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Carta do presidente

A
o completar 60 anos, a Capes passa em revista sua história,
destaca ações presentes e apresenta os desafios e metas
para o futuro. Para recuperar e aperfeiçoar o contar dessa
trajetória – que se confunde com a da pós-graduação brasileira
– essa publicação discorre sobre as últimas seis décadas, com início
no segundo governo Vargas em 1951, quando da criação da Capes.
Jorge Almeida Guimarães é doutor
em bioquímica pela Escola Paulista de Medici-
Nos anos seguintes, a Capes – estabelecida inicialmente como
na (Unifesp), com pós-doutorado no National
Campanha – passou a atuar no âmbito da colaboração científica internacional Institute of Health (NIH) - EUA, e Pesquisa-
com os Estados Unidos, por meio da Fundação Ford; com o Reino Unido, em dor 1 A do CNPq. Foi professor em diversas
parceria com o Conselho Britânico; com a Alemanha, por meio do Serviço universidades brasileiras, percorrendo todos
Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD); e, em 1978, com a França os níveis da carreira docente, entre estes o de
estabeleceu o primeiro acordo de apoio a projetos de pesquisa conjunta professor titular da UFF, UFRJ e UFRGS. Foi
diretor científico do CNPq; diretor nacional e
em parceria com o Comitê Francês de Avaliação Universitária e Científica
diretor binacional do Centro Brasil-Argentina
com o Brasil (Cofecub). Ainda na década de 70, surgiram o sistema de de Biotecnologia, diretor do Centro de Bio-
avaliação dos cursos de pós-graduação, o primeiro Plano Nacional de Pós- tecnologia da UFRGS, secretário nacional de
Graduação e a modalidade de bolsa conhecida como doutorado-sanduíche. Políticas Estratégicas e de Desenvolvimento
Científico do MCT. Foi, por dois períodos, pre-
Na década de 80, teve início a adoção do critério de distribuição de sidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica e
Biologia Molecular e fundador e vice-presidente
bolsas com base no sistema de avaliação dos cursos de pós-graduação. Na quinta
da Fesbe. Presidiu a CTNBio. É membro titu-
década, referente aos anos 1990, foram destaques a extinção e recriação da Capes lar da Academia Brasileira de Ciências. Publi-
no período de menos de um mês, a instituição da Capes como Fundação e a cou cerca de 130 artigos científicos originais.
inclusão na agenda dos comitês assessores da criação do mestrado profissional.

Dos anos 2000 até os nossos dias cabe mencionar a criação do


Portal de Periódicos, a ampliação significativa das parcerias internacionais
e a adoção de políticas visando à formação de professores para a
Educação Básica. Essa missão tem por objetivo maior a sedimentação
da nossa democracia nos moldes defendidos por Anísio Teixeira

“A educação faz-nos livres pelo conhecimento e pelo saber e iguais


pela capacidade de desenvolver ao máximo os nossos poderes inatos. A justiça
social, por excelência, da democracia consiste nessa conquista da igualdade
de oportunidades pela educação. Democracia é, literalmente, educação. A
Democracia é, assim, o regime em que a educação é o supremo dever, a suprema
função do Estado.” (Educação é um direito, Anísio Teixeira, página 109)

Aproveitando esse espaço, envio a todos os servidores, novos e antigos,


e aos colaboradores da comunidade educacional e de ciência e tecnologia os
meus cordiais cumprimentos e parabéns pelo esplêndido trabalho dedicado à
nossa casa, lembrando sempre que a Capes somos todos nós.

Jorge Almeida Guimarães


Presidente da Capes
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes)

Presidenta da República
Dilma Rousseff

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Presidente da Capes
Jorge Almeida Guimarães

Diretor de Gestão
Fábio de Paiva Vaz

Diretor de Programas e Bolsas no País


Emídio Cantídio de Oliveira Filho

Diretor de Avaliação
Livio Amaral

Diretora de Relações Internacionais


Denise de Menezes Neddermeyer

Diretor de Educação a Distância


João Carlos Teatini de Souza Clímaco

Revista Capes 60 anos - Uma publicação da


Assessoria de Comunicação Social (ACS) da
05 Carta do Presidente

Capes

Equipe da ACS/Capes
Fabiana Santos (assessora)
Edson Ferreira de Morais
Gisele Novais
Guilherme Feijó
Natália Morato
08 Capes: Seis décadas de avanço da
pós - graduação brasileira
Pedro Arcanjo Matos
Thais Pimenta
Vitor da Silva Cerqueira (estagiário)

Expediente:

Textos: Fabiana Santos, Gisele Novais,


Natália Morato e Pedro Arcanjo Matos
Fotografias: ACS/Capes, Stock.XCHNG, Fundação
14 Linha do tempo

Anísio Teixeira, CNPq, FURG, ABC, UFBA, UnB


Projeto gráfico e diagramação: Edson Ferreira de
Morais e Vitor da Silva Cerqueira

Contribuiu com informações para esta publicação


o ex-diretor de Relações Internacionais, Sandoval
Carneiro Júnior 16 Nova Capes: integração entre ensino
superior e educação básica
22 Programas tradicionais e estratégicos
impulsionam a pós-graduação brasileira
40 Evolução da pós-graduação

26 Portal de Periódicos: uma década de


sucesso
44 Mais de 600 projetos são apoiados
pela Capes no exterior

30 Avaliação: o crivo da comunidade


científica na Capes
50 Prêmio Capes de Tese já contempla
mais de 150 doutores

36 PNPG: planos orientam políticas


públicas para o desenvolvimento da
54 Curiosidades

pós-graduação desde 1975


Capes:
Seis décadas
de avanço da

pós-graduação
brasileira
H
á seis décadas, o Brasil con- Década de 60
tava com pouco mais de 60 Em seu depoimento ao livro
mil alunos no ensino supe- “Capes, 50 anos”, Almir de Castro, que “Era o início do segundo governo
rior e a pós-graduação pra- trabalhou na Coordenação de 1954 a Vargas, com a retomada do projeto de
ticamente não existia. Em 2011, 60 anos 1964, relatou que, de meados de 1960 a construção de uma nação desenvolvida e
após a criação da Capes, mais de 50 mil janeiro de 1961, foram criadas a maioria independente. A ênfase à industrialização
alunos se titularam em cursos de mestra- das universidades que não existiam nos pesada e a complexidade da administração
do e doutorado, sendo 12 mil doutores. primeiros nove anos da instituição. Se- trouxeram à tona a necessidade urgente de
Atualmente, o país tem 3.157 gundo Castro, as universidades foram re- formação de especialistas e pesquisadores
programas de pós-graduação stricto sen- sultado da soma de faculdades isoladas, nos mais diversos ramos de atividade.” *
su, que contemplam 4.722 cursos: 2.752 absolutamente díspares e heterogêneas,
mestrados; 1.618 doutorados e 352 mes- que existiam em cada estado. “Na Capes,
trados profissionais. Alcançou, em 2008, decidimos aproveitar os grandes centros
a 13º posição na classificação mundial nacionais, daí as expressões ‘centro de
em produção científica - ultrapassou excelência’ e ‘ilha de excelência’, criação
a Rússia (15ª) e a Holanda (14ª). De nossa.” Foram organizados então os cen-
19.436 artigos, em 2007, essa produção tros regionais de treinamento em deter-
subiu para 30.451 publicações, em 2008. minados setores visando o lema “Edu-
Estados Unidos, China, Alemanha, Ja- cação para o desenvolvimento”, que
pão e Inglaterra são os cinco primeiros impulsionou a priorização das áreas que
colocados, seguidos da França, Canadá, levassem ao alcance do desenvolvimento.
Itália, Espanha, Índia, Austrália e Co- Ainda segundo Castro, for-
réia do Sul. Em 2001, quando a Capes mou-se na Capes um grupo de pessoas
completou 50 anos, o país ocupava a interessadas em pensar as universidades.
21ª posição. Veja como tudo começou: Em setembro de 1963, Anísio Teixeira
foi nomeado para o Conselho Diretor
Década de 50 da Universidade de Brasília, que, sob
a liderança de Darci Ribeiro, estava no
A Capes foi criada em 11 início de estudos e planejamentos. “Pelo
de julho de 1951, por meio do De- meu lado, fui nomeado vice-reitor pou-
creto nº 29.741, como uma comissão co depois, mas acumulei as funções na
destinada a promover o aperfeiçoa- nova universidade com os encargos
mento de pessoal de nível superior. na Capes. Apenas a carga de trabalho
O grande idealizador da Capes, aumentou. Mas isto tudo durou pou-
o educador Anísio Spínola Teixeira, foi co. Em abril, os militares assumiram o
designado secretário-geral da comissão. poder e Anísio e eu fomos exonerados
A concessão de bolsas, que de todas as nossas funções públicas.”
em 2011 atingiu mais de 65 mil, sendo
58.107 no país e 5 mil no exterior, teve Fundação Anísio Teixeira

início em 1953, com a implantação do O grande idealizador da Capes, o educador


Programa Universitário, principal linha Anísio Spínola Teixeira, foi designado
da Capes junto às universidades e insti- secretário-geral da comissão. Autonomia,
tutos de ensino superior. Anísio Teixeira informalidade, boas ideias e liderança
contratou professores visitantes estran- institucional tornaram-se marcas dos
geiros, estimulou atividades de intercâm- primeiros anos da Coordenação. Teixeira
bio e cooperação entre instituições, con- atuou como “formulador da política
cedeu bolsas de estudos e apoiou eventos institucional e também como definidor de seu
de natureza científica. Neste mesmo ano padrão intelectual do mesmo modo que Almir
foram concedidas 79 bolsas: duas para Castro destacou-se no papel de executor”.*
formação no país, 23 de aperfeiçoa-
mento no país e 54 no exterior. No ano
seguinte, foram 155: 32 para formação,
51 de aperfeiçoamento e 72 no exterior.
Anísio Teixeira primeiro presidente da Capes

99 Capes 60 anos
1964 contempladas com duas bolsas, uma de
Quando Suzana Gonçalves cada agência. Foi então combinado en-
“Curiosamente, não tinha funcionários próprios, assumiu a presidência da instituição, tre as instituições que o CNPq reuniria
e sim pinçados pelo fundador da Capes (...). em 1964, “a Capes era pequenina”, seu comitê para julgamento dos proces-
Havia pessoas com nível superior, enquanto afirmou*. Segundo a ex-presidenta, sos de concessão de bolsas no país e no
outras não possuíam diploma universitário, mas apesar de pequena, a Coordenação ti- exterior antes da Capes e repassaria à
haviam sido tão bem treinadas pelo dr. Anísio nha um excelente quadro de pessoal. Coordenação a lista dos contemplados.
e pelo Almir de Castro, que passaram a exercer, Entre os desafios, Gonçalves Foi o fim da duplicidade de benefícios.
com competência, as respectivas funções.”* destacou o fato de a Capes ser mantida No processo de reformulação
com recursos transferidos da Casa Militar das políticas setoriais, com destaque para
da Presidência da República. Com o Gol- a política de ensino superior e a de ciência
pe de 64, no primeiro momento, houve e tecnologia, a Capes ganha novas atri-
um movimento para extinguir a Capes. buições e meios orçamentários para mul-
Newton Lins Buarque Sucupira, alagoano, de Professores da Universidade Federal do tiplicar suas ações e intervir na qualifica-
Porto Calvo, formou-se em direito e filosofia Rio de Janeiro (UFRJ) se mobilizaram e ção do corpo docente das universidades
pela Universidade Federal de Recife. Em 1961, puseram-se em campo para convencer o brasileiras. Isso tem papel de destaque na
indicado por Anísio Teixeira, Newton Sucupira governo de que isso não deveria ocorrer. formulação da nova política para a pós-
integrou o primeiro grupo de intelectuais para Antes de 1964, a função da graduação, que se expande rapidamente.
compor o Conselho Federal de Educação, atual- Agência era, basicamente, a de conceder Em 1965, é publicado o Pa-
mente Conselho Nacional de Educação (CNE). bolsas de estudos. A intenção era distri- recer Sucupira, que conceituou e nor-
Presidiu o grupo de trabalho que elaborou a Lei buir 120 bolsas por ano, mas a quanti- matizou a pós-graduação no Brasil.
da Reforma Universitária no Brasil, em 1968. dade não chegava a 20. Naquela época,
Após dez anos de atuação no Conselho ficou havia três fundos a serem beneficiados: Década de 70
conhecido como patrono da regulamentação da ensino primário, secundário e superior.
pós-graduação brasileira pela criação de cursos A ex-presidente da Capes explica que Em 1970, são instituídos os
de pós-graduação no Brasil. O marco legal ficou “os recursos para educação eram tão Centros Regionais de Pós-Graduação.
conhecido como Parecer Sucupira. mesquinhos que acabavam nos graus Em julho de 1974, a estrutura da Capes é
Em 2006, a Capes homenageou Sucupira com o inferiores, não chegavam ao ensino su- alterada pelo Decreto 74.299 e seu esta-
Prêmio Anísio Teixeira em reconhecimento ao perior.”* Como solução, procurou o tuto passa a ser “órgão central superior,
seu trabalho realizado para o desenvolvimento da Conselho Federal de Educação (CFE), gozando de autonomia administrativa e
educação superior no Brasil. Newton Sucupira responsável pela distribuição de recur- financeira”. O novo Regimento Interno
morreu em 2007 aos 86 anos. sos. O CFE, então, fixou a dotação orça- incentiva a colaboração com a direção
mentária para a Capes, que, a partir disso, do Departamento de Assuntos Universi-
pôde elaborar sua proposta de trabalho. tários (DAU) na política nacional de pós-
A Capes realizou empréstimos -graduação; a promoção de atividades de
Guilherme Feijó
com o Banco Interamericano de Desen- capacitação de pessoal de nível superior;
volvimento (BID) e passou a participar a gestão da aplicação dos recursos finan-
como membro do comitê de julgamen- ceiros, orçamentários e de outras fontes
to dos pedidos de bolsas à Fundação nacionais e estrangeiras; e a análise e com-
Ford. Esse tipo de aproximação per- patibilidade das normas e critérios do
mitiu que a Capes solicitasse recursos. Conselho Nacional de Pós-Graduação.
Nesta época, a Capes pri- Ainda em 1970, a Capes tem sua sede
vilegiava as áreas de ciências exatas e transferida do Rio de Janeiro para Brasília.
Anexo do MEC
tecnologia, que englobava agricultura. Já em Brasília, foi iniciada a
“Nós mudamos da sede antiga, na avenida “E um percentualzinho, só para não criação dos comitês assessores por área
Marechal Câmara, no Castelo, para o prédio dizer que não havia nada, para as ciên- do conhecimento, uma adaptação dos
do Ministério da Educação (MEC) para cias humanas e sociais; foram sempre peer committees americanos. “Progressiva-
economizar aluguel. Algumas repartições do
Ministério já tinham mudado para Brasília e
as preteridas”*, explicou Gonçalves. A mente, os comitês assessores por área de
havia muitas salas vazias. Ficamos mais bem Coordenação possuía uma assessoria conhecimento foram sendo ampliados
instalados em termos de espaço, mas não de de avaliação e estudos. Na medida em em número, com a seleção de profes-
privacidade, porque o prédio do MEC é muito que foram surgindo mais recursos, os sores de acordo com as indicações da
barulhento, com aquelas divisórias de ma- candidatos a bolsistas passaram a solici- comunidade científica.”* Conta o ex-
deira”*, conta o ex-presidente Celso Barroso
Leite (1970-1974).
tar o benefício tanto à Capes quanto ao -presidente, Darcy Closs (1974-1979).
Conselho Nacional de Desenvolvimento Naqueles anos, havia 220 cur-
Científico e Tecnológico (CNPq). Ocor- sos de ciências biológicas e da saúde,
reram casos em que as pessoas foram 216 em ciências exatas e tecnologia,

