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Cultura literária

medieval:
Trovadorismo
Professor Lucas Gambarini
POESIA TROVADORESCA
GALEGO-PORTUGUESA
✣ “Os poetas deviam ser
✣ Escassez dos dados; capazes de compor,
✣ Ocorreu entre os séculos achar versos e o som
XII e XIV; (melodia), isto é, a sua
✣ Língua: galego-português; canção, cantiga ou cantar,
e o poema assim se
✣ Transmissão oral;
denominava por
✣ Relação letra-música; implicar o canto e o
✣ Arte profundamente acompanhamento
cristã. musical.”.
(MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2008)

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A Alta Idade Média (...) encontra-se dominada
por uma literatura de tipo monástico que, até
certo ponto, pode ser reduzida a narrativas
hagiográficas e poemas litúrgicos, cuja forma
fundamental é representada pelos hinos.
(SPINA, Segismundo. Cultura literária medieval. 3. ed.
São Paulo: Ateliê Editorial, 2007)
CARMINA FIGURATA
Poemas cujos versos
ou letras formavam
desenhos figurativos.

(SPINA, Segismundo. Cultura literária medieval. 3. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007)

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Literatura da baixa Idade Média (Séculos XII-XV):
- Predominantemente religiosa: hinos, hagiografias,
poemas sacros;
- Teatro: drama litúrgico, milagres, mistérios,
moralidades;
- Didáticos: bestiários, lapidários;
- Poesia épica: Canções de gesta – França (ciclo
carolíngio);
- Cantigas trovadorescas – na Itália, essas cantigas
gerarão o dolce stil novo, aperfeiçoado por Petrarca, que
dará início ao Renascimento.
(SPINA, Segismundo. Cultura literária medieval. 3. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007)

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Iconografia
✣ “O artista, na era medieval, não
estava empenhado numa
imitação de formas naturais e se
preocupava tão somente com a
disposição de tradicionais
símbolos sagrados”.
(GOMBRICH. E. H. A História da arte, p. 181)

✣ A pintura, nesta época, era uma


forma de escrita por imagens.

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SOU UMA POBRE E VELHA MULHER
MUITO IGNORANTE, QUE NEM SABE LER.
MOSTRAM-ME NA IGREJA DA MINHA TERRA
UM PARAÍSO COM HARPAS PINTADO
E O INFERNO ONDE FERVEM ALMAS DANADAS,
UM ENCHE-ME DE JÚBILO, O OUTRO ME ATERRA.

(FRANÇOIS VILLON, POETA FRANCÊS QUE VIVEU NO FINAL DA IDADE MÉDIA.


POEMA DEDICADO À SUA MÃE)
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Contexto Histórico-social
✣ Idade média (séculos V-XV);
✣ Crescimento econômico;
✣ Renovação cultural;
✣ Feudalismo;
✣ Suserano / Vassalos;
✣ Soberania da Igreja Católica;
✣ Controle sobre a produção
Cultural (2% alfabetizados)
✣ Monges copistas.
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TEOCENTRISMO
Papa Inocêncio III:
(...) menor do que Deus, mas maior do que os homens (...) julga a
todos sem ser julgado por ninguém. (...) Os príncipes têm poder na terra, os
sacerdotes, sobre a alma. E assim como a alma é mais valiosa do que o corpo,
assim também mais valioso é o clero do que a monarquia (...). Nenhum rei
pode reinar com acerto a menos que sirva devotamente ao vigário de Cristo.

