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Análise do

Comportamento:
Filosofia, Ciência e
Prestação de Serviços

Dra. Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


Psicóloga Analista do Comportamento
Especialista em ABA
Apresentação:
Credenciais:
 Psicóloga Analista do Comportamento
 Analista do Comportamento acreditada pela ABPMC
Board Certified Behavior Analyst (BCBA)
 Qualified Behavior Analyst (QBA)
 International Behavior Analyst (IBA)

Formação:
 Bacharel em Psicologia (UFSCar)
 Formação de Psicóloga: Terapia Comportamental
(UFSCar/ITCR)
 Mestrado em Educação Especial (PPGEEs/UFSCar)
 Doutorado em Psicologia do Comportamento e Cognição
(PPGPsi/UFSCar)
 Especialista em ABA-Autismo (UFSCar/Instituto
LAHMIEI Autismo)
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ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO:
Filosofia

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Análise do Comportamento

“1. separação de um todo Processo que ocorre em


em seus elementos ou função das interações
partes componentes entre as ações do
2. estudo pormenorizado organismo (respostas),
de cada parte de um todo, aspectos do ambiente do
para conhecer melhor sua indivíduo (estímulos
natureza, suas funções, antecedentes) e as
relações, causas etc” modificações ambientais
operadas nesse ambiente
(Keller & Schoenfeld, 1950)
(consequências) pela
ação do organismo.
(Todorov, 2012)

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IEPSIS /CERENA - 2020
ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO

ANÁLISE ANÁLISE DO
BEHAVIORISMO
EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO
RADICAL
COMPORTAMENTO APLICADA (ABA)

PESQUISA PESQUISA BÁSICA PRESTAÇÃO DE


CONCEITUAL SERVIÇOS
PESQUISA
Filosofia da Ciência APLICADA INTERVENÇÕES
do Comportamento COMPORTAMENTAIS:
PESQUISA clínica
Teorias e conceitos TRANSLACIONAL comportamental
(FAP, ACT, BDT...),
programação de
ensino e
treinamento,
Educação Especial,
OBM...
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 Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é
o braço tecnológico e aplicado da Ciência do
Comportamento
 Embasada nas teorias e princípios
comportamentais da Análise do
Comportamento e do Behaviorismo Radical de
B.F. Skinner
 Usa procedimentos de intervenção
comportamental baseados em evidências
científicas para o ensino de comportamentos
adaptativos e adequados, socialmente
significativos e efetivos no ambiente da
criança
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FUNDAMENTOS DE
BEHAVIORISMO RADICAL

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COMPORTAMENTO
RESPONDENTE
 algumas respostas são reflexos
incondicionados, ou seja, são inatas em
vez de aprendidas

 outras são reflexos condicionados,


aprendidos através do emparelhamento
dos reflexos com estímulos do ambiente

 aprendizagem de outras FUNÇÕES


para uma resposta que já existe no
repertório
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Pavlov
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 condicionamento clássico
 condicionamento pavloviano
 condicionamento =
aprendizagem

 incondicionado = inato,
reflexo do organismo
selecionado pela evolução da
espécie
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S REFLEXO

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S +
neutro
S
incondicionado
REFLEXO

Resposta
condicionada
condicionado
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S condicionado

Resposta
condicionada

= Sinaliza que um estímulo


eliciador de reflexo vai ser
apresentado...
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R reflexa
S incondicionado

+
Resposta
S condicionado condicionada
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S neutro
• cafeteria
• jaleco
S branco
condicionado
• escola • medo
• barulho

+
• ansiedade
• cheiros
• confusão
• imagens
• desconforto
S incondicionados
R reflexas

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Resumão...
 uma resposta reflexa é uma resposta
automática imediata ao estímulo não
condicionado
 quando um estímulo neutro é pareado
com um estímulo incondicionado ocorre
aprendizagem  condicionamento
respondente

 quando o estímulo condicionado é


apresentado, ele elicia a resposta
condicionada que foi aprendida pelo
organismo
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Resumão...
 O comportamento de salivação
(resposta reflexa) eliciado pela
apresentação da comida (S
incondicionado) tem suas origens na
seleção natural (Teoria da Evolução)

 O comportamento de salivação
(resposta condicionada) eliciado pelo
estímulo sonoro (S condicionado) tem
sua origem na experiência individual do
organismo (aprendizagem)
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 PREDIÇÃO  quando
apresentamos um estímulo,
podemos prever que o organismo
vai provavelmente se comportar de
determinada maneira

 CONTROLE  quando fazemos um


condicionamento estamos
controlando/modificando a maneira
como o organismo vai se comportar

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 WATSON: predição e controle

 produção de uma tecnologia que


poderia ser usada para melhorar a
qualidade de vida das pessoas 
melhorar a maneira como ensinamos
novas habilidades

 propor uma teoria psicológica


científica  baseada em fenômenos
observáveis, mensuráveis e
manipuláveis
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John B. Watson
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ESTÍMULO RESPOSTA

 frio  tremer

 luz  piscar

 comida  salivar

 livro  ler

 Mariazinha  amar
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 estímulos estão no ambiente 
ambiente determina o modo como nos
comportamos  manipulando o
ambiente podemos produzir novos
comportamentos  produzir
aprendizagem

 função "transformadora” do
organismo  ambiente produz uma
estimulação no organismo (INPUT) 
organismo "manipula cognitivamente
esse estímulo" e produz uma resposta
(OUTPUT)
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PROBLEMAS:

 não podemos observar, medir ou


manipular esse processo cognitivo  só
podemos inferir que ele ocorreu depois
que observamos a resposta

