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Criminologia – Aula 03

RESUMO
Modelos Teóricos da Criminologia

Há 4 grandes modelos teóricos da Criminologia


Modelo Clássico da Opção Racional
Crença de que o crime é fruto de uma decisão racional e livre do infrator, baseada em
critérios de utilidade e oportunidade. Não se preocupam com a etiologia. O delinquente
e o não delinquente são seres essencialmente iguais. Enfoque sobre o presente do
autor, sobre sua autonomia para decidir e sobre o utilitarismo de suas ações. há três
suborientações criminológicas no modelo de opção racional:
Teorias da opção econômica (“economic choice”): tem orientação economicista. O ser
humano, ao usar seu livre-arbítrio, faz, a todo tempo, ponderações de custos e
benefícios, e com o ato delitivo, não é diferente. confia muito no efeito dissuasório da
lei penal e nas instituições de controle social formal. Na década de 1970, o
neoclassicismo teve muito sucesso, sobretudo nos Estados Unidos. Nesse
neoclassicismo, o castigo, a retribuição, a pena de morte voltaram a ser estudados,
discutidos. O efeito dissuasivo das sanções (deterrence) retornou para o centro dos
debates criminológicos, configurando um neorretribucionismo. Um dos nomes
importantes desse moderno classicismo econômico foi o do norte-americano Gary
Stanley Becker, autor de Crime and punishment: an economic approach. Outro nome
relevante foi o de Isaac Ehrlich, cuja teoria fala da existência de um mercado invisível,
relativamente estável, de ações delitivas. Para Shlomo Shinnar e Reuel Shinnar, o
aumento da criminalidade de Nova Iorque estava relacionado com a tendência dos
tribunais de imporem penas de curta duração, o que teria significado diminuição dos
custos do cometimento do crime.
Teorias das atividades rotineiras: também chamadas de teorias das oportunidades, ou
teorias situacionais, entende que a racionalidade da opção delitiva está ligada às
oportunidades, às situações presentes que o delinquente vivencia. Acentua a relevância
dos fatores temporais e espaciais do momento da ocorrência de um crime. Lawrence
Cohen e Marcus Felson, em 1979, publicaram Social Change and crime rate trends: a
routine activity approach. Nãobasta um delinquente disposto para que o crime
aconteça. É necessária também uma oportunidade propícia ou situação idônea, assim
como a ausência de guardiões. O incremento da delinquência estaria vinculado com a
forma concreta de organização das atividades sociais rotineiras da vida moderna, da
sociedade pós-industrial.
Teorias do entorno físico: também chamadas de teorias espaciais ou ecológicas,
conferem relevância ao espaço físico como fator ciminógeno. Certos espaços físicos
conferem facilidades ao delinquente e é por isso que o delito se concentra em tais locais.
Em 1972, o arquiteto e urbanista americano Oscar Newman publicou o livro “Defensible
Space” (espaço defensável), em que defendia a adoção de um modelo arquitetônico
para ambientes residenciais que inibiria o delito por potencializar as relações sociais de
vizinhança e possibilitar maior eficácia do controle social informal.
Modelo Positivista
Dentro do Modelo Positivista, o livre-arbítrio perde valor. Trata-se, aqui, de um grupo
bastante eclético de teorias, que possuem em comum a busca pelas causas do delito. É,
portanto, um modelo em que ganha força a etiologia criminal. Segundo o fator
considerado preponderante na explicação das causas do delito, as teorias são divididas
em:
• Biológicas;
• Psicológicas; e

