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Urgência e

emergência em
centros de beleza
Urgência e emergência
em centros de beleza

Mirna Coelho de Barros


Silvia Paulino Ribeiro Albanese
© 2017 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Barros, Mirna Coelho de


B277u Urgência e emergência em centros de beleza / Mirna
Coelho de Barros, Silvia Paulino Ribeiro Albanese. – Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017.
112 p.

ISBN 978-85-8482-899-9

1. Cirurgia plástica. I. Albanese, Silvia Paulino Ribeiro. II.


Título.
CDD 617.95

2017
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Tema 1 | Assistência de qualidade nos primeiros socorros 7


Tema 2 | Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 23
Tema 3 | Fraturas e tipos de choque 41
Tema 4 | A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 63
Tema 5 | O transporte da vítima e seus direitos 77
Tema 6 | Reações alérgicas 95
Convite à leitura
Olá, aluno! Seja bem-vindo ao Tema 1 do Caderno de Atividades de Urgência e
Emergência em Centros de Beleza. Este tema é muito importante, pois nele você
aprenderá a realizar a avaliação e a investigação primária de uma vítima.

Você estudará sobre o que consiste a investigação e a avaliação primária da


vítima, assim como os aspectos fundamentais na avaliação de uma vítima em
potencial.

Você também estudará neste tema, a escala de coma de Glasgow, e verá que
essa escala permite a interpretação e a classificação do trauma cranioencefálico.

O estudo deste tema também propiciará a você o conhecimento das condutas


frente às vítimas de crise convulsiva, amputação e acidentes com ofídicos, além
das técnicas de atendimento a uma vítima de crise convulsiva.

Você verá que o atendimento de primeiros socorros apropriado, correto e


imediato pode até salvar vidas, ou pelo menos, diminuir os traumas e possíveis
sequelas desses acidentes.
Tema 1

Assistência de qualidade nos


primeiros socorros

POR DENTRO DO TEMA

Para um atendimento de qualidade é fundamental que o socorrista detenha certos


conhecimentos e possua características próprias que o faça agir adequadamente em
condições de urgência e emergência.

Todas as vítimas têm o direito ao melhor atendimento possível, sendo o respeito e


aceitação dos direitos das vítimas essenciais para o devido atendimento (BERGERON
et al., 2007).

A seguir serão discutidos indicadores de estado, pontos fundamentais que


devem ser observados no atendimento de uma vítima e que fornecem informações
que apontam para a gravidade das lesões, bem como norteiam os cuidados
assistenciais indicados nas diferentes situações críticas.

Escala de Glasgow

É uma escala universal que tem como objetivo identificar o nível de consciência
de uma pessoa. A escala contém pontuação de três a quinze, sendo quanto menor
o número, maior a gravidade que o caso apresenta (SOUSA, 2010).

A escala avalia três parâmetros: abertura ocular, melhor resposta verbal e


melhor resposta motora. Somam-se os resultados encontrados em cada um
desses parâmetros, conforme sinais representados a seguir (BARBIERI, 2002;
SOUSA, 2010):

Abertura ocular:

4 – Olhos abrem espontaneamente.

3 – Olhos se abrem ao comando verbal.

2 – Olhos se abrem por estimulo doloroso.

1 – Olhos não abrem.

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 7


Melhor resposta verbal:

5 – Orientado.

4 – Confuso.

3 – Palavras inapropriadas.

2 – Sons ininteligíveis.

1 – Ausente.

Melhor resposta motora:

6 – Obedece a ordens verbais.

5 – Localiza estimulo doloroso.

4 – Retirada inespecífica à dor.

3 – Padrão flexor à dor (decorticação).

2 – Padrão extensor à dor (descerebração).

1 – Sem resposta motora.

Interpretação da Escala de Glasgow: Pontuação total de 3 a 15, onde:

3 – Coma profundo (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo).

4 – Coma profundo.

7 – Coma intermediário.

11 – Coma superficial.

15 – Normalidade.

Classificação do Trauma Cranioencefálico:

3 – 8: Grave (necessidade de entubação imediata).

9 – 12: Moderado.

13 – 15: Leve.

Existe ainda uma escala de Glasgow adaptada a pediatria, essa escala se


diferencia da escala do adulto principalmente no que tange à resposta verbal, uma
vez que, dependendo da idade da criança a fala pode ainda estar ausente.

Visão

É importante verificar se a visão está turva, embaçada, se os olhos estão doloridos


ou vermelhos, se há acuidade visual e o estado das pupilas (SOUSA, 2010).

8 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


As alterações pupilares podem ser indicativas de uma série de anormalidades,
como, por exemplo, lesões em coluna e sistema nervoso, óbito, uso de drogas,
choques elétricos.

• Isocóricas: pupilas normais – fotorreagentes, ou seja, reagem à luz


dilatando-se em situações onde haja pouca luz.

• Mióticas: pupilas contraídas – contraem quando não há estímulos externos


verbais, sensoriais e sensitivos. Indicativa de alterações profundas do nível
de consciência, por exemplo, em estado de coma ou em uso de algumas
medicações.

• Midriáticas: pupilas dilatadas – ocorre em disfunção cerebral grave, os


músculos relaxam, há liberação dos esfíncteres, por exemplo, óbito, uso de
drogas, choque elétrico, hemorragias.

• Anisocóricas: pupilas diferentes – ocorrem em casos de disfunção


cerebral severa, como em traumatismo crânioencefálico, lesão da coluna
(BERGERON et. al., 2007; GARCIA et. al., 2005; SOUSA, 2010).

Figura 1.1 | Midríase e Miose. Pupilas anisocóricas. Pupila direita dilatada (midriática) e pupila esquerda
contraída (miótica)

Fonte: Ebsco.

Audição

É essencial investigar a ocorrência de zumbidos, sangramentos e obstruções. A


audição pode estar preservada nas mais diferentes situações, como em situações de
coma, desmaios e acidentes. Os sons ouvidos nesses momentos são armazenados
no cérebro da vítima e podem ou não vir à tona posteriormente (SOUSA, 2010).

Tato

Investigar nas mãos a presença de sangramentos, edema, perfusão, amputações


e alterações motoras e de sensibilidade que podem indicar alterações na coluna
(SOUSA, 2010).

Nariz

Buscar por sangramento, deformidades e obstruções. Um sangramento nasal


pode ocorrer em virtude de uma fratura local, mas também pode indicar uma
fratura de crânio (BARBIERI, 2002; BERGERON et al., 2007).

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 9


Figura 1.2 | Cavidades Sinusais

Fonte: <http://peridis.eu/wp-content/uploads/2015/05/CDR713969-750.jpg>. Acesso em: 6 abr. 2017.

Boca

Procurar por obstruções (objetos estranhos e próteses), sangramento, lesões,


dentes quebrados e alterações no hálito.

Figura 1.3 | Lesão de língua e procedimento de sutura

Fonte: Ebsco.

Aspecto da Pele

Observar a presença de sangramentos, lesões, edema, perfurações e alterações


na coloração.

10 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


Figura 1.4 | Trombose Venosa Profunda

Fonte: Ebsco.

A coloração da pele pode estar (MINOZZI; MARSON, 2010):

• Pálida: choque hipovolêmico, ataque cardíaco, hemorragia.

• Arroxeada (cianose): deficiência respiratória, arritmia cardíaca, hipóxia,


envenenamentos.

• Amarelada (icterícia): doença hepática.

• Avermelhada (hiperemia): hipertensão, insolação, alergias, choque


anafilático.

Descaracterização do Socorro

O socorrista deve estar atento para sinais de morte evidente, sinais característicos
de morte em que não existe mais a necessidade de socorro. São sinais evidentes
de óbito: carbonização, circulação póstuma de Brouardel (surgimento de veias
ingurgitadas pelo corpo do cadáver, visíveis na pele), decapitação, esmagamento
cefálico total, putrefação, rigor mortis e segmentação de tronco (SOUSA, 2010).

Início do Atendimento

Ao se iniciar qualquer tipo de atendimento é imprescindível que o socorrista


proceda primeiramente, com uma investigação primária. Essa investigação consiste
em avaliar o local do acidente a fim de identificar perigo iminente que possam
desencadear novos acidentes ou mesmo agravar a situação já apresentada, bem
como estabelecer as prioridades de atendimento conforme escala de gravidade.
Essa rápida avaliação e a aplicação dos procedimentos de primeiros socorros são
determinantes para a estabilidade da vítima.

Moraes (2010, p. 31) coloca que “em nenhum momento a equipe de emergência
deve se expor a risco e ser mais uma vítima”. Por isso é importante lembrar que no
momento do atendimento e avaliação da vítima, o socorrista deve adotar sempre
as precauções universais de seguranças.

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 11


Devemos estabelecer uma comunicação com a vítima, nos aproximando e
tocando-a na região do tórax superior e clavícula, perguntando a ela se podemos
ajudar. Neste momento é essencial que o examinador esteja a frente da vítima,
sendo que essa técnica impede um ataque abrupto por parte da vítima, caso
apresente alguma reação violenta. Esse procedimento permite uma rápida avaliação
da responsividade da vítima, ou seja, se a vítima responder, você estará diante de
uma vítima consciente (existe respiração e batimento cardíaco), se a vítima não
responder, você estará diante de uma vítima inconsciente (FIGUEIREDO; VIEIRA,
2009; SOUSA, 2010; MORAES, 2010).

É necessário realizar um exame neurológico rápido, avaliando-se o nível de


consciência da vítima e suas funções motoras e sensoriais. O mais indicado é
perguntar o nome da pessoa, o que aconteceu, onde ela sente dor e pedir que
movimente algum dedo e verifique se sente os membros inferiores (SOUSA, 2010).

O pulso pode ser verificado na região radial (vítima consciente) e na região


carotídea (vítima inconsciente), e a respiração pode ser verificada através da
inspeção da expansibilidade do tórax. Deve-se avaliar também a amplitude e
coordenação dos movimentos, procurando identificar letargia, movimentos
involuntários, plegias entre outras alterações.

A partir daí o socorrista deve proceder com uma inspeção cefalocaudal (da
cabeça aos pés), devendo procurar no corpo da vítima sinais de sangramento,
abaulamentos, depressões e fraturas (SOUSA, 2010).

Na avaliação primária de qualquer vítima é essencial que se avalie pelo menos


dois sinais vitais (pulso e respiração), pois esses sinais nos trazem informações
importantes sobre a condição cardíaca e pulmonar da vítima, bem como a
estabilidade hemodinâmica do quadro.

Abordagem Primária – ABCDE

O método ABCDE, consiste na definição da sequência das medidas específicas


e intervenções correspondentes a serem adotadas (MORAES, 2010):

A. Abrir vias aéreas: com proteção cervical.

B. Respiração: ver, ouvir e sentir a expansão pulmonar.

C. Circulação: verificar pulso carotídeo por dez segundos e controlar hemorragias.

D. Avaliar estado neurológico: nível de consciência.

E. Exposição da vítima: retirar vestimentas, controlar o ambiente e evitar a


hipotermia.

Crise Convulsiva

“A convulsão é uma resposta a uma descarga elétrica anormal no cérebro que


durante breve período de tempo deixa de funcionar e passa a enviar estímulos

12 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


desordenados ao corpo” (MORAES, 2010, p. 64).

Na epilepsia os neurônios sofrem dessa “pane elétrica” repetidas vezes (doença


neurológica crônica).

Condutas:

1. Colocar a vítima em decúbito dorsal (barriga para cima).

2. Liberar vias aéreas lateralizando a cabeça da vítima.

3. Proteger a região craniana colocando um pano debaixo da cabeça.

4. Remover objetos que estejam ao seu redor e que possam causar ferimento.
Não se opor aos movimentos da vítima.

5. Retirar próteses dentárias, caso estejam soltas, evitando assim obstrução das
vias aéreas.

6. Retirar óculos, colares e outros objetos que possam ser quebrados ou


machucar a vítima.

7. Não introduzir nenhum objeto na boca, ou colocar algum objeto entre os


dentes, ou tentar segurar a língua, pois pode haver amputação involuntária ou
lesões em cavidade oral.

8. Desapertar as roupas da vítima e deixar que ela se debata livremente.

9. Não dar a vítima nenhuma medicação ou líquido pela boca.

Após a crise convulsiva, a vítima pode apresentar sonolência, confusão mental,


cefaleia e perda de memória momentânea, portanto, deve ser observada nesse
momento e o repouso deve ser indicado (GARCIA et. al., 2005; MINOZZI; MARSON,
2010).

Animais Peçonhentos

“Animais peçonhentos são aqueles que possuem glândulas de veneno que se


comunicam com dentes ocos, ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa
ativamente” (SOUSA, 2010, p. 93). São exemplos: serpentes, aranhas, escorpiões,
lacraias, abelhas e vespas.
Figura 1.5 | Aranha

Fonte: <http://www.istockphoto.com/br/foto/aranha-armadeira-gm170086073-24583885?esource=AFF_IS_IR_SP_FreeImages_246195&asid=F
reeImages&cid=IS&irgwc=1>. Acesso em: 6 abr. 2017.

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 13


Figura 1.6 | Escorpião

Fonte: <http://www.istockphoto.com/br/foto/escorpi%C3%A3o-do-deserto-gm147685482-9540428>. Acesso em: 6 abr. 2017.

Acidente Ofídico

A gravidade do acidente depende da quantidade de veneno inoculado e da


rapidez do atendimento (MORAES, 2010).

Seus mecanismos de ação são:

• Ação inflamatória aguda.

• Ação coagulante: incoagulabilidade sanguínea.

• Ação hemorrágica.

• Ação miotóxica: leva a necrose muscular.

• Ação neurotóxica.

Figura 1.7 | Cobra

Fonte: <http://www.istockphoto.com/br/foto/cobra-cama-king-size-gm538052908-95614687>. Acesso em: 6 abr. 2017.

Condutas (SOUSA, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010):

1. Lavar o local da picada com água e sabão.

2. Manter a vítima em decúbito dorsal, evitando que se movimente para não


favorecer a absorção do veneno.

3. Se a picada estiver localizada em membro superior ou inferior, mantenha-os


em posição mais elevada. Retirar anéis, pulseiras, relógios e outros adornos.

4. Não impedir a circulação com torniquete, pois isso pode causar gangrena,
necrose da região afetada ou ainda óbito através de coágulos que, depois da
retirada do torniquete, ganham a corrente sanguínea e podem obstruir locais onde
não serão diluídos.

14 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


5. Não perfurar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção
no local do ferimento, nem aplicar folhas, pó de café ou terra para que não haja
infecção.

6. Não aplicar nenhuma substância sobre o ferimento da vítima, entre elas


aguardente, querosene, ou fumo, como é de costume em algumas regiões do
país.

7. Levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que


possa receber o soro em tempo hábil.

8. Observar a vítima; caso apresente parada cardiorrespiratória, executar a


reanimação cardiopulmonar (RCP).

9. Se possível, descreva o animal agressor para que os profissionais possam


localizar o antídoto correto. Caso o animal esteja morto e tenha condições, leve-o
para facilitar o diagnóstico, porém faça com cuidado e se preservando para não
ser mais uma vítima.

10. Nenhum remédio caseiro substitui o soro antiofídico e somente o local


apropriado de saúde pode sanar esse problema.

11. Em qualquer caso de acidente com animal peçonhento, a vítima deve ser
medicada nas primeiras horas após o acidente.

Amputação

Ocorre quando há separação de uma parte do corpo, denominada peça


(SOUSA, 2010).

Essa amputação pode ser total, quando todo o membro se separa do corpo,
ou parcial, quando algumas partes do membro permanecem ligadas ao corpo. O
reimplante é possível em até 6 horas após a amputação.

Figura 1.8 | Amputação Abaixo do Joelho

Fonte: Ebsco.

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 15


Conduta (SOUSA, 2010; MORAES, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010):

• Estancar a hemorragia.

• Envolver a peça em uma gaze ou compressa.

• Colocar a peça num saco plástico.

• Colocar o saco plástico em outro com água.

• Este outro com água num recipiente com gelo.

• A peça deve estar resfriada, mas nunca congelada, pois a vasoconstrição


impedirá o reimplante.

• Caso não seja possível realizar estes procedimentos, enrolar a peça na


roupa da vítima e a encaminhar o mais rápido possível ao hospital.

Os cuidados com a parte amputada têm como objetivo manter os tecidos em


condições favoráveis para um posterior reimplante (GARCIA et al., 2005).

ACOMPANHE NA WEB
Departamento de Atenção Básica (DAB)

Acesse o site do Departamento de Atenção Básica (DAB). Você terá acesso ao


Caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde (caderno n° 22 – Zoonoses).
No capítulo cinco você encontrará os acidentes por animais peçonhentos, desde
os cuidados em primeiros socorros até o tratamento e as medidas de controle.

Link para acesso: <http://encurtador.com.br/wHSY3>. Acesso em: 7 out. 2015.

Sistematização da Assistência de Enfermagem

Leia o artigo: Sistematização da Assistência de Enfermagem: acidente por


Loxosceles gaucho. O artigo aborda o relato de experiência na sistematização
da assistência de enfermagem, realizado em um hospital de ensino, com uma
paciente vítima de acidente por aranha do gênero Loxosceles gaucho.

Link: <https://goo.gl/f1ytQX>. Acesso em: 7 out. 2015.

Escala de coma de Glasgow e qualidade de vida pós-trauma cranioencefálico

Leia o artigo: Escala de coma de Glasgow e qualidade de vida pós-trauma


cranioencefálico. O artigo avalia o desempenho de diferentes escores da Escala de
Coma de Glasgow pós trauma perante a qualidade de vida e mudança percebida
do estado de saúde após um ano do evento traumático.

Link: <https://goo.gl/JrO0FO>. Acesso em: 7 out. 2015.

16 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


Epilepsia - diferentes fases da vida 2

Assista ao vídeo da UNIFESP. Epilepsia - diferentes fases da vida 2. A aula da Profa.


Paula Fernandes (UNIFESP) aborda as questões psicossociais do portador de
epilepsia.

Link: <https://www.youtube.com/watch?v=u4rS4vFLzhY>. Acesso em: 7 out. 2015.


Tempo: 16:07

Minha Vida

Assista ao vídeo da “Minha Vida”. O vídeo traz informações importantes sobre a


prevenção e tratamento da epilepsia. Epilepsia: saiba por que acontecem as crises
de convulsão.

Link: <https://www.youtube.com/watch?v=A44cG99X3zI>. Acesso em: 7 out.


2015. Tempo: 3:00

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

1. Todos os dias milhares de pessoas passam mal ou sofrem algum tipo


de acidente, portanto, é muito comum que o socorrista se depare com
situações de risco iminente à vida. Contudo, antes de prestar assistência
à saúde, é fundamental que seja realizada uma investigação primária da
cena e da situação das vítimas. Com base em seus conhecimentos e
experiências prévias, discorra sobre a importância da investigação primária.

2. Em relação às condutas no atendimento de acidentes com ofídios


(serpentes), o socorrista deve evitar:
a) Fazer a sucção com a boca no local da ferida.
b) Lavar o local da ferida com água e sabão.
c) Manter o membro afetado em repouso.
d) Retirar adornos do membro afetado (relógios, aliança).
e) Encaminhar a vítima para o pronto atendimento.

3. O diâmetro pupilar fornece informações importantes que podem


apontar desde lesões do sistema nervoso até casos de envenenamento
e intoxicação. A anisocoria (pupilas de diâmetros diferentes) pode estar
associada a:

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 17


a) Uso de álcool.
b) Óbito.
c) Choque elétrico.
d) Traumatismo crânioencefálico.
e) Dispneia.

4. Uma das principais preocupações no atendimento de vítimas de


amputação traumática está relacionada aos cuidados que possibilitem
o reimplante do membro lesionado. Nesse sentido, quais as condutas
indicadas no atendimento de um caso de amputação traumática?

5. Um homem de 22 anos vítima de acidente automobilístico apresenta


evidências de traumatismo cranioencefálico. Ao exame neurológico
apresenta abertura ocular apenas por estímulo doloroso, resposta verbal
com sons ininteligíveis e resposta motora com padrão extensor à dor
(descerebração). Estabeleça sua pontuação na escala de Glasgow, interprete
o resultado e aponte sua classificação de trauma cranioencefálico.

FINALIZANDO

Neste tema você aprendeu sobre as condutas iniciais no atendimento de


qualquer vítima. Esses conhecimentos representam o alicerce para atuação
qualificada e organizada do socorrista. Foram abordadas algumas situações que
frequentemente geram demanda por assistência em saúde, contudo, é importante
que você busque nas referências outros conteúdos que embasem o cuidado em
situações especiais.

REFERÊNCIAS

BARBIERI, Renato L. S.O.S: cuidados emergenciais. 1. ed. São Paulo: Rideel, 2002.

BERGERON, J. David et al. Primeiros Socorros. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

COLICIGNO, P. R. C. Anatomia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

ERHART, E. A. Elementos da anatomia humana - noções gerais. 5. ed. São Paulo:


Atheneu, 1976.

FIGUEIREDO, NÉBIA Maria Almeida de; VIEIRA, Álvaro Alberto de Bittencourt.

18 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


Emergência: atendimento e cuidados de enfermagem. 3. ed. São Caetano do Sul/
SP: Yendis, 2009.

FORNAZEIRO, C. C.; GIL, C. R. R. Novas tecnologias aplicadas ao estudo da


anatomia humana. Revista Brasileira da Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 27, n.
2, maio/ago. 2003.

GARCIA, Sérgio Britto, et. al. Primeiros Socorros: fundamentos e praticas na


comunidade, no esporte e ecoturismo. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2005.

JUNG, F. T; EARLE, E. C. Anatomy and phisiology. An introduction to anatomy and


physiology. 3. ed. FA Philadelphia: Davi company, 1995.