 SKINNER  ficção explicativa - falta


de objetividade - não científico

 se uma coisa não pode ser observada,


medida e manipulada, então não é útil
para a ciência
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BF Skinner
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 Definição operacional  definir os
termos abstratos (aprendizagem
cognição, pensamento, sentimento,
emoção) a partir das operações
usadas para observá-los

 exemplo: como estudar a "fome“?


 o que é fome? o que observamos
qdo dizemos que alguém está com
"fome”? que medidas podemos ter
sobre a “fome” de uma pessoa???
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O que OBSERVAMOS quando
dizemos (inferimos) que uma
pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Pessoa “diz” que


está com fome
(respostas verbais
de tato de eventos
encobertos)

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Pessoa fica
irritada, nervosa e
mal humorada
(respondentes
emocionais)

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Pessoa come
rápido, em muita
quantidade, de
maneira ávida
etc (emite
respostas com
determinadas
características)
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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Quantidade de
comida maior que o
“normal”

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Tempo decorrido
entre as refeições

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Horário do dia
em que
habitualmente se
faz refeições

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Quantidade de
comida ingerida

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Peso ou massa
corporal da pessoa,
quantidade de
gordura no corpo
etc

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Observamos O COMPORTAMENTO da
pessoa

 Observamos O CONTEXTO em que


dizemos que a pessoa “está com fome”

 Observamos AS CONSEQUÊNCIAS de
comer/estar com fome

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O que OBSERVAMOS quando dizemos (inferimos)
que uma pessoa “ESTÁ COM FOME”?

 Descrição de respostas (AÇÕES) e


contextos (ESTÍMULOS) observáveis

 Descrição das CARACTERÍSTICAS das


respostas e dos contextos observados

 MEDIDAS objetivas dessas respostas e


estímulos e suas características (forma,
duração, força empregada, velocidade
etc...)
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 dessa maneira todo
comportamento pode ser
estudado cientificamente

 comportamento  objeto de
estudo da Psicologia

 COMPORTAMENTO  tudo o
que um organismo faz, todas as
ações do organismo
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TESTE DO HOMEM MORTO
Se o homem morto NÃO faz  É COMPORTAMENTO

Respirar?

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BEHAVIORISMO
METODOLÓGICO

 Watson (1913): Behaviorismo Metodológico

• Manifesto Behaviorista:
comportamento como
objeto observável da
ciência psicológica
• Determinação ambiental
do comportamento

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BEHAVIORISMO RADICAL

 Skinner (1938): Behaviorismo Radical

• Pensamentos, sentimentos,
emoções e cognições são
comportamentos
• Importância das consequências
na aprendizagem dos
comportamentos
• Papel do ambiente social e
cultural na determinação dos
comportamentos

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ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO:
Ciência

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 Skinner  Behaviorismo
Radical  a "raiz", ou seja, a
base da Psicologia é o
comportamento

 toda ação do organismo


produz uma mudança no
ambiente  consequências do
comportamento

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múltiplas causas do
comportamento 
estímulo do ambiente
+
características do
organismo
+
consequências do
comportamento
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ESTÍMULO RESPOSTA CONSEQUÊNCIA

S R C
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 descrever as
características presentes no
ambiente (estímulos), o
comportamento do
organismo (resposta) e
como esse comportamento
modifica o ambiente
(consequência)  definição
operacional de
aprendizagem
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O que o Pedrinho está
fazendo que nos leva a dizer
que ele está aprendendo?

 na presença do livro (S),


Pedrinho lê as palavras (R) e
então a professora o elogia e
a classe bate palmas (C)
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 BEHAVIORISMO RADICAL  Teoria de
Aprendizagem

 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO: Ciência


que operacionaliza o comportamento dos
organismos

 descreve (como)
 explica (por que)
 prevê (lei)
 controla (produz tecnologia aplicável) o
comportamento (todas as ações de um
organismo)

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 presença de um estímulo

 emissão de uma ação -


comportamento - resposta

 consequência: ação opera uma


mudança no ambiente

S R C
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 se esse comportamento não existia
antes da experiência com o estímulo 
mudança no repertório de
comportamento
 experiência anterior com um
estímulo  aprendizagem de um
comportamento que não existia antes
no repertório
 APRENDIZAGEM  mudança
relativamente permanente no
comportamento que ocorre como
resultado da exposição a contingências
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 comportamento OPERA mudanças no
ambiente do organismo 
COMPORTAMENTO OPERANTE

QUARTO
ESCURO ACIONAR QUARTO
BOTÃO ILUMINADO
INTERRUPTOR

S R C
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X
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 AMBIENTE  mudança nos
estímulos do ambiente  novas
experiências  mudanças no
comportamento

 importância evolutiva  permite


mudar o comportamento de acordo
com as mudanças do ambiente

 mudanças comportamentais
ocorrem mais rapidamente do que
as mudanças genéticas
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S R C
CONTINGÊNCIA
COMPORTAMENTAL
(Contingência tríplice, tríplice
contingência, contingência...)
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S R C
 É a UNIDADE BÁSICA da análise do
comportamento
 É a maneira como o analista do
comportamento faz as perguntas...
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“Qual a relação entre eventos
(CONTINGÊNCIA) que determina
“ESSE” comportamento “DESSE”
organismo?

