Você está na página 1de 8

I​nstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de

Janeiro
Pós-Graduação em Linguagens Artísticas, Cultura e Educação
Disciplina: Literatura e Teatro (2019/2)
Docente: Ângela Coutinho

Trabalho de conclusão da disciplina

O trabalho que se inicia empreenderá análise sobre o filme francês, “​Une affair de
femmes”​ - que recebeu a tradução “​Assunto de Mulheres”​ , em português -, drama de 1988,
do diretor Claude Chabrol.
O filme, baseado em fatos verídicos, porém altamente ficcionalizado, conta a história
de Marie Latour, personagem inspirada na figura de Marie-Louise Giraud (1903 -1943), uma
das últimas mulheres a ser guilhotinada na França.
Giraud, a “tecedeira de anjos”, como ficou conhecida, foi condenada por operar mais
de 20 abortos, além de alugar quartos para prostitutas, crimes qualificados pela acusação
como atentados, não só contra a moral, mas também contra o Estado.
O filme se situa no contexto histórico do conflito conhecido como Segunda Guerra
Mundial1, mais especificamente, no período em que a França esteve ocupada pelos
alemães (1940-1944), momento delicado da história contemporânea do país2, menos por
causa da derrota e invasão frente às forças hitleristas, mas principalmente porque traz à
tona o regime de colaboração francês com os nazistas.
Em 1940, a França, após a derrota dos exércitos ​franco-britânicos, foi ocupada ao
norte de seu território pelos alemães. O armistício assinado após a rendição dividiu o país
em duas áreas: a parte ocidental, controlada pela Alemanha, e a oriental, administrada pelo
governo francês, com capital em Vichy. Apesar de ser considerada uma “zona livre”, o

1
Ocorrido entre 1939 e 1945, trata-se do confronto de escala global que se instala a partir do
expansionismo militarista alemão, baseado ideologicamente na noção de superioridade da raça
ariana e que opôs Aliados (​Reino Unido, França, União Soviética e Estados Unidos​) contra Eixo
(​Alemanha, Itália e Japão​). Disponível em:
<​https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/segunda-guerra-mundial.htm​> . Acesso
em: 23 outubro 2019.
2
Há apenas 4 anos o país tornou público os arquivos que tratam desse período de sua história. Para
maiores detalhes:
Disponível em:
<​https://veja.abril.com.br/mundo/franca-abre-os-arquivos-de-sua-colaboracao-com-a-alemanha-nazist
a/​>. Acesso em: 23 outubro 2019.
governo de Vichy se submetia a Berlim e ficou amplamente conhecido pela cooperação com
os nazistas.3
É então na França tomada pelas forças alemães que se desenrola a história da
personagem Marie Latour. A protagonista nos é apresentada na cena de abertura do filme
com uma criança a tiracolo - sua filha, Mouche - colhendo vegetais selvagens em um morro,
acompanhada de seu filho mais velho - Pierrot -, que chora e reclama por não gostar de
comer aquele alimento. Logo em seguida, Marie negocia com um agricultor o preço a ser
pago por uma pequena quantidade de batatas.
Vemos, portanto, que o diretor, fazendo tal escolha de condução da narrativa, opta
por nos informar primeiramente a condição social da personagem, enquadrando-a no
segmento social das classes populares - uma mulher de origem camponesa e pobre da
região da Normandia, norte da França.
Tendo conseguido recursos para alimentar seus dois filhos, Marie volta para a sua
casa, um cortiço, onde encontra, despedindo-se de um marinheiro, a vizinha, que elogia a
menina Mouche por sua beleza. Marie reage afirmando que a criança foi a única coisa boa
que fez na vida. Segue-se um longo take do menino Pierrot encarando em plano frontal a
câmera, como se fitasse a mãe - tal recurso narrativo e enquadramento de câmera se
repetem em diferentes outros momentos do filme. Ao entrar na casa, o filho interpela a mãe
a respeito de quando ele nasceu, se ela também havia ficado feliz, no que ela responde:
“Você é um menino. Fazer um menino já é grande coisa”.
Neste momento podemos perceber que a personagem, apesar de sua origem
humilde, compreende que está inserida em um mundo marcado pelo patriarcado, pois,
através de sua fala, podemos identificar que reconhece a existência de uma hierarquia de
gênero que coloca os homens em posição de superioridade em relação às mulheres.
Na cena seguinte, Marie encontra a vizinha mergulhada em um tonel cheio de uma
mistura de água com mostarda. A vizinha explica que estava grávida e que aquela era uma
tentativa de abortar o filho que carregava. O pai da criança, o marinheiro que partiria para a
Alemanha em 3 dias, não queria o bebê.
Em seguida, vemos a vizinha adentrar a casa de Marie, trazendo uma pedra de
sabão e um instrumento manual, bastante simples, usado para bombear líquidos. Após
esquentar uma panela cheia de água e cortar alguns pedaços de sabão dentro do
recipiente, Marie é questionada pela vizinha, que pergunta se ela já havia realizado aquele

