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Albisto Manuel Ribaué


Bonifácio da Silva José
Caudencio Nahipa
Clemêncio António Portugal
Domingas dos Santos Pedro Calieque
Gamito Lopes Mutanha
Sousa Mário Hieriua

A desescolarização da sociedade em Ivan Illich


(Curso de Licenciatura em Ensino Filosofia)

Universidade Pedagógica
Nampula
2015
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Albisto Manuel Ribaué


Bonifácio da Silva José
Caudencio Nahipa
Clemêncio António Portugal
Domingas dos Santos Pedro Calieque
Gamito Lopes Mutanha
Sousa Mário Hieriua

A desescolarização da sociedade em Ivan Illich


Trabalho de caracter avaliativo da cadeira
de filosofia da educação, do Departamento
de Ciências Socias e Filosóficas, Curso de
Filosofia. 3º Ano, leccionada por:
dr. Jacó Braz

Universidade Pedagógica
Nampula
2015
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Índice
Introdução..............................................................................................................................................4

2. Vida e obra de Ivan Illich...................................................................................................................5

3. Sociedade sem escola.........................................................................................................................6

3.1. A desescolarização da sociedade.....................................................................................................6

3.2. Fenomenologia da escola.................................................................................................................8

3.3. Os mitos ligados à escola.................................................................................................................9

3.3.1. O mito dos valores institucionalizados.........................................................................................9

3.3.2. O mito dos valores mensuráveis.................................................................................................10

3.3.3. O mito dos valores acondicionados............................................................................................10

3.3.4. O mito do progresso eterno.........................................................................................................10

3.4. Características gerais de novas instituições educativas e formais..................................................11

3.5. Quatro redes..................................................................................................................................12

Conclusão.............................................................................................................................................14

Bibliografia..........................................................................................................................................15
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Introdução
O presente trabalho aborda essencialmente sobre o pensamento relativo a educação em Ivan
Illich, portanto tem como tema "A Desescolarização da Sociedade em Ivan Illich", deste
modo nos centramos na obra A Sociedade sem Escola do mesmo autor. Nele trocemos o seu
pensamento sobre a escola como instituição de ensino, e o porque que este pensador propõe
que a sociedade deve ser desescolarizada.

Ivan Illich ao observar de que o atual processo educacional se resume a um processo bastante
técnico e dinâmico, em que o aluno entrar na escola para aquisição de especialização de sua
mão-de-obra, e lhe é ser ensinado o que será cobrado para sua instrumentalização, dentro da
escola. O professor exerce seu papel de autoridade dentro da sala de aula. O aluno faz o que é
solicitado pelo professor, entrega as tarefas em troca de notas, para que assim consiga suas
notas e seu diploma.
Ivan Illich vendo esta posição do ensino ele vai criticar toda a estrutura educacional da sua
época, portanto, este acreditava que, tendo uma estrutura como esta, os indivíduos não
estariam aprendendo e sim se adaptando a este modelo educacional, que os levava apenas a se
escolarizar.

O trabalho tem como objectivo: compreender o pensamento de Illich sobre a educação e


