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A NOVA CENTRALIDADE DA AVENIDA PADRE CÍCERO EM JUAZEIRO

DO NORTE-CE COM A CHEGADA DOS HIPERMERCADOS


Andressa Santos1
Arthur Bezerra Furtado Soares2
Cassio Expedito Galdino Pereira3

RESUMO

A temática da centralidade urbana tem sido bastante explorada pelos estudiosos do


fenômeno urbano, e quando se trata do Juazeiro do Norte, cidade localizada no Sul do
Estado do Ceará, o processo de estruturação nas últimas décadas vem ganhando
notoriedade. Isso se deve a presença de formas espaciais que até então não faziam parte
da paisagem urbana. Neste caso, as estratégias de localização dos empreendimentos por
parte dos agentes econômicos têm mostrado que as tendências da estruturação recente
nesta cidade estão ligadas a um processo de redefinição da centralidade urbana. A
Avenida Padre Cícero é um exemplo de nova centralidade devido a concentração de
Hipermercados. Agentes sociais tendem a produzir seu espaço de acordo com seus
interesses, contradições e práticas espaciais que tanto podem ser próprios de cada um,
isoladamente, como comuns ao grupo. Este processo se chama identidade de
pertencimento, em que cada agente produz seu espaço, conforme se sente em relação a
cada característica peculiar de um dado lugar. A questão das novas centralidades são um
exemplo desse tipo de produção de espaço, onde os agentes modeladores do espaço
configuram uma determinada área como ponto central de uma nova dinâmica sócio
espacial. O desenvolvimento territorial, e a questão urbana do Juazeiro do Norte estão
relacionados, além da dinamização dos aspectos produtivos/econômicos, à valorização
das dimensões sociais, culturais, ambientais e político-institucionais que constroem o
bem-estar social. Baseado na ideia de Souza (1996), desenvolvimento requer a geração
de uma gama de estruturas que atendam às necessidades sócio econômicas de uma área e
sua população. Sendo então, não apenas de teor quantitativo, mas refere-se à distribuição
de diversas ações que atendam às necessidades da área. E esse desenvolvimento é
consequências da inserção desses empreendimentos que dinamizam o espaço. O objetivo
deste trabalho é depreender as relações entre desenvolvimento e a nova centralidade dos
empreendimentos de hipermercados da avenida Padre Cícero em Juazeiro do Norte-CE.
Para isso foi necessário fazer uma revisão bibliográfica dos conceitos abordados, sendo
estes espaço urbano, desenvolvimento e centralidade, como também pensar os atuais
fenômenos que agem no âmbito da pesquisa. Além disso, foi necessário fazer
empiricamente uma análise das novas relações que surgem com o desenvolvimento do
bairro Antônio Vieira, de Juazeiro do Norte-CE, como moradias, comércios e o seu
desenvolvimento. Logo, temos como consequência uma expansão urbana nessa área
atraída pelos novos empreendimentos que deram respaldo aos empreendimentos

1
Autora. Graduada em Licenciatura em Geografia pela Universidade Regional do Cariri – URCA. E-mail:
andressa.santos96@hotmail.com.
2
Coautor. Graduando em Licenciatura em Geografia pela Universidade Regional do Cariri – URCA. E-
mail: arthur.rip@gmail.com.
3
Orientador. Mestrando da Universidade de São Paulo (USP) e professor substituto da Universidade
Regional do Cariri – URCA. E-mail: cassio.expedito@gmail.com.
imobiliários pelo aumento da especulação e inchaço urbano da própria cidade. As
estratégias de localização dos empreendimentos por parte dos agentes econômicos têm
mostrado que estas mudanças estão ligadas a um processo de redefinição da centralidade
urbana, apontando uma dinâmica urbana com características de um processo de
reestruturação da cidade. A Avenida Padre Cícero, localizada no Eixo Juazeiro-Crato,
teve a área transformada em vetor de expansão urbana e de valorização do solo urbano,
com as empresas de capital nacional e internacional, especificadamente de
hipermercados. Para que se chegue aos resultados desta análise, iremos compreender um
pouco do histórico desta área, comparando as dinâmicas do espaço urbano antes e depois
da chegada dos hipermercados, relacionar o espaço urbano de nova centralidade com o
seu desenvolvimento, para assim compreender as consequências da nova estruturação do
espaço urbano.