3
​Alemanha ocupa a França de Vichy durante a Segunda Guerra Mundial. History Channel.
Disponível em:
<​https://br.historyplay.tv/hoje-na-historia/alemanha-ocupa-franca-de-vichy-durante-segunda-guerra-m
undial​> Acesso em: 23 outubro 2019.
tipo de procedimento anteriormente. Ela apenas responde que não parecia ser algo
complicado e que, ademais, ninguém nunca havia morrido por um pouco de água e sabão.
Acompanhamos então a protagonista realizar seu primeiro aborto. Ao final do processo,
Marie pede a vizinha para ficar com o pedaço de sabão que havia sobrado.
Temos notícia do resultado da operação quando a vizinha ​vai até a casa de Marie e,
chamando-a de “doutora”, a presenteia com uma vitrola portátil em agradecimento pelo
sucesso da empreendimento - o que a alegra largamente, pois Marie é amante da música,
aparece em diferentes cenas cantarolando a música “Fascinação” e tem o sonho de um dia
se tornar uma artista e cantar nos palcos.
Por ter sido comparada com alguém da área da medicina pela vizinha, Marie fica
claramente envaidecida. Podemos perceber que um certo sentimento de empoderamento
invade a personagem naquele momento - pouca mais a frente descobriremos que Marie é
analfabeta, quando seu marido, Paul, prisioneiro de guerra na Alemanha, retorna para casa.
Marie não demonstra qualquer sinal de felicidade em revê-lo.
Após seu retorno a família se senta à mesa para o jantar. O marido reclama da sopa
rala e ela lhe lembra que aqueles são tempos difíceis. Ao final da refeição, com as crianças
recolhidas para dormir, Paul lê uma carta apaixonada enviada a um amigo por sua esposa.
Esclarece que, momentos antes de morrer, o amigo havia lhe dado a carta, já que ele nunca
tinha recebido carta alguma. Questiona então a esposa pela ausência de contato, o que ela
justifica pelo fato de não saber escrever, e o marido responde que a esposa do amigo
também não sabia.
Em seguida, Paul busca iniciar atividade sexual com Marie, que se opõe à investida.
Irritado, ele se mostra agressivo, e ela avisa que não tem medo de apanhar - o que nos faz
inferir que possivelmente agressões físicas já tivessem ocorrido anteriormente.
Aqui vemos como a figura de Marie vai aos poucos se constituindo em dissonância
com os papéis sociais atribuídos às mulheres. Quando se nega diante da tentativa de
engajamento sexual do marido, reclama autonomia sobre o seu corpo, rompendo assim
com certo ordenamento de gênero que determina que, uma vez casada, a mulher deve se
submeter, inclusive sexualmente, diante das imposições do marido.
A narrativa se desenrola e, pouco depois de perder uma amiga, Rachel, levada
pelos nazistas pelo fato de ser judia, Marie faz uma nova amizade - Lulu - em um
cabeleireiro. Lulu aponta que elas não são iguais; apesar da origem pobre e camponesa de
ambas, diferem em um ponto: enquanto Marie é casada e tem filhos, Lulu é prostituta.
Marie fica incomodada em ser vista apenas como mãe e dona de casa, então
confessa a Lulu que pratica atos proibidos pela lei, referindo-se ao aborto, mesmo tendo
apenas feito a operação uma vez, na vizinha. Vemos aqui que a personagem deseja mais
do que o papel social tradicionalmente designado às mulheres; para ela não basta ser mãe,
esposa, dona de casa.
Tal entendimento se fortifica quando Marie é apresentada lavando a cueca borrada
de Paul. Ela reclama insatisfeita que há anos é a criada da casa, e o marido responde que
