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ATUALIDADES

Atualidades do Mundo

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
LUIS FELIPE ZIRIBA

Formado em Geografia pela Universidade de


Brasília, leciona desde 2001 em cursos e pla-
taformas variadas pelo Distrito Federal, tendo
começado em pré-vestibulares, seguindo para
preparatórios para o concurso de admissão à
carreira diplomática, escolas de ingresso na
carreira militar (espcex) além de lecionar para
os mais concorridos concurso do Brasil, tais
quais Câmara dos Deputados, Senado Federal,
BC ,PF, PCDF ,entre outros, promovendo nes-
tes últimos, principalmente, aulas na frente de
Atualidades e de Realidade do DF

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Atualidades do Mundo
Prof. Luís Felipe Ziriba

1. Atualidades América Latina e EUA..............................................................5


1.1. A América Latina: Conceito Cultural e Geográfico e um Pouco de História.....5
1.2. A Esquerdização na América Latina na Década Passada e o Atual Momento
Político e suas Diferenças (2019)...................................................................7
1.3. Atualidades e Questões Mais Críticas na América Latina (e em Especial na
Pobre América Central).............................................................................. 11
1.5. A UNA Sul x Pró-Sul............................................................................ 24
1.6. O MERCOSUL..................................................................................... 26
1.7. A Venezuela....................................................................................... 36
1.8. Os Estados Unidos Hoje....................................................................... 42
2. Atualidades Europa, Oriente Médio, Rússia e China..................................... 63
2.1. A Europa, União Europeia e seus Contextos Atuais mais Importantes......... 63
2.2. A Guerra na Síria e o Contexto Geopolítico no Oriente.............................. 71
2.3. Rússia............................................................................................. 100
3. Temas Globais Atualidades.................................................................... 121
3.1. Tecnologia........................................................................................ 121
3.2. O Aquecimento Global....................................................................... 134
3.3. A Questão do Ártico........................................................................... 155

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Atualidades do Mundo
Prof. Luís Felipe Ziriba

Introdução

Caro(a) aluno(a), olá.

Eu me chamo Luis Felipe e é com imenso prazer e entrega que conduzirei você

nesta jornada de conhecimentos acerca dos pontos mais relevantes de Atualidades

Mundo em preparação para provas de concursos.

Par tal, com vistas a auxiliá-lo(a) em nossa aula, dividi, portanto, este nossa

interessante aula em 3, ok?

Então vamos a elas:

• Aula 1 – Atualidades: América Latina e EUA.

• Aula 2 – Atualidades: Europa, Oriente Médio, Rússia e China.

• Aula 3 – Atualidades: Temas Globais / Tecnologia e Meio Ambiente.

Destaco, caro(a) aluno(a), ser extremamente necessário que se realize

a leitura e compreensão integral dos temas abaixo – e seus respectivos

textos complementares, mesmo que haja nos editais recortes balizando perío-

dos mais específicos, tal como pode e costuma acontecer (como em nosso edital da

ALEPI que pinça as notícias divulgadas na mídia dos últimos seis meses).

Destaco isso, pois apenas ao promover a compreensão do todo, e somente a

leitura retórica acerca dos temas desde seu início é que se torna possível compre-

ender-se ao fim os contextos mais recentes. E não há como fugir!

Pode confiar nessa informação – até porque, bastaria a nós, digo, se não fosse

assim, que assinássemos um jornal de massa e lêssemos o acervo de notícias pro-

duzido ao longo dos últimos 6 meses; ou de um ano ou mais, que fosse.

Contudo, é importante entender, não funciona assim, pois a disciplina Atualida-

des não está restrita simplesmente a uma coleta de notícias com base no recorte

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estipulado pelos editais e fim… Em Atualidades existem contextos que devem ser

percebidos enquanto seus espaços geográficos, agentes, ocasiões e antecedentes.

Bom, sendo assim, visto isto, sigamos juntos em torno da aprovação:

1. Atualidades América Latina e EUA


1.1. A América Latina: Conceito Cultural e Geográfico e um
Pouco de História

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O conceito (termo) América Latina atende a um viés cultural que se en-

contra relacionado aos países que possuem línguas latinas (no caso português,

castelhano e francês) como sendo as línguas oficiais.

A região em tela engloba 20 países (em azul no mapa acima): Argentina, Bo-

lívia, BRASIL, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guiana

Francesa, República Dominicana, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Pa-

raguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Vale destacar que no subcontinente da América

do Sul não constam dentro desta divisão dois países: o Suriname, e a Guiana.

No caso do subcontinente da América do Norte; Estados Unidos, Canadá e Mé-

xico – apenas este último é considerado como sendo um país latino-americano.

Não é necessário decorar o nome de todos os países da América Latina, mas é

fundamental que entendamos que o contexto linguístico-cultural atam tais países

dentro desta importante regionalização.

Considera-se que o termo “América Latina” fora utilizado pela primeira vez no

ano de 1856 pelo filósofo chileno Francisco Biloba e, no mesmo ano, também pelo

escritor colombiano José María Torres Caicedo, sendo expressão aproveitada

pelo imperador francês Napoleão III durante sua invasão francesa no Mé-

xico como forma de incluir a França – e excluir assim os anglo-saxões –

entre os países com influência na América, citando também a Indochina como

área de expansão da França na segunda metade do século 19.

Devemos também observar que, em mesma época, foi criado o conceito de

Europa Latina, este qual englobaria as regiões de predomínio de línguas români-

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cas. Michel Chevalier, político e economista liberal francês que mencionou o termo

“América Latina” em 1836, durante uma missão diplomática feita aos Estados Uni-

dos e ao México, o fez com o mesmo objetivo de Napoleão III: ou seja, atrair para

o seio da França os países em descolonização na América.

1.2. A Esquerdização na América Latina na Década Passada e


o Atual Momento Político e suas Diferenças (2019)

Um processo político de extrema relevância observado na América Latina dera-

-se pela entrada de uma série de governos de esquerda no poder, ao longo

da década passada (2000-2010), em inúmeros países. Foi um período de

apogeu na ascensão de governos de esquerda eleitos democraticamente

e que tem seu início em 1999, quando o Presidente venezuelano Hugo Chávez

toma posse pela primeira vez e declara que seu país, a partir de então, seria uma

“República Bolivariana”. Essa mesma retórica de Chávez também foi utilizada

pelos presidentes Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia,

todos inspirados por Cuba (República socialista desde 1959) comandada

pelos ditadores Fidel Castro e seu irmão Raul Castro.

Cuba, em 2018, passa o bastão da presidência para o engenheiro Miguel Canel,

após quase 60 anos sob o governo dos irmãos de Fidel e Raul Castro.

É importante salientar que dentro da assepsia da palavra, a associação entre

bolivarianismo e socialismo é questionável, na medida em que esse “bolivarianis-

mo” instituído por Chávez na Venezuela foi inspirado nos ideais de Simon Bolívar,

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tais como o combate a injustiças e a defesa do esclarecimento popular e da liberda-

de. Mas a apropriação de seu nome por Chávez e outros mandatários latinos pode

ser entendida como distorcida, pois Bolivar não era socialista de forma alguma

(sendo em certos momentos um ditador de direita inclusive). Porém as práticas

nestes países então adotadas, visando ao assistencialismo, as quais buscam

dialogar com as necessidades dos extratos mais pobres de suas socieda-

des e vinculadas a Cuba (e sempre crítica aos Estados unidos) se encon-

tra enviesada, sem dúvidas, por um pensamento tipicamente qualificado

como sendo de esquerda.

O mapa a seguir mostra como estavam divididos os governos na América Latina,

mais especificamente a América do Sul, em 2009-2010. Note que a imensa maio-

ria dos países (em vermelho) era comandada por governos de esquerda.

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Atualmente, este cenário acima com governos de esquerda à frente de

uma imensa maioria dos países sul-americanos mudou, e bastante. Então

vamos analisar como houve tal câmbio no comando para, assim, chegar-

mos ao atual momento político-ideológico em 2019:

• Brasil: Michel Temer (direita) sucede Dilma Rousseff (esquerda) em 2016,

sendo seguido pela eleição de Jair Bolsonaro (direita mais radical) em fins

de 2018.

• Argentina: Maurício Macri (presidente de direita) se torna mandatário em

2016, com mandato até fins de 2019, substituindo Cristina Kirchner (política

declaradamente de esquerda).

Assim, aproveitando o ensejo, é importante analisarmos alguns contextos a

seguir recentes e atendentes ao cenário da Argentina em 2019 considera-

dos os mais importantes em nosso país vizinho:

Inicialmente, vale destacar que o Presidente Mauricio Macri assume (2016) sem

grande apoio popular e buscando realizar reformas estruturais, tais quais a pre-

videnciária, com cortes em salários e combate ao déficit orçamentário. Como re-

sultado, após 3 anos completos de governo, Macri vivencia em seu último ano de

mandato (2019) um cenário de enorme insatisfação popular – e os números não

nos deixariam mentir. Em 2019, o nosso vizinho mais importante vive mais

um ano de aguda crise econômica.

• Em 2018 a economia regrediu (queda no PIB) em torno de -2%. A mesma

previsão, ou seja, regressão do PIB também na casa dos -2% é esperada

para 2019.

• A inflação de 2018 foi uma das 5 mais altas no Mundo, atingindo o índice de

48% a.a. Para 2019 a expectativa gira em torno de 40% de inflação.

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• Em 2018 o peso argentino sofreu a incrível desvalorização de 115% em rela-

ção ao dólar.

• Outros indicadores econômicos/sociais vão muito mal na Argentina. O de-

semprego atinge taxa de mais de 10%, sendo que a pobreza já se instalou

em 32% da população total do país.

• Com vistas a respirar um pouco mais aliviada em meio à crise, em 2018,

a Argentina solicitou ao FMI a maior ajuda já paga pelo Fundo, recebendo

57 bilhões.

Em fins de out./2019 devemos ter muita atenção às eleições presidenciais argenti-

nas, em que o grupo de Cristina Kirchner (ex-presidente de esquerda) pode voltar

ao poder, após 4 anos, capitaneado pelo candidato de centro-esquerda (o favorito

nas pesquisas) Alberto Fernandéz.

• Paraguai: Fernando Lugo, o único presidente de esquerda do Paraguai

em todos tempos, foi impeachmado em 2012. O atual mandatário local se

chama Mario Benitez e tomou posse em 2018 pertencendo aos quadros da

direita – radical paraguaia, sendo o seu pai ajudante de primeira or-

dem do ditador Alfredo Strossner.

• Peru: Pedro Pablo Kuczynski toma posse em 2018 (presidente de direi-

ta), sucedendo Olantu Humalla (presidente de esquerda), sendo, contu-

do, preso por corrupção fins de 2018 ao longo do mandato. Seu antecessor

de esquerda, Ollanto Umalla, também está preso.

– Em 17 de Abril de 2019 uma tragédia se sucede no país, quando o ex-

-presidente Alan Garcia (centro-direita e 2 mandatos entre 2005-2011),

acusado de corrupção, prestes a também ser preso, se suicida com um

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tiro na cabeça ao perceber a chegada da polícia em sua residência para

cumprimento de mandato de prisão. Todos estes presidentes peruanos são

acusados de corrupção envolvendo, entre outras empresas, principalmente

a construtora brasileira Odebrescht.

• Chile: Sebastian Pinera (presidente de direita) toma posse em mar./2018

para assumir o lugar de Michelle Bachelet (presidente de esquerda). Vale

destacar que há 15 anos o Chile vem alternando por vias democráticas go-

vernos de esquerda e de direita com estes dois personagens citados sempre

ao centro.

E assim, caro(a) aluno(a), para efeitos de provas de Atualidades, podemos afir-

mar que hoje em dia a América do Sul não vivencia mais uma onda esquer-

dizante, sendo tal movimento uma realidade da década passada.

Permanecem no contexto político sul-americano com governos de esquerda apenas

o Uruguai (com esquerda considerada mais moderada), Bolívia (Evo Morales como

presidente tentando em fins de 2019 sua 4a reeleição) e a Venezuela (com Nicolás

Maduro, dando sequência ao chavismo mesmo que a duríssimas penas).

1.3. Atualidades e Questões Mais Críticas na América Latina (e


em Especial na Pobre América Central)

• A Questão da Miséria

• As Economias Frágeis

• O Aquecimento Global

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• Novas Tecnologias e Perdas de Postos de Trabalho

• A Nova Diáspora Migratória

1.3.1 A Questão da Miséria e das Fragilidades Econômicas

Segundo a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) – braço

da ONU, que promove estudos econômicos e sociais para a região – estima-se

que, em 2018, 29% dos latino-americanos viviam na pobreza e 10% na

pobreza extrema, uma porcentagem quase idêntica à de anos anteriores. São

184 milhões de pessoas, dos quais 62 milhões vivem na indigência, no limite da

subsistência, situado em dois dólares por dia. Estes indicadores de queda na po-

breza ao longo das duas últimas décadas, foram bastante positivos, ou seja,

houve de fato uma forte retirada de pessoas da pobreza na América Latina, mas

atualmente considera-se que em grande parte do continente os governos

perderam a força em manter o ritmo de retirada de população da pobreza

e da miséria.

Elucidando melhor tal questão destaco matéria do portal do Jornal O Globo de

15/01/2019.

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/taxa-de-pobreza-atinge-184-milhoes-de-pessoas-na-
-americá-latina-revela-cepal-23374086

Taxa de pobreza atinge 184 milhões de pessoas na América Latina, re-

vela Cepal

Relatório mostra ainda que 62 milhões de latino-americanos vivem em

condições de extrema pobreza

SANTIAGO – A pobreza extrema afetou mais de 10% da população da América

Latina (AL) em 2017, estimou na terça-feira um relatório da Comissão Econômica

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para a América Latina e o Caribe (Cepal). São os piores dados desde 2008, e resul-

tam do fraco desempenho das economias regionais.

A taxa de pobreza extrema passou de 9,9% em 2016 para 10,2% da população

em 2017, o equivalente a 62 milhões de latino-americanos, enquanto a taxa de

pobreza – medida pela renda – permaneceu estável em 30%, ou 2% da população,

equivalente a 184 milhões de pessoas.

“A proporção de pessoas vivendo em extrema pobreza continuou a crescer, se-

guindo a tendência observada desde 2015”, afirmou a Comissão Econômica para

a América Latina e o Caribe (Cepal) ao apresentar seu relatório anual “Panorama

Social da América Latina” na capital chilena.

Embora a região tenha alcançado avanços importantes entre a década passada

e a metade da década atual, houve contratempos desde 2015, especialmente em

termos de extrema pobreza – disse Alicia Bárcenas, secretária-executiva da Cepal,

em entrevista coletiva.

De acordo com as projeções da entidade, em 2018 a pobreza cairá para 29,6%

da população, o que equivale a 182 milhões de pessoas (dois milhões a menos que

em 2017), enquanto a taxa de pobreza extrema permanecerá em 10,2%.

O Uruguai é o país com o menor percentual de pobreza, com 2,7% de sua po-

pulação vivendo nessa condição – enquanto o governo do próprio país aumenta

esse número para 7,9%, como resultado de pensões e transferências recebidas por

famílias de baixa renda. O mesmo ocorre em países como Costa Rica (15,1%) e do

Panamá (16,7%).

Ele é seguido pelo Chile, com 10,7% (contra 8,6% da medição oficial). Esta

redução foi associada ao aumento da renda do trabalho em domicílios com me-

nos recursos

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O Brasil, que sai de uma recessão, atingiu uma taxa de pobreza de 19,9%, se-

gundo as estimativas da Cepal, que não fornecem dados sobre a Venezuela

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Associa-se a este fato também que, nos últimos 3 a 4 anos, mais ou menos, as

economias por aqui perderam seus ritmos de crescimento, com grandes pa-

íses como a Argentina vivendo sempre em rota de crise, ou potências locais como

o Brasil e a Venezuela experimentando quedas consideráveis em seus PIBs. Para se

ter uma ideia, estima-se que apenas em 2017 (em cenário que se seguiu pior ainda

em 2018), o PIB – Produto Interno Bruto – venezuelano tenha regredido em 15%,

com uma inflação de mais de 2.000% ao ano.

No caso brasileiro, somando as perdas das Crises de 2015 e 2016, experimen-

tamos uma perda de quase 8% no PIB, isto em apenas 2 anos, nesta que pode

ser considerada como a nossa pior Crise em termos numéricos (perdas no PIB) em

todos os tempos (e sobre tal assunto veremos de forma esmiuçada à frente, em

nossas aulas de Atualidades do Brasil).

No fundo, a América Latina sempre foi a região com as economias mais volá-

teis do mundo, isto hoje é um fato consumado. Há períodos de expansão e pros-

peridade que são subitamente substituídos por outros de estancamento, miséria e

piora em índices socais.

Esses ciclos de ápice e queda costumam ser determinados pelos preços inter-

nacionais das matérias primas que a região exporta, e pela disponibilidade

de empréstimos e investimentos que vêm de fora. Quando os preços do pe-

tróleo, cobre, café, soja etc. sobem no mercado mundial, a América Latina prospe-

ra. Quando caem, empobrece. Esta é atônica de nossa dependência em commodi-

ties*, sendo que tais produtos encontram-se em franca queda em seus preços ao

longo dos últimos anos.

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O mesmo ocorre com bancos e empresas estrangeiras que, quando in-

vestem e abrem crédito, fazem as economias latino-americanas melhora-

rem. Já quando os empréstimos e investimentos estrangeiros cessam (e

isso acontece com frequência ao mesmo tempo em que os preços das ex-

portações baixam), vem uma derrocada: desvalorização, inflação, desem-

prego, suspensão de programas sociais e quebras de bancos e empresas.

Naturalmente, os governos latino-americanos também são responsáveis por

não fazer com que suas economias sejam menos vulneráveis às oscilações interna-

cionais. Mas é justo reconhecer que não é fácil neutralizar o impacto de um enorme

choque econômico externo.

Commodities: produtos primários minerais e agrícolas, tais como soja, milho, pe-

tróleo e ferro (sem qualquer nível de manufatura) de uso global e que são taxados

em bolsas de valores específicas, tais como a de Seul, Amsterdã e Chicago.

1.3.2 A Mudança Climática

É fato que, muito provavelmente por ser uma intempere global, nenhuma re-

gião escapará dos efeitos do aquecimento global, mas segundo a Organização das

Nações Unidas, a América Latina é uma das áreas mais vulneráveis às mudanças

do clima as quais continuarão aumentando em frequência, força, fatalidades e cus-

tos. As razões dessa alta vulnerabilidade do território vão da geografia às condições

socioeconômicas e a demografia. A América Latina é a região mais urbanizada

do planeta: 80% de seus habitantes vivem em cidades, onde a pobreza é

uma realidade gritante que se traduz em casas muito precárias e estruturas urba-

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nas as quais qualquer tipo de intempere forma o caos. A corrupção também au-

menta a fragilidade da região diante da mudança climática – sendo frequente, por

exemplo, que funcionários incumbidos de fiscalizar as estruturas locais autorizem

construções inadequadas e façam vista grossa às violações de leis urbanísticas em

troca de propinas.

A mudança climática trará muito provavelmente os choques externos

mais transformadores que a América Latina já viveu. Mudarão onde e de que

vivem os latino-americanos, o que produzem e o que gastam. E quais serão os con-

flitos domésticos e internacionais que precisarão enfrentar.

1.3.3 A Revolução Digital e o Emprego

Tais pressupostos do mundo moderno: Inteligência artificial, big data, robótica,

blockchain, computação quântica e redes neurais são os campos em que as revolu-

ções tecnológicas mudam o mundo hoje em dia de forma impactante.

As possibilidades que essas novas tecnologias abrem são maravilhosas. Mas os

problemas que apresentam também são enormes. Importante efeito indesejável da

revolução digital é a possibilidade de destruir muitos postos de trabalho existentes,

sem antes criar outros novos. Assim, na América Latina o impacto da automa-

ção sobre o mercado de trabalho deverá ser ainda mais forte. De acordo

com a ONU, nas próximas décadas dois em cada três empregos formais na

América Latina serão automatizados. O choque externo produzido pela revolu-

ção digital pode ser tão determinante como o da mudança climática.

1.3.4 A diáspora na América Central

A associação do contexto de letargia econômica, desemprego, pobreza, entre

outros fatores supracitados, resultou em uma fuga contínua (que vem desde

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a década de 1980 e se estende por 2019 de forma mais ainda radical) de

população da América Central – países tais quais Guatemala, Honduras, El Sal-

vador, entre outros, rumo aos Estados Unidos. Acrescenta-se a isso, o cenário de

extrema violência, tanto no campo como nas cidades no subcontinente central.

Uma eclosão de gangues urbanas e milícias rurais nestas duas últimas

décadas colocou os países da América Central no topo do ranking global

de violência: El Salvador e Honduras se revezam na liderança desta carni-

ficina em 2019, com média de número de homicídios por grupo de 100.000

habitantes 3 vezes acima da média do Brasil.

Matéria extraída do New York Times, publicada na versão on-line do Jornal Ga-

zeta do Povo, em 22/10/2018, demonstra a real dimensão deste cenário de fuga na

América Central. Leia-a seguir:

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/america-central-ignora-campanha-contra-mi-
gracao-feita-pelos-estados-unidos-2ekdtlioj20c06qds1mnjk78y/

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América Central ignora campanha contra migração feita pelos Estados Unidos

Pobreza extrema, falta de oportunidades e violência de gangues levam morado-

res de El Salvador, Honduras e Nicarágua a tentar fazer a travessia rumo aos EUA

Seis meses atrás, o marido de Liset Juárez arrumou algumas roupas em uma

pequena sacola, abraçou seus três filhos, despediu-se e partiu em uma viagem de

mais de 1.900 quilômetros até os Estados Unidos. Foi sua sexta tentativa de tentar

cruzar a fronteira ilegalmente para encontrar trabalho.

O casal pegou emprestado com um amigo o equivalente a quase US$13 mil para

pagar um traficante de pessoas pela viagem. Juárez disse que seu marido estava

ciente dos perigos – contrabandistas inescrupulosos, travessias perigosas pelo de-

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serto e a possibilidade de ser sequestrado por cartéis de drogas mexicanos –, mas

sentiu que tinha poucas alternativas na Guatemala, onde havia feito várias dívidas

depois que seus negócios fracassaram.

“O que podemos fazer?”, perguntou Juárez no final de setembro, falando por

meio de um tradutor. “Temos que alimentar nossos filhos.” Ela se recusou a dar o

nome do marido, por medo de que ele fosse preso nos Estados Unidos por agentes

de imigração e alfândega

O marido de Juárez está entre os milhares de guatemaltecos que vêm ignorando

uma campanha com mensagens em outdoors e propagandas de rádio e TV feita

pelos Estados Unidos e por governos da Guatemala que alertam contra a perigosa

jornada para os EUA.

Milhares de pessoas, incluindo famílias inteiras, vindas das terras altas do oeste

da Guatemala – uma área remota, rural e empobrecida, com uma população indí-

gena de língua maia – fizeram a jornada rumo ao norte, em busca de trabalho e

uma vida melhor.

No ano passado, 42.757 guatemaltecos acabaram presos ou parados na fron-

teira dos Estados Unidos com o México, segundo dados do serviço de Alfândega e

Proteção de Fronteiras. Eles foram responsáveis por quase metade de todos os mi-

grantes que tentaram entrar nos Estados Unidos com seus parentes. E os números

estão aumentando. Dois anos atrás, pouco menos de um terço das famílias paradas

na fronteira eram guatemaltecas.

Entrevistas com dezenas de pessoas em Concepción Chiquirichapa, uma cidade

de quase dez mil habitantes, com um mercado público vibrante, revelaram que

quase todo mundo tem algum membro da família – ou conhece alguém com paren-

tes – nos Estados Unidos.

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A razão para a diáspora é simples, segundo os moradores: a extrema pobreza.

Pobreza crônica

Cerca de 76% da população das terras altas do oeste da Guatemala está empo-

brecida e 67% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica,

de acordo com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional

(USAid).

Mais de um milhão de guatemaltecos nas áreas rurais da região não possuem

eletricidade. Muitos têm pouco ou nenhum lucro com o café, o milho, o feijão e ou-

tros produtos agrícolas que cultivam, por causa do constante declínio dos preços.

Somente a produção de café caiu 6% desde o ano passado, segundo o Departamen-

to de Agricultura, e os pequenos agricultores não conseguem cobrir seus custos.

Além disso, os moradores citam o tráfico de drogas, a corrupção generalizada

no governo local e a extorsão que sofrem de gangues como motivos para sua de-

cisão de deixar cidades e vilas nas terras altas do oeste. “Temos que criar melho-

res oportunidades para as pessoas, para que possam ficar em casa”, afirma Víctor

Manuel Asturias Cordón, que dirige o Programa Nacional de Competitividade (Pro-

nacom), uma agência do governo guatemalteco que promove o desenvolvimento

econômico.

América Central ignora campanha contra migração feita pelos Estados Unidos.

Pobreza extrema, falta de oportunidades e violência de gangues levam moradores

de El Salvador, Honduras, Guatemala e Nicarágua a tentar fazer a travessia rumo

aos EUA.

Seis meses atrás, o marido de Liset Juárez arrumou algumas roupas em uma

pequena sacola, abraçou seus três filhos, despediu-se e partiu em uma viagem de

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mais de 1.900 quilômetros até os Estados Unidos. Foi sua sexta tentativa de tentar

cruzar a fronteira ilegalmente para encontrar trabalho.

O casal pegou emprestado com um amigo o equivalente a quase US$13 mil para

pagar um traficante de pessoas pela viagem. Juárez disse que seu marido estava

ciente dos perigos – contrabandistas inescrupulosos, travessias perigosas pelo de-

serto e a possibilidade de ser sequestrado por cartéis de drogas mexicanos –, mas

sentiu que tinha poucas alternativas na Guatemala, onde havia feito várias dívidas

depois que seus negócios fracassaram.

“O que podemos fazer?”, perguntou Juárez no final de setembro, falando por

meio de um tradutor. “Temos que alimentar nossos filhos.” Ela se recusou a dar o

nome do marido, por medo de que ele fosse preso nos Estados Unidos por agentes

de imigração e alfândega.

O marido de Juárez está entre os milhares de guatemaltecos que vêm ignorando

uma campanha com mensagens em outdoors e propagandas de rádio e TV feita

pelos Estados Unidos e por governos da Guatemala que alertam contra a perigosa

jornada para os EUA.

Milhares de pessoas, incluindo famílias inteiras, vindas das terras altas do oeste

da Guatemala – uma área remota, rural e empobrecida, com uma população indí-

gena de língua maia – fizeram a jornada rumo ao norte, em busca de trabalho e

uma vida melhor.

No ano passado, 42.757 guatemaltecos acabaram presos ou parados na fron-

teira dos Estados Unidos com o México, segundo dados do serviço de Alfândega e

Proteção de Fronteiras. Eles foram responsáveis por quase metade de todos os mi-

grantes que tentaram entrar nos Estados Unidos com seus parentes. E os números

estão aumentando. Dois anos atrás, pouco menos de um terço das famílias paradas

na fronteira eram guatemaltecas.

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Entrevistas com dezenas de pessoas em Concepción Chiquirichapa, uma cidade

de quase dez mil habitantes, com um mercado público vibrante, revelaram que

quase todo mundo tem algum membro da família – ou conhece alguém com paren-

tes – nos Estados Unidos. A razão para a diáspora é simples, segundo os morado-

res: a extrema pobreza.

EUA Buscam Alternativas

Alarmados com o influxo de milhares de guatemaltecos na fronteira, as autori-

dades dos Estados Unidos começaram a procurar formas mais eficazes de conter o

fluxo de migrantes.

No final de setembro, Kevin K. McAleenan, comissário do serviço de Alfândega e

Proteção de Fronteiras, viajou para a Guatemala, Honduras e El Salvador – os três

países que compõem a maior parte dos migrantes detidos na fronteira sudoeste.

Na Guatemala, ele se reuniu com funcionários do governo, líderes de empresas e

comunidades indígenas.

Segundo ele, apenas a aplicação da lei não pode impedir a migração de dezenas

de milhares de guatemaltecos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos.

“Estou aqui para ouvir e entender as questões que vocês estão enfrentando para

que possamos trabalhar juntos”, disse a um grupo de autoridades guatemaltecas

em um centro para onde os migrantes retornam após serem deportados pelo ser-

viço de Imigração e Controle de Alfândegas.

McAleenan também visitou vários projetos financiados pela Agência para o

Desenvolvimento Internacional, incluindo uma instalação de processamento de

café na Cidade da Guatemala e uma fazenda em Quezaltenango, a maior cidade

do planalto ocidental, onde novas variedades de milho e outros vegetais estão

sendo cultivados.

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Reunido com vários líderes indígenas em uma mesa redonda em Quezaltenan-

go, McAleenan disse que entendia que a maioria das pessoas que saíam da região

estava tentando encontrar trabalho.

Ele lembrou, no entanto, que cruzar ilegalmente a fronteira dos Estados Uni-

dos é crime e alertou sobre contrabandistas que enganam migrantes desespe-

rados, garantindo que eles podem permanecer nos Estados Unidos se chegarem

com as famílias.

“Não há possibilidade de permanecer nos Estados Unidos se você trouxer uma

criança nem de ficar se estiver grávida”, disse McAleenan. “Precisamos continuar a

fornecer informações precisas para que eles não façam essa jornada perigosa, onde

enfrentam agressões físicas e sexuais.”

Os Estados Unidos devem gastar mais de US$200 milhões em projetos nas

terras altas do oeste nos próximos anos para criar empregos e reduzir a pobreza,

disseram autoridades. E, este ano, têm procurado impedir a imigração ilegal re-

primindo duramente que as pessoas cruzem a fronteira – inclusive com a prática,

agora extinta e amplamente condenada, de separar as crianças imigrantes de seus

pais detidos e de outros parentes.