• Sociológicas.
Teorias biológicas
Busca constante e detalhada das razões do crime no corpo do criminoso. São teorias
que partem do princípio positivista da diversidade (que considera que o ser humano
delinquente é diferente do não delinquente).
Antropometria: considera que haveria uma suposta correlação entre determinadas
características corporais e a delinquência. Alphonse Bertillon (1853-1914), criminólogo
francês, desenvolveu um sistema conhecido por bertilonagem: trata-se de um sistema
de onze medidas corporais que, unidas às fotografias dos delinquentes, pretendia servir
como instrumento para identificá-los, no marco da criminalística.
Antropologia: parte da hipótese de existência de um tipo humano criminoso, que é
inferior, degenerado, com carga hereditária. Charles B. Göring, em sua obra de 1913,
The English convict: a statistical study, concluiu que havia, sim, motivos para acreditar
na inferioridade do delinquente, que apresentaria deficit psíquico de inteligência, e no
caráter hereditário da criminalidade. Mas isso não significava que o delinquente era
anormal. Earnest A. Hooton, antropólogo norte-americano, rebateu Göring em sua obra
The American Criminal: An Antropological Study, de 1939. Para Hooton, o criminoso era
um ser organicamente inferior. Para ele, haveria relação entre certos traços corporais e
os tipos de delito praticados.
Biotipologia: Os seres humanos são classificados em tipos, destacando o predomínio de
um órgão ou função. A cada tipo físico corresponderiam traços caracterológicos ou
temperamentais próprios. Ernst Kretschmer, psiquiatra alemão, publicou em 1921 uma
tipologia dupla. Os atléticos seriam os mais criminosos, com alta taxa de violência. Os
pícnicos apresentariam índices baixos de delinquência, e os leptossomáticos seriam
pessoas de difícil tratamento e inclinados à reincidência. O casal Glueck, na década de
1950, chegou à conclusão de que as pessoas mesomórficas tinham traços que os
habilitavam à prática de crimes violentos. Notaram também que aspectos familiares
influenciavam na escolha de respeito ou desrespeito às normas.
Neurofisiologia: procuraram, a partir da descoberta do eletroencefalograma (EEG),
estabelecer uma correlação entre irregularidades ou disfunções criminais e a conduta
humana.
Teorias sobre o sistema nervoso autônomo ou sistema nervoso neurovegetativo: o
funcionamento do sistema nervoso autônomo poderia predispor a pessoa a um
comportamento antissocial ou delitivo.
Endocrinologia criminal: são teorias que associam o comportamento delitivo com
processos hormonais ou endócrinos patológicos.
Genética criminal: partiu de avanços nos estudos genéticos para analisar quais fatores
hereditários influenciam na conduta delitiva. As teorias instintivistas, ancoradas nos
pensamentos de Darwin, entendem que a conduta agressiva do ser humano é um
instinto inato.
Endocrinologia criminal: são teorias que associam o comportamento delitivo com
processos hormonais ou endócrinos patológicos. Genética criminal: partiu de avanços
nos estudos genéticos para analisar quais fatores hereditários influenciam na conduta
delitiva. As teorias instintivistas, ancoradas nos pensamentos de Darwin, entendem que
a conduta agressiva do ser humano é um instinto inato.
Sociobiologia e bioquímica: os fatores biológicos, ambientais e os processos de
aprendizagem podem, dinamicamente, levar à criminalidade. A Sociobiologia rompe
com a ideia de equipotencialidade. Clarence Ray Jeffery defende que a conduta humana
deriva tanto de variantes ambientais quanto de genéticas e que a aprendizagem é, aliás,
um processo psicobiológico que inclui mudanças na estrutura bioquímica e celular do
cérebro. Sua teoria defende uma intervenção agressiva e eficaz do infrator, com o
controle ambiental de sua vida e com a modificação das condições biológicas
(engenharia genética, equilíbrio bioquímico cerebral por meio de dieta, medicamentos,
cirurgias). Criou o CPTED, que significa Crime Prevention Through Enviromental Design,
ou seja, prevenção de crime por meio de desenho ambiental.

