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Fontes para a História da Saúde dos escravos no Brasil


Ângela Porto
Pesquisadora COC/Fiocruz

Resumo:

Apresentação do projeto “A saúde dos escravos: doenças, discursos e práticas terapêuticas – Guia
temático de fontes e de bibliografia”, biblioteca virtual coordenada por Ângela Porto e Kaori
Kodama. O presente projeto, em fase de implantação, consolida uma linha de pesquisa ligada à
Casa de Oswaldo Cruz sobre a saúde e doenças de escravos, em uma perspectiva que contempla a
interdisciplinaridade entre estudos voltados à escravidão e o da história das ciências e da saúde.
Com esse intuito, visa criar um instrumento de disponibilização de informações sobre fontes e
referências bibliográficas sobre a Saúde e Doenças dos Escravos, pela criação de uma Biblioteca
Virtual temática, dentro da Biblioteca Virtual em Saúde, História e Patrimônio Cultural da Saúde –
recentemente lançada e atualmente gerenciada pela Casa de Oswaldo Cruz. O principal objetivo da
página deverá ser o de divulgar um guia de fontes e de bibliografia sobre escravidão e saúde, que
vêm sendo coletadas até o presente momento, e cuja base de dados deverá ser constantemente
alimentada. Além disso, o recurso eletrônico on-line permitirá que se forme um espaço de interação
para pesquisadores de diferentes instituições, a fim de gerar um acúmulo de informações que
possam circular em diferentes ambientes.

Palavras-chave: Escravidão, Instituições médicas, História de doenças, Práticas terapêuticas,


História do Brasil século XIX
2

Nos últimos anos, a produção historiográfica vem sendo enriquecida por contribuições que
abrem novas perspectivas de investigação a respeito da saúde e das doenças dos escravos. Situado
em um campo de diálogo entre a história social da cultura e a história das ciências e da saúde, o
tema da saúde dos escravos só recentemente vem recebendo maior atenção por parte dos
pesquisadores, não obstante as perspectivas de estudos nesse campo ainda estejam longe de serem
esgotadas.
Como um desdobramento da pesquisa “O sistema de saúde do escravo no Brasil do século
XIX: instituições, doenças e práticas terapêuticas”, este guia temático de fontes e bibliografia
pretende atuar na disseminação de informação em ciências e saúde e auxiliar na consolidação dos
estudos sobre a saúde dos escravos, através da montagem de uma página na internet com a
divulgação de fontes e bibliografia coletada naquela pesquisa.
O meio a ser utilizado para a divulgação desse material será a Biblioteca Virtual em Saúde,
História e Patrimônio Cultural da Saúde (BVS HPCS). A BVS HPCS constitui-se em um segmento
temático da Biblioteca Virtual em Saúde para América Latina e Caribe. É inicialmente uma
iniciativa de cooperação técnica entre países localizados na América Latina e Caribe, que tem o
objetivo de fortalecer e valorizar a história e o patrimônio cultural da saúde, promovendo a
sustentabilidade de uma rede de fontes e fluxos de informação.
Pretende-se utilizar recursos multimídia, através de uma plataforma consolidada para fontes
de informação, para divulgar um panorama dos estudos sobre saúde dos escravos no Brasil,
disponibilizando o material do trabalho até o momento realizado no âmbito da pesquisa “O sistema
de saúde do escravo”. Este trabalho deverá ainda incorporar novos dados de pesquisa, agregando
colaborações de pesquisadores de outras instituições.
Centrada na escravidão oitocentista, a atual proposta de trabalho engloba diferentes registros
sobre a saúde dos escravos, tendo como universo as instituições do Rio de Janeiro e de Salvador.
Com vistas a consolidar as investigações nessa área, o projeto se apresenta como uma tentativa de
ampliar as frentes de diálogo com instituições e pesquisadores de diferentes campos disciplinares.
3
Até bem pouco tempo, a maior parte dos trabalhos referentes à saúde dos escravos e suas
terapêuticas somente investigaram o tema como ponto adjacente de suas análises.
Esses estudos imprimiram a idéia geral de que o escravo — mal alimentado, mal vestido e
maltratado — era explorado ao máximo de suas forças; sendo prática comum o escravo ser
alforriado ou abandonado a sua própria sorte, quando sua enfermidade era incurável.
Pode-se dizer que parte dessa perspectiva adotada reflete a própria produção oitocentista
médica sobre os escravos. O discurso médico do século XIX1 viu no negro escravo a causa de
muitos males, sua presença no seio da família representava perigo físico e moral. Devemos dizer
que essas perspectivas são tributárias do desenvolvimento da própria história da escravidão, e das
abordagens sobre a história da saúde.
Com as mudanças nas abordagens das pesquisas históricas em escravidão, iniciadas já na
segunda metade do século XX, a visão mais estereotipada, configurada na imagem da escravidão
como simplesmente um mal que deveria ser expurgado, cedeu espaço para as análises que exploram
em múltiplos aspectos a escravatura e sua profunda ligação com o desenvolvimento da sociedade
brasileira. Neste aspecto, a própria renovação da historiografia da escravidão, a partir da década de
1970, abriu a possibilidade de os escravos serem cada vez mais compreendidos como capazes de
construir redes de solidariedades, de possuírem sistemas de valores próprios e capacidade de
preservar e transmitir sua herança cultural. Um dos estudos conhecidos que passou a ser referência
para a questão da saúde dos escravos, sobretudo do meio urbano, é o trabalho de Mary Karasch, A
vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850), publicado pela primeira vez em inglês em 1985.
A ampliação de objetos e de abordagens, em aspectos tão variados como o das famílias escravas,
dos movimentos de resistência, aspectos das representações e das práticas culturais africanas e da
cultura popular oitocentista no Brasil – abriram novas sendas para a investigação das condições de
vida e atitudes diante da morte. Como afirmou Cristina Wissenbach, “as investigações sobre as
condições de vida e de trabalho associadas às péssimas situações de moradia, de vestimenta e de
regime alimentar ou à exploração desmedida do trabalho escravo, ou ainda às dinâmicas perversas
do tráfico, fizeram com que os historiadores se aproximassem, inicialmente de forma tímida, e