(Apud PERRY, M. Civilização ocidental – uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 1985)

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Trovadorismo

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Dados gerais
✣ Poesia origem oral, memorizada e cantada e acompanhada por
instrumentos e danças, por esse motivo são denominadas cantigas;
✣ Grande popularidade entre a corte e o povo;
✣ Chegaram até nós por meio de cancioneiros (reuniões) de poemas
de vários tipos, produzidos por muitos autores. Os mais
importantes são:

- Cancioneiro da Ajuda (XII)


- Cancioneiro da Vaticana (XV)
- Cancioneiro da Biblioteca Nacional (XIV)

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GÊNEROS LÍRICOS MEDIEVAIS:

GÊNERO LÍRICO GÊNERO SATÍRICO

• Cantiga de • Cantiga de
amor; escárnio e
• Cantiga de maldizer;
amigo;

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Como as cantigas
eram transmitidas?
TROVADOR JOGRAL
- Compunham letras e sons; SEGREL
-Difusor;
- Nobre
-Boa voz; - Além de divulgar, compõe
Executa suas criações por prazer
pessoal ou para galanteria para com - Recebia bens de consumo as suas próprias cantigas;
as moças. para divulgar as cantigas.

CAZURROS JOGRALESA
REMEDADORES - Fora da corte; - Mulheres que dançavam
- Imitavam os Jograis. - Vivem desonestamente pelas e cantavam e tocavam
ruas; instrumentos
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DIFUSÃO DA POESIA GALEGO-PORTUGUESA

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Fremosos
cantares
Lírica em galego-português

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LINK ARTE DE TROVAR: https://cantigas.fcsh.unl.pt/artedetrovar.asp
Cantiga de
amor

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CARACTERÍSTICAS gerais
✣ Razón: Amor incompreendido;
✣ Fin’amors: Cortezia → retidão de caráter, virtudes guerreiras, não
ser ciumento, nem possessivo, não ser avarento, ser generoso;
Mesura→ Respeito para com a mulher e veneração;
✣ Eu–lírico masculino se dirigindo a uma dama da corte;
✣ Vassalagem: o homem passa a ser servo da amada;
✣ Dame sans merci;
✣ Amor cortês;
✣ Consequência deste amor = COITA (desejo de morte).

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Bernal de Bonaval
A dona que eu am'e tenho por senhor
amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for, Ai Deus! que mi a fezestes mais ca mim amar,
senom dade-mi a morte. mostrade-mi-a, u possa com ela falar,
senom dade-mi a morte.
A que tenh'eu por lume destes olhos meus
e por que choram sempr', amostrade-mi-a,
Deus, Dirigindo-se a Deus, o trovador pede-lhe que
senom dade-mi a morte.
lhe permita ver a sua senhora ou então que
lhe dê a morte. Na última estrofe, o pedido
inclui a possibilidade de esse encontro ser
Essa que vós fezestes melhor parecer num lugar onde lhe possa falar.
de quantas sei, ai, Deus!, fazede-mi-a veer,
senom dade-mi a morte.

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Cantiga de
amigo

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CARACTERÍSTICAS gerais
✣ Razón: amor correspondido que não poder ser realizado:
✣ Mãe que não deixa os encontros acontecerem;
✣ Perda do amado que foi à guerra ou está navegando;
✣ Eu - lírico feminino;
✣ Elementos: Madre (mãe), Confidente (amiga), natureza.
✣ Interlocução constante;
✣ Leixa-pren (repetição literal ou com variações de versos);

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Fernando Esguio
Vaiamos, irmãa, vaiamos dormir En nas ribas do lago, u eu vi andar,
[en] nas ribas do lago, u eu andar vi seu arco na mãao a las aves tirar,
a las aves meu amigo. a las aves meu amigo.

Vaiamos,irmãa, vaiamos folgar Seu arco na mãao as aves ferir,


[en] nas ribas do lago, u eu vi andar alas que cantavan leixá-las guarir,
a las aves meu amigo. a las aves meu amigo.

En nas ribas do lago, u eu andar vi, Se arco na mãao as aves tirar,


seu arco nas man'as aves ferir, a las que cantavam nom nas quer matar,
a las aves meu anigo. a las aves meu amigo.

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Martim Codax
Ondas do mar de Vigo, Se vistes meu amado,
se vistes meu amigo? o por que hei gram coidado?
e ai Deus, se verrá cedo? e ai Deus, se verrá cedo?