Teorias Psicológicas
A Psiquiatria ou Psicopatologia delimita os conceitos de enfermidades mentais,
tentando estabelecer a correlação entre doenças psíquicas e crimes. Nas concepções
primitivas, o delinquente era endemoniado, maldito, anormal. Depois, a teoria da
loucura moral, ou insanity, propugnou a hereditariedade da enfermidade mental.
Posteriormente, veio a teoria da personalidade criminal, que acredita na existência de
um conjunto de características ou uma estrutura psicológica delitiva por si própria.
A Psicologia estuda a estrutura, gênero e desenvolvimento da conduta criminal. Há
quatro modelos fundamentais na Psicologia:
Modelos biológico-condutuais ou de condicionamento do processo de socialização. A
ideia é entender por que os delinquentes fracassam na paralização eficaz das condutas
socialmente proibidas que o resto das pessoas aprende a evitar.
Modelos sociocondutuais ou de aprendizagem social: tenta explicar como se aprende o
comportamento criminoso. Albert Brandura, psicólogo canadense, defende que o crime
se aprende por meio da observação e imitação de outro comportamento criminal.
Teorias do desenvolvimento moral e do processo cognitivo: atribuem o comportamento
delitivo a processos cognitivos, ao modo como o delinquente percebe o mundo.
Modelos fatorialistas de traços ou variáveis da personalidade: tratam de identificar
traços da personalidade relacionados com o comportamento delitivo,
A Psicanálise examina a estrutura psicodinâmica da personalidade. Para Sigmund Freud,
e para a psicanálise em geral, há três instâncias mentais – Id, Ego e Superego – que
devem andar equilibradas para a estabilidade mental do indivíduo. O Id, componente
inato das pessoas, consiste nos desejos. O Ego busca regular os impulsos do Id e
satisfazê-los de modo menos imediatista. O Superego aconselha o Ego, dizendo-lhe o
que é moralmente aceito e quais princípios devem ser seguidos. Os atos humanos,
incluídos os delitos, são respostas que expressam o equilíbrio ou desequilíbrio dessas
instâncias psíquicas.

Teorias sociológicas
A Sociologia tem dois troncos principais. O europeu, vinculado a Durkheim, e o norte-
americano, derivado originalmente da Escola de Chicago. A Sociologia criminal entende
que o crime é um fenômeno social, causado por variados fatores e que guarda relação
com situações ordinárias da vida cotidiana.

Modelo da Reação Social


É, também, uma explicação sociológica do delito, mas trata-se de novo modelo porque
a partir da década de 1960 inaugura-se o paradigma da reação social, que dá origem à
teoria do labelling approach. O importante não é mais compreender a razão pela qual
alguém comete um crime, mas sim quais são os mecanismos que fazem com que certas
pessoas sejam etiquetadas como criminosas pelas instâncias de controle social formal.
Enfoque Dinâmico
Também chamado de Criminologia do Desenvolvimento, ou modelos evolutivos,
consideram que as pessoas passam por processos evolutivos e que a gênese dos
comportamentos criminosos só pode ser encontrada se essa evolução pessoal é
analisada. No enfoque dinâmico ganham importância os métodos longitudinais, com
análise, bastante empírica e ateórica de carreiras criminais. Há uma valorização da ideia
de “curva da idade”. Essa teoria distingue três etapas na carreira criminal: ativação;
agravamento; e desistência. A psicóloga norte-americana Terrie Moffitt diferencia dois
tipos de delinquentes: delinquentes cuja carreira criminal se limita à adolescência e se
explica pelo mimetismo; e delinquentes persistentes.
Teorias Sociológicas: Microssociologia e Macrossociologia. Teorias do Consenso e do
Conflito. Escola de Chicago.
