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Bullying Homofóbico e

Desempenho Escolar:
Dados de pesquisas e propostas de
enfrentamento
Bullying Homofóbico e
Desempenho Escolar:
Dados de pesquisas e propostas de
enfrentamento

Instituto de Psicologia da USP- 2015


PRESIDENTA DA REPÚBLICA
Dilma Vana Rousseff
VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Michel Temer
MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Pepe Vargas
SECRETÁRIO EXECUTIVO DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
Carlos Augusto Abicalil
SECRETÁRIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA
E DO ADOLESCENTE
Angélica Moura Goulart

- Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Endereço: Setor Comercial


Sul - B, Quadra 9, Lote C, Edifício Parque Cidade Corporate, Torre A, 10º andar, Brasília,
Distrito Federal, Brasil - CEP: 70308-200
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05507- 000
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desde que citada a fonte e com a autorização prévia e formal da SDH/PR.

Impresso no Brasil e Distribuição Gratuita.


Tiragem da Publicação: 5000 exemplares impressos; 500 CD-Rom

Catalogação na publicação
Biblioteca Dante Moreira Leite
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
Brasil. Presidência da República. Secretaria de Direitos Humanos. Secretaria Nacional
de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Bullying homofóbico e desempenho escolar: dados de pesquisa e propostas de
enfrentamento / José Leon Crochík (coordenador) ; Aline Mossmann Fernandes ... [et
al.]. – São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2015.
18 p.

ISBN: 978-85-68892-01-5

1. Bullying 2. Homofobia 3. Desempenho escolar 4. Preconceito I. Título.


BF637.B85
Grupo de Trabalho constituído para realização do material:
Coordenador: José Leon Crochík – Professor do Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo e Pesquisador do CNPq; coordenador do Laboratório de
Estudos sobre o Preconceito (LaEP/IP-USP)

Pesquisadores:
- Aline Mossmann Fernandes - Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie, membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito (LaEP/IP-USP).
- Karen Danielle Magri Ferreira – Doutoranda do curso de Psicologia Escolar e do
Desenvolvimento Humano do Instituto de Psicologia da USP e membro do Laboratório
de Estudos sobre o Preconceito (LaEP/IP-USP);
- Marcelo Moreira Neumann – Professor do curso de Psicologia da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, membro do Laboratório de Estudos sobre o Preconceito
(LaEP/IP-USP) ;
- Ricardo Casco – Pesquisador do Instituto de Psicologia da USP e membro do
Laboratório de Estudos sobre o Preconceito (LaEP/IP-USP);
Diagramador: Bruno Ayres Razera

Sumário
Apresentação _______________________________________________ p.4
Dados de Pesquisas __________________________________________ p.4
Diversidades de orientações sexuais ____________________________ p.7
Homofobia Geral e Homofobia Específica _______________________ p.7
Bullying, preconceito e discriminação ___________________________ p.8
Hierarquias Escolares e Autoridade ____________________________ p.10
Pesquisa sobre bullying homofóbico escolar ______________________ p.11
Propostas para o combate ao bullying homofóbico escolar __________ p.16
Notas ______________________________________________________ p.17
Apresentação

O
objetivo deste trabalho é trazer esclarecimentos para docentes e
discentes a partir dos anos finais do Ensino Fundamental, que permitam
fortalecer o enfrentamento ao bullying homofóbico. Para isso, vamos
apresentar dados levantados em pesquisa bibliográfica pertinente ao tema, dados da
pesquisa “Bullying sexual homofóbico e hierarquia escolar” – realizada pelos membros
do Laboratório de Estudos Sobre Preconceito do Instituto de Psicologia da USP e
financiada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – e sugerir
métodos de intervenção a ser adotados nas escolas.

O intuito é transmitir informações para que professores e alunos possam dissertar


com maior tranquilidade sobre o assunto, tendo em vista as dificuldades inerentes ao
tema, sejam devidas às suas próprias posições, ao receio da reação dos pais e alunos
e/ou aos tabus acerca da sexualidade, enraizados em nossa sociedade.

Dados de Pesquisas

O
s dados da violência sobre essa parcela da população são notáveis:

- Segundo estatísticas dos relatórios sobre violência homofóbica


em nosso país 1, dos anos de 2011 e 2012, publicados pela Secretaria
de Direitos Humanos da Presidência da República, há um maior
número de suspeitos/as de agressão homofóbica em relação ao de vítimas, o que permite
a inferência de que, em vários casos, seja essa violência perpetrada em grupo; além
disso, apesar da subnotificação, esses relatórios trazem estatísticas que mostram que
diariamente, em 2011, houve 192 violações de direitos humanos de caráter homofóbico
e, em 2012, 27; em 2011, a cada dia, cinco pessoas foram vítimas de violência
homofóbica no Brasil; em 2012, 13 pessoas.

