Você está na página 1de 19

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

SETOR DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E DE TECNOLOGIA


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE MATERIAIS

BRUNO GARCIA DE ASSIS


EDUARDO FELIPE NEVES
FÁBULO RIBEIRO MONTEIRO
RODRIGO SOWA

CARACTERIZAÇÃO DE ARGILAS

PONTA GROSSA
2016
BRUNO GARCIA DE ASSIS
EDUARDO FELIPE NEVES
FÁBULO RIBEIRO MONTEIRO
RODRIGO SOWA

CARACTERIZAÇÃO DE ARGILAS
Relatório apresentado como requisito parcial
para aprovação na disciplina de ensaios e
caracterização de materiais na Universidade
Estadual de Ponta Grossa. Área Materiais
Cerâmicos.
Professora Cláudia Francine Machado
Canova.

PONTA GROSSA
2016
LISTAS DE ILUSTRAÇÕES

Gráfico 1 – Umidade nos corpos de prova...................................................................9


Gráfico 2 – Retração de queima.................................................................................10
Gráfico 3 – Perda ao fogo..........................................................................................11
Gráfico 4 – Porosidade aparente................................................................................12
Gráfico 5 – Absorção de água....................................................................................13
Gráfico 6 – Densidade aparente.................................................................................14
Gráfico 7 – Módulo de ruptura....................................................................................15
Gráfico 8 – Tensão máxima aplicada referente a argila do grupo 10........................18
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Ensaio Módulo de Ruptura Argila Grupo 10.............................................18
Tabela 2 – Dados para plotagem dos gráficos 1, 2, 3 e 4..........................................19
Tabela 3 – Dados para plotagem dos gráficos 5, 6 e 7..............................................19
SUMÁRIO

1 OBJETIVO ............................................................................................................... 6
2 MATERIAIS E MÉTODOS ....................................................................................... 7
2.1 MATERIAIS ....................................................................................................... 7
2.2 MÉTODOS ........................................................................................................ 7
2.2.1 Preparação dos corpos de prova ............................................................... 7
2.2.2 Ensaio de flexão sob 3 pontos ................................................................... 8
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 9
5 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 16
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 17
APÊNDICE ................................................................................................................ 18
6

1 OBJETIVO

Continuar a caracterização da argila vermelha, observando conceitos como


a porosidade aparente, absorção de água, retração ao fogo, umidade, perda ao
fogo, densidade e módulo de ruptura, o mesmo obtido através do ensaio de flexão
em três pontos.
7

2 MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 MATERIAIS

Utilizou-se argila vermelha como matéria prima para confecção dos corpos
de prova, almofariz e peneira de mesh #60 para desaglomerar as partículas grandes
presentes na argila, prensa hidráulica (P10ST,Bovenau, carga máx 10 TON) para
conformação do pó, balança analítica, estufa (31SSE Fonem) a 100°C para eliminar
água residual, forno mufla na temperatura de 1000°C durante 1 hora, e máquina
universal de ensaios (Autograph-AG-I Shimadzu – de carga máxima de 10kN) para
ensaio de ruptura.

2.2 MÉTODOS

2.2.1 Preparação dos corpos de prova

Moeu-se a argila ainda bruta (com torrões) em almofariz, seguido de


peneiramento em peneira de mesh #60, o peneiramento seguiu-se até que todo o
material passasse, obtendo-se cerca de 800g de argila moída.
Prensou-se o pó de argila então uniaxialmente em uma prensa hidráulica
(P10ST – Bovenau – 10 TON) em 12 corpos de prova com formato retangular
(molde com 60,52mm de comprimento e 20,36mm de largura) utilizando-se 10g
aproximadamente do pó para o preparo de cada corpo de prova. A carga utilizada na
prensagem foi de 3,65 toneladas durante 15 segundos. Pesou-se e mediu-se cada
uma das amostras, calculou-se então a sua densidade a verde.
Já prensados, os 12 corpos de provas ficaram em uma estufa (31SSE
Fonem) por 24 horas, para eliminar a água residual, então novamente mediu-se e
pesou-se os corpos de prova. Já secas, as pastilhas foram sinterizadas em uma
mufla a 1000°C durante uma hora, tendo suas dimensões e seu peso após queima
aferidos.
Após 24 horas imersas em água, pesaram-se os corpos de prova
individualmente para obter seu peso úmido.
Utilizou-se uma balança hidrostática para realizar o peso imerso através do
principio de Arquimedes. Então os corpos de prova foram novamente para uma
estufa para secagem.
8

