Você está na página 1de 23

TÍTULO: OS IMPACTOS FUNCIONAIS DO TDAH ADULTO

1. INTRODUÇÃO

O Transtorno de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do


neurodesenvolvimento, de etiologia multifatorial, compreendendo fatores neuro-
genéticos e ambientais (DSM5, American Psychiatric Association, 2013)
amplamente conhecido por afetar crianças, principalmente em idade escolar.
Contudo, desde os anos 1980 entende-se que o TDAH pode ser continuado na
idade adulta (Painel brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do transtorno
de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos).

Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA),

“Ao contrário do que muita gente pensa, o Transtorno de Déficit


de Atenção e Hiperatividade ou TDAH ainda é um transtorno
pouco conhecido e subdiagnosticado em nosso meio, não raro
sendo motivo de controvérsias por parte de pessoas leigas,
principalmente quando se trata de um indivíduo adulto. Fato
lastimável, uma vez que os estudos científicos mostram que o
transtorno evolui com sintomas ao longo da vida numa
prevalência de aproximadamente 4% da população mundial. No
Brasil, cerca de 2.000.000 de brasileiros adultos sofrem os
sintomas do TDAH, em grande parte pelo não reconhecimento do
transtorno, o que impede o seu diagnóstico e tratamento corretos
(https://tdah.org.br/o-tdah-tambem-afeta-gente-grande/)”

Considerando o quantitativo estimado de pessoas que sofrem com o


transtorno, sem diagnóstico e a fim de melhor divulgar a sintomatologia na fase
de vida adulta do TDAH é que nos debruçamos sobre este estudo.

Este trabalho pretende listar os principais impactos funcionais que atingem


adultos portadores do TDAH, apontados na literatura, a fim de facilitar seu
reconhecimento e diagnóstico, pouco conhecido, ainda que pesquisas recentes
apontem o papel das disfunções executivas impactando nas atividades
cotidianas de seus portadores. (Funções executivas em um caso de TDAH
adulto: a avaliação neuropsicológica auxiliando o diagnóstico e o tratamento e
Disfunção executiva como uma medida de funcionalidade em adultos com
TDAH: (2014). Funções executivas em um caso de TDAH adulto: a avaliação neuropsicológica
auxiliando o diagnóstico e o tratamento. Neuropsicologia Latinoamericana, 6(2), 35-
41. https://dx.doi.org/10.5579/rnl.2013.0214).

Além dos motivos citados anteriormente, acreditamos que este trabalho


pode contribuir para a maior propagação da existência do transtorno na fase
adulta, entendendo que quanto mais conhecido melhor a identificação de seus
portadores facilitando seu reconhecimento e adesão ao tratamento.
2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral: Listar os principais impactos funcionais que atingem


adultos portadores do TDAH, apontados na literatura, a fim de facilitar seu
reconhecimento e diagnóstico.

2.2 Objetivos Específicos:

a) Investigar os estudos mais recentes, dos últimos 15 anos, que abordam


o tema TDAH Adulto;
b) Identificar quais os principais impactos funcionais presentes no
diagnóstico do TDAH Adulto.
c) Quais as principais intervenções na confirmação do diagnóstico para o
TDAH Adulto.

3. HIPÓTESES

O subdiagnóstico do TDAH Adulto ocorre devido à semelhança dos seus


sintomas com outros transtornos, além da falta de conhecimento da sua
continuidade na fase adulta.

A melhora dos sintomas de impulsividade e hiperatividade na fase da


adolescência e na vida adulta mascaram a continuidade do TDAH na fase
adulta.

4. METODOLOGIA

Este estudo pretende ser uma revisão bibliográfica livre, sem um


planejamento ou controle definidos.

“...um “trabalho de detetive” em que, por meio de palavras chaves e até


por nome de autores conhecidos e, posteriormente pela leitura dos
títulos, seleciona-se aquelas publicações que devem ser avaliadas”
(JORGE, M.T, RIBEIRO, A.L, 1999 apud MERIGHI; GONÇALVES;
FERREIRA, 2007, p.647).

Serão usados os descritores Transtorno de atenção e hiperatividade and


adultos e Transtorno de atenção e hiperatividade and adultos and impactos, no
período de 2005 a 2020, em revistas indexadas da área da saúde em
Português, utilizando a base de dados da Scielo e o site de busca Google
Acadêmico. Será realizada uma pesquisa de cunho exploratório, que se
utilizará de dados secundários oriundos de artigos, livros, dissertações.

Do ponto de vista de sua finalidade, pretende ser uma pesquisa aplicada,


dirigida a gerar conhecimentos para uma aplicação prática. Do ponto de vista
da abordagem, uma pesquisa qualitativa.
5. REFERENCIAL TEÓRICO

5.1 Entendendo “impactos funcionais”

Antes de iniciarmos a exposição do tema proposto neste trabalho,


consideramos a importância de conceituar os termos “funcionalidade” e
“impactos”, para que não haja equívocos sobre o contexto da aplicação das
palavras “impactos funcionais” no estudo que vamos apresentar.

Vamos nos debruçar, resumidamente, sobre as definições de


funcionalidade e incapacidade da Classificação Internacional de
Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), que faz parte da “família” de
classificações desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A CIF, como conhecemos, é datada do ano de 2003 e traz uma mudança


importante ao apresentar um modelo que modifica o dos anos 80 , no uso do
termo deficiência, para uma mais positivo que é o da funcionalidade,
entendendo o indivíduo em suas dimensões biomédicas, psicológica e social.
Dessa forma, “a funcionalidade e a incapacidade dos indivíduos são
determinadas pelo contexto ambiental onde as pessoas vivem” (A Classificação
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização
Mundial da Saúde: Conceitos, Usos e Perspectivas).

“A funcionalidade é usada no aspecto positivo e o aspecto negativo


corresponde à incapacidade. (A Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: Conceitos, Usos e
Perspectivas).

Considerando o uso da palavra ‘impactos” como consequência das


condições de saúde/doença, mas não apenas. Estudaremos nesta pesquisa as
consequências funcionais no TDAH adulto em uma abordagem biopsicossocial,
conforme descrito acima.

5.2 O QUE É TDAH?

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM),


em sua mais recente edição:

“O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por níveis


prejudiciais de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade.
Desatenção e desorganização envolvem incapacidade de permanecer em uma
tarefa, aparência de não ouvir e perda de materiais em níveis inconsistentes
com a idade ou o nível de desenvolvimento. Hiperatividade-impulsividade
implicam atividade excessiva, inquietação, incapacidade de permanecer
sentado, intromissão em atividades de outros e incapacidade de aguardar -
sintomas que são excessivos para a idade ou o nível de desenvolvimento. Na
infância, o TDAH frequentemente se sobrepõe a transtornos em geral
considerados "de externalização", tais como o transtorno de oposição
desafiante e o transtorno da conduta. O TDAH costuma persistir na vida adulta,
resultando em prejuízos no funcionamento social, acadêmico e profissional.
(DSM5, American Psychiatric Association, 2013)”

A desatenção vai ser caracterizada no TDAH falta de “como divagação em


tarefas, falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização”,
já a hiperatividade “refere-se à atividade motora excessiva quando não
apropriada ou remexer, batucar ou conversar em excesso”. A ocorrência dos
sintomas de hiperatividade em adultos pode se apresentar por uma inquietação
extremada ou a exaustão dos outros com suas atividades. Quanto ao que se
refere à impulsividade “refere-se à ações precipitadas que ocorrem no
momento sem premeditação e com elevado potencial para dano à pessoa. Ela
pode ser reflexo de um desejo de recompensas imediatas ou de incapacidade
de postergar a gratificação (DSM5, American Psychiatric Association, 2013).”