1
Entre as obras importantes produzidas nos séculos XVIII e XIX que abordam a questão da saúde dos escravos,
encontram-se a de Oliveira Mendes (1793), Carlos Augusto Taunay (1839), Xavier Sigaud (1843), e Reinhol Teuscher
(1853).
4
depois mais vigorosamente, do tema das relações entre doenças e escravidão”2.
Para tanto faz-se necessário explorar, com base nessas novas perspectivas e abordagens,
arquivos e fontes, ainda pouco explorados na história da saúde do escravo. Pesquisas mais
aprofundadas sobre a presença dos escravos no quadro das Santas Casas de Misericórdias é um
exemplo disso3. Na pesquisa que vem sendo realizada pela Casa de Oswaldo Cruz, na SCM do Rio
de Janeiro, foram recolhidos dados a partir das guias de sepultamento, formulando uma primeira
amostragem da base de dados que será disponibilizada sobre a mortalidade e doenças que
acometiam os escravos enterrados no cemitério de São Francisco Xavier no Caju para o ano de
1854 (Porto, 2007). Em continuidade com essa pesquisa, mas enfocando já a epidemia de cólera de
1855 no Rio de Janeiro, um levantamento a partir da mesma fonte vem sendo realizado por Kaori
Kodama. Outro exemplo são os periódicos médicos, uma importante fonte de investigação para a
compreensão dos discursos médicos e das concepções de doença do século XIX e de suas relações
com a escravidão. Existe uma considerável produção intelectual que aborda o tema o negro e as
doenças procedentes da África, e relatos de médicos e cirurgiões, nos periódicos médicos,
originários da observação de patologias diversas em pacientes negros4. Ambas as ocorrências, como
observa Silvio Lima5, contribuem para o desenvolvimento do conhecimento medico e revelam
outros aspectos do papel que cativos e libertos desempenharam na historia da medicina.
Há, contudo, outros espaços de investigação a serem incorporados e temas que na atualidade
começam a ser revistos, tais como as doenças dos escravos e as doenças dadas como de origem
africana6. Não há mais como continuar afirmando-se, como o fizeram os historiadores da medicina
do passado (Rodrigues, 2004 e 1935; Freitas, 1935; Santos Filho, 1991; Parahym, 1978), que
determinadas doenças foram introduzidas pelos negros africanos, ou mesmo que eram exclusivas
deles. Estudos recentes de paleopatologia (Silva, 2004) têm esclarecido um pouco mais essa
questão, mostrando que os achados de parasitas ou de lesões em fósseis indicam a presença de

