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TEXTO II

Liceu Literário
Português
Curso “A subordinação oracional em Português”
Professora: Rita de Cássia Mérida

A oração e sua estrutura

1. Oração: objeto da sintaxe

A oração, de acordo com a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), é o


segmento textual que contém verbo, sem necessariamente apresentar sentido completo,
e se constitui no centro de interesse da sintaxe. Independentemente de serem
independentes – dotadas de sentido – ou dependentes – inter-relacionadas no período –,
as orações apresentam diferentes termos constituintes.

1.1. A oração como Que é análise sintática.


constituinte do período
Análise (do substantivo grego analysis, cognato do
O período – simples ou verbo analyein, “desatar, desprender, soltar”,
composto – é formado por orações composto do prefixo aná-, “para cima”, + lyein,
(independentes ou dependentes) “soltar”) é a decomposição de um todo em seus
constituídas de diferentes termos, dos elementos componentes.
quais se podem reconhecer os A análise sintática decompõe os elementos
elementos determinados e componentes da “frase”, examina a sua estrutura:
determinantes1. divide um “período” nas “orações” que o
compõem, e cada oração nos seus termos
(essenciais, integrantes e acessórios).
1.2. Os componentes da
oração: o núcleo e seus Finalidade da análise sintática.
acompanhantes
A análise sintática serve para tornar “claras e
A oração, portanto, como racionalmente perceptíveis as relações entre os
unidade central da sintaxe, pode ser membros da frase” (sua concordância, sua
segmentada em seus componentes regência, sua colocação); serve, mais, como
constitutivos – os termos da oração –, elemento de verificação da boa construção de
que são dotados de certa autonomia uma frase.
semântica. (KURY, Adriano da Gama. Novas Lições de Análise
Um termo da oração pode ser Sintática. 5. ed. São Paulo: Ática, 1991, p. 12-13.)
formado por uma única palavra lexical2

1
Os destaques constantes no presente texto – itálico, caixa alta, negrito, sublinhado, etc. – são recursos de
organização que não obrigatoriamente correspondem aos mesmos empregados nas obras consultadas,
inclusive nas citações, cujos textos, entretanto, são fidedignos.
2

“As palavras que têm significado lexical são rotuladas palavras lexicais, ou palavras de conteúdo, ou
ainda palavras plenas ou contentivos. As palavras que têm significado gramatical são as palavras
funcionais, também denominadas palavras gramaticais, palavras estruturais, palavras vazias,
palavras instrumentais ou functores” (ROSA, Maria Carlota. Introdução à morfologia. São Paulo:
2

– elemento nuclear – ou por várias pertencentes às diferentes classes gramaticais. Uma


palavra gramatical não pode funcionar como núcleo de nenhum termo sintático da oração.
Assim, numa oração como “Uma das suas amigas tivera um filho” 3, há três termos
oracionais:

1) Uma das suas amigas;


2) tivera;
3) um filho.

No primeiro, o elemento nuclear é o substantivo amigas (palavra lexical), que se


acompanha de três outras palavras gramaticais – uma (artigo indefinido), das (contração
da preposição de com o artigo definido as) e suas (pronome possessivo). No segundo, o
verbo tivera, por ser palavra lexical, pode ser o único elemento constituinte. No terceiro, o
substantivo filho é o núcleo (palavra lexical), que vem acompanhado do artigo indefinido
um (palavra gramatical).

Atenção!

As palavras lexicais pertencem ao inventário aberto; mantêm relação com a realidade


extralinguística e têm autonomia no discurso. São os verbos, os substantivos, os adjetivos
e os advérbios terminados em -mente. Já as palavras gramaticais pertencem ao inventário
fechado; são instrumentos gramaticais que atuam na organização textual, como os
artigos, as conjunções, os pronomes, os numerais, as preposições e os demais advérbios.

2. Termos da oração

A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) organizou os termos constituintes da oração


em:

● sujeito

 Termos essenciais ● Complemento verbal


● predicado (objeto direto e indireto)

 Termos integrantes ● Complemento


nominal

● Adjunto adnominal ● Agente da passiva

Termos acessórios ● Adjunto adverbial


Observação:
 Vocativo O vocativo, na análise
sintática, é um termo à parte;
Contexto, 2011, p. 100-101.). não pertence à estrutura da
3
MACHADO DE ASSIS. Memorial de Aires. Disponível em:
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000025.pdf>, p. 12. Acesso em: 02/05/2018.
3

● Aposto

3. Termos essenciais da oração

(QUINO. O irmãozinho da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p.38.)

Na tirinha ao lado, a resposta dada pelo personagem Miguelito reproduz a intenção


do autor de apresentar uma crítica política ao descaso das autoridades com as
necessidades básicas da sociedade, mas evidentemente não corresponde à identificação
correta do termo a que Mafalda se refere. Na oração, o sujeito é “esse lixo”, porque
representa o ser responsável pela ação de enfear, constante na informação que constitui
o predicado “enfeia a rua”. Os termos essenciais constituem a estrutura básica binária da
oração: o sujeito e o predicado.

3.1. O sujeito: sobre quem se fala na oração

O sujeito é o termo que estabelece uma relação predicativa com o verbo para
constituir uma oração. Em outras palavras, o ser ao qual se atribui a ideia contida no
predicado.
No segmento:
“A noite se antecipou. Os homens ainda não a esperavam quando ela desabou
sobre a cidade em nuvens carregadas. Ainda não estavam acesas as luzes do cais, no
Farol das Estrelas não brilhavam ainda as lâmpadas pobres que iluminavam os copos de
cachaça, muitos saveiros ainda cortavam as águas do mar quando o vento trouxe a noite
de nuvens pretas.”
(AMADO, Jorge. Mar morto. 79. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.)

Os termos assinalados correspondem aos sujeitos dos verbos antecipar (-se),


esperar, desabar, estar, brilhar, iluminar, cortar e trazer presentes no fragmento do texto.
O sujeito, então, pode ser:
→ o ser sobre o qual se apresenta algum comentário;
→ o elemento que pratica ou sofre a ação expressa pelo verbo;
→ o elemento ao qual se atribui alguma qualidade, estado ou característica por meio de
um verbo de ligação;
→ o termo que mantém com o verbo uma relação de concordância;
→ o termo substituível por um pronome substantivo.
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Didaticamente, para a identificação do sujeito, podem-se utilizar as seguintes perguntas:


Quem é que? ou O que é que?
A resposta é o sujeito, como ilustra o seguinte exemplo:
“Decididamente, o visitante não entendia de futuro.”

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Retrocesso. In: Nova Escola.


São Paulo: Abril, 1990. p. 19.)

Quem é que não entendia de futuro?


→ o visitante

3.1.1. O sujeito e sua relação com o verbo: definições gerais


Como termos que mantêm entre si uma estreita relação, a forma assumida pelo
verbo – denominada de voz verbal – indica se o sujeito gramatical é agente ou paciente
da ação. São três as vozes verbais:
a) ativa: é a forma mais comum em que se encontra o verbo transitivo direto para indicar
que o seu sujeito – que pode ser claro, elíptico ou indeterminado – é agente, isto é,
pratica a ação expressa pelo verbo.
Exemplos4:
“Leopoldo deu-lhe o braço [...].”
(MACEDO, Joaquim Manoel de. A Moreninha, p. 10.)

“Augusto pagou, despediu o seu bateleiro [...]”


(idem, ibidem.)

“Augusto lia a carta.”


(idem, p. 6.)

Leram as cartas.

b) passiva: o sujeito é paciente, ou seja, não é o centro do processo dinâmico; é o


receptor da ação expressa pelo verbo.
Exemplos:
A carta era lida por Augusto.
Leu-se a carta.

c) reflexiva: o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente, ou seja, a ação verbal pode
“reverter-se ao próprio agente (sentido reflexivo propriamente dito) ou atuar
reciprocamente entre mais de um agente (reflexivo recíproco), [...] formada de verbo
seguido de pronome oblíquo de pessoa igual à que o verbo se refere” (BECHARA, 2004,
p. 222-223.).

4
Disponível em: <http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/a_moreninha.pdf>. Acesso em:
03/05/2018.
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Exemplos:
A moça penteou-se rapidamente.
Os jogadores cumprimentaram-se.

 A voz ativa

A voz ativa é a que se caracteriza por apresentar o sujeito gramatical como agente
da ação, ou seja, o responsável pela prática da ação expressa pelo verbo.
Exemplos:
“Augusto pagou, despediu o seu bateleiro [...]”.
(MACEDO, op. cit., p.12.)

“A inocente D. Joaninha os acompanhou com os olhos [...].”


(idem, p.16.)

“A Moreninha já fazia travessuras muito especiais no coração do estudante.”


(idem, p.16.)

Voz passiva e passividade


 A voz passiva
É preciso não confundir voz passiva e passividade.
Voz é a forma especial em que se apresenta o
A voz passiva
verbo para indicar que a pessoa recebe a ação:
pode ser formada por dois
Ele foi visitado pelos amigos. processos: analítico e sintético.
Alugam-se bicicletas.
a) voz passiva analítica: forma
Passividade é o fato de a pessoa receber a ação
verbal. A passividade pode traduzir-se, além da voz composta construída com um verbo
passiva, pela ativa, se o verbo tiver sentido passivo: auxiliar (geralmente ser, estar, ficar,
ir, vir) e um principal no particípio
Os criminosos recebem o merecido castigo. (verbo transitivo direto ou transitivo
Portanto, nem sempre a passividade corresponde à direto e indireto).
voz passiva.
Exemplos:
(BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa, 2004, p.
222.) A carta era lida por Augusto.
O bateleiro foi despedido.

O aluguel foi pago pelo inquilino.


As cartas foram lidas.

Observações:

 Embora mais comumente sejam


empregados os verbos ser, estar,
ficar, ir, vir como auxiliares, outros
também podem assim figurar nas locuções verbais das estruturas passivas, como se
observa com os verbos andar e viver nos seguintes exemplos:
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Ele anda cercado de admiradores.


Os jovens vivem rodeados por vários amigos.

 Na voz passiva analítica, o termo que indica o responsável pela prática da ação
expressa pelo verbo é denominado de agente da passiva. Comumente é regido pela
preposição por e, com menos frequência, por de. Não obrigatoriamente o agente da
passiva aparece explícito na oração. No segmento A carta era lida por Augusto, o agente
da passiva está expresso (por Augusto), assim como em O aluguel foi pago pelo inquilino
(pelo inquilino); já nas orações O bateleiro foi despedido e As cartas foram lidas há
omissão do termo.

 Em As cartas foram lidas, a ausência do agente da passiva se deve ao fato de


corresponder à estrutura ativa Leram as cartas, uma vez que o “agente (sujeito, na voz
ativa), quando indeterminado, não é expresso nem na voz ativa nem na passiva [...]”
(KURY, op. cit., p.34.).

 O agente da passiva pode ser expresso por substantivos ou pronomes. Exemplos:

“[...] o rochedo estava todo traspassado pelas lágrimas da virgem selvagem.”


(MACEDO, op. cit., p. 37.)

O trabalho será feito por ele.