2.2.2 Ensaio de flexão sob 3 pontos

Após a secagem, realizou-se o ensaio de flexão sob 3 pontos, utilizando-se


a máquina universal de ensaios (Autograph-AG-I Shimadzu10kN), com uma
velocidade de 0,5mm/min. O ensaio consiste no corpo de prova colocado sobre dois
apoios por suas extremidades. Uma força é aplicada no centro do corpo até sua
ruptura e a partir dessa força é possível calcular o módulo de ruptura do material.
Mediu-se e a distância entre os apoios utilizados no ensaio. Por fim calculou-
se o módulo de ruptura de cada corpo de prova.
9

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados obtidos na prática foram dispostos em forma de gráficos, e os


valores comparados com os obtidos pelos outros grupos. Os grupos foram
numerados de 9 a 12, e receberam as respectivas argilas:
 Grupo 9: Argila Branca (número 1);
 Grupo 10: Argila Vermelha (número 3);
 Grupo 11: Argila Amarela (número 2);
 Grupo 12: Argila Cinza (número 4).
O grupo pertencente aos autores deste trabalho é o de número 10.
A primeira comparação foi feita em relação à umidade perdida dos corpos de
prova ao secarem em estufa, o gráfico 1 apresenta os valores médios obtidos com
seus respectivos desvios.

Gráfico 1 – Umidade nos corpos de prova.

Fonte: Os autores.

A porcentagem de umidade de cada argila foi calculada de acordo com a


porcentagem de massa média perdida dos corpos de prova após ficarem 24 horas
em estufa. Para isso foi utilizado o seguinte calculo:
10

Onde Pv é o peso a verde da amostra após prensado e o Ps é o peso seco


após estufa.
A argila amarela foi a que teve maior perda reduzindo 4,46 % de seu peso
sendo assim a argila com maior valor de umidade, já a argila cinza teve a menor
perda que foi de 2,65 %, as percas medianas ficaram com as argilas branca e
vermelha, ao calcular-se o desvio, nota-se que para a argila branca tem-se um
desvio maior, os corpos de prova desta argila tiveram percas de peso com grande
variação, possivelmente essa argila não tem uma umidade muito uniforme, ao
contrario da argila vermelha que teve o menor desvio, onde possivelmente tem-se
uma massa argilosa com umidade mais homogênea.
O gráfico 2 , mostra a retração de queima em % dos corpos de prova, ou
seja, quanto teve-se de variação nas dimensões dos corpos de prova após serem
sinterizados. Para isso foi utilizado o seguinte cálculo:

Sendo L o comprimento do molde e L’ o comprimento dos corpos de prova


após sinterizados.

Gráfico 2 – Retração de queima.

Fonte: Os autores.

A argila amarela apresentou a maior retração de queima tendo assim a


maior redução de suas dimensões, no caso da argila vermelha a retração foi menor
11

em torno de 2,09%, a retração de queima esta relacionada com fatores como a


conformação do pó durante a prensagem e o ligamento das partículas argilosas
durante a sinterização (empescoçamento) onde um pó com partículas menores tem
uma melhor conformação que pode ocasionar uma melhor sinterização
apresentando possivelmente uma maior retração.
Para o gráfico 3 tem-se a % de perda ao fogo das argilas, ou seja, a %
média de massa que as argilas perderam ao serem queimadas. A perda ao fogo
ocorre quando as argilas são elevadas a altas temperaturas (nesse caso a 1000°C
durante 1h), toda água que possa estar presente mesmo após a secagem é
evaporada e a matéria orgânica é decomposta ocorrendo assim uma perda mássica
dos corpos de prova. Essa perda pode ocasionar alguns buracos nos corpos de
prova, um aglomerado muito grande de matéria orgânica ao se decompor deixa um
buraco, esse buraco irá interferir nas características dos corpos de prova como
densidade e módulo de ruptura. Para determinar a perda ao fogo das amostras
usou-se o seguine cálculo:

Ps é o peso seco e Pq o peso pós queima.

