos templos como também
alimento de carne não seja comunhão com ídolos que signifia idolatria que é culto a
demônios.
10:22 comp. 10:9

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 13


1.4.4 Glorificar a Deus ao buscar o bem-estar do irmão (10:23-
11:1)
(RYRIE)
comp. 1 João (esp. 4:11-21; tb. 1:5-2:11)
Os profetas do A.T. também repreenderam a hipocrisia dos Judeus, pecado este
comprovado pelos exêmplos concretos de injustiça contra seus concidadãos.

10:25 “mercado”
10:30-31 A questão nem é o eu mas Deus.
vs. 31 “para a...” avaliação objetiva não subjetiva.
Não se trata do “meu motivo” mas do Deus cujo carater é objetivo e
imutável.
10:31 “glória” (comp. 6:20)
A glória de Deus se trata do Seu caráter:
 veja Êx 32-34 esp. 33:2; 12-23; 34:5-7
 os efeitos que atingem os sensos físicos, são secundários. Quando há
algo tocante aos sentidos, frequentemente incluem: núvens, luz, arco-
celeste, cores cristalinas como de jóias, mas esses devem ser
considerados efeitos tangíveis secundários, aliás transbordantes, da
maravilhosa beleza do caráter divino.
 comp. Is 6; Apoc 4
Sempre se vê dois aspectos associados à glória de Deus:
1. Uma Revelação do Seu caráter
2. Um Resposta/ Reação do receptor
comp. Êx. 34:8; Is 6:8; Apoc. 4:9-11;
Resumo: A glória de Deus é fundamentalmente uma revelação do Seu caráter.
Glorificar a Deus seria a resposta coerente à Sua auto-revelação.
Aplicação: Glorificar a Deus significa responder corretamente à revelação de
Deus. A reação apropriada ao caráter de Deus revelado é glorificar a Ele.
Portanto, glorificar a Deus não é resplandecer físicamente mas externar/ incarnar
o caráter de Deus (Gal 5:22ss).
10:31 Este é o padrão da ética, quer seja cristã ou não
Há uma procura para o padrão básico de ética. O mundo incrédulo vaguea por
todo a filosofia atrás de um padrão absoluto. Outros desesperadamente
cambaleiam no relativismo. Na ética cristã alguns estabelecem o “amor” como o
padrão final, mas parece melhor identificar como aqui “a glória de Deus.” Tudo
que fizer, se deve procurar fazê-lo para enaltecer a Pessoa do Deus vivo; Criador,
Sustentador e Consumidor de todas a coisas.
10:32 “judeus”, “gentios,” “igreja.” Note a implicação dispensacionalista: três
categorias de pessoas. (não duas: povo de Deus e não-povo de Deus). Isto implica
uma compreensão que judeus permanecem como povo escolhido de Deus devido a
natureza incondicional da aliança abraâmica. A noção “cristã” desde Orígenes e
TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 14
Agostino que afirma a Igreja ser o novo Israel de Deus não tem apoio Bíblico. Ela
nega uma posição literal para os descendentes literais de Abraão como literalmente
revelada em Gên 12 e 15. Mesmo depois da crucificação, ressurreição e ascensão do
Messias, Ele permanece no seu carater de Messias, apesar que atualmente está
levantando um povo Seu dentre os gentios, povo este conhecido como “igreja.” No
contexto de 1 Cor. 8-10 esse vs. especifica que o crente não deve escandalizar a ética
gentia, os escrúpulos judaicos nem os irmãos cristãos. Essa auto-restrição tem como
alvo salvação ou edificação, respectivamente ao crente ou incrédulo.
11:1 Há espaço para seguir homens, mas é Jesus o alvo (comp. Heb 13:7, 17).

1.5 Aplicação

1.5.1 Princípios para as áreas “cinzas”


Princípios que regem o comportamento cristão, especialmente quando se trata de
assuntos não abordados diretamente pelas Escrituras:
 8:9 não use a liberdade para causar tropeço nos outros. Tanto a consciencia
própria como a dos outros deve ser respeitada, não violada. A consciência pode
ser educada, porém desobedecê-la é pecado.
 8:13 sintetiza o princípio no vs. 9
 9:19-23 minimizar as distrações a fim de “salvar alguns”
 10:14 Fugi da idolatria. Apesar que realmente existe um só Deus,
na prática há muitos falsos deuses, aliás demônios, por trás da idolatria.
Portanto, em tudo que fizer, devemos evitar idolatrar, isto é, substituir algo por
Deus, incluindo ter comunhão em festas idólatras.
 10:23-24 Liberdade/ lícito controlado por aquilo que “convém/
edifica”
 10:30 ter gratidão a Deus (porém não a “gratidão” de Lucas 18:11)
 10:31-33 A glória de Deus: o padrão ético do crente em todas as
áreas da vida. Nossa atitude para com questões “neutras” passam a ser decisões
com peso moral de acordo com a medida que glorifica a Deus. Todo objeto é
moralmente neutro, MAS o momento que é tomado por um agente moral (ou na
fabrição ou na utilização), aquele objeto passa a ser um instrumento moral.
(ilustr: um instrumento cortante, e.g. faca. O próprio estilo comunica carga
moral como também o uso) Do mesmo modo é com instrumentos musicais,
roupas, gestos, sons, palavras.
Considerações bíblicas para reger o comportamento cristão:
(Aspectos que influenciam a decisão de comida a ídolos... assuntos “cinzas”)
 A glória de Deus
 não ofender a consciência
 buscar o interesse dos soutros
 buscar a salvação(dos incrédulos)

