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Sim, ao único e sábio Deus seja dada


Glória, por intermédio de Jesus
Cristo, para todo o sempre.
Amém!

Romanos 16: 27

Direitos Autorais Reservados.


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Ficha Técnica
Autora: Raissa Lorena Diniz de Sá.
raissalorenadiniz@gmail.com
Senhor do Bonfim- Bahia- Brasil.

Colaboração: Uálace Bruno Rocha Costa.


ualacebrcosta@hotmail.com

Produção independente da ESC Missões


E-Mail: escmissoes@gmail.com
Instagram: @escmissoes
Acompanhe-nos pelas redes sociais.

Direitos Autorais Reservados.


ISBN: 9781688083608
Selo editorial: Independently published

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Sumário

Apresentação 8
O que é a ESC Missões 9
Introdução 12
Como tudo começou? 14
Como a missão chegou até nós? 21
Qual é a tarefa hoje? 18
O mundo ainda não é cristão 24
O que é ser um missionário? 28
Por onde começar? 30
Como ter certeza do chamado? 34
Duas coisas importantíssimas 38
Missões locais 41
Missão Transcultural 44
Missões Urbanas 47
Missões Rurais 51
Cultura 53
Etodoxologia 56
Tolerância Religiosa 58
Missões Internacionais 61
Janela 10/40 65
Janela 4/14 68
Missões Indígenas 71
Missões entre os Quilombolas 77
Missões entre os Ribeirinhos 81

5
Missão entre os Ciganos 84
Missão entre os Sertanejos 86
Missão entre os Refugiados 89
Missão entre os Surdos 92
Missões entre os Extremamente Pobres e os 94
Extremamente Ricos
Missões em países de Primeiro Mundo 97
Como ir? 100
Para onde ir? 104
O que levar na mala? 107
Missões em curto e longo prazo 109
Tentmaker 112
O campo missionário 114
Como evangelizar 120
Quando o missionário também precisa ser 125
alcançado
O que falta para você ir? 129
Atos 29 132
Referências 134

6
Minha gratidão a Deus por não só me abençoar,
mas sempre me surpreender.
A todos que amo.
A todos que oraram.
A todos que me ajudaram.
A todos que nos acompanham na @escmissões.

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Apresentação
Olá missionário (a), seja bem-vindo (a) ao primeiro e-book da ESC Missões!

Saiba que esse material foi confeccionado com muito carinho e oração para que

você que deseja cumprir fielmente a ordenança do Mestre Jesus, esteja ainda mais

preparado para “ir a toda a terra, fazendo discípulos de todas as nações, batizando-
os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas

as coisas que Jesus nos tem mandado; sabendo que Ele está conosco todos os

dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28: 19,20)”.

Não temos aqui o desejo de esgotar os assuntos ou sermos referência em


missiologia, o objetivo é simples, queremos te incentivar a se preparar melhor e se

envolver com a missão. Nossa linguagem é comum, para que desde um

adolescente recém-cristão a uma renomada autoridade eclesiástica não tenha

dificuldade em entender o que pretendemos anunciar.


O grande diferencial desse material é que é uma missionária comum lançando

sobre as águas as reflexões, leituras, estudos, sermões e experiências do grande

campo missionário que é o dia-a-dia.

E ai, topa ir comigo nessa?

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O que é a ESC Missões?

Tudo começou com o forte desejo de cumprir a missão.


Após muitos anos trabalhando na igreja local, participando de serviços
voluntários, ministérios, escola de missões, me deparei com o momento de mudar
de cidade e voltar a conviver com pessoas que não tinham vivenciado algumas

experiências de incentivo a missão, as quais tinha tido a oportunidade de vivenciar.


Mesmo diante do pouco conhecimento sobre missiologia, ou a inexperiência com
missões internacionais entendi que o meu chamado naquele momento era para

“escola de missões”, quem sabe não pudesse contribuir com alguma coisa sobre
missão, enquanto eu mesma estava aprendendo? E daí surgiu à ideia de criar um
escola de missões, que não seria minha, mas de todos aqueles que quisessem trocar
experiências, materiais, contatos, e estudarmos juntos enquanto servimos nas

diferentes missões sobre a Terra.


A ESC Missões foi então criada em uma Rede Social, o Instagram que é
basicamente um aplicativo móvel gratuito para postagem de fotos, e que também

pode ser utilizado para interação, publicação de vídeos e textos de pessoas de todo
o mundo. A proposta de a escolar estar em uma rede social é exatamente para se
utilizar do espaço gratuito, com bom engajamento e de fácil acesso por parte de

adolescente, jovens e adultos como canal de compartilhamento de conteúdo


preparatórios e de incentivo ao envolvimento na missão, ação essa instruída por
Jesus em todos os evangelhos.
A escolha do nome “ESC Missões” se deu de forma bem inusitada, primeiro

confeccionamos a sigla para o perfil e depois buscamos um significado para ela.


Digo buscamos, porque depois da criação da conta na rede social foi a hora de
chamar um dos meus melhores amigos, colega de profissão e missionário, para ser

dupla missionária e tocar o barco desse projeto.


O significado escolhido para ESC foi o de “controle de direção e
estabilidade”, que já é uma sigla e significado existente no controle eletrônico de
estabilidade de automóveis, o “electronicstabilitycontrol”, responsável por
monitorar a trajetória dos veículos e, num desvio repentino, atuar individualmente
nos freios, acionando cada um deles na medida correta a fim de manter o veículo

9
sob controle e auxiliar o motorista no acerto da trajetória de curso. O sistema

presente em automóveis atua em conjunto com o freio ABS “Anti-lock Braking


System”, sistema de frenagem (travagem) que evita que as rodas se bloqueiem
(quando o pedal de freio é acionado fortemente) e entrem em derrapagem,
deixando o automóvel sem aderência à pista. Em outras palavras esse sistema ESC

trabalha em conjunto para evitar o descontrole do veículo, contribuindo para o


direcionamento e funcionamento correto do automóvel.
Enquanto escola de missões esse é o nosso desejo, contribuir através de um

trabalho em conjunto com Deus e as pessoas para que a obra do evangelho se


conclua, produzindo materiais, divulgando, incentivando jovens, crianças e
adolescentes a seguirem o caminho correto, dando suporte no que for possível a
outros missionários, não os limitando, ou sendo mais um daqueles que aumentam

o fardo e travam o trabalho, mas auxiliando para que o missionário tenha melhores
condições e algum apoio.
ESC também é uma sigla conhecida por ser um caractere de controle

tecnológico do código ASCII, que pode iniciar uma sequência de controle chamada
"Sequência de Escape", geralmente utilizado quando o sistema trava ou dá algo
errado e queremos fechar e sair de algum programa, janela no computador. Como
missionários queremos anunciar para esse mundo que existe uma tecla de escape

para o pecado, o sofrimento, a dor, e tudo de ruim que existe nesse mundo, nosso
escape é Jesus e é por isso que fazemos missões.
ESC Missões porque queremos dar suporte.
ESC Missões porque queremos contribuir para o equilíbrio.
ESC Missões porque queremos anunciar que existe saída.
ESC Missões porque nossa saída é Jesus e queremos fazer E

10
“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A
quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então
disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.”

Isaías 6: 8

11
O Inicio
Certa vez alguns gregos afeiçoados ao judaísmo viajaram com um grupo de judeus
para Jerusalém a fim de participarem da Festa da Páscoa. Chegando a Jerusalém, se
depararam com grande alvoroço, por toda a cidade ouviam-se comentários da chegada de
um jovem homem que vinha praticando uma série de milagres, dentre eles a ressureição
de um cara que já estava morto por cerca de quatro dias. Ouviram, pois também, que

grande recepção lhe fora ofertada, ramos de palmeiras, capas, véus, animais e muitas
aclamações fizeram parte da sua entrada em Jerusalém. Aqueles gregos, assim como
centenas de outros estrangeiros ficaram por demais curiosos para conhecer quem era esse

jovem homem tão poderoso. Até que alguém, de uma forma que desconhecemos chegou
até Felipe, um dos doze homens que mais andavam com Jesus, Felipe seria então a pessoa
que poderia facilitar a realização do tão desejado encontro dos gregos com o tão
comentado homem.

Felipe vendo aquela situação, e sabendo que muitos outros também queriam
conhecer Jesus, decidiu passar o fato para o seu irmão André, que também fazia parte do
grupo dos mais próximos do Messias. Agora em dupla, Felipe e seu irmão André se

dirigiram a Jesus e Lhe contaram que existia ali um grupo de gregos que queriam conhece-
Lo. Os versos seguintes de João 12: 20-36 não relatam o encontro de Jesus com os gregos,
mas revelam a felicidade de Cristo por observar que o Seu plano estava sendo realizado, o

Filho do Homem estava sendo glorificado e chegada era a hora em que Ele deveria morrer,
para que então os frutos do Seu sacrifício pudessem chegar a tantos outros.
Pode parecer complexo aos olhos de alguns, mas o nosso chamado é exatamente
para facilitarmos o acesso dos estrangeiros por conta do pecado, a Jesus. Assim como um

dia conhecemos a Jesus, passamos a andar com Ele e glorifica-Lo, muitos outros também
precisam conhecê-Lo. A humanidade necessita saber que a despeito do mal que afeta esse
mundo ainda existe uma possibilidade de perdão, salvação e vida.

Vida abundante, vida eterna.


Ser missionário é ser um facilitador do encontro da humanidade perdida com O
Deus Salvador.

12
"A menos que a Igreja seja mobilizada, o mundo
inteiro não poderá ser alcançado. Esta
mobilização só verá o resultado do seu esforço
tornar-se realidade se efetivamente existir uma
operação conjunta do Povo de Deus."

John Scott

13
Acreditamos que,
No princípio criou Deus o Céu e a Terra (Gênesis 1:1).
Deus criou o mundo e a humanidade para a Sua glória. Lemos em Isaías 43:6b-7:
"De longe tragam os meus filhos, e dos confins da terra as minhas filhas; todo o que é
chamado pelo meu nome, a quem criei para a minha glória, a quem formei e fiz".

Fomos criados a imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1: 27), e qual é o objetivo


de uma imagem? Uma imagem serve para apresentar um plano original, dar evidência, fazer
algo conhecido, representar. Podemos então dizer que fomos criados para sermos

representantes da glória de Deus, logo, cumprindo o plano original estamos dando glória
a Deus.
As coisas, no entanto, começaram a mudar no capítulo 3 do Gênesis, quando os
primeiros humanos criados, Adão e Eva, escolhem se afastar do plano original do Criador.

É importante entendemos que desde o início a proposta de relação estabelecida entre Deus
e a humanidade foi de um relacionamento amigável, amoroso, com base na obediência,
mas com direito a liberdade. Deus enquanto autoridade altíssima, não impôs a adoração
de forma arbitrária, egoísta e impositiva, mas proveu o direito de a humanidade demonstra
a sua vontade de permanecer em adoração a Ele através da possibilidade de escolha em
obedecer às ordenanças Divinas ou não.
A primeira ordenança foi: “E o SENHOR deu a seguinte ordem ao homem: Comerás
livremente o fruto de qualquer espécie de árvore que está no jardim; contudo, não comerás
da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comeres, com
toda a certeza morrerás!” (Gênesis 2: 16-17). O que estava em jogo aqui não era o fruto,

mas a fé, a confiança, e a escolha em se colocar sob a direção e obediência a Deus.


Satanás que tinha sido um anjo querubim, chamado de Lúcifer, um dos anjos mais
importantes do Céu, criado também com o direito da liberdade de escolha em adorar ao
Deus Criador, ou de rebelar-se contra a maior Autoridade do Universo, passou a se orgulhar

demais de quem era, transferindo a adoração que deveria ser endereçada a Deus para ele
mesmo, se orgulhando da sua fama, sabedoria e beleza, o que acabou tornando-lhe um
pecador (Isaías 14:13-14). Esse “ex- anjo de Luz”, agora conhecido por adotar uma postura

de inimigo de Deus, decidiu disseminar o engano no coração da recém-criada humanidade


com o objetivo de atrapalhar a relação do homem com Deus, se apoderando de um animal
foi em direção à primeira mulher, Eva quando essa passeava pelo jardim.

14
O objetivo de Satanás foi de atingir a Deus, disseminando a dúvida e levando a

humanidade à desobediência, já que juntamente com a ordem apresentada pelo Criador a


Suas criaturas, vinham também severas consequências.
“Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha
feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do

jardim?” “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos,
e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a
seu marido, e ele comeu com ela. Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram

que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” (Gênesis 3: 1-2,
6-7).
Eis a grande queda da humanidade!
Não foi o sexo o grande pecado como muitos afirmam por ai. O pecado foi a

descrença e desobediência daquilo que Deus disse. Eva só precisava agir com fé, ela tinha
sido advertida quanto ao que deveria fazer, mas ainda assim escolheu acreditar naquilo que
não era a Voz de Deus.

A mulher foi enganada por Satanás.


Adão por sua vez, vendo o danoso feito da sua companheira que tinha comido do
fruto proibido por Deus, escolheu ser coparticipante no ato da desobediência de Eva. Adão
amava a primeira mulher, ele se lembrava das palavras do Criador sobre a árvore “porque

no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Genesis 2:17), e apesar de não conhecer
a dureza da morte, ele conhecia o que era viver sem Eva, o que era olhar para os cantos e
não encontrar alguém que lhe fosse igual.
Adão amou mais a Eva do que a Deus, “se Eva comeu eu também vou comer”.
Ambos desobedeceram.
Como toda a Palavra do Senhor é fiel e verdadeira (Salmos 33:4) as consequências
logo apareceram. A humanidade perdeu aquilo que de mais importante poderiam ter, uma

relação intima, pura, amorosa, direta e sincera com o Deus Criador. Os olhos até então
puros e santos de Adão e Eva, se tornaram pálidos e opacos pelo pecado. As mãos macias
e cheirosas passaram a ter que lidar com os espinhos e cardos que tornavam árido o

trabalho. Sentimentos negativos, até então nunca sentidos, passaram a envolver uma mente
que foi criada para ser santa, elástica e tão cheia de sabedoria. As células do Adão, da Eva,
das flores, dos animais, e de tudo aquilo que tinha vida eterna, passaram a conhecer a
morte. E quão triste deve ter sido ver o primeiro cachorrinho morrer, as flores murcharem
e despencarem dos caules. Deve ter sido muito triste ver a vida se esvair.

15
O que nem a humanidade nem Satanás contavam, era que isso em nada pegou de

surpresa o Altíssimo Deus. Aquele que não conhece nem adiantamento nem tardança,
ainda mantinha o vasto Universo sob o Seu controle.
“Mas fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como de Cordeiro sem mácula ou
defeito algum, conhecido, de fato, antes da criação do mundo, porém revelado nestes

últimos tempos em vosso favor” (1 Pedro 1:19).


Cristo, o Verbo de Deus, já estava desde antes da fundação do mundo pronto para
morrer em resgate pela humanidade. Sabe quando Paulo escreve aos Romanos que estava

“convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem
o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa
na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso
Senhor” (Romanos 8:38-39)?

Pois então, nada é capaz de nos separar do amor de Deus se estivermos desejosos de
permanecer ao lado Dele.
Aquele Deus Criador, Amoroso e Amigo e que sempre visitava o primeiro casal ao

entardecer, sempre manteve os Seus olhos fixos em nós, e um dia decidiu nos visitar
pessoalmente, tornando-se criatura tocou a terra com os Seus próprios pés e resolveu de
uma vez por todas o problema da separação pelo pecado.
Se um dia a morte entrou no mundo por Adão, em outro dia, a morte e o pecado

foram vencidos por Cristo Jesus.

16
"Porque Deus tanto amou o mundo que deu o
seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle
crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.

João 3: 16

17
Como a missão chegou até nós?

Ao Deus enviar o Seu Filho para morrer por nós Ele se tornou assim o primeiro

missionário.
O Deus Pai Missionário enviou o seu único Filho para morrer pela humanidade
perdida.

O Deus Filho Missionário desce a Terra, vive como um humano, em um modelo de


corpo que está a milhares de anos sendo afetado pelo pecado, e sem qualquer pecado
morre para libertar o pecador.
Logo depois, Deus Pai Missionário e Deus Filho Missionário enviam o Espírito Santo

Missionário para habitar dentro do pecador e regenera-lo.


Isso é missão!
Jesus se fez homem, habitou entre nós, exerceu um ministério público de anuncio

e ensino da vontade de Deus, se ofereceu como oferta e sacrifício para pagar os nossos
pecados, ressuscitou e nos entregou a tarefa de irmos por todo o mundo anunciando quem
Ele É, o que Ele fez e o que Ele vai fazer em favor da humanidade. Entenda, a missão de
Cristo nos beneficia.
Cristo, desde a Sua infância vivia uma vida de adoração. O mesmo foi dedicado a
Deus ainda criança, frequentava os cultos na sinagoga, ia com seus pais e conterrâneos em
peregrinação para os festejos anuais, obedecia à lei de Deus, vivia em contato com a

natureza e passava longos períodos em oração. Aos trinta anos Jesus começou a exercer o
Seu ministério público (Lucas 3:23). O início da Sua atividade pública foi marcada com o
Seu batismo nas águas do Jordão, feito por João Batista (Mateus 3:13-17) e pela escolha
dos Seus companheiros de trabalho, atividade essa que foi realizada com muita oração

(Lucas 6:12-16).
O fato é que a missão chegou até nós por meio de Jesus.
A missão surge no coração da Trindade, é executada por ela e se estende até nós

de forma extremamente graciosa.


Somos então chamados para sermos coparticipantes através da transmissão da
graça recebida a outros seres semelhantes a nós.

18
Cristo Jesus antes de voltar para o céu chamou os seus seguidores e pessoalmente

entregou a tarefa:

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome


do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as

coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos.” Amém! (Mateus 28:19,20)

Eis ai a explicação de como essa missão chegou até nós, Jesus nos entregou. Fomos
chamados para participarmos junto com o Criador do Universo do plano da salvação de
uma humanidade caída. Recebemos o remédio gratuito e junto a ele uma tarefa de
anunciarmos aos demais doentes onde podem também encontrar a cura. Recebemos de

graça e de graça devemos anunciar a graça. Graça essa que muito custou para Deus.

Se Deus Pai é Missionário, se Deus Filho é Missionário e se o Deus Espírito Santo é

Missionário, logo, como eu e você não seríamos missionários?

19
“De cem homens, um lerá a Bíblia, noventa e
nove lerão o cristão.”

Dwight L. Moody

20
O que devemos fazer então?

Você já ouviu falar de John Henry Dunant?


Dunant, como era mais conhecido, foi um jovem visionário que desde cedo se
interessou e se engajou em causas voluntárias e movimentos espirituais. Nascido em uma
família de classe média alta, de grande influência calvinista, desfrutava de muitos privilégios
que tinha acesso devido à posição econômica e social dos seus pais, grandes
influenciadores no seu ingresso na carreira de banqueiro e economista.
Em 1859, John Dunant foi enviado por uma companhia bancária suíça aos Alpes,

onde Napoleão II estava em guerra contra o exercício austríaco, com o objetivo de


conseguir autorização de Napoleão II para a realização de uma operação financeira na
Argélia. O que Dunant não esperava era que chegando lá fosse ser tremendamente
impactado com a carnificina produzida por aquele confronto. Diante daquela guerra,

Dunant não fez outra coisa a não ser trabalhar incansavelmente como voluntário, servindo
os feridos, colocando-os em macas, fazendo bandagens improvisadas, e trabalhando no
que lhe era possível naquele momento. A partir daquela experiência, Dunant não conseguiu

mais voltar para o banco e decidiu dedicar a sua vida viajando por toda a Europa apelando
pela paz. John Henry Dunant fundou o que conhecemos como a "Cruz Vermelha
Internacional", organização responsável por uma ajuda humanitária incalculável.
Em meio a sua grande dedicação pelas causas sociais Dunant perdeu todos os seus

bens materiais, suas empresas faliram, e com a saúde debilitada passou os últimos 18 anos
de sua vida em uma casa de saúde local. No fim dos seus dias John Henry Dunant ganhou
o Prêmio Nobel da Paz, sendo reconhecido internacionalmente como alguém que

encontrou seu chamado e lugar na vida. Alguém que tinha uma causa pela qual viver e
morrer. Um homem que não conseguiu se ajustar a causas pequenas e fez a sua existência
valer a pena.
Há quem olhe para a vida de Dunant e só consiga enxergar os bens que ele perdeu,

mas somente na Eternidade entenderemos que os maiores investimentos de Dunant foram


para uma vida celestial.
A tarefa hoje continua sendo a mesma entregue a Abraão, Isaque, Jacó, José, os
israelitas enquanto povo, os discípulos enquanto grupo, e a igreja enquanto corpo:

21
“Ser representantes de Deus na terra através da adoração a Deus e obediência aos

Seus mandamentos”.
Também vivemos em um contexto de guerra, guerra espiritual que tem levado
milhares a descerem a tumbas sem ter esperança em algo além dessa vida. Na lei de Deus
aprendemos que precisamos “amar a Deus sobre todas as coisas e amarmos ao nosso

próximo como a nós mesmos” (Mateus 22, 37-39), isso nos leva a entender que a tarefa a
ser desempenhada hoje envolve todas as atitudes que demonstrem nosso amor ao
Soberano Deus e o amor de Deus ao nosso semelhante. É durante o processo de amarmos

aos outros que somos restaurados em amor, discipulando somos também discipulados, e
assim Cristo usa o Seu poder para nos moldar.
O Pai celeste poderia usar os anjos para espalhar as boas-novas da salvação, mas
escolheu confiar aos humanos pecadores essa tarefa muitíssimo importante. Assim,

enquanto trabalhamos para Jesus, aprendemos mais sobre seu amor, cuidado e proteção.
Porém, não se engane pensando que somos escolhidos para essa tarefa pelos nossos
talentos ou méritos, somos antes escolhidos por misericórdia.