- Conforme informações da Anistia Internacional3, nos EUA, estudantes LGBT são


ofendidos, em média, 26 vezes por dia; 80% deles são isolados socialmente; mais da
metade ouve comentários desagradáveis por parte de professores/as e da administração;
se a evasão de alunos/as heterossexuais chega a 11%, quase três em 10 estudantes
homossexuais abandonam a escola e 19% são agredidos fisicamente na escola. Segundo

4
a mesma fonte, na grande maioria dos casos, o corpo docente não intercede em relação a
essa forma de violência e, se os/as professores/as forem LGBT, podem ser demitidos/as
em 40 estados.

Mulher, é maravilhoso estudar.


Para ilustrar um caso de evasão escolar
Lá aonde eu estudava era tudo.
decorrente do bullying homofóbico, Mas só, mulher, que eu não
tenho paciência mais. Todo dia
destacamos ao lado o depoimento de um
eu ficava aguentando aquele
garoto de 17 anos relatado na pesquisa mesmo ó, todo mundo falando
pêi gay, pêi gay... (G., Castelão,
realizada em Fortaleza – CE sobre exploração
masculino, 17 anos)
sexual contra crianças e adolescentes4.

5
- A partir de pesquisa, cujos dados foram coletados
em 2004, durante a Parada do Orgulho LGBT na cidade
do Rio de Janeiro, verificou-se que a homofobia em
escolas envolveu 40% dos jovens de 15 a 18 anos como
Em fevereiro de 2012 o vítimas; dos/as estudantes, cuja idade variou de 19 a 21
sítio “Folha Vitória” 5 anos, 31% diziam respeito a discriminações na escola ou
exibiu reportagem
informando que um garoto na faculdade” 6.
que sofria bullying -São cometidos três vezes mais suicídios entre os
homofóbico na escola
cometeu suicídio na cidade adolescentes homossexuais do que entre os
de Vitória – ES. Do relato heterossexuais7.
de uma colega, consta que
outros colegas o - Os mecanismos de controle, punição e exclusão
empurravam e o social abalam os jovens a tal ponto que, nos Estados
humilhavam, chamando de
“gay”, “bicha”, “gordinho”. Unidos, estima-se que 62% dos adolescentes que tentam
Por vezes, ia embora suicídio são homossexuais; na França, segundo esses
chorando. Após um desses
episódios, o garoto se autores, a taxa de tentativa de suicídio entre os
enforca com o cinto da homossexuais é 13 vezes maior do que a referente aos
mãe, deixando uma carta
com desculpas pelo heterossexuais que têm as mesmas condições sociais8.
suicídio, e na qual diz não - Alguns indivíduos agredidos internalizam a
compreender os motivos de
ser alvo de humilhações. homofobia; canalizam para o self as atitudes de valor
negativas, o que resulta em conflitos internos e pouca
autoestima9.

5
Segue outro caso de suicídio de vítima de bullying, exibido no blog “Nossos
Tons”10 , em julho de 2013, que demostra internalização da homofobia. Carlos Vigil, de
17 anos, morava em
Albuquerque, no estado de Peço desculpas àqueles que ofendi ao longo
Novo México (EUA), e era dos anos. Não posso ver que eu, como ser
humano, dou asco. Sou uma pessoa que está
ativista contra bullying fazendo uma injustiça com o mundo e é hora
homofóbico. Conforme de partir. Por favor, nunca se sintam mal por
mim nem chorem, porque tive uma
relato dos pais, ele sofria oportunidade na vida e esta está se
com assédio desde que tinha acabando. Sinto não ter sido capaz de amar a
alguém ou ter alguém que me amasse. Creio
oito anos e, há três anos, a que é o melhor, porque não desejo dor a
família percebeu o que ninguém. Os meninos da escola estão certos,
sou um perdedor, uma abominação e uma
estava acontecendo e vinha bicha e de maneira alguma é aceitável que as
tentando ajudá-lo de todas as pessoas tenham que lidar com isso. Eu sinto
muito por não ser uma pessoa que pudesse
maneiras. Antes de tirar a fazer alguém se sentir orgulhoso. Agora
própria vida, Carlos deixou estou livre. Beijos e abraços, Carlos.
uma mensagem no Twitter 11.

- A discriminação homofóbica, por vezes, inicia-se na família, que, em outros casos,


como na perseguição étnica e religiosa, deveria servir como abrigo. Dados dos relatórios
da pesquisa da Secretaria de Direitos Humanos, anteriormente citada, indicam que entre
os/as agressores/as conhecidos/as, os mais frequentes, em 2011, foram familiares (38%)
e vizinhos/as (36%); em 2012, 59% das vítimas conheciam os/as suspeitos/as, destes,
21% foram vizinhos/as e 17%, familiares.

