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CRIME ORGANIZADO

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5
O QUE É O CRIME ORGANIZADO? .......................................................................... 5
HISTÓRICO DO CRIME ORGANIZADO NO BRASIL .............................................. 11
O “JOGO DO BICHO” ............................................................................................... 14
O TRÁFICO DE DROGAS ........................................................................................ 16
COMANDO VERMELHO (CV) .................................................................................. 18
TERCEIRO COMANDO (TC) .................................................................................... 20
TERCEIRO COMANDO PURO (TCP) ...................................................................... 21
AMIGOS DOS AMIGOS (ADA) ................................................................................. 22
PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL (PCC) ............................................................ 22
AS MILÍCIAS ............................................................................................................. 24
MEIOS ELETRÔNICOS ............................................................................................ 29
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ............................................................................ 32
PROCEDIMENTOS PRÁTICOS DE APLICAÇÃO DA LEI ........................................ 33
DOCUMENTAÇÃO E VALOR PROBANTE .............................................................. 36
ESCUTA TELEFÔNICA ............................................................................................ 37
INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL............................................................................... 38
ESCUTA AMBIENTAL .............................................................................................. 39
GRAVAÇÕES CLANDESTINAS ............................................................................... 40
GRAVAÇÃO DE IMAGENS....................................................................................... 42
OPERAÇÕES ENCOBERTAS .................................................................................. 42
AGENTES INFILTRADOS......................................................................................... 44
INFORMANTES ........................................................................................................ 46
PROTEÇÃO A TESTEMUNHAS AMEAÇADAS ....................................................... 48
PROGRAMA DE PROTEÇÃO A VÍTIMAS E TESTEMUNHAS AMEAÇADAS
(PROVITA) ................................................................................................................ 48
SEÇÃO DE PROTEÇÃO AO DEPOENTE ESPECIAL (SPDE) ................................ 52
RÉU COLABORADOR .............................................................................................. 52
DELAÇÃO PREMIADA ............................................................................................. 57
OS GRUPOS FORÇA–TAREFA ............................................................................... 58
LAVAGEM DE DINHEIRO......................................................................................... 59

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QUEBRA DOS SIGILOS FISCAL, BANCÁRIO E FINANCEIRO............................... 63


INVESTIGAÇÕES PATRIMONIAIS .......................................................................... 64
INTELIGÊNCIA POLICIAL ........................................................................................ 65
INVESTIGAÇÕES DE REDES COMPLEXAS........................................................... 68
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 73

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Introdução

O crime organizado vem se infiltrando, praticamente, em todas as atividades

de nossa sociedade e sua evolução se dá de maneira vertiginosa. Portanto, o

combate a esta criminalidade especializada é uma importante e árdua tarefa a ser

executada pelos responsáveis pela administração pública nas suas diferentes

esferas.

As dimensões do fenômeno do crime organizado são de tamanha

envergadura que seria ingênuo pensar em combatê-lo com estruturas organizativas

pensadas e desenvolvidas quando a criminalidade tinha proporções e periculosidade

incomparavelmente menores que as atuais. Não se pode tratar o crime organizado

como se fosse um crime comum.

De acordo com Alexandre de Moraes: “... o grande desafio no combate à

criminalidade organizada é a necessidade de os poderes públicos investirem na

cooperação policial e judiciária entre as diversas esferas, com a adoção de padrões

instrumentais de combate às organizações criminosas, buscando a diminuição

drástica e necessária da corrupção e da impunidade....”

O que é o Crime Organizado?

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Fonte: https://canalcienciascriminais.com.br/crime-organizado/

Em 1989, o Deputado Federal Michel Temer foi relator na Câmara dos

Deputados do Projeto de Lei nº 3516, que versava sobre a utilização de meios

operacionais para a prevenção e repressão ao crime organizado. Nele definia-se

como organização criminosa aquela que, por suas características, demonstrasse a

existência de estrutura criminal, operando de forma sistematizada, com atuação

regional, nacional e/ou internacional.

Em seguida, foi transformado na Lei Ordinária nº 9034/95 que dispõe sobre a

utilização de meios operacionais para a prevenção e repressão de ações praticadas

por organizações criminosas. Davam-se os primeiros passos para a caracterização

de uma organização criminosa.

Diferentemente do projeto que a originou, a Lei nº 9034/95 não definiu o

conceito de crime organizado ou de organização criminosa. Com ele procurou-se

instrumentalizar o combate à ação, praticada por organizações criminosas sem,

contudo, dizer claramente qual o mal a ser combatido.

O legislador não definiu organização criminosa, não definiu através de

elementos essenciais, o crime organizado e nem elencou condutas que constituiriam

crime organizado. Deixou em aberto os tipos penais configuradores do crime

organizado, mas, admitiu, que qualquer delito pudesse se caracterizar como tal,

bastando que decorresse de ações de bando ou quadrilha.

O crime organizado aproveita as carências e as expectativas sociais para

conseguir adeptos: muitos de seus membros tentam fugir da pobreza e obter lucros

e respeito por meio da participação na atividade criminosa proporcionada por esse

tipo de organização.

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O crime organizado passou a fazer parte da realidade dos negócios legítimos,

causando diversos efeitos econômicos. É o caso, por exemplo, do proprietário de um

pequeno comércio que deve “pagar seguros”, ou “proteção”, para um membro de

alguma organização criminosa. Esses custos serão repassados ao consumidor

legítimo. Da mesma forma, se o crime organizado tem sucesso em monopolizar um

determinado negócio ou produto, o consumidor deve pagar o preço.

Sua atuação impede e debilita a transição para uma economia de livre

mercado, além de fazer com que os investidores percam o interesse; torna-se um

“custo” a ser considerado em qualquer investimento e, para dominar o cenário

político, emprega sua principal arma: a corrupção. Esta constitui um importante meio

para penetrar nos poderes do Estado.

Definir crime organizado é muito importante, uma vez que ao fazê-lo, permite-

se conhecer quem é o inimigo, quais são as características e, com isso, controlá-lo.

Importante não só do ponto de vista prático, mas, também, legislativo, porque a lei

deve conter essa definição para satisfazer princípios constitucionais ligados tanto à

defesa, no julgamento, quanto a um processo justo.

Apesar do conceito de “crime organizado” não ter sido definido com precisão,

suas principais características são conhecidas:

a) padrão organizativo;

b) racionalidade tipo empresarial visando “cooperação criminosa”: oferece

bens e serviços ilícitos (tais como drogas e prostituição) e investe seus lucros em

setores legais da economia;

c) utilização de métodos violentos com a finalidade de ocupar posições

proeminentes ou de ter o monopólio do mercado (obtenção do máximo lucro sem

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necessidade de realizar grandes investimentos, redução dos custos e controle da

mão-de-obra);

d) uso da corrupção da força policial e do Poder Judiciário;

e) estabelecimento de relações com o poder político;

f) uso da intimidação e do homicídio, seja para neutralizar a aplicação da lei,

seja para obter decisões políticas favoráveis ou para atingir seus objetivos.

Devemos estar atentos para que, ao promulgar leis para combater o crime

organizado, é preciso garantir que elas não levem à redução dos direitos e garantias

fundamentais do cidadão, uma vez que todo direito de exceção configura um risco

ao estado democrático de direito. Durante o período dos governos militares, as

principais marcas foram o segredo nas práticas repressivas e a escassa informação

a que o cidadão tinha acesso sobre a tarefa realizada pelas Forças Armadas,

naquele contexto de repressão à subversão e a luta armada.

Quando a democracia retornou, nos anos 80, toda e qualquer instituição que

apresentasse características ou condutas similares àqueles anos recentes era

severamente reprovada. Esses antecedentes fizeram com que o tratamento de

determinados temas se tornasse um pouco sensível.

A desconfiança com respeito a certas atividades do Estado fica evidente nas

críticas à tentativa de legislar sobre determinadas figuras jurídicas, relacionadas com

as investigações, como o uso de informantes e agentes encobertos, ou do

colaborador com a justiça no âmbito do processo penal.

CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL

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Fonte: https://nacoesunidas.org/convencao-da-onu-contra-crime-organizado-transnacional

O crime organizado, na medida em que se constitui um fenômeno complexo,

não é fácil de definir. Em cada localidade ou país, como resultado de suas

particularidades, se desenvolve de maneira diferente.

O crime transnacional representa uma ameaça às instituições democráticas e

um desafio para o ordenamento jurídico internacional, impedindo o desenvolvimento

político, econômico, social e cultural da sociedade, assim como afetando também o

ordenamento jurídico dos países democráticos. Os criminosos aproveitam todas as

brechas das normas jurídicas para burlar o aparato legal e procuram concentrar suas

ações em países onde as punições sejam leves e, de preferência que não haja

extradição. Dessa maneira, o fato de cada país ter sua própria lei sobre o crime

organizado dificulta o combate a esta ameaça.

Para a ONU, apesar de ser uma atividade global, os efeitos do crime

organizado transnacional são sentidos localmente, desestabilizando comunidades

regionais e nacionais, prejudicando a assistência ao desenvolvimento nessas áreas

e estimulando o crescimento do mercado doméstico de corrupção, extorsão e

violência.

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Nesse contexto, preocupada com o avanço do crime organizado, a ONU

estabeleceu a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado

Transnacional, adotada em 15 de novembro de 2000. Esta iniciativa imprimiu grande

avanço à questão do combate ao crime organizado transnacional, sendo

considerado um reflexo do reconhecimento que a cooperação internacional seria um

instrumento essencial para combater tal ameaça. O Brasil, juntamente com mais 123

países assinaram a Convenção das Nações Unidas Contra o Crime Organizado

Transnacional em 2000, mais conhecida como Convenção de Palermo.

Embora a Lei 9.034/95 não tenha definido claramente o que seja crime

organizado, podemos nos valer da definição que consta na Convenção de Palermo,

da qual o Brasil é signatário. Nela entende-se por grupo criminoso organizado, artigo

2°, “a”, qualquer grupo estruturado de três ou mais pessoas, existente há algum

tempo e atuando com o propósito de cometer uma ou mais infrações graves

enunciadas na Convenção, com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um

benefício econômico ou outro benefício material.

O Dr. Gilson Dipp, Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao comentar

sua opinião sobre as varas federais especializadas no processamento de crimes

contra o sistema financeiro e a lavagem de dinheiro da Justiça Federal, esclareceu o

seguinte:

“......, o Brasil é signatário do Tratado da ONU contra o crime organizado, a

chamada Convenção de Palermo. Essa Convenção foi internalizada no nosso

sistema jurídico porque foi aprovada pelo Congresso Nacional e retificada pelo

Presidente da República, tendo força de lei ordinária. A Convenção de Palermo

tem uma descrição, quase que universal, do que seja uma organização criminosa.

Então há um grande avanço: primeiro porque ampliou o seu raio de ação; segundo,

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porque pela primeira vez no Brasil, a competência dessas varas criminais está

baseada numa descrição de conceito de organização criminosa que não está no

Código Penal, mas numa convenção internacional celebrada pelo Brasil”.

De acordo com o diretor-executivo do UNODC, YuryFedotov:

"O crime organizado transnacional atinge regiões e países de todo o mundo.

Deter essa ameaça representa um dos maiores desafios da comunidade

internacional".

HISTÓRICO DO CRIME ORGANIZADO NO BRASIL

Fonte: https://www.stive.com.br/4316-crime-organizado-no-brasil.html

A nossa polícia nasceu com a vinda da família real para o Brasil, em 1808,

marcada pela tarefa de conter potenciais inimigos do poder. No Império, o Estado

delegou a segurança pública à elite privada através da Guarda Nacional. Talvez se

possa localizar aí, na delegação da tarefa de combate ao crime à sociedade civil,

cuja elite agrária recebia patentes de coronel da guarda nacional, acompanhadas da

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autorização de mobilizar empregados privados na manutenção da ordem pública,

parte da razão para tolerância com a privatização e informalidade da repressão ao

crime (justiceiros, milícias e sofisticadas empresas de segurança privada).

Voltando no tempo, é possível reconhecer que a abolição da escravatura,

desacompanhada de políticas de inclusão e o progressivo deslocamento do eixo

econômico e demográfico do ambiente rural para o urbano acelerou o processo de

favelização nas zonas urbanas marginais e contribuiu, de certo modo, para a

configuração do atual estágio de violência no Brasil.

O projeto de desenvolvimento industrial adotado no país, apoiado na

substituição de importações, viabilizada por práticas protecionistas, ampliou a

migração do campo para as cidades mantendo o contrabando como atividade

criminosa atraente.

