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Dedução da Equação da Onda Esférica

Alan Henrique Ferreira, Gabriel Nascimento, Rogério Libarino


Universidade Federal Fluminense

Palavras Chaves :Solução de Equação Diferencial Parcial, Coordenadas Esféricas,


Equação da onda.

Resumo

A equação da onda é inalterada sob rotações das coordenadas espaciais, e


conseqüentemente pode-se encontrar soluções que dependem somente da distância radial de um
ponto dado. Essas soluções devem apenas obedecer à equação 2Ψ=0.

1. Introdução

A equação de onda é uma importante equação diferencial parcial linear de segunda


ordem. Ela descreve a propagação de uma variedade de ondas, como ondas de som e luz. E por
isso é de suma importância nos campos como acústica, eletromagnetismo, e dinâmica fluidos.
Historicamente, o problema de uma corda vibrando tal como a de um instrumento musical foi
estudado por d'Alembert de Jean le Rond, Leonhard Euler, Daniel Bernoulli, e Joseph-Louis
Lagrange.

2. Desenvolvimento

Solução da Equação da Onda Esférica

Usando o método da separação de variáveis.


T’’-

Como esperamos que a função varie harmonicamente com o tempo, fazemos:

T(t)=

sin² =

Como P( é Periódico de período .

Dividindo por sin² :

(I)
Fazendo uma mudança de variável:

S=cos
Substituindo em (I)

Sob esta forma esta equação lembra a equação de Legendre. Para explorar esta semelhança
faremos a segunda mudança de variável.

Substituindo em (II)
Dividindo por:

=0

=0

=0

=0

=0
=0

Portanto se fizermos esta equação será satisfeita pelos

Fazendo x=mr e R(r)


Substituindo na equação III
Comparando com a equação de Bessel modificada:

Com l= inteiro e p≠ inteiro.

A solução é do tipo:
(*) Agora consideremos uma função já conhecida denominada Harmônica esférica e
seja:

O autovalor λ será determinado pela segunda equação [Y( ) deve ser finito para 0 ≤
≤ π e para 0 ≤ θ ≤ 2π], e teremos funções características Y λ( ,θ) correspondentes a estes
auto autovalores. Então, toda a função ψk poderá ser descrita por uma superposição do tipo

ψk (r) = C λRλ(r)Yλ( ,θ).

Observação. A “soma” em relação a λ deve ser considerada simbólica, pois ainda não
exploramos a natureza do espectro de λ: se é continuo ou discreto, se há ou não
degenerescências.

Para determinarmos os valores permissíveis de λ, completamos a separeção de


variáveis, fazendo Y( , θ) = Θ( )Φ(θ). Isso conduz às equações

Que já resolvemos. Sabemos que o espectro de λ 1 é discreto, e consta de λ 1 = -m²(m =


0,1,2,...), e as funções características podem ser definidas como segue.

Para m=0,

Φ0(θ) = 1,

e para m ≠0

cos mθ

Φm(θ) = ou

sen mθ

Estas funções são ortogonais entre si e suas integrais de normalização são


É agora conveniente termos estas funções características normalizadas de modo a
terem norma 1, multiplicando-as por constantes apropriadas de maneira que todas as integrais
de normalização sejam iguais à unidade. Esta condição define as funções normalizadas

Φ0(θ) = (m =0),

Φm(+)(θ) =

(m ≠0),

Φm(-)(θ) =

onde os símbolos (+) e (-) nos lembram que estas funções são pares ou ímpares com
relação à mudança θ ↔ - θ. No que concerne às funções Θ, sabemos que o espectro de λ é
também discreto, com

λ=-l(l+1) ( l = 0,1,2,3,...)

mas para que um m dado, devemos ter l ≥m. As soluções da equação em Θ são as
funções de Legrendre associadas Plm(cos ). É conveniente normalizá-las para também terem
norma um, definindo

Θlm(cos ) = Plm(cos ),

de maneira que

Deveria agora estar claro que a equação dos autovalores

Possui os autovalores

λ = - l (l + 1) (l = 0,1,2,...),
Que são contudo, degenerados (exceto se l=0), pois para cada valor fixo de l temos várias
funções características, ou seja

E assim, sucessivamente, até

Assim, cada valor de l corresponde a (2l+1) funções características distintas, e assim exibe uma
degenerescência de ordem (2l+1).

Definimos agora as soluções fundamentais da EDP( satisfeitas as condições de contorno


apropriadas)

Por meio das fórmulas

(m≠0)

Estas soluções podem ser chamadas de harmônicas esféricas (na definição clássica).
Segue-se que a série de Ψk(r) do tipo

Deveria, em realidade, ser da forma

Suponha que r seja fixo; então torna-se uma função somente de e estamos lidando
com uma expressão do tipo

Este desenvolvimento em série é válido para uma função arbitrária sujeita a condições
usuais semelhantes ás exigidas para as séries de Fourier, séries de Fourier-Legendre, séries de
Fourier-Bessel e outras. Os coeficientes do desenvolvimento são obtidos multiplicando
pela harmônica esférica correspondente e pelo fator , e integrando em relação aos
ângulos:

Portanto verificamos a solução formal de (†):


3. Conclusão

A partir das soluções expostas, podemos concluir que as mesmas satisfazem a equação
inicial 2Ψ=0. E podem ser testadas em um vasto conjunto de condições. Esses resultados são
muito importantes, visto que nos permitem presumir o comportamento de uma onda esférica no
espaço-tempo.

Agradecimentos

Agradeço ao Professor Altair, por toda sua dedicação no ensino da “rainha de todas as
ciências”, de poder compartilhar de seus conhecimentos. Agradeço também aos meus amigos
Gabriel e Rogério por sua disponibilidade na colaboração deste trabalho.

Referências

Notas de Aula, solução da equação da onda esférica – A. S. de Assis.


Teoria do Eletromagnetismo - Vol 1, Kleber Daum Machado, editora UEPG, Ponta Grossa,
2000.
Mathematical Physics - Eugene Butkov, Addison-Wesley, New York, 1968.