Teorias microssociológicas são aquelas que analisam os processos individuais de
socialização relacionados à criminalização. Elas estudam a integração entre o indivíduo
e a sociedade. As teorias macrossociológicas, por sua vez, estudam a estrutura da
sociedade. O foco deixa de ser a interação entre o indivíduo e sua sociedade, e passa a
ser a própria sociedade criminógena.
As teorias macrossociológicas do crime podem ser agrupadas em duas grandes
categorias: as Teorias do Consenso e as Teorias do Conflito
As teorias do consenso têm cunho integralista, funcional e partem do pressuposto de
existência de objetivos comuns a todos os cidadãos, que aceitam as regras vigentes.
As pessoas de um grupo social possuem consenso em torno de uma série de valores e
criam instituições para manter a ordem social. Esse grupo de teorias também é chamado
de integralista ou estrutural funcionalista, pois nelas compreende-se que a sociedade é
uma estrutura relativamente estável de elementos, bem integrada e que todo elemento
em uma sociedade possui uma função, contribuindo para a manutenção do sistema.
Para essas teorias, o crime é uma disfunção, ou seja, uma função negativa. O delito é
um fenômeno social, normal e funcional
São teorias do consenso a Escola de Chicago; as Teorias do Aprendizado (Teoria da
Associação Diferencial, Teoria da Ocasião Diferencial, Teoria da Identificação Diferencial,
Teoria do Reforço Diferencial e Teoria da neutralização); As Teorias do Controle Social
(Teoria do Enraizamento Social, Teoria da conformidade diferencial, Teoria da
contenção); as Teorias da Anomia; e as Teorias de Subculturas Delinquentes.
As teorias do conflito, por outro lado, têm cunho argumentativo e partem do
pressuposto de que há força e coerção na sociedade. Somente existe ordem porque há
dominação de uns e sujeição de outros. A produção legislativa serviria para assegurar o
triunfo da classe dominadora. A sociedade está sempre sujeita a processos de mudança
e cada elemento da sociedade contribui, de certa forma, para sua desintegração. Para
essas teorias o crime faz parte da luta pelo poder. Assim, em lugar de uma visão de
cunho funcionalista, tem-se uma visão de cunho argumentativo. A teoria do labelling
approach (, também chamada de interacionista, teoria da rotulação ou do
etiquetamento) e as teorias críticas ou radicas se encaixam na categoria de teoria do
conflito.
Escola de Chicagio
Também chamada de Escola Ecológica ou Teoria da Desorganização Social, propôs-se a
discutir múltiplos aspectos da vida humana, todos relacionados com a vida na cidade.
Foi ela a responsável por incluir as instâncias de controle social informal dentre os
objetos da criminologia, e aqui quero recordar que as instâncias de controle social
informal são aquelas em que não há monopólio estatal e de cuja atuação não decorre a
aplicação de uma pena, tais como família, associações, clubes, escolas, igrejas.
A Escola de Chicago é, sobretudo, sociológica
Entre os anos 1920 e 1930, Robert Ezra Park, Ernest W. Burgess e seus alunos
produziram mais de 20 obras sobre a ecologia urbana da cidade de Chicago. Os bairros
de Chicago são divididos e analisados de acordo com seus problemas sociais.
Robert Park se apropriou de conceitos da ecologia. Comparava a cidade a um organismo
vivo e utilizava os conceitos de invasão, dominação e sucessão descritos pelos
ecologistas. Chicago recebia muitos imigrantes, fusão de elementos, heterogêneos por
vezes conflitivos – melting pot.
Burgess desenvolve a teoria das zonas concêntricas.  Grande parte da população de
Chicago nessa época era de imigrantes. A cidade crescia se expandindo em anéis, ou
círculos concêntricos, do centro para a periferia.