A violência familiar homofóbica pode ser ilustrada com o relato de pesquisa abaixo12:

Ele chegou em casa morto de bêbado e disse : “Tu quer ser


boneca? Pois tu vai ser boneca agora!”. Ele me trancou no
quarto e aí rolou a onda. Mas eu comecei a gostar também,
menos com pai, porque com pai eu achei, sei lá... eu me senti
péssimo nesse dia. (...) por que eu acho que um pai que é um pai
não pode fazer isso com o filho, não, nem que ele seja
homossexual. Porque eu acho que isso é um estrupo (sic), isso é
um crime. Mas eu não tive a iniciativa de entregar ele a polícia
e nem nada (X., Praia de Iracema, masculino, 17 anos).

6
Diversidades de orientações sexuais

E
m 1869, o termo homossexual (do alemão Homosexualitat) aparece,
pela primeira vez, em artigos de jornais escritos por Karol Maria
Kertbeny. Durante um século, a homossexualidade foi combatida como
doença, vício, crime e pecado e, em 1973, cessou de ser considerada pela Associação
dos Psiquiatras Americanos como doença mental13. Em 1991, a Organização Mundial
da Saúde deixou de considerá-la como doença e em 1999 o Conselho Federal de
Psicologia (CFP)14 publica resolução que proíbe psicólogos/as de participarem de
terapias com intuito de alterar a orientação sexual.

Existem diversas orientações sexuais e identidades de gênero, seguem as


definições de algumas delas15:

Travestis: homens que se apropriam de roupas e adornos femininos; ingerem


hormônios, fazem aplicações de silicone, usam próteses e por vezes realizam
cirurgias para correção estética;
Transexuais: pessoas que buscam cirurgias para mudança de sexo e de identidade
civil, o que não consta nas lutas políticas dos travestis;
Transgêneros: os transformistas, as drag queens, os drag kings etc; pessoas que
esteticamente se orientam pelo gênero oposto; ao contrário dos travestis e dos
transexuais, a caracterização pelo gênero oposto não ocorre o tempo todo.
16
Homossexuais : os gays e as lésbicas; os primeiros são homens que desejam
relacionamentos eróticos/afetivos com outros homens e as últimas, com outras
mulheres.
Bissexuais: indivíduos que sentem atração erótica/afetiva por pessoas de ambos
os sexos (feminino ou masculino).

Homofobia geral e homofobia específica

E
m relação à homofobia, cabe distinguir entre a geral e a específica. A
homofobia geral não se relaciona necessariamente com a orientação
sexual e/ou identidade de gênero das pessoas, mas com traços físicos
e/ou comportamentos que lembrem o sexo oposto, diz respeito à aparência, à imagem
7
das pessoas. Assim, um homem com trejeitos femininos pode não ser homossexual e
ainda assim sofrer ataques homofóbicos, enquanto homens com atributos masculinos
bem demarcados podem ser homossexuais e não sofrer esses ataques; o mesmo pode
ocorrer com mulheres que aparentam traços masculinos.

Crianças, sobretudo do sexo masculino, que são sensíveis, tímidas, estudiosas,


podem ser nomeadas de homossexuais, sem que tenham inclinação homoerótica. São
segregadas porque preferem atividades consideradas como femininas às masculinas, o
que não faz de um/uma adolescente um/uma homossexual17.

Em Cingapura, um garoto de 12 anos divulga em seu canal no YouTube um vídeo,


sob o título “gay” 16, no qual faz um desabafo contra o bullying homofóbico que
sofre na escola e via internet. Theo Ghen diz ter recebido muito “ódio on-line” via
redes sociais e verbalmente onde estuda. Fala que as pessoas o chamam de “bicha”,
“gay”, “boiola”, e isso tem lhe incomodado, além de impedir que aproveite a escola,
porque as pessoas falam dele o tempo todo. Em suas palavras, podemos constatar a
homofobia geral. Theo diz que não é porque divulga vídeos na internet ou porque
anda de forma afeminada na escola que seja gay; no momento não sabe, tem apenas
12 anos e atualmente gosta de garotas, mas não há nada de errado em ser gay. Diz
ainda: “Não acho que a humanidade deva julgar pessoas pela sua sexualidade
porque não é certo! Só me aceitem como eu sou! Chamar alguém de gay não faz de
você mais hétero!.”

Bullying, preconceito e discriminação.

B
ullying é definido como uma agressão contínua por um grupo de pessoas
ou por alguém que se sobrepõe àqueles que considera frágeis; nessa
agressão, está presente a violência sob a forma física e/ou psíquica com o
intuito de submeter o outro, destruindo sua autoestima e consequentemente sua vontade.

