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3º Ano - Curso de Licenciatura em Direito

Cadeira - Direito das Sociedades Comerciais


9˚ Cessão
Docente: Dra. Eunícia Alves

POR EXEMPLO

1. Os atos estranhos à capacidade societária ou contrários ao fim lucrativo (doações,


comodatos, mútuos gratuitos, prestação gratuita de garantias), são nulos.

A norma do nº 1 do artigo 1º CSC, é uma norma imperativa, tuteladora sobre tudo dos
interesses dos credores sociais e dos próprios sócios; assim essas normas não podem ser
derrogadas por vontade (ainda que unânime) dos sócios, quer nos estatutos, quer em
deliberações.

2. Se uma sociedade através dos órgãos representativos, praticar um desses atos,


podem pedir respetiva nulidade, “nos termos do artigo 294º, Civil”, (negócios
celebrados contra a lei).

Essa nulidade pode ser invocada a todo tempo por qualquer interessado,
designadamente os sócios e credores sociais, podendo ainda ser decretada oficiosamente
pelo Tribunal, (nos termos do artigo 286º Civil

3. Se numa deliberação dos sócios, ou dos órgãos de administração autorizar a


prática de algum desses atos, elas são também nulas.

Contudo, para o professor Coutinho de Abreu, e conforme vimos no n 3 do artigo 7˚


CSC não basta a simples gratuitidade dos atos para coloca-los fora da capacidade e
dentro da nulidade, porque, os atos gratuitos podem entrar na capacidade societária,
e as sociedades podem validamente pratica-los quando eles se revelam necessários
ou, ao menos, convenientes à consecução de lucros.

Exemplifica:

Imagine-se que a sociedade A subscreve uma letra de câmbio de favor da sociedade B


para possibilitar que a sociedade B seja financiada por um banco, ou que aquela
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sociedade empresta (sem juros) dinheiro à segunda; a sociedade B é um cliente
importante de A e a sua sobrevivência estaria ameaçada se a sociedade A não a
auxiliasse praticando um daqueles atos (gratuitos); ora, concordar-se-á em que tais atos
são úteis, se não mesmo necessários à prossecução do fim lucrativo da sociedade A.

Obs. Um ato social é alheio ao objeto da respetiva sociedade quando, atendendo ao


momento da sua prática, se revele inservível para a realização da (s) atividade (s) que a
sociedade pretende, nos termos do estatuto.

A VINCULAÇÃO DA SOCIEDADE PELOS SEUS REPRESENTANTES

‘’A sociedade responde civilmente pelos atos ou omissões dos seus representantes
legais, nos mesmos termos em que os comitentes respondem pelos atos ou omissões
dos comissários’’ (artigo 8 ˚ do CSC, o que nos faz remeter para os artigos 169˚,
500˚, 800˚ e 995˚/1 do CC.

Aliás as cláusulas contratuais e as deliberações sociais que fixem à sociedade


determinado objeto ou proíbam a prática de certos atos constituem os órgãos da
sociedade e os seus demais representantes no dever de não excederem ao objeto ou de
não praticarem esses atos, tornando os membros dos órgãos e representantes da
sociedade responsáveis perante a sociedade e quaisquer terceiros interessados
pelas consequências da violação do dever imposto, sem prejuízo das consequências
legais sobre a validade dos respetivos atos. “vite artigo 8º n 2 e 3, CSC. “

Atenção: a matéria da (in) capacidade das sociedades não deve ser confundida com a da
(não) vinculação das mesmas; as limitações a capacidade não se identificam com as
limitações ao poder representativo dos órgãos de administração e representação. Um ato
que não ‘’vincula’’ a sociedade é, em regra, um ato ineficaz em relação a ela; um ato
fora da ‘’capacidade jurídica’’ da sociedade é, repita-se nulo.

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O CONTRATO DA SOCIEDADE COMERCIAL ARTIGO 9º e seguintes CSC
+ARTIGO 977º conjugado com o 875˚ CC

A constituição ou formação das sociedades comerciais, qualquer que seja o modo pelo
qual se realize, avalia-se num processo ou seja numa série de atos e formalidades. O
processo normal de constituição de sociedades prevista no CSC desdobra-se em três
atos principais: o contrato de sociedade, o registo do contrato e publicação do
contrato.

Esta série de atos e formalidades é por muitos denominado de ato constituinte que é o
contrato de fim comum e de organização.

Os sujeitos que podem constituir sociedades são as pessoas singulares e pessoas


coletivas. Das pessoas singulares são as pessoas humanas com capacidade de exercício.
Mas os incapazes podem também participar na constituição de sociedades, devendo ser
representados pelos pais ou tutores e podem entrar em sociedades por quotas ou
anónimas sem autorização do Ministério Público.

O Contrato de Sociedade

O contrato da sociedade está sujeito à disciplina geral dos contratos, com as


especialidades decorrentes da sua natureza de contrato de fim comum e institucional.

Essa sua natureza jurídica implica uma execução prolongada no tempo, uma sequência
de comportamentos das partes, através dos quais, se dá a concretização ao vínculo
contratual. Podendo-se assim dizer que, o contrato de sociedade é um contrato de
execução continuada

Diferenciando assim dos demais contratos desta natureza, na medida em que, a sua
execução não se traduz em simples fluxos de prestações e contraprestações, comissivas
ou omissivas, mas sim, na criação e funcionamento de uma organização.

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A sociedade instituição, a qual funciona segundo um conjunto de regras traçadas no
contrato, como ente dinâmico e mutável e se norteia por um escopo a que é destinado
“o objeto social é, pois, um contrato de organização”.

Regras Gerais Da Constituição da Sociedade – Cada tipo societário tem os seus


requisitos específicos de constituição, mas também têm regras gerais aplicáveis a todas
as sociedades, conforme veremos no CSC.

Uma vez decidida a constituição da sociedade, o primeiro passo a ser dado, é, a


obtenção de um “Certificado de Admissibilidade da Firma ou Denominação Social”
que é requerido na Conservatória dos Registos Comerciais. Sem este documento não se
poderá lavar a competente escritura de constituição da respetiva sociedade.

A Composição da firma ou denominação social obedece as regras tipificadas nos


artigos 13º CSC e 25º do CCm, nomeadamente o princípio da novidade, a menção do
objeto social, previsto no artigo 14º do CSC e a forma da sociedade previsto no artigo 1º
nº 3 do CSC.

Forma do Contrato de Sociedades

O Contrato da Sociedade é um Negócio Jurídico Formal, celebrado nos termos dos


seguintes artigos. “Artigo 9º CSC” conjugado com o artigo 978˚ do CC, ou seja, a sua
constituição não exige forma especial podendo ser celebrado por escrito, porém, se a
entrada de algum sócio for constituída por bens cuja alienação esteja sujeito a
forma especial, ou seja, a exigência legal de escritura pública, o contrato de
sociedade deverá ser celebrado por essa forma, nos termos dos artigos acima
referidos em conjugação com o artigo 875º CC.

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