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Floresta ombrófila densa submontana, montana e alto-montana Floresta


estacional semidecidual de terras baixas, submontana e montana Refúgio
ecológico

Chapter · January 2007

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3 authors, including:

André M Assis Luiz Fernando Silva Magnago


Escola Superior São Francisco de Assis Universidade Federal do Sul da Bahia
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Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção
no Estado do Espírito Santo
Conselho deliberativo
Elizete Sherring Siqueira
Luiz Paulo de Souza Pinto
Luiz Son
Paulo de Marco Junior
Sérgio Lucena Mendes

Conselho fiscal
Marcelo Passamani
Roberta Fassarela
Valéria Fagundes

Equipe técnica
Andressa Gatti
Deusdedet Ale Son
Monica Toniato

Edição
Linda Kogure

Projeto gráfico e editoração


Frederico Vescovi Leão

Catalogação
Ana Maria de Mattos Mariani
CRB 12/ES, n. 425.

Impressão
Gráfica JEP

Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)

E773 Espécies da flora ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo / Marcelo


Simonelli, Claudio Nicoletti de Fraga, organizadores. – Vitória : Ipema, 2007.

144 p. : il. mapas color.; retrs. color. tabs., 29,7cm.

1. Plantas – Extinção – Espírito Santo (Estado). 2. Espécies em extinção – Espíri-


to Santo (Estado). 3. Manguezais – Espírito Santo (Estado). 4. Restinga – Espírito
Santo (Estado). I. Simonelli, Marcelo. II. Fraga, Cláudio Nicoletti de.

CDD: 581.98152
CDU: 577.4(815.2)
Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção
no Estado do Espírito Santo

Organizadores
Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga

Vitória
2007
Agradecimentos

A todos que apoiaram a execução deste projeto


sobretudo aos funcionários do IPEMA.
À Conservação Internacional (CI),
ao Museu de Biologia Prof. Mello Leitão,
Seama, Incaper, Idaf, Ibama e aos
institutos de pesquisas que cederam seus
pesquisadores para a elaboração da lista.
Aos pesquisadores do Workshop e
participantes das análises pela internet.
À Companhia Vale do Rio Doce
por patrocinar esta publicação.
Apresentação

Em 2003 fomos convidados – juntamente com os colegas Hélio Queiroz Boudet


Fernandes e Ivanor Weiler Junior – pelo Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica
(IPEMA) para participarmos do projeto denominado “Conservação da Biodiversi-
dade da Mata Atlântica no Espírito Santo mais especificamente incumbidos da ár-
dua, porém prazerosa tarefa de coordenarmos a elaboração da lista das espécies
ameaçadas de extinção da flora do Estado do Espírito Santo, feita com base metodo-
lógica nos critérios e análises de categorias relativas ao Estado de conservação da
IUCN – The World Conservation Union.

Essa ação consistia, em um primeiro momento, montar um banco de dados com


as espécies da flora capixaba que, posteriormente, deveriam ser triadas e analisadas
pelos mais qualificados botânicos por grupos de especialidades do Brasil e do mun-
do, o que foi feito de 2003 a 2004. Em outubro de 2004, o IPEMA realizou, em
Vitória, um workshop que contou com a participação de 88 especialistas, dentre
eles 25 botânicos. A difícil tarefa era de analisar 3.285 espécies candidatas da flora
capixaba nas 20 horas de trabalho, o que significava avaliar ca. 3 espécies por minu-
to, com o objetivo de decidir quais deveriam compor a lista de espécies ameaçadas.
Como resultado do evento foram eleitas 776 espécies entre ameaçadas (753) e extin-
tas (23). Para muitos, este número parece ser exagerado, mas temos a plena convic-
ção de que ele reflete, por um lado, a nossa elevada diversidade vegetal e, por outro,
o estado de conservação em que se encontram os ecossistemas do nosso Estado.

Para a sua oficialização, a lista foi encaminhada em março de 2005 para o Con-
sema e o decreto estadual de homologação nº 1499-R foi assinado pelo governador
em 11 de junho de 2005, no Museu de Biologia Prof. Mello Leitão e, em 14 de junho
daquele mesmo ano, foi publicado no Diário Oficial Estadual. A partir de então, o
Espírito Santo passou a ser um dos seletos Estados do Brasil a ter uma lista oficial
de espécies ameaçadas de extinção.

No entanto, faltava o último passo: a elaboração de uma publicação que discu-


tisse os aspectos ligados à conservação de nossas espécies e dos nossos ecossiste-
mas, além das causas e conseqüências da extinção no Espírito Santo. Este último
passo agora está sendo dado, com a publicação do presente livro. Trata-se de uma
obra que, com certeza, será ferramenta essencial para a adoção de políticas públi-
cas voltadas à conservação da nossa biodiversidade.

Esta obra está dividida em duas partes: a primeira, com sete artigos, aborda os
ecossistemas existentes no Espírito Santo, suas características, estado de conserva-
ção e flora. A segunda parte sintetiza os aspectos relativos à metodologia e aos
resultados obtidos na confecção da lista, além de discutir as espécies ameaçadas
por grupo de plantas, apresentando ao final de cada capítulo a listagem e o status
de conservação para cada uma das espécies.

Para a elaboração desta obra foram convidados alguns pesquisadores de diver-


sas instituições do Estado e do Brasil que, apesar dos seus inúmeros compromissos,
logo que convidados se prontificaram a escrever os artigos. A eles, os nossos since-
ros agradecimentos, assim como aos pesquisadores que responderam a consulta
prévia e/ou participaram do workshop. Sem dúvida, eles foram os principais res-
ponsáveis pela elaboração da lista de espécies ameaçadas de extinção no Espírito
Santo. Gostaríamos de agradecer também ao patrocinador que possibilitou que to-
das essas informações viessem à luz do conhecimento dos leitores que, assim como
você, irá se deleitar com as características da flora do Espírito Santo e se instruir
ainda mais sobre as espécies ameaçadas no Espírito Santo, podendo auxiliar para
que elas venham a ser, uma a uma, retiradas dessa listagem.

Marcelo Simonelli e Claudio Nicoletti de Fraga


Organizadores
Prefácio

Para os padrões brasileiros, o Espírito Santo é um Estado pequeno situado discreta-


mente no nordeste da Região Sudeste, circundado pelo imenso oceano Atlântico e por
três dos mais notórios Estados brasileiros. Mas essa discrição capixaba não consegue
ocultar uma imensa riqueza paisagística, representada por uma variedade de
ecossistemas, como as formações marinhas, os manguezais, as restingas das planícies
costeiras, as matas de tabuleiros, as matas da encosta atlântica, as matas de altitude, a
vegetação rupestre dos pães de açúcar e os campos de altitude acima dos 2.000 metros,
na Serra do Caparaó.

A exuberância dessa vegetação já chamava a atenção de viajantes naturalistas do


século XIX, como do francês Auguste Saint-Hilaire e do príncipe alemão Maximiliano
de Wied-Neuwied, que não só se encantaram com a riqueza da flora e da fauna, mas
também testemunharam grandes impactos antrópicos, como o uso do fogo para destruir
a vegetação nativa.

O que esses naturalistas presenciaram no início do século XIX em nada se compara


ao que se sucedeu no século XX. A expansão dos bananais, cafezais, eucaliptais e, de
uma forma ainda mais devastadora, das pastagens, reduziu a Mata Atlântica – que
antes cobria mais de 80% da superfície do Estado –, a menos de 10% de sua área
original. Esse impacto alarmante dizimou os habitats naturais da flora e fauna nativas,
deixando isolados pequenos fragmentos de ecossistemas nativos. O que restou é ainda
mais vulnerável a antigos impactos, como a exploração madeireira, a coleta de plantas
ornamentais, os incêndios florestais, a crescente urbanização e a poluição ambiental.

Todo esse impacto certamente levaria a uma das principais conseqüências da ocu-
pação desordenada do território estadual: a extinção prematura de espécies. Preocupa-
do com esse fenômeno e seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Biodiversidade,
o IPEMA – Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica – buscou financiamento externo e
parceria com instituições públicas estaduais para executar o projeto “Conservação da
Biodiversidade da Mata Atlântica no Estado do Espírito Santo”.
Com recursos do CEPF (Critical Ecosystems Partnership Fund) e apoio do IEMA
(Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), INCAPER (Instituto
Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), IDAF (Instituto de
Defesa Agropecuária e Florestal) e IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis), o IPEMA viabilizou três subprojetos envolven-
do um diagnóstico de manejo de 20 unidades de conservação do Espírito Santo, a
definição das áreas prioritárias para a conservação da Mata Atlântica no Estado e a
lista de flora e fauna ameaças de extinção em nível estadual.

O presente livro traz os resultados de um workshop que contou com a partici-


pação de 25 botânicos de vários Estados brasileiros que conhecem a flora capixaba.
O trabalho de alto nível realizado por esses cientistas teve um papel fundamental
na organização dos dados existentes sobre a flora do Estado, mas trouxe também um
resultado altamente preocupante: 753 espécies de plantas ameaçadas de extinção e
23 consideradas extintas. Espécies que levaram milhões de anos para evoluir, desa-
parecem rapidamente por causa de impactos antrópicos dos últimos 100 anos.

As listas de espécies ameaçadas de extinção, entretanto, não são elaboradas


para que fiquemos lamentando. Ao contrário, nos cobram atitudes e são importan-
tes ferramentas de planejamento e gestão para a conservação da biodiversidade e
uso territorial. A presença de espécies ameaçadas deve ser um critério essencial na
avaliação e mitigação de impactos ambientais. Além disso, as listas nos permitem
priorizar atividades de pesquisa, bem como estratégias de manejo de paisagens,
fundamentados nos elos mais frágeis dos ecossistemas.

Mais do que um livro apresentando os principais ecossistemas do Espírito San-


to e uma lista de espécies ameaçadas, a presente obra tem um papel histórico rele-
vante. É o resultado do esforço conjunto de instituições públicas e privadas e de um
grupo notável de cientistas, que, pela primeira vez, se uniram para diagnosticar e
fornecer bases técnico-científicas para um programa de conservação biológica do
Espírito Santo.

A oficialização da lista de espécies ameaçadas pelo governo do Estado repre-


sentou um passo importante na consolidação de seu papel nas políticas públicas.
Entretanto, não podemos parar aqui. Temos que ir a campo, aumentar e difundir
nosso conhecimento e estabelecermos estratégias de curto, médio e longo prazos,
que possibilitem a conservação e a recuperação de nossa preciosa biodiversidade.

Sérgio Lucena Mendes


Presidente do Conselho Deliberativo do IPEMA
Sumário

Parte I
Vegetação e flora do Estado do Espírito Santo

Capítulo 1 ................................................................................................................ 17
A cobertura vegetal no Estado do Espírito Santo
Oberdan José Pereira

Capítulo 2 ................................................................................................................ 21
Formações pioneiras: manguezais
Renato de Almeida e Claudia Câmara do Vale

Capítulo 3 ................................................................................................................ 27
Formações pioneiras: restingas
Oberdan José Pereira

Capítulo 4 ................................................................................................................ 33
Florestas de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto e Marcelo Simonelli

Capítulo 5 ................................................................................................................ 45
Floresta ombrófila densa submontana, montana e alto-montana
Luiz Fernando Silva Magnago, André Moreira de Assis
Hélio Queiroz Boudet Fernandes

Capítulo 6 ................................................................................................................ 51
Floresta estacional semidecidual de terras baixas, submontana e montana
André Moreira de Assis, Luiz Fernando Silva Magnago
Hélio Queiroz Boudet Fernandes

Capítulo 7 ................................................................................................................ 55
Refúgio ecológico
Hélio Queiroz Boudet Fernandes, André Moreira de Assis
Luiz Fernando Silva Magnago
Sumário

Parte II
Flora ameaçada no Estado do Espírito Santo

Capítulo 8 ................................................................................................................ 59
Metodologia utilizada na elaboração da lista da flora ameaçada
de extinção no Estado do Espírito Santo.
Claudio Nicoletti de Fraga, Marcelo Simonelli
Hélio Queiroz Boudet Fernandes

Capítulo 9 ................................................................................................................ 73
Situação atual da flora ameaçada no Estado do Espírito Santo.
Marcelo Simonelli, Claudio Nicoletti de Fraga
Hélio Queiroz Boudet Fernandes

Capítulo 10 .............................................................................................................. 81
As briófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo.
Olga Yano e Denilson Fernandes Peralta

Capítulo 11 .............................................................................................................. 89
As pteridófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo.
Lana da Silva Sylvestre

Capítulo 12 .............................................................................................................. 97
As gimnospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo.
Ingrid Koch, Leonardo Dias Meireles, Claudio Nicoletti de Fraga
Marcos Sobral

Capítulo 13 ............................................................................................................ 105


As angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo.
Ludovic Jean Charles Kollmann, André Paviotti Fontana,
Marcelo Simonelli e Claudio Nicoletti de Fraga

Ficha Técnica ........................................................................................................ 141


Relação dos Participantes na Elaboração da Lista da Flora Ameaçada de
Extinção do Espírito Santo
Parte I

Vegetação e flora do Espírito Santo


Capítulo 1

A cobertura vegetal do Espírito Santo

Oberdan José Pereira


Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

A
vegetação que cobre o ter- nas e Formações Pioneiras (Restin-
ritório do Espírito Santo se de- ga e Manguezal).
senvolve em diferentes tipos
de solos, enquadrados por Brasil A cobertura vegetal do Espírito San-
(1978) em pelo menos 13 classes, em to foi originalmente constituída pela
terrenos pertencentes a períodos geo- Mata Atlântica (sentido amplo), que co-
lógicos distintos, estando os mais an- bria aproximadamente 90% do territó-
tigos do Pré-Cambriano (Costa, 1997) rio e o restante por outras fisionomias
em nível topográfico acima dos 100 como restingas, mangues, brejos, campos
metros do nível do mar, principalmen- de altitude e rupestres (Fundação SOS
te nos municípios serranos; do Terci- Mata Atlântica et al., 1993). Entretanto,
ário, nos municípios costeiros em ter- a devastação das florestas vem ocorren-
renos planos, os denominados Tabu- do praticamente desde o período do des-
leiros, em cotas inferiores aos 100 cobrimento, diminuindo drasticamente
metros (Rizzini, 1997); e do Quaterná- sua cobertura vegetal original. Da área pri-
rio (Holoceno e Pleistoceno) represen- mitiva, resta um percentual muito peque-
tado por sedimento arenoso (Martin et no: em torno de 8,95% (Fundação SOS
al. 1997) e lodoso que vem sendo de- Mata Atlântica et al., 1998) que ainda
positado no período atual em cotas pode ser encontrado em diferentes pon-
muito próximas ao nível do mar, em- tos desta Unidade da Federação.
bora sua formação tenha início no Ter-
ciário (Yokoya, 1995). A erradicação de grandes extensões
das diferentes fisionomias vegetais e os
Na classificação das regiões fi- contatos entre estas causa a fragmenta-
toecológicas apresentada pelo IBGE ção dos habitats, o que se constitui num
(1992) e, considerando as diferen- dos mais graves problemas ecológicos
tes cotas altitudinais e de solo do da atualidade (Bourlegat, 2003). Esta si-
Bioma Mata Atlântica, as fisionomi- tuação tem como conseqüência uma
as da vegetação do Espírito Santo série de fatores, dentre eles, a perda de
são constituídas por formações flo- diversidade específica, ampliação da
restais e não florestais, que o IBGE borda florestal e seus efeitos, limitação
(1983) enquadrou como Floresta de uma espécie para dispersão e colo-
Ombrófila Densa Sub-Montana, nização, redução de oferta de alimen-
Montana, Alto-Montana e de Terras tos para animais nativos, declínio e ex-
Baixas; Floresta Estacional Semide- tinção de populações (Primack & Rodri-
cidual, Refúgios Ecológicos, Sava- gues, 2001).
17

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

A diminuição da cobertura vege- A caracterização de diferentes fi-


tal e suas conseqüências sobre a di- sionomias vegetais do Espírito Santo,
versidade vegetal têm motivado no aqui apresentadas, não tem como obje-
Brasil publicações de listas de espéci- tivo esgotar o assunto, mas antes de
es ameaçadas com base científica para tudo fornecer uma visão ampla de sua
que possam orientar os governos em ocorrência, de maneira que possa in-
suas políticas públicas. Neste sentido, centivar pesquisas nestas áreas, aten-
o Espírito Santo tem se colocado en- dendo a uma demanda cada vez mais
tre os primeiros Estados que elabo- premente à conservação, possibilitan-
rou uma listagem que se encontra dis- do, assim, como discutido por Pinto et
ponível na publicação do Diário Ofi- al. (2006), a manutenção dos proces-
cial Estadual, de 14 de junho de 2005, sos ecológicos e evolutivos destes ecos-
no Decreto nº 1.499-R. sistemas.

O conjunto das formações vegetais Referências


no Espírito Santo e, mesmo quando
considerada uma parte delas, é consti- Amorim, A. M. 2002. Five new spe-
tuído por uma grande diversidade que cies of Heteropterys (Malpighiaceae)
vem sendo atestada por diferentes pes- from Central and South America. Brit-
quisadores, seja em base quantitativa tonia 54 (4):217-232.
(Thomaz & Monteiro, 1997) ou pelas
constantes publicações de novas espé- Assis, M. C. 2003. Duas novas espé-
cies (Amorim, 2002; Kollmann, 2003; cies de Alstroemeria L. (Alstroeme-
Assis, 2003; Chautems et al., 2004; Pro- riaceae) para o Brasil. Acta Botanica
fice, 2005; Sales et al., 2006) e mesmo Brasilica, 17 (2):179-182.
gêneros (Lima, 1983; Delprete, 1999),
muitas destas sendo endêmicas a este Bourlegat, C. A. 2003. A fragmenta-
Estado (Giullieti, 1992; Thomaz & Mon- ção da vegetação natural e o paradig-
teiro, 1997). ma do desenvolvimento rural. In:
Costa, Reginaldo Brito (org.) Frag-
Apesar dos recentes avanços da mentação florestal e alternativas de
ciência no sentido de utilização de desenvolvimento rural na região
ferramentas computacionais para pro- Centro-Oeste, p. 1-25. UCDB, Cam-
posição de áreas para conservação, po Grande.
estas são dependentes de informações
precisas de coleções (Pimm & Jenkins, Brasil. 1978. Levantamento de reco-
2006). Neste sentido, estudos visan- nhecimento dos solos do estado do
do ampliar os conhecimentos da flo- Espírito Santo. Rio de Janeiro: Embra-
ra do Espírito Santo devem ser incen- pa-SNLCS, Ministério da Agricultu-
tivados e implementados, possibili- ra. (Boletim Técnico, 45): Brasília.
tando aos órgãos públicos e à socie-
dade organizada formular propostas Chautems, A.; Lopes, T. C. C.; Peixo-
visando a conservação dos remanes- to, M. & Rossini, J. 2004. Five new
centes vegetais que, apesar de peque- species of Nematanthus Schrad.
nos, continuam revelando uma gran- (Gesneriaceae) from Eastern Brazil
de diversidade ainda não conhecida with a revised key to the genus. Sel-
pelo homem. byana 25 (2):210-224.

18

IPEMA 2007
Cap.1 - A cobertura vegetal do Espírito Santo
Oberdan José Pereira

Costa, J. P. O. 1997. Avaliação da re- potencial da terra. Projeto Radam-


serva da biosfera da Mata Atlântica. brasil, Rio de Janeiro.
Série Cadernos da Reserva da Bios-
fera da Mata Atlântica. Caderno 9. Kollmann, L. J. C. 2003. Begonia rus-
Conselho Nacional da Reserva da Bi- chii L. Kollmann (Begoniaceae), uma
osfera da Mata Atlântica, São Paulo. nova espécie da Mata Atlântica do
Espírito Santo, Brasil. Boletim do
Delprete, P. G. 1999. Riodocea (Ru- Museu de Biologia Mello Leitão
biaceae, Gardenieae), a new genus (Nov. Ser.) 15: 29-33.
from the Brazilian Atlantic forest.
Brittonia, 51 (1):15-23. Lima, H. C. 1983. Novos taxa de Le-
guminosae Papilionoideae. Bradea 3
Fundação SOS Mata Atlântica, Ins- (45): 399-405.
tituto Nacional de Pesquisas Espa-
ciais (INPE) & Instituto Sócioambi- Martin, L.; Suguio, K; Dominguez, J.
ental (ISA). 1993. Atlas da evolução M. L. & Flexor, J. M. 1997. Geologia
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sistemas associados no domínio da norte do Rio de Janeiro e do Espírito
Mata Atlântica no período 1985- Santo. CPRM, Belo Horizonte.
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ca, São Paulo. Pimm, S. L. & Henkins, C. N. 2006.
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ciais (INPE) & Instituto Sócioambi- galo, H. G.; Sluys, M. & Alves, M.
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Mata Atlântica no período 1990-
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tituto Florestal, 4:125-130. al. In: Rocha, C.; Bergalo, H. G.;
Sluys, M. & Alves, M.A.S. (org.)
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de Geografia e Estatística). 1992. Ma- as. p. 90-118. São Carlos, Rima.
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ra. Série Manuais Técnicos em Geo- Primack, R. B. & Rodrigues, E.
ciências, 1. IBGE, Rio de Janeiro. 2001. Biologia da Conservação. E.
Rodrigues, Londrina.
IBGE (Fundação Instituto Brasilei-
ro de Geografia e Estatística). Profice, R. S. 2005. Três novas es-
1983. Folhas SF. 23/24. Rio de Ja- p é c i e s d e A p h e l a n d r a R . B r.
neiro/Vitória: geologia, geomorfo- (Acanthaceae) para o Brasil. Acta
logia, pedologia, vegetação e uso Botanica Brasilica 19 (4): 769-774.

19

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Rizzini, C. T. 1997. Tratado de fitoge-


ografia do Brasil: aspectos ecológicos,
sociológicos e florísticos. Âmbito Cul-
tural Edições, Rio de Janeiro.

Sales, M. F.; Kinoshita, L. S. & Simões,


A. O. 2006. Eight new species of Man-
devilla Lindley (Apocynaceae, Apocy-
noideae) from Brazil. Novon, 16 (1):
112-128.

Thomaz, L. D & Monteiro, R. 1997.


Composição florística da Mata Atlân-
tica de encosta da Estação Biológica
de Santa Lúcia, município de Santa
Teresa-ES. Boletim do Museu de Bio-
logia Mello Leitão (Nov. Ser.) 7: 3-48.

Yokoya, N. S. 1995. Distribuição e ori-


gem. In: Schaeffer-Novelli, Y. (coord.)
Manguezal: ecossistema entre a terra
e o mar. p. 9-12. Caribbean Ecological
Research, São Paulo.

20

IPEMA 2007
Capítulo 2

Formações pioneiras: manguezais

Renato de Almeida
Instituto BiomaBrasil

Claudia Câmara do Vale


Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

O
manguezal é um ecossistema bilidade de sítios para o estabeleci-
costeiro tropical, típico da mento dos manguezais. Dos vários
faixa do entremarés. Presente ambientes propostos por Thom (1982),
em todo o litoral capixaba ocupa cer- os estuários alimentados por rios, ca-
ca de 70,35 km² (Vale & Ferreira, 1998). racterizados por sedimentos terrígenos
Coloniza depósitos sedimentares (vasas em ambientes intermarés, são os
lamosas, argilosas ou arenosas) até o li- habitats por excelência para
mite superior das preamares equinociais os manguezais. Carências de
e pode apresentar estrutura caracteriza- reentrâncias, de baixios praiais, de
da por um continuum de feições: “lava- costas abrigadas, protegidas do emba-
do”, “mangue” e “apicum” (Schaeffer- te das ondas e marés, restringem a ex-
Novelli, 2005). O “lavado” é a feição pansão dos manguezais, os quais,
exposta à maior freqüência de inunda- muitas vezes ocupam uma estreita fai-
ção, apresentando substrato lodoso ex- xa costeira e são, freqüentemente, alvo
posto desprovido de cobertura vegetal. da energia das ondas e não conseguem
O “mangue” apresenta cobertura vege- desenvolver-se. O estabelecimento das
tal típica, constituída por espécies plântulas requer lugares abrigados, li-
arbóreas que lhe conferem fisionomia vres da ação das ondas. De outro
peculiar. A feição “apicum” limita-se ao modo, não há tempo hábil para a co-
aspecto mangue, e é atingido nas prea- lonização dos sítios, a despeito da
mares de sizígia, equinociais ou devido viviparidade.
a eventos meteorológicos. O “apicum”
pode apresentar-se hipersalino, limitan- A fisionomia e as características
do a ocorrência de espécies arbóreas e funcionais dos bosques de mangue
dando falsa impressão de que não faz refletem respostas das espécies a fato-
parte do manguezal e que nele não há res ecofisiológicos locais. Lugo &
vida. A ocorrência de apicuns está as- Snedaker (1974) reconheceram seis
sociada, em parte, com a existência de tipos fisiográficos para os manguezais,
déficit hídrico. cada qual compartilhando fontes si-
milares (intensidade e periodicidade)
Os fatores geológico- de energias subsidiárias e conseqüen-
geomorfológicos referem-se à disponi- te similar ao desenvolvimento estru-

21

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

tural. A revisão de Cintrón et al. Normalmente, a bacia somente é inun-


(1985) sugere apenas três tipos (fran- dada pelas marés de sizígia, elevações
ja, ribeirinho e bacia), mas há tendên- sazonais do nível do mar ou pulsos
cia atual de se reconhecer apenas os recorrentes de água doce. Podem per-
tipos franja e bacia (Schaeffer-Novelli manecer alagadas por longo período,
et al., 2000). Os bosques de franja e pois a água move-se lentamente em
bacia podem ocorrer em todos os es- fluxo laminar.
tuários capixabas (Figura 2.1). São as
forçantes ambientais locais (topogra- A cobertura vegetal apresenta-se
fia, amplitude de maré, morfologia, bastante homogênea por conter espé-
cies oriundas de famílias
evolutivamente convergentes, com
adaptações e características fisiológi-
cas especiais, que possibilitam sua
ocorrência em áreas alagada, salina, de
substrato siltoso pouco consolidado e
com baixo teor de oxigênio
(Tomlinson, 1986).

O número total de espécies para o


manguezal é bastante questionável,
mas estudos biogeográficos apontam
para maior número de espécies no He-
misfério Leste (pelo menos 50 espéci-
es). Na América são registradas ape-
Figura 2.1 – Manguezais do delta do rio nas oito espécies arbóreas (Tomlinson,
Santa Maria da Vitória onde podem ser 1986).
observados diferentes tipos fisiográficos.
Fonte: Maplan, 2000
Os mangues capixabas são repre-
aporte fluvial de água doce e sedi- sentados por quatro espécies vegetais
mentos) que condicionam sua exis- típicas, todas halófitas facultativas: a
tência, estrutura e funcionamento. Rhizophoraceae Rhizophora mangle
L. (mangue-vermelho); a
Os principais critérios usados para Combretaceae Laguncularia racemosa
descrever os tipos fisiográficos são o (L.) Gaetern. f. (mangue-branco); e as
fluxo de água, a composição de espé- Acanthaceae Avicennia schaueriana
cies e características do sedimento Stapf. & Leech e A. germinans Learn.
(Schaeffer-Novelli et al., 2005). Bos- (mangue-preto). No “apicum” podem
ques de franja ocupam áreas sujeitas a ser encontradas as espécies associadas,
inundações freqüentes. Podem atingir como Conocarpus erectus L. (mangue
elevado desenvolvimento estrutural, de botão); Acrostichum aureum L. e
principalmente sob influência de A. danaeifolium Langsd. & Fisch. (sa-
aportes fluviais (prevalecendo baixa mambaia do mangue); e Hibiscus
salinidade e considerável aporte de pernambucensis Arruda (algodão da
nutrientes). Bosques de bacia ocupam praia). Espécies graminóides também
áreas mais internas, com menor fre- são comuns, como Sesuvium
qüência de inundação pelas marés. portulacastrum L. (Aizoaceae);

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IPEMA 2007
Cap.2 - Formações pioneiras: manguezais
Renato de Almeida - Claudia Câmara do Vale

Salicornia gaudichaudiana Mog. O manguezal, enquanto importan-


(Amaranthaceae); Sporobolus te produtor de matéria orgânica, con-
virginicus (L.) Kunth. (Poaceae); tribui para o enriquecimento das águas
Eleocharis mutata R. Br. (Cyperaceae). estuarinas e costeiras adjacentes. En-
quanto os bosques de franja tendem a
Pouco se conhece sobre as contribuir com predomínio de maté-
microorquídeas existentes nos ria orgânica particulada, os bosques de
manguezais, estando sua diversidade bacia tendem a contribuir com maté-
provavelmente relacionada à proximi- ria orgânica dissolvida.
dade de outros ecossistemas.
Abaixo são apresentados alguns
Nenhuma das espécies arbóreas dados estruturais disponíveis para os
é classificada como ameaçada de manguezais do Espírito Santo. Ressal-
extinção. Obviamente, poucas espé- ta-se ainda a existência de estudos es-
cies toleram variações de salinidade truturais desenvolvidos por Vale
e alagamento. Além do mais, os man- (2000) e Vale (2006). Nem sempre os
gues apresentam características de es- valores foram identificados em função
pécies pioneiras, sobretudo quanto do tipo fisiográfico, o que dificulta
aos aspectos de sua biologia uma análise mais detalhada dos da-
reprodutiva (Cintrón-Molero & dos. Mesmo assim, é possível consta-
Schaeffer-Novelli, 1992). tar que, apesar da baixa diversidade
de espécies, observa-se grande varia-
Constata-se, portanto, que a ve- bilidade quanto ao desenvolvimento
getação apresenta baixa diversidade estrutural (Tabela 2.1).
de espécies quando comparada a ou-
tras florestas tropicais. Por outro lado, Mesmo sendo Área de Preserva-
a diversidade em espécies passa a ser ção Permanente (Lei Federal nº 4.771/
de menor significância quando se 65) alguns manguezais do Espírito
considera a diversidade funcional, Santo encontram-se inseridos em Uni-
formas estruturais e funções ecológi- dades de Conservação (UC’s). Existem
cas desempenhadas pelas espécies cerca de nove UC’s com ocorrência de
vegetais típicas do ecossistema manguezais ao longo da costa
(Snedaker, 1989). capixaba. Destacam-se: Parque Estadu-
al de Itaúnas, APA de Conceição da

Tabela 2.1 - Parâmetros estruturais de alguns manguezais capixabas

Local DAP médio Altura média Área basal Fonte


cm m m².ha-1

Rio São Mateus 8,1 – 29,6 5,5 – 14,8 7,2 – 30,9 Silva et al. (2000)
Rio Reis Magos 6,5 – 10,0 3,8 – 5,1 9,4 – 17,9 Carmo et al. (1998a)
Baía de Vitória 2,9 – 26,3 2,0 – 17,0 1,5 – 66,3 Ferreira (1989)
Baía de Vitória 4,2 – 18,9 5,0 – 17,0 5,4 – 26,0 Carmo et al. (1995)
Baía de Vitória 7,2 – 12,6 4,4 – 9,6 4,9 – 10,7 Carmo et al. (1998b)
Baía de Vitória 6,8 6,0 18,8 Carmo et al. (2000)

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Barra, Estação Ecológica Municipal da portuária. É crescente a preocupação


Ilha do Lameirão, Estação Ecológica com saneamento e metais pesados
Municipal do Papagaio e APA Lagoa (Barroso & Dias, 1997; Barroso et al.,
de Guanandy. O estudo do IPEMA 1997; Jesus et al., 2004). No Sul do
(2005) revela que a maior parte dessas Estado, Soffiati (2000) verificou res-
UC’s carece de infra-estrutura e seus postas dos mangues a variações de
respectivos planos de manejo. Tam- drenagem e vazão dos rios, basica-
bém foram protocoladas solicitações mente em função da construção de
para criação da Reserva de Vida Sil- estradas e pontes.
vestre de Santa Cruz.
O desafio futuro será conciliar a
O Ministério do Meio Ambiente conservação dos manguezais e os no-
tem empenhado esforços para a “Atu- vos ciclos econômicos que se apresen-
alização das Áreas e Ações tam para o Espírito Santo. Destacam-
Prioritárias para a Conservação, Uti- se: expansão do turismo,
lização Sustentável e Repartição de redimensionamento da malha viária e
Benefícios da Biodiversidade da Zona estrutura portuária e aumento do in-
Costeira e Marinha”. Reunião técni- teresse pela carcinicultura marinha.
ca com participação de pesquisado- Ressalta-se que os manguezais repre-
res do Sudeste, incluindo o Espírito sentam a última fronteira para muitas
Santo, apontou a necessidade de famílias e expressões culturais. Proje-
atentar para a presença de mangues tos de desenvolvimento comunitário
em substrato sub-horizontal recoberto deverão estar associados a iniciativas
com concreções lateríticas entre Praia educacionais, com vistas ao conheci-
Mole e Santa Cruz, tendo em vista a mento e conservação dos manguezais
singularidade desse tipo de associa- capixabas.
ção ao longo do litoral do Espírito
Santo. Os manguezais dos rios Agradecimentos à Profª. Dra. Yara
Piraquê-Açú e Mirim também des- Schaeffer Novelli pela avaliação crí-
pontam para a necessidade de estu- tica desse texto.
dos. Tais iniciativas se coadunam
com a criação da APA Costa das Al- Referências
gas e a REVIS de Santa Cruz.
Barroso, G. F. & Dias JR, C. 1997.
Vale & Ferreira (1998) constataram Avaliação preliminar da qualidade
diversos impactos para os manguezais da água do Canal da Passagem/
capixabas. Ao Norte, Vale (2000) ava- Manguezal do Lameirão, Vitória
liou respostas dos mangues ao proces- (ES). In: UFSCAR (org.) VIII Semi-
so de erosão/sedimentação na foz do nário Regional de Ecologia, p. 221-
Rio São Mateus. Na baía de Vitória, até 232. São Carlos, Programa de Pós-
pouco tempo, os manguezais sofriam Graduação em Ecologia e Recursos
desmatamentos, aterros, invasões, e Naturais.
disposição de lixo (Carmo et al., 1995).
Ainda hoje, observam-se a retirada da Barroso, G. F., Dias Jr, C. & Guntzel,
casca do mangue-vermelho para extra- A. 1997. Preliminary assessment of
ção do tanino (Carmo et al., no prelo), the eutrophication potential from
pesca predatória, e forte expansão sewage effluents of the wastewater

24

IPEMA 2007
Cap.2 - Formações pioneiras: manguezais
Renato de Almeida - Claudia Câmara do Vale

treatment plants in Espírito Santo Cintrón, G.; Lugo, A. E. & Martinez,


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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