A proibição do jogo na metade do século XX favoreceu o surgimento de

organizações criminosas nos grandes centros urbanos. Enraizou-se nas favelas um

mercado varejista de maconha e, no asfalto, começou a sair de cena a

“malandragem”, tomada como criminosa pelo modo de vida. Ao mesmo tempo a

criminalidade de conduta individual e violenta ganhou visibilidade pela imprensa que

se modernizava, personificadas em bandidos célebres como Cara de Cavalo,

Mineirinho e Lúcio Flávio. Mas a política desenvolvimentista que seguiu seu curso no

pós-guerra favoreceu a continuidade das rotas de contrabando e descaminho que

permanecem ativas até hoje, embora, em grande parte, tenham se deslocado, a

partir dos anos 90, para o tráfico de entorpecentes e de armas, com o desestímulo

ao contrabando de bens de consumo, em decorrência da abertura econômica

adotada.

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No final dos anos 1980, o noticiário destacava uma violenta disputa pelo

controle do tráfico de drogas. A ampliação do mercado da droga e a repressão aos

distribuidores levou a um incremento nas estatísticas de roubos de carros forte e de

extorsão mediante sequestro. Os anos 1990, por sua vez, foram marcados por

rebeliões de presos e pelo fortalecimento do vínculo entre as facções de presidiários

e líderes do tráfico das favelas. O “morro” assumiu a intermediação da droga e as

rebeliões levaram ao reconhecimento das facções pelo poder público que passou a

organizar o sistema penitenciário a partir da filiação dos encarcerados a tais grupos.

A falta de uma política habitacional e a instabilidade econômica aguda até a

metade dos anos 90 ampliaram o fenômeno da favelização, com particular

intensidade na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Estavam dadas as

condições para que as organizações criminosas passassem a agir com domínio

territorial. Daí para buscar a eliminação de intermediários, procurando fazer com que

seus membros ou parceiros disputassem a ocupação de espaços institucionais,

inclusive pelo voto, viciando profundamente a vontade dos eleitores, foi um passo.

Que eleitor tem meios de resistir à intimidação armada?

O fenômeno não é inédito, pois o artigo 416-bis do CP Italiano que define

associação criminosa de tipo mafioso faz referência expressa às ações que visem

obstruir o livre exercício do direito de voto, ou a utilização de poder intimidatório para

captar votos para si ou para outrem.

O crime organizado é favorecido pela existência de leis antiquadas, vagas,

mal formuladas, parciais, numerosas, complexas e cheias de contradições, que

geralmente não são inspiradas em uma visão sistemática do problema por não se

conhecer profundamente o fenômeno que se visa combater.

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Convivemos com algumas modalidades de organizações criminosas,

estabelecidas historicamente em decorrência dos fatores explicitados anteriormente.

São elas:

O “JOGO DO BICHO”

Fonte: http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/05/maquinas-de-cartoes-usadas-em-jogo-do-bicho-

sao-apreendidas-em-rodovia.html

A primeira infração penal organizada no Brasil do

tipo mafioso consistiu na prática do “jogo do bicho”, iniciada

no século XX. Esse jogo foi o pretexto utilizado por João

Batista Viana Drumond, o Barão de Drumond, para

incentivar pessoas a visitarem o seu zoológico. O jogo do

bicho deu origem aos demais grupos, pois desde sua

origem ele tinha organização e leis próprias formando

um pequeno Estado paralelo.

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Fonte: http://curiosomundo.com.br/a-origem-do-jogo-do-bicho/

Apesar de sua imensa popularidade e de ser tolerado por muitas autoridades,

o jogo do bicho é considerado uma contravenção no Brasil e as pessoas que o

praticam ou o promovem são passíveis de punição pela Justiça.

Os chefões do jogo do bicho aprenderam a se organizar com o contato

mantido com mafiosos do sul da Itália. Antônio Salamone foi um dos diretores da

Cosa Nostra durante as décadas de 1960 e 1970. Em 1963, depois do massacre de

Ciaculli, quando sua organização matou 07 policiais italianos em um atentado a

bomba, Salamone veio se refugiar no Brasil. No Rio de Janeiro, aliou-se a Castor de

Andrade (morto em março de 1997), então com 37 anos de idade. Da aliança entre

eles, surgia a “máfia” brasileira.

O jogo de bicho era tido como uma folclórica contravenção, contudo com o

tempo o campo de ação foi sendo ampliado para outras áreas, tornando-se o

símbolo da promiscuidade entre mundo legal e submundo. Este quadro não se deve

apenas à inoperância das autoridades, mas igualmente da sociedade.

Uma disputa sangrenta começou após a morte do capo di tutti capi (chefe de

todos os chefes) no Rio, Castor de Andrade, em março de 1997. Uma das primeiras

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vítimas foi o próprio filho do bicheiro, Paulo de Andrade, executado em outubro de

1998. A ganância impulsionou uma matança à moda Corleone e chegou a colocar

em crise o próprio poder da cúpula do jogo, criada no início dos anos 1980,

justamente para evitar embates pelos pontos. Até a situação voltar ao normal, o

massacre no submundo resultou em dezenas de execuções.

Entretanto, os “bicheiros” deslancharam mesmo com a chegada dos “caça

níqueis”. Dos Corleonesi, um dos mais temidos clãs do crime organizado siciliano,

conseguiram as primeiras máquinas que vieram para o Brasil. E, nos últimos anos,

viram seus lucros irem às alturas com os aparelhos de jogatina eletrônica instalados

em cada padaria de quase todas as grandes cidades brasileiras.

O TRÁFICO DE DROGAS

Fonte: https://sossobriedade.com.br/como-funciona-o-trafico-de-drogas/

Nas décadas de 70 e 80, outras organizações criminosas surgiram nas

penitenciárias da cidade do Rio de Janeiro, comandado por líderes do tráfico de

entorpecentes.

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Questão suscitada por Fernando Alves Martins Villas Boas Filho, é se existe

no Brasil, e particularmente, no Rio de Janeiro, “crime organizado”, especialmente no

tráfico de entorpecentes. Argumenta-se que o que existe são quadrilhas semi-

organizadas, com estruturas hierárquicas não muito bem definidas, que lutam por

territórios, sem qualquer atividade organizada fora do nível das organizações locais

de venda, pulverizadas em pequenas unidades nas favelas e conjuntos, recrutando

jovens moradores para uma alternativa de trabalho. Esta estruturação e divisão

locais se dão em volta das “bocas de fumo”, sem qualquer indicação de que haja

uma centralização na compra por atacado ou alguma grande organização por trás

deste comércio ilegal.

A articulação que se presume entre os grupos armados nas favelas cariocas,

de fato, não existiria, os “comandos” e seus derivados não arquitetariam e nem

executariam ações planejadas, quando muito, se associariam para adquirir

substâncias proibidas. O que muitos acreditam tratar-se de modalidade de crime

organizado fluminense seria um poder diluído.

Porém, devemos nos atentar para o fato de que ativa o tráfico de armas para

a defesa dos territórios e fomenta uma enorme desverticalização operacional, uma

grande mobilidade, uma grande simplicidade e flexibilidade, dada inclusive pela

terceirização.

Nem todos os envolvidos com as “bocas de fumo” têm que ser mantidos por

ela. Eles são pagos para fazer serviço em algum momento, “terceirizados”. Por outro

lado, não há dúvidas de que fazem parte de uma estratégia criminosa transnacional,

especialmente considerando que não se produz, por exemplo, cocaína no Brasil, e

muito menos no Rio de Janeiro, assim como os milhares de fuzis apreendidos não

são, em sua grande maioria, de produção nacional. A própria movimentação do

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dinheiro aplicado nestes negócios ilegais exige uma estrutura bem organizada. De

acordo com Carlos Amorim:

”Na prática, o governo continua a ver o problema como uma simples questão

policial, quando é um desafio de sobrevivência e de soberania.”

Comando Vermelho (CV)

Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/256367/se-matar-inocente-vai-pagar-com-a-vida-ameaca-

comando-vermelho

Com o nome de Falange Vermelha, batizado assim pela própria comunidade

carcerária do Estado do Rio de Janeiro, o CV foi criado entre 1969 e 1975 no Rio de

Janeiro por encarcerados no Instituto Penal Cândido Mendes, conhecido como

Presídio da Ilha Grande ou “Caldeirão do Diabo”, que lutavam contra as condições

sub-humanas que os presos enfrentavam, algumas impostas pelo sistema

carcerário, outras pelos próprios detentos. Especula-se, quanto à origem do CV,

como momento preponderante a reunião de presos políticos com presos comuns na

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Galeria B do presídio da Ilha Grande, entre 1969 e 197511. Os presos comuns

haviam sido condenados com base na Lei de Segurança Nacional numa tentativa

por parte do governo militar de equiparar os revolucionários de esquerda a

criminosos.

Apesar de uma convivência por vezes pouco pacífica, foi nascendo um

respeito e admiração por parte dos presos comuns à organização, disciplina e

companheirismo existente entre os revolucionários de esquerda, o que lhes permitia

sobreviver àquele inferno. Os internos da Galeria B, presos comuns e

revolucionários, passaram a partilhar experiências, tendo os presos comuns

adquirido, através de longos encontros, o modus operandi das guerrilhas

revolucionárias.

Entre outros ensinamentos que mais tarde se revelaram fundamentais, a

organização interna dos presos contra os abusos das autoridades carcerárias

mostrou ser um dos pilares sustentadores do sucesso desta organização, junto com

a proibição de ataques, roubos ou violência física e sexual entre presos. Uma das

primeiras medidas do CV foi à instituição do “caixa comum” da organização,

alimentado pelos proventos arrecadados pelas atividades criminosas daqueles que

estavam em liberdade, o dízimo.

O dinheiro assim arrecadado serviria não só para financiar novas tentativas de

fuga, mas igualmente para amenizar as duras condições de vida dos presos,

reforçando a autoridade e respeito do CV no seio da massa carcerária.

No início dos anos 80, os primeiros presos foragidos da Ilha Grande

começaram a pôr em prática todos os ensinamentos que haviam adquirido ao longo

dos anos de convivência com os presos políticos, organizando e praticando

numerosos assaltos a instituições bancárias, algumas empresas e joalherias.

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Ainda que os sucessos tenham sido relevantes, os assaltos a bancos eram

extremamente arriscados, pelo que, no final de 1982, muitos daqueles que haviam

sido resgatados da Ilha Grande foram recapturados ou mortos.

A primeira grande ofensiva do CV fora do presídio havia-se revelado uma

derrota parcial. No entanto, uma política de segurança do Estado acabou por se

revelar fundamental na propagação da força e hegemonia do CV pelos presídios

mais importantes do sistema carcerário carioca.

Em vez de isolar os líderes do CV de volta na Ilha Grande, entendeu-se que

seria mais prudente separar a comissão dirigente e colocá-los em diversos presídios,

de modo a desintegrar a organização. Anos mais tarde a mesma tática foi

implementada em São Paulo com efeitos semelhantes, reforçando o poder do PCC.

– Primeiro Comando da Capital.

A história revela que esse foi um erro de julgamento de consequências

desastrosas. Sinteticamente, seus líderes organizaram e arregimentaram novos

membros para o CV, estendendo e cimentando o poder dentro dos presídios

cariocas. Quando esses líderes foram novamente reunidos na Ilha Grande, a

influência do CV já se encontrava plenamente enraizada e douradora.

Terceiro Comando (TC)

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Fonte: http://desciclopedia.org/wiki/Terceiro_Comando

O TC é uma extinta facção criminosa carioca, surgida como contraponto ao

CV nos anos 90. Os detalhes de sua criação ainda são obscuros, mas acredita-se

que tenha surgido a partir da Falange Jacaré, que opunha-se ao CV nos anos

oitenta. Outros consideram que o TC surgiu de uma dissidência do CV e por policiais

que passaram para o lado do crime.

Terceiro Comando Puro (TCP)

Fonte: http://www.som24horas.com.br/page/404

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O TCP é uma organização criminosa carioca surgida no Complexo da Maré

no ano de 2002, a partir de uma dissidência do TC. Durante a maior parte daquele

ano o TCP permaneceu como uma facção menor, porém após setembro de 2002,

quando Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar liderou uma revolta no

presídio Bangu 1 matando alguns rivais, este rompeu sua aliança com a ADA, e os

traficantes do então TC ou passaram para o lado da ADA, ou migraram para o TCP.

Amigos dos Amigos (ADA)

A facção surgiu dentro dos presídios do Rio de Janeiro durante os anos 90,

braço direito do TC, para diminuir o poderio do CV. Formada por ex-militares das

tropas especiais do Exército e dos Fuzileiros Navais, ex-policiais expulsos das

corporações e traficantes.

