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PAPÉIS AVULSOS 1989.

6baZYXWVUTSRQP

T e r r i baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
tó r io s M a r g in a is

NESTOR PERLO NG HER

C I E c
C E N T R O IN T E R D IS C IP L lN A R DE ESTUDOS CONTEM PORÂNEOS
E s c o la d e C o m u n ir ,a ç ã o /U n iv e r s id a d e F e d e r a l d o ,R io d e J a n e ir o
A v . P a s te u r , 2 5 0 CEP 22290 R io d e J a n e ir o B r a s il (0 2 1 ) 2 7 5 -1 6 4 7
C I E C PAPÉIS AVULSOS 1989. 6
CE~~RO INTERDISCIPLINAR DE ESTUDOS CONTEPORÂNEOS

coordenadora
HELOISA BUARQUE DE HOLLANDA

vice-coordenador
CARLOS ALBERTO MESSEDER PEREIRA

coordenador editorial
SILVIANO SANTIAGObaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Territórios

NESTOR PERLONGHER

,.

preparação de texto
At-'At1A~IA
SKIHNER •

coordenação de produção
e revisão
LUCIA N. ARAUJO

programação visual
SILVIA STEIBERG
TERRITÓRIOS MARGINAIS*

Néstor Perlongher**

Reitor da Universidade Federal


do Rio de Janeiro
HORÁCIO CIN""TRADE MAGAUIAES MACEOO

Decano do Centro de Filosofia


e Ciências numa nas Considero auspicioso que esta discussão abranja diversas
HEITOR PIEDADE JÓNIOR
noções e visões do território, o que revela, de passagem, a ampli
Diretor da Escola debaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
C o m u n .í.c a ç ã o da UF'HJ tude desmensurada da perspectiva territorial - entendida aqui
MUNIZ SODRÉ DE ARAóJO CABRAL
como extensão superficial que alude ã certa distribuição dos cor-
Coordenador do Forum de Ciência pos, das matérias sociais, no espaço. Daí a preocu~ção pelo ter-
e Cultura
MÁRCIO TAVARES d'AMARAL ritório, por múltiplos que sejam seus enfoques, desvelar, no seu
próprio lançamento ou colocação, a instauração de uma ótica que
parte de uma pergunta pelo lugar. A pergunta pelo lugar. Dizia
Heidegger:dcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
" L o c .a .e .i za l t .6 i g n i 6 .{.c .a m O l .> t l t a l t e .e . .e .u g a l t .
Q u ie lte d e c .i l t , a d e m ã l .> , I t e p a l t a l t en e .e . .e .u g a l t .
A m b a .6 c .o .6 a .6 , m O .6 t l t a l t e .e . .e .u g a l t aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
y I t e p a l t a l t e n e .e . .e .u g a l t , .6 o n
.e .O .6 p M O .6 p l t e p a l t a t o u o .6 de una .e .o c .a .e .i za c .i ô n . Ya e .6 m u c .h a
o s a d l: « que n o .6 c .o n 6 o l t m e m o .6 , en .e .o q u e .6 i g u e , co n .e .O I .>p a s o s
p l t e p a l t a t o l t i o .6 . La .e .oc .a .e .i za c .i ô n te ltm in a , c .o / ; ! O c .o l t l t e .6 p o n d e a
to d o m ~ to d o i n t e .e .e c .t u a .e ., en .e .a i n t e l t l t o g a c .i o n que p lte g u n ta
p o n : .e .a u b i c .a c .i ô n d e .e . .e .u g a l t " (Martin Heidegger, Sitio n9 3,
Buenos Aires, 1 9 8 3 ).

A vastidão dos campos, nos quais essa interrogação pode


ser desenvolvida, justifica a divisão dos enfoques territoriais.
Com isso tudo, desejo introduzir a divisão seguinte, que marca
minha posição: a do campo específico da Antropologia urbana.
Falar em Antropologia urbana provoca ainda, apesar do des-
gaste do clichê, certas inquietudes no campo acadêmico. Retomo a
velha (malgrado 'esquecida'; talvez vigente) polêmica da antropo-
logia na cidade versus a antropologia da cidade, ~-da, toda a
questão do na e do da. Isso nos remete ã Sociologia urbana da Es-
cola de Chicago, visão impregnada de positivismo, e até de fisio-
logismo, se se levar em consideração que concebia - enquanto her-
deira da metáfora fisiológica - o corpo social (não é suspeito,baZYXWVUT

* Comunicação apresentada no Simpósio "Territórios: diferen-


tes enfoques hoje", pela profa Ana Maria Niemayer, Congre!!
so da ABA, UNICAMP, 1 9 8 8 .
** Mestre e Professor em Antropologia Social - UNICAMP

1
aliás, este 'ver a sociedade como um corpo?') à maneira de um or- apenas críticas a seus compromissos ideológicos e ainda correcio-
ganismo humano, vivo, na similaridade da forçada analogia. nais, mas uma espécie de salto epistemológico que passa, em pri-
Organismo, afinal autônomo, o da cidade, a própria mutação meiro lugar, de um deslocamento da ótica dos territórios, monume~
das condições ambientais provocaria mudanças acentuadas nos com- tos e espaços físicos - uma cartografia em sentido estrito - às
portamentos dos citadinos, que fundamentariam a consideração (fí- comunidades que nelas moram.
riante autônoma. Seria essa varia A Escola de Chicago centraliza suas metas no processo de
çao uas conul.çoes amb.l.nta.s abaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
I. 1II1nanteda mudança (por vezes desterritorialização das massas, que ao afluírem à cidade recep-
descontrolada; sendo O controle dessa desordem o objetivo estrat~ tora, perdiam, por um inelutável hiato, seus laços primários; e
gico dos pensadores dessa Escola) no comportamento humano. Quase os secundários deviam, por circunstância capital, acoplar-se às
de imediato pode-se fazer uma associação com a imagem da rataria instituições impessoais. Assim o sujeito, frouxas as redes de so-
encerrada numa caixinha, cuja promiscuidade desencadeia o rompi- ciabilidade, sujeitava-se ou prendia-se às retículas burocráticas
- I
mento de violentos conflitos entre os bichos empilhados. Ressal- das instituiçoes totais. Este abrupto corte ou afrouxar-se dos
ta nessa imagem a analogia com o empilhamento heteróclito e esfre laços primários - que a importância concedida ao matrimônio e à
gador das nossas cidades, palpável na experiência da viagem nos família nuclearl revelam pelo avesso - eram visualizados pelos
ônibus urbanos - roça-roça, esfrega-esfrega. ideólogos sociais da Chicago da década de 1920, cidade em plena
Para além das eventuais ressonâncias atuais desta concep- guerra social, que reconheciam, na fragmentação do sujeito urbano
çao realmente psicossocial do fenômeno urbano (não é em vao que mostrada por Wirth (1973), os efeitos de sua perda. O sujeito ur-
Park apóia em Freud suas interpretações, pertinentes para o nosso bano era fragmentado - digamos sinteticamente, no caleidoscópioh~
plano, sobre a desterritorialização desejante na "região moral"), terogêneo do desdobrado leque da urbe, por sua adesão (ou aderên-
o certo é que a base de sustentação dessas teorias é a territoria- cia) às diversas ocupações e papéis que marcavam seu trânsito
lidade, o território. Este, se examinarmos com atenção, não é ap~ tresloucado pela metrópole vertiginosa. Isso afetava o próprio
nas - embora basicamente - geográfico, já que, na medida em que ego - o ego do sujeito enquanto centralização unitária, autocons-
opera como fator determinante no comportamento dos habitantes, ciente na determinação total de seus atos - já que o fragmentava,
impõe, ou tende a propor, conforme as condições de sociabilidade repetimos, na adoção dos vários papéis situacionais, institucio-
territorial, perfis definidamente psicossociais. nais e domésticos. Esta idéia de fragmentação pode talvez ser re-
A propósito, vale lembrar que é o próprio Park quem lança, lacionada com o processo de desterritorialização das massas (so-
em 1928, a noção de "personalidade marginal". Esta, curiosamente, bretudo e primeiramente camponesas) - expulsão forçada dos campos,
e em virtude dos desvios e reversoes que os dispositivos de saber retratada acerbamente por Marx. Assim desterritorializadas, as
sofrem amiúde, como indica Foucault (1985), vai servir de antece- massas diluíam, de fato, seus laços primários, familiares, domés-
dente, mesmo com restrições e reviravoltas, às modernas noções de ticos, e perdiam-se, por assim dizer, nos labirintos selvagens da
"identidade desviante", ou melhor "divergente", considerando a selva de cimento armado.
discrepância central que as separa. A pujança dos defensores da comunidade - cuja
Com efeito, seguindo a formalização a que procedem Wellman conseq~ência é a afirmação de uma antropologia na cidade, pressu-
& Leighton (1981) acerca das tensões e ~misções entre as diversas pondo que o essencial da abordagem antropológica permanece, em
concepções da cidade que, alternativamente, se digladiam nas ci- princípio, idêntico a si mesmo - apóia-se, em boa medida, nessa
ências sociais (resumidamente, as que dão ênfase à espacialidáae- espécie de "calcanhar de Aquiles" da sociologia da cidade. Inves-
territorialidade e as que acentuam o caráter comunidade-identida- tigações empíricas - como de Eunice Durham - mostram que, na Amé-
de) , .vemos que o que se opõe à antropologia da cidade não sãobaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
rica Latina, as populações deslocadas no processo de desterrito-