2
Wissenbach, Maria Cristina Cortez. “Prefácio – Algumas reflexões sobre a escravidão, o tráfico e outros males”. In:
Porto, Ângela (org.). Doenças e escravidão: sistema de saúde e práticas terapêuticas. CD-ROM, Rio de Janeiro:
Casa de Oswaldo Cruz-Fiocruz, 2007.
3
Além do estudo de Mary Karash, nos últimos anos algumas teses utilizaram-se de documentação das SCMs e
observaram a situação dos escravos, ver Barreto, 2005, Pimenta, 2003 e Porto, 2007.
4
Para citar alguns desses jornais: O Atheneo: periódico científico e literário dos estudantes da escola Médica da Bahia;
Archivo Médico Brasileiro: gazeta mensal de medicina, cirurgia e sciencias accessorias e Jornal da Academia
Médico-Homeopática do Brasil. Todos estes jornais foram publicados entre os anos 40 e 50 do século XIX.
5
Doutorando do Programa de Pós Graduação em História das Ciências da Saúde, autor do trabalho de curso: “Esboços
de uma nova abordagem sobre medicina e escravidão”, 2008.
6
Ver artigo de Diana Maul de Carvalho, “Doenças dos escravizados, doenças africanas?” (Porto (org.), 2007).
5
algumas dessas doenças antes da chegada do homem branco na América, e isso vale também para
os africanos e a África. Uma abordagem centrada em fatores de ordem nutricional e sobre a história
biológica das populações negras transportadas para as Américas, como a que se desenvolveu
largamente nos Estados Unidos, ainda está por se fazer no Brasil7.
Outra direção interessante é seguida pelos trabalhos que abordam as práticas de cura e as
terapêuticas empregadas por escravos. Esse campo de estudo se alargou nos últimos anos e revela
farta documentação para a elaboração de uma análise mais aprofundada sobre a medicina entre os
escravos (Chalhoub, 2003; Figueiredo, 2002; Pimenta, 1998 e 2003; Sampaio, 2000 e 2001; Witter,
2001).
Considerando as questões acima levantadas, a relevância da implementação deste projeto
situa-se numa dupla perspectiva. Em primeiro lugar, ele vem em encontro da renovação dos estudos
do pensamento médico sobre o escravo e das práticas terapêuticas, considerando aspectos que
regiam a compreensão do século XIX brasileiro sobre a saúde, a doença, a higiene, entre outros. A
visão sobre o escravo e seus males esteve envolta por preconceitos e estigmas, que marcam a
população negra brasileira até os nossos dias. Também chamada de “cancro roedor do Império do
Brasil”, a escravidão carrega em si o signo da degeneração.
Em segundo lugar, este projeto é significativo para a história social da saúde e da doença, na
medida em que são poucos os estudos brasileiros específicos sobre o assunto.8 Apesar de nos
últimos anos terem se multiplicado os trabalhos acadêmicos sobre o tema da saúde e da doença,
consubstanciados em uma linha sólida de publicações9, ainda é necessário aprofundar e consolidar o
campo da saúde dos escravos. Esta tarefa, tomada agora pela pesquisa desenvolvida na Casa de
Oswaldo Cruz, vem de encontro à necessidade de articular um maior diálogo entre a história das
ciências e da saúde e a história da escravidão. A criação de um site junto à BVS HPCS certamente