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res biológicos das alterações

26

IPEMA 2007
Capítulo 3

Formações pioneiras: restingas

Oberdan José Pereira


Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

A
restinga é aqui entendida ta permanentemente inundada, aber-
como sendo o conjunto da ta de Clusia e aberta de Ericaceae.
vegetação litorânea sobre de-
pósitos arenosos marinhos do A classificação das comunidades
Quaternário (Suguio & Tessler, 1984), da restinga tem sofrido adaptações ao
depositados tanto no Pleistoceno longo desses anos, sendo que Thomaz
como no Holoceno (Martin et al., & Monteiro (1997) estabeleceram, por
1997), estando também, segundo Pe- fusão, a formação halófila-psamófila,
reira (2003), associados em alguns por considerarem difícil a delimitação
pontos da costa a sedimentos entre estes ambientes, em função de
fluviomarinhos. suas espécies serem tolerantes aos for-
tes ventos, com conseqüente
No Espírito Santo a restinga tem soterramento de suas porções aéreas,
sua ocorrência por quase toda a exten- assim como a alta salinidade, portan-
são da costa, sendo interrompida em to, psamófilas e halófilas, respectiva-
alguns trechos pela foz de rios, algu- mente. Outro agrupamento estabeleci-
mas vezes associados a estes o do é o de Assis et al., (2004) que pro-
manguezal, como na Barra do Jucu, em põem a denominação formação flores-
Vila Velha. Em outros pontos, a tal não inundável, baseados nos estu-
restinga não tem sua ocorrência, hoje, dos de Sandro Menezes da Silva, em
em função do avanço do mar sobre a 1998 (Silva & Britez, 2005), por enten-
costa que chega até o Terciário (Perei- derem que a fisionomia na floresta de
ra, 2002), formando as denominadas Myrtaceae, em Guarapari, não se deve
falésias, encontradas no litoral Sul, unicamente a esta família que se en-
entre Guaraparí e Marataízes. contra também com grande
representatividade na mata seca.
A diversidade de fisionomias nas
restingas foi reconhecida no Espírito Considerando as diferentes pro-
Santo por Pereira (1990) para uma postas relacionadas à nomenclatura
restinga em Guarapari, sendo denomi- para as formações vegetais da restinga,
nadas com base em Araujo & Pereira (2003) propõe as terminologi-
Henriques (1984) como formação as Herbácea não inundável, inundável
halófila, psamófila reptante, pós-praia, e inundada; Arbustiva fechada não
Palmae, mata seca, brejo herbáceo, flo- inundável e inundável; Arbustiva
resta periodicamente inundada, flores- aberta não inundável e inundada; Flo-

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

restal não inundável, inundável e Ericaceae, na sua porção de entre moi-


inundada. Com conotações muito pró- tas, Chamaecrista ramosa (Vogel)
ximas a estas Menezes & Araujo (2005) Irwing & Barneby, Lagenocarpus
ampliam a discussão, informando – verticillatus (Spreng.) Koyama &
para cada formação – sua situação Maguire, Cuphea flava Spreng. (Perei-
geomorfológica, descrição ra & Araujo, 1995); formação arbustiva
fitofisionômica e as denominações fechada inundável Lagenocarpus
equivalentes no litoral brasileiro que, rigidus Ness, Marcetia taxifolia (A. St.-
apesar de ser uma descrição para uma Hil.) DC., Hymenolobium alagoanum
área específica da Restinga da Ducke (Pereira & Assis, 2004);
Marambaia, no Rio de Janeiro, pode- arbustiva aberta não inundável
ria ser adotada para outros pontos do Chamaecrista ramosa (Vogel) Irwing
litoral brasileiro. & Barneby, Panicum trinii Kunth,
Stygmaphyllon paralias A. Juss. (Pe-
No Espírito Santo, os estudos re- reira et al., 2004) e na formação flo-
lacionados à flora e à vegetação abran- restal não inundável Pouteria
gem restingas desde o Sul do Estado, coelomatica Rizzini, Myrciaria
em Guarapari, até o Norte, em Concei- floribunda (H.West. ex Willd.) O.
ção da Barra (Pereira, 1990; Fabris et Berg, Oxandra nitida R. E. Fr. (Assis
al., 1990; Assis et al., 2004; Pereira & et al., 2004).
Zambom, 1998; Pereira & Assis, 2000;
Pereira et al., 2000; Pereira et al., 1998; Considerando a formação flores-
Pereira & Assis, 2004; Pereira et al., tal não inundável Assis et al. (2004)
2004 e Pereira & Gomes, 1994). encontraram para o índice de diversi-
dade de Shannon-Weaver o valor de
A flora das restingas do Espírito 3,73, o maior registrado para este tipo
Santo está discriminada no trabalho de formação de restinga no litoral bra-
de Pereira & Araujo (2000). Ele apon- sileiro. Na formação aberta de
ta que as maiores riquezas se encon- Ericaceae, na entre moitas (formação
tram nas famílias Leguminosae, arbustiva aberta não inundável), onde
Myrtaceae, Orchidaceae, Bromeliaceae, as espécies são herbáceas, este valor
Rubiaceae, Cyperaceae, Asteraceae, foi de 2,43 (Pereira & Araujo, 1995);
Poaceae, Melastomataceae e na arbustiva fechada inundável, 2,88
Euphorbiaceae. (Pereira & Assis, 2004) e, na arbustiva
aberta não inundável, 3,043 (Pereira
Em trabalhos quantitativos, as es- et al., 2004).
pécies dominantes na formação
halófila-psamófila, considerando o A descaracterização da restinga,
parâmetro valor de importância são: por diversos meios antrópicos, tem
Panicum racemosum (Beauv.) Spring., proporcionado situações que levam a
Ipomoea pes-capre (L.) Sweet e um grande risco às espécies com am-
Blutaparon portulacoides St. A.-Hil. pla distribuição geográfica mas, sobre-
(Pereira et al., 1992); na formação pós- tudo àquelas de distribuição restrita,
praia Schinus terebinthifolius Raddi, muitas vezes, endêmicas a este Esta-
Quesnelia quesneliana (Br.) L. B. do. A lista oficial de espécies
Smith, Scutia arenicola Reiss. (Fabris ameaçadas contempla um número
et al., 1990); formação aberta de muito grande de famílias, representa-

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IPEMA 2007
Cap.3 - Formações pioneiras: restingas
Oberdan José Pereira

das, entre outras espécies, por Ditassa Lagoa do Juparanã, e as bacias dos rios
arianeae Fontella & E. A. Schwarz Itapemirim e São Mateus. A Reserva
(Macroditassa melantha ssp. Biológica de Sooretama e a Reserva
arianeae (Fontella & E. A. Schwarz) Natural da Vale do Rio Doce também
Fontella & T.U.P. Konno); Aechmea incluem diversidade de ambientes,
blanchetiana (Baker) L. B. Sm., ocorrendo restinga apenas na Reser-
Pilosocereus brasiliensis (Britton & va da CVRD, resultante de deposição
Rose) Backer. subsp. brasiliensis, no Quaternário (Pleistoceno) (Martin
Scaevola plumieri (L.) Vahl, et al. 1997).
Axonopus pressus (Ness ex Steud.)
Parodi, Rhodostemonodaphne Na história da devastação das flo-
capixabensis Baitello & Coe-Teixeira, restas do Espírito Santo, os relatos de
Heteropteris oberdanii Amorim, Saint-Hilaire (1974) entre os anos de
Cattleya guttata Lindl., Piper 1816 e 1822, indicam quanto os
sprengelianum C.DC. e Jacquinia ecossistemas litorâneos vinham sen-
armillaris Jacq. do substituídos, principalmente por
culturas de subsistência. Na atualida-
No Espírito Santo, a vegetação de de, os impactos sobre a vegetação da
restinga encontra-se conservada ao restinga são, principalmente, extração
Sul de Vitória, no município de de areia, madeira como combustível
Guarapari, representada pelo Parque e ocupação urbana (CCREMAD,
Estadual Paulo César Vinha e, em Vila 1992). A expansão imobiliária volta
Velha, o Parque Natural Municipal de a se acelerar na região Norte e ao Sul,
Jacarenema. Em Vitória, a Reserva em antigas cidades, como Guarapari
Ecológica Municipal Restinga de e Vila Velha. Impactos, como a extra-
Camburi. Ao norte se destacam, em ção de areia e drenagem como repor-
Linhares, a Reserva Biológica de Com- tado por Pereira & Assis (2000), in-
boios e, em Conceição da Barra, o terferem nas comunidades de manei-
Parque Estadual de Itaúnas. Em ra a alterar sua composição florística
www.iema.es.gov.br é discriminada a ou mesmo substituição total da vege-
totalidade das Unidades de Conser- tação natural na restinga por exóticas
vação e áreas protegidas, sendo que o a este ecossistema.
IPEMA (2005) faz uma breve descri-
ção de algumas delas. A situação de ocupação da pla-
nície quaternária no Espírito Santo
As áreas elencadas como para os próximos anos tende a não ser
prioritárias para conservação da ve- diferente do que vem ocorrendo até o
getação de restinga podem ser momento. Entretanto, esta pressão
acessadas em www.ipema-es.gov.br, antrópica deverá ser ampliada em
abrangendo grande parte do litoral do função do desenvolvimento deste es-
Espírito Santo, como na Foz do Rio tado, aumentando áreas de cultivo
Doce, no município de Linhares, Con- (principalmente de coco e abacaxi),
ceição da Barra, Praia das Neves, estabelecimento de novos empreen-
Setiba, Guanandy e Anchieta. Em CIB dimentos imobiliários e industriais
et al. (2000), as áreas para conserva- nos balneários até então pouco ocu-
ção delimitadas são o delta do Rio pados, como os extremos Norte e Sul
Doce e os remanescentes florestais na da costa.

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

São muitos os desafios a serem do Relatório Estadual sobre Meio


enfrentados no sentido de conservar Ambiente e Desenvolvimento). 1992.
as Unidades já estabelecidas e pro- Meio Ambiente e Desenvolvimento
posição de novas. Técnicas dispo- no Espírito Santo: relatório final.
níveis indicam a transformação des- Copisol Ltda., Vitória.
tas em “sistemas de áreas protegi-
das” (Bensunan, 2006). Para tal, o CIB (Conservation International do
autor loc. cit. propõe a inclusão de Brasil), Fundação SOS Mata Atlânti-
elementos que possibilitem a preser- ca, Fundação Biodiversitas, Instituto
vação de processos biológicos, am- de Pesquisas Ecológicas, Secretaria
pliação da conectividade, diminui- do Meio Ambiente do Estado de São
ção do efeito de borda, dentre ou- Paulo, SEMAD/Instituto Estadual de
tros requisitos. Neste caso, terras in- Florestas-MG. 2000. Avaliação e ações
dígenas, reservas legais e áreas de prioritárias para a conservação da
preservação permanente seriam fun- biodiversidade da Mata Atlântica e
damentais no processo visando à Campos Sulinos. MMA/SBF, Brasília.
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IPEMA 2007
Cap.3 - Formações pioneiras: restingas
Oberdan José Pereira

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

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32

IPEMA 2007
Capítulo 4

Florestas de tabuleiro

Ariane Luna Peixoto


Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

Marcelo Simonelli
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA)

N
o Espírito Santo são expres- Köppen, tropical quente e úmido, com
sivas as áreas cobertas por Flo- estação chuvosa no verão e seca no inver-
restas de Tabuleiros ao Norte no. Com base em dados dos anos de 1975
do Rio Doce. Estas florestas encon- a 2000, recolhidos na estação
tram-se estabelecidas sobre os Tabu- meteorológica instalada na Reserva Na-
leiros Terciários da série Barreiras e tural da Vale do Rio Doce, Jesus & Rolim
estão localizados entre a região serra- (2005) informam que a precipitação
na e a planície quaternária. O conta- pluviométrica média anual é de 1.202
to com a planície quaternária é feito mm, a temperatura média de 23,3o C, sen-
através de pequenas escarpas ou de do a média das mínimas de 14,8o C e a
maneira gradativa e, neste contato, média das máximas de 34,2o C. Informam
têm início os terraços marinhos pleis- ainda que a precipitação total tem uma
tocênicos formados por sedimentos, forte variabilidade anual, com valores
que são os mais antigos da planície abaixo de 1.000 mm, em alguns anos com-
quaternária (Martin et al., 1993). pensados por outros, com precipitação
de até 1.640 mm.
Os Tabuleiros Terciários se caracteri-
zam por uma seqüência de colinas tabu- A Floresta de Tabuleiros do Norte do
lares, com altitude entre 28 e 65 m, Espírito Santo está inserida na Floresta
entrecortados por vales amplos e rasos Ombrófila Densa de Terras Baixas no sis-
pontilhados de lagoas e brejos. Os vales, tema de classificação apresentado por
em sua maioria, apresentam-se com fun- Veloso et al. (1991). Entretanto, este
dos chatos e colmatados por sedimentos posicionamento é contestado por diferen-
quaternários, por onde correm os rios e tes autores que a classificam como Flo-
riachos. Os sedimentos são de caráter ar- resta Estacional Semidecídua de Terras
giloso, argilo-arenoso ou arenoso e as áre- Baixas. Engel (2001), embasado no acom-
as de quaternário distribuem-se em alu- panhamento de fenofases envolvendo 41
viões, atuais ou antigos, ao longo dos va- espécies do dossel florestal, onde encon-
les e vias fluviais (Martin et al., 1993). trou 43,9% de espécies sempre-verdes,
43,9% como brevi-decíduas e 12%
O clima, na área de ocorrência destas como caduciflolias, a denominou
florestas, é ‘Awi’ na classificação de como Floresta Tropical Estacional

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Perenifólia, uma classificação basea- tos e palmeiras foram representadas,


da em Longman e Jenik (1987), ca- respectivamente, por 69%; 7,5% e 4%
racterizando-a assim como intermedi- dos indivíduos.
ária entre as duas tipologias do siste-
ma de Veloso et al. (1991). A composição florística da Flores-
ta Alta tem em comum, com quase to-
Na Floresta de Tabuleiro podem das as florestas tropicais úmidas de
ser identificadas quatro formações ve- baixada, a riqueza em Leguminosae e
getais naturais denominadas de Flo- a presença de Annonaceae,
resta Alta, Floresta de Muçununga, Sapotaceae, Rubiaceae e
Áreas Inundadas e Inundáveis e Cam- Bignoniaceae entre as famílias com
pos Nativos. grande número de espécies. Também
a predominância de lianas da família
A Floresta Alta ou Floresta Densa Bignoniaceae é uma característica co-
está estabelecida em terrenos argilo- mum a estas florestas. Myrtaceae é a
sos ou areno-argilosos, sendo a forma- família mais rica em número de espé-
ção mais representativa da floresta de cies, na área como um todo, caso se
tabuleiro. Quando comparada com as considere Leguminosae como três fa-
outras formações da floresta de tabu- mílias distintas. Mori et al. (1983) en-
leiro, a Floresta Alta destaca-se por contraram o mesmo padrão em rela-
apresentar árvores de maior porte e ção a Myrtaceae na costa Sul da Bahia.
sombreamento mais intenso do sub-
bosque, que é ralo. É também a forma- Em 1 ha de Floresta Alta, incluin-
ção de maior riqueza específica. As do árvores com 5 cm ou mais de DAP,
árvores do dossel atingem até 40 m de Peixoto et al. (no prelo) encontraram
altura e ocorrem de forma adensada e um total de 1.359 indivíduos perten-
as lianas, fortemente lenhosas, se des- centes a 271 espécies e 55 famílias.
tacam pela espessura. Peixoto & Neste mesmo trecho foram encontra-
Gentry (1990) amostrando espécimes das 21 árvores com DAP acima de 50
com diâmetro a altura do peito (DAP) cm e 18 árvores com altura superior a
igual ou superior a 2,5cm em 0,1 ha, 30 m. Entre as espécies com maiores
encontraram 443 indivíduos perten- diâmetros e alturas encontram-se
centes a 216 espécies. Das 95 lianas Diplotropis incexis Rizzini & A. Mattos
amostradas, 14 apresentaram diâme- (dap de 125.70 cm e altura de 30 m),
tro igual ou superior a 10 cm. A rique- Hidrogaster trinervis Kuhlm. (90 cm e
za em espécies encontrada está acima 34 m), Virola gardneri (A.DC) Warb.
de qualquer outro local com índice de (90 cm e 36 m), Micropholis
precipitação similar e amostrado, se- crassipedicellata (Mart & Eichl.) Pierre
guindo a mesma metodologia. Nunes (87 cm e 30 m), Couratari asterotricha
(1996), analisando o potencial de re- Prance (76 cm e 35 m). As dez espéci-
generação da mata de tabuleiro, con- es com maior valor de importância
siderando trechos de floresta e de ca- foram Rinorea bahiensis (7,54),
poeira, encontrou no banco de Dialium guianense (7,02), Hidrogaster
plântulas e jovens 7.815 indivíduos trinervis Kuhlm. (6,53),
pertencentes a 326 espécies. Neste Stephanopodium blanchetianum
contingente, as lianas representaram Baill. (4,95) e Helicostyles tomentosa
19,5% dos indivíduos. Árvores, arbus- (Poepp. & Endl.) Rusby (4,65).

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IPEMA 2007
Cap.4 - Floresta de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto - Marcelo Simonelli

Myrtaceae, com 253 indivíduos em 43 tre folhas, cheios d’água. Um grupo


espécies, e Sapotaceae, com 105 indi- que também sobressai nesta sinúsia
víduos em 16 espécies, foram as famí- é o de Cactaceae, representado prin-
lias mais amostradas. cipalmente pelos gêneros Rhypsalis
e Hariotta que, com ramos longos,
Jesus & Rolim (2005) no mais ex- pendentes, cilíndricos ou angulosos
tenso estudo sobre a estrutura da Flo- produzem abundantes floradas e fru-
resta de Tabuleiros, envolvendo 250 tos utilizados como alimento pela
parcelas de 40 ha, encontraram 20.688 fauna local.
árvores com DAP igual ou superior a
10 cm. Foram identificadas 406 espé- O solo da floresta alta é coberto
cies, sendo as famílias Leguminosae por serapilheira mais ou menos den-
(67), Myrtceae (58) e Sapotaceae (29) sa, não deixando espaço desnudo. O
as mais ricas em espécies. Rinorea contingente de árvores em crescimen-
bahiensis (Moric.) Kuntze, classifica- to é muito grande. As herbáceas do
da por estes autores como espécie clí- solo, principalmente Marantaceae e
max, foi a espécie de maior densida- Rubiaceae, não chegam a formar po-
de e também aquela que apresentou pulações densas, embora estejam dis-
melhor distribuição entre os estratos tribuídas (diferentes espécies) por toda
verticais da floresta. Este mesmo es- a floresta.
tudo mostrou que as espécies pionei-
ras, além de poucas quando compara- A dinâmica da floresta alta pode
das com os outros grupos ecológicos, ser avaliada de diversos modos. Esti-
têm baixa abundância (número de in- mando a mortalidade, o recrutamento
divíduos): 9.611 indivíduos perten- e o crescimento de populações de es-
centes a 22 espécies pioneiras. Do gru- pécies arbóreas, tomando como
po ecológico clímax foram encontra- parâmetro exemplares com DAP igual
dos 9.959 indivíduos, distribuídos em ou superior a 10 cm, Rolim et al. (1999)
150 espécies; de secundárias tardias, encontraram um incremento médio
5.123 indivíduos em 107 espécies, e anual de 0,256 cm/ano. As espécies
secundárias iniciais, 4.995 em 127 es- que obtiveram maiores valores de in-
pécies. Estes dados demonstram que cremento em crescimento foram
os trechos estudados na Reserva Na- Sterculia speciosa K. Schum. (0,74cm/
tural da Companhia Vale do Rio Doce ano), Astronium concinnum (Engl.)
se constituem de florestas tropicais Schott (0,545 cm/ano) e Joannesia
maduras e diferem do padrão encon- princeps Vell. (0,405 cm/ano). As
trado em florestas tropicais mais alte- maiores taxas de mortalidade e maio-
radas, onde predominam espécies pi- res projeções de meia-vida foram para
oneiras e secundárias iniciais. populações de Dialium guianensis
(Aubl.) Sandwith (0,3% e 255 anos),
O contingente de hemiepífitos e Terminalia aff. kuhlmannii Alwan &
epífitos da floresta alta são notórios, Stace (0,4% e 182 anos) e Sorocea
principalmente pela diversidade de guilleminiana Gaudich. (0,4% e 172
Araceae e de Bromeliaceae. O último anos). Três das populações com as
grupo, na maioria das vezes, ocupa a maiores porcentagens de recrutamen-
copa das árvores em grandes alturas e to estão entre as que mais aumenta-
abriga uma rica fauna nos espaços en- ram em abundância no período:

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Sorocea guilleminiana Gaudich. parâmetros estruturais parecem vari-


(64,7%), Eugenia excelsa Berg (58,3%) ar bastante entre diferentes trechos.
e Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az. Simonelli (1998) inventariando 0,93
Tozzi & H.C.Lima (46,2%). As maio- ha de Floresta de Muçununga, envol-
res reduções na abundância foram en- vendo indivíduos com DAP igual ou
contradas em Eriotheca candolleana superior a 5 cm, encontrou 79 espéci-
(K.Schum.) A. Robyns (-40,0%), es em 29 famílias, sendo as mais ricas
Brosimum gaudichaudii Trécul (- Myrtaceae e Lauraceae. O índice de
30,0%) e Myrcia racemosa (-27,3%). diversidade (H’) encontrado foi de
3,37 e mostra-se inferior aos obtidos
A Floresta de Muçununga reveste para a Floresta Alta, porém próximo
áreas da Floresta de Tabuleiros acom- àqueles encontrados em restingas
panhando depósitos de solos areno- (Simonelli et al., no prelo). As espéci-
sos, não marinhos, ácidos e relativa- es de maior porcentagem de VI foram
mente pobres em nutrientes Guapira opposita (Vell.) Reitz (14,4);
(Simonelli, 1998). As árvores são de Chamaecrista ensiformis var.
menor porte do que aquelas da Flo- ensiformis (Vell.) H. S. Irwin & R. C.
resta Alta, os troncos de modo geral Barneby (9,1); Manilkara subsericea
são mais claros, e há maior penetra- (Mart.) Dubard. (8,8); Eugenia sulcata
ção de luz para o solo. As árvores do Spring ex Mart. (6,6) e Tapirira
estrato superior alcançam entre 7 e 10 guianensis Aubl. (5,0).
m de altura, havendo, entretanto, ár-
vores emergentes de 15 a 18 m. É mais Áreas Inundadas e Inundáveis na
raro de até 25 m. Floresta de Tabuleiros apresentam di-
ferentes fisionomias, principalmente
Na área da Reserva Natural da em função do regime hídrico e são, de
Vale do Rio Doce foram coletadas 392 modo geral, referidas como brejo, flo-
espécies em áreas cobertas por resta de brejo ou floresta de várzea. No
Muçununga, pertencentes a 79 famí- acervo do herbário CVRD encontram-
lias, sendo as mais ricas Orchidaceae se documentadas 64 espécies
(53), Leguminosae (35), Myrtaceae coletadas em áreas inundadas ou
(35), Bromeliaceae (15) e Araceae inundáveis.
(14). Das espécies coletadas na Flo-
resta de Muçununga, 164 foram As Áreas Inundadas Herbáceas, de
coletadas apenas nestas formações. modo geral, são associadas aos Cam-
Algumas destas espécies são típicas pos Nativos ou a cursos d’água. Apre-
de vegetação sobre solos arenosos, sentam como componentes principais
como as restingas (Couepia schottii espécies de Cyperaceae, que ocorrem
Fritsch e Rhodostemonodaphene adensadamente, além de representan-
capixabensis Baitello & Coe-Teixeira, tes de Onagraceae, Melastomataceae,
p. ex). Outras parecem endêmicas Poaceae e Asteraceae. A Pteridophyta
desta formação (Simira eliezeriana Blechnum serrulatum Rich. (samam-
Peixoto, p. ex). baia-do-nativo) é freqüente no entor-
no destas áreas, bem como Lygodium
Fisionomicamente, as áreas cober- volubile Sw. (samambaia-abre-cami-
tas por floresta de Muçununga possu- nho). Na transição destas áreas para a
em pouca variação entre si, porém, os floresta é notória a presença de algu-

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IPEMA 2007
Cap.4 - Floresta de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto - Marcelo Simonelli

mas espécies arbóreas, entre as quais ciliar. Os espécimes arbóreos que aí se


tem destaque Symphonia globulifera desenvolvem atingem cerca de 20 m
L. f. (guanandi) e Jacaranda puberula de altura. O dossel é contínuo, impe-
Cham. (carobinha). dindo a entrada de grande quantida-
de de luz, favorecendo o desenvolvi-
As Áreas Inundadas Lenhosas es- mento de espécies de ambientes som-
tão mais freqüentemente associadas à breados, como as Maranthaceae
Floresta de Muçununga ou à Floresta (Monotagma plurispicatum (Körn.) K.
Alta. Nelas podem sobressair plantas Shum., p. ex.) que chegam a cobrir
arbustivo-arbóreas ou plantas grandes extensões do solo. Dentre as
arbóreas. No primeiro caso, arbustos Pteridophyta destacam-se fetos
ou pequenas árvores com cerca de 3 arborescentes. A presença de
m de altura, mais raro até 5 m (Tapirira Arecaceae neste ambiente é marcante
guianensis Aubl., Alchornea não só em número de indivíduos, mas
triplinervia (Spreng.) Müll. Arg., Ilex também em espécies, destacando-se
sp. e Cecropia. spp., principalmente), Euterpe aff. edulis Mart. pela densi-
crescem isoladamente, entremeados dade. Esta espécie apresenta rebrota
por uma densa malha de indivíduos constante, formando assim agrupa-
herbáceos – com sistema caulinar e mentos com grande número de estipes.
radicular muito entrelaçados –, for- O epifitismo é reduzido. No entanto,
mando uma camada orgânica flutuan- podem ser constatadas inúmeras espé-
te. No segundo caso, os indivíduos do cies de Araceae nesta sinúsia.
estrato superior são árvores que podem
alcançar até 12 m de altura. Ocorrem Em um trecho de 0,1 ha em que
afastados uns dos outros, permitindo foram incluídos todos os indivídu-
a penetração de luz até o solo. Peixoto os com DAP igual ou superior a 5 cm,
et al. (no prelo) estudando a estrutura as espécies que mais se destacaram
de um trecho de 0,1 ha, com inclusão em VI foram Pithecellobium
de indivíduos de DAP igual ou maior pedicellare (DC.) Benth., Euterpe
a 5 cm, encontraram como espécies de aff.. edulis Mart., Maprounea
maiores valores de importância (VI) guianensis Aubl. e Tapirira
Tabebuia cassinoides (Lam.) DC., guianensis Aubl. A diversidade (H’)
Annona glabra L., Calophyllum encontrada foi de 2,14 (Peixoto et al,
brasiliense Cambess., Myrtaceae 2 e no prelo). Comparando a mata inun-
Tapirira guianensis Aubl.. São áreas dada com a inundável (floresta
de baixa diversidade, sendo o H’ re- ciliar), o número de indivíduos da-
gistrado para o trecho igual a 1,33. No quela é superior. No entanto, os de-
interior da floresta inundada, encon- mais valores são inferiores ao da
tram-se inúmeros canais onde ocorrem mata inundável, destacando-se prin-
espécies de Nymphaeaceae e cipalmente o volume.
Cabombaceae. No estrato inferior, so-
bressaem várias espécies de Os Campos Nativos - Destacam-
Cyperaceae, entre as quais, predomina se pelo predomínio de herbáceas e
Scleria latifolia Sw. (tiririca-do-brejo). lenhosas não arbóreas. Estes campos,
estabelecidos sobre substrato areno-
As Áreas Inundáveis estão repre- so, ocorrem no Sul da Bahia e Norte
sentadas principalmente por floresta do Espírito Santo, sempre como

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

enclaves na Floresta Alta ou na Quando os campos nativos sofrem


Floresta de Muçununga. algum impacto que altera a cobertura
vegetal, esse desequilíbrio é percebi-
Araújo et al. (no prelo.) afirmam do pelo aparecimento de populações
que os campos nativos são de dois densas de Pteridium aquilinum (L.)
tipos: as autênticas restingas, ou se- Kuhn, associando-se a elas espécies
jam, aqueles campos estabelecidos tipicamente invasoras tais como
sobre terraços pleistocênicos mari- Imperata brasiliensis Trin., Lantana
nhos, justapostos no bordo do tabu- camara L., Vernonia scorpioides
leiro, na parte mais interna da pla- (Lam.) Pers., entre outras.
nície quaternária, com até 9 m de
altitude, e aqueles estabelecidos nos Como conseqüência de diversos
tabuleiros, em solos arenosos, acima fatores, entre os quais têm destaque a
de 28 m de altitude. Reconhecem, exploração madeireira e a expansão da
entretanto, grandes semelhanças fronteira agrícola, a Floresta de Tabu-
florísticas e fisionômicas entre as leiro no Espírito Santo, hoje, está qua-
duas formações. As condições se restrita a um importante núcleo flo-
edáficas levam a uma grande simila- restal constituído pela Reserva Bioló-
ridade quando considerados gica de Sooretama e a Reserva Natural
parâmetros tais como profundidade da Companhia Vale do Rio Doce, nos
do lençol freático, substrato arenoso municípios de Sooretama e Linhares,
e disponibilidade de matéria orgâni- respectivamente. Juntas, estas unida-
ca sobre o solo ou incorporado à ca- des somam aproximadamente 46.000
mada superior do mesmo. ha. A primeira é de propriedade do
governo federal, gerenciada pelo
Considerando tanto a localização Ibama e, a segunda, pertence à Com-
geomorfológica quanto a fisionomia panhia Vale do Rio Doce. Com a
e composição florística, Araújo et al. antropização da paisagem, a área
(no prelo) caracterizaram quatro ti- florestada em Sooretama e Linhares se
pos de Campos Nativos: Graminóide constitui no mais importante corpo
Denso; Graminóide; Arbustivo e Em florestal entre o Norte do Rio de Ja-
Moitas. A composição florística des- neiro e o Sul da Bahia, que vem rece-
ses quatro tipos é muito semelhan- bendo a atenção de diversos estudio-
te, não sendo possível diferenciá-los sos, sendo Aguirre (1950), Egler (1951)
apenas com base na lista de espéci- e Heinsdijk et al. (1965) os precurso-
es, com exceção dos campos sobre a res. Estão circundadas por uma matriz
planície quaternária ocorrem espéci- na qual predominam pastagens, cul-
es tipicamente de restinga, entre as turas agrícolas (principalmente cana-
quais citam-se Allagoptera arenaria de-açúcar, mamão, café, maracujá e
(Gomes) Kuntze, Agarista revoluta pimenta-do-reino) e florestais (princi-
(Spreng.) Hook. F. ex Nied., Cereus palmente eucalipto). Entretanto, ain-
fernambucensis Lem. e Pilosocereus da há muitos fragmentos florestais re-
arrabidae (Lem.) Byles & G.D. manescentes, isolados, alguns consti-
Rowley. Entretanto, pela dominância tuindo unidades de conservação ad-
de espécies-chave e pela fisionomia ministradas pelo governo federal (Ta-
é perfeitamente possível distinguir bela 4.1). Agarez (2002) analisou a es-
os quatro diferentes tipos. trutura do componente arbóreo de al-

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IPEMA 2007
Cap.4 - Floresta de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto - Marcelo Simonelli

guns fragmentos florestais no interi- Além dos núcleos florestais já ci-


or de propriedades agrícolas e reafir- tados, outro bastante importante si-
ma a importância biológica e social tua-se às margens do Rio Doce, no
da conservação de tais fragmentos. município de Linhares. Grande par-
te desta área florestal é ocupada por
A Figura 4.1 mostra a distribui- florestas sobre terrenos aluvionares,
ção original dos domínios das Flores- freqüentemente usadas para o plan-
tas de Tabuleiros (considerando aqui tio de cacau, constituindo as chama-
os depósitos do grupo Barreiras e tam- das matas de cabruca. A cultura de
bém os colúvio-aluvionares), o que cacau sombreado, localizada próxi-
daria um total de 1.046.876,1 hecta- ma à foz do Rio Doce, em Linhares, é
res (aproximadamente 23% da área responsável pela manutenção de cer-
do estado). Atualmente, usando como ca de 29.000 ha de cobertura flores-
base o mapeamento feito pela Fun- tal nativa e, ainda que alterada em
dação SOS Mata Atlântica eINPE sua estrutura, constitui um impor-
(www.sosmatatlantica.org.br), exis- tante remanescente da Floresta
tem 7.814 fragmentos neste domínio. Ombrófila Densa de Terras Baixas
Somando-se as áreas destes fragmen- (IPEMA, 2005).
tos, tem-se o total de 187.039,1 ha,
ou seja, 17,9% da cobertura original É importante destacar a ausên-
das Florestas de Tabuleiro. Vale des- cia quase total de fragmentos flores-
tacar que somente o núcleo florestal tais nas áreas de depósitos do grupo
constituído pela Reserva Biológica de Barreiras no Sul do estado. Nesta re-
Sooretama e pela Reserva Natural da gião, praticamente toda a floresta foi
Vale do Rio Doce (aproximadamente retirada para dar lugar a projetos
46.000 ha) é responsável por 24,6% agropastoris.
da cobertura atual (4,4% da cobertu-
ra original), demonstrando a impor- A Floresta de Tabuleiro tem, en-
tância destas áreas para a conserva- tre seus atributos, a alta diversidade
ção da biodiversidade das Florestas específica, sendo também rica em
de Tabuleiro. endemismos e biotipos distintos para
Tabela 4.1 - Unidades de conservação presentes na área de domínio das Florestas de
Tabuleiro no Estado do Espírito Santo.

Nome da unidade Área (ha) Município Ano


de criação

Floresta Nacional de Goytacazes* 1.350 Linhares 2002


Floresta Nacional Rio Preto 2.830 Conceição da Barra 1990
Reserva Biológica Córrego do Veado 2.383 Pinheiros 1982
Reserva Biológica Córrego Grande 1.489 Conceição da Barra 1989
Reserva Biológica de Sooretama 24.250 Sooretama 1949

* A maior parte da área está sobre depósitos aluvionares

39

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

gica para a conservação da flora e de


quase todos os grupos de fauna
(MMA, 2000).

