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“Muitas das coisas de que 

precisamos podem esperar. A 
criança não. Agora é o tempo em 
que os seus ossos se formam, o seu 
cérebro se desenvolve. Para ela não 
podemos dizer amanhã, o seu nome 
é hoje.”
(Gabriela Mistral)

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II Encontro de promotores do Sistema de 
Promoção e Proteção
Matriz do Acolhimento Residencial

Aveiro, 20 de novembro de 2018

Marta San-Bento
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A  Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo*:
Grandes linhas da revisão operada pela Lei n.º 142/2015, 
de 8 de setembro e das alterações introduzidas pela Lei n.º 
23/2017, de 23 de maio e pela Lei n.º 26/2018, de 5 de 
julho

*A Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo foi aprovada pela Lei 
n.º 147/99, de 1 de setembro e alterada pela primeira vez pela Lei n.º 31/2003, 
de 22 de agosto
I - Princípios Orientadores – art.º 4.º (Lei 142/2015; EV: 1/10/2015)

Referentes à Decisão

INTERESSE SUPERIOR DA CRIANÇA E DO JOVEM


alínea a)
Artigo 3.º:
A intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e direitos da
(…)2 ‐
criança Considera‐se que a criança ou jovem está em perigo quando, 
e do jovem, nomeadamente à continuidade das relações de afeto de
designadamente:
qualidade sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses
(…) d) “Está aos cuidados de terceiros, durante período de tempo em que se 
legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto
observou o estabelecimento com estes de forte relação de vinculação e em 
PRIMADO DA CONTINUIDADE DAS RELAÇÕES
simultâneo com o não exercício pelos pais das suas funções parentais;”
PSICOLÓGICAS PROFUNDAS alínea g)

A intervenção deve respeitar o direito da criança à preservação das


relações afetivas estruturantes de grande significado e de referência
para o seu saudável e harmónico desenvolvimento, devendo prevalecer
as medidas que garantam a continuidade de uma vinculação
securizante

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I - Princípios Orientadores – art.º 4.º(Lei 142/2015)

Referentes à Decisão

PREVALÊNCIA DA FAMÍLIA – alínea h)

Deve ser dada prevalência às medidas que integrem as crianças em família,


quer na sua família biológica, quer promovendo a sua adoção ou outra forma
de integração familiar estável.

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PRINCÍPIOS ORIENTADORES EM CONFLITO?

a) Interesse superior da criança e do jovem ‐ a intervenção deve atender prioritariamente


aos interesses e direitos da criança e do jovem, nomeadamente à continuidade de relações
de afeto de qualidade e significativas, sem prejuízo da consideração que for devida a
outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso
concreto;

i) Obrigatoriedade da informação ‐ a criança e o jovem, os pais, o representante legal ou


a pessoa que tenha a sua guarda de facto têm direito a ser informados dos seus
direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se
processa;

j) Audição obrigatória e participação ‐ a criança e o jovem, em separado ou na companhia


dos pais ou de pessoa por si escolhida, bem como os pais, representante legal ou pessoa
que tenha a sua guarda de facto, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na
definição da medida de promoção dos direitos e de proteção;

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II – Alargamento do âmbito objetivo da intervenção - (Lei
142/2015 e Lei 26/2018 – EV: 6/7/2018 )

Artigo 3.º:
(…)2 ‐ Considera‐se que a criança ou jovem está em perigo quando, designadamente:
(…) d) Está aos cuidados de terceiros, durante período de tempo em que se observou o 
estabelecimento com estes de forte relação de vinculação e em simultâneo com o não 
exercício pelos pais das suas funções parentais;
(...) h) Tem nacionalidade estrangeira e está acolhida em instituição pública, cooperativa, 
social ou privada com acordo de cooperação com o Estado, sem autorização de residência 
em território nacional"

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III – Alargamento (condicionado) do âmbito subjetivo da
intervenção até aos 25 anos - (Lei 23/2017 – EV: 1/1/2018)
Art.º 5.º/ a) ‐ Criança ou jovem ‐ a pessoa com menos de 18 anos ou a pessoa com
menos de 21 anos que solicite a continuação da intervenção iniciada antes de atingir os
18 anos, e ainda a pessoa até aos 25 anos sempre que existam, e apenas enquanto
durem, processos educativos ou de formação profissional;

DURAÇÃO DAS MEDIDAS EM MEIO NATURAL DE VIDA:
• 1 ano, excecionalmente prorrogável até 18 meses;
Art.º 60.º/3 ‐ Excecionalmente, quando a defesa do superior interesse da criança ou do
jovem o imponha, a medida prevista na alínea d) do n.º 1 do artigo 35.º (apoio para a
autonomia de vida) pode ser prorrogada até que aqueles perfaçam os 25 anos de idade.

CESSAÇÃO DAS MEDIDAS DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO:

Art.º 63.º ‐ As medidas cessam quando:
d) O jovem atinja a maioridade ou, nos casos em que tenha solicitado a continuação da 
medida para além da maioridade, complete 21 anos;
(...)
2 ‐ Sem prejuízo do disposto na alínea d) do número anterior, podem manter‐se até aos 
25 anos de idade as medidas de promoção e proteção de apoio para autonomia de vida 
ou colocação, sempre que existam, e apenas enquanto durem, processos educativos ou 
de formação profissional, e desde que o jovem renove o pedido de manutenção.  8
IV - Lei 26/2018 – Regularização do estatuto jurídico das crianças e
jovens de nacionalidade estrangeira acolhidos em instituições do
Estado ou equiparadas

Âmbito territorial de aplicação da LPCJP:


Crianças e jovens em perigo que residam ou se encontrem em
território nacional

Nova finalidade para a medida de acolhimento residencial: Art.º 49.º/3:


! “(...) Nos casos em que a criança ou jovem, de nacionalidade estrangeira, é acolhido em
instituição pública, cooperativa, social ou privada com acordo de cooperação com o Estado, a
medida envolve a atribuição de autorização de residência em território nacional pelo período
necessário a uma decisão definitiva sobre eventual pedido de naturalização, nos termos do n.º
3 do artigo 6.º da Lei n.º 37/81, de 3 de outubro.”