aquela função era exercida pela “maioria das mulheres”. Marie se exalta e diz que não quer
ser como elas.
Cabe dizer que, para a ideologia nazista, o lugar natural da mulher estava
essencialmente ligado ao seu papel de mãe e esposa. A elas se destinava o “mundo
pequeno” do lar, como sublinha Hitler em pronunciamento direcionado à Liga das Mulheres
Nazistas. Ele afirma que ​seu mundo “é seu marido, sua família, seus filhos e seu lar [...] a
providência confiou à mulher o cuidado daquele mundo que é seu próprio, e somente na
base deste mundo menor pode o mundo dos homens ser formado e construído.”
(MACHADO, 2018, p.4)​. Marie claramente não se enquadra nem deseja atender o ideal de
mulher defendido por tal ideologia.
Com o marido tendo sido empregado no cais da cidade, a família muda-se para uma
habitação melhor. Marie afirma que dormir os cinco na mesma cama era coisa de roça e,
como agora na nova casa cada criança tem sua cama, e um quarto separado dos pais,
Marie brinca chamando a filha de “burguesinha”. Vemos aí o desejo legítimo de melhoria
das condições materiais que Marie almeja para a família, mas trata-se de uma vontade de
ascensão baseada em um modelo de vida burguês.
Uma das ​motivações para a condução de abortos pela protagonista, de acordo com
o filme, é a questão financeira. ​Em dado momento Lulu afirma que a amiga, quanto mais
ganhava dinheiro, mais desejava acumular altas quantias. Acrescenta ainda que Marie
sabia como conseguir recursos pois, além de passar a praticar, mediante pagamento, os
procedimentos abortivos em mulheres na nova residência, Marie começa também a alugar
o quarto das crianças para que Lulu pudesse exercer a sua atividade.
É assim que Marie conhece Lucien, cliente de Lulu, seu futuro amante - que é um
colaboracionista do regime nazista, o que fica claro quando vemos o mesmo
confraternizando, bebendo e jogando sinuca com homens que trajavam o uniforme cinza do
exército alemão.
O amante não trata Marie com delicadeza. Quando, após um encontro sexual, Marie
afirma que ele não é romântico, Lucien responde apenas que é homem, como se houvesse
algum elemento de ordem biológica que o impediria, enquanto membro do sexo masculino,
de externar características tais como aquela.
As condições de Marie e sua família melhoram progressivamente. Logo mudam-se
para nova e melhor casa, contratam uma empregada que auxilia nas atividades domésticas
bem com nas atividades abortivas. Vemos também que Marie passa a investir na aparência,
a se vestir melhor e a passar maquiagem. Não usa mais os trapos que vestia nem traz a
aparência cansada como no início do filme.
Em um dos momentos mais marcantes da narrativa cinematográfica, Jasmine, mãe
de 6 filhos, busca os serviços de Marie que, com lágrima nos olhos, escuta o contundente
relato da cliente, que também chora:
[​...] Seis em sete anos de casamento. Seis vezes, durante nove meses,
com o corpo deformado. E sempre com um faminto agarrado no meu
peito. Eu me sinto como uma vaca. Tenho nojo de mim. Para falar a
verdade, eu não amo os meus filhos. Eu os suporto. Nunca os amei,
nem mesmo o primeiro. Levou 16 horas para nascer, me rasgando as
entranhas. Só me lembro de ter sido feliz em um verão. Eu tinha
dezesseis anos e um corpo bonito. Os homens me olhavam mas não
ousavam me tocar. O tempo não estava bonito naquele verão, mas eu
me sentia leve.