 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar, já que o particípio é invariável,


como nos segmentos estava todo traspassado e será feito, em que os verbos auxiliares
estar e ser exprimem passado e futuro, respectivamente.

 Verbos intransitivos e transitivos indiretos não admitem construções na voz passiva,


embora “à força do uso, já se fazem concessões aos seguintes verbos transitivos
indiretos: a) apelar [...]; b) pagar [...]; c) responder [...]; d) perdoar [...]; além do verbo
obedecer‟ [...]” (RIBEIRO, M. Gramática Aplicada da Língua Portuguesa, 2005, p. 195.).
b) voz passiva sintética (ou pronominal): formação que se constrói com o verbo na 3ª
pessoa, seguido do pronome apassivador SE. O verbo com que se estrutura a voz
passiva sintética (ou pronominal) é sempre transitivo direto.
Exemplos:
Doam-se filhotes de labrador.
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Derrubou-se aquele antigo prédio do centro da cidade.
Conta-se uma história bem diferente.
Não se construiu outra ciclovia.
Observações:
 Geralmente, na voz passiva sintética, há omissão do agente da passiva, embora se
possam encontrar orações com o termo expresso, como em “[....] lembranças que se
foram acumulando com o correr dos anos por meu pai” (QUEIRÓS, Diná S. Eles herdarão
a Terra, p. 113, apud KURY, op. cit., p.36.).
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 Na voz passiva sintética, é obrigatória a concordância entre o verbo e o sujeito. Por


isso o verbo no plural na oração Doam-se filhotes de labrador, uma vez que o núcleo do
sujeito – responsável pelo verbo se apresentar no singular ou no plural – é um substantivo
plural – filhotes. Já em Não se construiu outra ciclovia, o singular do verbo (construiu) se
justifica em face do singular do núcleo do sujeito (ciclovia).
 É bastante controversa entre os estudiosos a equivalência de sentido entre a voz
passiva sintética e a analítica:
 Segundo Said Ali, por exemplo, seria legítimo perguntar aos alunos como
interpretam – aluga-se esta casa – para verificar se acham que se trata de uma casa
cujos moradores pagam aluguel (é o sentido se a oração for mesmo uma passiva) ou de
uma casa que está disponível para ser alugada. Ou como se explica que – amam-se os
filhos – é considerado uma passiva sintética (os filhos seria o sujeito), mas – ama-se mais
aos cachorros do que aos filhos – seria uma oração ativa (aos cachorros é objeto direto
preposicionado). Não seria mais óbvio dizer que é uma oração com sujeito indeterminado,
ora com um objeto direto típico, ora com um preposicionado? É possível que a mesma
forma ora seja passiva, ora impessoal? Qual o dogma, neste caso? Os dogmas são que
existe uma passiva sintética e, consequentemente, um SE apassivador. Se aceitássemos
a hipótese de que nenhum dos dois existe, eliminaríamos alguns problemas: 1) haveria
um SE a menos (o apassivador desapareceria, seria analisado como um marcador de
indeterminação do sujeito, como em – precisa-se de livros); 2) haveria coerência na
análise de casos como – aluga-se esta casa; 3) não teríamos de defender que, em uma
construção com o verbo – amar, – filhos é sujeito e na outra, – objeto, sendo que o verbo
é o mesmo; 4) teríamos uma boa explicação para o crescimento cada vez maior do verbo
no singular em frases como – vende-se flores/ aluga-se casas (os falantes interpretam
este SE como o de – precisa-se de, mostrando que às vezes são melhores que os
gramáticos).
(POSSENTI, Sírio. O alcance das visões concorrentes. Revista Língua Portuguesa, São
Paulo, Editora Segmento, Ano 8, Número 92, junho de 2013.)
 Três profundos conhecedores do português brasileiro e do português europeu
nos dão uma lição de humildade, sabedoria e sensatez linguística, pouco difundida,
mesmo nos meios da pesquisa acadêmica, e sistematicamente ignorada no espaço das
gramáticas normativas de língua portuguesa. Pensam eles como pensam intuitivamente
todos os falantes nativos do português brasileiro: hoje, a estrutura classificada como
passiva sintética – joga-se búzios ou jogam-se búzios; doa-se filhotes ou doam-se
filhotes; cobre-se botões ou cobrem-se botões; analisa- se dados ou analisam-se dados –
não é passiva sintética; é, sim, predominantemente, uma estrutura ativa de sujeito
indeterminado, semelhante a outras estruturas irmãs do tipo: No Brasil, precisa-se
urgentemente de reforma agrária e vive-se bem nesta terra. A forma verbal plural nas
estruturas denominadas passivas sintéticas é variável e ocorre, segundo a tradição, por
atração ou por falsa concordância com o objeto direto, em função do conhecimento da
norma padrão, a norma codificada, ou seja, em função do conhecimento da gramática
normativa da língua portuguesa.
(SCHERRE, Maria Marta Pereira. Doa-se lindos filhotes de poodle – variação linguística,
mídia e preconceito. São Paulo: Parábola Editorial, 2005, p. 80.).
 [...] estranham que ainda seja considerado erro deixar no singular o verbo de
vende-se casas. Elas – como todo falante brasileiro – não sentem casas como o sujeito
dessa construção, nem veem aí uma equivalência com casas são vendidas. Em qualquer
cidade do Brasil, em qualquer estrada, nas páginas dos classificados, nos anúncios da
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lista telefônica – para onde quer que você olhe, vai enxergar exemplos do famigerado
"erro" da passiva sintética. Sem dar a mínima para o que dizem os gramáticos mais
tradicionais, as pessoas povoam a paisagem brasileira de grandes cartazes e belos
letreiros com aluga-se casas, conserta-se fogões, faz-se carretos, aceita-se encomendas,
traçados em todas as cores e tamanhos. Por alguma misteriosa razão, os vendedores de
terrenos recusam-se a fazer o verbo vender concordar com os terrenos que eles vendem;
em vez de vendem-se, teimam em escrever "vende-se terrenos", assim mesmo, com o
verbo no singular. Alguns começam a se perguntar se a voz passiva sintética está
ameaçada; eu vejo, simplesmente, que a questão já foi decidida há muito tempo: a
passiva sintética deixou de ser uma estrutura viva de nossa língua. Ficou apenas a lenda,
contada ainda respeitosamente junto ao fogo dos acampamentos gramaticais mais
conservadores. E por que morreu? Porque o que ela teria a oferecer não interessa mais
aos falantes, que veem a voz passiva analítica – a verdadeira – atingir as mesmas
finalidades, com muito mais vantagem.
(MORENO, Cláudio. Concordância com a passiva sintética. Sua Língua [periódico na
internet]. Disponível em: <http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2010/07/09/concordancia-
com-a-passiva-sintetica/>. Acesso em: 03/05/2018.)
 Pode-se transformar a voz ativa em passiva sem que se altere substancialmente o
sentido da oração.
Exemplos:
“Escravas decentemente vestidas ofereciam chávenas de café.”
(MACEDO, op. cit., p. 47.)
→ Chávenas de café eram oferecidas por escravas decentemente vestidas.
“Uma gargalhada geral aplaudiu o sucesso.”
(idem, ibidem.)
→ O sucesso foi aplaudido por uma gargalhada geral.
“O estudante apanhou e guardou aquele interessante papel.”
(idem, p. 52.)
→ Aquele interessante papel foi apanhado e guardado pelo estudante.
 Na transposição da voz ativa para passiva, o objeto direto será o sujeito da
passiva; o sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ativo assumirá a forma
passiva, conservando o mesmo tempo. Então, em:
“Escravas decentemente vestidas ofereciam chávenas de café.”
(sujeito da ativa/agente) (objeto direto)
Chávenas de café eram oferecidas por escravas decentemente vestidas.
(sujeito da passiva/paciente) (agente da passiva)
 Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não haverá complemento
agente na passiva, como em Prejudicaram-me → Fui prejudicado.
 Há divergência em relação à voz de verbos como chamar-se, batizar-se, operar-se
(correspondendo a procedimento cirúrgico) e vacinar-se: alguns consideram passiva
pronominal e, portanto, a oração em que se encontram apresenta sujeito paciente; outros,
“interpretam o fato como um emprego da voz reflexiva” (BECHARA, op. cit., p. 223.).
Exemplos:
Chamo-me Luís.
Batizei-me numa igrejinha do interior.
Operou-se de hérnia.
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Vacinaram-se contra a gripe.


 A voz reflexiva

A voz reflexiva constitui-se na estrutura em que um determinado ser exerce e


recebe, simultaneamente, a ação expressa por um verbo transitivo direto. Daí ser o sujeito
da oração agente e paciente ao mesmo tempo. Em outras palavras, o sujeito pratica e
sofre a ação verbal.
Exemplos:

O rapaz cortou-se com um canivete.

“Filipe não se deixou ficar atrás.”


(MACEDO, op. cit., p. 65.)

Eu me arrumei apressadamente.

Observações:

 Na voz reflexiva, o verbo transitivo tem como objeto um dos pronomes oblíquos átonos
(pronomes reflexivos) me, te, se, nos, vos. Para confirmar o pronome como reflexivo,
basta substituí-lo por expressões como a mim mesmo, a ti mesmo, a si mesmo, a nós
mesmos, a vós mesmos, respectivamente.

Exemplos:

Eu me penteei com toda a calma.


(= a mim mesmo)

Feriu-se com a própria arma.


(= a si mesmo)

Nós nos lavamos numa água extremamente cristalina.


(= a nós mesmos)

 Voz reflexiva recíproca: denota reciprocidade, ação mútua ou correspondida. O


sujeito, nesse caso, apresenta-se no plural ou é composto. O pronome oblíquo
corresponde a um ao outro, mutuamente.

Exemplos:
Os candidatos não se cumprimentaram.
(= um ao outro/ mutuamente)

Respeitam-se como irmãos.


(= um ao outro/ mutuamente)

Os dois colegas insultaram-se.


(= um ao outro/ mutuamente)

Augusto e Carolina se amam desde a infância.