Aquele que se envolve na missão vai sendo aculturado ao céu pela constante
contemplação da face de Cristo.
A missão existe para nos salvar enquanto buscamos outros para serem salvos.
Jesus disse-lhe:” Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua

alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo,


semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22: 37-39).
A missão é antes de tudo um resgate. Ser coparticipante na missão de Deus em
reconduzir a humanidade a uma atmosfera celestial. O cristão missionário entende que o
relacionamento mais importante da vida é antes de tudo com Deus, pois somente com uma
intimidade com o Pai ele estará apto a mostrar Seu amor ao mundo. Depois disso, temos a
missão de reconectar outras pessoas com o Eterno sendo uma testemunha do amor Dele.

A missão para a qual fomos chamados é a de nos tornarmos fonte a jorrar da graça
de Deus.
A tarefa não foi distribuída somente para alguns, mas para todos os filhos nascidos

no Reino de Deus.
A missão também é pra você!

22
"Quando Jesus diz: "Vinde"
- Ele vem nos encontrar.
Quando Ele diz: "Ide"
- Ele vai conosco."

Walter B. Knight

23
O cristianismo atualmente é considerado a maior religião do mundo, com cerca de

2,18 bilhões de adeptos segundo dados do Instituto de Pesquisa PewResearch Center que
é um centro de pesquisas norte-americano dedicado ao estudo de diversos temas de
impacto regional e global. Em outras palavras 2,18 bilhões de pessoas representam de

forma demográfica 33% da população mundial. Dizer, no entanto, que somos 33% da
população mundial, é também dizermos que existem 67% da humanidade que não se
denomina cristã, isso é muito mais que a metade do mundo, ou seja, de cada três pessoas,
duas não são cristãs.

Primeiro ponto: não estamos dizendo que 33% da população são de Deus, e as
outras não 67% não, ou que 33% da população está salva e as 67% estão perdidas.
Não mesmo! Salvação é algo que quem resolve é Deus.

Segundo ponto: também não estamos dizendo que só 33% da população ouviu
falar sobre Jesus e as outras 67% nunca ouviram de Jesus, muito pelo contrário, muitos já
ouviram, mas são adeptos de outras religiões, ou foram apresentadas ao cristianismo e não
gostaram, tem uma ideia ruim sobre religião, ou desconhecem o que é de fato é o
cristianismo.
O que quero dizer aqui é que sim, somos a maior religião do mundo, mas isso diz
respeito apenas a comparação estatística com outras religiões, não é motivo para nos

orgulharmos e pensarmos que somos grandes e que está tudo certo.


Não, ainda temos muito a fazer.
Ao pensarmos sobre esses 33% ainda precisamos dividi-lo em três ramificações:
católicos com 51,4% dos fiéis, os evangélicos 36%, e os ortodoxos que somam 12,6%.

Quando refletimos a luz da Palavra de Deus sobre os princípios doutrinários que


encontramos nessas ramificações, entendemos que nem todos esses que "se consideram
cristãos" estão vivendo conforme os ensinamentos de Cristo, o que agrava ainda mais a

nossa problemática, fazendo com que a tarefa da evangelização precise ser desenvolvida
entre não cristãos e também entre já cristãos, assim como também ocorreu com a igreja
primitiva ao se dedicarem na pregação do evangelho entre judeus e não judeus.

Ainda segundo informações do instituto PewResearch Center publicado em


pesquisa de 2015 e atualizado em 2017, o islamismo que possui em torno de 1,6 bilhões

24
de adeptos em torno do mundo é hoje a religião que mais cresce e em um ritmo mais

acelerado, o fato se dá principalmente por questões socioculturais que envolvem a tanto a


taxa de fertilidade dos países praticantes do Islamismo que é mais alta, ou seja, as famílias
islâmicas tem mais filhos que as famílias dos países cristãos, quanto pelo fato da limitação
estatal da liberdade de expressão no tocante religioso, o que impede a migração da

população desses países para outras religiões.


No que se refere a outras práticas religiosas encontramos ainda o Hinduísmo que é
a terceira maior religião estando baseada nos textos vedas, e abrange seitas e variações

monoteístas e politeístas sem um corpo único de doutrinas ou escrituras, possuindo mais


de 900 milhões de fiéis. Seguindo a lista encontramos a “Religião tradicional chinesa”, que
é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e
tradições filosóficas praticadas na China, que envolvem mais de 400 milhões de adeptos, o

que representa 6% da população mundial e é considerada como a quarta maior religião do


mundo. Logo depois vem o Budismo doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta
Gautama e grandemente difundida na região oriental do mundo com cerca de 376 milhões

de fiéis, onde só no Japão os fiéis representam 71,4% da população.


Seguido encontramos o Sikhismo que é uma religião indiana e monoteísta que
segue apresentando 20 milhões de adeptos; seguida pelo Judaísmo com aproximadamente
15 milhões de adeptos e o espiritismo, que mesmo não sendo considerada uma religião

oficial entra na lista dos oito maiores grupos religioso do mundo com cerca de mais de 13
milhões de adeptos, sendo no Brasil que encontramos a maior comunidade espírita do
mundo: 1,3% da população do país.
No Brasil, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
em 2010 sobre a declaração dos brasileiros quando a religião ou a não religião, revelam
que 86,8% da população brasileira se considera cristã, dessas 64,6% são católicos, fazendo
com que ainda hoje o Brasil seja considerado o país com maior número de católicos do

mundo apesar da redução da ordem de 1,7 milhão de fiéis, o que significa um encolhimento
de 12,2% nos últimos anos. O IBGE apresenta à hipótese que em 30 anos a quantidade de
fiéis católicos e protestantes no Brasil será a mesma.

Endente agora porque não podemos nos acomodar?

A guerra já foi ganha por Cristo Jesus na cruz do calvário, mas ainda existem
batalhas espirituais a serem lutadas antes de chegarmos aos dias de glória. Ceticismo,

25
relativismo, inumeráveis religiões, a idolatria, paixões carnais e a adoração ao ego têm sido

utilizados como táticas de Satanás impedir a religação do homem, com Deus.


Nosso objetivo enquanto missionários não é nos prendermos a números, mas
semearmos sabendo que uma parte da semente cairá à beira do caminho, outras serão
comidas pelas aves, outra parte ainda acabará nos lugares pedregosos, onde não há muita

terra e logo nasce, porque a terra não é profunda e quando saí o sol, queima-se, e porque
não tem raiz, seca-se. Outra cai entre os espinhos, e os espinhos crescem e a sufocam. Outra
cai na boa terra e essa dará fruto, para a gloria de Deus e havendo grãos que rendem a

cem, outros sessenta, outros trinta (Mateus 13:1-9).


“Porque é o Espírito Santo de Deus quem convence do pecado da justiça e do juízo,
nosso papel, porém, é semear em tempo e fora de tempo” (2 Timóteo 4:2).
O mundo ainda não é Cristão.

Ainda há muito a se fazer.


Ide.

26
"A minha paróquia é o mundo".
João Wesley

27
O que é ser um missionário?

O termo "missionário" deriva do latim e tem o mesmo sentido do termo "apóstolo"

que quer dizer: enviado.


No Dicionário da Língua Portuguesa a palavra missionário significa "pregador de
missão cristã". É uma palavra que em geral busca definir uma pessoa comissionada, enviada

com alguns encargos, especialmente deveres religiosos. Equivale ao mesmo que


mensageiro.
Ser missionário é ser um mensageiro do evangelho de Jesus, levando outros a
conhecer a Deus, a sacrifício de Cristo na Cruz, Sua Palavra e Seus mandamentos,

ensinando-os a praticar toda boa obra e aguardar a segunda vinda de Cristo.


Para isso o missionário deve utilizar-se do conhecimento de Deus, Sua Palavra e da
experiência prática de relacionamento com Ele para que assim por meio de seu exemplo de

vida, atitudes, ações e palavras outros sejam alcançados.


Precisamos lembrar que a ordem de evangelização dada por Jesus Cristo em Mateus
28:19-20 foi entregue a todos os crentes, e a todos aqueles que pertencem ao povo de
Deus. De tal forma que participar da missão de evangelização não é privilégio de alguns,
mas responsabilidade de todos, indo, enviando, orando e ofertando.
Nem todos irão para nações distantes, falarão outras línguas, ou simplesmente
viverão como estrangeiro para alcançar alguns. Dentro da obra missionária, assim como

apresentado por Paulo em 1Coríntios 12:12-28 existem diferentes dons, diferentes


atividades, diferentes chamados para atividades específicas, mas a missão continua sendo
uma só.
Todos possuem como cristãos o dever de fazer Cristo e Sua mensagem conhecidos.

Pois: "Todo verdadeiro discípulo nasce no Reino de Deus como um missionário"


Ellen G. White.

28
“Cada coração com Cristo é um missionário, e
cada coração sem Cristo é um campo
missionário.”
Dick Hills

29
Por onde Começar?

Comece onde você está.


Se você consegue contar para alguém o que Cristo fez na sua vida, você consegue
ser um missionário. Se você consegue dar uma oferta para missões você consegue ser
missionário, se você sabe orar por missões você consegue ser um missionário.

“1. Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.


2. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos

sepulcros ao seu encontro.


3. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo
com correntes;
4. pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara
as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte
para dominá-lo.
5. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e

nas colinas.
6. Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele
7. e gritou em alta voz: "Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-
te por Deus que não me atormentes!"

8. Pois Jesus lhe tinha dito: "Saia deste homem, espírito imundo!"
9. Então Jesus lhe perguntou: "Qual é o seu nome?"
"Meu nome é Legião", respondeu ele, "porque somos muitos."

10. E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região.
11. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima.
12. Os demônios imploraram a Jesus: "Manda-nos para os porcos, para que
entremos neles."

13. Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A
manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar,
e nele se afogou.

30
14. Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos

campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.


15. Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da
legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo.
16. Os que estavam presentes contaram ao povo o que acontecera ao

endemoninhado e falaram também sobre os porcos.


17. Então o povo começou a suplicar a Jesus que saísse do território deles.
18 . Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera

endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.


19. Jesus não o permitiu, mas disse: "Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes
quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você".
20. Então, aquele homem se foi e começou a anunciar em Decápolis o quanto Jesus

tinha feito por ele. Todos ficavam admirados (Marcos 5).

Aquele homem que antes era um endemoninhado e se tornou uma criatura liberta

por Jesus, sentiu-se tão constrangido e grato por tamanha graça da salvação que quis ir
embora com Jesus. No entanto, Jesus ordenou-lhe que retornasse para o seu próprio povo
e anunciasse o quanto o Senhor tinha feito por ele. Não sabemos se aquele homem sabia
ler, provavelmente não, talvez ele tivesse pouco ou nenhum conhecimento sobre as leis dos

profetas. Entretanto, aquele homem foi feito um missionário por Cristo, logo após receber
Dele a salvação.
Aquele homem tinha uma mensagem, o seu sermão era sobre os poucos minutos

que ele tinha se encontrado com Jesus e que fizeram a sua vida não ser mais a mesma.
Lembra-se da Mulher Samaritana em João 4? Quando ela saiu do seu encontro com
Jesus a mulher já saiu pregando: “E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele,
pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito. Indo, pois, ter

com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos
mais creram nele, por causa da sua palavra” (João 4:39-41).
Lembra também daquela outra mulher que escolheu dividir aquilo que tinha com

Eliseu só porque ele era profeta servindo e ajudando no sustento e manutenção da obra:
“Sucedeu também um dia que, indo Eliseu a Suném, havia ali uma mulher importante, a
qual o reteve para comer pão; e sucedeu que todas as vezes que passava por ali entrava
para comer pão” (2 Reis 4:8).

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A Bíblia nos apresenta que “muitos são os dons e as tarefas na atividade missionária,

mas um só é o Espírito que move e une a missão” (1Co 12:4).


Comece onde você está!
Comece falando para as pessoas que estão próximas a você as maravilhas que
Cristo fez na sua vida. Fale o que você sabe.

Toda caminhada começa com um primeiro passo. Inicie e busque o crescimento em


graça e com toda certeza o Senhor te aperfeiçoará.
Se você não consegue ser missionário no lugar em que está dificilmente o será do

outro lado do mundo. Seremos além-mar o que somos em casa.


Então inicie em Jerusalém o que você quer ser na Judéia e em Samaria.
Se envolver na missão é ir a um crescente que parte dos mais próximos para os mais
distantes.

Para os discípulos a missão era ir mostrar como viver o evangelho e fazer com que
entendessem de fato o amor de Deus que eles já conheciam de andar com Jesus.
Nossa Judéia e Samaria hoje são as grandes cidades, países secularizados, lugares onde o

cristianismo já teve influência, mas perdeu o foco.


A missão é mostrar que o centro do cristianismo é Cristo e como Ele pode modificar
a vida de alguém se assim a pessoa desejar. Ore por isso, seja um intercessor, seja um
missionário.

32
"Missiólogos mostrarão o caminho, mas apenas
homens cheios do Espirito Santo alcançarão a
Terra."
Ronaldo Lidório

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Como ter certeza do chamado?

Somos então chamados para servir com aquilo que fomos agraciados.
Abençoados para abençoar.

Curados para Curar.


Servidos para sermos servos.
Muitos possuem uma imagem um tanto mística, alegórica e até mesmo idealizada

com relação ao que é ser um missionário.


Tem gente que imagina o missionário como alguém perfeito, envolto em uma áurea
de luz e atmosfera impecável.
Missionários continuam sendo pessoas comuns, com desejos, sonhos, medos,

tendências pecaminosas, vivendo dia a dia as demandas de um processo de santificação.


Só seremos perfeitos na glorificação, após a volta de Jesus. Até lá, meus amigos teremos
que lutar, trabalharmos para pagar contas, nos esforçarmos para aperfeiçoarmos as nossas
habilidades e buscarmos cada vez mais sabedoria.
Sim, missionários casam!
Quem fez o casamento foi Deus, e Ele não nos fez para vivermos sós. O Senhor É o
maior interessado em nossa felicidade, acreditem. Não é porque Paulo não casou que todos
os missionários não devem casar.
Missionários estudam. Você pode ser muito útil na obra com a sua profissão.
Quando mais conhecimento você tiver, mais conhecimento você poderá usar para glória de

Deus. Paulo por falar vários idiomas e ter diferentes cidadanias foi agraciado com várias
portas abertas, ele conhecia sobre cultura, teologia, filosofia, e ainda assim era humilde ao
ponto de reconhecer que tudo era de Deus e devia ser usado para Ele. Moisés, José, Daniel,
Neemias e tantos outros usaram sua profissão e cargos para exercerem forte influência

sobre a sociedade.
Existe um chamado geral desde o início da história para que todos os seres viventes
se unam em adoração a Deus. Isso pode ser observado através do plano de Deus em separar

um povo para ser um povo santo, nação separada com leis, adoração e estilo de vida
diferenciado, de modo a servir de testemunhas para o alcance e influência das nações
circunvizinhas.

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O plano de Deus não era favoritismo com os israelitas, mas sim levantar uma luz em

meio à escuridão. Sendo assim o cuidado especial de Deus com os israelitas era uma
amostra do que as outras nações poderiam vivenciar se também se colocassem sob o
governo do Senhor. Essa tarefa no Novo Testamento foi reapresentada aos discípulos de
Cristo, e posteriormente a igreja após o pentecoste em Atos 2.

Existe um chamado geral na história para todos, e em meio ao chamado geral houve
e ainda existem chamados específicos.
Deus chamou Abraão, preparou Moisés, ungiu Davi, capacitou Débora, buscou

Gideão, ambos para missões especiais alguns trabalhos específicos. O chamado específico
pode exigir de nós a atuação com um grupo determinado, requerendo que se transponham
barreiras geográficas, linguísticas, sociais, históricas, culturais, econômicas, ideológicas,
religiosas e até mesmo físicas. Mas você só entenderá que tem um chamado específico se

antes atender ao chamado geral de ser discípulo e discipulador.


Sophia Muller, missionária americana que serviu ao Senhor no ministério
transcultural por mais de 40 na Amazônia Brasileira evangelizando em especial duas tribos:

Curipaco e Baniwa, disse certa feita:


“Jamais tive um chamado. Li uma ordem e obedeci”.
Ao conhecer a Cristo em uma Praça em Nova Iorque, por meio de um pregador de
rua que falava de Jesus, ela se converteu derramando-se na presença do Senhor e recebeu

um chamado para fazer diferença na Terra, chamado esse que está escrito na Bíblia desde
que a Bíblia é Bíblia.
Por volta de 1949, Sophia Müller disse: “eu quero ser missionária”.
A partir do momento em que somos discipulados, recebemos também a tarefa de
sermos discipuladores. Não precisamos ficar esperando que um anjo visite a nossa casa e
nos ordene ir para algum lugar. A Palavra do Senhor é clara e verdadeira, e pregar o
evangelho é uma ordem de Jesus.

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome


do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as

coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até
à consumação do século. (Mateus 28.18-20).

Nós cristãos por vezes somos muito místicos. Só acreditamos que Deus falou
conosco se houver fogo do Céu, terremoto, sonho da irmã que é o ícone da oração na

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igreja, clarão de anjos com trombetas na madrugada, e por ai vai. Esquecemo-nos de que

o meio oficial dado por Deus para se comunicar conosco em nosso tempo, é a Bíblia.
O Senhor falou por meio de uma nuvem no passado? Falou.
Ele pode falar através de uma nuvem hoje? Pode sim!
A questão aqui não é quanto Deus pode, afinal Ele é Deus e Deus pode se comunicar

conosco através do meio que Ele quiser. O que queremos relembrar, no entanto, é que Ele
nos deu a Bíblia, e a Bíblia é o principal meio, e o mais seguro, de comunicação com Deus.
Ore, abra a Bíblia, leia com atenção e dê tempo para o Espirito Santo falar com você.

Faça disso um hábito e você vai ver como Deus vai te ensinar a ouvi-Lo.
Mais uma vez: chamado não tem a ver com sentimento, chamado tem a ver com
obediência ao que Jesus disse.
Uma coisa é certa: a menos que a Bíblia esteja errada, você tem sim um chamado

para pregar o evangelho.


Chamado diz respeito à fé e ao relacionamento com Deus.
Chamado é processo, é o fruto das suas orações e conversas com Deus, é a

orientação do Espírito Santo para sua vida.


Quem faz o chamado não é um pastor, líder ou apóstolo, quem faz o chamado é
Deus.
Acredite o chamado já está feito, prontinho lá na Bíblia.

Ide.

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Somente quando a Igreja cumpre sua obrigação
missionária é que justifica a sua existência.

Autor Desconhecido

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Duas coisas importantíssimas

A primeira coisa é: Não existe missão sem o Espírito Santo.

E como ter o Espirito Santo na vida? O primeiro caminho é através da oração.


Em Lucas 6:12 e 13 nós lemos:
"Naquela ocasião Jesus subiu um monte para orar e passou a noite orando a Deus.

Quando amanheceu, chamou os seus discípulos e escolheu doze deles. E deu o nome de
apóstolos a estes doze."
Jesus passou a madrugada orando antes de realizar publicamente uma ação
importantíssima, a escolha da primeira equipe humana do Seu ministério público. Essa não

foi a primeira vez que Jesus passou a madrugada orando. Se você estudar a vida de Jesus
vai perceber que isso Lhe era um hábito, hábito esse que é enfatizado pelos escritores dos
evangelhos antes de todas as vezes que Cristo realizava algo de grande importância. A

oração era algo normal na vida Jesus. É importante lembrarmos que Cristo não só morreu
por nós, mas viveu 33 anos nos dando exemplos de como é a melhor maneira de se viver.
Ore. A oração é forma mais íntima e pura que temos para nós relacionar com Deus.
Todos podem orar, basta apenas dirigir os nossos pensamentos e palavras a Deus, com
respeito e sinceridade de coração e Ele sempre ouvirá. Deus sabe do que precisamos antes
mesmo de pedir. Mas quando oramos colocamos Deus como Soberano da nossa vida.
Quando oramos, nós adoramos.

Quando oramos, conectamos a terra com o céu.


Quando oramos, recebemos poder.
Quando oramos a atmosfera mais poderosa do Universo nos envolve.
Não existe ninguém mais poderoso que o Deus do céu, Aquele que ouve as nossas

orações.
Não se preocupe se as orações não estão passando do teto, saiba que Deus está
logo ao lado. O teto não é nada diante dos ouvidos amorosos Dele.

Ore. Orar é o início e o meio de fazer a missão.


Ore todos os dias por pessoas que você quer ver no céu.
Ore por seus familiares e amigos.
Ore também por desconhecidos, por pessoas de países distantes que você não
conhece, mas sabe que existem e que ainda precisam conhecer e se entregar a Jesus.

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Ore para que o Senhor envie mais trabalhadores para os campos, ore para que você

seja um deles. Ore por aqueles que estão hoje no campo na linha de frente da batalha. Ore,
em todo o tempo e fora de tempo. Oração nunca é demais!
A segunda coisa mais importante é: Estude a Bíblia.
Se você fizer um levantamento dos seus erros e acertos na vida cristã, descobrirá

que eles estão relacionados com sua distância ou proximidade da palavra de Deus. As
escrituras nos foram dadas, dentre outras razões, para nos orientar e curar.
João Crisóstomo, um dos grandes homens do cristianismo nos primeiros séculos,

observou que, assim como nosso corpo, o corpo de Cristo, a igreja, está sujeito a muitas
enfermidades. Remédios, dietas apropriadas, clima adequado e adequado repouso ajudam
a restaurar nossa saúde física.
Mas como podemos ser espiritualmente curados se estivermos enfermos?

Ele respondeu: "- O único meio e a única cura nos foram dados, e esse é o estudo da Palavra.
Esse é o melhor instrumento, a melhor dieta, o melhor clima; ela está no lugar do remédio
e da cirurgia; quer ela seja necessária para anestesiar ou amputar, esse método deve ser

utilizado; sem a Palavra nada mais dá qualquer resultado."


Não sabe por onde começar?
Comece orando e lendo a Bíblia.
Não sabe o que fazer? Ore e leia a Bíblia.

Está com medo? Ore e leia a Bíblia.


Não sabe como ajudar alguém? Oração e leitura da Bíblia.
Quer obter poder para a viver a missão? Ore e leia a Bíblia.

