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PROJUDI - Processo: 0000168-28.1996.8.16.0064 - Ref. mov. 29.

1 - Assinado digitalmente por Renato Vargas Guasque


19/09/2019: JUNTADA DE PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. Arq: Petição

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJVYP CE9PY JKA26 MVU73
EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA VARA
CÍVEL DA COMARCA DE CASTRO.

Autos nº 0000168-28.1996.8.16.0064

BANCO BRADESCO S.A.1, pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ do Ministério da Fazenda sob nº 60.746.948/0001-12, com sede na
“Cidade de Deus”, Município e Comarca de Osasco (SP), nos autos supra referidos
de Execução de Título Extrajudicial, nos quais contende, por esse douto Juízo, com
HIRAN FRANCISCO PEDROSO PEREIRA, brasileiro, casado, agricultor, inscrito no
CPF/MF sob n° 126.081.229-49, residente e domiciliado em Castro (PR), e outra, vem
por seus advogados (contato@guasque.adv.br), não se conformando, data venia,
com parte da r. sentença prolatada nos autos, dela recorrer, via de

APELAÇÃO

ao egrégio Tribunal de Justiça do Paraná. Pede que, após cumpridas as formalidades


e diligências legais, sejam os autos remetidos ao e. Tribunal ad quem, com as inclusas
razões de recurso, para a devida apreciação.

1 4429.advogados@bradesco.com.br
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Rua Sete de Setembro, 800, conj. 907/911 • Ponta Grossa (PR) • Fone (42) 3224-1002
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E. Deferimento.

De Ponta Grossa para Castro, 19 de setembro de 2019

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APELAÇÃO CÍVEL

RAZÕES DO RECURSO

APELANTE: BANCO BRADESCO S.A.

APELADO: HIRAN FRANCISCO PEDROSO PEREIRA e outro

ORIGEM: Autos nº 0000168-28.1996.8.16.0064 de Execução de


Título Extrajudicial, em curso pela Vara Cível da Comarca
de Castro.

EGRÉGIO TRIBUNAL

COLENDA CÂMARA CÍVEL

Inobstante o reconhecido talento do eminente prolator da r.


sentença encartada no mov. 26.1, não se conforma o recorrente com uma de suas
conclusões e persegue sua parcial reforma.

I – SÚMULA DESTE RECURSO

Busca o apelante reformar parcialmente a r. sentença porque, ao


extinguir a execução face à prescrição intercorrente, a r. sentença condenou o
exequente/apelante ao pagamento dos ônus da sucumbência, apartando-se do
entendimento recentemente (20/03/2019) consolidado, por decisão unânime da
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Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1769201/SP), e também dessa
eg. Corte Estadual, pelas suas 10ª Câmara Cível (Apelação Cível nº 0004841-
92.2002.8.16.0019); 11ª Câmara Cível (Agravo de Instrumento nº 0006635-
15.2019.8.16.0000); 12ª Câmara Cível (Apelação Cível nº 0000147-
06.2003.8.16.0194); 13ª Câmara Cível (Agravo de Instrumento nº 0045242-
34.2018.8.16.0000); 14ª Câmara Cível (Apelação Cível nº 0005867-
91.2003.8.16.0019); 15ª Câmara Cível (Apelação Cível nº 0000067-
62.1990.8.16.0173); 16ª Câmara Cível (Agravo de Instrumento nº 0036545-
24.2018.8.16.0000); e 18ª Câmara Cível (Apelação Cível nº 0009710-
30.2004.8.16.0019, no sentido de que, pelo princípio da causalidade, é o
apelado/executado quem deve suportar os ônus da sucumbência, por ter dado causa
primária à demanda.

II – RESUMO DA CONTROVÉRSIA

Trata-se de Execução de Título Extrajudicial movida pelo


apelante contra os apelados, que se encontrava suspensa por falta de bens
penhoráveis, com fulcro no art. 791, III, do Código de Processo Civil/73.

A r. sentença, louvando-se na recente alteração da jurisprudência


vintenária do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, reconheceu a prescrição
intercorrente e extinguiu a execução, condenando, todavia, o apelante ao pagamento
dos ônus da sucumbência, inclusive honorários sucumbenciais.

