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FRONTEIRAS

PARTICIPAÇÃO HUMANA: “SER” HUMANO É O


PRIMEIRO PASSO PARA “TORNAR-SE” HUMANO

HUMAN PARTICIPATING: HUMAN “BEING” IS THE STEP FOR HUMAN


“BECOMING” IN THE NEXT STEP

RESUMO: Nas palavras de seu autor, Tom Ander- ABSTRACT: In the words of its author, Tom TOM ANDERSEN
sen, “ver, escutar, cheirar, saborear, sentir o toque Andersen, “seeing, hearing, smelling, tasting,
na pele ou o impacto no corpo – enfim, o que feeling the touch on the skin or the impact on
CARLOS HENRIQUE
sentimos em nossos corpos” – é o embasamento the body – what we feel in our bodies – is the
LUCCI
deste texto, inicialmente publicado como capítu- basis of this text”, initially published as a chap-
lo do livro Collaborative Therapy: Relationships ter of Collaborative Therapy: Relationships and Tradutor
and Conversations that make a Difference. Essas Conversations that make a Difference. These
expressões são parte de vínculos de que partici- expressions are part of bonds we participate LEONORA CORSINI
pamos desde o momento do nascimento; expres- from the moment of our birth; expressions are Revisora
sões são manifestadas, recebidas, e afetam o manifested, received, and affect the receiver
receptor que retribui este afeto – o círculo da vida. who reciprocates this affect – the circle of life.
O texto amplia a compreensão de linguagem para The text expands understanding of language to
outros tipos de expressão e analisa a conversação other types of expression and analyzes conver-
como uma troca de múltiplas expressões em que sation as an exchange of multiple expressions
quando um fala, o ouvinte não apenas ouve cada in which when one speaks, the listener not only
palavra, mas também vê como o falante recebe hears each word, but also sees how the speaker
suas próprias palavras e o surgimento de novos receives his own words and the emergence of
significados. Uma mudança ou expansão das ex- new meanings. A change or expansion of motor
pressões motoras pode trazer um novo entendi- or corporal expressions can bring a new under-
mento de uma situação difícil, ou uma nova ideia standing of a difficult situation, or a new idea of
de como dar o próximo passo desse momento how to take the next step in this difficult time.
difícil. O texto é um convite para que terapeutas The text is an invitation for therapists to focus
foquem a parte visível da realidade (expressões), on the visible part of reality (expressions), and
e ofereçam as hipóteses sobre os sentimentos to offer hypotheses about feelings (invisible and
(invisíveis e móveis) como metáforas. mobile) as metaphors.

PALAVRAS-CHAVE: Expressões; Vínculos; KEYWORDS: Expressions; Bonds; Conversation.


Conversação.