(= um ao outro/ mutuamente)
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 Há quem estabeleça diferenças entre as estruturas de voz reflexiva – denominação


genérica empregada pela NGB para se referir a casos diversos:

1) Voz reflexiva propriamente dita: aparece exclusivamente com verbos transitivos diretos,
que têm como objeto direto um pronome, de qualquer pessoa gramatical, que representa o
próprio sujeito:
Eu me penteio, tu te penteias, ele se penteia, nós nos penteamos, etc. [...].
Na prática se reconhece que o verbo está na voz reflexiva quando se pode acrescentar a
expressão de reforço a si mesmo (e flexões): Ela se penteia a si mesma.
2) Voz medial recíproca: o verbo é igualmente transitivo direto, tem sujeito simples no plural
(ou composto, de mais de um núcleo), e a ação expressa se distribui no pronome reflexivo
objeto, também da mesma pessoa:
Os desafetos cumprimentaram-se publicamente.
Carlos e Joaninha amavam-se.
Na prática se reconhece a voz medial recíproca pela possibilidade de acrescentar as
expressões de reforço um ao outro, uns aos outros, mutuamente:
Cumprimentaram-se um ao outro. Amavam-se mutuamente.
3) Voz medial dinâmica, que aparece:
a) com verbos que exprimem “ato material ou movimento que o sujeito executa em sua
própria pessoa, idêntico ao que executa com cousas ou outras pessoas, sem haver
propriamente a ideia de direção reflexa: Afastei-me do fogo (à semelhança de: Afastei a
criança, o livro, do fogo). Ele arremessou-se sobre o inimigo (à semelhança de: arremessou
uma pedra). A mãe deitou-se na cama (à semelhança de: deitou a criança na cama.” (Said
Ali, GS, 138.);
b) sem qualquer ideia reflexiva, com verbos intransitivos que também se usam sem pronome,
1) Voz reflexiva
para propriamente
exprimir movimentodita:
ou aparece exclusivamente
ação executada com verbos ou
com vivacidade, transitivos diretos, que têm como
espontaneamente:
Ele ria-se à toa. (Cp.: ria à toa); Foi-se embora. (Cp.: foi embora); [...].
Obs.: Nestes casos, o pronome, de valor antes estilístico do que gramatical, é uma palavra
expressiva, de realce, sem denominação especial na análise sintática. Não deve, nesta,
separar-se do verbo.
4) Voz medial pronominal, em que aparece, integrado no verbo, que nunca se conjuga sem
ele, um pronome fossilizado sem função sintática:
Queixas-te sem razão.
E assim: arrepender-se de, orgulhar-se de, atrever-se a, lembrar-se de, etc., verbos que, por
se usarem sempre conjugados com pronome, denominam-se pronominais.
Obs. 1: A NGB não utiliza o termo medial, para as vozes verbais. Empregamo-lo por
necessidade de sistematização.
Obs. 2: Os verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação não têm voz ativa nem
passiva: são neutros.
Obs. 3: Com uns poucos verbos bitransitivos o pron. reflexivo se tem a função de objeto
indireto:
Ele se arroga tal direito.
Deu-se pressa em sair.
(KURY, op. cit., p.38-
40.)
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 Conforme observado na citação anterior, alguns autores referem-se à voz reflexiva


como voz medial:

Na realidade linguística, a voz “reflexiva‟ é um dos aspectos da chamada “voz medial‟, nome não
agasalhado pela Nomenclatura Gramatical Brasileira, fato que deixou o assunto incompleto em
sua exposição.
(RIBEIRO, op. cit.,, p. 194.)

 Acerca das formações verbais com a palavra SE, Kury (op. cit., p.36-37.) apresenta os
seguintes comentários:

A construção linguística de um verbo acompanhado do pronome se, a princípio reflexiva [...],


teve [...] estendido o seu emprego a significar passividade, quando com verbos transitivos
diretos, em orações providas de sujeito.
Na evolução da língua, entretanto, passou a usar-se, extensivamente, com todos os tipos de
verbos principais (intransitivos, transitivos indiretos, de ligação), mas em frases sem sujeito
determinado:
Também se morre de amor.
Obedeça-se às prescrições.
Nunca se é excessivamente bom.
“De uma hora para outra, se está no oco do mundo.”
(Almeida, J. A. A Bagaceira, p.79.)
Obs.: A essa construção se denominava, algo inadequadamente, seguindo a tradição da
gramática latina, passiva impessoal: passiva quanto à forma (verbo seguido do pronome se,
como na voz passiva pronominal [...]); impessoal porque desprovida de sujeito. Cf. Mattoso
Câmara Jr.: “Como então falta um paciente para ser sujeito, o verbo fica sem sujeito ou
impessoal.” (Dicionário de Filologia e Gramática. s. v. Passiva, voz.). O latim pode ajudar-
nos a compreender o fato:
A conhecida frase latina “Sic ITUR ad Astra” apresenta o verbo IRE, intransitivo, numa forma
em tudo idêntica à passiva de um verbo transitivo direto (amaTUR, deleTUR), mas não para
exprimir passividade, o que não se coaduna com a natureza do verbo, porém
impessoalidade (para Mattoso Câmara Jr.), ou melhor, indeterminação do sujeito. Tal como,
em português, “Assim se vai aos astros”: se vai tem forma idêntica à de um verbo transitivo
direto na voz passiva pronominal (Pouco se ama a virtude, hoje em dia); mas, enquanto este
possui sujeito explícito (a virtude), aquela outra declaração se concentra no fato expresso
pelo verbo, que não possui sujeito determinado.
Daí a classificação que se poderia fazer para a voz passiva pronominal:
1) pessoal (= com sujeito):
“Ouviam-se AMPLOS BOCEJOS”; “.... trocavam-se de janela para janela as PRIMEIRAS
PALAVRAS, OS BONS-DIAS; reatavam-se CONVERSAS interrompidas à noite; .... No
confuso rumor QUE se formava, destacavam-se RISOS." (AZEVEDO, A. O Cortiço, p.43-
44.);
2) impessoal (= sem sujeito) (Mattoso Câmara Jr.):
“Pigarreava-se grosso por toda a parte” (Id., ibid., 43.); “Já não se falava, gritava-se” (Id.,
ibid., 45.).
Julgamos mais adequado, entretanto, dizer simplesmente que se trata de uma conjugação
pronominal de sujeito indeterminado.
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3.1.2. A estrutura do sujeito

O sujeito pode apresentar diferentes estruturas:

“A noite se antecipou. Os homens ainda não a esperavam quando ela desabou


sobre a cidade em nuvens carregadas. Ainda não estavam acesas as luzes do
cais, no Farol das Estrelas não brilhavam ainda as lâmpadas pobres que
iluminavam os copos de cachaça, muitos saveiros ainda cortavam as águas do
mar quando o vento trouxe a noite de nuvens pretas.”
(AMADO, Jorge. Mar morto. 79. ed. Rio de Janeiro: Record,
2001.)

Assim:

● A noite → o sujeito apresenta dois componentes:


» noite (núcleo/ representado por substantivo);
» a (determinante5/ representado por artigo definido);

● Os homens → o sujeito possui dois componentes:


» homens (núcleo/substantivo);
» os (determinante/ artigo definido);

● ela → o sujeito é constituído por um único componente, ou seja, apenas um elemento


nuclear:
» sujeito/núcleo representado por pronome substantivo pessoal reto;
● as luzes do cais → o sujeito é formado por três componentes:
» luzes (núcleo/ substantivo);
» as e do cais (determinantes/ artigo definido e expressão prepositiva6, respectivamente);
● as lâmpadas pobres → o sujeito encerra três componentes:
» lâmpadas (núcleo/ substantivo);
» as e pobres (determinantes/ artigo definido e adjetivo, respectivamente);

● que → o sujeito é constituído por um único componente, ou seja, apenas um elemento


nuclear:
» sujeito/núcleo representado por pronome substantivo relativo, de função referencial
anafórica. Nesse caso, além de elemento coesivo entre as orações, substituindo o
antecedente (as lâmpadas pobres), exerce a função sintática de sujeito do verbo iluminar;
● muitos saveiros → o sujeito apresenta dois componentes:
» saveiros (núcleo/ substantivo);
» muitos (determinante/ pronome adjetivo indefinido);

● o vento → o sujeito apresenta dois componentes:


» vento (núcleo/ substantivo);
» o (determinante/ artigo definido).
3.1.3. A classificação do sujeito
5
Empregou-se o termo “determinante” pelo seu sentido abrangente, que inclui as noções de adjuntos
adnominais e complementos nominais, funções sintáticas que serão apresentadas posteriormente.
6
Optou-se pelo uso do termo genérico “expressão prepositiva”, já que suas distintas classificações e
funções serão abordadas mais adiante.
13

A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) destaca que o sujeito pode ser


simples, composto e indeterminado, além de ressaltar os casos de oração sem sujeito.

a) simples: apresenta apenas um núcleo, geralmente representado por substantivo ou


pronome.
Exemplos:
“A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco.”
“Ela montou na lambreta e foi embora.”
(PORTO, Sérgio. A velha contrabandista. Disponível em:
<http://www.casadobruxo.com.br/poesia/s/sergio19.htm>)

Quem bateu à porta?

 O sujeito simples, segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), engloba os


casos comumente designados de sujeito oculto (elíptico, subentendido, implícito ou
desinencial), já que os morfemas gramaticais do verbo, que possibilitam a identificação do
sujeito, correspondem a uma das formas pronominais tônicas (eu, tu, ele/ela, nós, vós,
eles/elas) que constituem o único núcleo.
Exemplos:
(Eu) Nunca saio depois das onze da noite.
(Nós) Organizaremos outra homenagem ao professor.
b) composto: aquele constituído por mais de um núcleo, que comumente pode ser um
substantivo ou pronome.
Exemplos:
“Nem Estácio nem D. Úrsula pediram ao médico a explicação de semelhantes palavras.”
(MACHADO DE ASSIS. Helena. Disponível em:
<https://pt.wikisource.org/wiki/Helena//>, p. 3.)

“[...] seus ditos e gestos eram o assunto da vizinhança.”


(idem, p. 15.)

“Vínhamos da missa ela, o pai e eu.”


(MACHADO DE ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
4. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p. 221.)

Observação:

 O sujeito simples e o sujeito composto são determinados; encontram-se expressos na


oração e são de fácil identificação.

c) indeterminado: aquele que não apresenta o agente, haja vista o verbo não se referir a
uma pessoa determinada, por se desconhecer quem executa a ação ou por não haver
interesse no seu conhecimento. A ação é indicada, mas não se pode determinar o seu
responsável.
Exemplos:
“Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo.”
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Emergência. In “O rei do rock”.
Porto Alegre: Globo, 1978, p.74-75.)
Vive-se mais tranquilamente nas cidades do interior.
14

Precisa-se de maiores informações sobre a doença.

 Há duas estruturas de sujeito indeterminado:

1ª) com verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente já expresso em
orações anteriores.
Exemplos:
Buzinaram lá fora.
Finalmente, anteciparam a votação.

2ª) com verbo intransitivo ou transitivo indireto (na 3ª pessoa do singular) seguido de SE
(índice de indeterminação do sujeito).
Exemplos:
Vive-se mais tranquilamente nas cidades do interior.
Precisa-se de maiores informações sobre a doença.

Observações:

 O pronome SE é índice de indeterminação do sujeito quando se liga a verbo


intransitivo ou transitivo indireto (na 3ª pessoa do singular) e não corresponde à voz
passiva sintética ou pronominal. Esta é estruturada com SE pronome apassivador (ou
partícula apassivadora), que se liga a verbo transitivo direto (na 3ª pessoa do singular ou
do plural), aceita a conversão para a passiva analítica (com locução verbal) e apresenta
sujeito expresso – simples ou composto.
Compare:
● Consertam-se barcos e redes de pesca.
Barcos e redes de pesca são consertados.
→ SE: pronome apassivador/ substituível pela voz passiva analítica/ sujeito composto:
barcos e redes de pesca.

● Confia-se muito nas promessas políticas.


→ SE: índice de indeterminação do sujeito/ não admite conversão para a voz passiva
analítica/ sujeito indeterminado.