Capes 60 anos 10
108 em ciências humanas, 57 em letras um tema de tese com seu orientador e
e 37 em ciências agrárias. Desses so- voltasse para o Brasil, onde faria traba-
mente 97 mestrados e 53 doutorados lhos de campo, toda a pesquisa empíri-
estavam credenciados, tarefa esta feita ca e as descrições iniciais. Em seguida, “As universidades do Nordeste
pelo Conselho Federal de Educação. retornaria ao exterior para um período eram fracas porque seus professores
Segundo Closs, o novo sistema de ava- de seis a 12 meses, com o objetivo de não conseguiam ser aceitos na
liação dos cursos de pós-graduação terminar de redigir e burilar a tese com pós-graduação das universidades
implantado na Capes identificava quais seu orientador e depois defendê-la”.* do Centro-Sul, e professores mal
cursos tinham qualidade acadêmica e Em 1974, a Capes mantinha formados não conseguiam melhorar
científica e quais tinham produtividade mil bolsistas no país e 70 no exterior. nem a qualidade do ensino de
para, em função disso, distribuir as cotas No final de 1978, as concessões soma- graduação nem implantar núcleos de
de bolsas. Para participar da distribui- vam 13 mil no Brasil e 1.200 no exterior. pesquisa em suas universidades”*,
ção de cotas de bolsas, as instituições lembra Darcy Closs.
foram induzidas a criar pró-reitorias de Década de 80
pós-graduação, pois a Capes precisa- PCU - UFBA
va de interlocutores nas universidades. Nos anos 80, a distribuição
de bolsas começou a ter como base a
Desenvolvimento regional nota na avaliação dos cursos. “Talvez
uma das mais poderosas explicações
“Além das deficiências por áre- para o êxito da pós-graduação no Brasil
as, tínhamos grandes lacunas regionais, seja esse vínculo automático entre nota,
principalmente no Amazonas, no Norte número de bolsas e auxílio financeiro
e no Centro-Oeste”, conta Darcy Closs. aos programas”*, disse o ex-presidente
Por este motivo, foram criados projetos Claudio de Moura Castro (1979-1982).
regionais como o Projeto Nordeste, que, UFBA, primeira universidade do Brasil
além de destinar recursos para as univer- Vetos
sidades da região, procurava vagas para Neste período havia ainda o
professores nordestinos nas universi- chamado “veto ideológico à concessão
dades do Centro-Sul. Em 1975, é ini- de bolsas”. Os vetos ideológicos eram
ciada a implantação do Conselho Nacio- mais ou menos 5% do total. O Coronel
nal de Pós-Graduação. No mesmo ano, Newton Cruz, chefe da agência central
foi aprovado o primeiro Plano Nacional do SNI (1981-83) e comandante militar
de Pós-Graduação (PNPG 1975-1979). do Planalto (1983-84), segundo Castro,
Neste período, a Financiadora de Es- pegou um processo e disse: “Olhem
tudos e Projetos (Finep), presidida por essa figura aqui: quer dinheiro do Bra-
José Pelúcio Ferreira, passou a apoiar sil para fazer um doutorado, mas fez
financeiramente a Capes. “Sem a Finep greve aqui, organizou não-sei-o-quê e Cedoc - UnB

a pós-graduação não teria deslanchado, agora quer fazer um doutorado em ci- O veto ideológico à concessão de
particularmente na fase inicial de implan- ência política na Inglaterra. Vai é falar bolsas consistia no preenchimento
tação da Capes em Brasília”, conta Closs. mal do Brasil. Não há nenhuma razão de dois formulários pelo candidato
Com esse apoio, “a Capes cresceu e ul- para o governo financiá-lo”, contou. à bolsa, um para consultores e
trapassou em pouco tempo o número de O então presidente falou ao outro para o Sistema Nacional de
bolsas do CNPq, consolidando-se como Coronel que tinha duas opções, conceder Informações (SNI).
agência de pós-graduação, enquanto o a bolsa ou não conceder. “A segunda op-
CNPq voltou à sua origem de financiador ção é muito pior. Todos eles sabem que
de núcleos, grupos, linhas de pesquisa e receberam um veto ideológico; como vão
projetos dos pesquisadores no país”.* ser professores por mais 20 ou 30 anos,
vão passar o resto da vida falando mal
Doutorado-sanduíche do Brasil e do governo militar. Portanto,
não é um negócio vetar essas pessoas.”*
Na gestão de Closs foi criada a Segundo Castro, depois de 40
modalidade de bolsa doutorado-sanduí- minutos de uma conversa difícil o Co-
che, que na época funcionava da seguin- ronel disse: “Dr. Castro, o senhor tem
te forma: “as concessões eram feitas para razão no que falou. Só tem uma coisa:
que o bolsista passasse um ano e meio o SNI não veta, só recomenda que não
no exterior, fizesse os créditos, discutisse se conceda a bolsa. Vamos fazer o se-

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11 Capes 60 anos
guinte: nós continuamos não recomen- ao programa”*, explicou a ex-presidenta.
dando alguns, mas o senhor dá a bolsa Em 1991, Sandoval Carneiro
assim mesmo.” Assim, acabou-se o veto Júnior assumiu a presidência da Agên-
MCT ideológico, segundo o ex-presidente. cia e entre suas ações pode se destacar a
Edson Machado de Souza lembrou preocupação em elaborar os estatutos da
que no governo Sarney foi criado o Parcerias internacionais Capes - a Lei nº 8.405, de 9 de janeiro de
Ministério da Ciência e Tecnologia e 1992, autoriza o poder público a instituir
foi preciso costurar uma nova forma Também na década de 80, a Ca- a Capes como fundação pública, o que
de relacionamento, principalmente pes buscou parcerias internacionais. Um confere novo vigor à instituição. Outra
entre as agências Capes e CNPq, exemplo foi a consolidação do Acordo ação deste período foi a elaboração de um
para que não houvesse conflito en- Capes-Cofecub, que precisava de uma concurso para a criação de uma logomar-
tre as políticas do MEC e do novo reorientação, segundo o ex-presidente ca para a instituição. A Editora da UnB
ministério Edson Machado de Souza (1982-1989). foi convidada para preparar o concurso.
Carlos Cruz
Para Souza, haviam três proble- Carneiro deixou a presidência em 1992
mas com o acordo. Um deles era o fato e a iniciativa só foi retomada na gestão
de o programa ter nascido basicamente de Maria Andréa Loyola (1992 a 1994).
voltado para fortalecer universidades da A partir de 1995, foram intro-
região Nordeste para que atingissem um duzidas várias mudanças como o novo
status mais elevado na pós-graduação. sistema de avaliação, com referência
“É complicado botar uma universidade aos padrões internacionais; criação de
de primeiro mundo trabalhando com comitê experimental para apreciação
uma universidade do Nordeste.”* Outro de propostas de mestrado profissio-
Posse de Renato Archer desafio era ampliar o programa para o nal; iniciadas discussões sobre ensino
como ministro de Ciência resto do país, além de conseguir apoio às a distância; entre outras. Com relação
e Tecnologia; da esquerda instituições nordestinas de universidades às ações de desenvolvimento regional,
para a direita, Celso Furtado, brasileiras mais desenvolvidas. Houve a o então presidente Abílio Baeta Ne-
Roberto Santos, Humberto necessidade de fortalecer o aspecto da ves (1995-2003) disse que chegaram
Lucena, José Sarney e pesquisa no acordo, que até então estava à conclusão de que o desequilíbrio só
Archer, em março de 1985 voltado para o treinamento, para o ensino. seria alterado, de fato, se tivesse capa-
cidade de induzir, pesadamente, trans-
Década de 90 formações bem definidas em projetos
de longo prazo. O Portal de Periódicos
No governo Collor, a Medida foi citado pelo ex-presidente como uma
Provisória nº 150, de 15 março de 1990, ferramenta importante para contribuir
extingue a Capes, desencadeando inten- para a diminuição desses desequilíbrios.
“A posse de Fernando Collor de sa mobilização. As pró-reitorias de pes-
Melo na Presidência da República, quisa e pós-graduação das universidades
em março de 1990, trouxe consigo mobilizam a opinião acadêmica e cientí-
Na década de 90 foi criada a
a extinção da Capes, medida que fica que, com o apoio do Ministério da
atual logomarca da Capes.
traumatizou não apenas seus Educação, conseguem reverter a medida
funcionários, mas toda a comuni- (que ainda seria apreciada pelo Congres-
dade acadêmica. E foi exatamente so Nacional). Em 12 de abril do mesmo
a mobilização desses segmentos ano, a Capes é recriada pela Lei nº 8.028.
que garantiu, em pouco menos de Foi no início da década de 90, já na
um mês, o restabelecimento da gestão da presidenta Eunice Ribeiro
agência.” * Durham, que as verbas para auxílios
foram associadas às bolsas. Também
foram criadas novas iniciativas para
correção de distorções regionais, como
o Programa Norte de Pós-Graduação.
Houve ainda mudanças nas bolsas de
doutorado-sanduíche. “A ideia foi des-
centralizar esse programa e entregar as
bolsas sanduíche aos programas de dou-
torado com boa classificação, para que
eles as distribuíssem, sob supervisão da
Capes – isto conferiu enorme agilidade

Capes 60 anos 12
Guilherme Feijó
Anos 2000

O marco do ano 2000 é a


criação do Portal de Periódicos da Ca-
pes que, segundo Abílio Baeta Ne-
ves, foi a “iniciativa de impacto mais
espantosa realizada pela Capes. Ele
oferece uma possibilidade de salto
qualitativo no trabalho acadêmico”.*
O ex-presidente explicou que
todos os programas tinham igual pos-
sibilidade de acesso aos mesmos 2.500
títulos. “Jamais, seja por qual critério
fosse, Roraima teria acesso a esse volu-
me de periódicos, com esta qualidade
(...). O Portal é sensacional e o mais in-
teressante é que ele vai na direção ori-
ginal da formação da pós-graduação:
primeiro tem que existir pesquisa.”*
Em 2007, o Congresso Na-
cional aprova por unanimidade a Lei nº
11.502, homologada pelo então presi-
dente Luiz Inácio Lula da Silva. Cria-se
assim a Nova Capes, que, além de coor-
denar o alto padrão do Sistema Nacional
de Pós-Graduação brasileiro, também
passa a induzir e fomentar a formação
inicial e continuada de professores para
a educação básica. A Capes assume, en-
tão, as disposições do decreto, por meio
da criação de duas novas diretorias: de
Educação Básica Presencial (DEB)
e de Educação a Distância (DED).
Em 2009, a Capes muda para o
edifício-sede, deixando o anexo I e II do
Ministério da Educação, na Esplanada
dos Ministérios. A nova estrutura pos-
sibilita a união de toda a Capes em um
único espaço, o que facilita as constantes
reuniões de grande porte, assim como a
Avaliação Trienal. Em 2010 foi realizada
a primeira delas em um mesmo prédio e
com uma melhor estrutura para receber
os mais de 900 consultores que passaram
pela instituição no período de um mês.
Em 2011, ano em que comple-
ta 60 anos, a Capes teve a confirmação
da permanência do presidente Jorge
Almeida Guimarães, que está à frente
da instituição desde 2004. A Capes lan-
ça o Plano Nacional de Pós-Graduação
2011-2020. A instituição programou
eventos comemorativos com duração de
um ano, até o dia 11 de julho de 2012.

13
13
(*Trechos do livro: Capes, 50 anos: depoimentos ao
Guilherme feijó

CPDOC/FGV – Brasília, 2002) Capes 60 anos


14
15
Nova Capes:
Integração entre ensino
superior e educação
básica

Desde 2007, a Capes


aplica a experiência
no desenvolvimento
de recursos humanos
na formação de
professores e na
valorização da
licenciatura

Educação Básica 16
P
assados 57 anos desde a cria- -graduação, mas não podemos demorar
ção da Capes, o Congresso tanto com a educação básica”, concluiu.
Nacional aprovou por unani- Para isso, é necessário pensar
midade a Lei nº 11.502/2007, uma integração entre todos os níveis de
que modifica as competências e a es- educação. A estrutura da Nova Capes, que
trutura organizacional da fundação articula ensino superior e básico, é uma
Capes. Ela foi homologada pelo então mostra dessa visão sistêmica da educação.
presidente Luiz Inácio Lula da Silva no “Temos convicção de que é possível in-
dia do aniversário da fundação, 11 de corporar a pré-escola, partindo dela e indo
julho. Era criada assim a Nova Capes, até o pós-doutorado”, afirma o presiden-
que além de coordenar o alto padrão te. A visão de Guimarães é de que o suces-
do Sistema Nacional de Pós-Graduação so da pós-graduação no Brasil é reflexo da
brasileiro também passa a induzir e fo- perversidade social, em que a cada 1.000
mentar a formação inicial e continuada pessoas que entram no Ensino Básico,
de professores para a educação básica. apenas três chegam ao nível Superior.
Guilherme Feijó
Foram criadas então, na estru-
tura da instituição, duas novas diretorias,
de Educação Básica Presencial (DEB)
e de Educação a Distância (DED). As
ações coordenadas pela agência cul-
minaram com o lançamento do Plano
Nacional de Formação dos Professores
da Educação Básica (Parfor), em 28 de
maio de 2009. Com o Plano, mais de
330.000 professores das escolas públi-
cas estaduais e municipais que atuam
sem formação adequada à Lei de Di-
retrizes e Bases da Educação Brasileira
(LDB) passaram a ter a possibiidade de
iniciar cursos gratuitos de licenciatura.
Com menos de dois anos da
mudança em sua estrutura, a Capes passa
a desenvolver diversas ações de acordo
com a nova missão. São implementados
uma série de programas que visam contri- A nova configuração da coordenação coincide com a mudança para o novo prédio
buir para o aprimoramento da qualidade
da educação básica e estimular experiên- Formação de professores
cias inovadoras e o uso de recursos e tec- O principal desafio da Edu-
nologias de comunicação e informação cação Básica brasileira sobre o qual a
nas modalidades de educação presencial Capes começou a se debruçar a partir
e a distância. Entre eles, destacam-se o das mudanças foi a deficiência de for-
Programa Institucional de Bolsas de Ini- mação dos professores que atuam nas
ciação à Docência (Pibid) e o Sistema escolas públicas do país. De acordo
Universidade Aberta do Brasil (UAB). com o Educacenso 2007, cerca de 600
O presidente da Capes, Jorge mil professores em exercício na edu-
CAPES - 60 ANOS

Almeida Guimarães, destaca o desafio cação básica pública não possuem gra-
que é a formação de professores no Bra- duação ou atuam em áreas diferentes
sil. “A educação básica foi historicamen- das licenciaturas em que se formaram.
te abandonada, mesmo em municípios São professores que estão na
com renda per capita equivalente a cida- sala de aula, mas que possuem apenas o
des européias”, afirma. Para Guimarães, diploma do ensino médio ou do magisté-
a nova missão da Capes envolve a reali- rio. Professores formados em pedagogia
zação de tarefas simultâneas. “Devemos que dão aula de matemática, ou mes-
consertar o avião em pleno voo: expan- mo bacharéis que ministram aulas para
dir a matrícula e formar professores. De- crianças e adolescentes, por exemplo.
moramos décadas aprimorando a pós- Situações que contrariam o que está dis-

17 Educação Básica
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação
posto na LDB, de dezembro de 1996. novas está prevista para o Parfor, envol-
(LDB) define e regulariza o sistema de
Para suprir essa deficiência, o Parfor vendo cerca de 150 instituições de edu-
educação brasileiro com base nos princípios
prevê cursos superiores gratuitos e cação superior - federais, estaduais, co-
presentes na Constituição. A primeira LDB
de qualidade a esses professores em munitárias e confessionais. Duas turmas
foi criada em 1961. A versão mais recente foi
exercício sem formação adequada. de professores já estão frequentando as
publicada em 1996 e é baseada no princípio
Na ocasião do lançamento, aulas. No primeiro semestre de 2011 o
do direito universal à educação para todos.
o então presidente Lula afirmou que o número de professores matriculados
A LDB de 1996 trouxe diversas mudanças
principal objetivo do Parfor é motivar os no Parfor presencial chegou a 40 mil.
em relação às leis anteriores, como a inclusão
profissionais que estavam desmotivados
da educação infantil (creches e pré-escolas)
com a escola pública. “Educação de qua- Iniciação à docência
como primeira etapa da educação básica.
lidade é o único objetivo unânime no Bra-
sil. Isso porque todos sabem que a única Além de voltar a atenção para
coisa que pode garantir a oportunidade a formação dos professores que já estão
de igualdade é a educação.”, afirmou. dentro da sala de aula, a Capes também
Para o ministro da Educa- passou a concentrar esforços nos futu-
ção, Fernando Haddad, assim como o ros professores, estudantes de licen-
Estado tem que assegurar a matrícu- ciaturas das universidades de todo país.
la de um estudante da educação bási- Uma das experiências mais bem-suce-
ca na escola pública, todo professor didas entre as promovidas pela Nova
também deve ter direito à formação Capes é justamente uma voltada para o
inicial e continuada em universidades estímulo à docência e para a valoriza-
públicas. “Com isso, queremos atrair ção do magistério entre os estudantes
a juventude para o magistério”, des- de graduação, o Programa Institucio-
tacou assim que o Plano foi lançado. nal de Bolsa de Iniciação à Docência
Os dados da Capes mostram que nos (Pibid). A iniciativa funciona por meio
últimos 15 anos, as universidades formaram Parfor da concessão de bolsas para que estu-
110 mil professores de matemática, mas O Parfor é resultado de um dantes de licenciatura realizem projetos
apenas 43 mil estão no magistério; no caso conjunto de ações do Ministério da em escolas públicas da educação básica.
da física, as instituições formaram 13 mil, Educação, em colaboração com as se- Em 2011, com pouco mais
mas atuam no magistério apenas 6.106. cretarias de educação dos estados e de três anos, o Pibid deve alcançar a
municípios e as instituições públicas marca histórica de 30 mil bolsistas. São
de educação superior neles sediadas. A quatro modalidades de apoio: do bol-
Capes é responsável pela indução, fo- sista de iniciação à docência ao bolsista
mento e avaliação dos cursos no Plano. coordenador institucional, professor
São oferecidos cursos de gra- universitário que organiza o projeto.
duação para educadores em uma das Para o diretor de Educação Bá-
três situações: professor que ainda não sica da Capes, João Carlos Teatini, o Pi-
tem curso superior (primeira licenciatu- bid é um exemplo positivo de promoção
ra); professor com graduação, mas que de integração entre universidade e esco-
leciona em área diferente daquela em la. “O foco do programa é aproximar as
que se formou (segunda licenciatura); instituições de ensino superior das esco-
e bacharel sem licenciatura que preci- las de educação básica, dando prioridade
sa de estudos complementares que o àquelas que precisam mais, que têm bai-
habilitem ao exercício do magistério. xo índice de desenvolvimento da educa-
Os cursos de primeira licen- ção básica.”. Os alunos selecionados das
ciatura têm carga horária de 2.800 horas boas universidades vão trabalhar nessas
mais 400 horas de estágio supervisiona- escolas com um supervisor, um profes-
do. Os de segunda licenciatura têm car- sor do colégio, que também recebe bolsa.
ga horária de 800 horas para cursos na O Pibid tem conseguido, assim,
mesma área de atuação ou 1.200 horas cumprir alguns de seus objetivos, como
para cursos fora da área de atuação. “O elevar a qualidade das ações acadêmicas
objetivo do Plano é dar a todos os pro- voltadas à formação inicial de professo-
fessores em exercício condições de ob- res e inserir os estudantes de licenciatura
ter um diploma específico na sua área de no cotidiano de escolas da rede pública
formação”, afirma Fernando Haddad. de educação. Os futuros professores
Uma oferta superior a 400 mil vagas têm contato com experiências metodo-