Primeiro Comando da Capital (PCC)

Fonte: https://medium.com/@edysenador/pcc-a-ascens%C3%A3o-do-crime-organizado-9678743319a6

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Foi fundado em 31 de agosto de 1993 por oito presidiários, no Anexo da Casa

de Custódia de Taubaté (130 quilômetros da cidade de São Paulo), chamada de

"Piranhão", até então a prisão mais segura do Estado de São Paulo. Durante uma

partida de futebol, quando detentos brigaram e como forma de escapar da punição

pois vários haviam morrido, resolveram iniciar um pacto de confiança. Originou-se de

um time de futebol interno das cadeias, o “Comando da Capital”.

Criado o PCC, um estatuto foi manuscrito:

prometiam fidelidade, luta até a morte pelos

direitos jamais respeitados dos detentos.

Nas rebeliões, lençóis brancos apareciam

com as três letras do partido do crime.

Subestimado pelo governo, criou raízes em

todo o sistema carcerário paulista.

Reunindo a massa carcerária contra o sistema, expondo de maneira radical a

questão da solidariedade entre os presos, inclusive punindo com a morte eventuais

desvios de conduta, os homens do crime paulista reproduziram quase que

literalmente, as conquistas dos presos comuns na Ilha Grande no Rio de Janeiro. “O

inimigo está fora das celas” – a primeira palavra de ordem do CV ecoa nas prisões

paulistas e seu lema – Paz, Justiça e Liberdade – é adotada pela nova organização.

O PCC, também chamado no início como Partido do Crime, afirmava que

pretendia "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a

morte dos cento e onze presos", em 02 de outubro de 1992, no "massacre do

Carandiru", quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa

de Detenção de São Paulo.

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CRIME ORGANIZADO
24

Com o objetivo de conseguir dinheiro para financiar o grupo, os membros do

PCC exigem que os "irmãos" paguem uma taxa mensal. O dinheiro recolhido é

usado para comprar armas e drogas, além de financiar ações de resgate de presos

ligados ao grupo.

De acordo com Roberto Porto (Porto, 2007) em São Paulo o PCC é uma força

hegemônica que cresce em grande velocidade representando uma enorme sedução

para jovens criminosos, entretanto, além do PCC, registra-se a existência do

Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC), Comissão

Democrática de Liberdade (CDL), Seita Satânica (SS), Serpentes Negras e Terceiro

Comando da Capital (TCC). No Paraná, Terceiro Comando do Paraná (TCP). Paz,

Liberdade e Direito (PLD) no Distrito Federal, Primeiro Comando Mineiro (PCM) e

Comando Mineiro de Operações (COMOC) em Minas Gerais, os Manos e os Brasas

no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, Comando Norte-Nordeste (CNN), no Rio

Grande do Norte, Primeiro Comando de Natal (PCN), no Mato Grosso do Sul,

Primeiro Comando do Mato Grosso do Sul (PCMS) e Primeiro Comando da

Liberdade (PCL).

AS MILÍCIAS

Fonte: http://edmundorodrigueshq.blogspot.com/2012/04/ilustracao-sargento-de-milicias-para.html

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CRIME ORGANIZADO
25

Milícias são grupos formados por agentes do Estado, da área da segurança

pública ou militares, que controlam comunidades por meio de extorsão e violências.

Estes grupos para policiais atuam com o respaldo de políticos e lideranças

comunitárias locais.

Além da cobrança de tributos de moradores, os milicianos controlam o

fornecimento de muitos serviços, geralmente a preços mais altos, incluindo a venda

de gás, eletricidade e outros sistemas de transporte privado, além da instalação de

ligações clandestinas de televisão a cabo.

Começaram a ser notadas no Estado do Rio de Janeiro a partir da década de

1970, controlando algumas comunidades da cidade. Um dos primeiros casos

conhecidos é o da favela de Rio das Pedras, na região de Jacarepaguá, onde

comerciantes locais se organizaram para pagar policiais para que não permitissem

que a comunidade fosse tomada por traficantes ou outros tipos de criminosos.

Os primeiros relatos sobre a expansão das forças milicianas descreviam a

milícia como uma forma de segurança alternativa, por oferecer às comunidades a

oportunidade de se livrar da dominação das facções do tráfico. A ação das milícias

começou a ser relatada na imprensa brasileira em 2005, quando o jornal O Globo

denunciou grupos que cobravam pela segurança, marcando símbolos de trevos de

quatro folhas, pinheiros, entre outros, nas casas dos clientes, de forma a

demonstrar quais destas moradias estariam protegidas por cada grupo.

De início, algumas pessoas das comunidades, comentaristas dos meios de

comunicação, políticos e até o então prefeito da cidade, César Maia, deram seu

apoio aos grupos de milícias. César inclusive chegou a chamá-las de "autodefesas

comunitárias" e um "mal menor que o tráfico”.

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CRIME ORGANIZADO
26

Eis o perigo dessa novidade: o Estado participa, por conivência ou omissão,

da instauração do não governo nessas regiões. Porém, não tardaria para que

emergissem histórias nas comunidades que contradiziam a imagem positiva das

milícias como um “mal menor”. As milícias tomam conta dos lugares com violência e

depois sustentam sua presença através da exigência de pagamentos pelos

moradores para manter a segurança. Além disso, como as facções do tráfico, os

milicianos impõe toques de recolher e regras rígidas nas comunidades sob pena de

castigos violentos em caso de descumprimento, inclusive atuando como grupos de

extermínio.

Entre 27 e 31 de dezembro de 2006, facções do tráfico lançaram uma série

de ataques contra a polícia e civis em toda a cidade, aparentemente em represália

ao avanço das milícias. As quadrilhas incendiaram ônibus e jogaram bombas em

edifícios públicos. Dezenove pessoas foram mortas.

Empossado no início de 2007, o governador Sérgio Cabral declarava em

fevereiro daquele ano que reprimiria a atuação de milícias na capital fluminense O

governo anterior, não reconhecia a existência dos grupos para policiais. O secretário

de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrami, confirmou sua existência e

iniciou investigações dos policiais suspeitos de envolvimento com as milícias.

Diversos políticos do Rio de Janeiro eram notórios milicianos, alguns já julgados e

condenados.

Assim como o tráfico, as milícias também possuem suas facções. A mais

conhecida delas é a chamada "Liga da Justiça", que tem como símbolo o escudo do

Batman. Pertenceriam a essa milícias, os políticos, irmãos e, também, policiais,

Jerominho e Natalino, respectivamente, ex-vereador da cidade do Rio de Janeiro e

ex-deputado estadual/RJ.

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CRIME ORGANIZADO
27

Havia poucos registros de guerras entre milícias, sendo o caso de maior

repercussão, até então, o assassinato do chefe da milícia de Rio das Pedras, o

Inspetor da Polícia Civil Félix Tostes, resultado de um plano de milicianos da Liga da

Justiça para matar seus rivais naquela área.

No dia 14 de maio de 2008, jornalistas de O Dia que tentavam produzir

matérias sobre o tema foram barbaramente torturados por milicianos. O fato gera

uma comoção pública e repercute em toda a mídia nacional e internacional,

reacendendo o interesse pelo tema. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de

Janeiro (ALERJ), sensível a esse clamor, aprova a criação da Comissão Parlamentar

de Inquéritos (CPI) presidida pelo Deputado Estadual Marcelo Freixo. Diversos

políticos foram intimados a depor diante desta CPI, sendo acusados de envolvimento

com milicianos.

Durante as oitivas realizadas pela CPI das Milícias, ao longo dos meses de

junho a novembro de 2008, estudiosos, profissionais de segurança, Delegados e

membros do Ministério Público não foram unânimes quanto a uma definição do

termo. Embora não exista um consenso sobre o conceito deste fenômeno

criminológico, todas as milícias possuem as seguintes características:

1) Controle de um território e da população que nele habita por parte de

um grupo armado irregular;

2) O caráter coativo desse controle;

3) O ânimo de lucro individual como motivação central;

4) Um discurso de legitimação referido à proteção dos moradores e

à instauração de uma ordem;

5) A participação ativa e reconhecida dos agentes do Estado.

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CRIME ORGANIZADO
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O interesse pela formação destes grupos paramilitares foi incrementada

depois que o transporte alternativo (VAN) se instaurou, cresceu e começou a ser

uma fonte de lucro muito grande. Antes, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro,

por exemplo, mais especificamente no bairro de Campo Grande, existiam grupos

que faziam segurança particular e exploravam máquinas caça-níqueis. Com o

surgimento do transporte alternativo e a quantia enorme de dinheiro arrecadada

com esta atividade, praticamente sem nenhum tipo de investimento ou imposto a ser

recolhido, esses grupos começaram então a transferir sua área de atuação também

para o transporte alternativo, gerando, um poderio financeiro muito grande e

violentas disputas.

Relatório de organizações não governamentais brasileiras e internacionais

enviado à Organização das Nações Unidas constatou o controle do transporte

público por milícias no Rio de Janeiro, que lucram cerca de R$ 60 milhões por ano.

Os dados enviados à ONU são conclusões da “CPI da Milícia”.

Com o crescimento e a multiplicação das milícias no Estado do Rio de

Janeiro, é necessário pesquisar até que ponto o tráfico de drogas foi afetado pela

formação e expansão dos grupos paramilitares e quais as comunidades que não

apresentavam movimentação de traficantes e foram dominadas pelas milícias. Uma

avaliação feita pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de

Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, das comunidades possivelmente

controladas pelas milícias, demonstrou que os milicianos se expandiram,

preferencialmente, em áreas onde não havia tráfico de drogas, ou seja, pequenas

comunidades ou áreas da cidade que, por sua condição geográfica e outros fatores,

não interessavam aos traficantes e não ofereceriam resistência. Das comunidades

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CRIME ORGANIZADO
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onde era registrada a presença de milícias, 70%, não pertenciam a nenhuma facção

criminosa.

Diante do desafio do “crime organizado”, uma investigação policial efetiva

deve contar com meios que permitam a obtenção de provas, o que torna necessária

a regulamentação adequada de diversos mecanismos ou técnicas especializadas de

investigação, tais como meios eletrônicos, uso de informantes e réus colaboradores,

operações encobertas, agentes infiltrados, investigações financeiras etc..

A luta contra o crime organizado residirá principalmente do uso adequado

desses mecanismos ou técnicas de investigação e das ferramentas de aplicação da

lei desenvolvidas ao longo de muitos anos de experiência na repressão a esse

fenômeno criminológico.

MEIOS ELETRÔNICOS

Fonte: http://www.ouricuriemfoco.com.br/mppe-investe-em-tecnologia-para-desbaratar-crime-organizado/

O emprego de meios eletrônicos, ou suporte eletrônico, representa a mais

importante das armas à disposição contra o crime organizado. Fornece

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CRIME ORGANIZADO
30

confiabilidade, provas objetivas por intermédio dos depoimentos dos próprios

participantes e permite conhecer os planos dos criminosos para cometer crimes

antes que sejam postos em prática.

Por outro lado, se trata de uma técnica bastante sensível, uma vez que se

preocupa com os interesses da pessoa quanto a sua privacidade. Essa

preocupação, aliás, impõe uma série de restrições ao uso do suporte eletrônico. Por

exemplo, o mesmo só pode ser utilizado para se obter evidências de algumas sérias

e específicas transgressões listadas em seu estatuto legal.

Uma vez que o suporte eletrônico passa a ser usado, os responsáveis pelas

investigações tem que enviar relatórios à Justiça informando o que tem sido obtido.

Nesses relatórios periódicos, lista-se o número de ligações interceptadas, o número

de ligações contendo conversas criminosas, faz-se um resumo das mesmas e se

descreve todo e qualquer evento incomum que pareça ter ligação com aquilo que é

colhido. Esse constante envio de relatórios é parte do que faz o suporte eletrônico

tão extenuante.

O suporte eletrônico também é restrito em termos de duração. Seu uso é

limitado há 15 dias, que podem ser prolongados por períodos iguais, desde que

todos os requerimentos sejam cumpridos e aprovados pelo juiz.

Conceito

Meios eletrônicos são técnicas operacionais que consistem na utilização de

equipamentos específicos para a gravação e reprodução de sons e imagens que

instruem ou definem uma determinada situação. O emprego de meios eletrônicos

para conhecer ou documentar o conteúdo de conversações telefônicas (ou entre

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CRIME ORGANIZADO
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pessoas presentes) é, atualmente, bastante comum e difundido, especialmente

considerando os progressos da tecnologia que ampliam a capacidade de coleta de

dados a custos cada vez mais baixos.