KAMIMURA, Helayne Mika; PAIVA, Bianca Sakamoto Ribeiro; AYRES, Jairo Aparecido.
Sistematização da Assistência de Enfermagem: acidente por Loxosceles gaucho.
Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 62, n. 6, nov./dez. 2009. Disponível
em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672009000600022>. Acesso em: 6 nov.
2015.

MARTINS, Herlon. Emergências Clínicas: Abordagem Prática. 10. ed. Manole. 2015.

MINHA VIDA. Epilepsia: saiba por que acontecem as crises de convulsão. Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=A44cG99X3zI>. Acesso em: 7 out. 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Caderno de Atenção Básica. Vigilância em Saúde:


Zoonoses. Brasília - DF, 2009.

MINOZZI, Miguel Ângelo; MARSON, Runer Augusto. Primeiros Socorros. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

MORAES, Márcia Vilma G. de. Atendimento pré-hospitalar: treinamento da brigada


de emergência do suporte básico ao avançado. 1. ed. São Paulo: Iátria, 2010.

SETTERVALL, Cristina Helena Costanti; SOUZA, Regina Marcia Cardoso de. Escala
de coma de Glasgow e qualidade de vida pós-trauma cranioencefálico. Acta
Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 25, n. 3, 2012. Disponível em: <http://dx.doi.
org/10.1590/S0103-21002012000300008>. Acesso em: 6 nov. 2015.

SOUSA, Lucila Meeiros Minichello de. Primeiros Socorros: Condutas Técnicas. 1.


ed. São Paulo: Iátria, 2010.

SOBOTTA, Johannes et al. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro, RJ:


Guanabra - Koogan, 2006.

UNIFESP. Epilepsia - diferentes fases da vida 2. Disponível em: <https://www.


youtube.com/watch?v=u4rS4vFLzhY>. Acesso em: 7 out. 2015.

VAN DER GRAAF, Kent M. Anatomia Humana. São Paulo: Manole, 2003.

T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros 19


GLOSSÁRIO

Acuidade visual: capacidade de distinguir dois pontos muito próximos.

Ação neurotóxica: ação de uma neurotoxina, substância que altera a atividade


normal do sistema nervoso de tal forma que causa bloqueio neuromuscular, do
qual decorrem paralisias motoras.

Edema: extravasamento de líquido intercelular para o interstício (inchaço).

Fratura: “quebra” de osso, rompimento de osso.

Plegia: perda total de força muscular (paralisia).

20 T1 - Assistência de qualidade nos primeiros socorros


Convite à leitura
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao Tema 2! Neste tema, você estudará sobre as
hemorragias, suas causas e consequências, bem como estudará também sobre o
estancamento hemorrágico. Você aprenderá os métodos utilizados para o controle
das hemorragias, entenderá a diferença entre hemorragia interna e externa, e as
condutas empregadas para controle das mesmas. Você compreenderá a diferença
entre hemorragia arterial, venosa e capilar, assim como o mecanismo de controle
de extravasamento sanguíneo corporal.

Este tema também propiciará a você conhecer os tipos e classificações das


queimaduras, os cuidados específicos para cada tipo de queimadura, assim como
as formas de se estimar as áreas queimadas. Você aprenderá como agir frente a
uma vítima de queimadura, medir a extensão de uma queimadura, e conhecerá os
agentes causadores de queimaduras.
Tema 2

Prestação de cuidados às
hemorragias e queimaduras

POR DENTRO DO TEMA

“A hemorragia é a perda de sangue devido ao rompimento de um vaso sanguíneo,


podendo ser hemorragia venosa, arterial ou ainda por um órgão” (SOUSA, 2010, p.
101).

Na ocorrência de uma hemorragia, o organismo inicia a liberação de algumas


células com o objetivo de estancar esse sangramento. Essas células são as plaquetas,
hemácias e a fibrina. Todavia este processo denominado coagulação, pode não
ocorrer em alguns casos.

Mecanismo de Controle de Extravasamento Sanguíneo Corporal (MINOZZI;


MARSON, 2010)

Na tentativa de controle da hemorragia e manutenção da homeostase, o


organismo humano inicia algumas ações fisiológicas conforme abaixo:

• Contração do vaso - espasmo vascular – redução do fluxo sanguíneo.

• Formação de trombo plaquetário – as plaquetas (200.000 – 400.000 mm³


de sangue) aderem ao colágeno exposto do tecido injuriado.

• Coagulação sanguínea – ação dos pró-coagulantes junto ao colágeno


(protrombina – trombina – filamentos de fibrina).

• Dissolução do coágulo e reconstituição do tecido normal.

Estancamento Hemorrágico

Para a contenção da hemorragia é formado um complexo conhecido como


coágulo, trombo ou êmbolo. Este complexo formado a partir das células plaquetas,
hemácias e fibrina, em condições patológicas, pode se deslocar e percorrer a
corrente sanguínea obstruindo um vaso de menor calibre. Essa condição pode
ocasionar infarto, acidente vascular, trombose ou embolia pulmonar (SOUSA, 2010).

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 23


Além do processo de coagulação, o organismo realiza a vasoconstrição como
forma de proteger o fluxo sanguíneo para órgãos fundamentais como o coração e
o cérebro (BERGERON, 2007; MINOZZI; MARSON, 2010).

É importante frisar que a avaliação de gravidade da perda sanguínea deve se


basear nos sinais, sintomas e cálculo do volume dessa perda. Na presença de sinais
e sintomas de choque hipovolêmico, considerar sempre como uma hemorragia
grave (BERGERON, 2007).

“O volume de sangue normal corresponde a 7% do peso ideal em adultos e de


8% a 9% do peso ideal para as crianças.” (MINOZZI; MARSON, 2010, p. 29).

Hemorragia Externa

A hemorragia externa consiste na exteriorização sanguínea pós um ferimento.


Neste tipo de hemorragia o sangramento é evidente.

A hemorragia externa pode ser classificada como:

• Hemorragia arterial: O sangue jorra de uma artéria, frequentemente


pulsando em sincronia com os batimentos cardíacos. A cor do sangue é
vermelho vivo e uma grande quantidade de sangue pode ser perdida em
curto espaço de tempo.

• Hemorragia venosa: O sangue flui de uma veia em fluxo regular, a cor do


sangue é vermelho escuro.

• Hemorragia capilar: O sangue escoa de uma rede de capilares, a cor é


vermelho (normalmente menos vivo que o sangue arterial), o fluxo
lento, característico de pequenos arranhões e cortes superficiais na pele.
(BERGERON, 2007; MORAES, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010)

Nos cuidados de emergência, as hemorragias arteriais e as das veias de grande


calibre merecem prioridade sobre as hemorragias venosas de pequeno calibre e
hemorragias de capilares (BERGERON, 2007).

Conduta:

• Compressão local: Consiste em se aplicar uma gaze estéril ou tecido limpo


sobre o ferimento e exercer compressão manual do local. Mesmo que a
gaze ou tecido venha a ficar saturada de sangue, não deve ser retirada,
pois esse procedimento pode lesar o tecido e promover o sangramento.
A melhor conduta nestes casos é aplicar uma nova compressa sobre a
primeira e manter a pressão.

• Elevação do membro: A elevação do membro acima do nível do coração


reduz o fluxo sanguíneo para a ferida. Deve ser realizada em conjunto
com a compressão direta, e não deve ser utilizada nos casos onde houver
suspeita de fratura, lesão raquimedular ou objetos cravados no membro.

24 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


• Compressão indireta de pontos determinados (compressão de pontos
arteriais): Consiste na realização de pressão nos pontos arteriais próximos
à lesão. Deve ser realizada apenas nos casos onde a compressão local e a
elevação do membro forem insuficientes para o estancamento e controle
do sangramento, e não está indicada nos casos onde houver suspeita de
fratura (SOUSA, 2010; MORAES, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010).

Hemorragia Interna

A hemorragia interna ocorre geralmente em decorrência de traumas de órgãos


internos. Neste tipo de hemorragia não há exteriorização sanguínea o que pode
tornar o sangramento mais difícil de ser detectado.

A hemorragia interna pode variar desde simples hematomas a sérios problemas


que envolvem risco de morte. Pode ser séria ao ponto de levar à vítima a morte
em segundos ou em outros casos, igualmente sérios, a morte pode ocorrer após
minutos ou mesmo horas (BERGERON, 2007).

A identificação deste tipo de hemorragia exige a pesquisa da história do acidente


relacionando-o ao mecanismo do trauma, bem como a relação dos sinais e
sintomas apresentados pela vítima.

Sintomatologia (MORAES, 2010; SOUSA, 2010):

• Pulso fraco e taquicardia;

• Sudorese;

• Palidez cutânea intensa;

• Mucosas descoradas;

• Sede;

• Lipotímia e tontura;

• Vômitos ou náuseas;

• Inconsciência;

• Hipotensão;

• Ansiedade e inquietação;

• Parada cardiorrespiratória (casos graves).

Conduta:

• Acomodar a vítima em decúbito dorsal;

• Se a hemorragia ocorrer na região da cabeça, esta deve ser um pouco


elevada.

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 25


Epistaxe

Hemorragia da cavidade nasal, na qual existe um rompimento de vasos


capilares. Comum em casos de exposição a altas temperaturas, traumas, cefaléias,
hipertensão entre outras (SOUSA, 2010).

A epistaxe pode ser classificada como anterior e posterior sendo que em 90%
dos casos é anterior e frequentemente atinge crianças e adultos jovens enquanto
a posterior é mais frequentemente encontrada em pessoas acima de 40 anos ou
hipertensos (MORAES, 2010).

Conduta (SOUSA, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010):

• Comprimir as narinas por cerca de três minutos;

• Não inclinar a cabeça da vítima para trás a fim de evitar que o sangue seja
ingerido ou aspirado;

• A vítima deve ser mantida sentada com a cabeça levemente inclinada para
frente;

• A aplicação de compressas frias sobre a face pode auxiliar no controle do


sangramento.

Crânio

As hemorragias aqui são altamente delicadas e geralmente graves, não se deve


comprimir o local, uma vez que, é importante que esse sangue possa fluir de modo
a evitar a compressão do cérebro e futuras lesões do sistema nervoso (SOUSA,
2010; MINOZZI; MARSON, 2010).

Conduta:

Em lesões superficiais pode-se aplicar compressão local, contudo, se a lesão


for profunda ou penetrante, deve-se deixar o sangue fluir sem comprimir o local,
evitando assim que coágulos se acumulem no interior do crânio;

Em caso se exposição de massa cefálica, não se deve tentar colocar o conteúdo


cerebral novamente no crânio, isso pode originar graves infecções.

Pulmonar

A hemorragia pulmonar é denominada hemotórax. Nesse tipo de hemorragia


a compressão deve ser aplicada com cautela de modo a não prejudicar a
expansibilidade pulmonar, fraturar ou deslocar costelas já fraturadas.

Sintomatologia:

• Ausência de murmúrio vesicular (som pulmonar normal);

• Dispnéia progressiva;

26 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


• Vasoconstrição periférica;

• Sinais de hipovolemia: palidez cutânea, hipotensão arterial e taquicardia;

• Convergência da pressão arterial (pressão diastólica e sistólica muito


próximas);

• Alteração no nível de consciência (MORAES, 2010);

As hemorragias são uma importante causa de morte em nosso país. Os quadros


hemorrágicos muitas vezes ocorrem em decorrência de acidentes de trânsito,
violência ou mesmo descompensação e agravamento de doenças clínicas. É
importante que saibamos diferenciar seus tipos e que possamos agir de modo
seguro e ágil, uma vez que, em se tratando de hemorragias, tempo é vida!

“Queimadura é toda lesão ocasionada no organismo humano pela ação curta


ou prolongada de temperaturas extremas sobre o corpo humano” (SOUSA, 2010,
p. 111).

Principais Causas de Queimaduras

• Térmicas: por calor (fogo, líquidos ferventes, vapores quentes, objetos


sólidos superaquecidos ou incandescentes) e por frio (objetos congelados,
gelo);

• Químicas: inclui vários cáusticos, como substâncias ácidas e álcalis (soda


cáustica, fenol e outras substâncias reagentes, como misturas de produtos
químicos cujas fórmulas são desconhecidas pelos manipuladores);

• Elétricas: materiais energizados e descargas atmosféricas;

• Substâncias radioativas: materiais radioativos (exemplo: césio – 137);

• Luz intensa: atinge principalmente os olhos (radiações infravermelhas e


ultravioletas naturais do sol ou de equipamentos);

• Agentes biológicos: seres vivos como, por exemplo, taturanas, águas-vivas,


urtigas.

Fonte: BERGERON, 2007; MORAES, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010, SOUSA,


2010.

Classificação das Queimaduras

São classificadas principalmente quanto à profundidade e extensão das áreas


morfológicas acometidas.

Em relação à profundidade, são caracterizadas em graus:

Queimadura de 1° Grau

Lesão da camada superficial da pele (epiderme). Apresenta-se como uma

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 27


hiperemia, provocando dor, ardor e ressecamento da pele, não apresenta bolhas.
A cicatrização em geral ocorre de dois a sete dias com a descamação da pele.
Exemplo: queimadura por raios solares.

Conduta:

Resfriar o local com água (temperatura de 35,5 a 36°C) (SOUSA, 2010).

Queimadura de 2° Grau

Queimaduras que atingem camadas mais profundas da pele (epiderme e parte


da derme), geralmente com surgimento de bolhas e desprendimento das camadas
da pele, com presença de dor e ardência local. A cicatrização em geral ocorre em
10 a 14 dias, em condições normais (sem infecção).

Esse tipo de lesão é mais grave e pode gerar desidratação pela perda de água,
bem como deixar o organismo suscetível a infecções, uma vez que o dano a pele
favorece a entrada de agentes infecciosos.

Conduta:

Aplicação de compressas umedecidas com água tépida no local e providenciar


assistência médica imediatamente (SOUSA, 2010).

Queimadura de 3° Grau

As lesões atingem todas as camadas da pele, tecido subcutâneo, músculos


profundos, vasos e nervos, e pode chegar à necrose do tecido ósseo.

Nesse grau de queimadura a vítima sente pouca ou nenhuma dor, pois as


terminações nervosas sensitivas que se encontram abaixo da epiderme foram
destruídas (MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

A queimadura de 3° grau é o tipo mais grave de queimadura e representa


grande risco para a vítima, sobretudo se atingir grande extensão do corpo. A pele
em geral se apresenta seca, dura, escurecida ou esbranquiçada, ladeada por áreas
de eritema. A cicatrização em geral ocorre pelo crescimento epitelial a partir das
bordas da ferida ou através do autoenxerto (MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES,
2010; SOUSA, 2010).

Condutas:

• Manter a vítima em decúbito dorsal;

• Lavar bem as mãos antes de tratar das queimaduras, para que não haja
infecções;

• Cortar todas as roupas que estão perto da região queimada, caso não
estejam aderidas;

• Resfriar a região afetada com água tépida;

28 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


• Não deslocar ou retirar a roupa aderida ao corpo, para não aumentar
as ulcerações. Cobrir as úlceras com gaze ou pano limpo, sem apertar,
umedecendo continuamente. Não utilizar outro tipo de material, pois pode
aderir e piorar ainda mais o estado da vítima;

• Nunca furar as bolhas nem tocar nas partes queimadas. Isso pode causar
infecção e piora do estado da vítima;

• Não aplicar nenhuma substância sobre a queimadura, que não seja


hidratante (água ou soro fisiológico) (SOUSA, 2010).

Classificação em Relação à Área Atingida

Para a classificação em relação à extensão da queimadura, utilizamos a


ferramenta da porcentagem através da regra dos nove. Esta regra permite estimar
a superfície corporal total queimada, dividindo o corpo humano em 12 regiões
– 11 delas equivalem a 9% cada uma, e a última, a região genital equivale a 1%
(MINOZZI; MARSON, 2010).

Note que no cálculo da estimativa da extensão da queimadura alcançamos


como máximo 101%, isto ocorre por se tratar de uma estimativa. Existem
referências que não atribuem porcentagem específica a área do pescoço (no
adulto) incluindo essa área junto aos 9% da cabeça. Outras referências também
não atribuem porcentagem específica a área genital da criança, incluindo essa
área nos 18% do tórax e abdome (parte anterior), totalizando assim os 100%. Por
considerar essas áreas como essenciais na avaliação da vítima queimada, vamos
considerá-las individualmente como 1% de área, trabalhando com uma estimativa
máxima de área queimada de 101%.

Tabela 2.1 | Extensão da Queimadura

Superfície Corporal

Região Localização % em adultos % em crianças

Cabeça Região cefálica 9 18

Pescoço Sustentação da cabeça 1 -

Membro superior esquerdo Braço + antebraço 9 9

Membro superior direito Braço + antebraço 9 9

Tórax e abdome Parte anterior 18 18

Tórax e região lombar Parte posterior 18 18

Genitália Púbis 1 1

Membro inferior esquerdo Coxa + perna 18 14

Membro inferior direito Coxa + perna 18 14

Fonte: Sousa (2010) e Bergeron (2007).

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 29


Regra da Palma da Mão

Moraes (2010), Bergeron (2007) e Garcia et al. (2005) concernem à técnica


que consiste em avaliar a extensão da queimadura medindo a área queimada
com a palma da mão. Geralmente a palma da mão de um indivíduo representa
1% da superfície corporal, portanto, a técnica consiste em se estimar a área
queimada calculando-se o “número de palmas”.

Queimaduras Térmicas

São as queimaduras ocasionadas pelo calor ou frio.

Condutas:

Caso apresente chamas nas vestimentas, procurar abafar o fogo com um


tecido, toalha ou capa a partir do pescoço em direção aos pés, em seguida retirá-
las quando não estiverem aderidas à pele. Não jogar água ou utilizar extintor para
apagar as chamas, essa atitude pode provocar mais lesões.

• Colocar a vítima em decúbito dorsal, economizando energia para que se


recomponha mais rapidamente;

• Colocar compressa com água tépida ou soro fisiológico sobre as


superfícies atingidas. Não aplicar gelo, pois ele pode lesar ainda mais a
área queimada;

• Retirar das extremidades anéis, pulseiras, relógios ou jóias antes que o


membro edemacie;

• Caso a queimadura comprometa a face ou se houver possibilidade de


que a vítima tenha inalado fumaça ou gases, dar especial atenção às vias
aéreas e à respiração;

• Se houver queimadura nos olhos, devem ser cobertos com gaze


umedecida em água ou soro fisiológico;

• No caso de queimaduras em mãos e pés, separar os dedos com pequenos


rolos de gaze umedecida antes de cobri-los para que não haja aderência
dos dedos;

• Nunca romper bolhas, pois elas protegem a pele;

• Nunca dar qualquer tipo de líquido a vitima (ex. bebida alcoólica), isso pode
interferir no processo natural de homeostase (equilíbrio do organismo);

• Cobrir a vítima para evitar hipotermia; vítimas com queimaduras em mais


de 30% do corpo tendem a apresentar hipotermia (MINOZZI; MARSON,
2010; MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

30 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


Queimaduras por Agentes Químicos

Condutas:

• Antes dos cuidados aos ferimentos é necessário remover a substância


impregnada nas roupas e no corpo da vítima. Para isso é necessário lavar o
local queimado com água em abundância (20 minutos) e retirar as roupas
da vítima;

• É importante que o líquido utilizado para lavar o local (água ou soro


fisiológico) não entre em contato com áreas que não foram atingidas pelo
produto químico, por exemplo, se a queimadura foi no rosto apenas esse
local deve ser irrigado, a vítima não deve ser colocada no chuveiro, pois a
água irá espalhar a substância por todo o corpo da vítima;

• É essencial que o socorrista se proteja no momento do atendimento e


utilize os equipamentos de proteção individual (luvas, óculos e vestimentas
adequadas) para que não se exponha ao mesmo agente químico;

• O produto químico deve ser verificado, pois alguns produtos necessitam de


antagonistas específicos, a fim de neutralizar a reação química que gerou a
queimadura. Existem ainda algumas substâncias que podem reagir inclusive
com a água, portanto, não se devem aplicar compressas ou gazes úmidas
no local, esta atitude pode piorar a queimadura favorecendo uma reação
química que produza calor (ex. o ácido sulfúrico). (MINOZZI; MARSON, 2010;
MORAES, 2010; SOUSA, 2010)

Queimaduras por Eletricidade

Tais queimaduras em geral são de 3° grau, podendo inclusive levar a carbonização


da área afetada. Esse tipo de queimadura pode gerar ainda a parada cardíaca,
danos ao sistema nervoso central, traumas a órgãos internos e até mesmo fraturas
(BERGERON, 2007; MINOZZI; MARSON, 2010).

Condutas:

• Observar riscos iminentes: verificar se a energia foi cortada e escoada antes


de abordar a vítima. No caso de acidentes próximos à rede elétrica de alta
tensão, ficar distante do local pelo menos 20 metros, só se aproximar após
autorização de funcionários da companhia elétrica;

• Se houver fios chicoteando, tentar estabilizá-lo utilizando algum material


isolante, como por exemplo: madeira;

• Desligar a tomada ou chave geral da corrente elétrica;

• Considere fios caídos sempre como energizados;

• Realizar a análise primária da vítima, observando atentamente a qualidade e


frequência do pulso (arritmias podem estar presentes neste caso);

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 31


• Tratar as queimaduras. Verificar, ao menos, dois possíveis locais de lesão,
um onde a vítima entrou em contato com a fonte de energia (a mão é
o mais comum) e outro o local onde a energia deixou o corpo (mais
frequentemente um pé);

• Considerar a vítima de choque elétrico sempre como uma vítima de


trauma grave, ainda que não haja sinais externos que o indiquem;

• Acionar o resgate e providenciar a remoção para avaliação médica


(MINOZZI; MARSON, 2010; FIGUEIREDO; VIERA, 2009);

Queimaduras nos Olhos

Podem ocorrer principalmente pelo contato com substâncias como ácidos,


álcalis, água quente, vapor, cinzas quentes, pó explosivo e chama elétrica
(FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009).

