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6º ANO 
PLANO DE LEITURA 
OBJETIVO : LEITURA, INTERPRETAÇÃO E ESCRITA 
 
 
   
TEXTO I 

Leitura. 

Dinossauro na internet 
 
 

 
 
 
 
Sempre  me  orgulhei:  fui  o  primeiro  de  meus  amigos  a  possuir  computador  pessoal.  Haja 
tempo!  Aconteceu  há  cerca  de  duas  décadas.  A  máquina  era  um  trambolho  com  programas 
complicados.  E  lentíssima!  Nas  redações  de  revistas  e  jornais  usava-se  máquina  de 
escrever.  Orgulhoso,  eu  me  considerava  adaptado  aos  novos  tempos  cibernéticos.  Os 
programas  para  digitar  textos  foram  se  tornando  mais  fáceis.  Ainda  me  considerava  uma 
sumidade  em  tecnologia,  até  ver  um  garotinho  de  8  anos  baixar  programas  de  celular.  Que 
vergonha!  Eu  sou  do  tipo  que  quase  consegue  baixar  um  programa.  Mas  no  último  segundo 
vem  uma  pergunta  a  que  não  sei  responder.  Uma  vez  o  celular  travou.  Muitas,  o  próprio 
computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.  
[...] 
Entrei  com  cautela  no  universo  das  redes  de  relacionamento.  Logo  fiquei  fascinado.  Há 
alguns  anos  era  louco  pelo  Orkut.  Criei  um  grupo  de  amigos.  Todas  as  noites  nos 
encontrávamos  virtualmente.  A  relação  se  tornou  tão  próxima  que  certa  vez  convidei  dez 
amigos  virtuais  para  jantar  em  casa.  De  sobremesa,  servi  bolo  com  uma  miniatura  de  mim 
mesmo  e  morcegos  de  glacê  -  como  só  entrava  de  madrugada,  chamavam-me 
carinhosamente de Morcegão.   
[...]  
Surgiram  novos  sites  de  relacionamento,  com  mais  ferramentas,  como  o  Facebook  e  o 
Twitter. [...]  
Agora  o  Twitter  lançou  uma  nova  versão.  Tentei  incorporá-la.  Duas  horas  depois,  irritado, 
voltei  à  anterior.  Muitas  pessoas  que  me  seguem  também  não  se  adaptaram.  Melhor 
dizendo:  assustam-se  somente  os  mais  velhos.  Crianças  e  jovens  adaptam-se  facilmente.  A 
cada  complicação,  eu  me sinto mais excluído. "Ah, eu não sabia" tornou-se uma frase comum 
no  meu  vocabulário.  Sou  louco  pela  internet.  Como  não  ficar  para  trás?  Daqui  a  pouco  vou 
ter de tomar aulas para entender as novidades!  
Talvez  meu  "professor"  tenha  8  ou  9  anos  de  idade!  É  um  mistério:  como  crianças  que  mal 
sabem  ler  e  escrever  são  capazes  de  entender  programas  complexos?  É  uma nova evolução 
da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em 
extinção?  
 
 
 
Leia. 
“ ...e eu, sou um dinossauro em extinção” 
 
2.​Por que o cronista se sente um dinossauro na internet? Explique sua resposta. 
 
Porque os dinossauros são antigos, e ele na internet se sente uma pessoa antiga.

3.  Explique  a  relação  entre  o  apelido  "Morcegão" e o fato de o cronista só entrar no Orkut 


de madrugada. 
Porque os morcegos dormem de dia e acordam de noite.

4. O cronista realiza vários questionamentos no decorrer do texto sobre a relação das 
crianças com a internet: 
 
“É  um  mistério:  ​como  crianças  que mal sabem ler e escrever são capazes de entender 
programas  complexos?  É  uma  nova  evolução  da  espécie,  que  desembarca  no  mundo  com 
cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?” 
 
Responda  ao  questionamento  em  destaque  feito  pelo  cronista(  como  crianças  que  mal 
sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos?)​. Seja coerente e 
responda de acordo com o contexto. 
 

Leitura e Interpretação do Texto   

TEXTO II 

PASSARINHO ENGAIOLADO 
 

(Rubem Alves) 

Dentro  de  uma  linda  gaiola  vivia  um  passarinho.  De  sua  vida,  o  mínimo  que  se  poderia  dizer 
era  que  era  segura  e  tranquila,  como  seguras  e  tranquilas  são  as  vidas  das  pessoas  bem  casadas  e 
dos funcionários públicos. 

  Era  monótona,  é  verdade.  Mas  a  monotonia  é  o  preço  que  se  paga  pela  segurança.  Não  há 
muito  o  que  fazer  dentro  dos  limites  de  uma  gaiola,  seja  ela  feita  de  arames  de  ferro  ou  de 
deveres.  Os  sonhos  aparecem,  mas  logo  morrem,  por  não  haver  espaço  para  baterem  suas  asas.  Só 
fica  um  grande  buraco  na  alma,  que  cada  um  enche  como  pode.  Assim  restava  ao  passarinho ficar 
pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava 
ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola... 

Ah! Se aquela maldita porta se abrisse. 

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.  

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!  