Mensagem Americana é Ignorada

A campanha de mensagens, no entanto, passou em grande parte despercebida.

Nove outdoors na região montanhosa do oeste da Guatemala, pagos pelo governo

dos Estados Unidos, alertam os migrantes em potencial sobre os perigos da viagem

ao norte. As autoridades disseram que também colocaram anúncios em rádio e te-

levisão com avisos adicionais, a um custo total de cerca de US$750 mil.

Em toda a Guatemala, Honduras e El Salvador, o governo dos Estados Unidos

está gastando cerca de US$ 1,3 milhão na campanha.

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Entrevistas com mais de uma dúzia de pessoas na maior cidade do planalto gua-

temalteco e em várias cidades pequenas, porém, mostraram que poucos morado-

res viram ou ouviram as advertências. Muitas das pessoas entrevistadas disseram

que, de qualquer maneira, não seriam persuadidas a ficar.

Uma campanha de mensagens paralela e muito mais poderosa feita pelos trafi-

cantes de pessoas está ressoando de boca em boca.

Moradores disseram que veem propagandas diárias dos contrabandistas,

ou coiotes, que prometem levá-los aos Estados Unidos. Em pelo menos uma

estação de rádio comunitária de Quezaltenango, os traficantes oferecem re-

gularmente transporte e ajuda para financiar as viagens dos migrantes para

o norte.

Os contrabandistas também são bastante ativos nas mídias sociais. Alguns pro-

movem seus serviços no Facebook, oferecendo-se para levar os migrantes para

qualquer lugar da “união norte-americana”.

A pedido de autoridades dos Estados Unidos, o governo guatemalteco come-

çou a oferecer recompensas para pessoas que entregam contrabandistas. No

entanto, levá-las a fazer isso tem sido uma luta “Ninguém os entrega, porque

dentro da comunidade eles não são vistos como pessoas ruins”, explica Dora

Alonzo, de 27 anos, que dirige uma organização em Quezaltenango para impe-

dir que crianças tentem migrar para os Estados Unidos. “Mas todo mundo sabe

quem eles são.”

McAleenan, o comissário de Alfândega e Proteção de Fronteiras, disse que é

cedo demais para julgar se a nova campanha de mensagens – em espanhol e lín-

guas indígenas – funcionou. “Temos que dar um tempo para ver se é eficaz para

alcançar esse público e criar essa dissuasão”, afirmou ele.

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Chegada Confirmada

De volta a Concepción Chiquirichapa, Liset Juárez conta que seu marido final-

mente chegou aos Estados Unidos depois de quase meia dúzia de tentativas. Ele

planeja ficar três anos. Com o dinheiro que ganha como operário, ela explica que

planejam pagar suas dívidas e economizar para abrir outro negócio.

Perguntada se pretende se juntar ao marido nos Estados Unidos, ela balançou

a cabeça negativamente. “Não posso abandonar meus filhos. Tenho três crianças

que preciso sustentar aqui.

**********************************************************

1.5. A UNA Sul x Pró-Sul

A UNA SUL: União das Nações Sul – Americanas (com 12 países origi-

nalmente)

Embora não seja um bloco econômico, a UNA SUL origina-se basicamente da

fusão dos países do MERCOSUL + CAN (Comunidade Andina das Nações),

este último um bloco econômico criado em 1969 pelo Protocolo de Cartagena.

A UNA Sul foi criada em 2008 em Brasília. Formou-se através da intenção de

se formalizar uma mutua de cooperação entre os países do subcontinente

sul-americano com vistas a cooperações em setores como infraestrutura,

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energia, educação, transportes entre outros. Obteve êxito inicial na medida

em que havia um alinhamento entre quase todos países sul-americano em torno

de governos de esquerda, isto entre o fim da década passada e também na entrada

desta década.

Com o passar dos anos, contudo, uma série de países que tinham governos à

esquerda mudaram os seus rumos político-ideológicos, indo novamente para a di-

reita – tal qual o Brasil, a Argentina e o Chile. Assim, a UnaSul se enfraque-

ceu, pois o seu propósito originário residia em torno de um alinhamento

com base entre nações ideologicamente governadas pela esquerda. Neste

período, ocorre também o ocaso absoluto daquele que é considerado como sendo

o país bastião das esquerdas na América do Sul: a Venezuela.

Por fim, para se discutir a crítica situação venezuelana, formou-se um fórum por

parte de países de direita do continente – tais quais Brasil, Argentina, Colômbia (e

até o Canadá se incluiu, em um total de 14 participantes), denominado como Gru-

po de Lima: esta associação de países vem à luz no âmbito das relações

internacionais regionais com vistas a que, por meio de uma agenda de reu-

niões e debates sejam buscados mecanismos que consigam dar solução ao

drástico cenário de crise institucional e econômica que se arrasta faz anos

na Venezuela. Visto isto, o Grupo de Lima origina também o embrião para

a formação de uma nova mútua dos países sul-americanos, a PRÓ-SUL,

englobando apenas países com direcionamentos políticos de direita.

Em Fevereiro de 2019, um acordo é formalizado no Chile com a presen-

ça do Presidente Jair Bolsonaro, resultando na formação do Pró-Sul, ou

PronaSul. Consolida-se por este a divisão entre a Una-Sul e o Pro-Sul, sen-

do a primeira uma mútua mais antiga e agora esvaziada, a qual envolve os

países ideologicamente à esquerda da América do Sul (atualmente apenas

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o Uruguai, a Bolívia e a Venezuela). Já a nova mútua, chamada PróSul (ou


PronaSul), integra os países da direita, liderados pelo Brasil, Chile, Argen-
tina e Colômbia.

Em suma:

• Unasul (União de Nações Sul-Americanas): iniciado em 2008, reúne, além

dos países do MERCOSUL, Guiana e Suriname. Bolívia e Venezuela também

são membros.

• Pronasul (Foro para o Progresso da América do Sul): reúne Argentina, Brasil,

Chile, Paraguai, Peru, Colômbia, Equador e Guiana. Exclui Bolívia e Venezue-

la, governados por presidentes de esquerda.

1.6. O MERCOSUL

Formalizado pelo Tratado de Assunção de 1991, o MERCOSUL tem seu início

conceitual um pouco antes disto, exatamente quando em meados da década de

1980 Brasil e Argentina iniciam tratativas bilaterais frente à promoção de escalas

mais liberalizadas de comércio entre ambos. Ou seja, a origem do MERCOSUL se

deve à formação de uma Zona de Livre Comércio (ou ZLC) com base nos inte-

resses bilaterais do Brasil e da Argentina.

Outro embrião importante do MERCOSUL se encontra na ALADI (Associação La-

tino-Americana de Integração), um organismo intergovernamental criado em 1980

que deu continuidade ao que buscara a Associação Latino-Americana de Livre Co-

mércio (ALALC), de 1960: promover a expansão da integração da região com vistas

a garantir seu desenvolvimento econômico e social, tendo como ambiciosa meta

finalística promover a criação de um mercado comum latino-americano.

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a) Membros do MERCOSUL

Atualmente o MERCOSUL possui 5 membros efetivos: Brasil, Argentina, Uru-

guai, Paraguai e Venezuela.

Os 4 primeiros citados acima são os membros originais do bloco – que

desde o Tratado de 1991 fazem parte efetivamente. Já a Venezuela, entrou

no bloco em definitivo somente em 2012.

Ha também os chamados membros associados: Bolívia (desde 1996), Chile

(1996), Peru (2003), Colômbia (2004), Equador (2004), Guiana (2013) e Suri-

name (2013).

Em dezembro de 2016, por infringir em torno de 75% dos tratados e 20% das nor-

mas de livre comércio, a Venezuela foi suspensa do bloco. Meses depois, em

agosto de 2017, o país sofre nova medida suspensiva, dessa vez de cunho

político, em função de se retalhar a forma como o governo local e as forças oficiais

trataram milhares de oposicionistas saídos às ruas da capital do país, Caracas, em

protestos contra a formação da Assembleia Constituinte personificada por Nicolás

Maduro. Mas, mesmo assim, com duas suspensões nas costas, segue a Ve-

nezuela ainda como sendo um país membro efetivo do MERCOSUL, ok?

b) Os Estágios de Formação dos Blocos Econômicos

Para que entendamos a atual formatação do MERCOSUL, em conhecimento que

servirá quando mais a frente falarmos sobre o contexto da UNIÃO EUROPEIA, ve-

jamos como evoluem os blocos econômicos, as fases para a formação dessas mo-

dernas alianças e onde se encontra em 2019 o MERCOSUL:

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1ª Zona de Livre Comércio: É o primeiro estágio de um bloco. Ainda


frágil, em termos de regras formais, mas revestido de protocolos de boa vontade
acerca de se fomentar escalas liberalizadas de comércio entre os países. No caso
do MERCOSUL, ocorre em fins da década de 1980 entre Brasil e Argentina.
2ª União Aduaneira (Tarifa Externa Comum): um avanço frente à ZLC.
Regras mais rígidas e formação de uma tarifa externa comum. Este é o estágio em
que o MERCOSUL se encontra encaixado mais plenamente hoje em dia.
3ª Mercado Comum: Nessa fase deve ocorrer a integração de seus indivíduos,
o que inclui a livre passagem, livre residência e completa queda de barreiras
frente, por exemplo ao livre ingresso nos mercados de trabalho. É interes-
sante notar que o MERCOSUL ainda não conseguiu de forma plena ingres-
sar nesta fase, pois, entre os países integrantes do bloco, ainda ocorrem barreiras
burocráticas frente à plena liberalização do mercado de trabalho. Em termos de
livre trânsito e residência, tais liberdades já se encontram garantidas (havendo,
inclusive, um passaporte único do MERCOSUL e placas comuns de carro adota-
das desde 2019 em alguns estados do Brasil). Contudo, os entraves relativos
a um mercado de trabalho liberalizado fazem com que este estágio, fundamental a
um bloco econômico, o de mercado comum, ainda não tenha sido concretizado no
bloco de forma plena.

A fim de aprofundar a agenda cidadã da integração, foi aprovado, em 2010, o Plano


de Ação para a Conformação de um Estatuto da Cidadania que visa a ampliar e
consolidar o conjunto de direitos e benefícios para os cidadãos dos Estados Partes.
Alguns dos pressupostos, contudo, previstos para ocorrer até 2020 não conse-
guiram ser colocados para frente ainda, tal qual a plena liberalização dos mercados
de trabalho dos países-membros.

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4ª União Econômica e Monetária: forma-se pela unificação de procedimen-


tos monetários, realizada em essência pela instituição de uma moeda única e de
um Banco Central comum. Apenas a União Europeia alçou tal estágio quando em
1999 institui o Euro como moeda oficial. Atualmente, encontram-se dormentes tais
tratativas para o MERCOSUL dentro deste âmbito, tendo havido somente iniciativas
pontuais que auxiliam ao intercâmbio de investimentos e no fomento financista
dentre os países do bloco, mas que ainda não formam, nem de longe, uma União
Econômica Monetária.

c) Os principais mecanismos de cooperação existentes no MERCOSUL:

A Corporação Andina de Fomento (CAF), que começou a operar em 1970,


é uma instituição financeira multilateral sub-regional com características de banco
de desenvolvimento: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai possuem em torno de
20% do capital.
O Fundo de Convergência Estrutural (Focem), criado em 2004, mas que
se tornou operacional apenas em 2007, é um fundo fiscal atrelado ao MERCOSUL.
No âmbito de um acordo de integração, mecanismos que visem a facilitar o co-
mércio intrarregional são de especial importância. É nessa perspectiva que se inse-
re o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML), o qual entrou em vigor
em 2008, entre Brasil e Argentina. No SML, a liquidação das transações para os
importadores e exportadores é feita em moeda local, sendo apenas a compensação
entre os bancos centrais feita em dólar.

d) Os entraves recentes do MERCOSUL

O MERCOSUL não vem conseguindo se projetar ao longo dos últimos


anos um crescimento considerável, tanto em relação a sua força geopolítica
como também em torno de sua força comercial.

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Alguns pontos precisam ser compreendidos acerca de certos entraves

percebidos, os quais resultaram no enfraquecimento do bloco. Vamos aos

principais, então:

• As assimetrias entre o tamanho das economias e a T.E.C: As tarifas ex-

ternas comuns visam determinar padrões iguais e formais ao intercâmbio en-

tre mercadorias por parte dos países integrantes de um bloco econômico. De

forma simplificada, significa dizer que se o Brasil vende sapato para a

Venezuela, e eles também vendem sapatos produzidos por lá ao Bra-

sil, ambos deverão ser taxados nas respectivas alfândegas dos res-

pectivos países em mesma tarifa. Mas no caso do MERCOSUL o que vem

acontecendo é que uma série de exceções acerca de tais tarifas comuns (as

TECs), com vistas a não se prejudicar os países menos competitivos do bloco,

vem tendo espaço. Assim, com mais de uma centena de exceções na TEC no

MERCOSUL, ficou mais difícil consolidar uma União Econômica no pleno.

• O protecionismo argentino: a Argentina, apesar de ter sido, ao menos no

papel, uma entusiasta e defensora do MERCOSUL, veio ao longo dos anos

promovendo medidas nitidamente protecionistas frente à sua indústria e ao

seu mercado consumidor. O protecionismo ocorre quando um país busca por

meio de medidas de aumentos na taxação dificultar a entrada de produtos

estrangeiros em seus mercados, ou retendo a venda de produtos essenciais

com vistas a provocar um aumento em seu preço no mercado externo, como

no caso de sua política externa acerca do trigo e suas iniciativas para aumen-

tar o preço do cereal artificialmente. O protecionismo fere os princípios ba-

silares que levam ao fomento a um livre mercado e que permeiam o modelo

ideal de funcionamento de um bloco econômico.

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• Novos parceiros comerciais dos países do MERCOSUL (China ao


centro): um ponto fundamental de Atualidades acerca do MERCOSUL re-
side no fato de que o comércio intrabloco vem passando por um
declínio considerável ao longo dos últimos quinze anos em média.
Explica-se tal queda em função da entrada agressiva de um player global:
a China, como forte parceiro comercial dos países do bloco e, se aprovei-
tando também à queda na produção industrial nos países do MERCOSUL
que resultou em uma consequente perda na agressividade sobre os mer-
cados regionais de produtos manufaturados do próprio MERCOSUL, e em
especial do Brasil e da Argentina. No caso brasileiro, o gigante oriental
veio ultrapassando tradicionais parceiros comerciais para, atualmente, ter
se fixado como o maior parceiro comercial do Brasil tanto entre as impor-
tações quanto para as exportações.

Para se ter uma ideia, o Brasil em 2018 comercializou quase 3 vezes mais com
a China em se comparado à Argentina. A China possui atualmente cerca de 20%
do comércio exterior brasileiro. Já a Argentina, relegada, ficou como nosso tercei-
ro maior parceiro comercial(atrás também dos EUA), não conseguindo abocanhar
nem 7% das transações internacionais.
No gráfico a seguir, podemos perceber tal dinâmica, de queda no comércio entre

o Brasil e o MERCOSUL ao longo dos últimos anos (2005-2015).

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Fonte: https://www.google.com/searchq=queda+nocomercio+intra+MERCOSUL&source=l-
nms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjq2YKpsczaAhVDDJAKHaKlBwoQ_AUICygC&biw=1152&-
bih=758#imgrc=HfDHGQzI5LkzmM.

e) A Formação de um Tratado de Livre Comércio entre União Europeia

e MERCOSUL

Ponto fundamental em atualidades sobre o MERCOSUL diz respeito às

tratativas frente à formação de um acordo pleno de liberalização entre a

União Europeia e o MERCOSUL, seguindo avançadas tais negociações ao

longo do ano de 2019.

Ainda sem prazo totalmente definido acerca do fim das negociações entre os

blocos, essa enorme costura multilateral avançou enormemente ao longo

dos últimos anos devendo, portanto, logo funcionar na prática.

Tal acordo já vinha sendo costurado, bem verdade faz mais ou menos 20 anos,

mas esbarrou em alguns pontos. Um deles, bem latente, reside na França e a apre-

ensão que seus agricultores, sabidamente subsidiados e muito protegidos pelo Es-

tado e também pela política agrícola comum da União Europeia. Há ainda por parte

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dos setores agrícolas europeus temores acerca sobre como a alta competitividade
dos parques agrícolas da Argentina e, principalmente do Brasil, os impactarão. Re-
side também uma premissa, caso um acordo comercial UE/MERCOSUL ganhe for-
ma, em que um compêndio de regras mais claras e menos patriarcais por parte dos
governos locais europeus, com o fim dos auxílios à produção agrícola – conhecidos
por todos como “subsídios”, seja realidade.
Interessante observar: pelo fato de o Reino Unido, outra oposição a tais acor-
dos comerciais (com o MERCOSUL, entre outros) em 2020 estar finalmente fora
da União Europeia, contribui para que avance a costura UE/MERCOSUL. Por fim,
os Estados Unidos, e sua nítida política de isolacionismo comercial promovida por
Donald Trump, ao dar cada vez mais as costas a tratativas comerciais multilaterais,
também facilitará no andamento deste acordo. Sem dúvida, um acordo comercial
robusto entre MERCOSUL e a União Europeia virá a ser formalizado e, em pouco
tempo, sendo que os anos de 2018 (com Temer) e 2019 (Bolsonaro) no Brasil fo-
ram fundamentais para que houvesse avanços nesta questão.
Segundo matéria da Deutche Welle, portal de notícias alemão
com ação em todo o mundo, em sua página na internet datada em
06/06/2019, o acordo comercial está eminente entre MERCOSUL-UE.
Leia a seguir a matéria!
Fonte: https://www.dw.com/pt-br/acordo-entre-ue-e-MERCOSUL-%C3%A9-iminente-dizem-bol-
sonaro-e-macri/a-49093910

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MATÉRIA
Acordo entre UE e MERCOSUL é iminente, dizem Bolsonaro e Macri
Pacto comercial entre a União Europeia e o bloco é negociado há mais de 20 anos.
Em Buenos Aires, presidente sugere apoio à reeleição do argentino e diz que toda
a América do Sul teme o surgimento de “novas Venezuelas”.

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O presidente Jair Bolsonaro e seu homólogo argentino, Mauricio Macri, garan-

tiram nesta quinta-feira (06/06) que a assinatura de um acordo comercial

entre a União Europeia (UE) e o MERCOSUL é iminente. A declaração foi feita

ao fim de uma reunião entre os dois líderes em Buenos Aires.

“Estamos prestes a chegar a um acordo entre o MERCOSUL e a União Eu-

ropeia, eu o felicito [Macri] pelo seu trabalho. Todos ganhamos com isso”,

disse Bolsonaro durante o pronunciamento realizado ao lado do presidente

argentino na Casa Rosada. Atualmente, a Argentina detém a presidência tem-

porária do bloco sul-americano.

Macri endossou a declaração de Bolsonaro. “O MERCOSUL está completando 30

anos, e o mundo mudou. Claramente a visão inicial de integração tem que estar

focalizada também em como nos incluímos no desenvolvimento global, que é fun-

damental para o futuro de nossos países”, afirmou.

As negociações entre a UE e o MERCOSUL se arrastam há mais de duas décadas.

Em 2004, os dois blocos chegaram a trocar propostas, mas a iniciativa fracassou

diante da discordância sobre a natureza dos produtos e serviços que seriam englo-

bados no acordo. Os sul-americanos queriam mais acesso ao controlado mercado

agrícola europeu. Já a UE desejava avançar no setor de serviços e comunicações

dos países do MERCOSUL.

Nos últimos três anos, as negociações tiveram um progresso mais significativo,

mas ainda esbarram em várias divergências envolvendo a indústria automobilística

e a circulação de produtos como carne bovina. Várias associações de produtores

europeus temem a concorrência dos brasileiros, já que estes não ficaram satisfeitos

com o sistema de cotas oferecido pelos europeus.

Na Casa Rosada, os presidentes também conversaram sobre as eleições pre-

sidenciais na Argentina. A menos de cinco meses do pleito, Macri, que deseja se

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reeleger, caiu fortemente nas pesquisas devido à crise econômica que o país vive

há um ano.

Bolsonaro reiterou seu apoio ao mandatário argentino e disse que toda a Améri-

ca do Sul teme que surjam “novas Venezuelas” na região. “Devemos nos preocupar

e tomar decisões concretas nesse sentido, cada vez mais unindo e somando nossos

povos, buscando em cada um deles seu potencial de maneira irmanada, para que

o progresso e a paz cada vez mais reinem entre nós”, declarou.

Bolsonaro chamou ainda Macri de “irmão” e pediu que Deus abençoe os argentinos

para que elejam com “muita responsabilidade e menos emoção”, em prol da paz e da

prosperidade, em claro apoio à candidatura do atual governante e contra a ex-presiden-

te Cristina Kirchner, embora não tenha mencionado o nome de nenhum candidato.

Em resposta a um protesto na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, convo-

cado por mais de 50 iniciativas sociais contra a visita de Bolsonaro, Macri afirmou

que, em conversas com o brasileiro, ratificou o compromisso da Argentina com os

direitos humanos.

Bolsonaro chegou no fim da manhã em Buenos Aires. Ao contrário de seus ante-

cessores, que tradicionalmente fizeram a primeira viagem oficial à Argentina, essa

foi a quarta visita internacional do brasileiro desde que ele assumiu a Presidência

em janeiro. Bolsonaro já esteve nos Estados Unidos, Chile e Israel.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Em 2018, o intercâmbio

comercial entre os dois países chegou a 26 bilhões de dólares, com um superávit

de 3,9 bilhões de dólares para o Brasil.

Em Buenos Aires, Bolsonaro se reunirá ainda com políticos argentinos e

empresários. A visita oficial termina na sexta-feira com um almoço no Mu-

seu Casa Rosada.

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1.7. A Venezuela

Para entender a atual situação de ocaso político/econômico que a Venezuela

vem passando, precisamos remeter sobretudo à história da formação deste gover-

no de esquerda – que está em sua segunda geração (pois Maduro sucedeu Chávez

em 2013), e que se autodenomina como sendo o “Socialismo do Séc. XXI”.

1.7.1 O Contexto do Chavismo e Maduro

Em 1999 ocorre a eleição de Hugo Chávez como presidente venezuelano. Coro-

nel do Exército, Hugo Chávez uniu as esquerdas venezuelanas no movimento de-

nominado como V República, criado exatamente de seu projeto de estado socialista

que logrou vencedor. Até então, a Venezuela jamais havia possuído um go-

verno de esquerda, e ostentava por décadas alto crescimento econômico

e prosperidade. Na década de 70 era o país com melhor poder de compra

dentre todos da América latina. Esse cenário durou, contudo, até o fim da

década de 80 quando (é importante destacar, anos antes da chegada de

Hugo Chávez no poder) o país, que outrora fora chamado como “Vene-

zuela Saudita”, passou a viver uma crise econômica e política (cenário de

extrema corrupção), sendo que Chávez se elege com a promessa de estru-

turar uma plataforma reformista.

Governando a partir de 99 com uma nova Constituição promulgada em seu pri-

meiro ano, esta qual lhe permitia ser reeleito por quantas vezes fosse referendado

por seu povo, Chávez surfou numa onda de alta contínua do preço internacional do

petróleo que se estendeu até, mais ou menos, o ano de 2013/2014.

Vale destacar que o petróleo é o produto que representa 85% das exporta-

ções venezuelanas. Como resultado prático, houve na década passada (2000-10)

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melhoras sociais promovidas pelo modelo assistencialista promovido pelo

chavismo em uma primeira fase, em que, de fato, milhares de pessoas

saíram da linha da pobreza. Contudo, há uma série de críticas a este mode-

lo “Bolivarista” orquestrado por Hugo Chávez. Uma delas reside no fato de não

ter havido por parte de seu governo qualquer diversificação nas matrizes

econômicas do país, tal qual escalas mínimas de industrialização, a qual se

manteve alicerçada numa dependência absurda nos ganhos do petróleo.

Outra questão fundamental reside no alto custo de se bancar esse movimento

socialista, que é enormemente assistencialista, o qual subsidia até o supermerca-

do das populações mais carentes. Esse modelo não tinha lastro e, de fato, ruiu na

medida em que o preço do petróleo começou a cair a partir de 2012/2013: o barril

que chegou a valer algo em torno de 130 dólares (em 2012) caiu para um piso em

2016 de 35 dólares. Queda em menos de 4 anos de mais de ¾ de seu preço.

Em meio a isso houve também a troca do comando central na Venezuela: Hugo

Chávez morre às vésperas de iniciar seu 4º mandato seguido, para em seu lugar

entrar o seu vice, Nicolás Maduro, que vem a iniciar seu primeiro governo em que,

sob pressão do Congresso, contudo, fora levado a convocar um pleito separado

sendo, finalmente, eleito pela população venezuelana nos primeiros dias de 2014.

Já em 2016, em meio a uma crise econômica aguda que se estende

até hoje, as eleições parlamentares na Venezuela dão ampla maioria no

Congresso venezuelano para a oposição. No início de 2017, pouco após a

posse dos novos parlamentares, Maduro dissolve as atividades do Legisla-

tivo e convoca em lugar dos parlamentares uma ANC – Assembleia Nacio-

nal Constituinte. Manifestações tomam as ruas de Caracas e mais de 120

pessoas são mortas. Maduro recua, mas as atividades deste novo parlamento

francamente oposicionista são tolhidas pelo Tribunal Superior.

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1.7.2 A Venezuela em 2019

Bom, visto tudo isso, ai vale alguns destaques em atualidades linkados a esta

questão histórica, e também à formação da ANC – Assembleia Nacional Constituin-

te – de 2017 e as ações de Maduro e das Forças Armadas frente a combater os opo-

sicionistas, como ele vem conduzindo o seu governo e o ocaso econômico vivido.

Estes são os principais pontos acerca da Venezuela em Atualidades no

ano de 2019: Muita atenção agora, ok?

• A Venezuela hoje se encontra Suspensa do MERCOSUL. O país é ainda

um membro permanente, tendo sofrido, contudo, duas suspensões. A pri-

meira ocorre em 2016, por questões de cunho econômico e na medida em

que o país não cumpriu uma imensa parte dos acordos previstos intrabloco

desde seu ingresso, em 2012. A segunda suspensão (em 2017), é sanção

punitiva acerca da forma como Maduro e suas forças (leia-se as Forças Arma-

das), reprimiram os protestos ocorridos no início de 2017 que confrontaram

oposicionistas e partidários, levando à morte de mais de 120 pessoas.

• Em Fevereiro de 2019 apareceu a figura de Juan Guaidó, um parlamentar

oriundo dos quadros de oposição que se autoproclamou como sendo o novo

Presidente venezuelano. A direita local até chegou a embarcar nessa, mas

ele não conseguiu tomar o poder de fato – nem ao menos angariar qualquer

reconhecimento internacional, além de Brasil e Estados Unidos (países que

logo desistiram de oferecer suporte para um golpe sobre Maduro encabeçado

pelo jovem parlamentar).

• Maduro convocou em meados de 2018 uma eleição presidencial a toque

de caixa e conseguiu ser reeleito, porém com apenas 42% de participa-

ção popular. Isso gerou uma crise de legitimidade dentro (e também fora do

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país) acerca de seu novo mandato. Mesmo assim, em 9 de janeiro de 2019,

sob protestos da comunidade internacional e da oposição local, ele

toma posse para mandato que deve se estender legalmente até 2024.

• Em 2018 a inflação na Venezuela ultrapassou a casa de um milhão por

cento por ano, isso mesmo! 1.000.000% de inflação! Sendo assim o

país no mundo com a maior crise econômica instalada, ao menos

dentre aqueles que não têm guerra civil declarada (o que ocorre hoje

apenas na Síria e no Iêmen).

• Um ponto em atualidades fundamental, o qual se questiona enormemente, é

como por lá (através da figura de Maduro) ocorreu o solapamento de

estamentos basilares do estado democrático de direito, sendo um de-

les, exemplo: o livre exercício dos poderes. Maduro governa apoiado no Poder

Judiciário e nas Forças Armadas apenas, destruindo o Legislativo local – fran-

ca oposição a seu governo. Ainda molda o Poder Executivo tal qual sua ide-

ologia bolivarista a mingua ainda consegue se arrastando de forma lacônica

• A crise migratória na Venezuela já produziu mais de 3 milhões de desloca-

mentos. Desentendimentos com seus vizinhos fez com que as fronteiras com

Brasil e Colômbia ficassem fechadas por decisão tomada pelo próprio governo

venezuelano. No caso brasileiro, foram em torno de 3 meses de fron-

teiras fechadas, havendo a reabertura em maio de 2019. Essa crise foi

causada por causa das tratativas do Brasil em fornecer ajuda humanitária ao

país vizinho, algo que foi considerado uma afronta a Maduro.

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Veja matéria a seguir do G1, de 21/03/2019.


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Venezuela fecha fronteira com o Brasil

Bloqueio do lado venezuelano começou às 21h de quinta e, por ordem de Madu-


ro, não tem prazo para terminar. Grupos de estrangeiros que entraram em Roraima
pouco antes das 20h (horário local) foram informados pela Guarda Venezuelana de
que não poderiam retornar.

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A fronteira da Venezuela com o Brasil foi fechada na noite após Nicolás Madu-

ro determinar o bloqueio por tempo indeterminado. Normalmente, a passa-

gem é fechada à noite e reabre por volta das 8h do dia seguinte.

Grupos de venezuelanos que cruzaram a fronteira antes das 20h (horário local,

21h em Brasília) foram informados pela Guarda Venezuelana de que não poderiam

retornar após o horário definido por Maduro. Na manhã desta sexta, moradores do

país vizinho tentavam voltar para lá.

Até as 21h29 o fluxo ainda era liberado para pedestres, no entanto, a passagem

de veículos era proibida. Guardas venezuelanos colocaram cones no meio da pista

a poucos metros do primeiro ponto de fiscalização no país.