REALIDADE SENSORIAL

Ver, escutar, cheirar, saborear, sentir o toque na pele ou o impacto no cor-


* Publicado originalmente
po – enfim, o que sentimos “em nossos corpos” é o embasamento deste texto; no livro COLLABORATIVE
em outras palavras, podemos sentir em nossos órgãos sensoriais tudo aquilo THERAPY - Relationships
que está na superfície do corpo. Podemos analisar e pensar: “Claro, posso ver and Conversations that make
a Difference, editado por
isso”. Esse “ver” “em nossos corpos” tem sido entendido por alguns sob cir- Harlene Anderson e Diane
cunstâncias específicas, por exemplo, Lev Vygotsky em seu estudo de crianças, Gehart, 2007.
e por meus colegas fisioterapeutas da theoreïn que significa “olhar” e do
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Noruega durante suas atividades pro- substantivo theors, que são “repre-
fissionais. sentantes enviados a países estrangei-
Duas observações do Philososo- ros para relatarem o que viram”. Teo-
phical Investigations (1953), de Wit- ria está estreitamente ligada a “ver”,
tgenstein, podem servir como bons e ver é ver o visível. Duas das três
lembretes: partes da realidade são visíveis, uma
é imóvel e a outra é móvel. Um exem-
Consideremos por exemplo os plo da primeira é uma montanha; da
procedimentos do que chamamos segunda, um homem andando na
“jogo”. O que é comum a todos montanha. A terceira parte da reali-
eles? Não diga: “deve haver algo dade é invisível; a solidão do homem
em comum, pois do contrário que anda na montanha, por exemplo.
não seriam chamados jogos”; mas Não podemos ver sua solidão, mas
olhe e veja se há ou não algo em podemos sentir em nossos corpos
comum a todos eles. Pois se os ob- como sua aparência e movimentos
servar não verá algo que é comum solitários nos impactam. Podemos
a todos, apenas similaridades, re- ter suposições do que é a solidão, não
lações e toda uma série delas nelas teorias. Nesse texto suposição tem
próprias. Repetindo: não pense, uma abrangência maior que teoria;
apenas olhe! (p. 66) na verdade, suposição inclui teoria
como sua parte racional, somada aos
Os aspectos mais importantes das sentimentos. Portanto, a palavra su-
coisas estão escondidos de nós posições será empregada ao invés de
devido a sua simplicidade e fami- teorias.
liaridade. (Alguém é incapaz de Tampouco faremos menção a mé-
perceber algo, pois este algo sem- todos. O problema com os métodos
pre esteve diante de seus olhos.) O é que eles são planejados em outro
verdadeiro fundamento de sua in- contexto e em um tempo distinto do
vestigação absolutamente não lhe que acontecem as práticas.
ocorre. A menos que aquele fato
tenha ocorrido anteriormente. E
isto significa que não nos impres- Suposições quanto à realidade
sionamos por aquilo que, uma vez
entendido, é o mais surpreendente A realidade compreende três par-
e o mais poderoso. (p.129) tes: (a) o visível, mas imóvel, por
exemplo, um osso na mão; (b) o visí-
vel e móvel, por exemplo, a mão que
em certo momento se abre e deixa ir
CONTEXTO PARA ESTE TEXTO e, em outro, fecha-se e segura; (c) o
invisível, mas móvel; por exemplo, o
Uma ausência de teorias e métodos aperto de mão.
Podemos explicar o que “é” o osso,
Teorias e métodos não serão men- mas só podemos explicar o que a mão
cionados neste texto; tenho alguns “pode ser”. Com respeito ao aperto de
comentários a respeito do porquê de mão, não sabemos o que ele é, mas isso
não o fazer, o mais longo será sobre não é tão importante, uma vez que sai-
teorias. Teoria vem do verbo grego bamos nos relacionar com ele. Alguns

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dirão: “Sei o que é um aperto de mão! mãos no rosto, enquanto olha inten-
Participação humana:
É um encontro entre duas mãos”. Mas samente para a filha com os olhos “ser” humano é o
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primeiro passo para
onde esse encontro acontece? Na pele? arregalados. Ele não consegue tirar “tornar-se” humano
Nos toques entre os ossos? No olhar os olhos dela. Com pequenos e sua- Tom Andersen
que acompanha o aperto de mãos? ves movimentos toca gentilmente o
As duas primeiras experiências ombro direito da esposa com a sua
podem ser descritas de modo que o mão direita. O milagre tem início.
pensamento possa compreendê-las, Apenas alguns minutos após o nas-
enquanto que a terceira só pode ser cimento, Jéssica começa a tatear o
experienciada pelo corpo. A parte vi- peito da mãe e, depois de um tem-
sível e imóvel da realidade será mais pinho, encontra um dos seios, logo
bem descrita com o uso de números e depois acha o mamilo e começa a
substantivos, enquanto que as descri- mamar. Enquanto se esforça para
ções da parte móvel da realidade se achar o peito materno, escutamos
beneficiarão do uso dos verbos. Em a mãe, com uma voz encorajadora,
nossas tentativas de descrever a rea- sorrindo, dizer: “Acho que você foi
lidade invisível e móvel, nos será de um pouquinho longe”. Mas a mãe
grande valia o uso de metáforas, que deixa a bebê achar o caminho sem
nos ajudam a sentir aquilo com que assistência, e ela acaba conseguindo.
entramos em contato.
A filosofia simplesmente coloca
tudo diante de nós, sem explicar
JÉSSICA E SEUS PAIS ou deduzir nada. Uma vez que
tudo está à vista não existe nada
June Carlsson, jornalista sueco, a explicar. Pois o que está escon-
dirigiu um filme focalizando quinze dido não tem interesse para nós.
fases, do nascimento até a puberda- (Wittgenstein, 1953, p.126)
de, nas vidas das crianças. Uma voz
feminina narra e comenta à medida O que é aquilo que vemos? Às vezes
que o filme se desenrola. As primei- vemos o que estamos acostumados a
ras imagens são da recém-nascida ver, outras o que somos programados
Jéssica sendo segurada pelas mãos a ver, podemos ainda ver o que nos
de alguém. Assim que Jéssica grita, dizem para ver e assim por diante.
ela é colocada em água morna e a Poderemos ver as diferentes partes
gritaria para. Ela se mexe com mo- do acontecimento acima de acordo
vimentos lentos dentro da água. Ao com a nossa perspectiva particular.
ser retirada da água e envolta em Alguns podem ser atraídos para
uma toalha, o fotógrafo dá um zoom o pai que está ao fundo. Seu olhar
na cena. Vemos sua face bem de per- para sua filha é tão intenso e tem
to e a narradora diz: “Quando Jés- tanto carinho que poderíamos nos
sica nos olha, o amor aflora”. Então perguntar: “Se os olhos dele falassem,
ela é pega e posta no colo da mãe. o que eles diriam?”. Provavelmente
Agora, vemos Jéssica, sua mãe e seu diriam: “Jéssica, obrigado por ter
pai juntos. A mãe sorri para Jéssica vindo! Você me fez tão feliz! Você é
enquanto segura a bebê pronta para um presentão para nós! Já imagino
ajudá-la, mas a deixando mover-se o que vamos fazer juntos!”. E o que
livremente. O pai está logo atrás, diria sua mão que toca o ombro
ao lado da esposa, e com uma das direito da esposa? Talvez: “Minha