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“Somente quando a Igreja cumpre sua obrigação
missionária é que justifica a sua existência.”

Autor Desconhecido

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Missões locais

Atualmente a maioria dos missionários vive em cotidiano comum, rotina comum,

trabalhando, cuidando da casa e da família, sendo luz em “Jerusalém”.


Quem está fazendo missão transcultural e internacional é mais missionário do que
quem está fazendo missão em seu lugar de origem? Não, só que precisamos entender uma

coisa, “AS MISSÕES LOCAIS NÃO SUBSTITUEM AS MISSÕES TRANSCULTURAIS E


INTERNACIONAIS”. Tem muitas pessoas que acham que estão fazendo missões em suas
igrejas de origem, mas no fundo não estão, vivem pescando no aquário, só cuidando de
programações internas, se alimentando, enquanto lá fora tem um mundo perecendo.

Aqueles que não vão para outros grupos sociais e nações, mesmo que estejam
envolvidos em atividades evangelísticas locais necessitam estar envolvidos também com as
missões além-mar.

As missões locais são todas aquelas atividades evangelísticas desenvolvidas ao


redor do seu local de origem e essas podem ser das mais variadas. Quando falamos de
missões, estamos falando daquilo que nós humanos fazemos, os métodos e tarefas que
encontramos para executarmos a tarefa dada por Deus e isso requer intencionalidade. Os
apóstolos que fizeram o nome de Cristo conhecido e contribuíram para o crescimento da
igreja e pregação do evangelho não foram somente aqueles que saíram de Jerusalém,
muitos ficaram, porém não se acomodaram. O negócio não é só viver sua vida esperando

que através do seu testemunho alguém se interesse por Jesus, ou sinta o desejo de entrar
em sua igreja. É preciso muito mais que isso, é preciso abrir a boca e falar, sermões, Bíblia,
atitudes.
Você que nunca se envolveu com a missão, já se perguntou se a lógica de pertencer

a uma igreja é só para ir aos cultos, se encontrar com os irmãos, fazer uma atividade social
aqui outra ali e pronto?
Voltemos aos Atos dos Apóstolos, vejamos a vida da igreja cristã primitiva, veja o

sentido da vida de Paulo, Timóteo, Dorcas, Pedro, João, Tiago, Estevão. Parece que os seus
corações pulsavam ao som da: “Missão, missão, missão... ão, ão, ão...”.
O foco sempre foi conhecer a Jesus e fazer esse Jesus conhecido por todos. Uns
pregavam, outros puxavam os cânticos, alguns eram responsáveis pelo preparo do
alimento, enquanto que outros ficavam com a parte de distribuir, tinha a coleta das ofertas,
a visitação dos idosos, viúvas e órfãos, cuidados com as crianças, cultos nas casas, orações

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no templo, batismos, cura dos enfermos, evangelização nas praças, na escadaria do templo,

na beira do mar, no deserto, uma infinidade de serviços que evidenciava que o negócio
deles era Jesus.
Missões locais naquela época não era um departamento da igreja, mas o sentido
de ser igreja. Acredite, missão é missão em qualquer lugar.

Não é o lugar que te faz um missionário, é a sua relação com Deus. Mas é preciso
fazer alguma coisa pelas nações e confins da terra.
Os discípulos conheciam Jesus pessoalmente, eles amavam o seu amigo Jesus, eles

queriam rever o seu líder e se para isso precisavam pregar, sim, eles estavam dispostos a
darem a sua vida em prol da pregação, porque essa era a vontade de Deus e porque
fazendo isso eles adiantariam o reencontro com o seu Mestre amado.
Como seus vizinhos conhecem sua igreja? Ou melhor, seus vizinhos sabem sobre

sua igreja? As pessoas que moram na comunidade em torno ao templo falam o quê sobre
a congregação? Elas já participaram de algum culto, congresso, atividade social?
Você pode estar se perguntando o porquê de tantas perguntas, mas a resposta é

bem simples: A igreja precisa ser relevante para a comunidade em que está inserida. Se a
igreja não está sendo relevante ela não está cumprindo o papel para a qual foi chamada.
Se o templo da sua igreja tivesse que mudar para outro bairro, será que os vizinhos
sentiriam falta ao ponto de protestarem, se organizarem para questionarem a saída e pedir

para que fiquem ou não abandonem a comunidade?


Jesus em Seu primeiro sermão público (Mateus 5), Ele diz que temos que ser sal e
luz. O sal conserva as propriedades, o sal realça o sabor, o sal é marcante, não passa
despercebido, o sal é útil. E a luz? A luz é extremamente necessária, nos faz enxergar o
caminho, nos orienta, mostra a entrada e a saída, a luz aquece, luz é vida.
Se o sal perde o sabor não conserva mais, deixa de ser útil, vira pó, levado pelo
vento e sem utilidade, passa despercebido. Se a luz fica debaixo da cama, escondida, sem

cumprir o seu papel de brilhar, torna-se inútil, podendo superaquecer o local em que está
devido ao calor de seus raios concentrado em um só lugar e daí fazer fogo, queimar a cama,
destruir o ambiente, o que leva ao invés de servir causar um problemão.

Jesus enquanto homem trabalhou, serviu, amou, curou, pregou, ouviu, tocou vidas
e Sua vida tão relevante nos transforma até hoje. Os cristãos são os que caminham com
Cristo e são parecidos com Ele.

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“Muitos crentes consagrados jamais atingirão os
campos missionários com os seus próprios pés,
mas poderão alcança-los com os seus joelhos.”
Adoniram Judson

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Missão Transcultural

Para entendermos o que significa missão transcultural vamos então buscar

explicação na etimologia da palavra onde o prefixo “trans”, no termo transcultural possui o


significado de situação ou ação para além; e o cultural refere-se à cultura, que também
podemos definir como um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais,

aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade. Transcultural seria então


estar para além da cultura ou o que perpassa duas culturas (ou mais), tornando-se
intercultural.
Missões transculturais é uma resposta de obediência e amor a Deus, ao transpassar

as fronteiras culturais, aprender outras línguas, adotar novos padrões, alimentação e estilo
de vida só para fazer Deus e Seu método de Salvação.
Jesus foi o primeiro missionário transcultural, e isso tanto se refere ao fato de que

Ele deixou a cultura celestial para habitar em forma humana, como também ao fato de viver
pregando a diferentes culturas, nações e línguas.
A missão transcultural não novidade do Novo Testamento, mas já no tempo de
Abraão o trabalho era realizado através da vida nômade do profeta, que ia de lugar em
lugar levantando altares ao Altíssimo Deus, e essas, após a mudança do patriarca tornavam-
se instrumentos de evangelização dos povos que até então não conheciam a Deus, mas
passavam a também adora ao Deus de Abraão nos altares de herança deixados pelo pai da

fé.
Foi missão transcultural quando a família de José foi levada até o Egito e fizeram
conhecido um Deus único.
Foi missão transcultural quando Deus alguns israelitas ainda que levados a Babilônia

como castigo pelos seus pecados permaneciam fiéis a Deus e despertavam em outros a
admiração pelo Grande-Poderoso.
Muitos, no entanto, confundem missão transcultural com missão internacional, não

considerando o fato que se a evangelização ocorre entre pessoas com culturas diferentes
mesmo morando dentro do mesmo país, é missão transcultural. Transcultural diz respeito
a diferentes formas de vida e cultura e não propriamente a localização geográfica. Digo isso
porque várias pessoas afirmam querer fazer missões transculturais, mas afirmam não ter
condições de irem para outros países, enquanto no Brasil encontramos populações
tradicionais com culturas completamente diferentes da praticada pela maior parte da

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sociedade brasileira, como a exemplo temos a população cigana em mais de 500mil

pessoas, segundo o Censo IBGE 2010 o Brasil possui registrado 240 diferentes povos
indígenas, que se somam mais de 800mil pessoas vivendo em zona urbana e sua maior
parte em zona rural.
Além das comunidades tradicionais brasileiras a população de imigrantes no Brasil

ultrapassa as 300mil pessoas. Temos em nosso país a representação de mais de 100 nações,
dentre elas 27 países dos quais não há liberdade para a pregação do evangelho, 60 deles
localizados na Janela 10x40, e pouco tem sido feito para a evangelização desses povos, a

maior parte dessa população encontra-se sem assistência social ou políticas públicas
voltadas para suas especificidades, o que nos abre portas através do atendimento de suas
necessidades para a evangelização. Sem contar que o contato com as pessoas aqui dentro
do país pode ser uma ponte para alcançar os seus familiares ao redor do mundo.

É possível, só precisamos abrir os nossos olhos.

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"Apoiar um trabalho missionário é um grande
desafio aceito apenas por aqueles que são
portadores de uma grande visão.”
Olinto de Oliveira.

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Missões Urbanas
A urbanização é um fenômeno ligado ao crescimento populacional e territorial das
cidades, o que tem sido crescente nas últimas décadas. Estudos apontam que mais de dois

terços da população mundial devem viver em cidades até 2050, o que é equivalente a dizer
que de cada 10 pessoas 7 morarão em centros urbanos.
São inúmeros os fatores que estão relacionados com o rápido crescimento

populacional das cidades, que vão desde a busca por melhores condições de infraestrutura
oferecidas nas áreas urbanas, à industrialização, busca por melhores condições econômicas,
emprego, saúde, educação, violência no campo que causa a desocupação forçada da
população rural em nome do desenvolvimento econômico, catástrofes naturais, dentro

vários outros motivos.


A questão é que assim como um organismo é mais que um grupo de órgãos, assim
também a cidade é mais que um aglomerado de casas e pessoas. O conjunto passa a ter

um ritmo e expressão próprios capaz de influenciar as pessoas e ser modificado pelos


hábitos delas. E assim cada cidade vai estabelecendo sua pulsação rítmica.
Atualmente em vários locais do mundo encontramos muitas cidades em ritmos
acelerados, pessoas amedrontadas pela violência e preocupadas com a subsistência.

Prédios fechados, muros altos, cercas elétricas, muitos sofrendo com a solidão em meio a
muitas pessoas, insensibilidade, descrença, nervos à flor da pele, tudo necessita ser rápido,
barato e se possível descartável. Muitos são vítimas das desigualdades sociais, falta de

planejamento e infraestrutura das cidades e vivem de forma marginalizada.


Nas cidades grandes encontramos o desafio do relacionamento humano, que acaba
setorizando a população em grupos similares seja pelos interesses ou pelas questões
econômicas fenômeno que em 1985 o sociólogo francês Michel Maffesoli nomeou como

“tribos urbanas”, ou seja, grupos de pessoas moradoras de áreas urbanas que se unem por
compartilharem entre si interesses, ideologias e estilo de vida semelhante o que acaba
gerando uma identidade e um senso de pertença. Esses grupos acabam criando uma
espécie de “subculturas” ou “subsociedades”, formado em sua maioria por jovens e
adolescentes, e que pode ser visto de forma evidente nas grandes metrópoles.
Se você já leu alguma obra do famoso sociólogo polonês Zygmunt Bauman
certamente deve ter se deparado com os seguintes termos: Mixofobia e Mixofilia. Bauman
foi um qualificado investigador do mundo moderno e pós-moderno, refletindo sobre suas

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contradições, possibilidades e frustrações, além de buscar alertar a sociedade sobre os

riscos de uma vida baseada no consumo e na liquidez que ao mesmo tempo pode
transformar as relações.
Segundo Bauman, a tendência da vida global é a aglomeração populacional nos
grandes centros por apresentar maiores possibilidades de desenvolvimento. Porém, seriam

nas grandes cidades onde “ferveriam os problemas”. A cidade grande seria sinônimo de
felicidade e medo, riqueza e pobreza, desenvolvimento e risco, a verdadeira pluralidade em
todas as áreas.

Diante desse rico volume de formas e cores da vila global, Bauman sublinha que
tem sido comum o estranhamento e o distanciamento entre as pessoas. A mixofobia é
exatamente esse medo de se relacionar com o estrangeiro, o estrangeiro traria riscos, medo
de se relacionar com o desconhecido, de estar em ambientes públicos com pessoas que

não se tem identificação, enquanto a mixofilia é exatamente o prazer em estar em um


ambiente diferente e estimulante, onde com o novo e no estrangeiro estaria o prazer.
Nas cidades grandes nós conseguimos observar de forma mais clara que estamos

vivendo de fato uma pós-modernidade, época em que as pessoas se tornaram mais críticas
e céticas na política, nas artes, nas teorias filosóficas e na religião, o que acaba levando a
viverem não só uma pós-modernidade, mas também a acreditarem em uma pós-verdade.
A Oxford Dictionaries, departamento da universidade de Oxford responsável pela

elaboração de dicionários, e que geralmente elege uma palavra como a palavra do ano para
a língua inglesa, elegeu em 2016 o neologismo “pós-verdade” (“post-truth”) como o termo
que mais cresceu em uso, cerca de 2.000% em 2016, desde que foi usado pela primeira vez
em 1992, pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich. Pós-verdade seria então um bom
substantivo para se definir o pensamento político e social da população atual, onde os fatos
concretos e objetivos teriam iguais ou menos influência para determinar a opinião pública
do que os apelos emocionais e as crenças pessoais.

Na pós-verdade os fatos objetivos são ignorados, e como afirmou Nietzsche "não


há fatos, apenas versões", a busca pela verdade é desvalorizada e passa a dá lugar a
ideologias que podem ter enunciados contraditórios, origem arbitrária, subjetiva e até falaz,

o tempo da “Fake News”. As notícias falsas no período pós-verdade possuem o mesmo


peso da verdade ou até maior e isso ocorre porque a sociedade tem atualmente dado
preferência a teorias que mexa com seus sentidos e tenha um apelo emocional do que uma
verdade objetiva.

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Para nós missionários que pregamos uma verdade absoluta, um Deus Único e

relacional, a Bíblia como única regra de fé, pregar em uma sociedade urbana, relativista,
setorizada, pós-moderna e que evidencia viver na pós-verdade se torna um grande desafio.
Paulo alertou a Timóteo que esse tempo chegaria e o aconselhou: "Pois virá o tempo em
que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo

os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. Eles se recusarão a dar ouvidos
à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os
sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério.”

(2Timóteo 4:3 e 4).


Como pessoas com mixofobia poderiam ser abrir para ouvir um estranho ou aceitar
um convite para ir a uma congregação? Para a batalha da evangelização nas grandes
cidades precisamos então redescobrir o sentido da vida em comunidade, da compaixão e

do cuidado.
Quando o assunto é missões urbanas o desafio e também tarefa, precisamos ser
relevantes socialmente e puramente bíblicos, possuindo o Espírito Santo, se adaptando ao

que pode ser adaptado, e levantando a bandeira do evangelho acima de qualquer outra
bandeira. Enquanto igreja, precisamos buscar, ou criar condições que façam com que o
evangelho chegue tanto no apartamento do trigésimo quarto andar do condômino de luxo
ao último barraco da comunidade regida pelo tráfico sem perder a essência.

49
“Cada coração com Cristo é um missionário, e
cada coração sem Cristo é um campo
missionário.”

Dick Hills

50
Missões Rurais

Apesar do grande crescimento populacional urbano nas cidades brasileiras, uma


pesquisa apoiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário calculou que 36% da
população brasileira é rural. Quando partimos para os dados mundiais encontramos no
relatório da ONU sobre a população mundial, traduzido e editado pelo Centro Regional de
Informações das Nações Unidas- UNRIC que apesar da população rural a nível mundial tem
crescido lentamente desde 1950, é ainda esperado um aumento até 2020.
A população rural global é atualmente, cerca de 3.4 mil milhões e prevê-se um

declínio de 3,1 mil milhões em 2050. Mesmo a África e a Ásia estarem a urbanizar-se
rapidamente, estas regiões continuam a ser o lar de aproximadamente 90 por cento da
população rural mundial. A Índia tem o maior número de população rural com 857 milhões,
seguida da China com 635 milhões.

O fato é que: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no
meio deles” (Mateus 18:20). Não importa se em uma cidade grande ou em uma roça, o
evangelho precisa chegar a todas as pessoas.

Os desafios rurais são imensos e eles estão ligados principalmente ao alto custo
com deslocamento, falta de recursos para a manutenção de ações no campo e pouca
disponibilidade de pessoas para irem a essas regiões distantes.
Nas zonas rurais dos países encontramos pedidos de ajuda calados pela distância

da população e envoltos nas calamidades e baixa qualidade de vida.


Nossa missão é fazer o evangelho chegar em todas as casas, e isso envolve aquelas
casinhas lá atrás das serras, sem energia elétrica, sinal de celular ou acesso ao livros.

As cidades clamam e os campos também.

51
“E dizia-lhes: Na verdade, a seara é grande, mas
os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao
Senhor da seara que mande trabalhadores para a
sua seara.”

Lucas 10:2

52
Cultura

Estudar sobre cultura é uma necessidade de todo missionário.


A Palavra do Senhor nos diz: “Examinai tudo. Retende o bem.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Não existe ser humano sem cultura, apesar de algumas pessoas até utilizarem essa
expressão “sem cultura” como termo pejorativo. O fato é que todos os indivíduos racionais
estão ligados e envoltos em algum sistema de crenças e significados, que nos diferenciam
enquanto povos ou grupos étnicos.

Quer conhecer alguém? Invista tempo conhecendo a sua história, aptidões, forma
de interação humana, gostos, padrões de comportamento, condições econômicas, relações
de poder, sistema político, condições biológicas e quais ou o quanto de significado se dá

para cada coisa.


Conhecer os detalhes potencializa os nossos esforços e tentativas evangelísticas.
Nos ensina a discernir quais as melhores estratégias a serem utilizadas com cada grupo,
pessoa e seguimento social.

A primeira dica para estudar ao se estudar cultura é: Entenda que todos somos
diferentes apesar de sermos iguais. Somos iguais enquanto humanos, somos iguais em
direitos, no amor e graça de Deus, mas diferentes em nossos pensamentos,

comportamentos, gostos, estilo de vida e dezenas de outras coisas. Não espere que todas
as pessoas gostem do que você gosta. Não é em todos os locais do mundo que as pessoas
vestem jeans, comem feijão e arroz e gostam de brigadeiros. Isso pode ser a coisa mais
natural do mundo para alguns, mas para outros não, e entender que o outro pode e tem

padrões diferentes, e que está tudo bem, é o primeiro grande desafio e necessidade
humana.
A segunda dica é: Saiba que os seus padrões só serão os melhores para você porque

eles são os seus padrões. Não existe melhor sensação do que voltar para o lugar que você
chama de lar. Parece que a nossa língua é a mais fácil, que a alimentação do nosso país, ou
estado é a mais gostosa, que a comida da nossa mãe tem sempre o melhor tempero, e isso
acontece com quase todo mundo, ou seja, o que é seu para você sempre será o melhor. E

precisamos estar muito alertas com relação a isso quando estivermos nos relacionando com
pessoas de culturas diferentes da nossa porque as nossas atitudes podem abrir portas, mas

53
podem também fecha-las. Cuidado para não quere impor gostos pessoais, sendo assim por

demais etnocêntrico, ou seja, pensar que a sua cultura e os padrões estão no centro do
mundo e eles são os melhores sempre, devendo ser assim para todos.
A terceira dica é: Aprenda a se adaptar. Adaptação não é uma tarefa simples, até
porque permanecer na zona de conforto é sempre mais fácil. Mas saiba que o centro do

universo não está em nossas mãos, os desafios acontecem, as diferenças existem e saber
lidar com elas é um diferencial muito valorizado e que traz até uma maior qualidade de
vida. Precisamos lembrar que adaptações na nossa evangelização serão necessárias muitas

vezes a depender da cultura e público com o qual estaremos trabalhando. Isso não significa
que mudaremos a mensagem, não, a mensagem é a mesma, os princípios são os mesmos,
a imutável Palavra do Senhor, mas assim como Jesus precisou falar através de parábolas
para que o público agrícola e iletrado para o qual Ele falava na época pudesse melhor

entender a mensagem, assim muitas vezes precisaremos fazer.


O nosso objetivo enquanto missionários não é a ocidentalização do mundo, o
“abrasileiramento”, ou qualquer outra forma de querer difundir os gostos culturais. Existe o

que é evangelho e existe o que é cultural, mesmo dentro da igreja.


O objetivo é a mensagem do evangelho. É preciso avaliar a cultura de acordo com
os padrões do evangelho, mudando o que a Palavra do Senhor permite ser mudado,
adaptando o que pode ser adaptado e permanecendo sempre com aquilo que Deus diz

que não muda de forma alguma, independente da cultura ou padrões etnológicos.


Estude, busque, leia, ore, e vá!

54
“Os cristãos são o povo do livro, isto é, da
biblioteca de 66 livros conhecida como a BÍBLIA.
A inspiração divina desta obra múltipla a eleva
para a sua posição e fundamento inabalável da fé
cristã."
Dr. Shedd

55
Etnodoxologia

Que palavrão!

Etnodoxologia é o estudo teológico e antropológico de como cada comunidade


cultural pode utilizar as suas expressões artísticas para a adoração do Deus vivo revelado
na Bíblia Sagrada. Dessa forma os etnodoxologistas estudam como os povos ao redor do
mundo adoram a Deus e incentivam a adoração a Deus através das expressões artísticas
comuns aquela comunidade.
Essa abordagem não é uma prática nova, ainda no século V patrícios e missionários
entre os celtas já valorizavam as artes locais como instrumentos de adoração ao Deus

verdadeiro. Entretanto o termo Etnodoxologia surgiu a partir da “etnomusicologia”, que é


uma disciplina que estuda a música inserida nas diversas culturas do mundo, envolvendo
além da música, a antropologia, sociologia, filosofia e outras formas de arte dentro do seu

contexto cultural.
A importância da etnodoxologia para a missão é que o missionário quando chegar
numa comunidade remota no Oeste da África, ou numa tribo Indígena na Amazônia para
evangelizar ele não vai ensinar a queimar todos os instrumentos musicais até então

utilizados, e começar a condenar todos os rituais praticados pelo simples fato de estarem
ligados a práticas não cristãs, e ensinar a cantar hinos euro-americanos traduzidos, como
muitos já fizeram na história e acabaram limitando o crescimento do Reino de Deus. Mas

um missionário devidamente preparado irá buscar conhecer a comunidade e suas artes;


definir os alvos que ele quer alcançar para o Reino; selecionar conteúdos, gêneros, rituais,
práticas, estudar sua origem, significado e função, daí então estimular criativamente a
comunidade a se utilizar dos elementos que forem possíveis, para o entendimento das

boas-novas, pregação a outros do próprio povo e ainda para o louvor e engrandecimento


de Deus.
Foi isso que Jesus fez, Conservar a individualidade sem comprometer a coletividade

é viver em unidade sem precisar de uniformidade.