Irresigna-se o apelante porque foi condenado a suportar os ônus


da sucumbência, em clara afronta ao princípio da causalidade, equivocadamente
interpretado pela r. sentença recorrida.

III – CONTORNOS DA SENTENÇA RECORRIDA

No que interessa ao presente recurso, a condenação do apelante


ao pagamento dos ônus da sucumbência está lavrada nos seguintes termos:

“Posto isso, reconheço A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE do crédito


exequendo, e julgo extinta a presente execução, notadamente com base no Art.
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924, V do Código de Processo Civil.

Diante das peculiaridades do caso em tela, custas processuais pela parte


exequente, pelo princípio da causalidade, notadamente porque esta deu
causa à presente demanda, que foi extinta pela prescrição.

Honorários sucumbenciais, pela parte exequente, os quais fixo em 10% do


valor da causa, nos termos no Art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil, pelo
zelo profissional, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o
seu serviço”. (destaques postos pelo apelante)

V – ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA – PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE

Não se conforma parcialmente o apelante com a r. sentença e


pede sua reforma parcial, por entender que o édito de primeiro grau, ao condená-lo
ao pagamento dos ônus da sucumbência, em especial à verba honorária
sucumbencial, afrontou o princípio da causalidade e, a rigor, negou vigência ao art.
85, caput, e § 10 do Código de Processo Civil.

Entre os princípios que estruturam o ordenamento jurídico,


cumpre ser destacado, no caso dos autos, o princípio da causalidade como fator
determinante da imposição dos ônus da sucumbência, ou seja, quem o atrai é a parte
que deu causa à demanda.

O Superior Tribunal de Justiça tem sistematicamente reconhecido


essa verdade jurídica palmar, como. v. g., no REsp Repetitivo 1452840/SP e na
Súmula 303, afora, especificamente no caso de extinção de execução pelo
reconhecimento da prescrição intercorrente, no REsp 1769201/SP, por decisão
unânime da 4ª Turma, já referido anteriormente.

Em síntese, a parte que deu causa à demanda é a efetivamente


vencida a que alude o art. 85, caput, do Código de Processo Civil:

Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do


vencedor.

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Demais disso, conforme o voto igualmente vencedor do Ministro
ANTONIO CARLOS FERREIRA no REsp 1769201/SP antes referido, incide também
a regra esculpida no § 10 do art. 85 do Código de Processo Civil, segundo a qual, nos
casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa ao
processo. O irrepreensível pensamento do eminente Ministro é que o executado, com
o inadimplemento, deu causa ao processo de execução e, com a inexistência de bens
penhoráveis aliada ao inadimplemento, provou a perda do objeto da demanda
(pretensão executiva), pelo decurso do lapso prescricional.

Em síntese, no caso concreto, os apelados, deram causa ao


ajuizamento da execução, ao inadimplirem a obrigação assumida no modo e
tempo devidos.

Deram causa, na sequência, à frustração e suspensão do


procedimento executivo por inexistência de bens penhoráveis, ao assumirem a
obrigação sem o devido respaldo patrimonial para viabilizar seu adimplemento,
ofendendo assim a ordem jurídica e a paz social. A prescrição intercorrente jamais
teria ocorrido se tivessem comparecido voluntariamente aos autos e quitado a
dívida executada, como estavam obrigados pelo contrato e pelo ordenamento
jurídico, ou se ostentassem bens suficientes para honrar a obrigação assumida.

Em suma, o apelante não deu causa à execução e tampouco à


prescrição intercorrente: quem o fez, em ambos os casos, foram os apelados, que,
repita-se, deixaram de pagar a obrigação líquida, certa e exigível no seu termo (CC,
art. 397) e, por fecho e remate, assumiram-na sem ostentarem, ou malbaratarem ao
depois, patrimônio suficiente para honrá-la.

Não é justo e tampouco razoável que o recorrente seja penalizado


por não conseguir recuperar seu crédito, mesmo recorrendo ao aparelho judiciário, ao
tempo em que os recorridos sejam premiados por inadimplirem reiteradamente a
obrigação assumida de maneira irresponsável, sem o indispensável respaldo
patrimonial. Semelhante entendimento, na perfeita definição de Ihering, seria retirar
do direito toda sua seiva moral.

