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Marco Túlio
Aula 03: Curso de História para Enem 2020

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A Civilização
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Feudal

Curso de História para ENEM 2020

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Sumário

1. Considerações iniciais ....................................................................................................................... 3


2. A sociedade feudal ............................................................................................................................ 4
A mulher na Idade Média ..................................................................................................................... 5
Os excluídos .......................................................................................................................................... 5
2.1. As relações feudo-vassálicas .......................................................................................................... 6
Símbolos e valores da nobreza ............................................................................................................. 8
2.2. As relações de senhorio ................................................................................................................. 9
2.3. A Igreja na Idade Média ............................................................................................................... 10
A reforma gregoriana e as novas ordens seculares ............................................................................ 13
As Cruzadas ......................................................................................................................................... 14
3. os progressos agrícolas ................................................................................................................... 16
4. A dinâmica comercial e as cidades ................................................................................................. 16
5. A cultura na Baixa Idade Média ...................................................................................................... 21
O surgimento das universidades e a formação do humanismo ......................................................... 21
A arquitetura a serviço da Igreja......................................................................................................... 22
6. A crise do século XIV ....................................................................................................................... 23
A Peste Negra ...................................................................................................................................... 24
A Guerra dos Cem Anos (1337-1543) ................................................................................................. 25
7. Questões de vestibulares ................................................................................................................ 26
7.1. ENEM ............................................................................................................................................ 26
7.2. Outros vestibulares ...................................................................................................................... 28
8. Gabarito .......................................................................................................................................... 45
8.1. ENEM ............................................................................................................................................ 45
8.2. Outros vestibulares ...................................................................................................................... 45
9. Questões comentadas .................................................................................................................... 45
9.1. ENEM ............................................................................................................................................ 45
9.2. Outros vestibulares ...................................................................................................................... 49
10. Considerações finais ..................................................................................................................... 78
11. Referências.................................................................................................................................... 78

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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Na definição de Jacques Le Goff (1984, p. 29), um dos maiores especialistas em História
Medieval, o feudalismo seria:

Um sistema de organização econômica, social e política baseada nos vínculos de homem a homem,
no qual uma classe de guerreiros especializados – os senhores –, subordinados uns aos outros por
uma hierarquia e vínculos de dependência, domina uma massa campesina que explora a terra e lhes
fornece com que viver.

Repare que o autor menciona três elementos que vimos em capítulos anteriores: o colonato,
relação de produção que surge no século III, no Império Romano, na qual trabalhadores livres se
estabeleceram como colonos em grandes propriedades, recebendo em troca proteção e condições
de subsistência; e o comitatus, tradição germânica estabelecida entre chefes militares e seus
guerreiros, na qual se firmavam laços de fidelidade acompanhados de obrigações mútuas. Outra
prática de origem germânica identificável no trecho acima é o beneficius, concessão do direito de
uso da terra em troca de serviços e tributos.
Assim sendo, podemos dizer que o feudalismo, sistema de produção implantado na Europa
Ocidental por volta do século X, derivou da continuidade e fusão de tradições romanas (colonato) e
germânicas (comitatus e beneficius). Ele se consolida a partir do processo de desagregação do
Império Carolíngio, no momento em que a Europa Ocidental foi assolada por ataques de vikings,
sarracenos (árabes) e magiares1. Segundo o historiador Perry Anderson (1989, p. 136), foi nas
últimas décadas deste mesmo século em que o termo feudo (feudum) começou a ser utilizado.

COMITATUS

COLONATO BENEFICIUS

FEUDALISMO

1
Grupo étnico oriundo dos montes Urais, também conhecido como húngaros.

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Deu pra ver que o feudalismo não foi implantado na Europa Ocidental da noite para o dia, não é
mesmo? Pois saiba que além de ter sido um sistema de produção implantado lentamente, ele
também não apresentou as mesmas características em todas as regiões, afinal cada uma delas
contava com suas especificidades políticas, econômicas e sociais. No geral, tomamos o norte da
França como ponto de partida para o estudo do feudalismo europeu, pois como vimos, é a partir da
derrocada do Império Carolíngio que ele começa a se espalhar pela Europa. Por fim, cabe relembrar
que a civilização feudal coexistiu com as civilizações bizantina e do Islã vistas no capítulo anterior,
que diferentemente da primeira, apresentam estruturas de poder centralizadas – seja nos basileus,
no caso bizantino, seja nos califados, nos territórios islamizados. Além disso, as duas civilizações
orientais do Mediterrâneo também foram marcadas por centros comerciais dinâmicos, o que não
se verifica no ocidente europeu até os séculos finais da Baixa Idade Média.

2. A SOCIEDADE FEUDAL
A sociedade feudal era de tipo estamental, ou seja, com pouquíssima mobilidade de uma
classe para outra, e a posição dos indivíduos era definida pelo nascimento. Assim sendo, aqueles
que nasciam nobres, morriam nobres ; enquanto aqueles que nasciam camponeses, permaneciam
nessa condição até o fim da vida. Podemos situar os homens do medievo em três estratos sociais:

Composto pelos membros da


Clero Igreja, eram os responsáveis pela
ORATORES ligação do mundo divino com o
mundo terreno.
Nobreza Classe composta por senhores
BELLATORES feudais e cavaleiros, era
encarregada da proteção dos
demais grupos.
Servos e camponeses
Responsáveis pelo trabalho que
LABORATORES
sustenta toda a sociedade feudal.

Os membros do clero originalmente pertenciam às demais classes, com a maioria dos


membros do Alto Clero, ou seja, abades, bispos, cardeais e papas, vindos da nobreza; enquanto
simples monges e padres do Baixo Clero poderiam ser egressos de famílias de laboratores. Cabe
destacar que o fato dos grandes dignatários da Igreja serem de origem nobre nem sempre favorecia

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alianças entre os dois grupos mais poderosos da pirâmide social, ao contrário: em muitos momentos
da Idade Média, ambos disputaram pelo controle das terras e direitos senhoriais.
Para finalizar, cabe destacar que não há entre os historiadores uma convenção para
representar os estratos sociais descritos acima. Em alguns esquemas, clérigos e nobres são
colocados no mesmo nível, em outros, a nobreza é colocada acima do clero. Contudo, o mais
importante é que você compreenda o papel desempenhado por cada um desses estratos sociais.

A mulher na Idade Média


Pelo fato de ser responsável pelo pecado original,
a mulher era considerada pecadora em potencial e fonte
das tentações que assolavam os homens medievais.
Corriqueiramente eram categorizadas a partir dos
seguintes modelos femininos:
❑ O primeiro deles era o de Eva, da qual todas as
mulheres seriam descendentes. Na visão da
Igreja, cada mulher carregava consigo o pecado
original, aquele que resultou na expulsão de
Adão e Eva do Paraíso e condenou a humanidade.
Contudo, enquanto os homens eram governados
pela razão e espiritualidade, prevalecia nas
mulheres sua porção animalesca.
❑ O segundo modelo é o de Maria Madalena,
pecadora como todas as mulheres, mas que serve Figura 1 - As sibilas e os profetas prenunciando Cristo, o
ao seu senhor, Jesus Cristo, com devoção e temor. Salvador, manuscrito criado por volta de 1490 e 1500.
❑ O terceiro modelo era o da Virgem Maria, que Biblioteca Estadual da Baviera.

representava simultaneamente a maternidade e


a castidade: "Que a mulher imite a Virgem Maria,
que não saía de casa para tagarelar por todo lado,
para trazer de olho os belos senhores e dar
ouvidos às vaidades. Não, ela permanecia
encerrada, fechada, no segredo de uma casa,
como se deve" (DUBY, 2009, p. 290).
Na concepção das autoridades religiosas, a melhor forma de frear as paixões das mulheres e
aproximá-las do modelo ideal era torná-las esposas – seja de Cristo, reclusas nos conventos, ou dos
homens, que atuariam como seus mestres.

Os excluídos
Na Idade Média ocidental, um vasto número de categorias sociais era marginalizado pela
sociedade feudal. Vejamos as mais importantes:
❑ Heréticos (ou hereges) → Categoria que envolvia defensores de ideias e comportamentos
proibidos pela Igreja, chamados de heresias. Em muitos casos, estes indivíduos se viam como
cristãos, mas defendiam pontos de vista que divergiam da doutrina oficial do catolicismo, e
por isso eram perseguidos.

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❑ Feiticeiros → A feitiçaria era uma das formas utilizadas pelo homem na Idade Média para
justificar as catástrofes naturais e sociais. Assim sendo, a destruição de colheitas, a morte do
gado e a disseminação de doenças poderiam ser considerados fenômenos gerados pelo
Diabo, seus demônios e seus “cúmplices” na Terra – os feiticeiros e as feiticeiras.
❑ Judeus → Eram chamados de usurários quando viviam de empréstimos visando lucro, algo
condenado pela Igreja. Em diversos momentos, eles foram acusados de promoverem rituais
macabros, espalhar a peste e promover outras calamidades que assolavam a sociedade. Entre
os séculos XI e XIII, o ódio aos judeus aumenta consideravelmente, sendo muitos deles
exterminados em muitas partes do continente.
❑ Homossexuais → chamados à época de “sodomitas”, a perseguição a esta categoria não era
tão forte caso pertencessem as camadas mais destacadas da sociedade feudal.
❑ Leprosos → Nome dado aos portadores da doença que hoje conhecida como hanseníase.
Essa era uma das categorias mais rejeitadas, em muitos locais eram confinados nos
leprosários, e só poderiam aparecer em público agitando matracas, sinos ou outros
instrumentos sonoros, a fim de anunciarem antecipadamente sua presença.

Os doentes no ocidente feudal


Os doentes, sobretudo os aleijados e estropiados, eram [...] excluídos. Neste mundo em
que a doença e a deficiência física eram tidas por sinais exteriores do pecado, os que
delas sofressem eram malditos para Deus, e, assim, malditos para os homens. A Igreja
acolhia provisoriamente alguns e alimentava esporadicamente outros – nos dias de festa.
Os demais tinham como único recurso a mendicidade2 e a errância3. Na Idade Média,
pobre, doente e vagabundo eram quase sinônimos.
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984. p. 321.

2.1. AS RELAÇÕES FEUDO-VASSÁLICAS


O declínio do Império Carolíngio deu início a um processo de descentralização política, ou
seja, o rei progressivamente teve seus poderes diminuídos a partir do século IX. Isso decorreu da
forma como Carlos Magno e seus sucessores buscaram estabelecer sua autoridade sobre um grande
território, repartindo-o em condados, marcos e ducados. Contudo, conforme os condes, marqueses
e duques também dividiam seus territórios entre nobres de sua confiança, e esses com outros, a
autoridade real se fez cada vez menos presente na Europa central com o passar do tempo.
Podemos dizer que politicamente a civilização feudal foi marcada pelas relações feudo-
vassálicas, contratos de fidelidade estabelecidos entre membros da nobreza nos quais aquele que
concedia um feudo, ou seja, cedia direitos para outro nobre, era chamado de suserano, e aquele
que os recebia, era conhecido como vassalo.
O feudo poderia ser o direito de cobrança de algum tributo ou de cunhar moedas, mas como
estamos falando de uma sociedade extremamente ruralizada, quase sempre o suserano oferecia
terras aos seus vassalos em troca de fidelidade e apoio militar em tempos de guerra. Vale lembrar

2
Condição de quem mendiga.
3
Que anda sem destino.

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que neste período a Europa foi tomada por invasões de vikings e magiares, daí a necessidade dos
nobres firmarem acordos militares entre si. Mesmo após a incorporação desses povos no
continente, as constantes guerras travadas entre membros da nobreza fizeram com que esses
contratos continuassem a ocorrer. Ao receber a terra de um suserano, o vassalo também poderia
conceder porções dela para outros nobres, o que o tornava suserano desses últimos. Isso não
significa dizer que cada vassalo tinha que prestar obrigações ao suserano de seu suserano, sendo
sua relação estritamente com aquele que lhe concedia o feudo.

Nobre VASSALO
A DO

SUSER Nobre BDO VASSALO


ANO DO

SUSER Nobre C
ANO DO

Tomando como base o esquema acima, suponhamos que o nobre “A” seja o rei. Trata-se do
maior suserano na sociedade feudal, afinal é ele quem dá início aos contratos feudo-vassálicos, não
sendo vassalo de ninguém. Já o nobre “B” é vassalo de “A”, e, ao conceder um feudo para “C”,
também se torna suserano. Por fim, ainda que “C” reconheça “A” como rei do território no qual se
encontra, ele deve fidelidade somente àquele que lhe garantiu o feudo. Contudo, nada impediria
que ele também ser tornasse vassalo de outro nobre, a fim de obter terras ou outras concessões.
Dessa forma, no fim do século XI e durante o século XII, na medida em que se desenvolvem
as relações feudo-vassálicas, o rei progressivamente perdeu seus poderes políticos, econômicos,
fiscais e jurídicos, a ponto de se tornar uma figura simbólica na sociedade feudal.

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A cerimônia de vassalagem
A relação vassálica é instituída por um ritual, a homenagem, que, em sua forma clássica,
parece característica, sobretudo, das regiões ao norte do Loire. Pode-se decompô-la em três
partes principais. A homenagem propriamente dita consiste em um engajamento verbal do
vassalo, que se declara homem do senhor (este gesto, que exprime claramente uma relação
hierárquica na qual a proteção corresponde à fidelidade, é tão importante na sociedade feudal
que transforma as modalidades da prece cristã, que não se realiza mais à moda antiga com os
braços separados e as mãos elevadas para o céu, mas como as mãos juntas, sugerindo, assim,
uma relação de tipo feudal entre o cristão, o fiel, e Deus, o Senhor). A segunda parte do ritual,
denominada fidelidade, consiste em um juramento, prestado sobre a Bíblia, e um beijo entre
vassalo e senhor, por vezes na mão, mas como mais frequência na boca (osculum), segundo um
uso corrente na Idade Média. Finalmente, ocorre a investidura do feudo, expressa ritualmente
pela entrega de um objeto simbólico, tal como um punhado de terra, um bastão, um galho ou
um ramo de palha.

BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano 1000 à colonização da América. São Paulo: Globo, 2006. p. 123.

Símbolos e valores da nobreza


A nobreza da Idade Média foi formada a
partir da fusão de famílias patrícias romanas e
chefes de guerra germânicos, cujos
descendentes integraram a administração do
Império carolíngio tempos depois.
Por volta do século XII, os nobres
passaram a incorporar em seu círculo de convívio
os milites, guerreiros que prestavam serviços
para seus castelos e que recebiam terras como
recompensa. Devido a este processo, pouco a
pouco a cavalaria torna-se uma atividade
exclusiva da nobreza, exercida sobretudo nas
guerras e nos torneios.
Cabe destacar que a nobreza considera a
guerra como a atividade definidora de sua posição Figura 2 - Iluminura do épico alemão Parzival, século XIII. Fonte:
Biblioteca Estatal da Baviera. Disponível em:
na sociedade, o que torna a Idade Média um <https://www.wdl.org/pt/item/4100/#additional_subjects=Illumination
período repleto de conflitos privados travados s&institution=bavarian-state-library>. Acesso em: 09 jul. 2019.
entre senhores. Com isso, verifica-se a
necessidade de se firmarem contratos feudo-vassálicos entre membros da nobreza, enquanto
camponeses se submetem às relações de senhorio em troca de proteção.

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Já os torneios eram competições travadas entre equipe de cavaleiros, cujo objetivo era
derrubar o oponente de seu cavalo, e, se possível, aprisioná-lo até que fosse pago o seu resgate. A
recompensa para aqueles que vencessem as disputas poderia ser uma vasta quantia em dinheiro,
ou mesmo o casamento com uma dama de grande destaque social.
Entre os séculos XI e XIV, uma nova sensibilidade surgiu entre os nobres da Europa
feudal: o amor cortês. Tidos como diferentes dos relacionamentos vulgares dos camponeses, o
cavaleiro apaixonado, da mesma forma que deve transparecer sua fidelidade a um suserano,
também se mostra vassalo de uma senhora quase inatingível, devendo seguir uma série de regras
para cortejá-la.

Regras do jogo do amor cortês


❖ Submissão absoluta à dama.
❖ Vassalagem humilde e paciente.
❖ Promessa de honrar e servir a dama com
fidelidade.
❖ Prudência para não abalara reputação da dama,
sendo o cavaleiro, por essa razão, proibido de falar
diretamente dos sentimentos que tem por ela.
❖ A amada é vista como a mais bela de todas as
mulheres.
❖ Pela amada o trovador despreza todos os títulos,
as riquezas e a posse de todos os impérios.
Figura 3 - Iluminura do manuscrito Tristão e Isolda, sec. XIII.
Biblioteca Estadual da Baviera.
Disponível em:
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar.
<https://www.wdl.org/pt/item/18407/#q=iluminura+amor& Português: linguagens: volume I. 4ªed. São Paulo: Atual, 2004. p. 83.
qla=pt>. Acesso em: 20 mar. 2019.

Torneios, guerras, castelos e caçadas. Todos esses elementos fazem parte do mundo da
nobreza, impondo distinções desta classe das demais existentes na sociedade feudal. Mas ser nobre
também significava seguir um código de valores, seja na guerra (ética cavaleiresca), seja nos
romances alimentados nos palácios (amor cortês). Os cavaleiros deveriam ser fortes, corajosos e
hábeis nas batalhas, mas humildes vassalos das inalcançáveis damas da corte.

2.2. AS RELAÇÕES DE SENHORIO

Além dos contratos feudo-vassálicos, estabelecidos entre nobres, outra relação importante
na Idade Média foi o senhorio (ou dominium), essa firmada entre nobres e os habitantes das vilas –
os vilões – que vivem em seus domínios. Contudo, enquanto a primeira era uma relação político-
militar, esta é uma relação econômica que predominou durante a existência da civilização feudal.
O senhorio pode ser dividido em três partes:

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❖ reserva senhorial → Porção onde se encontrava as terras mais férteis, celeiros, estábulos,
moinhos e bosques. É também onde se localiza o castelo, morada do senhor e refúgio dos
vilões em caso de ataques.
❖ manso servil → pequenos lotes de terra explorados por famílias de camponeses, que em
troca prestavam uma série de obrigações ao senhor.
❖ terras comunais → áreas de pastagem e pequenos bosques de uso comum entre senhores e
camponeses. Nela os primeiros praticavam a caça, atividade exclusiva da nobreza, enquanto
os segundos retiravam lenha.
Os rendimentos do senhor vinham da tributação do trabalho dos camponeses. Vejamos
algumas das obrigações mais comuns impostas pelos senhores à época:

Corveia → Trabalho gratuito executado pelos camponeses na reserva senhorial, geralmente por três
dias da semana.
Talha → Taxa cobrada pelo senhor para garantir proteção militar aos vilões.
Banalidades → A utilização de instrumentos como moinho ou forno, pertencentes ao senhor,
deveria ser paga pelos camponeses com parte de sua produção.

A tributação dos trabalhadores variava de acordo com o tamanho das propriedades e dos
vínculos estabelecidos junto ao senhor feudal. Vale destacar que a escravidão, em declínio desde o
final do Império Romano, continuou a existir em algumas regiões da Europa, ainda que de maneira
reduzida. Em número bem mais expressivo havia os servos, que não eram considerados
propriedades de seus senhores, mas se encontravam vinculados a terra por uma série de obrigações
e tributos como os que mencionamos logo acima. Por fim, há também os trabalhadores livres, que
aumentam consideravelmente no cenário feudal a partir do século XII.
A exploração da mão de obra camponesa tendia a autossuficiência, ou seja, o senhorio não
buscava obter lucro do trabalho desempenhado em seus domínios, mas suprir sua necessidade de
alimentos, roupas, armas etc. Com este caráter local da vida econômica, o grande comércio
praticado nos centros urbanos entrou em declínio durante boa parte da Idade Média na Europa
Central, embora as cidades e as trocas comerciais jamais deixassem de existir nessa sociedade
ruralizada.

2.3. A IGREJA NA IDADE MÉDIA


Como a Igreja se tornou a maior instituição de todo o ocidente medieval? Para responder
essa pergunta, é preciso que retornemos ao processo de desagregação do Império Romano do
Ocidente, quando os desígnios dos imperadores passaram a ser cada vez menos sentidos ao longo
do território. A dificuldade de Roma manter uma imensa estrutura administrativa fez com que o
bispo se tornasse a principal autoridade política e religiosa das cidades, graças a instituição de algo
até então existente no cristianismo: o culto aos santos.

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São considerados santos pela Igreja católica aqueles indivíduos que ao longo de sua vida
apresentaram grande proximidade com Deus. No século V, cada diocese – região administrada por
um bispo – passou a dispor de santos padroeiros, muitos deles mártires da época da perseguição
aos cristãos promovida pelo Império Romano. Associados a diversos milagres, os túmulos destes
indivíduos tornam-se locais de peregrinação de fiéis, e seus restos mortais, relíquias sagradas.
Ainda neste período, enquanto as cidades tornavam-se centros de devoção aos santos e
reforçavam o prestígio dos bispados, alguns cristãos acreditavam ser necessário o isolamento do
mundo para se livrarem do pecado. Surgem então as comunidades monásticas, nas quais os seus
membros, chamados de monges, passam a viver de maneira regrada em locais reclusos no seu
interior – os mosteiros.
Algumas dessas ordens eram exclusivamente femininas, e em muitos casos garantiam alguma
qualidade de vida e atividades intelectuais às suas participantes, mesmo aquelas que não vinham
de famílias nobres. Veja o que nos diz a historiadora Regine Pernoud (1977, p. 95-99):

Certas mulheres (que nada indicava, particularmente pelas famílias ou pelo nascimento, pois
vinham, como diríamos hoje, de todas as camadas sociais, desfrutaram na Igreja, e devido à
sua função na Igreja, dum extraordinário poder na Idade Média. Algumas abadessas eram
autênticos senhores feudais, cujo poder era respeitado de modo igual ao dos outros senhores;
algumas usavam báculo, como o bispo; administravam muitas vezes vastos territórios com
aldeias, paróquias [...].
As religiosas são mulheres instruídas; aliás, entrar no convento é uma via normal para aquelas
que querem desenvolver os seus conhecimentos para além do nível corrente [...]. O estatuto
da mulher na Igreja é exatamente o mesmo que na sociedade civil, e que, pouco a pouco, lhe
foi retirado, depois da Idade Média, tudo o que lhe podia conferir alguma autonomia, alguma
independência, alguma instrução [...]. Os conventos deixam, pouco a pouco, de ser esses
centros de estudo que eram [...].