Devido a diversos fatores, entre


os quais se destacam o padrão de dis-
tribuição gregário ou esparso, a rari-
dade de ocorrência e, provavelmen-
te a capacidade de crescimento ape-
nas em determinados ambientes, há
espécies de ocorrência muito espo-
rádica. O gênero Erisma, tipicamen-
te da Amazônia, apresenta uma es-
pécie disjunta no Sudeste brasilei-
ro, Erisma arietinum M.L.Kawasaki
(carneiro) espécie arbórea de grande
porte, endêmica da área e de distri-
buição gregária. Qualea magna
Kuhlm. (vermelhinha), Andradea
floribunda Allemão (ganassaia)
Figura 4.1 – Depósitos do Grupo Barrei- Trigoniodendrum espiritusanctense
ras e Colúvio-aluvionares e fragmentos E.F.Guim. & Miguel (torradinho),
florestais existentes no Estado do Espíri- Tabebuia arianeae A.H. Gentry (ipê-
to Santo preto), T. cristata A.H. Gentry (ipê-
rajado) e Sclerolobium rugosum
espécies de distribuição mais ampla Mart. (carvoeiro) são outras espéci-
(Peixoto & Silva, 1997). Possui, hoje, es de distribuição restrita, represen-
uma das floras mais bem conhecidas tadas na Floresta de Tabuleiro por
ao longo do domínio atlântico. Se, populações pequenas. Algumas es-
considerado o valor estimado de pécies, embora de distribuição mais
13.000 espécies de Angiospermas ampla, encontram-se também repre-
para a Floresta Atlântica (Gentry et sentadas na área por populações res-
al., 1997), com base em dados oriun- tritas. Couratari macrosperma
dos da listagem florística de exem- A.C.Sm. é um exemplo deste grupo
plares depositados no herbário
CVRD, a floresta de tabuleiro detém
cerca de 12% deste contingente. A
área núcleo da Floresta de Tabulei-
ro, formada pela Reserva Natural da
Vale do Rio Doce (Figura 4.2) e a Re-
serva Biológica de Sooretama, foi ca-
racterizada como um dos 14 Centros
de Alta Diversidade Biológica e
Endemismo do Brasil (Peixoto & Sil-
va, 1997) e é considerada pelo Mi-
nistério do Meio Ambiente como Figura 4.2 - Área de tabuleiro mostrando ao
área de Extrema Importância Bioló- fundo a Reserva Natural da Vale do Rio Doce

40

IPEMA 2007
Cap.4 - Floresta de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto - Marcelo Simonelli

de plantas. Esta espécie é localmen- Cryptanthus beuckeri, Vriesea spp.,


te rara e de distribuição não gregária. Rhipsalis spp., Clusia spp., Neomarica
Agarez (2002), inventariando o com- spp.). Além disso, um significativo
ponente arbóreo em fragmentos flo- contingente de espécies locais vem
restais no entorno da Reserva Bioló- sendo utilizado na recuperação de áre-
gica de Sooretama, encontrou algu- as degradadas, especialmente em pro-
mas destas espécies acima citadas. A gramas de revegetação de bacias
associação destas espécies às hidrográficas.
tipologias dos fragmentos definidas
por este autor vem a ressaltar a im- Como conseqüência desses diver-
portância da conservação destes pe- sos fatores citados (altas taxas de di-
quenos blocos florestais na matriz versidade e endemismo e elevado grau
hoje predominantemente agrícola de degradação) muitas espécies das
dos tabuleiros espírito-santenses. Florestas de Tabuleiro constam na Lis-
ta das Espécies Ameaçadas. Analisan-
A flora também é rica em espéci- do um banco de dados de 2.726 espé-
es de valor econômico e mais ainda cies de Tabuleiro, foram observados
em espécies de valor potencial. Podem que 139 delas constam como
ser destacadas aquelas que têm a ma- ameaçadas na Lista do Espírito Santo
deira comercializada, como por exem- (71 Vulneráveis; 61 Em Perigo e 7 Cri-
plo, o jacarandá-da-bahia (Dalbergia ticamente em Perigo); 9 estão na Lista
nigra (Vell.) Allemão), a peroba-ama- Oficial das Espécies Ameaçadas do
rela (Paratecoma peroba (Record & Brasil (4 Vulneráveis; 4 Em Perigo e 1
Mell) Kuhlm.), o gonçalo-alves Rara) e 58 presentes na Lista de Espé-
(Astronium graveolens Jacq. e A. cies Ameaçadas da IUCN (37 Vulne-
concinum Schott) e vários ipês ráveis; 17 Em Perigo e 7 Criticamente
(Tabebuia spp.). Algumas espécies são em Perigo).
produtoras de resinas e óleos, como
copaíba (Copaifera langsdorfii Desf.), Agradecimentos ao geógrafo
bicuíba (Virola gardneri (A.DC) Warb Luciano Cajaíba pelos mapas e cál-
e V. oleifera (Schott) A.C.Sm.) e breu- culos do tamanho dos fragmentos e
vermelho (Protium macrophyllum à Michele Dechoum, gerente de Re-
(Kunth) Engl.). Em medicina popular cursos Naturais do IEMA, pelo ban-
podem ser destacados o cipó-cravo co de dados.
(Tynanthus elegans Miers), a
salsaparrilha (Smilax spp.), o Referências
jaborandi (Piper spp.), o ipê-roxo
(Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo), Agarez, F.V. 2002. Contribuição para
o jatobá (Hymenaea courbaril L.) o a gestão de fragmentos florestais com
pau-pereira (Geissospermum laeve vista à conservação da biodiversidade
(Vell.) Miers), a buta (Cissampelos spp) em floresta atlântica de tabuleiro.
e Annona acutiflora Mart. (ariticum). Tese de Doutorado. Universidade Fe-
Muitas espécies arbóreas locais já fo- deral do Rio de Janeiro, 237 p.
ram introduzidas em paisagismo para
arborização urbana e herbácea em Aguirre, A. 1950. Sooretama - Estudo
ajardinamento (Anthurium spp., sobre o parque de reserva, refúgio e
Monstera spp., Aechmea spp., criação de animais silvestre

41

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Sooretama, no município de Longman, K. & Jenik, J. 1987. Tropi-


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Cap.4 - Floresta de tabuleiro
Ariane Luna Peixoto - Marcelo Simonelli

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43

IPEMA 2007
Capítulo 5

Floresta Ombrófila Densa Submontana,


Montana e Alto-montana

Luiz Fernando Silva Magnago


Universidade Federal de Viçosa (UFV)

André Moreira de Assis


Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

Hélio Queiroz Boudet Fernandes


Museu de Biologia Mello Leitão (MBML)

S
obre as regiões originadas no restas no Espírito Santo pertencem às
Pré-Cambriano, em terrenos famílias Orchidaceae, Bromeliaceae e
montanhosos com alta precipi- Araceae (Assis, 2007). Além disso, é
tação e umidade e ausência de perío- característico das Florestas Ombrófilas
do seco pronunciado, ocorre a Flores- Densas primárias ou em estágios avan-
ta Ombrófila Densa, que é subdividi- çados de regeneração, a presença de
da em Submontana, Montana e Alto- árvores de grande porte, atingindo até
Montana (IBGE, 1983). 30 metros de altura e a formação de
estratos (superior ou dossel, médio e
A distribuição vertical de tempe- inferior).
ratura e umidade nas montanhas in-
fluencia fortemente a florística e a es- Embora as áreas com formações da
trutura destas florestas, constituindo Floresta Ombrófila Densa ocupem a
um gradiente vegetacional acentuado maior parte do território capixaba
(Koehler et al., 2002), abrigando espé- (IPEMA, 2005), publicações a respei-
cies com distribuição restrita à Mata to de sua vegetação e flora são escas-
Atlântica, sendo algumas limitadas a sas, estando a maior parte das infor-
determinadas localidades, constituin- mações sobre esses temas presentes
do os endemismos restritos (Kurtz & apenas em estudos técnicos, tais como
Araujo, 2000). EIA/RIMA e Planos de Manejos, ou em
monografias de conclusão de curso de
A elevada umidade que caracteri- graduação.
za as Florestas Ombrófilas Densas, fa-
vorece o estabelecimento de uma rica Em estudos realizados na região
e diversificada comunidade epifítica, de Santa Teresa, foram encontrados
destacando-se por sua alta altos índices de diversidade no estra-
representatividade na fitofisionomia to arbóreo entre os maiores encontra-
do interior das florestas. Os principais dos em florestas tropicais (Thomaz &
representantes de epífitas destas flo- Monteiro, 1997; Assis et al., 2007). O

45

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

elevado endemismo nesse ambiente é florestas, a presença de pteridófitas de


comprovado pelas constantes desco- porte arbustivo Cyathea spp (samam-
bertas de espécies novas, de diferen- baia-açú).
tes famílias, conforme demonstrado
em alguns trabalhos publicados nessa
década (Baitello, 2001; Kollmann,
2003; Lombardi, 2004; Chautems et al.,
2005; Sobral, 2006).

As espécies arbóreas comumente


encontradas como as predominantes
na fitofisionomia dos estratos médios
e superiores na Floresta Ombrófila
Densa são Euterpe edulis e diferentes
espécies de Myrtaceae (Eugenia
Figura 5.1 – Aspecto de um trecho Flo-
mandiocensis O.Berg, Marlierea resta Ombrófila Densa no Município de
excoriata Mart., Myrcia laurifolia Linhares, com enfoque para indivíduos
Cambess.), Lauraceae (Ocotea arbóreos de Cecropia hololeuca. Foto:
confertiflora Mez., Nectandra Luiz Magnago
oppositifolia Nees, Ocotea dispersa
(Nees) Mez, Cryptocarya A Floresta Ombrófila Densa
aschersoniana Mez., Ocotea Submontana ocorre na faixa
organensis (Meisn.) Mez, Ocotea altitudinal de 50 a 500 metros e ca-
aciphylla (Nees) Mez), racteriza-se por possuir estrutura
Melastomataceae (Leandra rufescens fanerofítica, com ocorrência de
(DC.) Cogn., Miconia inaequidens caméfitas, epífitas e lianas, estrato su-
Naudin), Sapotaceae (Ecclinusa perior entre 25-30 metros (IBGE,
ramiflora Mart., Pouteria bangii 1983). O maior número de remanes-
T.D.Penn., Micropholis venulosa centes dessa formação se encontra nos
(Mart. & Eichler) Pierre.) e Annonaceae municípios de Domingos Martins,
(Unonopsis lindmanii R.E. Fr.), além Marechal Floriano, Santa Leopoldina,
de representantes de outras famílias, Guarapari, Viana, Fundão e Santa Te-
como Croton floribundus Spreng., resa (Figura 5.2). As Unidades de
Guapira opposita (Vell.) Reitz., Virola Conservação (UC’s) que abrangem
gardneri (A.DC.) Warb., Caryocar esta formação estão representadas
edule Casar., Eriotheca macrophylla pela Reserva Biológica de Duas Bo-
(K. Schum.) A. Robyns e Siparuna cas, Parque Estadual da Fonte Gran-
glossostyla Perkins. Entre o dossel de e Reserva Biológica Córrego do
também é comum observar a presença Veado e nas partes mais baixas das
de Cecropia hololeuca Miq., que ocu- Áreas de Proteção Ambiental do Mes-
pa áreas de clareiras naturais no inte- tre Álvaro, Goiapaba-Açu e Área de
rior das florestas, fato que já foi de- Relevante Interesse Ecológico Estadu-
monstrado para as espécies deste gê- al Morro da Vargem.
nero por Tabarelli & Mantovani (1999)
e Tonhasca-Junior (2005) (Figura 5.1). A Floresta Ombrófila Densa
Além dessas fanerógamas, destaca-se Montana ocorre na faixa altitudinal de
ainda na paisagem do interior dessas 500 a 1.500 metros, caracterizando-se

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IPEMA 2007
Cap.5 - Floresta Ombrófila Densa Submontana, Montana e Alto-montana
André Moreira de Assis - Luiz Fernando Silva Magnago - Hélio Queiroz Boudet Fernandes

características xerofíticas (IBGE,


1983). Remanescentes dessa formação
estão representados na Serra do
Caparaó, incluindo o Parque Nacio-
nal e trechos elevados dos Parques
Estaduais de Pedra Azul e do Forno
Grande, bem como o seu entorno.

Além dessas formações, o IBGE


(1983) menciona para o Estado a ocor-
rência da Floresta Ombrófila Aberta
Figura 5.2 – Aspecto de um trecho de Flo- Montana como uma “feição florestal
resta Ombrófila Densa Submontana no composta de árvores mais espaçadas”,
município de Santa Leopoldina. Foto: localizada entre Venda Nova e Ibatiba
Luiz Magnago
e nos arredores de Domingos Martins
e Santa Leopoldina. Segundo o mes-
por apresentar um estrato dominante mo autor, “o caráter aberto da flores-
com altura até 25 metros, formado por ta é estabelecido pela palmeira
macro, meso e nanofanerófitas, com Attalea sp., conhecida localmente por
grande quantidade de epífitas e lianas indaiá-açu”. No entanto, a composi-
(IBGE, 1983), sendo esta vegetação ção florística para essa formação
influenciada pela elevada umidade listada pelo IBGE (1983) é semelhan-
decorrente da alta pluviosidade te à da Floresta Ombrófila Densa
(Hueck, 1972; Thonhasca-Junior, Montana estudada por Thomaz &
2005). O maior número de remanes- Monteiro (1997), e a referida espécie
centes dessa formação está nos mu- de palmeira, tida como determinante
nicípios de Marechal Floriano, Do- naquela formação, também ocorre em
mingos Martins, Vargem Alta, Santa diferentes áreas de florestas
Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, ombrófilas no Estado (Fernandes,
Santa Teresa, Castelo, Muniz Freire, 1994; Henderson, et al., 1995; Lima
Atílio Viváqua e Muqui (Figura 5.3). & Soares, 2003).
Os principais remanescentes preser-
vados deste tipo de floresta encon-
tram-se na Reserva Biológica Augusto
Ruschi, Parque Natural Municipal
São Lourenço, Parque Estadual de
Pedra Azul, do Forno Grande e de
Mata das Flores, e porções mais bai-
xas do Parque Nacional do Caparaó.

A Floresta Ombrófila Densa


Alto-montana ocorre em altitudes su-
periores a 1.500 metros composta de
nano e microfanerófitas de alturas Figura 5.3 – Aspecto do interior de uma
entre 5 a 10 metros (IBGE, 1983). Em Floresta Ombrófila Densa Montana no
função das baixas temperaturas mé- município de Santa Teresa. Foto: Luiz
dias é comum a vegetação apresentar Magnago

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Dessa forma, consideramos que os encontradas. Apesar dessa importân-


critérios utilizados para a classifica- cia, é uma tipologia vegetal pouco es-
ção da Floresta Ombrófila Aberta não tudada, necessitando de pesquisas
são suficientemente claros para quanto às suas características a
diferenciá-la dos demais tipos de Flo- florísticas e ecológicas para o Espírito
resta Ombrófila Densa, podendo ain- Santo. Entre os estudos já realizados
da ser uma região de transição. Desse neste Estado estão Silva et al. (1984)
modo, são necessários maiores estu- que pesquisou a vegetação dos
dos quanto à sua composição florística afloramentos rochosos da faixa litorâ-
e estrutural para o estabelecimento de nea de Vitória; Thomaz & Monteiro
critérios que possam delimitar estas (1997) que mencionam a vegetação de
formações no Estado do Espírito Santo. afloramentos rochosos para a Estação
Biológica Santa Lúcia, em Santa Tere-
Inserido nessas Regiões sa, e o IBGE (1997) que trata desta
Fitoecológicas, existe um tipo tipologia vegetal na Floresta Ombrófila
vegetacional que está associado aos Densa Alto-montana.
afloramentos rochosos em área de so-
los litólicos rasos ou mesmo sobre a Nas Florestas Ombrófilas Densas
rocha nua. Este tipo vegetacional será existem ainda as florestas ciliares, ge-
aqui denominado de Vegetação ralmente associadas aos fundos de vale
Rupestre, considerando que esse ter- (Figura 5.5), que correspondem às áre-
mo, segundo ACIESP (1997), designa as das bacias hidrográficas onde,
as formas de vida que estão associa- comumente, ocorrem solos mais fér-
das aos rochedos ou afloramentos ro- teis e úmidos, sendo, por isso, muito
chosos (Figura 5.4). visadas para as atividades agrícolas.

Figura 5.4 – Aspecto de um trecho de Figura 5.5 – Trecho de floresta ciliar na


Vegetação Rupestre de Floresta Ombrófila Estação Biológica de Santa Lúcia no mu-
Densa no município de Marilândia. Foto: nicípio de Santa Teresa. Foto: Luiz
Luiz Magnago Magnago

A vegetação rupestre apresenta Isso contribuiu para a fragmenta-


fisionomia, composição florística e ção e quase erradicação das florestas
condições ecológicas diferenciadas ciliares no Espírito Santo. As forma-
das sinúsias florestais que a circun- ções ciliares apresentam condições
dam e, devido a estas peculiaridades, ecológicas próprias que são emprega-
muitas espécies endêmicas podem ser das pelo regime hídrico de rios e

48

IPEMA 2007
Cap.5 - Floresta Ombrófila Densa Submontana, Montana e Alto-montana
André Moreira de Assis - Luiz Fernando Silva Magnago - Hélio Queiroz Boudet Fernandes

córregos, estando determinadas, se- sendo constantemente descritos. Isto


gundo Rodrigues (2001), por uma con- demonstra a importância de sua con-
dição ecotonal que é ocupada por um servação e incentivo à realização de
mosaico de tipos vegetacionais ou até estudos envolvendo, principalmente,
mesmo de unidades fitogeográficas, levantamentos florísticos e
cada qual com suas particularidades populacionais que, de acordo com Van
florísticas. Devido a estas condições Den Berg (1995), são imprescindíveis
que formam gradientes ambientais de ao manejo apropriado das comunida-
solos e saturação hídrica, as florestas des vegetais.
ciliares são altamente heterogêneas
quanto à diversidade de espécies e Referências
ambientes.
Aciesp (Academia de Ciências do Es-
Dentre as espécies ameaçadas que tado de São Paulo). 1997. Glossário de
ocorrem na Região Fitoecológica da Ecologia. ACIESP, São Paulo.
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fitoecológicas aqui mencionadas refle- da Reserva Biológica Augusto Ruschi,
te em uma elevada heterogeneidade de Santa Teresa.
formações vegetacionais, que propicia
alta riqueza florística e fitofisionômica Chautems, A.; Lopes, T. C. C.; Peixo-
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de conservação ou a fragmentos de ta- (Gesneriaceae) from Eastern Brazil
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flora com elevada riqueza e Fernandes, H.Q.B. 1994. Native palms
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Tabarelli, M. & Mantovani, W. 1999. Cla-
Koehler, A.; Galvão, F. & Longhi, S. J. 2002. reiras naturais e a riqueza de espécies pio-
Floresta ombrófila densa altomontana: as- neiras em uma Floresta Atlântica. Revista
pectos florísticos e estruturais de diferen- Brasileira de Biologia, 59 (2): 251-261.
tes trechos na serra do mar, PR. Ciência
Florestal: Santa Maria, 12 (2): 27-39. Thomaz, L. D & Monteiro, R. 1997. Com-
posição florística da Mata Atlântica de
Kollmann, L. J. C. Begonia ruschii L. encosta da Estação Biológica de Santa Lú-
Kollmann (Begoniaceae), uma nova espé- cia, município de Santa Teresa-ES. Bole-
cie da Mata Atlântica do Espírito Santo, tim do Museu de Biologia Mello Leitão
Brasil. Boletim do Museu de Biologia Mello (Nov. Ser.), 7:3-48.
Leitão (Nov. Ser.), 15: 29-33.
Tonhasca-Junior, A. 2005. Ecologia e his-
Kurtz, B. C. & Araújo, D. S. D. 2000. Com- tória natural da Mata Atlântica. Editora
posição florística e estrutura do componen- Interciência, Rio de Janeiro.
te arbóreo de um trecho de Mata Atlântica
na Estação Ecológica Estadual do Paraíso, Van Den Berg, E. 1995. Estudo florístico e
Cachoeiras de Macacu, Rio de Janeiro, Bra- fitossociológico de uma floresta ripária em
sil. Rodriguésia, 51 (78/79): 69-112. Itutinga, MG, e análise das correlações en-
tre variáveis ambientais e a distribuição das
Lima, A. L. & Soares, J. J. 2003. Aspectos espécies de porte arbóreo-arbustivo. Dis-
florísticos e ecológicos de palmeiras sertação de Mestrado em Engenharia Flo-
(Arecaceae) da Reserva Biológica de Duas restal, Universidade Federal de Lavras.

50

IPEMA 2007
Capítulo 6

Floresta Estacional Semidecidual


de Terras Baixas, Submontana e Montana

André Moreira de Assis


Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

Luiz Fernando Silva Magnago


Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Hélio Queiroz Boudet Fernandes


Museu de Biologia Mello Leitão (MBML)

O
corre também sobre terrenos os podem atingir alturas superiores
do Pré-Cambriano em regiões a 25 metros.
em que os regimes hídricos
apresentam uma estacionalidade de O IBGE (1983) indica a presença
períodos chuvosos e secos demarcados. das formações de Floresta Estacional
Esse fator climático limitante à vegeta- Semidecidual das Terras Baixas e Sub-
ção (mais de 60 dias secos) faz com que montana e Montana na porção Sul do
os elementos arbóreos apresentem ca- Estado. Ao Norte, em função do ele-
ducifolia parcial (20% a 50% dos indi- vado desmatamento, o IBGE (1987)
víduos) como forma de adaptação ao não determinou nenhuma área natu-
estresse hídrico e/ou climático (IBGE, ral dessa região fitoecológica. No en-
1987; Silva, 2000; Tonhasca-Junior, tanto, considerando uma escala mais
2005), bem como armazenamento de detalhada, podem ser encontrados
água em partes da planta, órgãos para
absorção da umidade atmosférica ou de
chuvas, perda de turgescência foliar e
outras estratégias (Ivanauskas & Rodri-
gues, 2000).

Essa condição climática e a con-


seqüente resposta fisiológica das
plantas contribuem para o aumento
da temperatura e diminuição da
umidade no interior dessas forma-
ções florestais, condições estas des-
favoráveis para o estabelecimento
de um grande número das epífitas. Figura 6.1 – Trecho de um fragmento de
Os diferentes estratos (superior ou Floresta Estacional Semidecidual no mu-
dossel, médio e inferior) estão pre- nicípio de Águia Branca. Foto: Luiz
sentes e alguns indivíduos arbóre- Magnago

51

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

pequenos remanescentes naquela re- Sul do estado entre os municípios de


gião, geralmente restritos a fragmen- Cachoeiro do Itapemirim e Itapemirim.
tos isolados associados aos afloramen- Na região Norte essa formação ocorre de
tos rochosos (Figura 6.1). forma isolada em fragmentos de diferen-
tes tamanhos, principalmente nos mu-
A Floresta Estacional Semidecidu- nicípios de Laranja da Terra, Itarana, Ita-
al representa a segunda mais importan- guaçu, Baixo Guandu, Colatina, Pancas,
te formação vegetacional em termos de Mantenópolis, São Gabriel da Palha,
área ocupada no Estado do Espírito Barra de São Francisco, Nova Venécia
Santo (IPEMA, 2005). No entanto, as (Motta, 1991) e Águia Branca (Figura
informações sobre esse tipo de vegeta- 6.2). Essa formação está representada
ção e sua flora estão praticamente res- nas UC’s da Floresta Nacional de Paco-
tritas a trabalhos técnicos, como EIA/ tuba, Parque Estadual da Cachoeira da
RIMA, Planos de Manejos, e outros. Fumaça, Parque Nacional dos Pontões
Capixabas e Reserva Particular do Pa-
Nessa formação, as espécies arbó- trimônio Natural Cafundó.
reas que freqüentemente predominam
na fitofisionomia são representantes
de Leguminosae, como os “angicos”
(Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P.
Lewis & M.P. Lima, Anadenanthera
colubrina (Vellozo) Brenan, Anade-
nanthera macrocarpa (Benth.) Brenan
e outras (Dalbergia nigra Fr. All., Pte-
rocarpus rohrii Vahl, Platypodium ele-
gans Vogel, Peltogyne angustiflora
Ducke.), e também espécies de várias
famílias, tais como Pterygota brasili-
ensis K.Schum., Joannesia princeps Figura 6.2 - Aspecto de um trecho de Flo-
Vell., Schefflera morototoni (Aubl. resta Estacional Semidecidual
SubMontana no município de Águia
Maguire, Ramisia brasiliensis Oliv., Branca. Foto Luiz Magnago
Bixa arborea Huber e Lecythis pisonis
Cambess). A Floresta Estacional Semideci-
dual Montana ocorre na faixa altitu-
A Floresta Estacional Semideci- dinal de 500 a 1.500 metros. Esta re-
dual das Terras Baixas ocorre na fai- gião fitoecológica está presente no es-
xa altitudinal de 5 a 50 metros (IBGE, tado na Serra do Caparaó (IBGE,
1983). A região, com os maiores rema- 1983), provavelmente englobando um
nescentes dessa formação, é o muni- trecho do Parque Nacional do Capa-
cípio de Itapemirim, sendo que ne- raó e, segundo o IPEMA (2005), tam-
nhuma Unidade de Conservação (UC) bém o Parque Estadual da Cachoeira
abrange essa formação. da Fumaça.

A Floresta Estacional Semidecidu- Inserido nas três regiões fitoeco-


al Submontana ocorre na faixa altitu- lógicas de Floresta Estacional Semi-
dinal de 50 a 500 metros (IBGE, 1983). decidual mensionadas, além de uma-
Seus maiores remanescentes estão ao pequena porção de Floresta Ombró-

52

IPEMA 2007
Cap.6 - Floresta Estacional Semidecidual de Terras Baixas, Submontana e Montana
André Moreira de Assis - Luiz Fernando Silva Magnago - Hélio Queiroz Boudet Fernandes

uso agrícola, estas fisionomias ru-


pestres apresentam-se como “refú-
gios da vegetação natural”.

As vegetações de afloramentos
rochosos em Florestas Estacionais
Semideciduais brasileiras são en-
contradas em diferentes tipos vege-
tacionais, como citado por Caiafa &
Silva (2005) nos Campos de Altitu-
de da Serra do Brigadeiro/MG, por
Figura 6.3 – Aspecto da vegetação Oliveira-Filho & Fluminhan-Filho
rupestre de Floresta Estacional
(1999) no Campo Rupestre e de Al-
Semidecidual no município de Águia
Branca. Foto: Luiz Magnago titude do Parque Florestal Quedas
do Rio Bonito/MG, por Benites et al.
fila Densa e com trechos represen- (2003) nos Complexos Rupestres de
tativos de fragmentos em bom esta- Altitude das Serras da Mantiqueira
do de conservação, está o complexo e do Espinhaço/MG e BA e por Po-
montanhoso da Serra das Torres, lo- rembski et al., (1998) na vegetação
calizado nas divisas dos municípi- de Inselbergs/BA.
os de Atílio Vivácqua, Muqui e Mi-
moso do Sul, possuindo cotas ali- Dentre as espécies ameaçadas
métricas que variam em cerca de 30 que ocorrem na Região Fitoecológi-
a 1.200 metros de altitude. Estudos ca da Floresta Estacional Semideci-
recentes desenvolvidos pelo IPEMA dual destacam-se Syagrus romanzo-
demonstram alta heterogeneidade ffiana (Cham.) Glassman, Parateco-
de foramções vegetacionais e de ri- ma peroba (Record & Mell) Kuhlm.,
queza de espécies, bem como a pre- Cavanillesia arborea (Willdenow)
sença de espécies ameaçadas de ex- K. Schum., Orthophytum foliosum
tinção para o Estado. Estes dados in- L.B. Sm., Mezilaurus crassiramea
dicam a região da Serra das Torres ( M e i s n . ) Ta u b . e x M e z , Bulbo-
como um dos remanescentes de Flo- phyllum plumosum (Barb. Rodr.)
restas Estacional Semidecidual mais Cogn., Cogniauxiocharis euphlebia
representativos do Espírito Santo. (Oliv. ex Rchb. f.) Hoehne e Epiden-
drum polyanthum Lindl.
Nas diferentes tipologias das
Florestas Estacionais Semideciduais A região das Florestas Estacio-
também são encontradas as Vegeta- nais Semideciduais, embora ocupas-
ções Rupestres (Figura 6.3), sendo se 23% do território capixaba, IPE-
que alguns trechos destas formações MA (2005), foi quase totalmente
foram estudados por Porembski et substituída por pastagens e cultu-
al. (1998) sobre os complexos rocho- ras agrícolas como o café, cana-de-
sos de inselbergs dos municípios de açúcar e extração de rochas orna-
Pancas e na divisa de Santa Teresa mentais, sendo que a última atinge
com Itarana. Para o autor loc. cit., principalmente a Vegetação Rupes-
devido ao desmatamento das Flores- tre que, outrora, estava imune à ex-
tas Estacionais Semideciduais para pansão agrícola.

53

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

A situação de conservação das IPEMA (Instituto de Pesquisas da


Florestas Estacionais Semideciduais Mata Atlântica) 2005. Conservação da
é ainda mais crítica quando compa- Mata Atlântica no Estado do Espírito
rada às demais, em função da ele- Santo: cobertura florestal e unidades
vada fragmentação, da pequena ex- de conservação (Programa Centros
tensão de seus remanescentes, do para Conservação da Biodiversidade
baixo número de estudos científicos – Conservação Internacional do Bra-
e das poucas Unidades de Conser- sil). IPEMA, Vitória, Espírito Santo.
vação, que contemplam estas regi-
ões. Desta forma, tornam-se urgen- Ivanauskas, N. M. & Rodrigues, R. R.
tes iniciativas que visam reverter 2000. Florística e fitossociologia de
este quadro para que a diversidade remanescentes de floresta estacional
bilógica das Florestas Estacionais decidual em Piracicaba, São Paulo,
Semideciduais ainda existentes no Brasil. Revista Brasileira de Botâni-
Espírito Santo sejam conhecidas e ca, 23 (3): 291-304.
protegidas.
Mota, E. V. R. 1991. Identificação de
Referências novas unidades de conservação no
Estado do Espírito Santo utilizando
Benites, V. C.; Caiafa, A. N.; Mendon- o Sistema de Análise Geo-Ambien-
ça, E. S.; Shaefer, C. E. & Ker, J. C. tal/SAGA. Dissertação de mestrado
2003. Solos e vegetação nos comple- em Botânica, Universidade Federal
xos rupestres de altitude da Manti- de Viçosa.
queira e do Espinhaço. Floresta e
Ambiente, 10 (1): 76-85. Oliveira-Filho, A. T. & fluminhan-Fi-
lho, M. 1999. Ecologia da vegetação
Caiafa, A. N. & SILVA, A. F. 2005. do Parque Florestal Quedas do Rio
Composição florística e espectro bi- Bonito. Cerne, 5(2): 51-64
ológico de um campo de altitude no
Parque Estadual da Serra do Briga- Porembski, S.; Martinelli, G. & Ohle-
deiro, Minas Gerais – Brasil. Rodri- muller, R. 1998. Diversity and ecolo-
guésia, 56 (87): 163-173. gy of saxicolous vegetation mats on
inselbergs in the Brazilian Atlantic
IBGE (Fundação Instituto Brasi- rainforest. Diversity and Distribuiti-
leiro de Geografia e Estatística). ons, 4: 107-119.
1983. Folhas SF.23/24 Rio de Ja-
neiro/Vitória: geologia, geomorfo- Silva, A. F. 2000. Floresta Atlântica.
logia, pedologia, vegetação e uso In: Mendonça, M. P. & Lins, L. V.
potencial da terra. Projeto Radam- (orgs.). Lista vermelha das espécies
brasil, Rio de Janeiro. ameaçadas de extinção da flora de
Minas Gerais, p. 45-53. Fundação Bi-
IBGE (Fundação Instituto Brasileiro odiversitas/Fundação de Zoo-Botâni-
de Geografia e Estatística). 1987. Fo- ca de Belo Horizonte, Minas Gerais.
lha SF.34 Rio Doce: geologia, geomor-
fologia, pedologia, vegetação e uso Tonhasca-Junior, A. 2005. Ecologia e
potencial da terra. Projeto Radambra- história natural da Mata Atlântica.
sil, Rio de Janeiro. Editora Interciência, Rio de Janeiro.

54

IPEMA 2007
Capítulo 7

Refúgio ecológico: campo de altitude

Hélio Queiroz Boudet Fernandes


Museu de Biologia Mello Leitão (MBML)

André Moreira de Assis


Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

Luiz Fernando Silva Magnago


Universidade Federal de Viçosa (UFV)

O
s Refúgios Ecológicos, segun-
do o IBGE (1983), são áreas
geralmente isoladas ou relí-
quias de algum paleoclima que ainda
estão praticamente intactos, estando
situados nos pontos mais altos dos pla-
naltos, onde estes ambientes formam
agrupamentos vegetais que destoam
das sinúsias dominantes da vegetação
regional.
Figura 7.1 – Aspecto de um trecho de
Para o Estado do Espírito Santo, o
Refúgio Ecológico (Campo de Altitude)
IBGE (1983) menciona o Refúgio Eco- Alto-Montano na Serra do Caparaó. Foto
lógico Alto-Montano que é caracteri- Ludovic Kollmann
zado por apresentar vegetação com co-
bertura herbáceo-graminóide e arbus- Os Campos de Altitudes ocorrem
tiva e é encontrado em áreas revesti- sobre geoformas mais arredondadas de
das por solos litólicos de embasamen- rochas graníticas e/ou rochas intrusi-
to cristalino, integrados aos afloramen- vas ácidas ricas em sílica e alumínio,
tos rochosos nos terrenos acima de inseridos na área de abrangência da
1.500 metros na Serra do Caparaó (Fi- mata atlântica (senso amplo) nas es-
gura 7.1). Para o IPEMA (2005), esta carpas mais altas e íngremes das ser-
região abriga a única área de Campo ras do Sudeste brasileiro, apresentan-
de Altitude existente no Espírito San- do uma vegetação predominantemen-
to como também é citado por Tonhas- te campestre, de características fisio-
ca-Junior (2005), que ressalta a impor- nômicas e ecológicas ímpares (Caifa &
tância dos Campos de Altitude como Silva, 2005).
centros de riqueza endemismos de es-
pécies, mesmo ocupando áreas relati- Segundo Safford (1999), os agru-
vamente pequenas. pamentos de vegetação nos Campos de

55

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Altitude formam um mosaico, tendo logia, geomorfologia, pedologia, vege-


como fisionomia mais freqüente a ar- tação e uso potencial da terra. Projeto
bustiva inserida em uma matriz de Radambrasil, Rio de Janeiro.
touceiras de gramíneas, apresentan-
do plantas herbáceas espaçadas. Es- IPEMA (Instituto de Pesquisas da Mata
tas fisionomias arbustivas e herbáce- Atlântica). 2005. Conservação da Mata
as também são mencionadas para os Atlântica no Estado do Espírito San-
Campos de Altitude por Oliveira-Fi- to: cobertura florestal e unidades de
lho & Fluminhan-Filho (1999) e Cai- conservação (Programa Centros para
fa & Silva (2005) para Minas Gerais e, Conservação da Biodiversidade – Con-
por Benites et al., (2003), para Minas servação Internacional do Brasil). IPE-
Gerais e Bahia. MA, Vitória, Espírito Santo.