analisar de uma forma atenciosa este mesmo pensamento. Dai que, no desenrolar deste
trabalho falamos da desescolarização da sociedade; fenomenologia da escola; trocemos os
mitos ligados a escola; características gerais de novas instituições educativas e formais e
finalmente apresentamos as quatro redes que este pensador propõe. Este trabalho este
estruturado da seguinte forma: introdução: lugar da exposição do tema em questão;
desenvolvimento: onde se encontram as ideias e o conteúdo do tema; conclusão: lugar onde
apresentamos uma pequena resenha do trabalho; e finalmente a bibliografia: onde estão
alistados todos manuais usados na elaboração do trabalho.
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1. Conceitos Básicos
Escola é uma instituição concebida para o ensino de alunos sob direcçao de professores.
Desescolarização é tirar o sistema escolar o monopólio da educação e da instrução de
crianças.
Mito é um relato de algo fabuloso que se supõe que aconteceu num passado remoto e quase
sempre impreciso. Os mitos podem referir-se a grandes feitos
heróicos que, com frequência são considerados como fundamento e o começo da história de
uma comunidade ou do género humano em geral. Podem ter como conteúdo fenómenos
(MORA,1978:186).
naturais, e nesse caso costumam ser apresentados alegoricamente. Muitas vezes, os mitos
comportam a personificação de coisas ou acontecimentos.
Sociedade (do latim societas) A sociedade não é um mero conjunto de indivíduos vivendo
juntos. em um determinado lugar, mas define-se essencialmente pela existência de uma
organização, de instituições e leis que regem a vida desses indivíduos e suas relações mútuas.
Algumas teorias distinguem a sociedade, que se define pela existência de um contrato social
entre os indivíduos que dela fazem parte, e a comunidade que possui um caráter mais natural e
espontâneo (JAMPIASSÚ, 1996:181).

2. Vida e obra de Ivan Illich


Ivan Illich, nasceu em Viena (Áustria), em 1926. Estudou filosofia e teologia na Universidade
Gregoriana de Roma. Obteve o Doutoramento em História na Universidade de Salzburgo.
Transferiu-se, em 1951 para os Estados Unidos onde trabalhou como padre numa paróquia de
Irlandeses e porto-riquenhos, na cidade de Nova York. De 1956 a 1960 desempenhou a
função de vice reitor da Universidade católica de Porto Rico, onde organizou um centro de
treinamento intensivo para padres americanos que trabalhavam na América Latina. Fixou-se
depois em Cuernavaca, México onde foi co-fundador do conhecido e controvertido centro
intercultural de Cuernavaca (Cidoc).
Segundo Piletti (2005:35), Illich ao criar a Cidoc era para que Toda a pessoa que tiver um
depoimento para fazer, pode dirigir-se ao Cidoc e pedir um gravador e uma datilografa. Para
as pessoas que quiserem dar aula ou assisti-la de graça, o endereço também é o Cidoc em
Cuernavaca.
Illich escreveu numerosos ensaios e artigos que apareceram em jornais e revistas de todo o
mundo. Sua obra mais conhecida é sociedade sem escolas publicada em 1970. Mas também
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escreveu obras como: convencionalidade, escritos sobre a saúde, os transportes (GAJARDO,


2010: 13).

3. Sociedade sem escola


Falar de sociedade sem escola, é falar de um pensamento de um filósofo contemporâneo que
expõe a sua visão sobre os contornos da educação. Para este, de acordo com Gajardo
(2010:16) Escolarização e educação tornam-se, desde então, conceitos antinómicos para o
filósofo. Assim, ele inicia a denúncia da educação institucionalizada e da instituição escolar
como produtoras de mercadorias, que têm um valor de troca determinado, em uma sociedade
na qual aqueles que mais se aproveitam do sistema são os que dispõem de um capital cultural
inicial.

3.1. A desescolarização da sociedade


Ao falar deste tema, a questão que o autor coloca é, porque devemos desinstalar a escola?
Para dar face a este problema, Illich (1985:7), iniciam afirmando que muitos alunos, em
especialmente os pobres, percebem intuitivamente o que a escola faz por eles. Ela os
escolariza para confundir o processo com substancia. Com isso alcançam uma nova lógica.
“Quando mais longa a escolaridade, melhores os resultados, ou então a graduação leva ao
sucesso”. O aluno é deste modo escolarizado a confundir ensino com aprendizagem, obtenção
de graus com educação, diploma com competência. Sua imaginação é escolarizada a aceitar
serviço em vez de valores.
Ainda este afirma que a institucionalização de valores leva inevitavelmente à poluição física,
social e a impotência psíquica. Illich acrescenta “ a maioria das pesquisas realizada
actualmente sobre o futuro tendem a pleitear maior incremento na instituição de valores”.
Portanto, necessitamos de pesquisas sobre a possibilidade de usar a tecnologia para criar
instituições que sirvam a integração pessoal. Este usa a escola como paradigma. Pelo que ele
escreve:
A realidade social tornou-se escolarizada. Pobres e ricos dependem
igualmente de escolas e hospitais que dirigem as suas vidas, formando uma
visão do mundo e definem para eles o que é legítimo e o que não é. O
medicar-se a si mesmo é considerado irresponsabilidade; o aprender por si
próprio é olhado com desconfiança. Em toda a parte não apenas a educação,
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mais a sociedade como um todo precisa ser desescolarizada (ILLICH,