Um dos grandes representantes do monasticismo foi


São Bento, autor do princípio ora et labora (reza e trabalha),
que estipula aos monges a conciliação de orações e
produções intelectuais em sua rotina. Com isso, os
mosteiros se tornam grandes centros de estudo,
destacando-se a atividade dos monges copistas, dedicados
a tradução de obras greco-romanas e a copiarem as
Sagradas Escrituras.
Se estabelecendo nas cidades, sedes das dioceses, e
pelos campos, por meio dos monastérios, a Igreja se
expandiu por boa parte do continente europeu. Sua Figura 4 - Iluminura contida na Bíblia dos pobres,
consolidação também foi favorecida pelas relações produzida por volta de 1414 e 1415. Biblioteca Estadual da
Baviera.
estabelecidas com o Império Carolíngio, que como vimos,
incentivou a organização de monastérios e a construção de
templos religiosos, além de tornar obrigatório o dízimo,
imposto que garantiu o sustento dos clérigos.

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Dessa forma, a Igreja se tornou a maior instituição do ocidente medieval, chegando a dispor
de algo em torno de um quarto e um terço das terras do continente europeu. Isso quer dizer que as
autoridades da Igreja – fossem eles bispos ou monges – se comportavam como poderosos senhores
feudais, detentores não somente do poder espiritual, mas também de um enorme poder temporal
– ou político – exercido pelos papas em Roma e pelos bispos nas dioceses.

Carnaval, entre o paganismo e o cristianismo


Por volta de 500, o cristianismo já havia conseguido grande penetração nas cidades, mas as crenças
e tradições pagãs permaneciam na sociedade medieval, sobretudo no campo. Não por acaso, a palavra
pagão vem do latim paganus, que se refere ao homem do pagus – ou seja, o camponês.
A Igreja não negava a existência de outros deuses cultuados, mas estes eram considerados demônios,
e devido a isso, caçados. Templos e altares em homenagem a outras entidades foram destruídos, e
muitos pagãos exorcizados ou batizados.
Mas a perseguição não foi a única estratégia adotada pelo cristianismo. Diversos elementos pagãos
foram incorporados e reformulados pela Igreja com o intuito de conquistar novos fiéis, incluindo as
festas. Um exemplo disso que conhecemos melhor é o carnaval, a celebração brasileira mais conhecida
no mundo, mas com origens que remontam a Antiguidade.
Chamada em latim de “carne vale” (ou “carne levare”), tempo no qual é permitido comer carne, o
carnaval foi inserido pelo calendário cristão antes da Quaresma, sendo exigindo dos fiéis o jejum da
Quarta-feira de Cinzas até a Páscoa, quando é rememorada a ressurreição de Cristo. Com isso, o
carnaval torna-se a festa na qual eram toleradas certas transgressões, em especial os pecados da gula
e luxúria, mas após o seu fim, cabia aos cristãos a purificação do corpo e espírito para que fosse
celebrada a morte e a ressurreição de Jesus. De maneira simbólica, a Igreja mostrava que as tradições
pagãs até poderiam ser fortes, mas no fim das contas, eram derrotadas pelo cristianismo.
Viu só? Não é de hoje que o carnaval é considerado a festa dos prazeres em excesso. Então da
próxima vez que ver alguém mais velho dizer “no meu tempo não tinha essa pouca vergonha”,
desconfie!

Figura 5 - Hieronymus Bosch, A luta entre o carnaval e a quaresma, 1510. Fonte: Memory of Netherlands.

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Podemos dividir os clérigos da Idade Média em dois grupos:


→ o clero regular, no qual se incluem os monges, que viviam isolados e sob regras bem definidas.
Possuem maior força entre os séculos V e XII;
→ o clero secular, composto pelos membros da Igreja que atuavam junto à sociedade, seja nas
cidades ou nas aldeias campestres. A partir do século XIII, assumem um papel mais destacado que
o dos monges.

Para um bom entendimento do poder espiritual detido pela Igreja, convém relembrarmos
que a circulação de textos sagrados era restrita durante boa parte do período medieval,
primeiramente porque eles geralmente eram escritos em latim, língua falada basicamente pelo
clero. Ademais, a capacidade de leitura e escrita, mesmo em outras línguas, era de exclusividade
dos membros da Igreja, o que permitiu ao clero tornar-se o único porta-voz da palavra de Deus.

A reforma gregoriana e as novas ordens seculares


Apesar da consolidação da Igreja ter ocorrido por meio das aproximações com o poder
temporal – ou seja, aquele exercido pelos governantes políticos –, os clérigos tinham sua autoridade
constantemente ameaçada perante a interferência de reis, imperadores e nobres em assuntos como
a nomeação de padres e bispos e a administração dos bens da Igreja. Isso foi decisivo para o Grande
Cisma em 1054, quando o cesaropapismo bizantino foi rechaçado por Roma.
O fim da intervenção do poder temporal no poder espiritual era uma das grandes
preocupações das chamadas reformas gregorianas, conjunto de medidas implementadas pela Igreja
entre 1054 e 1215. Contudo, outras duas questões consideradas danosas foram contempladas: a
proibição da posse ilícita de objetos sagrados, chamada de simonia, e do casamento dentre
membros da Igreja, denominado nicolaísmo. Cabe destacar que a recomendação do celibato4 para
os membros do clero já existia desde o século V.
Voltemos aos embates entre os poderes temporal e espiritual, mais especificamente, para a
chamada querela5 das investiduras. A nomeação dos bispos e papas pelo poder político foi encarada
pela Igreja como empecilho para que a constituição se consolidasse, afinal somente no século X, os
imperadores do Sacro Império Romano Germânico nomearam doze papas, além de afastarem cinco.
Apesar do papa Gregório VII determinar que a nomeação dos cargos eclesiásticos seria
prerrogativa exclusiva da própria Igreja, o imperador germânico, Henrique IV, não acata sua decisão
e nomeia o bispo de Milão. O conflito entre o trono e o altar permaneceu até 1122, quando ambos
assinaram a Concordata de Worms, no qual foram divididas as prerrogativas de nomeação dos
bispos.

4
Celibatário é aquele que vive solteiro.
5
Discussão, conflito ou queixa.

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Os movimentos reformistas e as heresias


Ao longo da Idade Média surgiram diversos movimentos que pregavam alterações no
comportamento da Igreja, sendo chamadas por ela de heresias tudo aquilo que contrariasse
suas práticas e ensinamentos.
Entre os principais grupos heréticos estavam os valdenses, seguidores de um comerciante de
Lyon chamado Pedro Valdo. Crítico da riqueza da Igreja, ele e seus seguidores distribuíram suas
propriedades e pregaram o Evangelho em língua vernacular, ou seja, em um idioma que não
era o oficial da Igreja.
Outro movimento considerado de hereges foi o dos cátaros, que negavam a condição divina
de Cristo. Resumindo o mundo como uma disputa entre o Bem e o Mal, eles acreditavam que
o corpo era a parte que correspondia ao mal, e por isso Jesus não poderia ter sido humano,
mas um anjo. Ao apresentarem essas ideias, os cátaros – também conhecidos como albigenses
– foram duramente perseguidos e dizimados pela Igreja no século XIII.
Mas nem todos os movimentos reformistas foram consideras hereges. Francisco de Assis
tinha uma vida semelhante à de Pedro Valdo: renunciou aos bens familiares e adotou um ideal
de pobreza. Vestindo-se como mendigo, andava pelas cidades e campos a pregar os
ensinamentos de Cristo, obtendo diversos discípulos. O papado lhe concedeu o direito de
pregar em nome da Igreja em 1223, embora possuísse muitas ressalvas ao seu modo de vida.
Diferentemente do clero regular, predominante durante boa parte da Idade Média, os
seguidores de Francisco de Assis não buscavam a fuga do mundo, estabelecendo uma relação
de grande proximidade com as cidades. Seus ideais deram origem a diversas ordens
mendicantes, assim chamadas pelo fato dos seus membros não disporem de bens, vivendo
apenas de caridade.
Segundo a tradição católica, em 1224 Francisco passa pelo milagre da estigmatização, ou seja,
seu corpo é marcado por feridas iguais a de Cristo na cruz. Inicialmente, o acontecimento gerou
divergências no interior da Igreja, que só reconhece o milagre em 1237. Contudo, Francisco de
Assis foi considerado santo logo após a sua morte, e sua aproximação a figura de Cristo fez
com que as ordens mendicantes – franciscanos, dominicanos, carmelitas e eremitas –
ganhassem muita força nas cidades medievais.

As Cruzadas
Em 1095, o papa Urbano II convocou a cristandade a lutar contra o domínio dos árabes, tidos
como “infiéis”, na região da Palestina, onde Jesus Cristo passou toda a sua vida. Aqueles que
participassem destes esforços pela libertação da Terra Santa – os cruzados – receberiam o perdão
por todos os seus pecados.
Ao defender a organização de levas cruzadísticas, o papa buscava unir a cristandade
oriental e ocidental em torno de um inimigo comum, o que permitiria a reaproximação com a Igreja
Ortodoxa e a centralização da Igreja em torno do papado. Contudo, para o historiador Hilário Franco
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Jr. (2001), as cruzadas também se apresentavam como a solução para questões envolvendo outros
grupos:
❖ Os nobres sem terra, em grande número devido ao crescimento demográfico verificado
neste período.6 Como somente os filhos primogênitos herdavam os feudos de seus pais,
muitos daqueles que não dispunham dessa condição se tornavam clérigos para obterem
acesso a terras. Contudo, conforme a população crescia, essa estratégia se mostrava cada vez
mais limitada diante da oferta de terras.
❖ Os servos desprovidos de terra, em razão do crescimento da população campesina. Como os
mansos servis eram divididos entre os filhos de um servo após a sua morte, o tamanho das
propriedades legado a eles em muitos casos se mostrava insuficiente em famílias numerosas.
Diante disso, muitos abandonavam as terras rumo às cidades, onde viviam como artesãos,
comerciantes, trabalhadores temporários ou mesmo saqueadores.
❖ Os comerciantes de Gênova e Veneza, os mais importantes centros comerciais do
Mediterrâneo. Com as cruzadas, esses indivíduos viram a chance de expulsarem os árabes do
Ocidente e monopolizarem as rotas de raras mercadorias.
Entre 1096 e 1270, oito cruzadas foram oficialmente organizadas da Europa rumo ao Oriente.
A primeira delas, formada por nobres francos e normandos, ficou conhecida como Cruzada dos
Barões, chegando a conquistar a cidade de Jerusalém do domínio dos turcos. Contudo, no século XII
os turcos retomariam o controle da região.

ARRUDA, José Jobson de A. Atlas histórico básico. 17ª ed. São Paulo: Ática, 2008. p. 16.

Outras cruzadas importantes foram a Cruzada dos Reis, que contou com a participação dos
monarcas da Inglaterra, França e Sacro Império Romano Germânico, e a Quarta Cruzada, desviada
pelos cristãos venezianos para Constantinopla com o objetivo de saqueá-la. Uma outra cruzada foi
organizada por Pedro, o Eremita, sem o conhecimento da Igreja, reunindo milhares de desvalidos
rumo à Terra Santa. Chamada de “Cruzada dos Mendigos”, ela foi rapidamente derrotada.

6
Falaremos mais deste assunto mais adiante.

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Embora o objetivo de retomar a Terra Santa jamais tenha se concretizado, as Cruzadas


trouxeram diversas transformações para a sociedade medieval nos seguintes pontos:
❖ Contribuíram para a crise do feudalismo: com a morte e o endividamento de milhares de
nobres nas Cruzadas, muitos servos fugiam para as cidades ou lutavam coletivamente para
que sua vila obtivesse sua carta de franquia, ou seja, a autonomia total ou parcial dos poderes
do senhor feudal;
❖ Favoreceram a intensificação das relações entre Oriente e Ocidente: o constante fluxo de
cruzados pelo Mediterrâneo permitiu a retomada do grande comércio entre as duas regiões,
além do acesso a conhecimentos dos árabes pelos ocidentais.
❖ Possibilitaram a unificação da cristandade ocidental em torno da figura do papa, que
acumulava poderes espirituais e temporais.

3. OS PROGRESSOS AGRÍCOLAS
Entre os séculos XI e XIII, a Europa Ocidental passa por um grande crescimento populacional,
chegando a triplicar o número de moradores em algumas regiões. Na Inglaterra, a população passa
de 1,5 para 3,7 milhões de habitantes neste intervalo de tempo; na península itálica, de 5 para 10
milhões; e na França, de 6 para 15 milhões.
Essa explosão demográfica só foi possível graças ao aumento da produção agrícola,
resultado do aprimoramento das técnicas de cultivo e das transformações da paisagem pela ação
humana. Novas áreas para plantio foram obtidas a partir de desmatamento feitos por meio de
queimadas, da drenagem de pântanos e pela utilização de encostas. Com isso, a Europa vive o maior
aumento de sua superfície de cultivo desde os tempos pré-históricos.
A fim de evitar a erosão do solo, foi disseminado pela Europa a técnica de rotação de culturas
(ou rodízio trienal), que consistia na divisão das terras cultiváveis em três partes. Em uma delas,
cultivava-se trigo, em outra, cevada, enquanto a terceira permanecia em descanso, chamado de
pousio. Após a colheita, fazia-se a rotação, cultivando trigo ou cevada no “pousio”, enquanto uma
das outras faixas permanecia inutilizada.
O arado romano progressivamente foi substituído pela charrua, cuja lâmina de metal
permitia a exploração de solos mais rígidos, e para puxá-la, os bois foram substituídos pelos cavalos,
mais ágeis e fortes (Ver Figura 1). Por fim, outros elementos existentes desde a Antiguidade foram
difundidos por toda a Europa neste período, como o uso do moinho d’água e o domínio da
metalurgia.
Os moinhos d’água foram a gota d’água para a eclosão de diversas revoltas camponesas no século
XIII, afinal uma das banalidades implantadas pelos senhores feudais era justamente o uso
obrigatório desse instrumento pelos servos, mediante o pagamento de taxas pela moagem.

4. A DINÂMICA COMERCIAL E AS CIDADES


A partir dos séculos XI e XII, verifica-se um aumento nas trocas comerciais, favorecidas
sobretudo pelo aumento da produção verificada na Europa feudal neste mesmo período. Embora

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muitos historiadores se referem a esse momento como um renascimento comercial e urbano, é


preciso levar em conta que mais de 80% da população europeia permanece habitando os campos.
Ademais, o grande comércio entra em declínio a partir do século V, mas as cidades e as trocas
econômicas permanecem durante toda a Idade Média, ainda que voltadas para o nível local.
Mas qual é a grande mudança ocorrida nos burgos, como eram conhecidas as cidades? O
historiador Jacques Le Goff nos convida a analisar a mentalidade dos habitantes das cidades,
começando pelos servos que abandonavam os campos e lá se instalavam:

Enquanto o senhorio rural conseguira inspirar na massa dos camponeses que lá viviam apenas o
sentimento de opressão (de que eram vítimas), enquanto o castelo, mesmo em certas ocasiões
oferecendo refúgio e proteção, projetava neles uma sombra detestada, a silhueta dos monumentos
urbanos – instrumento e símbolo da dominação dos ricos nas cidades – inspirava no povo citadino
sentimentos em que a admiração e o orgulho acabavam por prevalecer.
LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984. p. 295.

Como o fragmento anterior nos sugere, para muitos o ambiente das cidades parecia lhes
conferir maior liberdade, ainda que na prática esses espaços também pagassem taxas para os nobres
quando se localizavam em seus domínios. Para se livrarem dessas obrigações, muitos centros
urbanos conseguiram obter suas cartas de franquia, que por vezes também permitiam mercadores
organizarem conselhos autônomos de administração das cidades e a organização de milícias.
A mais importante atividade econômica das cidades era o comércio, seja de produtos
artesanais produzidos por seus trabalhadores locais ou excedentes de produção vindos dos feudos,
seja mercadorias de grande valor vindas do Oriente. Os habitantes da cidade, fossem eles artesãos,
ricos comerciantes, cavaleiros ou assalariados, ficaram conhecidos como burgueses.
A fim de padronizar os seus serviços, muitos comerciantes e artesãos passaram a organizar
corporações de ofício, associações de atuação local que estabeleciam normas para a produção, a
qualidade dos produtos, os preços – incluindo o da matéria-prima utilizada –, salários e condições
de trabalho. Com isso, seus membros buscavam eliminar a concorrência interna e externa,
mantendo o controle do processo de fabricação. Nas palavras do historiador Henri Pirenne:

O seu objetivo essencial é proteger o artesão, não só contra a concorrência do estrangeiro, mas
também contra a dos colegas. Reserva-lhe exclusivamente o mercado da vila e fecha-o aos
produtores do estrangeiro; cuida, ao mesmo tempo, de que nenhum membro da profissão possa
enriquecer-se em detrimento de outros.
PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1968, p.191- 192.

Internamente, as associações possuíam estruturas hierarquizadas, nas quais os lucros


permaneciam concentrados em seus membros mais destacados, os mestres de oficinas. Estes
contratavam trabalhadores por jornadas diárias ou mensais, que em geral desfrutavam de poucas

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chances de promoção. Em posição um pouco mais confortável se encontravam os aprendizes, que


aprendiam o ofício desempenhado pelos seus mestres entre oito e dez anos, eram abrigados e
alimentados, mas não recebiam salários por ainda não possuírem a devida qualificação. Contudo,
tinham maiores possibilidades de alcançarem a condição de mestre do ofício aprendido, fosse ele
de sapateiro, padeiro, tecelão ou ferreiro.
Vale destacar que as corporações de ofício não atuavam na lógica capitalista que conhecemos
hoje, afinal boa parte dos lucros obtidos eram colocados em poupanças para eventuais crises,
aquisição de terras e despesas funerárias caso algum de seus membros falecesse. Ademais, a
produção levava mais em conta as relações existentes entre os artesãos do que as demandas do
mercado.
Já o grande comércio era dominado por Veneza e Gênova, cidades da península itálica cujos
comerciantes enriqueceram imensamente com as cruzadas e a intensificação das relações entre
Oriente e Ocidente no Mediterrâneo. Na região do Norte, cidades dominadas por comerciantes se
associam na Liga Hanseática (ou Hansa Teutônica) a fim de manterem o monopólio das trocas
comerciais.
Os mercadores nórdicos e italianos se encontravam na região francesa de Champagne, onde
feiras anuais eram organizadas por algumas semanas, até serem deslocadas para outras cidades.
Para uniformizar as transações econômicas, alguns comerciantes italianos passaram a se dedicar ao
câmbio (cambiare, trocar), e ficam conhecidos como banqueiros. O nome se deve ao fato das
moedas serem expostas em bancas, como mercadorias.
Provavelmente no século XII, os banqueiros passaram a exercer as atividades que atualmente
entendemos como dessa profissão, tais como depósitos, empréstimos e transferências de valores
entre regiões. Essas atividades eram condenadas pela Igreja, que considerava pecado a obtenção
de lucro, chamada de usura.
As produções artesanais, o pagamento de
salários e as relações comerciais demandaram uma
transformação na forma como o Homem medieval
concedia o tempo. Até então, prevalecia o tempo
religioso, que dividia a história humana em dois
momentos: antes de Cristo e depois de Cristo. Já as
horas do dia eram marcadas pelo dobrar dos sinos das
Igrejas, levando em conta acontecimentos da vida do
filho de Deus. Durante a Quaresma, as guerras e
relações sexuais eram proibidas pela Igreja.
Com o florescimento das cidades a partir do Figura 6 - Detalhe de lojas em uma rua medieval, século XV.
século XI, os artesãos, trabalhadores por jornada e
comerciantes necessitavam de uma medição mais
precisa para estabelecer as horas de início e fim de suas
atividades. Surgem então os relógios mecânicos no
século XIII, que trazem consigo o “tempo do mercador”
– ou tempo laico –, que possibilita o surgimento de um
tempo mais mensurável e específico, o que contribui
para a transformação da mentalidade do período.

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(2018/Fuvest) Os comentadores do texto sagrado (…) reconhecem a submissão da mulher ao


homem como um dos momentos da divisão hierárquica que regula as relações entre Deus,
Cristo e a humanidade, encontrando ainda a origem e o fundamento divino daquela submissão
na cena primária da criação de Adão e Eva e no seu destino antes e depois da queda.
CASAGRANDE, C., A mulher sob custódia, in: História das Mulheres, Lisboa: Afrontamento, 1993, v. 2, p. 122‐123.