A reação emocionada de Marie nos permite inferir que outra motivação possível,
para além da financeira, poderia entrar em jogo para entendermos as práticas abortivas da
protagonista. Nesse momento, vemos que ela se identifica e se reconhece naquela mulher,
logo, é capaz de ser solidária e empática com a sua condição.
O relato de Jasmine funciona ainda para a desconstrução do entendimento
tradicional e expectativas conservadores os quais afirmam que as mulheres carregam,
devido a determinações biológicas, o desejo e a disposição para a maternidade. Sendo
assim, todas, sem exceção, estão naturalmente vocacionadas para o papel de mãe e
cuidadora da família.
Ao sair da casa de Marie, Jasmine questiona como ela faz com seu marido, que
responde dormir com ele o mínimo possível. Jasmine replica que seu esposo não aceitaria
tal negativa. Podemos contrapor essa fala com seu discurso anterior, quando relembra a
adolescência e salienta que os homens podiam apenas olhar mas não tocar seu corpo sem
o seu consentimento. Uma vez casada, ela perde o poder de decidir quando seu corpo será
tocado e precisa estar sempre disponível, mesmo quando não deseja.
Após o procedimento, Marie recebe a visita da cunhada de Jasmine, que a informa
sobre a morte da mesma e o suicídio do marido, que não suportou a perda e o peso de
cuidar dos seis filhos. Vemos pela primeira vez a inserção do aborto exposto sob o ponto de
vista da questão moral, quando a cunhada, cristã, afirma que os bebês na barriga da mãe
têm alma.
Os encontros entre Marie e Lucien se tornam cada vez mais frequentes, até o dia
em que seu marido, há tempos já desconfiado que sua mulher o traía, flagra os dois
dormindo juntos na cama do casal. Calmamente, Paul se direciona para o quarto dos filhos
e começa a escrever uma carta anônima de denúncia à polícia, contando sobre as
atividades ilegais da mulher. Marie então é presa.
Na prisão, freiras são as carcereiras que vigiam as internas, o que aponta para um
alinhamento entre Igreja e Estado. Quando seu advogado a informa que será levada para
julgamento no Tribunal de Estado, em Paris, Marie não compreende bem a situação.
Acredita que tal instância do judiciário tratava apenas dos comunistas. O advogado explica
que, desde a ocupação nazista, o Estado havia se tornada mais rígido em relação às
questões morais, de maneira que o que fosse considerado contra a moral, era entendido
também como crime contra o Estado.
A ideologia nazista tinha um caráter pró-natalista e, inclusive, o regime chegou a
elaborar condecorações para mães com mais de quatro filhos, além de proibir propagandas
de métodos contraceptivos. (PINSK, 2018. p.2). Assim, a mulher era enxergada como mãe
da Nação, e Marie, a “assassina de crianças”, com suas práticas, privava a pátria de seus
filhos. Logo, seus crimes contrariavam os interesses da sociedade e do Estado e, ​nesse
contexto, o intuito era que a figura de Marie fosse usada como exemplo.
Antes da invasão alemã o aborto era considerado um crime menor e, no máximo,
renderia algum tempo na prisão. ​Marie demonstra certa inocência sobre a gravidade de sua
situação em diferentes momentos. No entanto, explicita clareza quando afirma que aqueles
que decidiriam o seu caso eram todos homens e, enquanto homens, como eles poderiam
compreender toda a situação, se aquele era um assunto de mulheres?
Ao receber a pena de morte, uma de suas companheiras de cela lhe dá um cordão
com uma medalha de primeira comunhão. Momentos antes de ser guilhotinada, Marie é
levada para um cela fria, onde é deixada sozinha. Ela prende o cordão no pescoço e inicia
uma oração que, num primeiro momento, o espectador acredita que é a Ave Maria: “Eu vos
saúdo, Maria. Cheia de merda. O fruto de vossas entranhas é podre…”, e arranca com
violência o cordão de seu pescoço, antecipando o movimento da guilhotina que virá a
seguir.
Ao longo do filme não é possível identificar a personagem cujo ponto de vista
conduz a história. Somente nos momentos finais do filme, o filho de Marie, já adulto, surge
como narrador, nos informando sobre como descobriu a respeito da execução de sua mãe e
o significado e consequências que aquele evento geraram em sua vida. Nesse momento é
possível compreender, em retrospectiva, as longas tomadas que nos mostram Pierrot, o
filho mais velho de Marie, encarando a mãe - o que, de acordo com Hewitt (1997), marca
um olhar masculino determinante para o desenvolvimento da narrativa.
O advogado de Marie, em conversa com outro homem da lei, argumenta a hipocrisia
do Estado nazista ao condenar um mulher pela prática do aborto enquanto assassinavam
milhares de crianças judias. É amplamente conhecido o genocídio de populações
consideradas inferiores, étnica e culturalmente, pelos nazistas, como judeus, ciganos,
eslavos, negros e outros grupos que poderiam degenerar o “corpo racial” do povo alemão.
(PINSK, 2018, p.2)
Além do holocausto empreendido, o regime hitlerista, ao passo que criava e
incrementava uma legislação e sanções para as práticas abortivas, legalizou esterilizações
forçadas com base na noção de eugenia. (MACHADO, 2018, p.32).