Condutas:

• Lavar os olhos com bastante água ou soro fisiológico, por 20 minutos;

• Durante a lavagem do olho, manter sempre o olho atingido virado para


baixo a fim de evitar que o líquido de irrigação atinja o outro olho, o que
pode transmitir o agente lesivo;

• Ocluir os olhos com gaze ou pano úmido;

• Levar a vítima imediatamente para assistência especializada (FIGUEIREDO;


VIEIRA, 2009; SOUSA, 2010);

Além da avaliação da extensão e tipo de queimadura, o socorrista deve se


atentar ainda para outros fatores que interferem na gravidade de uma queimadura,
tais como: localização da queimadura (exemplo: queimaduras em face podem
obstruir as vias áreas superiores), complicações associadas (exemplo: fraturas),
idade (exemplo: o idoso apresenta maior dificuldade em se recuperar das
queimaduras) e enfermidades anteriores (exemplo: a diabetes, pode interferir na
recuperação das queimaduras) (MINOZZI; MARSON, 2010).

Atualmente 50% dos queimados com mais de 80% da superfície corporal


atingida sobrevivem, principalmente adolescentes e adultos jovens. De cada 100
queimados três morrem em decorrência das complicações das queimaduras
(MORAES, 2010).

A sobrevida desse tipo de vítima está muito associada à assistência prestada nos
primeiros momentos após a queimadura, fato esse que corrobora a necessidade
de aprofundamento no estudo do tema, principalmente no que se refere aos
cuidados imediatos de uma queimadura.

32 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


ACOMPANHE NA WEB

O novo modelo da cascata de coagulação baseado nas superfícies celulares e


suas implicações

Leia o artigo: O novo modelo da cascata de coagulação baseado nas superfícies


celulares e suas implicações. O artigo analisa o papel das células no processo
hemostático e procura construir um modelo de coagulação que melhor explique
as hemorragias e tromboses in vivo.

Link para acesso: <https://goo.gl/12Gy13>. Acesso em: 1 dez. 2015.

As bases moleculares da hemofilia A

Leia o artigo: As bases moleculares da hemofilia A. O artigo revisa as bases


moleculares da hemofilia A, os métodos laboratoriais utilizados para a caracterização
das mutações e as implicações clínicas envolvidas no diagnóstico molecular da
hemofilia A.

Link para acesso: <https://goo.gl/g4NE8F>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Ressuscitação hemostática no choque hemorrágico traumático: relato de caso

Leia o artigo: Ressuscitação hemostática no choque hemorrágico traumático: relato


de caso. O artigo relata um caso em que a estratégia damage control (RDC) com
ressuscitação hemostática foi usada com sucesso em paciente politraumatizada
com choque hemorrágico grave.

Link para acesso: <https://goo.gl/70l0aO>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Complicações da terapia anticoagulante com warfarina em pacientes com


doença vascular periférica: estudo coorte prospectivo

Leia o artigo: Complicações da terapia anticoagulante com warfarina em pacientes


com doença vascular periférica: estudo coorte prospectivo. O artigo estuda a
freqüência de complicações em pacientes tratados com warfarina, acompanhados
no Ambulatório de Anticoagulação da Faculdade de Medicina de Botucatu da
Universidade Estadual Paulista.

Link para acesso: <https://goo.gl/Mr0Tps>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Hemofilia: entenda a doença que compromete a coagulação do sangue

Assista ao vídeo de “Minha Vida”. Hemofilia: entenda a doença que compromete a


coagulação do sangue. O vídeo aborda a hemofilia e o seu impacto na coagulação
sanguínea.

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 33


Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=Kaa5f8K6SuM>. Acesso
em: 1 dez. 2015. Tempo: 2:47

Como funciona a coagulação do sangue?

Assista ao vídeo do Instituto Abathon. Como funciona a coagulação do sangue?


Entrevista com a Dra. Erica Okasaki (hematologista) - aborda a coagulação sanguínea.

Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=ehbOdF3nD7g>. Acesso


em: 1 dez. 2015. Tempo: 1:12

Cascata da coagulação

Assista ao vídeo do Canal Hemofilia do Brasil: Cascata da coagulação. O vídeo


aborda o processo da cascata de coagulação.

Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=PRkoJc-YehE>. Acesso


em: 1 dez. 2015. Tempo: 2:50

Queimaduras oculares químicas: epidemiologia e terapêutica

Leia o artigo: Queimaduras oculares químicas: epidemiologia e terapêutica.


O artigo avalia dados acerca da epidemiologia e tratamento inicial aplicado a
pacientes vítimas de queimaduras oculares químicas.

Link para acesso: <https://goo.gl/onYW7x>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Prevenção de queimaduras: percepção de pacientes e de seus familiares

Leia o artigo: Prevenção de queimaduras: percepção de pacientes e de seus


familiares. O artigo investiga meios de prevenção de queimaduras identificados
por pacientes vítimas de queimaduras e por seus familiares.

Link para acesso: <https://goo.gl/L0O9x6>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Planejamento da assistência a pacientes vítimas de queimaduras: relação entre


os problemas registrados e cuidados prescritos

Leia o artigo: Planejamento da assistência a pacientes vítimas de queimaduras:


relação entre os problemas registrados e cuidados prescritos. O artigo procura
identificar os diagnósticos de enfermagem de pacientes adultos, admitidos em
uma Unidade de Queimados, e analisar se haveria relação entre os diagnósticos
identificados e os cuidados prescritos pelos enfermeiros.

Link para acesso: <https://goo.gl/FycIhv>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Participação da equipe de enfermagem na assistência à dor do paciente queimado

Leia o artigo: Participação da equipe de enfermagem na assistência à dor do


paciente queimado. O artigo procura refletir sobre a participação da equipe de
enfermagem na assistência à dor do paciente queimado.

34 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


Link para aesso: <https://goo.gl/BnEPUX>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Médico fala sobre queimaduras

Assista ao vídeo do “Fala Espírito Santo”. Médico fala sobre queimaduras. Entrevista
com o Dr. Ariosto Santos (cirurgião plástico) sobre prevenção de queimaduras.

Link para aesso: <https://www.youtube.com/watch?v=dJ1NfVugc6Y>. Acesso em:


1 dez. 2015. Tempo: 5:32

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

1. Imagine que você se deparou com uma vítima que sofreu uma
amputação traumática na qual existe sangramento ativo, em jatos e de
cor vermelho vivo. Com base em suas experiências e conhecimentos
prévios, como você assistiria essa vítima? Que condutas tomaria frente à
necessidade do controle dessa hemorragia?

2. Uma prática muito usual há alguns anos, mas que hoje encontra - se
reprovada enquanto conduta de atendimento a hemorragias, diz respeito
a:
a) Aplicação de torniquete.
b) Compressão local com pano seco e limpo.
c) Elevação do membro quando possível.
d) Compressão de pontos arteriais.
e) Todas as anteriores são corretas.

3. A vítima que apresenta hiperemia generalizada, ardor e ressecamento na


pele após longo período de exposição ao sol, apresenta uma queimadura
classificada como:
a) De 3° grau.
b) De 2° grau.
c) De 1° grau.
d) Profunda.
e) Superficial.

4. Existem diferentes formas de se classificar uma queimadura. Uma das


formas é pelo agente causador. Nesse sentido, quais as principais causas
de queimaduras?

5. Quais o sinais e sintomas indicativos de uma hemorragia interna?

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 35


FINALIZANDO

Nesse tema, você aprendeu as especificidades dos principais tipos de


hemorragias, bem como os cuidados específicos para o atendimento de cada uma
destas hemorragias. Aprendeu ainda como funciona o mecanismo de controle
de extravasamento sanguíneo corporal e as medidas de compensação de perdas
sanguíneas. É imprescindível que o enfermeiro detenha esses conhecimentos a fim
de prestar uma assistência de qualidade e em um curto espaço de tempo, uma vez
que, em se tratando de hemorragias o tempo decorrente entre o atendimento e o
estancamento do sangramento farão a diferença entre vida e morte para a vítima.

Nesta aula você também aprendeu sobre os principais tipos e classificações de


queimaduras, bem como os diferentes cuidados prestados. Esses conhecimentos
são imprescindíveis para que se possa prestar uma assistência de qualidade, com
o mínimo de risco para você e para a vítima, além de proporcionar o melhor
prognóstico possível com o menor número de complicações.

REFERÊNCIAS

BERGERON, J. David. et al. Primeiros socorros. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

CANAL Hemofilia do Brasil. Cascata da coagulação. Vídeo. Disponível em: <https://


www.youtube.com/watch?v=PRkoJc-YehE>. Acesso em: 1 dez. 2015.

FALA Espírito Santo. Médico fala sobre queimaduras. Vídeo. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=dJ1NfVugc6Y>. Acesso em: 1 dez. 2015.

FERREIRA, Cláudia Natália et al. O novo modelo da cascata de coagulação baseado


nas superfícies celulares e suas implicações. Revista Brasileira de Hematologia
Hemoter, v. 32, n. 5, p. 416-421, 2010. Disponível em: <https://goo.gl/Md28kd>.
Acesso em: 1 dez. 2015.

FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida de; VIEIRA, Álvaro Alberto de Bittencourt.


Emergência: atendimento e cuidados de enfermagem. 3. ed. São Caetano do Sul:
Yendis, 2009.

GARCIA, Sérgio Britto et al. Primeiros socorros: fundamentos e práticas na


comunidade, no esporte e ecoturismo. São Paulo: Atheneu, 2005.

INSTITUTO Abathon. Como funciona a coagulação do sangue? Vídeo. Disponível


em: <https://www.youtube.com/watch?v=ehbOdF3nD7g>. Acesso em: 1 dez.
2015.

MENEGHETTI, Roberta Aparecida Silva et al. Planejamento da assistência a

36 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


pacientes vítimas de queimaduras: relação entre os problemas registrados e
cuidados prescritos. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 39, n. 3, p. 268-279, 2005. Disponível
em: <https://goo.gl/g7CFLG>. Acesso em: 1 dez. 2015.

MINHA Vida. Hemofilia: entenda a doença que compromete a coagulação do sangue.


Vídeo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Kaa5f8K6SuM>.
Acesso em: 14 out. 2015.

MINOZZI, Miguel Ângelo; MARSON, Runer Augusto. Primeiros socorros. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

MORAES, Márcia Vilma G. de. Atendimento pré-hospitalar: treinamento da brigada


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NETO, José Osvaldo B. et al. Ressuscitação hemostática no choque hemorrágico


traumático: relato de caso. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 63, n. 1, p. 103-
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SOUSA, Lucila Meeiros Minichello de. Primeiros socorros: condutas técnicas. São
Paulo: Iátria, 2010.

T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras 37


GLOSSÁRIO

Sudorese: suor intenso com perda de água e eletrólitos.

Vasoconstrição: diminuição do calibre de um vaso sanguíneo.

Taquicardia: aumento da frequência cardíaca, normalmente acima de 100


batimentos por minuto.

Hematoma: coleção sanguínea devido ao rompimento de vasos sanguíneos,


formando uma tumefação bem definida.

Palidez: estado de pálido; falta de coloração da pele.

Necrose: processo de degeneração que leva à destruição de uma célula ou de um


determinado tecido, geralmente pela falta de nutrientes carregados pelo sangue.

Lipotímia: perda brusca de consciência; síncope, desmaio.

Hiperemia: vermelhidão da pele, igual a eritema.

Ocluir: o mesmo que fechar.

Agente infeccioso: microrganismo (vírus, bactéria, protozoário, fungo, helminto)


capaz de produzir infecção ou doença infecciosa.

Autoenxerto: é a retirada de um pedaço de pele de uma área corpórea (área


doadora) do indivíduo, e transferida à outra área (área receptora) do mesmo
indivíduo, restabelecendo assim um novo suprimento sanguíneo.

38 T2 - Prestação de cuidados às hemorragias e queimaduras


Convite à leitura
Olá, aluno! Seja bem-vindo ao Tema 3 da disciplina Urgência e Emergência em
Centros de Beleza!

Neste tema, você aprenderá mais sobre os tipos de fratura, suas particularidades,
classificações, assim como sobre o estado de choque e a síndrome de
compartimento. Você aprenderá, ainda, quais são as condutas indicadas diante
dos diferentes tipos de fratura.

Este tema também propiciará a você construir conhecimento sobre os


diferentes tipos de choque, bem como identificar qual assistência deve ser prestada
à vítima do estado de choque. Você estudará a sintomatologia e a fisiopatologia
dos diversos tipos de choque e aprenderá a reconhecê-los e diferenciá-los.
Tema 3

Fraturas e tipos de choque

POR DENTRO DO TEMA

Fratura é uma lesão na qual ocorre a quebra ou ruptura de um osso e perda de sua
continuidade. Existem dois tipos de fratura: fechada (simples ou interna) e aberta (ou
exposta) (MINOZZI; MARSON, 2010; SOUSA, 2010).

Sinais e Sintomas:

• Dificuldade ou incapacidade de movimento (impotência funcional).

• Algia.

• Sensibilidade.

• Edema (inchaço) e alteração da coloração na área atingida, causados pelo


líquido entre os tecidos e pela hemorragia.

• Posição anormal do membro, deformidade ou angulação.

• Som crepitante, por atrito dos fragmentos ósseos.

• Se a fratura for exposta, fragmentos do osso podem ser visíveis na superfície


rompida da pele.

• Secção de tecido provocada pelo osso.

• Hemorragia. Pode ser abundante ou não, dependendo da secção da artéria.

• Hematoma. Somente em fraturas fechadas.

• Espasmos musculares. Comuns em ossos longos – o músculo da região


afetada vibra intensamente por algum tempo até relaxar e se contrair
bruscamente. (MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES, 2010; SOUSA, 2010)

Fraturas Fechadas

São fraturas nas quais não existe ruptura dos tecidos moles superficiais, e o osso
fraturado não é visualizado na superfície da pele. Ocorre apenas o desnivelamento,
movimento anormal ósseo e dor local (SOUSA, 2010).

T3 - Fraturas e tipos de choque 41


A imobilização da fratura pelo socorrista deve ser de caráter provisório, com
o objetivo de prevenir e minimizar lesões futuras de músculos, nervos e vasos
sanguíneos; rompimento da pele e conversão de uma fratura fechada em
aberta; diminuição do fluxo sanguíneo (perfusão), sangramentos excessivos
(pela instabilidade das extremidades ósseas) e paralisia das extremidades (como
resultado de lesão medular). Além disso, a imobilização proporciona grande alívio
da dor (MINOZZI; MARSON, 2010).

Figura 3.1 | Fratura fechada de tíbia e fíbula

Fonte: <http://spallafisioterapia.com.br/>. Acesso em: 20 out. 2015.

Condutas:

• Priorizar o atendimento às lesões que ameacem a vida da vítima.

• Movimentar o mínimo possível a vítima e imobilizar as fraturas antes de


movimentá-la, exceto nos casos de iminente risco de morte para a vítima
ou socorrista.

• Tranquilizar a vítima.

• Expor o local e remover adornos (relógios, pulseiras, anéis etc.).

• Avaliar o pulso distal, perfusão capilar, cor, temperatura, sensibilidade,


mobilidade e motricidade da extremidade afetada.

• Imobilizar o membro com talas ou apoios adequados, como tábua fina.


Não perder tempo com imobilizações muito elaboradas.

• Amarrar as talas de apoio com ataduras ou tiras de tecido. As talas devem


estar dispostas de modo que prendam as duas laterais, preservando a área
afetada.

• Imobilizar o membro com o mínimo de movimentação possível e na


posição mais próxima da anatômica.

42 T3 - Fraturas e tipos de choque


• A imobilização deve impedir a movimentação de uma articulação acima e
uma abaixo do local da fratura e, no caso de lesões em articulações, deve-
se imobilizar um osso acima e um abaixo da articulação lesionada.

• Refazer o exame da extremidade após imobilização. Caso existam alterações


vasculares ou neurológicas, refazer a imobilização.

• Na dúvida sobre a existência ou não de uma fratura, sempre imobilizar.

• Remover a vítima para o hospital.

• Nunca tentar alinhar o osso fraturado, pois isso pode fazer que fragmentos
ósseos ganhem a circulação causando embolia, infartos etc. O osso deve
ser imobilizado na posição encontrada, particularmente em casos em que
houver suspeita de lesões próximas às articulações.

• Nunca moldar a tala sobre o membro fraturado da vítima (FIGUEIREDO;


VIEIRA, 2009; GARCIA et al., 2005; MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES,
2010; SOUSA, 2010).

Fraturas Abertas

Nas fraturas abertas existe ruptura de tendões, músculo e pele, em que o


osso fraturado aparece na superfície corporal (SOUSA, 2010). Uma das maiores
preocupações com as fraturas abertas é o risco de osteomielite (infecção óssea).
A fixação precoce e a imobilização correta são importantes armas na prevenção
dessa complicação (MORAES, 2010).

Figura 3.2 | Fratura aberta de tíbia

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=f1c4c7efbb10889c8cfd2946ba6ef33f9b781338>. Acesso em: 20 out.


2015.

Condutas:

Nas fraturas expostas, além das condutas já citadas para as fraturas fechadas,
deve-se ainda:

T3 - Fraturas e tipos de choque 43


• Ocluir o ferimento com um curativo protetor. Deste modo, diminui-se o
risco de infecções e ressecamento do tecido ósseo.

• Nunca tentar reintroduzir um osso exposto.

Em caso de hemorragia abundante por lesão vascular:

• Tentar conter a hemorragia.

• Imobilizar o membro fraturado.

• Providenciar a remoção imediata da vítima ao hospital (FIGUEIREDO;


VIEIRA, 2009; GARCIA et al., 2005; MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES,
2010; SOUSA, 2010).

Síndrome de Compartimento

A complicação mais grave de um traumatismo de membros é a síndrome de


compartimento, pois as principais causas do aumento da pressão no compartimento
são: o edema muscular e a hemorragia decorrente da fratura (BARBIERI, 2002;
MORAES, 2010).

Um compartimento é delimitado pelo osso e a fáscia que nele se insere. Por


ser inelástico, o aumento da pressão no interior do compartimento leva a um
sofrimento vascular da extremidade, dos nervos e da musculatura, além da liberação
de histamina, que, por sua vez, piora o edema dessa região. Os sinais e sintomas
são dor (principal sintoma), diminuição da perfusão, parestesia, diminuição do
pulso e anestesia do membro. Seu tratamento é sempre cirúrgico, com abertura
da fáscia (fasciotomia) (BARBIERI, 2002; MORAES, 2010).

Classificação em Relação à Direção da Linha da Fratura:

• Longitudinal: linha de fratura que corre paralelamente ao eixo do osso.

• Transversal: linha de fratura que cruza o osso em ângulo reto ao seu eixo.

• Oblíqua: linha de fratura que quebra o osso em ângulo inclinado ao eixo


do osso.

• Espiral: linha de fratura que corre através do osso em forma de mola


(BARBIERI, 2002, p. 183).

Classificação em Relação à Posição do Fragmento Ósseo:

• Cominutiva: três ou mais fragmentos.

• Engrenada (de impacto): um fragmento forçado dentro ou sobre outro


fragmento ósseo.

• Angulada: os fragmentos são desviados de seu alinhamento normal,


ficando dispostos em posição angular.

44 T3 - Fraturas e tipos de choque


• Deslocada: relacionamento anatômico ósseo rompido, causando
deformidade.

• Sobreposta: fragmentos sobrepostos, encurtando o tamanho longitudinal


do osso.

• Extraída: fragmentos puxados de suas posições normais por contrações


musculares forçadas ou resistência de ligamentos (BARBIERI, 2002, p. 184).

Fratura de Crânio

As fraturas cranianas são condições extremamente graves principalmente pelo


seu alto potencial em causar danos cerebrais.

Muitos traumas cranianos são óbvios, contudo, considere também a


possibilidade de lesão sempre que o mecanismo do trauma sugerir ou quando
forem identificados os sinais e sintomas indicados a seguir (BARBIERI, 2002).

Figura 3.3 | Fratura de crânio

Fratura de crânio

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=93adad8ac4a9048cb868a66272937b423e0ea258>. Acesso em: 20 out. 2015.

Sintomatologia:

• Inconsciência.

• Cortes, lacerações, ferimentos penetrantes.

• Tecidos cerebrais expostos.

• Edema local e/ou palpebral.

• Saliência ou fragmentos ósseos palpáveis.

• Anisocoria.

• Otorragia.

• Epistaxe.

• Estomatorragia.

T3 - Fraturas e tipos de choque 45


• Fluido claro ou sanguinolento saindo das orelhas e nariz (líquido
cerebroespinhal).

• Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.

• Dores.

• Alteração de sinais vitais.

• Parada respiratória (BARBIERI, 2002; SOUSA, 2010).

Condutas:

• Manter a vítima em repouso.

• Se houver sangramento em couro cabeludo, realizar curativo oclusivo e


não comprimir o local.

• Imobilizar a cabeça da vítima com um travesseiro ou almofada.

• Em caso de parada respiratória, iniciar respiração artificial.

• Encaminhar a vítima ao hospital (SOUSA, 2010).

Fratura de Coluna Vertebral

“Lesões na coluna vertebral são consideradas importantes, pois essa região


desencadeia vários fatores comprometedores, haja vista que, caso tenha uma
suspeita, a imobilização deve ocorrer de forma rápida, preservando não somente
a vida, mas a qualidade dela” (SOUSA, 2010, p. 124). O socorrista deve sempre
suspeitar de lesões na coluna vertebral nos casos em que houver relato de trauma
na coluna, dor local acentuada e parestesia de membros.