Diante dessas definições, é possí- Oliveira-Filho, A. T. & Fluminhan-Fi-


vel que outras áreas montanhosas do lho, M. 1999. Ecologia da vegetação
Estado do Espírito Santo, além do Ca- do Parque Florestal Quedas do Rio
paraó, abriguem campos de altitude,já Bonito. Cerne, 5 (2): 51-64
que outros picos montanhosos apre-
sentam altitudes acima de 1.500 me- Safford, H. D. 1999. Brazilian Páramos
tros e vegetações herbáceas sobre ro- I: : An introduction to the physical en-
cha. Estudos mais aprofundados, prin- vironment and vegetation of the cam-
cipalmente do ponto de vista florísti- pos de altitude. Journal of Biogeogra-
co e pedológico, devem dirimir essa phy, 26: 693-712.
dúvida ou ainda indicar a existência
de outras regiões que também poderi- Tonhasca-Júnior, A. 2005. Ecologia e
am ser consideradas como Refúgios história natural da Mata Atlântica.
Ecológicos. Editora Interciência, Rio de Janeiro.

Referências

Benites, V. C.; Caiafa, A. N.; Mendon-


ça, E. S.; Shaefer, C. E. & Ker, J. C. 2003.
Solos e vegetação nos complexos ru-
pestres de altitude da Mantiqueira e
do Espinhaço. Floresta e Ambiente, 10
(1): 76-85.

Caiafa, A. N. & SILVA, A. F. 2005. Com-


posição florística e espectro biológico
de um campo de altitude no Parque
Estadual da Serra do Brigadeiro, Mi-
nas Gerais, Brasil. Rodriguésia 56 (87):
163-173.

IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de


Geografia e Estatística). 1983. Folhas
SF.23/24, Rio de Janeiro/Vitória: geo-

56

IPEMA 2007
Parte II

Flora ameaçada no Estado do Espírito Santo


Capítulo 8

Metodologia utilizada na elaboração da Lista


da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo

Claudio Nicoletti de Fraga


Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

Marcelo Simonelli
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA)

Helio Queiroz Boudet Fernandes


Museu de Biologia Professor Mello Leitão

U
ma lista de espécies espécies listadas pelo Herbário
ameaçadas tem como princi- CVRD para a Reserva Natural da Vale
pal objetivo produzir um ins- do Rio Doce; o banco de dados com-
trumento para conservar a biodiversi- pleto do acervo do Herbário MBML;
dade e evitar a extinção das espécies, e parte do banco de dados do Herbá-
já que permite reunir e organizar um rio VIES, da Universidade Federal do
sistema de informações sobre as espé- Espírito Santo.
cies de especial interesse para a con-
servação, além de representar um ins- Essas informações locais foram
trumento efetivo na construção de complementadas com dados sobre a
políticas públicas. flora do Espírito Santo, oriundas de
coleções depositadas fora do Estado e
Para elaborar a lista de espécies já informatizadas como: a coleção tipo
ameaçadas do Espírito Santo, tanto de e as famílias Orchidaceae e Bromelia-
flora quanto de fauna, era necessário ceae presentes no banco de dados do
ter um conhecimento sobre a biologia Herbário HB, Herbarium Bradeanum
das espécies ocorrentes no Estado. (pois eram as únicas informatizadas
Entretanto, para a flora, a primeira pre- naquele momento); as informações das
ocupação foi tentar estabelecer, o mais coleções tipo do Herbário RB, herbá-
próximo possível da realidade, quais rio do Instituto de Pesquisas Jardim
os táxons existentes dentro dos limi- Botânico do Rio de Janeiro; e a lista-
tes do Estado. gem das espécies ocorrentes no Espí-
rito Santo e presentes na lista nacio-
Para se alcançar esse conhecimen- nal de espécies ameaçadas, publicada
to, foram agrupadas em um banco de por Mello Filho et al. (1992).
dados, as informações presentes na lis-
ta de espécies das restingas do Espíri- Para todas as fontes de informa-
to Santo, publicada por Pereira & Ara- ção foram considerados apenas os es-
ujo (2000) e atualizada ao longo do pécimes determinados em nível espe-
tempo no site www.restinga.net; as cífico ou infra-específico, permane-

59

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

cendo também os materiais determi- pécimes depositados no Herbário HB,


nados em cf. e aff., além de táxons com 329 espécies e 516 espécimes do
constantes nas fontes de informação Herbário RB, com 188 espécies. Além
como inéditas (espécies novas ainda dessas informações, foram lançadas as
não publicadas) para que os diferen- 28 espécies ocorrentes no Espírito San-
tes especialistas, em consulta ampla, to presentes na lista de espécies amea-
viessem a definir sobre a inclusão ou çadas do Brasil (Tabela 8.1).
exclusão dos táxons na listagem de
espécies ameaçadas a ser confecciona- A soma de todas as entradas no
da, ou mesmo dentre os táxons ocor- banco possibilitou um escore de 14.146
rentes no Estado. acessos, muito aquém dos ca. 50.000
exemplares depositados nos acervos
A lista das restingas capixabas (Pe- botânicos do Estado. Além disso, foi
reira & Araujo, 2000; e parte do banco possível visualizar que nestas fontes de
do Herbário VIES) possibilitaram 819 informação existiam 29 táxons dados
entradas; da lista do Herbário CVRD ainda como não descritos pela ciência
foram anexadas 2.009 espécies ao ban- (sp. nov.) em diferentes famílias botâ-
co; enquanto que a partir do banco de nicas ou não possuíam seus nomes efe-
dados do Herbário MBML foram lan- tivamente publicados, demonstrando a
çadas 3.075 espécies em 10.524 espé- grande necessidade de que as coleções
cimes determinados. Os herbários ex- capixabas venham a ser mais bem tra-
tracapixabas possibilitaram uma entra- balhadas taxonomicamente.
da de 1.043 espécimes, sendo 527 es-

Tabela 8.1 - Quantificação e origem das informações para a composição do banco de da-
dos dos espécimes e taxons do Estado do Espírito Santo.

Origem da informação Espécimes* Taxons**

Herbário MBML 10.524 3.075


Herbário RB 250 188
Herbário HB 516 329
Lista da CVRD 2.009 2.009
1
IBAMA 28 28
Restingas 2 819 819
Totais 14.146 6.448

* Espécime aqui se refere ao número de entradas originadas de cada uma das fontes de
informação, significando acessos de coleta apenas para as informações originadas dos
herbários MBML, RB, e HB;
** Táxons aqui se referem a nomes específicos e/ou infra-específicos presentes em cada
uma das fontes de informação, sendo que a soma simples não indica o número real de
táxons, em virtude de um mesmo nome poder ocorrer em mais de uma base.
1- Mello-Filho, 1992;
2- Pereira & Araujo (2000) e banco de dados da UFES.

60

IPEMA 2007
Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

Em virtude do nome de uma espé- verificou-se que as famílias que mais


cie aparecer em mais de uma das bases contribuem com número de espécies
utilizadas para a confecção do banco, o para o Estado são exatamente aquelas
número de táxons levantados para con- apontadas como as grandes detentoras
fecção da base da flora do Espírito San- de diversidade no Neotrópico, e destas
to não foi apenas a soma aritmética. apenas cinco famílias (Orchidaceae, Le-
Dessa forma, do total dos 6.448 nomes guminosae, Bromeliaceae, Myrtaceae,
de táxons para o Espírito Santo, 2.290 Asteraceae) possuem mais de 1/3 dos
apareciam em duas ou mais bases que, táxons totais do Estado (1.457 táxons)
quando subtraídas do total, perfaziam que, quando somadas com as outras sete
o escore de 4.158 táxons distintos para famílias mais importantes em número de
o Estado. Após a exclusão de 45 espéci- espécies (Rubiaceae, Melastomataceae,
es exóticas ao Estado (100 acessos), o Euphorbiaceae, Cyperaceae, Bignoniace-
banco de dados foi finalizado com 4.113 ae, Sapindaceae e Lauraceae), alcançam
táxons, em 204 famílias, com 14.046 mais da metade (2.084 táxons) da flora
acessos para a flora do Estado do Espí- do Estado (Figura 8.1).
rito Santo (Tabela 8.2).
Na tabela de ACESSOS, as mes-
Dessa forma, o banco de dados das mas cinco famílias mais ricas em nú-
espécies do Espírito Santo apresentava mero de ESPÉCIES são também aque-
duas tabelas: uma com todos as entradas las que possuem maior número de
possíveis, oriunda das diversas fontes de acessos, mudando apenas a ordem de
informação, independentemente do importância (Orchidaceae, Bromeli-
táxon ser citado mais de uma vez, deno- aceae, Myrtaceae, Leguminosae, As-
minado de ACESSOS, com 14.046 en- teraceae), possuindo também mais
tradas; e outra denominada “Espécies”, de 1/3 (5.819 acessos) dos acessos
com 4.113 entradas, com o nome de to- identificados do Estado, sendo que
dos os táxons constantes na lista anteri- Orchidaceae possui 1/6 (2.490) de
or, mas aparecendo apenas uma só vez. todo o material utilizado nesta aná-
lise. Quando agrupadas com outras
Com base nas informações do ban- quatro famílias (Arecaceae, Rubiace-
co de dados da flora do Espírito Santo, ae, Melastomataceae e Begoniaceae),

Tabela 8.2 - Quantificação dos táxons ocorrentes no Espírito Santo

Origem da informação Táxons*

Nomes de espécies totais nas diferentes bases 6.448


Nomes de espécies em comum nas diferentes bases 2.290
Total de nomes de espécies para o Espírito Santo 4.158
Espécies exóticas a serem excluídas 45

Total de espécies para o Espírito Santo 4.113

* Táxons aqui se referem a nomes específicos e/ou infraespecíficos.

61

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Figura 8.1 – Famílias mais importantes em números de espécies da flora do Espírito Santo
(1. Orchidaceae, 2. Leguminosae, 3. Bromeliaceae, 4. Myrtaceae, 5. Asteraceae, 6. Rubiaceae,
7. Melastomataceae, 8. Euphorbiaceae, 9. Cyperaceae, 10. Bignoniaceae, 11. Sapindaceae,
12. Lauraceae e 13. demais 192 famílias botânicas).

alcançam mais da metade dos aces- de coleta tenham maior interesse em


sos utilizados na análise (Figura 8.2). coletá-las, ampliando o esforço de co-
leta local de material botânico destas
Na Figura 8.2 são apresentadas as famílias, demonstrando a grande ne-
12 famílias que possuem o maior nú- cessidade de se intensificarem as co-
mero de acessos para o Espírito San- letas e os estudos das famílias que não
to. Pode-se observar que, algumas fa- possuem especialistas próximos aos
mílias muito numerosas em espécie, Herbários locais.
são suplantadas por famílias que pos-
suem menor riqueza no Estado – em Dessa forma, as famílias que têm
função de serem trabalhadas por es- um especialista sempre à frente de
pecialistas ao longo dos últimos tem- coletar ou receber o material coletado
pos – e possuírem maior número de para estudo, possuem maior represen-
espécimes identificados (os levados tatividade nas coleções, como em Or-
em consideração nesta análise). Este chidaceae, coletadas por Roberto
fato possibilita que as equipes locais Kautsky e trabalhadas por Pabst (acer-

Figura 8.2 - Famílias mais importantes em números de acessos da flora do Espírito Santo
(1. Orchidaceae, 2. Bromeliaceae, 3. Myrtaceae, 4. Leguminosae, 5. Asteraceae, 6. Palmae,
7. Rubiaceae, 8. Melastomataceae, 9. Begoniaceae, 10. Araceae, 11. Malpighiaceae, 12.
Piperaceae e 13 demais 192 famílias botânicas).

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Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

vo informatizado do Herbário HB), ria ser feito de forma que possibilitas-


além daquelas coletadas e trabalhadas se a comparação com listas produzi-
por Claudio Nicoletti de Fraga, Ludo- das em outros Estados, assim como a
vic Kollmann e André Paviotti Fonta- nacional e a mundial.
na; Bromeliaceae, coletadas por Rober-
to Kautsky e coletadas e trabalhadas A elaboração da Lista de Flora
por Edmundo Pereira e Elton Leme Ameaçada de Extinção no Espírito
(também pertencentes ao acervo infor- Santo foi iniciada com um Workshop
matizado do Herbário HB) e, mais re- realizado no dia 16 de agosto de 2003,
centemente, as coletas executadas por nas dependências do Museu de Bio-
Ludovic Kollmann, André Paviotti logia Prof. Mello Leitão, com a pre-
Fontana e Claudio Nicoletti de Fraga sença dos coordenadores do Grupo
e trabalhadas em conjunto com Elton Flora, ainda sem uma definição de
Leme; Myrtaceae, coletadas pelas como seriam trabalhadas as espécies
equipes dos herbários do Estado e tra- por grupo, além dos coordenadores
balhadas por Graziela Maciel Barroso, gerais do projeto. Os trabalhos segui-
Ariane Luna Peixoto (Herbário CVRD) ram o Roteiro Metodológico para Ela-
e Marcos Sobral (Herbário MBML, boração de Listas de Espécies Amea-
VIES e CVRD); Palmae, coletadas e tra- çadas de Extinção (Lins et al., 1997),
balhadas por Helio de Queiroz Bou- que define três etapas: preparatória,
det Fernandes; Melastomataceae, co- decisória e final.
letadas, especialmente, pela equipe do
Herbário MBML e trabalhadas por Re- Etapa preparatória
nato Goldenberg; Begoniaceae, coleta-
das e trabalhadas por Ludovic Koll- Definição dos critérios e categori-
mann; Araceae, coletadas pelas equi- as: Inicialmente foi estudada a possi-
pes dos herbários CBRD, MBML e bilidade de se utilizar os métodos de
VIES e trabalhadas por Marcus Na- Mendonça & Lins (2000) para a con-
druz; Malpighiaceae, coletadas pelas fecção da lista de espécies da flora
equipes dos Herbários CVRD, MBML ameaçadas de Minas Gerais e os crité-
e VIES e trabalhadas por André Amo- rios utilizados por Fraga (2000) para
rim; e Piperaceae, coletadas pelas as Orchidaceae das restingas do Espí-
equipes dos herbários CVRD, MBML rito Santo, por considerá-los mais efi-
e VIES e trabalhadas por Elsie Frank- cientes para análise de plantas do que
lin Guimarães. os critérios da IUCN (2001). Porém, o
Grupo Flora também optou por utili-
Após construir as bases necessá- zar os critérios e as categorias propos-
rias para ampliar o conhecimento dos tos pela União Mundial para a Natu-
táxons presentes no Espírito Santo, era reza, IUCN (2001) versão 3.1, sem
necessário obter o conhecimento bio- qualquer modificação, como o adota-
lógico sobre as espécies dessa flora e, do pelo Grupo Fauna.
para isso, foi reunido maior número
de pesquisadores e conhecedores des- Esse entendimento se deu em fun-
ta flora para que a avaliação fosse fei- ção de ampliar a possibilidade de com-
ta de forma ampla e segura. Ao mes- paração entre os resultados da lista-
mo tempo, o enquadramento nas ca- gem do Espírito Santo com outras lis-
tegorias de ameaça dos táxons deve- tas congêneres em nível nacional e

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

internacional, mesmo sem os critéri- Regionalmente Extinto na Natu-


os da IUCN serem direcionados para reza (EW) - Um táxon está regional-
analisar, de forma precisa e rigorosa, mente extinto na natureza quando so-
a realidade do conhecimento atual da brevive apenas em cultivo ou quando
flora do Estado. As categorias adota- as populações naturalizadas vivem
das para elaboração desta lista são completamente fora de sua distribui-
apresentadas na Figura 3. ção original. Assim, Regionalmente
Extinto na Natureza não é uma cate-
Essas definições referem-se ex- goria de ameaça, pois as populações
clusivamente à situação dos táxons naturais não mais existem.
no Estado do Espírito Santo, indepen-
dentemente do seu status em outros Criticamente em Perigo (CR) - Um
Estados, ou na escala nacional ou táxon está Criticamente em Perigo
mundial. As definições abaixo se- quando a melhor evidência disponí-
guem a IUCN (2001) e Gardenfors et vel indica que ele se enquadra em
al. (2001). qualquer um dos critérios de A a E para
Criticamente em Perigo (Tabela 3) e
Regionalmente Extinto (RE) - Um que deve ser considerado um táxon
táxon está regionalmente extinto que enfrenta um risco extremamente
quando não há razoável dúvida de alto de extinção na natureza.
que o último indivíduo potencial-
mente capaz de reprodução no Esta- Em Perigo (EN) - Um táxon está
do morreu ou desapareceu. Assim, Em Perigo quando a melhor evidên-
Regionalmente Extinto não é uma cia disponível indica que ele se en-
categoria de ameaça, pois as popula- quadra em qualquer um dos critérios
ções naturais não mais existem. de A a E para Em Perigo (Tabela 8.3) e

Figura 8.3 – Esquema das categorias de ameaça adotado na Lista da Flora Ameaçada no
Espírito Santo, adaptado da IUCN (2001).

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IPEMA 2007
Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

que deve ser considerado um táxon res do Grupo Flora trabalharam jun-
que enfrenta perigo muito alto de tos e elaboraram a lista de espécies
extinção na natureza. candidatas a partir da confecção do
banco de dados da flora do Espírito
Vulnerável (VU) - Um táxon está Santo, sendo que o primeiro passo foi
Vulnerável quando a melhor evidên- retirar os táxons que possuiam ampla
cia disponível indica que ele se en- distibuição no estado do Espírito San-
quadra em qualquer um dos critérios to, táxons comuns em ambientes per-
de A a E para Vulnerável (Tabela 3) e turbados e os táxons cujas populações
que deve ser considerado um táxon são predominantemente de estados
que enfrenta um alto risco de extin- limítrofes e estão em expansão no es-
ção na natureza. tado. Com base nesses critérios, os
coordenadores fizeram uma avaliação
Baixo Risco (LR) - Um táxon está geral das espécies, resultando em uma
na categoria Baixo Risco quando a lista de 3.328 espécies candidatas.
melhor evidência disponível indica
que ele não se enquadra em qualquer Assim como para fauna, o grupo
um dos critérios de A a E para Critica- de flora preocupou-se em não produ-
mente em Perigo, Em Perigo ou Vul- zir uma lista muito extensa, que difi-
nerável (Tabela 3) e que deve ser con- cultasse e/ou desestimulasse a análi-
siderado um táxon que enfrenta um se por parte dos especialistas a serem
baixo risco de extinção na natureza. consultados. Entretanto, em virtude da
especialidade botânica trabalhar com
Deficiente em Dados (DD) - Um grupos taxonômicos em nível de fa-
táxon está na categoria Deficiente em mília (diferente do que ocorre em fau-
Dados quando as informações exis- na onde se trabalha em nível de Or-
tentes sobre ele são inadequadas para dem), a listagem de Angiospermas teve
se fazer uma avaliação direta ou in- que ser fragmentada em pequenos ban-
direta sobre seu risco de extinção com cos com as planilhas ESPÉCIES e
base em sua distribuição e/ou status ACESSOS, totalizando 158 bancos me-
de suas populações. Um táxon nesta nores, o que facilitaria a resposta por
categoria pode ser bem estudado e sua parte dos especialistas.
biologia ser bem conhecida, mas fal-
tam informações apropriadas sobre Para as Briófitas, Pteridófitas e
sua abundância e/ou distribuição ge- Gimnospermas não houve a divisão do
ográfica. Assim, a categoria Deficien- banco em famílias em função do me-
te em Dados não é uma categoria de nor número de informações no banco
ameaça. A colocação de um táxon e por terem sido subcoordenadas por
nesta categoria indica que mais infor- Olga Yano, Lana da Silva Silvestre e
mações são necessárias sobre ele, re- Claudio Fraga, respectivamente.
conhecendo-se a possibilidade de
futuras pesquisas mostrarem que o A tabela ESPÉCIES continha as
táxon se enquadra em alguma das ca- colunas: família, gênero, termo espe-
tegorias de ameaça. cífico, autor, subespécie ou variedade,
autor da subespécie ou variedade, sta-
Elaboração da relação das espéci- tus sugerido e comentário. Os dois
es candidatas à lista: Os coordenado- últimos estavam preenchidos tempo-

65

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Tabela 3 – Sumário das categorias e critérios utilizados pela IUCN (extraído de Fundação
Biodiversitas).
Critérios Vulnerável Em perigo Criticamente
em perigo
A. População em declínio

Redução populacional
(observada, estimada,
inferida ou suspeita) com
base em qualquer um
dos itens abaixo

1 - Redução já ocorrida. 50% em dez anos 70% em dez anos 90% em dez anos
Causas de redução ou três gerações ou três gerações ou três gerações
reversíveis, bem conhecidas
e já ausentes. Taxa de
redução de

2 - Redução já ocorrida. maior ou maior ou maior ou


Causas de redução ainda igual a 30% igual a 50% igual a 80%
atuantes ou pouco
conhecidas ou irreversíveis.
Taxa de redução igual a

3 - Redução projetada para maior ou maior ou maior ou


os próximos 10 anos ou em igual a 30% igual a 50% igual a 80%
três gerações.
Taxa de redução igual a:

4 - Redução já ocorrida e maior ou maior ou maior ou


projetada envolvendo igual a 30% igual a 50% igual a 80%
período de 10 anos ou
três gerações.
Taxa de redução igual a:
a - Observação direta
b- Índice de abundância
apropriado para o táxon
c- Declínio na área de
ocupação, extensão da
ocorrência e/ou qualidade
do habitat
d- Níveis reais ou
potenciais de exploração
e- Efeitos da introdução
de taxa, hibridização,
patógenos, poluentes,
competidores ou parasitas

B. Distribuição restrita e declínio ou flutuação

1 - Extensão da ocorrência: < 20.000 km2 < 5.000 km2 < 100 km2

2 – ou área de ocupação: < 2.000 km2 < 500 km2 < 10 km2
e pelo menos duas das três
características seguintes:
a – Distribuição geográfica Não mais que Não mais que Uma só
altamente fragmentada. 10 localidades 5 localidades localidade
Táxon assinalado em:

66

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Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

Critérios Vulnerável Em perigo Criticamente


em perigo

b – Diminuição contínua em: Qualquer taxa Qualquer taxa Qualquer taxa


(I) Extensão da ocorrência
(II) Área de ocupação
(III) Área, extensão e/ou
qualidade do habitat
(IV) Número de localidades
ou subpopulações
(V) Número de indivíduos
adultos
c – Flutuações extremas Qualquer taxa Qualquer taxa Qualquer taxa
na distribuição geográfica:

C. Tamanho populacional reduzido e em declínio

Populações estimadas em: < 10.000 < 2.500 < 250


e uma das seguintes situações:

1 - Declínio populacional 10%em 10 anos 20%em 5 anos 25%em 3 anos


contínuo estimado em: ou 3 gerações ou 2 gerações ou 1 geração

2 - Declínio populacional
contínuo em pelo menos
uma das seguintes situações:
a - Populações estruturadas
da seguinte forma:
(I) Nenhuma subpopulação 1000 250 50
com mais de:
(II) Número de indivíduos 100% pelo menos pelo menos
em uma subpopulação: 95% 90%
b - Flutuações populacionais Qualquer taxa Qualquer taxa Qualquer taxa
extremas

D. Tamanho populacional reduzido e restrito

Número de indivíduos < 1.000(1) < 250 < 50


maduros:
Ou para a categoria área de ocupação
vulnerável (2): de 20 km2 ou cinco
ou menos localidades.
O táxon pode ser
afetado por atividades
antrópicas ou eventos
estocásticos em
período muito curto
de tempo, podendo
assim tornar-se
criticamente em perigo
ou mesmo extinto.
E. Análise quantitativa
Propabilidade de extinção > ou = 10% > ou = 20% em 20 > ou = 50%em 10
na natureza em 100 anos anos ou 5 gerações anos ou 3 gerações

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

rariamente com indicações da coor- Dados (DD). De posse desta lista, os


denação apenas como forma de análi- coordenadores realizaram uma crite-
se prévia, tendo que ser avaliados e riosa avaliação das espécies candida-
preenchidos pelos especialistas (Figu- tas, visando enquadrá-las em catego-
ra 8.4). Nessa tabela estava a totaliza- rias de ameaça que refletiam seu sta-
ção dos táxons de um determinado tus de conservação no Estado, seguin-
grupo, no caso das Angiospermas, fa- do os critérios e categorias da IUCN
mílias. A tabela ACESSOS continha (2001), não sendo, entretanto, elimi-
as colunas: família, gênero, termo es- nada nenhuma espécie em virtude
pecífico, autor, subespécie ou varieda- dos coordenadores terem classifica-
de, autor da subespécie ou variedade, do o táxon como Baixo Risco, fican-
município, localidade, coletor, núme- do na dependência dos especialistas
ro e sigla da origem da informação ou para o Workshop final a decisão
(Figura 8.5), servindo para suprir os es- de excluí-la.
pecialistas de dados sobre a represen-
tatividade dos táxons nas coleções e de Seguindo as recomendações da
sua distribuição no estado. IUCN, assim como para o grupo de fau-
na, os métodos envolvendo estimati-
As espécies não eliminadas do vas, inferências e projeções foram per-
banco de dados na primeira análise feitamente aceitáveis. Nesse caso, po-
foram julgadas pelos coordenadores e deriam ser feitas extrapolações de
sugeridos alguns critérios de ameaça ameaças atuais, potenciais para o fu-
para alguns táxons ou enquadradas turo ou de fatores relacionados à abun-
temporariamente em Deficiente em dância e distribuição do táxon, desde

Figura 8.4 – Banco de dados da flora do Espírito Santo, tabela ESPÉCIES, analisado pelos
coordenadores e enviados posteriormente para o especialista. Exemplo: família Acanthaceae,
Mendoncia velloziana (linha 37, marcada de laranja)

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Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

que elas pudessem ser razoavelmente pteridófitas, em 19 famílias; duas gi-


sustentadas. O nível de ameaça de mnospermas, em duas famílias e
uma espécie deveria ser avaliado le- 3.111 angiospermas, em 156
vando-se em conta apenas a sua situa- famílias, sendo dessas 887 monoco-
ção no estado do Espírito Santo. tiledôneas em 27 famílias e 2.224
entre os demais grupos de angiosper-
Para exemplificar este processo, mas em 129 famílias.
pode-se observar o caso de Mendoncia
velloziana Mart. (Acanthaceae) na ta- Consulta ampla a especialistas:
bela ESPÉCIES, julgada pelos coorde- A lista de espécies candidatas com a
nadores como Baixo Risco (LR), com a categoria de ameaça proposta foi en-
observação: espécie de ampla distribui- caminhada para os especialistas. En-
ção, em referência aos ecossitemas do tretanto, diferente do que ocorreu
estado (Figura 8.4). Se chegou a essa com o grupo de fauna, a confirmação
conclusão em função da consulta da ta- do status sugerido seria feito direta-
belas de ACESSOS (Figura 8.5), onde mente na coluna de status, não sen-
o táxon aparecia presente nas restin- do adotado um “Formulário/Consul-
gas do estado (Pereira & Araujo, 2000), ta”, pois o banco de dados continha
nas florestas de tabuleiro (CVRD-Lis- as tabelas ESPÉCIES e ACESSOS (Fi-
ta) e na mata atlântica de encosta (ma- guras 8.4 e 8.5), o que facilitaria a res-
terial de herbário do MBML). posta dos especialistas.

Das 3.328 espécies candidatas, Além do banco de dados das es-


60 eram briófitas, em 26 famílias; 153 pécies candidatas, foi também envia-

Figura 8.5 – Banco de dados da flora do Espírito Santo, tabela ACESSOS, analisado pelos
coordenadores e enviados posteriormente para os especialistas. Exemplo: família
Acanthaceae, Mendoncia velloziana (linhas 125 a 127, marcadas de laranja).

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

do um sumário das categorias e crité- informações sobre as espécies constan-


rios utilizados pela IUCN (Tabela 8.3) tes na lista, envolvendo um maior
juntamente com uma carta que con- número de estudiosos.
tinha as formas de se melhor trabalhar
com o banco de dados, além da indi- Nessa consulta, foram enviados
cação de que qualquer inclusão deve- 161 bancos de dados (um de briófitas,
ria ser feita ao final da tabela ESPÉCI- um de pteridófitas, um de gimnosper-
ES, de que as exclusões não seriam ma e 158 de angiospermas) para 181
necessárias, bastando indicar que a especialistas, com alguns especialis-
espécie encontrava-se em baixo risco tas respondendo por mais de um gru-
de extinção, e de que todas as modifi- po botânico, normalmente famílias
cações deveriam ser feitas em negrito próximas taxonomicamente, além de
de forma a diferenciar do arquivo en- terem sido enviadas algumas famílias
viado, como no exemplo da resposta para serem respondidas por mais de
do Vinicius Castro Souza para as Scro- um especialista, sendo, dessa forma,
phulariaceae (Figura 8.6). feitas 239 consultas.

A consulta foi feita via internet, e Das consultas enviadas apenas 42


os especialistas foram orientados para foram respondidas, com 30 respondi-
encaminharem suas avaliações para o das de forma digital e 12 a partir de
IPEMA para serem posteriormente re- contato direto com o especialista.
passados para os coordenadores. O Observou-se que alguns especialistas
objetivo desta consulta foi ampliar as convidados para participar do

Figura 8.6 – Resposta dada pelo especialista Vinícius Castro Souza para as Scrophulariaceae
da lista de espécies candidatas, demonstrando as inclusões (linhas 19 a 24, marcadas de
laranja), algumas correções de grafia de nomes de espécies (linha 13) e de nomes de auto-
res de espécies (linhas 8, 14, 15 e 18), estando todas as modificações em negrito.

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IPEMA 2007
Cap.8 - Metodologia utilizada na elaboração da Lista da Flora Ameaçada de Extinção no Espírito Santo
Claudio Nicoletti de Fraga - Marcelo Simonelli - Helio Queiroz Boudet Fernandes

Workshop final não responderam à trabalhos. Após a abertura do


consulta enviada, optando por le- Workshop com autoridades estaduais
varem seus arquivos respondidos e nacionais, os especialistas ocuparam
apenas para o evento, o que impos- uma sala ampla, não ocorrendo a di-
sibilitou uma maior eficiência do visão por grupos taxonômicos em fun-
número de espécies retiradas pela ção da quantidade de táxons para se-
consulta ampla. rem analisados. Os coordenadores for-
maram pequenos grupos e dividiram
Atualização da base de dados os bancos de dados, compilados das
para o workshop: De posse de todas respostas obtidas na consulta ampla,
as sugestões encaminhadas pelos es- em função do conhecimento de cada
pecialistas nos bancos de dados inici- pequeno grupo de especialistas, que,
ais, os coordenadores do Grupo Flora após análise detalhada, decidiram
compilaram os dados e preparam a lis- pelo seu status de conservação, enqua-
ta das espécies e seu enquadramento drando-as nas categorias propostas
nas categorias da IUCN (2001) para ser pela IUCN (2001).
apresentada e discutida na etapa de-
cisória. Após as conclusões do Grupo Flo-
ra, os resultados foram relatados por
Com os dados obtidos nas respos- um dos coordenadores na sessão ple-
tas da consulta ampla restaram para nária de encerramento do Workshop
ser avaliadas no workshop 3.285 es- para conhecimento e homologação por
pécies, para um total de 20 horas de todos os participantes.
trabalho, o que siginificava avaliar ca.
3 (2,75) espécies por minuto. O gran- Neste momento, surgiram as dis-
de número de espécies para ser avali- cussões gerais sobre as espécies e os
ado no workshop foi causado tanto pe- problemas relacionados a elas, como
las inclusões ocorridas ao longo da o caso de se aceitar as espécies vege-
consulta ampla como pela inexperiên- tais presentes nas ilhas oceânicas
cia de todos os envolvidos no proces- como fazendo parte da flora presente
so (coordenadores e especialistas) em no domínio da Mata Atlântica do es-
aplicar os critérios da IUCN para plan- tado, como havia sido trabalhado pelo
tas, visto este não ser adaptado para o Grupo Flora ao longo do Workshop.
conhecimento atual sobre plantas tro-
picais. Desta forma, verificou-se que Etapa final
um grande número de espécies perma-
neceu nas categorias de Baixo Risco Por fim, a lista de táxons, com sua ca-
(LR) e Deficiência de Dados (DD). tegoria de ameaça e critérios, foi orga-
nizada e encaminhada aos coordena-
Etapa decisória dores novamente para que fizessem
uma revisão minuciosa, principalmen-
Esta etapa foi realizada em um te quanto à grafia. Para sua oficializa-
Workshop em Vitória-ES, no período ção, a lista foi encaminhada em mar-
de 13 a 15 de outubro de 2004, no qual ço de 2005 para o CONSEMA, tendo
participaram três coordenadores, 22 o decreto estadual de homologação Nº
especialistas convidados de 15 insti- 1499-R sido assinado pelo gover-
tuições e um monitor para auxiliar os nador do Estado no dia 11 de ju-

71

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

nho de 2005, no Museu de Biologia brasiliensis exstintionis minitata.


Prof. Mello Leitão e publicado no Sociedade Botânica do Brasil-SBB /
Diário Oficial Estadual no dia 14 de IBAMA. 167 p.
junho de 2005. Após isto, o IPEMA
disponibilizou em seu site Mendonça, M.P. & Lins, L.V. 2000. In-
www.ipema-es.org.br. trodução. In: Mendonça, M.P. & Lins,
L.V. (orgs.) Lista vermelha das espé-
Agradecimentos aos curadores dos cies ameaçadas de extinção da flora
Herbários CVRD, VIES, MBML, RB e de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fun-
HB por disponibilizarem os dados dação Biodiversitas, Fundação Zoo-
para confecção das bases de dados Botânico de Belo Horizonte. 157 p.
utilizadas na confecção da lista de
espécies ameaçadas do Espírito San- Pereira, O.J. & Araújo, D.S.D. 2000.
to e à Mariana Machado Saavedra Análise florística das restingas dos
pela avaliação crítica e sugestões ao Estados do Espírito Santo e Rio de
manuscrito. Janeiro. In: Ecologia de Restingas e
Lagoas Costeiras. Rio de Janeiro, Es-
Referências teves, F.A. & Lacerda, L.D. (eds.),
p. 25-63.
Fraga, C.N. 2000. Ecologia, fitogeogra-
fia e conservação das Orchidaceae da
restinga do Estado do Espírito Santo.
Rio de Janeiro, Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Dissertação de mes-
trado. 170 p.