 Alguns autores arrolam entre os casos de oração sem sujeito as estruturas formadas
por verbo na 3ª pessoa do singular seguido de pronome SE:

A maioria dos autores relacionam entre os casos de sujeito indeterminado aquele em que o
verbo está na 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se: “Devagar se vai ao
longe”, “Não se progride sem esforço”. Trata-se, a nosso ver, de oração sem sujeito. É mais
vulgarizada, entretanto, a análise como sujeito indeterminado [...]. Para autores como Mattoso
Câmara Jr., trata-se de um caso de oração sem sujeito, numa construção passiva impessoal.

(KURY, op. cit., p.


20.)
15

 Sobre a citação anterior:

A classificação de sujeito indeterminado para construções com verbo na 3ª pessoa


do singular seguido do pronome SE (“Devagar se vai ao longe” e “Não se progride sem
esforço”) encontra justificativa no entendimento de que, ao se dizer “Devagar se vai ao
longe”, pretende-se afirmar que alguém vai ou qualquer pessoa vai, por exemplo, e
contrariamente a essas equivalências formadas com pronomes ou locuções indefinidas,
não existe na oração nenhum termo para representar o sujeito. O pronome SE, átono, não
pode desempenhar esse papel, o que lhe atribui o caráter de indicador da indeterminação,
ou seja, o sujeito existe, mas é indeterminado. Alguns autores, como Mattoso Câmara Jr.,
defendem tais estruturas como oração sem sujeito, numa construção passiva impessoal,
na qual o SE recebe a classificação de pronome apassivador. O autor da citação (Adriano
da Gama Kury) também concebe os segmentos como exemplos de oração sem sujeito, o
que não fica inviável de se entender a partir de reflexões sobre as orações apresentadas:
ao se dizer “Devagar se vai ao longe”, depreende-se a ideia de que é possível ir ao longe
– impessoalmente – e não de que alguém vai ao longe, conforme a equivalência para a
classificação de sujeito indeterminado. Por sua vez, em “Não se progride sem esforço”,
não se inferem, com base no ponto de vista de Kury, as informações de que alguém
progride sem esforço ou qualquer pessoa progride sem esforço – estruturas compatíveis
com sujeito indeterminado. Entretanto, é perfeitamente possível a correspondência com
“Não há progresso sem esforço” – construção nitidamente característica de oração sem
sujeito.

 Outros estudiosos classificam como sujeito indeterminado orações que apresentam


pronomes indefinidos:

Autores há que apontam como caso de sujeito indeterminado o que é constituído


materialmente por pronomes indefinidos “que nada esclarecem quanto à identidade do
agente – ou do paciente, na voz passiva –” (G. C. Melo, N. M. A. S., 42), o que nos parece
confusão entre os conceitos de “indeterminado” e “indefinido”, numa análise mais lógica do
que sintática.
(KURY, idem,
ibidem.)

Também tem esse posicionamento Walmirio Macedo (1991, p. 13-14), que ao


apresentar as possíveis formações de sujeito indeterminado, afirma:

[...] usando-se um pronome indefinido como sujeito. Neste caso, teremos um sujeito simples e
indeterminado. Exemplo: Alguém matou.
Sujeito: Alguém, simples e indeterminado.
[...]
A classificação do sujeito em simples, composto e indeterminado se baseia num critério
estrutural e num critério semântico. A oposição simples/ composto se baseia num critério
estrutural. Baseia-se na estrutura. Já a oposição indeterminado ou não é de natureza
semântica.
Há uma corrente que não aceita a denominação de indeterminado para o sujeito alguém,
argumentando-se que se faz uma confusão entre indeterminado e indefinido.
[...]
Na verdade, o problema decorre de se dar à classificação do sujeito um tratamento com duplo
critério: o estrutural e o semântico. Semanticamente, equivalem as orações: Mataram o
inocente e alguém matou o inocente.
16

 Acerca da inclusão, entre os casos de sujeito indeterminado, de construções com


pronomes indefinidos, como “Alguém matou”, “Ninguém entrou na loja” ou “Algo me
assustou”, cabe a reflexão sobre os sujeitos alguém, ninguém e algo serem classificados
como indeterminados, uma vez que aparecem expressos na oração e são determinados,
mesmo exprimindo indefinição no reconhecimento da identidade do agente. A constituição
desses sujeitos apresenta palavras que expressam impossibilidade de identificação da
identidade do ser sobre o qual se diz algo da mesma maneira que as formações “Um
desconhecido entrou na loja” ou “Um mascarado bateu à porta”, cujos sujeitos
apresentam termos expressos, determinados e dotados da mesma indefinição de sentido
que os pronomes indefinidos.

d) oração sem sujeito: é constituída somente por predicado, ou seja, a informação nela
veiculada não se relaciona a nenhum ser. A oração sem sujeito apresenta verbo
impessoal: aquele que não se refere a nenhuma pessoa gramatical. Aos verbos
impessoais pertencem:

→ verbos que exprimem fenômenos meteorológicos (ou fenômenos da natureza), tais


como amanhecer, entardecer, anoitecer, trovejar, nevar, escurecer, chover, relampejar,
ventar, gear, etc.
Exemplos:

À noitinha, sempre chove em São Paulo.


Anoitece mais cedo durante o inverno.
No último inverno, nevou muito nos Estados Unidos.

→ verbo haver no sentido de existir (ou acontecer, ocorrer).


Exemplos:
Ainda há pessoas muito solidárias.
Houve mais assaltos a caixas eletrônicos.
Não haverá aulas de reposição.

→ verbos ser, estar e fazer na indicação de tempo cronológico, distância, clima.


Exemplos:
São duas horas da tarde.
É primeiro de junho.
Fez dez anos da inauguração da loja.
Aqui dentro está muito frio.

→ verbos bastar e chegar + de nas indicações de suficiência.


Exemplos:
Basta de conversa.
Chega de sacrifícios!
17

→ verbos passar + de na indicação de tempo.


Exemplos:

Já passava de três meses.

Passa da meia-noite.

→ verbo ser na construção Era uma vez... presente nas narrativas infantis.
Exemplos:

Era uma vez uma linda princesa.

Era uma vez três porquinhos.

→ verbo dar + para – estrutura popular equivalente de ser possível, ser suficiente.
Exemplos:

Não deu para sair ainda.

Dá para me conseguir um emprego?

Dez reais dá para o lanche da escola.

Observações:

 Alguns estudiosos discordam de serem incluídas entre as orações sem sujeito


enunciados como São duas horas da tarde, alegando tratar-se de sujeito e verbo
intransitivo:

SÃO DUAS HORAS

[...] o verbo SER está empregado intransitivamente. O sujeito: DUAS HORAS.


Assim se diz:
É uma hora.

São duas horas.


[...]
Não teria sentido dizer-se que “duas horas” é um predicativo, como apontam
certos compêndios, predicativo de um sujeito que não existe.
Nossa interpretação, embora sincrônica, tem respaldo na construção latina
“Sunt duae horae” em que o sujeito de sunt é duae horae e o verbo (sunt) está
empregado, não como de ligação, mas como intransitivo.

(MACEDO W. op. cit., p.


15.)
18

 A expressão Era uma vez... é invariável, independentemente de o nome (ou nomes)


que a segue estar no singular ou no plural. A função sintática desse termo tem suscitado
controvérsias, cuja construção (verbo no singular + sujeito no plural) pode ser atribuída a
uma irregularidade de concordância entre sujeito e predicado:

A língua moderna, sobretudo na sua modalidade popular, ainda revela vestígios dessa
antiga arbitrariedade [irregularidade de concordância], principalmente quando o sujeito do
plural vem depois do predicado: tende este a ficar no singular como se, empregando primeiro
o predicado, a pessoa que fala o deixasse no singular por ainda não ter pensado em que
número vai dizer o respectivo sujeito.

(SILVEIRA, Sousa da. Lições de Português, 1960, p.


218.)

 Também Bechara (op. cit., p.559.) comenta sobre a estrutura em questão:

Na expressão, que introduz narrações, do tipo de era uma princesa, o verbo ser é intransitivo,
com o significado de existir, funcionando como sujeito o substantivo seguinte, com o qual
concorda:
Era uma princesa muito formosa que vivia num castelo de cristal.
Eram quatro irmãs tatibitates e a mãe delas tinha muito desgosto com esse defeito (…).
Com a expressão era uma vez uma princesa, continua o verbo ser como intransitivo e o
substantivo seguinte como sujeito; todavia, como diz A. G. Kury, “a atração fortíssima que
exerce o numeral uma da locução uma vez” leva a que o verbo fique no singular ainda que o
sujeito seja um plural:
Disse que era uma vez dois (…) compadres, um rico e outro pobre […].
Era uma vez três moças muito bonitas e trabalhadeiras […].
A verdade é que muitos idiomas, em textos de níveis distensos, apresentam essas
irregularidades que se afastam do uso normal e padrão, principalmente quando o verbo é
anunciado antes do sujeito, com alguma distância, como se o falante ao começar a oração pelo
verbo ainda não tivesse decidido como iria apresentar formalmente a expressão do sujeito.

 Há autores ainda que, englobando as orações com “Era uma vez...” entre os casos
especiais de orações sem sujeito, comentam sobre a incoerência na classificação dos
termos constitutivos:

Era uma vez três vizinhos.


Geralmente a análise apresentada é a seguinte: oração sem sujeito.
Três vizinhos  predicativo do sujeito

que sujeito?

A esse tipo de frase é melhor considerá-la inanalisável. Na verdade, o verbo ser tem aí o
sentido de existir. O uso consagrado na 3.ª pessoa do singular é que origina essa dificuldade
de análise.
(MACEDO, 1979,
p.21.)
19

Caso os verbos impessoais sejam acompanhados por auxiliares, estes incorporam a


impessoalidade, mantendo-se na 3ª pessoa do singular.
Exemplos:
Deve haver muitos segredos ainda bem guardados.
Em breve, vai fazer dois anos da sua partida.

3.2. O predicado: a informação sobre o sujeito


A função de predicado é executada por um predicador – o verbo –, que tem a
capacidade de selecionar e fazer depender de si complementos (ou argumentos), que
juntamente com o verbo, apresentam a informação sobre o sujeito. Em outras palavras, é
o comentário que se faz acerca do sujeito.
Então, em:
“Filipe apresentou o seu amigo a sua digna avó.”
(MACEDO. op. cit., p. 12.)
→ predicado: apresentou o seu amigo a sua digna avó.
“Augusto olhou fixamente para ela.”
(idem, p. 13.)
→ predicado: olhou fixamente para ela.
“D. Violante era horrivelmente horrenda.”
(idem, ibidem)
→ predicado: era horrivelmente horrenda.
“Sempre é má e triste a solidão.”
(idem, p. 20.)
→ predicado: sempre é má e triste.

3.2.1. O predicado: estrutura e classificação

a) predicado verbal: aquele que possui verbo significativo (nocional, de ação ou pleno),
que constitui a parte nuclear dessa estrutura. O verbo significativo classifica-se em
intransitivo e transitivo; este, de acordo com o complemento que apresenta, pode ser
transitivo direto, transitivo indireto e transitivo direto e indireto.
Exemplos:

“Augusto olhou fixamente para ela.”