Os costumes são variáveis, os princípios não.

56
“Deus tinha um único Filho e fez dele um
missionário.”

David Livingstone

57
Tolerância Religiosa

O respeito é o princípio do amor.


O respeito ao outro, a sua forma de vida e a sua escolha religiosa traz benefícios
para todos.
Respeitar a religião do outro significa aceita-la ou confirma-la como a correta? Não.
Respeitar a expressão religiosa das outras pessoas significa que temos sabedoria ao
concordarmos com a garantia do direito de todos em ir e vir e abrir portas de
relacionamento através da empatia.

Deus nunca foi impositivo, violento ou nos obrigou a aceitar o evangelho a força.
Antes, nos deu a liberdade de O aceitarmos ou não. É claro que cada escolha traz consigo
as suas consequências e que também pregamos uma verdade única, um Deus único, um
único caminho. Não queremos em nada minimizar as consequências do pecado ou alargar

a porta que continua estreita. Mas o que quero dizer é: A evangelização precisa ocorrer em
um ambiente de liberdade. Deus não quer que as pessoas o aceitem por medo, mas por
amor, de forma racional entendendo que essa é a melhor escolha que podem fazer na vida.

Do contrário não faz sentido servi-Lo.


Precisamos lutar pela garantia da liberdade de expressão se queremos ter a mesma
liberdade e o direito em fazer um culto em uma praça pública, pregarmos de porta em
porta, ou de abrirmos novas igrejas em novos bairros. O que significa que quando não for

o nosso evento que estiver acontecendo na praça não teremos que sair colocando fogo nas
pessoas, ou lutando para que a polícia as apreenda. Quem foi que deu mesmo o princípio
de fazer ao apenas outro o que queremos que façam conosco?

Nossa luta não é contra pessoas, nossa luta é contra forças espirituais. Nossas armas
não devem ser as armas humanas se os nossos inimigos são espirituais, logo elas deverão
ser armas espirituais. A história já está por demais manchada de sangue pela imposição
política da adoração a Deus através da força. As pessoas necessitam ter a liberdade de

escolher ao qual Deus elas vão servir. Foi isso que Deus quis fazer quando colocou uma
árvore no meio do Jardim do Éden, um teste sobre adoração, se Adão e Eva quisessem
continuar ao lado de Deus eles obedeceriam e não comeriam da árvore, se eles não
quisessem eles comeriam da árvore e viveriam as consequências do pecado, consequências
essas que estamos vivenciando até hoje. Mas graças a Deus que Ele justo e misericordioso

58
e tinha um plano para lidar com tudo isso, e esse plano foi à redenção através de Jesus. E é

por isso que temos que pregar, para que todos saibam que possuem o direito de escolher
entre a vida e a morte.
O fanatismo não é o melhor caminho para a igreja, ao contrário aqueles que são
fanáticos pensam tanto estar ao lado de Deus que não percebem o quanto se distanciaram

Dele. O fanatismo é um estado psicológico de fervor excessivo, que leva pessoas a


irracionalidade, agressividade, preconceitos variados, ódio, individualismo, rigidez e falta de
domínio próprio. Existem os fanáticos pelo seguimento da lei, mas também existem os

fanáticos pela liberdade, existem os fanáticos pela direita, e existem os fanáticos pela
esquerda, o fanatismo não existe em apenas um lado, mas pode ser manifestado em
qualquer mente independente de qual seja a natureza da sua paixão. O diferencial é sempre
o equilíbrio e não o exagero.

No Brasil temos na legislação brasileira, dispositivos que condenam a discriminação


religiosa. Temos a lei federal 7.716, que foi alterada pela lei 9.459, o artigo 208 do código
penal que diz: "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função

religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar


publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena - detenção, de um mês a um ano, ou
multa." Parágrafo único - "Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço,
sem prejuízo da correspondente à violência.".

Antes de qualquer legislação humana o povo de Deus tem a lei da Palavra do Eterno
que nos orienta como e quando agir. O Espirito Santo que deve nos mover e habitar em
nós produz os frutos da paciência, sabedoria, longanimidade, domínio próprio,
transformando-nos conforme o padrão do céu.
Jesus nunca se utilizou da força da espada ou política para nos impor o seu Reino,
o estabelecimento do Reino dos Céus na terra ocorreu através da Sua submissão a Deus e
do cumprimento de princípios espirituais que trazem frutos até hoje.

Do que as pessoas tem medo quando tiram do outro a direito de escolha?


Medo da negação? Deus não tem esse medo. Ele quer um filho que O sirva porque
conhece quem Ele É e não porque é obrigado.

Enquanto isso nosso papel é continuar pregando.

59
“Portanto vão e façam discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer
tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre
com vocês até o fim dos tempos.”

Mateus 28: 19, 20

60
Missões Internacionais

No estereótipo popular quando se fala em missões o que vem na cabeça de muitas


pessoas é um indivíduo nômade que deixa a sua casa, sua família, seu trabalho, seus bens

e parte para o estrangeiro a fim de evangelizar.


Para quem vive no Brasil e não teve a experiência de sair e ir para outros países ou
regiões onde não se tem presença cristã, ou essa presença é mínima, fica até difícil imaginar

um local onde as pessoas não conhecem Jesus, ou não sabem sobre Deus, afinal vivemos
em um país cristão e por aqui é muito fácil encontrarmos uma igreja.
Mas sim, essa realidade existe.
Já imaginou se o apostolo Paulo fosse colocado em nossos dias, que susto ele

levaria? Talvez a primeira coisa que ele perguntasse fosse:


“- Quando foi que perdemos o foco de enviar missionários para outras nações?
Quando foi que as igrejas locais diminuíram os seus esforços para enviarem ofertas, apoio
e sustento para quem não tem?
Quando foi que o nosso foco deixou de ser a proclamação do Reino de Deus no mundo a
fora e passou a ser os nossos cultos nas igrejas locais?
Quando foi que os irmãos perderam a alegria de receber os estrangeiros e viajantes homens

de Deus que escolheram dedicar a sua vida para cumprirem a ordenança do Senhor?
Quando foi que os nossos jovens perderam a coragem de se lançarem rumo ao
desconhecido em prol do Reino?

Quando foi que os nossos anciãos deixaram de incentiva-los?”.


Infelizmente vemos hoje que aquilo que deveria ser uma rotina se tornou a exceção.
Missões se tornou um departamento de muitas igreja, quando na verdade deveria ser o

foco central de todas as atividades, o próprio motivo de ser. Muitas denominações tem
terceirizado o envio dos mensageiros para as agências missionárias, que possuem grande
importância, mas acabam fazendo o trabalho que deveria ser de toda a igreja: o envio,
apoio e manutenção dos missionários.

É preciso lembrar ainda que qualquer trabalho que buscarmos fazer irá requerer de
nós algum recurso. Vivemos em um sistema capitalista onde tudo se torna cada dia mais
caro. Missão envolve dinheiro e como dizia Harry Ironside: “Os missionários nunca são

61
pedintes. Eles são embaixadores, que nos dão a oportunidade de nos tornarmos seus

parceiros, através da oferta de nosso dinheiro, enquanto eles oferecem suas vidas”.
A Bíblia relata que quando os israelitas foram edificar a tenda sagrada sabe o que
aconteceu: “Então toda a comunidade dos filhos de Israel retirou-se da presença de Moisés,
e todos que estavam dispostos, cujo coração generosamente os motivou a doar, trouxeram

uma oferta ao SENHOR, para a obra da Tenda do Encontro, para todos os seus serviços,
bem como para as vestimentas sagradas. Todas as pessoas que se dispuseram, tanto
homens como mulheres, trouxeram joias de ouro de todos os tipos: broches, brincos, anéis,

braceletes e ornamentos variados; e apresentaram seus objetos de ouro como oferta

ritualmente dedicada perante Yahweh.… (Êxodo 35: 20-22). Eles estavam com o coração
grato, e doavam como oferta de adoração ao Senhor, e eles doaram, doaram tanto, que foi

preciso que a liderança local pedisse que eles parassem de trazer ofertas naquele momento
porque eles já tinham tudo que precisavam para a edificação da tenda do Senhor.
Salmo 24:1 diz: “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que
nele vivem”. Tudo pertence ao Senhor e deve ser utilizado para a Sua glória! Um jovem

nunca deveria ter que fazer rifas, eventos, vaquinhas ou bazar para ter que ir para o campo
missionário, pagar um treinamento em uma escola de missões ou para manter-se em uma
base missionária. Deus dá a igreja tudo que precisa. O que falta são aqueles que recebem

as dádivas do Senhor e entendem que foram abençoados para serem bênçãos. Receberam
para doar.
Não somos de nós mesmos, o nossa vida não é nossa, o nossa casa não é nossa, os
nossos bens não são nossos, os nossos filhos não são nossos. Somos mordomos, herdeiros,
despenseiros do Senhor, tudo é Dele.
Não existe igreja pobre ´por fazer missão, existe igreja pobre por não fazer missão.
Sabemos que o evangelho são boas novas de salvação, mas essa boa nova só será

boa nova se chegar a tempo. Lemos em Oséias 4:6 “Meu povo foi destruído por falta de
conhecimento.”
Temos a Bíblia, igrejas, músicos, instrumentos, livros, tecnologia, formas de
captação de recurso, internet, televisão, rádio, impressoras, carros, aviões, barcos,

financiamentos, ônibus, voz e vida, somos milhões de cristãos em todo o mundo o que nos
falta para terminarmos a obra de pregação do evangelho?
O que seria tão mais importante nessa vida do que irmos embora desse mundo

mau para morarmos para sempre em uma terra perfeita com o Senhor da Glória e todos os
nossos amados?

62
O que é que vale mais ao ponto de dedicamos os nossos esforços e a nossa vida,

bem mais que a missão de Cristo?


O mundo perece por falta de conhecimento.

63
"Não existe igreja pobre que não possa fazer
missões. Existe igreja pobre, por não fazer
missões.”

Pr. José Alves dos Santos

64
Janela 10/40

Se você é um missionário provavelmente já deve der ouvido falar na “Janela 10/40”.


Esse termo foi criado por Luis Bush e Doris Bush em 1990 para se referir a uma região do
mundo onde se concentra os maiores índices de pobreza, baixa qualidade de vida e menor

acesso ao Cristianismo.
Luis Bush é um argentino cristão que foi criado no Brasil, formou-se em economia,
e após a sua formação dedicou-se ao ramo dos negócios por um tempo até entender que

o maior negócio para o qual ele poderia dedicar a sua vida era a salvação de almas para o
Reino de Deus. Luis decidiu ir para um seminário teológico e, logo após a sua formatura
juntamente com a sua esposa Doris passaram a liderar um movimento de missões chamado
“COMIBAM da América latina”, e mais tarde serviu como diretor geral de “Parceiros

Internacionais”, uma organização que buscava articulações que corroborassem para o


crescimento de comunidades cristãs, em regiões majoritariamente não cristãs.
Até a década de oitenta a região localizada no hemisfério oriental, marcada aos
graus 10 e 40 acima da linha do Equador, o que engloba o norte da África, o Oriente Médio
e a maioria dos países da Ásia, países dominados pelo islamismo, hinduísmo e budismo,
era uma área conhecida como o “cinto resistente”. Luis Bush dedicava-se a estudar essa
região juntamente com Pete Holzmann, que é atualmente um consultor em tecnologia da

informação para líderes cristãos em missões, e em um dos seus estudos se reuniram com
um líder da equipe de desenvolvimento do primeiro PC baseado em GIS software, estes
analisaram o mapa da área e perceberam que a região entre 10 e 40 graus de latitude norte,

que na época englobava em torno de 56 países, se assemelhava a uma caixa retangular, o


que os levou a chamarem o desenho do mapeamento de “caixa 10/40”. Algumas semanas
depois, Bush e sua esposa Doris resolveram mudar o nome de “caixa 10/40” para “janela de

oportunidades”. No entanto, muitos missiólogos interpretaram o mais recente nome como


uma análise conceitual não muito apropriada, optando por utilizarem uma junção dos
termos e ficando “região janela 10/40”, o que acabou se popularizando como Janela 10/40.
A área em questão chama a atenção do mundo cristão primeiramente pelo

significado bíblico e histórico. Em Gênesis 1:26 vemos que Deus ao criar o primeiro casal os
colocou em um jardim que se encontrava localizado exatamente no centro do que
denominamos Janela 10/40. Ali o centro da humanidade surgiu e se desenvolveu. Foi ali

65
que os grandes patriarcas e os grandes profetas caminharam. Foi ali também que o maior

Homem, o Filho de Deus nasceu, realizou o Seu ministério, morreu e ressuscitou para
libertar a humanidade. Foi exatamente na região da Janela 10/40 que a igreja cristã
começou e é atualmente ali que infelizmente se encontram a maioria das pessoas não
evangelizadas do mundo.

A não evangelização da região que abrange quase todos os países da Ásia além de
países europeus e africanos, dois terços da população mundial, é determinada em grande
parte pela oposição declarada de governos e lideranças políticas da maioria desses países,

que mantêm leis que proíbem qualquer missão cristã dentro de suas fronteiras, o que
reforça para que a janela fique fechada para a pregação do evangelho.
A janela 10/40 é marcada também por muitos problemas socioeconômicos. Ali
vivem os mais pobres dos mais pobres do mundo, com menor expectativa de vida, maiores

taxas de mortalidade infantil, concentração de grandes epidemias, altas taxas de


analfabetismo, exploração sexual de mulheres e crianças, tráfico humano, registro dos
maiores conflitos armados atuais, violência e problemas territoriais.

Centenas de organizações missionárias estão empenhadas a trabalharem na Janela


10/40, mas saiba que ainda tem sido pouco. São atualmente 62 países formados por
milhões de muçulmanos, hinduístas, budistas, adeptos de grupos tribais animistas, religiões
tradicionais chinesas e milhões de judeus e ateus. Muitos desconhecem, mas existem

muitos missionários escondidos nessas regiões. Famílias estão sendo enviadas, estas,
porém, tem sofrido com as fortes investigações do governo e buscam pregar o evangelho
de modo que consigam ainda sobreviver a perseguição governamental.
Milhares estão lá na frente da linha de batalha arriscando tudo em prol do
evangelho. Sem cuidado pastoral direto, longe dos familiares, sem muitos materiais cristãos,
outros em países altamente secularizados, alguns em locais tão pobres que a comunidade
não em acesso a uma Bíblia ou a qualquer outro livro. Mas todos necessitando de

intercessão da igreja mundial, do apoio, envio de recursos, e mais ainda o envio de mais
gente.
Entende porque Deus diz que a seara é grande e os trabalhadores são poucos?

66
"Se Deus quer a evangelização do mundo, mas te
recusas a sustentar missões, então te opões à
vontade de Deus”.

Oswald Smith

67
Janela 4/14

Depois de termos estudado um pouco sobre a Janela 10/40, chegou a hora de


sabermos um pouco mais sobre a Janela 4/14. Esse termo é um pouco mais desconhecido
quando comparado com o anterior, mas ambos dizem respeito a um grupo de pessoas que
necessitam ser alcançadas pelo evangelho.
Primeiramente vamos relembrar que ninguém nasce no Reino de Deus de forma

natural. Antes todos precisam passar pela experiência no novo nascimento se quiserem ver
a Deus.
“Em resposta, Jesus declarou: “Digo a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus,
se não nascer de novo” (João 3:3).

A Janela 4/14 é um movimento bem recente, década de 90, que teve como mentor
o teólogo Dan Brewester, autor da obra “Child, ChurchandMission”, e grande incentivador
do engajamento de crianças e adolescentes na igreja e no trabalho missionário. É

importante ressaltar que outros grandes missiólogos também deram suas contribuições
nesse trabalho, incluindo Luis Bush e o pastor Nam Soo Kim, que objetivaram promover a
visão da importância do investimento em todas as esferas da vida infanto-juvenil e enfatizar
que o ministério com crianças e jovens deve ser prioritário dentro de qualquer estratégia
missionaria moderna.
Diferentemente do termo Janela 10/40 que se refere a coordenadas geográficas o
termo Janela 4/14 busca referir-se a uma determinada faixa etária. Milhares de crianças e

adolescentes ao nosso redor estão sendo bombardeadas de todos os lados por vários
estímulos e informações que competem pela liderança do ser.
Crianças nascem sem conhecer Jesus e precisam ser discipuladas e integradas
genuinamente na comunidade cristã. O que se parece muitas vezes é que em alguns casos

tem se esperado que os pequeninos aprendam sobre o evangelho só pelo simples fato de
estarem na igreja, frequentar os cultos ou ter pais cristãos. Quando na verdade a missão
exige intencionalidade e estratégias, ou seja, as crianças e os adolescentes necessitam de

tempo e dedicação para receberem instruções.


Crianças e adolescentes são o presente e o futuro da missão, por isso esses devem
ser ensinados e inseridos na missão logo cedo, para que entendam quais são os seus dons
e aptidões e os desenvolva.

68
Provérbios 22:6 diz: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar; e até

quando envelhecer não se desviará dele”.


Crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelos dizeres. Se você que ter
filhos missionários, seja um missionário.
Se você quer crianças e adolescentes que amem a Jesus, ame a Jesus. Se você quer

que os seus filhos desejem ir para o céu ensine-os no dia-a-dia a se prepararem para ser
cidadão celestial, antes mesmo de incentiva-los para serem bem sucedidos nessa terra.
É necessário mais do que nunca cuidarmos dos filhinhos do Senhor enquanto eles

ainda são pequenos. Quando Moisés nasceu Satanás sabendo que esse seria um grande
homem nas mãos do Senhor, tentou mata-lo sendo ele ainda bebê (Êxodo 2).
Assim também no capítulo 2, só que agora do livro de Mateus vemos Satanás
buscando acabar com vida de mais um bebê, do Filho de Deus. O inimigo de Deus por ser

covarde e por saber que os primeiros anos dizem respeito a uma época importante de
desenvolvimento e grande vulnerabilidade humana, tem atentado contra os seres humanos
ainda pequenos. Quando não consegue diretamente investe para que os pais sejam

negligentes no processo de educação, e quão frequente isso tem ocorrido, famílias tem
terceirizado a educação e deixado por conta das mentes que administram os programas
televisivos, jogos, vídeos da internet, escola, amigos e outros adultos que não possuem a
mesma influencia, sejam responsáveis pela educação das mentes da herança do Senhor.

Precisamos alcançar o mundo, mas enquanto nos movemos no mundo não


podemos perder de vista as nossas crianças.

69
“A tarefa mais fácil já foi feita e agora somente
nos resta levar o evangelho aos povos não
alcançados da terra.”

David Botelho

70
Missões Indígenas

Quem são os índios?


A palavra índio faz referência a quem é da índia, e o nome índia deriva do

nome do rio INDU, do Sânscrito SINDHU, e os nativos americanos receberam essa


denominação simplesmente devido a um erro náutico.
Quando o navegador italiano Cristóvão Colombo, em nome da Coroa

Espanhola, empreendeu uma viagem em 1492 partindo da Espanha rumo às Índias


em busca de especiarias, riquezas e novas dominações territoriais, ele foi castigado
por fortes tempestades, fazendo com que a frota ficasse à deriva por muitos dias
até alcançar uma região continental que Colombo imaginou que fossem as Índias,

mas que na verdade era o atual continente americano. Foi devido a isso que os
povos que já residiam no continente americano foram apelidados de “índios” ou
“indígenas”, mas na verdade eles não eram “índios” porque o verdadeiro índio
advém da Índia, e apesar da popularização desse termo aqui nas Américas nenhum
clã, povo ou tribo se denomina como “índios”, mas cada povo possui uma origem
étnica que também possui uma autodenominação como por exemplo: Pataxó,
Kulina ou Madjá, Guarani, Tupinambá.

Segundo uma definição técnica da Organização das Nações Unidas, de


1986: “As comunidades, os povos e as nações indígenas são aqueles que, contando
com uma continuidade histórica das sociedades anteriores à invasão e à

colonização que foi desenvolvida em seus territórios, consideram a si mesmos


distintos de outros setores da sociedade, e estão decididos a conservar, a
desenvolver e a transmitir às gerações futuras seus territórios ancestrais e sua

identidade étnica, como base de sua existência continuada como povos, em


conformidade com seus próprios padrões culturais, as instituições sociais e os
sistemas jurídicos”.
Com base nessa definição técnica da ONU têm sido utilizados alguns

critérios para caracterizar uma população como indígena, esses critérios não são
únicos, mas são os principiais a serem observados, e são eles:

71
1. A relação histórica de continuidade com alguma sociedade pré-colonial,

ou seja, os seus ancestrais datam bem antes da colonização e possuem


alguma ligação territorial com aquela região;
2. Possuir um sistema socioeconômico, político, cultural, religioso,
linguístico bem definido e que se diferencie da sociedade desenvolvida

após a colonização;
3. E ter identificação e articulação com outros povos indígenas, possuir
semelhanças e alguma relação estreita com outros povos baseado em

seus interesses comuns.