1985:18).
Illich acredita que mesmo com escolas iguais em termos de qualidades, uma criança rica e
uma pobre, a pobre raras vezes poderá nivelar-se a uma criança rica. Isso mesmo que estas
crianças frequentem as mesmas escolas com as mesmas idades, portanto este frisa ao afirmar
que as crianças pobres não têm a maior das oportunidades educacionais quanto a uma criança
rica, portanto estas vantagens vão desde a conversão, os livros em casa, as condições de vida.
O aluno pobre geralmente ficara em desvantagem pois este somente depende da escola para
aprender e progredir.
A existência da escola desencoraja e incapacita os pobres de assumir o
controlo da própria aprendizagem. A escola tem um efeito ante educacional
sobre a sociedade: percebe-se escola como instituição especializada em
educação. Os fracassos da educação são todos, ela mesma, como porque de
que a educação é tarefa muito dispendiosa, muito complexa, sempre
misteriosa e muitas vezes quase impossível. A escola apropria dinheiros das
pessoas de boa vontade disponíveis, para então desencorajar outras

instituições aqui assume tarefas educativas. (ILLICH, 1985:23).

Illich opõe o facto de dizer que a a igualdade escolar é temporariamente impraticável,


afirmando que "ele é por princípio economicamente absurda e que tentá-la, é astração
intelectual, polinização e destruição de credibilidade no sistema politico que promove".
A escola não promove nem a aprendizagem e nem a justiça, porque os educadores insistem
em emborralhar a instituição com problemas. Misturam-se na escola aprendizagem e
atribuição de funções sociais. "Aprender significa adquirir habilidades ou compreensão,
enquanto a promoção depende da opinião forçada de outros". A aprendizagem é muitas das
vezes resultado da instrução, ao passo que a escolha para uma função ou categoria no
mercado de trabalho depende nela, do número de ano de frequência da escola.(Idem: 26).
Instrução é a escolha das circunstâncias que facilitam a aprendizagem. A atribuição das
funções exigem uma serie de condições que o candidato deve preencher se quiser atingir o
posto. A escola fornece instruções, mais não aprendizagem para estas funções. Isto não é nem
razoável, nem libertador. Não é razoável porque não vincula as qualidades relevantes ou
competências com as funções, mais apenas o processo pelo qual se supõe sejam tais
qualidades adquiridas. Não é libertadora ou educacional porque a escola reserva a instrução
para aquelas cujas pessoas na aprendizagem se ajustam a medidas previamente aprovados de
controlo social.
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O sistema escolar repousa ainda sobre uma segunda grande ilusão, de que a maioria do que se
aprende é resultado do ensino. O ensino, é verdade, pode contribuir para determinadas
espécies de aprendizagem sob certas circunstâncias. Mas a maioria das pessoas adquire a
maior parte de seus conhecimentos fora da escola; na escola, apenas enquanto esta se tornou,
em alguns países ricos, um lugar de confinamento durante um período sempre maior de sua
vida. A maior parte da aprendizagem ocorre casualmente e, mesmo, a maior parte da
aprendizagem intencional não é resultado de uma instrução programada. As crianças normais
aprendem sua primeira língua casualmente, ainda que mais rapidamente quando seus pais se
interessam. A maioria das pessoas que aprendem bem outra língua conseguem-no por causa
de circunstâncias especiais e não de
aprendizagem sequencial. Vão passar algum tempo com seus avós, viajam ou se enamoram de
um estrangeiro. A fluência na leitura é também, quase sempre, resultado dessas atividades
extracurriculares (ILLLICH, 1985:27).
A maior parte das habilidades são adquiridas e aperfeiçoadas por exercícios práticos, porque
implica o domínio de um proceder definido e previsto. O ensino de habilidades pode basear-
se, por isso, na simulação de circunstâncias em que será usada. Mas a educação do uso das
habilidades criativas e inventivas não pode basear-se em exercícios práticos. O instrutor de
habilidades se apoia num conjunto de circunstâncias que permitem ao aprendiz desenvolver
respostas padrão. A função do orientador educacional ou do mestre está em ajudar a que os
aprendizes façam este encontro para que a aprendizagem possa ocorrer (ILLLICH, 1985:32).

