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Tribunal de Justiça de Pernambuco

PJe - Processo Judicial Eletrônico

12/08/2020

Número: 0000347-09.2019.8.17.3400
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: Vara Única da Comarca de Sirinhaém
Última distribuição : 25/10/2019
Valor da causa: R$ 3.946,85
Assuntos: Efeito Suspensivo / Impugnação / Embargos à Execução
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Procurador/Terceiro vinculado
MUNICÍPIO DE SIRINHAEM (AUTOR) GERSON CAMARA SILVA E SENA (ADVOGADO)
CONSELHO REGIONAL DE FARMACIA DE PERNAMBUCO BERGSON JOSE NOGUEIRA DO NASCIMENTO
(REU) (ADVOGADO)
MARCO ANTONIO VIEIRA DA MOTA (ADVOGADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
52968 25/10/2019 13:00 EMBARGOS È EXECUÇÃO Petição Inicial
967
AO JUÍZO DA COMARCA DE SIRINHAÉM/PE

PROCESSO PRINCIPAL(FÍSICO) nº. 0000416-13.2008.8.17.1400

O MUNICÍPIO DE SIRINHAÉM, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 10.292.209/0001-20, com sede na Rua


Sebastião Chaves, nº 432, Centro, Sirinhaém/PE, por seus procuradores ao final assinados (doc. 01),
vem, com fulcro no art. 914 e seguintes do CPC, opor EMBARGOS À EXECUÇÃO em face do
CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA, pelos fatos e fundamentos jurídicos abaixo aduzidos.

DA TEMPESTIVIDADE DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO:

De acordo com o art. 183 do CPC[1], os Municípios gozarão de prazo em dobro para todas as
manifestações processuais. Por sua vez, o art. 219 do CPC dispõe que a contagem dos prazos
em dias serão computados somente os dias úteis[2].
Com efeito, quando a citação for por Oficial de Justiça, a exemplo do caso vertente, o prazo para
contestar começa a fluir da data da juntada aos autos do mandado cumprido – inteligência
do art. 231, inciso II, do Código de Processo Civil, sendo certo que para contagem dos prazos
computar-se-ão apenas os dias úteis, conforme regra contida no art. 219 do Diploma Adjetivo.

Cumpre, ainda, revelar que: “União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas
respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as
suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal”,
conforme comando normativo emanado do artigo 183, do Código de Ritos.

Desse modo, juntando aos autos o Mandado de Citação devidamente cumprido no dia
16.09.2019, o prazo para opor Embargos à Execução começou a fluir do dia útil imediatamente
seguinte, no caso, no dia 17.09.2019.

Por conseguinte, levando-se em consideração que o Embargante é o Município de Sirinhaém


(Fazenda Pública Municipal), o prazo para contestar deve ser computado em dobro, ou seja, 30
(trinta) dias úteis.

Destarte, o prazo de 30 (trinta) dias úteis, para oposição de Embargos à Execuçãoiniciou-se no


dia 17.09.2019, para expirar no dia 28.09.2019, por conseguinte, protocolizada no dia de hoje, os
presentes Embargos à Execução encontram-se rigorosamente no prazo legal.

DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL:

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O Embargante pretende o reconhecimento da insubsistência doscréditos inscritos em Dívida Ativa pelo
Conselho Regional de Farmácia, inscritas sob o nº 0822/08, Processo Administrativo 0117/08, Inscrição
em 23/05/2008, Livro 21, Folha 337, e 0823/08, Processo Administrativo 1187/07, Inscrição em
23/05/2008, Livro 21, Folha 338, sob o argumentoda desnecessidade de manter registro e de possuir
profissional registrado no Conselho de Farmácia, pois possui mero dispensário de medicamentos e menos
de 30 leitos, conforme documento expedido pelo CNES, que junta nesta oportunidade, o qual confirma que
o Hospital e Maternidade Municipal Olímpio M. Gouveia Lins dispõe de menos de 30 leitos.