(MACEDO. op. cit., p. 13.)

Os pescadores lançaram as velhas redes ao mar.

“Tio Cosme enfeixava todas as forças físicas e morais.” 7

“O pescoço sai de uma gravata preta de muitas voltas.”


(idem, p. 6.)

“Capitu gostava tanto de minha mãe...”


(idem, p. 16.)
7
MACHADO DE ASSIS. Dom Casmurro, p. 5. Disponível em:
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000069.pdf>. Acesso em: 03/05/2018.)
20

b) predicado nominal: aquele que apresenta verbo relacional (de ligação8 ou copulativo),
cuja função é a de ligar o sujeito a uma qualidade ou estado que a ele se refere: o
predicativo do sujeito, parte nuclear desse tipo de predicado. Geralmente, funcionam
como verbos de ligação: ser, estar, parecer, permanecer, continuar, ficar, tornar-se.
Exemplos:

“A emoção era doce e nova.”


(idem, p. 10.)

Todos permaneceram calados.

“Estácio ficara satisfeito consigo mesmo.”


(MACEDO. op. cit., p. 7.)

ATENÇÃO!

Além dos verbos mais comumente empregados como relacionais (ou de ligação), outros
também podem assumir tal função, dependendo do contexto em que se inserem.
Exemplos:
O povo anda preocupado com a política brasileira.
A crisálida virou borboleta.
O homem caiu doente.
Por outro lado, verbos que frequentemente funcionam como relacionais ou de ligação podem,
em determinadas orações, não assumirem tal comportamento, como em:
A turma estava no corredor.
Os funcionários ficaram no auditório.

O verbo é de ligação somente quando acompanhado de predicativo do sujeito, ou seja, de


termo que indique qualidade, estado ou condição do sujeito, como nos dois primeiros
exemplos. A terceira e a quarta orações apresentam verbo intransitivo. Há quem denomine os
verbos desses exemplos de transitivos circunstanciais, já que não apresentam a autonomia e a
completude características dos intransitivos, mas exigem “um complemento de natureza
adverbial – tão indispensável à construção do verbo quanto, em outros casos, os demais
complementos verbais [...]: Estar à janela”
(ROCHA LIMA. Gramática Normativa da Língua Portuguesa, 2008, p.
252.).

Observações:

 O predicativo do sujeito é geralmente representado por adjetivo, substantivo e


pronome, entretanto expressões formadas pela preposição de + substantivo ou pronome
podem exercer tal função.

8
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) tem preferência pela designação verbo de ligação.
21

Exemplos:
A lua é branca.
→ predicativo representado por adjetivo.
Meu vizinho tornou-se advogado.
→ predicativo representado por substantivo.
Eu não sou você.
→ predicativo representado por pronome.
Ele é dos nossos amigos.
→ predicativo representado por expressão formada por preposição de + substantivo.
 O predicativo do sujeito, por questões de ênfase, pode ser repetido, como em Seu
amigo já o sou há muito tempo, em que seu amigo é o predicativo do sujeito, que se
repete no o (predicativo do sujeito pleonástico).
c) predicado verbonominal: aquele que apresenta verbo significativo (nocional, de ação
ou pleno) e predicativo do sujeito ou do objeto. O verbo e o predicativo (do sujeito ou do
objeto) são os núcleos desse predicado.
Exemplos:
O candidato saiu confiante da entrevista.
→ verbo significativo: saiu / predicativo do sujeito: confiante

“José Dias achou desusado este meu falar.”


(MACHADO DE ASSIS, op. cit., p. 21.)
→ verbo significativo: achou / predicativo do objeto: desusado.

Observações:

 Mais usualmente, ocorre predicativo com o objeto direto, embora o objeto indireto
também possa por ele se acompanhar, o que acontece em geral com o verbo chamar.
Exemplos:

Chamei-lhe (de) vigarista.

O pai chamou ao filho (de) irresponsável.

 O objeto direto normalmente se acompanha de predicativo com os verbos:


● achar, considerar, julgar, supor, estimar, crer (que indicam julgamento, opinião).
Exemplos:
O crítico julgou o filme impróprio para menores.
O juiz considerou o réu inocente.

● fazer, escolher, designar, nomear, instituir, reconhecer, deixar (no sentido de tornar).
Exemplos:
O homem nomeou o enteado presidente da empresa.
Ela deixou a casa impecavelmente arrumada.
22

 Esses verbos que exigem um predicativo para o objeto recebem diferentes


denominações, tais como transobjetivos, judicativos e transitivos predicativos.

Adjunto adnominal ou predicativo: eis a questão


● A qualidade ou atributo está no sujeito: adjunto adnominal. Exemplos:
A bela manhã ensolarada invadiu a cidadezinha.
Os olhos grandes e muito azuis iluminavam o rosto da menina.
O réu inocente foi absolvido.
● A qualidade ou atributo está no predicado: adjunto adnominal ou predicativo?
→ qualidade ou atributo com verbo de ligação: predicativo do sujeito / Predicado nominal.
Exemplos:
A manhã estava bela e ensolarada.
O réu é inocente.
→ qualidade ou atributo referente ao sujeito com verbo significativo: predicativo do sujeito /
Predicado verbonominal. Exemplos:
O médico saiu aborrecido de casa.
Crianças brincam felizes ao ar livre.
→ qualidade ou atributo referente ao objeto com verbo significativo: adjunto adnominal ou
predicativo do objeto / Predicado verbal ou verbonominal?
Exemplos:
● adjunto adnominal: qualidade própria do objeto / qualidade, estado ou condição
pertencentes ao objeto / caráter de essencialidade / inversão da voz verbal engloba a
qualidade ou atributo / substituição do objeto por pronome obliquo engloba a qualidade ou
atributo. Exemplos:
O juiz absolveu o réu inocente.
A família comprou aquela casa belíssima.
Acima, os predicados são verbais; os termos grifados classificam-se como adjuntos
adnominais: são qualidades próprias, pertencentes, inerentes aos objetos: » o réu era mesmo
inocente; » a casa era mesmo belíssima.
Na inversão:
O réu inocente foi absolvido pelo juiz.
Aquela casa belíssima foi comprada pela família.
Na substituição por pronome oblíquo:
O juiz absolveu-o.
A família comprou-a.
● predicativo do objeto: qualidade atribuída ao objeto / qualidade, estado ou condição do
objeto dependentes da opinião ou ação do sujeito / caráter de eventualidade / inversão da voz
verbal não engloba a qualidade ou atributo / substituição do objeto por pronome oblíquo não
engloba a qualidade ou atributo. Exemplos:
O juiz considerou o réu inocente.
A família julgou aquela casa belíssima.
Acima, os predicados são verbonominais; os termos grifados classificam-se como predicativos
do objeto: são qualidades atribuídas, não pertencentes aos objetos e dependentes da opinião
ou ação do sujeito:
» o réu podia não ser inocente: o juiz assim o considerou;
» aquela casa podia não ser belíssima: a família a julgou dessa maneira;
Na inversão:
O réu foi considerado inocente pelo juiz.
A casa foi julgada belíssima por aquela família.
Na substituição por pronome oblíquo:
O juiz considerou-o inocente.
A família julgou-a belíssima.
23

4. Termos integrantes da oração

Há verbos ou nomes presentes numa oração que não possuem sentido completo,
necessitando de outros termos que lhes complementem a significação. Esses termos são
denominados de integrantes. São eles: os complementos verbais (objeto direto e objeto
indireto); o complemento nominal; e o agente da passiva.

4.1. Complementos verbais: relação estreita com o verbo

O complemento verbal constitui-se no termo que completa o sentido de um verbo


transitivo. São dois os complementos verbais: objeto direto e objeto indireto.

4.1.1. O objeto direto

É o termo que completa o sentido de um verbo transitivo direto sem preposição


obrigatória.
Exemplos:

Os políticos sempre prometem uma cidade mais segura.

“Seu límpido trinado anuncia a aproximação do dia.”


(ALENCAR, José de. Iracema, p. 10. Disponível em:
< http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000136.pdf>.
Acesso em: 03/05/2018.)

“Ainda a sombra cobre a terra.”


(idem, ibidem.)

“Já o povo selvagem colhe as redes na grande taba.”


(idem, ibidem.)

ATENÇÃO!  objeto direto preposicionado: o objeto direto


que tem como núcleo certos substantivos ou
● Pode-se determinar o objeto pronomes substantivos que, por razões distintas,
direto da oração perguntando-se
são regidos de preposição, especialmente a.
ao verbo
Normalmente, esse termo completa o sentido de
 verbos que exprimem sentimentos.

O QUÊ? ou QUEM? Os principais casos de ocorrência do objeto


direto preposicionado:
Os políticos sempre prometem...
 → quando o objeto direto é constituído por um
pronome oblíquo tônico.
→ uma cidade mais segura.
Exemplos:
● O objeto direto é substituível por
ISTO. Então: O barulho só incomodava a mim.
Os políticos sempre prometem...
 Magoaste a ele, não a nós.
ISTO
24

→ quando o objeto direto contém dois núcleos e um deles é pronome oblíquo (tônico ou
átono/ preposicionado), o outro núcleo recebe a preposição para garantir o paralelismo
gramatical da estrutura e, consequentemente, garantir a clareza da expressão.
Exemplos:
Esse candidato enganou a mim e aos demais eleitores.
Aquele homem observava-me e aos outros passageiros.
Conheço-o e aos irmãos.
→ quando é formado por substantivo próprio ou referente à pessoa.
Exemplos:
Amar a Deus sobre todas as coisas.
Estimo muito a meus padrinhos.

→ quando se constitui de pronome demonstrativo, indefinido, interrogativo ou de


tratamento.
Exemplos:
Apreciei a isto.
A conversa sensibilizou a todos.
A quem preferes?
Todos respeitam a Vossa Excelência.
→ quando é a palavra ambos.
Exemplo:
A chuva molhou a ambos.
Admiramos imensamente a ambos.
→ quando o objeto direto aparece no início da oração.
Exemplos:
Ao povo ninguém engana.
Aos maus os corajosos não temem.
Ao professor ninguém iludirá.

→ para evitar a ambiguidade:


» no emprego da ordem inversa.
Exemplos:
Em tecnologia, ultrapassam aos americanos os japoneses.
Convenceu ao pai o filho mais velho.

» na comparação.
Exemplo:
O menino respeitava a tia como à sua mãe.
25

→ quando se pretende atribuir um matiz expressivo ao termo ou indicar valor partitivo. O


uso da preposição não é obrigatório, mas atende a uma necessidade expressiva e,
portanto, estilística. A preposição é denominada de posvérbio.
Exemplos:
O menino nem provou da comida.

Imediatamente, o homem sacou do revólver e atirou no policial.

“Quem come da minha carne e bebe do meu sangue tem a vida eterna [...].”
(BÍBLIA SAGRADA/ NOVO TESTAMENTO. JOÃO 6,51-58.)

 objeto direto pleonástico: aquele que, para enfatizar a ideia, aparece repetido na
oração por meio de um pronome oblíquo.

