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A casa sobre a Rocha

24Assim, todo aquele que ouve essas minhas palavras e as põe em prática será
comparado a um homem sensato que construiu a sua casa sobre a rocha. 25Caiu a
chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas
ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha. 26Por outro lado, todo aquele que
ouve essas minhas palavras, mas não as pratica, será comparado a um homem
insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as
enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi
grande sua ruína!" (Mt 7, 24-27)

Nunca estivemos tão necessitados da Palavra, como atualmente. No mundo onde


perdemos toda referência de Verdade, em que somos governados por um relativismo
sem medidas, onde tudo é relativo, “tudo depende” da vontade pessoal de cada um, a
Palavra de Deus nos recorda que não. “Tua Palavra é a verdade”! Ela é um guia seguro,
ela é a lâmpada para os nossos pés, luz para o nosso caminhar. Necessitamos voltar a
Palavra. Neste mundo onde recebemos tantas palavras, tantas explicações, tantas
orientações, mas ao mesmo tempo, nos sentimos tão perdidos, sem saber o que fazer e
para onde ir. Voltemos a Palavra! Sem psicologismos, sem ideologismo. Voltemos a
Palavra ipse litteris.
A Palavra para nós hoje, é do Evangelho de São Mateus, final do capítulo 7, a
conclusão do Sermão da Montanha, quando Jesus dá aos seus discípulos a Nova Lei, um
novo programa de vida. Jesus dá a receita para a bem-aventurança.
E o que nos diz o texto? A primeira coisa que queria destacar é que o mal tempo
virá! Independente da casa construída sobre a rocha ou sobre a areia igualmente o texto
diz que cairá a chuva, virá as enxurradas, soprarão os ventos.
Muitas vezes temos a falsa impressão de que por sermos de Deus não vamos
sofrer, não passaremos por momentos difíceis, ou até que seremos preservados da dor.
Pensamos que ninguém vai sofrer, se enfermar, ou morrer, pelo simples fato de ter fé.
Fomos contaminados por essa ideia pós-moderna “doril”: “Tomou doril a dor sumiu”.
Isso é mentira! É contraditório com a nossa fé. Não existe vida sem dor, não existe
cristianismo sem cruz, sem sofrimento, porque não existe Domingo da Ressurreição
sem a sexta-feira feira da paixão antes.
O homem que construiu a casa sobre a areia é aquele movido pela lei do menor
esforço, que faz o que é mais rápido, mais fácil, mas barato, mais prático. Nosso
fundador já dizia, o mais fácil nem sempre, quase nunca é o mais evangélico. Os que
pensam que nada vai acontecer por que creem, não se previnem, vivem de uma
espiritualidade light. São para esses que o Senhor disse nos versículos anteriores ao
nosso texto: Nem todo que me diz Senhor, Senhor, entrarão no Reino. Rezam, pregam,
mas não querem sofrer pelo Reino, não querem ser discípulos. É como aquele homem
que casa, mas não quer fica com uma mulher só.
O Evangelho fala de um homem prudente que se previne, que faz o que tem que
fazer. E em que baseia a prudência desse homem? Em duas coisas: Ouvir a Palavra e
colocá-la em prática.
Somos seres necessitados da Palavra. Temos quase que uma dependência dela. A
Palavra nos criou, a Palavra nos salvou. Pela Palavra Jesus curou, perdoou. Pela Palavra
pensada, expressada, dita ou até calada entramos em comunhão com o totalmente Outro,
Deus, e com os outros. Mas ouvir a Palavra é fundamental! São Paulo diz que a fé vem
pela escuta. Como temos dificuldade em ouvir. Será que é porque falamos muito? E a
escuta a Deus pode ser treinada na escuta do outro. Você de verdade escuta sua esposa,
seu esposo, seus filhos? O em quanto eles falam, você entra em modo espera, para
pensar o que vai responder a aquilo que nem escutou? Quem não escuta o próximo não
escuta Deus! Quem não aprende a silenciar, não aprende a escutar. Vocês já se
perguntaram porque nossas orações são tão barulhentas?
Ouvir está diretamente ligado a compreensão. Quem não escuta não
compreende, e quem não compreende não pode praticar. Hoje temos um desafio que é a
overdose de informação que recebemos diariamente. Não escutamos, não ouvimos, não
processamos a informação, não compreendemos e por isso não praticamos. A
construção da casa sobre a rocha começa pela escuta atenta e comprometida.
A segunda atitude exigida por Jesus é colocar em pratica a Palavra escutada.
Não basta ouvir, é preciso colocar em pratica. A grande crítica dos ateus aos Cristãos é
justamente por não praticarem o que Jesus ensinou. Para construirmos a casa sobre a
rocha é necessário praticar os ensinamentos de Jesus. Ou seja, apropriar-se das Palavras
d’Ele, tornar os projetos de Jesus os seus, tornar a vida d’Ele sua vida.
O cristianismo não é uma teoria, não é uma filosofia, não é um conjunto ideias,
mas um jeito de viver. Infelizmente hoje muitos são cristãos na teoria. Quanto de cristão
você é? Colocar em pratica a Palavra de Jesus é construir a casa sobre a rocha. Adotar o
jeito de Jesus.
Ouvir e praticar a Palavra de Jesus, a vida de Jesus nos faz inabalável, nos
fortalece, nos torna firmes, diante das tempestades que virão. Quem ouve e pratica a
Palavra passa pelas tempestades, sofre, chora, luta, mas a casa não cai.
O remédio para essa geração fraca, covarde, que desiste fácil diante das
dificuldades é ouvir e praticar a Palavra. Isso fará de sua família uma casa construída
sobre a rocha.
Podemos nos perguntar:
Tenho escutado a Palavra de Deus?
O que ela te pede hoje?
Você é capaz de recordar uma ocasião em que escutou e colou em pratica a
Palavra de Deus?

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