Novo direito da criança ou jovem em acolhimento adicionado ao catálogo: Art.º 58.º k):
“(...) k) Nas condições referidas no n.º 2 do artigo 3.º, obter autorização de residência em
Portugal e o processo de naturalização, nos termos do n.º 3 do artigo 6.º da Lei n.º 37/81, de
! 3 de outubro.”

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Nova atribuição do Ministério Público em matéria de promoção 
!
e proteção de crianças e jovens: Art.º 72.º/3:

“(...)3 ‐ Compete, ainda, em especial, ao Ministério Público


representar as crianças e jovens em perigo, propondo ações,
requerendo providências tutelares cíveis e usando de quaisquer
meios judiciais necessários à promoção e defesa dos seus
direitos e à sua proteção, incluindo promover os
procedimentos de naturalização, nos termos do n.º 3 do
artigo 6.º da Lei n.º 37/81, de 3 de outubro”

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LEI N.º 37/81, DE 3 DE OUTUBRO – LEI DA NACIONALIDADE

‐Aquisição da nacionalidade por naturalização: Art.º 6.º


“(...) c) Conhecerem suficientemente a língua portuguesa;
d) Não tenham sido condenados, com trânsito em julgado da sentença, com pena de prisão
igual ou superior a 3 anos;
e) Não constituam perigo ou ameaça para a segurança ou a defesa nacional, pelo seu
envolvimento em atividades relacionadas com a prática do terrorismo, nos termos da respetiva
lei.
2 ‐ O Governo concede a nacionalidade, por naturalização, aos menores, nascidos no território
português, filhos de estrangeiros, desde que preencham os requisitos das alíneas c), d) e e) do
número anterior e desde que, no momento do pedido, se verifique uma das seguintes
condições:
a) Um dos progenitores aqui tenha residência, independentemente de título, pelo menos
durante os cinco anos imediatamente anteriores ao pedido;
b) O menor aqui tenha concluído pelo menos um ciclo do ensino básico ou o ensino secundário.
3 ‐ Tratando‐se de criança ou jovem com menos de 18 anos, acolhidos em instituição pública,
cooperativa, social ou privada com acordo de cooperação com o Estado, na sequência de
medida de promoção e proteção definitiva aplicada em processo de promoção e proteção, ao
abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 72.º da Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo,
aprovada em anexo à Lei n.º 147/99, de 1 de setembro, cabe ao Ministério Público promover o
respetivo processo de naturalização com dispensa das condições referidas no número anterior.
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PERMANÊNCIA DO ACOLHIDO EM TERRITÓRIO NACIONAL ENQUANTO NÃO SE 
CONCLUI O PROCESSO DE NATURALIZAÇÃO:

LEI 23/2007, DE 4 DE JULHO  (Regime Jurídico de entrada, permanência, saída e 
afastamento de estrangeiros do território nacional):

Atribuição de autorização de residência temporária a crianças e jovens de


nacionalidade estrangeira acolhidos em instituição pública, cooperativa, social ou
privada com acordo de cooperação com o Estado, na sequência de um processo de
promoção e proteção, com dispensa dos requisitos gerais da lei.

Fundamento: razões humanitárias

Duração: Até à decisão definitiva sobre o pedido de naturalização

Competência: Proposta do Diretor nacional do SEF/ Iniciativa do membro do Governo


responsável pela área da administração interna

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Intervenção não judicial

Comissões de Proteção
de Crianças e Jovens
Intervenção Consentida

Entidades com competência


em matéria de infância e juventude

Intervenção Consensual

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V – Pressupostos da intervenção judicial de
promoção e proteção - art.º 11.º- (Lei 142/2015):
Intervenção consentida ou 
TRIBUNAL não (homologação de 
Acordo ou decisão judicial 
de mérito na ausência de 
acordo)
c) Ausência/retirada de
a) Inexistência de CPCJ/ausência de competência da
Consentimento para a
CPCJ para aplicar a medida de promoção e proteção
intervenção/para a aplicação
(Adoção)
de medida de promoção e
proteção Oposição da Criança ou do Jovem

b) A pessoa que deva prestar consentimento seja indiciada pela prática de crime contra a liberdade ou a
autodeterminação sexual que vitime a criança ou jovem ou, nos mesmo casos, contra aquela seja deduzida
queixa pela prática do(s) referido(s) crime(s)

c) Incumprimento grave ou reiterado dos acordos de promoção e proteção

f) Falta de meios para aplicação ou execução da medida de promoção e proteção decidida pela
Comissão de Proteção

g) Ausência de decisão da Comissão de Proteção decorridos 6 meses + requerimento da


intervenção judicial
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TRIBUNAL (artigo 11º)

h) Ilegalidade ou inadequação da decisão da Comissão de Proteção – fiscalização


do MP

i) Apensação a processo judicial

j) Após a aplicação de procedimento judicial urgente (art.º 91.º)

2) Quando, atendendo à gravidade da situação, à especial relação da


criança/jovem com quem a provocou ou ao conhecimento de anterior
incumprimento reiterado de acordo de promoção e proteção por quem deva
prestar consentimento, o Ministério Público, oficiosamente ou sob proposta da
comissão entenda, de forma justificada, que no caso concreto não se mostra
adequada a intervenção da comissão de proteção

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VI - O Consentimento para intervenção da
CPCJ (art.º 9.º e 55.º/1 c)) (Lei 142/2015)

• Exigência da prestação do consentimento por escrito

• Clarificação do regime por referência ao exercício das


responsabilidades parentais (exclusão dos inibidos do
exercício das RP)
• Agilização da intervenção da CPCJ nos casos de
incontactabilidade dos que deveriam prestar
consentimento

• Clarificação do regime nos casos de tutela, confiança a


terceira pessoa, apadrinhamento civil e guarda de facto

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Assim…
‐ HAVENDO PAIS:
 Consentimento de ambos, com única exceção do que esteja inibido do exercício das 
responsabilidades parentais
 Em caso de incontactibilidade de um dos pais:
→ recolha do consentimento do progenitor presente
→ a CPCJ diligencia “por todos os meios ao seu alcance” e comprovadamente 
(registo de diligências em ata) pela recolha do consentimento do ausente
→ A qualquer momento, se o progenitor ausente se opuser à intervenção, cessa a 
legitimidade de intervenção da CPCJ.