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VI - AUSÊNCIA DE INÉRCIA VOLUNTÁRIA DO APELANTE

E nem se diga, com o devido respeito, que teria sido a inércia


voluntária do apelante a causadora da prescrição intercorrente, por não ter
promovido as diligências necessárias à satisfação do seu crédito.

Proposta a execução, o recorrente não encontrou bem algum


penhorável ao apelado, a despeito de ter recorrido a todos os mecanismos legais
disponíveis para tal.

Não tendo localizado, ao longo do tempo e em sucessivas


pesquisas administrativas, bens penhoráveis, deixou, é verdade, de manifestar-se nos
autos, da maneira puramente protocolar, para impulsionar o feito mesmo sem deter
qualquer indicação de penhora. Mas o fez confiando na jurisprudência então
consolidada e vintenária do Superior Tribunal de Justiça, e também na Súmula 63
dessa eg. Corte Estadual, que nela se inspirou, no sentido de que, suspensa a
execução por falta de bens penhoráveis, com amparo no art. 791, III do Código de
Processo Civil/73, a prescrição intercorrente somente era deflagrada se o credor,
intimado pessoalmente a dar prosseguimento à execução, deixasse de fazê-lo.

Todos esses vetustos precedentes, nos quais o apelante


acreditou estar albergada a segurança jurídica, foram levados de roldão pelo Incidente
de Assunção de Competência no REsp 1604412/SC, sem qualquer modulação.

Parece sumamente injusto que possa o apelante ser considerado


causador da prescrição intercorrente por moldar sua conduta processual pela, repita-
se, jurisprudência vintenária e tida por consolidada do Superior Tribunal de Justiça e
por um precedente vinculante estadual.

Falta de indicação concreta de bens penhoráveis


— Impossibilidade de impulso processual

Ademais, sem indicar concretamente bens penhoráveis (que


jamais localizou), qualquer tentativa do apelante de impulsionar o feito de maneira
puramente protocolar, repita-se, para interromper a prescrição, seria rechaçada pelo
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Judiciário. Nem mesmo a renovação periódica da busca de ativos pelos sistemas
eletrônicos, sem a indicação concreta de modificações na situação financeira e/ou
patrimonial do executado, tem sido admitida nos Tribunais, inclusive no Superior
Tribunal de Justiça:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE PENHORA ONLINE.


RENOVAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DE MODIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO
FINANCEIRA E/OU PATRIMONIAL DA PARTE EXECUTADA. AUSÊNCIA.
SÚMULA 83 DO STJ.

As Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já


se manifestaram no sentido de que é cabível renovação de pedido de penhora
eletrônica desde que observado o princípio da razoabilidade e presentes
indícios que apontem modificação na situação da parte executada.

Hipótese em que o Tribunal de origem firmou a compreensão de que é


incabível a renovação do pedido de penhora online, sob o fundamento de
que o pedido de consulta ao BACENJUD foi formulado sem qualquer indicativo
de alteração na situação financeira e/ou patrimonial da parte executada.
Incidência da Súmula 83 do STJ.

Agravo interno desprovido, com aplicação de multa. (AgInt no REsp


1634247/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado
em 20/02/2018, DJe 12/04/2018) 2

Em suma, não detinha o apelante qualquer meio legal e viável


para impulsionar o processo e evitar a prescrição intercorrente; logo, a ela não deu
causa e não deve suportar os ônus da sucumbência, em especial os honorários
advocatícios. Quem lhe deu causa foram os apelados, que, insista-se, não cumpriram
a obrigação voluntariamente assumida, no modo e tempo devidos, e privaram-se de
patrimônio capaz de responder pelo seu cumprimento.

2
Disponível em
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=bacenjud+e+renova%E7%E3o&&b=ACOR&thesaurus=JURIDICO&p=tr
ue, acesso em 19/09/2018.
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É de rigor, portanto, à vista do princípio da causalidade que
norteia a regra esculpida no art. 85, caput e § 10, do Código de Processo Civil, o
provimento desta apelação para inverter o ônus da sucumbência, em especial dos
honorários advocatícios.