Educação Básica 18
Fernanda Albuquerque

Encontro do Pibid na Universidade Federal grama e uma das razões do sucesso da

Guilherme Feijó
do Rio Grande (FURG): experiência é iniciativa. Estudantes de licenciatura
marcada pelo comprometimento dos bolsistas se empenham na participação não ape-
nas na sala de aula, mas também em
seminários, simpósios e encontros que
lógicas, tecnológicas e práticas docentes as coordenações locais do Pibid têm
de caráter inovador e interdisciplinar e organizado em todo o país. Uma das
as próprias escolas públicas passam a iniciativas, desenvolvida por estudan-
ser protagonistas nos processos forma- tes de física da Universidade Federal
tivos dos estudantes das licenciaturas, do Mato Grosso (UFMT), foi inclusive
mobilizando seus professores como vencedora do Prêmio Instituto Claro -
co-formadores dos futuros docentes. Novas Formas de Aprender na Moda-
De acordo com Carmen Mo- lidade Pesquisa, categoria Graduação.
reira, coordenadora-geral de Desenvol- Hoje o Pibid já está presen-
vimento de Conteúdo Curricular e de te em 1.642 licenciaturas em em 146
Modelos Experimentais da Diretoria de instituições. Um desses projetos é o
Educação Básica da Capes, o desafio do “Formação de professores nas áreas de João Carlos Teatini de
Pibid é incentivar a aprendizagem e auto- ciências e linguagens”, da Universida- Souza Clímaco, diretor de
ria coletivas colaborativas. “Nossos pro- de Federal de Goiás (UFG). De acor- Educação Básica presencial da
gramas tem como foco o investimento do com a professora Simara Nunes, do Capes entre 2009 e 2011 e diretor
em tecnologias educacionais e de apren- departamento de Química do Campus de educação a Distância da Capes
dizagem. Os nossos jovens não apren- de Catalão/UFG, o programa contri- desde 2011. Engenheiro civil pela
dem mais do mesmo jeito que o século buiu para o desenvolvimento profissio- Universidade Federal de Goiás
passado, e as escolas estão trabalhan- nal tanto dos licenciandos quanto da (UFG), mestre em engenharia civil
do como no século retrasado”, afirma. professora em exercício. “Ao longo do pela coordenação dos Programas
CAPES - 60 ANOS

A coordenadora compara a sala projeto, pude perceber a reafirmação da Pós-Graduação em Engenharia


de aula com uma orquestra, que também da vontade dos alunos em ser professor (Coppe/UFRJ) e Ph.D em enge-
possui uma pluralidade de possibilida- por participar do programa”, explica. nharia estrutural pela Polytechnic of
des. “O papel do educador é saber uti- A professora da UFG também Central London, hoje University of
lizar essas múltiplas inteligências para relata o amadurecimento dos alunos du- Westminster. Professor da Universi-
gerar uma inteligência coletiva”, conclui. rante o período do programa. “Percebo dade de Brasília (UnB) desde 1974.
que os licenciandos conseguem se expres-
Pibidianos sar melhor, superar o medo de falar em
O comprometimento dos público. Isso os ajuda a ganhar o respeito
bolsistas do programa, os chamados de seus alunos e a manter um bom rela-
“pibidianos”, é uma das marcas do pro- cionamento com eles. O programa apro-

19 Educação Básica
Guilherme Feijó
xima mais o licenciando da escola que básica têm prioridade de formação,
os estágios comuns. Eles passam a ter seguidos dos dirigentes, gestores e tra-
outro status dentro da escola”, afirma. balhadores em educação básica, desde
O Pibid também conta, desde o estabelecimento de sua nova missão.
o final de 2010, com um edital especí- A UAB é uma importante
fico para a educação e diversidade. As ferramenta na interiorização e na di-
propostas do novo Pibid Diversidade minuição das assimetrias regionais no
Celso José da Costa, di- levam em consideração as especifici- ensino superior no Brasil. Isso porque
retor de Educação a Distância da dades da formação em escolas situadas permite que estudantes de cidades do
Capes entre 2008 e 2011. Possui em comunidades indígenas e do campo. interior do país, muitas vezes distantes
graduação em matemática pela por muitos quilômetros de uma univer-
Universidade Federal do Rio de UAB, ensino a distância sidade pública, possam realizar cursos
Janeir, mestrado e doutorado
de qualidade de qualidade sem deixarem suas cidades.
em Matemática pela Associação A UAB ajuda, assim, a romper com a
Instituto Nacional de Matemá- As ações da Capes para a lógica de êxodo das cidades do interior
tica Pura e Aplicada (Impa). educação básica não se restringem para as capitais do país, uma das razões
Responsável pela descoberta da apenas ao aperfeiçoamento e capaci- para a desigualdade existente entre elas.
Superfície Costa, uma das super- tação pela educação presencial, mas Hoje são 768 polos de apoio presen-
fícies mínimas da matemática. É também pela educação a distância. cial que oferecem 979 cursos por meio
professor titular da Universida- Nesse âmbito, destaca-se o Siste- de 92 instituições. Mais de 212 mil
de Federal Fluminense (UFF). ma Universidade Aberta do Bra- estudantes foram matriculados. Em
sil (UAB), coordenado pela Capes. 2009, dos cerca de 190.000 cadastra-
Criada em 2005, a UAB é um sistema dos no sistema UAB à época, 51.122
integrado por universidades públi- eram professores da Educação Básica.
cas que oferece cursos de nível supe- O Sistema UAB funciona
rior para camadas da população que como articulador entre as instituições
têm dificuldade de acesso à formação de ensino superior e os governos esta-
universitária, por meio do uso da me- duais e municipais, com vistas a atender
todologia da educação a distância. O às demandas locais por educação su-
público em geral é atendido, mas os perior. Essa articulação estabelece qual
professores que atuam na educação instituição de ensino deve ser responsá-
vel por ministrar determinado curso em
certo município ou certa microrregião
por meio dos polos de apoio presencial.

Profmat
Outra novidade promovida
pela UAB foi a implementação do pri-
meiro curso de pós-graduação stricto
sensu semipresencial do Brasil, o Pro-
grama de Mestrado Profissional em Ma-
temática em Rede Nacional (Profmat).
Recomendado pelo Conselho Técni-
co-Científico da Educação Superior
(CTC-ES) da Capes, o Profmat é co-
ordenado pela Sociedade Brasileira de
Matemática (SBM) e executado por uma
rede nacional de instituições públicas de
ensino e pesquisa, no âmbito da UAB.
O primeiro Exame Nacional
de Acesso ao programa registrou cerca
de 20 mil inscritos. Foram disponibili-
zadas 1.192 vagas (17 candidatos/vaga).
A maioria dos inscritos são professores
das redes públicas de ensino básico, de
quase todos os estados. Isso porque o

Educação Básica 20
Dion Villar Visgueiro
Dion Villar Visgueiro
Aula inaugural Profmat
Profmat tem como objetivo atender
Moçambique
professores de matemática em exercício
no ensino básico, que busquem aprimo- Em novembro de 2010, o
ramento em sua formação profissional, Ministério da Educação abriu em Mo-
com ênfase no domínio aprofundado çambique os quatro primeiros cursos
de conteúdo matemático relevante para de graduação a distância da Universida-
a atuação docente. O programa opera de Aberta do Brasil a serem oferecidos
em ampla escala, com o objetivo de, a na África. A parceria entre os governos
médio prazo, ter impacto na formação brasileiro e moçambicano compreende
matemática do professor em todo o ter- a formação de até 5,5 mil professores da
ritório nacional. No primeiro semestre educação básica e 1,5 mil servidores da
de 2011 foram concedidas pela Capes administração pública, entre 2011 e 2017.
bolsas de mestrados para todos os 1.192 Em Moçambique, a gradu-
professores matriculados no Profmat. ação de professores e de servidores do
De acordo com o presidente governo federal está sendo ministrada
da Sociedade Brasileira de Matemáti- pelas universidades federais de Goiás
ca, Hilário Alencar, uma das principais (UFG), Juiz de Fora (UFJF), Fluminen-
expectativas em relação ao programa é, se (UFF) e do Rio de Janeiro (Unirio).
a médio prazo, gerar impacto na práti-

UAB Moçabique
ca do ensino de matemática em sala de
aula, por meio da formação de um gru-
po de professores com desenvolvimento
5,5 mil
Professores da
diferenciado. “O Profmat, sem dúvida, educação básica
ajudará a incentivar a contribuição da co-
munidade da área para a questão urgen-
te e estratégica da melhoria da forma-
ção matemática das crianças e jovens.”

A primeira turma de 600 alunos ingressou em


março de 2011, nos cursos de licenciatura em
matemática e biologia, pedagogia e administra-
ção pública. As aulas de educação a distância
CAPES - 60 ANOS

têm polos de apoio da UAB nas cidades de


Maputo, Beira e Lichinga.

1,5 mil
Servidores públicos da
administração pública de
Moçambique

21 Educação Básica
Programas tradicionais
e estratégicos
impulsionam a
pós-graduação
brasileira
P
rincipal agência de fomento Programas Tradicionais
da pós-graduação brasileira, a Seis programas da Capes man-
Capes teve grande impulso nos tém as linhas básicas de concessão de
últimos anos tanto em termos bolsas de estudo para alunos de mes-
quantitativos de bolsa como na recompo- trado, doutorado e pós-doutorado, bem
sição dos valores unitários pagos. O nú- como recursos para custeio das ativida-
mero de 27.360 bolsas, em 2003, aumen- des acadêmicas dos programas de pós-
tou para 58.032 bolsas no ano de 2010. -graduação. Eles representam cerca de
A Capes trabalha primordial- 76% dos programas da Diretoria de Pro- Guilherme Feijó

mente com a concessão de cotas de gramas e Bolsas no País da Capes (DPB).


bolsas que são repassadas aos progra- Além da expansão signifi-
mas de pós-graduação durante o ano cativa de forma geral, os programas
acadêmico. Essa concessão represen- também passaram a contemplar áreas
ta as metas a serem atingidas no pe- consideradas estratégicas no PNPG.
ríodo, mas pode contemplar um nú- Algumas medidas também foram
mero maior de pessoas beneficiadas tomadas para flexibilizar a utiliza-
de acordo com a oscilação e fluxo de ção dos recursos, promovendo auto-
alunos nos cursos de pós-graduação. nomia de programas que melhora-
Porém, durante os anos, no- ram seus desempenhos na avaliação.
vos programas de bolsas e de fomento
foram criados e outros tiveram seu âm- Demanda Social (DS)
bito de ação ampliado ou modificado. Programa mais antigo, maior
Para o cumprimento das políticas de e principal instrumento pelo qual a A concessão de bolsas pelas agências
desenvolvimento regional e nacional, Capes efetiva a política tradicional de federais foi acompanhada por im-
em especial a redução das assimetrias apoio aos programas de pós-gradua- portantes mudanças nas normas de
regionais, conforme orientações do Pla- ção das IES públicas do país. Criado concessão. Uma das mudanças mais
no Nacional de Pós-Graduação (PNPG) no mesmo ano de criação da agência importantes foi a adequação de regras
2005-2010, a Capes tem contribuído (1951), seu apoio se baseia na conces- à política de contratação de docen-
com um conjunto de ações indutoras são de cotas de bolsas aos programas tes nas instituições de ensino superior
e desenvolvido programas específicos para que os alunos selecionados pe- (IES). Portanto, em portaria conjunta
para essa finalidade. Os programas Ace- los cursos possam dedicar-se integral- da Capes e do Conselho Nacional de
lera Amazônia, Procad Novas Fron- mente a seus programas de formação. Desenvolvimento Científico e Tecno-
teiras, Dinter Novas Fronteiras e Pro- lógico (CNPq), passou-se a permitir,
doutoral são exemplos dessas ações. Programa de Suporte à Pós-Gra- desde 2004, que os bolsistas das suas
Mais recentemente, a me- duação de Instituições de Ensino agências, selecionados para cargos de
dida foi estendida a outros víncu- Particulares (Prosup) docência, pudessem atuar como profes-
los empregatícios, desde que os bol- Criado em 2000, apóia progra- sor substituto em instituições federais
sistas contemplados se dediquem a mas de pós-graduação vinculados a ins- de ensino superior (Ifes), sem, com isso,
atividades relacionadas à sua área de tituições privadas, com a concessão de perderem o direito às respectivas bolsas.
atuação e de interesse para sua forma- cotas de bolsas destinadas à manutenção
ção acadêmica, científica e tecnológica. dos alunos e/ou pagamento de taxas es-
colares. Em 2010, o programa foi refor-
Concessão de Bolsas mulado passando a operar por edital para
cursos criados a partir de 2007 e que ain-
CAPES - 60 ANOS

A partir de 2004, os progra- da não estavam contemplados. Em 2010,


mas da Capes passaram a ser operados foram concedidas 3.827 bolsas de mes-
em dois agrupamentos: Programas Tra- trado e doutorado pelo Prosup Institu-
dicionais e Programas Indutores e Es- cional e 390 pelo Prosup Cursos Novos.
peciais. Ambos atendem ao objetivo de
dar apoio à pós-graduação por meio da Programa de Apoio a Projetos Ins-
concessão de bolsas de estudo e recursos titucionais com a Participação de
para o custeio das atividades acadêmicas. Recém-Doutores (Prodoc)
Além das bolsas de mestrado
e doutorado, outra modalidade de fo-
mento à pós-graduação é a concessão
de bolsas para recém-doutores. Para

23 Bolsas no País
atender a esse crescente público-alvo, a nal de Cooperação Acadêmica (Procad),
Capes reformulou e ampliou, em 2004, Procad Novas Fronteiras, Dinter Novas
o Programa de Absorção Temporária Fronteiras e Programa de Formação
de Doutores, criando o Prodoc. Entre Doutoral Docente (Prodoutoral). Em
2004 e 2010, o Prodoc ganhou maior 2010, esses programas apoiaram 789 pro-
expressão e ampliou o número de bol- jetos, com 3.315 bolsas. Essas iniciativas
sas em torno de 56%, atingindo a marca contribuem para a obtenção de resulta-
de 472 bolsas. A partir de 2008, o pro- dos na redução das assimetrias regionais.
grama de absorção temporária de recém
doutores pelo Prodoc foi substancial- Áreas Estratégicas
mente reforçado com a criação de um Priorizando as áreas da saúde,
programa de pós-doutorado, o PNPD. energia nuclear, tecnologia da informa-
ção e comunicação (TICs), complexo
Programas Estratégicos industrial de defesa, biotecnologia e
nanobiotecnologia, foram criados os
Para manter o alto nível de programas Nacional de Pós-Doutorado
desempenho dos programas de pós- (PNPD), de Apoio ao Ensino e à Pesqui-
-graduação que obtiveram notas 6 ou 7 sa Científica e Tecnológica em Engenha-
em duas avaliações trienais consecutivas rias (Pró-Engenharias), de Formação de
da Capes, foi criado, em 2004, o Progra- Recursos Humanos em TV Digital (RH-
ma de Excelência Acadêmica (Proex). -TVD), Rede Nanobiotec Brasil e Lei do
De adesão voluntária para os programas MEC-ICT (Lei nº 11.487). Com essas
com esse nível de desenvolvimento, ele iniciativas, a Capes já contribuiu para
introduz um novo modelo de gestão e a execução e o financiamento de 1.366
admite maior flexibilidade e autono- projetos e 2.436 bolsas com impacto di-
mia na aplicação dos recursos concedi- reto sobre a Política de Desenvolvimento
dos dentro das modalidades de apoio Produtivo (PDP) do Governo Federal.
previstas. Vários programas de pós- Outros programas que apóiam
-graduação de diversas IES, antes vin- áreas estratégicas específicas são de
culados ao programa DS, passaram a ser Apoio à Pesquisa e Pós-Graduação em
apoiados financeiramente pelo Proex. Ciências do Mar (Pró-Amazônia Azul),
Ciências do Mar, de Apoio ao Ensino
Outros programas e à Pesquisa Científica e Tecnológica
Considerando que o Brasil já em Administração, de Bolsa Especial
dispõe de recursos humanos altamente para Doutorado em Pesquisa Médi-
qualificados em diversas áreas, a Capes ca (PBE-DPM), Nacional de Apoio e
atribuiu alta prioridade à indução de Desenvolvimento da Botânica (PNA-
projetos voltados para o atendimento DB), Edital Institutos Nacionais de
de necessidades consideradas estraté- Ciência e Tecnologia (INCT) e Profes-
gicas para o desenvolvimento educa- sor Visitante Nacional Sênior (PVNS).
cional, científico e tecnológico do país. Ações bilaterais e multilaterais
Para o cumprimento das políti- de apoio às áreas estratégicas resulta-
cas de desenvolvimento regional e nacio- ram na promoção de um conjunto de
nal, em especial a redução das assimetrias programas em associação com os minis-
regionais e intrarregionais e entre áreas térios da Defesa, da Educação, da Cul-
do conhecimento, a Capes desenvolveu tura, da Saúde e do Desenvolvimento,
ações indutoras e programas específicos Indústria e Comércio Exterior; Secre-
para essa finalidade como o Programa de tarias Especiais do Governo Federal;
Mestrado e Doutorado Interinstitucio- Conselho Nacional de Justiça; e Funda-
nal - Acelera Amazônia (Minter/Dinter ções Estaduais de Pesquisa. A partir de
– Acelera Amazônia), Programa Nacio- 2005, com a criação da grande maioria

Fomento à Pós-Graduação
Complementarmente à concessão de bolsas, a Capes destina
recursos de custeio das atividades acadêmicas dos programas de pós-gra-
duação por meio do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap) e para
realização de eventos científicos, tecnológicos e culturais de curta dura-

24
ção no país por meio do Programa de Apoio a Eventos no País (Paep).
Bolsas no País
desses programas, foi possível am-
pliar o número de projetos financiados
e bolsas concedidas, chegando ao final
do período com mais de 7,3 mil bolsas.