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querida esposa, eu sou tão grato a contribuem para conectar todos. E eu
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você! Você é a mulher mais fantástica acredito que esse círculo – em que ex-
do mundo! Pode ter certeza de que pressões são manifestadas, recebidas,
eu vou proteger o relacionamento afetando o receptor que retribui este
entre você e a Jéssica”. afeto – é o círculo básico da vida.

Vínculos e trocas Respiração


Vejo que o olhar do pai é parte de Quando Jéssica grita, ela está expi-
um vínculo relacional com Jéssica, as- rando. Antes da primeira expiração,
sim como a presença de Jéssica é parte existiu uma inspiração. É o que faze-
deste mesmo vínculo. A mão que toca mos primeiro na vida, nós inspiramos.
a esposa é parte de um vínculo com Em norueguês, temos duas palavras
ela, e as palavras de encorajamento da para a respiração: o respirar “comum”
mãe para a filha, que ele também ouve, (puste) e o mais “sagrado” (ǻnde), que
são parte desse vínculo. As próprias em português significaria “inspirar ou
palavras da mãe também são parte do receber o espírito”.
vínculo dela com a Jéssica, assim como O primeiro ato que realizamos na
o corpo tateante da bebê sentido pelo vida é “inspirar”, ou deixar vir o espí-
corpo da mãe são ambos parte desse rito; nosso último ato é “expirar”, ou
mesmo vínculo. O grito da Jéssica cria deixar ir o espírito. Aqueles movimen-
um vínculo que os demais respondem tos no corpo que fazem parte da res-
ao colocá-la em água morna a fim de piração são extensões dos movimentos
confortá-la. Seu grito é a expressão que já foram feitos pelo bebê ainda no
do sentimento da “fria realidade” e os útero materno. Os movimentos res-
demais respondem mergulhando-a na piratórios de uma pessoa seguem um
água morna. Na verdade, a expressão padrão que é tão individual quanto as
de Jéssica é tanto uma resposta quanto impressões digitais; esses movimen-
uma expectativa a ser atendida. Este é tos podem ser projetados como uma
o crucial círculo da vida sendo ence- curva, e a curva da respiração de uma
nado bem diante de nós! pessoa é única, singular, diferente das
Podemos ver que tanto Jéssica quan- curvas das outras pessoas. O olfato de
to todos nós já nascemos com vín- Jéssica que a leva ao peito da mãe é
culos, e permaneceremos neles pelo acompanhado pela inspiração, o mes-
resto de nossas vidas. Há vários tipos mo ocorrendo com o ato de sugar.
de vínculos na vida: apertos de mão, Mesmo a deglutição acompanha a
conversas, abraços, permanecer em respiração, e se pode engolir tanto na
silêncio ao lado de alguém, escrever inspiração quanto na expiração. Mas
cartas etc. Participamos de vínculos o muito mais coisas ocorrem no corpo
tempo todo. Expressamo-nos através se engolimos na expiração. Experi-
de vínculos com os outros à medida mente! Inspire profundamente, come-
que eles recebem nossas expressões e ce a expirar, tome um gole de água e
são tocados e movidos por elas. Isto é engula! Ao fazer isso, todo o ar em seu
o que acontece com as outras pessoas peito é esvaziado. Depois disso acon-
presentes na cena quando são tocadas tece uma grande inspiração seguida de
e movidas pela experiência da Jéssi- um suspiro. Com este suspiro boa par-
ca; elas respondem às expressões de te da tensão no corpo é aliviada, “tudo
Jéssica e dos demais. Essas expressões está à vista, não existe nada a explicar”.