Gardenfors, U.; Hilton-Taylor, C.;


Mace, G.M. & Rodriguez, J.P. (2001).
The Application of IUCN Red List
Criteria at Regional Levels. Conserva-
tion Biology 15 (5): 1206-1212.

IUCN. (2001). IUCN Red List Catego-


ries and Criteria: Version 3.1. IUCN
Species Survival Commission. IUCN,
Gland, Switzerland and Cambridge,
UK. 30 p.

Lins, L.V.; Machado, A.B.M., Costa,


C.M.R. & Herrmann, G. 1997. Roteiro
metodológico para elaboração de lis-
tas de espécies ameaçadas de extin-
ção. Belo Horizonte, Fundação Bio-
diversitas, 55 P.

Mello-Filho, L.E., Somner, G.V. & Pei-


xoto, A.L. 1992. Centuria plantarum

72

IPEMA 2007
Capítulo 9

Situação atual da flora ameaçada


no Espírito Santo

Marcelo Simonelli
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA)

Claudio Nicoletti de Fraga


Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

Helio Queiroz Boudet Fernandes


Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML)

O
Brasil é um país privilegiado tem transformado as áreas de florestas
em relação à diversidade de tropicais nas regiões mais ameaçadas
seus biomas, sendo possivel- do planeta em termos de perda de es-
mente o país com maior biodiversida- pécies (Lugo, 1988).
de do planeta. Segundo Myers et al.
(2000) é um dos principais países en- O complexo vegetacional deno-
tre aqueles detentores de megadiver- minado Mata Atlântica, que outrora
sidade, possuindo entre 15% e 20% recobria a parte do litoral brasileiro
do total de espécies do planeta, dis- se adentrando pelo continente em
tribuídas entre diversos tipos de ecos- uma área de 1.360.000 Km² (16% do
sistemas. Alguns destes ecossistemas, território brasileiro), representa uma
como a Mata Atlântica foram muito destas florestas tropicais considera-
mais degradados do que outros mas, das entre as mais ameaçadas do mun-
apesar disso, apresenta ainda uma do (Scarano, 2002). Extensas matas
magnífica biodiversidade (Camargo et foram reduzidas a um conjunto de pe-
al., 2002). quenos fragmentos que podem sofrer
processos de erosão de diversidade
Gerir essa riqueza demanda ações biológica em grande escala (Fonseca,
urgentes fundamentadas em uma me- 1992), conseqüência de cinco sécu-
todologia de conservação, espelhada los de ocupação desordenada que
em políticas públicas que representem teve início com o extrativismo do
as aspirações da sociedade, dada a in- pau-brasil, expandiu-se para outras
tensa e rápida destruição de habitats madeiras e, posteriormente, para a
no globo (Wilson, 1988). Os fatores agricultura e a pecuária. Segundo
mais importantes no estudo florístico Peixoto et al. (2002), não existem da-
para análise de conservação em regi- dos efetivamente confiáveis sobre a
ões tropicais residem no fato de que é superfície total remanescente e os
nesta porção do mundo que ocorre a autores divergem quanto a esse valor,
maior sobreposição entre diversidade que está entre 5% e 15%, sendo os
biológica e pressão antrópica, o que resíduos florestais, muitas vezes, pe-

73

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

quenos fragmentos disjuntos e floris- espécies ameaçadas de extinção, que


ticamente empobrecidos. têm sido cada vez mais usadas para
contribuir significativamente na con-
Nesse contexto, a Mata Atlântica servação das espécies e de seus ecos-
foi inserida como um dos 25 hotspots, sistemas, servindo para nortear traba-
sendo considerado um dos mais ricos lhos de avaliação e análise ambiental,
e ameaçados ecossistemas do mundo de escolha de áreas prioritárias para
(Myers et al., 2000). A inclusão da conservação e definição de zoneamen-
Mata Atlântica como um dos hotspots to de unidades de conservação e de
é facilmente justificável pelo: 1) seu educação ambiental.
estado de conservação com uma co-
bertura total de apenas 6% de sua área A primeira lista de espécies da flo-
original (Mittermeier et al., 1999); 2) ra ameaçada de extinção para o Brasil
alta diversidade biológica somando foi elaborada pelo então Instituto Bra-
cerca de 20.000 espécies de plantas sileiro de Desenvolvimento Florestal
vasculares e 1.361 espécies de verte- (IBDF), em 1968, e constava de ape-
brados (exceto peixes) e 3) com alto nas 12 espécies. Posteriormente, em
grau de endemismo: 6.000 de plantas 1980, mais uma espécie foi acrescen-
vasculares e 546 de vertebrados (Myers tada à lista. Em 1992, já adotando cri-
et al., 2000). térios similares aos da IUCN, a Socie-
dade Botânica do Brasil (SBB) elabo-
A cobertura vegetal do Espírito rou uma listagem contendo 100 espé-
Santo, antes praticamente toda reco- cies candidatas a serem adotadas como
berta pela Mata Atlântica, tem uma ameaçadas de extinção pelo Brasil
história de devastação cujos registros (Mello Filho, 1992). Este número foi
remontam aos do início de sua colo- acrescido de mais sete plantas e, se-
nização, fato que lastimavelmente une gundo a portaria Ibama n0 6-N, de 15
todo o território do Brasil por um trá- de janeiro de 1992, no Brasil, existem
gico passado comum, responsável pelo 107 espécies ameaçadas reconhecidas
desaparecimento assombroso das for- oficialmente. Atualmente, esta lista já
mações vegetais existentes (Silva, se encontra totalmente defasada e em
1986). Apesar disso, mesmo sendo um vias de reformulação. Recentemente
Estado relativamente pequeno (em 2005) foi realizado um Workshop
(46.184,1 Km2), o Espírito Santo detém em Belo Horizonte (MG), organizado
uma grande biodiversidade. Isso se deve pela Fundação Biodiversitas em que
em parte às diversas fisionomias encon- os pesquisadores de todo o Brasil e do
tradas no Estado, moldadas pelas varia- exterior estiveram presentes e elabo-
ções altimétricas, geomorfológicas, pe- raram uma lista atualizada. Esta lista
dológicas e climatológicas existentes. possui 1.560 espécies e foi enviada aos
órgãos competentes, que poderão ado-
Preocupados com esse processo tá-la como a lista oficial da flora bra-
de degradação que não ocorre somen- sileira ameaçada de extinção
te no Espírito Santo e no Brasil, mas (www.biodiversitas.org.br).
em todo o nosso planeta, vários órgãos
governamentais têm tomado iniciati- No Espírito Santo, o Instituto de
vas visando a elaboração de listas Pesquisas da Mata Atlântica (IPEMA)
mundiais, nacionais e regionais de ficou responsável pelo projeto deno-

74

IPEMA 2007
Cap.9 - Situação atual da flora ameaçada no Espírito Santo
Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga - Helio Queiroz Boudet Fernandes

minado “Conservação da Biodiversi- se sabe se os espécimes cultivados são


dade da Mata Atlântica do Estado do oriundos das extintas populações na-
Espírito Santo”, que compreendeu três turais do Estado.
subprojetos, sendo o primeiro deles a
elaboração das Listas de Espécies da O número de espécies ameaçadas
Flora e Fauna Ameaçadas de Extinção. listadas para o Espírito Santo (753)
Esta etapa culminou com a realização, equivale a 49% do número total
em outubro de 2004, de um Workshop (1.537) proposto para o Brasil
com função decisória para a elabora- (www.biodiversitas.org.br) e a 9% do
ção das referidas listas, seguindo-se a total de espécies ameaçadas (8.321)
metodologia apresentada em Fraga et citadas pela IUCN para o mundo (Bai-
al. (ver capítulo 8). llie et al., 2004). Isso não significa que
são as mesmas espécies, pois uma es-
A lista elaborada foi encaminha- pécie pode estar regionalmente amea-
da aos organismos competentes e pos- çada, porém em escala nacional ou
teriormente foi legalmente reconheci- internacional, nem sempre é incluída
da pelo Decreto Estadual nº 1499-R e entre as ameaçadas. Apesar disso, es-
publicada no Diário Oficial do Esta- ses dados são alarmantes, pois de-
do, em 14 de junho de 2005, e homo- monstram que um Estado tão peque-
loga a Lista de Espécies Ameaçadas de no como o Espírito Santo possui qua-
Extinção no Espírito Santo. Esta lista se a metade do número total de espé-
contém 776 espécies (entre ameaça- cies ameaçadas proposto para o Bra-
das, extinta localmente na natureza e sil, reflexo de anos de exploração in-
extintas localmente). discriminada de nossos ambientes na-
turais. Por outro lado, no entanto, de-
A primeira coisa que chama a monstram a importância da conserva-
atenção na lista é o seu elevado nú- ção do que ainda resta da diversidade
mero de espécies, fato preocupante e vegetal. Infelizmente, poucos são os re-
que, sem dúvida, reflete a realidade manescentes florestais localizados em
em que vivemos. O Estado ainda pos- unidades de conservação. Segundo
sui uma elevada diversidade florísti- dados do IPEMA (2005), o Espírito
ca, porém essa diversidade sofreu e Santo possui apenas cerca de 3% de
ainda sofre elevado processo de ero- sua área em unidades de conservação.
são, correndo sérios riscos de deixar
de existir. Exemplo disso são os 23 Vale ressaltar que o número de
táxons (2,9%) citados como extintos espécies ameaçadas é reflexo da pró-
localmente, ou seja, não ocorrem mais pria história do uso e da ocupação do
em populações naturais em nosso Es- solo em nosso Estado. Segundo a IUCN
tado. Destes, 21 táxons podem ser con- (Baillie et al., 2004), os principais fa-
siderados extintos na natureza, pois tores responsáveis pela extinção de
eram espécies endêmicas do Espírito espécies em nível mundial são:
Santo e apenas a Araucaria angusti-
folia (Bertol.) Kuntze e Hadrolaelia vi- Destruição e degradação de ha-
rens (Lindl.), Chiron & V. P. Castro, bitats: Sem dúvida nenhuma, no Es-
podem ser encontradas em populações pírito Santo esta foi a maior causa da
naturais em outros Estados ou culti- diminuição de diversidade e, conse-
vadas no Espírito Santo. Porém, não qüentemente, do aumento no número

75

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

de espécies ameaçadas, visto que o caena leucocephala (Lam.) de Wit) são


Estado passou por vários ciclos desde exóticas e, em situações de descontro-
o início da ocupação portuguesa le, podem invadir áreas naturais e
(como o da exploração madeireira, da competir com espécies nativas. Soma-
agricultura principalmente cafeeira, se a isso o fato de que muitas espécies
da pecuária, da industrialização e dos foram introduzidas acidentalmente,
“reflorestamentos” homogêneos). Isto como várias gramíneas que vieram nos
fez com que o Espírito Santo, que pos- porões dos navios negreiros.
suía aproximadamente 90% de seu
território coberto pela Floresta Atlân- Outras causas: Outros fatores tam-
tica, apresente atualmente cerca de 7% bém podem estar relacionados às ex-
de cobertura original (IPEMA, 2005). tinções tanto em nível global como
local. Os principais são: doenças; po-
Sobre-exploração: É também um luição e contaminação; mortalidade
fator que merece destaque com rela- acidental e mudanças climáticas.
ção à flora. Exemplo disso é que das
753 espécies de flora ameaçadas de Quando comparadas às categori-
extinção, destacam-se as pertencentes as das espécies ameaçadas (Figura
às famílias Orchidaceae (205 espécies 9.1), observa-se que o número de es-
ou 27,2%, além de cinco extintas) e pécies Criticamente em Perigo foi de
Bromeliaceae (102 espécies ou 13,5%), 171 (23%), Em Perigo de 222 (29%) e
sendo, portanto, as famílias com mai- Vulnerável de 360 espécies (48%).
or número de espécies ameaçadas no Pode ser observado que quase a meta-
Estado e, notadamente, as que sofrem de das espécies está enquadrada na ca-
as maiores pressões exploratórias para tegoria de menor risco entre as amea-
fins ornamentais. çadas. No entanto, estas espécies assim
como todas as outras merecem atenção
Invasão de “espécies alieníge- especial para que não passem futura-
nas”: As atividades agrícolas presen- mente para a categoria de maior risco
tes no Espírito Santo nunca prioriza- em novos estudos.
ram o uso racional de espécies nati-
vas. Isto não é exclusividade do Espí- Quando comparado o número de
rito Santo. Só para se ter uma idéia, espécies ameaçadas e extintas regional-
dados revelam que menos de 20 espé-
cies de plantas produzem a maior par-
te do alimento mundial e as quatro
principais espécies em carboidratos
(trigo, milho, arroz e batatas) alimen-
tam mais pessoas do que as 16 planta-
ções seguintes mais importantes jun-
tas (Witt, 1985). Além delas, espécies
plantadas para outros fins, como in-
dustriais, pecuária e ornamentais ou
até mesmo algumas que são muito uti- Figura 9.1 - Porcentagem de espécies da
lizadas em projetos de recuperação de flora do Espírito Santo enquadradas por ca-
áreas degradadas (como Acacia auri- tegoria de ameaça. VU = Vulnerável, EN =
culiformis A. Cunn. ex Benth. e Leu- Em Perigo, CR = Criticamente em Perigo

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IPEMA 2007
Cap.9 - Situação atual da flora ameaçada no Espírito Santo
Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga - Helio Queiroz Boudet Fernandes

mente por grupo vegetal (Figura 9.2),


podemos observar que a maior par-
te (706 espécies ou 91%) pertence
às Angiospermas, seguido das Brió-
fitas com 36 espécies (4,6%), Pteri-
dófitas com 32 espécies (4,1%) e Gi-
mnospermas com 2 espécies (0,3%).
A maior porcentagem de Angiosper-
mas é também evidenciada em ou-
tras listas. A própria lista mundial
da IUCN traz 7.796 Angiospermas, Figura 9.2 – Número de espécies na lis-
ou seja, 93,7% do total de espécies ta de ameaçadas e extintas, separadas
(8.321) citadas como ameaçadas por grupo
(Baillie et al., 2004). Isso se explica
facilmente por que cerca de 90% das parte dos pesquisadores do Estado. Já,
espécies descritas pela ciência per- para as Gimnospermas, das duas úni-
tencerem a este grupo. cas espécies existentes no Espírito
Santo, uma consta como ameaçada
No Espírito Santo, o grande nú- (Podocarpus sellowii Klotzsch ex
mero de Angiospermas presentes nas Endl.) e Araucaria angustifolia (Ber-
listas de espécies ameaçadas não é só tol.) Kuntze como regionalmente ex-
reflexo da representatividade do gru- tinta na natureza.
po no Estado, mas também pode es-
tar associado ao fato de que a maior Em relação ao número de espéci-
parte dos estudos realizados estão re- es por grupo em cada categoria de ame-
lacionados às Angiospermas, ficando aça (Figura 9.3), verificamos que to-
os outros grupos (Briófitas e Pteridó- dos os demais tiveram maior número
fitas) subamostrados, principalmen- de espécies na categoria Vulnerável,
te por falta de interesse pela maior seguido pela categoria Em Perigo.

Figura 9.3 - Número de espécies da flora do Espírito Santo ameaçadas nas diferentes catego-
rias separadas por grupo. VU = Vulnerável, EP = Em Perigo, CR = Criticamente em Perigo

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Comparando a lista do Espírito ameaçada, enquanto para o Brasil


Santo com outras listas regionais (Ta- este número é de 5.458 Km2.
bela 9.1) podemos observar que o
Estado apresenta-se em segundo lu- Nesse contexto, ou seja, num am-
gar em termos de número absoluto biente já bastante antropizado, po-
de espécies ameaçadas de extinção, rém com uma diversidade biológica
se não considerarmos a lista de pre- ainda bem representativa, a elabora-
sumivelmente ameaçadas de Minas ção de listas de espécies ameaçadas
Gerais. Entretanto, se levarmos em de extinção pode representar uma ex-
consideração a área, seguindo a ava- celente ferramenta para a elaboração
liação de Bergalo et al. (2000), o Es- de políticas públicas visando à con-
pírito Santo ocupa a primeira posi- servação delas, de outras espécies
ção em relação ao número de espéci- (in-situ e/ou ex-situ) e de seus ecos-
es ameaçadas por quilômetro quadra- sistemas. Serve também para balizar
do, ou seja, hipoteticamente no Es- a destinação de recursos e a implan-
tado é necessário percorrer apenas 61 tação/ampliação de empreendimen-
Km2 para se encontrar uma espécie tos impactantes.

Tabela 9.1 – Comparação do total de espécies ameaçadas nos Estados brasileiros já avalia-
dos, com sua extensão territorial e área necessária para se encontrar uma espécie ameaçada.

Estado (Área em km2) Total de espécies Área necessária


para se encontrar uma
espécie ameaçada

Espírito Santo (46.077) 753 61 km2


Paraná1 (199.314) 593* 336 km2
Minas Gerais2 (586.528) 537** 1.092 km2
Minas Gerais2 (586.528) 987*** 594 Km2
São Paulo3 (248.209) 1.020 243 Km2
Rio Grande do Sul4 (281.748) 600 470 Km2
Pará5 (1.247.689) 53**** 23.541 Km2
Brasil6 (8.514.877) 1.560***** 5.458 Km2

1) Hatschbach & Ziller, 1995; 2) Mendonça & Lins, 2000; 3) Resolução SMA 48 de 21 de
setembro de 2004; 4) www.sema.rs.gov.br; 5) www.museu-goeldi.br.;
6) www.biodiversitas.org.br.

* A lista do Paraná considera somente os grupos das Gimnospermas e Angiospermas;


** Considerando somente a “lista 1” de espécies ameaçadas;
*** Considerando também a “lista 2” incluindo as espécies presumivelmente ameaçadas;
**** Lista ainda não oficializada. Resultado do Workshop realizado nos dias 28 e 29 de
junho de 2006 em Belém;
***** Lista Nacional ainda não oficializada. Resultado do Workshop realizado em 2005,
em Minas Gerais, pela Fundação Biodiversitas.

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IPEMA 2007
Cap.9 - Situação atual da flora ameaçada no Espírito Santo
Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga - Helio Queiroz Boudet Fernandes

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

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Witt, S. 1985. Biotechnology and


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80

IPEMA 2007
Capítulo 10

As briófitas ameaçadas de extinção


no Estado do Espírito Santo

Olga Yano
Instituto de Botânica, São Paulo (IBt – SP)

Denilson Fernandes Peralta


Instituto de Botânica, São Paulo (IBt – SP)

A
s briófitas (s.l.) comumente em formações bem úmidas, como a
conhecidas como musgos e Mata Atlântica, Mata Amazônica, Ma-
limos, incluem, além destes, tas de Galeria e pântanos; em regiões
as hepáticas e os antóceros. São vege- bastante áridas, como a caatinga do
tais criptogâmicos avasculares que Nordeste brasileiro, as savanas e os
apresentam uma geração gametofítica desertos africanos.
(n) e outra esporofítica (2n). A planta
adulta é o gametófito haplóide sobre A reprodução mais freqüente,
o qual se desenvolve o esporófito di- principalmente nas formações úmi-
plóide de vida efêmera. Sua coloração das, é a assexuada, através de gemas
pode variar do verde-musgo ao verde- ou propágulos ou diferentes partes do
esbranquiçado, tornando-se às vezes gametófito. A reprodução sexuada é
purpúrea como ocorre em algumas es- por oogamia. E as briófitas de regiões
pécies de Sphagnum Dum., Frullania bastante áridas (como caatinga) estão
Raddi, Hookeriopsis (Besch.) A. Jae- sempre com esporófito quando das
ger, Isotachis Mitt. e Rhacocarpus Lin- coletas desses materiais.
db. Podem crescer sobre diferentes
substratos, como cascas de árvore (cor- As briófitas são vegetais peque-
ticícolas), paredões rochosos e pedras nos, cujo comprimento varia de alguns
(rupícolas), solo (terrícolas), troncos e milímetros a aproximadamente 30 cm.
galhos de árvores vivas ou em decom- No Brasil foi encontrada uma espécie
posição e, às vezes, sobre outros ma- de Polytrichum Hedw. de 80 cm, es-
teriais como couro, plástico ou teci- candente, crescendo entre gramíneas
do. São encontradas ainda sobre a su- e outras plantas herbáceas.
perfície de folhas coriáceas e frondes
de vegetais vasculares (foliícolas), Segundo Hirai et al. (1998), as bri-
principalmente em plantas próximas ófitas podem ser confundidas com
ao leito dos rios, riachos e lagos ou pequenas pteridófitas como Azolla
ainda em áreas bem úmidas. São ve- Lam., Grammitis Sw., Hecistopteris J.
getais capazes de suportar grandes Sm., Huperzia Bernh., Hymeno-
variações climáticas, ocorrendo tanto phyllum Sm., Lellingeria A.R. Sm. &

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

R.C. Moran, Lycopodiella Holub., Lyco- plo Bryum sp., Campylopus sp. e ou-
podium L. e Selaginella P. Beauv. com tras; em jardinagem para transplante de
fanerógamas como Tillandsia L., Lem- mudas, e como substituto de gramas
na L, Spirodela Schleid., Wolffia para forrar o solo;
Horkel ex Schleid., Wolfiella (Hegelm.)
Hegelm., Tristichia Du Petit-Thouars, c) material para decoração especial-
Portulaca L.; e com fungos liqueniza- mente de vitrine de lojas;
dos como Alectoria Ach., Bryoria Bro-
do & D. Hawksw., Cladonia P. Browne, d) erva medicinal na China para trata-
e Usnea Dill. ex Adans. Podem tam- mento principalmente de doenças car-
bém, às vezes, serem confundidas com diovasculares. Ainda o Sphagnum foi
algumas algas marinhas ou outras plan- utilizado como vestimentas cirúrgicas
tas aquáticas. Por isso, há denomina- na Segunda Guerra Mundial e como
ção geral de “musgos” para diferentes substituto do algodão; como absorven-
plantas muito pequenas e rasteiras. te feminino; alimento de peixes, isca
em pescaria, formação de turfeiras e ne-
Hoje, as briófitas constituem três crose dos troncos de árvores frutíferas;
divisões distintas: Anthocerotophyta,
que reúne os antóceros; Bryophyta, que e) turfas são importantes como com-
reúne apenas os musgos verdadeiros e, bustível; na agricultura e horticultu-
Marchantiophyta, que concentra as ra; para tratamento de água; como pa-
hepáticas folhosas e talosas. pel e material de construção e outros
usos e importância ecológica das tur-
Os antóceros são briófitas de hábi- fas pantanosas;
to prostrado; as hepáticas podem ser
folhosas (gametófitos com os filídios f) controle de erosão do solo (Polytrichum
dispostos lateralmente) e talosas (game- sp., Campylopus sp., Bryum sp.) e como
tófitos sem diferenciação em caulídio, sementeiras para plantas superiores, prin-
filídio e rizóide); os musgos são todos cipalmente as Melastomataceae que ne-
folhosos de hábito ereto ou prostrado. cessitam de solo bem ácido para germi-
nação (Sphagnum sp. e Leucobryum sp.);
Além da importância ecológica das
briófitas, estas são utilizadas pelo ho- g) indicadoras de meio ambiente especi-
mem como: ficamente paleoecológicos, depósitos mi-
nerais, poluição da água e do ar (exem-
a) material de enchimento, fardo, etc., plo: briófitas aquáticas);
usado principalmente na construção
de casas; h) substâncias ativas biologicamente
(fragrância odorífera e paladar particu-
b) em horticultura para adição ao solo lar, como amargo, azedo, doce, etc); an-
permitindo a aeração e retenção de timicrobianas; reguladores de cresci-
umidade para germinação de semen- mento de plantas; impede o ataque de
tes e plantio de mudas (exemplo: predadores, incluindo peixes; antitumo-
Sphagnum sp. e Leucobryum sp.); ma- ral e citotóxicas.
terial para cultivo em vasos; para co-
brir o solo de vasos em bonsai, muito De um total de 24 mil espécies de
usado no Japão e no Brasil (por exem- briófitas registradas no mundo, 2.961

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IPEMA 2007
Cap.10 - As briófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Olga Yano - Denilson Fernandes Peralta

táxons foram documentados no Brasil diacea (Müll. Hal.) Broth. e ocorrênci-


(Tabela 10.1), sendo 22 de Anthocero- as novas para o Brasil dos musgos Aon-
tophyta, 979 de Marchantiophyta e gstroemia orientalis Mitt., Barbula in-
1.960 de Bryophyta, distribuídos em dica (Hook.) Spreng., Chenia lepto-
450 gêneros (6 de Anthocerotophyta, phylla (Sak.) Zander, Chrysoblastella
144 de Marchantiophyta e 300 de Bryo- chilensis (Mont.) Reimers, Grimmia
phyta) e 111 famílias (quatro de An- ovalis (Hedw.) Lindb., Racomitrium
thocerotophyta, 39 de Marchantio- crispipilum (Tayl.) A. Jaeger, R. cuculla-
phyta e 68 de Bryophyta). tifolium Hampe, Rigodium toxarion
(Schwägr.) Schimp., Sphagnum stric-
O primeiro trabalho sobre briófi- tum Sull., Zygodon viridissimus (Di-
tas - mais especificamente musgos - de- cks.) Brid.; hepáticas: Aphanolejeunea
senvolvido no Espírito Santo é o de ephemeroides R.M. Schust., Calypo-
Lützelburg (1923), que menciona ape- geia andicola Bischler, Cephalozia
nas Neckeropsis disticha (Hedw.) Kin- crossei Spruce, Lejeunea gomphocalyx
db. e Squamidium turgidulum (Müll. Spruce e Radula affinis Lindenb. &
Hal.) Broth. (= Squamidium macrocar- Gottsche, além de uma dezena de ocor-
pum (Spruce ex Mitt.) Broth.), ambas rências novas para o Estado.
citadas para o rio Mutum.
No Espírito Santo são encontradas
Mais tarde surgiram publicações atualmente 399 espécies de briófitas
com listas de espécies do Espírito San- (Tabela 10.2), sendo uma de Anthoce-
to, destacando-se Vital (1974), Schäfer- rotophyta (1 gênero e 1 família); 226
Verwimp (1991), Behar et al. (1992), de Bryophyta (121 gêneros e 49 famíli-
Visnadi & Vital (1995), Costa (1999), as); e 172 de Marchantiophyta (71 gê-
Yano & Mello (2000), Costa & Silva neros e 28 famílias).
(2003) e Yano (1992, 2005) que, por
referirem espécies de ocorrência nova Do total de espécies conhecidas,
ou conterem listas de espécies, ampli- até o momento, foram consideradas
aram o conhecimento da distribuição ameaçadas de extinção 36, sendo sete
geográfica das briófitas no Estado. delas Em Perigo e 29 Vulneráveis
(Tabela 10.3)
Nesses trabalhos foram referidas
ocorrências novas para a América do Foram consideradas Em Perigo as
Sul como Leucolejeunea conchifolia espécies que apresentam apenas uma
(A. Evans) A. Evans, Rhizogonium su- localidade de coleta no Estado do Es-
blimbatum H.A. Crum e Tortula amphi- pírito Santo, apesar de apresentarem

Tabela 10.1 - Número total de espécies Tabela 10. 2 - Número total de espécies
de briófitas no Brasil. de briófitas no Estado do Espírito Santo.
Divisão Espécies Divisão Espécies

Anthocerotophyta 22 Anthocerotophyta 1
Bryophyta 1.960 Bryophyta 226
Marchantiophyta 979 Marchantiophyta 172

Total 2.961 Total 399

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Tabela 10.3. Lista das espécies de Briófitas ameaçadas ou regionalmente extintas no estado
do Espírito Santo com as respectivas categorias de ameaça de acordo com as definições da
IUCN. Categorias de ameaça: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente em Perigo
(CR) e Regionalmente Extinta (REX).

Divisão Família Espécie Lista ES Lista Lista


Brasil IUCN
Anthocerotophyta Notothyladaceae Notothylas breutelii
(Gottsche) Gottsche VU
Bryophyta Adelotheciaceae Adelothecium bogotense
(Hampe) Mitt. VU
Bryophyta Andreaeaceae Andreaea
spurioalpina Müll. Hal. EN
Bryophyta Bryaceae Brachymenium
hornschuchianum Mart. VU
Bryophyta Ditrichaceae Chrysoblastella chilensis
(Mont.) Reimers EN
Bryophyta Fissidentaceae Fissidens elegans Brid. VU
Bryophyta Hypopterygiaceae Lopidium plumarium
(Mitt.) Hampe VU
Bryophyta Meteoriaceae Zelometeorium patens
(Hook.) Manuel VU
Bryophyta Polytrichaceae Itatiella ulei (Broth.
ex Müll. Hal.) G.L. Smith
(Figura 10.2) VU
Bryophyta Rhacocarpaceae Rhacocarpus inermis
Hedw. (Figura 10.1) EN
Bryophyta Sphagnaceae Sphagnum
pendulirameum H.A. Crum VU
Marchantiophyta Aneuraceae Aneura latissima Spruce VU
Marchantiophyta Arnelliaceae Gongylanthus
liebmannianus
(Lindenb. & Gottsche) Steph. VU
Marchantiophyta Calypogeiaceae Calypogeia andicola Bischler VU
Marchantiophyta Cephaloziaceae Cephalozia crassifolia
(Lindenb. & Gottsche)
Fulford EN
Marchantiophyta Cephaloziellaceae Cylindrocolea rhizantha
(Mont.) R.M. Schust. VU
Marchantiophyta Frullaniaceae Frullania beyrichiana
(Lehm. & Lindend.)
Kachroo & R.M. Schust.
(Figura 10. 3) VU

84

IPEMA 2007
Cap.10 - As briófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Olga Yano - Denilson Fernandes Peralta

Divisão Família Espécie Lista ES Lista Lista


Brasil IUCN
Marchantiophyta Jungermanniaceae Jungermannia amoena
Lindenb. & Gottsche VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Aphanolejeunea
ephemeroidesR.M.
Schust. VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Leptolejeunea obfuscata
(Spruce) Steph. VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Prionolejeunea validiuscula
Spruce ex Steph. VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Pycnolejeunea papillosa
X.- L. He VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Verdoornianthus griffinii
Gradst. VU
Marchantiophyta Lejeuneaceae Vitalianthus bischlerianus
(Pôrto & Grolle) R.M.
Schust. & Giacontti VU
Marchantiophyta Lepidoziaceae Arachniopsis monodactyla
(Spruce) R.M. Schust. VU
Marchantiophyta Metzgeriaceae Metzgeria brasiliensis
Schiffn. VU
Marchantiophyta Metzgeriaceae Metzgeria liebmanniana
Lindenb. & Gottsche VU
Marchantiophyta Metzgeriaceae Metzgeria psilocraspeda
Schiffn. VU
Marchantiophyta Metzgeriaceae Metzgeria subaneura
Schiffn. VU
Marchantiophyta Pallaviciniaceae Jensenia difformis
(Nees) Grolle EN
Marchantiophyta Pallaviciniaceae Pallavicinia lyellii
(Hook.) S.F. Gray VU
Marchantiophyta Pelliaceae Noteroclada confluens
Taylor ex Hook. & Wils.
(Figura 10.4) VU
Marchantiophyta Radulaceae Radula affinis
Lindenb. & Gottsche VU
Marchantiophyta Radulaceae Radula schaefer-verwimpii
Yamada VU
Marchantiophyta Trichocoleaceae Trichocolea
brevifissa Steph. EN
Marchantiophyta Trichocoleaceae Trichocolea
uleana Steph. EN

85

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

ampla distribuição ou outras que só to semelhantes às da região amazô-


ocorrem na Amazônia. nica, principalmente aquelas cole-
tadas na Reserva Natural da Vale do
As espécies vulneráveis apre- Rio Doce, no município de Linha-
sentam duas ou mais localidades de res, isto é, são encontradas espécies
coleta no Estado, apesar destas tam- que ocorrem na Amazônia como, por
bém apresentarem ampla distribui- exemplo, Aneura latissima Spruce,
ção no Brasil. Leptolejeunea obfuscata (Spruce)
Steph., Prionolejeunea validiuscu-
A inclusão dessas espécies nas la Spruce ex Steph., Pycnolejeunea
categorias de ameaçadas apresenta papillosa X.–L. He, Verdoornian-
grandes dificuldades em função das thus griffinii Gradst. e Arachniop-
poucas coletas nos diferentes ecos- sis monodactyla (Spruce) R.M.
sistemas e, conseqüentemente, no re- Schust. Outras espécies que ocor-
duzido número de trabalhos para rem em altitudes superiores a 2.000
este Estado. m como, por exemplo, Itatiella ulei
(Broth. ex Müll. Hal.) G.L. Smith,
Coletas intensas no Estado e aná- Andreaea spurioalpina Müll. Hal. e
lise criteriosa das espécies e sua dis- Gongylanthus liebmannianus (Lin-
tribuição geográfica provavelmente denb. & Gottsche) Steph., em Agu-
mudariam esse quadro. lhas Negras, no Itatiaia, Rio de Ja-
neiro, e aparecem no Pico da Ban-
A flora de briófitas do Espírito deira, Parque Nacional do Caparaó,
Santo apresenta características mui- Espírito Santo.