São 18 o total de sintomas principais considerados para o diagnóstico de


TDAH, sendo nove relacionados à desatenção e nove, à
hiperatividade/impulsividade. O indivíduo deve ter a apresentação de no
mínimo, seis sintomas (para adultos o número reduz para cinco) persistentes
por, pelo menos, seis meses. Também é preciso que estes sintomas tido início
antes dos 12 anos, trazendo consequências em mais de um ambiente. (DSM5,
American Psychiatric Association, 2013)

Considerando a frequência dos sintomas, o TDAH pode ter diferentes


formas de apresentação: (a) combinada; (b) predominantemente desatenta; ou
(c) predominantemente hiperativa/impulsiva (DSM5, American Psychiatric
Association, 2013). Ainda segundo a atual classificação do DSM, o transtorno
apresenta graus de comprometimento leve, moderado e grave, de acordo com
a quantidade de sintomas presentes e dos impactos que causam nas
atividades de vida diária do seu portador.

A estimativa quanto à prevalência mundial do TDAH é de aproximadamente


5,3%. Calcula-se que cerca de 60% das crianças continuem apresentando os
sintomas na fase adulta. É predominante no sexo masculino, com uma
proporção de 2:1 em crianças e de 1,6:1 nos adultos. Além disso, os sintomas
de desatenção são mais identificados nas mulheres. (Consequências do
transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na idade adulta)

Uma vez que o TDAH passa a ser considerado uma doença crônica, já que
a maioria dos casos, em média dois terços ou mais de crianças vão manter o
quadro sintomático do transtorno, queremos destacar os impactos pessoais
disso na vida adulta e seus desafios.

5.2.1 A ETIOLOGIA DO TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção Hiperatividade (TDAH) é um transtorno


que apresenta uma etiologia multifatorial incluindo fatores “genéticos,
ambientais, sociais, culturais, além de estrutura e/ou funcionamento cerebral”
(ConsequênCias do transtorno do défiCit de atenção e hiperatividade (tdah) na
idade adulta)
Hora et al. (2015) relatam que:

“Mesmo com os avanços dos estudos genéticos e das técnicas de


neuroimagem, ainda não há um consenso definitivo sobre a etiologia do
transtorno. A literatura científica sinaliza que é uma síndrome
heterogênea de origem multifatorial, integrando fatores genéticos,
neurobiológicos, ambientais e múltiplos genes associados (Biederman,
2005; Dye, 2013; McGough & McCracken, 2006; Polanczyk et al., 2014;
Ranby et al., 2012)”. (A prevalência do transtorno do déficit de atenção e
hiperatividade (tdah): uma revisão de literatura)

Assim como grande parte dos transtornos mentais, a comunidade científica


concorda em dizer que é significativa a influência genética, contudo a
apresentação e o avanço do transtorno dependerão da atuação de múltiplos
agentes e suas interações com o ambiente.

Há também a concordância a respeito do diagnóstico do transtorno ser


imperiosamente clínico, já que apesar de estudos científicos confirmarem a
presença de alterações biológicas, não existem marcadores biológicos
específicos. (ConsequênCias do transtorno do défiCit de atenção e
hiperatividade (tdah) na idade adulta) e ( A prevalência do transtorno do déficit
de atenção e hiperatividade (tdah): uma revisão de literatura).

Com um histórico controverso e na busca da legitimidade e validade do


transtorno, além de apontar os prováveis prejuízos funcionais e seu risco em
potencial, alguns pesquisadores se debruçaram a investigar as causas físicas e
as bases biológicas e cerebrais do transtorno.

“Trata-se não apenas de demonstrar que o transtorno “causa” danos


ao sujeito, mas que ele, o transtorno, é “causado” por aspectos
biológicos, genéticos e cerebrais. Tais suscetibilidades biológicas não
são os únicos fatores influentes no desenvolvimento da patologia, mas
são, sem dúvida, os mais importantes. Os dados que fundamentam o
discurso da legitimação médica e biológica do TDAH vêm das pesquisas
neurológicas e das funções cerebrais, dos estudos feitos com as
tecnologias de imagem cerebral e da pesquisa molecular e genética.” (O
TDAH: entre as funções, disfunções e otimização da atenção).

Através da comprovação de alterações neurobiológicas, o transtorno se


torna existente e passível de observação.

5.2.2 A NEUROBIOLOGIA DO TDAH E AS DISFUNÇÕES EXECUTIVAS

Dentre a variedade de causas possíveis que comprovam a existência do


TDAH estão as alterações neurobiológicas, conforme citado anteriormente.
Neste tópico pretende-se destacar a relação das alterações neurobiológicas e a
disfunção executiva, presente no portador do TDAH.

Os estudos mais recentes sobre a neurobiologia do TDAH apontam para


déficit funcional do lobo frontal, especificamente no córtex cerebral. Há também
descobertas de déficit funcional em determinados neurotransmissores
(Aspectos neurobiológicos do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade
(TDAH): uma revisão, 2010).

Em um estudo datado de 2006, Matos et al evidenciam que estudos no país


e no exterior dizem com clareza que o TDAH “não é um constructo cultural”
(Painel brasileiro sobre diagnóstico de TDAH – Mattos et al, 2006). Inclusive,
“as alterações neurobiológicas em adultos com TDAH, incluindo os padrões de
transmissão genética e os achados em estudos neuropsicológicos e de
neuroimagem, são semelhantes àquelas encontradas em crianças e
adolescentes com o transtorno, o que consolida a validade da forma adulta”
(Painel brasileiro sobre diagnóstico de TDAH – Mattos et al, 2006).

Os exames de neuroimagem, embora não sejam sugeridos para o


diagnóstico de TDAH, apontam “alterações em lobos frontais, corpo caloso,
gânglios da base e cerebelo” (Painel brasileiro sobre diagnóstico de TDAH –
Mattos et al, 2006).

Em um artigo sobre Disfunção executiva como uma medida de


funcionalidade em adultos com TDAH (2007), mais uma observância a respeito
da participação do córtex frontal:

Barkley (1997b) propôs uma teoria unificadora para explicar as


disfunções observadas no TDAH. A proposição é pautada em uma
alteração central no córtex pré-frontal que compromete a capacidade
adaptativa da função executiva. Essa “alteração-chave” seria um déficit
na capacidade de inibir respostas, o que explicaria os vários tipos de
manifestações e comprometimentos no TDAH. Esse modelo teórico tem
encontrado respaldo na literatura científica (Houghton et al., 1999;
Bayliss e Roodenrys, 2000).( Disfunção executiva como uma medida de
funcionalidade em adultos com TDAH, 2007)

O funcionamento deficiente do córtex frontal está relacionado com


características comportamentais consistentes com o perfil do TDAH, tais como
dificuldade de sustentar a atenção em tarefas complexas, falta de flexibilidade
cognitiva e ineficiência em processar rapidamente novas informações (Nigg &
Casey, 2005). Apesar de déficits em funções executivas estarem associados
ao TDAH, eles não fazem parte do critério diagnóstico e indivíduos com o
transtorno podem não apresentar nenhum déficit clinicamente observável
(Sonuga-Barke et al., 2008). (Neuropsicologia do Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade: Modelos Neuropsicológicos e Resultados de Estudos
Empírico, 2016)

Os achados na literatura apontam para evidências de alterações no lobo


frontal, de acordo com algumas das citações acima. Isso explica os déficits em
funções executivas encontrados em parte dos portadores do transtorno,
embora não seja uma condição suficiente para o diagnóstico do transtorno, em
função da sua heterogeneidade.

As funções executivas possibilitam ao indivíduo orientar seus


comportamentos a metas, de forma autônoma e envolve processos cognitivos
essenciais à sua adaptação ou flexibilidade diante de novos desafios. Estão
diretamente relacionadas ao planejamento das atividades de vida diária,
hierarquização de metas, iniciativa, tomada de decisão, processo de controle
inibitório, resolução de problemas, escolha de estratégias, auto-monitoramento
(Consequências do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na idade adulta,
2018) e em grande parte também atua na regulação emocional e em aspectos
da cognição social.