Grandes condomínios de luxo, que se assemelham a cidades e são mais populosos que
muitos municípios, com ruas, enormes áreas de lazer e até lojas, cercados de muros,
constantemente vigiados, e afastados do centro da cidade são realidades bastante
comuns nas metrópoles brasileiras. Alphaville em São Paulo (e presente também em
outras cidades brasileiras) e condomínios da Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) são citados
como exemplos que se encaixam perfeitamente na descrição da zona V de Burgess. O
aumento da tensão social e a decadência de certos bairros da cidade faz com que as
pessoas queiram se agrupar em comunidades fechadas, em que fiquem distantes da
confusão. Iniciativas como essa acabam por fragmentar o espaço social, criando a cidade
dual. E o conceito de dual city só faz crescer a distância social entre os dois grupos. Os
moradores dos condomínios não veem os pobres, não convivem com eles e logo, não se
preocupam com suas questões. E quanto mais desconhecemos o outro, quanto mais
ficamos afastados e o consideramos um estranho, mais fácil é criminalizar suas
condutas. A distância social aumenta a tendência de que certas condutas sejam
criminalizadas
Clifford Shaw e Henry McKay são outros dois nomes importantes na Escola de Chicago.
Preocupados com a delinquência juvenil, na obra Delinquency Areas, demonstraram
que, quanto mais perto do loop, maior a degradação e as taxas de criminalidade dos
bairros.
Concluíram, também, que nas áreas criminais, o controle social informal é pouco
eficiente na formatação do comportamento dos jovens, já que familiares, amigos e
vizinhos geralmente aprovam condutas antissociais  delinquência começaria cedo,
como brincadeira das ruas e alguns bairros ofereceriam mais oportunidades ao crime,
como pessoas dispostas a adquirir bens roubados. Não se deve, no entanto, entender
que há um determinismo ecológico, ou seja: a pessoa cometerá crimes apenas por
habitar ou frequentar uma região. O que ocorre é que o fato de estar localizado em uma
área da cidade é um vetor criminógeno, ou seja, um fator que pode contribuir com a
prática de um delito.
A escola de Chicago percebe que é mais apropriado falar em “cidades”, no plural, pois
cada parte do município tem sua cultura própria, sua dinâmica particular, com estatutos,
usos, costumes.
As formas de adaptação das pessoas à cidade fazem com que haja um processo de
permanente interação. As interações são tantas que se fala em sobrecarga ou saturação.
E ao mesmo tempo em que há interação, é comum, nas cidades, que haja anonimato:
as pessoas têm mais liberdade de ação de modo que os freios exercidos pelas instâncias
de controle social se afrouxam. As pessoas, nas cidades, se distanciam, são seletivas em
seus processos de aproximação, competem pelos escassos recursos da cidade, tudo isso
resultando em uma postura individualista que tem impacto na criminalidade.  Como
as cidades são dotadas de mobilidade, há grande fluidez de pessoas pelas regiões, o que
tende a confundir e desmoralizar as pessoas, pois o controle social informal é tanto
menor quanto mais a pessoa se distancie de suas raízes
Dentro dos bairros, dos quarteirões, dos edifícios, as pessoas se aproximam por serem
similares. Os vizinhos controlam, informalmente, as atividades uns dos outros, numa
espécie de polícia natural. Nas chamadas “regiões morais”, um grupo de habitantes se
identifica
Os estudiosos de Chicago notaram, ainda, que as taxas de doença mental estavam
distribuídas diferencialmente por bairro da cidade. Os bairros mais pobres
apresentavam maiores taxas de criminalidade e maiores índices de distúrbios mentais.
As precárias condições das famílias, a falta de intervenção estatal e as dificuldades de
adaptação decorrentes da imigração e do isolamento contribuíam enormemente para
as altas taxas de insanidade mental.