2a

2b

4 3
Figura 10. 1. Rhacocarpus inermis Hedw.; 2. Itatiella ulei (Broth. ex Müll. Hal.) G.L. Smith (a. planta
feminina, b. planta masculina); 3. Frullania beyrichiana (Lehm. & Lindenb.) Kachroo & R.M. Schust.;
4. Noteroclada confluens Taylor ex Hook. & Wils. Fotos: 1/3/4 - D. F. Peralta, 2 - O.Yano

86

IPEMA 2007
Cap.10 - As briófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Olga Yano - Denilson Fernandes Peralta

Ainda as espécies Cryptochila Lützelburg, P. 1923. Bryophyta. In:


grandiflora (Lindenb. & Gottsche) Estudos botânicos do Nordeste.
Grolle, Floribundaria floribunda Inspetoria Federal de Obras con-
(Dozy & Molk.) Fleisch., Lejeunea tra secas, p.p. 232-238.
gomphocalyx Spruce, Orthodontium
denticulatum Geh. & Hampe, Plagio- Schäfer-Verwimp, A. 1991. Contri-
chila macrifolia Taylor, P. mollusca bution to the knowledge of the
Lehm., Porotrichum lancifrons (Ham- bryophyte flora of Espírito Santo,
pe) Mitt., Rhizogonium sublimbatum Brazil. The Journal of the Hattori
Schimp. in Müll. Hal., Riccia horri- Botanical Laboratory, 69: 147-170.
da Jovet-Ast e Sematophyllum cylin-
drothecium (Broth.) W.R. Buck & Visnadi, S.R. & Vital, D. M. 1995.
Schäf.-Verw. poderiam fazer parte da Bryophytes from restinga in Seti-
lista de espécies ameaçadas do Espí- ba State Park, Espírito Santo, Bra-
rito Santo por apresentarem distribui- zil. Tropical Bryology, 10: 69-74.
ção muito restrita.
Vital, D.M. 1974. On the identity
A grande maioria das briófitas of Funicularia weddelli (Mont.)
vive como epífitas e tende a desa- Trevisan, Funicularia bischleriana
parecer com a destruição de seu Jovet-Ast and Cronisia paradoxa
habitat diante da impossibilidade (Wils. et Hook.) Berkeley. Revue
de sua reposição local. É muito im- Bryologique et Lichénologique, 40
portante preservar os diferentes mi- (3): 271-276.
croambientes para possibilitar a
manutenção da elevada biodiversi- Ya n o , O . 1 9 9 2 . L e u c o b r y a c e a e
dade de briófitas nas regiões tropi- (Bryopsida) do Brasil. Tese de Dou-
cais e subtropicais. torado. Universidade de São Pau-
lo, São Paulo.
Referências
Yano, O. 2005. Adição às Briófitas
Behar, L.; Yano, O. & Vallandro, G.C. da Reserva Natural da Vale do Rio
1992. Briófitas de restinga de Setiba, Doce, Linhares, Espírito Santo,
Guarapari, Espírito Santo, Brasil. Bo- Brasil. Boletim do Museu de Bio-
letim do Museu de Biologia Mello logia Mello Leitão (Nova Série),
Leitão (Nova Série), 1: 25-38. 18: 15-58.

Costa, D.P. 1999. Metzgeriaceae Yano, O. & Mello, Z.R. 2000 (2001).
(Metzgeriales, Hepatophyta) no Diversidade das briófitas do estado do
Brasil. Tese de Doutorado. Univer- Espírito Santo, Brasil. Anais do V Sim-
sidade de São Paulo, São Paulo. pósio de Ecossistemas Brasileiros (ACI-
ESP), 109 (4): 49-71.
Costa, D.P. & Silva, A.G. 2003. Bri-
ófitas de Reserva Natural da Vale
do Rio Doce, Linhares, Espírito
Santo, Brasil. Boletim do Museu de
Biologia Mello Leitão (Nova Série),
16: 21-38.

87

IPEMA 2007
Capítulo 11

As Pteridófitas ameaçadas de extinção


no Estado do Espírito Santo

Lana da Silva Sylvestre


Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

A
s Pteridófitas compreendem amplamente utilizadas na medici-
as plantas vasculares que na popular (Equisetum , Micro-
possuem alternância de ge- gramma).
rações bem marcadas, ambas de vida
livre, sendo o esporófito a fase do- A região Neotropical é a segun-
minante diplóide. Dispersam-se da mais diversa do grupo em nível
por esporos e não produzem semen- mundial, onde se concentram cer-
tes. Tradicionalmente são classifi- ca de 9.000 espécies de Pteridófi-
cadas em uma única divisão (Pteri- tas (Tryon & Tryon, 1982). Três
dophyta). Entretanto, vários auto- “Centros Primários de Diversidade
res têm demonstrado sua origem pa- e Endemismos” foram reconhecidos
rafilética, o que tem levado ao re- por Tryon (1972): o Andino, o Me-
conhecimento dois grupos distin- xicano e o Brasileiro. O Centro Bra-
tos: Licófitas e Monilófitas (Pryer sileiro localiza-se do Sul da Bahia
et al., 2004; Smith et al., 2006). As ao Rio Grande do Sul, sendo espe-
Licófitas são plantas que possuem cialmente rico nas regiões monta-
microfilos (ou licofilos), estando os nhosas, como as serras do Mar e da
esporângios localizados na base de Mantiqueira (Tryon & Tryon, 1982).
esporofilos. As Monilófitas com- O Espírito Santo está inserido nes-
preendem as demais Pteridófitas, te centro de diversidade, onde é es-
estando representadas pelas cava- timada a ocorrência de 600 espéci-
linhas, samambaias e Psilotum, es muitas delas endêmicas.
possuindo, na maioria, folhas ex-
pandidas denominadas megafilos Poucos foram os estudos que
(eufilos). abordaram as Pteridófitas do Espí-
rito Santo. Brade (1947) divulgou
Muitas Pteridófitas são ampla- o resultado de uma expedição à re-
mente conhecidas como plantas or- gião de Jatiboca, listando 112 espé-
namentais, especialmente os gêne- cies. Vários táxons novos foram
ros Adiantum, Selaginella e Po- descritos para a Ilha de Trindade, a
lypodium, sendo algumas utiliza- maioria oriunda das expedições re-
das como folhagens de corte (Ne- alizadas por J. Becker na década de
phrolepis e Rumohra). Outras são 60 (Brade 1937, 1969).

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Estudos mais recentes concentram- indicadas três espécies; no Rio Grande


se na região litorânea (Behar & Viégas, do Sul (www.fzb.rs.gov.br), 22; em São
1992, 1994). Atualmente existem proje- Paulo (Diário Oficial, 2004), 85 espéci-
tos sendo desenvolvidos no Município es. O Estado de Minas Gerais foi o pri-
de Santa Teresa, envolvendo a Reserva meiro a reeditar sua lista, aumentando
Biológica Augusto Ruschi e a Estação para 118 o número de Pteridófitas ame-
Ecológica de Santa Lúcia. Os resultados açadas de extinção no Estado
incrementarão o conhecimento da flora (www.biodiversitas.org).
de pteridófitas do Estado.
Para a elaboração da lista, seguiu-
Na lista de espécies ameaçadas do se a metodologia e critérios já explicita-
Brasil (Portaria IBAMA N0 6-N, de 15 dos no capítulo 8. A base original (aces-
de janeiro de 1992) consta apenas de sos) foi submetida à análise de especia-
uma espécie vulnerável: Dicksonia se- listas para correções e ajustes nomen-
llowiana Hook. (Dicksoniaceae), indi- claturais. Os especialistas que partici-
cada pela sua exploração indiscrimi- param desta etapa foram: Dr. Jefferson
nada para fabricação do xaxim. Esta Prado (Instituto de Botânica/SP), Dr.
espécie não teve registro confirmado Paulo G. Windisch (Unisinos), Dr. Ale-
para o estado do Espírito Santo até o xandre Salino (UFMG), Dr. Paulo Labi-
momento da divulgação da presente ak (UFPR), Dr. Vinicius Dittrich (Unesp),
listagem. Entretanto, recentemente fo- MSc. Claudine Mynssen (Jardim Botâ-
ram localizadas populações em aflo- nico do Rio de Janeiro) e MSc. Glória
ramentos rochosos no Município de Maria de Viégas Aguije (Cefetes).
Castelo, no Parque Estadual do Forno
Grande, a ca. de 1.700m de altitude. É À base original foram acrescidos
importante ressaltar que estas popu- dados bibliográficos, especialmente de
lações isoladas não refletem sua explo- revisões taxonômicas recentes. Esta base
ração e sim a ausência dos ambientes preliminar somou 22 famílias, 57 gêne-
típicos desta espécie no Espírito San- ros, 181 espécies e uma variedade. En-
to. Dicksonia sellowiana também está tretanto é importante ressaltar que esta
incluída na lista da CITES, onde ain- lista não reflete a diversidade das Pteri-
da consta o gênero Cyathea (Cyathea- dófitas no Estado e que estudos florísti-
ceae), representando os fetos arbores- cos devem ser incentivados para que
centes (samambaiaçus). Recentemen- esta riqueza seja, de fato, conhecida.
te, em workshop realizado em 2005
(www.biodiversitas.org), foram indi- As informações sobre a ocorrência
cadas 79 espécies de Pteridófitas ame- de táxons em Estados vizinhos (na Ser-
açadas de extinção no território brasi- ra do Caparaó, divisa com Minas Gerais,
leiro. Duas espécies foram considera- por exemplo) não foram consideradas
das extintas. quando não existia material-teste-
munho coletado no Espírito Santo.
Outros Estados já indicaram vári-
as espécies de Pteridófitas em suas lis- As espécies foram organizadas
tas de espécies ameaçadas. Em Minas utilizando-se a seqüência de famí-
Gerais (Mendonça & Lins, 2000) foram lias apresentadas na Flora Mesoa-

90

IPEMA 2007
Cap.11 - As Pteridófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Lana da Silva Sylvestre

mericana (Moran & Riba, 1995).


Essa escolha teve como objetivo a
uniformização das listagens de es-
pécies de Pteridófitas ameaçadas no
Brasil para que pudessem ser facil-
mente comparadas.

A lista de Espécies Ameaçadas


de Extinção do Espírito Santo (Ta-
bela 11.1) consta de 31 táxons, dis-
tribuídos em 10 famílias e 13 gêne-
ros (um Criticamente em Perigo,
seis Em Perigo e 24 Vulneráveis).
Destas, seis constam na lista brasi-
leira de espécies ameaçadas (segun-
do workshop Biodiversitas realiza-
do em 2005 pela Fundação Biodi-
versitas) e nenhuma está relaciona-
da na lista da IUCN. Figura 11.1 - Huperzia biformis (Hook.)
Holub (Lycopodiaceae). Espécie vulnerá-
Asplenium beckerii Brade (As- vel, epífita em região de ocorrência da
pleniaceae) foi considerada Regio- Floresta Ombrófila Densa. Foto: J. P. S.
Condack
nalmente Extinta. Trata-se de uma
espécie endêmica da Ilha de Trin- cie endêmica da Ilha de Trindade,
dade e, apesar do tamanho do espo- ocorrendo sobre rochedos em popu-
rófito (as frondes chegam a medir lações muito restritas (Em Perigo).
mais de 20 cm), não foram mais en-
contradas populações na ilha, mes- O gênero Huperzia (Lycopodia-
mo após esforços de coleta intensi- ceae) apresentou seis espécies Vul-
vos (Alves, 1998). Entretanto, novas neráveis, a maioria representada por
tentativas de localização das espé- epífitas típicas de Florestas Monta-
cies ameaçadas que ocorrem na Ilha nas. Muitas destas espécies são en-
de Trindade devem ser incentiva- dêmicas das regiões sudeste e sul do
das, visto que o solo deve conter um Brasil (Figura 11.1).
banco de esporos viáveis que pode-
rá prover, potencialmente, o resta- O gênero Asplenium (Asplenia-
belecimento de algumas espécies. ceae) apresentou cinco espécies
Vulneráveis. Destas, três são típicas
O gênero Elaphoglossum (Loma- de Florestas Montanas, endêmicas
riopsidaceae) apresentou o maior das regiões Sudeste e Sul do Brasil
número de espécies ameaçadas (A s p l e n i u m a u s t r o b r a s i l i e n s e
(sete) todas ocorrentes em Florestas (Christ) Maxon, A. campos-portoi
Montanas, estando representado em Brade e A. wacketii Rosesnt.); uma
sua maioria por epífitas. Destaca-se variedade é endêmica da Ilha de
Elaphoglossum beckeri Brade, espé- Trindade (Asplenium praemorsum

91

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

var. trindadense Brade) e uma espécie Realizando-se uma análise das


possui distribuição restrita às regiões de espécies com maior grau de ameaça
Florestas Litorâneas, ocorrendo em po- (Criticamente em Perigo e Em Perigo),
pulações descontínuas do sul da Bahia verificou-se que a maioria são plantas
ao Paraná (A. lacinulatum Schrad.). epífitas que ocorrem em áreas de Flo-
resta Ombrófila Densa (Montana). Este
Embora o gênero Polypodium (Po- resultado se repete quando são acres-
lypodiaceae) esteja representado por cidos os dados referentes às espécies
apenas três espécies, duas delas foram vulneráveis. No total, as espécies epí-
consideradas Em perigo, ambas ocor- fitas representam 53,1% das Pteridó-
rendo em Florestas Montanas. Desta- fitas ameaçadas de extinção do Espí-
ca-se Polypodium bradei de la Sota, rito Santo (Figura 11.2). Este resulta-
conhecida apenas da coleção typus do revela que estas espécies são alta-
(Castelo, Forno Grande). mente dependentes da manutenção
das formações arbóreas onde se esta-
O gênero Thelypteris (Thelypteri- belecem. Muitas são sensíveis à perda
daceae) está representado por duas es- da qualidade do habitat, uma vez que
pécies ameaçadas e os demais gêneros alterações microclimáticas poderão in-
por apenas uma espécie cada. Destas, viabilizar o estabelecimento e manu-
destaca-se Anemia espiritosantensis tenção destas espécies.
Brade (Schizaeaceae), espécie Critica-
mente em Perigo por ser conhecida Comparando-se os resultados
apenas de uma localidade (Município obtidos no workshop da flora
de Itaguassu, Jatiboca), estando repre- brasileira ameaçada de extinção
sentada apenas pela coleção typus. (www.biodiversitas.org), verifi-

Figura 11.2 - Hábito preferencial das Pteridófitas ameaçadas de extinção no Espírito Santo

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IPEMA 2007
Cap.11 - As Pteridófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Lana da Silva Sylvestre

cou-se que seis táxons ameaça- mais importantes, sendo repre-


dos no Espírito Santo também sentada por um grande número de
estão em nível nacional. São espécies que se desenvolve em
eles: Asplenium beckeri Brade, ambientes não florestais, como
A. praemorsum var. trindadense campos de altitude e campos ru-
Brade, Ceradenia capilaris pestres. A Figura 11.3 compara as
(Desv.) L. E. Bishop, Elaphoglos- famílias de Pteridófitas com es-
sum beckeri Brade, Pteris limae pécies ameaçadas no Espírito
Brade e Thelypteris noveana Santo em relação aos demais Es-
(Brade) Ponce. Vale ressaltar que tados e à lista nacional.
quatro destes táxons são endêmi-
cos da Ilha de Trindade. Embora as listas de espécies
ameaçadas sigam, em linhas ge-
Em relação às listas estaduais rais, as categorias propostas pela
nota-se que as famílias com alta IUCN, as metodologias têm vari-
diversidade em ambientes flores- ado, o que pode ocasionar com-
tais contribuem com maior núme- parações imprecisas. Além do as-
ro de espécies nos Estados de São pecto metodológico, a qualidade
Paulo e Espírito Santo (Lomari- da lista depende diretamente do
opsidaceae, especialmente Ela- grau de conhecimento da flora.
phoglossum). Em contrapartida, Neste sentido, a lista de espécies ame-
em Minas Gerais, a família Pteri- açadas de extinção do Espírito Santo
daceae aparece como uma das pode ser considerada bastante prelimi-

Figura 11.3 - Análise comparativa das famílias de Pteridófitas ameaçadas de extinção no


Espírito Santo em relação às demais listas já divulgadas (São Paulo, Minas Gerais, Rio Gran-
de do Sul e a lista nacional)

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

nar, visto que o conhecimento das ranos, devem ser priorizados pois
Pteridófitas no Estado ainda é inci- têm revelado a ocorrência de muitos
piente. A Figura 11.4 mostra os re- táxons raros e de distribuição geo-
sultados obtidos, por grau de amea- gráfica restrita. Esforços de coleta
ça, entre as diferentes listas de Pte- concentrados são necessários para
ridófitas ameaçadas de extinção. Os incrementar a representatividade de
Estados do Espírito Santo, São Pau- grupos subestimados, como Grammi-
lo e Rio Grande do Sul indicaram tidaceae e Hymenophyllaceae. Em
maior número de espécies Vulnerá- complementação ao esforço de cole-
veis, diferentemente da lista de Mi- ta, coleções de importantes herbári-
nas Gerais que apresentou um núme- os capixabas devem ter seu acervo
ro extremamente alto de espécies identificado, pois ainda existe mui-
Criticamente em Perigo e da flora to material indeterminado (Sylves-
brasileira ameaçada de extinção, que tre, 2003). Portanto, seria necessário
teve um número equivalente de es- implementar esforços no sentido do
pécies criticamente em perigo e em estabelecimento de uma política que
perigo, além de um número menor viabilize a visita de especialistas a
de vulneráveis. estas coleções. Finalmente, muitos
grupos não foram precisamente ana-
A flora do Espírito Santo neces- lisados pela falta de revisões taxo-
sita de estudos para que seja defini- nômicas recentes, não existindo da-
da, com maior precisão, a riqueza das dos suficientes para a correta iden-
Pteridófitas no Estado. Os ambien- tificação dos táxons e a análise de
tes florestais, especialmente os ser- sua distribuição geográfica.

Figura 11.4 - Comparação entre o número de espécies de Pteridófitas ameaçadas, por


categoria, nas diferentes listas estaduais e na lista da flora brasileira ameaçada de extinção.

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IPEMA 2007
Cap.11 - As Pteridófitas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Lana da Silva Sylvestre

Tabela 11.1 - Lista das espécies de Pteridófitas ameaçadas ou regionalmente extintas no


Estado do Espírito Santo com as respectivas categorias de ameaça de acordo com as defi-
nições da IUCN. Categorias de ameaça: Vulnerável (VU), Em Perigo (EN), Criticamente
em Perigo (CR) e Regionalmente Extinta (REX).

Família Espécie Lista ES Lista


Brasil

Aspleniaceae Asplenium austrobrasiliense (Christ) Maxon VU


Aspleniaceae Asplenium beckeri Brade REX EX
Aspleniaceae Asplenium campos-portoi Brade VU
Aspleniaceae Asplenium lacinulatum Schrad. VU
Aspleniaceae Asplenium praemorsum var. trindadense Brade VU CR
Aspleniaceae Asplenium wacketii VU
Cyatheaceae Cnemidaria uleana (Samp.) R. M. Tryon var. uleana VU
Cyatheaceae Cyathea poeppigii (Hook.) Domin VU
Dennstaedtiaceae Blotiella lindeniana (Hook.) R. M. Tryon VU
Grammitidaceae Ceradenia capilaris (Desv.) L. E. Bishop EN EN
Grammitidaceae Lellingeria pumila Labiak EN
Lomariopsidaceae Elaphoglossum acrocarpum (Mart.) T. Moore VU
Lomariopsidaceae Elaphoglossum beaurepairei (Fée) Brade VU
Lomariopsidaceae Elaphoglossum beckeri Brade EN CR
Lomariopsidaceae Elaphoglossum nigrescens (Hook.) T. Moore ex Diels VU
Lomariopsidaceae Elaphoglossum organense Brade VU
Lomariopsidaceae Elaphoglossum pteropus C. Chr. VU
Lomariopsidaceae Elaphoglossum villosum (Sw.) J. Sm. VU
Lycopodiaceae Huperzia biformis (Hook.) Holub VU
Lycopodiaceae Huperzia flexibilis (Fée) B. Ollg. VU
Lycopodiaceae Huperzia fontinaloides (Spring) Trevis. VU
Lycopodiaceae Huperzia martii (Wawra) Holub VU
Lycopodiaceae Huperzia mollicoma (Spring) Holub VU
Lycopodiaceae Huperzia quadrifariata (Bory) Rothm. VU
Polypodiaceae Polypodium bradei de la Sota EN
Polypodiaceae Polypodium monoides Weath. EN
Polypodiaceae Polypodium trindadense Brade VU
Pteridaceae Adiantum papillosum Handro VU
Pteridaceae Pteris limae Brade VU EN
Schizaeaceae Anemia espiritosantensis Brade CR
Thelypteridaceae Thelypteris montana Salino EN
Thelypteridaceae Thelypteris noveana (Brade) Ponce VU CR

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Referências Mendonça, M. P. & Lins, L. V. 2000. Lis-


ta vermelha das espécies ameaçadas de
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96

IPEMA 2007
Capítulo 12

As Gimnospermas ameaçadas de extinção


no Estado do Espírito Santo
Ingrid Koch
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - Sorocaba

Leonardo Dias Meireles


Pós-Graduação em Biologia Vegetal/Unicamp

Claudio Nicoletti de Fraga


Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

Marcos Sobral
Universidade Federal de Minas Gerais

O
termo gimnosperma, literal- seus componentes e os táxons mais
mente “semente nua”, é utili- proximamente relacionados às angios-
zado para designar o conjun- permas permanecem incertas (Soltis et
to de plantas vasculares cujos óvulos al., 2005).
e sementes apresentam-se expostos
sobre esporófilos ou estruturas equi- Os representantes das gimnosper-
valentes (Foster & Gifford, 1958). mas são usualmente tratados como
pertencentes a quatro ordens, Cycada-
Estudos filogenéticos realizados les, Ginkgoales; Pinales e Gnetales
nas últimas décadas baseados princi- (Foster & Gifford, 1958; Soltis et al.,
palmente em caracteres morfológicos, 2005; Stevens, 2006). A ordem mais
sugeriram que as gimnospermas for- representativa pelo número de espé-
mariam um grupo não natural (parafi- cies e importância econômica é Pina-
lético). Entretanto, estes resultados les, com 7 famílias, 69 gêneros e 537
não se mostraram robustos e análises espécies. Ginkgo biloba é o único re-
filogenéticas recentes baseadas na presentante vivo de Ginkgoales, Cyca-
combinação de várias seqüências de dales é constituída por duas famílias,
genes, apontam as gimnospermas 10 gêneros e 305 espécies; Gnetales é
como um grupo monofilético e irmão constituída por três famílias, três gê-
de angiospermas (Soltis et al., 2005; neros e 96 espécies (Stevens, 2006).
Stevens, 2006). Como as gimnosper-
mas são compostas por linhagens bas- No Brasil ocorrem representantes
tante antigas de plantas com semen- de três das quatro ordens de gimnos-
tes, muitas delas já extintas, e as aná- permas: Pinales, com Podocarpaceae
lises filogenéticas baseadas em dados (Podocarpus – 2 a 8 espécies; Retro-
moleculares utilizam os táxons atual- phyllum - 1 espécie) e Araucariaceae
mente existentes, as questões sobre a (Araucaria – 1 espécie); Cycadales,
monofilia do grupo, as relações entre com Zamiaceae (Zamia – 4 espécies);

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Gnetales, com Gnetaceae (Gnetum – 3 população observada já havia desapa-


a 7 espécies) e Ephedraceae (Ephedra recido em função da derrubada por
– 1 espécie) (Joly 1987, Giulietti et al. lenhadores e carvoeiros. Hueck (1953),
2005, Shepherd 2005). em um artigo sobre a distribuição na-
tural de Araucaria angustifolia, rela-
Araucaria angustifolia (Bertol.) tou que não obteve informações sobre
Kuntze ocorre nas regiões Sul e Su- a ocorrência natural da espécie para o
deste (Garcia, 2002a). Dentre as Podo- Estado e que os indivíduos observa-
carpaceae, Podocarpus ocorre em todo dos deveriam ser oriundos de planta-
o território brasileiro, sendo Podocar- ções artificiais. Entretanto, nunca hou-
pus sellowii Klotzsch ex Endl. a espé- ve plantios de Araucaria na região Sul
cie mais amplamente distribuída, re- do Espírito Santo.
gistrada desde o sul até as regiões Nor-
te e Nordeste (Garcia, 2002b) e Retro- Hueck (1953) relata que as flores-
phyllum piresii (Silba) C. N. Page é res- tas contínuas de Araucaria angustifo-
trito ao interior da Amazônia (Silba, lia ocorrem nas serras brasileiras, en-
1983; Page, 1988). As espécies de Za- tre 1.000 e 1.400 m, em latitudes de
mia e Gnetum ocorrem na região ama- 24 a 30o S, e em pequenas manchas
zônica (Shepherd, 2005; Silva & Sil- isoladas entre 1.400 a 1.800 m, em la-
va, 2006) e Ephedra tweediana Fisch. titudes de 18 a 24o S. Cita a ocorrência
& C.A. Mey. no Rio Grande do Sul de populações de Araucaria em vári-
(Shepherd, 2005; Secretaria da Coor- os pontos da Serra da Mantiqueira fre-
denação e Planejamento do RS, 2002). qüentemente associadas à ocorrência
de Podocarpus lambertii Klotzsch ex
Dentre essas espécies, Araucaria Endl., com limite setentrional no mu-
angustifolia é a que sofreu maior nicípio de Conselheiro Pena, em Mi-
pressão antrópica pela exploração de nas Gerais, em latitude próxima a 18o
sua madeira e derrubada de flores- S. Esses dados mostram que a região
tas na região Sul. Atualmente cons- do Caparaó (ES) se encontra inserida
ta na lista de espécies ameaçadas do em uma área propícia para a ocorrên-
Brasil (Mello Filho, 1992) como es- cia da espécie, bem como para a ocor-
pécie vulnerável (VU) e na lista da rência de Podocarpus lambertii e mo-
IUCN (2006) como criticamente em delos matemáticos elaborados a partir
perigo (CR) pelo desmatamento ace- de registros de ocorrência das espéci-
lerado e pela falta de áreas disponí- es e dados de clima apontam a região
veis para o reflorestamento. como área de alta probabilidade para
a ocorrência de ambas as espécies (Fi-
No Estado do Espírito Santo exis- guras 12.1 e 12.2).
te um relato de Ruschi (1950) sobre a
observação, em 1939, de um fragmen- Considerando-se a carência de
to florestal na Serra do Caparaó, com evidências atuais da ocorrência nati-
cerca de 300 indivíduos adultos de va de Araucaria angustifolia no Espí-
Araucaria angustifolia. O autor acre- rito Santo, o relato de Ruschi (1950) e
ditava que a população observada in- a impossibilidade de se localizar no-
dicava a existência, em um momento vamente a população descrita por ele,
anterior, de uma área mais extensa de além da confirmação do desmatamen-
floresta, mas relatava que mesmo a to local desta espécie pelo autor na

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IPEMA 2007
Cap.12 - As Gimnospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ingrid Koch - Leonardo Dias Meireles - Claudio Nicoletti de Fraga - Marcos Sobral

Serra do Caparaó, levou a espécie a ser para o Morro do Sal, na região de Ca-
apresentada como Regionalmente Extin- choeiro do Itapemirim, Sudeste do Es-
ta (REX) (Tabela 12.1). pírito Santo, e ressalta que a espécie
ocorre comumente em solos com aflo-
Podocarpus lambertii (Figura 12.6 ramentos de Quartzito e Arenito, com
e 12.7) ocorre no Sul e Sudeste brasilei- umidade constante e temperaturas ame-
ros e na Bahia (Garcia 2002b) e foi citada nas, características similares àquelas
por Ruschi (1950) como espécie associa- descritas para Araucaria angustifolia.
da à Araucaria, na região do Caparaó. Modelos de distribuição potencial da
Garcia (2002b) cita o Espírito Santo quan- espécie baseados em registros de ocor-
do descreve a distribuição desta espécie, rência e dados de clima, mostram áreas
mas não relaciona os locais de ocorrên- de alta probabilidade em outras locali-
cia. Duarte (1973) descreve a distribui- dades do Estado, inclusive no Caparaó
ção da espécie na serra da Mantiqueira, (Figura 12.3), mas estes dados não fo-
nos Estados de SP, MG e RJ, mas não cita ram ainda confirmados. A ocorrência
o Espírito Santo. No levantamento dos restrita da espécie no Estado permitiu a
dados de herbário para a confecção da inclusão de Podocarpus sellowii na ca-
lista de espécies ameaçadas (Fraga et al., tegoria Vulnerável (VU) (Tabela 1).
capítulo 10), a espécie não foi incluída
entre as ocorrentes no Estado do Espíri- Os dados levantados demonstram
to Santo em função de não haver nenhum que pouco se conhece sobre a distribui-
espécime que suportasse a sua inclusão. ção e o estado de conservação dos repre-
Apesar de fortes indícios da possibilida- sentantes de gimnospermas para o Espí-
de de ocorrência da espécie na região do rito Santo. Os modelos de distribuição
Caparaó, os dados ainda são deficientes potencial confirmam que as regiões de
e poderão ser futuramente investigados, altitude localizadas ao Sul do Estado de
o que justifica a não inclusão da espécie Espírito Santo representam áreas propí-
nem como candidata na lista de espéci- cias para a ocorrência das espécies de
es ameaçadas do Espírito Santo. gimnosperma de Floresta Atlântica. Os
registros encontrados em literatura alia-
Podocarpus sellowii (Figura 12.4 e dos às informações ecológicas das espé-
12.5) ocorre em populações ocasionais cies e a estes modelos sugerem que a au-
no interior de florestas montanas, em al- sência atual destas espécies deve-se
titudes em torno de 1.000 metros, no mu- provavelmente à grande pressão antró-
nicípio de Santa Teresa. Duarte (1973) pica relatada.
cita um registro de ocorrência também

Tabela 12.1. Lista das espécies das gimnospermas ameaçadas ou regionalmente extintas
no Estado do Espírito Santo, com as respectivas categorias de ameaça, de acordo com as
definições da IUCN. Categorias de ameaça: Vulnerável (VU), Criticamente em Perigo (CR) e
Regionalmente Extinta (REX).

Família Espécie Lista ES Lista Brasil* Lista IUCN**

Araucariaceae Araucaria angustifolia


(Bertol.) Kuntze REX VU CR
Podocarpaceae Podocarpus sellowii
Klotzsch ex Endl. VU - -

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Figura 12.1 - Área de ocorrência potencial de Araucaria angustifolia prevista pelo algorit-
mo “Bioclim” a partir de dados de ocorrência da espécie e dados de clima (média anual de
temperaturas máxima no mês mais quente e mínima no mês mais frio, precipitação anual,
mais seco e mais úmido). Círculo vermelho indica a região do Caparaó

Figura 12.2 - Área de ocorrência potencial de Podocarpus lambertii prevista pelo algoritmo
“Bioclim” a partir de dados de ocorrência da espécie e dados de clima (média anual de
temperaturas máxima no mês mais quente e mínima no mês mais frio, precipitação anual,
mais seco e mais úmido). Círculo indica a região do Caparaó

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Cap.12 - As Gimnospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ingrid Koch - Leonardo Dias Meireles - Claudio Nicoletti de Fraga - Marcos Sobral

Figura 12.3 - Área de ocorrência potencial de Podocarpus sellowii prevista pelo algoritmo
“Bioclim” a partir de dados de ocorrência da espécie e dados de clima (média anual de
temperaturas máxima no mês mais quente e mínima no mês mais frio, precipitação anual,
mais seco e mais úmido). Círculo vermelho indica a região do Caparaó

Figura 12.4. - Podocarpus selowii ocor- Figura 12.5- Podocarpus selowii ocorren-
rente no Espírito Santo (planta masculi- te no Espírito Santo (planta feminina).
na) Foto: Claudio Fraga Foto: Claudio Fraga

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Figura 12.6 - Podocarpus lambertii, espé- Figura 12.7 - Podocarpus lambertii, espé-
cie com distribuição potencial para o Es- cie com distribuição potencial para o Es-
pírito Santo (planta masculina). Foto: pírito Santo (planta feminina). Foto: Clau-
Claudio Fraga dio Fraga

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Cap.12 - As Gimnospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
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103

IPEMA 2007
Capítulo 13

As Angiospermas ameaçadas de extinção


no Estado do Espírito Santo

Ludovic Jean Charles Kollmann


Museu de Biologia Professor Mello Leitão (MBML)

André Paviotti Fontana


Projeto de Conservação das Orquídeas em Risco de Extinção (LProjeto CORES)

Marcelo Simonelli
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA)

Claudio Nicoletti de Fraga


Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

A
s Angiospermas surgiram pro- tão adaptadas para viver sobre troncos e
vavelmente no período ramos de outras plantas, como as epífitas
Cretáceo e divergiram das plan- (Barroso et al., 1978).
tas sem flores e com sementes há aproxi-
madamente 120.000.000 de anos (APG, A característica principal das An-
1998). Elas se expandiram junto com os giospermas é possuir óvulos protegidos
insetos até dominarem a maioria dos am- dentro de um ovário, formando frutos,
bientes no mundo, tomando formas e há- característica que empresta o nome ao
bitos mais diversos (Raven et al., 2001). grupo, angio, derivado do grego an-
geion (recipiente) e sperma (semente).
As Angiospermas comumente cha- As Angiospermas também se caracte-
madas de plantas com flores, constituem rizam por possuírem flores que são
o maior e mais diversificado grupo do rei- mais complexas do que as estruturas
no vegetal atual, estando a maior parte da reprodutivas das Gimnospermas, das
cobertura vegetal da terra representada por quais provavelmente evoluíram.
esse grupo de plantas, que se caracteriza
por grande plasticidade e alto poder de Morfologicamente as flores de Angi-
adaptação às mais diversas condições ospermas são constituídas de quatro séri-
ambientais. Tanto podem ser plantas ver- es de elementos dispostos em espiral ao
des, fotossintetizantes como aclorofiladas, longo de um eixo floral: 1) uma série ex-
vivendo como saprófitas ou parasitas. terna de brácteas ou folhas modificadas
Muitas são aquáticas e vivem nas águas chamadas de sépalas, geralmente verdes
doces dos rios e lagos, enquanto poucas e que possuem uma função de proteção,
se adaptam à vida marinha. Variam des- formando o cálice; 2) uma série interna
de pequenas ervas a árvores de grande de brácteas ou folhas modificadas chama-
porte ou lianas que oferecem uma grande das de pétalas, geralmente coloridas para
variedade de meios para se prenderem a atração, formando a corola; 3) uma ou mais
seus suportes. Muitas angiospermas es- séries de órgãos masculinos, os estames