‐ ESTANDO INSTITUÍDA A TUTELA:
 Consentimento do tutor e, na sua falta, do protutor

‐ HAVENDO APADRINHAMENTO CIVIL (E NA SUA VIGÊNCIA):
 Consentimento dos padrinhos +
 Consentimento dos pais 17
‐ ESTANDO INSTITUÍDA PROVIDÊNCIA TUTELAR CÍVEL DE CONFIANÇA À GUARDA DE 
TERCEIRA PESSOA (1907.º E 1918.º DO CC):
 Consentimento da pessoa a quem a guarda da criança foi entregue (suficiente 
para a intervenção) +
 → a CPCJ diligencia “por todos os meios ao seu alcance” e comprovadamente 
(registo de diligências em ata) pela recolha do consentimento dos pais
 Não tendo sucesso, é suficiente o consentimento daquele a quem a guarda da 
criança foi entregue, mesmo para o acordo de promoção e proteção
 → A qualquer momento, se qualquer dos progenitores ausentes se opuserem
à intervenção, cessa a legitimidade de intervenção da CPCJ.

‐ HAVENDO GUARDA DE FACTO:
 Consentimento do guardião de facto (suficiente para a intervenção) +
 → a CPCJ diligencia “por todos os meios ao seu alcance” e 
comprovadamente (registo de diligências em ata) pela recolha do 
consentimento dos pais
 Não tendo sucesso, é suficiente o consentimento do guardião de 
facto, mesmo para o acordo de promoção e proteção.
A qualquer momento, se qualquer dos progenitores ausentes se 
opuserem à intervenção, cessa a legitimidade de intervenção da CPCJ. 18
VII – Alterações terminológicas…e não só (Lei 142/2015)
EMERGÊNCIA E URGÊNCIA
As situações são de emergência (5.º/c)) e reclamam procedimentos
urgentes (91.º) ou medidas cautelares (37.º)

‐ Situação de emergência – âmbito mais amplo:
• perigo atual ou iminente para a vida
• Perigo atual ou iminente de grave comprometimento da integridade 
física ou psíquica 
MEDIDAS CAUTELARES
Todas as medidas com exceção da prevista na alínea g) do n.º 1 do art.º 
35.º podem ser aplicadas a título cautelar (37.º/1)

PROCEDIMENTOS URGENTES NA AUSÊNCIA DE CONSENTIMENTO (91.º)


• Situação de emergência
• Ausência de consentimento dos detentores das responsabilidades
parentais/guardião de facto
• Qualquer ECMIJ/CPCJ adota as medidas adequadas à proteção
imediata e solicitam a intervenção do tribunal ou das entidades
policiais
• A entidade que intervém comunica de imediato ao MP ou logo que19
cesse a causa de impossibilidade
• Enquanto não for possível a intervenção do Tribunal, as autoridades policiais retiram
a criança/jovem do perigo em que se encontra e asseguram a sua proteção de
emergência em casa de acolhimento, nas instalações das ECMIJ ou em outro local
adequado
• Recebida a comunicação relativa às medidas de proteção adotadas na ausência de
consentimento, o MP requer de imediato ao Tribunal procedimento judicial
urgente

‐ Decisão judicial provisória em 48 horas (confirma as medidas
adotadas, aplica medida de promoção e proteção ou adota
outro procedimento quanto ao destino da criança/jovem)
‐ O processo segue os seus termos como processo judicial de
promoção e proteção

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VIII - MEDIDAS DE PROMOÇÃO E
PROTEÇÃO (Lei 142/2015/Lei 23/2017)
• ! Nova medida de confiança a família de acolhimento com vista
à adoção ( 35.º/ 1g), 38.º‐A e 62.º‐A):
‐ Dura até ser decretada a adoção e não está sujeita a revisão
‐ A título excecional é revista, quando a sua execução se revele
manifestamente inviável
‐ Não há lugar a visitas por parte da família de origem (biológica ou
adotante) mas podem ser autorizados contactos entre irmãos

!
Nova possibilidade de prorrogação da medida de apoio para a
autonomia de vida até que o jovem perfaça 25 anos (60.º/3)
Nova duração das medidas de colocação e de apoio para a
autonomia de vida até aos 25 anos (63.º/2)
! Nova previsão da possibilidade de fazer acompanhar a aplicação
da medida de confiança a pessoa idónea de apoio de natureza
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psicopedagócia ou social e, bem assim, de ajuda económica
VIII - MEDIDAS DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO

•ALTERAÇÕES NO ACOLHIMENTO (LEI 142/2015 e LEI


26/2018 – EV: 6/7/2018)

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• ACOLHIMENTO RESIDENCIAL ao invés de “Acolhimento em 
instituição” (35.º/1 f), 49.º ‐ 51.º)
• Casa de acolhimento ao invés de “Lar de infância e Juventude” ou 
“Centro de Acolhimento temporário”

No acolhimento residencial optam‐se por unidades especializadas, 
dentro da mesma instituição
Resposta perante 
Resposta em situações de  necessidades terapêuticas 
emergência (51.º/5) e/ou educacionais 
especiais 
Apartamentos de 
autonomização – apoio e 
promoção da autonomia 
dos jovens
Para além das casas de acolhimento, as instituições que desenvolvem respostas
residenciais, nomeadamente nas áreas da educação especial e da saúde podem,
fundamentadamente e pelo tempo estritamente necessário executar medidas de
acolhimento residencial: Deficiência permanente, doenças crónicas de caráter grave,
perturbação psiquiátrica ou comportamentos aditivos.
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O Apartamento de autonomização traduz uma das formas
possíveis de organização da Casa de Acolhimento (por unidades
especializadas), mas serve ainda a execução da medida de
acolhimento residencial, não se confundindo com a medida de
promoção e proteção de “Apoio para a Autonomia de Vida”:

(Consiste em proporcionar diretamente ao jovem com idade


superior a 15 anos apoio económico e acompanhamento
psicopedagógico e social, nomeadamente através do acesso a
programas de formação, visando proporcionar‐lhe condições que
o habilitem e lhe permitam viver por si só e adquirir
progressivamente autonomia de vida.)