O presidente venezuelano determinou o fechamento para tentar barrar a ajuda

humanitária oferecida pelos EUA e por países vizinhos, incluindo o Brasil, após

pedido do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. Maduro vê a

oferta dessa ajuda como uma interferência externa na política da Venezuela.

Durante a tarde, após o anúncio do fechamento, venezuelanos correram para

Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, para comprar estoques de mantimen-

tos. Um comerciante da região relatou aumento de 30% no movimento em relação

a “dias comuns”.

No anúncio, feito de Caracas, o líder chavista afirmou que a passagem entre os

países ficaria “fechada total e absolutamente até novo aviso”.

Do fim da tarde até o início da noite, por volta das 19h (20h de Brasília), houve

uma intensa movimentação de carros carregados com compras saindo de Paca-

raima a Santa Elena. Uma fila chegou a se formar próximo à área de fiscalização

venezuelana.

O fechamento ocorre onde seria um dos pontos de coleta dos carregamentos

de comida, remédio e itens de higiene básica enviados à população venezuelana.

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O porta-voz do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Otávio Rêgo Barros, disse que a

ajuda humanitária está mantida.

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Após 3 meses fechada por decisão unilateral de Maduro, o governo venezuelano

resolveu reabrir a fronteira com o Brasil em maio/2019. No caso da Colômbia, a

fronteira foi reaberta em jun./2019, após quase um ano fechada.

O número de venezuelanos no Brasil bateu, em meados de 2019, 100.000 indiví-

duos, os quais em sua imensa maioria estão alocados em condições de extrema

pobreza e morando nas ruas das cidades de Roraima, principalmente na capital Boa

Vista. Peru e Colômbia são outros dois imensos receptores de imigrantes venezue-

lanos, perfazendo estimadamente mais de 1 milhão de venezuelanos atualmente

em cada um destes países.

1.8. Os Estados Unidos Hoje

A eleição de Donald Trump em fins de 2016 assombrou o Mundo e surpreendeu

até os mais experientes analistas políticos. Como foi possível um bilionário iniciante

na política, de trejeitos histriônicos, pele alaranjada, “persona” rejeitada até por

parcela considerável de cabeças de dentro de seu próprio partido (Republicano)

levar para si o comando da maior potência global?

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1.8.1 A Eleição de Donald Trump e o “Rust-Belt”

Eleito através um sistema eleitoral complexo, do tipo indireto, e com menos

votos populares que a tarimbada senadora por Nova York, sua rival Hilary Clinton

(algo em torno de 2, 8 milhões de diferença de votos pró-parlamentar), o bilionário

se valeu da vitória em Estados-Chaves do chamado “manufacturing-belt”, o cintu-

rão a Nordeste dos EUA, que fora por décadas o motor pulsante da indústria global

e da pujança financeira, mas que atualmente se encontra esfacelado por perdas

relativas à transferência de plantas fabris para países com melhores vantagens

competitivas (leiam-se salários bem mais baixos, leis ambientais frouxas e sindica-

tos fracos ou inexistentes), tais como a China, além da Índia, Tailândia, Indonésia

e parte da América Latina, especialmente o México, entre outros.

Tal retrocesso econômico é resultado direto da nova estruturação econômica

global pós-fordista (a partir dos anos 1970), intensificado pelo processo de glo-

balização recente e a abertura da China em definitivo para o Mundo (década de

1990), o qual assolou esta grande área a Nordeste EUA. Com perdas econômicas

(empobrecimento) e de perspectivas, associadas a uma depressão urbana em que

cidades como Detroit, em Michigan, chegaram a perder algo em torno de 2/3 de

sua população desde a década de 1970, o pujante epicentro da produção industrial

global, que outrora fora conhecido como sendo o cinturão da manufatura, passou

a receber a alcunha de “rust-belt”, o cinturão da ferrugem.

Caro(a) aluno(a), veja a seguir a área compreendida pelo Rust-Belt (oficial-

mente Manufacturing-Belt), e no outro mapa, mais a seguir, como se dera a vitória

de Trump em parte dos estados compreendidos (em vermelho os estados onde os

Republicanos venceram).

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Área do Manufacturing-Belt (Rust-Belt) nos EUA

Fonte: https://www.google.com.br/searchq=eua+rust+belt&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ve-
d=0ahUKEwjbqcfQiNnaAhUEC5AKHVWTA_AQ_AUICigB&biw=1152&bih=758#imgrc=xvWblJ1Ly5gKsM:

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Assim, Donald Trump evoca um discurso em sua campanha em defesa ferrenha

desta população desacreditada e empobrecida do nordeste dos EUA, de origem

norte-americana por excelência (em contraste a população do Sul dos EUA, em

parte de origem hispânica), calcado no lema “America First”, a que fossem as urnas

no dia 8 de Novembro de 2016 e o elegessem. Ele vence alavancado pelos votos de

estados pertencentes ao manufacturing-belt, os quais votaram nas eleições ante-

riores no candidato Democrata, tais quais Wisconsin, Ohio e Pennsylvania.

Um ponto em atualidades de 2019 em relação ao que fora exposto acima reside

no fato de que a atual guerra comercial promovida por Trump, frente à China (e

veremos mais à frente sobre este tema), ocorre exatamente para atender a seu

eleitorado votante do norte dos EUA, que busca a volta do emprego industrial atra-

vés exatamente da volta das plantas industriais que se dispersaram dos EUA em

direção ao gigante oriental.

1.8.2 A Economia Americana Hoje

Os EUA são a maior economia do mundo, e falar sobre este país obriga-nos

inicialmente a comentarmos o atual contexto econômico, bastante positivo, porém

com peculiaridades inerentes a este gigante global que detém quase 25% das ri-

quezas produzidas no globo em 2018 (mais precisamente 24,3% de um PIB global

de 74 trilhões de dólares em 2018).

Alguns dados recentes da economia dos EUA 2018/2019:

• Saldo da balança comercial: Déficit de US$ 700 bilhões (em 2018).

• Crescimento do PIB em 2018: 2,9%.

• Taxa de desemprego: 4,7% (em fevereiro de 2019).

• Taxa de Inflação: 1,3% (de janeiro a dezembro de 2019).

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Não há dúvidas de que a economia norte-americana vem apresentando uma

sequência de boas notícias: Destaque para o desemprego, indicador que atingiu um

dos níveis mais baixos de todos os tempos e, também, o crescimento econômico,

estabilizado este em bom índice – 2,0-3,0% ao ano neste primeiro mandato de

Donald Trump.

Divisão percentual do PIB global em 2018:

No gráfico acima observe ser latente a presença global americana, e sua dianteira

frente aos outros países do globo. É interessante notar que havia uma previsão, a

qual esteve em franco vigor no início da década passada (ou seja, há uns 15 anos),

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de que, mais ou menos entre os anos de 2015 a 2018 haveria a ultrapassagem do

tamanho da economia chinesa frente à americana, um evento histórico, sem dúvida

nenhuma. Contudo, tal fato não ocorreu conforme previsto pelos analistas globais.

Isso se deve, principalmente, ao fato de nos últimos anos o vigor do crescimento

econômico chinês estar arrefecido. O país oriental saiu de um quadro cujos núme-

ros anuais de crescimento econômico estiveram em torno de 11% a 13% ao ano,

para crescer atualmente na casa dos 7%. Na outra ponta, os EUA vem recentemen-

te recuperando o vigor de seu crescimento econômico, perdido, de certa forma na

década anterior. Assim, em 2019 a economia chinesa representa ainda em torno de

60% do tamanho de economia norte-americana.

1.8.3 A Pax-Americana x Isolacionismo

Com uma plataforma eleitoral voltada à atenção das necessidades econômicas

dos EUA, xenófoba por excelência por ser ideologicamente repulsiva aos imigrantes,

Donald Trump destila já em seu discurso de posse, no dia 20 de Janeiro de 2017,

sua pegada afinada à projeção dos negócios nos EUA (com sua forma peculiar de

perceber o papel dos EUA) e como se pautaria a partir dali a atuação de seu país.

Ressalta que “o poder estava de volta ao povo”, e deixa claro que não esmoreceria

frente ao lema “America First”, tão propalado em seus discursos de campanha.

Colocada em prática, já nos primeiros dias de governo, Trump demonstra nitida-

mente que não caberia mais a promoção de escalas globalizadas com antes, nem

de comércio multilateral, direcionando assim seu mandato, inclusive, em franca

colisão ao que fora levado a cabo por seu antecessor Barack Obama, em oito anos

de governo (2008-2015), e outros presidentes americanos, tais quais George Bush

(pai e filho) e Bill Clinton.

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Se por décadas os EUA imprimiram a chamada pax-americana, corolário que


buscava sinalizar, claramente, que quem os acompanhasse ideologicamente sai-
ria privilegiado nas cartas do jogo de forças geopolítico e econômico global, com
Trump no poder ascende uma mudança. Sua plataforma é escancaradamente iso-
lacionista, e, sendo assim, relega arranjos e acordos com países, a não ser que tais
costuras sejam de extrema necessidade e ultravantajosas aos EUA.
Vejamos quatro das mais importantes medidas isolacionistas de Trump e suas
relações aos fatos mais recentes de atualidades para nossas provas:

a) Tentativa de fechar as fronteiras dos EUA a 7 países

Logo em seu primeiro mês de governo, Donald Trump solicita que seja fecha-
da por completo, e por tempo indeterminado, as fronteiras dos EUA à entrada de
cidadãos de 7 países: Síria, Líbia, Irã, Sudão, Iêmen, Somália e Iraque. A Supre-
ma Corte barra que tal embarreiramento seja feito de forma tão radical, tal qual
preconizara o líder norte-americano, mas determinadas restrições permanecem à
entrada destes estrangeiros nos EUA desde então.
Em 2019 os EUA não esmorecem suas posições acerca do Oriente Médio. Além
do mais dão sinais claros de que também fecharão, em curto prazo, por completo
as suas fronteiras para cidadãos de países da América Central e até de alguns paí-
ses da América do Sul, tais quais Venezuela e Bolívia. E por mais estranho que pa-
rece, principalmente em função do nível dos vínculos econômicos entre os países,
Trump chegou a ventilar em 2019 a interlocutores mais próximos sua vontade de
fechar por completo a fronteira com o México.

b) A saída do Acordo de Paris

Primeiramente, vale-nos compreender que o Acordo de Paris foi o mais robusto


acordo climático em termos de número de países participantes da história. Fechado

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na 21a conferência do Clima, realizada em dezembro de 2015 (ainda com Barack


Obama à frente da Presidência dos EUA), embora não vincule que países assumam
metas de redução de gases de efeito estufa, tal qual fora conseguido em Kyoto,
por este tratado 195 países assumem o compromisso no sentido de man-
ter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2ºC acima
dos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da
temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.
Pois bem, com a justificativa de tornar a América grande novamente e com o
“dever solene de proteger os Estados Unidos e os seus cidadãos, os Estados Uni-
dos vão se retirar do acordo climático de Paris”, diz assim Trump em discurso em
jun./2016, retirando-se deste importante Tratado. Se em Barack Obama o mundo
possuía um defensor deste tipo de participação norte-americana mais ativa em
questões globais, o isolacionismo de Trump vem fazer água nesta questão climáti-
ca, e em várias outras de relevância global, em que a participação dos EUA faz-se
necessária.
Em 2019 permanece tal isolacionismo climático impresso desde o seu primeiro
ano de mandato por parte de Trump, inclusive com o aumento de seguidores de
tal política isolacionista dentre os países do mundo, sendo o Brasil um expoente.
Durante a campanha presidencial, o próprio Jair Bolsonaro declarou que também
sairia do acordo climático global, tendo, contudo, após tomar posse, desistido de
empreender tal manobra evasiva.

c) Saída da Unesco

Em out./2017, Trump anuncia a saída dos EUA da Unesco, a agência de educa-


ção e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi tomada e logo
depois Israel declarou que seguirá o mesmo passo. Ambos apontam uma acompa-
nhada postura anti-israelense por parte da organização.

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A decisão americana, válida a partir de 2019, não surpreende: em 2011, ainda

sob o governo Barack Obama, os EUA já haviam cancelado sua contribuição finan-

ceira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder aos pales-

tinos o status de membros plenos.

d) A questão do Tratado de Associação Transpacífico e o Nafta

O isolacionismo econômico tem como primeira medida de governo a retirada do

Tratado de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês) por parte de Trump,

o qual durante a campanha fez questão denunciar com veemência o que chamou

como um acordo “terrível” e que “viola”, segundo ele, os interesses dos trabalha-

dores norte-americanos.

Negociado pelo governo de Barack Obama e visto como um contrapeso à cres-

cente influência econômica e política da China, depois que Trump retirou os Estados

Unidos do acordo em 2017), Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, Méxi-

co, Nova Zelândia, Peru, Singapura e Vietnã ajustaram as pontas e agora assinam

uma nova parceria, renomeada como Acordo Progressivo e Compreensivo Tratado

Transpacífico (TPP11).

Outra medida de impacto, e que dá mais uma dimensão deste isolacionismo

comercial promovido por Trump, fora anunciada dias depois a sua retirada do TPP.

Para o NAFTA, Trump diz que seu país só seguiria dentro da Aliança de Livre

Comércio dos países da América do Norte, iniciada em 1994, se Canadá e

México aceitassem reiniciar rodadas de renegociação comercial (entenda-

-se tarifárias), com vistas a reduzir o saldo negativo do comércio norte-america-

no com os dois países-parceiros no acordo. Pressionados, e com medo de perder o

parceiro comercial, mesmo a contragosto, Canadá e México iniciam em 2017 novas

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negociações visando atender ao interesse dos EUA, para em outubro de 2018, o

mandatário norte-americano anunciar oficialmente o fim do Nafta e o início indivi-

dualizado de negociações (com total aval do México).

Recentemente, em mar./2019, Donald Trump anuncia novamente uma taxa

de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre a de alumínio pelos Estados

Unidos.

Usando a ferramenta virtual de comunicação Twitter, tal qual se acostumou

a fazer desde o início de seu mandato, manda dizer virtualmente que “guerras

comerciais são boas e fáceis de ganhar”. O mercado reagiu negativamente, com

queda das bolsas ao redor do mundo.

Foi uma decisão inesperada, porque havia quem especulasse sobre uma nor-

malização da presidência Trump após sua participação em Davos em dez./ 2018

(o Fórum Mundial Econômico mais relevante, realizado anualmente na Suíça todo

mês de Dezembro). Tais medidas protecionistas jogam exatamente para a

plateia do meio-oeste americano (do antigo manufacturing-belt, atual rus-

t-belt), território enormemente responsável por elegê-lo.

Vale destacar que, nesta segunda metade do ano de 2019, os EUA deram sinais de

que estão, em parte, a esmorecer nessa guerra econômica com a China na medida

em que consideram ser temerário (e está sendo) à economia global, leva-se a ferro

e fogo medidas drásticas de taxação a produtos chineses, mesmo aqueles fabrica-

dos pelas próprias empresas americanas.

Logo, os dois lados têm estado presos em conversas intermináveis para resolver

uma guerra comercial prolongada que abalou os mercados financeiros, afetou as

cadeias de suprimento globais e alimentou os temores de uma recessão global.

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Por fim, vejamos a seguir duas matérias. Uma de 10/10/2019, acessada no site

russo Sputnik, que nos revela como se encontram tais tratativas, e quais são as

medidas mais recentes tomadas por Washington e que dão conta de um arrefeci-

mento acerca das sanções, outrora propostas por Washington nos primeiros anos

de governo de Donald Trump.

A segunda, publicada no site da infomoney, veículo especializado em finanças e

investimentos, dá uma dimensão do que está também por trás da guerra comercial

promovida pelos EUA, publicada em ago./2019.

Sigamos juntos então e leia ambas matérias com atenção, pois elas abordam

medidas sobre os contextos mais recentes e importantes acerca desse tema, ou

seja, da guerra comercial entre EUA-China, as duas maiores potências do mundo.

MATÉRIA 1

Fonte: https://br.sputniknews.com/americas/2019101014621268-negociacao-para-encerrar-
-guerra-comercial-com-china-esta-indo-muito-bem-diz-trump/

“Negociação para Encerrar Guerra Comercial com a China está indo muito

bem”, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ofereceu um prognóstico oti-

mista para as negociações comerciais entre Washington e Pequim nesta quinta-fei-

ra (10) ao receber o líder da equipe de negociação chinesa.

As expectativas são baixas de que o diálogo ofereça uma resposta efetiva para

a guerra comercial que já dura 15 meses e afetou a economia global.

Mas, após o primeiro dia de uma agenda prevista de dois dias, Trump disse à

imprensa na Casa Branca: “Estamos indo muito bem […] Vamos vê-los amanhã,

bem aqui, e está indo muito bem.”

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O vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, lidera a delegação na 13ª rodada de


negociações com o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, e o secre-
tário do Tesouro, Steven Mnuchin.
As duas maiores economias do mundo estão em um impasse. Os Estados Uni-
dos acusam a China de roubar segredos tecnológicos e de pressionar empresas
estrangeiras a repassar segredos comerciais em sua estratégia de ser líder mundial
em setores como robótica e carros autônomos.
Sob Trump, os Estados Unidos impuseram tarifas sobre mais de US$
360 bilhões em importações chinesas e planejam aumentar a cifra em mais
US$ 160 bilhões em 15 de dezembro. Isso significaria uma sobretaxação
em tudo o que a China vende para os EUA. Pequim reagiu aplicado tarifas
em cerca de US$ 120 bilhões de produtos dos EUA, com o foco principal
em produtos agrícolas.
MATÉRIA 2
Fonte: https://www.infomoney.com.br/colunistas/ivo-chermont/guerra-travada-por-eua-e-chi-
na-nao-e-so-comercial-ela-e-tecnologica/

Guerra travada por EUA e China não é só comercial: ela é tecnológica

A guerra Trump-Xi subiu de tom. Há um tempo já se percebeu que não se trata


de reduzir o déficit comercial dos americanos contra os chineses, mas de limitar
a capacidade de um competidor global na tecnologia de ponta. Nessa reedição da
guerra nas estrelas, os EUA parecem ter mais alavancagem, mas não vai ser sim-
ples exercê-la. Os chineses têm tempo, paciência e espaço de manobra econômica
para aguentar por muito mais tempo.
Já está claro que a Guerra comercial travada por Trump há mais de dois anos
não tem nada de puramente comercial. O objetivo não pode ser apenas reduzir o
déficit de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões entre os dois países.

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Os objetivos são maiores e têm relação com a importância que a China vem

obtendo ano a ano no mercado de inteligência artificial, robótica e todo aquele ce-

nário Blade Runner que volta e meia a gente se depara em vídeos institucionais ou

relatos de viajantes para a China ou Vale do Silício. E é por isso que a Huawei está

no centro da disputa. Voltaremos a isso um pouco abaixo.

Na semana passada, Trump anunciou que pretende elevar para 10% as tarifas

nos últimos US$ 300 bilhões que os Estados Unidos importam em bens chineses.

No final de semana, a moeda chinesa ultrapassou a marca de CNHUSD 7, algo

quase sem precedente e sinalizou para muitos uma intenção por parte do governo

chinês de elevar o tom da guerra ao usar desvalorizações cambiais.

Os riscos subiram muito nos últimos dias As estocadas de lado a lado são mais

consequência de uma situação de paralisia nas negociações do que a causa. O que

está realmente acontecendo é que os dois lados da moeda parecem acreditar que

tem muita alavancagem sobre o outro e, tão importante quanto isso, tem espaço

de manobra econômica para não negociar, se dando ao luxo de tentar esticar a cor-

da até que o outro lado pisque e ceda.

A desvantagem do lado americano é o tempo. Trump tem uma eleição para

enfrentar em 2020. Então, sua habilidade tem que ser extrema para a corda não

arrebentar e acabar gerando uma recessão e um recuo das bolsas que torne sua re-

eleição improvável. Ainda parece estarmos longe dessa situação. O Fed pode cortar

os juros, o espaço fiscal ainda pode ser usado e há uma explícita intenção em usá-

-los, como na concessão de subsídios para o importante setor agrícola americano.

No lado chinês, as restrições políticas temporais são menores, mas não são pe-

quenas. Na China, a história conta. E fazer ilimitadas concessões aos americanos

coloca Xi Jinping em uma posição difícil tendo em vista a grande resistência que os

chineses têm de se colocar vulneráveis a forças globais. A vantagem chinesa é a

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maior desregulação institucional do país, que dá ao governo espaço importante de

ação fiscal, creditícia, monetária e, por que não, cambial.

Em resumo, nenhum dos dois lados vê vantagens políticas ou necessidades eco-

nômicas para seguir uma negociação agora que seja visto como muito vantajosa

para o rival.

E no meio disso, está o setor de tecnologia. E aí o emaranhado e as interdepen-

dências dos países são maiores ainda.

Por um lado, a China possui a maior e principal empresa de 5G, a Huawei. As

duas únicas competidoras mundiais seriam as nórdicas Nokia e Ericsson. Caso os

EUA tomem medidas extremas a ponto de asfixiar a empresa, estima-se que o im-

pacto que teria sobre os preços da tecnologia 5G seria gigantesco. Portanto, os EUA

possuem uma certa dependência da Huawei.

Por outro lado, para a China desenvolver tecnologia, faz-se necessário

um setor de semicondutores, cujo maior ofertante global, de longe, é os

EUA. Portanto, a China tem duas alternativas, ser um ótimo cliente dos

semicondutores americanos ou demorar alguns anos para talvez desen-

volver o próprio. Até lá, a China terá ficado para trás.

E o labirinto continua. Para o setor tecnológico americano, há um insumo ne-

cessário chamado de “terras raras”. Cerca de 80% da produção dessas terras

raras vem da China.

É isso mesmo. Há uma situação de quase monopólio e quase monopsônio [es-

trutura de mercado caracterizada por haver um único comprador para o produto de

vários vendedores] de um lado a outro que torna quase inviável imaginar que os

dois países vão romper de vez. Há muita coisa em jogo. E tampouco há um inte-

resse que isso aconteça.

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Portanto, se o entrelaçado tecnológico dos países torna o divórcio impossível na

prática, e as restrições político-econômicas torna o casamento improvável no curto

prazo, a solução de curto prazo que parece se apresentar como mais provável é

que fiquemos nesse meio do caminho por um longo período, em pequenos ciclos

de estresse e alívio.

No entanto, acreditamos também que esses pequenos momentos de ataque de

um ao outro vão criando feridas difíceis de cicatrizar. E na nossa avaliação, os ame-

ricanos têm mais armas fatais.

Os chineses possuem esse monopólio de produção das terras raras, mas não

são os únicos que possuem esse insumo. Austrália e a Califórnia também a pos-

suem, mas não a produzem por ser muito poluente.

A China possui uma grande quantidade de títulos do tesouro americano. Podem

vender a mercado e machucar a economia deles? Parece provável que existe um

burocrata genial na China que consiga administrar US$ 3 trilhões em treasury sem

afetar o próprio valor das reservas chinesas? Pequenos sustos e estocadas vindas

daí pode até ser possível, mas desconfiamos que isso não é possível como estra-

tégia estrutural. Além do mais, eles venderiam as reservas e alocariam aonde? Em

títulos negativos de países desenvolvidos? A moeda segue a mesma ideia. Eles po-

deriam fazer uma desvalorização mais acentuada da sua moeda.

Mas, lembremos que os chineses estão há muitos anos tentando tornar o re-

mimbi uma moeda global, utilizada no comércio intra-asiático. Não me parece que

desvalorizar de maneira aguda sua moeda vá ao encontro a esse objetivo maior e

de longo prazo. E os chineses poderiam fechar seus mercados, tornar-se hostis a

grandes empresas americanas. Se há aliado importante da China dentro dos EUA

são as grandes empresas, que inibem Trump de traçar medidas mais radicais. En-

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tão, criar um ambiente ruim com Google, Amazon, Facebook, entre outros, não me

parece também uma boa estratégia.

Elencando assim, fica fácil perceber que a China não possui tantas armas quan-

to sugerem sua força econômica. Seu líder, Xi Jinping, por isso mesmo, terá que

administrar a pressão interna e externa e tentar ganhar terreno na medida em que

a economia americana mostrar alguma fraqueza.

Do lado americano, como falei, a maior restrição é a eleição e a dificuldade que

Trump teria no caso de uma recessão ou um grande ajuste no mercado de ações.

Suas armas são fortes nos ataques para a China.

Além do quase monopólio no mercado de semicondutores, que citei anterior-

mente, Trump tem feito uso das tarifas para tentar atingir a China e, o que seria

extremo, mas possível, aumentar a lista de restrição de exportações. Esse tipo de

mecanismo cria um obstáculo para que empresas chinesas adquiram insumos de

empresas americanas, o que no limite pode asfixiá-las e torná-las inoperantes,

como já ocorreu com uma empresa chamada Fujian Jinhua.

Em resumo, estamos presos nessa armadilha e será difícil desarmar a bomba

em um curto espaço de tempo. Que tenhamos armas para nos proteger das nuvens

negras que se desenham no horizonte.

A Questão Supremacista nos EUA

Os Estados Unidos são o país no mundo com a maior quantidade absoluta de

imigrantes inseridos na população. Residem hoje por lá em torno de 40 milhões de

estrangeiros, para um contingente total de 330 milhões de habitantes.

Desde a década de 1960, até a entrada deste século, os EUA promoveram po-

líticas de cunho a facilitar a entrada de imigrantes. Porém, tal processo tem fim,

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de certa forma, com os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001. Assim, ao


longo da década passada, e desta década também, políticas de cunho a dificultar
a entrada de imigrantes tomaram corpo no país e, com Donald Trump à frente da

presidência, se encrudescem tais iniciativas de forma radical.

Além das questões relacionadas ao tecido social promovidas pela massa de

imigrantes constantes na população americana (tais quais a questão da presença

no mercado de trabalho, o dinamismo econômico e também aspectos legais e ju-

rídicos), os EUA atravessam tempos onde também o tecido racial vem rasgando,

e para consertá-lo em nada colabora o modelo xenófobo e abertamente racista de

Trump de se perceber a sociedade americana como um todo. Muito pelo contrário.

O ano de 2017, o primeiro completo de Donald Trump a frente dos EUA, fora

marcado por sucessivos distúrbios, principalmente pelo interior dos EUA, confron-

tando posições de grupas defesa dos imigrantes e negros e os grupos denominados

supremacistas.

Em Charlottsville, Virgínia, uma passeata em ago./2017 de cunho antirracista se

transforma em tragédia. De posse de seu veículo Dodge Challenger, o jovem James

Alex Fields, declaradamente um defensor da supremacia americana, mata uma

pessoa e fere outras 19 ao avançar com seu bólido sobre a multidão. Pelas cidades

do país, de norte a sul, o que se percebe ao longo do a ano é a mesma situação.

Uma série de distúrbios e uma crescente considerável nas mortes em função do

confronto étnico-racial. Se por um lado os EUA ao longo dos últimos tempos vem

diminuindo suas taxas de homicídios por causas econômicas, ou uso drogas, por

outro aumenta consideravelmente após a eleição de Trump o número de mortes por

causa de questões raciais e étnicas.

Os supremacistas são a parte da população norte-americana que considera

indesejável, e de estirpe inferior, os imigrantes, judeus e também os negros.

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Preconizam um país livre destas minorias, e reivindicam ao menos que possam


bradar livremente seus discursos, colocando a frente de tudo sobretudo a su-

perioridade branca. Estima-se haver algo em torno de 920 organizações deste

tipo no EUA em 2017.

A verdade é, com Trump a frente dos rumos da nação tais grupos sentem-se a

vontade para sair em defesa dos mais radicais ideários e discursos supremacistas.

Não que tais grupos tenham nascido a partir da eleição de Trump, pelo contrário,

são enraizados nos EUA há tempos, mas na medida em que um Presidente ameri-

cano se identifica claramente com a xenofobia, chegando-se a referir que os grupos

de latinos de El Salvador e Nicarágua eram oriundos de “shit-countries”, ou países

de merda, e se apoia para ter sido eleito exatamente neste eleitorado mais radical,

o qual não vinha participando ativamente dos pleitos anteriores, (principalmente

das duas eleições de Barack Obama), há evidentemente um cenário francamente

aberto a ação destes grupos, sendo isso que vem sendo visto acontecer ao longo

deste mandato de Donald Trump.

Texto Complementar: OSCAR 2019

Infiltrado na Klan – O Filme

Vencedor do Festival de Cannes de 2018, sendo também um dos concorrentes

ao Oscar 2019 em várias categorias, inclusive a de Melhor Filme, o diretor america-

no de descendência africana Spike Lee veio às telas em 2019 com um filme que

retrata uma história passada em 1978; neste um policial negro se infiltra

na Klu Klux Klan, organização supremacista norte-americana. Ao fim, o di-

retor imprime uma crítica severa ao momento atual dos EUA, com a volta

da força de discursos segregacionistas/supremacistas mostrando cenas

de manifestações nos EUA de grupos nazifascistas e como Trump referen-

da a ação destes grupos em seus discursos.