PALAVRAS-CHAVE: Espaço urbano. Desenvolvimento. Centralidade.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo trata sobre a questão de centralidade urbana de Juazeiro do


Norte. Localizada no Sul do estado do Ceará, mais especificadamente na região do Cariri,
Juazeiro do Norte é uma cidade média com população de pouco mais de 270 mil
habitantes, de acordo com o IBGE (2010). A temática da centralidade urbana tem sido
bastante explorada pelos estudiosos do fenômeno urbano. E quando se trata do Juazeiro
do Norte, o processo de estruturação da cidade nas últimas décadas vem ganhando
notoriedade devido a presença de formas espaciais que até então não faziam parte da
paisagem urbana.
Assim, as estratégias de localização dos empreendimentos por parte dos
agentes econômicos têm mostrado que as tendências da estruturação recente nesta cidade
estão ligadas a um processo de redefinição da centralidade urbana. Com isso, o trabalho
discutirá a forma como se dão as novas relações socioeconômicas espaciais a partir da
questão urbana de Juazeiro do Norte, além de uma reestruturação da cidade com o passar
dos anos, que leva a surgir aos poucos, novas centralidades que compõe e articulam
diferentes dinâmicas urbanas em Juazeiro do Norte.

2 METODOLOGIA
O presente trabalho foi realizado através de uma pesquisa teórica e empírica,
onde os principais temas lidos foram sobre centralidade urbana e desenvolvimento,
principalmente a partir do pensamento de Spósito (2010) e Pereira (2015). A abordagem
das informações é de cunho qualitativo, pois a análise dos dados para a construção de
noções e entendimentos sobre as novas centralidades do Juazeiro do Norte-CE é
fundamental. Deste modo, tem-se um estudo de caso, pois os resultados obtidos não
ocorrem de modo generalizado, mas será feito um recorte apenas da centralidade da
avenida Padre Cícero em Juazeiro do Norte-CE, com enfoque na sua relação com a
chegada dos Hipermercados nesse trecho. Assim sendo, além do estudo teórico necessário
para compreender as dinâmicas socioespaciais e econômicas da cidade, a observação foi
a ferramenta principal para reafirmar empiricamente tudo aquilo que se lia.
Os desafios para o entendimento da cidade e do urbano estão presentes na
compreensão da Geografia Urbana. Assim, a reprodução territorial da cidade, sua
organização interna, os agentes produtores do espaço urbano, a rede urbana e de reflexões
conceituais sobre a cidade e o urbano, mostram uma abertura de novos conhecimentos
explorados de uma ótica diferenciada.

3 A QUESTÃO URBANA DO JUAZEIRO DO NORTE-CE

O desenvolvimento territorial e a questão urbana do Juazeiro do Norte estão


relacionados, além da dinamização dos aspectos produtivos/econômicos, à valorização
das dimensões sociais, culturais, ambientais e político-institucionais que constroem o
bem-estar social dessa cidade média.
A questão das novas centralidades são um exemplo de produção do espaço,
onde os agentes modeladores do espaço configuram uma determinada área como ponto
central de uma nova dinâmica sócio espacial, sendo influenciados pelos interesses
particulares ou coletivos da população, dos empresários, ou mesmo do Estado.
E nada mais urbano que a cidade em si. Então, vê-se que o termo "cidade" é
usada para descrever uma área de urbanização contígua, que concentra oferta de serviços
e os mais diversos fluxos e atividades humanas (LIMA, 2015). Juazeiro do Norte por ser
uma cidade média, polariza as principais atividades de comércio, serviços, educação,
indústria, habitação entre outros.
Assim, a partir do Estatuto das Cidades, é possível que estas políticas sejam
levadas em consideração pelo Poder Público e que este busque, juntamente com a
sociedade, elaborar planos que contemplem a melhor utilização e ocupação do solo.
Como no caso da avenida Padre Cícero, em Juazeiro do Norte.
O processo de estruturação e reestruturação da cidade de Juazeiro do Norte
vem aumentando nas últimas décadas. Estes novos espaços expressam centralidades
diferentes e mantêm relações diversas com o centro da cidade, pois, o centro concentra
um pouco de tudo de uma só vez, sendo o lugar onde a cidade exerce e afirma o seu poder
(LABASSE, 1970, apud PEREIRA, 2014). Logo, o centro é entendido como um espaço
que possui qualidades que o torna diferente das demais áreas da cidade, tendo suas
funções ou características urbanas apresentadas de forma mais intensa.
É possível observar no contexto da urbanização contemporânea, uma
separação entre o centro da cidade e a centralidade provocada pela localização periférica
de equipamentos que tradicionalmente estavam nos centros das cidades (CHALAS, 2010
apud PEREIRA, 2014). Notório que com a produção de novas realidades urbanas
vinculadas às atividades comerciais e de serviços distantes do centro da cidade, como
com a chegada dos hipermercados, a centralidade foi se distanciando do centro e deixou
de ser uma propriedade do lugar central para ser um lugar do central, com características
de centralidade. Logo, áreas de centralidade são

