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Universidade do Vale do Itajaí

Colégio de Aplicação UNIVALI

Correr de um lado para o outro, ficar nervoso/a sem algum motivo aparente, não querer
mais fazer as coisas da escola... Todos esses comportamentos apresentados pelas
crianças nos dizem algo sobre o que elas estão sentindo.
Como será podemos ajudar as crianças a lidar com aquilo que elas sentem?

Ansiedade Infantil

As medidas de contenção da COVID-19 envolveram aquilo que chamamos de


“Isolamento Social”. A partir de meados do mês de março as crianças se viram
obrigadas a se afastar do importante convívio social com colegas e professores/as e dos
estudos presenciais no ambiente escolar. Desde então, estamos todos/as em alerta para o
crescimento dos sintomas de ansiedade entre crianças e adolescentes.
“A ansiedade é uma resposta normativa concebida para facilitar a autoproteção”
(STALLARD, 2010). Isso quer dizer que ela é uma resposta que todas as pessoas
apresentam frente a uma ameaça ou a um sentido geral de perigo. É como se
estivéssemos com uma sensação de medo, que não necessariamente tem o porquê de
existir. Nosso corpo se prepara para alguma ação como luta ou fuga (então
experienciamos agitação, taquicardia, sudorese, tensão muscular), mas não sabemos
contra quem vamos lutar, ou do que vamos fugir. É algo que faz parte de todos os seres
humanos, mas que pode ser excessiva e difícil de controlar.
Ela envolve componentes cognitivos, fisiológicos e comportamentais. Os
sintomas fisiológicos da ansiedade incluem suor nas mãos, nervosismo, dores de
barriga, dificuldade de concentração, irritabilidade, coração acelerado, respiração curta,
garganta seca, pernas moles, voz trêmula, rubor, sensação de desmaio, visão turva e
vontade de ir ao banheiro. Esses sintomas podem passar despercebidos pela criança,
mas eles são desagradáveis e levam ela a ter comportamentos que visam minimizar sua
intensidade, como a esquiva, por exemplo.
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Colégio de Aplicação UNIVALI

Em conjunto a essas respostas fisiológicas e comportamentais, se encontram


processos cognitivos importantes. Um deles é a preocupação. Pesquisas realizadas com
crianças mostraram que as preocupações são comuns na infância e que elas estão
relacionadas, principalmente, ao desempenho escolar, saúde, contatos sociais e danos
pessoais.
É evidente que esse momento que nós estamos passando enquanto comunidade
trouxe novas preocupações para todos e todas, inclusive para as crianças. E, além dessas
preocupações, elas também precisam lidar com o confinamento! Algo que pode ser
bastante angustiante, pois todas aquelas atividades que elas costumavam fazer que
proporcionavam alívio e felicidade estão sendo substituídas por uma rotina mais restrita.
Outro componente cognitivo importante é a forma como a criança observa,
percebe ou julga determinado acontecimento. Os modelos cognitivos de ansiedade
sugerem que a forma como as informações são selecionadas, observadas e processadas
está sujeita a um determinado grau de distorção. Podemos chamá-las de “armadilhas de
pensamento”, como: prestar atenção somente aos acontecimentos negativos, ter
expectativas ruins que não estão baseadas na realidade, perceber-se menos capaz,
generalizar acontecimentos ruins ou esperar sempre pelo pior. Essas distorções podem
iniciar ou auxiliar na manutenção de dificuldades ou mesmo transtornos emocionais.
Como é possível perceber a ansiedade é sentimento bastante complexo e
multifatorial. Em frente ao aumento da incidência de sintomas de ansiedade entre
crianças durante o período de Isolamento Social, o CAU pensou em algumas dicas e
atividades práticas que podem ser feitas em casa, para ajudar as acrianças a lidarem com
esses sintomas.
E lembre-se, se as dicas não auxiliarem, procure ajuda profissional! A Resolução
do Conselho Federal de Psicologia de nº 04/2020 dispõe sobre regulamentação de
serviços psicológicos prestados por meio de Tecnologia da Informação e da
Comunicação durante a pandemia COVID-19.

STALLARD, Paul. Ansiedade: terapia cognitivo-comportamental para crianças e


jovens. Porto Alegre. Artmed, 2010.
RESPIRAÇÃO CONTROLADA

Esse método simples, ajuda a criança a retomar o controle do

seu corpo por meio da concentração no controle da sua

respiração.

Quando a criança estiver apresentando sintomas de

ansiedade, peça para ela puxar o ar lentamente e segurá-lo. A

seguir ela deve contar até 5 e aos poucos deixar o ar sair.

Enquanto faz isso, deve pensar consigo mesma "relaxe",

"tenha calma" ou "fica fria". Isso deve ser repetido por no

mínimo três ou quatro vezes, ou até a criança se sentir mais

calma e mais controlada.

Para crianças menores, essa prática pode ser explicada da

seguinte forma: peça para que ela assopre bolhas de sabão no

ar. Se ela assoprar muito rápido ou com muita força, a bolha

vai estourar, então ela precisa fazer esse exercício lentamente.

Também pode ser usada a analogia de apagar todas as

velinhas de um bolo de aniversário! Para ser bem sucedida

nessa tarefa, a criança deve ser instruída a imaginar um bolo

com velas, puxar o ar, segurá-lo, mirar na vela e então soltar o

ar lentamente de forma controlada. Esse exercício deve ser

repetido até que todas as velinhas do bolo estejam apagadas.


GARRAFINHA DA CALMA

Junto com a criança, pegue uma garrafinha transparente e

encha com água. Em seguida, coloquem dentro dela

purpurina, glitter, estrelinhas, arreia, pedrinhas coloridas...

Fechem bem a garrafinha e agitem.

Explique para a criança que nossos pensamentos e

sentimentos funcionam como o material dentro da água: se

nos agitamos e perdemos a calma, nossos sentimentos e

pensamentos também se agitam e se desorganizam.

A medida que paramos um pouco, respiramos e nos

acalmamos, nossos pensamentos e sentimentos voltam a se

organizar e nossa mente volta a ficar clarinha.

Essa garrafinha pode ser usada sempre que a criança estiver

agitada. Ela pode ser decorada na parte de fora com frases

como "acalme-se", "respire fundo", ou

"tudo vai ficar bem".


CONTINUE O DESENHO

O desenho é uma das formas mais ricas de expressão de

ideias e sentimentos das crianças.

Pegue uma folha de papel e sente-se junto com a criança.

Inicie um desenho e, em voz alta, fale um pouco para ela

sobre como você está se sentindo.

Em seguida, peça para a criança continuar o seu desenho e

assim como você fez, falar sobre aquilo que ela está sentindo.

Aproveite esse momento para criar um diálogo com a criança

sobre como todos os seres humanos experienciam diferentes

sentimentos e como eles aprendem a lidar com eles de

diferentes formas. 

Pense junto com a criança em alternativas saudáveis para eu

lidar com os seus sentimentos e coloquem em prática.