Em geral, o bullying tem como alvo pessoas consideradas diferentes das que são
consideradas ‘normais’, ‘padronizadas’; essas diferenças são valorizadas negativamente;

8
esses alvos são, em geral, provenientes de minorais sociais (cabe dizer que minoria
social não implica necessariamente minoria numérica): estudantes obesos/as,
descoordenados/as, estudantes que usam óculos, negros/as, fisicamente frágeis ou
tímidos/as (particularmente, no caso dos meninos).

No caso do bullying homofóbico, o alvo é composto por pessoas que têm orientação
sexual diversa da heterossexual, comumente delimitada em conformidade com a
identidade de gênero presumida: gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, transgêneros,
travestis. Pode também ocorrer a homofobia geral, tal como descrita acima.

A discriminação homofóbica pode ocorrer entre colegas de mesma idade e da


mesma série escolar e por professores/as ou funcionários/as que, em vez de educá-los e
protegê-los, promovem a discriminação por meio de brincadeiras, risos, silêncios, além
da indiferença18.

Na prática do bullying escolar homofóbico, assim como em qualquer outro tipo de


bullying, o preconceito e a discriminação estão presentes. O preconceito se define
como uma atitude, uma tendência para a ação, em geral, hostil contra determinada
minoria, provinda de uma percepção distorcida que o/a agressor/a tem dos alvos da
agressão; a esses últimos são atribuídos características, intenções, desejos, que eles
propriamente não têm, mas os/as preconceituosos/as sim, isso implica que o
preconceito expressa os desejos, medos e anseios do preconceituoso que não pode
aceitá-los como seus, não são características de seus alvos. Discriminação é a ação
proveniente do preconceito; o bullying é uma das formas de discriminação.

Se o preconceito é uma tendência para a ação, entre as ações a ele relacionadas


se encontram a marginalização e a segregação. Segregação é a ação (ou conjunto de
ações) que leva à separação de indivíduos e de grupos, e marginalização é a ação (ou
conjunto de ações) que dificulta ou impede a inclusão social adequada. O bullying inicia
com ações que põem seu alvo à margem, tentando segregá-lo dos demais.

O preconceito se volta em geral contra minorias consideradas frágeis e felizes; os


que se voltam contra elas necessitam reafirmar seu poder e se afastar daqueles que
gostariam de se diferenciar. Nossa sociedade é hierárquica e assim valoriza o poder e a

9
força sobre os que não os têm. Os pais e os professores não estão imunes a esses
preconceitos e, assim, talvez não ajudem seus filhos e alunos/as quando esses/as são
alvos de bullying e outras formas de agressão. De uma forma geral, as pessoas não
gostam de ser preconceituosas, mesmo porque nossa cultura é contrária às diversas
formas de discriminação social, e não sabem por que o são; ter consciência disso, no
entanto, é importante, para, ao menos, tentar refreá-las.

Se o preconceito é direcionado a alvos


considerados frágeis, quem é preconceituoso em
A expressão da homofobia,
relação a um tipo de alvo tende a sê-lo também assim como o racismo,
em relação a outros19. Há indicação de haver implica num processo
psíquico defensivo do
relação entre o preconceito racial e a homofobia. indivíduo, que não pode ser
Assim, há um fator geral que determina os pensado sem suas
determinações sociais. Ao
diversos preconceitos; como essa relação, no dirigir expressões e atos
entanto, não é plena e como há estereótipos hostis contra um indivíduo
ou grupos minoritários, o
específicos em relação às diversas minorias indivíduo preconceituoso
alvos de preconceito, há também desejos, medos afasta, fantasiosamente, o
medo que o assola: o medo
e anseios específicos que são negados em cada da fragilidade social, da não
tipo de preconceito, delimitados pela integração.
especificidade de seu alvo20.

Em relação à homofobia, uma explicação baseada na Psicanálise é a de que resulta


de pessoas em conflitos com suas tendências homossexuais: para tentar atenuar esses
conflitos e ansiedade que geram, negam em si mesmos/as essas tendências e as atacam
em quem julgam possuí-las. De fato, Freud21 indica haver uma disposição bissexual
universal nos indivíduos e que a orientação sexual desenvolvida depende de vários
fatores; em muitos casos, deve haver sofrimento pelo desejo homossexual negado.

Hierarquias Escolares e Autoridade

N
ossa sociedade é hierárquica e as hierarquias são criadas também nas
escolas; há, ao menos, duas: a oficial, referente aos/às estudantes que
têm os melhores e os piores desempenhos nas diversas disciplinas em
sala de aula e a não oficial, delimitada pelas habilidades dos/as estudantes, calcadas em

10
atributos corporais, tais como força, destreza, habilidade, características necessárias
para serem admirados/as pelos colegas e por eles desejados sexualmente. A segunda
hierarquia, em geral, é contraposta à primeira, uma vez que expressa a força, ao passo
que essa última implica a intelectualidade, a sensibilidade.