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S R C  tudo o que o organismo
faz,
 todas as ações do
organismo,
 aquilo que chamamos de
“comportamento”...

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S R C  o que acontece no
ambiente como
consequência da resposta,
 qual a mudança ambiental
que a resposta do organismo
operou no ambiente...

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S R C  qual a ocasião em que a
resposta ocorre,
 eventos do ambiente que
sinalizam que a
consequência do
comportamento tem
probabilidade de ocorrer

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“Os analistas do comportamento
procuram explicar a ocorrência dos
eventos comportamentais (João
beijou
Maria; Roberta levantou-se cedo)
verificando que relações esses
eventos mantém com as alterações
nos eventos
ambientais com os quais o
organismo em questão mantém
intercâmbio.”
(Galvão & Barros, 2001)
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COMPORTAMENTOS ENCOBERTOS

pensar

sonhar
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COMPORTAMENTOS ENCOBERTOS
 são comportamentos que só podem
ser observados diretamente pela própria
pessoa que se comporta

 são aprendidos da mesma forma que


comportamentos públicos - através de
contingências ambientais

 todo comportamento encoberto um


dia foi público

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 leitura silenciosa
 fazer contas “de cabeça”
 pensamento

 mesmo que a resposta seja encoberta


(não há acesso público a ela), os
estímulos ambientais que a controlam
podem ser observados ou inferidos

 nesse sentido, a resposta


(comportamento) NUNCA se origina no
indivíduo  os eventos que produzem o
comportamento continuam no ambiente
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 estímulos e consequências também
podem ser observáveis somente pelo
organismo que se comporta...

EVENTOS PRIVADOS

 eventos de mesma NATUREZA  o que


muda é o acesso que o observador tem a
eles...
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EVENTOS PRIVADOS
 eventos que fazem parte da
contingência comportamental
(estímulos, respostas e/ou
consequências)
 não são publicamente observáveis
 podem ser inferidos publicamente ou
tornados públicos pela pessoa que se
comporta

O ambiente “dentro da pele” pode ser


privado, mas ainda assim é ambiente em
que o comportamento opera
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S R C  fala encoberta =
pensamento
 sentimentos e emoções
 respostas fisiológicas sob
controle operante
 sonhos

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S R C  mudança de estado
fisiológico
 resolução de problemas
 pensamentos e
sentimentos

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S R C  estados fisiológicos
 pensamentos, emoções
 sensações (dor)

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Pensamento e conhecimento
como eventos privados
 chamamos de pensamento o
comportamento verbal (fala/linguagem)
encoberto ou o encadeamento de
comportamentos que leva à resolução
de problemas

 chamamos de conhecimento a
descrição verbal acerca das relações
causais entre eventos
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AUTOCONHECIMENTO

 conhecer as
contingências que
controlam seu
próprio
comportamento

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APRENDIZAGEM
 humanos são organismos muito
complexos
 para entender essa complexidade
precisamos de um método  ciência
 observação  humanos se
comportam de várias maneiras
diferentes em várias ocasiões diferentes

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ENSINO E APRENDIZAGEM

 dois tipos: ações e palavras


 (Distinção entre treinamento e
educação)  não faz sentido do ponto
de vista comportamental, já que ambos
são comportamentos e as leis
comportamentais valem para ambos...
 LINGUAGEM / palavras = mais
"complexo", mais abstrato, mais
difícil...
 Será???
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Por quê?  quais as causas do
comportamento?

determinação múltipla =
múltiplas causas
biológicas / fisiológicas / genéticas
1 maturação
reflexos
2 experiência / APRENDIZAGEM
3 cultura

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Comportamentos são aprendidos!
Ocorrem em função de:
A. Variáveis individuais: aquelas que são
únicas a uma pessoa e incluem as
composições genética e morfofisiológica e a
história de reforçamento do indivíduo
durante a sua vida.
B. Variáveis ambientais: estímulos que (1)
ocorrem antes ou depois de uma resposta,
(2) são discrimináveis pelo indivíduo e, (3)
alteram o responder.
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Níveis de Seleção do
Comportamento

 Filogenético: seleciona os traços


fisiológicos da espécie
 Ontogenético: seleciona os
repertórios de comportamento do
indivíduo
 Cultural: seleciona as práticas sociais
dos grupos

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ANÁLISE DO
COMPORTAMENTO:
Prestação de Serviços

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PRINCÍPIOS DE ABA:

Dimensões aplicadas da
Análise do
Comportamento

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“Programar condições de
desenvolvimento de comportamentos é
uma classe muito ampla de
comportamentos envolvidos em
processos de ensino, que iniciam com a
descoberta dos comportamentos-objetivo
e prossegue com os trabalhos de
planejamento, construção, aplicação,
avaliação e aperfeiçoamento do próprio
processo de ensino e a consequente
comunicação desse tipo de trabalho.”