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1.8.4 Os EUA e a Coreia do Norte: 2018/2019

A grande novidade na relação dicotômico-ideológica no ano de 2018 ocorreu


com a aproximação dos EUA e a Coreia do Norte. Se em seu primeiro ano (2017)
como mandatário Trump recebera seguidas ameaças do líder norte-coreano, o tres-
loucado Kim-Jong-Un, que bradava de forma explicita que atacaria os EUA com
misseis antiaéreos, para 2018 uma mudança em torno desta retórica vem à tona.
Já nos primeiros dias de 2018, o líder comunista acena aceitar um acordo desar-
mamentista, dispondo-se, inclusive, a reunir-se com Trump para que dessem início
ao fim das animosidades entre os países.
Assim, em 12 de junho de 2018, na cidade-estado de Singapura, os dois líde-
res que eram outrora inimigos declarados se reúnem e selam a paz entre os dois
países. Em troca, ali mesmo, os EUA oferecem – sob a condição de que a Coreia
do Norte se cotize a seguir uma agenda desarmamentista – dar fim aos inúmeros
embargos econômicos que vinham sendo impressos contra o regime ditatorial da
dinastia dos Kim no país comunista.
Para 2019, tal aproximação parece caminhar em curso estável: em março Trump
não autorizou ao Tesouro norte-americano promover mais sanções econômicas ao
regime de Kim-Jong-Un e, em Julho, o mandatário norte-americano ameniza os
temores emanados por parte da Coreia do Sul acerca dos testes de misseis feitos
pela Coreia do Norte. A interlocutores o presidente americano faz questão de afir-
mar que simpatiza e confia no líder norte-americano.
Texto Complementar

Por: Luis Felipe Sampaio, em 21/05/2019


O Conservadorismo de Direita no Mundo em 2019

A maioria dos países do globo possui atualmente em seus comandos centrais


governos de direita. Isso não é um fenômeno novo, longe disso, nem algo ruim

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ou bom. O fato é que a globalização, ao menos como conhecemos, combina com


livres mercados, fundamento este basilar do pensamento de direita. Além de tudo,
os mais de 140 países democráticos do mundo tendem, em maioria esmagadora, a
eleger mandatários de direita. Seria uma tradição democrática escolher governos
a direita? Talvez sim.

Não outra ponta, o comunismo, via de esquerda mais radical, impera hoje so-

mente a frente de governos centrais no Vietnã e China, em embalagem ditada em

ambos por um “socialismo de mercado” – também na Coreia do Norte (o regime

considerado mais fechado no globo), e em Cuba (último pilar do comunismo ditato-

rial nas Américas). Outros pouco países, por vias democrática, tal qual a Venezue-

la, Nicarágua e Bolívia escolheram regimes a esquerda que persistem, uns mal das

pernas, outros melhores.

Mas o que chama a atenção, e vale o destaque aqui por ser ponto extrema-

mente importante em Atualidades, é exatamente como em alguns países,

muitos desses bastante importantes no cenário global, ascenderam re-

centemente governos de extrema-direita, CONSERVADORES EM ESSÊNCIA.

Nesta seara, via de regra, imperam assim sistemas políticos que não possuem

habilidade em conviver com o contraditório, sendo praça para discursos e ações

de cunho xenófobo, racista e autoritário que bradam o resgate de costumes e

das tradições familiares, além do liberalismo econômico. Vejamos os casos que

mais chamam a atenção em 2019:

EUA

Donald Trump dá seguimento, convicto, em seu governo ao isolacionismo e a

medida de cunho xenófobo. Em meados de 2018, chegou a separar imigrantes le-

gais de seus filhos em instituições diferentes, causando a ira de organizações glo-

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bais de defesa dos direitos humanos. Já não faz mais parte da UNESCO e do Acordo

do Clima de Paris e sempre que pode se declara defensor de supremacistas brancos

de seu país.

Hungria

Viktor Oban em seu terceiro mandato busca ter controle sobre o ensino estatal
superior, por considerar, tal qual no Brasil, atualmente haver um núcleo marxista
impresso nas universidades, além de proferir discursos xenófobos contra imigran-
tes. Em 01 de janeiro de 2019 esteve aqui no Brasil, exatamente para a posse de
seu novo amigo de direita, o Presidente Jair Bolsonaro.

França

Embora não seja comandada por um Presidente representante da direita con-


servadora (Emannuel Macron), o que se vê é a ascensão deste tipo de discurso,
onde Marine Lepen, figura baluarte da direita conservadora vem de sua terceira
tentativa como candidata à presidência, sempre ficando entre os três primeiros,
sendo que na última eleição, de 2017, perdeu apenas segundo turno.

Alemanha

Na Alemanha o partido Alternativa para a Alemanha, de viés declaradamente


xenófobo e racista, conquistou nas mais recentes eleições parlamentares quase
15% das cadeiras, assombrando os analistas políticos.

Filipinas

No distante país do Pacífico, com uma das maiores populações globais e um dos
piores índices de desenvolvimento humano, o atual presidente Rodrigo Duterte

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se lança desde sua campanha em comunhão a um discurso altamente conservador,


estruturado no combate as drogas, à prostituição e ao homossexualismo. Conheci-

do por suas declarações bizarras, onde até mesmo o Papa fora chamado de filho da

**** em ocasião de sua visita ao país, sendo absurdamente acusado de causar um

enorme engarramento na capital Manila, Duterte cria um estado de exceção; lota

penitenciárias com levas enormes de acusados de uso e tráfico de drogas e autoriza

a polícia a matar sem piedade. Recentemente, em jun./2019, chegou ao cúmulo de

declarar ter sido homossexual, mas diz ter sido salvo por um séquito de “mulheres

bonitas” em sua vida.

Paraguai

Em 2018 o jovem Mario Benitez, de 46 anos, também vestindo a roupagem

do conservadorismo de direita assume pela primeira vez o governo no Paraguai.

Contudo, o novo mandatário busca associar sempre que possível sua persona e os

preceitos indutores de seu governo fundamentalmente ao estado democrático e

aos direitos humanos.

***********************************************************

2. Atualidades Europa, Oriente Médio, Rússia e China


2.1. A Europa, União Europeia e seus Contextos Atuais mais
Importantes

2.1.1 O Contexto da União

A União Europeia é a mais importante iniciativa frente a formação de

uma zona comum de países a ser realizada com vistas à promoção de uma

integração comum na história da humanidade.

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Tal qual vimos em nossa primeira parte desta aula, quando falamos sobre o

MERCOSUL, os blocos multilaterais atendem a estágios específicos em sua forma-

ção. Possuem uma origem seminal na formação de uma Zona de Livre Comér-

cio, seguindo-se à formação de uma União Aduaneira, chegando ao Mercado

Comum (integração de pessoas, trabalho, bens e serviços) para, finalmente, e aí

apenas a União Europeia foi quem realizou tais etapas dentre todos os instrumen-

tos já existentes de cooperação multilaterais, chegar-se a uma União Econômica

e Financeira (monetária). Neste último estágio, unificam-se atividades mone-

tárias e bancárias, sendo, digamos assim, a cereja no bolo a criação da zona do

Euro em 1999.

Resumo

Zona de Livre Comércio → Un. Aduaneira → Mercado Comum → Un. Econ.

Monetária

Bom, no mapa a seguir veremos inicialmente quais são os países constituin-

tes da União Europeia em 2019. Vale destacar que ainda são 28 Países ao

Total, pois a saída plena do Reino unido deverá se consolidar apenas depois

de meados de 2019, provavelmente em 31 de outubro de 2019. Assim,

tem-se os 27 Integrantes ingressos até 2007 (por isso o nome Europa dos

27, tal qual exemplificado na legenda), acrescido da Croácia, o último país a

entrar em 2013.

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Os 28 Países da União Europeia: Europa dos 27, mais a Croácia (2013).

2.1.2 A Zona do Euro

Como visto acima em nossa aula sobre o MERCOSUL, a União Europeia formou

um encadeamento completo das fases constituidoras de um bloco econômico atra-

vés da União Econômica Financeira e Monetária, realizada esta pela Zona do Euro.

Criada em 1999, mas somente colocada em prática alguns anos depois, em

2002, tal mecanismo dispõe que as transações dentro dos países constituintes de-

vem ser feitas por uma moeda única. Atendendo aos preceitos ditados pelo Banco

Central Europeu (sede em Frankfurt, na Alemanha), que estabelece e aplica os

preceitos da política monetária europeia, também dirige as operações de câmbio

e vem a garantir o bom funcionamento dos sistemas de pagamentos, o sistema

financeiro dentro da União Europeia

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Destaca-se que nem todos os países da União Europeia integram a Zona do Euro,

pois não há uma obrigatoriedade expressa. Temos economias saudáveis e gran-

des que optaram em não participar – Suécia e Reino Unido são exemplos – e

outras menores: países recém-ingressos ao bloco: Bulgária, Rep. Checa, Cro-

ácia e mais alguns os quais também ainda não integram a Zona do Euro

A seguir temos uma tabela com os 19 integrantes da Zona do Euro em 2019:

https://www.google.com/search q=zona+do+euro&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwi-
CyYr9zuDaAhUEDZAKHfzaBrYQ_AUICygC&biw=1152&bih=758#imgrc=xtq75DLQbLciWM

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2.1.3 O Reino Unido na União Europeia

Caro(a) aluno(a), antes de ingressarmos na análise acerca do chamado BREXIT,

ou seja, neste importantíssimo tópico de atualidades relacionado à saída do Reino

Unido da UE, o qual tem seu início formalmente em 2016, vale-nos destacar dois

pontos inicialmente:

O primeiro diz respeito, com vistas a facilitar a compreensão deste tópico, acer-

ca daquilo o que se considera do ponto de vista geográfico-político como

sendo o Reino Unido, de fato. Vamos lá, então.

Constituído por 4 países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do

Norte, este agrupamento, de nome em inglês United Kingdom, possui a formata-

ção a seguir e representa ainda na União Europeia apenas um único país (este

não aderente à Zona Do Euro) dentre os 28 ainda pertencentes ao megabloco. Veja

o mapa a seguir:

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 Obs.: Os países do Reino Unido alinhavados em mesma porção insular em total

são os países da Grã-Bretanha (Inglaterra → País de Gales → Escócia).

 Já ao sul da Irlanda do Norte (outro constituinte do Reino unido e capital

em Belfast), situa-se a Irlanda, um país 100% independente (capital em

Dublin), o qual também faz parte da União Europeia.

O segundo ponto acerca do Reino unido, diz respeito ao fato histórico de que

esta potência europeia, atualmente a Segunda Maior Economia do Bloco, e que

rivaliza com a França no total populacional do continente, posicionou-se ao longo

das últimas décadas de forma refratária à União Europeia. Isto mesmo! Os

britânicos (comandados pela Coroa Real britânica), mesmo sabendo de sua extre-

ma importância, devido, entre outros fatores, a seu enorme peso econômico, de-

mográfico e geopolítico, tendo sido, inclusive, ao longo das duas primeiras guerras

mundiais parte crucial na defesa dos ideais pró-Europa, não demonstraram de

forma ampla (isso desde a década de 1960!) serem partidários a uma in-

serção efetiva do Reino Unido na União Europeia.

Veja que o ingresso do Reino Unido se dá em 1973, sendo que logo, na década

seguinte, a mandatária Margareth Tatcher, conhecida mundialmente pela alcunha

Dama de Ferro (1980-1991), deixava claro que eles, os britânicos, não estariam

dispostos a pagar o preço das bases de integração que se desenhavam cada mais

robustas (leia-se: arcar com custos inerentes a integração nem dividir seu mercado

de trabalho). Mesmo assim, assinam em 1991 o Tratado de Maastrich de formação

da União Europeia, tal qual como conhecemos hoje (mercado Comum à frente; ou

seja, integração de pessoas, bens e mercado de trabalho), para, em 1999, se au-

sentarem contudo das tratativas acerca do ingresso na Zona do Euro. Em seguida,

ao longo da década de 2000, com o advento do ingresso de países mais pobres do

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continente, tais quais Hungria, Bulgária, República Checa, Eslovênia e finalmente a

Croácia em 2013, os ingleses roem a corda de vez. Em 2016, após 6 anos como

primeiro-ministro, David Cameron passa o bastão da política local para a

primeira-ministra do Partido Conservador Thereza May. Esta rapidamente dá

ensejo a saída em definitivo do Reino Unido logo em seus primeiros meses como

mandatária dando início ao Brexit (ou a saída do Reino Unido do bloco).

2.1.4 O Brexit

Em 23 de junho de 2016 é realizada votação em todo o Reino Unido acerca de

decidir-se pela saída, ou não, do país (visto que o Reino Unido conta penas como

um país na União Europeia) do bloco europeu. Se em 1975 o mesmo referendo não

teve a aprovação da maioria, em 2016 praticamente 52% da população do

Reino Unido aprovou a saída do bloco. Era o Brexit, ou seja, o Britain-Exit,

ganhando seu contorno definitivo.

Em um ambiente de franco crescimento ao redor do mundo por parte da

população dos países desenvolvidos de ideários separatistas e xenófobos, e de

racha no Reino Unido (com o assassinato, inclusive, dias antes do referendo, da

política partidária à unificação Jo Cox) somente a população da Escócia dentro

do Reino Unido preferiu manter-se na União Europa. Assim, o RU dá seu início

à saída do bloco e em definitivo, alegando não querer dividir mais o custo

inerente as responsabilidades de seu peso econômico frente a bancar o

bloco (custo que é proporcional ao tamanho da economia, visto que o Reino

Unido é a segunda maior economia da UE, atrás apenas da Alemanha). Pesou

para a decisão comum da maioria da população também o fato de não quere-

rem dividir o mercado de trabalho nem os ganhos atuais promovidos por

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um contexto de bom crescimento econômico sustentado (girando em torno de

2% a.a. em média entre 2012-2018) com os países mais pobres integrantes

da União Europeia. Enfim, os britânicos negaram as tratativas mais amplas e

colocadas em prática acerca de um Mercado Comum, as quais envolvem, entre

outros aspectos, partilhar o mercado de trabalho com seus pares, e são muitos

estes, na medida em que já são 28 países no bloco.

Mas esta saída da União Europeia levada a cabo pelo Reino Unido não vem sen-

do fácil. A agenda que a conservadora Thereza May pretendia, esbarra nos compro-

missos já assumidos (visto que o RU faz parte da UE desde 1973) como o sistema

financeiro comum, entre outros. Além disso, a UE obrigou o Reino Unido a seguir

recebendo normalmente os cidadãos europeus (incluem-se brasileiros naturaliza-

dos europeus) até o fim oficial de sua saída, o que, contrariando as expectativas

britânicas, dar-se-á em prazo maior que o esperado (pois eles esperavam estar fora

do bloco já em 2018, o que não se concretizou), devendo ter sido realizada por

completo apenas em jul./2019.

Por fim, tamanha demora em sair da UE desgastou a primeira-minis-

tra Thereza May, a qual fora destituída do cargo nos primeiros dias de

jun./2019.

No lugar da ex-primeira-ministra, entrou em julho Boris Johnson, po-

lítico francamente favorável a dar-se sequência ao Brexit e que já deixou

claro que sairá do bloco, com ou sem acordo com o resto do continente em

prazo até fins de out./2019.

Vale destacar que, após a saída do Reino Unido, a Escócia, principal refratária

a esta evasão promovida pelos súditos da rainha, deve tentar ao que tudo indica

retornar à UE como um único país, provavelmente já em 2020.

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2.2. A Guerra na Síria e o Contexto Geopolítico no Oriente


2.2.1 Introdução

Antes de entrarmos mais a fundo na principal questão atualmente de Atualida-


des no Oriente Médio, ou seja, a questão da Guerra Civil na Síria é importante que
façamos uma análise esmiuçada acerca de alguns contextos fundamentais.
Vamos a eles, peço muita atenção a estes temas e não prossigam, in-
clusive, sem que haja a compreensão plena dos temas e das diferenças
entre eles, ok? Serão três conceitos a serem colocados inicialmente que
são basilares:
1º Conceito: A diferença entre Árabes (Conceito Etnológico) e Muçulmanos
(Conceito Religioso)
A diferença entre é simples:
ÁRABES são o tronco étnico; se situam basicamente em países do Norte da

África e Oriente Médio. Veja o mapa a seguir:

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Há vários Muçulmanos, ou seja, países de maioria Islâmica que não são Árabes,

como os Iranianos (persas), Turcos, Indonésios…

Já os muçulmanos são o tronco religioso dos países que tem uma popu-

lação que professa a cartilha do Islamismo. A religião muçulmana origina-se

através do profeta Maomé, morto em 632 d.C., em Medina, na atual Arábia Saudita.

Vale destacar, por fim, e sem querer complicar, mas bastante importante, que

entendamos haver um país árabe onde a população não é muçulmana em sua

praticamente totalidade. Este é o Líbano, onde algo em torno de 35% da po-

pulação do país (de etnia árabe) é composta por cristãos. Contudo, entre os pa-

íses do norte da África e Oriente Médio, isso é uma raridade, pois a imensa maioria

esmagadora dos países é de maioria absoluta muçulmana, ou seja, islâmica.

2º Conceito: A Diferença entre Xiitas e Sunitas

Ambos são trocos da mesma religião, ou seja, dos muçulmanos, mas aí vale

uma separação.

Os XIITAS são aqueles que consideram que apenas descendentes di-

retos do profeta MAOMÉ podem ser líderes, isto tanto no plano espiritual

como no político.

Xiita não pode ser confundido com uma religião específica (e, claro,

nem sunita), eles são membros do islamismo, e tornaram-se apenas uma sei-

ta com outra linha de pensamento. São vistos como “radicais”, pois possuem este

rigor mais específico a designar seus líderes, mas é interessante destacar que o ra-

dicalismo também ocorre entre os sunitas, visto, por exemplo, o número de grupos

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fundamentalistas terroristas que representam os sunitas, tal qual veremos a seguir

ser muito maior que dentre os xiitas.

No contexto árabe, os xiitas estão em minoria numérica (algo em torno de

20% no total). Os países de maioria Xiita atualmente de destaque são o Irã e a

Síria. Seu grupo fundamentalista (radical e de ações terroristas) é o Hez-

bollah, com sede no Líbano.

Já os SUNITAS são aqueles que consideram haver certa flexibilidade

na questão de assumir-se altos postos nas hierarquias religiosas (dita

espiritual) e política. Ou seja, não há a necessidade expressa de ser descen-

dente direto do profeta Maomé para tal. Os principais países de maioria Sunita

hoje são o Quatar, Arábia Saudita, Turquia, Indonésia (maior população muçul-

mana do mundo).

Para quem quiser promover uma leitura um pouco mais aprofundada sobre tal

tema, e recomendo fazê-lo, trago a seguir uma matéria da versão on-line da BBC

Brasil, veiculada em:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/entenda-diferencas-e-divergen-

cias-entre-sunitas-e-xiitas.html

**********************************************************

MATÉRIA

04/01/2016 08h49

Entenda as diferenças e divergências entre sunitas e xiitas

Execução de clérigo xiita acusado de “terrorismo” na Arábia Saudita provocou

protestos no Irã e rompimento de relações entre os dois países.

A execução de um importante clérigo xiita iraniano pela Arábia Saudita, reino

de maioria sunita, expôs as delicadas relações entre sunitas e xiitas na região.

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A Arábia Saudita, de maioria sunita, é rival tradicional do Irã, a grande potência

xiita no Oriente Médio, que monitora – com grande interesse – a questão de mino-

rias xiitas em outros países.

O clérigo Nimr Al-Nimr era conhecido por manifestar o sentimento da minoria

xiita na Arábia Saudita, que se sente marginalizada e discriminada, e por suas crí-

ticas à família real saudita.

O clérigo e outras 46 pessoas foram executadas no sábado, após serem conde-

nadas por crimes de terrorismo na Arábia Saudita.

Após as execuções, manifestantes iranianos invadiram a embaixada saudita em

Teerã. Na noite de domingo, o governo saudita anunciou o rompimento das rela-

ções diplomáticas com o Irã e deu um prazo de 48 horas para que diplomatas ira-

nianos deixassem o país.

Mas o que opõe as duas maiores correntes do Islã? Veja a seguir algumas res-

postas para entender o que opõe sunitas e xiitas.

Quais são as diferenças entre sunitas e xiitas?

Peregrinação a Meca, um dos rituais compartilhados entre as duas vertentes do

islamismo

A separação teve origem em uma disputa logo após a morte do profeta Maomé

sobre quem deveria liderar a comunidade muçulmana.

A grande maioria dos muçulmanos é sunita – estima-se que entre 85% e 90%.

Membros das duas vertentes coexistem há séculos e compartilham muitas prá-

ticas e crenças fundamentais.

Apesar de se misturarem pouco, há exceções. Nas áreas urbanas do Iraque, por

exemplo, casamentos entre sunitas e xiitas eram comuns até recentemente.

As diferenças entre os dois grupos estão mais nos campos da doutrina, rituais,

lei, teologia e organização religiosa.

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Seus líderes também parecem constantemente estar competindo entre si.

Do Líbano e Síria ao Iraque e Paquistão, vários conflitos recentes enfatizaram

divisões sectárias, dividindo comunidades.

Quem são os sunitas?

Muçulmanos sunitas se consideram o ramo ortodoxo e tradicionalista do islã.

A palavra sunita vem de “Ahl al-Sunna”, as pessoas da tradição. A tradição,

neste caso, refere-se a práticas baseadas em precedentes ou relatos das ações do

profeta Maomé e daqueles próximos a ele.

Um dos centros de aprendizagem sunitas do Islã mais antigos fica no Egito

Os sunitas veneram todos os profetas mencionados no Corão, mas veem Mao-

mé como o profeta derradeiro.

Em contraste com os xiitas, os líderes e professores de religião sunitas histori-

camente ficaram sob controle do Estado.

A tradição sunita também enfatiza um sistema codificado da lei islâmica e ade-

são a quatro escolas da lei.

Quem são os xiitas?

Nos primórdios da história islâmica os xiitas eram uma facção política, – literal-

mente os “Shiat Ali”, ou partido de Ali.

Os xiitas reivindicavam o direito de Ali, genro do profeta Maomé, e de seus des-

cendentes de guiar a comunidade islâmica.

Ali foi morto como resultado de intrigas, violência e guerra civil que marcaram

seu califado. Seus filhos, Hassan e Hussein, viram negado o que achavam ser seu

direito legítimo à ascensão ao califado. Acredita-se que Hassan tenha sido envene-

nado por Muawiyah, o primeiro califa (líder muçulmano) da dinastia Umayyad.

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Seu irmão, Hussein, foi morto no campo de batalha com outros membros de sua

família, após ser convidado por partidários a ir para a cidade de Cufa (onde ficava

o califado de Ali) onde prometeram jurar aliança a ele.

Esses eventos deram início ao conceito xiita de martírio e de rituais como a au-

toflagelação.

Há um elemento messiânico característico nesta fé e os xiitas têm uma hie-

rarquia de clérigos que praticam interpretações independentes e constantemente

atualizadas dos textos islâmicos.

Os xiitas seriam cerca de um décimo do total de muçulmanos, entre 120 e 170

milhões.

Muçulmanos xiitas são maioria no Irã, Iraque, Barein, Azerbaijão e, segundo

algumas estimativas, Iêmen. Há grandes comunidades xiitas no Afeganistão, Índia,

Kuwait, Líbano, Paquistão, Catar, Síria, Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes

Unidos.

Qual o papel do sectarismo em crises recentes?

Em países que foram governados por sunitas, xiitas tendem a representar os

setores mais pobres da sociedade. Eles normalmente se veem como vítimas de

discriminação e opressão. Algumas doutrinas extremistas sunitas defendem o ódio

aos xiitas.

A revolução iraniana de 1979 lançou uma agenda xiita radical que foi percebi-

da como um desafio por regimes conservadores sunitas, particularmente no Golfo

Pérsico.

A política de Teerã de apoiar milícias xiitas e partidos além de suas fronteiras foi

adotada por Estados do Golfo, que reforçaram suas ligações com governos sunitas

e movimentos no exterior.

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Durante a guerra civil no Líbano, os xiitas ganharam força política graças às ati-

vidades militares do Hezbollah.

No Paquistão e no Afeganistão, grupos sunitas linha-dura, como o Talibã, ataca-

ram com frequência lugares de fé xiita.

Os conflitos atuais no Iraque e na Síria também têm fortes tons sectários. Jo-

vens sunitas nos dois países se uniram a grupos rebeldes, muitos dos quais ecoam

a ideologia da Al-Qaeda.

Enquanto isso, jovens da comunidade xiita estão lutando pelas – ou com – as

forças do governo nestes países.

**********************************************************

Acrescento para dar um melhor dimensionamento a tal questão, a seguir um

mapa com os países com forte presença de população muçulmana, e o contraste

entre as maiorias XIITAS e SUNITAS. Vejamos que são muito maiores as áreas com

Sunitas (verde-claro) que Xiitas (verde-escuro)

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Bom, dando seguimento a nossa aula e os termos conceituais, já vimos, por-

tanto, as diferenças entre Árabes e Muçulmanos e também entre Xiitas e Sunitas.

Agora, veremos como que a religião e os Estados se confundem (ou não) em

países de maioria de população muçulmana

3º Conceito: A Sharia versus Estado Laico

Pelo fato de a religião se encontrar extremamente arraigada nos países árabes,

vários destes ao elaborarem as suas Cartas-Magna promovem uma confusão (pro-

posital mesmo) entre a religião, esta expressa pelo livro sagrado Alcorão, e

a Constituição. Para estes Estados que não fazem intencionalmente tal separação

temos a formação da Sharia. Os códigos de leis, tais quais Penal e a própria Cons-

tituição são perpétuos e de condutas rígidas como expressos no Alcorão. São esta-

dos que tendem, por exemplo, a promover os códigos penais mais rígidos

dentro do Islã, com pena de morte por causas torpes no mundo ocidental, como

não respeito a costumes de vestimentas ou o consumo de bebidas alcoólicas, por

exemplo. São exemplos clássicos dentro deste modo de ver religião e código de leis

a Arábia Saudita (sunita) e Irã (xiita).

Já os chamados Estados Seculares, ou laicos, conseguem promover níveis de

distinção entre o código de leis (seja civil ou penal) e o Alcorão. Veja que tal sepa-

ração não é plena em muitos estados, porém, mesmo assim, ocorre esta busca por

se separarem os assuntos. Exemplos são o Egito e a Turquia.

2.2.2 A Guerra na Síria

A atual guerra civil na Síria adentra, em 2019, em seu sétimo ano e expõe as

fraturas do mundo árabe e o viés que rachou Sunitas x Xiitas nos países muçulma-

nos. Também escancara como as peças do tabuleiro geopolítico na região foram

antagônicas acerca das posições por lá adquiridas por Rússia e os EUA.

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Para entendermos melhor o contexto da Guerra Civil na Síria, contudo, ca-

ros(as) alunos(as), importa nos atermos inicialmente ao que foi a Primavera

Árabe, com seus levantes iniciados lá em 2011.

Em vários países no chamado Mundo Árabe (conceito que vimos logo na intro-

dução desta aula), uma série de revoltas populares tomou conta das ruas de na-

ções árabes do Norte da África ao longo dos anos de 2010/2011 – com início destes

levantes ocorrendo na Tunísia, país no norte da África. Assim, neste país norte-a-

fricano, a população saiu às ruas em protesto pela morte do jovem Mohammed

Boauzizi; um vendedor de frutas de 26 anos que se suicidou ateando fogo

ao próprio corpo após ser humilhado (ter apanhado de fiscais locais… e não era

a primeira vez que tal fato acontecia desta forma) apenas porque vendia frutas com

seu carrinho nas ruas de sua cidade sem as devidas autorizações ou pagamentos

de propinas requeridos.

A população da Tunísia se rebelou, desencadeando um protesto massivo que, na

verdade, estava associado contra a pobreza e a corrupção de seu país e se voltava

contra o ditador local: Zine Ben Ali. Um ditador que subiu ao poder na Tunísia em

1987 e que, somente pela Revolução de Jasmin, empreendida pela polução tunisia-

na oprimida, consegue, em janeiro de 2011, derrubar o ditador do país.

Zine Ben Ali foi o primeiro dos líderes árabes a cair e também o primeiro a ser

condenado: 35 anos de prisão sob a acusação de roubo e posse ilegal de joias e

grandes quantias de dinheiro. A partir daí, uma série de novos levantes tomou

conta dos países da África do Norte (países árabes), depondo assim Muhammar

Kadafi na Líbia após sete meses de luta no país (e seu assassinato em out./2011)

e também Hosni Mubarak do Egito, após mais de um milhão de pessoas saírem às

ruas do Cairo para derrubá-lo.

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A primavera Árabe segue seus Ventos para o Oriente Médio

Bom, conforme explicado acima, os levantes no chamado Mundo Árabe os

quais entre 2010/2011 percorreram os países árabes ao Norte do continente

africano: em sequência a Tunísia → Líbia → Egito, saem do continente para

em 2012 chegarem ao Oriente Médio, na península asiática, uma porção ter-

ritorial que compartilha características semelhantes às dos países árabes pela

presença de países de etnia árabe e a ausência de liberdades individuais e

políticas (leia-se democracia).

Os primeiros levantes no Oriente Médio se deram no Iêmen e em seguida, imbuí-

dos das mesmas causas que em outros lugares, a maioria da população da

Síria sai às ruas pedindo a deposição de Bashar-Al-Assad, tirano que gover-

na desde 2000 o país em sucessão a seu pai e que fora Presidente entre 1971-2000

(também golpista e ditador).

2.2.2.1 Um Pouco sobre a Síria

A Síria é um país situado à beira do Mar Mediterrâneo, no coração do Oriente

Médio, inimigo de Israel e reduto radical Xiita, mas de maioria de população

SUNITA. Basshar-Al-Assad é o Presidente desde 2000.

É um país aliado do Irã, da Rússia e do Hezbollah (grupo fundamenta-

lista Xiita com sede no Líbano).

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2.2.2.2 O Confuso Cenário da Síria

A atual guerra civil na Síria, a mais sangrenta em curso no mundo, a qual em

pouco mais de 7 anos acarretou algo em torno de 500.000 mortes, tem sua origem

na oposição entre o Exército de Libertação da Síria, composto por Sunitas, e

maioria da população da Síria, o qual recebem apoio da OTAN (EUA e Reino Unido

no comando), da Turquia e da Arábia Saudita (estes dois duas potências bélicas

na região e países de população de maioria sunita) versus os Alauitas (que são

os Xiitas e minoria numérica no país) pró-governo, os que contam com o apoio,

principalmente, do Hezbollah (grupo terrorista de mesa inclinação xiita),

do Irã e da Rússia.