O excerto refere‐se à apreensão de determinadas passagens bíblicas pela cristandade


medieval, especificamente em relação à condição das mulheres na sociedade feudal. A esse
respeito, é correto afirmar:
a) As mulheres originárias da nobreza podiam ingressar nos conventos e ministrar os
sacramentos como os homens de mesma condição social.
b) A culpabilização das mulheres pela expulsão do Paraíso Terrestre servia de justificativa para
sua subordinação social aos homens.
c) As mulheres medievais eram impedidas do exercício das atividades políticas, ao contrário do
que acontecera no mundo greco‐romano.
d) As mulheres medievais eram iletradas e tinham o acesso à cultura e às artes proibido, devido
à sua condição social e natural.
e) A submissão das mulheres medievais aos homens esteve desvinculada de normatizações
acerca da sexualidade.
Comentários
Considerada a responsável pela imperfeição humana legada pelo pecado original, a mulher era
descrita pela Igreja como dotada de pouca racionalidade e grande potencial para o pecado.
Diante disso, as herdeiras de Eva deveriam ser esposadas para que pudessem se aproximar do
modelo da Virgem Maria. Assim sendo, a alternativa B é a correta, mas vamos analisar as
demais:
- As mulheres da nobreza viviam confinadas nos gineceus, privadas, portanto, do mundo
público. Assim sendo, a alternativa A está incorreta.
- As mulheres das cidades-Estado gregas e da Roma Antiga não desfrutavam de direitos
políticos, e tal como as mulheres do medievo, passavam boa parte de sua vida reclusas nos
aposentos femininos. A alternativa C, portanto, está incorreta.
- A produção cultural do medievo, fosse ela escrita ou imagética, era voltada para a população
masculina, afinal eram esses quem de fato frequentavam os espaços públicos. Assim sendo, a
alternativa D está incorreta.
- As mulheres eram vistas como a fonte das tentações dos homens medievais, e por isso
deveriam ser submetidas ao matrimônio com Cristo, reclusas nos conventos, ou com os
homens, que passariam a ser seus mestres.
Gabarito: B

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(2018/Unicamp) Estamos acostumados a considerar que o sistema centro/periferia, ao menos


no Ocidente, é um eixo essencial da estrutura e do funcionamento no espaço das economias,
das sociedades, das civilizações. O historiador Fernand Braudel estimou que tal sistema só
existiu e funcionou plenamente a partir do século XV. Essa definição não se aplica à Cristandade
Medieval sem importantes correções. A noção de centro e a oposição centro/periferia são
menos decisivas que outros sistemas de orientação espacial. O principal sistema é o que opõe
o baixo ao alto, quer dizer, o Aqui, esse “mundo” imperfeito e marcado pelo Pecado Original,
ao céu, morada de Deus.
(Adaptado de Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt, “Centro/Periferia”, em Dicionário
temático do ocidente medieval, v. 2. São Paulo: Edusc, 2002, p. 203.)
A partir do texto acima, assinale a alternativa correta.
a) Usada nas Ciências Humanas para a compreensão de períodos históricos desde a
Antiguidade, a noção de centro/periferia perdura até a atualidade e estrutura o sistema
econômico global contemporâneo.
b) As noções de baixo e alto têm um sentido histórico mais preciso para a compreensão da
Cristandade Medieval do que o sistema centro/periferia.
c) O sistema centro/periferia é aplicável ao estudo da Cristandade Medieval, já que os feudos
constituíam o centro da vida econômica e cultural naquele contexto.
d) O sistema centro/periferia aplicado durante a Era Medieval espelhava o sistema de
orientação baixo e alto, sendo o baixo o mundo do pecado e o alto o mundo da virtude cristã.
Comentários
Questão que demanda interpretação de texto. Segundo o historiador Jacques Le Goff, a ideia
de centro∕periferia é usualmente utilizada para tratar duas ou mais economias, sociedades ou
civilizações. Contudo, para a Idade Média Ocidental, tempo histórico fortemente marcado pela
mentalidade religiosa, é mais adequada a noção de alto∕baixo, ou seja a oposição entre o reino
dos Céus e o reino dos homens, sua cópia imperfeita. Assim sendo, a alternativa B é a correta.
Gabarito: B

(2016/UPE) Um texto bastante famoso produzido na Idade Média foi o exemplo dos carneiros,
dos bois e dos cães, que explicava: “A razão de ser dos carneiros é fornecer leite e lã, dos bois
é lavrar a terra, a dos cães defender os carneiros e os bois. Se cada um cumprir sua missão,
Deus protegê-la-á. Do mesmo modo, fez com os homens: instituiu os Clérigos e os Monges
para que rezassem, plenos de doçura, como ovelhas; os camponeses, como os bois, para
assegurar a subsistência, e os guerreiros para que defendessem dos inimigos, semelhantes a
lobos, os que oram e os que cultivam a terra.”
(Apud LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984, vol. 2, p. 10, adaptado).

Partindo da análise dessa fonte, compreendemos que a Sociedade Feudal se dividia em três
ordens principais, registradas na alternativa
a) Os religiosos (os carneiros), os trabalhadores (os bois) e os guerreiros (os cães).
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b) Os mercadores (os bois), os clérigos (os cães) e os guerreiros (os carneiros).


c) Os reis (os cães), os plebeus (os bois) e os nobres (os carneiros).
d) Os reis (os cães), os plebeus (os bois) e a corte (os carneiros).
e) Os homens (os cães), as mulheres (os carneiros) e os religiosos (os bois).
Comentários
Mais uma questão de interpretação de texto. O sermão de Eadmer de Canterbury, proferido
no século XI, deixa claro o papel da Igreja na legitimação da ordem feudal. Nele, cada
estamento social é associado a um animal doméstico: o clero (oratores) corresponderia aos
caprinos, fornecendo alimento e conforto espiritual a todas as almas, enquanto os bois seriam
os camponeses (laboratores), que trabalham para assegurar a sobrevivência dos demais. Por
fim, os guerreiros (bellatores) desempenham função semelhante à dos cães, protegendo os
demais grupos. Feitas essas considerações, a alternativa A é a correta.
Gabarito: A.

5. A CULTURA NA BAIXA IDADE MÉDIA


O surgimento das universidades e a formação do humanismo
A partir do século XII, diversos centros de estudo
denominados universidades (universitas) foram criados na Europa
Ocidental, constituídos por membros do clero, da nobreza e de
indivíduos de grupos sociais em ascensão nos centros urbanos.
Entre as mais antigas podemos citar as de Salerno e Bolonha, na
região da península itálica, e a universidade de Paris, na França.
Inicialmente, os principais cursos eram Teologia, Direito e
Medicina, dos quais faz surgir uma nova categoria social na
sociedade, a dos intelectuais.
O constante contato com obras e saberes da Antiguidade fez
surgir entre estudiosos dessas instituições uma tendência que
denominados de Humanismo, da qual podemos elencar duas
características:
Figura 7 - Petrarca, poeta humanista italiano.
❑ o uso da língua vernácula, ou seja, da língua própria de um Fonte: Shutterstock.

determinado local, em detrimento do latim, idioma oficial da


Igreja. A busca por um estilo próprio levou autores como
Petrarca, a escreverem suas obras em sua língua de origem.
❑ a criação de um currículo humanista, conhecido como studia
humanitatis, que incluía novas disciplinas ao meio
universitário – gramática, retórica, poesia, história e filosofia
moral.
Embora não buscassem confrontar diretamente a hegemonia da Igreja sobre o pensamento
medieval, os elementos que citamos acima foram essenciais para que os autores deste período

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passassem a depositar maior confiança na potencialidade do Homem para alcançar o conhecimento


e a verdade, sem a necessidade de clérigos como intermediários. O humanismo não se constituiu
como um movimento, mas lançou as sementes que possibilitaram o surgimento do Renascimento,
que trataremos em nossa próxima aula.

A arquitetura a serviço da Igreja


Durante a Baixa Idade Média, mais especificamente entre os séculos XI e XII, a conquista da
Inglaterra pelos normandos legou a esse reino um estilo arquitetônico ali conhecido como
normando, posteriormente denominado estilo românico, ao ser utilizado em castelos, mosteiros e
igrejas espalhados por todo o continente europeu. Ele se caracteriza pela utilização de edifícios de
aparência robusta, dotados de paredes grossas e com pouca iluminação em seu interior devido às
poucas janelas.
A Igreja demonstra uma grande preocupação em combater as forças das trevas, e por isso
todos os elementos existentes dentro e fora de suas edificações buscavam transmitir ensinamentos
aos seus fiéis. Os ornamentos e imagens utilizados por essa instituição religiosa tinham grande força
no pensamento cristão, buscando causar nos analfabetos a mesma devoção que os textos sagrados
obtinham dos católicos letrados. Veja o que diz os versos de um poeta francês que viveu esse
período:

Sou uma pobre e velha mulher,


Muito ignorante, que nem sabe ler.
Mostraram-me na igreja da minha terra
Um Paraíso com harpas pintado
E o Inferno onde fervem almas danadas,
Um enche-me de júbilo, o outro me aterra...
GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2015. p. 177.

A partir do século XII, o estilo românico entra em declínio, sendo progressivamente


substituído pelo estilo gótico. Nascido no norte da França, esse estilo arquitetônico se caracterizava
pela imponência de suas construções, pelo uso de arcos ogivais, que davam mais leveza aos edifícios
por não mais necessitarem de grossas paredes de sustentação, e pelo uso de vitrais que iluminavam
os ambientes e transmitiam grande beleza.
Diferentemente do estilo anterior, o gótico não buscava apenas transmitir os ensinamentos
aos seus fiéis por meio de seus ornamentos, mas torná-los mais emocionantes e palpáveis. Ao
mesmo tempo, as catedrais em estilo gótico são erguidas nas grandes cidades, o que mostra a
superação do clero regular pelos seculares neste período. Para alguns historiadores, o gótico
sinalizava a “Igreja triunfante”, isto é, aquela que havia se consolidado como a maior instituição em
toda a Europa medieval.

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Figura 10 - Igreja beneditina de Murbach, Alsácia,


Fonte: Shutterstock.
c. 160.

ARQUITETURA ROMÂNICA (secs. XI e XII)


→ Poucas janelas e decoração. Paredes robustas, como se fossem fortalezas;
→ Representa a força do clero regular.
→ Predominante em Igrejas e mosteiros afastados da vida mundana.
Igreja em consolidação
ARQUITETURA GÓTICA (secs. XIII)
→ Construções imponentes e iluminadas. Uso de arcos ogivais e vitrais;
→ Representa a força do clero secular;
→ Catedrais construídas em grandes centros urbanos.
Igreja consolidada.

Figura 11- Catedral de Norte-Dame, em Paris. Fonte: Shutterstock.

6. A CRISE DO SÉCULO XIV


O século XIV foi marcado pelo fim da alta produção agrícola verificada anteriormente. O
sistema de rotação de culturas não permitia o devido descanso para certos tipos de solo, que
somado ao regime intenso de chuvas, resultou em colheitas insuficientes para a população
europeia. Devido a isso, uma onda de fome atingiu diversas partes do continente. Para piorar, uma
grave pandemia assolou a Europa medieval: a peste negra.

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A Peste Negra
Entre 1348 e 1350, um surto de peste bubônica se espalhou rapidamente por toda a Europa,
provavelmente trazida do Oriente pelas pulgas dos ratos que infestavam os navios mercantes. A
maioria dos historiadores acredita que um terço da população europeia foi dizimada por essa
doença, chegando à metade dos habitantes de algumas localidades do continente. Também
conhecida como Peste Negra, a moléstia causava febres de até 41 graus naqueles que a contraíam,
vômitos sanguinolentos e inchaços escuros na pele. Esses sintomas foram descritos pelo poeta
italiano Bocaccio:

Na nossa terra, no início da epidemia, quer se tratasse de homens ou de mulheres, produziam-se


certos inchaços nas virilhas ou nas axilas: alguns desses inchaços tornavam-se do tamanho de uma
maçã vulgar, outros como um ovo, outros um pouco maiores ou mais pequenos. Chamavam-se-lhes
usualmente bubões. E, no duplo domínio onde tinham aparecido de início, os bubões não tardaram,
a fim de semear a morte, a crescer indiferentemente em qualquer parte do corpo. Mais tarde os
sintomas mudaram e transformara-se em manchas negras ou lívidas que apareciam nos braços, nas
coxas ou em qualquer outra parte do corpo, de umas vezes grandes e separadas, de outras muito
juntas e pequenas. Tal como o bubão que fora de início, e continuava a sê-lo, o indício de uma morte
certa, também as manchas o eram para aqueles em que apareciam.
BOCCACCIO, Giovanni. Decameron. Trad. Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Relogio D'agua, 2006.

Figura 8 - Enquanto a Peste Negra se espalhou pela Europa, representações da morte perseguindo homens e mulheres de todas as classes
sociais se tornaram cada vez mais frequentes. Fonte: Wikimedia Commons.

A doença assolou principalmente as populações instaladas nos centros urbanos, que não
dispunham de qualquer infraestrutura de saneamento básico, mas também alcançou os campos,
vitimizando principalmente camponeses. O resultado dessa pandemia7 foi uma crise de mão de
obra, gerada não somente pela alta mortalidade, mas também pelas fugas de servos para as cidades,
em busca de alimento ou de mais segurança.

7
Doença infecciosa que se espalha entre a população disposta em uma grande região geográfica, seja ela um continente ou mesmo
o planeta.

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Diante do esvaziamento dos campos, a aristocracia rural recorreu à utilização do trabalho


assalariado para suprir a mão de obra servil. Neste período, aqueles camponeses que sobreviveram
à peste acabaram por desfrutar de uma melhora na qualidade de vida, afinal altas remunerações
eram oferecidas diante da pouca oferta de braços para o trabalho.
Qual foi a explicação dada pelos homens medievais para a Peste Negra? Em alguns locais,
judeus foram acusados de envenenarem os poços e espalharem a moléstia, sendo, por isso,
perseguidos e assassinados. Contudo, a grande maioria parece ter compreendido aquele cenário
caótico como um castigo divino, uma vez que neste período aumenta a venda de indulgências, a
doação de bens para a Igreja e a construção de templos religiosos.
Além da peste e da fome, a crise do século XIV também foi marcada pelas Jacqueries, revoltas
camponesas que ocorrem na França contra a situação de trabalho imposta pelos senhores.
Insurreições urbanas também eclodem em Paris e Londres, o que evidenciava o esgotamento do
modelo feudal em muitas partes da Europa.

A Guerra dos Cem Anos (1337-1543)


Um dos acontecimentos apontados pelos historiadores
como decisivos para a desagregação do feudalismo foi a Guerra
dos Cem Anos, conflito travado entre França e Inglaterra, que
contribui para os processos de centralização do poder político de
ambos os países. Entre as razões para o seu início, podemos
destacar:
❑ a questão dinástica do trono francês → Após a morte do
rei francês Filipe IV, o Belo, herdeiros do trono inglês e
parentes reivindicaram para si o trono, o que foi
repudiado por mercadores franceses;
❑ a disputa pela região de Flandres, onde havia uma Figura 9 - Estátua de Joana D'arc, combatente da
consolidada manufatura de indústria têxtil → A Guerra dos Cem Anos condenada à morte na
fogueira após ser acursada de feitiçaria. Ela foi um
aristocracia que habitava a região era simpática à dos principais mitos criados pelo nacionalismo
dominação francesa, enquanto os burgueses eram aliados francês.

dos Inglaterra.
Após longos anos de conflito e milhões de mortos no continente europeu, a França venceu a
Inglaterra em 1453. A principal consequência da Guerra dos Cem Anos foi a consolidação do
processo de centralização política da França, motivado pelo enfraquecimento da nobreza do país
neste período. Já os ingleses entram em uma guerra civil travada por duas dinastias após serem
derrotados pela França, ficando este novo conflito conhecido como Guerra das Duas Rosas (1455-
1485).

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7. QUESTÕES DE VESTIBULARES
7.1. ENEM
1. (2019/Enem)
A cidade medieval é, antes de mais nada, uma sociedade da abundância, concentrada num
pequeno espaço em meio a vastas regiões pouco povoadas. Em seguida, é um lugar de
produção e de trocas, onde se articulam o artesanato e o comércio, sustentados por uma
economia monetária. É também o centro de um sistema de valores particular, do qual emerge
a prática laboriosa e criativa do trabalho, o gosto pelo negócio e pelo dinheiro, a inclinação
para o luxo, o senso da beleza. É ainda um sistema de organização de um espaço fechado com
muralhas, onde se penetra por portas e se caminha por ruas e praças e que é guarnecido por
torres.
LE GOFF, J.; SCHMITT, J.-C. Dicionário temático do Ocidente Medieval. Bauru: Edusc, 2006

No texto, o espaço descrito se caracteriza pela associação entre a ampliação das atividades
urbanas e a
a) emancipação do poder hegemônico da realeza
b) aceitação das práticas usuárias dos religiosos
c) independência da produção alimentar dos campos.
d) superação do ordenamento corporativo dos ofícios.
e) permanência dos elementos arquitetônicos de proteção

2. (2018/Enem)
A existência em Jerusalém de um hospital voltado para o alojamento e o cuidado dos
peregrinos, assim como daqueles entre eles que estavam cansados ou doentes, fortaleceu o
elo entre a obra de assistência e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital
de Jerusalém um estabelecimento central da ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos
hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam ligados à peregrinação na
Terra Santa ou em outro lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não diminuiu a
vocação caritativa primitiva, mas a fortaleceu.
DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002 (adaptado).

o acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno ocidental do(a)


a) surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado pelas cruzadas.
b) descentralização do poder eclesiástico, produzida pelo feudalismo.
c) alastramento da peste bubônica, provocado pela expansão comercial.
d) afirmação da fraternidade mendicante, estimulada pela reforma espiritual.
e) criação das faculdades de medicina, promovida pelo renascimento urbano.

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3. (2017/Enem)
Mas era sobretudo a lã que os compradores, vindos da Flandres ou da Itália, procuravam por
toda a parte. Para satisfazê-los, as raças foram melhoradas através do aumento progressivo
das suas dimensões. Esse crescimento prosseguiu durante todo o século XIII, e as abadias da
Ordem de Cister, onde eram utilizados os métodos mais racionais de criação de gado,
desempenharam certamente um papel determinante nesse aperfeiçoamento.
DUBY, G. Economia rural e vida no campo no Ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1987. Adaptado.
O texto aponta para a relação entre aperfeiçoamento da atividade pastoril e avanço técnico
na Europa ocidental feudal, que resultou do(a)
A) crescimento do trabalho escravo.
B) desenvolvimento da vida urbana.
C) padronização dos impostos locais.
D) uniformização do processo produtivo.
E) desconcentração da estrutura fundiária.

4. (2019/Enem-PPL)
A ausência quase completa de fantasmas na Bíblia deve ter favorecido também a vontade de
rejeição dos fantasmas pela cultura cristã. Várias passagens dos Evangelhos manifestam
mesmo uma grande reticência com relação a um culto dos mortos: “Deixa os mortos sepultar
os mortos”, diz Jesus (Mt 8:21), ou ainda: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mt
22:32). Por certo, numerosos mortos são ressuscitados por Jesus (e, mais tarde, por alguns de
seus discípulos), mas tal milagre — o mais notório possível segundo as classificações
posteriores dos hagiógrafos medievais — não é assimilável ao retorno de um fantasma. Ele
prefigura a própria ressurreição do Cristo três dias depois de sua Paixão. Antecipa também a
ressurreição universal dos mortos no fim dos tempos.
SCHMITT, J.-C. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.

De acordo com o texto, a representação da morte ganhou novos significados nessa religião
para
a) extinguir as formas de ritualismo funerário.
b) evitar a expressão de antigas crenças politeístas.
c) sacramentar a execução do exorcismo de infiéis.
d) enfraquecer a convicção na existência de demônios.
e) consagrar as práticas de contato mediúnico transcendental.

5. (2019/Enem)
O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar uma festa sincrética. A
igreja retomou a distância de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e

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instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira que as festas do solstício de
verão europeu com suas tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa
do fogo e da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista.
Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e cantos)
foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja
resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina cristã.
CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista Anthropológicas, n. 18,
2007 (adaptado).

Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as práticas descritas,


que consistem em
a) promoção de atos ecumênicos.
b) fomento de orientação bíblicas.
c) apropriação de cerimônias seculares.
d) retomada de ensinamentos apostólicos.
e) ressignificação de rituais fundamentalistas.

7.2. OUTROS VESTIBULARES


1. (2019/UFPR)
Leia o trecho abaixo, retirado de uma carta escrita entre 830 e 840 pelo aristocrata franco
Eginhardo, em favor de camponeses:
Ao nosso mui querido amigo, o glorioso conde Hatton, Eginhardo, saudação eterna do Senhor.
Um dos vossos servos, de nome Huno, veio à igreja dos santos mártires Marcelino e Pedro
pedir mercê* pela falta que cometeu contraindo casamento sem o vosso consentimento [...].
Vimos, pois, solicitar a vossa bondade para que em nosso favor useis de indulgência em relação
a este homem, se julgais que a sua falta pode ser perdoada. Desejo-vos boa saúde com a graça
do Senhor.
(Cartas de Eginhardo. Tradução de Ricardo da Costa. Extratos de documentos medievais sobre o campesinato (sécs. V-XV).
*pedir mercê = pedir intercessão.

No extrato acima, encontramos elementos da vida social e econômica do período medieval


europeu (Alta Idade Média).
Esse documento insere-se em qual sistema social, político e econômico predominante nesse
contexto?
a) Feudalismo, caracterizado pela ruralização da economia, pela relação senhorial entre nobres
e servos e pela atuação social e política da Igreja Católica.
b) Mercantilismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação senhorial entre
nobres e camponeses e pela atuação social e política da Igreja Protestante.
c) Socialismo, caracterizado pela ruralização da economia, pela relação remunerada entre
nobres e servos e pela atuação cultural e política da Igreja Cristã.

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d) Mercantilismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação campesina entre


nobres e vassalos e pela atuação social e política da Igreja Ortodoxa.
e) Feudalismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação agrária entre o clero
e os servos e pela atuação social e cultural da Igreja Cristã.

2. (2019/UFRGS)
Assinale a alternativa correta sobre a chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre
Inglaterra e França.
a) O conflito marcou a gradual transformação dos exércitos feudais em forças militares
profissionalizadas e iniciou o lento processo de decadência da aristocracia feudal nos
respectivos países.
b) A guerra foi vencida pela Inglaterra e teve como consequência a eclosão de rebeliões na
França que culminaram com a deposição da dinastia dos Valois do trono francês.
c) O confronto consolidou a transformação da Inglaterra na principal potência econômica do
período moderno, por meio do processo de pacificação interna que se seguiu à guerra.
d) A consequência da guerra para os dois países foi a consolidação de estruturas sociais feudais,
tornadas mais fortes com o enfraquecimento das monarquias centrais.
e) A origem do conflito foi a invasão da Inglaterra pela França e a subsequente instalação de
uma dinastia pró-França no trono inglês, derrubada ao longo da guerra.