VII – RECENTE E PARADIGMÁTICA DECISÃO UNÂNIME DA 4ª TURMA DO


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

É de rigor enfatizar, ainda, que a r. sentença, ao atribuir ao


exequente/apelante a responsabilidade pelos ônus da sucumbência, a pretexto de
que deu causa à prescrição intercorrente, divorciou-se da jurisprudência pretoriana
mais atualizada sobre o tema.

Tal como referido ao pórtico destas razões, a 4ª Turma do eg.


Superior Tribunal de Justiça, por decisão unânime recentemente publicada
(20/03/2019), aplicando o princípio da causalidade, consolidou o entendimento de
que, declarada a prescrição intercorrente por ausência de localização de bens, é
incabível a fixação de verba honorária em favor do executado, visto, diante dos
princípios da efetividade do processo, da boa-fé processual e da cooperação, não
pode o devedor se beneficiar do não-cumprimento de sua obrigação:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO


INTERCORRENTE. HONORÁRIOS EM FAVOR DO EXECUTADO.
DESCABIMENTO. CAUSALIDADE. AUSÊNCIA DE SUCUMBÊNCIA DO
EXEQUENTE.

1. Declarada a prescrição intercorrente por ausência de localização de bens,


incabível a fixação de verba honorária em favor do executado, eis que,
diante dos princípios da efetividade do processo, da boa-fé processual e da
cooperação, não pode o devedor se beneficiar do não-cumprimento de sua
obrigação.

2. A prescrição intercorrente por ausência de localização de bens não retira o


princípio da causalidade em desfavor do devedor, nem atrai a
sucumbência para o exequente.
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3. Recurso especial a que se nega provimento.

(REsp 1769201/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA


TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe 20/03/2019)

No douto voto condutor do acórdão, que abriga os fundamentos


do precedente, a eminente Ministra Relatora, MARIA ISABEL GALLOTTI, assevera
que o executado “deu causa ao pedido executório ao não efetuar o pagamento ou não
cumprir a obrigação de forma espontânea”, e “o fato de o exequente não localizar
bens do devedor não pode significar mais uma penalidade em seu desfavor”.

À luz desses e de outros fundamentos, conclui a eminente


Ministra Relatora que o fato do devedor “que não apresentou bens suficientes ao
cumprimento da obrigação” ainda sair vitorioso na lide, “fazendo jus à verba honorária
em prol de sua defesa”, revelar-se-ia “teratológico, absurdo, aberrante”:

“O credor que promove a execução teve seu patrimônio desfalcado e promove


a execução devido à falta de cumprimento da obrigação pelo devedor. Se não
logra localizar bens penhoráveis durante o prazo de prescrição aplicável à
relação jurídica, a consequência inevitável será a prescrição, a perpetuação do
desfalque patrimonial, em prol de valor maior, a paz social. Não se pode,
todavia, ao meu sentir, considerar que foi o credor insatisfeito o causador do
ajuizamento da execução, penalizando-o não apenas com a perda irremediável
de seu patrimônio, mas também com o pagamento de honorários ao advogado
do devedor.

Nos casos de execução extinta pela prescrição intercorrente, o princípio da


causalidade incide, portanto, em desfavor do executado, eis que ele dá
causa ao pedido executório ao não efetuar o pagamento ou não cumprir a
obrigação de forma espontânea.

Tal entendimento tem por base a jurisprudência desta Corte, segundo a qual a
responsabilidade pelo pagamento de honorários e custas deve ser fixada com
base no princípio da causalidade, segundo o qual a parte que deu causa à
instauração do processo deve suportar as despesas dele decorrentes”.
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(...)

“Com efeito, o fato de o exequente não localizar bens do devedor não pode
significar mais uma penalidade em desfavor daquele que, embora tenha
decisão meritória favorável, não vem a obter êxito prático com o processo.

Do contrário, o devedor que não apresentou bens suficientes ao


cumprimento da obrigação ainda sairia vitorioso na lide, fazendo jus à
verba honorária em prol de sua defesa, o que se revelaria teratológico,
absurdo, aberrante.