Infraestrutura e
publicações científicas
A Capes, por meio da DPB,
também promove apoio à infraestru-
tura de ensino e pesquisa e às publica-
ções científicas. Para isso, foram cria-
dos o Programa de Apoio à Aquisição
de Equipamentos de Pesquisa (Pró-
-Equipamentos) – criado em 2007; o Programa de Apoio ao Ensino e à Pesquisa Científica e Tecnológica em Defesa Nacional (Pró-
Equipamento Solidário (Parceria Ca- -Defesa), Programa Institucional de Qualificação Docente para a Rede Federal de Educação
pes/Faperj) – de 2009; e o Programa Profissional e Tecnológica (PIQDTec), Minter/Dinter – Capes/Setec, Programa de Apoio
de Editoração e Publicação de Perió- ao Pós-Doutorado no Estado do Rio de Janeiro (PAPDRJ), Programa Nacional de Pós-Dou-
dicos Científicos Brasileiros, em par- torado em Saúde (Pós-Doc SUS), Programa de Apoio ao Enfrentamento da Violência con-
ceria com o CNPq, que tem o objetivo tra as Mulheres, Programa de Apoio à Pesquisa Científica em Cultura (Pró-Cultura), Progra-
de consolidar revistas nacionais de alto ma de Apoio à Ecuação Especial (Proesp), Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e
nível e dar maior visibilidade à produ- Expansão das Universidades Federais (Reuni) e Parceria com as Fundações de Aparo à Pesquisa.
ção científica de pesquisadores brasilei-
ros. Este programa foi criado em 2006.

Pró-Equipamentos
Com objetivo de apoiar as
IES públicas para aquisição de equipa-
mentos vinculados a projetos conside-
rados estratégicos para a viabilização
de planos institucionais de pós-gradu-
ação, o Pró-Equipamentos se expandiu
substancialmente desde a sua criação.
Em 2007, foram apresentados
950 projetos, com demanda total de
cerca de R$ 140 milhões. Destes, 321
foram aprovados, totalizando aproxi-
madamente R$ 25 milhões em investi-
mentos em equipamentos. O elevado
número de propostas submetidas de-
monstra como essa iniciativa refletiu
os anseios da comunidade acadêmica.
O edital de 2008, em parceria
com o MEC, foi limitado às instituições
federais participantes simultaneamente
do Reuni e da pós-graduação. Para ga-
rantir o equilíbrio no atendimento às
instituições de diferentes portes e níveis
Portal de Periódicos
de tradição em pesquisa, foram estabele-
cidas faixas variáveis – entre R$ 500 mil Outra ação coordenada pela DPB é o Portal de Periódicos. Lançado em novembro de 2000,
e R$ 2 milhões – de apoio por IES, de é considerado uma biblioteca virtual que reúne conteúdo científico de alto nível, disponível à comunidade
acordo com o número de seus programas acadêmico-científica brasileira. Em dez anos, o acervo do Portal passou de 1.882 títulos de periódicos com
de pós-graduação. Nas edições de 2009 texto completo, para 29 mil títulos. O número de instituições usuários foi multiplicado por quatro, passando
e 2010, o Programa Pró-Equipamentos de 72 instituições para 311, em 2010. No mesmo ano, foram contabilizados mais de 67 milhões de acessos.
Institucional passou a atender todas as
instituições públicas de ensino superior.

25 Bolsas no País
Portal de Periódicos:
Uma década de sucesso
Com mais de 29 mil títulos de
periódicos, o Portal completa
dez anos democratizando o
acesso à informação científica
C
om objetivo de fortalecer

Guilherme Feijó
29.000
programas de pós-gradu-
ação no Brasil por meio
24.038
do acesso à informação
científica internacional de alto nível,
foi criado, em novembro de 2000, o 21.579

Portal de Periódicos, uma bibliote-


ca virtual que reúne e disponibiliza a 12.365
instituições de ensino e pesquisa no
Brasil o melhor da produção cientí-
11.419
fica internacional. Ele conta com um
acervo online de títulos com texto
10.919
completo, bases referenciais, bases Emidio Cantídio de Oliveira Filho,
dedicadas exclusivamente a paten- diretor de Programas e Bolsas no País da Capes,
tes, além de livros, enciclopédias e 9.530 engenheiro agrônomo, formado pela Universi-
obras de referência, normas técnicas, dade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE),
estatísticas e conteúdo audiovisual. 8.516 master of science-MSc pela University of California,
“O Portal é fundamen- Davis, philosophy doctor-PhD pela University of
tal para que a comunidade brasi- California, Davis (EUA), professor associado
3.379
leira tenha acesso rápido ao que é do Departamento de Agronomia da UFRPE,
produzido em ciência. Ele nivela o lecionou na graduação e pós-graduação, foi
2.096
conhecimento disponível para pes- pesquisador e orientador dessa universidade.
quisadores do interior do Brasil
com o do resto do mundo”, traduz 1.882

o diretor de Programas e Bolsas no


País da Capes, Emídio Cantídio. 30.000 25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0

A ferramenta atende às de-


mandas dos setores acadêmico, pro- Evolução dos títulos com texto completo do
dutivo e governamental e propicia o Portal de Périódicos
aumento da produção científica na-
cional e o crescimento da inserção
científica brasileira no exterior. É,
portanto, um instrumento fundamen-
tal às atribuições da Capes de fomen-
to, avaliação e regulação dos cursos 4.500
4.246
de pós-graduação e desenvolvimen- 4.000
to da pesquisa científica no Brasil. 3.642
3.500
Têm acesso livre e gratuito 3.211
2.939
ao conteúdo do Portal professores, 3.000
pesquisadores, alunos e funcionários 2.500 2.444
vinculados às mais de 300 instituições 2.017
2.000
que atendem às determinações da Ca-
pes, relacionadas às notas de cursos de 1.500
1.234
pós-graduação. Outros interessados 1.000 910
em acessar gratuitamente conteúdo
500 152 217
científico de alta qualidade têm à dis-
posição os periódicos de acesso livre, 0

bases de dados nacionais e internacio-


nais gratuitas, referências e textos de Multidisciplinar Exatas e da Terra
teses e dissertações produzidas nos Ambientais Engenharias
programas de pós-graduação de todo Biológicas Sociais Aplicadas
o Brasil e periódicos brasileiros com Saúde Humanas
uma boa avaliação no programa Qualis. Agrárias Linguística, Letras e Artes
Acervo do Portal de Periódicos classificado por
área do conhecimento em 2010

27 Biblioteca Virtual
2000
Lançado em 11 de
novembro

Histórico riódicos nacionais classificados pelo


programa Qualis da Capes, nos níveis
O Portal de Periódicos foi A e B, com o objetivo de dar maior
oficialmente lançado em 11 de novem- visibilidade à produção científica na-
bro de 2000, na mesma época em que cional. Também foi o ano em que o
2001 começavam a ser criadas as bibliotecas Portal comemorou seu 5º aniversário.
virtuais e quando as editoras iniciavam No mesmo ano, foi realiza-
Início das Jornadas de o processo de digitalização dos seus da a Conferência Internacional sobre
Treinamentos no Portal de acervos. O conteúdo inicial do Portal Acesso à Informação Científica e Tec-
Periódicos contava com um acervo de 1.419 pe- nológica, promovida pela Capes, em
riódicos e mais nove bases referenciais Brasília. No evento, houve uma mani-
em todas as áreas do conhecimento. festação geral dos participantes sobre a
Em 2001, as instituições de importância do programa e suas contri-
ensino superior usuárias do Portal buições para o desenvolvimento do en-
passaram a assinar um termo de com- sino e da pesquisa científica no Brasil.
2002 promisso com a Capes pelo qual se
comprometem a cumprir o regulamen-
Em 2006, a coleção do Portal
de Periódicos atingiu a marca de 10.919
Foi desenvolvido o to do programa e as normas para uso periódicos e 121 bases referenciais.
Banco de Teses da Capes das publicações eletrônicas disponíveis. Também foi divulgado o resultado do
Neste ano, teve início as Jornadas de concurso para as melhores pesquisas
Treinamentos no Portal de Periódi- sobre o tema A Influência do Portal de
cos, com objetivo de capacitar biblio- Periódicos da Capes na Pós-Graduação
tecários e profissionais da informação Brasileira. Foram escolhidos trabalhos
encarregados de multiplicar essas in- nas categorias pesquisador-docente,
formações para alunos e professores bibliotecário, aluno de mestrado e
2004 nas universidades. O acervo do Portal aluno de doutorado. Outra novidade
O Portal conta com atingiu a marca de 1.882 periódicos foi a disponibilização da coleção de
8.500 periódicos em com texto completo e 13 bases refe- periódicos e bases de acesso gratuito
texto completo e 90 bases renciais acessados por 72 instituições indexadas no Portal de Periódicos na
referenciais de ensino e pesquisa de todo o país. página dos Periódicos Acesso Livre.
No ano de 2002, o Portal re- Já em 2007, a Capes, em
cebeu o Prêmio Institucional do Con- parceria com a Rede Nacional de En-
selho Regional de Biblioteconomia - 7ª sino e Pesquisa (RNP), começou a
Região pela atuação na disponibilização desenvolver o Projeto de Atualização
de conteúdo científico. Neste mesmo Funcional e Tecnológica do Portal de
2005 ano, foi desenvolvido o Banco de Teses
da Capes, uma base de dados referen-
Periódicos. Por meio do projeto, foram
desenvolvidas soluções para facilitar
Acervo de mais de 9.500 ciais que permite recuperar os resumos a gestão dos recursos eletrônicos (ba-
revistas científicas interna- das teses e dissertações defendidas nos ses de dados e periódicos) pela Capes
cionais programas de pós-graduação do Brasil e também a pesquisa por informa-
desde 1987. Atualmente, esse banco já ção científica pelo usuário do Portal.
possui mais 50 mil teses cadastradas. Outra novidade é o desen-
Em 2004, o Portal passa a volvimento de uma ferramenta de
contar com cerca de 8.500 periódicos metabusca que integra a atual versão
em texto completo e 90 bases refe- do Portal de Periódicos. Ela permite
renciais, mais do que o dobro de tí- aos usuários realizar consultas em di-
tulos disponíveis no ano anterior. O ferentes bases de dados por meio de
2006 número de instituições participantes uma única consulta por autor, assun-
Marca de 10.919 do Portal já chega a 133 neste ano. to e palavra-chave. Foi em 2007 que o
periódicos e 121 bases Em 2005, novos títulos fo- acervo do Portal chegou à marca dos
referenciais ram assinados pela Capes. O Portal de 11.419 periódicos científicos com tex-
Periódicos passou a ter um acervo de to completo e 125 bases referenciais.
mais de 9.500 revistas científicas in- Em 2008, a Capes inova no
ternacionais e 105 bases referenciais. formato dos treinamentos do Portal
Outra novidade foi a inclusão de pe- de Periódicos, com a criação do Pro-

Biblioteca Virtual 28
grama de Formação de Multiplicado- internacionais, garantindo a renova-
res (Pró-Multiplicar) para mestrandos ção do conteúdo do Portal para 2010.
e doutorandos, bolsistas da Capes, no
qual são capacitados quanto ao uso do Dez anos
conteúdo do Portal e multiplicam essa CAPES WebTV
capacitação para colegas de curso. No Em novembro de 2010, o
primeiro ano, participaram oito insti- Portal de Periódicos completou dez A Capes oferece gratuitamente às instituições
tuições. Em 2009, foram 20 universi- anos e comemorou o aniversário na participantes do Portal de Periódicos a Ca-
dades de todas as regiões do país. O sede da Capes, em Brasília. Durante pes WebTV, uma mídia exclusiva direcionada
acervo do Portal de Periódicos conti- o evento, foram assinadas as renova- para instituições e membros da comunidade
nua a aumentar. No final deste ano, já ções dos contratos com os editores acadêmico-científica brasileira. Constitui-se
são 12.365 periódicos e 126 bases de internacionais que integram o Por- em um sistema de comunicação e capacitação
dados. Foram mais de 60 milhões de tal. Além de palestras, na solenidade abrangente, que veicula notícias sobre oportu-
acessos, entre textos completos bai- foi lançada uma edição especial da nidades de concursos, editais dos programas
xados e consultas às bases de dados. Revista Brasileira de Pós-Graduação da fundação, informações relevantes sobre o
2008 é ainda o ano em que (RBPG) sobre o Portal de Periódicos. funcionamento da Capes, além de informa-
Brasil atinge a 13º posição no ranking Também foi lançada a expo- ções relacionadas ao Portal de Periódicos e
mundial de produtividade científica, sição Portal de Periódicos: 10 Anos treinamento de usuários. Também é reserva-
ultrapassando a Rússia e a Holanda. promovendo a democratização do do um espaço para a própria instituição pu-
O desempenho alcançado pelo país conhecimento científico e tecnológi- blicar notícias para a sua comunidade local.
é resultado da atuação conjunta entre co no Brasil, que conta um pouco da
governo e universidades e centros de história da política de promoção do
pesquisa que atuam na pós-graduação. acesso ao conhecimento desenvolvida
A Capes participa ativamente desse pela Capes e da história do Periódicos.
processo por meio do fomento à pes- Em 2010, o presidente da

2007
quisa, na formação de recursos huma- Capes recebeu o Prêmio Telecentros
nos e na disponibilidade do acesso ao Brasil 2010 na categoria Personalida-
conhecimento gerado mundialmente, de em Inclusão Digital. A premiação Parceria com a Rede
oferecido pelo Portal de Periódicos. foi um reconhecimento à atuação da Nacional de Ensino e
Em 2009, o Portal atinge a Capes na coordenação da Universi- Pesquisa (RNP)
marca de mais de 15 mil periódicos com dade Aberta do Brasil (UAB) e do
texto completo e 126 bases referen- Portal de Periódicos. Já em 2011, o
ciais. Também é ampliado o número de Portal alcançou a quinta posição no
instituições participantes com a inclu- 15° Concurso Inovação na Gestão
são de fundações de amparo à pesqui- Pública Federal, entre os 117 inscritos.
sa (FAPs) e universidades particulares Organizado pela Escola Nacional de
e estaduais, que até então não tinham
acesso gratuito e que receberam o be-
Administração Pública (Enap), com
o apoio do Ministério do Planejamen-
2008
Criação do Programa de
nefício pela criação e manutenção de to, Orçamento e Gestão (MPOG), o
Formação
programas de pós-graduação recomen- concurso reconhece e valoriza equipes
de Multiplicadores
dados pela Capes e pelo atendimento de servidores públicos que, por meio
aos critérios de excelência definidos de soluções inovadoras, contribuem
pelo Ministério da Educação. Com essa para a eficiência de suas atividades.
inclusão, o número de instituições par- Ao longo dos dez anos, o
ticipantes do Portal chegou a 308, mais acervo do Portal passou de 1.882 títu-
de quatro vezes o número de usuárias los de periódicos com texto completo,
que utilizavam a ferramenta em 2001. para 26.372 títulos. O número de ins-
Fechando o ano de 2009, a
Capes apresenta o Portal de Periódicos
tituições usuários foi multiplicado por
quatro, passando de 72 instituições para
2009
O Portal atinge a
na Online Conference. O evento acon- 311. No ano de 2010, foram contabi- marca de mais de 15 mil
teceu em Londres, em dezembro, e lizados 67.392.805 acessos. Já no pri- periódicos e 126 bases
reuniu editores, pesquisadores e profis- meiro semestre de 2011, o número de referenciais
sionais da área de informação científi- títulos de periódicos ultrapassa 29 mil.
ca. Na mesma ocasião foram assinados
contratos entre a Capes e os editores