3.2. Fenomenologia da escola


De acordo com Illich (1985:40), se não houvesse uma instituição de aprendizagem obrigatória
para determinada idade, a infância deixaria de ser produzida. Os jovens das nações ricas
estariam libertadas de sua destrutividade e as nações pobres não tentariam rivaliza-las com a
infantilidade nas nações ricas.
A sabedoria institucionalida nos diz que as crianças precisam aprender numa
escola. Mas esta mesma sabedoria institucionalizada é produto de escola,
pois, só o sábio censo comum nos diz que apenas as crianças podem ser
instruídas na escola. Somente na recriação dos seres humanos na categoria
infantil, conseguimos submete-los à autoridade de um professor escolar.
Portanto, Illich vai afirmar que as crianças por definição são alunos e a escola é uma
instituição baseada na axioma de que a aprendizagem é o resultado do ensino e a sabedoria
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institucionalizada continua a aceitar este axioma apesar das evidencias em contrario. Portanto
para este filósofo, a maior ´parte dos nossos conhecimentos adquirimos fora da escola.
Mais enfrente, Illich (1985:46), afirma que "a escola por natureza, tende a exigir o tempo
integral e todas as energias de seus frequentadores". Isso, por sua vez, transforma o professor
em guardião, pregador e terapeuta.
 O professor-guardião atua como mestre de cerimônias que dirige seus alunos através
de um ritual labirinticamente traçado. É árbitro da observância das normas e ministra
as intrincadas rubricas de iniciação à vida. No melhor dos casos, coloca os
fundamentos para a aquisição de alguma habilidade, à semelhança daquela que os
professores sempre possuem. Sem pretensões de conduzir a uma aprendizagem
profunda, treina seus alunos em algumas rotinas básicas;
 O professor-moralista substitui os pais, Deus ou o Estado. Doutrina os alunos sobre o
que é certo e o que é falso, não apenas na escola, mas também na grande sociedade;
 O professor-terapeuta julga-se autorizado a investigar a vida particular de seus alunos
a fim de ajudá-los a tornarem-se pessoas. Quando esta função é exercida por um
guardião ou pregador, normalmente significa que persuade o aluno a domesticar sua
visão do verdadeiro e seu senso do que é correto.
Dizer que a sociedade liberal pode apoiar-se na escola moderna é paradoxo. A salvaguarda da
liberdade individual fica suspensa no relacionamento de um professor com seu aluno. Quando
o professor reúne em sua pessoa as funções de juiz, ideólogo e médico perverte se o estilo
fundamental da sociedade pelo mesmo processo que deveria preparar para a vida. Um
professor que reúne esses três poderes contribui muito mais para a distorção da criança do que
as leis que determinam sua menoridade legal e econômica, ou que restringem seu direito à
livre reunião e residência.