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‐ Prevêem‐se e regulam‐se as modalidades de integração no
acolhimento residencial (51.º):

• Integração planeada:
– troca de informação relevante entre a entidade que aplica a
medida, a que gere as vagas e a instituição responsável pelo
acolhimento (necessidades específicas da criança ou jovem versus
recursos e características da intervenção disponibilizados)
‐ Preparação informada da criança/jovem e, sempre que
possível, da respetiva família

• Integração urgente:
‐ prescinde de planificação
‐ Tem como pressuposto a verificação de situação de emergência
‐ Unidade especializada de acolhimento de emergência integrada
em casa de acolhimento (preferencialmente)
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REGIME DE FUNCIONAMENTO DAS CASAS DE
ACOLHIMENTO (ARTIGOS 5.º E 6.º DA LEI N.º 142/2015)
Norma transitória (artigo 6º)
Até à entrada em vigor do diploma a que se refere o n.º 2 do artigo
53.º da LPCJP (regime de organização e funcionamento das casas
de acolhimento, a ser definido em diploma próprio, a publicar no
prazo de QUATRO meses a contar de 1/10/2015 – cfr. artigo 5º/1
da Lei 142/2015), as casas de acolhimento funcionam em regime
aberto, tal implicando a livre entrada e saída da criança e do jovem
da casa, de acordo com as normas gerais de funcionamento, tendo
apenas como limites os resultantes das suas necessidades
educativas e da proteção dos seus direitos e interesses

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A EQUIPA TÉCNICA DA CASA DE ACOLHIMENTO ‐ ÂMBITO E LIMITES DA INTERVENÇÃO

•Art.º 54.º/2 e 3 (LEI 142/2015)

“(...)3 ‐ À equipa técnica cabe o diagnóstico da situação da criança ou do jovem acolhidos e


a definição e execução do seu projeto de promoção e proteção, de acordo com a decisão
do tribunal ou da comissão.
4 ‐ Para efeitos do disposto no número anterior, a equipa técnica da casa de acolhimento
é obrigatoriamente ouvida pela entidade decisora, designadamente aquando da revisão
da medida de acolhimento aplicada.”
Acordo de promoção e proteção relativo a medidas de colocação (Artigo 57.º)

1 ‐ No acordo de promoção e proteção em que se estabeleçam medidas de colocação devem 


ainda constar, com as devidas adaptações (...):
c) A periodicidade e o conteúdo da informação a prestar às entidades administrativas e às
autoridades judiciárias, bem como a identificação da pessoa ou da entidade que a deve
prestar.

2 ‐ A informação a que se refere a alínea c) do número anterior deve conter os elementos


necessários para avaliar o desenvolvimento da personalidade, o aproveitamento escolar, a
progressão em outras aprendizagens, a adequação da medida aplicada e a possibilidade de
regresso da criança ou do jovem à sua família, bem como de outra solução de tipo familiar
adequada à promoção dos seus direitos e proteção, ou de autonomia de vida.
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QUESTÕES PRÁTICAS:

‐ “ Em questões de particular importância na vida da criança acolhida, a quem cabem 
as decisões?”

‐ “ A casa de acolhimento como responsável legal ou só como interveniente acidental?”

RESPONSABILIDADES PARENTAIS (1874.º CC e ss)

• Duram até à maioridade ou emancipação 

• Conteúdo (1878.ºCC):
Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover
ao seu sustento, dirigir a sua educação, representá‐los, ainda que nascituros, e
administrar os seus bens.

PODERES‐DEVERES DE  PODERES‐DEVERES DE 
NATUREZA PESSOAL NATUREZA PATRIMONIAL

GUARDA ‐ Os pais devem manter o  filho junto de si ou no local que indicarem e 
devem regular as relações do filho com outras pessoas
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VIGILÂNCIA – Os pais devem vigiar a pessoa do filho 
AUXÍLIO – Os pais devem velar pela segurança e saúde dos filhos

ASSISTÊNCIA – Os pais devem prover pelo sustento dos filhos – obrigação de prestar
alimentos e de contribuir, durante a vida em comum, de acordo com os recursos próprios,
para os encargos da vida familiar

EDUCAÇÃO – escolher e dirigir a educação escolar do filho, a sua instrução profissional,


formação física, cívica, moral, e educação sexual e religiosa (menores de 16 anos), autorizar
o casamento do filho menor

ADMINISTRAÇÃO DE BENS

REPRESENTAÇÃO LEGAL ‐ compreende o exercício de todos os direitos e o cumprimento de


todas as obrigações do filho com exceção:
•Dos atos puramente pessoais
•Dos atos que o menor tem o direito de praticar pessoal e livremente (Vg: negócios jurídicos
próprios da vida corrente, que impliquem a disposição de oequenas quantias)
•Dos atos respeitantes a bens cuja administração não pertença aos pais

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...À CRIANÇA ACOLHIDA EM CASA DE ACOLHIMENTO:

‐ Foi aplicada (tão somente) a medida de promoção e proteção de colocação em


acolhimento residencial OU
‐Foi aplicada a providência tutelar cível prevista no art.º 1918.º do CC (Limitação do
exercício das responsabilidades parentais, com confiança da criança à casa de
acolhimento)

..Em qualquer caso a aplicação destas medidas implica uma compressão intrínseca do 
exercício das responsabilidades parentais pelos pais, designadamente no que respeita 
à RESIDÊNCIA/GUARDA da criança, VIGILÂNCIA, e AUXÍLIO.

Os pais mantêm:
•exercício de todos os poderes‐deveres que não conflituem com aqueles que
passam a ser exercidos pela Casa de Acolhimento em virtude da execução da
medida e
•desde que não se tenham visto limitados no exercício de outros poderes‐deveres,
nos termos expressamente determinados pela decisão judicial que decreta a
medida.

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E SENÃO VEJAMOS...