(Kienen, Kubo, & Botomé, 2013)

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ABA = Análise do
comportamento Aplicada
(ABA = Applied Behavior Analysis)

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Comportamento 1

Comportamento 2 Tratamento
Único
Comportamento 3

Comportamento 1 Tratamento A

Comportamento 2 Tratamento B

Comportamento 3 Tratamento C

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IEPSIS /CERENA - 2020
Não emite um
comportamento
DÉFICIT
adequado, ou o faz
COMPORTAMENTAL
em ocasião
inadequada

Emite um
comportamento
EXCESSO
com grande
COMPORTAMENTAL
frequência, taxa ou
magnitude

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Comportamentos Ensino de
adequados comportamentos

Diminuição ou
Comportamentos
adequação de
inadequados
comportamentos

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1. Suprir os déficits, identificando os
comportamentos que a criança tem dificuldades ou
até inabilidades e que prejudicam sua vida e suas
aprendizagens e ensinando esses repertórios.
2. Diminuir a frequência e intensidade (excessos)
de comportamentos indesejáveis/inadequados,
como, por exemplo: agressividade, estereotipias,
birras e outros que dificultam o convívio social e
aprendizagem deste indivíduo.
3. Promover o desenvolvimento de
comportamentos socialmente relevantes
(habilidades sociais, comunicativas, adaptativas,
cognitivas, acadêmicas etc).
4. Promover a qualidade de vida de maneira
significativa para o indivíduo e sua comunidade.

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Análise do Comportamento Aplicada é o
processo de aplicação sistemática de
intervenções baseadas nos princípios de
aprendizagem para ensinar, aumentar
e/ou melhorar comportamentos
socialmente relevantes de maneira
significativa, demonstrando que as
intervenções empregadas são
responsáveis pelas aquisições e
melhorias no comportamento.

(Baer, Wolf & Risley, 1968; Sulzer-Azaroff & Mayer, 1991)

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Sete dimensões da Análise do
Comportamento Aplicada:
1 - Aplicada: os programas, procedimentos, intervenções e
tecnologias são utilizadas para atender às necessidades do
indivíduo e da sociedade, ou seja, o comportamento a ser
modificado deve ser aquele socialmente relevante.

2 – Conceitual: no sentido de seguir os princípios e a


filosofia do Behaviorismo Radical, ou seja, os
procedimentos, programas de intervenção e avaliação etc
devem conceber o comportamento como produto de
eventos ambientais (dentro e fora da pele).

3 - Comportamental: os comportamentos a serem


modificados devem ser identificados e medidos com
precisão e confiabilidade, antes, durante e após a
introdução dos procedimentos comportamentais, só assim
atinge-se a dimensão de uma intervenção
Comportamental. 87
4 - Analítica: devemos garantir a demonstração de que a
mudança comportamental foi produto dos procedimentos
e programas comportamentais e não produto de outras
variáveis espúrias (não controladas).

5 - Efetiva: os programas, procedimentos e intervenções


comportamentais devem comprovar sua efetividade, ou
seja, devem melhorar as condições comportamentais do
indivíduo em questão).

6 - Generalizada: as intervenções devem produzir


mudanças generalizadas, ou seja, os novos padrões
comportamentais são mantidos no tempo, aparecem em
diferentes ambientes ou contextos e novos
comportamentos relacionados são desenvolvidos sem uma
intervenção direta.

7 - Tecnológica: os procedimentos provindos do escopo


teórico da Análise do Comportamento devem ser bem
descritos e definidos, de modo que nossos pares possam
utilizá-los de maneira fidedigna. 88
“Um dos princípios básicos da ABA (Análise do
Comportamento Aplicada) é que
comportamento é qualquer ação que pode ser
observada e medida, (ainda que
indiretamente) com uma frequência e duração,
e que este comportamento pode ser explicado
pela identificação dos antecedentes e de suas
consequências. É a identificação das relações
entre os eventos ambientais e as ações do
organismo. Para estabelecer estas relações
devemos especificar a ocasião em que a
resposta ocorre, a própria resposta e as
consequências reforçadoras.”