A eletrônica não conhece fronteiras, enquanto que as legislações de todo o

mundo criam rígidos limites para essas atividades em prol das universalmente

consagradas inviolabilidades do sigilo das comunicações e da privacidade do

indivíduo.

Quando se trata, especialmente da utilização dos seus resultados no

processo penal, aquelas barreiras garantidoras dos direitos individuais assumem,

nas vedações probatórias, um contorno publicístico sob a ótica do devido processo

legal. Portanto, se a tecnologia não possui limites, as legislações em todo o mundo

procuram impor limites a estas atividades.

Como valores de fundo, voltam a se confrontar, de modo geral, de um lado, a

necessidade de se prover o Estado de meios eficazes de luta contra a

criminalidade organizada e, de outro lado, as liberdades públicas, situação que dá

margem à aplicação da teoria da proporcionalidade.

Modalidades de captação eletrônica de provas

Combinando os elementos apontados pela doutrina, chegamos à noção, em

sentido amplo, da interceptação: a captação da comunicação entre duas pessoas,

executada por terceiro, a partir da qual cumpre estabelecer alguma distinção tendo

em vista diversas modalidades de captação eletrônica da prova:

a) interceptação telefônica;

b) escuta telefônica;

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c) interceptação ambiental;

d) escuta ambiental;

e) gravação clandestina.

Interceptação Telefônica

Fonte: http://jurisprudenciaedireito.blogspot.com/2013/03/a-interceptacao-telefonica-e.html

A interceptação telefônica, em sentido estrito, é a captação da conversa

telefônica por um terceiro, sem o conhecimento dos interlocutores. Efetiva-se pelo

ato de interferir numa central telefônica, nas ligações da linha do telefone que se

quer controlar a fim de ouvir e/ou gravar conversações.

As investigações que envolvem interceptação telefônica, ao contrário do que

muitos imaginam, possuem uma operacionalidade extremamente simples e dela

podem ser obtidos dezenas de informações por intermédio das análises de suas

informações. Atualmente pode ser considerada uma das mais importantes

ferramentas à disposição do investigador criminal. Com o avanço da tecnologia, para

se efetuar uma interceptação autorizada judicialmente, basta uma simples linha

telefônica fixa ou celular para onde serão redirecionadas as chamadas da linha alvo.

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CRIME ORGANIZADO
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A aplicação do processo de interceptação telefônica na investigação é

largamente utilizada e pode ser dividida em duas grandes categorias: alvo

identificado e alvo não identificado.

Todo o processo de investigação torna-se muito mais fácil quando a

interceptação é de um alvo identificado, ou seja, sabemos quem é o usuário da linha,

seus hábitos, sua rotina, seu circulo de amizade, onde mora, o que queremos

descobrir, dentre outras informações, ou seja, já existe um perfil traçado do alvo.

Mas quais os mecanismos devem ser utilizados quando se tratar de um alvo

não identificado? Quais são as informações que devemos analisar com a finalidade

de identificar ou localizar o alvo? Quais os recursos de que dispomos? Onde e o que

devemos procurar?

Sabemos que a interceptação telefônica fornece uma gama de dados, e

quando corretamente interpretados podem facilitar ainda mais a identificação e

localização do alvo. Muitas vezes, como por exemplo, no crime de extorsão

mediante sequestro, o que conseguimos obter de imediato é apenas uma voz e a

linha utilizada pelo extorsionário, que muitas vezes faz uso da linha da própria

vítima.

Nesta modalidade de crime, sabemos quem é a vítima, sabemos o que

investigar e qual é o crime praticado. Mas quem é o usuário da linha? De quem é

aquela voz? Onde mora? Qual o seu perfil? De qual localidade utilizada à linha?

Com que frequência? É nesse momento que devemos por em pratica todo o

processo de analise dos dados colhidos durante a interceptação.

Procedimentos práticos de aplicação da Lei

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Os requisitos para o deferimento da interceptação telefônica estão previstos

no artigo 2°, incisos I a III, da Lei n° 9.296/96, ou seja: indícios suficientes de autoria

ou participação em infração penal (fumus bonis iuris), impossibilidade da prova ser

feita por outros meios investigatórios disponíveis (requisito da necessidade, da

alternativa menos gravosa ou da subsidiariedade), e o fato criminal constituir infração

penal punida com reclusão (requisito da proporcionalidade em sentido estrito).

Outrossim, tratando-se de medida cautelar destinada a fixar a conversação travada

entre investigados, deve o juiz analisar o periculum in mora, ou seja, perigo da

demora. É o risco de decisão tardia, perigo em razão da demora. Expressa que o

pedido deve ser julgado procedente com urgência ou imediatamente suspenso o

efeito de determinado ato ou decisão, para evitar dano grave e de difícil reparação.

Desta forma, se alguma Autoridade Policial desejar se utilizar desse artifício,

deverá submeter seu pedido ao juízo competente após apreciação do Ministério

Público, com base na Lei n° 9.296/96. Sua representação será instruída com fatos

específicos estabelecendo causas prováveis para que se creia que os objetos dessa

intervenção eletrônica estejam mesmo cometendo atos ilícitos e que os mesmos

poderão ser mais facilmente identificados a partir do uso do suporte eletrônico.

Portanto, a autoridade policial precisa receber de um juiz independente a

autorização para agir nesse sentido. Além disso, antes de se permitir o uso do

suporte eletrônico, a autoridade policial precisa mostrar que outras técnicas de

investigação foram tentadas e falharam nessa tentativa de obter provas, ou por que

outras técnicas falhariam nesse intuito, ou ainda por que essas demais técnicas

representariam um grande perigo caso fossem tentadas. Ao fazer uso do suporte

eletrônico, deve-se minimizar a interceptação de conversas inocentes, assegurar que

somente conversas relevantes serão interceptadas.

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CRIME ORGANIZADO
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Questão prática que deve ser bem esclarecida trata-se da diferença entre

“sigilo telefônico” e “sigilo das comunicações telefônicas”. A primeira incide sobre os

dados/registros telefônicos e não se identifica com o segundo, que versa sobre a

conversação telefônica propriamente dita, conforme estabelecido no julgamento do

MS 23.452/RJ, ocorrido em 12 de maio de 2000, do qual foi relator o Ministro Celso

de Mello, no plenário do Supremo Tribunal Federal.

Resumidamente, tanto as comunicações telefônicas quanto os registros

destas ligações são resguardadas pelo direito à intimidade e à vida privada (artigo

5°, inciso X, da Constituição da República). Enquanto que, não estão cobertos pelo

sigilo os dados cadastrais, tais como o nome, qualificação e endereço do titular da

linha telefônica, podendo a eles ter acesso tanto o representante do Ministério

Público quanto a Autoridade Policial.

Natureza Jurídica

Reputa-se lícita a interceptação telefônica, desde que realizada dentro dos

parâmetros estabelecidos pelo ordenamento jurídico. O seu resultado que é uma

operação técnica - é fonte de prova. Através do meio de prova (a gravação e sua

transcrição) será introduzida no processo.

Sua execução depende de ordem judicial. O provimento que autoriza a

interceptação reveste-se de natureza cautelar e visa à fixação dos fatos como se

apresentam no momento da conversa. Enseja, pois, evitar que se perca uma

situação existente ao tempo do crime, propiciando que se venha conservar, para fins

exclusivamente processuais, o conteúdo de uma comunicação telefônica.

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CRIME ORGANIZADO
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Exige-se, para tanto, os requisitos que justificam as medidas cautelares. O

deferimento da “invasão” deve ser, sempre, por exceção15. Quanto ao fumus boni

juris, da mesma forma que ocorre com a busca domiciliar, a autoridade concessora

da medida deve dispor de elementos seguros da existência de um crime, de extrema

gravidade, que ensejaria o sacrifício da privancy. No tocante ao periculum in mora,

deve ser considerado o risco ou prejuízo que a não realização da medida possa

resultar para a investigação ou instrução criminal.

Documentação e valor probante

Em se tratando de interceptações autorizadas por autoridade judiciária, o

resultado da operação técnica deve revestir-se de forma documental.

Documento é coisa representativa de um fato e destina-se a fixá-la de modo

permanente e idôneo, reproduzindo-o em juízo. No caso, tanto a GRAVAÇÃO - que

permite a reprodução sonora do objeto da prova e sua escuta - quanto a

DEGRAVAÇÃO, isto é, a TRANSCRIÇÃO da conversa, devem ser introduzidas no

processo como meio de prova. “Degravação”, ou „transcrição”, é a transposição da

palavra falada pela palavra escrita, o mesmo que “textualização”. A doutrina

recomenda, ainda, a documentação das etapas das operações desenvolvidas, ainda

que não obtenham êxito, por intermédio da lavratura de termos e autos respectivos,

assegurando a genuinidade da prova.

A reprodução mecânica, como a fotografia, sempre teve entrada no processo,

sendo prevista expressa e explicitamente como um dos meios de prova na legislação

brasileira. Quanto a sua autenticidade, disposição semelhante se encontra no artigo

383 do Código de Processo Civil brasileiro, suscitando, portanto, o mesmo problema

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CRIME ORGANIZADO
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que ocorre em relação a outras formas de prova do gênero documental: se a pessoa

a quem a conversa é atribuída não a reconhecer como sua, será indispensável uma

perícia específica, com a comparação da voz/fala/linguagem.

O valor probante do resultado da interceptação, contudo, nada tem a ver com

a admissibilidade desse meio de prova. A questão vai repercutir no momento

probatório da sua valoração pelo juiz. Isso porque a interceptação é uma operação

técnica, que visa a colher coativamente uma prova. Assim, quando o objeto da

interceptação recair diretamente sobre o fato a ser provado, a prova resultante será

direta; quando recair sobre diverso, que poderá conduzir ao fato que se pretende

provar, a prova será indiciária. Portanto, o juiz, ao proferir a decisão, conforme a

identidade das vozes possa ser afirmada seguramente ou apenas reconhecida como

provável, irá valorar o resultado da interceptação, respectivamente, como prova ou

como indício. Assim, por exemplo, a expedição de um mandado de prisão pode

fundar-se em prova indiciária, quando não seria suficiente, contudo, por si só, para

embasar uma sentença condenatória.

Escuta telefônica

Fonte: https://revoada.net/escuta-telefonica/

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CRIME ORGANIZADO
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Levando em conta o aspecto de haver consentimento de um dos

interlocutores para a efetivação da interceptação telefônica, poder-se-ia falar,

especificamente, em escuta telefônica, o que, no entanto, não desnatura a

característica de interceptação telefônica, uma vez realizada por terceiro.

A doutrina confirma a hipótese como uma espécie de direito do indivíduo ao

controle de seu próprio telefone, assim, por exemplo, os familiares da pessoa

sequestrada, ou a vítima de estelionato, ou ainda aquele que sofre de intromissões

ilícitas e anônimas através do telefone em sua vida privada.

Interceptação ambiental

A captação sub-reptícia da conversa entre presentes, efetuada por terceiro,

dentro do ambiente onde se situa os interlocutores, com o desconhecimento destes,

denomina-se interceptação entre presentes, ou interceptação ambiental. Não difere

da interceptação stricto sensu, pois, nas duas situações, ocorre violação do direito à

intimidade.

Mas é preciso ainda considerar que o direito ao segredo da comunicação é o

gênero, ao qual pertence à espécie interceptação. Assim, se o emitente da

conversação tem ciência da presença e identidade de um terceiro – diverso do

destinatário – não se verifica qualquer lesão do direito ao segredo e, portanto,

inexiste interceptação.

Também não pratica interceptação o terceiro, ignorado pelos interlocutores,

que escuta uma comunicação exteriorizada de modo a permitir que seja perceptível

por qualquer circunstante, pois aqui faltaria o requisito de violação do direito à

reserva da comunicação. Uma comunicação é reservada quando quem a realiza

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CRIME ORGANIZADO
39

pretende reservar a percepção a uma gama pré-determinada de sujeitos, com

exclusão de todo terceiro que não seja destinatário direto ou indireto.

Por destinatário direto deve-se entender o interlocutor da comunicação ao

qual é dirigida. Destinatário indireto seria a pessoa presente, e conhecida do

emitente, não participante do colóquio mas que se encontra em condições de

escutá-lo.

Embora normas de vedação probatória consistam na tutela dos cidadãos em

face de formas de percepção do som insidiosas e difíceis de prevenir, como,

propriamente, as realizadas com o auxílio de tecnologia moderna, algumas situações

podem ser consideradas. Assim, quem escuta uma conversa reservada

simplesmente encostando o ouvido a uma porta está praticando uma violação do

direito ao segredo. Da mesma forma quem, ao invés de escutar com os próprios

sentidos, registra a conversa servindo-se de um gravador oculto.