De acordo com as informações coletadas no censo de 2010 pelo IBGE, que é o


principal provedor de informações geográficas e estatísticas do Brasil, atualmente há cerca

de 305 povos indígenas no Brasil, totalizando aproximadamente 900.000 pessoas, ou 0,4%


da população do país. O governo reconheceu 690 territórios para a população indígena,
que abrange cerca de 13% do território brasileiro. Quase todas estas terras (98,5%)

encontram-se na Amazônia. E apesar de dados que mostram uma grande parte dos
indígenas brasileiros vivendo fora da Amazônia, eles ocupam somente 1,5% da área total
reservada para os povos indígenas no país. No entanto a FUNAI - Fundação Nacional do
Índio, que é o órgão indigenista oficial do Estado brasileiro e a Fundação Nacional de Saúde

– FUNASA trabalham com números bem inferiores a esses, onde a quantidade de índios
localizados chega à bem menos da metade do que foi apresentado pelo censo de 2010.
Mas nem sempre foi assim. Estimativas demográficas apontam que por volta do ano
de 1500, período da chegada de Pedro Álvares Cabral a terra hoje conhecida como Brasil,
era habitada por pelo menos 5 milhões de índios. A população nativa foi e ainda hoje tem
sido vítima de massacres pelos colonizadores e discriminados por parte da população dita
civilizada.

Quando os colonizadores, pessoas de outras nações que possuíam uma


organização socioeconômica, política, cultural, religiosa completamente diferente das
populações nativas das Américas, chegaram essas comunidades não contavam com

nenhum tipo de organização estatal ou hierarquia política que pudesse distinguir seus
integrantes ou protege-los. Cada povo indígena constituía-se e se constitui como uma
sociedade única, cheia de diversidades, apesar de manter alguns hábitos e interesses
comuns com outros povos também denominados indígenas.

72
O fato é que esses povos foram submetidos à escravidão, guerras, doenças,

massacres, genocídios, etnocídios e outros males que exterminou quase toda a população
indígena, fato que ainda tem ocorrido, e é importante continuarmos fazendo essa
pontuação porque a história indígena de opressão e massacre é tão atual quanto foi nos
séculos passados, e isso porque eles estavam e estão no meio de um projeto grande e

ambicioso de dominação econômica, territorial, e cultural por parte da colonização


portuguesa no início da história e dos grandes governos políticos atualmente.
Os povos indígenas vivem em áreas de grandes reservas naturais, com um estilo de

vida próprio onde o interesse não é a extração para o acumulo de riquezas, mas qualquer
extração é feita objetivando apenas a subsistência, uma lógica que se distancia e muito do
nosso sistema capitalista. Outra coisa que é importante de ser ressaltada é que não é que
os índios não conheciam doenças, mas os vírus e doenças que os acometiam não eram os

mesmos dos colonizadores, que já tinham passado por recorrentes mutações devido à
utilização de substâncias artificiais. Não é que os índios também não conhecessem guerras,
mas os conflitos que estavam acostumados a lidarem diziam respeito a experiências

intertribais e interlocais, que eram por demais diferentes das ações ofensivas militares
realizadas para sustentar um plano político de dominação.
E é em meio a tudo isso que a religião cristã foi utilizada de forma distorcida como
o carro chefe para a dominação, massacre e opressão indígena. Isso se deu em grande parte

porque o objetivo dos missionários na época não era fazer Jesus conhecido, Sua salvação,
fé ou mandamentos, mas a religião cristã mais difundida na época encontrava-se
adulterada pela idolatria, paganismo, ambição egoísta pelas riquezas e controle político.
Aqueles que aqui primeiro chegaram com o nome de Deus trouxeram armas nas mãos e
operaram importantes mudanças socioculturais, que de modo irresponsável enfraqueceram
as matrizes cosmológicas e místicas que serviam de sustentação para a vida tradicional
tribal, e em troca não deram nada que fosse de fato significativo. Em outras palavras a

catequização vez parte das piores coisas que poderiam ter ocorrido a aqueles povos,
porque a cultura e o imaginário social faz parte da estruturação psíquica do indivíduo, é o
esqueleto sobre o qual se edifica os sentidos e significados mais básicos que representam

aquilo que se é, e quando isso é tirado de um indivíduo ocorre uma violência tão grande
que traz consequências por demais severas, e foi o que ocorreu com os indígenas, onde
milhões foram assassinados, milhares adoeceram, centenas caíram no alcoolismo e foram
consequências tão graves que até hoje seguem manchando a história do cristianismo.

73
O primeiro erro cometido pelos Jesuítas foi utilizar a religião como forma de

dominação política. Segundo, por uma ignorância etnocêntrica os europeus mediam a


humanidade dos outros com base em seus próprios padrões, ou seja, eles estavam no
centro como os mais desenvolvidos, o que levava a duvidar da humanidade dos índios em
comparação com as gritantes diferenças de seu estilo de vida. Os Jesuítas trataram os índios

por muito tempo como quase animais, bárbaros e selvagens, como se esses possuíssem até
mesmo uma natureza demoníaca, o que servia como principal justificação da colonização
e catequização. Era como se os missionários tivessem a tarefa de reverter à degradação e

os tormentos infernais que sofriam regenerando-os e salvando-os.


E eis então alguns dos elementos do porque as missões indígenas são tão
desafiadoras. Encontramos no meio do caminho o questionamento e crença de que a
presença missionária é nociva à cultura indígena por produzir a degeneração dos costumes,

e forçar a repressão física e cultural, reprimindo e negando a sua identidade, questionam


ainda a legalidade da presença evangélica nas regiões tribais com a alegação de que os
projetos sociais coordenados pelas agências missionárias que auxiliam milhares de índios

que vivem marginalizados na pobreza, sem educação formal, ou o acesso a políticas de


assistência à saúde, servem de fachada para justificar a presença dos mesmos.
É importante entendermos que diferentemente da catequização, que estava a
serviço de interesses políticos, imperialistas e colonizadores a evangelização nos métodos

de Jesus se dá de modo completamente diferente sem intencionar qualquer repressão


física, culturais ou indenitárias, mas ocorre por meio da utilização dos códigos do receptor,
visando à preservação da língua, cultura e ambiente, contextualizando a mensagem que
visa uma transformação pessoal.
Precisamos relembrar ainda que a cultura humana é dinâmica, e as mudanças são
esperadas como resultado natural das reflexões internas ou das trocas interculturais, o que
está para além do processo de interferência do campo religioso, e observamos isso através

das constantes interferências políticas, sociais e econômicas que também produzem


inúmeras alterações na sociedade indígena, desde o êxodo para áreas urbanas, a
interferências na educação e perdas de áreas de preservação. Mas o intuito do verdadeiro

evangelho não é o massacre, a dominação política, a europeização, e retirada dos códigos


culturais indígenas, mas sendo uma religião que se baseia em princípios os princípios
deverá ser entendido dentro de um contexto cultural, e somente aquilo que não estiver de
acordo com os princípios bíblicos deverão ser mudados. O que não tem na a ver com língua,
música, forma de transmissão de conhecimento, habitação, etc., mas com a garantia da

74
adoração de um único Deus, da valorização da vida e do cuidado com o próximo,

ensinamentos esses básicos no Cristianismo.


E ai entra o segundo grande desafio da igreja cristã atual que é a preparação e o
conhecimento, bem como o desenvolvimento de habilidades especificas para saber como
tocar o mundo do outro de forma bíblica e transcultural. Faz-se necessário o estudo e

investimento para confecção de materiais e envio de pessoas habilitadas para que saibam
fazer o trabalho de evangelização com os povos indígenas, evitando repetir os mesmos
erros da catequização colonial. Não é só ir, é saber como ir e o que se vai fazer lá.

A Convenção número 169 da Organização Internacional do Trabalho- OIT assegura


que "os povos indígenas e tribais deverão gozar plenamente dos direitos humanos e
liberdades fundamentais sem obstáculos nem discriminação… (Art. 3 §1)” e isso garante o
direito individual indígena de aceitar o evangelho ou não.

É possível saber que a evangelho tem se espalhado no meio indígena e que muitos
seguimentos cristãos tem se dedicado ao discipulado e a realização de projetos sociais na
sociedade indígena, o que conta hoje com mais de 150 etnias com presença missionária.

Contudo não podemos esquecer que mais de 100 etnias ainda não receberam o evangelho.
Toda imposição deve ser duramente combatida, e o indígena como um ser humano livre
deve ter seu direito de escolha preservado tanto a favor do evangelho como contra, assim
como ofertado por Deus a toda e qualquer criatura. A cultura, apesar de ser parte do

humano não deve determinar o seu destino.


“E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e
línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino
tal, que não será destruído” (Daniel 7:14).
Todos possuem o livre arbítrio dado por Deus de escolherem seguir o evangelho
ou não. Mas agora mais uma vez perguntamos:
“Se a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de

Cristo” (Romanos 10:17,) como pois aceitarão ou negarão se não tiverem a oportunidade
de ouvir?
“[...]Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de

quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue?” (Romanos 10:1).
Cristo deve ser conhecido por todos os povos e em todas as tribos.

75
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a
contornar obstáculos.”

Lao Tsé

76
Missão entre os Quilombolas

Quem são os Quilombolas?

Não tem como falar de quilombo sem falar da Escravização Africana. A escravização
humana, em qualquer tipo já é abominável pelo triste fato de ser uma prática social que
atribui a um ser humano a categoria de propriedade, mercadoria, limitando os direitos
dados por Deus a qualquer vida humana. E diante das diferentes formas de escravização
praticadas pelas civilizações ao longo da história, a escravização indígena e a africana foram
sem dúvidas das mais cruéis.
Segundo os registros históricos, a forma mais antiga de escravização se dava

quando povos inimigos guerreavam e o povo que perdia acabava se tornando despojo de
guerra, e passavam a ser dominados e escravizados pelo povo vencedor. Quase todas as
sociedades de que se tem relato passaram a utilizar a escravidão na sua organização social

principalmente como base para o crescimento econômico de um determinado grupo de


pessoas, o que tornou a escravidão algo comum. Os grandes impérios das civilizações
antigas aumentavam suas riquezas mediante a conquista de novos territórios através de
guerras, transformando a população nativa em escravos e pagadores de impostos. Além

disso, os imperadores convocavam os pequenos proprietários livres de suas regiões para o


serviço militar obrigatório, fazendo com que esses fossem obrigados a abandonar as suas
casas, das quais suas famílias acabavam sendo expulsas das terras tempos depois, por

dívidas e dificuldade de sobrevivência, indo servirem como escravos na agricultura,


mineração e palácios de reis e imperadores.
A primeira forma de escravização no Brasil se deu com os povos indígenas os
nativos da terra, e que eram levados para trabalharem nas extrações, construções e a

produção agrícola do Brasil colonial. Como a escravidão indígena se mostrou pouco


produtiva para os colonizadores na época, esses resolveram partir para uma nova forma de
escravização que já estava ocorrendo em alguns outros países, a escravização de pessoas

africanas. E o grande diferencial desse tipo de escravização quando comparado com os


outros moldes, é que essa teve como base motivacional um forte preconceito racial. As
pessoas que moravam no continente africano, assim como os índios antes da colonização
viviam de forma livre, independente, e pessoas que se sentiam superiores etnicamente,
politicamente e até mesmo enquanto humanos, fizeram uma leitura social de inferioridade

77
desses povos, o que os levou a sentirem no direito de começarem a raptarem essas pessoas

livres e torna-las escravas, levando-as para outras terras, separando-as da sua família,
submetendo-as a opressão, e estilo de vida desumano, pelo simples fato das pessoas
possuírem características fenotípicas, étnico-raciais, organização socioeconômica e cultural
diferentes.

E ai, foram centenas de anos de massacre. Mais uma vez a religião cristã esteve
envolvida nesse processo, porque a igreja cristã da época apesar de vários
pronunciamentos papais contra a escravização das pessoas de cor preta, e de diversas

instruções contra o tráfico negreiro, no Brasil em especial a Igreja Católica não manifestou
de forma prática oposição a escravização de negros no Brasil colonial, muito pelo contrário,
membros da Igreja Cristã chegaram até a estarem entre os maiores proprietários de
escravos negros no país.

Os Quilombos entram nessa história toda como os locais que as pessoas negras
escravizadas iam quando fugiam da escravidão, eram locais estratégicos de refúgio,
escondido em áreas de floresta e mata fechada e que acabava originando comunidades

que serviam de rede de apoio para a sobrevivência nesse contexto de perseguição e eram
nomeadas como Quilombos, tempo que vem do Tupi-guarani (canybó) e significa “aquele
que foge muito”. Eram nessas comunidades também, que a maioria das pessoas negras
escravizadas quando recebiam a alforria iam morar, já que nas regiões urbanas tinham que

lidar com o preconceito, opressão e negação de direitos mínimos de sobrevivência.


Levantamento da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, mapeou
3.524 dessas comunidades. De acordo com outras fontes, o número total de comunidades
remanescentes de quilombos pode chegar a cinco mil. Muitas dessas comunidades ainda
permanecem isoladas e/ou excluídas de processos promotores de cidadania e de acesso às
políticas públicas, sem promoção a educação ou condições dignas de saúde, vivendo da
agricultura de subsistência e passando necessidades em várias áreas.

Segundo pesquisa do teólogo e antropólogo Ronaldo Lidório os quilombolas são


o quarto seguimento populacional menos evangelizado no Brasil. Juntamente com as
questões de acesso e localização geográfica, a evangelização se esbarra em marcas

deixadas pela escravidão, quando as pessoas eram sequestradas de diversas regiões da


África para serem escravizadas no Brasil, além de serem destituídas de suas heranças sociais
e econômicas, foram destituídas dos seus costumes culturais e crenças religiosas, sendo
obrigadas a se adequarem as crenças e práticas do cristianismo, sendo que muitos eram
adeptos a religiões animistas. Quando esses tiveram a oportunidade de viverem de forma

78
livre, ainda que no território brasileiro, muitos buscaram retornar as práticas religiosas

manifestadas por seus ancestrais, se fechando para qualquer manifestação do cristianismo.


O que caracteriza uma comunidade quilombola é a sua herança cultural e étnica o
que revela muita singularidade histórica que necessitam ser estudadas, entendidas e
respeitadas dentro do processo de evangelização. Mas uma vez, isso não muda a

mensagem do evangelho, o conhecimento visita entender e facilitar o trabalho de


evangelização transcultural.
Precisamos de uma Igreja disposta a atravessar essas longas distâncias, de forma

sensível as necessidades emergenciais, com os materiais evangelísticos diferenciados,


devido ao grande percentual dos moradores das comunidades quilombolas que não são
alfabetizados ou semialfabetizados, uma Igreja compreensiva à história de opressão do
povo negro e a herança social que ela acarreta. Precisamos de uma igreja cuidadosa e

empática.
Precisamos de missionários que vão além do proselitismo, do aumento numérico
do batismo. Precisamos de missionários que estejam interessados no céu e na salvação de

vidas. As comunidades quilombolas necessitam de conhecer um cristianismo diferente do


que a história lhes apresentou um dia, e que façam o evangelho ser realmente uma “Boa
Nova” de liberdade e salvação.

79
“Uma reputação de 1000 anos pode ser
determinada por uma conduta de uma hora.”

Provérbio Japonês

80
Missão entre os Ribeirinhos

Quem são os ribeirinhos?


Os ribeirinhos são povos que vivem nas beiras dos rios da região Amazônica em
casas de palafitas, que é um tipo de habitação construída sobre troncos ou pilares. Estima-

se que existam mais de 35mil comunidades ribeirinhas na Amazônia, dessas, em torno de


10mil estão localizadas em áreas de difícil acesso o que contribui para que permaneçam
sem a presença de evangelização.
A população ribeirinha sofre com inúmeros problemas sociais, muitos geralmente

são extremamente pobres e lidam com falta de alimentação, desnutrição, epidemias,


poluição dos rios por esgotos, assoreamentos e a erosão, enchentes nos períodos chuvosos
que afetam pessoas e animais, falta de acesso à saúde, educação formal, saneamento

básico, em algumas áreas a inexistência de energia elétrica, dificuldade de acesso, altas


taxas de conflitos familiares, alcoolismo, abuso sexual infantil, aliciamento para o tráfego
de drogas nas fronteiras e uma lista de outros problemas.
Vários estão trabalhando nessas regiões, órgãos governamentais, agências
missionárias, igrejas e outras organizações filantrópicas, algumas até internacionais,
diligentemente dedicam seus esforços e recursos, mas ainda há muito trabalho a ser feito.
Os ribeirinhos precisam de missionários não só de curto prazo, mas que estejam

dispostos a se dedicarem por longos períodos de suas vidas, se preparando, realizando


pesquisas antropológicas, históricas e culturais nas comunidades antes de estabelecerem
laços. Muitos estão cansados do vai e vem de inúmeras igrejas, que chegam evangelizam e
depois somem.

Existe a necessidade de missionários dispostos a se adaptarem as características


geográficas e climáticas amazonenses em busca de oferecer preparo evangelístico para
líderes nativos, não só os batizando, mas discipulando-os para que estes façam novos

discípulos.
Os ribeirinhos precisam de uma Igreja disposta a custear os altos gastos de
deslocamento e a produção de matérias que transmitam de forma eficiente à mensagem
do evangelho para jovens, crianças e adultos que não sabem ler ou escrever, ou para
aqueles que falam outros idiomas e dialetos indígenas.

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Os ribeirinhos precisam de uma Igreja que deixe de exercer unicamente o papel de

turista assistencialista e se faça nativa, residente nas comunidades, dando um suporte


contínuo.
A população ribeirinha precisa de missionários dispostos a transpor as dificuldades
do difícil acesso, utilizando barcos, jangadas, canoas, dormindo em rede, lidando com

mosquitos, calor, mas dispostos a lidarem com a hostilidade de muitos em receber a Jesus
e mudar a suas crenças.
A população ribeirinha precisa de uma Igreja paciente, disposta a prega mesmo

diante da oposição.
As populações ribeirinhas precisam de missionários, você está disposto a ir?

82
“Obediência parcial às palavras de Jesus ainda é
desobediência – precisamos ir nós mesmos ou
então enviar pessoas para os “confins da Terra”.”

Fred Nuckley

83
Missão entre os Ciganos

Quem são os ciganos?


Não existe um consenso sobre a origem da comunidade cigana, mas a Associação

de Preservação da Cultura Cigana (APRECI) aponta sua origem ao norte da índia, atualmente
região do Paquistão, por volta de 4mil anos atrás, e a partir dali se espalharam por todo o
mundo seguindo suas crenças e mantendo sua cultura.

Os ciganos dividem-se em três grandes grupos: Sinti, Rom e Calon. Porém, os dois
últimos, são mais encontrados no Brasil do que o primeiro grupo.
Os ciganos não possuem uma religião oficial enquanto comunidade tradicional, ao
passo que alguns grupos se converteram ao catolicismo, animismo, e outros ainda são

adeptos ao sincretismo religioso. Mesmo sendo em milhares acredita-se que 95% dos
ciganos são não alfabetizados, e sofrem com a falta de políticas públicas de inclusão em
nosso país.
Quando o assunto é a pregação do evangelho, apesar de estarem espalhados por
todo o mundo, vivendo ao nosso lado de milhões de cristãos, os ciganos são considerados
um dos grupos menos alcançados pelo evangelho em todo o mundo. Isso se dá em grande
parte pela discriminação e preconceito da sociedade que limita o seu contato com os

ciganos devido a vários estereótipos, o que nem de longe poderia ocorrer como prática da
Igreja Cristã. Os ciganos precisam de uma igreja que se aproxime do marginalizado e
oprimido, que não tenha vergonha ou medo, de entrar em suas tendas e lhes ofereça o

evangelho da salvação, e apoio social necessário para que vivam com dignidade.
Os ciganos precisam de uma Igreja que os acolha.

84
“As possibilidades são tão maravilhosas como as
promessas de Deus.”

Hudson Taylor

85
Missão entre os Sertanejos

Quem são os sertanejos?

Sertanejo é o termo dado para as pessoas que nascem e vivem no Sertão.


O Sertão por sua vez é uma das quatro sub-regiões nas quais os geógrafos dividem a
Região Nordeste do Brasil, essa se estende pelos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. É uma sub-região marcada por
peculiaridades biomática como o clima tropical semiárido (quente e seco), médias elevadas,
entre 25 °C e 30 °C (ultrapassando os 42 °C nos dias mais quentes) e duas estações bem
definidas: uma chuvosa e outra seca.

Segundo historiadores há pelo menos duas versões para a nomenclatura “Sertão”,


a primeira descreve a palavra como sendo derivada da palavra latina sertanus, que significa
área deserta ou desabitada, e a segunda versão diz remeter ao período da colonização do

Brasil pelos portugueses, onde esses chamavam a região de "desertão", ocasionado pelo
clima quente e seco, e ao longo do tempo ela foi sendo entendida e perpassada como "de
sertão", e por fim ficando apenas a palavra Sertão.
No Sertão vive um povo miscigenado, mistura de índios, negros e brancos. A

maioria da população interiorana apresenta um comportamento social extremamente


acolhedor. Milhares vivem basicamente da pecuária e da agricultura de subsistência e
demonstram viver de forma criativa, culturalmente falando.

Infelizmente é nessa região que encontramos os maiores índices de pobreza,


desnutrição, analfabetismo e mortalidade infantil do Brasil. Isso se dá em grande parte não
pela falta de recursos naturais, déficit energético, má vontade ou incapacidade do seu povo,
como sugere o preconceito de muitas pessoas que os consideram preguiçosos e

desleixados, mas surge fruto de um longo processo de desenvolvimento histórico, político


e socioeconômico desfavorável.
Quando o assunto é evangelização cristã encontramos no Sertão nordestino mais

de 400 municípios com menos de 1,0% de evangélicos, o que de acordo com alguns
missiólogos, um povo com 1,0% ou menos é considerado como “povo não alcançado pelo
evangelho cristão protestante”.
São mais de 6.000mil localidades sem presença missionária.

86
A maioria dos cristãos evangélicos e protestantes se encontra na zona urbana,

entretanto, mais de 15,5 milhões de pessoas vivem na zona rural. Falta evangelização rural.
Muitas cidades são extremamente católicas, e com inúmeras tradições místicas e
festejos pagãos.
Vinde, o Sertão tem sede da Água da Vida.

87
“É inconcebível imaginar que pastores locais
devem ser desafiados para missões transculturais
quando isto é ordem de nosso Senhor Jesus.”
David Botelho

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Missão entre os Refugiados

Quem são os refugiados?