3. (2019/Unesp)
Por muitíssimo tempo escreveu-se a história sem se preocupar com as mulheres. No século XII
assim como hoje, masculino e feminino não andam um sem o outro. As damas de Guînes e as
damas de Ardres tiveram todas por marido um ás da guerra, senhor de uma fortaleza que seu
mais remoto ancestral havia edificado.
(Georges Duby. Damas do século XII: a lembrança das ancestrais, 1997. Adaptado.)
O texto trata de relações desenvolvidas num meio social específico, durante a Idade Média
ocidental. Nele,
a) as mulheres passavam a maior parte de seu tempo nas igrejas, o que incluía o trabalho de
orientação religiosa, e os homens atravessavam as noites em tabernas e restaurantes.
b) os homens controlavam os espaços públicos, o que incluía as ações militares, e as mulheres,
confinadas ao espaço doméstico, eram associadas à maternidade e, ocasionalmente, à
santidade.
c) os homens responsabilizavam-se pelos assuntos culturais, o que incluía a instrução dos
filhos, e as mulheres dedicavam-se ao preparo das refeições cotidianas e, ocasionalmente, de
banquetes.
d) as mulheres eram obrigadas a pagar impostos, o que incluía o dízimo, e os homens, livres
de qualquer tributo, conseguiam acumular mais bens e, ocasionalmente, enriquecer.

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e) os homens dedicavam-se ao comércio, o que incluía deslocamentos para regiões afastadas


de casa, e as mulheres incumbiam-se do trabalho nas lavouras e, ocasionalmente, na forja de
metais.

4. (2018/Famerp)
“O Ocidente havia conhecido somente três modos de acesso ao poder: o nascimento, o mais
importante, a riqueza, muito secundário até o século XIII salvo na Roma Antiga, o sorteio, de
alcance limitado entre os cidadãos das cidades gregas da Antiguidade.”
(Jacques Le Goff. Os intelectuais na Idade Média, 1985. Adaptado.)

O excerto sustenta que o acesso ao poder por meio da riqueza era secundário na Europa
Ocidental até o século XIII, quando
a) as monarquias nacionais sobrepuseram-se aos direitos da nobreza senhorial sobre os seus
feudos.
b) o esfacelamento do poder imperial romano transferiu as funções de defesa militar para os
burgueses das cidades.
c) os reis absolutistas constituíram seus exércitos com recursos de impostos arrecadados de
banqueiros e comerciantes.
d) as atividades comerciais e artesanais produziram novos grupos sociais no interior das
cidades medievais.
e) a fragmentação econômica do continente europeu foi substituída por um só padrão
monetário.

5. (2018/UFU)
Observe a imagem.

Pintura medieval de 1411. <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-a-peste-negra.htm>

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Essa pintura retrata um dos fatores que contribuíram para a derrocada do sistema feudal na
Europa Medieval. Sobre o contexto abordado, é correto afirmar que a rápida disseminação da
peste negra decorreu em grande parte em função
a) da circulação de mercadorias na Europa totalmente urbanizada.
b) do reforço do sistema servil, que debilitou ainda mais os camponeses.
c) da crença na ira divina, que dificultava a cura pela medicina.
d) do baixo nível nutricional e das precárias condições sanitárias dos indivíduos.

6. (2018/Unesp)
A era feudal tinha legado às sociedades que a seguiram a cavalaria, cristalizada em nobreza.
[...] Até nas nossas sociedades, em que morrer pela sua terra deixou de ser monopólio de uma
classe ou profissão, o sentimento persistente de uma espécie de supremacia moral ligada à
função do guerreiro profissional — atitude tão estranha a outras civilizações, tal como a
chinesa — permanece uma lembrança da divisão operada, no começo dos tempos feudais,
entre o camponês e o cavaleiro.
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987. Adaptado.)
Segundo o texto, a valorização da ação militar
a) representa a continuidade da estrutura social originária da Idade Média.
b) ultrapassa as barreiras de classe social, igualando os homens medievais.
c) deriva da associação, surgida na Idade Média, entre nobres e cavaleiros.
d) surgiu na Idade Média e é desconhecida nas sociedades modernas.
e) revela a identificação medieval de quem trabalhava com quem lutava.

7. (2017/UFRGS)
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre a história da Idade Média
ocidental.
( ) A instalação de povos de origem germânica no território do Império Romano, as chamadas
“invasões bárbaras”, ocorreu também por meio de processos migratórios pacíficos e
negociados com o Estado romano.
( ) O processo de fragmentação territorial do Império Romano Germânico, após a ascensão
de Carlos Magno no século VIII, foi decorrência da ruptura entre o reino franco e a Igreja cristã.
( ) A servidão foi uma situação intermediária entre a escravidão definitiva e a liberdade plena,
pois impunha uma série de limitações aos servos, sem torná-los propriedade dos seus
senhores.
( ) A Escolástica, principal método de ensino nas universidades medievais, previa o estudo
filológico da Bíblia e recusava o recurso à filosofia antiga, considerada pagã e herética.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – V – F – V.
b) F – V – F – V.

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c) V – F – V – F.
d) F – V – V – F.
e) F – F – V – V

8. (2017/Famerp)
Aparece na literatura medieval, no final do século IX, para florescer no século XI, até se tornar
um lugar comum no século XII, um tema que descreve a sociedade que se divide em três
categorias ou ordens.
Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média, 2013.

As “três categorias ou ordens” citadas no texto são, respectivamente,


a) aristocracia, burguesia e proletariado.
b) militares, patrícios e camponeses.
c) clérigos, guerreiros e trabalhadores.
d) comerciantes, industriais e operariado.
e) classe alta, classe média e classe baixa.

9. (2017/UFPR)
Considere o fragmento abaixo:
Durante a Idade Média, a figura feminina revestiu-se dos piores atributos imagináveis. Para os
teólogos, além de infantil e inconstante, a mulher era mãe de todo pecado: Thomas Murner
chamava-a de “Diabo doméstico”, enquanto Tomás de Aquino reservava-lhe a pecha de
“macho deficiente”. Essas características levaram-na a ser o elo fraco das sociedades cristãs, a
janela pela qual Satã adentrava territórios sacramentados. Sendo fraca de vontade e caráter,
a mulher ficava à mercê das tentações demoníacas, tornando-se facilmente discípula e amante
do Diabo.
(SOUZA, Aníbal. Missionários e Feiticeiros. História: Questões e Debates, Curitiba, v. 13. jul./dez., 1996. p. 118.)

Em relação ao imaginário na Idade Média, é correto afirmar que vigorava uma forte influência:
a) cristã protestante e alto poder do clero, com grande perseguição contra os considerados
heréticos.
b) cristã protestante e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande
perseguição contra os considerados vassalos.
c) católica e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande perseguição contra
os considerados heréticos.
d) católica e alto poder dos nobres, além de grande mobilidade social e perseguição contra
protestantes, considerados heréticos.
e) católica e alto poder do clero, além de grande mobilidade social e perseguição contra os
considerados vassalos.
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10. (2017/UFU)
Os especialistas em demografia histórica são mais ou menos concordes em estimar que a
população global do reino da França no mínimo duplicou entre os anos mil e 1328, passando
de cerca de 6 milhões de habitantes para 13,5 milhões, e de 16 a 17 milhões, considerando as
regiões que desde então se tornaram francesas.
LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Trad. Antônio Danesi, São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 4. (Adaptado).

De acordo com a citação, pode-se afirmar que o principal fator que permitiu o crescimento da
população europeia foi
a) O controle da Peste Negra por meio da implantação de medidas de saneamento das grandes
cidades europeias.
b) O fim dos conflitos entre os reinos, especialmente o da “Guerra dos Cem Anos”, entre França
e Inglaterra.
c) A relativa estabilidade política e econômica, que fomentou a expansão dos burgos e o
aumento da produção agrícola nos campos.
d) O incremento da agricultura, que impulsionou o sistema de trocas de mercadorias
promovendo a prosperidade nos feudos.

11. (2016/UFRGS)
Sobre a história da Idade Média, assinale a alternativa correta.
a) A criação do Sacro Império Romano Germânico no Ocidente, no contexto da expansão
carolíngia do século VIII, resultou na conversão dos francos ao cristianismo.
b) A Igreja permitia o ingresso feminino apenas nas ordens regulares, enquanto as seculares
eram reservadas somente aos homens.
c) A aristocracia exercia atividade guerreira, embora não fosse detentora de terras ou de
direitos senhoriais.
d) A criação dos relógios mecânicos públicos, a partir do século XIII, reforçou o monopólio
eclesiástico no controle do tempo pela Igreja.
e) A presença islâmica no Mediterrâneo, a partir do século VII, caracterizou-se pela destruição
dos mecanismos de administração urbana nas cidades europeias.

12. (2016/UFRGS)
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre a crise do século XIV na
Europa, durante a Baixa Idade Média.
( ) A principal causa da crise foi uma combinação entre a Guerra dos Trinta Anos, as revoltas
continentais contra o absolutismo e a propagação da peste bubônica por todo o continente.

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( ) A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra foi o principal conflito militar associado à
crise e teve por resultado a vitória francesa diante dos ingleses.
( ) A crise enfraqueceu política e economicamente os senhores feudais, dando início a uma
gradual transferência de poder para as monarquias europeias nos séculos seguintes.
( ) A crise destruiu o absolutismo monárquico como sistema político e abriu caminho para a
descentralização de poder, típica do período medieval tardio.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – F – V.
b) F – F – V – V.
c) V – V – F – F.
d) F – V – V – F.
e) F – V – F – V.

13. (2016/UFU)
Mas o objetivo da produção, mesmo com meios modestos, não era um fim abstrato como hoje,
mas prazer e ócio. Esse conceito antigo e medieval de ócio não deve ser confundido com o
conceito moderno de tempo livre. Isso porque o ócio não era uma parcela da vida separada do
processo de atividade remunerada, antes estava presente, por assim dizer, nos poros e nos
nichos da própria atividade produtiva.
KURZ, Robert. A expropriação do tempo. Folha de São Paulo, 3 jan.1999. p. 5 (Adaptado).

A noção de tempo livre assumiu uma qualidade positiva distinta daquela de ócio, em função
de estar articulada a um conjunto de transformações socioeconômicas, localizadas a partir de
fins da Idade Média, e que se caracterizava
a) pelo incremento da produção agrícola para o mercado interno, responsável pelo chamado
renascimento feudal do século XV.
b) pela crescente mercantilização das terras da Igreja, cada vez mais alinhada com as modernas
concepções sobre o trabalho.
c) pela descentralização político-administrativa das emergentes monarquias nacionais, fator
de estímulo para o crescimento da produção mercantil.
d) pela aceleração das atividades urbanas e comerciais, com o crescimento da produção
mercantil e das camadas burguesas da sociedade.

14. (2015/UEMA)
No século XI, o bispo Fulbert de Chartes foi convidado a escrever sobre a fórmula da fidelidade
e assim o fez: Aquele que jura fidelidade a seu senhor deve ter sempre em mente estes seis
princípios: proteção, segurança, honra, interesse, liberdade, faculdade. Proteção, quer dizer,
nada deve ser feito em prejuízo do senhor quanto ao seu corpo. Segurança, nada em prejuízo

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da residência onde ele habita ou de suas fortalezas nas quais ele possa se achar. Honra, quer
dizer, nada em detrimento de sua justiça ou do que possa sua honra depender. Interesse, quer
dizer, nada que possa prejudicar suas possessões. Liberdade e faculdade, quer dizer, o bem
que o senhor possa fazer não lhe deva ser tornado difícil e o que ele esteja fazendo tornado
impossível (...)
Fonte: Fulbert de Chartres. Epistolae, LVIII, ano 1020. In: Jaime Pinsky. Modo de produção feudal. 2 ed. São Paulo: Global,
1982.

Os princípios apresentados na cerimônia descrita pelo texto fazem referência às relações


sociais entre
a) patrícios e plebeus na Antiguidade.
b) suseranos e vassalos na Idade Média.
c) proprietários de terras e escravos no Brasil Colonial.
d) burgueses e classe trabalhadora na sociedade industrial.
e) latifundiários e camponeses na América Contemporânea.

15. (2015/UFU)
Tem-se muitas vezes a impressão de que o clero detém o monopólio da cultura na Idade Média.
O ensino, o pensamento, as ciências, as artes seriam feitas por ele, para ele ou pelo menos sob
sua inspiração e controle. Trata-se de uma imagem falsa e que exige profunda correção. A
partir da revolução comercial e do desenvolvimento urbano, grupos sociais antigos ou novos
descobrem outras preocupações, têm sede de outros conhecimentos práticos ou teóricos
diferentes dos religiosos, criam instrumentos de saber e meios de expressão próprios.
LE GOFF, Jacques. Mercadores e banqueiros na Idade Média. Lisboa: Gradiva, s.d, p. 77. (Adaptado).

A historiografia costuma associar as transformações econômicas ocorridas na crise do


feudalismo na Europa Ocidental ao surgimento do mundo moderno. A citação do historiador
medievalista Jacques Le Goff reforça essa ligação, uma vez que a revolução comercial
a) arrefeceu a atividade evangelizadora da Igreja nas terras do Novo Mundo, uma vez que os
comerciantes que financiavam os jesuítas preferiram concentrar seus negócios nas fronteiras
da Europa e no norte da África.
b) transformou a Igreja em uma das principais apoiadoras da expansão comercial em curso,
reforçando os laços com a burguesia ascendente na luta contra os privilégios feudais da
nobreza.
c) acelerou o processo de reforma interna da Igreja Católica, que passou a admitir que a busca
pelos lucros e pela acumulação de capital não eram atividades que contrariavam a fé religiosa,
conforme acreditava a nobreza.
d) traduziu-se na aceleração do processo de secularização do mundo, em que os poderes
religiosos passaram a ser confrontados, sem desaparecerem por completo, com novas
interpretações sobre o mundo e a realidade dos homens.

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16. (2014/UFPR)
“O conhecimento histórico é sempre (...) uma consciência de si mesmo: ao estudar a história
de uma outra época, os homens não podem deixar de compará-la com seu próprio tempo (...).
Mas, ao comparar a nossa época e a nossa civilização com as outras épocas e civilizações,
corremos o risco de lhes aplicar a nossa própria medida(...)”.
(GUREVICH, Aron. As categorias da cultura medieval. Lisboa: Editorial Caminho, p. 15).

Aplicando o raciocínio exposto acima aos sentidos que a Idade Média adquiriu em diferentes
tempos históricos, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) Atualmente, os historiadores entendem o medievo na sua multiplicidade, com suas
especificidades regionais e temporais, ao mesmo tempo em que mostram a permanência e a
relevância de determinadas instituições e invenções medievais, como a universidade, o livro,
a imprensa e o banco.
( ) No século XV, surge a noção negativa de Idade Média, considerada uma era intermediária
e homogênea de trevas e ignorância, separando a antiguidade Grecoromana e o
Renascimento, que se via como herdeiro do período “clássico” – noção que ainda perdura
entre muitas pessoas.
( ) Nos séculos XX e XXI, obras como O Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia e Game of
Thrones evocam elementos medievais imaginativos, tais como a floresta como lugar do
mágico, cavaleiros, espadas, dragões, religiosidade, dando continuidade a recriações da Idade
Média em curso desde o século XIX.
( ) Na recente historiografia, por conta das apropriações midiáticas da Idade Média, procura-
se estabelecer as diferenças e as distâncias entre a Idade Média e a História do Brasil,
mostrando que o medievo não possui relação com a formação de nosso país, por ter sido um
fenômeno europeu.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
a) F – F – V – V.
b) V – V – F – V.
c) F – V – V – F.
d) V – V – V – F.
e) V – F – F – V.

17. (2014/UFPR)
O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de
Francisco de Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades
Menores) na Baixa Idade Média. Assinale a alternativa que relaciona o contexto de surgimento
dos Franciscanos e sua motivação de ação.
a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o abandono
de crianças, que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos,
para evitar que fossem recrutadas nas Cruzadas.
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b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigualdades


sociais, suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto
aos necessitados, entre elas a Ordem dos Franciscanos.
c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa
Idade Média, suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos
Franciscanos.
d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos
Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder
econômico da Igreja.
e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as
Ordens Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja
Católica.

18. (2014/UEMG)
I
Serena mãe virgem
Serena mãe virgem,
Escute esta oração;
Proteja-me da vergonha
E de Satanás;
Pelo amor de sua criança
Salve-me da traição;
Eu estava louco e selvagem;
E agora estou em cativeiro.
Você é bela e nobre
E cheia de doçura;
De você veio o belo,
O soberano criador.
Virgem, eu te suplico
Por sua santa ajuda;
Seja gentil e calma comigo
Pelo seu amor.
II
Enquanto eu cavalgava
Enquanto eu cavalgava recentemente
Perto de floresta verde procurando prazer,
Meu coração estava preocupado com uma mulher,
Doçura de todas as coisas;
Ouça, e eu posso lhe dizer
Tudo sobre esta doce criatura.
Esta mulher é doce e de sangue nobre,
Brilhante e bela e gentil;
Ela pode fazer bem a nós todos

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Por sua intercessão.


Dela Jesus,
Rei dos Céus,
Tomou carne e sangue.
Disponível em: poesiasdaidademedia.blogspot.com.br. Acesso em: 21 jun. 2013.

Os poemas apresentados, de autores desconhecidos, foram escritos no início do século XIV.


Nesses poemas, encontramos uma temática comum, que era uma das características
marcantes da Idade Média.
Com base nessas informações, a temática comum é
a) a presença da concepção de honra e coragem que estava ligada à figura dos cavaleiros,
personagens importantes nesse contexto histórico, os quais se tornaram referência moral para
todas as sociedades, até a atualidade.
b) a presença do amor livre, marcado pela libertinagem e pelas orgias, de uma sociedade com
regras muito mais flexíveis que as da atualidade, o que se observava no comportamento do
clero, sob forma de lassidão moral.
c) a apresentação do estilo de vida do campo, já que essa sociedade tinha como base as
grandes propriedades rurais, das quais a população quase não saía, por causa do medo de
ataques inimigos.
d) a presença da forte religiosidade que marcou o período, em razão da grande influência
cultural que a Igreja Católica exercia sobre uma sociedade que se sentia constantemente
vigiada por Deus.

19. (2014/1º - Fatec)


Nos séculos finais da Baixa Idade Média europeia, a economia de subsistência e de trocas
naturais tendia a ser suplantada pela economia monetária, a influência das cidades passou a
prevalecer sobre os campos, e a dinâmica de comércio levou à mudança e à ruptura das
corporações de ofício medievais.
(SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1988, p.5. Adaptado)

Analisando as transformações citadas, conclui-se, corretamente, que elas


a) evidenciaram o surgimento da nova classe social burguesa e a crise do sistema feudal.
b) fortaleceram a Igreja Católica, que incentivava a prática comercial no período medieval.
c) prejudicaram a burguesia comercial e favoreceram os proprietários das terras feudais.
d) demonstraram a força do sistema feudal e dos mecanismos de subsistência no campo.
e) enfraqueceram os reis absolutistas que dominaram a Europa durante o período medieval.

20. (2014/UFRGS)
Leia o segmento abaixo.

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O homem medieval pensa no cotidiano usando os mesmos moldes de sua teologia.


HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosacnaify, 2010. p. 375.

A base da teologia, no mundo medieval, sustenta-se


a) na escolástica.
b) no epicurismo.
c) no protestantismo.
d) no cristianismo primitivo.
e) no paganismo.

21. (2012/UFRGS)
Diversos fatores motivaram a denominada ‘Crise do século XIV’, ocorrida na Europa da Baixa
Idade Média. Dentre esses fatores, pode-se citar corretamente
a) a disseminação das guerras pelo continente europeu, a quebra da produção de alimentos e
a mortandade causada pela peste bubônica.
b) a efervescência religiosa das Cruzadas, a eclosão da Revolução dos Trinta Anos e o
despovoamento do Sacro Império.
c) a eclosão da Guerra dos Sete Anos, a conquista da França pelos muçulmanos e a epidemia
de varíola.
d) a deflagração da Guerra da Sucessão Espanhola, a dissolução da Liga Hanseática e a
decadência das comunas.
e) o advento da Reforma Protestante, o abandono dos arroteamentos e a eclosão de guerras
entre as cidades italianas.

22. (2011/UFRGS)
A Idade Média também foi denominada o “tempo das catedrais”. Data deste período da
História a construção da catedral de Burgos, na Espanha, reproduzida na figura a seguir.

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O estilo arquitetônico da catedral de Burgos é o:


a) renascentista.
b) românico.
c) gótico.
d) barroco.
e) moderno.

23. (2014/UFRGS)
Sobre o sistema feudal na Idade Média, é correto afirmar que
a) a economia é agrícola e pastoril, descentralizada e voltada para o mercado externo.
b) a sociedade estrutura-se como uma pirâmide, cuja base é formada pelos servos; o meio,
pela nobreza; e a parte superior, pelo clero.
c) a burguesia é a classe social econômica e politicamente mais poderosa.
d) a Igreja Católica consolida seu poder após o declínio do feudalismo.
e) a suserania e a vassalagem constituem-se em relações políticas entre os servos e os
membros do clero.

24. (2005/UFRGS)
Em relação ao sistema feudal que se estabeleceu na Europa ocidental a partir do século XI,
considere as seguintes afirmações.