MEDIDA TUTELAR CÍVEL LIMITATIVA DO EXERCÍCIO DAS RP:


ARTIGO 1919.º CC
(Exercício das responsabilidades parentais enquanto se mantiver a providência)
1. Quando tiver sido decretada alguma das providências referidas no artigo anterior, os
pais conservam o exercício das responsabilidades parentais em tudo o que com ela se
não mostre inconciliável.
2. Se o menor tiver sido confiado a terceira pessoa ou a estabelecimento de educação
ou assistência, será estabelecido um regime de visitas aos pais, a menos que,
excepcionalmente, o interesse do filho o desaconselhe.

MEDIDA DE PROMOÇÃO E PROTEÇÃO DE ACOLHIMENTO RESIDENCIAL (Arts.º 34.º,


49.º, 53.º/3, 58.º/1 b)
“Proteger e Promover a segurança, saúde, formação, educação, bem‐estar e
desenvolvimento integral da criança”.
Em que consiste? Colocação da criança/jovem aos cuidados de uma entidade que lhe
garanta a prestação dos cuidados adequados, designadamente, a adequada satisfação
das suas necessidades físicas, psíquicas, emocionais e sociais;
(Inclui necessariamente a prestação dos cuidados de saúde, formação escolar e
profissional e, bem assim, a participação em atividades culturais, desportivas e
recreativas) 31
O ENCARREGADO DE EDUCAÇÃO NA VIGÊNCIA DO ACOLHIMENTO:

•Estatuto do Aluno e Ética Escolar, aprovado pela Lei n.º 51/2012, de 5 de setembro:

4 ‐ Para efeitos do disposto no presente Estatuto, considera‐se encarregado de 
educação quem tiver menores a residir consigo ou confiado aos seus cuidados:

(...)

b) Por decisão judicial;

c) Pelo exercício de funções executivas na direção de instituições que tenham menores, 
a qualquer título, à sua responsabilidade;

d) Por mera autoridade de facto ou por delegação, devidamente comprovada, por parte 
de qualquer das entidades referidas nas alíneas anteriores.

32
ATENÇÃO, CONTUDO E SEMPRE,  AOS “ATOS DE PARTICULAR IMPORTÂNCIA”:

Sempre que a Casa de Acolhimento é posta perante a eventualidade de praticar um


destes atos e a decisão judicial que aplicou a medida se mantém omissa/existem
dúvidas sobre a atribuição de tal responsabilidade, deve solicitar competente
esclarecimento ao Juiz.

EXEMPLOS DE ATOS DE PARTICULAR IMPORTÂNCIA QUE, POR PRINCÍPIO, CABERÃO 
AOS PAIS NÃO INIBIDOS/LIMITADOS:

•Autorização para a prática de intervenções cirúrgicas programadas (não urgentes, 
quando não está em risco a vida/comprometimento grave da integridade física);

•Educação religiosa da criança menor de 16 anos

•Participação da criança em espetáculos/atividades artísticas/publicitárias

• Saídas para o estrangeiro

•Práticas desportivas com risco para a vida ou grave comprometimento da 
integridade física 
33
PODEM SER LIMITADOS OS CONVÍVIOS DA CRIANÇA/JOVEM COM OS PAIS NA VIGÊNCIA DO
ACOLHIMENTO?
SIM, quer por decisão judicial de mérito, quer por acordo de promoção e proteção...

•Desde que tal se revele necessário a afastar a situação concreta de perigo vivenciada pela
criança, o acordo de promoção e proteção pode contemplar tal previsão (Cf. art.º 55./2)
•53.º/3 ‐ Os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto da criança podem
visitar a criança ou o jovem, de acordo com os horários e as regras de funcionamento da casa,
salvo decisão judicial em contrário.

•58.º/1 – A criança e o jovem acolhidos em instituição têm, em especial, os direitos de:


a) Manter regularmente, e em condições de privacidade, contactos pessoais com a família e com
pessoas com quem tenham especial relação afetiva, sem prejuízo das limitações impostas por
decisão judicial ou pela comissão de proteção;
(...)
g) Não ser transferido da casa de acolhimento ou da família de acolhimento, salvo quando essa
decisão corresponda ao seu superior interesse;
(...)
i) Ser acolhido, sempre que possível, em casa de acolhimento ou família de acolhimento próxima
do seu contexto familiar e social de origem, exceto se o seu superior interesse o desaconselhar;
j) Não ser separado de outros irmãos acolhidos, exceto se o seu superior interesse o
desaconselhar.
34
“Que responsabilidades de sustento cabem aos pais ou representantes legais após 
o acolhimento?”
ARTIGO 1882.º CC
(Irrenunciabilidade)
Os pais não podem renunciar às responsabilidades parentais nem a qualquer dos direitos
que ele especialmente lhes confere, sem prejuízo do que neste Código se dispõe acerca da
adopção.

Artigos 57.º e 113.º


Acordo de promoção e proteção relativo a medidas de colocação
1 ‐ No acordo de promoção e proteção em que se estabeleçam medidas de colocação
devem ainda constar, com as devidas adaptações, para além das cláusulas enumeradas nos
artigos anteriores: (...)

b) Os direitos e os deveres dos intervenientes, nomeadamente o montante da prestação


correspondente aos gastos com o sustento, educação e saúde da criança ou do jovem e a
identificação dos responsáveis pelo pagamento; (...)

Donde,
Sim, o acordo de promoção e proteção ou a decisão de mérito que aplica a medida de
promoção e proteção podem prever a prestação de alimentos ou qualquer montante tendo
em vista a comparticipação dos pais no sustento da criança/jovem acolhido. 35
“Responsabilidade por Saídas não autorizadas?”
Art.º 53.º/2 da LPCJP:
“ O regime de funcionamento das casas de acolhimento é definido em diploma próprio."