Os refugiados são pessoas que por algum motivo social como guerras, perseguição

política, religiosa, étnica ou racial, tem que sair do seu território de origem em busca de
asilo político em outro território estatal em busca de condições básicas de sobrevivência.
Diferentemente de um imigrante que deixa o seu país natal por motivos

econômicos, desastres naturais ou questões pessoais, em busca de melhores oportunidades


de vida, o refugiado não sai por vontade própria nem tem condições de retornar ao seu
lugar de origem porque isso colocaria em risco a sua integridade física devido à grande
violação dos direitos humanos decorrente dos conflitos políticos existente no seu país de

origem, e é por isso que os Estados teriam por obrigação prover asilo político, daí vem à
questão que todo refugiado é um imigrante, mas nem todo imigrante é um refugiado.
Segundo informações da Agência da ONU para Refugiados- ACNUR atualmente
70,8 milhões de pessoas tem sido forçadas a se deslocarem no mundo, sendo que 41,3
milhões foram deslocadas internamente, 25,4 milhões estão vivendo como refugiados e 3,5
milhões são solicitantes de refúgio. Os dados apresentam ainda que por dia 37mil pessoas
são forçadas a fugir de suas casas diariamente por causa de conflitos e perseguições

políticas. Cerca de 57% destes são originários de países como a Síria, Afeganistão e Sudão
do Sul. A grande maioria acaba fugindo para países circunvizinhos. A Turquia, Paquistão,
Uganda, Sudão, e Alemanha estão no topo da lista de países que mais tem abrigado

refugiados no planeta.
Em 1951, logo após a Segunda Guerra Mundial uma convenção das Nações Unidas
sobre o tema determinou que os refugiados não poderiam ser devolvidos ao seu lugar de

origem, e para garantir este direito, os Estados que recebessem refugiados, deviam
assegurar a possibilidade do refugiado solicitar o direito de asilo. Por isso, cada país deve
providenciar condições de comida, assistência médica e escola para as crianças. Contudo,
esta mesma convenção não determinou nenhuma sanção caso o país de acolhida não

cumprisse estas normas, o que acaba facilitando para que muitos países recusem receber e
dar asilo político aos refugiados e imigrantes.

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Quando o assunto é evangelização do mundo os imigrantes e refugiados são

considerados o sexto seguimento menos evangelizado do mundo. E diante da crise mundial


relacionada à migração é possível se enxergar oportunidade em meio dor. Missão é
também movimento e a presença dos imigrantes em nosso meio podem ser utilizados
como oportunidades de demonstrarmos a misericórdia de Cristo por nossos irmãos e

ganharmos almas para o Reino.


Lembra-se do dia de Pentecostes? Naquele dia estava presente em Jerusalém
pessoas de diversas cidades e nacionalidades convertidas e não convertidas ao judaísmo, o

que favoreceu para que ao derramamento do Espírito Santo, e com o ato miraculoso do
dom de outras línguas, os discípulos de Cristo que estavam reunidos pudessem pregar de
forma que os visitantes de outras nações pudessem ouvir o evangelho em sua própria
língua, o que o evangelho ser espalhado mais rapidamente e centenas serem convertidos.

O Brasil tem hoje a representação de mais de 100 países em nosso território, muitos
desses refugiados e imigrantes advém de países localizados na Janela 10/40, região do
mundo com menor tolerância a pregação do evangelho.

É caro enviar um missionário para Ásia, África e Europa e precisamos continuar


enviando. E podemos ainda mais aproveitar a oportunidade de fazermos tudo o que
pudermos pelos asiáticos, africanos, europeus, oceânicos, americanos e milhares de latino-
americanos que estão vivendo em nosso território.

90
“Pedi e dar-se-vos-á, buscai e encontrareis, batei
e abrir-se-vos-á.”

Mateus 7:7

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Missão entre os Surdos

Quem são os surdos?


Chama-se pessoa surda ou surdo aquele indivíduo que é portador de surdez e que
possui uma identidade, cultura, história e uma língua própria. Nem todas as pessoas que

possuem deficiência auditiva são chamadas de surda, mas todos os surdos possuem alguma
deficiência auditiva. Primeiramente entendamos uma coisa importante: não é surdo-mudo,
surdinho, mudinho ou qualquer outro termo que por vezes é utilizada de maneira

pejorativa. O termo correto é SURDO, e não é ofensivo, pois designa um grupo cultural que
se relaciona, vive e tem como principal característica uma forma diferente de se comunicar.
Por muito tempo, acreditou-se que os surdos eram incapazes de aprender, mas
felizmente os tempos mudaram e muitos educadores se esforçam para viabilizar meios de

os surdos terem acesso à educação.


Segundo informações da Organização Mundial da Saúde 360milhões de pessoas
sofrem de algum nível de surdez. Contudo, ainda hoje a acessibilidade ao surdo é bastante
difícil seja nas escolas, assistência em saúde ou mesmo dentro da igreja.
A Bíblia traduzida para língua materna sempre será o melhor missionário que existe.
Nada melhor do que ler a Palavra de Deus por si mesmo, passar momentos de devoção,
ouvir a voz do Espírito Santo, ser corrigido, desenvolver sabedoria e ser tocado em suas

emoções e infelizmente não temos muitos materiais cristãos em LIBRAS que é a Língua
Brasileira de Sinais, utilizada pelos surdos brasileiros ou em outras Línguas de Sinais. Sua
igreja se preocupa com esse público?

Os Surdos precisam de pessoas dispostas a construir relacionamentos que tirem


esse grupo, e outros, da invisibilidade social. Os Surdos precisam de igrejas acessíveis, que
possuam ministério dos surdos, intérpretes, pessoas dispostas a usarem suas mãos para

falar sobre Cristo.


“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois,
invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não souberam?
E como saberão, se não há quem sinalize? (Romanos 10:13-14 Adaptado).

92
“A oração não muda a Deus, mas sim aquele que
está orando.”

Soren Kierkegaard

93
Missão entre os Extremamente Pobres
e os Extremamente Ricos

Já imaginou se você fosse extremamente pobre ao ponto de não ter alimento em

todas as refeições nem água limpa para beber?


Já imaginou se você tivesse que viver fugindo e se escondendo entre entulhos após
ter perdido toda a sua família vítimas de atentados de guerra?
Já pensou se você tivesse que entrar em um bote junto com outras dezenas de

pessoas e se lançar à deriva no mar em busca de uma oportunidade de vida em outro país,
e ao desembarcar fosse deportado ou preso, mesmo você sendo uma pessoa honesta?
Já imaginou ter que andar quilômetros e quilômetros em busca de uma medicação,

de água limpa, de um saco de pão, papel higiênico ou energia elétrica?


Já imaginou tremer de frio e continuar na chuva porque não se tem um lugar
protegido para ir e as outras pessoas, humanas como você, não lhe aceitam, não lhe olham
com "bons olhos", ou simplesmente se afastam quando você chega perto?
Um dos piores lados da pobreza é impedir da pessoa ser aquilo que Deus
intencionou que elas fossem. A pobreza, a fome e a miséria fazem parte das estratégias de
Satanás para estragar a perfeita obra de Deus, ou simplesmente fazer com que as criaturas

de Deus não se sintam por Ele amadas.


Atualmente, estima-se que 1bilhão de pessoas em todo mundo sofram com
problema da fome. A fome está intimamente relacionada com questões econômicas.
Durante muito tempo muitos achavam que o problema estava apenas relacionado com o

crescimento das populações e a falta de recursos alimentares para elas. Hoje, no entanto,
sabemos que essa não é a verdade, já que existem grandes avanços das tecnologias de
produções agropecuárias e alimentícias de forma que o que estão sendo produzido é mais

que suficientes para alimentar todo o mundo.


A grande questão da pobreza, fome e miséria no mundo está relacionada à
distribuição desigual das riquezas e a omissão política para amenizar a maior parte dos
problemas sociais. Como combater a fome no mundo? Não existe consenso sobre como
resolver o problema da fome do mundo, mas como cristãos entendemos que a fome é mais

94
uma das devastações causadas pelo pecado através do egoísmo do caráter humano, e seu

aumento é também um sinal de que pouco tempo nos resta aqui, Jesus está voltando!
Não devemos cruzar os braços e nos acomodar, apesar disso. Existe um trabalho a
ser feito e ele envolve vestir o nu e alimentar o faminto. Quando o assunto é evangelização
os mais pobres dos mais pobres, ou seja, os extremamente pobres estão entre os menos

evangelizados do mundo, possuindo cerca de menos de 1,0% de presença evangélica.


E contrastando completamente a tudo, encontramos um outro seguimento que
também estão entre os menos evangelizados no mundo os mais ricos dos mais ricos. Um

dos grandes problemas da evangelização de pessoas muito ricas é o acesso a essa


população já que muitos vivem enclausurados em grandes prédios, condomínios, empresas,
carros e hotéis de luxo, cercados de pessoas que não buscam lhe confrontar mais apenas
os agradarem, e a falta de investimento em ações que busquem alcançar essas pessoas

onde elas estão.


Não é porque as pessoas possuem muito dinheiro que elas estão bem e nenhum
esforço necessita ser feito com relação a evangelização delas. Muito pelo contrário, muitos

precisam conhecer algo mais Poderoso que o dinheiro.


As desigualdades sociais, acúmulo desigual das riquezas, a violência e opressão
causam segregação, empurrando os extremamente pobres para favelas, periferias,
comunidades ribeirinhas, zonas rurais, locais envoltos ainda mais pela pobreza, violência e

de difícil acesso. Os ricos por sua vez, vão se empurrando cada vez mais para locais
“seguros”.
Como evangelizar pessoas extremamente ricas ou extremamente pobres?
Já parou para pensar? Sim, existem meios para isso.
Deus não nos daria uma tarefa para fazer sendo ela impossível.

95
“Dois terços da população mundial não dormem
porque estão com fome e o outro terço não
dorme com medo dos que estão com fome.”

Robert Mc Namara
(Ex-presidente do Banco Mundial).

96
Missões em países de Primeiro
Mundo

Quando se fala em missões ou serviço voluntário a primeira coisa que vem na


cabeça de milhares de pessoas são os projetos realizados em países Africanos, Asiáticos e
do Oriente Médio.

Mas e ai, o que você pensaria de um missionário que largou tudo para fazer missões
em cidades como Londres, Madri ou Inglaterra?
Os países conhecidos como de Primeiro Mundo foram assim designados logo após

a Guerra Fria, onde todos os países foram separados em três categorias de mundo (Primeiro
Mundo; Segundo Mundo; e Terceiro Mundo), tendo como critério básico para a
categorização o fato de quem foram aliados políticos durante o período da Guerra Fria, o
que tempo depois se popularizou como sentido de país de Primeiro Mundo os países que
possuem um considerável desenvolvimento econômico, social e tecnológico, já que com
exceção da Turquia todos eles possuem altas taxas de desenvolvimento social.
No que se refere à evangelização e ao cristianismo vários países do bloco do

primeiro mundo se mostram hostis à evangelização, proibindo qualquer manifestação da


fé cristã de forma pública. Em outros o ateísmo tem sido predominante, as igrejas apesar
de livres tem dado lugar a museus e bares, ou vem tornando-se cada vez menores e vazias.
Apesar de um dia a religião cristã ter sido predominante em boa parte dos países europeus

e hoje esses se encontrarem resistentes ao evangelho, Deus não se esqueceu deles.


Lauri Tapio Kalevi Lehtinen foi um finlandês e pastor da Igreja Evangélica Luterana
que ficou conhecido internacionalmente por seus escritos evangelísticos e por ser

requisitado para pregar a milhares de pessoas internacionalmente. Kalevi Lehtinen gostava


de resumir o cristianismo nas seguinte palavras: "O homem precisa do conhecimento
correto de Deus, da humanidade de Jesus e da fé. A informação mais importante para as
pessoas comuns é o fato de que Deus existe e que Deus está ao lado do homem.”

Para Lehtinen, o que falta a Europa é conhecer Deus como Ele o É, e não a imagem
deturpada que lhe foi passada na Idade Média. A entrega pessoal de Jesus como sacrifício
para a salvação da humanidade, bem como sua ressurreição que nos revela um Deus

97
pessoal, que não está longe e desinteressado por suas criaturas, mas perto, se importando

com cada esfera da vida, deveria ser então o alvo da pregação.


Em uma reunião realizada na Europa no início de 1988, Lehtinen afirmou:
” Para muitos europeus o evangelho não é bom nem novo. Não é vem como bom
porque enxergam o cristianismo como desnecessário. Há muita diferença entre um campo

missionário pré-cristão e outro pós-cristão, embora ambos necessitem do evangelho. A


diferença é a mesma existente entre a mulher solteira e a divorciada. Apesar de ambas
estarem solteiras, a primeira tem ideais, esperanças, sonhos e aspirações; a segunda tem

frustrações, lembranças amargas, experiências desagradáveis e apatia. A Europa pós-cristã


é como a mulher divorciada, divorciada de Jesus. O cristianismo não é uma nova
oportunidade jamais tentada para os europeus, antes, o cristianismo não pertence ao
amanhã, mas ao ontem. Ser cristão, para a maior parte dos europeus, significa retornar à

Idade Média e dizer não à visão científica do mundo e às realidades de hoje”, concluiu
Lehtinen.
O fato é que não existe país que não precise da atuação de homens e mulheres de

Deus anunciando a luz do evangelho. Onde você estiver ali haverá um trabalho a se fazer e
o importante é deixar Deus conduzir o percurso de toda a caminhada.
Enquanto Igreja não podemos abandonar aqueles que se encontram
decepcionados com Deus. Não é a condição social de pobreza ou riqueza que determina

quem mais precisa ser evangelizado ou não. Mas onde estive uma alma sem Cristo ali
haverá um campo missionário a ser alcançado.
Deus ama o povo da África assim como os Europeus.
O evangelho deve ser oferecido a todo homem e mulher e isso inclui aqueles que
acham que não precisam de Deus, aqueles que acham que superaram a religião ou ainda
são hostis a qualquer manifestação dela. Lembremo-nos, portanto,” que a nossa guerra não
é contra pessoas, mas contra forças espirituais nas regiões celestiais” (Efésios 6: 12).

98
“O mundo está muito mais preparado para
receber o Evangelho do que os cristãos para o
propagar.”

George Peters

99
Como ir?

É possível encontrar na igreja todos os tipos de defeitos, afinal nós estamos lá, mas
a igreja segue sendo o método de Deus para nos aquecer e guiar na salvação. Precisamos

ser igreja porque precisamos estar juntos, como comunidade, buscando a Deus, e nos
afiando mutuamente para cumprirmos o chamado e vermos a Cristo.
Isso é saudável e essencial. No contato uns com os outros somos aprendemos e somos

fortalecidos.
Apesar de TODO o filho de Deus ser chamado a se tornar coparticipante na Sua
obra, não é possível realizar a obra de TODO jeito. Não é só entender o chamado, vender
5.287 trufas, adesivos, bolo no pote, conseguir o dinheiro e partir para o campo missionário

visando romanticamente alcançar todo o mundo para Jesus.


Calma! Não é só de dinheiro que um missionário precisa para viajar alcançando o
mundo para Jesus. Ir sozinho, sem contato com a igreja ou líderes, agência missionária,
apoio de outras pessoas, sem preparo bíblico, além de não ser o que a Bíblia ensina, é
arriscado, imprudente, e pode colocar você em risco e até mesmo a missão.
O Missionário está no campo, mas ele continua sendo uma ovelha, com as mesmas
necessidades que as outras, e algumas a mais.

O missionário continua sendo um pecador mesmo estando no campo como um


instrumento de Deus. Ele é um humano que vivencia problemas, pressões, defeitos,
limitações e ainda descobrirá outras que nem imaginava ter.

Missão é feita em equipe, por isso tenha uma filiação eclesiástica.


Necessitamos de contatos, informações, auxílio em meio à doença e fraqueza. Não
tente fazer sozinho o que Deus mandou que fosse feito em conjunto.

“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.
Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois,
caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se
aquentarão; mas um só, como se aquentará. E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe

resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Eclesiastes 4:9-12).
Quando estudamos o livro de Atos que relata o nascimento e expansão da igreja
cristã primitiva, podemos observar como Deus coordenou e orientou os apóstolos no

100
processo de envio missionário e por meio desses relatos podemos tirar ensinamentos

importantes.
Em Atos 8:4 lemos que os que estavam sendo espalhados por conta da perseguição
“pregavam a palavra por onde quer que fossem”. Em outros momentos o próprio Senhor
falava com seus servos e os enviava (Atos 10:19 e 20). No capítulo 13 de Atos vemos ainda

o Espírito Santo separando Barnabé e Paulo para a missão. Mesmo tendo Paulo passado
muitos anos sem ter um contato direto com a organização da Igreja Primitiva em Jerusalém,
e até mesmo em alguns momentos ter apresentado discordância de algumas ideias, esse

ainda se mostrava submisso às orientações da Igreja e a sua liderança, enviando relatórios


sempre que possível do trabalho que estava realizando entre os não-judeus (Atos 14:27).
Atualmente tem crescido o número de missionários que escolhem caminhar de
forma independente, sem o envolvimento com a igreja local, orientação de pastores e sem

prestar contas a alguma liderança. A igreja e a missão antes de tudo são planejamentos de
Deus, ideia Dele e conduzidas por Ele e precisam ser feitas de forma organizada, com
preparo. A igreja precisa estar disposta a enviar e o missionário ser submisso ao ponto de

ser enviado.
Quando os apóstolos impunham as mãos e enviava algum missionário existia ali um
significado importante, símbolo da consagração, benção de Deus e sinal de
reconhecimento da igreja como autoridade para pregar a Palavra e cumprir a missão. Sendo

assim formava-se uma aliança com cumplicidade e apoio, onde a igreja seria então
responsável por aquele enviado e o missionário enviado se comprometiam publicamente
em respeitar e se submeter à liderança da igreja, tendo que prestar contas a ela. Deus guiava
e guia para que tudo ocorra de forma organizada, para o bem dos missionários e ordem da
missão.
“É melhor serem dois do que um, porque se um cai o outro levanta...” (Eclesiastes
4:9-12). Quando Jesus Cristo iniciou seu ministério público uma das primeiras coisas que

Ele fez foi escolher discípulos, pessoas as quais estariam próximas a Ele, aprendendo, sendo
instruídas e que também seriam Seus ajudantes no trabalho. Quando Jesus enviou os doze
discípulos para a missão (Mateus 10) e depois os setenta discípulos (Lucas 10) Ele deu

instruções importantes, reforçou o princípio da parceria quando os avisou que não


precisariam levar muitas coisas, mas era importante que fossem de dois em dois.
O conselho bíblico é de um trabalho compartilhado, pois assim um sistema de apoio
mútuo é criado. Essa é a proposta de ir para o campo missionário como “dupla missionária”.
Além desses a Bíblia tem outros exemplos da importância de um apoio do no ministério:

101
Moisés e Arão, Elias e Eliseu, Pedro e João, Paulo e Silas, todos trabalharam em um

relacionamento voltado para Deus e para com o seu próximo.


Um a outra forma muito importante para os missionários atualmente são as
Agências Missionárias, elas surgem como canais facilitadores para o desenvolvimento da
missão de pregação do Evangelho em diversas regiões mundo, por trabalharem no

incentivo e despertar de cristãos missionários, além disso, a maioria das agências


missionárias oferecem cursos preparatórios para iniciantes em missões, ofertando
treinamentos específicos, em alguns casos, ajudando no levantamento de mantenedores,

orientando em questões burocráticas com relação as documentações e vistos para


deslocamento, definição de local, apresentação de chamados e projetos com possibilidade
de atuação, alojamento, e um seguro e apoio quando o missionário estiver no campo.
As agências missionárias podem ser denominacional (pertencente a uma igreja

especifica) ou interdenominacional (que servem a várias igrejas). É importante que o


missionário se atente em alguns pontos na hora da escolha de uma agência missionária.
Busque conhecer a visão da agência, que deve ser a mesma que você possui; quais os países

de atuação; o planejamento para a ida ao campo e os pré-requisitos para o candidato. A


maioria das agências missionárias brasileiras exige que o candidato ao campo missionário
seja maior de 18 anos e tenha recomendação de seu pastor. Pesquise sobre a capacidade
da agência para gerenciar situações difíceis e imprevisíveis e garantir apoio espiritual e

emocional ao missionário longe de sua cultura.


E antes de qualquer coisa ore, ore muito, não ouse dar nenhum passo sem o
direcionamento de Deus.

102
“Deus usa aquele que se concentra mais em sua
disponibilidade do que em sua própria
habilidade.”

Howard Hendricks

103
Para onde ir?

No capítulo 7 do livro de II Samuel vemos que em um momento de paz e descanso


no governo do rei Davi surge-lhe então o desejo de construir uma casa para o Senhor. Davi
morava em um palácio luxuoso enquanto que a Arca da Aliança que era a representação

da Presença do Senhor no meio do povo de Israel continuava sendo guardada em uma


tenda. Davi então, não achou justo estar morando em um local tão belo e confortável
enquanto a Arca não estava nas mesmas condições.

Foi então que Davi cheio de alegria foi falar com o profeta Natã, o representante de
Deus para aquele tempo no governo de Davi, e então apresentou ao profeta o desejo que
queimava em seu coração de construir uma casa para Deus na terra. O Senhor Deus, falou
por intermédio do profeta Natã a Davi e disse-lhe que apesar de tudo que tinha acontecido

na vida de Davi, dos tantos milagres e da condução do Eterno, não seria Davi quem seria o
responsável pela construção do templo, mas sim um descendente de Davi. Quando o então
o rei Davi, recebeu essa mensagem do Eterno não ficou triste, antes se alegrou e glorificou
a Deus pelos planos futuros do Senhor em abençoar a sua descendência.
A primeira lição que podemos aprender com esse relato da vida de Davi é a
submissão com relação a forma de servirmos a Deus. As coisas não devem acontecer no
nosso tempo, ou do nosso jeito, ainda que tenhamos muita boa intenção em servirmos a

Deus. Mas a obra de Deus deve ser feita com Deus, do jeito de Deus e no tempo de Deus.
Para onde ir? Eu devo ir para onde Deus me mandar.
Isso significa que nem sempre eu vou estar no local em que eu quero estar, mas se

o sentido de tudo é a adoração e o cumprimento da vontade Deus, não vai ter outro lugar
melhor para estar que o lugar que Deus quer que eu esteja.
Preciso estar disponível para ir a lugares pobres e humildes, locais com pouco ou

nenhum acesso de comunicação, locais que me separem dos amigos e familiares, que
ninguém me veja enquanto evangelizo locais de hostilidade e perseguição, onde a minha
presença não é bem-vinda e as pessoas não me dão o valor que eu imagino ter. Eu preciso
estar disposto a aceitar trabalhos pequenos, auditórios quase vazios, igrejas sem paredes

ou nos locais mais insalubres da terra. Talvez o chamado de Deus seja para continuar no
meu local de origem, desenvolvendo um trabalho bem ali com os meus vizinhos e

104
conterrâneos. O que está em questão na missão não é exatamente o lugar para onde se

vai, mas sim a tarefa e Aquele que vai acompanha-la.