Não fosse o suficiente, tem-se que o sistema processual civil consagra os


princípios da efetividade (art. 4º), da boa-fé processual (art. 5º) e da cooperação
(art. 6º), tudo no intento de que a prestação jurisdicional seja não somente
rápida e correta, mas também eficaz, efetiva.

A parte move a execução no intento de que haja a satisfação da obrigação e


de que a seu título seja dada eficácia. Se não houve satisfação por
impossibilidade material, por ausência de cooperação por parte do devedor,
não há de se fazer com que o exequente arque com os ônus, eis que não
deu causa ao processo”.

Complementando os fundamentos do precedente, o Ministro


ANTONIO CARLOS FERREIRA, em voto-vista igualmente vencedor, traz à calva a
regra esculpida no art. § 10 do art. 85 do Código de Processo Civil, segundo a qual,
nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa ao
processo. E conclui que a aplicação do dispositivo está autorizada nos casos de
extinção de execução em decorrência de prescrição intercorrente, porque a perda do
objeto da demanda pela extinção da pretensão executiva do credor resulta do
inadimplemento do devedor e da inexistência de bens penhoráveis:

“Adotando o entendimento consolidado, a nova lei processual previu, de modo


expresso, a aplicação do princípio da causalidade nos casos em que houver
perda do objeto da demanda, hipótese na qual, em princípio, não se faz
possível identificar a parte vencida da relação jurídica processual:
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PROJUDI - Processo: 0000168-28.1996.8.16.0064 - Ref. mov. 29.1 - Assinado digitalmente por Renato Vargas Guasque
19/09/2019: JUNTADA DE PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. Arq: Petição

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJVYP CE9PY JKA26 MVU73
Art. 85. (...)

Penso que as circunstâncias verificadas no caso presente, uma vez declarada


a prescrição intercorrente da obrigação exigida, autorizam a aplicação do
referido dispositivo, haja vista a perda do objeto da demanda pela extinção
da pretensão executiva do ora recorrido. Isso, notadamente, quando
observado que o credor só não insistiu na persecução de seu crédito em razão
da inexistência de bens do devedor, que fossem suficientes para satisfazer a
obrigação. A prescrição foi reconhecida, vale ressaltar, à luz da novel
orientação jurisprudencial do STJ a respeito do assunto, consolidada no
julgamento do IAC no REsp 1604412/SC, relatado pelo em. Ministro MARCO
AURÉLIO BELLIZZE.

Deveras, se o feito executivo objetiva o cumprimento de uma obrigação


que, por força da prescrição, não mais pode ser exigida pela via judicial,
o corolário desse fato jurídico é a conclusão de que a demanda perdeu seu
objeto. Daí que o julgamento para distribuir os encargos sucumbenciais deve
observar o critério da causalidade, e no caso presente resta evidenciada a
responsabilidade do devedor, que com sua impontualidade ensejou o
ajuizamento da ação executiva. Foi ele quem, concretamente, deu causa
ao processo, cuja extinção resulta de fato objetivo não imputável ao
credor, sobretudo ante a referida alteração jurisprudencial”.

Outros recentes e venerandos arestos do Superior Tribunal de


Justiça demonstram a consolidação do entendimento esculpido no leading case
abordado. É o caso, v.g., das v. Decisões Monocráticas prolatadas nos seguintes
recursos: REsp 1747732; REsp 1744269; REsp 1793200; REsp 1731647; REsp
1672888; REsp 1500058; Ag no REsp 1446970; REsp 1783853; REsp,1781632;
REsp 1400159; REsp 1799705; EDcl no REsp 1790895; REsp 1744492; EDcl no
AREsp 1352501; AREsp 1441712.

E mais: no julgamento do REsp nº 1675741 / PR em 11/06/2019,


a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, por decisão também unânime, consignou
que o executado deve responder pelo ônus da sucumbência mesmo quando o credor
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desiste da execução, por estar verificada a prescrição intercorrente em decorrência
da inexistência de bens penhoráveis.