Em ambas as hipóteses, não há como refutar a natureza de interceptação.

Isto porque é preciso considerar os dois aspectos do direito à intimidade. Aquele que

escuta diretamente e grava conversação desenvolvida em idioma que lhe é estranho

não está propriamente interceptado (porque não percebe o sentido da

comunicação), porém, essa circunstância não se transmite ao mandante da

gravação que, inequivocamente, pratica interceptação ambiental, que se verifica,

assim, pela violação do direito à reserva.

Escuta ambiental

Quando a interceptação de conversa entre presentes, realizada por terceiro,

se faz com o conhecimento de um ou alguns dos interlocutores, pode ser

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CRIME ORGANIZADO
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denominada escuta ambiental, guardando, assim, afinidade terminológica com as

precedentes modalidades de interceptação ambiental e escuta telefônica. Sujeita-se

a mesma disciplina das interceptações ambientais.

Gravações clandestinas

A gravação clandestina, entendida como a praticada pelo próprio interlocutor,

prende-se à inexistência da participação de um terceiro envolvido, não podendo,

portanto, se enquadrar no conceito de interceptação. Consiste no registro da

conversa telefônica (gravação clandestina propriamente dita) ou da conversação

entre presentes (gravação ambiental) por um de seus participantes, com o

desconhecimento do outro.

As legislações em geral não preveem normas específicas sobre a matéria,

porém, entende-se que “poderão ser aplicadas à espécie as mesmas soluções

jurídicas previstas para a correspondência epistolar, posto que as conversações

telefônicas nada mais são que a expressão moderna e oral do mesmo fenômeno de

comunicação”.

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CRIME ORGANIZADO
41

Nas conversas telefônicas há tal aceleração na troca de ideias, informações e

intenções que, em regra, ocorre funcionarem ambos os interlocutores,

simultaneamente, como remetentes e destinatários de correspondência.

Seguindo-se este raciocínio, a prova obtida através de gravação clandestina

seria irrestritamente admissível. Qualquer pessoa pode gravar sua própria conversa.

O que se proíbe é a divulgação indevida, isto porque, em nosso ordenamento, a

comunicação do teor da carta ou de outros dados, pelo destinatário a terceiro, sem o

assentimento do remetente, não configura crime contra a inviolabilidade da

correspondência, embora possa tipificar o de divulgação de segredo.

Nesse ponto, a tutela penal se dirige a um segundo momento do direito à

intimidade, qual seja, o direito à reserva. Enquanto o direito ao segredo está em

impedir que a atividade de terceiro se dirija a desvendar as particularidades da

privacidade alheia, o direito à reserva surgem prol da defesa da pessoa contra a

divulgação de notícias particulares legitimamente conhecidas pelo divulgador.

Divulgar é tornar público, o que pressupõe comunicação a um elemento

indeterminado de pessoas.

Será ilícita, portanto, a divulgação da conversa confidencial como prova penal,

incriminadora, podendo, contudo, haver justa causa que descaracterize a ilicitude. A

doutrina em geral considera lícita a divulgação de gravação sub-reptícia de conversa

própria apenas quando se trate de comprovar a inocência do acusado, o que não

deixa de constituir manifestação da teoria da proporcionalidade.

Assim, por exemplo, nos casos de extorsão, a prova é válida para comprovar

a inocência do extorquido, mas se assegura ilícita quanto ao sujeito ativo da

tentativa de extorsão.

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CRIME ORGANIZADO
42

Resta abordar a questão das declarações espontâneas do indiciado ou réu,

clandestinamente gravadas. Constituem, sem dúvida, prova ilícita em razão da

violação do direito à intimidade, visto que o acusado, caso soubesse estar diante de

uma autoridade, poderia ter se reservado ao direito de permanecer calado.

Gravação de imagens

É certo que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, X, tornou inviolável a

intimidade, a honra e a imagem das pessoas. A proteção dessa imagem, entretanto,

não nos afigura como impeditiva de se fotografar o imputado, quando de sua

identificação. O direito de imagem pode ser entendido como o direito de alguém ver

sua foto exposta, sem autorização, indevidamente, ao público, bem como deve ser

entendida como direito atrelado à intimidade.

A fotografia realizada, por exemplo, quando da identificação criminal para uso

exclusivo da atuação policial, não ofende a imagem na medida em que não viola sua

intimidade. Entender a imagem como sendo um bem autônomo e com valor absolto

seria permitir a inviolabilidade de toda captação de imagem, em qualquer

circunstância.

Quanto às organizações criminosas, dada as suas características e a

diferenciada persecução, excepcionalmente é permitido a identificação datiloscópica,

ainda que já identificado civilmente e deve ser permitida a fotografia (ou qualquer

outro meio de captação de imagem) do identificado.

OPERAÇÕES ENCOBERTAS

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CRIME ORGANIZADO
43

Uma investigação assim poderá durar apenas algumas horas ou ser bem

longa, levando até mesmo anos para que se concluída. Pode ser dirigida a uma

ocorrência criminosa apenas ou a um empreendimento criminoso de longa data. Em

alguns casos, esse tipo de operação pode envolver o simples ato de se comprar

contrabando, tal como o de drogas ilegais, propriedade roubada ou armas de fogo,

ou pode se conduzir num negócio disfarçado, como um bar, por exemplo, ou algum

outro estabelecimento onde criminosos se reúnam para discutir suas atividades com

policiais ou informantes disfarçados. Por meio dessas ações, os agentes envolvidos

podem se infiltrar nas camadas mais elevadas das quadrilhas e se passar por

criminosos, enquanto os verdadeiros falam sobre seus planos e buscam ajuda para

cometer crimes.

Os agentes são frequentemente capazes de ganhar a confiança dos

bandidos, induzindo-os a revelar seu passado de crimes, bem como convidando-os

a participar de atividades que estejam já em andamento. Em conjunto com o suporte

eletrônico, a abordagem disfarçada oferece uma cobertura regular das atividades

diárias dos alvos. Entretanto, ela é muito delicada e representa um risco constante

de se atrair pessoas outrora inocentes para atividades criminosas. Pelo fato de essa

técnica ter um potencial muito elevado para gerar problemas, acaba requerendo uma

preparação excepcional.

Por exemplo, a segurança física do agente deve sempre ser levada em

consideração. Para prevenir que sua identidade seja precocemente descoberta, ele

deverá ser abastecido com um conteúdo elaborado de informações sobre o seu

passado, algo conhecido como “backstopping” (retaguarda), técnica conhecida no

Brasil como “estória cobertura”, e um resumo sobre o modus operandi dos alvos.

Qualquer cenário concebível que possa induzir a suspeita ou hostilidade contra o

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44

agente deverá ser levado em consideração com antecedência. Paralelamente, terá

que ser submetido a testes cuidadosos, incluindo aí seu perfil psicológico, de forma

a assegurar que possui as qualidades necessárias que o farão se sentir bem com

sua nova identidade.

Sempre que uma operação encoberta revela que um crime violento está para

ser cometido, a força-tarefa envolvida é chamada a tomar as providências devidas

no sentido de prevenir a ocorrência do mesmo. Isso pode incluir alertar a provável

vítima, prender os que plantaram a ameaça ou finalizar completamente a operação.

Agentes infiltrados

Consiste, basicamente, em permitir a um

agente policial ou de serviço de inteligência

infiltrar-se no seio da organização criminosa,

passando a integrá-la como se criminoso

fosse, dessa forma, participando das

atividades diárias, das conversas, problemas

e decisões. Como também, por vezes, participando de situações concretas, ele

passa a ter condições de melhor compreendê-las para melhor combatê-las.

Um dispositivo destinado a esse procedimento de investigação estava

previsto no inciso I do artigo 2° da Lei n° 9.034/98, tendo, entretanto, sido vetado

pelo Presidente da República. Com o veto presidencial, o dispositivo não entrou em

vigor, situação que se resolveu com o advento da Lei n° 10.217/2001 que previu no

artigo 2°, inciso V, o seguinte;

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45

“Em qualquer fase de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já

previstos em Lei, os seguintes procedimentos de investigação e formação de provas:

Inciso V: infiltração por agentes de polícia ou de inteligência, em tarefas de

investigação, constituída pelos órgãos especializados pertinentes, mediante

circunstanciada autorização judicial”.

A Lei n° 10.409, de 11 de janeiro de 2002, que disciplina um procedimento

especial para a apuração dos crimes de tóxicos, tratou do instituto no Artigo 33,

inciso I. Seguindo o exemplo de leis consagradas em outros países, previu a

exigência de autorização judicial antecipada como forma de assegurar o controle

judicial sobre essa atividade. Todavia, a lei nacional não disciplinou um

procedimento próprio para seu processamento, assim como não previu quais os

requisitos para seu deferimento, quem tem legitimidade para requerê-la, se o juiz

pode determiná-la de ofício ou não, por quanto tempo pode perdurar, se é possível

sua renovação, se as informações obtidas pelo policial devem der relatadas ao juiz e

como se dá a participação do órgão do Ministério Público.

Ante a precariedade desse quadro e visando assegurar o respeito às

garantias do investigado, somente resta valer-se, por analogia e, no que couber, do

procedimento previsto na Lei n° 9.296/96, que disciplina a interceptação das

comunicações telefônicas e do fluxo de comunicações em sistema de informática e

telemática, pois reflete a moderna concepção do princípio da proporcionalidade em

relação a matéria que igualmente pode resultar em restrição ao direito à

privacidade.

A “infiltração” apresenta, segundo a doutrina, três características básicas:

1) “dissimulação”, ou seja, a ocultação da condição de agente oficial e de

suas verdadeiras intenções;

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46

2) “engano”, posto que toda a operação de infiltração apoia-se numa

encenação que permite ao agente obter confiança do suspeito; e

3) “interação”, isto é, uma relação direta e pessoal entre o agente e o autor

pessoal.

INFORMANTES

Outra delicada técnica especializada utilizada para reprimir organizações

criminosas envolve o uso de informantes. Um informante é a pessoa que fornece

dados/informes a um policial, com relação a determinados fatos, circunstâncias ou

pessoas. A classe ou agrupamento social de um informante poderá variar com a

natureza do crime ou fato que está sendo investigado.

O melhor informante não é aquele que o policial consegue na hora, é o que já

existe que já foi cultivado ou recrutado, que é conhecido e cujos informes

historicamente repassados já puderam ser avaliados. Poderemos ter dois tipos de

informantes: o “confidente” e o “recrutado”.

O “confidente” tem o informe ao seu alcance e o fornece ao policial, na

maioria das vezes graças às suas relações pessoais com este. O “recrutado” é

aquele que é conquistado pelo policial, visando uma exploração imediata ou futura

de determinadas áreas, principalmente as que não sejam prontamente acessíveis ao

policial (infiltrado-penetrado).

De acordo com o Manual Elementar n° 04, Coleção Polícia Metropolitana,

CALVANO, Alberto et al. Informações Policiais: fichários e arquivos, 1977, são

numerosos os motivos pelos quais uma pessoa se torna um informante:

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1) Vaidade – pessoas vaidosas gostam de fornecer informes, obtendo

atitudes favoráveis dos policiais etc.

2) Atitude cívica – pessoas com elevado espírito público que desejam que

a justiça seja feita.

3) Medo – pessoas que desejam obter a proteção da polícia, pois sentem-

se inseguras com perigos reais ou imaginários.

4) Remorsos – coautores ou familiares dos criminosos, que necessitam

informar sobre o crime pois está pesando em suas consciências.

5) Troca – pessoas que são detidas por ofensas pequenas e procuram

negociar com o policial, informando sobre ofensas mais graves de que tem

conhecimento.

6) Privilégios – pessoas que dão informes para que possam obter algum

privilégio por parte do policial ou da polícia. O preso pode desejar cigarros, visitas,

atenções para com sua família enquanto está em custódia.

7) Competição – pessoas que dão informes para prejudicar possíveis

concorrentes, afastar competidores no seu ramo de negócio. Deve-se ter o máximo

cuidado em sua utilização.

8) Vingança – pessoas que desejam vingar-se de outras por motivos

vários e injurias passadas.

9) Ciúmes – pessoas que tem, por qualquer motivo, inveja ou ciúmes de

outras e desejam vê-las afastadas de seus caminhos ou metidas em complicações.

10) Estipêndio – pessoas que fornecem informes mediante promessas de

recompensa. Devem ser avaliados cautelosamente e criteriosamente.

11) Amizade - pessoas que tem amizade ao policial, são suas conhecidas ou

querem expressar sua gratidão. Em geral, bons informantes.