Tb que pessoa recém-chegada à cidade passa por um processo de desorganização social.


Há um sentimento de perda pessoal, rejeição de regras sociais, perda de raízes. A
desorganização social causa aumento de doenças, prostituição, insanidades, suicídios e
crime.
Por tudo isso, as propostas de Escola de Chicago para equacionar a questão criminal
passam, necessariamente, por alterar as condições de vida nas cidades, sobretudo as
condições econômicas e sociais das crianças, diminuindo as condições para as carreiras
delinquentes.
O enfoque da intervenção proposta pelos autores Clifford Shaw e Henry McKay no
Chicago Area Project era a maximização do controle social informal (famílias,
vizinhanças, igrejas, clubes, escolas). Deve haver macrointervenção na comunidade e
reconstrução da solidariedade social. Os projetos devem ser feitos levando em
consideração cada vizinhança e devem incluir atividades recreativas, artesanais,
culturais e melhorias nas condições sanitárias e de conversação predial de alguns bairros
e edifícios.
Como definitiva contribuição, a Escola de Chicago utilizou largamente os social surveys,
inquéritos sociais que consistem em interrogatório direto feito a um número
considerado de pessoas sobre itens criminologicamente relevantes. Trata-se de técnica
empírica de observação da realidade até hoje utilizado largamente pela criminologia.
Além disso, implicou toda a comunidade no enfrentamento do crime. Alargou o objeto
de estudo da ciência, para nele incluir os mecanismos de controle social informal.
Ademais, a Escola de Chicago propugnou uma intervenção preventiva e não repressiva.
EXERCÍCIOS:
 A criminologia não se trata de uma ciência teleológica, que analisa as raízes do
crime para discipliná-lo, mas de uma ciência causal-explicativa, que retrata o
delito enquanto fato, perquirindo as suas origens, razões da sua existência, os
seus contornos e forma de exteriorização.
 A criminologia é uma ciência multidisciplinar, ou seja, utiliza vários ramos do
conhecimento, sendo portanto de método analítico, ou seja, analisa o todo, de
maneira extensa e não sintético. É considerada uma ciência empírica, pois se
baseia na observação, na vivência e experiência, formando assim uma análise
indutiva, que é o raciocínio ou conclusão que se chega após considerar um
número suficiente de casos particulares.
 A criminologia é a ciência que, entre outros aspectos, estuda as causas e as
concausas da criminalidade e da periculosidade preparatória da criminalidade.
 1. A criminologia é uma ciência multidisciplinar, ou seja, utiliza vários ramos do
conhecimento, sendo portanto de método analítico, ou seja, analisa o todo, de
maneira extensa.
2. É considerada uma ciência empírica, pois se baseia na observação, na vivência
e experiência, formando assim uma análise indutiva.
3. Considera os conhecimentos de outras áreas para formar um conhecimento
novo, se afirmando, então, como independente.
 Multidisciplinar: há estudo simultâneo, mas não estão relacionados
Interdisciplinar: há permeabilidade entre as demais ciências
 O pensamento criminológico moderno é influenciado por duas visões:
1) uma de cunho funcionalista, denominada teoria de integração, mais
conhecida por teorias de consenso;
2) uma de cunho argumentativo, chamada de teorias de conflito.
São exemplos de teorias de consenso a Escola de Chicago, a teoria de associação
diferencial, a teoria da anomia e a teoria da subcultura delinquente. De outro
lado, são exemplos de teorias de conflito o labelling approach e a teoria crítica
ou radical.
Assim, a moderna Sociologia Criminal possui visão bipartida do pensamento
criminológico atual, sendo uma de cunho funcionalista e outra de cunho
argumentativo. Trata-se das teorias do consenso e do conflito.
 A Escola de Chicago insere as instâncias de controle social informal no rol de
objetos da Criminologia e defende o fortalecimento desses freios comunitários.
A diminuição da pobreza e do desemprego é igualmente propugnada por reduzir
a desorganização social. A política de tolerância zero; a prevalência de controle
social formal; o aumento de pena para delitos simples; o controle rígido sobre
cada indivíduo; e o fracasso das estratégias por vizinhança não são corolários da
Escola de Chicago
 O modelo das zonas concêntricas de Ernest Watson Burgess (1886-1966)
buscava demonstrar a tendência de expansão radial da cidade a partir de seu
centro, em íntima relação com os processos de diferenciação interna de cada um
dos cinco setores por ele considerados. Segundo sua teoria, a cidade crescia se
expandindo em círculos concêntricos, do centro para a periferia.
 A Escola de Chicago, com enfoque fortemente empírico e transdisciplinar, se
propôs a discutir múltiplos aspectos da vida humana, todos relacionados com a
vida na cidade. Para ela, é mais apropriado falar em “cidades”, no plural, pois
cada parte do Município tem sua cultura própria, sua dinâmica particular, com
estatutos, usos, costumes. O complexo cultural determina o que é típico de cada
cidade e mais, de cada parte da cidade. Essas culturas são transmitidas e
aprendidas dentro dos respectivos grupos.
 A Escola de Chicago, ao atentar para a mutação social das grandes cidades na
análise empírica do delito, interessa-se em conhecer os mecanismos de
aprendizagem e transmissão das culturas consideradas desviadas, por
reconhecê-las como fatores de criminalidade.
 A teoria da subcultura delinquente e a Escola de Chicago são teorias distintas. A
Escola de Chicago analisa a criminogênese a partir do estudo das grandes cidades
e não a partir da estrutura das classes sociais.