Ainda ocorrem na Síria o Exército Livre da Síria (moderados e oposição a As-

sad), os Curdos e o Estado Islâmico, que ao norte do território da Síria conquis-

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tou territórios ao longo dos anos de 2014, 2015 e 2016 (veremos logo na sequência

desta aula como se deu tal processo).

Seguindo então. Em fins de 2011 para 2012 se instala uma guerra civil na

Síria buscando restaurar aquilo que fora conseguido em outros países do Mundo

Árabe: a deposição de ditadores constituídos e a volta da democracia há muito

esquecida por aquelas bandas. Mas, ao contrário do que ocorrera no Egito, na

Líbia e na Tunísia (e Iêmen, também), na Síria as forças de Assad não cedem,

e se utilizando de uma conjunção de fatores, tais quais seu exército bem apa-

ramentado, armas químicas e apoio internacional da Rússia e do Irã, além do

apoio terrorista do grupo Hezbollah, o ditador sírio se sustentou no poder desde

então à base de uma carnificina.

Portanto, a guerra na Síria é basicamente um conflito entre os próprios sírios (ára-

bes) de mesma religião (muçulmanos), mas de seitas diferentes. Assim, tem-se de

um lado os grupos de oposição a Assad, todos SUNITAS, visando a derrubar um

ditador XIITA.

Outro ponto importante a se entender também na guerra na Síria, é que

os EUA, mesmo sendo oposição ao governo de Assad, não promoveram até

agora uma intervenção efetiva, tal qual como de praxe agem ao redor do

globo, em geral com a justificativa de “restaurar a democracia”. Isto se

deve a algumas questões a seguir listadas:

• Oposição da Rússia e falta de unanimidade, portanto, no Conselho de Segurança

da ONU, para referendar tais ações.

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• Receio de entregar o poder a grupos sunitas que têm braços armados funda-

mentalistas (terroristas) na Al-Qaeda (de Osama Bin Laden), Talibã, Irmandade

Muçulmana ou Hamas (que controla a Palestina).

• Necessidade de combate e extermínio ao Estado Islâmico mais importante que

retirar Assad.

Por fim, é importante destacar que com a guerra na Síria criou-se a questão

humanitária mais crítica dos tempos recentes, na medida em que mais de 5

milhões de sírios, ou aproximadamente 20% da população do país antes da guerra

(2012), tornara-se refugiada, saindo a pé pelos desertos para pousar em países

vizinhos da região, como a Turquia, Irã ou Jordânia, ou em botes improvisados pelo

Mar Mediterrâneo, tentando entrar na Europa pela Itália ou Grécia, para daí ainda

muitas vezes buscar refúgio em áreas continentais, como Hungria e Alemanha.

Estima-se que desde a Segunda Guerra Mundial não se via uma diáspora (fuga for-

çada) tão grande de pessoas de uma determinada área em todo o Planeta tal qual

vemos ocorrer agora na Síria.

E Assad não aceita bases de negociação alguma com a oposição. Garantiu-se

por muito tempo nesta guerra apenas com o domínio de Damasco (a capital) e suas

cercanias, e a crueldade imposta por práticas de uma minoria Xiita que há dé-

cadas comanda o país. Chegou a parecer que perderia a guerra por várias vezes,

mas atualmente vem retomando mais áreas, inclusive a cidade mais populosa do

país, Aleppo, ao norte, e se fortalecendo de novo no controle.

A aliança com a Síria é antiga e vital para a Rússia no Oriente Médio, re-

gião onde há governos alinhados aos Estados Unidos, como Israel, Arábia Saudita

e Emirados Árabes. Desde a década de 1980, os russos têm um grande porto na

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cidade de Tartus, na Síria, única base própria russa no Mar Mediterrâneo, a qual

em 2016 transformou-se numa base militar Russa para usufruto por mais 49 anos.

Neste mesmo ano, e não por coincidência ocorre, com auxílio russo, a retomada de

Allepo (a segunda mais importante cidade do país) por Assad.

Para 2019 os EUA continuam imprimindo sua política externa de distanciamento

acerca de determinadas questões no oriente Médio e a Rússia mantém-se fiel aos

seus aliados, abrindo por parte da Rússia mais espaço para o crescimento de sua

impressão geopolítica na área.

Veja a seguir matéria publicada no portal alemão DW (Deutsche Welle), em

10/10/2019 que dá a dimensão mais recente do que fora exposto acima

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/an%C3%A1lise-trump-abre-nova-zona-de-guerra-na-s%-
C3%ADria/a-50770785

MATÉRIA

Análise: Trump abre nova zona de guerra na Síria

Ao abandonar os curdos, aliados de longa data, e abrir caminho para ofensiva

turca, EUA deixam vácuo numa das áreas mais instáveis do Oriente Médio. Entenda

como Irã, Rússia e até o “Estado Islâmico” devem sair ganhando.

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar soldados

americanos do norte da Síria, abrindo caminho para uma ofensiva turca contra

a minoria curda, pode favorecer Rússia, Irã, o regime sírio de Bashar al-Assad e

o “Estado Islâmico” (EI).

Ainda não se sabe até onde a Turquia pretende avançar contra os curdos e ocu-

par o espaço deixado pelas tropas americanas. Mas Ancara quer expulsar as Forças

Democráticas Sírias (SDF), em grande parte curdas, que vê como uma ameaça do-

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méstica, enquanto, segundo argumenta, criaria uma “zona segura” para o regresso

de milhões de refugiados sírios hoje em território turco.

A pergunta agora é como Moscou, Teerã e Damasco reagirão, no que parece ter

sido uma troca de favores entre a Turquia e os principais membros do chamado

Processo de Astana – uma iniciativa de paz para a Síria conduzida pela Rússia e Irã,

países que apoiam o regime de Assad.

Fato é que os curdos da Síria estão agora enfraquecidos nas negociações para

uma aliança com Assad, a fim de repelir a Turquia. Duas tentativas anteriores de

diálogo fracassaram, mas há sinais de que Damasco poderá fazer regressar à sua

órbita, em troca de apoio militar, as áreas controladas pelos curdos.

Os curdos são aliados americanos desde a invasão do Iraque, em 2003. Desde

2011, recebem apoio dos EUA para combater o “Estado Islâmico”. Os curdos, que

somam até 40 milhões de pessoas espalhadas entre Síria, Turquia, Irã e Iraque e

não possuem território próprio, também combatem o regime de Assad e são inimi-

gos do governo turco, que considera as SDF um grupo terrorista.

Espaço para a Rússia

A retirada dos EUA abriu condições para Moscou consolidar a sua posição

como potência numa eventual paz síria ao devolver Idlib, no oeste do país, às

forças de Assad.

Como parceiro militar-chave das forças do regime sírio, a Rússia se viu frustrada

pela incapacidade da Turquia de desarmar os rebeldes jihadistas em Idlib. Mas o

aparente acordo com a Turquia significa que muitos rebeldes serão atraídos para

uma nova frente, aberta por uma invasão turca no leste.

Isto permitiria à Rússia dar luz verde a Assad para recuperar território-chave

numa das frentes finais da guerra síria, que já se estende por oito anos.

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A Rússia quer que os EUA abandonem a Síria e afirma repetidamente que acre-
dita que os americanos estão na Síria ilegalmente.
Embora Rússia e Turquia apoiem lados opostos na guerra síria, Moscou vê como
positiva uma retirada total dos EUA da Síria, pois daria aos russos ainda mais poder
– não apenas para moldar o futuro da Síria, mas em todo o Oriente Médio.
A volta do “Estado Islâmico”?

Brett McGurk, antigo representante dos EUA na coalizão global contra o “Estado
Islâmico”, descreveu a decisão de Trump como um “presente à Rússia, ao Irã e ao
EI”. Já Salih Muslim, porta-voz do Partido de União Democrático, aliado das forças
curdas, teme que o território curdo seja invadido pelos radicais salafistas de Idlib.
“A Turquia vai trazer todos os jihadistas para mais perto desta área e possivel-
mente estabelecer um tipo de território que pertence apenas aos salafistas”, disse
Salih Muslim. “A Turquia estava feliz antes, quando eles estavam na fronteira e es-
tava negociando com eles e obtendo petróleo deles. Talvez a Turquia vá estabelecer
um novo califado.”
A SDF também terá de lidar com os cerca de 70 mil combatentes do “Estado Is-
lâmico” detidos em campos sob o seu controle, num momento em que concentrará
as suas forças numa batalha ao norte, com a Turquia.
Salih Muslim questiona a declaração de Trump de que a Turquia vai agora as-
sumir a responsabilidade pelos detidos. “Os membros do ‘Estados Islâmico’ foram
apoiados pela Turquia, até mesmo armados por eles e enviados para a Síria. Então,
como podem tornar-se responsáveis por eles? Eles vão reorganizá-los e usá-los
como chantagem contra a Europa.”
Irã fortalecido

O Irã também sairá ganhando, numa situação em que qualquer retirada dos
EUA da região lhe permite expandir a sua influência regional. O vácuo deixado por

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uma retirada dos EUA permite que Teerã consolide suas forças na Síria em meio a

uma “guerra por procuração” com Israel.

Essa perspectiva pode antagonizar Israel, que já bombardeou seguidas vezes

a Síria com o objetivo declarado de atingir instalações e linhas de abastecimento

iranianas. Pode também encorajar Israel a estender sua própria “zona segura” no

sul da Síria para se contrapor ao Irã e seu aliado libanês, o Hezbollah.

Em matéria do portal G1 a seguir, apresentada em 26 de jun./2019, tem-se

uma dimensão mais recente dos conflitos na Síria e suas nuances atuais desta

guerra que já vai para seu oitavo ano.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/26/o-massacre-de-civis-e-criancas-na-
-guerra-da-siria-que-foi-ignorado-pelo-resto-do-mundo.ghtml

MATÉRIA

O massacre de civis e crianças na guerra da Síria que foi ignorado pelo

resto do mundo

Segundo a ONU, mais de 350 civis foram mortos e 330 mil foram forçados a

deixar suas casas desde que o conflito na região síria de Idlib se intensificou, no

fim de abril.

Mais de cem pessoas, incluindo 26 crianças, morreram em ataques aéreos feitos

em hospitais, escolas, mercados e em uma padaria no nordeste da Síria nos últi-

mos 10 dias, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

A chefe de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, diz que os ataques

foram feitos pelo governo sírio e seus aliados nas áreas controladas pela oposição.

Mas os ataques foram recebidos com “aparente indiferença internacional”, disse

ela. Bachelet criticou a “falha de liderança nas nações mais poderosas do mundo”.

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A Síria e a Rússia, que é sua aliada, negaram ter mirado em civis durante os

ataques aéreos na região de Idlib.

O número de mortos crescente em Idlib tem sido recebido com um “dar de om-

bros coletivos” e o conflito ficou fora do radar internacional, disse ela, enquanto o

Conselho de Segurança da ONU está paralisado.

Ela afirma que é muito improvável que os ataques a civis tenham sido acidentais

e disse que os países que os fizeram podem ser julgados por crimes de guerra.

“Ataques intencionais a civis são crimes de guerra, e aqueles que os ordenaram

ou os executaram são criminalmente responsáveis por seus atos”, disse Bachelet.

O que está acontecendo na Síria?

A província de Idlib, com as províncias de Hama e Aleppo, é uma das últimas

áreas controladas pela oposição na Síria depois de oito anos de guerra civil.

A área em tese está protegida por uma trégua negociada em setembro entre a

Rússia, aliada do governo sírio, e a Turquia, que apoia a oposição. A trégua deveria

proteger os mais de 2,7 milhões de civis que vivem na região de uma grande ofen-

siva das forças do governo.

Na semana passada, a ONU disse que mais de 350 civis foram mortos e 330 mil

foram forçados a deixar suas casas desde que o conflito se acirrou em 29 de abril.

Mas o número agora foi revisado, com o acréscimo de 103 mortes somente nos

últimos 10 dias. O número de refugiados subiu para 400 mil.

O governo – com apoio da força aérea russa – disse que o aumento nos ataques

se deve a repetidas violações da trégua por jihadistas ligados à Al-Qaeda que esta-

riam na área dominada pela oposição.

No entanto, as Forças Democráticas Sírias (FDS), que são apoiadas pe-

los Estados Unidos, disseram em março ter derrotado os jihadistas e dado

fim ao grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico (EI).

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No início desta semana, a Rússia negou que tenha feito ataques aéreos em

mercados e áreas residenciais que deixaram pelo menos 31 civis mortos.

Como a guerra da Síria começou?

Antes do conflito começar, muitos sírios estavam insatisfeitos com os altos ín-

dices de desemprego, a corrupção e a falta de liberdade política sob o presidente

Bashar al-Assad.

Em março de 2011, protestos pró-democracia começaram ao sul da cidade de

Deraa, inspirados por revoltas populares pró-democracia em países vizinhos – o

que ficou conhecido como “Primavera Árabe”.

Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas – ma-

tando vários deles –, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Protestos

pedindo a renúncia do presidente começaram no país todo.

A revolta se intensificou, assim como a resposta do governo. Apoia-

dores da oposição se armaram – primeiro para se defender, depois para

expulsar as forças de segurança das áreas onde viviam. Assad então disse

que acabaria com o que chamou de “terrorismo apoiado por estrangeiros”.

A violência aumentou rapidamente, dando início a uma guerra civil.

Grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças

oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade

do país, Aleppo.

O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre

aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele – adquiriu contornos de

guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauitas, o braço do Islamis-

mo a que pertence o presidente.

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Isso arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-

-lhe outra dimensão.

Quem está lutando contra quem?

A rebelião armada evoluiu significativamente desde suas origens.

Há membros da oposição moderada secular lutando contra as forças de Assad.

O Exército curdo, um dos grupos que os Estados Unidos estão apoiando no norte

da Síria, faz parte da oposição.

Mas há também uma grande quantidade de radicais e jihadistas – partidários

da “guerra santa” islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico (EI) e

a Frente Nusra, afiliada à Al-Qaeda. Os combatentes do EI – cujas táticas brutais

chocaram o mundo – criaram uma “guerra dentro da guerra”, enfrentando tanto os

rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra.

Os rebeldes moderados têm requisitado armas antiaéreas ao Ocidente para

responder ao poderio do governo sírio. Mas Washington e seus aliados têm

procurado controlar o fluxo de armas por medo de que acabem indo parar nas

mãos de grupos jihadistas.

Em março, as Forças Democráticas Sírias (FDS), que são apoiadas pelos Esta-

dos Unidos, disseram ter derrotado o EI.

“As Forças Democráticas Sírias declaram a total eliminação do chamado ca-

lifado e a total derrota territorial do EI”, disse Mustafa Bali, porta-voz da FDS,

pelo Twitter. “Neste dia único, celebramos os milhares de mártires que torna-

ram essa vitória possível.”

Em seu auge, o EI controlou uma área de 88 mil km² no norte da Síria e do

Iraque, governou quase 8 milhões de pessoas, ganhou bilhões de dólares com a

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exploração de petróleo, extorsões, roubos e sequestros, e usou seu território como

base para ataques em outros países.

A aliança de forças representada pela FDS, lideradas pelos curdos, co-

meçou sua ofensiva final contra o EI no início de março, contra militantes

que estavam encurralados no vilarejo de Baghuz, no leste sírio.

Qual é o impacto da guerra?

Além de causar centenas de milhares de mortes, a guerra incapacitou 1,5 mi-

lhão de pessoas, entre elas 86 mil que perderam membros do corpo.

Ao menos 6,1 milhões de sírios tiveram de deixar suas casas para buscar abrigo em

alguma outra parte do país, enquanto outros 5,6 milhões se refugiaram no exterior.

Líbano, Jordânia e Turquia, onde 92% desses sírios refugiados vivem hoje, têm

enfrentado dificuldades para lidar com um dos maiores êxodos da história recente.

A ONU estima que 13,1 milhões de pessoas necessitaram de algum tipo de aju-

da humanitária na Síria em 2018.

Por que a guerra está durando tanto?

Um fator chave é a intervenção de potências regionais e internacionais.

Seu apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a opo-

sição tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos enfren-

tamentos, e transformado a Síria em campo para uma guerra indireta.

A intervenção externa também é responsabilizada por fomentar o sectarismo no

que costumava ser um Estado até então secular (imparcial em relação às questões

religiosas).

As divisões entre a maioria sunita e a minoria alauita no poder alimentaram

atrocidades de ambas as partes, não apenas causando a perda de vidas, mas a

destruição de comunidades, afastando a esperança de uma solução pacífica.

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2.2.3 O Estado Islâmico

O Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis) foi criado em 2013, e cresceu como

um braço da organização terrorista Al-Qaeda no Iraque. Em 2014 rompem com os

Iraquianos, e formam apenas o EI.

As atividades do EI se concentraram no Iraque e na Síria, onde o grupo assumiu

um papel dominante aproveitando-se da desestruturação do estado sírio por

causa da guerra civil interna e no Iraque em função também da desestru-

turação interna após anos de guerra contra os EUA. As áreas as quais ocupa-

ram ao Norte da Síria e do Iraque dá se o nome de LEVANTE.

Veja a área imensa que o Estado Islâmico chegou a dominar em 2015 (o Levante):

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Financiados por doações de Estados Sunitas – Arábia Saudita e Quatar, sen-

do este último acusado pela própria Arábia Saudita e pelos EUA de financiar des-

caradamente o E.I, além dos valores obtidos com a posse de poços de petróleo

do Norte do Iraque, e também sequestros e pilhagens –, o Estado Islâmico tem

como ideologia a formação (construção) de uma sociedade completamen-

te voltada aos preceitos religiosos, políticos, morais e culturais vigentes à

época do profeta Maomé (600 anos depois de Cristo). Ou seja, eles negam

toda e qualquer evolução que houve no mundo muçulmano (e árabe por

consequência) depois da morte do profeta no ano 632. Este é o Califado

pretendido por eles. Vale destacar que a Arábia Saudita já vive perto disto, ou

seja, um estado onde preceitos religiosos seculares (e arcaicos) imperam, mas ba-

nhada em petróleo, com gastos militares astronômicos, e aliada aos EUA passa a

não receber críticas.

O recente controle de vastos territórios no Norte e Oeste do Iraque, chegando

às portas de Bagdá, além das áreas dominadas pelos curdos, ajudaria o grupo islâ-

mico a consolidar seu domínio ao longo da fronteira com a Síria, onde luta contra o

regime de Bashar al-Assad. Mas ao longo os anos de 2016 e 2017 resultaram

em sucessivas derrotas e extinção do poder do EI no Iraque. Já na Síria,

apenas em (2018), numa ação conjunta entre EUA e Rússia (que atuam

em campos opostos, tal qual vimos na questão interna Síria), ao que tudo

indica, eles também foram extirpados territorialmente.

Por fim, vale destacar que esta batalha contra o radicalismo do califado não ter-

minou em 2019, e eles ainda podem voltar a tentar domínios de novas áreas pelo

mundo árabe, como no caso da Líbia, ao Norte da África, onde já se identifica um

possível novo foco atual de ação e domínio territorial por parte deste grupo.

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A seguir apresento matéria do BBC-OnLine, de 23/03/2019, que dá um panora-

ma geral atual sobre a questão do Estado Islâmico em 2019.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47678823

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MATÉRIA

As Forças Democráticas Sírias (FDS), que são apoiadas pelos Estados Uni-

dos, disseram ter dado fim ao “califado” criado pelo grupo extremista au-

toproclamado Estado Islâmico (EI).

“As Forças Democráticas Sírias declaram a total eliminação do chamado ca-

lifado e a total derrota territorial do EI”, disse Mustafa Bali, porta-voz da FDS,

pelo Twitter. “Neste dia único, celebramos os milhares de mártires que torna-

ram essa vitória possível.”

Em seu auge, o EI controlou uma área de 88 mil km² no norte da Síria e do

Iraque, governou quase 8 milhões de pessoas, ganhou bilhões de dólares com a

exploração de petróleo, extorsões, roubos e sequestros, e usou seu território como

base para ataques em outros países.

Mas o grupo ainda é considerado uma grande ameaça global por ainda deter

uma presença significativa na região e ter afiliados em diversos outros países,

como Nigéria, Iêmen, Afeganistão e Filipinas.

A aliança de forças representada pela FDS, lideradas pelos curdos, começou sua

ofensiva final contra o EI no início de março, contra militantes que estavam encur-

ralados no vilarejo de Baghuz, no leste sírio.

A FDS teve de conter seus esforços após ser revelado que um grande número

de civis se encontrava ali, abrigados em edifícios, tendas e túneis. Milhares de mu-

lheres e crianças fugiram rumo aos campos de refugiados controlados pela aliança.

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Combatentes do EI também abandonaram Baghuz, mas aqueles que permane-

ceram ofereceram uma grande resistência, com o uso de homens e carros-bomba

no conflito.

O presidente americano, Donald Trump, havia dito que o EI estava derrotado

no fim do ano passado e anunciado planos de retirar suas tropas, uma medida que

deixou seus aliados no conflito preocupados – a Casa Branca anunciaria depois que

suas forças permaneceriam na região.

Como começou a guerra contra o Estado Islâmico

O EI surgiu a partir de um braço da Al-Qaeda no Iraque após a invasão do país

por uma coalização liderada pelos Estados Unidos em 2003. O grupo se juntou em

2011 à rebelião contra o presidente Bashar al-Assad na Síria, onde encontrou pro-

teção e fácil acesso a armas.

Ao mesmo tempo, tirou proveito da retirada de tropas americanas do Iraque,

assim como da revolta entre os sunitas contra as políticas sectárias do governo do

país liderado por xiitas.

Em 2014, há havia assumido o controle de grandes áreas na Síria e no Iraque

e proclamado a instauração de um “califado” nesta região. Foi quando mudou de

nome. Antes conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante, passou a se

autointitular apenas Estado Islâmico, refletindo suas ambições expansionistas.

Um avanço subsequente sobre áreas controladas pela minoria curda no Iraque

e o assassinato ou escravização de milhares de membros do grupo religioso yazidi

levou à formação de uma coalização internacional liderada pelos Estados Unidos,

com ataques aéreos a posições do EI a partir de agosto daquele ano.

A batalha para expulsar o EI da Síria e do Iraque tem sido sangrenta, com mi-

lhares de vidas perdidas e milhões de pessoas forçadas a deixar seus lares.

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Na Síria, tropas leais a Assad batalharam contra os extremistas com a ajuda de

ataques aéreos russos e milícias apoiadas pelo Iraque. Por sua vez, a coalização

liderada por americanos deu apoio à FDS, uma aliança de curdos sírios e combaten-

tes árabes, além de facções rebeldes sírias. No Iraque, forças de segurança locais

foram apoiadas tanto pelos Estados Unidos quanto por grupos paramilitares.

Desde então, já foram realizados mais de 33 mil ataques aéreos na região pela

coalização. A Rússia não fez parte destes esforços, mas começou a promover ata-

ques aéreos contra o que chamou de “terroristas” na Síria em setembro de 2015

para fortalecer o governo de Assad.

A campanha logo começou a dar sinais de progresso, com a recaptura da cidade

de Ramadi, capital da província iraquiana de Anbar, e, depois, da segunda maior

cidade do país, Mosul, em julho de 2017 – considerado um marco dos esforços da

coalização, em uma batalha de dez meses que matou milhares de civis e deixou

800 mil refugiados.

Em outubro de 2017, a FDS reassumiu o controle da cidade de Raqqa, na Síria,

capital do autoproclamado “califado”, após três anos sob o comando do EI. No mês

seguinte, foram retomadas as cidades de Deir al-Zour e Al-Qaim.

Direito de imagem ReutersImage caption Em seu auge, o EI controlou uma área

de 88 mil km² no norte da Síria e do Iraque

Os números exatos de vítimas da guerra contra o EI é desconhecido. O Obser-

vatório de Direitos Humanos da Síria, organização que monitora o conflito baseada

em Londres, diz mais de 371 mil pessoas – entre elas, 112,6 mil civis – morreram

desde o início da guerra civil na Síria em 2011.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que ao menos 30.912 civis

foram mortos em atos de terrorismo e violência e pelo conflito armado no Iraque

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entre 2014 e 2018, mas acadêmicos e ativistas dizem que este número pode che-

gar a 70 mil.

Ao menos 6,6 milhões de sírios se transformaram em refugiados em seu próprio

país, enquanto outros 5,6 milhões fugiram para o exterior, principalmente para Tur-

quia, Líbano e Jordânia.

Por que o EI ainda é uma ameaça preocupante?

A queda de Baghuz representa um momento chave da campanha contra o EI. O

governo iraquiano havia declarado a vitória sobre o grupo em dezembro de 2017.

Mas o EI está longe de estar derrotado.

Autoridades americanas dizem existir de 15 mil a 20 mil combatentes armados

do grupo em atividade na região e que o EI retornará às suas raízes de insurgência

enquanto tenta se reerguer.

Mesmo diante de uma derrota iminente em Baghuz, os extremistas divulgaram

um áudio que seria supostamente de seu porta-voz, Abu Hassan al-Muhajir, dizen-

do que seu califado não estava acabado.

Direito de imagem AFPImage caption A queda do EI em Baghuz representa um

momento chave da campanha contra o grupo extremista

Apesar do anúncio da FDS, o EI continua a ter integrantes disciplinados e

com experiência de combate, o que não permite dizer que sua “derrota defini-

tiva” está garantida.

O chefe do Comando Central das Forças Armadas americanas, o general Joseph

Votel, responsável pelas operações militares do país no Oriente Médio, disse em

fevereiro que será necessário manter uma “ofensiva vigilante contra o agora dis-

perso e desagregado EI, que continua a ter líderes, combatentes, recursos e uma

ideologia profana para levar à frente seus esforços”.

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E que, se a pressão sobre o grupo não for mantida, ele “pode ressurgir na Síria

dentro de seis a 12 meses e reconquistar território no vale do rio Eufrates”, confor-

me disseram autoridades militares americanas.

Estes alertas aparentemente dissuadiram Trump de retirar 2 mil soldados da

Síria, como havia prometido fazer em dezembro. A medida levou à renúncia do se-

cretário de Defesa Jim Mattis. A Casa Branca afirmou no mês passado que manterá

400 “agentes de paz” na Síria por “algum tempo”.

Quais serão os próximos passos do EI?

No Iraque, onde o governo declarou vitória contra estes extremistas no fim de

2017, eles já “evoluíram para se transformar em uma rede subterrânea”, disse o

general americano António Guterres em um relatório em fevereiro.

“Eles estão em uma fase de transição, adaptação e consolidação. Estão se

organizando em células nas províncias, replicando funções-chave de liderança”,

acrescentou.

Militantes do EI continuam ativos em zonas rurais, em áreas remotas e de ter-

reno acidentado, o que lhes dá liberdade para se movimentar e planejar ataques a

partir de regiões como os desertos das províncias de Anbar e Nineveh e as monta-

nhas de Kirkuk, Salah al-Din e Diyala.

Células do grupo parecem “estar planejando atividades para minar a autoridade

do governo, criar uma atmosfera de ‘terra sem lei’ na região, sabotar uma reconci-

liação social e elevar o custo de reconstrução regional e do contraterrorismo”, se-

gundo Guterres. Estas atividades incluem sequestros, assassinatos de líderes locais

e ataques contra instalações estatais e de serviços.

A expectativa é que a rede do EI na Síria se torne algo semelhante ao que ocor-

re no Iraque atualmente. Além do vale do rio Eufrates, o grupo está presente na

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província de Idlib, no noroeste do país, e ao sul da capital Damasco, além de na

região de Badiya, um grande trecho de deserto no sudeste da Síria.

Os militantes têm acesso a armamento pesado e são capazes de realizar ata-

ques a bomba e assassinatos em todo o país, disse Guterres. Seus líderes também

mantêm uma “capacidade de controle e comando”. A localização do líder do EI, Abu

Bakr al-Baghdadi, é desconhecida, apesar de haver poucos locais onde ele ainda

possa se esconder.

O grupo continua a obter uma receita significativa com atividades criminosas e

a receber doações. Estima-se que o EI tenha recursos da ordem de US$ 50 milhões

(R$ 195,3 milhões) a US$ 300 milhões (R$ 1,17 bilhão) em dinheiro.

Quantos militantes ainda restam?

O EI sofreu perdas consideráveis, mas Guterres diz que o grupo ainda tem sob

seu comando entre 14 mil e 18 mil combatentes no Iraque e na Síria, entre eles 3

mil estrangeiros.

O enviado especial americano da Coalização Global para Derrotar o EI, James

Jeffrey, disse neste mês que os Estados Unidos estimam haver entre 15 mil e 20

mil “membros armados ativos” do grupo na região.

Direito de imagem Getty ImagesImage caption Os EUA dizem que derrota

definitiva do EI em toda a região não está garantida e que grupo exige ‘vigilân-

cia constante’

A FDS capturou cerca de 1 mil combatentes estrangeiros do EI. Centenas de

mulheres e mais de 2,5 mil ligadas a estes estrangeiros estão vivendo em campos

para refugiados em áreas controladas pela aliança, que informou haver ainda mais

1 mil combatentes estrangeiros detidos no Iraque.

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Os Estados Unidos querem que eles sejam enviados para seus países de origem

para serem processados criminalmente, mas estas nações manifestaram preocu-

pações em receber estes extremistas e disseram ser difícil conseguir provas para

sustentar ações judiciais.

Estima-se que 40 mil estrangeiros tenham se juntado ao EI na Síria e no Iraque,

e o número de pessoas que ainda estão viajando para lá para fazer isso é desco-

nhecido, ainda que este fluxo tenha se reduzido significativamente. A Coalização

Global calcula que “provavelmente 50 pessoas por mês” chegam à região para se

unir ao grupo.