(Meyer, 2003)
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Papel da/do Analista do
Comportamento
 Identificar necessidades de intervenção:
avaliação funcional de déficits e excessos
comportamentais
 Formular objetivos comportamentais a serem
alcançados
 Planejar e implementar procedimentos de
intervenção para ensino e/ou modificação de
repertórios comportamentais
 Avaliar e analisar os resultados obtidos com os
procedimentos de intervenção

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Identificar necessidades de
intervenção: Avaliação funcional de
déficits e excessos comportamentais

 Observação em ambiente natural


 Demandas da família, da escola e dos
demais profissionais da equipe
interventiva
 Instrumentos de Avaliação Funcional
de Comportamentos
 Diagnósticos provenientes de outras
especialidades
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AVALIAÇÃO FUNCIONAL DE
COMPORTAMENTOS
 Técnicas e protocolos para:

1. observar e descrever quais


comportamentos estão presentes no
repertório da criança, e em que nível de
competência

 VB-MAPP
 ABLLS-R
 AFLS
 PEAK System
 Vineland...
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IEPSIS /CERENA - 2020
AVALIAÇÃO FUNCIONAL DE
COMPORTAMENTOS

 Técnicas e protocolos para:

2. verificar a função de comportamentos


problemáticos e indesejáveis:

 ABC
 FBA
 TBFA
 FAST

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
AVALIAÇÃO FUNCIONAL DE
COMPORTAMENTOS
 Técnicas e protocolos para:

3. avaliar itens/atividades com


potencial reforçador:

 múltiplos estímulos (MSW, MSWO)


 pareados (PWPA)
 operante livre (FOPA)
 estímulo único (SSPA)
 resposta forçada (RRPA)
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020
Formular objetivos
comportamentais a serem
alcançados
 Descrever funcionalmente os déficits e
excessos comportamentais
 Formular objetivos de intervenção para
ensino e/ou modificação de repertórios
comportamentais relevantes para o
indivíduo e para a sociedade
 Estabelecer metas e critérios para o
desempenho em comportamentos
relevantes
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
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PROGRAMA INDIVIDUALIZADO DE INTERVENÇÃO
[Currículo]

 Baseado na AF compreensiva dos comportamentos do/da cliente


 Conjunto dos Planos de Intervenção para cada um dos objetivos
comportamentais propostos

PROGRAMA DE INTERVENÇÃO DO DUDU

Plano de Plano de Plano de Plano de Plano de


Intervenção 1 Intervenção 2 Intervenção 3 Intervenção 4 Intervenção 5
Comportamento- Comportamento- Comportamento- Comportamento- Comportamento-
alvo 1 alvo 2 alvo 3 alvo 4 alvo 5
Objetivo (médio Objetivo (médio Objetivo (médio Objetivo (médio Objetivo (médio
prazo) prazo) prazo) prazo) prazo)
Objetivo final Objetivo final Objetivo final Objetivo final Objetivo final
Procedimento Procedimento Procedimento Procedimento Procedimento
Registros Registros Registros Registros Registros

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
PROGRAMA INDIVIDUALIZADO DE INTERVENÇÃO
[Currículo]

 Baseado na AF de um repertório de comportamento


 Descreve o comportamento a ser ensinado / substituído
 Descreve a função do comportamento / consequências de
ensino e naturais
 Apresenta os objetivos a serem alcançados a médio prazo e o
objetivo final (como o comportamento deve ocorrer)
 Descreve os procedimentos de intervenção (dicas, ajudas,
retirada de ajudas, procedimentos de correção, esquemas de
reforçamento, generalização etc...)
 Apresenta o protocolo de registro do desempenho

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
INTENSIDADE DO TRATAMENTO

 Intensividade se refere à quantidade de repetições das


tentativas de ensino necessária para alcançar os objetivos
propostos
 Depende de vários fatores:
• Repertório inicial (pré-requisitos)
• Complexidade do que está sendo ensinado
• Oportunidades para a generalização
• Intervalo entre as sessões
 Quanto mais tempo de sessão e menor o intervalo entre uma
sessão e outra, maior a velocidade de aquisição e melhor o
prognóstico
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020
INTENSIDADE DO TRATAMENTO
 O “mito” das 40 horas semanais...

 Intervenção Comportamental Intensiva e Precoce (EIBI):


modelo de intervenção compreensiva, altamente estruturada, com
duração de 1 a 4 anos, de início precoce (antes dos 6 anos de
idade), que apresenta de 20 a 40 horas semanais de intervenção
(Lovaas, 1981, 1987)
• Uso exclusivo de procedimentos estruturados como o DTT, PRT,
Precision Teaching etc...
• Esquema de intervenção individual (1:1)
• Usualmente oferecida em parte ou no todo em Institutições
especializadas

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
INTENSIDADE DO TRATAMENTO
 Intervenção comportamental focada: “tratamento fornecido diretamente
ao cliente, para um número limitado de objetivos comportamentais (...) com
uma intensividade que varia de 10 a 25 horas semanais de intervenção
direta com o cliente, dependendo da natureza dos comportamentos-alvo e
de outras considerações, seguindo programas de intervenção
individualizada para cada cliente.” (BCBA, 2014; APBA, 2019)
• Escola (4h/5x por semana = 20h)
• Intervenção domiciliar/clínica (2h/5x por semana = 10h)
• Estruturação do ambiente de casa e manutenção dos procedimentos
pelos pais (2h/5x por semana = 10h)

 A necessidade de grande número de horas e muita estruturação


ambiental diminui com o aumento dos repertórios comportamentais
adequados e adaptativos da criança