 A escola de Chicago, as teorias do aprendizado, aí incluída a teoria da associação
diferencial, a teoria da anomia e a teoria da subcultura delinquente são teorias
do consenso, também chamadas de funcionalistas ou de integração. A teoria do
etiquetamento e a teoria crítica (ou radical) são teorias do conflito ou
argumentativa
 Pode-se afirmar que o pensamento criminológico moderno é influenciado por
uma visão de cunho funcionalista e uma de cunho argumentativo, que possuem,
como exemplos, a Escola de Chicago e a Teoria Crítica, respectivamente. Essas
visões também são conhecidas como teorias do consenso e do conflito.
 As teorias do consenso também são chamadas de integralistas ou estrutural-
funcionalistas, pois defendem que a sociedade é uma estrutura relativamente
estável de elementos, bem integrada e que todo elemento em uma sociedade
possui uma função, contribuindo para a manutenção do sistema. As teorias do
conflito, por outro lado, entendem que há força e coerção na sociedade.
Somente existe ordem porque há dominação de uns e sujeição de outros. Esse
grupo possui, portanto, um viés argumentativo.
 As teorias conflituais não falam de patologia. Elas partem do pressuposto de que
há força e coerção na sociedade. Somente existe ordem porque há dominação
de uns e sujeição de outros. A sociedade está sempre sujeita a processos de
mudança e cada elemento da sociedade contribui, de certa forma, para sua
desintegração. Para essas teorias o crime faz parte da luta pelo poder.
 A Criminologia Crítica, a Teoria do Etiquetamento, a Teoria do Conflito Cultural
e a Criminologia Radical são teorias do conflito. A teoria da desorganização social
da Escola de Chicago, e as teorias do aprendizado, como a teoria da neutralização
e a teoria da associação diferencial, são teorias do consenso.
 Entre os modelos teóricos explicativos da criminologia, o conceito definitorial de
delito afirma que, segundo a teoria do labeling approach (também chamada de
interacionista, teoria da rotulação ou do etiquetamento), o delito carece de
consistência material, sendo um processo de reação social, arbitrário e
discriminatório de seleção do comportamento desviado.  No modelo de
reação social, tem primazia a teoria do labelling approach. o importante não é
compreender a razão pela qual alguém comete um crime, mas sim quais são os
mecanismos arbitrários que fazem com que certas pessoas sejam etiquetadas
como criminosas pelas instâncias de controle social formal. O crime não existe
ontologicamente, isto é, por si próprio. Parte-se do conceito definitorial de
delito: o crime é definido e seus autores selecionados discriminatoriamente
pelas próprias instâncias de controle social formal desenhadas para combater a
delinquência.
 A teoria da rotulação, etiquetamento ou labelling approach é uma das teorias de
conflito, que nasceu em 1960 nos EUA, através das pesquisas de Erving Goffman
e Howard Becker. Esta teoria preconiza que a criminalidade é uma consequência
do processo de estigmatização social. O criminoso receberia um "rótulo", o que
o diferenciaria dos demais cidadãos. Ou seja, aquele que comete um delito uma
vez estaria "rotulado" como criminoso, o que seria um estimo a continuação com
a prática delitiva.
 O labeling approach tem se ocupado em analisar, especialmente, as reações das
instâncias oficiais de controle social, ou seja, tem estudado o efeito
estigmatizante da atividade da polícia, dos órgãos de acusação pública e dos
juízes PORQUE Não se pode compreender a criminalidade se não se estuda a
ação do sistema penal, pois o status social de delinquente pressupõe o efeito da
atividade das instâncias oficiais de controle social da delinquência.
 A partir da Modernidade, constituíram-se os movimentos e as escolas
criminológicas que se concentraram no estudo da criminalidade e da
criminalização dos comportamentos, levando em consideração a causa dos
delitos. Fatores como a biotipologia humana e o meio ambiente são associados
à prática dos delitos. Todavia, pode-se afirmar que uma teoria, em especial,
rompe com esse padrão e não recai na análise causal do delito, mas, sim, na
análise dos processos de criminalização e do funcionamento das agências de
punitividade.
Observe-se isso no trecho do enunciado: "rompe com esse padrão e não recai na
análise causal do delito, mas, sim, na análise dos processos de criminalização e
do funcionamento das agências de punitividade." Assim sendo, para a teoria do
etiquetamento, o problema não estava no indivíduo criminoso, mas sim no
estigma social. Outras teorias, em especial as teorias de consenso, ligam o crime
a fatores como a biotipologia humana e o meio ambiente são associados à
prática dos delitos.

 Sobre o labelling approach e sua influência sobre o pensamento criminológico


do século XX, constata-se que o sistema penal é entendido como um processo
articulado e dinâmico de criminalização. - o sistema penal não se reduz ao
complexo estático das normas penais, mas é concebido como um processo
articulado e dinâmico de criminalização ao qual concorrem todas as agências de
controle social formal e informal.
 As teorias criminológicas têm adotado, cada vez mais, um enfoque sociológico.
A Sociologia criminal entende que o crime é um fenômeno social causado por
variados fatores e que guarda relação com situações ordinárias da vida cotidiana.
A Sociologia criminal entende que o crime é um fenômeno social causado por
variados fatores (como família, educação, pobreza, costumes, moral) e que
guarda relação com situações ordinárias da vida cotidiana.

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