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Também podemos ver que, bem diante Linguagem como um dom
Participação humana:
de nossos olhos, nossas emoções saem “ser” humano é o
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com a expiração. Choramos ao expirar, Vygotsky – que dizia que as palavras primeiro passo para
“tornar-se” humano
gritamos de raiva ao expirar, rimos eram dadas às crianças pelos pais ou Tom Andersen

de alegria ao expirar, sussurramos de por outras pessoas, que, por sua vez, as
medo ao expirar etc. Todas as vezes receberam de terceiros – via a lingua-
que expressamos emoções ao expirar, gem como um dom da cultura ou da so-
parte da tensão em nós desaparece. ciedade à criança. Para ele, a linguagem
Soluçar é a melhor coisa; dar risada vinha de fora, ideia oposta à de Jean
também é bom – para o corpo. Piaget, que acreditava que a linguagem
Este ciclo respiratório inspiração- crescia a partir de dentro, tal como uma
-expiração segue sem parar. Os fisiote- semente se desenvolve em flor.
rapeutas são capazes de ver duas pau-
sas: uma, mais curta, entre o final da Fala egocêntrica e fala interna
inspiração e o começo da expiração;
outra, mais longa, depois da expiração No momento em que a criança já
e antes do início da inspiração. De vez conhece muitas palavras e pode formar
em quando, algumas pessoas ficam tão frases, Vygotsky chama nossa atenção
ansiosas para “se sentirem inspiradas”, para quando ela está sozinha e começa
desejando absorver impressões, que a brincar e a falar consigo mesma.
as pausas se chocam. Outras vezes, a Tanto Vygotsky quanto Piaget cha-
ansiedade em absorver é tanta que não mam esta conversa de fala egocêntri-
conseguem deixar sair o ar antes que ca. Para Vygotsky, este é um jogo de
mais ar seja inspirado. A pessoa se tor- necessidade, nem sempre de alegria.
na “superinspirada”. Através desse jogo, a criança imple-
menta suas regras de vida. Um exem-
plo da minha cidade, Tromsø, pode
Vozes sociais ilustrar esse ponto. Uma jovem mãe
foi a uma loja com sua filha de quatro
Por volta da quarta semana de vida, anos de idade. O proprietário pôs uma
os bebês fazem um som que os pais são pilha de chocolates ao lado do caixa.
capazes de receber e retornar. Este som Quando a menina os viu, disse: “Mãe,
é uma conexão forte pela voz, e esta voz posso comer um chocolate?”. A mãe
é o começo da voz social da criança, ou respondeu: “Não, você não pode!”. A
melhor, das vozes sociais, pois temos criança replicou: “Mas, mãe, eu que-
muitas vozes sociais. Na semente de ro um chocolate”. A mãe calma, mas
um ser humano existe uma atividade firme, disse: “Não pode!”. A menina
de imitação que se desenvolve muito começou a chorar e toda a loja olhou
precocemente. A criança brinca e imita para as duas. “Eu preciso de um cho-
os sons que são trocados com as outras colate!” A mãe falou: “Você tem que
pessoas e, através deste jogo, ela au- esperar até sábado. Daí, você poderá
menta seu repertório de sons. Um dia comer um chocolate enquanto assiste
aparece uma palavra e mais palavras ao programa infantil na TV!”. Saíram
logo virão. Vygotsky nos lembra que da loja com a criança ainda chorando.
estas primeiras palavras são sons imi- Quando chegaram em casa, a menina
tados; creio que pode ser difícil para o foi brincar com sua boneca. De repen-
bebê distinguir entre o som (a palavra te, ela fez sua boneca dizer bem alto:
que este representa) e ele próprio. “Mãe, posso comer um chocolate?”