29 Biblioteca Virtual
Avaliação:
O crivo da
comunidade científica

na Capes
Proex
Um exemplo mais recente e explícito de conexão entre a avaliação e o fomento é o Pro-
grama de Excelência Acadêmica (Proex), voltado aos cursos de pós-graduação que rece-
beram notas 6 ou 7 nas duas últimas Avaliações Trienais da Capes. Como uma forma de
reconhecimento por receber os conceitos mais altos, os programas de pós-graduação in-

E
tegrantes do Proex recebem uma dotação orçamentária que pode ser utilizada de acordo
m 1976, a Capes passou a com prioridades estabelecidas pelos próprios programas, em qualquer das modalidades de
promover, além do fomento apoio concedidas pela Capes. Ou seja, o próprio programa é responsável por escolher se
para a formação de recur- quer gastar com concessão de bolsas de estudo, fomento para investimento em laboratórios,
sos humanos de alto nível, a custeio de elaboração de dissertações e teses, passagens, eventos, publicações, entre outros.
avaliação dos cursos de pós-graduação
stricto sensu no país. O Sistema de Ava- Com base nisso, duran-
liação cumpre, desde então, papel de te a abertura da Avaliação Trienal, no
fundamental importância para o desen- ano de 2010, o presidente da Capes,
volvimento da pós-graduação e da pes- Jorge Almeida Guimarães, definiu o
quisa científica e tecnológica no Brasil. sistema de Avaliação como “a ativi-
Entre os objetivos da Avaliação dade tradicional que permitiu os avan-
está o de estabelecer o padrão de qua- ços da ciência, tecnologia e educação
lidade, avaliar e chancelar os cursos de que aconteceram na pós-graduação
mestrado e de doutorado e identificar brasileira nas últimas seis décadas”.
os cursos brasileiros que atendem este
mesmo padrão. Assim, avaliar é tam- Articulação com
bém contribuir para o aprimoramento o fomento
de cada programa de pós-graduação
no país e colaborar para o necessário e A principal motivação que, em
permanente aumento da eficiência des- meados da década de 70, levou a então
ses mesmos programas no atendimento pequena coordenação do Ministério da
das necessidades nacionais e regionais Educação e Cultura a avaliar os cursos
de formação de recursos humanos. de pós-gradação no país foi estabelecer
A Avaliação realizada pela Capes parâmetros para melhor distribuir os re-
a cada três anos pretende, assim, impul- cursos de financiamento, como bolsas
sionar a evolução de todo o Sistema Na- de estudo. Como explica o ex-presidente
cional de Pós-Graduação (SNPG), e de da Capes, Darcy Closs (1974-1979), o
cada programa em particular, propondo processo de avaliação de cursos, que
metas e desafios que expressam os avan- teve início em 1976, tinha como prin-
ços da ciência e tecnologia na atualidade. cipal objetivo identificar quais eram os
Para o diretor de Avaliação da cursos com produtividade e qualidade
Capes, Livio Amaral, a avaliação cum- acadêmica elevada para assim proceder
pre o papel de analisar o panorama dos com a melhor distribuição de bolsas.
programas de pós-graduação no Brasil. A Avaliação da Capes nas-
“A partir da avaliação obtêm-se elemen- ce, portanto, já articulada ao fomento.
tos e indicadores que permitem induzir Para Claudio de Moura Castro, o vín-
e fomentar ações governamentais de culo entre nota, cota de bolsas e finan-
apoio à pós-graduação brasileira. Como ciamento aos cursos explica em parte
resultado podemos fazer adequações o sucesso da pós-graduação no país.
para avançar científica e tecnologica- Castro foi presidente da Capes entre
mente e desenvolver corretamente o 1979-1982, justamente o período em
país, como, por exemplo, promover que a distribuição de bolsas passou
programas específicos para diminuir as a se basear na avaliação dos cursos.
CAPES - 60 ANOS

assimetrias entre regiões do Brasil ou De fato, essa articulação acaba


intra e inter áreas do conhecimento”, por distinguir a Capes de outras agências
explica Amaral, que está à frente da Di- de acreditação existentes em alguns paí-
retoria de Avaliação (DAV) desde 2009. ses, que consistem em órgãos que apenas
Mais do que estratificar os cur- avaliam e dão uma nota para os cursos.
sos em uma escala de notas, portanto, a No Brasil, o vínculo com o fomento faz
Avaliação oferece subsídios para a de- com que os cursos queiram ser bem ava-
finição da política de desenvolvimento liados para que, assim, possam participar
da pós-graduação e fundamenta as de- dos programas e receber investimento.
cisões sobre as ações dos órgãos gover- Jorge Guimarães destaca este víncu-
namentais na pesquisa e pós-graduação. lo particular. “A Capes não avalia ape-
nas os cursos, ela os financia”, explica.

31 Avaliação
Equipe da Diretoria de Avaliação Como funciona pes não são autorizados e reconhecidos
e Coordenadores de Área a Avaliação pelo MEC e, por este motivo, não po-
responsáveis pela dem conceder diplomas de mestre ou
Avaliação Trienal 2010 Nesses 35 anos, o sistema doutor válidos no território nacional.
de avaliação passou por uma série de Além da análise dos cursos
aprimoramentos que acompanharam já em funcionamento que compõem
o significativo crescimento da pós- o sistema de pós-graduação, a avalia-
-graduação no mesmo período. Na ção abrange também um segundo pro-
época da criação da avaliação eram cesso: o de julgamento das propostas
apenas 150 cursos de mestrado e dou- de cursos novos de pós-graduação. A
torado com funcionamento autorizado avaliação destas propostas faz parte do
pelo então Conselho Federal de Edu- rito estabelecido para a admissão de
cação. Na avaliação de 2010, esse nú- novos programas e cursos no SNPG.
mero chegou a 4.099 cursos avaliados. Ao avaliar as propostas de
Para classificar a qualidade dos cursos novos, a Capes verifica se elas
cursos, desde 1998 os programas rece- atendem ao padrão de qualidade. Os
bem conceitos em uma escala que vai de resultados são encaminhados para
1 a 7. Notas 1 e 2 reprovam o programa fundamentar a deliberação do CNE
e o descredenciam do sistema. Nota 3 sobre o reconhecimento de tais cur-
significa desempenho regular, atendendo sos e sua incorporação ao sistema.
ao padrão mínimo de qualidade. Já a 4 é
considerada um bom desempenho e 5 é
a nota de um programa muito bem con-

Pilares da Avaliação
solidado, sendo também a nota máxima
para programas com apenas nível de mes-
trado. Notas 6 e 7 indicam desempenho
equivalente ao alto padrão internacional. Tanto a avaliação dos programas de pós-graduação como a
Os pareceres do Conselho das propostas de novos programas são alicerçadas em um
Nacional de Educação (CNE) são fun- mesmo conjunto de princípios, diretrizes e normas, compon-
damentados nos resultados da avaliação do, assim, um só sistema. São três os pilares que sustentam o
da Capes. Em seguida, os cursos são processo de avaliar a pós-graduação desde o seu início: a ava-
reconhecidos pelo Ministério da Edu- liação por pares, o foco na formação de recursos humanos e
cação. Isso significa que os cursos que a decorrente produção intelectual associada a esta formação.
não possuem a recomendação da Ca-

Avaliação 32
Guilherme Feijó

pes e a comunidade científica brasileira.


Avaliação por pares O presidente da Capes, Jorge
Guimarães, destaca a importância des-
As atividades da Avaliação são ta parceria. “Sem participação da co-
realizadas pelos consultores ad hoc indi- munidade científica não haveria nossa
cados por representantes da comunidade agência. O crivo da Capes é o crivo dos
acadêmica. Isso significa que os proces- consultores da comunidade científica”,
sos são conduzidos por comissões de enfatiza. Para Guimarães, a Avaliação
consultores do mais alto nível, vinculados Trienal é reconhecida por sua tradição,
a instituições das diferentes regiões do transparência e seriedade justamente
país. Ou seja, a própria comunidade cien- por ser realizada com base no universal
tífica é responsável, em última instância, sistema de avaliação por pares. “É um
pela avaliação da produção e da quali- processo que é preparado ao longo dos
dade dos programas de pós-graduação. três anos que antecedem o exercício da
Os consultores acadêmicos trienal e implica em inúmeras reuniões
são escolhidos dentre profissionais e discussões com os coordenadores de
com comprovada experiência e quali- áreas e consultores, sem interferência
ficação em ensino e orientação de pós- impositiva da Capes. A avaliação é fei-
-graduação, pesquisa e inovação. São ta totalmente pelos pares”, conclui.
indicados por Coordenadores de área,
que são consultores designados para, Recursos humanos e pro-
em um período de três anos, coorde-
dução intelectual
CAPES - 60 ANOS

nar, planejar e executar as atividades


das respectivas áreas junto à Capes. O Sistema de Avaliação da Ca-
Os consultores da comunida- pes também se guia permanentemen-
de científica participam efetivamente te pelo foco na formação de recursos
na análise de cada um dos cursos ava- humanos de alto nível. O volume de
liados pela Capes. Além disso, cada titulados e a capacidade de formação
área possui critérios de avaliação es- de recursos humanos de alto nível dos
pecíficos e definidos por suas coor- programas de pós-graduação são pon-
denações. Na Avaliação Trienal 2010, tos importantes no momento de dar
ocorrida nos meses de julho e agosto, notas aos programas. Esse número
participaram 900 consultores. Trata-se apresenta um crescimento significativo
de um grande intercâmbio entre a Ca- nas últimas décadas. Em 1998, apenas

33 Avaliação
Guilherme Feijó
Futuro da Avaliação
16.266 estudantes se titulavam mestres Algumas mudanças ocorridas nos últimos anos apon-
ou doutores por ano em todo o país. tam para tendências futuras no processo de Avaliação
Passado pouco mais de uma dé- da Capes. A ponderação sobre livros e sobre produção
cada, esse número saltou para mais de 50 artística, a distinção cada vez mais clara dos procedi-
mil. Um crescimento da ordem de 300%. mentos de avaliação de cursos de mestrado profis-
Por outro lado, a distribuição das no- sional, assim como a maior consideração da inserção
tas dos cursos nestes mesmos anos é social dos cursos são algumas delas.
bastante estável. Há sempre um alto
percentual de cursos que mantêm a A avaliação da produção intelectual
Livio Amaral é bacharel, mes- nota de uma Avaliação Trienal para ou- foi apurada com a inclusão de uma avalia-
tre e doutor em física pela UFR- tra. Além disso, é notória uma maior ção mais sistemática da produção de livros
GS, tem pós-doutorado no Centre concentração de curso nos estratos e da produção artística dos programas de
de Spectrométrie Nucléaire Et de centrais da escala da avaliação: 3, 4 e pós-graduação. Para Livio Amaral, essa foi
Spectrométrie de Masse, França – e 5. Esta estabilidade revela a maturida- a principal novidade da avaliação realizada
no Fundamenteel Onderzoek Der de do Sistema de Avaliação da Capes. em 2010. “Passamos a fazer a avaliação de
Materie – Holanda. É professor Maturidade que só foi possível livros, porque em muitas áreas, especialmen-
titular do Departamento de Física ser alcançada com o constante aperfei- te humanidades, esta é a principal forma de
da UFRGS desde 2008. Exerceu çoamento técnico dos instrumentos de expressar o trabalho intelectual desenvolvido
cargos de representação, consulto- avaliação. Aplicativos, como o Aplicativo por alunos e professores. Na Trienal de 2010,
ria e administração na UFRGS, em de Propostas de Cursos Novos (APCN), os livros pela primeira vez foram analisados
agências do MCT, MEC, FAPs e na foram criados e formulários, desenvol- de um modo mais sistemático e comum
Sociedade Brasileira de Física (SBF). vidos. Tudo para permitir a mais com- em várias áreas do conhecimento”, explica.
Tem mais de 130 publicações em pleta e minuciosa atividade de avaliação Além disso, a partir da nova regu-
revistas especializadas. Desde 2009 possível. Dentre essas ferramentas de lamentação de oferta de mestrado profis-
é diretor de Avaliação da Capes. avaliação se destaca o Qualis Periódicos. sional no país a partir de 2009, a tendência
Não é possível avaliar a pós-gra- para os próximos anos é que a avaliação
duação sem mensurar a produção acadê- desses cursos seja feita em separado e com-
mica dos cursos de mestrado e doutora- preendendo a natureza distinta dos dois
do no país. Para dar conta desta tarefa, a tipos de pós-graduação. A análise dos cur-
Capes desenvolveu a ferramenta Qualis sos de mestrado profissional será com-
Periódicos. Trata-se de um conjunto de posto por instrumentos e comissões pró-
procedimentos utilizados pela Capes prias para compreender as especificidades
para estratificação da qualidade da pro- dessa nova modalidade de pós-graduação.
dução intelectual dos programas no país. Nos últimos anos também passou
O Qualis foi concebido para receber mais peso na avaliação dos cursos
atender as necessidades específicas do a inserção social dos mesmos. Tal inserção
sistema de avaliação da Capes. Tem como compreende desde os impactos na sociedade
resultado uma lista com a classificação da produção de conhecimento advinda dos

Procad dos veículos utilizados pelos programas


de mestrado e doutorado para a divulga-
programas de pós-graduação até a solidarie-
dade entre cursos de pós-graduação, como
Novas Fronteiras ção da sua produção, uma hierarquização os mestrados e doutorados interinstitucio-
O Programa Nacional de dos periódicos científicos por qualidade. nais (Minters e Dinters) e o Programa Na-
Cooperação Acadêmica - Ação Essa lista é periodicamente atualiza- cional de Cooperação Acadêmica (Procad).
Novas Fronteiras (Procad-NF) da e estabelece de maneira comparati- As iniciativas aprovadas propõem
tem como principal objetivo va a qualidade das revistas científicas. redes de cooperação acadêmica submetidos
apoiar projetos conjuntos de O Qualis Periódicos vem se pelas regiões citadas, solidariamente com ins-
ensino e pesquisa, em institui- aperfeiçoando de maneira constante des- tituições de ensino superior que mantenham
ções distintas, que estimulem de sua criação e, a partir de 2008, passou programas de pós-graduação já consolida-
a formação pós-graduada, a a ter uma série de novidades: não há mais dos (com conceito igual ou superior a 5 no
mobilidade docente e discente a separação de revistas internacionais e nível de doutorado). Os projetos são apoia-
e a fixação de pesquisadores nacionais e foram estabelecidas regras dos por meio do financiamento de missões
doutores nas Regiões Norte, de classificação para evitar a concentra- de estudo, missões de docência e pesquisa
Nordeste e Centro-Oeste. ção de revistas em estratos superiores. e estágio pós-doutoral no país e terão du-
ração e financiamento de quatro anos, com
possibilidade de ampliação para cinco anos.