Gráfico 3 – Perda ao fogo.

Fonte: Os autores.
12

Observou-se que a argila branca foi a que teve maior perda de massa, com
uma perda de aproximadamente 5,43% maior que a argila amarela, que apresentou
maior retração de queima no gráfico 2. A argila branca possivelmente continha uma
quantidade maior de matéria orgânica, apesar de ter uma grande perda mássica, a
argila branca não irá necessariamente ter uma densidade maior em relação as
outras argilas, pois como dito anteriormente, essa perda de matéria orgânica pode
gerar imperfeiçoes no corpo de prova alterando assim algumas de suas
propriedades . No caso da argila cinza, a sua perda ao fogo foi baixa, ela apresentou
também um valor baixo de umidade no gráfico 1, é provável que a quantidade de
água e matéria orgânica na argila cinza sejam menores em relação as outras argilas.
No gráfico 4 plotou-se os valores médios de porosidade aparente dos corpos
de prova, o método utilizado não é o mais preciso para determinação de porosidade,
pois existem poros que contém ar em seu interior , esses poros não serão
preenchidos com água interferindo na precisão do método.
Para o calculo da porosidade aparente usou-se o cálculo abaixo.

Onde Pu é o peso umido, Pq é o peso pós queima e Pi é o peso dos corpo


de prova imerso em água.

Gráfico 4 – Porosidade aparente.

Fonte: Os autores.
13

Observou-se que a argila branca teve a maior % de porosidade aparente,


comprovando assim, oque foi discutido no gráfico 3, provavelmente a grande perda
de massa durante a queima dela ocasionou um número maior de buracos vazios no
interior dos corpos de prova ( aumento de poros), com uma maior perda ao fogo e
maior porosidade aparente, é de se esperar que a argila branca tenha uma maior
absorção a água e uma densidade mais baixa.Já as argilas amarela e cinza tiveram
os menores valores de porosidade aparente, como discutido anteriormente, a
presença de poros internos preenchidos com ar interfere nas medidas de porosidade
dos corpos de prova, no entanto é evidente que tanto a argila amarela quanto a
cinza tem porosidade menor que a argila branca e a vermelha.
A absorção de água está diretamente relacionada com a porosidade de um
material, no gráfico 5 tem-se os valores de absorção de água das argilas. O valor da
absorção de água em módulo é obtido através do seguinte cálculo:

Sendo Pu o peso úmido e Pq o peso pós queima.

Gráfico 5 – Absorção de água.

Fonte: Os autores.

Como era esperado, a argila branca apresentou uma maior % de absorção


de água, ao comparar o gráfico 5 com ou outros gráficos, notou-se também que com
14

exceção dos gráficos 2 e 3 (retenção de queima e perda ao fogo), a argila vermelha


tem apresentado valores bem próximos da argila branca.
A densidade aparente dos corpos de prova que foi medida pelo método de
Arquimedese seus valores apresentados no gráfico 6 abaixo.

Gráfico 6 – Densidade aparente.

Fonte: Os autores.

Para o cálculo da densidade aparente, utiizou-se o cálculo mostrado a


seguir:

água

Onde Pq é a perda pós queima, Pu o peso dos corpos de prova úmidos e Pi


o peso imerso e água.

O gráfico 6 comprovou que a argila branca possui uma densidade menor


devido aos fatores discutidos anteriormente, já as argilas amarela e cinza
considerando seus desvios apresentaram quase o mesmo valor de densidade, e a
argila vermelha ficou com um valor intermediaria. A densidade dos corpos de prova
é influenciada por diversos fatores, como a boa compactação e bom sinterização
dos pós prensados, os componentes presentes na argilas como agentes fundentes
diminuindo os espaços vazios e até a temperatura, pois uma temperatura ineficiente
pode causar uma má sinterização dos corpos de prova.
15

O módulo de ruptura calculado a partir do ensaio de flexão em três pontos


está representado no gráfico 7 a seguir:

Gráfico 7 – Módulo de ruptura.

Fonte: os autores.