Ao mesmo tempo, há um contingente significativo de afiliados do EI em países

como Afeganistão, Egito e Líbia e no Sudeste Asiático e na África Ocidental. Indiví-

duos inspirados pela ideologia do grupo também continuam a realizar ataques em

outras regiões.

**********************************************************

2.3. Rússia

2.3.1 Introdução

A Rússia vem buscando de forma aguerrida recuperar o terreno perdido, tanto

no campo econômico quanto geopolítico, após o esfacelamento do bloco comunis-

ta da União Soviética e a condução da trôpega de Boris Yeltsen nos anos 1990. O

responsável por este processo atende a um único nome: Vladmir Putin. Homem

forte a frente do país há 20 anos, seja como Presidente, Primeiro-Ministro e depois

Presidente novamente (reeleito em 2018, com mandato até 2024), o ex-agen-

te faixa preta da KGB se utiliza de expedientes autoritários eliminando adversários

e questionáveis do ponto de vista internacional (tal qual agiu na Tchetchênia em

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2000, e na Ucrânia e Crimeia em 2014), para atualmente falar de igual para igual

com qualquer outra potência global dentro do jogo geopolítico.

Após ter conhecido, em 2009, sua maior recessão desde a queda do bloco so-

viético, e ter se recuperado nos anos seguintes, a Rússia passou por dois anos

consecutivos de recessão novamente, entre 2015 e 2016, devido a uma

assombrosa fuga de capitais, ao colapso do rublo, à queda dos preços do

petróleo e às sanções comerciais ocidentais (impostas pelos EUA), que

ocorreram no seguimento da crise ucraniana(2014). Após um crescimento ne-

gativo em 2015 (-3,7%) e 2016 (-0,8%), um crescimento positivo era esperado

para 2017, impulsionado pelo consumo privado, o qual se confirmou ficando na

casa dos 1,5%.

2.3.2 A Copa do Mundo de 2018

A Rússia realizou em 2018, entre 14/6 a 15/7, a sua primeira Copa do Mundo.

O país já foi sede dos Jogos Olímpicos de 1980 e das Olimpíadas de Inverno, em

Sochi (2014). A Rússia já faz parte também do calendário oficial da Fórmula 1, e é

considerada uma potência em vários esportes, tais quais ginástica, natação, vôlei

e tiro, no ano de 2018, com 11 sedes (12 estádios pois dois serão em Moscou)

mostrou ao Mundo mais uma vez sua capacidade em organizar eventos de grande

porte com a realização da Copa. Vale destacar que nunca antes na história,

uma Copa havia sido realizada com jogos em dois continentes (já houve

Copa em dois países, como o caso de 2002 entre Japão e Coreia), pois no caso

russo uma das sedes, fica em Ecaterimburgo, depois dos Montes Urais na Ásia.

Veja as sedes a seguir.

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2.3.3 As Escalas de Poder da Rússia Atualmente

2.3.3.1 Energia

Consolidada há mais de um século como uma potência na produção de ener-

gia, a Rússia, país com as maiores reservas de gás natural do Mundo, terceiro em

produção de petróleo e quarto em energia nuclear, avança sobre o Mundo com seu

poder econômico alicerçando uma imbricada rede de dependência emaranhada por

gasodutos e oleodutos.

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O jogo é simples. Onde os EUA deixaram lacunas os russos entram, onde há ne-

cessidades de gás natural eles entram e as sanam. No Quatar, uma das várias pe-

trolíferas estatais (o estado russo possui mais de 15 empresas de energia próprias,

ou de capital misto) de Putin, a Rosnef, ao associar-se aos xeiques do país sede

da Copa de 2022, descontentes com a forma que vem sendo tratados pela Arábia

Saudita e os EUA se torna em 2017 a maior empresa de energia do Mundo.

Pela Ásia Central, a rede de gasodutos que passa por dentro das ex-repúblicas

soviéticas faz com que estes ex-países satélites não tenham autonomia plena para

decidir seus rumos, basta-nos ver o que aconteceu na Ucrânia quando, em 2014, a

Rússia forçou o país a se retirar das negociações de entrada na União Europeia. Foi

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assim com a Geórgia, com a Ucrânia e será assim com outros. Na Europa, estima-

-se que mais de 80% das necessidades gás natural, e em torno de 90% de petróleo

seja sanada pelos russos.

Para onde se olha, a influência deles está presente cada vez no tabuleiro do jogo

geopolítico global, sendo a energia como uma ponta desta lança afiada.

2.3.3.2 Geopolítica com a China

A nova ordem geopolítica que se desenha para este novo século se encontra

relacionada à costura entre a Rússia e China com vistas a formação de um

campo geopolítico forte de contraposição ao poder dos EUA. Segundo o

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historiador Eric Hobsbawn, historiador inglês morto recentemente, o séc. XIX foi

considerado como sendo o século da Europa; o século passado (XX), o século dos

EUA; e muito provavelmente este século atual será o da Ásia.

Ambos países se encontram alinhados nos Brics, no G20, sendo nações do Con-

selho de Segurança da ONU e de atitudes vorazes com relação a seus interesses,

com governos autocratas (na Rússia, ainda disfarçado de democracia) e de extenso

território (Rússia em primeiro, e China em quarto no Mundo).

2.3.3.3 A Geopolítica Armamentista

No início de 2018, o Presidente Vladmir Putin anunciou um plano armamentista

para a Rússia, a quarta nação que mais gastou com armamentos no Mundo, sendo

uma das que mais ampliou seus gastos nos últimos anos, como pode ser percebido

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no quadro anterior. O “pacote”, tal qual se referiu em discurso, visa exatamente

a inutilizar o poder dos EUA e da OTAN com tecnologia inovadora de:

• Míssil de cruzeiro com propulsão nuclear ilimitado.

• Um submarino nuclear não tripulado com alcance intercontinental, altíssima ve-

locidade, propulsão silenciosa e capaz de atingir grande profundidade.

• Um míssil hipersônico Mach 10 com velocidade de 200 km.

• Um novo míssil estratégico Mach. 20.

Todos estes sistemas têm capacidade de serem armados com ogivas convencio-

nais ou nucleares. As implicações são de imensa importância para a correlação de

forças internacional. Em primeiro lugar, porque demonstra que foram inúteis os es-

forços dos EUA para a construção dos chamados escudos nos territórios vizinhos ao

da Rússia, e em segundo lugar porque a vantagem americana em função de seus

porta-aviões tornara-se questionável em razão destes novos submarinos.

2.3.3.4 População e Geopolítica

Por fim, um ponto interessante acerca da geopolítica russa reside na questão

populacional, deste que já foi uma das potências globais em termos populacionais

e que hoje vê encolher – em processo similar ao que ocorre em mais de 20 países

situados ao norte geopolítico do planeta, a sua população.

Matéria publicada no G1, oriunda da BBC, de 08/09/2019, nos revela

a real dimensão desta questão e como o governo russo busca soluções a

curto prazo.

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/08/09/o-ambicioso-plano-da-russia-para-com-
bater-o-encolhimento-da-populacao.ghtml

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MATÉRIA

O ambicioso plano da Rússia para combater o encolhimento da população


País quer atrair entre 5 a 10 milhões de imigrantes entre 2019 e 2025;
objetivo é evitar redução da população e, assim, perda de influência geo-
política.

É uma das principais ameaças às aspirações geopolíticas da Rússia.


O país enfrenta uma crise demográfica sem precedentes que atingiu um novo
patamar em 2018 quando, pela primeira vez em uma década, a população russa
caiu em termos absolutos.
Segundo a Rosstat, o IBGE russo, o país tem agora 148,8 milhões de habitan-
tes, 93,5 mil a menos do que no ano anterior.
E as estimativas não são promissoras. Segundo estimativas da ONU, a Rússia
perderá cerca de 8% de sua população até 2050.
Consciente disso, o governo do presidente Vladimir Putin desenvolveu um
plano ambicioso para atrair entre 5 e 10 milhões de imigrantes entre 2019 e 2025.
“O declínio demográfico tem sido um problema para a Rússia há décadas”, diz
Gregory Feifer, analista do Centro Davis para Estudos Russos e Eurasianos da Uni-
versidade de Harvard (EUA), à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
“O alto escalão do governo, incluindo o presidente Putin e o primeiro-ministro
Medvedev, falou publicamente sobre isso”.
“Mas as políticas que vêm sendo tomadas são inadequadas para enfrentar o
declínio da população. O que o governo está fazendo é desestimular a imigração e
incentivar a emigração”, acrescenta Feifer.
Fuga de cérebros

Como muitos outros países do mundo, a Rússia também enfrenta baixas taxas
de natalidade.

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Em sua campanha eleitoral de 2018, o presidente Putin prometeu gastar mais

de US$ 8 bilhões (R$ 32 bilhões) nos próximos três anos em programas para ajudar

as famílias a ter filhos.

Mas o declínio da população russa em termos absolutos se deve, principalmen-

te, à migração.

Em 2017, o último ano com dados disponíveis, 377 mil deixaram a Rússia, se-

gundo a Rosstat.

“Muitas pessoas estão deixando a Rússia, jovens profissionais altamente qua-

lificados são maioria”, diz Feifer. “E isso é um problema para a Rússia, porque é o

tipo de pessoas que o país precisará para manter sua influência no mundo e em

sua economia.”

A opinião de Feifer é comprovada pelos números da Rosstat. Segundo o órgão,

em 2017, 22% das pessoas que deixaram a Rússia tinham formação superior, 5%

a mais que em 2012.

Atrair imigrantes

Tradicionalmente, a Rússia era um país receptor de imigrantes, e a perda de

população causada pelo declínio natural (baixas taxas de natalidade) costumava

ser mitigada pelos recém-chegados ao país, principalmente de países do Cáucaso

e da Ásia Central.

Por outro lado, esse número vem registrando quedas consecutivas. No ano pas-

sado, chegou ao valor mais baixo desde 2005: 124.900, segundo a Academia Rus-

sa de Economia e Administração Pública (Ranepa).

A dificuldade na obtenção de vistos de residência e a obrigatoriedade de que o

candidato à cidadania russa renuncie a sua nacionalidade de origem representam

barreiras à imigração, explicou Yulia Florinskaya, especialista em migração da Ra-

nepa, ao site de notícias Eusarianet.

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Estima-se que a Rússia precise de até 300 mil pessoas a mais por ano para mi-

tigar os efeitos da perda natural da população e permanecer em um crescimento

líquido zero.

Neste contexto, o governo de Putin deu prioridade à política imigratória e apro-

vou em outubro do ano passado um novo plano para os próximos seis anos, com o

qual espera atrair entre 5 e 10 milhões de migrantes.

Pelo plano, os procedimentos para obtenção de autorizações de trabalho e aces-

so à cidadania russa são simplificados.

O objetivo é atrair principalmente a população de língua russa de países vizi-

nhos, incluindo a Ucrânia, o Cazaquistão, o Uzbequistão, a Moldávia e outras re-

públicas ex-soviéticas. Mas também tem como alvo os estrangeiros que querem

“integrar-se à sociedade russa”.

O despovoado leste

A desigualdade na ocupação do território é outro problema para as autoridades

russas.

Segundo um documento do Conselho Russo de Assuntos Internacionais, “a Rús-

sia entende que tem uma crise demográfica em curso, especialmente nas regiões

da Sibéria e do Extremo Oriente”.

E é por isso que esse plano de imigração visa a “atrair estrangeiros e imigrantes

para repovoar essas áreas com baixa população”.

Isso não é algo novo. De acordo com o serviço russo da BBC, desde o colapso

da União Soviética, houve numerosos programas para receber imigrantes “etnica-

mente russos” das antigas repúblicas soviéticas.

O objetivo desses programas, por meio dos quais os imigrantes podiam obter a

nacionalidade russa, era repovoar essas áreas remotas. As famílias que se muda-

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ram para a Rússia receberam terras e uma quantia em dinheiro (aproximadamente

US$ 6,5 mil).

“Não se podia escolher o local onde você ia morar; era o governo que escolhia,

e geralmente se tratava de lugares remotos, sem serviços sociais, sem escolas…”,

explica Anastasia Uspenskaya, repórter do serviço russo da BBC.

Como resultado, menos de 1 mil pessoas se candidataram a esses programas.

Segundo uma análise do centro de estudos Stratfor, a Rússia enfrenta o risco de

tensões étnicas com a chegada de imigrantes do Cáucaso e da Ásia Central.

“A Rússia não é tradicionalmente propensa à imigração; é uma sociedade fecha-

da”, diz Anastasia Uspenskaya.

Para Gregory Feifer, a Rússia “é um lugar muito difícil para os imigrantes vive-

rem e trabalharem”.

“Em teoria, a Rússia seria o destino ideal para imigrantes de países fronteiri-

ços da Europa Oriental e da Ásia Central, como o Tajiquistão, onde o salário médio

mensal é de US$ 15 por mês. Mas a sociedade é muito racista”, diz o analista.

“Especialmente os imigrantes de pele escura enfrentam discriminação e violên-

cia”, acrescenta.

Em Yakutsk, na Sibéria, fortes protestos contra a imigração foram realizados

em março passado, após o estupro de uma mulher por imigrantes da Ásia Central.

O plano de Putin está funcionando?

Após uma trajetória descendente durante vários anos, os números da Rosstat

mostram um aumento significativo no número de imigrantes nos primeiros meses

de 2019.

Entre janeiro e abril deste ano, houve uma “imigração estranhamente alta na

Rússia”.

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As estatísticas oficiais mostram que nesse período a população migrante cres-

ceu em 98 mil pessoas, em comparação com as 57,1 mil registradas no mesmo

período de 2018.

No entanto, nenhum dos planos anteriores do governo russo foi bem-sucedido.

Além disso, ainda é muito cedo para vincular esse aumento à nova política de

imigração do governo e estabelecer uma tendência.

Em qualquer caso, de acordo com uma análise da Stratfor, embora a Rússia

consiga atrair um número significativo de migrantes para mitigar o declínio de sua

população, isso terá um impacto pequeno nas previsões demográficas.

“Mesmo que a Rússia consiga aumentar substancialmente a imigração, isso não

vai garantir números suficientes para compensar o declínio em sua população”, diz

Feifer.

“As autoridades russas perceberam que suas estratégias anteriores para au-

mentar as taxas de natalidade não funcionavam, e agora eles estão falando sobre o

incentivo à imigração, mas é tudo da boca para fora. Não acho que isso vai resolver

os problemas”, conclui

2.3.4 China

A China é ainda atualmente a maior demografia global ao concentrar 18% de

todos os habitantes do Planeta, muito embora seus indicadores de crescimento

populacional já estejam totalmente estabilizados. Além disso, em termos econômi-

cos-produtivos, já tornara-se ao mesmo tempo o maior produtor de produtos

industriais e também o maior consumidor de insumos energéticos.

População Global 2019 (estimativa):

• 1º China: 1,415 bi

• 2º Índia: 1,356 bi

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• 3º EUA: 326 mi

• 4º Indonésia: 266 mi

• 5º Paquistão 215 mi

• 6º Brasil: 200 mi

Em 2018, o Partido Comunista, o único poder mandatário constituído, acaba

formalmente com os limites do mandato para a presidência de Xi Jinping, abrindo

caminho para um governo vitalício do atual líder do país.

Dos 2.964 delegados que votaram sobre a matéria no Congresso Nacional do

Povo (CNP), 2.958 se declararam a favor de revogar um limite de 10 anos para

mandatos presidenciais, com uma série de outras mudanças constitucionais para

consolidar o poder de Jinping.

Na verdade, o gigante oriental, de forma explícita, busca promover uma política

em que pelos próximos anos não haja espaço para que alteração de rumos institu-

cionais venham representar minimamente qualquer fratura frente à segura conduta

que, há décadas, o país vem perseguindo em torno de se consolidar ainda mais

como um gigante global em todos os segmentos possíveis.

Dentro deste contexto, a China ainda ostenta a maior taxa de crescimento eco-

nômico em comparação a todas as principais economias do mundo. Chama a aten-

ção, contudo, que o crescimento do PIB chinês em 2018 foi o menor desde

1990, tendo avançado “apenas” 6,6% em relação ao ano anterior, segundo dados

oficiais. Embora o país há mais de 10 anos não revele um crescimento econômico

na casa dos dois dígitos, ele segue de forma inequívoca um norte voraz, engolindo

mercados e também incrementando escalas de consumo internas. Ao decidir em

2018 manter Xi Jinping como líder por tempo indefinido, o Partido Comunista Chi-

nês não deixa dúvida alguma que seus estamentos políticos-institucionais são mais

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sólidos até que a própria Muralha da China. Com o encrudescimento das políticas

protecionistas ianques, sem meias-palavras exaradas desde a campanha por Do-

nald Trump e que vem sendo colocadas em prática através de taxações crescentes

à imensa gama de produtos feitos pelo maior parque industrial do mundo, a China,

inimigo número 1 declarado da economia dos EUA, segue inabalável, pois sabe bem

que no fundo tudo passará, inclusive Trump, menos o poder de seu Partido Comu-

nista e sua vocação rumo a liderança da economia global.

2.3.4.1 China, Hong Kong e Taiwan

Uma questão de atualidades do ano de 2019 para a China diz respeito a Hong

Kong e como a população da cidade-estado vem temendo (e protestando contra) o

controle chinês. Ao longo do segundo semestre de 2019, uma série de mani-

festações nas ruas da cidade-estado que pertence a China, mas que é go-

vernado com maior distensão política, demonstram o descontentamento

da população local frente a direção nítida do partido comunista chinês em

aumentar o controle sobre a localidade.

Vamos entender melhor a questão em tela:

Quando Hong Kong retornou ao controle de Pequim em 1997, seus habitantes

receberam a promessa de que manteriam por 50 anos as liberdades civis

e o Estado de Direito adotados durante o século e meio de colonização

britânica. A ilha nunca teve democracia, mas desfrutava de garantias inexistentes

na China continental, entre as quais a liberdade de imprensa e de expressão e um

Judiciário independente.

Apesar de faltarem ainda longos 28 anos (em 2019) para o ano 2047, quan-

do os 50 anos se completam, muitas das liberdades civis de Hong Kong

estão sob ataque da China continental. O alvo das manifestações vem

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em direção ao projeto de lei que permite a extradição para a China de

acusados da prática de crimes. Os críticos da proposta afirmam que ela abre

caminho para opositores políticos em Hong Kong serem enviados para julga-

mentos pelo nada independente sistema judicial de Pequim, no qual imperam

os desígnios do Partido Comunista.

No início do ano de 2019, Xi Jinping ofereceu aos taiwaneses a reunificação com

a China sob modelo de “um país, dois sistemas”, o mesmo adotado em Hong Kong.

Nas horas subsequentes à manifestação de domingo, a presidente da ilha, Tsai In-

g-wen, reiterou sua rejeição à proposta e manifestou solidariedade aos manifestan-

tes da ex-colônia britânica. “Nós estamos ao lado do povo amante da liberdade de

#HongKong. Em seus rostos, nós vemos o anseio pela liberdade & somos lembra-

dos de que a democracia arduamente conquistada de #Taiwan deve ser protegida

& renovada por cada geração”, escreveu Tsai em sua conta no Twitter.

Taiwan é a ilha para a qual fugiram os nacionalistas derrotados pelos comunistas

na guerra civil da China, encerrada em 1949. Governada de maneira ditatorial e

sob lei marcial até 1987, a ilha realizou sua primeira eleição direta para presidente

em 1996. “Hong Kong vive a realidade de ‘um país’ e a ilusão de ‘dois sistemas’”,

afirmou a porta-voz do Partido Democrático Progressista de Taiwan, Isis Lee, de

acordo com relato do jornal Taipei Times.

Em matéria do Portal G1, oriunda da BBC News, de 05/07/2019, vemos

a dimensão das principais diferenças que constituem o postulado regente,

ao menos nas relações entre Hong Kong e a China: ou seja; “um país, dois

sistemas”. Então vejamos com atenção:

Fonte: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/05/as-5-principais-diferencas-da-vida-em-
-hong-kong-e-na-china.ghtml

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MATÉRIA

As 5 principais diferenças da vida em Hong Kong e na China

Por 150 anos, Hong Kong foi uma colônia britânica; ao ser devolvido

aos chineses, o território teve assegurado até 2047 um grau elevado de

autonomia.

Hong Kong está em contagem regressiva para 2047. Se nada mudar, esse é o

ano em que o território passará a ser controlado completamente pela China.

A China cedeu Hong Kong ao Reino Unido em 1842 após a Primeira Guerra do

Ópio. Por cerca de um século e meio, o território foi uma colônia britânica.

E só foi devolvido aos chineses em 1997, quando Hong Kong passou a ser uma

região administrativa especial da China.

À época, ficou acertado que Hong Kong teria um grau elevado de autonomia,

o que inclui um sistema político e uma estrutura econômica próprios. A exceção

trataria das áreas de defesa e relações exteriores, ambas sob o controle da China.

O acordo de devolução sob um modelo chamado de “um país, dois sistemas”

duraria 50 anos.

No entanto, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer em 2047 com o ter-

ritório de 7,4 milhões de habitantes.

Há diferentes cenários possíveis. Além de passar a ser controlada integralmente

pela China, discute-se também a possibilidade de estender o prazo, de assegurar

independência total a Hong Kong ou até mesmo de firmar novos termos com a Chi-

na para uma solução intermediária.

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Em 2014, contudo, um conselho do governo chinês publicou um documento

oficial, chamado Livro Branco sobre Hong Kong. Nele, assinalavam que o objetivo

é a “reunificação do continente” e lembravam que o território tem autonomia sobre

assuntos locais desde que tenha permissão do poder central.

Analistas internacionais advertem que esse poder que Pequim tenta exercer

sobre Hong Kong está cada vez mais acentuado. Tem impulsionando também um

processo de homogeneização do território, na tentativa de diminuir as diferenças

que existem entre a China continental e o território semiautônomo.

Essa postura de Pequim tem gerado resistência em Hong Kong.

Milhões de pessoas saíram às ruas nas últimas semanas, inicialmente motivadas

por uma lei que autorizaria extradições de cidadãos locais ao território chinês pro-

priamente dito. Os protestos serviram também para externar a insatisfação

mais difusa de cidadãos de Hong Kong com Pequim.

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Na segunda-feira (1º), dia do aniversário da transferência da soberania sobre

Hong Kong do Reino Unido à China, manifestantes invadiram e ocuparam a sede do

Legislativo e depredaram seletivamente alguns símbolos da soberania de Pequim,

depois de semanas de imensas manifestações.

Mas você sabe quais são as principais diferenças entre a China e o território

semiautônomo?

A BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC News, listou cinco dessas

diferenças.

1. Sistema político

A República Popular da China é um Estado socialista comandada por um único

partido, o Partido Comunista chinês, ainda que existam outros partidos no país.

Segundo o estatuto do Partido Comunista do país, 90 milhões de filiados selecio-

nam 2.300 delegados que, por sua vez, votam nos 200 membros do comitê central.

Esse comitê é quem elege o Politburo com seus 25 integrantes, o comitê per-

manente que tem de cinco a nove membros e o secretário-geral que, na prática, é

o principal líder do partido.

Desde 2012, esse posto é ocupado por Xi Jinping, que também assumiu o cargo

de presidente da China em 2013.

Hong Kong, por sua vez, também tem como presidente Xi Jinping. Mas

o território tem o próprio governo.

O chefe do Executivo local é eleito por votação secreta por um comitê de 1.200

pessoas escolhidas pelo próprio governo central.

O mandato é de cinco anos e renovável por duas vezes consecutivas, no máxi-

mo. Desde 2017, a chefe do governo local de Hong Kong é Carrie Lam, que

condenou a violência e o vandalismo dos protestos mais recentes.

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Hong Kong também tem uma Assembleia Legislativa com 70 inte-

grantes, entre eles políticos, empresários, sindicalistas, professores,

líderes religiosos e até celebridades, eleitos (algo impensável na Chi-

na) por residentes com mais de 18 anos. Metade das vagas é ocupada por

representantes de regiões geográficas e a outra metade por representantes de

empresas ou associações.

Ainda que Hong Kong não seja uma democracia plena, a Assembleia é eleita por

um segmento mais diversos da sociedade se comparado à China continental.

Nos últimos anos, contudo, tem aumentado a demanda por mais democracia

em Hong Kong, com uma série de manifestações que se repetem nas ruas há mais

de uma década contra políticas e leis impostas pela China.

2. Sistema judicial

O sistema legal de Hong Kong é bastante distinto do modelo continental chinês.

Ele se assemelha ao sistema britânico, em que a transparência e indepen-

dência dos processos judiciais são prerrogativas previstas em lei – no caso

de Hong Kong estão na chamada Lei Básica, uma espécie de carta constitucio-

nal do território semiautônomo.

Na China continental, por sua vez, o Partido Comunista controla todos os aspec-

tos do processo judicial e críticos afirmam que é um sistema bastante corrupto que

não oferece garantias mínimas aos que são processados.

No entanto, a Lei Básica também está subordinada ao comitê permanen-

te do Congresso Nacional da China, que tem o poder de emitir uma interpreta-

ção final e vinculante das leis. Assim, nesse aspecto, a independência do sistema

não é integralmente garantida uma vez que Pequim tem a última palavra.

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3. Direitos civis

Ainda que Pequim tenha a última palavra em relação à legislação de Hong Kong,

os cidadãos do território semiautônomo têm uma série de liberdades civis exclusi-

vas. Diferente do resto da China, desfrutam de liberdade de imprensa, de

associação e de expressão.

No entanto, episódios nos últimos anos colocaram em xeque essas prerrogati-

vas.

Em 2014, líderes estudantis foram detidos e acusados de traição por terem par-

ticipado da “Revolução dos Guarda-Chuvas”, que ganhou esse nome em referência

aos guarda-chuvas usados como proteção do gás lacrimogêneo lançado pelas for-

ças de segurança. Estudantes foram às ruas contra a decisão de Pequim de fazer

uma reforma educacional na qual se exaltava nas escolas os valores comunistas.

Professores críticos ao sistema comunista também foram detidos, e livrarias

consideradas “subversivas” têm sido fechadas por publicarem ou venderem obras

com críticas ao regime chinês.

Ainda assim, a mídia e o acesso à informação em Hong Kong são visivelmente

mais diversos que no resto da China. Redes sociais como Facebook, Twitter,

WhatsApp, por exemplo, são permitidos sem restrições.

Cidadãos de Hong Kong também têm passaporte diferente dos chineses, que

permite viajar à maioria dos países do mundo, entre eles os EUA e aos Estados-

-membros da União Europeia sem necessidade de solicitar visto.

4. Economia

O modelo “um país, dois sistemas” permite que Hong Kong conviva,

paradoxalmente, com o socialismo e o capitalismo ao mesmo tempo no

mesmo lugar. Dessa forma, enquanto as empresas da China são regidas

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por um sistema comunista, controlados em sua maior parte pelo Estado,

Hong Kong tem um sistema livre de mercado.


A República Popular da China não interfere nas leis fiscais da região administra-
tiva e não cobra nenhum tipo de imposto.
A economia chinesa, assim como a de outros países em desenvolvimento, de-
pende principalmente da produção de matéria-prima e produtos manufaturados. Já
a economia de Hong Kong se baseia nos setores de serviços e finanças.
As moedas são distintas. Enquanto a China usa o yuan o território semiautôno-
mo tem o dólar de Hong Kong. A moeda de Hong Kong opera num câmbio vinculado
ao dólar dos EUA e se submete às regras do mercado internacional, algo que não
acontece com a moeda chinesa.
E a economia local é reconhecida por impostos mais baixos, livre comércio e pe-
quena interferência das autoridades governamentais nas atividades empresariais.

5. Idioma

A China continental e Hong Kong não falam a mesma língua. O idioma oficial da
China é o mandarim. No entanto, existem no país uma série de dialetos e outros
idiomas, entre eles o cantonês, que se fala em Hong Kong.
O mandarim, contudo, é ensinado em todas as escolas, inclusive em Hong Kong.
Mas no dia a dia, tanto nas ruas quanto no trabalho, o cantonês é mais falado no
território semiautônomo que o mandarim. O inglês também é usado, em especial
em placas de sinalização nas ruas e nos transportes coletivos.
Ainda que a maioria das pessoas em Hong Kong tenha origem chinesa e o território
pertença à China, muita gente não se identifica com os chineses. Várias pesquisas da
Universidade de Hong Kong mostram que uma parcela significativa da população se

identifica como “hongkongers” e que apenas 15% se identificam como chinês.

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Essa diferença é ainda mais forte entre os jovens. Levantamento feito em 2017

mostrou que apenas 3% das pessoas com idade entre 18 e 29 anos se declaravam

como chineses em Hong Kong.

3. Temas Globais Atualidades


3.1. Tecnologia

3.1.1 As Criptomoedas

Criptomoedas são moedas digitais descentralizadas, ou seja, sem con-

trole de bancos ou padrões do de lastro do tipo padrão-ouro. A primeira

moeda digital criada, e hoje a mais famosa, foi o BITCOIN, em 2008, que se utiliza

de uma tecnologia criptografada denominada blockchain, que é nada mais que

uma espécie de um tipo de livro – registro distribuído operado em uma rede do tipo

ponto-a-ponto (peer-to-peer) de milhares computadores, sendo que todos acabam

por deter uma cópia igual de todo o histórico de transações, impedindo que uma

entidade central promova alterações no registro ou no software unilateralmente

sem ser excluída da rede. No block chain a informação não é guardada numa única

fonte mas antes por vários utilizadores, que fazem a sua encriptação e verificação,

sendo o registo de alterações partilhado por todos.

O controle das criptomoedas reside em vários servidores ao mesmo tempo. Por

ser criptografada há um estrito protocolo de segurança. Ao processo de criação de

bitcoins denomina-se mineração, mas não é, logicamente, qualquer um que poderá

realizar esta criação de criptomoedas. Primeiro tem de haver um hardware extre-

mamente potente e pessoas interessadas na compra de sua moeda, vide que as

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moedas reais mais valorizadas são as que tem mais procura, como o dólar e a libra,

sendo que o mesmo ocorre com as criptomoedas. Há também a necessidade de se

obter uma chave de criptografia de peso, senão furam sua segurança e o negócio

“vai por água abaixo”.