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“Não”, respondeu a menina, “você não estão relacionados aos movimentos
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pode”. Ela fingiu que a boneca estava respiratórios, os quais são os mais im-
chorando e aumentou o volume: “Mas portantes no corpo. Se tensionamos
mãe, eu quero um chocolate”. A meni- alguma parte no corpo – por exemplo,
ninha respondeu com uma voz calma, tensionar a língua contra os dentes da
mas firme: “Você tem que esperar até frente –, notaremos que os movimen-
sábado. Daí, você poderá comer um tos respiratórios no abdômen param.
chocolate enquanto assiste ao progra- Se paramos de pressionar a língua, a
ma infantil na TV!”. respiração abdominal imediatamente
Aproximadamente quando a crian- é liberada de novo.
ça chega à idade escolar, o jogo da fala Temos músculos cuja função é fle-
egocêntrica desaparece e Vygotsky diz xionar, por exemplo, aqueles da par-
que a criança desenvolveu um terceiro te posterior dos joelhos e os da parte
tipo de fala, a conversa interior. Nessa anterior do quadril; outros de alongar,
conversa interior existem muitas vozes como os da frente do joelho e os dos
internas, tanto que Vygotsky salien- lados dos quadris. Quando todos es-
ta: “Somos as vozes internas que nos ses músculos de funções opostas es-
povoam”. A vida interior de uma pes- tão em atividade ao mesmo tempo,
soa é, de acordo com as suposições de o corpo está em equilíbrio, ou seja,
Vygotsky, composta de vozes interio- podemos nos levantar em equilíbrio.
res em movimento, em contraste com Em certas situações, como quando
as suposições de Freud, que conside- sentimos medo, tendemos a “nos con-
ra a vida interior como composta por trolar”, então os músculos de flexão
“coisas” mais estruturadas. Peggy Penn dominam os de alongar e todo o cor-
(1994; 2001) é uma terapeuta que tem po se tensiona. Simultaneamente, a
prestado muita atenção às vozes inter- respiração é restringida.
nas. Ela observou que temos muitas Aadel Bülow-Hansen morreu em
delas e que elas podem se opor uma 2001, mas Gudrun Øvreberg está em
à outra enquanto falam. Dificuldades plena atividade. Ao falar delas aqui,
podem facilmente aparecer quando escolho usar o tempo presente porque,
uma delas se torna dominante e mar- embora Bülow-Hansen tenha falecido,
ginaliza as demais. sinto como se ainda estivesse presente.
Músculos tensos se tornam duros
e doloridos; Aadel e Gudrun massa-
Colaboração com os fisioterapeutas geiam e apertam o músculo... o que
produz dor... influencia o alongamen-
A colaboração durante anos com to... que estimula a inspiração... que es-
fisioterapeutas, especialmente Aadel timula o alongamento... que estimula
Bülow-Hansen e Gudrun Øvreberg, mais inspiração ... que estimula o alon-
ambas terapeutas norueguesas, exer- gamento... que estimula mais inspira-
ceu grande influência no desenvol- ção... etc., até que o peito esteja cheio
vimento deste texto (Ianssen, 1997; de ar. Quando o ar é exalado, parte da
Øvreberg, 1986;). O encontro com es- tensão no corpo desaparece.
sas duas mulheres teve grande impac- Assim, são os movimentos respi-
to em minha visão do corpo; primeira- ratórios que fazem colocar para fora
mente, os músculos têm duas funções, a tensão muscular, não a massagem.
a saber, fazer e parar movimentos; em Nesse momento, as duas fisioterapeu-
segundo lugar, todos os movimentos tas encorajam a pessoa a “deixar o ar