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rialização capitalista se reterritorializam, restaurando em boa africanas, fruto da independência e da consequente hostilidade
parte seus vínculos e seus hábitos. Esta referênciabaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
à reterritori para com os pesquisadores brancos e europeus, marca - como a tra-
alização é uma chave para entender as colocações da tendência co- jetória existencial e intelectual de Althabe (1978) o mostra - o
munitária. Voltando a Durham, ela mostra que, longe de se perde- retorno dos antropólogos à metrópole e a reatualização da discus
rem, os laços familiares das famílias transplantadas tendem a re- são sobre este tema básico da antropologia urbana, que póe em
fazer-se no novo meio urbano, incluindo a reelaboração de rituais questão o fundamento mesmo de sua instauração.
de sociabilidade que provêm de seu círculo de origem. O que se PQ Abrem-se aqui dois caminhos. O primeiro passa pelos gêneros
deria rebater a essa formulação - talvez irrefutável do ponto de de diferenças que Althabe - junto com Piedelle, Delaunoy, e ou-
vista quantitativo - é que ela deixa de lado aqueles que se 'per- tros (1978) - estabelecem, no projeto de definição de uma etnolo-
dem' caminho à cidade, ou seja, os inúmeros casos de jovens "reti gia urbana, a respeito da etnologia "p rbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFED
í.m í t ava ' ou 'exótica', que

rantes" que se desterritorializam na grande cidade e integram as transcrevo quase textualmente:


tropas marginais, o lúmpen. Não que esta ressalva deva soar dema- O~aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
lLequ.üLto~ da pe~qu.üa e m ~oe..üdade~ "tJtLblü" ou "exót-i
siadamente psicossocial: reconhecem-se, seguindo por exemplo Qui-
cus " podem .s e lLe~um-i1Le m :
1. Un-idade de lugalL: a total-idade do glLupo lLemete a um
jano (1978), os determinantes estruturais que alimentam essa for- loe.al ~n-ie.o e a e.elLta dUlLaç~o na exi~t~neia.
mação - embora sua leitura, de inspiração marxista, não seja sufi
2. Homogene-idade do glLupo.
3. Un-idade de "lLeplLe~entaç~o" .
ciente para interpretar as eclosões existenciais e os avatares no No entanto, a pe~qu-i~a em ~oe-iedade~ ulLbana~ "eomplexa6"
mades da fuga delinq~encial ou simplesmente marginal.
telL-ia de dalL eonta de outlLO~ elemento~:
1. Ve~telLfL.{.tolL-ial-ização da~ at-i.v-idade~ eeonôlll-i.ea~,~oe-ia-i~,
Entramos, então, no território marginal, no que vou chamar eultulLa-i.~. RuptulLa da eOlLlLe~poYldêYle-i.aelltlLe loeal de
olL-i.gem, de plLoduç~o e de v-i.da~oe-ial.
de territorialidades marginais. Somente para fechar a discussão 2. HetelLogene-i.dade: d-i.velL~-idadede e~t-ilo~ de vida, que
anterior, digamos que cada uma destas posturas - na e da - tende- lLe6ponde a uma d-i66unção entlLe a~ e6tlLutulLa~ eon6t-i.tu-
t-iva6 do todo ~oe-ial e a~ modal-i.dade~ de eada glLupo;
rá a escolher âmbitos privilegiados de observação, acarretando palLeelamento dodcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
c on.oo ~oe-i.al.
deslocamentos nos tópicos de interesse dos saberes sociais. A pr~ 3. Mult-ipl-ie-idade e 6-i.multane-i.dade de lLelaçôe6 no me6mo
dominância, a partir aproximadamente da década de 1960, das for-
eampo, que ~e explL-imem no nlvel da~ elLença6, eõd-i.g06,
lLeplLe6entaçôe6, ete...
mulações comunitárias-identitárias (refiro-me só ao Brasil) ex- I6~O ablLe nova6 eugê.Rud4 me.todoliigú'-M que d-i.zem1L~~pe-ito
a:
pressa-se, impressionistamente, na escassez de trabalhos sobre o Ex-i.g~ne-iade loeal: não podelLã havelL lLe6elLêne-i.aa um
1.
centro urbano, sobre a "região moral" de que falava Park e a mi- lugalL ún-ieo da plLãt-i.ea~oe-i.al, ma~ a IIIU-i.tO~, até. enquan
to un-i.dade6 latente6. A ex-i.gêne.-i.a de lugalL-telLlL-i.tólL-i.o
-
graçao do interesse de sociólogos e antropólogos (com exceções, ~n-ieo pode ~elL de-i.xada de lado, palLa 6e eon6-i.delLalLa
como o trabalho sobre mendigos de Stoeffels (1978)) para os bair- pl.UJÚl.oeaLidade da v-i.dana 60e-iedacle ulLbl!:"aeontempolL-ª
n ea , pIL-Lv-ileg-i.ando
06 "e6 p a ç o s -i.
YltelLrtlecl-i.au06
" da exi.s>
ros de periferia, favelas, grupos familiares ou, no melhor dos t~ne-i.a ~oe-i.al, pelLeuMo~, tlLajetãlL.La6, clev-i.lLe~ ...
casos, grupos de limites mais ou menos claramente definidos. ~ 2. Ex-i.g~ne-i.ade homogeYle-i.dade: a etnolog-i.a u~baYla ~ão p~de
~ e 6uje-i.talL a glLupo~ euja homogelle-idade nao e6!a manL-
sugestivo como, com essa preferência generalizada pelas noções de 6e6tada e m in~tãne-ia~ de 6une-i.onamento lLeal {nao pode,_
grupo e de comunidade, procedia-se a um transplante, a uma trans- eYlt~o, '-i.nventalL' 6al~a~ homogene-i.dade61, mM pJWeUlLalLa
aplleendelL 'ul'iúLade6 Ife.a.üde 6une.Lonatrtento'.
ferência (de outro lado, assumida na afirmação mesma do na) dos
3. O me~mo vale palLa o plano da~ elLertça~, lLeplLe6erltaçõe6,
trabalhos sobre comunidade efetuados na área historicamente for- e z c .. "
te - marca que impregna taxativamente seus princípios - da antro Quero reter, de toda a discussão anterior, a~guns pontos: a
pologia indígena ou colonial. noção de seqmentariedade (que aproximamos, um pouco arguciosamen-
Isto de 'colonial' não é uma provocaçao ultrista, à toa, te, de Deleuze e Guattari e, de Evans Pritchard); a noção de plu-
posto que o refluxo dos trabalhos, por exemplo, sobre populações rilocalidade (que tem a ver com os deslocamentos dos sujeitos