Diante de controvérsia noutros processos idênticos, entende a Embargante pela necessidade de produção
de prova pericial, considerando que a estrutura física do hospital não suporta a existência do número de
leitos superior ao dissertado nesta peça processual.

DAS RAZÕES DE MÉRITO:

A questão posta nos autos reside em determinar se é necessária a manutenção de responsável técnico
farmacêutico nos estabelecimentos que apenas promovem a dispensação de medicamentos e a
consequente multa cobrada pela Embargada ante a ausência desse profissional no estabelecimento da
Embargante.

A Embargante argui em sede em de Embargos à Execução que existe no Hospital Municipal


apenas um dispensário para fornecimento de medicamentos industrializados de pequena unidade
hospitalar, caracterizando o Hospital Municipal como pequena unidade hospitalar diante da
existência de menos de 30 leitos.
Esta tese se encontra embasada no artigo 4º, XIV, da Lei nº 5.991/73 que define dispensário de
medicamentos é o 'setor de fornecimento de medicamentos industrializados, privativo de pequena
unidade hospitalar ou equivalente'.
A exigência de registro das empresas junto aos conselhos de profissão regulamentada está
fundamentada no artigo 1º da Lei nº 6.839, de 30/10/80, assim vazado:
Art. 1º O registro de empresas e a anotação dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados,
serão obrigatórios nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões,
em razão da atividade básica ou em relação àquela pela qual prestem serviços a terceiros.

A exigência de responsável técnico inscrito no Conselho Regional de Farmácia vem prevista no artigo 15
da Lei nº 5.991/73 (que dispõe sobre o Controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos,
Insumos Farmacêuticos e Correlatos, e dá outras Providências):

Art. 15 - A farmácia e a drogaria terão, obrigatoriamente, a assistência de técnico responsável, inscrito no


Conselho Regional de Farmácia, na forma da lei.
§ 1º - A presença do técnico responsável será obrigatória durante todo o horário de funcionamento do
estabelecimento.
§ 2º - Os estabelecimentos de que trata este artigo poderão manter técnico responsável substituto, para os
casos de impedimento ou ausência do titular.
§ 3º - Em razão do interesse público, caracterizada a necessidade da existência de farmácia ou drogaria, e
na falta do farmacêutico, o órgão sanitário de fiscalização local licenciará os estabelecimentos sob a
responsabilidade técnica de prático de farmácia, oficial de farmácia ou outro, igualmente inscrito no
Conselho Regional de farmácia, na forma da lei.

Assim, verifica-se que, de acordo com a lei, a exigência de presença e responsável técnico, inscrito no
Conselho Regional de Farmácia, restringe-se às farmácias e às drogarias. Ainda, estabelece o artigo 6º da
Lei 5.991/73:
Art. 6º - A dispensação de medicamentos é privativa de:

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a) farmácia;
b) drogaria;
c) posto de medicamento e unidade volante;
d) dispensário de medicamentos.
Parágrafo único. Para atendimento exclusivo a seus usuários, os estabelecimentos hoteleiros e similares
poderão dispor de medicamentos anódinos, que não dependam de receita médica, observada a relação
elaborada pelo órgão sanitário federal.

Farmácia, segundo o artigo 4º, X, do referido diploma legal, é o 'estabelecimento de manipulação


de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos
e correlatos, compreendendo o de dispensação e o de atendimento privativo de unidade
hospitalar ou de qualquer outra equivalente de assistência médica'. Drogaria, de acordo com o
inciso XI do dispositivo legal referido, é 'estabelecimento de dispensação e comércio de drogas,
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens originais'. Posto de
medicamentos e unidade volante está definido no inciso XIII e corresponde a 'estabelecimento
destinado exclusivamente à venda de medicamentos industrializados em suas embalagens
originais e constantes de relação elaborada pelo órgão sanitário federal, publicada na imprensa
oficial, para atendimento a localidades desprovidas de farmácia ou drogaria'.
Por fim, o artigo 4º, XIV, da Lei nº 5.991/73 define que dispensário de medicamentos é o 'setor de
fornecimento de medicamentos industrializados, privativo de pequena unidade hospitalar ou equivalente'.