“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de
receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.” (Hebreus 11:8).
Apesar de saber que não seria o responsável pela construção do templo, Davi não

cruzou os braços, nem fez cara feia, muito pelo contrário, Davi fez tudo o que estava ao seu
alcance e juntou todos os tipos de materiais que poderiam contribuir para a edificação do
templo. Não era Deus quem tinha que servir as vontades de Davi, mas Davi era quem

deveria servir as vontades de Deus.


“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do
Senhor” (Provérbios 16:1).
Até os desejos aparentemente mais nobres, sinceros e espirituais precisam passar

pelo crivo de Deus e a maior prova de amor a Ele é Lhe sermos submissos, realizando o
trabalho de Deus, a maneira de Deus.
Vá para onde Deus lhe instruir ir.

105
“O impossível é campo preferencial da ação de
Deus: onde o homem cessa, Deus começa!”

Guilhermino Cunha

106
O que levar na mala?

“Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos, nem alforjes para o
caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordões; porque digno é o operário do seu
alimento” (Mateus 10: 9 e 10).

“Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho”
(Lucas 10:4).
Já se perguntou o que Cristo quis dizer quando instruiu primeiramente aos doze
discípulos e depois aos setenta com relação à bagagem que deveriam levar para a missão?

A pouca bagagem nas mãos dos discípulos por instrução de Jesus não representava
descuido, mas buscava lhes ensinar sobre dependência de Deus, fé e simplicidade. Eles não
precisariam de muito para sobreviver no campo missionário, e tudo aquilo que eles

precisassem Deus estava pronto para suprir porque Ele mesmo disse que "o trabalhador
merece o seu salário" (I Timóteo 5:18).
David Botelho, líder de missões transculturais disse certa feita: “Evangélicos
brasileiros gastam mais com Coca-Cola do que investem naquilo que dizem acreditar:
MISSÕES”. Viver com pouco e de forma simples não deveria ser uma instrução a ser
colocada em prática unicamente no momento do envio e deslocamento para as missões,
mas deveria ser uma prática da vida comum de todo cristão.

Quanto menores e mais leves as bagagens das nossas mãos, mais rápido e mais
longe conseguiremos nos deslocar. Quanto menos investimentos forem feitos em coisas e
mais em pessoas, estaremos lançando sementes que florescerão nos jardins celestiais.
Leve apenas o necessário. Tenha apenas o necessário.

Busque conhecer as características típicas do lugar e região para a qual se está indo. Pense
no clima, no trabalho que você irá desenvolver a quantidade de tempo que irá permanecer,
a cultura do lugar, se existe alguma restrição ou recomendação cultural e se haverá a

necessidade de adquirir roupas especificas da região para a qual se está indo. Tenha
atenção com relação à documentação necessária para cada deslocamento.
E não se esqueça de ter sempre em mãos a Palavra do Senhor.

107
“Espírito de Cristo é o espirito de missões e
quanto mais próximos estivermos d’Ele mais nos
tornaremos missionários com maior intensidade.”

Henry Martin

108
Missões em Curto e Longo Prazo

Por quanto tempo dá pra fazer uma missão?


Depende da tarefa que se deseja executar na missão.
Existem alguns tipos de missões, as mais conhecidas são as missões de curto prazo, longo
prazo e por toda a vida.

A Missão de Curto Prazo como o próprio nome já diz, se caracteriza pela realização
de um trabalho executado em pouco tempo, que pode ir de alguns dias, semanas ou meses
(algumas denominações caracterizam o prazo de um ano também como missão em curto

prazo). O fato é que a missão em curto prazo tende a proporcionar a rápida experiência do
que é o serviço missionário ao colocar o missionário de forma temporária em contato com
pessoas, lugares ou culturas diferentes, e o que pode servir como base para a decisão de
servir em longo prazo ou por toda a vida.

Além da experiência, a missão em curto prazo pode ser interessante para a


realização de ações sociais e mobilização em determinadas regiões, por contar com a
possibilidade de envolver um maior número de pessoas, geralmente aquelas que não

podem servir em longo prazo naquela região, ou também pela visita e ajuda de outras
pessoas darem um “gás” para os irmãos que estão servindo em longo prazo em uma
determinada região.
Algumas das desvantagens da missão em curto prazo são exatamente pelo pouco

tempo não permitir o conhecimento mais aprofundado da comunidade em que se está


buscando evangelizar, o que por vezes limita o fortalecimento de laços, formação de novos
líderes para a manutenção de um bom trabalho.

Além disso, por vezes são gastos recursos altíssimos em viagens de missões em
curto prazo que se fossem direcionados para projetos e ações que estão sendo
desenvolvidos em longo prazo garantiriam o sustento destes por muito tempo, sendo até
mais produtivo. Uma desvantagem que a missão em curto prazo está vulnerável é de

algumas pessoas lidarem com a missão de curto prazo, principalmente quando as viagens
são para o exterior, como experiências meras experiências turísticas, intercâmbios, quando
na verdade apesar do enriquecimento cultural que a viagem missionária possa trazer,

109
conhecimento e visita há outros locais, esse não deve ser o foco ou motivo da realização

da missão em curto prazo.


O segundo tipo de missão citado é a missão em longo prazo, que se caracteriza
pelo serviço missionário realizado por mais de um ano, ou seja, envolvendo vários anos em
um determinado local ou região.

Ir para uma missão em longo prazo significa estabelecer resistência temporária no


meio do povo ao qual se objetiva evangelizar, buscando meios de subsistência, dedicando-
se ao conhecimento mais aprofundado da cultura, costumes e língua local, preocupando-

se não somente com o ensino da Palavra de Deus, mas também com o discipulado e
formação de líderes locais para a manutenção e cuidado da igreja já estabelecida, ou a ser
estabelecida.
O maior e melhor exemplo de missão em longo prazo que temos é o de Jesus Cristo,

que assumiu forma humana, se estabelecendo dentro de um contexto cultural,


expressando-se como homem a partir de um conjunto de crença e valores, até o momento
adequado para o início do seu ministério evangelístico público. O mesmo se preocupou

com o discipulado de sucessores e a fundação e organização do que no futuro seria uma


igreja, e só então, voltou para o Seu lugar de origem, o trono celestial.
Seja qual for o lugar e o tipo de missão que você vá desenvolver hoje, lembre-se:
Viva o plano de Deus para a sua vida!

110
“Nunca vi um cristão útil que não seja estudante
da Bíblia. Não existem atalhos para a santidade.”

Tozer

111
Tentmaker

Tentmaker ou fazedor de tendas é um termo missiológico que designa um dos


modelos de fazer missões apresentados na Bíblia. Esse termo ficou conhecido por
intermédio de Paulo que tinha como profissão “fazedor de tendas” (Atos 18:1-4), e assim

além de pregar o evangelho Paulo trabalhava e custeava seus gastos e de alguns daqueles
que o acompanhavam.
Esse modelo foi considerado o principal modelo missionário durante séculos, e mais
que uma estratégia missionária é um estilo de vida. Todos são chamados para servir a Cristo,

glorificar o nome de Deus Pai e ser cooperador do Espirito Santo no trabalho de resgate da
humanidade, mostrando que a salvação só é encontrada em Jesus. Com isso, cada ser
humano pode utilizar a sua profissão para criar oportunidades de evangelização,

estabelecendo relações com pessoas e em locais que talvez um ministro, pastor ou qualquer
outro líder religioso não consiga chega, de com o trabalho individual comum conseguir
sustentar a si e a outros, fazendo possível a permanência no campo missionário.
Em alguns países fechados ao Evangelho essa é uma das principais estratégias de

aproximação de pessoas cristãs com as pessoas nativas do país. Utilizar os negócios,


estudos e prestação de serviços como o contato inicial para futuras evangelizações e
possibilidades para o testemunho pessoal.

A lista dos pioneiros da fé que utilizaram desse modelo para alcançar povos ainda
não alcançados é enorme e graças a Deus esse tem sido o modelo que milhares de Jovens
missionários têm optado por seguir. É preciso lembrar que para ser um missionário
Tentmaker você não precisa necessariamente sair do país, mas precisa ter no mínimo

conhecimento para utilizar as estratégias corretas e contextualização cultural.


Prepare-se e viva o que Deus tem preparado para você.

112
Alguém orou:
“Deus, tem misericórdia dos perdidos”.
A resposta: “Já tive misericórdia; agora você
precisa ter”.

Desconhecido.

113
O Campo Missionário

Fico imaginando que quando Abraão saiu da sua terra para ir com Deus rumo a
Terra Prometida, não imaginava que necessitaria e contaria com a hospitalidade de muitas

pessoas, incluindo reis de nações estrangeiras. Talvez imaginasse que o caminho fosse
difícil, sentisse medo, mas o Deus em quem Abraão tinha fé fez o necessário para que o
mesmo movesse os pés e tivesse no decorrer do caminho tudo àquilo que necessitava.

É interessante observar que quando Abraão se estabeleceu em uma terra boa e rica,
o mesmo adotou a mesma postura de hospitalidade da qual dependeu durante tanto
tempo, não deixando que estrangeiros passassem por suas terras sem que lhes fosse
oferecido água para beber, alimentar seus animais e lavar os pés.

Generosidade e hospitalidade são dons do céu, e até mesmo Jesus, o próprio Filho
de Deus foi peregrino em Seu tempo de ministério público, e dependeu da oferta de várias
pessoas para Sua manutenção e dos Seus discípulos. “Joana, mulher de Cuza, administrador

da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com
os seus bens” (Lucas 8:3). Uma das coisas que o campo missionário propicia é o colocar do
ser humano em um lugar de dependência e vulnerabilidade.

Você já se perguntou o que se faz em um campo missionário?


Servir, essa é a palavra de ordem em um campo missionário.
Se serve a Deus acima de todas as coisas, e as pessoas como modo de servir ao próprio
Deus.

Tem gente que passa anos sonhando em ir para o campo missionário transcultural,
se prepara no seu país, junta recursos, mobiliza a igreja local, se desloca para o outro lado
do mundo e quando chega lá se frustra ao se deparar com um serviço comum. É bom que

se saiba que no campo missionário tem gente que serve há anos através de atendimentos
de saúde, fazendo planejamentos administrativos, cozinhando, dando aulas para crianças,
trabalhando em creches, supermercados, limpando banheiro, cuidando de animais. Tem
gente que saiu do seu país pra dar aula de matemática, só para se aventurar nas

possibilidades de falar sobre Jesus aos seus alunos.


Quantas mulheres passam a vida com a sua família no campo cuidando dos filhos,
da casa, do esposo. Vivendo a missão de Deus enquanto exercem um labor comum.

114
Enquanto nós usamos as mãos para servir, Deus vai usando as mãos Dele para transforma-

nos segundo a Sua vontade.


A falta de sustento e de ofertas por nossa parte enquanto Igreja, tem tornado o
campo missionário uma arena de fé, e em alguns casos um lugar de difícil sobrevivência
para o missionário. Precisamos cuidar melhor dos nossos irmãos enviados. Missionários não

precisam de sobras. Missionários não saíram dos seus lares porque gostam de sofrer,
missionários são embaixadores do Reino do Céu e deixaram a suas casas para proclamarem
Jesus, só por isso eles já merecem o melhor que possamos dar.

Em Hebreus 13:2 lemos também: "Não se esqueçam da hospitalidade; foi


praticando-a que, sem o saber, alguns acolheram anjos".
Missionários, o campo é um lugar de atenção e cuidado. Estamos vivenciando
batalhas espirituais, as tentações virão, as dificuldades virão, e nos em nada devemos busca-

las. Então no que depender das ações eles devem ser com base no “Assim diz o Senhor”.
O campo missionário é um local de cuidado com as nossas finanças. Ter fé e confiar
em Deus não é um convite para sermos descuidados e desorganizados com as nossas

finanças. É claro que muitas vezes teremos que pular a parte da racionalidade e colocarmos
os pés antes que o chão esteja abaixo dos pés, por confiarmos que a obra é de Deus e Ele
proverá o que for necessário. Mas também precisamos ter sabedoria para discernir a
vontade de Deus quanto a cada passo a ser dado na jornada. Missão envolve planejamento,

orçamento, planilha de gastos, economia, mais economia, sermos fieis a Deus nos dízimos
e nas ofertas, sabedoria para administrarmos cada oferta recebida com a consciência de
que a mesma foi direcionada para a salvação de vidas e não para ser usada com
superficialidades.
O campo missionário é um lugar de termos cuidado com a saúde do corpo
colocando em prática todo o conhecimento de bons hábitos. Todos nós já ouvimos alguma
vez na vida que “somos aquilo que comemos”, que precisamos comer frutas, verduras,

menos produtos industrializados, menos sal, açúcares, e outras coisas que fazem mal ao
corpo. Como cristãos conhecemos bem o que Deus nos diz: “Ou não sabeis que o vosso
corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não

sois de vós mesmos?” (1Coríntios 6:19). Disso surgem alguns questionamentos:


“- Como ouvir a voz de Deus falando a minha mente se os meus sentidos estiverem
embotados por alimentos estimulantes, cheios de gorduras e açúcares?”,
“-Como ter vitalidade do corpo, da mente e do espírito quando se come coisas que
não trazem saúde ao corpo?”

115
Honramos a Deus quando cuidamos do templo Dele, e isso não é só uma opção,

mas um dever. Daniel e seus amigos quando chegaram no campo transcultural da Babilônia,
mesmo que tivessem sido levados para aquele lugar na condição de prisioneiros adotaram
uma postura de servos e testemunhas pessoais do Deus Eterno. Em meio à riqueza e
variedade alimentícia que pudessem existir em um banquete real, não sabendo a total

procedência daquela alimentação, Daniel e Hananias, Mizael e Azarias “decidiram fielmente


não se contaminar com as finas iguarias do rei “(Daniel 1:8), e a aquela escolha abriu
avenidas para uma maior atuação divina ao ponto que eles se destacaram dos demais na

sabedoria, inteligência e vitalidade. É bem verdade que existem missionários que estão em
regiões onde a comunidade possui alimentação bem diferente da de origem, ou devido aos
poucos recursos sentem dificuldades em se alimentarem de forma devida. Mas alimentar-
se bem está mais ligado com a simplicidade do que com itens caros. Se não cuidarmos da

nossa alimentação nosso sistema imunológico, responsável por defender nosso organismo
de doenças ficará fraco e teremos mais facilidade em adoecer e o trabalho ficará
prejudicado. É importante ter atenção com a alimentação dentro das possibilidades que se

tem dentro do campo ao qual se está inserido.


Juntamente com a alimentação outras duas vias de acesso a nossa alma requerem
atenção, pois segundo a Palavra do Senhor somos transformados em semelhança ao que
contemplamos. “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por

todos os homens, sendo manifesto que sois carta de Cristo, feita por nosso ministério,
escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedras, mas em
tábuas de carne de coração” (2 Coríntios 3:2,3).
“Mas todos nós, com rosto sem véu, contemplando como em espelho a glória do
Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória, como pelo Senhor o
Espírito” (2 Coríntios 3:18). As nossas crenças, desejos e sentimentos são potencialmente
influenciados por aquilo que ouvimos. Seremos moldados aos padrões que muito nos

expusermos. Sendo carta viva do Senhor escrita pelo Espírito Santo nossos ouvidos e olhos
precisam se demorar naquilo que contribua para que o Espírito do Senhor Se registre em
nós.

O campo missionário é um local de descobertas e amplificação do que somos em


nosso dia-a-dia. Não seremos cristãos verdadeiros em terras estrangeiras se não formos
cristãos em nossa terra de origem. Ninguém se torna mais santo pelo fato de estar em outro
país como missionário, antes a santificação do ser humano é o processo de uma vida
desenvolvida passo a passo na presença do Senhor. É claro que a mudança de ambiente,

116
as novas experiências podem levar a uma proximidade maior com Deus. Mas assim como

pode levar pra perto, também pode levar pra longe de Deus.
O campo missionário é um local de saudade. Saudade de casa, da família, da cidade,
da igreja local, do seu antigo quarto, dos seus antigos hábitos, e a saudade fere e pode até
adoecer. É normal sentir saudade, é natural o estranhamento do lugar, das pessoas, clima

e nova rotina. Alguns passam por isso de uma forma mais tranquila, outros nem tanto, mas
o estranhamento e a saudade chegam para todos. Talvez a grande questão seja como você
escolherá lidar com cada episódio de saudade.

O campo missionário poderá ser um local solitário mesmo para quem acredita e
tem a Deus. A solidão está mais relacionada com questões emocionais e psíquicas do que
com a quantidade de pessoas que se tem ao lado.
O campo missionário pode ser um local de adoecimentos. Elias adoeceu

emocionalmente frente às pressões que estava vivenciando e chegou a pedir a morte. O


profeta Elias tinha a Deus, andava com Deus, eram íntimos, mas a depressão pode chegar
para qualquer um. A depressão de Elias não estava relacionada com a falta de Deus, tanto

que o próprio Deus foi responsável pelo tratamento de Elias.


O campo missionário pode ser um local de duros ferimentos que podem ser
causados pela falta de apoio da liderança, falta de companheirismo, limitação dos recursos,
desinteresse pastoral, falta de investimentos, falta de empatia, desorganização, abandono,

adoecimento, família que tem dificuldade em adaptar-se, um companheiro que quer voltar,
acidentes, quedas espirituais, a insegurança, o imprevisível. Irão acontecer situações que
parecerão que tudo está dando errado, e é em momentos como esses que será necessário
lembrar que com a morte de Jesus na cruz naquela sexta-feira tudo também parecia ser o
fim dos planos e sonhos dos discípulos. Mas o que parecia ser o fim para os discípulos era
apenas o início do maio evento da história, a ressurreição de Cristo.
A gravidez de Maria e José abalou a moral, mas estava nos planos de Deus.

A morte e apedrejamento de Estevão, tão jovem, tão fiel, tão importante para igreja
primitiva, glorificava o nome de Deus.
A morte de Tiago e a libertação de Pedro. A prisão de Paulo. Quantas viagens do

apóstolo Paulo não deram certo, quantos planos foram frustrados, quantos acidentes
ocorreram, e quando tudo isso que nos levaria a crer que deu tudo errado, eis que pudemos
enxergar as maiores vitórias do evangelho.
Se existe um lugar onde mais do que nunca podemos ter a certeza de estar na
palma da mão de Deus, esse lugar é o campo missionário.

117
Pode parecer que está tudo dando errado, mas se você deixar Deus exercer o

controle, tudo estará dando certo.


“E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o
caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para esquerda, nem para a direita” (Isaías
30:21).

O campo é um local de duras batalhas, porém, imensurável crescimento.


Local de troca, aperfeiçoamento e desenvolvimento de habilidades que nunca
poderiam ser desenvolvidas se fosse escolhido permanecer em uma área de conforto.

O campo missionário contribui para o enriquecimento cultural e intelectual,


conhecimento de novos lugares, diferentes cosmovisões, aperfeiçoamento em meio aos
desafios. Mas as maiores contribuições de se viver em campos missionários só poderão ser
conhecidas na eternidade: O despovoamento do inferno e o reencontro dos filhos amados

de Deus com o Jesus Salvador.


Estar no campo missionário é o atingir do sentido da vida, do ápice da utilidade
humana, da edificação para o que é eterno.

118
“Evangelismo: Seja sábio na forma de se dirigir a
estranhos. Aproveite o máximo de cada
oportunidade. Deixe que seu discurso seja
sempre cheio de graça. Ouvir o que vai no
coração das pessoas é a primeira coisa que você
deve fazer. Não tenha medo da verdade.”

Discipleship Journal

119
Como evangelizar?

A evangelização é o ato de difundir os ensinamentos das boas novas do evangelho.


Essa é a principal tarefa da igreja e pode ser desenvolvida de diferentes formas.

Vamos dizer que você é um missionário que mantém uma vida de oração e estudo
da Bíblia e já entendeu que precisa cumprir a ordenança da pregação do evangelho, mas
não sabe como dar início a um processo de evangelização. Qual deveria ser então o

primeiro passo para iniciar um trabalho evangelístico?

1. Faça uma pesquisa de campo. A Pesquisa de campo é uma etapa metodológica da


pesquisa científica que consiste basicamente da observação, coleta de dados, análise e
interpretação de fatos e fenômenos que ocorrem dentro do cenário e ambiente naturais
de vivência em que serão trabalhados. Em outras palavras, a pesquisa de campo seria
um reconhecimento da área, conhecer as características das pessoas para as quais se

vai pregar. Fazer isso pode facilitar na escolha de que abordagem usar, quais projetos
e programas sociais, como melhor contribuir com aquela população, fazendo com que
o trabalho tenha maior probabilidade de dar frutos.

Jesus nos ensinou em Lucas 14:28-30: "Qual de vocês, se quiser construir uma torre,
primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para
completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem

rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.”
Pesquisa e planejamento são essenciais em um evangelismo.
Já imaginou fazer uma ação social com distribuição de roupas e alimentos em um bairro de
classe média alta? Que sentido teria? Ou quem sabe fazer um curso de planejamento e

investimento financeiro em uma comunidade extremamente pobre, com alto índice de


violência e negligência contra crianças? Com o mínimo de sensatez é possível perceber que
serão ações pouco efetivas com base no público com qual se está trabalhando.