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"fragmentados"); a idéia de heterogeneidade e multiplicidade, segundo, isso pode implicar uma espécie de etnocentrismo (ou
tanto nos périplos existenciais quanto na profusa proliferação "gaycentrismo"), já que postula - reiteremos - a validade e legi-
de expressões - modos, modas, falas, gostos, enfim, "imaginários timação da noção de gay ghetto como constructo sociológico. Inci-
sociais" - e, por último, algo que parece essencial, que é o imp~ piente universalismo, que combina bem com as pretensões interna-
rativo - onde transparece a lealdade ao olhar empírico, própria cionalistas da moda ~ e que desnuda sua dimensão ideológica,
da empresa antropológica - de captar "redes reais de funcionamen- quando passamos dos guetos norte-americanos às bocas locais.
to": uma massa urbana entrevista a partir de seus funcionamentos Neste ponto, resulta interessante voltar à "região moral"
(antecipamos: desejantes, embora nao se possa tributar essa incli de Park. As populações que a transitavam, lembremos, não residi-
naçao aos formuladores da etnologia urbana) . am, mas perambulavam pelo local; reuniam-se, nem tanto de acordo
O segundo caminho, para concluir de vez a polêmica na-da, com seus interesses, mas na comunhão de seus desejos e seus temp~
passa pelo exame de suas tensões e imisções num campo empírico ramentos - ou, diríamos mais cruamente, de seus "vícios". Na "re-
I
restrito, o que tem de passagem a virtude de voltar a centrar- gião moral", heteróclita na diversidade das fugas que, em seu
nos nas territorialidades marginais: o ghetto gay. Levine (1979), seio, a maneira de uma válvula de escape que liberasse os impulsos
tentando outorgar um estatuto epistemológico à noção de gay ghetto, "reprimidos pela moral social", se refugiam; proceder-se-ia, ao
faz um uso próprio, reapropria-se, da noção de gueto da Escola de mesmo tempo, a uma canalização/viabilização e a uma "reterritori~
Chicago, formulada por Wirth (19691. Levine vê-se obrigado, para lização relativa" dos impulsos e trajetórias desterrados, proscr~
erigir sua noção, a enfrentar interpretações comunitárias, étni- tos. Esse leque de trajetórias (de "devires") erige territoriali-
cas (embora alguma coisa de 'étnico' ressoe, afinal, na sua rei- dades, redes territoriais, contíguas, entremeadas, mas sutilmente
vindicação da identidade ~), para centrar-se, sob uma perspect~ diferenciadas através de traços de giz bosquejados em pontilhado
va mais sociológica e empirista, na distribuição dos corpos nos nas calçadas. Essa "hiper-territorialização em movimento" faz com
espaços urbanos. que a tentativa de cercar - ainda que reconhecendo e explorando
Com efeito, o "out of the closets" que o gay liberation in- suas interconexões - uma territorialidade especificamente homoss~
tensifica com ênfase, desencadeia um processo de desterritoriali- xual seja, em si, pertinente.
zação massiva dos homossexuais norte-americanos, que abandonam em Mas as territorialidades flutuantes das Bocas paulistanas
massa os bairros stra~ghts para se radicarem nos ghettos gays de não podem ser assimiladas aos territórios fixos dos ghettos gays
San Francisco, Chicago, New York, Los Angeles e nas grandes urbes à americana. Em primeiro lugar, há uma territorialidade itineran-
americanas em geral. Detendo-nos em nossa argumentação, digamos te que não se subscreve a uma fixidez residencial - como acontece
que o fato de partir desse deslocamento residencial, para além de no caso americano, onde existem até bancos, casas de turismo,
suas conseq~ências, fundamenta a opção de Levine pelo olhar espa- agências, só 'de' e 'para' ~ - e que tem a ver com certa per-
cial. sistência ou insistência do nomadismo urbano. Stebler e Watier
Duas observações (deixando de lado, sem tirar-lhes a impor- (1978) são bastante gráfiCOS, quando sugerem que na vida noturna
tância, os reparos 'políticos' de Castells (1984)): primeiro, a das cidades encontram-se traços de uma errància espacial prévia à
proposta de Levine parece tão comprometida com a sociabilidade em constituição das "cidades proletárias": "O ó n u c .tâ /llb L d .o ó , dcbaZYXWVUTSR
nM óuM

pírica sobre a qual se monta, que chega até a constituir-se numa ~ e .J Ú v a ó , não óão Oó ú l.t.tm o ó n ô m a d e .ó , va g a b u n d o ó do ó e .x o , da d lto g a

ponta de lança intelectual, numa conquista de saber do dispositibaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA


g ,- - .! ! :o ó - < ' l.e .g a l.- < ' ó m o ó
T ° b ó C .U I tO ó tlta m a d o ó na /10 i.c e t " - movimento
vo ~ (é preciso levar em conta, para vislumbrar os alcances "browniano" do nomadismo, que, segundo Duvignaud (1975), é "ante-
desta estratégia, as diferenças entre o modelo ~ americano e o rior", "precede" ao Estado capi talis a, antes que derivar ou pro-
modelo machojbicha tropical, ressaltadas por Peter Fry (1982));baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
ceder dele.