A argila branca apresentou módulo de ruptura de 8,98 MPa e desvio padrão


de ± 1,86 MPa, apresentando valor próximo ao da argila vermelha na qual obteve
7,20 ± 1,35 MPa. A argila amarela apresentou maior módulo de ruptura 21,92 ± 3,51
MPa corroborando os resultados de maior retração linear, baixa porosidade
aparente, baixa absorção de água, possivelmente pelo fato da sinterização ser mais
eficiente. Tendo melhor sinterização dos corpos de prova, tem-se menos poros,
maior densidade, há menos espaços vazios entre os grãos e os grão são mais
unidos. Justificando maior módulo de ruptura. A argila cinza apresentou módulo de
ruptura de 15,13 ± 1,5 MPa.
16

5 CONCLUSÃO

Apesar da argila amarela ter apresentado maior umidade , seus valores de


absorção de água não foram tão altos quanto a argila branca, a argila amarela
possiua uma maior quantidade de água de adesão, já a argila branca adquiriu água
devido a sua maior porosidades mostrando no gráfico 4, promovendo uma maior
absorção de água.
A argila branca apresentou a maior perda ao fogo, no entanto essa perda
não foi devida a uma sinterização efetiva com uma boa densificação, pois a mesma
argila apresentou o menor valor de densidades, essa maior perda de massa
provavelmente foi promovida pela decomposição de uma grande quantidade de
matéria orgânica presente na argila.
A argila cinza teve o maior valor de densidade, no entanto seu valor pode
ser considerado igual ao da argila amarela considerando-se seus desvios. A argila
amarela foi a que apresentou o maior módulo de ruptura, ela apresentou a maior
retração a queima junto a uma menor absorção de água e uma alta densidade
comparada as outras argilas, essas características mostram que os corpos de prova
feitos com argila amarela provavelmente tiveram uma melhor sinterização.
17

REFERÊNCIAS

1 FOUST, A. L. Princípios das Operações Unitárias. 2. ed. Rio de Janeiro:


LTC – Livros Técnico e Científicos Editora SA, 1982.
2 SILVA, A. P., SEGADÃES, A. M. & DEVEZAS T. C. – Relações Entre
Distribuição Granulométrica, Morfologia e Empacotamento de Partículas Num
Sistema Real: Alta-alumina. Univ. Beira Interior, Dept. Eng. Electromecânica,
Covilhã, Portugal, Univ. Aveiro, Dept. Eng. Cerâmica e do Vidro (CICECO), Aveiro,
Portugal.
18

APÊNDICE

Tabela 1 – Ensaio Módulo de Ruptura Argila Grupo 10


Amostra Largura Espessura Dist. Pontos Tensão máx.
(mm) (mm) inferiores (mm) (MPa)
1 4,45 8,5732
2 4,40 7,1229
3 4,30 8,9452
4 4,65 6,9154
5 4,45 5,6010
6 4,45 5,0405
7 19,85 4,45 40,00 9,7146
8 4,30 7,4428
9 4,40 7,3552
10 4,50 6,8505
11 4,40 6,1325
12 4,45 6,6628
Média 4,43 7,1964
Desv. Pad. 0,00 0,09 0,00 1,3550
Fonte: Os autores

Gráfico 8 – Tensão máxima aplicada referente a argila do grupo 10

Fonte: os autores
19

Tabela 2 – Dados para plotagem dos gráficos 1, 2, 3 e 4.


Grupo Umidade % Retração a queima % Perda ao fogo % Porosidade aparente %
9 3,32 ± 1,27 3,51 ± 0,2 11,96 ± 0,29 37,85 ± 0,74
10 3,68 ± 0,1 2,09 ±0,37 7,09 ± 0,1 35,26 ± 0,56
11 4,46 ±0,24 4,07 ± 0,23 6,53 ± 0,14 27,94 ± 1,01
12 2,65 ±0,47 3,07 ± 0,37 4,79 ± 0,13 27,86 ± 1,52
Fonte: Os autores.

Tabela 3 – Dados para plotagem dos gráficos 5, 6 e 7.


Grupo Absorção de água % Densidade aparente (g/cm³) Módulo de ruptura (Mpa)
9 22,5 ± 0,63 1,67 ± 0,01 8,98 ± 1,86
10 20,07 ±0,5 1,76 ± 0,01 7,2 ± 1,35
11 14,51 ± 0,46 1,88 ±0,03 21,92 ± 3,51
12 14,78 ± 1,16 1,89 ± 0,04 15,13 ± 1,5
Fonte: Os autores.