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I - A Igreja, enquanto proprietária de imensos domínios fundiários, teve parte ativa no processo
de feudalização. No entanto, ela tentou amenizar a brutalidade da sociedade feudal através de
princípios como a Paz de Deus.
II - A repartição do poder na Baixa Idade Média era instituída por meio de um sistema de
vassalagem em que senhores de pequenos territórios tinham direitos e deveres para com
senhores cujos territórios eram maiores. Sendo assim, o Rei, senhor de todos os senhores,
sempre detinha a maior parcela de terra.
III - Na Idade Média, não existia uma nítida separação entre o público e o privado, o que se
refletia nas diferentes instituições da época. Assim, a moralidade católica estava presente
tanto na família quanto na forma de se aplicar a justiça.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

25. (2004/UERJ)
“Afirmo, portanto, que tínhamos atingido já o ano bem farto da Encarnação do Filho de Deus
de 1348, quando, na mui excelsa cidade de Florença, cuja beleza supera a de qualquer outra
da Itália, sobreveio a mortífera pestilência.”
BOCCACIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Círculo do livro, 1991.

No século XIV, a Europa conheceu uma crise, marcada pela tríade “guerra, peste e fome”. No
entanto, esta crise possibilitou condições para inúmeras transformações.
Como exemplo dessas transformações, ocorridas a partir do século XV, podemos citar:
a) aumento da densidade demográfica, determinando o crescimento da produção de
alimentos.
b) reforço dos laços de servidão, provocando a migração de habitantes das cidades para o
campo.
c) início do processo de expansão marítima, fortalecendo as monarquias em processo de
centralização.
d) reabertura do mar Mediterrâneo, promovendo o crescimento de relações econômicas mais
dinâmicas.

26. (2004/UFRGS)
Leia o texto abaixo:

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“Tão grande era o número de mortos que, escasseando os caixões, os cadáveres eram postos
em cima de simples tábuas. Não foi um só o caixão a receber dois ou três mortos
simultaneamente. Também não sucedeu uma vez apenas de esposa e marido, ou dois e três
irmãos, ou pai e filhos, serem enterrados no mesmo féretro [...].
Para dar sepultura à grande quantidade de corpos que se encaminhavam a qualquer igreja,
todos os dias, quase toda hora, não era suficiente a terra já sagrada; e menos ainda seria
suficiente se se desejasse dar a cada corpo um lugar próprio, conforme o antigo costume. Por
isso, passaram-se a edificar igrejas nos cemitérios, pois todos os lugares estavam repletos,
ainda que alguns fossem muito grandes; punham-se nessas igrejas, às centenas, os cadáveres
que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias dos navios [...].”
BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Abril, 1981.

O testemunho do escritor italiano Boccaccio faz referência ao advento da Peste Negra na


Europa ocidental, a qual acelerou a crise do sistema feudal dos séculos XIV e XV.
Assinale, entre as alternativas abaixo, o fator ao qual essa crise pode ser relacionada.
a) Nos séculos XIV e XV, a economia europeia tornou-se predominantemente urbana, o que
acarretou a falta de trabalhadores no campo para a produção agrícola. Sem boas condições de
alimentação, a população ficou mais sujeita às doenças.
b) O crescimento demográfico afirmou-se ao longo da Baixa Idade Média até um ponto em que
a produção do sistema feudal não foi mais capaz de alimentar a população que ficou
fragilizada.
c) As técnicas de produção eram muito desenvolvidas para a época, a ponto de provocarem
uma superprodução que gerou o desequilíbrio do sistema.
d) A servidão, instaurada como forma predominante de trabalho na Europa ocidental a partir
do século XV, enfraqueceu a população e levou à mortalidade endêmica.
e) Como resultado da mortalidade provocada pela Peste Negra, os nobres decretaram leis para
auxiliar a população camponesa.

27. (2004/UFRGS)
Os séculos XI e XII constituem um período de expansão na Europa ocidental marcado pelo
crescimento demográfico e das cidades, pelo dinamismo da economia interna e pela extensão
do comércio internacional. Nesse ínterim, os europeus assumem uma atitude ofensiva, da qual
um dos resultados são as Cruzadas.
Considere as afirmações abaixo a esse respeito.
I. No início, as Cruzadas foram encorajadas pelos imperadores bizantinos, os quais buscavam
apoio contra os invasores que pressionavam as fronteiras do Império do Oriente.
II. Nos séculos X e XI, numerosos foram os cristãos que, para obter o perdão de suas faltas e
assegurar a saúde eterna de suas almas, realizaram longas e difíceis viagens aos lugares santos
da cristandade. Essa tradição e a conquista turca no Oriente fizeram com que a guerra santa

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contra os muçulmanos, já forjada nas Guerras de Reconquista da Península Ibérica, tomasse


maior impulso.
III. Às motivações religiosas juntaram-se o espírito de aventura e a possibilidade de ganhos
materiais, o que pouco a pouco transformou as Cruzadas numa verdadeira empresa de
colonização.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.

28. (2002/UFRGS)
Considere os trechos a seguir, extraídos de documentos históricos redigidos, respectivamente,
por um cristão e um muçulmano a respeito da Conquista de Jerusalém em 1099, no contexto
da Primeira Cruzada.
Texto 1
"Na sexta-feira (15/07) de madrugada, organizamos um assalto geral à cidade sem poder tomá-
la (...). Nesse momento, um dos nossos cavaleiros, chamado Lietaud, escalou as muralhas.
Então, desde que ele subiu, todos os defensores fugiram dos muros para o meio da cidade, e
os nossos os perseguiram, matando-os e golpeando-os, até o Templo de Salomão, onde houve
uma tal carnificina que os nossos marcharam em seu sangue até os calcanhares."
("Gesta Francorum et Aliorum Hierosolimitanorum." Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1924, p. 202.)

Texto 2
"A população foi passada ao fio da espada e os francos massacraram os sarracenos da cidade
durante uma semana. Na mesquita al-Aqsa (... ), os francos massacraram mais de setenta mil
pessoas, entre as quais uma grande multidão de irmãs e de doutores sarracenos, devotos e
ascetas que tinham deixado suas terras para viver vida piedosa retirados nesses lugares
santos."
(IBN AL-ATHIR. In: GABRIELI, F. "Chroniques arabes des croisades." Paris: Sindbad, 1972, p. 62.)

A partir da leitura dos textos e do contexto histórico, é possível concluir que


I - O ataque a Jerusalém foi contra os muçulmanos, uma vez que a cidade estava sob seu
domínio.
II - A população que se encontrava na cidade, por ocasião do assalto, era composta por
guerreiros.
III - A população que buscou abrigo em templos religiosos foi poupada da fúria dos invasores.
Quais estão corretas?

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a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

29. (UFRGS/2000)
Analise as afirmações abaixo, relativas à formação da sociedade feudal.
I- A origem da condição servil está relacionada com o sistema do "colonato", que remonta ao
século IV da era cristã.
II- O processo de feudalização implicou enfraquecimento do poder real, já que cada feudo tinha
autonomia e era governado pelo seu senhor.
III- Neste processo, a cidade nunca deixou de cumprir seu papel, já que nela se concentravam
os senhores feudais e os principais centros de produção.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.

30. (2013/1º-Fatec)
A partir do ano 1000, a população europeia tem um grande aumento. Este crescimento
demográfico se relaciona com as tecnologias desenvolvidas naquela época, as quais
aumentaram a produção agrícola e melhoraram as condições de saúde e alimentação: a
charrua, substituindo o arado, a utilização do cavalo nas lavouras, e a rotatividade de
plantações, aproveitando melhor os solos. As populações do período agrupavam-se em
aldeias em volta da igreja e do castelo.
(LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis, Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 24. Adaptado)

A partir das informações do texto, é correto afirmar que o contexto histórico em questão é o
a) escravismo antigo.
b) capitalismo industrial.
c) socialismo soviético.
d) feudalismo medieval.
e) mercantilismo moderno.

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8. GABARITO
8.1. ENEM
1. E 2. A 3. B 4. B 5. C

8.2. OUTROS VESTIBULARES


1. A 11. B 21. A
2. A 12. D 22. C
3. B 13. D 23. B
4. D 14. B 24. C
5. D 15. D 25. D
6. C 16. D 26. B
7. C 17. B 27. E
8. C 18. A 28. A
9. C 19. A 29. C
10. C 20. A 30. D

9. QUESTÕES COMENTADAS
9.1. ENEM
1. (2019/Enem)
A cidade medieval é, antes de mais nada, uma sociedade da abundância, concentrada num
pequeno espaço em meio a vastas regiões pouco povoadas. Em seguida, é um lugar de
produção e de trocas, onde se articulam o artesanato e o comércio, sustentados por uma
economia monetária. É também o centro de um sistema de valores particular, do qual emerge
a prática laboriosa e criativa do trabalho, o gosto pelo negócio e pelo dinheiro, a inclinação
para o luxo, o senso da beleza. É ainda um sistema de organização de um espaço fechado com
muralhas, onde se penetra por portas e se caminha por ruas e praças e que é guarnecido por
torres.
LE GOFF, J.; SCHMITT, J.-C. Dicionário temático do Ocidente Medieval. Bauru: Edusc, 2006

No texto, o espaço descrito se caracteriza pela associação entre a ampliação das atividades
urbanas e a
a) emancipação do poder hegemônico da realeza
b) aceitação das práticas usuárias dos religiosos
c) independência da produção alimentar dos campos.
d) superação do ordenamento corporativo dos ofícios.

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e) permanência dos elementos arquitetônicos de proteção


Comentários
- A alternativa A está incorreta, pois a cidade medieval em muitos casos se encontra vinculada a um
senhor feudal, salvo ocasiões em que obtém sua carta de franquia.
- A alternativa B está incorreta. Provavelmente no século XII, os banqueiros passaram a exercer as
atividades que atualmente entendemos como dessa profissão, tais como depósitos, empréstimos e
transferências de valores entre regiões. Essas atividades eram condenadas pela Igreja, que
considerava pecado a obtenção de lucro, chamada de usura.
- A alternativa C está incorreta, afinal os centros urbanos eram espaços de trocas de produtos
agrícolas, que abasteciam a população citadina.
- A alternativa D está incorreta. Pois é no contexto das cidades medievais que ocorre o florescimento
das chamadas corporações de ofício, associações de mercadores ou artesãos que estabeleciam
normas para a produção, a qualidade dos produtos, os preços – incluindo o da matéria-prima
utilizada –, salários e condições de trabalho. Com isso, seus membros buscavam eliminar a
concorrência interna e externa, mantendo o controle do processo de fabricação.
- A alternativa E é a correta, pois conforme destaca o próprio texto, os espaços citadinos eram
cercados por muralhas e torres. Muitas cidades foram originadas do esforço de se proteger a
produção, ou resultantes das trocas comerciais.
Gabarito: E

2. (2018/Enem)
A existência em Jerusalém de um hospital voltado para o alojamento e o cuidado dos
peregrinos, assim como daqueles entre eles que estavam cansados ou doentes, fortaleceu o
elo entre a obra de assistência e de caridade e a Terra Santa. Ao fazer, em 1113, do Hospital
de Jerusalém um estabelecimento central da ordem, Pascoal II estimulava a filiação dos
hospitalários do Ocidente a ele, sobretudo daqueles que estavam ligados à peregrinação na
Terra Santa ou em outro lugar. A militarização do Hospital de Jerusalém não diminuiu a
vocação caritativa primitiva, mas a fortaleceu.
DEMURGER, A. Os Cavaleiros de Cristo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002 (adaptado).

o acontecimento descrito vincula-se ao fenômeno ocidental do(a)


a) surgimento do monasticismo guerreiro, ocasionado pelas cruzadas.
b) descentralização do poder eclesiástico, produzida pelo feudalismo.
c) alastramento da peste bubônica, provocado pela expansão comercial.
d) afirmação da fraternidade mendicante, estimulada pela reforma espiritual.
e) criação das faculdades de medicina, promovida pelo renascimento urbano.
Comentários
- A alternativa A é a resposta, mas poderia gerar certos questionamentos devido a palavra
“monasticismo”, que significa viver em função da prática religiosa. Dessa maneira, os monasticistas

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militares seriam os cruzados, que abdicaram de sua vida para lutar contra os muçulmanos e
conquistar a Terra Santa.
- A alternativa B está incorreta, afinal de contas as Cruzadas foram expedições pelas quais o papado
buscou a união da cristandade em torno de sua autoridade. Cabe destacar, contudo, que o
feudalismo promoveu a descentralização do poder político no Ocidente medieval, não do poder
eclesiástico.
- A alternativa C está incorreta, uma vez que os hospitais mencionados pelo texto são utilizados para
abrigar cruzados feridos nas batalhas contra os mouros pelo domínio de Jerusalém.
- A alternativa D está incorreta, posto que a assistência na Terra Santa era prestada aos combatentes
cristãos.
- A alternativa E está incorreta. As universitas surgem no Ocidente Medieval a partir do século XII,
oferecendo cursos de Teologia, Direito e Medicina. Vale destacar, contudo, que essas instituições
não se encontravam no oriente, onde eram recorrentes os centros intelectuais de muçulmanos.
Gabarito: A

3. (2017/Enem)
Mas era sobretudo a lã que os compradores, vindos da Flandres ou da Itália, procuravam por
toda a parte. Para satisfazê-los, as raças foram melhoradas através do aumento progressivo
das suas dimensões. Esse crescimento prosseguiu durante todo o século XIII, e as abadias da
Ordem de Cister, onde eram utilizados os métodos mais racionais de criação de gado,
desempenharam certamente um papel determinante nesse aperfeiçoamento.
DUBY, G. Economia rural e vida no campo no Ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1987. Adaptado.
O texto aponta para a relação entre aperfeiçoamento da atividade pastoril e avanço técnico
na Europa ocidental feudal, que resultou do(a)
A) crescimento do trabalho escravo.
B) desenvolvimento da vida urbana.
C) padronização dos impostos locais.
D) uniformização do processo produtivo.
E) desconcentração da estrutura fundiária.
Comentários
- A alternativa A está incorreta, afinal o trabalho escravo foi drasticamente reduzido no Ocidente
Medieval, limitando-se principalmente a algumas regiões do Mediterrâneo.
- A alternativa B é a resposta. Os progressos agrícolas permitiram a geração de excedentes agrícolas
no feudalismo, sistema que até então tendia à subsistência. Com isso, a produção sobressalente
passou a ser comercializada nos centros urbanos, o que estimulou o florescimento da vida urbana
ao longo da Idade Média.
- A alternativa C está incorreta, afinal a sociedade feudal era marcada pela descentralização política
e tributária, de maneira que os tributos eram definidos pelos senhores feudais.
- A alternativa D está incorreta. Conforme destaca o próprio texto, os novos métodos de criação de
gado se deram em certas partes da Europa, não sendo verificado de maneira uniformizada em todo
o continente.

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- A alternativa E está incorreta, uma vez que os avanços das técnicas agrícolas não culminaram no
afrouxamento das relações senhorio, de maneira que os senhores feudais foram exitosos na
conservação da estrutura fundiária.
Gabarito: B

4. (2019/Enem-PPL)
A ausência quase completa de fantasmas na Bíblia deve ter favorecido também a vontade de
rejeição dos fantasmas pela cultura cristã. Várias passagens dos Evangelhos manifestam
mesmo uma grande reticência com relação a um culto dos mortos: “Deixa os mortos sepultar
os mortos”, diz Jesus (Mt 8:21), ou ainda: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mt
22:32). Por certo, numerosos mortos são ressuscitados por Jesus (e, mais tarde, por alguns de
seus discípulos), mas tal milagre — o mais notório possível segundo as classificações
posteriores dos hagiógrafos medievais — não é assimilável ao retorno de um fantasma. Ele
prefigura a própria ressurreição do Cristo três dias depois de sua Paixão. Antecipa também a
ressurreição universal dos mortos no fim dos tempos.
SCHMITT, J.-C. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.

De acordo com o texto, a representação da morte ganhou novos significados nessa religião
para
f) extinguir as formas de ritualismo funerário.
g) evitar a expressão de antigas crenças politeístas.
h) sacramentar a execução do exorcismo de infiéis.
i) enfraquecer a convicção na existência de demônios.
j) consagrar as práticas de contato mediúnico transcendental.
Comentários
- A alternativa A está incorreta, afinal a descrença em fantasmas não implicou na eliminação de
rituais de sepultamento dos mortos. Na atualidade, um dos sacramentos do cristianismo é a unção
dos enfermos, realizado pelos clérigos para que o fiel possa suportar seu estado de debilidade, ou
mesmo realizar a transição para o outro mundo com tranquilidade.
- A alternativa B é a resposta.
- A alternativa C está incorreta, afinal o exorcismo é uma prática executada pelos sacerdotes para
combater os demônios que atormentavam o espírito dos fiéis.
- A alternativa D está incorreta, uma vez que a Igreja estimulou a crença em demônios, sendo muitos
deles divindades assimiladas de antigas crenças pagãs.
- A alternativa E está incorreta, pois a Igreja buscou combater a crença em fantasmas, entidades do
mundo sobrenatural que vulgarizavam a ressurreição de Cristo e divergiam do Juízo Final apregoado
pela instituição.
Gabarito: B

5. (2019/Enem)

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O cristianismo incorporou antigas práticas relativas ao fogo para criar uma festa sincrética. A
igreja retomou a distância de seis meses entre os nascimentos de Jesus Cristo e João Batista e
instituiu a data de comemoração a este último de tal maneira que as festas do solstício de
verão europeu com suas tradicionais fogueiras se tornaram “fogueiras de São João”. A festa
do fogo e da luz no entanto não foi imediatamente associada a São João Batista.
Na Baixa Idade Média, algumas práticas tradicionais da festa (como banhos, danças e cantos)
foram perseguidas por monges e bispos. A partir do Concílio de Trento (1545-1563), a Igreja
resolveu adotar celebrações em torno do fogo e associá-las à doutrina cristã.
CHIANCA, L. Devoção e diversão: expressões contemporâneas de festas e santos católicos. Revista Anthropológicas, n. 18,
2007 (adaptado).

Com o objetivo de se fortalecer, a instituição mencionada no texto adotou as práticas descritas,


que consistem em
a) promoção de atos ecumênicos.
b) fomento de orientação bíblicas.
c) apropriação de cerimônias seculares.
d) retomada de ensinamentos apostólicos.
e) ressignificação de rituais fundamentalistas.
Comentários
A questão demandava interpretação de texto do candidato. A afirmação do cristianismo no
Ocidente também se deu pela assimilação de ritos e tradições da cultura popular que eram
ressignificados pela instituição. Foi o caso da fogueira de São João, oriunda de tradições
camponesas, e também do carnaval. Feitas essas considerações, a alternativa C é a resposta.
- A alternativa A está incorreta, pois conforme destaca o próprio texto, o cristianismo buscou
perseguir práticas tradicionais da cultura popular. Contudo, certos elementos foram incorporados
com o passar do tempo, tendo em vista a consolidação do cristianismo entre os setores populares.
- As alternativas B e D estão incorretas, afinal a estratégia de afirmação do cristianismo destacada
pelo texto não se deu pela difusão das Sagradas Escrituras ou dos ensinamentos, mas pela
assimilação de elementos da cultura popular.
- A alternativa E está incorreta, afinal os rituais destacados pelo texto não eram fundamentalistas,
mas expressões da tradição cultural da população.
Gabarito: C

9.2. OUTROS VESTIBULARES


1. (2019/UFPR)
Leia o trecho abaixo, retirado de uma carta escrita entre 830 e 840 pelo aristocrata franco
Eginhardo, em favor de camponeses:
Ao nosso mui querido amigo, o glorioso conde Hatton, Eginhardo, saudação eterna do Senhor.
Um dos vossos servos, de nome Huno, veio à igreja dos santos mártires Marcelino e Pedro
pedir mercê* pela falta que cometeu contraindo casamento sem o vosso consentimento [...].

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Vimos, pois, solicitar a vossa bondade para que em nosso favor useis de indulgência em relação
a este homem, se julgais que a sua falta pode ser perdoada. Desejo-vos boa saúde com a graça
do Senhor.
(Cartas de Eginhardo. Tradução de Ricardo da Costa. Extratos de documentos medievais sobre o campesinato (sécs. V-XV).
*pedir mercê = pedir intercessão.