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Em segundo lugar, essa territorialidade é, em seu mecanismo, a consistência das socialidades marginais, nômades é preciso
itinerante, isto é, não se fixa aos trajetos por onde circula. recorrer à noção de "CÓdigo-território", esboçada por Deleuze em
Novo traço nômade; Deleuze e Guattari (1980) contrastam a locali- seus Diálogos com Parnet (1980), que está no cerne da territoria-
zação, peculiar do espaço nômade, à delimitação característica lidade. Antes, um esclarecimento situacional, referido ao meu tra
do espaço sedentário:dcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
"O nôm a de, o e .6 p a ç o e t o e a ,U ,za d o ,
n ô m a d e , baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
balho sobre o gueto ~ paulista: se há uma freq~ência circulató-
não d e L i ,m ,U : a d o " . Embora o nômade tenha um território (" . 6 baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
eq ue 0 1 .>
ria incrementada em certas áreas (mutáveis e atualmente, em cons~
: t J t a j e : t o .6 e o .ó : t w n e - < - J t o .ó , v a -< - de um p o n : to ao o u : tJ to , não - < - g n o J t a 0 .6 p o n -
q~ência da irrupção da AIDS, em decadência) das grandes cidades
:to .ó " l, essa perambulação entre pontos nao é princípio, senão con- brasileiras, essa mutabilidade possibilita que subguetos ou novos
seq~ência, da deriva nômade: ainda quando se transite entre pon- pontos de encontro ~ possam surgir da noite para o dia. Então,
tos, esses pontos são consequência dos trajetos, diferentemente se a dimensão espacial concreta é básica, ela nao se sustenta por
do espaço sedentário, onde os pontos são os que impõem a fixitu- si mesma, sem o necessário recurso a uma outra terr}torialidade,
de monótona dos trajetos ("de ta e a .ó a at : tJ ta b a jo Ij det : tJ ta b a jo a
ao nível dos códigos - e, genericamente, arriscamos, ao nível da
ta e a .ó a " , condensa uma palavra de ordem peronista). Assim sendo, expressao (no sentido de Hjemslev, relido por Deleuze - 1980,
se a territorialidade é itinerante, como cartografar as beiras e 1987) .
a consistência da "tribo" ou do "bando" (o "neotribal" de que A expressao "código-território" designa a relação entre o
fala Maffesoli (1978»7 código e o território definido pelo seu funcionamento. "Inscrip-
Antes de entrar neste assunto, impõe-se constatar que, a tion territorialisée" na qual se distinguem - diz Guattari
esta altura, não é possível continuar pensando o sujeito enquan- (CERFÍ, 1973) - dois elementos: uma "sobrecodificação" - surcoda-
to sujeito unitário, mas enquanto segmentado, fendido por segmen- ~, código de códigos - e uma "axiomática" que regula as relações,
tações binárias e por fluxos moleculares, como se explica no ca- passagens e transduções entre as redes e através das redes de có-
pítulo "Micropolítica e Segmentariedade", do Mille Plateaux. Su- digos; estes dois elementos "capturariam" os corpos que se deslo-
perficial e ,empiricamente, o mesmo sujeito 'individual' partici- cam, classificando-os segundo uma retórica, cuja sintaxe corres-
pa, ao mesmo tempo, de redes de sociabilidade (ou, como quer ponderia à axiomatização dos fluxos.
Maffesoli, de socialidades) diferenciadas. Fragmenta-se até tal A referência ao código é central na inovadora noçao de ter-
ponto na diversidade de práticas sociais nas q ua í.s desempenha - ritorialidade do Antiédipo, segundo admite Donzelot (1976), ao re
concedamos - um 'papel', que a idéia de uma unificação egocêntri- conhecer as dificuldades de definí-la com precisão. Cabe aden-
ca, como na ontologia liberal, autoconsciente, pulveriza-se na trar, agora, outras duas noções básicas: desterritorialização e
multiplicação de suas repartições. Nas trajetórias marginais, em reterritorialização.
sua dificuldade ou impossibilidade - reconhecida por Quijano e Acho que é mais fácil e direto - embora nao necessariamente
explorada, na positividade de sua diferença, por Barel (1982) - mais rigoroso - pensar esses processos com referência ao código,
de articular uma identidade, essas tendências "esquizo" recrudes- aos códigos sociais no sentido mais amplo. Revisitemos o exemplo
cem, já que a aversão ou o relativo estranhamento a respeito das do ghetto gay paulista: nas trajetórias dos michês e entendidos,
convenções da ordem, da família, do trabalhO enfraquecem, tornam detectam-se, grosso modo: primeiro, um movimento de desterritori~
frouxas, ou, pelo menos, inconstantes, as adesões às capturas in~ lização com relação aos códigos familiares, 'normais'j segundo,
titucionais caras a Park, ou ainda às doméstico-barriais das teo- um movimento de tererritorialização nos códigos internos do gueto,
rias da comunidade "protegida", que elide, correlati vamente, as que distribuem adscripções categoriais - para restringirmo-nos
fugas dos trànsfugas. ao plano das nomenclaturas, que é , no entanto, significativo, já
Retomando a questão pendente - como determinar os limites e que elas indiciam ou traduzem variações comportamentais, gestuais,

8
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cOrporais (que dizem respeito, ao menos em seu sentido mais imedi intensidades, os corpos e as vidas rotineiras, é preciso, nesse

ato, palpável, ao plano dos corpos: transformações dos tiques, ponto, separarmo~nas de Bataille. Em primeiro lugar, por aquilo

mas também das posturas, arrastando, nessa deriva "personológica", que dizia Bergson. Bergson considera que o problema do não-~ e

todos os ideologemas imagináveis). A crueza, a amargura desta "r~ da desordem, são, na verdade, "falsos problemas", um tipo de "fa!

territorialização perversa" é vivenciada e manifestada por seus sos problemas": "problemas inexistentes". Não há menos (moins)

protagonistas. Diz um garoto recém-iniciado nos círculos homos- senão mais (plus) na idéia de não ser que na de serj na desordem

sexuais, assustado pela pela obsessiva rotulação imperante no que na ordem: "Na ' < ' d é .< .a d e n ã o -l> e lt, com e 6 e .< .to , e l> tii jã c o n t'< 'd a a

meio:dcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
"Na m .< .n h a c a b e ç .a .< .m a g .< .n a v a baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
que l> vt'< 'a u m p lta Z Vt p U lto . M a l> - ' < ' d é .< .a d e l> e lt, m a L /, uma o p e l t a ç .ã o l õ g .< .c a de n e g a ç .ã o g e n e l t a f..< .za d a ,

não é, a .l> b .< .c h a .l > l> ã o b u l t J t l l > l > ' < ' m a .l > , c J t .i ..a m l> e .u " p a d lto e l> , Ito : tu la m , m M l> o m o t .< .v o P l> .< .c o f .õ g .< .c o p a l t t .< .c u l a l t d e l> ta o p e lta ç ã o (q u a n d o um l> e lt

n a-u c o n v e m- a n O l> l> a e xp e c ta tiva ( a t t e .n : t e .) baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA


e o to m a m O l> ( l> a .< .l > .< ."o ln>l > )
você te m que l> e lt a lg o d e n tlto d e l> l> a c l a l > l > ' < ' 6 .< .c a ç .ã o " .