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entrar”. É como se dissessem: “deixe a se saíam bem sem a ajuda dos seus
Participação humana:
vida entrar”. Elas acompanham atenta- pensamentos. Aadel tinha grande sen- “ser” humano é o
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primeiro passo para
mente como os movimentos respira- sibilidade para estabelecer conexões, “tornar-se” humano
tórios respondem à massagem. Ficam como o corpo da pessoa com quem Tom Andersen
satisfeitas ao perceber que o esforço estava trabalhando respondia às suas
respiratório aumenta e o ar é expirado. mãos. Outra citação de Wittgenstein
Se as mãos fizerem movimentos mui- (1953, p. 109) parece se encaixar bem
to leves, não haverá nenhuma respos- com o trabalho que ela fazia: “Não de-
ta. Por outro lado, se as mãos fizerem vemos adiantar qualquer tipo de teo-
movimentos abruptos, muito fortes ou ria. Não deve haver nada de hipotético
pressionarem por muito tempo, pode em nossas considerações. Devemos
haver uma grande inspiração, mas esta eliminar toda explicação e apenas a
não é seguida por qualquer expiração; descrição deve tomar o seu lugar”.
a respiração para. Se isto acontecer, Aadel e o famoso psiquiatra norue-
elas imediatamente afrouxam as mãos. guês Trygve Braatøy tiveram frutíferos
Tais observações foram formuladas em anos de colaboração antes da morte
princípios que transportei diretamente dele, em 1953. Ambos se interessavam
para meu modo de fazer psicoterapia. pelas funções da respiração e, às vezes,
Se as nossas contribuições/interven- Trygve pedia à Aadel que pesquisasse
ções estão muito próximas da maneira alguma coisa em algum cliente e dizia:
que nossos clientes falam, pouca coisa “Volte e me diga o que aconteceu”. Ou-
acontece. Quando nossas contribui- tras vezes dizia: “Vou me deitar e gos-
ções são “adequadamente” inusuais, a taria que fizesse isso ou aquilo em meu
conversa ganha vida. Mas, se nossas corpo, e vou te falar o que acontece”.
contribuições forem inusuais demais Era um tipo de pesquisa fascinante e
– por exemplo, se assustam os clientes acredito que Wittgenstein (1953) a
ou criam dor – o fluxo da conversa se teria elogiado: “Alguém é incapaz de
interrompe. Devemos, portanto, ob- perceber algo, pois este algo sempre
servar cuidadosamente as maneiras esteve diante de seus olhos” (p. 129).
de participar na conversa com nossos
clientes para ver se o que dizemos está
sendo útil ou não, ou seja, como eles SOBRE A LINGUAGEM
respondem ao que dizemos.
Gundrun e eu escrevemos um livro Dez suposições sobre linguagem e
sobre o trabalho de Aadel. Nós a filma- significado
mos em ação e depois transcrevemos
tudo o que aconteceu durante os aten- O que escrevo aqui está muito con-
dimentos a seus clientes (Øvreberg, densado se comparado às fontes que
1986). Enviamos-lhe o manuscrito e enumero a seguir: Ludwig Wittgens-
ela o leu com atenção, frequentemente tein (1953, 1980; Grayling, 1988; Ger-
expressando surpresa: “É muito inte- gen, 1994; Shotter, 1993, 1996; von
ressante ler isso, porque não teria sido Wright, 1990, 1994), Lev Vygotsky
capaz de descrever o que venho fazen- (Morson, 1986; Shotter, 1993,1996
do”. Suas palavras nos lembraram as de Vygotsky, 1998), Jacques Derrida
Wittgenstein (1953): “Não pense, ape- (Sampson, 1989), Mikhail Bakhtin
nas olhe!” (p. 66). (Bakhtin, 1993; Morson 1986; Shot-
Os olhos e as mãos de Aadel tra- ter, 1993, 1996, 2004, 2005) e Harold
balhavam bem juntos e parecia que (Harry) Goolishian (Anderson, 1995).

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As fontes também incluem minhas 5. As expressões são informativas.
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experiências ao colocar essas supo- Elas dizem algo sobre nós para
sições em prática. A participação em os outros e para nós mesmos.
inúmeros processos reflexivos em Hoje, penso que uma pessoa
diferentes circunstâncias tem sido que fala em voz alta fala antes
significativa na formulação dessas de tudo a ela mesma. A pausa
ideias. Tais processos são conversas que segue uma fala – quando a
abertas nas quais perguntas e respos- pessoa pensa no que acabou de
tas emergem de todas as perspectivas dizer a ela mesma – é uma pausa
que estão presentes (Andersen, 1995). extremamente importante que
não devemos perturbar. Como
1. Linguagem é aqui definida como as palavras que eu expresso es-
todas as expressões que são de tão conectadas à minha com-
grande significância na perspec- preensão, posso estar escutan-
tiva comunal acima mencionada. do atentamente as palavras que
Há muitos tipos de expressões: acabei de dizer para investigar
falar, escrever, pintar, dançar, minha própria compreensão. As
cantar, apontar, chorar, rir, gri- expressões são também formati-
tar, bater... todas elas são ativi- vas; tornamo-nos quem somos
dades corporais. Quando estas quando podemos nos expressar
expressões corporais ocorrem enquanto o fazemos. Seria mais
na presença de outras pessoas, a apropriado dizer: “O vovô sem-
linguagem se torna uma ativida- pre fazia tudo com gentileza,
de social. Nossas expressões são então ele se tornou uma pessoa
convites sociais para participar gentil o tempo todo”, ao invés
no vínculo com os outros. de dizer “Vovô era gentil” ou
“Vovô tinha tanta gentileza!”. Ao
2. Criamos significado através das
usar o verbo “ser” ou “ter” sem
expressões. Se um tipo de expres-
incluir tempo e contexto, pode-
são – falar, por exemplo – não
mos nos enganar com as nossas
está disponível, um outro tipo
próprias palavras e sermos leva-
de expressão poderia criar o
dos a acreditar que descrevemos
significado – pintar, por exemplo.
algo estático: “O vovô ‘é’ gentil”,
3. A expressão vem primeiro e só “Ele ‘tem’ aquele caráter”, “Vovô
depois o significado é criado. Har- ‘tem’ tanta gentileza” ou “Ele
ry Goolishian costumava dizer: ‘tem’ uma personalidade gentil”.
“Não sabemos o que pensamos Quando falamos desta maneira,
até depois de o termos falado”. podemos facilmente nos encher
de ideias tais como a que um ser
4. O significado está na expressão, humano possa “ter” caráter e
não sob ou por trás dela. Os signi- personalidade.
ficados nas expressões – palavras,
por exemplo – são muito pessoais 6. As expressões, tanto nas conver-
e algumas palavras tanto nos tra- sas pessoais ou internas quan-
rão de volta como nos ajudarão to nas conversações sociais ou
a experimentar novamente algo externas, são acompanhadas de
que já havíamos experimentado movimentos. Os movimentos
anteriormente. que acompanham as conversas