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

que produzem os grãos de pólen e cujo formam um grupo parafilético consti-


conjunto é denominado androceu; e 4) tuído por três ordens e quatro famíli-
uma série de estruturas femininas, os car- as. O clado Magnoliídeas é formado
pelos que contém os óvulos e que juntos por quatro ordens e 12 famílias, o cla-
formam o gineceu (Heywood, 1993). do Monocotiledôneas é composto por
nove ordens e 42 famílias e, Eudicoti-
A divisão Angiospermae ou Magno- ledôneas, com 29 ordens e 157 famíli-
liophyta é dividida em duas classes: as as (Lorenzi & Souza, 2005).
monocotiledôneas (Liliopsidae) e eudico-
tiledôneas (Magnoliopsidae), esta última As angiospermas tiveram um papel
chamada antigamente de dicotiledôneas. fundamental para o ser humano e sua
A separação das duas classes ocorreu apro- evolução. A domesticação das plantas,
ximadamente há 200.000.000 de anos principalmente das angiospermas permi-
(Wolfe et al., 1989). No mundo as mono- tiu melhoramento nas condições de vida
cotiledôneas são representadas por apro- do homem, provocando uma expansão
ximadamente 65.000 espécies e as eudi- populacional e geográfica.
cotiledôneas, por 165.000 espécies (Ra-
ven et al., 2001). No Brasil, estima-se a A domesticação das plantas há cerca
ocorrência de 8.000 espécies de monoco- de 10.000 anos, possibilitou a fixação dos
tiledôneas e 19.500 de eudicotiledôneas homens que se transformaram de caçado-
(Giulietti et al., 2005). res-nômades a agricultores (Tombalato,
2004). As plantas, com flores, foram e são
As monocotiledôneas são geralmen- a principal fonte alimentícia vegetal usa-
te ervas, exceto as palmeiras, os bambus e da pelo homem. Há aproximadamente
algumas Velloziaceae que podem alcan- 10.000 anos, o trigo, no Oriente Médio,
çar vários metros de altura. Possuem nor- (Tanno & Willcox, 2006), e o arroz, na
malmente um cotilédone, raízes fascicu- China (Garris et al., 2005), estavam sendo
ladas, folhas longas e estreitas com ner- domesticados. Há cerca de 7.500 anos, o
vuras paralelas, flores trímeras, pólen ge- milho era cultivado no novo mundo (Pi-
ralmente monosulcado. As eudicotiledô- perno & Flannery, 2001).
neas são herbáceas ou lenhosas e, normal-
mente, possuem dois cotilédones, raízes O uso das plantas não é restrito so-
axiais, folhas de venação reticulada, flo- mente à nutrição, mas também teve e tem
res tetrâmeras ou pentâmeras, pólen tri- outros importantes papéis na vida huma-
sulcado ou triporícido. na. São inúmeras as utilizações das angi-
ospermas pelo homem como nas edifica-
Estudos filogenéticos recentes ções, meios de condução, vestuários, ar-
mudaram os conceitos mais antigos es- mas, tinturas, óleos, fibras, especiarias,
tabelecidos na sistemática das angios- cosméticos, venenos, alimentos para cri-
permas. O APG II (2003) baseado em ações, floricultura, artesanato, dentre vá-
estudos moleculares, estabelece modi- rias outras. O homem vem utilizando as
ficações de posicionamento de vários plantas para uso medicinal há milhares
táxons na Botânica Sistemática atual. de anos, sendo os primeiros relatos escri-
Das 457 famílias de angiospermas lis- tos encontrados há 3.000 anos em table-
tadas no APG II, 215 são nativas do tes sumerianas na Mesopotâmia (Magnin-
Brasil, como as angiospermas basais e Gonze, 2004). Na religião o uso de plan-
três clados. As angiospermas basais tas é muito antigo e as alucinógenas

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IPEMA 2007
Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ludovic Jean Charles Kollmann - André Paviotti Fontana - Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga

eram usadas e ainda o são em cultos 4.113 espécies vegetais de todos os


xamanísticos no mundo todo e hoje, grupos, pertencentes a 204 famílias,
o uso de incenso é ainda muito co- sendo dessas ca. 3.900 são angiosper-
mum nos cultos religiosos (Schultes mas. No entanto, este número de es-
& Hoffmann, 1981). pécies tende a aumentar devido, por
um lado, a existência de grande quan-
O número de plantas estimadas no tidade de material herborizado não
mundo é de 264.000 a 279.000 espé- identificado em nível especifico e por
cies, ou seja, aquelas formalmente des- outro, pela falta de profissionais liga-
critas e documentadas em coleções dos à botânica no Estado (Fraga et al.,
biológicas (Peixoto & Morim, 2003). nesse livro).
Segundo David Bramwell (2002), a
partir da utilização de dados sobre Recentes pesquisas desenvolvi-
espécies endêmicas, o número seria de das no Espírito Santo demonstraram
422.000 espécies, sendo 98.800 so- uma biodiversidade muito grande,
mente na América do Sul. Esses esco- colocando o Estado entre as maiores
res são muito discutidos em função de biodiversidades do mundo (Tho-
não existirem pesquisas específicas maz,1997). Essa megadiversidade,
para quantificar o número de espéci- por sua vez, é o resultado da intera-
es de plantas no planeta, além de di- ção de vários fatores geográficos, cli-
versos grupos botânicos carecerem de máticos, altimétricos e geomorfoló-
revisões taxonômicas para dirimirem gicos. A diversidade do Espírito San-
problemas entre a identidade de es- to e a própria falta de conhecimento
pécies afins.O Brasil é considerado um da sua flora que por sua vez está li-
dos países de maior diversidade bio- gada à escassez de instituições de
lógica, destacando-se no ranking mun- pesquisa, impulsionando apenas re-
dial de países megadiversos. Abriga centemente a descoberta e a publi-
cerca de 14% da diversidade de plan- cação de novas espécies vegetais
tas do mundo (Shepherd, 2002). Para (Fernandes, 1989; Chautems, 1991;
o território brasileiro, estima-se em Werff, 1991; Fernandes, 1996; Tos-
55.000 a 60.000 espécies de plantas cano & Kollmann, 1997; Baumgratz,
(MMA, 1998), sendo estimadas 50.000 1998; Pereira & Pereira, 1998; Fraga,
a 56.000 espécies de angiospermas 1999; Goldenberg, 1999; Acevedo-
(Barbosa & Peixoto, 2003). Dados mais Rodriguez & Somner, 2001; Baitello,
específicos quanto à quantidade de 2001; Guimarães & Goldenberg,
espécies em cada Estado são muito 2001; Leme & Silva, 2001; Ronse,
escassos. Na Bahia são estimadas cer- 2001; Vianna & Fontella, 2002; Amo-
ca de 10.000 espécies de angiospermas rim, 2003; Fraga & Kollmann, 2003;
(Harley & Maio, 1980). Segundo Lom- Frey, 2003; Kollmann, 2003; Leme,
bardi (2000), o número de angiosper- 2003; Mass & Westra, 2003; Chiron
mas para o Estado de Minas Gerais & Castro, 2004; Fraga, 2004; Fraga &
pode chegar a 10.000 espécies. Atra- Smidt, 2004; Lombardi, 2004; Chau-
vés da base original (acessos) utiliza- tems et al., 2005; Fiaschi & Pirani,
da na elaboração da Lista da Flora 2005; Frey, 2005a; Frey, 2005b; Frey,
Ameaçada de Extinção no Estado do 2005c; Profice, 2005; Coelho, 2006;
Espírito Santo (Fraga et al., nesse li- Fiaschi, 2006; Fraga & Saavedra,
vro), foram quantificadas cerca de 2006; Frey, 2006; Kollmann, 2006;

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Kollmann & Fontana, 2006; Koll- Regionalmente Extinta (REX) (Ta-


mann & Sobral, 2006; Leme & Koll- bela 13.1).
mann, 2006; Sales et al., 2006; So-
bral, 2006; Sobral & Couto, 2006; So- Dentre as 685 espécies ameaçadas
bral & Proença, 2006). Para a Lista de extinção, 375 espécies são mono-
de Espécies Ameaçadas do Espírito cotiledôneas enquanto 310 são eudi-
Santo, o grupo das angiospermas foi cotiledôneas. Tanto nas monocotiledô-
o que apresentou maior número de neas quanto nas eudicotiledôneas o
espécies ameaçadas e Regionalmen- maior número de espécies ameaçadas
te Extintas no Estado do Espírito se enquadra na categoria Vunerável
Santo (Simonelli et al., capítulo 9). (VU). Porém, pode ser observado que,
para as monocotiledôneas, o segundo
Das ca. 3.900 espécies de an- maior status de ameaça foi o Critica-
giospermas listadas para o Espíri- mente em Perigo (CR) e não o Em Pe-
to Santo foram consideradas ame- rigo (EN), como para as eudicotiledô-
açadas de extinção 685 espécies neas (Figura 13.1). O elevado número
(ca. 17,6%), estando 170 enquadra- de monocotiledôneas ameaçadas no
das na categoria Criticamente em status Criticamente em Perigo (CR) se
Perigo (CR), 209 Em Perigo (EN) e deve em virtude da presença de Or-
306 Vulnerável (VU), além de 21 chidaceae e Bromeliaceae nesse gru-
espécies (0,6%) incluídas como po, duas famílias botânicas com gran-

Figura 13.1. Número de espécies ameaçadas e Regionalmente Extintas de Angiospermas


da flora do Espírito Santo nas diferentes categorias separadas por grupo. REX = Regional-
mente Extinta, CR = Criticamente em Perigo, EN = Em Perigo, VU = Vulnerável

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Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
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de diversidade específica e com gran- A maioria das espécies incluí-


de número de espécies ornamentais das como REX está nesta categoria
que, lamentavelmente, encontram-se em virtude de ser somente conheci-
mais suscetíveis ao extrativismo co- da pelo material tipo, não coletadas
mercial (Figura 13.2). nos últimos esforços de coleta que
ocorreu no Estado, além de se tratar
Das 21 espécies de angiosper- normalmente de espécies endêmi-
mas consideradas Regionalmente cas. No entanto, muitas destas es-
Extintas (REX), 15 são eudicotiledô- pécies possuem informações antigas
nes e seis monocotiledôneas (Figu- em áreas onde, recentemente, pou-
ra 13.1), As monocotiledôneas estão cos esforços de coleta foram reali-
representadas pelas famílias Orchi- zados, havendo, por isso, enorme
daceae (cinco espécies) e Burman- necessidade de se destinar esforços
niaceae (uma espécie), enquanto as e recursos necessários para averi-
eudicotiledôneas estão representa- guar se realmente estas espécies não
das pelas famílias Begoniaceae e Eu- são mais encontradas em seu ambi-
phorbiaceae, com quatro espécies ente natural no Espírito Santo.
cada; Violaceae, com duas espécies;
enquanto Aristolochiaceae, Brume- Na Figura 13.2 estão representa-
niaceae, Clusiaceae, Ebenaceae e das as 20 famílias que apresentaram
Verbenaceae estão representadas por o maior número de espécies ameaça-
uma espécie. das, estando as demais 47 famílias re-

Figura 13.2 - Famílias de angiospermas que apresentaram os maiores números de espécies


ameaçadas no Espírito Santo

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

presentadas por menos de sete espé- cura por substitutas, ameaçando as


cies. Observa-se que as famílias Or- espécies do Estado, como Alcanta-
chidaceae e Bromeliaceae apresenta- rea roberto-kautsky (VU) e A. vi-
ram o maior número de espécies ame- nicolor (VU).
açadas (210 e 102 espécies, respecti-
vamente), representando 46% de to- A extração de madeira, princi-
das as angiospermas ameaçadas no palmente as denominadas “nobres”,
Estado, enquanto a soma de todas as provocou uma diminuição drástica
espécies das demais 65 famílias ame- de certas espécies, levando a quase
açadas totaliza 373 táxons (54%). extinção do pau-brasil (Caesalpinia
Como já citado anteriormente, essas echinata, Figura 13.4), da peroba
duas famílias apresentam grande ri- (Paratecoma peroba) e da braúna
queza de espécies ocorrentes no Es- (Melanoxylon brauna), estando as
tado e muitas delas possuem alto po- três representadas como Criticamen-
tencial ornamental, sofrendo, em fun- te em Perigo (CR) na lista. Mas, sem
ção disso, grandes pressões extrativis- dúvida, o principal fator responsá-
tas para fins comerciais. vel pela extensiva lista de espécies
de angiospermas ameaçadas no Es-
Na família Orchidaceae, o gêne- pírito Santo foi a fragmentação dos
ro Cattleya com as espécies Cattleya ecossistemas.
labiata, C. schilleriana, C. schofieldi-
ana e C. velutina, e o gênero Hadro- Dentre as 685 espécies de angi-
laelia com as espécies, Hadrolaelia ospermas em risco de extinção no Es-
grandis, H. praestans, H. pumila, H. pírito Santo, 16,5% (ou 113 espéci-
perrinii, H. tenebrosa (Figura 13.3) es) constam na Lista da Flora Brasi-
listadas como Criticamente em Peri- leira revisada em 2006(www.
go são exemplos de plantas com alto biodiversitas.org.br) e 2,34% (16) en-
valor ornamental e comercial, sendo contram-se na IUCN (2006) (Tabela
coletadas há décadas no Estado por 13.1), além das cinco listas estaduais,
mateiros e colecionadores. sendo que a lista nacional e a do Es-
tado de Minas Gerais foram recente-
Outro exemplo de coleta extra- mente revisadas, mas não oficializa-
tivista ocorre na família Bromelia- das (Simonelli et al., capítulo 9). Ao
ceae, com espécies do gênero Vrie- se comparar o número de espécies de
sea que há cerca de 50 anos vêm so- angiospermas ameaçadas em cada Es-
frendo com o extrativismo indiscri- tado com o Espírito Santo, observa-
minado. As espécies V. fosteriana se que a situação das espécies da flo-
(EN) e V. hieroglyphica (CR) (Fi- ra em cada Estado não é muito dife-
gura 13.6) foram coletadas no Esta- rente, ficando o Espírito Santo atrás
do em larga escala, levando ao de- apenas da lista revisada do Estado de
saparecimento quase total da se- Minas Gerais. Estas listas possuem ex-
gunda espécie. Já a exploração de trema importância para orientar e in-
espécies do gênero Alcantarea é centivar futuras propostas de conser-
mais recente, visto que o alto valor vação e estudos que promovam mai-
das mudas de Alcantarea imperia- or compreensão da flora estadual e
lis (Carriere) Harms provenientes brasileira.
do Rio de Janeiro estimulou a pro-

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Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
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Figura 13.3 - Hadrolaelia tenebrosa Figura 13.4 - Caesalpinia echinata


(Orchidaceae). Foto: Claudio Fraga (Fabaceae). Foto André Paviotti Fontana

Figura 13.5 - Begonia angularis Figura 13.6 - Vriesia hieroglyphica


(Begoniaceae). Foto Ludovic Kollmann (Bromeliaceae). Foto Ludovic Kollmann

Figura 13.7 - Scaevola plumieri Figura 13.8 - Clusia marizii (Clusiaceae).


(Goodeniaceae). Foto Claudio Fraga Foto Ludovic Kollmann

Figura 13.9 - Tibouchina castellensis Figura 13.10 - Prepusa viridiflora


(Melastomataceae). Foto Ludovic Kollmann (Gentianaceae). Foto André Paviotti Fontana

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Tabela 13.1 - Lista das espécies das angiospermas ameaçadas ou regionalmente extintas
no Estado do Espírito Santo com as respectivas categorias de ameaça e critérios de inclusão,
de acordo com as definições da IUCN. Categorias de ameaça: (VU) Vulnerável , (EN) Em
Perigo , (CR) Criticamente em Perigo e (REX) Regionalmente Extinta.

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ACANTHACEAE Aphelandra espirito-santensis Profice & Wassh. EN - -


ACANTHACEAE Aphelandra gigantea (Rizzini) Profice EN - -
ACANTHACEAE Aphelandra hirta (Klotzsch) Wassh. VU - -
ACANTHACEAE Aphelandra margaritae E. Morr. EN - -
ACANTHACEAE Aphelandra maximiliana (Nees) Benth. EN - -
ACANTHACEAE Aphelandra nitida Nees & Mart. VU - -
ACANTHACEAE Aphelandra prismatica (Vell.) Hieron. VU - -
ACANTHACEAE Chamaeranthemum beyrichii Nees VU - -
ACANTHACEAE Herpetacanthus longiflorus Nees VU - -
ACANTHACEAE Jacobinia clausseniana (Nees) Profice VU - -
ACANTHACEAE Justicia congrua (Nees) Lindau VU - -
ACANTHACEAE Justicia cydoniaefolia (Nees) Lindau VU - -
ACANTHACEAE Justicia genuflexa Nees & Mart. VU - -
ACANTHACEAE Justicia scheidweileri V. A. W. Graham VU - -
ACANTHACEAE Justicia symphyantha Lindau VU - -
ACANTHACEAE Justicia tijucensis V. A. W. Graham VU - -
ACANTHACEAE Justicia wasshauseniana Profice VU - -
ACANTHACEAE Odontonema dissitiflorus (Nees) Kuntze VU - -
ACANTHACEAE Ruellia affinis Lindau VU - -
ACANTHACEAE Ruellia curviflora Nees & Mart. VU - -
ACANTHACEAE Ruellia rosea (Nees) Hemsl. VU - -
ACANTHACEAE Schaueria lophura Nees VU - -
ACANTHACEAE Staurogyne anigozanthus (Nees) Kuntze VU - -
ACANTHACEAE Staurogyne carvalhoi Profice EN - -
ACANTHACEAE Stenostephanus lobeliaeformis Nees VU - -
ALSTROEMERIACEAE Alstroemeria capixaba M. C. Assis CR CR -
AMARANTHACEAE Hebanthe paniculata Mart. VU - -
AMARANTHACEAE Hebanthe pulverulenta Mart. VU - -
AMARYLLIDACEAE Griffinia colatinensis Ravenna CR - -
AMARYLLIDACEAE Griffinia espiritensis Ravenna CR VU -
ANNONACEAE Duguetia sooretamae Maas EN VU -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ANNONACEAE Oxandra reticulata Maas EN - -


ARACEAE Anthurium coriaceum (Grah.) G. Don VU - -
ARACEAE Anthurium ianthinopodum Schott ex Engler VU - -
ARACEAE Anthurium jilekii Schott VU - -
ARACEAE Anthurium longifolium (Hoffmanns.) G. Don EN - -
ARACEAE Anthurium organense Engl. EN - -
ARACEAE Anthurium radicans K. Koch & A. Haage EN - -
ARACEAE Anthurium xanthophylloides G. M. Barroso VU - -
ARACEAE Asterostigma lombardii E. G. Gonç. VU - -
ARACEAE Dracontioides desciscens (Schott) Engl. EN - -
ARACEAE Philodendron hatschbachii Nadruz & Mayo EN - -
ARACEAE Philodendron spiritu-sancti Bunting CR CR -
ARACEAE Philodendron vargealtense Sakuragui CR - -
ARACEAE Stenospermation ulei K. Krause CR - -
ARALIACEAE Dendropanax cuneatus (DC.) Decne. & Planch. EN - -
ARALIACEAE Oreopanax capitatus (Jacq.) Decne. & Planch. VU - -
ARALIACEAE Schefflera calva (Cham.) Frodin & Fiaschi. VU - -
ARALIACEAE Schefflera varisiana Frodin CR - -
ARECACEAE Attalea oleifera Barb. Rodr. VU - -
ARECACEAE Bactris ferruginea Burret EN - -
ARECACEAE Bactris pickelii Burret VU VU VU
ARECACEAE Bactris timbuiensis H.Q.B.Fern. VU - -
ARECACEAE Euterpe edulis Mart. VU EN -
ARECACEAE Euterpe espiritosantensis H.Q.B.Fern. VU - -
ARECACEAE Lytocaryum insigne (Hort. ex Drude) Toledo VU - -
ARECACEAE Syagrus botryophora (Mart.) Mart. VU - -
ARECACEAE Syagrus macrocarpa Barb. Rodr. CR EN EN
ARECACEAE Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman CR - -
ARECACEAE Syagrus ruschiana (Bondar) Glassman VU VU -
ARECACEAE Syagrus schizophylla (Mart.) Glassman CR - -
ARISTOLOCHIACEAE Aristolochia hypoglauca Kuhlm. RE - -
ASCLEPIADACEAE Ditassa arianeae Fontella & E. A. Schwarz CR VU -
ASCLEPIADACEAE Ditassa oberdanii Fontella & M. Alvarez CR - -
ASCLEPIADACEAE Marsdenia fontellana Morillo & Carnevali EN - -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ASTERACEAE Aspilia clausseniana Baker VU - -


ASTERACEAE Aspilia floribunda (Gardner) Baker VU - -
ASTERACEAE Cololobus longiangustatus (G. M. Barroso) H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Cololobus rupestris (Gardner) H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Conocliniopsis prasiifolia (DC.) R. M. King & H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Dasycondylus resinosus (Spreng.) R. M. King & H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Eremanthus crotonoides (DC.) Sch. Bip. VU - -
ASTERACEAE Fleischmannia remotifolia (DC.) R. M. King & H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Lepidaploa cotoneaster (Willd. ex Spreng.) H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Lessingianthus elegans (Gardner) H. Rob. VU - -
ASTERACEAE Mikania biformis DC. VU - -
ASTERACEAE Mikania dentata G. M. Barroso VU - -
ASTERACEAE Mikania firmula Baker VU - -
ASTERACEAE Mikania microdonta DC. VU - -
ASTERACEAE Piptocarpha notata (Less.) Baker VU - -
ASTERACEAE Piptocarpha robusta G. M. Barroso VU - -
ASTERACEAE Senecio graciellae Cabrera VU - -
ASTERACEAE Senecio mikanioides Otto ex Walp. VU - -
ASTERACEAE Vernonia appariciana G. M. Barroso VU - -
BEGONIACEAE Begonia albidula Brade VU VU -
BEGONIACEAE Begonia altamiroi Brade EN VU -
BEGONIACEAE Begonia angularis Raddi VU - -
BEGONIACEAE Begonia apparicioi Brade REX - -
BEGONIACEAE Begonia bahiensis A. DC. CR - -
BEGONIACEAE Begonia besleriifolia var. stuhriana Brade REX - -
BEGONIACEAE Begonia coccinea Hook. CR - -
BEGONIACEAE Begonia crispula Brade CR EN -
BEGONIACEAE Begonia curtii L. B. Sm. & B. G. Schub. EN - -
BEGONIACEAE Begonia espiritosantensis E. L. Jacques & Mamede CR EN -
BEGONIACEAE Begonia fruticosa A. DC. VU - -
BEGONIACEAE Begonia hirtella Link EN - -
BEGONIACEAE Begonia hugelii (Klotzsch) A. DC. EN - -
BEGONIACEAE Begonia ibitiocensis E. L. Jacques & Mamede EN CR -

BEGONIACEAE Begonia inconspicua Brade REX - -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

BEGONIACEAE Begonia integerrima Spreng. EN - -


BEGONIACEAE Begonia itaguassuensis Brade EN - -
BEGONIACEAE Begonia jairii Brade VU - -
BEGONIACEAE Begonia kuhlmannii Brade EN - -
BEGONIACEAE Begonia obscura Brade REX - -
BEGONIACEAE Begonia polygonifolia A. DC. CR - -
BEGONIACEAE Begonia radicans Vell. EN - -
BEGONIACEAE Begonia rufa Thunb. EN - -
BEGONIACEAE Begonia ruschii L. Kollmann CR VU -
BEGONIACEAE Begonia santos-limae Brade VU - -
BEGONIACEAE Begonia smilacina A. DC. REX - -
BEGONIACEAE Begonia sylvatica Meisn. ex A. DC. EN - -
BEGONIACEAE Begonia thelmae L. B. Sm. & Wassh. CR - -
BEGONIACEAE Begonia valdensium A. DC. VU - -
BIGNONIACEAE Paratecoma peroba (Record & Mell) Kuhlm. CR - -
BIGNONIACEAE Tabebuia arianeae A. H. Gentry EN VU -
BIGNONIACEAE Tabebuia cristata A. H.Gentry EN EN -
BIGNONIACEAE Tabebuia riodocensis A. H. Gentry EN VU -
BIXACEAE Bixa arborea Huber VU - -
BOMBACACEAE Cavanillesia arborea (Willdenow) K. Schum. VU - -
BROMELIACEAE Acanthostachys pitcairnioides (Mez) Rauh & Barthlott VU - -
BROMELIACEAE Aechmea amicorum B. R. Silva & H. Luther EN EN -
BROMELIACEAE Aechmea azurea L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea blanchetiana (Baker) L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea capixabae L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea entringeri Leme VU - -
BROMELIACEAE Aechmea fosteriana L. B. Sm. EN EN -
BROMELIACEAE Aechmea fosteriana subsp. rupicola Leme EN - -
BROMELIACEAE Aechmea guarapariensis E. Pereira & Leme VU - -
BROMELIACEAE Aechmea maasii E. Gouda & W. Till VU - -
BROMELIACEAE Aechmea macrochlamys L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea microcephala E. Pereira & Leme VU - -
BROMELIACEAE Aechmea mutica L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea orlandiana L. B. Sm. CR EN -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

BROMELIACEAE Aechmea pedicellata Leme & Luther VU - -


BROMELIACEAE Aechmea podantha L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Aechmea rubrolilacina Leme VU - -
BROMELIACEAE Aechmea triangularis L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Alcantarea benzingii Leme VU CR -
BROMELIACEAE Alcantarea roberto-kautskyi Leme VU - -
BROMELIACEAE Alcantarea vinicolor (E. Pereira & Reitz) J. R. Grant VU - -
BROMELIACEAE Billbergia lietzei E. Morren VU - -
BROMELIACEAE Billbergia lymanii E. Pereira & Leme VU - -
BROMELIACEAE Billbergia minarum var. viridiflora E. Pereira & Leme VU - -
BROMELIACEAE Canistropsis albiflora (L. B. Sm.) H. Luther & Leme VU - -
BROMELIACEAE Canistrum triangulare L. B. Sm. & Reitz VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus beuckeri E. Morren VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus capitatus Leme EN - -
BROMELIACEAE Cryptanthus caulescens I. Ramírez VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus coriaceus Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus correia-araujoi Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus dorothyae Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus exaltatus H. Luther EN - -
BROMELIACEAE Cryptanthus fernseeoides Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus grazielae H. Luther VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus latifolius Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus leuzingerae Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus lutherianus I. Ramírez EN - -
BROMELIACEAE Cryptanthus maritimus L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus odoratissimus Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus pseudoglaziovii Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus pseudoscaposus L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus roberto-kautskyi Leme VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus scaposus E. Pereira VU - -
BROMELIACEAE Cryptanthus whitmanii Leme VU - -
BROMELIACEAE Encholirium gracile L. B. Sm. CR EN -
BROMELIACEAE Encholirium horridum L. B. Sm. VU EN -
BROMELIACEAE Neoregelia angustibracteolata E. Pereira & Leme VU - -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

BROMELIACEAE Neoregelia capixaba E. Pereira & Leme VU - -


BROMELIACEAE Neoregelia guttata Leme VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia inexspectata Leme VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia lilliputiana E. Pereira VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia menescalii Leme VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia pascoaliana L. B. Sm. VU EN -
BROMELIACEAE Neoregelia ruschii Leme & B. R. Silva VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia sanguinea Leme VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia zaslawskyi E. Pereira & Leme VU - -
BROMELIACEAE Neoregelia zonata L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Nidularium ferrugineum Leme VU - -
BROMELIACEAE Nidularium kautskyanum Leme VU VU -
BROMELIACEAE Nidularium serratum Leme VU - -
BROMELIACEAE Orthophytum duartei L. B. Sm. CR EN -
BROMELIACEAE Orthophytum estevesii (Rauh) Leme VU - -
BROMELIACEAE Orthophytum foliosum L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Orthophytum fosterianum L. B. Sm. VU VU -
BROMELIACEAE Orthophytum zanonii Leme VU - -
BROMELIACEAE Pitcairnia burle-marxii Braga & Sucre VU - -
BROMELIACEAE Pitcairnia decidua L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Portea fosteriana L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Quesnelia kautskyi C. M. Vieira VU - -
BROMELIACEAE Racinaea domingos-martinsii (Rauh) J. R. Grant VU - -
BROMELIACEAE Tillandsia kautskyi E. Pereira EN VU -
BROMELIACEAE Tillandsia segregata E. Pereira VU - -
BROMELIACEAE Vriesea amadoi Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea appariciana E. Pereira & Reitz VU - -
BROMELIACEAE Vriesea belloi Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea breviscapa (E. Pereira & I. A. Penna) Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea calimaniana Leme & W. Till VU - -
BROMELIACEAE Vriesea colnagoi E. Pereira & I. A. Penna VU - -
BROMELIACEAE Vriesea debilis Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea delicatula L. B. Sm. VU EN -
BROMELIACEAE Vriesea drepanocarpa (Baker) Mez VU - -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

BROMELIACEAE Vriesea fosteriana L. B. Sm. EN CR -


BROMELIACEAE Vriesea funebris L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Vriesea gracilior (L. B. Sm.) Leme EN - -
BROMELIACEAE Vriesea harry-lutheri Leme & G. Brown EN - -
BROMELIACEAE Vriesea hieroglyphica (Carriere) E. Morren CR CR -
BROMELIACEAE Vriesea kautskyana E. Pereira & I. A. Penna VU - -
BROMELIACEAE Vriesea languida L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Vriesea menescalii E. Pereira & Leme EN - -
BROMELIACEAE Vriesea morrenii Wawra VU - -
BROMELIACEAE Vriesea neoglutinosa Mez VU - -
BROMELIACEAE Vriesea pabstii McWilliams & L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Vriesea parviflora L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Vriesea pereireae L. B. Sm. EN - -
BROMELIACEAE Vriesea plurifolia Leme EN - -
BROMELIACEAE Vriesea racinae L. B. Sm. VU EN -
BROMELIACEAE Vriesea repandostachys Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea rhodostachys L. B. Sm. VU - -
BROMELIACEAE Vriesea schunkii Leme VU - -
BROMELIACEAE Vriesea seideliana W. Weber VU - -
BROMELIACEAE Vriesea weberi E. Pereira & I. A. Penna VU - -
BURMANNIACEAE Apteria aphylla (Nutt.) Barnhart ex Small CR - -
BURMANNIACEAE Miersiella umbellata (Miers) Urb. VU - -
BURMANNIACEAE Thismia espirito-santensis Brade REX - -
BURSERACEAE Trattinnickia mensalis Daly EN - -
CACTACEAE Melocactus violaceus Pfeiff. VU VU VU
CACTACEAE Pilosocereus brasiliensis
(Britton & Rose) Backeb. VU - -
CACTACEAE Rhipsalis cereoides (Backeb. Voll) Backeb. EN VU VU
CACTACEAE Rhipsalis paradoxa
(Salm-Dyck ex Pfeiff.) Salm-Dyck EN - -
CACTACEAE Rhipsalis pilocarpa Loefgr. EN VU VU
CACTACEAE Rhipsalis russellii Britton & Rose EN - VU
CACTACEAE Schlumbergera kautskyi
(Horobin & McMillan) N. P. Taylor EN EN EM
CAPPARACEAE Capparis nectaria Vell. VU - -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

CHRYSOBALANACEAE Couepia belemii Prance EN - -


CHRYSOBALANACEAE Couepia carautae Prance EN - -
CHRYSOBALANACEAE Exellodendron gracile
(Kuhlm.) Prance EN - -
CHRYSOBALANACEAE Licania arianeae Prance EN - -
CHRYSOBALANACEAE Licania belemii Prance EN - -
CLUSIACEAE Clusia aemygdioi A. G. da Silva & B. Weinberg VU - -
CLUSIACEAE Clusia marizii A. G. da Silva & B. Weinberg VU - -
CLUSIACEAE Kielmeyera occhioniana Saddi EN - -
CLUSIACEAE Kielmeyera rufotomentosa Saddi REX - -
CLUSIACEAE Kielmeyera rupestris Duarte CR - -
CLUSIACEAE Kielmeyera sigillata Saddi CR - -
COMBRETACEAE Buchenavia pabstii Marquete & C.Valente EN EN EN
COMBRETACEAE Terminalia kuhlmannii Alwan & Stace EN VU VU
COMMELINACEAE Dichorisandra neglecta Brade CR - -
COSTACEAE Costus cuspidatus (Nees & Mart.) Maas CR EN -
COSTACEAE Costus scaber Ruiz & Pav. VU - -
CYPERACEAE Bulbostylis nesiotis (Hemsl.) C. B. Clarke CR - -
CYPERACEAE Cyperus atlanticus Hemsl. CR VU -
CYPERACEAE Rhynchospora filiformis Vahl EN - -
DILLENIACEAE Doliocarpus lancifolius Kubitzki VU - -
EBENACEAE Diospyros duartei Cavalcante REX - -
ELAEOCARPACEAE Sloanea garckeana K. Schum. VU - -
ELAEOCARPACEAE Sloanea monosperma Vell. VU - -
ELAEOCARPACEAE Sloanea obtusifolia (Moric.) K. Schum. VU - -
EUPHORBIACEAE Euphorbia holochlorina Rizzini REX - -
EUPHORBIACEAE Paradrypetes ilicifolia Kuhlm. REX - -
EUPHORBIACEAE Phyllanthus retroflexus Brade REX - -
EUPHORBIACEAE Tetraplandra dimitrii Emmerich CR - -
EUPHORBIACEAE Tetraplandra kuhlmannii Emmerich REX - -
FABACEAE Bauhinia grazielae Fonseca Vaz EN - -
FABACEAE Caesalpinia echinata Lam. CR EN EN
FABACEAE Centrolobium sclerophyllum H. C.
Lima ex G. P. Lewis EN - -
FABACEAE Dalbergia elegans A. M. Carvalho EN VU -

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

FABACEAE Grazielodendron rio-docensis H. C. Lima VU VU -


FABACEAE Hymenolobium janeirense Kuhlm. VU - -
FABACEAE Machaerium fulvovenosum H. C. Lima EN - -
FABACEAE Melanoxylon brauna Schott CR VU -
FABACEAE Moldenhawera papillanthera L. P. Queiroz,
G. P. Lewis & R. Allkin EN - -
FABACEAE Swartzia linharensis Mansano EN - -
FABACEAE Tachigali rugosa (Mart. ex Benth.)
Zarucchi & Pipoly EN - -
FABACEAE Zollernia magnifica A. M. Carvalho & Barneby VU - -
FABACEAE Zollernia modesta A. M. Carvalho & Barneby VU - -
GENTIANACEAE Prepusa viridiflora Brade EN EN -
GENTIANACEAE Schultesia guianensis (Aubl.) Malme CR - -
GESNERIACEAE Codonanthe devosiana Lem. EN - -
GESNERIACEAE Codonanthe gracilis (Mart.) Hanst. EN - -
GESNERIACEAE Codonanthe uleana Fritsch EN - -
GESNERIACEAE Dalbergaria sanguinea (Pers.) Steud. EN - -
GESNERIACEAE Nematanthus crassifolius (Schott) Wiehler EN - -
GESNERIACEAE Nematanthus fornix (Vell.) Chautems EN - -
GESNERIACEAE Nematanthus hirtellus (Schott) Wiehler EN - -
GESNERIACEAE Nematanthus lanceolatus (Poir.) Chautems EN - -
GESNERIACEAE Nematanthus sericeus (Hanst.) Chautems EN - -
GESNERIACEAE Paliavana tenuiflora Mansf. EN - -
GESNERIACEAE Sinningia aghensis Chautems EN - -
GESNERIACEAE Sinningia barbata (Nees & Mart.) G. Nicholson EN - -
GESNERIACEAE Sinningia cooperi (Paxton) Wiehler EN - -
GESNERIACEAE Sinningia elatior (Kunth) Chautems VU - -
GESNERIACEAE Sinningia kautskyi Chautems CR - -
GESNERIACEAE Sinningia magnifica (Otto & A. Dietr.) Wiehler VU - -
GESNERIACEAE Sinningia sceptrum (Mart.) Wiehler VU - -
GESNERIACEAE Sinningia speciosa (Lodd.) Hiern. VU - -
GESNERIACEAE Sinningia valsuganensis Chautems EN - -
GESNERIACEAE Sinningia villosa Lindl. EN - -
GESNERIACEAE Vanhouttea calcarata Lem. VU - -
GOODENIACEAE Scaevola plumieri (L.) Vahl VU - -