Ademais, saliente-se que, consoante Voto do Relator João Pedro Gebran Neto, nos autos da Apelação
Civil nº 5000053-65.2011.404.7014, do TRF da 4ª Região, de 09/06/2011, dispensário de medicamentos
de uma pequena unidade hospitalar é aquele em que há somente a distribuição de medicamentos
industrializados conforme receituário médico, sem comercialização, manipulação ou fracionamento dos
mesmos, ministrados apenas aos pacientes da unidade hospitalar, de forma que não gera a necessidade
de responsabilidade técnica de profissional farmacêutico.

No caso dos autos, trata-se de estabelecimento hospitalar de pequeno porte, uma vez que possui
capacidade para menos de30 leitos, conforme documentos acostado com a peça dos embargos à
execução. A entidade Hospitalar em questão, Hospital e Maternidade Olímpio M. G. Lins, tem como
atividade básica a prestação de serviços médico-hospitalares.

No caso presente, é inconteste que o ora Embargante dedica-se à prestação de serviços médicos e à
manutenção e estabelecimento hospitalar de pequena capacidade. Também é incontroverso que o
Embargante mantém dispensário de medicamentos para tratamento de seus pacientes, conforme se
provará através de diligência a ser procedida por este Juízo, o que de logo requer.

É razoável a conclusão de que o hospital pertencente ao Embargante não exerceu atividades típicas da
profissão de farmacêutico, pois se dedica fundamentalmente à medicina. Com efeito, o Hospital
simplesmente distribui medicamentos já industrializados aos seus pacientes, quando solicitado por meio
de receita médica, possuindo um dispensário para tanto. Ainda, o CRF não logrou trazer aos autos
nenhum indício de prova de que os medicamentos fossem comercializados, manipulados ou fracionados
para terceiros.

A Lei n.º 5.991/73, em seu artigo 15, ao prescrever a obrigatoriedade de presença de


farmacêutico em drogarias e farmácias, não incluiu os dispensários de medicamentos localizados
no interior de clínicas e unidades hospitalares de pequeno porte. Assim, o entendimento do
extinto Tribunal Federal de Recursos, sumulado no verbete n.º 140:
Súmula n.º 140 - 'As unidades hospitalares, com até 200 (duzentos) leitos, que possuam
dispensário de medicamento, não estão sujeitas à exigência de manter farmacêutico'.

Desta forma, o Embargante desenvolve atividade hospitalar em unidade de pequeno porte, razão pela

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qual, conforme jurisprudência maciça dos diversos tribunais superiores, não se sujeita a acompanhamento
de profissionais da área farmacêutica. Nesse sentido:

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO.


CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA. HOSPITAIS E CLÍNICAS.
DISPENSÁRIO DE MEDICAMENTOS. PRESENÇA DE PROFISSIONAL
LEGALMENTE HABILITADO. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES
JURISPRUDENCIAIS DO STJ.
1. A exigência de se manter profissional farmacêutico dirige-se, apenas, às
drogarias e farmácias, não abrangendo os dispensários de medicamentos
situados em hospitais e clínicas. Precedentes do STJ: RESP 611921/MG,
Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ de 28.03.2006; AgRg no Ag
679497/SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJ de 24.10.2005; RESP
742.340/RO, Relator Ministro Teori Zavascki, DJ de 22.08.2005; RESP
603.634/PE, Relator Ministro José Delgado, DJ 07.06.2004 e RESP 550.589/PE,
Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ 15.03.2004. 2. Agravo regimental desprovido
(AgRg no Ag 1.191.365/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 24/05/2010). (grifei)

TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CRF/SC. ANUIDADES.