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internas são pequenos e nuan- Vygotsky: “Somos as vozes que
Participação humana:
çados; os que acompanham as nos habitam” (Morson, 1986, p. “ser” humano é o
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primeiro passo para
conversas externas são maiores, 8). Talvez possamos variar para “tornar-se” humano
como o acenar com as mãos. “somos os movimentos que for- Tom Andersen

Algumas vezes, terapeutas e mam e trazem à luz as vozes que


pesquisadores se confundem nos habitam”.
ao dizer que o que foi dito “não
bate com linguagem corporal”. 8. Tudo está em mutação. Em sua
Por exemplo, quando alguém época, Heráclito dizia: “Tudo
com uma aparência triste diz está em mutação, mas a mutação
“eu estou tão feliz”, vejo que as ocorre de acordo com uma lei
palavras “eu estou tão feliz” são imutável (logos) que abarca uma
um convite para a criação de um cooperação entre os opostos, to-
vínculo com o outro; a aparên- davia tal cooperação entre for-
cia triste pertence à conversa ças distintas engendra um todo
interna, supostamente triste, a harmônico” (Skirkbekk, 1980, p.
qual a pessoa muito provavel- 29). Talvez se possa ousar fazer
mente não está interessada em algumas alterações: “Uma pes-
compartilhar. Assim, enquanto soa está em movimento, mas o
a pessoa não desejar falar a par- movimento acontece...”, ou mes-
tir de sua conversa interna, eu mo “Uma pessoa é movimento,
educadamente “não vejo” como mas...”. Quando nos levantamos,
a conversa se expressa corpo- levantamo-nos em equilíbrio; os
ralmente. No mesmo sentido, músculos dos joelhos e quadris
deveria ser um desafio contínuo que flexionam estão ativos “ao
para os terapeutas e pesquisa- mesmo tempo” que os múscu-
dores avaliarem quais expres- los que alongam os joelhos e os
sões convidam à participação da quadris.
pessoa no vínculo social e quais
9. Quando alguém fala, diz algo
não. Laurence Singh, psicote-
para o outro e para si. Hoje em
rapeuta que participou de um
dia, acredito que a pessoa mais
workshop que dei em Johanes-
importante com quem falo seja
burgo, em março de 2001, me
eu mesmo. Como mencionado
ofereceu a expressão “convite
acima, as expressões são for-
social” para descrever aquelas
mativas e formadoras de nosso
expressões que contribuem para
entendimento. Wittgenstein e
o vínculo social, diferentemente
George Henrik von Wright es-
daquelas que são pessoais e não
creveram que nossa fala engana
são destinadas ao vínculo social.
nosso entendimento. Não somos
7. Os movimentos são pessoais. Os capazes de “não” sermos enga-
movimentos que acompanham nados pela nossa fala. Quando
as expressões são pessoais, in- pertencemos a uma comuni-
cluindo os movimentos respi- dade qualquer – uma comuni-
ratórios que formam e trazem à dade profissional, por exemplo
luz as vozes internas e externas. – temos que falar a linguagem
A respiração é tão pessoal como daquela comunidade. O indiví-
as impressões digitais. Como diz duo tem que estar disposto a ser