os novos espaços que expressam centralidade no que tange ao comércio e aos


serviços – hipermercados, shopping centers, etc. – são chamados
inadequadamente de centros, pois a expressão centro, do ponto de vista
conceitual, deveria ser resguardada para qualificar apenas o centro da cidade,
pois esta área possui características que possibilitam a sua qualificação como
centro. O mesmo acontece com a expressão “novas áreas centrais” [...]
(PEREIRA, 2015, p. 314).

Ao distinguir a centralidade do centro das cidades, observa-se que: a


centralidade fazer referência a combinação de vários processos sociais no espaço, ou seja,
não há uma centralidade, mas um conjunto de processos que a definem, sendo ligados a
história de uma cidade particular. Ambos correspondem a diferentes tipos de
hierarquização urbana, fluxos e de atividades próprias aos centros (CASTELLS, 1988
apud PEREIRA, 2015).
Logo, pode-se entender que as centralidades se caracterizam como espaços
de concentração de atividades econômicas, principalmente ligadas ao terciário que se
localizam fora do centro principal de uma cidade, podendo se expressar, do ponto de vista
da forma espacial, de diferentes maneiras.

4 AS NOVAS CENTRALIDADES DE JUAZEIRO DO NORTE E A


REESTRUTURAÇÃO URBANA

Durante todo o processo de estruturação da cidade de Juazeiro do Norte ao


longo do século XX, o centro exerceu o papel de elemento fundamental da produção da
cidade, como o único espaço com expressão de centralidade. Contudo, a partir da década
de 1980 inicia-se uma pequena desconcentração destas atividades, a qual seria
consolidaria nos anos 1990 com a formação do subcentro Pirajá.

Mapa 1 – Juazeiro do Norte. Localização dos principais supermercados e hipermercados


segundo origem de capital.

Fonte: Pesquisa de Campo, 2012-2013 (PEREIRA, 2014, p. 197).


Organização dos dados: Cláudio Smalley Soares Pereira. Elaboração: Rafael Cartão (2013).
Como observa-se no mapa 1, atualmente, constata-se na cidade a existência
de quatro áreas que concentram comércios e serviços: o centro da cidade (chamado centro
principal ou de Centro), o Pirajá (um subcentro que surge no fim dos anos 1980), a área
do Cariri Garden Shopping (criada já no final dos anos 1990) e o Eixo Juazeiro-Crato da
avenida padre Cícero (dos anos 1990 e 2000). Estas áreas se distinguem quanto à
quantidade de oferta comercial e de serviços, a qualidade dos produtos, estrutura
fundiária, a origem do capital dos empreendimentos, o alcance espacial ou área de
influência, e o perfil dos consumidores.
Todavia, muitas das novas áreas produzidas nas cidades podem ser
caracterizadas como “centralidades sem centro”, pois são resultados desta
“desfabricação”, pois são, na verdade, formas artificialmente criadas no espaço urbano
que concentram atividades econômicas, mas que, em sentido amplo, não são centros, visto
que não possuem as qualidades fundamentais que caracterizam o centro principal
(PEREIRA, 2014). É por isso que pode-se dizer que

[...] o Centro perdeu centralidade para as chamadas “novas centralidades”, uma


vez que não consegue continuar comandando, ele só, o complexo processo de
construção metropolitana96, sendo obrigado entrar na arena competitiva com
outras áreas da cidade, sustentado pela postura de uma parte da sociedade que
pretende – por razões econômicas, de prestígio, ou ainda culturalistas –
reforçar a centralidade preexistente àquelas novas centralidades. Ainda assim,
o Centro continua Centro (TOURINHO, 2004, p. 395 apud PEREIRA, 2014,
p. 128).