DISPENSÁRIO DE MEDICAMENTOS. Consiste a atividade básica da
embargante na prestação de serviços médicos e não farmacêuticos, de modo que
inexigíveis o registro junto ao CRF e, pois, as anuidades em debate. (TRF4, AC
2009.72.12.000518-7, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas
Labarrère, D.E. 07/10/2011)

Como é cediço, as unidades de saúdes mantidas pelo Município de Sirinhaém, inclusive o


Hospital/embargante possuem como atividades principais a prestação de serviços médicos a
população em geral, não explorando o fornecimento de medicamentos, em que pese manterem
em suas dependências farmácias privadas (dispensário).

Assim, o fornecimento de medicamentos se dá em atividade secundária, através de


prescrição de profissional médico, o que tornaria dispensável a presença de técnico
farmacêutico.

Muito embora o CRF possa argumentar que o serviço de manuseio e dispensação de


medicamentos na referida unidade estão sendo executados por profissionais não qualificados.
Mesmo que não houvesse e não é necessária a presença de farmacêutico em hospitais de
pequeno porte, observa-se que, sobre o tema, a jurisprudência pátria se consolidou no sentido de
que há desnecessidade de farmacêutico responsável pelo dispensário de medicamentos
localizados em unidades de saúde. E tal se justifica plenamente porque: 1) não se pode criar
obrigação não prevista em lei; 2) os pequenos dispensários existentes DENTRO de hospitais e
clínicas são apenas serviços de apoio à atividade dos médicos; 3) não há venda de produtos; 4)
dispensário não possui o mesmo alcance de farmácia e 5) a atividade-fim (principal) de clínicas e
hospitais é prestar SERVIÇO MÉDICO (e não fornecer medicamento, o que acontece de forma
secundária, para preservação da vida).

Mesmo sendo desnecessária a presença de profissional habilitado no dispensário do Hospital


Municipal de Pequeno Porte do Município de Sirinhaém, o Embargante mantém um profissional
farmacêutico concursado para ajudar na entrega dos medicamentos nas UBS e no
hospitalprescritos pelo corpo médico aos pacientes, conforme faz prova os documentos em
anexo.

Eis a jurisprudência:

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ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-
C DO CPC. CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA. DISPENSÁRIO DE MEDICAMENTOS.
PRESENÇA DE FARMACÊUTICO. DESNECESSIDADE. ROL TAXATIVO NO ART. 15 DA LEI N.
5.991/73. OBRIGAÇÃO POR REGULAMENTO. DESBORDO DOS LIMITES LEGAIS.
ILEGALIDADE. SÚMULA 140 DO EXTINTO TFR. MATÉRIA PACIFICADA NO STJ.

1. Cuida-se de recurso especial representativo da controvérsia, fundado no art. 543-C do Código


de Processo Civil sobre a obrigatoriedade, ou não, da presença de farmacêutico responsável em
dispensário de medicamentos de hospitais e clínicas públicos, ou privados, por força da Lei n.
5.991/73.