Uma curiosidade sobre a bitcoin é que não se sabe bem ao certo quem criou a
moeda digital, tirando o nome com que assina, Satoshi Nakamoto. Mas suspeita-se
que este pode não ser o nome real, ou até representar na verdade um conjunto de
pessoas. O certo é que Satoshi Nakamoto – seja ele quem for – deixou-nos uma
tecnologia que podemos usar para criar o que quisermos. Não só a bitcoin já deu
origem a outras criptomoedas, usando o mesmo conceito de blockchain, como estão
continuamente a surgir novas ideias, serviços e empresas a utilizar a própria bitcoin.
Em 2014, chegou a ocorrer na revista americana Newsweek, em matéria de capa (a
seguir), que eles haviam descoberto o autor da bitcoin, um homem japonês de 64 anos
chamado Dorian Satoshi Nakamoto, residente nos arredores de Los Angeles. Dorian ne-
gou ser o criador da bitcoin; no impasse, apareceu o australiano Craig Wright, membro
de um grupo denominado Cypherpunks, o qual em maio de 2016 afirmou a vários órgãos
de imprensa ser o verdadeiro Satoshi Nakamoto, mas a sua versão não foi bem-aceita
por todos permanecendo o mistério e dividindo opiniões até hoje. Ao todo, o mundo só
poderá ter 21 milhões de unidades de Bitcoins. E já foram criadas mais de 16 milhões,
portanto tem-se 16 milhões de moedas sem pai. A estimativa é que a produção das crip-
tomoedas chegará a seu fim no ano 2140, já que sua geração se torna cada dia mais difí-
cil. Diante da finitude do bitcoin, seu sistema financeiro acompanha o processo de outras

moedas em que quanto maior a procura, mais alto tende a ser o seu valor de mercado.

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As Criptomoedas em 2019

Por: Prof. Luis Felipe Sampaio

Em 2019 as Cryptomoedas moedas de segunda geração ganham definitivamen-

te consistência. Enquanto as moedas de 1ª geração estiveram restritas a mercados

financeiros específicos, a segunda geração se move atualmente com vistas a rea-

lizar operações no mercado de varejo, tal qual já fazem a séculos as moedas tra-

dicionais. Contribuiu muito o fato de a gigante rede social Facebook anunciar que,

até 2020, colocará em órbita sua moeda virtual: Libra, tendo assim um público de

2,3 bilhões de pessoas que, via de regra, entrará em contato de alguma forma com

esta nova moeda. Seguindo a gigante rede social, o Telegram também anunciou

sua moeda para 2020 chamada Virtual Grand.

Já no Brasil, começa a funcionar em 2019 a Wibex… nossa primeira moeda vir-

tual voltada ao comércio do varejo, ou seja, de segunda geração fora apenas do

ciclo de mercado de investimentos

Entre 2017 a 2019, a pioneira criptomoeda criada, o Bitcoin, proporcionou uma

rentabilidade absurda. Segundo matéria de capa da Revista IstoÉ (ed.2594), inti-

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tulada: Cripto Moedas… Você ainda vai usar, seu valor saiu de $960, chegando a 20

mil (para se estabilizar em fins de 2019 na casa dos $10 mil). Nada mal. 1.000%

de lucro em pouco mais de dois anos.

As transações com moedas criptografadas ganham cada vez mais espaço, asse-

guradas pelos protocolos Blockchain e a criptografia. No Brasil quem comercializa

das moedas são as chamadas exchanges, ou corretoras. Segundo a associação bra-

sileira de criptomoedas – Abcrip, já são mais de 30 essas instituições. Interessante

perceber que, contrariando nossa tendência intervencionista e controladora estatal,

o Banco Central vem sinalizando ao longo dos últimos anos uma liberalização por

aqui para este mercado que ganha corpo velozmente em nosso país.

3.1.2 A Computação em Nuvem

Embora muitas pessoas apresentem a computação em nuvem como a próxima

tendência, a ideia é quase tão antiga quanto o próprio computador.

O conceito surgiu em meados da década de 1960 a partir das ideias de pionei-

ros como J. C. R. Licklider (a influência mais importante no desenvolvimento da

ARPANET – Advanced Research Projects Agency Network – do Departamento

de Defesa dos Estados Unidos, que foi a primeira rede operacional de computado-

res à base de comutação de pacotes, e o precursor da Internet foi criada só para

fins militares), que imaginava a computação na forma de uma rede global, e John

McCarthy (que cunhou o termo “inteligência artificial”), que definia a computação

como uma utilidade pública. Alguns dos primeiros usos foram vistos no processa-

mento de transações financeiras e dados do censo.

Em 1997, o termo “computação em nuvem” tal como conhecemos foi utilizado

pela primeira vez pelo professor de sistemas de informação, Ramnath Chellappa.

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Dentro de apenas alguns anos, as empresas começaram a trocar o har-

dware por serviços em nuvem, pois foram atraídas pelos benefícios como

a redução nos custos e a simplificação em questões de pessoal de TI. O

benefício número 1 mencionado no mercado corporativo é a eficiência.

Ao executar certas aplicações que compartilham fotos com milhões de usuários

móveis, ou ao realizar operações essenciais para a vida de sua empresa, atualmen-

te são as plataformas de serviços em nuvem que oferecem acesso rápido a recur-

sos de TI flexíveis e de baixo custo. Com a computação em nuvem, não é preciso

realizar grandes investimentos iniciais em hardware e perder tempo nas atividades

de manutenção e gerenciamento desse hardware. Este que é o pulo do gato recen-

temente. Em vez disso, é possível provisionar exatamente o tipo e tamanho corre-

tos de recursos computacionais necessários para executar a sua mais recente ideia

ou operar o departamento de TI. Você pode acessar quantos recursos forem

necessários, quase instantaneamente, e no fim pagar apenas pelo que usa.

A computação em nuvem oferece uma forma simplificada de acesso a servido-

res, armazenamento, bancos de dados e um conjunto amplo de serviços de apli-

cação na Internet. Assim, uma plataforma de serviços em nuvem, como a Amazon

Web Services, é proprietária, fazendo a manutenção do hardware conectado à rede

necessário para esses serviços de aplicação, enquanto você provisiona e utiliza o

que precisa por meio de uma aplicação web. Vale destacar que um dos problemas

da computação em nuvem é a necessidade de internet para seu funcionamento, na

medida em que ela só funciona em rede.

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A China e o 5G

Por: Luis Felipe Sampaio EM 10/10/2019

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Enquanto os EUA comandaram no início da década que se finda a implemen-

tação e uso global da tecnologia 4G, agora é a China quem lidera a implantação

do 5G, sendo este um dos pontos mais importantes na Guerra Comercial entre

Estados Unidos e China. A Huawei, uma empresa chinesa, é líder em tecnologia

e em redes de internet sem fio. Dessa forma, a empresa lidera o mercado de

tecnologia na China.

Após a reunião do G-20, em Osaka, no Japão, realizada em fins de jul./2019,

Donald Trump deixou as sanções que tinha imposto sobre a Huawei, ao menos

momentaneamente, de lado. A empresa da China esteve impedida de algumas


forma de fazer negócios com companhias norte-americanas. Dessa forma, o
presidente dos EUA alegara que a tecnologia chinesa representava riscos à se-
gurança de seu país a medida que China anuncia claramente que implantará as
redes 5G já em 2020.
A rede 5G além de otimizar, em 20 vezes, a velocidade de dados nos dispositi-
vos móveis, como celulares, proporcionará novidades como carros autônomos. “O
país que dominar o 5G liderará várias dessas inovações e estabelecerá os padrões
para o restante do mundo”, diz um comunicado do Departamento de Defesa (DoD)
americano.
A guerra entre os EUA e CHINA sobre a Huawei teve folego curto, parece, mas
enlaces interessantes: No dia 15 de maio, o presidente dos EUA, Donald Trump,
declarou a proibição de negociações de tecnologia americana sem a permissão do
governo. Ademais, Trump colocou a Huawei em sua “lista negra”. Em junho, o man-
datário norte-americano disse que empresas americanas teriam permissão para
vender para a Huawei. Entretanto, não poderia representar perigo a segurança na-
cional. No dia 10 de julho, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos disse
que empresas norte-americanas poderiam voltar a fazer negócios com a Huawei.

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“Para implementar a diretriz da cúpula do G20 do presidente há duas semanas, o


Commerce emitirá licenças onde não há ameaça à segurança nacional dos EUA”,
afirmou o secretário Wilbur Ross sobre a Huawei. Membros do governo norte-ame-
ricano afirmaram que a líder chinesa em tecnologia é um “instrumento do governo
da China“. Veremos assim o que acontece nessa guerra nos próximos capítulos

3.1.3 O Conceito de Big Data e seus Usos

Em informática, big data significa o conjunto de informações armazenadas. Atu-


almente, este termo vem sendo cada vez mais utilizado, sendo o big data um con-
junto de tecnologias que permite que os dados possam ser trabalhados sobre três
perspectivas não consideradas antes do surgimento do conceito:

• Volume: a cada dia, novos dispositivos são inseridos nas redes e passam a en-

viar e receber informações dos mais diversos tipos. Devido a este crescimento,

surgiu a ideia de gerenciar essas informações e utilizá-las para agregar valor.

• Variedade: da mesma maneira que há diversos tipos de dispositivos que geram

informações, existem também diversas formas de dados, como textos, imagens,

vídeos, dados de sensores e de localização e outros. Com as tecnologias de big

data se torna possível analisar e gerenciar todos estes tipos de informações.

• Velocidade: mesmo que os dados existam em grande volume e em uma enor-

me variedade de formas, com o big data será possível que eles sejam tratados.

Esse é um desafio para as organizações, já que a velocidade da produção desses

dados vem aumentando rapidamente.

A análise adequada de tais grandes conjuntos de dados alinhavados

permite encontrar novas correlações, como por exemplo: tendências de

negócios no local, prevenção de doenças, combate à criminalidade e assim

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por diante. Cientistas, empresários, profissionais de mídia e publicidade e Go-

vernos regularmente enfrentam dificuldades em áreas com grandes conjuntos de

dados, incluindo pesquisa na Internet, finanças e informática de negócios.

Em empresas, o uso hoje ainda mais ostensivo do big data, faz anos que um

número cada vez maior de organizações, de diversos portes e segmentos se utili-

za do big data analytics como ferramenta de apoio estratégia para melhorar seus

processos de trabalho, e adquirir aquilo que se denomina como “insights”, ou seja,

instrumentos valiosos acerca das tendências de mercado, comportamento dos con-

sumidores e suas expectativas. Os big datas vêm com esta função, ou seja, auxiliar

as empresas a entender a fundo o perfil de seus consumidores, através de uma

rede de dados que se cruzam e fornecem perfis variados

3.1.4 O Carro Elétrico

O carro elétrico chegou para ficar e nenhuma grande empresa do ramo de pro-

dução automobilística atualmente quer estar de fora deste filão.

Mesmo com vários problemas como alto custo de produção (e prejuízos), e di-

ficuldades técnicas em relação principalmente à autonomia das baterias de lítio, as

mesmas de seu celular, não há dúvidas: o futuro do automóvel será elétrico.

No ano de 2017, a Tesla Motors, fundada nos EUA em 2003, passou a Ford (que

fabrica carros desde 1899) em valor de mercado (U$$ 49 bi vs. U$$ 46 bi). Volvo

e Land Rover anunciaram o banimento de sua linha de carros a propulsão interna

(gasolina e diesel) em 2020.

Na Alemanha a VolksWagen anunciou no início de 2019 para os próximos anos

a incrível marca de 50 bilhões de dólares em investimentos em sua linha elétrica,

dando a indicar que já em 2022 não fabrique também carros que queimem com-

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bustíveis fósseis. Na BMW a promessa para os próximos anos é de mais de 25 mo-

delos elétricos (eles já fabricam o urbano i3 e o belíssimo esportivo i8), inclusive

modelos da Rolls Royce, marca estandarte de luxo as quais são donos atualmente.

É interessante notar que os carros elétricos atualmente dão prejuízo às em-

presas. A GM, por exemplo, perde 9 mil dólares mais ou menos a cada modelo

Bolt vendido nos EUA. A Tesla, referência global em carros elétricos, com mo-

delos ultraesportivos que chegam a ser mais velozes que Ferraris e Porsches,

teve prejuízo de quase 700 milhões de dólares somente 2017. Então porque

será que as empresas se jogaram tão fortemente nestes últimos anos, tempos

de queda, inclusive, no preço internacional no preço do barril entre 2012-2016,


no mercado de carros elétricos?
A razão tem a ver com as diretrizes empreendidas pelos principais países do mundo
acerca de suas políticas ambientais e de produção industrial(as quais são desassoci-
áveis). Em período não maior que três anos (desde 2015), a Alemanha anunciou que
proibirá a fabricação de carros a diesel ou gasolina (ou qualquer motor do tipo propul-
são interna) até o ano de 2030 (e seu banimento completo da frota local até 2050). Na
França em 2040 não poderão ser mais fabricados carros a propulsão interna. Na China,
maior mercado disparado de venda de automóveis no mundo, já em 2020, 10% dos
carros deverão ser obrigatoriamente fabricados com motores elétricos, em taxas que
crescerão ao longo dos anos. As lideranças do Partido Comunista, com seu ambicioso
projeto Made In China 2025, de serem autossuficientes em uma série de setores, veem
esses veículos não apenas como uma forma de limpar os céus poluídos das grandes
metrópoles chinesas, mas também como uma forma de projetar a China nesse mercado
de ponta, assim como tenta fazer em campos como a energia solar e a biotecnologia.
É interessante perceber, contudo, que com a atual matriz enérgica chinesa, rondando
a casa dos 50% de participação do carvão mineral queimado em termoelétricas, se do

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dia para a noite todo os carros se tornassem elétricos a poluição atmosférica faria era
aumentar por lá, mas isso é outra história.

3.1.5 A Internet das Coisas

Matéria sobre o fenômeno recente da Internet das Coisas, publicada na versão


on-line, da Revista Época Negócios demonstra as possibilidades de uso desta ferra-
menta em uso cada vez mais crescente.
Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2019/03/conheca-6-aplicacoes-da-
-internet-das-coisas-que-ja-estao-tornando-o-mundo-melhor.html

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Conheça 6 aplicações da internet das coisas que já estão tornando o mun-

do melhor

Da tecnologia agrícola à limpeza do ar, os dispositivos inteligentes funcionam como

aliados importantes para resolver os problemas da humanidade

Engana-se quem pensa que, no futuro, a internet das coisas ajudará a resolver

problemas urgentes da humanidade como as superpopulações urbanas e o aque-

cimento global. Na verdade, essa nova tecnologia já está sendo usada em diferen-

tes áreas, com resultados de impacto. Num universo de mais de 4 bi. De pessoas

utilizando Internet no Planeta. Já é possível ver aplicações práticas da internet das

coisas na organização do trânsito, na agilização de tratamentos médicos e também

na preservação do meio ambiente., sempre condicionada à capacidade humana de

analisar os dados que os dispositivos conectados geram.

Segundo o Gartner, em 2020 já serão 25 bilhões de objetos conectados à inter-

net – um crescimento exponencial sobre os 4,8 bilhões de 2015. De acordo com a

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consultoria, a tendência é que a internet das coisas esteja cada vez mais presente

na vida de todos – e, espera-se, com resultados positivos.

Recentemente, o Fórum Econômico Mundial listou seis áreas nas quais a IoT já

faz toda a diferença. Confira a seguir.

1. Cidades mais Inteligentes

Hoje, mais da metade da população mundial já vive em ambientes urbanos. Em

2050, a previsão da ONU é que a proporção suba para dois terços. Por isso, é

fundamental cuidar para que as cidades sejam lugares sustentáveis e bem organi-

zados, que suportem o peso das mudanças climáticas e a chegada de mais milhões

de habitantes.

A internet das coisas vem ajudando várias cidades a cumprir esse objetivo. Em

Barcelona, na Espanha, o uso de água para irrigação em jardins e fontes públi-

cas já é controlado digitalmente, evitando desperdícios. O mesmo acontece com o

sistema de iluminação pública, que tem postes dotados de sensores de presença,

usados como roteadores para conexão Wi-Fi.

Também em Barcelona, um sistema implantado nas vias públicas avisa os moto-

ristas sobre lugares disponíveis para estacionar seus carros. Por meio de sensores

no asfalto, sinais são emitidos para um aplicativo, ajudando o motorista a estacio-

nar rapidamente, o que reduz o trânsito e as emissões de gases pelos veículos.

2. Limpeza do ar e da água

Cidades que sofrem muito com a poluição têm direcionado esforços para me-

lhorar a qualidade do ar e da água. Em Londres, onde 9 mil pessoas morrem

anualmente em função de problemas respiratórios, a Drayson Technologies está

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distribuindo para os cidadãos pequenos aparelhos que medem o nível de poluição

do ar. Eles podem ser plugados em carros e bicicletas, circulando com os veículos

pela cidade.

Os sensores transmitem as informações para o aplicativo da empresa. O app,

por sua vez, consolida as informações num único servidor, permitindo aos londrinos

conferir um mapa digital da qualidade do ar em cada ponto da cidade.

Uma ideia semelhante foi levada a Oakland, na Califórnia, pela startup Aclima,

em parceria com o Google e o Fundo para Defesa do Ambiente (EDF). Nesse caso,

os sensores foram distribuídos pelos carros do Google Street View, e as informa-

ções ficarão disponíveis para que os especialistas trabalhem em ações para reduzir

a poluição no ar.

3. Agricultura mais eficiente

O campo também se beneficia da internet das coisas. Na Califórnia, depois que

uma seca histórica prejudicou os agricultores locais no início da década, drones que

fazem imagens aéreas e sensores de qualidade do solo ajudaram os produtores a

identificar os melhores locais para plantar as novas safras.

Esses recursos já estão presentes também no Brasil. Startups como a

Agrosmart instalam junto às plantações sensores meteorológicos que identificam

indicadores como a radiação solar, direção do vento, pressão barométrica e o pH

das espécies. O mapeamento aéreo com o uso de drones também já é usado por

aqui, assim como tecnologias para máquinas semeadeiras, que mostram em tem-

po real aos controladores se toda a extensão do solo está sendo usada de forma

adequada.

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4. Menos desperdício de comida

Enquanto quase um bilhão de pessoas ainda sofrem com a fome e a desnu-

trição nos países mais pobres, um terço da comida produzida anualmente para

o consumo humano é perdido ou estraga em algum ponto da cadeia de abaste-

cimento, segundo a FAO – órgão da ONU que investiga questões relacionadas

à alimentação.

Há como reduzir a dimensão do problema usando a internet das coisas,

mais uma vez agindo no ambiente rural. Uma possibilidade é monitorar pro-

cessos como irrigação, polinização e a fertilização do solo, e fornecer relatórios

a fazendeiros. É o que faz a startup israelense Prospera, que também tem um

software de gestão para que os produtores gerenciem suas vendas e evitem

perdas no transporte das mercadorias.

Na África, onde a logística é mais precária, empresas semelhantes, como Far-

merline e ArgoCenta, atuam para ajudar pequenos produtores a canalizar seus

produtos rapidamente a distribuidores. Nos aplicativos, eles encontram empresas

fabricantes de alimentos interessadas em vários tipos de ingredientes, além de co-

tações atualizadas de mercado para determinar o preço correto.

5. Conectando pacientes e médicos

Os sensores conectados também já são usados na medicina. Em vários países,

já são usados em vários países dispositivos vestíveis que medem batimentos

cardíacos, pulso e pressão sanguínea dos pacientes, deixando seus médicos infor-

mados o tempo todo. Isso não só nos hospitais, mas também nas próprias casas

dos pacientes, no caso daqueles que enfrentam risco constante.

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Tecnologias do tipo também ajudam a controlar epidemias como a de ebola,

que eclodiu em 2015 no oeste africano. Na época, o Instituto de Pesquisa Scri-

pps levou à região aparelhos que medem indicadores de risco nas pessoas com

o vírus. Com os dados transmitidos via Bluetooth, foi reduzida a necessidade de

interação física de médicos com pacientes infectados, ajudando no controle da

transmissão da doença.

6. Combatendo o câncer de mama

Com previsão de 59,7 mil novos casos entre as mulheres brasileiras no biênio

2018-2019, segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca),

o câncer de mama já é alvo de diversas campanhas de conscientização no programa

Outubro Rosa. Mas o combate pode ser potencializado pela internet das coisas.

A mamografia tradicional pode falhar em identificar a doença nos estágios ini-

ciais. Para resolver o problema, a Cyrcadia Health desenvolveu a ITBra. O equipa-

mento consiste em um top com microssensores que identificam mínimas variações

de temperatura na região dos seios. Ao transmitir as informações para o smartpho-

ne da usuária ou para o médico, os dispositivos ajudam os profissionais da saúde

a identificar padrões que possam representar um perigo para a saúde da mulher.

A Cyrcadia está testando a solução na Ásia, onde questões culturais impedem

uma conscientização mais ampla e tornam o câncer de mama ainda mais letal. Es-

pera-se que, em breve, a empresa leve seu produto para outros países.

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3.2. O Aquecimento Global

Tema recorrente em Atualidades, o aquecimento global responde pelas escalas

de alterações climáticas percebidas em todo Planeta, as quais não se restringem

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apenas ao aumento da temperatura global em si, mas a toda uma gama de

padrões de alterações em inúmeros eventos, tais quais tempestades, on-

das de seca, avanço ou retração dos mares e geleiras, entre outros. Nesta

parte inicialmente, abordaremos alguns dos principais temas de atualidades sobre

este tema extremamente importante que, portanto, merece muita atenção.

3.2.1 O IPCC e suas Conclusões Alarmistas

O principal documento balizador sobre as alterações climáticas é o IPCC – In-

ternational Painel of Climate Change, ou Painel Intergovernamental de Mudanças

Climáticas –, um arrazoado de estudos feitos por milhares de cientistas ao redor do

mundo, os quais são coletados pela ONU e servem a que se exprima as observações

da comunidade científica acerca do estado da arte sobre as mudanças climáticas.

Há 30 anos (em 1988), a ONU apresenta o seu primeiro IPCC. A época este do-

cumento inovador era bastante reticente em determinar que o aquecimento global

em curso possuía responsabilidades antrópicas. Mas hoje tudo mudou, e os mais de

2.000 cientistas envolvidos nos últimos documentos apresentados – o 5º de 2014,

e o 6º, o mais recente, apresentado em set./2019 – são contundentes ao afirmar

que a Terra vivencia um severo processo de aquecimento global, em que

algo em torno de 95% desta dinâmica possui vinculação à causa da ação

humana (o viés antrópico). Logo, a produção industrial, os usos de energia, as

práticas agrícolas e formas como nos transportamos estão na base do processo de

aquecimento global.

O mundo aqueceu e, segundo o que se contata atualmente, em média de 0,9ºC

entre o período compreendido de 1880 a 2012. A atmosfera e os mares aque-

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ceram, o gelo e a neve diminuíram, e as concentrações de gases do efeito

estufa aumentaram. Cenários drásticos.

A manifestação do fenômeno sobre o mundo, bem como dos seus efei-

tos, não é uniforme, vale o destaque, e o Ártico é onde o aquecimento se

faz sentir com maior intensidade. Sobre tal assunto (o aquecimento do Ártico),

abordaremos com maior profundidade um pouco mais à frente e ainda nesta aula, ok?

Mas vamos por partes: antes de iniciarmos uma leitura sobre as principais cons-

tatações dos últimos IPCC – os painéis da ONU sobre a mudança climática, apre-

sentados em 2014 e, mais recentemente, em Setembro de 2019 –, vamos nos

debruçar primeiramente sobre o conceito de Gases de Efeito Estufa, os GEE,

a base do processo de aquecimento global, ok?.

Então, vamos juntos:

Os GEE, ou Gases de Efeito Estufa, são uma gama de gases que ocorrem

naturalmente na atmosfera terrestre os quais permitem a retenção do ca-

lor. Sem eles a atmosfera seria gélida, e não haveria a biodiversidade e a

possibilidade de vida como conhecemos. Assim, são elementos de vital impor-

tância à vida no Planeta.

E os Gases de Efeito Estufa ocorrem naturalmente na atmosfera, e em

proporção menor que 1% na composição normal do ar, sendo denominados como

gases-traço exatamente por causa da baixíssima proporção que representam na

composição atmosférica.

Lembrando que a atmosfera é constituída pelos seguintes elementos em ordem

proporcional:

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• Nitrogênio: 78%

• Oxigênio: 2º%

• Argônio: 1%

• Outros gases: menos de 1%

Vista antes a importância e, ao mesmo tempo, a ínfima parcela que os GEE – Gases

de Efeito Estufa – possuem, é importante sabermos a gama destes gases de forma

resumida: A seguir, tem-se a nomenclatura e os nomes dos GEE mais comuns:

• CO2 – Dióxido de Carbono

• N2O – Óxido nitroso

• CH4 – Metano

• CFCs – A gama de Clorofluorcarbonetos

• HFCs – A gama de Hidrofluorcarbonetos

• PFCs – Os Perfluorcarbonetos

• SF6 – Hexafluoreto de enxofre

Bom, seguindo: Uma questão crucial sobre os gases de efeito estufa re-

side no fato de que estes elementos de retenção do calor na atmosfera

vêm sendo adicionados de forma artificial na atmosfera, em função, exa-

tamente, das atividades antrópicas empreendidas ao longo dos dois últi-

mos séculos (período industrial), ocasionando um padrão de aumento da

temperatura global fora dos padrões normais esperados.

As matrizes destas emissões de GEE residem em 4 campos fundamentais:

1 – Produção de Energia

2 – Atividades Industriais

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3 – Uso de Transportes

4 – Produção Agrícola

A seguir, um ranking recente acerca dos países que mais emitem Gases

de Efeito Estufa no mundo:

Fonte: https://www.google.com.br/searchbiw=1584&bih=772&tbm=isch&sa=1&ei=M5ºOXZPo-
GYPM5ºUP1rqXWA&q=gases+de+efeito+estufa&oq=gases+de+efeito+&gs_l=img.12…0.0..4109…0.
0..0.0.0…….0……gws-wiz-img.ilIMj4vL78c&ved=0ahUKEwjTze2sjPLkAhUDJrkGHVbdBQsQ4dUDCAc

Note inicialmente, no topo do ranking, que a China ultrapassa as emissões dos EUA

no início da década passada (por volta de 2005) e hoje já se posiciona possuindo

praticamente o dobro das emissões norte-americanas. No caso do Brasil, faz duas

décadas que ficamos entre o 6º ou 7º no total de emissões, o que de certa forma

corresponde ao nosso contingente populacional pois somos, em 2019, a 6a maior

população no mundo).

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Sobre o último relatório do IPCC 2019 (que referenda o que no docu-

mento anterior de 2014 fora expresso), eis algumas das conclusões a se-

guir. Vale uma leitura atenta deste quadro alarmante em resumo, caro(a)

aluno(a)!

• A principal causa do aquecimento presente é, com elevadíssimo grau de

certeza, a emissão de gases de efeito estufa pelas atividades huma-

nas, com destaque para a emissão de gás carbônico. A evidência indicando

a origem humana do problema se fortaleceu desde os relatórios anteriores

(2007 e 2014).

• As três últimas décadas foram as mais quentes desde 1850.

• Os oceanos têm acumulado a maior parte do aquecimento, servindo

como um amortecedor para o aquecimento da atmosfera, estocando mais

de 90% da energia do sistema do clima e muito gás carbônico. Na medi-

da em que o oceano aquece, ele perde capacidade de absorver gás

carbônico, o que pode acelerar os efeitos atmosféricos quando ele

atingir a saturação.

• O mar está se tornando mais ácido pela continuada absorção de

gás carbônico.

• O aumento da acidez nos oceanos causa mortandade de recifes (ambiente

de imensa biodiversidade marinha) e animais marinhos variados (como

peixes, crustáceos, entre outros).

• De acordo com o relatório mais recente, de 2019, e em grau de conformida-

de ao que fora apresentado no documento anterior, de 2014, mesmo que as

emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas e o aquecimento global

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seja limitado a no máximo 2ºC, o nível das águas aumentará entre 30 e

60 centímetros até 2100. Se nada for feito para conter o aquecimento

global, esse crescimento pode chegar a 1 metro ou mais.

O Acordo do Clima de Paris de 2015 se baseou, acima de qualquer coisa, na

busca por ações globais e mecanismos realmente efetivos que fossem chance-

lados pelo maior número de países (e mais de 180 nações assinaram o com-

promisso) em busca de não se deixar o aquecimento global, até o ano de 2100,

ultrapassar 2ºC.

A elevação do nível do mar impactará diretamente fenômenos naturais que têm

relação com os oceanos, como marés altas, tempestades e ciclones tropicais. Um

exemplo disso é o furacão Dorian, que atingiu as Bahamas e os Estados Unidos no

início de setembro de 2019 e, segundo os especialistas, foi particularmente forte

por conta das mudanças climáticas.

• O gelo está em recuo acelerado na maior parte das regiões frias do mundo.

• O Permafrost, camada de solo que fica escondida embaixo do gelo, como no

caso da Groenlândia, vem sendo exposto cada vez mais por causa do aque-

cimento global. Com isso ocorre uma grande liberação de gás carbônico,

pois este solo possui concentrado bastante carbono que ao ser exposto vai,

naturalmente, para a atmosfera.

• O regime de chuvas, as correntes marinhas e o padrão dos ventos estão sen-

do perturbados, aumentando a tendência de secas e enchentes.