7
Kenneth Kiple (1981; 1984 e 1988) estuda e “susceptibilidade” da raça negra a certas patologias, relacionando-as a
fatores de ordem genética e nutricional, e apontando também para motivos de ordem imunológica, tanto no caso da
tuberculose, como nas etiologias das lesões de pele dos escravos.
8
Neste aspecto, a historiografia nacional carece de estudos específicos, se comparada à produção internacional (Ver,
p.ex., CURTIN, Philip, 1968; FETT, Sharla, 2002; KIPLE, Kenneth, 1984 e 1988 e ____. & KING, Virginia, 1981;
McBRIDE, David, 2005; NUMBERS, Ronald L. & SAVITT, Todd L., 1989; SAVITT, Todd L., 1978 e 2005;
SHERIDAN, Richard B., 1985). Essas obras analisam a história da saúde e das doenças dos escravos em perspectiva
abrangente. Abordam temas tais como a relação entre medicina e escravidão, a história biológica da raça negra e as
práticas terapêuticas exercidas pelos escravos ou voltadas para eles. Nos últimos anos, foram realizados alguns
trabalhos que têm como foco a história da sáude e da doença do escravo. (ver: ASSIS, Marcelo Ferreira, 2002;
ANDERSEN, Liryo da Silva et. alli., 2004 ; ALMEIDA, Ana Maria e FALCI, Miridan Britto, 2007).
9
Sobre a história das doenças e as artes de curar no Brasil, ver Nascimento, et alii, 2004 e 2006; e Chalhoub, 2003 e
Figueiredo, 2002.
6
contribuirá com esse intuito, ampliando o alcance de disseminação das informações para a área, ao
serem aplicadas ferramentas em comum a outros países da América Latina e Caribe para a
disponibilização de fontes e bibliografia. E, ao mesmo tempo, abre um espaço de interação com
outras instituições de pesquisa.
Atualmente, os documentos e bibliografia a serem disponibilizados encontram-se
organizados no programa EndNote (http://www.endnote.com/eninfo.asp), que é um software
completo para gerenciar banco de dados bibliográficos e organizar bibliografia para publicação e
que foi adotado na pesquisa “sistema de saúde do escravo”, com grande auxilio na elaboração de
trabalhos. Este programa tem por função organizar referências de fontes e bibliografia, imagens,
PDFs e outros arquivos em uma base. Os tipos de referências que os usuários encontrarão, nesta
base já costumizada pela pesquisa, são os seguintes:
1- Artigo em periódico
2- Banco de dados
3- Capitulo de livro
4- Conjunto documental
5- Imagem
6- Livro
7- Manuscrito
8- Revista
9- Teses
10- Trabalho não publicado
O material coletado está organizado em fichas, de acordo com sua tipologia, que trazem os
dados gerais da referência, sua localização, um pequeno resumo do documento ou obra e notas de
pesquisa. Estas constituem as partes a serem destacadas para a temática tratada, questões de saúde,
ou correlatas, dos escravos. Essas fichas podem trazer uma imagem agregada, um PDF ou remeter a
um link.
Cabe relacionar a definição de critérios de escolha adotados na pesquisa para o banco de
dados sobre saúde de escravos:
1) Bibliografia utilizada na pesquisa: privilegiamos estudos sobre a história da escravidão no Brasil,
na área de história social e cultural e estudos recentes com informações demográficas que trazem
dados novos sobre a presença do escravo na sociedade brasileira do século XIX; novos estudos
sobre a arte de curar no Brasil do século XIX e obras clássicas sobre a história da medicina no
Brasil.
2) Documentação e acervos trabalhados: as teses das Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e
7
de Salvador e os manuais médicos do período; relatos de viajantes e memorialistas; os debates na
Academia Imperial de Medicina e nos periódicos médicos sobre a saúde e as doenças de escravos;
Arquivos eclesiásticos (livro de óbitos); Arquivos das Santas Casas de Misericórdia do Rio de
Janeiro e Salvador, Inventários post mortem.
3) Iconografia: Desenhos e gravuras, fotografias, anúncios de jornais e ex-votos dos acervos dos
Museus Castro Maia, Biblioteca Nacional e Instituto Moreira Sales.
4) Dados estatísticos: existentes nas fontes e criados pela pesquisa sobre informações qualitativas
das fontes.
Parte importante do trabalho deverá ser realizada por analistas de sistemas do Núcleo de
Informação da COC e por bibliotecários. O apoio do Núcleo de Informação será o de fornecer os
softwares para execução do trabalho; dar treinamento técnico ao bibliotecário/a para utilização do
programa; realizar a produção do design gráfico da página e outras costumizações.
O desenvolvimento do trabalho deverá incluir as seguintes etapas:
a) Instalação e customização de sistema de entrada de dados
b) Migração de dados provenientes do EndNote
c) Definição de campos recuperáveis e formato de exibição
d) Instalação e customização do IAH para recuperação dos dados
e) Customização da planilha de entrada de dados no LILDBI para fonte de multimídias ou
Instalação e configuração de outra ferramenta tecnológica