O/a professor/a é fundamental no enfrentamento à violência; é referência para


identificação de seus/suas estudantes; mas cabe sublinhar que não cabe ser autoritário/a,
isto é, subjugar o outro a seu poder, nem deixar de exercer sua autoridade, o que traz a
conivência com a violência, pois passa a ideia de que tudo é permitido22.

Pesquisa sobre bullying homofóbico escolar

O
Laboratório de Estudos sobre o Preconceito (LaEP) do Instituto de
Psicologia da USP realizou uma pesquisa em 2013 com 246 estudantes
do nono ano de sete escolas públicas e 17 estudantes de uma particular,
na cidade de São Paulo, para saber: a) se havia relação entre, de um lado, o/a estudante
ser considerado/a bom/boa ou mau/má quanto ao seu desempenho escolar nas
disciplinas ministradas em sala de aula e na disciplina de Educação Física e, de outro
lado, ser agressor/a ou vítima do bullying homofóbico escolar; b) se havia relação entre
o bullying e o preconceito contra estudantes homossexuais masculinos e femininos; e c)
os tipos de bullying homofóbico praticados. Para obter dados para responder as questões
acima foram construídos questionários.

Com o intuito de saber: a) se os/as estudantes – provocadores/as ou vítimas do


bullying – são dependentes das autoridades escolares; b) as características dos/as que
provocam e dos/as que sofrem o bullying; e c) para comparar o preconceito contra
homossexuais com diversos outros alvos, foram utilizados dados de pesquisa que está
sendo desenvolvida no LaEP-USP, financiada pelo CNPq, com 274 estudantes do nono
ano de escolas públicas da cidade de São Paulo, por meio de escalas construídas para
esse fim.

Os resultados foram discutidos com os/as estudantes das classes que participaram
da pesquisa, o que permitiu obter mais informações sobre os dados coletados.

11
A seguir, estão alguns dos principais resultados encontrados e comentários sobre
eles, deve-se ressaltar que as tendências encontradas na escola particular são as
mesmas.

Os termos afeminado e masculinizada são associados frequentemente como sendo


próprios às vítimas do bullying escolar e raramente com o agressor; nesse sentido, a
homofobia geral é constatada: o menino que tem trejeitos ou aparência femininos e a
menina que tem traços ou comportamentos masculinos tendem a ser vítimas do
bullying.

Isso pode indicar que parte da população opera com padrões bem definidos e tem
dificuldades com os que põem em dúvida esses padrões; pode indicar também que a
aparência é um forte fator de classificação, revelando assim um pensamento que
generaliza a partir do que é externo aos indivíduos, sem se preocupar com a diversidade
de significados que a aparência pode ter.

Quanto maior o preconceito em relação ao aluno afeminado/aluna masculinizada,


maior a dependência da autoridade e menor a autonomia.

Esse resultado pode indicar que os/as estudantes homofóbicos tendem a ter
dificuldades de pensar por si sós, o que justificaria a tendência de julgar em
conformidade com a aparência: ‘aluno afeminado seria gay’; ‘aluna masculinizada seria
lésbica’. Como são dependentes da autoridade, podem seguir as orientações dessa
autoridade, assim, se os docentes/pais são preconceituosos, eles também podem tender a
ser.

Os/as estudantes considerados/as como piores em sala de aula tendem a ser


mais preconceituosos/as em relação ao aluno afeminado/aluna masculinizada;
e quanto menor o preconceito, mais são indicados/as como melhores em sala
de aula.

12
Se unirmos essa informação às anteriores, podemos supor que ser destacado
negativamente nas disciplinas de sala de aula pode implicar um pensamento
estereotipado; assim o preconceito contra a aluna masculinizada e o aluno afeminado
revelaria dificuldade de pensar por si próprio e adquirir adequadamente os conteúdos e
as habilidades culturais. Uma vez que os/as estudantes considerados/as como piores em
sala de aula encontram-se, eles/elas mesmos/as, em um grupo estigmatizado, no qual
podem ser alvos de preconceito por parte dos colegas e professores, podemos supor
também que o medo de serem considerados frágeis e de não serem aceitos pela classe
contribui para serem preconceituosos/as.

Os/as estudantes considerados/as como melhores em educação física tendem a ser


indicados/as como mais populares e ambos são mais indicados/as como
agressores/as; os/as piores em sala de aula são indicados/as principalmente como
agressores/as, mas também como vítimas; os/as tidos/as como impopulares
tendem a ser considerados/as como os/as piores em educação física.

Segundo os dados acima, há certo desprezo por parte dos/das estudantes que têm
bom desempenho na área de educação corporal e os/as populares em relação a seus/suas
colegas que não têm um bom desempenho nessa área e aos impopulares.