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 15


 amor
 proveito espiritual, edificação
 exêmplo de Paulo e Cristo (11:1)

1.5.2 Princípios para Decisões


Perguntas que ajudam reger decisões:
(comp. WIERSBE).
1. Escraviza o indivíduo? (1 Cor 6:12)
2. Edifica o crente? (1 Cor 10:23)
3. Exalta o Salvador? (1 Cor 10:31)
4. Evangeliza o pecador? (1 Cor 10:32)
5. Viola a consciência de outros? (Rom 14:22)
6. Viola a consciência própria? (Rom 14:23)
obs. o “fraco” e o “forte” de Rom 14 não se trata do moralmente fraco ou
forte. Ambos eram moralmente fortes.

1.6 Apêndice

1.6.1 A Consciência
1 Cor 8-10; Rom 14:13-23. (baseado em sermão: Pr. Al Franklin, Grace Baptist
Church, Redding, CA 06/10/2002)
Introdução
A “liberdade da consciência” é uma doutrina fundamentalmente “batística.” Este
conceito distinguiu os anabatistas dos Luteranos e Calvinistas na reforma protestante.
Neste caso, os Luteranos e Calvinistas permaneceram leais ao modêlo Católico,
modêlo este proveniente de Constantino. O golpe político feito por Constantino
enredou a igreja e o estado. Até então o cristianismo segui as palavras de Cristo “Dai,
pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21) fazendo assim
uma distinção clara de religião e estado. Apesar que seja inconcebível a qualquer
(outra) religião e filosofia*, o cristianismo visa a possibilidade de ser bom cristão
independentemente de sua filiação étnica-política-national-civil-social. Os batistas
entenderam isso e ardentemente defenderam (e morreram) pela liberdade de
consciência, pensamento este que afirma questões religiosas ser decisão pessoal
impossivel de ser imposto por outros. A medida que os reformadores criaram suas
próprios religiões oficiais (poder eclesiástico vinculado ao temporal, i.e. religio-civil),
os batistas insistiram que o governo não podia, nem devia, interferir em questões
espirituais. Estes visavam o poder temporal que cuidava da estabilidade e defesa da
sociedade populada por indivíduos com suas crenças e convicções individuais.
Portanto, muitos batistas foram condenados pelos poderes temporais por ser

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 16


“dissidentes,” erradamente interpretando divergência religiosa como deslealdade
nacional. Portanto, não se vê nem se almeja ter, um país com religião oficial sendo
“batista” (contrário ao Luterano, Calvinista, Anglicano, Católico, Muçulmano, Hindu,
etc.).
* Platão afirmou—“Não é possivel ter uma nação com liberdade de consciência
pois destruirá a união do país. Portanto, é necessário ter conformidade para ter
união” (citado por Al Franklin).
Definição
“con-sciência”—o outro conhecimento
A consciência é o “bandeirinha divino do coração.” A consciência não educa,
nem instrui nem esclarece; simplemente acusa, guarda e alerta.
Funciona à base de conhecimento. Nunca erra, pois sempre acusa mesmo que sua
base esteja incorreta ou errada.
A consciência é programável (e ré-programável) desparando como um alarme
sempre que há infração.
Pode ser re-programável, re-educado
Deve ser programado pelas Escrituras
Pode ser cauterizada (cf. 1 Tim 4)
Uma pessoa que repetidamente ignora as alertas da consciência, desenvolve
uma cauterização aos alarmes feito por ela.
Portanto, não deve ignorá-la.
O Crente e A Consciência
A consciência foi divinamente posto no homem para ajudar a controlar seu
comportamento e refrear seu pecado. Após a conversão o crente deve continuar a
obedecer a sua consciência e, ao passo que cresça no conhecimento da Palavra,
reprogramá-la à luz da Escritura.
Fé e dúvida não se unem.
A dúvida é caracterizada como uma consciência indecisa. Por falha de instrução,
ela não consegue fazer uma determinação. O crente deve conhecer as Escrituras para
que possa tomar decisões firmes quanto a assuntos cotidianos. Ele age com
convicção e coragem partindo da luz (conhecimento) confiante em Deus (quanto ao
escuro).

TMF. Natal, SIBB, Análise de 1 Coríntios: caps. 8-10: v. 2010.1, p. 17

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