Em termos de Bataille, falaríamos da "desordem organizada" l> o m e n te com o a 6 a lta , a a u .l > ê n c .< .a d o que n O l > .< .n te .J le l> l> a " . Na idéia

que a transgressão institui (a transgressão com toda a força ani- de desordem - continua Deleuze, em Le Bergsonisme, i978 " e l> tã

ja a ' < ' d é .< .a d e o ltd e m , m M l> l> u a n e g a ç .ã o , m a i .l > o m o t .< .v o d e " l> a nega -
malesca, de exuberância luxuriosa beirando a morte e a "petite
s ,ã o (q u a n d o n O l> e n c o n tlta m O l> com uma o ltd e m que nau e a q u e la que
mort", que ela tem em Bataille, depois esvaziada por alguns de
e l> p e ltã va m o l» " (p . 6 ).
seus comentadores). O ato da transgressão, seu salto para a ex-
terioridade ou de certa relativa exterioridade da ordem, marcam Pensar em termos de desordem implica fazê-lo a partir de

o desencadeamento de uma nova codificação. Não obstante, nos per- uma ordem que ao negativizado - enquanto incluídojocluído - se

mitimos discrepar aqui da leitura que Gustavo Barbosa (1984) impõe; outro caminho leva à positividade das práticas sociais. No

faz dessa reordenação. Ele a considera um mero reverso, inversão trabalho de Janice Caiafa (1985) sobre punks, vê-se bastante cla-

em negativo da lei oficial: a transgressão concupiscente, lúbri- ramente o que essa positividade significa de concreto. Basicamen-

ca, continua assim, sob essa ótica, girando em torno da lei; além te, ela consiste em tomar os acontecimentos e práticas sociais a

disso, em última instância, reforça a própria lei que transgride. partir da força que eles encarnam em si, de sua própria, específl

Sem desconhecer que essa é uma interpretação possível, à ca e instransferível singularidade - que é, simultaneamente uma

qual o próprio Bataille dá sustentáculo ao considerar a trans- multiplicidade. Por que positividade? Não se pode, diz Janice,

gressão como constitutiva da lei, arrisco, a partir do mesmo au- criticando alguns enfoques simplificadores, reduzir o fenômeno

tor, uma leitura diferente. ~ certo que uma codificação da desor- punk a uma mera resposta a outra coisa, à "crise": "Na o P 0 l> l> O

c lte lt que a q u e le e x e ltc I .c .< .o l> Õ l> e p u d e l> l> e d e 6 lJ J Ú r com o uma Ite l> p o l> ta
dem, das "vidas desordenadas", se erige (deixando para depois a
crítica da desordem, a impossibilidade de pensá-la, arg~ida por a o u tlta c o .< .l > a e que a q u .< .f .o e l > g o : t a l > l > e l> e u 6 u l l c .< .o n a m e n t o " . Nesse

Bergson). No entanto, essas vidas "desordenadas" estão - permita- funcionamento irredutível residiria a positividade do movimento.

se a tautologia - a serviço da "desordem". Em outros termos, que Caiafa cita Foucault:"Não é a d o m .< .n a ç ã o g lo b a l que 6e p l u l t a l .< .za e

captam melhor o espírito de Bataille, esse tresloucamento, da I te p e ltc u te a té e m b M xo " (Microfísica do Poder, 1979); e continua:
"~o c o n t l t i i J t .i ..o , é p lte c '< 'l> o to m a lt O l> 6 e n â m e n o l> de p o d e lt na e xtlte m '< 'd a -
prostituição, do crime, da licenciosidade, busca permanentemente
de m M l> .< .n 6 .{.n .< .t e l > .< .m a l e , p O It uma a H iiU l> e a 6 c e n d e n te , v e l t ' < ' 6 .< .c a l t
seu desmoronamento e está votado ao desabe, para que no destram-
com o e le l> l> io a n e xa d o l> p O It 6 e n â m e n o l> m a ll> g e l t a .< .l > , c o n l> e ltu a n d o ao
belho da lúbrica sordidez esplenda com mais estremecedora reverbe
raçao a intensidade do desejo, a petite mort do potlatch libidi- m e l> m o te m p o uma a u t o Yl o m .< .a Ite la tiva " . Através dessa positividade,

nal. torna-se possível fazer a conexão com outros fenômenos e outras

Ainda resgatando a afirmação do impulso passional, de per- práticas "vizinhas".

da, de excesso, de desafio que extrema, em procura da produção de Se a singularidade reside na djferença de um funcionamento