É de rigor, portanto, a reforma da r. sentença recorrida para,


ajustando-a ao precedente em epígrafe do eg. Superior Tribunal de Justiça, atribuir a
responsabilidade pelo pagamento dos ônus da sucumbência aos apelados.

IV – RECENTES DECISÕES DAS COLENDAS 10ª, 11ª, 12ª, 13ª, 14ª, 15ª, 16ª E 18ª
CÂMARAS CÍVEIS DO EG. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ

Enfatizar é preciso, e com júbilo, que o entendimento esculpido e


consolidado pela Corte Especial, no precedente antes abordado, não surpreendeu
essa eg. Corte Estadual.

Ao contrário, de maneira pioneira e norteadora, o eg. Tribunal de


Justiça do Paraná, inclusive com modificações de entendimento, vem apregoando,
por suas 10ª, 11ª, 12ª, 13ª, 14ª, 15ª, 16ª e 18ª Câmaras Cíveis, que, extinta a
execução pelo reconhecimento da prescrição intercorrente, o executado, pelo
princípio da causalidade, deve suportar os ônus da sucumbência.

Os seguintes e lapidares arestos, exemplificam esse


entendimento:

EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. DUPLICATAS. EXCEÇÃO PRÉ-


EXECUTIVIDADE.

1. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PRÉVIA INTIMAÇÃO


IMPRESCINDÍVEL PESSOAL DA PARTE. DESNECESSIDADE. APENAS A
INTIMAÇÃO DO ADVOGADO, EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO
CONTRADITÓRIO, PARA ALEGAR CAUSAS IMPEDITIVAS DA
PRESCRIÇÃO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE
DE ETERNIZAÇÃO DAS EXECUÇÕES. APLICAÇÃO DAS TESES
SEDIMENTADAS PELA 2ª SEÇÃO DO STJ NO INCIDENTE DE ASSUNÇÃO
DE COMPETÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL Nº 1.604.412/SC. APLICAÇÃO
OBRIGATÓRIA (CPC, ARTIGO 927, INCISO III).
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2. AUSÊNCIA DE MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL POR QUASE 20 (VINTE)
ANOS CONSECUTIVOS, POR ÓBVIO, SEM QUALQUER MANIFESTAÇÃO
DO EXEQUENTE. TRANSCURSO DO PRAZO TRIENAL DE PRESCRIÇÃO.

3. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE ACOLHIDA PARA RECONHECER A


OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE E EXTINGUIR A
EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL, COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO
(CPC, ART. 487, II, E 924, V).

4. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E CUSTAS PROCESSUAIS.


RESPONSABILIDADE DO EXECUTADO. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE.
RECURSO PROVIDO.

No caso em exame, ou seja, de execução de título extrajudicial proposta contra


o devedor, extinta com resolução de mérito, ante a prescrição intercorrente,
porque não se localizaram bens do devedor, não se configura justo nem
razoável que o credor responda pelas verbas de sucumbência. Quem deu
causa à propositura da execução foi o devedor, ante o seu
inadimplemento. O credor persegue por anos seu crédito, busca bens, mas
nada encontra, realiza inúmeras e custosas diligências infrutíferas, paga
honorários advocatícios contratuais para seu patrono. Afinal, entretanto, não
recebe seu crédito líquido e certo, e ainda responde pelo pagamento de verbas
de sucumbência. É justo? Não é justo nem razoável. Necessário nos
preocuparmos com o justo. Aplica-se aqui a lógica do razoável de Recasens
Siches. O devedor deve responder pelas verbas de sucumbência. Incide o
princípio da causalidade.

(TJPR - 16ª C.Cível – Agravo de Instrumento 0036545-24.2018.8.16.0000 -


Londrina - Rel.: Lauro Laertes de Oliveira - J. 13.02.2019)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL.