Desde os anos 1990 a comunidade científica, sobretudo o psicólogo e


professor Russel Barkley, renomado estudioso sobre o tema TDAH, reconhece
que as funções executivas são diretamente afetadas pelo transtorno.

“Para Barkley (1997a, 1997b, 1998), a autoridade mais conhecida no


debate internacional sobre o TDAH, o transtorno era uma disfunção
neuropsiquiátrica que afetava o desenvolvimento das “funções
executivas” cerebrais, da capacidade de autocontrole, de planejamento e
de execução de ações orientadas por objetivos futuros (Caliman)”

Em síntese, os estudos mais recentes indicam déficits neuropsicológicos


especialmente das funções executivas, estes chamados de disfunção
executiva. Os impactos dessas alterações comprometem diversas áreas da
vida do portador adulto, que talvez sejam menos problemáticos em crianças
pelo fato destas estarem sob supervisão, seja em casa ou no ambiente escolar.
As funções executivas vão ganhando maior importância à medida que as
responsabilidades aumentam e com elas a necessidade de maior autonomia
em tomadas de decisões na vida diária.

5.2.3 Quais os principais impactos do TDAH na vida adulta citados na


literatura?

Conforme citado no tópico anterior, os impactos do TDAH na vida adulta


comprometem as diversas áreas da vida do seu portador, sejam na dimensão
acadêmica, nas relações sociais, na vida laborativa, nas relações amorosas ou
nas atividades do dia a dia.
Através da metodologia adotada buscamos na base de dados Scielo e no
site de busca Google Acadêmico os artigos que tratam deste tema, publicados
no período de 2005 a 2020, com o filtro artigos em Português e obtivemos os
seguintes resultados:
GOOGLE
DESCRITORES SCIELO ACADÊMICO
Transtorno de atenção e hiperatividade and adultos 14 9.260
Transtorno de atenção e hiperatividade and adultos and impactos * 7.930
Artigos Selecionados 3 1
(*) Pesquisa sem resultados na base de dados
Tabela 1. Descritores utilizados no levantamento bibliográfico. Pesquisa
efetuada em março de 2020.

Os artigos selecionados contam um total de quatro (4). O excedente foi


descartado por não contemplarem o que este estudo pretende investigar. Dos
artigos selecionados, três (3) são da base de dados Scielo e um (1) do site de
busca Google Acadêmico, conforme ilustrado abaixo:
BASE DE
ARTIGOS SELECIONADOS DADOS/ SITE AUTORES ANO
DE BUSCA
Painel brasileiro de especialistas sobre
diagnóstico do transtorno de déficit de Scielo Mattos Paulo et 2006
atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos al.
Dias, Gabriela,
Segenreich,
Diagnosticando o TDAH em adultos na prática Daniel, Nazar,
Scielo 2007
clínica Bruno e
Coutinho,
Gabriel
Mattos, Paulo e
Qualidade de vida e TDAH Scielo Coutinho, 2007
Gabriel.
Castro, Carolina
Consequências do transtorno do déficit de
Google Xavier Lima, &
atenção e hiperatividade (TDAH) na idade 2018
Acadêmico de Lima, Ricardo
adulta
Franco
Tabela 2. Síntese da produção acadêmica que integra a revisão bibliográfica,
composta por um total de quatro (4) artigos científicos.

A literatura reconhece que cerca de 60% dos casos de TDAH infantil vão
persistir na fase adulta (Consequências do transtorno do déficit de atenção
e hiperatividade (TDAH) na idade adulta). Apesar dos sintomas de
hiperatividade e impulsividade apresentarem diminuição em sua apresentação,
sobre tudo no final da adolescência, costumam permanecer presentes em
adultos os sintomas mais ligados à desatenção e inquietação, além da
impulsividade, mesmo que em graus diferentes daqueles observados na
criança.

Segundo Mattos, Paulo et al. (2006), na vida adulta os sintomas vão


corresponder as atividades desempenhadas nesta fase do ciclo de vida, deste
modo, a apresentação da hiperatividade nos adultos pode estar ligado ao
excesso de tarefas, que no trabalho pode ser reconhecido como Workaholics
(gíria inglesa que corresponde a trabalhador compulsivo, viciado em trabalho),
assim como os sintomas de impulsividade podem ser reconhecidos no final de
relacionamentos precoces, na direção imprudente de veículos, havendo uma
referência aos sintomas próprios da infância.

Quanto aos sintomas de desatenção, as dificuldades ficam mais evidentes


nas atividades que necessitam de maior organização ou de uma atenção
sustentada por um período maior de tempo. Elas podem se tornar ainda
maiores diante de situações que envolvem tarefas que são consideradas
enfadonhas ou menos interessantes assim como em casos onde se encontram
dispersos por estímulos internos ou mesmo externos, comprometendo seu
desempenho.
A desatenção em adultos pode ser evidenciada em situações dialógicas,
em tarefas que exigem organização e sustentação da atenção ao longo
do tempo e nas dificuldades com a memória. Do mesmo modo que
ocorre com crianças e adolescentes, adultos com TDAH têm uma
capacidade inconsistente de se concentrar, mas são capazes de fazê-
lo em circunstâncias específicas, como quando envolvidos em tarefas
que lhe são particularmente estimulantes. (Mattos, Paulo, Palmini,
André, Salgado, Carlos Alberto, Segenreich, Daniel, Grevet, Eugênio,
Oliveira, Irismar Reis de, Rohde, Luiz Augusto, Romano, Marcos, Louzã,
Mário, Abreu, Paulo Belmonte de, & Lima, Pedro Prado. (2006). Painel
brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Revista de Psiquiatria do Rio
Grande do Sul, 28(1), 50-60. https://doi.org/10.1590/S0101-
81082006000100007)

No DSM 5, diferente da sua edição anterior, o transtorno do sono também


aparece como fator de risco para o TDAH e tais alterações podem permanecer
na vida adulta. Dessa forma, portadores de TDAH adultos apresentam de modo
recorrente relatos de dificuldades para se desligar de suas atividades para ir
dormir e também na hora de despertar, queixas de sonolência excessiva
durante o dia e diante de atividades que exigem atenção por um longo período.
Mattos et al. (2006) sinalizaram este critério quando ainda não era contemplado
pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

Os fenótipos dos transtornos do sono e do TDAH têm características


comuns, e a elevada prevalência de alterações de sono-vigília relatadas por
portadores de TDAH pode se dever à estreita conexão entre os sistemas
envolvidos na regulação do sono-vigília e aqueles envolvidos na regulação da
atenção e do humor.( Mattos, Paulo, Palmini, André, Salgado, Carlos Alberto,
Segenreich, Daniel, Grevet, Eugênio, Oliveira, Irismar Reis de, Rohde, Luiz
Augusto, Romano, Marcos, Louzã, Mário, Abreu, Paulo Belmonte de, & Lima,
Pedro Prado. (2006). Painel brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do
transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Revista de
Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 28(1), 50-60. https://doi.org/10.1590/S0101-
81082006000100007)

Mattos et al. (2006) reforçam ainda o papel das funções executivas que se
encontram comprometidas compreendendo: “ativação independente para as
tarefas, persistência, planejamento, organização, automonitoramento, controle
de impulsos, estabelecimento de prioridades, tomada de decisão e e integração
de diferentes atividades mentais de momento a momento, entre outros”.
(Mattos, Paulo, Palmini, André, Salgado, Carlos Alberto, Segenreich, Daniel,
Grevet, Eugênio, Oliveira, Irismar Reis de, Rohde, Luiz Augusto, Romano,
Marcos, Louzã, Mário, Abreu, Paulo Belmonte de, & Lima, Pedro Prado. (2006).
Painel brasileiro de especialistas sobre diagnóstico do transtorno de déficit de
atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos. Revista de Psiquiatria do Rio
Grande do Sul, 28(1), 50-60. https://doi.org/10.1590/S0101-
81082006000100007)
No artigo de Dias, Gabriela, Segenreich, Daniel, Nazar, Bruno e Coutinho,
Gabriel (2007), os prejuízos do TDAH adulto devem ser avaliados
considerando situações e contextos específicos da vida adulta, por meio da sua
atuação em situações liderança de grupos, condução de veículos, controle
financeiro, planejamento de atividades e organização de compromissos, por
exemplo; relacionamentos conjugal e parental; e o quanto se é capaz de
estabelecer e assegurar cuidados com sua própria saúde.