Importante notar que os/as estudantes de pior desempenho em sala de aula também
são agressores/as. Cabe ressaltar que esses resultados indicam tendências e que essas
relações ocorrem com alguns/mas estudantes e não com todos/as.

Dados esses resultados, cabe destacar o culto ao desempenho corporal dos/as


estudantes, que pode indicar o apreço à virilidade e a desvalorização, por parte desses/as
estudantes, das outras disciplinas escolares. Assim, nossa suposição inicial é
parcialmente confirmada: os/as agressores/as tendem a ser os/as mais populares, quer
por seu desempenho em atividades físicas, quer por suas dificuldades em sala de aula, e
as vítimas tendem a ser os/as alunos tidos/as como impopulares, principalmente por não
ter um bom desempenho em educação física e o que isso implica no quanto sabem ou
não se defender.

13
Quando comparados a outras minorias, o preconceito contra o aluno
afeminado e contra a aluna masculinizada é de magnitude intermediária;
os/as estudantes que mais sofrem preconceito são os/as considerados/as
agressivos/as e maus/más alunos/as; os/as que menos sofrem preconceito
são os/as estudantes considerados/as impopulares, com deficiência ou
dificuldade de relacionamento. Quando os resultados foram discutidos com
os/as estudantes, alguns/algumas disseram sobre a liberdade que eles/elas
têm com seus colegas. Se o/a colega aceita a brincadeira, eles/elas
continuam; se não aceita, eles/elas param. Respeitam os/as colegas e a
liberdade se dá pela aceitação ou não do/a colega. Foi perguntado a
eles/elas: ‘Mas como pode diferençar se o/a colega gostou ou não da
brincadeira, visto que muitos não falam sobre como se sentem em relação
às brincadeiras que machucam ou que são de “mau gosto”?’ Responderam
que ao perceber que não foi bem aceita eles/elas param.

Considerando a amplitude da escala, o preconceito homofóbico não é elevado, mas


não deixa de existir; esse dado por si só implica a necessidade de a escola promover
ações contrárias a essa forma de discriminação.

Em geral, os/as estudantes discriminam menos seus/suas colegas


homossexuais no recreio ou em sala de aula, do que ao (não) convidá-los/as
a irem às suas casas. Dados obtidos na discussão com os/as alunos/as sobre
os resultados da pesquisa indicam que os/as estudantes, que não gostariam
de convidar colegas gays e lésbicas para sua casa, receiam que seus pais
pensem que eles/elas também sejam homossexuais, segundo alguns/algumas
desses/as estudantes, o preconceito dos pais é o maior desafio para quem
assume sua homossexualidade. Outros/as alunos/as disseram que é mais
fácil os pais aceitarem um ladrão do que um/a filho/a que é homossexual.

Isso pode implicar, tal como aludido anteriormente, que esse tipo de preconceito
também encontra guarida nos familiares dos/as alunos/as que o desenvolvem.

Os tipos de agressão mais frequentes aos/às colegas considerados afeminados


e masculinizadas são: xingamentos, espalhar boatos e dar apelidos ofensivos;
para os meninos afeminados o tipo de violência mais frequente sofrido é o
xingamento; para as meninas masculinizadas, receber apelidos.

14
Pode-se supor que à humilhação simbólica segue-se a violência física, uma vez que
aquela mina a capacidade de resistência dos indivíduos, o que reforça a necessidade de
não entender os xingamentos e os boatos como meras brincadeiras.

Por volta de 35% dos tipos de agressão indicados podem ser considerados como
bullying pela sua frequência e por estarem dirigidos às mesmas pessoas.

Esse dado nos lembra que o bullying não é o único tipo de violência escolar, mas
quando ocorre tende a ser grave, considerando que é intenso e duradouro, levando seus
alvos a problemas de autoestima e de relacionamento, além de depressão. Não se trata
de disputa de poder, mas de submissão ao poder do agressor; assim, é coerente com a
estrutura social hierárquica. Além disso, cabe ressaltar que mesmo a agressão ocasional
deve ser combatida, pois, se não encontra resistência suficiente, pode se tornar rotineira
e converter-se em bullying.

Há relação entre os diversos tipos de preconceito: aqueles/as que são


preconceituosos/as em relação aos/às estudantes com deficiência, com dificuldades
de se relacionar, maus/más estudantes e agressivos/as, são também
preconceituosos/as em relação aos alunos afeminados e às alunas masculinizadas, o
que implica que o preconceito está mais relacionado com o/a agressor/a do que
com seus alvos.

Tal como dito, o preconceito é uma percepção distorcida que recai sobre os alvos de
agressão, tendo em vista necessidades psíquicas dos/das preconceituosos/as,
necessidades essas também criadas por fatores sociais e culturais. Assim, o combate
deve ser feito contra o preconceito de uma forma geral, sem descuidar as
especificidades de cada um de seus alvos, uma vez que aquela relação não é plena.