Art.º 6.º da Lei n.º 142/2015, de 8/9:


“Até à entrada em vigor do diploma a que se refere o n.º 2 do artigo 53.º da Lei de
Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (...)as casas de acolhimento funcionam em
regime aberto, tal implicando a livre entrada e saída da criança e do jovem da casa, de
acordo com as normas gerais de funcionamento, tendo apenas como limites os resultantes
das suas necessidades educativas e da proteção dos seus direitos e interesses”

A Casa de Acolhimento dispõe, nos termos da Lei, de um regulamento interno, onde


deve prever as normas gerais de funcionamento, designadamente, no que respeita às
entradas e saídas dos acolhidos no contexto do regime aberto vigente. E pode e deve
impor as limitações que se afigurarem adequadas à salvaguarda da educação e
segurança das crianças e jovens que lhe foram confiados, como decorrência dos deveres
de guarda, vigilância e auxílio que sobre si impendem.
•cumprimento de tais deveres é, assim, uma responsabilidade imputável em primeira
linha à Direção e que se estende, no âmbito funcional e no contexto das competências
de cada um, às respetivas equipas técnica, educativa e de apoio .
•Na prossecução deste desígnio é exigível que os responsáveis se comportem como um
“bonus pater familiae”. 36
• ACOLHIMENTO FAMILIAR

Artigo 46.º
Definição e pressupostos
1 — O acolhimento familiar consiste na atribuição da confiança da criança ou
do jovem a uma pessoa singular ou a uma família, habilitadas para o efeito,
proporcionando a sua integração em meio familiar e a prestação de cuidados
adequados às suas necessidades e bem ‐estar e a educação necessária ao seu
desenvolvimento integral.
2 — (…).
3 — O acolhimento familiar tem lugar quando seja previsível a posterior
integração da criança ou jovem numa família ou, não sendo possível, para a
preparação da criança ou jovem para a autonomia de vida.
NOTA: Parcialmente (tacitamente) revogado o DL n.º 11/2008 (regime de
execução da medida de acolhimento familiar), face aos novos pressupostos
de aplicação da medida, de acordo com esta nova redação da LPCJP.

37
Um novo (e ambicioso) paradigma:
4 — Privilegia ‐se a aplicação da medida de acolhimento familiar
sobre a de acolhimento residencial, em especial relativamente a
crianças até aos seis anos de idade, salvo:
a) Quando a consideração da excecional e específica situação
da criança ou jovem carecidos de proteção imponha
a aplicação da medida de acolhimento residencial;
b) Quando se constate impossibilidade de facto.
5 — A aplicação da medida de acolhimento residencial nos casos
previstos nas alíneas a) e b) do número anterior
é devidamente fundamentada.

‐ Nova medida de confiança a família de acolhimento com


vista à adoção ( 35.º/ 1g) e 38.º‐A)

38
IX – TRATAMENTO DE DADOS PESSOAIS SENSÍVEIS

Regulamento 2016/679 do Parlamento Europeu e do


Conselho, de 27/4/2016, relativo à proteção das pessoas
singulares no que diz respeito ao tratamento de dados
pessoais e à livre circulação desses dados e que revoga a
Diretiva 95/46/CE – REGULAMENTO GERAL SOBRE A
PROTEÇÃO DE DADOS

• entrou em vigor em 25 de Maio de 2018 e substituiu a


diretiva e lei de proteção de dados em vigor (Lei 67/98,
de 26/10).

39
– TRATAMENTO pelas CPCJ
 DEVER DE COLABORAÇÃO (ART. 13.º):

Os serviços públicos, as autoridades administrativas e as entidades policiais têm o dever


de colaborar com as comissões de proteção no exercício das suas atribuições.
O dever de colaboração abrange o de informação e o de emissão, sem quaisquer
encargos, de certidões, relatórios e quaisquer outros documentos considerados
necessários pelas comissões de proteção, no exercício das suas competências de
promoção e proteção.
convicções filosóficas 
• ACESSO A DADOS PESSOAIS SENSÍVEIS (ART. 13.º‐A LPCJP ou políticas, filiação 
+ART. 7.º /1 Lei 67/98 de 26/10 9.º/2 a) do Regulamento partidária ou sindical, 
Geral sobre a Proteção de Dados ): fé religiosa, vida 
privada e origem racial 
ou étnica, saúde, 
orientação e  vida 
sexual 
A comissão de proteção pode, quando necessário para assegurar a proteção da criança ou
do jovem, proceder ao tratamento de dados pessoais sensíveis, designadamente,
informação clínica, desde que consentida pelo titular dos dados ou, sendo este menor ou
interdito por anomalia psíquica, pelo seu representante legal, nos termos da alínea h) do
artigo 3.º n.º 11 do art.º 4.º RGPD e do n.º 2 do artigo 7.º da Lei da Proteção de Dados
Pessoais alínea a) do n.º 2 do art.º 9.º do RGPD, aprovada pela Lei n.º 67/98, de 26 de
outubro – atenção ao consentimento específico quanto a esta matéria (não confundível
com o consentimento previsto no art.º 9.º da LPCJP).
Quando a entidade detentora da informação for uma unidade de saúde o pedido da
comissão deve ser dirigido ao responsável pela direção clínica, a quem cabe a
coordenação da recolha da informação e sua remessa à comissão requerente.

O pedido de acesso a dados pessoais sensíveis deve ser sempre acompanhado da


declaração de consentimento escrito, específico e informado por parte do titular dos
dados.

41
Mas…
“ O art.º 13.º‐A da LPCJP é aplicável às instituições/casas de acolhimento?”

Não. A norma é especificamente dirigida às CPCJ.

Contudo e no que toca ao tratamento de dados pessoais sensíveis das crianças


acolhidas pelas casas de acolhimento:
Inexistindo consentimento, parece‐nos que o tratamento pode ser legitimado, com
fundamento no exercício de funções de interesse público por parte da Casa de
Acolhimento:
Art.º 9.º/ 2 g) do RGPD:
1. É proibido o tratamento de dados pessoais (…)relativos à saúde(…) de uma pessoa.
2. O disposto no n.º 1 não se aplica quando se verificar um dos seguintes casos:
a) Se o titular dos dados tiver dado o seu consentimento explícito para o tratamento
desses dados pessoais para uma ou mais finalidades específicas, exceto se o direito
da União ou de um Estado‐Membro previr que a proibição a que se refere o n.o 1
não pode ser anulada pelo titular dos dados; (…)
g) Se o tratamento for necessário por motivos de interesse público importante, com
base no direito da União ou de um Estado‐Membro, que deve ser proporcional ao
objetivo visado, respeitar a essência do direito à proteção dos dados pessoais e prever
medidas adequadas e específicas que salvaguardem os direitos fundamentais e os
interesses do titular dos dados; (…)
42
Que interesse público – (dever de concretização)?