No extrato acima, encontramos elementos da vida social e econômica do período medieval


europeu (Alta Idade Média).
Esse documento insere-se em qual sistema social, político e econômico predominante nesse
contexto?
a) Feudalismo, caracterizado pela ruralização da economia, pela relação senhorial entre nobres
e servos e pela atuação social e política da Igreja Católica.
b) Mercantilismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação senhorial entre
nobres e camponeses e pela atuação social e política da Igreja Protestante.
c) Socialismo, caracterizado pela ruralização da economia, pela relação remunerada entre
nobres e servos e pela atuação cultural e política da Igreja Cristã.
d) Mercantilismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação campesina entre
nobres e vassalos e pela atuação social e política da Igreja Ortodoxa.
e) Feudalismo, caracterizado pela urbanização da economia, pela relação agrária entre o clero
e os servos e pela atuação social e cultural da Igreja Cristã.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. O feudalismo foi um modo de produção baseado nas relações de
senhorio (ou dominium), estabelecida entre nobres e camponeses que viviam eu seus domínios, nas
quais os primeiros se comprometiam a conferir segurança aqueles que trabalhassem em suas terras
e pagassem tributos. Tal relação de dependência pode ser percebida na carta, na qual um servo
deveria ser perdoado por ter se casado sem o consentimento de seu senhor. Além disso, o
documento também evidencia a predominância da Igreja no pensamento religioso do homem
medieval, manifestada nas saudações de Eginhardo, e o meio rural predominante no período, afinal
predominavam relações de servidão sobre a terra.
- As alternativas B e D estão incorretas, afinal o mercantilismo é o conjunto de práticas e concepções
econômicas observadas na Europa do início da Idade Moderna, baseadas na visão de que as riquezas
do mundo eram limitadas e deveriam ser acumuladas pelos Estados modernos.
- A alternativa C está incorreta, afinal o ideal socialista se pauta na ideia de igualdade social, o que
necessariamente pressupõe o rompimento das relações de exploração entre nobres e servos.
- A alternativa E está incorreta, afinal a feudalidade se caracteriza pelo seu cenário rural, pelas
relações de senhorio entre nobres e servos e pela hegemonia ideológica exercida pela Igreja
Católica.
Gabarito: A

2. (2019/UFRGS)

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Assinale a alternativa correta sobre a chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453), entre
Inglaterra e França.
a) O conflito marcou a gradual transformação dos exércitos feudais em forças militares
profissionalizadas e iniciou o lento processo de decadência da aristocracia feudal nos
respectivos países.
b) A guerra foi vencida pela Inglaterra e teve como consequência a eclosão de rebeliões na
França que culminaram com a deposição da dinastia dos Valois do trono francês.
c) O confronto consolidou a transformação da Inglaterra na principal potência econômica do
período moderno, por meio do processo de pacificação interna que se seguiu à guerra.
d) A consequência da guerra para os dois países foi a consolidação de estruturas sociais feudais,
tornadas mais fortes com o enfraquecimento das monarquias centrais.
e) A origem do conflito foi a invasão da Inglaterra pela França e a subsequente instalação de
uma dinastia pró-França no trono inglês, derrubada ao longo da guerra.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. O longo conflito travado entre França e Inglaterra demandou que estes
mantivessem exércitos profissionais para se manterem em combate, o que contribuiu para o
enfraquecimento dos efetivos privados até então mantidos pela nobreza feudal. Assim sendo, a
transição da Idade Média para a Idade Moderna deve ser compreendida como um processo de
centralização do poder político dos reis, que passam a dispor do monopólio da força e concentrar
outras prerrogativas.
- A alternativa B está incorreta, afinal a Inglaterra foi vencida pelo reino de França na Guerra dos
Cem Anos, este último comandado pela dinastia Valois.
- A alternativa C está incorreta. Após serem derrotados no conflito contra a França, os ingleses
entraram em uma guerra civil travada entre duas dinastias, a chamada Guerra das Duas Rosas (1455-
1485).
- A alternativa D está incorreta. A chamada Guerra dos Cem Anos contribuiu para o processo de
centralização do poder na França, a partir do enfraquecimento da nobreza feudal. Dessa maneira,
podemos considerar o conflito como um dos fatores que contribuiu para a crise do feudalismo no
território francês
- A alternativa E está incorreta. O conflito foi fomentado por questões dinásticas envolvendo o trono
francês, disputado por herdeiros da coroa inglesa, mas que possuíam parentesco com o falecido rei
de França.
Gabarito: A

3. (2019/Unesp)
Por muitíssimo tempo escreveu-se a história sem se preocupar com as mulheres. No século XII
assim como hoje, masculino e feminino não andam um sem o outro. As damas de Guînes e as
damas de Ardres tiveram todas por marido um ás da guerra, senhor de uma fortaleza que seu
mais remoto ancestral havia edificado.
(Georges Duby. Damas do século XII: a lembrança das ancestrais, 1997. Adaptado.)

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O texto trata de relações desenvolvidas num meio social específico, durante a Idade Média
ocidental. Nele,
a) as mulheres passavam a maior parte de seu tempo nas igrejas, o que incluía o trabalho de
orientação religiosa, e os homens atravessavam as noites em tabernas e restaurantes.
b) os homens controlavam os espaços públicos, o que incluía as ações militares, e as mulheres,
confinadas ao espaço doméstico, eram associadas à maternidade e, ocasionalmente, à
santidade.
c) os homens responsabilizavam-se pelos assuntos culturais, o que incluía a instrução dos
filhos, e as mulheres dedicavam-se ao preparo das refeições cotidianas e, ocasionalmente, de
banquetes.
d) as mulheres eram obrigadas a pagar impostos, o que incluía o dízimo, e os homens, livres
de qualquer tributo, conseguiam acumular mais bens e, ocasionalmente, enriquecer.
e) os homens dedicavam-se ao comércio, o que incluía deslocamentos para regiões afastadas
de casa, e as mulheres incumbiam-se do trabalho nas lavouras e, ocasionalmente, na forja de
metais.
Comentários
A questão aborda a imagem legada às mulheres pela sociedade feudal. Como dissemos
anteriormente, o feminino ora era tido como fonte do pecado original, representado pela figura de
Eva, ora exaltado pela pureza e maternidade, modelo encarnado pela imagem da Virgem Maria.
Segundo as autoridades religiosas, para que a mulher se afastasse de sua ancestral do Éden e se
aproximasse da mãe de Cristo era preciso que ela se desposasse o quanto antes, afinal a vida de
casada a faria devota a seu marido e mestre, reclusa em um espaço doméstico, enquanto aos
homens era reservado o mundo público. Assim sendo, a alternativa B é a correta.
- Todas as demais alternativas envolvem as mulheres exercendo atividades no mundo público,
estando, portanto, incorretas. No caso da alternativa E, cabe destacar que ainda que as mulheres
camponesas se dedicavam às tarefas agrícolas, e a ferraria era uma atividade masculina, e por isso
essa alternativa também está incorreta.
Gabarito: B

4. (2018/Famerp)
“O Ocidente havia conhecido somente três modos de acesso ao poder: o nascimento, o mais
importante, a riqueza, muito secundário até o século XIII salvo na Roma Antiga, o sorteio, de
alcance limitado entre os cidadãos das cidades gregas da Antiguidade.”
(Jacques Le Goff. Os intelectuais na Idade Média, 1985. Adaptado.)

O excerto sustenta que o acesso ao poder por meio da riqueza era secundário na Europa
Ocidental até o século XIII, quando
a) as monarquias nacionais sobrepuseram-se aos direitos da nobreza senhorial sobre os seus
feudos.
b) o esfacelamento do poder imperial romano transferiu as funções de defesa militar para os
burgueses das cidades.
c) os reis absolutistas constituíram seus exércitos com recursos de impostos arrecadados de
banqueiros e comerciantes.

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d) as atividades comerciais e artesanais produziram novos grupos sociais no interior das


cidades medievais.
e) a fragmentação econômica do continente europeu foi substituída por um só padrão
monetário.
Comentários
- A alternativa A está incorreta. As monarquias nacionais (ou absolutistas) passam a se sobrepor às
relações de senhorio e também sobre as feudo-vassálicas a partir do século XV, nos primórdios da
Idade Moderna.
- A alternativa B está incorreta. A desintegração do Império Romano marca o final da Antiguidade,
durante o século V d.C. O texto, por sua vez, descreve o Ocidente europeu durante a Baixa Idade
Média, marcada pelo florescimento dos centros urbanos e pela retomada do grande comércio.
- A alternativa C está incorreta. O absolutismo foi uma forma de poder que se consolida durante a
Idade Moderna, séculos após o contexto abordado pela questão.
- A alternativa D está correta. O florescimento dos centros urbanos e a guinada nas relações
comerciais contribuiu para a formação de um novo grupo social, a burguesia, que incluía artesãos,
banqueiros e comerciantes.
- A alternativa E está incorreta. Durante a Baixa Idade Média, período abordado pelo enunciado, as
atividades econômicas induziram senhores feudais e burgos a adotarem seus próprios padrões
monetários, sendo uma das razões que contribuiu para o surgimento dos banqueiros.
Gabarito: D

5. (2018/UFU)
Observe a imagem.

Pintura medieval de 1411. <https://brasilescola.uol.com.br/o-que-


e/historia/o-que-foi-a-peste-negra.htm>

Essa pintura retrata um dos fatores que contribuíram


para a derrocada do sistema feudal na Europa Medieval. Sobre o contexto abordado, é correto
afirmar que a rápida disseminação da peste negra decorreu em grande parte em função
a) da circulação de mercadorias na Europa totalmente urbanizada.
b) do reforço do sistema servil, que debilitou ainda mais os camponeses.
c) da crença na ira divina, que dificultava a cura pela medicina.
d) do baixo nível nutricional e das precárias condições sanitárias dos indivíduos.
Comentários

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- A alternativa A está incorreta, afinal a Europa era predominante rural no período em que boa parte
de sua população foi devastada pela disseminação da peste.
- A alternativa B está incorreta. A disseminação da peste bubônica não se encontra diretamente
relacionada às formas de trabalho, mas às condições sanitárias existentes na sociedade feudal.
- A alternativa C está incorreta. Apesar do Homem medieval justificar a disseminação da Peste Negra
como um castigo divino, isso não significou a inexistência de tentativas por parte da medicina
ocidental para a contenção da doença.
- A alternativa D é a resposta. A Peste Negra foi uma doença que dizimou pelo menos um terço da
população europeia no século XIV. A transmissão se dava pelas pulgas dos ratos que infestavam as
cidades sujas, insalubres e superpopulosas do período, chegando também a alcançar os campos.
Gabarito: D

6. (2018/Unesp)
A era feudal tinha legado às sociedades que a seguiram a cavalaria, cristalizada em nobreza.
[...] Até nas nossas sociedades, em que morrer pela sua terra deixou de ser monopólio de uma
classe ou profissão, o sentimento persistente de uma espécie de supremacia moral ligada à
função do guerreiro profissional — atitude tão estranha a outras civilizações, tal como a
chinesa — permanece uma lembrança da divisão operada, no começo dos tempos feudais,
entre o camponês e o cavaleiro.
(Marc Bloch. A sociedade feudal, 1987. Adaptado.)
Segundo o texto, a valorização da ação militar
a) representa a continuidade da estrutura social originária da Idade Média.
b) ultrapassa as barreiras de classe social, igualando os homens medievais.
c) deriva da associação, surgida na Idade Média, entre nobres e cavaleiros.
d) surgiu na Idade Média e é desconhecida nas sociedades modernas.
e) revela a identificação medieval de quem trabalhava com quem lutava.
Comentários
Questão de interpretação de texto: na primeira linha do fragmento do enunciado, o
historiador Marc Bloch se refere indiretamente ao grupo denominado milites, guerreiros que
prestavam serviços para os castelos e que com o passar do tempo fundiram-se junto a aristocracia
da terra. A cavalaria serviu como amálgama entre estes dois grupos, passando a reunir um conjunto
de códigos e valores que orientam a ação dos indivíduos pertencentes a essa classe. Assim sendo, a
alternativa C é a correta, mas vejamos as demais:
- Ao longo do nosso curso vimos Esparta e Roma, sociedades antigas que também valorizavam a
ação militar, mesmo sem dispor de uma organização social semelhante à da civilização feudal. Assim
sendo, não é possível afirmar que o militarismo é algo decorrente da dinâmica medieval, e por isso
a alternativa A está incorreta.
- A sociedade feudal era dividida em estratos sociais bem definidos, com mobilidade social restrita
entre seus indivíduos. A ação militar era atribuição tida como exclusiva da nobreza, e por isso a
alternativa B está incorreta.
- A ação militar é uma das grandes preocupações do poder monárquico no processo de formação
dos estados modernos, e por isso a alternativa D está incorreta. Contudo, cabe destacar que a

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cavalaria tem sua importância tática diminuída diante do surgimento do aprimoramento da


artilharia, a partir da disseminação da pólvora no Ocidente.
- A cavalaria pressupõe um conjunto de atitudes e valores que distinguem os nobres das demais
classes, em especial dos laboratores. Assim sendo, a alternativa E está incorreta.
Gabarito: C

7. (2017/UFRGS)
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre a história da Idade Média
ocidental.
( ) A instalação de povos de origem germânica no território do Império Romano, as chamadas
“invasões bárbaras”, ocorreu também por meio de processos migratórios pacíficos e
negociados com o Estado romano.
( ) O processo de fragmentação territorial do Império Romano Germânico, após a ascensão
de Carlos Magno no século VIII, foi decorrência da ruptura entre o reino franco e a Igreja cristã.
( ) A servidão foi uma situação intermediária entre a escravidão definitiva e a liberdade plena,
pois impunha uma série de limitações aos servos, sem torná-los propriedade dos seus
senhores.
( ) A Escolástica, principal método de ensino nas universidades medievais, previa o estudo
filológico da Bíblia e recusava o recurso à filosofia antiga, considerada pagã e herética.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – V – F – V.
b) F – V – F – V.
c) V – F – V – F.
d) F – V – V – F.
e) F – F – V – V
Comentários
Essa é uma questão difícil, afinal envolve conhecimentos sobre a filosofia medieval. Contudo,
comecemos pelas afirmações mais simples mais simples:
- A primeira afirmação é verdadeira. Embora genericamente chamadas de “invasões bárbaras”, a
migração dos povos germânicos para o Império Romano envolveu não somente atos violentos e
desautorizados pelo poder central, mas deslocamentos negociados com o Estado de povos aliados,
com o intuído de contribuírem para a proteção de suas fronteiras.
- A segunda afirmação é falsa. A fragmentação do Império Romano Germânico foi motivada tanto
pela indolência dos reis que sucederam Carlos Magno no trono, mas sobretudo pela nova onda de
invasões na Europa Ocidental, da qual fizeram parte os escandinavos (vikings), magiares (húngaros)
e sarracenos (árabes).
- A terceira afirmação é verdadeira. Os servos do Ocidente medieval não eram propriedade de seus
senhores, o que torna incorreta sua associação com a condição vivida por escravos antigos e

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modernos. Por outro lado, eram ligados aos senhores feudais por uma série de tributos e obrigações,
e por isso não gozavam de liberdade plena.
- A quarta e última afirmação é falsa. A escolástica, visão filosófica legada pelos centros de estudos
formados durante o chamado renascimento carolíngio, se baseou na recuperação de obras
aristotélicas para buscar a harmonização entre a fé e a razão.
Sendo correta a sequência V-F-V-F, a alternativa C é a resposta.
Gabarito: C

8. (2017/Famerp)
Aparece na literatura medieval, no final do século IX, para florescer no século XI, até se tornar
um lugar comum no século XII, um tema que descreve a sociedade que se divide em três
categorias ou ordens.
Jacques Le Goff. Para uma outra Idade Média, 2013.

As “três categorias ou ordens” citadas no texto são, respectivamente,


a) aristocracia, burguesia e proletariado.
b) militares, patrícios e camponeses.
c) clérigos, guerreiros e trabalhadores.
d) comerciantes, industriais e operariado.
e) classe alta, classe média e classe baixa.
Comentários
- A alternativa A está incorreta. A burguesia é um grupo social cujas origens remontam a Baixa idade
Média, mas que só se consolida enquanto classe séculos depois, com o advento do capitalismo. Além
disso, a figura do proletário também está relacionada ao surgimento do modo produção industrial.
- A alternativa B está incorreta, afinal os patrícios constituíam a classe dominante da Roma Antiga,
enquanto as funções militares da Baixa Idade Média ficavam a cargo da nobreza de cavalaria.
- A alternativa C é a resposta. Observe abaixo a representação da sociedade estamental verificada
na Europa feudal:

Clero
Composto pelos membros da Igreja, eram os
ORATORES responsáveis pela ligação do mundo divino
com o mundo terreno.
Nobreza Classe composta por senhores feudais e
BELLATORES cavaleiros, era encarregada da proteção dos
demais grupos.
Servos e camponeses Responsáveis pelo trabalho que sustenta toda
LABORATORES a sociedade feudal.

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- A alternativa D está incorreta, afinal o modo de produção industrial surge a partir do século XVII,
com a chamada Revolução Industrial. Além disso, operariado, industriais e comerciantes não eram
classes sociais.
- A alternativa E está incorreta, pois comete um anacronismo ao se utilizar de noções
contemporâneas de classe social para definir a sociedade feudal.
Gabarito: C

9. (2017/UFPR)
Considere o fragmento abaixo:
Durante a Idade Média, a figura feminina revestiu-se dos piores atributos imagináveis. Para os
teólogos, além de infantil e inconstante, a mulher era mãe de todo pecado: Thomas Murner
chamava-a de “Diabo doméstico”, enquanto Tomás de Aquino reservava-lhe a pecha de
“macho deficiente”. Essas características levaram-na a ser o elo fraco das sociedades cristãs, a
janela pela qual Satã adentrava territórios sacramentados. Sendo fraca de vontade e caráter,
a mulher ficava à mercê das tentações demoníacas, tornando-se facilmente discípula e amante
do Diabo.
(SOUZA, Aníbal. Missionários e Feiticeiros. História: Questões e Debates, Curitiba, v. 13. jul./dez., 1996. p. 118.)

Em relação ao imaginário na Idade Média, é correto afirmar que vigorava uma forte influência:
a) cristã protestante e alto poder do clero, com grande perseguição contra os considerados
heréticos.
b) cristã protestante e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande
perseguição contra os considerados vassalos.
c) católica e alto poder do clero, além de pouca mobilidade social e grande perseguição contra
os considerados heréticos.
d) católica e alto poder dos nobres, além de grande mobilidade social e perseguição contra
protestantes, considerados heréticos.
e) católica e alto poder do clero, além de grande mobilidade social e perseguição contra os
considerados vassalos.
Comentários
- As alternativas A e B estão incorretas, afinal as religiões protestantes surgem na Europa do século
XVI, durante a Idade Moderna.
- As alternativa C é a resposta. Ocupando o topo da pirâmide social da Europa feudal, o clero era
encarregado pela formação do substrato ideológico predominante no período, impondo
perseguições a todos aqueles que apresentassem condutas tidas como destoantes dos valores e
práticas pregadas pela doutrina oficial.
- A alternativa D está incorreta, afinal o pensamento medieval era condicionado pelos valores
legados pela Igreja, e não pelos nobres. Ademais, trata-se de uma sociedade composta por
estamentos, não havendo grande mobilidade social dos indivíduos.

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- A alternativa E está incorreta, afinal não há grande mobilidade em sociedades estamentais como
a do feudalismo do Ocidente Medieval. Além disso, vassalo é o nome dado ao nobre que recebe um
feudo de seu suserano.
Gabarito: C

10. (2017/UFU)
Os especialistas em demografia histórica são mais ou menos concordes em estimar que a
população global do reino da França no mínimo duplicou entre os anos mil e 1328, passando
de cerca de 6 milhões de habitantes para 13,5 milhões, e de 16 a 17 milhões, considerando as
regiões que desde então se tornaram francesas.
LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Trad. Antônio Danesi, São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 4. (Adaptado).

De acordo com a citação, pode-se afirmar que o principal fator que permitiu o crescimento da
população europeia foi
a) O controle da Peste Negra por meio da implantação de medidas de saneamento das grandes
cidades europeias.
b) O fim dos conflitos entre os reinos, especialmente o da “Guerra dos Cem Anos”, entre França
e Inglaterra.
c) A relativa estabilidade política e econômica, que fomentou a expansão dos burgos e o
aumento da produção agrícola nos campos.
d) O incremento da agricultura, que impulsionou o sistema de trocas de mercadorias
promovendo a prosperidade nos feudos.
Comentários
Antes de comentarmos as alternativas, repare no título do livro do qual foi retirado o trecho
do enunciado: O apogeu da cidade medieval, de Jacques Le Goff. A partir dessa informação,
podemos concluir que o crescimento da população está relacionado aos centros urbanos da Baixa
Idade Média, o que nos auxilia a alcançar a resposta. Vamos lá:
- A alternativa A está incorreta, afinal as políticas de saneamento urbano não foram uma
preocupação dos habitantes dos burgos durante a Idade Média. Além disso, a população medieval
passa a crescer antes da peste negra se tornar uma epidemia no Ocidente.
- A alternativa B está incorreta, pois a explosão demográfica verificada no Ocidente medieval
antecede o início da Guerra dos Cem Anos (1337-1453).
- A alternativa C é a resposta. Durante a Baixa Idade Média verifica-se a diminuição dos conflitos
interfeudais, o aumento da produção agrícola devido a implementação de novas técnicas e o
crescimento dos centros urbanos, onde os indivíduos possuíam uma qualidade de vida
relativamente maior que nos campos.
- A alternativa D está incorreta. O impulsionamento das trocas comerciais levou à crise das relações
feudais de produção, pois eram baseadas nas relações de senhorio e voltadas à autossuficiência das
unidades produtivas.
Gabarito: C

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11. (2016/UFRGS)
Sobre a história da Idade Média, assinale a alternativa correta.
a) A criação do Sacro Império Romano Germânico no Ocidente, no contexto da expansão
carolíngia do século VIII, resultou na conversão dos francos ao cristianismo.
b) A Igreja permitia o ingresso feminino apenas nas ordens regulares, enquanto as seculares
eram reservadas somente aos homens.
c) A aristocracia exercia atividade guerreira, embora não fosse detentora de terras ou de
direitos senhoriais.
d) A criação dos relógios mecânicos públicos, a partir do século XIII, reforçou o monopólio
eclesiástico no controle do tempo pela Igreja.
e) A presença islâmica no Mediterrâneo, a partir do século VII, caracterizou-se pela destruição
dos mecanismos de administração urbana nas cidades europeias.
Comentários
Essa é uma questão difícil! Vejamos as alternativas:
- A alternativa A está incorreta, afinal a conversão dos francos se deu durante o século V – três
séculos antes da formação do Império Carolíngio.
- A alternativa B é a resposta. As freiras e abadessas da Idade Média viviam em ordens regulares
estruturadas em conventos, onde poderiam exercer atividades intelectuais e firmar relações de
senhorio com os camponeses locais. As ordens seculares, ou seja, aquelas que atuavam junto ao
mundo mundano, não contavam com a participação de mulheres.
- A alternativa C está incorreta. Embora a relação da nobreza feudal com a terra não fosse pautada
pela noção de propriedade privada, podemos dizer que o estamento possuía direitos senhoriais
sobre ela, daí a prerrogativa de cobrar tributos dos camponeses que nela produziam.
- A alternativa D está incorreta. A criação dos relógios mecânicos contribuiu para o advento do
tempo laico (ou tempo do mercador), mais preciso na contagem das horas do dia que o tempo
religioso que regia as atividades econômicas. Por ser desvinculado dos marcos temporais
estabelecidos pela Igreja, não é possível afirmar que o tempo laico contribui para o fortalecimento
do poder clerical.
- A alternativa E está incorreta, pois a interação com o mundo muçulmano fortaleceu os centros
urbanos europeus nas penínsulas itálica e ibérica.
Gabarito: B

12. (2016/UFRGS)
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, sobre a crise do século XIV na
Europa, durante a Baixa Idade Média.
( ) A principal causa da crise foi uma combinação entre a Guerra dos Trinta Anos, as revoltas
continentais contra o absolutismo e a propagação da peste bubônica por todo o continente.
( ) A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra foi o principal conflito militar associado à
crise e teve por resultado a vitória francesa diante dos ingleses.