Cabe destacar que não foram encontradas, nesta pesquisa, relações entre o nível
socioeconômico e a religião, de um lado, e a prática do bullying homofóbico, de outro.

15
Propostas para o combate ao bullying homofóbico escolar

D
iante do que foi apresentado neste texto, propomos alguns meios para
enfrentar, na escola, o bullying, de uma forma geral, e o bullying
homofóbico, em específico. São eles:

- Criar um clima cultural geral contra qualquer tipo de violência, incluindo chistes e
piadas sobre LGBT, por vezes, feitos pelos/as próprios/as professores/as. Criticar toda
forma de preconceito e de desprezo pelos outros.

- Esclarecer que a orientação sexual das pessoas é fruto de diversas determinações e se


associa com a felicidade e liberdade, devendo sempre ser respeitada: as diversas formas
de exercício de sexualidade são o direito à liberdade de ter prazer com o próprio corpo.

- Discutir com os/as alunos/as o significado das hierarquias escolares, enfatizando que a
classificação dos indivíduos em melhores e piores é arbitrária por considerar o que é
mais ou menos valorizado socialmente e que isso varia ao longo da história. Combater o
culto à força e ao poder e valorizar a identificação com o mais frágil; se a diversidade é
essência da humanidade, a identificação permite a cada um reconhecer no outro uma
nova possibilidade de ele mesmo ser; as diversidades devem compor e não se opor.

- Possibilitar toda expressão do sofrimento, combatendo a recomendação que é


‘necessário ser forte’. Quando o sofrimento pode se expressar, pode ser melhor
enfrentado e não se transforma em angústia e agressão.

- Insistir na necessidade da autonomia dos/as alunos/as; autonomia entendida como


capacidade de pensarem e agirem em conformidade com preceitos racionais e que isso
só é possível por meio da experiência oriunda da reflexão dos conteúdos aprendidos;
isso implica que: 1- a autonomia não é prévia, ela se desenvolve; 2- somente com a
aquisição dos conteúdos culturais ela é possível; a autoridade do saber deve ser
destacada, a necessidade de cada aluno/a desenvolver sua autoria (autonomia) também;
não há alunos/as autônomos/as, nem cidadãos/cidadãs democráticos/as, sem a
incorporação da cultura; a autonomia e a conduta democrática são resultados a serem
obtidos e não condições previamente dadas.

16
- A sensibilidade para a diferenciação das pessoas e das situações vividas, possível por
meio do conhecimento e, sobretudo, pela capacidade de expressar, deve ser alvo
prioritário da educação. Pensar envolve perceber e delimitar diferenças e para isso a
sensibilidade é necessária; a insensibilidade à diferença, assim como à dor, é propícia à
conivência com a violência, além de ela própria ser produtora de violência.

- Mostrar que a sexualidade é relacionada com o prazer de viver e que se não for
violenta, isto é, não levar ao sofrimento e à destruição do outro, deve ser aceita.