A Proteção e promoção da saúde da criança/salvaguarda da integridade física/psíquica 
da criança, confiada à Casa de Acolhimento (Cf. 49.º/ 2, 50.º/ 2 b), 51.º/ 2c) e d) e 
58.º/ 1 b) da LPCJP).

Artigo 51.º
Modalidades da integração
1 ‐ No que respeita à integração no acolhimento, a medida de acolhimento residencial é planeada
ou, nas situações de emergência, urgente.
2 ‐ A integração planeada pressupõe a preparação da integração na casa de acolhimento,
mediante troca de informação relevante entre a entidade que aplica a medida, a entidade
responsável pela gestão das vagas em acolhimento e a instituição responsável pelo acolhimento,
tendo em vista a melhor proteção e promoção dos direitos da criança ou jovem a acolher e incide,
designadamente, sobre:
(…)
c) As necessidades específicas da criança ou jovem a acolher; e
d) Os recursos e características da intervenção que se revelem necessários, a disponibilizar pela
instituição de acolhimento.
3 ‐ A intervenção planeada pressupõe ainda a preparação informada da criança ou jovem e,
sempre que possível, da respetiva família.
4 ‐ A integração urgente em casa de acolhimento é determinada pela necessidade de proteção da
criança quando ocorra situação de emergência nos termos previstos na alínea c) do artigo 5.º e
prescinde da planificação a que se reporta o número anterior, regendo‐se por modelo
43
procedimental especificamente direcionado para a proteção na crise.
Importante:

• Todas as pessoas autorizadas a tratar os dados pessoais assumem um compromisso de


confidencialidade (28.º/3 b) RGPD)
• Todos os organismos públicos (com exceção dos tribunais) designam um encarregado
de proteção de dados (art.º 37.º RGPD)
• Relativamente a entidades privadas, a obrigação de designação depende da
densificação de tratamento “em grande escala”…

44
X – O SISTEMA DE COMUNICAÇÕES PREVISTO NA LPCJP:
64.º e seguintes

• COMUNICAÇÕES DE SITUAÇÕES DE PERIGO pelas AUTORIDADES JUDICIÁRIAS


(Juiz e MP) E AUTORIDADES POLICIAIS (64.º):

• Comunicam às CPCJ as situações de perigo de que tenham conhecimento no


exercício das suas funções, sem prejuízo da adoção, pelas autoridades
judiciárias, das providências tutelares cíveis adequadas ao caso.

45
X – COMUNICAÇÕES: 64.º e seguintes

• COMUNICAÇÕES DE SITUAÇÕES DE PERIGO conhecidas PELAS ECMIJ (65.º):

• Comunicam às CPCJ as situações de perigo de que tenham conhecimento no


exercício das suas funções sempre que não possam, no âmbito exclusivo da sua
competência, assegurar em tempo (útil) a proteção suficiente que as
circunstâncias do caso exigem.

• Comunicam diretamente ao Ministério Público as situações de perigo de que


tenham conhecimento no exercício das suas funções, quando não esteja instalada
CPCJ ou quando a intervenção adequada ao caso aponte no sentido da promoção
de uma medida de adotabilidade, designadamente “sempre que os pais da criança
ou jovem expressem a sua vontade quanto ao seu consentimento ou à não
oposição para a futura adoção”.

• No caso das instituições que promovem o acolhimento, comunicam ao MP todas


as situações de crianças e jovens acolhidos sem prévia decisão da CPCJ ou do
Tribunal

46
• PARTICIPAÇÃO DE CRIMES COMETIDOS CONTRA CRIANÇAS E JOVENS (70‐º):

‐ Quando os factos que determinaram a situação de perigo constituam crime,


independentemente da intervenção de proteção assumida pela própria ECMIJ
ou CPCJ é obrigatória a comunicação imediata ao MP ou às entidades policiais

‐ No caso das CPCJ é também obrigatória a comunicação simultânea ao


magistrado do MP “interlocutor”

47
X – COMUNICAÇÕES: 64.º e seguintes

• COMUNICAÇÕES DAS CPCJ AO MP (68º):

‐ A aplicação das medidas de promoção e proteção que determinem ou mantenham


a separação da criança ou do jovem dos seus pais, representante legal ou das
pessoas que tenham a sua guarda de facto (alínea e))

NOVA: Alínea f) (Lei 142/2015)


‐ Casos em que, por força da aplicação sucessiva ou isolada de qualquer medida de
promoção e proteção (com exceção única da medida de apoio para a autonomia de
vida ou de medida de confiança com vista a futura adoção) o somatório de duração
das referidas medidas perfaça 18 meses.

Controle dos tempos da intervenção 
pelo MP
‐ Tempo útil da criança!

48
XI – COMPETÊNCIA TERRITORIAL DA
CPCJ/Tribunal – Art.º 79.º
Competência territorial
- Para a aplicação das medidas de promoção e proteção:
• área da residência da criança ou do jovem no momento em que é recebida a comunicação da
situação ou instaurado o processo judicial;
- Desconhecendo-se a residência: Lugar onde a criança ou jovem for encontrado

- Para a adoção de diligências urgentes e medidas de proteção imediata:


• lugar onde a criança ou o jovem for encontrado.