11
10
(aponto: desejante), a multiplicidade tem a ver com esse funciona afinal, de certa visão estática de uma sociedade em movimento peE
mento e passa, aliás, pela conexão que o observador (ele próprio manente) .
uma multiplicidade) efetua com o funcionamento do grupo, da mati- Operamos um deslocamento da idéia de uma transgressão, que
lha. Isto remete à concepção de multiplicidade expressa em Rizoma instaurava certa ordem, à idéia de uma fuga, de um processo (com
(Deleuze e Guattari, 1980): se somos todos multiplicidades, se a velocidades, intensidades, lentidões, rupturas e suturas) de des-
própria escrita é a conjugação de uma multiplicidade inumerável territorialização e reterritorialização. Para falar rapidamente,
("uma solidão infinitamente povoada"), o relato etnográfico have- as sociabilidades marginais configuram uma espécie de "reterrito-
ra de incluir, diz Caiafa,aZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
"'/:oda.ó a-ó v.i.e.i.-ó-ó.i.tude-ó
de -óv!. mu.i.to-ó rialização perversa": territorialidade artificial, no sentido do
em miilti.plo-ó lugaJte-ó" (o qual resolve ou dissolve? - por sinal, a Ant:iédipo - famílias mais exóticas que entretecem seus esparti-
distância entre o antropólogo urbano e o meio urbano, tingida às lhos barrocos, eficazes na sua fragilidade, junto ao muro que
vezes de uma impregnação hierárquica, que adscreve o pesquisador obstrui a fenda das fugas libidinais que ameaçam ex~lodir o
à oficialidade acadêmica ou cultural (ver, por exemplo, Velho, socius.
1980) . Vejamos essa reterritorialização perversa no caso dos
A afirmação da multiplicidade tem a ver também com o pró- michês. Uma desterritorialização exacerbada no plano das derivas
prio funcionamento do bando, que nao se pode entender através corporais, da corporalidade, que tende a uma orgia perversa suce~
dos indivíduos isolados, nômadas pe rsonobaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
L ô q baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
í . c a s , mas como um age~ siva, de "órgão a órgão", com múltiplos parceiros ocasionais,
ciamento coletivo, onde o que conta é o togetherness, o estar "impessoais", onde as diferenças (inclusive hierárquicas, de po-
junto, o entre-deux, na microscopia da deriva. der, de valor, de força) funcionam como .operadores intensivos
Sob esta perspectiva pode-se abordar o problema representa- (e há que pensar tais operadores, como reclama Lyotard em Econo-
do pela capacidade, exarcebada nos circuitos marginais, de o mes- mia Libidinal (1979), a partir da faixa de energia libidinal, e
mo indivíduo participar, alternativa ou erraticamente, de diver- não das representações que,"traduzindo-a" traiçoeiramente, a su-
sas redes, algumas delas "normais". são os funcionamentos dese j an focam no "cubo espaço-saIa-cena da representação"; pensar a pró-
tes no campo social, os fluxos, as linhas de fuga que atravessam pria representação enquanto ~dispositivo energético"), essa des-
o socius, que arrastam os indivíduos, os escandem, os drapeiam, territorialização coexiste, com algo parecido ao que Baudrillard,
os envolvem. Não são os indivíduos - e esta afirmação é dura - os em Economia Política do Signo (1984), denomina "paixão pelo códi-
que decidem ou optam, a partir de um ego autoconsciente, os que go".
constróem, por apelar a um clichê, suas identidades e suas repre- Com efeito, uma proliferação de nomenclaturas (no plano das
sentações. Eles participam de funcionamentos desejantes, sociais, nomenclaturas categoriais, e, num sentido mais geral dos códigos
que os desbordam; em todo caso, como diz Paul Veyne (1982, p. 197), comportamentais e relacionais) captura, fixa, os deslocamentos
esse desejo " § o pJt.i.nelp.i.o de todo-óO-ó outJtO-ó a6eto-ó; a a~et.i.vida- dos trânsfugas pelas casinhas do código. Duplo movimento: por um
de, o eoJtpo -óabe ma.i.-ódo que a eon-óe.i.ine.i.a". As fugas marginais lado, uma profusão de nominações, que procuram balizar uma hipeE
(Deleuze: "numa -óoe.i.edade tudo 6age") são, então, fugas desejan- codificação dos encontros; por outro lado, essa hipercodificação
teso "endoidece", entra em desajuste e superposição, imisção inextri-
A fuga marginal cável, interna, torna-se uma espécie de máquina barroca ou, inclu
Toda esta última discussão teve início, lembremos, na crít~ sive, paga.
ca à desordem enquanto oposta à ordem. (Diga-se de passagem, as Por que barroca? Porque em sua indecidível superposição (v~
sociologias dominantes sao sociologias da ondem, o ~ue lhes difi- rias nomenclaturas podem ser aplicadas, dependendo da situação,
culta bastante entender as derivas e as fugas, já que participam, do local etc., ao mesmo sujeito) efetua um choque de significan-

12 13
tes, que nessa mistura do entrechoque "deixa passar", digamos, (Em compensação, conceda-se que os meandros rimam com a complexi-
"mais", no hiato de sua hiância, que se houvesse a dominância de dade dos barrocos labirintos soturnos). Antecipo uma hipótese:
um único sistema significante despótico. Isto merece um esclarec~ nas trajetórias marginais, nas existências nômades ou apenas vag~
mento que libere o formulado de sua abstração, para mostrá-lo na bundas, nas maquinações tenebrosas do desejo na sombra das esqui-
sua articulação histórica. O sistema de nomenclaturas vigente, no nas, não estar-se-ia fazendo uma inversão dos papéis estabeleci-
momento de minha pesquisa (1982/1985), no gueto homossexual pau- dos, normais, convencionais, mas a afirmação - por mais ligada
lista, impressiona em sua literal proliferação: um total de 56 que possa estar em múltiplos planos com a lógica molar, macroscó-
nomenclaturas num raio de uns vinte 9uarteirões, para denominar, pica, institucional - de uma diferença intensa, de um funcioname~
irônica e incisivamente, as variedades das posturas no circuito to desejante diferente. Isso pode-se perceber, inclusive, nos el~
das homossexualidade, nas redes relacionais da homossexualidade mentos mais formais, na arquitetura do sistema classificatório -
masculina. Obviamos maiores detalhes sobre sua localização geo- destinado, supõe-se, a capturar as mobilizações pulsionais. Sugi-
- I
gráfica: o centro de são Paulo, com focos nos 'pontos' de Ipira~ ro que esse funcionamento da trama de nominaçoes, possa ter, com
ga, são Luiz, Marquês de Itú, (este último já praticamente extin- ! o vibrátil do corpo intenso, alguma "correspondência" que o ilum~
to, o qual dá uma idéia da elevada mutabilidade, quase gasosa, ne - e que explicaria o anterior qualificativo de "pagão". Essa
hipersensível às menores vibrações sociais - e passando por um mo superposição de códigos proliferantes poderia ser pensada analoga
" -
mento,em que essa pressão é álgida e violenta, a partir da irrup- mente à "incompatibilidade de figuras simultâneas" e consequente
ção da AIDS). EntrevimOs seu entramado classificatório, com nua~ "enterro da identidade", que Lyotard (1979, pp. 19/20) observa
ças sutilíssimas, que vão desde o "michê-gillette"até a "bicha na "teatrica pagã" do Baixo Império: "Pa~a cada ul!iôn un 'tomb~e
baby", entre "mariconas" e "bofes". Temos disposto o plano de uma divino, pa~a eada g~to, intenaidad o embe<lti.da, um d.iaa p e - dcbaZYXWVUTSR
cartografia do "código-território" existencial. q u e r ia
( ... ) que no ai~ve exaetamente p a ~ a Ilada, p e / l l J q u e e ~ un
Esta última palavra, existencial, pode ser reveladora. As namb~e de t~inaito de emoeionea".
tramas classificatórias, codificatórias, inscrevem-se (antesbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
à ma Pode-se vislumbrar, a partir daqui, que essa diferença do
neira do tajo de Osvaldo Lamborghini, que da tatuaje de Severo funcionamento perverso, no circuito de michês e entendidos, nao
Sarduy) nos corpos. Aliás, a força da representação é, na verdade, se verifica somente no plano das ações e paixões corporais, mas
um dispositivo energético. As representações talham-se em durezas afeta o próprio plano da expressão, revelando uma modalidade pec~
e molícies, em entumescimentos ou relaxos das superfícies e volu- liar da articulação entre forças intensivas e formas expressivas.
mes corporais. Como observa Sartre (1967:122) a propósito de Genet: Pois, por um fenômeno complexo, cujas reviravoltas apenas entrev~
"A meamaaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
tu~gineia que aente o maeho eomo o ~eteaamenta ag~eaaivo mos, favorece-se certa plasticidade e porosidade das categorias
de aeu m~aeulo, Genet aente eamo a abe~tu~a de uma 6lo~". distribuidoras e atribuidoras de localização nos tráficos do mer-
Aonde queremos chegar? vê-se que as redes de códigos e no- cado noturno. Na territorialidade perversa, do crime, da vagabun-
menclaturas, em sua hiperprodução, veiculam mobilizações molecu- dagem, da concupiscência, da venalidade, as normas e os códigos
lares no próprio plano das sensações corporais. Assim, no que diz que a reterritorialização artificiosa e rebuscada da perversao
respeito ao código classificatório, a variedade de suas localiza- instaura e multiplica - seguindo os rebuscados labirintos de via-
ções, captura o executante na fixidez, equestre ou lânguida, de gem dos sujeitos envolvidos -, participam, tal como os universos
um único gesto, na representação de uma teatralidade ligeiramen- que "expressam", de certa precariedade - e quase etereidade -
te goffmaniana - pois costuma tentá-Ia, ao nao haver a remissão ao constitutiva.
2
desejo, certa vocação identificatória Essa precariedade constitutiva se mostra em outros códigos
Para quê· este sinuoso percurso através dos usos perversos? marginais, como no montado por Hirohito de Moraes Joanides (1979)

14baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
15
em sua crônica da Boca do Lixo. Que é o que está manifestando? A o social sem pensar o desejo. E um desmérito: é demasiadamente
característica provisoriedade, transitoriedade, deriva, dos noma- tranquilizadora. A posição de Baudrillard - lendo em conta a in-
dismos urbanos. A diferença intensa deste funcionamento desejante sistência do autor na fuga para o simbólico - pode ser pensada ao
com relação ao modelo conjugal dominante, percebe-se também na lado da "socialidade da orgia" colocada por Maffesoli (1985): urna
instabilidade da circulação, tanto espacial quanto propriament.e secreta, subterrânea socialidade dionisíaca da orgia percorreria e
social. O nômade, afirma Duvignaud (1975), move-se nos interstí-baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
uniria passionalmente o corpo social, constituindo, afinal das
"
cios do corpo social, frequenta as fendas, as fraturas, os pontos contas, o secreto suporte societal.
de fuga e de ruptura - ao mesmo tempo, antecipamos para desvane- Mas a voluptuosidade das viagens marginais a despeito, repi
cer a imagem romântica, entra nas mais violentas suturas, reterr~ to, de suas bruscas r cuperações e transformações (sendo " lle e u p e -

torializações, abolições, transformações. Esse nômade lúmpen (to- lliv e l e .i.lllle e u p e lliu e l ao m ehm o te m p o " , diz Guattari, 1986), des-
memos o caso do michê) transita pelos interstícios sociais e re- borda e gasta uma energia excessiva, esbanja um excpsso de ener-
colhe, na sua fala, jargões contrapostos e díspares: no dis~'so gia, ao que parece, desmesurada, com relação à reterritorializa-
de um marginal urbano, analisado por Pedro de Souza (1984), ex- ção e confiscação molar que padece. ~ importante insistir na di-
pressões vulgares de gíria se misturam com enunciados da língua ferença no funcionamento desejante, presente já na prostituição
culta e inclusive psicanaliticos; palavras como 'paranóia' e 'SUE feminina, vista por Belladona e Querrien (1977): brouillage de c Q
to' se mesclam com termos nagôs procedentes do candomblé, verda- digos, funcionamentos intensivos, microscópicos, que escapam às
deira religião do 'pedaço'. convençoes e reticulações da normalidade, mas onde se revela, ao
O peculiar do negócio do michê é que as oposiçoes sociais mesmo tempo, um mecanismo básico de "circunversão" (Lyotard) de
sao desejadas, tomadas em sua face (ou em seu reverso?) desejan- intensidades libidinais em segmentos monetários, que seria essen-
te, enquanto fontes de desníveis sociais (que se expressam; fa- cial para a circulação dos corpos homogeneizados pelas taxações
cilmente, em binarismos do tipo: jovem/velho, pobre/rico, bicha/ do mercado.
macho, etc.) que são investidas pulsionalmente. Nisso parece re- Para não nos perdermos em paradoxos, quero salientar uma
sidir uma das chaves do ~uncionamento diferente. Agora, o fato de idéia de Guattari. Nos funcionamentos marginais revelar-se-iam in
que oposições e conflit.os sociais sejam 'investidos' (catectiza- dícios de modos dissidentes de subjetivação, de produção de subj~
dos), objeto de uma catexis libidinal, não é absolutamente excl~ tividade. Indícios, em último termo, de uma outra relação do su-
sivo do circuito dos amores entre homens, ainda que possa aí, jeito com o desejo - ao invés de sujeitá-lo por completo à onis-
como acontece nag formações marginais, expressar-se mais pristin~ ciência de sua consciência, estilhaça-o na fulguração de reverbe~
mente. Na prostituição pode estar se revelando um funcionamento do rações efêmeras e vibrantes, no suor dos corpos à deriva. Indí-
desejo no socius que afeta, embora possam variar suas direções, cios, também - como vimos a respeito do código classificatório -
sentidos e circunstâncias, o campo social global. Voltamos à "pa~ de outra relação entre intensidades e formas expressivas. Indí-
xão pelo código" de Baudrillard; segundo ele,dcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
" o baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
d e ~ e jo não te m cios, extremando bastante a percepção, de um devir minoritário,
vo e a ç ã o p a lla he lle a .! .< .z a ll na L i .b e l l d a d e , ma~ na lle g lla , não na tlla n h - como o que Caiafa capta entre os punks. Esse caráter minoritário
p a l l ê n d .a de um e o n t e ú .d o de v a lo ll, mM na o p a e '< 'd a d e do e ó d .i .g o de se reconheceria no aparecimento de uma socialidade grupuscular
v a lo ll" . Mecanismos de captura do desejo que sustentaria,· afinal, (como a que observa Guattari (1985) entre os negros, chicanos e
a ordem social: "E eom e h te .< .n v e h t .i .m e n t o da lle g lla p e to d e ~ e jo , portorriquenhos de New York). O devir minoritário difere do para-
Q ue a o lld e m h o e .i .a l he e n e o n tlla l .< .g a d a • .. . I
digma de Homem com H, majoritário por qualidade de dominação, de~
A formulação de Baudrillard tem um mérito, que é o de mos- crito por Deleuze em "Philosophie et Minorité", como " H o m e m -b lla n -
trar a articulação do desejo no campo social - não se pode pensar e o - O e .i .d e .n t a l - m a eho - a d u lto - lla e .i.o n a l-I! e te . ' 1 .0 ~ ~ e xuat -Itab i . t a n t e dM e .i >