Um dos ramos de atividades que são significativos para se pensar a


centralidade na cidade de Juazeiro do Norte é a atividade comercial, sendo destacados os
super e hipermercados, associados ou não a shopping centers, pois estas atividades
apresentam uma localização significativa fora do centro da cidade. Pois a “centralidade
não se expressa sem que uma concentração se estruture” (SPOSITO, 2001, p. 238). O
desempenho de supermercados depende, grandemente, de sua localização, pois a maior
parte das vendas de uma loja vem de clientes que moram dentro de uma área geográfica
relativamente pequena em torno da loja, gerando justamente essa concentração que
Sposito (2010) fala.
A avenida Padre Cícero, localizada no Eixo Juazeiro-Crato, foi transformada
numa área em vetor de expansão urbana e de valorização do solo urbano, com as empresas
de capital nacional e internacional, especificadamente de hipermercados. A inauguração
do Assaí em 2013 de frente ao Atacadão, promovendo a concorrência das grandes redes
varejistas, apenas confirma a tendência de estratégia na localização destas atividades
baseadas no mercado consumidor crescente.
Baudrillard (1991) aponta que o hipermercado é inseparável das autoestradas
e estabelece uma trajetória que move a aglomeração e, por isso, desintegra a própria
cidade. Sendo um atrativo para as novas estradas, que como a avenida Padre Cícero,
facilita e agiliza o fluxo de veículos, logo, a infraestrutura é umas principais estratégias
para este comércio que exige a grande movimentação de pessoas, influenciando
diretamente nesta nova centralidade.
Assim, a centralização econômica foi enorme no ramo do comércio varejista.
Para reforçar a tendência, tem-se ainda o exemplo do Grupo Atacadão (17º do ranking)
que foi adquirido pelo Grupo Carrefour em 2007 (ATACADÃO, s.d.). Porém, o eixo
Juazeiro-Crato apresenta, na verdade, três grandes superfícies comerciais: o Maxxi
Atacado, o Atacadão e o Assaí, ambos na Avenida Padre Cícero.
Corrêa (1995) ainda define que o espaço urbano é fragmentado e articulado,
com diferentes articulações entre os usos da terra, onde a sociedade se materializa na
forma espacial com suas relações. E, são nestes movimentos e fluxos que as empresas
estão interessadas em se localizar, a fim de obterem o máximo proveito do espaço urbano.
O solo urbano tem tido uma grande valorização nos últimos anos, tanto no
centro principal, nas áreas de concentração do comércio e em alguns setores residenciais
“periféricos”, provocando práticas de especulação imobiliária pouco presentes, no
contexto urbano desta cidade, até 2007. O reflexo dessa valorização da terra urbana é o
fechamento de pequenos comércios de capital local.
Na verdade, a desconcentração de certas atividades do centro, resultam em
uma nova definição da estrutura urbana e denotando uma reestruturação da cidade ao
mesmo tempo em que há uma valorização da centralidade do centro principal. Com isso,
não há uma descentralização das atividades, mas sim uma desconcentração, formando
novos espaços de centralidade que se articulam em rede com o centro da cidade
(PEREIRA, 2012).
O que se entende como reestruturação da cidade está ligado aos processos que
redefinem a centralidade na cidade, provocando o surgimento de novos espaços de
concentração de comércio e serviços que passam a ser complementares e concorrentes ao
centro da cidade, espaços estes com características diferentes do centro, como os
shopping centers, hipermercados e outros semelhantes a estes.
Sposito (2004, p. 312 apud PEREIRA, 2014, p. 124), traz o conceito de
reestruturação como “fazer referência aos períodos em que é amplo e profundo o conjunto
das mudanças que orienta os processos de estruturação urbana e das cidades”. E esse
conceito de Sposito é fundamentado no pensamento de Soja (1993, p, 193-194 apud
PEREIRA, 2014, p. 124), afirmando que a reestruturação deve ser considerada a
“desencadeadora de uma intensificação das lutas competitivas pelo controle das forças
que configuram a vida material”.
Deste modo, a reestruturação é caracterizada por transformações que remetem
às dimensões políticas, econômicas e culturais, principalmente quando se refere às
estruturas espaciais e temporais da sociedade. Sposito (2008) fala que as reestruturações
urbanas não podem ser compreendidas sem a compreensão das reestruturações da cidade,
logo, das mudanças lógicas de produção do espaço urbano. A reestruturação do espaço
urbano que se observa em Juazeiro do Norte apresenta fatores importantes para a
explicação das transformações urbanas em cidades médias brasileiras e cearenses em
particular.
Os principais impactos resultantes dos processos já citados, sobre o bairro
Antônio Vieira, localizado entre os hipermercados e o shopping center no triangulo
CRAJUBAR, é o inchaço urbano e a valorização do solo urbano. Observa-se que esse
bairro é caracterizado pela presença de empreendimento de médio e grande porte, tais
como a fábrica de refrigerante regional, a Cajuína São Geraldo, e o frigorífico Só Frios,
e de empreendimentos de pequeno porte como bares, motéis, comércio, academias e
serviços variados, que atendem a população do bairro e a população de bairros vizinhos,
logo, tais empreendimentos, se destacam pela presença em vias de acesso ou na própria a
Av. Padre Cícero.
Entretanto alinhados ao pensamento de Gomez (2002), em que apenas o
crescimento econômico não melhora o padrão de vida da população, e o de Souza (1996),
vê-se que para que haja desenvolvimento é necessário que seja desenvolvida
infraestrutura capaz de atender a demanda das necessidades da população. Sendo função
do poder público criar novas estruturas para atender as novas necessidades. Ressaltamos
que o bairro Antônio Vieira não se adequou as novas necessidades da população, onde a
infraestrutura se mantem no entrono da Av. Padre Cícero, ao passo que as quadras se
distanciam a infraestrutura local, se mostra deficitária, bem como como os serviços
básicos prestados à população, exceto pela proximidade com o Hospital Regional do
Cariri – HRC, que proporciona acesso ao atendimento de urgência e emergência de saúde,
e ao PSF, que deixa a população com acesso moderado aos serviços de saúde.
Todavia, o bairro se vê deficitário quanto a educação, não dispondo de escolas
de ensino infantil, apenas uma de nível fundamental e outra de nível médio, que atendem
a população do bairro e dos bairros vizinhos, o que resulta na sobrecarga das escolas e no
expressivo número de alunos por sala, como também deslocamento das crianças para
outras localidades da cidade, à procura do ensino infantil. Com o inchaço urbano
provocado pela atração comercial, o bairro cresceu rapidamente, o que deixou parte de
sua área sem estrutura de saneamento e pavimentação.