Ondas do mar levado,


Nesta primeira cantiga, a donzela interpela as ondas do
se vistes meu amado? mar, perguntando-lhes se acaso sabem do seu amigo e se
e ai Deus, se verrá cedo? virá em breve (note-se, para melhor compreensão de um
dos contextos possíveis deste apelo, que, na época, as
Se vistes meu amigo, viagens longas eram geralmente feitas por via marítima).
o por que eu sospiro?
e ai Deus, se verrá cedo?

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Cantiga de
escárnio

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CARACTERÍSTICAS gerais
✣ Cantigas d’escárnio são aquelas que os trovadores fazem,
querendo dizer mal de alguém nelas, e dizem-lho por palavras
cobertas que tenham dois entendimentos, para que não sejam
entendidas ... ligeiramente: e essas palavras chamam os clérigos
“equivocatio”.
A Arte de trovar, Cancioneiro da Biblioteca Nacional

✣ Uso de ironias, que acabam por encobrir o satirizado;


✣ Em geral, não se sita o nome do satirizado ou não está clara a
crítica.
✣ Comum é o uso do duplo sentido.
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Afonso X
Nom quer'eu donzela fea Nom quer'eu donzela fea que ant'a mia porta pea
que ant'a mia porta pea. e velosa come cam nem faça come camelos.
que ant'a mia porta pea Nom quer'eu donzela fea
Nom quer'eu donzela fea nem faça come alermã. que ant'a mia porta pea.
e negra come carvom Nom quer'eu donzela fea
que ant'a mia porta pea que ant'a mia porta pea. Nom quer'eu donzela fea,
nem faça come sisom. veelha de má[a] coor
Nom quer'eu donzela fea Nom quer'eu donzela fea que ant'a mia porta pea
que ant'a mia porta pea. que há brancos os cabelos nem [me] faça i peior.
Perfeito contratexto de uma cantiga de amor, eis o retrato de uma Nom quer'eu donzela fea
donzela em apuros digestivos. Se as referências escatológicas - que ant'a mia porta pea.
nomeadamente o verbo peer (peidar) - surgem diversas vezes no
cancioneiro satírico, devem notar-se as curiosas comparações
botânicas e animalescas que Afonso X aqui propõe.
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Cantiga de
maldizer

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CARACTERÍSTICAS gerais
✣ Cantigas de maldizer são aquelas que fazem os trovadores [contra
alguém] descobertamente: nelas entrarão palavras em que querem
dizer mal e não terão outro entendimento se não aquele que
querem dizer claramente.
A Arte de trovar, Cancioneiro da Biblioteca Nacional

✣ Crítica direta ao satirizado;


✣ Uso de palavras de baixo calão;
✣ Tem, por vezes, apelo sexual;

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Pero da Ponte
Dom Tisso Pérez, queria hoj'eu
seer guardado do trebelho seu Cada que pode, mal me trebelhou;
[j]á per doar-lh'o batom que foi meu; e eu por en já mi assanhando vou
mais nom me poss'a seu jogo quitar; de seu trebelho mao, que vezou,
e, Tisso Pérez, que demo mi o deu, com que me vem cada noit'espertar;
por sempre migo querer trebelhar? e Tisso Pérez, Demo mi o mostrou,
por sempre migo querer trebelhar.
De trebelhar mi há el gram sabor Nova e estranha incursão de Pero da Ponte no universo da
e eu pesar, nunca vistes maior: homossexualidade. A cantiga é um equívoco que tem como ponto de
partida as "horas extraordinárias" que Pero da Ponte diz ser obrigado a
ca nom dórmio de noite com pavor,
fazer ao serviço de D. Tisso Pérez: homem muito trabalhador, D. Tisso
ca me trebelha sempre ao lũar. requer continuamente os seus serviços, especialmente à noite. Embora a
[Que] demo o fezo tam trebelhador, cantiga seja dita na primeira pessoa, esta "confissão" de Pero da Ponte
não parece, em termos autobiográficos, muito verosímil, sobretudo se
por sempre migo querer trebelhar? atendermos ao modo, jocoso mas claramente condenatório, como os
trovadores abordam normalmente a questão da homossexualidade.