f) Definição de campos recuperáveis e formato de exibição
g) Instalação e customização do IAH para recuperação dos dados
h) Especificação de Wireframe do produto, baseando-se no modelo BVS
i) Especificação de programação visual do produto (BVS-Site e IAH's)
j) Instalação do portal temático (BVS-Site) e customização para arquitetura e programação
visual definidos em etapas anteriores
k) Adaptação dos dados migrados do EndNote à metodologia LILACS, para fonte de
referências bibliográficas
l) Inserção de conteúdo para fonte de multimídias
m) Inserção de conteúdos do portal
n) Treinamento de bibliotecário/a, para execução das seguintes tarefas:
1) Planilhas de entrada de dados (LILDBIWeb)
8
2) Indexação com DeCS
3) Alimentação de conteúdo no BVS-Site.
Em relação ao treinamento do/a bibliotecário/a, será importante o uso do sistema de entrada
de dados (referências bibliográficas) baseado na metodologia LILACS, descrita em :
http://bvsmodelo.bvsalud.org/php/level.php?lang=pt&component=27&item=3
Esta metodologia deve ser também compartilhada pela equipe que irá realizar a inserção de
novos dados ou referências. O trabalho deverá, portanto, continuar a ampliar o corpus já existente
no banco de dados produzido pela pesquisa anterior. O conteúdo geral a ser incluído em multimídia
deve ser: 1) bibliografia sobre escravidão e saúde; 2) localização de documentos arquivísticos
manuscritos e impressos sobre escravidão e saúde; 3) imagens; e 4) estatísticas demográficas,
incluindo informações sobre população existente, natalidade, mortalidade, morbidez e estado civil;
5) bancos de dados coletados por pesquisadores de diversas instituições; 6) textos de pesquisadores
em pdf, 7) links para sites co-relacionados.
Na base de referências a ser criada para a página, os dados serão importados do EndNote e
adaptados à metodologia LILACS.
Como se trata de um trabalho de manutenção atualizada de informações sobre fontes e
bibliografia será necessária a inserção constante de elementos na base de dados. Tais informações
deverão ser fornecidas por pesquisadores ligados ao projeto ou por colaboradores eventuais. A partir
destes dados fornecidos, se deverá produzir a ficha de entrada para alimentar a base de dados. Um
fundamento importante da validação dos novos elementos coletados será a participação da equipe a
fim de certificar e avaliar o material a ser divulgado, funcionando como um conselho científico das
informações a serem disponibilizadas e inseridas futuramente por eventuais colaboradores. O
sistema que será utilizado para esse fim é o LILDBI-Web (LILACS Descrição Bibliográfica e
Indexação - Versão Web), de distribuição gratuita, e que será instalado no servidor institucional.
Para a recuperação de dados, será utilizado o IAH (Interface for Access on Health
Information - Interface de Acesso à Informação em Saúde), uma interface gratuita que permite
pesquisa na base de dados e exibição dos resultados da pesquisa em formato previamente
configurado.
Outra metodologia, que será desenvolvida pelo Núcleo de Informações, será relativa às
customizações do material multimídia para: 1) o desenvolvimento de uma entrada de dados que
contemple informações características de descrição de imagens e na recuperação, 2) possibilitar que
9
as imagens sejam automaticamente visualizadas pelos visitantes.
Quanto aos softwares que serão utilizados e instalados para a criação do BV temático, será
necessário o BVS-Site, aplicativo que gerencia a página principal de uma BVS e que integra as suas
fontes de informação, permitindo criar, administrar e publicar o site. Esse e outras informações
sobre o BVS-Site estão disponíveis em:
http://bvsmodelo.bvsalud.org/php/level.php?lang=pt&component=27&item=10

Resultados esperados:
a) Fortalecer uma linha de pesquisa sobre a Saúde e Doenças dos Escravos, congregando
pesquisadores de diferentes instituições nacionais
b) Disponibilizar um panorama qualitativo e quantitativo dos múltiplos aspectos relacionados à
saúde dos escravos no Brasil do século XIX tanto a partir do fornecimento de informações sobre
fontes e temas de pesquisa, como através da indicação das produções historiográficas recentes
sobre a saúde e doenças de escravos.
c) Fornecer instrumental para pesquisa de campos interdisciplinares, proporcionando o maior
diálogo entre pesquisas que contemplem: as relações entre África e Brasil, através do
levantamento de doenças que acometiam os escravos; a História da Saúde no Brasil, sobre
doenças, assistência e práticas terapêuticas; estudos sobre escravidão; estudos em epidemiologia
entre outros.
d) Gerar condições para agregar futuramente colaborações internacionais na área da saúde dos
escravos.

Bibliografia:
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Laboratório Gênero e Escravidão, 2007.
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