Avaliação 34
Constante evolução
Fora essas novidades que já co-
meçam a se desenhar, é provável que Ava-
liação da Capes passe por mais mudan-
ças no futuro, fazendo jus ao processo de
constante evolução que sempre a acom-
panhou nesses 35 anos. “Há um entendi-
mento da comunidade científica de que
são necessárias algumas mudanças no
processo de avaliação. Agora, temos ele-
mentos para realizá-las”, afirma Amaral.
Pelo próprio crescimento da
pós-graduação, em número de cur-
sos, professores, alunos e trabalhos
é provável que haja um espaçamento
maior no tempo de avaliação dos cur-
sos notas 6 e 7. Por serem cursos já
consolidados e com qualidade com-
provada ao longo de décadas, é pro-
vável que eles não precisem mais pas-
sar pela avaliação de três em três anos.
Juntamente com esse proces-
so, a DAV da Capes se prepara para
uma melhor caracterização e uma defi-
nição mais clara e precisa do que é in-
serção internacional dos programas de
pós-graduação. Além da mensuração
da produção em periódicos científicos
internacionais, a capacidade de inter-
câmbio dos cursos, tanto com relação
a estudantes que recebem bolsas quan-
to por parcerias de projetos de coope-
ração científica serão levadas em conta.
A DAV também pretende reali-
zar um acompanhamento mais próximo,
de programas que não tenham apresen-
tado evolução nas últimas avaliações. Por
exemplo, cursos de mestrado que man-
tiveram nota 3 na última década. Esse
acompanhamento deve ser feito inclu-
sive com visitas técnicas de comissões
e coordenadores de área. A ideia é que,
assim como a Avaliação da Capes, todo o
sistema de pós-graduação brasileiro seja
marcado por uma constante evolução.
PNPG:
Planos orientam
políticas públicas para
o desenvolvimento da
pós-graduação

desde 1975

36
S
Os PNPGs fazem um diag-
nóstico da pós-graduação
ão quatro os planos que antece- Entre as ações da Capes com foco na nacional. A partir desta
dem o atual Plano Nacional de redução das assimetrias regionais im- avaliação, apresentam-se
Pós-Graduação (PNPG 2011- plementadas por orientação do PNPG, propostas de diretrizes,
2020). O primeiro, elaborado estão o Programa Nacional de Co- cenários de crescimento do
para o período de 1975-1979, partiu da operação Acadêmica - Ação Novas sistema, metas e orçamento
constatação de que o processo de ex- Fronteiras (Procad-NF); Programa de para a execução de ações.
pansão da pós-graduação havia sido, até Doutorado Interinstitucional Novas Fron-
então, parcialmente espontâneo, pressio- teiras (Dinter-NF); e Bolsa para Todos.
nado por motivos conjunturais e, a partir Outras ações criadas por orientação do
daquele momento, a expansão deveria se PNPG 2005-2010 foram indução em
tornar objetivo de planejamento estatal. áreas do conhecimento; indução em
O estudo apontou para a necessidade áreas estratégicas; e parcerias nacionais.
de institucionalizar o sistema, elevar
os padrões de desempenho e planejar Programas para redução das assimetrias regionais e criação
a expansão, tendo em vista uma estru- de redes cooperativas - dados 2010
tura mais equilibrada entre as regiões.
Já no PNPG (1982-1985), a ên- Bolsas
Programas Ano de
fase recaiu na qualidade do ensino supe- Início ME
rior e, mais especificamente, da pós-gra- DO PD Total
duação. No plano referente aos anos de PROCAD 2000 370 167 121 658
1986 a 1989, foi ressaltada a importância
do desenvolvimento da pesquisa pela PQI 2002 - - - 0
universidade e a integração da pós-gradu- PROCAD Amazônia 2006 21 13 7 41
ação ao sistema de ciência e tecnologia.
Em 1996, iniciou-se a constru- Minter/Dinter Acelera Amazônia 2006 - 219 - 219
ção de um novo Plano Nacional de Pós-
PROCAD Novas Fronteiras 2007 567 176 162 905
-Graduação. Algumas versões foram ela-
boradas, mas nenhuma se transformou Dinter Novas Fronteiras 2007 - 1.277 - 1.277
em documento público. No entanto,
diversas recomendações resultantes das Prodoutoral 2007 - 215 - 215
discussões foram implantadas pela Capes.
Total 958 2.067 290 3.315
2005-2010 Fonte: Relatório de Gestão 2004-2010
Indução
O PNPG 2005-2010 teve A Capes também investe na
como principal proposta a formação indução em determinadas áreas do co-
de um número maior de doutores. De nhecimento. Exemplo disso é a conces-
acordo com o presidente da Capes, são de bolsa e custeio para bionanotec-
Jorge Almeida Guimarães, o último nologia e os programas Pró-Botânica e
plano cumpriu quase todas as metas, Pró-Ciências do Mar. A indução em áre-
inclusive a absorção de recursos hu- as estratégicas também permitiu a cria-
manos planejados por período. “A úni- ção, por exemplo, dos programas Pró-
ca meta não cumprida foi o aumento -Engenharias, Pró-Defesa e TV-Digital.
do pessoal na área de engenharia”.
CAPES - 60 ANOS
CAPES - 60 ANOS

Uma das novidades do plano Parcerias


foi a proposta de uma nova divisão regio- A agência desenvolveu no-
nal que retirou estados mais desenvolvi- vas parcerias nacionais no decorrer
dos na área de pós-graduação das regiões dos anos, como com os ministérios do
menos desenvolvidas. Um exemplo é o Planejamento, da Saúde, da Cultura, da
Centro-Oeste, que se juntou com o Nor- Defesa, da Indústria e Comércio Ex-
te, mas eliminou o Distrito Federal, que terior, além da ampliação de parcerias
se uniu aos estados do Rio de Janeiro e com agências como o Conselho Na-
Minas Gerais. A divisão foi apenas uma cional e Desenvolvimento Científico e
proposta ao governo para mostrar que Tecnológico (CNPq). Entre as ações
é necessário estudar novas divisões dife- estão a concessão de bolsas para os Ins-
rentes da tradicional para buscar resolver titutos Nacionais de Ciência e Tecno-
as assimetrias regionais e intra-regionais.

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37
37 Planejamento
PNPG 2011-2020
Capítulos Eixos
1. Introdução 7. Assimetrias: Distribuição da PG 1. Expansão do SNPG (assimetrias);
2. Antecedentes: Os planos no Território Nacional 2. Criação da agenda nacional de
anteriores 8. Educação Básica: Um Novo pesquisa;
3. Situação Atual da Pós-Graduação Desafio para o SNPG 3. Aperfeiçoar a avaliação;
4. Perspectivas de Crescimento da 9. Recursos Humanos para 4. Interdisciplinaridade;
Pós-Graduação Empresas 5. Apoio a outros níveis de ensino.
5. Sistema de Avaliação da 10. Recursos Humanos e
Pós-Graduação Brasileira Programas Nacionais
6. A importância da Inter(Multi)
disciplinaridade na PG

logia (INCTs) e a criação do Programa crescimento, sistema de avaliação, dis-


Nacional de Pós-Doutorado (PNPD), tribuição da pós-graduação no território
que atende à política de desenvolvi- nacional, internacionalização e coope-
mento produtivo, antiga PITCE. Ou- ração internacional, e financiamento e
tras parcerias que avançaram nos úl- importância da pós-graduação. “Outros
timos anos são com as fundações de importantes eixos do plano são a expan-
amparo à pesquisa (FAPs) dos estados. são do Sistema Nacional de Pós-Gradu-
ação (SNPG), além do apoio a outros
2011-2020 níveis de ensino”, destaca o presidente
da Capes, Jorge Almeida Guimarães.
O PNPG 2011-2022 será o Entre as metas do Pla-
primeiro voltado a um período de dez no Nacional de Educação estão
anos. O novo plano, que faz parte do a titulação de 19 mil doutores,
Plano Nacional de Educação (PNE), 57 mil mestres e 6 mil mestres
contém 14 capítulos que abordam os profissionais por ano a partir
planos anteriores, situação atual da pós- de 2020. “A proposta é aumen-
-graduação no Brasil, perspectivas de tar o número de doutores por
mil habitantes de 1,4 para 2,8,
em 2020, ter titulado 150 mil
doutores e 450 mil mestres no
período, além de posicionar o
Brasil entre os dez países maio-
res produtores de conhecimen-
tos novos”, informa Guimarães.

Desafios

Um dos maiores desa-


fios do SNPG é a formação de
pessoal para educação básica, já
que a maioria dos jovens não vê
na docência uma profissão que
desejam seguir. Por este e outros
motivos ela se torna prioridade,
juntamente com a área tecnoló-
gica, em que também falta pesso-
al. Entre as ações previstas estão
a ampliação dos editais desti-
nados à pesquisa em educação
básica, a valorização e formação
dos profissionais do magisté-
rio deste segmento educacional
e o aumento da interação dos
Natália Morato

programas de pós-graduação

Planejamento 38
38
e da Universidade Aberta do Brasil Publicação Científica
(UAB) com os cursos de licenciatura.
Há ainda a necessidade de ex- A produção científica do Bra-
pandir as parcerias com os sistemas es- sil atual corresponde a 2,7% da mundial.
taduais e municipais de ensino, em espe- O país ocupa a 13ª posição no ranking,
cial no que se refere às ações do Plano que tem os Estados Unidos em pri-
Nacional de Formação dos Professores meiro lugar, com 28,6%. No entanto, a
da Educação Básica (Parfor); estimular a taxa de crescimento da produção cien-
participação de cursos de pós-graduação tífica brasileira entre 1981 e 2008 foi
de outras áreas do conhecimento, além mais alta do que a média mundial. “A
da educação, nas questões relativas à produção científica é a forma de se sa-
melhoria da qualidade da educação bá- ber que o investimento foi importante
sica; e ampliar os editais de programas e é isso que estamos avaliando aqui”,
já existentes destinados à valorização e afirma o presidente da Capes. Ainda
formação dos profissionais do magisté- assim, o impacto de tal produção é bai-
rio da educação básica, como Prodocên- xo - o índice é de 3,04. O da Suíça é o
cia, Pibid, Novos Talentos, entre outros. maior: 8,02. Os EUA, apesar de terem
o maior número de artigos publica-
Avaliação dos, têm um índice de impacto de 7,08.
Para 2011-2020, haverá apoio e valoriza-
O plano prevê para o sistema ção das publicações nos principais peri-
de avaliação da pós-graduação que os ódicos nacionais de qualidade e garantia
cursos com notas 6 e 7 sejam avaliados da continuidade do Portal de Periódicos,
em intervalo maior de tempo, ficando além do aumento do acesso para novas
os demais submetidos à periodicidade instituições públicas e privadas que de-
trienal, com monitoramento mais fre- senvolvam pesquisa e pós-graduação.
quente. Serão incorporados, no proces-
so de avaliação, parâmetros que não se-
jam exclusivamente os das áreas básicas
e acadêmicas. Está previsto ainda o uso
de critérios que contemplem assimetrias,
especialmente no caso de mestrados lo-
PNPGs anteriores
calizados em regiões em estado de desen-
1975-1979

CAPES - 60 ANOS
volvimento incipiente. Já a avaliação dos
programas de natureza aplicada deverá
incorporar parâmetros (além de artigos 1982/1985
e livros) que incentivem a formação de
parcerias com o setor extra-acadêmico. 1986/1989
Inter (Multi)disciplinaridade

Uma das novidades do PNPG


2011-2020 é o estímulo às experiências
interdisciplinares, para as quais devem
CAPES - 60 ANOS

prevalecer alguns parâmetros ou pa-


drões: a instauração de programas, áre-
as de concentração e linhas de pesquisa
que promovam a convergência de temas
e o compartilhamento de problemas; a
existência de pesquisadores com boa
ancoragem disciplinar e formação di-
versificada; a instituição da dupla ou
até mesmo tripla orientação, confor-
me os casos; e a flexibilização curricu-
lar, em moldes supra-departamental.

Guilherme Feijó

39
39
39 Planejamento
Evolução da
pós- graduação

Em seis décadas,
a pós-graduação brasileira
apresentou um salto que
permitiu o Brasil chegar
ao 13º lugar no ranking da
produção científica mundial40
A
Capes é quase tão nova
quanto a pós-graduação
brasileira. Na data de sua
criação, em 11 de julho de
1951, existia apenas um curso do tipo
em todo território nacional: o Pro-
grama de Doutorado em Direito da
Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), que entrou em funciona-
mento em 1931. Hoje, o doutorado da
UFMG, avaliado com nota 5 pela Capes, Desenvolvimento regional
compõe o Sistema Nacional de Pós- Se nos anos 70, existiam apenas 97 mestrados e 53 doutorados
-Graduação com outros 4.722 cursos. com funcionamento autorizado, hoje os números chegam a 2.752 e 1.618,
É notável, portanto, a trajetó- respectivamente. Um ritmo de crescimento de aproximadamente 30 ve-
ria da ciência brasileira nesses 60 anos. zes e que recentemente tem sido mais intenso em regiões historicamente
Enquanto universidades como Harvard menos favorecidas quando se pensa educação e pós-graduação. No últi-
e Oxford na Inglaterra completam qua- mo triênio (2007-2010), o Sistema Nacional de Pós-Graduação cresceu à
tro séculos de existência, os programas uma taxa de 20,8%, mesmo com a avaliação criteriosa dos consultores da
de pós-graduação só começaram a sur- Capes. O maior crescimento de cursos avaliados foi verificado na região
gir no Brasil a partir de 1960, quando Norte 35,3%. O Nordeste vem logo em seguida, com uma taxa de 31,3%
um curso de mestrado em Odontologia de crescimento. Ainda assim, os programas de pós-graduação se con-
teve início na Universidade Federal do centram basicamente na região Sudeste. Esta ainda é a região com maior
Rio de Janeiro (UFRJ). Ainda assim, o número de cursos, 2.190, representando 53,4% do total de cursos. O Sul
Brasil conseguiu alcançar, em 2009, o representa 19,8%, com 810 cursos; Nordeste, 16,4%, 672; Centro-Oeste,
posto de 13º país em produção cientí- 6,6%, 270;zz e a região Norte com 157 cursos, 3,8%. O salto do número de
fica, a frente da Holanda e da Rússia. doutores titulados também impressiona. Há pouco mais de uma década, o
Natural, então, que até 1964 a Brasil formava 3.915 doutores por ano. Em 2009, passados apenas 11 anos,
Capes tivesse como função basicamen- esse número era de 11.368. Um crescimento de quase 300%. O número de
te conceder bolsas de estudos. Naquela professores da pós-graduação foi de aproximadamente 27 mil, para mais
época, eram previstas 120 bolsas por de 57 mil no mesmo período. Foram 30 mil contratações em dez anos.
ano, mas por falta de pessoal qualificado,
as concessões dificilmente chegavam a
20. Em 1952 foram concedidas três bol-
sas, sendo uma para formação no país
e duas para aperfeiçoamento no exte-
rior. Passadas seis décadas, já eram mais
de 58 mil bolsistas, apenas no Brasil.
CAPES - 60 ANOS
CAPES - 60 ANOS

Distribuição de cursos
Triênio 2007-2010

4141 Números
Guilherme Feijó
Bolsistas ção científica brasileira. Em maio de
A evolução do número de 2009, o Brasil alcançou a 13ª posição
bolsas da Capes acompanha o signifi- na classificação mundial em produção
cativo crescimento da pós-graduação científica em 2008, ultrapassando paí-
brasileira. Em 1974, a Capes mantinha ses como Rússia e Holanda, que hoje
mil bolsistas no país e apenas 70 no ocupam a 15ª e 14ª, respectivamente.
Fábio de Paiva Vaz, diretor de Gestão da exterior. No final da década, as con- Em apenas um ano, entre
Capes. Servidor público federal pertencente cessões saltaram para 13 mil no Bra- 2007 e 2008, a produção científica
à Carreira de Especialista em Políticas Públi- sil e 1.200 no exterior. Nos últimos brasileira aumentou 56%. O núme-
cas e Gestão Governamental (Ministério do anos, o crescimento tem sido recorde. ro de artigos científicos publicados
Planejamento, Orçamento e Gestão). Possui A coordenação chegou à mar- no Brasil, em 2008, foi de 30.451, em
bacharelado em relações internacionais pela ca dos 30 mil bolsistas em 2007 e já comparação com os 19.436 publica-
Universidade de Brasília (UnB) e bacharela- alcançou 58.107 em 2010. O maior nú- dos no ano anterior. Estados Unidos,
do em direito pelo Centro Universitário de mero de bolsas se concentra no estado China, Alemanha, Japão e Inglaterra
Brasília (Uniceub). Especialista em políticas de São Paulo. Só em 2010, eram 14.311 são os cinco primeiros colocados no
públicas e gestão governamental pela Escola bolsistas, mais do que o dobro da se- ranking da produção científica, segui-
Nacional de Administração Pública/ENAP. gunda unidade da federação com maior dos de França, Canadá, Itália, Espa-
Trabalhou como assessor da secretaria-exe- número de bolsas, Rio de Janeiro, com nha, Índia, Austrália e Coréia do Sul.
cutiva da Presidência da República e como 6.672. Com a relação às áreas do co- De acordo com o presidente
coordenador no Departamento Nacional de nhecimento, as ciências agrárias ocu- da Capes, a expectativa é alcançar a 9ª
Auditoria do SUS, Ministério da Educação. pam o topo de número de bolsas, 4.609 ou a 10ª posição nos próximos anos.
em 2010. Somente no doutorado eram “Há 40 anos, havia perspectiva de de-
1.808 bolsistas. O aumento do núme- senvolvimento da pós-graduação no
ro de bolsistas tem sido acompanhado Brasil diferente da que existe hoje. O
por uma série de reajustes monetários. país já ganhou respeito no exterior na
Após nove anos de congela- área da produção científica”, afirma.
mento, os valores das bolsas de estudo Na ocasião do anúncio da nova colo-
foram aumentados quatro vezes desde cação, o ministro da Educação, Fernan-
2004 até chegar aos atuais R$ 1.200 para do Haddad, destacou o aumento no
estudante de mestrado e R$ 1.800 para orçamento das universidades federais
estudante de doutorado. Além disso, desde 2005 como um dos fatores que
diversas ampliações de direitos foram contribuíram para esse crescimento. A
incorporadas às bolsas concedidas pela contratação de novos professores dou-
Capes. Entre eles, se destacam a possi- tores nesse período seria outro ponto
bilidade de licença-maternidade para importante. “Os jovens doutores têm
qualquer modalidade de bolsista com disposição de fazer diferença nos lu-
mensalidades garantidas à parturiente e gares mais longínquos do país. Por
a permissão para o bolsista exercer ati- isso, os municípios do interior, agora,
vidade remunerada relacionada a sua são produtores de ciência”, afirmou
área de pesquisa. “Uma maneira de in-
duzir a presença de pessoas da educação Áreas do conhecimento
básica na pós-graduação para melho-
rar qualificação”, explica o presidente Em 2011, a grande área do
da Capes, Jorge Almeida Guimarães. conhecimento com mais programas
A dotação orçamentária da Capes tam- de pós-graduação é a de Ciências da
bém acompanhou a expansão da pós- Saúde, com 811 cursos no total, sendo
-graduação na última década. Em seis 312 doutorados. Dentro dela, odonto-
anos, o orçamento da Coordenação logia é a área com maior número de
passou de R$ 579 milhões, em 2004, para cursos, 143, sendo 50 de doutorado.
Dados do Relatório R$ 2 bilhões em 2010. O orçamento au- Curiosamente, a área com
de Gestão 2004-2010 torizado para 2011 é de R$ 3,091 bilhões. maior crescimento nos últimos anos
Natália Morato
foi justamente aquela que foi criada há
Produção científica uma década, a área interdisciplinar. Ela
foi criada em 1999, quando o professor
Tamanho investimento teve e engenheiro Luiz Bevilacqua propôs
um significativo impacto na produ- à Capes a formação de uma comissão
onde propostas de cursos que não se
encaixassem no cânones disciplinares

Números 42
42
pudessem ser consideradas. Hoje, a área
interdisciplinar conta com 325 cursos
em temas variados como ciências cli-
máticas, bioinformática e gerontologia.
Para o professor Roberto Pa-
checo, da Universidade Federal de San-
ta Catarina (UFSC), vários fatores con-
vergem para explicar esse crescimento.
“Entre eles, vale enumerar o aumento da
consciência de que para solucionar uma
série de questões de importância social
e econômica é preciso uma convergên-
cia de disciplinas e a criação de espaços
científicos pra esses novos saberes”,
explica. De acordo com o coordena-
dor da área durante a Avaliação Trienal
2010, professor Arlindo Philippi Junior,
o conhecimento interdisciplinar traz uma
diversidade positiva ao conhecimento
científico. “Os métodos e processos in-
terdisciplinares geralmente inserem certas
criatividades e determinadas inovações na
forma como o problema é identificado.
Por meio da interação de diferentes olha-
res disciplinares se permite a identifica-
ção de soluções mais apropriadas”, disse.
A interdisciplinar é uma das
46 áreas da atual tabela de áreas de co-
nhecimento da Capes. Ela foi atualizada
em 2008, com criação da grande área
Multidisciplinar e, dentro dela as áre-
as interdisciplinar, ensino de ciências e
matemática, materiais e biotecnologia.