NOTA PROMISSÓRIA. DECISÃO RECORRIDA QUE REJEITA A EXCEÇÃO
DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. IRRESIGNAÇÃO DO EXECUTADO. ALEGADA
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CONSTATAÇÃO. PARALISAÇÃO
INJUSTIFICADA DO FEITO POR PRAZO SUPERIOR AO DA PRESCRIÇÃO
DO DIREITO MATERIAL (PRAZO TRIENAL, CF. DEC. 57.663/66, ART. 70).
DESÍDIA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EXEQUENTE CONFIGURADA.
DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE PARA DAR
PROSSEGUIMENTO AO FEITO. TESE FIRMADA PELO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA
Nº. 1.604.412/SC. AUSÊNCIA DE CAUSAS SUSPENSIVA OU
INTERRUPTIVA DA PRESCRIÇÃO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE
ACOLHIDA. EXECUÇÃO EXTINTA COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO (CPC,
ART. 924, V, CPC). ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. EXECUÇÃO INSTAURADA
ANTE A INADIMPLÊNCIA DO EXECUTADO. ÔNUS DESTE EM ARCAR
COM O ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA
CAUSALIDADE. DECISÃO REFORMADA, COM A EXTINÇÃO DA
EXECUÇÃO. SUCUMBÊNCIA, TODAVIA, ATRIBUÍDA Á PARTE
EXECUTADA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO (POR
MAIORIA).

(TJPR - 13ª C.Cível - 0045242-34.2018.8.16.0000 - Maringá - Rel.: Athos


Pereira Jorge Júnior - Rel. Desig. p/ o Acórdão: Francisco Eduardo Gonzaga
de Oliveira - J. 13.03.2019)

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITÓRIA EM FASE DE CUMPRIMENTO DE


SENTENÇA. EXTINÇÃO DO FEITO EM RAZÃO DA PRESCRIÇÃO
INTERCORRENTE. CONDENAÇÃO DOS EXECUTADOS AO PAGAMENTO
DAS CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA.
INSURGÊNCIA DOS EXECUTADOS. PRETENSÃO DE INVERSÃO DOS
ÔNUS SUCUMBENCIAIS. NÃO ACOLHIMENTO. CAUSALIDADE.
EXECUTADOS QUE DERAM CAUSA AO AJUIZAMENTO DA DEMANDA,
SENDO ADEQUADA SUA RESPONSABILIZAÇÃO PELAS VERBAS A ELA
INERENTES. PRECEDENTES DO E. STJ. Recurso de apelação conhecido e
desprovido.
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(TJPR - 14ª C.Cível - 0005867-91.2003.8.16.0019 - Ponta Grossa - Rel.:
Desembargadora Themis de Almeida Furquim - J. 24.07.2019)

Execução de nota promissória. Extinção da execução em razão do


reconhecimento da prescrição intercorrente.

Apelação 1 e 3 (executados). Princípio da causalidade. Aplicação. Isenção


da parte exequente ao pagamento de honorários advocatícios. Sentença
que deixa de arbitrar honorários advocatícios. Manutenção.

Apelação 2 (exequente). Pedido dos executados de reconhecimento da


prescrição intercorrente. Concordância do exequente. Preclusão da matéria.
Rediscussão da matéria em sede recursal. Impossibilidade. Apelações 1, 2 e 3
conhecidas e não providas.

(TJPR - 15ª C.Cível – Apelação Cível 0000067-62.1990.8.16.0173 - Umuarama


- Rel.: Hamilton Mussi Corrêa - J. 27.03.2019)

APELAÇÃO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS


ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS DEVIDOS. SENTENÇA QUE, DE
OFÍCIO, RECONHECE A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE DA PRETENSÃO
EXECUTÓRIA E JULGA EXTINTA A EXECUÇÃO, NOS TERMOS DOS
ARTIGOS 487, INCISO II, E 924, INCISO V, DO CPC. INSURGÊNCIA
QUANTO AO PAGAMENTO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS PELOS
EXEQUENTES. ACOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE DOS
EXECUTADOS. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE.
RECURSO PROVIDO.