Exemplos:

Alguns livros, comprei-os usados.

Aquelas lindas melodias, ouço-as diariamente.

Todos os presentes, já os entregamos aos noivos.

 objeto direto interno (ou intrínseco): o objeto direto que se liga a um verbo de mesma
identificação semântica, mas não necessariamente de mesmo radical. De modo geral,
esses verbos são originalmente intransitivos, mas empregados transitivamente.

Exemplos:

“Sonhar mais um sonho impossível.”


(Sonho impossível/ Chico Buarque)

Já chorei lágrimas amargas.

O rei viveu uma vida longa e feliz.

Falso objeto direto


Falar inglês – adjunto adverbial de meio (em inglês)
Falar mentira – adjunto adverbial de modo (mentindo)
Tocar flauta – adjunto adverbial de instrumento (através da
flauta)
Jogar bola – adjunto adverbial de instrumento (usou-a para
jogar)
OBS.: O verbo falar é intransitivo; não tem objeto, a não ser que seja
mal empregado (no lugar de dizer).
Esses adjuntos, por se parecerem com objetos diretos, são
denominados falsos objetos diretos.
(MACEDO, op. cit., p. 27.)
26

OBS.: sobre o verbo jogar:

Jogou a bola (lançou).



objeto
direto

Jogou a bola para o colega.


 
objeto objeto
direto indireto

Jogou bola (usou para jogar).



adjunto adverbial
de instrumento

(MACEDO, idem, ibidem.)

Conglomerados verbais

Há estruturas em que o verbo forma com o substantivo subsequente um termo coeso na


significação, ficando impossível analisar a sequência como verbo e objeto direto. Esses
segmentos formam as expressões idiomáticas – sequências frasais cujo significado
ultrapassa o significado literal dos elementos formadores, ou seja, apresentam um sentido
além do que denotam as palavras constituintes.

O professor perdeu a cabeça.

Não se pode dizer que “cabeça” seja objeto direto de perdeu, pois “perdeu a
cabeça” tem valor significativo global, independente dos elementos componentes.
Dá-se- a isso o nome de conglomerado verbal e não se analisa nenhum elemento
separadamente.
(MACEDO, idem, p.52-53.)

Vários são os conglomerados verbais na língua portuguesa, dos quais merecem destaque:
● abaixar a cabeça (= concordar; obedecer);
● fazer hora (= deixar o tempo passar);
● bater as botas (=morrer);
● botar as mangas de fora (= atrever-se);
● cair das nuvens (= ter uma surpresa);
● cair em si (= reconhecer o erro);
● cair fora (= sair de determinado local);
● comer mosca (= deixar passar despercebido);
● chutar o balde (= descontrolar-se; pôr fim a uma situação);
● fazer boca de siri (= silenciar-se; guardar em segredo);
 ● lavar a roupa suja (= resolver diferenças com alguém);
● perder a linha (= perder a compostura e educação);
● rodar a baiana (= fazer escândalo);
● trocar as bolas (= confundir-se)
27

4.1.2. O objeto indireto

É o termo que completa o sentido de um verbo transitivo indireto com preposição


obrigatória.
Exemplos:

Os internos escrevem cartas aos pais.

Os alunos assistiam à aula atentamente.

Os mais jovens não gostam de música clássica.

Não acredito em nenhum político.

Observação:

 Há quem considere objeto indireto apenas os termos regidos pela preposição a (ou
para) e substituíveis pelos pronomes lhe/ lhes, como em Enviei à secretária um recado
(Enviei-lhe um recado) e O menino contou outra história aos pais (O menino contou-lhes
outra história).
Nos casos em que os termos completam o sentido de verbos com as demais
preposições, alguns estudiosos denominam de complementos relativos.
Exemplos:

Toda criança gosta de brincadeiras ao ar livre.

A população ainda acredita em promessas políticas.

 Sob esse ponto de vista, os termos assinalados classificam-se como complementos


relativos e não objetos indiretos, já que são introduzidos por preposições distintas de a ou
para.

 objeto indireto pleonástico: aparece repetido na oração por meio de um pronome


oblíquo para enfatizar o seu sentido.
Exemplo:
Ao candidato eleito, desejamos- lhe honestidade.

 objeto indireto por extensão: todo complemento indireto de verbo não transitivo indireto.
Exemplos:
Isto é para mim.

O assaltante roubou-lhe a carteira.

Observações:

 O termo objeto indireto por extensão é preterido por alguns estudiosos, que nomeiam
tais elementos de dativos livres, que indicam as noções de posse, lugar, direção, etc.
Segundo Bechara (op. cit., p. 425), os dativos livres podem ser assim classificados:
28

a) dativo de interesse: aquele mediante o qual se indica de maneira secundária a quem


aproveita ou prejudica a ação verbal. Esse dativo fica muito próximo da circunstância de
fim ou proveito (beneficiário).
Exemplos:
Ele só trabalha para os seus.
Ele acendeu-me gentilmente o cigarro.
b) dativo ético: uma variedade do anterior, muito comum da linguagem da conversação, e
representa aquele pelo qual o falante tenta captar a benevolência do seu interlocutor na
execução de um desejo.
Exemplos:
Não me reprovem estas ideias!
Não me mexam nos papéis!
Ele sempre te saiu um grande mentiroso.
Não me enviem cartões a essas pessoas.
ATENÇÃO!
 Repare-se que, neste último exemplo, o verbo se acompanha de complemento direto
(cartões) e indireto (a essas pessoas), enquanto o pronome me, fora da esfera da
transitividade verbal, denuncia o interesse do falante de que a tais pessoas não sejam
enviados cartões.
c) dativo de posse: exprimem o possuidor.
Exemplos:
O médico tomou o pulso ao doente (tomou-lhe o pulso).
Doem-me as costas.
Pisaram-lhe o calo.
d) dativo de opinião: exprime a opinião de uma pessoa.
Exemplos:
Para ele a vida deve ser intensamente vivida.
Para nós ela é a culpada.

 Duplo objeto indireto: há casos limitados em que o verbo pode aparecer com dois
objetos indiretos.
Exemplos:
Falaram de João para Maria.
 No exemplo, tanto de João como para Maria são objetos indiretos, pois ambos são
termos introduzidos por preposição que completam o sentido do verbo, podendo ser
comutados por estruturas correspondentes com pronome oblíquo. Assim:
Falaram dele para ela. Falaram-lhe dele.

Reclamaram da merenda ao diretor.


29

4.1.3. A morfossintaxe do objeto

O núcleo dos objetos direto e indireto pode ser representado por:

a) por um substantivo ou expressão substantivada. Exemplos:

O agricultor cultiva a terra.

Ele recebeu um sonoro não.

A criança precisa de uma alimentação saudável.

b) por pronome substantivo. Exemplos:

Todos confiaram em você.

Nunca vi aquilo.

O povo não crê em mais nada.

c) por numeral. Exemplos:

A igreja necessita de um milhão para uma reforma completa.

Já encontraram os três.

d) os pronomes oblíquos o, a, os, as (e as variantes lo, la, los, las, no, na, nos, nas)
funcionam como objeto direto. Exemplos:

O pai deixou-as em casa.

Levaram-nos ao parque.

Encontramo-los no cinema.

e) os pronomes oblíquos lhe e lhes funcionam como objeto indireto. Exemplos:

Contei-lhe toda a história.

Os convidados já lhes deram muitos presentes.

f) os pronomes oblíquos me, te, se, nos e vos podem assumir a função de objeto direto ou
de indireto. Exemplos:

Ela não me deu um bom motivo.


(objeto indireto)

“Não me convidaram/ Pra esta festa pobre...”


(Brasil – Cazuza)
(objeto direto)
30

4.2. Complemento nominal

É o termo que completa o sentido de substantivos, adjetivos e advérbios, ligando-


se a esses nomes por meio de preposição.
Exemplos:

Tenho a certeza de sua culpa.

Todos votaram contrariamente ao aborto.

Sua decisão foi favorável ao povo.

4.2.1. A morfossintaxe do complemento nominal

O complemento nominal pode ser representado por:

a) substantivo ou expressão substantivada. Exemplo:

Os adversários perderam o respeito pela seleção.

b) pronomes. Exemplos:

Essa notícia foi desconcertante para todos.

Aquele remédio nos foi prejudicial.

c) numeral. Exemplo:

Tal atitude foi benéfica aos dois.

Observações:

 Quando o complemento nominal é formado por pronome oblíquo átono, este não vem
precedido de preposição. Exemplo: Fui-lhes favorável.

 Quando o pronome oblíquo que representa o complemento nominal é tônico, vem


regido de preposição. Exemplo: A medida foi favorável a nós.

 O complemento nominal pode fazer parte dos vários termos constituintes da oração.
Exemplos:

A destruição das matas prejudica a fauna e a flora.


→ sujeito: A destruição das matas
(núcleo: destruição)
complemento nominal: das matas

O professor aconselhou a leitura de obras clássicas.


→ objeto direto: a leitura das obras clássicas
(núcleo: obras)
complemento nominal: de obras clássicas
31

4.2.2. Diferença entre complemento nominal e objeto indireto


Enquanto o complemento nominal completa o sentido dos nomes – substantivo,
adjetivo e advérbio – o objeto indireto completa o sentido de um verbo transitivo indireto.
Exemplos:
Lembrei-me de minha terra natal.
(objeto indireto)
Já não suportava mais a saudade da minha terra natal.
(complemento nominal)

4.2.3. Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal


Em relação às expressões preposicionadas que se ligam aos constituintes
nucleares de certos termos, pode ser difícil estabelecer a diferença entre o complemento
nominal e o adjunto adnominal.
 Quando a expressão preposicionada se liga a adjetivo e advérbio: sempre
complemento nominal.
Exemplos:
O filme é impróprio para menores.

Ele agiu independentemente da minha vontade.

 Quando a expressão preposicionada se liga a substantivo concreto: adjunto adnominal.


Exemplos:
A criança fazia bolinhas de sabão.

Uma antiga cadeira de ferro ficava na varanda da casa.

Observação:

 Há quem estabeleça distinções entre as expressões preposicionadas relacionadas a


substantivos concretos, classificando-as ora como adjuntos adnominais, ora como
complementos nominais (Cf. IGNÁCIO, 2002, p.54-61.).
Assim, a expressão preposicionada:

→ ligada a substantivo concreto de raiz não verbal e indicando especificidade, posse,


matéria, origem: adjunto adnominal.
Exemplos:

loja de brinquedos (especificidade)


bola de sabão (matéria)
panela de ferro (matéria)
estante de madeira (matéria)
mulher de coragem (especificidade)
livro de Maria (posse)
32

→ ligada a substantivo concreto de raiz verbal terminado em -dor e -tor:

a) adjunto adnominal: se a expressão preposicionada equivale a uma locução adjetiva,


indicando qualidade, delimitação, origem.
Exemplos:
Ele era um matador de sangue frio.

João transformou-se num escritor de renome.