Mestrado Profissional

O crescimento da pós-graduação
na última década também engloba a in-
corporação de uma nova modalidade: o
mestrado profissional. Com o mesmo va-
lor do mestrado acadêmico, os primeiros
CAPES - 60 ANOS

mestrados profissionais no Brasil surgi-


ram em 1999. Na ocasião, quatro cursos
de odontologia passaram a ser ofereci-
CAPES - 60 ANOS

dos no estado de São Paulo. Desde en-


tão a modalidade vem se desenvolvendo,
chegando em 2011 já com 352 cursos.
Em 2009, foi publicada uma
portaria normativa que regulamenta as
ofertas de mestrado profissional no país.
A modalidade possui basicamente três di-
ferenças do seu equivalente acadêmico: as
propostas de cursos novos possuem um
aplicativo próprio, o corpo docente pode
ser constituído por profissionais com
reconhecida experiência profissional e o
trabalho de conclusão do curso não pre-
cisa necessariamente ser uma dissertação.

4343 Números
Mais de 600
projetos são apoiados
pela Capes no exterior
De 1998 a 2010, a Capes
implementou 21.797
bolsas no exterior
P
arte da visibilidade da Capes
na sociedade se dá em razão
de suas parcerias com a comu-
nidade científica internacio-
nal. Seja por meio de acordos bilaterais, Guilherme Feijó
com programas que fomentam projetos Em 2010, o número de países envolvidos
conjuntos de pesquisa entre brasileiros nos diversos programas de cooperação
e estrangeiros ou mesmo na forma de internacional chega 66
parcerias universitárias binacionais, ao
incentivar o intercâmbio de alunos, as

Guilherme Feijó
ações de cooperação internacional da aperfeiçoamentos no exterior. Já em
Capes, especialmente na última déca- 1953, o número de bolsas passou para
da, contribuíram para o alcance da ex- 79, sendo 25 no país e 54 no exterior.
celência da pós-graduação brasileira. Esse predomínio no número de bol-
Prova dessa conquista são as sas no exterior, no período de 1951 a
180 parcerias universitárias e 608 pro- 1955, se justifica pelo fato de, naquele
jetos conjuntos que a Capes tem atu- momento, serem poucas as alternati-
almente com países como Alemanha, vas de formação especializada no país.
Argentina, Chile, China, Cuba, Espanha, Até então, todas essas ações
Estados Unidos, França e Holanda, en- eram conduzidas pela chamada As-
tre outros. Com destaque para França, sessoria Internacional da Capes, que
Alemanha e Estados Unidos por terem somente em 2007 recebeu o formato
sido os precursores da cooperação com atual de Diretoria de Relações Inter-
o Brasil, ao celebrarem, respectivamente, nacionais. A mudança na designação
acordos como o Comitê Francês de Ava- do setor se deu com base na consta-
liação da Cooperação Universitária com tação da crescente importância desta Denise de Menezes
o Brasil (Cofecub), o Serviço Alemão atividade nos cenários de atuação das Neddermeyer, diretora
de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e universidades no Brasil e no exterior. de Relações Internacionais da
a Comissão para o Intercâmbio Educa- Capes, graduada em desenho e
cional e Cultural entre os Estados Uni- Programas bilaterais artes pela Universidade de Brasí-
dos da América e o Brasil (Fulbright). lia (UnB), especialista em educa-
Apesar de já denominados A redefinição do status ins- ção pela Universidade Fukuoka
“cooperações clássicas”, esses primeiros titucional da Capes, pelo Decreto nº de Educação no Japão, mestre
acordos não tinham o caráter simétrico 53.932/64, subordinando-a ao Ministé- em políticas em educação pelo
e de interdependência que é conhecido rio da educação, alterou também a condi- Instituto de Educação (IOE),
hoje. As ações se restringiam ao envio de ção de dependência de recursos internos, da Universidade de Londres, e
estudantes brasileiros a países estrangei- admitindo a possibilidade de emprésti- doutora em educação, com foco
ros sem a contrapartida internacional, o mos externos como fonte de financia- em sociologia do conhecimento,
que caracterizava uma atuação unilateral mento de seus programas institucionais. também pelo IOE. Foi profes-
por parte do Brasil. Ainda que incipien- No entanto, foi somente no sora secundária da Fundação
te, foi esse contato inicial com as nações final da década de 1970 que ocorreu Educacional do Distrito Federal,
americanas e europeias que propiciou a o grande marco da atuação da Capes exerceu cargo de assessoria direta
implantação da pós-graduação brasileira. na promoção e intermediação do in- do ministro da Educação (1992 a
CAPES - 60 ANOS

A Capes fez da concessão de tercâmbio internacional sistemático 1994). Na Capes foi diretora de
bolsas (tanto no país como no exterior) entre instituições brasileiras e estran- Gestão, coordenadora-geral de
seu principal instrumento para a conse- geiras: a assinatura do Capes/Cofecub. Bolsas no Exterior, chefe de ga-
cução de seus dois macros objetivos: a O acordo inaugurou a coo- binete e assessora internacional.
formação de pessoal de alto nível e o de- peração entre universidades brasileiras
senvolvimento da pós-graduação nacio- e francesas como parte de uma longa
nal. Nesse contexto, desde a criação do tradição de intercâmbio cultural e cien-
órgão, o programa de bolsas no exterior tífico entre a França e o Brasil e foi o
teve grande relevo em sua programação. responsável pela concessão das primei-
Em 1952, a Capes concedeu as pri- ras bolsas de cooperação internacional.
meiras três bolsas, sendo uma delas Acordos como Fulbright e DAAD tam-
para formação no país e duas para bém seguiriam a mesma linha de atuação.

45 Cooperação Internacional
Guilherme Feijó
Cofecub Fulbright
O Comitê Francês de Avalia- A Comissão para o Inter-
ção da Cooperação Universitária com câmbio Educacional e Cultural en-
o Brasil (Cofecub) é o mais antigo co- tre os Estados Unidos da América e o
mitê científico estruturado para avaliar Brasil (Fulbright) foi criada em 1957
programas bilaterais nas áreas universi- com a finalidade de promover a divul-
tária e de pesquisa no país. Criado em gação da ciência, tecnologia e cultura
1978, o acordo tem entre seus objetivos brasileira, em especial com o envolvi-
a formação em nível de pós-graduação mento de setores da academia que ain-
e o aperfeiçoamento de docentes; a da não tiveram exposição nos EUA.
troca de informações com a produ- Para participar, as instituições
ção conjunta de publicações científicas, apresentam projetos de caráter insti-
além da valorização intelectual e aplica- tucional, com duração de até quatro
ção conjunta dos resultados técnicos. anos consecutivos, que contemplem a
Em 2010, foram apresentadas 93 propostas Em 30 anos de existência, o pro- inserção de um falante nativo (bolsista
de projetos, das quais 31 foram aprovadas grama já contemplou mais de 700 proje- fulbright norte-americano), na condi-
para 2011. Os selecionados recebem o apoio tos de cooperação em todos os campos ção de assistente de ensino. O último
da Capes/Cofecub por meio do fomento a disciplinares, totalizando anualmente um edital selecionou 16 instituições no Bra-
missões de trabalho, bolsas de estudo e re- investimento de cerca de R$ 26 mil por sil para o recebimento de 30 bolsistas
cursos de custeio. As missões de trabalho projeto, entre passagens, diárias e mate- a partir do primeiro semestre de 2011.
são viagens de pessoas da equipe do projeto riais de consumo, ou ainda, de mais de Da mesma forma, estudantes
entre dez e 21 dias; as bolsas são ajudas de R$ 3 milhões de reais ao ano, se consi- brasileiros também têm a oportunida-
custo concedidas a estudantes brasileiros in- derados os 123 projetos em andamento. de de se candidatar ao programa Assis-
dicados pelo coordenador do projeto, nas Os editais Capes/Cofecub tente de Língua Portuguesa nos EUA
modalidades pós-doutorado e estágio de dou- são lançados anualmente. A seleção (FLTA), no qual bacharéis ou licencia-
torando no exterior (doutorado-sanduíche). dos projetos inscritos acontece sem- dos em língua portuguesa e/ou língua
pre no mês de outubro em reunião inglesa incrementam o ensino de portu-
realizada alternadamente no Brasil e guês em universidades norte-americanas.
na França, durante a qual também é
decidida a programação dos recur- DAAD
sos atribuídos para o ano seguinte.
O acordo de cooperação inter-
nacional entre Brasil e Alemanha na área
educacional foi formalmente assinado
em 1971 com a promulgação do Decreto
nº 68.107. Desde então, foram assinados
acordos executivos entre a Capes e diver-
sas agências de fomento alemãs, como
a Fundação Alemã de Pesquisa (DFG
– Deustscher akademischer Austaus-
ch Dienst), a Fundação Alexander Von
Humboldt (AvH) e o Serviço Alemão
de Intercâmbio Acadêmico (DAAD).
Dessas agências a primeira a
entrar em atividade com o Brasil foi o
DAAD, por meio do programa “Inter-
câmbio Científico Brasil – Alemanha de
Guilherme Feijó curta duração (Missão de curta duração)”
Entre os programas que incentivam o recebimento de bolsistas norte-america- em 1984, o qual foi seguido pelo progra-
nos no Brasil está o Assistente de Ensino de Língua Inglesa para Projetos Insti- mas Capes/DAAD/CNPq, em 1985, o
tucionais (ETA). A iniciativa busca elevar a qualidade dos cursos de bachare- Probral em 1994 e o Unibral em 2001.
lado e/ou licenciatura em letras, língua inglesa, na perspectiva de valorizar a
formação e a relevância social dos profissionais do magistério da educação básica.

Cooperação Internacional 46
Guilherme Feijó
Modalidades Doutorado Pleno
As bolsas no exterior conce- Atualmente com 300 bolsistas no
didas pela Capes são para doutorado exterior, o programa de Doutorado Pleno
pleno, doutorado sanduíche e pós- oferece bolsas como alternativa comple-
-doutorado. Mais recentemente a Ca- mentar às possibilidades ofertadas pelo
pes passou a conceder também bolsas conjunto dos programas de pós-gradua-
de graduação sanduíche dentro de pro- ção no Brasil, de forma a buscar a forma-
gramas de cooperação internacional ção de docentes e pesquisadores de alto Sandoval Carneiro Júnior,
entre universidades brasileiras e insti- nível. A seleção acontece anualmente e graduou-se em engenharia industrial
tuições da França, Alemanha e EUA, visa à concessão de bolsas a candidatos elétrica na Pontifícia Universidade
com ênfase nas áreas de engenharias. de comprovado desempenho acadêmi- Católica de São Paulo (1968), é mes-
A partir de 2003, a Capes co, cujos projetos não possam ser rea- tre em ciências da engenharia elétri-
deixou de oferecer bolsas para mestra- lizados total ou parcialmente no Brasil. ca pela Coppe/Universidade Federal
do no exterior. A política da fundação, Desde 2006, quase 10.000 do Rio de Janeiro Ph D in electrical
desde então, é incentivar o doutorado pessoas participaram do processo se- engineering pela University of Not-
e o pós-doutorado no país e comple- letivo de doutorado pleno no exterior, tingham, Inglaterra. Exerceu diver-
mentarmente no exterior, uma vez que, das quais 3000 receberam bolsa. Na sos cargos administrativos, incluin-
o Brasil já possui cursos de excelência seleção realizada para o ano de 2011, do o de presidente de 1991 a 1992
tanto no mestrado como no doutorado. dos 411 candidatos inscritos 85 fo- e diretor de Relações Internacionais
Vale ressaltar que no mestrado há plena ram selecionados e receberão benefí- da Capes no período 2008-2011.
capacidade de atender toda a demanda cios como bolsa mensal, auxílio des-
de formação de pessoal nesse nível de locamento, auxílio instalação, seguro
qualificação, bem como de alimentar a saúde e o pagamento de taxas escolares.
demanda para formação no doutorado. Ao se inscrever, os candida-
Para a formação complemen- tos devem indicar, pelo menos, três
tar no exterior, a prioridade é para bol- e, no máximo, cinco instituições, pre-
sas de doutorado sanduíche. Trata-se ferencialmente em países distintos,
de modalidade de treinamento doutoral sendo a decisão competência exclu-
com muitas vantagens sobre o douto- siva da Capes após análise de fatores
rado pleno no exterior: mais seletivo, como melhor adequação acadêmica e
mais eficiente, mais seguro e de custo a compatibilidade dos custos relativos
mais baixo e que proporciona aos es- a anuidades e taxas escolares cobradas.
tudantes de cursos de doutorado no
Brasil, a oportunidade de desenvolver Cooperações Sul–Sul
parte de sua pesquisa em instituição
no exterior de reconhecida excelência. Além das cooperações acadê-
Por conta dessas vantagens micas com países de reconhecida tradi-
há, na Capes, um aumento significativo ção na área, a Capes iniciou a partir de
nas bolsas para doutorado sanduíche: 2004 um plano de intensificação das
eram 399 em 1998 e alcançou o núme- relações entre o Brasil e países da cha-
ro de 1.890 em 2010. Outra modali- mada cooperação sul-sul. Priorizando,
dade importante e igualmente segura, nesse contexto, especialmente a América
especialmente para recém-doutores já Latina, com destaque para a Argentina
CAPES - 60 ANOS

com vínculo empregatício no Brasil é e o continente Africano, com a partici-


a bolsa de pós-doutorado, tendo tam- pação dos países de língua portuguesa.
bém havido aumento significativo: Essa nova ênfase no direciona-
de 266 em 1998, para 1.045 em 2009. mento internacional da fundação perma-
De 1998 a 2010, a Capes imple- neceu pautado no fomento a programas e
mentou 21.797 bolsas no exterior. projetos, mas priorizou também o inves-
timento em programas sociais, algumas
vezes até de caráter assistencial. Essas
ações se dão por meio de relações bilate-
rais com países como Argentina, Cuba,
Uruguai, Timor Leste e Haiti ou por
iniciativas multilaterais que contemplam

47 Cooperação Internacional
Com o objetivo de enriquecer os cur-
sos de pós-graduação brasileiros e propiciar aos
estudantes o contato com professores e pesqui-
Uruguai, Cuba e Argentina também têm sadores estrangeiros de elevado conhecimento
expressiva participação na realização de blocos de países como no caso Merco- científico, foi instituída em 2006, como Parte do
acordos bilaterais com o Brasil. O Ude- sul e do Programa de Estudantes-Con- Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE),
lar projetos, parceria com a Universi- vênio de Pós-Graduação (PEC-PG). o programa Escola de Altos Estudos (EAE).
dad Uruguaia de La República, recebeu No caso do Haiti, por exem- Por meio do programa é incentivada a vinda ao
de 2008 a 2010 mais de R$ 233 mil no plo, 89 candidatos foram aprovados, Brasil de professores e pesquisadores estrangei-
fomento a intercâmbio de estudantes por meio de seleção realizada em maio ros, preferencialmente laureados internacional-
de pós-graduação. Da mesma forma, de 2011, para participarem do Progra- mente, a exemplo do Prêmio Nobel, da Medalha
mais de R$ 130 mil foram investidos ma Emergencial Pró-Haiti, que possi- Fields na Matemática e premiados equivalentes.
em missões de trabalho e de estudo a bilita que estudantes de instituições de A Capes destina até R$ 150 mil para
docentes e pesquisadores cubanos por ensino superior haitianas realizem estu- cada curso. O montante é empregado em pas-
meio do programa MES-Cuba Projetos. dos de graduação-sanduíche no Brasil. sagens aéreas, hospedagem e apoio operacional.
Também parte das coopera- Todos os cursos são documentados e passam a
ções sul-sul, o PEC-PG é o mais anti- integrar o acervo da agência. Entre 2007 e 2010,
go acordo multilateral da Capes (criado foram R$ 42 milhões investidos com o envolvi-
em 1983), fruto de uma parceria com o mento de alunos de graduação e pós-graduação.
Conselho Nacional de Desenvolvimento Os cursos ministrados pelos especia-
Científico e Tecnológico (CNPq) e o Mi- listas estrangeiros têm curta duração e somam
nistério das Relações Exteriores (MRE). créditos para o programa de pós-graduação dos
O programa atende 54 países participantes. A Capes incentiva a formação de
da África, Ásia, Oceania, América Latina consórcios entre universidades para ampliar
e Caribe, apoiando a concessão de bolsas o acesso aos eventos. Quando possível parti-
de mestrado e doutorado e buscando o cipar via internet ou teleconferência, o curso
aumento da qualificação de professores deve também contabilizar créditos. Até 2010,
universitários, pesquisadores, profissio- o programa contabilizou 77 projetos de EAE.
nais e graduados do ensino superior.