Alteração da competência territorial:


• Aplicação de medida de promoção e proteção não cautelar + mudança de residência por
período > 3 meses
• A execução de medida de acolhimento NÃO DETERMINA A ALTERAÇÃO DE
RESIDÊNCIA DA CRIANÇA OU JOVEM ACOLHIDO (→ Processos de colaboração)

49
XII– APENSAÇÃO DE PROCESSOS (81.º)
• Quando, relativamente à mesma criança ou jovem, forem instaurados,
sucessivamente ou em separado, processos de promoção e proteção,
inclusive na comissão de proteção, tutelar educativo ou relativos a
providências tutelares cíveis, devem os mesmos correr por apenso,
independentemente do respetivo estado, sendo competente para deles
conhecer o juiz do processo instaurado em primeiro lugar.
• Para tanto,

- O juiz solicita à comissão de proteção que o informe sobre qualquer
processo de promoção e proteção pendente ou que venha a ser
instaurado posteriormente relativamente à mesma criança ou jovem;

• - A CPCJ remete ao MP o processo de promoção e proteção que ali corra


termos e que deva ser apensado a processo judicial (11.º/1 i) + 3)

50
XIII – O Processo Judicial de Promoção e
Proteção de Crianças e Jovens em Perigo
(artigos 100.º e ss)

51
‐ O Processo judicial de promoção e proteção é um processo de
jurisdição voluntária (art.º 100.º):
• O juiz dispõe de amplos poderes de investigação para além das provas oferecidas 
pelas partes, e orienta‐se por critérios de oportunidade ou conveniência, que 
prevalecem sobre a legalidade estrita, podendo as suas decisões ser alteradas em 
função de novas circunstâncias (986º e 988º do CPC).

‐O processo judicial de promoção e proteção tem caráter urgente (art.º 102.º).

‐Não é obrigatória a constituição de advogado/nomeação de patrono, exceto no


debate judicial, para a criança (sempre) e, quando esteja em causa a aplicação de
medida de confiança com vista a futura adoção, também para os pais (art.º
103.º/1,2 e 4) .

‐É obrigatória a nomeação de patrono à criança quando os seus interesses e os dos


pais/rep. Legais/guardiões de facto sejam conflituantes e sempre que a criança
com maturidade atendível o solicite ao tribunal (art.º 103º/ 2).

‐O processo deve decorrer de forma compreensível para a criança ou jovem,


considerando a idade e o grau de desenvolvimento intelectual e psicológico (art.º
52
86.º/1).
FASES DO PROCESSO
JUDICIAL (art.º 106.º)

Instrução
Decisão negociada Eventuais
Debate judicial
Decisão  
Execução da medida

53
PROCESSO JUDICIAL

INICIATIVA PROCESSUAL
(artigo 106º)
Ministério Público
(excepção: al. g) do artº 11º)

INSTRUÇÃO
ARQUIVAMENTO
(duração máxima 
de 4 meses)

CONFERÊNCIA DEBATE JUDICIAL

ACORDO DE PROMOÇÃO  ACORDO TUTELAR CÍVEL
E PROTEÇÃO

54
PROCESSO JUDICIAL
Audição da criança ou do jovem
Audição dos pais, representante legal ou 
guardião de facto
Audição de técnicos ou de outras pessoas

INSTRUÇÃO – arts.º 107.º e 109.º  Informações e relatórios sociais Eventuais


(duração máxima de 4 meses) Exames
Diligências requeridas pela criança ou jovem, 
pelos pais, representante legal ou guardião de 
facto

(…Ou se o juiz considerar que dispõe 
de todos os elementos necessários, 
passa diretamente à fase 
subsequente)

55
Ouvido o Ministério  ARQUIVAMENTO
Público…

DESIGNAÇÃO DE DATA PARA 
CONFERÊNCIA COM VISTA À 
ENCERRAMENTO  CELEBRAÇÃO DE ACORDO DE 
PROMOÇÃO E PROTEÇÃO/ TUTELAR 
DA INSTRUÇÃO  CÍVEL ADEQUADO
(art.º 110.º)
PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO 
PARA REALIZAÇÃO DE DEBATE
Quando se mostra manifestamente
improvável uma solução negociada

‐ Possibilidade de dispensa do debate judicial: Quando a impossibilidade de obtenção de


acordo quanto à medida de promoção e proteção resultar de comprovada ausência em
parte incerta de ambos os progenitores ou de um deles, quando o outro manifeste a sua
adesão à medida. (art.º 110.º/2)
‐ Dispensa do debate judicial em sede de revisão de medidas: Manutenção da medida
aplicada, cessação da medida e prorrogação de medidas a executar em meio natural de vida
(114.º/5).
56
PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO PARA 
CONFERÊNCIA

PARA OBTENÇÃO DE ACORDO TUTELAR 
PARA OBTENÇÃO DE  CÍVEL (art.º 112.º‐A):
ACORDO DE  ‐ HAVENDO ACORDO que corresponda ao
PROMOÇÃO E  interesse da criança: HOMOLOGAÇÃO 
PROTEÇÃO (art.º  JUDICIAL
113.º) :
‐ NÃO HAVENDO ACORDO:
‐ HAVENDOACORDO + 
não oposição do MP:  • SEGUEM‐SE OS TERMOS DO REGIME 
HOMOLOGAÇÃO  GERAL DO PROCESSO TUTELAR CÍVEL 
JUDICIAL (38.º A 40.º do RGPTC aprovado pela Lei 
n.º 141/2015, de 8/9)  para aplicação de 
‐NÃO HAVENDO  medida tutelar cível – ATE/Mediação ou
ACORDO:
• DEBATE JUDICIAL para aplicação de 
DEBATE JUDICIAL medida de promoção e proteção
57
PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO PARA 
REALIZAÇÃO DE DEBATE JUDICIAL
Ministério Público

Notificação para alegações e 
apresentação de prova Pais, repr. legal, guardião de facto

(prazo: 10 dias)
Criança ou jovem com mais de 12 anos

DEBATE JUDICIAL ARQUIVAMENTO

o tribunal é constituído pelo juiz, que 
preside, e por dois juízes sociais (cfr.  APLICAÇÃO de MEDIDA
Decreto‐Lei nº 156/78, de 30 de Junho)

RECURSO (arts. 
123.º e 124.º
58
Decisões recorríveis:
‐ Decisões que apliquem, alterem ou cessem medidas de promoção 
e proteção;
‐ Decisões (excecionais) que autorizem contactos entre irmãos 
aquando da aplicação de medida de confiança com vista a adoção;

Legitimidade para recorrer:
‐ MP, criança/jovem, e todos aqueles de cujo acordo 
depende a aplicação de uma medida negociada.

Efeitos do recurso:
‐ Suspensivo:
• das decisões que apliquem medida de confiança com vista a adoção
• das decisões (excecionais) que autorizem contactos entre irmãos no caso 
anterior 
59
‐ A fixar pelo Tribunal recorrido, nos restantes casos.
60

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