(...) 200.000 mulheres foram esterilizadas na Alemanha (...) O


caso delas, como de qualquer das outras tantas vítimas do
mesmo regime, revela um outro aspecto da “biologia” racista e
sexista [...] uma perspectiva de mudança social através de certas
intervenções “biológicas”. (...) o fato de que cerca de 5000
mulheres morreram em razão da esterilização forçada (...) Foi sim
o resultado da relação de poder entre os protagonistas (quase
todos homens) do racismo nazista e suas vítimas, cuja metade
era formada por mulheres. (BOCK, 1988, p. 33, apud PINSK,
2018, p.2)

O lema do regime, assentado em bases conservadores, era “trabalho, família e


pátria”. Marie, segundo esse entendimento, trabalhava com um serviço considerado odioso,
que destruía famílias e retirava do Estado as crianças que dariam continuidade a nação.
Desejava ter poder de resolução sobre seu destino, assim, se opunha também ao “papel
natural” da mulher do lar, mãe, cuidadora da família. De todas as formas, portanto, se
opunha aos pilares do regime.
Marie, no entanto, não é retratada nem como heroína, nem como mulher egoísta ou
oportunista. A protagonista é construída como uma personagem extremamente humana.
Por vezes nos ressentimos de suas ações, em outros momentos, nos solidarizamos com
ela. O fato é que, e​m um mundo amplamente marcado pelo patriarcado, machismo e
misoginia, as mulheres que ousavam se contrapor aos papéis sociais impostos e
naturalizados, muitos dos quais prevalecem ainda atualmente, poderiam ter destino trágico,
como o de Marie.
Em tempos de “meu corpo minhas regras”, as mulheres ainda reivindicam autonomia
para que aquelas questões que atravessam as suas vidas e que oferecem implicações
diretas sobre as suas experiências no mundo sejam enfim, de fato, um assunto
protagonizado e decidido por mulheres - o que nos permite afirmar que, mesmo décadas
após a história que inspirou o filme, o debate que provoca é ainda pertinente para
pensarmos temas relevantes na contemporaneidade.

Referências Bibliográficas:
MACHADO, Yasmim. Os valores tradicionais da nova mulher ariana: o lugar da mulher
alemã no terceiro reich. ​Anais do Encontro Nacional e XVIII Encontro de História da Anpuh:
História e Parcerias.​ Rio de Janeiro. 2018. Disponível em:
<​https://www.encontro2018.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1521352286_ARQUIVO_OSVAL
ORESTRADICIONAISDANOVAMULHERARIANA-YASMINTRINDADEMACHADO.pdf​>
Acesso em 24 out. 2019.

HOWTHORNE; Golsan. ​Gender and fascism in modern France​. Dartmouth College, USA,
University Press of New England, 1997. Disponível em:
<​https://books.google.com.br/books?id=uzu80AObSv0C&pg=PA1&lpg=PA1&dq=gender+an
d+fascism+hawthorne&source=bl&ots=Z109ZwYSzN&sig=ACfU3U3L8_glo6Ml4-_h3Lk8IgV
Tt0oABA&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwiwo_WBrrXlAhWMD7kGHSEtDpQQ6AEwDnoEC
AsQAQ#v=onepage&q=gender%20and%20fascism%20hawthorne&f=false​>. Acesso em 24
out. 2019.

PINSKY, Carla. Nazismo, gênero e as crianças da “raça superior”. ​Revista Estudos


Feministas​. vol.26 no.2, Florianópolis, 2018, Epub. June 11, 2018. Disponível em:
<​http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2018000200803​>
Acesso em 24 out. 2019.