(TJPR - 10ª C.Cível - 0004841-92.2002.8.16.0019 - Ponta Grossa - Rel.:


Desembargadora Ângela Khury - J. 13.06.2019)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO QUE REJEITA A EXCEÇÃO DE


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PRÉ-EXECUTIVIDADE. ALEGADA OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO
INTERCORRENTE. PROCESSO SUSPENSO EM RAZÃO DA NÃO
LOCALIZAÇÃO DE BENS DO EXECUTADO. PRECEDENTE DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INTELIGÊNCIA DO RESP Nº 1.604.412/SC,
JULGADO POR MEIO DO RITO DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA.
TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL APÓS A SUSPENSÃO.
PRESCRIÇÃO CONSUMADA. AUSÊNCIA DE CAUSA IMPEDITIVA,
INTERRUPTIVA OU SUSPENSIVA. DECISÃO REFORMADA. PROCESSO
EXTINTO, COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SUCUMBÊNCIA ATRIBUÍDA
AO EXECUTADO. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO.

(TJPR - 11ª C.Cível - 0006635-15.2019.8.16.0000 - Cambará - Rel.:


Desembargador Mario Nini Azzolini - J. 19.06.2019)

Apelação cível. Ação de indenização em cumprimento de sentença. Sentença


que extinguiu o processo em razão de prescrição intercorrente. Desídia da
parte exequente. Condenação da executada ao pagamento das custas
processuais. Irresignação da executada. Ônus sucumbencial.
Responsabilidade da executada Observância ao princípio da causalidade.
Sentença mantida. Recurso conhecido e desprovido.

1. Não obstante a extinção do feito tenha decorrido da desídia da parte


exequente quem deu causa à instauração da execução foi a executada.
Portanto, recai sobre ela, e não às exequentes, o ônus de arcar com o
pagamento das custas e honorários advocatícios.

2. A extinção da execução não decorreu de causas anteriores ao ajuizamento


da ação. A execução, portanto, quando iniciada, era justa e, portanto, a
despeito da superveniente prescrição intercorrente, o executado, ora apelante,
deve arcar com o pagamento das custas processuais, em atenção ao princípio
da causalidade.

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(TJPR - 12ª C.Cível - 0000147-06.2003.8.16.0194 - Curitiba - Rel.:
Desembargador Rogério Etzel - J. 17.04.2019)

AÇÃO DE COBRANÇA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EXTINÇÃO DO


PROCESSO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INÉRCIA DO CREDOR.
HONORÁRIOS INDEVIDOS. RESPONSABILIDADE DO EXECUTADO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. - Atualmente, predomina nos tribunais pátrios
o entendimento de que o princípio da causalidade, previsto no artigo 85, §10º,
do Código de Processo Civil, se sobrepõe ao princípio da sucumbência, de
modo que a simples análise de quem saiu derrotado na demanda para a
responsabilização pelo pagamento dos honorários de sucumbência não é justo
nem razoável. - O reconhecimento da prescrição intercorrente não afasta
o fato de que foi o devedor quem deu causa ao início da fase executória,
considerando que não honrou com suas obrigações fixadas por decisão
judicial e forçou o credor a dar início ao cumprimento de sentença.
Recurso provido.

(TJPR - 18ª C.Cível - 0009710-30.2004.8.16.0019 - Ponta Grossa - Rel.:


Desembargador Péricles Bellusci de Batista Pereira - J. 12.06.2019)

Como se vê, a r. sentença, ao interpretar equivocadamente o


princípio da causalidade para condenar o exequente/apelante ao pagamento das
verbas da sucumbência, está em absoluto descompasso com o entendimento
pretoriano atualizado e já consolidado, impondo-se sua reforma.

IX – PREQUESTIONAMENTO

Por cautela, caso haja necessidade de futura interposição de


recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, pede o apelado que no julgamento
desta apelação seja apreciado e analisado, considerando-se prequestionado, o art.
85, caput e § 10, do Código de Processo Civil, à luz do princípio da causalidade na
atribuição dos ônus da sucumbência nos casos de extinção de execução pelo
reconhecimento de prescrição intercorrente.
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X - REQUERIMENTO FINAL

Ante o exposto, espera e requer o apelante o provimento do


presente recurso, para reformar parcialmente a r. sentença e atribuir a
responsabilidade pelo pagamento dos ônus da sucumbência aos apelados, pelo
princípio da causalidade.

E. Deferimento

De Ponta Grossa para Castro, 19 de setembro de 2019

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