3.3. Os mitos ligados à escola


A partir desse postulado geral, Illich apud Gajardo (2010:16) sustenta que o "prestígio da
escola como provedora de serviços educacionais de qualidade para o conjunto da população
repousa sobre uma série de mitos que ele define" como se segue:

3.3.1. O mito dos valores institucionalizados


Esse mito, segundo Illich, está baseado na crença de que o processo de escolarização produz
algo que tem um valor e, por consequência, gera uma demanda. Assim, pretende-se que a
escola produza aprendizagens e que sua existência engendre uma demanda de escolaridade.
Ainda de acordo com Illich, a escola ensina que o resultado da frequência escolar é uma
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aprendizagem que tem um valor; que o valor da aprendizagem aumenta com a quantidade de
informação que ela contém; que esse valor é mensurável e que ele pode ser certificado por
graus e diplomas.
Para Illich, ao contrário, a aprendizagem é a atividade humana que menos necessita da
intervenção de terceiros; a maior parte da aprendizagem não é consequência da instrução, mas
o resultado de uma relação do aprendiz com um meio que tem um sentido, enquanto a
instituição escolar o faz crer que o desenvolvimento cognitivo pessoal depende,
necessariamente, de programas e de manipulações complexas.

3.3.2. O mito dos valores mensuráveis


Segundo Illich, os valores institucionalizados com os quais a escola impregna os espíritos são
valores quantificáveis. Para ele, contrariamente, o desenvolvimento pessoal não é mensurável
pela régua da escolaridade. Uma vez que os indivíduos aceitaram a ideia de que os valores
podem ser produzidos e medidos, eles tendem a aceitar todas as classificações hierárquicas.
Ele escreve:
Os homens que se remetem a uma unidade de medida definida por outrem
para julgar seu próprio desenvolvimento pessoal, nada mais sabem do que
serem medidos. Não é mais necessário colocá-los em um lugar determinado,
se eles aí se põem por si mesmos; eles se fazem pequenos no nicho a que seu

adestramento os conduziu. (Illich, 73.)


E vale dizer a respeito do mesmo processo, esses homens também colocam seus semelhantes
no mesmo lugar que lhes convém, devendo “toda coisa e todo ser reunirem-se sem choques”.

3.3.3. O mito dos valores acondicionados


A escola vende programa, e o resultado desse processo de produção se aparenta ao de
qualquer outra mercadoria moderna de primeira necessidade. O distribuidor-educador entrega
seu produto final ao consumidor (aluno), cujas reações são cuidadosamente estudadas e
tabuladas, a fim de se dispor de dados necessários para a concepção do modelo subsequente,
que poderá ser “sem sistema de notação”, “concebido pelo aluno”, “audiovisual” ou
“agrupados em torno de centros de interesse”.

3.3.4. O mito do progresso eterno


Illich não fala somente de consumo, mas, também, de produção e de crescimento. Estabelece
uma ligação entre esses elementos e a corrida pelas qualificações, pelos diplomas e pelos
certificados, porque, quanto maiores são as qualificações educacionais, maiores são as
possibilidades de acesso aos melhores empregos no mercado de trabalho. Para Illich, eis o
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mito sobre o qual repousa, em grande parte, o funcionamento das sociedades de consumo,
sendo que sua manutenção exerce um papel importante na regulação permanente. Se esse
mito desaparecer, não somente estará comprometida a sobrevivência da ordem econômica,
construída sobre a coprodução de bens e de demandas, mas, também a da ordem política,
construída sobre o estado-nação, no qual os estudantes são consumidores/alunos aos quais se
ensina a adaptar os seus desejos aos valores comercializáveis, sem que, nesse circuito de
progresso eterno, isso jamais conduza à maturidade.