Saiu.  Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco 
de  tontura.  Estava  acostumado  com  o  chão  da  gaiola,  bem  pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se 
no  galho,  para  ter  mais  firmeza.  Viu  uma  outra  árvore  mais  distante.  Teve  vontade  de  ir  até  lá. 
Perguntou-se  se  suas  asas  aguentariam.  Elas  não  estavam  acostumadas.  O  melhor  seria  não abusar, 
logo  no  primeiro  dia.  Agarrou-se  mais  firmemente  ainda.  Nesse  momento,  um  insetinho  passou 
voando  bem  na  frente  de  seu  bico.  Chegara  a  hora.  Esticou  o  pescoço  o  mais  que  pôde,  mas  o 
insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.  

–  Ei,  você!  –  era  uma  passarinha  –  Vamos  voar  juntos  até  o  quintal  do  vizinho.  Há  uma  linda 
pimenteira,  carregadinha  de  pimentas  vermelhas.  Deliciosas.  Apenas  é  preciso  prestar  atenção  no 
gato,  que  anda  por  lá...  Só  o  nome  gato  lhe  deu  arrepio.  Disse  para  a passarinha que não gostava de 
pimentas.  A  passarinha  procurou  outro  companheiro.  Ele  preferiu  ficar  com  fome.  Chegou  o  fim  da 
tarde e, com ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.  

Onde  iria  dormir?  Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava 


dependurada.  Teve  saudades  dele.  Teria  de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem 
em  árvores?  Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos 
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.  
Tremeu  de  medo.  Nunca  imaginara  que  a  liberdade  fosse  tão  complicada.  Somente  podem 
gozar  a  liberdade  aqueles  que  têm  coragem.  Ele  não  tinha.  Teve  saudades  da  gaiola.  Voltou. 
Felizmente a porta ainda estava aberta.  

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse: 

  –  Passarinho  bobo.  Não  viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho 


de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...   

ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994 

Segundo  Houaiss  (HOUAISS,  Antônio.  Dicionário  Houaiss  da  Língua  Portuguesa.  Rio  de  Janeiro: 
Objetiva,  2001.  p.  366.),  o  vocábulo  ​crepúsculo​,  empregado  no  sentido  figurado  significa:  “3.  fig. 
período que antecede o fim de algo, momento em que se percebe este fim; declínio, decadência.”   

1.O passarinho sentiu-se triste com o crepúsculo. Justifique o motivo do sentimento apresentado. 

Porque ele se sentiu triste com o final de sua conversa.

Leia 

“Passarinho bobo. (...) pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...” 

2.O que é possível compreender em relação a fala do dono do passarinho?  

É possível compreender que o dono achou que o passarinho foi bobo de não ter fugido da gaiola.

“Assim  restava  ao  passarinho  ficar  pulando  de  um  poleiro  para  outro,  comer,  beber,  dormir  e 
cantar.” 

3. De acordo com a passagem do texto, como é possível descrever a vida do passarinho? 

Ele vive preso dentro de uma gaiola.

“...  Ah!  Se  aquela  maldita  porta  se abrisse.” Após esse pensamento, o desejo foi realizado: “Pois não 


é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.”  

4.Esta situação pode ser relacionada ao seguinte dito popular:   

( ) “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.”  

( ) “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”  

( ) “Quem com ferro fere, com ferro será ferido.” 

( ​X​ ) “Quem espera sempre alcança.” 

( ) “Quando um não quer dois não brigam.” 

TEXTO 3 

Leia o fragmento do texto . 

Todo  acontecimento  da  cidade,  da  casa  do  vizinho,  meu  avô  escrevia  nas  paredes.  Quem  casou, 
morreu,  fugiu,  caiu,  matou,  traiu,  comprou,  juntou,  chegou,  partiu.  Coisas  simples  como  a  agulha 
perdida  no  buraco  do  assoalho,  ele  escrevia.  A  história  do  açúcar  sumido  durante  a  guerra  estava 
anotada.  Eu  não  sabia  por  que  os  soldados  tinham  tanta  coisa  a  adoçar.[...].  E  a  casa  de  corredor 
comprido,  ia  ficando  bordada,  estampada  de  cima  a  baixo.  As  paredes  eram  o  caderno  do  meu  avô. 
Cada  quarto,  cada  sala,  cada  cômodo,  uma  página  (...).  Conversa  mais  indecente  ele  escrevia  bem no 
alto.  Era  preciso  ser  grande  para ler, ou aproveitar quando não tinha ninguém em casa.(...). Enquanto 
ele  escrevia,  eu  inventava  histórias  sobre  cada  pedaço  da  parede.  A  casa  do  meu  avô  foi  o  meu 
primeiro livro. (...) Apreciava meu avô e sua maneira de não deixar as palavras se perderem.   

Trecho extraído de Bartolomeu Campos Queirós. Por parte de pai. Belo Horizonte: RHJ, 1995.   

1.Após  concluir  a  leitura  do  texto  pode-se  perceber  que  o  autor  deixa  clara  a  admiração  que  tinha 
pelo avô. Retire do texto, o trecho que confirma esse sentimento. 

Apreciava meu avô e sua maneira de não deixar as palavras se perderem.

Observe a tirinha a seguir para responder às questões.

2.No segundo quadrinho , a frase ​“ Não! Eu não vi!” é

( ) frase nominal
(​ x ​) frase verbal