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
Planejar e implementar procedimentos de
intervenção para ensino e/ou
modificação de repertórios
comportamentais
 Planejar estratégias de ensino e/ou modificação
para os objetivos anteriormente formulados
 Planejar e organizar hierarquias
comportamentais (ensino de pré-requisitos
comportamentais)
 Implementar e acompanhar a execução dos
procedimentos de ensino e/ou modificação
 Registrar dados de desempenho relevantes para
a evidência de aquisição/modificação e
manutenção dos comportamentos-alvo
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020
PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO

 Separar cada comportamento a ser


aprendido ou modificado em suas partes
componentes:

ANTECEDENTE RESPOSTA CONSEQUÊNCIA

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
 Ensinar as relações entre as partes
componentes do comportamento, por meio
de procedimentos estruturados, claros e
precisos:

Eu faço o Para ter qual


Em que
quê? resultado?
contexto?

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO

Treino por Tentativas Discretas (DTT)

 Estruturação do ensino em formato de oportunidades


de responder que sejam claras e sistematizadas
 Procedimento de ensino de habilidades básicas
 Uso sistemático de dicas, ajudas, consequências
reforçadoras e correção de erro
 Controlar o ambiente de ensino e minimizar os erros
(evitar aversividade)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
PROCEDIMENTOS DE INTERVENÇÃO
Abordagens de Ensino em
Ambiente Natural (NET)

 Uso de oportunidades de ensino em ambientes “naturais”


da criança
 Os contextos para o comportamento da criança já estão
presentes no ambiente
 CONTINUA HAVENDO PROGRAMAÇÃO, SISTEMATIZAÇÃO,
REGISTRO ETC...
 Necessita que a criança já tenha os repertórios pré-
requisitos para aprendizagem
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020
Avaliar e analisar os resultados
obtidos com os procedimentos de
ensino e/ou modificação

 Analisar os dados de desempenho


obtidos durante o procedimento
 Verificar os dados relativos aos
critérios e metas de desempenho
 Reformular procedimentos não efetivos
 Compartilhar os resultados com os
demais membros da equipe

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
GENERALIZAÇÃO PARA O AMBIENTE
NATURAL
 Procedimentos que visam a transferência das
aprendizagens do ambiente de intervenção para o
ambiente natural e cotidiano da criança (casa, escola,
comunidade)
 Garantem a manutenção dos repertórios de
comportamento sem a supervisão constante do/da
aplicador/a
 Requer o apoio e a interação da família e
cuidadoras/es e da escola

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
PROCEDIMENTOS DE
INTERVENÇÃO,
PROTOCOLOS E PACOTES
INTERVENTIVOS EM ABA

 Baseados em princípios comportamentais


 Seguem as 7 dimensões da ABA
 Derivados diretamente de pesquisas básicas e
aplicadas em Análise do Comportamento

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 108


IEPSIS /CERENA - 2020
 “O Picture Exchange Communication System™ (PECS) é uma
intervenção baseada em ABA projetada para ensinar habilidades de
comunicação funcional a crianças com habilidades de comunicação
limitadas ou inexistentes, incluindo crianças com TEA. (...) PECS é
uma forma de comunicação aumentativa ou alternativa que usa
imagens para ensinar as crianças a se comunicarem.” [Informação
retirada do site oficial: pecsusa.com]

 Após revisar 13 estudos, o National Standards Report - P2 (2016)


classifica o PECS como um tratamento emergente baseado em
evidências que facilita o surgimento da comunicação e das
habilidades interpessoais em crianças com TEA.

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
 “Os objetivos do TEACCH centram-se na estruturação do ambiente
físico do indivíduo com TEA, incluindo o uso de suportes visuais, para
tornar previsível e compreensível a sequência das atividades diárias.
(...) As modificações ambientais são baseadas em princípios de ABA
como dicas, análise de tarefas, encadeamento de respostas e
pareamento visual.” [Informação retirada do site oficial: teacch.co]

 A abordagem TEACCH foi reconhecida como um tratamento


emergente pelo National Standards Project - P2 (2016). Embora
professores/as e mães/pais apoiem o TEACCH porque a maioria dos
alunos com TEA experimenta progresso, o relatório aponta que é
difícil identificar como as mudanças positivas estão diretamente
correlacionadas ao programa.

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
 “O Early Start Denver Model (ESDM) é uma ferramenta
para a integração precoce de crianças com autismo.
Centra-se na faixa etária de 1 a 4 anos e é programada
para que as lições possam ser iniciadas em uma variedade
de configurações e ambientes.”
 “O currículo de desenvolvimento visa especificamente áreas nas quais essas
crianças podem ter dificuldades - interação social, conjuntos de habilidades
integradas e formação de relacionamentos pessoais - com um currículo focado
nas relações sociais. (...) O ESDM se baseia em técnicas de ensino da ABA e em
práticas de ensino examinadas em campo. O envolvimento dos pais é uma
parte fundamental do programa ESDM. Os terapeutas devem explicar e
modelar as estratégias que usam para que as famílias possam praticá-las em
casa.” [Informações retiradas do site oficial: www.esdm.co]

 Medavarapu et al., (2019) consideram que o ESDM tem possibilidades de trazer


benefícios, mas não atinge critérios para evidência científica já que as
pesquisas até o momento são feitas pelo mesmo grupo que desenvolveu o
modelo.