Figura 3.4 | Fratura de vértebra cervical (C4/C5)

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=08a211d5252fc0e57fd1d75a1b0b319b5454b16f>. Acesso em: 20 out. 2015.

Condutas:

• Caso haja suspeita de trauma cervical, não tocar na vítima, a menos que
detenha os conhecimentos sobre imobilização para trauma cervical.

46 T3 - Fraturas e tipos de choque


• Se a vítima estiver deitada, sua imobilização deverá ser realizada em prancha
com movimento em bloco.

• Observar a respiração da vítima e, em caso de parada respiratória, iniciar a


reanimação cardiopulmonar (RCP), conforme protocolo atual.

• Após imobilização em bloco, o transporte deve ser realizado em prancha


longa.

• Para a técnica de movimentação em bloco, não deve haver nenhum


movimento por parte da vítima, ainda que confusa ou agitada (por exemplo,
nos casos de excesso de monóxido de carbono no cérebro).

• A vítima não deve ser virada de lado.

• Durante o transporte, evitar movimentos bruscos (SOUSA, 2010).

Fratura de Pelve

A pelve é também denominada cintura pélvica, comumente chamada de


quadril. As fraturas nessa região estão frequentemente relacionadas a acidentes
automobilísticos, lesão dilacerante, traumatismo direto, queda de altura elevada ou
contração muscular súbita contra resistência (BARBIERI, 2002).

Figura 3.5 | Fratura de pelve

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=df9b9681bc01bc4d9eda044e7832827553147eef>. Acesso em: 20 out. 2015.

Condutas:

O socorrista deve proceder conforme elencado anteriormente nas condutas


para fratura de coluna vertebral, com o cuidado de unir, por meio de amarras,
os membros inferiores, para que durante o transporte não haja movimentos que
possam agravar a lesão (SOUSA, 2010).

Pode ser utilizado um cobertor entre os membros inferiores para maior


estabilização da pelve. Imobilizar em prancha longa, com o auxílio de tala rígida e
bandagem triangular (MINOZZI; MARSON, 2010).

T3 - Fraturas e tipos de choque 47


Fratura de Clavícula

Neste tipo de fratura, a vítima apresentará algia intensa no local da fratura,


hipersensibilidade localizada, o membro estará imóvel (incapacidade de levantar
o braço), edema, deformidade, crepitação, cabeça inclinada para o lado da lesão,
com o queixo voltado para o lado oposto.

Figura 3.6 | Fratura de clavícula

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=1936e8d1ec870b688d31b674f245e923d59b57b4>. Acesso em: 20 out. 2015.

Condutas:

• Colocar sob o membro um tecido dobrado várias vezes, como se fosse


uma almofada.

• Proporcionar sustentação para o membro amarrando-o no centro do tórax


com tiras de tecido.

• Espalmar a mão do braço imobilizado contra o tórax, apoiando o antebraço


em uma tipoia.

• Conduza a vítima para o hospital (MINOZZI; MARSON, 2010; SOUSA, 2010).

Fratura de Antebraço

Rompimento de um ou dos dois ossos do antebraço (rádio e ulna).

Figura 3.7 | Fratura de antebraço (rádio e ulna)

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=2e2c4fdbd8cf52af2092fc3b52309084c7af95cf>. Acesso em: 20 out. 2015.

48 T3 - Fraturas e tipos de choque


Condutas:

• Envolver a articulação do cotovelo e do punho.

• Utilizar tala rígida ou moldável para imobilização de fraturas.

• Imobilizar o membro com uma tipoia e conduzir a vítima a um hospital.

• O osso não deve ser reposicionado, sendo que esse procedimento deve
ser realizado somente pelo ortopedista.

• O estado neurovascular deve ser avaliado frequentemente (BARBIERI,


2002; MINOZZI; MARSON, 2010; SOUSA, 2010).

As fraturas ósseas são ocorrências muito frequentes, sendo que cerca de


40% das fraturas acontecem no ambiente doméstico. Existem muitas causas e
tipos de fraturas, por isso é essencial que os profissionais da saúde se apropriem
das diversas condutas e estratégias de cuidado, para que, desse modo, possam
desenvolver uma assistência segura, ágil e qualificada.

Estado de Choque

O estado de choque é o conjunto de alterações orgânicas devidas à inadequada


perfusão e consequente falta de oxigenação de órgãos e tecidos, denominado
choque hemodinâmico (MINOZZI; MARSON, 2010).

A perfusão está relacionada à circulação sanguínea efetiva dentro de um órgão


e consequente oxigenação dele. Quando a perfusão é adequada, o sangue chega
ao órgão por meio de artérias e sai pelas veias, mantendo vivas as células. Nos
casos em que a perfusão é deficitária, há sofrimento e morte do órgão (MINOZZI;
MARSON, 2010).

Fisiopatologia do Estado de Choque

O choque é caracterizado por diminuição do fluxo sanguíneo nos diversos


órgãos vitais, sendo seus sintomas relacionados ao mecanismo de defesa.
A diminuição do débito cardíaco leva o organismo a liberar substâncias que
promovam o aumento da frequência cardíaca, seguido de vasoconstrição
periférica (músculos, ossos e pele), na tentativa de preservar o fluxo sanguíneo
e a oxigenação adequada de órgãos nobres (cérebro, coração e pulmões)
(MINOZZI; MARSON, 2010).

Classificação do Estado de Choque

Choque Neurogênico

Acontece em decorrência de comprometimentos neurológicos causados, por


exemplo, por traumatismos da medula espinhal, o que ocasiona a interrupção de
transmissão neuronal (MINOZZI; MARSON, 2010; SOUSA, 2010).

T3 - Fraturas e tipos de choque 49


Figura 3.8 | Fratura vertebral e compressão medular levando a choque neurogênico

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=33a0e1cf8ad2635a270318406b40071f2f043e7c>. Acesso em: 20 out. 2015.

Sinais e Sintomas do Estado de Choque Neurogênico:

• Hipotensão associada à bradicardia (embora em alguns casos a pressão


sistólica não caia abaixo de 100 mmHg).

• Taquipneia por causa do medo ou da ansiedade ou, em lesão da medula


espinhal, por causa de dano relacionado ao nível e à gravidade da lesão.

• Pele morna, seca e rubor.

• Alteração no nível de consciência (BARBIERI, 2002).

Condutas:

• Preservar as vias aéreas abertas e fornecer assistência respiratória, caso


necessário, a fim de manter oxigenação e perfusão adequadas.

• Identificar a causa do choque. Nos casos de lesão da medula espinhal,


imobilize a coluna vertebral (BARBIERI, 2002).

Choque Cardiogênico

Redução da circulação e oxigenação inadequada de órgãos e tecidos, em


razão da falência do coração como bomba cardíaca (diminuição da contratilidade
cardíaca).

Os danos gerados pelo choque são resultado da hipóxia, da baixa oferta


de nutrientes, redução na eliminação de substâncias tóxicas, maior afluxo de
substâncias lesivas aos tecidos, ação direta de toxinas, ação de mecanismos
agressores, redução dos mecanismos de defesa, interdependência entre órgãos e
efeitos danosos da terapêutica (FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009).

50 T3 - Fraturas e tipos de choque


Figura 3.9 | Infarto agudo do miocárdio por estenose de coronária. Causa comum de colapso cardíaco
e choque cardiogênico

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=4437a9eb4e7919d47bfdbd2eefa0794c7a0b541a>. Acesso em: 20 out. 2015.

Choque Anafilático

O choque anafilático resulta de uma resposta do sistema imune a um antígeno


em relação ao qual o corpo já tenha sido sensibilizado (BARBIERI, 2002).

Ocorre por reação alérgica aguda ou de hipersensibilidade a medicamentos


(principalmente penicilina), picada de insetos, comidas, contato com pólen, poeira,
entre outros agentes (GARCIA et al., 2005; MINOZZI; MARSON, 2010).

A maior preocupação nos casos de alergia está relacionada ao edema de glote


(edema das cordas vocais), podendo causar obstrução da respiração (GARCIA et
al., 2005).

Sinais e Sintomas do Estado de Choque Anafilático:

• Tensão torácica ou sensação de morte iminente.

• Coceira.

• Calor.

• Rubor.

• Eritema difuso.

• Urticária.

• Edema na pele.

• Tonturas.

T3 - Fraturas e tipos de choque 51


• Dispneia, sibilos difusos e expirações prolongadas.

• Alterações do nível de consciência (reação diminuída em consequência da


diminuição da oxigenação e perfusão cerebral). (BARBIERI, 2002; GARCIA
et al., 2005).

Figura 3.10 | Urticária extensa causada por reação alérgica

Fonte: <http://ebsco.smartimagebase.com/getimage.php?K=fefd56a348110d474372abc2e1bd99e48ca743b0>. Acesso em: 20 out. 2015.

Condutas:

• Se possível, retirar o agente causador da alergia.

• Manter vias aéreas abertas.

• Observar a vítima e, em caso de dificuldade respiratória, prover a assistência


respiratória.

• Procurar auxílio médico imediatamente (BARBIERI, 2002; GARCIA et al.,


2005).

Choque Séptico

Advém da proliferação de agentes patogênicos, principalmente bactérias gram-


negativas, que impedem o funcionamento normal dos sistemas corpóreos por
meio da liberação de toxinas na corrente sanguínea (FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009;
SOUSA, 2010).

Choque Hipovolêmico

Ocorre em casos de perda excessiva de fluidos corpóreos, desde uma simples


desidratação, causada por vômitos ou diarreia, até uma hemorragia intensa, por
exemplo, um traumatismo ou sangramento gastrointestinal (BERGERON et al.,
2007; FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009; GARCIA et al., 2005; MINOZZI; MARSON, 2010;
SOUSA, 2010).

Sinais e Sintomas do Estado de Choque Hipovolêmico:

• Taquipneia.

• Taquicardia (pulso rápido e fraco).

52 T3 - Fraturas e tipos de choque


• Pupilas midriáticas.

• Visão turva.

• Pele fria, pálida e úmida (pegajosa).

• Face pálida e posteriormente cianótica.

• Sede excessiva.

• Hipotensão.

• Sudorese.

• Ansiedade, inquietação e confusão mental.

• Fraqueza muscular, distúrbios visuais.

• Com o agravamento do quadro, pode ocorrer perda da consciência e


parada cardiorrespiratória (FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009; GARCIA et al., 2005;
MORAES, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010).

Condutas:

• As vítimas inconscientes devem ser posicionadas em decúbito dorsal para


manobras de liberação de vias aéreas.

• Tentar identificar e remover as causas do choque, por exemplo, com o


estancamento de hemorragias.

• Elevar os membros inferiores e manter a cabeça mais baixa em relação ao


corpo.

• Não oferecer líquidos. Pode-se aliviar a sede da vítima umedecendo seus


lábios com gaze ou pano embebido em água.

• Prevenir hipotermia. Aquecer a vítima.

• Solicitar a remoção para atendimento médico o mais breve possível


(FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009; GARCIA et al., 2005; MINOZZI; MARSON,
2010);

Choque Insulínico

O choque insulínico é um tipo de choque normalmente causado por um alto


nível de insulina no sangue, o que faz que haja uma súbita queda da glicemia
(hipoglicemia severa).

Sinais e Sintomas do Estado de Choque Insulínico:

• Palidez, pele úmida, fria e pegajosa.

• Pulsação cheia e rápida. Todavia, algumas vítimas podem apresentar pulso

T3 - Fraturas e tipos de choque 53


fraco com frequência normal ou diminuída.

• Vertigem, desorientação, sonolência excessiva, convulsão ou coma.

• Cefaleia.

• Respiração normal ou superficial.

• Sensação de fome voraz.

• Fraqueza ou formigamento pelo corpo (BERGERON et al., 2007).

Condutas:

• Mantenha a vítima em repouso.

• Se a vítima estiver consciente, oferecer açúcar, balas, suco de laranja ou


refrigerantes. Caso não esteja totalmente acordada, não dar líquidos ou
alimentos (BERGERON et al., 2007).

Choque Psicogênico

Mais conhecido como desmaio, ocorre quando algum fator, como medo,
causa no sistema nervoso uma reação e, consequentemente, uma vasodilatação
dos vasos sanguíneos. Neste momento, o fluxo normal de sangue para o cérebro
é interrompido. Representa uma forma de autoproteção, com a interrupção
momentânea de fluxo de sangue para o cérebro (BERGERON et al., 2007; GARCIA
et al., 2005).

Sinais e sintomas:

• Náuseas.

• Tonturas.

• Fraqueza.

• Tremores.

• Dor abdominal profunda.

• Cefaleia latejante (MINOZZI; MARSON, 2010).

Condutas:

• Evitar que a vítima caia, deitando-a no chão com as pernas elevadas de 20 a


30 centímetros (elevar os membros ainda que a vítima já esteja desmaiada).

• Desobstruir vias aéreas.

• Monitorar possíveis vômitos.

• Afrouxar as roupas que possam restringir a respiração.

54 T3 - Fraturas e tipos de choque


• Avaliar as possíveis causas que possam ter levado ao desmaio.

• Verificar se houve alguma lesão em caso de queda.

• Não permita que uma pessoa que acabou de desmaiar sente-se


imediatamente, pois isso pode provocar um acidente vascular encefálico
(AVE).

• Nunca jogar água no rosto de uma vítima de desmaio.

• Não usar amônia ou qualquer outra substância para tentar acordar uma
pessoa desmaiada.

• Auxilie a vítima a se sentir mais confortável, levando-a a um lugar fresco


e colocando um pano frio e úmido em seu rosto (GARCIA et al., 2005;
MINOZZI; MARSON, 2010).

Tão importante quanto entender o estado de choque é entender a situação em


que ele se apresenta. O socorrista deve apurar sua visualização holística, sopesando
o impacto do choque para cada indivíduo e, em cada situação, considerando
sempre as especificidades contidas na individualidade de cada vítima.

ACOMPANHE NA WEB

Fratura de Pelve

Leia o artigo: CORDTS FILHO, Roberto de Moraes et al.  Fratura de pelve:  um


marcador de gravidade em trauma. Rev. Col. Bras. Cir. [on-line], v. 38, n. 5, p. 310-
316, 2011.

O artigo avalia se a presença de fratura de pelve é associada a uma maior gravidade


e pior prognóstico em vítimas de trauma fechado.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v38n5/a05v38n5.pdf>. Acesso em:


20 out. 2015.

Fratura Traumática de Coluna Torácica T1-T10

Leia o artigo: FALAVIGNA, Asdrubal; RIGHESSO NETO, Orlando; FERRAZ, Fernando


Antonio Patriani; BONIATTI, Márcio Manozzo. Fratura traumática de coluna torácica
T1-T10. Arq. Neuro-Psiquiatr. [on-line], v. 62, n. 4, p. 1095-1099, 2004.

O artigo descreve, a partir de um estudo retrospectivo, a incidência, as causas, o


manejo e prognóstico das fraturas traumáticas de coluna torácica de T1 a T10.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/anp/v62n4/a31v62n4.pdf>. Acesso em:


20 out. 2015.

T3 - Fraturas e tipos de choque 55


Quais as Medidas Imediatas no Choque Anafilático?

Leia o artigo: FIGUEIREDO, Luiz Francisco Poli de. Quais as medidas imediatas no


choque anafilático? Rev. Assoc. Med. Bras. [on-line], v. 47, n. 4, p. 280, 2001.

O artigo descreve o diagnóstico e tratamento imediato do choque séptico como


medidas fundamentais na prevenção da morte.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ramb/v47n4/7379.pdf>. Acesso em: 20


out. 2015.

Observância e Efetividade das Intervenções

Leia o artigo: LAGUNA-PÉREZ, Ana et al. Observância e efetividade das intervenções


de um protocolo clínico utilizado para pacientes com sepse grave e choque
séptico de uma Unidade de Cuidados Intensivos da Espanha.  Rev. Latino-Am.
Enfermagem [on-line], v. 20, n. 4, p. 635-643, 2012.

O artigo avalia o grau de cumprimento das intervenções de um protocolo clínico,


proposto para pacientes com sepse grave e choque séptico, e analisa seu impacto
na sobrevivência e duração das permanências hospitalares.

Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v20n4/pt_02.pdf>. Acesso em: 20


out. 2015.

Fisiopatologia do Choque Séptico

Assista ao vídeo de Guilherme Monteiro denominado Sepse Grave.

O vídeo aborda a fisiopatologia do choque séptico.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=PNa8ijMCqwo>. Acesso


em: 20 out. 2015.

Tempo: 3 min. 44 seg.

Portal da Educação - Fraturas

Assista ao vídeo do Portal da Educação denominado Fraturas.

A aula aborda alguns conceitos e cuidados relacionados a primeiros socorros em


casos de fratura.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=96Jhl4AJbAE>. Acesso em:


20 out. 2015.

Tempo: 3 min. 39 seg.

Portal da Educação - Fraturas Aula 2

Assista ao vídeo do Portal da Educação denominado Fraturas Aula 2.

A aula aborda os tipos de fratura e sua sintomatologia.

56 T3 - Fraturas e tipos de choque


Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=fgpfLXHhIkk>. Acesso em:
20 out. 2015. Tempo: 3 min. 41 seg.

Portal da Educação - Fraturas Aula 3

Assista ao vídeo do Portal da Educação denominado Fraturas Aula 3.

A aula aborda os aspectos relacionados à consolidação das fraturas.

Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3Kqm-4p_104>. Acesso em:


20 out. 2015. Tempo: 3 min. 39 seg.

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

1. As fraturas são uma causa importante de hospitalização em nosso


país. A grande maioria ocorre em decorrência de traumas, como
acidentes automobilísticos e quedas de altura. O atendimento dessas
vítimas é realizado com base nas especificidades de cada fratura e nos
aspectos individuais de cada vítima. Com base em seus conhecimentos e
experiências prévias, descreva o conceito de fratura e aponte seus tipos.

2. Estado no qual ocorre a proliferação de agentes patogênicos que


impedem o funcionamento normal dos sistemas corpóreos por meio da
liberação de toxinas na corrente sanguínea. O texto se refere ao choque:
a) Hipovolêmico.
b) Anafilático.
c) Séptico.
d) Neurogênico.
e) Cardiogênico.

3. São agentes que podem desencadear um choque anafilático:


a) Traumas e contusões.
b) Doença cardíaca ou neurológica.
c) Medicamentos e alimentos.
d) Desidratação e hemorragias.
e) Afogamentos.

4. A complicação mais grave de um traumatismo de membro é a síndrome


de compartimento. Quais são os sinais e sintomas dessa síndrome?

T3 - Fraturas e tipos de choque 57


5. Uma pessoa que apresente vermelhidão pelo corpo, edema na pele,
coceira, irritação generalizada, tontura e dificuldade para respirar apresenta
sinais característicos de que tipo de choque?

FINALIZANDO

Nesse tema, você aprendeu sobre os diferentes tipos de fratura e seus impactos
nas condições das vítimas. Aprendeu, ainda, quais são os riscos da síndrome
de compartimento e da osteomielite pós-fratura. Esses conhecimentos são
fundamentais para que você possa prestar os primeiros socorros de modo seguro
e eficiente às vítimas de fratura.

Com o estudo deste tema, você também aprendeu sobre os diferentes tipos de
choque. Estudou a fisiopatologia e sintomatologia dos estados de choque e pôde
se aprofundar nas condutas assistenciais dos choques neurogênico, anafilático,
insulínico, hipovolêmico e psicogênico. Tais conhecimentos lhe proporcionarão
maior presteza na relação entre sinais, sintomas e necessidades assistenciais.

REFERÊNCIAS

BARBIERI, Renato L. S.O.S: cuidados emergenciais. São Paulo: Rideel, 2002.

BERGERON, J. David et al. Primeiros Socorros. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

CORDTS FILHO, Roberto de Moraes et al.  Fratura de pelve:  um marcador de


gravidade em trauma.  Rev. Col. Bras. Cir. [on-line], v .38, n. 5, p. 310-316, 2011.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v38n5/a05v38n5.pdf>. Acesso em:
20 out. 2015.

FALAVIGNA, Asdrubal; RIGHESSO NETO, Orlando; FERRAZ, Fernando Antonio


Patriani;  BONIATTI, Márcio Manozzo.  Fratura traumática de coluna torácica T1-
T10. Arq. Neuro-Psiquiatr. [on-line], v. 62, n. 4, p. 1095-1099, 2004. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/anp/v62n4/a31v62n4.pdf>. Acesso em: 20 out. 2015.

FIGUEIREDO, Luiz Francisco Poli de.  Quais as medidas imediatas no choque


anafilático? Rev. Assoc. Med. Bras. [on-line], v. 47, n. 4, p. 280-280, 2001. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/ramb/v47n4/7379.pdf>. Acesso em: 20 out. 2015.

FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida de; VIEIRA, Álvaro Alberto de Bittencourt.


Emergência: atendimento e cuidados de enfermagem. 3. ed. São Caetano do Sul:
Yendis, 2009.

GARCIA, Sérgio Britto et al. Primeiros Socorros: fundamentos e práticas na


comunidade, no esporte e ecoturismo. São Paulo: Atheneu, 2005.

58 T3 - Fraturas e tipos de choque


LAGUNA-PEREZ, Ana et al.  Observância e efetividade das intervenções de um
protocolo clínico utilizado para pacientes com sepse grave e choque séptico de uma
Unidade de Cuidados Intensivos da Espanha. Rev. Latino-Am. Enfermagem [on-
line], v. 20, n. 4, p. 635-643, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/
v20n4/pt_02.pdf>. Acesso em: 20 out. 2015.

MINOZZI, Miguel Ângelo; MARSON, Runer Augusto. Primeiros Socorros. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

MONTEIRO, Guilherme. Sepse Grave. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=PNa8ijMCqwo>. Acesso em: 20 out. 2015.

MORAES, Márcia Vilma G. de. Atendimento pré-hospitalar: treinamento da


brigada de emergência do suporte básico ao avançado. São Paulo: Iátria, 2010.