2. Não é obrigatória a presença de farmacêutico em dispensário de medicamentos, conforme o


inciso XIV do art. 4º da Lei n. 5.991/73, pois não é possível criar a postulada obrigação por meio
da interpretação sistemática dos arts. 15 e 19 do referido diploma legal.
3. Ademais, se eventual dispositivo regulamentar, tal como o Decreto n. 793, de 5 de abril de
1993 (que alterou o Decreto n. 74.170, de 10 de junho de 1974), fixar tal obrigação ultrapassará
os limites da lei, porquanto desbordará o evidente rol taxativo fixado na Lei n. 5.991/73.
4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não é
obrigatória a presença de farmacêutico em dispensário de medicamentos de hospital ou de
clínica, prestigiando - inclusive – a aplicação da Súmula 140 do extinto Tribunal Federal de
Recursos. Precedentes.
5. O teor da Súmula 140/TFR - e a desobrigação de manter profissional farmacêutico - deve ser
entendido a partir da regulamentação existente, pela qual o conceito de dispensário atinge
somente "pequena unidade hospitalar ou equivalente" (art. 4º, XV, da Lei n. 5.991/73);
atualmente, é considerada como pequena a unidade hospitalar com até 50 (cinquenta) leitos, ao
teor da regulamentação específica do Ministério da Saúde; os hospitais e equivalentes, com mais
de 50 (cinquenta) leitos, realizam a dispensação de medicamentos por meio de farmácias e
drogarias e, portanto, são obrigados a manter farmacêutico credenciado pelo Conselho
Profissional, como bem indicado no voto-vista do Min. Teori Zavascki, incorporado aos presentes
fundamentos.
6. Recurso sujeito ao regime do art. 543-C do CPC, combinado com a Resolução STJ 08/2008.
Recurso especial improvido. (REsp 1110906/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/05/2012, DJe 07/08/2012)

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS INFRINGENTES - MULTA


ADMINISTRATIVA – CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA - PERMANÊNCIA DE
PROFISSIONAL FARMACÊUTICO - FISCALIZAÇÃO DE DISPENSÁRIOS DE MEDICAMENTOS
DE HOSPITAIS, POSTOS MÉDICOS, CLÍNICAS E CASAS DE SAÚDE - INADMISSIBILIDADE –
JULGAMENTO PROFERIDO, NOS TERMOS DO ART. 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL E DA RESOLUÇÃO STJ Nº 08/2008, NO RECURSO ESPECIAL Nº 1.110.906/SP, EM
23/5/2012 (MINISTRO HUMBERTO MARTINS, 1ª SEÇÃO - DJE 07/8/2012) - ÔNUS DA PROVA
– CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, ART. 333, I - APLICABILIDADE – PRESUNÇÃO LEGAL DE
CERTEZA E LIQUIDEZ DO TÍTULO EXECUTIVO
AFASTADA. a) Recurso - Embargos Infringentes em Apelação em Embargos à Execução Fiscal.
b) Decisão da Turma - Reformada, por maioria, a decisão de origem. Recurso de Apelação
provido.
1 - "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que não é
obrigatória a presença de farmacêutico em dispensário de medicamentos de hospital ou de
clínica, prestigiando - inclusive – A aplicação da Súmula nº 140 do extinto Tribunal Federal
de Recursos. Precedentes." (REsp nº 1.110.906/SP - Rel. Ministro Humberto Martins - STJ -
Primeira Seção - Por maioria - DJe 07/8/2012. RECURSO

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SUJEITO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC, COMBINADO COM A RESOLUÇÃO Nº
08/2008, DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.)
2 - Não sendo o Município, legalmente, obrigado a manter-se vinculado ao
ConselhoRegional de Farmácia e, conseqüentemente, a contratar e a manter profissional
farmacêutico em seu dispensário de medicamentos, nula, por falta de liquidez e certeza, a
Certidão de Dívida Ativa decorrente de autuação pela ausência da aludida contratação.
Logo, o acórdão embargado deve ser mantido, prevalecendo o entendimento e a solução
aplicada pelo VOTO VENCEDOR de fls. 110/112.
3 - Embargos Infringentes denegados.
4 - Acórdão embargado confirmado. (EIAC 0052728-52.2010.4.01.9199 / MG, Rel.
DESEMBARGADOR FEDERAL CATÃO ALVES, Rel.Conv. JUIZ FEDERAL KLAUS KUSCHEL
(CONV.), QUARTA SEÇÃO, e-DJF1 p.48 de 12/03/2013)

Por fim, cumpre frisar que mesmo a eventual existência de registro do Embargante no Conselho de
Farmácia também não a obrigaria a manter profissional farmacêutico em seus quadros por conta do
dispensário. Ora, se como visto, a embargante não está obrigada ao registro no Conselho de Farmácia,
eventual registro existente seria ineficaz, não lhe atribuindo obrigatoriedade ao pagamento das anuidades.
Nesse sentido, vale transcrever a seguinte ementa:

TRIBUTÁRIO. CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO. REGISTRO PROVISÓRIO. AUSÊNCIA


DE BASE LEGAL. NÃO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. ANUIDADES INDEVIDAS.
1. Segundo a Lei 4.769/65, que regulamenta o exercício da profissão de administrador, o efetivo exercício
da profissão só é permitido com a inscrição no respectivo Conselho.
2. No caso, o graduando em Administração de Empresas requereu o registro provisório perante o
Conselho da categoria, quando passou a receber a cobrança das anuidades nos anos
posteriores.
3. A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que a inscrição provisória no Conselho Regional
de Administração não tem base legal, impedindo a entidade de proceder à cobrança de
anuidades.
4. Ademais, mesmo que válida a inscrição provisória, o pagamento de anuidades aos Conselhos
de Fiscalização tem natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais,
constante no art. 149 da Carta Magna. Dessarte, não é o registro perante o Conselho
Profissional que impõe a cobrança da exação. Antes, a obrigação tributária é ex lege,
independente da vontade do contribuinte, tendo como fato gerador o exercício da
atividade regulamentada. Nunca tendo exercido a profissão, são indevidas as anuidades
exigidas. (AC nº 382374 - Proc. 200004011377951/RS - 1ª T do TRF da 4ª R - Rel. Juiz
Wellington M de Almeida - DJU 04/05/2005, p.507)
Outrossim, mesmo sob a égide da Lei nº 14.021/14 é desnecessário responsável farmacêutico em
unidades públicas de pequeno porte, conforme pontua a atualíssima jurisprudência TRF 3ª Região, que
assim decidiu:

“DIREITO ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. CRF/SP. PODER DE FISCALIZAÇÃO.


NECESSIDADE DE RESPONSÁVEL FARMACÊUTICO EM DISPENSÁRIO DE
MEDICAMENTO. DISPENSÁRIOS DE UNIDADE BÁSICA OU POSTO DE SAÚDE.
DESNECESSIDADE. LEI Nº 14.021/14 NÃO REVOGOU A LEI Nº 5.991/73. NOVA
LEGISLAÇÃO TAMBÉM NÃO TRATA DOS DISPENSÁRIOS. APELAÇÃO PROVIDA.
1. Trata-se de recurso de apelação interposto pelo MUNICÍPIO DE DIADEMA em face da r.
sentença de fls. 32/34 que, em autos de embargos à execução, julgou improcedente os
embargos, nos termos do art. 487, inciso I, do CPC, pois entendeu ser legal à cobrança do
débito inscrito em dívida ativa. Houve a condenação do embargante ao pagamento de

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honorários advocatícios, fixados nos percentuais mínimos do § 3º, do art. 85, do CPC, sobre o
valor atualizado da causa. Sem reexame necessário.
2. Analisando melhor o tema passei a entender que a Lei nº 13.021/2014, denominada de Nova
Lei de Farmácia, não revogou, total ou parcialmente, a Lei nº 5.991/73, que dispõe sobre o
controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos.

3. Como bem expressa o art. 2º, § 1º, da Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro
(LINDB) "a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com
ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior",
situações as quais a Lei nº 13.021/2014 não se enquadra, uma vez que não houve nem
revogação expressa, nem enquadramento expresso do conceito de dispensário na definição de
farmácia. Ora, a técnica de interpretação legislativa determina que não cabe ao intérprete
distinguir onde a lei não distingue. Desta forma, não compete nem ao Conselho Profissional
exigir o que a lei não exige, nem ao Poder Judiciário realizar interpretação sistemática em caso
no qual ela não é cabível.
4. A Lei nº 13.021/2014 trata especificamente do dispensário de medicamentos em seus artigos
9º e 17, sendo que tais preceitos normativos foram vetados sob o fundamento de que "as
restrições trazidas pela proposta em relação ao tratamento hoje dispensado para o tema na Lei
nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, poderiam colocar em risco a assistência farmacêutica à
população de diversas regiões do País, sobretudo nas localidades mais isoladas. [...]".