Ressaltam também que as consequências do transtorno se agravam diante


de situações que vão requerer maior nível atencional ou que sejam encaradas
como pouco atraentes para o seu portador, concordando com o que dizem
Mattos et.al (2006). Uma distração, desinteresse ou inquietação pode ocorrer
com qualquer indivíduo, especialmente diante de tarefas pouco estimulantes,
contudo, para o portador de TDAH a ocorrência dos sintomas é significativa,
podendo surgir até mesmo diante de um entretenimento.

Assim como há situações onde os sintomas parecem ser agravados, Dias,


Gabriela, Segenreich, Daniel, Nazar, Bruno e Coutinho, Gabriel. (2007) vão
citar os ambientes acadêmico, familiar e laboral como facilitadores do grau de
comprometimento ou de resiliência nos comportamentos apresentados e
percebidos pelo portador de TDAH adulto. Uma questão importante abordada é
que é possível que mesmo apresentando uma falha grande de desorganização
ou de falta de planejamento, por exemplo, o portador não reconhece como um
comprometimento devido à ajuda de um familiar, que serve como um
supervisor externo. E acrescentam que:

Ainda é questionável se a presença de comprometimento apenas numa


situação de demanda externa incomum (ao se estudar para um difícil
concurso, por exemplo) representa comprometimento. Também existe
dúvida se os pacientes que reconhecem a presença dos sintomas e
criam elaboradas estratégias para controlá-los apresentam
comprometimento. Apesar de não apresentarem prejuízos associados
aos sintomas, esses pacientes apresentam importantes limitações em
suas atividades diárias para conseguir um funcionamento normal e
poderiam apresentar melhora na qualidade de vida com o tratamento
destas. (Dias, Gabriela, Segenreich, Daniel, Nazar, Bruno e Coutinho,
Gabriel. (2007). Diagnosticando ou TDAH em adultos na prática
clínica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria , 56 (Suppl. 1), 9-
13. https://doi.org/10.1590/S0047-20852007000500003)

Estes apontamentos mostram que há estratégias compensatórias que


alguns portadores de TDAH podem apresentar como recursos eficientes para
lidar com suas dificuldades e também nos leva a questionar o que exatamente
representa um comprometimento para o indivíduo portador, além de apresentar
a possibilidade do tratamento a fim de dirimir os impactos nas atividades
diárias.

Já no artigo de Mattos, Paulo e Coutinho, Gabriel (2007), os impactos


funcionais do TDAH adulto são considerados pra fins da elaboração de um
instrumento de avaliação que permita verificar a qualidade de vida no TDAH:
“...para preencher a lacuna de um instrumento específico para avaliar
qualidade de vida em adultos portadores de TDAH, foi desenvolvido o
Adult ADHD Quality of Life Questionnaire (AAQoL) ou Questionário de
Qualidade de Vida em Adultos com TDAH (Brod et al., 2006).” (Mattos,
Paulo e Coutinho, Gabriel. (2007))

Para desenvolver a estrutura do questionário, os próprios portadores foram


ouvidos para a coleta de informações sobre os sintomas e impactos do
transtorno. Além disso, foram coletadas informações com especialistas em
TDAH e na literatura científica específica.

A partir das informações coletadas, os autores criaram um modelo


conceitual a respeito do impacto do TDAS adulto sobre a qualidade de vida de
seu portador. Nesta versão o instrumento AAQol apresenta uma escala com 29
itens no total, divididos em quatro (4) subescalas: produtividade (composta por
11 itens), saúde psicológica (composta por 6 itens), perspectiva de vida
(composta por 7 itens) e relacionamentos (composta por 5 itens) (Mattos, Paulo
e Coutinho, Gabriel. (2007))

O que foi observado durante o estudo de validação do questionário, é que


indivíduos portadores de TDAH demonstravam ter um número maior de
divórcios, taxas de desemprego maiores, quando comparados a população
geral e menor renda em relação a indivíduos não portadores do transtorno,
mesmo se equiparando etnicamente e em período de estudo, o que concorda
com as áreas avaliadas pelo instrumento. O que talvez seja ainda mais
significativo neste estudo é que os portadores de TDAH que já haviam sido
diagnosticados e que já se encontravam em tratamento, obtiveram escores
mais altos da qualidade de vida quando comparados àqueles que receberam
seu diagnóstico durante a pesquisa. Isso indica que o primeiro grupo poderia
ter se beneficiado de algum tratamento específico.

Estas contribuições indicam que os instrumentos que medem a qualidade


de vida de portadores do TDAH adulto podem auxiliar na avaliação clínica e
consequentemente em uma ação terapêutica efetiva.(Qualidade de vida e
TDAH: Mattos, Paulo e Coutinho, Gabriel. (2007). Qualidade de vida e
TDAH. Jornal Brasileiro de Psiquiatria , 56 (Suppl. 1), 50-
52. https://doi.org/10.1590/S0047-20852007000500011)

Uma revisão sistemática da literatura sobre o instrumento AAQoL , de


ALVES, M. A. R. et al. (2019), demonstra que houve um ínfimo retorno de
artigos científicos que tenham utilizado o questionário para avaliação da
qualidade de vida de adultos com TDAH. Os autores apontam como justificativa
o fato da pesquisa ter se limitado à aplicação do instrumento e ao número
restrito de estudos sobre a qualidade de vida do adulto portador de TDAH :

Houve baixo retorno de artigos científicos que utilizaram o instrumento


AAQoL para avaliar a qualidade de vida de adultos com TDAH. Os estudos
foram realizados a partir do ano de 2008, e os últimos registros são de 2014. É,
portanto, perceptível que o fator do baixo retorno e da pequena amplitude no
período se deu pelo fato de a presente pesquisa ter se limitado exclusivamente
ao uso do AAQoL, sendo este um instrumento específico para avaliar a
qualidade de vida de adultos com TDAH, um público com um número restrito
de estudos existentes (Questionário de qualidade de vida em adultos com
transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (AAQOL): revisão
sistemática. Como citar: ALVES, M. A. R. et al. Questionário de qualidade de
vida em adultos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade
(AAQOL): revisão sistemática. R. bras. Qual. Vida, Ponta Grossa, v. 11, n. 3,
e9897, jul./set. 2019. Disponível em:
https://periodicos.utfpr.edu.br/rbqv/article/view/9897. Acesso em: XXX.)

No artigo de revisão de Castro, Carolina Xavier Lima, & de Lima, Ricardo


Franco (2018) fala diretamente sobre as consequências do TDAH na idade
adulta. Nele vemos com mais detalhes os aspectos dos impactos funcionais na
vida de seu portador, incluindo estatísticas que demonstram o quanto o
transtorno afeta negativamente, indivíduos de diferentes faixas etárias, de
acordo com o aumento das demandas do ciclo de vida em que estes se
encontram:

“Por mais que a literatura sugira que os sintomas do TDAH tendem a


diminuir na idade adulta 10,17, aproximadamente 56% dos indivíduos
relatam sofrer com a hiperatividade e 62%, com a impulsividade 32”.