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ocupado por aquela linguagem dar um sentido à situação atra-
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se quiser continuar pertencendo vés de perguntas como: “Como
à mesma. Se aquela linguagem posso entender isso?” ou “O que
usa os verbos “ser” e “ter” sem devo fazer?”. Se duas ou mais
indicação de tempo e contexto, pessoas dão o mesmo sentido
alguém pode facilmente enten- a uma questão, então a conver-
der que os seres humanos são sa entre elas facilmente as fará
estáticos, como dissemos ante- repetir e confirmar esse signifi-
riormente. Diferentes tipos de cado, pouca novidade é trazida
linguagem, como a linguagem à tona. Mas, se tiverem signifi-
competitiva, de gerenciamento cados mais ou menos diferentes
estratégico, patológica etc., to- e forem capazes de ouvir umas
das têm consequências, tanto às outras, então uma conversa
para os que são descritos quanto entre elas facilmente criará sig-
para os que descrevem. nificados novos e úteis. Se duas
ou mais pessoas tiverem signi-
10. Os significados são criados ficados bem diferentes uns dos
por problemas. Em 1985, Harry outros, então poderão ter difi-
Goolishian lançou o conceito de culdade de se ouvirem, inclusive
“sistema criado pelo problema”, poderão interromper e corrigir
dizendo que uma situação pro- umas às outras. Quando isso
blemática chama rapidamente acontece, geralmente a conversa
atenção de muitas pessoas. Es- se desagrega; se isso acontecer,
sas pessoas geralmente tentam um grande problema é criado.

Figura 1. Duas pessoas conversando.

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ESBOÇO DE UMA CONVERSA respostas, podemos contribuir para
Participação humana:
que a próxima inspiração ocorra es- “ser” humano é o
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primeiro passo para
Na figura 1 a pessoa à esquerda está pontaneamente, não pela vontade ou “tornar-se” humano
falando e a pessoa à direita está ouvin- força); (b) a que vem após a pessoa ter Tom Andersen
do. O ouvinte não apenas ouve cada falado, quando ela pensa no que aca-
palavra, mas também vê como o fa- bou de dizer; e (c) a pausa que surge
lante recebe suas próprias palavras. O quando ocorre uma conversa reflexi-
ouvinte notará que algumas das pala- va, quando o que foi dito torna a ser
vras ditas pelo falante não são apenas dito uma vez mais e, portanto, pen-
recebidas e ouvidas, mas elas também sado uma vez mais, talvez mesmo de
movem o falante. (Isso é ilustrado na uma nova forma.
figura pela linha que sai do ouvido do Com a ajuda dessas palavras, faze-
falante e segue para o seu coração.) mos uma pausa neste artigo.
Esses movimentos do falante podem
ser vistos ou ouvidos. Às vezes uma
sombra cruza seu rosto, as mãos se fe- REFERÊNCIAS
cham ou se abrem, tosse, uma lágrima
aparece ou a pessoa faz uma pausa. O Andersen, T. (1995). Acts of forming and
ouvinte entende que as palavras ditas informing. In S. Friedman (Ed.), The
carregam um significado que faz com reflecting team in action (pp. 11-37).
que o falante experimente novamente New York: Guildford Press.
algo que já havia experimentado ante- Andersen, T. (2007) Human participa-
riormente, sem entender o que é. Ge- ting: human ‘being’ is the step for
ralmente, o ouvinte se deixa levar e fica human ‘becoming’ in the next step.
tocado ao notar que o falante também In H. Anderson & D. Gehart (Eds.),
está comovido. (Isso é percebido pela Collaborative therapy: Relationships
linha que segue em direção ao cora- and conversations that make a diffe-
ção.) Esses momentos em que ambos rence. New York: Routledge/Taylor
são movidos são bons momentos para & Francis.
se fazer uma pergunta ou comentário, Anderson, H. (1995). Fran paverkant till
os quais manterão o movimento do medverkan. Stockolm: Mareld forlag.
falante e o movimento comum entre Bakhtin, M. (1993). Towards a phi-
ambos fluindo. Uma mudança ou ex- losophy of the act(translation and
pansão das expressões motoras pode notes by V.  Lianpov&  M.  Hol-
trazer um novo entendimento de uma quist, Ed.). Austin, TX: University
situação difícil, ou uma nova ideia de of Texas Press.
como dar o próximo passo desse mo- Gergen, K.J. (1994). Toward transfor-
mento difícil para o próximo, espera- mation in social knowledge (2nd ed.).
mos menos difícil. (Vide figura 1) London: Sage.
Grayling, A.C. (1988). Wittgenstein.
New York: Oxford University Press.
Três tipos de pausa
Ianssen, B. (1997). Bevegelse, liv og
Temos que prestar atenção a três forandring. Oslo: Cappelen Akade-
tipos de pausas: (a) aquela que segue miske forlag.
uma expiração e vem antes do início Kolstad, A. (1995). I sporet av det
da próxima inspiração (se nós, como uendelige. Em debattbok om
terapeutas, vamos devagar e não Emmanuel Levinas. Oslo: H.
apressamos o cliente para encontrar Aschehougs forlag.

Nova Perspectiva Sistêmica, n. 65, p. 007-018, dezembro 2019.


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