Você está na página 1de 7

COLlSÕES

Na vida real as batidas são muito mais complexas do que aquelas


esquematizadas nos livros de Física.
Ocorre, porém, que na base dos fenômenos envolvidos estão regras
gerais muito simples que podem nos dar informações úteis para a
compreensão da dinâmica dos acidentes, já que nas colisões temos
transformações e trocas de energia, como na quase totalidade dos
fenômenos que acontecem na Terra,
Uma característica fundamental da colisão é que esta acontece em um
intervalo de tempo muito pequeno em relação às ações humanas; em
um ou dois décimos de segundo uma batida provoca seus danos mais
sérios e visíveis.
As colisões têm também uma estreita ligação com a alta velocidade,
especialmente no que concerne aos danos que podem ocasionar.
Quando as velocidades são elevadas, o choque provoca um jogo de
forças (aceleração/desaceleração) tão potentes que superam os valores
limite de ruptura e integridade das partes envolvidas.
Só que o organismo e os tecidos humanos resistem muito menos que os
materiais com os quais são construídos os automóveis e isto aumenta os
riscos para quem viaja ou para quem for atropelado por um veículo em
movimento.
Para ficar ainda mais claro, em batidas com velocidade superior a 30
Km/h, a cabeça do motorista pode bater contra o volante ainda que ele
esteja usando o cinto de segurança.
E você conhece alguém que ande normalmente a menos de 30 Km/h?
QUE VALORES TÊM A ENERGIA EM JOGO?

O gráfico mostra com clareza que a correspondência entre a velocidade


e a energia necessária para parar um determinado veículo não é linear,
como tantos ingenuamente pensam. Para diminuir a velocidade de, por
exemplo, um carro de 100 km/h a 50 km/h é preciso dispersar 75% da
energia cinética inicial, e não 50%. Para provar esta afirmação basta
calcular a energia cinética de cada um dos sistemas e subtrair o
segundo valor do primeiro. É por isso que temos tantas avaliações
erradas dos riscos de acidentes e do espaço necessário para a freada.
O gráfico foi construído utilizando o teorema da energia cinética e
levando em consideração um carro de uma tonelada (1.000 kg).

CÁLCULO

Para uma massa m em uma velocidade v a energia cinética é:


O "Teorema da Energia Cinética" relaciona as variações da energia
cinética ao trabalho mecânico que a acompanha:

Quando a energia mecânica não se conserva, vale de qualquer maneira


o princípio de conservação da energia: a quantidade de energia cinética
"perdida" é acompanhada de uma idêntica quantidade de energia de
outro tipo (ex. térmica) que mantém em igualdade o balanço
energético.

Duas massas

que se chocam sobre uma reta com velocidades Va e Vb saem da


interação respectivamente com velocidades Va e Vb com base na
equação de conservação da quantidade de movimento, sempre válida, e
da energia mecânica (válida somente para choques elásticos).

no caso dos choques inelásticos vale apenas a primeira equação, que se


pode exprimir de forma simplificada, colocando
Obtendo a velocidade da equação de conservação da quantidade de
movimento, é possível calcular o valor de energia cinética dispersa na
colisão, que é a causa dos danos nos acidentes, quando a transformação
é rápida demais e a "transferência" às pessoas envolvidas é muito
elevada.
Os danos às pessoas podem também ser estimados com base nas forças
e nas pressões a que estão sujeitas durante os choques. A variação da
quantidade de movimento é de fato ligada à força da variação:

conhecida também como "teorema do impulso". é de fácil e imediata


percepção a periculosidade dos fenômenos que implicam em fortes
variações da quantidade de movimento em intervalos muito reduzidos.

CHOQUES INELÁSTICOS CASO POR CASO

A- Um carro em velocidade bate na traseira de um outro de igual


massa. Os dois carros passam a movimentar-se juntos. Metade da
energia cinética se transforma.
B- Um choque frontal entre dois carros. As velocidades são iguais em
módulo, mas de sentidos opostos. toda a energia cinética é "consumida"
na batida.
C- Um choque frontal de um carro com um caminhão. A velocidade de A
é igual a de B. Se o caminhão possui o triplo da massa do carro, os dois
veículos prosseguem colados com velocidade reduzida à metade no
sentido em que estava indo o caminhão. A energia cinética dispersa é
3/4 daquela total que havia anteriormente. D- Um veículo choca-se
contra um muro. Transforma-se toda a energia cinética. E- Dois veículos
chocam frontalmente. Se um, por exemplo, tem 3/2 da velocidade do
outro (ex.: 120 e 80 km/h), depois do choque continuam juntos a 1/4
da velocidade do segundo (20 km/h). A perda de energia cinética é
superior a 96%. Os choques entre veículos nos acidentes de trânsito são
"tendencialmente" inelásticos. alguns casos são aqui esquematizados,
levando em consideração a hipótese de que aconteçam em uma só
dimensão. Com o auxílio desta simplificação, considera-se isolado o
sistema constituído pelas massas dos veículos envolvidos. As condições
do movimento dos veículos são, assim, governadas pela lei de
conservação da quantidade de movimento. A energia mecânica
(cinética, nos casos em exame), ao contrário, não se conserva mas se
transforma, toda ou em parte, em energia térmica e de deformação,
cujos efeitos são na realidade sensivelmente diferentes daqueles aqui
representados. Estes efeitos podem ser observados depois de uma
colisão frontal entre dois carros, quando a carroceria toda empenada e
os gravíssimos danos aos passageiros dão uma idéia da sua incrível
potência.
SINTO A CABEÇA PESADA

Em velocidades "baixas" nos sentimos tranqüilos. Mas mesmo assim, se


acontecesse um acidente, a nossa cabeça seria submetida a forças
muito intensas, sendo que estas forças se tornariam cada vez mais
insuportáveis quanto mais breve fosse a duração do choque.

QUAL É A INTENSIDADE DAS FORÇAS


A QUE ESTÁ SUJEITO O MANEQUIM ?

Só um especialista é capaz de responder a esta pergunta. O carro da


fotografia, por exemplo, possuía, antes da batida, uma energia em
razão do movimento - a energia cinética - que depende tanto da massa
quanto da velocidade do veículo.
Depois do acidente, o carro está parado mas pela Lei da Conservação da
Energia, aquela energia cinética não desapareceu, mas se transformou.
O que devemos nos perguntar, é: em quê? Já que a carroceria se
deformou e o carro "virou uma sanfona", podemos perceber que uma
parte da energia foi "usada" para assumir esta nova forma, através do
trabalho das intensas forças de deformação e ruptura; uma outra parte
foi dispersa como energia térmica durante o processo de deformação, ao
mesmo tempo em que há aquecimento por atrito devido ao
deslizamento forçado das partes, umas sobre as outras, por isso que as
chapas da carroceria ficam quentes após um acidente. Por fim, a
"última" parte dessa energia dissipada atingiu o manequim, que ficou
danificado.

FONTE: PROGRAMA VOCÊ APITA

Você também pode gostar