Enfim, Illich observa que a escola não é a única instituição moderna cuja finalidade primeira é
de modelar a visão que o homem tem da realidade. Para isso contribuem igualmente outros
factores origem social, meio familiar, mídias e modos difusos de socialização que, entre
outros, tem papel chave na formação dos comportamentos e dos valores
(GAJARDO,2010:20).
Para Illich apud Aranha (1994: 197), a escola é a instituição que escraviza da maneira mais
profunda e mais sistemática, uma vez que é a ela que está designada a função de formar o
julgamento crítico, função que, paradoxalmente, ela tenta cumprir, fazendo de modo que a
aprendizagem seja do conhecimento de si, dos outros ou da natureza – depende de um
processo pré-fabricado.

3.4. Características gerais de novas instituições educativas e formais


Um bom sistema educacional deve ter três propósitos:
 Dar a todos que queiram aprender acesso aos recursos disponíveis, em qualquer época
de sua vida;
 Capacitar a todos os que queiram partilhar o que sabem a encontrar os que queiram
aprender algo deles;
 Dar oportunidade a todos os que queiram tornar público um assunto a que tenham
possibilidade de que seu desafio seja conhecido.
Tal sistema requer a aplicação de garantias constitucionais à educação. Os aprendizes não
deveriam ser forçados a um currículo obrigatório ou à discriminação baseada em terem um
diploma ou certificado. Nem deveria o povo ser forçado a manter, através de tributação
regressiva, um imenso aparato profissional de educadores e edifícios que, de fato, restringe as
chances de aprendizagem do povo aos serviços que aquela profissão deseja colocar no
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mercado. É preciso usar a tecnologia moderna para tornar a liberdade de expressão, de


reunião e imprensa verdadeiramente universal e, portanto, plenamente educativa.
As escolas estão baseadas na suposição de que há um segredo para tudo nesta vida; de que a
qualidade de vida depende do conhecimento desse segredo; de que os segredos só podem ser
conhecidos em passos sucessivos e ordenados; de que apenas os professores
sabem revelar corretamente esses segredos. Um indivíduo de mentalidade escolarizada
concebe o mundo como pirâmide, composta de pacotes classificados; a eles só tem acesso os
que possuem os rótulos adequados.
Segundo Illich(1985:87) As novas instituições educacionais quebrarão esta pirâmide. "Seu
objetivo deve ser facilitar o acesso ao aprendiz": se não puder entrar pela porta, permitir-lhe
que, pela janela, olhe para dentro da sala de controle ou do parlamento. Ainda mais, essas
novas instituições devem ser canais aos quais o aprendiz tenha acesso sem credenciais ou
linhagem – logradouros públicos em que colegas e pessoas mais idosas, fora de um horizonte
imediato, tornem-se disponíveis.
Acredito que apenas quatro – possivelmente três – “canais” diferentes ou intercâmbios de
aprendizagem poderiam conter todos os recursos necessários para uma real aprendizagem. A
criança se desenvolve num mundo de coisas, rodeada por pessoas que
lhe servem de modelo das habilidades e valores. Encontra colegas que a desafiam a interrogar,
competir, cooperar e compreender; e, se a criança tiver sorte, estará exposta a confrontações e
críticas feitas por um adulto experiente e que realmente se interessa por sua formação. Coisas,
modelos, colegas e adultos são quatro recursos; cada um deles requer um diferente tipo de
tratamento para assegurar que todos tenham o maior acesso possível a eles.

3.5. Quatro redes


De acordo com Illich (1985:88), "o planejamento de novas instituições educacionais não
deve começar com as metas administrativas, nem com as metasde ensino de um educador
profissional e nem com a aprendizagem de uma classe de pessoas". Ainda sustenta dizendo,
"num bom sistema educacional o acesso às coisas deve estar disponível ao simples aceno do
aprendiz, enquanto o acesso aos informantes requero consentimento de outros".
Os recursos educacionais são geralmente rotulados de acordo com as metas curriculares dos
educadores. Illich (1985:89), faz o contrário, portanto, ele rotula quatro diferentes abordagens
que permitem ao estudante ter acesso a todo e qualquer recurso educacional que poderá ajudá-
lo a definir e obter suas próprias metas:
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 Serviço de consultas a objetos educacionais — que facilitem o acesso a coisas ou