Castro, Carolina Xavier Lima, & de Lima, Ricardo Franco. (2018) citam uma
pesquisa que compara os impactos funcionais nas diferentes faixas etárias e
circunstâncias de vida. De acordo com os resultados apresentados, antes dos
50 anos os relatos de prejuízos na vida familiar foi de 27%, em
relacionamentos sociais de 46%, quando à administração das finanças 27% e
nas atividades de vida diária 18%. Tais impactos persistiram ao longo do tempo
com 18% dos indivíduos queixando dificuldades na vida intra-familiar, 46% nos
relacionamentos sociais, 18% na administração financeira e 36% nas
atividades de vida diária.

Há um consenso entre os artigos explorados quanto às consequências do


TDAH em especial no desenvolvimento escolar e na atividade profissional
(Castro, Carolina Xavier Lima, & de Lima, Ricardo Franco. (2018). As
dificuldades presentes na escola podem permanecer. Além disso, as
experiências vivenciadas no ambiente escolar vão contribuir para o
desenvolvimento sentimentos ligados à resiliência, tais como estratégias de
enfrentamento e autonomia, quanto sentimentos de ligados ao aumento do
comprometimento, tais como baixa auto estima, retraimento e dificuldades em
e demonstrar sentimentos.

(recomeçar daqui) Em um estudo conduzido no Brasil, foram entrevistados 21


indivíduos com TDAH que estavam nos anos finais de escolarização ou já haviam
saído da escola. Os resultados demonstraram que os participantes relataram que
não só os pares, mas também os professores os tratavam de forma inadequada.
Diante de alto número de reprovações, expulsões e transferências compulsórias,
bem como problemas de aprendizagem e de comportamento, é possível que o
longo período no convívio escolar, vivido com sofrimento, tenha influenciado
negativamente na construção da identidade30.
Apesar de se sentirem diferentes dos outros ao longo da vida, os sintomas do TDAH
parecem ser uma parte significativa de suas estruturas de personalidade, trazendo
qualidades positivas e negativas. Em outro estudo, quando questionados sobre o
que achariam se pudessem se "curar" do TDAH, 28% dos participantes relataram
que concordariam em ter os sintomas removidos de suas vidas, 35% disseram que
não concordariam e 16% eram ambivalentes nas respostas, e os 21% restantes
não conseguiram responder32.

No que concerne ao trabalho, os estudos mostram que os prejuízos típicos incluem:


desempenho ineficiente; mudanças de emprego frequentes; faltas; atrasos, erros
excessivos; e dificuldades para corresponder às demandas das atividades 27. Além
disto, é comum o relato de: desorganização; esquecimento; fala impulsiva;
problemas com autoridade; distração; lentidão; e dificuldade para iniciar ou
priorizar tarefas28,32.

Outras implicações no contexto do trabalho são: procrastinação, sobretudo quando


realizam uma tarefa que exige mais atenção e que a recompensa não será
imediata; dificuldade para persistir em uma mesma atividade, levando à
interrupção da mesma e a inicialização de outra, deixando ambas incompletas; e a
labilidade motivacional, trazendo o desejo de buscar sempre algo novo25.

Tais dificuldades são identificadas como obstáculos para o sucesso no profissional,


apesar de suas capacidades, por vezes, notáveis. Como consequência, indivíduos
com TDAH podem receber rótulos de "desleixados" e pouco confiáveis no ambiente
de trabalho28,32.

Os desafios vividos por indivíduos com TDAH vão além do ambiente acadêmico ou
de trabalho. Eles também convivem com dificuldades no controle de suas finanças,
nos relacionamentos interpessoais, no exercício de suas funções parentais e de
cônjuges32.

Quanto à gestão financeira, as características mais observadas são: gastos


impulsivos; uso excessivo do cartão de crédito; pouca ou nenhuma reserva
financeira; dificuldades para estabelecer prioridades e pagar contas 13,32.

Indivíduos com TDAH relatam problemas nos relacionamentos com seus familiares,
amigos e colegas do trabalho. Características pessoais, como a irritabilidade, falta
de atenção, fala impulsiva e esquecimento, contribuem para mal-entendidos nestas
interações13. Em uma pesquisa realizada com adultos com TDAH, 61% relatou
possuir autorregulação emocional deficiente quando comparados ao grupo controle.
Além disto, o grupo com TDAH obteve índices menores nos questionários que
avaliavam qualidade de vida e ajuste social, além de maior frequência de acidentes
de trânsito33. Em jovens adultos, também é comum o relato: de dificuldades para
se manterem em uma mesma relação; comportamento sexual de risco; gravidez
precoce; e frequência aumentada de doenças sexualmente transmissíveis 13,32.

Particularmente, no domínio parental são observadas dificuldades: de controle dos


pais; ausência de rotina organizada e de monitoramento; falha em corresponder às
necessidades da criança; e em respostas impulsivas e negativas, como
consequências dos comportamentos dos filhos. Os efeitos diretos e negativos das
ações parentais podem ser acompanhados por feedbacks ruins sobre esta função,
acarretando dificuldades no relacionamento tanto com a criança como com o
cônjuge. Em última análise, esta situação pode ocasionar prejuízos nas crenças de
eficácia parental, desmoralização deste papel, desmotivação e problemas
emocionais26. Os estudos também ressaltam que pais com diagnóstico de TDAH
possuem maior probabilidade de terem filhos com o distúrbio. Por sua vez, esta
situação promove maiores desafios para a intervenção, sobretudo porque o sucesso
dos programas de psicoeducação para pais de crianças com TDAH é influenciado
pelos comportamentos dos mesmos. Assim, no geral, os pais necessitam de ajuda
para os mesmos comportamentos em que precisam auxiliar seus filhos27.

Quanto aos relacionamentos conjugais, um estudo turco demonstrou que os papéis


sociais dos gêneros podem atuar como mediadores dos impactos do TDAH no
casamento36. Outros trabalhos enfatizam que o diagnóstico pode favorecer a
relação, uma vez que a falta de conhecimento sobre os sintomas e suas
consequências podem ser fontes de conflitos. Em determinadas situações,
estratégias simples, como compartilhar uma agenda e usar de mediadores
externos, podem facilitar a realização de tarefas cotidianas23,35.

Com relação às diferenças entre os sexos, os manuais diagnósticos referem menor


prevalência do TDAH em meninas. Porém, na maior parte das pesquisas com
adultos, a proporção do transtorno em mulheres e homens é muito
próxima24,28,29,32,36. Uma possível diferença entre os sexos é geralmente atribuída ao
"subdiagnóstico" nas meninas, provavelmente por fatores psicológicos e
socioculturais múltiplos, favorecendo que os sintomas não sejam reconhecidos ou
considerados patológicos29.

Da mesma forma, não há consenso se as consequências dos sintomas na idade


adulta são semelhantes entre os sexos. Um dos estudos indicou resultados
similares, independentemente do sexo28. Porém, outras pesquisas encontraram
evidências que as mulheres possuem prejuízos psicossociais mais graves, relatam
mais sintomas depressivos, ansiosos e de estresse32. Adicionalmente, elas
demonstram sintomas mais severos, sobretudo de desatenção36. É possível inferir
que o "subdiagnóstico" pode privar meninas de tratamento adequado, uma vez que
o encaminhamento e diagnóstico são realizados somente quando os sintomas e
impactos são significativos29.

Um outro conjunto de publicações descreveu tendências do adulto com TDAH a


apresentar comportamentos de risco, como: escolha por atividades perigosas ou
arriscadas; prazer por situações extremas (esportes, desafios ou nas próprias
escolhas profissionais); capacidade alterada para avaliar o risco; abuso de
substâncias psicoativas; comportamento de dirigir carros de maneira agressiva e
imprudente29,34. Em outro estudo, os indivíduos com TDAH relataram dar respostas
precipitadas antes das perguntas serem concluídas, tendo dificuldade em aguardar
sua vez. Suas decisões, na maioria das vezes, eram tomadas de forma impulsiva, o
que invariavelmente, trazia prejuízo34.