PORTAL DA EDUCAÇÃO. Fraturas. Disponível em: <http://www.youtube.com/


watch?v=96Jhl4AJbAE>. Acesso em: 20 out. 2015.

_______. Fraturas Aula 2. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=fgpfLXHhIkk>. Acesso em: 20 out. 2015.

_______. Fraturas Aula 3. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=3Kqm-4p_104>. Acesso em: 20 out. 2015.

SOUSA, Lucila Meeiros Minichello de. Primeiros Socorros: condutas técnicas. São
Paulo: Iátria, 2010.

GLOSSÁRIO

Algia: o mesmo que dor.

Anisocoria: condição caracterizada pelo tamanho (diâmetro) desigual das pupilas.

Cefaleia: dor de cabeça.

Crepitação: barulho rangedor ou sensação de extremidades de ossos quebrados


raspando.

Estomatorragia: fluxo de sangue proveniente da região da boca.

Hipóxia: suprimento inadequado de oxigênio nos tecidos do corpo.

Miocárdio: músculo cardíaco que constitui as paredes do coração.

Otorragia: sangramento ou hemorragia pelo canal auditivo.

Parestesia: sensações cutâneas subjetivas (exemplo: frio, calor, formigamento,


pressão etc.) que são vivenciadas espontaneamente na ausência de estimulação.

T3 - Fraturas e tipos de choque 59


Pupilas midriáticas: pupilas dilatadas.

Taquipneia: respiração rápida e superficial.

60 T3 - Fraturas e tipos de choque


Convite à leitura
Olá, aluno! Seja bem-vindo ao Tema 4. Neste tema você estudará sobre a
parada cardiorrespiratória e suas implicações para a vítima.

Você aprenderá quais são os sinais de uma parada cardiorrespiratória, e poderá


identificar esses sinais a tempo de prestar assistência à vítima, evitando, assim,
maiores complicações, mediante socorro adequado.

Você também estudará sobre a corrente de sobrevivência, a importância da


reanimação cardiopulmonar e o uso correto do desfibrilador externo automático
(DEA) e suas especificidades.

O estudo desse tema propiciará a você conhecer quais são os erros mais
comuns durante a reanimação cardiopulmonar cerebral, como e quando se utiliza
o DEA, e em que casos é possível interromper a reanimação cardiopulmonar
cerebral.

Bons estudos!
Tema 4

A parada cardiorrespiratória e
o manuseio do cardioversor

POR DENTRO DO TEMA

A reanimação cardiopulmonar (RCP) é um conjunto de procedimentos de


emergência, executados por profissionais da saúde ou leigos, aplicados às vítimas
de parada cardiopulmonar, ou seja, vítimas sem atividade cardíaca ou pulmonar
(FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009; MINOZZI; MARSON, 2010).

Hoje trabalha-se com o conceito ampliado de reanimação cardiopulmonar


no qual as intervenções têm como objetivo não apenas a reversão da parada
cardiorrespiratória, mas um melhor prognóstico para a vítima. Não basta apenas
evitar a morte da vítima, procura-se proporcionar a ela a melhor qualidade de vida
após o atendimento cardiovascular de emergência, ou seja, com o menor número
de sequelas decorrentes da baixa oxigenação cerebral prolongada.

Os procedimentos de reanimação cardiopulmonar são atualizados a cada cinco


anos durante o Simpósio de Emergências Cardiovasculares e Ressuscitação. A última
grande mudança ocorreu em 2005 destacando a maior importância da massagem
cardíaca externa no atendimento das paradas cardiorrespiratórias, aumentando de
15 para 30 o número de compressões torácicas, na região do mediastino (MORAES,
2010).

Outro ponto importante foi a descoberta da ineficiência da ventilação artificial


empregada por socorristas não médicos. Estudos comprovaram que quando o
método de respiração “boca a boca” não era empregado, a sobrevida das vítimas era
três vezes maior (GALARÇA, 2010 apud MORAES, 2010).

Esse fato pode estar associado à inexperiência desses socorristas pelo fato de
que, com receio de realizar respiração “boca a boca” em um desconhecido, muitos
acabavam por postergar o início da assistência.

A maioria das PCRs (paradas cardiorrespiratórias) fora do ambiente hospitalar


ocorrem por fibrilação ventricular secundária a eventos cardiovasculares. Nesse
sentido, a parada ocorre com o sangue oxigenado, o que corrobora a maior
importância da massagem cardíaca como forma de circular esse sangue oxigenado,
em detrimento a métodos de respiração artificiais (MORAES, 2010).

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 63


Essas mudanças fazem parte da nova diretriz da Aliança Internacional dos
Comitês de Ressuscitação (ILCOR), que passaram a valer em todo o mundo desde
2010 (GALARÇA, 2010 apud MORAES, 2010).

As principais causas da parada cardiorrespiratória são: doenças cardiovasculares,


afogamento, choque elétrico, traumatismo cranioencefálico, hipertensão,
sedentarismo, obesidade, estresse, entre outros (MINOZZI; MARSON, 2010).

Diante dessa situação, cabe ao socorrista iniciar as compressões torácicas e


promover a circulação artificial da vítima até a chegada do socorro adequado.

Corrente de Sobrevivência

Uma sequência de procedimentos a serem realizados no caso de uma parada


cardiorrespiratória foi desenvolvida pela American Heart Association, a proporcionar
maior condição de sobrevida para a vítima (MINOZZI; MARSON, 2010).

• 1° elo: reconhecimento imediato da PCR e acionamento do serviço de


emergência/urgência.

• 2° elo: reanimação cardiopulmonar cerebral (RCPC) precoce, com ênfase


nas compressões torácicas.

• 3° elo: rápida desfibrilação.

• 4° elo: suporte avançado de vida eficaz.

• 5° elo: cuidados pós-PCR integrados. (American Heart Association, 2015.)

Cada um dos elos é essencial para a garantia da sobrevida da vítima, contudo,


pesquisas demonstram que entre todos os elos, a rápida desfibrilação é a mais efetiva
em gerar resultados positivos (BERGERON et al, 2007).

Reanimação Cardiopulmonar

• Avaliar a responsividade da vítima (saber se a vítima responde a estímulos


verbais/álgicos).

• Verificar se a vítima não respira ou se apresenta respiração anormal.

• Solicitar ajuda ou suporte avançado de vida com desfibrilador.

• Realizar o C, A, B (C - compressões torácicas, A - via aérea, B – respiração).

• Posicionar a vítima em decúbito dorsal (deitada com abdome para cima).

• A vítima deve estar em superfície plana, rígida e segura.

• Não movimentar a vítima na manobra de reanimação cardiopulmonar (RCP),


a menos que esteja em um ambiente de risco iminente.

• Posicionar-se ao lado da vítima, na altura dos ombros (de qualquer lado) e

64 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


expor o tórax.

• As mãos devem estar uma sobreposta à outra e na região do mediastino


(entre os mamilos). Abaixo do pescoço inicia-se o esterno que se finaliza
nas proximidades do estômago (aproximadamente 22 cm). As compressões
devem ocorrer no meio da raiz da mama (onde se inicia).

• As mãos devem estar dispostas somente na região hipotenar (localizada na


direção do polegar).

• Estenda os membros superiores e posicione seus ombros na direção das


mãos sobre o tórax da vítima.

• As compressões devem ser rápidas e fortes, voltando o peso do corpo contra


a vítima. Pressionando para baixo, tendo em vista que será de no mínimo 5
centímetros de compressão.

• Ao final de cada compressão, assegure-se de que houve retorno que é a


expansibilidade torácica. O retorno completo do tórax permite que mais
sangue entre no coração.

• As compressões devem ser com uma frequência mínima de 100 por minuto.

O socorrista pode manter apenas as compressões sem a necessidade do


suporte ventilatório, ou ambu, todavia, se o socorrista for treinado, pode intercalar
as compressões com o ambu na relação 30 X 2, ou seja, 30 compressões seguidas
de 2 ventilações com o ambu.

• Após executar as primeiras 30 compressões, o socorrista deve colocar a mão


na testa da vítima e empurrar com a palma da mão, para inclinar a cabeça
para trás e hiperestender o pescoço. Colocar os dedos da outra mão abaixo
da parte óssea da mandíbula, perto do queixo. Por fim, elevar a mandíbula,
para levar o queixo para frente. Quando houver suspeita de trauma cervical,
realizar a abertura das vias aéreas com a anteriorização da mandíbula.

• Verifique dentro da cavidade oral se há presença de corpos estranhos, a fim


de identificar e retirar corpos estranhos.

• Aplicar duas ventilações com ambu.

• A ventilação ou insuflação oferece aproximadamente 18% de oxigênio e 4%


de dióxido de carbono, suficiente para suprir as necessidades de uma pessoa.
Observe a elevação do tórax à medida que se aplica a ventilação.

• O socorrista deve continuar a RCPC até a chegada e preparação de um


DEA para uso ou até que os profissionais do serviço médico de emergência
assumam o cuidado da vítima. (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2010;
BARBIERI, 2002; FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009; GARCIA et al, MINOZZI;
MARSON, 2010; SOUSA, 2010)

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 65


Figura 4.1 | Socorrista realizando a Reanimação Cardiopulmonar (RCP)

Fonte: Wikimedia.

Os Erros Mais Frequentes

• A vítima não está posicionada sobre uma superfície rígida.

• A vítima não está em posição horizontal.

• Não se executa adequadamente a manobra de abertura de vias aéreas.

• A máscara não está perfeitamente selada e o ar escapa.

• As mãos estão colocadas incorretamente ou em local inadequado sobre o


tórax.

• As compressões estão sendo realizadas muito profundas ou demasiadamente


rápidas.

• A razão entre as ventilações e as compressões está incorreta.

• A RCPC deixa de ser realizada por mais de 5 segundos. (FIGUEIREDO;


VIEIRA, 2009; MINOZZI; MARSON, 2010)

Casos de Interrupção da Reanimação Cardiopulmonar (RCP)

A RCPC pode ser interrompida nos seguintes casos:

• Após retorno da respiração e circulação. A vítima deve manter o pulso e


respiração de modo espontâneo. Nos casos em que houver retorno apenas
do pulso, a ventilação com ambu deve ser mantida.

66 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


• Quando a vítima for entregue aos cuidados de profissionais qualificados
(equipe de emergência).

• Durante a substituição ou troca de posição de socorristas ou para


movimentação da vítima (não exceder 5 segundos).

• Durante a verificação do pulso e a respiração (entre os ciclos, a cada 2


minutos).

• Exaustão máxima do socorrista. (SOUSA, 2010; MINOZZI; MARSON, 2010)

Figura 4.2 | Reanimação Cardiopulmonar Cerebral (RCPC) com monitorização

Fonte: Wikimedia.

Ritmo Cardíaco

O eletrocardiograma (ECG) é o registro dos fenômenos elétricos do coração


obtido por um aparelho denominado eletrocardiógrafo (MORAES, 2010).

Figura 4.3 | Representação da realização de um ECG (eletrocardiograma)

Fonte: EBSCO.

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 67


Nele podemos identificar três principais ondas:

Onda P: representa a ativação elétrica dos átrios.

Complexo QRS: representa a despolarização dos ventrículos.

Onda T: representa a repolarização dos ventrículos.

Figura 4.4 | Ondas do eletrocardiograma (ECG)

Fonte: EBSCO.

Ritmos Cardíacos Patológicos

São ritmos cardíacos reversíveis com a aplicação de choque pelo DEA:

• Taquicardia ventricular (TV): sucessão de três ou mais batimentos originados


nos ventrículos que não produzem contração ventricular efetiva.

• Fibrilação ventricular (FV): responsável por 80-90% das paradas cardíacas


não traumáticas em adultos ocorre com atividade elétrica desordenada
incapaz de produzir contração ventricular.

Figura 4.5 | Taquicardia Ventricular (TV)

Fonte: Wikimedia

68 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


Figura 4.6 | Fibrilação Ventricular (FV)

Fonte: Wikimedia

Outros Ritmos Cardíacos Patológicos

São ritmos cardíacos não reversíveis com a aplicação de choque pelo DEA,
neles mantém-se a indicação de reanimação cardiopulmonar:

• Atividade elétrica sem pulso (AESP): ausência de pulso detectável na vigência


de atividade elétrica ventricular (MORAES, 2010).

• Assistolia: ausência de qualquer atividade elétrica ou mecânica do coração.


Traduz-se como linha reta ao eletrocardiograma.

Figura 4.7 | Assistolia em eletrocardiograma (ECG)

Fonte: Wikimedia

Cardioversor Elétrico

O desfibrilador externo automático é um dispositivo computadorizado capaz


de identificar o ritmo cardíaco através de placas aderidas ao tórax da vítima. O
dispositivo informa a indicação ou não da desfibrilação através de mensagem
sonora ou visual, cabendo ao socorrista pressionar um botão para aplicação do
choque nos casos indicados (SOUSA, 2010).

Figura 4.8 | Desfibrilador externo automático (DEA)

Fonte: Wikimedia

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 69


O DEA deve ser colocado em vítimas não responsivas, na ausência de
respiração e pulso (SOUSA, 2010). Quando empregado no 1° minuto de parada
cardiorrespiratória, há reversão em 70% dos casos de fibrilação ou taquicardia
ventricular, contudo há perda de 10% de sua eficiência a cada minuto em que não
é empregado.

Figura 4.9 | O desfibrilador externo automático (DEA) em um avião, em lugar de fácil acesso

Fonte: Wikimedia

Utilização do DEA

1. Ligar o DEA. O aparelho irá transmitir mensagens sonoras ou visuais que


guiam o socorrista em todos os passos subsequentes.

2. Fixação das placas ao tórax da vítima. As placas já contêm gel condutor e


devem ser aplicadas no tórax totalmente desnudo.

3. Afastar-se da vítima para análise do ritmo cardíaco.

4. Caso o choque seja indicado, o DEA informará e pedirá que todos se afastem
da vítima. “Canção do choque: no 1 todos afastam, no 2 eu afasto, no 3 aplico”.
Após confirmar que todos estão afastados, pressionar o botão choque.

5. Assim que o DEA aplicar o choque, iniciar imediatamente as compressões


torácicas.

6. Após dois minutos de RCPC, o DEA recomenda que se repita os passos 3 e 4.

7. Se não existir a necessidade de choque, o DEA avisa para reiniciar as


compressões torácicas.

8. Se o choque for indicado, aplicá-lo novamente seguido de compressões


torácicas. Se não indicado, verificar o pulso. Se não houver, manter as compressões
torácicas e verificar ritmo a cada dois minutos. (MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

A parada cardiorrespiratória é uma das principais causas de morte no mundo.

70 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


Todavia, observa-se um grande déficit na capacidade da população e de alguns
profissionais da saúde para agirem de forma eficiente diante dessa situação e,
assim, aumentar as chances de sobrevivência das vítimas.

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Capacitação teórica do enfermeiro para o atendimento da parada


cardiorrespiratória

Leia o artigo: BELLAN, Margarete Consorti; ARAUJO, Izilda Ismenia Muglia;


ARAUJO, Sebastião. Capacitação teórica do enfermeiro para o atendimento da
parada cardiorrespiratória. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, n. 6, p. 1019-
1027, 2010.

O artigo tem o objetivo de aplicar um programa de capacitação teórica para


enfermeiros na ressuscitação cardiopulmonar e comparar o conhecimento teórico
do grupo controle com o grupo experimental.

Link para aesso: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n6/23.pdf>. Acesso em: 1


dez. 2015.

Programa de capacitação em ressuscitação cardiorrespiratória com uso do


desfibrilador externo automático em uma universidade

Leia o artigo: BOAVENTURA, Ana Paula; MIYADAHIRA, Ana Maria Kazue. Programa
de capacitação em ressuscitação cardiorrespiratória com uso do desfibrilador
externo automático em uma universidade. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 33,
n. 1, p. 191-194, 2012.

O artigo aborda o relato de experiência com a implantação de um programa de


capacitação em RCPC, utilizando o desfibrilador em uma universidade privada.

Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/rgenf/v33n1/a25v33n1.pdf>. Acesso


em: 1 dez. 2015.

Programa de educação em reanimação cardiorrespiratória: ensinando a salvar


vidas

Leia o artigo: LYRA, Priscila Fiusa et al. Programa de educação em reanimação


cardiorrespiratória: ensinando a salvar vidas. Revista Brasileira de Educação
Medicinal, v. 36, n. 4, p. 570-573, 2012.

O artigo aborda as experiências do Programa de Educação em Reanimação


Cardiorrespiratória (Perc), que tem como objetivo difundir conhecimentos acerca
da reanimação cardiorrespiratória mediante a capacitação de leigos, acadêmicos
e profissionais de saúde.

Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/rbem/v36n4/18.pdf>. Acesso em: 1

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 71


dez. 2015.

O leigo e o suporte básico de vida

Leia o artigo: PERGOLA, A. M.; ARAUJO, I. E. M. O leigo e o suporte básico de vida.


Artigo Original, v. 43, n. 2, p. 335-342, 2009.

O artigo procura identificar o conhecimento dos leigos sobre Suporte Básico de


Vida (SBV).

Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n2/a12v43n2.pdf>. Acesso


em: 1 dez. 2015.

Parada Cardiorrespiratória

Assista ao vídeo: Parada Cardiorrespiratória - Suporte Básico de vida.

O vídeo ilustra algumas condutas do socorrista em relação à parada

Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=TCHRbGlGk6Q>. Acesso


em: 1 dez. 2015. Tempo: 06:10

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

1. A sobrevida de uma vítima de parada cardiorrespiratória depende


muito do tipo de assistência recebida, especialmente nos primeiros
minutos de parada. Existe ainda uma grande lacuna nos conhecimentos
dos leigos e de alguns profissionais de saúde no que tange às condutas
mais atuais para esse tipo de ocorrência, fato esse que difere o Brasil
de muitos países desenvolvidos. Esse é um dos principais motivos que
justificam a necessidade de se divulgar e promover os conhecimentos
sobre a reanimação cardiopulmonar. Com base em suas experiências e
conhecimentos prévios, elenque os erros mais frequentes nesse tipo de
assistência.

2. O ritmo cardíaco caótico, rápido, de complexo QRS não identificável e


incapaz de produzir contração ventricular, corresponde a:
a) Fibrilação ventricular.
b) Bradicardia sinusal.
c) Flutter atrial.
d) Ritmo juncional.
e) Todas as alternativas estão corretas.

72 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


3. Ao se deparar com uma vítima de parada cardiorrespiratória, o primeiro
procedimento a ser realizado consiste em:
a) Reconhecer a PCR e acionar o serviço de emergência.
b) Iniciar imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar
cerebral.
c) Realizar a desfibrilação precoce da vítima.
d) Transportar a vítima imediatamente para o hospital mais próximo.
e) Evitar o manuseio da vítima e chamar o serviço médico.

4. A posição correta das mãos e dos braços do socorrista durante a


reanimação cardiopulmonar cerebral (RCPC) é essencial para eficácia da
técnica. Descreva essa posição na RCPC do adulto.

5. Como devem ser realizadas as compressões torácicas na PCR (parada


cardiorrespiratória)?

FINALIZANDO

Nessa aula você aprendeu sobre a parada cardiorrespiratória e as condutas


de reanimação cardiopulmonar cerebral. Pôde ainda saber mais sobre os ritmos
cardíacos e sobre as indicações para desfibrilação. É essencial que você busque
outros conteúdos da American Heart Association além de outras bibliografias
adicionais, de modo a se inteirar das particularidades da parada cardiorrespiratória
em crianças, bem como se familiarizar às intervenções de suporte avançado de
vida.

REFERÊNCIAS

AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das Diretrizes da American Heart


Association (A. H. A.) 2010 para RCP e ACE. Dallas, Texas, 2010. Disponível em:
<https://goo.gl/7luVQ6>. Acesso em: 1 dez. 2015.

BARBIERI, Renato L. S.O.S: cuidados emergenciais. 1 ed. São Paulo: Rideel, 2002.

BELLAN, Margarete Consorti; ARAUJO, Izilda Ismenia Muglia and ARAUJO,


Sebastião. Capacitação teórica do enfermeiro para o atendimento da parada
cardiorrespiratória. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 63, n. 6, p. 1019-1027,
2010. Disponível em: <https://goo.gl/6Gh072>. Acesso em: 1 dez. 2015.

BERGERON, J. David et al. Primeiros Socorros. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

BOAVENTURA, Ana Paula; MIYADAHIRA, Ana Maria Kazue. Programa de capacitação

T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor 73


em ressuscitação cardiorrespiratória com uso do desfibrilador externo automático
em uma universidade. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 33, n. 1, p. 191-194, 2012.
Disponível em: <https://goo.gl/u6TIMk>. Acesso em: 1 dez. 2015.

FIGUEIREDO, NÉBIA Maria Almeida de; VIEIRA, Álvaro Alberto de Bittencourt.


Emergência: atendimento e cuidados de enfermagem. 3 ed. São Caetano do Sul
Yendis, 2009.

GARCIA, Sérgio Britto et. al. Primeiros Socorros: fundamentos e práticas na


comunidade, no esporte e ecoturismo. São Paulo: Atheneu, 2005.

LYRA, Priscila Fiusa et al. Programa de educação em reanimação cardiorrespiratória:


ensinando a salvar vidas. Revista Brasileira de Educação Medicinal, v. 36, n. 4, p. 570-
573, 2012. Disponível em: <https://goo.gl/1KPmrl>. Acesso em: 1 dez. 2015.

MINOZZI, Miguel Ângelo; MARSON, Runer Augusto. Primeiros Socorros. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

MORAES, Márcia Vilma G. de. Atendimento pré-hospitalar: treinamento da brigada


de emergência do suporte básico ao avançado. 1 ed. São Paulo: Iátria, 2010.

PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA - Suporte Básico de vida. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=TCHRbGlGk6Q>. Acesso em: 1 dez. 2015.

PERGOLA, A. M.; ARAUJO, I. E. M. O leigo e o suporte básico de vida. Disponível


em: <https://goo.gl/w4AQMY>. Acesso em: 1 dez. 2015.

SOUSA, Lucila Meeiros Minichello de. Primeiros Socorros: Condutas Técnicas. 1


ed. São Paulo: Iátria, 2010.

GLOSSÁRIO

Mediastino: uma das três cavidades em que está dividida a cavidade torácica.
Contém o coração, as partes torácicas dos grandes vasos e outras estruturas
importantes (por exemplo, as partes torácicas da traqueia e do esôfago, o timo, a
parte do sistema nervoso autônomo e o sistema linfático).

Estresse: alteração emocional de um indivíduo exposto a certa situação ou


elemento específico de uma situação.

Desfibrilação: aplicação de um choque elétrico no coração na tentativa de


interromper um ritmo cardíaco letal, permitindo ao coração restabelecer
espontaneamente seu ritmo natural.

Expansibilidade torácica: é o movimento observado no tórax durante uma


incursão inspiratória e expiratória.

Insuflação: ação de insuflar, de soprar.

74 T4 - A parada cardiorrespiratória e o manuseio do cardioversor


Convite à leitura
Olá, aluno, seja bem-vindo ao tema 5! Neste tema você estudará sobre o
transporte e imobilização de vítimas, e aprenderá sobre as principais técnicas
de imobilização e transporte de vítimas, bem como sobre a determinação das
prioridades no transporte das vítimas.

Você também aprenderá sobre o método de triagem Start, verá como funciona
este método e como ele é utilizado.

Você verá que a vítima possui direitos, e você também aprenderá, neste tema,
quais são esses direitos.

O estudo deste tema também propiciará a você, aluno, o conhecimento


a respeito do transporte da vítima, e adquirirá embasamento para determinar a
prioridade no transporte de uma vítima.

Você terá a oportunidade de aprender as técnicas corretas de transporte à


vítima, a fim de evitar lesões ou traumas secundários ao transporte incorreto ou
inadequado, tanto na vítima, quanto ao próprio socorrista.

Bons estudos!
Tema 5

O transporte da vítima e seus


direitos

POR DENTRO DO TEMA

As estratégias de transporte de vítimas são influenciadas por uma série de fatores.


É fundamental considerar que a utilização de técnicas incorretas de transporte pode
expor as vítimas a um segundo traumatismo, ou levar o próprio socorrista a lesões
musculares ou da coluna vertebral (MINOZZI; MARSON, 2010).

Moraes (2010, p. 31) salienta que “em nenhum momento a equipe de emergência
deve se expor a risco e ser mais uma vítima”. Por isso é importante lembrar que no
momento do atendimento e avaliação da vítima, o socorrista deve adotar sempre
as precauções universais de segurança.

Devemos estabelecer uma comunicação com a vítima, aproximando-se e


tocando-a na região do tórax superior e clavícula, perguntando-lhe se podemos
ajudar. Neste momento é essencial que o socorrista esteja à frente da vítima, sendo
que essa técnica impede um ataque abrupto por parte da vítima, caso apresente
alguma reação violenta. Este procedimento permite uma rápida avaliação da
responsividade da vítima, ou seja, se consegue responder você estará diante de
uma vítima consciente (existe respiração e batimento cardíaco), se não consegue
responder você estará diante de uma vítima inconsciente (FIGUEIREDO; VIEIRA,
2009; SOUSA, 2010; MORAES, 2010).

É necessário realizar um exame neurológico rápido, avaliando-se o nível de


consciência da vítima e suas funções motoras e sensoriais. O mais indicado é
perguntar o nome da pessoa, o que aconteceu, onde ela sente dor e pedir que
movimente algum dedo e verifique se sente os membros inferiores (SOUSA, 2010).

O pulso pode ser verificado na região radial (vítima consciente) e na região


carotídea (vítima inconsciente), e a respiração pode ser verificada através da
inspeção da expansibilidade do tórax. Deve-se avaliar também a amplitude e
coordenação dos movimentos, procurando identificar letargia, movimentos
involuntários, plegias entre outras alterações.

A partir deste momento o socorrista deve proceder com uma inspeção


cefalocaudal (da cabeça aos pés), procurando no corpo da vítima sinais de
sangramento, abaulamentos, depressões e fraturas (SOUSA, 2010).

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 77


Na avaliação primária de qualquer vítima é essencial que se avalie pelo menos
dois sinais vitais: pulso e respiração, pois esses sinais nos trazem informações
importantes sobre a condição cardíaca e pulmonar da vítima, bem como a
estabilidade hemodinâmica do quadro.

O método ABCDE, consiste na definição da sequência das medidas específicas


e intervenções correspondentes a serem adotadas (MORAES, 2010):

A. Abrir vias aéreas: com proteção cervical.

B. Respiração: ver, ouvir e sentir a expansão pulmonar.

C. Circulação: verificar pulso carotídeo por dez segundos e controlar


hemorragias.

D. Avaliar estado neurológico: nível de consciência.

E. Exposição da vítima: retirar vestimentas, controlar o ambiente e evitar a


hipotermia.

O transporte como prioridade

O transporte da vítima passa a ser prioridade nos seguintes casos (MORAES,


2010; SOUSA, 2010):

• Todos os recursos já foram esgotados.

• Quando dele depender a vida da vítima.

• Quando o local oferecer risco iminente à vida da vítima ou do socorrista.

A escolha do método de transporte

A estratégia de transporte varia de acordo com:

• A gravidade da lesão da vítima.

• O número de pessoas disponíveis para o socorro.

• O acesso ao local do evento (MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

Técnicas de transporte

Antes de iniciar o transporte, é preciso verificar o peso, a posição, as lesões e


o local onde a vítima se encontra (tipo de terreno); o percurso que será feito até
a ambulância; os equipamentos e a ajuda disponível (quantidade de socorristas).

78 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


Figura 5.1 | Recurso de transporte aéreo

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/Confined_space_rescue_training_at_Joint_Base_140822-Z-QX261-096.
jpg/800px-Confined_space_rescue_training_at_Joint_Base_140822-Z-QX261-096.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Imobilização da coluna cervical

A preocupação com a estabilização cervical é uma medida universal que deve


estar sempre constante no atendimento de qualquer vítima de trauma. É claro
que se o mecanismo do trauma não sugere esse tipo de lesão, cabe ao socorrista
intervir nos traumas existentes. Todavia, os cuidados preventivos com essa região
não podem ser negligenciados no momento do transporte da vítima ao hospital
(MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

Ao se pensar no transporte de pessoas com suspeita de lesão de coluna, esse


deve sempre ocorrer em decúbito dorsal sobre uma superfície plana e rígida
(prancha). Nunca utilizar material flexível, pois pode haver desestabilização da
vítima (SOUSA, 2010).

Figura 5.2 | Imobilização da coluna cervical com colar cervical

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0c/Immobilisations.jpg>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Colar cervical

O colar cervical possibilita a imobilização anteroposterior da região cervical


e consequente proteção da área. Existem diversos tamanhos que vão desde o
tamanho BB (neonatal) até o tamanho GG (adulto).

Para a escolha correta, o socorrista deve medir com os dedos a distância da


mandíbula à base do pescoço da vítima, desse modo, pode verificar o tamanho
adequado do colar cervical, sem considerar a sua borda macia (MORAES, 2010).

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 79


Figura 5.3 | Colar Cervical

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/1c/APCollar.JPG/459px-APCollar.JPG>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Técnica para colocação do colar cervical em vítima deitada:

• O socorrista se posiciona atrás da vítima segurando sua cabeça para


estabilizar a coluna cervical.

• Um segundo socorrista coloca a parte posterior do colar cervical atrás do


pescoço da vítima.

• Traz-se a parte anterior do colar cervical para frente do pescoço,


posicionando o colar na linha média e fixando o velcro (MORAES, 2010).

Figura 5.4 | Colar cervical em vítima deitada

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Cervical_Collar_Emergency.jpg/800px-Cervical_Collar_Emergency.jpg>.
Acesso em: 1 dez. 2015.

Chave de Rauteck

Essa manobra é utilizada em vítimas que se encontram em locais de risco


iminente como incêndios, ambientes com fumaça, locais com risco de explosão,
veículos em ribanceira, entre outros. É importante destacar que o socorrista deve
sempre considerar sua segurança pessoal e utilizar-se de todos os equipamentos
de proteção individual (EPIs) para o socorro da vítima (SOUSA, 2010).

A manobra consiste no socorrista sozinho puxar a vítima para fora do local de


risco, deslizando-a e levando-a para um local de menor risco, sem a realização
prévia do ABC ou colocação de colar cervical.

80 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


O socorrista aborda a vítima lateralmente e inicia a estabilização da coluna
cervical, apoiando com a mão direita a região occipital. Em seguida gira a vítima,
retirando-a de forma a manter a estabilização da coluna cervical, e a arrasta para
um local seguro (MINOZZI; MARSON, 2010).

Técnica de colocação da vítima em prancha longa

Ao movimentar uma vítima devemos sempre considerá-la como um único


bloco (monobloco), ou seja, como se fosse um tronco de árvore. Desse modo o
corpo nunca deve ser torcido e o alinhamento da cabeça com a coluna vertebral
deve ser mantido constantemente (GARCIA et al., 2005).

Figura 5.5 | Prancha longa para imobilização

Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/aa/Immobilisation_plan_dur.png>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Rolamento em 90°

Essa técnica é empregada quando a vítima se encontra em decúbito dorsal


e deve ser realizada por três socorristas. Nessa técnica a vítima é virada em
monobloco para a posição lateral, em seguida a prancha rígida é posicionada ao
seu lado, e a vítima é virada novamente para cima desta (MINOZZI; MARSON, 2010;
MORAES, 2010).

O socorrista líder deve se posicionar no nível da cabeça da vítima segurando-a


com ambas as mãos na região temporal e os demais socorristas ao lado da vítima
(MORAES, 2010).

Rolamento em 180°

Nesta técnica a vítima encontra-se em decúbito ventral, sendo necessários três


socorristas para realizar seu rolamento. A técnica deve ser a seguinte:

• O socorrista líder mantém a cabeça da vítima imobilizada.

• Os outros dois socorristas ficam posicionados lateralmente à vítima, em


cima da prancha.

• Ao comando do socorrista líder, os outros dois socorristas lateralizam o


corpo da vítima.

• Os dois socorristas, então, saem de cima da prancha.

• Em um novo comando do socorrista líder, a vítima é virada para cima da


prancha (MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES, 2010).

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 81


O movimento deve ocorrer de modo síncrono, para se evitar torções da coluna
e consequentes sequelas motoras ou sensitivas decorrentes de trauma medular.

Elevação a Cavaleiro

Para essa técnica são necessários cinco socorristas:

• O socorrista líder mantém a cabeça da vítima imobilizada.

• Outros três socorristas se posicionam em cima da vítima com as pernas


abertas mantendo a vítima entre elas. Um socorrista na altura dos ombros,
outro na altura dos quadris e o terceiro socorrista nas pernas.

• O quinto socorrista fica próximo, segurando a maca para conduzi-la ao


comando do socorrista líder.

• Ao comando do socorrista líder, os três socorristas que estão a cavaleiro


levantam a vítima cerca de vinte centímetros do solo, e o quinto socorrista
introduz a prancha debaixo da vítima.

• Em um novo comando do socorrista líder, a vítima é colocada sobre a


prancha (MINOZZI; MARSON, 2010; MORAES, 2010).

O Método START

O método START (Simple Triage and Rapid Treatment) ou Simples Triagem e


Tratamento Rápido, permite maior celeridade na triagem de vítimas de catástrofes,
situações em que o número de vítimas ultrapassa a capacidade da equipe no local
(BERGERON et al., 2007; MORAES, 2010; SOUSA, 2010).

É de responsabilidade do socorrista que primeiro chegar ao local do acidente


múltiplo, montar um esquema e separar as peças de um desastre de forma a
propiciar o melhor cuidado possível a cada pessoa envolvida, solicitando recursos
adicionais e reforço para atender adequadamente a ocorrência.

O estado da vítima é baseado na avaliação da respiração, circulação e nível


de consciência, sendo a vítima classificada a partir de cores colocadas em local
visível na vítima (Exemplo: cartão em volta do pescoço). Tais cores estabelecem
a prioridade no atendimento e transporte às vítimas. (FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009;
MORAES, 2010; SOUSA, 2010)

Cor vermelha

Significa primeira prioridade. São as vítimas que apresentam sinais e sintomas que
demonstram um estado crítico e necessitam de tratamento e transporte imediato.

Cor amarela

Significa segunda prioridade. São as vítimas que apresentam sinais e sintomas


que permitem adiar a atenção e podem aguardar pelo transporte.

82 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


Cor verde

Significa terceira prioridade. São as vítimas que apresentam lesões menores ou


sinais e sintomas que não requerem atenção imediata.

Cor preta

Significa sem prioridade (morte clínica). São as vítimas que apresentam lesões
obviamente mortais ou para identificação de cadáveres.

Direitos da vítima

Para um atendimento de qualidade é fundamental que o socorrista detenha


certos conhecimentos e possua características próprias, que o possibilitem agir
adequadamente em condições de urgência e emergência.

Todas as vítimas têm o direito ao melhor atendimento possível, sendo o


respeito e aceitação dos direitos das vítimas essenciais para o devido atendimento
(BERGERON et al., 2007).

Toda vítima tem direito a ser assistida diante de uma situação de risco iminente
à vida, conforme descrito no artigo 135 do Código Penal Brasileiro – Omissão de
Socorro: “deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal;
à criança abandonada ou extraviada ou à pessoa inválida, ao desamparo ou em
grave e iminente perigo ou não” (FIGUEIREDO; VIEIRA, 2009, p. 263).

Sousa (2010, p. 165-167) destaca ainda os direitos concedidos pela Cartilha dos
Direitos dos Pacientes de 1995:

• O paciente tem o direito a atendimento humano, atencioso e respeitoso,


por parte de todos os profissionais de saúde. Local digno e adequado para
seu atendimento.

• Direito a ser identificado pelo nome e sobrenome. Não deve ser chamado
pela patologia ou agravo à saúde, ou ainda de forma genérica ou quaisquer
outras formas impróprias, desrespeitosas ou preconceituosas.

• Tem o direito a receber do funcionário adequado, presente no local, auxílio


imediato e oportuno para a melhoria de seu conforto e bem-estar.

• Direito a indenização pecuniária no caso de qualquer complicação em suas


condições de saúde motivadas por imprudência, negligência ou imperícia
dos profissionais de saúde.

Desse modo, cabe ao socorrista refletir sobre as necessidades da vítima e


os riscos do socorro, de tal forma a não cometer nenhum ato de omissão, mas
também nunca se arriscar a ser a próxima vítima.

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 83


Promoção e prevenção em saúde consistem em estabelecer estratégias que
resultem em menor risco de adquirir ou controlar uma doença, utilizando dados
estatísticos para prevenir doenças e dados informativos para propagar informação
para a população, educação em saúde e proteção do indivíduo contra agentes
patológicos e/ou estabelecimento de barreiras contra os agentes nocivos. A diferença
entre promoção e prevenção em saúde é que a promoção da saúde é uma maneira
de prevenir, ou seja, uma ação. É o nível de proteção específico, através de dados e
estudos para proteger, maneiras de impedir um determinante nocivo de prejudicar
o indivíduo e as condições do ambiente em que se vive. Consiste em melhorar a
resistência e o bem-estar geral para redução dos fatores de risco relacionados aos
agentes patogênicos, propondo medidas educativas e fiscalizações para adoção ou
reforço de educação para as práticas adequadas de saúde.

A prevenção é uma parte da promoção, dando impulso para suscitar ações


preventivas com intervenções orientadas, a fim de evitar infecções e doenças
específicas, reduzindo o surgimento, alastramento e prevalência nas populações.
Seu objetivo é o controle de transmissão das doenças infecciosas e a redução
do risco de doenças degenerativas ou outros agravos específicos, utilizando de
ferramentas ou campanhas preventivas, como, por exemplo, a vacinação. As ações
de promoção à saúde e prevenção às doenças são realizadas de forma contínua,
focando na minimização das patologias e procurando a melhoria da qualidade de
vida. O que trazem em comum é a ênfase no cuidado, no entanto, suas ações
são diferentes, traçando estratégias com enfoque central, tendo como objetivo de
uma complementar a outra paralelamente, com visão teórica e prática, buscando
descrever e analisar a concepção acerca dos dados populacionais para promoção
e prevenção.

As práticas para atender a vulnerabilidade em saúde, disponibilizadas pelo


Estado em programas para eficácia assistencial e qualidade em saúde, norteiam
que promoção está ligada a informações e orientações, que são compartilhadas
com a sociedade, conceituando prevenção como o modo de prática educacional
e mudança de hábitos para melhores cuidados diante dos riscos nocivos, a fim de
evitar o desencadeamento ou surgimento de agentes microbiológicos ou doenças
infecciosas. A prática aborda, com enfoque em prevenir riscos, novas doenças, visa
atingir a perspectiva em saúde no meio populacional e comunitário, uma vez que
envolve o modo de vida e cuidados gerais. Promoção e prevenção abrangentes
em educação, humanização, acolhimento, atenção primária e controle social são
importantes para uma renovação nos campos de saúde pública.

As práticas de promoção à saúde e prevenção de doenças passaram a ser


acompanhadas pelos programas governamentais e políticas públicas desde o ano
de 1991. Os programas se norteiam pelo intuito de inverter o custo elevado e o
baixo impacto para prevenção de doenças e promoção da saúde, elegendo ações
primárias como prioridade, regulamentando a profissão do agente comunitário
com o objetivo de levar informações para à população, gerando atividades de
prevenção e promoção por meio de ações educativas e geradoras de hábitos de
vida saudáveis, uma vez que promoção em saúde engloba dimensões sociais,

84 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


psicológicas, econômicas, estado de espírito do indivíduo e biomédica, entendida
como um processo de capacitação da comunidade atuando para melhorias
de saúde e qualidade de vida, controle de processo e participação abrangente.
Nesse sentido, promover saúde não é uma atividade restrita a um único grupo
ou indivíduo, é um trabalho feito em conjunto, todos devem estar envolvidos,
priorizando o bem-estar.

As políticas de ações são um conjunto que deve percorrer os projetos, analisando


e demonstrando todo o nível crítico e de complexidade da atenção à saúde. Uma
política voltada ao comprometimento dos serviços de saúde, que envolva os que
utilizam os serviços assistenciais e os que trabalham na área da saúde, que os
comprometa com o modo de produzir saúde, considerando estratégias para o
enfretamento dos problemas relacionados às condições de saúde populacional,
relacionados a meio ambiente, urbanização, condições de moradia, alimentação
adequada e desemprego, entre outros indicadores, pode atingir a perspectiva de
complexidade e ações do planejamento para melhorias e qualidade. Observa-se,
então, a utilização da promoção em saúde em duas dimensões: conceitual, utilizada
e voltada aos princípios, premissas e práticas que correspondem à promoção a
saúde, seguida da prática em utilizar a promoção metodológica, que se refere às
práticas, estratégias, planos de ação, modos de intervenção e instrumentos para
conclusão. A inter-relação dos fatores, dados e números estatísticos que visam
qualidade em saúde, que estão ligados a geração de assistência e qualidade, estes
devem estar expostos a ações provedoras entre as esferas políticas, legislativas,
fiscais e administrativas para reflexão de integralidade, norteando a prevenção de
doenças na compreensão de riscos e da probabilidade do indivíduo ficar doente,
vinculando estratégias preventivas ao índice e prevalência de doença na região em
que vive uma comunidade, almejando intervir no surgimento das doenças.

A busca por educação em saúde está voltada à prática de prevenir, com


ênfase em cuidado, e não em cura, com enfoque no modelo epidemiológico,
que se preocupa em antecipar e controlar a transmissão de doenças infecciosas
e reduzir riscos para doenças crônicas. Os níveis de prevenção se dividem em
três: primário, secundário e terciário, correspondendo a ações de promoção
o primeiro nível. Como prevenção primária (primordial) há um conjunto de
atividades que visa evitar o aparecimento de risco elevado ou doença, abordando
ações que alcancem a coletividade, disseminando informações para problemas
específicos ou inespecíficos e criando métodos como, por exemplo, vacinação,
tratamento de água para consumo humano, educação sobre os problemas
decorrentes da postura inadequada, as ações para prevenir a infecção pelo vírus da
imunodeficiência humana (HIV). A prevenção secundária aborda ações que visam
identificar e corrigir o mais brevemente possível qualquer surgimento de evento
adverso, ou novas anormalidades em indicadores seguros para a população e para
a saúde pública, buscando diagnóstico e tratamento ao debilitado, consistindo em
diagnóstico precoce e tratamento imediato. A prevenção terciária é o conjunto de
ações que reduzem a incapacidade de forma eficaz e visa reintegração do indivíduo
à sociedade, remanejando as capacidades para reabilitar, criando informação e

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 85


educação continuada, para anular atitudes que desprezem os danos gerados ao
indivíduo ou à coletividade.

As ações visam à melhoria e antecipação de barreiras de dificuldades para


ampliação de um melhor atendimento e assistência à comunidade, preocupando-
se com inserção de planejamentos adequados para prevenir doenças e promover
saúde. As práticas envolvem as políticas públicas, que são compreendidas como
um sistema, sendo o conjunto de elementos que se interligam com vistas ao
cumprimento de um objetivo, tendo por este o bem-comum da população a que
se destinam. É processo de ritos e passos encadeados, associados a planejamentos
como a concepção, a negociação de interlocutores úteis ao desenvolvimento,
profissionais envolvidos no âmbito da saúde coletiva, associações e demais
parceiros institucionais, visando uma coletânea de soluções aplicáveis, diretrizes
e ações de consultas públicas, elencando opções razoáveis e aptas para atingir a
finalidade, analisando o orçamento e buscando a implantação direta ou associada,
durante o prazo estimado e combinado com os gestores e financiadores para
um monitoramento, acompanhamento das causas, ajustes de ações e dados
informativos epidemiológicos que criem diretrizes, e a sua avaliação final, com
dados objetivamente mensuráveis.