O apóstolo Paulo quando falou para os atenienses deixou claro que antes de começar
a evangelização andou pela cidade reparando como era a cultura local, os hábitos da
população, estilo de vida, quais os deuses que eram comuns no meio daquele povo e até
mesmo se os atenienses já tinham algum conhecimento sobre o Deus o Verdadeiro.

120
2. Contextualize a mensagem. Foi exatamente isso que Jesus fez ao utilizar parábolas e
elementos da natureza e da vida comum em seus sermões. Jesus conhecia o Seu
público, sabia que a maior parte era formada por trabalhadores rurais, pescadores,
iletrados. Jesus então utilizou exemplos que faziam sentido dentro daquela realidade

social. Existem comunidades que são mais voltadas para o conhecimento formal
científico, outras são mais audiovisuais, artísticas, a depender da idade será preciso à
utilização de atividades lúdicas, o que nos faz lembrar que cada evangelização irar

requerer esforços específicos.

3. A utilização de projetos, eventos e programas sociais podem servir como pontes para
a evangelização. Após a investigação e estudo da comunidade em que se vai trabalhar,

poderá ser possível identificar problemas sociais existentes bem como potencialidade.
Demanda identificada, é o a hora de utilizar a criatividade para executar alguma ação
que contribua para a comunidade. Os projetos sociais podem ser inúmeros, desde uma

feira de saúde, ações sociais, sopões, limpeza de praças, distribuição de alimento,


oferecimento de cursos profissionalizantes, aula de música, teatro, culinária, costura etc.
Os projetos sociais possuem a capacidade de dar visibilidade para quem os realiza. A
sociedade vê com bons olhos quem pratica ações de ajuda humanitária de forma

desinteressada, sem pedir nada em troca. E isso além de ser um papel da igreja é uma
forma de apresentar o amor verdadeiro de Deus.

4. Optando ou não pela realização de projetos sociais, uma ponte muito importante para
a evangelização é o a apresentação do testemunho pessoal. Missão tem a ver com
relacionamento, relacionamento com Deus e com as pessoas. Então, o estabelecimento
de relacionamentos edificantes contribui para os próximos passos no processo de

evangelização.

5. Estabelecido um contato, eis o momento de você começar a apresentar as boas-novas.


Esse momento ocorrer após um dia, uma semana, ou até mesmo anos, o importante é

sempre buscar situações que favoreçam a apresentação do evangelho, que pode se dar
a partir do estudo da bíblia de forma direta, pregação de sermões, convites para ir a um
culto ou encontro evangelístico, músicas, entrega de literaturas evangelísticas etc.

121
Independente do formato o que deve ocorrer é a apresentação direta da mensagem

que deve estar centrada na Bíblia que é a Palavra de Deus. Não existe outro evangelho
a não ser o que está na Bíblia.

6. Se houve um “sim” para o evangelho, então é o momento de dar início ao discipulado.

O trabalho não acaba com a conversão, ao contrário, a conversão dá início ao processo

de discipulado, que objetiva ajudar o crente a crescer espiritualmente . Discipulado é o

aprender e ensinar a seguir e obedecer a todos os mandamentos de Jesus. Todo crente

é chamado para ser discípulo e fazer outros discípulos. O discipulado põe a fé em ação
e deve ser realizado por todo aquele que tem conhecimento da Bíblia, pregando,
fazendo estudos bíblicos, acompanhamento e aconselhamento.

7. Em meio ao processo de discipulado o crente deve ser apresentado ao batismo. O


termo batismo é uma transliteração do grego baptismõ para o latim baptismus, o qual
pode ser traduzido por "batizar", "imergir", "banhar", "lavar", "derramar", "cobrir",

"tingir" ou "purificar". O ministério público de Jesus Cristo iniciou-se após o Seu batismo
por imersão nas águas do Rio Jordão (Mateus 3:13, 16). A Bíblia compara o batismo a
um sepultamento (Romanos 6:4; Colossenses 2:12), o que significa que quando a pessoa

é mergulhada na água é como se a vida que ela levava regida pelos seus desejos
pecaminosos, morresse. Quando a pessoa levanta da água é como se ela começasse
então uma nova vida, voltada para a realização da vontade de Deus. O batismo além
de um rito de passagem é também um sinal público de que a pessoa tem fé no sacrifício

de Jesus Cristo e que acredita que o sangue de Jesus tem poder para purifica-lo de todo
pecado e guarda-lo até o grande dia da volta de Cristo.

8. Realizado o batismo, qual o próximo passo? Em Atos 2:43- 47 observamos


que o processo de evangelização da Igreja primitiva não se encerrava com o ato do

batismo, antes, os recém convertidos eram cuidados em suas necessidades e inseridos


em uma comunidade. O processo de discipulado continua após o batismo. Os novos
discípulos devem passar a frequentar as reuniões de culto, ter novos amigos, ir às casas

dos irmãos, e ser também envolvido na tarefa de evangelização de outros.

122
Um dos maiores erros da igreja atualmente é o abando ou descuido com os recém-

conversos. Logo ao nascermos o ser humano é alvo de uma série de cuidados. Não se
espera que um bebê de poucos dias coma uma feijoada, ou adquira o seu próprio sustento,
vista sua própria roupa, ou vá a lugares sozinhos. Assim também ocorre com a experiência
do novo nascimento. Os novos irmãos necessitam ser apoiados, instruídos, amados,

tolerados, corrigidos, atendidos em suas necessidades, inseridos no conjunto de práticas e


costumes da comunidade religiosa.
Se a evangelização se der em um campo transcultural, ou região distante do local

de origem dos evangelistas, a Igreja deve se programar para deixar cuidadores e investir na
formação e preparo de uma liderança local. Todo mundo concorda que não é o correto
gestar um filho no meio de uma floresta, parir e depois abandona-lo lá sem o mínimo de
garantia de sobrevivências né?

9. Depois que um discípulo foi discipulado e já está inserido no processo de discipulado


de outros é então ai o momento de dar início a um novo processo de discipulado, com

outras pessoas, porque já aconteceu a “mitose do evangelho”.

10. E se caso a pessoa aceitar ouvir a mensagem e não aceitar ser discipulada ou batizada?

Daí vai ser necessário relembrar algumas questões:


- A obra não é nossa é de Deus. Nosso papel é lançamos as sementes, mas quem faz
com que elas germinem é o Espírito Santo.
- Infelizmente existem pessoas que nunca aceitarão o evangelho.
- Não foque em números de batismos, foque-se no processo de despovoamento do
inverno e povoamento no céu.
- Pode ser que a semente de uma evangelização demore anos e até gerações para dar
frutos. Lembre-se: “Os verdadeiros resultados nós só obteremos no céu”.

“Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes
qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas” (Eclesiastes
11.6).

123
“Missão está onde você estiver.”

Fred Nuckley

124
Quando o missionário também
precisa ser alcançado

Nesse momento gostaria de convidar você a abrir a sua Bíblia no livro de Jonas.
Vamos começar do início, quando o Senhor Deus veio até Jonas deu a ordem de ir
à cidade de Nínive pregar uma mensagem de exortação devido ao grande pecado da
população.

Quem era Jonas? Jonas era um profeta de Deus, um mensageiro, a boca do Senhor
para a sua geração. Só que parecia que as coisas não estavam indo muito bem na relação
de Jonas com Deus, porque ao invés de Jonas ir em direção a Nínive, o escolhido do Eterno

partiu em direção a Társis. Foi então que Jonas dormiu no barco enquanto fugia para Társis.
A Palavra do Senhor afirma que Jonas dormiu um sono profundo. É interessante observar
que o sono além de ser um estado de relaxamento do corpo, é muito utilizado por pessoas
como uma forma de fuga e negação da realidade. Muitos dormem para não ter que lidar
com os seus problemas.
Mais uma vez Deus vai atrás de Jonas, só que agora através de uma forte tormenta.
Jonas é então jogado pelos seus companheiros de viagem no mar, e algo miraculoso

acontece quando o Altíssimo providencia um grande peixe para engolir Jonas. O intuito de
Deus não era matar Jonas, mas salva-lo.
Você acha que Deus já não sabia o se passava no coração de Jonas?
Você acha que Jonas pegou Deus de surpresa ao fugir para Társis?

Já parou pra pensar o porquê de Deus ter insistido para que Jonas fosse para Nínive?
Será que Jonas era assim tão "insubstituível" que só ele poderia ir e pregar em Nínive?
Já que ele fugiu a primeira vez não seria esse um motivo suficiente para o Senhor ficar

ofendido e não aceitar mais Jonas na obra?


A questão não é que Jonas era insubstituível, é que Deus além de salvar a cidade
de Nínive, também queria salvar Jonas. Pesquisas apontam que o melhor método para a
memorização e aprendizagem é através do ensino de outros.

Enquanto ensinamos outros sobre Jesus, nós também somos ensinados, enquanto
discipulamos somos discipulados.
Naquele peixe o Senhor deu mais uma oportunidade a Jonas. O profeta, orou,
clamou e pediu por socorro, Deus o retirou das profundezas do mar e o lançou em terra

125
firme, e foi só depois disso que Jonas partiu para Nínive. A vida é feita de processos, se

Jonas tivesse ido para Nínive sem titubear, e tivesse pregado sem mostrar a Deus o real
desejo do seu coração, Nínive possivelmente teria sido salva e Jonas continuaria perdido.
Deus não quer só o nosso serviço, Deus quer o nosso coração. Não importa o
quanto nós fizermos para Deus, se o a nossa alma não estiver em sincera ligação com o

Altíssimo poderá ser que por misericórdia Dele o nosso serviço dê frutos, mas a nossa alma
ainda continuará perdida.
Deus quer nos salvar enquanto usa a nossa vida para salvar outros.

Ao chegar à Nínive e observar toda a região Jonas começou a pregar e o povo


começou a se arrepender. É importante lembrarmos que Deus estava planejando destruir
aquela cidade devido ao elevado pecado do povo, e, no entanto, ao ouvir a mensagem do
Senhor aquelas pessoas começaram a demonstrar temor. Quantos milhares estão envoltos

no pecado, e são jugados socialmente como perdidos, quando na verdade se tão


prontamente ouvissem a mensagem do Senhor estariam tão prontamente dispostos a
mudar de vida.

Milhares estão perecendo por falta de conhecimento.


O rei de Nínive demonstrou arrependimento e proclamou jejum coletivo no meio
do povo. Um rei pagão, que estava ao ponto de ser vomitado da boca do Senhor promove
agora uma marcha de conversão aos caminhos do Altíssimo.

Louvado seja o nome do Senhor por não proclama os Seus juízos sem antes nos dar
oportunidade para o arrependimento!
Contudo, mais uma vez Jonas se apresenta revoltado para com Deus. A revolta
surge no coração daqueles que não estão encontrando alegria no Senhor. Vemos que não
era só a cidade de Nínive que necessitava de proclamar um jejum de humilhação em
arrependimento.
O livro de Jonas não nos diz o fim da história de Jonas.

Já pensou na possibilidade de Deus não ter revelado o fim do livro de Jonas, por
ser a vida de Jonas uma representação da escolha que todos os filhos de Deus chamados
para serem coparticipantes na obra de resgate da salvação de outras almas necessitem

fazer?
O evangelho nunca foi sobre nós, sobe o que podemos fazer ou sobre quão bom
somos. O evangelho é sobre Deus, sobre o que Ele pode fazer e quão Bom, Puro, Perfeito
e Poderoso Ele É.

126
“Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração. Entrega o teu

caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Fará sobressair a tua justiça como a luz
e o teu direito, como o sol ao meio-dia. Descansa no SENHOR e espera nele, não te irrites
por causa do homem que prospera em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus
maus desígnios. Deixa a ira, abandona o furor; não te impacientes; certamente, isso acabará

mal. Porque os malfeitores serão exterminados, mas os que esperam no SENHOR possuirão
a terra. Mais um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio; procurarás o seu lugar e não o
acharás. Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Salmos

37:4-11 ARA).

127
“Tente fazer grandes coisas para Deus e espere
grandes coisas de Deus”.

Guilherme Carey

128
O que te falta para ir cumprir o Ide?

Segundo o Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


em 2010 havia cerca de 42,3 milhões de evangélicos no país, o que representava 22,2% da

população brasileira. Considerando que estamos em 2019, e a as projeções estatísticas


projetavam uma crescente da população cristã evangélica no país, esses dados atualmente
devem estar hoje muito maiores.
Levantando uma hipótese a grosso modo poderia dizer que se cada cristão

estivesse comprometido em batizar uma pessoa por ano, no período de 4 anos teríamos
um país alcançado pelo evangelho. É claro que nem todos aceitariam a mensagem e seriam
batizados, mas a questão é para refletirmos que a evangelização do mundo é algo possível,

não pelos meios humanos, mas com a atuação do poder Divino.

“Se orarmos, se buscarmos, se nos convertermos dos nossos maus caminhos


(2Crônicas 7:14)” terminaremos a obra do evangelho mais rápido do que

imaginamos. Não nos falta poder, não nos faltam meios, não nos faltam
oportunidades, o que nos falta é obediência e amor pelas almas.

Já pensou que Deus quer usar você como resposta de oração?


Ouse ser a resposta da oração daqueles que tem fome.
Ouse ser a resposta da oração de uma criança que sofre abusos.
Ouse ser a resposta de jovens depressivos.

Ouse ser a resposta daqueles que querem conhecer a Deus.


Ouse ser a resposta de mães que sofrem pelo luto dos seus filhos.
Ouse ser a resposta daqueles que estão com diagnósticos terminais.

Ouse ser a resposta dos estrangeiros, refugiados, de quem vive em condição de


guerra.
Ouse ser a resposta daqueles que nunca oraram, mas também são alvos do amor
de Deus.

Como ser a resposta? Sendo instrumento nas mãos de Deus.


Não existe maior sentido na vida do que ser o que Deus quer que você seja.

129
Luz, sal, seta, resposta de oração de uma humanidade que clama por alívio.

Alguns têm retardado a sua ida ao campo missionário e envolvimento com missões
devido à falta de apoio familiar, entretanto, entenda que devemos amar a nossa família, só
não devemos amar a nossa família acima de Deus. O Senhor Deus deve ser sempre o
primeiro da vida, acima de todos os nossos amores e antes de todas as vontades. Jesus no

início do Seu ministério não foi compreendido por Seus familiares e sofreu oposição dos
Seus irmãos de sangue que o chamavam de louco e afirmavam que ele estava fora de si
(Marcos 3:21).

Davi, José, Moisés, Jó, Ló, Jacó... E tantos outros tiveram que lidar com a oposição
familiar ao buscarem caminhar em direção à vontade do Senhor. Nem todas as pessoas
possuem uma família que dê apoio ou suporte na caminhada missionária. Lembre-se, que
a Palavra do Senhor nos diz que seríamos maltratados, odiados, renegados, até mesmo

pelos da própria família.


Jesus disse ainda que os Seus irmãos eram todos aqueles que faziam a vontade do
Seu Pai. Confie, nunca ficaremos sem uma família nessa terra.

O Senhor sempre proverá uma família espiritual para nos amparar. Ore por sua
família. Ore por aquelas pessoas que você ama e não apoiam o seu chamado, que não
desejam lhe acompanhar na pregação, e que tem causado tristeza ao seu coração. Assim
como Deus está interessado na sua salvação e na salvação de outros, Ele também está

interessado na salvação da sua família.


A falta de apoio em alguns momentos pode vim até mesmo da igreja. Sempre
enfatizamos aqui a importância de não irmos sozinhos para o campo, termos conhecimento
doutrinário e apoio dos pastores e irmãos. Porém, por vezes nos depararemos dentro da
igreja com a falta de apoio, burocracias, hierarquias, realização de outras programações e
projetos que por vezes acabam limitando a realização da missão e do envio de missionários
transculturais. Se em algum momento da sua vida você se deparar com a falta de apoio da

igreja, peça a Deus de forma sincera a Sabedoria para saber como agir. Peça submissão aos
líderes e entendimento para lidar com os motivos do não envio e a falta de apoio no que
diz respeito a ofertas e até mesmo empatia. Saiba que os maiores missionários da história

incluindo o maior deles, Jesus, não tiveram o apoio direto da Igreja oficial da época que o
não reconhecia como o Filho de Deus. No entanto, nunca faltou a Jesus uma comunidade
que Lhe desse suporte. Paulo no início do seu ministério passou três anos após sua
conversão para ter algum contato com os líderes da igreja, e só foi apresentado

130
oficialmente 14 anos depois do início do seu ministério e por muito tempo a igreja oficial

alimentou dúvidas sobre o ministério de (Ver Gálatas 1 e 2).


Leia biografias de missionários que marcaram a história e observe como a maioria
deles em algum momento não foram motivos de crença por seus pastores e líderes. Mas
assim como Jesus, todos permaneceram firmes, guardando os mandamentos, respeitando

o templo, as autoridades e até mesmo aqueles que os perseguiam.


O que te falta para ir cumprir a missão?
Você consegue responder?

131
Atos 29

Somos a continuação de uma história.


Tá que Lucas parou de registrar os atos dos apóstolos no capítulo 28, mas a igreja

cristã segue se desenvolvendo, discípulos se espalhando pelo mundo, pregando o


evangelho, gente sofrendo perseguição, morrendo em prol do evangelho, o Espírito Santo
sendo derramado, muitas conversões, milagres curas, e a mão do Senhor agindo em meio
a tudo isso.

Lembro que quando tinha 15 anos resolvi fazer uma ação social para arrecadação
de alimentos para doação no período do Natal. Chamei um amigo e juntos conseguimos
um espaço público, contatamos profissionais de saúde e estética, fomos em rádios, saímos

convidando o máximo de pessoas que podíamos. No dia do evento os colaboradores


estavam lá, o lanche estava pronto, as mesas postas, e durante todo o dia caiu uma chuva
tão forte, mais tão forte que apenas seis pessoas compareceram a aquela ação social. Me
recordo que as pessoas ficaram preocupadas, alguns amigos meus mais velhos vieram

conversar tentar me consolar, e falar que “Deus sabia de todas as coisas” e que “tinha sido
bom”, e várias outras coisas que as pessoas dizem para amenizar a tristeza frente a uma
frustração.

Confesso que apesar da euforia, correria e tentativa de me manter alegre, no fundo


estava me sentido um fracasso, sabe. Ficava tentando esconder que a ideia que se passava
na minha mente era: “- Por que Deus permitiu que tudo desse errado?”, eu só estava
tentando fazer alguma coisa boa, arrecadar alimentos, ajudar pessoas, pregar o evangelho

de alguma forma. E daí tempos depois uma mulher chegou até mim e disse que naquele
dia, em que tudo tinha fracassado para mim, ela teve um encontro com Deus. Da minha
derrota ela tirou beleza, disse ter achado a coisa mais linda dois adolescentes organizando

uma ação social, ter visto os esforços para que tudo desse certo, e mesmo em meio a forte
chuva mantínhamos a esperança de que alguém fosse chegar. Amigos, aquele dia foi tão
vergonhoso pra mim, mas se da minha vergonha aquela mulher tirou algo bom e viu Deus,
tudo valeu a pena.

Anos depois, já na faculdade me escolheram pra organizar uma ação social que mobilizava
mais de mil jovens, e quem era que tinha alguma experiência no assunto?

132
Isso mesmo, eu! E tudo pareceu ter sentido. Deus só estava me preparando para

me usar lá na frente. As nossas aparentes derrotas podem ser vitórias no Reino se


estivermos nas mãos do Senhor.
Jovem, Deus quer te usar com o que você é, com as suas peculiaridades, com os
seus dons, seu sorriso, com a sua forma diferente de pensar. Eu sei que as vezes não

encontramos espaço e apoio, nos sentimos desapoiados por líderes, pastores, que nos
mobilizam, mas na hora de demonstrar o seu apoio de forma prática acabam falhando.
Jovens, não desistam da obra por nem sempre encontrar espaço dentro da igreja.

Saiba que a verdadeira igreja de Deus não se restringe a um templo, paredes e liderança
humana. A verdadeira igreja de Deus está lá fora, espalhada pelo mundo.
Jovens, se João Batista tivesse alugado um ponto comercial e começado a pregar
ali, apenas esperando as pessoas irem até ele, talvez ele não tivesse alertando tanta gente

sobre a chegada do Reino dos Céus, de modo que os corações ficassem receptivos a
mensagem que viriam em alguns dias por intermédio de Cristo. João Batista estava no
deserto, nas praias, na beira do Jordão, nos palcos públicos da vida comum.

Jovens, se Saulo tivesse esperado que a igreja toda acreditasse que ele tinha
mudado, que agora ele era o Paulo, um verdadeiro discípulo de Jesus, para só então ir rumo
a missão, ou se tivesse esperado que os irmãos lhe mandassem ofertas para custear suas
viagens, possivelmente ele não teria alcançado o mundo antigo com o evangelho.

Jovem, é privilegio nosso sermos mensageiros do Senhor. Ore, crie estratégias,


mesmo sem saber muito, como, para onde, mesmo sem apoio, sem grande desejo, mas se
tiver uma chaminha em seu coração se apegue a ela e a faça crescer.
Nós somos a continuação dessa história. Somos os mensageiros para essa geração.
O trabalho é só por uma vida, logo tudo passará, mas somente o que é eterno irá durar.
De que lado você vai querer passar a eternidade?
Como você quer passar por essa vida?

Qual o legado? Quais os frutos?


Cristo entregou uma tocha, Pedro levou o trecho dele, Paulo espalhou pelo mundo,
Lutero fez com que ela não se apagasse e hoje ela está em nossas mãos.

Hora de ir. Porque a história continuar, Jesus precisa voltar!

133
Referências

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2008. 1110 p. Velho Testamento e Novo Testamento.

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MELTZER, Milton. História ilustrada da escravidão. São Paulo: Ediouro, 2004. ISBN
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134
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cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião. Brasília: IBGE, 2012.

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INTERNATIONAL COUNCIL OF ETHNODOXOLOGISTS. O Que é Etnodoxologia? Dallas:


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Que Deus abençoe a todos!

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