(= renomado)
b) complemento nominal:
● se o substantivo equivale a uma oração adjetiva.
Exemplos:

A população agrediu o matador de animais.


(= que mata animais = oração adjetiva)

Encontramos o comprador de garrafas.


(= que compra garrafas = oração adjetiva)

A polícia indiciou o falsificador de passaportes.


(= que falsifica passaportes = oração adjetiva)

O interceptador das mercadorias delatou os outros comparsas.


(= que intercepta as mercadorias = oração adjetiva)

● se o substantivo tem o significado de instrumentos, ou seja, a seres não


animados.
Exemplos:
Somente no Natal usamos o quebrador de nozes.

Não passei no detector de metais.

Ela comprou um novo amassador de alho.

O triturador de gelo está completamente cego.

Diariamente, a família usa o espremedor de frutas.

 Quando a expressão preposicionada se liga a substantivo abstrato:

a) adjunto adnominal: se o termo regido de preposição tem valor subjetivo.


Exemplos:
As visitas do Papa envolvem maior segurança
(= o Papa visita)

Ele assistiu à corrida de cavalos.


(= os cavalos correm)
33

Nem notamos a chegada da primavera.


(= a primavera chegou)

“A digna hóspede compreendeu perfeitamente os desejos do estudante.”


(MACEDO, op. cit., p.15.)
(= o estudante deseja)

A descoberta do cientista revolucionou a medicina.


(= o cientista descobre)

b) complemento nominal: se o termo regido de preposição tem valor objetivo.


Exemplos:
A nomeação do ministro foi antecipada.
( alguém nomeou o ministro)

A justiça determinou a expulsão dos invasores.


( alguém expulsou os invasores)

A descoberta da penicilina revolucionou a medicina.


( alguém descobriu a penicilina)

4.3. Agente da passiva

Termo preposicionado que se refere a um verbo na voz passiva a fim de indicar o


elemento que executa a ação verbal. De modo geral, é introduzido pela preposição por e,
mais raramente, pela preposição de.
Exemplos:

As terras serão desapropriadas pelo governo.

O prédio foi invadido pelos manifestantes.

O feroz animal foi morto pelos caçadores.

A casa está cercada de policiais.

Observações:

 O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz ativa.


Exemplos:
Nossos destinos são controlados pelos astros.
( Os astros controlam nossos destinos)

O prédio foi invadido pelos manifestantes.


( Os manifestantes invadiram o prédio)
34

 No português do Brasil, costuma-se omitir regularmente o agente da passiva sem


nenhum prejuízo para a sintaxe da oração, razão pela qual alguns estudiosos consideram
esse termo como acessório e não integrante:

A NGB inclui o agente da passiva entre os termos integrantes. Injustificavelmente: o agente da passiva
é tão desnecessário, i. é., tão “adjunto” (= termo acessório), que em muitos casos nem aparece:
edifícios são construídos, investigações foram feitas, técnicos serão ouvidos, o infrator foi punido, o
aluno foi expulso, etc. Já teve o nome de “complemento circunstancial de causa eficiente”.
“Complemento circunstancial” = “adjunto adverbial”. E é o que ele é: um adjunto adverbial bem próximo
dos de causa e instrumento. Além disso, por transformação o sujeito da estrutura profunda
normalmente converte-se em adjunto: Os alunos elogiam o professor/ o elogio dos alunos ao
professor/ o elogio do professor pelos alunos.
(LUFT, Celso Pedro. Moderna Gramática Brasileira, 2002,
p.61.) 4.3.1. A morfossintaxe do agente da passiva

O agente da passiva pode ser representado por:


a) substantivo ou expressão substantivada. Exemplo:
Os bairros mais violentos foram invadidos pelo exército.
b) numeral. Exemplo:
Aquele projeto foi elaborado pelos três.
c) pronome. Exemplo:
A melhor história foi contada por ela.

5. Termos acessórios da oração

Existem termos que, apesar de dispensáveis na estrutura básica da oração, são


importantes para a compreensão do enunciado. Ao acrescentar informações novas, esses
termos podem:
 determinar e caracterizar um ser;
 expressar diferentes circunstâncias na oração;
apresentar alguma explicação sobre um determinado termo da oração.

Os termos acessórios da oração são: o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o


aposto.

5.1. O adjunto adnominal

É o termo de valor nominal que gravita em torno do núcleo de certas funções


sintáticas (sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc.) para determinar ou caracterizar o seu
sentido.
Exemplos:

Nem sempre agrada uma resposta sincera.


(adjuntos adnominais do sujeito: uma / sincera)

O empresário adquiriu duas obras raras daquele artista.


(adjuntos adnominais do objeto direto: duas / raras / daquele artista)
35

Ele tornou-se um excelente professor.


(adjuntos adnominais do predicativo do sujeito: um / excelente)

5.1.1. A morfossintaxe do adjunto adnominal

O adjunto adnominal pode ser representado por:

a) adjetivo. Exemplos:

Flores amarelas enfeitavam a pequena igreja.


(adjetivo/ adjunto adnominal do sujeito: amarelas/
adjetivo/ adjunto adnominal do objeto direto: pequena)

Guardei o livro numa antiga caixa envernizada.


(adjetivos/ adjuntos adnominais do adjunto adverbial de lugar: antiga/ envernizada)

b) locução adjetiva. Exemplos:

Uma estátua de bronze enfeitava a lareira de granito.


(locução adjetiva/ adjunto adnominal do sujeito: de bronze/
locução adjetiva/ adjunto adnominal do objeto direto: de granito)

A resposta do aluno está correta.


(locução adjetiva/ adjunto adnominal do sujeito: do aluno)

c) artigo. Exemplos:

A prefeitura derrubou os velhos prédios.


(artigo/ adjunto adnominal do sujeito: a /
artigo/ adjunto adnominal do objeto direto: os)

O sol brilhava intensamente.


(artigo/ adjunto adnominal do sujeito: o)

d) numeral. Exemplos:

Três árvores caíram.


(numeral/ adjunto adnominal do sujeito: três)

Entregaram medalhas aos cinco melhores atletas.


(numeral/ adjunto adnominal do objeto indireto: cinco)

e) pronome: Exemplos:

Aqueles computadores estão quebrados.


(pronome/ adjunto adnominal do sujeito: aqueles)

Em algum momento do dia, conversaremos.


36

(pronome/ adjunto adnominal do adjunto adverbial de tempo: algum)

Observação:

 Os pronomes oblíquos com valor de pronomes possessivos são classificados de forma


distinta pelos estudiosos. Em Feriram-me as pernas, o pronome oblíquo – me – pode
receber as seguintes classificações:
→ adjunto adnominal (equivalente de Feriram as minhas pernas);
→ dativo de posse;
→ objeto indireto (por extensão) de posse.

5.2. O adjunto adverbial

É o termo que geralmente indica uma circunstância ao verbo, ampliando a sua


informação. O relacionamento do adjunto adverbial com adjetivos e outros advérbios
limita-se principalmente ao adjunto adverbial de intensidade.

Exemplos:
Durante a semana, a chuva castigou várias cidades catarinenses.
(adjunto adverbial de tempo)

Ela é muito competente.

(adjunto adverbial
de intensidade)

5.2.1. A morfossintaxe do adjunto adverbial


O adjunto adverbial pode ser representado por:
a) advérbio. Exemplos:
A turma saiu agora.
(agora: advérbio/
adjunto adverbial de tempo)

Não participamos de pesquisas eleitorais.


(não: advérbio/
adjunto adverbial de negação)

Os alunos permaneceram aqui.


(aqui: advérbio/
adjunto adverbial de lugar)

b) locução adverbial. Exemplos:

Elas saíram às pressas.


(às pressas: locução adverbial/
adjunto adverbial de modo)
37

Às vezes, deixamos o portão entreaberto.


(às vezes: locução adverbial/
adjunto adverbial de tempo)
c) expressão nominal regida de preposição. Exemplos:

Moro num pequeno sítio.


(expressão preposicionada/
adjunto adverbial de lugar)

Durante as merecidas férias, o professor fez um novo curso.


(expressão preposicionada/
adjunto adverbial de tempo)

“D. Quinquina tinha nos lábios um triste sorriso.”


(MACEDO, op. cit., p.22.)
(expressão preposicionada/
adjunto adverbial de lugar)
d) oração. Exemplos:

Veio para estudar.


(oração  adjunto adverbial/
oração subordinada adverbial final reduzida de
infinitivo)

Assim que escutou a história, não conteve as lágrimas.


(oração  adjunto adverbial/
oração subordinada adverbial temporal)

5.2.2. Algumas circunstâncias expressas pelo adjunto adverbial

1. acréscimo:
Além do troféu, ganhou um generoso cheque.

2. afirmação:
Certamente você tem razão.

3. assunto ou referência:
O professor falava do efeito estufa.

4. causa:
Ele chorou de raiva.

5. companhia:
Gosto de viajar com a família.

6. concessão:
Apesar de ignorante, tem grande sensibilidade.

7. condição:
Ninguém sairá sem autorização do chefe.
38

8. conformidade:
Como de costume, o menino pediu sorvete de creme.

9. distância:
Os pescadores estavam a cem metros da praia.

10. distribuição:
Os senadores ganham um bônus por sessão.

11. dúvida:
Talvez os meninos cheguem agora.

12. fim:
Ele estudou para o concurso.

13. intensidade:
Este assunto é bastante polêmico.

14. interesse, inclinação, favor:


Agiram em prol da sociedade.

15. limitação ou aspecto:


Os detetives seguiram as pistas por um novo ângulo.

16. lugar:
Estudamos em Laranjeiras.

17. matéria:
A estrada foi feita de terra batida.

18. medida:
Vendemos este tecido a metro.

19. meio ou instrumento:


O assaltante matou o policial com uma faca.

20. modo:
Saiu às pressas.

21. negação:
De modo algum, votarei neste candidato.

22. oposição:
Votamos contra você.

23. ordem:
Primeiramente, chegou o pai.

24. origem:
Este rapaz nasceu de família abastada.
39

25. preço:
Compramos a casa por quinhentos mil reais.

26. repetição ou reiteração:


Falarei outra vez sobre isso.
27. tempo:
Frequentemente, sai tiroteio na comunidade.
28. troca:
Ele trocou o carro por um caminhão.

6. O aposto

Função privativa do substantivo, é a palavra ou expressão nominal que se enuncia


na oração, ao lado de outra da mesma função sintática, caracterizando e designando o
mesmo ser, explicando-o, resumindo-o ou identificando-o. Várias são as acepções do
aposto:
a) explicativo (ou identificativo): apresenta uma explicação, comentário ou esclarecimento
acerca de um termo anterior. Sempre aparece isolado na frase, vindo entre vírgulas,
parênteses ou travessões.
Exemplo:
“Sete anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel, serrana bela."
(Camões, in: MOISÉS, 1994, p.78.)

b) enumerativo: designa os elementos constituintes de um termo da oração.


Exemplos:
“Deus tem duas ações que reservou só para si: criar e predestinar."
(Pe. Antônio Vieira, 1998.)

Conheci duas ótimas alunas: Ana e Maria.