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QUADRO COMPARATIVO ENTRE AS CANTIGAS TROVADORESCAS

CANTIGAS DE AMOR CANTIGAS DE AMIGOS

Origem Provençal Origem Galego Portuguesa


Eu lírico masculino Eu lírico feminino

Thanks!
Objeto desejado: a dama; a senhor Objeto desejado: o amigo

O homem presta a vassalagem amorosa; sofre pelo amor não


A mulher sofre pelo amante, namorado ausente
correspondido "Coita"

Mulher idealizada, superior Mulher real, mais concreta


Ambiente palaciano (aristocrático) Ambiente Rural (popular)

CANTIGAS DE ESCÁRNIO CANTIGAS DE MALDIZER

Ataque indireto Ataque direto

Predomínio da irônia e do sarcasmo Predomínio de palavra chulas (baixo nível)

Crítica a costumes, pessoas e acontecimentos Críticas a costumes, pessoas e acontecimentos

Não declamação de nomes Declamação do nome da pessoa criticada

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PROSA
TROVADORESCA

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PRODUÇÕES DA PROSA MEDIEVAL

Narrativas
Historiografia Cronicões ficcionais tendo
como plano de
Genealogias; fundo as cruzadas.

Biografias de Relatos
nobres e históricos;
santos – Livros de Novelas de
hagiografias; linhagem cavalaria

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IDEAL CAVALEIRESCO
Honra Amor
Respeito aos semelhantes e Ter uma amada para quem luta
amor pelos familiares; e deseja ardentemente se
entregar.

Caráter Virtude
Buscar a perfeição humana, Castidade, isto é, não ter
sendo bom cristão, honesto e relações sexuais.
valente.

Justiça Bondade
Ser justo e valente na guerra e Piedade para com os enfermos.
leal na paz. Não lutar com que Doçura para com as crianças e
não pode se defender. mulheres;

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Ciclo carolíngio (temas relacionados a Carlos Magno);
Ciclo clássico (temas greco-latinos);
Ciclo bretão ou arturiano (Cavalheiros da távola redonda).

Ciclos das novelas de cavalaria


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A demanda do
Santo Graal
✣ Tradução de um
original francês;
✣ Rei Arthur e os
Cavaleiros da
Távola
Redonda;
✣ Reino Camelot;
✣ Espada de
escalibur;

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APARIÇÃO DO SANTO GRAAL

Contra a noite, depois de vésperas, quando se assentarom às mesas, ouvirom vir um


torvão, tão grande e tão espantoso, que lhe semelhou que todos o paço caía. E logo depois que o
torvão deu, entrou uma tão grande claridade que fez o paço dois tanto mais claro ca era ante. E
quantos no paço estavam, logo todos foram compridos da graça do Espírito Santo e começarom-
se a catar uns aos outros, e virom-se mui mais fremosos mui grã peça que soíam a ser, e
maravilharom-se ende muito desto que aveio, e non houve i tal que pudesse falar por uma grã
peça, ante estavam calados e catavam-se uns aos outros.
E eles assi sendo, entrou no paço o Santo Graal, coberto de um eixamete branco, mas nom
houve i tal que visse quem no tragia. E, tanto entrou i, foi o paço todo comprido de bom odor,
como se tôdalas espécies do mundo i fossem. E ele foi por meio do paço de uma parte e da outra
e arredor das mesas. E por u passava, logo tôdalas mesas eram compridas de manjar, qual em
seu coraçom desejava cada um. E depois houve cada um o que houve mester a seu prazer.
Saiu-se o Santo Graal do paço, que nenhum nom soube que fora dele nem por qual porta
saíra. E os que ante nom podiam falar falarom então. E derom graças a Nosso Senhor, que lhes
fazia tão grande honra e que os assi confortara e avondara da graça do Santo Vaso.

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http://www.ead.uepb.edu.br/arquivos/letras/Literatura_Portuguesa_final.pdf
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SlidesCarnival icons are editable
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● Resize them without losing
quality.
● Change fill color and opacity.

Isn’t that nice? :)

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Now you can use any emoji as an icon!

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How? Follow Google instructions


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