Paex
Além do fomento à formação
no exterior, a Capes também apoia, por
meio do Programa de Apoio à partici-
pação em Eventos no Exterior (Paex),
a apresentação de trabalhos e a partici-
pação de professores e pesquisadores
em eventos internacionais. O objetivo
do programa é propiciar a visibilidade 21%
internacional da produção científica,
tecnológica e cultura gerada no país.
O apoio consiste em auxílio-
-deslocamento, que se destina a contri-
buir com despesas com o traslado de
ida e volta do país aonde será realizado A França recebe
30% dos bolsistas
evento científico, indicado na inscri-
ção e aprovado pela Capes, conside-
rando o trecho: Brasil/Exterior/Brasil.
da Capes, seguida pelos
EUA com 21%.
Cooperação Internacional 48
Expansão Contínua europeia contribuem para que na atua-
A expansão das atividades da lidade as projeções para a presença bra-
Capes favoreceu o aumento expressivo sileira no meio acadêmico internacional
do orçamento total da instituição e, em continuem sendo animadoras, colocan-
especial, dos investimentos da Direto- do o Brasil como parceiro estratégico em
ria de Relações Internacionais (DRI). cooperações acadêmicas internacionais.
A execução orçamentária da Diretoria
passou de menos de R$ 100.000.000,00 Desafios
em 2003 para R$ 221.910.260,80, em
2010, reflexo do aumento do número Um dos principais desafios
de projetos e do total de bolsas con- da Capes é estender o reconhecimento
cedidas pelos programas da Diretoria. e a legitimidade de que goza no meio
Diretamente proporcional ao acadêmico da pós-graduação stricto
crescimento foi a elevação do numero de sensu à formação de professores para
bolsas concedidas nos últimos dez anos. a educação básica. Nesse propósito,
Em 2009, a Capes alcançou o número re- a Fundação busca replicar experiên-
corde de 4.346 bolsistas distribuídos no cias bem sucedidas na pós-graduação,
exterior, o que representou um aumento adequando-as às novas responsabilida-
de 97% em relação ao ano de 1999. Desse des que assumiu legalmente. Uma des-
total, o doutorado-sanduíche sai na fren- sas experiências é a integração com
te dos outros níveis com 1.682 bolsas. outros países, ampliando as frontei-
Atualmente, a França é o pri- ras pedagógicas, culturais e científicas.
meiro destino de bolsistas brasileiros, Com essa nova ação, torna-
abrigando 30% do total, seguido dos -se possível à Capes conceder bolsas
Estados Unidos com 21% e de Portugal de estudo e auxílios para docentes,
com um pouco mais de 10% de presença discentes e profissionais gestores da
brasileira. Há dez anos, os EUA ocupa- educação, para o desenvolvimento e o
vam o topo do ranking com 684 bol- aperfeiçoamento de atividades vincu-
sistas, seguido por 502 na França e 308 ladas à Educação Básica, gerando im-
no Reino Unido. As engenharias conti- pactos educacionais equivalentes aos
nuam sendo a grande área com maior que a cooperação internacional tem
atratividade com mais de 25% do total. produzido na pós-graduação brasileira.
A posição alcançada interna-
cionalmente pelo Brasil na área econô-
mica e o envelhecimento da população

CAPES - 60 ANOS

30%

Entre1999 e 2009, a
Capes aumentou em 97% o
número de bolsistas no exerior.
Prêmio Capes
de Tese já contempla
mais de 150 doutores
Prêmios reconhcem o
trabalho dos estudantes e
garantem o aprofundamento
das teses por meio de
bolsas de pós-doutorado
Guilherme Feijó
CAPES - 60 ANOS
I
nstituído em 2005, o Prêmio Capes de Tese e o Gran- Costa, ao ser convidada para fazer a entrega do Grande Prêmio.
de Prêmio Capes de Tese são concedidos anualmente O filho de José Leite Lopes, José Sérgio Leite Lo-
pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de pes, mencionou ainda o fato de seu pai ter feito doutorado
Nível Superior (Capes) às melhores teses de doutora- no exterior nos anos 40, sendo um dos primeiros a concluir
do defendidas e aprovadas nos cursos reconhecidos pelo essa modalidade de estudos, e a satisfação que o pesquisa-
MEC, considerando os quesitos originalidade e qualidade. dor teria ao ver a grande quantidade de pessoas de diferen-
O Prêmio Capes de Tese é conferido à me- ças áreas da pós-graduação brasileira sendo premiadas na
lhor tese de doutorado selecionada em cada uma das solenidade. “A satisfação se estenderia ao perceber a demo-
áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes. cratização da universidade, a criação de novos campos e a
Das teses já premiadas, três são selecionadas para interiorização das universidades, fatos que hoje são atuais.”
receber o Grande Prêmio Capes de Tese, em cada um dos
três grupos de grandes áreas: Ciências Biológicas, Ciências Premiação
da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias e Ciências Exatas
e da Terra; e Ciências Humanas, Lingüística, Letras e Artes, Aos vencedores são concedidos certificados e
Ciências Sociais Aplicadas e Ensino de Ciências. A cada edi- medalhas; auxílios equivalentes a participações em con-
ção, este prêmio homenageia cientistas ilustres, brasileiros ou gresso nacional ou internacional para o orientador; bol-
que tenham se radicado no Brasil, já falecidos, dando seus no- sas de estágio pós-doutoral no Brasil e/ou no exterior para
mes no conjunto de áreas em que a premiação é concedida. o autor; e prêmios adicionais em dinheiro, em parceria
Na grande área Ciências Exatas e da Terra, já foram com a Fundação Conrado Wessel e Instituto Paulo Gon-
homenageados César Lattes, Lobo Carneiro, Leopoldo Na- tijo (IPG). Alessandro Villar, vencedor do Prêmio Capes
chbin e José Leite Lopes. Em Ciências da Saúde e Ciências da área de Astronomia/Física no Prêmio Capes de Tese
Agrárias foram Carl Peter von Dietrich, Johanna Döbereiner, 2008, foi o primeiro agraciado com R$ 15 mil pelo IPG.
Maurício Rocha e Silva e Carlos Chagas. Celso Furtado, Mario Durante a cerimônia de entrega do Prêmio Capes
Pedrosa, Carlos Chagas e Lucio Costa foram os nomes dados de Tese 2009, referente às teses defendidas em 2008, rea-
aos grandes prêmios Capes de Tese na grande área Ciências lizada em dezembro de 2010, o presidente da Capes, Jorge
Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Guimarães, confirmou a parceria por mais quatro anos com
Artes. “Sei que meu pai estaria muito feliz de ser lembrado a FCW e falou sobre os prêmios. “Essa é uma competição

51
em um lugar que cultua, cultiva e propicia o desenvolvimento muito acirrada, que acaba por estimular os nossos jovens a
científico-tecnólógico”, disse Maria Elisa Costa, filha de Lucio produzirem teses de melhor padrão. Assim, a premiação
O Prêmio Capes de Tese é confe-
rido à melhor tese de doutorado
selecionada em cada uma das áreas
do conhecimento reconhecidas
pela Capes e são elas: administra-
ção, ciências contábeis e turismo;
antropologia / arqueologia; arqui-
tetura e urbanismo; artes/música;
astronomia / física; biotecnologia;
ciência da computação; ciência de
alimentos; ciência política e rela-
ções internacionais; ciências agrá-
rias I; ciências biológicas I; ciências
biológicas II; ciências biológicas
III; ciências sociais aplicadas I;
direito; ecologia e meio ambiente;
economia; educação; educação
física; enfermagem; engenharias
I; engenharias II; engenharias
III; engenharias IV; ensino de
ciências e matemática; farmácia;
Edson Morais
filosofia / teologia: subcomissão Prêmio Capes de Tese 2009 contemplou 43 teses
filosofia; filosofia / teologia: sub-
comissão teologia; geociências; cumpre com parte da nossa missão de No Prêmio Capes de Tese de
geografia; história; interdiscipli- desenvolver ainda mais a ciência, a tec- 2008, para as teses defendidas em 2007,
nar; letras / linguística; matemá- nologia, as artes e a cultura do Brasil e, 487 teses foram inscritas. Das 44 áreas
tica / probabilidade e estatística; junto com tudo isso, a pós-graduação.” do conhecimento, 38 foram seleciona-
materiais; medicina I; medicina Completou dizendo que o prê- das pela comissão de premiação. A re-
II; medicina III; medicina veteri- mio é fruto do crescimento da Capes gião Sudeste teve 388 inscritas; Sul, 65;
nária; odontologia; planejamento e honra a trajetória da pós-graduação Centro-Oeste, 17; Nordeste, 16. A re-
urbano e regional / demografia; no país. “Não foi um caminho sim- gião Norte teve apenas uma tese inscrita.
psicologia; química; saúde cole- ples. Temos um sistema jovem, em que Rafael Dias Loyola, da Uni-
tiva; serviço social; sociologia; e as melhores universidades possuem versidade Estadual de Campinas (Uni-
zootecnia / recursos pesqueiros. idade da Coordenação e já competi- camp), foi contemplado com o Gran-
mos com países cuja formação de re- de Prêmio Capes de Tese 2009 no
cursos humanos ultrapassa séculos”, conjunto das grandes áreas Ciências
explica. Na edição de 2009, 399 teses Biológicas, Ciências da Saúde e Ciên-
concorreram e 43 foram premiadas. cias Agrárias. A tese “Priorização de
Mario Rodarte,
ecorregiões para a conservação de ver-
ganhador do
Vencedores tebrados terrestres” aborda questões
Grande Prêmio
biológicas, ecológicas e econômicas
Capes de Tese
Autor da tese premiada no para a formulação de propostas viá-
2009 - Lucio Costa
Grande Prêmio Capes de Tese 2008 na veis acerca da conservação de espécies.
Edson Morais
Grande Área Ciências da Saúde e Ciên- “Ganhar este prêmio é uma sensação
cias Agrárias, que homenageou Maurício indescritível, um super reconhecimento
Rocha e Silva, Rogério de Castilho Jacin- do trabalho. É um dos melhores incen-
to falou do percurso do pós-graduando tivos que um recém-doutor pode ter.”
até a finalização do trabalho. “Este mo- Reconhecido no mesmo
mento é uma gratificação ao período ár- ano com o Grande Prêmio Capes
duo em que nos dedicamos integralmen- de Tese Lucio Costa, Mario Mar-
te à pesquisa. Muitas vezes deixamos de cos Sampaio Rodarte, da Universida-
lado amigos e família para contribuirmos de Federal de Minas Gerais (UFMG)
com o avanço da ciência”, afirmou o garante que a premiação traz a opor-
professor da Universidade Federal de Pe- tunidade de aprofundar o estudo e tra-
lotas (Ufpel) e da Universidade Estadual zer novas descobertas para o Brasil.
de Campinas (Unicamp). A tese premia-
da foi intitulada “Relação da sintomato-
logia com a presença de microrganismos
e endotoxinas em canais radiculares com
necrose e suscetibilidade antimicrobia-
na de bactérias anaeróbicas estritas”.

Reconhecimento 52
No período de 2006 a 2009,
já foram realizadas quatro
edições do Prêmio Capes de
Tese, nos quais foram home-
Ganhadores do Grande Prêmio Capes de Tese nageados 12 cientistas. No to-
tal, foram inscritas 1.531 teses.
Grande Prêmio Capes de Tese 2006

“César Lattes” (Ciências Exatas e da Terra) / Autor: Cláudio Patrício Ribeiro Júnior / Tese: Desenvolvimento de um
processo combinado de evaporação por contato direto e permeação de vapor para tratamento de sucos de frutas / Área: Engenharias II / Orientadores: Paulo
Laranjeira da Cunha Lage e Cristiano Piacsek Borges / Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

“Florestan Fernandes” (Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Artes) / Autor: Maraliz de Castro Vieira Christo / Tese: Pintura,
história e heróis no século XIX: Pedro Américo e Tiradentes Esquartejado / Área: História / Orientador: Jorge Coli / Programa de Pós-Graduação em História
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

“Carl Peter von Dietrich” (Ciências da Saúde e Ciências Agrárias) / Autor: Claudio Teodoro de Souza / Tese: Co-Ativador-1 do Receptor Ativado por Proli-
ferador do Peroxissoma (PGC-1): um co-ativador de transcrição gênica Envolvido com o controle da secreção e ação periférica da insulina / Área: Medicina I /
Orientador: Lício Augusto Velloso / Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da Unicamp

Grande Prêmio Capes de Tese 2007

“Lobo Carneiro” (Ciências Exatas e da Terra) / Autor: Maria Laura Schuverdt / Tese: Métodos de Langrangiano aumentado com convergência utilizando a
condição de dependência linear positiva constante / Área: Matemática/Probalidade/Estatística / Orientadores: José Mário Martinez / Co-orientador: Roberto
Andreani / Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada da Unicamp

“Celso Furtado” (Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Artes) / Autor: Solange Maria Teixeira / Tese: Envelhecimento do
trabalhador no tempo do capital: problemática social e as tendências das formas de proteção social na sociedade brasileira contemporânea / Área: Serviço Social /
Orientador: Maria Maciel Abreu / Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

“Johanna Döbereiner” (Ciências da Saúde e Ciências Agrárias) / Autor: Ana Lia Parra-Pedrazzoli / Tese: Isolamento, identificação, síntese e avaliação de campo
do feromônio sexual do minador-dos-citrus, Phyllocnistis citrella Stainton, 1956 (Lepidoptera: Gracillariidae) / Área: Ciências Agrárias / Orientador: Evaldo Ferrei-
ra Vilela / Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade de São Paulo (USP)

Grande Prêmio Capes de Tese 2008

“Leopoldo Nachbin” (Ciências Exatas e da Terra) / Autor: Eduardo Freire Nakamura / Tese: Fusão de Dados em Redes de Sensores sem Fio /Área: Ciências
da Computação /Orientador: Antônio Alfredo Ferreira Loureiro /Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG)

“Mario Pedrosa” (Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Lingüística, Letras e Artes) / Autor: Sergio Adas / Tese: O campo do Geógrafo: colonização e
agricultura na obra de Orlando Valverde ( 1917-1964) / Área: Geografia / Orientador: Antonio Carlos Robert de Moraes / USP

“Maurício Rocha e Silva” (Ciências da Saúde e Ciências Agrárias) / Autor: Rogério de Castilho Jacinto / Tese: Relação da sintomatologia com a presença de mi-
crorganismos e endotoxinas em canais radiculares com necrose e suscetibilidade antimicrobiana de bactérias anaeróbicas estritas / Área: Odontologia / Orientador:
Brenda Paula Figueiredo de Almeida Gomes / Unicamp/Piracicaba

Grande Prêmio Capes de Tese 2009


CAPES - 60 ANOS

“José Leite Lopes” (Ciências Exatas e da Terra) / Premiado: Gustavo Silva Wiederhecker / Tese: Controle e interação de fônons e fótons em fibras ópticas de
cristal fotônico. / Área: Astronomia/Física / Orientador: Hugo Luís Fragnito / Programa de Pós-Graduação em Física da Unicamp

“Lucio Costa” (Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas, Ensino de Ciências e Lingüística, Letras e Artes) / Premiado: Mario Marcos Sampaio Rodarte /
Tese: Perfis de domicílios enquanto unidades de produção e reprodução na Minas Gerais Oitocentista. /Área: Planejamento Urbano e Regional / Demografia /
Orientadora: Clotilde Andrade Paiva / Co-orientadores: Diana Reiko Tutiya Oya Sawyer e João Antônio de Paula / Programa de Pós-Graduação em Demogra-
fia da UFMG

“Carlos Chagas” (Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias) / Premiado: Rafael Dias Loyola / Tese: Priorização de ecorregiões para a conser-
vação de vertebrados terrestres / Área: Ecologia e Meio Ambiente / Orientador: Thomas Michael Lewinsohn / Programa de Pós-Graduação em Ecologia da
Unicamp

53 Reconhecimento
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