Notas
1
BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos. Relatório sobre violência homofóbica no Brasil: ano de
2011/ Secretaria de Direitos Humanos; CALAF, P. P.; BERNARDES, G. C.; ROCHA, G. S.
(organizadores). – Brasília, DF: Secretaria de Direitos Humanos, 2012. 138 p.: il. Disponível em: <
http://www.sdh.gov.br/assuntos/lgbt/dados-estatisticos/relatorio-sobre-violencia-homofobica-no-brasil-
ano-de-2011>. Acesso em: 16 de fevereiro de 2014.
______. Secretaria de Direitos Humanos. Relatório sobre violência homofóbica no Brasil: ano de 2012/
Secretaria de Direitos Humanos; MONTEIRO, B. G. M.; BERNARDES, G.; FERREIRA, I. M. F. L.;
LARRAT, S. (organizadores). – Brasília, DF: Secretaria de Direitos Humanos, 2012. 102 p.: il.
Disponível em: <http://www.sdh.gov.br/assuntos/lgbt/dados-estatisticos/relatorio-sobre-violencia-
homofobica-no-brasil-ano-de-2012>. Acesso em: 16 de fevereiro de 2014.
2
As porcentagens e proporções apresentadas serão aproximações para números inteiros.
3
JUNQUEIRA, R.D. Homofobia nas escolas: um problema de todos. In: Junqueira, R.D ‘Diversidade
Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas / Rogério Diniz Junqueira
(organizador). – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade, UNESCO, 2009. pp.13-51.
4
DIÓGENES, G. Os sete sentimentos capitais: exploração sexual comercial de crianças e adolescentes.
São Paulo: Annablume, 2008, p 202.
5
BULLYING: Pais de menino que se matou após ofensas dizem que pediram transferência de colégio.
Folha Favorita, Vitória, 24 de fevereiro de 2012. Diponível em: <http://www.folhavitoria.
com.br/policia/noticia/2012/02/bullying-pais-de-menino-que-se-matou-apos-ofensas-dizem-que-pediram-
transferencia-de-colegio.html>. Acesso em: 12 de fevereiro de 2014.
6
CARRARA, Sérgio; RAMOS, Sílvia. Politica, direitos, violencia e homossexualidade: Pesquisa 9ª
Parada do Orgulho GLBT – Rio 2004. Rio de Janeiro: Cepesc, 2005. In: Junqueira, R.D Diversidade
Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas / Rogério Diniz Junqueira
(organizador). – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade, UNESCO, 2009. p.18.
7
GAROFALO, R.; WOLF, R. C.; WISSOW, L. S.; WOODS, E. R.; GOODMAN, E.. Sexual orientation
and risk of suicide attempts among a representative sample of youth. Archives of Pediatric and
Adolescent Medicine, 153, p. 487-493, 1999. Citado em: JUNQUEIRA, R.D. Diversidade Sexual na
Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas / Rogério Diniz Junqueira (organizador). –
Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
UNESCO, 2009. P.160.
8
BORGES, Z. N.; MEYER, D. E. Limites e possibilidades de uma ação educativa na redução da
vulnerabilidade à violência e à homofobia. In: Ensaio: aval. pol. públ. Educ. Rio de Janeiro, v. 16, n. 58,
p. 59-76, jan./mar./ 2008.
9
PEREIRA, H.; LEAL, I. P. Medindo a homofobia internalizada: a validação de um instrumento. In:
Análise Psicológica, 3 (XXIII): 323-328, 2005.
10
MARINHO, J. Gay de 17 anos comete suicídio após sofrer oito anos de bullying homofóbico. [S.L], 17
de julho de 2013. Disponível em <http://nossostons.blogspot.com.br/2013/07/gay-de-17-anos-comete-
suicidio-apos.html#more>. Acesso em: 12 de fevereiro de 2014. Blog: Nossos Tons
11
Tradução disponível em: <http://nossostons.blogspot.com.br/2013/07/gay-de-17-anos-comete-suicidio-
apos.html#more>

17
12
DIÓGENES, G. Os sete sentimentos capitais: exploração sexual comercial de crianças e adolescentes.
São Paulo: Annablume, 2008, p. 85 e p. 93.
13
SOUSA FILHO, A. Teorias sobre a Gênese da Homossexualidade: ideologia, preconceito e fraude. In:
JUNQUEIRA, R. D. (org.). Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas
escolas. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade, UNESCO, 2009. PP. 95-123.
14
Resolução CFP 010/2005. Código de ética profissional do psicólogo, de 27 de agosto de 2005. Artigo
2º, item b “ao psicólogo é vedado induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas,
religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções
profissionais”.
15
PERES, W. S. Cenas de Exclusões Anunciadas: travestis, transexuais, transgêneros e a escola
brasileira. In: JUNQUEIRA, R. D. (org.). Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a
homofobia nas escolas. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 2009. PP.235-263.
16
CONSELHO Nacional de Combate à Discriminação. Brasil Sem Homofobia: Programa de combate à
violência e à discriminação contra GLBT e promoção da cidadania homossexual. Brasília: Ministério da
Saúde, 2004.
17
BORGES, Z.N.; PASSAMANI, G.R.; OHLWEILER, M. I.; BULSING,M. Percepção de professores
de ensino médio e fundamental sobre a homofobia na escola em Santa Maria (Rio Grande do Sul /
Brasil). In: Educar em Revista, Curitiba, Editora UFPR, n. 39, p. 21-38, jan./abr., 2011.
18
BORGES, Z.N.; PASSAMANI, G.R.; OHLWEILER, M. I.; BULSING,M. Percepção de professores
de ensino médio e fundamental sobre a homofobia na escola em Santa Maria (Rio Grande do Sul /
Brasil). In: Educar em Revista, Curitiba, Editora UFPR, n. 39, p. 21-38, jan./abr., 2011.
19
ADORNO, T. W, FRENKEL-BRUNSWLK, E., LEVINSON, D. J, SANFORD. R. N. The
authoritarian personality. New York: Harper & Row, 1950.
20
CASTILLO, M. N. Q.; RODRÍGUEZ, V. B.; TORRES, R. R.; PÉREZ, A. R.; MARTEL, E. C. La
medida de la homofobia manifiesta y sutil. In: Psicothema, vol. 15, n. 2, p. 197-204, 2003.
21
FREUD, S. O mal-estar na civilização. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Vol. XXI,
Rio de Janeiro: Imago, 1974.
22
ADORNO, T. W. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. p. 167.

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