Em situações enfadonhas ou quando desmotivados, indivíduos com TDAH se


queixam de dificuldades para controlar a atenção e selecionar estímulos relevantes
e, consequentemente, são considerados "sonhadores" ou distraídos 28. Confusão,
desorientação e perda do curso do pensamento também são queixas que impactam
na qualidade de vida34.

Alguns exemplos de prejuízos menos frequente, porém passíveis de risco, são:


condutas antissociais (mentir, roubar ou brigar); adotar estilo de vida menos
saudável (lazer sedentário e solitário, excesso de uso de videogames, TV e
internet) e sobrepeso17.

Outra consequência importante do TDAH ao longo da vida é a sua associação com


outros transtornos psiquiátricos, tornando o diagnóstico e tratamento mais
complexos32,33. A maior parte dos adultos com TDAH tem pelo menos um transtorno
comórbido e mais da metade pode ter até três transtornos psicológicos 17. As
principais comorbidades descritas na literatura são: transtorno desafiador opositor,
transtorno de conduta, dificuldades de aprendizagem (atrasos em leitura,
ortografia, matemática, escrita, dentre outras), transtorno de humor bipolar,
transtorno de personalidade antissocial, transtorno de abuso de substâncias
psicoativas e transtorno de tiques17.

As altas taxas de comorbidades do TDAH podem ampliar o impacto de seus


sintomas em até 80%, independentemente da cultura17. Em um estudo realizado
em sete países, 42% dos adultos entrevistados descreveram alguma comorbidade.
Outro estudo, realizado com idosos, também apontou alta taxa de comorbidades,
principalmente dependência de nicotina, vício em álcool, transtorno de humor e de
ansiedade37. Outro estudo mostrou que 52% dos participantes relataram ter
desenvolvido depressão em algum momento de suas vidas e necessitaram de
tratamento especializado29,30.

Especificamente, o diagnóstico de TDAH em indivíduos adultos é um desafio, uma


vez que os sintomas podem ser mimetizados por outros transtornos psiquiátricos.
Outra dificuldade para os clínicos é a obtenção de informações precisas,
normalmente fornecidas pelo indivíduo que possui o transtorno28. Alguns indivíduos
podem se tornar mais conscientes da extensão de suas dificuldades somente na
idade adulta. É comum que os indivíduos com TDAH relatem apresentar
desempenho melhor em algumas tarefas, sendo incongruente com a observação
externa e avaliações objetivas17. Por este motivo, o processo de diagnóstico em
adultos também deve levar em consideração as informações provenientes de
múltiplos informantes36,37.

Quando mais de um transtorno é identificado, é comum que os pacientes


questionem qual quadro causou o outro. Porém, do ponto de vista clínico, nem
sempre há uma resposta para essa pergunta. É possível considerar que as
alterações na estrutura e desenvolvimento do cérebro estejam relacionadas à
manifestação do TDAH, e que seus principais sintomas também representem
fragilidades, facilitando a ocorrência de comorbidades17.

Há consenso na literatura de que a apresentação clínica do TDAH é heterogênea34 e


possui relações com dificuldades nas funções executivas, nomeadas de disfunções
executivas23,37. Alguns estudos utilizam o modelo da autorregulação como teoria
unificadora para explicar tais disfunções que ocasionam prejuízos adaptativos e
para corresponder às demandas ao longo da vida25,33,34. Apesar de não terem sido
enfatizados pelos trabalhos descritos, os modelos cognitivos do TDAH podem
auxiliar na explicação dos déficits e seus impactos ao longo da vida21.

Um dos estudos descreveu três grandes categorias de disfunção cognitiva


apresentadas por diferentes modelos: (i) Processos cognitivos (memória
operacional, planejamento e controle inibitório); (ii) Déficits de autorregulação; e
(iii) Dificuldades de motivação ou de excitação (resposta a incentivos e aversão ao
atraso)26. Porém, os autores afirmam que, em função da heterogeneidade do TDAH
e a probabilidade de múltiplas vias ou disfunções subjacentes, presume-se que
outras disfunções ocorrem concomitantemente, como propõem o modelo de
múltiplos caminhos26.

Estudos longitudinais com pacientes diagnosticados com TDAH na infância sugerem


melhor prognóstico quando são submetidos a intervenções corretas, e que
minimizam os impactos negativos deste transtorno em seu desenvolvimento 31. A
título de exemplo, um estudo demonstrou que indivíduos que estavam em
tratamento há mais tempo apresentavam pontuações mais altas em escalas de
qualidade de vida, quando comparados àqueles diagnosticados durante a
pesquisa24. Os pacientes tratados corretamente podem apresentar vantagem
qualitativa para a realização de tarefas complexas, como cursar o ensino superior,
por exemplo29.

Algumas propostas terapêuticas têm sido sugeridas para indivíduos adultos com
TDAH. Um exemplo é a psicoterapia, que tem como objetivo, inicialmente, propiciar
ao indivíduo conhecimento adequado e esclarecimento acerca do transtorno. Desta
forma, o primeiro passo é auxiliar o indivíduo no reconhecimento dos sintomas e
dos impactos causados por eles. Posteriormente, é importante que o processo
psicoterapêutico instrumentalize o indivíduo, do ponto de vista estratégico. Dentre
os aspectos que podem constituir alvos terapêuticos, se destacam: o autoconceito;
as relações conjugais; as dificuldades no trabalho e nas atividades acadêmicas23.
Apesar da escassez de guias técnicos que orientam a abordagem dos profissionais
que lidam com adultos com TDAH23, é possível encontrar algumas recomendações

Consequências do
em diretrizes internacionais38,39. (

transtorno do déficit de atenção e


hiperatividade (TDAH) na idade adulta:
Castro, Carolina Xavier Lima, & de Lima, Ricardo Franco. (2018). Consequências do transtorno do déficit
de atenção e hiperatividade (TDAH) na idade adulta. Revista Psicopedagogia, 35(106), 61-72.
Recuperado em 12 de maro de 2020, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?

script=sci_arttext&pid=S0103-84862018000100008&lng=pt&tlng=pt. )
5.4 Diagnóstico e Intervenções no TDAH Adulto

O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, feito com base em


entrevista, utilizando-se de anamnese com o paciente. No caso do adulto,
essas entrevistas, além de serem realizadas com o próprio, podem também
serem realizadas com o cônjuge ou pessoas próximas, devendo ser feito por
neurologistas e/ou psiquiatras, de preferência, como auxílio de uma equipe
multidisciplinar que pode ser composta por: psicólogo, psicopedagogo,
fonoaudiólogo e neuropsicólogo. No entanto, todo diagnóstico precisa ser feito
com base no histórico de vida da pessoa, por meio de uma avaliação criteriosa.
Uma vez que os sintomas aparecem ainda na primeira infância, é importante
salientar que não existe exame específico que identifique o TDAH, sendo
somente feito de forma clínica. Quando diagnosticado com o transtorno do
déficit de atenção, o indivíduo pode ter a chance de trazer para sua vida uma
melhora significativa com o tratamento adequado, que irá lhe trazer diversos
benefícios nas relações interpessoais com cônjuges, familiares e pessoas do
convívio. De acordo com Partel: “Pesquisas mostram que tratamento multi-
modal, combinando medicação com intervenções psicoterapêuticas, traz
melhores resultados no tratamento de TDAH em crianças, adolescentes e
adultos”.