5. Se o dispensário de medicamentos, nos termos da lei, é o setor de fornecimento de


medicamentos industrializados, privativo de pequena unidade hospitalar ou equivalente,
implicitamente temos que o dispensário é local, inserido na pessoa jurídica que constitui a
unidade hospitalar, responsável pela guarda e dispensação do medicamento que ali se
encontra, de forma tal que não faz sentido pensar neste setor como uma personalidade jurídica
própria, destacável da integralidade do hospital.

6. A exigência, por lei, de profissional farmacêutico de forma ininterrupta nos estabelecimentos


farmacêuticos convencionais se fundamenta na preservação da saúde pública, tendo por
finalidade precípua evitar a administração de medicamentos deliberada e erroneamente pela
população, o que, pela própria configuração e condições técnicas, não ocorre nas unidades
hospitalares, onde as prescrições dos fármacos são atribuições privativas dos profissionais
médicos, que os administram nas restritas recomendações dos laboratórios fabricantes e com
base no conhecimento adquirido durante e após a formação universitária, sem que para isso
seja necessária a intervenção de qualquer outro profissional, nem mesmo os farmacêuticos, sob
pena de restrição à liberdade profissional médica.
7. A jurisprudência, atualizando o conteúdo da Súmula 140 do extinto Tribunal Federal de
Recursos, que previa como unidade hospitalar de pequeno porte os estabelecimentos de saúde
com até 200 (duzentos) leitos, estabeleceu como pequena unidade hospitalar aquela composta
de até 50 (cinquenta) leitos. Precedentes: "STJ, REsp nº 1.110.906/SP, Ministro Humberto
Martins, Dj: 23/05/2012; TRF3ª, Ag em AC nº 0005631-19.2014.4.03.6141/SP, TERCEIRA
TURMA, Rel. Desembargador Federal Carlos Muta, julgado em 17/09/2015)".
8. Apelação provida.(TRF TERCEIRA REGIÃO – Terceira Turma – Ap - APELAÇÃO CÍVEL -
2291947 / SP -0003989-24.2016.4.03.6114 - Rel. Desembargador Federal Antônio Cedenho, e-
DJF3 Judicial 1 data: 25/04/2018).

DOS REQUERIMENTOS:

Ante o exposto, requer que V. Exa. julgue procedentes os pedidos formulados pela parte

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embargante, julgando insubsistentes as multasaplicadas pelo Conselho regional de Farmácia,
extinguindo-se as exaçõesem face da nulidade da multa imposta na autuação lavrada, julgando-
se, ao final, PROCEDENTES OS EMBARGOS À EXECUÇÃO.
Por fim, requer a condenação da Embargada no pagamento das despesas judiciais e
extrajudiciais a que deu causa, bem como no pagamento dos honorários da sucumbência, estes
no percentual de 20% (vinte por cento) sobre o valor atribuído à causa.
Para tanto, protesta o Embargante pela produção de todas as provas em direito admitidas e que se
mostrem necessárias ao desate da controvérsia durante a instrução do feito, tais como a posterior juntada
de documentos, em especial a prova pericial requerida.

Dá-se á causa o valor de R$ 3.946,85 (três mil e novecentos e quarenta e seis reais e oitenta e
cinco centavos).

Pede deferimento.
Sirinhaém/PE, 25 de outubrode 2019.

José Carlos Siqueira de Assunção


OAB/PE 11.217

Gerson Câmara Silva e Sena


OAB/PE nº. 36.043

[1] Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e
fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações
processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.
[2] Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão
somente os dias úteis.

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