120

IPEMA 2007
Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ludovic Jean Charles Kollmann - André Paviotti Fontana - Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

GRAMINAE Axonopus pressus (Nees ex Steud.) Parodi CR - -


GRAMINAE Cryptochloa capillata (Trin.) Soderstr. EN - -
GRAMINAE Ichnanthus bambusiflorus (Trin.) Döll EN - -
GRAMINAE Streptochaeta spicata Schrad. ex Nees EN - -
HELICONIACEAE Heliconia angusta Vell. VU - -
HELICONIACEAE Heliconia episcopalis Vell. VU - -
HELICONIACEAE Heliconia laneana var. flava (Barreiros) E. Santos VU - -
HELICONIACEAE Heliconia richardiana Miq. VU - -
HUMIRIACEAE Humiriastrum spiritusancti Cuatrec. VU - -
LAMIACEAE Eriope macrostachya Mart. ex Benth. EN - -
LAMIACEAE Hyptidendron asperrimum (Epling) Harley EN - -
LAMIACEAE Hyptis paludosa A. St.-Hill ex Benth. VU - -
LAMIACEAE Salvia apparicii Brade & Barb. Per. CR - -
LAMIACEAE Salvia espirito-santensis Brade & Barb. Per. CR - -
LAMIACEAE Salvia itaguassuensis Brade & Barb. Per. CR - -
LAURACEAE Beilschmiedia linharensis
Sa. Nishida & van der Werff EN - -
LAURACEAE Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Taub. ex Mez CR - -
LAURACEAE Ocotea confertiflora (Meisn.) Mez VU - -
LAURACEAE Ocotea cryptocarpa Baitello CR VU -
LAURACEAE Ocotea polyantha (Nees & Mart.) Mez EN - -
LAURACEAE Rhodostemonodaphne capixabensis
Baitello & Coe-Teixeira VU EN -
LAURACEAE Williamodendron cinnamomeum van der Werff CR EN -
LECYTHIDACEAE Cariniana parvifolia S. A.
Mori, G.T.Prance & Menandro EN EN -
LECYTHIDACEAE Couratari asterotricha Prance EN VU CR
LENTIBULARIACEAE Genlisea lobata Fromm VU - -
LENTIBULARIACEAE Utricularia foliosa L. VU - -
MALPIGHIACEAE Banisteriopsis sellowiana (A. Juss.) B. Gates CR VU -
MALPIGHIACEAE Barnebya dispar (Griseb.)
W. R. Anderson & B. Gates CR - -
MALPIGHIACEAE Bunchosia acuminata Dobson VU VU -
MALPIGHIACEAE Bunchosia macilenta Dobson VU - -

MALPIGHIACEAE Byrsonima alvimii W. R. Anderson CR VU -

121

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

MALPIGHIACEAE Byrsonima bahiana W. R. Anderson EN VU -


MALPIGHIACEAE Byrsonima laevigata (Poir.) DC. VU - -
MALPIGHIACEAE Byrsonima variabilis Adr. Juss. VU - -
MALPIGHIACEAE Heladena bunchosioides (A. Juss.) A. Juss. CR - -
MALPIGHIACEAE Heteropterys admirabilis Amorim EN VU -
MALPIGHIACEAE Heteropterys alternifolia W. R. Anderson VU - -
MALPIGHIACEAE Heteropterys bahiensis Nied. EN - -
MALPIGHIACEAE Heteropterys capixaba Amorim EN VU -
MALPIGHIACEAE Heteropterys megaptera Adr. Juss. CR - -
MALPIGHIACEAE Heteropterys oberdanii Amorim EN VU -
MALPIGHIACEAE Heteropterys perplexa W. R. Anderson VU - -
MALPIGHIACEAE Heteropterys trigoniifolia Adr. Juss. CR - -
MALPIGHIACEAE Hiraea bullata W. R. Anderson CR - -
MALPIGHIACEAE Lophopterys floribunda
W. R. Anderson & Chas. C. Davis EN - -
MALPIGHIACEAE Mascagnia chlorocarpa (A. Juss.) Griseb. VU - -
MALPIGHIACEAE Mezia araujoi Schwacke ex Nied. VU - -
MALPIGHIACEAE Peixotoa glabra Adr. Juss. CR VU -
MALPIGHIACEAE Tetrapterys lalandiana Adr. Juss. VU - -
MALVACEAE Pavonia alnifolia A. St.-Hil. VU VU -
MALVACEAE Pavonia multiflora A. St.-Hil. VU - -
MALVACEAE Pavonia selloi Gürke ex Mart. VU - -
MARANTACEAE Calathea aemula Körn. VU - -
MARANTACEAE Calathea brasilienses Körn. VU - -
MARANTACEAE Calathea cylindrica (Roscoe) K. Schum. VU - -
MARANTACEAE Calathea monophylla (Vell.) Körn. VU - -
MARANTACEAE Calathea musaica (Bull) Bailey-Raffill EN - -
MARANTACEAE Calathea sciuroides Petersen EN - -
MARANTACEAE Calathea singularis H. Kenn. EN - -
MARANTACEAE Calathea tuberosa (Vell.) Körn. CR - -
MARANTACEAE Calathea widgreni Körn. VU - -
MARANTACEAE Calathea wioti Regel CR - -
MARANTACEAE Calathea zebrina (Sims) Lindl. VU - -

MARANTACEAE Ischnosiphon gracilis (Rudge) Körn. VU - -

122

IPEMA 2007
Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ludovic Jean Charles Kollmann - André Paviotti Fontana - Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

MARANTACEAE Ischnosiphon ovatus Körn. EN - -


MARANTACEAE Maranta bicolor Ker-Gawl VU - -
MARANTACEAE Maranta subterranea J. M. A. Braga EN - -
MARANTACEAE Monotagma plurispicatum (Körn.) K. Schum. VU - -
MARANTACEAE Saranthe compisita (Link ex Körn.) K. Schum. VU - -
MARANTACEAE Saranthe klotzchiana (Körn.) Eichler VU - -
MARANTACEAE Stromanthe porteana Griseb. VU - -
MARANTACEAE Stromanthe schottiana Eichler VU - -
MELASTOMATACEAE Bertolonia formos Brade CR - -
MELASTOMATACEAE Bertolonia foveolata Brade CR - -
MELASTOMATACEAE Cambessedesia eichleri Cogn. EN VU -
MELASTOMATACEAE Clidemia capilliflora (Naud.) Cogn. VU - -
MELASTOMATACEAE Dolichoura spiritusanctensis Brade EN VU -
MELASTOMATACEAE Henriettea gomesii Brade CR - -
MELASTOMATACEAE Huberia espirito-santensis Baumgratz EN VU -
MELASTOMATACEAE Meriania calophylla Triana VU - -
MELASTOMATACEAE Meriania tetramera Wurdack VU - -
MELASTOMATACEAE Merianthera burlemarxii Wurdack CR CR -
MELASTOMATACEAE Merianthera pulchra Kuhlm. CR - -
MELASTOMATACEAE Miconia amoena Triana VU - -
MELASTOMATACEAE Miconia capixaba R. Goldenberg EN VU -
MELASTOMATACEAE Miconia longicuspis Cogn. VU VU -
MELASTOMATACEAE Miconia octopetala Cogn. VU - -
MELASTOMATACEAE Miconia rimalis Naudin VU - -
MELASTOMATACEAE Miconia setosociliata Cogn. VU VU -
MELASTOMATACEAE Mouriri megasperma Morley CR - -
MELASTOMATACEAE Tibouchina apparicioi Brade CR - -
MELASTOMATACEAE Tibouchina boudetii
P. J. F. Guim. & R. Goldenberg EN VU -
MELASTOMATACEAE Tibouchina castellensis Brade CR VU -
MELASTOMATACEAE Tibouchina quartzophila Brade CR VU -

MENISPERMACEAE Odontocarya vitis (Vell.) J. M. A. Braga VU VU -

MENISPERMACEAE Sciadotaenia acutifolium Krukoff & Barneby VU - -

MONIMIACEAE Macrotorus utriculatus (Mart. Ex Tul.) Perk. CR VU -

123

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

MONIMIACEAE Mollinedia glabra (Spreng.) Perkins EN VU VU


MONIMIACEAE Mollinedia marquetiana A. L. Peixoto VU - VU
MONIMIACEAE Mollinedia salicifolia Perkins EN VU -
MONIMIACEAE Siparuna glossostyla Perkins EN - -
MONIMIACEAE Siparuna reginae (Tul.) A. DC. VU - -
MORACEAE Dorstenia alberti Carauta, C. Valente & Sucre CR - -
MORACEAE Dorstenia bonijesu Carauta & C. Valente VU - -
MORACEAE Dorstenia cayapia Vell. EN - -
MORACEAE Dorstenia conceptionis Carauta CR - -
MORACEAE Dorstenia gracilis Carauta, C. Valente & Araújo EN - -
MORACEAE Dorstenia hildegardis Carauta, C. Valente & R. Barth CR - -
MORACEAE Dorstenia milaneziana Carauta, C. Valente & Sucre EN - -
MYRTACEAE Campomanesia espiritosantensis Landrum EN VU VU
MYRTACEAE Campomanesia macrobracteolata Landrum EN VU -
MYRTACEAE Marlierea sucrei G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN EN -
MYRTACEAE Myrcia follii G. M. Barroso & A. L. Peixoto VU VU -
MYRTACEAE Myrcia gilsoniana G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN VU -
MYRTACEAE Myrcia isaiana G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN VU -
MYRTACEAE Myrcia limae G. M. Barroso & A. L. Peixoto VU VU -
MYRTACEAE Myrcia riodocensis G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN VU -
MYRTACEAE Neomitranthes obtusa Sobral & Zambom EN VU -
MYRTACEAE Plinia renatiana G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN VU -
MYRTACEAE Plinia stictophylla G. M. Barroso & A. L. Peixoto EN - -
NYCTAGINACEAE Andradea floribunda Allemão EN - -
NYCTAGINACEAE Belemia fucsioides Pires CR - -
ORCHIDACEAE Acianthera aphthosa (Lindl.)
Pridgeon & M. W. Chase CR - -
ORCHIDACEAE Acianthera auriculata (Lindl.)
Pridgeon & M. W. Chase VU - -
ORCHIDACEAE Acianthera bragae (Ruschi) F. Barros VU - -
ORCHIDACEAE Acianthera glumacea (Lindl.)
Pridgeon & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Acianthera heringeri (Hoehne) F. Barros CR - -

ORCHIDACEAE Acianthera papillosa (Lindl.)


Pridgeon & M. W. Chase CR - -

124

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Acianthera pectinata (Lindl.)


Pridgeon & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Acianthera rupestris (Lindl.) F. Barros EN - -
ORCHIDACEAE Acianthera saurocephala (Lodd.)
Pridgeon & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Acianthera strupifolia (Lindl.)
Pridgeon & M. W. Chase VU - -
ORCHIDACEAE Amblostoma tridactylum (Lindl.) Rchb. F. CR - -
ORCHIDACEAE Anathallis aquinoi (Schltr.) Pridgeon & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Anathallis gehrtii (Hoehne & Schltr.) F. Barros CR - -
ORCHIDACEAE Anathallis kautskyi (Pabst) Pridgeon & M. W. Chase CR - -
ORCHIDACEAE Anathallis montipelladensis (Hoehne) F. Barros VU - -
ORCHIDACEAE Anathallis radialis (Porto & Brade)
Pridgeon & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Barbosella spiritu-sanctensis
(Pabst) F. Barros & Toscano CR - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria aureofulva (Hook.) Lindl. EN - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria calcarata Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria leucorrhoda Rchb. F. EN - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria tetragona (Lindl.) Schltr. EN - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria thyrianthina (Loudon) Rchb. F. EN - -
ORCHIDACEAE Bifrenaria wittigii (Rchb. F.) Hoehne EN VU -
ORCHIDACEAE Brassia arachnoidea Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum arianeae Fraga & E. C. Smidt CR VU -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum boudetiana Fraga EN - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum campos-portoi Brade EN - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum cantagalense (Barb. Rodr.) Cogn. CR - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum gomesii Fraga CR VU -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum kautskyi Toscano EN - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum laciniatum (Barb. Rodr.) Cogn. EN - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum plumosum (Barb. Rodr.) Cogn. CR - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum teresensis Ruschi CR - -
ORCHIDACEAE Bulbophyllum weddellii (Lindl.) Rchb. f. CR - -
ORCHIDACEAE Campylocentrum crassirhizum Hoehne VU - -
ORCHIDACEAE Campylocentrum parahybunense (Barb. Rodr.) Rolfe EN - -
ORCHIDACEAE Capanemia fluminensis Pabst EN - -

125

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Capanemia micromera Barb. Rodr. CR - -


ORCHIDACEAE Capanemia superflua (Rchb. f.) Garay CR - -
ORCHIDACEAE Capanemia thereziae Barb. Rodr. CR - -
ORCHIDACEAE Catasetum mattosianum Bicalho CR - -
ORCHIDACEAE Catasetum purum Nees & Sinning CR - -
ORCHIDACEAE Cattleya guttata Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Cattleya harrisoniana Bateman ex Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Cattleya labiata Lindl. CR EN -
ORCHIDACEAE Cattleya schilleriana Rchb.f. CR CR -
ORCHIDACEAE Cattleya schofieldiana Rchb.f. CR - -
ORCHIDACEAE Cattleya velutina Rchb.f. CR EN -
ORCHIDACEAE Centroglossa castellensis Brade EN - -
ORCHIDACEAE Centroglossa glaziovii Cogn. CR - -
ORCHIDACEAE Centroglossa macroceras Barb. Rodr. CR - -
ORCHIDACEAE Centroglossa tripollinica Barb. Rodr. CR - -
ORCHIDACEAE Cirrhaea longiracemosa Hoehne EN - -
ORCHIDACEAE Cleistes revoluta (Barb. Rodr.) Schltr. CR - -
ORCHIDACEAE Cochleanthes candida (Lindl.)
R. E. Schult. & Garay EN - -
ORCHIDACEAE Cochleanthes wailesiana (Lindl.)
R. E. Schult. & Garay EN VU -
ORCHIDACEAE Cogniauxiocharis euphlebia
(Oliv. ex Rchb. f.) Hoehne EN - -
ORCHIDACEAE Coryanthes speciosa (Hook.) Hook. EN - -
ORCHIDACEAE Cranichis candida (Barb. Rodr.) Cogn. EN - -
ORCHIDACEAE Cryptophoranthus kautskyi Pabst EN - -
ORCHIDACEAE Cryptophoranthus schenckii Cogn. CR - -
ORCHIDACEAE Cycnoches pentadactylon Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Cyrtopodium gigas (Vell.) Hoehne VU - -
ORCHIDACEAE Cyrtopodium holstii L. C. Menezes VU - -
ORCHIDACEAE Dichaea moseni Rchb. f. EN - -
ORCHIDACEAE Dimerandra emarginata (G. Mey.) Hoehne EN - -
ORCHIDACEAE Dipteranthus pellucidus Cogn. VU - -
ORCHIDACEAE Dryadella espirito-santensis (Pabst) Luer CR - -
ORCHIDACEAE Dryadella kautskyi (Pabst) Luer CR - -

126

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Dryadella suzanae (Pabst) Luer CR - -


ORCHIDACEAE Dungsia harpophylla (Rchb. f.) Chiron & V. P. Castro VU - -
ORCHIDACEAE Dungsia kautskyi (Pabst) Chiron & V. P. Castro CR EN -
ORCHIDACEAE Elleanthus pusillus Schltr. CR - -
ORCHIDACEAE Eltroplectris calcarata (Sw.) Garay & H. R. Sweet VU - -
ORCHIDACEAE Eltroplectris kuhlmanniana (Hoehne) Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Encyclia bragancae Ruschi VU - -
ORCHIDACEAE Encyclia burle-marxii Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Encyclia megalantha (Barb. Rodr.) Porto & Brade VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum ansiferum Rchb.f. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum caldense Barb. Rodr. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum carpophorum Barb. Rodr. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum chlorinum Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum coronatum Ruiz & Pav. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum cristatum Ruiz & Pav. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum dendrobioides Thunb. CR - -
ORCHIDACEAE Epidendrum ecostatum Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Epidendrum geniculatum Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum imatophyllum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum janeirense Porto & Brade EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum kautskyi Pabst VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum martianum Lindl. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum paranaense Barb. Rodr. EN - -
ORCHIDACEAE Epidendrum polyanthum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum robustum Cogn. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum setiferum Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Epidendrum vesicatum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Epidendrum zappii Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Galeandra beyrichii Rchb. f. VU - -
ORCHIDACEAE Galeottia ciliata (Morel) Dressler & Christenson EN - -
ORCHIDACEAE Gomesa glaziovii Cogn. VU - -
ORCHIDACEAE Gongora bufonia Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Gongora quinquenervis Ruiz & Pav. EN - -
ORCHIDACEAE Govenia utriculata (Sw.) Lindl. VU - -

127

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Habenaria carvalhoi Ruschi CR - -


ORCHIDACEAE Habenaria fastor Warm. VU - -
ORCHIDACEAE Habenaria macronectar (Vell.) Hoehne VU - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia coccinea (Lindl.) Chiron & V. P. Castro EN - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia grandis (Lindl. & Paxt.)
Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia perrinii (Lindl.) Chiron & V. P. Castro CR VU -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia praestans (Linden & Rchb.f.)
Chiron & V. P. Castro CR VU -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia pumila (Hook.) Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia pygmaea (Pabst) Chiron & V. P. Castro EN - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia tenebrosa (Rolfe) Chiron & V. P. Castro CR CR -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia virens (Lindl.) Chiron & V. P. Castro REX - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia wittigiana (Barb. Rodr.)
Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Hadrolaelia xanthina (Lindl.) Chiron & V. P. Castro VU VU -
ORCHIDACEAE Heterotaxis crassifolia Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Hoehneella heloisae Ruschi CR - -
ORCHIDACEAE Hoehneella santos-nevesii Ruschi REX - -
ORCHIDACEAE Hoffmannseggella gloedeniana
(Hoehne) Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Hoffmannseggella kautskyana V. P. Castro & Chiron CR - -
ORCHIDACEAE Hoffmannseggella macrobulbosa (Pabst) H. G. Jones CR - -
ORCHIDACEAE Hoffmannseggella mixta (Hoehne)
Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Hoffmannseggella munchowiana
(F. E. L. Miranda) Chiron & V. P. Castro CR - -
ORCHIDACEAE Houlletia brocklehurstiana Lindl. EN - -
ORCHIDACEAE Huntleya meleagris Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Isabelia violacea (Lindl.) C. Berg & M. W. Chase EN - -
ORCHIDACEAE Jacquiniella globosa (Jacq.) Schltr. EN - -
ORCHIDACEAE Lankesterella ceracifolia Ames VU - -
ORCHIDACEAE Lycaste ciliata (Ruiz & Pav.) Lindl. ex Rchb. f. CR - -
ORCHIDACEAE Macradenia rubescens Barb. Rodr. EN - -
ORCHIDACEAE Masdevallia discoidea Luer & Würstle CR VU -
ORCHIDACEAE Maxillaria cleistogama Brieger & Illg. VU - -

128

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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Maxillaria minuta Cogn. EN - -


ORCHIDACEAE Maxillaria phoenicanthera Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Maxillaria piresiana Hoehne VU - -
ORCHIDACEAE Maxillaria robusta Barb. Rodr. VU - -
ORCHIDACEAE Maxillaria schunkiana Campacci & Kautsky CR - -
ORCHIDACEAE Maxillaria spiritu-sanctensis Pabst EN - -
ORCHIDACEAE Maxillaria valenzuelana (A. Rich.) Nash EN - -
ORCHIDACEAE Miltonia candida Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Miltonia clowesii Lindl. EN - -
ORCHIDACEAE Miltonia cuneata Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Miltonia russelliana (Lindl.) Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Miltonia spectabilis Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Myoxanthus ruschii Fraga & L. Kollmann VU - -
ORCHIDACEAE Myoxanthus seidelii (Pabst) Luer EN - -
ORCHIDACEAE Notylia microchila Cogn. VU - -
ORCHIDACEAE Oncidium cornigerum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Oncidium crispum Lodd. VU - -
ORCHIDACEAE Oncidium gardneri Lindl. EN - -
ORCHIDACEAE Oncidium kautskyi Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Oncidium longipes Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Oncidium majevskyi Toscano & V. P. Castro VU - -
ORCHIDACEAE Oncidium novaese Ruschi CR - -
ORCHIDACEAE Oncidium schwambachii V. P. Castro & Toscano VU - -
ORCHIDACEAE Ornithidium parviflorum (Poepp. & Endl.) Rchb. f. EN - -
ORCHIDACEAE Ornithocephalus myrticola Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Ornithophora radicans (Rchb. f.) Garay & Pabst VU - -
ORCHIDACEAE Pabstia jugosa (Lindl.) Garay CR - -
ORCHIDACEAE Pabstia schunkiana V. P. Castro CR VU -
ORCHIDACEAE Pelexia laxa (Poepp. & Endl.) Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Phymatidium aquinoi Schltr. CR - -
ORCHIDACEAE Phymatidium falcifolium Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Phymatidium geiseli Ruschi CR - -
ORCHIDACEAE Phymatidium glaziovii Toscano CR - -
ORCHIDACEAE Phymatidium tillandsioides Barb. Rodr. CR - -

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Pleurothallis bradei Schltr. EN - -


ORCHIDACEAE Pleurothallis castellensis Brade REX - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis colnagoi Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis conspersa Hoehne CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis garayi Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis henrique-aragonii Pabst CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis lingua Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis ruschii Hoehne CR - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis translucida Barb. Rodr. EN - -
ORCHIDACEAE Pleurothallis tigridens Loefgr. CR - -
ORCHIDACEAE Polystachya rupicola Brade CR - -
ORCHIDACEAE Pseudolaelia brejetubensis M. Frey CR - -
ORCHIDACEAE Pseudolaelia canaanensis (Ruschi) F. Barros VU VU -
ORCHIDACEAE Pseudolaelia citrina Pabst CR VU -
ORCHIDACEAE Pseudolaelia dutrae Ruschi VU - -
ORCHIDACEAE Pseudolaelia vellozicola (Hoehne) Porto & Brade VU - -
ORCHIDACEAE Rauhiella silvana Toscano CR - -
ORCHIDACEAE Rodriguezia obtusifolia (Lindl.) Rchb. f. VU - -
ORCHIDACEAE Rodrigueziella gomezoides (Barb. Rodr.) Berman VU - -
ORCHIDACEAE Rodrigueziopsis microphyta (Barb. Rodr.) Schltr. EN - -
ORCHIDACEAE Saundersia mirabilis Rchb. f. EN - -
ORCHIDACEAE Saundersia paniculata Brade EN - -
ORCHIDACEAE Scaphyglottis prolifera Cogn. EN - -
ORCHIDACEAE Scuticaria kautskyi Pabst CR CR -
ORCHIDACEAE Sobralia liliastrum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Stanhopea insignis Frost ex W. Hook. VU - -
ORCHIDACEAE Stigmatosema polyadon (Vell.) Garay CR - -
ORCHIDACEAE Trichocentrum fuscum Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Trichopilia santos-limae Brade CR - -
ORCHIDACEAE Trigonidium acuminatum Bateman ex Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Trigonidium latifolium Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Trizeuxis falcata Lindl. VU - -
ORCHIDACEAE Vanilla dietschiana Edwall EN - -
ORCHIDACEAE Vanilla dubia Hoehne EN - -

130

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Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
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Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

ORCHIDACEAE Vanilla edwallii Hoehne VU - -


ORCHIDACEAE Warrea warreana (Lodd. ex Lindl.) C. Schweinf. EN - -
ORCHIDACEAE Xylobium colleyi (Bateman ex Lindl.) Rolfe EN - -
ORCHIDACEAE Xylobium pallidiflorum (Hook.) G. Nicholson EN - -
ORCHIDACEAE Zygopetalum brachypetalum Lindl. CR - -
ORCHIDACEAE Zygopetalum pabstii Toscano CR - -
ORCHIDACEAE Zygostates chateaubriandii Ruschi REX - -
ORCHIDACEAE Zygostates kuhlmanni Brade REX - -
ORCHIDACEAE Zygostates leptosepala Toscano & L. Kollmann CR - -
OXALIDACEAE Oxalis blackii Lourteig EN - -
OXALIDACEAE Oxalis clausenii Lourteig VU - -
OXALIDACEAE Oxalis cytisoides C. Mart. ex Zucc. VU - -
OXALIDACEAE Oxalis doceana Lourteig EN EN -
OXALIDACEAE Oxalis impatiens Vell. EN - -
OXALIDACEAE Oxalis kuhlmannii Lourteig EN VU -
OXALIDACEAE Oxalis mandiocana Raddi VU - -
OXALIDACEAE Oxalis rhombeo-ovata A. St.-Hil. VU - -
OXALIDACEAE Oxalis umbraticola A. St.-Hil. EN - -
PIPERACEAE Ottonia peltata E. F. Guim. & Ichaso VU - -
PIPERACEAE Ottonia villosa Yunck. EN - -
PIPERACEAE Peperomia cordigera C. DC. CR - -
PIPERACEAE Peperomia pseudoestrellensis C. DC. EN - -
PIPERACEAE Peperomia psilostachya var. angustifolia C. DC. EN - -
PIPERACEAE Peperomia regelii C. DC. EN - -
PIPERACEAE Peperomia rostulatiformis Yunck. CR VU -
PIPERACEAE Peperomia suboppositifolia Yunck. CR VU -
PIPERACEAE Piper alnoides Kunth VU - -
PIPERACEAE Piper casteloense Yunck. CR VU -
PIPERACEAE Piper fuligineum Kunth VU - -
PIPERACEAE Piper juliflorum Nees & Mart. EN - -
PIPERACEAE Piper laevicarpum Yunck. VU EN -
PIPERACEAE Piper sprengelianum C. DC. VU - -
PIPERACEAE Piper subrugosum Yunck. CR - -
PIPERACEAE Piper truncatum Vell. EN - -

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IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

PIPERACEAE Piper vicosanum Yunck. EN - -

POLYGALACEAE Polygala pulcherrima Kuhlm. EN - -

POLYGALACEAE Polygala santosii Wurdack VU - -

RUBIACEAE Bradea anomala Brade CR - -

RUBIACEAE Bradea bicornuta Brade CR - -

RUBIACEAE Bradea kuhlmannii Brade CR - -

RUBIACEAE Bradea montana Brade EN - -

RUBIACEAE Genipa infundibuliformis Zappi & Semir VU - -

RUBIACEAE Palicourea veterinariorum Kirkbride CR - -

RUBIACEAE Riodocea pulcherrima Delprete EN - -

RUBIACEAE Rudgea coronata subsp. saint-hilairei


(Standl.) & Zappi CR CR -

RUBIACEAE Rudgea minor (Cham.) Standl. VU VU -

RUBIACEAE Rudgea minor subsp. umbrosa


(Muell.Arg.) Zappi CR - -

RUBIACEAE Rudgea reflexa Zappi EN EN -

RUBIACEAE Rudgea reticulata Benth. VU - -

RUBIACEAE Rudgea sessilis (Vell.) Müll. Arg. VU - -

RUBIACEAE Simira grazielae A. L. Peixoto CR - -

RUBIACEAE Standleya kuhlmannii Brade CR - -

RUTACEAE Conchocarpus marginatus (Rizzini)


Kallunki & Pirani EN - -

SAPINDACEAE Melicoccus espiritosantensis Acev.-Rodr. EN - -

SAPINDACEAE Paullinia riodocensis Somner VU - -

SAPINDACEAE Serjania divaricocca Somner EN - -

SCROPHULARIACEAE Agalinis bandeirensis Barringer CR - -

SCROPHULARIACEAE Nothochilus coccineus Radlk. CR - -

SCROPHULARIACEAE Otacanthus caparaoensis Brade CR - -

SCROPHULARIACEAE Stemodia veronicoides J. A. Schmidt EN - -

SMILACACEAE Smilax spicata Vell. EN - -

SOLANACEAE Dyssochroma viridiflora Miers VU - -

SOLANACEAE Schwenckia novaveneciana Carvalho CR EN -

SOLANACEAE Solanum sooretamum Carvalho EN - -

THEOPHRASTACEAE Jacquinia armillaris Jacq. VU - -

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IPEMA 2007
Cap.13 - As Angiospermas ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo
Ludovic Jean Charles Kollmann - André Paviotti Fontana - Marcelo Simonelli - Claudio Nicoletti de Fraga

Família Espécie Lista Lista Lista


ES Brasil* IUCN**

TRIGONIACEAE Trigoniodendron spiritusanctense


E. F. Guim. & Miguel EN EN -
VELLOZIACEAE Vellozia albiflora Pohl VU - -
VELLOZIACEAE Vellozia nuda L. B. Sm. & Ayensu EN - -
VELLOZIACEAE Vellozia pulchra L. B. Sm. EN - -
VERBENACEAE Citharexylum obtusifolium Kuhlm. RE - -
VIOLACEAE Rinorea maximiliani (Eichler) Kuntze RE - CP
VIOLACEAE Rinorea ramiziana Glaz. ex Hekking RE VU VU
VITACEAE Cissus blanchetiana Planch. VU - -
VITACEAE Cissus coccinea (Baker) Mart. Ex Planch. VU - -
VITACEAE Cissus nobilis Kuhlm. VU - -
VITACEAE Cissus paucinervia Lombardi VU - -
VITACEAE Cissus pulcherrima Vell. VU - -
VITACEAE Cissus serroniana (Glaz.) Lombardi VU - -
VITACEAE Cissus stipulata Vell. VU - -
VOCHYSIACEAE Erisma arietinum M. L. Kawas. VU - -
VOCHYSIACEAE Qualea magna Kuhlm. EN - -
VOCHYSIACEAE Vochysia angelica M. C. Vianna & Fontella EN - -
VOCHYSIACEAE Vochysia riedeliana Stafleu VU - -
VOCHYSIACEAE Vochysia santaluciae M. C. Vianna & Fontella EN - -

* Lista Nacional ainda não oficializada. Resultado do Workshop realizado em 2005, em


Minas Gerais, pela Fundação Biodiversitas.
** IUCN 2006. 2006 IUCN Red List of Threatened Species. <www.iucnredlist.org>.
Downloaded em Março 2007.

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Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

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137

IPEMA 2007
Ficha Técnica

Relação dos Participantes na Elaboração


da Lista de Espécies da Flora Ameaçada
de Extinção do Espírito Santo
Participantes

Coordenadores
Claudio Nicoletti de Fraga*
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ);
Ivanor Weiler Júnior
Escola das Ciências Físicas - Prefeitura Municipal de Vitória;
Helio Queiroz Boudet Fernandes*
Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (MBML);
Marcelo Simonelli*
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA).

Monitora
Idalúcia Smidth Bergher*
Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (IPEMA)

Pesquisadores envolvidos na consulta ampla e/ou na participação


do Workshop:
Alain Chauteams
Conservatoire et Jardin Botaniques de la Ville de Genève
Alessandro de Paula*
Faculdade Teixeira de Freitas (FTF)
Alexandre Quinet*
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
André Moreira de Assis*
Museu de Biologia Prof. Mello Leitão (MBML)
André Márcio Araujo Amorim*
Centro de Pesquisa do Cacau (CEPLAC)
André Paviotti Fontana*
Conservação da Orquídeas em Risco de Extinção (Projeto CORES)
Ariane Luna Peixoto*
Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT);
Daniel Ruschel
Universidade da Região da Campanha (URCAMP)
Daniela Zappi
Royal Botanic Gardens, Kew (RBGK)

141

IPEMA 2007
Espécies da Flora ameaçadas de Extinção no Estado do Espírito Santo

Daniele Monteiro Ferreiral


Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Elsie Franklin Guimarães
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Elton Martinez C. Leme*
Herbarium Bradeanum (HB)
Francisco Soares Santos Filho
Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
Gerardo Aymard
UNELLEZ – Guanare / Herbário PORT
Glória Maria de Farias Viegas Aguije*
Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (CEFETES)
Haroldo Cavalcante de Lima
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
João Marcelo Alvarenga Braga
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Jimi Naoki Nakajima
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Josafá Carlos de Siqueira
Pontifícia Universidade Católica (PUC)
José Manoel Lúcio Gomes*
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Juliana de Paula Souza
Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz/Universidade de São Paulo
(ESALQ/USP)
Julio Antonio Lombardi
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP)
Lana da Silva Sylvestre*
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Leandro Jorge Telles Cardoso
Universidade Santa Úrsula (USU)
Luciana Dias Thomaz*
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Ludovic Jean Charles Kollman*
Museu de Biologia Prof. Mello (MBML)
Luíz Carlos da Silva Giordano
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Luiz Fernando Silva Magnago*
Faculdades Integradas São Pedro (FAESA)
Lúcia D’Ávila Freire de Carvalho
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)

142

IPEMA 2007
Ficha Técnica

Marcio Lacerda Lopes Martins*


Centro Universitário de Vila Velha (UVV)
Marcos Sobral*
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Maria Bernadete Costa e Silva
Universidade Federal Rural do Pernambuco (UFRPE)
Mariana Machado Saavedra
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Marcus Nadruz Coelho*
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Micheline Carvalho Silva
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Oberdan José Pereira*
Faculdades Integradas São Pedro (Faesa)
Olga Yano*
Instituto de Botânica do Estado de São Paulo (Ibt/SP)
Pedro Fiaschi*
Centro de Pesquisa do Cacau (Ceplac)
Rafaela Campostrini Forzza
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Raymond M. Harley
Royal Botanic Gardens, Kew (RBGK)
Renato Goldenberg*
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Renato Mello e Silva
Universidade de São Paulo (USP)
Ricardo de Souza Secco
Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
Roberto Lourenço Esteves
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Sheila Regina Profice
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
Vinicius Castro Souza*
Escola Superior de Agricultura Luis de Queiroz/Universidade de São Paulo
(ESALQ/USP)

* Pesquisadores que participaram do workshop

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