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PROTEÇÃO A TESTEMUNHAS AMEAÇADAS

Importante apoio para a repressão às organizações criminosas é o Programa

de Proteção a Testemunhas. Por conta do violento comportamento por parte de

facções criminosas, a intimidação às testemunhas pode significar um grande

obstáculo no caminho de uma ação bem-sucedida.

Portanto, uma testemunha é admitida no Programa quando ela é capaz de

fornecer provas significantes em casos importantes nos quais haja a evidente

ameaça a sua segurança. Uma vez no Programa, a testemunha e sua família

recebem novas identidades e são removidas para outra região do país onde os

riscos à sua segurança são menores.

Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA)

Embora a Segurança Pública seja direito de todos, conforme preceitua os

específicos, para alcançar pessoas em situação de maior vulnerabilidade, com vistas

a atingir o real sentido do prescrito constitucional.

Deste modo, pessoas ameaçadas, especialmente por integrantes de

organizações criminosas, devem receber do Estado a medida protetiva compatível

com o risco a que estão sujeitas, de modo a inibir e fazer cessar as causas das

ameaças. Em comum, elas decorrem da proximidade com o espaço físico de

abrangência da atuação do crime organizado, o que potencializa sua condição de

testemunha ameaçada, e para os que decidem sair dessas organizações e colaborar

com a Justiça.

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CRIME ORGANIZADO
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Há inúmeras razões para o baixo índice de resolução de crimes no Brasil, e

sem dúvida, um dos fatores primordiais é a ínfima quantidade de pessoas dispostas

a testemunhar contra autores de crimes graves. A maior parte dos países

desenvolvidos dispõe de programas de proteção à testemunha. Eles oferecem

segurança a quem se disponha a colocar a própria via em risco para denunciar um

crime.

O objetivo principal do Programa de Proteção às Testemunhas Ameaçadas

(PROVITA) é combater a impunidade através da promoção da proteção a vítimas e

testemunhas de crimes que estejam coagidas ou expostas à grave ameaça em

razão de colaborarem com a investigação ou processo criminal. São pessoas que se

encontram em situação de risco decorrente da colaboração prestada a procedimento

criminal em que figuram como vítima ou testemunha, que estejam no gozo de sua

liberdade e cuja personalidade e conduta sejam compatíveis com as restrições de

comportamento exigidas pelo programa, ao qual desejam voluntariamente aderir.

Fundamenta-se nos seguintes pontos:

1) Artigo 245 da Constituição Federal que obriga o Estado Brasileiro a dar

atenção especial às pessoas vítimas de crimes e seus herdeiros e dependentes,

declarando expressamente: “A lei disporá sobre as hipóteses e condições em que o

poder público dará assistência aos herdeiros e dependentes carentes de pessoas

vitimadas por crime doloso, sem prejuízo da responsabilidade civil do autor do ilícito”;

2) No compromisso constante no Programa Nacional de Direitos

Humanos, no capítulo que trata da “Garantia do direito à vida”, de “Apoiar a criação e

o funcionamento de centros de apoio a vítimas de crimes nas áreas com maiores

índices de violência e seus familiares e dependentes”;

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CRIME ORGANIZADO
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3) A Declaração dos princípios básicos de justiça em favor das vítimas de

crimes e abuso do poder das Nações Unidas;

4) Lei Federal nº 9.807/99 que “Estabelece normas para a organização e a

manutenção de programas especiais de proteção a vítimas e a testemunhas

ameaçadas”.

5) Toda a normativa internacional, refletida no ordenamento jurídico pátrio

através da Constituição Federal de 1988 que incorporou os direitos humanos

enquanto princípio fundamental da República Federativa do Brasil dispõe sobre a

proteção a que toda população é credora, bem como a que deve ser dirigida aos

chamados grupos vulneráveis.

A criação no Brasil de um programa especial para dar proteção a vítimas e a

testemunhas de crimes surgiu em 1996 e foi incluído no Programa Nacional de

Direitos Humanos. Em 1998, o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Especial

dos Direitos Humanos (SEDH), colocou o projeto em prática quando o governo de

Pernambuco criou o inédito Programa Estadual de Proteção a Testemunhas

(PROVITA).

Em 13 de Julho de 1999 foi assinada a Lei 9.807, que estabeleceu as normas

para a organização de programas estaduais destinados a testemunhas e vítimas que

estivessem “coagidas ou expostas a grave ameaça em razão de colaborarem com a

investigação ou processo criminal”. Nascia o Programa Federal de Assistência a

Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas. Logo após a assinatura da lei outros quatro

Estados passaram a integrar o programa: Pará, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro

e São Paulo. Os Estados que ainda não implantaram o programa são atendidos

diretamente pelo Governo Federal. Nos casos em que não se verifica o

preenchimento dos requisitos de ingresso, aplicam-se outras medidas de proteção.

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CRIME ORGANIZADO
51

A política de proteção a testemunhas integra o Sistema Nacional de

Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, que constitui uma rede nacional

de proteção composta pelos Programas Estaduais e pelo Programa Federal (que

atende os estados não contemplados com programas locais).

O Programa se operacionaliza e funciona por meio do Conselho Deliberativo,

do Órgão Executor, da Equipe Técnica e da Rede Solidária de Proteção:

Conselho Deliberativo (CONDEL): composto por representantes do Poder

Judiciário, do Ministério Público e de órgãos públicos e privados relacionados com a

defesa dos direitos humanos e a segurança pública. Instância decisória superior,

responsável pelo ingresso e exclusão de pessoas ameaçadas, além de outras

atribuições definidas em lei. No Rio de Janeiro o CONDEL foi criado e

regulamentado por intermédio do Decreto Estadual n° 43.097, de 22 de Janeiro de

2011;

Órgão Executor: entidade integrante do CONDEL, responsável pela execução

das atividades do Programa, da contratação da Equipe Técnica, e da articulação

com a Rede Solidária de Proteção;

Equipe Técnica: composta por profissionais especialmente contratados e

capacitados para a função, efetiva a assistência social, jurídica e psicológica

imprescindível para a análise da necessidade de proteção e da adequação dos

casos ao Programa, bem como para o constante acompanhamento dos

beneficiários;

Rede Solidária de Proteção: conjunto de associações civis, entidades e

demais organizações não governamentais que, voluntariamente, recebem os

beneficiários do Programa, proporcionando-lhes moradia e oportunidades de

reinserção social em local diverso de sua residência habitual.

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CRIME ORGANIZADO
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Seção de Proteção ao Depoente Especial (SPDE)

O ingresso de pessoas ameaçadas no PROVITA se consolida após

criteriosa avaliação levada a efeito pelas organizações de direitos humanos

responsáveis pela execução direta dos programas. Ocorre que, peculiar à execução

de tais programas é o seu intrínseco caráter de urgência. Assim, uma vez

identificada uma situação de ameaça iminente, não é viável aguardar o desenrolar

de todos os trâmites necessários para o fim de incluir a pessoa ou família ameaçada

no programa de proteção. Aguardar pode custar à vida ou a integridade física das

pessoas, o que por si só demandaria a necessidade de um pouso provisório seguro,

até que a inclusão em um dos programas de proteção seja avaliada.

RÉU COLABORADOR

“Réus colaboradores” são aqueles

acusados ou indiciados que tenham

voluntariamente colaborado com a

investigação e o processo criminal,

conforme o art. 13 e 14 da Lei nº 9.807/99.

A proteção aos réus colaboradores presos, prevista pelo Decreto nº

3.518/2000, não vem sendo prestada na grande maioria dos estados brasileiros,

embora seja um importante instrumento de combate ao crime organizado e que se

configura pela obtenção de informações estratégicas sobre as organizações

criminosas por meio do testemunho daqueles réus.

O capítulo II da Lei nº 9.807/1999, denominado Proteção aos Réus

Colaboradores, estabelece, em seus artigos 13 e 14, hipóteses em que o acusado

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CRIME ORGANIZADO
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ou indiciado que colaborar efetiva e voluntariamente com a investigação e o

processo criminal poderá ter o perdão judicial decretado pelo Juiz ou, no caso de

condenação, terá pena reduzida de um a dois terços.

Quanto à proteção ao réu colaborador, a referida Lei prevê:

“Art. 15. Serão aplicadas em beneficio do colaborador, na prisão ou fora dela,

medidas especiais de segurança e proteção a sua integridade física, considerando

ameaça ou coação eventual ou efetiva.

§1º. Estando sob prisão temporária, preventiva ou em decorrência de

flagrante delito, o colaborador será custodiado em dependência separada dos

demais presos.

[...]

§3º. No caso de cumprimento da pena em regime fechado, poderá o juiz

criminal determinar medidas especiais que proporcionem a segurança do

colaborador em relação aos demais apenados.”

A citada Lei estatui ainda (artigo 19) que a União poderá utilizar

estabelecimentos especialmente destinados ao cumprimento de pena de

condenados que tenham prévia e voluntariamente prestados a colaboração de que

trata o normativo, bem como celebrar convênios com os Estados e o Distrito Federal

para a utilização daquelas unidades.

A norma regulamentadora da Lei, o Decreto nº 3.518/2000, ao definir

Depoente Especial (artigo 10), o faz de forma a abranger os conceitos de réu

colaborador de que se ocupam os artigos 13 e 14 da Lei 9.807/1999. Ademais, tal

regulamento cria (artigo 11, caput) a ação de governo Serviço de Proteção ao

Depoente Especial, cujo planejamento e execução atribui (§ 2°) ao Departamento de

Policia Federal (DPF). Ao atribuir o serviço ao DPF, o Decreto dá a este órgão,

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CRIME ORGANIZADO
54

dentre outras, a incumbência de proteger os réus colaboradores presos e lhe

confere, para tanto, o poder de realizar diferentes formas de cooperação e parcerias

com órgãos da Administração Pública e entidades não governamentais. É o que se

depreende da transcrição abaixo:

“ Art. 10. Estende-se por depoente especial:

I – o réu detido ou preso, aguardando julgamento, indiciado ou acusado sob

prisão cautelar em qualquer de suas modalidades, que testemunhe em inquérito ou

processo judicial, se dispondo a colaborar efetiva e voluntariamente com a

investigação e o processo criminal, desde que dessa colaboração possa resultar a

identificação de autores, coautores ou partícipes da ação criminosa, a localização da

vitima com sua integridade física preservada ou a recuperação do produto do crime;

II – A pessoa que, não admitida ou excluída do Programa, corra risco pessoal

e colabore na produção da prova.

Art. 11. O Serviço de Proteção ao Depoente Especial consiste na prestação

de medidas de produção assecuratórias da integridade física e psicológica do

depoente especial, aplicadas isoladas ou cumulativas, consoante as especificidades

da cada situação, compreendendo, dentre outras:

[...]

2 Cabe ao Departamento de Polícia Federal, do Ministério da Justiça, o

planejamento e a execução do Serviço de Proteção, para tanto podendo celebrar

convênios, acordos, ajustes e termos de parceria com órgãos da Administração

Públicas e entidades não-governamentais.”

Embora a Lei preveja a possibilidade de utilização de estabelecimentos

prisionais especialmente destinados aos colaboradores, por falta de suas instalações

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CRIME ORGANIZADO
55

apropriadas, não vem sendo assegurado no Estado do Rio de Janeiro a proteção ao

réu colaborador preso.

Tal medida representa um avanço significativo na proteção a réus

colaboradores, uma importante ferramenta de desarticulação de organizações

criminosas, visto que poderá ser utilizada como estimulo para o acusado ou

condenado colaborar com a persecução penal, pois poderá ser beneficiado em

razão da previsão legal de cunho atenuatório da responsabilidade criminal,

permitindo a redução da pena ou perdão judicial no curso do procedimento penal. O

desenvolvimento do programa segue uma tendência mundial seguida pela maioria

das forças de segurança pública de diversos outros países do mundo.

Também levou-se em conta que o Decreto nº 6.877/2009,ao regulamentar a

Lei nº 11.671/2008, que cuida da transferência e inclusão de presos em

estabelecimentos penais federais de segurança máxima, contempla a possibilidade

de acolhimento nessas unidades do réu-colaborador ou delator premiado, a teor do

inciso V, art. 3°, a saber:

“Art. 3° Para a inclusão ou transferência, o preso deverá possuir, ao menos,

uma das seguintes características: [...]

V – ser réu colaborador ou delator premiado, desde que essa condição

represente risco à sua integridade física no ambiente profissional de origem; [...]”.

Quanto ao aspecto físico, como as penitenciárias federais estão divididas em

quatro alas (vivências), cada uma seguramente isolada das demais, a intenção é

que se reserve uma dessas alas para acolher os réus colaboradores.