O tratamento para o distúrbio de déficit de atenção pode ser dividido em


quatro etapas como: informação ao portador e seus familiares; conhecimentos
técnicos sobre o distúrbio; medicamentos e psicoterapia. É importante que a
família tenha consciência de que todos esses sintomas não são características
de personalidade, para que assim, possa tirar o “rótulo” e auxiliar no tratamento
do portador de TDAH. De acordo com Silva (2003), no que diz respeito à
medicação indicada como forma de intervenção, se divide em três categorias:
os estimulantes, antidepressivos e os acessórios. Em alguns casos é
necessária a combinação entre eles. Essas medicações tanto podem ser
usadas com crianças como em adultos. Atualmente o mercado farmacológico
brasileiro dispõe de algumas medicações indicadas para minimizar os efeitos
do transtorno. Geralmente são utilizados os estimulantes, os antidepressivos
tricíclicos, os antidepressivos inibidores da receptação de serotonina e outras
drogas (CASTRO E NASCIMENTO, 2009 apud SAMPAIO; de FREITAS 2014,
p.144) Dentre as medicações mais recomendadas como tratamento de primeira
linha está o psicoestimulante metilfenidato, mais conhecido como Ritalina, e
como indicação de segunda linha, estão os antidepressivos tricíclicos como:
Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina, Nortriptilina e Maprotilina.

Aliado ao tratamento medicamentoso, temos fortemente a indicação da


psicoterapia, mais precisamente (TCC) Terapia Cognitivo Comportamental, na
qual psicólogos atuam como “coaching”, traçando estratégias de acordo com
cada paciente. Deste modo, segundo Sampaio; de Freitas:

Os profissionais são importantes no sentido de auxiliar a construção de uma rotina


estruturante, equilibrada e definida. As técnicas cognitivo-comportamentais são um
importante aliado para conduzir conflitos e organizar condutas. (SAMPAIO; de
FREITAS, 2014, p.159)

O psicoterapeuta, em conjunto com o paciente, elaborará estratégias para


facilitar o cotidiano dos indivíduos TDAH, auxiliando na montagem de listas,
priorizando as suas principais ações, o uso de recursos eletrônicos,
incentivando o uso de agendas, entre outros recursos. De acordo com RHODE;
HALPERN, (2004) apud PEIXOTO; RODRIGUES, (2008): Apesar dos enormes
ganhos com o uso da medicação, a modalidade de Terapia Cognitiva
Comportamental, tem se mostrado como uma das melhores intervenções entre
as crianças que apresentam o transtorno. É importante salientar que a
psicoterapia utilizada isoladamente, traz poucos benefícios, quando comparada
ao uso concomitante de medicamentos. Corroborando com MATTOS (2015)
que diz não é aconselhável o uso da psicoterapia como alternativa ao uso de
medicamentos, e sim de forma conjugada, obtendo assim a possibilidade de se
alcançar os melhores resultados.

 Neurofeedback

O desenvolvimento tecnológico vem permitindo o surgimento das mais


avançadas técnicas de abordagem do funcionamento cerebral em um nível
nunca visto antes. Entre as mais modernas e promissoras tecnologias para
análise e modulação da mente, se destaca o Neurofeedback. O equipamento
de neurofeedback consegue detectar os padrões de ondas cerebrais e
redirecioná-los para otimização do equilíbrio e potenciais cerebrais.
Segundo MATTOS (ABDA, 2015), o neurofeedback consiste, de modo
resumido, no treinamento do indivíduo para que ele consiga usar
preferencialmente ondas cerebrais de um determinado tipo (as ondas cerebrais
possuem diferentes frequências; isto varia de acordo com a idade, o tipo de
tarefa que se está fazendo e em alguns casos com a presença de transtornos).
Este treinamento é realizado geralmente com videogames em computadores.
Usando eletrodos semelhantes àqueles usados quando se faz o exame de
Eletroencefalograma, o software “capta” as ondas cerebrais do indivíduo e
“transforma” num determinado aspecto do jogo. Embora já tenham sido
descritas algumas alterações no Eletroencefalograma de indivíduos com
TDAH, muitos indivíduos não apresentam qualquer alteração e elas também
não podem ser usadas para diagnóstico (que permanece sendo clínico, isto é,
sem a realização de exames complementares, como inúmeros outros
transtornos).
Um estudo recente do tipo meta-análise – que reúne os artigos publicados a
respeito de determinado assunto e os analisa rigorosamente de modo conjunto
– investigou a eficácia do neurofeedback no TDAH. O artigo é de autoria de
Edmund Sonuga-Barke e colaboradores, publicado no American Journal of
Psychiatry em 2013. Neste tipo de análise, levam-se em consideração
aspectos que podem influenciar os resultados: o pesquisador comparou o
tratamento com um placebo. Os autores demonstraram que o neurofeedback
traz realmente alguns benefícios no tratamento do TDAH, porém eles são
considerados bastante pequenos (isto é, a eficácia do tratamento existe, mas é
pequena). Os benefícios do neurofeedback foram considerados inferiores
àqueles obtidos com o tratamento farmacológico.

 Exame Neuropsicológico 
O exame neuropsicológico do portador de TDAH traz alguns benefícios ao
processo diagnóstico, apesar de não ser necessário para este, podendo
auxiliar o clínico em três questões fundamentais: (1) corroborar o diagnóstico;
(2) buscar explicações alternativas para os sintomas apresentados; e (3)
identificar condições comórbidas importantes de serem tratadas (Gordon e
Barkley, 1999). Além disso, ao espelhar dificuldades na condução da "vida
real", a avaliação neuropsicológica tem o potencial de antever ou detectar o
risco de tais dificuldades, criando as bases para um importante papel de
"aconselhamento" acadêmico, ocupacional e social.

Um estudo de revisão sistemática revelou que adultos com TDAH


comparados a controles normais apresentam comprometimentos
sutis em medidas de funções executivas, baixa velocidade de
processamento de informação complexa e déficits atentivos e de
aprendizado auditivo-verbal (Woods et al., 2002). Uma metanálise
integrando estudos empíricos que comparam adultos com TDAH a
controles normais em testes neuropsicológicos concluiu que atenção
complexa e memória verbal foram as funções que melhor
discriminaram os grupos (Schoechlin e Engel, 2005). Outro estudo de
metanálise comparando o funcionamento neuropsicológico executivo
e não-executivo entre adultos com TDAH e controles normais concluiu
que as dificuldades neuropsicológicas dos portadores de TDAH podem
estar presentes tanto no domínio executivo quanto no não-executivo
(Boonstra et al., 2005).

 Biederman et al.(2007) demonstraram que a utilização de um questionário que


avalia comportamentos associados a déficits de funções executivas pode ser
útil na identificação de portadores adultos com maiores chances de ter
comprometimento funcional.

Na avaliação neuropsicológica, a denominação FE (Função Executiva) é


utilizada para designar uma ampla variedade de funções cognitivas que
implicam: atenção, concentração, seletividade de estímulos, capacidade de
abstração, planejamento, flexibilidade de controle mental, autocontrole e
memória operacional (Spreen & Strauss, 1998). Inúmeros testes e baterias
neuropsicológicas têm sido empregados para avaliar as FE (Lezak, 1995).

Abaixo seguem alguns exemplos de testes padronizados e validados para


população brasileira úteis para avaliação das funções do Lobo Frontal :

 Escala Wechsler Abreviada de Inteligência - WASI

Objetivo: foi desenvolvida a fim de atender à necessidade de uma medida


breve de inteligência com propriedades psicométricas confiáveis para ser
utilizada em contextos clínicos e de pesquisa. O instrumento fornece os
tradicionais escores de QI Verbal, QI de execução e QI Total.

População: Indivíduos entre 6 e 89 anos de idade.


 Teste Wisconsin de Classificação de Cartas – WCST

Objetivo: é um teste de avaliação cognitiva, mais especificamente das


funções executivas, estimando a flexibilidade do pensamento do sujeito para
gerar estratégias de solução de problemas, com base no feedback do
examinador.

População: Indivíduos entre 6 e 89 anos de idade.

 Teste dos Cinco Dígitos – FDT

Objetivo: medir a velocidade de processamento, a atenção e as


funções executivas (subcomponentes controle inibitório e flexibilidade
cognitiva)
População: crianças (a partir dos 6 anos), adolescentes, adultos e
idosos.