16 17
dade&".zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Guattari adverte contra o eco de recentramento que um te!: gum impulso de fuga, que estaria, de um modo ou de outro, no seu
mo como "marginalidade" (que é, porém, interessante pela multipli ponto de partida. A pergunta que as liga diz respeito a como es~
cidade de fugas potenciais a que alude, por sua profusa heteroge- sas fugas podem ser capturadas e neutralizadas.
neidade) suscita: sempre se é marginal com relação ao centro. Em Importa ressaltar, a modo de conclusão, alguns pontos:
Micropolíticas (Guattari e Rolnik, 1986), a distinção entre pro- • 1. Tentamos mostrar a pertinência da noção de territoriali
cessos de marginalização e processos de minorização (que desenca- dade, entendida em sua acepção de "código-território".
deiam, lançam, soltam um devir minoritário, que mina e subverte, 2. Entrevimos, nas trajetórias marginais, em suas fugas, a
ainda que seja parcialmente, a moralidade majoritária) é mais cl~ trama de uma territorialidade itinerante que, sem dei-
ra: o primeiro termo, marginalização, seria descritivo no sentido xar de inscrever-se no equivalente geral do capital,
sociológico, designaria uma "minoria" no sentido sociológico clá~ funciona em base à deriva desejante, e anuncia um outro
sico; elementos desta minoria poderiam entrar num devir minoritá- funcionamento do desejo no campo social.
I
rio, arrastando um elemento do campo majoritário. Em reSúmo, ou a 3. Sugerimos que uma cartografia das territorialidades mar
maquinação marginal entra num devir minoritário, impulsionando ginais deve estar atenta às circunvoluções dos fluxos
fracos indícios de subjetivações dissidentes, ou passa a girar so desejantes e aos avatares e peripécias das fugas, no
bre si, num "buraco negro", no turbilhão da "paixão de abolição", que parece dispostas ao potlatch, à perda, à aboli-
onde as linhas de fuga - que estão "afloradas" nas derivas nôma- çao ...
des da margem -, voltam-se contra si próprias, num delírio micro- 4. Aliás, nas existências marginais, podem se vislumbrar
fascista de destruição e auto-destruição - destruição do outro indícios de modos diferentes, minoritários, dissidentes,
que leva em seu cerne, aponta Bataille a respeito de Sade, a aut~ de produção de subjetividade.
destruição do ego. Por que microfascista? O fascismo, diríamos, Acho que não é necessário insistir na atualidade desta pro-
nos inspirando em A Revolução Molecular, de Guattari, seria, blemática. Para além de michês, punks e maconheiros, toda uma mas
grosso modo, uma contra-revolução que deriva de uma revolução fra sa IÚnlpen oscila entre a desterritorialização descontrolada e a
cassada, que se volta contra si mesma. fascistização abrupta, vista como salvação no naufrágio - se
No plano mais micro, os emblemas microfascistas abundam na transparente, por exemplo, na modalidade"de organização hierárqui
postura hipermáscula do michê clássico. A começar pela duréza mas ca e autoritária das organizações delinquenciais, ainda sem dei-
culina (recordemos a fórmula: machismobaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
= fascismo). Um exemplo xar de conservar traços nômades. Estas questões costumam ser pen-
desta disposição pode ser visto na dupla interpretação outorgada sadas sob a ótica do negativo. Vê-Ias na sua positividade deseja~
por rapazes da rua ã confiscação predatória do cliente, racionali te, em seus curto-circuitos de paixão e violência, talvez seja um
zada alternativamente como uma compensação pela força das abrup- passo para começar a escutá-Ias.
tas diferenças sócio-econômicas (recorrendo a uma legitimação
pelo social, em nome da sobrevivência) e como um castigo infligi-
do pelo macho 'normal' (quem mantém as insígnias gestuais do Ho-
mem, a disponibilidade para o mercado heterossexual segundo os p~
drões dominantes) ao homossexual 'desviante', que desafia, na lu-
xúria da inversão, os códigos machistas.
Isto que se detecta nos michês poderia ser, talvez, estendi
do a outras trajetórias e territorialidades marginais. O que hav~
ria em comum, entre as várias sociabilidades da margem, seria al-

18baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 19
NOTAS BIBLIOGRAFIA

1. Cabe lembrar, de passagem, os embates contra o celibato dos m~ 1 . ALTHABE, G. "Ethnologie Urbaine: Problématique" (notas de
neiros, descritos por Murard & Zyberman (1976), e todo o pro- curso, gentileza de Suely Kofes), Paris, xerox, 1978.
cesso de fixação das massas desterritorializadas, tomando mui-
tas vezes a:mulher como alvo estratégico (ver também Donzelot, 2 . "O Cotidiano em Processo". Imprensa IFCH,
1980) . UNICAMP, mimeo, s/do

2. Para uma crítica ao caráter individualizante do modelo ~ e 3 BARBOSA, G. Grafitos de Banheiro. S.Paulo, Brasiliense, 1984.
sua incidência nas análises sociológicas feitas da perspectiva
da identidade sexual, ver meu artigo "O michê é homõssexual?, 4 BAREL, Y. La Marginalité Urbaine. Paris, PUF, 1982.
ou a política da identidade", in Tronca (org.): Foucault Vivo,
Campinas, Pontes, 1987.baZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 5 BATAILLE, G. El Erotismo, Barcelona, Tusquets, 1979.

6 BAUDRILLARD, J. Para uma crítica da economia P2lítica do


signo. Lisboa, Ed. 70, 1981.

7 . BELLADONA, J. & QUERRIEN, A. "Proxenetisme, marges, somati-


sation: de désir de prostitution", in B lladona: Femmes
folles de leurs corps. Recherches n9 26, Fontenay-sous-
Bois, 1977.

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10. ouvoir.

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13. "Philosophie et Minorité". Critique n9 369,


Paris, 1978.

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Centro Interdisciplinar de Estudos Contemporâneos (CIEC)
criado em 1986, é um desdobramento do Seminário de Documentação
Cultural da Escola de Comunicação UFRJ, que desde 1979 vinha re~
nindo documentos e material iconográfico e bibliográfico relati-
vos â produção cultural brasileira contemporânea.
O Centro, agora vinculado ao programa de pós-graduação da
Escola de Comunicação e ao Fórum de Ciência e Cultura UFRJ, tem
como preocupação básica a documentação e análise dos aspectos
centrais que dizem respeito à questão da produção cultur~l na
sociedade urbano-industrialbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
c o n t.ernpo
r â n e a , com ênfase no caso
brasileiro. As áreas privilegiadas para o ex~ne dessa questão
são: literatura, cinema, teatro, arquitetura e design,l artes
plásticasdcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
r meios de comunicação de massa e t . e n d ê n ctas atuais na
psicanálise, filosofia e na crítica de cultura.
No momento, as pesquisas desenvolvidas abordillnos seguin-'
tes temas: a questão atual da 1 gitimidade dos códigos culturais,
instituições e valores tradicionais; o estatuto do conhecimento
e da informação no contexto das novas tecnologias; a crise da re
presentação na produção cultural pós-moderna; a questão das
etnias e das relações de gênero; cotidianeidade e comportamento
nas sociedades contemporâneas.
O programa de trabalho do CIEC tem como principais objeti-
vos:
definir e implementar proj Los de pesquisa individuais e
de grupo, além de fornec r orientação e material para a
elaboração de dissertações de m strado e teses de doutora-
do
a formação de quadros de pesquisadores especializados
promover simpósios, cursos, seminários e conferências em
torno de tema anualmente definido pela Diretoria e pelo
Conselho Consultivo do CIEC
reunir e processar documentação impressa e audiovisual,
b m como implementar projeLos de história oral
dtvulgar o resultado dos trabalhos através da publicação
d s sõri s "'nsaio", "Papéis Avulsos" e "Quase Catálogo"
.1 s t ab lccer cooperaçao inter-inst,itucional de trabalho
LanLO a nív 1 nacional quanto internacion~l, através de
bolsas convênios. O Centro prevê a colaboração de pesqul
sador s visitantes.

I.

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