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( ) A crise enfraqueceu política e economicamente os senhores feudais, dando início a uma


gradual transferência de poder para as monarquias europeias nos séculos seguintes.
( ) A crise destruiu o absolutismo monárquico como sistema político e abriu caminho para a
descentralização de poder, típica do período medieval tardio.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
a) V – F – F – V.
b) F – F – V – V.
c) V – V – F – F.
d) F – V – V – F.
e) F – V – F – V.
Comentários
- A primeira afirmação é falsa. A Guerra dos Trinta Anos ocorreu entre 1618 e 1648, séculos depois
da crise da Idade Média. O absolutismo, por sua vez, é uma forma de governo que inexistia no
Ocidente medieval.
- A segunda afirmação é verdadeira. A principal consequência da Guerra dos Cem Anos foi o
fortalecimento do poder real na França, reino vencedor do conflito. Com isso, a nobreza feudal
perde poder militar e diversas atribuições que passam a ser prerrogativas do Rei.
- A terceira afirmação é verdadeira, pois as guerras, doenças e a forme do século XIV abalaram a
produção dos feudos, e consequentemente, o poderio de seus senhores.
- A quarta afirmação é falsa, afinal a forma de governo absolutista é própria da Europa Moderna.
Sendo F-V-V-F a sequência correta de preenchimento dos parênteses, a alternativa D é a resposta.
Gabarito: D

13. (2016/UFU)
Mas o objetivo da produção, mesmo com meios modestos, não era um fim abstrato como hoje,
mas prazer e ócio. Esse conceito antigo e medieval de ócio não deve ser confundido com o
conceito moderno de tempo livre. Isso porque o ócio não era uma parcela da vida separada do
processo de atividade remunerada, antes estava presente, por assim dizer, nos poros e nos
nichos da própria atividade produtiva.
KURZ, Robert. A expropriação do tempo. Folha de São Paulo, 3 jan.1999. p. 5 (Adaptado).

A noção de tempo livre assumiu uma qualidade positiva distinta daquela de ócio, em função
de estar articulada a um conjunto de transformações socioeconômicas, localizadas a partir de
fins da Idade Média, e que se caracterizava
a) pelo incremento da produção agrícola para o mercado interno, responsável pelo chamado
renascimento feudal do século XV.
b) pela crescente mercantilização das terras da Igreja, cada vez mais alinhada com as modernas
concepções sobre o trabalho.

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c) pela descentralização político-administrativa das emergentes monarquias nacionais, fator


de estímulo para o crescimento da produção mercantil.
d) pela aceleração das atividades urbanas e comerciais, com o crescimento da produção
mercantil e das camadas burguesas da sociedade.
Comentários
- A alternativa A está incorreta. Dentre as transformações socioeconômicas que contribuíram para
a alteração do conceito de ócio para o Homem europeu, podemos destacar o renascimento dos
centros urbanos e do grande comércio, durante a Baixa Idade Média.
- A alternativa B está incorreta. Apesar das transformações nos conceitos de ócio e trabalho durante
a Baixa Idade Média, a terra permaneceu como um bem vinculado a relações feudo-vassálicas e de
senhorio.
- A alternativa C está incorreta, afinal o advento das monarquias nacionais ocorre na passagem da
Baixa Idade Média para a Idade Moderna, por volta do século XV. Este processo, vale destacar, é
marcado pela centralização político-administrativa em torno da figura do Rei.
- A alternativa D é a resposta. A Baixa Idade Média foi um período marcado pela dinamização dos
centros urbanos – os chamados burgos – e pela retomada do grande comércio entre os mundos
ocidental e oriental. Tal cenário possibilitou a formação de um novo grupo social, a burguesia, cuja
concepção de ócio se distinguia da existente na feudalidade devido a introdução de uma nova
demarcação do tempo (laico) e por priorizar relações de trabalho baseadas em jornadas pagas em
salário.
Gabarito: D

14. (2015/UEMA)
No século XI, o bispo Fulbert de Chartes foi convidado a escrever sobre a fórmula da fidelidade
e assim o fez: Aquele que jura fidelidade a seu senhor deve ter sempre em mente estes seis
princípios: proteção, segurança, honra, interesse, liberdade, faculdade. Proteção, quer dizer,
nada deve ser feito em prejuízo do senhor quanto ao seu corpo. Segurança, nada em prejuízo
da residência onde ele habita ou de suas fortalezas nas quais ele possa se achar. Honra, quer
dizer, nada em detrimento de sua justiça ou do que possa sua honra depender. Interesse, quer
dizer, nada que possa prejudicar suas possessões. Liberdade e faculdade, quer dizer, o bem
que o senhor possa fazer não lhe deva ser tornado difícil e o que ele esteja fazendo tornado
impossível (...)
Fonte: Fulbert de Chartres. Epistolae, LVIII, ano 1020. In: Jaime Pinsky. Modo de produção feudal. 2 ed. São Paulo: Global,
1982.

Os princípios apresentados na cerimônia descrita pelo texto fazem referência às relações


sociais entre
a) patrícios e plebeus na Antiguidade.
b) suseranos e vassalos na Idade Média.
c) proprietários de terras e escravos no Brasil Colonial.
d) burgueses e classe trabalhadora na sociedade industrial.

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e) latifundiários e camponeses na América Contemporânea.


Comentários
- A alternativa A está incorreta, afinal a relação entre patrícios e plebeus não era baseada em laços
de fidelidade.
- A alternativa B é a resposta. A cerimônia descrita no texto firma laços feudo-vassálicos entre dois
nobres, o vassalo e o suserano. Este concede um feudo ao primeiro, que por sua vez, oferece
segurança e fidelidade em retribuição. Trata-se, portanto, de uma aliança político-militar.
- A alternativa C está incorreta, afinal o escravo é visto como uma mercadoria na América
Portuguesa, o que o torna um ente juridicamente incapaz de firmar alianças com seus senhores.
- A alternativa D está incorreta, afinal a aliança descrita no texto era estabelecida entre dois nobres
da Idade Média. A burguesia e o proletariado só se consolidam enquanto classes sociais séculos
depois, com o advento do capitalismo industrial.
- A alternativa E está incorreta, pois conforme já destaco pelo próprio texto, a cerimônia ocorreu
durante o século XI, ou seja, na Idade Média.
Gabarito: B

15. (2015/UFU)
Tem-se muitas vezes a impressão de que o clero detém o monopólio da cultura na Idade Média.
O ensino, o pensamento, as ciências, as artes seriam feitas por ele, para ele ou pelo menos sob
sua inspiração e controle. Trata-se de uma imagem falsa e que exige profunda correção. A
partir da revolução comercial e do desenvolvimento urbano, grupos sociais antigos ou novos
descobrem outras preocupações, têm sede de outros conhecimentos práticos ou teóricos
diferentes dos religiosos, criam instrumentos de saber e meios de expressão próprios.
LE GOFF, Jacques. Mercadores e banqueiros na Idade Média. Lisboa: Gradiva, s.d, p. 77. (Adaptado).

A historiografia costuma associar as transformações econômicas ocorridas na crise do


feudalismo na Europa Ocidental ao surgimento do mundo moderno. A citação do historiador
medievalista Jacques Le Goff reforça essa ligação, uma vez que a revolução comercial
a) arrefeceu a atividade evangelizadora da Igreja nas terras do Novo Mundo, uma vez que os
comerciantes que financiavam os jesuítas preferiram concentrar seus negócios nas fronteiras
da Europa e no norte da África.
b) transformou a Igreja em uma das principais apoiadoras da expansão comercial em curso,
reforçando os laços com a burguesia ascendente na luta contra os privilégios feudais da
nobreza.
c) acelerou o processo de reforma interna da Igreja Católica, que passou a admitir que a busca
pelos lucros e pela acumulação de capital não eram atividades que contrariavam a fé religiosa,
conforme acreditava a nobreza.
d) traduziu-se na aceleração do processo de secularização do mundo, em que os poderes
religiosos passaram a ser confrontados, sem desaparecerem por completo, com novas
interpretações sobre o mundo e a realidade dos homens.
Comentários

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- A alternativa A está incorreta. A atividade jesuítica era financiada pelas monarquias católicas que
se consolidam nos primeiros séculos da Idade Moderna. O fragmento, por sua vez, aborda as
transformações da economia e sociedade na Baixa Idade Média.
- A alternativa B está incorreta, afinal a Igreja continuou a condenar o lucro durante a Idade Média.
- A alternativa C está incorreta, afinal a busca pelo lucro era algo relacionado às atividades
econômicas da burguesia, grupo social que incluía comerciantes, artesãos e trabalhadores
assalariados.
- A alternativa D é a resposta. A retomada do grande comércio e o florescimento dos centros urbanos
estão diretamente relacionados ao processo de secularização mencionado pelo texto, afinal
contribuíram para o surgimento das universidades, instituições onde a produção intelectual era
influenciada, mas não subjugada pelo pensamento religioso. Além dos intelectuais atuantes nestes
espaços, também podemos destacar o surgimento da burguesia nas cidades, outro grupo social que
apresenta suas próprias técnicas e concepções do tempo, trabalho e mundo.
Gabarito: D

16. (2014/UFPR)
“O conhecimento histórico é sempre (...) uma consciência de si mesmo: ao estudar a história
de uma outra época, os homens não podem deixar de compará-la com seu próprio tempo (...).
Mas, ao comparar a nossa época e a nossa civilização com as outras épocas e civilizações,
corremos o risco de lhes aplicar a nossa própria medida(...)”.
(GUREVICH, Aron. As categorias da cultura medieval. Lisboa: Editorial Caminho, p. 15).

Aplicando o raciocínio exposto acima aos sentidos que a Idade Média adquiriu em diferentes
tempos históricos, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) Atualmente, os historiadores entendem o medievo na sua multiplicidade, com suas
especificidades regionais e temporais, ao mesmo tempo em que mostram a permanência e a
relevância de determinadas instituições e invenções medievais, como a universidade, o livro,
a imprensa e o banco.
( ) No século XV, surge a noção negativa de Idade Média, considerada uma era intermediária
e homogênea de trevas e ignorância, separando a antiguidade Grecoromana e o
Renascimento, que se via como herdeiro do período “clássico” – noção que ainda perdura
entre muitas pessoas.
( ) Nos séculos XX e XXI, obras como O Senhor dos Anéis, As crônicas de Nárnia e Game of
Thrones evocam elementos medievais imaginativos, tais como a floresta como lugar do
mágico, cavaleiros, espadas, dragões, religiosidade, dando continuidade a recriações da Idade
Média em curso desde o século XIX.
( ) Na recente historiografia, por conta das apropriações midiáticas da Idade Média, procura-
se estabelecer as diferenças e as distâncias entre a Idade Média e a História do Brasil,
mostrando que o medievo não possui relação com a formação de nosso país, por ter sido um
fenômeno europeu.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
a) F – F – V – V.
b) V – V – F – V.

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c) F – V – V – F.
d) V – V – V – F.
e) V – F – F – V.
Comentários
- A primeira afirmativa é verdadeira. Conforme vimos em nossas últimas aulas, a Idade Média foi um
período de múltiplas experiências, a começar pela existência de três civilizações banhadas pelo
Mediterrâneo: a Bizantina, herdeira do Império Romano e sediada em Constantinopla; a feudal,
situada no Ocidente e resultado da fusão de elementos romanos e germânicos; e a do Islã, produtora
de um extenso legado cultural e científico.
- A segunda afirmativa é verdadeira. O termo Idade Média foi cunhado por intelectuais do século XV
para definir o tempo histórico que os separava da Antiguidade Clássica, período cujos valores
buscavam recuperar para fundar uma nova cultura na Europa.
- A terceira afirmativa é verdadeira. Atualmente a Idade Média é encarada por produções
cinematográficas e literárias como um terreno fértil para a recuperação de narrativas fantásticas e
mitológicas, muitas delas presentes no imaginário europeu ocidental daquele período. Tal visão
romantizada, conforme ressalta a afirmativa, foi emulada pelas produções literárias do período
romântico.
- A quarta afirmativa é falsa. Sendo o Brasil marcado pela colonização de matriz cristã, o estudo da
Idade Média é essencial para compreender como valores, concepções e costumes legados pelo
período sobreviveram ao longo dos séculos e ainda repercutem em nossa cultura e sociedade. Além
disso, não se pode ignorar como elementos da cultura árabe foram enraizados após séculos de
ocupação da península ibérica e transmitidos para as colônias.
Estando correta a sequência V-V-V-F, a alternativa D é a correta.
Gabarito: D

17. (2014/UFPR)
O Papa Francisco, eleito em março de 2013, chamou atenção novamente para a figura de
Francisco de Assis, considerado o fundador da Ordem dos Franciscanos (ou dos Frades
Menores) na Baixa Idade Média. Assinale a alternativa que relaciona o contexto de surgimento
dos Franciscanos e sua motivação de ação.
a) Com a retração do renascimento comercial e urbano, aumentaram a pobreza e o abandono
de crianças, que eram recolhidas pelas Ordens Mendicantes, dentre elas a dos Franciscanos,
para evitar que fossem recrutadas nas Cruzadas.
b) Com o renascimento comercial e urbano, aprofundaram-se a pobreza e as desigualdades
sociais, suscitando o aparecimento de várias Ordens Mendicantes, que pretendiam atuar junto
aos necessitados, entre elas a Ordem dos Franciscanos.
c) O renascimento comercial e urbano gerou um empobrecimento da Igreja Católica na Baixa
Idade Média, suscitando o aparecimento das Ordens Mendicantes, dentre elas a dos
Franciscanos.

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d) Com o renascimento comercial e urbano, surgem as Ordens Mendicantes, dentre elas a dos
Franciscanos, que constituíram uma força de contestação da ordem feudal e do poder
econômico da Igreja.

e) Com a crescente ruralização e o aumento da pobreza no espaço europeu, surgiram as


Ordens Mendicantes, como a dos Franciscanos, para se tornar a principal instância da Igreja
Católica.
Comentários
- A alternativa A está incorreta, afinal as ordens mendicantes não eram voltadas ao amparo de
crianças abandonadas, mas sim para a realização de obras de caridade em meio ao mundo
mundano.
- A alternativa B é a resposta. Diferentemente do clero regular, as ordens mendicantes não
buscavam a fuga do mundo; adotando ideias de pobreza para transmitir ensinamentos de cristo em
meio às populações urbanas.
- A alternativa C está incorreta, afinal o renascimento comercial e urbano se deu durante o que
podemos denominar de “tempo das catedrais”, ou seja, momento em que a Igreja firma sua
imponência e relevância na sociedade europeia a partir da construção de enormes e belas catedrais
em estilo gótico nos centros urbanos.
- A alternativa D está incorreta, pois as ordens mendicantes não buscavam questionar o sistema
feudal, mas serem agentes promotores da caridade cristã ao seguirem os passos de Jesus.
- A alternativa E está incorreta. Apesar da criação de diversas ordens mendicantes a partir da
canonização de Francisco de Assis, essas organizações não alteraram a estrutura hierárquica da
Igreja.
Gabarito: B

18. (2014/UEMG)
I
Serena mãe virgem
Serena mãe virgem,
Escute esta oração;
Proteja-me da vergonha
E de Satanás;
Pelo amor de sua criança
Salve-me da traição;
Eu estava louco e selvagem;
E agora estou em cativeiro.
Você é bela e nobre
E cheia de doçura;
De você veio o belo,
O soberano criador.
Virgem, eu te suplico
Por sua santa ajuda;

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Seja gentil e calma comigo


Pelo seu amor.
II
Enquanto eu cavalgava
Enquanto eu cavalgava recentemente
Perto de floresta verde procurando prazer,
Meu coração estava preocupado com uma mulher,
Doçura de todas as coisas;
Ouça, e eu posso lhe dizer
Tudo sobre esta doce criatura.
Esta mulher é doce e de sangue nobre,
Brilhante e bela e gentil;
Ela pode fazer bem a nós todos
Por sua intercessão.
Dela Jesus,
Rei dos Céus,
Tomou carne e sangue.
Disponível em: poesiasdaidademedia.blogspot.com.br. Acesso em: 21 jun. 2013.

Os poemas apresentados, de autores desconhecidos, foram escritos no início do século XIV.


Nesses poemas, encontramos uma temática comum, que era uma das características
marcantes da Idade Média.
Com base nessas informações, a temática comum é
a) a presença da concepção de honra e coragem que estava ligada à figura dos cavaleiros,
personagens importantes nesse contexto histórico, os quais se tornaram referência moral para
todas as sociedades, até a atualidade.
b) a presença do amor livre, marcado pela libertinagem e pelas orgias, de uma sociedade com
regras muito mais flexíveis que as da atualidade, o que se observava no comportamento do
clero, sob forma de lassidão moral.
c) a apresentação do estilo de vida do campo, já que essa sociedade tinha como base as
grandes propriedades rurais, das quais a população quase não saía, por causa do medo de
ataques inimigos.
d) a presença da forte religiosidade que marcou o período, em razão da grande influência
cultural que a Igreja Católica exercia sobre uma sociedade que se sentia constantemente
vigiada por Deus.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. Embora os poemas se pautem na ideia
do amor cavalheiresco, não são exaltados os valores de honra e
coragem, mas sim a ideia se submissão à dama idealizada.
- A alternativa B está incorreta, afinal o poema se pauta pela ideia de
amor cortês, forma de sensibilidade que prescreveu normas de
conduta à nobreza feudal entre os séculos XI e XIV. Ele se busca diferenciar do amor vulgar ao impor
regras do cortejo das damas, colocadas como inatingíveis pelos cavaleiros.
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- A alternativa C está incorreta, pois os poemas não enfatizam o caráter ruralizado da sociedade
feudal. Tratam-se de versos declamados em consonância com a ideia de amor cortês, que prescrevia
um código de conduta aos cavaleiros medievais.
- A alternativa D é a resposta. Apesar dos versos revelarem amor por uma dama inatingível, o eu
lírico dos dois poemas se dirigem à Virgem Maria e a Jesus, revelando a onisciência do Reino dos
Céus na vida cotidiana dos cristãos da Idade Média no Ocidente.
Gabarito: A

19. (2014/1º - Fatec)


Nos séculos finais da Baixa Idade Média europeia, a economia de subsistência e de trocas
naturais tendia a ser suplantada pela economia monetária, a influência das cidades passou a
prevalecer sobre os campos, e a dinâmica de comércio levou à mudança e à ruptura das
corporações de ofício medievais.
(SEVCENKO, Nicolau. O Renascimento. São Paulo: Atual, 1988, p.5. Adaptado)

Analisando as transformações citadas, conclui-se, corretamente, que elas


a) evidenciaram o surgimento da nova classe social burguesa e a crise do sistema feudal.
b) fortaleceram a Igreja Católica, que incentivava a prática comercial no período medieval.
c) prejudicaram a burguesia comercial e favoreceram os proprietários das terras feudais.
d) demonstraram a força do sistema feudal e dos mecanismos de subsistência no campo.
e) enfraqueceram os reis absolutistas que dominaram a Europa durante o período medieval.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. O texto de Nicolau Sevcenko descreve a transição da economia de
subsistência e das trocas de produtos para uma economia monetária, na qual as relações comerciais
eram marcadas pelo maior uso de moedas. As transformações contribuem para ex declínio do
sistema feudal no Ocidente,
- A alternativa B está incorreta, afinal a atividade comercial enfrentava certa resistência da Igreja,
que condenada a prática da usura.
- A alternativa C está incorreta, afinal a burguesia comercial foi beneficiada com o crescimento das
cidades e o aumento das trocas econômicas na Baixa Idade Média. É neste período que as feiras
adquirem grande importância no Ocidente Medieval, e alguns comerciantes, chamados de
banqueiros, passaram a se dedicar às trocas, empréstimos e conversões de moedas.
- A alternativa D está incorreta, pois conforme destaca o texto do enunciado, as cidades passaram a
influenciar na dinâmica dos campos durante a Baixa Idade Média, o que fez com que a produção
voltada à subsistência tendesse a ser substituída por relações econômicas monetarizadas.
- A alternativa E contém um anacronismo! O absolutismo é uma forma de governo que surge na
passagem da Idade Média para a Idade Moderna, se distinguindo do poder simbólico exercido pelos
reis medievais pelo fato dos soberanos absolutistas acumularem poderes políticos em torno de si.
Dito isso, a alternativa E está incorreta.
Gabarito: A

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20. (2014/UFRGS)
Leia o segmento abaixo.
O homem medieval pensa no cotidiano usando os mesmos moldes de sua teologia.
HUIZINGA, Johan. O outono da Idade Média. São Paulo: Cosacnaify, 2010. p. 375.