processos que concorrem para a aprendizagem formal. Algumas coisas podem ser
totalmente reservadas para este fim, armazenadas em bibliotecas, agências de aluguéis,
laboratórios e locais de exposição tais como museus e teatros; outras podem estar em
uso diário nas fábricas, aeroportos ou fazendas, mas devem estar à disposição dos
estudantes, seja durante o trabalho ou nas horas vagas;
 Intercâmbio de habilidades — que permite as pessoas relacionarem suas aptidões,
dar as condições mediante as quais estão dispostas a servir de modelo para outras que
desejem aprender essas aptidões e o endereço em que podem ser encontradas;
 Encontro de colegas — uma rede de comunicações que possibilite as pessoas
descreverem a atividade de aprendizagem em que desejam engajar-se, na esperança de
encontrar um parceiro para essa pesquisa;
 Serviço de consultas a educadores em geral — que podem ser relacionados num
diretório dando o endereço e a auto-descrição de profissionais, não-profissionais,
juntamente com as condições para ter acesso a seus serviços. Tais educadores, podem
ser escolhidos por votação ou consultando seus clientes anteriores.
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Conclusão
Em termos conclusivos, a ideia principal de Illich é de que a educação universal pela
escolarização não é viável. Portanto a escolaridade engana a sociedade fazendo acreditar que
só escolarizando as crianças é que aprendem. É deste pensar que o filósofo propõe uma
desescolarização da sociedade para construir uma sociedade futura convivêncial. Uma
sociedade capaz de promover atitudes também diferentes nas pessoas mudando de forma
radical os instrumentos que são usados para educar os homens. As escolas existem para
graduar e, portanto, para degradar.
Portanto, a escola se opõe à liberdade, pois onde houver a escola nãGo haverá lugar para
a liberdade, ela é a fábrica onde a dominação é produzida: a escola, esta vaca sagrada,
aumenta e torna racional a coexistência de duas sociedades, sendo uma colonizada pela outra.
Assim, Illich acredita que é urgente desescolarizar a educação, e a sociedade. A
desescolarização radical da sociedade deve começar pela ação de desvelar o mito da
escolarização criado pelos revolucionários culturais, deve continuar trilhando o caminho da
libertação dos espíritos dos outros da homens da falsa ideologia da escolarização. Ideologia
que permite à escola domesticar as pessoas. Finalmente, chegará o estágio final e positivo da
luta em favor da libertação da educação. A escola enquanto aparelho da sociedade civil a
serviço da sociedade política (Estado), prepara o homem para se sujeitar à ordem estabelecida.
A escola capitalista é um instrumento de cegueira e de opressão do ser humano, a
desescolarização está na raiz de qualquer movimento que tenha por objetivo a libertação do
homem. A sociedade de consumo tem necessidade da escola para formar consumidores, pois é
uma instituição que manipula os seres humanos. A escola introduz as crianças no mito do
consumo interminável e de acordo com este pensador este mito do consumo interminável
tomou na nossa sociedade o lugar preenchido pela fé no caminho para a vida eterna, na
maneira cristã de pensar.
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Bibliografia

ARANHA, M. L de Arruda. Filosofia da Educação. 2ª ed. Rev. Amp. Editora Moderna. São
Paulo. 1994.

GAJARDO, Marcela. Ivan Illich. Editora Massanga. Brasil. 2010.

ILLICH, Ivan. Sociedade sem Escola. 7ª ed. petrópilis. Rio de Janeiro. 1985.

JAMPIASSÚ, H. & DANILO, M. Dicionário Básico de Filosofia. 4ª ed. Rev. Amp. Jorge
Zahar Editora. Rio de Janeiro. 1996.

MORA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia. Publicação Dom Quixote. Lisboa. 1978.

PILETTI, Claudino. Filosofia da Educação. 9ª ed. editora Ática. São Paulo. 2005.

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