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
ESTRUTURAÇÃO DA PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS EM ABA

ATENDIMENTO AO AUTISMO E
OUTROS DAs

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 112


IEPSIS /CERENA - 2020
ABA
RESPONSABILIDADES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
COMPORTAMENTAIS

 Realizar AF de comportamentos-problema e de repertórios de


comportamentos
 Estabelecer objetivos comportamentais pertinentes baseados
nos resultados da AF e nas demandas da família
 Estabelecer um Programa Individualizado de Intervenção, com
Planos de Intervenção para alcançar os objetivos propostos
 Implementar as intervenções comportamentais, de acordo com
a necessidade de horas de aplicação de procedimentos de
intervenção comportamental estabelecida em acordo com a
família, por meio de aplicadoras/es

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
ABA
RESPONSABILIDADES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
COMPORTAMENTAIS

 Treinar aplicadoras/es para a implementação dos


procedimentos de intervenção comportamental conforme
descritos nos Planos de Intervenção da criança
 Supervisionar, monitorar e avaliar o desempenho das/dos
aplicadoras/es durante a execução dos procedimentos de
aplicação das intervenções comportamentais
 Acompanhar e avaliar os resultados das aplicações dos
procedimentos de intervenção comportamental de acordo com os
objetivos estabelecidos para a criança

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
ABA
RESPONSABILIDADES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
COMPORTAMENTAIS

 Rever e modificar procedimentos de intervenção de acordo


com a avaliação dos resultados das aplicações de procedimentos
 Informar a família quanto ao andamento das intervenções, no
que diz respeito aos objetivos traçados e aos objetivos alcançados,
parcial ou totalmente
 Informar a família sobre seus direitos e deveres quanto à
aplicação adequada das intervenções
 Acolher e resolver demandas da família quanto ao
desenvolvimento do Programa Individualizado de Intervenções

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IEPSIS /CERENA - 2020
SERVIÇO ESTRUTURADO EM NÍVEIS DE COMPETÊNCIA
[Modelo dos Serviços de Intervenção Comportamental em ABA que seguem as
diretrizes do BACB e as indicações da ABPMC]

AC SUPERVISOR/A AC SUPERVISOR/A

SUPERVISOR/A SUPERVISOR/A SUPERVISOR/A


ASSISTENTE ASSISTENTE ASSISTENTE

A A A A A A A A A A A A
* O número de elementos em cada nível não é representativo da relação #clientes/aplicadoras.

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
NÍVEIS DE COMPETÊNCIA

1. Aplicadora/aplicador: nível técnico (estagiária/o)


 Treinamento específico em técnicas
comportamentais

 Competências:
• aplicar os procedimentos do Programa de Intervenção
diretamente com o/a cliente
• registrar dados de desempenho
• manejar comportamentos inadequados
• oferecer modelo de manutenção de procedimentos aos
pais/mães e/ou cuidadoras/es

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
NÍVEIS DE COMPETÊNCIA
2. Supervisor/a Assistente: graduação em Psicologia,
Educação/Pedagogia ou Análise do Comportamento (não disponível no
Brasil)
 Treinamento em ABA (nível de pós-graduação
lato sensu/especialização)
 Experiência supervisionada como aplicador/a e
supervisor/a assistente
 Competências:
• implementar procedimentos de AF
• supervisionar diretamente o trabalho das/dos
aplicadoras/es
• acompanhar periodicamente a aplicação de
procedimentos de forma presencial
• dar feedback corretivo às/aos aplicadoras/es
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020
NÍVEIS DE COMPETÊNCIA
3. Analista do Comportamento Supervisor/a: graduação em Psicologia,
Educação/Pedagogia ou Análise do Comportamento (não disponível no Brasil)

 Treinamento em ABA (currículo específico)


 Mestrado na área
 Experiência supervisionada como aplicador/a e
supervisor/a (recomendação ABPMC = 5 anos)
 Competências:
• programar e analisar procedimentos de AF
• estabelecer objetivos comportamentais de intervenção
• programar intervenções comportamentais
• programar e analisar avaliações periódicas
• acompanhar periodicamente o trabalho das/dos aplicadoras/es
• supervisionar o trabalho das/dos supervisoras/es e aplicadoras/es
• treinar as/os supervisoras/es e aplicadoras/es
• acolher as demandas da família/cuidadoras/es do/a cliente
• Manter as diretrizes éticas e profissionais
ESCOPO DE ATUAÇÃO
1. Aplicador/a: aplica os procedimentos do PI sob supervisão
direta do/a Supervisor/a ou AC; e registra os desempenhos do/a
cliente
 NÃO tem autonomia para trabalhar sozinha/o
 Equivale ao nível de Registered Behavior Technician
(RBT), segundo o BACB ou Applied Behavior Analysis
Technician (ABAT) do QABA
2. Supervisor/a Assistente: supervisiona diretamente os/as
aplicadores/as; implementa AF; assiste à avaliações e à elaboração
de PI, faz programação de intervenções, analisa dados de
desempenho
 NÃO tem autonomia para trabalhar sozinha/o
 Equivale ao nível de Board Certified Assistant
Behavior Analyst (BCaBA), segundo o BACB ou
Qualified Autism Service Practitioner-Supervisor
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
IEPSIS /CERENA - 2020 (QASP-S) do QABA
ESCOPO DE ATUAÇÃO
3. Analista do Comportamento: programa AF e
intervenções, analisa dados de desempenho, toma
decisões e elabora os PI, treina aplicadoras/es e
supervisoras/es
 treina e supervisiona o trabalho de todos os níveis
anteriores; dá apoio e assessoria à/ao Supervisor/a
Assistente na programação de AFs e PIs