As práticas são ligadas diretamente à percepção que se tem de saúde. O quadro


é plenamente desenvolvido pelo conceito de saúde, fatores como características
de cuidado, humanização e qualificação da atenção à saúde, possuindo relação
com a prática educativa para habilitação da sociedade, considerando diretrizes,
políticas e promoção em prevenção para antecipar e utilizar ações que reduzam
os níveis de doenças infecciosas e do surgimento de déficits na qualidade de vida e
assistência populacional. Entretanto, os desafios persistem e indicam a necessidade
de articulação de estratégias de acesso aos demais níveis de atenção à saúde,
de forma a garantir o princípio da integralidade. Também há uma necessidade
permanente de ajuste das ações e serviços locais de saúde, visando à apreensão
ampliada das necessidades de saúde da população e à superação das diferenças
entre as regiões do país. É importante a participação de profissionais de nível
básico e médio em saúde, como os agentes comunitários de saúde, os auxiliares
e técnicos de enfermagem, entre outros responsáveis por ações de educação e
vigilância em saúde.

Dentro dessa perspectiva, as mudanças de estilo de vida e comportamentos


relativos à alimentação, exercícios físicos, fumo, drogas, álcool, conduta
sexual, entre outros fatores, são reafirmadas nas estratégias de promoção de
saúde propostas. A compreensão das condições gerais de vida sobre a saúde
é fundamental, disseminando as ações próprias dos sistemas de saúde, que
precisam estar articuladas aos setores disciplinares e de políticas governamentais
responsáveis pelos espaços físico, social e socioeconômico da comunidade. Essa
relação entre espaço geográfico e região e/ou especificidade de local mostra
a complexidade de um campo problemático, pois sustenta uma tensão entre a
demarcação dos limites da competência específica das ações do campo da saúde
e a abertura exigida à integração com outras múltiplas dimensões nos níveis

86 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


de saúde e assistência básica primordial à população. Promover a vida em suas
múltiplas dimensões envolve ações de âmbito global em um espaço geográfico e a
singularidade e autonomia dos sujeitos expostos e vulneráveis aos riscos existentes
em saúde.

Nesse sentido, o modelo propõe construir políticas voltadas às necessidades


dos indivíduos, o trabalho com a comunidade e a realização de diagnósticos sobre
as condições dos grupos sociais, de maneira participativa. Também propõe-se a
redefinição dos objetos de intervenção e a análise crítica das práticas de saúde para
a sua reconstrução orientada às necessidades dos indivíduos e da coletividade.
Para isso, deve-se utilizar o conceito de vulnerabilidade como um convite para
renovar as práticas de saúde como práticas sociais, por meio do trabalho com
diferentes setores da sociedade e da educação continuada voltada ao bem-estar
e à saúde. Isso permite repensar as práticas, de maneira crítica e dinâmica, para
contribuir com a busca de mudanças políticas, culturais, cognitivas e tecnológicas
que promovam impacto nos perfis epidemiológicos para promoção em saúde e
prevenção de doenças. Assim, estimando uma medida de risco para a necessidade
de assistência, promoção e prevenção, e ao analisar a situação, verifique-se, antes
do evento adverso, a proporção e o tempo necessários para uma resposta adequada
e a intervenção do quadro em déficit. Usam-se índices para analisar o risco, com
objetivo de corrigir desigualdades em saúde, possibilitando que os recursos
práticos, teóricos, financeiros e tecnológicos sejam direcionados adequadamente
para onde há necessidade dimensionada, a partir da avaliação da situação de
saúde e perfil vulnerável aos riscos, análise de realidade da complexidade de riscos
contextualizados, abordando paradigmas de prevenção e da promoção da saúde
como uma opção adequada para reorientar as estratégias de intervenção para
ações e planejamento na saúde e para a população.

ACOMPANHE NA WEB

Atendimento pré-hospitalar a múltiplas vítimas com trauma simulado

Leia o artigo: SIMÕES, R. L. et al. Atendimento pré-hospitalar a múltiplas vítimas


com trauma simulado.Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v39n3/
a13v39n3.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2015.

O artigo analisa a qualidade do atendimento pré-hospitalar realizado pelas diversas


agências, inclusive com a utilização do método START.

Direitos dos usuários dos serviços e das ações de saúde no Brasil

Leia o caderno: MINISTÉRIO da Saúde. Direitos dos usuários dos serviços e das
ações de saúde no Brasil. Link para acesso: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/direitos_usuarios_servicos_acoes_saude_brasil.pdf>. Acesso em: 1
dez. 2015.

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 87


O caderno faz um apanhado de todos os direitos dos usuários de serviços e ações
de saúde do Brasil.

Jornal de Pediatria

Leia o artigo: SCHVARTSMAN, Claudio; CARRERA, Renato; ABRAMOVICI, Sulim.


Avaliação e transporte da criança traumatizada. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro,
v. 81, n. 5, suppl., p. s223-s229, 2005.

O artigo concentra-se nas peculiaridades da avaliação pré-hospitalar, em ambiente


hospitalar e ainda durante o transporte do paciente traumatizado pediátrico.

Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa13.pdf>. Acesso


em: 1 dez. 2015.

Revista Brasileira de Enfermagem

Leia o artigo: PASSOS, Isis Pienta Batista Dias; TOLEDO, Vanessa Pellegrino; DURAN,
Erika Christiane Marocco. Transporte aéreo de pacientes: análise do conhecimento
científico. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 64, n. 6, p. 1127-1131, 2011.

O artigo tem como objetivo caracterizar a produção científica acerca do transporte


aéreo de pacientes. Link para acesso: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v64n6/
v64n6a21.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2015.

Rolamento 180°

Assista ao vídeo: Rolamento 180°.

O vídeo traz uma equipe dos bombeiros realizando um simulado para demonstração
da técnica de rolamento em 180°.

Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=MdeZmgq5zQI>. Acesso


em: 1 dez. 2015. Tempo: 02:24

Aplicação do colar cervical

Assista ao vídeo: Aplicação do colar cervical.

Link para acesso: <https://www.youtube.com/watch?v=vWeayWSxk8k>. Acesso


em: 1 dez. 2015. Tempo: 01:22

88 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

1. Uma das principais preocupações de todo socorrista é a colocação


precoce do colar cervical em vítimas de trauma. Esta medida é adotada,
ainda que de modo preventivo, em praticamente todas as vítimas. Com
base em suas experiências e conhecimento prévios, qual a finalidade do
colar cervical?

2. Para o rolamento monobloco e estabilização de uma vítima que se


encontra em decúbito ventral, o método mais indicado é denominado:
a) Rolamento em 90°.
b) Rolamento em 180°.
c) Chave de Rauteck.
d) Elevação a cavaleiro.
e) Rolamento em 360°.

3. Na elevação a cavaleiro a responsabilidade pelo comando de elevar e


abaixar a vítima cabe ao:
a) Socorrista mais experiente da equipe.
b) Socorrista que está estabilizando a cabeça da vítima.
c) Socorrista que se encontra na altura dos ombros da vítima.
d) Socorrista que se encontra na altura das pernas da vítima.
e) Cabe a todos os socorristas.

4. Em quais casos o transporte passa ser a prioridade máxima no


atendimento de uma vítima?

5. A escolha do tamanho adequado do colar cervical é fundamental


para um atendimento eficaz. Explique como o socorrista deve realizar a
medição do colar para escolher o tamanho mais adequado à vítima.

FINALIZANDO

Nesta aula você aprendeu que o transporte e a movimentação das vítimas


devem ser realizados de modo cuidadoso, a fim de evitar o agravamento de lesões,
especialmente as lesões em coluna vertebral. Foram discutidos diversos métodos
de imobilização e transporte de vítimas, bem como os direitos do assistido. O
estudo do tema oportuniza uma assistência mais segura tanto para vítima como
para o socorrista.

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 89


REFERÊNCIAS

APLICAÇÃO do colar cervical. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=vWeayWSxk8k>. Acesso em: 1 dez. 2015.

BERGERON, J. David et al. Primeiros socorros. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

FIGUEIREDO, NÉBIA Maria Almeida de; VIEIRA, Álvaro Alberto de Bittencourt.


Emergência: atendimento e cuidados de enfermagem. 3. ed. São Caetano do Sul:
Yendis, 2009.

GARCIA, Sérgio Britto et al. Primeiros socorros: fundamentos e práticas na


comunidade, no esporte e ecoturismo. São Paulo: Atheneu, 2005.

MINISTÉRIO da Saúde. Direitos dos usuários dos serviços e das ações de saúde no
Brasil. Disponível em: <https://goo.gl/IGF0Pu>. Acesso em: 1 dez. 2015.

MINOZZI, Miguel Ângelo; MARSON, Runer Augusto. Primeiros socorros. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

MORAES, Márcia Vilma G. de. Atendimento pré-hospitalar: treinamento da brigada


de emergência do suporte básico ao avançado. São Paulo: Iátria, 2010.

PASSOS, Isis Pienta Batista Dias; TOLEDO, Vanessa Pellegrino; DURAN, Erika
Christiane Marocco. Transporte aéreo de pacientes: análise do conhecimento
científico. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 64, n. 6, p. 1127-1131, 2011.
Disponível em: <https://goo.gl/V3c8Zr>. Acesso em: 1 dez. 2015.

ROLAMENTO 180°. Disponível em: <https://www.youtube.com/


watch?v=MdeZmgq5zQI>. Acesso em: 1 dez. 2015.

SCHVARTSMAN, Claudio; CARRERA, Renato; ABRAMOVICI, Sulim. Avaliação e


transporte da criança traumatizada. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 81, n. 5,
suppl., p. s223-s229, 2005. Disponível em: <https://goo.gl/3vtPRK>. Acesso em: 1
dez. 2015.

SIMÕES, R. L. et al. Atendimento pré-hospitalar a múltiplas vítimas com trauma


simulado. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rcbc/v39n3/a13v39n3.pdf>.

SOUSA, Lucila Meeiros Minichello de. Primeiros socorros: condutas técnicas. São
Paulo: Iátria, 2010.

GLOSSÁRIO

Estabilizar: Firmar uma parte do corpo procurando reduzir movimentos


involuntários.

90 T5 - O transporte da vítima e seus direitos


Triagem: Método de seleção para remoção e atendimento de vítimas que se baseia
no grau de severidade dos ferimentos ou doenças.

Emergência: Situação clínica em que existe a necessidade imediata de assistência


médica em virtude da existência de risco de morte.

Sequelas: Lesão orgânica ou distúrbio funcional que persiste após o fim de uma
doença ou traumatismo.

Decúbito ventral: Posição em que a pessoa se encontra deitada de bruços; de


barriga para baixo.

Agentes nocivos: São vírus, bactérias e infecções prejudiciais à saúde ou à


integridade física, bem como o tempo de exposição que prejudica; que ocasiona
danos; prejudicial: influência nociva de certos amigos; comportamento nocivo ao
ser sociável.

Plegias: Perda total da força muscular, paralisia.

Políticas públicas: É a soma das atividades dos governos, que agem diretamente
ou por meio de delegação, e que in¬fluenciam a vida dos cidadãos. De uma forma
ainda mais abrangente, pode-se considerar as Políticas Públicas como “o que o
governo escolhe fazer ou não fazer”.

Prevenção de doenças: É o conjunto de ações que visam evitar a doença na


população, removendo os fatores causais, ou seja, visam à diminuição da incidência
da doença.

Promoção em saúde: Consiste em políticas, planos e programas de saúde pública


com ações voltadas a evitar que as pessoas se exponham a fatores condicionantes
e determinantes de doenças, a exemplo dos programas de educação em saúde
que se propõem a ensinar a população a cuidar de sua saúde.

Premissas: É a ideia a partir da qual se inicia um raciocínio ou um estudo.

T5 - O transporte da vítima e seus direitos 91


Convite à leitura
Seja bem-vindo ao Tema 6! Nessa unidade você irá aprender sobre reações
alérgicas e saber quais podem ser identificadas em um Centro de Beleza, saber
reconhecer as manifestações e as queixas referidas a serem apresentados pelo
cliente e como realizar os primeiros cuidados e encaminhá-lo para o atendimento
médico hospitalar. É fundamental saber reconhecer precocemente uma reação
alérgica, pois o cliente estará sob os seus cuidados. Exemplo é o caso de anafilaxia
que, se não for tratada rapidamente, pode se tornar fatal.

Neste contexto, conhecer o cliente previamente ao atendimento, através de


uma conversa calma e clara, ouvindo com bastante atenção o que o cliente tem
para dizer pode evitar uma reação alérgica. O reconhecimento e tratamento com
agilidade, para os casos mais severos, será fundamental e fará toda a diferença
entre a vida, qualidade de vida e a morte.

Convido você a fazer o estudo desse Tema. Sintam-se à vontade para


compartilharem suas experiências e postar suas dúvidas no fórum!
Tema 6

Reações alérgicas

POR DENTRO DO TEMA

Irritação da Pele e Reações Alérgicas Causadas Por Produtos de Cuidado Com a


Pele e Cosméticos.

Figura 6.1 | Reação alérgica

Fonte: <http://atitude32.blogspot.com.br/2014/11/alergia-sintomas-e-riscos.html> Acesso em: 10 fev. 2016.

Os produtos cosméticos e de cuidado com a pele podem ser fontes de várias


reações adversas, incluindo irritações e alergias. A irritação da pele é definida como
uma inflamação localizada, causada por fatores endógenos e exógenos, e que
não é mediada pelo sistema imunológico. Alisadores de cabelo, permanentes e
produtos depilatórios utilizados, dentre outros produtos utilizados, em um Centro
de Beleza podem causar reações agudas, caso as instruções para o seu uso não
forem rigidamente seguidas. Soluções de limpeza, por exemplo, são comumente
responsáveis por dermatite irritante. Cremes hidratantes ou emolientes, em que a
água e materiais oleosos estão misturados, contêm surfactantes e emulsificadores
que são geralmente irritantes leves. Quando esses cosméticos são aplicados na face
ou na pele seca (eczematosa), onde o estrato córneo funciona como uma barreira
menos eficiente, reações irritativas pode acontecer. Características morfológicas
incluem descamação, que podem rapidamente desaparecer com a interrupção do
uso, mas que se torna eritematosa com a aplicação recorrente e pode evoluir para
dermatite por irritante crônico. Alguns cosméticos produzem irritação somente
depois de aplicação repetitiva, esse fenômeno é chamado de irritação cumulativa.
A identificação de alergia de contato imediato é baseada na anamnese. Para tanto,

T6 - Reações alérgicas 95
deve-se perguntar ao cliente sobre sensação de queimação, ardência ou prurido,
resultantes de contato com a pele, urticária ou sintomas respiratórios, e quando
indicado fazer o teste da pele usando substâncias suspeitas.

A maioria das reações alérgicas a cosméticos é causada por fragrâncias,


preservativos e outras substâncias variadas.

Segundo estudo do Grupo de Dermatite de Contato Norte-Americano esses são


os cosméticos frequentemente listados como causadores de dermatite alérgica de
contato: estudo do grupo de dermatite de contato (WOLFF, 2011):

• Parafenilelediamina

• Lanolina e derivados

• Tioglicolato giceril

• Propilenoglicol

• Resina de tolueno sulfonamida/formaldeído

• Protetor solar e outros absorventes ultravioletas

• Metacrilatos

Neste contexto, é fundamental ter uma conversa calma e clara para fins de
conhecer o cliente previamente ao atendimento, fazer uma anamnese detalhada,
obter informações sobre histórico médico pessoal (alergia a drogas, doenças
concomitantes, medicações, cirurgias), familiar (predisposição), ambiente
profissional (cargo empregatício, exposição regular e ocasional a químicos, local
de trabalho, ocupações prévias) e residencial, além de antecedentes específicos
de dermatite (início, associações temporais a melhora e piora, tratamentos), pode
influenciar o profissional, desde a criteriosa escolha do produto a ser utilizado, até
mesmo a recusa da realização do atendimento nos casos que o cliente apresente
reações alérgicas severas.

Durante todo o atendimento, o profissional deve estar atento e observar vários


sinais e sintomas apresentados pelo cliente: alterações na pele e mucosas, alteração
na respiração, ruidosa ou com esforço, circulação sanguínea e principalmente
valorizar a queixa referida pelo cliente. Caso o cliente apresente algum sinal
ou sintoma, o profissional deve imediatamente interromper o atendimento,
retirar o produto químico e, dependendo da gravidade do caso, encaminhá-lo
imediatamente para atendimento médico hospitalar, a fim de evitar, o quanto
antes, uma anafilaxia que pode, por sua vez, evoluir rapidamente para uma parada
cardiorrespiratória.

Para compreender a evolução dos casos graves de reações alérgicas, é


necessário compreender alguns sintomas que estão relacionados com essas
reações e antecedem a anafilaxia como a urticária e angioedema, a seguir vamos
estudar sobre esses temas.

96 T6 - Reações alérgicas
Dermatite de Contato

Figura 6.2 | Dermatite de contato

Fonte: <http://www.forumsaude24.com/dermatite-contato-alergica> Acesso em: 10 fev. 2016.

A pele é exposta diariamente a agentes químicos e físicos, porém a maioria destas


exposições não resulta em doença. Entretanto, em algumas situações, um conjunto
de eventos imunológicos resulta na sensibilização e subsequente surgimento de
dermatite de contato alérgica.

Quando o nível de exposição ao agente causador ultrapassa os limites de


sensibilização, a memória imunológica é gerada. Esta situação pode atrapalhar a
suspeita de um agente causal ou a relação temporal entre o contato com o alérgeno
(agente causador da alergia) e a dermatite.

A fase aguda é caracterizada por placas eritematosas (vermelhidão congestiva


da pele por congestão dos capilares), endurecidas e escamosas. Em casos graves
há vesiculação (pequena lesão da pele formada por uma elevação epidérmica,
com conteúdo líquido seroso) e bolhas nas áreas expostas. Exposição repetida
ou contínua de indivíduo sensibilizado a alérgenos resulta em doença crônica,
geralmente marcadas por placas eritematosas, liquenifação (alteração na espessura
na epiderme tornando-a espessa e rígida), com variável hiperceratose (produção
excessiva de ceratina, proteína, para a proteção da pele, espessamento da camada
córnea da epiderme), escamas e fissuras.

A dermatite de contato alérgica é a apresentação clássica de um tipo de


hipersensibilidade tardia a agentes exógenos (SOLÉ; BERNARD; ROSÁRIO FILHO, 2011).

Urticária
Figura 6.3 | Urticária

Fonte:<http://www.sbd.org.br/doencas/urticaria/>. Acesso em: 10 fev. 2016.

T6 - Reações alérgicas 97
A urticária se caracteriza por lesões rosadas ou pálidas, elevadas, acompanhadas
de intenso prurido (coceira), podendo ser circundado por eritema inicial. Os sintomas
oscilam de manifestações leves (prurido, dormência, queimação e eritema) a graves
(anafilaxia e morte). As lesões podem ser de tamanhos variados, podendo ser numerosas
ou isoladas, surgem em qualquer área do corpo. Caracterizam-se pela curta duração
de suas lesões, duram tipicamente algumas horas (1-24 horas) e reaparecem em
outros locais, sem deixar lesões residuais, pode ocorrer a qualquer hora, porém é mais
frequente no período da noite ou ao despertar (SANTOS, 2009).

São várias as causas da urticária: alergia, autoimunidade, medicamentos,


pseudoalérgenos dietéticos e infecções. Muitos casos permanecem sem causa
definida (idiopáticos) mesmo após completa investigação. O diagnóstico se baseia
primariamente no histórico e é complementado pela investigação por meio de exame
físico, provas de exposição dietética, exames de sangue, testes cutâneos e biópsia
cutânea (BOLOGNIA; JORIZZO; RAPINI, 2011; DELFINO, 2009).

Urticária Aguda

A urticária que melhora em poucos dias ou até seis semanas é chamada de


urticária aguda, sendo o fator etiológico na maioria das vezes identificado. O quadro
clínico surge logo após exposição e pode estar associado com outras manifestações
extracutâneas, como dispneia, sibilância, edema de laringe ou hipotensão. A urticária
aguda pode ser um sinal inicial de reação anafilática (FRANÇA, 2000).

As causas da urticária aguda que se apresentam como emergência dermatológica


estão listadas na Figura 4.

Figura 6.4 | Causas de urticária aguda

Fonte: adaptado de Bolognia, Jorizzo e Rapini (2011).

Urticária Crônica

Quando a urticária dura mais que seis semanas é chamada de urticária crônica. As
lesões estão presentes diariamente ou quase diariamente, permanecem menos de
vinte e quatro horas, evoluindo por um período superior a seis semanas. Quando o
médico não consegue identificar o agente causador da urticária pela história clínica,
exames físicos e laboratoriais, esta forma é denominada de urticária crônica idiopática.

98 T6 - Reações alérgicas
Neste tipo, os fatores agravantes inespecíficos como a aspirina e o estresse emocional,
podem estar presentes, porém o seu afastamento não resulta no desaparecimento do
quadro clínico (FRANÇA,2000).

A urticária crônica tem sido associada à doença tireoidiana autoimune e outras


condições autoimunes como vitiligo, diabetes insulinodependente, artrite reumatoide
e anemia perniciosa. A associação frequente com infecção viral e a baixa associação
com alérgenos dietéticos se destacam (FRANÇA,2000).