Este conjunto de usos da terra é a organização espacial da cidade ou


simplesmente o espaço urbano fragmentado. Eis o que é espaço urbano:
fragmentado e articulado, reflexo e condicionante social, um conjunto de
símbolos e campo de lutas. É assim a própria sociedade em uma de suas
dimensões, aquela mais aparente, materializada nas formas espaciais (CORRÊA,
1995, p. 16).

Com isso, o anel viário, recém-inaugurado, com fim de melhorar o tráfico no


centro da cidade e redirecionar os transportes pesados, que antes utilizavam apenas a Av.
Padre Cícero como via de acesso à cidade e aos hipermercados, deu ao bairro nossas
conexões com a cidade, possibilitando agora maior fluxo entre o Antônio Vieira, São
José, e Santo Antônio.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Juazeiro do Norte consegue mostrar claramente a sua reestruturação a partir


do surgimento das novas centralidades, como o eixo Juazeiro-Crato da avenida Padre
Cícero. A cidade em questão passa atualmente por grandes transformações na estrutura
intra-urbana, recebendo incentivos públicos e privados e provocando essa reestruturação
do espaço urbano/regional caririense. Tendo consequentemente uma nova feição do
espaço urbano.
Logo, apenas o crescimento econômico que os Hipermercados trouxeram não
é suficiente para a o aumento do padrão de vida e acesso aos serviços para a população,
o papel do poder público é de suma importância tanto para atração de novos
empreendimentos como para adequação dos serviços a serem prestados à população. Por
este motivo, observa-se um esforço do poder público estadual em atrair novos
empreendimentos para Av. Padre Cícero, porém, o poder municipal deve suprir as
necessidades recorrentes da expansão urbana resultante do crescimento econômico e
atração comercial.
Portanto, a análise urbana a partir deste ângulo pode ajudar na compreensão
do processo de produção do espaço das cidades brasileiras, em especial as cidades médias,
como Juazeiro do Norte, e pode contribuir, também, para entender as ações dos agentes
econômicos e suas influências na produção e reestruturação das cidades e das suas
centralidades.

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