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Nota de Repúdio

O Fórum Sindical de Mato Grosso amanheceu de LUTO.

A bandeira preta do Fórum Sindical nunca fez tanto sentido. No momento em que os
Servidores Públicos, especialmente os da Saúde, estão dando suas vidas pela coletividade, a
Assembleia Legislativa, em conluio com o Governador do Estado de Mato Grosso Mauro
Mendes, aprovou o Projeto de Emenda à Constituição n. 06, em 12 de agosto de 2020, que
dilacera e trucida a aposentadoria dos Servidores Públicos Estaduais e destrói completamente
sua dignidade.

A destruição do sistema previdenciário dos Servidores Públicos foi efetivada pelo mesmo
Governador que, enquanto candidato, disse que iria: “Respeitar direitos dos servidores,
criando as condições financeiras para que os mesmos sejam efetivamente pagos”.

A proposta citada, como agora se vê, era meramente eleitoreira, já que o Governador do
Estado está disposto a dizimar os servidores públicos do Estado de Mato Grosso em constantes
ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários da categoria.

Nesse sentido, não é demais lembrar que outra proposta de autoria do Governador Mauro
Mendes, aprovada em fevereiro de 2020, aumentou a alíquota previdenciária dos servidores
da ativa de 11% para 14% e confiscou 14% dos proventos dos aposentados e pensionistas
(inclusive, dos portadores de doenças graves, entre outros).

A maldade é tamanha que o aumento de carga tributária sobre os aposentados e pensionistas


pode chegar a mais de R$ 1.000,00 (mil reais) mensais, e como consequência dessa política
nefasta grande parte dos inativos e pensionistas estão fadados ao completo caos financeiro.

Vê-se que a Reforma da Previdência aprovada ontem (12/08/2020) é parte de um projeto


aziago para as trabalhadoras e trabalhadores de todas as categorias que se dedicam ao Serviço
Público no Estado.

Atualmente, é um pesadelo lembrar de todas as mentiras contadas pelo Governador Mauro


Mendes durante a campanha eleitoral, especialmente os discursos demagógicos e falaciosos
de que manteria todos os direitos conquistados pelos Servidores Públicos.

Das mentiras contadas sobre preservação de direitos temos apenas a confirmação de que são
mentiras. Da palavra dada temos a desonestidade. Do candidato prometedor sobrou-nos um
político mentiroso!
Entre o jogo de cena e os ataques orquestrados pelo Governador em conluio com seus
Deputados, utilizando-se covardemente do período delicado pelo qual o mundo passa, os
servidores públicos se viram no pior cenário possível, visto que não foi garantida efetiva
participação na discussão do projeto, não houve audiências públicas e não houve possibilidade
de garantir um projeto que trouxesse justiça previdenciária.

Não se sabe a que preço, a orquestra do Governador Mauro Mendes tocou a música
determinada por ele. A ALMT viu-se, na curtíssima sessão, rendida, entregue, sem autonomia e
com ingerência. O Poder Executivo mostrou-se, na tarde de ontem, um poder maior que o
Poder Legislativo que, como se viu, segue ordens (a todo momento reiterada pelo “filho do
patrão” Deputado Dilmar DalBosco).

Foi nesse cenário que a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso apequenou-se mais
uma vez, deixando de cumprir seu papel de criador de normas justas, para tornar-se a “casa do
governador” que – ao que se vê – é quem manda, já que, em plena pandemia da Covid-19,
exigiu a aprovação da Reforma da Previdência que, obedientemente e de modo covarde foi
aprovada com 16 votos favoráveis dos deputados:

1. Dilmar Dal Bosco (DEM);

2. Xuxu Dal Molin (PSC);

3. Dr. Gimenez (PV);

4. Nininho (PSD);

5. Romoaldo Júnior (MDB);

6. Sílvio Favero (PSL);

7. Ulysses Moraes (DC);

8. Wilson Santos (PSDB);

9. Carlos Avalone (PSDB);

10. Dr. Eugênio (PSB);

11. Valmir Moretto (Republicanos);

12. Pedro Satélite (PSD);

13. Eduardo Botelho (DEM);

14. Faissal Calil (PV),

15. Delegado Claudinei (PSL);

16. João Batista (PROS).

A “casa do governador” colocou o projeto para ser votado ciente de que a aprovação era
certa. O Governador mandou e eles obedeceram. Os subservientes do Governador como
Dilmar DalBosco, Romoaldo Junior, Wilson Santos, Eduardo Botelho, Dr. Eugênio, etc., não
eram novidade.
O nosso estarrecimento, todavia, advém de 03 (três) votos. Três deputados que se elegeram
através dos votos de Servidores Públicos e que, ao que se percebe agora, “beijaram a mão” do
Governador.

Três Deputados, João Batista, Claudinei e Faissal, negaram milhares de servidores, negaram as
suas raízes e seus votos. Negaram as propostas e o dever que assumiram de proteger os
servidores públicos dos desmandos autoritários do Poder Executivo. Negaram o direito dos
Servidores Públicos de terem uma aposentadoria justa e digna. NEGARAM O DIREITO A UMA
VIDA JUSTA E DIGNA.

Para esses três deputados, João Batista, Claudinei e Faissal, o repúdio é ainda maior, e – com
toda certeza – os Servidores sabem de que lado os 16 (dezesseis) Deputados Estaduais que
aprovaram a PEC da Morte estão e isso jamais será esquecido, tampouco o Fórum Sindical
esquecerá esses dias.

Indispensável, neste momento tenebroso, registrar nosso agradecimento aos valorosos


Deputados e a Deputada que diante de toda adversidade e pressão votaram contrários à PEC e
em defesa dos servidores públicos, sendo eles: Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT), Paulo
Araújo (PP), Thiago Silva (MDB), Eliseu Nascimento (DC), Janaína Riva (MDB), Allan Kardec
(PDT) e Max Russi (PSB).

O Fórum Sindical agradece o empenho e a dedicação de Vossas Excelências.

Por fim, o Fórum Sindical repudia a postura covarde do Governo e seus “Secretários da ALMT”
que se negaram a dialogar com o Fórum Sindical e aprovar Emendas à PEC nº 06, que
minimizariam os impactos nefastos da mesma, com regras de transição menos nocivas para
todas as categorias.

Assim, conclamamos todas as categorias de Servidores Públicos do Estado e a sociedade mato-


grossense à luta pelos direitos sociais e universalização dos Serviços Públicos, a fim de
garantirmos dignidade de vida a toda a população.

FÓRUM SINDICAL - MT

Cuiabá, 13 de agosto de 2020.