 TEM autonomia para trabalhar sozinha/o


 Equivale ao nível de Board Certified
Behavior Analyst (BCBA), segundo o BACB
ou Qualified Behavior Analyst (QBA) do
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA
QABA
IEPSIS /CERENA - 2020
PROCEDIMENTOS
BASEADOS EM
EVIDÊNCIAS

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 122


IEPSIS /CERENA - 2020
POR QUE ABA?
 Tratamento de escolha para TEA
 U.S. Surgeon General
 American Psychological Association
 American Academy of Pediatrics
 World Health Organization (OMS)
 Autism Speaks
 92% dos estados estadunidenses recomendam, financiam
e exigem intervenções e profissionais de ABA no tratamento
de pessoas com TEA
 Há consenso entre a comunidade científica de que
procedimentos de ABA são mais efetivos e eficientes no
tratamento de pessoas com TEA do que qualquer outro
procedimento/tratamento disponível
POR QUE ABA?
 Nos últimos 40 anos, milhares de pesquisas publicadas
documentaram a eficácia de intervenções comportamentais
em ABA em uma ampla gama de:
 populações (crianças e adultos com TEA,
transtornos mentais, atrasos de desenvolvimento e
dificuldades de aprendizagem)
 intervencionistas (terapeutas, psicólogas/os,
técnicas/os, professoras/es, cuidadoras/es...)
 ambientes (escolas, residências, instituições,
casas de grupo, hospitais e ambientes de trabalho)
 repertórios de comportamentos (linguagem;
habilidades sociais, acadêmicas, de lazer e vida funcional;
agressão, autoagressão, comportamentos opositivos e
estereotipados)
INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS:
Procedimentos baseados em
evidências (EBP) na ABA

 Procedimentos, técnicas e protocolos de


intervenção que:

1. Respeitam as 7 dimensões da ABA


2. São sustentados por evidências
científicas sólidas

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 125


IEPSIS /CERENA - 2020
IEPSIS /CERENA - 2020
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA

Wong, Odom, Hume, Cox, Fettig, Kucharczyk, Brock, Plavnick, Fleury, &
Schultz (2014)
INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS:
Procedimentos baseados em
evidências (EBP) na ABA

“A model of professional decision-making in


which practitioners integrate the best
available evidence with client values/context
and clinical expertise in order to provide
services for their clients.”

Slocum et al (2014)
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 127
IEPSIS /CERENA - 2020
IEPSIS /CERENA - 2020
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA

Retirado de: Simonsen, Fairbanks, Briesch, Myers, & Sugai (2004)

Evidence-based Practices in Classroom Management: Considerations for


Research to Practice
Retirado de: Reichow & Volkmar (2010)

Social Skills Interventions for Individuals with Autism: Evaluation for Evidence-Based Practices
within a Best Evidence Synthesis Framework
IEPSIS /CERENA - 2020
Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA

Retirado de: Callahan & cols. (2017)

Social Validity of Evidence-Based Practices and Emerging Interventions


in Autism
EBP no tratamento e manejo do
TEA

 A APA indica procedimentos de


intervenção comportamental baseados em
ABA

 Literatura científica da área de TEA


evidencia que os procedimentos de ABA
apresentam melhores resultados

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 131


IEPSIS /CERENA - 2020
EBP no tratamento e manejo do TEA
 Intervenções comportamentais intensivas
e precoces (EIBI) apresentam os melhores
resultados para crianças com TEA

 Tratamentos ecléticos são prejudiciais


para crianças com TEA

 Melhores resultados a partir de 25 horas


semanais de intervenção comportamental

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 134


IEPSIS /CERENA - 2020
(2009)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2009)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2014)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2014)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2016)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2016)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2016)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2016)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA


IEPSIS /CERENA - 2020
(2020)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 143


IEPSIS /CERENA - 2020
(2020)

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 144


IEPSIS /CERENA - 2020
(2020)

145
(2020)

146
Argumentos para o uso de EBP em
qualquer prática em psicologia

 Responsabilidade ética
 Aumenta as chances de resolver os
problemas da/do cliente

 Diminui a probabilidade de causar dano


à/ao cliente

 Contribui para a valorização da profissão

Ana Arantes, BCBA, QBA, IBA 147


IEPSIS /CERENA - 2020
Obrigada!!!

@anaarantes_bcba

@AnaArantesBCBA

ana.arantes@gmail.com