O tempo de cooperação prevê que os beneficiários estarão aos cuidados de

equipes especiais de proteção e custódia, integradas por agentes penitenciários a

serem capacitados pelos cooperantes (DEPEN e DPF). Há também previsão de

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CRIME ORGANIZADO
56

normas complementares ao Manual de Procedimentos de Segurança e Rotinas

Carcerárias, editadas pelo DEPEN, as quais, consideradas as peculiaridades do réu

colaborador preso, darão flexibilidade aqueles procedimentos e rotinas, sem

comprometimento da segurança.

Como no Brasil a proteção a réu colaborador preso não vem sendo efetivada,

mediante regime seguro e diferenciado em instalação apropriada que garanta sua

segurança, o réu não se sente confiante em colaborar com as investigações ou com

a justiça. É fato conhecido que as organizações criminosas projetam seus padrões

de violência contra delatores no interior das unidades prisionais. Assim, o réu preso

detentor de informações valiosas ao combate ao crime organizado, temeroso pela

sua segurança na prisão e sabedor de que poderá sofrer atentado à própria vida,

não se sente estimulado a efetivar a colaboração, apesar da possibilidade do

beneficio penal de redução de pena ou até mesmo do perdão judicial. Não há

vantagem em se ter a pena reduzida se o apenado não viver para usufruir da

liberdade.

A consequência é a subutilização desta importante arma de combate ao crime

organizado, em que pese haja o legislador criado na Lei 9.807/1999 os institutos de

perdão judicial e de redução de pena, como meio de obter as informações e os

testemunhos necessários para a condenação de criminosos e desbaratamento de

suas organizações.

A implantação do Programa de Proteção ao Réu Colaborador Preso pode

contribuir substancialmente para a luta contra o crime organizado. Primeiro, por

estimular juízes, promotores e delegados de polícia a buscar a colaboração de réus

visando o desbaratamento de organizações criminosas nas quais militaram e das

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CRIME ORGANIZADO
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quais detêm informações críticas. Segundo, porque o réu poderá tomar a decisão de

colaborar a partir da certeza de proteção assegurada.

Delação premiada

De acordo com Damásio de Jesus “... delação premiada configura aquela

iniciativa do legislador, que premia o delator, concedendo-lhe benefícios (redução da

pena, perdão judicial, aplicação de regime penitenciário brando etc.)...”

Trata-se de um benefício legal concedido a um criminoso “delator”, que aceite

colaborar na investigação ou entregar seus companheiros, previsto em diversas leis

brasileiras:

1) Código Penal;

2) Lei n° 8.072/90 – Crimes Hediondos e equiparados;

3) Lei n° 9.034/95 – Organizações Criminosas

4) Lei n° 7.492/86 – Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional;

5) Lei n° 8.137/90 – Crimes contra a ordem tributária, econômica e contra

as relações de consumo;

6) Lei n° 9.613/98 – Lavagem de dinheiro;

7) Lei n° 9.807/99 – Proteção a Testemunhas;

8) Lei n° 8.884/94 – Infrações contra a Ordem Econômica; e

9) Lei n° 11.343/06 – Drogas e afins.

A delação premiada pode beneficiar o acusado com diminuição da pena de

1/3 a 2/3, cumprimento da pena em regime semiaberto, extinção da pena ou perdão

judicial. É constantemente criticada, uma vez que fica a critério de avaliação do Juiz

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CRIME ORGANIZADO
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da causa e de parecer do membro do Ministério Público (MP) a utilidade das

informações prestadas pelo réu.

OS GRUPOS FORÇA–TAREFA

Trata-se de esforço concentrado, direcionado, visando à luta contra a

criminalidade.

Força-Tarefa não é mais do que uma força conjunta, união de esforços, uma

reunião de grupo de trabalho que tem suas diretrizes preestabelecidas quando se

constata dentro de uma determinada região um problema crônico de criminalidade,

e, assim como o crime organizado, deve ser organizada de forma a combater um

problema pontual, “focado”.

O grupo pode-se formar de maneira “formal”, por intermédio de um contrato

escrito firmado entre os chefes dos órgãos envolvidos, com duração de tempo

limitado, mas prorrogável, devendo perdurar até que a situação de crise seja

considerada superada ou amenizada o suficiente, a ponto de poder ser combatida

através dos meios normais de persecução criminal.

Nada impede, entretanto, sejam formadas Forças-Tarefas “informais”, sem a

necessidade de elaboração de contrato por escrito. Basta que as forças estaduais se

reúnam e planejem diretrizes a serem seguidas em intensificada cooperação mútua

contra um determinado problema relacionado à criminalidade em determinada

região. Não havendo compromisso documentado, o desfazimento torna-se mais fácil

e a Força-Tarefa mais instável, o que não impede que sejam alcançados resultados

satisfatórios.

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CRIME ORGANIZADO
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Tratando-se de um grupo, ou de “um time”, imperioso que todos lutem para a

obtenção do mesmo objetivo e visem ao mesmo “foco”, sendo, portanto, intoleráveis

a ocorrência de situações de “ciúmes” ou de disputas entre seus integrantes.

Inaceitável, também, realizações de operações ou providências adversas e

prejudiciais, umas as outras. Todos os integrantes devem ter em mente, de forma

inequívoca, que trabalham para a perseguição do mesmo objetivo e, para isso, nada

mais prejudicial que o trabalho desencontrado, adverso. Não se admite disputas

entre os integrantes do mesmo time, situação em que os criminosos evidentemente

extraem vantagens. Portanto, torna-se uma providência fundamental a definição de

quem comanda a Força-Tarefa.

LAVAGEM DE DINHEIRO

Fonte: https://www.rochadvogados.com.br/voce-sabe-o-que-e-o-crime-de-lavagem-de-dinheiro-ou-

branqueamento-de-capitais/

Trata-se de um crime que visa a transformar operações financeiras ilegais em

transações legais. O termo transação define genericamente uma compra, venda,

empréstimo, promessa, presente, transferência, entrega ou qualquer modalidade

dessa natureza e em relação a instituições financeiras, inclui um depósito, saque,

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CRIME ORGANIZADO
60

transferência entre contas, câmbio de moeda, empréstimo, aumento de crédito,

compra ou venda de ações, títulos ou outro instrumento monetário, o uso de um

cofre bancário ou qualquer outro pagamento, transferência ou entrega por ou para

uma instituição financeira por intermédio de quaisquer meios relacionados.

A Lei n° 12.683, de 09 de julho de 2012, alterou a Lei no 9.613/98 que tratava

sobre os crimes de lavagem de dinheiro, tornando mais eficiente sua persecução

penal, especialmente ao eliminar a restrição contida no estatuo anterior que definia

um rol taxativo de crimes antecedentes, considerando que grande parte da lavagem

de dinheiro é proveniente de infrações penais que não estavam contempladas no

antigo estatuto, como a contravenção do jogo do bicho por exemplo.

As sanções impostas à lavagem incluem confisco, o que muito auxilia nos

esforços de uma Força Tarefa no sentido de impedir que as organizações criminosas

lucrem.

Outro aspecto visando o aprimoramento dos mecanismos de combate à

lavagem de dinheiro inclui a possibilidade de alienação antecipada de bens antes da

sentença penal condenatória, evitando que os bens advindos da prática criminosa

possam ser alienados sem que se deteriorem enquanto se aguarda o fim do

processo.

Crime antes restrito a determinadas regiões, ganhou características

transnacionais nas últimas décadas, fazendo com que seus efeitos rompessem

fronteiras e se tornassem uma preocupação internacional. Tendo em vista que essa

prática delituosa representa uma ameaça global não só à integridade e estabilidade

dos estados e de seus sistemas financeiros, mas também à própria democracia,

organismos internacionais têm incentivado a adoção de medidas mais efetivas no

trato da questão.

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Dando prosseguimento aos compromissos internacionais assumidos desde a

assinatura da convenção de ”lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, a

preservação da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nessa Lei

cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).

A Lei n° 9613/98 introduziu o crime de “lavagem” como delito autônomo, isto

é, o processo e o julgamento da “lavagem” de dinheiro independem do julgamento

do crime antecedente, podendo a denúncia ser instruída apenas com indícios de que

os recursos provêm de crime antecedente.

Tendo em vista que a prática de “lavagem” envolve pessoas físicas e jurídicas

de várias camadas da atividade econômica, bem como o trânsito de recursos por

seus diferentes setores, concluiu-se pela necessidade de se abordar

preventivamente o problema, estabelecendo procedimentos que dificultam encobrir a

origem dos recursos e facilitem a investigação.

Assim, a Lei define sujeitos, obrigações, sanções e atribuições dos órgãos

governamentais fiscalizadores, conferindo maior responsabilidade a intermediários,

principalmente a bancos, financeiras, distribuidoras de títulos mobiliários e demais

instituições que, por terem como atividade principal ou acessória a movimentação de

médias e grandes somas em dinheiro, podem ser utilizada como canais para a

“lavagem” de dinheiro.

As medidas preventivas estabelecidas pela Lei brasileira, encontradas

também em diversos países, determinam ações e procedimentos que visam à

colaboração da sociedade no controle das operações ilegais, atividade essa que não

pode ser atribuída exclusivamente aos órgãos repressores do Estado.

É nesse contexto que foram estabelecidas as competências do COAF para

coordenar mecanismos de cooperação e de troca de informações que viabilizem

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ações rápidas e eficientes no combate à “lavagem” de dinheiro: disciplinar e aplicar

penas administrativas, sem prejuízo da competência de outros órgãos e entidades; e

receber, examinar e identificar as ocorrências de operações suspeitas de atividades

ilícitas.

Seu funcionamento segue o modelo de uma Unidade Financeira de

Inteligência (FIU), ou seja, uma agência nacional, central, responsável por receber,

analisar e distribuir às autoridades competentes as denúncias referentes a

operações suspeitas de “lavagem” de dinheiro. Essa definição foi elaborada no

âmbito do Grupo de Egmont, organização que congrega as FIU de diversos países

do mundo com o objetivo de promover o apoio aos programas nacionais de combate

à “lavagem” de dinheiro. O Brasil, por meio do COAF, passou a integrar esse Grupo

após a Sétima Reunião Plenária, realizada em Bratislava, República de Eslováquia,

em maio de 1999.

O caráter transnacional, típico das operações de “lavagem” e dos crimes que

usualmente as antecedem, constitui uma das razões pelas quais o COAF tem

ampliado seus vínculos com organismos internacionais empenhados na luta contra

delitos dessa natureza.

Nesse sentido, o Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional

de Drogas (UNDCP) e o COAF estabeleceram uma parceria, incluindo a publicação

de material informativo e o intercâmbio de experiências, visando ampliar a

cooperação técnica entre os dois organismos. O UNDCP é a agência das Nações

Unidas que monitora o controle internacional de drogas e crimes correlatos, entre os

quais a “lavagem” de dinheiro.

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Quebra dos sigilos fiscal, bancário e financeiro

O artigo 2°, inciso III, da Lei n° 9.034/95, prevê como um dos meios de

obtenção da prova em relação às atividades desenvolvidas pelas organizações

criminosas o acesso a informações fiscais, bancárias e financeiras. Contudo, essa

medida não goza de exclusividade para a apuração da criminalidade organizada,

estendendo-se sua aplicação para a apuração de outras infrações penais.

O acesso às informações prestadas pelos investigados ou acusados perante

o Fisco tem colaborado para a apuração do fenômeno, pois não raras vezes sua

evolução patrimonial está diretamente relacionada com seu enriquecimento ilícito.

Considerando que o crime organizado é, em certo sentido, um negócio, a

“investigação patrimonial” passa pelo fisco, pelos bancos ou pelas instituições

financeiras.

O sigilo bancário por décadas permaneceu disciplinado pela Lei n° 4.595/64,

dispositivo revogado pela Lei n° 105, de 10 de janeiro de 2001 que, em seu artigo 3°,

prevê que serão prestados pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores

Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder

Judiciário:

“poderá ser decretada, quando necessária para a apuração de ocorrência de

qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial, e

especialmente em relação aos seguintes crimes: I - terrorismo; II – de contrabando

ou tráfico de armas, munições ou material destinado a sua produção; III – tráfico

ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins; IV – de extorsão mediante

sequestro; V – contra o sistema financeiro nacional; VI – contra a Administração

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Pública; VII – contra a ordem tributária e a previdência social; VIII – lavagem de

dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores” (art. 1° § 4°).

Entretanto, a lei ainda possibilitou, de forma subsidiária, a quebra do sigilo

bancário em relação a todos os demais crimes praticados por organizações

criminosas (inc. IX).