A base da teologia, no mundo medieval, sustenta-se


a) na escolástica.
b) no epicurismo.
c) no protestantismo.
d) no cristianismo primitivo.
e) no paganismo.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. A escolástica foi uma corrente filosófico-teológica que surgiu a partir
do século XI na Idade Média, na qual se observa grande influência da obra aristotélica para buscar
uma harmonia entre fé e razão.
- A alternativa B está incorreta. O epicurismo, corrente filosófica inaugurada por Epicuro (324-271
a.C.), durante o período helenístico, defendia o prazer como princípio e o fim da felicidade. Faz,
contudo, a distinção entre os prazeres imediatos, que deveriam ser dominados devido ao seu
potencial danoso, e os prazeres duradouros, que incluíam atividades intelectuais.
- A alternativa C está incorreta. Os movimentos protestantes surgem a partir do século XVI, durante
a Idade Moderna, sendo o primeiro deles o luteranismo. Falaremos mais sobre o assunto em nossa
próxima aula!
- A alternativa D está incorreta. O chamado “cristianismo primitivo” diz respeito às primeiras
comunidades cristãs do Império Romano, realizadoras de cultos secretos com o intuito de não
sofrerem perseguições.
- A alternativa E está incorreta, afinal a maioria dos elementos de origem pagã eram condenados
pela Igreja durante a Idade Média. Uma exceção foi o carnaval, festa de origem camponesa
assimilada pelo calendário festivo da instituição.
Gabarito: A

21. (2012/UFRGS)
Diversos fatores motivaram a denominada ‘Crise do século XIV’, ocorrida na Europa da Baixa
Idade Média. Dentre esses fatores, pode-se citar corretamente
a) a disseminação das guerras pelo continente europeu, a quebra da produção de alimentos e
a mortandade causada pela peste bubônica.
b) a efervescência religiosa das Cruzadas, a eclosão da Revolução dos Trinta Anos e o
despovoamento do Sacro Império.
c) a eclosão da Guerra dos Sete Anos, a conquista da França pelos muçulmanos e a epidemia
de varíola.

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d) a deflagração da Guerra da Sucessão Espanhola, a dissolução da Liga Hanseática e a


decadência das comunas.
e) o advento da Reforma Protestante, o abandono dos arroteamentos e a eclosão de guerras
entre as cidades italianas.
Comentários
- A alternativa A é a resposta. O século XIV foi marcado pela eclosão da Guerra dos Cem Anos (1337-
1453), conflito travado entre os reinos de França e Inglaterra; por ondas de fome resultantes de más
colheitas e pela disseminação da Peste Negra, pandemia que dizimou um terço da população
europeia.
- A alternativa B está incorreta. As Cruzadas contribuíram para a reativação do grande comércio
entre Oriente e Ocidente, mas seu teor religioso não contribuiu para a crise. Além disso, não há na
história medieval um acontecimento identificado como Revolução dos Trinta Anos.
- A alternativa C está incorreta, afinal Guerra dos Sete Anos ocorreu entre as monarquias de França
e as da dinastia Habsburgo durante século XVIII. Além disso, os muçulmanos não foram exitosos em
suas tentativas de conquistar a França, sendo contidos pelo Exército de Carlos Martel, no século VIII.
Por fim, cabe destacar que foi a pandemia denominada Peste Negra que contribuiu para a chamada
crise do século XIV.
- A alternativa D está incorreta, pois a Guerra da Sucessão Espanhola ocorreu após a morte do rei
Carlos II, no século XVIII. Ademais, as Ligas Hanseáticas não foram dissolvidas no século XIV,
enquanto as comunas – ou seja, as cidades emancipadas pelas cartas de franquia – não se
encontram em decadência no período, mas sim em ascensão.
- A alternativa E está incorreta, afinal a Reforma Protestante foi iniciada por Martinho Lutero no
século XVI, durante a Idade Moderna. Por fim, a técnica do arroteamento e conflitos entre cidades-
Estado italianas não se relacionam com a crise do século XIV.
Gabarito: A

22. (2011/UFRGS)
A Idade Média também foi denominada o “tempo das catedrais”. Data deste período da
História a construção da catedral de Burgos, na Espanha, reproduzida na figura a seguir.

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O estilo arquitetônico da catedral de Burgos é o:


a) renascentista.
b) românico.
c) gótico.
d) barroco.
e) moderno.
Comentários
- A alternativa A está incorreta, afinal a arquitetura renascentista preza pela simetria e regularidade
das partes, inspirada nas técnicas e concepções da Antiguidade Clássica. Um exemplo de edifício do
estilo é a basílica Santa Maria del Fiore, que veremos em nossa próxima aula.
- A alternativa B está incorreta. O estilo românico foi predominante em castelos, mosteiros e igrejas
erguidas durante a Europa dos séculos XI e XII. Ele se caracteriza por suas edificações de aparência
robusta, dotadas de paredes grossas e de poucas janelas.
- A alternativa C é a resposta. A partir do século XII, o estilo gótico foi preponderante em catedrais
imponentes, nas quais se observa o uso de arcos ogivais e de vitrais que davam mais leveza e
luminosidade aos ambientes.
- A alternativa D está incorreta, afinal o estilo barroco surge na Itália do século XVII, após o término
da Idade Média. Ele se caracteriza pelo rompimento entre sentimento e razão existente no estilo
renascentista, predominando as emoções e a razões para transmitir poder e riqueza da Igreja e de
governantes absolutistas.
Gabarito: C

23. (2014/UFRGS)

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Sobre o sistema feudal na Idade Média, é correto afirmar que


a) a economia é agrícola e pastoril, descentralizada e voltada para o mercado externo.
b) a sociedade estrutura-se como uma pirâmide, cuja base é formada pelos servos; o meio,
pela nobreza; e a parte superior, pelo clero.
c) a burguesia é a classe social econômica e politicamente mais poderosa.
d) a Igreja Católica consolida seu poder após o declínio do feudalismo.
e) a suserania e a vassalagem constituem-se em relações políticas entre os servos e os
membros do clero.
Comentários
- A alternativa A está incorreta, pois a economia feudal tendia a autossuficiência.
- A alternativa B é a resposta. A sociedade feudal tem caráter estamental, ou seja, sem mobilidade
social entre os indivíduos. No topo se encontra o clero, que detinha o poder ideológico, seguido pela
nobreza, estamento cuja atividade principal era a guerra. Na base estavam os camponeses livres e
os servos, encarregados da produção que sustentava toda a ordem feudal.
- A alternativa C está incorreta, afinal a burguesia não era uma classe social durante a Idade Média.
- A alternativa D está incorreta, uma vez que a Igreja foi a instituição mais poderosa da civilização
feudal, concentrando amplos poderes temporal e religioso.
- A alternativa E está incorreta. As relações feudo-vassálicas eram alianças de caráter político e
militar formadas entre nobres, nas quais o suserano concedia ao vassalo um feudo, que quase
sempre era uma terra. Em troca, este oferecia proteção militar em casos de conflito, sendo selado
um juramento entre ambos por meio de uma cerimônia.
Gabarito: B

24. (2005/UFRGS)
Em relação ao sistema feudal que se estabeleceu na Europa ocidental a partir do século XI,
considere as seguintes afirmações.
I - A Igreja, enquanto proprietária de imensos domínios fundiários, teve parte ativa no processo
de feudalização. No entanto, ela tentou amenizar a brutalidade da sociedade feudal através de
princípios como a Paz de Deus.
II - A repartição do poder na Baixa Idade Média era instituída por meio de um sistema de
vassalagem em que senhores de pequenos territórios tinham direitos e deveres para com
senhores cujos territórios eram maiores. Sendo assim, o Rei, senhor de todos os senhores,
sempre detinha a maior parcela de terra.
III - Na Idade Média, não existia uma nítida separação entre o público e o privado, o que se
refletia nas diferentes instituições da época. Assim, a moralidade católica estava presente
tanto na família quanto na forma de se aplicar a justiça.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.

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b) Apenas III.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
Comentários
- A primeira afirmação está correta. A Igreja foi a maior instituição da civilização feudal, chegando a
dispor de algo em torno de um quarto e um terço das terras do continente europeu. Além disso, ela
também impunha períodos de trégua dos conflitos interfeudais por razões religiosas, a chamada Paz
de Deus (ou Trégua de Deus).
- A segunda afirmação está incorreta. Apesar do rei ser o maior suserano na Idade Média, a
concessão de terras por meio dos laços feudo-vassálicos fazia com que nem sempre ele dispusesse
de domínios mais extensos que seus vassalos.
- A terceira afirmação está correta. A Igreja Católica ditava o comportamento do Homem europeu
durante a Idade Média, tanto nas atividades cotidianas quanto nas instituições de poder.
Estando corretas apenas as afirmações I e III, a alternativa C é a correta.
Gabarito: C

25. (2004/UERJ)
“Afirmo, portanto, que tínhamos atingido já o ano bem farto da Encarnação do Filho de Deus
de 1348, quando, na mui excelsa cidade de Florença, cuja beleza supera a de qualquer outra
da Itália, sobreveio a mortífera pestilência.”
BOCCACIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Círculo do livro, 1991.

No século XIV, a Europa conheceu uma crise, marcada pela tríade “guerra, peste e fome”. No
entanto, esta crise possibilitou condições para inúmeras transformações.
Como exemplo dessas transformações, ocorridas a partir do século XV, podemos citar:
a) aumento da densidade demográfica, determinando o crescimento da produção de
alimentos.
b) reforço dos laços de servidão, provocando a migração de habitantes das cidades para o
campo.
c) início do processo de expansão marítima, fortalecendo as monarquias em processo de
centralização.
d) reabertura do mar Mediterrâneo, promovendo o crescimento de relações econômicas mais
dinâmicas.
Comentários
- A alternativa A está incorreta. A partir do século XIV, uma série de más colheitas comprometem o
abastecimento da população europeia, causando milhares de mortes no continente.
- A alternativa B está incorreta, afinal trata-se de um período de elevados índices de êxito rural.

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- A alternativa C está incorreta. Embora o Rei obtenha maiores atribuições no período, as expansões
europeias se iniciam a partir do século XV, durante a Idade Moderna.
- A alternativa D é a resposta, afinal “reabertura do Mar Mediterrâneo” sugere a retomada do
grande comércio entre Oriente e Ocidente, algo que de fato ocorre no período.
Gabarito: D

26. (2004/UFRGS)
Leia o texto abaixo:
“Tão grande era o número de mortos que, escasseando os caixões, os cadáveres eram postos
em cima de simples tábuas. Não foi um só o caixão a receber dois ou três mortos
simultaneamente. Também não sucedeu uma vez apenas de esposa e marido, ou dois e três
irmãos, ou pai e filhos, serem enterrados no mesmo féretro [...].
Para dar sepultura à grande quantidade de corpos que se encaminhavam a qualquer igreja,
todos os dias, quase toda hora, não era suficiente a terra já sagrada; e menos ainda seria
suficiente se se desejasse dar a cada corpo um lugar próprio, conforme o antigo costume. Por
isso, passaram-se a edificar igrejas nos cemitérios, pois todos os lugares estavam repletos,
ainda que alguns fossem muito grandes; punham-se nessas igrejas, às centenas, os cadáveres
que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias dos navios [...].”
BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo: Abril, 1981.

O testemunho do escritor italiano Boccaccio faz referência ao advento da Peste Negra na


Europa ocidental, a qual acelerou a crise do sistema feudal dos séculos XIV e XV.
Assinale, entre as alternativas abaixo, o fator ao qual essa crise pode ser relacionada.
a) Nos séculos XIV e XV, a economia europeia tornou-se predominantemente urbana, o que
acarretou a falta de trabalhadores no campo para a produção agrícola. Sem boas condições de
alimentação, a população ficou mais sujeita às doenças.
b) O crescimento demográfico afirmou-se ao longo da Baixa Idade Média até um ponto em que
a produção do sistema feudal não foi mais capaz de alimentar a população que ficou
fragilizada.
c) As técnicas de produção eram muito desenvolvidas para a época, a ponto de provocarem
uma superprodução que gerou o desequilíbrio do sistema.
d) A servidão, instaurada como forma predominante de trabalho na Europa ocidental a partir
do século XV, enfraqueceu a população e levou à mortalidade endêmica.
e) Como resultado da mortalidade provocada pela Peste Negra, os nobres decretaram leis para
auxiliar a população camponesa.
Comentários
- A alternativa A está incorreta. Apesar do florescimento dos centros urbanos durante a Baixa Idade
Média, a paisagem europeia continua a ser predominantemente agrária.
- A alternativa B é a resposta. Diante do crescimento populacional nos campos, muitos servos fugiam
para as cidades, onde gozavam de uma relativa liberdade. Este processo, juntamente com a tríade
guerra, peste e fome, contribuíram para abalar a continuidade da ordem feudal.
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- A alternativa C está incorreta, pois os avanços das técnicas agrícolas possibilitaram o crescimento
da população europeia, o que representou o auge do sistema feudal.
- A alternativa D está incorreta, afinal os altos índices de mortalidade foram decorrentes das guerras,
da disseminação da Peste Negra e das ondas de fome que assolaram o continente europeu ao longo
do século XIV.
- A alternativa E está incorreta, uma vez que a nobreza feudal não implementou ações de amparo à
população campesina. Em alguns casos, diante da perda de mão de obra devido aos altos índices de
mortalidade verificados no continente, os nobres buscaram explorar ainda mais os servos
remanescentes.
Gabarito: B

27. (2004/UFRGS)
Os séculos XI e XII constituem um período de expansão na Europa ocidental marcado pelo
crescimento demográfico e das cidades, pelo dinamismo da economia interna e pela extensão
do comércio internacional. Nesse ínterim, os europeus assumem uma atitude ofensiva, da qual
um dos resultados são as Cruzadas.
Considere as afirmações abaixo a esse respeito.
I. No início, as Cruzadas foram encorajadas pelos imperadores bizantinos, os quais buscavam
apoio contra os invasores que pressionavam as fronteiras do Império do Oriente.
II. Nos séculos X e XI, numerosos foram os cristãos que, para obter o perdão de suas faltas e
assegurar a saúde eterna de suas almas, realizaram longas e difíceis viagens aos lugares santos
da cristandade. Essa tradição e a conquista turca no Oriente fizeram com que a guerra santa
contra os muçulmanos, já forjada nas Guerras de Reconquista da Península Ibérica, tomasse
maior impulso.
III. Às motivações religiosas juntaram-se o espírito de aventura e a possibilidade de ganhos
materiais, o que pouco a pouco transformou as Cruzadas numa verdadeira empresa de
colonização.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.
Comentários
- A afirmativa I está correta. Diante da expansão da civilização do Islã sob domínios do Império
Bizantino, alguns basileus contribuíram com o esforço cruzadista iniciado pelo papa Urbano II.
- A afirmativa II está correta. Embora fossem movimentos distintos, as Cruzadas e as guerras de
Conquista possuíam o mesmo discurso religioso de contenção dos infiéis muçulmanos.

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- A afirmativa III está correta, afinal muitos interesses econômicos da nobreza e de comerciantes
europeus foram atendidos a partir das expedições cruzadistas que partiam para o Oriente.
Estando corretas as afirmativas I, II e III, a alternativa E é a resposta.
Gabarito: E

28. (2002/UFRGS)
Considere os trechos a seguir, extraídos de documentos históricos redigidos, respectivamente,
por um cristão e um muçulmano a respeito da Conquista de Jerusalém em 1099, no contexto
da Primeira Cruzada.
Texto 1
"Na sexta-feira (15/07) de madrugada, organizamos um assalto geral à cidade sem poder tomá-
la (...). Nesse momento, um dos nossos cavaleiros, chamado Lietaud, escalou as muralhas.
Então, desde que ele subiu, todos os defensores fugiram dos muros para o meio da cidade, e
os nossos os perseguiram, matando-os e golpeando-os, até o Templo de Salomão, onde houve
uma tal carnificina que os nossos marcharam em seu sangue até os calcanhares."
("Gesta Francorum et Aliorum Hierosolimitanorum." Paris: Librairie Ancienne Honoré Champion, 1924, p. 202.)

Texto 2
"A população foi passada ao fio da espada e os francos massacraram os sarracenos da cidade
durante uma semana. Na mesquita al-Aqsa (... ), os francos massacraram mais de setenta mil
pessoas, entre as quais uma grande multidão de irmãs e de doutores sarracenos, devotos e
ascetas que tinham deixado suas terras para viver vida piedosa retirados nesses lugares
santos."
(IBN AL-ATHIR. In: GABRIELI, F. "Chroniques arabes des croisades." Paris: Sindbad, 1972, p. 62.)

A partir da leitura dos textos e do contexto histórico, é possível concluir que


I - O ataque a Jerusalém foi contra os muçulmanos, uma vez que a cidade estava sob seu
domínio.
II - A população que se encontrava na cidade, por ocasião do assalto, era composta por
guerreiros.
III - A população que buscou abrigo em templos religiosos foi poupada da fúria dos invasores.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
Comentários
- A afirmativa I está correta. Formada por nobres francos e normandos a Cruzada dos Barões chegou
a conquistar Jerusalém do domínio sarraceno, conforme é possível observar nos dois relatos.

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- A afirmativa II está incorreta. De acordo com o relato muçulmano, os habitantes da cidade eram
em sua maioria mulheres e autoridades do Islã.
- A afirmativa III está incorreta, afinal milhares de pessoas foram massacradas pelos normandos
durante a Primeira Cruzada, incluindo civis.
Estando correta apenas a afirmativa I, a alternativa A é a resposta.
Gabarito: A

29. (UFRGS/2000)
Analise as afirmações abaixo, relativas à formação da sociedade feudal.
I- A origem da condição servil está relacionada com o sistema do "colonato", que remonta ao
século IV da era cristã.
II- O processo de feudalização implicou enfraquecimento do poder real, já que cada feudo tinha
autonomia e era governado pelo seu senhor.
III- Neste processo, a cidade nunca deixou de cumprir seu papel, já que nela se concentravam
os senhores feudais e os principais centros de produção.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.
Comentários
- A afirmação I está correta. O feudalismo foi um modo de produção decorrente da fusão de
elementos romanos e germânicos, o que incluem o colonato e o beneficius.
- A afirmação II está correta. Na civilização feudal, o poder do rei é apenas simbólico em decorrência
do processo de descentralização política promovido pelas relações feudo-vassálicas.
- A afirmação III está incorreta. Embora a cidade jamais tenha desaparecido na civilização feudal, o
centro da vida se dava nos feudos, onde habitavam os senhores.
Como estão corretas as afirmações I e II, a alternativa C é a resposta.
Gabarito: C

30. (2013/1º-Fatec)
A partir do ano 1000, a população europeia tem um grande aumento. Este crescimento
demográfico se relaciona com as tecnologias desenvolvidas naquela época, as quais
aumentaram a produção agrícola e melhoraram as condições de saúde e alimentação: a
charrua, substituindo o arado, a utilização do cavalo nas lavouras, e a rotatividade de
plantações, aproveitando melhor os solos. As populações do período agrupavam-se em
aldeias em volta da igreja e do castelo.

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(LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis, Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 24. Adaptado)

A partir das informações do texto, é correto afirmar que o contexto histórico em questão é o
a) escravismo antigo.
b) capitalismo industrial.
c) socialismo soviético.
d) feudalismo medieval.
e) mercantilismo moderno.
Comentários
A questão demanda conhecimentos prévios sobre o trabalho no Ocidente Medieval, onde se
desenvolveu o modo de produção feudal. O feudalismo era um sistema fundamentado na
agricultura e tendendo à subsistência, mas com a evolução das técnicas agrícolas, a população
europeia passou por um crescimento vertiginoso.
Feitas essas considerações, a alternativa D é a resposta. Vejamos agora as demais opções de
resposta:
- A alternativa A está incorreta, afinal o texto faz referência ao ano 1000, situado no período que os
historiadores denominam de Idade Média. E embora a escravidão não tenha desaparecido neste
período, trata-se de um modo de produção em decadência a partir da desintegração do Império
Romano do Ocidente.
- A alternativa B está incorreta, uma vez que o capitalismo industrial se desenvolveu com a
mecanização da produção, a partir da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra do século XVIII.
- O socialismo soviético não é um modo de produção, mas sim a ideologia predominante na Europa
Oriental a partir da fundação União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no século XX. Dito isso, a
alternativa C está incorreta.
- A alternativa E está incorreta. O mercantilismo é o nome dado ao conjunto de práticas adotadas
pelos Estados modernos a partir do século XV, em um contexto posterior ao descrito pelo texto do
enunciado. O assunto será abordado de maneira apropriada em uma de nossas aulas futuras.
Gabarito: D

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10. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Chegamos ao final de nossa da civilização feudal. Gostaria de chamar atenção para alguns temas
que caem bastante:
❑ as relações feudo-vassálicas;
❑ as cruzadas;
❑ a cavalaria na sociedade medieval;
❑ consolidação da Igreja e a mentalidade religiosa.
Embora sejam assuntos preferenciais, não deixe de estudar tudo com muito
empenho! Espero que a nossa aula tenha sido bastante produtiva, afinal de
contas, trata-se de um tema extremamente recorrente no Enem!
Se precisar de mim, fale comigo no Fórum de dúvidas do Estratégia
Vestibulares!
Bons estudos,
Marco Túlio.

profmarco.tulio @profmarcotulio /marcotulio.gomes.186

11. REFERÊNCIAS
ANDERSON, Perry. Passagens da Antiguidade ao feudalismo. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989

BASCHET, Jérôme. A civilização feudal: do ano 1000 à colonização da América. São Paulo: Globo,
2006.

BOCCACCIO, Giovanni. Decameron. Trad. Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Relogio D'agua, 2006.

CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português: linguagens: volume I. 4ªed. São
Paulo: Atual, 2004

DUBY, Georges (org.). História da vida privada, 2: da Europa feudal a Renascença. São Paulo:
Companhia das Letras, 2009.

FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do ocidente. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense,
2001. Disponível em: <http://www.letras.ufrj.br/veralima/historia_arte/Hilario-Franco-Jr-A-Idade-
Media-PDF.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2019.

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GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2015.

LE GOFF, Jacques. A civilização do ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984.

LE GOFF, Jacques; SCHMITT, Jean-Claude (orgs.). Dicionário analítico do Ocidente medieval (vol.2).
São Paulo: Ed. Unesp, 2017.

LUACES, Pedro García. La gran epidemia medieval. Disponível em:


<https://www.lavanguardia.com/historiayvida/peste-bubonica-epidemia_11147_102.html>.
Acesso em: 14 mar. 2019.

MACEDO apud FREITAS NETO, José Alves de; TASINAFO, Célio Ricardo. História geral e do Brasil. São
Paulo: HARBRA, 2006.

PERNAUD, Régine. O mito da idade média. Mem Martins, Portugal: Europa-América, 1977.

PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1968.

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