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PROJUDI - Recurso: 0001173-88.2017.8.16.0019 - Ref. mov. 13.

1 - Assinado digitalmente por Nestario da Silva Queiroz:14744520944


12/12/2018: JUNTADA DE ACÓRDÃO. Arq: Acórdão (Nestario da Silva Queiroz - 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais)

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
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1ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS - PROJUDI
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Autos nº. 0001173-88.2017.8.16.0019

Recurso Inominado n° 0001173-88.2017.8.16.0019


1º Juizado Especial Cível de Ponta Grossa
Recorrente(s): EDITORA TRES LTDA
Recorrido(s): SILVANE PEREIRA
Relator: Nestario da Silva Queiroz

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO COM DANOS MORAIS.


ASSINATURA DE REVISTA. RENOVAÇÃO AUTOMÁTICA. DESCONTOS
EFETUADOS NA FATURA DA AUTORA SEM AUTORIZAÇÃO. PEDIDO DE
CANCELAMENTO NÃO ANTENDIDO. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS
SERVIÇOS. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO 1.8 E 8.3 DAS TRR/PR. DANO
MORAL ARBITRADO EM R$ 3.500,00 (TRÊS MIL E QUINHENTOS REAIS)
QUE COMPORTA REDUÇÃO PARA O IMPORTE DE R$ 2.000,00 (DOIS MIL
REAIS). Recurso conhecido e parcialmente provido.

1. No mérito, sobre o tema, as Turmas Recursais do Paraná consolidaram o


entendimento segundo o qual “Cobrança de serviço não solicitado – dano moral -
devolução em dobro: A disponibilização e cobrança por serviços não solicitados
pelo usuário caracteriza prática abusiva, comportando indenização por dano moral
e, se tiver havido pagamento, restituição em dobro, invertendo-se o ônus da prova,
nos termos do art. 6º, VIII, do CDC, visto que não se pode impor ao consumidor a
prova de fato negativo. ” (Enunciado 1.8 das TRS/PR.

2. Importante ressaltar que passa a caracterizar como serviço não solicitado no


momento da renovação automática, visto que a autora expressou sua vontade em não
contratar referida renovação, conforme expresso do contrato apresentado (mov.1.3), o
que torna a cobrança indevida, além de se tratar de conduta abusiva por parte da
requerida.

3. Ainda, denota-se dos autos, que houve a tentativa de solução do impasse pela via
administrativa, conforme protocolos informados pela parte autora. Portanto, também
é aplicável, o Enunciado 8.3 das TRR/PR: Defeito/vício do produto – pós-venda
ineficiente: O descaso com o consumidor que adquire produto com defeito e/ou vício
enseja dano moral. ”

4. Desta forma, com relação à fixação do quantum indenizatório resta consolidado,


tanto na doutrina, como na jurisprudência pátria o entendimento de que a fixação do
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valor da indenização por dano moral deve observar o princípio da razoabilidade,

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levando-se em conta as peculiaridades do caso concreto, como a situação econômica
do autor, o porte econômico da ré, o grau de culpa e a atribuição do efeito
sancionatório e seu caráter pedagógico.

5. Por tais razões, conclui-se que o valor dos danos morais fixado em R$ 3.500,00 (três

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mil e quinhentos reais) se mostra excessivo, devendo ser minorado para o importe R$
2.000,00 (dois mil reais), para atender as peculiaridades do caso concreto, bem como
aos parâmetros adotados por esta Turma Recursal.

6. Por fim, considerando que a recorrente se encontra em processo de recuperação


judicial, defiro a concessão dos benefícios da justiça gratuita, nos termos do artigo 98
do Código de Processo Civil.

7. Ante o exposto, conheço do recurso e dou parcial provimento, a fim de minorar o


quantum indenizatório para o importe de R$ 2.000,00 (dois mil reais). No mais,
mantenha-se.

8. Logrando parcial êxito, fica a parte recorrente condenada ao pagamento de


honorários advocatícios e custas processuais fixados no valor de 10% sobre o valor
da condenação, com fulcro no artigo 55 da Lei 9.099/95, cuja exigibilidade suspendo
nos termos do artigo 98, § 3º do Código de Processo Civil.

Ante o exposto, esta 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais resolve, por unanimidade dos votos, em
relação ao recurso de EDITORA TRES LTDA, julgar pelo (a) Com Resolução do Mérito - Provimento
em Parte nos exatos termos do voto.

O julgamento foi presidido pelo (a) Juiz (a) Maria Fernanda Scheidemantel Nogara Ferreira Da Costa,
com voto, e dele participaram os Juízes Nestario Da Silva Queiroz (relator) e Melissa De Azevedo Olivas.

06 de dezembro de 2018

Nestario da Silva Queiroz

Juiz (a) relator (a)

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