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• Os efeitos se combinam para gerar novas causas, tendendo a amplificar em

cascata o aquecimento e agravar suas consequências.

• Mesmo que as emissões cessassem imediatamente, haveria um aquecimen-

to adicional pela lentidão de algumas reações e pelos efeitos cumulativos. O

aquecimento produz efeitos de longo prazo e afeta toda a biosfera.

• Se as emissões continuarem dentro das tendências atuais, o aquecimen-

to vai aumentar, podendo chegar a 4,8ºC até 2100, e os efeitos ne-

gativos se multiplicarão e perturbarão todos os componentes do sistema

climático, com graves repercussões sobre o bem-estar da humanidade e

de todas as outras formas de vida. O mar subiria mais, ficaria ainda mais

quente e mais ácido, haveria mais perda de gelo, as chuvas ficariam mais

irregulares e os episódios de tempo severo, mais frequentes e intensos,

entre outras consequências.

• Evitar que as previsões mais pessimistas se concretizem exigirá uma rápida

e significativa redução nas emissões.

A conclusão dos especialistas após a publicação do novo documento não foi sur-

presa para ninguém: é preciso agir agora. “Só conseguiremos manter o aqueci-

mento global bem abaixo de 2ºC (…) se efetuarmos transições sem precedentes em

todos os aspectos da sociedade”, apontou Debra Roberts, uma das especialistas.

“Quanto mais decisiva e rapidamente agirmos, mais capazes seremos de en-

frentar mudanças inevitáveis, gerenciar riscos, melhorar nossas vidas e alcançar

sustentabilidade para ecossistemas e pessoas ao redor do mundo – hoje e no futu-

ro”, disse Roberts.

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3.2.2 O Painel sobre Mudanças Climáticas e Uso do Solo

Antes de ser apresentado este Painel de Setembro de 2019 em atualização ao

de 2014, um novo relatório especial do Painel Intergovernamental sobre

Mudanças Climáticas (IPCC) com o tema Clima e Uso do Solo foi apresen-

tado, se tratando de uma interessante inovação.

De fato, o relatório constatou que, uma vez que o solo sequestra quase um

terço de todas as emissões de dióxido de carbono causadas pelo homem, que será

impossível limitar a elevação da temperatura a níveis seguros sem alterar funda-

mentalmente a forma como o mundo produz alimentos e administra o uso da terra.

Confira alguns dos principais tópicos do relatório:

1. A maneira como estamos usando o solo está piorando as mudanças

climáticas

Cerca de 23% das emissões globais de gases de efeito estufa causadas pelo

homem provêm da agropecuária, da silvicultura e de outros usos da terra. A mu-

dança no uso da terra, como pela derrubada de florestas para dar lugar à pecuária,

impulsiona essas emissões. Além disso, 44% das recentes emissões antrópicas de

metano, um potente gás de efeito estufa, vieram da agropecuária, da destruição de

turfeiras e de outras fontes ligadas à terra.


2. Mas, ao mesmo tempo, o solo funciona como um enorme sumidouro
de carbono
Apesar do aumento do desmatamento e outras mudanças no uso da terra, as
terras ao redor do mundo estão capturando mais emissões do que emitem. De
2007 a 2016, o solo sequestrou 6 gigatoneladas (Gt) líquidas de CO2 por ano, equi-
valente a cerca de três vezes as emissões anuais totais de gases do efeito estufa

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do Brasil. Mais desmatamento e degradação da terra, no entanto, destruirão esse


sumidouro de carbono.

Fonte: https://wribrasil.org.br/pt/blog/2019/08/7-coisas-para-saber-sobre-o-relatorio-de-mu-
dancas-climaticas-e-uso-da-terra-do-ipcc

3. O mesmo solo do qual dependemos para estabilizar o clima está sen-


do atingido pela mudança climática
Os cientistas descobriram que a temperatura do solo aumentou 1,5ºC entre os
períodos de 1850 a 1900 e de 2006 a 2015, 75% a mais do que a média global (que
combina mudanças de temperatura tanto em terra quanto nos oceanos).

Esse aquecimento já teve impactos devastadores sobre a terra, incluindo in-

cêndios florestais, mudanças na precipitação e ondas de calor. Impactos adicionais

prejudicarão a capacidade da terra de agir como um sumidouro de carbono. Por

exemplo, o estresse hídrico poderia transformar as florestas em ambientes seme-

lhantes ao cerrado, comprometendo sua capacidade de sequestrar carbono, sem

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mencionar os danos aos serviços ecossistêmicos e à vida selvagem. O relatório

descobriu que “a janela de oportunidade, o período em que mudanças significativas

podem ser feitas para conter as mudanças climáticas dentro de limites toleráveis,

está se estreitando rapidamente”.

4. Várias soluções climáticas baseadas na terra podem reduzir as emis-

sões e/ou sequestrar carbono

O maior potencial para reduzir as emissões do uso da terra é conter o desma-

tamento e a degradação florestal, que podem evitar a emissão de 0,4 a 5,8 GtCO2

eq (gigatoneladas de carbono equivalente) por ano. Também precisaremos de mu-

danças em larga escala na forma como os alimentos são produzidos e consumidos

a nível mundial, incluindo mudanças na agropecuária, maior inclusão de vegetais

na dieta e redução do desperdício de alimentos e dos resíduos agropecuários.

Além de reduzir as emissões, o setor também pode remover dióxido de carbono

da atmosfera. O relatório concluiu que a restauração florestal e o reflorestamento

têm o maior potencial de captura de carbono, seguidos por melhorar o armaze-

namento de carbono no solo e pelo uso de bioenergia combinada com captura e

armazenamento de carbono (BECCS), um processo que utiliza biomassa para gerar

energia e captura e armazena o carbono resultante antes de ser liberado na atmos-

fera. Dito isso, os autores observam que a maioria das estimativas não leva em

consideração fatores como competição pelo acesso à terra e questões de susten-

tabilidade, de modo que o potencial real de remoção de carbono dessas soluções

pode ser significativamente menor do que a maioria dos modelos sugere.

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5. Muitas soluções climáticas baseadas na terra têm benefícios signifi-

cativos além da mitigação

O relatório descobriu que as seguintes soluções têm os maiores cobenefícios:

manejo de florestas, redução do desmatamento e degradação, aumento da quanti-

dade de carbono orgânico no solo, aumento do intemperismo mineral (um processo

de aceleração da decomposição de rochas para aumentar a absorção de carbono),

mudança de dieta e redução do desperdício de alimentos. Por exemplo, o aumento

do armazenamento de carbono do solo pode não apenas sequestrar emissões, mas

também tornar as culturas mais resilientes às mudanças climáticas, melhorar a

saúde do solo e aumentar a produtividade.

6. Algumas soluções climáticas baseadas na terra acarretam riscos e

contrapartidas importantes e devem ser buscadas com prudência

Por um lado, será importante ponderar os benefícios líquidos de qualquer inter-

venção. Por exemplo, o plantio de florestas em campos nativos poderia na verdade

diminuir a quantidade de carbono armazenada no solo, prejudicando um importan-

te sumidouro de carbono. Algumas intervenções podem reduzir as emissões, mas

causam outras mudanças que acabam aumentando as temperaturas.

Por exemplo, plantar uma floresta perene em altas latitudes tornaria as superfí-

cies mais escuras. Durante o inverno, ao invés de estar exposta, a camada de neve

estaria encoberta, aumentando a absorção da radiação solar – como ao trocar uma

camiseta branca por uma preta em um dia ensolarado. Plantar certas espécies de

árvores ou plantas pode ameaçar outras espécies e ecossistemas. E a maior parte

dos sumidouros biológicos de carbono eventualmente chegará a um ponto de sa-

turação em que não absorverá mais carbono. Além disso, a absorção de carbono

florestal futura não é garantida, uma vez que é provável que os incêndios florestais

e a propagação de doenças aumentem em um mundo mais quente.

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7. Soluções climáticas baseadas na terra que exigem grandes áreas

podem ameaçar a segurança alimentar e exacerbar problemas ambientais

Os esforços de redução de emissões e de remoção de carbono baseados no

uso da terra que exigem grandes áreas – por exemplo, o plantio de florestas

em grande escala e os cultivos para bioenergia – competirão com outros usos

da terra, como a produção de alimentos. Isso pode, por sua vez, aumentar os

preços dos alimentos, agravar a poluição da água, prejudicar a biodiversidade e

levar a uma maior conversão de florestas em outros usos da terra, aumentando

assim as emissões.

Além disso, o relatório constatou que, se o mundo não conseguir reduzir as

emissões em outros setores, como energia e transporte, dependeremos cada

vez mais de soluções baseadas na terra, exacerbando as pressões alimentares

e ambientais.

Aprendendo com o relatório do IPCC

Talvez o insight mais abrangente do relatório do IPCC seja sobre o delicado

ponto de equilíbrio entre uso da terra e estabilidade climática: acertá-lo pode

reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, criar cobenefícios significativos; errar

pode intensificar as mudanças climáticas e agravar a insegurança alimentar e

os problemas ambientais.

Na verdade nós podemos alimentar o mundo ao mesmo tempo em que com-

batemos as mudanças climáticas, protegemos as florestas e fazemos avançar a

economia – mas temos de melhorar a forma como produzimos e agimos sobre

o planeta.

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A seguir, apresento-lhes uma matéria interessante, publicada na ver-

são on-line da revista Exame, de 08/06/2019, sobre uma economia criati-

va que pode ser gerada pelas oportunidades do aquecimento global.

Fonte: https://exame.abril.com.br/blog/ideias-renovaveis/42-bilhoes-de-dolares-no-caminho-
-do-aquecimento-global/

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42 bilhões de dólares no caminho do aquecimento global

Esse é o valor que 91 empresas abertas da América Latina identificaram em opor-

tunidades da economia regenerativa, no combate ao aquecimento global

Se os governos de alguns países recuaram em relação ao desafio das mudanças

climáticas, pelo menos o setor privado parece ter acordado – e está agindo. Não é

só pela consciência de que o aquecimento global é uma ameaça ao planeta como

um todo, mas também porque as soluções para a crise climática têm o potencial

de aumentar a competitividade. E este caminho já está sendo trilhado por grandes

grupos empresariais da América Latina – que tem condição privilegiada para gerar

energia limpa, fornecer alimentos com menor impacto e produzir serviços e produ-

tos bons para o clima.

É isso o que mostram os dados do CDP, iniciativa criada há décadas pelos gran-

des fundos internacionais de investimento para catalisar o esforço privado pelo cli-

ma. Nas palavras de Lauro Marins, diretor executivo para a América Latina do CDP:

“Em 2018, 91 empresas de capital aberto, 895 fornecedores e 184 cidades da

América Latina reportaram suas informações por meio do sistema de divulgação

ambiental do CDP. Essas 91 empresas de capital aberto representam 90% do capi-

tal negociado em bolsa na região. Juntas, elas reportaram um valor 42 bilhões de

dólares em oportunidades identificadas na área de clima. Essas empresas fizeram

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um investimento de 5 bilhões de dólares, que resultou na redução do equivalente

a 921 milhões de toneladas de CO2.

Não foram só empresas que mostraram seus investimentos ao CDP. Também

184 cidades latino-americanas participantes reportaram conjuntamente ao CDP um

total de 326 projetos climáticos que estão buscando mais de 5,6 bilhões de dólares

de financiamento. Observa-se aí uma grande oportunidade para colaboração entre

o setor público e privado por meio de estratégias já bem conhecidas, como PPPs,

aliadas a novas abordagens como emissão de títulos verdes de projetos executados

pela iniciativa privada em áreas-chave para a resiliência urbana.

O senso de urgência é o que move esses atores a agir já, uma vez que o quinto

relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), lançado em

outubro de 2018, deixou claro que temos apenas 12 anos para reduzir as emissões

de gases de efeito estufa pela metade para evitar uma crise climática sem prece-

dentes na história da humanidade.

Essa é a janela de tempo de que dispomos para converter a crise em oportu-

nidade e botar de pé uma nova economia regenerativa, formada por soluções que

contribuam para reverter as mudanças climáticas e ao mesmo tempo gerem pros-

peridade para as pessoas. A Universidade de Michigan estima que o mercado para

produtos que capturam carbono da atmosfera, ajudando a reverter as mudanças

climáticas, movimentará de 800 bilhões a 1,1 trilhão de dólares por ano até 2030.

Esse novo mercado trará novas oportunidades de negócios e atuação profissional.

Aqueles que primeiro reagirem a esses sinais colherão os frutos do seu pioneirismo,

posicionando-se na liderança dessa nova e próspera economia.

É crescente o coro formado pela comunidade de negócios e governos subnacio-

nais de que a mudança climática é o principal vetor de riscos e oportunidades para

a economia e para a sociedade.

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Começamos a ver na América Latina um movimento similar ao que ocorreu nos

Estados Unidos após a eleição de Donald Trump, em que, diante dos retrocessos

vindos da Casa Branca em relação a políticas climáticas, a comunidade de negó-

cios, governos subnacionais e sociedade civil se reuniram em torno de uma coalizão

chamada We are still in (nós ainda estamos dentro). Esses atores levantaram as

suas vozes em apoio ao Acordo de Paris, se comprometendo a ajudar a alcançar os

objetivos climáticos nele traçados.

Um episódio recente no Brasil dá sinais de que esse contraponto também come-

ça a ganhar corpo no país. Depois de retirar a sua candidatura como sede da Con-

venção do Clima, o governo federal também tentou intervir na decisão da cidade

de Salvador de sediar a conferência Climate Week, evento tradicional no calendário

de discussões internacionais sobre clima. Apesar disso, o prefeito Antonio Carlos

Magalhães Neto se colocou à disposição da organização da Climate Week para rea-

lizar a conferência na capital baiana. Diante da pressão da sociedade civil, governos

subnacionais e empresas, o governo federal retrocedeu e decidiu apoiar a realiza-

ção da Climate Week. Experiências como essa levam especialistas a afirmar que os

governos subnacionais e os negócios terão papel protagonista para manutenção e

implementação das políticas climáticas no país.”

Uma amostra dessa discussão acontecerá nos dias 11 e 12 de junho, em São

Paulo, na primeira feira de negócios pelo clima da América Latina, uma realização

do CDP, O Mundo Que Queremos e WWF-Brasil, com apoio de EXAME. O evento

reunirá mais de 300 pessoas, incluindo prefeitos, CEOs de grandes empresas, fun-

dadores de start-ups de negócios pelo clima, lideranças jovens e financiadores. Ao

longo dos dois dias de evento, eles debaterão soluções tecnológicas, modelos de

negócios inovadores e também exemplos de ações coletivas e coordenadas entre

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setor privado, público e a sociedade civil para acelerar uma nova economia regene-

rativa capaz de reverter as mudanças climáticas e gerar prosperidade.

A feira trará ainda uma missão comercial patrocinada pelo Governo do Canadá

e uma comitiva de 15 cidades e start-ups latino-americanas, financiada pela Fun-

dação Konrad Adenauer. Esses grupos participarão de rodadas de negócios que

vão reunir mais de 200 participantes, entre representantes de prefeituras, grandes

corporações, start-ups e instituições financeiras – com a missão de consolidar a

posição da América Latina como um lugar privilegiado para fazer brotar iniciativas

boas para o clima.

**********************************************************

3.2.3 O Acordo de Paris e as Convenções Quadro da ONU sobre Mudan-

ça Climática

A década de 1990 representou um avanço nunca antes visto em torno da dis-

cussão acerca do aquecimento global. Foi quando os países (ao menos um gru-

po) se cotizaram pela primeira vez na história em torno de produzir um modelo e

consensos que pudessem, de forma efetiva, contribuir a mitigar tal preocupante

questão. A Segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o

Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, ou Rio 92, foi organizada pelas

Nações Unidas e, entre 4 a 14 de junho de 1992, ganhou lugar na cidade do Rio de

Janeiro obtendo uma imensa repercussão global.

E desta conferência um postulado importante foi parametrizado e regeu a ques-

tão relativa ao aquecimento global, isso longo das últimas décadas.

Vamos a ele:

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A ECO-92 consagra haver um compêndio de “responsabilidades comuns,

porém diferenciadas” em torno do aquecimento global. Ou seja, há uma

questão global, fato; o aquecimento global, e tal desafio deve, contudo, ser enca-

rado por todos os países como um compromisso (e entendimento) comum, porém

com níveis de assunção de responsabilidades que estejam baseados por contextos

históricos, estes quais atenentes a forma como cada grupo de países tem respon-

sabilidade na questão do aquecimento global.

Divide-se assim, aqueles países que haviam há tempos se industrializado (e

portanto tinham uma responsabilidade maior frente a questão do aquecimento glo-

bal), e em outra ponta os países tipificados como em desenvolvimento; conhecidos

também como “emergentes”, tais quais o Brasil, China e Índia, ou seja, nações que

iniciaram de forma tardia sua entrada no mundo industrial e, portanto, detentores

de parcelas ainda reduzidas de responsabilidades (até os anos 1990) acerca dos

padrões de emissões de gases de efeito estufa em nível global.

São as responsabilidades comuns, porém diferenciadas, corolário que atu-

almente, veremos, não cabe mais em 2019 para que se resolva de forma efeti-

va a questão do aquecimento global, mas que fora fundamental nos anos 1990

a que ali houvesse início um arcabouço de discussões (e ações) com vistas ao

estabelecimento de uma agenda global de enfrentamento desta importante

pauta ambiental.

Orientados pela ONU, planos e ações em torno do tema aquecimento global

começam a eclodir nos anos 1990, contudo ainda separando os países emergentes

(China, Índia, Brasil, hoje grandes emissores de gases de efeito estufa), daqueles

países que se industrializaram antes, leia-se: países da Europa, a União Soviética

e seus estados – satélites, mais o Japão, os EUA e Canadá).

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3.2.4 As Convenções Quadro da ONU para o Clima

A partir da ECO-92, no Rio de Janeiro, fica estabelecida uma agenda de encon-

tros anuais em lugares diferentes ao redor do globo com vistas a se discutir o aque-

cimento global. São as Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do

Clima – UNFCCC –, ou as Convenções do Clima e COP – Convenção das Partes.

Desde 1994 elas vêm sendo realizadas anualmente, sendo a primeira em Berlim.

Algumas destas convenções, e já foram 24 as realizadas até 2018, serviram apenas

a que de forma protocolar se discutisse a questão climática global, contudo outras

Convenções foram bastante importantes.

Para chegarmos ao contexto de atualidades recente sobre o tema, é importante

que entendamos o que fora estabelecido no longínquo ano de 1997, na 3ª COP,

realizada em Kyoto no Japão.

À época do Protocolo de Kyoto, há mais de 20 anos, a imensa maioria das emis-

sões globais de gases de efeito estufa eram atreladas a países industrializados,

porque estas nações detinham responsabilidades históricas sobre o aquecimento

global e foram grandes emissores de gases por séculos. Os países em desenvol-

vimento, em contrapartida, eram vistos como as maiores vítimas do clima, não

tinham, até ali, responsabilidades sobre o problema e, igualmente, não deveriam

também assumir ônus nem contribuir para a solução. O Protocolo de Kyoto de 1997

definiu limites e metas de redução para as emissões de gases de efeito estufa, para

um grupo de 39 países apenas. Ou seja, todos os países considerados como “de-

senvolvidos” acrescidos dos países do Leste Europeu mais a Rússia.

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Assim, o Protocolo só entraria (e entrou) em vigor quando a conta dos signatá-

rios envolvesse dois parâmetros:

1 – ao menos 55% dos países chamados (39 países) assinassem o acordo;

2 – e 55% das emissões de gases de efeito estufa no total no globo (e somados,

os 39 países representavam, à época, 78% das emissões globais de GEE) ratificas-

sem o mesmo protocolo.

Resultado: tais cotas só foram conseguidas quando a Rússia, em 2004, assinou

o acordo.

Vigorando, em termos reais, entre os anos de 2008-2012, o Protocolo de Kyo-

to ao estabelecer metas em média de redução de 5,2% de gases por parte

dos países signatários do acordo, não conseguiu ao fim (em 2012) reduzir

os níveis de emissão de gases de efeito estufa em enorme parte dos países

que se cotizaram. Ou seja, os próprios países envolvidos, em sua imensa maio-

ria, não conseguiram cumprir as metas de redução assumidas individualmente.

Contudo, vale destacar, o Protocolo de Kyoto foi um marco positivo, sem

dúvidas, pois nele (e pela primeira em toda história humana) um grupo de

países assumiu metas (voluntárias) de redução de Gases de Efeito Estufa.

Em 2019 a COP-25, a 25ª Conferência do Clima, deveria ser realizada no Brasil,

contudo nosso atual mandatário, Presidente Jair Bolsonaro, desistiu de sediar esse

encontro em nosso país. Pesaram em sua decisão, segundo declaração do próprio,

os fatos de que (e tal qual seu companheiro, Donald Trump, presidente norte-a-

mericano), a sua política externa em torno deste assunto é 100% refratária a que

a ONU vem propalando, além de considerar um desperdício gastar, segundo sua

contabilidade, uma quantia em torno de R$ 500 milhões para realizar-se no Brasil

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tal conferência. Assim, a conferência de dezembro de 2019 teve a sua realização

transferida para Santiago, no Chile.

O Acordo de Paris – 2015

Terminado o prazo de vigor de Kyoto (2012), uma nova costura para o clima

global que não envolvesse apenas um grupo de países (e pudesse resultar em um

novo protocolo de Kyoto) precisava ganhar corpo. Assim, ficou estabelecido que em

2015, na COP-21, de Paris, tal documento ganharia forma.

À mesa de negociação na “cidade luz”, pela primeira vez na história, em meio a

Ministros do Meio Ambiente, consultores, chanceleres, entre outros, conseguiu-se ali-

nhavar um acordo climático gigantesco e inédito, o qual envolveu mais de 190 países.

A COP-21 de Paris (2015) se torna, portanto, aquele que foi até então o

maior avanço em termos da discussão do clima global de todos os tempos.

Por ela fica estabelecido, primeiramente, um compromisso a longo prazo:

Limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC neste século. Depois fazer-se

esforços com vistas a limitar a elevação da temperatura global em nível

acima de 1,5º c. Assim, 195 países em primeira instância assinam o com-

promisso que envolve todos os maiores emissores de Gases de Efeito Es-

tufa do Mundo.

No mesmo documento, depois de serem atingidas as macrometas ci-

tadas, criar-se-á um modelo para se limitar as metas de emissões de GEE

nacionais, em que cada país proporia um limite próprio: são as chamadas

NDC (Contribuição Nacional Determinada).

Paris inovou também, pois o Protocolo não teria prazo determinado, tal

qual como o Protocolo de Kyoto, por exemplo e as suas diretrizes seriam

revisadas a cada 5 anos, com metas que, dentro de uma ótica em que en-

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quanto houver o problema (a emissão de gases de efeito estufa), se con-

jugariam em torno das necessidades de cada país.

Mas nem tudo são flores, pois dando seguimento ao que prometera na cam-

panha presidencial Donald Trump se retira do Acordo de Paris em julho de

2017, dando atualmente sinais de que poderia até voltar ao acordo, mas somente

se os interesses econômicos dos EUA estiverem acima de qualquer outra questão,

sendo um entrave, tal posição.

Um verdadeiro contrassenso e ponto anacrônico, na medida em que para

se reduzir as emissões de gases de efeito em uma imensa maioria dos

países, é mandatório que sejam alteradas as matrizes de produção ener-

gética, industriais e de transportes dos mesmos. E tais mudanças, via de

regra, promovem alterações econômicas e envolvem custos. Por fim, vale

destacar que mesmo com a saída dos EUA, o Acordo de Paris segue ainda

firme em seu rumo na busca de não se deixar que padrões calamitosos de

aquecimento global ganhem mais força.

3.3. A Questão do Ártico

Por fim, caro(a) aluno(a), atualmente a questão do aquecimento global passa

por uma discussão importante acerca da forma acelerada como o Ártico vem per-

dendo sua massa de gelo.

Situado ao Norte do Planeta, o Ártico é uma imensa massa oceânica de água

congelada que vem mudando conforme os cientistas já previam, mas de forma

muito mais acelerada.

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Nos últimos 3 anos apenas, vários recordes climáticos de aquecimento na imensa

área gélida em tela foram atingidos. Expectativas relativas emanadas por cientistas

de que, somente em algum dia do verão de 2100 pudesse haver degelo completo

do Ártico, já se encontram reduzidas em 60 anos. Possivelmente em 2040, segun-

do matéria publicada pela renomada revista Scientific American, em sua edição de

maio de 2018, um dia no verão será de degelo completo do ártico. A última vez,

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segundo os cientistas em que o Ártico esteve em tempestes temperatura parecida

com agora faz algo em torno de 125 mil anos, e os oceanos estiveram à época ele-

vados em comparação a hoje, em algo perto de 4 a 6 metros. Era outra situação e

nada se compara ao que vemos, em sua velocidade, como nestes tempos recentes.

Em 2018, a temperatura média no Inverno, para se ter uma ideia, no Ártico ficou

em 9ºC (!!!), mais elevada que em 1979. Assim, mais aquecimento, mais vapor

d’água (um dos gases de efeito de estufa) na atmosfera e maior elevação do nível

dos oceanos.

A atenção dedicada por parte da comunidade científica ao Ártico reside

no fato de a região ser muito sensível às mudanças climáticas. Em ape-

nas 40 anos as extensões congeladas no ártico reduziram-se pela metade,

havendo também uma forte retração do volume de gelo perene (em torno

de 25%). Quanto maior o calor derretendo a superfície branca (de gelo), maior

uma área escura fica exposta. Assim, os raios de sol antes refletidos pela superfície

branca agora ficam retidos muito mais na superfície escura. Ou seja, torna-se o

aquecimento um ciclo vicioso.

Texto Complementar

Os Plásticos e os Oceanos: uma Nova Batalha Ambiental

Por: Professor Luís Felipe

19/09/2019

Há mais ou menos 80 anos o uso de plásticos pela sociedade começou a ter

seu início. O polímero barateou enormemente os custos de produção e insuflou um

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poderoso ramo industrial – a indústria petroquímica. Hoje parece que não sabe-

mos mais viver sem o plástico e o conforto que produtos como papel filme, copos,

garrafas, recipientes variados, canudos, entre outros nos oferecem, mas isso tem

literalmente um peso para a natureza.

O plástico é um produto que não se decompõe facilmente na natureza, pois suas

moléculas são bastante estáveis e os organismos não conseguem quebrá-las. Se-

gundo a Cetesb (a Companhia Paulista de Saneamento), em aterros sanitários, ou

seja, ambientes com forte presença de organismos decompositores, uma garrafa

Pet pode demorar mais de 200 anos para ser decomposta por total. Há até plásticos

biodegradáveis (ou mais fáceis de se decompor), mas estes são de uso extrema-

mente restritos, sendo que o que fica realmente é uma carga de plásticos, todos

simples e baratos que poluem a cada segundo o mundo em milhares de toneladas

e são indigestos à decomposição.

E o uso indiscriminado do plástico vem causando um dano ambiental que trans-

cende os ambientes terrestres e os lixões. Esse dano se estende drasticamente

aos oceanos, o verdadeiro pulmão do planeta, vítimas da indiscriminada utilização

desses produtos.

Vamos aos dados: Recentemente cientistas estimaram que por volta do ano de

2050 o peso dos seres vivos nos oceanos será superado pelo peso do plástico adi-

cionado aos ambientes marinhos. Isso mesmo que você leu caro(a) aluno(a)! Até

2050 haverá provavelmente mais plástico que seres marinhos nos oceanos. Esti-

ma-se que atualmente uma carga de mais de 150 milhões de toneladas de plástico

esteja boiando pelos oceanos, sendo que anualmente algo entre 5-10 milhões de

toneladas seja adicionado a esta perversa conta. A imensa maioria do lixo nos oce-

anos aliás é plástico, oriundo quase todo do próprio lixo descartado e (em menor

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escala) dos restos de materiais plásticos deixados por pescadores, de diferentes

envergaduras.

Sobre reciclagem, não há ainda salvação, pois de todo plástico produzido no

Planeta, nem 10% atualmente vem sendo reciclado sendo estes os produtos mais

adicionados ao mar: canudos plásticos, garrafas, isqueiros, canetas, linhas de pes-

ca, anzóis, fora o resto.

E o problema do plástico nos oceanos não se encontra apenas na questão de

poluir as margens costeiras. Há uma cadeia de danos que vão desde ferir animais

até a absorção de micropartículas de plásticos pelos plânctons. Em determinadas

áreas do Pacífico, entre a próspera costa leste costa americana e a superpovoada

costa asiática, já se percebe algo em torno de 100 partículas de microplástico para

cada plâncton – e o pior cenário, segundo os cientistas era 6 para um

O lixo marinho também causa perdas econômicas aos setores e comunidades

dependentes do mar, exatamente por causa mortandade em espécies de peixes e

poluição da água, além de diminuição crítica no atrativo natural que as áreas turís-

ticas costeiras possuem.

Algumas medidas (tímidas) por parte de governos vem sendo tomadas frente a

esta questão. Destaques para a União Europeia que, em 2018 aprovou por unani-

midade um conjunto de normas e sanções aos usos de materiais plásticos por parte

dos países (28, até a saída do Reino unido), englobando também instrumentos de

pesca. Já Distrito Federal, na capital do Brasil, por decreto proíbe desde Fevereiro

de 2019 o uso e comercialização em todo o território distrital a comercialização de

canudos e copos plásticos.

Por mais anacrônico que pareça, o plástico em certa medida veio para salvar

animais, ao substituir, por exemplo, o uso do marfim muito comum até o início do

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século passado, mas atualmente mata em torno de 100.000 animais marinhos por

ano. Por mais esquisito que pareça, o polímero que foi a base de produtos baratos

e práticos requer iniciativas urgentes e ações efetivas para tolher seus danos que a

disseminação relacionada a uma superprodução se revela.

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