Figura 6.5 | Manejo da urticária comum

Manejo da Urticária Comum

• Isolar causa identificável e evitar desencadeantes físicos


• Terapia não farmacológica
• Recomendações gerais para todos os pacientes: Explicação e
informação, aplicar loções refrescantes como calamina, ou mentol a
1% em creme aquoso.
• Urticária comum: Prevenção de possíveis fatores agravantes, evitar
aspirina, anti-inflamatórios não esteroides, codeína e morfina,
minimizar o stress, calor e álcool.

Fonte: adaptado de Bolognia, Jorizzo e Rapini (2011).

Angioedema
Figura 6.6 | Angioedema

Fonte: <https://en.wikipedia.org/wiki/Angioedema>. Acesso em: 10 fev. 2016.

T6 - Reações alérgicas 99
O edema do angioedema ocorre profundamente na derme e no tecido subcutâneo
e submucoso, acometendo frequentemente pálpebras e lábios e raramente o
intestino. Ocorre isoladamente ou em associação com urticária. As áreas acometidas
apresentam coloração normal e dor, com duração de 2 a 3 dias (BOLOGNIA; JORIZZO;
RAPINI, 2011).

Na maior parte das vezes surge subitamente, de maneira esporádica, acometendo


principalmente face, orofaringe e genitália, surgindo após exercício físico, estresse
emocional ou pequenos traumas, mesmo que sem antecedentes familiares (FRANÇA,
2000).

Em aproximadamente metade dos casos, a urticária é acompanhada de


angioedema, caracterizado por edema assimétrico acometendo camadas mais
profundas da derme e tecido subcutâneo, geralmente não pruriginoso (não coçam).
Áreas de tecido conectivo mais frouxo, como pálpebras, lábios extremidades e
genitais são as mais acometidas. Angioedema isoladamente está presente em 10%
dos pacientes. Apesar de facilmente diagnosticável, frequentemente não é possível
a identificação de fatores etiológicos (agente causador), especialmente nos casos
crônicos (DELFINO, 2009). O angioedema pode ser um aspecto da anafilaxia se o
edema de glote estiver envolvido.

Angioedema Hereditário

Figura 6.7 | Angioedema Hereditário

Fonte:< http://fromthecab.blogspot.com.br/2012/01/health-welfare-2_12.html>. Acesso em: 10 fev. 2016.

O angioedema hereditário é uma importante enfermidade genética que


acomete um ou vários órgãos simultaneamente, podendo acarretar complicações
graves como edema de laringe e morte por asfixia. Caracteriza-se por edema que
aparece espontaneamente após trauma ou após estresse emocional. É causado
pela deficiência no organismo de uma proteína reguladora (FRANÇA, 2000).

Alergia ao látex

100 T6 - Reações alérgicas


Figura 6.8 | Alergia ao látex

Fonte:< http://portal-de-saude.blogspot.com.br/2014/07/a-alergia-produtos-de-latex.html>. Acesso em: 10 fev. 2016.

O aumento da prevalência e gravidade das reações alérgicas ao látex está associada


a vários fatores, com destaque para a generalização do uso de luvas e outros produtos
de látex, como preservativos, devido a crescente uso como prevenção contra do
contágio pelo vírus do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), hepatites, o aumento
do contato acarretou a sensibilização ao látex as alterações no processamento de
fabricação com a utilização de produtos químicos com o aumento da probabilidade
alergênica.

Durante o processamento, o látex natural é submetido a um processo de


vulcanização, com a adição de aditivos químicos e antioxidantes, para acelerar
o processo e dotar o produto final das características físico-químicas e mecânicas
desejadas.

A pele é o órgão mais frequentemente envolvido, indivíduos com contato


frequente com produtos com látex apresentam com frequência dermatite nas
mãos, nos punhos ou antebraços. Estas reações incluem dermatite de contato
irritativa, dermatite de contato alérgica, dermatite de contato a proteínas ou
urticária de contato. Apesar de outros produtos presentes nas luvas de látex
poderem contribuir para as lesões cutâneas, a maioria das queixas deve-se aos
alérgenos do látex.

A inalação de partículas dos alérgenos de látex pode provocar sintomas


como: conjuntivite, rinite, e /ou asma em trabalhadores da saúde, trabalhadores
da indústria da borracha ou de laboratório, entre outros. As proteínas do látex
responsáveis pelos sintomas estão agregadas no pó contido nas luvas de látex e,
com a manipulação, as partículas ficam em suspensão (partículas aerossolizadas
de látex) e desencadeiam sintomas ao serem inaladas.

A associação de alergia ao látex e alergia alimentar a frutos e outros vegetais


com reatividade cruzada com o látex é denominada síndrome látex fruta. No grupo
dos profissionais de saúde a prevalência a alergia alimentar a fruta e outros vegetais
com reatividade cruzada com látex é elevada e frequentemente causa anafilaxia.

T6 - Reações alérgicas 101


Figura 6.9 | Alimentos com reatividade cruzada com látex

Fonte:<http://repositorio.chlc.min-saude.pt/bitstream/10400.17/1485/1/Rev%20Port%20Imunoalergol%202004_12_209.pdf>. Acesso em:


10 fev. 2016.

As manifestações a alergia ao látex mais frequentes são cutâneas e podem ser


reações não imunológicas (dermatite de contato irritativa) ou alérgicas (dermatite
de contato alérgica, urticária de contato, urticária sistêmica e angioedema). Podem
manifestar-se por queixas respiratórias (rinite e asma), oculares (conjuntivite) ou como
reações alérgicas graves potencialmente fatais (anafilaxia) (SOLÉ; BERNARD; ROSÁRIO
FILHO, 2011).

É fundamental ao determinar medidas de prevenção nos indivíduos pertencentes


ao grupo de risco, no sentido de evitar a minimizar a exposição a alérgenos do látex.

Das principais medidas destaca-se, nos profissionais de saúde, o uso generalizado


de luvas com baixo teor proteico e sem pó lubrificante e/ou a utilização de luvas
sintéticas. Todos os doentes alérgicos ao látex deverão ser portadores de um cartão
identificador e de informações sobre o seu quadro clínico.

Luvas para alérgicos


Figura 6.10 | Luva nitrílica

Fonte:<http://www.superepi.com.br/luva-nitrilica-azul-sem-talco-descarpack-ca-31410-p813/>. Acesso em: 11 fev. 2016.

102 T6 - Reações alérgicas


Existem algumas alternativas de luvas para alérgicos ao látex:

• Luvas sem talco

• Luvas de látex de baixa proteína e baixo pó

• Luvas de nitrilo

Observação: A indicação da luva adequada deve ser


realizada por um médico alergista.

Teste de Contato

É uma prova de provocação na qual os sensibilizantes suspeitos são aplicados, de


forma padronizada, na pele do paciente, a fim de reproduzir a dermatite no local da
aplicação caso o paciente seja alérgico as substâncias testadas. Os médicos realizam
o teste utilizando a bateria padrão brasileiro, a bateria de cosméticos e, se necessário
outros antígenos escolhidos de acordo com a suspeita clínica. As baterias contem os
sensibilizantes mais comuns em concentração e veículo adequado para o teste (SOLÉ;
BERNARD; ROSÁRIO FILHO, 2011).
Figura 6.11 | Teste de contato

Fonte: <http://dracristinaamino.com.br/images/about-img3.jpg>. Acesso em: 6 abr. 2017.

Anafilaxia

Figura 6.12 | Anafilaxia

Fonte:<http://vivomaissaudavel.com.br/conteudo-guia-de-cuidados/glossario-de-alergia-000022/>. Acesso em: 10 fev. 2016.

T6 - Reações alérgicas 103


Corresponde a uma reação alérgica sistêmica grave, com caráter imediato e
potencial de mortalidade, ocorrendo subitamente após o contato com substância
ou agente causador de alergia, os quais originam a resposta aguda (SOLÉ;
BERNARD; ROSÁRIO FILHO, 2011).

História anterior de atopia relaciona-se ao aumento na incidência da anafilaxia


ao látex, antígenos ingeridos, exercícios e exames radiológicos contrastados
(SACILOTO, 2009).

Anafilaxia é o resultado da manifestação clínica da hipersensibilidade imediata.


Tais eventos ocorrem rapidamente sem aviso prévio, sendo considerada a forma
mais grave de alergia, devendo ser tratada como emergência médica, os casos de
anafilaxia fatais ocorrem por obstrução de vias aéreas, (pessoa para de respirar) ou
colapso vascular irreversível.

Nas reações anafiláticas de maior gravidade, o quadro clínico instala-se de forma


súbita, ocorrendo habitualmente nos primeiros 20 a 30 minutos após contato com
o agente causal. A existência de comorbidades como asma, particularmente se não
controlada, é uma condição que aumenta a probabilidade do risco de mortalidade.
A ausência de tratamento adequado, por inexistência ou atraso na administração
adrenalina, é igualmente um importante fator de risco para desfecho fatal
(evolução para morte). A urticária e o angioedema podem ocorrer isoladamente ou
acompanhadas de manifestações respiratórias e gastrintestinais, podendo apresentar
a manifestação inicial da anafilaxia (SOLÉ; BERNARD; ROSÁRIO FILHO, 2011).

Anafilaxia

Quem está em risco? Qualquer indivíduo, especialmente os alérgicos a alimentos ou a


venenos de insetos, látex ou medicamentos.

Quando acontece? Em minutos, em qualquer ocasião em que o indivíduo esteja em contato


com o seu desencadeante.

Como é que sabemos? Vários sintomas ocorrem de modo simultâneo, tal como prurido,
urticária, dificuldade respiratória, vômitos, diarreia, confusão ou choque.

Onde pode acontecer? Em qualquer local, tal como domicílio, restaurante, escola, creches,
berçários, instalações desportivas, campos de férias, carro, transportes públicos, avião,
serviços de saúde.

O que é que devemos fazer? Telefonar para o número de emergência médica. Atue com
rapidez a anafilaxia pode ser fatal

Porque é necessário um seguimento especializado? A anafilaxia pode ocorrer


repetidamente. Os desencadeantes precisam ser identificados, e medidas preventivas têm
que ser implementadas.

Fonte: adaptado de Wolff et al. (2011).

104 T6 - Reações alérgicas


Sintomas iniciais de anafilaxia:

• Eritema cutâneo, cefaleia, hipotensão arterial

• Prurido

• Taquicardia, arritmias (palpitações)

• Cólicas abdominais

• Fraqueza, lipotímia (tontura)

• Urticária e/ou angioedema

• Sintomas respiratórios (edema de laringe e asfixia)

• Sibilos

• Sintomas gastrintestinais (náusea, vômitos, dor abdominal e diarreia intensa,


incontinência)

• Outros sintomas frequentes incluem prurido ocular, nasal, desorientação e


incontinência urinária e fecal (SACILOTO, 2009)

Figura 6.13 | Edema de glote

O edema dessa estrutura anatômica impede a passagem de ar para os pulmões.


Fonte:<http://www.paulomargotto.com.br/documentos/Urticaria.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2016.

Causas de Anafilaxia

• Drogas: antibióticos (penicilina), anti-inflamatórios não hormonais.

• Imunoterapia específica

• Insetos: abelha, vespa, formiga vermelha.

• Alimentos: leite, ovo, amendoim, nozes, frutos do mar.

• Drogas utilizadas em anestesia geral: agentes indutores e relaxantes


neuromusculares.

• Componentes sanguíneos e quimioterapia.

T6 - Reações alérgicas 105


• Radiocontrastes iodados

• Induzida por exercício

• Látex

• Idiopática

(SACILOTO, 2009).

Primeiros Socorros

Caso o choque anafilático ocorra durante um atendimento em um Centro


de Beleza, o atendimento estético deve ser imediatamente suspenso. O cliente/
paciente deverá ser posicionado em decúbito dorsal (deitado com o abdome
para cima), posicionar a cabeça com o nível mais baixo e pernas elevadas, vias
aéreas pérvias. Ligar para o serviço de urgência e emergência local o mais rápido
possível. Acalmar o cliente, manter vigilância ao nível de consciência (se está
acordado, sonolento, ou não responsivo), respiração (rápida, dificultosa, ruidosa
com esforço ou gasping, isto é agônico), circulação (observar extremidades de
estão frias e arroxeadas). Observar a ocorrência de parada respiratória e cardíaca e
iniciar suporte básico de vida.

O serviço médico de emergência deve ser imediato, para a infusão de


solução salina fisiológica e deve ser iniciada assim que obtido o acesso venoso
para a administração de corticosteroides e anti-histamínicos, por via endovenosa.
Broncodilatadores inalatórios auxiliam no combate ao broncoespasmo. Anestesia
geral e curarização podem ser necessárias na insuficiência respiratória grave.
Observe que é necessário atendimento médico especializado de emergência,
pois esse cliente corre o risco iminente de morte. Reações tardias e recorrências são
possíveis, isto quer dizer, os sintomas podem demorar em acontecer, também pode
melhorar e voltar a acontecer. Os clientes tratados por colapso cardiorrespiratório
exigem cuidados intensivos em terapia intensiva, com monitorização rigorosa dos
sinais vitais e das funções orgânicas.

Como podemos verificar, o atendimento necessário a uma vítima de choque


anafilático deve ser realizado por equipe médica e de enfermagem. Por esta
razão, ressalta-se a responsabilidade do profissional da Beleza em identificar
precocemente os sinais e sintomas apresentado pelo cliente, com o objetivo em
evitar que uma reação alérgica evolua para uma parada cardiorrespiratória.
Figura 6.14 | Elevação dos membros inferiores

Fonte:<http://www.prof2000.pt/users/tsmf/eb23scondeixa/manualpsoc.htm>. Acesso em: 11 fev. 2016.

106 T6 - Reações alérgicas


Figura 6.15 | Manter vias aéreas pérvias

Fonte:<http://djbigclau.blogspot.com.br/2012_02_01_archive.html>. Acesso em: 11 fev. 2016.

Como reduzir o risco de Anafilaxia

• Conhecer o histórico alérgico do paciente e mantê-lo documentado

• Observar o cliente após o atendimento

• Clientes com histórico de reações anafiláticas por radiocontraste deverão ser


medicado sob orientação médica se o uso do agente é necessário

• Clientes com risco de anafilaxia ou exposição acidental a agentes anafiláticos


devem possuir um kit de tratamento (sob orientação médica) em seu ambiente
de trabalho, moradia ou viagem (SACILOTO, 2009)

ACOMPANHE NA WEB

Blog da Alergia

Ao acessar este blog você vai obter várias informações sobre alergias e como preveni-
las.

Disponível em: <http://blogdalergia.blogspot.com.br/2013/09/dermatite-de-contato-


dc.html>. Acesso em: 10 fev. 2016.

Blog sua pele Dr. Marcelo Belini

Nesse blog você poderá encontrar informações sobre estética e cuidados pessoais.

Disponível em: <http://suapele.blogosfera.uol.com.br/>. Acesso em: 10 fev. 2016.

Portal da Sociedade Brasileira de Dermatolgia

Acesse o site do Portal da Sociedade Brasileira de Dermatologia, você vai encontrar


informações sobre doenças de pele e sobre urticária em uma linguagem acessível
para os profissionais que não são da área da saúde.

T6 - Reações alérgicas 107


Disponível em: <http://www.sbd.org.br/doencas/urticaria/>. Acesso em: 10 fev. 2016.

Programa Discute Rotulagem de Alimentos que Podem Provocar Reações Alérgicas

Assista ao vídeo sobre as reações alérgicas associadas aos alimentos, pois as pessoas
com alergia alimentar podem estar mais propícias a reações alérgicas severas
colocando em risco a saúde e a vida.

Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=h0qSEvVPHB0>. Acesso em: 10


fev. 2016.

Tempo: 13:35 minutos.

Quais as medidas imediatas no Choque Anafilático?

Nesse artigo você poderá aprender sobre o choque anafilático e o atendimento


necessário que deve ser realizado.

Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid


=S0104-42302001000400014>. Acesso em: 10 fev. 2016.

SÁ, Adriano Bueno de, MALLOZI Márcia C., SOLÉ, Dirceu. Alergia ao látex:
atualização.

Leia esse artigo sobre alergias ao látex informações importantes para compreender
a prevalência, quais os grupos de risco e manifestações clínicas dentre outras
informações relevantes.

Disponível em:<http://www.sbai.org.br/revistas/Vol335/alergia_33_5.pdf>. Acesso


em: 10 fev. 2016.

Você Bonita - Alergia a cosméticos (12/02/14).

Assista a uma entrevista com médico dermatologista com muitas informações


sobre alergia a produtos utilizados em cuidado com a pele e cosméticos.

Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=zd8vqr_emxc>. Acesso em:


10 fev. 2016.

Tempo : 17:15 minutos

AGORA É A SUA VEZ

Instruções:
Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você
encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia
cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

108 T6 - Reações alérgicas


1. Quais são os sintomas a inalação de partículas dos alérgenos ao látex
pode provocar?

2. Quanto tempo é a duração da urticária aguda? Assinale a alternativa


correta.
a) A urticária que melhora em poucos dias ou até seis semanas é chamada
de urticária aguda.
b) A urticária que melhora em poucos dias ou até seis meses é chamada
de urticária aguda.
c) A urticária que melhora em poucos dias ou até seis semanas é chamada
de urticária crônica.
d) A urticária que melhora em poucos dias ou até seis dias é chamada de
urticária aguda.
e) A urticária que melhora em poucos dias ou até seis meses é chamada
de urticária crônica.

3. O edema do angioedema ocorre profundamente na derme e no tecido


subcutâneo e submucoso, acometendo frequentemente quais áreas do
corpo? Assinale a alternativa correta.
a) Pálpebras, pés e extremidades e genitais são as mais acometidas.
b) Pálpebras, lábios e raramente o estômago são as mais acometidas.
c) pálpebras, lábios extremidades e genitais são as mais acometidas.
d) Pálpebras, mãos extremidades e genitais são as mais acometidas.
e) Pálpebras, lábios e frequentemente o intestino são as mais acometidas.

4. Imagine que você está atendendo uma cliente que está apresentando
sinais e sintomas de alergia como você deverá agir como base nos
conteúdos estudados neste tema?

5. Como um profissional da Beleza pode prevenir que ocorra uma reação


alérgica a um cliente que está sob seus cuidados?

FINALIZANDO

Nesse tema, identificamos quais são as reações alérgicas mais frequentes, e qual
a responsabilidade que estará em suas mãos ao atender um cliente, pois um Centro
de Beleza oferece várias opções de serviços, desde o mais simples ao mais complexo,
onde se faz necessário, em sua maioria, a utilização de diversos produtos químicos.
Neste sentido, o profissional deve realizar anamnese com o cliente antes da realização
do atendimento, e quando estiver indicado realizar o teste de sensibilidade.

T6 - Reações alérgicas 109


Muitas pessoas têm história de alergia prévia, porém por desconhecimento,
podem esquecerem de comunicar o profissional da beleza e a reação alérgica
pode acontecer. Durante todo o atendimento o profissional deve estar vigilante ao
seu cliente, conversando, perguntado e observando se está tudo bem. É de extrema
relevância o reconhecimento dos sinais e sintomas apresentados pelo cliente para
evitar que situações graves aconteçam sob sua responsabilidade.

Ofereça um atendimento de qualidade com a atenção e cuidado que gostaria de


receber, assim será possível fidelizar o cliente. Espero que tenha feito um bom proveito
deste material. Leia as referências e assista aos vídeos sugeridos.

Até logo!

REFERÊNCIAS

BOLOGNIA, Jean L.; JORIZZO Joseph L.; RAPINI, Ronald P. Dermatologia Volume I. 2
ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

FRANÇA, Alfeu Tavares. Urticária e Angioedema Diagnóstico e Tratamento. Rio de


Janeiro: Revinter, 2000.

KAMOI,Tsukio Obu. III Jornada Paranaense Integrada. III Manual de Alergia,


Pneumologia e Dermatologia Pediátrico. 2009.

RIBEIRO JÚNIOR, Célio et. al. Manual básico de socorro de emergência para técnicos
em emergências médicas e socorrista. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

SANTOS, Raimundo Rodrigues. Manual de Socorro de Emergência. São Paulo:


Atheneu, 2005.

SOLÉ, Dirceu et.al. Tratado de Alergia e Imunologia Clínica. São Paulo: Atheneu,
2011.

WOLFF, Klaus et.al. Tratado de Dermatologia. 7 ed. Volume I. Rio de Janeiro:


Revinter, 2011.

______. Tratado de Dermatologia. 7. ed. Volume II. Rio de Janeiro: Revinter, 2011.

GLOSSÁRIO

Alérgeno: substância que provoca uma reação alérgica em alguns indivíduos.

Anafilaxia: é uma reação alérgica sistêmica grave, com caráter imediato e potencial
de mortalidade.

110 T6 - Reações alérgicas


Atopia: tendência hereditária a desenvolver manifestações alérgicas (p.ex., asma,
certas rinites, urticária etc.).

Dispnéia: Dificuldade respiratória, respiração difícil, penosa ou irregular.

Eritema: vermelhidão da pele, devido à vasodilatação dos capilares cutâneos.

Eczema: caracterizada por reação inflamatória da pele com formação de vesículas,


desenvolvimento de escamas e prurido.

Hipotensão arterial: pressão abaixo do normal.

Reação adversa: é qualquer resposta prejudicial ou indesejável e não intencional que


ocorre com medicamentos.

Recorrente: o que parece retornar ao estado ou ponto de origem.

Sibilos: ruído respiratório anormal que indica um estreitamento dos brônquios.

Sinal: manifestação que permite reconhecer, conhecer ou prever alguma coisa.

Sintoma: referido por um paciente acerca da sua doença.

T6 - Reações alérgicas 111


ANOTAÇÕES
UNOPAR URGÊNCIA E EMERGÊNCIA EM CENTROS DE BELEZA