 Teste de Atenção visual, 4ª edição – TAVIS 4

Objetivo: avaliação de funções atencionais por meio de três tarefas:


Seletividade, Alternãncia e Sustentação.

População: crianças de 6 anos, adolescentes de 17 anos e onze


meses de idade, com escolaridade de 1º ano do ensino fundamental ao 3º ano
do ensino médio.

 Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção – BPA

Objetivo: mensurar a capacidade geral de atenção, assim como realizar


uma avaliação individualizada de tipos de atenção específicos, quais
sejam, Atenção concentrada, Atenção Dividida e Atenção Alternada.

 Teste de Atenção Concentrada revisado -D2-R

Objetivo: é um teste de avaliação da atenção concentrada e pode ser


aplicado individualmente e coletivamente.
População: Indivíduos entre 7 a 76 anos de idade.

Escalas Psiquiátricas padronizadas e validadas para a população brasileira:

Para o diagnóstico do adulto é necessário ainda avaliar se existem


comorbidades (em especial Transtorno do Humor e de Ansiedade) e se elas
poderiam justificar os sintomas relatados, conforme exige o sistema DSM-5 .

Desta forma, para o diagnóstico de TDAH é recomendável o emprego de


escalas tais como:

MINI International Neurops ychyatric Interview (M.I.N.I) (Amorim, 2000): é uma


entrevista diagnóstica padronizada breve, compatível com os critérios do DSM-
5 e CID-10, para obtenção de diagnósticos de transtornos psiquiátricos atuais,
sendo muito útil na prática clínica.

Escala de Auto-Avaliação para Diagnóstico do Transtorno de Déficit de


Atenção/Hiperatividade em Adultos (Mattos, 2006) (do inglês “Adult Self-
Report Scale”) (ASRS): A escala ASRS foi desenvolvido por pesquisadores em
colaboração com a Organização Mundial de Saúde (Kessler, 2005), e possui
18 itens que contemplam os sintomas do critério A do DSM-5 modificados para
o contexto da vida adulta, uma vez que vários itens dizem respeito a
comportamentos próprios da infância ou da adolescência (por exemplo, "correr
e escalar").

Na proposta de um protocolo para avaliar o quadro clínico de TDAH,


devemos considerar que o diagnóstico de TDAH, mesmo na vida adulta, é
fundamentalmente clínico, e não há nenhum exame neuropsicológico e/ou
eletrofisiológico que seja capaz de identificar o transtorno. O que acontece é
que alguns instrumentos neuropsicológicos fornecem o funcionamento
neuropsicológico daquele paciente em questão. Este permite levantar a
maneira como o paciente lida com as suas funções cognitivas, quais fraquezas
e quais recursos cognitivos que possui para se criar estratégias a fim de
minimizar o impacto que este quadro clínico pode trazer. Muitos pacientes com
TDAH possuem um desempenho médio e próximo da média em diversos
testes. A situação de testagem é individual, sendo diferente da situação
rotineira, da sala de trabalho barulhenta, onde as pessoas conversam,
telefones tocam e há interrupções frequentes. Então é importante lembrar que,
mesmo se utilizando testes, estes não fazem o diagnóstico de TDAH. É de
extrema importância a anamnese do paciente, a história de vida, o início dos
sintomas, prejuízos relatados, dificuldades encontradas, interação no ambiente
familiar, social e no contexto de trabalho. Salienta-se, ainda, que a avaliação
neuropsicológica deve ser realizada por psicólogos especializados que saibam
interpretar os dados através de conhecimentos sobre as relações entre o
cérebro e comportamento.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com o levantamento bibliográfico realizado neste estudo,


observamos que há um consenso entre a comunidade científica a respeito dos
impactos funcionais no TDAH adulto, sobre as áreas cerebrais envolvidas nas
alterações causadas pelo transtorno, assim como a aceitação de que a
síndrome disexecutiva influencia nos comportamentos disfuncionais, nos
diferentes aspectos da vida social, acadêmica e profissional de seus
portadores, conforme visto nos capítulos acima.
Quanto ao diagnóstico no TDAH adulto, assim como no infantil, há também
a concordância sobre a importância da clínica, observância do histórico do
paciente e de preferência por uma equipe multidisciplinar, com conhecimentos
técnicos sobre o transtorno.
O tratamento do TDAH é feito basicamente com medicamentos e
psicoterapia, preferencialmente Terapia Cognitivo Comportamental. Alguns
autores citam o neurofeedback como uma técnica mais avançada para o
tratamento, embora seus efeitos sejam considerados inferiores quando
comparados à abordagem tradicional. Quanto ao exame neuropsicológico,
verificamos a existência também de um consenso entre os autores, que
ratificam a importância deste, não só no diagnóstico diferencial como também
na elucidação diagnóstica e na reabilitação.

Observamos que nos últimos 15 anos poucos achados se destacam com


abordagens novas a respeito do tema, talvez pelo fato do TDAH adulto ser
menos reconhecido, embora já seja compreendido como um fato existente
desde 1980. Ressaltamos a necessidade de estudos que explorem mais o
assunto, na busca de novos tratamentos e técnicas de manejo que auxiliem na
reabilitação de seus portadores, visto que os prejuízos podem causar impactos
em suas vidas e na economia do país.

Como o ambiente e a cultura podem influenciar no grau de gravidade da


apresentação do transtorno, é importante a ampla divulgação e a
psicoeducação junto aos ambientes familiar, acadêmico e profissional no
sentido de uma sensibilização a respeito de como reconhecer e de como lidar
com os portadores de TDAH, com o objetivo de facilitar o manejo dos prejuízos
funcionais, assim como os prejuízos relacionais.

O que de mais significativo pudemos observar foi o fato de que em toda a


pesquisa e revisão realizadas, não há, em nenhum aspecto, referências ao fato
de, principalmente em relação ao TDAH adulto considerado grave, nenhum tipo
de auxílio por parte das políticas públicas em relação ao seu futuro laborativo.
Devido aos impactos funcionais o portador, muitas vezes, não consegue
manter-se, provendo seu sustento e o de sua família, não recebendo nenhum
auxílio seja de caráter financeiro ou emocional. O que se tem, até o momento,
em relação a benefícios para esses portadores, é o tempo estendido (uma hora
a mais) em relação à provas realizas por estes e uma sala restrita a esses
alunos, como a que acontece no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). No
entanto esta foi uma decisão do próprio ENEM e não está pautada em uma
Legislação específica (PAGANELLI, RAQUEL, 2018 - DIVERSA). Em função
desta conduta, abriu-se um precedente para que algumas escolas e
universidades tenham aderido de forma espontânea a este modelo. Estes
portadores não são considerados “deficientes” e por esse motivo não são
protegidos por leis que os ampare, lhes restando os rótulos pejorativos que os
colocam a margem da sociedade e sem expectativas para o futuro.

Verificamos que está em tramitação no Senado Federal o Projeto de Lei nº


7.081, de 2010, elaborado conjuntamente com a ABDA e que determina ao
Poder Público manter programa de diagnóstico e tratamento de estudantes da
educação básica com TDAH e Dislexia, por intermédio de equipe
multidisciplinar, cujo objetivo é criar medidas que favoreçam crianças desde a
primeira infância. Entretanto não encontramos nenhuma citação a respeito de
criação de programas ou projetos de Lei que possam vir a beneficiar os
portadores adultos, o que se faz necessário diante dos prejuízos gerados,
sobretudo no âmbito acadêmico e profissional.

REFERÊNCIAS

American Psychiatric Association. (2013). DSM-5. Diagnostic and


statistical manual of mental disorders.

d) Investigar os estudos mais recentes, dos últimos 15 anos, que abordam


o tema TDAH Adulto;
e) Identificar quais os principais impactos funcionais presentes no
diagnóstico do TDAH Adulto.
f) Quais as principais intervenções na confirmação do diagnóstico para o
TDAH Adulto.

Você também pode gostar