O artigo 2°, § 6°, Lei n° 105/2009, disciplina, seguindo a tendência

internacional de reprimir com maior eficiência a criminalidade organizada, que,

independentemente de solicitação judicial, o Banco Central do Brasil, a Comissão de

Valores Imobiliários e os demais órgãos de fiscalização, nas áreas de suas

atribuições, fornecerão ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)

de que trata o art. 14 da Lei 9613/98, as informações cadastrais e de movimento de

valores relativos às operações previstas no inciso I do artigo 11 da referida lei, ou

seja, relacionados a crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores.

Investigações patrimoniais

O objetivo de um grupo de Força-Tarefa deverá ser sempre a destruição da

organização criminosa. Tratando-se de uma empresa criminosa, a sua finalização

ocorrerá pela dissolução voluntária (que não é o caso) ou pela “falência” – fim da sua

saúde financeira. Assim, “quebra-se” uma empresa criminosa atingindo-se o seu

patrimônio, ou melhor, o patrimônio de seus chefes. Para tanto, recomenda-se

fortemente a utilização da Lei de Lavagem de Dinheiro, Lei nº 9.613/98.

Importante recomendação se refere à necessidade, dependendo do caso

concreto, de se instaurar um procedimento investigatório específico para a apuração

dos eventuais crimes de lavagem de dinheiro etc., em paralelo ao procedimento que

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visa a apurar o cometimento dos crimes antecedentes propriamente ditos, tais como:

tráfico de entorpecentes, extorsão mediante sequestro, dentre outros, praticados

pela mesma organização criminosa.

Para tal, na mesma unidade de polícia judiciária onde foi instaurado inquérito

policial (IP) para apurar um crime de trafico de entorpecentes praticado por uma

organização criminosa, por exemplo, seria instaurado outro IP, exclusivamente para

apurar os eventuais crimes financeiros praticados pela quadrilha. Esta medida se

justifica pela capacitação específica do policial investigador que atua com estas

diferentes modalidades criminosas, assim como a evolução no tempo de cada tipo

de investigação que, se empreendidas no mesmo procedimento, podem conflitar

entre si, prejudicando o resultado final do trabalho.

O ideal seria que algumas unidades, em especial de polícia judiciária

especializada, contassem nas respectivas estruturas funcionais com um setor

específico visando apurar “investigações patrimoniais”. Os levantamentos

requisitados ao LAB-LD, COAF etc., deveriam ser direcionados diretamente para

esta seção para seu melhor aproveitamento.

INTELIGÊNCIA POLICIAL

O conceito de “inteligência” pode ser definido como um conjunto de atividades

voltadas para a produção de conhecimento. A atividade de inteligência de segurança

pública é o exercício permanente de ações especializadas orientadas, basicamente,

para a produção de conhecimentos necessários à decisão, ao planejamento e à

execução de uma política específica nesta área.

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Consiste na coleta, reunião e tratamento sistemático das informações sobre a

criminalidade, ou quaisquer outras que interessem ao trabalho da polícia e sua

utilização nas operações em geral. Trata-se de um instrumento de caráter proativo,

indispensável tanto para a formulação das políticas de segurança (nível estratégico)

quanto para o planejamento operacional (nível tático).

Num atual contexto em que o crime organizado opera como se fosse uma

verdadeira empresa, é preciso que os setores da polícia não se circunscrevam aos

métodos tradicionais, baseados no isolamento, na autossuficiência e no

descompromisso com resultados.

A atividade de inteligência policial deve, portanto, se constituir na memória de

toda a organização, onde qualquer tipo de informação deve ser considerada,

valendo-se para tal de dados de investigações anteriores, das informações

repassadas pelos policiais em geral e por informantes, de publicações, do

cadastramento criminal, de registros sobre o movimento de criminosos e de seu

modus operandi, do cadastro de identificação civil, de veículos, do setor

penitenciário etc.

O conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente. É

preciso situar as informações e dados em seu contexto para que adquiram sentido.

Durante o regime militar, o Serviço Nacional de Informações (SNI), mobilizou

profundamente os “serviços de informações” (atuais serviços de inteligência) das

polícias, especialmente voltados para a repressão aos opositores políticos dos

governos militares. Assim, disseminou-se no meio policial uma atividade de

“inteligência clássica” voltada para a ”segurança nacional”, a qual estaria ameaçada

pelos dissidentes políticos. Isso dificultou aos serviços de inteligência policial

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evoluírem para uma inteligência criminal que atendesse especificamente às suas

funções policiais.

Entretanto, a necessidade dos serviços policiais fez surgir um novo ramo, ao

lado da Inteligência de Estado - a Inteligência Policial - inicialmente de forma

empírica, representada por pressupostos doutrinários e conceitos incipientes e

“clássicos”, gerando mais desconfiança e descontentamento do que compreensão

de sua real finalidade.

Com o término dos governos militares, houve serviços de inteligência, em

especial das Polícias Judiciárias, que prosseguiram com a “inteligência clássica”.

Não se disseminou a ideia de se adequarem à produção de provas para

investigações criminais e processos penais.

As agências de Inteligência Policial de grande parte das Polícias Judiciárias

do país não interagem com seus comandos a fim de definir estratégias para

combater o crime organizado, assim como, se mantém isoladas das unidades

operacionais responsáveis pela execução do “produto final” - investigações criminais.

A nova acepção de Inteligência Policial na área de segurança pública, ao nível

tático, deve estar voltada especialmente para a produção de prova criminal, a ser

utilizada em ação penal cujo caráter é público, desfazendo-se a antiga mística do

“secretismo” que envolvia as ações de inteligência tradicionais. Definitivamente, as

“provas” obtidas pelas atividades de Inteligência Policial podem, em princípio, ser

utilizadas na investigação criminal, tendo em vista sua finalidade de servir de base à

propositura de ações penais e a medidas cautelares (interceptações das

comunicações, prisões provisórias, sequestros de bens etc.), desde que sujeitas às

limitações de conteúdo e de forma estabelecida pela lei processual penal vigente.

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INVESTIGAÇÕES DE REDES COMPLEXAS

Investigações de casos complexos envolvem enorme atividade mental diante

da grande quantidade de dados em múltiplos formatos, originários de fontes

diversas. Procurando em algum lugar nestes dados, a chave da investigação se

mantém geralmente encoberta pela intensa e aparente dispersão das informações.

A atividade de inteligência policial é naturalmente vocacionada para apoiar a

execução de “investigações complexas” que envolvem enorme atividade mental

diante da grande quantidade de dados em múltiplos formatos, originários de fontes

diversas, realidade típica quando se trata de repressão a organizações criminosas

organizadas. O conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente.

É preciso situar as informações e dados em seu contexto para que adquiram

sentido. A análise de vínculos feita pelo analista de inteligência constitui inestimável

recurso na identificação de padrões de crimes, entidades associadas, modus

operandi, descrição de eventos numa faixa temporal e, finalmente, na significativa

vinculação entre os alvos e informações relevantes que constem na situação

investigada, tais como registros de chamadas telefônicas e mensagens eletrônicas,

sítios visitados na internet, débitos feitos em cartões magnéticos, transferências

bancárias, viagens realizadas, contatos pessoais feitos etc.

Padrão do crime corresponde a uma característica da ocorrência de um

determinado delito, segundo a qual pelo menos uma variável daquela ocorrência se

repete em outra, ou outras, ao longo do tempo (passado e presente).

Estabelecer vínculos pressupõe associar dados, condutas, eventos, entidades

e elementos de uma situação para subsidiar a ação policial no esclarecimento de

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formação de quadrilhas, revelando toda a rede de vínculos e contatos dos

criminosos.

Importante salientar a necessidade de que na atividade de Inteligência Policial

a mesma deve ser mantida independente da função de investigação criminal e que

os policiais do serviço de inteligência não possam encerrar casos, efetuar prisões,

nem ajudar no processamento, pois, nesse caso, o valor da operação de informação

diminui consideravelmente, já que se esgotam as fontes de informações.

As delegacias de polícia distritais, por exemplo, são responsáveis pela

apuração dos casos que lhe chegam ao conhecimento. São focadas exclusivamente

nestes casos, especialmente considerando que desenvolvem seus trabalhos sob um

absoluto controle de prazos visando análises de produtividade e cumprimentos de

formalidades legais.

Somando-se a esta característica, qualquer unidade de polícia judiciária,

distrital ou especializada, opera mergulhada em sua volumosa demanda diária de

casos, que a impedirá de implementar qualquer iniciativa visando ao

desenvolvimento de um trabalho de qualidade para identificar padrões de crimes,

entidades associadas, modus operandi, descrição de eventos numa faixa temporal e,

finalmente, vincular alvos e informações relevantes que constem da situação

específica investigada com atividades de eventuais organizações criminosas.

O combate ao crime organizado ocorre dentro de um contexto político e social

que condiciona a eficiência e eficácia dos mecanismos legais, tecnológicos e

institucionais. Desse modo, podemos abordar os seguintes problemas a serem

enfrentados para aperfeiçoar o combate ao crime organizado:

- ausência de vontade política para seu efetivo enfrentamento;

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- falta de integração entre os órgãos de justiça criminal e segurança pública

responsáveis por sua prevenção e repressão;

- ausência de uma capacitação específica dos envolvidos nesta atividade

altamente especializada;

- pouco comprometimento da sociedade;

- legislação inadequada;

- falta de cultura visando à aplicação de métodos modernos de obtenção de

provas, em especial aspectos ligados à lavagem de dinheiro e crime financeiros.

- inexistência de cultura de inteligência criminal;

- corrução policial; e

- criminalização da política.

Corrupção é coisa comum em qualquer polícia. Em todo aparelho repressivo

existe grande probabilidade de corrupção porque há uma grande procura pelo

”serviço”. A polícia brasileira, como não poderia deixar de ser, enfrentou e ainda

enfrenta esse problema. De tempos em tempos, o estado pressiona e a corrupção

diminui, mas sempre se mantém em focos pequenos, aguardando o surgimento

de uma nova oportunidade para ressurgir. E há momentos em que ela toma

contornos institucionais, e aí inviabiliza qualquer possibilidade de inteligência para

combater o crime organizado, pois, um ponto fundamental é saber quem, e em que

dados, se pode confiar.

Outro ponto a ser enfrentado é o estrutural: na maioria dos estados brasileiro

cada força policial tem seu próprio sistema de inteligência. De acordo com Guaracy

Mingardi (O Estado de S. Paulo, de 8 de agosto de 2010), sem corrupção não existe

crime organizado. Não adianta sair dando tiros contra o crime organizado, é preciso

pensar, criar um sistema de inteligência criminal centralizado em cada Estado.

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Porém, não se tem uma tradição de inteligência criminal no Brasil. Falta

pessoal suficientemente capacitado. O Estado não faz inteligência criminal. Nas

agências de inteligência das diversas polícias estaduais a atividade de analista é

considerada uma função não especializada, uma lotação a mais no decorrer da

carreira do policial, uma função administrativa visando à reunião e repasse de dados

para as unidades operacionais. Uma hora será preciso tirar a cabeça do buraco e

partir para a ação – o que não é sair dando tiros, mas pensar, analisar, refletir.

Mas a corrupção que mais preocupa e influi diretamente na segurança pública

não se circunscreve à atividade policial. Muito pelo contrário. Devemos,

principalmente, abordar a questão da corrupção na política - a criminalização da

política. De acordo com Dr. Gilson Dipp (MOSAICO, p.27) pela experiência das

varas especializadas federais no processamento e julgamento de crimes do sistema

financeiro e lavagem de dinheiro da justiça federal o grande valor proveniente da

prática de crimes antecedentes não provém do tráfico de entorpecentes, do

contrabando de armas etc., mas de crimes praticados contra a administração

pública, ou seja, da corrupção. Entre 60% a 70% dos valores que envolvem esses

processos criminais decorrem da corrupção.

O crime é um negócio e seu objetivo é o lucro. Esta afirmação condensa uma

verdade que não pode ser desconsiderada pelo executivo de segurança pública que

opera na repressão a organizações criminosas. Portanto, para seu enfrentamento,

devemos considerar sua lógica empresarial. Tal como qualquer empresário, ao

identificar uma oportunidade de negócio efetua o seguinte raciocínio: qual a

potencialidade de lucro do empreendimento, custo e risco envolvido. Como

executivos de segurança pública, nos cabe transformar as atividades criminosas em

um “mau negócio”, desestimulando sua prática ao aumentar seu risco.

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Por outro lado, segurança pública não é só caso de polícia. Essa questão

requer mobilização e a participação de todos os responsáveis: os grupos da

sociedade civil, do setor privado, das universidades e das comunidades locais e

agentes públicos em todas as esferas, entre os quais os policiais.

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