A mãe comprou alguns presentes:
uma camisa do Flamengo, um tênis e uma mochila.
c) distributivo: distribui as informações de termos separadamente num processo de
retomada textual no interior da oração.
Exemplos:
Henrique e Antônio vivem em Portugal;
aquele em Évora, este em Lisboa. ATENÇÃO!

Vinícius e Veríssimo são os meus escritores favoritos; É comum, nos


um pelas poesias; o outro pelas crônicas. apostos distributivos,
o emprego de
Maria e Guilherme são surpreendentes: construções como
ela na afetuosidade, ele na autonomia. “um” e “outro”; “este”,
“esse” e “aquele”;
OBSERVAÇÃO: “primeiro”, “segundo”,
“terceiro”, etc.
 Caso a retomada se apresente sob outra estrutura
 
oracional, os termos devem ser analisados dentro do
segmento a que pertencem. Assim em Maria e Guilherme são surpreendentes. Ela é
afetuosa; ele surpreende por sua autonomia, os termos destacados são os sujeitos das
orações de que fazem parte.
40

 
 

d) resumitivo (ou resumidor/ recapitulativo/ sintético): resume termos anteriormente


mencionados com apenas uma palavra, geralmente um pronome indefinido.
Exemplos:
A mocidade, o garbo, os encantos, a força, tudo passa com o tempo.

Nem sogra, nem brigas, nem amigos, nada separa o casal.

OBSERVAÇÃO:

 Há autores que entendem o aposto resumitivo como uma estrutura inversa do


enumerativo, afirmando que este, às vezes, pode preceder a sequência fundamental 9 (Cf.
BECHARA, op. cit., p.457.).

e) comparativo: compara um termo da oração com um determinado segmento.


Exemplos: 

A sua voz, harmonia de uma orquestra, encantava a todos.

Os olhos da atriz, duas brilhantes ametistas, seduziram gerações.

“As estrelas, grandes olhos curiosos, espreitavam através da folhagem.”


(QUEIRÓS, Eça de,1947, p.8.)

OBSERVAÇÃO:

 Há quem considere o aposto comparativo um tipo do circunstancial (Cf. BECHARA, op.


cit., p.457.). Kury é um dos que adotam o termo comparativo distintamente dos demais
apostos (Cf. op. cit., p.58.).

f) circunstancial: apresenta atribuição circunstancial ou momentânea a um ser, sendo


geralmente representado por adjetivos. Pode-se dizer que se trata de um aposto
explicativo com valor secundário: “comparação, tempo, causa, etc., precedido ou não de
palavra que marca esta relação a mais, já que o aposto explicativo acrescenta um dado a
mais acerca do fundamental” (BECHARA, op. cit., idem.).
Exemplos:
Vencedor, já não se lembra de que foi perdedor um dia.

“Rainha esquece o que sofreu vassala.”


(Bocage)

Candidato, sempre compareceu aos debates.

OBSERVAÇÕES:

 Ao mencionar que o aposto circunstancial pode vir precedido ou não de palavra


característica dessa relação a mais, Bechara faz referência ao emprego de certos termos

9
O aposto “também é conhecido pela denominação fundamental, sem precisar de outro instrumento
gramatical que marque esta função adnominal” (BECHARA, op. cit., p.456.).
41

introdutórios que marcam esse relacionamento, ou seja, funcionam como reforçativos do


sentido apresentado: como, quando, enquanto, na qualidade de, etc. O autor apresenta
os seguintes exemplos, entre outros: “Quando presidente, nunca fugiu dos debates” e
“Em criança fazia o que em pai escondia aos filhos” (Cf. BECHARA, 2009, p.107.).
 Outros estudiosos não entendem as construções anteriores como apostos
circunstanciais, destacando que tais estruturas são apostos aparentes, pois na verdade
exercem função predicativa, uma vez que os termos têm, geralmente, como núcleos
adjetivos e não substantivos – classe tipicamente nuclear da função apositiva. Desse
modo, distiguem:
a) predicativo atributivo  predicativo aparentemente em aposição; expressa a situação
do sujeito no momento da ocorrência indicada pelo verbo. Exemplo:
“Os castanheiros, grandes e concentrados, ouviam subir a seiva.”
(QUEIRÓS, idem, p.7.)

 Acerca do exemplo anterior, Kury (op. cit., p. 59.) argumenta que:

[...] como a função de aposto é exercida somente por substantivo, cumpre excluir dessa
função os adjetivos que ocorrem nessa situação: são simplesmente predicativos, pela sua
natureza atributiva (os castanheiros eram grandes, e estavam concentrados).
Observe-se ainda a possibilidade de mudança de posição, na frase, desse tipo de
predicativo do sujeito:
“Grandes e concentrados, os castanheiros ouviam subir a seiva.”
Ou ainda, sem vírgula obrigatória:

“Os castanheiros ouviam subir a seiva grandes e concentrados.”

a) predicativo circunstancial  predicativo também em aparente aposição, que conserva


o seu valor circunstancial:

[...] muitas vezes, numa construção sintética vigorosa e de belo efeito estilístico, uma oração
adverbial de predicado nominal pode aparecer representada, na frase, sem o conectivo e o
verbo de ligação [...]. Assim, em lugar de ‘Como era pobre, lutou muito para formar-se’,
podemos dizer: ‘Pobre, lutou muito para formar-se’. O adjetivo pobre conserva o valor de
adjunto adverbial de causa, e na frase é igualmente predicativo. Estamos, pois, diante de um
predicativo circunstancial.
Obs.: - Dessa dupla função decorre a denominação de aposto circunstancial que autores de
renome lhe dão (Cf., a respeito, Epifânio Dias [...] e Sousa da Silveira [...]).
Algumas vezes, o predicativo circunstancial vem preposicionado:

“Em rapaz, foi cortejado de muitas damas.”


O que distingue o predicativo atributivo do circunstancial é que ao primeiro não corresponde
oração adverbial, mas adjetiva, sem o conectivo. Nalguns casos, são imprecisos os limites
entre um e outro tipo, cabendo mais de uma interpretação. Assim, “Os sinos, alegres,
repicam” poderia ter como equivalentes: “Os sinos, que estão alegres, repicam” ou “Os sinos,
por estarem alegres, repicam”.
Eis alguns exemplos de predicativo circunstancial:
1) De causa:
“Pobre, lutara muito para se formar em Medicina” (M. Rebelo, SAP, 101.).
2) De tempo:
“Almoçado, descia a passo lento até à repartição” (M, de Assis, IG, 3.).
42

 Existem os que alegam que o aposto circunstancial só precisa da presença de um verbo


para se constituir legítima oração adverbial, daí muitos estudiosos “preferem completar o
predicado e ver aí uma oração. Assim, em: “Católica exaltada, a rainha respeitava no clero o
oráculo absoluto das intenções de Deus [...], tais mestres não consideram católica exaltada como
aposto, mas oração adverbial a que se omitiram o conectivo e o verbo de ligação: porque era (ou
por ser) católica exaltada” (BECHARA, op. cit., p. 107-108.). Este autor ressalta que “Mário
Barreto é dos que preferem subentender um verbo e ver aí a oração” (BECHARA, idem, p.107).

g) especificativo (ou de especificação, denotativo/ especificador / nominativo): especifica


ou individualiza um termo de sentido genérico da oração, normalmente um nome próprio
de pessoa ou lugar; não aparece entre vírgulas.
Exemplos:
O trânsito é intenso na Avenida Afonso Pena.
Há muita poluição nas águas da Baía de Guanabara.
O mês de agosto não tem feriado.
O rio Amazonas é o maior rio do mundo.
A cidade do Rio de Janeiro sofreu com as fortes chuvas.
O rei Pelé é o melhor jogador de todos os tempos.

ATENÇÃO!
Entre os estudiosos, há divergências quanto à classificação sintática das expressões
preposicionadas assinaladas em:
Há muita poluição nas águas da Baía de Guanabara;
O mês de agosto não tem feriado;
A cidade do Rio de Janeiro sofreu com as fortes chuvas.
Alguns estudiosos, baseando-se num critério essencialmente semântico, defendem
a existência de identidade contextual entre “de Guanabara”, “de agosto” e “do Rio de
Janeiro” e “baía” (baía = Guanabara), “mês” (mês = agosto) e “cidade” (cidade = Rio
de Janeiro), respectivamente, o que constitui fundamento suficiente para o
entendimento das expressões preposicionadas como apostos especificativos (de
especificação, denotativos/especificadores/ nominativos), nos quais as preposições
seriam apenas palavras de realce ou expletivas.
Outros, pautados no aspecto estrutural, afirmam que a preposição que introduz
o termo constitui uma marca de subordinação, incompatível com a natureza do aposto.
Sob essa perspectiva, os termos “de Guanabara”, “de agosto” e “do Rio de Janeiro”
classificam-se como adjuntos adnominais.
43

 Mais modernamente, há certas estruturas equivalentes a um aposto especificativo (ou


de especificação/denotativo/ especificador /nominativo) que são empregadas para
designar ocupação habitual ou profissão. Exemplo:
“Mestre Gaudêncio curandeiro gingava.”
(RAMOS, Graciliano. Histórias de Alexandre.
Rio de Janeiro: Leitura, 1944. p. 63.)

Observação: Parte dos autores não considera tal caso como aposto, alegando ausência
da pausa entre ele e o nome fundamental, razão simplista demais, pois a justaposição
sem pausa se explica seja pela inversão dos termos em aposição, como em Roma,
cidade da Itália e Mediterrâneo, mar euro-africano), seja pelo desejo de uma ligação mais
direta com o termo fundamental (Cf. KURY, op. cit., p.58-59.).

h) em referência a uma oração inteira: apresenta uma referência não somente a um termo
da oração, mas à totalidade de ideias nela contidas.
Exemplos:
Depois da prova, o aluno ficou radiante, sinal de seu sucesso.

Muitos convidados não compareceram à festa,


o que provocou grande desperdício de comida.

Essa última eleição presidencial criou grandes desafetos, situação lastimável.

6.1. O aposto e suas diferentes apresentações

A pontuação no aposto pode ser variável, podendo ficar:

a) entre vírgulas, travessões ou parênteses:

Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros, morava no Cosme Velho.

Recife – a Veneza brasileira – sofre durante o período chuvoso.

Dois jogadores (Neymar e Daniel Alves) já sofreram lesões graves.

b) justaposto ao núcleo sem vírgulas:

A loja fica na Avenida Atlântica.

A cidade de Petrópolis tem um clima bastante agradável.

c) depois de dois pontos:

Durante as férias visitamos vários lugares: Santos, Guarujá e Campinas.

7. O vocativo: termo independente

Considerado um termo independente da oração por não fazer parte de sua


estrutura; é empregado para invocar, chamar, interpelar ou apelar o interlocutor ou
destinatário.
44

Exemplos:
Menino, venha cá!
Meus filhos, tenham calma.
Observação: O vocativo pode vir antecedido da interjeição ó, como em “Deus! ó Deus!
onde estás que não respondes?” (ALVES, Castro. Vozes d’África. In: GOMES, Eugênio
(Org.). Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986.
8. Referências bibliográficas

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